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O direito é o conjunto de leis , resoluções e regulamentos criados por um

Estado, que podem ter um caráter permanente e obrigatório de acordo com


a necessidade de cada uma e que são de estrito cumprimento por TODAS as
pessoas que habitam essa comunidade para garantir a boa convivência
social entre estas e que a resolução dos conflitos de tipo interpessoal
cheguem bem perto .

Diferentes atuações do Direito

Você dificilmente irá encontrar um profissional da área jurídica que atue em


qualquer segmento, afinal, é preciso se concentrar em apenas um deles. E é
por conta disso que existem diversas especializações dentro do próprio
Direito. São elas:

Direito Civil – o direito civil está diretamente atrelado ao conjunto de regras


e normas jurídicas que estabelecem as obrigações e os direitos privados de
bens, indivíduos e suas relações de modo geral;

Direito do Trabalho – os direitos trabalhistas, por sua vez, são aqueles


estabelecidos tanto no âmbito público quanto privado. Controlar as relações
entre empregadores e empregados e assegurar o direito de ambos é o
principal motivo pelo qual essa especificação do Direito é uma das mais
conhecidas em nosso país;

Direito Penal – O Direito Penal está atrelado às regras e normas que definem,
identificam e determinam os crimes e as sanções (penalidades) ou medidas
de segurança que possam ser aplicadas aos infratores de crimes no geral;

Direito administrativo – O direito administrativo é voltado especificadamente


ao setor público, sendo ele baseado em um conjunto de normas que visam o
bom funcionamento e a organização dos serviços públicos;

Direito processual – Já esse tipo de Direito é baseado em um conjunto de


regras que estabelece o modo pelo qual os direitos devem ser válidos em
território nacional. Como os atos judiciários devem ser regulados? Quem
define isso são os profissionais desta área jurídica.

Direito Constitucional – Por fim, o direito constitucional é baseado em


princípios e normas relacionadas à definição da forma e sistema de governo,
organização política e
funções atribuídas a cada um dos três poderes (Poder Executivo, Poder
Legislativo e Poder Judiciário).

É o sistema de normas de conduta e princípios criado e imposto por um


conjunto de instituições para regular as relações sociais :[1] é o que os

juristas chamam de direito objetivo . É a que os leigos se referem quando


dizem, por exemplo, "o direito proíbe a poligamia ". Neste sentido, equivale
ao conceito de " ordem jurídica "

A sociedade humana é o meio em que o direito surge e se desenvolve [2]


(costuma-se dizer que "onde está a sociedade, ali está o direito"). É
essencial à vida em sociedade, ao definir direitos e obrigações entre as
pessoas e ao resolver os conflitos de interesse. Seus efeitos sobre o
quotidiano das pessoas vão desde uma simples corrida de táxi até a compra
de um imóvel , desde uma eleição presidencial até a punição de um crime,
dentre outros exemplos.

O direito é um fenômeno de regulação social de enorme importância e, ao


mesmo tempo, de grande ambiguidade, pois mantém-se relacionado com
inúmeros outros fenômenos sociais, tais como a religião, a política, a
economia, a cultura, a moral, a linguagem.

O direito é tradicionalmente dividido em ramos, como o direito civil , direito


penal, direito comercial, direito constitucional, direito administrativo e
outros, cada um destes responsável por regular as relações interpessoais
nos diversos aspectos da vida em sociedade.

A vida em sociedade e as consequentes inter-relações pessoais exigem a


formulação de regras de conduta que disciplinem a interação entre as
pessoas, [5] com o objetivo de alcançar o bem comum e a paz e a
organização social. Tais regras, chamadas normas éticas ou de conduta,
podem ser de natureza moral , religiosa e jurídica. A norma do direito,
chamada "norma jurídica", difere das demais, porém, por dirigir-se à conduta
externa do indivíduo, exigindo-lhe que faça ou deixe de fazer algo,
objetivamente, e atribuindo responsabilidades, direitos e obrigações.
Compare-se com as normas morais e religiosas, dirigidas precipuamente à
intenção interna, ao processo psicológico.

