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Sumário
Conteúdo 01: Incidência Tributária ............................................................................................................................. 2

Conteúdo 02: Obrigação Tributária e Responsabilidade Tributária .......................................................................... 14

Conteúdo 03: Responsabilidade Tributária................................................................................................................ 24

Conteúdo 04: Exclusão do Crédito Tributário ........................................................................................................... 34


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Conteúdo 05: Lançamento/Crédito Tributário ........................................................................................................... 47

Conteúdo 06: Suspensão do Crédito Tributário ......................................................................................................... 56

Conteúdo 07: Causas de Extinção do Crédito Tributário .......................................................................................... 68

Conteúdo 08: Causas de Extinção do Crédito Tributário .......................................................................................... 86

Conteúdo 09: Garantias e privilégios tributários ....................................................................................................... 96

Conteúdo 10: Administração Tributária .................................................................................................................. 102

Conteúdo 11: Processo Administrativo Fiscal ......................................................................................................... 108


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DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 01: Incidência Tributária

1. Fenômeno da Incidência Tributária: o estudo da hipótese de incidência e do fato gerador

A relação jurídico-tributária se desenrola por meio de uma sucessão lógica e cronológica de


acontecimentos. O ponto de partida será a chamada “hipótese de incidência tributária (HI)*”, que indica um
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paradigma ou modelo (arquétipo ou standard legal) vocacionado a deflagrar a relação jurídico-tributária que unirá o
credor ao devedor do tributo (e vice-versa).

O tributo deverá ser pago se houver o encontro de uma hipótese com uma determinada conduta (nexo causal
que irá gerar consequências), se comparamos com o direito penal, seria a adequação da conduta delitiva com o tipo
penal.

No âmbito do direito tributário, quando determinada conduta se amolda a referida hipótese deverá ser pago
o tributo. A esse encontro, denominamos que houve o fato gerador. Assim, por exemplo, na hipótese de Fernanda
auferir renda, nasce para esta o dever de pagar o imposto de renda - IR.

Assim:

▪ Auferir renda
▪ Nasce a obrigação tributária
▪ Dever de pagamento do IR.
*HI: é uma situação abstrata, hábil a deflagrar a relação jurídico-tributária.
Ex – auferir renda, circular mercadoria, etc.
Dotados de HIPOTETICIDADE

➢ Mas o que seria a hipoteticidade?

A hipótese de incidência tributária é dotada de hipoteticidade, que significa que o modelo legal é imaginado pelo
legislador e transcrito para a norma, ou seja, trabalha-se com situações hipotéticas que podem deflagrar tributos.
Com efeito, a HI localiza-se no plano da abstração (o mundo dos valores jurídicos), sendo dotada de
hipoteticidade e tributabilidade (aptidão para deflagrar o tributo).

Observe que a hipótese vem prevista em um verbo no infinitivo, além de demonstrar abstratamente
situações que se abrem à incidência tributária, uma vez indicadoras de signos presuntivos de riqueza do contribuinte.

Assim, a tributabilidade é a aptidão ao constante no enunciado descritivo para a tributação, ou seja, signo
presuntivo de riqueza alcançável pela tributação.
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Vamos conceituar?
Segundo Eduado Sabbag (Manual de Direito Tributário, 2016) a hipótese de incidência tributária representa o
momento abstrato, previsto em lei, hábil a deflagrar a relação jurídico-tributária. Caracteriza -se pela abstração, que
se opõe à concretude fática, definindo -se pela escolha feita pelo legislador de fatos quaisquer do mundo fenomênico,
propensos a ensejar o nascimento do episódio jurídico-tributário.

É importante destacar que a hipótese de incidência é demarcada normativamente pelo legislador, constando3
da lei tributária ao lado de outros elementos configuradores da reserva legal ou tipicidade fechada, a saber: a alíquota,
a base de cálculo, o sujeito e a multa (ver art. 97, CTN).

TEMA EM CORRELAÇÃO (Princípio da legalidade tributária)

Alíquota
Base de cálculo
Sujeito Passivo
Elementos estruturantes da lei tributária Multa
FG* (Melhor seria HI)

Legislação

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:

I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;

II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39,
57 e 65;

III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no


inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;

IV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos


artigos 21, 26, 39, 57 e 65;

V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos,


ou para outras infrações nela definidas;

VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa


ou redução de penalidades.
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*Fato gerador
Enquanto a HI se mantiver no campo hipotético da abstração, sem a materialização do fenômeno que se
espera, não se cogitará de obrigação tributária. Todavia, ocorrendo a concretização da HI no plano dos fatos (plano
fenomênico ou da realidade), transbordará a incidência tributária.
Esquematizando
HI → FG → OT
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Surgirá a partir do encontro HI - FG

Mundo da realidade (Plano fático)

Mundo dos valores (Plano abstrato)

HI – Hipótese de incidência tributária


FG – FATO GERADOR
OT – OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA

Desse modo, só se cogita a possibilidade da obrigação tributária se houver o fenômeno da incidência, que
significa o encontro do fato com a hipótese.

É importante enaltecer que da perfeita adaptação do fato ao modelo ou paradigma legal despontará o
fenômeno da subsunção. A partir dela, nascerá o liame jurídico obrigacional, que dará lastro à relação intersubjetiva
tributária.

➔ JÁ CAIU:
ESAF: A obrigação tributária nasce com o lançamento. Errado, a obrigação tributária nasce com a hipótese da
incidência tributária.

HI →FG →OT

→Subsunção Tributária (acoplar-se, encaixar-se):

Vale dizer que a obrigação tributária depende do encontro do plano fático com o plano abstrato (e vice-
versa), fazendo unir, de um lado, o fato à norma, e, de outro, a norma ao fato. Trata-se da chamada “subsunção
tributária”, geradora da obrigação tributária.

Esquematizando
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HI FG → OT (dever de $)

É o perfeito acoplamento do fato à hipótese (e vice-versa). É um pressuposto para que ocorra o fenômeno
da incidência tributária.

→Fato Gerador
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Assim, aquele fato que materializa a hipótese, sem o qual não se fala em obrigação tributária, recebe o
nome de “fato gerador” (fato imponível, fato jurígeno ou fato jurídico-tributário). Insere-se no “mundo da
realidade”.

Vamos conceituar?
Segundo Eduado Sabbag (Manual de Direito Tributário, 2016) o fato gerador ou fato imponível, é a materialização
da hipótese de incidência, representando o momento concreto de sua realização, que se opõe à abstração do
paradigma legal que o antecede.

Curiosamente, esse recorte do fenômeno da incidência em duas perspectivas autônomas, mas relativamente
dependentes (há HI sem FG, mas não há FG sem HI) sempre despertou aplausos e críticas no plano doutrinário.

Nesse sentido, Geraldo Ataliba, seguido por muitos outros (Hugo de Brito Machado, por exemplo),
idealizou a dupla perspectiva.

Por outro lado, Rubens Gomes de Sousa e tantos outros conceberam o fenômeno pela perspectiva uma do
fato gerador, quer no plano abstrato, quer no plano concreto.

Destaca-se, independentemente da linha doutrinária que se venha a seguir, um dado é certo: a obrigação
tributária depende do perfeito acoplamento do fato à norma e vice-versa; de que a norma se subsuma ao fato (e vice-
versa).

Frise-se que as Bancas examinadoras têm preferido a análise do fenômeno pela dupla perspectiva “HI
versus FG”.

JÁ CAIU:
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CESPE/2006: A hipótese de incidência tributária não se confunde com o fato gerador da obrigação tributária. A
primeira corresponde à previsão legal e abstrata da situação que implica a incidência da norma tributária, já o
segundo é a concretização da hipótese de incidência no mundo dos fatos e dá origem à obrigação tributária. (Correto).

Esquematizando

Hipótese de Incidência Tributária Fato Gerador

Trata-se da previsão legal e abstrata da É concretização da hipótese de


situação que implica a incidência da incidência no mundo dos fatos e dá
norma tributária origem à obrigação tributária.

ESAF: A hipótese de incidência é o fato da vida que gera, diante do que dispõe a lei tributária, o dever de pagar o
tributo (Errado).

A afirmativa é FALSA, pois a hipótese de incidência, conforme estudado acima, ela goza de abstratividade,
e corresponde a previsão legal da situação. Quando adentramos ao plano concreto, ou seja, ao fato da vida humana,
estamos diante do fato gerador.

Corroborando ao exposto, o Professor Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizando) explica


hipótese de incidência não é um “fato da vida”, mas tão somente uma descrição abstrata de comportamento que,
verificado no mundo dos fatos, terá como consequência – agora sim – o dever de pagar tributo.

Observação:

No CTN e legislação ordinária, a utilização da expressão “fato gerador” não é precisa, pois o termo,
considerado “equívoco” por muitos, pode indicar o fato gerador propriamente dito ou, até mesmo, a hipótese de
incidência. Cabe ao intérprete a sensibilidade para a identificação adequada diante do dispositivo cotejado, tendo
em vista que o nome “fato gerador” é plurívoco/polissêmico.

Vamos verificar a imprecisão do legislador?

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


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III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no


inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;

Obs.1: A definição do fato gerador, sendo legal e abstrata, quer, em verdade, indicar a própria hipótese de incidência
tributária. Nesse mesmo sentido, o art. 118 do CTN.

Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se:


I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis,
ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; 7
II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.

O mais adequado seria a definição da hipótese de incidência, isto porque a HI sim é abstrata, trata-se da previsão
legal, enquanto que o fato gerador é a concretude da circunstância no plano prático.

A definição legal do fato gerador (com maior rigor, da hipótese de incidência) será interpretada abstraindo-
se da validade jurídica dos atos e dos efeitos dos fatos (...).

➢ Características relevantes do Fato Gerador da Obrigação Tributária:

I – A interpretação objetiva do FG

Pelo princípio da interpretação objetiva do fato gerador, não se levam em conta as características subjetivas
do contribuinte, mas apenas os aspectos intrínsecos ao fato gerador (aspecto objetivo).

A propósito do art. 118 do CTN, há pouco citado, prevê normativamente a máxima latina pecúnia non olet*
(tributo não tem cheiro), segundo a qual prevalecerá, no fenômeno da incidência, a interpretação economicamente
objetiva do fato gerador, independentemente da condição do sujeito.

Vale dizer que a capacidade tributária passiva é plena (art. 126, caput, CTN), desconsiderando-se quaisquer
aspectos externos à hipótese de incidência e, verdadeiramente, típicos do mundo dos fatos: ilicitude do ato,
incapacidade civil, irregularidade na constituição formal da PJ, etc.

Origem do Pecúnia non olet

*Diálogo célebre entre o Imperador Vespasiano e seu filho, Tito (Roma Antiga).

Contexto: tributação sobre o uso dos mictórios (banheiros públicos/cloacas)

O Imperador questionou ao filho se a moeda recebida por esse tributo tinha cheiro. A reposta foi NÃO, portanto, a
máxima é que de não importa de onde o dinheiro vem, contanto que seja pago/recebido, posto que esse não tem
cheiro, logo, poderia ser pago o tributo para fins de utilização dos mictórios. Não se importa com os fatos externos
do fato gerador.
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Por meio dessa premissa é que se permite a tributação em cima de atividades/produtos ilegais, pois o que vale é a
existência do fato gerador acoplando-se à hipótese de incidência, e não a licitude em si.

A hipótese de incidência tributária é lícita (auferir renda), o que pode acontecer, é do fato gerador (modo como se
auferiu a renda) vim a ser ilícita.

Corroborando ao exposto, ensina Eduardo Sabbag, segundo o princípio tributário do ‘non olet’, a hipótese tributária
deve ser entendida de forma que o intérprete se abstraia da licitude ou ilicitude da atividade exercida.
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Diante do exposto, contemplamos que pouco importa a validade do ato praticado pelo contribuinte, pelos efeitos dos
fatos ocorridos, bastando que se amolde a situação concreta à hipótese de incidência. Por exemplo, a renda obtida
com o tráfico de entorpecentes será tributada pelo imposto de renda, pois o fato gerador ocorreu com a obtenção da
renda, independentemente da validade jurídica do ato praticado para auferir tal rendimento.

JÁ CAIU:

CESPE, Analista Administrativo e Financeiro – Formação 1 / Ciências Contábeis da SEGER/ES, em 01-02-2009).


Quando Vespasiano, no século I, começou a cobrar taxas sobre o uso dos mictórios de Roma, seu filho Tito o
criticou em razão da origem do dinheiro nojento. (...)

(...)

Vespasiano pediu que ele cheirasse uma moeda e lhe disse: Pecunia non olet. O dinheiro não tem cheiro.

A partir do texto acima, julgue os itens a seguir, que versam acerca do fato gerador. (...)

10.1. O texto acima traduz a regra contida no Código Tributário Nacional (CTN) de que a definição legal do fato
gerador é interpretada abstraindo-se a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes,
responsáveis, ou terceiros, bem como a natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Correto.

Dispositivos relevantes para a Interpretação Objetiva do FG

Art. 126, CTN Art. 118, CTN


A capacidade tributária passiva A definição legal do fato gerador é
independe: interpretada abstraindo-se:

I. Da capacidade das pessoas naturais; I.Da validade jurídica dos atos


II. De achar-se a pessoa natural sujeita a efetivamente praticadas pelos
medidas que importem privação ou contribuintes, responsáveis, ou terceiros,
limitação do exercício de atividades civis, bem como da natureza do seu objeto ou
comerciais ou profissionais, ou da dos seus efeitos;
administração direta de seus bens ou II.Dos efeitos dos fatos efetivamente
negócios; (presidiário, médico exercendo ocorridos.
a profissão de modo irregular, etc.)
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III. De estar a pessoa jurídica PECUNIA NON OLET!!!!!


regularmente constituída, bastando que
configure uma unidade econômica ou
profissional

Obs.1: A capacidade tributária ela independe da capacidade civil da pessoa. Em virtude disso, o professor Sabbag
explica que é possível sim que um recém-nascido (menininho) seja sujeito passivo de uma obrigação tributária.

Legislação
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Art. 126. A capacidade tributária passiva independe:
I - da capacidade civil das pessoas naturais;
II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem privação ou limitação do
exercício de atividades civis, comerciais ou profissionais, ou da administração direta de
seus bens ou negócios;
III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma
unidade econômica ou profissional.

OBS: Art. 118, I, CTN – Desimportância da ilicitude no momento da realização do FG


O ato jurídico válido (objeto lícito, agente capaz...) é um dado irrelevante, pois a HI (e sua definição legal) prescinde
desses atributos.

OBS: Art. 118, II, CTN – Desimportância dos efeitos que podem decorrer do FG
História da venda de mercadoria a prazo (com calote), esse efeito inesperado não “contamina” a HI (e o
correspondente dever de pegar o imposto).
Esquematizando

História do menor História do falso médico


História do comércio
informal
Art. 126, I, CTN Art. 126, II, CTN Art. 126, III, CTN
O menor tem capacidade O exercício irregular da A prática do comércio
tributária. profissão não exime o clandestino não inibe a
infrator do dever de pagar o exigência do imposto
imposto correspondente (ICMS)

Desse modo, temos que a capacidade tributária passiva é plena (art. 126, caput, CTN), desconsiderando-se quaisquer
aspectos externos à hipótese de incidência e, verdadeiramente, típicos do mundo dos fatos, por exemplo, ilicitude
do fato, incapacidade civil, irregularidade na constituição formal da pessoa jurídica, etc.

Vamos lembrar! A capacidade tributária passiva trata-se da aptidão para ser sujeito passivo da obrigação
tributária. No que concerne às obrigações tributárias, é irrelevante a incapacidade civil das pessoas naturais, a regular
constituição de uma pessoa jurídica etc. Assim, por exemplo, uma criança de três anos pode figurar como
contribuinte do IPTU, caso seja proprietária de um bem imóvel (história do menor).
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JÁ CAIU:

CESPE/2016 – Delegado de Polícia Civil – PE.

Questão 75. Tendo como referência o disposto no CTN, assinale a opção correta.

A) capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil.

B) Não haverá incidência tributária sobre atividades ilícitas. Errado, em virtude da aplicação do princípio do pecunia
non olet. 10

C) A obrigação tributária principal nasce com o lançamento do fato gerador.

D) Fato gerador corresponde ao momento abstrato previsto em lei que habilita o início da relação jurídico-tributária.
Errado, fato gerador é a revelação no mundo concreto, materialização. O momento abstrato previsto em lei trata-se
da hipótese de incidência tributária (HI).

E) A denominação do tributo e a destinação legal do produto de sua arrecadação são essenciais para qualificá-lo.

ESAF: Segundo o Código Tributário Nacional, a renda obtida com a prática de contrabando não pode ser tributada.
Errado, incidência do princípio da pecunia non olet.

Vamos lembrar?

Para o direito tributário não existe relevância se a situação que teve como consequência a ocorrência do fato gerador
configure ilícito, mesmo que criminal.

CESPE/AGU: Julgue a assertiva.

Como a obrigação tributária constitui o núcleo de uma peculiar relação jurídica, é necessário, para que essa relação
seja juridicamente válida, que o sujeito passivo possua capacidade jurídica, consoante a lei civil. Errado, conforme
visto ao teor do art. 126,I, a capacidade passiva tributária independe da capacidade civil. Assim, está equivocada a
alternativa que dispõe ser necessária a capacidade jurídica conforme a lei civil.

Art. 126. A capacidade tributária passiva independe:


I - da capacidade civil das pessoas naturais;

CESPE/Promotor de Justiça: Julgue a assertiva.

“Uma criança recém-nascida já tem capacidade tributária para ser devedora de IPTU”. Correto, em consonância com
a explicação acima. *O menininho.

II – Aspectos do fato gerador:


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Quanto aos aspectos do fato gerador, a doutrina assim os distribui: material, temporal, espacial, pessoal e
quantitativo.

a) Aspecto material: trata-se da própria hipótese de incidência, como a situação abstratamente legal que pode
deflagrar o fenômeno da incidência tributária;

b) Aspecto temporal: é o momento em que o fato gerador considera-se realizado. Tal aspecto é extremamente
relevante para a devida aplicação do princípio da irretroatividade tributária (art. 150, III, “a”, CF), segundo
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o qual a lei tributária, detendo vigência prospectiva, deverá ser anterior aos fatos geradores aos quais ela se
refere. Em outras palavras, conhecendo o momento do fato gerador, será conhecida a lei a ser utilizada;

c) Aspecto espacial: refere-se ao local em que se considera ocorrido o fato gerador. Tal aspecto é extremamente
relevante para se determinar qual será a entidade política detentora do poder de exigir o tributo, à luz das
normas de competência tributária.

Ex: paga-se IPTU para um Município, e não para outro, quando ambos se encontram limítrofes, pela força
demarcadora do aspecto espacial do FG.

Se ocorrer, por exemplo, de dois munícipios cobrarem a incidência do tributo por ocasião do fato gerados,
falamos que houve bitributação.

Mas o que significa bitributação? A bitributação representa “mais de um ente tributante que cobra um ou
mais tributos sobre o mesmo fato gerador”.

d) Aspecto pessoal: se liga aos entes credor e devedor da obrigação tributária, respectivamente, ao sujeito ativo
e ao sujeito passivo;

Quem são os sujeitos da obrigação tributária?

Sujeito Ativo: é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento,
nos termos do art. 119 do CTN.

Sujeito Passivo: é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, nos termos do art.
121 do CTN.

e) Aspecto quantitativo: trata-se do aspecto dimensional (ou dimensível) do fato gerador, capaz de fornecer o
“quantum debeatur”, ou seja, o montante daquilo que se deve pagar. É fácil perceber que esse aspecto
depende de dois elementos que, confrontados no plano aritmético, indicarão o montante do tributo devido: a
alíquota e a base de cálculo. Lembre-se que ambas dependem de lei, embora se possa lidar com a mitigação
da legalidade nos casos de tributos extrafiscais, no âmbito das alíquotas (art. 153, §1º, CF), e com a
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possibilidade de alteração da base de cálculo quando se tratar de atualização (art. 97, §§1º e 2º, do CTN c/c
Súmula nº 160, STJ).

Súmula nº 160, STJ: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante decreto, em percentual superior ao índice
oficial de correção monetária.

III – Classificação dos Fatos Geradores:

No plano da classificação dos fatos geradores, a doutrina tem recomendado a seguinte divisão:
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• Fatos geradores instantâneos (ou simples): a sua realização ocorre em um determinado momento de tempo,
iniciando-se e completando-se em um só instante.

Exemplos: ICMS; IPI; II; IE, etc.

→O fato gerador instantâneo se inicia e se completa em um só instante, esgotando -se “em determinada unidade de
tempo”.

• Fatos geradores continuados (ou contínuo): é aquele cuja realização leva um período para se completar,
ou seja, não se dá em uma unidade determinada de tempo, mas se protrai em certo interregno. Daí haver a
necessidade de se fazer um corte temporal (dia 1º de janeiro, por exemplo, geralmente), com o propósito de
estabilizar o aspecto temporal do fato gerador.

Exemplos: IPTU; IPVA; ITR (a propriedade se protrai no tempo).

→ A sua realização se dá de forma duradoura e estável no tempo; a matéria tributável tende a permanecer, existindo
hoje e amanhã. O fato gerador continuado – também conhecido por fato gerador de período ou por período certo de
tempo – leva um período para se completar.

• Fatos geradores complexivos ou periódicos: também ocorre ao longo de um espaço de tempo, entretanto,
ele irá aperfeiçoar-se com a consideração globalmente agregada de “n” fatos isolados durante aquele período.

Exemplo: IR – Imposto de Renda.

→Segundo Eduardo Sabbag (Manual de Direito Tributário, 2016), a “sua realização se põe ao longo de um espaço
de tempo”, portanto não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim durante um longo período, ao término do qual se valoriza
uma determinada quantia de fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo. Trata -se de “fatos,
circunstâncias ou acontecimentos globalmente considerados”, “com o transcurso de unidades sucessivas de tempo”,
para compor um só fato gerador. São fatos isolados em um período ou ciclo de formação que serão agregados “num
todo idealmente orgânico”.

- Nº fatos isolados, que são globalmente considerados.


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IV – Dicas finais:

No CTN é possível encontrar respostas a importantes questionamentos sobre o fato gerador.

1) O fato gerador da obrigação tributária é um negócio jurídico?

Resposta: como o negócio jurídico traz ínsita a ideia de vontade do agente, o fato gerador não poderá não considerado
um negócio jurídico, uma vez que o elemento “vontade” é tributariamente irrelevante, conforme se estudou nos
retrocitados artigos 118 e 126 do CTN. Por essa razão, diz-se que o fato gerador é avolitivo, detendo avolitividade.13

2) O fato gerador pode estar submetido a uma “condição”?

Resposta: a condição é uma cláusula que subordina os efeitos jurídicos do ato a um evento futuro e incerto. Diante
das duas condições doutrinariamente conhecidas, e abaixo indicadas, teremos:

• Condição suspensiva: o fato gerador ocorrerá com o implemento da condição (art. 117, I, CTN).

Exemplo: promessa de doação sob condição de casamento de noivos.

• Condição resolutiva ou resolutória: o fato gerador ocorrerá desde o momento da prática do ato ou da
celebração do negócio.

Exemplo: revogação de doação se houver o divórcio do casal. (art. 117, II, CTN)

OBS: o ato de “resolver” implica o desfazimento dos efeitos jurídicos que eram plenamente válidos. Portanto,
memorize os questionamentos e suas respostas a seguir:

a) Quando acontece condição resolutiva, há novo fato gerador: Não.


b) Quando acontece condição resolutiva, há direito à restituição do tributo já recolhidos? Não.
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DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 02: Obrigação Tributária e Responsabilidade Tributária

2. Obrigação Tributária e Responsabilidade Tributária (Classificação. Parte I)

Segundo Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado) “a relação jurídico-tributária é eminentemente


obrigacional, tendo, no polo ativo (credor) um ente político (União, Estado, Distrito Federal ou Município) ou14
outra pessoa jurídica de direito público a quem tenha sido delegada a capacidade ativa e, no polo passivo, um
particular obrigado ao cumprimento da obrigação”.

- Como o Estado credor cobra o tributo? Conforme foi estudado, a partir do encontro da hipótese tributária com o
fato gerador, resultando na obrigação tributária, que por sua vez é cobrada a partir do lançamento que originou o
crédito tributário.

Esquematizando

LINHA DO TEMPO

HI → FG → OT → LANÇ → CT → INSC → DA → CDA → EF

“Aula” de hoje (obrigação tributária)

Cobrança Administrativa Cobrança Judicial

Obrigação Tributária (OT)

1) Auferir renda (hipótese de incidência)


2) João aufere renda (fato gerador)
3) Nasce a obrigação tributária, quanto ao dever de pagar o IR
→O estudo da Obrigação Tributária pode ser desdobrado em 4 elementos:

Os elementos
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a) Sujeito ativo (arts. 7º e 119, CTN) – ente tributador


b) Sujeito passivo (arts. 121 e 123, CTN) - devedor
c) Objeto (art.113, CTN) – ato de pagar; prestação
d) Causa (arts. 114 e 115, CTN) – a lei tributária; legislação tributária

➔ Sujeito Ativo: é o ente credor do tributo/multa.

Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da
competência para exigir o seu cumprimento. 15

O art. 119, do CTN, dispõe sobre o sujeito ativo da obrigação tributária, ou seja, o credor da obrigação,
aquele que tem direito ao recebimento do tributo devido.

Desse modo, o sujeito ativo é o Estado. Temos dois tipos de sujeitos ativos:

- Sujeito Ativo Direto

São eles: União, Estados, Municípios e DF. Tais entidades têm o poder de instituir o tributo além de serem
credoras dele. Esse poder de criar é chamado “Competência Tributária”*.

*Competência Tributária é a outorga constitucional dada às pessoas políticas para o ato de instituição de tributo.

Vamos conceituar? A competência tributária refere-se ao poder dos entes políticos na instituição de tributos, tendo
como fundamento maior o Federalismo. Consiste na atribuição constitucional do poder de instituir tributos.

É sabido que a competência tributária é indelegável, isso significa se a entidade com competência delineada na
Constituição não criar o respectivo tributo, é vedado que outra entidade de forma substituía o faça.

→ Se uma pessoa jurídica de direito público não exercer sua competência tributária, esta NÃO PODE ser deferida
à outra pessoa jurídica de direito público, diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído.

Além de indelegável, a competência tributária é privativa e irrenunciável.

Cuidado! Não se pode confundir a atribuição constitucional de competência para instituir o tributo
(COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA) com a possibilidade de figurar no polo ativo da relação jurídico tributária
(CAPACIDADE ATIVA). A primeira é indelegável, a segunda é passível de delegação de uma pessoa jurídica de
direito público a outra.

- Sujeito Ativo indireto

São os chamados “entes parafiscais” (CREA, CRC, CRM, CRO, etc.). Os profissionais respectivos pagam
as contribuições profissionais para esses Conselhos Autárquicos.
*Os entes parafiscais
possuem capacidade tributária ativa
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PARAFISCALIDADE
(Sujeição ativa indireta)

UNIÃO ENTE PARAFISCAL


Ente criador CRC, CRM, CREA, etc.
Competência Tributária Arrecadadores
DELEGAÇÃO Fiscalizadores

Faz-se importante enaltecer que os entes parafiscais detêm legitimidade para figurar como sujeitos ativos
da obrigação tributária, arrecadando e fiscalizando o tributo no âmbito da chamada “capacidade tributária ativa”.16
Fugindo à regra imposta pelo art. 119 do CTN – de que a cobrança do tributo deve estar restrita à pessoa jurídica de
direito público –, o STJ vem entendendo que as entidades privadas de serviço social e de formação profissional
vinculadas ao sistema sindical (os Serviços Sociais Autônomos) têm capacidade tributária ativa.

Assim, esses entes credores NÃO criam tais tributos federais, mas apenas os arrecadam/fiscalizam. Assim,
eles não têm “competência tributária”, mas apenas “capacidade tributária ativa” – Poder administrativo delegável
de arrecadação e fiscalização do tributo.

A sujeição ativa, portanto, liga-se a pessoas jurídicas de direito público, quer sejam as entidades federadas,
quer sejam as autárquicas. Entretanto, há posicionamentos do STJ admitindo a sujeição ativa, ainda que
excepcionalmente, a certas entidades privadas.

Exemplos:
- As entidades do Sistema S (para as contribuições – ver REsp 735.278 – 2007)
- A Confederação Nacional de Agricultura (CNA), para a contribuição sindical rural (REsp 825.436 – 2006).
Importante: em 2009, editou-se a Súmula nº 396, STJ.

Súmula nº 396, STJ: A Confederação Nacional da Agricultura tem legitimidade ativa para a cobrança da contribuição
sindical rural.

Jurisprudência

➔ Sujeito Passivo:

O sujeito passivo sempre será a pessoa obrigada a tais prestações.

Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de


tributo ou penalidade pecuniária.
17

(Pagamento do tributo ou da multa).


I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o
respectivo fato gerador;
II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra
de disposição expressa de lei.

Os entes devedores, quer de tributo, quer de multa, são denominados: contribuinte e responsável. Vale
dizer: sujeito passivo DIRETO e sujeito passivo INDIRETO.
17
a) Contribuinte – aquele que tem uma relação pessoal e direta com o fato gerador.
b) Responsável – é a terceira pessoa escolhida por lei para pagar o tributo, sem ter realizado o fato gerador.
Naturalmente, há um nexo mínimo que liga esse terceiro ao fato gerador, tornando-o devedor do tributo. O
detalhamento da matéria chamada Responsabilidade Tributária ocorre entre os artigos 128 e 138 do CTN.
Exemplos:
1) Art. 130, caput, CTN
Contexto: compra e venda de bem imóvel
Responsável: adquirente

2) Art. 131, I, CTN


Contexto: aquisição de bem móvel
Responsável: adquirente

Esquematizando

Contribuinte Responsável
Relação pessoal e direta com o fato Obrigação decorrente da Lei. Nos moldes
gerador. do art. 121,II.

Assim:

Vamos lembrar! O sujeito passivo da obrigação tributária pode ser um contribuinte ou um responsável. Será
contribuinte quando tiver relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; caso
contrário, será denominado responsável. Em ambos os casos, a sujeição passiva depende de expressa previsão legal.

▪ Dicas complementares:
- O sujeito passivo depende de lei – lei ordinária (art. 97, III, parte final, CTN)
18

Solidariedade Tributária

“A solidariedade passiva, situação na qual o credor tem a prerrogativa de exigir de qualquer dos coobrigados (ou
de todos) o cumprimento da obrigação (...) não comporta benefício de ordem”.

- A solidariedade tributária (presença concomitante de mais de uma pessoa no mesmo polo da relação jurídica)
somente se torna possível na sujeição passiva (devedores).

Cuidado! No Direito Tributário admite -se tão somente a solidariedade passiva, e não a solidariedade ativa, pois só18
se paga tributo a um único ente credor, sob pena de deparar o estudioso com o fenômeno da bitributação, não tolerada
pela nossa disciplina.

Macete → “a única solidariedade POSSÍVEL é a PASSIVA”


Exemplo: vários irmãos são coproprietários de um apartamento.

O art. 124 do CTN enuncia grupos de devedores solidários, quais sejam:

• As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;

• As pessoas expressamente designadas por lei.

Art. 124. São solidariamente obrigadas:


I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da
obrigação principal;
II - as pessoas expressamente designadas por lei.
Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.

OBS: Na solidariedade tributária não se admite “benefício de ordem”, podendo ser cobrada a dívida toda de
qualquer um dos coobrigados, e aquele que tiver que pagar, se pretender, pode pedir os valores regressivamente
aos demais. (ver arts. 124 e 125 do CTN).

→A solidariedade NÃO comporta benefício de ordem.

Art. 124. São solidariamente obrigadas:


I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação
principal;
II - as pessoas expressamente designadas por lei.
Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE
ORDEM.

CUIDADO!!!
19

❖ Bitributação: a solidariedade ativa é vedada, como regra, sob pena de dar ensejo à bitributação – uma
sistemática anômala que permite a mais de um ente tributante cobrar um ou mais tributos sobre o mesmo
fato gerador. A anomalia deverá ser sanada pela AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO (art. 164,
II, CTN). No NCPC – arts. 539 a 549

→– Efeitos da Solidariedade (ATENÇÃO! Alto índice de cobrança nos certames).

Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade:
I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; 19
II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada
pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo
saldo; (apenas as isenções objetivas são utilizadas para todos)
III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou
prejudica aos demais.

Esquematizando

➔ Objeto da Obrigação Tributária:

Conforme ensina Eduardo Sabbag (Manual de Direito Tributário), o objeto da obrigação tributária
equivale à prestação a que se submete o sujeito passivo diante do fato imponível deflagrador da obrigação
tributária.
Assim, o objeto é a prestação de cunho pecuniário ou não pecuniário a cargo do sujeito passivo da
obrigação tributária diante do fato gerador.

