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5º Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários

Políticas públicas, ética, internacionalização e pesquisa:


discursos, práticas e desafios

CADERNO DE RESUMOS

SIMPÓSIOS

ESTUDOS LINGUÍSTICOS

Universidade Estadual de Maringá – Paraná


13 a 15 de junho de 2018

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V CIELLI – COLÓQUIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS
13 – 15 de junho de 2018 – Universidade Estadual de Maringá-PR
Formulário de Inscrição para Comunicação em Simpósio

COMISSÃO ORGANIZADORA

Comissão docente:

Cristiane Carneiro Capristano (Presidente)


Fabio Lucas Pierini
Flávia Zanutto
Josimayre Novelli
Liliam Cristina Marins
Manoel Messias Alves da Silva
Neil Armstrong Franco de Oliveira
Wiliam César Ramos
Luciana Lessa Rodrigues (Georgia State University – USA)
Manuel Célio Conceição (Universidade do Algarve – Portugual)

Corpo discente (PG):

Lisley Camargo Oberst


Ana Cláudia Marques

Secretários:

Adelino Marques
Wérica Patrícia Gonçalves Menezes
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ENSINO DE TRADUÇÃO – OBSERVAÇÕES SOBRE AS PERSPECTIVAS E


ABORDAGENS PARA A FORMAÇÃO DE TRADUTORES

Aline Cantarotti (UEM)

O ensino de tradução para a formação de tradutores profissionais é recente, não só no Brasil mas em
outras partes do mundo. De acordo com Munday (2008), cursos de graduação foram criados nas
décadas de 1960 e 70 em diferentes países. No Brasil, o advento do primeiro curso de graduação para
formar tradutores profissionais para o mercado de trabalho foi na PUC-RJ em 1968. Apesar da
profissão não ser regulamentada por lei, é fato que a formação profissional, em especial nas
universidades/centros de ensino superior é instituída como balizadora para a contratação de serviços
profissionais de tradução. Apesar de ainda haver muitos tradutores não graduados atuando no
mercado, há uma nova geração de tradutores os quais não apenas tem a formação de nível superior,
mas continuam buscando formação continuada em cursos livres e específicos após graduados,
aprimorando-se cada vez mais para a atuação no mercado. Considerando tal cenário, nos
questionamos: quais são as perspectivas que servem como norteadoras desse ensino para a formação
profissional? Questões tais como foco no aluno, no professor, no processamento da tradução, relação
entre teoria e prática são extremamente importantes e latentes nas diferentes perspectivas para o
ensino (KIRALY, 2000; COLINA, 2003 [2015], DAVIES, 2004; KELLY, 2005). Além disso,
observamos que, de acordo com Esqueda (2016, informação oral), ao fazer um levantamento sobre o
perfil dos professores que atuam em cursos de graduação em tradução, descobriu que a maciça maioria
não tem formação de fato em tradução, mas sim nas suas interfaces. Muitos dos professores
aprofundaram sua perspectiva prática – no mercado – mas pouco sabem ou pouco relacionam sua
prática com as teorias que fundamentam os Estudos da Tradução. Dessa forma, buscamos relacionar
as perspectivas vigentes de diferentes teóricos sobre o ensino de tradução para a formação profissional
do tradutor e os agentes envolvidos com essa formação, em especial, os professores.

Palavras-chave: Estudos da Tradução. Formação de tradutores. Ensino.

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UMA REFLEXÃO SOBRE A QUESTÃO DE TRADUÇÃO NA PROVA DE


PROFICIÊNCIA EM LÍNGUAS ESTRANGEIRAS DA UNIVERSIDADE ES-
TADUAL DE MARINGÁ: ENSINO, AVALIAÇÃO E TRADUÇÃO

Aline Yuri Kiminami (UEM)

Contemplando um dos vários campos de diálogo dos multidisciplinares estudos da tradução, se encon-
tra a tradução no ensino. Neste estudo, traça-se um breve histórico do papel exercido pela tradução
nos vários momentos do ensino de línguas estrangeiras (LEs), bem como a forma com que ela era e é
vista nos currículos, metodologias e abordagens, como a Abordagem Gramática e Tradução e a Abor-
dagem Comunicativa. Em um segundo momento, realiza-se uma análise documental das prova de
proficiência em Língua Estrangeira, oferecidas pelo Departamento de Letras Modernas da Universida-
de Estadual de Maringá, disponíveis para consulta no site da prova. Apesar de a análise recair-se sobre
a prova de língua inglesa, a título de amostragem, os mesmos comandos e critérios regem as provas
dos demais idiomas. Em particular, serão observados os comandos para a execução do exercício de
tradução, os critérios de avaliação para o corretor, além das exigências às quais os candidatos devem
se atentar. Essa análise, aliada à observação da trajetória da tradução no ensino de LE, induz a uma
reflexão com relação ao ensino (através) de tradução e de habilidades tradutórias para o aluno de LE,
para o candidato à prova de proficiência e para o professor que trabalha com LEs, à partir das contri-
buições de Schneider (2010) e Hurtado Albir (1998). Dessa forma, será possível delinear as formas de
interpretação da tradução no imaginário daqueles que trabalham com o ensino e avaliação de LEs,
bem como sugerir caminhos para o trabalho com a tradução em sala da aula.

Palavras-chave: Tradução, Ensino, Prova de Proficiência, Língua Estrangeira.

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PARDO OU MIXED-RACE: QUESTÕES RACIAIS NA TRADUÇÃO DE TER-


MOS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO PARA O INGLÊS

Aline Nascimento Barbosa (UFPR)

Há um desalinho no que diz respeito ao conceito de etnia e de raça. De um lado, etnia se refere às
marcas culturais, enquanto raça foca em marcas físicas (Joseph, 2004). Entretanto, ainda assim, ambas
as palavras frequentemente são usadas como sinônimos e, quando aplicadas ao contexto brasileiro, a
escolha de termos descritivos e identitários se torna ainda mais difusa, visto que, no país, muito do que
é lido como raça e etnia se resume à cor de pele, o que influencia a forma como pessoas negras brasi-
leiras se identificam e se relacionam entre si (Ferreira, 2007). Devido a este contexto, ao descrever
pessoas negras de tons de pele variados, surge o uso de palavras como pardo, mulato, moreno, entre
outras. Essas palavras não necessariamente possuem equivalentes em outras línguas e carregam em si
o peso de um elemento cultural brasileiro, fruto de apagamentos sociais e do difundido mito da demo-
cracia racial (Ferreira, 2011). Tendo em vista os aspectos observados, ao se deparar com os termos
citados em um texto em português, como um tradutor pode transpor suas nuances para a língua alvo?
A fim de responder a esta questão, este trabalho propõe uma discussão com tradutores na qual sejam
abordadas suas escolhas de tradução das palavras associadas ao contexto racial do Brasil em sua ver-
são em inglês. Assim, um grupo de tradutores será selecionado para responder questionários online,
que serão posteriormente analisados, tendo como base os preceitos linguísticos iniciais da tradução,
mencionados por Jakobson, em 1959, assim como os conceitos de Tymoczko e Gentzler (2002) que
pensam em tradução pelo viés pós-estruturalista e de relações de poder, e de Spivak (1998), que olha
tradução através de lentes feministas e pós-coloniais.

Palavras-chave: Tradução; Raça; Pardo.

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ENTRE O CONGO E O CAMBOJA: UM ESTUDO DOS ESPAÇOS EM HEART


OF DARKNESS E APOCALYPSE NOW

Aline Scarmen Uchida (UEM)

O espaço tem papel primordial tanto para um romance quanto para um filme, pois é o local onde a
ação e a história se desenvolvem. Por isso, Antonio Dimas (1985) declara que, muitas vezes, o espaço,
no romance, passa despercebido pelo leitor, porém, isso não significa que ele tenha menos importância
que os outros componentes da narrativa – pelo contrário. Significa que o escritor provavelmente soube
camuflá-lo tão bem a ponto de harmonizar-se de forma orgânica juntamente com os outros elementos.
Já para o cinema, o espaço tem caráter dinâmico uma vez que o filme alia dimensão temporal e
imagética em um mesmo lugar, sendo assim, a narrativa deixa de ser descritiva – como em livros
impressos – e começa a se assimilar à realidade e ao pensamento do telespectador. Desse modo,
levando em consideração os aspectos que tanto o espaço no cinema quanto o espaço no romance
podem apresentar, este trabalho tem como objetivo analisar como é a representação do Congo no livro
Heart of Darkness (1902) escrito por Joseph Conrad, e do Camboja no filme Apocalypse Now (1979),
dirigido por Francis Ford Coppola. Especificamente, será investigada a forma como o espaço físico
pode corroborar com a forma de caracterização e apresentação do Outro colonizado. Para tanto, os
pressupostos de Hutcheon (2013), Clüver (2006) e Vermeer (1985) serão utilizados para fundamentar
a discussão sobre tradução intersemiótica, enquanto Freitas (2008) e Dimas (1987) contribuirão para a
reflexão sobre o espaço na narrativa escrita e na fílmica, respectivamente. Por tratar de uma análise
comparativa entre meios semióticos distintos, levou-se em consideração que princípios de
equivalência não serão cogitados para este estudo, pois eles podem desvalorizar a produção analisada.
Sendo assim, serão conceituadas as questões extratextuais que valorizem a forma como os meios são
constituídos e as práticas de leituras que cada meio proporciona.

Palavras-chave: Tradução intersemiótica; Cinema; Espaço.

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TRADUÇÃO E IDENTIDADE: ASPECTOS DA CONSTITUIÇÃO


IDENTITÁRIA DE TRADUTORES EM FORMAÇÃO

Andressa Franco Oliveira (IBILCE/UNESP)

O presente trabalho tem por objetivo investigar questões de identidade relativas à formação de
tradutores do curso de Bacharelado em Letras com Habilita- ção de Tradutor, do Instituto de
Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBIL- CE/UNESP). Para tanto, nos apoiaremos nas pesquisas
de autores que tratam da pro- blemática da identidade em sua interseção com as questões de língua,
como Rajago- palan (1998; 2003) e Coracini (2007), e de autores que abordam tal tema em sua re-
lação com a tradução, como Rodrigues (2008; 2012), Mittman (2016) e Tymoczko (2009/2013). No
campo específico dos estudos sobre identidade, destacamos também os trabalhos de Hall (1992/2000)
e de Tomaz Tadeu da Silva (2012). Além do aporte teórico elencado para investigar tais questões,
tencionamos, numa visada mais práti- ca, analisar as respostas de um questionário recentemente
aplicado aos alunos do primeiro ao quarto ano do curso de Tradução. Nesse trabalho nos ateremos a
duas questões: uma que diz respeito à escolha do curso de tradutor e outra que se refere à identificação
ou não dos alunos com as línguas que estudam. A partir de algumas considerações acerca das
respostas obtidas, e com base na fundamentação teórica apresentada, pretendemos esboçar possíveis
interpretações sobre as representações identitárias desses alunos. De modo mais preciso, buscaremos
refletir sobre as con- cepções dos alunos acerca do que é tradução e analisaremos em que medida e de
que maneira tais discursos sobre língua e tradução estão (ou não) atrelados a questões de identidade.

Palavras-chave: Identidade, tradução, língua.

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MULTIMODAL MATERIALS IN TRANSLATION TEACHING: A SAMPLE


SONG ACTIVITY

Ciléia Alves Menezes (UFPA/UFSC)

Over the last few years, all kinds and modes of communication have been expanding worldwide and
have become significantly relevant in the educational context. In this perspective, multimodality is
crucial since people are required to be knowledgeable of dealing with multimodal resources in order to
achieve pedagogical goals. The current presentation aims to propose a multimodal sample activity
designed for translation teaching, which may serve as complementary materials for Level one under-
graduate textbook of the Public University Majors in Translation Studies in Brazil. My choice of in-
vestigating this specific feature stemmed from the fact that multimodal resources are extremely “rich”
tools that integrate a great variety of visual elements and audio practice in addition to the contextual-
ized spoken/visual language they provide. I opted to follow the systemic-functional model of grammar
as proposed by M.A.K. Halliday, (Halliday 1985/1994; Halliday & Matthiessen 2004) as theoretical
background for the activity. I selected the song lyrics Águas de Março in Portuguese and its English
translation in order to approach the context of culture. I chose this song for two main reasons: firstly, it
brings many aspects of Brazilian culture and this one, in particular, is a representation of national
identity; secondly, it provides me with opportunities to show the variety of circumstantial factors that
might determine of affect a translation product, so that learners can practice translation strategies and
develop their translation skills. Summing up, authentic multimodal materials deserve special attention
since they provide up-to-date linguistic resource of all kinds of discourse and particular expressions
which are not commonly explored in course book materials.

Palavras-chave: Multimodal materials; Systemic-functional linguistics; Translation teaching.

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ONDE OS MELROS CANTAM FORTE: UMA TRADUÇÃO DOS VERSOS DE


ERNST HERBECK – POETA, HOMEM, ESQUIZOFRÊNICO

Cristiane Gonçalves Bachmann (UFPR)

Haroldo de Campos propõe, na poesia das suas Galáxias, “pensar o silêncio que trava por detrás das
palavras”. Valendo-se de Campos, Mauricio M. Cardozo, como teórico da tradução e estudioso de
literatura, convoca-nos a “repensar o silêncio para além de sua condição de trava por detrás das
palavras”. Na escuta de ambos, proponho destaque ao verbo “travar” em suas acepções de “dar início
a”, “começar”, “entabular” e, ainda, no sentido de “cruzar” e “entrecruzar” para apresentar e discutir
nesta comunicação uma tradução/leitura/recriação de versos do austríaco Ernst Herbeck (1920-1991) à
luz dessas ideias, entre outras, dedicando-me ao que se faz aparecer como intraduzível em sua obra
(suas singularidades irredutíveis, dizendo com Marcos Siscar), escrita integralmente dentro do
hospital psiquiátrico de Maria Gugging, na Áustria, onde o poeta passou a maior parte de sua vida,
após ter sido diagnosticado como esquizofrênico. Ainda que estudos da Psiquiatria e da Psicanálise
apontem, em grande parte, para a ausência de sentido na linguagem de pessoas atingidas pela
esquizofrenia e que possamos encontrar características da escrita esquizofrênica na poética
herbeckiana, não é a enfermidade que determina a sua poesia. A concepção de seus poemas envolvia
uma espécie de jogo poético. A partir do momento em que nos propomos ao estudo literário de sua
obra e a uma tradução literária de seus versos, fica evidente que não estamos mais lidando com a
realidade de uma “linguagem esquizofrênica”, mas sim com linguagem literária, com uma expressão
poética que clama por tradução –, num gesto de atenção ao reverberar de seus mistérios.

Palavras-chave: Ernst Herbeck; Tradução de poesia; Poesia austríaca; Esquizofrenia e poesia.

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ESCRITA E TRADUÇÃO NA ÁFRICA PÓS-COLONIAL:


TRADUZINDO MASSA MAKAN DIABATÉ

Fabio Rodrigues Pinheiro (IBILCE/UNESP)

Massa Makan Diabaté surge na cena literária do Mali no final dos anos 60 do século XX e, como a
maioria dos africanos que se lançam à escrita literária, escreve no idioma oficial de seu país – no caso,
o francês. Sua escrita testemunha a tomada de consciência dos intelectuais africanos de sua época, para
quem a independência cultural em relação ao colonizador passava necessariamente pela inspiração do
intelectual africano nas fontes da oralidade. Com efeito, sua prosa abunda em imagens, locuções,
modos de dizer, provérbios etc., que dizem respeito ao vernacular africano, constituindo uma escrita
intercultural que pretende transpor para a língua do colonizador toda a “estranheza” da língua/cultura
materna do autor e que pode ser interpretada, de certa forma, como um processo de “tradução para o
original”. Isso nos remete ao pensamento de Antoine Berman, para quem “a relação interna que uma
obra mantém com a tradução (o que ela contém em si de tradução e não-tradução) determina
idealmente seu modo de tradução interlingual” (1985, p. 100). Em seus escritos, Berman critica o que
chama de “tradução etnocêntrica”, segundo a qual deve-se traduzir a obra estrangeira de maneira que
não se “sinta” a tradução. Em sentido contrário, ele aponta como finalidade principal desta o
acolhimento da “literalidade” do texto original, isto é, da originalidade própria da obra e da
“estranheza” do outro. Pautados por essa reflexão, pretendemos propor algumas reflexões em torno de
uma proposta de tradução comentada, para o português, do romance Le Lieutenant de Kouta, de M. M.
Diabaté, primeiro volume de uma trilogia que se completa com Le Coiffeur de Kouta e Le Boucher de
Kouta. Segundo a Encyclopedia of African Literature (2003, p. 195), “nesses romances, ele capta
sucessivamente o período triunfal do colonialismo francês, a ascensão do movimento nacionalista pela
independência e o período pós-colonial até os anos 80. Diabaté ilustra meticulosamente as
transformações impostas por cada período”. Tendo em vista o “trabalho sobre a letra” de Berman,
tencionamos investigar de que forma os elementos linguístico-discursivos e estilísticos permitem
identificar o recurso às fontes da tradição oral relativas à língua/cultura materna do autor e de que
maneira a relação que esta mantém com o texto francês determina seu modo de tradução para outra(s)
língua(s).

Palavras-chave: Tradução. Literatura africana. Língua francesa. Oralidade.

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ESTRUTURA TEMÁTICA E REPRESENTAÇÃO EM “AS INTERMITÊNCIAS


DA MORTE”/DEATH WITH INTERRUPTIONS

Fernanda Saraiva Frio (UFSC)

Este trabalho apresenta um recorte de minha dissertação de mestrado, intitulada “Estrutura Temática
no Corpus Paralelo de Tradução ‘As Intermitências da Morte’/Death with Interruptions”, defendida
em novembro de 2016, no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução, da Universidade
Federal de Santa Catarina (PGET-UFSC). O trabalho descreve os padrões de estrutura temática
observados no romance “As Intermitências da Morte”, do escritor português José Saramago, e em sua
retextualização para a língua inglesa, realizada por Margaret Jull Costa e intitulada Death with
Interruptions, tomando como aporte teórico a Linguística Sistêmico-Funcional (HALLIDAY e
MATTHIESSEN, 2014), mais precisamente, as noções de estrutura temática e de Tema, que guiaram
a análise aqui conduzida, além do conceito de retextualização, entendida como a reconfiguração dos
significados já textualizados no texto fonte em um texto alvo, que representa apenas uma dentre as
diversas possibilidades de retextualização do texto. Para realização da pesquisa proposta, o corpus foi
digitalizado, anotado através de etiquetas (tags) e, posteriormente, processado no programa
WordSmith Tools 7.0. Na sequência, foi alinhado em um template do MS Excel (FLEURI, 2013), para
que a análise não fosse baseada somente em números absolutos. Dos resultados encontrados,
destacam-se, na rextextualização, o uso de Processos existenciais em posição temática para indicar
não agenciamento do Sujeito, o número mais baixo de ocorrências de Temas comentários, maior
número de Temas equativos e maior número de continuativos em posição temática. Os demais
resultados refletem diferenças sistêmicas entre as línguas trabalhadas.

Palavras-chave: Estudos da Tradução. Linguística Sistêmico-Funcional. Metafunção textual. Estrutura


temática.

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ENSINO DE LÍNGUA INGLESA E TRADUÇÃO: ANÁLISE DO INTERDIS-


CURSO DO BLOG ‘DICAS DE INGLÊS’

Juliana Fontanella da Cunha (UEM)

Este artigo investiga o interdiscurso no blog Dicas de Inglês do portal de notícias ODiario.com (Ma-
ringá-PR) e as concepções de tradução que subjazem as postagens da autora. O objetivo principal do
percurso é determinar a relação entre tradução e ensino de língua inglesa e se o meio, um blog inde-
pendente de acesso público, interfere na representação do conceito de tradução nas postagens. O recor-
te são as postagens dos meses de maio entre 2013 e 2017, além de uma entrevista com a responsável
pelo blog. A base teórica dessa discussão é multidisciplinar e inclui teóricos da Análise do Discurso
(PECHÊUX; ORLANDI), dos Estudos da Tradução (CATFORD; VERMEER; DERRIDA) e da tec-
nologia (LEVY; CLEMENTE; GOMES & LOPES). A contribuição da Linguística é fornecer a dire-
ção para analisar as variáveis e o contexto do interdiscurso no blog; as teorias de tradução permitem
identificar e problematizar a presença de determinadas abordagens no discurso da responsável pelo
blog. Já a categorização do blog como meio de aprendizagem tem por base os parâmetros advindos
dos estudos da cultura digital e seus aparatos tecnológicos. A análise do discurso da autora revela a
heterogeneidade do público do blog e como isso reflete no conceito de tradução recorrente em suas
postagens, considerando que seu objetivo é proporcionar ao internauta a melhor experiência de apren-
dizagem possível, na ausência física de um professor ou tutor. O resultado mostra que a tradução, seja
numa abordagem mais tradicional, descritiva ou crítica, está inevitavelmente presente no ensino-
aprendizagem de língua inglesa.

Palavras-chave: Estudos da Tradução; Língua Inglesa, Blog; Multidisciplinaridade

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A TRADUÇÃO NAS MARGENS: UMA REFLEXÃO SOBRE O TRABALHO


GÊNEROS FRONTEIRIÇOS NA FORMAÇÃO DE TRADUTORES

Fernanda silveira Boito (UEM)


Liliam Cristina Marins (UEM)

O objetivo deste estudo é propor uma reflexão sobre o trabalho com gêneros, a partir da perspectiva
dialógica bakhtiniana, na formação de tradutores. De forma específica, será contemplada a análise de
um gênero que chamamos de "fronteiriço", uma vez que mescla caraterísticas de uma peça publicitária
e de um texto poético. Como as fronteiras entre gêneros discursivos são porosas, não há como definir,
de maneira estanque, um gênero apenas considerando seus aspectos linguísticos. Nesse sentido, como
o tradutor lida constantemente com diversos gêneros discursivos em sua prática, é importante
conscientizá-lo sobre os processos sociais e discursivos que permeiam a tradução de diferentes
gêneros, que já é, por si só, um gênero terceiro, e que vão além de sua constituição formal. Defende-
se, pois, neste trabalho, a tradução como um transgênero (SOBRAL), já que, além de lidar com esta
trasitoriedade social e discursiva do gênero, também é um texto transformado (não é uma cópia do
primeiro e tampouco um texto completamente novo). Abordar essa instabilidade dos gêneros, do
conceito de gênero e do conceito de tradução é caminhar, segundo Moita Lopes (2008), nas
"margens". Além disso, esta proposta também se fundamenta em uma concepção pós-moderna de
tradução, que problematiza heranças iluministas de língua e passa a concebê-la como constitutiva de
nossa subjetividade, enquanto sujeitos (hiper)complexos, híbridos e cindidos. A tradução é, nesse viés,
a materialização deste conceito, resultando na produção de um texto outro que é inevitavelmente
heterogêneo. Os resultados de discussões como esta na formação de tradutores demonstram que a
teorização sobre gêneros do discurso possibilita colocar em prática propostas de trabalho que
vislumbram a tradução sob um viés crítico e como uma prática sócio-discursiva de fronteira.

Palavras-chave: Tradução; Gêneros do Discurso; Epistemologia de fronteira

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UMA ANÁLISE DA OBRA DE DALTON TREVISAN E SUA TRADUÇÃO


PARA O INGLÊS SOB A PERPECTIVA DOS ESTUDOS DA TRADUÇÃO
BASEADOS EM CORPUS

Liliane Mantovani (UNESP)


Diva Cardoso de Camargo (UNESP)

O objetivo deste trabalho é apresentar uma análise da tradução literária de duas obras do escritor
brasileiro Dalton Trevisan (O Vampiro de Curitiba e Novelas Nada Exemplares) para a língua inglesa
(The Vampire of Curitiba e Novels Not At All Exemplary), do tradutor norte-americano Gregory
Rabassa. O foco da análise é a identificação de características da linguagem tradutória, como
vocábulos recorrentes e preferenciais presentes no par de obras. Quanto ao arcabouço teórico-
metodológico da pesquisa, apoiamo-nos nos Estudos da Tradução Baseados em Corpus (BAKER,
1995, 1996; CAMARGO, 2005, 2007) e na Linguística de Corpus (BERBER SARDINHA, 2004). A
análise conta com o auxílio do programa computacional WordSmith Tools para a investigação dos
vocábulos, uma vez que a área dos Estudos da Tradução baseados em Corpus tem feito importantes
contribuições para a compreensão dos processos envolvidos na tradução (BERBER SARDINHA,
2004). As pesquisas de Mona Baker (1993, 1995, 1996) marcam o grande impulso inicial nas
pesquisas em tradução com corpora. Em especial, Baker (1993,1995) descreve as bases da exploração
de corpora para fins tradutológicos e estabelece quatro categorias “universais” observadas nos textos
traduzidos: simplificação, explicitação, normalização e estabilização. Os resultados de nosso estudo
apontam que os vocábulos de maior chavicidade presentes nas duas obras estão relacionados à figura
feminina e à descrição de seu corpo (a título de exemplificação, encontramos os seguintes vocábulos
com alto índice de chavicidade: mão/hand, cabeça/head, mulher/woman, boca/mouth e olho/eye).
Além disso, os resultados também sugerem uma tendência de o tradutor de o tradutor Gregory
Rabassa optar pela tradução literal dos vocábulos e mostra uma tendência à normalização no texto de
chegada.

Palavras-chave: Estudos da Tradução Baseados em Corpus. Linguística de Corpus. Dalton Trevisan.


Gregory Rabassa.

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ADAPTAÇÃO DE ELEMENTOS DA NARRATIVA ESCRITA PARA UM JOGO


ELETRÔNICO

Luís Antonio Trigolo Júnior (UEM)

Levando em consideração os novos perfis dos leitores e as mudanças advindas da tecnologia em todas
as áreas do saber, este trabalho tem como principal objetivo verificar de que forma um jogo eletrônico
(Life Is Strange) pode integrar e ressignificar elementos da narrativa escrita representados em um meio
semiótico distinto. Além disso, em função da falta de uma metalinguagem para analisar tais elementos
dentro de um game, serão utilizados as concepções, já consolidadas, de narrativa escrita. Serão anali-
sados elementos como personagens, narrador, nó, clímax, desfecho etc. Além disso, considerando
certos jogos da atualidade, é possível perceber que muitos deles se desenvolveram a ponto de englobar
narrativas complexas e diversos elementos narratológicos, o que faz com que o jogador possa ser con-
siderado um jogador-leitor que se relaciona ativa e intensamente na construção dessas narrativas. A-
lém disso, em função da escassez de uma metalinguagem Para tal, constitui o escopo teórico desse
artigo o conceito ergódico desenvolvido por Espen J. Aarseth (1997), que se refere a uma não-
linearidade na construção da narrativa e que se considera o leitor como indivíduo que participa ativa-
mente da construção dela, ideias sobre adaptação expostas por Hattnher (2013) e postulados acerca de
games desenvolvidos por Gee (2007), dentre outros pesquisadores.

Palavras-chave: Literatura ergódica; Adaptação; Agência.

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DOIS DEDOS DE PROSA: TRADUZINDO


O ROMANCE GREGO DÁFNIS E CLOÉ (I-II d.C.)

Luiz Carlos André Mangia SILVA (UEM)

Em termos teóricos, a tradução de poesia é sempre considerada o caso limite da prática tradutória. O
apelo dos poetas a recursos artísticos de toda espécie (tais como metro, ritmo, estrofe, paronomásia,
rima, entre muitos outros) confere ao poema, produto final, uma sobrecarga de significados que ou
estimula o tradutor a uma aventura poética também ele, na tentativa de recriar pelos meios possíveis
os elementos percebidos no original, ou simplesmente o repele, por prudência ou inabilidade. Temos
nos alinhado há pelo menos dez anos ao primeiro tipo de tradutor destacado, por considerar mais re-
compensador o esforço desprendido na versão de textos artisticamente trabalhados, por sua singulari-
dade especial. Contudo, para incrementar a experiência de tradutor de língua grega antiga, trocamos
recentemente de mundos, abandonando a poesia grega em busca da prosa romanesca. Que o romance
tem origem grega é fato que alguns estudiosos da área não ignoram (entre eles, Bakhtin, por exemplo).
Com essa finalidade – contribuir com a adequada recepção moderna do romance grego – selecionamos
a obra Dáfnis e Cloé, de Longo de Lesbos (séculos I-II d.C.), como corpus de nossa pesquisa. É preci-
so confessar que a proposta de traduzir prosa literária grega, embora útil a uma ampla formação pro-
fissional em tradução, parecia-nos a priori enfadonha – pela certeza de não encontrar no corpus sele-
cionado as dificuldades (estimulantes) que um tradutor de poesia espera. A prosa, sentida assim como
mais pobre, parecia-nos exigir qualidades tradutórias de somenos. Com que surpresa, no entanto, per-
cebemos agora, depois de experiência preliminar, que a versão de prosa literária exige de fato certa
linearidade no trato do texto (ordem da frase, organização vocabular). Todavia, por não estar confina-
do em recursos formais que sobrecarregam de significação o texto final, a versão da prosa romanesca
grega ao português tem permitido um incremento artístico muito maior do que a poesia, decorrente da
ausência do constrangimento formal próprio da poesia. Nesta comunicação, demonstraremos como o
trabalho com a prosa romanesca grega pode revelar-se gratificante e libertador no que se refere à tra-
dução, por permitir, sem as amarras próprias da poesia, as maiores ousadias tradutórias em atendimen-
to à beleza do texto final.

Palavras-chave: Tradução; Prosa Grega; Romance antigo; Dáfnis e Cloé

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TRADUÇÃO, POESIA E LIVRO DIDÁTICO: UMA ANÁLISE DESTA TRÍADE


EM EXEMPLARES DE LÍNGUA INGLESA

Marcela Gizeli Batalini (UEM)

Devido aos livros didáticos constituírem a principal, quando não única, ferramenta que norteia o ensi-
no de línguas no cotidiano escolar, muitos aspectos presentes (e mesmo ausentes) nesses materiais
precisam ser tomados como objeto de estudos. Este é o caso dos gêneros literários, mais precisamente
da poesia, ainda não contemplada de modo significativo; bem como o da tradução, que, nas suas parti-
cipações mínimas, é abordada segundo uma concepção mais tradicional, a partir de noções de equiva-
lência linguística, “perdas” e intraduzibilidade. Nessa perspectiva, o presente trabalho tem por objeti-
vo investigar e analisar as propostas de atividades que envolvem a relação entre poesia e tradução em
dois livros didáticos de língua inglesa (publicados em 2005 e 2016), os quais são destinados ao ensino
médio e foram (ou ainda são) utilizados em escolas no município de Maringá, Paraná. Os dados levan-
tados apontam a ausência de um trabalho efetivo com a poesia, assim como com a tradução vinculada
a esse gênero, a qual ocupa um espaço “menor”, ao final da página, e como entrada de termos nos
glossários. Além disso, é apresentada como um processo mecânico, estanque, com significados pré-
determinados, ignorando a dinamicidade da língua e a importância do contexto. Sua materialização se
dá ou na mera transcrição de versos do poema, em que podemos depreender uma concepção de tradu-
ção mais como transferência de significados, ou como um tema específico para tradutores e intérpre-
tes, portanto algo a ser evitado no contexto escolar. Assim, os materiais analisados deixam de olhar
para a tradução enquanto processo natural e inerente à aprendizagem de uma língua estrangeira, igno-
rando o desenvolvimento de um trabalho de formação crítica e reflexiva do aluno.

Palavras-chave: Livro didático. Poesia. Tradução.

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TRADUÇÃO INTERSEMIÓTICA: UMA ANÁLISE CRÍTICA DO MANTO DO


CÍRIO DE 2017

Marcia Goretti Pereira de Carvalho (UFSC)

Este artigo tem como objetivo analisar um dos ícones do Círio de Nazaré, o Manto do Círio de 2017,
sob a ótica da Análise Crítica do Discurso e da Tradução Intersemiótica. O Círio de Nazaré é a maior
festa religiosa do Pará conforme registrado pelo IPHAN (2006) como Patrimônio Cultural de Natureza
Imaterial e o Manto do Círio que veste a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, há décadas, é
um ícone muito significativo dessa festa religiosa e cultural. Ele é apresentado ao público, em uma
cerimônia especial na Basílica de Nazaré, dias antes da Procissão principal do Círio que percorre as
ruas de Belém na manhã do segundo domingo de Outubro. Cada ano há um manto diferente
relacionado ao tema do Círio daquele ano e que cobre a imagem peregrina em todas as doze romarias
em que ela está presente durante a quadra nazarena que começa na sexta-feira anterior ao Círio e se
estende até o Recírio, quinze dias após o Círio. E essa representação e significação do manto para a
Festa do Círio e para os paraenses serão analisadas de acordo com os estudos realizados pelos teóricos
da Análise Crítica do Discurso (ACD), segundo os quais um texto transmite ao leitor desse texto um
sentido específico dentro de um contexto sócio-cultural próprio de cada sociedade assim como, com
base na teoria da tradução intersemiótica, há todo um processo tradutório quando se ‘traduz’ um
objeto (o manto) em palavras ou vice-versa. Como arcabouço teórico para a análise do Manto do
Círio, temos os trabalhos de alguns analistas críticos do discurso e da tradução intersemiótica como
Jakobson (1959), Plaza (1987), Fairclough (1989, 1992, 1993, 1995, 2001), Meurer (2005), Caldas-
Coulthard (2007), Heberle (2008), Alves (2012) dentre outros e jornais e revistas sobre o Manto do
Círio de 2017 além de trabalhos de pesquisadores sobre o Círio. O estudo crítico do Manto mostra a
identificação do paraense com o Círio e a sua relação com a ideologia católico-cristã.

Palavras-chave: Tradução Intersemiótica. Análise Crítica do Discurso. Manto do Círio

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ANÁLISE COMPARATIVA DA SUBCOMPETÊNCIA CULTURAL EM DUAS


LEGENDAS DO SERIADO THE BIG BANG THEORY

Marcus Alexandre Carvalho de Souza (UFPA/UFSC)

Com a crescente expansão das produções audiovisuais e seu grande número de espectadores, a tradu-
ção audiovisual vem ganhando cada vez mais espaço no mercado e, por conseguinte, na pesquisa
acadêmica. Dentre as modalidades desse tipo de tradução, as legendas já figuram como parte da vida
de muitas pessoas, pois é grande o número de telespectadores de produções audiovisuais que, mesmo
não tendo acesso a uma língua estrangeira, querem ouvir o som original de filmes e séries enquanto
têm o seu entendimento facilitado por essa ferramenta. Seu processo de produção implica, além de
todo o arcabouço técnico, na ativação de competências que permeiam qualquer trabalho tradutório.
Este trabalho tem por foco a análise da subcompetência cultural, que integra as competências tradutó-
rias sugeridas por Schäffner (2010), na produção de duas legendas em português brasileiro do seriado
The Big Bang Theory, uma produzida pelos fãs (fansubs) e outra para o DVD. Sendo o humor um
elemento cultural bastante presente em seriados e que deve ser levado em consideração quando da
tradução de legendas, o legendador tem o desafio de transformar o humor da língua fonte em humor
na língua alvo. O objetivo principal é verificar que estratégias os legendadores utilizam na tentativa da
manutenção do humor nessa tradução e como é feita a tradução de outros aspectos culturais nas legen-
das em português brasileiro existentes no mercado. As legendas coletadas foram organizadas por meio
de um concordanciador paralelo, disponível no Corpus Paralelo de Tradução (COPA-TRAD). Os
resultados mostram alguns problemas de tradução causados pelo não entendimento de expressões
idiomáticas, aspectos relacionados ao abrandamento das falas dos personagens, a domesticação de
elementos culturalmente marcados e os possíveis impactos na tentativa de geração do humor.

Palavras-chave: Tradução audiovisual; Legendagem; Subcompetência cultural.

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TRADUÇÃO, LITERATURA E ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: RELATO DE


UMA PROPOSTA DE TRABALHO COM O MENINO DO PIJAMA LISTRADO
(2014)

Mariana Cristine Gonçalles (UEM)

O presente artigo tem como objetivo principal discutir conceitos pós-modernos sobre tradução que
embasam uma abordagem de leitura no ensino de língua inglesa em uma turma de primeiro ano do
Ensino Médio de um colégio particular na cidade de Marialva, PR. Esse processo se deu por meio do
trabalho com o best-seller The boy in the striped pajamas (2011), de John Boyne, sua tradução
interlingual, O menino do pijama listrado (2014), por Augusto Pacheco Calil, e o filme O menino do
pijama listrado (2008). Para tanto, as aulas se deram a partir da leitura do primeiro capítulo e cena de
cada objeto de trabalho, com o fim em discussões e atividades de práticas tradutórias. Este estudo se
justifica em função da necessidade de desconstruir uma ideia tradicionalista que se tem sobre tradução
e que ainda é compartilhada pelo senso comum de que ela deve ser literal e fiel ao texto “original”.
Além disso, também pretendemos reforçar o caráter multidisciplinar dos Estudos da Tradução ao
congregar ensino de língua inglesa, literatura e tradução. Para tanto, valemo-nos dos teóricos Arrojo
(2003) e Derrida (2002) para tratar de conceitos pós-estruturalistas da tradução e Leffa (2012) e
Pontes; Lima e Nunes (2015) para abordar a importância da tradução no ensino de línguas.

Palavras-chave: Tradução. Ensino de língua inglesa. Literatura. Best-sellers.

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ABORDAGEM FUNCIONALISTA PARA A TRADUÇÃO DE TEXTOS SENSÍVEIS: ANÁLISE


DAS SEMELHANÇAS ENTRE TEXTO BÍBLICO E TEXTO JURÍDICO.

Mariane Oliveira Caetano (PGET/UFSC)


Marina Piovesan Gonçalves (PGET/UFSC)

O campo dos Estudos da Tradução pouco tem abordado sobre a temática da tradução de textos
sensíveis. Talvez isso se dê tanto pela razão de que a discussão sobre a sensibilidade dos textos seja
um assunto pouco desenvolvido na grande área da Linguística, bem como por se tratar de textos que,
muitas vezes, requerem uma abordagem distinta das que têm se popularizado na pós-modernidade.
Nota-se que, no tocante à disciplina de ET, tem-se apenas uma grande obra que teoriza a este respeito,
intitulada Translating sensitive texts: linguistic aspects, de Karl Simms (1997). Deste modo, o
presente trabalho visa discutir dois tipos de textos considerados sensíveis – o texto sagrado e o texto
jurídico – e em quais aspectos, relacionados ao processo tradutório, eles se aproximam por sua
sensibilidade, com o pressuposto inicial de que, com finalidade de servir a públicos específicos,
requerem uma abordagem funcional. Simms (1997) aborda que um dos tipos de sensibilidade está
relacionado ao uso de textos políticos (contexto jurídico) de comunicação externa e explana que “a
sensibilidade dos textos políticos é, portanto, um conceito funcional. Pode ser melhor explicada dentro
da abordagem da tradução, como a teoria do skopo” (Simms, 1997, p. 138). De modo semelhante,
Simms (1997) explica que os textos sagrados são vistos como sensíveis, pois expressam a intenção de
um autor original – que se crê ser um ser superior. Haja vista que muitos textos sagrados – e em
especial o texto bíblico que é tratado neste trabalho – possuem sua origem em línguas e culturas
distantes da realidade atual, faz-se necessária durante a tradução desses textos uma perspectiva
funcional. A partir destas informações, demos início a este estudo, pois o contexto tradutório jurídico e
sagrado ainda não se deu conta de que suas traduções podem ser bem amparadas pelas teorias de
Vermeer (1978) e Nord (1991, 2016). Assim sendo, esta pesquisa visa argumentar a favor do
Funcionalismo Alemão – que possui Nord (1991, 2016) como grande expoente na contemporaneidade
– como base elementar para a tradução de ambos os tipos textuais (bíblicos e jurídicos), tendo em vista
a discussão de Simms (1997) que, por mais que tenha escrito sua obra em uma época anterior à
disseminação e popularização desta abordagem teórica, já atribuía ao processo tradutório dos textos
sensíveis a perspectiva funcional.

Palavras-chave: Estudos da Tradução. Textos sensíveis. Sagrado. Jurídico. Funcionalismo.

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A ESCOLHA DE ROBERT DE BORON PELOS TEXTOS BÍBLICOS EM


MERLIN

Mariany Camilo Nabarrete (UEM)

No período da Idade Média a cultura era transmitida, fundamentalmente, de forma oral, todo o
ensinamento era narrado de maneira didática, para transmitir conhecimentos e instruções. As histórias
que eram narradas faziam parte do universo mágico e eram usadas para compensar as dificuldades da
vida real. A intertextualidade sempre se fez presente e foi muito debatida por diversos teóricos, isso
pois, o escritor sempre recorreu à outras obras para escrever suas “criações”, Segundo Perrone-Moisés
(1978), o texto literário se relaciona com textos anteriores ou contemporâneos, um desses inúmeros
exemplos é a relação da Bíblia com textos anteriores, relações estruturais, situacionais e até de
personagens. Gennette (2010) declara a relação entre a intertextualidade e a tradução, para o autor, a
hipertextualidade, um dos tipos de relações entre os textos, é relacionada a imitação, imitação essa que
será demonstrada por esse trabalho. O texto de Boron, a partir de imitações, logo de traduções, tanto
em relação ao tema, quando em relação às situações, será apesentado como uma tentativa de justificar
essa adaptação de temas para uma obra medieval. Desta forma, o presente estudo tem por objetivo
identificar possíveis razões para que o autor da obra Merlin escrita no século XIII, Robert de Boron,
tenha escolhido características dos textos bíblicos para produzir a sua obra. A grande maioria das
obras medievais, segundo estudiosos, possuem um caráter formador, eram criadas com o intuito de
adequarem uma população para um determinado regime político e religioso, o mesmo se diz das obras
relacionadas à Távola Redonda, ao Santo Graal e ao Rei Artur. Na Idade Média, período em que essa
obra foi escrita, a literatura era permeada de mitologias, isso se dava por diversas razões, uma delas
era o poder exercido pela igreja católica, poder político e econômico que influenciavam na criação
artística. Boron (1993) nos diz em sua obra que o personagem misterioso atuou na Inglaterra, em um
tempo que o cristianismo havia acabado de se instalar e que por isso ainda não tinha tido nenhum rei
cristão.

Palavras-chave: Idade Média. Imitação. Merlin. Literatura francesa. Tradução.

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FEMINISMO (EM NOTAS): A VIOLÊNCIA CONTRA MENINAS NA


TRADUÇÃO COMENTADA DE "ON TUE LES PETITES FILLES", DE LEÏLA
SEBBAR

Marina Donato Scardoelli (Unesp/Ibilce)

Este trabalho trata da tradução comentada do ensaio "On tue les petites filles : une enquête sur les
mauvais traitements, sévices, meurtres, incestes, viols contre les filles mineures de moins de 15 ans, de
1967 à 1977 en France", publicado em 1978, pela escritora argelina Leïla Sebbar. A bibliografia da
autora é extensa, constituída por obras cujos temas remetem principalmente ao universo feminino,
questões de identidade, imigração e exílio. O ensaio que nos propomos traduzir, um dos mais notáveis
na carreira da autora, traz relatos de abuso contra meninas menores de quinze anos, como maus tratos,
assassinato, incesto, pedofilia e estupro, nos anos de 1967 a 1977 na França. A proposta principal
desta pesquisa é fomentar a discussão sobre a violência contra a mulher, questão extremamente
importante para o momento no qual vivemos, e que, muitas vezes, acaba negligenciada. Portanto,
pretendemos esclarecer, por meio das notas do tradutor e de outros elementos paratextuais, questões
culturais, históricas, linguísticas e ideológicas que julgarmos relevantes na tradução. Também temos o
propósito de refletir sobre autoria e autonomia do tradutor sobre o texto, bem como sobre as questões
éticas que permeiam um trabalho de tradução ideologicamente condicionado, dado que a
impossibilidade de uma linguagem neutra não permite que o texto esteja isento de ideologia.
Inconscientemente ou não, o tradutor imprime suas opiniões no texto traduzido quando, por exemplo,
escolhe determinada palavra em detrimento de outra. Para realização desta pesquisa, baseamo-nos em
teorias pós-modernas de tradução que levam em conta a desconstrução derridiana do signo (Cf.
ARROJO, 1986; BERMAN, 1995; RODRIGUES, 2000), em estudos sobre o papel dos elementos
paratextuais na tradução (Cf. SARDIN, 2007; RODRIGUES, 2009; ZAVAGLIA et al., 2015) e nas
considerações de Judith Butler sobre gênero.

Palavras-chave: tradução comentada; feminismo; tradução feminista.

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MATERIALIZAÇÃO DOS SENTIDOS ADIADOS EM “OS FUNERAIS DO


COELHO BRANCO” (2014), DE NENÊ ALTRO

Mayara Stéphanie Barbieri dos Santos (UEM)

Neste trabalho, entendo tradução segundo um viés desconstrucionista, o que implica pensar em um
conceito de língua como algo dinâmico e em tradução como transformação do texto de partida (cf.
Derrida, 2002). Para essa pesquisa, o corpus de trabalho será um arquivo de possibilidades registrado
no processo de versão para a língua inglesa do livro de literatura periférica Os funerais do coelho
branco (2014), de Nenê Altro. A versão do texto foi realizada durante a disciplina de “Estágio
Curricular Supervisionado em Tradução I” no bacharelado em Tradução da Universidade Estadual de
Maringá (UEM) em 2017. O objetivo desta comunicação será, então, refletir, através desse arquivo de
possibilidades, sobre o conceito derridiano de sentidos adiados. Para tal, o arcabouço teórico se
baseará principalmente em Derrida (1972/2001), no que concerne ao conceito de différance, segundo o
qual os sentidos são (re)construídos em um jogo de relações. Esse jogo se refere ao imbricamento de
sentidos, uma teia de rastros de significados que remete a outros rastros, visto que nenhum elemento
funciona como signo sem se relacionar a outros signos. Segundo Derrida (1972/2001), esse
encadeamento faz com que um signo só se constitua a partir dos outros. Nessa perspectiva, o referido
arquivo de possibilidades representaria o registro de uma jornada de interpretação e posterior tomada
de decisão de uma tradutora ainda em formação, o que funcionaria como a “materialização” desse
conceito abstrato, já que denota a (re)construção de sentidos no jogo de significações. Nessa
perspectiva, teóricos como Arrojo (2003), que defende a multiplicidade de sentidos no processo
tradutório, e Olher (2010), que considera a tradução como a materialização de uma leitura, também
fundamentam este estudo analítico-interpretativista.

Palavras-chave: Tradução; Différance; Sentidos Adiados; Literatura Periférica.

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WORDS INTO IMAGES? OS CONTOS DE EDGAR ALLAN POE


TRADUZIDOS PELOS ALUNOS DA ESCOLA PÚBLICA PARA PRODUÇÕES
MULTIMODAIS

Ms. Nara E. Ribeiro da Silva (UEM)

Este trabalho, que traz recortes de uma pesquisa de Mestrado em Literatura na área de formação do
leitor, tem como objetivo apresentar as atividades multimodais produzidas por alunos do terceiro ano
do ensino médio durante a oficina “Ensino de Literatura em Língua Inglesa e multiletramentos: Edgar
Allan Poe na escola pública” ofertada em um colégio estadual central na cidade de Maringá-PR. Mais
especificamente, objetiva-se apresentar de que forma os contos A Máscara da Morte Rubra (1842), O
Coração Delator (1843) e A Queda da Casa Usher (1839) do autor norte-americano Edgar Allan Poe,
foram lidos pelos alunos, tanto no texto verbal quanto na animação Extraordinary Tales (2015) e
posteriormente traduzidos pelos alunos em produções Multimodais na plataforma What’sApp e em
HQs. Para esta pesquisa, o trabalho com traduções foi aliado ao conceito de multiletramentos (COPE
& KALANTZIS, 2015), o qual propõe a leitura e a construção de sentidos que possam ultrapassar os
limites do código linguístico e que considera diferentes meios semióticos como possibilidades de
produzir sentido. Justifica-se a relevância deste trabalho pela necessidade de se reconhecer que no
cenário atual as atividades de leitura e a produção de sentido se dão em diferentes níveis e de
diferentes modos, já que a circulação de textos literários ocorre em outros meios, na maioria das
vezes, pelo processo de tradução, que leva tais textos para produções, como filmes, histórias em
quadrinho e jogos (HUTCHEON, 2005; HATTNHER, 2010). Esses novos modos de ler e comunicar
são o reflexo da “convergência” (JENKINS, 2005) do fluxo de conteúdos com as múltiplas
plataformas de mídia, e do comportamento migratório do público presente que lê e produz nos meios
de comunicação.

Palavras-chave: Tradução; Literatura; Formação do leitor.

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TRADUÇÃO E ANÁLISE LINGUÍSTICA: ANÁLISE DE UMA PROPOSTA DE


ATIVIDADE VOLTADA PARA A FORMAÇÃO DE TRADUTORES

Pedro Augusto Pereira Brito (UEM)


Edson Carlos Romualdo (UEM)

Esta comunicação tem por objetivo apresentar a análise de uma proposta de atividade realizada em
contexto de formação de professores e tradutores que utilizou da análise linguística (AL) como ferra-
menta para reflexão de conteúdos estudados na disciplina de Linguística, localizada no segundo ano
do curso de Letras/Inglês em uma universidade pública paranaense. Os dados a serem apresentados
são resultantes de pesquisa de mestrado (BRITO, 2016) na qual se realizou um estudo de caso com
contornos etnográficos, fazendo uso de dados quantitativos e qualitativos a fim de se cumprir o objeti-
vo de compreender o desempenho do grupo dos estudantes, sujeitos da pesquisa, frente à proposta
didática. Segundo questionário prévio respondido individualmente pelo grupo, a turma se autodecla-
rava enquadrada nos maiores níveis de proficiência da língua inglesa, o que fazia supor que não have-
ria sérios problemas ao atendimento da atividade, visto que a proposta apresentava exercícios que
promoviam a articulação da AL com o processo de tradução, possibilitando a reflexão teórica e prática
dos conteúdos estudados, de acordo com o que preconizam as Diretrizes Curriculares Nacionais dos
Cursos de Letras e o Parecer CNE/₢P 09/2001. Por meio da atividade, os alunos deveriam refletir
sobre textos em língua materna nos quais os conteúdos estudados estavam empregados. Na sequência,
deveriam propor uma tradução e explicitar as facilidades e dificuldades que encontraram durante o
processo, por conta das (im)possibilidades de tradução materializadas nos textos em língua materna.
Como resultado, no tocante aos movimentos tradutórios, encontramos a) processos de tradução que
oscilaram entre o atendimento ou não atendimento à proposta, demonstrando a incidência do processo
de reflexão promovido pela AL nas explicações dadas às escolhas tradutórias ou às impossibilidades
encontradas; e b) abandonos de tradução ou de explicação a traduções que não consideravam a refle-
xão linguística no texto traduzido.

Palavras-chave: Tradução; Análise Linguística; Formação de Tradutores.

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TRADUÇÃO, RESSIGNIFICAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO EM HACAIPIRAS DE


DOMINGOS PELLEGRINI

Robson Deon (UTFPR)


Sandra Mara Fernandes dos Santos (UTFPR)

A atividade de tradução não é algo neutro, homogêneo, mas envolve muitas particularidades e concei-
tos que norteiam e determinam significativamente o material a ser traduzido. Dentre esses muitos
conceitos Venuti (2012) propõe os procedimentos de estrageirização e domesticação, além da teoria da
invisibilidade. Desse modo, neste artigo propõe-se discutir as estratégias de tradução empregadas ao
traduzir dois haicais do português para o inglês, sendo que esses são provenientes do livro Haicaipiras
e Quadrais de Domingos Pellegrini. Além disso, dispõe-se a explanar sobre os desafios presentes na
caminhada do tradutor de forma geral. O trabalho embasou-se nos estudos sobre tradução (VENUTI,
2002; LANZETTI, 2009; MILTON [1956]1998), e, em teorias sobre análise da estrutura sonora do poe-
ma (CANDIDO, 1996). Os dois haicais analisados fazem parte do corpus de obras traduzidas como
parte das atividades de formação de tradutores, no escopo do projeto de pesquisa em Estudos Descriti-
vos da Tradução, coordenado pela Prof.ª Dr.ª Mirian Ruffini, do departamento de Letras da UTFPR,
campus Pato Branco, que continua em andamento. Na análise dos haicais escolhidos para este artigo
houve a inclinação pelos procedimentos domesticadores. Esse fenômeno está visível na alteração da
estrutura rítmica e sonora do poema em relação ao texto-fonte, principalmente aquelas em que foram
adicionados sinais de pontuação (vírgulas). A domesticação do estilo também é constatada, nesta pes-
quisa, pelo uso do procedimento de reconstrução na tradução, segundo os preceitos de Lanzetti et al
(2006), com acréscimos de certas palavras, de modo a alterar o texto semanticamente. Entretanto,
consta que tal mudança semântica não objetivou uma ruptura total: antes procurou-se manter a acep-
ção primeira, partindo do ‘valor semântico do texto-fonte’ para, por meio de mudanças e opções tradu-
tórias, expandi-lo em seu potencial de sentido e conteúdo, que, consequentemente, possibilitou novas
possibilidades de leituras dos poemas, enquanto se procura manter a organicidade dos poemas.

Palavras-chave: Tradução. Haicaipiras. Domingos Pellegrini. Domesticação.

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“DOM CASMURRO” DE MACHADO DE ASSIS EM ALEMÃO: UMA


ABORDAGEM DA TRADUÇÃO

Rosanne Cordeiro de Castelo Branco(UFPA)

“Machado de Assis se encontra entre os autores brasileiros que mais têm textos traduzidos para o
alemão” (SOUSA, 1990). Considerando o fato de que Dom Casmurro já apresenta cinco traduções
para essa língua, o presente trabalho objetiva fazer uma investigação, sobre a tradução encontrada
online de Marianne Gareis, datada de 2013, da obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, publicada
em 1899. A autora registra, que a denominação da obra “Dom Casmurro” segue a primeira edição
brasileira, fazendo-se reverberar nas palavras de Gledson (2006:283) ao destacar que “os problemas
do tradutor começam com o título intraduzível”. O presente estudo visa apontar as estratégias teórico-
metodológicas adotadas pela tradutora sobre o livro, objeto desse estudo, observando alguns aspectos
semânticos específicos que contribuíram para chegar ao texto fim da tradução de “Dom Casmurro”
em língua alemã. Isso porque Machado de Assis fez uso de estratégias e recursos estilísticos para
contextualizar o tempo e o espaço da obra, objetivando denunciar problemas sociais e políticos à
época da proclamação da República no Brasil, com o estilo caracteristicamente irônico. A partir dos
fragmentos escolhidos, da tradução livre de Gareis do português para o alemão, a tradução da obra
Dom Casmurro (2003) será analisada com o objetivo de investigar tanto a forma quanto as estratégias
de construção narrativa, apontando as estrangeirizações e/ou domesticações adotadas pela tradutora a
fim de alcançar um resultado satisfatória aos leitores da língua meta. O embasamento teórico se apoia
nos fundamentos dos Estudos da Tradução defendidos por BASSNETT e LEFEVERE (1998);
BERMAN (2002;2013); VENUTI (2000) e LAMBERT (2011).

Palavras-chave: Machado de Assis em língua alemã. Dom Casmurro. Estudos da Tradução.

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AS NOÇÕES SOCIOLÓGICAS DE HABITUS NO CONTEXTO DO ENSINO E


APRENDIZAGEM DE COMPETÊNCIAS INTRUMENTAIS-
TERMINOLÓGICAS: UM ESTUDO BASEADO NO USO DE CORPORA DA
WIKIPÉDIA EM ATIVIDADES COLABORATIVAS DE TRADUÇÃO

Talita Serpa (UNESP/ UNILAGO)


Rodrigo Cerna-Chávez (UNIVERSITY OF MANCHESTER)

O presente trabalho tem por objetivo refletir sobre o conceito de habitus promulgado por Pierre
Bourdieu (1980, 1982) no contexto do ensino e aprendizagem de competências instrumental-
terminológicas em tradução, por meio de atividades colaborativas com base em corpora (OLOHAN,
2012, 2014; VOLK, GRAEN, CALLEGARO, 2014) que compartam saberes e estratégias de uma
profissão. Para tanto, apresentamos uma proposta de exploração didática com base no uso da
Wikipédia e de corpora paralelos e comparáveis disponíveis na Web 3.0. Valemo-nos do arcabouço da
Sociologia da Educação (PERRENOUD, 2001; POZZOBON, 2008; TARDIF, 2002) e da Sociologia
da Tradução (SIMEONI, 2007; GOUANVIC, 2005; INGHILLERI, 2005; WOLF, 2014); da
Pedagogia da Tradução (DIAZ FOUCES, 1999; KIRALY, 1995, 2012; HURTADO ALBIR, 2000,
2005); bem como de teorias sobre Wiki para tradução (MUÑOZ, 2017;GOELLNER; SANCHÉZ,
2006, 2007; ESCAMÉZ, 2009; JIMENEZ, 2014, 2015; JIMENEZ, 2012; POLO, MORA, 2010) e
sobre terminologia no ensino (TAGNIN, 2001, 2004; TAGNIN, FROMM, 2008), a fim de estimular
os fatores que compõem um comportamento no qual o compartilhamento de informações integra
competências instrumentais do tradutor. Elaboramos um exercício de compilação de corpora paralelos
de artigos da área de biotecnologia médica na direção português ↔ inglês ↔ espanhol retirados da
Revista Científica da Fapesp (2016-2017), e processamos via software AntConc (ANTHONY, 2006) a
fim de: 1) elaborar listas de correspondentes para termos frequentes e combinatórias regulares e 2)
construir uma Wiki multilíngue na forma de parallel-cum-comparable corpus (ZANETTIN, 2014),
promovendo a utilização da ferramenta digital para o desenvolvimento de ações tradutórias efetivas
entre os aprendizes, bem como para a formulação de um instrumental terminológico de acesso aberto.
Assim, ao trabalharem de maneira contígua, acreditamos que os estudantes tornam-se aptos a conceber
um sistema de percepções pautado nas regularidades terminológicas e tradutórias que compõem o
habitus profissional.

Palavras-chave: Estudos de Corpus na Tradução, Biotecnologia Médica, Terminologia

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THE HELP:
ELEMENTOS FÍLMICOS NA TRADUÇÃO DA PÁGINA PARA O CINEMA

Taynara Cristina de Souza Silva (UEM)

O texto literário The help (STOCKETT, 2009) suscita discussões sobre as relações étnico-raciais nos
Estados Unidos da América na década de 1960, especialmente na cidade de Jackson, Mississipi. O
livro faz referência a vários aspectos da historiografia tradicional e permite ao leitor refletir sobre eles
através da construção da narrativa escrita. Quando um livro é levado para o cinema, os elementos
representados no meio semiótico escrito são reconstituídos por outros recursos, mais especificamente,
pelos audiovisuais. No entanto, ao se tratar de filmes com enredos traduzidos de livros, surge entre os
fãs desses textos de partida a cobrança por “fidelidade”, a qual é muitas vezes pautada na simples
comparação das falas do livro com as falas do filme, sem considerar as características que permitem a
constituição do cinema enquanto meio semiótico independente. Com base nessa discussão, a proposta
desta comunicação é abordar questões cinematográficas a partir de uma breve análise de trechos do
filme The help (2011), dirigido por Tate Taylor, que foram “massacrados” por fãs em blogs de
resenhas de filmes, como Além do livro e Omelete, da Uol. De forma específica, pretende-se mostrar
alguns exemplos do modo como a narrativa fílmica reconstruiu a narrativa do livro por meio do
processo criativo que envolveu um trabalho colaborativo entre diretor, produtor e autora do livro. É
importante salientar que The help (2009), de acordo com especulações da mídia, já tinha seus direitos
para a produção cinematográfica vendidos antes mesmo da sua publicação, assim, a própria escritora
do livro, que participou do processo de tradução para o filme, legitimou a recriação de “seu” texto. A
discussão teórica deste trabalho é principalmente pautada em Hutcheon (2016) e Hattnher (2010;
2013), que tratam de questões que envolvem o processo de adaptação, e em Jullier e Marie (2009), no
que diz respeito à análise das imagens.

Palavras-chave: The help/ A resposta; tradução; cinema; literatura.

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A PRÁTICA DE REMEMORAÇÃO E A SUBJETIVAÇÃO DO IDOSO

Adélli Bortolon Bazza (UEM)

Nas últimas décadas, observou-se, em países desenvolvidos e em desenvolvimento, um aumento no


número de idosos, o que fez com que essa população se tornasse foco do olhar do poder. Juntamente a
um trabalho governamental que busca gerir esses corpos e vidas, inicia-se uma produção discursiva
que fala desse sujeito. Entre os saberes produzidos, está a imagem de um ‘novo idoso’ alegre e focado
no presente. Desse modo, propomos investigar como se dá, no discurso do idoso sobre ele mesmo, a
relação com as memórias. Para tanto, embasamo-nos em uma análise discursiva calcada nos
pressupostos foucaultianos. Da vasta obra do autor, destacamos os conceitos de subjetividade, técnicas
de si e rememoração, os quais são desenvolvidos em seus estudos sobre a estética de existência, em
obras como ‘História da Sexualidade 3’ e ‘Hermenêutica do Sujeito’. Conforme as observações de
Foucault, na cultura grega, a rememoração consistia em uma técnica de cuidado de si, por meio da
qual os sujeitos rememoravam o vivido, refletiam sobre ele e buscavam aperfeiçoar suas práticas. A
série enunciativa constituída para essa análise é composta de trechos de relatos e de entrevistas
colhidos com idosos estudantes da Universidade Aberta à terceira idade - UNATI-UEM. A análise das
sequências enunciativas indica que, em seu processo de subjetivação, os idosos, ao falarem livremente
de si mesmos, contam suas histórias desde a infância ou a juventude. Tal prática se alinha tanto à
prática de rememoração quanto ao ideal de um idoso saudosista, associado a um antigo modo de ser
idoso. Entretanto, observa-se também que esses sujeitos são afetados por dispositivos, como a
UNATI, que produzem o ideal do novo idoso e os constrangem a viver o presente, produzindo um
silenciamento de seu passado. Trata-se de uma contradição em relação à prática de rememoração que
indicia a subjetividade de novo idoso como polêmica.

Palavras-chave: Rememoração, Subjetivação, Idoso

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GAMES EDUCATIVOS E EMPRESARIAIS: O SUJEITO URBANO


ESCOLARIZADO EM SUA RELAÇÃO IMAGINÁRIA COM SENTIDOS DE
LÍNGUA NA PÓS-MODERNIDADE

Bruna Caires Delgado (UEM)

O recorte selecionado para este evento trata-se de um projeto que ainda está se iniciando. Propomos,
por meio da análise de Games Educativos que circulam online no mercado empresarial, tal estudo:
buscar no sujeito escolarizado urbano, inserido no mercado de trabalho a sua relação imaginária com
sentidos de língua na pós-modernidade. A análise discursiva pode permitir considerar uma
problematização dos discursos oficiais. Eles homogeneízam e estabilizam uma visão de língua e de
sujeito-produtor, como aquele que deve dominar um código (sobre o qual todos podem ter acesso e
domínio de forma inequívoca). Pode, também, possibilitar espaços para a diferença e para outros
sentidos na relação com a língua no mercado de trabalho. O caminho para esse projeto, talvez, seria o
de pensar que: a visão discursiva de língua e de sujeito pode trazer outro olhar para a relação desse
sujeito que está fora da escola, com a sua língua. A de não-instrumento, que se controla, mas sim a de
língua opaca. Nossa hipótese parte de que os discursos das politicas públicas relacionados à Língua
Portuguesa são institucionalizados, desse modo, as noções do sujeito trabalhador em relação á essa
Língua assume um papel central nos seus discursos. O econômico e o político são os princípios
explicativos da produção e do funcionamento social dessa autoimagem de falante, o problema social
deste em relação à Língua sofre um deslizamento para um problema individual e natural, tendo como
efeito principal a manutenção do sistema de mercado atual. A influência do digital dos Games
Educativos, enquanto produção discursiva e os efeitos de sentido próprios dessas produções; a
constituição, formulação e circulação de sentidos.

Palavras-chave: Games Educativos. Análise de Discurso. Leitura. Mercado de trabalho. Pós-


modernidade.

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“MAL DITOS”: O PROCESSO DE SUBJETIVAÇÃO DO SUJEITO NEGRO DO


CICLO DO MARABAIXO URBANO DE MACAPÁ-AP

Ednaldo Tartaglia Santos (UNIFAP/PLE-UEM)

As discussões empreendidas neste trabalho advêm das imagens construídas acerca de sujeitos
peculiares do extremo norte da Amazônia brasileira, mais precisamente do estado do Amapá. Os
sujeitos negros do Ciclo do Marabaixo se constituem como objeto de nossa pesquisa, em especial,
aqueles do perímetro urbano de Macapá, capital do estado do Amapá. Esses sujeitos são
remanescentes de escravos e refugiados negros que mantêm vivo o Marabaixo ou o Ciclo do
Marabaixo (festejos discursivos e ritualísticos que congregam elementos do catolicismo e de religiões
africanas). Tendo em vista que a pesquisa está em andamento, neste trabalho, será apresentada uma
análise inicial do processo de subjetivação dos sujeitos negros em meio ao exercício de poder do
Estado e da Igreja Católica que procurou silenciar e apagar as práticas desses sujeitos, além disso, os
objetivou com “mal ditos”. Assim, este trabalho se filia à análise discursiva de linha foucaultiana e são
mobilizados os conceitos de sujeito, dispositivo e poder. Selecionamos imagens (que estão em
domínio público) e séries enunciativas retiradas de livros e páginas eletrônicas que colocam em
regime de (in)visibilidade uma maquinaria discursiva que opera contra o exercício de poder do Estado
e da Igreja, conduzindo à subjetividade desses sujeitos. O movimento analítico sinaliza que as práticas
discursivas dos sujeitos negros, bem como seus objetos (a culinária, as vestimentas, os adereços, os
tambores, as cantigas, as danças de Marabaixo, etc.) os constituem como sujeito negro do Ciclo do
Marabaixo macapaense.

Palavras-chave: Discursos. Dispositivos. Poder. Sujeição do negro do Marabaixo.

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EFEITOS DA REPRESENTAÇÃO IMAGÉTICA NA PRÁTICA


PUBLICITÁRIA

Elizabeth Labes (UNESPAR)

Considerando que as representações imagéticas são materialidades discursivas que, impulsionadas


pelas mídias eletrônicas, são “consumidas” cotidianamente e operam efeitos sobre o comportamento e
imaginário social, objetivamos, com a presente comunicação, analisar o modo e os efeitos de como a
prática publicitária inscreve imageticamente, intercambiado ao verbal, a historicidade enquanto
mecanismo para promover a venda de produtos, bens e serviços e discutir a necessidade do ensino
desses sistemas simbólicos na escola. Representações imagéticas discursivisam representações de
modos de ser, inscrevem relações de forças sociais e culturais, caracterizando-se, assim, como
formulações altamente ideológicas, que necessitam de gestos de interpretação específicos, que urgem
ser focadas na prática de leitura escolar. Nos subsidiaremos, teórica e metodologicamente, na análise
de discurso de linha francesa (AD), sistematizada na década de 60 do século XX, por Michel Pêcheux.
Esta abordagem viabiliza a proposta por considerar que a linguagem só faz sentido porque se inscreve
na história e por acentuar a importância da noção de prática discursiva, que possibilita restituir à
linguagem imagética a compreensão de seus processos específicos de significância. Assim, o texto
publicitário será analisado em seu funcionamento na história, não só enquanto dimensão
mercadológica, mas, e principalmente, enquanto um sistema simbólico que responde em muito, sutil e
silenciosamente, pela (re)produção de representações sociais. Estabeleceremos como corpus de
análise, textos publicitários que materializam imageticamente a conjuntura social e cultural da
atualidade. Os referenciais sobre materialidade imagética serão apoiados em JOLY, 1999; e
ORLANDI, 1996.

Palavras-chave: Prática discursiva, publicidade, imagem, efeito de sentidos.

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KYLE BROFLOVSKI EM SOUTH PARK: NO JOGO DO PODER, A


CONSTITUIÇÃO DE UMA SUBJETIVIDADE FRATURADA.

Lucas Mestrinheire Hungaro (PG-UEM)


Roselene de Fatima Coito (Orientadora-UEM)

A ideia de produção da subjetividade pode ser enriquecida pela noção de subjetivação de Foucault e
Deleuze. Essa noção vem sempre precedida das palavras “formas”, “modos”, “processos”, que
apontam que a subjetivação nunca está acabada, mas se constitui como um processo contínuo. A partir
dessa perspectiva, há múltiplas maneiras de se subjetivar e de ser subjetivado no decorrer da história,
em que o sujeito pode fixar, manter ou se transformar. Dito em outras palavras, a suposição é que a
subjetividade hoje se produz diferentemente do que se produziu, por exemplo, no início do século XX,
em que se acreditava que o indivíduo não era controlado, não era vigiado e não estava submetido aos
exercícios do poder. São as relações de poder, no seu exercício, que transformam o indivíduo em
sujeito, como por exemplo, pelo controle de um sujeito submetido a outro e a dependência do sujeito
ligado à sua própria identidade. Baseado nesses conceitos de poder e subjetividade de Michel
Foucault, filósofo francês, tomaremos um dos personagens da série animada estadunidense de
televisão South Park, Kyle Broflovski, um menino judeu de 8 anos, como recorte da análise do
corpus. Pensando na sociedade em sua maioria cristã, temos como objetivo entender o modo como a
série trata a questão do judeu e como se dá a visibilidade do dizer sobre este personagem e a
comunidade judaica nos Estados Unidos, por meio da circulação das imagens, constituindo uma
“subjetividade fraturada”, no jogo entre a alteridade e a identidade dos sujeitos, no caso judeu, se
rendendo para a normatividade.

Palavras-chave: South Park; Poder; “Subjetividade fraturada”.