O direito constitui, assim, um conjunto de normas de conduta estabelecidas


para regular as relações sociais e garantidas pela intervenção do poder
público (isto é, a sanção que a autoridade central - no mundo moderno, o
Estado - impõe). É pois da natureza da norma de direito a existência de uma
ameaça pelo seu não-cumprimento (sanção) e a sua imposição por uma
autoridade pública (modernamente, o Estado) com o objetivo de atender ao
interesse geral (o bem comum, a paz e a organização sociais). Alguns
juristas, entretanto, discordam da ênfase conferida à sanção para explicar a
natureza da norma jurídica.

O DIREITO MOÇAMBICANO

A República de Moçambique baseia-se no sistema jurídico de inspiração


romano-germânica, onde a lei é a principal fonte de direito. Por isso, a
jurisprudência dos tribunais resultante do julgamento de casos não tem valor
vinculativo tal como acontece nos sistemas Anglo-saxónicos.

Moçambique é um Estado de direito democrático baseado no princípio da


separação e interdependência de poderes. De acordo com a Constituição de
2004, a terceira constituição adoptada após a independência do país, os
direitos individuais e a independência dos tribunais foram fortalecidos. A
constituição é a lei suprema do país e todos os actos contrários às
disposições constitucionais são nulos. Moçambique é ainda um Estado
unitário, que respeita o princípio da autonomia das autoridades locais.

O Título III da Constituição (Artigos 35 à 95) relativo aos Direitos, Deveres e


Liberdades Fundamentais, garante a igualdade de todos perante a lei, o
direito à vida, a integridade moral e física, bem como a garantia de que
ninguém será sujeito a tortura ou tratamento cruel e desumano, o direito à
privacidade e o dever de defender e promover a saúde.

De acordo com o artigo 43 da Constituição (CRM), os princípios


constitucionais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados
e integrados em harmonia com a Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948) e da Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos (1981).

Quanto ao direito internacional, apenas tratados e acordos internacionais


validamente aprovados e ratificados vigoram na ordem jurídica
moçambicana, após publicação oficial, vinculando internacionalmente o
Estado moçambicano. As normas de direito internacional em Moçambique
tem o mesmo valor legal tal como as normas infraconstitucionais emanadas
da Assembleia da República e do Governo, respectivamente, de acordo com
a forma de recepção.

Existe no ordenamento jurídico moçambicano um Código de Ética da Ciência


e Tecnologia de Moçambique, que regula os aspectos éticos da investigação
científica, aprovada pelo Conselho de Ministros (Decreto n°71/2007, de 24
Dezembro). Nos termos do art. 2 estabelece que é aplicável a todas áreas
onde seja realizada investigação científica, incluindo as áreas que envolvam
questões éticas que ponham em risco vidas humanas. Assim, pode-se
assumir que em Moçambique existe uma lei geral que regula a pesquisa na
área da saúde e a protecção dos participantes da pesquisa, englobando os
princípios básicos de pesquisa biomédica nomeadamente: respeito pelas
pessoas (consentimento/

confidencialidade), beneficência e justiça .

O Código de Ética, não se refere expressamente a Declaração de Helsínquia


(2008), no entanto contempla todos os princípios básicos de pesquisa
citados na declaração. Moçambique não é ainda signatário, oficialmente da
Declaração uma vez que a Ordem dos Médicos recentemente criada está em
processo de se tornar membro da Associação Médica Mundial. Porém, o país
já esteve anteriormente representado pela Associação Médica de
Moçambique, que assumiu temporariamente as funções da Ordem enquanto
esta não estivesse formalamente constituída. Contudo, é válido afirmar que
o país tem uma tradição na ratificação sem reservas de instrumentos
internacionais e regionais da área de direitos humanos. Não obstante esse
facto, a Declaração de Helsínquia é aplicável em Moçambique como costume
internacional, sendo que o mesmo aplica-se para as Directrizes Éticas
Internacionais do Conselho para as Organizações Internacionais das Ciências
Médicas - CIOMS (2002), Directrizes Operacionais para os Comités de Ética
da Organização Mundial da saúde - OMS (2000) e as Boas Práticas Clínicas
da Conferência Internacional de Harmonização - ICH (1996).