- Prestação de cunho pecuniário = ato de pagar o tributo/multa (obrigação principal)


- Prestação de cunho não pecuniário = atos diferentes de pagamento (obrigações acessórias/instrumentais – todo
ato diverso do pagamento)
Exemplo: emitir nota fiscal; entregar declarações; escriturar livros fiscais.

Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.


§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
decorrente.
20

§ 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações,


positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos
tributos.
§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em
obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.

Vamos lembrar! A obrigação tributária poderá ser principal (de dar/prestação) ou acessória (de fazer/não fazer ou
tolerar que se faça), lembrando que as palavras principal e acessória não guardam relação com o direito civil, não
sendo possível afirmar que, em direito tributário, o acessório segue o principal.
20
Esquematizando

Já caiu:

ESAF/ARFB – 2009. Segundo o Código Tributário Nacional, a obrigação de pagar multas e juros tributários
constitui-se como obrigação acessória. ERRADO, a obrigação de pagar é obrigação principal.

✓ As obrigações tributárias principais e acessórias existem em relação de dependência/acessoriedade? Ou é


possível haver uma obrigação acessória sem a existência da obrigação principal?
Resposta: ambas existem em relação de AUTONOMIA. É possível haver uma obrigação tributária acessória
sem que subsista a obrigação tributária principal.
Exemplos: isenções e anistias (art. 175, parágrafo único, CTN); imunidades (art. 14, III, CTN). Aqui não se
aplica a máximo “o acessório segue o principal”.

Já caiu:
21

(ESAF/ARFB - 2009) A existência de uma obrigação tributária acessória pressupõe a existên-cia de uma obrigação
tributária principal. ERRADO, pois não há relação de dependência, vigorando a autonomia.

➔ Causa da Obrigação Tributária:

A causa é o vínculo jurídico justificador do dever que surge com o fato gerador. Assim, teremos a causa da
obrigação tributária principal e a causa da obrigação tributária acessória.
→Causa da OT principal: é a Lei Tributária, uma vez que o dever de pagar só pode estar previsto em lei (Princípio21
da Legalidade Tributária – art. 114, CTN).

→Causa da OT acessória: é a Legislação Tributária, expressão que inclui portarias, instruções normativas,
regulamentos, etc. isso significa, por exemplo, que uma portaria pode tratar de uma OT acessória, mas não pode
tratar de uma OT principal.
Exemplo de vício: uma portaria prevê o dever de pagar o tributo (portaria Lei).

OBS: Nada impede que uma Lei trate de uma OT acessória, mas nunca uma Legislação Tributária poderá tratar de
uma OT principal.

CONFRONTOS CAPCIOSOS DOS ARTIGOS:

Art. 114, CTN. Fato gerador da obrigação Art. 113, §1º, CTN. A obrigação principal surge
principal é a situação definida em lei como com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto
necessária e suficiente à sua ocorrência. o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária
e extingue-se juntamente com o crédito dela
decorrente.
Fato gerador daquela obrigação que surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela
decorrente é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência

Art. 115, CTN. Fato gerador da obrigação Art. 113, §2º, CTN. A obrigação acessória
acessória é qualquer situação que, na decorre da legislação tributária e tem por objeto
forma da legislação aplicável, impõe a as prestações, positivas ou negativas, nela
prática ou a abstenção de ato que não previstas no interesse da arrecadação ou da
configurem obrigação principal. fiscalização dos tributos.

Fato gerador daquela obrigação que decorre da legislação tributária e tem por objeto as
prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da
fiscalização dos tributos é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a
prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.
22

Responsabilidade Tributária:

A matéria está inserida na temática da sujeição passiva tributária.


O responsável é o sujeito passivo da obrigação tributária que, sem realizar o fato gerador, é escolhido por
lei para pagar o tributo/multa.

Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo
ou penalidade pecuniária.
22
Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se:
I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o
respectivo fato gerador;
II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de
disposição expressa de lei.

Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a
responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da
respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em
caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.

❖ Terminologia importante:

a) RESPONSÁVEL = TERCEIRO (depende de previsão em lei – art. 97, CTN; art. 128, CTN)

b) CONTRIBUINTE = DEVEDOR PRINCIPAL

Conforme fora estudado acima, o responsável depende de previsão em lei. Nesse sentido, o art. 97 do CTN.
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:
I - a instituição de tributos, ou a sua extinção;
II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39,
57 e 65;
III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no
inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo;

→Classificação da Responsabilidade Tributária:

1) Responsabilidade pessoal x Responsabilidade solidária x Responsabilidade subsidiária

Esquematizando

RESP. PESSOAL RESP. SOLIDÁRIA RESP. SUBSIDIÁRIA


Arts. 131 e 135 “Art. 134” Art. 133, II
O responsável (terceiro) O devedor, em O terceiro (responsável),
responde com solidariedade, responde em subsidiariedade,
exclusivismo SEM uma ordem de responde COM uma ordem
preferência (de vocação) a de preferência (de vocação)
a ser seguida. Portanto:
23

ser seguida (ver art. 124,


parágrafo único, CTN) 1º Contribuinte (Devedor
Principal)
2º Responsável (terceiro)

2) Responsabilidade dos Sucessores x Responsabilidade de Terceiros

Responsabilidade dos Sucessores (por Responsabilidade de Terceiros (com ‘T’


Sucessão) maiúsculo) 23
Arts. 130, 131, 132 e 133 Arts. 134 e 135

Escolhe-se o responsável (terceiro), em Escolhe-se o responsável (terceiro), em


razão de um evento sucessório ocorrido razão do dever de zelo que compete a este
(morte do contribuinte, operações com relação ao patrimônio do contribuinte
societárias, venda e compra de bens, etc. (devedor principal)

➔ JÁ CAIU:

✓ CESPE/2015: A imunidade tributária não dispensa o contribuinte de observar as obrigações tributárias


acessórias, que poderão estar previstas na legislação tributária. CERTO.

✓ CESPE/2015: Constitui exemplo de obrigação tributária acessória a prestação pecuniária decorrente do


imposto de renda. Errado, as obrigações de pagar é obrigação principal e não acessória.

✓ CESPE/2014: Se um indivíduo tiver a obrigação tributária de pagar uma multa, então essa obrigação será
considerada principal. CERTO, pois a obrigação principal constitui-se em obrigação de dar, pagar tributo
ou penalidade (exemplo: multa).

✓ CESPE/2014: Se duas pessoas tiverem interesse comum em situação que constitua o fato gerador de uma
obrigação tributária principal, essas pessoas serão solidariamente responsáveis, na exata ordem da dimensão
do interesse econômico de cada uma delas. Errado, na denominada obrigação solidária, não há benefício de
ordem, logo, não responde apenas pela parte individual que lhe caiba.

✓ CESPE/2013: A obrigação tributária principal tem como objeto o pagamento do tributo devido ou a
penalidade pecuniária, que se extinguirá juntamente com o crédito dela decorrente. CERTO, a obrigação
principal é de dar dinheiro (pagamento de tributo ou penalidade).
24

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 03: Responsabilidade Tributária

3. Responsabilidade Tributária – Classificação e Dispositivos do CTN – Parte II)


- Recapitulando: o responsável é o sujeito passivo da obrigação tributária que, sem realizar o fato gerador, é
escolhido por lei para pagar o tributo/multa.
24
✓ RESPONSÁVEL = TERCEIRO
✓ CONTRIBUINTE = DEVEDOR PRINCIPAL

Esquematizando

Contribuinte Responsável
Realizou o fato gerador Foi eleito pela lei como terceiro que tem o
dever de pagar, sem ter realizado o fato
gerador.
Sujeito passivo direto Sujeito passivo indireto
Devedor principal Terceiro

Você sabia? O critério adotado pelo CTN para distinguir contribuinte e responsável é denominado, pela doutrina,
critério da proximidade: o contribuinte é quem tem a relação imediata, mais próxima, direta com o fato gerador; o
responsável tem uma relação indireta, sua ligação com o fato é mais distante, mais remota.

1) Responsabilidade por Transferência x Responsabilidade por Substituição:

a. Responsabilidade por Transferência: a sujeição passiva indireta (responsabilidade) surge posteriormente à


ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Há modificação do polo passivo por fato superveniente:
a obrigação surge para “A” (contribuinte) e, em seguida, é transferida para “B” (responsável tributário) em
decorrência de um evento posterior, previsto em lei. Assim, na responsabilidade por transferência, o sujeito
A realiza o fato gerador, mas, por conta de um evento posterior, B é que tem que pagar o tributo.

Corroborando ao exposto, ensina Eduardo Sabbag, “também intitulada responsabilidade derivada ou de 2º Grau,
dá -se quando a terceira pessoa vem e ocupa o lugar do contribuinte após a ocorrência do fato gerador, em razão
de um evento a partir do qual se desloca (se transfere) o ônus tributário para um terceiro escolhido por lei”.
Exemplo: Após a ocorrência de um evento determinado, por exemplo, aquisição de bens, transfere -se o ônus
tributacional. A adquire um bem imóvel de B, porém, sem ter conhecimento que tem débitos de IPTU relativamente
a época em que ele não era o proprietário. Perceba-se, o tributo era de obrigação do alienante no momento do fato
25

gerador, porém, após a ocorrência deste há modificação, passando a ser o responsável “por transferência” o
adquirente.
Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade,
o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação
de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa
dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o
respectivo preço.
25
b. Responsabilidade por Substituição: a sujeição passiva indireta surge contemporaneamente à ocorrência do
fato gerador. Desde a ocorrência do fato gerador, a sujeição passiva já recai sobre uma pessoa diversa daquela
que possui relação pessoal e direta com o fato gerador (ou seja, pessoa diversa da figura do contribuinte).
Assim, na responsabilidade por substituição, o sujeito “A” pratica o fato gerador, mas desde já é o sujeito
“B” é quem deve fazer o recolhimento.

Corroborando ao exposto, ensina Eduardo Sabbag, também intitulada responsabilidade originária ou de 1º grau, dá
-se quando a terceira pessoa (substituto) vem e ocupa o lugar do contribuinte (substituído), antes da ocorrência do
fato gerador. A essa pessoa, que a lei ordena que substitua o contribuinte, dá -se o nome de “responsável por
substituição” ou “contribuinte substituto”, ou, ainda, “substituto tributário”. Aqui a obrigação de pagar, desde o
início, é do responsável, ficando o contribuinte desonerado de quaisquer deveres.
Esquematizando

Responsabilidade por Transferência Responsabilidade por Substituição (ou


Substituição Tributária)
Arts. 130, 131, 132, 133 e 134 Legislação esparsa (e “art. 135”?)
INCLUI A RESP. POR SUCESSÃO E A NÃO ESTÁ PREVISTA,
RESP. DE TERCEIROS ESSENCIALMENTE, NO CTN
O responsável (terceiro) vem e ocupa o O responsável (terceiro) vem e ocupa o
lugar do contribuinte (devedor principal) lugar do contribuinte (devedor principal)
APÓS a ocorrência do fato gerador. DESDE a ocorrência do fato gerador.
Trata-se de uma responsabilidade
tributária originária.
Exemplos: (I) o adquirente de um bem Exemplo: (I) o empregador, com relação
imóvel, com relação aos tributos devidos aos tributos devidos pelo empregado
e relativos ao bem imóvel adquirido; (II) o diante do recebimento de salários/renda;
espólio, com relação aos tributos devidos (II) a Caixa Econômica Federal, com
pelo “de cujus” até a abertura da sucessão, relação aos tributos incidentes sobre os
etc. prêmios de loterias; (III) as usinas, os
laticínios, os frigoríficos, as indústrias,
etc.
✓ Já caiu: CESPE. O instituto jurídico tributário que atribui a responsabilidade pelo pagamento do tributo a
terceira pessoa que, desde o nascimento da obrigação tributária, já tem com ela o dever de recolhê-lo
26

chama-se de substituição tributária. Correto, quando é desde o nascimento do fato gerador, haverá a
substituição tributária, conforme quadro esquematizado acima.

Dica de terminologia (na Substituição Tributária):

➢ Contribuinte = devedor principal = SUBSTITUÍDO.


➢ Responsável = terceiro = SUBSTITUTO LEGAL TRIBUTÁRIO.

OBS: Os casos de Responsabilidade por Sucessão são casos de Responsabilidade por Transferência, mas a recíproca26
não é verdadeira. O conjunto do primeiro é menor do que o conjunto do segundo.
A Resp. por Transferência inclui a Resp. por Sucessão e a Resp. de Terceiros.

- Primordialmente no ICMS, temos dois tipos de Substituição:

1- Para trás (ou Regressiva)

Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado) define a substituição tributária regressiva nos seguintes
termos “a substituição tributária para trás, regressiva ou antecedente ocorre nos casos em que as pessoas
ocupantes das posições anteriores nas cadeias de produção e circulação são substituídas, no dever de pagar tributo,
por aquelas que ocupam as posições posteriores nessas mesmas cadeias”

→O pagamento acontecerá no futuro, ou seja, há um adiamento.

Esquematizando

ETAPA 1 ETAPA 2 ETAPA 3 Macete: “FG lá atrás”


PASSADO PRESENTE FUTURO Portanto, o pagamento
FATO GERADOR PAGAMENTO DO
(ATRÁS) TRIBUTO pelo responsável é
(ADIAMENTO) adiado, diferido; trata-se
do diferimento do imposto.
FG (ATRÁS) (SUBSTITUÍDO = CONTRIBUINTE)

ADIA O PAGAMENTO = DIFERIMENTO OU SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA TRÁS

SUBSTITUTO = RESPONSÁVEL ($)


Exemplos: leite cru, carne animal, cana em caule, etc.
Suponha-se que as pessoas indicadas pela letra “A” sejam produtores rurais de leite; a pessoa “B” seja uma grande
indústria de laticínios; e as pessoas indicadas pela letra “C” sejam supermercados varejistas.
27

27

2- Para frente (ou Progressiva)

Segundo Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado), a substituição tributária para frente, progressiva
ou subsequente ocorre nos casos em que as pessoas ocupantes das posições posteriores das cadeias de produção e
circulação são substituídas, no dever de pagar tributo, por aquelas que ocupam as posições anteriores nessas
mesmas cadeias.
→ Há pagamento antecipado de fato gerador futuro ou presumido.

ETAPA 1 ETAPA 2 ETAPA 3


PASSADO PRESENTE FUTURO
PAGAMENTO DO FATO GERADOR (LÁ
TRIBUTO NA FRENTE)
(ANTECIPAÇÃO)

Macete: “FG lá na frente”


Portanto, o pagamento pelo responsável é antecipado; refere-se ao chamado “FG Presumido”.

SUBSTITUTO = RESPONSÁVEL ($)

ANTECIPA O PAGAMENTO = SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE

FG (NA FRENTE) (SUBSTITUÍDO = CONTRIBUINTE)

Exemplos: veículos novos, bebidas alcóolicas (ou não)/cervejaria, cigarros, etc.

Ex.1: Cervejaria que vende para o distribuidor e este vende para o ambulante, para a mercearia, para o bar. Será que
todos vão recolher o ICMS? Vão emitir a nota fiscal? É muito difícil de fiscalizar. Eles concentram então, por lei,
o recolhimento de todo ICMS (que é devido em todas as operações) na cervejaria. Lembrar! As cervejarias não
aceitam vender fiado [placa: não aceitamos fiado], posto que já pagou os tributos daquela mercadoria.
28

O ambulante, a mercearia, embora na venda da cerveja sejam contribuintes, são excluídos por lei. A substituição
tributária progressiva tem previsão na CF - Art. 150, §7º CF.

Esquematizando
SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA
TRÁS (OU REGRESSIVA) FRENTE (OU PROGRESSIVA)
Legislação Específica (ICMS) Legislação Específica (ICMS) e CF:
Art. 150, §7º, CF: A lei poderá atribuir a
sujeito passivo de obrigação tributária a 28
condição de responsável pelo pagamento
de imposto ou contribuição, cujo fato
gerador deva ocorrer posteriormente,
assegurada a imediata e preferencial
restituição da quantia paga, caso não se
realize o fato gerador presumido. (incluído
pela EC nº 3/93)
Casos concretos: venda de leite cru Casos concretos: venda de veículos
(substituto: laticínio), cana em caule novos (substituto: indústria
(substituto: usina), carne animal automobilística), cigarros (substituto:
(substituto: frigorífico) indústria de cigarros), bebidas alcoólicas e
refrigerantes (substituto: indústria de
bebidas)

✓ Já caiu: CESPE – AGU/2015:

Por dispositivo legal expresso, a obrigação de recolhimento de determinado imposto foi atribuída a pessoa diversa
da do contribuinte, devendo esse pagamento ser feito antecipadamente, em momento prévio à ocorrência do fato
gerador, previsto para ocorrer no futuro. Com relação a essa situação, julgue o item seguinte.
Na situação considerada, trata-se do instituto denominado substituição tributária progressiva, que tem previsão
expressa relativa ao ICMS. Correto.

✓ Já caiu: CESPE. Promotor de Justiça/RN:

A lei pode atribuir a terceiro responsabilidade tributária originária pelo cumprimento da obrigação tributária como
sujeito passivo direto, a fim de facilitar a fiscalização e o recolhimento do tributo devido. A respeito desse assunto,
é correto afirmar que
a) o enunciado corresponde a responsabilidade por sucessão.
b) o enunciado cuida de responsabilidade por solidariedade.
c) a lei não pode impor a terceiro a referida responsabilidade.
d) o enunciado trata de responsabilidade por substituição, cujas modalidades são de substituição para frente e
substituição para trás.
e) a atribuição de responsabilidade a terceiro, pelo pagamento de obrigação tributária, pode ser instituída por ato
administrativo, desde que haja previsão de todos os fatos que a geraram.
➢ Principais dispositivos do CTN (arts. 130 ao 135):

Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade,
o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação
29

de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa


dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.

✓ Responsabilidade por Sucessão Imobiliária


✓ Classificação: Responsabilidade por transferência
▪ Reponsabilidade por sucessão
✓ Responsável: adquirente (nem sempre: exceção)
✓ Contexto: - compra e venda do imóvel
- Tributos: impostos, taxas de serviços e contribuição de melhoria
29
Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o
respectivo preço.
➔ Contexto: arrematação de bens (móveis e imóveis) em leilão judicial/hasta pública.

Aqui a sub-rogação é sobre o preço, e não sobre a pessoa do arrematante.

Art. 131. São pessoalmente responsáveis:


I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos;

➔ Responsabilidade por Sucesso Mobiliária


➔ Classificação: Responsabilidade pessoal
Responsabilidade por sucessão
Responsabilidade por transferência

➔ Responsável: adquirente (bens móveis)


Remitente – aquele que faz a remição (resgate do bem mediante pagamento da dívida)

Art. 131. São PESSOALMENTE responsáveis:


II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até
a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão
do legado ou da meação;
III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.

Da leitura do dispositivo, depreende-se que podem ser responsáveis por sucesso “mortis causa”:
1- Espólio (inciso III);
2- Sucessor a qualquer título ou Cônjuge meeiro (inciso III)
Só que também pode ser responsável o INVENTARIANTE, por força do art. 134, IV, do CTN.
OBS: Por questão didática é aconselhável ler os incisos na ordem I, III e II.
Como entender essa situação, aliás, não prevista aqui no art. 131?

RESPONSÁVEL DISPOSITIVO CONTEXTO/TRIBUTOS


TRIBUTOS DEVIDOS
ESPÓLIO ART. 133, III, CTN PELO “DE CUJUS” ATÉ A
ABERTURA DA
SUCESSÃO
30

TRIBUTOS DEVIDOS
PELO ESPÓLIO APÓS A
INVENTARIANTE ART. 134, IV, CTN ABERTURA DA
SUCESSÃO (E ANTES DA
SENTENÇA DE
PARTILHA)
SUCESSOR A QUALQUER TRIBUTOS EXIGÍVEIS
TÍTULO OU O CÔNJUGE ART. 131, II, CTN APÓS A SENTENÇA DE
MEEIRO PARTILHA

Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou30
incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato
pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.

➔ Responsabilidade por Sucessão Empresarial


➔ Classificação: Responsabilidade por Sucessão
Responsabilidade por Transferência
➔ Responsável: Unidade resultante da operação societária
➔ Contexto: Operações societárias e extinção de PJ (parágrafo único)

Fusão
3 Transformação CTN 1 cisão Lei das S.As
Incorporação

Art. 132. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas
jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada
por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob
firma individual.

Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer
título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e
continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome
individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos
até à data do ato:

I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou


atividade;
II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar
dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro
ramo de comércio, indústria ou profissão.

Dessa forma, a responsabilidade do adquirente de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou


profissional pode ser esquematizar da seguinte forma:
Esquematizando
31

➔ Responsabilidade por Sucessão Comercial


➔ Situação: uma PF ou uma PJ adquirindo uma PJ (fundo de comércio ou estabelecimento comercial)
31
➔ Responsável: quem adquire, ou seja, o ADQUIRENTE
➔ Condição: deve haver a continuidade da exploração comercial

Vejamos como ficará a responsabilidade:

1- Responsabilidade do ADQUIRENTE (art. 133, I, CTN):


TIPO: integral
CONDIÇÃO: se o alienante cessar a prática comercial
2- Responsabilidade do ADQUIRENTE (art. 133, II, CTN):
TIPO: subsidiária (alienante/1º; adquirente/2º)
CONDIÇÃO: se o alienante continuar a prática comercial ou, interrompendo-a, retomá-la em até seis meses.
Atenção! Súmula editada “recentemente”- 2015.
Em resumo, o STJ firmou o entendimento de que a responsabilidade tributária por sucessão empresarial abrange
não apenas os tributos, como também as multas moratórias ou punitivas.
Súmula nº 554, STJ: na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os
tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos
até a data da sucessão.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-554-stj.pdf

Obs.: o estudo da súmula comentada permitirá um estudo sobre o tema responsabilidade por sucessão, não deixe de
ler o material em anexo!

Exceção:

§1º O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial:
I – em processo de falência;
II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.

§2º Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for:


I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo
devedor falido ou em recuperação judicial;
32

II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do


devedor falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou III –
identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo
de fraudar a sucessão tributária.
§3o Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade
produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo
prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser utilizado para o
pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário.

Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal32


pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas
omissões de que forem responsáveis:
I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;
II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados;
III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;
V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário;
VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os
atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício;
VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.
Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de
caráter moratório.

➔ Responsabilidade de Terceiros
➔ Classificação: Responsabilidade por Transferência
Responsabilidade de Terceiros
Responsabilidade Solidária (prevalece em questões objetivas de concursos)
➔ Contexto: Escola de pessoas que têm dever de zelo para com o patrimônio do devedor principal

Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações


tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei,
contrato social ou estatutos:
I - as pessoas referidas no artigo anterior; (art. 134, I ao VII, CTN)
CUIDADO - a depender da ocorrência ou não do dolo (excesso de poderes ou infração de lei), a responsabilidade
será alterada. Exemplo:

TUTOR age sem solo → art. 134, II → responsabilidade “solidária”


TUTOR age com dolo→ art. 135, I → responsabilidade pessoal

Isso vale para os demais incisos do artigo 134, CTN.

II - os mandatários, prepostos e empregados;

- Ver art. 137, III, “b”, CTN (a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações que decorrem direta e
exclusivamente de dolo específico dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes
ou empregadores);
E, ainda, de modo conjugado:
33

- Ver art. 1.117, parágrafo único, CC (os prepostos, no exercício de suas funções, são pessoalmente responsáveis,
perante os preponentes, pelos atos culposos, e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos
dolosos). Portanto: não existindo conflito entre as regras citadas, o preposto responde pessoalmente pelos tributos
cujos fatos geradores decorreram exclusivamente do excesso de poderes ou infração de lei, contrato ou estatuto.
OBS: o tema foi cobrado em teste FCC/AFTE/SP – 2009.

III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado


33
CUIDADO – Prevê a responsabilidade pessoal de “sócios”, embora o termo não tenha sido usado no dispositivo. A
doutrina e a jurisprudência entendem que será alcançado apenas o sócio que administra a sociedade com poderes
diretivos de gestão.
E outro detalhe: o dolo é fundamental.

Excesso de poderes Infração de lei

- Mas a simples falta de pagamento, por si só, indica o dolo tradutor da expressão “ infração à lei”, constante do
caput do art. 135 do CTN?
Resposta: Para o STJ, não. O ato de não pagar é mora, podendo ou não representar o dolo.

A jurisprudência do STJ tem acolhido como inequívocos exemplos de “infração à lei”:


(I) Empregador que desconta o IRRF ou contribuição previdenciária e não os recolhe ao Erário (além de ser
apropriação indébita).
(II) A dissolução irregular da sociedade, deixando débitos tributários pendentes e nenhum patrimônio para
garantir seu pagamento.

Súmula nº 430, STJ: o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade
solidária do sócio-gerente.
Súmula nº 435, STJ: presume-se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio
fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-
gerente.
34

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 04: Exclusão do Crédito Tributário

4. Exclusão do Crédito Tributário


Segundo Ricardo Alexandre (Manual de Direito Tributário) excluir o crédito tributário significa impedir a
sua constituição. Trata-se de situações em que, não obstante a ocorrência do fato gerador e o consequente
34
nascimento da obrigação tributária, não pode haver lançamento, de forma que não surgirá crédito tributário, não
existindo, portanto, obrigação de pagamento.

Esquematizando 1

Esquematizando 2

Conforme se pode observar da figura, em virtude da exclusão, o crédito tributário sequer surgirá, havendo sua
exclusão antecipadamente.

Nessa esteira, são hipóteses que excluem o crédito tributário a isenção e a anistia.

Art. 175. Excluem o crédito tributário:


I - a isenção;
II - a anistia.
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das
obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou
dela consequente.

OBS: extinção não se confunde com exclusão! Exclusão e suspensão será visto na próxima aula.
35

Portanto, o Crédito Tributário pode ser suspenso, extinto ou excluído. Por exemplo: se o tributo é parcelado,
haverá a suspensão do CT; se o tributo é pago, haverá a extinção do CT; por fim, se o tributo é isento, haverá a
exclusão do CT.

Esquematizando

SUSPENSÃO EXTINÇÃO EXCLUSÃO 35


Art. 151, CTN Art. 156, CTN Art. 175, CTN
6 incisos 11 incisos 2 incisos
Causas Suspensivas Causas Extintivas Causas Excludentes
Lei (art. 97, VI, CTN) Lei (art. 97, VI, CTN) Lei (art. 97, VI, CTN)
As OT acessórias As OT acessórias
permanecem (art. 151, xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx permanecem (art. 175,
parágrafo único, CTN) parágrafo único, CTN)
Interpretação Literal (art. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Interpretação Literal (art.
111, I, CTN) 111, I, CTN)
Parcelamento, etc. Pagamento, etc. Isenção e Anistia

Inicialmente, cumpre destacarmos que as causas suspensivas, causas extintivas e as causas excludentes do
crédito tributário dependente de lei, é o que se pode extrair da redação do art. 97,VI do CTN. É matéria que se
submete a reserva legal.

Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:


VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa
ou redução de penalidades.

Nos moldes do art. 175 do CTN, temos duas causas que excluem o crédito tributário:

1) Isenção (arts. 176 a 179, CTN);

Segundo ensina Ricardo Alexandre (Manual de Direito Tributário Esquematizado) isenção é a dispensa legal do
pagamento do tributo devido. Segundo a tese que prevaleceu no Judiciário, a isenção não é causa de não incidência
tributária, pois, mesmo com a isenção, os fatos geradores continuam a ocorrer, gerando as respectivas obrigações
tributárias, sendo apenas excluída a etapa do lançamento e, por conseguinte, a constituição do crédito.

2) Anistia (arts. 180 a 182, CTN).

Anistia é o perdão legal de infrações, tendo como consequência a proibição de que sejam lançadas as respectivas
penalidades pecuniárias (Ricardo Alexandre).

Obs.1: A isenção é para tributo, enquanto que a anistia é para multa (proibição de que seja lançada penalidade
pecuniária). Em ambas, atingem a obrigação principal, permanecendo-se inalteradas as obrigações acessórias.
36

Obs.2: a causa de exclusão do crédito tributário deve ser interpretada de maneira literal.

Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:


I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;
II - outorga de isenção;
III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias.

Conforme se pode observar, o CTN previu algumas situações em que a legislação tributária deve ser interpretada
literalmente, ou seja, não há que se falar em interpretação extensiva. E o que é a interpretação literal? é a
36
interpretação que se baseia nas palavras. O interprete se limita ao teor do texto.

→Pontos em comum entre ISENÇÃO e ANISTIA:

I) São institutos jurídicos de desoneração ($)


II) Ambas dependem de lei (específica): submete-se a reserva legal – Art. 97,VI CTN.
III) A lei, em tela, será a “específica” (art. 150, §6º, CF). Isso traz segurança jurídica: evitar favoritismos
fiscais.
Lei Específica?
• Aquela que trata do benefício
• Aquela que trata do tributo

Art. 150. § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de


crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só
poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule
exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou
contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.
*Isenção de ICMS não acontece por meio de lei específica, mas por meio dos chamados
“convênios”. Os referidos convênios serão ratificados pelo Decreto-Legislativo.

Dessa forma, contemplamos que não se admite lei isentante geral, devendo a norma ou tratar apenas de isenção, ou
versar sobre um imposto de maneira específica.

Observação: as isenções de ICMS são veiculadas por CONVÊNIOS interestaduais, celebrados no âmbito do
CONFAZ (Conselho de Política Fazendária). Os representantes dos Estados-membros para a deliberação acerca
desse benefício, no tocante ao ICMS. Em tese, tais convênios precisariam ser ratificados por decreto legislativo, mas
não é o que ocorre.

Corroborando ao exposto, propõe Eduardo Sabbag (Manual de Direito Tributário), não se perca de vista que as
isenções de ICMS fogem, em princípio, à regra da legalidade anteriormente celebrada, conforme dicção do art.
155, § 2º, XII, “g” c/c o art. 150, § 6º, parte final, ambos da Carta Magna, na medida em que os Estados e o Distrito
Federal, pretendendo conceder isenções afetas a esse imposto, deverão, previamente, firmar convênios entre si,
37

celebrados no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ –, órgão com representantes de
cada Estado e do Distrito Federal, indicados pelo respectivo Chefe do Executivo. Portanto, “a isenção, quanto ao
ICMS, deve ser precedida de Convênio entre os Estados, e não pelo legislador ordinário estadual”.

IV) Se atingem o ato de pagar, significa dizer que a isenção e a anistia afetam a obrigação tributária
principal, permanecendo inalteradas as obrigações tributárias acessórias (art. 175, parágrafo único,
CTN)
37
Exemplo: transporte de mercadoria isenta de ICMS – sem pagamento do ICMS, mas devendo estar
acompanhada de Nota Fiscal (OT acessória). Veja que a máxima “o acessório segue o principal” não se
aplica aqui.

V) Ambas, para o STF, inibem o lançamento:


HI → FG → OT lançamento → CT (..)

Isenção e Anistia
Note que, na isenção/anistia, acaba se realizando o FG, fazendo-se surgir a OT, despontando-se o sujeito passivo,
entretanto, não se vê constituído o crédito tributário pelo lançamento. Na visão do STF, a isenção e a anistia são
causas obstativas ou inibitórias do lançamento (visão do STF).
VI) Interpretação literal
Art. 111, I, CTN: a necessidade de chamada “interpretação literal” para as causas de suspensão e exclusão
do CT. Desse modo, onde se aplica a interpretação literal, não haverá espaço para os métodos de
integração da legislação tributária (art. 108, I a IV, CTN), por exemplo, a analogia ou equidade. Daí o
nosso macete: “Onde cabe o 111, não entra o 108”.
Esquematizando

Art. 111, CTN Art. 108, CTN


3 incisos 4 incisos
→Casos de interpretação literal →Métodos de integração da legislação
tributária
1. Suspensão e exclusão do CT 1. Analogia
2. Outorga de isenção 2. Princípios gerais do direito
3. Dispensa do cumprimento de OT tributário
acessória 3. Princípios gerais do direito público
4. Equidade
(ver art. 108, §§1º e 2º, CTN)

MACETE: onde cabe o 111, não entra o 108. Onde há intepretação literal nunca poderá ser usado um recurso
integrativo.
38

E o que disciplina o art. 108 do CTN? Contempla os métodos de integração da legislação tributária. Vejamos.

Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a


legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada:
I - a analogia;
II - os princípios gerais de direito tributário;
III - os princípios gerais de direito público;
IV - a eqüidade.
§ 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em
lei. 38
§ 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo
devido.