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A SIGNIFICAÇÃO DO SUJEITO MULHER RESPONSÁVEL LEGAL PELO


ADOLESCENTE EM PRIVAÇÃO DE LIBERDADE

Maria De Fátima Pereira De Sena (UEM)


Maria Célia Cortêz Passetti (UEM)

Sob a perspectiva teórica da Análise do Discurso de orientação francesa, a proposta deste trabalho
consiste em compreender a imagem que o sujeito mulher responsável legal pelo adolescente em priva-
ção de liberdade – constrói de si, do adolescente e do ato infracional que demarca a posição sujeito
do/no seu discurso. Usamos os termos conceituais da Análise do Discurso sustentados por Pêcheux
sobre a concepção do que é sujeito, formação imaginária, memória discursiva, a fim de alcançar o
objetivo geral que é compreender a maneira pela qual a enunciação funciona no sentido de fazer surgir
o universo imaginário desta mulher. Para tanto estabelecemos três objetivos específicos. O 1º tem
como cerne descrever as memórias que permeiam os dizeres discursivos do sujeito mulher acerca da
imagem que faz de si, do adolescente em privação de liberdade e do ato infracional cometido. O
foco do 2º é delinear os efeitos de sentidos que emergem nas/das imagens que o sujeito formula
sobre si e sobre o adolescente. E o 3º procura estabelecer marcas que sinalizam a ideologia em que
o sujeito se inscreve e as condições materiais que a conduziram a tal inscrição, no que tangencia o ato
infracional praticado. Para tentar compreender o funcionamento imaginário deste discurso, construí-
mos um arquivo composto por 23 entrevistas. Os resultados da análise apontam efeitos de sentidos
presentes na construção das imagens formuladas pelo sujeito que remetem à memória constitutiva dos
já ditos, sinalizando a ideologia dos discursos jurídico e religioso na qual o sujeito discursivo se ins-
creve.

Palavras-chave: Formação imaginária. Mulher. Adolescente. Ato infracional.

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RELAÇÕES DE PODER: A IMAGENS DE SI E DO OLHAR DO OUTRO NA PEÇA


HAUTE SURVEILLANCE, DE JEAN GENET

Nilda Aparecida Barbosa (Gpleiadi-CNPq-UEM)


Roselene de Fátima Coito (Orientadora - Gpleiadi-CNPq-UEM)

Em “A vida dos homens infames”, Foucault discute as relações de poder a partir das “lettres de cachet”,
petições dirigidas ao rei, pedindo a prisão para alguns sujeitos considerados desordeiros, desocupados,
homens que abandonavam suas famílias, enfim, que representavam, de algum modo, um perigo para aquela
sociedade. O mesmo se dá em Haute surveillance, de Jean Genet, peça de teatro que se desenrola dentro de
uma prisão revelando as relações de poder que se desenvolvem no microcosmo da cela. O enredo gira em
torno dos personagens Yeux-Verts, Boule de Neige, Lefranc e Maurice, os primeiros mostrando pela força o
porquê são considerados líderes dentro daquele microcosmo e os outros dois tentando encontrar um meio de
se aproximar dos líderes como forma de proteção naquele ambiente. Assim, tomando a prisão como um dos
dispositivos apresentado por Foucault, dentro do qual o poder se exerce, vamos procurar observar como são
estabelecidas essas relações dentro de uma cela e fora dela, pois acima de Yeux-Verts o poder é exercido por
Boule-de-Neige que ocupa outro espaço da prisão, mas cujo domínio se estende a todo o complexo prisional
no olhar de Yeux-Verts e de seus companheiros. Um texto destinado ao palco é constituído por imagens, na
medida em que o corpo com seus gestos e palavras se presta à construção da imagem do personagem e do
espaço que esse corpo habita. É a partir do olhar de Yeux-Verts que construímos a imagem de Boule de
Neige como sujeito que domina o complexo prisional, pois até os vigilantes o respeitam. Nosso objetivo é
analisar essa peça partindo do dispositivo da prisão, observando como esses corpos se constroem a partir do
olhar de si e do outro, revelando a rede de poder em que cada um se movimenta e se subjetiva.

Palavras-chave: Palavras-chave: Dispositivo prisional; Teatro; Haute Surveillance

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O PROCESSO DE FORMAÇÃO IDEOLÓGICA E CONSTRUÇÃO


IDENTITÁRIA NO DISCURSO DO ADOLESCENTE EM CONFLITO COM A
LEI

Paula Adriana de Oliveira da Silva (UEM)

Este estudo linguístico discursivo tem como sujeito de pesquisa o adolescente em conflito com a lei.
Nesse sentido, este estudo é parte da pesquisa de mestrado realizado com adolescentes que cumpriam
medida socioeducativa de internação, ou seja, de privação de liberdade. Visamos identificar por meio
de seu processo discursivo sua constituição e construção ideológica e identitária. Intencionamos,
assim, por meio da análise linguística discursiva, desvelar possíveis imagens de si construídas no
discurso enunciado pelo adolescente e, as supostas relações sociais na construção dessa imagem.
Entendemos que muito se fala sobre este sujeito social, principalmente no meio midiático e político,
mas pouco se fala com ele. O referencial teórico utilizado está fundamentado nos estudos teóricos
metodológicos da Análise Crítica de Discurso, a ACD. Essa teoria semiótica da linguagem pensa o
processo linguístico como prática linguística, prática discursiva e prática social e tem como seu maior
expoente o teórico britânico Norman Fairclough. Também subsidiam o processo de análise aqui
realizado, os preceitos teóricos advindos das concepções de Thompson (1995) sobre os modos de
operação da ideologia entre outros estudiosos que partem de seus fundamentos teóricos
metodológicos. Assim, este estudo sobre o discurso e ideologia fundamentado nos estudos da ACD,
objetiva dar visibilidade a esses sujeitos da chamada minoria social. Percebe-se que o discurso de
senso comum sobre a conduta adolescente é carregado de subjetividades e, nem sempre apresenta de
forma explícita as questões ideológicas que o abarcam. Desse modo, considera-se, assim, o papel da
linguagem na constituição ideológica dos sujeitos, reconhecendo que tanto o sujeito como o sentido é
constituído pela ideologia e, o discurso, por sua vez, determinado por um contexto e um tempo
histórico.

Palavras-chave: Adolescente em conflito com a lei. Discurso. Ideologia.

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NA OBRA DE HAYAO MIYAZAKI A COEXISTÊNCIA DO ENUNCIADO NO


“JOGO” ENTRE A RARIDADE E O ACÚMULO NA PRODUÇÃO DE UMA
SUBJETIVIDADE SINGULAR

Verônica Braga Birello (PG -UEM /Gpleiadi – CNPq/UEM))


Roselene de Fatima Coito (UEM/Gpleiadi – CNPq/UEM)

Este trabalho se constitui enquanto proposta de não negligenciar nenhuma forma de descontinuidade,
de corte, de limiar ou limite. Assim, pensaremos nas relações entre os enunciados que fazem parte da
ordem do discurso do cinema animado de Hayao Miyazaki, dentro de suas traduções. Para tanto,
definimos enquanto material de análise o filme de Miyazaki, lançado em 1996, intitulado Porco
Rosso: O último herói romântico e o conto They shall not grow old de Roald Dahl, publicado pela
primeira vez no ano de 1946, na coletânea de contos Over to You. Objetivamos descrever os objetos
de forma que possam emergir em sua complexidade por meio das relações que estabelecem com a
rede de significações que lhe são próprias, relações estas que se constituem nas e das regularidades nas
dispersões em que se encontram. A partir destas relações poderemos verificar, em meio às
recorrências e às atualizações, a presença da coexistência de enunciados fílmicos e literários que, da
dispersão, formam uma unidade da evidência do dizer, unidade que se dá no repetível - não
necessariamente do mesmo, pois que em um processo de adaptação em materialidades diferentes os
sentidos sempre podem ser outros. Nesta ordem do repetível, em suas condições de possibilidade, o
enunciado fílmico de Haio Myiazaki emerge no “jogo” entre a raridade e o acúmulo, produzindo uma
subjetividade singular.

Palavras-chave: Cinema de animação; Raridade/Acúmulo; Subjetividade Singular.

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MULTILETRAMENTOS, PROPAGANDA E DISCURSO: ENSINO DE


PORTUGUÊS E A FORMAÇÃO DE LEITORES CRÍTICOS

Bruna Carolini Barbosa (UEL/UENP – CAPES/Araucária)

Pensar o consumo e seus impactos sociais é tema de pesquisa em diversas áreas das Ciências
Humanas. Para os Estudos da Linguagem, a multimodalidade dos textos publicitários, bem como suas
estratégias retóricas e processos discursivos, são mecanismos frequentemente explorados. No contexto
contemporâneo, com o advento das Novas Tecnologias da Informação (TICs), a imagem possui alto
valor semântico, indispensável à compreensão. Este trabalho objetiva atrelar a atividade de leitura no
âmbito escolar à análise dos processos de significação de uma propaganda multimodal, considerando
que o material linguístico está situado em estruturas sociopolíticas de forma mais ampla
(FAIRCLOUGH, 2003). Para tanto, propõe-se um dispositivo didático para a leitura de uma
propaganda da cerveja Skol, desenvolvido à luz da Pedagogia dos Multiletramentos (KALANTIZIS &
COPE, 2013), aparato teórico-metodológico sistematizado pelo New London Group e que compreende
as multiplicidades do mundo atual: a diversidade cultural em rede e as múltiplas linguagens para
significar. O ensino dos gêneros pertencentes à esfera publicitária é de grande relevância, uma vez que
a cultura midiática infantil tem ocupado grande espaço e gerado impactos significativos no consumo
(BUCKINGHAM, 2007), justificando a importância em formar leitores críticos e que compreendam a
dinâmica do consumo. Espera-se que essas reflexões contribuam para o ensino de língua portuguesa
em uma perspectiva crítica e que supere o caráter autônomo (STREET, 2014) e descontextualizado da
metalinguagem, recorrente em sala de aula.

Palavras-chave: Língua Portuguesa; Leitura; Multiletramentos.

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ESTRUTURAS DISCURSIVAS: A REFERENCIAÇÃO NAS TRADUÇÕES


ADAPTADAS DOS CONTOS DE GRIMM

Dayhane Alves Escobar Ribeiro Paes (UFRRJ)


Hilma Ribeiro de Mendonça Ferreira (UERJ)

O presente trabalho cujo título é Estruturas Discursivas: a Referenciação nas traduções adaptadas
dos contos de Grimm baseia-se na construção do objeto discursivo no texto literário. Tal incursão se
faz imprescindível devido à complexa epistemologia envolvida em nosso percurso que confronta a
materialidade da linguagem com a expressão literária. Logo, o foco desse estudo recai sobre a
referenciação nas traduções adaptadas ao público infantojuvenil em português dos contos dos Irmãos
Grimm. Esses textos foram escolhidos porque possibilitam, sob a ótica de sua processualidade, a
análise da função discursiva do fenômeno argumentativo da referenciação a partir do ponto de vista do
tradutor e do contexto sócio histórico em que foram traduzidos. Para tanto, essa análise focou na
comparação entre as cadeias de referenciação de cada conto, partindo da sequência narrativa para os
elementos da narração ao se investigarem as formas referenciais na construção do texto. Em
consonância com pesquisadores da Referenciação – Cavalcante, Rodrigues & Ciulla (2003) e Tedesco
(2002), foi possível reunir neste trabalho os estudos do discurso e da argumentação, a fim de refletir
acerca da interface entre eles na superfície textual da narração. Não obstante, não se pode deixar de
comentar sobre as contribuições importantes de autores como Antunes (2005), Pécora (1992), Corrêa
(2004), Costa Val (1991), Koch (1993; 1996), Van Dijk (1992) e Marcuschi (2004) relativas ao
entendimento da função textual e dos tipos de relações semânticas e pragmáticas que as conexões
assumem em um texto no contexto sociocognitivo em que é produzido. Dessa forma, será possível
ampliar essa pesquisa, contribuindo para o estudo de tipos textuais com uma metodologia voltada para
a referenciação sob o viés discursivo/argumentativo do texto.

Palavras-chave: Referenciação. Discurso. Argumentatividade. Texto e Contexto.

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ESCRITA CRIATIVA: DIÁLOGO ENTRE LÍNGUA E LITERATURA

Flávio Luis Freire Rodrigues (UEL)

O objetivo desse trabalho é apresentar o projeto Laboratório de Escrita Criativa, desenvolvido no


Departamento de Letras da Universidade Estadual de Londrina, como espaço de intersecção entre
língua e literatura, por entendermos que as coisas se dão em uníssono e de viés. A Escrita Criativa é
uma metodologia pouco conhecida e pouco aceita no âmbito acadêmico, mas que, aos poucos, tem
adentrado os muros da universidade, como dois trabalhos de mestrado do ProfLetras que estão sendo
desenvolvidos nessa perspectiva. Desta forma, após o projeto de pesquisa em Escrita Criativa,
resolvemos partir para a extensão, ainda que não tenhamos aberto mão da pesquisa, porque também
entendemos que as duas coisas acontecem em paralelo. A opção por essa metodologia se deu pelo
resgate que ela propõe de algumas particularidades que julgamos imprescindíveis para o trabalho
escolar, estabelecendo uma ponte entre língua e literatura. O projeto tem vários objetivos e para isso
atua em diversas frentes. O objetivo principal do projeto é compreender a metodologia da Escrita
Criativa e aplicá-la à aula de Língua Portuguesa, ampliando sua aplicação não apenas a escritores.
Para isso, já oferecemos à comunidade uma oficina de contos, durante um semestre e estamos criando
a oficina de poesia, para o segundo semestre deste ano. Estamos trabalhando também na publicação
dos dois materiais. Também trabalhamos com oficinas mais curtas e esporádicas, ministradas pelo
próprio projeto ou por convidados externos. Temos um evento anual que está na quarta edição este
ano. Este evento propõe o diálogo entre escritores, leitores e escritores em formação e também
oficinas práticas. Uma das ações internas ao projeto é o desafio mensal de contos. Uma coluna na
rádio da universidade sobre leitura, literatura e temas afins também está em andamento, para a qual,
produzimos e fazemos a locução dos textos. Por fim, criamos uma feira de livros para que eles não
fiquem na estante, mas tenham outra finalidade. O projeto conta hoje com um aluno do mestrado e
mais 12 alunos da graduação de Letras e Jornalismo e é um espaço em que podemos criar
possibilidades de pensar leitura, língua e literatura.

Palavras-chave: Escrita Criativa; ensino de língua; ensino de literatura; projeto de extensão.

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“FELIZ ANIVERSÁRIO” DE CLARICE LISPECTOR: PROPOSTAS DE LEI-


TURA PARA FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO.

José Enildo Elias Bezerra (IFAP)


Maria Teresa Tedesco Vilardo Abreu (UERJ)

O trabalho aqui apresentado discutirá a leitura do conto “Feliz Aniversário”, de Clarisse Lispector,
publicada em uma coletânea de contos no livro Laços de Família (1960). A interpretação inicial que
se pode realizar deste conto, é que não se trata apenas de uma comemoração do aniversário de uma
matriarca de uma família carioca. Em realidade, a autora descreve um simples encontro familiar na
cidade do Rio de Janeiro, fato comum em todas as famílias e que certamente não traz grandes surpre-
sas ao leitor. Contudo, o intuito do trabalho aqui apresentado e de realizar uma leitura do conto de
Lispector, não só como uma narrativa de costumes sobre comportamentos humanos, mas de um texto
literário que produz em sua essência experiências estilísticas diferenciadas, quando assim comparados
com outros gêneros textuais. Em um primeiro momento será apontado o lugar de Lispector no contex-
to literário brasileiro e logo em seguida alguns conceitos relevantes para uma análise do conto Feliz
Aniversário. Para isso, recorrerei a autores como Bakhtin (1997), Kramer (1999), Barros (1999) que
indicam suporte estilístico nas análises dos efeitos polifônicos, permeando assim, as vozes discursivas
e Passos (1991), que realiza uma entre a obra shakespeariana e o conto aqui analisado.

Palavras-chave:

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LENDO PERSONAGENS FEMININAS EM CONTOS DE AUTORAS DE


LÍNGUA INGLESA E LÍNGUA PORTUGUESA A PARTIR DA PERSPECTIVA
DE ALUNOS DO ENSINO MÉDIO

Laura Cristina Leal e Silva (IFAM)

Este trabalho é o resultado de uma atividade interdisciplinar entre as disciplinas de Língua Portuguesa
e Língua Inglesa com alunos de três turmas do 3º ano do Ensino Médio Técnico Integrado do Instituto
Federal de Educação do Amazonas. A proposta foi discutir a visão da mulher em contos de autoras de
Língua Inglesa e Portuguesa a partir das perspectivas e vivências dos leitores bem como difundir a
literatura entre os alunos. O primeiro passo foi a seleção dos contos a serem lidos num total de oito,
sendo quatro de Língua Portuguesa e quatro de Língua Inglesa. Essa escolha levou em conta fatores
como facilidade de acesso ao texto, relações entre a temática do conteúdo trabalhado no bimestre
(Inglês: Mulheres na literatura; Português: Modernismo em Clarice Lispector e Lygia Fagundes
Telles) e correlação com o currículo das disciplinas trabalhadas que versava sobre textos narrativos.
Em seguida, houve a divisão dos alunos em grupos escolhidos pelos próprios discentes e o sorteio dos
contos. Após isso, em sala de aula foram iniciadas as leituras dentro do grupo macro apontando alguns
pontos dos textos e indicando questões a serem pensadas durante as leituras. Ficou a cargo de cada
grupo finalizar a leitura e discussão dos textos e depois, apresentá-la por escrito (em painéis) e
oralmente, ilustrando um breve perfil da autora, bem como a percepção das personagens femininas
retratadas em cada conto. Cabe ressaltar que a atividade não visava uma análise literária profunda e
complexa haja vista o nível escolar dos alunos, mas sim propor um estudo e reflexão partindo das
ideias e conhecimentos dos próprios alunos. Os alunos demonstraram a princípio certa relutância na
finalização das leituras, mas concluíram com o acompanhamento dos professores e nas apresentações
destacaram pontos de vista inusitados, sinalizando ainda interesse nos contos apresentados por outras
equipes.

Palavras-chave: Leitura. Autoria Feminina. Língua Portuguesa e Inglesa.

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A CONSTRUÇÃO TEXTUAL DE ESTUDANTES DE UMA ESCOLA NA


PERIFERIA DO RIO DE JANEIRO: UM ESTUDO SOCIODISCURSIVO PELO
VIÉS DA REFERENCIAÇÃO

Silvia Adélia Henrique Guimarães (UERJ)

O objetivo central deste trabalho é estudar como os alunos de periferia estão sendo socialmente
incluídos em nossa cultura letrada. Nessa perspectiva, e entendendo que a descrição de textos do aluno
do ensino básico, morador de periferia, pode apresentar-se como um caminho eficaz: a) de reflexão
sobre a prática social escolar; e b) para a possibilidade de integração desses alunos às demais formas
de saber, pergunto: “Como se dá a textualização dos alunos da periferia? Que estratégias coesivas
estão internalizadas por eles? O que seus textos argumentativos sugerem linguisticamente sobre
representações ideológicas?”. Objetivando aproximar-me um pouco das respostas pretendidas,
selecionei, para este trabalho seminal, dez produções de alunos do 9º ano de uma escola da Zona
Norte, no subúrbio do Rio de Janeiro. Pautada pela Linguística Textual, observei como se dava o
encadeamento referencial no corpus, e como as anáforas contribuíam para a construção de um projeto
de dizer. Os resultados analíticos, discutidos em nível discursivo, apontam para textos com aspectos
de retomadas anafóricas aquém do proposto para a série/idade dos alunos, principalmente na retomada
anafórica pela substituição lexical. Estes resultados reforçam que ler/escrever precisa ser ensinado –
como processo, dando a esses alunos de periferia reais possibilidades de inserção nas diversas formas
de intervir e participar do mundo através da linguagem. Além disso, estes resultados podem auxiliar a
reflexão didático-metodológica dos professores de língua(gens).

Palavras-chave: Referenciação; Argumentatividade; Alunos de periferia.

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NOÇÕES DE SEGMENTAÇÃO DA ESCRITA: UMA PROPOSTA


PEDAGÓGICA PARA O TRABALHO COM TURMAS DO ENSINO
FUNDAMENTAL II

Adriana Alexandra Ferreira (UNIOESTE)


Sanimar Busse (UNIOESTE)

Apresentamos neste trabalho um recorte da dissertação, em andamento, desenvolvida no Programa de


Pós-Graduação Stricto Sensu Mestrado e Doutorado em Letras da Unioeste – Campus de Cascavel,
que se propõe a estudar e analisar as variações ortográficas e processos fonológicos em produções
textuais de alunos do 9º ano do Ensino Fundamental II. As grafias não convencionais ou “erros” como
nomeia a perspectiva normativa, que toma por base os princípios propostos pela gramática tradicional
para o ensino de língua portuguesa, sempre foram motivo de preocupação para a escola e para os
professores que atuam nessa disciplina, que se veem diante de um impasse quando se deparam com
grafias de natureza, na maioria das vezes desconhecidas para eles. Pesquisas que investigam a
natureza dos erros de ortografia têm mostrado que alunos, ingressantes do Ensino Fundamental II e até
mesmo em séries finais do Ensino Médio, apresentam dúvidas de escrita, que revelam um
desconhecimento ou conhecimento parcial das relações existentes entre o sistema fonológico e
ortográfico da língua, e suas representações. O desconhecimento da natureza dos erros de ortografia
faz com que os educadores não consigam propor estratégias mais eficientes para orientar o aluno na
construção de conhecimentos sobre a escrita. Nesta comunicação buscamos analisar as motivações
acerca dos erros de ortografia mais recorrentes identificados no corpus constituinte da pesquisa, que
foram a hipo e hipersegmentação da escrita a partir da classificação proposta por Cunha e Miranda
(2004; 2009). Os dados foram coletados em três turmas do 9º ano, no ano de 2017, em uma instituição
da rede pública de ensino, localizada na região Sul da cidade de Cascavel. A análise dos dados
possibilitou além da reflexão sobre as hipóteses de escrita dos alunos, a criação de uma unidade
didática, com a proposição de atividades de cunho reflexivo sobre o funcionamento da língua,
observando a relação entre fala e escrita. As atividades são voltadas para a compreensão do processo
de segmentação, e procura refletir aspectos como a função dos espaços em branco no texto e o
reconhecimento de classes de palavras como o artigo e pronomes, que são estruturas que podem se
apresentar conflituosas para o aluno no momento da segmentação.

Palavras-chave: ensino; ortografia; fala; segmentação.

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ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA PARA PRODUÇÃO DE


TEXTOS NARRATIVOS POR UMA ESTUDANTE COM TRANSTORNO DO
ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Profa. Dra. Carla Regina Rachid Otavio Murad (UFTM)

De acordo com a legislação brasileira, toda criança com necessidades educacionais especiais tem
direito à matrícula, frequência e participação efetiva em escolas públicas ou privadas como aluno(a)
regular. Ao lado dos demais aprendizes em salas de aulas, o aluno autista pode vir a se destacar como
um aluno que possui dificuldade de ler e escrever devido a sua atipicidade de produzir linguagem. Tal
fato gera consequências desafiadoras aos professores de língua portuguesa, dos quais se espera um
trabalho pedagógico de caráter intervencionista que propicie a internalização de conhecimentos
relativos à leitura e produção de textos na perspectiva do letramento escolar inclusivo. O objetivo deste
trabalho foi descrever as estratégias de trabalho pedagógico resultantes de uma ação intervencionista
para a escrita de textos narrativos. Tal ação intervencionista parte da noção dialógica de linguagem e da
importância de se vivenciar o processo de interação social durante as práticas escritas e oralizadas as
quais podem fazer com que a criança se aproprie da linguagem por meio da andaimagem, uma
macroestratégia de mediação intersubjetiva e interdiscursiva propiciadora da internalização de
conhecimento. A metodologia qualitativa se pautou nos princípios do estudo de caso de cunho
etnográfico sobre uma criança com TEA matriculada no Ensino Fundamental I da escola regular, com
grau brando de comprometimento da linguagem verbal. Após o diagnóstico de dificuldade de
compreensão de uma tarefa de produção de texto narrativo, foram realizados vários procedimentos
intervencionistas que vão desde o reconto oral até as atividades de promoção da consciência
metatextual, culminando na versão final do texto escrito. Tais procedimentos podem servir de exemplo
para a confecção de protocolos processuais estratégicos de mediação da escrita não só para alunos com
produção atípica de linguagem, mas também para aqueles com dificuldades de planejamento e
estruturação de atividades orais e escritas com narrativa.

Palavras-chave: Formação de professor, escrita, inclusão, TEA.

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O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS COMO AUXILIADORA PARA


ESCRITA FORMAL DOS SURDOS NO ENSINO SUPERIOR

Clovis Batista de Souza (UFPR)


Kelly Priscilla Loddo Cezar (UFPR)

O uso das tecnologias digitais cresce a cada instante. Essas tecnologias funcionam como um processo
de ampliação de interações sociais a cada dia mais ampla e que permitem “uma multiplicidade de
dinâmicas linguístico-discursivas que possibilitam o uso da linguagem” (ARCOVERDE, 2006, p.
252). Ao transpormos para área educacional, observa-se que as tecnologias podem se transformar em
uma excelente ferramenta metodológica para os aprendizes. Tomando essa assertiva como pressuposto
na área de tecnologias e somadas aos resultados de pesquisas anteriores (CEZAR, 2013, 2014) que
destacam que as dificuldades apresentadas pelos surdos na modalidade escrita são decorrentes da
ineficácia de metodologias aplicadas ao ensino de língua portuguesa - acreditamos que os recursos
digitais podem se transformar em um grande potencial de apropriação da linguagem escrita da língua
portuguesa. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo apresentar como o uso das novas
tecnologias auxiliam na escrita formal da língua portuguesa para os aprendizes surdos do ensino
superior. A investigação está vinculada em um projeto institucional mais amplo liderado pelos dois
pesquisadores em questão. A coleta de dados se deu na produção do material escrito dos fóruns de
aprendizagem da plataforma Moodle. Participaram da investigação 18 alunos surdos que
frequentavam a disciplina de Tecnologias e Ead. Os aprendizes foram monitorados durante quatro
meses durante o ano de 2017. A análise das produções escritas se deram na comparação dos quatro
fóruns de aprendizagem disponibilizados na disciplina. Os resultados, preliminares, evidenciaram que
os alunos investigados ao compreenderem os aspectos estruturais e de comunicação dos gêneros
discursivos-textuais acabam por observar mais os aspectos de uso e de função da linguagem do que se
prendendo a artificialidade dos aspectos estruturais da língua portuguesa escrita.

Palavras-chave: libras, novas tecnologias, gêneros digitais, escrita formal.

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FILHOS DE SURDOS: CULTURA, IDENTIDADE, LINGUAGEM E


ESCOLARIDADE

Eliziane Manosso Streiechen (UNICENRO)


Gilmar de Carvalho Cruzr (UNICENTRO)

Esta pesquisa tem como objetivo discutir as questões relacionadas à identidade, cultura, linguagem e
escolaridade dos filhos ouvintes de pais surdos. A partir de um levantamento bibliográfico,
encontramos doze trabalhos nacionais e seis internacionais sobre as pessoas ouvintes de pais surdos.
Esse número revela a incipiência em pesquisas nessa área, principalmente, quando os dados mostram
que, no Brasil, há cerca de 5,7 milhões de pessoas surdas ou com algum tipo de deficiência auditiva
(BRASIL, 2014). E, ao considerarmos que os surdos têm conquistado cada vez mais o seu espaço na
sociedade, conseguindo usufruir de certos direitos, muitos deles têm constituído famílias, aumentando,
assim, o número de pessoas ouvintes filhas de pais surdos. Os resultados demonstram que os filhos
ouvintes de pais surdos podem desenvolver identidade de fronteira entre o mundo surdo e o ouvinte,
tornando-se um ouvinte diferente de outros, por apresentar identidade ‘surda’ e, ainda, diferente dos
surdos por possuírem experiências auditivas. Além disso, eles podem tornar-se bilíngues, pelo fato de
dominarem duas línguas (a de sinais, utilizada pelos pais e a língua oral, utilizada pelos ouvintes que
os rodeiam); ser considerados biculturais, uma vez que vivem entre duas culturas (dos surdos e dos
ouvintes); assumir responsabilidades em relação aos pais surdos, sentir-se constrangidos em se
comunicar por meio da língua de sinais com os pais em ambientes públicos, uma vez que a língua de
sinais ainda não é vista com o mesmo status das demais línguas; apresentar dificuldades na aquisição
da linguagem escrita, visto que, ao internalizarem a estrutura da língua de sinais e da língua
portuguesa, eles acabam misturando essas línguas no momento da elaboração da escrita. Nesse
sentido, apesar de não carregarem o estereótipo da deficiência, os filhos de pais surdos necessitam de
uma atenção especial por parte da escola, a fim de que esses sujeitos não sejam excluídos de um
efetivo processo de ensino e aprendizagem.

Palavras-chave: Filhos ouvintes de pais surdos; inclusão escolar; ensino/aprendizagem.

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A DISCIPLINA DE LIBRAS NO CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS E SUA


CONTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DOCENTE EM RELAÇÃO À
APROPRIAÇÃO DA LÍNGUA PORTUGUESA COMO L2 PELOS ALUNOS
SURDOS

Fabíola Grasiele Zappielo (UNESPAR)

A comunidade surda vem ganhando paulatinamente força e espaço na sociedade por meio de suas
lutas, como forma de garantir sua cidadania. A promulgação da Lei 10.436/02, é um marco
significativo que representa o avanço das conquistas dos movimentos surdos. Esta Lei oficializa a
Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade
surda no Brasil. Como forma de regulamentar esta Lei, o Decreto 5.626/05 dispõe sobre a inclusão
social e educacional do surdo, e fala da obrigatoriedade da Libras como disciplina curricular nos
cursos de fonoaudiologia e nos cursos de formação docente, que é o foco deste trabalho. Portanto, o
objetivo desse trabalho é investigar como a disciplina de Libras está contribuindo para a formação
docente em relação à apropriação da Língua Portuguesa como segunda língua (L2) pelos alunos
surdos. Para tanto, foi desenvolvido e aplicado um questionário para uma turma do quarto ano do
curso de Letras Português de uma Universidade do norte do Paraná, a fim de analisar se, de fato, os
graduandos estão preparados para ensinar a língua portuguesa na modalidade escrita para o aluno
surdo incluso nas salas regulares de ensino. Os autores que embasaram esse trabalho foram: Fernandes
(2012), Quadros e Karnopp (2004), Strobel (2009), Gesser (2006), Vygotsky (1983) Goldfeld (1987).
Concluiu-se que a maioria dos futuros professores, que se encontram em processo de formação, não se
sentem totalmente seguros para receber um aluno surdo em sala de aula.

Palavras-chave: Libras, Formação Docente; Língua Portuguesa como L2

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COMPREENSÃO DO SISTEMA DE ESCRITA ALFABÉTICA: UMA


EXPERIÊNCIA INCLUSIVA COM DEFICIENTES INTELECTUAIS

Janete Aparecida Guidi (UEM)


Elsa Midori Shimazaki (Orientadora - UEM)

Este texto tem por objetivo apresentar uma experiência inclusiva vivenciada a partir de "sondagens de
alfabetização”, ou seja, a partir de atividades pré-intervenção alfabetizadora, onde foram verificados
os níveis de conhecimento sobre a escrita em alunos que possuem deficiência intelectual, bem como
discutir sua importância para/no processo da alfabetização. Participaram da pesquisa trinta e oito
alunos, sendo dois alunos inclusos de uma escola periférica do município de Sarandi, no noroeste
paranaense. Para as discussões, respaldamo-nos nas pesquisas de Emilia Ferreiro e Ana Teberosky
(1985), as quais consideram que as crianças apresentam hipóteses de escrita, mesmo antes de iniciar o
processo de escolarização e, ainda pontuam que o processo de apropriação do sistema de escrita
alfabética perpassa, necessariamente, por níveis/etapas, as quais devem ser consideradas pelo
professor alfabetizador. Diante do exposto e, ao analisarmos a intervenção, ratificamos o expresso
pelas pesquisadoras, pois evidenciamos como fundamental e imprescindível para o processo de
alfabetização, que o educador observe e considere em seus planejamentos as experiências e
conhecimentos cotidianos dos sujeitos participantes. Dessa forma, quando as sondagens, hipóteses de
escrita, serviram de ponto de partida para o planejamento das atividades alfabetizadoras, considerando
o nível de desenvolvimento real, mas com a ênfase, de fato, nos níveis potenciais de desenvolvimento
da escrita, evidenciamos o sucesso de sua aquisição pelas crianças envolvidas.

Palavras-chave: Sondagens; Alfabetização; Pedagogia

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AVALIAÇÃO NACIONAL DE ALFABETIZAÇÃO – ANA E O ENSINO DE


LEITURA NO 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

Laís Bastos Marchesoni (UEM)


Patrícia de Araujo Abucarma Stevanato (UEM)

O presente estudo buscou analisar como as habilidades de leitura propostas na matriz de referência da
Avaliação Nacional de Alfabetização – ANA influenciam o ensino de leitura no 3º ano do Ensino
Fundamental de uma escola da região noroeste do Paraná. O interesse pela pesquisa surgiu após
constatarmos no resultado divulgado pelo Boletim ANA que 40,88% dos alunos da referida escola
estavam entre os níveis de proficiência em leitura 1 (elementar) e 2 (básico), considerados
insuficientes. Esse dado mostrou que para os alunos atingirem níveis adequados de leitura são
necessárias algumas habilidades para além da decodificação, dentre elas: inferir informações em
textos, localizar informações explícitas no meio ou no final do texto e reconhecer significado de
expressão de linguagem figurada. E ainda, a observação em sala de aula nos levou a evidenciar uma
grande preocupação por parte dos professores em aplicar questões de múltipla escolha similares a da
ANA, para trabalhar leitura, além de priorizar nessas atividades as habilidades referentes à relação
fonema e grafema. Diante do exposto, considerando as estratégias de leitura propostas por Solé (1998)
e as etapas de leitura sugeridas por Menegassi (2010) propusemos a aplicação de uma sequência de
atividade de leitura de poema, sendo o professor o mediador do processo de ensino e leitura no
contexto escolar, entendida como resultado da relação estabelecida pelo aluno com o texto a partir de
seus conhecimentos prévios e da interação com colegas e com a professora. Após a aplicação,
verificamos que atividades de leitura organizadas a partir de questionamentos com respostas orais e
escritas, considerando as estratégias de leitura e as etapas de leitura, são fundamentais para
desenvolver habilidades necessárias para que os alunos leiam adequadamente em diferentes situações
interativas.

Palavras-chave: ANA, leitura, interação.

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A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA FORMAÇÃO CONTINUADA DE


PROFESSORES: CONTRIBUIÇÕES DO PACTO NACIONAL
PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA

Lucia Cristina Dalago Barreto (UEM)


Elsa Midori Shimazaki (UEM)

A Educação Inclusiva, na formação de professores alfabetizadores, é um tema que demanda


investigações, visto as dificuldades encontradas pelos professores na inclusão dos alunos, público alvo
da Educação Especial. Por isso, delimitamos como objeto de estudo o Pacto Nacional pela
Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) objetivando responder ao questionamento: Quais as
contribuições do PNAIC à formação dos professores alfabetizadores, no que tange à inclusão dos
alunos público alvo da Educação Especial, matriculados no ensino regular? Utilizamos, como
instrumentos para o levantamento e a análise dos dados, a pesquisa bibliográfica, fundamentada nos
pressupostos da Psicologia Histórico-Cultural; a pesquisa de campo, subdividida em três eixos: análise
dos materiais disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC), dos projetos, relatórios e
produções sistematizadas pelos formadores e orientadores de estudo da Universidade Estadual de
Maringá (UEM) e entrevista semiestruturada realizada em 10 municípios, 5 com maiores escores e 5
com menores escores obtidos na Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), pertencentes ao grupo
de 174 municípios, localizados nas regiões Norte e Noroeste do estado do Paraná, formados pelo
PNAIC na UEM. A análise dos dados revela que o PNAIC contribuiu significativamente para a
mudança de concepção dos professores alfabetizadores, em relação à inclusão, ao promover a
formação de conceitos, como a humanização, a valorização e a importância de uma prática pedagógica
intencional e planejada. Identificamos, também, como desdobramentos dos resultados da pesquisa, no
grupo dos 10 municípios, 2, dentre os quais, apresentam necessidades emergenciais relacionadas à
elaboração de políticas públicas, no que tange à formação de professores direcionada à inclusão.

Palavras-chave: PNAIC; Educação Inclusiva; Formação de Professores.

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AS AÇÕES COLABORATIVAS EM CONTEXTO ESCOLAR: DESAFIOS E


POSSIBILIDADES DO ENSINO DE LEITURA E ESCRITA JUNTO AO
ALUNO COM TRANSTORNO FUNCIONAL ESPECÍFICO

Maria Andreia Batista Blum (UNICENTRO)


Cristiane Malinoski Pianaro Angelo (UNICENTRO)

Esta pesquisa em andamento aborda o processo colaborativo de formação teórica, metodológica e


prática desenvolvido com um professor de Sala de Recurso Multifuncional – SRM e um professor de
classe regular no atendimento a alunos do 4º ano do ensino fundamental que apresentam transtornos
funcionais específicos, de uma escola do Município de Ivaí-PR. Fundamentando-se nos estudos do
Círculo de Bakhtin, frente à necessidade de interação entre os sujeitos envolvidos, e na teoria
histórico-cultural, a partir de Vygotsky, para quem o conhecimento se forma no interior das relações
sociais, busca-se orientar os professores no trabalho com a leitura e a escrita, visando a contribuir para
a prática efetiva da docência e para a aprendizagem do aluno que apresenta transtornos funcionais
específicos, relacionados à dificuldade em ler e escrever. Para tanto, emprega-se como procedimento
de investigação a pesquisa colaborativa, que tem como estratégia a parceria entre pesquisador e
colaborador, quando ambos objetivam refletir e buscar soluções para as dificuldades encontradas no
contexto em que se inserem. Os resultados parciais da pesquisa apontam que, a partir da troca de
experiências de modo colaborativo entre os professores envolvidos na pesquisa, a construção do
conhecimento sobre leitura e escrita, tanto em nível docente quanto discente, se faz visível e eficaz. O
compartilhamento de informações entre os profissionais que desenvolvem o trabalho escolar com o
aluno em comum acaba por engrandecer ricamente o cômputo de estratégias a serem desenvolvidas,
bem como se amplia o campo de experiências que passa a ser oferecido ao aluno com necessidades
educacionais especiais.

Palavras-chave: Pesquisa colaborativa; Leitura e Produção Escrita; Educação inclusiva.

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AVALIAÇÃO, FORMAÇÃO DOCENTE E DISCENTE: O QUE UMA


AVALIAÇÃO ESTADUAL DE LÍNGUA PORTUGUESA REVELA SOBRE
PROFESSOR, ALUNO E SISTEMA DE ENSINO?

Michelle de Souza Prado (UNESP)

A presente comunicação articula-se com a temática do simpósio “Dificuldades de Aprendizagem em


Língua Portuguesa, Inclusão e Formação do Professor”, uma vez que traremos a análise de uma
avaliação em larga escala da rede pública de ensino do estado de São Paulo chamada Avaliação de
Aprendizagem em Processo (AAP). Este nosso recorte de estudos, desenvolvido durante o Mestrado
Profissional em Letras, PROFLETRAS, tem por finalidade divulgar um estudo criítico sobre a
instrumentalização docente de língua materna para atuação no sistema público de ensino, pelo viés
fornecido pelo programa de mestrados profissionais, dificuldades na matriz de competência leitora
apresentada por alunos da rede básica, reflexão sobre a AAP, enquanto ferramenta que intenciona
medir a proficiência do aluno em língua portuguesa. Outra reflexão a ser levantada é a ausência neste
sistema avaliativo de adaptar-se aos alunos que possuam necessidades educacionais especiais. Como
se trata de uma pesquisa realizada em formato de estudo de caso e já encerrada, traremos as propostas
metodológicas as quais empregamos em sala de aula como alternativas para suplantar as lacunas na
aprendizagem no tocante à competência leitora. São atividades desenvolvidas com uma perspectiva
sociointeracionista da linguagem. Este estudo contará com teóricos da tecnologia da Informação como
Pierre Lévy e Chartier. Para discutir a matriz de competência leitora nas ferramentas metodológicas
aplicada junto aos adolescentes, contaremos com Kleiman, Rojo, Leffa e Sollé, nomes que discutem o
ensino de Língua Portuguesa na escola e outros que julgarmos pertinentes para o assunto em foco.

Palavras-chave: Avaliação, Língua Portuguesa, Competência Leitora.

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INTERAÇÃO NO MEIO VIRTUAL E OS PROCESSOS DE ENSINO E


APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESPANHOLA

Amábile Piacentine Drogui (UNESPAR - Apucarana)

A Comunicação Mediada pela Internet (CMI) traz consigo a necessidade de reflexão sobre os novos
tipos de interação que possibilita e sobre os instrumentos psicológicos que mobiliza. É um desafio
para pesquisadores e formadores encontrar caminhos teóricos e metodológicos para fundamentar e
analisar as atividades e ações de linguagem pertencentes à esfera virtual. Os gêneros do meio virtual,
como enfatiza Marcuschi (2010), não são totalmente novos, a maioria deles tem similares em outros
ambientes. No entanto, são suas peculiaridades que os transformam em outro gênero, com um novo
nome para que seja identificado na esfera em que circula. Tomando como base os valores ontológicos
defendidos pelo Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), teoria que conceitua a língua como um sistema
em constantes mudanças, viva, não estática, nem esperando pacientemente para ser analisada, esta
pesquisa em andamento tem por objetivo geral investigar se a interação, em ambientes virtuais,
formais e informais, pode resultar em desenvolvimento de capacidades de linguagem (DOLZ;
PASQUIER; BRONCKART, 1993; CRISTOVÃO; STUTZ, 2011) e na mobilização de tipos
discursivos (BRONCKART, 2003), que indiquem tanto a aprendizagem de conteúdos propostos
(VYGOTSKY, 1994) como a geração de conhecimento espontâneo. Visa-se a observar e registrar
agires de linguagem presentes na comunicação, por meio de diferentes gêneros da esfera virtual, que
permitam a identificação (ou não) de desenvolvimento de capacidades de linguagem para atuar
socialmente por meio da língua espanhola. A pesquisa está em estágio intermediário e já é possível
apresentar relevantes conceitos teóricos sobre o assunto e um levantamento que identifica diferentes
ambientes virtuais, formais e informais, de aprendizagem de língua espanhola.

Palavras-chave: Interação; aprendizagem de língua espanhola; ambientes virtuais.

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LÍNGUA ESPANHOLA NO ÂMBITO DOS NEGÓCIOS: INVESTIGAÇÕES


SOBRE O PERFIL ACADÊMICO DOS APRENDIZES

Andréia Cristina Roder Carmona Ramires (UNESPAR)

Capacitar o aluno para o desenvolvimento de uma competência comunicativa com o escopo de inseri-
lo de maneira eficaz em contextos acadêmicos profissionais é o objetivo primordial do processo de
ensino e aprendizagem de línguas estrangeiras para fins específicos. Entendemos que essa variedade
de ensino de línguas deve fazer com que o aprendiz desenvolva competências e conhecimentos espe-
cíficos da língua a ser aprendida e assim, o docente deve trabalhar competências comunicativas dire-
cionadas à prática da profissão do aprendiz. Para tanto, o conhecimento a respeito de fatores gramati-
cais e culturais em Língua Estrangeira deve ser observado como um ponto importante de apoio para o
discente e seu desenvolvimento como aprendiz de língua, pois o desconhecimento a respeito desses
aspectos pode ocasionar consequências nefastas para o estabelecimento das relações comerciais no
contexto internacional, causando desconforto entre os envolvidos e, até mesmo, graves conflitos
(REYES DÍAS, 2009). Consequentemente, saber o que falar em outras línguas, e, sobretudo, quando
falar, torna-se fator extremamente relevante, posto que compreendemos os aspectos da comunicação
como determinados culturalmente, e, dessa forma, “o conhecimento da existência desses aspectos é o
ponto de partida para que interlocutores de diferentes comunidades linguísticas realizem uma comunicação
com sucesso” (SARMENTO, 2004, p. 9). Observando essa necessidade na UNESPAR, (Campus Apu-
carana) houve a iniciativa de criar o projeto de extensão “Laboratório de Línguas: Desenvolvendo a
aprendizagem do Espanhol dos negócios” com objetivo do ensino da Língua Espanhola voltada para
a área dos negócios. Dessa forma, pretendemos nessa pesquisa, ainda em fase inicial, traçar o perfil
dos alunos matriculados nesse curso de extensão. Para tanto, foram criadas seis (6) categorias de
análise e nesse texto serão apresentadas e analisadas. Visamos fazer com que esses dados venham a
auxiliar futuros trabalhos na área de língua espanhola para fins específicos, objetivando promover
mais debates nessa área de estudo, haja vista que no Brasil ainda há grande lacuna a ser preenchida
nesse âmbito de investigações.

Palavras-chave: língua espanhola; fins específicos; identidade discente.

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OS GÊNEROS TEXTUAIS E A MEDIAÇÃO DO TUTOR A DISTÂNCIA DA


EAD

Annie Rose dos Santos (UEM)

Nesta comunicação, buscamos interpretar a ação e, por meio dela, o tutor que age em Educação a
Distância (EaD) mediante a detecção das representações/reconfigurações e análises dos discursos dos
tutores a distância no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) denominado Ambiente de Trabalho
do Tutor, na plataforma Moodle utilizada no curso de Letras dessa modalidade de ensino em uma
instituição de ensino superior pública, a Universidade Estadual de Maringá (UEM), que por sua vez é
vinculada ao Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Os tutores a distância, sujeitos ora
investigados, fazem a mediação das atividades na tutoria nas disciplinas de língua portuguesa e
língua inglesa, por meio de distintos gêneros textuais. Utilizando-nos de uma metodologia
compreensiva/interpretativa inspirada no Interacionismo Sócio-Discursivo (ISD) (BRONCKART,
2008), objetivamos caracterizar o gênero de atividade profissional do trabalho pela linguagem do
tutor da EaD, interpretar as representações dos tutores geradas nos textos produzidos por esses
profissionais na tutoria, buscando dados das análises da mediação dos objetos de ensino por eles
realizadas, os conhecimentos em língua portuguesa e inglesa por meio dos gêneros textuais. O
quadro teórico-metodológico tem por base o ISD (BRONCKART, 2003; 2005), com aportes do
Interacionismo Social (IS) (BAKHTIN, [1992] 2003). As categorias analíticas empregadas são as
provenientes do ISD, complementadas pela Teoria da Atividade e Transposição Didática, e nos
procedimentos de análise procuramos caracterizar o gênero de atividade de linguagem do trabalho do
tutor da EaD.

Palavras-chave: Gêneros Textuais, Ensino a Distância, Tutoria.

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O GÊNERO DISSERTAÇÃO COMO CORPUS EM PESQUISA


TERMINOLÓGICA: CONTRIBUIÇÕES PARA O ENSINO DE LÍNGUA
ESPANHOLA

Daiane Karla Correia Jodar (UNICESUMAR)

Este resumo, baseado nos estudos referentes à terminologia, tem como objetivo apresentar a
importância do gênero acadêmico dissertação na elaboração de um Dicionário Terminológico da
Energia Eólica. Sabendo que a Terminologia está relacionada ao contexto específico de determinada
área (especialidade), o presente trabalho apresentará o processo de constituição dos corpora, bem
como sua manipulação até a elaboração do verbete propriamente dito. Vale ressaltar que a área de
especialidade a que se destinou a elaboração do dicionário é a energia eólica, considerando a
importância que tem sido dada às energias renováveis e a proximidade existente entre a língua
portuguesa brasileira e a espanhola europeia. Sendo assim, optou-se por escolher como corpora textos
acadêmicos que utilizaram a energia eólica como tema para seu desenvolvimento, uma subárea das
energias renováveis. O trabalho também apresentará a grande contribuição do gênero textual
dissertação para o desenvolvimento da pesquisa, pois conforme Ibáñez (2010), é “a partir da descrição
exaustiva do uso da linguagem em campos especializados é possível obter dados empíricos sólidos
que orientam o desenho de ferramentas metodológicas e didáticas eficientes”. A utilização do gênero
acadêmico na constituição dos corpora possibilitou a elaboração de verbetes e seus equivalentes em
espanhol evitando os equívocos na comparação entre as línguas. Para a realização do trabalho
compôs-se dois corpora com um total de duzentos e vinte textos técnicos bilíngues, dentre teses e
dissertações científicas. Para a elaboração do dicionário, foram selecionados 500 termos e seus
respectivos equivalentes. Por considerar um procedimento de pesquisa eficiente, adotou-se nesse
trabalho o método da Linguística de Corpus, uma vez que os corpora relacionado à energia eólica,
tanto em língua portuguesa quanto em língua espanhola, foram manuseados computacionalmente,
facilitando nossa pesquisa.

Palavras-chave: Terminologia, Dicionário, Energia Eólica, Gênero Textual.

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MODELIZANDO O GÊNERO TEXTUAL NURSERY RHYMES PARA O


ENSINO DE INGLÊS PARA CRIANÇAS

Emanuelle Cricia Oliveira da Silva Vieira (UEL)


Juliana Reichert Assunção Tonelli (Orientadora - CNPq/UEL)

O ensino de uma língua estrangeira (doravante LE) tem alcançado um espaço significativo atualmente,
resultando em um maior número de crianças aprendendo uma LE, sendo que a língua inglesa tem sido
a mais procurada (NIKOLOV, 2016). Observa-se que as crianças são introduzidas ao aprendizado de
uma LE desde o Ensino Fundamental I e até mesmo na Educação Infantil. Embora o ensino de uma
LE seja facultativo no EF e na EI, observa-se sua crescente oferta em diferentes partes do Brasil,
resultando em inúmeras pesquisas direcionadas a esse contexto (ROCHA, 2007; LIMA, 2008;
TONELLI, 2013; FERREIRINHA, 2014; NIKOLOV, 2016; TANACA, 2016; DIMER; SOARES,
2017). Pesquisadores da área apontam que aspectos como a motivação, interação, bem como a
inserção do aspecto lúdico, por meio de games, canções, gêneros textuais, entre outros (TONELLI,
2005) devem estar presentes nas aulas de língua inglesa para crianças (LIC) por contribuírem para o
envolvimento do aluno com a língua e por configurar-se atividades significativas para o repertorio da
criança, mantendo-os engajados durante as aulas e, consequentemente, contribuindo para sua
aprendizagem na língua alvo. Face ao exposto, neste trabalho propomos um ensino pautado em
Nursery Rhymes por acreditamos que ensino por meio delas pode oportunizar o desenvolvimento de
capacidades de linguagem (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004) dos alunos, além de mantê-los engajados
ao longo das aulas. Sendo assim, embasamo-nos teórico e metodologicamente nos pressupostos do
interacionismo sóciodiscursivo (ISD) para análise de textos, uma vez que construiremos um modelo
didático do gênero NRs a fim de identificarmos suas dimensões ensináveis (DOLZ, NOVERRAZ,
SCHNEWLY, 2004), e em sua vertente didática (BRONCKART, 2003; DOLZ, NOVERRAZ e
SCHNEUWLY, 2004), além de nos embasarmos em pesquisas que abordam a importância de se usar
Nursery Rhymes para o ensino e aprendizagem de LIC.

Palavras-chave: Modelo didático do gênero Nursery Rhymes. Ensino de LIC. Capacidades de


linguagem.

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O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO AO


TÉCNICO: CONSIDERAÇÕES SOBRE METODOLOGIAS DE ENSINO

Marlene Aparecida Ferrarini-Bigareli (USP, IFPR)

Esta pesquisa objetiva trazer à tona elementos que compõem o contexto no qual se realiza o ensino de
língua inglesa (LI) no Ensino Médio Integrado à Educação Profissional Técnica (EMIEPT) em
Institutos Federais de Ensino. A complexidade do estudo reside no fato desse contexto ser perpassado
por questões de níveis variados (internacionais, nacionais e locais), ser influenciado por fatores
históricos múltiplos e regido por legislações diversas. Ademais, por sua recente instauração, trata-se
de um ambiente de ensino no qual os participantes buscam a construção de identidade da instituição e
de si mesmos como profissionais atuantes nesse espaço ou como alunos desse tipo de escola. A LI na
formação do estudante do EMIEPT é uma área que tem suscitado pesquisas em várias vertentes, entre
elas as metodologias de ensino. A compreensão dos objetos de estudo das pesquisas realizadas guia
esta comunicação. Em nossa tese, desenvolvemos uma pesquisa de natureza descritivo-interpretativa,
dividida em duas fases: indexação de pesquisas realizadas com o ensino de LI no EMIEPT e coleta de
dados em campo. A indexação de pesquisas contabilizou, em um primeiro movimento, as pesquisas de
mestrado e doutorado realizadas na área e, em um segundo movimento, os artigos de periódicos e
anais de eventos. Os resultados gerais evidenciam um movimento crescente de pesquisas realizadas no
EMIEPT por professores que atuam no contexto. Essa evidência evoca tanto a necessidade de busca
de soluções para conflitos inerentes ao contexto como a necessidade de formação continuada,
apontada em várias pesquisas. No que diz respeito aos resultados recortados especificamente para essa
comunicação, pretendemos enfatizar as considerações sobre metodologias de ensino, uma vez que o
ensino de LI para fins específicos figura fortemente nesse cenário. Dessa forma, nosso estudo se insere
entre os que expõem pesquisas acadêmicas realizadas em contextos específicos, pretendemos
colaborar para a reflexão sobre a complexidade e diversidade das questões que compõem esse cenário.

Palavras-chave: Língua Inglesa, metodologias, Ensino Médio Integrado

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A ANÁLISE DOS GÊNEROS DISCURSIVOS EM MATERIAIS DIDÁTICOS DE


INGLÊS PARA INFORMÁTICA

Vanessa Spinelo Heydt (UNIOESTE)

A unidade máxima de funcionamento de uma língua é o texto, que é caracterizado pela sua inteligibi-
lidade, discursividade e articulação. Assim, os textos operam em caráter e contexto comunicativo, e
por essa razão a língua está sempre em funcionamento. Dessa forma, entre o discurso inicial e o texto
final encontra-se o gênero, definido como prática social, cultural e discursiva (MARCUSCHI, 2008).
Além do ensino da língua geral, no contexto das línguas especializadas, a abordagem dos gêneros do
discurso também opera de maneira significativa. Por meio dos diferentes textos é possível conferir
autenticidade ao estudo das áreas de especialidade, além de propiciar o trabalho com os aspectos se-
mânticos, sintáticos, históricos, e valorização do processo de reflexão sobre a língua que se estuda. No
Brasil a oferta de cursos de línguas para fins específicos, mais especificamente, o inglês, acontece no
ensino público e privado, seja na Educação Básica, no Ensino Superior ou nos cursos livres. Especifi-
camente no estado do Paraná, a língua inglesa é um componente da matriz curricular dos cursos técni-
cos ofertados pela Secretaria de Estado da Educação. Assim, este estudo pretende abordar as contribu-
ições da abordagem em pauta no Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio. Conside-
rando tal abordagem como um aspecto importante no ensino das línguas de especialidade, essa pesqui-
sa, de cunho qualitativo, tem como objetivo principal refletir acerca do modo como os materiais didá-
ticos selecionados contemplam os diferentes gêneros escritos para o ensino do inglês para a informáti-
ca. Para isso, será realizada a análise de três livros: Inglês.com.textos para Informática (2006); Inglês
Instrumental para Informática – English Online (2013); e Infotech – English for computer users
(2014). Tais materiais foram selecionados indistintamente para esta análise, uma vez que, não é ofer-
tado, pelo estado do Paraná, um material didático especializado para o trabalho com a Língua Inglesa
no curso técnico do qual trata esta pesquisa. Pretende-se, dessa forma, contribuir com as aplicações
pedagógicas dos gêneros do discurso no âmbito do ensino de línguas para fins específicos. O referen-
cial teórico desse estudo apoia-se, entre outros, em Marcuschi (2008), Enterría Sánchez (2009) e Ce-
lani, Freire e Ramos (2009).

Palavras-chave: Gêneros do discurso; Ensino de línguas para fins específicos; Material didático.

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GÊNEROS TEXTUAIS NO ENSINO DE TRADUÇÃO PARA SECRETARIADO


EXECUTIVO: UM OLHAR PARA AS ESCOLHAS TRADUTÓRIAS

Viviane Cristina Poletto Lugli (UEM)

A tradução materializada por meio de um gênero textual reflete uma forma de ação. Trata-se de uma
atividade de negociação de significados realizada pelo profissionalleitor-tradutor que se sente entre
fronteiras. Constitui-se, portanto, como um produto resultante da atitude cognitiva e cultural do tradu-
tor que alicerça suas ações verbais nas relações de correspondência entre os significados das unidades
léxicas dos textos de partida e do texto de chegada. Nesse processo de negociação, em que o tradutor
se sente como responsável para “dizer o mesmo a outros” (SOBRAL, 2008), torna-se necessário no
ensino refletir sobre as escolhas tradutórias de modo que haja uma mobilização adequada de unidades
léxicas para a tradução cumprir sua função social. Assim, considerando a necessidade de promover,
por meio do ensino da língua espanhola para Secretariado Executivo, a apropriação de saberes técni-
cos e socialmente constituídos para a tradução em contextos especializados, tomamos os gêneros tex-
tuais em língua espanhola como objetos de ensino (DOLZ e SCHNEUWLY, 2004) de tradução com o
fim de levar os aprendizes a refletirem sobre a língua alvo por meio de atividades significativas de
tradução. O objetivo deste trabalho é, portanto, demonstrar a relevância do ensino de tradução, tendo
como ponto de partida o gênero textual como modelo de referência para a aprendizagem em contextos
especializados como o contexto de Secretariado Executivo. A pesquisa realizada é de cunho biblio-
gráfico e diagnóstico porque identifica os significados de expressões traduzidas em gêneros textuais
como práticas sociais de referência para o ensino de tradução no par de línguas português-espanhol.
Como referencial teórico, este estudo se fundamenta nas postulações de Bajtín (2005), de Bronckart
(1999), de Dolz e Schneuwly (2004), e em estudos sobre a tradução (ARROJO, 1996; TRAVAGLIA,
2003; SOBRAL; 2008).

Palavras-chave: Gênero; Traduções; Escolhas Tradutórias.

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ORDEM DE PALAVRAS EM INTERROGATIVAS SIM/NÃO DO PORTUGUÊS


BRASILEIRO E DO PORTUGUÊS CLÁSSICO

André Antonelli (UEM)

Neste trabalho, a partir de pressupostos da teoria gerativa (Chomsky 1995, 1998, 2000), fazemos uma
análise comparativa entre o português brasileiro (PB) e o português clássico (PCl) no que diz respeito à
ordem de palavras em interrogativas sim/não. Usando como corpus a primeira tradução completa do
Novo Testamento para o português, publicada em 1681, observamos que no PCl são licenciadas tanto a
ordem linear com sujeito pré-verbal (SV) quanto com sujeito pós-verbal (VS). Basicamente, a ordem
SV é registrada quando o sujeito funciona discursivamente como um elemento focalizado ou
topicalizado, (cf. (1)).

(1) [Tu so] es peregrino em Hierusalem? (Lucas 24:18)

Não havendo nenhuma marca de focalização ou topicalização, a sequência linear licenciada é a ordem
VS, (cf. (2)).

(2) es [tu] o Rey dos Judeos? (Lucas 23:3)

No PB, tem-se de maneira categórica a sequência SV, independentemente do estatuto discursivo do


sujeito gramatical, como atestam os dados em (3).

(3) a. [Você] comprou um carro novo?


d. [Só você] comprou um carro novo?

Tomando como ponto de partida a visão cartográfica da periferia à esquerda da sentença (Rizzi 1997,
2001, 2004) apresentada em (4), assumimos que a sintaxe de interrogativas sim/não está relacionada à
ativação da projeção InterP (Aboh & Pfau 2010).

(4) Force … > Inter … > Topic … > Focus … > Finiteness

Tanto para o PB quanto para o PCl, defendemos que o núcleo de InterP aloja um operador nulo com
um traço interrogativo, o qual seria responsável por codificar o estatuto discursivo da sentença. Esse
núcleo atrairia um constituinte, nesse caso específico a própria proposição posicionada
hierarquicamente abaixo, para a sua posição de especificador. Em nossa análise, a diferença entre o
PCl e o PB se daria por conta da natureza V2 daquela, que demanda movimento do verbo para Fin, ao
passo que esta não apresenta essa exigência estrutural (Antonelli 2011). Um dos resultados disso é que,
nas duas variedades em questão, a estrutura sintática do conteúdo proposicional a ser alçada para
[Spec,InterP] é linearmente diferente, explicando assim os padrões expressos nos dados de (1) a (4).

Palavras-chave: periferia da sentença; V2; movimento do verbo

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TRAMAS SOCIAIS E LINGUÍSTICAS NO EMBATE ENTRE JESUÍTAS E


REPUBLICANOS: A QUESTÃO DA COLOCAÇÃO PRONOMINAL

Andrea Colsato (USP)

Na perspectiva da História Social da Língua Portuguesa, esta comunicação coloca em evidência a


questão da colocação pronominal como “marca social da diferença”. A partir do reconhecimento da
relevância de se estudar as redes sociais e as comunidades de práticas, mostramos as forças que agem
na língua para o incremento ou não da mudança. Os grupos sociais são compostos por indivíduos que
se articulam, indicando na prática o funcionamento das normas e regras estruturais existentes na
sociedade. Na investigação das fontes documentais do início do século XX, destacamos duas
comunidades do interior paulista cujas práticas, interesses e ferramentas configuram um embate
ideológico e linguístico: jesuítas X republicanos. As tópicas nos jornais, revistas e discursos recuperam
a ânsia jesuítica pela manutenção de seu status de responsável pela educação da elite paulista, lugar
ocupado pelo grupo desde o retorno da Companhia de Jesus em meados do século XIX. O fim da
Monarquia e o adensamento do grupo de defensores da República e da laicização da educação na região
ocasionará a perda dessa exclusividade. O advento desse forte grupo de Republicanos operará
no espelhamento da sintaxe dos republicanos pelos jesuítas, essa é a hipótese para o alto índice de
ênclise encontrado nos textos dos jornais dos religiosos, o que os definiria como elite intelectual apta a
dar continuidade às suas atividades. Nas tramas da colocação pronominal, a próclise ainda emerge
fortemente em textos jesuíticos de menor circulação social. O procedimento utilizado para a
quantificação e análise dos dados das duas comunidades foi elencar os contextos de próclise e ênclise
em estruturas finitas, infinitivas preposicionadas e grupos verbais e associar fatores de ordem
linguística e social, considerando que o colégio jesuítico no qual operam os religiosos evidencia o
sistema de dominação e reprodução das relações sociais que “permite à cultura dominante numa dada
formação social cumprir sua função político-ideológica de legitimar e sancionar um determinado
regime de dominação” (MICELI, 2001, p.XVI).

Palavras-chave: sintaxe de colocação, jesuítas, republicanos, interior paulista, 1900-1910

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EBULIÇÃO E SEDENTARIZAÇÃO LINGUÍSTICA: ECONOMIA,


CONTATO E HISTÓRIA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO

Emilio Gozze Pagotto (Unicamp)

A história social das línguas, especialmente quando envolve a ocorrência de contatos linguísticos,
pode ser pensada a partir de duas situações básicas: ebulição(ou efervescência) e sedentarização
linguística. Por esses dois conceitos, desejamos abarcar duas condições de funcionamento linguístico
inter-relacionadas mas diferentes. Na condição de ebulição, o quadro social em que se dão as
interações é fruto de processos históricos recentes, os papéis sociais não são bem claros ou os sujeitos
se renovam em ciclos muito rápidos. Tais situações podem, no limite, se desvanecer completamente,
sem dar origem a qualquer comunidade linguística perene. A sedentarização linguística é, exatamente,
a situação em que a língua se pereniza numa dada comunidade linguística, na linha do tempo que
segue. Não implica ausência de variação, mas o que chamo de estabilização sociolinguística. Nesse
caso, os papéis se definem mais claramente, e os falantes tendem a permanecer mais tempo vinculados
à comunidade, fazendo parte dos valores sociais que impulsionam os processos de variação e
mudança. O trabalho se propõe a examinar a história social da língua no Brasil, a partir de um quadro
desenhado nas duas últimas décadas em que a economia interna no Brasil colônia adquire enorme
relevância, a ponto de propiciar mesmo acumulação de capital capaz de alavancar até as atividades
agro-exportadoras (cf. FRAGOSO, J. L. R. (1992), FRAGOSO, J. L. R. & FLORENTINO, M. G.
(1993), dentre outros). O ponto central do trabalho é exatamente este: a história da língua no Brasil se
fez por meio da passagem da ebulição para a sedentarização linguística. E são as condições criadas
pela economia de subsistência, entendida como subsidiária do mercado interno, ou no limite, como
subsistência propriamente, aquelas ideais para a consolidação dos dialetos que posteriormente
comporão o mosaico brasileiro. Desloca-se assim o eixo de investigação da história social da língua no
Brasil, que normalmente é pautado pela lógica da economia latifundiária agro-exportadora. Tal
deslocamento trará um ganho epistemológico grande e seguramente recolocará o problema do papel
dos contatos linguísticos em outros termos, levando-nos a pensa-los não a partir de hipóteses que
partem da ruptura, mas a partir de hipóteses que considerem o contato de longa duração e em
condições de interação plenas.

Palavras-chave: história social, português do Brasil, economia colonial, contato linguístico

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PARA HISTÓRIA DO PORTUGUÊS BRASILEIRO EM MARINGÁ

Hélcius Batista Pereira (UEM)

O trabalho pretende recuperar os aspectos da história externa da Língua Portuguesa em Maringá e


região. Nessa perspectiva, retomamos trabalhos relevantes da historiografia, como por exemplo os
reunidos em Dias & Gonçalves (1999), os quais se debruçaram sobre o processo de reocupação e
transformação espacial da área onde a cidade foi criada na primeira metade do século XX. Em nossa
perspectiva, esse processo é também o movimento pelo qual a Língua Portuguesa tornou-se
dominante, suplantando – em números de falantes, em prestígio social, etc. – outras línguas
concorrentes – as dos povos indígenas - expulsas ou silenciadas socialmente. Seguindo olhar
semelhante ao que Ilari & Basso (2011) e Castilho (2010) propuseram ao estudar em um plano mais
geral a História da Língua Portuguesa no Brasil, mapeamos sobre nosso objeto um quadro que pode
ser caracterizado como marcado por “multilinguísmo”. Além disso, a construção de Maringá e de
outras cidades ao seu redor, a partir da condução de projeto de colonização recente, planejada por
interesses da iniciativa privada sob a benção, apoio e ação estatal, trouxe para a região falantes de
diversas variedades linguísticas do Português Brasileiro, em um encontro que pode ser descrito como
desde os seus momentos iniciais como “multidialetal”. Foi a partir desse encontro linguístico que os
falares atuais dessa região foram estabelecidos, em um processo envolto pelas disputas pelo poder
simbólico em torno (e a partir) da linguagem (BOURDIEU, 2003). Nossa apresentação utilizará,
então, dados para a reconstituição desse quadro linguístico socio-histórico da cidade, buscando pistas
sobre os principais grupos sociais que se transferiam para o município. Por fim, o trabalho dará
notícias das pesquisas que estamos iniciando a partir do entendimento desse processo.

Palavras-chave: História Social da Língua; Multilinguismo; Multidialetalimo.

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REFLEXÕES SOBRE OS PROCESSOS DE NACIONALIZAÇÃO DA LÍNGUA


PORTUGUESA NO BRASIL

Hosana dos Santos Silva (UNIFESP)

Neste estudo, discutimos alguns aspectos das ações sociopolíticas e socioculturais voltadas à
nacionalização da língua portuguesa no Brasil, notadamente no pós-independência. Recapitulamos,
nesse sentido, os extensos e contundentes debates acerca das especificidades da língua brasileira, em
cujas bases estão a preconização da herança europeia e a depreciação das línguas africanas e
indígenas. Note-se que, de uma perspectiva sociocultural, as discussões formuladas, especialmente no
último quartel do século XIX, têm caráter ambíguo, porque promovem a nacionalização da língua
brasileira, ao mesmo tempo em que endossam a suposta superioridade do português europeu. Todavia,
da perspectiva política, os discursos sobre a língua do Brasil, apesar de ambivalentes, não são
contraditórios, pois se formam no interior dos sistemas de distinção estruturantes dessa sociedade
originariamente oligárquica e escravocrata. Nessa estrutura, o vínculo com a antiga metrópole se torna
desejável, especialmente pelo valor de sua história e origem racial; de outra parte, a natureza vulgar da
jovem nação – mestiça e rudimentar – é sempre evocada, acentuando as divisões presentes nessa
sociedade. No recorte interno, nega-se o direito às línguas das minorias, consideradas inferiores, e se
estigmatizam as variedades formadas nas camadas populares, observadas – na inter-relação com as
variedades autorizadas e legitimadas – como língua ruim, língua de preto, língua de gente selvagem.
Retomando essas discussões, esperamos não somente contribuir para construção textual da história
social das línguas no Brasil, mas, sobretudo, fomentar o debate acerca dos efeitos dos apagamentos
linguísticos na formação das identidades linguísticas de afro-brasileiros. O estudo se desenvolve com
base em apontamentos sociolinguísticos e históricos, em diálogo com os pressupostos teóricos da
Sociologia da Linguagem, conforme proposta por Pierre Bourdieu.

Palavras-chave: identidade; nacionalização; português brasileiro; línguas minoritárias.

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SOCIOLINGUÍSTICA HISTÓRICA: PRINCÍPIOS TEÓRICOS E


METODOLÓGICOS PARA O ESTUDO DA LÍNGUA PORTUGUESA EM
SINCRONIAS PASSADAS

Leici Landherr Moreira (UFSM)

Esta comunicação busca apresentar a Sociolinguística Histórica como arcabouço teórico e


metodológico para o tratamento da mudança linguística na Língua Portuguesa do Brasil em sincronias
passadas. De acordo com Conde-Silvestre e Hernández-Campoy (2012), desde o trabalho fundacional
de Romaine (1982), “Socio-historical linguistics: its status and methodology”, a Sociolinguística
Histórica alcançou maturidade por conta dos estudos que tentam resolver os limites teóricos da
disciplina e aplicar princípios da sociolinguística variacionista (LABOV, 1994) à interpretação dos
dados linguísticos diacrônicos (princípio do uniformitarismo). Além disso, o estudo histórico e social
de comunidades do passado, somado à reconstrução de estruturas demográficas e socioeconômicas
tem proporcionado ao pesquisador a reconstrução das circunstâncias sociohistóricas relevantes aos
processos linguísticos diacrônicos. Por isso, atualmente a disciplina se ocupa do estudo sobre
mudança linguística segundo a relação entre variáveis linguísticas e variáveis sociais (idade, status
social, formação profissional, educacional, gênero, estilo do texto, espécie documental...). Mesmo que
abordagem mostre-se fecunda para descrever elementos da língua em um contexto sociohistórico das
sincronias pretéritas, dispõe de limitações, principalmente de cunho metodológico no que diz respeito
às pesquisas do Português do Brasil. É nesse sentido que, nesta comunicação, apresenta-se, em
primeiro lugar os princípios teóricos e metodológicos concernentes à disciplina, seguido da discussão
acerca dos principais problemas metodológicos enfrentados pelo pesquisador que são: a) material
linguístico histórico; b) reconstrução de variáveis sociais do falante ou comunidade de fala. Por
último, examina-se como esses problemas estão sendo discutidos nas pesquisas de estudos diacrônicos
da Língua Portuguesa no Rio Grande do Sul com base nos dados dos projetos “Para a História do
Português Brasileiro Sul-Rio Grandense (PHPB – RS)” e “Banco de dados de textos escritos:
Português histórico do Rio Grande do Sul (PHRS)”.