Assim, a avaliação dos protocolos de pesquisa biomédica é regulada em


geral pelo Código de Ética da Ciência e Tecnologia (CECT), que é aplicável a
qualquer investigação científica incluindo-se aquelas que envolvem seres
humanos. Em seu âmbito este código abrange os requisitos de revisão e
aprovação ética, beneficência, consentimento dos participantes e os
procedimentos para as comissões ou comités de ética.
Com respeito à pesquisa envolvendo seres humanos, não existe uma lei
específica que regule aspectos éticos na pesquisa médica, contudo o Comité
Nacional de Bioética para a Saúde (CNBS) aplica os princípios derivados da
Declaração de Helsínquia e outros tais como CIOMS, Boas Práticas Clínicas
da ICH, entre outros. Existem, ainda, disposições legais nacionais dispersas
em várias leis aplicáveis em sectores diversos da saúde e na protecção dos
direitos humanos, tais como o Código Civil, o Código Penal, a Lei da Família e
Menores, o Código de Ética e Deontologia dos médicos.

Por Despacho do Ministro da Saúde, datado de 21 de Maio 2010 foi criado o


Comité Nacional de Bioética para a Saúde (CNBS), onde a principal
responsabilidade é regular e garantir o respeito pelos princípios éticos e a
revisão e aprovação dos protocolos de pesquisa na área da saúde.

Em termos administrativos, e em acordocom o artigo 2 do Decreto do


Presidente da República n˚17/2005 de 31 de Março, o Ministério da Ciência e
Tecnologia de Moçambique (MCT) é responsável pelo desenvolvimento,
implementação e avaliação da política governamental na área da ciência e
tecnologia e pela coordenação da investigação científica no país, incluindo a
do sector da saúde. Por isso, o Conselho Científico para a Saúde esta sediado
neste Ministério onde são definidas as áreas de interesse para pesquisa.

Por outro lado, o Ministério da Saúde é responsável pela implementação da


política de saúde em Moçambique de acordo com o artigo 1 do decreto
Presidencial nº11/95 de 29 de Dezembro. O artigo 2 nº3(a) do mesmo
instrumento legal indica que o Ministério assume também outras funções
nomeadamente: promover e realizar pesquisas clínicas, biomédicas e
epidemiológicas de acordo com as prioridades nacionais. A partir destes dois
decretos, pode-se concluir que esses Ministérios devem trabalhar em
estreita colaboração, porém, a definição e regulamentação das áreas de
investigação científica cabe em particular ao Ministério da Ciência e
Tecnologia, conforme definido pelo artigo 4 do Decreto nº17/2005, de 31 de
Março..