Esquematizando

O art. 108, do CTN, disciplina quatro modalidades de integração da legislação tributária, utilizadas pelo aplicador
para suprir determinada lacuna que não foi prevista pelo legislador.
Cumpre destacar, que há uma hierarquização dos métodos, devendo observar a sequencia acima apresentada.
Obs.1: A analogia nunca poderá ser utilizada para criar tributo.
Obs.2: A equidade nunca poderá ser utilizada para dispensar tributo.

Art. 108. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não
previsto em lei.
§ 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo
devido.

Obs.3: Onde cabe interpretação literal não haverá espaço para método integrativo.

1) ISENÇÃO

É um instituto desonerativo de tributo por questões sociopolíticas. Exemplo: isenção de ICMS para aqueles
que detêm enfermidades graves, etc.

Do ponto de vista do conceito de isenção, a doutrina mais moderna costuma associar o instituto a uma
norma de exceção à regra da incidência tributária (a norma isentiva incide para que a norma da tributação não incida).
39

Por outro lado, o STF, a par da corrente clássica, vê a isenção como uma dispensa legal do tributo. As propostas
conceituais, na divergência, provocam conclusões relevantes.

STF: A ISENÇÃO consiste na dispensa legal do pagamento do tributo. Assim o ente político tem competência
para instituir o tributo e, ao fazê-lo, opta por dispensar o pagamento em determinadas situações.

Em outras palavras, na concepção mais moderna, a isenção seria uma norma de não incidência tributária,
localizando-se em um momento “anterior” à cronologia da nossa “linha do tempo”. 39
Já na retrocitada concepção adotada pelo STF – ou seja, a isenção aparecendo como dispensa legal do
tributo e inibindo o lançamento -, haveria o FG, a OT, a sujeição passiva, só não ocorrendo o plano da exigibilidade
própria do lançamento.

✓ Já caiu:

CESPE/2016: Situação hipotética: Mesmo ocorrendo o fato gerador de obrigação tributária, o Estado, por meio de
lei, exclui a possibilidade de se exigir o pagamento do crédito tributário relativo a tal obrigação. Assertiva: Essa
situação configura hipótese de isenção de tributo. Correto. A isenção é hipótese de exclusão do crédito tributário e
deve ser feito por meio de lei.

- Para além do conceito:

Não confunda isenção com imunidade! A norma de imunidade está prevista na CF, enquanto a norma de
isenção está prevista na lei. A imunidade é justificada por elevados valores (liberdade religiosa, liberdade política,
liberdade de expressão), enquanto a isenção prende-se a valores de menor densidade axiológica.

Vamos recordar! Conceito de imunidade:

“A norma constitucional de exoneração tributária, que, justificada no conjunto de caros


valores proclamados na Carta Magna, inibe negativamente a atribuição de competência
impositiva e credita ao beneficiário o direito público subjetivo de ‘não incomodação’ perante
o ente tributante”. (SABAGG, Eduardo de Moraes. Manual de Direito Tributário. 8. Ed.,
São Paulo: Saraiva, 2016, p. 298).

Esquematizando

Imunidade Isenção
40

Encontra previsão na Constituição Encontra previsão leis de cada ente da


Federal Federação
É vedação ao poder de legislar sobre o É a dispensa legal do pagamento do
tributo em determinados casos e em tributo
relação a determinadas pessoas É causa de exclusão do crédito
É ausência de COMPETÊNCIA tributário- EXERCÍCIO DA COMPETÊNCIA

A imunidade é instituto de sede constitucional. Enquanto a norma imunizante revela uma dispensa constitucional de40
tributo, a regra isentiva indica uma dispensa legal, no campo da tributação. A imunidade é uma forma de não
incidência constitucionalmente qualificada, enquanto a isenção é uma possibilidade normativa de dispensa
legalmente qualificada.

✓ Já caiu:

CESPE/2014: Isenção e imunidade, são benefícios tributários previstos em lei ordinária, considerados como formas
de não incidência tributária. Errado, a isenção encontra-se previsto na lei, porém as imunidades estão previstas na
Constituição Federal, conforme se pode observar do quadro esquematizado acima.

→Dispositivos na CF contendo “FALSAS” isenções (e verdadeiras Imunidades):

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e
indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
§ 7º São isentas (leia-se imunidade) de contribuição para a seguridade social as entidades
beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária,
o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa
indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja
utilização será definida em lei.
§ 5º São isentas (leia-se imunidade) de impostos federais, estaduais e municipais as
operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.

➢ Princípio da Vedação das Isenções Heterônomas: art. 151, III, CF:

Art. 151. É vedado à União:


III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios.

Análise: a regra é

União → isentar → tributos federais


Estados → isentar → tributos estaduais A regra das isenções autonômicas
41

Municípios → isentar → tributos municipais


DF → tributos municipais/estaduais

• O que se proíbe? A isenção heterônoma.

Conforme estudado acima e exposto por Ricardo Alexandre, a isenção é forma de exclusão do crédito tributário
consistente na dispensa legal do pagamento do tributo. É benefício fiscal concedido exclusivamente por lei, em
regra elaborada pelo ente que tem competência para a criação do tributo.
41
Dessa forma, é lícito afirmar que o poder de isentar é natural decorrência do poder de tributar. Em outras palavras,
a regra é que as isenções sejam autônomas (ou autonômicas), porque concedidas pelo ente federado a quem a
Constituição atribuiu a competência para a criação do tributo.

➔ O poder de isentar decorre do poder de criar. Assim, quem pode criar é quem, igualmente, pode isentar o
referido tributo.

Destaca Ricardo Alexandre, a vedação é importante garantia protetora do pacto federativo, pois impede que os
entes maiores, por ato próprio, interfiram na arrecadação dos entes menores, pondo-lhes em risco a autonomia.

→O princípio da vedação da isenção heteronoma busca proibir que a União venha atuar em seara competencial
alheia, o que lhe é defeso em virtude da privatividade que demarca a competência tributária, quer na vertente de
instituição do tributo, quer na de sua exoneração (Eduardo Sabbag).

• O que é a isenção heterônoma?

A isenção heterônoma é concedida por entidade política diversa daquela que detém a competência tributária. Nesse
passo, será heterônoma uma isenção de IPVA ou IPTU concedida pela União. A heteronomia nas isenções é vedada,
devendo prevalecer a regra afeta às isenções autonômicas (ou autônomas).

Exceção – ressalva a vedação da heteronomia. Art. 156, § 3º, II, CF: trata da possibilidade de concessão pela União,
por lei complementar (art. 2º, I, da LC n. 116/03), de isenção heterônoma do ISS nas exportações de serviços. O
entendimento majoritário é o de que se trata de exceção à regra da vedação de prática de isenção heterônoma. A
nosso sentir, é um bom exemplo, se não for o único, de heteronomia expressa no texto constitucional.

➢ A não heteronomia nos tratados:

- Pode haver a concessão de isenção de tributos estaduais e municipais pela via do tratado internacional?

Resposta: A União, ao celebrar o tratado, não se mostra como pessoa política de Direito Público Interno, mas como
pessoa política internacional, ou sujeito de direito na ordem internacional, passando ao largo da restrição
constitucional.
42

Em tempo, o Presidente firma tais acordos à frente dos interesses soberanos na nação, e não na defesa de
seus restritos propósitos como entidade federada. Daí se assegurar que a concessão da isenção na via do tratado não
se sujeita à proibição da concessão de isenção heterônoma, prevista na CF.

Aliás, em 2007, o STF ratificou que “o Presidente da República não subscreve tratados como Chefe de
Governo, mas como Chefe de Estado, o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma, vedada pelo
art. 151, II, da Constituição”. (RE 229.096/RS, Pleno, rel. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Cármen Lúcia.
J. 16-08-2007). 42

➢ Dispositivos no CTN acerca da isenção (arts. 176 a 179):

Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que
especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se
aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração.
Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade
tributante, em função de condições a ela peculiares.

A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela
peculiares.

Análise: a isenção depende de lei, ainda que haja prévia estipulação contratual. O parágrafo único, por sua vez,
menciona, ademais, o caso da isenção restrita a uma determinada região (isenção circunscrita).

Desse modo, contemplamos que o art. 176, do CTN, em conformidade com o art. 150, § 6º, da CF/88, determina
que a isenção seja concedida por meio de lei específica. Portanto, ainda quando prevista

→A isenção depende de lei, ainda que haja prévia estipulação contratual. O parágrafo único, por sua vez, menciona,
ademais, o caso da isenção restrita a uma determinada região (isenção circunscrita).

✓ Já caiu:

(FCC/ADVOGADO/METRÔ-SP - 2010) A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade
tributante, em função de condições a ela peculiares. Correto, é a previsão do art. 176 do CTN.

Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva:


I - às taxas e às contribuições de melhoria;
II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.

Salvo disposição em contrário, a isenção não é extensiva a duas situações. Note-as:


- Taxas e contribuições de melhoria (Motivo: são tributos contraprestacionais ou bilaterais, e a isenção não se
coaduna com tal característica)
43

- Tributos cuja competência tributária não tenha ainda sido exercida (Motivo: o poder de isentar é correlato ao poder
de criar. Exemplo: uma isenção de imposto sobre grandes fortunas).
- Revogação da isenção

Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas
condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o
disposto no inciso III do art. 104.

O dispositivo, bastante cobrado em provas, versa sobre a revogação das isenções. ***Todavia, há um tipo43
de isenção IRREVOGÁVEL (isenção temporal – isenção por prazo certo + isenção condicional), uma vez geradora
de direito adquirido (ler, acerca do tema, súmula 544 do STF).

✓ Já caiu:

(FCC/ADVOGADO/METRÔ-SP - 2010) A isenção, mesmo se concedida por prazo certo e em função de


determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. Errado, conforme prevê o art.
178 do CTN, na hipótese da isenção ser concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, ela será
irrevogável, é justamente a exceção.
(FCC/PGE/RO - 2011) Nos termos do Código Tributário Nacional, a isenção concedida por prazo certo e em função
de determinadas condições não pode ser revogada a qualquer tempo. Correto, é o que expõe o art. 178 do CTN.

Súmula nº 544, STF: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas.

- E quanto ao princípio da anterioridade tributária perante o instituo da revogação da isenção?

Resposta: o STF vem entendendo que a revogação de isenção, genuinamente tratada, não se confunde com a criação
de tributo. Daí não se confunde cogitar do princípio da anterioridade tributária. Vale dizer que a Corte Suprema
defende a pronta incidência da norma. Em questão objetiva, se solicitar a posição do STF, afirmar a possibilidade
da incidência da norma de imediato.

“Revogada a isenção, o tributo torna-se imediatamente exigível. Em caso assim, não há que se observar o
princípio da anterioridade, dado que o tributo já é existente”.

A doutrina moderna, por sua vez, entende que deve haver observar o princípio da anterioridade.

2) ANISTIA

É o instituto desonerativo de multa, portanto, visa retirar o rótulo de “impontual” do infrator. Lembre-se de
que anistia não é para tributo. Será impropriedade afirmar que “o IPTU foi anistiado”. Não existe anistia para tributo,
mas para multa!
44

→ Anistia é o perdão de multas decorrentes de infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede.

Quanto à anistia, há um aspecto importante no plano da vigência da lei anistiadora. É que a lei de anistia,
devendo afastar uma penalidade, só poderá conter vigência retrospectiva, alcançando situações que lhe são pretéritas.
Assim, não pode haver uma lei de anistia para alcançar o futuro.

✓ Já caiu:

(VUNESP/ADVOGADO/COREN/SP - 2013) A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas após a44


entrada em vigor da lei que a concede. Errado, a infração cometida deve ser ANTERIOR a vigência da lei que a
concede.

➢ Dispositivos no CTN acerca da anistia (arts. 180 a 182, CTN):

Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência


da lei que a concede, não se aplicando:
I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa
qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por
terceiro em benefício daquele;
II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais
pessoas naturais ou jurídicas.

O dispositivo, em total consonância com as ciências penais, demonstra que o Direito Tributário não pode
“afagar”, se aquelas se propõem a “perseguir”. Com efeito, a infração qualificada como crime, como contravenção
ou cometida com dolo, fraude ou simulação não poderá ser abrangida pelos efeitos benéficos da lei anistiadora. O
mesmo raciocínio se estende ao conluio ou à infração resultante de conluio, exceto se houver lei dispondo de modo
contrário.
Art. 181. A anistia pode ser concedida:
I - em caráter geral;
II - limitadamente:
a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo;
b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas
ou não com penalidades de outra natureza;
c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela
peculiares;
d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja
fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.

A anistia pode ser geral ou limitada. Esta última ganha esse formato por se restringir a:
- Certas infrações pertinentes a alguns tributos;
- Certas infrações punidas com certas penalidades;
- Determinada região (anistia circunscrita);
45

- Condicionada a pagamento de tributo.


Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por
despacho da autoridade administrativa, em requerimento com a qual o interessado faça
prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei
para sua concessão.
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-
se, quando cabível, o disposto no artigo 155.

45
REVISÃO (Quadro sinóptico)

ISENÇÃO ANISTIA
Dispensa: TRIBUTO Dispensa: MULTA
Abrange fatos posteriores à lei, sendo Abrange fatos geradores anteriores à lei,
“para frente” (princípio da ou seja, a lei de anistia alcança as
irretroatividade) situações pretéritas (é “para trás”)
Motivo: Motivo:
Socioeconômico ou sociopolítico Retirar a situação de impontualidade do
inadimplente da obrigação

Candidato, quais são as distinções entre:

➢ Isenção

Nos ensinamentos do Prof. Eduardo Sabbag, a isenção é uma mera dispensa legal de pagamento de tributo devido,
verificando -se em uma situação na qual há legítima incidência, porquanto se deu um fato gerador, e o legislador,
por expressa disposição legal, optou por dispensar o pagamento do imposto.

➢ Anistia

Anistia é o perdão legal de infrações, tendo como consequência a proibição de que sejam lançadas as respectivas
penalidades pecuniárias.

➢ Remissão

Segundo ensina Ricardo Alexandre, a remissão é a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do
devedor. Tratando-se de crédito tributário, devido ao princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a
remissão somente pode ser concedida com fundamento em lei específica (CF, art. 150, § 6.°). As regras gerais sobre
a remissão, como forma de extinção do crédito tributário, encontram-se no art. 172 do CTN.

Esquematizando

ISENÇÃO ANISTIA REMISSÃO


Arts. 176 ao 179, CTN Arts. 180 a 182, CTN Art. 172 c/c Art. 156, IV,
CTN
46

Exclui o CT Exclui o CT Extingue o CT


Lei específica (art. 150, Lei específica (...) Lei específica (...)
§6º, CF)
Tributo Penalidades (multa) Tributos e Multas
STF: vem antes do STF: vem antes do Vem após o lançamento
lançamento lançamento
Afeta a OT principal, não →Idem xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
a OT acessória
Interpretação Literal (art. Interpretação Literal (art. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
111, I, CTN) 111, I, CTN) 46
47

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 05: Lançamento/Crédito Tributário

5. Lançamento/Crédito Tributário (Previsão Legal: a partir do artigo 139, CTN)

Explica Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado), segundo a teoria adotada no Código
Tributário Nacional, quando verificada no mundo dos fatos a situação definida em lei como fato gerador do tributo,
47
nasce a obrigação tributária. Tal obrigação consiste num vínculo jurídico transitório entre o sujeito ativo (credor) e
o sujeito passivo (devedor) e tem por objeto uma prestação em dinheiro. Para muitos, se já há credor e devedor, já
há crédito, de forma que o nascimento do crédito tributário seria concomitante ao surgimento da obrigação tributária.

Nessa esteira, uma vez ocorrido o fato gerador, é necessário definir, com precisão, o montante do tributo
ou penalidade, o devedor e o prazo para pagamento, de forma a conferir exigibilidade à obrigação. Daí a exigência
de um procedimento oficial consistente em declarar formalmente a ocorrência do fato gerador, definir os elementos
materiais da obrigação surgida (alíquota e base de cálculo), calcular o montante devido, identificar o respectivo
sujeito passivo, com o fito de possibilitar que contra este seja feita a cobrança do tributo ou da penalidade pecuniária.
Todo esse procedimento é legalmente denominado de lançamento, conforme se pode extrair do art. 142 do CTN.

OBS: Fato gerador em abstrato/Hipótese de incidência – é a descrição na lei daquilo que, se acontecer no campo
concreto, dará nascimento à obrigação tributária. Em sequência, buscando exigir essa obrigação e a quantificando-
a, é feito o que denominamos de lançamento.

Lançamento, ato constitutivo ou ato declaratório?

Segundo a doutrina tem natureza jurídica mista: a) declaratória; b) constitutiva, a depender de para onde
estamos olhando.

→O lançamento declara a obrigação tributária (obrigação tributária que já nasceu/aconteceu), quantificando


o crédito tributário (nat. constitutiva).

STJ. Natureza Constitutiva: o entendimento também é seguido no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o qual já
afirmou textualmente que “o crédito tributário não surge com o fato gerador. Ele é constituído com o lançamento”
(1.ª T., REsp 250.306/DF, rel. Min. Garcia Vieira, j. 06.06.2000, DJU 01.08.2000, p. 208). Assim:
48

Cumpre destacarmos ainda que o lançamento tem repercussão inclusive no âmbito penal, pois, de acordo
com a Súmula Vinculante nº 24, não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos
I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

Súmula Vinculante 24. Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV,
da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.

O lançamento é o divisor de águas entre o crédito tributário e a obrigação tributária.


48
Lançamento, ato administrativo ou procedimento administrativo?

Na doutrina, discute-se ainda se o lançamento é um ato administrativo ou um procedimento. Segundo o


CTN, no artigo 142, o lançamento é um procedimento administrativo privativo e vinculado da Fazenda, sob pena de
responsabilidade funcional.

→CTN adotou expressamente o lançamento como PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO.

Lançamento, atividade vinculada ou atividade discricionária?

→O lançamento é um procedimento PRIVATIVO e VINCULADO da Fazenda.

*Vinculado: a ocorrência do fato gerador dá à autoridade fiscal não apenas o poder, mas também o dever de lançar,
não havendo qualquer possibilidade de análise de conveniência e oportunidade para que se deflagre o procedimento.

Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário


pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a
ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável,
calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a
aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de
lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.

O lançamento se subordina ao princípio documental, jamais derivando de prova oral/verbal.

OBS: A medida liminar concedida em MS não tem o condão de paralisar o lançamento, mas sim a sua exigibilidade,
ou seja, a sua cobrança. O Judiciário pode anular o lançamento já constituído, mas não impedir a sua constituição.
(STJ, 2ª Turma– Resp 157.908 – SP)

➢ Consumação do Ato de Lançamento:

Há duas possibilidades de consumação do lançamento, que aparecem de maneira expressa na Lei do PAF (Lei
de Processo Administrativo Fiscal Federal). É o Decreto nº 70.235/72, mas tem status de Lei Ordinária em face das
normas processuais da CF/88. (arts. 9º e 23).
49

Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão


formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada
tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos,
laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.

a) Auto de Infração

b) Notificação de Lançamento

OBS: Súmula 153, TFR (extinto) - Tributário. Prazo prescricional. Prescrição. Crédito constituído através de auto49
de infração ou notificação.

Constituído, no quinquênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há
falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até
que sejam decididos os recursos administrativos.

Antes do lançamento, trabalha-se com a decadência. Decai o direito de lançar. Por outro lado, uma vez aperfeiçoado
o lançamento, haverá o prazo de 5 anos sob pena de prescrição para que ocorra a cobrança.

Lançamento

Decadência Prescrição
5 anos 5 anos (p/ realizar a cobrança)
O que se prescreve é o direito de cobrança!

OBS: O STJ, no que tange à intimação pela via postal, o AR tem que ser sempre RECEBIDO pelo sujeito passivo?
Não! Provado que chegou ao domicílio do devedor tributário, ainda que não assinado o AR, a notificação é tida
como regular.

Cumpre destacar ainda que, a notificação para que seja plenamente válida é preciso a observância dos seguintes
requisitos:

Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação
da falta, e conterá obrigatoriamente:
I - a qualificação do autuado;
II - o local, a data e a hora da lavratura;
III - a descrição do fato;
IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;
V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de
trinta dias;
VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.

Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e
conterá obrigatoriamente:
50

I - a qualificação do notificado;
II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação;
III - a disposição legal infringida, se for o caso;
IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação
de seu cargo ou função e o número de matrícula.

Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo


eletrônico.

Um dos pressupostos, é de que a notificação do lançamento deve constar o PRAZO DE IMPUGNAÇÃO (prazo de50
defesa do contribuinte).
Nesse sentido, a o entendimento do STJ:

DIREITO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADE DE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO REFERENTE À


TCFA DIANTE DA AUSÊNCIA DE PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE DEFESA ADMINISTRATIVA. É
irregular a notificação de lançamento que vise constituir crédito tributário referente à taxa de controle e fiscalização
ambiental – TCFA na hipótese em que não conste, na notificação, prazo para a apresentação de defesa administrativa.
A cobrança de TCFA submete-se ao procedimento administrativo fiscal, que contempla exigências prévias para a
constituição do crédito tributário mediante lançamento. Entre essas exigências, encontra-se, em consideração ao art.
11, II, do Dec. n. 70.235/1972, a obrigatoriedade de constância, na notificação de lançamento, de prazo para a sua
impugnação. (STJ, AgRg no REsp 1.352.234-PR, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 21/2/2013).

No mais, é importante a sabermos diferenciar o fato gerador (fato gerador em concreto – fato imponível:
fato que espelha no mundo concreto aquilo que está em abstrato na lei). Quando o fato gerador se realiza, temos o
nascimento da obrigação tributária. O fato gerador declara a existência da obrigação tributária. O lançamento, por
sua vez, que é posterior ao fato gerador, dá exigibilidade a obrigação tributária que nasceu com o FG (fato gerador).

→O crédito tributário é lógico e cronologicamente posterior à obrigação tributária.

➢ Ultratividade do lançamento: art. 144, CTN.

O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente,
ainda que posteriormente modificada ou revogada. Nesse sentido, vejamos o teor do CTN.

Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e


rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
§ 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador
da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização,
ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao
crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir
responsabilidade tributária a terceiros.
51

§ 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de
tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se
considera ocorrido.
Esquematizando

Hipótese de Incidência + Fato imponível = Obrigação tributária → Lançamento → Crédito Tributário

→ “O lançamento reporta -se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege -se pela lei então vigente,
mesmo que tenha sido posteriormente revogada”.
51
Obs.: O caput do artigo trata da legislação tributária material e estipula a regra da aplicação da legislação vigente
à data do fato gerador. Já o § 1.º refere-se, fundamentalmente, à legislação formal, como se percebe pela referência
às normas que tenham instituído “novos critérios de apuração ou processos de fiscalização”.

Assim, com relação aos atos de caráter procedimental, as quais denominados de legislação formal, aplicar-se-á lei
vigente aquele momento.

➢ Espécies/Modalidades de Lançamento:

A referida classificação leva em consideração a participação do sujeito passivo da obrigação tributária (devedor do
tributo ou da multa).

a) Direto/De Ofício/Unilateral: Artigo 149, CTN

O fisco realiza sozinho. O devedor tributário não participa da constituição do crédiz. É privativo da autoridade
administrativa. “No lançamento de ofício ou direto, a participação do sujeito passivo é praticamente inexistente”.
Quem realiza é apenas o fisco/fazenda.

Corroborando ao exposto, Ricardo Alexandre expõe (Direito Tributário Esquematizado):

No denominado lançamento de ofício ou direto, a participação do sujeito passivo na


atividade privativa da autoridade fiscal é nula ou quase nula. Daí a denominação
doutrinária e legal, visto que, nesta modalidade, a autoridade fiscal, como decorrência do
poder-dever imposto por seu ofício, diretamente procede ao lançamento do tributo, sem
colaboração relevante do devedor.
52

Ex: IPTU, IPVA.

Súmula 397, STJ: o contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço.

O ônus da prova para desqualificar o recebimento da notificação do lançamento do tributo é do contribuinte.


(STJ – Resp 1.114.780 – SC)

REPETITIVO. TAXA. LICENÇA. FUNCIONAMENTO. A Seção, ao julgar recurso repetitivo (art. 543-C do
CPC), reafirmou que o envio ao endereço do contribuinte da guia de cobrança (carnê) da taxa de licença para
funcionamento configura notificação presumida do lançamento do tributo, que pode ser ilidida pelo contribuinte,52
a quem cabe a prova de que não recebeu a guia. Aplica-se, por analogia, o entendimento da Primeira Seção
firmado em recurso repetitivo referente ao ônus da prova do recebimento do carnê de IPTU (Súm. n. 397-STJ). (STJ,
REsp 1.114.780-SC, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/5/2010).
Não há necessidade de se instaurar prévio processo administrativo para efetuar o lançamento direto. (STJ –
AgRg no AREsp 370.295 – SC)

DIREITO TRIBUTÁRIO. FORMAÇÃO DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. A ausência de prévio processo


administrativo não enseja a nulidade da Certidão de Dívida Ativa (CDA) nos casos de tributos sujeitos a lançamento
de ofício. Com efeito, cabe ao contribuinte impugnar administrativamente a cobrança tributária e não ao fisco que,
com observância da lei aplicável ao caso, lançou o tributo (STJ, AgRg no AREsp 370.295-SC, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 1/10/2013 (Informativo nº 0531).

OBS: Erro de direito – art. 146, CTN; Súmula 227, TFR (extinto).

A mudança do critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento, em observância ao
princípio da segurança jurídica.

Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa


ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do
lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a
fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.

O dispositivo em análise tem por objetivo proteger a alteração do lançamento efetuado, com base em erro de direito,
prestigiando a boa-fé do contribuinte que, no momento da ocorrência do fato gerador, tinha por base a interpretação
anterior da lei tributária.

Portanto, as alterações nos critérios jurídicos, também denominada erro de direito, ou melhor, na interpretação da
lei só pode ser feita, em relação ao mesmo sujeito passivo, quanto aos fatos geradores que vierem a ocorrer após a
mudança na interpretação.

DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO DO LANÇA-MENTO. ERRO DE DIREITO. O lançamento do tributo pelo


Fisco com base em legislação revogada, equivocadamente indicada em declaração do contribuinte, não pode ser
posteriormente revisto. O erro de fato é aquele consubstanciado na inexatidão de dados fáticos, atos ou negócios que
53

dão origem à obrigação tributária. Tal erro autoriza a revisão do lançamento do tributo, de acordo com o art. 149,
VIII, do CTN. Por outro lado, o erro de direito é o equívoco na valoração jurídica dos fatos, ou seja, desacerto
sobre a incidência da norma à situação concreta. Nessa situação, o erro no ato administrativo de lançamento
do tributo é imodificável (erro de direito), em respeito ao princípio da proteção à confiança, a teor do art. 146 do
CTN. (STJ, AgRg no Ag 1.422.444-AL, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/10/2012).
o Indireto/Por arbitramento/Por aferição indireta: art. 148, CTN (subespécie)

É a constituição do crédito tributário pelo lançamento em razão de cálculos realizados por meras presunções
legais ou meros elementos indiciários. 53

Excepcional e subsidiária, pressupondo prévio contraditório, sob pena de nulidade dessa espécie de
lançamento.

Súmula 431, STJ: é ilegal a cobrança de ICMS com base no valor de mercadoria submetida ao regime de pauta
fiscal.

b) Misto/Declaração/Por deliberação: art. 147, CTN.

O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na
forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informação sobre matéria de fato, indispensáveis a
sua efetivação (art. 147, CTN). Há informações fáticas praticadas pelo contribuinte.

Corroborando ao exposto, Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado) preconiza:

O lançamento por declaração é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de


terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade
administrativa informações sobre matéria de fato indispensáveis à sua efetivação. Assim,
no lançamento por declaração ou misto, aparece, de forma bastante relevante, a
colaboração do sujeito passivo – ou terceiro – com a atividade privativa da autoridade
administrativa. Há, portanto, um misto de atuação (administração e sujeito passivo ou
terceiro) na realização do procedimento.

As duas participações dará ensejo ao chamado lançamento misto/por declaração. No lançamento por declaração, o
contribuinte irá fornecer a matéria de fato necessária para a constituição do crédito.

Ex.: II – Imposto de Importação.

Atenção! Apresentação da matéria de fato → É neste ponto que reside um dos aspectos mais relevantes da distinção
entre os casos de lançamento por declaração e aqueles por homologação em que também se exige a prestação de
declaração. No lançamento por declaração, declara-se apenas a matéria de fato, enquanto que no lançamento por
homologação a declaração é de matéria de fato e matéria de direito.
54

c) Por homologação/Autolançamento: art. 150, CTN.

Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação
atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da
autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando
conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.

Há total participação do sujeito passivo ao fornecer as informações fáticas e seu enquadramento jurídico, ele
mesmo antecipa o pagamento do tributo devido, posteriormente homologado pelo fisco.
54
• Presta as informações fáticas e de direito;

• Faz o pagamento antecipado do tributo (se subordina a posterior homologação do fisco).

Corroborando ao exposto, ensina Eduardo Sabbag (Manual de Direito Tributário):

Lançamento por Homologação ou Autolançamento é aquele em que o contribuinte auxilia


ostensivamente o Fisco na atividade do lançamento, recolhendo o tributo, antes de qualquer
providência da Administração, com base em montante que ele próprio mensura.

Ex: IR, IPI, ICMS, ISS, COFINS.

Súmula 436, STJ: A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.

Súmula 446, STJ: Declarado e não pago o débito tributário pelo contribuinte, é legítima a recusa de expedição de
certidão negativa ou positiva com efeito de negativa.

OBS: O prazo para a homologação do crédito tributário é de 5 anos, contados da ocorrência fato gerador (e não do
pagamento do tributo). Passado o prazo, haverá homologação tática e extinção do crédito tributário.

Esquematizando

d) Por ato judicial/No processo trabalhista: art. 114, VIII, CF; art. 879, §1º-A, CLT.
55

Referida modalidade de lançamento encontra previsão na Constituição Federal e na Consolidação das Leis
Trabalhistas.

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: VIII - a execução, de ofício,
das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a , e II, e seus acréscimos legais,
decorrentes das sentenças que proferir;

Trata-se de competência menos conhecida, mas também muito importante é a atribuição que a Justiça do Trabalho
possui para executar contribuições previdenciárias relacionadas com as sentenças que proferir. Nesta modalidade é55
o próprio juiz do trabalho quem promove o lançamento do crédito tributário, de ofício, na sentença.

Súmula 368, TST.


Súmula Vinculante nº 53, STF: A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da Constituição
Federal alcança a execução de ofício das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação constante
das sentenças que proferir e acordos por ela homologados.

Ao condenar o empregador a pagar determinadas verbas de natureza salarial que não foram quitadas, a Justiça do
Trabalho já deverá reconhecer também, por via de consequência, que o empregador deveria ter recolhido, sobre
essas verbas, as contribuições previdenciárias respectivas. Logo, é permitido que condene o reclamado a pagar tais
contribuições, podendo executá-las, ou seja, cobrá-las, de ofício, do empregador. Para o TST e o STF, essa situação
se enquadra na competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114, VIII, da CF/88.

➔ JÁ CAIU:
✓ CESPE/2016: Com base nas normas gerais e constitucionais de direito tributário, julgue o item que se segue.
A constituição de um crédito tributário pode ser ato unilateral da administração pública, bem como pode
depender de declaração do contribuinte. Correto, é o chamado lançamento de ofício e lançamento por
declaração, respectivamente. Referida classificação tem por base a maior ou menor participação do sujeito
passivo.

✓ CESPE/2016: Caso um contribuinte apresente a declaração exigida por lei e efetive o pagamento antecipado
de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, desde que inexistente lei estadual que fixe prazo
distinto, o prazo para a homologação será de cinco anos, contados da efetiva ocorrência do fato gerador de
cada tributo. Correto, é do momento do fato gerador que se conta o prazo.

✓ CESPE/2011: De acordo com o que dispõe o CTN a respeito do crédito tributário, assinale a opção correta.
a) O lançamento tributário rege-se pela lei vigente na data da ocorrência do fato gerador, ainda que ao tempo
da constituição do crédito tal lei haja sido revogada. Alternativa Correta, posto que aplica-se a ultratividade
do lançamento.
56

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 06: Suspensão do Crédito Tributário

6. Suspensão do Crédito Tributário: arts. 151 a 155-A.

Conforme já estudado, é cediço que a constituição do crédito tributário tem como principal efeito tornar
56
líquida, certa e exigível a obrigação já existente. A exigibilidade impõe ao sujeito passivo o dever de adimplir a
obrigação e, em caso de descumprimento, permite que a Administração Tributária promova os atos executivos
necessários para o recebimento coativo do que lhe é devido. Todavia, existem hipóteses em que a possibilidade de
promoção de atos de cobrança por parte do Fisco fica suspensa, situações as quais denominados de “suspensão do
crédito tributário”.
Nessa esteira, as hipóteses que suspendem o crédito tributário estão escalonadas ao teor do art. 151 do CTN,
conforme se pode observar abaixo.
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
I. Moratória
II. O depósito do seu montante integral
III. As reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário
administrativo
IV. A concessão de medida liminar em mandado de segurança
V. A concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação
judicial
VI. O parcelamento

Obs.: O rol das hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário é cobrado com frequência. Desse modo,
importante “decorar” as referidas hipóteses.
Esquematizando

→ O rol é taxativo, vide art. 111, I e 141 do CTN.