Palavras-chave: Mudança linguística. Sociolinguística Histórica. Português do Brasil.

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UM ESTUDO LÉXICO-SEMÂNTICO SOBRE O VERBO ACOCAR NOS


DADOS DO TESOURO DO LÉXICO PATRIMONIAL GALEGO E
PORTUGUÊS (TLPGP)

Mariana Spagnolo Martins (CAPES – PPGEL- UEL)

O presente trabalho é um recorte da monografia: Verbos Na Linguagem Oral Nos Dados Do Tesouro
Do Léxico Patrimonial Galego E Português (TLPGP): Um Estudo Léxico-Semântico (MARTINS,
2016) apresentada à Universidade Estadual de Londrina. O tema pesquisado está relacionada ao
Projeto internacional e interinstitucional Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português, que por
sua vez integra o Projeto Tesouro do Léxico Patrimonial Galego e Português: inventário paranaense,
regional Paraná-BR. O TLPGP tem por objetivo alimentar o banco de dados do dicionário on-line
(http://ilg.usc.gal/Tesouro/) que comporta léxicos das duas línguas, galego e português. Constam do
banco de dados do Projeto estudos que são referências de pesquisa na área de dialetologia e descrição
linguística, como o Atlas Linguístico do Paraná (Aguilera, 1994), Atlas Linguístico do Paraná II
(Altino, 2007), o Vocabulário da cultura do Café (Castro, 2000), O léxico da cachaça de Morretes:
resgate e memória (Lambach, 2002) e A Linguagem dos Trapicheiros (Leão, 1988), entre outros. Na
pesquisa monográfica, analisou três verbos relacionados ao campo semântico 7.0 (O ser humano) da
obra O Vocabulário de Tibagi (Toniolo, 1981), que são: alinhar, acocar e beneficiar. O objetivo do
estudo foi: i) verificar as semelhanças de acepções desses verbos no Português Europeu, Português
Brasileiro e Galego; ii) verificar a importância de uma obra lexicográfica do porte do Tesouro Galego
Português para a compreensão da história de línguas afins e iii) buscar entender a pluralidade de
sentidos de uma palavra usada no interior de um município brasileiro e compará-la à que pode ocorrer
em outras localidades na Galícia e em Portugal, isto é, conhecer léxicos semelhantes com sentidos
iguais ou diferentes, dependendo da cultura do falante que a emprega. Para esta comunicação,
traremos como exemplo a análise realizada sobre o verbo acocar, de acordo com os objetivos da
pesquisa e os pressupostos de significado abordado por Ullman (1964) e os conceitos de unidades
léxicas de Biderman (2005).

Palavras-chave: Projeto Tesouro. Vocabulário Tibagi. Regional Paraná. Acocar

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RELAÇÕES E REGULARIDADES: UM OLHAR DISCURSIVO PARA A


HISTÓRIA DA LINGUÍSTICA DO PARANÁ

Patrícia Cardoso (UNICENTRO)

Nesta pesquisa, investigamos arqueologicamente a produção de saberes que contribuíram para


alicerçar a disciplina da Linguística no Brasil entre 1953 a 1968, a partir de um arquivo de memória
reverberado pela/na Revista Letras da UFPR. Mobilizamos os aportes teórico-metodológicos da
Análise do Discurso de linha francesa, mais precisamente aqueles estabelecidos a partir dos “diálogos”
entre Michel Foucault e Michel Pêcheux. O objetivo da pesquisa é analisar discursivamente a
(trans)formação de discursos que tratam a lingua(gem), focalizando um momento sócio-histórico em
que os dizeres, a propósito de uma ciência da linguagem, começavam a ganhar dizibilidade. Em nosso
arquivo encontramos regularidades e a positividade que forma novos discursos acerca da
institucionalização da Linguística, observando as manifestações dos discursos como constituintes de
poderes. Em meio a saberes sobre a língua marcados pela não cientificidade, as reflexões de Guérios
rompem com a tradição focada na concepção de língua vista como representação do real; convocam
formulações da dialetologia para pensar os componentes socioculturais presentes nos processos de
tabuização das palavras e olha para um sujeito determinado por regras. Além disso, as análises
apontam para modos de se pensar o funcionamento da língua/linguagem e para o fato de que os
discursos sofrem determinações de práticas discursivas, conforme as condições de existências, e
passam por uma depuração que filtra as palavras, por meio de relações sociais, estabelecendo o que se
pode falar e o que não pode. Apesar da heterogeneidade existente nos discursos analisados,
observamos regularidades discursivas que estão estabilizadas, ou melhor, apresentam continuidades
nos saberes linguísticos, mas também as análises nos permitiram notar descontinuidades, rupturas no
percurso teórico que se desenvolvia. Também foi possível flagrar enunciados que ficam no entremeio,
exprimem uma metodologia vigente e ao mesmo tempo acrescentam um novo discurso que rompe
com certos preceitos estabelecidos, como nos artigos com temas da dialetologia.

Palavras-chave: Discurso; história da linguística; poder-saber

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ULTRAPASSAGEM DE BARREIRA LINGUÍSTICA E IMPOSIÇÃO DE


DOMÍNIO COLONIAL NO SUL DA BAHIA (1500-1549)

Wagner Argolo Nobre (UNIME)

Quando o tema de trabalhos sobre a história linguística do Brasil é o percurso social que a língua
portuguesa começou a traçar aqui, no início do período colonial, é comum encontrarmos cenários
impressionísticos, como aquele que nos transmite a ideia de que a língua portuguesa, logo que aportou
no sul da Bahia, imediatamente espalhou-se entre os autóctones, por provir de um povo num estágio
evolutivo mais avançado, em detrimento da língua predominante na costa, o tupinambá. Entretanto, o
cenário do século XVI foi bastante diverso. Indo além, podemos afirmar que a fácil ultrapassagem da
barreira linguística, por parte dos portugueses, deu-se, justamente, pelo fato de terem adotado o
tupinambá como língua supra-étnica, tornando-se bilíngues em português-L1 e tupinambá-L2. É neste
contexto que tem início a colonização do Brasil, feita de forma pontual a partir de 1500, através das
expedições guarda-costa, e de forma intensa a partir de 1532, com a chegada de Martim Afonso de
Souza a São Vicente, quando começa o processo que culminará na fundação das Capitanias, dois anos
depois. A ultrapassagem da barreira linguística, através da aquisição do tupinambá, foi, justamente, o
principal fator que possibilitou as negociações com os índios da costa, nos primeiros 34 anos, no
intuito de se obter mão de obra escravizada para o trabalho nos engenhos açucareiros. De início, com a
conivência dos próprios tupinambás, que disponibilizavam alguns de seus prisioneiros, capturados nas
guerras inter-tribais, para negociá-los com os portugueses, mantendo, porém, o controle sobre sua
oferta, preservando-se a bilateralidade das relações. A partir de 1534, entretanto, a aliança bilateral
transformar-se-ia num processo de dominação unilateral, que teria como resultado a escravização em
massa dos tupinambás, sem qualquer reconhecimento de sua autoridade tribal, principalmente a partir
do momento em que os engenhos, fundados no intuito de sedimentar o processo de colonização – num
contraponto ao desaquecimento do comércio com a Índia –, começam a demandar um grande
contingente de mão de obra. Lidando com esses dois temas – ultrapassagem de barreira linguística e
imposição de domínio colonial –, esta comunicação procura lançar luzes sobre aspectos pertinentes a
linguistas-historiadores, contribuindo, assim, para a continuidade de estudos no âmbito da história
social do PB.

Palavras-chave: história social; português brasileiro; tupinambá; sul da Bahia

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RESSIGNIFICAÇÃO DA ESCRITA NO ENSINO MÉDIO:


RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

Adélia Aparecida Pereira da Silva Rodrigues (UEM)

Este trabalho propõe apresentar o resultado de uma experiência de escrita no Ensino Médio. O
experimento aconteceu em um colégio público, na cidade de Maringá, noroeste paranaense, envolvendo
as disciplinas de Língua Portuguesa e Arte. Assim, o objetivo deste relato é demonstrar como a prática
pedagógica centrada em finalidades reais de uso da linguagem escrita, pode desenvolver senso crítico,
criativo e responsável nos alunos. A proposta de intervenção para a citada apresentação ancora-se na
perspectiva sócio-histórica de ensino e aprendizagem, subsidiada pelos pressupostos bakhtinianos de
interação e em alguns pesquisadores como Geraldi (1997; 2002); Antunes (2003; 2009; 2014); Solé
(1998) e Garcez (1998), estudiosos que apregoam a necessidade da leitura e da escrita significativa na
escola. Utilizamos, ainda, como escopo teórico os documentos oficiais PCN (BRASIL,1998; 2000),
PCNEM (BRASIL, 2006), DCNEM (BRASIL, 2013), que discutem o discurso como prática social. É
importante ressaltar que a atividade percorreu o sentido oposto ao das pesquisas acadêmicas: partiu da
prática escolar para o embasamento teórico e metodológico. Por esse caráter empírico, tomamos como
parâmetro os gêneros textuais indicados para o vestibular da UEM (resumo; resposta argumentativa;
artigo de opinião; texto instrucional; relato; carta do leitor; notícia etc) que desde 2008, implementou a
perspectiva dos Gêneros Textuais para as provas de redação dos vestibulares. O que se iniciou como uma
certeza de estudos para o concurso transformou-se em atividade real de uso da linguagem escrita,
concretizada na produção de textos construídos, lidos e reescritos ao longo das aulas, sempre com uma
leitura final, para a última avaliação da turma. O resultado foi a produção de textos, que puderam ser
expostos no mural da escola, nos muros (pelo lado de fora) ou entregues para os colegas/pais/mães, em
eventos internos.

Palavras-chave: escrita, transformação e prática social.

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O ESTATUTO DIALÓGICO DA ANÁLISE LINGUÍSTICA:


UMA CARACTERIZAÇÃO TEÓRICO-PEDAGÓGICA

Adriana Delmira Mendes Polato (UNESPAR)

O trabalho objetiva apresentar um estatuto dialógico para a prática pedagógica de Análise Linguística
– AL, sob os aportes da teoria dialógica do Círculo de Bakhtin e interpretação metodológica da
Análise Dialógica de Discurso – ADD - (BRAIT, 2006). O estudo é resultado de investigação
realizada em tese de doutorado, que desfecha em uma caracterização teórico-pedagógica responsiva às
tendências retrospectivas alcançadas pelo objeto Análise Linguística em três décadas de seu
desenvolvimento valorado na Linguística Aplicada do Brasil. Envolve planos teóricos, conceituais e
metodológicos para prospectar expansões interpretativas e para (re)orientar proposições à tomada do
objeto na direção de suas abordagens científica e prática. A AL, sob perspectiva dialógica, atenta às
escolhas vocabulares e gramaticais como fruto de uma decisão autoral consciente e deliberada, no seu
direcionamento semântico-objetal temático, para favorecer a compreensão da vida social integrante do
discurso e a apreensão cognitiva das estruturas da língua que servem a essa concretização, em
diferentes níveis de análise como o fonético, o morfológico, o sintático e o semântico. Os resultados
apontam que, sob perspectiva dialógica, a AL apresenta: a) objetivos pragmáticos, ao revestir os
fenômenos linguístico-enunciativos e discursivos manifestados em textos mobilizados em gêneros
discursivos de uma interpretação axiológica, a partir da análise da relação estilo-gramática; b)
objetivos sociais, ao servir à expansão dos níveis de consciência socioidelógica de sujeitos alunos em
situação de ensino e aprendizagem. Nessas bases, portanto, corrobora a compreensão e a produção
valorada de discursos que encorpam ou refutam posicionamentos sociais manifestados em enunciados
concretos e, por consequência, a transformação de relações sociais.

Palavras-chave: Análise Linguística; estatuto dialógico; conceitos axiológicos; relações sociais.

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PROPOSTA DE PRÁTICA DE ANÁLISE LINGUÍSTICA PARA O ENSINO


FUNDAMENTAL I A PARTIR DO GÊNERO NOTÍCIA

Bruno Ciavolella (SEED-PR)

Esta comunicação tem por tema o ensino de Língua Portuguesa (LP) no contexto das séries finais do
ensino fundamental 1, especialmente, no que diz respeito à prática de análise linguística (AL). Dentre
os eixos que constituem o ensino de LP, a AL caracteriza-se por ser um procedimento metodológico
cujo propósito é proporcionar a reflexão sobre a língua em contexto efetivo de uso, ou seja, em textos,
o que a torna um subsídio às práticas de leitura e às de escrita, indispensável em qualquer série esco-
lar. Entretanto, no contexto do ensino fundamental 1, esta discussão ainda é incipiente, tendo em vista
a dificuldade de se efetivar um trabalho dessa natureza na sala de aula (COSTA-HÜBES, 2017). Des-
sa forma, o objetivo geral deste trabalho é refletir sobre a prática de análise linguística como um pro-
cedimento metodológico para as aulas de língua portuguesa e, por objetivo específico, apresentar e
discutir um encaminhamento metodológico de proposta de análise linguística a partir do gênero notí-
cia para o quarto ano do ensino fundamental. Esta pesquisa de abordagem qualitativa insere-se na
Linguística Aplicada, subsidia-se na concepção dialógica de linguagem do Círculo de Bakhtin, bem
como nos estudos teóricos e aplicados sobre a AL (GERALDI, 1984), (MENDONÇA, 2006), ACOS-
TA-PEREIRA (2018), (POLATO, 2017), dentre outros. Como resultado, espera-se oferecer subsídios
concretos e exemplos de atividades que possam contribuir para o desenvolvimento de práticas de AL
no contexto das séries iniciais.

Palavras-chave: Análise linguística. Ensino de Língua Portuguesa. Ensino Fundamental 1.

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A FINALIDADE EM COMANDOS DE PROVA DE REDAÇÃO

Carla Catarina Silva (UEM)


Renilson José Menegassi (UEM)

A partir dos conceitos do Círculo de Bakhtin acerca das condições de produção escrita discutidas e
ampliadas por Geraldi (1993) e Menegassi (2003; 2012; 2016), este artigo analisa o elemento finalida-
de, “o intuito do dizer”, constituinte das condições de produção, em comandos de produção textual da
prova de Redação do Vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM) entre o período de 2008
e 2016. Os comandos analisados pertencem a todas às modalidades: regular, Educação à Distância
(EAD) e o Processo de Avaliação Seriada (PAS). Para tanto, ancorados na Linguística da Enunciação,
a partir da teoria do Dialogismo, baseamo-nos, principalmente, em Bakhtin (2015), Geraldi (1993) e
Menegassi (2003; 2012; 2016) para apresentar o conceito de finalidade e analisar o elemento no mon-
tante final de 91 propostas de redação. Os resultados apontam que todos os exemplares investigados
apresentam a finalidade, que é melhor delimitada quando explicitamente marcada, uma vez que tam-
bém pode ser inferida. A finalidade é marcada por verbos que indicam as ações a serem realizadas na
produção de texto. Foram encontrados 43 verbos explícitos. Dos 71 comandos que explicitam a finali-
dade, 55 especificam-na uma única vez, sem repetições; destes, a maioria a apresenta mais ao final do
Comando em consideração à disposição dos outros elementos que compõem as condições de produção
e de outras informações que possam constar. Ainda em relação aos 71 exemplares que explicitam a
finalidade, 11 apresentam-na em partes distintas, com informações repetidas; 5 dispõem a finalidade
também em mais de uma parte, porém com informações que se complementam. Ao analisar a finali-
dade, verificamos 6 propostas com características estruturais, bem como 11 comandos com uma cons-
trução diferente dos demais. A finalidade é um elemento muito importante na produção textual, pois
determina o intuito da manifestação discursiva. É a partir dela que os outros elementos das condições
de produção despontam.

Palavras-chave: Vestibular. Finalidade. Condições de Produção. Prova de Redação. Comando de Produ-


ção Textual.

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REVISÃO DIALÓGICA NA SALA DE AULA

Denise Moreira Gasparotto (IFC-Videira/UEM)


Renilson José Menegassi (UEM)

Este trabalho reflete sobre a prática docente de revisão textual e a interação entre professor, aluno e
discurso que orienta esse processo. A partir dos pressupostos do Círculo de Bakhtin
(BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2009; BAKHTIN, 2010), especificamente da Análise Dialógica do
Discurso (ADD) (BRAIT, 2012), da Concepção de escrita como processo e como trabalho
(GERALDI, 1984. FIAD e MAYRINK-SABINSON, 1991; MENEGASSI, 2016), e de pesquisas
estrangeiras e nacionais voltadas à revisão textual, às práticas docentes adequadas a esse processo e à
relação entre revisão docente e qualidade da revisão e reescrita pelo aluno, objetivou-se compreender
as intersecções entre esse aparato teórico-metodológico para definir e caracterizar o conceito de
Revisão Dialógica, no sentido de compreender quais aspectos devem orientar a ação docente para uma
prática de revisão voltada à interação e internalização de habilidades de escrita pelo aluno. Para
elucidar essa análise, foram utilizados textos de alunos de Ensino Médio, produzidos nas aulas de
Língua Portuguesa. O estudo apontou encontros significativos entre dialogismo, escrita como trabalho
e revisão textual e permitiu elencar as ações docentes e discentes que orientam uma prática de revisão
e reescrita pautada na interação e no desenvolvimento de habilidades discursivas. Foi possível refletir
sobre práticas de revisão necessárias ao docente para que o aluno passe a se identificar como autor e
também como leitor-revisor de seu texto, a fim de adquirir autonomia no processo de revisão e
reescrita.

Palavras-chave: Revisão textual, dialogismo, ensino.

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O TRABALHO COM COMPETÊNCIAS LINGUÍSTICO-DISCURSIVAS EM


OFICINAS DE LEITURA: RELAÇÕES DE REPETIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO
DE PALAVRAS NA CONTINUIDADE DO TEXTO

Fernando Henrique Ribeiro Lima (Faculdade de Primavera)


Renilson José Menegassi (Orientador-UEM)

Este trabalho aborda o desenvolvimento de competências linguístico-discursivas a partir do trabalho


de sala de aula com alunos do 5º ano do Ensino Fundamental em oficinas de leitura. Nessa temática
pontua-se uma reflexão quanto à competência de leitura marcada no conteúdo de reconhecimento de
relações de repetição e substituição de palavras na continuidade de textos pertencente aos diferentes
gêneros discursivos com temas diversificados apresentados nas situações de leitura. Esse conteúdo de
ensino é expresso na Matriz de Referência do Saeb – Sistema de Avaliação da Educação Básica –
como o Descritor de leitura número 2. O objetivo deste trabalho é pensar sobre as características do
desenvolvimento do trabalho com a leitura com ênfase na identificação e reflexão sobre casos de
repetições e substituições de palavras na construção das ideias presentes nos diferentes gêneros
discursivos, além de relacionar e compreender determinadas estratégias de ensino importantes para o
desenvolvimento dessa competência solicitada nas avaliações nacionais, como a Prova Brasil.
Teoricamente, esta pesquisa considerou as bases da Linguística Aplicada (CELANI, 1992), dos
estudos sobre leitura na perspectiva processual (SOLÉ, 1998; MENEGASSI, 2010) e o dialogismo
compreendido a partir dos estudos do Círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2011;
BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1992[1929]). Nessa perspectiva teórica, foi possível problematizar as
situações de sala de aula abordando-se a leitura, o que propiciou a construção de uma reflexão acerca
dos elementos envolvidos no trabalho com competências linguístico-discursivas na leitura. Com essa
pesquisa, percebeu-se que a competência linguístico-discursiva é desenvolvida quando o leitor é
levado a uma reflexão acerca das relações linguísticas presentes entre as palavras no corpo do
enunciado, isto é, na composição do discurso dos textos. Assim, as atividades de leitura que
possibilitam ao leitor compreender tais relações têm um foco no desenvolvimento de competências
linguísticas que tornam o leitor capaz de perceber a organização linguística que é muito importante
para o processo de leitura.

Palavras-chave:

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PERGUNTAS DE LEITURA EM POEMA: PROPOSTA DE ORDENAÇÃO E


SEQUENCIAÇÃO PARA O ENSINO MÉDIO

Francinete Costa Soares Barroso (IFTO/UFT)


Ângela Francine Fuza (UFT)

As práticas com a leitura na sala de aula têm oportunizado infindáveis discussões de pesquisadores da
área, face aos resultados insatisfatórios de aprendizagem. Há ainda uma grande lacuna entre teoria e
prática na formação do leitor, especificamente, em relação ao emprego das perguntas de leitura no
contexto escolar; pois, embora recorrentes nos livros didáticos, essas perguntas não têm apresentado
contribuição efetiva ao ensino e à aprendizagem. Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa de
Mestrado é o de compreender como o trabalho com a ordenação e a sequenciação de perguntas de
leitura para o gênero discursivo poema possibilita a produção de sentidos nos estudantes da 3.ª série
do Ensino Médio, contribuindo para o ensino e aprendizagem de Língua Materna. Para tanto, o
trabalho alicerça-se cientificamente nas teorias de Bakhtin (2003) e Bakhtin/Volochinov
(2014[1929]), que concebem a linguagem como um processo dialógico, produto da interação social e
ainda, nas teorias sobre ordenação e sequenciação de perguntas, fundamentadas nos estudos da
Linguística Aplicada, discutidas por Solé (1998) e ampliadas por Menegassi (2008; 2010; 2011; 2016)
e Fuza e Menegassi (2017). A pesquisa é um estudo de caso, de caráter qualitativo, implantado no
interior da sala de aula do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins – IFTO –
Campus Araguatins- TO, e tem como público-alvo alunos da 3ª série do Ensino Médio. Para a coleta
dos dados, a pesquisadora elaborou materiais de leitura, contendo uma atividade diagnóstica e quatro
de intervenção, segundo os princípios da ordenação e sequenciação, e aplicou aos alunos, nas aulas da
disciplina de Literatura/Redação, no ano de 2017. Os dados obtidos, ainda em análise, vêm
demonstrando como o trabalho sequenciado com as perguntas possibilita ao aluno uma postura
responsiva diante do texto, visto que, além de responder, ele constrói sua contrapalavra, ao elaborar
sua resposta argumentativa.

Palavras-chave: Ordenação. Sequenciação. Perguntas de leitura. Poema. Ensino Médio.

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CONCEPÇÕES DE GÊNEROS DISCURSIVOS NO TRABALHO DOCENTE:


DOS PCN À BNCC, O QUE MUDOU?

Glauce Correa Antunes (SEMEC-Belém/UFPA)

As concepções que dizem respeito à interação verbal e teoria dos gêneros de Bakhtin (2003) e
Bakhtin/Volochínov (2006) conduzem à compreensão do discurso delineado pelo gênero em uso e,
respectivamente, a linguagem verbal como um conjunto de práticas socioculturais, projetando no
ensino de línguas a didatização dos gêneros discursivos, doravante GD, oriundos de tais teorias;
ressaltando a apropriação dos GDs e suas implicações no ensino/aprendizagem de línguas como
necessária para o desenvolvimento do professor e de seu trabalho. Com base nesses pressupostos, a
presente pesquisa intenta abordar de que forma professores da rede pública municipal de ensino em
Belém fazem refletir estas concepções em suas práticas docentes, uma vez que aquelas permeiam as
orientações ao ensino de língua materna no Brasil, desde a instituição dos Parâmetros Curriculares
Nacionais à ampla divulgação da Base Nacional Curricular Comum para o ensino básico, e estão
contempladas nas diretrizes curriculares municipais da Rede. Metodologicamente, esta pesquisa é
qualitativa de cunho interpretativo e apresentará os resultados das verificações encontradas nas
respostas de entrevista semiestruturada realizada com professores que participam de formação
continuada na rede pública municipal de ensino. O corpus das análises compõe-se das respostas desses
docentes sobre a relação das concepções enunciativo-discursivas da linguagem a partir de Bakhtin e
seu círculo e a relação disso com uma formação docente que responda positivamente às teorias
bakhtinianas, alcançando efetiva e eficazmente a sala de aula. A hipótese é que a não apropriação (ou
apropriação equivocada) de tais concepções pode prejudicar a ampliação das capacidades nas práticas
linguageiras dos alunos, além de inibir o possível progresso profissional do próprio professor com
mediador na aquisição dessas competências.

Palavras-chave: Trabalho docente. Interação Verbal. Dialogismo.

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O DIÁLOGO DA LEITURA COM A ESCRITA NO GÊNERO RESUMO

Janaína Lacerda da Silva (SEEd)

À luz de uma concepção dialógica de língua com ênfase na abordagem sócio-histórica, o presente
trabalho ancora-se nos pressupostos teóricos de Bakhtin (2003), Bakhtin/Voloshnov (2012) e nas
pesquisas desenvolvidas no Brasil sob este escopo teórico. Dentro de tal arcabouço teórico, buscamos
corroborar os estudos linguísticos da Linguística Aplicada para promover a discussão sobre o
processo de ensino/aprendizagem da escrita e da leitura que viabilize a reflexão e, assim, a
consciência linguística dos falantes/escritores da língua portuguesa. Para isso, analisamos os resumos
escritos de alunos do Ensino Médio participantes do PAS-UEM – Processo de Avaliação Seriada da
Universidade Estadual de Maringá. Com tal análise, pretendemos retomar os estudos do gênero
resumo sob uma perspectiva bakhtiniana, já que os estudos anteriores apoiaram-se na perspectiva da
Linguística Textual. Ademais, somos levados a um aprofundamento teórico sobre os tipos de
negociação de sentido do aluno (leitor/escritor) que interage com o texto original por meio da leitura e
o responde por meio da escrita, circulando pelo que propõe Bakhtin (2003) sobre a ‘relativa
estabilidade’ das palavras. Além dos dados linguísticos decorrentes das análises das interações
verbais escritas que acontecem nos textos dos alunos, estamos interessamos em discutir o
desenvolvimento da leitura e da escrita do aluno e a realidade que circunda tal desenvolvimento nas
séries iniciais do ensino médio. Isto é, acreditamos que nossos resultados podem tornar ‘visível’ como
o contexto escolar pode desencadear um aperfeiçoamento da escrita e da leitura dos sujeitos que
interagem nesse contexto.

Palavras-chave: Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de Língua Materna; Linguística Aplicada;


Leitura e escrita.

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A CARACTERIZAÇÃO DA ENTONAÇÃO AXIOLÓGICA EM ATIVIDADES


DE LEITURA NOS LIVROS DIDÁTICOS DE PORTUGUÊS

Jane Cleide dos Santos Bezerra (UEM)


Renilson José Menegassi (UEM)

Neste trabalho, discutimos como o conceito axiológico de entonação, proposto pelo Círculo de
Bakhtin, se manifesta em atividades de leitura do livro didático de Português (LDP) de 6º e 9º anos, a
partir do gênero Conto, com o objetivo de contribuir com o ensino e a aprendizagem de língua escrita,
em suas várias manifestações. Ao destacarmos o papel da entonação na construção de sentidos nos
discursos nos quais aparece, admitimos que esse conhecimento auxilia no processo de
desenvolvimento do aluno-leitor na escola, a permitir-lhe autonomia como leitor. Para tanto, além de
recorrer aos pressupostos do Círculo, buscamos fundamentação em pesquisas brasileiras sobre o tema,
especificamente, nos estudos referentes à Análise Dialógica do Discurso (ADD), a fim de concretizar
e sistematizar os conceitos de entonação presentes nos livros didáticos. A escolha do LDP como
objeto da pesquisa se deu por entendermos que tem-se constituído como um importante recurso de
ensino e de aprendizagem, servindo tanto como instrumento de apoio do professor quanto numa fonte
de estudo e de pesquisa para o aluno. As propostas de atividades de leitura analisadas estão
distribuídas em três coleções, referentes às escolhas feitas no Município de Arapiraca (AL) no PNLD-
LP/2017. Como resultados deste estudo, apontamos que a entonação, enquanto conceito axiológico,
está presente nos LDP e que a compreensão de sua manifestação é condição primordial para que o
aluno realize as tarefas de construção de sentidos no processo de leitura. Os aspectos teóricos-
metodológicos desta pesquisa, que tem caráter documental, foram embasados nos estudos de Bakhtin
(2012); Bakhtin; Volochinov (1986); Volochinov; Bakhtin (1926); Pereira; Rodrigues (2014);
Menegassi; Cavalcanti (2013); Polato; Menegassi (2017); Sobral (2009).

Palavras-chave: Entonação. Dialogismo. Livro Didático do Português. Ensino Fundamental.

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ATIVIDADES DE ANÁLISE LINGUÍSTICA NOS CADERNOS "POETAS DA


ESCOLA" E "SE BEM ME LEMBRO" DA OLIMPÍADA DE LÍNGUA
PORTUGUESA

Márcia Cristina Greco Ohuschi (UEM/PLE/CAPES)

Este trabalho apresenta uma parte da pesquisa do Projeto de Pós-doutorado “Proposta de atividades de
análise linguística nos cadernos Poetas da escola’ e ‘Se bem me lembro’ da Olimpíada de Língua
Portuguesa”. O projeto consiste na elaboração de atividades de análise linguística no interior das
sequências didáticas (SDs) dos gêneros poema e memórias literárias propostas pela Olimpíada de
Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro (OLP). Visa contribuir para a construção de sentidos dos
textos-enunciados contemplados nas atividades de leitura presentes nos materiais e para a produção
textual escrita proposta pelo Programa. O trabalho está vinculado à Linguística Aplicada e pauta-se na
perspectiva sócio-histórica da linguagem, embasada nos pressupostos teóricos do Círculo de Bakhtin e
de pesquisadores que seguem esta vertente, tanto no Brasil como no exterior. Para propor as
atividades, realizamos, primeiramente, um diagnóstico das atividades de análise linguística
contempladas nos cadernos mencionados, observando: a) em que momento das SDs as atividades se
inserem; b) quais elementos linguísticos são abordados; c) de que forma são trabalhados. Resultados
preliminares demonstram que as atividades de análise linguística das SDs em estudo: a) ocorrem no
interior de atividades de leitura: em comandos de perguntas, em caixas de textos e em indicações ao
professor; b) na SD do gênero poema, são abordados: paralelismo sintático, pontuação, expressões
nominais, denotação e conotação e figuras de linguagem; na SD do gênero memórias literárias: flexão
verbal, figuras de linguagem, verbos (tempos verbais do passado, modo indicativo e subjuntivo) e
sinais de pontuação; c) há predominância de atividades epilinguísticas.

Palavras-chave: Dialogismo; Análise linguística; Olimpíada de Língua Portuguesa.

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MANIFESTAÇÕES DE CONTRAPALAVRA NO PROCESSO DE ESCRITA NA


EDUCAÇÃO BÁSICA

Nayara Emidio de Lima (UEM)


Adriana Beloti (UNESPAR/Campo Mourão)
Renilson José Menegassi (UEM)

O presente trabalho, fundamentado na perspectiva dialógica de linguagem


(VOLOCHINOV/BAKHTIN, 1926; BAKHTIN, 2003; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2010), trata da
compreensão responsiva de estudantes no processo de produção textual escrita na Educação Básica e
sua manifestação em contrapalavras. Ao buscar discutir de que forma tal compreensão configura-se
nos discursos escritos dos alunos, manifestados nos processos de revisão e de reescrita (MENEGASSI,
1998; JESUS, 2004; RUIZ, 2010), analisamos produções textuais do gênero discursivo resumo,
realizadas por alunos de uma turma de sétimo ano do Ensino Fundamental II, a partir da intervenção
de processo de revisão docente. No estudo, são considerados para as análises: a) as orientações
apresentadas no comando de produção, produzidas pela professora para encaminhar a atividade de
escrita; b) a realização de leitura e de atividades sobre o texto a ser resumido; c) a primeira versão do
texto do aluno; d) a revisão efetuada pela professora para orientar a revisão; e) a reescrita aos alunos;
f) a segunda versão do resumo. Esses registros permitem verificar a compreensão responsiva dos
alunos nas produções escritas acerca do texto resumido, assim como as transformações de “palavras
alheias” em “palavras minhas” – a contrapalavra – e as contribuições das intervenções da professora à
produção dos estudantes. Os resultados demonstram que a proposta de produção textual encaminhada
pela professora demandava textos com manifestação de compreensão sobre o texto lido, bem como a
produção de contrapalavras que evidenciasse a responsividade dos alunos. Pelos resumos produzidos,
constata-se que poucos estudantes manifestaram compreensão responsiva de forma satisfatória,
conforme solicitado, na primeira versão. Por outro lado, para alguns alunos, a revisão da professora foi
fundamental para que pudessem apresentar contrapalavras em seus textos. Assim, este trabalho
pretende demonstrar como esse processo de efetivou em seu conjunto completo.

Palavras-chave: Contrapalavra; compreensão responsiva; revisão e reescrita.

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ASPECTOS DIALÓGICOS NA REVISÃO E NA REESCRITA DO GÊNERO


RESPOSTA NO CONTEXTO DO ENSINO MÉDIO

Paulo Cezar Czerevaty (UNICENTRO)

Com base nos pressupostos do Dialogismo centrado nos estudos do Círculo de Bakhtin
(VOLOCHINOV/BAKHTIN, 1926; BAKHTIN, 2003; BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2006) e nas
contribuições da literatura da Linguística Aplicada no que se refere às práticas de ensino e de
aprendizagem da produção escrita, este trabalho tem por objetivo discutir os aspectos dialógicos nos
processos de revisão e de reescrita do gênero resposta, prática de linguagem que se concretiza na
esfera escolar, normalmente em situação avaliativa (ANGELO; MENEGASSI, 2016), com intuito de
verificar de que forma as réplicas do professor, na revisão do texto, contribuem para que o aluno
reflita acerca da sua própria escrita e responda dialógica e ativamente no momento da reescrita. Para
tanto, tomam-se produções escritas de respostas de alunos do terceiro ano do Ensino Médio de um
colégio público do Paraná, nas quais se verificou: a) o diálogo responsivo desses alunos com a
pergunta e o texto na produção da resposta inicial; b) as réplicas, sugestões, comentários,
questionamentos do professor na etapa da revisão textual; c) o diálogo responsivo desses alunos com
os apontamentos do professor e com o seu próprio texto na reescrita das respostas. Os resultados
demonstram que na fase inicial as respostas são breves, direcionadas apenas aos dados da pergunta e
com menor aprofundamento interpretativo, atendendo meramente a uma tarefa institucional. Com a
revisão do professor, atuando nos aspectos de temática, construção composicional e estilo, os alunos
produzem respostas mais completas, a considerar tanto pelos aspectos formais de organização textual
quanto pelo aprofundamento das ideias pessoais desenvolvidas pela interpretação e pelos diálogos em

Palavras-chave: Dialogismo; Escrita; Revisão; Reescrita.

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O PROCESSO DE REESCRITA DE TEXTOS NO ENSINO MÉDIO

Sandra Araujo Lima Cavalcante (IFAL)

O objetivo deste trabalho – que se insere no campo da Linguística textual – é apresentar uma pesquisa
em andamento que trata da reescrita enquanto processo para a formação do aluno produtor de textos
no Ensino Médio. A nossa hipótese é a de que, a partir do processo de reescrita, mediado pelo
professor, o aluno passe a acessar o autor/leitor que existe nele e venha, assim, mesmo que a longo
prazo, desenvolver a maturidade e a competência para realizar essa prática em momentos de solidão.
Para tanto, consideramos o escritor ativo e o leitor interno, sendo este aquele que lê e direciona o que
precisa ser reescrito (SAUTCHUK, 2003), uma vez que a linguagem é dialógica, ou seja, parte de
alguém e dirige-se a outrem, conforme postula Bakhtin (1997). Para atender aos objetivos dessa
pesquisa qualitativa-interpretativista (Creswell, 2007), lançaremos mão de cinco textos - e da reescrita
deles – produzidos para a disciplina de Língua Portuguesa (sendo a primeira versão realizada em casa
e a segunda em sala de aula) durante o primeiro semestre de 2018, por cinco estudantes de uma das
turmas de terceiro ano do Curso Médio Integrado em Informática de um dos Campi do Instituto
Federal de Alagoas. Nesse material colhido, pretendemos observar comparativamente o primeiro texto
escrito pelos alunos sujeitos da pesquisa e a reescrita dessas produções textuais após orientações do
professor, a fim de verificar até que ponto essa prática vem a contribuir para desenvolver a maturidade
na escrita do aluno em formação.

Palavras-chave: Produção escrita, reescrita, formação do aluno produtor de textos

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UM ESTUDO SOBRE O CONCEITO AXIOLÓGICO DE ENTONAÇÃO NO


GÊNERO DISCURSIVO “PUBLICAÇÃO” DO FACEBOOK.

Sergio Vale da Paixão (IFPR/Jacarezinho)

Este trabalho aborda a necessidade de se compreender os aspectos axiológicos presentes nos discursos
concretos a partir do conceito de entonação advindos do Círculo de Bakhtin, considerando-o como um
dos elos entre o discurso verbal e o contexto extraverbal. Além de fontes de pesquisa a partir do
Círculo, outros autores da atualidade têm problematizado os aspectos axiológicos no que diz respeito
aos discursos por uma vertente dialógica, o que colabora consideravelmente para que se possa
entender com mais profundidade o conceito presente no gênero discursivo “Publicação” da rede social
Facebook, no intuito de colaborar com as práticas de ensino de língua materna que tomam o texto
virtual como objeto de ensino. Dentre os principais autores brasileiros que se debruçaram sobre o
assunto e que merecem, ao longo da pesquisa, nossa atenção estão Geraldi (2007), Souza (2002),
Tezza (2003), Faraco (2009) e Sobral (2009). Justificamos nossa proposta de pesquisa na emergência e
nas necessidades em pesquisas no campo da Linguística, da Linguística Aplicada e do Letramento
Digital nos dias atuais. Temos como objetivo principal compreender e caracterizar o conceito
axiológico de entonação no gênero “Publicação” na rede social Facebook, nos aspectos linguísticos e
discursivos. E para que nosso objetivo principal seja alcançado temos alguns objetivos específicos,
sendo eles; a) caracterizar a entonação de acordo com a proposta teóricas do Círculo de Bakhtin; b)
caracterizar o conceito de entonação no gênero “Publicação”, na rede social Facebook; c) caracterizar
os aspectos linguísticos e discursivos da entonação no gênero discursivo “Publicação”. Nossa
metodologia de pesquisa é o levantamento teórico bibliográfico da literatura sobre o conceito de
entonação a partir do círculo de Bakhtin, assim como uma análise de publicações realizadas na rede
social Facebook, aproximando-as ao conceito de entonação. Percebemos que os aspectos extraverbais
são bastantes presentes nas produções escritas em plataformas digitais carregadas de valores a serem
considerados. Portanto, uma análise a partir do conceito de entonação colabora para melhor
compreender as produções nesta esfera comunicativa.

Palavras chave: entonação; ensino; dialogismo.

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PRODUÇÕES INDÍGENAS NA ESCOLA: DIÁLOGOS INTERCULTURAIS E


DESCOLONIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

Silvely Brandes (UFPR)

O número de textos indígenas publicados na internet e em outras mídias tem aumentado a cada dia, os
indígenas brasileiros, através dessas produções, estão retratando a realidade dos povos indígenas no
país, reivindicando seus direitos e utilizando essas ferramentas para divulgar e produzir
conhecimentos. Este é um importante movimento para que haja uma descolonização do conhecimento,
uma vez que estes sujeitos do mundo não-ocidental, sujeitos que ao longo de tantos anos foram e ainda
são vistos como intelectualmente inferiores, estão se colocando diante dos não-indígenas como
sujeitos produtores de conhecimento, conhecimento válido, apesar de não valorizado neste mundo
construído a partir de uma visão eurocêntrica. Partindo desta reflexão, este trabalho tem como objetivo
refletir sobre a importância da presença de textos produzidos por sujeitos localizados em lugares
socioculturalmente distintos e da promoção de diálogos entre diferentes modos de pensar nas escolas.
A partir da filosofia da linguagem do círculo de Bakhtin, penso a palavra como ponte lançada entre
mim e o outro (VOLOCHINOV/BAKHTIN,2014), desta forma, quando analisamos enunciados a
partir de uma perspectiva dialógica e refletimos sobre os sujeitos socioculturalmente distintos que
produzem esses enunciados sempre em resposta à outros enunciados (BAKHTIN,2011;2015),
podemos compreender que todo conhecimento é historicamente construído e produzido sob um ponto
de vista, desta forma, não podemos tomar alguns conhecimentos como verdades absolutas enquanto
ignoramos outros. Esta discussão e a presença de textos produzidos por indígenas na escola,
implicariam no reconhecimento dos saberes tradicionais como conhecimentos válidos e colaborariam
com a luta contra o racismo epistemológico.

Palavras-chave: Produções Indígenas; Diálogos Interculturais; Descolonização do Conhecimento

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A RESPONSIVIDADE NO DISCURSO DISCENTE EM MARCAS


LINGUÍSTICO-DISCURSIVAS DO GÊNERO CRÔNICA

Sílvio Nazareno de Sousa Gomes (PLE/UEM -SEED/AP)

Este trabalho, recorte de uma pesquisa mais ampla (GOMES, 2016), vinculada ao Projeto de Pesquisa
“Práticas Linguageiras a partir do trabalho com gêneros discursivos” (UFPA) e ao Grupo de Pesquisa
“Interação e Escrita” (UEM-CNPq), propõe caracterizar a manifestação de responsividade no discurso
discente nas atividades de análise linguística (AL) elaboradas no interior de uma proposta pedagógica
com o gênero Crônica. O trabalho apresenta como corpus as atividades epilinguísticas e
metalinguísticas respondidas pelos alunos de uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental de uma
escola pública estadual de Castanhal-PA. Dentre as diversas possibilidades existentes para a
elaboração didática, optamos pela proposta de projetos pedagógicos de leitura e produção de gêneros
discursivos de Lopes-Rossi (2008), com adaptações, a partir de Perfeito, Ohuschi e Borges (2010) e
Ohuschi e Paiva (2014). A pesquisa está ancorada na concepção dialógica da linguagem e na
perspectiva dos gêneros discursivos, com base nos pressupostos teóricos do Círculo de Bakhtin. No
que tange especificamente à responsividade, pautamo-nos em Bakhtin (2003; 2010), nos estudos de
Menegassi (2008; 2009) e na categorização feita por Ohuschi (2013). Os resultados demonstram que
os alunos apresentam diferentes níveis de compreensão responsiva: a) ativa com expansão explicativa;
b) exemplificativa de explicação; c) de opinião; d) passiva sem expansão de desconsideração. Assim, a
implementação das atividades inseridas nas etapas de leitura e reflexão sobre a língua, da sugestão
didática trabalhada, contribuiu de forma significativa para que os alunos respondessem às questões de
AL e melhorassem seus discursos escritos.

Palavras-chave: Discurso escrito. Responsividade. Atividades epilinguísticas e metalinguísticas.


Crônica.

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AS PRÁTICAS DE LEITURA DISCURSIVIZADAS NO JORNAL ESCOLAR


O COLEGIAL (1945-1950)

Tânia M. Barroso Ruiz (UFSC)

Esta comunicação apresenta os resultados de uma pesquisa documental e bibliográfica, que investigou
as finalidades e os valores da leitura discursivizados no jornal escolar O COLEGIAL, no âmbito dos
estudos discursivos do Círculo de Bakhtin na Linguística Aplicada. Os dados são compostos pelas seis
edições anuais do jornal escolar O COLEGIAL, publicadas pelo Colégio Catarinense entre 1945-50,
em Florianópolis, Santa Catarina. O recorte dos dados corresponde a vinte e cinco textos desses
exemplares que se encontram no acervo da Biblioteca Pública do Estado de Santa Catarina (BPSC).
Com base no percurso metodológico que parte da dimensão social e histórica, analisamos os discursos
da época de publicação desse jornal escolar para compreender o cronótopo. A análise dos apontou
para a predominância de dois discursos sobre a leitura, a saber: 1. Ler para a formação intelectual e
moral; 2. Ler para a formação educacional. Em relação às práticas de ensino discursivizadas no jornal
escolar O COLEGIAL, os discursos predominantes são dois: 1. A leitura precede a escrita de textos; 2.
A leitura é a condição essencial para a produção de textos orais e escritos. Os enunciados analisados
indicam que o ensino de leitura partia do texto escrito indicado pelos professores para a realização de
tarefas escolares, como a redação (dissertação, narrativa e redação (dissertação, narrativa e descrição).
De modo que a leitura concebida era a literária, lê-se também para a escrita dos gêneros da esfera
literária (biografias, fábulas, contos, poemas, etc.), que poderiam ser publicados em O COLEGIAL, e
para estabelecer contato com outros jornais e revistas literárias. As ideologias de O COLEGIAL foram
as de que a leitura aprimora a inteligência, humaniza, edifica o mundo interior, sendo uma forma de
ação no mundo. Nesses discursos, depreendemos os seguintes valores em relação dialógica de
oposição: leitura profunda x amena; leitura útil, boa, recomendada, instrutiva x leitura inútil, ruim,
destrutiva e leituras perniciosas. Esses discursos revelaram a posição axiológica desse jornal escolar
de que a leitura era um dos meios para a formação ideológica dos estudantes na doutrina social cristã.

Palavras-chave: Leitura. Ensino de leitura. Jornal escolar. Ideologia. Círculo de Bakhtin

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O TRONO DO ESTUDAR: DISCUSIVIZAÇÃO DE ENUNCIADOS DE


PROTESTOS

Ana Paula Pinheiro da Silveira (UTFPR)

O movimento de ocupação das escolas públicas que se iniciou, no final de 2015, no estado de São
Paulo e percorreu o Brasil em 2016, explicitou a insatisfação de uma parcela da população em relação
às políticas públicas relacionadas à educação e evidenciou a necessidade de publicização de vozes
contrárias ao discurso oficial. Dentre essas manifestações, circularam, em meio à intensa luta política
e ideológica, a discusivização de enunciados de protestos. Esse contexto discursivo produziu ações
protagonistas não só nos espaços escolares públicos, mas também de todo entorno cultural que
interage com os diferentes discursos e materializam projetos de dizer que vão constituindo novas
narrativas sobre os significados de ser estudante. Considerando esse contexto, este trabalho analisa o
processo de produção de sentidos na rede de interações conflituosas e contestações na canção O trono
do estudar. Para tanto, adotou-se como eixo teórico os estudos semióticos a partir das ideias de
Greimas (1970, 1979, 1983), Courtine (1981), Barros (2008) e Fiorin (2001, 2009). A análise da
canção possibilitou construir um percurso de produção de sentido engendrado e, nessa concepção,
depreender um sentido global, assim como explicitou o caráter histórico de um movimento de reação à
opressão e ao cerceamento de direitos dos estudantes. Soma-se a isso o fato de o trabalho com o nível
discursivo possibilitar a observação das relações estreitas entre língua e ideologia, tomada esta não
como ocultação, mas funcionamento estruturado pelo modo de existência da relação língua-sujeito-
história. Ao analisar o percurso gerativo de sentidos desse texto sincrético, verificou-se um discurso de
resistência e militância frente às ações de controle do Estado.

Palavras-chave: semiótica; gênero canção; leitura

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O HUMOR E SEUS MECANISMOS LINGUÍSTICOS: OS EFEITOS DE RISO


PROVOCADOS PELAS TIRINHAS

Camila Arcade Grande (UEL)


Elisângela Costa Consentino (UEL)

O estudo realizado busca compreender o funcionamento dos mecanismos linguísticos,


apresentados por Sírio Possenti (1998), em sua obra Os humores da língua: análises linguísticas de
piadas, por meio de análise de tirinhas que abordam os seguintes aspectos: fonologia, morfologia,
léxico, dêixis, sintaxe, pressuposição, inferência, conhecimento prévio, variação linguística e
tradução. O objetivo da análise é observar, pelo viés da Análise de Discurso, quais os elementos da
língua que provocaram humor na coletânea selecionada. O corpus é composto por dez tirinhas,
com conteúdo temático diversificado que, de alguma forma, provoca o efeito de riso e reflexão no
leitor. As reflexões acerca do material mostraram que, para promover o efeito de riso, o enunciador
precisa adquirir o domínio lingüístico necessário e adequar os mecanismos de acordo com sua
intenção e o leitor também precisa ativar seu conhecimento prévio para compreender as entrelinhas
do texto e detectar as informações implícitas. A análise buscou verificar o(s) principal(is)
determinante(s) de um efeito risível em cada situação e, a partir dele (s), pôde-se confirmar como a
linguagem humorística se constitui de um rico objeto de estudo para os pesquisadores da
língua.Além disso, deve-se considerar, dentro dos estudos da linguagem, a relevância dos
elementos estruturantes da língua. Desse modo, confirma-se uma visão de conceber o sujeito não
mais como apenas um mero subordinado aos discursos, mas agora como um sujeito que se
flexibiliza entre o assujeitado e o estratégico.

Palavras-chave: Análise de Discurso. Humor. Mecanismos Linguísticos.

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CONSTRUÇÃO HETEROGÊNEA DO TEXTO: INTERTEXTUALIDADE E


DIALOGISMO NA CHARGE JORNALÍSTICA: INTERVENÇÃO MILITAR NO
RIO DE JANEIRO 2018

Christiani Aparecida Vendramini Makino (UEM)

Este trabalho teoriza a construção heterogênea da charge jornalística com o objetivo de analisar duas
charges publicadas na rede social Instagram sobre o tema Intervenção Militar no Rio de Janeiro.A
partir dos conceitos de Intertextualidade e polifonia advindos da teoria do texto,da enunciação e do
dialogismo e do livro sobre charges de Edson Carlos Romualdo verificou-se a existência de um
conjunto de vozes na construção da charge jornalística. Explorada à exaustão pelos mais variados
meios de comunicação ou pela mídia de um modo geral, as charges são objetos linguísticos que
retomados como uma das formas de comunicação inseridas no universo jornalístico chega ao receptor
como um meio de tornar a notícia mais abrangente, o que não pode ser tomado como mecanismo de
isolamento em relação a uma notícia vinculada ao canal de comunicação que a publica. Foram
utilizadas duas charges do mesmo autor, aparentemente iguais, contudo, a primeira apresenta um
soldado da polícia militar, e a outra, com uma mudança na roupa do soldado passa a caracterizar os
militares do exército. Como resultado observou-se que aparentemente o autor das charges utilizou
poucos recursos trazendo muitas mudanças no desenho esperando que o leitor possa fazer uma leitura
diferente do contexto e da notícia com que esta se relaciona. Assim, temos uma análise sobre
dialogismo na construção de uma linguagem visual, corroborando para a composição de uma
mensagem que interage com outros textos escritos, jornalísticos em sua grande maioria. Como
defende o autor, Romauldo,as charges funcionam como um fenômeno intertextual que visa provocar
um diálogo com o leitor aplicando-se a elas o devido conceito de “manifestação comunicativa”.

Palavras-chave: gêneros textuais, charges, polifonia, intervenção militar.

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OS MECANISMOS DE
ARTICULAÇÃO NA FALA DO JUIZ DE DIREITO

Claudia Poliana de Escobar de Araujo (UFMS)


Nayra Modesto dos Santos Nunes (UFMS)

Este trabalho visa a analisar os mecanismos de articulação usados pelo juiz, em um interrogatório de
violência contra a mulher, com foco, sobretudo, nos marcadores conversacionais e estratégias
comunicativas de base linguísticas. O aporte teórico desta pesquisa está fundamentado nos princípios
da Análise da Conversação, que tem como base o estudo de interações reais, em relação de interface
com a Linguística Forense, cujo objetivo principal é buscar a relação entre os estudos da Linguagem e
as várias vertentes do Direito. A pesquisa está ancorada nos trabalhos, especialmente, de Koch (1992),
Marcuschi (2006), Leite (2008), Caldas-Coulthard (2008), Couthard e Johnson (2010) e Coulthard
(2015). Para a constituição do corpus, utilizamos gravações de interrogatórios cedidas pela comarca
de uma cidade do interior de São Paulo, transcritas conforme Preti (2003). Na tentativa de manter a
interação amigável, podemos apontar a modalização na fala do juiz, bem como o uso de marcadores
multifuncionais: atenuação, preservação de face, tentativas de retomada do turno, além disso, podemos
destacar as pausas breves, alongamentos e repetição de palavras para planejamento da fala. Foram
usados mecanismos para fortalecer a argumentação e questionamentos de todos os envolvidos na
audiência. Assim como, apontamos, também, mecanismos para a coesão textual, manutenção dos
turnos e a alternância entre eles, que podem revelar efeitos de sentido e intenção dos falantes na
interação no âmbito jurídico.

Palavras-chave: Análise da Conversação; Linguística Forense; Fala do Juiz.

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UMA ANÁLISE RETÓRICO-TEXTUAL DA CITAÇÃO COMO ARGUMENTO


DE AUTORIDADE NO ARTIGO CIENTÍFICO

Eduardo Pantaleão de Morais (UEM)

Este trabalho tem como objetivo principal discutir e analisar a citação, em contexto de uso,
evidenciando a função de argumento de autoridade no gênero artigo científico, buscando medir o grau
de autoridade desse argumento. Evidenciando se a autoridade recrutada estabelece uma comunicação
com as partes do texto e vice-versa, pois, se não houver essa comunicação, a autoridade é prejudicada,
não configurando um argumento em si, mas somente criando um artefato enunciativo, sem fins
persuasivos. Dada a importância desse recurso retórico, é importante verificar que os textos
acadêmicos necessitam utilizar esse tipo de argumento de maneira coerente, uma vez que é o
argumento de autoridade que fortalece e credibiliza a teoria a ser confirmada nos estudos acadêmicos.
A metodologia adotada aqui é qualitativa e quantitativa, pois, em algum momento, faz-se recorrência a
alguns dados mais precisos. O corpus da pesquisa é formado por oito (8) artigos científicos,
resultantes de 20% de um universo de 22 artigos, que foram produzidos durante dois semestres, no
Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística, da Universidade Federal de Alagoas. Para
justificar a base teórica do estudo em questão, buscou-se em Retórica: Aristóteles (2005), Meyer
(2007), Meyer (2008), Perelman (1996), Plantin (2008), Reboul (1998), Silveira (2005), Sousa (2001),
Swales (1990), Toulmin (2006), dentre outros. Quanto aos estudos textuais, aparecem: Costa (2009),
Dionísio e Hoffnagel (2012), Koch (2004), Marcuschi (2008), além de outros. Os resultados apontam
para uma análise que evidenciou a presença do argumento de autoridade, a não constituição do
argumento de autoridade no fragmento em que se insere a citação. A identificação dos graus de
autoridade do argumento foi uma contribuição desta dissertação, visto que não se tinha um registro
teórico que medisse esse tipo de argumento. A relevância desse estudo se dá por reconhecer a
importância dos estudos retórico-textuais no referido gênero acadêmico.

Palavras-chave: Argumento de autoridade. Graus de autoridade. Gênero artigo científico.

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SEMIÓTICA E LEITURA NA ESCOLA

Eliane Aparecida Miqueletti (UFGD)

A escola é um dos principais espaços sociais de formação do indivíduo, entre a infância e a


adolescência, boa parte do tempo é vivida no espaço escolar e espera-se que, após nove anos de
formação, eles estejam munidos de algumas habilidades importantes para a vida em sociedade. Cada
disciplina que compõe a grade curricular possui sua parcela de compromisso com essa preparação.
Dentro disso, as aulas de Língua Portuguesa são vistas como um dos momentos de aprendizagem,
reflexão, revisão e ampliação da leitura, da oralidade e da escrita. Este trabalho volta-se para reflexões
em torno da leitura de textos literários na escola a partir de princípios teóricos da Semiótica de linha
francesa. Teoria que tem como foco de preocupação a construção da significação nos textos, esses
vistos do ponto de vista da significação (análise mais interna e estrutural) e da comunicação (a partir
de sua relação entre sujeitos, de acordo com o contexto sócio histórico e cultural). Para isso,
apresentaremos o panorama de alguns trabalhos, no âmbito da Iniciação Científica, desenvolvidos na
Faculdade de Comunicação Artes e Letras, da Universidade Federal da Grande Dourados, entre eles, a
leitura da obra “Satilírico”, de Emmanuel Marinho. Entre os focos de nossas preocupações, está o
incentivo à leitura desses textos na escola, tendo em vista particularidades não só linguístico-
discursivas, como a seleção de temas e figuras, mas, também, a construção do sentido oportunizada
pela obra quanto ao projeto gráfico (capa, tipo de papel, fonte das letras, cor), por exemplo. A
proposta de construção de um roteiro de aula para a abordagem na Educação Básica mostra-se como
um campo que tem atraído nossas pesquisas. Isso possibilitará demonstrar a funcionalidade da teoria
para o ensino, com destaque para a importância do trabalho com a leitura literária atenta às escolhas
que compõem o todo de sentido nesses textos.

Palavras-chave: leitura; semiótica francesa; ensino.

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VALORES, ARGUMENTAÇÃO E POLÊMICA EM COMENTÁRIOS ON-LINE

Evandro de Melo Catelão (UTFPR)

A noção de valor aparece imbrincada em diferentes linhas teóricas de pesquisa. Em pesquisa anterior
(CATELÃO, 2013) sobre a argumentação em cartas de suicídio, o termo apareceu, por exemplo, em
duas dimensões: primeiro em uma visão da Psicologia Social direcionado à perspectiva de quem era o
eu suicida, relação com a dessacralização da morte que ocorreria por mudança de valores religiosos do
momento em que vivemos e momentos passados (AGREST, 2010); depois intrincada na Nova
Retórica de Perelman & Olbrechts-Tyteca (1996) na parte concernente aos acordos. Visão retórica do
ato de argumentar, voltada à persuasão, em que os valores pertenceriam à classe do preferível
(oposição aos acordos com o real). O presente estudo, retoma essa discussão trazendo outros aspectos
relativos ao conceito de valor, redirecionando a pesquisa a uma análise discursiva da argumentação
em uma perspectiva que envolve também o conceito de polêmica (AMOSSY, 2016). Objetiva-se
analisar a utilização de acordos com o preferível (valores) alinhados à ideia de dissenso em
comentários on-line. O comentário analisado mostrou-se direcionado a um viés polêmico (embate de
forças), ou seja, uma argumentação que não se dissolve, onde não se chega a um acordo, mas ao
dissenso. A valoração foi orientada a um regime de crenças dos sujeitos discursivos quanto ao seu
entendimento ou visão do lugar do primeiro-marido em foto com primeiras-damas. Uma guerra de
forças no ato de valorar o “bem” em dependência direta ao interesse dos sujeitos envolvidos, valores
para “alguém” em uma determinada situação discursiva.

Palavras-chave: Argumentação; Polêmica; Valores; Gêneros; Comentário on-line.

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A MATERIALIDADE DISCURSIVA DA ESCRITURA DO CORPO

Gislaine Dias Florentino Ferreira (UNEMAT)

Esta proposta é resultado de reflexão acadêmica nas atividades do Curso de Mestrado Acadêmico do
Programa de Pós-Graduação em Letras da UNEMAT – Campus de Sinop/MT, vinculada ao Projeto de
Pesquisa Laboratórios de informática das escolas públicas estaduais mato-grossenses: análise
discursiva da realidade educacional - LABIN, e ancora suas reflexões nos pressupostos teóricos da
Análise de Discurso materialista histórica. Propõe a análise do discurso imagético que se apresenta na
escritura do corpo como texto, verificando o movimento na produção de sentidos destas imagens na
representatividade para a posição sujeito-tatuado, que se apresenta como objeto de estudo da pesquisa.
Procura-se analisar os efeitos de sentido do corpo como texto, visando compreender as condições de
produção e significados na construção textual. Caracteriza-se como um estudo de caso em que a coleta
de dados adotada é entrevista semiestruturada realizada pelo aplicativo Whats App, que se mostrou
adequado pela possibilidade de se manter diálogos constantes que extrapolam o momento único de
uma entrevista. Movimentam-se as noções de discurso, materialidade discursiva e condições de
produção. Uma vez que, nos processos discursivos, a linguagem e o sentido não se apresentam como
transparentes e o fato da interpretação, em que não há sentido sem interpretação, interessa-nos a
compreensão do movimento entre o histórico e o simbólico na relação entre o sujeito, a história e a
linguagem na construção do sujeito tatuado e o texto explícito em seu corpo-texto, no significar e
ressignificar-se em sua relação com o mundo. Percebe-se que os efeitos de sentidos do corpo como
texto, da escolha do local e da simbologia tem uma relação sujeito/mundo.

Palavras-chave: Discurso; Linguagem; Corpo como texto;

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O PROCESSO DE REFERENCIAÇÃO E O TEXTO INSTRUCIONAL

Hilma Ribeiro de Mendonça Ferreira (UERJ)


Angélica de Oliveira Castilho (UERJ)

O presente trabalho objetiva apresentar a relação entre o processo de referenciação e as diferentes formas
linguísticas que fazem as instruções, no texto instrucional. A partir da leitura de quatro gêneros - receita,
bula, manual e contrato - percebem-se diferentes atribuições das instruções, cujos referentes servem para
articular, no intencional, atos ilocucionários com características de emprego diferenciadas. O componente
pragmático ressalta-se, nesse caso, a partir da perspectiva dos atos de fala, mostrando que uma instrução
possui efeitos de sentido diferenciados, de acordo com as características contextuais do gênero em que ela
é empregada. Um comando, realizado por um verbo no imperativo, pode assumir nível impositivo tênue,
caso da receita culinária; ou denotar mais imposição, como em um manual de instruções. Para além do
uso do imperativo, frases usadas nos contratos jurídicos, que, a rigor, não contém uma semântica do
verbo comum à imposição, com suas declarações, impõe os deveres e, inclusive ameaçam os
interlocutores com penalidades. Nesse caso, o textual precisa ser estudo com viés pragmático e a Teoria
dos Atos de Fala pode ser um instrumento para interpretação dos sentidos, oriundos dos textos injunticos.
Como principais autores consultados no presente trabalho, citamos Austin (1962) e Searle (1969), ao
dimensionarem os tipos de atos de fala e sua interpretação contextual; Cavalcante (2011) ao postular
diferentes recortes teóricos na análise do processo de referenciação; e autores que se debruçam sobre o
viés contextual da linguagem tais como Bakhtin (1997), Djik (2012) e Levinson (2007) .

Palavras-chave: Textos instrucionais; Referenciação; Contexto pragmático.

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A ARGUMENTATIVIDADE DA METÁFORA CONCEPTUAL NO GÊNERO


PUBLICITÁRIO

Esther Gomes de Oliveira (UEL)


Isabel Cristina Cordeiro (UEL)

O objetivo desta comunicação é demonstrar a articulação entre cognição e discurso com o propósito
de compreender tanto o papel da metáfora na linguagem em uso, como o processo argumentativo
decorrente da metaforicidade. Apresentaremos uma pesquisa a respeito da construção de sentidos em
textos do gênero publicitário, considerando a metáfora conceptual o principal elemento dessa
construção, com base na Teoria da Metáfora Conceptual (Lakoff e Johson, 1980). Para os autores, a
metáfora pode ser entendida como uma experiência cognitiva; e tem sido estudada, também, sob a
perspectiva discursiva, ou seja, sob o ponto de vista pragmático da linguagem. Sendo a metáfora de
natureza tanto linguística quanto sociocognitiva, e o discurso possibilita essa articulação e, ao mesmo
tempo, dela depende, o lócus da metáfora passa a ser o discurso. Pretendemos verificar as expressões
linguísticas que servem para subsidiar a metáfora conceptual e constatar que esse mecanismo
semântico-pragmático não está presente apenas no texto literário (campo de estudo mais propriamente
da Estilística), mas, também, em diversos gêneros presentes em nosso cotidiano. Para os autores, a
metáfora tem caráter rotineiro na linguagem, no pensamento e na ação do ser humano, isto é, a
linguagem cotidiana é altamente metafórica, e o conceito de figura, que é a base da metáfora, não é
mais considerado como desvio, e sim como um fenômeno presente em todos os tipos de linguagem
(cotidiana, científica, entre outras). Ressaltamos que a metáfora não se constitui como propriedade
individual, mas faz parte de um "inconsciente cognitivo coletivo", mantendo uma relação mútua com a
cultura e com a língua. Nesta comunicação, focalizaremos, em algumas peças publicitárias, uma
metáfora conceptual que mobiliza determinadas expressões linguísticas, colocando à mostra o
arcabouço argumentativo que subjaz à tecitura textual.

Palavras-chave: metáfora conceptual; argumentação; publicidade.

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TÓPICO DISCURSIVO E ARGUMENTAÇÃO: APROXIMAÇÕES POSSÍVEIS

Jacqueline Costa Sanches Vignoli (UNESPAR/Campo Mourão)

A presente pesquisa tem por objetivo descrever e analisar as estratégias textuais mais recorrentes para
construção da argumentatividade em notícias publicadas em diferentes meios jornalísticos. Para tanto,
filiados ao arcabouço teórico da Linguística Textual, a noção de tópico discursivo, como categoria
sociocognitiva, será utilizada como unidade de análise dos textos, uma vez que a seleção e
organização dos segmentos tópicos constituem importantes recursos para construir a orientação
argumentativa que se pretende nos mais diversos gêneros. O TD é uma unidade abstrata de análise,
utilizada inicialmente apenas em textos orais, que tem nos segmentos tópicos sua materialização a
partir das propriedades de centração e organicidade. Entendemos que a topicalidade seja um aspecto
constitutivo dos textos em geral e que sua manifestação ocorra a partir de uma relação global entre
diversos tipos de conhecimentos, sendo necessário que o TD seja extraído do texto pelo analista. Já a
argumentação implica a tentativa de um interlocutor persuadir outro a modificar seu comportamento,
sendo necessária, para isso, a constituição de argumentos em defesa de um dado ponto de vista.
Assim, é possível a proposição de uma aproximação entre os estudos da argumentação e a categoria
do TD, posto que ambas as propriedades definidoras do TD, a centração e a organicidade, possibilitam
a construção da orientação argumentativa em notícias. Quando pensamos na expansão da discussão
proposta, estamos nos referindo à possibilidade de extrapolar a análise do texto para além dos limites
da unidade da língua, considerando as inferências e os elementos não linguísticos. E é nesse limite
entre o extrapolar os limites da unidade da língua e o considerar a unidade da língua que pretendemos
pensar na relação entre argumentação e tópicos discursivos, o que já é previsto quando pensamos que
o texto não é um produto acabado e sim algo que é construído.

Palavras-chave: Linguística textual. Argumentação. Tópico discursivo.

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INTERTEXTUALIDADE E MORFOLOGIA NO GÊNERO MANDAMENTOS:


DO DIVINO AO MUNDANO, DA RELIGIÃO PARA A ARTE PORNÔ

Josyelle Bonfante Curti (UEL)

Sabendo que os mandamentos são enunciados concretos, em que a língua está funcionando e fazendo
sentido por meio da interação verbal, os tomaremos como gênero discursivo, de acordo com os postu-
lados de Bakhtin, e os analisaremos, sob o viés da morfologia, a partir da intertextualidade entre dois
exemplos extremos: de um lado, os mandamentos de Deus, do outro, os mandamentos da arte pornô
(publicados pelo Movimento de Arte Pornô durante a ditadura militar brasileira). O objetivo é estabe-
lecer diferenças e semelhanças entre os exemplos, uma vez que, apesar das divergências de princípios,
de ideologias e de tempo, visto que se trata de um gênero marcado pela ordem, ambos atuam como
norte social e buscam guiar atitudes e conduzir o homem a uma vida plena e à paz de espírito; porém,
se um é divino e tem como finalidade garantir ao homem o reino dos céus após a morte, resultado de
uma vida honrada e virtuosa de seguimento da palavra (de Deus), o outro é mundano e visa garantir ao
homem uma vida mais justa enquanto aqui na terra, reflexo de uma consciência social crítica e da luta
por direitos e por liberdade por meio da arte e da pornografia.

Palavras-chave: Intertextualidade. Morfologia. Mandamentos. Movimento de Arte Pornô.

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CADEIAS REFERENCIAIS EM UM CHAT DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Juçara Zanoni do Nascimento (UNIR / UEM)

Na Educação a Distância (EAD), o processo de ensino e aprendizagem é visualizado pela interação


entre o estudante e o professor e/ou o tutor por meio de ferramentas de comunicação, tais como
fóruns, chats, e-mails, aulas webs, entre outras, disponibilizadas no Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA). O objetivo de nossa pesquisa de doutorado é investigar o processo de
referenciação no AVA e verificar como são (re)construídos os objetos-de-discurso em diferentes
gêneros textuais nesse ambiente, com intuito de identificar o modo como o estudante constrói
conhecimento acerca dos conteúdos das disciplinas da área de estudos da linguagem, bem como
conhecer a imagem que ele, inserido nessa modalidade de ensino, tem a respeito da EAD. Tendo em
vista que a pesquisa está em andamento, neste trabalho, será apresentada uma análise inicial em que se
privilegia a ferramenta chat. O uso dessa ferramenta teve o objetivo de discutir o artigo “Ensino da
Língua Portuguesa”, escrito por Maíra Althoff de Bettio, com alunos do primeiro semestre de um
curso de Pedagogia de uma universidade pública brasileira. A partir da noção de referenciação
considerada pela Linguística Textual, analisamos o chat construído pela professora e pelos
acadêmicos. Na análise, foram selecionadas duas cadeias referenciais (Cadeia A e Cadeia B), nas
quais são introduzidos, mantidos e retomados diferentes objetos-de- discurso. Os primeiros resultados
apontam que a Cadeia A privilegia basicamente quatros objetos: dificuldades da escola em ensinar a
ler e a escrever, os motivos dessa dificuldade, a falta de incentivo da família do aluno e diferentes
materiais de leitura. Já a Cadeia B marca a entrada de um novo participante no chat e a preocupação
da professora em saber se ele leu o questionamento anterior referente a Cadeia A. Em ambos os casos,
o chat se mostra como um ambiente propício para a construção conjunta de objetos de discurso.

