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CURSO ON-LINE – ECONOMIA DO TRABALHO

AUDITOR FISCAL DO TRABALHO – AFT/MTE


CURSO INTENSIVO – TEORIA E EXERCÍCIOS
PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI

AULA DEMONSTRATIVA

Olá, Futuros (as) Auditores (as)!

Saiu o tão aguardado edital do concurso para Fiscal do Trabalho. Muito


embora estejamos falando de 100 vagas, tradicionalmente o MTE consegue
autorização para nomear mais 50%, ou seja, estamos falando de 150 vagas em
jogo, com um salário de R$ 14.280,00, e com aumentos garantidos em lei de 5%
em janeiro de 2014 e janeiro de 2015, quando então o salário de ingresso estará
próximo aos R$ 16.000,00. Ah, tem mais o vale coxinha de R$ 373,00, sem
desconto!

Enfim, acho que isso é bem animador, não?

Bem, antes de apresentar o curso em si, faço questão de me apresentar


a vocês. Sou analista do BACEN. Leciono em cursos preparatórios para
concursos desde 2005, já tendo dado aulas em diversos cursos preparatórios
presenciais e, em especial, no Ponto dos Concursos. Dentre alguns cursos já
oferecidos, destaco os de Economia, Finanças Públicas, Finanças, Análise de
Projetos e matérias afins, para concursos como Receita Federal, Senado
Federal, BACEN, Ministério do Planejamento (Analista de Planejamento e
Orçamento e Especialista de Políticas Públicas), Controladoria Geral da União,
Tesouro Nacional, Polícia Federal e mais alguns outros.

Concernente à aplicabilidade da disciplina de Economia do Trabalho no


escopo da prova objetiva e discursiva, e também, por conseguinte, no trabalho
realizado pelo Auditor, tem-se a efetiva visualização e mensuração das
principais variáveis que impactam a relação negocial entre trabalhadores e
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empresas. O entendimento por parte do Fiscal do comportamento salarial dos


empregados nos diversos setores da atividade econômica fiscalizados, permite
verificar a existência de possíveis ganhos extraordinários por parte do
empregador que possam sinalizar a existência de trabalho remunerado abaixo
dos padrões considerados mínimos em uma economia de mercado. Vejamos
algumas citações de uma reportagem recente que elucidam esta relação:

“A Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo anunciou na sexta-feira


(22/3) um flagrante de trabalho escravo em uma confecção que produzia roupas
para as marcas XXX XXXXX, XXXX e XXXX. A operação foi realizada na terça-feira
(20/3) e resgatou 29 trabalhadores bolivianos da oficina na região do Belenzinho,
zona leste da capital paulista.

A XXXXXXX, que produz as peças das três marcas, foi alvo de fiscalização do MTE
(Ministério do Trabalho e Emprego), em parceria com Ministério Público Estadual
e Receita Federal. A produção era repassada para a Silobay, uma empresa
situada no Bom Retiro, em São Paulo, que também foi alvo de fiscalização.

Fiscais do Ministério do Trabalho flagraram trabalhadores em condições análogas


à escravidão. Na fábrica, as pessoas trabalhavam de 12h a 14h por dia,
ganhavam em média R$ 3 por peça produzida, faziam as refeições no mesmo
local em que trabalhavam e não tinham direito a férias nem a 13º salário. A
fiscalização flagrou ligações elétricas clandestinas, com risco de incêndio, crianças
circulando pelo local de trabalho e mantimentos guardados junto de rações de
animais.

(...)

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Nesta semana, a fiscalização do Ministério do Trabalho flagrou mais um caso de


trabalho em condições análogas à escravidão no setor têxtil, desta vez
envolvendo três trabalhadores, ligados a uma empresa de Guarulhos, na Grande
São Paulo. Como o caso ainda não foi finalizado, o MTE não divulgou o nome do
contratante do serviço, mas adiantou que se trata de uma confecção de grande
porte.

Nesta ação, foram libertos dois bolivianos e um peruano – dois deles estavam em
situação irregular no Brasil. Eles também viviam em condições consideradas
degradantes e ganhavam por peça produzida, em um total que somava entre R$
340 e R$ 480 por mês.”

Conforme fica explícito, o conhecimento por parte do Auditor Fiscal de


parâmetros econômicos básicos que definem a relação negocial no mercado de
trabalho permite a este aferir a legalidade da atividade produtiva no que concerne
ao seu escopo de atuação.

Falando um pouco a respeito da prova, posso dizer a vocês que não há


como tirar uma conclusão quanto ao nível de dificuldade das questões. O CESPE é
uma novidade e tanto, primeiramente porque o certame do AFT foi sempre
realizado pela ESAF e, em segundo, porque a banca atual jamais elaborou uma
prova de concurso que abordasse de forma direta conceitos relativos à economia
do trabalho.

Partindo do histórico do concurso desde 1998, tem-se que as provas


realizadas naquele ano, e em 2003, poderiam ser classificadas como “tranquilas”,
em nível de dificuldade, uma vez que as questões propostas cobraram dos
candidatos apenas questões básicas fundamentadas na teoria econômica que
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embasa o estudo do mercado de trabalho e nas definições feitas pelo IBGE para
mensuração do mercado no Brasil. No penúltimo concurso, em 2006, a banca
organizadora do certame resolveu dificultar as coisas, exigindo dos candidatos
além dos conceitos referentes às definições do IBGE (parte tranquila),
conhecimentos específicos, por meio de duas das cinco questões de economia do
trabalho, de cálculos matemáticos necessários à resolução e marcação da
assertiva correta.