Necessidade do Direito e significados desta expressão Onde está o homem


travando relações social está, também, o direito. O direito está na sociedade
como a enfermidade na cura.[1] O homem só dispensa o direito no
isolamento. O personagem Robison Crusoé, naquela ilha, nada devia e nada
podia exigir a quem quer que fosse. Os limites de sua liberdade eram
delimitados apenas pelas leis da natureza. Já em sociedade, o direito se
apresenta como requisito essencial. Onde há mais de uma pessoa, ocorrem
relações. Relações econômicas, sociais, culturais, políticas. Na pluralidade,
os indivíduos têm de dividir o trabalho para atingirem objetivos comuns de
bem-estar e de desenvolvimento. É imprescindível uma organização com
moldes estáveis. Sem estabilidade não há segurança e sem segurança não
há bem-estar. Em tempos passados, cumpria à religião assegurar a
organização social. Hoje, menos devotos os homens, a função de dar
estabilidade à organização pertence a um conjunto de normas impostas e
cuja observância é exigida coativamente pelo Estado. Essas normas são o
direito. A palavra direito é proveniente do verbo latino dirigere, que
significa dirigir, endireitar. Etimologicamente traduz a idéia de regra, de
direção, daquilo que é reto. Na França é droit, na Espanha, derecho, na
Itália, diritto e na Alemanha, recht. O romanos chamavam o direito de jus,
e justitia representava uma qualidade do direito[2] . Na linguagem comum,
o direito é uma daquelas expressões à qual se concedeu inúmeras utilidades.
Se presta para representar o lado do corpo normalmente mais hábil. Para
adjetivar o homem e sua conduta. Homem honrado, franco, sincero. Conduta
correta. Entendido como ciência, direito é o conhecimento metódico e
sistemático das normas que compõem o ordenamento jurídico. Direito
positivo é expressão utilizada para fazer frente ao direito natural. Foi criada
com o advento do jusnaturalismo, para a ele se opor e dele se distinguir[3] .
O direito sob o aspecto positivo é o conjunto de normas do ordenamento
jurídico e dos direitos subjetivos que delas resultam. Abrange o direito
objetivo e o subjetivo. Direito objetivo é o conjunto de normas que integram
o ordenamento jurídico e que brotam das fontes do direito. O direito
objetivo, também chamado de direito normativo (norma agendi), visa regular
a atividade humana em suas variadas expressões. Direito subjetivo é um
aspecto do direito objetivo. Não há direito subjetivo sem o objetivo, pois que
aquele decorre deste. O direito subjetivo é a possibilidade de agir. Nasce
quando se verifica no mundo dos fatos a hipótese prevista na norma Para
melhor fixação de conceitos, e utilizando-se para isto do direito penal, pois
nele, esses conceitos possuem contornos mais nítidos, vejamos o que
significam direito pela ciência, direito penal objetivo e direito penal subjetivo.
O conteúdo do direito penal ciência foi bem descrito pelo penalista Aníbal
Bruno: é aquela área do conhecimento que tem por fim a elaboração
sistemática dos princípios que governam as normas penais. Ciência do
direito penal é esta dogmática ou sistemática jurídico- penal que não se
esgota na pura indagação lógico-formal, mas que se alimenta da realidade
social e dos aspectos fenomênicos do crime[4] . Já o direito penal objetivo é
aquele complexo de normas que concedem regulamentação ao direito de
punir do Estado. Normas deste tipo são as que descrevem crimes, que
cominam penas, que fazem previsão de causas extintivas de punibilidade,
etc. Direito penal subjetivo é, ou o direito de punir do Estado, ou o direito de
não ser punido do cidadão. Aquele nasce com a prática de crime. Ocorrendo
que “A” tire a vida de “B”, sem que sua conduta se dê em concorrência com
causa excludente de antijuridicidade ou de culpa, surge para o Estado o
direito penal subjetivo de punir “A”. Por outro lado, o direito penal subjetivo
de não ser punido, que sem muito rigor pode ser chamado de direito de
liberdade, surge com o nascimento e subsiste enquanto o indivíduo não
praticar fato definido como crime na lei penal. Dando continuidade ao exame
das formas pelas quais o direito é entendido, deparamo-nos com o chamado
direito natural[5] . A concepção de direito natural é antiga. Os romanos o
entendiam como o direito comum a todos, homens e animais. Os
escolásticos encontravam sua natureza na razão

divina. Atualmente, o direito natural é mais comumente visto como “o


conjunto de princípios impostos à legislação dos povos cultos, fundados na
razão e na equidade para que regulem e assegurem os direitos individuais,
tais como os de vida, liberdade, de honra e de todos os direitos patrimoniais
que asseguram a própria existência do homem”. Orlando Gomes[6] , em sua
obra Introdução ao Direito Civil, empresta ao direito natural algumas poucas
linhas para dizer que ele se encontra fora das fronteiras do direito. Considera
o direito natural, quando muito, um capítulo da Moral. Interessam, ainda, em
sumárias noções sobre a expressão direito, algumas considerações sobre as
qualidades do direito, quais sejam, sua validade, vigência e
exeqüibilidade[7] . Direito válido é aquele que se encontra estabelecido
legalmente. Ou seja, aquele que foi elaborado conforme as normas que
regulamentam sua produção. Vigência do direito é sua existência jurídica. A
vigência é o tempo em que a norma se mantém produzindo efeitos jurídicos.
Cessam a eficácia e a vigência da norma com a revogação. Exeqüibilidade
do direito é a possibilidade de colocá-lo em prática. Algumas pessoas
enumeradas taxativamente em lei extravagante têm direito à prisão especial
enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. Não existem em
algumas regiões do Brasil as características desta prisão como elas estão
descritas e exigidas em lei. Ela é inexeqüível. Algumas decisões a
substituem pela prisão domiciliar. Sobre o tema já dizia Montaigne que
quando as leis não podem obter o que têm direito de exigir, mais vale que
exijam somente o que podem obter.
Direito Público e Privado. Finalidade da distinção . O direito é dividido em
dois grandes ramos: o público e o privado. Alguns autores, como Gustavo
Radbruch, entendem que estas categorias são apriorísticas do direito.
Outros, que modernamente constituem a maioria, sustentam que a divisão é
aceitável, apenas, em razão do aspecto técnico e didático[9] . A importância
da distinção, do ponto de vista técnico, está em que os princípios que
inspiram um ramo são diversos dos que integram o outro. Necessário
determinar se a norma é de direito público ou privado para que se possa na
sua interpretação e aplicação complementá-la com os princípios que lhe são
apropriados. Critérios de distinção A doutrina é praticamente pacífica quando
nega a possibilidade da identificação de um critério válido capaz de
distinguir com certeza um ramo do outro. Por conta dessa dificuldade,
Tornagui anota que há quem negue valor à classificação e quem desautorize
qualquer diferença entre os dois ramos do direito. Em linhas gerais, estes
são os critérios de distinção comumente propostos:

1o. – o do interesse;

2o. – o da natureza da relação;

3o. – o do poder da vontade das partes sobre a norma.