Palavras-chave: objetos-de-discurso; referenciação; chat; EAD

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ESTÍMULOS SENSORIAIS E A PRODUÇÃO DE SENTIDOS EM PEÇAS DE


MÍDIA DE AMBIENTE

Juliana de Mello Chagas Lima (UEM)

Ao andar pelas cidades, é possível perceber que o ambiente urbano está repleto publicidade, o que
inclui as formas mais tradicionais, como cartazes e outdoors, até as mais criativas, instaladas em locais
inusitados ou com formatos e recursos inovadores. A partir dessa observação, este trabalho se constrói
em torno da análise, por um viés textual, de peças publicitárias de “mídia de ambiente”, uma
modalidade de propaganda que tem como característica estarem posicionadas em locais públicos,
muitas vezes de forma intrusiva. A premissa dessas peças, também conhecidas como mídia out-of-
home (OOH), é que qualquer objeto pode ser utilizado como um suporte para a publicidade,
veiculando, conforme Covaleski (2008), anúncios integrados ao espaço urbano, em meio à
espacialidade real e midiática na qual se encontra o seu público-alvo. Foram escolhidas para análise
duas peças publicitárias, que foram instaladas em pontos de ônibus, e possuem uma característica em
comum: o fato de serem compostas não somente pelos tradicionais elementos verbais/visuais dos
anúncios, mas também por emitirem calor, um elemento de estímulo sensorial que, de forma
intencional, relaciona-se semanticamente com os produtos anunciados. A partir dessa escolha,
problematizamos as peças de modo a observar suas relações de coerência e ampliar a reflexão em
torno do papel fundamental exercido pelos elementos contextuais e situacionais na construção textual
dos sentidos. Com base no atual desenvolvimento da Linguística Textual e das Teorias do Texto, com
foco na produção de sentidos e a definição dos suportes, como tratado por Koch e Travaglia (2009;
2011), Marcuschi (2003; 2008), Lima (2012) e Lima e Romualdo (2014), este trabalho propõe a
consideração, para a constituição textual, de aspectos não apenas relativos à questão verbal, como
também os elementos multimodais de sua produção, como os seus suportes e os estímulos sensoriais.
Assim, o trabalho pretende demonstrar de que forma o contexto de produção dos enunciados
analisados interfere e pode ser parte constituinte do processo de produção de sentidos do texto
publicitário, contribuindo para a persuasão dos consumidores e suas relações com os sentidos.

Palavras-chave: Mídia de ambiente, texto publicitário, produção de sentidos.

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Representações exclusória no discurso de reassentados do Assentamento Celso Furtado


– SP

Juliana de Oliveira Mendonça Ribeiro- UFMS- Três Lagoas

O contexto rural da cidade de Castilho-SP caracteriza-se, atualmente, pela legalização de treze assen-
tamentos, dos quais o Assentamento Celso Furtado, o segundo maior da região, lócus desta pesquisa,
reúne cento e oitenta e sete famílias. Com a meta de contribuir para os estudos sobre identidade e
sobre o sujeito-assentado, o objetivo deste trabalho é problematizar a representação que o assentado
faz de si quando era designado como sem-terra, abordando a temporalidade: o antes (sem-terra) e o
agora (assentado); trazendo os discursos, as formações discursivas e a heterogeneidade constitutiva.
Enquanto pergunta de pesquisa procuramos responder: Como o assentado se via na condição de sem-
terra? Partimos do pressuposto que social e economicamente a sociedade contemporânea exclui aque-
les que pertencem a algum grupo e que resistem à hegemonia, lançando como hipótese que, no decor-
rer da luta pela posse de terra, as representações atribuídas aos assentados, na maioria das vezes, são
negativas. Para trazer à baila as considerações sobre sujeito, discurso e formação discursiva, baseamo-
nos pressupostos teóricos de Pêcheux (1990) e Foucault (2007); a identidade, por seu turno, é vista
pela esteira de Hall (2005) e Coracini (2007); e para o conceito de exclusão, reportamo-nos às contri-
buições de Bauman (1998 e 1999) e Bhabha (1998). O trabalho é inscrito no viés discursivo, com base
no método arqueo-genealógico foucaultiano, que tem o objetivo de discutir como surgem os saberes e
como estes se transformam. Para a coleta dos dados, realizamos uma entrevista, gravada em áudio no
próprio assentamento, com um assentado que mora no local e participou da luta pela posse de terra.
Notamos então, que a exclusão manifesta-se por meio das representações que o assentado atribui à ex-
condição de sem-terra e às imagens que ele acredita que a sociedade realiza dele.

Palavras-chave: : Identidade; assentado; exclusão.

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GÊNERO DISCURSIVO, PLANO DE TEXTO E SEQUÊNCIA TEXTUAL NO


ENFRENTAMENTO DOS DESAFIOS DA ANÁLISE LINGUÍSTICA

Jussara Maria Jurach (Unioeste)

O desenvolvimento de práticas de análise linguística é uma tarefa que vem acompanhada de muitas
incompreensões, as quais refletem as dificuldades em relacionar os aspectos discursivos e a
materialidade linguística, neste caso, o que é efeito de sentido e funcionalidade do gênero e o que é
composicionalidade e estilo. Nesse ínterim, muitas propostas partem de aspectos relacionados à
situacionalidade do texto, à prototipicidade do gênero discursivo e, em um salto metodológico,
rompem o processo interpretativo e passam a focalizar apenas um e outro elemento do texto, os quais,
muitas vezes, são tratados apenas no nível de uma categoria gramatical, sem considerá-los como
componentes de um processo comunicativo desencadeado por um texto. Devido a essas
incongruências, este trabalho tem como objetivo evidenciar o papel do plano de texto e das sequências
textuais na análise linguística, aspectos estes que intermedeiam a relação entre os propósitos dos
gêneros discursivos e sua realização linguística, e que, na maioria das vezes, não são explorados. Para
tanto, partimos das considerações de Adam (2011) sobre as noções de gênero discursivo, de plano de
texto e de sequência textual, e as associamos às propostas de análise linguística, conforme discutidas
por Geraldi (1997). Tal associação demonstrou, em análises realizadas em um questionário respondido
por acadêmicos de Letras, que o reconhecimento do plano de texto e das sequências textuais orienta o
analista a empreender uma prática mais segura e organizada de análise linguística.

Palavras-chave: Análise linguística; plano de texto; sequência textual.

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A (RE)INSCRIÇÃO INTERDISCURSIVA DAS TIRINHAS DE MAFALDA NO


CONTEXTO POLÍTICO BRASILEIRO

Kaline Ferreira Oliveira (UNEB)

O presente resumo intitulado A (re)inscrição interdiscursiva das tirinhas de Mafalda no contexto


político brasileiro diz respeito ao projeto de pesquisa para o mestrado (já aprovado) que tenciona
estudar os efeitos de sentido provenientes das materializações linguísticas presentes nas tirinhas de
Mafalda que são postadas nas páginas da rede social Facebook levando em consideração o contexto
sócio-político-ideológico atual do Brasil, uma vez que tais tirinhas foram produzidas/publicadas de
1964 à 1973 na Argentina. Tal movimento analítico será embasado pela Análise de Discurso
(doravante AD) fundamentada pelo filósofo francês Michel Pêcheux. Em virtude da relevância de
estudar o discurso pensando numa associação da estrutura/acontecimento como preconiza a AD
francesa pecheutiana, por considerar a relação língua-discurso-ideologia, propõe-se neste projeto
investigar a (re)inscrição interdiscursiva das tirinhas de Mafalda no contexto sócio-político-ideológico
brasileiro. Para a AD o contexto histórico influencia diretamente as ideologias, considerando-as como
“relação necessária entre linguagem e mundo” (ORLANDI, 2013 p. 47), logo, há uma relação
indissociável entre linguagem, discurso e sociedade. Deste modo, a noção de interdiscurso será um
dos elementos basilares da pesquisa, pois o conceito de interdiscurso pecheutiano diz respeito a uma
relação de ligação existente entre o já-dito com o dizível, sendo o já-dito equivalente ao interdiscurso
e o dizível ao intradiscurso. Como as tirinhas de Mafalda foram produzidas na Argentina de 1964
à1973, sua (re)inscrição hoje é resultado de novas leituras, de novas possibilidades semânticas em uma
mesma estrutura discursiva produzida no século XX, evidenciando assim a opacidade da linguagem.
Nesta perspectiva, tal projeto objetiva partir do princípio de que, segundo Pêcheux (2005, p. 56) “todo
discurso é o índice potencial de uma agitação nas filiações sócio-históricas de identificação”, logo,
acredita-se na premissa de que tais discursos exprimam entendimentos e posicionamentos da
sociedade frente à realidade política do país.

Palavras-chave:

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A CONSISTÊNCIA ARGUMENTATIVA NA REDAÇÃO DE VESTIBULAR:


OPÇÕES ENUNCIATIVAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Leda d’Aguila (UERJ)

No ano de 2016, candidatos a vagas em universidades de todo país foram levados a pensar e
discutir o tema Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil, uma situação tão
preocupante em nossa sociedade que gerou o tema de redação de um dos concursos anuais mais
importantes: o Exame Nacional do Ensino Médio – Enem. Em um texto argumentativo, os candidatos
teriam de levantar hipóteses sobre como proteger o direito de escolha de cada indivíduo sem restringir
a discussão a uma religião e sem ferir os direitos humanos; além de apresentar a defesa clara e
consistente de um ponto de vista. No entanto, entendemos que esse ponto de vista não se cria
sozinho, uma vez que, conforme afirmou Bakhtin, um discurso não se inicia nem se encerra em si
mesmo: ele é permeado de vários outros discursos, pois o sujeito é influenciado pelo meio, assim
como também age sobre ele, transformando-o. O presente trabalho busca analisar os discursos de
vestibulandos e entender seus norteadores, bem como as vozes – além daquela do sujeito enunciador –
que compõem essas falas, usadas para reforçar ou contradizer o que se pretende como tese. Além
disso, pretendemos avaliar de que forma as escolhas enunciativas nesses textos contribuem para tornar
a argumentação mais ou menos eficaz. Para empreender a análise a que nos propomos, utilizaremos
os conceitos de heterogeneidade enunciativa, de Jacqueline Authier-Revuz; e o da polifonia de Ducrot
– mais precisamente, a ideia de pressuposto e subentendido que permite uma análise da estrutura
frasal de modo a perceber melhor aquilo que o sujeito enunciador nos coloca de forma clara e aquilo
que tenta “esconder”.

Palavras-chave: texto, discurso, argumentação

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O PROCESSO DE ESTILIZAÇÃO NA CONSTITUIÇÃO DO FILME O


PEQUENO PRÍNCIPE.

Lilian Regina Gobbi Bachi (UEM)

As teorias do texto propõem investigar a constituição, o funcionamento, a produção e a compreensão


dos textos em uso, assim não se prendem às questões estritamente estruturais e linguísticas, mas
consideram as relações entre o texto e seu contexto, incluindo aí as relações com outros textos. Se a
Linguística Textual admite que um texto se relaciona com outros, depreendemos que todo texto é
heterogêneo. É sob a perspectiva da heterogeneidade mostrada que trabalhamos a análise das obras O
Pequeno Príncipe, livro de Antoine Saint Exupéry, publicado em 1943, e O Pequeno Príncipe, de
Mark Osborne, filme de animação lançado em 2015, que compõem o nosso corpus. Nosso objetivo
com esse trabalho é compreender o que, diante de um estranhamento inicial do espectador do filme em
relação ao livro, faz com que, na constituição da narrativa fílmica, ela se torne convergente à temática
do filme. Especificamente, buscamos: i) analisar a intertextualidade entre as obras; ii) angariar quais
são as marcas de convergência e de divergência entre elas; iii) depreender quais são as formas de
manifestação da heterogeneidade utilizadas pelo autor do filme. Para respondermos a esses objetivos
revisitamos bases teóricas da Linguística Textual, apoiando-nos principalmente nos estudos
desenvolvidos por Affonso Romano Sant’Anna a respeito dos conceitos de paráfrase e estilização, e
nas considerações feitas por Beth Brait sobre os conceitos bakhtinianos, entre outros autores como
José Fiorin e Ingedore Koch a propósito da noção de intertextualidade. Nossas análises mostram que,
apesar de usar o mesmo título do livro de Saint Exupéry, evidenciando sua intertextualidade com esta
obra, o cineasta contempla uma nova história que muito pouco se assemelha àquela de seu texto de
partida. Esta não fidelidade à obra de Saint Exupéry provoca certo incomodo nos espectadores, já que
a expectativa era de um filme tal qual o livro ou pelo menos muito próximo da obra original. No
entanto, ao analisarmos, os movimentos textuais na construção fílmica, percebemos que o filme não
chega a criar um efeito divergente em relação ao livro, mas um desvio tolerável, caracterizando-o
como uma estilização, na perspectiva de Sant’Anna.

Palavras-chave: Linguística Textual; Heterogeneidade; Intertextualidade; Paráfrase; Estilização.

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A CENOGRAFIA DIGITAL DO CURSO DECOLA!LAB: UM OLHAR NOVO


DO APRENDIZADO

Luma Dittrich de Oliveira (UTFPR)

Em virtude dos avanços tecnológicos, emergiram novas manifestações discursivas, que contemplam
múltiplas linguagens e formas de interação, configurando a tecnologia discursiva que, por sua vez,
modificou a materialidade do discurso em diversos âmbitos. No contexto educacional, em paralelo ao
estudo formal, caracterizado pela educação básica e superior, o ensino informal vem se ampliando e
diversos cursos têm surgido em ambiente virtual. Nesse sentido, o presente artigo objetiva analisar a
materialidade discursiva do curso Decola!Lab – um curso online de empreendedorismo criativo que
tem como público sujeitos já graduados na educação formal, mas que se disponibilizaram a
continuarem estudando, agora em outra modalidade – e os efeitos de sentido produzidos pela
cenografia digital, a fim de verificar se tal cenografia contribui para as aprendizagens, mobiliza a
interatividade e colabora para o letramento dos usuários. Para isso, a partir de uma abordagem
qualitativa, a análise ancora-se nas ideias de multiletramentos, de Rojo (2012), de sujeito em interação
na web, de Recuero (2009), e a cenografia digital de Maingueneau (2015). Na análise dos dados,
percebeu-se uma multiplicidade de linguagens que favorecem a interação na plataforma do curso. Isso
porque, no curso, foram mobilizados diferentes gêneros discursivos e linguagens que privilegiam um
espaço interativo e letrado. A análise revelou, ainda, que a web possibilita novas maneiras de aprender
em interação por meio de sua cenografia digital.

Palavras-chave: Web. Ensino. Letramentos. Cenografia digital. Interação.

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GÊNEROS LIGADOS A DEBATES PÚBLICOS: ANÁLISE DE MECANISMOS


DE TEXTUALIZAÇÃO E EFEITOS DE SENTIDO

Maria Gorette da Silva Ferreira Sampaio (UESB - PPGLin)


Márcia Helena de Melo Pereira (UESB - PPGLin)

Entre os diversos textos que circulam no espaço institucional, ressaltamos os que caracterizamos como
pertencentes a gêneros ligados a debates públicos, como notas de repúdio, cartas abertas, manifestos
etc. Os textos que caracterizamos como pertencentes a esse gênero apesentam uma
organizaçãocomposicional bastante peculiar, na qual se destacam partes como palavras de ordem,
bandeiras de protesto; um chamado em forma de convite, de adesão ao movimento; por fim, o nome
da entidade que assina o documento. Essas partes são bastante marcadas, geralmente por meio de
negritos e letras em caixa alta. Além desses destaques, há, no interior dos textos, partes colocadas em
relevo. Os gêneros, como sabemos, caracterizam-se por peculiaridades de ordem funcional, estilística
e formal. No estudo dos aspectos formais, faz-se imprescindível investigarmos os mecanismos de
textualização. Desse modo temos condições de entender como os sujeitos envolvidos nas práticas
sociais em que os textos circulam selecionam, entre outras escolhas, determinadas estratégias de
construção para textualizar o que pretendem informar e quais os efeitos de sentido produzidos.
Pensando nessas questões e em estudos realizados sobre mecanismos de textualização, investigamos
que papel cumprem os recursos mencionados na caracterização desses gêneros, como se dá a
materialização de outros mecanismos de textualização e quais os efeitos de sentido produzidos nos
textos. Para tanto, selecionamos 09 textos para análise. Entre os vários caminhos teóricos possíveis
para a descrição proposta, valemo-nos da interface Linguística Textual/Funcionalismo. A análise nos
leva a confirmar que os mecanismos interferem conjuntamente para elaboração textual e que há inter-
relação entre a forma e o papel dos enunciados na organização discursiva. Os mecanismos
linguísticos-gramaticais analisados contribuem de forma decisiva para a materialização dos sentidos
que os produtores pretendem.

Palavras-chave: Textualização; debate público; efeitos de sentido

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UM OLHAR PARA A NATUREZA MULTIFACETADA DO TEXTO

Sônia Berveglieri (UEM)

Este trabalho propõe uma discussão, no âmbito da Linguística Textual, acerca da noção de texto como
objeto científico, ampliando essa ideia para a questão da multimodalidade, uma vez que, na sociedade
atual, lidamos com composições de textos das mais diversas naturezas, como, por exemplo, a charge, a
tira em quadrinhos, o vídeo clipe. Para observarmos a natureza multimodal, empreendemos essa
questão a partir da constituição do texto fílmico. Ao fazermos essa discussão, retomamos algumas
ideias já levantadas em Berveglieri (2016), em que defendemos a ampliação do conceito de texto,
devido a novas demandas requeridas pelo estudo da multimodalidade. Faz-se necessário empreender
análises dos mais variados gêneros, de forma a observar compatibilidades e eventuais necessidades de
se recorrer a aportes teóricos de outras áreas de conhecimento. Mas, podemos aceitar, nesse momento
do estudo, uma ampliação do conceito de texto, de modo a envolver também os enunciados de cunho
verbal e visual, como as tiras cômicas, mas também o gênero filme. Observamos que, nesta pesquisa,
a análise textual que concebe o texto como um fenômeno multifacetado, deve considerar também os
múltiplos fatores, cognitivos e discursivos, que entram na sua constituição e na construção do seu
sentido. Assim, o estudo desse objeto passa a incorporar também elementos não verbais. No caso dos
textos multimodais, tanto os elementos verbais como os não verbais devem ser considerados como
parte de um todo que é o texto. A análise empreendida deve considerar esse todo e não ser segmentada
em duas: a de textos verbais de um lado e não verbais de outro. Os elementos não verbais são
fundamentais e decisivos para a constituição dos textos multimodais. Desse modo, incorporá-los em
uma análise se faz necessário para explicar e compreender a forma como ocorre, também nesses
textos, o processo de coerência e, por conseguinte, a construção dos sentidos.

Palavras-chave: Linguística Textual. Texto. Multimodalidade.

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ROTEIRO SEMIÓTICO PARA LEITURA DE TEXTOS VERBAL E


VERBO-VISO-SONORO

Tânia Regina Montanha Toledo Scoparo (SEED)

No processo de aprendizagem, espera-se que o aluno tenha contato com diversos textos, de diferentes
esferas sociais, ancorados em atividades que lhe deem possibilidades de leitura, interpretação e
reflexão sobre a língua. Pensando nisso, propomos, neste trabalho, um Roteiro semiótico para a leitura
dos textos verbal e verbo-viso-sonoro: o romance e o filme homônimo Lavoura Arcaica. A base
teórica principal é a semiótica francesa e a proposta é indicada para alunos do ensino médio da
educação básica. O esquema actancial de Greimas aplicado aos textos literários permite ao leitor
perceber a arquitetura narrativa subjacente a todo e qualquer tipo de texto, entre eles o fílmico, sob as
mais diversas roupagens figurativas. Além disso, a semiótica greimasiana permite conciliar o exame
de outras linguagens envolvidas na produção de um filme. Os procedimentos de análise para o texto
verbal, visual ou sincrético são bastante semelhantes. De modo geral, entende-se que um texto deva
ser descontruído na análise, intentando a compreensão das estratégias utilizadas para a produção de
sentido. Apesar de a teoria greimasiana não ser ensinada na escola pública e nem fazer parte das
atividades dos livros didáticos, acreditamos que alguns dos seus conceitos podem contribuir para o
entendimento do funcionamento discursivo. Na nossa proposta, mostramos que romance e filme se
imbricam e, ao mesmo tempo, enredam o leitor, tornando-o um sujeito do fazer, coenunciador, que
constrói e aprecia os sentidos que os textos produzem. Nas atividades, os textos serão estudados
observando-se os mecanismos que os produzem e que os constituem como um todo significativo,
contribuindo, assim, para o processo de ensino e aprendizagem de língua portuguesa.

Palavras-chave: Leitura. Semiótica francesa. Romance. Filme

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TEXTO E DISCURSO RELIGIOSO: INTERAÇÃO PARA CONSTRUÇÃO DE


SENTIDOS

Wendell Lessa Vilela Xavier (IFNMG)

Todo discurso é constituído por procedimentos reguladores que o definem ou que o circunscrevem,
limitando seu espaço divulgador. De acordo com Michel Foucault (2005), há procedimentos externos
– que procedem da sociedade para o discurso – e os internos – que são achados no próprio discurso.
Um dos procedimentos externos é o da interdição. Ela é responsável por limitar o que se pode dizer e
o que se deve dizer no discurso. Obviamente, em qualquer discurso, não se sabe se se pode dizer tudo
o que se pretende dizer. Além disso, toda produção discursiva é limitada, ou interditada, pelas
circunstâncias de produção, pelos tabus, pelos rituais e pelos sujeitos que falam. No campo do
discurso religioso, a interdição é absolutamente marcante, em razão de que a limitação se dá por vários
meios, especialmente pelos recursos linguísticos produzidos na conjunção entre as vozes internas do
próprio texto bíblico, bem como com as variações intertextuais dialógicas produzidas pelo discurso
religioso, e as circunstâncias culturais, políticas e didático-pedagógicas. É um campo no qual se
encontram e dialogam o texto bíblico que produz um discurso teológico e um discurso religioso, cada
qual com suas interdições próprias, marcadas pelos mecanismos textuais internos de intertextualidade,
inferencialidade, polissemia e subjetividade. A partir do ponto em que tais discursos bíblicos,
teológicos e religiosos se tornam, especialmente na contemporaneidade, divulgadores de ideologias de
massa e propulsores de um ethos definido e marcado, torna-se relevante propor uma articulação mais
efetiva desses gêneros textuais e discursivos, de modo que eles sejam considerados no âmbito escolar
como relevantes para a constituição de sujeitos críticos, inseridos em espaços fluidos de sentido, para
quem os efeitos de sentido de cosmovisões culturais formativas devam se tornar fundamentais. O que
se pretende, portanto, é apresentar, com base nas teorias de texto e do discurso, propostas de
articulação entre os textos bíblicos e os discursos teológicos e religiosos, bem como a interação desses
discursos com os discursos políticos contemporâneos sobre os temas, viabilizando a produção
didático-pedagógica de análises de textos dessa natureza no ensino.

Palavras-chave: Discurso religioso; Intertextualidade; Efeitos de sentido.

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A TRAJETÓRIA DAS CONSTRUÇÕES “TENDO EM VISTA” E “TENDO EM


VISTA QUE”: UMA ANÁLISE CENTRADA NO USO

Alfredo Vital Oliveira (PG-USP)


Marcelo Módolo (USP)

Esta pesquisa consiste num estudo que focaliza a trajetória das mudanças linguísticas derivadas do
item lexical vista até se chegar aos itens gramaticais, com acepção causal, tendo em vista e tendo em
vista que. O objetivo principal é descrever o processo de gramaticalização dessas 2 locuções como
elementos conjuntivos em português, demonstrando os deslizamentos semânticos e as alterações mor-
fossintáticas das construções estudadas e de suas variantes, analisando-se a função que exercem na
amostra de 4.089 enunciados constantes do corpus escolhido, todas provenientes do site Corpus do
Português. Adota-se, neste trabalho, o conceito de construção, segundo Googberg (1995), como o
pareamento convencional de forma e sentido, estando relacionadas à forma propriedades fonológicas,
morfológicas e sintáticas e ao sentido, propriedades semânticas, pragmáticas e discursivo-funcionais.
Este estudo fundamenta-se no aporte teórico-metodológico da Linguística Centrada no Uso, mais
especificamente nos pressupostos da atual abordagem construcional da gramaticalização proposta por
Bybee (2010) em que a emergência e o desenvolvimento de construções nas línguas devem-se à atua-
ção de processos cognitivos de domínio geral, tais como, categorização, encadeamento e analogia. Em
conformidade com essa abordagem, hipotetiza-se que uma construção se gramaticaliza a partir do
aumento de frequência de uma instância específica de um padrão estrutural existente e, com o aumen-
to de frequência, tal instância pode vir a se tornar um chunk e, então, ser um exemplar da categoria a
que pertence. A partir da análise dos dados do corpus, o continuum de construções, em relação a esses
dois processos de gramaticalização, é registrado pelos chunks que podem ser esquematizados, do item
mais concreto ao item mais abstrato, desta forma: item lexical vista > item gramatical em vista de >
item gramatical tendo em vista > item gramatical tendo em vista que.

Palavras-chave: Gramaticalização. Construção causal. Conjunção. Preposição

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UMA ANÁLISE FUNCIONAL DOS TIPOS MODAIS EXPRESSOS PELA


PERÍFRASE “TENER QUE” NO ESPANHOL PENINSULAR À LUZ DA
GRAMATICALIZAÇÃO

Ana Luiza Ferancini Nogueira (UNESP-IBILCE)


Sandra Denise Gasparini Bastos (UNESP-IBILCE)

Na caracterização da gramaticalização, afirma-se que um significado mais gramatical se desenvolve a


partir de um significado menos gramatical por um processo de enfraquecimento de conteúdo
semântico (GIVÓN, 1973; BYBEE, 2003). Assim, a gramaticalização é resultado da atuação de
mecanismos de natureza cognitiva responsáveis pela conceptualização de domínios mais abstratos em
termos de domínios mais concretos. O objetivo deste trabalho é analisar o processo de
gramaticalização da construção modal “tener que” em dados do espanhol peninsular, levando-se em
consideração os fatores contextuais instanciadores desse processo de mudança. A classificação modal
adotada baseia-se na proposta de Hengeveld (2004), que identifica as modalidades facultativa
(relacionada às capacidades), deôntica (relacionada à obrigação), epistêmica (relacionada às crenças) e
volitiva (relacionada ao que é desejável). Com base em resultados de pesquisa sincrônica, os quais
revelaram que a perífrase “tener que” expressa a modalidade epistêmica em frequência
significativamente menor se comparada à modalidade inerente (denominação de Narrog (2009) para
modalidade facultativa) e à modalidade deôntica, hipotetizamos que “tener que” expressando valores
epistêmicos apareceria em maior número somente em sincronias recentes da história do espanhol.
Resultados parciais de sincronias pretéritas apontam para um processo de bleaching semântico de um
significado modal não-epistêmico decorrente de processos de inferência metafórica e metonímica.
Nesse sentido, a generalização do significado da construção-fonte possibilita a associação de “tener
que” a um número cada vez maior de tipos de sujeitos e verbos principais favorecedores do valor
epistêmico, mais abstrato se comparado aos valores inerentes e deônticos. Dessa forma, na medida em
que a gramaticalização avança, as restrições de aparecimento da perífrase vão perdendo sua influência
e a construção passa a se associar, consequentemente, a elementos contextuais que possibilitam uma
leitura mais subjetiva da perífrase dentro do domínio da modalidade. Para a pesquisa em perspectivas
sincrônica e diacrônica são utilizados, respectivamente, dados do PRESEEA (Proyecto para el estudio
sociolingüístico del español de España y América) e do CORDE (Corpus Diacrónico del Español).

Palavras-chave: funcionalismo; gramaticalização; modalidade; tener que.

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ORAÇÕES ALÉM DE POSPOSTAS AO NÚCLEO: UMA ANÁLISE


DISCURSIVO-FUNCIONAL

Ana Paula de Oliveira (UNESP)

O trabalho “Orações além de pospostas ao núcleo” é parte de uma investigação maior,


intitulada “As construções ‘além de’ sob a perspectiva da Gramática Discursivo-Funcional”, que tem
por objetivo analisar as relações estabelecidas por sintagmas e orações construídos a partir da estrutura
“além de” no português, por meio da análise de ocorrências de língua falada e escrita nos países
lusófonos, selecionadas nos corpora Português oral, Córpus do português e na rede social Twitter.
Toma-se como aparato teórico a Gramática Discursivo-Funcional, de Hengeveld e Mackenzie (2008),
que privilegia a intenção comunicativa do falante ao fazer uso do sistema linguístico em situação de
interação. A análise revela que essas construções constituem, juntamente com seu núcleo, um único
Ato Discursivo no Nível Interpessoal e que, no Nível Representacional, exercem a função de
modificador de um núcleo, desempenhando função semântica Doxástico. Além disso, verificou-se
que a informação veiculada por esses elementos é sempre considerada pelo falante como uma verdade
consensual, inquestionável, ou seja, pressuposta, nos termos de Givón (1995). Morfossintaticamente,
isso se codifica pela posição posposta que as construções oracionais além de com função semântica
Doxástico assumem em relação à oração com a qual formam uma única Expressão Linguística. Em
termos de ligação morfossintática, nota-se que a dependência não é mútua entre os constituintes da
Expressão Linguística, portanto, a relação que se estabelece entre é a de Cossubordinação.
Fonologicamente, dado que a construção constitui um único Ato Discursivo, há apenas uma Frase
Entonacional, formada por duas Frases Fonológicas.

Palavras-chave: Gramática Discursivo-Funcional; Modificadores; Além de; Doxástico;

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A CONFIGURAÇÃO DAS PREDICAÇÕES DE VERBOS CORTAR E


QUEBRAR: UMA ANÁLISE DOS MULTI-FRAMES E DAS CONSTRUÇÕES
GRAMATICAIS

André V. Lopes Coneglian (UPM)

Ligado à proposta mais geral deste simpósio, que é a de voltar a atenção à interrelação dos diferentes
componentes da língua, este trabalho centra-se na constituição das predicações a fim de verificar o
mapeamento de frames semânticos configurados em construções gramaticais. Esta amostra constitui
os primeiros desenvolvimentos do projeto Cut&Break (Majid et. al, 2007, 2008; Sweetser et. al, 2014)
para o português brasileiro (Coneglian, no prelo). Oferece-se uma análise da configuração sintático-
semântica das predicações de verbos de SEPARAÇÃO, que são classificados em dois grupos, o grupo
dos verbos do tipo CORTAR, tais como cortar, rasgar, romper, entre outros, e o grupo dos verbos do
tipo do QUEBRAR, tais como quebrar, estilhaçar, despedaçar, entre outros. A análise se conduz a partir
do exame de uma amostra de 100 ocorrências provenientes de córpus (SEC - Sketch Engine Corpora)
para cada um dos verbos, no sentido de identificar os frames semânticos evocados e as construções
gramaticais deles configuradoras. Os frames identificados, com base nas anotações providas e
sistematizadas em FrameNet-Berkeley e em FrameNet-Brasil, são – não exaustivamente – SEPARAR,
CORTAR, QUEBRAR (os três mais gerais), ESTRAGAR, REMOVER, MODELAR, ABRIR UMA SUPERFÍCIE,
TORNAR-SE NÃO FUNCIONAL. Quanto às construções gramaticais identificadas – que também não
esgotam a classe – são a CAUSATIVA e a INCOATIVA. Nesse sentido, a análise estabelece os frames
semânticos evocados por esses verbos bem como as construções gramaticais nas quais se configuram
essas predicações. Mais especificamente, faz-se um cotejo entre os diferentes frames que tais verbos
evocam e as relações que se estabelecem – se é que isso ocorre – entre os frames evocados por cada
um desses dois grupos verbais. Este trabalho constitui, afinal, um exame das determinações cognitivo-
funcionais na configuração da interface sintaxe-semântica.

Palavras-chave: predicação; frames semânticos; construção gramatical; construção causativa.

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UMA ABORDAGEM FUNCIONAL DA PRESSUPOSIÇÃO EM ORAÇÕES


PREFACIADAS POR "INCLUSO SI" NO ESPANHOL ESCRITO
PENINSULAR

Bárbara Ribeiro Fante (UNESP/IBILCE)

Este trabalho visa a apresentar uma análise, sob o escopo da teoria da Gramática Discursivo-
Funcional, de Hengeveld e Mackenzie (2008), das orações introduzidas por "incluso si" no espanhol
escrito peninsular. De forma mais específica, pretende-se observar qual é a relevância da
pressuposição para esse tipo de oração a fim de caracterizar essas construções. Estruturas prefaciadas
por incluso si, conforme König (1985), Flamenco García (2000) e Rodríguez Rosique (2012), são
geralmente classificadas como concessivo-condicionais em função de critérios semânticos e
pragmáticos como a pressuposição e a factualidade. Segundo König (1985), as orações condicionais
tendem a ser não pressupostas e hipotéticas/contrafactuais, enquanto as orações concessivas tendem a
ser pressupostas e factuais. As concessivo-condicionais, por sua vez, por compartilharem
características tanto de orações condicionais quanto de concessivas, tendem a ser semifactuais, mas
pouco se discute sobre a pressuposição nesses contextos. Pretende-se, dessa forma, verificar, se tais
construções apresentam informações pressupostas ou não pressupostas. Conforme Pérez Quintero
(2002), adotamos um conceito pragmático de pressuposição, isto é, concebemos a pressuposição como
uma estratégia do falante de empacotar sua mensagem com relação a sua estimativa do que o ouvinte
sabe ou não. Portanto, essa abordagem permite a análise da pressuposição de uma oração, não em
abstração a, mas em relação à estimativa que o falante tem da informação que o destinatário faz uso.
Resultados parciais revelam que as orações introduzidas por "incluso si" tendem a apresentar a oração
matriz como factual e pressuposta, enquanto a oração subordinada tende a veicular informação
hipotética e não pressuposta. O universo de investigação é embasado no córpus CREA (Corpus de
referencia del español actual), um conjunto de textos de diversa procedência, organizados em suporte
informatizado.

Palavras-chave: Gramática Discursivo-Funcional; espanhol peninsular escrito; incluso si

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GRAMATICALIZAÇÃO E GDF: UMA ANÁLISE DIACRÔNICA DE AUNQUE

Beatriz Goaveia Garcia Parra de Araujo (UNESP/IBILCE)

Este trabalho apresenta uma proposta de análise diacrônica da conjunção concessiva espanhola aunque
que une os estudos em Gramaticalização e o modelo teórico da Gramática Discursivo-Funcional (GDF
- HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). Desde Kurilowicz (1965) compreendemos a gramaticalização
como o fenômeno pelo qual uma unidade não gramatical torna-se gramatical, ou pelo qual uma unida-
de gramatical torna-se ainda mais gramatical. Por muito tempo, no entanto, os estudos em Gramatica-
lização associaram esse fenômeno de mudança linguística com os processos de perda e redução em
todos os níveis: pragmático, semântico, morfossintático e fonológico. Assim, só eram considerados
exemplos de gramaticalização os clines de mudança que conduziam ao desaparecimento da unidade
linguística. Traugott (1997), no entanto, critica esse modelo do desgaste, pois, ao estudar a gramatica-
lização dos marcadores discursivos, observa que essas unidades linguísticas sofrem um aumento da
função pragmática e uma maior subjetivização. Por ser um modelo teórico funcionalista que se orga-
niza em níveis e camadas, a GDF é capaz de representar as mudanças funcionais e formais que nortei-
am o processo de Gramaticalização. De acordo com Hengeveld (no prelo), a Gramaticalização pode
ser considerada uma combinação de mudanças formais e de conteúdo, sendo estas caracterizadas pelo
aumento de escopo, definido em termos de níveis e camadas. No caso de aunque, observamos em um
estudo sincrônico com textos do espanhol peninsular atual (PARRA, 2016), que esta conjunção pode
atuar em três principais camadas descritas pela GDF: na camada do Conteúdo Proposicional, perten-
cente ao Nível Representacional, e nas camadas do Ato Discursivo e do Movimento, pertencentes ao
Nível Interpessoal. Diante de tal resultado, questionamo-nos se os diferentes usos de aunque poderiam
representar uma gramaticalização da conjunção, que passa a atuar em contextos mais abstratos. Nos-
sos resultados preliminares confirmam essa hipótese ao apresentarem uma predominância do uso re-
presentacional de aunque nos primeiros períodos do espanhol, e um número cada vez maior do uso
interpessoal da conjunção nos períodos mais atuais, sendo essas alterações funcionais acompanhadas
de alterações morfossintáticas nas construções em que a conjunção se insere. (Apoio: Capes).

Palavras-chave: Gramática Discursivo-Funcional; Gramaticalização; Conjunção aunque.

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DESCRIÇÃO FUNCIONAL DO LATIM:


UM ESTUDO DAS CONSTRUÇÕES HIPOTÁTICAS CONDICIONAIS NA
PROSA CICERONIANA

Douglas Gonçalves de Souza (UNEAL/UEM)


Juliano Desiderato Antonio (Orientador - UEM)

De acordo com Neves (2012), a investigação no campo das orações adverbiais em Língua Portuguesa
deve se afastar das categorizações estanques da Gramática Tradicional. Nesse sentido, parte-se da
premissa de que também em Latim as orações adverbiais não devem ser observadas sob rótulos
definitivos, rótulos esses que, muitas vezes, distorcem a realidade dos usos. Desse modo, pretende-se,
com o estudo em tela, não só atualizar a descrição das construções hipotáticas condicionais, que se
inserem na zona mais ampla da noção de causalidade (NEVES, 2011), mas também analisar o
funcionamento dessas construções na prosa ciceroniana, no que diz respeito às suas estruturas
subjacentes e ao modo como atuam na organização textual, ao promoverem a argumentação e
apoiarem a coerência textual. À luz de pressupostos funcionalistas, este estudo interpreta a construção
hipotática condicional como uma microconstrução oriunda do subesquema da causalidade
(TRAUGOTT; TROUSDALE, 2013) e, além disso, observa a referida construção como elemento
satélite na organização hierárquica do texto, pautada na relação proposicional núcleo-satélite
(MATTHIESSEN; THOMPSON,1988). O corpus deste trabalho é composto por um discurso de
acusação, elaborado pelo orador romano Marcus Tullius Cicero no século I a. C, a saber: In Catilinam
Orationes Quattuor (conhecido com Catilinárias). Do ponto de vista metodológico, compõem o
corpus de análise, construtos oracionais: (i) com conectivo de matiz condicional - tal como indicado
por Baños (2009) e Vasconcelos (2013); (ii) com conectivo de outra natureza; e (iii) sem conectivo.
Ademais, nesta pesquisa, de natureza qualitativa, são considerados aspectos do contexto imediato de
aparição da construção - correlação temporal entre as formas verbais e ordenação das orações - e
características do contexto mais amplo - as partes constitutivas de cada discurso (exordium, narratio,
peroratio etc.). Como resultado parcial, pode-se explicitar que a ordem das orações hipotáticas em
Latim, mesmo que sintaticamente livre, possui uma motivação pragmática para sua realização.

Palavras-chave: Construções Condicionais, Hipotaxe Adverbial, Linguística Funcional, Latim

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OCORRÊNCIAS DA RELAÇÃO RETÓRICA FUNDO OU BACKGROUND EM


CRÔNICAS BRASILEIRAS: ALGUMAS QUESTÕES NO ENTROSAMENTO
ENTRE A ESTRUTURA RETÓRICA E AS FUNÇÕES DESSE GÊNERO
DISCURSIVO

Emanuel Fontel – UFMG/UFPA

A Teoria da Estrutura Retórica - RST, considerando sua proposta de teoria descritiva de caráter
funcionalista, toma para si, sob esse viés, o estudo da coerência no texto e na gramática a partir das
relações retóricas – também chamadas relações de coerência, discursivas e/ou proposições relacionais
–. Elas perpassam todos os níveis da organização textual e são compreendidas, de um modo geral,
como sentidos que emergem entre as partes de um texto. A percepção dessas relações, por parte do
analista, baseia-se em certas restrições dadas pela própria teoria e podem incidir sobre cada uma das
porções, sobre o conjunto das porções combinadas e sobre o efeito, que diz respeito à provável
intenção do produtor. Relativamente às restrições impostas para a determinação da emergência da
relação background entre um núcleo e um satélite, Mann e Thompson (1983) afirmam que, às vezes,
uma parte do texto, o satélite, fornece à outra, o núcleo, uma informação de fundo, sem a qual o
interlocutor não pode adequadamente compreender o texto. Mann e Thompson (1988) mostram ainda
que, nessa relação, o satélite sempre precede o núcleo, ocupando, desse modo, uma posição fixa de
anterioridade em relação à porção nuclear. Antônio (2004), considerando a estrutura da narrativa
proposta por Labov e Waletzky, demonstrou que essa relação retórica emerge na fase da orientação. O
gênero crônica, no entanto, nem sempre se apresenta sob a forma de uma narrativa canônica. Seus
diversos matizes composicionais, resultantes da heterogeneidade e da historicidade, repercutem nos
vários aspectos da tarefa desafiadora de analisar, descrever e caracterizar esse gênero discursivo. O
trabalho ora proposto analisa ocorrências da relação retórica fundo ou background em crônicas com
composição evidentemente narrativa e não narrativa com o objetivo de levantar possíveis traços de
identidade genérica, sugeridos pelas informações presentes nas porções nucleares e satélites quando
emerge, entre os tópicos discursivos, essa relação retórica. A base teórica, fundamentalmente, é a da
RST (MANN; THOMPSON, 1983), (MANN; THOMPSON, 1988) e (MATTHIESSEN;
THOMPSON, 1988) em conexão com a noção de gênero discursivo, proposta por Bakhtin (1979) e
Bakhtin/Volochínov (1929), além de parâmetros de gênero, proposta por Coutinho (2007), Coutinho
(2009) e Coutinho e Miranda (2009).

Palavras-chave: Teoria da Estrutura Retórica; Relação retórica background ou fundo; Parâmetros de


gênero

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DA COORDENAÇÃO À CORRELAÇÃO: AS ORAÇÕES ADITIVAS

Gabriele Pecuch Pinto - UEM

As definições observadas nas gramáticas tradicionais e nos livros didáticos utilizados no ensino de
língua portuguesa no Brasil contemplam apenas dois processos de construção das orações complexas:
a coordenação e a subordinação. Da mesma maneira, os pressupostos estruturalistas que permeavam a
Linguística na segunda metade do século XX consideravam a divisão entre orações coordenadas e
orações subordinadas satisfatória para a classificação dos períodos compostos. Para Camara Jr.,
arranjos binários são suficientemente capazes de captar as estruturas linguísticas, e conceitos como
justaposição e correlação correspondem a modalidades da coordenação e da subordinação. Contudo,
há registros de estudos que discordam dessa abordagem, apontando a correlação como um terceiro
arranjo sintático para as sentenças complexas. Diversos teóricos funcionalistas admitem a existência
de processos diferentes da coordenação e da subordinação, corroborando o pensamento de José
Oiticica, responsável pelas primeiras pesquisas acerca das sentenças correlatas, ainda na década de 50,
muito antes de o funcionalismo ter obtido projeção como corrente linguística. Ao contrário das
conjunções presentes nas orações coordenadas e nas orações subordinadas, as conjunções observadas
nas orações correlatas determinam a correspondência obrigatória entre um elemento da primeira
sentença e outro elemento da segunda sentença, resultando em uma relação de interdependência.
Assim como os períodos compostos por coordenação e por subordinação, as sentenças correlatas
também apresentam subclassificações, dividindo-se em aditivas, alternativas, comparativas,
consecutivas, proporcionais e hipotéticas. Visto que as sentenças complexas apresentam uma
classificação mais adequada quando consideradas as orações correlatas, o presente trabalho conceitua
essas estruturas, além de analisar seus usos em textos argumentativos, enfatizando aquelas
classificadas como aditivas.

Palavras-chave: período composto; correlação; orações aditivas.

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ORDENAÇÃO NÃO-CANÔNICA DE CONSTITUINTES ARGUMENTAIS NO


PB: A EXPRESSÃO DE TÓPICO NO ALÇAMENTO A SUJEITO

Gustavo da Silva Andrade (Unesp/CSJRP)

A linearização de constituintes argumentais é reflexo de expedientes interpessoais e representacionais,


i.e., discursivo-pragmáticos e semântico-cognitivos, respectivamente. Nesse contexto, o Alçamento de
constituientes deve ser compreendido como resultado da interação dinâmica entre esses aspectos e a
operação de codificação morfossintática. Objetivamos, neste trabalho, identificar as motivações para o
Alçamento, definido na literatura como a codificação de argumentos do predicado da oração
encaixada nos limites da oração matriz, com consequente ajuste de caso e de concordância e redução
da encaixada (NOONAN, 2007). Nossa hipótese é de que o Alçamento é um fenômeno de ordenação
não-canônica dos constituintes argumentais ou não, sendo responsável por codificar
morfossintaticamente a informação interpessoal de topicalização. Assim, o Alçamento atuaria como
uma operação morfossintática, quando descrito à luz da Gramática Discursivo-Funcional
(HENGEVELD; MACKENZIE, 2008). Interessa-nos dois tipos de Alçamento, identificados como os
mais recorrentes no português brasileiro (ANDRADE, 2016): o Alçamento de Sujeito a Sujeito (ASS),
como em “o cara num parece tê(r) setenta anos de idade” (= o cara ter setenta anos) e “o namoro é
difícil pra andá(r) pra frente (= o namoro andar pra frente); e o Alçamento de Objeto a Sujeito (AOS)
como em “o milho é bom assim que a gente comprá(r) no dia” (= a gente comprar o milho) e “toalha é
compliCAdo pa caramba pa dobrá(r)” (= para dobrar toalha). A fim de promovermos uma análise
discursivo-funcional do Alçamento a Sujeito, aplicaremos parâmetros morfossintáticos, semânticos e
pragmáticos a dados extraídos de amostras do português falado no interior paulista (GONÇALVES,
2007). Assumimos, assim, que uma mera caracterização morfossintática do fenômeno não é suficiente
para seu estudo, sendo necessário descrever os expedientes discursivos e pragmáticos, a fim de
promover descrição mais condizente com uma abordagem funcional das estruturas da língua.

Palavras-chave: Alçamento a Sujeito; Gramática Discursivo-Funcional; Português falado.

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SENTENÇAS CONDICIONAIS NA AÇÃO PENAL 470:


UMA ANÁLISE FUNCIONALISTA EM OCORRÊNCIAS DO CASO
MENSALÃO

Juliana Carla Barbieri Steffler (UEM)

A par de considerações de base funcionalista, o presente artigo investiga os usos das sentenças
condicionais introduzidas pelo conectivo prototípico se em ocorrências da Ação Penal 470 (III
Denúncia – origens dos recursos empregados no esquema criminoso (do caso “Mensalão”)), referente
ao escândalo de corrupção política, protagonizado pela compra de votos de parlamentares no
Congresso Nacional Brasileiro. Para tanto, toma como pressuposto teórico as contribuições de
Halliday (1985) acerca dos processos de conexão de orações, bem como de Neves (2000), Hirata-Vale
(2001) e Castilho (2010) em relação às sentenças condicionais. Tais abordagens sugerem um estudo
conjugado, à luz de critérios sintáticos, semânticos e pragmáticos, advindos dos processos de interação
comunicativa. Por conseguinte, os parâmetros de análise adotados para este trabalho estruturam-se da
seguinte forma: a) a classificação proposta por Neves (2000) para as condicionais: factuais,
contrafactuais e eventuais; b) os diferentes graus de hipoteticidade (HIRATA-VALE, 2001): do mais
para o menos hipotético; c) a posição da condicional e, por extensão, seu estatuto informacional:
anteposta/dada, posposta/nova; d) a relação entre as noções condição e condição/tempo e as diferentes
sequências tipológicas. Destarte, além de uma descrição, de fato, exaustiva do fenômeno, as propostas
deitam luzes sobre o estudo do papel argumentativo/persuasivo, dessas construções, sobretudo quando
representações das estruturas presentes e recorrentes no discurso jurídico. Os resultados, por
conseguinte, apontam para a relação direta entre os condicionamentos sintáticos, o gênero textual em
estudo e as sequências tipológicas que o estruturam.

Palavras-chave: sentença condicional; funcionalismo; gênero ação penal; sequência tipológica

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ESTRUTURA E SENTIMENTO: RELAÇÕES RETÓRICAS EM


COMENTÁRIOS OPINATIVOS NO FACEBOOK

Juliano Desiderato Antonio (UEM)

A análise de sentimentos é um campo em ebulição na interseção entre a Linguística e a Ciência da


Computação. Trata-se de ferramenta muito utilizada pelos departamentos de marketing de grandes
corporações e por analistas políticos para minerar as opiniões dos usuários de redes sociais a respeito
de produtos, de serviços, de temas debatidos na sociedade, da imagem de personalidades etc. Cabe aos
linguistas descrever os recursos do léxico e da gramática utilizados pelos falantes para expressão da
subjetividade na forma de avaliação positiva ou negativa, ou seja, o termo “sentimento” é concebido,
de forma restrita, como opinião positiva ou negativa. Neste trabalho, pretende-se descrever as relações
retóricas que emergem da combinação entre unidades discursivas elementares em comentários
opinativos em páginas públicas do Facebook. As relações retóricas, de acordo com a Rhetorical
Structure Theory (MANN; THOMPSON, 1988), teoria que embasa o trabalho, são proposições
implícitas que surgem das relações que se estabelecem entre partes do texto. O córpus da pesquisa é
composto por comentários de páginas públicas e de páginas de empresas na rede social Facebook, um
dos websites de maior tráfego de dados na internet, de forma que o linguista que se interessa por
investigar a língua em uso tem nessa rede social um campo de pesquisa imensurável. Os comentários
já estão anotados, levando-se em conta a polaridade (positiva ou negativa) e os mecanismos
linguísticos e gramaticais utilizados para expressão do sentimento.

Palavras-chave: Estrutura retórica; Análise de sentimentos; Língua em uso; Redes sociais

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UMA INVESTIGAÇÃO FUNCIONALISTA DA RELAÇÃO RETÓRICA DE


AVALIAÇÃO NO PORTUGUÊS FALADO

Kátia Roseane Cortez dos Santos

Este trabalho investiga a relação retórica de avaliação em um corpus de língua falada constituído de
cinco elocuções formais do gênero aula e de dez entrevistas. Busca-se caracterizar essa relação no que
concerne a aspectos funcionais e formais. A análise é feita à luz de pressupostos funcionalistas, mais
especificamente a partir do arcabouço teórico da Teoria da Estrutura Retórica (Rhetorical Structure
Theory – RST) (MANN; THOMPSON, 1983, 1987, 1988, CARLSON; MARCU, 2001) e da Teoria
da Valoração (Appraisal Theory) (WHITE, 1988; 2001; MARTIN; WHITE, 2005). Como justificativa
para o trabalho, apontamos para a não existência de estudos que abordam especificamente essa
relação. Apesar de as definições fornecidas por Mann e Thompson (1988) e por Carlson e Marcu
(2001) apresentarem as informações fundamentais para identificação da relação, é comum que os
analistas tenham dúvidas na sua identificação, sendo nesse ponto que este estudo procura contribuir.
Os resultados das análises apontam o seguinte: a) aspectos funcionais da relação de avaliação: uma
porção de texto avalia outra porção em uma escala entre bom e ruim; a relação pode ser tanto do tipo
núcleo-satélite (com a avaliação ocorrendo no núcleo ou no satélite) quanto do tipo multinuclear,
sendo que a avaliação do tipo núcleo-satélite (núcleo) foi a que menos esteve presente; e a avaliação
pode ser do tipo apreciação, julgamento ou afeto, sendo que o primeiro tipo foi o mais frequente; b)
aspectos formais: a avaliação foi feita por meio de adjetivos qualificadores, substantivos abstratos,
interjeições, advérbios afetivos e verbos de atitude sentimental, sendo que os adjetivos estiveram
presentes com maior frequência; e a avaliação ocupou tanto a posição catafórica quanto anafórica, mas
com uma significativa predominância nesta última. Esperamos que as descobertas efetuadas possam
contribuir para os estudiosos que trabalham com a RST, facilitando o processo de anotação de textos,
e também para aqueles que investigam a linguagem focalizando a questão da subjetividade e da
avaliação.

Palavras-chave: Relação retórica de avaliação. Funcionalismo. Português falado.

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A SUBJETIVAÇÃO E A INTERSUBJETIVAÇÃO EM USOS DO VERBO


CALCULAR

Letícia de Almeida Barbosa (UFMS/CAPES)

O objetivo deste trabalho é analisar a subjetivação e intersubjetivação em construções com o verbo


cognitivo calcular, associando-as à parentetização desse elemento. Os verbos cognitivos expressam
atividades mentais relacionadas a conhecimentos, crenças, percepções e julgamentos do falante em
relação a determinado objeto ou conteúdo. O verbo calcular, assim como admitir, pensar, supor e
avaliar expressa processos mentais intimamente ligados à compreensão e à memória (HALLIDAY,
1985), assim como ao planejamento da comunicação, em alguns casos. Com base em Traugott e
Dasher (2001), Neves (1996), Casseb-Galvão (1999; 2000), Gonçalves (2003) e Fortilli (2013), é
possível perceber, juntamente com a parentetização do verbo calcular, o reforço da subjetividade e a
saliência da intersubjetividade, com abstratização de significado. Tais mecanismos explicariam o
processo de gramaticalização de tal verbo, uma vez que permitem a extensão de significado, e
consequentemente, um maior alcance contextual. Essa concepção de GR encontra amparo em
Himmelmann (2004) apud Brington e Traugott (2005), para quem o processo de gramaticalização
pode ser compreendido como um processo de expansão, visto que se expandem os contextos
semântico-pragmáticos, o que gera polissemia e aumento de possibilidades pragmáticas, as quais, no
caso em questão, relacionam-se à imagem que o falante quer que o ouvinte tenha sobre seu
comprometimento com a informação veiculada. Para o levantamento e análise de dados, foram
selecionados casos encontrados entre os séculos XVIII, XIX e XX, no Corpus do Português, bem
como dados de escrita do século XXI, coletados no jornal Folha.com. Neste sentido, serão
apresentados os efeitos da atuação destes dois mecanismos que proporcionam alterações semânticas
no verbo em análise.

Palavras-chave: Funcionalismo; mecanismos de gramaticalização; verbo calcular.

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O LUGAR DA SEMÂNTICA NOS TRABALHOS DE DESCRIÇÃO


LINGUÍSTICA DAS LÍNGUAS INDÍGENAS

Marcelo Silveira (UEL)


Gislaine Domingues (UEL)

Neste artigo apresentaremos algumas reflexões acerca do papel da semântica no trabalho de descrição e
análise das línguas naturais, produzidos sob a abordagem do funcionalismo linguístico. Utilizamos
como base teórica e metodológica os pressupostos defendidos por Dik (1989), Givón (1995, 2001) e
Payne (1997), em especial no que se relaciona à teoria de organização gramatical das línguas naturais.
Nessa perspectiva, considera-se competência comunicativa a capacidade que os falantes possuem de
codificar/decodificar as expressões e de fazer uso delas. O interesse no uso das expressões linguísticas
na interação verbal pressupõe a pragmatização do componente sintático-semântico do modelo
linguístico. Assim, não há espaço para uma sintaxe autônoma, portanto tanto o nível sintático quanto o
semântico devem ser estudados dentro do abrangente quadro da pragmática. Contudo, temos observado
a tendência de priorizar o nível sintático nas pesquisas descritivas linguísticas funcionalistas, sobretudo
àquelas voltadas às línguas ágrafas ou pouco estudadas. Os limites estabelecidos entre os níveis
sintático e semântico podem interferir, por exemplo, na classificação de categorias gramaticais ou até
mesmo na marcação verbal. No desenvolvimento de nossas pesquisas, essa relação entre a semântica e
a sintaxe tem se mostrado importante temática a ser pensada, sobretudo nas investigações a respeito da
língua Kaingang, atualmente uma das línguas indígenas brasileiras com maior número de falantes no
Brasil. O povo Kaingang encontra-se distribuído em aldeias localizadas nos três Estados do Sul do
Brasil e em parte do Estado de São Paulo. No que consiste aos trabalhos de cunho linguístico, há
diversas e importantes publicações sobre essa língua; apesar disso esses estudos ainda carecem de
investigações que tomem como principal objetivo as questões morfossintáticas e semânticas com vistas
à formação de um banco de dados capaz de subsidiar a elaboração de gramáticas pedagógicas, a serem
utilizadas no processo de ensino bilíngue, nas escolas das aldeias. Nesse intento, propomos, com este
trabalho, discutir a relação semântica-sintática observada na categorização dos nomes e dos verbos no
Kaingang.

Palavras-chave: Semântica. Kaingang. Descrição linguística.

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GRAMATICALIZAÇÃO DA CONSTRUÇÃO SE PÁ NO PORTUGUÊS


BRASILEIRO SEGUNDO UMA PERSPECTIVA FUNCIONALISTA-
COGNITIVISTA

Monique Bisconsim Ganasin (USP)

Este trabalho, cuja perspectiva de análise é funcionalista-cognitivista, tem como objetivo investigar o
aspecto sintático-semântico-pragmático da construção se pá em textos contemporâneos do português
brasileiro, tendo como arcabouço teórico os pressupostos que estão nas correntes cognitivista e
funcionalista de linguagem, em específico os que dizem respeito à gramaticalização. Visto que essa
construção não está presente nos compêndios gramaticais, porém seu uso é muito frequente, faz-se
necessário um estudo, buscando compreender seu funcionamento nos usos linguísticos. Além disso,
pouco foi pesquisado e estudado cientificamente a respeito dessa construção, o que confirma e justifica a
necessidade deste trabalho. O que se tem até agora de estudos científicos realizados com essa construção
são relatórios de trabalho de conclusão de curso de graduação e de pesquisa de iniciação científica.
Nesses trabalhos, foi verificado que a expressão se pá pode ser empregada como advérbio de dúvida,
como conjunção condicional ou, ainda, como marcador discursivo. Entretanto, há necessidade de estudos
mais aprofundados sobre esse assunto. Como a base teórica deste projeto se sustenta na teoria
funcionalista-cognitivista, e a construção se pá é recente e muito encontrada em contextos virtuais e
informais, como as redes sociais, o corpus da pesquisa será formado por ocorrências reais da língua
portuguesa, retiradas da Internet, mais especificamente do Facebook e do Instagram. Portanto, essa
pesquisa tem como perspectiva teórica a concepção funcionalista-cognitivista, com ênfase nos estudos
sobre a Gramaticalização, cujos conceitos teóricos servirão como parâmetros para a análise teórica e
prática dos usos da construção se pá, as quais constituem o objeto de estudo desta pesquisa. Dessa forma,
as análises deste trabalho serão de caráter qualitativo, a fim de caracterizar a gramaticalização da
construção se pá no português brasileiro.

Palavras-chave: Se pá ; Cognitivismo; Funcionalismo; Gramaticalização

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A ESTRUTURA RETÓRICA NO GÊNERO ARTIGO DE OPINIÃO


PRODUZIDO EM UMA PRÁXIS DE ENSINO

Rosângela Fernandes de Oliveira (UEM)

Escrever é uma atividade que, além dos aspectos e requisitos de língua e linguagem especificamente, e
de outros aspectos necessários para o seu domínio e desempenho, exige raciocínio lógico. Nesse senti-
do, destacamos que mesmo compreendendo as condições e situações de produção de um enuncia-
do/texto, o usuário precisa, não somente entender o funcionamento do código, mas também, como
organizá-lo, estruturá-lo, ou melhor, arquitetá-lo de acordo com os seus propósitos comunicativos.
Para isso, atividades de raciocínio lógico são e devem ser ativadas na produção dos sentidos, tanto
para o ato da escrita, como da leitura, pois o(s) sentido(s) está(ão) relacionados à coerência, e esta é
decorrente de vários fatores, entre eles, podemos enfatizar as relações que se estabelecem entre as
partes de um texto, tanto entre porções maiores como menores. Segundo alguns estudiosos do funcio-
nalismo, essas relações podem ser chamadas por “proposições relacionais” (MANN; THOMPSON,
1983), “relações discursivas,” “relações de coerência” ou “relações retóricas” (TABOADA, 2009).
Nosso propósito, neste trabalho, é demonstrar uma análise das relações retóricas observadas e encon-
tradas na superestrutura do gênero Artigo de Opinião. Assim, analisaremos a arquitetura da construção
composicional (macro e microestrutura) de um texto considerado pertencente ao gênero discursivo
Artigo de Opinião, produzido em uma situação de ensino, durante uma práxis escolar com estudantes
do 3º ano do Ensino Médio por ocasião da implementação de um projeto com a mediação do material
didático que produzimos, enquanto professora regente e também estudante e pesquisadora no Progra-
ma de Desenvolvimento Educacional do Paraná no biênio 2013/2014. Para tanto, faremos uma abor-
dagem teórica da noção de gênero discursivo ancorada nos pressupostos teóricos de Bakhtin; de Arti-
go de Opinião com base na Unidade Didática de Oliveira (2013); e, sobre as Relações Retóricas –
RST, consoante a Matthiessen & Thompson (1988), Antonio (2004), Santos (2012). De acordo com a
análise das relações demonstradas com os diagramas, observamos que, a RST pode ser um importante
instrumento para o ensino nas produções dos gêneros discursivos.

Palavras-chave: Relações Retóricas; Superestrutura do Artigo de Opinião; Práxis de Ensino.

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PADRÕES PARA IDENTIFICAÇÃO DA UNIDADE CENTRAL DE TEXTOS


DO GÊNERO CARTA ABERTA EM CONTEXTO DE AVALIAÇÃO

Sâmia Leticia Cardoso dos Santos (UEM)

O funcionalismo se interessa pelos fins a que servem as unidades linguísticas, ou seja, o estudo da
língua está associado ao evento comunicativo, pois a língua é um instrumento de comunicação e sua
estrutura depende de fatores extralinguísticos – “situação interacional e de fatores como a cognição e a
comunicação, processamento mental, interação social e cultural, mudança e variação, aquisição e
evolução” (NEVES, 2000, p. 03). Além da teoria funcionalista, a presente pesquisa tem como emba-
samento teórico a Teoria da Estrutura Retórica (RST) cujos objetivos são estudar e descrever a organi-
zação dos textos, considerando que as relações entre suas partes são responsáveis por sua coerência
(MANN; THOMPSON, 1988; MATTHIESSEN; THOMPSON, 1988; MANN et al., 1992). Para a
RST, o texto apresenta conteúdo proposicional explícito manifestado pelas orações, e também propo-
sições implícitas, denominadas proposições relacionais ou relações retóricas. Estas são relações que
surgem entre a microestrutura e a macroestrutura do texto, certificando a coerência entre essas partes,
e, concomitantemente, construindo a rede retórica desse texto (MANN; THOMPSON, 1988). Ao
anotar as relações retóricas de um texto, é necessário identificar a unidade central do texto (doravante
UC), considerada a porção mais importante de sua estrutura pois a concordância dos anotadores em
relação à UC conduz a um maior grau de concordância na anotação das demais relações do texto (I-
RUSKIETA; ILARRAZA; LERSUNDI, 2015). Desse modo, neste trabalho, pretende-se investigar os
critérios para identificação da unidade central em 15 textos do gênero carta aberta produzidos por
candidatos do Processo de Avaliação Seriada (PAS) da Universidade Estadual de Maringá.

Palavras-chave: RST; Unidade Central; Gênero carta aberta.

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A CAUSALIDADE NO USO DAS PREPOSIÇÕES POR E PARA

Virginia Maria Nuss (UNESP/IBILCE)

Comumente, pela gramática normativa, considera-se que as reposições por e para possuem uma fun-
ção linguística bastante específica de ligar sintagmas adjetivos ou adverbiais. Embora reconheça-se,
tradicionalmente, que a preposição por, em alguns contextos de uso, pode indicar uma relação semân-
tica de causalidade, já a preposição para, nesse âmbito, não é amplamente reconhecida como capaz de
estabelecer esse tipo de relação (BECHARA, 2010; ROCHA LIMA, 2001). Algumas gramáticas des-
critivas (PERINI, 2006) e funcionalistas (NEVES, 2001) reconhecem mais claramente esse tipo de
relação para essas preposições. Objetiva-se, neste trabalho, demonstrar alguns contextos em que tais
preposições podem demonstrar uma diluição na relação semântica que realizam indicando causa. A
justificativa para tal proposta de análise consiste na relevância em se obter e apresentar dados que
corroborem esse tipo de relação que essas preposições podem estabelecer, ampliando a discussão e
divulgação do tema. Para isso, analizaram-se 100 ocorrências em que essas preposições ligam sintag-
mas adverbiais e outras 100 ocorrências em que essas preposições ligam sintagmas nominais, sendo
50 com a preposição por e 50 com a preposição para, em cada tipo de construção linguística, totali-
zando 200 amostras. As ocorrências foram obtidas por meio de córpus disponível no “corpus do por-
tuguês: web dialetics” e selecionadas de acordo com os tipos de sintagmas propostos para análise
neste trabalho. As análises foram realizadas com base nos estudos funcionalistas de Halliday (2004) e
Dik (1989; 1997). Nos resultados, percebe-se a possibilidade de relações de causa/consequência no
uso dessas preposições, tanto dentro quanto fora do sistema de transitividade, assim como contextos
em que uma e outra preposição podem ser substituídas, inclusive, por conjunções causais.

Palavras-chave: preposições; relações semânticas, funcionalismo.

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AS TAREFAS DO LINGUISTA E DA LINGUÍSTICA NO MANUSCRITO


‘NOTAS PARA UM ARTIGO SOBRE WHITNEY’

Eliane Silveira (UFU)

Ferdinand de Saussure no decorrer das suas elaborações teóricas sobre a língua tocou questões referentes
às tarefas do linguista, bem como da Linguística. Verifica-se essa preocupação pontualmente no livro
póstumo Curso de Linguística Geral, bem como ao longo dos seus manuscritos. O que o linguista gene-
brino, fundador da linguística moderna pode nos ensinar sobre a nossa tarefa e da área que abriga os nos-
sos estudos? Apesar desse ser um tema pouco abordado ele não é desconhecidos dos linguistas e nós
abordaremos nesse momento especificamente as observações de Saussure no manuscrito ‘Notas para um
artigo sobre Whitney’. O manuscrito arquivado sob a rubrica ms-fr 3951-10, na biblioteca de Genebra,
tem como tema central o linguista americano William Dwight Whitney (1827-1894). Trata-se do rascu-
nho de um artigo sobre o linguista, solicitado à Saussure por ocasião da morte de Whitney, em 1894. O
tema, portanto, é o a produção de Whitney.Nas primeiras folhas Saussure apresenta a personalidade de
Whitney e suas ocupações acadêmicas, em seguida apresenta as contribuições teóricas do linguista ameri-
cano com formação em Leipzig e, em seguida, Saussure começa a inserir as suas próprias reflexões a
partir de uma crítica às limitações teóricas de Whitney e, mais a frente, parece iniciar uma carta, mas que
dissolve-se na reflexão conceitual. Esse singular manuscrito tem aproximadamente 100 folhas e muita
rasura.Nesse Percurso, Saussure deixa a possibilidade de lermos as suas preocupações com a tarefa do
linguista, assim como da linguística. Seja por meio de questões, afirmações ou até mesmo insinuações,
temos a possibilidade de localizar momentos em que o genebrino assinala as suas preocupações com esse
tema que é bastante negligenciado em seu tempo. Destacaremos esses momentos com o objetivo de refle-
tir a respeito da potencialidade que essa discussão tem ainda hoje.

Palavras-chave: Saussure, manuscrito, linguista, linguística, língua.

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A (DES)CONSTRUÇÃO DO PENSAMENTO SAUSSURIANO –


OBSERVAÇÕES SOBRE ALGUMAS PUBLICAÇÕES DA LINGUÍSTICA
CONTEMPORÂNEA NO BRASIL

Maria José Guerra (UEL)

Este trabalho dá continuidade a nossos estudos sobre a herança saussuriana desenvolvidos no Projeto
Cadernos de Teorias da Linguagem, da Universidade Estadual de Londrina. A discussão agora
apresentada é sobre a (des)construção das ideias e da imagem de Ferdinand Saussure no Brasil, tendo
em vista algumas análises de publicações da área de Linguística, que, muitas vezes, constroem
sentidos para a obra do Mestre de Genebra distantes do que significa o pensamento saussuriano
exposto pelo próprio autor, principalmente se levarmos em conta a edição dos Escritos de Linguística
Geral (2012), onde temos a voz do próprio Saussure. Nossas discussões estão baseadas em autores
como Arrivé (2010), Depecker (2012), Brait (2016) e Testenoire (2016), autores que situam o
pensamento saussuriano a partir da publicação dos Escritos de Linguística Geral. Levando em conta
essas leituras, analisamos as referências ao pensamento saussuriano em algumas obras brasileiras que
atribuem ao pensador genebrino conceitos e ideias que, nem sempre, estão adequadas à obra do autor
propriamente dita. Assim, destacamos algumas referências presentes em trabalhos da Linguística
Funcional brasileira (PEZATTI, 2004; CUNHA; MARTELOTTA; OLIVEIRA, 2015), bem como em
trabalhos da Análise do Discurso (BRANDÃO, 1996). Na Linguística Funcional, abordamos,
especialmente, a presença de Jakobson (1967, 1972), herdeiro das ideias saussurianas e um dos nomes
mais importantes da Escola de Praga, o lugar onde nasce o funcionalismo e a perspectiva funcional da
sentença.

Palavras-chave: Linguística brasileira. Pensamento saussuriano. Funcionalismo. Teorias do discurso.

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ENSINO-APRENDIZAGEM DE GÊNEROS ACADÊMICOS EM LÍNGUA


ESTRANGEIRA: PERSPECTIVAS DE PROFESSORES E ALUNOS

Ana Carolina de Laurentiis Brandão - UNEMAT

Uma das demandas geradas pelo crescente processo de internacionalização do ensino superior é o
desenvolvimento de habilidades linguísticas que forneçam a discentes subsídios para compreender
e utilizar gêneros textuais acadêmicos tanto em língua materna quanto em língua estrangeira. Este
trabalho tem como objetivo discutir experiências de ensino-aprendizagem de gêneros textuais
acadêmicos em um curso de Letras de uma universidade do estado de Mato Grosso. Mais
especificamente, busca-se explorar, por meio de relatos escritos, como alunos e professores
entendem o impacto de experiências vivenciadas em disciplinas voltadas ao ensino de gêneros
textuais acadêmicos em língua estrangeira para a formação de professores pesquisadores.
Disciplinas dessa natureza foram recentemente implantadas na matriz do referido curso, o qual
oferece as habilitações em português e inglês, e português e espanhol. As disciplinas são ofertadas
apenas nas habilitações em língua estrangeira. São elas: “Língua inglesa: ênfase nos gêneros
acadêmicos” e “Língua espanhola: ênfase nos gêneros acadêmicos.” O intuito é oferecer
oportunidades para que os discentes do curso conheçam e utilizem gêneros textuais acadêmicos em
inglês ou espanhol, como por exemplo, o resumo de trabalho de conclusão de curso, o artigo e a
comunicação oral. Concepções sobre gêneros textuais, internacionalização, colaboração e saber
docente norteiam este trabalho. Em seus relatos, os professores ressaltam que essas disciplinas
trazem à tona muitas lacunas na formação dos discentes, tais como a falta de vocabulário, e
dificuldades em diferenciar diversos gêneros textuais e se posicionar criticamente. Já os alunos
reconhecem a importância da disciplina para, por exemplo, experiências acadêmicas futuras, tais
como o mestrado e doutorado. Explorar o entendimento de professores e alunos acerca dessas
disciplinas nos convida a refletir sobre seu papel perante a internacionalização das universidades,
bem como pensar em intervenções que facilitem ações nesse sentido.

Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de gêneros acadêmicos, internacionalização, formação de


professores pesquisadores

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A UTILIZAÇÃO DOS TEXTOS DO EXAME DE CAMBRIDGE FIRST (FCE)


EM SALA DE AULA NA GRADUÇÃO DE LETRAS - INGLÊS

Jaqueline Laís Salles (UNIOESTE)


Rosemary Irene Castaneda Zanette (Orientadora - UNIOESTE)

Com a recente e crescente discussão acerca da internacionalização no meio acadêmico no Brasil,


surgiu a necessidade de melhor preparar professores e alunos para a imersão em línguas,
conhecimentos e culturas de diferentes partes do mundo. A proficiência em uma língua estrangeira é
prérequisito para um candidato estudar fora de seu país de origem. A exemplo disso, podemos citar o
edital de 02/02/2018, seção 3, página 23, para candidatos a bolsas no âmbito do Programa Capes-PrInt
para as modalidades de doutorado sanduíche ou de capacitação em curta duração, no qual a exigência
em comum para as línguas inglesa, francesa, alemã, espanhola e/ou italiana é a apresentação de
proficiência de língua estrangeira de, no mínimo, nível B2. Portanto, o conhecimento básico não é o
suficiente. Nesse contexto, o trabalho com gêneros textuais para ensino e desenvolvimento de uma
língua é crucial e incontestável, como vemos em Gêneros Textuais Reflexões e Ensino, de Luiz
Antônio Marcuschi et al. (2011) e também em Gêneros Textuais & Ensino, de Angela Paiva Dionisio
et al. (2002). Assim, o objetivo deste trabalho é elaborar uma proposta de trabalho para a língua
inglesa, utilizando textos de nível B2 visando o curso de graduação do curso de letras- inglês. Tal
proposta implica na utilização dos textos do exame de Cambridge: FCE (First Certificate in English);
este teste trabalha testando todas as habilidades da língua inglesa: ler, falar, escrever, interagir e
escutar. Para esta proposta trabalharemos com a habilidade leitura e escrita. Em relação ao Nível B2,
de acordo com o Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas (2001), seus conteúdos são
focados em situações formais e semiformais de comunicação, preparando o estudante para o mundo
acadêmico na língua inglesa. Os textos e as propostas de produção textual do FCE demandam vasto
vocabulário e conhecimento de estruturas gramaticais de diversos assuntos diferentes que, ao serem
trabalhados, ampliam as habilidades dos estudantes com a comunicação em ambientes acadêmicos. Ao
utilizar desses textos disponíveis em materiais preparatórios para o exame, podemos entrar em contato
com a linguagem do meio acadêmico, tornando o aprendizado da língua mais efetivo e mais próximo
das situações de uso com as quais pretendemos nos deparar.

Palavras-chave: Internacionalização; Gêneros Textuais; FCE; Língua Inglesa.

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INTERNACIONALIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR NO CONTEXTO


BRASILEIRO: REPERCUSSÕES NA MÍDIA DIGITAL

Katia Bruginski Mulik (USP)

A internacionalização no ensino superior tem sido amplamente discutida na esfera acadêmica e


midiática, no contexto brasileiro, principalmente após a criação do programa Ciências Sem Fronteiras
em 2011. Levando isso em consideração, a presente proposta de comunicação objetiva identificar
como a internacionalização tem sido abordada na mídia digital recentemente no período de julho a
dezembro de 2016. Para isso, fez-se um rastreamento de textos divulgados em jornais on line através
do site de busca Google com as palavras-chave “internacionalização do ensino superior”. Para a
análise do conteúdo elegeu-se algumas categorias que partiram da recorrência de temas presentes nos
textos encontrados. Como aporte teórico foram utilizados autores como Hudzik (2011), Knight (2003),
Walsh (2010), Andreotti et. al (2016) entre outros que subsidiaram a análise das categorias
selecionadas. A partir dos dados fornecidos pela pesquisa foi possível perceber que existe uma
supervalorização da língua inglesa, bem como a recorrência de matérias sobre a posição de
universidades em rankings nacionais e internacionais. Um dos desafios encontrados a partir das
reflexões realizadas está relacionado a necessidade de entender a internacionalização fora de uma
proposta de consumo ou como necessidade imposta pela globalização. Isso aponta para a urgência de
se pensar nos impactos que a hegemonia do inglês pode desencadear em políticas linguísticas e de
ensino, bem como a representatividade que a internacionalização no contexto brasileiro tem para o
cenário internacional.

Palavras-chave: internacionalização do ensino superior; língua inglesa; globalização; mídia digital.

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INTERNACIONALIZAÇÃO E LÍNGUA INGLESA: ANÁLISE DOS GÊNEROS


ACADÊMICOS TRABALHADOS EM UM CURSO DO PROGRAMA PARANÁ
FALA INGLÊS

Milena Paula de Oliveira Alonso (UEM)


Luciana Cabrini Simões Calvo (UEM)

Recentemente, a internacionalização acadêmica tem sido foco de ações, políticas e investigações


(PINHEIRO; FINARDI, 2014; JORDÃO; MARTINEZ, 2015; ABREU-E-LIMA; MORAES FILHO,
2016; GIMENEZ; PASSONI, 2016, dentre outros). Ela também é um dos princípios norteadores da
educação superior, conforme reconhecido pela UNESCO. A internacionalização, para Altbach e Knight
(2007), envolve as políticas e as práticas executadas pelas instituições e sistemas acadêmicos para lidar
com o ambiente global. Ela é uma resposta do ensino superior ao mundo globalizado (de WIT, 2001;
JENKINS, 2014; GIMENEZ; PASSONI, 2016). De acordo com Knight (2015), a internacionalização está
modificando o ensino e a globalização está alterando a internacionalização. Nesse cenário, há
posicionamentos favoráveis e outros mais cautelosos e questionadores em relação a este assunto. Dentre
os posicionamentos favoráveis, menciona-se o fato de uma abertura para discussões relacionadas à
política linguística nacionalmente (ABREU-E-LIMA; MORAES FILHO, 2016); um dos argumentos
mais cautelosos trazem, por exemplo, questões relacionadas à hierarquização do saber e à concepção do
valor e hierarquia dos sujeitos envolvidos (JORDÃO; MARTINEZ, 2015). Tratando especificamente da
língua inglesa, esta se tornou a língua da internacionalização do ensino superior (JORDÃO, 2015), ela
está presente nos trabalhos, na pesquisa e constitui peça fundamental para a mobilidade acadêmica. Ela
ainda é a língua mais ofertada em cursos de programas governamentais para o ensino de línguas, como o
Idiomas sem fronteiras (ISF), em nível nacional, e o Paraná Fala Inglês (PFI), no âmbito estadual. Com
foco especificamente em um dos cursos ofertados pelo PFI em uma universidade estadual paranaense, o
“Inglês para a vida acadêmica: escrita de resumos e apresentação oral”, esta comunicação tem como
objetivo analisar os gêneros acadêmicos trabalhados no curso, levando em consideração o seu conteúdo
temático, estilo e estrutura composicional (BAKHTIN, 2003). Espera-se contribuir e dialogar com
estudos voltados para a internacionalização acadêmica e o ensino-aprendizagem de língua inglesa no
contexto universitário.

Palavras-chave: internacionalização acadêmica, língua inglesa, gêneros acadêmicos, curso, programa


Paraná Fala Inglês.

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GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS E COMUNIDADES DISCURSIVAS:


CONTRIBUIÇÕES DA PERSPECTIVA SOCIORRETÓRICA PARA A
INTERNACIONALIZAÇÃO DA UNIVERSIDADE

Wiliam César Ramos (UEM)

Na perspectiva sociorretórica, os gêneros textuais são vinculados a uma comunidade discursiva que os
utiliza para atingir seus objetivos retóricos, preservando e fomentando seus valores e práticas que são
refletidos nas instanciações dos gêneros textuais produzidos e veiculados pela comunidade discursiva.
A perspectiva sociorretórica, quando voltada para o ensino-aprendizagem de gêneros textuais,
especialmente em língua estrangeira, por exemplo em cursos de Inglês para Fins Específicos (English
for Specific Purposes-ESP) ou de Inglês para Fins Acadêmicos (English for Academic Purposes-
EAP), constrói um corpus com exemplares do gênero textual a ser ensinado, com vistas a identificar e
compreender tendências ou padrões linguísticos, relacionando-os aos propósitos retóricos da
comunidade discursiva. Em um segundo momento, a pesquisa de cunho etnográfico, por meio de
observações, participações, entrevistas e questionários, visa a conhecer o sistema de crenças e valores
compartilhado entre os membros contribuintes da comunidade discursiva, bem como testar hipóteses
sobre as tendências e os padrões linguísticos obtidos na análise do corpus. Em um terceiro momento, a
análise de recursos pedagógicos disponíveis, principalmente livros didáticos, permite confrontar a
prática discursiva com as orientações de manuais para, finalmente, iniciar a produção do gênero
textual a ser ensinado e aprendido. Portanto, considerando que a mobilidade acadêmica, promovida
pela internacionalização da universidade, envolve constantemente a produção e a recepção de gêneros
textuais acadêmicos e científicos, tais como relatórios, projetos de pesquisa e artigos científicos, este
trabalho discute as contribuições do conceito de comunidade discursiva e da perspectiva sociorretórica
propostos por John Swales, na capacitação de professores e alunos de pós-graduação para a produção
e recepção de gêneros textuais no âmbito acadêmico-científico.

Palavras-chave: comunidade discursiva, gênero textual acadêmico, perspectiva sociorretórica,


internacionalização

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ENTRE O TEXTO LITERÁRIO E O TEXTO MIDIÁTICO: POSSIBILIDADES


PARA A FORMAÇÃO DO LEITOR NA EDUCAÇÃO BÁSICA

Alessandra Fontes Carvalho da Rocha (UFRJ)

Este trabalho parte da concepção de leitura do escritor francês Marcel Proust, a qual consideramos
fundamental abordar ao longo de todo o conteúdo do mesmo. Segundo Proust,: “Só podemos
desenvolver o poder de nossa sensibilidade e inteligência em nós mesmos, nas profundezas de nossa
vida espiritual. Mas é no contato com outras inteligências, que é a leitura, que se faz a educação dos
“modos” do espírito.” (PROUST, 1993, p.51). O teórico fala da educação dos “modos” do espírito,
considerando o ato de leitura como uma ferramenta de formação do ser humano. Mas, como conseguir
este tipo de formação durante as aulas de Língua Portuguesa? É a partir deste e de muitos outros
questionamentos que começo a observar os mais diversos tipos de leitura e me interesso por dois tipos
de texto que, inicialmente, apresentam muitas diferenças: os textos literários e os textos midiáticos,
sejam eles documentários, telejornais, propaganda ou filmes. Os primeiros nos ensinam a viver,
perder, morrer; aprendemos a lidar com nossas agonias; nos identificamos com personagens;
imaginamos; viajamos; e nos transportamos para outras vidas sem sair do lugar. O texto literário nos
dá a possibilidade de várias leituras, de interpretar de diversas maneiras. Ele nos coloca no meio de
ambiguidades. Já o texto midiático é considerado informativo; serve para comunicar; transmitir
mensagens, tendo sempre uma função pragmática, mas onde também permanecem dúvidas. Ou seja,
nestes textos não sabemos ao certo se a história que vemos e ouvimos na mídia é verdadeira, ao
contrário do texto literário que nunca muda, pois sabemos que todas as informações que o autor nos
passa são verdadeiras. Estas são apenas algumas diferenças que vão nos ajudar a pensar em questões
que vão além da simples diferenciação entre esses dois tipos de texto. Nosso verdadeiro objeto de
estudo é a ideia da recepção como lugar de produção de sentidos a partir do intercâmbio entre os
organismos emissores e o próprio suporte de informação, os receptores e os contextos em que as
mensagens circulam. Como objetivo de fundo, busca-se reforçar a necessidade da presença de tais
textos dentro das salas de aula para norteamento das relações entre o aprendizado da língua materna e
a formação de cidadãos críticos e lúcidos, além de leitores.

Palavras-chave: leitor literário; texto literário; ensino de Língua Portuguesa; formação de


professores

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ESCOLA, PARADIDÁTICOS E NOVAS TECNOLOGIAS: UMA PROPOSTA


DE TRABALHO COM BASE NO MULTILETRAMENTO

Ana Paula Auletta (UNESP)

A leitura dos paradidáticos na escola, muitas vezes, é obrigatória e com fins avaliativos. Assim, os
alunos lêem os livros indicados apenas para obtenção de nota. Dessa maneira, a ferramenta
enriquecedora acaba por empobrecer grandemente o ato educativo, e dali, realmente, sairá somente
uma avaliação quantitativa e não qualitativa. Em meio a tais procedimentos, a escola deixa de cumprir
seu papel na formação do novo modelo de leitor eminente na sociedade atual, moderna e tecnológica.
Ler para aprender não implica apenas ler para responder questões, mas sim para interrogar, investigar,
relacionar entre outras possibilidades. A leitura superficial não trará o aprendizado e a construção de
sentidos necessários para o letramento. O objetivo principal desta comunicação é abordar o trabalho
realizado com os livros paradidáticos no ano inicial do Ensino Fundamental II e o potencial das novas
tecnologias para contribuir e maximizar a leitura dos mesmos na escola. Estudaremos a leitura dos
paradidáticos como prática de multiletramento capaz de proporcionar experiências literárias que
contribuam ou construam múltiplos saberes, e não leitura de livros para responder um questionário
apresentado pelo professor com a finalidade de obtenção de nota. Propomos uma prática de letramento
focada na leitura do livro de contos “Histórias para brincar” do italiano Gianni Rodari,. Esperamos, ao
final do estudo e prática, apresentar contribuições para a maximização das ações de leitura e escrita no
cenário da escola pública.

Palavras-chave: Multiletramento, Livros Paradidáticos, Novas Tecnologias.

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AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM EM PROCESSO (SEE-SP) E SEU PERFIL


LEITOR

Berta Lúcia Tagliari Feba (FAPEPE)

A Avaliação da Aprendizagem em Processo (AAP), implementada em 2011 pela Secretaria da


Educação do Estado de São Paulo, tem como objetivo principal verificar a aquisição de habilidades de
leitura dos estudantes. Por meio dessa avaliação, composta por perguntas de múltipla escolha, é
possível averiguar quais capacidades leitoras precisam ser desenvolvidas, bem como é possível ofertar
ao corpo docente orientações metodológicas para recuperar a aprendizagem do alunado, uma vez que
ela consta de um caderno de comentários e recomendações pedagógicas. Nesse contexto, este trabalho
tem como objetivo geral contribuir para a ampliação e para o aprofundamento das questões
relacionadas à formação de leitores e, especificamente, pretende: a) analisar o perfil do leitor que está
sendo formado ao longo de sua escolaridade nessa Rede Estadual de Ensino, pois a AAP é um
instrumento de verificação da leitura que norteia a prática pedagógica docente; e b) analisar e refletir
acerca da prática de avaliação da leitura presente na AAP. Trata-se de uma pesquisa de natureza
explicativa porque registra, analisa, interpreta e busca identificar os fatores determinantes para os
fenômenos estudados. Quanto aos procedimentos, ou seja, com relação ao modo como os dados são
obtidos, esta pesquisa é bibliográfica e documental porque possibilita o uso de materiais já publicados,
constituídos principalmente de artigos científicos e livros, bem como permite a utilização de
documentos originais, de fonte primária, como os cadernos das AAPs elaborados pela SEE-SP. Este
estudo, por fim, centra-se teoricamente na perspectiva de concepções de leitura que preveem um
diálogo ativo entre o texto, concebido como lugar de interação, e o seu leitor, entendido como aquele
que participa das construções de sentidos.

Palavras-chave: Avaliação da Aprendizagem em Processo; Leitura; Leitor

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ENSINO DE LEITURA EM LÍNGUA INGLESA PELA PERSPECTIVA


CRÍTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL II

Elaine de Castro (UEM)

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998/2006), o ensino de Línguas Estrangeiras


(LE) na Educação Básica toma como base a habilidade leitora para o engajamento do aprendiz em
situações comunicativas. Logo, entre outras habilidades, a compreensão da linguagem escrita tem papel
essencial no ensino e aprendizagem de línguas, tornando o trabalho com gêneros discursivos de suma
importância neste processo e fazendo-se necessário o desenvolvimento de um nível de leitura que
contemple a formação do aprendiz como cidadão crítico e promova sua capacidade de participar em
diversas esferas sociais (GARCEZ, 2008). Para tanto, seu engajamento deve acontecer por meio de
práticas contextualizadas, as quais permitem a interação entre o texto e o leitor, bem como a negociações
de significados e interpretações situadas (BRAHIM, 2007). Assim sendo, esse estudo de caso foi
desenvolvido com alunos de um 9º ano do Ensino Fundamental II de um colégio particular situado no
norte do estado do Paraná. Os instrumentos utilizados para a geração dos dados foram atividades de
Leitura Crítica (LC) envolvendo diferentes gêneros discursivos e questões interpretativas de cunho
discursivo. A análise dos dados é feita por meio do conteúdo dos discursos oriundos dos participantes,
com o intuito de se observar o desenvolvimento ou não da consciência crítica da linguagem por meio do
processo de leitura. Espera-se que esse trabalho possa contribuir para o ensino de LE com enfoque na LC
e expandir a concepção tradicional de leitura como decodificação de palavras que é ainda tão presente nas
aulas de LE.

Palavras-chave: Leitura Crítica; Língua Inglesa; Ensino Fundamental II

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PRÁTICAS PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES: AS AÇÕES DO CELLIJ

Juliane Francischeti Martins Motoyama (UNESP)


Ana Paula Carneiro (UNESP)

Nos últimos dois anos as políticas de formação do leitor estão sofrendo um ataque tendo como
exemplo mais significativo a extinção do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) que cessou
o envio de livros literários para as escolas públicas brasileiras. Essa ação ocorre na contramão a Lei
Nº12.244/2010 que determina que as escolas implementem a biblioteca escolar com ao menos um
livro por criança. Assim fica a questão: como prover o acervo para a construção dessas bibliotecas
escolares? Frente a essa situação, a resistência dos educadores é primordial, pois se não temos como
abrir novas bibliotecas, podemos ao menos valorizar e tomar os espaços de leitura e formação de
leitores já existentes para que não sejam destruídos. Neste sentido, este artigo tem por objetivo
apresentar e debater as ações que são desenvolvidas no Centro de Estudos em Leitura e Literatura
Infantil e Juvenil “Maria Betty Coelho Silva" anexo ao campus da Universidade Estadual Paulista
(UNESP) de Presidente Prudente como um local de formação de professores e alunos para práticas de
leitura e contação de histórias. Para tanto, realizamos uma análise documental em registros
fotográficos e nos relatos dos participantes do grupo de estudos que vivenciam as atividades de
contação de histórias atendendo as crianças da cidade de Presidente Prudente e região. Os resultados
preliminares apontam para o centro não apenas como um local de incentivo a leitura prazerosa por
parte das crianças como também um espaço de reflexão para que os professores possam redirecionar
suas práticas em sala de aula. Portanto, concluímos que centros em que se reúnem alunos da educação
infantil ao ensino médio para ler e ouvir histórias, professores que repensam suas práticas de
mediação e estudantes de graduação e pós-graduação para pesquisarem a leitura se fazem cada vez
mais necessários para formar sujeitos críticos e prontos para transgredir o sistema e continuar com a
formação literária nas escolas.

Palavras-chave: Formação de Leitores. Contação de Histórias. Leitura. Cellij

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A COMPREENSÃO LEITORA DE ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL:


UM DIAGNÓSTICO DE LEITURA

Maria do Carmo Cabreira (UNIOESTE)

Com base na compreensão do caráter dialógico da língua, na concepção interacionista da linguagem e


nos gêneros discursivos como instrumentos de ensino, este estudo tem como objetivo investigar as
maiores dificuldades de compreensão leitora dos alunos do 4° ano do ensino fundamental, da rede
pública de ensino, em um diagnóstico de leitura, na perspectiva de propor situações didáticas de
intervenção voltadas às dificuldades de compreensão leitora diagnosticadas. Para isso, partimos dos
seguintes questionamentos: quais as maiores dificuldades de compreensão leitora dos alunos do 4°
ano do Ensino Fundamental da Escola em que realizamos a pesquisa? Que proposição(ões)
didática(s) é(são) possível(is) apresentar com vista à superação dessas dificuldades? Para responder a
tais questões, analisamos o desempenho em leitura de cento e quatro alunos, em um teste de leitura. A
partir dos dados analisados, elaboramos atividades de leitura que focalizam as dificuldades
diagnosticadas, alicerçadas em uma concepção cultural de leitura, com dimensão intersubjetiva e
intrassubjetiva. Nesse sentido, esta pesquisa focaliza o tema dificuldades de compreensão leitora dos
alunos do 4° ano do ensino fundamental em um diagnóstico de leitura, com vista à formação de
leitores proficientes. Metodologicamente caracteriza-se, como uma pesquisa qualitativa-
interpretativista, do tipo etnográfico e pesquisa-ação, alicerçada pela Linguística Aplicada. Como
critérios para a elaboração do teste de leitura foram adotados os descritores da Matriz de Referência da
Prova Brasil (BRASIL, 2008). Na análise do diagnóstico, inferimos que os descritores da Prova Brasil
avaliam dimensões intersubjetiva e intrassubjetivas da leitura e que na maioria dos descritores ocorre a
inter-relação entre habilidades das duas dimensões..

Palavras-chave: Avaliação de leitura. Descritores da Prova Brasil. Dimensão intersubjetiva


intrassubjetiva.

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CLARICE LISPECTOR NA SALA DE AULA: UM CAMINHO PARA


A FORMAÇÃO DO LEITOR LITERÁRIO

Mônica Araujo Trugano (UFRJ)

Este trabalho tem por objetivo apresentar experiências de leituras literárias realizadas em sala de
aula com alunos do 6° ao 9° ano do ensino fundamental da rede municipal de ensino do Rio de
Janeiro, inscritos no curso de extensão Eu, escritor... a arte de ler, pensar, refletir, saborear,
produzir..., vinculado à Faculdade de Educação da UFRJ. As atividades propostas foram realizadas
a partir da seleção de três contos da escritora brasileira Clarice Lispector: Cem anos de perdão,
Uma esperança e Felicidade Clandestina, com o objetivo de despertar nesses estudantes o
interesse pela leitura literária, além de estimulá-los para a escrita criativa. Com uma escrita
introspectiva, Clarice Lispector, em seus contos, parte de situações cotidianas para alcançar
reflexões internas e profundas. O foco de sua narrativa não está no tempo, no espaço e no que
ocorre externamente, mas nas reações internas que suas personagens apresentam diante desses
acontecimentos que, a princípio, são simples e corriqueiros. Desta forma, as particularidades desses
contos, incorporados à atividades efetivas de leitura, podem despertar no estudante interesse pela
leitura literária e, consequentemente, contribuir para a formação do leitor literário. Além disso, este
trabalho apresentará também algumas produções escritas realizadas por esses estudantes em sala de
aula a partir das leituras propostas, bem como um questionário aplicado a esses discentes, a fim de
investigar como foram suas experiências com esses contos e atividades.

Palavras-chave: Ensino; Leituras Literárias; Clarice Lispector

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13 – 15 de junho de 2018 – Universidade Estadual de Maringá-PR

O LIVRO EM MOVIMENTO PELO DESPERTAR DO LEITOR:


A FREGUESIA DO LIVRO INSPIRANDO A FORMAÇÃO PARA A LEITURA

Sarah Hiratsuka Rezende (UFPR)

O tema de pesquisa aqui proposto alinha-se à investigação sobre práticas alternativas para formação de
leitores – compreendidas como dinâmicas que transcendem os espaços educacionais
institucionalizados (escola e universidade), auxiliando-os a repensar suas tratativas. Para tanto,
apresenta-se como objetivo primordial a análise da atuação da Freguesia do Livro – organização
sediada em Curitiba/PR que se dedica a promover a leitura desde 2012. Por intermédio de uma
corrente literária, a Freguesia (como é conhecida) coloca em movimento livros considerados
parados/esquecidos em residências, instituições, bibliotecas particulares etc., com o propósito de
incentivar a leitura significativa no âmbito social; em trabalho colaborativo com agentes de leitura,
busca-se formar leitores reais levando ao seu encontro livros que façam sentido, que os impactem.
Compartilha-se da tratativa de Jouve (2002, p.49), em que “o leitor real, longe de ser desencarnado, é
uma pessoa inteira que, como tal, reage plenamente às solicitações psicológicas e à influência
ideológica do texto”. Para tanto, foi traçado um caminho de ação, visando: a) apresentar a Freguesia
do Livro; b) compreender os modos de atuação de Josiane Mayr Bibas e Ângela Duarte (idealizadoras
do projeto); c) verificar o nascimento naturalizado do leitor, a partir das dinâmicas promovidas pela
organização pesquisada. Em vias de estabelecer um diálogo crítico com as experiências das
precursoras da Freguesia, relatadas em entrevista semiestruturada (aplicada em novembro de 2017),
trabalha-se com inspirações teórico-empíricas emergentes do cenário francês – retratadas por
Horellou-Lafarge e Segré (2010) e Petit (2008, 2009 e 2013). Conta-se igualmente com aportes
teóricos relacionados aos estudos sobre leitura no Brasil, com base em pesquisas edificadas por
autores como Ceccantini (2009) e instituições como o Instituto Pró-Livro (2016). Como aliada às
abordagens aqui propostas, tem-se a interface Comunicação/Educação e suas reflexões em torno do
protagonismo dos atores do conhecimento, a fim de repensar estruturas de ensino-aprendizagem
vigentes. O processo analítico aqui proposto justifica-se pela relevância da discussão relacionada ao
caráter humano da educação e da leitura, buscando identificar perspectivas inovadoras para a
formação do leitor.

Palavras-chave: Formação do leitor; Comunicação/Educação; Freguesia do Livro.

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NEOCOLONIALISMO DA EDUCAÇÃO NO RIO DE JANEIRO: A POLÍTICA


PÚBLICA DE PADRONIZAÇÃO PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES.

Washington Kuklinski Pereira (FEMAR/SME-RJ)

As políticas públicas de educação ao redor do mundo estão passando por um processo de padroniza-
ção internacional. O sistema PISA (Programme for International Studant Assiment), que conta atual-
mente com a participação de 32 países, promove testes internacionais com o objetivo de estabelecer
níveis de aprendizado. Para tanto, são criados sistemas genéricos de avaliação que desprezam as parti-
cularidades de cada região analisada. Além disso, há a proposta de mecanização do conhecimento,
sendo estabelecidos apenas parâmetros para mensurar pseudo competências sobre o entendimento de
Ciências, Matemática e principalmente a capacidade de leitura dos estudantes. Muitos países são sig-
natários do sistema PISA. Sendo assim, as políticas públicas destes passaram a estabelecer metas que
direcionam o processo ensino-aprendizagem a uma padronização aos parâmetros internacionais e
desprezam a formação crítica do indivíduo. Inspirada no sistema PISA, no ano de 2009, a prefeitura
do Rio de Janeiro criou a Prova Rio. Desde então, a Secretaria Municipal de Educação busca, a partir
de um sistema genérico, estabelecer o nível de aprendizagem, nas disciplinas de Matemática, Ciências
e Língua Portuguesa dos discentes inscritos regularmente na rede municipal de educação do Rio de
Janeiro. Nesse sentido, este trabalho tem como objetivo discutir a políticas pública de Neocolonialis-
mo da educação, tendo como foco a padronização da formação de leitores, analisando o exemplo da
política pública de educação na cidade do Rio de Janeiro estabelecida em 2009. Além disso, propõe
estimular práticas de descolonização da educação como forma de resistência a esse tipo de política
pública de educação.

Palavras-chave: Neocolonialismo da Educação; Decolonialização da Educação; Formação de Leitores.

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O USO DOS SUJEITOS PRONOMINAIS “NÓS” E “A GENTE” NA FALA


URBANA CULTA

Andreia Caroline Lopes (UEM)


Jacqueline Ortelan Maia Botassini (Orientadora - UEM)

O sistema de pronomes pessoais do português brasileiro sofreu alterações nos últimos séculos.
Contudo os compêndios gramaticais tradicionais continuam a registrar o seguinte quadro de
pronomes-sujeito: eu, tu, ele, nós, vós, eles. Diversos pesquisadores, em estudo sobre o sistema
pronominal do português do Brasil, afirmam que, em consequência das várias mudanças ocorridas na
língua, este quadro já não corresponde à realidade linguística do país. Um dos problemas diz respeito à
forma de referência da primeira pessoa do plural, mais especificamente, ao não reconhecimento da
expressão a gente (de uso bastante frequente entre os falantes do português do Brasil, em concorrência
e coocorrência com o pronome nós) como forma pronominal. Nas gramáticas tradicionais, as menções
a respeito de a gente normalmente estão no capítulo dedicado ao substantivo, especialmente quando se
fala dos coletivos, ou no capítulo destinado à concordância, quando se aborda a questão da silepse de
número. No capítulo referente aos pronomes, os raros comentários sobre essa expressão aparecem na
forma de notas ou de observações à parte. O presente trabalho, baseado na metodologia da
Sociolinguística Variacionista, examinou a variação no uso dos pronomes nós e a gente e verificou
que essas formas são usadas em concorrência e coocorrência para fazer referência à primeira pessoa
do plural. Foram analisados como possíveis condicionadores das variantes os fatores extralinguísticos
“sexo” e “faixa etária” e os fatores linguísticos “tipo de referência” e “funções sintáticas” dos
pronomes. Para tanto, utilizou-se um corpus constituído de dados coletados da fala de 8 informantes
do Projeto de Norma Linguística Urbana Culta (NURC–RJ), projeto que possui registro da fala de
informantes portadores de curso superior completo, os quais representam a norma culta. Ao final da
análise das variáveis, foi possível verificar que todos os elementos selecionados como potenciais
condicionadores de uso de uma ou de outra variante do pronome de primeira pessoa do plural
mostraram-se de algum modo determinantes.

Palavras-chave: pronomes nós e agente, fatores linguísticos e extralinguísticos, Sociolinguística


Variacionista.

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CONFIGURAÇÃO DO USO DA LINGUA PORTUGUESA E TERENA EM


ALDEIAS URBANAS INDIGENAS TERENA DE CAMPO GRANDE-MS

Guadalupe Vilhalba Cabral Xavier (UFMS)

No Brasil muitas línguas indígenas estão em contato com a língua Portuguesa, o estado do Mato
Grosso do Sul possui a segunda maior população indígena do Brasil, formada por nove povos
indígenas de etnias distintas. Segundo os dados da Fundação Nacional do Índio, o Mato Grosso do
Sul possui 56% da população indígena da Região Centro Oeste do Brasil. Os povos que compõem a
população indígena do Mato Grosso do Sul são: Terena, Kinikinau, Guarani Nhandeva/Kaiwa,
Kadiweu, Ofayé-Xavante, Guató, Camba – Atikum, sendo os Terena, foco da pesquisa. Os Terena
como povos expansionistas em busca de melhores condições de vida para os filhos tem mudado para a
capital do Mato Grosso do Sul. O objetivo deste projeto é realizar um levantamento quantitativo de
cunho etnográfico sobre o uso da Língua Terena e da Língua Portuguesa nas aldeias urbanas de
Campo Grande (MS), assim como seus significados. A metodologia da pesquisa ocorre por meio de
questionário e entrevistas com informantes Terena de diferentes idades sobre como ocorre o uso das
línguas Portuguesa e Terena em aldeias urbanas na cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso
do Sul. A fundamentação teórica baseia se nos conceitos da sociolinguística que tem como ponto de
partida o estudo de fenômenos linguísticos relacionados a contextos sociais de línguas em contato
(BRAGGIO, 1992; GARCIA, 2007) e os processos diglóssicos (HAMEL E SIERRA, 1983). Os
resultados preliminares apontam para o uso da língua Terena em ambiente familiar e o uso da língua
Portuguesa em contexto público, sendo que vários fatores de ordem politica, social e cultural
determinam esses usos, levando a uma configuração do processo diglósico pró-língua portuguesa
(NINCAO, 2008). Espera se com os resultados obtidos traçar um perfil sociolinguístico do povo
Terena em contexto de aldeia urbana da cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, a
fim de subsidiar politicas públicas educacionais.

Palavras-chave: Indígena; Língua Terena; Língua Portuguesa; Aldeia urbana.

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A VARIAÇÃO NO USO DOS PRONOMES-SUJEITO DE PRIMEIRA PESSOA

Heloanna Salatta Pini (UEM)

A presente comunicação, baseada na metodologia da Sociolinguística Variacionista, examinou a


variação no uso da elipse dos pronomes-sujeito de primeira pessoa (eu e nós), a fim de verificar quais
fatores podem estar condicionando a realização da elipse do sujeito e confrontar essa realização com
aquilo que prescrevem os compêndios gramaticais, os quais postulam que a explicitação do sujeito na
Língua Portuguesa é pleonástica, visto que essa língua possui uma morfologia verbal suficientemente
rica, que possibilita identificar o pronome-sujeito sem que haja a necessidade de explicitá-lo. Para
tanto, foram examinadas 16 entrevistas gravadas e transcritas por Botassini (2013) para a realização de
sua tese intitulada Crenças e atitudes linguísticas: um estudo dos róticos em coda silábica no Norte do
Paraná. A opção por utilizar essas entrevistas ocorreu pelo fato de se tratar de amostras de fala de
pessoas nascidas e residentes no Norte do Paraná e que, portanto, representam a fala de nossa região.
Esta comunicação se justifica, primeiramente, pela possibilidade de conhecer e de estudar o
referencial teórico-metodológico da Sociolinguística Variacionista, que não é ministrado em disciplina
alguma no curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá. A importância desta comunicação
também está na possibilidade de confrontar o que prescrevem as gramáticas tradicionais em relação à
elipse do sujeito pronominal com o uso real e efetivo da língua, podendo-se, assim, trazer
contribuições para o ensino e a aprendizagem da língua materna.

Palavras-chave: elipse; sujeito pronominal; Sociolinguística Variacionista.

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O APAGAMENTO DO RÓTICO (OU ZERO FONÉTICO)

Jacqueline Ortelan Maia Botassini (UEM)

Os róticos correspondem à classe de sons do fonema /r/. Diversas pesquisas têm realizado o
levantamento das variantes de róticos que ocorrem no Português Brasileiro e têm constatado uma
multiplicidade delas, que, evidentemente, não se realiza em todos os contextos linguísticos nem em
todos os dialetos. Essas pesquisas procuram apontar os ambientes linguísticos e as áreas geográficas
em que uma ou outra variante ocorre. Dentre essas variantes, o apagamento do /r/ (ou zero fonético)
mostra-se muito produtivo em todos os dialetos do Brasil, sobretudo em coda silábica externa. Este
trabalho, baseado nos princípios teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista, objetiva
examinar fatores linguísticos e extralinguísticos que podem ser condicionadores do apagamento do
rótico. Mais especificamente, pretende-se verificar quando os informantes mantêm ou apagam o
rótico. Para tanto, foram analisadas as variáveis linguísticas classe gramatical (verbo ou nome) e
posição do rótico (coda silábica interna ou externa) e as variáveis extralinguísticas sexo, procedência
(norte-paranaenses, cariocas e gaúchos), grau de escolaridade (ensino médio e ensino superior), faixa
etária (primeira faixa etária: indivíduos com idades entre 20 e 35 anos; segunda faixa etária: entre 50
e 65 anos) e grau de formalidade da entrevista (constituída de parte narrativa, parte descritiva,
questionário fonético-fonológico e leitura). A pesquisa investigou a fala de dezesseis informantes
norte-paranaenses, dezesseis cariocas e dezesseis gaúchos (totalizando quarenta e oito informantes),
todos residentes no Norte do Paraná. Os resultados obtidos indicam que a variável extralinguística
grau de formalidade das partes da entrevista e as variáveis linguísticas posição do rótico na coda
silábica e classe gramatical são ambientes altamente propícios para a ocorrência do apagamento.

Palavras-chave: Apagamento do Rótico; Variáveis Linguísticas; Variáveis Extralinguísticas.

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O USO DO DITONGO [ÃW] E [Õ] NO FALAR DOS NATIVOS DE CÁCERES-


MT: UMA ABORGAGEM SOCIOLINGUÍSTICA

Jocineide Macedo Karim (UNEMAT)


Taisir Mahmudo Karim (UNEMAT)

Este estudo concentra-se na área da Sociolinguística e tem como objetivo investigar usos linguísticos
que apontam traços aparentemente particulares das regiões mais antigas do Estado de Mato Grosso,
fundadas no período do Brasil-Colônia, não exclusivos do falar local, que chamam a atenção do
falante de outras regiões brasileiras. O termo alternância significa que duas ou mais formas são
registradas no desempenho de um falante ou em uma variedade. Como exemplo: um falante mostra,
em seu desempenho, realizações com [ãw] e também realizações com [õ], como mostram os exemplos
que seguem: (1) então... minhocon [é] do rio né... é do rio. Meu sogro era pescador né... ele é
falecido.... então... ele tchegô de vê minhocon aqui né... logo após o Empa aí onde falava os poçon;
(2) nosso clima... é as quatro estaçon do ano pra nós é bom. Os resultados das análises mostram a
presença desses usos linguísticos no falar dos moradores nativos da cidade de Cáceres-MT nos dados
examinados. Assim, atestamos um total de 226 ocorrências da alternância de [õ] por [ãw] sendo 38
ocorrências de [õ] e 188 ocorrências do ditongo nasal [ãw], em um total de quinze horas gravadas.
Lembramos que formas padrão também são usadas na comunidade, principalmente por entrevistados
com maior grau de escolaridade. Considerando as ocorrências atestadas no falar da comunidade
cacerense, podemos dizer que o uso de [õ] por [ãw] mantém uma forma antiga da língua portuguesa,
falada no norte de Portugal. É importante salientar que a conservação desse uso no falar da
comunidade em estudo, talvez esteja vinculada ao isolamento pelo qual a comunidade passou,
somente a partir de 1960, tornou-se mais fácil o acesso à cidade de Cáceres. A partir daí, a cidade
sofreu uma mudança radical, vinculada ao movimento denominado “Marcha para o Oeste”, a
conquista e colonização de toda a região.

Palavras-chave: Sociolinguística; Falar; Uso do ditongo; Cáceres-MT.

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O /R/ EM POSIÇÃO DE ATAQUE E CODA SILÁBICA NO OESTE E


SUDOESTE DO PARANÁ

Kauana Scabori dos Santos (UEL)


Dircel Aparecida Kailer (UEL)

É comum, até mesmo entre os mais leigos, a percepção de que há variação (diferença) no falar de
pessoas conforme à região, à faixa etária e contextos mais ou menos formal. Essa variação ocorre, de
acordo com alguns autores (LABOV, 1972; TARALLO, 1988), devido à influência de fatores
socioeconômicos, históricos e regionais. Neste sentido, este estudo, à luz da Dialetologia
pluridimensional (THUN, 1998) e da Sociolinguística Quantitativa (LABOV,1972), tem como
objetivo investigar o uso do /R/ em posição de ataque silábico (borracha, tesoura, rapaz) e de coda
silábica (porta, senhor, perguntar) na fala de oito informantes. Esses dados foram coletados pela
equipe do Atlas Linguístico do Brasil entre os anos de 2003 e 2004, de forma estratificada quanto: ao
sexo (feminino e masculino); à faixa etária (18 a 30 anos e 50 a 65 anos) e às localidades (Toledo e
Barracão). Esses informantes possuem até o Ensino Fundamental incompleto, pois trata-se de
localidades interioranas. Analisamos, também. a influência do contexto linguístico (classe
morfológica, extensão silábica, vogal da sílaba alvo) e do contexto extralinguístico (faixa etária,
localidade, estilo de produção de fala e sexo) no predomínio de uma ou de outra variante rótica nos
referidos contextos. Além disso, no intuito de observar, em Barração (Sudoeste) e em Toledo (Oeste),
se a afirmação de Callou et.al. (1998) e de Brescancini e Monaretto (2008), quanto a tendência à
posteriorização dos róticos no falar brasileiro, confirma-se nessas duas localidades do interior
paranaense.

Palavras-chave: Róticos. Dialetologia Pluridimensional. Sociolinguística Quantitativa. ALiB

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QUEM FALA MELHOR?


A IDENTIDADE DA FALA CHATEAUBRIANDENSE
REVELADA PELAS CRENÇAS E ATITUDES LINGUÍSTICAS

Michelli Cristina Galli (UEL)


Fabiane Cristina Altino (UEL)

A atitude linguística é o resultado das crenças dos indivíduos. Desse modo, analisar a língua, e
posicionar-se valorativamente, pode levar o falante a aceitar uma variedade e rejeitar outra. A
variedade linguística é uma das marcas que define a identidade de um grupo, por vezes, a avaliação da
língua indica a postura que se tem em relação aos falantes de diferentes grupos sociais. Nesse sentido,
este trabalho apresenta as crenças e atitudes linguísticas dos moradores da cidade de Assis
Chateaubriand, localizada na região oeste do estado do Paraná. A escolha pelo município é justificada
pelo perfil linguístico particular dos falantes em comparação aos das localidades vizinhas. Para tanto,
serão analisadas as respostas às seguintes perguntas metalinguísticas: (i) há pessoas de outros lugares
que já moravam ou têm vindo morar aqui em Assis Chateaubriand, como essas pessoas falam? Na sua
opinião, os moradores daqui falam melhor ou pior que os outros? (ii) na sua opinião, quem fala
melhor, os homens ou as mulheres? (iii) as pessoas de idades diferentes falam igual? Quem fala
melhor os jovens ou os mais velhos? As questões foram aplicadas a 40 moradores estratificados de
acordo com o nível de escolaridade, a faixa etária e o sexo e as análises foram embasadas nas
reflexões teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista e nas pesquisas voltadas às crenças
atitudes (LAMBERT; LAMBERT, 1968; LABOV, 2008; LÓPEZ MORALES, 1993; MORENO
FERNÁNDEZ, 1998; BOTASSINI, 2013; AGUILERA, 2014). Os resultados indicaram que os
falantes chateaubriandenses orgulham-se por pertencer ao grupo, cuja identidade foi constituída a
partir do multiculturalismo trazido pelos colonizadores.

Palavras-chave: Sociolinguística Variacionista; Crenças e Atitudes Linguísticas; Assis Chateaubriand-PR

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A QUESTÃO 54 (AFTOSA) DO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL:


UM ESTUDO GEOSSOCIOLINGUÍSTICO A PARTIR DE
DADOS DAS CAPITAIS DO CENTRO-OESTE E SUDESTE

Myriam Rossi Sleiman Gholmie (UEL)

A questão 54 (aftosa) do Questionário Fonético-Fonológico (QFF) do Atlas Linguístico do Brasil


(ALiB) possibilita a verificação da ocorrência do processo fonético-fonológico denominado suarabácti
(ou anaptixe) – relativo à inserção da vogal /e/ ou /i/ para desfazer o encontro consonantal, resultando
em af[e]tosa ou af[i]tosa. Sendo assim, em primeiro plano, este trabalho tem por escopo preencher a
lacuna existente na descrição do mencionado fenômeno na produção oral brasileira, considerando as
possíveis influências das variáveis extralinguísticas sexo, idade e escolaridade na presença ou ausência
da epêntese. De outro vértice, a questão em tela está entre as perguntas do QFF que tiveram maior
número de abstenções nas 25 capitais brasileiras, conforme averiguaram Aguilera e Yida (2008). Tal
constatação e o contato direto com as entrevistas realizadas pelas equipes do ALiB demonstram que o
registro ou não de “aftosa” e suas variantes pode estar relacionado às peculiaridades socioeconômicas
das localidades, razão pela qual foram eleitos para análise os inquéritos das capitais das regiões
Centro-Oeste e Sudeste. Para este estudo, foram selecionadas as respostas dadas pelos oito
informantes de cada capital à seguinte questão: “Como se chama uma doença que dá no gado, em
geral na boca? Dá uma febre. Se não separar o gado doente, ela pega nos outros. É preciso vacinar o
gado para ele não ter essa doença” (COMITÊ NACIONAL, 2001). O presente trabalho, portanto, está
assentado nos preceitos teóricos da Dialetologia Pluridimensional (THUN, 1998), contemplando os
eixos diassexual, diageracional e diastrático, além da diatopia, na abordagem do fenômeno
variacionista.

Palavras-chave: Atlas Linguístico do Brasil, aftosa, suarabácti.

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BILINGUISMO E EDUCAÇÃO BILÍNGUE INTERCULTURAL: OS AIKANÃ E


O USO DAS LÍNGUAS PORTUGUESA E AIKANÃ NOS SEUS DOMÍNIOS
SOCIAIS

Quesler Fagundes Camargos (UNIR)

A presente comunicação tem por objetivo apresentar os resultados da investigação sociolinguística do


povo indígena Aikanã, especialmente no que diz respeito ao contato com os não indígenas e com
outros grupos indígenas, que habitam a Terra Indígena Kwazá do Rio São Pedro e a Terra Indígena
Tubarão-Latundê, as quais estão localizadas no estado de Rondônia. A partir de dados gerados
quantiqualitativamente, os quais foram coletados por meio de questionário sociolinguístico e
entrevistas, nosso objetivo é analisar o grau de bilinguismo, a fim de que este conhecimento possa
contribuir de maneira adequada com a Educação Escolar Indígena Intercultural e Bilíngue. Para tanto,
serão analisadas as atitudes dos falantes quanto ao uso da língua portuguesa e da língua indígena, as
quais são diariamente utilizadas em suas relações sociais, e serão considerados os usos e as funções
dessas línguas, conforme os domínios sociais das comunidades. Nota-se que o bilinguismo é uma
realidade entre os Aikanã que habitam a TI Tubarão Latundê, uma vez que o uso dessas duas línguas
ocorre nos diferentes domínios sociais dessa comunidade. Na TI Kwazá do Rio São Pedro, no entanto,
a língua Aikanã apresenta-se com grande desvantagem frente à língua portuguesa. Isto porque os
espaços que antes eram exclusivos da língua indígena, agora são ocupados majoritariamente pela
língua portuguesa. A partir principalmente de fatores extralinguísticos, serão discutidas possíveis
razões que têm levado estas duas comunidades a situações sociolinguísticas tão distintas.

Palavras-chave: Sociolinguística; Língua Indígena Aikanã; Contato linguístico; Bilinguismo.

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INVESTIGAÇÃO GEOSSOCIOLINGUÍSTICA NO NORTE PIONEIRO DO


PARANÁ: A PREPARAÇÃO DE UM ATLAS LINGUÍSTICO

Thiago Leonardo Ribeiro (UEL)

A mesorregião Norte Pioneiro do Estado do Paraná, composta por 46 cidades, já foi, em parte, explorada
em algumas pesquisas geolinguísticas, como o ALPR (1994), ALERS (2002, 2011) e ALiB (2014), mas
não possui um registro específico do português brasileiro falado na área. Queremos dizer que falta uma
pesquisa especialmente destinada a essa Mesorregião que contemple um número maior de localidades e
de informantes de modo a retratar mais fielmente o acervo lexical e fonético de seus falantes. Assim,
imbuídos dos princípios teórico-metodológicos da Dialetologia, Geolinguística, Sociolinguística, Lexico-
logia, Fonética e Fonologia, empreendemos uma investigação em dez cidades distribuídas equitativamen-
te pela região, inquirindo informantes homens e mulheres de 16 a 24 anos, de 30 a 50 anos, e de 60 a 80
anos, com questionário elaborado com base nos instrumentos de coleta de dados dos atlas já citados.
Pretendemos, com isso, levantar o panorama linguístico (fonético-fonológico, semântico-lexical e mor-
fossintático) da área geográfica tão importante para o Estado, por onde se iniciou a segunda etapa do
povoamento do Estado. Neste trabalho, portanto, apresentamos os primeiros passos para a elaboração do
Atlas Linguístico do Norte Pioneiro do Paraná – ALiNPiPR.

Palavras-chave: Geossociolinguística; Atlas linguístico; Norte Pioneiro do Paraná.

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JORNALISMO, DISCURSO E ESCRITA: TECENDO REPRESENTAÇÕES

Aldimeres Ferraz da Silva (UEL)


Eliana Maria Severino Donaio Ruiz (UEL)

Nosso trabalho, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem da UEL,


configura-se como um recorte de uma pesquisa maior, onde investigamos o imaginário discursivo
acerca da escrita na atualidade, a partir de dizeres de diferentes sujeitos pertencentes às formações
sociais escolar e extra-escolar, ou seja, professores e alunos de vários níveis, jornalistas, escritores e
publicitários. Na presente comunicação, focalizaremos o discurso de jornalistas e professores,
buscando compreender suas representações. Nesta investigação, consideramos a hipótese de que a
representação de boa escrita perpasse pela noção de “língua imaginária” (ORLANDI, 1988), ou seja,
de que o bom escritor seja visto como aquele que faz uso de uma língua-sistema, das normas e
coerções que distanciam a linguagem de sua fluidez natural, aproximando-a de algo mais concreto e
sistematizado. Para tanto, pautamo-nos nas contribuições teóricas da Análise de Discurso francesa
(PÊCHEUX, 2014; ORLANDI, 2010), em estudos voltados para a escrita em Análise de Discurso
(INDURSKI, 2010; LAGAZZI-RODRIGUES, 2010) e nas investigações sobre escrita e letramento
(SOARES, 2010; TFOUNI, 2010). Assim, suspendendo as evidências dos sentidos e explicitando a
construção dos discursos em análise, buscamos percorrer o imaginário discursivo atual sobre a escrita
correspondente a diferentes formações sociais. Por essa razão, realizamos uma leitura sintomática dos
dados a partir de entrevistas semiestruturadas realizadas com os sujeitos, recortando, para este
momento, os que dizem respeito especificamente a jornalistas e professores de língua portuguesa dos
ensinos fundamental e médio e de graduação em Letras e Jornalismo. Esperamos que, a partir desse
procedimento analítico, seja possível percebermos a tessitura sócio-histórica e político-ideológica da
materialidade linguística constituinte de discursos recentes sobre escrita.

Palavras-chave: Escrita; Língua-imaginária; Análise de Discurso francesa; Representações.

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INFORMATIVIDADE: UMA POSSIBILIDADE


DE PROCESSAMENTO TEXTUAL*

Aline Rubiane Arnemann (UFSM)


Vaima Regina Alves Motta (Orientadora – UFSM)

Este trabalho analisa uma produção textual, cujo tema é “escolha profissional”, desenvolvida pelo
sujeito de pesquisa (S7) de Arnemann (2017), pesquisa de mestrado aprovada pelo Comitê de Ética
em Pesquisa, sob o registro CAAE 45087515.1.0000.5346. Tal análise é guiada pelo princípio de
informatividade de Beaugrande e Dressler (1981). Diferentemente de Arnemann (2017), a
informatividade, aqui, focaliza os rebaixamentos (reverso, posterior e externo) – movimentos de busca
que podemos realizar para compreender uma informação nova apresentada no texto – observando
como eles atuaram na construção da escrita argumentativa de S7 e na compreensão leitora. Por meio
deste trabalho, estamos exercitando – mobilizando conceitos e possibilidades de encaminhamentos – o
viés da informatividade abordado em minha pesquisa de doutorado, em andamento. Os resultados da
análise revelam que, ao considerarmos como informação nova o trecho “há vários fatores que
influenciam a nossa escolha profissional, dentre eles, ela cita o fato de não confundirmos hobby com
escolha profissional” (l.14-14) temos uma discrepância; para compreendê-la, realizamos:
rebaixamento reverso, regressando ao primeiro parágrafo do texto, no excerto “mudando de ideia, pois
as vezes não temos a clareza e nem um aprofundamento sobre a área em que temos o sonho de atuar”
(l.6-8), o que pode ser caracterizado como um conhecimento típico; e rebaixamento posterior “Eu
gosto de esportes e acabei me iludindo com o futuro na área de Ed. Física” (l.16-18), o que pode ser
delineado como conhecimento acidental. Isso nos conduz a investir na asserção de que a discrepância,
os rebaixamentos e a percepção dos conhecimentos mobilizados constituem um processamento
textual, o qual tem a função de auxiliar tanto na construção do texto como na compreensão leitora.
Assim, entendemos a validade em investigar a informatividade enquanto princípio que auxilia
estudantes na construção de produções textuais argumentativas.

Palavras-chave: Informatividade; Processamento textual; Escrita argumentativa

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HETEROGENEIDADE DA ESCRITA: OS PROVÉRBIOS DO ORAL/FALADO


PARA O LETRADO/ESCRITO

Anita Luisa Fregonesi de Moraes (PPGEL - UEL)

Nosso objetivo principal é demonstrar como a incorporação dos provérbios em crônicas jornalísticas
põe em destaque um modo heterogêneo de constituição da escrita ao promover a passagem de uma
atividade reconhecidamente oral para uma atividade reconhecidamente escrita. Como ponto de
partida, buscamos fundamentos em Corrêa (2004), Marcuschi (2001) e em Bakhtin (1981, 2003) para
a relevância do aspecto dialógico na heterogeneidade da escrita e assumimos os pressupostos de
Corrêa sobre a incidência da dimensão dialógica na constituição da escrita. Se a escrita é “um tipo
particular de enunciação” e esta, conforme Bakhtin (1981, p.112), é “o produto da interação de dois
indivíduos socialmente organizados”, procuramos, então, verificar as hipóteses do autor da crônica, ou
seja, o escrevente atribui um papel ao seu interlocutor e assim localiza a (sua) escrita mais como uma
relação com o mundo ou mais como uma relação com o falado, ação que interfere no processo de
textualização, demonstrando a “dimensão dialógica da linguagem atuando na constituição da escrita”,
conforme Corrêa (2004, p.234). Partindo desse pressuposto, procuramos, além disso, averiguar se a
mudança de suporte oral para suporte gráfico também configura um modo heterogêneo de constituição
da escrita observando, para isso, a presença de recursos enunciativos que acompanham a inclusão dos
provérbios na crônica.

Palavras-chave: Heterogeneidade, Dialogia, Escrita, Provérbios

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DIALOGISMO, POLIFONIA E POÉTICA EM FERREIRA GULLAR

Aruan Pamplona Simões Luz (UEL)

Este artigo dá prosseguimento ao trabalho desenvolvido no projeto Cadernos de Teorias da


Linguagem especialmente nos trabalhos voltados para a pesquisa sobre as propostas linguísticas de
Mikhail Bakhtin, tendo em vista a reflexão interdisciplinar sobre o texto poético. A partir da
linguística da enunciação, que revê a oposição saussuriana entre língua e fala, dos conceitos de
enunciação e de discurso, Bakhtin, propõe que o mecanismo enunciativo tem sempre um dialogismo
constitutivo. Esse viés da teoria da linguagem de Bakhtin é utilizado para a análise do poema “O
Açúcar”, um poema de Dentro da noite veloz, escrito por Ferreira Gullar, no qual iremos mostrar
como a teoria do dialogismo e da polifonia proposta por Bakhtin pode ser observada, mostrando nas
construções poéticas os meios para os diferentes diálogos de várias vozes, e como essas várias vozes
que permeiam o discurso saltam no poema. Nesta análise podemos ver como o poeta utiliza de
recursos enunciativos para exprimir o dialogismo, as relações intertextuais do signo, e a polifonia
nesta análise do discurso poético sob a ótica da teoria bakhtiniana. Observa-se que o signo está em
constante metamorfose durante o percurso da narrativa criada no poema. O signo do açúcar é
apresentado por diversas perspectivas em uma cadeia de produção industrial, cada uma dessas etapas
da produção desse açúcar, e o espaço em que elas ocorrem, vão transformando o sentido e a face
ideológica desse signo. O poeta traz à tona essas vozes escondidas nos primeiros momentos da
narrativa, e no decorrer de seu percurso, faz com que essas vozes encontrem maneiras de serem
repercutidas no signo açúcar. Assim podemos perceber a rede dialógica e ideológica que subjaz ao
poema.

Palavras-chave: Enunciação; Dialogismo; Ideologia; Poética.

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MANUAIS DE REDAÇÃO E ENSINO DE ESCRITA NA DÉCADA DE 1980: UM


ASPECTO METODOLÓGICO

Cristian Henrique Imbruniz (USP)

Embora a tradição brasileira de produção de livros didáticos não seja tão longa comparativamente a da
França, datando do começo do século XIX (cf. BITTENCOURT, 1993), há um considerável número
de livros escolares produzidos em diferentes períodos e em função de diferentes organizações sócio-
políticas, cujos dados editoriais e de circulação se perdem em arquivos públicos e privados. O
arcabouço teórico desta pesquisa é constituído pela articulação entre a Análise do Discurso Francesa
(PÊCHEUX, 2015; COURTINE, 2014) e a Análise Dialógica do Discurso (BAKHTIN, 1992),
tomando fundamentos teóricos da História (LE GOFF, 2013) e da Etnografia (STREET, 2015). Essa
articulação permite observar a matéria historicizada do sentido, considerando que a sociedade, a
história e a cultura não são meros fatores participantes do discurso, mas constituem sua materialidade.
Nesta apresentação, abordo um aspecto metodológico de minha dissertação de mestrado, o critério
editorial-autoral. Para perseguir os dados editoriais e de circulação dos livros didáticos, recorro, dentro
do quadro teórico da pesquisa, às contribuições de Certeau (1982) e de Chartier (1996) no que diz
respeito, nessa ordem, ao lugar social da escrita da história e à raridade dos vestígios diretos e
indiretos. O livro a ser abordado como ilustração desse procedimento de seleção do corpus é Reflexão
e Ação, de Marilda Prates (1984), e será analisado segundo a articulação dos elementos que compõem
o gênero discursivo (conteúdo temático, construção composicional e estilo), mas considerados em
termos da noção de acontecimento discursivo (PÊCHEUX, 2015). É meu objetivo mostrar que o
critério editorial-autoral não funciona senão como ruína, pois os dados disponíveis sobre a circulação
de livros didáticos são lacunares e não se esgotam com a quantificação.

Palavras-chave: Manual de redação. Livro Escolar. Livro Didático. Documento-monumento. Discurso.


Acontecimento discursivo.

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A COESÃO EM PRODUÇÕES TEXTUAIS DE ALUNOS DO 7º ANO DO


ENSINO FUNDAMENTAL: ESTRATÉGIAS DE APRIMORAMENTO

Daniela Reis Freitas (UERJ)

Faz parte da prática docente do professor de língua materna o contato com textos orais e escritos que
tenham as mais diversas finalidades. No caso do professor da educação básica, mais especificamente
do professor do segundo segmento do Ensino Fundamental, são muitos os desafios que se apresentam
na busca pelo desenvolvimento do potencial discursivo dos estudantes. O objetivo desse estudo é
avaliar os progressos nos textos dos alunos, no que concerne à reiteração por substituição, a partir das
intervenções realizadas durante dois bimestres com sete alunos da rede municipal de ensino do Rio de
Janeiro. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de paradigma interpretativista, fundamentada nas
orientações propostas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa (PCN), de 1997,
bem como nos pressupostos da Linguística Textual para embasar conceitos como o de texto. Para
discutir o conceito de coesão – o foco do nosso estudo – recorremos ao trabalho de Antunes (2005).
Uma vez que nossa pesquisa se vincula à atuação na sala de aula, convém problematizar de que modo
esse tópico se transpõe didaticamente para o cotidiano das escolas e em que contexto a produção
textual se insere em nosso plano de trabalho, tópicos que serão ancorados no trabalho de Ruiz (2013),
considerando-se também a teoria da escrita como trabalho proposta por Fiad& Mayrink-Sabinson
(1994). A intervenção consistiu de quatro ações: realização de atividades em sala de aula que
enfocassem especificamente as relações de reiteração por substituição, estímulos para que os
estudantes revisassem seus textos, correção das produções textuais dos discentes, chamando atenção
para o problema, e, quando necessário, reescrita das mesmas com vistas à melhoria dos aspectos
apontados.

Palavras-chave: Coesão. Ensino Fundamental. Produção textual.

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REPRESENTAÇÕES SOBRE REDAÇÃO DE VESTIBULAR

Everton Lima Camargo (UEL)


Eliana Maria Severino Donaio Ruiz (UEL)

A redação, como instrumento obrigatório de avaliação nos vestibulares, tem importância fundamental
para o sistema de seleção de candidatos que adentrarão na universidade. Por se tratar de uma avaliação
qualitativa , ela é responsável por fragmentar as notas, facilitando, assim, a ordenação dos sujeitos
envolvidos no ranking e a distribuição das vagas disponíveis entre os que obtiveram resultados mais
altos nas provas. Contudo, esse processo de seleção não tem só a função ideológica de escolher os
mais aptos, mas também (e principalmente) política de excluir os candidatos que a universidade não
quer receber em seus sítios. Levando em conta tais importantes funções, é fundamental que os
documentos que se disponham a preparar os candidatos para a prova de redação do vestibular sejam
analisados e avaliados discursivamente, quanto aos seus objetivos e sua eficiência em termos tanto
políticos quanto ideológicos. Assumindo essa tarefa, o presente trabalho procura, pois, analisar os
Manuais do Candidato ao Vestibular de quatro diferentes universidades públicas brasileiras (USP,
UNICAMP, UEL e UEM), com o objetivo de identificar quais representações acerca da redação de
vestibular são materializadas nesses documentos. Utilizaremos como pressuposto teórico-
metodológico a Análise de Discurso de orientação francesa, que nos possibilitará, pela via da
linguagem, mapear eventuais regularidades discursivas em torno do imaginário sobre esse importante
gênero do discurso, que serão postas em debate no interior do discurso pedagógico no contexto da
educação brasileira da atualidade. Este trabalho é parte de uma pesquisa maior intitulada Redação de
vestibular: discursos e representações, que tem como objetivo compreender como se constroem os
discursos que circulam em ambiente pedagógico acerca desse gênero.

Palavras-chave: Redação de vestibular; Manual do Candidato; Representações; Discurso.

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MÚLTIPLO ENDEREÇAMENTO E ESCRITA ESCOLAR

Michele Siqueira (USP)

Diferentemente de abordagens investigativas que tomam a escrita como instrumento, habilidade ou


produto, a concepção de escrita que norteia este trabalho é a de escrita como um modo de enunciação
(CORRÊA, 1997, 2013), portanto imbricada em relações dialógicas (BAKHTIN/VOLOSHINOV,
(1929) 2006, 2011). Nessa perspectiva, todo enunciado concreto requer a presença de três
participantes: o enunciador (aquele que remete o enunciado), o interlocutor (aquele a quem o
enunciado está endereçado) e o herói (aquilo sobre o que se enuncia) (Voloshinov/Bakhtin, 1926). A
hipótese deste estudo é a de que o endereçamento, como elemento essencialmente constitutivo de toda
interação verbal, não é unívoco, mas múltiplo pois: 1) é uma representação, sendo assim não pode ser
único já que é construído no processo intersubjetivo; 2) embora cada gênero discursivo tenha um
destinatário típico, há destinatários previstos que não estão restritos ao gênero, mas são provenientes
da situação em que o texto está sendo produzido; 3) apresenta outros interlocutores que se somam no
momento da escrita através das vozes trazidas pelo conteúdo temático abordado no texto ou de outros
interlocutores pressupostos menos aparentes. Procurando explicitar essa tese, a análise aqui proposta
tenta apontar indícios, conforme a análise indiciária proposta por Ginzburg (1989, 2006), desses
múltiplos endereçamentos, bem como refletir sobre os efeitos dele sobre o processo de aprendizagem
dos gêneros discursivos por meio da investigação de textos produzidos por alunos do ensino médio
como tarefas de produção texto no âmbito da disciplina de língua portuguesa e literatura brasileira. O
que se procura observar é o endereçamento presente nos textos, buscando, mais precisamente,
compreender como os alunos-escreventes lidam com esse importante elemento da cadeia enunciativa e
como ele se revela na materialidade discursiva agindo sobre a estrutura composicional, conteúdo
temático e estilo dos gêneros discursivos. Espera-se que essa pesquisa possa ajudar a entender esse
complexo elemento da cadeia enunciativa que é o endereçamento, bem como contribuir para o
aprimoramento das práticas de letramento na escola, especialmente para o ensino de gêneros
discursivos.

Palavras-chave: Escrita. Dialogia. Endereçamento.

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AUTORREFLEXIVIDADE E PRESUMIDOS SOCIAIS NA ESCRITA


ACADÊMICA

Mônica Cristina Metz (UEM)

Situado no âmbito da Linguística Aplicada, este trabalho apresenta um recorte do que constituem os
objetivos do projeto de tese em desenvolvimento “Autorreflexividade e gêneros acadêmicos: a escrita
na universidade”. O objetivo geral da pesquisa é compreender de que modo as formas de
autorreflexividade presentes em três gêneros acadêmicos (resenha, questão dissertativa de prova e
ensaio) produzidos por acadêmicos de um curso de Letras podem constituir maneiras pelas quais o
sujeito busca lidar com diferentes presumidos sociais do processo de letramento acadêmico e, nessa
lida, mostrar-se como autor. Neste recorte, são examinadas as formas de autorreflexividade mostradas
no gênero “questão dissertativa de prova”. O corpus selecionado para análise é composto por 124
respostas de questões dissertativas de prova elaboradas por acadêmicos do 2º ano de um curso de
Letras de uma universidade pública do Paraná. As análises partem de uma sistematização das formas
autorreflexivas presentes no corpus, baseada nas análises delineadas por Authier-Revuz (1990; 1995;
1998) acerca das “não-coincidências do dizer”, entendidas como formas de negociação do enunciador
com os discursos dos outros e com a opacidade e transparência da linguagem que se mostram no
momento da volta reflexiva ao dizer. A partir dessa sistematização, buscamos compreender como
determinadas formas de autorreflexividade podem deixar escapar indícios da negociação do sujeito
com presumidos sociais (BAKHTIN; VOLOSHINOV, 1976) em relação à determinado gênero
acadêmico ou ao processo de ensino e de aprendizagem da escrita e nesse jogo estabelecer-se como
autor. Tendo como base uma concepção discursiva de linguagem, as análises se ancoram em
arcabouços teóricos que concebem o sujeito como produzido na e pela linguagem, deixando escapar,
no processo de dizer, indícios das suas formas de negociação com as heterogeneidades constitutivas
do próprio sujeito, da linguagem e dos discursos.

Palavras-chave: Letramento acadêmico; autorreflexividade; presumidos sociais.

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LINGUÍSTICA DO TEXTO NA SALA DE AULA: UMA PROPOSTA DE


TRABALHO ENVOLVENDO SITUACIONALIDADE E ARGUMENTAÇÃO

Monize Pereira Albiero (UFSM)


Vaima Regina Alves Motta (UFSM)

A Linguística do Texto, doravante LT, é uma ciência que vem contribuindo muito para o ensino da
língua materna, respaldada pelas concepções dialógica e interacionista da linguagem. Sabendo disso, o
presente trabalho objetiva apresentar uma proposta envolvendo a situacionalidade, critério de
construção de sentido da LT, as doze estratégias propostas por Beaugrande e Dressler (1981) e os
tipos de argumentos, uma vez que essas estratégias permitem o direcionamento de determinada
situação comunicativa e a situacionalidade tem estreita relação com a argumentatividade, segundo
Koch (1985). Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, com apoio na teoria de Beaugrande e
Dressler (1981) e nos apontamentos de Koch (1985), sobre o critério em comento, além de um estudo
acerca dos tipos de argumentos, com base em Perelman e Olbrechts-Tyteca (2005). Em seguida, por
meio da metodologia da pesquisa-ação – defendida por estudiosos como Burns (1999) e Thiollent
(2011) – elaborou-se uma sequência didática, como propõem Dolz e Schneuwly (2004), em que é
apresentada uma oficina vinculada ao Mestrado, em Estudos Linguísticos, na linha de pesquisa
Linguagem e Interação, do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL), da Universidade Federal
de Santa Maria (UFSM), para ser desenvolvida em sala de aula, no segundo semestre de 2018, em
uma turma de Ensino Médio, no Ensino Básico, com o gênero textual debate público regrado, as doze
estratégias da situacionalidade e os tipos de argumentos. Nesse viés, como tal atividade ainda será
realizada, os resultados esperados são a compreensão da noção e contribuição do critério
situacionalidade, suas estratégias e os tipos de argumentos na interação cotidiana, bem como o
exercício da habilidade argumentativa a partir da produção de texto oral, ou seja, nesse caso, do debate
público regrado.

Palavras-chave: Argumentação; Ensino; Linguística do Texto; Situacionalidade.

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A ESCRITA NA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR

Pascoalina Bailon de Oliveira Saleh (UEPG)

Estudiosos da linguagem e documentos oficiais de ensino vêm defendendo a centralidade das práticas
discursivas no ensino de Língua Portuguesa. Dentre os aspectos envolvidos nessa discussão, está tanto
a crítica ao lugar que a gramática normativa tradicionalmente vem ocupando nesse ensino como a
compreensão de que é preciso rever a posição da escrita nesse processo para dar lugar também à orali-
dade. No entanto, uma abordagem que leve a sério essa posição exige não apenas deslocar o lugar da
gramática normativa, mas também ter consciência do seu legado sobre a natureza da relação entre a
fala e a escrita, segundo o qual esta é uma representação daquela. Diante disso, este trabalho propõe-
se a analisar a concepção de escrita que prevalece na Base Nacional Comum Curricular a fim de veri-
ficar se o documento contribui para esse deslocamento, bem como para um melhor entendimento da
natureza da escrita e, consequentemente, da relação entre a fala e a escrita. O foco recairá sobre a
abordagem da pontuação, uma vez que não se encontra no documento uma discussão sobre a especifi-
cidade da escrita. Além disso, considerando que a Base vem a público duas décadas desde a publica-
ção dos Parâmetros Curriculares Nacionais, procura observar também os pontos de convergência e/ou
divergência entre eles. Para tanto, parte de uma discussão sobre a origem e desdobramentos da visão
representacionista da escrita e sustenta-se na visão de que a escrita, ainda que heterogênea, é um modo
de enunciação distinto da fala, o qual se relaciona ao ritmo e à inscrição do sujeito no discurso.