As hipóteses de suspensão do crédito tributário formam um rol exaustivo, pois, conforme afirma o art. 141 do CTN,
o crédito tributário regularmente constituído somente tem sua exigibilidade suspensa nos casos previstos no próprio
57

Código. Ademais, a taxatividade da lista é reforçada pelo art. 111, I, do CTN, que determina a interpretação literal
da legislação que disponha sobre suspensão do crédito tributário.
Nesse sentido, vejamos a legislação:
Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;
Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue,
ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais
não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua
57
efetivação ou as respectivas garantias.

Ao se falar em suspensão do crédito tributário, estamos em verdade, tratando-se da suspensão da exigibilidade do


crédito tributário.
→O crédito tributário não pode ser exigido, cobrado.
Cumpre destacarmos ainda que, não sendo possível a execução fiscal por parte da Fazenda, suspende também a
prescrição do crédito tributário.

→ CADIN – cadastro de inadimplentes tributários.


A concessão de medida liminar tem como consequência, além da suspensão da exigibilidade do crédito
tributário, a retirada do nome do devedor do CADIN e a expedição de certidão positiva de débito com efeito negativo
(art. 206, CTN). E em caso de pessoa jurídica, poderá participar normalmente de processos licitatórios, caso tenha
a CPD-EN.

→Não suspensão das obrigações acessórias


Ainda que configurada qualquer das hipóteses do artigo 151 do CTN, as obrigações tributárias acessórias
permanecem valendo. Portanto, deduz-se que são autônomos (fazer, não fazer, suportar).
- Tal suspensão não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo
crédito seja suspenso, ou dela consequentes (art. 151, parágrafo único).
Art. 151. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das
obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou
dela conseqüentes.

Causas de suspensão do crédito tributário: artigo 152, CTN.


a) Moratória

Conforme ensina Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado) a moratória é a primeira das hipóteses de
suspensão da exigibilidade do crédito tributário diretamente disciplinadas pelo CTN.
58

O benefício implica a dilação de prazo para pagamento do tributo, podendo ser concedido direta e genericamente
por lei (caráter geral – CTN, art. 152, I) ou por ato administrativo declaratório do cumprimento dos requisitos
previstos em lei (caráter individual – CTN art. 152, II).

Em síntese, é a dilação legal do prazo para regular pagamento do tributo. Um novo tempo é conferido ao contribuinte
para que ele pague o tributo.

- É a dilação legal do prazo para o regular pagamento do tributo. Trata-se de um novo tempo dado ao contribuinte
58
para o pagamento do débito que ele possui.

Há duas espécies no CTN de moratórias: geral ou objetiva e individual/subjetiva. Vejamos:

→Moratória:

o Em caráter geral:
- Uma vez concedida, gera direito adquirido ao sujeito passivo da obrigação tributária.

o Individual/Subjetiva:
- Não há direito adquirido.
- Geralmente, há necessidade de despacho da autoridade administrativa para a sua concessão. Os requisitos devem
ser apresentados pelo sujeito passivo e após a sua apresentação será despachado pela autoridade administrativa.
- A lei que a concede pode também estabelecer que a sua homologação é imprescindível à oferta de garantia.

Art. 152. A moratória somente pode ser concedida:


I - em caráter geral:
a) pela pessoa jurídica de direito público competente para instituir o tributo a que se
refira;
b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos
Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência federal
e às obrigações de direito privado;
II - em caráter individual, por despacho da autoridade administrativa, desde que autorizada
por lei nas condições do inciso anterior.
Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circunscrever expressamente a sua
aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que
a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos.
A pessoa que tem competência para instituir o tributo é quem irá conceder a moratória. A alínea “b”, todavia,
admite que a União conceda moratória quanto aos tributos dos Estados, DF e dos munícipios, o que, por sua vez,
tem gerado discussão na doutrina em virtude do pacto Federativo, questiona-se se isso não violaria o mesmo.
Dessa modo, contemplamos que há controvérsia acerca do artigo 152, I, “b”, quanto ao tema “Forma
Federativa de Estado”.
59

1ª corrente: Diz que essa alínea não foi recepcionada pela CF pois fere o princípio da forma federativa de Estado,
no momento em que afronta a autonomia dos Estados, DF e Municípios quanto à competência tributária.
2ª corrente: Diz que é uma medida de política fiscal que favorece o cidadão. Não há apenas a indicação da moratória
para os tributos de outros entes federados, a União também se prende à concessão de moratória para os seus próprios
tributos e obrigações de direito privado.
Em provas objetivas, optar pela disposição legal, já em provas discursivas apontar a divergência.
Conforme dispõe o art. 152, parágrafo único, do CTN é possível que a moratória seja aplicada de maneira “desigual”,59
desde que a finalidade seja lícita. O ente pode conceder a moratória apenas para uma determinada região do território
da pessoa jurídica de direito público que expediu a lei, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos.
Esquematizando
Moratória em caráter geral Moratória em caráter individual
Moratória concedida em caráter geral, a Moratória concedida em caráter
lei objetivamente dilata o prazo para o individual, a lei restringe a abrangência do
pagamento do tributo, beneficiando a benefício às pessoas que preencham
generalidade dos sujeitos passivos, sem determinados requisitos, de forma que o
necessidade da comprovação por parte gozo dependerá de requerimento
destes de alguma característica pessoal formulado à Administração Tributária no
especial. qual se comprove o cumprimento dos
pressupostos legais. É nesta hipótese que
o reconhecimento do benefício se dará
mediante ato administrativo declaratório
(despacho administrativo, na terminologia
adotada pelo CTN).

➔ Moratória Parcelada e Parcelamento


Inicialmente, cumpre retificar a ideia de que o parcelamento e moratória existem como causas independentes de
suspensão do crédito tributário, e a denominada “moratória parcelada” não deve ser confundida com o simples
parcelamento. Nesse sentido, vejamos quais sejam as suas distinções.
Art. 153, III, B – moratória parcelada;
Art. 155-A – parcelamento.
A Moratória parcelada deriva de uma situação excepcional – ocorre em situações naturais ou outras situações
econômicas e sociais que demandam essa dilação do prazo para pagamento do tributo (art. 153, III, “b”, CTN). Por
outro lado, o parcelamento é uma medida de política fiscal que beneficia tanto o ente como o sujeito passivo da
obrigação tributária, facilitando a quitação dos débitos para manter o crédito tributário em dia.
Pelo exposto, contemplamos que a diferença fundamental entre moratória parcelada e parcelamento reside nos
pressupostos de fato que ensejam o manejo dos institutos.
60

Ademais, no parcelamento, ao contrário do que acontece na moratória, continua aplicando-se os encargos moratórios
(juros e multas), na moratória não há incidência de juros e multas.
Esquematizando
Moratória Parcelada Parcelamento
A moratória é medida excepcional, que O parcelamento é corriqueira medida de
somente deve ter lugar em casos de política fiscal, que visa a recuperar
situações naturais, econômicas ou sociais créditos e a permitir que contribuintes
que dificultem o normal adimplemento inadimplentes voltem à situação de 60
das obrigações tributárias regularidade, podendo gozar dos
benefícios decorrentes de tal status.

Medida excepcional! Medida comum!

Não há incidência de juros e multas. Salvo disposição em contrário, NÃO


exclui juros e multa.

➔ Moratória Individual*
Conforme estudado acima, a concessão da moratória individual depende de que o interessado demonstre, em
requerimento formulado à autoridade administrativa competente, o cumprimento de certas condições e requisitos
indispensáveis ao gozo do benefício. Com base nas informações e comprovação documental fornecidas à autoridade
fiscal, esta profere “despacho” reconhecendo ou não o direito à moratória.
Nesse contexto, indaga-se: Qual a consequência jurídica da moratória individual que fora obtida com dolo ou
simulação, ou seja, sem que houvesse o preenchimento dos requisitos exigidos, tendo o contribuinte agido com dolo
ou simulação?
Aplicação do art. 155 do CTN.
Poderá ser revogada de ofício sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as
condições ou não cumpria ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito
acrescido de juros de mora.
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será
revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de
satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a
concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora:

I. Com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em
benefício daquele; (paga a integralidade + multa)
II. Sem imposição de penalidade, nos demais casos.
61

No caso do inciso I, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito
da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II, a revogação só pode ocorrer se prescrito o
referido direito.
A mesma regra do inciso I se aplica ao parcelamento individual (art. 155-A, §2º, CTN), remissão individual (art.
172, par. único, CTN), isenção individual (art. 179, §2º, CTN) e anistia individual (art. 182, par. único, CTN).

b) Depósito do Montante Integral 61


Conforme ensina Ricardo Alexandre, na hipótese do sujeito passivo não concordar com lançamento
realizado, pode impugná-lo, administrativa ou judicialmente. Se a opção é a via judicial, será necessária a adoção
de alguma providência que impeça a Administração Fazendária de ajuizar a ação de execução fiscal, procedimento
que leva à constrição coativa do patrimônio do devedor. O sujeito passivo precisará, portanto, suspender a
exigibilidade do crédito tributário. A hipótese mais viável para tal fim é o depósito do montante integral do crédito
tributário exigido pelo Fisco.
Trata-se de é direito subjetivo do contribuinte. Já foi proclamada em precedente do STJ.
Trata-se de um direito subjetivo do contribuinte, que não pode ter seu exercício obstado pela Fazenda Pública,
conforme se extrai da jurisprudência do STJ (REsp196.235/RJ).

A referida medida mostra-se interessante para o fisco e para o contribuinte, pois se o resultado do debate
sobre os valores controversos não favorecerem o sujeito passivo, o montante total do crédito exigido já fora
depositado e convertido em renda, não sendo necessário iniciar execução fiscal. A conversão em renda é uma das
causas de extinção do crédito tributário (art. 156, VI, CTN).
Por outro lado, o contribuinte não terá seu nome negativo em virtude da suspensão do crédito tributário.
Súmula nº 112, STJ: O depósito SOMENTE suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em
dinheiro.

Não se confunde com caução, pois o montante deve ser integralizado e em dinheiro. Não é pressuposto para
o ajuizamento de ação judicial.
OBS: O art. 38 da Lei 6.830/80 (Lei de Execução Fiscal) não foi recepcionado pela CF/88 por ser interpretado como
restrição ao amplo acesso à Justiça, violação à inafastabilidade da jurisdição, e ao princípio da igualdade (já que as
ações anulatórias só seriam propostas por quem tivesse dinheiro para garantir o depósito prévio).

Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em


execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de
repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do
62

depósito preparatório do valor do débito*, monetariamente corrigido e acrescido dos juros


e multa de mora e demais encargos.

→O depósito preparatório não pode ser requisito para o ajuizamento de ações no Judiciário. Referido dispositivo
não fora recepcionado.
Súmula Vinculante nº 28, STF: É inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade
de ação judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade de crédito tributário.

A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as62
hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida,
esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa
de mora e demais encargos.

OBS: Sobre os juros remuneratórios devidos na devolução dos depósitos judiciais efetuados para suspender a
exigibilidade do crédito tributário incide o IRPJ e CSLL (Contribuição sobre os lucros líquidos), pois a natureza
jurídica da remuneração do capital é de juros remuneratórios, o que resulta em acréscimo patrimonial que compõe
a esfera de disponibilidade do contribuinte (STJ - REsp 1.138.695 – SC).
c) Reclamações e Recursos Administrativos: PAF – processo administrativo fiscal federal.
Enquanto estiver em andamento a discussão do crédito tributário na esfera administrativa – com reclamação ou
recursos para serem analisados – o crédito tributário estará com a exigibilidade suspensa.
A lei do PAF nasceu como Decreto nº 70.235/72, mas tem status de lei ordinária.
• Prazo para defesa administrativa – 15 dias
• Prazo para defesa na esfera Federal – 30 dias

Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se
fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da
data em que for feita a intimação da exigência.

Por força do princípio do diálogo das fontes (art. 15 do CPC – aplicação supletiva e subsidiária do CPC), o
prazo de 30 dias deve ser contado em dias úteis, utilizando-se o NCPC.
Tal impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o final do processo (STJ – AgRg no REsp
1.498.850; Proc. 2014/0279628-6 – RS).
Assim, contemplamos que enquanto perdurar o contencioso administrativo, suspende-se a exigibilidade do
crédito tributário.

• Decisão administrativa: art. 24 da Lei 11.457/07.


63

É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de
petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.
Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360
(trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos
administrativos do contribuinte.

Súmula 411, STJ: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento
decorrente de resistência ilegítima do Fisco. 63
Súmula Vinculante nº 21, STF: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou
bens para admissibilidade de recurso administrativo.
Súmula nº 373, STJ: É ilegítima a exigência de depósito prévio para admissibilidade de recurso administrativo.

→Não pode ser exigido caução ou depósito para o exercício da defesa administrativa.

d) Liminar ou Tutela Antecipada em MS ou em qualquer ação judicial

O art. 7º da Lei 12.016/2009 que regulamenta o mandado de segurança prevê a possibilidade do impetrante
requerer a concessão de liminar sempre que houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a
ineficácia da medida.
É sob esse cenário que a concessão da liminar em sede de mandado de segurança impetrado pelo
contribuinte poderá suspender a exigibilidade do crédito tributário. Cumpre destacar que o mero pedido não
suspende, apenas quando ocorrer a CONCESSÃO da medida pelo Poder Judiciário é que será hábil a suspender.
Corroborando ao exposto, propõe Ricardo Alexandre, “a Lei 12.016/2009 disciplina a ação constitucional
do mandado de segurança. Em seu art. 7.º, III, determina que, ao despachar a inicial, o juiz ordenará que se suspenda
o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia
da medida”.
Se concedida tutela provisória em qualquer ação judicial haverá suspensão da exigibilidade do crédito
tributário.
O Fisco fica impedido de promover execução fiscal quando a tutela provisória é concedida.
Na eventual hipótese de ao final do processo, a tutela provisória anteriormente concedida for revogada e
ficar demonstrado que o tributo deverá ser pago pelo contribuinte, questiona-se, haverá incidência de correção
monetária, juros e multa?
Se a tutela provisória foi revogada ao final do processo e os valores não foram pagos, será inserido correção
monetária e juros, salvo disposição em contrário constante de lei.
▪ Correção monetária: é a atualização da moeda frente ao fenômeno inflacionário.
64

▪ Juros de mora: é o preço pelo capital indevidamente retido.


▪ Multa tributária: penalidade.
Segundo Josiane Minardi, caso a concessão da medida seja reconsiderada, anulada ou reformada, o crédito voltará
a ser exigido, acrescido de juros apenas, pois a multa moratória pune o descumprimento da norma tributária que
determina o pagamento do tributo no vencimento, enquanto os juros compensam a falta de disponibilidade dos
recursos pelo sujeito ativo pelo período correspondente ao atraso.
Nessa linha, o art. 63, caput e §2º da Lei nº 9.430/96, afasta apenas a multa de ofício. 64

Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a


tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos
incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento
de multa de ofício.
§ 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a
incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data
da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.

OBS: No período compreendido entre a concessão de medida liminar e a denegação da ordem incide correção
monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso. Afastada a imposição de multa de ofício (STJ – EREsp
839.962/MG).
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGI-BILIDADE NO PERÍODO DE VIGÊNCIA DE LIMI-NAR
EM MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1.
Divergência jurisprudencial configurada entre acórdãos da Primeira e Segunda Turmas no tocante à possibilidade
de incidência de juros de mora sobre o tributo devido no período compreendido entre a decisão que concede liminar
em mandado de segurança e a denegação da ordem. [...] 4. O art. 63, caput e § 2º, da Lei 9.430/96 afasta tão somente
a incidência de multa de ofício no lançamento tributário destinado a prevenir a decadência na hipótese em que o
crédito tributário estiver com sua exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida em mandado de
segurança ou em outra ação ou de tutela antecipada. 5. No período compreendido entre a concessão de medida
liminar e a denegação da ordem incide correção monetária e juros de mora ou a Taxa SELIC, se for o caso. Afastada
a imposição de multa de ofício. 6. Embargos de divergência acolhidos.” (STJ, Primeira Seção, EREsp 839.962/MG,
Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, fev/2013).
e) Parcelamento
O parcelamento: também tem sua regulamentação no art. 155-A, CTN.
Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei
específica.
§ 1º Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a
incidência de juros e multas.
§ 2º Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à
moratória.
§ 3º Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do
devedor em recuperação judicial.
§ 4º A inexistência da lei específica a que se refere o § 3º deste artigo importa na aplicação
das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial,
65

não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal
específica. (Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)

Conforme ensinamentos de Ricardo Alexandre, o parcelamento consiste numa medida de política fiscal com a qual
o Estado procura recuperar créditos e criar condições práticas para que os contribuintes que se colocaram numa
situação de inadimplência tenham a possibilidade de voltar para a regularidade, usufruindo os benefícios daí
decorrentes.
Conforme previsão do CTN, é necessária a existência de lei específica, ou seja, se estamos trabalhando com65
tributo Federal, a lei que a regulamenta também é Federal. A lei específica reclamada pelo dispositivo é lei do
membro da Federação com competência para a instituição do tributo. Assim, cada ente político possui autonomia
para editar suas leis autorizatórias de parcelamento de crédito tributário, devendo respeitar as normas gerais
constantes do Código Tributário Nacional (Ricardo Alexandre).
→ O parcelamento só pode ser concedido mediante lei específica, não excluindo, salvo disposição de lei em
contrário, a incidência de juros e multas.

Atenção para as Súmulas!

Súmula 437, STJ: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário superior a quinhentos mil reais para opção
pelo Refis pressupões a homologação expressa do comitê gestor e a constituição de garantia por meio do arrolamento
de bens.

Súmula 355, STJ: É válida a notificação do ato de exclusão do programa de recuperação fiscal do Refis pelo Diário
Oficial ou pela internet.

OBS: Processo Administrativo – contraditório e ampla defesa


É necessário para a exclusão do contribuinte de determinado benefício fiscal da concessão do contraditório e da
ampla defesa em processo?
Por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, a 2ª Turma deu provimento a recurso ordinário em
mandado de segurança para declarar nulo ato administrativo e seus consectários, a fim de garantir à impetrante
manifestação prévia em processo administrativo destinado a verificar a regularidade da concessão de benefício fiscal
(STF – RMS 31661/DF).
Processo administrativo: contraditório e ampla defesa.
Por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, a 2ª Turma deu provimento a recurso ordinário em
mandado de segurança para declarar nulo ato administrativo e seus consectários, a fim de garantir à impetrante
manifestação prévia em pro-cesso administrativo destinado a verificar a regularidade da concessão de benefício
66

fiscal. Asseverou-se que a prerrogativa de a Administração Pública controlar seus próprios atos não dispensaria a
observância dos postulados supramencionados em âmbito administrativo. Ademais, ressaltou-se que a manifestação
em recurso administrativo não supriria a ausência de intimação da recorrente. Pontuou-se que oportunidade ao
interessado em momento próprio e que a impugnação, mediante recurso, de ato que anulara benefício anteriormente
concedido, mesmo diante de exame exaustivo das razões de defesa apresentadas, não satisfaria o direito de defesa
da impetrante. (STF, RMS 31661/DF, rel. Min. Gilmar Mendes, 10.12.2013).

Obs.: A prova de DPC/PE elaborado pelo CESPE, exigia do candidato conhecimento sobre as causas de suspensão
e causas de extinção do crédito tributário. Fazer estudo pontual das referidas hipóteses! 66
➔ JÁ CAIU:
 CESPE/2016. A concessão de parcelamento tributário não dá ensejo à extinção dos créditos tributários
parcelados, pois não ocorre o fenômeno da novação. Certo, o parcelamento é hipótese de SUSPENSÃO do
crédito tributário e não de extinção.
O parcelamento do débito é causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, VI, do CTN) que
acarreta a suspensão do curso da execução fiscal, até o adimplemento pelo executado de todas as parcelas integrantes
do parcelamento concedido. (...).

 CESPE/2015. Determinado programa de parcelamento de débitos tributários, que possibilita aos


contribuintes parcelarem suas dívidas em até cento e vinte meses, foi instituído por lei pelo DF. A empresa
Z, que praticou sonegação com emissão de notas fiscais fraudadas, realizou denúncia espontânea e requereu
ingresso em tal programa, com o parcelamento da dívida confessada. A respeito dessa situação hipotética,
assinale a opção correta. Foi considerada correta a assertiva - a) No caso de dolo, fraude ou simulação por
parte do contribuinte, não é possível a concessão de parcelamento, razão por que o requerimento da
empresa Z deve ser indeferido. Correto, é o que prevê o regramento da moratória individual realizada com
dolo ou simulação, regras as quais possuem aplicação supletiva no parcelamento. (Ver arts. 154 e 155-A).

Art. 154. Parágrafo único. A moratória não aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo ou
do terceiro em benefício daquele.
No parcelamento há aplicação subsidiária das regras da moratória e estas normas afirmam que a moratória(e em
consequência o parcelamento) não alcançam aqueles que agem com dolo ou fraude.
Art. 155-A. § 2º Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposições desta Lei, relativas à moratória.

 CESPE/2015. A moratória e a concessão de medida liminar em mandado de segurança são casos de


suspensão do crédito tributário, ao passo que a anistia e a isenção são casos de extinção do crédito tributário.
Errado, embora a moratória e a concessão de medida liminar em MS constituam hipóteses de suspensão do
67

crédito tributário, a ANISTIA e ISENÇÃO são causas de EXCLUSÃO e não extinção, não se confundido as
referidas hipóteses. Exclusão distingue-se de extinção.

67
68

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 07: Causas de Extinção do Crédito Tributário

7. Causas de Extinção do Crédito Tributário: arts. 156 a 174, CTN.

São onze causas de extinção do crédito tributário, conforme dispõe o art. 156 do CTN.
I. O pagamento;
68
II. A compensação;
III. A transação;
IV. A remissão;
V. A prescrição e a decadência;
VI. A conversão de depósito em renda;
VII. O pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no
artigo 150, §§1º e 4º; (lançamento por homologação)
VIII. A consignação em pagamento, nos termos do disposto no §2º do artigo 164;
IX. A decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita
administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória;
X. A decisão judicial passada em julgado;
XI. A dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei.

Dica de Estudo! As questões objetivas de concursos sempre exigem do candidato um conhecimento sobre as causas
de exclusão, suspensão e extinção do crédito tributário. Para um estudo otimizado, sugere-se “decorar” as duas
hipóteses de exclusão (anistia e isenção) e as outras seis de suspensão, de modo que, as restantes, referem-se as
causas de extinção do crédito tributário. Remanescente é causa de extinção do crédito tributário.

 Natureza do Rol das Causas de Extinção do Crédito Tributário: Taxativo ou Exemplificativo?

OBS: Controvérsia doutrinária - Na indicação do artigo 141 do CTN o rol acima seria taxativo.
Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou
tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais
não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua
efetivação ou as respectivas garantias.

Por outro lado, se a contextualização for feita pelo artigo 111, I, CTN, a resposta pode ser negativa, pois a
interpretação literal só é exigida no CTN para as causas de exclusão/suspensão do crédito tributário, portanto, não
exigiria interpretação literal para as causas de extinção do crédito tributário.
Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre:
I - suspensão ou exclusão do crédito tributário;
69

Da análise do art. 111 do CTN, verifica-se que não houve alusão as hipóteses de extinção do crédito tributário
serem analisados de forma restritiva, o que levaria a conclusão de que o referido rol é meramente exemplificativo,
posto que não há necessidade de interpretação restritiva sobre esse.
*Tribunais
Controvérsia nos Tribunais Superiores – ADI nº 2.405/2006 (Alteração do entendimento firmado na
ADInMC 1917-DF, 18.12.98, Marco Aurélio, DJ 19.09.2003: consequente ausência de plausibilidade da alegação
de ofensa ao art. 146, III, b, da Constituição Federal, que reserva à lei complementar o estabelecimento de normas69
gerais reguladoras dos modos de extinção e suspensão da exigibilidade de crédito tributário).
Ação direta de inconstitucionalidade: medida cautelar: L. estadual 11.475, de 28 de abril de 2000, que introduz
alterações em leis estaduais (6.537/73 e 9.298/91) que regulam o procedimento fiscal administrativo do Estado e a
cobrança judicial de créditos inscritos em dívida ativa da fazenda pública estadual, bem como prevê a dação em
pagamento como modalidade de extinção de crédito tributário. Extinção de crédito tributário criação de nova
modalidade (dação em pagamento) por lei estadual: possibilidade do Estado-membro estabelecer regras específicas
de quitação de seus próprios créditos tributários. No ano de 2000 ainda não tinha previsão da modalidade de
Dação em Pagamento no CTN como hipótese de extinção de crédito tributário. Por ocasião, podia haver a ampliação
da hipótese de extinção do crédito tributário.

Por outro lado, a ADI nº 1.917, STF.


CRÉDITO TRIBUTÁRIO - EXTINÇÃO. As formas de extinção do crédito tributário estão previstas no Código
Tributário Nacional, recepcionado pela Carta de 1988 como lei complementar. Surge a relevância de pedido
formulado em ação direta de inconstitucionalidade considerada lei local prevendo nova forma de extinção do crédito
tributário na modalidade civilista da dação em pagamento. Suspensão de eficácia da Lei Ordinária do Distrito Federal
de nº 1.624/97. /# - Mérito /# AÇÃO DIRETA DE IN-CONSTITUICIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍ-PIO
DA LICITAÇÃO (CF, ART. 37, XXI). I - Lei ordinária distrital - pagamento de débitos tributários por meio de
dação em pagamento. II - Hipótese de criação de nova causa de extinção do crédito tributário.
III - Ofensa ao princípio da licitação na aquisição de materiais pela administração pública. IV – Confirmação do
julgamento cautelar em que se declarou a inconstitucionalidade da lei ordinária distrital 1.624/1997.
ADI nº 1.917, STF (DJ 24.08.2007)
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUICIONALIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LICITAÇÃO (CF, ART. 37,
XXI).
I - Lei ordinária distrital - pagamento de débitos tributários por meio de dação em pagamento.
II - Hipótese de criação de nova causa de extinção do crédito tributário.
III - Ofensa ao princípio da licitação na aquisição de materiais pela administração pública.
IV - Confirmação do julgamento cautelar em que se declarou a inconstitucionalidade da lei ordinária distrital
1.624/1997.
70

- Extinção do crédito tributário por lei estadual ante decurso do prazo para apreciação de defesa admi-nistrativa:
nova forma de tratamento da decadência
– inconstitucionalidade da norma regional (*):
“Norma do Estado de Santa Catarina que estabelece hipótese de extinção do crédito tributário por transcurso de
prazo para apreciação de recurso administrativo fiscal. (...) A determinação do arquivamento de processo
70
administrativo tributário por decurso de prazo, sem a possibilidade de revisão do lançamento equivale à extinção do
crédito tributário cuja validade está em discussão no campo administrativo. Em matéria tributária, a extinção do
crédito tributário ou do direito de constituir o crédito tributário por decurso de prazo, combinado a qualquer outro
critério, corresponde à decadência. Nos termos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), a decadência do
direito do Fisco ao crédito tributário, contudo, está vinculada ao lançamento extemporâneo (constituição), e não,
propriamente, ao decurso de prazo e à inércia da autoridade fiscal na revisão do lançamento originário. Extingue-se
um crédito que resultou de lançamento indevido, por ter sido realizado fora do prazo, e que goza de presunção de
validade até a aplicação dessa regra específica de decadência.
O lançamento tributário não pode durar indefinidamente, sob risco de violação da segurança jurídica, mas a
Constituição de 1988 reserva à lei complementar federal aptidão para dispor sobre decadência em matéria tributária.
Viola o art. 146, III, b, da CF, norma que estabelece hipótese de decadência do crédito tributário não prevista em lei
complementar federal” (STF, ADI 124, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 1º-8-2008, Plenário, DJE de 17-
4-2009).

a) Pagamento art. 157 a 164, CTN.


O pagamento constitui-se forma natural de extinção das obrigações, e consequentemente, do crédito tributário.
Assim, o pagamento trata-se da mais natural hipótese de extinção do credito tributário.
Possui regulamentação ao teor do art. 157 ao 164 do CTN.
Art. 157: no âmbito do direito tributário, no caso de cometimento de infrações, o valor devido pela penalidade soma-
se ao tributo, ou seja, penalidade + tributo coexistem, não sendo possível que o pagamento deste seja substituído
pelo daqueles, é o que prevê o art. 157 do CTN.
Art. 157. A imposição de penalidade não ilibe o pagamento integral do tributo.

→A imposição de penalidade não exclui o pagamento integral do crédito tributário.

Desse modo, conforme afirma o art. 157 do CTN, a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral da
multa, ou seja, a multa é sempre cumulativa, jamais substituindo o pagamento do respectivo tributo.
71

Art. 158: estipula uma não presunção de pagamento.


O pagamento de um tributo não presume nem o pagamento de parcelas que antecedem nem o de outros créditos
referentes ao mesmo ou a outros tributos. Nesse sentido, o CTN:
Art. 158. O pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento:
I - quando parcial, das prestações em que se decomponha;
II - quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos.
71
Nesse sentido, o precedente:
STJ – Resp 525.600/RS – julgado em 07/10/2003, DJ 17/11/2003, p. 217.
A expedição de certificado de registro e licenciamento de veículo – CRLV, embora condicionada à quitação de
tributos incidentes sobre a propriedade de veículo automotor, não serve como comprovação de quitação do IPVA e
tão pouco a sua emissão relativa a exercícios posteriores gera presunção do pagamento de valores anteriores,
conforme diz o artigo 158, II do CTN.
Apenas a apresentação da GA (Guia de Arrecadação), RPV (Recibo de Pagamento do Veículo) ou recibo de alguma
modalidade de autoatendimento está apto a demonstrar a quitação do IPVA.

Pelo exposto, o contribuinte tem o dever de manutenção dos comprovantes de pagamento de todas as prestações ou
quotas relativas a todos os tributos até que se verifique a prescrição dos créditos respectivos (art. 195, parágrafo
único do CTN).

Art. 159: O artigo 159 estabelece o domicílio de pagamento. A regra é a de que o domicílio do sujeito passivo
(devedor) é o local do pagamento.
Art. 159. Quando a legislação tributária não dispuser a respeito, o pagamento é efetuado
na repartição competente do domicílio do sujeito passivo.

Art. 160: o prazo paga pagamento do tributo pode ser estipulado por meio de norma infralegal, uma vez que o art.
160 do CTN refere-se a expressão “legislação”. Se a legislação não fixar o prazo para pagamento, o vencimento do
crédito ocorrerá em 30 dias após a notificação do lançamento do tributo.
Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do
crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado
do lançamento.

O artigo 160 dita a regra para a data do vencimento do tributo, se não há data, não há omissão, a regra é de
que no silêncio aplica-se o prazo de 30 dias, contados do lançamento do tributo.
72

Atenção! Não se submete ao princípio da legalidade tributária, não há necessidade de que lei institua o
prazo do vencimento do tributo, basta a legislação tributária (tratados/convenções internacionais, decreto, normas
complementares de direito tributário).
O desconto do pagamento do tributo pressupõe legislação tributária, vide o anotado no parágrafo anterior.
Art. 161: trata da inadimplência tributária. O inadimplente pagará o tributo devido com correção monetária, juros
de mora e multa tributária.
Tributo devido + correção monetária + juros de mora e multa tributária. 72

Art. 161: O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora,
seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades
cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei
tributária.
§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um
por cento ao mês.
§ 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor
dentro do prazo legal para pagamento do crédito.
Vamos aprofundar?

❖ Diferença entre Sonegação e Inadimplência: Por Gabriel Medeiros Régnier; Advogado - OAB/PR 41.934.
Agosto/2008.