No último concurso, realizado em 2010, as coisas tomaram um rumo


diferente dos demais certames realizados. As questões da prova, muito embora
não tenham solicitado do candidato cálculos matemáticos, exigiram
conhecimentos tanto de entendimentos da Organização Internacional do Trabalho
– OIT, agência multilateral ligada à Organização das Nações Unidas – ONU, no
caso específico referente às definições de subemprego nos países definidas
através de Resolução, quanto de bibliografia redigida por autor estudioso, mas
não referência sobre o tema Economia do Trabalho.

Neste concurso de 2013 é possível que a banca não inove, especialmente


pelo estilo de questão que o CESPE cobra em provas e, também, porque acredito
que deverão vir algumas questões de cálculo pela frente, o que é comum no
estudo da Economia do Trabalho.

Em resumo da exposição ora realizadas sobre as provas anteriores e sobre


a futura prova, posso dizer que o curso será estruturado de forma a cobrir todo o
escopo da matéria, desde os conceitos do IBGE, até aqueles com conceituação
diversa, a exemplo das realizadas pelo DIEESE, departamento intersindical, que
também apura estatísticas sobre o mercado de trabalho. Não menos importante,
serão cobertos os entendimentos de autores que versam sobre o tema Economia
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do Trabalho, além é claro da tradicional teoria econômica que fundamenta a


matéria. Muito embora eu afirme a você quanto à necessidade de conhecer um
pouco de cálculo matemático, te prometo que vou pormenorizar em detalhes
cada informação, de forma a garantir o perfeito entendimento da matéria, ok?

O calendário proposto do curso será o seguinte:

Conceitos Iniciais sobre o Mercado


Aula Demonstrativa
de Trabalho - Indicadores
1. Conceitos básicos e Definições.
População e força de trabalho.
População economicamente ativa e
sua composição: empregados,
Aula 1 – dia 05 de julho de 2013
subempregos e desempregados.
Rotatividade da Mão-de-obra.
Indicadores do mercado de
trabalho.
Definições Básicas inerentes à
oferta e à demanda por trabalho.
Oferta de trabalho: a decisão de
Aula 2 – dia 12 de julho de 2013 trabalhar e a opção renda x lazer; a
curva de oferta de trabalho;
elasticidades da oferta. (Teoria do
Consumidor)
Oferta de trabalho: a decisão de
Aula 3 – dia 19 de julho de 2013 trabalhar e a opção renda x lazer; a
curva de oferta de trabalho;

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elasticidades da oferta. (Teoria do


Consumidor)
O mercado de trabalho. Demanda
Aula 4 – dia 26 de julho de 2013
por trabalho – parte 1
O mercado de trabalho. Demanda
por trabalho – parte 2 - O modelo
Aula 5 – dia 2 de agosto de
competitivo e modelos não
2013
competitivos; as decisões de
emprego das empresas.
Aula 6 – dia 9 de agosto de Os diferenciais de salário.
2013 Diferenciação compensatória.
Aula 7 – dia 16 de agosto de Teoria do Capital Humano
2013
Discriminação no mercado de
trabalho. Segmentação no mercado
de trabalho. Desemprego. A taxa
Aula 8 – dia 23 de agosto de natural de desemprego. Tipos de
2013 desemprego e suas causas. Salário
eficiência e modelos de procura de
emprego – conceitos que suportam
a teoria.
Instituições e mercado de trabalho.
A intervenção governamental:
Aula 9 – dia 30 de agosto de política salarial e políticas de
2013 emprego. Assistência ao
desemprego. Modelos tradicionais
sobre o papel dos sindicatos e

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modelo de preferência salarial.


Sindicato: monopólio bilateral e
monopsônio. O mercado de
trabalho no Brasil. Mercado de
trabalho formal e informal.

Eventualmente poderei realizar algumas alterações nos pontos do conteúdo


programático abordados em cada aula, objetivando tornar o curso o mais didático
possível, dinâmico e que permita e contribua para a fácil assimilação do conteúdo
por vocês.

Passemos então à conceituação inicial da matéria, em especial dos pontos


referentes aos índices relacionados ao mercado de trabalho regularmente
mensurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

Um abraço,

Mariotti

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1. Conceitos Iniciais da Economia do Trabalho

Antes de adentramos a alguns dos principais conceitos associados à


Economia do Trabalho, torna-se fundamental que conheçamos um pouco mais do
sentido da palavra Trabalho, para então contextualizarmos a sua utilização para
fins do estudo da Economia do Trabalho.

Quase todos nós associamos, ou melhor, temos a mesma conceituação das


palavras emprego e trabalho. Muito embora estejam relacionadas, possuem
significados diferentes.

Sendo mais antigo que o seu próprio conceito, o trabalho é conhecido


desde os primórdios da humanidade, sendo concebido a partir da transformação,
pelo homem, de matérias primas existentes na natureza, como a madeira e a
pedra, em ferramentas e armas de guerra. Muito mais recente, o conceito de
emprego é derivado da Revolução Industrial, em que os homens passam a
oferecer o seu trabalho em troca de uma remuneração, já naquela época, o
salário.

De fato, nos dias de hoje, todo emprego não só pode como deve estar
ligado, obrigatoriamente, ao recebimento de uma remuneração financeira em
contrapartida. O salário, principal fonte remuneratória do emprego, serve, em
todo processo econômico, como fonte balizadora de trocas entre patrões e
empregados.

