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«Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas,

inversamente, o seu ser social que determina a sua consciência».


Comente e desenvolva esta afirmação, explicitando a perspetiva filosófica de análise
dos fenómenos sociais que lhe está subjacente.
Para Marx, as teorias filosóficas da época são completamente erradas, isto porque não
são nada científicas e objetivas. Isso deve-se ao facto de Hegel, o maior e mais
conhecido filósofo, ser o progenitor de todas as filosofias que vieram a seguir. Ou seja,
as filosofias alemãs sobre a sociedade assentavam no pressuposto que as filosofias
anteriores estavam certas. Ou seja, em vez de estudar a realidade, estas preocupavam-se
a críticas e a reescrever as teorias alemãs já existentes, afastando-se cada vez mais da
realidade. Como isso Marx propõe uma inversão. Em vez de olhar de céu para a terra
das ideias para a realidade, devemos olhar de terra para o céu, ou seja, contruir as
teorias a partir da realidade. Isso deve-se essencialmente ao facto de que as pessoas se
distinguirem dos animais por causa da sua habilidade de construir o seu próprio
ambiente. Como tal, o ambiente acaba por transformar as pessoas. Isso contraria a ideia
anterior de que as ideias podem mudar a realidade das pessoas. Assim, Marx cria o
materialismo histórico. Este consiste no estudo dos processos de produção pois estes
determinam as relações de produção e estes por sua vez acabam por criar a realidade. A
partir daqui podemos estudar todas as criações sociais como é o caso de religiões, de
cultural e crenças.

Em que medida este excerto traduz a “visão materialista da história”? Que


consequências tem a adoção desta visão para a análise das sociedades?
Esta situação acaba por demonstrar o que o Marx entende por materialismo histórico.
Para ele, isto é a criação e formação das sociedades a partir da evolução das relações de
produção. Para explicar melhor este conceito vamos começar pelo materialismo. O
materialismo para Marx é aquilo que vai acabar por determinar o que as vidas das
pessoas pois é o meio que determina as ideias e não ao contrario. Assim, o meio é
determinado pela forma de trabalho e as trocas deste trabalho. Ou seja, as relações que
servem de produção. Assim, a única maneira de alterar o seu meio é através de mudança
das ralações de produção.
Esta mudança de visão acabou por mudar a maneira como olhamos para uma sociedade.
Portanto, em vez de procurar a explicação para os fenómenos sociais nas cabeças das
pessoas, devemos conseguir procura-lo nas relações de produção e de troca.
Marx postulou que é a forma de organização da vida material que determina as formas
de consciência, ou seja, as ideias que uma sociedade tem de si própria. Em todas as
sociedades, é o modo de produção da vida material que constitui o núcleo a partir do
qual se constituem todas as outras actividades sociais, incluindo as formas de
pensamento ou seja a consciência. Também em todas as sociedades, é o modo de
produção da vida material é atravessado por formas de divisão social do trabalho e
relações de propriedade a partir dos quais se estabelecem relações de produção
desigualitárias. – detentores e não detentores dos principais meios de produção. Fica
assim, desde logo, estabelecida uma clivagem social, expressa num sistema de classes
sociais, que permite que os que controlam os meios de produção se apropiem sempre do
excedente económico produzido colectivamente.. marx identifica historicamente .3
modos de produção
Antigo /esclavagista, feudal e capitalista.
Para alem dos conflitos e tensões a classe dominante tende a perpetuar o seu poder e
resistir à mudança. No entanto a mudança é inevitável, a historia demonstra segundo
Marx que anulação de contradições, tensões e conflitos na base económica das
sociedades conduz inevitavelmente á rutura, abre uma época de revolução social que
abala todas as estruturas da sociedade, incluindo as formas de pensar(consciência) e de
organizar a sociedade. Utilizando o pensamento dialeto de Hengel, que explica a
mudança através da contradição e do conflito de ideias, Marx dá-lhe uma base material,
procurando interpretar a mudança social através das contradições e dos conflitos que
identifica ao nível do modo de produção da vida material.

a) Tendo presente a conceção marxista sobre as classes, refira-se ao papel


desempenhado pelas classes e pela luta de classes no desenvolvimento das sociedades.
As classes socias estão dotadas de relações de produção e relações de exploração. Marx
refere que “a história de toda a sociedade até hoje é a história da luta de classes”, sendo
esta a tese que sustenta toda a seguinte argumentação.
Todos os modos de produção se baseiam num sistema de classes. Por exemplo, a
produção de bens materiais ocorre no quadro de um sistema de relações sociais
caracterizado como sistema de exploração. Este sistema de exploração baseia-se no
facto de a maioria da população não ser proprietária dos meios de produção, o que gera
riqueza, uma vez que a riqueza é apropriada pela maioria de não produtores, mas
proprietários dos meios de produção. Portanto, as relações de produção são relações de
classe, ou relações de conflito estrutural.
Concluindo, tudo o que foi dito acontece em todas as sociedades onde se produz
excedente de bens materiais, isto é, nas sociedades capitalistas. Portanto, o sistema de
relações de exploração acontece quando uma ou mais classes se apropria e controla esse
excedente.

b) Exponha as razões que levam Marx a dizer que o desenvolvimento da sociedade


capitalista conduzirá inevitavelmente à polarização de classes.