A figura da sonegação fiscal está conceituada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1967 que a apresenta como sendo
toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da
autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias
materiais; e/ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o
crédito tributário correspondente.
A Lei nº 8.137/1990, que regula os crimes contra a ordem tributária, em harmonia com a Lei nº 4.502/1967,
tipifica o crime de sonegação fiscal em seu artigo 1º através dos modelos de condutas descritos nos incisos I a V. O
artigo 2º do mesmo diploma também descreve condutas que representam sonegação fiscal, além de outras que não
a configuram senão em sentido impróprio, como no caso do inciso II.
O bem jurídico aqui tutelado é a arrecadação tributária, entendida como elemento de constituição da receita
pública por meio da cobrança dos tributos constitucionalmente estabelecidos.
É público e, portanto, notório, que há no país altos índices de contribuintes em situação de inadimplemento fiscal
perante os órgãos arrecadadores, o que ocorre devido a vários fatores: o chamado “estado de necessidade econômico”
e a inexigibilidade de conduta diversa são dois exemplos bem elucidativos.
A inadimplência fiscal, todavia, deve ser encarada como a falta de pagamento de determinado tributo (a tempo
e modo) por circunstâncias alheias à vontade do contribuinte. Muitas vezes, apesar dos esforços entabulados para
73

viabilizar o prosseguimento de uma atividade empresarial, por exemplo, o empresário/contribuinte se vê compelido


a satisfazer créditos de natureza trabalhista ou contratual em detrimento dos tributários, por falta de recursos para
tanto. Acaba por se tornar inadimplente perante o Fisco por falta de sustentáculo financeiro.
Em ambas as situações, vale dizer, tanto nos casos de sonegação fiscal quanto nos de inadimplência de
tributos, o contribuinte acaba sendo, precipitada e erroneamente, estigmatizado como “sonegador fiscal”.
E, assim porque, muitas vezes, não se faz a essencial distinção entre um e outro. Porém, há uma visível
disparidade conceitual entre sonegação fiscal e inadimplência de tributos. 73
Se na sonegação fiscal tem que haver o dolo do agente, direto ou eventual, de praticar as condutas descritas
nos artigos 1º e 2º da Lei 8.137/1990 (bem como nos demais delitos fiscais a exemplo do descaminho) com a
finalidade específica de suprimir ou reduzir tributo; na inadimplência, por outro lado, o contribuinte não paga, porém
não emprega qualquer meio fraudulento com o intuito de se apartar ao cumprimento da imposição fiscal.
✓ Retomando...

OBS: Direito Penal Tributário – se refere às sanções penais, de direito penal, com especificidades ligadas ao direito
tributário.
Direito Tributário Penal – se refere às sanções administrativas. Aqui se enquadram as multas tributárias:
moratória; punitiva ou de ofício; isolada.
Direito Penal Tributário Direito Tributário Penal
Sanções Penais/Criminais Sanções Administrativas

a) Multa Moratória (art. 61, Lei 9.430/96): trata-se da multa aplicada em decorrência do mero inadimplemento
(correção monetária, juros de mora e multa moratória).
b) Multa Punitiva ou De ofício (art. 44, I, Lei 9.430/96): trata-se de multa que deriva do não pagamento do
tributo ou da falta de declaração no que toca a um determinado tributo.
c) Multa Isolada (art. 44, II, Lei 9.430/96): é a multa aplicada em razão do descumprimento das obrigações
tributárias acessórias (obrigação acessória: art. 113, II do CTN – são os demais verbos distintos do pagar).

O art. 161 do CTN, no caso de inadimplência permite a acumulação dos encargos moratórios (correção
monetária/juros de mora e multa).

Precedentes: São cumuláveis os encargos da dívida relativos aos juros de mora, multa e correção monetária. (STJ,
2ª Turma – AgRg no Resp 113.634/RS - 2013).
74

OBS: No âmbito Federal e em alguns Estados (porque assim optaram), utilizam a Taxa SELIC (taxa referencial de
liquidação e custódia) como referencial – é um índice que abrange ao mesmo tempo a correção monetária e juros
moratórios.

Em face da autonomia dos entes federados, nos Estados, eles podem ter um índice próprio de correção
monetária, além do índice Federal que é a SELIC.

Precedentes: É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e juros de mora dos débitos
74
do contribuinte para com a Fazenda Pública (STJ – Resp 879.844/MG – nov/2009; julgado sob o rito dos recursos
repetitivos).

É cediço nesta Corte o entendimento de que é cabível a aplicação da Taxa SELIC, na hipótese de haver Lei Estadual
nesse sentido, vedada a cumulatividade com outro índice (STJ, 2ª Turma – AgRg no AREsp 362.763/PR – set/2013).

É vedada a acumulação porque na TAXA SELIC com outro índice, isso porque já temos a junção da correção
monetária + juros moratórios. Observância do não bis in idem.

No âmbito tributário, o contribuinte que pagar tributo indevido (exs: pagou duas vezes, pagou imposto que era
inconstitucional, houve erro na alíquota etc.) terá direito à repetição de indébito, ou seja, poderá ajuizar ação
cobrando a devolução daquilo que foi pago.

Na repetição de indébito, o contribuinte deverá receber de volta o valor principal que foi pago, acrescido de juros
moratórios e correção monetária pelo tempo que ficou sem o dinheiro.

A correção monetária incide desde o dia em que houve o pagamento indevido. Nesse sentido, a Súmula 162-STJ:
Na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.

No tocante aos juros esses serão devidos não do dia em que houve o pagamento, mas sim a partir da data em que
houve o trânsito em julgado da decisão que determinou a devolução. Nesse sentido, a Súmula 188-STJ: Os juros
moratórios, na repetição do indébito tributário, são devidos a partir do transito em julgado da sentença.

Súmula nº 523, STJ: a taxa de juros de mora incidente na repetição de indébito de tributos estaduais deve
corresponder à utilizada para cobrança do tributo pago em atraso, sendo legítima a incidência da taxa SELIC, em
ambas as hipóteses quando prevista na legislação local, vedada sua cumulação com quaisquer outros índices.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2015/05/sc3bamula-523-stj.pdf

Por que a súmula diz que a SELIC não pode ser cumulada com quaisquer outros índices?
75

Porque a SELIC é um tipo de índice de juros moratórios que já abrange juros e correção monetária. Como assim?
No cálculo da SELIC (em sua “fórmula matemática”), além de um percentual a título de juros moratórios, já é
embutida a taxa de inflação estimada para o período (correção monetária). Em outras palavras, a SELIC é uma
espécie de índice que engloba juros e correção monetária. Logo, se o credor exigir a SELIC e mais a correção
monetária, ele estará cobrando duas vezes a correção monetária, o que configura bis in idem.

Por isso, o STJ afirma que, se a lei estadual prevê a aplicação da SELIC, é proibida a sua cobrança cumulada com
quaisquer outros índices, seja de atualização monetária (correção monetária), seja de juros. Basta a SELIC. 75

Precedente: STJ, 2ª Turma – Reps 1.496.354/PR; 17/03/2015.

No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave
absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção.

(...) MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N.
11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IM-POSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se
discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência
do recolhimento do tributo. (...) 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de
"totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de
declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do
pagamento mensal: "a) na forma do art. 8°da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado,
ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela
Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2°desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado
prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário
correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-
se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a
exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve
aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015).

É possível fazer uma consulta ao Fisco para revisão do débito, e a partir do momento em que ela é feita não
incide moratória, desde que se faça antes do vencimento do crédito tributário.

Na definição de tributário retiramos a ideia de que trata-se de uma obrgacao pecuniária, que deve ser paga
em moeda (art. 3º CTN).

Contudo, excepcionalmente, conforme previsão do próprio CTN (art. 162), a possibilidade de pagamento
de multa tributária por outras formas que não necessariamente em dinheiro. Pode ser feito por meio de chegue,
vale postal, papel selado e estampilha.

Art. 162. O pagamento é efetuado:


I - em moeda corrente, cheque ou vale postal;
II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico.
76

§ 1º A legislação tributária pode determinar as garantias exigidas para o pagamento por


cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível ou mais oneroso que o pagamento
em moeda corrente.
§ 2º O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o resgate deste pelo
sacado.
§ 3º O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a inutilização regular
daquela, ressalvado o disposto no artigo 150.
§ 4º A perda ou destruição da estampilha, ou o erro no pagamento por esta modalidade,
não dão direito a restituição, salvo nos casos expressamente previstos na legislação
tributária, ou naquelas em que o erro seja imputável à autoridade administrativa. 76
§ 5º O pagamento em papel selado ou por processo mecânico equipara-se ao pagamento
em estampilha.

→Regra da imputação do pagamento no âmbito tributário. (art. 163, CTN)

A imputação do pagamento no âmbito tributário é diferente da imputação do pagamento do âmbito civil.

Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma
pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade
pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a
respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas:

I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de
responsabilidade tributária;

II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos;

III - na ordem crescente dos prazos de prescrição;

IV - na ordem decrescente dos montantes.

Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo
para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes
tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade
administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação,
obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas:

I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos
decorrentes de responsabilidade tributária;
II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos;
III - na ordem crescente dos prazos de prescrição;
IV - na ordem decrescente dos montantes.

Súmula nº 464, STJ: a regra de imputação de pagamentos estabelecida no art. 354 do Código Civil não se aplica às
hipóteses de compensação tributária.
77

No Direito tributário não há presunção de pagamento. A quitação de uma parcela ou de um crédito tributário
não importa presunção de pagamentos de outras, nem o pagamento de um crédito faz presumir-se o pagamento de
outro referente ao mesmo ou a outros tributos.

Cada quitação só vale em relação ao que na mesma está indicado. Assim, o fato de um contribuinte, por
exemplo, provar que pagou a última parcela de seu imposto de renda de determinado exercício não faz presumir-se
tenha pagado as demais parcelas. 77

Nem o fato de haver pago o seu imposto de renda de um exercício importa presunção de haver pago o de
outros, nem o IPI, ou outro tributo qualquer. Nem, ainda, o pagamento de determinada quantia a título de imposto
de renda devido seja somente aquele.

→Repetição do Indébito Tributário: artigos 165 a 169, CTN.

Direito e ação que tem a pessoa prejudicada de exigir de outra a restituição da quantia que por erro ou boa-
fé lhe pagou, sem que a devesse, ou o fez além da prestação devida.

Trata-se do pagamento indevido, repetido, feito pelo sujeito passivo do crédito tributário. Há possibilidade
de devolução dessa repetição.

Não é pressuposto para a devolução dos valores a prova do erro, independentemente de prévio protesto de
quem pagou o tributo. Para que se tenha a repetição do indébito no âmbito tributário é suficiente que tenha ocorrido
o pagamento indevido, não é pressuposto para a repetição (devolução do tributo pago indevidamente) a prova do
erro – irrelevante.

Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição
total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o
disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos:
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face
da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato
gerador efetivamente ocorrido;
II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo
do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao
pagamento;
III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória
.
Ademais, cumpre destacar que não se pode voltar a ação contra o mero arrecadador do tributo, ele não é
parte legítima para devolver o que se pagou incorretamente.

Precedente:
(STJ – AREsp 199.089/PE; julgado em 05/02/2013).
78

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA EM DEMANDA QUE


OBJETIVA A RESTITUILÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INDEVIDAMENTE
ARRECADADA.
Não é cabível o ajuizamento de demanda judicial na qual se pleiteie a restituição de contribuição previdenciária
indevidamente arrecadada em face do sujeito que apenas arrecada o tributo em nome do sujeito ativo da relação
jurídico-tributária. Pertence ao sujeito ativo da relação jurídico-tributária, e não ao sujeito que apenas arrecada a
contribuição previdenciária em nome do sujeito ativo, a legitimidade para figurar no polo passivo da demanda em
que se pleiteie a restituição do tributo indevidamente arrecadado.

O artigo 166 do CTN trata da repetição de indébito dos tributos indiretos, ou tributos que repercutem, cuja78
carga fiscal é repassada ao consumidor final (contribuinte de fato).
*Tributo indireto: é aquele que é suportado pelo consumidor final (contribuinte de fato)

Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do
respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido
encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado
a recebê-la.

Ex: É o caso, por exemplo, do IPI apurado e cobrado nas vendas e destacado em notas fiscais. Este valor acrescido
ao valor da mercadoria, é faturado e cobrado do comprador. Portanto, compete a este, e não ao vendedor, a eventual
restituição.
Outros tributos indiretos são o ICMS (estadual) e ISS (municipal).

Súmula nº 546, STF: cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão que o
contribuinte ‘de jure’ não recuperou do contribuinte ‘de facto’ o ‘quantum’ respectivo.

Precedentes:
(STJ, 2ª Turma – Resp 928.875/MT; maio/2010).
Contribuinte de direito é o sujeito passivo que tem relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos no art.
121, parágrafo único, I, do CTN. Indicado na lei para ocupar o polo passivo da obrigação tributária, é também quem
deve, em última análise, recolher o tributo ao Fisco. Assim, contribuinte de direito é, por definição, aquele e somente
aquele determinado pela lei. Contribuinte de fato é quem suporta o ônus econômico do tributo, ou seja, a quem a
carga do tributo indireto é repassada, normalmente o consumidor final.

(STJ, 2ª Turma – AgRg no AgRg no Resp 1.228.837/PE; set/2013).


1.Segundo o decidido no recurso representativo da controvérsia Resp n. 903.349/AL, Primeira Seção, Rel. Ministro
Luiz Fux, DJe de 26.04.2010, submetido ao rito do artigo 543-C do CPC, em regra o contribuinte de fato não tem
legitimidade ativa para manejar a repetição de indébito tributário, ou qualquer outro tipo de ação contra o Poder
Público de cunho declaratório, constitutivo, condenatório ou mandamental, objetivando tutela preventiva ou
repressiva, que vise afastar a incidência ou repetir tributo que entenda indevido.

Exceção: contribuinte de fato – legitimidade reconhecida. Caso de energia elétrica.

(STJ, 1ª Seção – Resp 1.299.303/SC; ago/2012)


79

REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. CONCESSÃO DE


SERVIÇO PÚBLICO.ENERGIA ELÉTRICA. INCIDÊNCIA DO ICMS SOBRE DEMANDA
‘CONTRATADA E NÃO UTILIZADA’. LEGITIMIDADE DO CONSUMIDOR PARA PROPOR AÇÃO
DECLARATÓRIA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
Diante do que dispõe legislação que disciplina as concessões de serviço público e da particular relação envolvendo
o Estado-concedente, a concessionária e o consumidor, esse último tem legitimidade para propor ação declaratória
c/c repetição de indébito na qual se busca afastar, no tocante ao fornecimento de energia elétrica, a incidência do
ICMS sobre a demanda contratada e não utilizada. O acórdão proferido no Resp 903.394/AL (repetitivo), da Primeira
Seção, Ministro Luiz Fux, DJe de 26.4.2010, dizendo respeito a distribuidores de bebidas, não se aplica ao caso de
fornecimento de energia elétrica. Recurso especial improvido. Acórdão proferido sob o rito do art. 543-C do Código79
de Processo Civil.

O mero pagador do tributo tem legitimidade para a referida ação de repetição de indébito, exemplo, IPTU. Resposta
do STJ – não reconhece a legitimidade. Vejamos:

(STJ, 1ª Turma – AgRg no AgRg no AREsp 143.631/RJ; out/2012)


IPTU. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. LEGITIMIDADE ATIVA DO DESTINATÁRIO DO CARNÊ.
IMPOSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ NO AGRG NO RESP 863.089/SP. 1.
Configura-se matéria de direito o debate acerca da legitimidade ativa para postulação de repetição de indébito de
IPTU. 2. O entendimento da Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça é pela impossibilidade de que pessoa
diferente do proprietário do imóvel seja legitimado ativo para postular repetição de indébito de IPTU, uma vez que,
seja locatário, seja destinatário do carnê, a obrigação contratual entre este e o proprietário do imóvel
(contribuinte) não pode ser oponível à Fazenda (AgRg no Resp 836.089/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,
DJe 26/04/2011).

O artigo 123 do CTN traz o Princípio da Inoponibilidade das Convenções Particulares ao Fisco: o legislador
impediu, salvo disposição de lei em contrário, que uma convenção particular (contrato, por exemplo) seja oponível
à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária.

O art. 127 II do CTN, institui o Princípio da Autonomia dos Estabelecimentos Comerciais.

Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na


forma da legislação aplicável, considera-se como tal:
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua
sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada
estabelecimento;

A filial não em legitimidade ativa para demandar em juízo em nome da matriz. Assim como, não tem a
legitimidade a matriz em nome da filial. Nesse sentido, já se manifestou o STJ. Vejamos:

Precedente: (STJ, 2ª Turma – AgRg no Resp 1.488.209/RS; julgado em 12/02/2015)


1.Nos termos da jurisprudência pacífica desta Corte, no campo tributário, a existência de registros de CNPJ
diferentes caracteriza a autonomia patrimonial, administrativa e jurídica de cada um dos estabelecimentos. Assim,
matriz e filiais operam de modo independente em relação aos demais. 2.Logo, em se tratando de tributo cujo fato
80

gerador operou-se de forma individualizada, tanto na matriz quanto na filial, não se outorga àquela legitimidade
para demandar, isoladamente, em juízo, em nome das filiais.

É facultado ao contribuinte optar pela compensação ou pela restituição via precatório, conforme, inclusive,
entendimento sumulado pelo STJ.

Súmula nº 461, STJ: o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito
tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.

Precedente: (STJ – AgRg no Resp 1.483.526; DJe 18/11/2014) 80


Na esteira do princípio da legalidade tributária, é imperioso concluir que a existência de lei autorizativa impede a
compensação de débitos tributários com crédito de precatório. Consequentemente, não há que se falar em suspensão
da exigibilidade do crédito nem no direito à expedição de certidão positiva com efeitos de negativa.

• Correção monetária → incide a partir do pagamento indevido. Assim, Termo Inicial para a Correção
Monetária é da data do pagamento indevido.

• Juros moratórios → são devidos do transito em julgado da sentença/decisão que reconhece o débito.

Súmula nº 162, STJ: na repetição de indébito tributário, a correção monetária incide a partir do pagamento indevido.

Súmula nº 188, STJ: os juros, na repetição do indébito tributário, são devidos do trânsito em julgado da sentença.

O art. 168 do CTN prevê o prazo para pleitear restituição - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o
decurso do prazo de 5 (cinco) anos.

O prazo para pleitear a restituição é de 5 anos (quinquenal): art. 168, CTN

- Nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;

- Na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em
julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.

Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos,
contados:
I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;
II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão
administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou
rescindido a decisão condenatória.

Esse prazo é decadencial de acordo com a doutrina majoritária. Na jurisprudência mais atual esse prazo é
prescricional.

Prescreve em 2 anos (bienal) a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição, segundo o
que diz o artigo 169 do CTN. Diz o parágrafo único que o prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação
81

judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante
judicial da Fazenda Pública interessada.

• Previsão Legal do Prazo Prescricional no Caso de Prévio Processo Administrativo Indeferido - art. 169
do CTN - Prescreve em dois (2) anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição.

• Interrupção da Prescrição - art. 169, parágrafo único do CTN - O prazo de prescrição é interrompido pelo
início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade (1/2), a partir da data da intimação
81
validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada (prescrição intercorrente).

No tocante ao prazo prescricional para o ajuizamento da ação de restituição, não se leva em conta a data de
declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, mas sim a data do pagamento do tributo. Nesse
sentido, o STJ já se manifestou:

Precedente:
(STJ - Resp 1.110.578/SP, DJe 21/05/2010, submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da resolução STJ8/2008)
A declaração de inconstitucionalidade da Lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a
resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda
(desnecessária/irrelevante) para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao
lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício.

Assim, não há influência da decisão em relação ao prazo previsto no CTN.

OBS: A Lei Complementar 118/2005 se auto rotulou como interpretativa em seu artigo 4º. De acordo com o artigo
106, I do CTN, quando a lei tributária é interpretativa, pode retroagir. Só passou a vigorar em junho de 2005.

Precedente: (STJ – EDcI no Resp 1.269.570/MG; julgados em 22/08/2012)


EDCL. MATÉRIA REPETITIVA. ART. 3º DA LC N. 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF.
A Seção, por maioria, confirmou o entendimento de julgamento anterior submetido ao regime do art. 543-C do CPC
e Res. n. 8/2008-STJ de que, após a declaração de inconstitucionalidade do art. 4º da LC n.118/2005, permanece a
regra geral de que o art. 3º da mesma lei entra em vigor, como todo o conjunto normativo a que pertence, 120 dias
após a sua publicação, ou seja, em 9/6/2005.
Sendo assim, consoante a correta leitura do art. 3º, a partir de 9/6/2005, para efeito de interpretação do inciso I do
art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação,
no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do referido código.

b) Compensação Tributária: Art. 170 e Art. 170-A, CTN


Opera-se a compensação quando “duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra”. A
consequência é que as duas obrigações “extinguem-se até onde compensarem” (CC, art. 368).
Em matéria tributária a compensação encontra-se prevista ao teor do art. 170 e 170-A do CTN.
82

Cumpre destacarmos que há autorização de maneira genérica ao teor do artigo 170 do CTN, mas é
necessária ainda autorização específica por lei, de cada um dos entes federados/tributantes. Assim, são requisitos
essenciais da compensação tributária:

a) autorização legal;

Nesse sentido, Ricardo Alexandre expõe “em se tratando de crédito tributário, a compensação sempre depende da
existência de lei que estipule as respectivas condições e garantias, ou que delegue à autoridade administrativa o
82
encargo de fazê-lo. Não é suficiente a simples existência de reciprocidade de dívidas para que a compensação se
imponha”.

b) obrigações recíprocas e específicas entre o Fisco e o contribuinte;

Conforme ensina Josiane Minardi, a reciprocidade entre credor e devedor do Direito Tributário é verificada quando
se pretende realizar a compensação entre tributos do mesmo Ente Federativo.

c) dívidas líquidas e certas/vencido ou vincendos

Denota-se que o art. 170 trouxe apenas as regras gerais acerca do instituto da compensação. Os detalhes
devem ser estabelecidos na lei do ente federativo com o qual o contribuinte deseja realizar a compensação. Nesse
ponto, vale frisar: a compensação somente se faz possível se houver lei autorizativa, estipulando quais os créditos
que podem ser compensados.

Assim:

1º) a compensação tributária é limitada às estritas condições e garantias fixadas em lei, mesmo quando é autorizada
pela autoridade administrativa;

2º) somente extinguirá o crédito tributário, até aonde se compensar com a obrigação exigível, nas hipóteses em que
o contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, o que poderá ser feito através do reconhecimento
expresso da autoridade administrativa ou por decisão judicial transitada em julgado;

3º) a compensação da Lei 8.383/91, em que pese autorizar a compensação de tributos da mesma espécie, não importa
em extinção do crédito tributário, a não ser após o ato de homologação efetuado pelo agente público;

4º) o instituto da compensação, na esfera tributária, deve ser acolhido e aplicado levando-se em consideração os
princípios públicos que regem a disciplina.

Conforme entendimento firmado pelo STJ, a legislação aplicável ao procedimento da compensação será aquela
vigente e eficaz ao momento da formalização do pedido, não podendo o contribuinte se aproveitar de benesse
posteriores ou sofrer com novas imposições.
83

No mais, quanto as Formas de compensação no âmbito federal:

a. Compensação por iniciativa do contribuinte: art. 74, Lei 9.430/96 – Declaração de compensação;

§ 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário,


sob condição resolutória de sua ulterior homologação.

b. Compensação tributária realizada por iniciativa do fisco: art. 73, Lei 9.430/96.

Súmula nº 212, STJ: a compensação de créditos tributários não pode ser deferida em ação cautelar ou por medida83
liminar cautelar ou antecipatória.

Súmula nº 213, STJ: o mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação
tributária.

Súmula nº 460, STJ: é incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo
contribuinte.

• Cabível MS para DECLARAR;


• Incabível MS para CONVALIDAR;

Súmula nº 461, STJ: o contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito
tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.

c) Transação: arts. 156, III; art. 171, CTN.


Transação é o negócio jurídico em que as partes, mediante concessões mútuas, extinguem obrigações,
prevenindo ou terminando litígios (CC, art. 840).
A transação somente poderá ser celebrada com base em lei autorizativa, é o que podemos extrair do art.
171 do CTN. Vejamos:
Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da
obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em
determinação de litígio e consequente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei
indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso.

Traz a ideia de composição, acordo, entre as partes da relação jurídica da obrigação tributária. A transação
é admitida, mas é indispensável autorização por lei para que ela exista.
Ademais, é necessário que tenhamos processo, litígio, sem especificação do tipo, seja administrativo ou
judicial.

d) Remissão: art. 172, CTN c/c art. 150, §6º, CF.


Remissão é a dispensa gratuita da dívida, feita pelo credor em benefício do devedor.
Tratando-se de crédito tributário, devido ao princípio da indisponibilidade do patrimônio público, a remissão
somente pode ser concedida com fundamento em lei específica (CF, art. 150, § 6.°).
84

As regras gerais sobre a remissão, como forma de extinção do crédito tributário, encontram-se no art. 172 do CTN:
Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho
fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo:
I - à situação econômica do sujeito passivo;
II - ao erro ou ignorância excusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato;
III - à diminuta importância do crédito tributário;
IV - a considerações de eqüidade, em relação com as características pessoais ou materiais
do caso;
V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante.
Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-84
se, quando cabível, o disposto no artigo 155.

Art. 150. § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de


crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só
poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule
exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição,
sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.

Segundo Renato de Pretto, a remissão é o perdão da dívida tributária. Também pressupõe lei específica para esse
benefício fiscal. Se a União quer conceder remissão de IR, só se pode fazê-lo mediante lei específica para tal
pretexto.
A remissão como perdão abrange tanto o tributo como a multa tributária, é sob esse aspecto que a remissão se
distingue tanto da anistia como da isenção, pois as duas últimas são espécies de exclusão do crédito tributário,
enquanto a primeira é de extinção. A remissão abrange o tributo e a multa tributária, a isenção somente o tributo e a
anistia somente a multa.
Esquematizando
Remissão Isenção e Anistia
Forma de EXTINÇÃO DO CRÉDITO Forma de EXCLUSÃO DO CRÉDITO
Abrange: Tributo + multa Abrange APENAS o tributo

e) Decadência /Caducidade tributária: art. 173, CTN

A decadência consiste na perda do Direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Nessa esteira, a Fazenda tem o
prazo de 5 anos para constituir o crédito tributário contados de acordo com as regras do art. 150, §4º, e 173, I do
CTN.
Dessa forma, se a Fazenda não constituir o crédito tributário no período designado pelo CTN, não poderá mais
constituir esse crédito, vez que esse se extinguiu, or meio da decadência, antes mesmo da sua constituição (Josiane
Minardi).
85

Conforme de Pretto, a decadência impede o nascimento do crédito tributário, muito embora apareça no CTN
como uma das causas de extinção.
No mais, é preciso destacar que a decadência é anterior ao lançamento, e tem de ser realizado num prazo de 5
anos. Esse prazo é contado de acordo com o artigo 173 do CTN.
Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5
(cinco) anos, contados:
I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado; 85
II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o
lançamento anteriormente efetuado.
Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o
decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição
do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória
indispensável ao lançamento.

➔ Vamos esquematizar?!

o Regra geral – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
o Da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento
anteriormente efetuado.
o O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto,
contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito
passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.

OBS: Art. 146, III, b, CF – cabe à lei complementar: (...) III – estabelecer normas gerais em matéria de legislação
tributária, especialmente sobre: b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A Súmula
Vinculante nº 8, vem consolidar a ideia de que somente por meio de lei complementar é que pode ser alterado o
prazo decadencial.

Súmula Vinculante nº 8, STF: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº1.569/77 e os
artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
86

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 08: Causas de Extinção do Crédito Tributário

8. Causas de Extinção do Crédito Tributário: Continuação

→Decadência: art. 173, I, CTN.


86
Conforme já estudado, o crédito tributário é constituído com um ato do Fisco chamado de “lançamento”. Só depois
que a obrigação tributária se transforme em crédito tributário é que ela se torna líquida e exigível e poderá ser
executada. O Fisco possui, no entanto, um prazo para efetuar o lançamento. Se não fizer no prazo, haverá decadência
(forma de extinção do crédito tributário).

É o prazo de 5 anos para o lançamento do tributo, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse prazo pode ser antecipado por qualquer medida preparatória
condizente ao lançamento.
O inciso II estipula uma interrupção do prazo decadencial. Se o lançamento for anulado por vício formal,
zera-se o prazo de decadência de 5 anos (entendimento CESPE).
A contagem do prazo decadencial não se interrompe nem se suspende. A decadência extingue o direito; a
prescrição tem por objeto a ação.
Esquematizando

• Lançamento por homologação – para os tributos sujeito ao lançamento por homologação as regras são
específicas.

No lançamento por homologação, o qual já foi objeto de nosso estudo, a lei determina que é o próprio contribuinte
quem, sem prévio exame da autoridade administrativa, deverá calcular e declarar o quanto deve, antecipando o
87

pagamento do imposto. Depois que ele fizer isso, o Fisco irá conferir se o valor pago foi correto e, caso tenha sido,
fará a homologação deste pagamento. Esta espécie de homologação encontra-se prevista no art. 150 do CTN.

Na hipótese de lançamento por homologação, em regra, o marco para início da contagem do prazo decadencial será
do dia do fato gerador. Todavia, na hipótese de dolo, fraude ou simulação, é o 1º dia do exercício seguinte (art. 173,I,
CTN), e por fim, quando não houver o pagamento será também do 1º dia do exercício seguinte (art. 173, I, CTN).
Esquematizando
87

a) Dolo
b) Fraude
c) Simulação

No lançamento por homologação, o dispositivo aplicável à decadência é o Art. 150 em seu § 4.º do CTN:
o qual dispõe que "Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato
gerador; expirado este prazo sem que a fazenda tenha se pronunciado, considera-se homologado o lançamento e
definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação."

Súmula nº 555, STJ: quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir
o crédito tributário conta-se exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui
ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-555-stj.pdf

Não se fala em decadência para os tributos declarados, mas não pagos, incide a prescrição. Nesse sentido,
a Súmula 436 do STJ.

Súmula nº 436, STJ: a entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco.

Precedente:
88

Conforme orientação jurisprudencial do STJ, “o prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por
homologação, caso tenha havido dolo, fraude ou simulação por parte do sujeito passivo, tem início no primeiro dia
do ano seguinte ao qual poderia o tributo ter sido lançado” (Resp 1.086.798/PR, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda
Turma, DJe 24/04/2013). Logo, incide, no caso, a regra geral de decadência tributária prevista no art. 173, I, do
CTN, pouco importando a data em que a Fazenda toma ciência da irregularidade praticada.

• IRPJ e CSLL:

Desde a edição da Lei 8.383/1991, em função dos seus artigos 38 a 44 e alterações subsequentes, o IRPJ e
88
a CSLL são tributos cujo lançamento, por homologação, está disciplinado no art. 150 do Código Tributário Nacional,
cujo prazo decadencial de 5 (cinco) anos conta-se da data de ocorrência do fato gerador.

• Contribuição Previdenciária (INSS):

Através da Súmula Vinculante nº 08, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que os prazos de
decadência e prescrição das contribuições previdenciárias (do tipo INSS, SESI, SAT, etc.) são de 5 anos e não de
10 como preconizado na lei ordinária 8.212/1991.

Súmula Vinculante nº 08, STF: são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e
os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.

f) Prescrição Tributária: art. 174, CTN


Uma vez constituído o crédito tributário no período designado pelo CTN, o Fisco tem o período de cinco anos para
cobrá-lo, isto é, a Fazenda tem um quinquênio para propor a execução fiscal sob pena de perder esse direito em
decorrência da prescrição, que assim como a decadência, constitui-se hipótese de extinção do crédito tributário.

Desse modo, contemplamos que “opera-se a prescrição quando a Fazenda Pública não propõe, no prazo legalmente
estipulado, a ação de execução fiscal para obter a satisfação coativa do crédito tributário”. Segundo o art. 174 do
CTN, o prazo de prescrição é de cinco anos, iniciando sua contagem da data da constituição definitiva do crédito
tributário.

➢ Prazo durante o qual o Fisco nada faz, portanto, o crédito tributário se extingue.

➢ Compreende o direito de se cobrar o crédito tributário já constituído.

➢ O prazo também é quinquenal, ou seja, de 5 anos.

A prescrição extingue o direito, pertencente ao credor, da ação de cobrança do crédito tributário, também pelo
decurso do prazo de 5 anos, contado da data da sua constituição definitiva. Só pode ser tratada através de Lei
Complementar.

Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados
da data da sua constituição definitiva.
89

OBS: Súmula nº 153, TFR (extinto Tribunal Federal de Recursos) – o prazo prescricional previsto no art.174 do
CTN só tem início com a decisão definitiva do recurso administrativo.