No decorrer das aulas do curso veremos que o conceito de salário estará


quase sempre vinculado às relações existentes entre os dois principais agentes
econômicos, trabalhadores e empresas. Não menos importante, entretanto, é
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conceituar desde já que a palavra trabalho, na acepção econômica, significa um


fator econômico, ou também conhecido como insumo de produção,
normalmente remunerado em horas.

Ex.: Um Auditor Fiscal do Trabalho, conforme dispõe o último edital de concurso,


possui uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Por esta jornada de
trabalho o Auditor fará jus à remuneração inicial de R$ 13.067,00.

Feitas as considerações iniciais, passemos agora à explanação dos


principais conceitos subjacentes ao trabalho, conceitos estes que fazemos
questão de destacar que foram retirados, quase que integralmente, das notas
metodológicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, utilizadas
na Pesquisa Mensal sobre o Emprego – PME. Ressalto, de todo modo, que
diferentemente do ocorrido nas provas aplicadas para o cargo de Auditor Fiscal do
Trabalho até 2006, na prova de 2010 foram cobrados conceitos retirados
diretamente de resoluções exaradas pela Organização Internacional do Trabalho -
OIT. Não sabemos qual será a abordagem feita pelo CESPE mas, de forma a
garantir a cobertura de todo o escopo da prova, apresentaremos também os
conceitos exarados pela OIT, até mesmo de forma a evitar surpresas!

1.1 População e Força de Trabalho

O conceito de população é amplo, sendo dependente do contexto em que se


busca utilizá-lo. De todo modo, para fins de entendimento nesta materia, pode-se
afirmar que o termo população é um conceito numérico, que se refere ao
número de indivíduos, homens, mulheres e crianças ocupantes de um
determinado espaço geográfico. Vejamos a utilização do conceito de

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população brasileira, a partir de informações extraídas do site do IBGE, definindo-


a em números, a qual cabe exatamente no contexto da aula:

“A população brasileira atual é de 190.732.694 habitantes (dados do IBGE –


Censo 2010)”.

“Segundo as estimativas, no ano de 2025, a população brasileira deverá atingir


228 milhões de habitantes.

“A população brasileira distribui-se pelas regiões da seguinte forma: Sudeste


(80,3 milhões), Nordeste (53,07 milhões), Sul (27,3 milhões), Norte (15,8
milhões).”

O termo força de trabalho é um termo eminentemente teórico, derivado


da conceituação feita por um dos maiores estudiosos sobre o trabalho, o
economista “Karl Marx”. Para o ilustre autor, a força de trabalho é representada
pela capacidade dos trabalhadores de produzirem riqueza material a partir de
suas aptidões e habilidades, submetidas à condição de compra e venda. De outro
modo, segundo Marx, esta compra e venda da força de trabalho é a base do
capitalismo industrial, sendo o trabalho em si a mais importante das forças
produtivas (ou insumo do processo produtivo).

Conforme vocês podem perceber, o conceito de força de trabalho pode ser


utilizado de forma bastante teórica, sendo até mesmo confuso, especialmente
para o que propomos estudar sobre o termo em nosso curso. Por tudo isso,
optamos em utilizar o conceito de Chahad1 para força de trabalho. Segundo o
autor “força de trabalho (ou População Economicamente Ativa – PME) representa
1
CHAHAD. J. P. Z. Manual de Economia. Capítulo 20. 5ª edição. 7ª tiragem. Saraiva. 2009.
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em última instância os elementos que irão constituir o mercado de trabalho, o


qual, por sua vez, abastece as firmas (empresas) no que diz respeito à
necessidade de mão-de-obra”.

Deve-se mencionar que, na esfera das Notas Metodológicas do IBGE, a


força de trabalho (também denominada pelo Instituto de População
Economicamente Ativa – PEA) é constituída pela população ocupada e pela
população desocupada. A subdivisão da força de trabalho, conforme ora
destacado, será objeto de análise nos itens seguintes.

Concluindo, destaco a vocês que a conceituação de força de trabalho que


deve ser adotada para a prova é a descrita pelo IBGE. Muito embora seja uma
conceituação até agora vaga em nosso estudo, serve de orientação para a
resolução de questões numéricas que porventura possam apresentar dados
referentes à população ocupada e à população desocupada, exigindo de vocês
candidatos (as), por exemplo, o cálculo da própria força de trabalho.

FORÇA DE TRABALHO = POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA (PEA)

Não obstante, é importante considerar que as conceituações teóricas de


força de trabalho podem servir para a utilização tanto em questões objetivas de
natureza autoral, a exemplo do que ocorreu na prova do concurso de 2010,
quanto na realização de prova discursiva que verse sobre tal tema.

Passemos então as principais conceituações feitas pelo IBGE.

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1.2 Trabalho em atividade econômica

Segundo o IBGE é considerado trabalho em atividade econômica o exercício


de:

a) ocupação remunerada em dinheiro, produtos, mercadorias ou benefícios


(moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.) na produção de bens e
serviços;
b) ocupação remunerada em dinheiro ou benefícios (moradia, alimentação,
roupas, etc.) no serviço doméstico; ou
c) ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, em ajuda na
atividade econômica de membro da unidade domiciliar.

Em regra, para o trabalho ser considerado em atividade econômica,


tanto na produção de bens e serviços quanto no serviço doméstico, ele deve ser
remunerado:

• em dinheiro; ou
• em benefícios (moradia, alimentação, educação, etc.)

Destaca-se, de todo modo, que o trabalho em atividade econômica


exercido na produção de bens e serviços pode ser remunerado também:

• em produtos; ou
• em mercadorias.