Marx, estava preocupado com os novos problemas sociais que se


agravavam nos centros urbanos. Sua proximidade com os
movimentos trabalhistas da época influenciou profundamente
seus trabalhos e sua forma de abordagem dos fenômenos
associados à nova configuração do sistema econômico que
surgia.

NA luta de classes o conceito é a “mais valia”, desenvolvida


também por Marx. Assim, a mais valia é da base de exploração
do sistema capitalista em que relaciona a força de trabalho, o
tempo de realização e o lucro obtido. Dentro do contexto
capitalista, a classe proletária e trabalhadora é explorada pela
classe detentora dos bens de produção, ou seja, a burguesia. No
entanto, o esforço cedido pelo operário não é revertido em
valores monetários reais. Esse processo, segundo Marx, leva a
alienação e desvalorização dos trabalhadores.

 Mais-valia absoluta e Mais-valia relativa


A partir do conceito de mais-valia, Marx fez distinção de duas
formas de extorsão da força de trabalho: a mais-valia absoluta e
a mais-valia relativa.
A mais-valia absoluta ocorreria em função do aumento do ritmo
de trabalho, da vigilância sobre o processo de produção ou
mesmo da ameaça da perda do trabalho caso determinada meta
não fosse alcançada, ainda que em detrimento da saúde e do
bem-estar do trabalhador. O empregador exige maior empenho
na produção sem oferecer nenhum tipo de compensação em
troca e recolhe o aumento da produção de excedentes em forma
de lucro.
Já a mais-valia relativa estaria ligada ao processo de avanço
científico e do progresso tecnológico. Uma vez que não consegue
mais aumentar a produção por meio da maior exigência de seus
empregados, o capitalista lança mão de melhorias tecnológicas
para acelerar o processo de produção e aumentar a quantidade
de mercadoria produzida. Esse processo acontece sem que, no
entanto, seja oferecida qualquer bonificação ao trabalhador.
Este passa ser aos poucos substituído pelo maquinário
tecnológico, de modo que a quantidade de trabalho social é
diminuída e a mão de obra humana é trocada por uma mão de
obra mecânica.
luta seria aquele que estaria na origem das grandes revolução do
percurso histórico até então, dando origem a que o padrão social
se modificasse por completo. No caso analisado por Marx, as
origens estariam na propriedade privada dos meios de produção,
levando a que a sociedade se dividisse em proprietários

a) Como é determinado, segundo Marx, o valor das mercadorias na sociedade


capitalista?
Através da teoria do lucro e do valor-trabalho, Marx explica como é determinado o
valor das mercadorias na sociedade capitalista.
O valor da mercadoria é determinado pelo valor-trabalho que ela tem, isto é, inclui-se
o salário, a mais-valia e o lucro. A mais-valia é a diferença entre o valor criado pelo
trabalho e o valor dos meios de consumo necessários à produção da força de trabalho.
Por outras palavras, a mais-valia é a diferença entre o valor que o trabalho tem para a
empresa e o salário que a empresa paga aos trabalhadores.
O valor da mercadoria é a quantidade de trabalho incorporado, isto é, o valor do
trabalho. Marx refere que “… para produzir uma mercadoria, não só se tem de criar um
artigo que satisfaça uma necessidade social qualquer, como também o trabalho nele
incorporado deverá apresentar uma parte integrante da soma global de trabalho
invertido pela sociedade”, isto também porque o salário é determinado pela quantidade
de trabalho. Este, por sua vez, é determinado pelo trabalho socialmente necessário à
reprodução da força de trabalho do operário e da sua família, isto é, o mínimo que um
indivíduo e a sua família tem de ganhar para sobreviver, uma vez que nas suas famílias
existem, por exemplo, crianças que precisam de alimento, mas que ainda não trabalham.
É também importante realçar que o tempo de trabalho necessário para reproduzir o valor
do salário é sempre menor que o tempo de trabalho efetivo, por exemplo, uma pessoa
que precisa de trabalhar 4 horas por dia para obter o mínimo, ou seja, nestas 4 horas ele
consegue produzir material que valha este mínimo. Contudo, como não tem
conhecimento dos pormenores, trabalha o dobro do tempo, 8 horas, produzindo o
mesmo mínimo. Neste caso, o lucro é no trabalho que não foi pago, ou seja, as 4 horas
extra que trabalhou e que não lhe foram pagas.

b) Em que medida esse processo se traduz numa forma de exploração a partir da qual se
define a oposição de classe fundamental na sociedade capitalista?
A mais-valia é a diferença entre o valor criado pelo trabalho efetivo e o valor dos meios
de consumo necessários à reprodução da força de trabalho correspondente ao salário.
Esta diferença é apropriada pelo capitalista e transforma-se em lucro no mercado com a
venda das mercadorias produzidas. Há, portanto, duas formas de produção de mais-
valia, distintas: a mais-valia absoluta e a mais-valia relativa. A primeira referida
depende da jornada de trabalho, presumindo que todas as outras circunstâncias
permanecem invariáveis, enquanto que a mais-valia relativa aumenta consoante a
produtividade e a tecnologia presentes no tipo de trabalho.