STJ/Jurisprudência: defende que a contagem deve ser feito conforme uma combinação do art. 174 do CTN c/ art.
170 do CTN, de modo que não é suficiente o encerramento do procedimento administrativo, mas deve-se aguardar
o prazo de pagamento do tributo (na ausência é de 30 dias). Após esse prazo é que se iniciaria o prazo quinquenal
para a prescrição. Nesse sentido, STJ REsp nº 1.120.295-SP: 89

***STJ, REsp nº 1.120.295 - SP (2009/0113964-5) - Repetitivo:


1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário conta-
se da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA,
entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever
instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado),
nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional.
(...)

A contagem desse prazo prescricional se interrompe: c/c art. 145, CTN.

Art. 174. Parágrafo único. A prescrição se interrompe:


I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela
Lcp nº 118, de 2005)
II - pelo protesto judicial;
III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento
do débito pelo devedor.

Esquematizando

— pela citação pessoal feita ao devedor (até a LC 118/2005 – DOU 09.02.2005) – a partir de 09.06.2005 a
prescrição se interrompe a partir de pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal;
— pelo protesto judicial;
— por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
— por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor.

Nas hipótese em que o prazo prescricional é interrompido, o prazo é integralmente devolvido a Fazenda
Pública, sendo contado do “zero” novamente.

Atenção! Info. 570, do STJ. Prescrição da cobrança de créditos tributários devidos por contribuinte excluído do
REFIS:

Não interrompe o prazo prescricional o fato de o contribuinte, após ser formalmente excluído do REFIS, continuar
efetuando, por mera liberalidade, o pagamento mensal das parcelas do débito tributário. O fato de o devedor ter
continuado a realizar de forma voluntária e extemporânea o pagamento mensal das parcelas não tem o condão de
90

configurar ato de reconhecimento do débito (confissão de dívida) – já que o crédito, na data da exclusão formal, já
era exigível -, de modo que não há como falar na extensão da interrupção do prazo prescricional. STJ. 2ª Turma.
REsp 1.493.115-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 15/9/2015 (Info 570). Dessa forma, se a União
não ajuizar execução fiscal no prazo de 5 anos contados da exclusão da empresa do REFIS, haverá a prescrição.

90

→Causas de suspensão do crédito tributário: embora não tenhamos no CTN um dispositivo de forma sistematizada
com as referidas, existem sim causas de suspensão. São elas:

o As causas que suspendem a exigibilidade do crédito tributário (art. 151, CTN) também se aplicam como
causas de suspensão. As causas de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, também tem o condão
de suspender o prazo da prescrição.

o Moratória individual.

- Lei nº 6.830/80, art. 2º, §3º (Lei de Execução Fiscal): A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo
da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição,
para todos os efeitos de direito, por 180 dias ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo
aquele prazo. Não é aplicável para dívida fiscal tributária!
O STJ entende que essa suspensão não abrange a dívida fiscal tributária, porque a LEF é lei ordinária e a
matéria de dívida tributária tem que ser vinculada por meio de lei complementar. Nesse sentido, já se manifestou o
STJ:

Precedente: STJ – AgRg no Ag 1.334.788/RJ. 1ª Turma. Proc. 2010/0140756-9.


Acrescenta-se que a corte especial, por ocasião do julgamento do AI no AG 1.037.765/SP, relatado pelo ilustre
Ministro Teori Albino Zavascki, acolheu o incidente para reconhecer a inconstitucionalidade, em relação aos
91

créditos de natureza tributária, dos arts. 2º, §3º e 8º, §2º, da Lei nº 6.830/80. Assim são legítimas, em relação aos
créditos tributários, as normas estabelecidas no §2º, do art. 8º e do §3º, do art. 2º da Lei nº 6.830/80, que, por
decorrerem de Lei ordinária, não podiam dispor em contrário às disposições anteriores, previstas em Lei
complementar.

o Prescrição Intercorrente: inércia do credor dentro do processo que enseja à prescrição, pois ficou parado
pelo tempo maior que o previsto (Lei nº 6.830/80, art. 40, §4º). Prazo de 5 anos (quinquenal).

Conjugamos tais normas juntamente com o Novo Código do Processo Civil.


91
- Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional, o juiz, depois de ouvida a Fazenda
Pública, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato (art. 40, §4º)*.

Súmula nº 314, STJ: em execução fiscal, não localizados bens penhoráveis, suspende-se o processo por um ano,
findo o qual se inicia o prazo da prescrição quinquenal intercorrente.
Súmula nº 409, STJ: em execução fiscal, a prescrição ocorrida antes da propositura da ação pode ser decretada de
ofício (arts. 332, §1º e 487, II, NCPC).

Novo CPC, Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do
qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva
decidir de ofício.

g) Conversão do Depósito em renda: art. 156,VI, CTN.

Conforme já foi objeto de nosso estudo, o sujeito passivo que discorda de lançamento efetuado pode decidir
por contestá-lo judicial ou administrativamente.

Optando pela via judicial, é conveniente que adote alguma medida que suspenda a exigibilidade do crédito
tributário contestado, pois, caso contrário, não haverá impedimento para que a Fazenda Pública proponha a ação de
execução fiscal, constrangendo-lhe o patrimônio. A alternativa mais viável no caso é o depósito do montante
integral. Por outro lado, se optar pela via administrativa, já conseguirá a suspensão da exigibilidade mediante o
manejo das reclamações e recursos previstos na lei respectiva. Entretanto, pode ser conveniente a realização do
depósito para evitar a fluência dos juros de mora.

Em qualquer das hipóteses, não obtendo sucesso no litígio instaurado, a importância depositada será
convertida em renda da Fazenda Pública interessada, de forma que o crédito tributário respectivo será extinto.

Assim, contemplamos que a conversão do depósito em renda é modalidade de extinção do crédito tributário
necessariamente ligada à existência de um depósito anteriormente realizado.

Diante do exposto, temos:


92

➢ A conversão de depósito em renda ocorre quando há deposito do montante integral em determinada demanda
e, ao ser proferida decisão definitiva desfavorável ao Contribuinte, se converte o depósito em renda a favor
do Ente Federativo litigante. A conversão em renda para a Fazenda Pública extingue o credito tributário.

h) Pagamento antecipado e homologado pelo Fisco (ainda que tacitamente): art. 156, VII, CTN.
Trata-se de causa de extinção do credito tributário que ocorre nos tributos sujeitos a lançamentos por homologação,
pois nesses casos, apesar de o contribuinte pagar antecipadamente o tributo com base em apuração realizada por ele92
mesmo, terá de aguardar a homologação da Fazenda, que tem o prazo decadencial de 5 cinco anos para fazê-lo, nos
termos do art. 150, §4º do CTN. No mais, cumpre destacar que a homologação poderá ser tácita ou expressa.

Art150. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da
ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha
pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito,
salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.

i) Consignação em Pagamento: art. 156, III CTN

A ação de consignação em pagamento é movida no âmbito do Poder Judiciário, com o objetivo de que o sujeito
passivo exerça o seu direito de pagar e quitar a obrigação tributária, quando se encontra impedido pelo próprio
credor. Observe que a extinção do crédito tributário somente ocorre quando a ação judicial consignatória é julgada
procedente. Nesse sentido, vejamos o que dispõe o CTN.

Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito
passivo, nos casos:
I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo ou de
penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória;
II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exigências administrativas sem
fundamento legal;
III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico
sobre um mesmo fato gerador.
§ 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consignante se propõe pagar.
§ 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância
consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em
parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis.

Precedente: STJ – AgRg no Resp 1.397.419. Proc. 2013/0135456-4/SC. 2ª Turma.


A ação consignatória, que é de natureza meramente declaratória, tem por objetivo apenas liberar o devedor de sua
obrigação com a quitação de ser débito, por meio de depósito judicial, quando o credor injustificadamente se recusa
a fazê-lo.
Recolher parceladamente o valor do débito fiscal na seara da ação consignatória é desviar-se da finalidade por ela
pretendida.
93

De acordo com o Min. Luiz Fux, a referida ação não pode ser servil à obtenção de parcelamento do débito tributário,
sob pena de fazer da legislação, que prevê o referido benefício, letra morta.
Súmula nº 83/STJ.

j) Decisão Administrativa Irreformável (Pró-Cidadão): art. 156, IX, CTN.

Decisão pró-contribuinte, contra o Fisco, pois se existir uma decisão contra o devedor, ele pode questionar
essa decisão no plano judicial, tendo decisão favorável que extinguiria o crédito tributário.
93
Trata-se da decisão proferida no âmbito dos processos administrativos fiscais (ex.: Dec. 70.235/72) a qual
faz coisa julgada contra o fisco na esfera administrativa. É aquela decisão que nega a existência do vínculo que se
supunha instalado ou decreta a anulação do lançamento, e da qual não cabe recurso aos órgãos da Administração.

k) Decisão Judicial passada em julgado

Ocorre quando o Poder Judiciário reconhece que o crédito tributário não é devido pelo contribuinte ou
responsável, numa situação onde não há interposição de recurso pela fazenda pública no prazo de lei estabelece e a
sentença transita em julgado. Assim, uma vez passada em julgado a decisão judicial, a entidade tributante poderá
empreender outro lançamento, em boa forma, apenas se ainda dispuser de tempo, computado dentro do intervalo de
cinco anos atinentes à decadência.

l) Dação em pagamento em bens imóveis: introduzida pela Lei complementar nº 104/2001.


É forma de extinção do crédito tributário introduzida pela LC 104/01 em que o contribuinte ou responsável
pode oferecer bens imóveis espontaneamente ao Fisco para liquidar seus créditos tributários, entretanto é necessário
a sua regulamentação nas esferas fiscais em cada ente federado.

A dação em pagamento tem lugar quando o devedor entrega ao credor coisa que não seja dinheiro, em
substituição à prestação devida, visando a extinção da obrigação, e haja concordância do credor.

A dação em pagamento pode acontecer no direito tributário primeiro porque expressamente previsto no
inciso XI, do art. 156, a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei e, também
porque segundo o art. 3º do CTN, o tributo, em regra, deve ser pago em moeda ou cujo nela se possa exprimir,
admite-se que o sujeito passivo da obrigação tributária possa dar bens em pagamento de tributos, desde que haja
autorização legislativa ou seja, um lei específica da entidade tributante credora concedendo a autorização,
especificando o tributo que será objeto da dação e fixando critério para aferição do valor do bem.

Até 2016 não existia uma regulamentação específica sobre esta possibilidade, foi regulamentada pela Lei
Federal nº 13.359/2016. Já sofreu alterações por meio da Medida Provisória nº 719/2016:
94

Art. 4º - o crédito tributário inscrito em dívida ativa da União poderá ser extinto, nos termos
do inciso XI do caput do art. 156 da Lei nº 5.172/66, mediante dação em pagamento de bens
imóveis, a critério do credor, na forma desta Lei, desde que atendidas as seguintes condições:

I- a dação seja precedida de avaliação do bem ou dos bens ofertados, que devem estar livres e
desembaraçados de quaisquer ônus, nos termos de ato do Ministério da Fazenda; e

II- a dação abranja a totalidade do crédito ou créditos que se pretende liquidar com atualização, juros, multa
e encargos legais, sem desconto de qualquer natureza, assegurando-se ao devedor a possibilidade de
complementação em dinheiro de eventual diferença entre os valores da totalidade da dívida e o valor do94
bem ou dos bens ofertados em dação.

Observação:

➢ Tem-se entendido que o rol é taxativo, de forma que somente é possível a extinção de crédito tributário
mediante dação em pagamento de bens imóveis, jamais de móveis.
➔ JÁ CAIU:

 CESPE/2016 – DPC/PE. De acordo com as disposições do CTN, é causa de extinção da exigibilidade do


crédito tributário:
a) a consignação em pagamento.
b) as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo.
c) a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial.
d) o parcelamento.
e) a concessão de medida liminar em mandado de segurança.

COMENTÁRIOS: Todas as demais alternativas, com exceção da assertiva “a” contemplam hipóteses de suspensão
do crédito tributário (exigibilidade do crédito), sendo a única hipótese de extinção a estampada na alternativa A:
consignação em pagamento.

 CESPE/2016 – DPC/PE: No que diz respeito aos institutos da prescrição e da decadência, assinale a opção
correta.
a) A prescrição e a decadência estão previstas no CTN como formas de exclusão do crédito tributário.
b) O direito de ação para a cobrança do crédito tributário decai em cinco anos, contados da data da sua
constituição definitiva.
c) O protesto judicial é uma forma de interrupção da prescrição.
d) O direito de a fazenda pública constituir o crédito tributário prescreve após cinco anos, contados do primeiro
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
e) As normas gerais sobre prescrição e decadência na matéria tributária devem ser estabelecidas por meio de
lei ordinária.

COMENTÁRIOS: A: Errado, pois a prescrição e decadência são hipóteses em que EXTINÇÃO e não de exclusão.
As hipóteses de exclusão são apenas duas, vamos recordar? Anistia e Isenção. B: Errado, o prazo de cinco anos para
a cobrança refere-se a prazo prescricional (prazo para se exigir o débito) e não decadencial. O prazo decadencial é
para lançamento do tributo após a ocorrência do FT. C: Alternativa correta, conforme a literalidade do art. 174,II do
CTN. D: a referida hipótese é de decadencia e não prescrição. Nesse sentido, o Art. 173. O direito de a Fazenda
Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício
seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Trata-se de regra geral da DECADÊNCIA.E:
95

Errado, as referidas normas sobre prescrição e decadência devem ser regulamentadas por meio de Lei Complementar
(Art. 146, III, a da CF/88).

 CESPE/2015: A respeito da compensação tributária, julgue o seguinte item. De acordo com a jurisprudência
consolidada do STJ, é possível efetivar a compensação tributária a contribuinte devedor que tenha créditos,
por meio de medida liminar obtida na esfera judiciária. Errado, por aplicação da Súmula 212 do STJ.

COMENTÁRIOS: Conforme dispõe a Súmula 212 do STJ, “a compensação de créditos tributários não pode ser
deferida em ação cautelar ou por medida liminar cautelar ou antecipatória”.
95
96

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 09: Garantias e privilégios tributários

9. Garantias e Privilégios Tributários: previstas nos arts. 183 a 193 do CTN.

9.1 Garantias e Privilégios

O art. 183 do CTN inaugura um capítulo denominado “Garantias e Privilégios do Crédito Tributário” sem
96
diferenciar garantias de privilégios expressamente. Apesar disso, da análise dos respectivos dispositivos, é possível
extrair a necessária distinção (Ricardo Alexandre).

Assim, não obstante o CTN não proceder com a referida distinção, o professor Renato de Pretto expõe que
são conceitos distintos. Assim:

• Garantias → direitos que o CT tem na hora de influenciar o patrimônio do devedor.


• Privilégios → preferência do CT em detrimento dos demais créditos que possam eventualmente entrar em
conflito.
Corroborando ao exposto, vejamos o quadro esquematizado abaixo:

Garantias Privilégios
São garantias as regras que asseguram São privilégios as regras que põem o
direitos. Em matéria tributária, as crédito tributário numa posição de
garantias facilitam a entrada do Estado no vantagem quanto aos demais. (Ricardo
patrimônio particular para receber a Alexandre).
prestação relativa ao tributo. (Ricardo
Alexandre).

9.2 Natureza do Rol: garantias como rol não taxativo

O rol do CTN não é taxativo, pois podem ser criadas outras garantias e privilégios em razão da natureza e
das particularidades de cada tributo, desde que seja por lei (Princípio da Legalidade). O fato de ser atribuída ao
crédito uma garantia ou um privilégio não altera a sua natureza (crédito não deixará de ser tributário).

Corroborando ao exposto, preleciona Ricardo Alexandre (Direito Tributário Esquematizado/2016):

A enumeração das garantias que o CTN atribui ao crédito tributário não exclui outras que
sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do
tributo a que se refiram (CTN, art. 183). A lista, portanto, não é taxativa.

9.3 Regras sobre as garantias e privilégios


97

De acordo com o artigo 184 do CTN, em tese, qualquer patrimônio/renda do devedor se submete à execução
fiscal. Não se transpõe a pessoa do devedor, a dívida é de responsabilidade pessoal.

Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam
previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das
rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida,
inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade,
seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens
e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis.
97
Nesse sentido, conforme dispõe o art. 184 do CTN, respondem pelo pagamento do crédito tributário todos os bens
e rendas do sujeito passivo, espólio ou massa falida, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare
absolutamente impenhoráveis.

OBS: Certos patrimônios e rendas são imunes à execução fiscal – remuneração, imóvel familiar (exceção – art. 3º
da Lei nº 8.009/90 e art. 833, NCPC)

Ademais, cumpre destacar que a responsabilidade é pessoal: a responsabilidade objeto de discussão é de natureza
pessoal, de forma que, nos termos do dispositivo transcrito, todo o patrimônio do devedor responde pelo débito.

→ Presunção de fraude tributária contada da inscrição na dívida ativa.

Nos moldes do art. 185 do CTN, ocorre presunção de fraude à execução fiscal, quando o devedor de dívida tributária
já inscrita em dívida ativa aliena ou onera seus bens ou rendas, não reservando recursos suficientes ao total
pagamento da dívida inscrita.

Observa-se, o momento que demarcará a fraude a execução é da inscrição na dívida ativa.

Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo,
por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário
regularmente inscrito como dívida ativa.(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados,
pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida inscrita.
Esquematizando

Súmula nº 375, STJ: o reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da
prova da má-fé do terceiro adquirente (para o âmbito processual civil tem aplicabilidade, mas não para o direito
tributário, em virtude do regramento específico pelo art. 185 do CTN. Nesse sentido, precedente do STJ:
98

Precedente: STJ – AgRg-Resp 1.265.166, Proc. 2011/0124075-1/MG. 2ª Turma. Julgado em 05/02/2013.


O STJ já firmou entendimento no sentido de que não se aplica a Súmula nº 375/STJ às Execuções Fiscais, ante a
existência de regramento específico no art. 185 do CTN (REsp 1.141.990/SP. 1ª Seção, julgado em 10.11.2010,
submetido ao rito dos recursos repetitivos nos termos do art. 543-C do CPC).

Em sequência, o art. 185-A do CTN prevê a possibilidade de indisponibilidade de bens.


O art. 185-A, do CTN, trata da penhora on-line, dispondo situação que pode ocorrer no curso da ação de
execução fiscal. Apenas para se ter uma noção básica, admitida a ação de execução fiscal proposta pela Fazenda98
Pública, o devedor é citado para pagar a dívida tributária ou nomear bens à penhora. Contudo, se o devedor não
pagar nem apresentar bens à penhora e também não forem encontrados bens penhoráveis, fica sujeito ao disposto no
art. 185-A.
Em prosseguimento, após o cumprimento da ordem judicial, os órgãos e entidades aos quais se fizer a
comunicação enviarão imediatamente ao juiz a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade
houverem promovido (CTN, art. 185-A, § 1º).
Com base nas informações apresentadas, o juiz determinará o imediato levantamento da indisponibilidade
dos bens ou valores que excederem o valor da dívida (CTN, art. 185-A, § 2º).
Nesse sentido, o texto normativo. Vejamos:
Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem
apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz
determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão,
preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de
transferência de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de
suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial.
§ 1º A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor total exigível,
devendo o juiz determinar o imediato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores
que excederem esse limite.
§ 2º Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo
enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja
indisponibilidade houverem promovido
Por fim, e não menos importante, cumpre destacar que os referidos requisitos expostos são de natureza
cumulativa.
a) Citação
b) Ausência de pagamento/nomeação de bens a penha;
c) Não foram encontrados bens insuficientes a penhora.
Informativo 552, STJ:
99

99

O referido entendimento encontra-se previsto atualmente ao teor da Súmula 560 do STJ. Vejamos:
Súmula nº 560, STJ: a decretação da indisponibilidade de bens e direitos, na forma do art. 185-A do CTN, pressupõe
o exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis, o qual fica caracterizado quando infrutíferos o pedido
de constrição sobre ativos financeiros e a expedição de ofícios aos registros públicos do domicílio do executado, ao
Denatran ou Detran. (Primeira Seção, julgado em 09/12/2015)

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-560-stj.pdf

Dessa forma, por se tratar de uma medida muito grave, a indisponibilidade de que trata o art. 185-A do CTN só pode
ser decretada pelo juiz se forem preenchidos três requisitos que podem ser extraídos da própria redação do
dispositivo. São eles:

✓ 1) Citação do devedor: A indisponibilidade só pode ser decretada se o executado já foi citado (“devidamente
citado”).

✓ 2) Inexistência de pagamento ou apresentação de bens à penhora no prazo legal: O art. 185-A afirma que
somente poderá ser determinada a indisponibilidade se o devedor, após ser citado, “não pagar nem apresentar
bens à penhora no prazo legal”.

✓ 3) Exaurimento das diligências na busca por bens penhoráveis: indisponibilidade só pode ser decretada se a
Fazenda Pública.

O CT possui uma garantia indireta estabelecida entre os arts. 191/192/193, posto que tem que comprovar em
determinados casos o pagamento do Tributo.

Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova de quitação de todos os tributos.
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação da prova de
quitação de todos os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei.
(Incluído pela Lcp nº 118, de 2005)
Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou adjudicação será proferida sem
prova da quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas
100

Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, nenhum departamento da
administração pública da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou
sua autarquia, celebrará contrato ou aceitará proposta em concorrência pública sem que o
contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os tributos devidos à Fazenda
Pública interessada, relativos à atividade em cujo exercício contrata ou concorre.

Para a extinção das obrigações do falido, a necessidade de quitação dos tributos. Porém, em sede de 2ª fase, a
Jurisprudência do STJ – entendeu que pode haver extinção das obrigações do falido sem quitar os tributos.

Precedente: STJ – Quarta Turma. Resp 834.932; Proc. 2006/0053594-4/MG. DJe 29/10/2015. 100
A declaração de extinção das obrigações do falido poderá referir-se somente às obrigações que foram habilitadas ou
consideradas no processo falimentar, não tendo, nessa hipótese, o falido a necessidade de apresentar a quitação dos
créditos fiscais para conseguir o reconhecimento da extinção daquelas suas obrigações, em menor extensão, sem
repercussão no campo tributário.
Sendo o art. 187 do CTN taxativo ao dispor que a cobrança judicial do crédito tributário não está sujeita a concurso
de credores ou habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento, e não prevendo
o CTN ser a falência uma das causas de suspensão da prescrição do crédito tributário (art. 151), não há como se
deixar de inferir que o crédito fiscal não se sujeita aos efeitos da falência.
Desse modo, o pedido de extinção das obrigações do falido poderá ser deferido: i) em maior abrangência, quando
satisfeitos os requisitos da Lei falimentar e também os do art. 191 do CTN, mediante a “prova de quitação de todos
os tributos”; ou ii) em menor extensão, quando atendidos apenas os requisitos da Lei falimentar, mas sem a prova
de quitação de todos os tributos, caso em que as obrigações tributárias não serão alcançadas pelo deferimento do
pedido de extinção.
Recurso Especial parcialmente provido para julgar em menor extensão, sem repercussão no campo tributário.

→Privilégios: arts. 186 ao 190, CTN.


De acordo com o caput do art. 186, o crédito tributário possui preferência quase que absoluta sobre os demais, não
prevalecendo apenas sobre os créditos decorrentes da legislação do trabalho e de acidente de trabalho. Nesse sentido,
primeiramente são pagos os créditos trabalhistas e acidentários.
Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo
de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do
acidente de trabalho.

Aplica-se na hipótese do art. 190 do CTN , relativamente aos privilégios do crédito tributário, as mesmas regras
descritas e explicadas do art. 189.

Art. 190. São pagos preferencialmente a quaisquer outros os créditos tributários vencidos
ou vincendos, a cargo de pessoas jurídicas de direito privado em liquidação judicial ou
voluntária, exigíveis no decurso da liquidação.

O art. 187 do CTN expõe a autonomia do crédito tributário (autonomia do executivo fiscal). Tanto é que não precisa
ser objeto de arrolamento em inventário ou partilha. O p. único, por sua vez, consagra uma ressalva.
101

Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrolamento.
(Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005)
Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de
direito público, na seguinte ordem:
I - União;
II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró rata;
III - Municípios, conjuntamente e pró rata.

Casos os entes federativos concorrentemente sejam credores do mesmo sujeito passivo deverá ser aplicada101
a regra de preferência entre eles, prevista no artigo 187 do CTN e no artigo 29 da Lei de Execuções Fiscais, que
estabelece que a primeira a ter preferência é a União, seguida dos Estados e Municípios.
O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem:
a) união e suas autarquias; b) Estados, DF e Territórios e suas autarquias, conjuntamente e pro rata; c) Municípios
e suas autarquias, conjuntamente e pro rata.
Súmula nº 563, STF: O concurso de preferência a que se refere o parágrafo único do art. 187 do Código Tributário
Nacional, é compatível com o disposto no art. 9º, inciso I, da Constituição Federal.

Precedente: STJ – REsp repetitivo nº 957836. “o crédito tributário de autarquia federal goza do direito de preferência
em relação àquele de que seja titular a Fazenda Estadual, desde que coexistente execuções e penhoras (...) consoante
a dicção do art. 187, §único, do CTN c/c art. 29, da Lei nº 6.830/80.
STF – AI 608769 AgR. “a vedação estabelecida pelo artigo 19, III, da Constituição (correspondente àquele do artigo
9º, I, da EC nº 1/69) não atinge as preferências estabelecidas por lei em favor da União.
102

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 10: Administração Tributária

10. Administração Tributária: previstas nos arts. 183 a 193 do CTN.

O Código Tributário Nacional inaugura, a partir do seu art. 194, um Título denominado “Administração
Tributária”, em que constam principalmente regras formais acerca dos órgãos e agentes públicos responsáveis pela102
transformação em atos concretos das regras abstratamente previstas nos demais títulos do diploma.
O referido título é dividido em três capítulos:
a) Fiscalização
b) Dívida Ativa
c) Certidão Negativa
Esquematizando

→Fiscalização Tributária: arts. 194 a 200, CTN (leitura obrigatória)

Fiscalização Tributária compreende os poderes das autoridades fiscais e também os deveres das autoridades
fiscais.
Os poderes das autoridades ficais são outorgados por legislação tributária.
As autoridades fiscais ostentam os seus poderes fiscais, não necessariamente existir uma lei para tanto, é
suficiente LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A legislação tributária é gênero (lei/decreto/normas complementares e
tratados e convenção internacional, art. 96 do CTN).

Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições
legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos,
documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou
produtores, ou da obrigação destes de exibi-los.
103

Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os


comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a
prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.

Súmula nº 439, STF: estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado
o exame aos pontos objeto da investigação.

O artigo 197 contempla a possibilidade, dentro dos poderes das autoridades fiscais, de requisição de103
informações de terceiros. O rol do inciso VII é meramente exemplificativo. O inciso II diz que as informações podem
ser requisitas de casas bancárias, entrando em choque com o sigilo bancário.

Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa
todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de
terceiros:
I - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício;
II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;
III - as empresas de administração de bens;
IV - os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais;
V - os inventariantes;
VI - os síndicos, comissários e liquidatários;
VII - quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício,
função, ministério, atividade ou profissão.
Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações
quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo
em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão.

OBS: Art. 6º, LC 105/01 – as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, Estados, do DF e dos Municípios
somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas
de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em
curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
O Fisco pode requisitar dos bancos o extrato bancário sem autorização judicial, de forma direta. O STF
reconheceu a constitucionalidade deste artigo 6º, pois não há quebra de sigilo bancário, existindo tão somente a troca
de dados bancários. Tem que existir procedimento administrativo em curso.
Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)
http://www.dizerodireito.com.br/2016/02/a-receita-pode-requisitar-das.html
O STF entendeu ser constitucional o teor do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, sob o argumento de que o
“repasse” das informações dos bancos para o Fisco não pode ser chamado de "quebra de sigilo bancário". Isso porque
as informações são passadas para o Fisco (ex: Receita Federal) em caráter sigiloso e permanecem de forma sigilosa
104

na Administração Tributária. Logo, é uma tramitação sigilosa entre os bancos e o Fisco e, por não ser acessível a
terceiros, não pode ser considerado violação (quebra) do sigilo.
Nesse sentido, o Informativo 815 do STF.

104

*Poderes das Autoridades Fiscais (art. 200, CTN)


As autoridades administrativas federais poderão requisitar o auxílio da força pública federal, estadual ou
municipal, e reciprocamente, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando
necessário à efetivação de medida prevista na legislação tributária, ainda que não se configure fato definido em lei
como crime ou contravenção (art. 200, CTN).
105

O dispositivo em comento permite que as autoridades administrativas requisitem auxílio de força pública, isto é,
apoio policial, se for o caso, quando vítimas de embaraço ou desacato no exercício de suas funções, ou quando
necessário à efetivação dê medida prevista na legislação tributária. O objetivo é conferir maior efetivamente às ações
promovidas pelas autoridades fiscais.

*Deveres das Autoridades Fiscais


o Dever das autoridades fiscais: documentar o início do procedimento fiscalizatório por escrito, fica
documentado. No plano federal é chamado de TIAF – termo de início de apuração fiscal. Tem algumas105
consequências imediatas:
a) Marca o término da fiscalização, o referido termo vale por 120 dias, sendo admitidas prorrogações.
b) Gera a antecipação da contagem do prazo decadencial, pois a fiscalização é medida preparatória do
lançamento.
c) Fica vedada a denúncia espontânea da infração (art. 138, CTN). Não haverá exclusão das multas
tributárias.
d) O dever das autoridades fiscais de manter sigilo sobre os documentos/informações que colhem a título
de prova (art. 198, CTN). Pode ser transferido entre os Fiscos (inscrição na dívida ativa gera publicidade,
portanto os dados não são mais sigilosos). Também é possível existir exceção da divulgação nos casos
de parcelamento do crédito tributário.

→Dívida Ativa: arts. 201 a 204, CTN.

Logo após a constituição definitiva do crédito tributário, não havendo pagamento por parte do sujeito
passivo ou qualquer medida judicial ou administrativa que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, cabe à
Fazenda Pública proceder à inscrição do crédito tributário em dívida ativa.

Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza,
regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo
fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular.
Parágrafo único. A fluência de juros de mora não exclui, para os efeitos deste artigo, a
liquidez do crédito.

A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré-
constituída. A presunção citada é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do
terceiro a que aproveite.
→A presunção, todavia, admite prova em contrário, sendo, portanto, relativa (CTN, art. 204, parágrafo único).
106

O CTN estabeleceu algumas informações de presença obrigatória no termo de inscrição da dívida ativa. São
informações essenciais para identificar o sujeito passivo, a fundamentação legal e a natureza da dívida, data de
inscrição. Nesse sentido, vejamos.

Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente,
indicará obrigatoriamente:
I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível,
o domicílio ou a residência de um e de outros;
106
II - a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos;
III - a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que
seja fundado;
IV - a data em que foi inscrita;
V - sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito.

A ausência dos referidos requisitos ensejam nulidade, porém, as referidas nulidades podem ser sanadas até a decisão
de 1ª instância.
“Havendo erros ou omissão dos requisitos estabelecidos, será nula a inscrição e o processo
de cobrança dela decorrente. No entanto, a nulidade pode ser sanada até a decisão de
primeira instância, substituindo-se a certidão nula, e devolvendo ao sujeito passivo o prazo
para defesa, que somente versará sobre a parte modificada”.

OBS: art. 2º, §8º, Lei nº 6.830/80 c/c Súmula nº 392, STJ.
Até a decisão de primeira instância, a CDA poderá ser emendada ou substituída, assegurada ao executado a
devolução do prazo para embargos.
Conforme disposto na Súmula 392 do STJ não é possível que se altere o sujeito passivo da execução.
Súmula nº 392, STJ: a Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença
de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da
execução.

OBS: Homônimo e impossibilidade de substituição da CDA.


STJ, REsp 1.279.899-MG, julgado em 18/2/2014.
DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL PROMOVIDA EM FACE DE
HOMÔNIMO.
Deve ser extinta a execução fiscal que, por erro na CDA quanto à indicação do CPF do executado, tenha sido
promovida em face de pessoa homônima. Em princípio, a indicação equivoca do CPF do executado constitui simples
erro material, que pode ser corrigido, na forma do art. 2º, § 8º, da Lei 6.830/1980, porque, em regra, não modifica o
polo passivo se os demais dados como nome, endereço e número do processo administrativo estiverem indicados
corretamente. Entretanto, quando se trata de homônimo, o erro na indicação do CPF acaba por incluir no processo
executivo pessoa diversa daquela, em tese, efetivamente devedora do imposto. Ressalte-se que, em caso de
homonímia, só é possível verificar quem é o real executado por intermédio do CPF. Assim, tem aplicação a Súmula
392 do STJ, segundo a qual “a Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da
107

sentença de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito
passivo da execução

Súmula nº 558, STJ: em ações de execução fiscal, a petição inicial não pode ser indeferida sob o argumento da falta
de indicação do CPF e/ou RG ou CNPJ da parte executada.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-558-stj.pdf
107
→Certidão Negativa: arts 205 a 208, CTN.