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Perceba que, segundo o conceito do IBGE, o serviço doméstico como


atividade econômica não pode ser remunerado através de produtos ou
mercadorias.

Ainda é considerado trabalho em atividade econômica, o exercício de


ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, e não no
serviço doméstico, em ajuda na atividade econômica de membro da unidade
domiciliar. O trabalhador não remunerado membro da unidade domiciliar é a
pessoa que trabalha sem remuneração durante pelo menos uma hora na semana,
em ajuda a membro de unidade familiar que é empregado na produção de bens
primários (agricultura, pecuária), por conta própria2 ou empregador3.

Observação adicional feita pelo IBGE refere-se ao não enquadramento


como trabalho quando no exercício de ocupação:

• na produção para o próprio consumo ou uso de membro(s) da


unidade domiciliar; e

• sem remuneração, desenvolvida em ajuda a instituição religiosa,


beneficente ou de cooperativismo.

Ressalta-se que muito embora estas ocupações reflitam a ocupação do


trabalhador, elas não são consideradas, para fins de avaliação da Pesquisa Mensal
de Emprego - PME, como sendo um trabalho realizado em atividade econômica.

2 Trabalhador por conta própria: pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com a ajuda de

trabalhador não remunerado.

3 Empregador: pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, com pelo menos um empregado.

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Box de Comentário 1:
Muito cuidado com os conceitos descritos acima quanto aos tipos de
ocupação consideradas como não sendo trabalho pelo IBGE:

- na produção para o próprio consumo ou uso de membro(s) da


unidade domiciliar;

- sem remuneração, desenvolvida em ajuda a instituição religiosa,


beneficente ou de cooperativismo.

Conforme será visto na abordagem referente ao conceito de População


Economicamente Ativa – PEA, muito embora a ocupação destas pessoas
não se enquadre no conceito de trabalho para o IBGE, estas mesmas
pessoas são consideradas pessoas ocupadas (pessoas componentes da
PEA).

Dando prosseguimento à aula, e respeitando a ordem dos pontos presentes


no conteúdo programático, deveríamos passar à conceituação da chamada
População Economicamente Ativa – PEA e a sua composição. De todo modo,
torna-se fundamental elucidarmos de onde provém a PEA, conceito que é
sinônimo de Força de Trabalho.

1.3 População em Idade Ativa - PIA e em Idade Não Ativa – PINA

A População em Idade Ativa (PIA) é a classificação etária que compreende o


conjunto de todas as pessoas aptas a exercer determinada atividade econômica.
No Brasil, e para o IBGE, a PIA é composta por toda população com 10

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(mínimo) ou mais anos de idade. Por corolário, a População em Idade Não


Ativa – PINA é aquela composta pelas pessoas abaixo de 10 anos de idade.

Box de Comentário 2:
Importa considerar que no conceito de PIA ou PINA não deve ser levado
em consideração as definições quanto ao enquadramento legal de
trabalho infantil. Muito embora seja proibido em nosso país, o IBGE
mantém a idade de 10 anos como parâmetro para a composição da
PIA.

A Convenção 138 da OIT definiu como idade mínima recomendada para


o trabalho 16 anos. Tanto é por isso que alguns autores de bibliografias
internacionais utilizam este parâmetro para definição da PIA. Não
menos importante, a Constituição Federal admite em seu texto o
trabalho também a partir dos 16 anos, ressaltando que esta idade
exclui a possibilidade trabalho noturno, perigoso ou insalubre,
reservado somente aqueles (as) com mais de 18 anos4.

A principal característica referente à PIA é o seu desmembramento nos


conceitos de População Economicamente Ativa – PEA e População Não
Economicamente Ativa – PNEA.

1.4 PEA

A População Economicamente Ativa refere-se à mão-de-obra potencial, ou


seja, às pessoas que possuem trabalho remunerado tanto na condição de
4 Excluímos nesta explicação a admissão feita pela CF no seu art. 227, parágrafo 3º , inciso I, referente a idade considerada para aquele enquadrado como menor aprendiz que é de 14

anos.

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assalariados em geral, como de empregados em empresas familiares. Ainda se


inclui na PEA os desocupados, os quais não estão trabalhando, mas que estão
em busca de trabalho.

Lembrança Importante: A busca por um trabalho, por parte dos desocupados,


constitui condição fundamental para a sua inclusão no cômputo da PEA.

O IBGE realiza uma conceituação pormenorizada da PEA, o que nos leva a


necessidade de destacar algumas informações preliminares que são básicas para
o completo entendimento deste indicador. Em verdade, ao realizar a Pesquisa
Mensal de Emprego – PME, o Instituto toma como base as quatro semanas que
precederam a pesquisa. Os resultados de cada mês da pesquisa retratam
situações em determinados intervalos de tempo, previamente definidos, que são
denominados períodos de referência. Vejamos os detalhes no quadro seguinte:

Semana de referência - é a semana, de domingo a sábado, que precede a semana


definida como de entrevista para a unidade domiciliar. Cada mês da pesquisa é
constituído por quatro semanas de referência.

Data de referência - é a data do último dia da semana de referência.

Período de referência de 30 dias - é o período de 30 dias que fi naliza no último


dia da semana de referência.

Período de referência de 365 dias - é o período de 365 dias que finaliza no último
dia da semana de referência.

Mês de referência - é o mês anterior ao que contém as quatro semanas de


referência que compõem o mês da pesquisa.

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Segundo as Notas Metodológicas do IBGE, as Pessoas Economicamente


Ativas na semana de referência compreendem as pessoas ocupadas e
desocupadas (desempregadas) nessa semana.