Critério do interesse

A divisão do direito em público e privado pelo critério do interesse provém


dos romanos. É de Ulpiano e encontra-se expressa nas Institutas de
Justiniano: “Publicum jus est quod ad statum rei romanae spectat; privatum
quod ad singulorum utilitatum”[10] . É um critério teológico. O público tem
por finalidade regular a organização da república romana ou da coisa
romana, e o privado, a utilidade dos particulares. Pelo critério do interesse, o
direito público é formado pelas normas de interesse público, pelas que têm
por escopo regular o interesse da coletividade; e o direito privado, pelas
normas que interessam aos particulares.

Um dos estudiosos que se preocupou em definir interesse público foi Paulo


Dourado de Gusmão. Advertindo que a questão é de difícil solução, propôs
algumas definições: é o interesse do Estado e das pessoas jurídicas de
direito público, bem como o interesse de todos sem ser de nenhum em
particular. É o interesse do Estado e das citadas pessoas, desde que ligado
às funções, especificadas por lei, aos mesmos atribuídas pela legislação; do
Estado como fisco; do Estado como garantidor da ordem pública; do Estado
como organização, como promotor do bem de todos e do desfrute por todos
dos bens comuns, enfim – prossegue Gusmão – o vinculado às funções, aos
poderes e à competência estatais, previstos em lei, que, por lei, podem ser
transferidos a outras pessoas jurídicas de direito público[11] . Como os
outros critérios, o do interesse não está isento de críticas[12] . A primeira
que se faz é que a distinção é vaga porque vago é o conceito de interesse
público. A segunda é que é inegável a existência de interesse público em
todas as normas que compõem o ordenamento jurídico. No momento em
que a norma é estatuída e assegurada pelo Estado, é porque há nela
interesse público. Objetando o valor do critério do interesse, Garcia Maynez,
com muita perspicácia, comenta que o mais grave da teoria se deve a esta
propor um critério que pretende valor objetivo utilizando-se de uma noção
essencialmente subjetiva. Ter interesse em algo – escreve o professor –
significa atribuir valor ou importância à sua realização e disto resulta o
interesse em elemento subjetivo.

Critério da natureza da relação

Mais recente, a teoria da natureza da relação jurídica para distinguir o ramo


público do privado. Segundo esta doutrina o direito é público quando regula
uma relação de subordinação em que participa obrigatoriamente o Estado
como parte. Não que baste a simples presença estatal na relação jurídica,
posto que o Estado é parte em relações de direito privado quando se
encontra em posição de igualdade com os outros sujeitos da relação.
Segundo a tese, para que a relação jurídica seja pública e público o direito
que a regula, é preciso que o Estado dela participe como Estado soberano
munido de “imperium”. A deficiência do critério da natureza da relação está
em que essa tese não esclarece suficientemente quais os requisitos que
devem ser considerados para que se determine se uma relação há ou não
participação do Estado. Existe participação do Estado naquelas relações do
direito de família em que está presente claramente o interesse público?
Outra falha é a falta de um critério que estabeleça se a participação do
Estado em uma relação se dá com ou sem soberania.

Critério do poder dispositivo sobre a norma

Há, ainda, os que pretendem diferenciar os dois ramos considerando o poder


dispositivo das partes sobre a norma. Segundo estes, as normas de direito
privado seriam aquelas que podem ser deixadas de lado na aplicação,
quando as partes assim convencionem. As de direito público seriam
irrenunciáveis. O defeito desta doutrina é que muitas normas pertencentes
ao direito privado não estão à disposição da vontade das partes quando da
sua aplicação. E ocorre o mesmo com as de direito público, quando algumas
estão à disposição. Desta segunda hipótese é exemplo o instituto do perdão,
que afasta a aplicação da lei penal em certos crimes.