Palavras-chave: escrita; BNCC; pontuação

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LINGUÍSTICA DE CORPUS E COGNIÇÃO MUSICAL: UMA PARCERIA


PROFÍCUA

Thereza Cristina de Souza Lima (UNINTER)


Valentina Daldegan (UNINTER)

A era digital tem, inegavelmente, causado uma grande revolução em muitas áreas do saber, inclusive
na área da linguagem e da música no quesito inovação que, no panorama atual, frequentemente
relaciona-se ao uso de tecnologias voltadas a diferentes áreas de pesquisa. Neste estudo, são abordados
os campos da linguística de corpus e da cognição voltada à performance musical. Desse modo, tem-se
como objetivo geral investigar os julgamentos que fazem parte da criação na interpretação musical,
que vão dar forma à performance e à sistematização em vista da possibilidade das escolhas de três
instrumentalistas. Nesse sentido, está sendo realizado um estudo de campo, com análises de cunho
quantitativo e qualitativo, que conta com a participação de três flautistas profissionais os quais,
habitualmente, estreiam peças de música nova. Cada flautista recebeu três miniaturas para flauta solo,
escritas especialmente para esse trabalho. Ao prepará-las, cada um registrou, em vídeo, suas sessões
de estudo, não apenas tocando, como também verbalizando seu raciocínio e tomadas de decisão, de
modo a possibilitar a identificação dos critérios de seus julgamentos e escolhas. O texto resultante
dessa verbalização foi gravado e digitalizado para, posteriormente, ser transformado em nosso corpus
de pesquisa. Ressalta-se que é por meio desse processo de verbalização que serão levantados os temas
relevantes para estudar o padrão coerente dos resultados, bem como os julgamentos e decisões dos
intérpretes que, vistos assim, não dependem mais dos gostos dos indivíduos, mas são intersubjetivos e
debatíveis (Dahlhaus 1983, p. 101-103). Após compilação dos três respectivos corpora coletados,
foram utilizados os preceitos da Linguística de corpus (Berber Sardinha, 2004) para se realizar uma
varredura em cada corpus separadamente a fim de se levantar a lista de palavras mais frequentes, as
palavras-chave e as respectivas linhas de concordância em que cada palavra-chave seja considerada
um nódulo. O software utilizado foi o WordSmith Tools, de Mike Scott, versão 4. Os resultados a
serem alcançados por meio da contribuição da Linguística de corpus permitirão que as dificuldades
que poderiam ser encontradas através da pura observação sejam superadas, demonstrando, assim, uma
união profícua entre essas duas áreas do saber.

Palavras-chave: Linguística de corpus, música, cognição

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SUBJETIVIDADE EM REDAÇÕES DE VESTIBULAR

Carmen Teresinha Baumgärtner (UNIOESTE)

A prova de redação do vestibular tem sido um dos mecanismos de avaliação utilizados pelas universi-
dades para definir quem poderá ingressar num curso de nível superior. Nela, os vestibulandos preci-
sam operar com a linguagem e com a historicidade para atenderem à proposta de redação. Nesta pes-
quisa, interessa-nos refletir sobre a questão da subjetividade, problematizando, no campo da Linguísti-
ca Aplicada (LA), a seguinte questão de pesquisa: como o vestibulando se relaciona com a linguagem
na redação? O objetivo é analisar indícios de subjetividade em duas redações do vestibular, observan-
do o trabalho que os sujeitos autores fazem com a linguagem e com o outro, à medida que precisam
mobilizar sentidos para atender ao que lhes é solicitado. Nesse empreendimento, lançamos mão de
estudos da Análise Dialógica do Discurso (ADD), inspirada nos trabalhos de Bakhtin e de outros re-
presentantes do Círculo – como Volochínov – e da Psicologia Histórico-Cultural, com ênfase nos
trabalhos Vigostki, para refletir sobre a constituição do sujeito pelo e com o outro, e pela e com a
linguagem. Com base nesses autores, entendemos que quando o sujeito utiliza a língua não o faz por
meio de formas linguísticas isoladas, mas por meio de enunciados, unidades discursivas estritamente
sociais que incitam uma atitude responsiva por parte do sujeito. Consideramos os elementos que, se-
gundo Bakhtin, determinam o texto como enunciado: "[...] a sua ideia (intenção) e a realização dessa
intenção" (BAKHTIN, 2011[1979], p. 308), em suas interrelações dinâmicas. Nos textos em discus-
são, observamos a posição dos sujeitos autores a partir do modo como representaram o tema, o inter-
locutor, e o próprio gênero artigo de opinião, em razão do fato de que o que foi enunciado foi produzi-
do num quadro interativo, em instâncias discursivas inscritas em uma dada configuração cultural,
implicando papéis, lugares e momentos de enunciação.

Palavras-chave: Línguagem; subjetividade; redação

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A AUTORIA NO CONTEXTO DO VESTIBULAR DA UNIVERSIDADE


ESTADUAL DE MARINGÁ

Cíntia Bicudo (UEM)

A partir de 2008, a prova de redação do vestibular da Universidade Estadual de Maringá passou a valer
120 pontos e pode ser solicitado de 2 a 4 gêneros textuais. Dentre os gêneros utilizados como avaliação
no vestibular, selecionamos o Artigo de Opinião, visto que: 1) é um gênero que existe fora do contexto
escolar; 2) possui uma estrutura pouco estável, o que dificulta utilizá-lo como critério de avaliação; 3)
nesse gênero, a posição social do autor é de extrema importância, pois legitima o dizer, fortificando, as-
sim, o seu argumento. O Artigo de opinião consta no programa das provas da UEM desde 2008 e foi
solicitado em três vestibulares: verão 2012, inverno 2014 e inverno 2016. Com base na Análise de Dis-
curso de linha francesa, o nosso objetivo é investigar as possibilidades da autoria do sujeito-candidato no
contexto do vestibular. Para efetivar tal ação, realizamos uma análise documental, de cunho qualitativo,
utilizando, como corpus bruto, 80 Artigos de opinião produzidos no vestibular de 2016. Para as reflexões
sobre autoria, destacamos: Foucault (1999), que concebe o autor como princípio de agrupamento do dis-
curso, como foco da coerência; Pfeiffer (2000), que defende a necessidade da escola propiciar condições
para o aluno se constituir no lugar autorizado na língua e Lagazzi-Rodrigues (2006), para quem a autoria
é pautada na legitimação. No que tange às reflexões sobre o gênero Artigo de opinião, pautamo-nos em
Cunha (2010), Rodrigues (2007) e Uber (2008), os quais têm como base a interação social proposta por
Bakhtin (1997, 2006), também presente nas Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná. Resultados
parciais apontam que a função de autoria mais adequada no contexto do vestibular é a de organizar as
vozes presentes no texto de apoio para responder ao comando de produção. Salientamos que o comando
apresenta uma posição social na qual o candidato tem de se colocar para escrever; todavia, como ele não
ocupa esse lugar social, acaba, portanto, a produzir um simulacro da autoria.

Palavras-chave: Autoria; Redação; Gêneros textuais

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A (INTER)SUBJETIVIDADE NA/PELA LINGUAGEM E A REPERCUSSÃO


PARA O ENSINO DE ESCRITA

Jorama de Quadros Stein (UNISINOS)

Benveniste (2005) acentua que a intersubjetividade é condição para a subjetividade. De acordo com
Flores e Teixeira (2005), há, nessa concepção do linguista, uma espécie de « anterioridade lógica », a
qual coloca em relevo que o sujeito para se propor como tal na linguagem tem de estar, ele mesmo,
constituído pelo outro. Capt (2013), ao ler Benveniste, afirma que, em sua teoria, temos um sujeito em
constante recomeço, “um sujeito aos pés de um tu”. Ao tratar da escrita, Benveniste(2014) a compre-
ende como um processo complexo de elaboração, feito em função de tu. Nesse contexto, investigo
como o aluno-scriptor vê-se no seu processo de escrita, especialmente no que se refere à relação inter-
subjetiva estabelecida(ou não) com o professor-revisor de seus textos e quais são as implicações dessa
relação para a efetivação do ensino de escrita/produção textual. Para tanto, apresento excertos de um
relato produzido a partir da observação de aulas ministradas em uma disciplina de Produção Textual
para graduandos, em uma universidade do sul do Brasil, e das interlocuções tidas com dois alunos a
respeito dos textos produzidos em sala de aula. A partir daí, construo uma reflexão que coloca em
relação os trechos analisados e a teorização sobre sujeito e (inter)subjetividade que pode ser lida em
Benveniste. O estudo conclui que o ensino de escrita convoca um tu-professor mais preocupado em
dar ao aluno a condição para ser eu e um eu-aluno que necessita ver-se como scriptor/autor, capaz de
convocar outros possíveis leitores. E, ainda, o ensino de escrita que considera a (inter)subjetividade e
encontra meios para efetivá-la inaugura uma experiência de enlace na e pela linguagem que pode
levar a uma produção escrita que, parafraseando o próprio Benveniste (2006, p. 222), bem antes de
servir para comunicar, sirva para viver.

Palavras-chave: (inter)subjetividade, enunciação, ensino de escrita.

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BANANA DUPLA E SUAS DESIGNAÇÕES NO CENTRO-OESTE


BRASILEIRO: UM ESTUDO COM OS DADOS DO ALiB

Amanda Chofard (UFSC)

Este estudo, que possui como objeto de estudo as designações para banana dupla, vincula-se ao
Projeto Atlas Linguístico do Brasil – ALiB, e também faz parte do projeto de dissertação da autora.
Posto isso, busca-se analisar, com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Geolinguística
Pluridimensional (THUN, 1998), as respostas dadas para a questão 43 do Questionário Semântico-
Lexical (QSL) do ALiB (COMITÊ NACIONAL, 2001): “... duas bananas que nascem grudadas?”. O
corpus em análise abarca as respostas obtidas na rede de pontos da região Centro-Oeste, perfazendo
um total de 24 localidades e o montante de 108 informantes de nível fundamental de escolaridade, no
interior, estratificados segundo as variáveis extralinguísticas sexo (masculino e feminino), faixa etária
(faixa I – 18 a 30 anos e faixa II – 50 a 65 anos) e, nas capitais, escolaridade (fundamental e superior).
Têm-se como objetivos: (i) realizar um levantamento das variantes registradas pelo ALiB para banana
dupla na região Centro-Oeste do Brasil; (ii) mapear a distribuição das variantes, por meio do software
SGVCLin; (iii) verificar quais as variáveis independentes que contribuem para a utilização de
determinada variante; e, se possível, traçar áreas dialetais por meio de isoléxicas. A princípio, pode-se
afirmar, em relação aos resultados, que as principais variantes encontradas foram banana gêmea e
felipe. Assim, pretende-se com esta pesquisa, que se insere no campo dos estudos lexicais, contribuir
para a descrição do português falado no Brasil.

Palavras-chave: Banana dupla. ALiB. Região Centro-Oeste.

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DESVENDANDO ATITUDES LINGUÍSTICAS: PRESTÍGIO E PRECONCEITO


NA FRONTEIRA BRASIL/PARAGUAI

Ana Helena Rufo Fiamengui (IFSP)

A realidade das escolas fronteiriças, naturalmente híbrida em termos linguísticos, culturais e


identitários, motivou esta investigação sobre as atitudes dos alunos em relação às línguas oficiais da
fronteira Porã, conurbação formada entre as cidades de Ponta Porã, sul de Mato Grosso do Sul, Brasil,
e Pedro Juan Caballero, capital do Departamento de Amambay, Paraguai. Para tanto, optou-se por
aplicar questionários de atitudes constituídos com base na matched guise technique (técnica dos falsos
pares), de Lambert et al (1960), a alunos de 9º ano de dez escolas com características diferentes, sendo
cinco de cada um dos países fronteiriços. Como estímulos para a resposta ao questionário, foram
utilizadas gravações de três informantes trilíngues com conteúdo semelhante, às quais os 324
adolescentes com idade igual ou superior a 14 anos atribuíram notas de 1 a 7 para treze atributos.
Após processamento estatístico, os atributos foram agrupados em termos de similaridade de avaliação
em quatro dimensões: competência, caráter, relacionamento e aparência. Enquanto o primeiro grupo
aponta para uma clara tendência de atribuição de prestígio ao português em detrimento das línguas
paraguaias, independentemente do país em que os adolescentes estudam, é possível entrever, nas
outras dimensões, uma tendência em atribuir prestígio encoberto ao guarani. O espanhol, na maior
parte das vezes, recebe notas intermediárias entre os extremos de valorização e estigma, conferidos ao
português e ao guarani. Considerando as variáveis sociais, “sexo” demonstrou sutilmente haver maior
sensibilidade linguística das mulheres, “idade” e “nível socioeconômico” não forneceram um padrão
claro de diferenciação, e “grau de bilinguismo” apontou para uma distribuição distinta dependendo da
dimensão considerada, sendo a mais sensível a que se refere ao parâmetro aparência. Os dados obtidos
demonstram a necessidade de se promover um debate sério sobre multilinguismo, não apenas com os
adolescentes, mas com os pais e com a sociedade como um todo.

Palavras-chave: multilinguismo, prestígio, preconceito linguístico.

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ONDE ENCONTRAMOS LEITE QUENTE? A VARIAÇÃO DIATÓPICA DA


VOGAL MÉDIA ANTERIOR /E/ POSTÔNICA FINAL NO FALAR
PARANAENSE A PARTIR DOS DADOS DO ALIB

Dayse de Souza Lourenço Simões (UEL/PG-CAPES)

As discussões a respeito dos falares da região sul do Brasil encontram-se em um cenário inquietante
no que concerne à realização da vogal média anterior /e/ postônica no final de palavra. Enfim, ocorre o
alçamento ou a manutenção na produção oral paranaense? As generalizações acerca da produção da
vogal média anterior /e/ postônica final veiculadas na mídia referem-se ao estereotipado leitE quentE
como traço característico da fala de algumas localidades da região sul brasileira. Mas, onde realmente
ocorre o alçamento? Há localidades em que a manutenção da vogal está em uso? Quais as realizações
do fenômeno nas localidades do sul do Brasil? Neste sentido, o objetivo geral deste estudo consiste em
delinear a descrição e a análise do comportamento da vogal média /e/ postônica final na produção oral
de falantes do estado do Paraná. Especificamente, os objetivos são: i) compreender o processo de
alçamento ou manutenção da vogal média; ii) observar o processo de alçamento ou manutenção da
vogal média segundo a variável diatópica; iii) delimitar possíveis isófonas delimitadoras das variantes
fonéticas verificadas. O corpus utilizado trata-se das entrevistas coletadas pelo projeto Atlas
Linguístico do Brasil e constitui-se de 68 informantes das 16 localidades paranaenses, estratificados
segundo as variáveis sociais: diatópica (lugar de origem do informante), diageracional (faixa etária I –
18 a 30 anos e faixa etária II – 50 a 65 anos), diassexual (sexo feminino e sexo masculino) diastrática
(ensino fundamental e ensino superior, este último apenas para a capital Curitiba). Para tanto,
consideramos 12 questões do questionário fonético-fonológico (QFF) do ALiB (COMITÊ
NACIONAL DO ALIB, 2001), a saber: tomate, árvore, elefante, peixe, noite, tarde, quatorze, deve,
inocente, dente, perfume e hóspede. Fundamentamo-nos na teoria da Sociolinguística Variacionista
(LABOV, 2008) e na Geolinguística Pluridimensional (THUN, 2008), além da análise de dados com
auxílio do SGVLin (ROMANO, SEABRA e OLIVEIRA, 2014). Nesta perspectiva, pretendemos
preencher parte da lacuna existente na descrição deste fenômeno na produção oral do estado do Paraná
e os resultados poderão contribuir com futuros estudos acerca dos falares do sul, além de alcançar
outros campos que se interessem pelo fenômeno em questão.

Palavras-chave: Vogal média anterior /e/ postônica no final de palavra. Fonética e fonologia. Atlas
Linguístico do Brasil.

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REFLEXÕES SOBRE A VARIAÇÃO DO /S/ EM CODA SILÁBICA NO FALAR


AMAZONENSE: A HIPÓTESE DE UMA ISÓFONA

Edson Galvão Maia (IFAM)


Flávia Santos Martins (UFAM)

Neste trabalho, tratamos de um fenômeno fonético-fonológico em variação já bastante estudado no


Brasil, o /S/ em coda silábica. Desde a década de 1960, estudos vêm sendo realizados sobre o referido
fenômeno, mostrando que no Português Brasileiro o /S/ pode ser realizado por quatro variantes: i) a
alveolar surda e sonora: , ; ii) a alveopalatal surda e sonora: ,
; iii) a glotal surda e sonora:  e iv) o zero fonético
. Em 2004, no Amazonas, esse mesmo fenômeno foi, particularmente, estudado para a
elaboração do Atlas Linguístico do Amazonas (ALAM), por Cruz, como tese de doutorado. A análise
do /S/ em coda silábica no falar amazonense também mostrou a possibilidade de realização das quatro
variantes mencionadas no parágrafo anterior. Além disso, sobretudo, essa pesquisa mostrou que há
áreas linguísticas diferenciadas no Amazonas, já que a distribuição do /S/ apresentou-se da seguinte
forma: i) a alveopalatal surda e sonora é predominante nos municípios de Barcelos, Itacoatiara e
Parintins (microrregiões do Alto Rio Negro, Médio Amazonas e Baixo Amazonas, respectivamente) e
ii) a alveolar surda e sonora é utilizada com mais frequência nos municípios de Lábrea, Humaitá,
Benjamin Constant, Tefé, Eirunepé e Manacapuru (Microrregiões do Purus, Madeira, Alto Solimões,
Jutaí-Solimões-Juruá, Juruá, Rio Negro-Solimões, respectivamente). A partir desse resultado, Cruz
(2004) levantou a hipótese de haver uma isófona para o /S/ em coda silábica no Amazonas. Este
estudo, por sua vez, tem como objetivo discutir a hipótese de isófona levantada por Cruz (2004), a
partir da reflexão dos resultados dos vários trabalhos realizados sobre o /S/ em coda silábica no
Amazonas, após a elaboração do ALAM (F. MARTINS, 2007; QUARA, 2007; BRITO, 2011; F.
MARTINS e MARGOTTI, 2012; E. MAIA, 2012; JUSTIANO, 2012; R. MAIA, 2016). Ao que tudo
indica, os resultados das pesquisas que vêm sendo realizadas ao longo desses 12 anos, desde a
apresentação do ALAM, em 2004, parecem corroborar com a hipótese levantada por Cruz (2004). No
entanto, a rede de pontos de investigação ainda precisa ser ampliada, para que possamos traçar, com
firmeza, uma isófona, no que diz respeito à realização do /S/ em coda silábica no falar amazonense.

Palavras-chave: Dialetologia Pluridimensional; Sociolinguística; /S/ pós-vocálico.

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BRINCADEIRA DE CRIANÇA? AS DENOMINAÇÕES PARA CABRA CEGA,


BOLINHA DE GUDE, ESTILINGUE E BRINQUEDO DE EMPINAR (COM E
SEM VARETAS) NAS CAPITAIS DA REGIÃO SUL DO BRASIL.

Luiz Felipe Felisardo Cardoso (UEL)

O Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial e o sexto em número populacional.
Sabendo disso, é impossível ignorar o fato de que existe uma grande variação no falar dos brasileiros.
Em 1996, no Simpósio Caminhos e Perspectivas para a Geolinguística no Brasil, que aconteceu na
Universidade Federal da Bahia, na cidade de Salvador, surge um maior interesse pela realização do
Atlas Linguístico do Brasil (ALiB). O Atlas traz resultados de 25 capitais brasileiras, mais
especificamente. As diferentes maneiras de falar caracterizam as regiões do país, resultando em
diversos estudos acerca da variação linguística. A Região Sul do Brasil; foco desta pesquisa, é
composta por três estados, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e graças à sua colonização
possui uma grande diversidade em seu falar. Este trabalho tem como principais objetivos: a)
apresentar as variáveis que influenciam nos falares da Região Sul do Brasil; b) apresentar as
denominações para os brinquedos bolinha de gude, estilingue, brinquedo de empinar com e sem
varetas e para a brincadeira cabra-cega nesta região, mais especificamente nas capitais Curitiba,
Florianópolis e Porto Alegre, dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul,
respectivamente, que fazem parte da rede de pontos do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB); c)
comparar as variantes que aparecem para cada um dos vocábulos a que se referem as questões 156,
157, 158, 159 e 161 do questionário semântico-lexical (QSL) do Atlas Linguístico do Brasil (ALiB).

Palavras-chave: Variação Lexical. Capitais. Região Sul.

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EVIDÊNCIAS DE DIFUSÃO LEXICAL A PARTIR DE ALÇAMENTO


VOCÁLICO SEM MOTIVAÇÃO APARENTE

Márcia Cristina do Carmo (UNESPAR/Paranaguá)

O presente trabalho aborda o fenômeno variável denominado alçamento vocálico sem motivação
aparente das vogais médias pretônicas, como em s[i]nhora e c[u]meçamos. Nos vocábulos em que se
verifica esse fenômeno, não há a presença de uma vogal alta na sílaba seguinte, gatilho à
harmonização vocálica. Desse modo, a harmonização vocálica e o alçamento sem motivação aparente
são formalmente diferentes, já que o primeiro fenômeno corresponde a um caso de assimilação, ao
passo que o segundo se trata de neutralização (BISOL, 2009). Com arcabouço teórico pautado na
Teoria da Variação e Mudança Linguística (LABOV, 1991 [1972]) e com base nos trabalhos de
Carmo (2009, 2013), analisam-se dados referentes ao noroeste do Estado de São Paulo, variedade da
região do município de São José do Rio Preto. Nesse âmbito, são investigadas amostras de fala
espontânea provenientes de trinta e oito inquéritos do banco de dados IBORUNA, resultado do Projeto
ALIP (IBILCE/UNESP – FAPESP 03/08058-6), cujos dados foram analisados estatisticamente a
partir da utilização do programa Goldvarb-X. De modo geral, atestam-se frequências baixas de
aplicação do alçamento sem motivação aparente: 5% para /e/ e 10,3% para /o/. Ademais, verifica-se
que essa redução vocálica se dá predominantemente em vocábulos de um mesmo paradigma,
principalmente no que se refere à vogal pretônica /o/, em que foram observados 16 itens lexicais
classificados como palavras isoladas e 31 classificados em 9 grupos de acordo com os paradigmas
aos quais pertencem, fornecendo evidências em prol do modelo da difusão lexical, segundo o qual as
mudanças, implementadas a partir do léxico, são foneticamente abruptas e lexicalmente graduais,
como aponta Bisol (2009).

Palavras-chave: Variação e mudança linguística; variação fonético-fonológica; alçamento vocálico.

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A CONCORDÂNCIA VERBAL COMO INDEXADOR DE IDENTIDADE EM


DUAS COMUNIDADES DE PRÁTICA

Mircia Hermenegildo Salomão-Conchalo (UNESPAR/Paranaguá)

O objetivo deste trabalho é o de analisar as dinâmicas e as práticas sociais de dois grupos de estudan-
tes, ideologicamente opostos, de uma mesma escola pública de São José do Rio Preto, e observar se o
processo variável de concordância verbal poderia ser marcador de construção de identidade dessas
categorias sociais. Nesta pesquisa, dois grupos de alunos, divididos em duas categorias sociais, auto-
denominados funkeiros e ecléticos, foram acompanhados por dois anos numa pesquisa etnográfica, a
fim de verificar como esses estudantes constroem a sua identidade linguística e social por meio de
suas práticas sociais e de suas relações simbólicas. Para acompanhar essas Comunidades de Prática
(CPs), adotou-se a pesquisa qualitativa e a quantitativa. A primeira, de base etnográfica, foi caracteri-
zada por um contato direto do pesquisador com a situação investigada, onde se constroem as relações
cotidianas. Já a segunda teve base estatística, empregando-se, para tal, o pacote Goldvarb X. Os resul-
tados mostraram como as características de cada grupo e de seus membros influenciam na escolha de recursos
estilísticos para construírem sua identidade. O processo de concordância verbal pode ser notado como um recurso
estilístico notável utilizado tanto por funkeiros quanto por ecléticos na construção de identidade social; na varia-
ção desse fenômeno, a prática estilística é o fator mais relevante. A análise quantitativa permitiu responder aos
questionamentos levantados na etnografia e ainda trouxe um caráter mais objetivo à pesquisa. Os resultados
mostraram que os padrões de variação não se desdobram simplesmente a partir da posição estrutural do
falante em um sistema em que seu lugar social está pré-determinado, mas que o processo variável de
concordância verbal nas CPs é parte de uma produção estilística ativa de diferenciação social e, por-
tanto, de caráter dinâmico.

Palavras-chave: Variação. Estilo. Identidade. Concordância Verbal.

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APONTAMENTOS INICIAIS SOBRE AS CRENÇAS E ATITUDES


LINGUÍSTICAS DA CULTURA ITALIANA EM RESIDENTES DO
MUNICÍPIO DE MARAVILHA/SC

Ma. Nadieli Mara Hullen Gerei (PG-UNIOESTE)


Dra. Sanimar Busse (Orientadora – UNIOESTE)

A multiplicidade de falares permite a coexistência de diferentes culturas. Com efeito, há também um


conjunto de comportamentos e atitudes por parte dos falantes tanto em relação à sua língua quanto em
relação à língua do outro. Um dos exemplos mais expressivos da influência de outras civilizações em
nosso país é a de italianos; é sobre sua presença, suas crenças e atitudes linguísticas que
apresentaremos nesta pesquisa. Obrigados a encontrar um meio de comunicação, brasileiros e italianos
criaram, além de novos costumes, uma nova língua, o talian, que traz consigo tradição cultural e
linguística, e nos mostra a riqueza da diversidade. Os sujeitos da pesquisa são residentes do município
de Maravilha/SC, cenário de manifestação da emigração italiana, alemã, entre outras. Frente às
indagações: como a cultura e as manifestações linguísticas italianas estão presentes no cotidiano dos
maravilhenses? De que maneira elas se manifestam? Quais os incentivos públicos para a manutenção
dessas no município? Em qual das gerações estão mais presentes? Por quê isso acontece? Nos
propomos a responder, com a intenção de observar, conhecer, descrever e apresentar em que medida a
cultura italiana permanece no município de Maravilha/SC. Como base teórica norteadora nos
pautamos principalmente em Fishman (1970), Levi-Mattoso (1991), Labov (2008) e Calvet (2002).
Nesta comunicação, que consiste em levantamento teórico inicial de uma tese de doutorado,
procuraremos apresentar como a emigração se manteve viva nesta cidade, se as heranças linguísticas e
culturais dos antepassados italianos foram preservados por suas gerações e de que maneira esses
pretendem manter vivas as tradições e costumes dos pioneiros.

Palavras-chave: emigração italiana; cultura italiana; talian.

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IDEOLOGIA E RESISTÊNCIA: UMA ANÁLISE DISCURSIVO-


ARGUMENTATIVA SOBRE CHARGES PUBLICADAS NO JORNAL POEIRA

Bárbara Luise Hiltel Venturini


Thaís Aparecida Zorzela

As imagens, entendidas como representação social, se reciclam dentro de um processo de significação


que evoca o simbólico num constante movimento entre memória e atualização. A partir da
exterioridade linguística, tomadas enquanto materialidade significante, elas abrem espaço para que os
efeitos de sentidos se estabeleçam. Sob a ótica da Análise de Discurso francesa e da Semântica
Argumentativa, neste trabalho, analisaremos os aspectos ideológicos de charges publicadas no jornal
Poeira, produzido pelo movimento estudantil da Universidade Estadual de Londrina, no período da
ditadura militar no Brasil, como forma de resistência. Esse periódico, ligado à Imprensa Alternativa,
tinha o objetivo de desafiar os militares e informar as pessoas, superando a censura. Nesse sentido,
faz-se fundamental compreender como esses discursos tornam possíveis os sentidos silenciados,
deixados à margem. Ao analisar essas imagens em sua não-transparência, visamos à sua inscrição
histórica e, consequentemente, aos processos de assujeitamento envolvidos no percurso de
significação, ou seja, consideramos que os sentidos não significam em si, mas pela determinação de
posições ocupadas pelos sujeitos a partir de suas filiações ideológicas e formações discursivas
marcadas na história. Como os discursos estão em movimento, acreditamos que o processo de
significação das charges publicadas no periódico estudantil nos leva à compreensão do período
ditatorial e, também, do atual quadro sócio-político brasileiro.

Palavras-chave: Charge; Ideologia; Resistência; Ditadura militar brasileira.

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AS COMPOSIÇÕES VISUAIS-MEME DA PÁGINA ARTES DEPRESSÃO


COMO BRECHA PARA O RESISTIR

Bruno Arnold Pesch (UEM)

“Investigação sucinta do humor e ironia dentro do campo artístico”, esta é a maneira como a página
Artes Depressão (2018) se apresenta em sua biografia no Instagram. Partindo inicialmente desta
biografia (e) da relação dela com as composições visuais-meme produzidas pela página, investimos
analíticamente na possibilidade da resistência, aberta na/pela falha constitutiva do ritual. É pelas
resistências, conforme Pêcheux (1990, p.17) em Delimitações, inversões, deslocamentos, que começa
“[...] a se despir do sentido que reproduz o discurso da dominação, de modo que o irrealizado advenha
formando sentido no interior do sem-sentido”. Seleciona-se para esse movimento de reflexão teórico-
analítico quatro memes que circula(ra)m nas redes sociais – mais precisamente na página da Artes
Depressão no Facebook – acerca do cancelamento da exposição Queermuseu – cartografias da
diferença na arte brasileira, organizada pelo Santander Cultural. As composições visuais-meme feitas
pela página Artes Depressão acerca desse evento, e a relação desses memes com sua biografia (do
Instagram), nos levam a problematizar como, no movimento da formulação e circulação das
composições visuais-meme da página Artes Depressão, o (se) dizer acerca do cancelamento de uma
exposição artística pode abrir brechas para a resistência. Para tanto, objetiva-se, nesta investigação,
compreender, discursivamente, pela formulação e circulação das composições visuais-meme da página
Artes Depressão, a maneira pela qual o (se) dizer acerca do cancelamento de uma exposição sobre
diversidade pode abrir-se à resistência. Ressalta-se que a pesquisa faz parte da dissertação de mestrado
“Imago da arte em composições visuais-meme da página Artes Depressão”, em desenvolvimento na
Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Palavras-chave: Artes Depressão. Composição visual-meme. Resistência.

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A FALHA NO RITUAL: OS MEMES COMO DISCURSO DE RESISTÊNCIA

Célia Bassuma Fernandes (UNICENTRO)

Pelo viés discursivo, o espaço digital constitui um fenômeno fundamentalmente urbano, no qual
discursos se materializam por meio uma gama variada de textos, convocando gestos de interpretação
específicos. Dentre essa heterogeneidade de textos, estão os memes, que irrompem sempre que um
acontecimento da ordem da realidade rompe com a normalidade, perturbando sentidos já estabilizados.
Entrecruzando diferentes materialidades significantes, nesse espaço de produção de sentidos, os me-
mes viralizam numa velocidade assustadora, colocando em circulação discursos que não poderiam ser
materializados sob outras circunstâncias, configurando um discurso de resistência. Nesse movimento,
produzem deslocamentos no círculo da repetição, “[...] de modo que o irrealizado advenha formando
sentido do interior do sem-sentido” (PÊCHEUX (1990, p. 17). Para o autor, resistir consiste em “não
entender ou entender errado”, em não se submeter às ordens nem às “ladainhas” do discurso domina-
dor e em “[...] mudar, desviar, alterar o sentido das palavras e das frases; tomar os enunciados ao pé da
letra; deslocar as regras na sintaxe e desestruturar o léxico jogando com as palavras" (PÊ-
CHEUX,1990, p. 17). É esse funcionamento dos memes como discurso de resistência que nos interes-
sa, neste trabalho, em que buscamos compreender como, ao polemizar, questionar ou negar um con-
junto de representações já sedimentadas na nossa formação social, eles inauguram novas formas de o
sujeito se relacionar com a ideologia.

Palavras-chave: discurso; memes; resistência

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REVISTA CHACARAS E QUINTAES DE 1931: UM ESTUDO DE CASO SOBRE


O FUNCIONAMENTO DA PROPAGANDA NA CONSTITUIÇÃO DO
DISCURSO DO PEQUENO PRODUTOR RURAL

Débora Pereira Lucas Costa (Unemat/Sinop)


Tânia Pitombo de Oliveira (Unemat/Sinop)

O presente trabalho surge de questões formuladas durante as aulas do Programa de Pós-graduação em


Letras (PPGLetras), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat/Sinop). Toma-se como
objeto de estudo uma propaganda da empresa Adubos Vianna veiculada na revista segmentada rural
Chacaras e Quintaes, no ano de 1931. A veiculação ocorre no período em que o governo brasileiro
passa a incentivar o progresso, a ocupação do Centro-Oeste, a quebra dos desequilíbrios regionais e a
produção de alimentos para movimentar e abastecer o polo industrial da região Sudeste. Diferente das
outras duas publicações de destaque à época, voltadas às atividades de grandes propriedades rurais -
Auxiliador da Indústria Nacional e A Lavoura -, Chacaras e Quintaes dá voz e vez ao pequeno
produtor, silenciado pelos demais veículos de comunicação. Observa-se aqui uma resistência ao
assujeitamento ao discurso das elites e um deslocamento da imagem social de quem seriam os únicos a
desenvolver a atividade agropecuária brasileira. A propaganda da empresa Adubos Vianna, foca no
sujeito agricultor com produção de pequeno porte e estabelece uma relação parafrástica entre o solo e
a pátria. Este estudo de caso desenvolve-se na área teórica da Análise do Discurso materialista
histórica, mobilizando as noções de discurso, condições de produção, formações imaginárias e
memória, perante as textualidades escrita e imagética presentes na peça publicitária. Busca-se
compreender o funcionamento do discurso publicitário na construção da memória discursiva dos
agricultores brasileiros, segundo os preceitos do filósofo francês Michel Pêcheux e da pesquisadora
brasileira Eni Orlandi. A reflexão integra as atividades do Grupo de Pesquisa Educação Científico-
Tecnológica e Cidadania.

Palavras-chave: Discurso; Memória; Mídia

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DO “REGIME ESTÉTICO” DO CINEMA HOLLYWOODIANO NA


CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO PROFISSIONAL DE SECRETARIADO

Débora Sayuri Niki Caires (PG- UEM)


Roselene de Fatima Coito (Orientadora – UEM)

Resumo: No que se refere à relação entre a atividade cinematográfica e a construção da identidade do


secretariado, é notável a existência de filmes hollywoodianos que contribuíram de forma significativa
sobre a identidade deste sujeito, difundindo posturas e ideologias acerca do profissional de
secretariado. Diante disso, analisaremos três capas de filmes que circularam de 1983 a 2002 (His
Private Secretary, My dear Secretary e Secretary), enfatizando que todos esses filmes foram
produzidos nos Estados Unidos e, por isso, ganharam destaque e notoriedade mundial. Nosso objetivo
neste artigo é justamente discutir, respaldadas em Rancière, como o espaço cinematográfico estabelece
a conexão entre a estética e a política, conexão esta entendida por este filósofo francês como “um
modo de articulação entre maneiras de fazer, formas de visibilidade dessas maneiras de fazer e modos
de pensabilidade de suas relações, implicando uma determinada ideia da efetividade do pensamento”
(RANCIÈRE, 2005, p. 13). Nestes modos de fazer, discutiremos como as imagens, das capas deste
filmes em questão, suscitam estereótipos que são reforçados a respeito deste profissional, num
movimento de (re)atualização que repete o mesmo do mesmo e que se revela como imagens que
resistem a dizeres outros quando se perpetuam, nas práticas discursivas, enquanto memórias
(históricas e discursivas). Então, pensando nestas imagens que suscitam estereótipos laçaremos mão
também dos conceitos de ideologia(s), de formação discursiva e de identidade presentes nos
respectivos estudiosos Orlandi (2012), Pêcheux (1995), Hall (1997 e 2005), entre outros.

Palavras-chave: Secretariado Executivo; Regime estético cinematográfico; Ideologia(s)

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#TERRA LIVRE: A MATERIALIDADE DO DISCURSO EM REDE

Denikid Araújo Albino (UEM)

Pensando a internet em sua potencialidade de distribuição e proliferação de discursos, este trabalho


propõe discutir, a partir dos dispositivos teóricos e metodológicos da Análise de Discurso fundada por
Michel Pêcheux, movimentos de resistência em/na rede. Para tal propósito, analisaremos a luta cons-
tante pela estabilização de sentidos em rede através do imbricamento de uma hashtag (#ATL2018 -
Acampamento Terra Livre 2018), à imagens postas em circulação em rede, ambas veiculadas pelo
perfil Mídia Ninja na rede social Instagran, abrindo à possibilidade de resistência, especificamente
dos povos indígenas do Brasil. Tomaremos a resistência em relação à ideologia, enquanto espaço de
(re)produção de sentidos, que ora se apagam, silenciam ou escapam, com o objetivo de analisar os
sentidos que puderam ser recuperados pelos enunciados (re)produzidos na rede, mediante a observa-
ção de como a noção de sujeito se (re)configura no interior da própria teoria, tomando o digital como
materialidade discursiva. Em rede, tomaremos a hashtag em sua deslinearização de sentidos, enquanto
uma “réplica” observando que sentidos a instância política e midiática permite/possibilita recupe-
rar/replicar, visto que fatores históricos, ideológicos e sociais são determinantes de todo e qualquer
discurso e de toda e qualquer replicação. Das imagens, tomaremos a remissão do intradiscurso ao
interdiscurso, em que as composições imagéticas imbricadas à hashtag, funcionam como um operador
de memória. O percurso preliminar aponta para discursos de resistência que (des)estabilizam a repre-
sentatividade da posição dos indígenas, enquanto primeiros habitantes do Brasil, em movimentos
discursivos no digital que deslocam para sentidos outros, em que postar/compartilhar uma hashtag em
rede nos provoca a um retorno às noções de resistência e tomada de posição no âmbito da Análise de
Discurso pecheuxtiana, mediante a configuração da noção do sujeito do/no digital. Para pensar a rela-
ção entre resistência e tomadas de posição, analisamos uma série de enunciados que se vinculam à
declaração. Mediante a análise destes enunciados, procurar-se-á pontuar os movimentos de tomada de
posição e resistência dos sujeitos a esses dizeres, discutindo a amplitude das noções de resistência e de
tomada de posição na AD e sua produtividade na prática analítica.

Palavras-chave: Discurso. Materialidade digital. Resistência. Identidade digital.

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A DISPOSIÇÃO ARQUITETÔNICA COMO DISPOSITIVO DE PODER NA


GOVERNAMENTALIDADE DE IDOSOS EM CONDIÇÃO DE ASILO

Hoster Older Sanches (UEM)

Este trabalho faz parte de pesquisa da tese intitulada “A governamentalidade no discurso sobre os
idosos em condição de asilo”. Dentre os objetivos estipulados para a tese, a investigação discursiva da
arquitetura do asilo “São Vicente de Paulo” - em Jacarezinho, Paraná - visa compreender o exercício
da governamentalidade dos internos por meio também do esquadrinhamento espacial da instituição,
promovido pela disposição arquitetônica do prédio da instituição; constituindo-se, assim, como uma
prática discursiva no exercício do governo dos idosos. O presente trabalho investiga o funcionamento
da disposição arquitetural do asilo “São Vicente de Paulo”. Acredita-se que a arquitetura seja um dis-
positivo, que mantém, permite e distribui as funções dos sujeitos e as relações dentro da instituição
asilar, ao lado das relações de poder que ali se estabelecem, funcionando como dispositivo de poder
junto a disciplina. Para tal empresa, produziram-se imagens da instituição com o intuito de analisá-las
discursivamente a fim de entender como essa arquitetura funciona na governamentalidade dos idosos
institucionalizados. Ademais, a investigação discursiva procura responder a como a distribuição arqui-
tetônica do asilo em voga contribui para otimizar o governo dos internos. As imagens retiradas da
instituição correspondem a fotos produzidas por este pesquisador a partir de diferentes perspectivas da
referida instituição asilar. A pesquisa se pauta na teoria foucaultiana da análise do discurso, mobili-
zando, entre outros, conceitos como poder/resistência, governamentalidade, disciplina e dispositivo de
poder. Ao longo da análise, verificou-se que a disposição arquitetônica configura-se em exercício de
poder pelo discurso ao distribuir os corpos no território institucional e regulando as relações sociais
inerentes ao asilo, ou seja, a disposição arquitetônica funciona como dispositivo de poder. Dessa for-
ma, espera-se contribuir para com as possibilidades metodológicas de análises de imagens dentro da
perspectiva foucaultiana da análise discursiva.

Palavras-chave: Discurso; Imagem; Poder; Dispositivo.

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A PICTOGRAFIA EM ESPAÇOS MANICOIAIS: ESQUIZOLINGUAGEM

Jhony A. Skeika (PPGEL-UEPG)

Este estudo tem o objetivo de refletir sobre a produção artístico-literária que nasce em espaços
manicomiais, revelando a potência criativa de indivíduos marginalizados, excluídos e encarcerados em
ambientes violentos, cuja força repressiva tem sua forma manifesta no eletrochoque, na lobotomia e
em outros métodos de coação e controle da “loucura”. Assim como Antonin Artaud, que encontrou na
Arteterapia uma forma transcender as terríveis experiências que passou nos asilos de alienados de
Ville-Évrard e Rodez (França), de 1937 a 1946, esquizofrênicos brasileiros, como Maura Lopes
Cançado (1929-1993), Arthur Bispo do Rosário (1911-1989), além dos “clientes” de Nise da Silveira
(1905-1999) e os pacientes de Osório César (1895-1979), também fizeram dos espaços manicomiais
um celeiro profícuo de manifestação de sua sensibilidade e visão insólita da realidade, criticando as
mazelas da psiquiatria do século XX e encontrando uma linha de fuga para, pela escrita, pintura ou
outra forma de arte, suportar os horrores do mundo ao seu redor e organizar o caos do seu mundo
interior. Os textos que brotam dessas experiências manicomiais podem ser vistos pela ótica da
Pictografia (DERRIDA, 2011, p. 739), já que carregam, por vezes, um forte coeficiente de
desterritorialização, ruptura e hibridez das linguagens escrita e visual, não tolerando mais paredes
divisórias entre a imagem e a escritura, entre as artes e os gêneros textuais, entre os suportes e as
substâncias. Em minha análise, esses sujeitos exercitam expressões de uma linguagem experimental,
multifacetada, visual, híbrida, misturando diversos signos de maneira insólita e, sobretudo,
subvertendo o sistema da língua condicionada em uma comunidade linguística; uma linguagem que, a
partir das discussões dos filósofos franceses Gilles Deleuze e Félix Guattari, chamo de
Esquizolinguagem.

Palavras-chave: Pictografia; Esquizolinguagem; Manicômios.

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A CAUSA SECRETA: UMA PROBLEMATIZAÇÃO DISCURSIVA DAS


QUESTÕES DE PODER NO CAMPO DE SABER DA MEDICINA

Jonathan Rodrigues (UCS)


Luciene Jung de Campos (UCS)

Em A causa secreta (1885), Joaquim Maria Machado de Assis apresenta dois personagens médicos:
Fortunato, um típico homem burguês, de meia-idade, que demonstra prazer com o sofrimento alheio e
Garcia, um jovem sonhador, recém-formado que se interessa pelo comportamento atípico de
Fortunato. A partir do dispositivo teórico analítico e metodológico da Análise de Discurso, de linha
francesa, proposta por Michel Pêcheux, este conto é a materialidade no qual realizamos extrações de
sequências discursivas, buscando relacionar o conto de Machado de Assis com o mal-estar na ciência
médica, com a intenção de dirigir um olhar para as questões de poder no campo de conhecimento da
medicina que a obra apresenta, num contexto social, histórico e político específico. Pois, da mesma
maneira, podemos cogitar que na contemporaneidade, em alguns momentos, há uma busca de
homogeneização dos sujeitos, na busca de enquadrá-los em um pathos.No campo do saber médico, há
uma grande distinção entre anatomia e clínica, já que são duas figuras de saber antagônicas (Foucault,
1998). Na perspectiva discursiva pecheutiana, abordamos a medicina enquanto uma formação
discursiva heterogênea, que permite diferentes posições-sujeito. Como nesta materialidade, em que é
possível verificar duas posições-sujeito distintas nos personagens Garcia e Fortunato. Sendo o
primeiro o primeiro direcionado à clínica e, portanto, ao sujeito da Psicanálise, e o segundo
compreende o fazer médico na perspectiva do capitalismo, colocando o sujeito como objeto de gozo.
Logo, trata-se de um campo de saber que é implicado e atravessado pelo capitalismo, uma vez que
endossa a cura das doenças, por meio da medicalização do corpo, o que a distingue da Psicanálise,
muito embora esta tenha suas raízes na medicina. Nesse sentido, tomamos o conto como uma imagem
crítica que denuncia aspectos contraditórios da ciência médica.

Palavras-chave: Análise de discurso; Machado de Assis, Medicina

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(DES)COBRIR-SE: O SAGRADO E O PROFANO EM CELLOFANE MOTEL


SUÍTE

Lucas Men Benatti (UEM)

Orientada teórica e metodologicamente pela Análise de Discurso de vertente francesa, na perspectiva


de Michel Pêcheux, e seus desdobramentos no Brasil com Eni Orlandi, essa pesquisa tem por objetivo
observar no/pelo imbricamento artista-obra traços da artista Márcia X. que a significam e significam o
seu trabalho, tomando como material de análise, a performance Cellofane Motel Suíte, executada em
1985 em parceira com Alex Hamburger. O material de análise destinado à constituição do corpus
discursivo, é composto prioritariamente por fotografias e textos da performance em questão presentes
no site oficial da artista. Para além, mobiliza-se autores (BASBAUM, 2005; FERREIRA, 2013;
FREY, 2013; AMARAL, 2006; GOLDBERG, 2006; TVARDOVSKAS, 2008) que possibilitam a
compreensão das condições de produção que instaura e se instauram na obra, considerando, portanto,
o cenário político, social e artístico de inserção da artista e de sua obra. Como resultado, visualizamos
uma percepção imagética para além da sensação de óbvio, do apego as “intenções” do autor e que nos
levam a pensar artista-obra significando de modo polissêmico. Márcia X. em Cellofane Motel Suíte ao
mesmo tempo que veste seu corpo, em uma atitude de ocultação sexual descobrindo-o, coloca a vista
o coberto puritano e santificado que antecede o pecado original cristão ao exibir sua nudez, uma vez
que, a roupa que a cobre, não oculta seu corpo nu. A performance constitui-se em jogos de força do
imaginário, do simbólico que comporta a arte, o feminino e feminismos em seus funcionamentos
discursivos.

Palavras-chave: Análise de Discurso. Arte. Performance. Feminismos. Márcia X.

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A REPRESENTAÇÃO DO CORPO FEMININO EM MÍDIAS SOCIAIS


ALTERNATIVAS

Natacha Iria Pereira Lopes (UEPG)

Desde os princípios da civilização humana, os padrões de beleza têm se consolidado de maneira


notória, impondo-se, em especial, sobre o corpo feminino e construindo ideais acerca do mesmo. O
trabalho em questão tem por objetivo analisar a maneira como discursos veiculados em mídias
alternativas buscam desconstruir os padrões estéticos vigentes em nossa sociedade, bem como
procuram desmistificar o ideal feminino veiculado pelas mídias tradicionais. Para tanto, traçamos uma
breve linha do tempo, identificando a forma como como os padrões de beleza evoluíram e se
consolidaram, exercendo pressão sobre o corpo feminino e a representação social da mulher. A seguir,
debruçados sobre os conceitos de Fiorin, Orlandi e Pêcheux do que seriam discurso, ideologia e
formações discursivas, e como os mesmos se transformam e evoluem, passaremos à análise do corpus
da pesquisa, constituído por textos orais e escritos veiculados em plataformas como o YouTube, blogs
e Instragram. Os textos a serem utilizados tratam-se de discursos produzidos por produtores de
conteúdo que questionam a maneira como o corpo feminino vem sendo tratado pela mídia nas últimas
décadas, com a imposição de padrões como a magreza excessiva. Além disso, sugerem novas
maneiras de representar a imagem física e psicológica da mulher, buscando promover aspectos como a
auto aceitação e o empoderamento de mulheres que possivelmente venham a consumir este conteúdo.
Através dos passos acima relatados, busca-se compreender como se dá o processo de consolidação dos
discursos dominantes, bem como os esforços que levam à sua desconstrução e ao consequente
empoderamento de grupos sociais minoritarizados através da linguagem.

Palavras-chave: Discurso; Formações discursivas; Ideologia; Mídias sociais; Representação feminina.

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CORPOS PROIBIDOS, CORPOS QUE (NÃO) SE DÃO A VER: A


RESISTÊNCIA DO/AO ARTÍSTICO NO SOCIAL

Renata Marcelle Lara (UEM)

O corpo artístico-performático é um corpo que insiste em existir/resistir – materialização de "sujeitos


que teimam em (r)existir" (ORLANDI, Discurso em análise, 2012, p. 234) –, por mais que o corpo
social persista em cobri-lo, negá-lo, invisibilizá-lo por rejeição/proibição/interdição. “Corpo da
visibilidade e da invisibilidade, corpo que se deixa olhar e que se coloca na posição de quem olha”
(FERREIRA, cap. de O acontecimento do discurso no Brasil, 2013, p. 128, grifos da autora). O estudo
aqui apresentado diz acerca deste corpo artístico (re)afirmado por outros corpos-sujeitos que saem em
sua defesa em um vídeo produzido como resposta a críticas propagadas pela mídia e por sujeitos
outros em redes sociais a alunas e professores de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Maringá,
ao Curso e à Universidade, após apresentação cênico-performática de As pedras do meu sapato,
desenvolvida na disciplina Fundamentos da Direção I, e que foi parte do V SIES 2017 – Simpósio
Internacional de Educação Sexual: Saberes Trans/Versais/Currículos Identitários e Pluralidades de
Gênero. Os corpos (alunos-professores) que enunciam no vídeo, que se dão a ver/ser vistos, que olham
e são olhados, corporificam o político do artístico, no encontro da arte com o(/a) real(idade). Ao se
referir à desorientação como um paradigma proposto por Freud para “explicar a inquietante
estranheza”, Didi-Huberman (O que vemos, o que nos olha, 2010, p. 231, grifos do autor), retomando
pensamento freudiano, afirma que “[...] nossa desorientação do olhar implica ao mesmo tempo ser
dilacerados pelo outro e ser dilacerados por nós mesmos, dentro de nós mesmos. Em todo caso
perdemos algo aí, em todo caso, somos ameaçados pela ausência”. A indagação sobre como os
corpos-sujeitos que enunciam no vídeo – colocando-se no lugar de quem olha/é olhado, para dar a ver
os corpos artísticos da cena polemizada e dos sujeitos/instituição que representam – dizem (d)a arte,
em defesa dela, do sujeito artístico, do sujeito (da diversidade [do]) social, levou a analisar a
configuração de tais dizeres nessa produção videográfica que circulou nas redes sociais em resposta a
dizeres midiatizados sobre a cena artística, sobre os sujeitos que a encenaram e a Universidade em que
atuam. Tal vídeo é um dos materiais do Projeto de Pós-Doutorado A eclosão do corpo artístico no
corpo social.

Palavras-chave: corpo artístico-performático; arte-resistência; As pedras do meu sapato.

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DILÚVIO MA: ACONTECIMENTO DISCURSIVO


E CORTE ANALÍTICO NA CIDADE

Thaís Alves Ghenês (UCS)


Luciene Jung de Campos (UCS)

Dilúvio MA – A possibilidade da arte sobre as águas de Porto-Alegre” é uma performance da


oficina Arte e Sustentabilidade em Intervenções Urbanas do projeto ECOPOÉTICA. A concepção e
pesquisa da obra é de Rossendo Rodrigues com criação de Marina Mendo, compondo ambos a per-
formance. Dilúvio MA realiza uma investigação teórica e prática sobre a possibilidade da arte como
resgate político e ecológico, buscando por poéticas de sustentabilidade através de intervenções urba-
nas. As instalações cenográficas são construídas com lixo. O dispositivo teórico analítico metodológico
utilizado para sustentar as articulações é a Análise de Discurso (AD) de linha francesa, tendo como
principal precursor Michel Pêcheux. Deste modo, objetiva-se aproximar Arte e Psicanálise para
discutir os pontos de silenciamento no campo social, considerando o sujeito no entremeio da
Psicanálise, da Linguística e da Ideologia (FERREIRA, 2007). Assim sendo, buscam-se
tensionamentos entre a arte e a clínica psicanalítica, partindo da análise da performática cênica para
aproximar o conceito de corte analítico para a Psicanálise do conceito de acon-tecimento discursivo
para a Análise de Discurso. O corpus de análise é composto por duas sequências discursivas de
imagens da performance que apresentam dois corpos suspensos em uma rede de lixo, resistindo pelo
gesto. O significado do MA trazido pela obra, enquanto concepção de vazio no zen budismo remete
aos conceitos de Das ding e objeto a na Psicanálise, que correspondem ao vazio ou Real inominável,
lugar da falta constitutiva do sujeito. As sequências discursivas permitem que se articulem questões do
campo político ideológi-co e suas contradições na estrutura social, considerando as condições sócio-
históricas na relação entre os sujeitos, a memória discursiva do corpo enquanto insistência no político e
o espaço urbano. A obra artística toca nossa fragilidade e questiona o mundo imaginário de uma
fantasia que, por excelência, é capturada pelo consumismo. Portanto, a exemplo do corte analítico, a
arte suspende o significado evidenciando o que é negado, por sua função essencial enquanto utopia e
denúncia dos valores instituídos. Dilúvio MA, questiona o sujeito contemporâneo, expõe seu mal-estar
e vai em direção ao vazio através da suspensão do lixo sobre as águas do Arroio Dilúvio.

Palavras-chave: Teatro; Psicanálise; Ideologia

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CRIANDO UMA LITERATURA PESSOAL POR MEIO DA PRODUÇÃO DE


AUTORETRATOS.

Sirlene Felisberto Rodrigues (UTFPR)


Marilu Martens Oliveira (Orientadora - UTFPR)

Este trabalho relata experiências sobre produção de um portfólio, conjunto, entre o trabalho como
docente em arte e a minha produção como artista, conjugando ambos em um mesmo processo criativo
num estudo sobre a construção da autoimagem a partir do desenho, transgredindo e questionando
padrões de beleza a partir da observação das características pessoais em um trabalho que associou a
linguagem do desenho, leitura de obras de arte (Frida Kahlo e Leonílson), a linguagem da música,
exercícios cênicos e de desenho. Vale ressaltar, que o trabalho proposto transgride o conceito de litera-
tura como obra escrita composta por relatos e narrativas puramente verbais, mas propõe ampliar este
conceito para a interação entre as linguagens na produção de uma narrativa/literatura pessoal. A partir
da idéia de auto-retrato foram escolhidos dois artistas: Frida Kahlo (1907-1954), artista mexicana, que
tem uma vasta produção de auto-retratos e Leonilson (1957 - 1993), artista brasileiro, que trabalhou
com auto retratos em dimensões mínimas, pequenos objetos, e por incluir em seu trabalho um univer-
so particular, seus afetos, suas vivências. Esta proposta considera o fato de que ambos os artistas cria-
ram uma “Literatura pessoal” por meio de suas obras com características fortemente autobiográficas.
Frida relatou em diários e pinturas suas dores, alegrias e frustrações, assim como Leonilson, que asso-
ciava imagens e a palavra bordada para recriar o seu universo diante do espectador/leitor de seus qua-
dros. De uma forma ou de outra, os artistas narram, velam e desvelam as suas histórias pessoais por
meio das linguagens artísticas. Esta era a proposta de criação para mim como artista e para os alunos,
que desenvolviam junto comigo suas autobiografias em forma de desenho e escrita por meio do port-
folio.

Palavras-chave:

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O GÊNERO NOTÍCIA EM REVISTAS VIRTUAIS DIRECIONADAS AO


PÚBLICO LEITOR FEMININO: DIALOGISMO E AVALIAÇÃO SOCIAL

Amanda Maria de Oliveira (UFSC)

A presente pesquisa tem como objetivo compreender as imagens de mulher discursivizadas nas
notícias veiculadas em revistas virtuais potencialmente dirigidas ao público leitor feminino. No que se
refere ao subsídio teórico-metodológico, subsidiamos nosso estudo nos escritos do Círculo de Bakhtin,
nas Teorias do Jornalismo, assim como em considerações acerca dos movimentos feministas,
especialmente no contexto latino-americano. O universo de análise é formado por cinco revistas
femininas virtuais voltadas para o público adulto, isto é, Ana Maria, Claudia, Glamour, Marie Claire
e Tpm, sendo os dados 15 (quinze) exemplares do gênero notícia. Sobre a metodologia, a pesquisa
tem como subsídios as diretrizes propostas por Bakhtin e Volochínov (2009 [1929]) quanto ao método
sociológico de estudos da linguagem, bem como em Rodrigues (2001) e Acosta Pereira (2008; 2012)
no que diz respeito ao estudo da dimensão verbal e verbo-visual do discurso, respectivamente. As
análises mostraram que as revistas se orientam para as diferentes imagens de mulher vinculadas a
questões envolvendo o matrimônio, cuidado com os filhos, culinária e beleza. Com base nessas
imagens socialmente construídas e avaliadas pelas instituições jornalísticas, as notícias são construídas
de forma que ratifiquem essas imagens e reforcem a cristalização e atuação da mulher na vida privada.
Assim, ao mesmo tempo em que a construção das notícias é realizada de forma imparcial e com o
objetivo de constituir um público leitor fidelizado, os dizeres reenunciados e as avaliações dadas pelas
revistas convergem para o reforço desses papeis histórico e socialmente atribuídos à mulher. Por fim,
compreendemos a relevância desta pesquisa, uma vez que colabora para a consolidação do diálogo
entre pesquisas em torno de texto, enunciado e discurso à luz dos Estudos Dialógicos da Linguagem e
questões de gênero social.

Palavras-chave: Círculo de Bakhtin, dialogismo, gênero notícia; imagens discursivas de mulher.

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A DIMENSÃO SOCIAL E A DIMENSÃO VERBO-VISUAL DA CRÔNICA


JORNALÍSTICA NA PERSPECTIVA DIALÓGICA DO CÍRCULO DE
BAKHTIN

Fernando Arthur Gregol (UNIOESTE)

O estudo de gêneros discursivos é, em sua essência, bastante complexo, principalmente, quando


tomamos por base os escritos do Círculo de Bakhtin (BAKHTIN, 2010[1929]; 2011[1979];
BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2014[1929]). Entende-se, nesta perspectiva, que os gêneros são tipos
relativamente estáveis de enunciados, que se materializam por meio de textos-enunciados, e que se
organizam por duas dimensões inextricáveis: a dimensão extralinguística (ou social), isto é, o
horizonte espaço-temporal, o horizonte axiológico e o horizonte temporal; e a dimensão verbo-visual,
que trata do estilo linguístico, o conteúdo temático, a construção composicional e as múltiplas faces
semióticas constitutivas (RODRIGUES, 2001; 2005, BAKHTIN, 2011[1979], ACOSTA-PEREIRA,
2012, ROJO, 2013). Por isso, neste trabalho, inseridos na perspectiva da Linguística Aplicada, nosso
objetivo é apresentar reflexões acerca destas duas dimensões, tendo como base textos-enunciados do
gênero discursivo “crônica jornalística”, especificamente do autor Antonio Prata, da Folha de S.
Paulo. Para tanto, pautamo-nos na concepção dialógica da linguagem de Bakhtin/Volochínov
(2014[1929]), Bakhtin (2010[1929]; 2011[1979]), bem como na concepção de gêneros do discurso
proposta pelo autor. Assim sendo, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de base interpretativista.
Concluímos, com base na pesquisa realizada, que o gênero discursivo crônica, quando vinculado à
esfera jornalística, configura-se como um gênero situado nas fronteiras da informação e da diversão,
uma vez que, as discussões temáticas abordadas nos enunciados, são colocadas de forma descontraída,
porém abordadas em tom irônico para debater as ocorrências da sociedade.

Palavras-chave: Gêneros discursivos, textos-enunciados, dimensão social, dimensão verbo-visual,


Círculo de Bakhtin.

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POR UMA BASE DIALÓGICA PARA A PRÁTICA DE ANÁLISE


LINGUÍSTICA NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA NA ESFERA
ESCOLAR

Gabriela Debas dos Santos Clerisi (UFSC)

Ao tentar potencializar e viabilizar que os sujeitos possam agir emancipada e criticamente em


sociedade, muitos são os desafios encontrados em sala de aula pelos interlocutores da esfera escolar.
Nesse sentido, tomando como base as indicações dos Parâmetros Curriculares Nacionais, as quais
alicerçam o ensino de língua portuguesa à luz da concepção bakhtiniana de língua(gem), sabe-se que
as três unidades básicas para o ensino são a escrita, a leitura e a prática de análise linguística.
Preocupados com o entendimento, tanto teórico quanto metodológico, da referida prática de análise
linguística, a qual apresenta-se com igual importância ao lado da leitura e da escrita como práticas em
sala de aula, procuramos, neste trabalho, explicar sobre os fundamentos dessa prática. Para tanto,
igualmente aos documentos oficiais, centramo-nos na concepção de língua(gem) depreendida dos
escritos do Círculo de Bakhtin, e delineamos pressupostos teórico-metodológicos de base dialógica
para o trabalho com a prática de análise linguística na aula de Língua Portuguesa em contexto de
Educação Básica. Entendendo a língua(gem), desse modo, como um fenômeno/objeto social que
envolve sujeitos sócio-histórico-dialógicos, propomos uma prática de análise linguística que se dá por
um matiz social, tendo em vista os enunciados concretos e reais dos interlocutores, engendrados por
ideologias e índices valorativos atravessados pelas ressonâncias dos contextos sócio-histórico-
culturais nas diversas esferas da atividade humana.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Prática de Análise Linguística, Círculo de Bakhtin.

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UMA ANÁLISE BAKHTINIANA DAS VOZES HISTÓRICO-SOCIAIS


CONSTITUINTES DOS SIGNOS TERRA E REFORMA AGRÁRIA

Juliane Ferreira Vieira (UEM)

Esta proposta, que integra a tese Identidade de acadêmicos sem terra do Mato Grosso do Sul: uma
análise bakhtiniana das vozes constituintes de seus relatos pessoais, objetiva apresentar uma análise
de vozes histórico-sociais que constituem os signos terra e reforma agrária, tendo como pressuposto
teórico-metodológico os estudos do Círculo de Bakhtin. O signo é construído ao longo da história e
nas interações humanas, onde o Eu e o Outro encontram-se, o que revela ser ele um lugar que guarda
concordâncias e discordâncias ideológicas, conforme revela a teoria bakhtiniana. Por isso, todo signo
carrega em si uma valoração externa ideológica, de forma que o domínio do signo e o do ideológico é
mutuamente correspondente. Por essa perspectiva compreende-se que o signo é uma arena de disputas
ideológicas, em que se encontram visões de mundo opostas. A história, por esse viés, não é um marco
recortado no tempo, mas é um fluxo ininterrupto de interações entre sujeitos. Diante disso,
selecionamos vozes histórico-sociais que retratam os caminhos trilhados pelos signos terra e reforma
agrária em suas constituições. Essas vozes retomam eventos histórico-discursivos, que norteiam a
constituição dos referidos signos por meio de olhares de dois grupos: um contra a distribuição de
terras no Brasil e outro a favor. Nessa ótica, as vozes discordantes são aquelas que exercem uma força
social e política para impedir que a distribuição seja feita; já as vozes consoantes são aquelas que
pressionam os órgãos governamentais para que a reforma agrária aconteça verdadeiramente no Brasil.
Assim, por exemplo, têm-se a Lei de Terras de 1850, o Governo Militar e o grupo católico Tradição,
Família e Propriedade (TFP), como vozes discordantes, as quais se contrariam às vozes do Partido
Comunista Brasileiro (PCB), das Ligas Camponesas e do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra
(MST), vozes consoantes. Verifica-se que os signos terra e reforma agrária, em um movimento de
palavra e contrapalavra, incorporam sentidos ideológicos por carregarem em si realidades sócio-
histórico-discursivas múltiplas, ora conflitantes, ora consensuais.

Palavras-chave: Vozes histórico-sociais; Signos ideológicos; Palavra; Contrapalavra.

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REFLEXÕES SOBRE A HISTÓRIA DA DISCIPLINA DE LÍNGUA


PORTUGUESA: A PRÁTICA DE ANÁLISE LINGUÍSTICA COMO BASE
DIALÓGICA PARA UM ENSINO REFLEXIVO

Lays Maynara Favero Fenilli (UNIOESTE)

A Prática de Análise Linguística (PAL) no ensino de Língua Portuguesa (LP) foi proposta por Geraldi
(1984; 1991) como uma das práticas norteadoras da disciplina na década de 1980. Em seguida, foi
reconhecida pelos documentos direcionadores dessa disciplina (PCNs e DCEs) como um eixo para o
ensino da leitura e da produção textual aliada ao estudo dos aspectos linguísticos dos textos.
Entretanto, ainda é uma prática desconhecida/ nova para muitos professores de LP (conforme trabalho
anterior – FENILLI; COSTA-HÜBES, 2016). Tendo em vista a importância de que os professores
conheçam a PAL, nossa pesquisa visa refletir sobre a história da disciplina de LP, sua relação com o
ensino da gramática e apresentar a PAL como base para um ensino mais completo e reflexivo da
língua. Para isso, debruçamo-nos sobre os seguintes questionamentos: Como se deu a constituição da
disciplina de LP no Brasil? Qual a relação desse histórico com o ensino de gramática? Por que a PAL
representa um novo olhar sobre o ensino de LP? Para desenvolver nossas reflexões sobre o tema,
lançamos um olhar sobre o objeto que se ancora na teoria do Círculo de Bakhtin
(BAKHTIN/VOLOCHINOV, 2003; 2004), visto que pensamos a língua como materializada por meio
de enunciados que constituem gêneros discursivos. Recorremos também a autores como Geraldi
(1984,1997), Possenti (1997), Britto (1997), Travaglia (1998), Soares (2002), Franchi (2006),
Mendonça (2006) e Rodrigues e Cerutti-Rizatti (2011). No que tange aos aspectos metodológicos,
nossa pesquisa é qualitativa, de base interpretativista e também de revisão bibliográfica, pois
apresentamos a voz dos autores no que tange à história da disciplina de LP e tecemos reflexões sobre
essa história de forma a relacioná-la com a PAL e as possibilidades por ela apresentadas para um
ensino de LP contextualizado, reflexivo, crítico, ou seja, dialógico. Como resultado, entendemos que a
PAL se constitui como um eixo norteador do ensino da LP, que alia a leitura e a produção textual de
modo que possamos refletir sobre os usos da língua de forma contextualizada.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa; Gramática; Prática de Análise Linguística.

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PRODUÇÃO E REESCRITA DE TEXTO: REFLEXÕES SOBRE A LÍNGUA


ESCRITA

Leliane Regina Ortega (UNIOESTE)


Terezinha da Conceição Costa-Hübes (UNIOESTE)

Analisar os textos produzidos pelos alunos e direcionar a reescrita exigem conhecimentos científicos
sobre a língua que auxiliem o professor a compor o caminho a ser traçado para a superação das
dificuldades e para o avanço no processo de escrita. Assim, o objetivo deste trabalho é refletir sobre
possíveis encaminhamentos para a reescrita de textos, a partir das pistas que o texto do aluno oferece
ao professor. As produções de texto que guiou esta reflexão originaram-se de uma Sequência Didática
com o gênero Contos de fada retirada do Caderno Pedagógico denominado “Sequência Didática: Uma
proposta para o ensino da Língua Portuguesa no Ensino Fundamental” (COSTA-HÜBES;
BAUMGÄRTNER, 2009), obra organizada por Costa-Hübes e Baumgärtner. A partir dos textos
produzidos pelos alunos, buscamos refletir sobre como um instrumento, denominado Tabela
Diagnóstica, elaborada por Costa-Hübes (2012), pode contribuir com o professor no momento da
avaliação do texto do aluno, nos auxiliando na identificação dos aspectos ainda não dominados para
possíveis mediações. Embasamo-nos teoricamente nos estudos do Círculo de Bakhtin e autores que
dialogam com a Concepção Dialógica da Linguagem como Geraldi 2011[1984]; 1997), Costa-Hübes
(2012) e Menegasi (1998). A Tabela Diagnóstica foi adaptada para as especificidades do gênero
Contos de Fadas e para o 6º ano do ensino fundamental e as atividades propostas contribuíram com
algumas possibilidades de trabalho a partir do que foi diagnosticado por meio da tabela. Como
resultado, entendemos que essas atividades possam favorecer a reflexão do aluno sobre a utilização da
língua escrita em diferentes situações interlocutivas.

Palavras-chave: Produção textual; Reescrita de texto; Gênero discursivo Contos de fadas

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A DISCURSIVIZAÇÃO DA PRÁTICA DE ANÁLISE LINGUÍSTICA NOS


MANUAIS DO PROFESSOR EM LIVROS DIDÁTICOS DE LÍNGUA
PORTUGUESA: UMA ANÁLISE DIALÓGICA

Luana de Araujo Huff (UFSC/IFC)

O Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) alcança mais que 90% dos alunos da rede pública de
ensino (FNDE, 2015). De tal maneira que, apesar de seu uso em sala de aula ainda dividir opiniões de
professores e teóricos, é inegável a relevância dessa ferramenta. Ciente disso, este trabalho – fruto da
minha dissertação de mestrado - busca verificar como, nas páginas dedicadas ao professor no livro di-
dático, se dá a orientação para o trabalho com a língua(gem), mais especificamente sobre como se re -
fletem/refratam os discursos em torno da prática de análise linguística enquanto opção ao ensino de
língua puramente gramatical. Para tanto, analisamos dialogicamente os discursos dos manuais do pro -
fessor das três coleções de livros didáticos de Língua Portuguesa mais utilizadas nas escolas estaduais
de Ensino Médio no estado de Santa Catarina. Servindo-se teórica e metodologicamente dos escritos
do Círculo de Bakhtin e dos seus interlocutores contemporâneos, o percurso de análise iniciou-se pelo
cronotopo em que os discursos dos manuais se constituem, passando pela compreensão dos discursos
com os quais dialogam, para podermos, por fim, entender as forças centrífugas e centrípetas que con-
vergem/divergem com o discurso da prática de análise linguística. Ao percorrer tais caminhos, pode -
mos entender que, circunscritos no cronotopo de crise do ensino de línguas, os manuais do professor
revelam um discurso de conflito que, ora se aproxima da prática de análise linguística ora se distância
dela, em vista das expectativas de seus interlocutores em potencial: professores e gestores da educa-
ção.