1. Pessoas Ocupadas: são classificadas como ocupadas na semana de


referência as pessoas que exerceram trabalho, remunerado ou sem
remuneração, durante pelo menos uma hora completa na semana de referência,
ou que tinham trabalho remunerado do qual estavam temporariamente afastadas
nessa semana.

De acordo com o IBGE, é considerada como pessoa ocupada, mas


temporariamente afastada de trabalho remunerado, aquela que não trabalhou
durante pelo menos uma hora completa na semana de referência por
motivo de férias, greve, suspensão temporária do contrato de trabalho,
licença remunerada pelo empregador, más condições do tempo ou outros
fatores ocasionais.

Destaca-se, ainda, segundo a pesquisa, que foi considerada a pessoa que,


na data de referência, estava afastada:

• por motivo de licença remunerada por instituto de previdência por


período não superior a 24 meses;

• do próprio empreendimento por motivo de gestação, doença ou


acidente, sem ser licenciada por instituto de previdência, por
período não superior a três meses;

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• por falta voluntária ou outro motivo, por período não superior a 30


dias.

De acordo com o IBGE as ocupações das pessoas pertencentes à PEA


podem ser as seguintes:

Empregado - Pessoa que trabalhava para um empregador (pessoa física ou


jurídica), geralmente obrigando-se ao cumprimento de uma jornada de trabalho e
recebendo em contrapartida uma remuneração em dinheiro, mercadorias,
produtos ou benefícios (moradia, comida, roupas, etc.). Nesta categoria incluiu-se
a pessoa que prestava serviço militar obrigatório e, também, o sacerdote,
ministro de igreja, pastor, rabino, frade, freira e outros clérigos;

Trabalhador doméstico - Pessoa que trabalhava prestando serviço doméstico


remunerado em dinheiro ou benefícios, em uma ou mais unidades domiciliares;

Conta-própria (ou autônomo) - Pessoa que Conceitos trabalhava explorando o


seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e
contando, ou não, com a ajuda de trabalhador não remunerado;

Empregador - Pessoa que trabalhava explorando o seu próprio empreendimento,


com pelo menos um empregado;

Trabalhador não remunerado membro da unidade domiciliar - Pessoa que


trabalhava sem remuneração, durante pelo menos uma hora na semana, em
ajuda a membro da unidade domiciliar que era: empregado na produção de bens
primários (que compreende as atividades da agricultura, silvicultura, pecuária,

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extração vegetal ou mineral, caça, pesca e piscicultura), conta-própria ou


empregador;

Outro trabalhador não remunerado - Pessoa que trabalhava sem


remuneração, durante pelo menos uma hora na semana, como aprendiz ou
estagiário ou em ajuda a instituição religiosa, beneficente ou de cooperativismo;

Trabalhador na produção para o próprio consumo - Pessoa que trabalhava,


durante pelo menos uma hora na semana, na produção de bens do ramo que
compreende as atividades da agricultura, silvicultura, pecuária, extração vegetal,
pesca e piscicultura, para a própria alimentação de pelo menos um membro da
unidade domiciliar;

Trabalhador na construção para o próprio uso - Pessoa que trabalhava,


durante pelo menos uma hora na semana, na construção de edificações,
estradas privativas, poços e outras benfeitorias (exceto as obras destinadas
unicamente à reforma) para o próprio uso de pelo menos um membro da unidade
domiciliar.
Box de Comentário 3:
Em reanálise ao box de comentário 1, perceba que, para o IBGE, todos
os trabalhadores não remunerados que trabalharam ao menos uma
hora na semana são considerados pessoas ocupadas e,
consequentemente, componentes da PEA. De todo modo, conforme
disposto no box de comentário 1, uma vez desenvolvidas atividades
sem remuneração, relacionadas a ajuda à instituição religiosa,
beneficente ou de cooperativismo, estas não são consideradas como
trabalho.

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2. Pessoas Desocupadas (desempregadas): São classificadas como


desocupadas na semana de referência as pessoas sem trabalho na semana de
referência, mas que estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana
e que tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de
referência de 30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do
último trabalho que tiveram nesse período.

E aí, vocês se lembram do que destacamos no item “Lembrança


Importante”? Aí vai: A busca por um trabalho, por parte dos desocupados,
constitui condição fundamental para a sua inclusão no cômputo da PEA.

1.5 Pessoas Não Economicamente Ativas - PNEA

Por definição as Pessoas Não Economicamente Ativas são aquelas não


enquadradas como ocupadas ou como desocupadas (mas na busca por trabalho,
ok?). Assim sendo, fazem parte da PNEA as pessoas incapacitadas para o
trabalho (inválidos mental e fisicamente; idosos e réus) ou que desistiram de
buscar trabalho ou que mesmo não querem trabalhar (inativos), incluindo ainda
neste contexto, e por exclusão, aqueles que exerceram atividade não remunerada
por menos de uma hora na semana de referência.

Seguindo o conceito do IBGE, são incluídos na PNEA os desalentados,


representados por aqueles que procuraram trabalho ininterruptamente durante
pelo menos seis meses, contados até a data da última providência tomada para
conseguir trabalho no período de referência de 365 dias, tendo desistido por não
encontrar qualquer tipo de trabalho, trabalho com remuneração adequada ou
trabalho de acordo com as suas qualificações. Importante considerar que no rol

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dos trabalhadores desalentados incluem-se os estudantes, pensionistas e aqueles


que se dedicam somente aos afazeres domésticos.