Só podem ser exigidas se houver previsão na lei.


Deve ser expedida no prazo de 10 dias.
O artigo 207 dispensa a certidão negativa de débitos em causa de relevante urgência. Por outro lado, o
artigo 208 trata da responsabilidade pessoal do servidor que emitir fraudulentamente uma certidão negativa.
Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando
exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do interessado,
que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio
fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido.
Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido
requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na
repartição.

Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a
existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido
efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.

Art. 207. Independentemente de disposição legal permissiva, será dispensada a prova de


quitação de tributos, ou o seu suprimento, quando se tratar de prática de ato indispensável
para evitar a caducidade de direito, respondendo, porém, todos os participantes no ato pelo
tributo porventura devido, juros de mora e penalidades cabíveis, exceto as relativas a
infrações cuja responsabilidade seja pessoal ao infrator.

Art. 208. A certidão negativa expedida com dolo ou fraude, que contenha erro contra a
Fazenda Pública, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito
tributário e juros de mora acrescidos.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a responsabilidade criminal e funcional
que no caso couber.
108

DIREITO TRIBUTÁRIO II

Conteúdo 11: Processo Administrativo Fiscal

11. PAF: Processo Administrativo Fiscal

No plano federal o Processo Administrativo Fiscal é regulado pelo Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto foi
recepcionado pela CF de 88 como Lei Ordinária, é tanto que as alterações posteriores se deram através de lei108
ordinária. A sua natureza jurídica é de Lei Ordinária.

Aqui se encontram normas processuais, portanto não é necessária lei complementar para regular o tema (Lei
Complementar é necessário para regulamentar as normas gerais sobre D. Tributário). No mais, cumpre destacar que
há incidência subsidiária no estudo do processo administrativo fiscal tributário da lei do processo administrativo
(Lei nº 9.784/99).

O PAF pressupõe um processo documentado, se vinculando ao princípio documental.

É possível que um sujeito passivo que está em dívida com o Fisco em decorrência de uma multa fiscal, decorrente
da fiscalização tributária, conforme estudado, a referida fiscalização deve ser igualmente deve ser documentada (art.
196, CTN – é dever das autoridades fiscais documentar o referido).

→Prazo: em regra 120 dias, admitindo sucessivas prorrogações, sempre de forma documental. Trata-se do prazo,
em regra, da fiscalização tributária.

→Notificação do contribuinte: art. 23 do PAF, explana as formas de notificação do contribuinte.

Art. Art. 23. Far-se-á a intimação:

I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição


ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou,
no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº
9.532, de 1997) (Produção de efeito)

II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento
no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de
1997) (Produção de efeito)

III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº
11.196, de 2005)

a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)
109

b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela
Lei nº 11.196, de 2005)

§ 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando
o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação
poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)

I - no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de


2005)
109
II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou
(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)

III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de
2005)

§ 2° Considera-se feita a intimação:

I - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal;

II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze
dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)
(Produção de efeito)

III - se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)

a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio


tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)

b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído
pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação
dada pela Lei nº 12.844, de 2013)

c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo;


(Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013)

IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela
Lei nº 11.196, de 2005)

§ 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a
ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)

§ 4o Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação


dada pela Lei nº 11.196, de 2005)

I - o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e
(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
110

II - o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que


autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)

§ 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com
expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informar-lhe-á as
normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)

§ 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração


tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)
110
§ 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do
Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da
Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do
acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência)

§ 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente


em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de
Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os
respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da
Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007)
(Vigência)

§ 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente


das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do
Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que
os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo.

Etapas:

Com a ciência da autuação do contribuinte, este terá a opção de se defender, exercendo a ampla defesa e o
contraditório, nos moldes do art. 15 do Decreto.

Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se
fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da
data em que for feita a intimação da exigência.

→Prazo para impugnação: 30 dias.

O prazo para impugnação é de 30 dias de acordo com o art. 15 do decreto, conjugado com o art. 15 do NCPC –
determina a sua incidência de forma subsidiária e supletiva.

Uma vez apresentada a defesa, haverá a instrução para posterior julgamento.


111

Em primeira instância, o julgamento é feito em primeira instância pelas Turmas da Delegacia da Receita
de Julgamentos. É cabível a interposição de recursos, e referidos são interpostos perante o CARF, Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30 dias.

*Composição do CARF – art. 25, Decreto nº 70.235/72.

O CARF não pode exercer controle de constitucionalidade. Nesse sentido, o art. 26-A, do Decreto.

-Art. 26-A, Decreto nº 70.235/72: no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento111
afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.

O prazo para julgamento do PAF está contido no art. 24 da Lei nº 11.457/07, indicando 360 dias como
limite. Caso não seja cumprido esse prazo, incidirá, por exemplo, correção monetária sob o crédito postulado.

Precedente: STJ – 2ª Turma. AgRg no REsp 1465757/SC, julgado em 25/08/2015.


PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO, AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CORREÇÃO
MONETÁRIA DE CRÉDITOS ESCRITURAIS. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO A QUO.
PROTOCOLO DO PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
A orientação jurisprudencial desta Corte Superior é no sentido de que a demora no ressarcimento de créditos do IPI
reconhecidos pela Receita Federal enseja a incidência de correção monetária. Esta, inclusive, corresponde à
orientação da Súmula 411/STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu
aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”.
O prazo de 360 dias para a conclusão do processo administrativo de aproveitamento de créditos escriturais não pode
ser confundido com o termo a quo para a incidência da correção monetária e de juros de mora, já que a resistência
ilegítima do Fisco inicia-se com o protocolo dos pedidos de ressarcimento. Agrado regimental a que se nega
provimento.

→Nulidades do PAF: casos de nulidade no Processo Administrativo Fiscal (art. 59)

a) Por incompetência do servidor fiscal que o instaura;


b) Vício formal que afronte a ampla defesa do contribuinte.

Art. 59. São nulos:


I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;

II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do


direito de defesa.
§ 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam
ou sejam conseqüência.
§ 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as
providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.
3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a
declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o
ato ou suprir-lhe a falta.
112

Processo Judicial Tributário:


Na esfera do processo judicial tributário encontramos a instauração de um processo judicial propriamente
dito, de iniciativa de particulares ou da fazenda pública. O mesmo é caracterizado por meio do concretismo do direito
material tributário e realizado no âmbito do Poder Judiciário.

Não há um direito processual tributário próprio nem um Código de Processo Tributário. Há um direito
processual aplicável às relações tributárias. O direito tributário está tutelado por ações previstas no Código de112
Processo Civil e na legislação processual esparsa, especialmente na Lei n. 6.830, de 22 de novembro de 1980.

→Ações de iniciativa do contribuinte: contextualização com o art. 38 da Lei de Execução Fiscal.

a) Mandado de Segurança;
b) Ação de repetição do indébito
c) Ação anulatória de lançamento (pressupõe lançamento)
d) Ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária
e) Ação de consignação em pagamento

OBS: A lei de execução fiscal é aplicada para débitos tributários e também para débitos não tributários (por exemplo,
multa aplicada pelo PROCON).

OBS: A OAB é, atualmente, considerada um serviço público independente (STF), portanto, a cobrança da anuidade
da OAB não poderá ser feita por meio de execução fiscal, pois não é tributo. As regras devem ser observadas no que
dispõe o código de processo civil (pagamento de quantia certa). A contribuição da OAB não tem natureza tributária.

OBS: Art. 15, Lei nº 5.010/66 – nas Comarcas do interior onde não funcionar Vara da Justiça Federal (art. 12), os
Juízes Estaduais são competentes para processar e julgar: I – os executivos fiscais da União e de suas autarquias,
ajuizados contra devedores domiciliados nas respectivas Comarcas.

Esse artigo foi revogado pela Lei nº 13.043/14 (art. 75), portanto, não alcança as execuções fiscais da União
e de suas autarquias e fundações públicas ajuizadas na Justiça Estadual antes da vigência desta Lei.

Art. 75, Lei nº 13.042. A revogação do inciso I do art. 15 da Lei nº 5.010 de 30 de Maio de 1996, constante do inciso
IX do art. 114 desta Lei, não alcança as execuções fiscais da União e de suas autarquias e fundações públicas
ajuizadas na Justiça Estadual antes da vigência desta Lei.
- a novidade, porém, não tem efeito retroativo e, assim, não abrange os processos antes já ajuizados na Justiça
Comum.
Obs.: Os embargos na Execução fiscal devem ser opostos no prazo de 30 dias uteis.
113

OBS: os Embargos à Execução Fiscal pressupõem penhora (garantia). O STJ em recurso repetitivo, à luz do CPC
de 73, disse que a norma especial é a que deve ser aplicada. Hoje, cabe a penhora sobre seguro garantia (art. 9º, II,
Lei nº 13.043/14), ainda que em ações já propostas antes da entrada em vigor.

OBS: Execução fiscal contra empresa – redirecionamento da execução para os sócios.

Para alguns processualistas, o incidente de desconsideração da personalidade jurídica deve ser aplicado no
redirecionamento, já que previsto no NCPC.
113
A segunda doutrina diz que não há necessidade, pois no âmbito tributário os sócios têm responsabilidade tributária
sobre dívidas da empresa quando atuarem de maneira fraudulenta (art. 135, III, CTN).

Enunciado nº 53 da ENFAM (Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados). O


redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente prescinde do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica previsto no art. 133 do CPC/2015.

(Foram aprovados 62 Enunciados por cerca de 500 magistrados durante o seminário O Poder Judiciário e o novo
Código de Processo Civil, realizado no período de 26 a 28 de agosto de 2015).

Enunciado nº 6 do FOREXEC 2015. A responsabilidade tributária regulada no art. 135 do CTN não constitui
hipótese de desconsideração da personalidade jurídica, não se submetendo ao incidente previsto no art. 133 do
CPC/2015.

Impostos Municipais: art. 156, CF/88.

Também são de competência do DF (art. 147, parte final, CF), pois tem competência tanto de Estado como
de Município.

➢ IPTU
➢ ITBI;
➢ ISS.
→IPTU – Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana – art. 156, I, e §1º, CF e arts. 32 a 34 do CTN.

Cumpre recordamos que o lançamento do IPTU ocorre de maneira direta (sem qualquer participação do
contribuinte). Nesse sentido, a súmula do STJ. Vejamos:

Súmula nº 397, STJ: o contribuinte do IPTU é notificado do lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço.

Em atenção ao art. 156, I da CF, o critério material do IPUT se constitui pelo fato de ser o proprietário de
imóvel urbano.
114

Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial
urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por
natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do
Município.

§ 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei
municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo
menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:
I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II - abastecimento de água; 114
III - sistema de esgotos sanitários;
IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do
imóvel considerado.
§ 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana,
constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à
indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do
parágrafo anterior.

Dessa forma, temos que para os efeitos deste imposto, entende-se como zona urbana a definida em lei
municipal, observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos dois dos itens
seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público:
I – meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;
II – abastecimento de água;
III – sistema de esgotos sanitários;
IV – rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar;
V – escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel
considerado.

Assim, a incidência deste imposto depende da localização do imóvel em zona urbana, se o imóvel encontrar-
se na zona rural teremos a incidência do ITR, de competência federal.

Cumpre destacar, que excepcionalmente, poderá ser utilizado como critério da a destinação do imóvel.
Nesse sentido, o IRT pode incidir em imóvel localizado em área urbana caso se destine à exploração de atividade
agrícola, vegetal, pecuária, agroindustrial (art. 15, do Decreto-Lei nº 57/66).

Precedente: STJ – REsp 1112646/SP. Primeira Seção. Julgado em 26/08/2009.


TRIBUTÁRIO. IMÓVEL NA ÁREA URBANA. DESTINAÇÃO RURAL. IPTU. NÃO-INCIDÊNCIA. ART. 15
DO DL 57/66. RECURSO REPETITIVO. ART. 543-C DO CPC/73.
Não incide IPTU, mas ITR, sobre imóvel localizado na área urbana do Município, desde que comprovadamente
utilizado em exploração extrativa, vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial (art. 15 do DL 57/66).
Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC/73 e da Resolução 8/2008 do STJ.
115

Segundo o art. 32 do CTN, o IPTU tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel
por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.

o Fato gerador: O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana
tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão
física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.
A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizáveis, ou de expansão urbana, constantes de
loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo
que localizados fora das zonas definidas nos termos especificados acima. 115

O devedor (sujeito passivo) do IPTU, pode ser, proprietário do imóvel, titular do seu domínio útil ou o possuidor a
qualquer título.

o Contribuinte (art. 34, CTN): Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio
útil, ou o seu possuidor a qualquer título.

Súmula nº 399, STJ: cabe à legislação municipal estabelecer o sujeito passivo do IPTU.

o Base de Cálculo: A base de cálculo é o valor venal (valor de venda) dos imóveis.
Na determinação da base de cálculo, não se considera o valor dos bens móveis mantidos, em caráter
permanente ou temporário, no imóvel, para efeito de sua utilização, exploração, aformoseamento ou
comodidade.
Sua alíquota varia de um Município para outro, sendo admissível sua progressividade após a edição da Emenda
Constitucional 29/2000. O §1º do artigo 7º do Estatuto das Cidades (Lei 10.257/2001) estipula que a alíquota máxima
a ser aplicada para cobrança do IPTU progressivo no tempo é de 15%.

→ITBI – Imposto sobre a transmissão de bens imóveis – art. 156, II, CF e arts. 35 a 42, CTN.
A Constituição Federal de 1988 estipulou que o ITCMD (imposto sobre a transmissão causa mortis ou
doação) competiria aos Estados e ao DF (art. 155, I), enquanto os municípios ficariam com o ITBI (art. 156).
O ITBI não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos:
I – quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento
de capital nela subscrito;
II – quando decorrente da incorporação ou da fusão de uma pessoa jurídica por outra ou
com outra.
A não-incidência não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a
venda ou locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição.
Para que tenhamos a incidência do ITBI há necessidade da efetiva transferência do bem imóvel, que se dará
pelo respectivo registro no cartório de registro de imóveis.

Precedente: STF – AgRg no ARE nº 807.255/RJ.


116

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. DIREITO TRIBUTÁRIO.


DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ITBI. FATO GERADOR. PROMESSA DE
COMPRA E VENDA.
(...) A transferência do domínio sobre o bem torna-se eficaz a partir do registro público, momento em que incide o
ITBI, de acordo com a jurisprudência do STF. Logo, a promessa de compra e venda não representa fato gerador
idôneo para propiciar o surgimento de obrigação tributária.

o Fato gerador: transmissão, por ato oneroso, de bens imóveis, excluindo-se a sucessão (causa mortis). Em
termos de legislação ordinária, o ITBI, sendo da competência dos Municípios, tem legislação própria para
cada um deles. 116

o Contribuinte: qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei.

o Base de Cálculo: A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos.
→ISS – Imposto sobre serviços de qualquer natureza – art. 156, III, CF e LC nº 116/2003 (expõe normas gerais do
ISS).

O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal,
tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa à Lei Complementar Federal 116/2003,
ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador.
A LC expõe normas gerais do ISS, isso significa que quando o município por meio de Lei institui o ISS,
deve obediência as normas da Constituição e as disposições da Lei Complementar.
Função do ISS → Fiscal. É arrecadatória.
Lançamento do ISS → É feito por homologação (quase tudo fica nas mãos do contribuinte/ classificação
feita com base a maior ou menor participação do contribuinte).
o Fato gerador: Listados da LC nº 116/2003 (leitura obrigatória).

Súmula nº 156, STJ: a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que
envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS.

Súmula nº 274, STJ: o ISS incide sobre o valor dos serviços de assistência médica, incluindo-se neles as refeições,
os medicamentos e as diárias hospitalares.

Súmula nº 163, STJ: o fornecimento de mercadorias com a simultânea prestação de serviços em bares, restaurantes
e estabelecimentos similares constitui fato gerador do ICMS a incidir sobre o valor total da operação.

Súmula Vinculante nº 31, STF: é inconstitucional a incidência do ISS sobre operações de locação de bens móveis.

Precedente: STJ – REsp 1.307.824/SP. Julgado em 27/10/2015.


DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE ISS SOBRE MONTAGEM DE PNEUS.
Incide ISS – e não ICMS – sobre o serviço de montagem de pneus, ainda que a sociedade empresária também forneça
os pneus utilizados na montagem.

o Contribuinte: prestador de serviços.


117

o Local do serviço: O serviço considera-se prestado e o imposto devido no local do estabelecimento prestador
ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador, exceto nas hipóteses previstas nos itens
I a XXII do artigo 3º da Lei Complementar 116/2003.

OBS: Anteriormente à edição da LC 116/2003, o STJ havia manifestado entendimento jurisprudencial que o local
de recolhimento do ISS seria onde são prestados os serviços. Leia a jurisprudência do Acórdão STJ 252.114-PR.

o Base de cálculo e alíquota: A Emenda Constitucional 37/2002, em seu artigo 3º, incluiu o artigo 88 ao Ato
das Disposições Constitucionais Transitórias, fixando a alíquota mínima do ISS em 2% (dois por cento), a117
partir da data da publicação da Emenda (13.06.2002).
A alíquota mínima pode ser reduzida para os serviços a que se referem os itens 32, 33 e 34 da Lista de
Serviços anexa ao Decreto-Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968.
A alíquota máxima de incidência do ISS foi fixada em 5% pelo artigo 8º, II, da Lei Complementar 116/2003.
OBS: O ISS não incide sobre as exportações de serviços para o exterior do País. São tributáveis os serviços
desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior.

Obs.: a lista da Lei Complementar 116/2003 é de natureza taxativa. Desse modo, só incide ISS sobre os serviços
estampados na referida.

Impostos Estaduais e do DF: art. 155, CF.

→ITCMD – Imposto sobre transmissões causa mortis e doações – art. 155, I e §1º, CF e arts. 35 a 42 do CTN.

O ITCMD tem feição não onerosa (gratuidade), sem qualquer contraprestação por parte daquele que recebe
o bem (doação ou sucessão causa mortis).
É feito por meio de lançamento por declaração (misto): conjugação de esforços do contribuinte e do fisco.
Nesse sentido e corroborando, a Súmula 114 do STF.

Súmula nº 114, STF: o ITCMD não é exigível antes da homologação do cálculo.

Já é devido no momento da abertura da sucessão e no momento da tradição dos bens.


➢ Questões de competência: art. 155, §1º, I, II, III, CF.

I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito
Federal
II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou
arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal;
III - terá competência para sua instituição regulada por lei complementar:
a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior;
b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior;
118

OBS: Não recepção da Súmula nº 435* do STF pela CF/88 – literal aplicação do teor do art. 155, §1º, da CF, é
dizer, relativamente a bens imóveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou
arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao DF.
*O imposto de transmissão causa mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a
companhia/Estado em que se localiza o imóvel.

Súmula nº 331, STF: é legítima a incidência do imposto de transmissão causa mortis no inventário por morte
presumida.

o Fato gerador: é a transmissão causa mortis de imóveis e a doação de quaisquer bens ou direitos. 118
O imposto incide sobre o valor venal (de venda) da transmissão de qualquer bem ou direito havido:
I - por sucessão legítima ou testamentária, inclusive a sucessão provisória;
II - por doação.
Estão compreendidos na incidência do imposto os bens que, na divisão de patrimônio comum, na partilha ou
adjudicação, forem atribuídos a um dos cônjuges, a um dos conviventes, ou a qualquer herdeiro, acima da
respectiva meação ou quinhão.

o Contribuintes:
I - na transmissão "causa mortis": o herdeiro ou o legatário;
II - no fideicomisso: o fiduciário;
III - na doação: o donatário;
IV- na cessão de herança ou de bem ou direito a título não oneroso: o cessionário.

Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte,


respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem
responsáveis:
I - o tabelião, escrivão e demais serventuários de ofício, em relação aos atos tributáveis praticados por eles
ou perante eles, em razão de seu ofício;
II - a empresa, instituição financeira e bancária e todo aquele a quem couber a responsabilidade do registro
ou a prática de ato que implique na transmissão de bem móvel ou imóvel e respectivo direito ou ação;
III - o doador, o cedente de bem ou direito, e, no caso do parágrafo único do artigo anterior, o donatário;
IV - qualquer pessoa física ou jurídica que detiver o bem transmitido ou estiver na sua posse, na forma desta
lei;
V - os pais, pelos tributos devidos pelos seus filhos menores;
VI - os tutores e curadores, pelos tributos devidos pelos seus tutelados ou curatelados;
VII - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes;
VIII - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio.

o Base de cálculo: incidirá sobre o valor venal do imóvel.

Súmula nº 113, STF: o ITCMD é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação.

o Alíquota: art. 155, IV, V, CF.


A alíquota será a vigente ao tempo do fato gerador.
Súmula nº 112, STF: o ITCMD é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão.

Terá alíquota máxima fixada pelo Senado Federal.


119

Resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores,


aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e
prestações, interestaduais e de exportação
É facultado ao Senado Federal:
a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e
aprovada pela maioria absoluta de seus membros;
b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse
de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus
membros;
119
→IPVA – Imposto sobre a propriedade de veículos automotores – art. 155, III e §6º, CF.
É um imposto estadual pago anualmente pelo proprietário de todo e qualquer veículo automotor ao qual
seja exigido emplacamento. Do total arrecadado, 50% cabe ao Estado e 50% ao Município onde ocorreu o
emplacamento.
O único objetivo do IPVA é arrecadar dinheiro, e esse imposto é cobrado apenas de veículos que circulam
em terra, ou seja, não compreende nenhum outro tipo, como barcos, lanchas, e etc. O IPVA é cobrado anualmente,
e não tem relação nenhuma com a situação das estradas, ou das ruas, ele é apenas de uso fiscal.
O IPVA é cobrado mediante lançamento direto.
Não existe nenhuma especificidade acerca desse imposto no CTN pois ele nasceu com a CF de 88.

o Fato gerador: ser proprietário de veículo automotor terrestre, sendo necessário que na propriedade esteja
incluído o direito de uso regular do veículo, ou seja, o direito ao uso do veículo na finalidade para a qual foi
produzido. Cabe ainda ressaltar que o fato gerador do IPVA é anual.

OBS: Por jurisprudência do STF fica proibida a incidência do IPVA sobre quaisquer outros veículos que não os
automotores terrestres. RE 134.509/AM, o RE 255.111/SP e o RE 379.572/RJ.

Informativo nº 270, STF:


* IPVA: Incidência sobre Embarcações
Concluído o julgamento de recurso extraordinário em que se discutia a incidência do IPVA sobre a
propriedade de embarcações (v. Informativos 22 e 103). O Tribunal, por maioria, manteve acórdão do Tribunal de
Justiça do Estado do Amazonas que concedera mandado de segurança a fim de exonerar o impetrante do pagamento
do IPVA sobre embarcações. Considerou-se que as embarcações a motor não estão compreendidas na competência
dos Estados e do Distrito Federal para instituir impostos sobre a propriedade de veículos automotores, pois essa
norma só autoriza a incidência do tributo sobre os veículos de circulação terrestre. Vencido o Min. Marco Aurélio,
relator, que dava provimento ao recurso para cassar o acórdão recorrido ao fundamento de que a Constituição, ao
prever o imposto sobre a propriedade de veículos automotores, não limita sua incidência aos veículos terrestres,
abrangendo, inclusive, aqueles de natureza hídrica ou aérea.
RE 134.509-AM, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ acórdão Min. Sepúlveda Pertence, 29.05.2002. (RE-134509)

* IPVA: Incidência sobre Aeronaves


Com o mesmo entendimento acima mencionado, o Tribunal, por maioria, vencido o Min. Marco Aurélio,
declarou a inconstitucionalidade do inciso III do artigo 6º da Lei 6.606/89, do Estado de São Paulo, que previa a
incidência do IPVA sobre aeronaves.
120

RE 255.111-SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ acórdão Min. Sepúlveda Pertence, 29.05.2002. (RE-255111)

o Contribuinte: é o proprietário do veículo, presumindo-se como tal a pessoa em cujo nome o veículo esteja
licenciado pela repartição competente.
o Base de cálculo e Alíquota: Terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal.
A alíquota do imposto sobre a propriedade de veículos automotores é fixa, sendo indicada por um valor
determinado, em referência ao ano de fabricação, à marca e ao modelo do veículo. A base de cálculo, é o
valor venal do veículo. O IPVA tem seu valor estabelecido em tabela divulgada pelos Estados, assim, tendo
em mãos a marca, o modelo e o ano de fabricação do veículo, é possível localizar o valor do imposto a ser
pago. Sendo assim, é inadequado falarmos em base de cálculo e alíquota, tendo em vista que não há cálculo.120
Cada Estado, na lei instituidora do imposto, deve estabelecer suas alíquotas. Nos termos do artigo 155, § 6º,
da CF, IPVA terá suas alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal, podendo, ainda, possuir alíquotas
diferenciadas em razão do tipo e da utilização do veículo.

OBS: Com a Emenda Constitucional nº 42/2003, a mudança na base de cálculo do IPVA não necessita obedecer o
princípio da anterioridade nonagesimal, prevista no artigo 150, III, c, da CF. Segundo o artigo 150, § 1º, da CF, a
majoração da base de cálculo deste imposto somente observa a anterioridade do exercício seguinte.

→ICMS – Imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de
transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação – Lei complementar nº 87/96 (Lei Kandir), alterada
posteriormente pelas Leis Complementares 92/97, 99/99 e 102/2000. Art. 155, II, CF.

Tem função fiscal e tem como objetivo a arrecadação de receitas, mas não impede a aplicação do princípio
da seletividade. (art. 155, §2º, III, CF)

O imposto incide sobre:


I – operações relativas à circulação de mercadorias, inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em
bares, restaurantes e estabelecimentos similares;
II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, por qualquer via, de pessoas, bens,
mercadorias ou valores;
III – prestações onerosas de serviços de comunicação, por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a
recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza;
IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária
dos Municípios;
V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços, de
competência dos Municípios, quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto
estadual.
VI – a entrada de mercadoria importada do exterior, por pessoa física ou jurídica, ainda quando se tratar de
bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento;
VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior;
VIII – a entrada, no território do Estado destinatário, de petróleo, inclusive lubrificantes e combustíveis
líquidos e gasosos dele derivados, e de energia elétrica, quando não destinados à comercialização ou à
industrialização, decorrentes de operações interestaduais, cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o
adquirente.

o Fato Gerador:

✓ Circulação de Mercadoras;
121

✓ Prestação de serviços de transporte intermunicipal;


✓ Prestação de serviço de transporte interestadual;
✓ Prestação de serviços de comunicação;

o Competência: é de competência dos Estados e do Distrito Federal.

Súmula Vinculante nº 32, STF: O ICMS não incide sobre alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras.
Súmula nº 662, STF: É legítima a incidência do ICMS na comercialização de exemplares de obras cinematográficas,
gravados em fitas de videocassete.
121
Súmula nº 573, STF: Não constitui fato gerador do imposto de circulação de mercadorias a saída física de máquinas,
utensílios e implementos a título de comodato.

Súmula nº 166, STJ: não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para
outro estabelecimento do mesmo contribuinte.

Súmula Vinculante nº 48: na entrada de mercadoria importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS por
ocasião do desembaraço aduaneiro.

A conclusão exposta nesta SV 48 já era prevista em uma súmula “comum” do STF, a súmula 661 do STF (de
24/09/2003) e que tem a mesma redação. Tratando-se de lei editada recentemente, ainda que apenas ocorrendo a sua
conversão, sugere-se o estudo complementar da referida súmula.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2015/06/sv-48.pdf

Súmula nº 135, STJ: o ICMS não incide na gravação e distribuição de filmes e videoteipes.

Súmula nº 152, STJ: na venda pelo segurador, de bens salvados de sinistros, incide o ICMS.

Súmula nº 155, STJ: o ICMS incide na importação de aeronave, por pessoa física, para uso próprio.

Súmula nº 198, STJ: na importação de veículo por pessoa física, destinado a uso próprio, incide o ICMS.

Súmula nº 20, STJ: a mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM, quando contemplado com
esse favor o similar nacional

Súmula nº 68, STJ: a parcela relativa ao ICM inclui-se na base de cálculo do PIS.

Súmula nº 80, STJ: a taxa de melhoramento dos portos não se inclui na base de cálculo do ICMS

Súmula nº 87, STJ: a isenção do ICMS relativa a rações balanceadas para animais abrange o concentrado e o
suplemento.

Súmula nº 95, STJ: a redução da alíquota do imposto sobre produtos industrializados ou do imposto de importação
não implica redução do ICMS.
122

Súmula nº 163, STJ: o fornecimento de mercadorias com a simultânea prestação de serviços em bares, restaurantes
e estabelecimentos similares constitui fato gerador do ICMS a incidir sobre o valor total da operação.

Súmula nº 334, STJ: o ICMS não incide no serviço dos provedores de acesso à Internet.

Súmula nº 391, STJ: o ICMS incide sobre o valor da tarifa de energia elétrica correspondente à demanda de potência
efetivamente utilizada.

Súmula nº 395, STJ: o ICMS incide sobre o valor da venda a prazo constante da nota fiscal.
122
Súmula nº 431, STJ: é ilegal a cobrança de ICMS com base no valor da mercadoria submetido ao regime de pauta
fiscal.

Súmula nº 432, STJ: as empresas de construção civil não estão obrigadas a pagar ICMS sobre mercadorias adquiridas
como insumos em operações interestaduais.

Súmula nº 457, STJ: os descontos incondicionais nas operações mercantis não se incluem na base de cálculo do
ICMS.

Precedentes:
→ICMS e “leasing”
Não incide o ICMS importação na operação de arrendamento mercantil internacional, salvo na hipótese de
antecipação da opção de compra na medida em que o arrendamento mercantil não implica, necessariamente,
transferência de titularidade sobre o bem. Com base nessa orientação, o Plenário, por maioria e em conclusão de
julgamento, desproveu recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da incidência de ICMS sobre
operações de importação de mercadorias, sob o regime de arrendamento mercantil internacional – Informativos 629
e 729. O Tribunal assinalou que a incidência do ICMS pressuporia operação de circulação de mercadoria.

STF - RE 540.829, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, j. 11-9-2014, P, DJE de 18-11-2014, com repercussão geral.
(...) Não incide o ICMS na operação de arrendamento mercantil internacional, salvo na hipótese de antecipação da
opção de compra, quando configurada a transferência da titularidade do bem. Consectariamente, se não houver
aquisição de mercadoria, mas mera posse decorrente do arrendamento, não se pode cogitar de circulação econômica.

STF - RE 572.020, rel. p/ o ac. min. Luiz Fux, j. 6-2-2014, P, DJE de 13-10-2014
TRIBUTÁRIO. ICMS. HABILITAÇÃO DE APARELHOS CELULARES
A lei geral de telecomunicações (art. 60, § 1º, da Lei 9.472/1997) não prevê o serviço de habilitação de telefonia
móvel como atividade-fim, mas atividade-meio para o serviço de comunicação. A atividade em questão não se inclui
na descrição de serviços de telecomunicação constante do art. 2º, III, da LC 87/1996, por corresponder a
procedimento tipicamente protocolar, cuja finalidade refere-se a aspecto preparatório. Os serviços preparatórios, tais
como habilitação, instalação, disponibilidade, assinatura, cadastro de usuário e equipamento, entre outros, que
configuram atividade-meio ou serviços suplementares, não sofrem a incidência de ICMS, posto serviços
disponibilizados de sorte a assegurar ao usuário a possibilidade do uso do serviço de comunicação, configurando
aqueles tão somente atividades preparatórias destes, não incidem ICMS. Inocorrência de violação aos arts. 2º; 150,
I; e 155, II, da CF/1988.
STF - RE 607.056, rel. min. Dias Toffoli, j. 10-4-2013, P, DJE de 16-5-2013, com repercussão geral. Vide AI
682.565 AgR, rel. min. Eros Grau, j. 23-6-2009, 2ª T, DJE de 7-8-2009.
O fornecimento de água potável por empresas concessionárias desse serviço público não é tributável por meio do
ICMS. As águas em estado natural são bens públicos e só podem ser exploradas por particulares mediante concessão,
123

permissão ou autorização. O fornecimento de água tratada à população por empresas concessionárias,


permissionárias ou autorizadas não caracteriza uma operação de circulação de mercadoria.