Palavras-chave: Análise Dialógica de/do(s) Discurso(s); Manual do Professor; Prática de Análise Linguística

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A VERBIVOCOVISUALIDADE NA ESCOLA: PROPOSTA BAKHTINIANA

Luciane de Paula (UNESP)

Esta comunicação se volta à ideia de verbivocovisualidade, encarada como constitutiva da concepção


bakhtiniana de linguagem, entendida como tridimensional e se volta à sua importância na escola, ma-
terializada em enunciados que exploram mais de uma dessas dimensões (verbal, vocal e visual). Pen-
sar numa proposta bakhtiniana de ensino de língua requer considerar a tridimensionalidade da lingua-
gem, tomada em seu funcionamento histórico, sócio, cultural, de maneira viva, como evento único e
elo na cadeia da comunicação. Refletir sobre a importância dessa concepção de linguagem como ins-
trumento de aprendizagem significa repensar a concepção de ensino e mesmo de linguagem, uma vez
que a verbivocovisualidade pode ser tomada como procedimento de análise calcado na construção
arquitetônica enunciativa, focada em diferentes materialidades. O objetivo é refletir sobre o postulado
bakhtiniano para estudos de discursos em sala de aula e na presença dos diversos gêneros, de maneira
interdiscursiva e intertextual, como presumem os documentos e nem sempre se faz em sala de aula – e
aposta-se, tão necessária. O enunciado, na relação com a vida, como ato, explicita a proposta de hete-
rociência da filosofia bakhtiniana e essa é a importância da reflexão aqui proposta. Será utilizada uma
glosa de Cervantes em diálogo com um desenho de Portinari e um poema de Drummond à guisa de
ilustração de uma proposta de ensino da verbivocovisualidade da linguagem bakhtiniana e sua impor-
tância na educação. O enunciado se compõe como reflexo e refração da vida, em ato, como acredita-se
deva ocorrer na escola, o que vai ao encontro, inclusive, da proposta de heterociência da filosofia
bakhtiniana e de sua abordagem de língua e linguagem, dentro e fora da sala de aula.

Palavras-chave: Círculo de Bakhtin; Verbivocovisualidade; educação.

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LETRAMENTO DIGITAL E ENSINO: NOVAS RELAÇÕES DIALÓGICAS E


APRENDIZAGENS

Maria de Lourdes Rossi Remenche (UTFPR)

Os estudos sobre Letramento evidenciam que os usos linguísticos são situados e constituem-se em
práticas sociais, desenvolvidas ao longo do tempo e em diferentes culturas, servindo de base para a
configuração, relativamente estável, dos gêneros discursivos. Neste artigo, entendemos que os
letramentos são situados na história e no tempo, acompanham a mudança dos diferentes contextos
tecnológico, social, político, econômico ou cultural. Tais perspectivas apontam que os letramentos
implicam movimentos dinâmicos de inserção e participação nas práticas sociais e culturais de escrita e
de leitura. Assim, ao discutirmos os novos letramentos, precisamos atentar para o espaço ocupado
pelas diferentes modalidades de interação ou de produção de sentido e de conhecimento. A utilização
dessas novas formas de representação e de recursos tecnológicos produz impactos na vida social, nas
formas de interação dos sujeitos e no processo de ensino-aprendizagem. Considerando essa questão,
buscamos neste artigo problematizar alguns aspectos do letramento digital, com análise de recursos
baseados na resolução de problemas. Para tanto, ancoramos nossa análise nos estudos do Círculo de
Bakhtin, nos estudos sobre Letramentos (STREET, 1984 e 2006) e letramento digital (XAVIER, 2002;
BARTON E LEE, 2015). As reflexões elaboradas apresentam uma breve síntese de como o
desenvolvimento das tecnologias podem impactar o processo de ensino-aprendizagem. A análise
empreendida evidencia que as práticas educativas, apoiadas em tecnologias digitais, podem
desenvolver a autonomia e a participação dos estudantes nos novos espaços de aprendizagem.

Palavras-chave: Letramento Digital; Processo de ensino-aprendizagem; Relações dialógicas.

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A IDENTIDADE DE SUJEITOS TRANS EM NOTÍCIAS ONLINE: NUANCES


IDEOLÓGICO-VALORATIVAS A PARTIR DO DECRETO Nº 8.727/2016

Maria Lígia Freire Guilherme (UFSC)

A presente pesquisa busca analisar as nuances ideológico-valorativas relativas à identidade de sujeitos


trans em notícias do jornalismo online, a partir das relações dialógicas que se tecem entre a
promulgação do Decreto Nº 8.727, em abril de 2016, e notícias do jornalismo online. Esse decreto,
que dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de sujeitos trans
em órgãos públicos federais, atende, de certo modo, parte das expectativas e reinvindicações dos
movimentos trans e LGBTI, na sua luta contra a exclusão social e a opressão. O evento de publicação
do Decreto Nº 8.727 provocou uma série de reações-respostas em esferas sociais distintas, dentre
essas, selecionamos 10 (dez) enunciados do gênero notícia online, publicados entre abril de 2016 e
agosto de 2017, que abordam questões relativas ao uso do nome social e o reconhecimento da
identidade de gênero de sujeitos trans. Observamos, na análise dos dados, certas regularidades
discursivas que sugerem posicionamentos valorativos distintos acerca da identidade desses sujeitos.
Notamos tanto traços reiterados de um questionamento da identidade trans e de um apagamento da
noção de identidade de gênero, como também nuances ideológico-valorativas positivas, com cessão de
espaço de voz para esses sujeitos, além da compreensão do nome social como uma ferramenta de
cidadania e de inclusão social. Este estudo, que se caracteriza como uma análise dialógica do discurso,
se situa no campo da Linguística Aplicada contemporânea e tem ancoragem teórico-metodológica nos
estudos do Círculo de Bakhtin.

Palavras-chave: Análise Dialógica do Discurso; Círculo de Bakhtin; Decreto Nº 8.727.

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OS GÊNEROS DISCURSIVOS EM AULAS DE LÍNGUA ESPANHOLA

Michelly Ferreira de Mendonça (UNIOESTE - Cascavel)


Terezinha da Conceição Costa-Hübes (UNIOESTE - Cascavel)

O livro didático (LD), em muitos casos, tem sido mais do que um material de apoio por ocupar um
lugar de destaque em aula de línguas, quando o professor adota seus encaminhamentos como o único
caminho possível para seu trabalho. Nesse caso, se documentos parametrizadores como os Parâmetros
Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) e a Base Nacional Comum Curricular (BRASIL, 2017)
defendem um trabalho com a língua sustentado pela concepção interacionista que reconhecer os
gêneros discursivos como elemento articulador da linguagem, parece-nos pertinente investigar como o
LD atende a essa orientação. Assim a proposta de pesquisa que apresentamos tem como objetivo
refletir sobre a abordagem dada aos gêneros discursivos em livros didáticos de Língua Espanhola do
terceiro e quarto ciclo do Ensino Fundamental e sua relevância para as práticas de letramento no
contexto da Amazônia Sul-Ocidental. Para tanto, recorrermos aos escritos do Círculo de Bakhtin
(BAKHTIN, 2010[1929]; 2011[1979]; BAKHTIN/VOLOCHÍNOV, 2014[1929]), uma vez que
pretendemos sustentar os estudos na Análise Dialógica do Discurso (ADD). Recorreremos, ainda, aos
estudos do Letramento (FREIRE, 1987) e dos Novos Estudos do Letramento (STREET, 2003;
BARTON, 1994; BARTÃO e HAMILTON, 1998; GEE, 2004, 2005; DIONÍSIO, 2007a, 2007b).
Trata-se de uma pesquisa em andamento, inscrita na área da Linguística Aplicada (PENNYCOOK,
2006; MOITA LOPES, 2006; SIGNORINE e CAVALCANTI, 1998, dentre outros), de abordagem
qualitativa interpretativista (BORTONI-RICARDO, 2008), de cunho exploratório. Como resultado,
esperamos contribuir para o aprofundamento metodológico relativo ao papel dos gêneros discursivos
no livro didático de Espanhol do Ensino Fundamental em relação às práticas de letramento.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos; Letramento; Livro Didático de Língua Espanhola

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ESTUDOS EM LINGUÍSTICA APLICADA: ENTRE DISCURSOS,


TECNOLOGIAS E IDENTIDADES

Nívea Rohling (UTFPR- Campus Curitiba)


Paula Caroline Zarth Padilha (UTFPR - Campus Curitiba)

A presente comunicação visa apresentar um panorama dos estudos produzidos pelo Grupo de Pesquisa
em Linguística Aplicada (GRUPLA), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos de
Linguagens, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Campus Curitiba. Uma das temáticas de
investigação do referido grupo são as relações entre discurso, tecnologias e identidades, tendo como
ancoragem epistemológica os escritos do Círculo de Bakhtin em diálogo com outras áreas como
Estudos Culturais e Estudos de Mídias. O enfoque é observar como as identidades sociais são
construídas, reconstruídas, negociadas, negadas ou impostas discursivamente e de que modo esses
discursos identitários são materializados em diferentes gêneros discursivos. Importa também refletir o
papel das tecnologias, sobretudo as digitais, como potencializadoras dessa produção discursiva acerca
das identidades. Interessa, de modo especial, os discursos sobre as identidades consideradas periféricas
como propõe a agenda da Linguística Aplicada contemporânea, perfazendo um movimento
epistemológico que se mostra anti-hegemônico, fronteiriço e híbrido. Nesse sentido, de acordo com
Kleiman (2013), põe em visibilização identidades de resistência ao focalizar participantes de
movimentos feministas, movimentos étnico/raciais, dos movimentos gays, dos sem-terra, sem-teto, dos
sem-escrita, de professores. Como exemplificação dos estudos desenvolvidos, nesta comunicação, será
apresentada uma análise de cadeias enunciativas produzidas por sites de notícias que evidenciam os
modos de discursivizar a identidade do sujeito morador de rua. Os aspectos mobilizados, sob a
perspectiva da Linguística Aplicada, incluem os conceitos de alteridade, enunciado, discurso e sujeito
(BAKHTIN, 2010[1920]; 2015[1930]); identidade social (BHABHA, 2005; HALL, 2006; MOITA
LOPES, 2003) e de ocupação do espaço público (ARENDT, 1997; 2012[1966]). O objeto em análise
inclui matérias jornalísticas e comentários de leitores publicados online sobre o tema “remoção de
moradores de rua”. A análise evidencia que a identidade do sujeito morador de rua, materializada nessa
cadeia enunciava, é de considerá-lo como não pessoa e não parte da população com direito de ir e vir e
de ser vista e ouvida e que, portanto, deve desocupar o espaço público da rua.

Palavras-chave: Linguística Aplicada; Discurso; Bakhtin; Identidades.

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A VALORAÇÃO PRESENTE NA DISCURSIVIZAÇÃO DE GRADUANDOS DE


UM CURSO DE LETRAS EAD ACERCA DOS CONTEÚDOS DAS
DISCIPLINAS DE LINGUÍSTICA

Rafael Vitória Alves (UEM)

Este trabalho apresenta um percurso analítico que visa compreender como graduandos de um curso de
Letras Português-Inglês, na modalidade de educação a distância, de uma universidade pública
paranaense, discursivizam as suas experiências/percepções em relação ao conteúdo das disciplinas de
Linguística. Nos movimentos analíticos empreendidos no primeiro contato com os dados, ascendeu-se
o conceito de valoração que foi, por essa razão, posto na centralidade, mas sem perder de vista seu
engendramento com outros conceitos também provenientes dos escritos do Círculo de Bakhtin,
sobretudo a partir do escopo dos Estudos Dialógicos adotado para o trabalho. O corpus é composto
por respostas dadas pelos graduandos ao Processo de Avaliação Interna (PAI), dos anos de 2015 a
2017, que consiste em um questionário enviado após a finalização de cada disciplina para fins de
avaliação do processo de ensino e aprendizagem. Ao final, compreendemos que, de forma geral, os
sentidos advindos dos enunciados dos graduandos saturam-se por uma valoração positiva no que
concerne ao reconhecimento de que os conteúdos são importantes para a sua formação, não só como
futuros professores, mas como sujeitos sociais. Assim, reenunciam discursos já-ditos sobre o
primordial papel da linguagem em diferentes contextos, o qual foi discutido nas próprias disciplinas e,
em razão disso, assumem a posição de estudiosos da linguagem. No entanto, foi percebida a
recorrência de outra valoração, que expressa a complexidade/dificuldade de conteúdo, cuja atenuação
tende a acontecer, na visão dos graduandos, ao se prover uma facilitação na linguagem da explicação
do professor, bem como do material didático. Há, de tal modo, reenunciação a discursos já-ditos sobre
o princípio de linguagem acessível como facilitadora da compreensão de conteúdo, ao passo que os
graduandos assumem tanto a posição de estudantes, que identificam a melhor forma de aprender,
quanto a de futuros professores, que refletem sobre as melhores práticas para ensinar. Esses
enunciados também são entendidos como pré-figurados, pois são “moldados” a partir de uma reação-
resposta desejada do interlocutor – a coordenação pedagógica do curso –, quando se espera mudança
na linguagem que veicula os conteúdos.

Palavras-chave: Estudos dialógicos. Valoração. Educação a distância. Linguística.

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O GÊNERO CAPA DE REVISTA SOB A PERSPECTIVA DIALÓGICA DA


LINGUAGEM: UMA PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DIDÁTICA

Rosangela Oro Brocardo (UNIOESTE)

Configurados como práticas sociais de uso da linguagem em contextos específicos, os gêneros têm sido,
nos últimos anos, motivo de estudos dos mais variados domínios do saber. No campo da Linguística
Aplicada, por exemplo, há diversas pesquisas que buscam elucidar o papel dos gêneros e sua relação com
o ensino de Língua Portuguesa, pautando-se nos princípios da teoria bakhtiniana. No entanto, observamos
que, no contexto escolar, ainda há uma confusão conceitual sobre o que se entende por gênero discursivo:
sobrepondo-se aos elementos da interação, ora é subordinado restritamente à noção de estrutura textual,
ora relacionado a tipologias textuais. Desse (des)entendimento, sem menção à interação e
supervalorizando suas estruturas textuais, observamos que o trabalho com os gêneros na escola se volta,
muitas vezes, para o seu ensino meramente conceitual, minimizando sua relativa estabilidade, assim
como as relações dialógicas entre as dimensões social e verbal dos enunciados. Na tentativa de contribuir
para a minimização dessas problemáticas, este estudo objetiva apresentar uma proposta de elaboração
didática do gênero discursivo capa de revista. Para tanto, o aporte teórico construído para este trabalho
está pautado na concepção dialógica de linguagem, conforme proposto pelo Círculo de Bakhtin, assim
como em pesquisas de alguns de seus interlocutores contemporâneos. Posicionamo-nos no contexto da
pesquisa crítica, inserida no campo da Linguística Aplicada, como um espaço de natureza
inter/transdisciplinar e de articulações teórico-metodológicas orientadas pela análise do sujeito situado
socialmente. Em busca de dar conta da complexidade do trabalho com a LP, esse estudo pode contribuir
para as reflexões acerca do trabalho com os gêneros discursivos em sala de aula, diminuindo, dessa
maneira, o descompasso entre a teoria dialógica e a prática observado atualmente.

Palavras-chave: Circulo de Bakhtin; Elaboração didática; gênero discursivo; capa de revista

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A CONCEPÇÃO DE LINGUAGEM E OS GÊNEROS DISCURSIVOS EM


CURSOS DE LETRAS DO ESTADO DO PARANÁ: UM DIÁLOGO COM OS
ESTUDOS LINGUÍSTICOS DO CÍRCULO DE BAKHTIN E SUAS
(RE)ENUNCIAÇÕES NAS DCE

Tatiana Fasolo Bilhar de Souza (UNIOESTE)


Terezinha da Conceição Costa-Hübes (UNIOESTE)

Em 2008, no Paraná, publicaram-se as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (DCE). Esse


documento, ainda vigente, orienta um ensino de Língua Portuguesa (LP) norteado pelas ideias
linguísticas do Círculo de Bakhtin: centrado na concepção interacionista e dialógica de linguagem e no
trabalho com os gêneros discursivos em sala de aula. No entanto, para terem condições de efetivar a
proposta, os professores de LP devem receber, desde a graduação, uma formação coerente com tais
propósitos. Assim, esta pesquisa analisa os três cursos de Letras da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná (UNIOESTE) – campi Cascavel, Foz do Iguaçu e Marechal Cândido Rondon, buscando
responder: Que diálogo existe entre os Projetos Político-Pedagógicos (PPP) dos cursos e os planos de
ensino de suas disciplinas voltadas à formação do professor de LP com o que preconizam as DCE?
Realizamos uma pesquisa qualitativa e interpretativista, inscrita na Linguística Aplicada, focada na
análise documental do PPP e de planos de ensino dos cursos, na qual observamos a concepção de
linguagem que orienta a formação inicial do professor de LP e sua relação com as DCE. Os resultados
indicam que o diálogo com as DCE é distinto nos três cursos. Em Cascavel, a licenciatura está, em grande
medida, subsidiada pela concepção de linguagem como instrumento de comunicação, não privilegiando
uma formação inicial coerente com a proposta do documento pedagógico estadual. Em Foz do Iguaçu, o
curso se pauta pela concepção de linguagem das DCE e algumas disciplinas não só discutem sua proposta
de ensino como propõem o estudo dos gêneros nos moldes bakhtinianos. Em Marechal Cândido Rondon,
embora se paute pela concepção interacionista de linguagem, o curso adota um eixo organizador para as
disciplinas de LP contrário aos pressupostos bakhtinianos para o estudo da língua. O diálogo com as
DCE, desse modo, se dá mais no sentido de discutir a proposta do documento do que de nortear as
disciplinas por suas concepções.

Palavras-chave: Formação inicial do professor de Língua Portuguesa; Concepção interacionista e


dialógica de linguagem; Gêneros discursivos

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VERBO DICENDI E ENTONAÇÃO VALORATIVA NO GÊNERO


DISCURSIVO REPORTAGEM DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Tiago Guimarães dos Santos (UEM)

Este trabalho, vinculado ao Programa e Pós-Graduação em Letras (PLE), da Universidade Estadual de


Maringá (UEM), tem por objetivo analisar o valor axiológico entonacional dos verbos dicendi no
gênero discursivo reportagem de divulgação científica e, também, refletir sobre os sentidos produzidos
pela escolha desses verbos na composição dos textos com base no referido gênero. Compreendemos
que no processo de citação da fala de outrem, prática recorrente na reportagem, o autor-enunciador
marca uma posição valorativa por meio dos verbos dicendi, ou seja, modaliza o discurso citado
aprovando-o ou reprovando-o de acordo com seu intuito discursivo. Dessa forma, compreendemos que
há uma ilusão de objetividade e imparcialidade na reportagem considerando o gênero, de maneira
geral, da categoria informativa. Trabalhamos com a hipótese de que é possível depreender a posição
do autor da reportagem por meio das marcas lingüísticas e enunciativas escolhidas no momento de
enunciação. Para tanto, respaldamo-nos teórica e metodologicamente na perspectiva dialógica de
linguagem, advinda dos postulados do Círculo de Bakhtin, assim como em alguns de seus
explicadores no contexto brasileiro. Serão analisadas diversas recorrências de uso dos referidos verbos
em revistas jornalísticas, especializadas em divulgação científica. Por meio do recorte a uma pesquisa
maior que estamos implementando, esperamos compreender o funcionamento dos verbos dicendi na
reportagem de divulgação científica enquanto marca significativa de valoração, buscando
compreender, também, como o uso desses verbos, no processo de citação, revela a posição do autor-
enuciador no momento de enunciação.

Palavras-chave: Gêneros Discursivos. Dialogismo. Reportagem Científica

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A SÍNDROME DA AUTOSSUFICIÊNCIA ÉTICA:


A QUEDA DE MINISTROS SOB A POSTURA DISCURSIVA DA REVISTA
VEJA

Tiago Mathias da Silva (UNIP)

Esta é uma pesquisa interdisciplinar entre a Comunicação e a Linguística e que, a partir da


compreensão discursiva do gênero reportagem, checa um conceito definido na esfera da primeira área
do conhecimento: a síndrome de autossuficiência ética. Busca-se, portanto, não o ineditismo do ponto
de vista metodológico, mas nova contribuição técnica para analisar uma premissa fundamental do
Jornalismo e que interfere diretamente na relação com o público, maior interessado na mediação dos
acontecimentos políticos do país. Para compreender a condução discursiva de uma reportagem
escrita, aqui apropria-se da Análise Dialógica do Discurso. Para conferir inovação ao trabalho
qualitativo, a concepção difundida pelos intelectuais russos Mikhail Bakhtin e Valentin Nikolaievitch
Volochinov foi, também, considerada a partir da classificação de estudiosos brasileiros em
Linguística. O método permitiu estabelecer relações diretas com técnicas e características do
Jornalismo. Enquanto gênero discursivo, a reportagem pode ser analisada enquanto materialidade
ideológica e, também, enquanto manifestação da atividade informacional. Para isso, os conceitos de
Bakhtin/Volochinov (1992) ainda foram assimilados a importantes delimitações de autores desta
segunda área de conhecimento, como Eugênio Bucci. Teve-se como princípio norteador a postura de
autossuficiência ética na condução das reportagens da Revista Veja. Em conflito, a suspeição inicial
de que a Revista Veja tivesse utilizado mecanismos linguísticos para configurar interpretações
tendenciosas do ponto de vista político. E, para a análise dialógica, foi considerada a cobertura
jornalística do semanário acerca da queda de ministros do Poder Executivo Federal durante três
diferentes mandatos presidenciais, no período entre 1995 e 2014. A partir das capas ou das chamadas
de capa, a primeira reportagem que abordou episódios políticos dessa natureza, em cada um dos
mandatos, foram selecionadas e submetidas às concepções bakhtinianas.

Palavras-chave: Linguística Aplicada; Análise Dialógica de/do Discurso, Processos Editoriais; Produtos
Editoriais; Revista Veja

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TÍTULO: COMANDOS DE PRODUÇÃO ESCRITA SOB A PERSPECTIVA


DOS GÊNEROS. INTERVENÇÕES QUE ORIENTAM A ESCRITA A PARTIR
DO CONTEXTO DE PRODUÇÃO E DE ORIENTAÇÕES QUE EVIDENCIAM
O INTUITO DO DIZER.

Adriana Luzia Gomes Demori (PROFLETRAS – CAPES – UEM)


Luciane Braz Perez Mincoff (Orientadora - UEM)

Este trabalho é parte da dissertação de mestrado, vinculado ao Profletras - Mestrado Profissional em


Letras, com título ‘Comandos de produção: recursos de direcionamento da produção escrita de alunos
do 9º ano do ensino fundamental’. Essa pesquisa objetivou aplicar, analisar e reestruturar comandos
que orientam a produção escrita, em sala de aula, a fim de observarmos como as categorias discursivas
se apresentam nesses enunciados, bem como os impactos que os comandos de produção geram na
escrita dos alunos. Para tanto, aplicamos os comandos de produção escrita do Livro Didático de
Português, doravante LDP. Em seguida, refletimos sobre os impactos que esses comandos exerceram
na escrita dos alunos e, aplicados os comandos fornecidos pelo LDP, reelaboramos/readequamos os
enunciados que orientaram as produções escritas em situação de ensino. Assim, essa pesquisa de
cunho qualitativo-interpretativista com caráter de pesquisa - ação foi aplicada em uma turma do 9º ano
do Ensino Fundamental de uma escola da Rede Estadual de Ensino de Maringá, região Noroeste do
Paraná. Os comandos de produção do LDP Português: Linguagens dos autores Willian Cereja e
Thereza Cochar do PNLD-LP/2015 (2015) foram aplicados, analisados e reformulados sob a
perspectiva dos gêneros do discurso, fundamentados pelo aporte do círculo de Bakhtin
(1997/2003/2017), bem como por autores que coadunam com essa teoria. Com referência em
pesquisas dirigidas pela Linguística Aplicada, a produção escrita em situação de ensino foi amparada
pelo aporte teórico de Geraldi (2012/2013), Menegassi (2004/2008/2016), Paraná (2008) e Brasil
(1997/1998). Para essa apresentação destacaremos os resultados obtidos a partir de intervenções de
reformulação/readequação/reescrita sob a perspectiva doa gênero. Essa pesquisa evidenciou a carência
que esse LDP traz, de um trabalho com a escrita orientada pelo contexto de produção e por comandos
que evidenciem, de forma clara, as intenções discursivas. Desse modo, ficou claro que a mediação do
professor é fundamental para que uma escrita mais significativa se efetive em sala de aula e, que os
impactos de comandos com um contexto situacional definido produzem uma escrita menos artificial.

Palavras-chave: gêneros - livro didático - comando de escrita

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A PRODUÇÃO TEXTUAL DO GÊNERO CONTO POPULAR BELENENSE


ESCRITO COM ALUNOS DO 7º ANO: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
ENTRE AVANÇOS E DESAFIOS.

Andreza do Rosário dos Santos Pereira (UFPA/PROFLETRAS)

Este trabalho, vinculado ao Projeto de Pesquisa “Práticas de linguagem e formação docente” (UFPA-
Castanhal), é um recorte de uma pesquisa maior, desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em
Letras (ProfLetras). A investigação visou compreender os processos de revisão e reescrita em textos
do gênero discursivo conto popular belenense escrito, em uma turma de 7º ano, com o intuito de
contribuir para a formação de produtores competentes de textos. Neste recorte, apresentamos a síntese
da proposta de intervenção implementada na turma e os resultados obtidos. A investigação embasa-se
na perspectiva sócio-histórica da linguagem, nos estudos do Círculo de Bakhtin e de teóricos e
pesquisadores que seguem este viés. Em busca de responder à questão acerca de como os processos de
revisão e reescrita contribuem para o desenvolvimento de habilidades de escrita de alunos do 7º ano
do ensino fundamental, realizamos, primeiramente, um diagnóstico da turma, por meio do qual
elaboramos uma proposta de intervenção com o gênero em estudo, utilizando a metodologia de
projetos de leitura e escrita de Lopes-Rossi (2008). Na sequência, implementamos a proposta na
turma, selecionamos as produções textuais e, a partir delas, verificamos que, de posse de seus textos
revisados pela professora pesquisadora, via bilhete orientador, os alunos optaram pelas seguintes
estratégias: i. atender parcialmente a revisão sugerida pela professora pesquisadora; ii. atender as
sugestões de revisão propostas. Com relação aos aspectos linguístico-discursivos utilizados pelos
sujeitos no ato da reescrita, verificamos uma significativa ocorrência de substituições e acréscimos no
processo de reescrita. Como resultado, observamos que os processos de revisão e reescrita contribuem
para que haja uma reflexão do aluno sobre a necessidade de deslocar-se da posição de sujeito passivo
para a posição de quem passa a compreender-se como um sujeito inserido em um processo dialógico
de construção da escrita.

Palavras-chave: Interação; Processos de revisão e reescrita; conto popular belenense escrito.

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NARRATIVA-BIOGRÁFIA E DIÁRIO COMO METODOLOGIAS PARA O


DESENVOLVIMENTO CONTÍNUO DE FORMADORA DE PROFESSORES

Aparecida de Fatima Peres (UEM)

A prática de formação de professores incorpora necessidades variadas que envolvem o domínio do


conhecimento a ser ensinado, as diferentes formas de ensinar esse conhecimento e o saber gerenciar e
lidar com o complexo contexto de ensino e de aprendizagem que abrange o magistério. Além disso,
essa prática requer dos professores o envolvimento com as mudanças socioeconômicas, políticas e
tecnológicas – fatores que impactam direta ou indiretamente os resultados da qualidade da educação.
Isso permite afirmar que a carreira docente exige uma formação profissional permanente, até porque a
atuação do professor muda ao longo do tempo. A fim de contribuir com as discussões propostas pelo
Simpósio “Possibilidades e reflexões de abordagens pedagógicas das práticas de linguagem na
formação inicial e continuada do professor de Língua Portuguesa”, principalmente no que se refere a
“observação, reflexão e registro de situações-problema, visando à atuação tanto do futuro licenciado
quanto do professor em serviço em situações contextualizadas”, neste trabalho, apresentam-se as
crenças de uma formadora de professores de Língua Portuguesa, atuante em um curso de Letras
oferecido por uma instituição pública da região noroeste do Paraná. Tais crenças emergem dos
registros de suas reflexões nos moldes da narrativa-biográfica e do diário, quando ela avalia tanto
relatórios reflexivos de professores em formação inicial, quanto situações em que eles atuam em
estágio supervisionado de regência. A discussão desses registros mostram que a narrativa-biográfica e
o diário podem ser ferramentas profícuas na formação docente, uma vez que evidenciam a escrita
como atividade reflexiva da professora formadora, permitindo-lhe observar, de modo mais profundo,
os acontecimentos que envolvem sua prática e sua responsabilidade no contexto em que atua.

Palavras-chave: Formação de professores; narrativa-biográfica e diário; crenças.

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UM PROTÓTIPO DIDÁTICO PARA O MULTILETRAMENTO COM O


GÊNERO MEME PARA UM NONO ANO

Betania Elisabete Braga (PROFLETRAS/UEM)


Lilian C. Buzato Ritter (Orientadora – UEM)

Este trabalho faz parte das pesquisas desenvolvidas no Mestrado Profissional (Profle-
tras/UEM/CAPES) e ancora-se na linha teórico-metodológica dos estudos dialógicos bakhtinianos, na
concepção interacionista e dialógica da linguagem para o ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa,
e também na metodologia de uma pequisa-ação. Além desses aspectos, preocupa-se com a inserção de
práticas de multiletramentos com textos multissemióticos nas aulas de leitura e análise linguística.
Nossa pesquisa, no geral, foi gerada a partir da seguinte questão: por que os alunos do nono ano do
ensino fundamental não analisam de maneira crítica os memes que compartilham em suas redes
sociais e aplicativos de troca de mensagem? O trabalho considerou a hipótese de que se o professor
proporcionar aos alunos situações interativas em que eles necessitem desenvolver a leitura crítica,
podemos (re)significar em textos multimodais os discursos de racismo, machismo, bullying e
homofobia com os quais a sociedade convive. Em específico, para este trabalho, o objetivo é
apresentar um relato de experiência com a aplicação de um dos módulos didáticos constituintes do
protótipo didático com memes elaborado, no caso, o módulo temático sobre racismo. Assim, podemos
afirmar que a preocupação em criar condições favoráveis para os alunos se colocarem como
interlocutores no processo de leitura e análise linguística dos enunciados lidos e analisados em sala de
aula contribuiu para o desenvolvimento de posturas mais adequadas ao processo de leitura crítica.

Palavras-chave: Multiletramentos, Leitura crítica, meme.

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POSSÍVEIS CAMINHOS E ESTRATÉGIAS PARA A REESCRITA NO ENSINO


MÉDIO

Carla Giovana de Campos (UEL)

Entre as discussões sobre o ensino de língua materna, o trabalho com os gêneros apresenta-se como
uma das grandes questões em constante e crescente debate. Porém, pouco se discute o produto das
sequências didáticas desenvolvidas para o trabalho com os gêneros de textos e discursos, revelando
uma escassez de estudos voltados a como trabalhar com a reescrita textual. Processo que, além de
pouco estudado por pesquisadores, é também esquecido e negligenciado nas salas de aula. Para
Pasquier e Dolz, (1996), trata-se de uma espécie de cegueira, que segundo Ruiz (2010), ocorre pois
falta aos professores um conhecimento mais apurado sobre os procedimentos teórico metodológicos
que os auxilie na preparação de suas práticas pedagógicas. Pensando na reescrita textual enquanto um
processo rico para a formação de escritores de qualidade, alguns dados divulgados pelo INEP, sobre o
ENEM 2017, revelam uma situação preocupante e uma realidade que precisa, com urgência, ser
alterada, como os de 309.157 candidatos que obtiveram nota zero na redação, enquanto apenas 53
obtiveram nota máxima. Não é possível colocar toda a culpa pelo alto número de notas baixas do
ENEM em fatores específicos ou pontuais. Porém, se os alunos compreenderem estrategicamente
como revisar e reescrever seu texto, de modo a refletir e a repensar sobre seu trabalho com a escrita,
os resultados poderiam ser diferentes dos que têm sido apresentados. Desta forma, este trabalho deseja
investigar, à luz dos pressupostos sociointeracionistas (BRONCKART, 1999), e da noção de gênero
(SCHNEUWLY E DOLZ, 1997; BAKHTIN, 2016), os estudos e as propostas relativas à reflexão
linguística, à revisão e à reescrita textual no contexto do Ensino Médio, de modo a contribuir na busca
da melhoria da qualidade no ensino da escrita dos alunos nesse nível de escolarização e, além disso,
contribuir para a elaboração de estratégias de ensino na produção de textos.

Palavras-chave: Reescrita; Ensino Médio; Gêneros textuais.

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ELABORAÇÃO E APLICAÇÃO DE UM PROTÓTIPO DIDÁTICO DE


CRÔNICAS: A LEITURA E A ANÁLISE LINGUÍSTICA EM UM SEXTO ANO

Cecília Pope Guerra (UEM/Profletras)

Este trabalho tem como objetivo geral apresentar um relato de experiência sobre os processos de
elaboração e aplicação de um protótipo didático (ROJO; MOURA, 2012) de leitura e análise
linguística com o gênero discursivo crônica em um sexto ano, da rede pública de ensino, à luz das
perspectivas interacionista e dos pressupostos dialógicos da linguagem. Sob a perspectiva de conceitos
bakhtinianos vinculados à interação verbal e ao dialogismo (BAKHTIN; VOLOCHINOV, 1995), a
pretensão da intervenção foi levar os alunos a refletirem sobre as condições de produção, o conteúdo
temático, a estrutura composicional e o estilo desse gênero discursivo, bem como compreenderem a
reflexão proposta pelos cronistas a partir das vozes sociais que permeiam as crônicas selecionadas. A
pesquisa em desenvolvimento caracteriza-se como uma pesquisa-ação. A escolha da pesquisa-ação
como metodologia está relacionada a sua natureza qualitativa-interpretativa, como um procedimento
reflexivo, ordenado, que objetiva, por intermédio da prática, estudar aspectos da realidade intervindo
nas ações desenvolvidas com os participantes da pesquisa, buscando ao mesmo tempo aprimorar o
conhecimento, servir de fonte de conhecimento e de democratização do saber, e dialogar com o
escopo teórico que embasa nosso trabalho. Dessa maneira, destacamos, para este trabalho, como
resultados parciais, a constatação de avanços significativos em relação à reflexão dos aspectos
discursivos e dialógicos dos enunciados, por parte da professora-pesquisadora, presentes nas
atividades constituintes do protótipo, na medida em que concebeu a crônica em suas condições
concretas de produção e circulação. Por outro lado, fizeram-se presentes ainda saberes advindos de
práticas de leitura e de ensino gramatical cristalizados.

Palavras-chave: Leitura e Análise Linguística. Dialogismo. Crônica.

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LEITURA E ANÁLISE LINGUÍSTICA COM O GÊNERO PROPAGANDA


IMPRESSA: RESSIGNIFICANDO O PLANO DE TRABALHO DOCENTE
Celi Barbosa dos Santos (Profletras/UEM)

Este trabalho tem por objetivo apresentar resultados da geração de dados de uma pesquisa de mestrado
profissional, cujo objetivo maior é refletir sobre o processo de ressignificação de um Plano de
Trabalho Docente de leitura e análise linguística de propagandas impressas, à luz dos pressupostos
dialógicos da linguagem. Teoricamente, o trabalho ancora-se na concepção interacionista de
linguagem e na sua perspectiva dialógica oriunda dos estudos bakhtinianos. Diante de práticas
discursivas vivenciadas em sala de aula, percebemos que, no geral, os alunos realizam uma leitura
decodificadora de textos multimodais, como as propagandas. Dessa forma, um dos momentos de
geração de dados de nossa pesquisa, deteve-se no encaminhamento dado em um Plano de Trabalho
Docente com o gênero discursivo propaganda impressa, para um quinto ano do Ensino Fundamental.
Os primeiros resultados permitem afirmar que o Plano de Trabalho Docente está atrelado com a
proposta didática que o fundamenta, porém, apresenta lacunas em relação às práticas de leitura e
análise linguística e um trabalho superficial com a linguagem multimodal, de acordo com a
fundamentação teórico-metodológica da presente pesquisa. Apesar de apresentar nuances da
perspectiva bakhtiniana da linguagem, as atividades estão deslocadas, necessitando de uma
reestruturação e ampliação para que se alcance o objetivo que se pretende, que é o de favorecer o
desenvolvimento de um leitor crítico e não um mero decodificador de aspectos verbais e não-verbais
da linguagem presentes nas propagandas impressas.

Palavras-chave: leitura; análise linguística; plano de trabalho docente.

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O MEME COMO ESTÍMULO AO DESENVOLVIMENTO DAS


HABILIDADES LEITORA E ESCRITORA

Cinara Lopes Rodrigues (UFPA)


Isabel Cristina França dos Santos Rodrigues (Orientadora - UFPA)

A falta de proficiência leitora e escritora que muitos alunos da educação básica demonstram diante
da realização de atividades que envolvam leitura e escrita consiste em um dos principais problemas
enfrentados por professores, principalmente os de Língua Portuguesa os quais têm a incumbência
de desenvolver seu trabalho objetivando, principalmente, o desenvolvimento de tais habilidades.
Nesse sentido, o professor precisa dispor de metodologias que possibilitem o desenvolvimento das
habilidades de leitura e escrita de forma gradativa e atrativa. Para tanto não é suficiente o acesso à
teorias que versem sobre o tema, é necessário que essas teorias sirvam de base para a construção de
métodos práticos, os quais são planejados e executados estando sempre sujeitos à flexibilidade e
adequando-os às necessidades de seus alunos. Diante dessas inquietações, elaboramos um projeto
que consiste em uma proposta de trabalho envolvendo leitura e escrita do gênero meme, a fim de
contribuir para o desenvolvimento de tais habilidades, tendo como público-alvo alunos do 8º ano.
A escolha do gênero surgiu a partir de minha experiência enquanto docente de língua portuguesa,
por meio da qual pude perceber que esse gênero é bastante lido pelos alunos, sendo por isso bem
aceito e atrativo, o que contribui para o trabalho com o mesmo. Esta proposta, que é parte
integrante de nosso projeto de pesquisa no Programa de Mestrado Profissional em Letras- UFPA,
tem como fundamentação teórica a metodologia de projetos de leitura e escrita de Lopes-Rossi
(2008), autora que se ocupa da elaboração de projetos que objetivam o trabalho com a leitura e
escrita por meio dos gêneros do discurso abordados. As atividades são elaboradas seguindo as
etapas de elaboração e execução de Sequências Didáticas, consideradas como uma boa alternativa
para o trabalho com gêneros discursivos.

Palavras-chave: Leitura, Escrita, Gênero Discursivo, Meme

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OS GESTOS DIDÁTICOS DO PROFESSOR-PIBIDIANO EM UM CURSO DE


EXTENSÃO

Cindy Mayumi Okamoto Luca (UEM)


Luan Tarlau Balieiro (UEM)

Ser professor de língua portuguesa é um processo gradativo, longo e ininterrupto, no qual a formação
inicial vivenciada nos cursos de Letras torna-se um precioso campo de formação da identidade
profissional do futuro professor. Dessa maneira, aprender a ser professor envolve um processo
contínuo de formação, que abarca a participação do professor em formação em diversas práticas
sociais pertencentes a sua futura comunidade, a fim de constituir a sua identidade docente. No Pibid
do curso de Letras – Português, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), tem-se a acepção de
que o trabalho calcado em gêneros do discurso propicia o desenvolvimento de práticas docentes em
todos os envolvidos, principalmente na aplicação desses gêneros em atividades de extensão. Assim,
esta comunicação objetiva expor algumas reflexões no tocante aos nossos gestos didáticos mediantes à
condução de um curso de extensão, denominado “Fundamentos teóricos e metodológicos para a
escrita do gênero Artigo de Opinião”, realizado no ano de 2017. Tivemos a ideia de estruturar o
projeto em cinco encontros, os quais apresentaram os seguintes conteúdos: i) condições de produção
do gênero artigo de opinião; ii) tipos de argumentos presentes no artigo de opinião (FIORIN, 2015);
iii) o processo de revisão de textos (MENEGASSI; GASPAROTTO, 2016); iv) operações linguístico-
discursivas (FABRE, 1986) na reescrita do artigo de opinião; v) a importância da reescrita para o
processo de ensino-aprendizagem. Como referencial teórico para a realização do projeto, centramo-
nos no Interacionismo Social e o Interacionismo Sociodiscursivo, teorias basilares para as pesquisas
provenientes do Pibid de Letras – Português. Com o desenvolvimento do curso de extensão, tivemos a
possibilidade de refletir que os professores em formação necessitam vivenciar diferentes práticas
sociais (MILLER, 2009), permitindo-lhes empregar a linguagem em diferentes atividades da
profissão, desde as que envolvem o contexto mais geral, sobretudo aquelas que dizem respeito ao
conceito mais imediato.

Palavras-chave: Gestos didáticos; Professor-pibidiano; Curso de extensão.

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A FORMAÇÃO CONTINUADA STRICTO SENSU NO PROFLETRAS:


REFLEXÃO SOBRE A PRÁXIS DOCENTE

Cláudia Lopes Nascimento (UEL)


Elvira Lopes Nascimento (UEL)

O PROFLETRAS faz parte de uma experiência recente no quadro das formações em serviço ofertadas
no Brasil, direcionada à implementação de uma concepção com fortes apelos à inovação das práticas.
Articuladas à Àrea de Concentração Linguagens e Letramentos, as disciplinas “Gêneros Discursivos e
Práticas Sociais” e “Alfabetização e Letramento” têm constituído um campo fértil para a ampliação do
conceito de texto pelos quais se articulam as práticas referentes à leitura, escrita e produção de
sentidos. Como docentes das disciplinas, nossas práticas se efetivam, especialmente, nos movimentos
de planejamento e elaboração de ferramentas para a implementação de projetos didáticos nos
contextos escolares de origem dos professores envolvidos nessa formação. Os pressupostos que
subjazem a este estudo partem da teoria dos gêneros (BAHKTIN, 1997) e das propostas da engenharia
didática (DOLZ, SCHNEUWLY, 2009) ampliadas pelos postulados do paradigma de aprendizagem
interativo (LEMKE, 2010; ROJO, 2017). O design metodológico foi a etnografia de sala de aula com
coleta de dados baseados em observações, durante a produção do trabalho de planejamento e
elaboração colaborativa de projetos didáticos com gêneros, em videofilmagens de aulas na educação
fundamental e entrevistas de autoconfrontação às cenas filmadas. A análise foi feita através da
triangulação de dados emergentes desses três momentos da pesquisa. Os resultados mostram impactos
nos gestos de ajustamento ao contexto (NASCIMENTO, 2014) observáveis nos esforços de uma
professora mestranda que, no trabalho efetivamente realizado e visível (CLOT, 2010) em sala de aula,
se submete apenas até certo ponto à postura prescritiva, descendente e impositiva dos apelos sociais à
inovação das práticas. Observam-se deslocamentos e reconfigurações no agir que podem ser tomados
como indícios de discordância e contradições entre o gesto prescrito e o seu próprio gesto,
ocasionando mudanças no trabalho planejado que demonstram serem constitutivas do trabalho
educacional.

Palavras-chave: PROFLETRAS; planejamento das ações docentes; gestos profissionais.

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OS ASPECTOS LINGUÍSTICOS DA LIBRAS E DA LP: SEMELHANÇAS E


DIFERENÇAS

Ercilia Alves Ferreira (UEM)

Este trabalho apresenta resultados parciais de uma pesquisa de mestrado profissional acerca da
identidade do surdo em um colégio bilíngue de Maringá. Para o surdo, a língua de sinais tem
basicamente três funções: ser símbolo da identidade social, meio de interação e detentora do
conhecimento cultural (LANE; HOFFMEISTER; BAHAN, 1996). Desta forma, a língua de sinais
possibilita aos alunos surdos o acesso ao conhecimento de mundo, pois permite-lhes estabelecerem
sua identidade de sujeitos surdos capazes, detentores de uma cultura surda, cujo principal traço é ser
visual (PEREIRA et al., 2011). Em contextos bilíngues, a Língua de Sinais é caracterizada como
língua de instrução (L1) e a Língua Portuguesa como modalidade escrita (L2). Por isso, o objetivo
desta comunicação é estabelecer um paralelo entre as principais semelhanças e diferenças linguísticas
de ambas as línguas, com a finalidade de entendermos a dificuldade dos alunos surdos, especialmente,
no desenvolvimento de textos escritos. Com relação à essa prática linguística, a escrita dos surdos não
segue as mesmas construções da escrita dos ouvintes, os quais se apoiam na linguagem oral. Já os
surdos utilizam a língua de sinais, uma língua visuogestual, visto que a informação é adquirida pelos
olhos, desenvolvendo-se com as mãos, pelo movimento do corpo e expressão facial (PEREIRA et al.,
2011). Assim como outras línguas, a língua de sinais brasileira possui um sistema linguístico legítimo
e apresenta a sua complexidade, com estrutura, semântica, morfologia, sintaxe e gramática próprias.
Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa ação, no âmbito da Linguística Aplicada, que traz, nesta
apresentação, fragmentos de uma aula visionada, cujo tema foi a autobiografia. Os resultados parciais
apontam para a necessidade da sociedade oportunizar a inserção dos surdos na comunidade escolar, o
que extraoficialmente, ainda, não acontece.

Palavras-chave: Aspectos linguísticos. Libras. Língua Portuguesa.

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LINGUAGEM E SUJEITO NA REDE:


APLICAÇÃO DE UM PROTÓTIPO DIDÁTICO COM USO DO FACEBOOK

Fernanda Khalil (PROFLETRAS/UEM)


Eliana Alves Greco (UEM)

O objetivo desta comunicação é apresentar uma proposta de intervenção didática que foi aplicada em
uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental de um colégio da rede estadual do Paraná, a qual utilizou
o hipertexto produzido por esses alunos em um grupo do Facebook. Este trabalho é parte da
dissertação de mestrado desenvolvida no PROFLETRAS da Universidade Estadual de Maringá. Essa
dissertação teve como objetivo, por meio de uma pesquisa-ação, compreender a dinâmica discursiva
das redes sociais, especificamente do Facebook. Como intervenção didática, buscou-se dar condições
ao aluno para que possa refletir sobre a produção discursiva em redes sociais, não apenas de outras
pessoas, mas deles mesmos, entendendo linguagem como uma ferramenta de sociabilidade e traço da
própria identidade. A presente pesquisa é fundamentada no conceito de dialogismo elaborado por
Bakhtin e Voloshinov (1988), principalmente no que envolve a noção dos tipos de responsividade
proposta pelos autores. A ideia de hipermoderninade e as possibilidades de multiletramentos
apresentadas por Rojo e Barbosa (2015) proporcionaram ideias de contextualização para entendimento
do tipo de sujeito histórico, leitor e produtor de enunciado nas redes. O exemplo de uso do Facebook
como ferramenta didática na proposta apresentada por Araujo e Leffa (2016) serviu como base para
elaboração desta proposta. Além disso, a compreensão de Barton e Lee (2015) acerca da dinâmica da
linguagem nas redes sociais esclareceu muitos aspectos sobre as significações e (re)significações dos
elementos presentes na rede. Compreender, junto aos alunos, a dinâmica dos principais gêneros
discursivos existentes no Facebook serviu para que a percepção da linguagem como reflexo da
identidade do sujeito produtor de enunciado fosse desenvolvida.

Palavras chave: Leitura, Facebook, dialogismo.

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PROPOSTA DE LEITURA PARA ALUNOS DO 8º ANO COM TEXTOS DE


RELATOS DE MEMÓRIAS CASTANHALENSES

Idaléia Cruz Silva (UFPA/PROFLETRAS)

Este trabalho, recorte de uma pesquisa maior, desenvolvida no Programa de Mestrado Profissional em
Letras e vinculada ao projeto de pesquisa: “Dialogismo em Práticas Linguageiras a partir do trabalho com
gêneros discursivos” (UFPA-Castanhal), apresenta uma proposta de intervenção embasada na
metodologia de Lopes-Rossi (2008). A pesquisa, pautada no dialogismo bakhtiniano, além de teóricos e
pesquisadores que seguem esta vertente, enfoca um estudo teórico-prático de leitura, objetivando auxiliar
no desenvolvimento da proficiência de leitura de alunos do 8º ano, a partir de um trabalho com textos de
relatos de memórias castanhalenses. A investigação encontra-se em andamento e a proposta de
intervenção está sendo implementada em uma turma de uma escola pública estadual do município de
Castanhal-PA. A produção dessa proposta partiu da observação da turma, no ano de 2017, e dos
resultados obtidos na realização de uma proposta diagnóstica, quando os alunos estavam no 7º ano. A
diagnose demonstrou que houve maior número de respostas adequadas nas questões de decodificação e
de compreensão literal, certa dificuldade nas questões de compreensão inferencial e dificuldade maior nas
questões de compreensão interpretativa e de interpretação. Com base nesses resultados, elaboramos o
projeto de leitura, que se divide em quatro oficinas: a) “Refletindo sobre a importância de recordar”; b)
“Reconhecendo o gênero relatos de memórias”; c) “Leitura global do gênero discursivo relatos de
memórias do povo castanhalense”; d) “Leitura aprofundada de textos do gênero”. O projeto visa sanar as
dificuldades diagnosticadas, auxiliando os alunos na apreensão das etapas de compreensão (nos níveis
inferencial e interpretativo) e de intepretação, ajudando-os a desenvolver leituras proficientes de
diferentes gêneros discursivos.

Palavras-chave: Proposta de intervenção; Leitura; Relato de memórias.

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PRÁTICAS DE LEITURA E ANÁLISE LINGUÍSTICA COM MEMES EM UM


NONO ANO: REFLEXÕES SOBRE UMA ELABORAÇÃO DIDÁTICA

Lilian Cristina Buzato Ritter (UEM)

Esta comunicação tem por finalidade apresentar resultados parciais do projeto de pesquisa “Formação
do professor de Língua Portuguesa e práticas de linguagem em sala de aula: múltiplos olhares”
(UEM), o qual toma como base norteadora de trabalho a concepção de texto como enunciado
concreto, à luz da perspectiva dialógica da linguagem, sustentada pelos estudos do Círculo de Bakhtin,
a fim de contribuir, especialmente, com o processo de elaboração didática das práticas de linguagem
para a sala de aula. O trabalho em tela tem como tema reflexões sobre uma pesquisa-ação
desenvolvida por uma professora de Língua Portuguesa de um nono, da rede pública de ensino,
orientanda do Mestrado Profissional em Letras (Profletras/UEM), no ano de 2017. O processo de
elaboração didática (HALTÉ, 2008; PETITJEAN, 2008) envolveu a produção e aplicação de um
protótipo didático de leitura e de análise linguística com memes. O referido processo se caracterizou
com determinados avanços na adoção de um estilo docente internamente persuasivo (ROJO, 2007),
especialmente, pelo fato de a professora ter favorecido, em sala de aula, a manifestação da palavra do
outro, no sentido bakhtiniano, quando: solicitou impressões de leitura, instaurou a discussão de ideias,
o debate compartilhado e valorizou o potencial do aluno; propiciou a reflexão específica em torno de
conteúdos enunciativos constitutivos e constituídos pelo texto-enunciado meme; selecionou memes,
cujas abordagens temáticas feitas pelos autores, trouxeram à sala de aula, o suscitar de réplicas ativas
diversas; houve a instrumentalização dos alunos para a prática de leitura-analítica dos memes, por
meio da prática de análise linguística.

Palavras-chave: Ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa; Gênero discursivo; leitura e análise


linguística.

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O PROCESSO DE MODELIZAÇÃO DIDÁTICA DA CARTA DO LEITOR


ARGUMENTATIVA

Luciana Teixeira da Silva Lima (UENP)

Este trabalho é um recorte de uma Dissertação defendida no Mestrado Profissional em Letras em Rede
(PROFLETRAS) da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), sob orientação da Profa. Dra.
Eliana Merlin Deganutti de Barros. Ele justifica-se, em grande parte, pelas prescrições trazidas pelos
Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II e pelas Diretrizes
Curriculares Estaduais do Paraná, no que se refere à necessidade de um trabalho de cunho
interacional, que tome os gêneros textuais como objetos de ensino na didatização da produção escrita.
A pesquisa teve como objetivo apresentar e avaliar uma proposta de intervenção didática
fundamentada na metodologia das sequências didáticas de gêneros (SDG) criada pelo Interacionismo
Sociodiscursivo (ISD) – fundamentação teórica de base da pesquisa –, tendo como objeto unificador o
subgênero textual “carta do leitor argumentativa”. O trabalho foi direcionado por um pesquisa-ação
desenvolvida em uma turma do 8º ano do Ensino Fundamental de uma Escola Estadual de Cornélio
Procópio-PR, da qual somos professora regente. A pesquisa centrou-se na concepção de engenharia
didática do ISD, aderindo a seus instrumentais didáticos para o ensino da produção escrita, a fim de
validar a metodologia de ensino utilizada, sua pertinência para o contexto em foco, assim como o agir
do professor ao se apropriar dos instrumentais inerentes a tal metodologia. Para esta comunicação
trazemos o processo de construção do modelo didático do subgênero baseado em três etapas: 1)
pesquisa bibliográfica sobre a carta do leitor e seus subgêneros; 2) análise de um corpus do subgênero
“carta do leitor argumentativa”; 3) depreensão das capacidades de linguagem iniciais dos alunos, a
partir de analises das primeiras produções dos alunos. A triangulação dessas três etapas se mostrou
essencial para a modelização do gênero e, consequentemente, para a realização do projeto de ensino.

Palavras-chave: carta do leitor argumentativa; modelização didática; sequência didática.

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PROPOSTA DE ORDENAÇÃO E SEQUENCIAÇÃO


DE PERGUNTAS DE LEITURA PARA O GÊNERO CRÔNICA

Maria das Graças Alves dos Santos, (UFT - SEMED/ PALMAS)

Os dados obtidos nas avaliações nacionais, como a Prova Brasil, revelam o estado crítico e, ao mesmo
tempo, é motivo de reflexões no que concerne ao desenvolvimento de habilidades de leitura do corpo
discente das escolas públicas do país. Logo, verifica-se que a leitura será sempre fonte de investigação
e inspiração para pesquisadores buscarem possíveis mecanismos para amenizar essa problemática no
ambiente escolar. Diante desse cenário, esta pesquisa de Mestrado, ainda em andamento, objetiva
propor ordenação e sequenciação de perguntas de leitura para o gênero discursivo crônica, ordenadas e
sequenciadas, como proposta de aplicação em uma turma de 9º ano do Ensino Fundamental. Para isso,
este trabalho, caracteriza-se como estudo de caso e apóia-se nas Estratégias de Leitura, defendidas por
Solé, (1998), e na Ordenação e Sequenciação de Perguntas de Leitura, foco desta pesquisa, a partir da
teoria de Menegassi (2005, 2008; 2010; 2011), ampliada por Fuza (2017), a partir dos estudos da Lin-
guística Aplicada e do ensino de leitura. A fim de alcançar o objetivo proposto, a princípio, seleciona-
ram-se cinco crônicas, com temáticas sociais, em seguida, organizou-se uma sequência de atividades,
as quais foram aplicadas em uma turma de 9º ano de uma escola pública. Como resultado, verificou-se
que as perguntas de leitura, por meio da ordenação e sequenciação, levaram o estudante a pensar, a
buscar, a refletir, a inferir e a posicionar-se em relação aos textos lidos para, assim, construir sentidos,
além de desenvolver habilidades de escrita por meio da produção do texto argumentativo. Logo, cor-
robora-se a relevância do trabalho com essa perspectiva teórica na sala de aula, a fim de formar e
desenvolver o aluno/ leitor/ escritor.

Palavras-chave: ordenação, sequenciação, perguntas, leitura, escrita, crônica.

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ESTRATÉGIAS DE LEITURA – ANÚNCIO PUBLICITÁRIO

Maria Elena da Silva (UEM/Profletras)


Luciane Braz Perez Mincoff (Orientadora - UEM/Profletras)

O presente trabalho faz parte de uma pesquisa maior que desenvolvemos no ano de 2013, em um
Programa disponibilizado para a Disciplina de Língua Portuguesa a professores da rede estadual de
ensino do estado do Paraná. Foi desenvolvido com os alunos do nono ano do Ensino Fundamental, do
período vespertino, do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Maringá-Pr. Propusemos, através das
estratégias de leitura, atividades que puderam fornecer recursos para uma leitura crítica do gênero
Anúncio Publicitário, que chega a todos através dos mais variados veículos de comunicação. A meto-
dologia utilizada foi a implementação de uma Unidade Didática, com atividades relacionadas a diver-
sas etapas de duas oficinas. Por meio deste estudo, os alunos desenvolveram mais sua competência
leitora, no momento em que tiveram um amadurecimento frente aos diversos elementos que constitu-
em um anúncio publicitário e o efeito que produzem no consumidor. Compreenderam, dessa forma,
que é necessária uma leitura mais criteriosa deste gênero, para não serem induzidos à compra de pro-
dutos supérfluos. Simultâneo à implementação do Projeto de Intervenção Pedagógica, aconteceu o
GTR- Grupo de Trabalho em Rede, no site da Secretaria de Educação do Paraná, no ambiente virtual
“plataforma moodle”. O Estudo teve o formato com quatro temáticas e atividades como Fórum e
Diário, nos quais os participantes podiam opinar, discutir e dar contribuições sobre Projeto de Inter-
venção Pedagógica, sobre a Produção Didático-Pedagógica e sobre a Implementação do Projeto de
Intervenção na escola. O GTR possibilitou a interação e a troca de experiência entre professor-tutor e
participantes em todas as Temáticas e também consagrou-se como um momento de reflexão sobre a
prática pedagógica e a realidade de cada profissional. Para o desenvolvimento da pesquisa, na base
teórica que embasou o trabalho, destacamos as produções de Antunes (2009), Geraldi (1984), Kato
(1995), Kleiman (1989), Koch e Elias (2012) e Solé (1998).

Palavras-chave: estratégias; anúncio; publicitário

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A SEQUÊNCIA DIDÁTICA E A PEDAGOGIZAÇÃO


DOS GÊNEROS PARA A SALA DE AULA

Maria Ilza Zirondi (UEL)

No intuito de (re)pensar a discussão do trabalho com gêneros de texto/discurso na escola e refletir


sobre uma das maiores dificuldades do trabalho com gêneros na esfera escolar, propomos, nesta
apresentação, apresentar uma proposta de pedagogização de uma prática social de linguagem, com
base em encaminhamentos propostos em formação continuada. No cenário educacional, vemos dife-
rentes proposições em relação à pedagogia dos gêneros, assim como tal constructo tem provocado
deslocamentos importantes em algumas práticas escolares. Neste sentido, este trabalho tem como
objetivo contribuir para práticas de ensino e de aprendizagem da Língua Portuguesa no Ensino Fun-
damental I (EF I), a partir dos estudos realizados com Gêneros de Textos/discursos. Para isso, apresen-
taremos uma Sequência Didática para o gênero textual Poema e os aspectos que envolvem a sua cons-
trução a partir de instruções mediadas por documentos oficiais elaborados por coordenadores de Lín-
gua Portuguesa de um município ao Norte do Paraná e das instruções de trabalho construídas ao longo
da formação continuada. A SEMED (Secretaria Municipal de Educação) desse município utiliza co-
mo respaldo para a orientação do trabalho docente, principalmente, bases teóricas e metodológicas de
autores como Bakhtin (1998) e Dolz e Schneuwly (2004), as quais, também, embasam este estudo.
Para desenvolver esse trabalho, partimos da proposta de formação continuada de professores oferecida
pelo município, o que gerou a elaboração da Sequência Didática, cujo desenvolvimento, buscamos
retratar. Neste artigo, propomo-nos a apresentar os passos que antecedem a elaboração da sequência,
assim como as atividades propostas estão atreladas aos objetivos de ensino. Esperamos, assim, contri-
buir para que professores possam usufruir da proposta de SD, mas compreendendo os meios e modos
para sua elaboração.

Palavras-chave: Sequência Didática; Pedagogização dos gêneros no Ensino Fundamental I; Metodologia


e Ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa.

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FORMAÇÃO DOCENTE E HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Maria Isabel Borges (UEL)

Pretende-se mostrar como o trabalho com os gêneros quadrinísticos enriquece a prática docente na escola,
nas aulas de português. Baseando-se em Vergueiro (2004), o professor, por desconhecer adequadamente a
linguagem e as características dos gêneros quadrinísticos, precisa ser formado para que isso seja
resolvido. Também se observa uma confusão entre linguagem e gêneros quadrinísticos, nos livros
didáticos de português. Entretanto, agrava-se quando se olha para a formação inicial de professores,
porque os gêneros quadrinísticos não são trabalhados tanto quanto os literários e os jornalísticos, por
exemplo. E mais, o preconceito é uma realidade na universidade. De acordo com os princípios
norteadores de estudos sobre quadrinhos (VERGUEIRO, 2017; RAMOS, 2010; 2017), são deveres do
especialista em quadrinhos combater o preconceito na academia, na escola e na visão do leitor e produzir
trabalhos que explicitem sua complexidade, sobretudo, os potenciais diálogos entre as diferentes áreas do
conhecimento: história, sociologia, filosofia, linguística, literatura, arte etc. Sobre a língua portuguesa,
deve-se mostrar que linguagem dos quadrinhos não equivale a tira cômica, novela gráfica, mangá,
cartum, charge e história de aventura, história de suspense, dentre outros. Todos esses gêneros
compartilham certos recursos: personagens (fixas ou não), movimento, onomatopeias, balões diversos,
legendas, ângulos de visão, perspectivas, tempo, espaço, linhas cinéticas etc. O humor sempre norteia a
tira cômica, a charge e o cartum, podendo atravessar os demais gêneros. Vários deles precisam ser
pensados à luz de contextos sócio-históricos específicos, como: as tiras cômicas da Mafalda, as novelas
gráficas “Maus”, “Persépolis”, “O diário de Anne Frank” etc. Por fim, por meio das dissertações de
mestrado desenvolvidas no Programa Profissional em Letras (PROFLETRAS), constata-se que propostas
de intervenção são formas de combater o desconhecimento inicialmente mencionado.

Palavras-chave: histórias em quadrinhos; formação docente; linguagem e gêneros.

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UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA PARA O TRABALHO COM A PRÁTICA


SOCIAL DO ENEM E DO GÊNERO TEXTUAL SOLICITADO COMO
REDAÇÃO NO EXAME

Marilúcia dos Santos Domingos Striquer (UENP/CJ)

O presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta pedagógica para o trabalho com o
ENEM, compreendido como uma prática social de linguagem específica, e do gênero textual solicitado
como redação no exame. A referida proposta foi implementada em salas de aula do último ano do ensino
médio e do ensino integrado profissionalizante, atendendo trezentos e treze estudantes, de escolas da rede
pública de ensino de duas cidades localizadas no norte do estado do Paraná, durante os anos de 2014 a
2017, por integrantes da equipe do subprojeto Letras/Português - PIBID/Universidade Estadual do Norte
do Paraná (UENP). Nossa premissa é a de que trabalhar com propostas de intervenção direcionadas a
ensinar o aluno a participar de forma ativa e significativa do ENEM, como uma prática social de
linguagem específica que marca a conclusão da fase escolar e o início da vida acadêmica, é criar
condições para ele tenha mais chances de continuar os estudos e de exercer seu papel de cidadão que sabe
transitar e participar das práticas sociais existentes que se configuram nas diferentes situações
comunicativas existentes na sociedade. Destacamos também que envolver na execução de projetos de
ensino professores em formação inicial pode promover o aperfeiçoamento na formação que se realiza,
sobretudo, na inserção dos graduandos na realidade da educação básica. O arcabouço teórico que
fundamenta nossa definição de práticas sociais e de gêneros do discurso se pauta nos preceitos de Bakhtin
(2003), de gêneros de texto conforme Bronckart (2009), e a base teórico-metodológica para a construção
e implementação da proposta na prática, que se constitui de sequências didáticas para o ensino do gênero,
fundamentam-se na engenharia didática sugerida pelo Interacionismo Sociodiscursivo.

Palavras-chave: Práticas sociais de linguagem; Gêneros do discurso/textuais; ENEM

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SEQUÊNCIA DIDÁTICA DO GÊNERO POEMA: ESTRATÉGIAS E


REFLEXÕES PARA A SALA DE AULA

Natália Raquel de Campos (UEL)

A necessidade de estudo apresentada nesse trabalho surgiu, a partir das observações e comparações
realizadas pela professora- pesquisadora em seus ambientes de trabalho – escola pública e particular.
Assim, apresentamos como objetivo deste trabalho analisar e refletir o processo de ensino e a aprendi-
zagem de Língua Portuguesa no Ensino Fundamental I (EF I), a partir dos estudos realizados com
Gêneros de Textos. Para isso, elaboramos uma Sequência Didática para o estudo do gênero textual
Poema e a desenvolvemos em uma Escola Municipal da Rede Pública de Ensino da cidade de Cambé,
no norte do estado do Paraná. A SEMED (Secretaria Municipal de Educação) desse município utiliza
como respaldo para a orientação do trabalho docente, principalmente, o construto teórico e metodoló-
gico de autores como Bakhtin (1997) e Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), os quais também toma-
mos como base para esta pesquisa. Assim sendo, para desenvolver este trabalho, partimos da proposta
de formação continuada de professores oferecida pelo referido município, elaborando, desta forma,
com base nos documentos oficiais, uma Sequência Didática do Gênero de Texto Poema, cujo o, de-
senvolvimento das atividades pelos alunos em sala de aula foram registradas e posteriormente analisa-
das pela professora-pesquisadora. Os resultados, obtidos a partir da mostra realizada com dois alunos
de um 5º ano do EF I, tornaram possíveis demonstrarmos o processo de evolução da escrita dos alunos
e ainda nos forneceram os subsídios necessários para discorrermos as considerações acerca desse
processo.

Palavras-chave: Gênero textual. Ensino e aprendizagem de Língua Portuguesa. Sequência didática.

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EIXOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA


E OS GÊNEROS DO DISCURSO

Neluana Leuz de Oliveira Ferragini (UNESPAR)

A presente proposta integra o projeto de pesquisa em Linguística Aplicada - Gêneros Discursivos em


sala de aula: propostas de estudo e de didatização, desenvolvido na Unespar, o qual visa construir
referencial teórico-metodológico para elaboração didática que contemple a prática de leitura e a análi-
se linguística de diversificados textos-enunciados de diferentes gêneros do discurso. Orientados pelo
objetivo do referido projeto, nesta proposta, consideramos as seguintes indagações: Os eixos de ensino
são contemplados nas aulas de Língua Portuguesa (LP)? Quais conceitos e concepções perpassam as
práticas docentes? E quanto à abordagem de gêneros discursivos? O que os professores compreendem
por análise linguística? Quando e como ocorre o trabalho com a oralidade, leitura, análise linguística e
escrita? Ao procurar respostas para tais questionamentos, à luz dos pressupostos bakhtinianos e da
Análise Dialógica Discursiva (ADD), orientamo-nos para reflexão do ensino de língua portuguesa via
concepção de linguagem interacionista e dialógica, assumindo os enunciados concretos como objetos
de ensino e os gêneros como eixo de progressão curricular. Sob esse viés teórico, temos por objetivo
compreender conceitos e concepções que orientam às práticas de linguagem, bem como a abordagem
de gêneros do discurso em sala de aula. O diagnóstico tem duas finalidades: a) justificar e encaminhar
as propostas a serem desenvolvidas no projeto pelos professores em formação inicial; b) auxiliar na
organização e fundamentação de cursos de formação continuada. Os dados foram coletados no se-
gundo semestre de 2017, em um município no norte do Paraná. Ao todo participaram 57 professores
que atuam na rede básica de ensino. A análise aponta que a gramática ainda é o objeto de maior ênfase
nas aulas de LP sendo menos evidenciadas as demais práticas, em especial, a análise linguística. No
tocante aos gêneros, os dados revelam que sua abordagem volta-se, em especial, para a prática de
escrita, observando-se prioritariamente os aspectos composicionais.

Palavras-chave: Eixos de ensino e aprendizagem de língua portuguesa; Gêneros do Discurso; Ensino


Contextualizado.

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A PARAGRAFAÇÃO NA ORGANIZAÇÃO DO TEXTO ESCRITO: UMA


PROPOSTA DE ENSINO PARA ALUNOS DO 9º ANO DO ENSINO
FUNDAMENTAL

Raimundo da Silva Barros (UFPA/PROFLETRAS)

Este trabalho, que investe na didatização da organização do texto escrito, por meio da paragrafação, é
um recorte de uma pesquisa maior, desenvolvida no âmbito do Mestrado Profissional em Letras
(Profletras). O objetivo deste recorte é expor os resultados das análises da macroestrutura e a
superestrutura de textos argumentativos produzidos por alunos do 9º ano, e apresentar a proposta
didática elaborada para desenvolver a competência textual-discursiva desses alunos quanto à
paragrafação. Para a análise dos textos dos alunos, tomou-se como pressupostos teóricos gerais a
gramática de texto no modelo apresentado por Van Dijk (2000) e a tipificação textual apresentada por
Adam (2008); além desses autores, o trabalho apoiou-se na noção de tópico discursivo em Jubran et
al. (1992) e no estudo da paragrafação postulado por Rehfeld (1984). Para a elaboração da proposta
didática, o trabalho baseou-se nos modelos apresentados por Serafini (2004), Lopes Rossi (2008) e
Travaglia (2016). É um trabalho de natureza aplicada, pois objetiva a produção de conhecimentos que
tenham aplicação prática e dirigidos à solução de problemas reais e específicos; tem caráter
qualitativo, na medida que considera haver uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito que
não pode ser traduzida em números. Os sujeitos desta pesquisa são alunos do 9º ano do ensino
fundamental II, de escola urbana da rede pública da cidade de Macapá, Amapá. Os resultados do
estudo demonstram uma tendência de o aluno produzir texto do tipo argumentativo com critério de
paragrafação predominantemente tipográfico, o que reduz a possibilidade de detalhamento do tópico
discursivo e compromete o fatiamento do texto e, consequentemente, a argumentatividade. A proposta
didática apresenta as propriedades da centração e da organicidade como parâmetro a ser adotado no
trabalho, em sala de aula, com a paragrafação de textos de superestrutura argumentativa. A proposta
toma por base o gênero artigo de opinião.