Investigação na norma do interesse prevalente

O direito público e o privado são aqueles compostos respectivamente pelas


normas de direito público e de direito privado. Quando se identificam normas
de direito público no interior do direito de família ou de direito privado no
direito processual, o que se observa é que as normas de natureza pública,
não raramente, invadem terrenos em que a supremacia é das normas
privadas, e vice-versa. Não é a posição da norma nos textos legais que se
presta para traçar a sua natureza. Inobstante as críticas de longa data
dirigidas à doutrina do interesse, parece que é ela, ainda, a que se apresenta
mais razoável para diferenciar a norma de natureza pública da de natureza
privada e, por conseqüência, para estabelecer o que é direito público e o que
é direito privado. Sem dúvida que em todas as normas está contido o
interesse público. Mas esta circunstância não obsta a distinção dos dois
ramos pelo critério do interesse, pois o que se há de investigar na norma é o
interesse prevalente.

O direito processual como ramo do direito público

No passado, quando se vislumbrava o processo civil como o direito nele


pleiteado em “pé de guerra”, ou seja, quando se entendia o processo como
uma exteriorização do direito substancial que é discutido em juízo, pensava-
se que o direito processual civil não passava de ramo do direito privado.
Quando passou-se a visualizar o processo como uma relação jurídica e a
ação como um direito dirigido ao Estado, distinto da relação jurídica
material, possibilitou-se a visão do direito processual como ramo do direito
público. Modernamente é pacífico que o processo civil é da abrangência

do direito público. Com mais razão ainda o direito processual penal é direito
público. E por três motivos:

1o – a tarefa de punir os criminosos e garantir a liberdade dos inocentes é do


interesse direito do Estado;

2o – na relação jurídica processual atua como entidade soberana o Estado,


representado pelo juiz, a quem é conferida a função jurisdicional;

3o – na atividade judiciária processual atuam órgãos públicos.


2 A função do Direito na sociedade. As especificidades do caso concreto

O Direito surge na sociedade a partir da manifesta necessidade de controle

social, ou seja, com a função de estabelecer uma “boa ordem” de convivência entre as

pessoas, resolvendo seus conflitos e choques de interesses.

Chega um ponto em que a moral, a religião, a consciência, nenhum desses

setores sociais são suficientes para deter as condutas defeituosas e impor soluções

efetivas para os problemas surgidos a partir da experiência do convívio.

Deste modo, vê-se o Direito como fruto da influência de uma série de fatores

sociais, ou ainda, como um complexo de elementos de interdependência entre o

mundo jurídico e o mundo social.

A partir disso, surge a convicção de que o Direito precisa ser, antes de qualquer

coisa, o reflexo da sociedade, no tempo e no momento histórico, a que se destina. Ou

seja, ele deve representar os valores, as concepções, os ideais sustentados por esta

sociedade, garantindo sua harmonização constante.

É preciso observar, no entanto, que esta tarefa de harmonização e ordenação

não é tão simples, tendo em vista o constante dinamismo das relações em sociedade,
que estão, a todo tempo, se renovando e se flexibilizando, acatando outros valores,

aceitando novos parâmetros, retomando paradigmas, enfim, tornando-se, a cada dia,

mais complexa e variável. Nesse contexto, o Direito, por constituir reflexo de tudo isso,

precisa acompanhar paralelamente todas essas mutações, admitindo sempre uma

certa abertura em seu sistema, capaz de abarcar cada variável de um caso concreto.

Somente desta forma, o sistema jurídico também irá evoluir, estando sempre em

consonância com a ordem social vigente.


Por este motivo, duas são as características essenciais das normas jurídicas: a

generalidade e a abstração, pois a sua aplicação dirige-se a um número indeterminado

de pessoas, bem como a uma quantidade indeterminada de fatos, podendo, assim,

abranger todas as variantes possíveis e, conseqüentemente, sendo passível de

decisões judiciais diversas.

A partir dessas fundamentações incontestáveis, no âmbito da sociologia jurídica,

é possível trazer à tona uma discussão bastante polêmica que vem sendo levantada

em torno da atribuição do efeito vinculante à súmula jurisprudencial.


Faz-se necessário, antes de tudo, o esclarecimento de alguns conceitos jurídicos

que irão viabilizar o entendimento e o aprofundamento do estudo em torno da questão

das súmulas.