Merece destaque a divergência existente entre o IBGE e o DIEESE


(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos) quanto ao enquadramento
dos desalentados. Enquanto que para o primeiro aqueles fazem parte da PNEA,
para o segundo os desalentados fazem parte da PEA.

IBGE:
Desalentados fazem parte da PNEA

DIEESE:
Desalentados fazem parte da PEA

Box de conhecimento:
Conceitos do DIEESE:
Vamos entender um pouco mais os conceitos utilizados pelo DIEESE,
para a definição da PEA, na chamada Pesquisa de Emprego e
Desemprego:

Segundo o Departamento Intersindical a PEA corresponde à parcela da


População em Idade Ativa (PIA) que está ocupada ou desempregada.

1 - São considerados ocupados:

Os indivíduos que, nos sete dias anteriores ao da entrevista realizada,


possuem trabalho remunerado exercido regularmente, com ou sem

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procura de trabalho; ou que, neste período, possuem trabalho


remunerado exercido de forma irregular, desde que não tenham
procurado trabalho diferente do atual; ou possuem trabalho não-
remunerado de ajuda em negócios de parentes, ou remunerado em
espécie/beneficio, sem procura de trabalho.

Destaca-se que excluem-se da condição de ocupados as pessoas que


nos últimos sete dias realizaram algum trabalho de forma
excepcional.

2 - São considerados desempregados:

Os indivíduos que se encontram numa situação involuntária de não-


trabalho, por falta de oportunidade de trabalho, ou que exercem
trabalhos irregulares com desejo de mudança. Destaca-se que essas
pessoas são desagregadas em três tipos de desemprego:

- desemprego aberto: pessoas que procuraram trabalho de maneira


efetiva nos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram
nenhum trabalho nos sete últimos dias;

- desemprego oculto pelo trabalho precário: pessoas que realizam


trabalhos precários - algum trabalho remunerado ocasional de auto-
ocupação - ou pessoas que realizam trabalho não-remunerado em
ajuda a negócios de parentes e que procuraram mudar de trabalho nos
30 dias anteriores ao da entrevista ou que, não tendo procurado neste
período, o fizeram sem êxito até 12 meses atrás;

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- desemprego oculto pelo desalento (desalentados): pessoas que


não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores
ao da entrevista, por desestímulos do mercado de trabalho ou por
circunstâncias fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho
nos últimos 12 meses.

E mais uma vez ressalto que enquanto para o IBGE os desalentados


fazem parte da PNEA, para o DIEESE estes fazem parte da PEA.

Concluindo os conceitos iniciais propostos para esta aula demonstrativa,


passemos então à realização tanto de exercícios propostos quanto de questões
cobradas em provas anteriores para o cargo de AFT.

Por fim, ressalto a todos vocês que esta aula é apenas um “aperitivo” da
matéria. A partir da aula 1 abordaremos detalhadamente cada um dos pontos do
conteúdo programático, adicionado a estas um número significativo de questões.

Coloco-me à disposição de vocês por meio do fórum de dúvidas ou através


do e-mail franciscomariotti@pontodosconcursos.com.br.

Contem comigo nesta empreitada rumo à aprovação e classificação no


próximo concurso para o cargo de Auditor Fiscal do Trabalho.

Um abraço,

Mariotti

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Resumo Prévio dos Conceitos do IBGE referente à PIA, PINA, PEA e


PNEA:

1 - A PEA é composta pelos OCUPADOS e pelos DESOCUPADOS,


mas que buscam um trabalho nos últimos trinta dias;

2 – A PNEA faz parte da População em Idade Ativa – PIA, ou


seja, pessoas que possuem mais de 10 anos de idade (segundo
conceito do IBGE), mas que se encontram incapacitadas para o
trabalho (invalidez física e/ou mental), desalentadas
(procuraram emprego nos últimos seis meses e desistiram,
estudantes, pensionistas, aposentados) e inativos, os quais não
buscam trabalho nem desejam trabalhar.

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Questões Propostas:

1) - (Questão Elaborada pelo Autor – Estilo CESPE) O IBGE realiza


mensalmente pesquisa sobre as condições de emprego no Brasil. Neste
sentido, o Instituto procurou definir o significado do termo trabalho
como atividade econômica. Em relação a estas definições, julgue as
assertivas a seguir

Trabalho é a ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, em


ajuda na atividade econômica de membro da unidade domiciliar.

Trabalho não é a ocupação na produção para o próprio consumo ou uso de


membro(s) da unidade domiciliar.

Trabalho é a ocupação remunerada em mercadorias no serviço doméstico.

Trabalho é a ocupação remunerada em mercadorias na produção de bens e


serviços.

Trabalho não é a ocupação sem remuneração, desenvolvida em ajuda a


instituição religiosa, beneficente ou de cooperativismo.

2) (Questão Elaborada pelo Autor – Estilo CESPE) O IBGE, seguindo


recomendação da Organização Internacional do Trabalho, realiza a
classificação dos indivíduos segundo as suas aptidões e sua participação
no mercado de trabalho. A esse respeito, julgue os itens abaixo relativos
à definição de População em Idade Ativa

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A PIA é a população economicamente ativa.

Sua definição não abrange as crianças recém-nascidas.

A PIA abrange os aposentados.

Sua definição associa-se à população cuja idade a capacita a exercer o trabalho.