5. “As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, ou


seja, a classe que é o poder material dominante da sociedade dominante é, ao mesmo
tempo, o seu poder espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios
para a produção material dispõe, assim, ao mesmo tempo, dos meios para a produção
espiritual.”
Karl Marx e Friedrich Engels, A Ideologia Alemã, Cap. III, p.1
Comente a afirmação, destacando os processos através dos quais a classe que dispõe
dos meios para a produção material, dispõe ao mesmo tempo dos meios para a
produção espiritual.

As ideias dominantes de um tempo dado foram sempre as


ideias da classe dominante.
Em qualquer sociedade, existem duas classes
fundamentais:
 Classe Dominante: minoria de não produtores,
detentores dos meios de produção;
 Classes Dominada: maioria de produtores não
detentores dos meios de produção, apenas da sua força de
trabalho, separados do processo de trabalho e do produto
do seu trabalho
A Luta de Classes resulta do confronto de interesses
opostos mas depende da tomada de “Consciência de
Classe”  Classes e Interesses de Classe: mesmo lugar no
processo produtivo = mesmas crenças e valores = mesmos
interesses

A que contradição se refere Engels? Explicite os principais processos económicos e


sociais envolvidos na contradição identificada.
A contradição a que se refere Engels tem a ver com a Teoria da queda e do colapso do
capitalismo. Deve haver uma superação do capitalismo pelo socialismo, pois esta teoria
tem causas objetivas: as contradições e os conflitos do capitalismo.
O proletariado utiliza uma produção social, onde há um produto individual. Neste, os
meios de produção é a terra e as ferramentas individuais. Estes, por sua vez, dão origem
a meios de produção socias: máquinas e fábricas, que são o produto social. Por outro
lado, a burguesia utiliza a apropriação privada, onde o capitalista controla os seus meios
de produção e o produto.
Outro problema é o facto de haver crises cíclicas no capitalismo, isto é, crises de
sobreprodução. No capitalismo, a produção é orientada para o lucro, o que origina a
organização técnica do trabalho, desenvolvimento tecnológico, isto é, eficiência, e a
expansão dos mercados. Este desenvolvimento tecnológico origina desemprego e
diminuição dos salários, pois a mão de obra torna-se mais mecanizada. Há também um
exército industrial de reserva de mão de obra, onde a mão de obra disponível se
encontra sem poder de compra, isto é, há um número de desempregados disponível para
que seja este exército. Dá-se a saturação do mercado, onde as mercadorias não escoam
e, consequentemente, a paralisação das fábricas, o desemprego e a pobreza. Tudo isto
são pontos negativos do capitalismo, uma vez que a produção de meios e subsistência
em excesso conduz a crises económicas e à pauperização dos trabalhadores.
A produção orientada para o lucro leva a dinâmicas de desenvolvimento tecnológico
elevado dispensa forças de trabalho, mas mantem um exército industrial de moa de
obra no desemprego ou um continente de assalariados em situação precária, como
forma de controlo do salário e manutenção ou aumento da margem de mais-valia
produzida. Desta forma ciclicamente e contraditoriamente, produz-se um
desajustamento entre as potencialidades tecnológicas da produção massificada e os
limites de consumo das mercadorias produzidas em virtude dos baixos salários e da
diminuiçao do poder de compra, processo que culmina na falência de varias unidades
produtivas e agrava as condiçoes materiais de vida da maior parte dos trabalhadores.
a origem desta contradição reside nas propriedades privadas dos principais meios de
produção e na respetiva apropriação dos seus produtos, formula que não pode
substituir sem gerar lucro em cada ciclo produtivo.
7. “O primeiro ato em que o Estado se apresenta como representante real da sociedade
– a posse dos meios de produção em nome da sociedade – é ao mesmo tempo o seu
último ato independente como Estado (…) O Governo sobre as pessoas é substituído
pela administração das coisas e pela direção dos processos de produção”.
Friedrich Engels, Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, p. 13
Que processos económicos, sociais e políticos sustentam a afirmação de Engels?

Deste modo, dá-se, então, o colapso do capitalismo, isto é, a acumulação de


contradições. A produção social, a apropriação privada, as crises cíclicas de
superprodução, tudo isto são pontos negativos do capitalismo. Outro é também a
concorrência, dando-se uma concentração de capital (através da fusão ou destruição de
empresas) e a centralização do capital (onde o estado assume a direção da produção). O
papel do proletariado é, também, extramente negativo: pobreza, sem condições de
trabalho, desemprego e consequente descida do trabalho. Face a estes problemas, o
proletariado conquista o poder político, dando-se uma supressão das oposições de
classe, onde o Estado assume a propriedade dos meios de produção. Dá-se, então, a
transição para o socialismo.

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