STF - AI 682.565 AgR, rel. min. Eros Grau, j. 23-6-2009, 2ª T, DJE de 7-8-2009.
RE 552.948 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1º-6-2010, 1ª T, DJE de 6-8-2010.
Vide RE 607.056, rel. min. Dias Toffoli, j. 10-4-2013, P, DJE de 16-5-2013, com repercussão geral. Vide AI 297.277
AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 6-4-2010, 2ª T, DJE de 7-5-2010.
O STF fixou entendimento no sentido da ilegitimidade da cobrança de ICMS sobre água encanada, uma vez que se
trata de serviço público essencial e não mercadoria.
123
RE 596.983 AgR, rel. min. Eros Grau, j. 12-5-2009, 2ª T, DJE de 29-5-2009.
AI 618.947 AgR, rel. min. Celso de Mello, j. 2-3-2010, 2ª T, DJE de 26-3-2010.
O STF fixou entendimento no sentido de que o simples deslocamento da mercadoria de um estabelecimento para
outro da mesma empresa, sem a transferência de propriedade, não caracteriza a hipótese de incidência do ICMS.

OBS: O imposto é não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de
mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante
cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado.
É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que
tenha resultado a entrada de mercadoria, real ou simbólica, no estabelecimento.

Impostos Federais: art. 153, I, CF/88.

→II – Imposto sobre importação – arts. 19 a 22, CTN.

Tem função extrafiscal, com objetivo de estimular ou desestimular comportamentos, por razões de política
econômica, consistindo em importante instrumento para esta regulação.
O lançamento é feito por homologação/Autolançamento, ou seja, a lei determina o pagamento do tributo
antes de qualquer procedimento de fiscalização.
Não há incidência do princípio da anterioridade.
É imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros que tem como fato
gerador a entrada destes no território nacional. Tem como contribuinte o importador ou quem a lei a ele equiparar,
o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados.
Tem legalidade flexível, ou seja, dentro das alíquotas mínimas e máximas previstas na lei, decreto ou
qualquer outro ato do Poder Executivo, poderá estabelecer, aumentar ou diminuir a alíquota para ajustá-las aos
objetivos da política cambial e do comércio exterior.
Um dos principais motivos da extrafiscalidade do imposto de importação é proteger os produtos nacionais
da concorrência dos produtos estrangeiros. É plenamente justificável, pois, com os altos custos de produção
nacionais, é certo que o preço final seja maior do que os produtos oriundos de países estrangeiros.
124

o Fato gerador: entrada de produtos estrangeiros no território nacional. É mister ressaltar que, ao produto que
não se destina ao mercado nacional, mas tão somente de passagem pelo território, não se aplica o imposto
de importação.
É considerado o câmbio do dia do registro da declaração realizada, para a conversão do valor do produto, na
repartição fiscal aduaneira.
• Aspecto material: é caracterizado pela entrada física do produto estrangeiro no território nacional.
• Aspecto espacial: delimita o local onde a lei considera consumado o fato gerador. No tocante ao
imposto de importação, é o local onde a mercadoria encontra-se armazenada, sob o controle da
alfândega (o chamado território aduaneiro).
• Aspecto temporal: diz respeito à data de ocorrência do fato gerador, e é verificado na data do registro124
do documento conhecido como “declaração de importação”.

o Contribuinte: é o importador, ou o equiparado por lei (Código Tributário Nacional, art. 22, “I”). No caso
de mercadorias apreendidas ou abandonadas, o contribuinte é o arrematante (Código Tributário Nacional,
art. 22, “II”).

o Base de cálculo e Alíquota: O Poder Executivo é o ente competente para a alteração das alíquotas do
imposto em comento, conforme Constituição, em seu artigo 153, §1º, dispositivo este que ainda estabelece
que serão respeitadas as condições e limites de lei.
A lei editada para a regulação destas condições e limites é a de nº 3.244/57, conforme Lei nº 8.085/90.
As normas para definir a base de cálculo do imposto de importação são de caráter geral, não podendo ser
calculadas a cada vez de forma diferente. Geralmente é considerado o valor constante na fatura comercial,
mas também é admitido o preço de referência, estipulado pelo Conselho de Política Aduaneira, e a pauta do
valor mínimo, estipulado pela Comissão Executiva do referido conselho.
No caso da alíquota específica, a base de cálculo corresponde àquela que prevê importâncias fixas, aplicável
aos modos de quantificação do produto importado, a base de cálculo é expressada pela quantidade de
mercadoria expressa em unidades de medida utilizadas pelo ordenamento, conforme ditame do Código
Tributário Nacional, art. 20, inciso I e art. 2o. do Decreto-Lei nº 37/66.
Já na alíquota ad valorem, a base de cálculo é o valor monetário da mercadoria, incidindo sobre este valor
um percentual.
O valor considerado é o que consta na fatura de comércio, expedida pelo país originário (artigo 20, inciso II
do Código Tributário Nacional).
Destaque-se que o Fisco tem a discricionariedade de aceitar ou não o preço indicado na fatura original,
podendo atribuir um preço com base no mercado interno, o chamado “preço normal”.

A alíquota mista combina os parâmetros utilizados em ambas as modalidades, quando por exemplo, atribui uma
porcentagem de R$50,00 (cinquenta reais) por kg.
No caso de produtos apreendidos ou abandonados, quando levados à leilão, a base de cálculo é o preço da
arrematação.

→Imposto sobre exportação: de competência exclusiva da União. Art. 153, II, CF.

Uma de suas características é a cobrança com função fiscal e regulatória, não só na medida em que se presta
a arrecadação, mas também de acordo com a variação de suas alíquotas, à disciplina do fluxo de exportação.
O imposto de exportação não se sujeita ao princípio da anterioridade, podendo ser alterado no mesmo
exercício financeiro.
125

É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as


alíquotas do IE.
No CTN - No Código Tributário Nacional, encontramos as regras e as disciplinas para o imposto em seus
artigos 23 a 28.
Na legislação ordinária, temos o Decreto-lei nº. 1.578/77, que dispõe sobre o imposto de exportação.

o Fato gerador: O fato gerador se caracteriza com o fato material da saída de produto nacional, ou
nacionalizado, para outro país, qualquer que seja a finalidade de quem remete, e não com o negócio jurídico125
da compra e venda do exportador para o estrangeiro.
Com exceção dos casos pessoais, como bagagens, estabelecidos no art. 23 do CTN e art. 1º do Decreto-Lei
nº 1.578/77, não importa que se trate de doação ou mercadoria do próprio remetente, o fato da saída para
fora do país ocasiona o fato gerador.
Considera-se ocorrido o fato gerador no momento da expedição da Guia de Exportação ou documento
equivalente.
O Poder Executivo relacionará os produtos sujeitos ao imposto.

o Contribuinte: é o exportador ou quem a lei a ele equiparar, considerada qualquer pessoa que promova a
saída de produtos do território nacional, podendo também a lei equipar terceiro ao exportador. (art. 27 do
CTN e art. 5º do Decreto-Lei nº. 1.578/77).

o Base de cálculo e Alíquota: A base de cálculo do imposto é o preço normal que o produto, ou seu similar,
alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado
internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato do Conselho Monetário
Nacional.
O preço à vista do produto, FOB ou posto na fronteira, é indicativo do preço normal.
Quando o preço do produto for de difícil apuração ou for susceptível de oscilações bruscas no mercado
internacional, o Poder Executivo, mediante ato do Conselho Monetário Nacional, fixará critérios específicos
ou estabelecerá pauta de valor mínimo, para apuração de base de cálculo.
Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto, o preço de venda das mercadorias exportadas
não poderá ser inferior ao seu custo de aquisição ou produção, acrescido dos impostos e das contribuições
incidentes e de margem de lucro de quinze por cento sobre a soma dos custos, mais impostos e contribuições.
A lei pode adotar como base de cálculo a parcela do valor ou do preço excedente de valor básico, fixado de
acordo com os critérios e dentro dos limites por ela estabelecidos.
O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de
cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior.
Devido ao fato de que o equilíbrio da balança comercial depende fundamentalmente do esforço de
exportação e que o imposto é extrafiscal, o imposto é minimamente exigido, sendo comum o uso da alíquota
zero, pois o fator constitutivo do dever tributário não está na sua hipótese de incidência (ou fato gerador),
mas sim, no mandamento da norma de tributação.
A alíquota do imposto é de 30%, facultado ao Poder Executivo reduzi-la ou aumentá-la, para atender aos
objetivos da política cambial e do comércio exterior.
Em caso de elevação, a alíquota do imposto não poderá ser superior a 150%.

→IR – Imposto de Renda – Arts. 43 a 45, CTN.


126

Renda é todo acréscimo patrimonial, todo ingresso líquido, em bens materiais, imateriais ou serviços
avaliáveis em dinheiro, periódico, transitório ou acidental, de caráter oneroso ou gratuito, que importe um
incremento líquido do patrimônio de determinado individuo, em certo período de tempo.
O fato gerador do imposto sobre a renda é AQUISICAO DE DISPONIBILIDADE ECONOMICA OU
JURÍDICA/Obtenção de renda.
o Fato gerador: art. 43, CTN.
A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica.
126
I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos;
II- de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no
item anterior.

o Contribuintes:
São contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ):
I – as pessoas jurídicas;
II – as empresas individuais.
As disposições tributárias do IR aplicam-se a todas as firmas e sociedades, registradas ou não.

São contribuintes do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) as pessoas físicas domiciliadas ou residentes
no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza,
inclusive rendimentos e ganhos de capital, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou
profissão. A renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no Brasil por residentes ou domiciliados
no exterior ou a eles equiparados estão sujeitos ao imposto de acordo com as disposições legais pertinentes

o Base de cálculo e Alíquota: art. 44, CTN.

a) Montante real
b) Montante presumido
c) Montante arbitrado

Tem lançamento por homologação, e exceção ao princípio da anterioridade tributária.

➢ Princípios do IR:

- Generalidade: deve incidir sobre todas as pessoas, em respeito à igualdade.


- Universalidade: o IR deve incidir sobre todas as formas de acréscimos patrimoniais.
- Progressividade: Quanto maior for a base de cálculo, maior será a alíquota.

Súmula nº 587, STF: incide IR sobre o pagamento de serviços técnicos contratados no exterior e prestados no Brasil.

Súmula nº 585, STF: Não incide o imposto de renda sobre a remessa de divisas para pagamento de serviços prestados
no exterior, por empresa que não opera no Brasil.

Súmula nº 586, STF: incide IR sobre os juros remetidos ao exterior, com base em contrato de mútuo.
127

Súmula nº 584, STF: ao IR calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício
financeiro em que deve ser apresentada a declaração.

Súmula nº 93, STF: não está isenta do IR a atividade profissional do arquiteto.

Súmula nº 498, STJ: não incide IR sobre a indenização por danos morais.

Súmula nº 463, STJ: incide IR sobre os valores percebidos a título de indenização por horas extraordinárias
trabalhadas, ainda que decorrentes de acordo coletivo.
127
Súmula nº 447, STJ: os Estados e o DF são partes legítimas na ação de restituição de IR retido na fonte proposta por
seus servidores.

Súmula nº 386, STJ: são isentas de IR as indenizações de férias proporcionais e o respectivo adicional.

Súmula nº 262, STJ: incide IR sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas.

Súmula nº 215, STJ: a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está
sujeita à incidência do IR.

Súmula nº 136, STJ: o pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao IR.

Súmula nº 125, STJ: o pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do
IR.

Súmula nº 556, STJ: É indevida a incidência de imposto de renda sobre o valor da complementação de
aposentadoria pago por entidade de previdência privada e em relação ao resgate de contribuições recolhidas para
referidas entidades patrocinadoras no período de 1º/1/1989 a 31/12/1995, em razão da isenção concedida pelo art.
6º, VII, b, da Lei n. 7.713/1988, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei n. 9.250/1995.

Sugestão de Estudo Complementar (Anexo)


https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2016/01/sc3bamula-556-stj1.pdf

→IPI – Imposto sobre produtos industrializados – arts. 46 e 51, CTN.

Incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros. Suas disposições estão regulamentadas
pelo Decreto 7.212/2010. Tem finalidade extrafiscal, não funciona somente como receita.
O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados
na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares,
excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (não-tributado).
Se submete à legalidade flexível, suas alíquotas podem ser alteradas por mero ato do Poder Executivo.
Não se subordina ao princípio da anterioridade do exercício financeiro.

o Fato gerador: art. 46, CTN


a) Desembaraço aduaneiro;
128

b) Saída dos estabelecimentos;


c) Arrematação de bens apreendidos para leilão.

Considera-se ocorrido o fato gerador:


I – na entrega ao comprador, quanto aos produtos vendidos por intermédio de ambulantes;
II – na saída de armazém-geral ou outro depositário do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial
depositante, quanto aos produtos entregues diretamente a outro estabelecimento;
III – na saída da repartição que promoveu o desembaraço aduaneiro, quanto aos produtos que, por ordem do
importador, forem remetidos diretamente a terceiros;
IV – na saída do estabelecimento industrial diretamente para estabelecimento da mesma firma ou de terceiro,128
por ordem do encomendante, quanto aos produtos mandados industrializar por encomenda;
V – na saída de bens de produção dos associados para as suas cooperativas, equiparadas, por opção, a
estabelecimento industrial;
VI – no quarto dia da data da emissão da respectiva nota fiscal, quanto aos produtos que até o dia anterior
não tiverem deixado o estabelecimento do contribuinte;
VII – no momento em que ficar concluída a operação industrial, quando a industrialização se der no próprio
local de consumo ou de utilização do produto, fora do estabelecimento industrial;
VIII – no início do consumo ou da utilização do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos,
em finalidade diferente da que lhe é prevista na imunidade, ou na saída do fabricante, do importador ou de
seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras;
IX – na aquisição ou, se a venda tiver sido feita antes de concluída a operação industrial, na conclusão desta,
quanto aos produtos que, antes de sair do estabelecimento que os tenha industrializado por encomenda, sejam
por este adquiridos;
X – na data da emissão da nota fiscal pelo estabelecimento industrial, quando da ocorrência de qualquer das
hipóteses enumeradas no RIPI..
XI – no momento da sua venda, quanto aos produtos objeto de operação de venda que forem consumidos ou
utilizados dentro do estabelecimento industrial;
XII – na saída simbólica de álcool das usinas produtoras para as suas cooperativas, equiparadas, por opção,
a estabelecimento industrial.
XIII - na data do vencimento do prazo de permanência da mercadoria no recinto alfandegado, antes de
aplicada a pena de perdimento, quando as mercadorias importadas forem consideradas abandonadas pelo
decurso do referido prazo.
Na hipótese de venda, exposição à venda, ou consumo no Território Nacional, de produtos destinados ao
exterior, ou na hipótese de descumprimento das condições estabelecidas para a isenção ou a suspensão do
imposto, considerar-se-á ocorrido o fato gerador na data da saída dos produtos do estabelecimento industrial
ou equiparado a industrial.

o Contribuinte: art. 51, CTN.


- Importador
- Comerciante/Industrial
- Arrematante

São obrigados ao pagamento do IPI como contribuinte:


I – o importador, em relação ao fato gerador decorrente do desembaraço aduaneiro de produto de procedência
estrangeira;
II – o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu
estabelecimento, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar;
III – o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem,
bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar;
129

IV – os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas
jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, quando alcançado pela
imunidade.
É ainda responsável, por substituição, o industrial ou equiparado a industrial, mediante requerimento, em
relação às operações anteriores, concomitantes ou posteriores às saídas que promover, nas hipóteses e
condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal.

➢ Princípios: art. 153, §3º, CF.


- Seletividade (quanto mais essencial for o produto, menor será a tributação)
- Não Cumulatividade: o montante pago em cada operação jurídica deve compensar aquilo que foi pago nas129
relações anteriores, evitando o efeito cascata.

➢ Imunidade: São imunes da incidência do IPI:


I – os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
II – os produtos industrializados destinados ao exterior;
III – o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial;
IV – a energia elétrica, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.

Se a imunidade estiver condicionada à destinação do produto, e a este for dado destino diverso, ficará o
responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a imunidade não
existisse.
Cessará a imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos quando este for
consumido ou utilizado em finalidade diversa da prevista, ou encontrado em poder de pessoa que não seja
fabricante, importador, ou seus estabelecimentos distribuidores, bem assim que não sejam empresas
jornalísticas ou editoras.

OBS: Novidade trazida pela EC 42/03 que é possibilidade da diminuição do impacto do IPI na hipótese de aquisição
de bens de capital. Pressupõe regulamentação por meio de lei ordinária federal.

Precedente:
STJ – EREsp 1.403.532/SC. Julgado em 14/10/2015 (recurso repetitivo).
Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento
importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil.

STF – Plenário – RE 723651/PR. Julgado em 3 e 4/02/2016 (repercussão geral)


Incide o IPI em importação de veículos automotores por pessoa natural, ainda que não desempenhe atividade
empresarial, e o faça para uso próprio.

→IOF – Imposto sobre operações financeiras – art. 153, V, CF e arts. 63 a 65, CTN (fazer leitura dos dispositivos
– constitucional e legal).

O IOF incide sobre:


I - operações de crédito realizadas:
a) por instituições financeiras;
b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria
creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber,
compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring);
c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física;
130

II - operações de câmbio;
III - operações de seguro realizadas por seguradoras;
IV - operações relativas a títulos ou valores mobiliários;
V - operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial.

o Fato gerador: é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à
disposição do interessado.

o Contribuinte: Contribuintes do IOF são as pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito.


130
o Competência:
São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional:
I - as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito;
II - as empresas de factoring adquirentes do direito creditório;
III - a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos
financeiros.

➢ Não incidência:
Não se submetem à incidência do IOF as operações realizadas por órgãos da administração direta da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas
entidades, as operações realizadas por:
I - autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público;
II - templos de qualquer culto;
III - partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e
de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei.

Obs.1: Não se submete ao princípio da anterioridade.


Obs.2: IOF é lançado mediante homologação.

OBS: Incide IOF sobre o outro quando usado como ativo financeiro ou instrumento cambial. Se tratado como
mercado incide IPI, II, IE ou ICMS.

→ITR – Imposto sobre a propriedade territorial rural – art. 153, VI, §4º, CF e arts. 29 a 31, CTN.

Considera-se imóvel rural a área contínua, formada de uma ou mais parcelas de terras, localizada na zona
rural do município. A legislação que rege o ITR é a Lei 9.393/1996 e alterações subsequentes.
A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio
procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal,
sujeitando-se a homologação posterior.

o Fato gerador: de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel
por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano.

o Contribuinte: Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu
possuidor a qualquer título.
131

O domicílio tributário do contribuinte é o município de localização do imóvel, vedada a eleição de qualquer


outro.
o Base de cálculo: art. 30, CTN. Valor da terra nua, independentemente das construções e benfeitorias feitas
no solo.

➢ Isenções:
São isentos do ITR:
I - o imóvel rural compreendido em programa oficial de reforma agrária, caracterizado pelas autoridades
competentes como assentamento, que, cumulativamente, atenda aos seguintes requisitos:
a) seja explorado por associação ou cooperativa de produção; 131
b) a fração ideal por família assentada não ultrapasse os limites estabelecidos no artigo anterior;
c) o assentado não possua outro imóvel.
II - o conjunto de imóveis rurais de um mesmo proprietário, cuja área total observe os limites fixados no
parágrafo único do artigo anterior, desde que, cumulativamente, o proprietário:
a) o explore só ou com sua família, admitida ajuda eventual de terceiros;
b) não possua imóvel urbano.

OBS: O fenômeno da parafiscalidade trazida pela EC nº 42/2003, que possibilita que o município fiscalize e se
responsabilize pela cobrança do ITR no lugar da União, ficando com 100% da arrecadação nessa hipótese.

→IGF – Imposto sobre grandes fortunas – art. 154, CF.

Sua criação dar-se por meio de lei complementar. Apesar de previsto na CF, ainda não possui
regulamentação.

o Fato gerador: Uma pessoa com patrimônio considerado grande fortuna pagaria sobre a totalidade de seus
bens uma alíquota de imposto. Em determinados projetos de lei apresentados no Senado Federal, as alíquotas
previstas são progressivas, ou seja, quanto maior o patrimônio, maior a porcentagem incidente sobre a base
de cálculo.

✓ Aspecto Material: ser titular de fortuna em valor superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais),
expressos em moeda de poder aquisitivo.
✓ Aspecto Temporal: em 1º de janeiro de cada exercício financeiro.
✓ Aspecto Pessoal: as pessoas físicas domiciliadas no País, o espólio e a pessoa física ou jurídica domiciliada
no exterior em relação ao patrimônio que tenha no país.
✓ Aspecto Quantitativo: é o valor do conjunto dos bens que compõem a fortuna, no Brasil ou no Exterior,
diminuído das obrigações pecuniárias do contribuinte, exceto as contraídas para a aquisição de bens
excluídos:
a) decorram rendimentos do trabalho assalariado ou autônomo, até o valor de R$ 300.000,00 (trezentos mil
reais);
b) os objetos de antiguidade, arte ou coleção, nas condições e percentagens fixadas em lei;
c) outros bens cuja posse ou utilização seja considerada pela lei de alta relevância social, econômica ou
ecológica.

o Base de cálculo e Alíquota: Valor do conjunto dos bens que compõe a fortuna diminuído das obrigações
pecuniárias do contribuinte exceto as contraídas para a aquisição dos bens excluídos. A alíquota seria
progressiva e variável em razão do valor patrimonial.
❖ Progressão: Esta é a descrição da regra matriz de incidência do imposto sobre grandes fortunas no
Brasil com base no PLP 277/2008.
132

a) Até 2.000.000,00 = Isento


b) de 2.000.000,01 a 5.000.000,00 = 1%
c) de 5.000.000,01 a 10.000.000,00 = 2%
d) de 10.000.000,01 a 20.000.000,00 = 3%
e) de 20.000.000,01 a 50.000.000,00 = 4%
f) Mais de 50.000.000,00 = 5%
→Impostos residuais ou inominados da União: art. 154, CF.

A definição de competência residual (também conhecida como remanescente), consiste no poder atribuído
à União de estabelecer, através de leis complementares, a cobrança de novos impostos, desde que não sejam132
cumulativos aos que estão previamente descritos na Constituição.
Ao definir quais são os fatos possíveis de serem tributados, nos art. 153, 155 e 156, acaba por definir, por
via indireta, que nenhum outro fato pode ser tomado por fato gerador de impostos (sob pena de incompetência do
ente).
Não pode ter como base de cálculo nenhum fato gerador já definido no artigo 153 da CF.
Os impostos residuais, portanto, são impostos novos. Em outras palavras, são impostos diferentes dos
anteriores previstos na CF. Os requisitos para a criação dos impostos residuais estão estabelecidos no art. 154, I da
CF.
São três os requisitos:

1)Fato gerador e base de cálculo diferente dos já previstos (devem incidir sobre uma situação nova, sobre
um fato diferente dos já previstos nos art. 153, 155 e 156);
2)Aprovação por lei complementar (lei da espécie complementar exige maioria absoluta enquanto lei de
espécie ordinária exige maioria simples) e
3)Adoção do principio da não-cumulatividade. Obedecidos aos requisitos específicos definidos na CF, a
União, e somente a União, poderá criar tantos impostos quantos queira. Vale ressaltar a inexistência de tal
possibilidade para os Estados, DF e Municípios.

→Imposto extraordinário: art. 154, II, CF.

Aliado aos impostos residuais, a CF ainda define mais uma possibilidade tributária para a União, os
chamados impostos extraordinários. Como o próprio nome sugere, impostos extraordinários são impostos que
exigem, para sua instituição, uma situação extraordinária, excepcional.
Diante da declaração de guerra externa (ou sua iminência), a União (e somente a União) poderá, por lei
ordinária, instituir um imposto de guerra (extraordinário). Estes impostos, por definição constitucional, poderão ter
por fato gerador qualquer situação, desde que típica de imposto (fato gerador não vinculado).
Importante perceber que no caso de impostos extraordinários, nada impede a União de utilizar fatos
geradores já utilizados. Isso quer dizer que poderá ser instituído um imposto extraordinário sobre a renda, sobre
prestação de serviços, sobre circulação de mercadorias e assim sucessivamente.
133

Garante o legislador, contudo, uma importante característica dos impostos residuais. Estes impostos são,
obrigatoriamente, temporários. Nos termos da própria CF, os impostos extraordinários devem ser gradativamente
suprimidos quando cessada sua cauda legitimadora.
Em outras palavras, celebrada a paz, a União deve, gradativamente, suprimir tal tributo. Nos termos do art.
76 do CTN, o tempo para sua supressão completa não pode ser superior a cinco anos.

→Contribuições: art. 149, CF.


133
As contribuições são tributos destinados ao financiamento de gastos específicos, sobrevindo no contexto
de intervenção do Estado no campo social, econômico, sempre no cumprimento dos ditames da política de governo.
I- Contribuições Sociais
II – Contribuições de Intervenção no domínio econômico; e
III- Contribuições de Interesse das categorias profissionais ou econômicas.

a) Contribuição de Interesse das Categorias Profissionais ou Econômicas:

As Contribuições de interesse de categorias profissionais (dos trabalhadores) ou econômicas (dos


empregadores, por ex., do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes de Veículos Automotores – Sindipeças),
também chamadas de contribuições profissionais ou corporativas são de competência exclusiva da União.

▪ Contribuição-anuidade: visa prover de recursos (anuidades) os órgãos controladores e fiscalizadores das


profissões, isto é, os Conselhos Regionais de Fiscalização (CREA, CRM, CRC, CRE entre outros), cujas
atividades são legalmente reputadas como de interesse público. Tais órgãos ou parafiscos são geralmente,
pessoas jurídicas de direito público (autarquias), que se colocam como sujeitos ativos (art. 119 CTN) de uma
relevante contribuição profissional ou corporativa.
▪ Contribuição sindical: vulgarmente tem recebi o impróprio nome de imposto sindical. A contribuição sindical
possui inafastável feição tributária e, sujeitando-se às normas gerais de direitos tributário, torna-se
obrigatória a todos os trabalhadores celetistas, integrantes da categoria, sindicalizados ou não. Naturalmente,
não se estende àqueles vinculados a regimes próprios de previdência, como os servidores público.

OBS: Leitura obrigatória dos Art. 578 e 579 da CLT.

b) Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico:

As contribuições de Intervenção no Domínio Econômico, também chamadas contribuições interventivas


ou, simplesmente, de CIDEs, são de competência exclusiva da União. O Brasil é um Estado intervencionista,
propenso a adotar medidas voltadas ao comando da vida econômica por meio de sua atuação estatal. Há dois bons
exemplos deste tributo:
▪ CIDE – Combustíveis: instituída pela Lei 10.336/2001, incide sobre a importação e a comercialização de
petróleo e gás natural – e seus derivados – e, álcool etílico combustível.

-Destinação: foi concebido para destinar os recursos arrecadados ao financiamento de projetos ambientais,
programa de infraestrutura de transportes e pagamento de subsídio a preços ou transporte de combustíveis.
134

O texto constitucional não traz especificidades sobre as hipóteses de incidência das CIDEs, porém,
exterioriza detalhes afetos ao alcance da exação, consoante a dicção dos arts. 149, § 2º II e 177, § 4º, ambos
da CF.

- Contribuintes: o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica que realizem operações
de importação e de comercialização, no mercado interno de vários combustíveis, quais sejam: gasolina,
diesel; querosene de aviação e outros querosenes, óleos combustíveis etc.

- Base de cálculo: a unidade de medida legal para os produtos importados e comercializados no mercado
interno, enquanto as alíquotas são específicas (art. 5.º da Lei 10.336/01). 134

c) Contribuições Sociais:

Desde já, é importante destacar que, em 16 de março de 2007, publicou-se a Lei 11.457, unificando duas
Receitas – a Secretaria da Receita Federal e a Secretaria da Receita Previdenciária – em um único órgão, ou seja, a
Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) ou Super-Receita.
Segundo o STF, entende-se como contribuições sociais:
✓ as contribuições sociais gerais (aquelas não destinadas à seguridade)
✓ a contribuição do salário-educação e as contribuições do Sistema S
✓ as contribuições de seguridade social (social-previdenciária)
✓ as contribuições nominadas, previstas no artigo 195, I a IV da CF
✓ as “outras” contribuições – chamadas contribuições residuais – art. 195, § 4º da CF

➢ Contribuições sociais gerais:

I. Características principais:

- são de competência da União;


- são regidas pelo mesmo regime jurídico das demais contribuições previstas no art. 149;
- sujeitam-se de forma integral ao regime constitucional tributário, sem comportar exceções
- são instituídas por lei ordinária e obedecem ao princípio da anterioridade comum;
- custeiam a atuação do Estado em outros campos sociais, diversos daqueles previstos no art. 195 da CF, quais sejam,
saúde, previdência e assistência social, pertencentes à Seguridade Social e financiados pelas contribuições da
seguridade social;
- só podem incidir sobre uma única base econômica, por contribuinte, para cada objetivo determinado

II. São elas:


- contribuição ao salário-educação – foi concebida para financiar, como adicional, o ensino fundamental público,
como prestação subsidiária da empresa ao dever constitucional do Estado de manter o ensino primário gratuito de
seus empregados e filhos destes. Prevista no artigo 212, § 5º da CF..
- contribuição destinadas ao Serviços Sociais Autônomos (Sistema “S”): tais contribuições, também denominadas
“contribuições de terceiros”, são destinadas ás entidades privadas dos serviços sociais autônomos e de formação
profissional vinculadas ao sistema sindical.
Tais organismos – SENAI, SESC, SESI, SENAT, SEBRAE, pertencentes ao chamado Sistema S, dedicam-
se ao ensino fundamental profissionalizantes e à prestação de serviços no âmbito social e econômico.
135

Exige-se as contribuições de terceiros dos empregadores, destinando-se às entidades privadas mencionadas,


uma vez que o importe arrecadado não é adequado para financiar a seguridade social, conforme exclusão no art. 240
da CF.
d)Contribuições de Seguridade Social:

Objetiva custear a previdência social. Art. 195 da CF c/c Lei 8.212/91.

➢ Princípio da anterioridade – ver artigo 195, § 6º da CF - a contribuição para seguridade social será cobrada
90 dias após a publicação da lei que a instituiu ou modificou.
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➢ Fontes Nominadas de Custeio da Seguridade Social: Art. 195, caput da CF
✓ Inciso IV
✓ Inciso III
✓ Inciso II
✓ Inciso I
✓ Importador
✓ Receita de loterias
✓ Trabalhador
✓ Empregador

*PIS-importação e COFINS-importação: Art. 195, IV da CF; art. 149, § 2º I e II da CF e Lei 10.865/2004.

o Fato gerador: A entrada de bens estrangeiros no território nacional ou o pagamento, o crédito, a entrega, o
emprego ou a remessa de valores a residentes ou a domiciliados no exterior, como contraprestação por
serviço prestado (art. 3º da Lei 10.865/04).

o Contribuinte:
I) o importador, pessoa física ou jurídica, que promova a entrada de bens estrangeiros no território nacional
ou contrate serviços de residente ou domiciliado no exterior; e
II) o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no
exterior (art. 1º e § 1º da Lei nº 10.865/04)
o Base de cálculo:
I)o valor aduaneiro que servir de base para o cálculo do Imposto de importação acrescido do valor de ICMS
incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, quando o fato gerador for a
entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou
II) o valor pago ou creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do IR
acrescido do ISS e do valor das próprias contribuições incidentes na importação do serviço

* Contribuição sobre a Receita de Concursos de Prognósticos: Art. 195, III, da CF c/c art. 212 do Decreto nº
3.048/99.

o Fato Gerador: Auferir receita de concursos de prognósticos

o Contribuinte: Entidade que realiza o concurso de prognóstico (órgão do Poder Público ou organismos
privados).

o Base de cálculo: Receita líquida (total da arrecadação) ou a Receita Bruta (movimento global de apostas) do
concurso de prognósticos.
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*Contribuição Social do Trabalhador: Art. 195, II da CF

o Fato Gerador: Remuneração paga ou creditada pelos serviços prestados pelo segurado, independentemente
do título que lhe seja dado (art. 201 do decreto nº 3048/99).
o Contribuinte: Trabalhador (segurado empregado, incluindo o doméstico e o trabalhador avulso)

o Base de cálculo e Alíquota: Salário-de-contribuição (art. 214, I e II, do Decreto nº 3048/99). As alíquotas
variam de 8% a 11% (MPS n. 142/2007 e Portaria nº 48/2009).

*“Outras” Contribuições Sociais 136

O STF intitula outras contribuições aquelas que podem ser instituídas no plano da competência residual da
União, conforme o disposto no artigo 195, § 4º da CF e art. 154, I da CF.
Devem obedecer os seguintes parâmetros:
-instituição por lei complementar, vedando-se a utilização de medida provisória (art. 62, § 1º, III da CF);
- instituídas pela União
- respeito ao princípio da não cumulatividade.