3 – (AFT/MTE – ESAF/2003) De acordo com o IBGE, os trabalhadores


desalentados são aqueles que desistem de procurar emprego porque:
a) não encontram qualquer tipo de trabalho ou não encontram trabalho com
remuneração adequada ou de acordo com suas qualificações.
b) não pertencem a nenhum sindicato.
c) não estão dispostos a trabalhar, independentemente do salário, pois valorizam
o lazer acima de todas as coisas.
d) trabalharam efetivamente menos de 40 horas em todos os trabalhos da
semana de referência.
e) trabalharam efetivamente mais de 40 horas em todos os trabalhos da semana
de referência.

4 - (AFT/MTE – ESAF/1998) Com relação aos conceitos básicos


envolvendo o mercado de trabalho, podemos firmar que:
a) não se incluem no conceito de desemprego aquelas pessoas que, não estando
empregadas, abandonaram a busca de emprego.
b) é considerado desempregado todo o membro da população residente que não
possui emprego.
c) é considerado desempregado todo o membro da população residente que não
possua carteira de trabalho assinada.
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d) não são computadas no desemprego aquelas pessoas que nunca trabalharam.


e) o fato de um indivíduo estar em idade ativa caracteriza-o como sendo membro
da PEA (População Economicamente Ativa).

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Gabarito Comentado:

1) - (Questão Elaborada pelo Autor – Estilo CESPE) O IBGE realiza


mensalmente pesquisa sobre as condições de emprego no Brasil. Neste
sentido, o Instituto procurou definir o significado do termo trabalho
como atividade econômica. Em relação a estas definições, julgue as
assertivas a seguir

Trabalho é a ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, em


ajuda na atividade econômica de membro da unidade domiciliar.

Trabalho não é a ocupação na produção para o próprio consumo ou uso de


membro(s) da unidade domiciliar.

Trabalho é a ocupação remunerada em mercadorias no serviço doméstico.

Trabalho é a ocupação remunerada em mercadorias na produção de bens e


serviços.

Trabalho não é a ocupação sem remuneração, desenvolvida em ajuda a


instituição religiosa, beneficente ou de cooperativismo.

Comentários:

A questão trata, conforme o próprio enunciado, das definições dadas pelo IBGE
para definir o termo ou expressão trabalho como um atividade econômica. Assim
sendo, em com base nas abordagens feitas no item 1.2, são considerados
trabalho:
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a) ocupação remunerada em dinheiro, produtos, mercadorias ou benefícios


(moradia, alimentação, roupas, treinamento, etc.) na produção de bens e
serviços;
b) ocupação remunerada em dinheiro ou benefícios (moradia, alimentação,
roupas, etc.) no serviço doméstico; ou
c) ocupação sem remuneração na produção de bens e serviços, em ajuda na
atividade econômica de membro da unidade domiciliar.

Ainda no mesmo item, têm-se os seguintes destaques:

Observação adicional feita pelo IBGE refere-se ao não enquadramento como


trabalho quando no exercício de ocupação:

• na produção para o próprio consumo ou uso de membro(s) da unidade


domiciliar; e

• sem remuneração, desenvolvida em ajuda a instituição religiosa,


beneficente ou de cooperativismo.

Importante chamar a atenção de vocês para uma possível pegadinha por parte da
banca examinadora. Perceba que a segunda e a quinta assertiva iniciam com a
expressão “não”, ou seja, para estas assertivas, não se enquadram como
trabalho em atividade produtiva, de tal forma que a negação de outra negação se
transforme em uma afirmação, fazendo com que estas, baseadas nas definições
acima, estejam também certas.

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Feito o comentário acima, pode-se constatar que somente a terceira assertiva e


ERRADA, enquanto as demais são CERTAS. Veja que a ocupação nos serviços
domésticos, para ser considerada trabalho como atividade produtiva, não
pode ser remunerada em mercadorias, mas apenas em dinheiro ou em
benefícios como alimentação, moradia, etc..

Por fim, muito cuidado para não confundir o conceito de mercadoria com
benefício. Segundo o IBGE, alimentação e roupas são consideradas benefícios e
não mercadorias.

Gabarito: C,C,E,C,C

2) (Questão Elaborada pelo Autor) O IBGE, seguindo recomendação da


Organização Internacional do Trabalho, realiza a classificação dos
indivíduos segundo as suas aptidões e sua participação no mercado de
trabalho. A esse respeito, julgue os itens abaixo relativos à definição de
População em Idade Ativa

A PIA é a população economicamente ativa.

Sua definição não abrange as crianças recém-nascidas.

A PIA abrange os aposentados.

Sua definição associa-se à população cuja idade a capacita a exercer o trabalho.

Comentários:

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A População em Idade Ativa é composta pela População Economicamente Ativa –


PEA e a População Não Economicamente Ativa – PNEA.
ERRADO

Outro conceito que define a PIA é o de que esta é composta por toda
população com 10 (mínimo) ou mais anos de idade. Consequentemente, a
População em Idade Não Ativa – PINA é aquela composta pelas pessoas
abaixo de 10 anos de idade.
CERTO

Perceba que a restrição imposta à composição da PIA é somente aquelas


relacionada à pessoas menores de 10 anos. Assim sendo, pode-se concluir que os
aposentados, muito embora não estejam trabalhando, especialmente por conta
do atingimento de tempo de serviço que lhes permitiram tal situação econômica,
fazem parte da PIA. Cabe apenas destacar que os aposentados não fazem parte
da PEA que, segundo a definição do IBGE, refere-se à mão-de-obra potencial, ou
seja, às pessoas que possuem trabalho remunerado tanto na condição de
assalariados em geral, como de empregados em empresas familiares, incluindo-
se ainda na PEA os desocupados, os quais não estão trabalhando, mas que estão
em busca de trabalho.
CERTO

Por consequência da interpretação das assertivas 2 e 3, certas, pode concluir que


esta assertiva é certa.
CERTO

Gabarito: E,C,C,C.

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3 – (AFT/MTE – ESAF/2003) De acordo com o IBGE, os trabalhadores


desalentados são aqueles que desistem de procurar emprego porque:
a) não encontram qualquer tipo de trabalho ou não encontram trabalho com
remuneração adequada ou de acordo com suas qualificações.
b) não pertencem a nenhum sindicato.
c) não estão dispostos a trabalhar, independentemente do salário, pois valorizam
o lazer acima de todas as coisas.
d) trabalharam efetivamente menos de 40 horas em todos os trabalhos da
semana de referência.
e) trabalharam efetivamente mais de 40 horas em todos os trabalhos da semana
de referência.

Comentários:

Muito embora seja uma questão elaborada pela ESAF, trata-se de uma questão
bem mais fácil de ser respondida uma vez que o enunciado da questão vai direto
ao ponto.

Reproduzimos a literalidade do conceito de desalentado definido pelo IBGE:

Os desalentados são “representados por aqueles que procuraram trabalho


ininterruptamente durante pelo menos seis meses, contados até a data da última
providência tomada para conseguir trabalho no período de referência de 365 dias,
tendo desistido por não encontrar qualquer tipo de trabalho, trabalho com
remuneração adequada ou trabalho de acordo com as suas qualificações.
Importante considerar que no rol dos trabalhadores desalentados incluem-se os

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estudantes, pensionistas e aqueles que se dedicam somente aos afazeres


domésticos.”

Não obstante o acima destacado, vale lembrar que, para o IBGE, os desalentados
fazem parte da População Não Economicamente Ativa – PNEA. Entendimento
diferente, conforme também já destacado, tem o DIEESE. Segundo o
Departamento Intersindical os desalentados são pessoas que não possuem
trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista, por
desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias fortuitas, mas
apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses.

Gabarito: letra “a”.

4 - (AFT/MTE – ESAF/1998) Com relação aos conceitos básicos


envolvendo o mercado de trabalho, podemos firmar que:
a) não se incluem no conceito de desemprego aquelas pessoas que, não estando
empregadas, abandonaram a busca de emprego.
b) é considerado desempregado todo o membro da população residente que não
possui emprego.
c) é considerado desempregado todo o membro da população residente que não
possua carteira de trabalho assinada.
d) não são computadas no desemprego aquelas pessoas que nunca trabalharam.
e) o fato de um indivíduo estar em idade ativa caracteriza-o como sendo membro
da PEA (População Economicamente Ativa).

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Comentários:

Conforme verificado em aula os desempregados, assumidas determinadas


condições, são considerados como componentes da PEA segundo o IBGE.
Vejamos algumas definições a respeito, inclusive aquelas realizadas pelo DIEESE,
uma vez que enunciado da questão não se pronunciou a respeito.

De acordo com o IBGE “são classificadas como desocupadas (desempregadas” na


semana de referência as pessoas sem trabalho na semana de referência, mas que
estavam disponíveis para assumir um trabalho nessa semana e que tomaram
alguma providência efetiva para conseguir trabalho no período de referência de
30 dias, sem terem tido qualquer trabalho ou após terem saído do último trabalho
que tiveram nesse período.”

Já de acordo com o DIEESE “Os indivíduos que se encontram numa situação


involuntária de não-trabalho, por falta de oportunidade de trabalho, ou que
exercem trabalhos irregulares com desejo de mudança.” Ainda de acordo com o
Departamento os desempregados são desagregados em três tipos de
desemprego:

- desemprego aberto: pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos


30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos sete
últimos dias;

- desemprego oculto pelo trabalho precário: pessoas que realizam trabalhos


precários - algum trabalho remunerado ocasional de auto-ocupação - ou pessoas
que realizam trabalho não-remunerado em ajuda a negócios de parentes e que

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procuraram mudar de trabalho nos 30 dias anteriores ao da entrevista ou que,


não tendo procurado neste período, o fizeram sem êxito até 12 meses atrás;

desemprego oculto pelo desalento (desalentados): pessoas que não


possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores ao da
entrevista, por desestímulos do mercado de trabalho ou por circunstâncias
fortuitas, mas apresentaram procura efetiva de trabalho nos últimos 12 meses.

Perceba que vem do último conceito de desemprego do DIEESE a diferença em


relação aos desalentados para o IBGE, conforme discutido na resolução da
questão anterior.

Muito bem, apresentado novamente os conceitos, vejamos as assertivas:

a) aqueles que abandonaram a busca por emprego de fato não são incluídos
como desempregados e, consequentemente, não fazem parte da PEA.

b) a assertiva “a” contrapõe esta assertiva, uma vez que se um indivíduo não
busca emprego, mesmo estando sem emprego é não é considerado como
desempregado para fins de estatística da PEA.

c) a carteira de trabalho é um dos requisitos que define a definição de trabalho


formal, e não o conceito de desemprego.

d) são computados no desemprego aquelas pessoas que nunca trabalharam,


desde que estejam procurando emprego e atendam os demais requisitos para
fazerem parte da PIA e, consequentemente, da PEA.

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e) Conforme verificado, muito embora um indivíduo seja componente da PIA, ele


pode estar classificado naquelas pessoas pertencentes à parte da população
classificada como não economicamente ativa.

Gabarito: letra “a”.

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