Palavras-chave: macroestrutura; superestrutura; tópico discursivo; argumentação; ensino.

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TECNOLOGIA ASSISTIVA NO ENSINO FUNDAMENTAL:


A AUDIOTECA COMO INSTRUMENTO DE INCLUSÃO NO PROCESSO DO
LETRAMENTO LITERÁRIO

Regina Corcini de Melo (Profletras/UEM)

Este simpósio apresenta resultados parciais da nossa dissertação no Programa de Mestrado


Profissional em Letras, em 2017, cujo objetivo foi o de analisar o processo de construção de uma
audioteca, realizada por alunos normovisuais do 6º ano e da Sala de Apoio do Ensino Fundamental,
durante as aulas de língua portuguesa, visando ser um recurso de tecnologia assistiva a leitores cegos,
contribuindo para a inclusão escolar e para o letramento literário deles e de quaisquer leitores que
apresentem dificuldades na leitura de textos escritos. Trouxemos o percurso metodológico para a
construção da audioteca de narrativas literárias curtas indígenas e africanas apoiado no paradigma da
pesquisa-ação e ancorado na Linguística Aplicada, cujo tema foi a prática da oralidade no ensino da
leitura. Averiguamos as relações dialógicas significativas, cuja rede de entrelaçamentos valorizou o
uso da tecnologia na educação, as práticas de oralidade e de leitura e o papel social dos nossos alunos-
ledores para cegos, vistos sob a perspectiva da Análise Dialógica do Discurso do Círculo de Bakhtin,
com contribuições dos Estudos sobre Letramentos e o uso da tecnologia na educação. Assim,
inspiramo-nos nos conceitos teóricos-metodológicos dos multiletramentos. Para isso, apontamos como
objetivos específicos referentes ao processo da construção da audioteca: a) reconhecer a oralização
como modalidade linguístico-metodológica para o ensino da leitura de narrativas literárias, por meio
de gravação em áudio da prática de oralização de narrativas, pelo aplicativo de gravador de voz,
acessível nos dispositivos móveis dos alunos-ledores; b) apresentar o processo de produção da
audioteca com narrativas literárias curtas indígenas e africanas aos alunos cegos ou com baixa visão,
através de compartilhamento gratuito dos áudios em dispositivos e mídias compatíveis para a audição.
Oportunizamos leituras produtivas de diferentes gêneros, com diferentes funções, dialogismos, estilos
e ideologias, para sabermos o que fazer com a leitura. Produzimos a audioteca como recurso de
tecnologia assistiva não apenas para integrar o aluno cego leitor às etapas da aprendizagem, mas para
incluí-lo e lhe possibilitar a ampliação de seus letramentos. Constatamos que a prática de oralização de
um gênero discursivo também é prática inclusiva.

Palavras-chave: Tecnologia Assistiva. Cegueira. Letramentos. Leitura Literária. Oralidade.

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RETEXTUALIZANDO DA FALA PARA A ESCRITA: TRAJETÓRIA


HISTÓRICO-BIOGRÁFICA E ESCOLAR
Sérgio Vesco (PROFLETRAS/UEM)
Luciane Braz Perez Mincoff (Orientadora - PROFLETRAS/UEM)

Este trabalho buscará descrever como o gênero oral biográfico auxilia na retextualização para outros gêneros
nas aulas de LP. Esperamos contribuir para o ensino de língua portuguesa, tendo como princípio que o aluno
tem o domínio da modalidade oral. Muitas vezes, o aluno, ao retextualizar para a modalidade escrita, em sala
de aula, encontra dificuldades para expressar-se ou para reescrever o que ouviu ou leu. Partindo dessa
situação, pretendemos propor atividades que contribuam com os alunos na aquisição de conhecimento de LP
e, mediante a proposta para execução de uma sequência didática, temos o intuito de ajudá-los a desenvolver
novas técnicas de escrita. Para o desenvolvimento deste trabalho fazemos uso das seguintes obras; Marcuschi
(2010), Bakhtin (2004), Castilho (1998), Antunes (2003) Fregonezi (1999) Milanez (1993). Assim, e
refletindo sobre como melhorar quantitativamente e qualitativamente o trabalho com a oralidade em nossa
prática docente, justificamos o presente trabalho sabendo que trabalhar o gênero biografia é empolgante. O
objetivo maior (geral) deste trabalho é elaborar uma unidade didática a respeito de retextualização a partir das
biografias dos pioneiros de Formosa do Oeste - PR e mais especificamente, buscamos alcançar objetivos
como proporcionar condições de experiências reais de uso da linguagem para que o aluno possa reconhecer a
importância do gênero textual em nossas vidas e ainda promover situações de leitura e escrita de biografias,
transpor os relatos dos pioneiros do gênero biografia a outros gêneros (contos, literatura de cordel e poesia.)
no final elaborar uma revista com a biografia dos pioneiros com ênfase no discurso sócio-histórico e com o
perfil biográfico de todos os alunos participantes.

Palavras-chave: Retextualização,Ensino,Biografia

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PARA ALÉM DA NOTÍCIA: A VIOLÊNCIA ESCOLAR E A PRÁTICA DE


LEITURA INTERACIONISTA SOB A PERSPECTIVA DO PROJETO
DIDÁTICO DE GÊNERO

Silvia Adriana Trolez Gonçalves (UEM/CAPES/Profletras)


Luciane Braz Perez Mincoff (Orientadora - UEM/CAPES/Profletras)

Considerando a linguagem como processo de interação e lugar de constituições sociais, onde os


falantes se tornam sujeitos, adotamos a concepção de linguagem defendida por Geraldi (2012), a qual
considera a linguagem como forma de interação entre os sujeitos envolvidos na situação comunicativa.
Nessa continuidade, o texto passa a ser uma das possibilidades de concretização do processo de
leitura, mais especificamente a leitura no âmbito escolar. A escola, por sua vez, caracteriza-se como
um reduto onde a leitura assume um papel de extrema relevância nas interações entre os aprendizes e
os textos. Nesse sentido, tem ocorrido um maior investimento em práticas de leitura nas atividades
apresentadas nos livros didáticos, porém, com lacunas a serem preenchidas. Assim, entendemos a
necessidade de produzir novas reflexões acerca dos aspectos teóricos e práticos desse processo e
estudar como essa interação se concretiza nas atividades desenvolvidas no ambiente escolar. Dessa
forma, este trabalho trata da leitura a partir das estratégias criadas por Solé (1998) e da metodologia
adotada por Guimarães e Kersch (2014), denominada de Projeto Didático de Gênero (PDG). Além
disso, estabelece diálogo constante com outros subsídios teóricos e práticos de leitura, visando, com a
elaboração e aplicação de atividades didático pedagógicas por meio de oficinas de leitura, o exercício
desse processo no ambiente escolar, com uma turma de 9º ano de uma escola pública do Noroeste do
Paraná. Na orientação de demarcar o gênero notícia, adotamos as contribuições teóricas propostas por
Bakhtin (1992, 2003). Em relação ao PDG, tomamos outros gêneros que tratam da violência escolar
para compor nosso trabalho, pois de acordo com Guimarães e Kersch (2014), o PDG parte de uma
escolha temática e propõe o trabalho com um ou mais gêneros que se relacionam a uma dada prática
social do uso da linguagem. Nesse panorama, as contribuições esperadas a partir da intervenção são
enxergar, depois da pesquisa concluída, uma prática leitora com caráter interacionista, considerando a
relação texto-autor-leitor para a construção de sentidos, tecendo novas leituras, assim como averiguar
de que modo o PDG, como dispositivo didático, contribui para o ensino da leitura e da escrita sob a
perspectiva do trabalho com os gêneros, nas aulas de Língua Portuguesa.

Palavras-chave: Leitura. Estratégias de leitura. Projeto Didático de Gênero.

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IMPLEMENTAÇÃO DE UMA POLÍTICA EDUCACIONAL PARA O ENSINO


DE LÍNGUA PORTUGUESA: INSTRUMENTOS SIMBÓLICOS A SERVIÇO
DOS ATORES ENVOLVIDOS NOS PROCESSOS DE TRANSPOSIÇÃO
DIDÁTICA.

Tatiana Aparecida Baptilani-Zirondi (UEL)

Tomando como princípio a diferenciação entre artefatos e instrumentos psicológicos (Vygotski


(2000); Rabardel (1995); Schneuwly (2004); Clot (2006); Lousada e Machado (2010)), consideramos
que somente quando um artefato é apropriado pelo sujeito que ele passa a ser um verdadeiro
instrumento psicológico. Nesse sentido, ao vivenciar o trabalho pedagógico de diversos atores
(Assessores, Coordenadores e Professores) envolvidos, numa Rede Municipal de Ensino, para a
implementação de uma proposta curricular de Língua Portuguesa-Anos iniciais, a qual contempla a
didatização dos gêneros de texto/discurso por meio de sequências de atividades didáticas (DOLZ;
SCHNEUWLY, 2004; 2009), concebemos que tais noções são essenciais para compreendermos a
relação dialética entre os conhecimentos adquiridos pelos professores e os que são materializados por
meio do planejamento docente, visto a amplitude de conhecimentos necessários para a efetivação de
Proposta Curricular sob este viés. Nessa perspectiva consideramos para além da formação continuada
com cursos, a elaboração de instrumentos (Planos de Trabalho) que corroborem para atenuar as
lacunas e conflitos provocados entre as prescrições e o professor. Assim, neste trabalho, objetivamos
apresentar uma proposta de implementação curricular que, a partir das ações desenvolvidas (de criação
de instrumentos e formações continuas) pelos Assessores, perceberam que pode ser o caminho para
que mudanças no ensino-aprendizagem da Língua ocorram.

Palavras-chave: Gêneros Textuais; Proposta Curricular; Ensino Fundamental I

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AULAS DE LEITURA E ANÁLISE LINGUÍSTICA COM CONTOS: UMA


PERSPECTIVA BAKHTINIANA

Vinicius Matheus Perego (PIBID/CAPES/UEM)

O objetivo de nossa investigação foi caracterizar, à luz da perspectiva bakhtiniana, a abordagem dada
às práticas de leitura e de análise linguística em uma oficina para alunos de sextos anos, com contos de
temas africanos, elaboradas no contexto do Projeto Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência
(PIBID – Letras Português), no ano de 2016. Sob esse panorama, a presente pesquisa situa-se teórico-
metodologicamente no escopo da Análise Dialógica de Discurso (ADD), em consonância aos
postulados do Círculo de Bakhtin. Tendo como foco de análise as atividades de leitura e de análise
linguística produzidas para uma oficina do projeto PIBID – Letras Português, com os resultados vimos
como os conceitos de enunciado, dialogismo e gêneros do discurso foram transpostos didaticamente,
via exercícios de leitura. E, na sequência, ao analisarmos a abordagem dada à pratica de análise
linguística, verificamos como o conceito bakhtiniano de estilo foi transposto didaticamente, via
exercícios de análise linguística produzidos para a oficina. Nos resultados das concepções de leitura
predominantes temos a maioria dos exercícios com foco no processo de leitura da decodificação, uma
leitura básica de cópia. Os poucos exercícios que levam a uma leitura réplica dão início a uma nova
forma de expandir o conhecimento dos alunos. E a concepção de análise linguística é pouco
predominante nos exercícios, e quando acontece consegue levar o aluno para uma abstração de seus
conhecimentos para que consiga alcançar a finalidade dos exercícios.

Palavras-chave: Leitura e análise linguística; Gênero discursivo; Perspectiva bakhtiniana.

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SEQUÊNCIA DIDÁTICA E PROJETO DIDÁTICO DE GÊNERO: REFLEXÕES


TEÓRICO-METODOLÓGICAS

Vinicius da Silva Zacarias (PROFLETRAS-UEM)


Cláudia Valéria Doná Hila (UEM)

Este trabalho, circunscrito no âmbito da Linguística Aplicada, de caráter bibliográfico, apresenta um


recorte de uma dissertação de mestrado, com o objetivo de discutir algumas diferenças em torno de duas
propostas de intervenção utilizadas por pesquisadores do Mestrado Profissional em Letras- Profletras,
bem como por aqueles vinculados aos demais programas de pós-graduação em Letras: a Sequência Didá-
tica ( SD ) (DOLZ, NOVERRAZ e SCHEUWLY, 2004) e o Projeto Didático de Gênero (PDG) (GUI-
MARÃES, KERSCH, 2014) como formas de realizar o processo de transposição didática dos gêneros
discursivos para a sala de aula. Faz parte da natureza do Profletras o desenvolvimento e a aplicação de
uma proposta de intervenção no ensino fundamental; todavia, os professores que adentram ao programa,
muito embora tragam experiências práticas, desconhecem propostas metodológicas baseadas em diferen-
tes bases epistemológicas e, exatamente por isso, necessitam tanto apreender como discutir quais propos-
tas melhor se configuram aos seus objetivos de pesquisa. No caso da SD e do PDG, as bases teóricas
encontram-se no Interacionismo Sociodiscursivo (ISD), em sua versão mais didática. O ponto em comum
é que são duas propostas metodológicas que priorizam o trabalho com os gêneros discursivos na sala de
aula. Mas há diferenças entre elas e, mesmo atualmente, inúmeras adaptações já foram realizadas. Assim,
não temos como pretensão prescrever formas de o professor realizar o processo de transposição do gênero
discursivo a ser trabalhado, mas, sobretudo, auxiliá-los a pensar em metodologias de ensino que posam
ser adaptáveis ao contexto de interação de cada escola e de cada turma, contribuindo, sobremaneira, para
a ampliação de seu conhecimento e, consequentemente, para uma melhoria de sua prática docente.

Palavras-chave: Proposta de intervenção; Sequência didática; Projeto Didático de Gênero.

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PROPOSTA DE AULA DE LEITURA E DE ANÁLISE


LINGUISTICA NA PERSPECTIVA DO MULTILETRAMENTO

Viviane Evangelista Neves Santos (Profletras/UEM)

Este trabalho, inserido no âmbito da Linguística Aplicada, busca apresentar uma proposta de trabalho
com leitura e análise lingüística a ser desenvolvida com uma turma de 9ºano do Ensino Fundamental,
tendo como objetivo auxiliar no desenvolvimento da competência leitora dos alunos por meio da re-
flexão sobre o uso consciente das novas tecnologias. Propomos a discussão do tema em questão,
considerando a forte atração exercida pelas redes sociais , de maneira especial nos jovens, e os riscos
aos quais estão expostos ao fazer uso inconsciente de tais ferramentas . A base teórica que sustentou a
elaboração das atividades consiste nos estudos dialógicos de Bakhtin (1992, 2003), Barbosa e Rojo
(2015), bem como Brait (2016), estudiosos que compreendem a língua como forma de interação e
prática social, abordando os enunciados como elos em uma cadeia discursiva, ou seja, considerando a
influência exercida por vozes anteriores no enunciado presente. Também levamos em consideração a
importância dos textos multimodais para a formação do jovem leitor, contribuindo para o desenvolvi-
mento de uma postura crítica frente ao que lê, capacidade esta exigida na atualidade (Rojo, 2015).
Esperamos, assim, contribuir no sentido de apontar uma nova forma de trabalho ao professor, na qual
será possível abordar a leitura de maneira mais profunda, deixando de limitar-se ao verbal, para consi-
derar também a influência dos aspectos extraverbais na constituição de sentido do texto. Outra contri-
buição esperada é com relação ao impacto social do trabalho, já que os alunos, por meio das atividades
propostas, serão levados a repensarem seus hábitos diante do uso da internet e sua multiplicidade de
linguagens, auxiliando na internalização de conceitos sociais envolvidos nessa prática, já que estão
fortemente presentes em suas vivências cotidianas.

Palavras-chave: Leitura – multiletramento – prática discursiva

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UM GESTO DE LEITURA DO DISCURSO PEDAGÓGICO SOBRE A FUNÇÃO


DO TRADUTOR INTÉRPRETE DE LIBRAS NO DIZER DE PROFESSORES
DO CENTRO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE SINOP/MATO
GROSSO

Cíntia Débora de Moraes Cinti (PPGLetras/UNEMAT/Sinop)


Sandra Luzia Wrobel Straub (PPGLetras/UNEMAT/Sinop)

O presente estudo consiste em um gesto de leitura da prática discursiva de quatro professores que
lecionam no Ensino Fundamental e Médio do Centro de Educação de Jovens e Adultos, situado no
município de Sinop, Norte do Estado de Mato Grosso. Buscamos compreender por meio das noções
teóricas da Análise de Discurso Materialista Histórica, pautadas principalmente em Michel Pêcheux e
Eni Puccinelli Orlandi, como o Tradutor Intérprete de Língua Brasileira de Sinais (TIL) é constituído e
representado simbolicamente no imaginário dos professores regentes no contexto educacional.
Considerando que o TIL está presente em salas de aula que possuem alunos surdos e professores
ouvintes, este profissional encontra-se na fronteira discursiva entre a Língua Portuguesa e a Língua
Brasileira de Sinais (LIBRAS), uma vez que a essência do ato de traduzir e interpretar, neste caso,
emerge da relação entre as duas línguas. Para analisar a eminência do sentido sob esta materialidade e
sua articulação com o simbólico, realizou-se entrevistas semiestruturadas, por meio das quais foram
captados os discursos que nos levaram à análise, nos permitindo acesso à discursividade da linguagem.
Os resultados da análise mostram que o TIL configura-se como parte constituinte das condições de
produção do movimento de inclusão, entretanto, constitui-se por incompletude no imaginário docente,
uma vez que, segundo o discurso pedagógico, “ajuda” mas não assegura a efetivação do processo de
ensino-aprendizagem do aluno Surdo.

Palavras-chave: Tradutor Intérprete de LIBRAS, Discurso Pedagógico, Efeitos de sentido.

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UMA REFLEXÃO SOBRE A PRODUÇÃO DE GÊNEROS ACADÊMICOS A


PARTIR DA NOÇÃO DE ÉTHOS DISCURSIVO

Clebson Luiz de Brito (UFRN)

O ensino de produção de textos acadêmicos tem se apoiado fortemente na noção de gênero discursivo,
que permite discutir e examinar, em termos Bakhtinianos, as regularidades temáticas, estilísticas e
composicionais que devem ser levadas em consideração pelo produtor. Para além disso, a realidade
dos gêneros permite ainda considerar problemáticas ligadas às condições de produção e,
consequentemente, aos papéis sociais implicados nas diferentes práticas discursivas. Por isso mesmo,
parece importante, nesse contexto, levar em conta paralelamente a noção de éthos discursivo, que tem
sido pouco contemplada quando se trata de produção de gêneros acadêmicos. Inicialmente ligado à
eloquência dos discursos orais judiciários e deliberativos de que tratava a Retórica, o éthos tem sido
abordado nos estudos do discurso a partir da relação entre o dizer e o ser do enunciador. Com efeito,
nessa abordagem, éthos designa a imagem de enunciador que a enunciação faz surgir, imagem essa
que, apontando para uma identidade vinculada a um dado universo de sentido, atua promovendo uma
identificação do destinatário não apenas com as ideias apresentadas, mas também (talvez, sobretudo)
com um modo de ser. A produção no domínio científico não escapa a essa atuação do éthos, que se
conforma a imposições do lugar social de onde se fala e do universo de sentido ao qual esse lugar se
vincula. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é refletir sobre as contribuições da noção de éthos
discursivo no ensino dos gêneros acadêmicos. Mais especificamente, pretendemos demonstrar, por
meio do exame de alguns textos científicos, como a proficiência em relação à produção desses textos
pressupõe procedimentos voltados para a construção de um éthos que poderíamos compreender como
próprio de um pesquisador, procedimentos esses que devem ser considerados quando da produção
textual na esfera acadêmica.

Palavras-chave: Gêneros acadêmicos; Ensino; Éthos discursivo; Análise do Discurso.

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(PARA) QUEM (SE) ESTÁ DIZENDO ISTO?


LETRAMENTO E INTERCULTURALIDADE NA ESCRITA DE PRÉ-
UNIVERSITÁRIOS

Joás Ferreira da Silva (PG-UEM)

Em contexto de vestibular, a produção escrita que se exige do candidato tem pelo menos dois
objetivos oficiais: i) verificar a competência discursivo-comunicativa que o candidato apresenta e ii)
avaliar, por parte da banca organizado- ra/avaliadora, se o texto mobiliza certas habilidades
estabelecidas pela universida- de como necessárias a um ingressante do ensino superior. A prova de
redação do vestibular, composta basicamente pelos textos de apoio (que cumprem o papel de
apresentar diferentes perspectivas da temática a ser abordada na produção do pré- universitário), pelo
comando e, no caso da Universidade Estadual de Maringá, condições de produção e, também, pela
indicação do gênero textual solicitado faz da escrita que os estudantes produzem nessa situação
avaliativa um importante ob- jeto de pesquisa quando se pretende, por exemplo, categorizar o perfil de
aluno formado pelo ensino médio ou o que ingressa na universidade. A partir dessa es- crita,
pretendemos investigar em que medida (e de que maneira) o escrevente se apropria dos indícios
culturais privilegiados no(s) texto(s) de apoio e como a cole- tânea de textos e o comando de produção
orientam culturalmente o que o vestibu- lando deve-dizer na sua produção. Esse dever-dizer – que
privilegia certos mode- los culturais opostos, muitas vezes, ao saber-dizer ou querer-dizer
intercultural do vestibulando – é o foco de nosso interesse. A resposta à pergunta de pesquisa (“quais
movimentos ocorrem quando o pré-universitário se "empondera/formata" culturalmente para atender
a exigência da proposta de produção?”) norteia a identificação, descrição e análise das estratégias
linguístico-discursivas mobiliza- das pelo pré-universitário para se adequar ou não aos indicadores
(modelos) cultu- rais presentes na coletânea de textos motivadores e no comando e condições de
produção. No sentido de compreender de que maneira esses padrões se materiali- zam no texto escrito
do pré-universitário e como isto influi na sua produção escri- ta, recorremos aos conceitos axiológicos
propostos por Voloshinov e Bakhtin (1926), correlacionando-os com os elementos constitutivos do
gênero discursivo em abordagem dialógica (BAKHTIN, 1997; BAKHTIN e VOLOCHINOV, 1992),
bem como o conceito de endereçamento (CANGUSSÚ, 2016) e o de identidade proposto por IVANIC
(1998).

Palavras-chave: Escrita de pré-universitários; Interculturalidade; Identidade; Letramento acadêmico.

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CONSTRUÇÃO DE IMAGENS DE SI EM CONCLUSÕES DE TESES DE


DOUTORADO PRODUZIDAS POR SURDOS

Maria Clara Maciel de Araújo Ribeiro (UNIMONTES)

Este estudo focaliza o ingresso de surdos na pós-graduação stricto sensu e a consequente realização de
pesquisas que se situam na fronteira entre a academia e o movimento surdo. Trata-se de pesquisas que
embora legitimem o seu lugar na academia, atestam também o seu caráter nitidamente ativista em
favor do povo surdo. Assim, observam-se em tais produções estratégias discursivas voltadas para o
controle da tensão estabelecida entre as vozes do sujeito pesquisador e do sujeito militante. A partir
disso, este estudo busca evidenciar a sobreposições de vozes e imagens de si construídas no fio do
discurso acadêmico a partir da tensão relatada, focalizando especificamente a seção conclusão do
gênero tese de doutorado. Metodologicamente, selecionamos três teses de doutorado em Educação
produzidas por surdos, com o objetivo de analisar o processo de construção de imagens de si na seção
conclusão, delineando ethe que se manifestam nesse discurso de fronteira. A pesquisa parte do aparato
teórico de Dominique Maingueneau (2005, 2006, 2008) e Boaventura de Sousa Santos (2005, 2007,
2009). O primeiro nos posiciona frente às teorias da Análise do Discurso de tendência francesa,
enquanto o segundo nos apresenta um modelo de racionalidade científica politicamente
comprometida. Os resultados indicam que as pesquisas analisadas reconhecem a sua vertente ativista e
ostentam um eu ou um nós surdos politicamente comprometido com o seu povo; que os fazeres
acadêmicos e militantes são compreendidos como reciprocamente condicionantes, embora se observe,
na secção conclusão, claro predomínio de ethe ativistas, ainda que se mostrem dependentes de ethe
acadêmicos.

Palavras-chave: Discurso acadêmico; surdos; conclusão; tese de doutorado, imagens.

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A ESCRITA AUTORAL: DESAFIOS E IMPOSIÇÕES DO ARTIGO


CIENTÍFICO

Maria da Penha Brandim de Lima (Unimontes)

As imposições estabelecidas pelo trabalho acadêmico exigem capacidades específicas para a escrita
como: articulação das habilidades argumentativas; assunção de pontos de vista teóricos; mobilização
de recursos linguísticos e dos conhecimentos adquiridos, na expressão de conteúdos relevantes, de
forma original e autêntica. Alguns fatores acarretam dificuldades para os alunos de cursos de
graduação, cujas produções de textos demonstram problemas de ordem linguística e discursiva e até
mesmo a prática meramente reprodutora de textos de outrem. Este trabalho representa uma etapa do
Projeto de Pesquisa “O processo de construção autoral no espaço da formação acadêmica: teoria e
prática”, em desenvolvimento na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Minas Gerais.
Tem-se por objetivo geral contribuir para a discussão acerca da atividade de escrita em aulas de
Língua Portuguesa no ensino superior a partir da escrita de textos produzidos por estudantes do curso
de Letras. A hipótese é de que, na produção de textos do gênero acadêmico, a constituição da
argumentatividade, propiciada por meio de atividades específicas de produção textual, acarreta o
efetivo desenvolvimento de habilidades de escrita, com sustentação de pontos de vista e
posicionamento autoral. Para a concretização do objetivo, empreendeu-se, inicialmente, uma pesquisa
de abordagem qualitativa por meio da análise de textos na modalidade artigo científico, escritos por
estudantes do sexto período do curso de Letras, como atividade da disciplina de Princípios de Análise
de Discurso. O aporte teórico da pesquisa fundamenta-se na Análise de Discurso, por meio dos
estudos de Adam (2008), Bakhtin (2006), Bronckart (2007), Rabatel (2009; 2010) e Maingueneu
(2010). Resultados parciais da pesquisa contribuíram para: realizar o diagnóstico e a elaboração de
propostas de intervenção na escrita dos estudantes, na forma de oficinas de produção de textos; revelar
um posicionamento autoral fundamentado na mobilização de vozes institucionais expressas pelas
escolhas linguísticas dos sujeitos escritores e definir a necessidade do desenvolvimento de atividades
específicas para o aprimoramento da produção de textos, visando a uma escrita autoral para a
modalidade requerida.

Palavras-chave: Argumentação. Autoria. Gêneros Discursivos. Produção Textual.

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RCNEI E A (DES)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO SUJEITO INDÍGENA

Aline Almeida Inhoti (UEM)


Neiva Maria Jung (UEM)

Os conflitos entre língua portuguesa e o respeito às diversidades culturais na educação indígena é a


problemática deste trabalho, que objetiva compreender como a identidade do sujeito indígena é
(des)construída no documento RCNEI (Referencial Curricular Nacional para escolas indígenas). Aten-
tamo-nos ao fato de que as línguas indígenas e os povos indígenas, historicamente marginalizados e
invisibilizados, encontram hoje o desafio de (se) constituírem como indígenas por meio de um portu-
guês indígena, considerando que em algumas comunidades os povos optaram por ensinar o português
como língua materna, devido à política nacional que valoriza a língua portuguesa. Nos contrapontos
entre “ser índio em português indígena” (MAHER, 2007), repensamos a língua, cultura e identidade e,
nesse sentido, reconhecemos o conceito de língua que norteia o RCNEI. Trata-se de um trabalho em
Linguística Aplicada, amparado nas perspectivas epistemológicas dos Novos Estudos sobre o Letra-
mento (STREET, 1984, 2014; KLEIMAN, 1995, KLEIMAN, ASSIS, 2016; ROJO, 2009), especifi-
camente no que se refere à língua e(m) práticas sociais, aos letramentos e suas relações com os con-
textos sociais, culturais e ideológicos. A base teórica também se pauta nos estudos pós-coloniais
(MIGNOLO, 2008; SANTOS, 2007), principalmente no conceito de identidade (em) política. O olhar
interpretativo possibilitou verificar que a identidade do sujeito indígena é pautada em preceitos colo-
niais, o que no RCNEI, um documento norteador e de ligação entre a legislação e a prática, separa as
duas línguas, suas funções e seus valores na sociedade. Com isso não há espaço para o reconhecimen-
to de uma identidade indígena em português brasileiro.

Palavras-chave: educação indígena; identidade; descolonialidade; letramento

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LETRAMENTO ACADÊMICO NO ENSINO MÉDIO: ETNOGRAFIA PARA


ALÉM DO MÉTODO

Rafael Petermann (UEM/ IFPR)


Amanda Regina Bughi (UEM/SEED-PR)

Este trabalho tem o objetivo de discutir a inserção da Etnografia para além de um método e/ou meto-
dologia em um projeto de pesquisa de doutorado em curso que visa a investigação da aprendizagem do
letramento acadêmico de alunos do Ensino Técnico Integrado ao Ensino Médio em uma instituição
federal no Paraná. Trata-se aqui da compreensão da Etnografia como uma forma própria de teorização
(PEIRANO, 2008; LILLIS, 2008) que deve orientar todo o trabalho do pesquisador desde a geração de
dados no campo até a escrita do relatório de pesquisa. Problematizamos que a Etnografia, quando é
tomada como método e/ou metodologia, ou seja, como uma espécie de pano de fundo em pesquisas na
área de letramento acadêmico, pode-se produzir uma lacuna entre texto e o contexto. Entendemos,
porém, que o extraverbal é constitutivo da escrita acadêmica, por isso é necessário um empreendimen-
to teórico-metodológico-analítico que dê conta da amplitude e complexidade da língua(gem) em fun-
cionamento. Defendemos, então, que a Etnografia como Deep Theorizing, conforme propõe Lillis
(2008), é um meio de se avançar na produção de entendimentos sobre fenômenos do letramento aca-
dêmico, como, por exemplo, a compreensão de como estudantes do ensino médio aprendem a partici-
par de práticas letradas acadêmicas, eliminando, ou pelo menos amenizando, a lacuna analítica que se
impõe para o pesquisador entre o texto e o contexto. Apresentamos também alguns procedimentos de
geração de dados no campo que têm sido utilizados na pesquisa de doutorado mencionada a fim de
captar o maior número de elementos contextuais que compõem o trabalho de fazer escrita acadêmica
por estudantes/pesquisadores do ensino médio.

Palavras-chave: Letramento Acadêmico; Ensino Médio; Etnografia da Linguagem

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CONCEPÇÃO DE PROJETO E ESPECIFICIDADES DOS PROJETOS DE


LETRAMENTO NO CAMPO ESCOLAR

Ana Paula da Silva e Lino (UEL)

Em meados dos anos de 1990, no cenário educacional brasileiro, houve muitas discussões sobre um
modelo de educação voltado para a vida e para a compreensão da sociedade. Tais discussões, também
motivadas pela publicação dos PCN (1988), consideravam que as experiências e os interesses dos
estudantes deveriam ser legitimados no processo de ensino-aprendizagem. Assim, dentre as propostas
de ressignificação do letramento escolar, o trabalho com projetos passou a destacar-se, ocupando um
lugar significativo nas escolas e universidades. Nesse sentido, Kleiman (2006) enfatiza que as práticas
não escolares em que há a participação dos adolescentes e que envolvam a leitura e a escrita podem
servir de base ao desenvolvimento de projetos por mobilizarem os interesses dos alunos. Diante do
exposto, o objetivo deste trabalho é discutir a concepção de trabalho com projetos (HERNANDEZ,
1998), apresentada em documentos oficias vigentes para o ensino de língua materna, como os PCN
(1998), e apresentar os ponto de convergência e as especificidades do trabalho com projetos de
letramento como modelo didático no campo escolar (TINOCO, 2008). Para tal, faz-se necessário
considerar que a aprendizagem da escrita deveria atingir fins relacionados ao agir socialmente e não
 apenas uma aprendizagem formal e metalinguística do sistema da língua. Subjazem ao trabalho com
projetos de letramento, como organização de um processo educativo, princípios diferentes dos que
regem o modelo tradicional de ensino e, diante dessa perspectiva, os projetos de letramento partem da
prática social como princípio estruturante das ações pedagógicas e abandonam a visão do ensino
apenas conteudístico ao assumirem a estreita relação entre o ensino e o mundo social.

Palavras-chave: projetos; projetos de letramento; ensino; língua materna.

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A ESCRITA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO NO PROCESSO


DE (RE)CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES DOCENTES

Ana Paula Domingos Baladeli (UNIOESTE)

A prática da escrita acadêmica representa parte constituinte do processo formativo de professores em


formação inicial e, por meio dela se acessa, produz e divulga a ciência. No caso da escrita do Trabalho de
Conclusão de Curso - TCC, etapa formativa que consolida e legitima o ingresso na profissão professor,
esta pode apresentar-se como um desafio ou entrave, já que exige que os acadêmicos assumam a posição
de sujeitos pesquisadores, portanto, escreventes produtores de discursos. Pesquisas com base nos Novos
Estudos do Letramento realizadas por Mckay (1993); Street (1995); Barton e Hamilton (2000); Lea e
Street (2006); Fiad (2017) destacam que as dificuldades vivenciadas na escrita de certos gêneros acadêmi-
cos revelam o acesso, a valorização e a concepção que a escrita assume para os diferentes grupos sociais.
Partindo do pressuposto que a escrita do TCC representa em muitos casos, a primeira oportunidade de os
acadêmicos assumirem-se como sujeitos pesquisadores, objetivo este estudo é discutir no itinerário de
escrita do TCC de três professores em formação inicial de uma universidade pública do Paraná, o impacto
da escrita acadêmica na (re)construção de suas identidades docentes. Os dados foram gerados ao longo de
orientações e de questionários semiestruturados, os quais indicaram que ao longo do curso, os professores
em formação inicial tiveram dificuldades em assumirem-se como sujeitos pesquisadores e produtores de
discursos e, que mantiveram uma relação de distanciamento e de insegurança com a escrita de textos aca-
dêmicos.

Palavras-chave: Letramentos acadêmicos; escrita acadêmica; identidades docentes

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LETRAMENTO(S) NA ESCOLA E OS USOS DA ESCRITA: O OLHAR


ETNOGRÁFICO DESVELANDO AS PRÁTICAS E EVENTOS DE
LETRAMENTO AO FINAL DO ENSINO FUNDAMENTAL

Andréa de Lourdes Cardoso dos Santos (UNIFAL/CEFET-MG)


Maria Emília Almeida da Cruz Tôrres (Orientadora - UNIFAL)

Os estudos do letramento, alicerçados numa perspectiva etnográfica e antropológica, possibilitaram


um avanço na abordagem do letramento que permite compreender o fenômeno da linguagem para a-
lém da dimensão do fato linguístico, trazendo à tona a questão da pluralidade do termo: não apenas
letramento, mas sim letramentos. (KLEIMAN, 2008, ROJO, 2009; STREET,2010, 2014). Marinho
(2010, p.80) afirma que “analisar eventos de letramento, em qualquer espaço social, significa descre-
ver as regras a eles subjacentes, levando em conta a situação de interação(...)”, o que implica conhecer
os sujeitos e as relações que se tecem a partir da escrita. O presente trabalho visa apresentar uma pes-
quisa em andamento sobre os letramentos na escola e os usos da escrita a partir da observação dos
eventos e das práticas de letramento ao final do Ensino Fundamental, à luz dos (Novos) Estudos do
Letramento e das Teorias do Discurso. Objetiva-se com esta pesquisa conhecer as práticas e os eventos
de letramento a que os alunos. são expostos ao final do Ensino Fundamental, dentro e fora da sala de
aula, com a intenção de observar quais dessas práticas e eventos possibilitam o engajamento desses
alunos aos usos da escrita demandados pela sociedade contemporânea. Trata-se de uma pesquisa
qualitativa (TRIVINÕS,1994; BORTONI-RICARDO, 2009; ANDRÉ, 2011; MYNAIO, 2010) de base
interpretativista e etnográfica (ANDRÉ, 2011; ANGROSINO, 2009; FLYKR, 2009; LIMA, 2010;
MOITA-LOPES, 1994). que adota como principais instrumentos de coleta de dados o instrumental
etnográfico: a observação participante, entrevistas semiestruturadas, notas do diário de campo,
aplicação de questionários, registos audiovisuais e análise documental. O presente trabalho advoga a
relevância da perspectiva etnográfica para as .pesquisas sobre letramento, no contexto da escola e fora
dela, uma vez que este “olhar” possibilita compreender os eventos e as práticas de letramento no seu
contexto de uso, reafirmando o preceito de que todo letramento é uma prática social situada. (BAR-
TON E HAMILTON, 2004; KLEIMAN, 2008, STREET, 2014, TÔRRES, 2009).

Palavras-chave: letramento(s); práticas e eventos de letramento; olhar etnográfico

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AVALIAÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS PREPARATÓRIOS PARA O


EXAME CELPE-BRAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE PLA

Andrea Lima Belfort Duarte (UFRJ)


Cristina Marques Uflacker (Unisinos)

Nesta comunicação estará em foco a formação de graduandos de Letras como espaço privilegiado para
preparar elaboradores e avaliadores críticos de materiais didáticos de ensino de português como língua
adicional (PLA). Será considerado um contexto específico de ensino de PLA que se traduz na
preparação de alunos estrangeiros para obtenção do Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa
para Estrangeiros (CELPE-Bras). A pesquisa considerada neste trabalho foi realizada em um projeto
de formação de monitores voluntários de PLA, em uma universidade brasileira. Por se tratar de um
exame de natureza comunicativa que adota a concepção de uso da linguagem para agir no mundo
(Brasil, 2015), a preparação de examinandos para a realização do mesmo deve abranger tarefas que
ultrapassem o ensino de regras e de uso isolado de itens linguísticos, e propiciem situações nas quais
os examinandos possam usar a língua, na oralidade ou na escrita, para agir em determinados contextos
de acordo com determinados propósitos sociais. Compreender como a concepção de língua(gem) pode
ser operacionalizada em ações pedagógicas concretas contribuiu, assim, para ampliar o conhecimento
do graduando em relação ao uso social da linguagem. Diante do exposto, a formação dos monitores foi
estruturada em três fases. Em um primeiro momento, discutimos a concepção teórico-metodológica e
examinamos a edição do exame aplicada em 2015/1. A seguir, analisamos materiais didáticos
disponíveis no mercado para o ensino de português para estrangeiros e materiais com o escopo na
preparação de candidatos para o Celpe-Bras. Por fim, apresentamos três unidades didáticas
preparatórias e refletimos sobre sua adequação em um contexto específico: a preparação de alunos
estrangeiros candidatos a participação no Programa de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) e
que deveriam obrigatoriamente se submeter ao exame para obtenção do Certificado de Proficiência em
Língua Portuguesa para Estrangeiros, na segunda edição de 2016. No decorrer de cada etapa foram
discutidas, ainda, a importância da participação dos monitores voluntários no processo de
entendimento do exame e na elaboração e aplicação das unidades didáticas em sala de aula. Como
resultado, pudemos observar a relevância do desenvolvimento do pensamento crítico para a formação
do professor.

Palavras-chave: Avaliação; Materiais didáticos; Celpe-Bras.

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REINGRESSANTES NA GRADUAÇÃO: DESAFIOS E PERSPECTIVAS DE


AVALIAÇÃO DE ALUNOS MIGRANTES REFUGIADOS

Caroline Vieira Rodrigues (UFPR)

Em consequência da promulgação lei nº 9.474/97 que garante entrada no país e direitos civis aos
migrantes refugiados, universidades públicas passaram a abrir suas portas para esses sujeitos em
movimento. Além de aulas de Português Língua Adicional (PLA) e Português Língua de Acolhimento
(PLAc), a Universidade Federal do Paraná (UFPR), através da resolução 13/14-CEPE, abriu processo
seletivo especial para estudantes de graduação regularmente admitidos no Brasil e portadores de visto
humanitário que pararam a gradução em seus países de origem. Diante dessa realidade de acolhimento
universitário, objetivamos com este trabalho melhor compreender as práticas avaliativas no Ensino
Superior de alunos reingressantes com baixa proficiência em Língua Portuguesa. Este trabalho está
alicerçado em aportes teóricos e epistemológicos como Kanno & Varghese (2010) e Kanno &
Crowley (2013), haja vista que serão problematizados os desafios que envolvem ensino e avaliação de
migrantes falantes de línguas minoritárias em cursos de graduação no contexto brasileiro. Para esta
pesquisa de caráter exploratório, foram entrevistados cinco alunos reingressantes em diferentes cursos
de graduação da Universidade Federal do Paraná durante seu primeiro semestre na instituição. Seus
relatos revelam a realidade do migrante falante de línguas minoritárias na universidade, sua
aprendizagem de Língua Portuguesa e como a baixa proficiência linguística influencia seu
desempenho acadêmico durante as avaliações. Buscamos com a análise qualitativa dos dados gerados
refletir criticamente sobre o ensino de PLA e PLAc para fins acadêmicos e a avaliação de graduandos
migrantes; se há necessidade de reformular o ensino da língua ou os processos de avaliação desses
alunos a fim assegurar mais acesso e sucesso a estudantes refugiados reingressantes nos cursos de
graduação da UFPR.

Palavras-chave: Avaliação; Migração; Português Língua de Acolhimento; Português Língua Adicional;


Refúgio; Reingresso.

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OS SABERES DO PROFESSOR: PRÁTICAS DE LETRAMENTO DOCENTE


COMPARTILHADOS NA FORMAÇÃO CONTINUADA

Cláudia Peres Barbosa Jorge (UEL).

O presente trabalho, como parte de um projeto de pesquisa de mestrado, pretende conhecer quais
eventos de letramento (Heath, 1982) estão envolvidos em um projeto de formação continuada. Trata-
se de um projeto de formação voltado para a leitura promovido pela Secretaria Municipal de Educação
de Londrina, no qual os professores participantes são encarregados da mediação de leitura aos alunos
da rede pública do município, a partir de reuniões mensais de formação para atuar na biblioteca.
Pretendemos apresentar resultados parciais de análise da três reuniões de formação continuada de
professores, a partir de uma pesquisa de campo de natureza qualitativa de orientação etnográfica
(GARCEZ, 2015; SCHULZ, 2015). Para tanto, no primeiro momento, a discussão será conduzida a
partir do referencial teórico dos Novos Estudos do Letramento (STREET, 2015), em especial os que
focalizam o trabalho docente no que tange a perspectiva da Linguística Aplicada (KLEIMAN, 2007,
2005 VIANNA, 2016). Sobre a formação de professores, no segundo momento, iremos descrever o
contexto da formação oferecida e analisar os eventos de letramento que sucederam durante estes três
encontros, buscando refletir sobre a formação continuada como uma das fontes de saberes adquiridos
e compartilhados pelos docentes. Entendemos que tais práticas de formação de professores podem se
configurar como espaços potenciais para a reflexão do trabalho docente, apropriações culturais e de
construção coletiva, desenvolvidas de acordo com a sua realidade de trabalho, assim instituindo sua
representatividade profissional.

Palavras-chave: formação de professor, evento de letramento, saber docente.

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DIANTE DO ESPELHO: A AUTOETNOGRAFIA COMO METODOLOGIA


DE PESQUISA NO ENSINO DE LÍNGUAS NO CONTEXTO DA ESCOLA
PÚBLICA

Fernando Pardo (USP/IFSP)

No cenário acadêmico contemporâneo, observam-se diversos tipos de etnografias não tradicionais ou


não canônicas (FORTIN, 2009; ELLIS; ADAMS; BOCHNER, 2011), tais como a netnografia e a
autoetnografia. Segundo Arruda (2012), o conceito de autoetnografia surge na Antropologia, mas
também vem sendo utilizado na Sociologia, principalmente em estudos feministas e pós-coloniais. Já a
utilização da autoetnografia em Linguística Aplicada e em pesquisas sobre estudos de Letramentos
tem se mostrado como alternativa metodológica às pesquisas científicas tradicionais de base positivis-
ta. Posto isto, o objetivo desta comunicação é problematizar a autoetnografia como metodologia de
uma pesquisa de doutorado (PARDO, 2018), em que foi investigada uma proposta pedagógico-
educacional, elaborada com base nas teorias de Letramentos (KALANTZIS; COPE 2000, 2008,
LANKSHEAR; KNOBEL, 2003, 2006, 2013, KRESS, 2003, 2010, GEE, 2004), para o ensino de
inglês no Ensino Fundamental-I público. A pesquisa lançou mão da autoetnografia, viés metodológico
que transita entre a etnografia e a autobiografia, por meio de observações e auto-observações, para
investigar em que medida as teorias de Letramentos se adequam ou não ao ensino de inglês no contex-
to pesquisado. A partir das teorizações de Bakhtin (1997 [1979]), a respeito dos conceitos de autoria e
autoridade na escrita da biografia e da autobiografia, gêneros os quais relacionarei aos conceitos de
etnografia e autoetnografia, sobretudo no que se refere às figuras do herói e do narrador, pretende-se
fomentar a reflexão acerca das questões relacionadas às identidades do eu (pesquisador) e do eu (pes-
quisado), as quais emergem no contexto investigado, bem como problematizar a subjetividade, alteri-
dade e interdependência entre estes dois eus. Trata-se de assumir o caráter indissociável entre o sujeito
que conduz a investigação e a própria produção da pesquisa (FORTIN, 2009).

Palavras-chave: Autoetnografia; Letramentos; Ensino de língua inglesa; Ensino Fundamental-I;


Escola pública.

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O PARANÁ FALA INGLÊS: CONCEPÇÃO DE LÍNGUA, MATERIAL


DIDÁTICO E PROPOSTA METODOLÓGICA A PARTIR DE UMA VISÃO
AUTOETNOGRÁFICA

Gabriel Jean Sanches (UFPR)

Este trabalho busca investigar qual a concepção de língua presente no programa “O Paraná fala
Inglês” por meio das atividades desenvolvidas na 2º fase do programa na Unespar no Campus de
Paranaguá, de modo a apresentar uma proposta metodológica que aborde língua como discurso a
partir do material didático adotado. Para tal investigação trazemos como arcabouço teórico
pesquisadores que discutem acerca da concepção de língua tais como: Jordão (2013); Janks (2015)
e Street (2015). A justificativa para esse trabalho se dá pelo interesse do pesquisador apresentar e
analisar práticas do programa no espaço em que está inserido, dada a sua importância para o
contexto de internacionalização da universidade, isso por haver poucos estudos sobre concepção de
língua voltados para o programa até agora. Para tanto partimos de uma pesquisa qualitativa, com
abordagem autoetnográfica propondo a aproximação entre pesquisador e participantes, com autores
que discutem essa abordagem Edmundo (2010); André (1995) ; Hammersley (2013), ou seja, o
pesquisador é também parte da pesquisa que busca fazer reflexões acerca da teoria e prática. A
partir dela objetiva-se: a) analisar algumas atividades propostas pelo material didático por meio da
plataforma virtual na tentativa de identificar a concepção de língua presente; b) analisar algumas de
nossas práticas na tentativa de identificar como se dão as interações em sala de aula com o uso do
material didático adotado; c) verificar a possibilidade de se desenvolver práticas que vão ao
encontro de propostas que tratem a língua como discurso, como pratica social. Nesse norte,
buscamos alternativas para uma prática contextualizada do ensino de línguas que possa oferecer aos
estudantes uma visão de ensino para além daquilo que já é esperado nas aulas de Inglês, ou seja,
pensar em estratégias que permitam realizar atividades de práticas de uso da língua e não que
tenham como única finalidade a prática de tópicos gramaticais.

Palavras-chave: Paraná Fala Inglês; Língua como discurso; Ensino Superior; Línguas Estrangeiras.

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LETRAMENTO ACADÊMICO E FORMAÇÃO DOCENTE: REFLEXÕES


SOBRE ESTÁGIO DE UM CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS

Giselli Cristina Claro Rampazzo (UEM)


Silvia Regina Emiliano Gonzaga (CESPAR)

Formação docente é um tema em constante reflexão para nós, professores pesquisadores, por
reconhecermos que na universidade, muitas vezes, há relações de poder estabelecidas (STREET,
2014), mas nem sempre visibilizadas por docentes e alunos. Essas relações, comumente, ficam
definidas por meio de vozes sociais e vozes implícitas (BAKHTIN/VOLOCHINOV, 1992;
BAKHTIN, 2003; FARACO, 2003) em gêneros textuais como os relatórios de estágio, por exemplo.
Essas vozes emergem como um coro que se constituem na própria formação identitária dos
professores estagiários, sendo o momento do estágio, caracterizado por muitos alunos, como o divisor
de águas da profissão docente e um momento de reconfiguração identitária. Considerando a
necessidade de reflexões, em Linguística Aplicada, sobre cursos de licenciatura que formam
professores na área da linguagem, este trabalho tem como objetivo refletir sobre como é construída a
interlocução entre docente e aluno mediante análise de dados de professores em formação da
disciplina de Estágio IV, de um curso de licenciatura dupla (Português/Inglês), como recortes de
sessão reflexiva, respostas dos alunos a um questionário e trechos de uma carta colaborativa
endereçada aos professores da disciplina de estágio. Nos pautaremos nas concepções dos Novos
Estudos do Letramento e no Dialogismo, tendo como foco principal os discursos dos alunos em
termos de letramento acadêmico, levando em consideração as relações de poder estabelecidas no
percurso de formação, a partir da esfera da criação ideológica, no curso de Letras. Em termos de
resultados, reconhecemos que os alunos respondem a uma voz social dominante representada pelo seu
interlocutor superior (superdestinatário) – curso de Letras.

Palavras-chave: Letramento acadêmico; Relações de poder; Dialogismo; Formação docente.

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OS NOVOS ESTUDOS DO LETRAMENTO E O PODER: UMA ABORDAGEM


FOUCAULTIANA

Ivy Mariel Valsecchi (UEM)

Neste trabalho, aborda-se os Novos Estudos do Letramento, que reconhece as várias práticas letradas
nas quais os sujeitos já estão inseridos no dia a dia. Segundo Brian Street (2014), um dos principais
estudiosos desta teoria, as práticas de letramento são permeadas pelo poder, cujo mecanismo define o
que é letrado e iletrado. Junto a esta teoria, evidencia-se os estudos de Foucault, que entende o poder
como algo presente em todas as esferas sociais, que ninguém detém e do qual ninguém escapa. Assim,
no cruzamento entre estes estudos reflete-se sobre a necessidade de se reconhecer a multiplicidade de
práticas letradas, abandonando a concepção de letramento ligado à erudição. Tendo em vista que saber
e poder são duas noções caras à obra de Foucault, e que as práticas letradas são, conforme Street,
permeadas pelo poder, busca-se articular os Novos Estudos dos Letramentos aos pressupostos
foucaultianos, com o objetivo de lançar luz sobre a importância de legitimar os saberes e letramentos
além do escolar. Foucault trata da relação entre o saber e o poder, ou seja, as maneiras pelas quais os
saberes são construídos e legitimam o poder e este transforma os saberes. Ao delinear uma genealogia,
ou seja, uma “anti-ciência”, Foucault rompe com a tirania dos discursos hierárquicos e privilegiados
para considerar o saber das pessoas. Trata-se, então, de agir contra os efeitos de poder centralizadores
que regem o discurso científico de nossa sociedade. O poder, para Foucault, se exerce, se dá nas
relações, é micro, ninguém o detém, ele escapa, além de ser, fundamentalmente, uma relação de força.
Segundo o teórico, poder e saber são noções interdependentes: o poder não funciona somente enquanto
um dispositivo negativo, pois produz saber; as práticas de poder podem modificar os saberes da
sociedade e os saberes podem modificar os poderes exercidos.

Palavras-chave: Práticas letradas; Foucault; Saber.

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“EU SEMPRE BRINCO QUE AQUI NO BAIRRO É DUAS COISAS QUE A


GENTE TEM, NÓS TEMOS BASTANTE IGREJA E MUITO FUNK”:
DIFERENTES CONCEPÇÕES DE CULTURA EM UMA PESQUISA
ETNOGRÁFICA NA ESCOLA

Izabel da Silva (UNICAMP/IFPR)

As nossas crenças e valores, nossas representações e todas as nossas ações são perpassados pela
cultura, isto porque a cultura atravessa toda a nossa vida social e, portanto, o contexto escolar.
Entender a lógica por trás dessas crenças e comportamentos é um grande desafio. Diferentes vertentes
do termo multiculturalismo têm encontrado adeptos no âmbito da educação, a exemplo do
multiculturalismo conservador, multiculturalismo liberal e multiculturalismo crítico/interculturalidade.
No entanto, Maher (2007) pondera sobre os cuidados que se deve ter com as especificidades
linguísticas e culturais no planejamento de programas educacionais, e quanto à circulação acrítica de
diferentes concepções de cultura e de multiculturalismo. Neste sentido, temos como objetivo refletir
sobre as diferentes concepções de multi(cultura)lismo a partir das percepções de um grupo de
educadores participantes de uma pesquisa etnográfica escolar. O marco teórico-metodológico que
fundamenta a pesquisa alinha-se à Linguística Aplicada, por tratar-se de uma área do conhecimento
essencialmente interdisciplinar. Este trabalho faz um recorte de uma pesquisa maior realizada, entre
2015 e 2016, em uma escola na periferia de Foz do Iguaçu, onde acompanhou um curso de formação
continuada de professores, o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio (PNEM). O corpus
recortado abrange anotações da pesquisa de campo, cadernos de formação do PNEM e excertos
transcritos de um grupo focal. Os dados analisados mostram que existem diferentes concepções de
cultura entre os documentos formativos e os participantes da formação, e entre os próprios cursistas a
respeito da cultura dos alunos, do bairro e da região fronteiriça. Alguns excertos evidenciam mais a
vertente do multiculturalismo liberal, ao culpar o próprio aluno pelo fracasso escolar, apontando a
diversidade cultural, social e econômica do entorno do colégio como o principal problema para o
ensino.

Palavras-chave: Multi(cultura)lismo; Etnografia escolar; Formação continuada.

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LETRAMENTO DAS CLASSES TRABALHADORAS E CONSTRUÇÃO DE


IDENTIDADE: UM ESTUDO DE CASO SOBRE OS SENTIDOS DA
ESCOLARIZAÇÃO

Karina Pacheco dos Santos (UTFPR)

O estudo parte da perspectiva que considera o letramento como prática social e leva em conta os
aspectos sócio-históricos envolvidos na aquisição da leitura e da escrita. Nesse sentido, esta pesquisa
descreve a história de vida e trajetória de letramento de M.L., licenciada em Ciências Sociais, com
vistas a observar como práticas, eventos agentes e agências de letramento deslocaram/constituíram a
identidade dessa mulher trabalhadora e de classe social desfavorecida economicamente. A escolha do
estudo de caso de M.L. deu-se pelo fato de ela representar um grupo social que teve acesso ao ensino
superior na última década, além de apresentar em sua história de vida casos de insucesso e sucesso
escolar. Desse modo, são elaborados questionamentos sobre os efeitos na constituição da identidade
de M.L. ao participar de eventos e práticas de letramento. Além disso, são indagados quais são os
sentidos atribuídos por ela à escolarização. Para tanto, são mobilizados os conceitos de eventos,
práticas, agentes e agências de letramento (STREET, 2012; 2006; SILVA FILHO; RODRIGUES,
2012; SILVA; ARAÚJO, 2012; KLEIMAN, 2006), relacionados com a noção de identidade (HALL,
2014; GEE, 2001). A pesquisa se caracteriza como um estudo caso, cujos dados foram gerados em um
memorial escrito e uma entrevista semiestruturada. O estudo evidenciou que a identidade de M.L. está
em constante constituição/descolamento, uma vez que precisa assumir ou negociar diferentes
identidades para atuar nas práticas e nos eventos de letramento em que se insere durante sua trajetória
de vida. Além disso, foi possível verificar que o letramento não está necessariamente relacionado com
a promoção social, no que diz respeito à ascensão a uma classe social economicamente favorecida. Por
fim, a pesquisa também evidenciou que escolarização só passa a fazer sentido para M.L. no ensino
superior, quando escolhe um curso que tenha relação com a sua atuação social e com a realidade da
comunidade em que vive.

Palavras-chave: Histórico de letramento. Letramento e identidades. Práticas e eventos de letramento.


Agente e agência de letramento.

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UM OLHAR DISCURSIVO PARA AS TAREFAS SOLICITADAS PELO


EXAME CELPE-BRAS

Luciana Cristina Ferreira Dias Di Raimo (UEM)

Tendo em vista o exame Celpe-Bras (Certificado em Língua Portuguesa para Estrangeiros), cuja
primeira aplicação ocorreu em 1998, interessa-me, nesta comunicação, trazer movimentos analíticos,
com base na Análise do discurso de linha francesa, a respeito da estrutura/funcionamento do exame
dentro do que se denominam “tarefas” ou convites para interagir com o mundo. Considerando a
primeira parte do exame, as práticas de escrita acontecem com base na escuta de textos constituídos
por diferentes materialidades tais como trechos de vídeos e áudios ou textos verbais escritos a partir
dos quais se solicita a produção de um texto com um propósito comunicativo e dirigido a um
interlocutor específico, num dado gênero discursivo. Essa estrutura/funcionamento da primeira parte
do referido exame assenta-se justamente em um movimento entre a escuta/leitura de texto (em
diferentes materialidades o que já implica diferentes modos de leitura) no qual o comando é um
farol/guia para a produção de um dado gênero que vai materializar não só o conhecimento do uso da
língua portuguesa mas sobretudo a forma como o sujeito organiza discursividades, dentro de
condições de produção específicas de escrita, produzindo um efeito ação no mundo. Já a segunda
parte do exame, a avaliação oral, traz em sua estrutura/funcionamento um jogo entre questões
relacionadas a temas de interesse do candidato e um roteiro de interação face a face constituído por
perguntas norteadoras e textos provocadores de interesse geral que circulam na imprensa brasileira em
que se nota a produção de um efeito-interação na/pela língua. Nesse sentido, destaco a relevância de
problematizarmos as histórias das leituras dos sujeitos examinados que são constituídas por outros
modos de ler tanto a dimensão verbal quanto a imagem. Além disso, as relações de interlocução em
meio à produção de um dado gênero em que se adequa a linguagem a um propósito de reclamar,
opinar, argumentar, de modo formal ou informal, por exemplo, precisam ser tomadas do ponto de
vista da alteridade e da diferença cultural.

Palavras-chave: Celpe-Bras, análise do discurso, leitura.

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O ENSINO DE PORTUGUÊS COMO LINGUA DE ACOLHIMENTO PARA


IMIGRANTES HAITIANOS RESIDENTES EM TOLEDO/PR

Maria Lourdes de Moura (UNIOESTE)

O ensino de português para falantes de outras línguas é praticado no Brasil desde o período colonial,
quando povos de outras culturas aqui aportavam. Estas práticas de ensino, ao longo do tempo, estive-
ram institucionalizadas para determinado público estrangeiro; hoje, porém, por conta da nova deman-
da de imigrantes constituída de trabalhadores refugiados em função de crises políticas, econômicas e
fenômenos naturais, o ensino de português requer novos caminhos. Se “[...] a língua é um nobre ins-
trumento da soberania nacional”, nas afirmações de Payer (2006, p. 83), aprender a língua, diante dos
desafios do atual contexto socioeconômico em que se encontram, é se instrumentalizar para sobreviver
nesta nação. A necessidade do aprendizado da língua portuguesa constitui, portanto, o direito à exis-
tência e é a ponte, o acesso a espaços sociais e laborais (CANDIDE, 2005). A partir do exposto, surge
à necessidade de contribuição entorno de como ocorre o processo de ensino da língua portuguesa
como segunda língua para imigrantes. O objetivo é apresentar nossa proposta de pesquisa que visa
analisar como acontece o processo de ensino de língua portuguesa como língua de acolhimento para
haitianos, adultos, trabalhadores da linha de produção em fábrica de fios da cidade de Toledo, região
oeste do Paraná. A tese que se pretende defender é a importância de o ensino da língua portuguesa,
nesse contexto, ocorrer de forma adequada com suas realidades, com elementos do que conheçam,
utilizam em seus eventos comunicacionais cotidianas, a partir da perspectiva do multiletramento. Co-
mo base teórica, sustentamos a pesquisa na Linguística Aplicada (PENNYCOOK, 2006; MOITA
LOPES, 2006; SIGNORINE e CAVALCANTI, 1998, dentre outros); em reflexões que alicerçam o
letramento (FREIRE, 1987); nos Novos Estudos do Letramento (STREET, 2003; BARTON, 1994;
BARTÃO e HAMILTON, 1998; GEE, 2004, 2005; DIONÍSIO, 2007a, 2007b) e nas abordagens de
Ensino da Língua Portuguesa como L2/LE (ALMEIDA FILHO, 2001, 2002), e como Língua de Aco-
lhimento (ANÇÂ, 2015; GROSSO, 2017; ARANDA SOTO e MADKOURI, 2006). Trata-se de uma
pesquisa qualitativa interpretativista, de cunho etnográfico, ancorada pela pesquisa-ação. Como resul-
tados, esperamos que este estudo nos propicie subsídios para auxiliar o trabalho no ensino de língua
portuguesa no contexto acima descrito.

Palavras-chave: Português Língua de acolhimento, Imigrantes Haitiano, Práticas de Multiletramento.

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13 – 15 de junho de 2018 – Universidade Estadual de Maringá-PR

AS RELAÇÕES ENTRE O ESTUDANTE DA TERCEIRA IDADE E O TEXTO


ESCRITO EM CONTEXTO INSTITUCIONAL (EJA/NETI/UFSC)

Marina Casaril (UFSC)


Marcos Antonio Rocha Baltar (UFSC)

O estado de arte dos estudos sobre o letramento (STREET, 1984, 2014; BARTON, HAMILTON,
2012) na terceira idade, na área da Linguística, em nível nacional, além do envelhecimento da popula-
ção brasileira, justificam a iniciativa deste trabalho. Trata-se de uma pesquisa de doutorado, ainda em
curso, em que a geração de dados se deu no Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI), na Univer-
sidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O referido núcleo, além de oferecer vários cursos de exten-
são, tem parceria com a Prefeitura Municipal de Florianópolis, ofertando a modalidade de Educação
de Jovens e Adultos (EJA). Assim, alunas e alunos a partir de 50 anos são aceitos para cursar o ensino
fundamental e médio no núcleo. As participantes deste estudo são estudantes do segundo segmento,
que corresponde aos anos finais do ensino fundamental, em uma única turma. O trabalho da EJA em
Florianópolis é realizado por meio da pesquisa como princípio educativo, dessa maneira, no NETI
esse funcionamento também ocorre. Por conta disso, não há divisão por disciplinas, mas sim, dois
momentos de trabalho: oficinas (de disciplinas específicas) e realização da pesquisa. Considerando
esse cenário, o objetivo geral desta pesquisa é entender as práticas de letramento das participantes e
suas relações com o texto escrito, com vistas às (re)significações (ou não) das práticas pré-existentes,
levando em conta o ambiente institucional. Os objetivos específicos consistem em: i) situar a metodo-
logia de pesquisa como princípio educativo para a terceira idade; ii) compreender as atuações decor-
rentes do processo de escolarização; iii) observar aspectos da relação das participantes com o texto
escrito em material físico, nas produções do gênero caderno de pesquisa. Para isso, foram realizadas
três ações na geração de dados: a) observação das aulas com registro em diário de campo; b) conversa
em grupo com registro em áudio e c) registro fotográfico do gênero caderno de pesquisa, produzido
em sala de aula. Considerando esse cenário, esta pesquisa se insere no paradigma qualitativo (ERICK-
SON, 1986), com foco em um processo interpretativo e de princípios etnográficos (LUCENA, 2015;
GARCEZ, SCHULZ, 2015). A partir disso, busca-se compreender e refletir sobre o ensino de língua
portuguesa, quando voltado especificamente à terceira idade, em ambiente institucional.

Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; Letramento; Terceira Idade.

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“NÃO TEM PÃO, NÃO!”: INTERSECÇÃO ENTRE A LÍNGUA PORTUGUESA


E A CULTURA INDÍGENA

Marina Oliveira Barboza (UEL)


Ana Lúcia de Campos Almeida (UEL)

A língua (gem) está intimamente ligada às questões sociais e de identidade de um povo. A população
indígena passou por um processo de letramento de modelo denominado autônomo que ignorou os
processos culturais próprios de letramento de suas comunidades: a multiplicidade de significados em
práticas discursivas dos grafismos, das pinturas, dos ritos e dos cantos, anteriores e concomitantes ao
processo de escrita de suas línguas mediante o desenvolvimento de letramento escolar. A cosmologia
indígena mostra um modo próprio e singular de compreensão do mundo e a língua indígena se inscre-
ve nesse cenário como representativa de todo esse saber. Mesmo quando a língua portuguesa é impos-
ta negando aos indígenas o direito de falarem suas línguas, os significados sócio históricos, culturais e
ideológicos reverberam e extravasam por meio da língua imposta. O enunciado: Não tem pão, não!”,
proferido por um aluno indígena em sala de aula, poderia ser apenas uma brincadeira de criança, não
fossem todos os aspectos sócio-históricos que envolvem esse enunciado. Assim, pretendemos nesta
comunicação abordar tais questões sob uma perspectiva bakhtiniana, utilizando conceitos de dialo-
gismo e responsividade e dos novos estudos de letramento, utilizando a noção de etnografia segundo
Street (2014). Nesse sentido, analisaremos enunciados registrados em sala de aula e que se caracteri-
zam como formas responsivas e historicamente marcadas, ou seja, se constituem como práticas discur-
sivas e socioculturais e nunca como meras expressões de um código linguístico. Nesses enunciados
proferidos durante o ensino de língua portuguesa em contexto bilíngue indígena, tanto a cultura quanto
a história e os aspectos sócio ideológicos se interseccionam e produzem significados diversos que
deixam à mostra tensões entre o letramento, o ensino da língua portuguesa e a identidade indígena.

Palavras-chave: letramento, identidade, indígena, dialogismo.

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O LUGAR DAS PRÁTICAS DE LETRAMENTO ACADÊMICO NA


TRANSFORMAÇÃO DE IDENTIDADES SOCIAIS DE ESTUDANTES
COTISTAS

Noadia Silva (UFRPE)


Jailze de Oliveira Pereira (UFRPE)

Este estudo abordo o processo de letramento acadêmico de graduandos cujo acesso à universidade, foi
favorecido pelo sistema de reserva de vagas, estabelecido por força da Lei 12.711/12. objetivamos
investigar como esses sujeitos se engajam em práticas letradas na academia no sentido de assumir
identidades sociais relacionadas a tais práticas. Para tanto, recorreremos aos conceitos de discurso como
associação entre modos de usar a linguagem e modos de pensar, valorizar, atuar e interagir em situações
socialmente reconhecidas e o de letramento como controle de um discurso secundário, ambos propostos
por Gee ( 1996; 2001; 2006). Nossas análises são também consubstanciadas por resultados de estudos
ligados à Perspectivas dos Letramentos Acadêmicos, segundo autores como Barton e Hamilton (2000),
Lea e Street (2008), Ivanic (2004, 1998, 1994), Dionísio e Fischer (2010). Em conformidade com tais
abordagens, elegemos procedimentos indicadores de uma metodologia qualitativa de pesquisa, mais
especificamente estudos de caso etnográficos (ANDRÉ, 2003). Assim, ganham destaque instrumentos
como entrevistas e observação de aulas, priorizando as atividades relativas à participação dos estudantes
em seminários acadêmicos, que aqui foram compreendidos como eventos de letramento (VIEIRA, 2005;
SILVA, 2007; MEIRA e SILVA, 2013a, 2013b). Nossos resultados fornecem evidências da existência de
identidades sociais relacionadas à forma de ingresso na universidade e da necessidade de alterações no
ensino de práticas letradas na academia.

Palavras-chave: Ensino Superior; Políticas de Ações Afirmativas; Letramento Acadêmico

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O ENSINO DE SEGUNDA LÍNGUA EM COMUNIDADES INDÍGENAS

Pedro Pablo Velásquez (UEM)

O presente trabalho pretende tecer algumas considerações sobre o ensino/aprendizagem das Línguas
Guarani e portuguesa nas comunidades indígenas do Paraná. Os desafios em ensinar/aprender as
línguas envolvidas não é uma tarefa fácil. Os resultados satisfatórios só poderão aparecer a médio e
longo prazo, se por um lado temos a língua vernácula, a Língua Guarani por outro temos a Língua
portuguesa, padrão, obrigatório e de prestígio. Há alguns fatores que se observam nas comunidades
citadas, a) comunidades que tem como primeira língua a portuguesa. b) comunidades que mantém
viva a oralidade da língua vernácula. No meio estão os agentes influenciadores, pais, comunidade e
escola que implicará no fortalecimento ou apagamento das línguas maternas. O que se observa é que a
medida em que se prioriza uma língua em detrimento de outra, os resultados são insatisfatórios e até
nocivo, tanto para o aprendiz quanto para o docente envolvido no letramento dessas comunidades.
Enquanto a língua materna flui em algumas aldeias em outras essas línguas silenciaram e isto
configura-se como uma perda substancial nas identidades dessas comunidades. A língua deve ser
utilizada/aprendida com valores significativos para essas comunidades, deverá considerar-se as
necessidades efetivas das comunidades para se estabelecer parâmetros de ensino/aprendizagem, deixar
que as próprias comunidades estabeleçam seus objetivos de ensino de línguas nas aldeias. Neste
trabalho estaremos dialogando com: Gumperz(1982), Grojean(1982), Calvet (2001, 2011), Maher
(2007), Lima(2004), Moita Lopez(2003) e outros.

Palavras-chave: Língua Guarani, Língua Portuguesa, Ensino de Línguas

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O LETRAMENTO LITERÁRIO E A FORMAÇÃO DE LEITORES INICIAIS:


UMA EXPERIÊNCIA DO ESTADO DO CEARÁ

Sammya Santos Araújo (POSLA/UECE)


Lya Oliveira da Silva Souza Parente (POSLA/UECE)
Cleudene de Oliveira Aragão (Orientadora - POSLA/UECE)

Nos últimos dez anos, foi implementado o Programa Alfabetização na Idade Certa – PAIC, uma política
de cooperação entre estado e municípios desenvolvida pelo governo do Ceará, que tem como objetivo
alfabetizar todos os alunos da rede pública até os sete anos de idade. O Programa teve origem nos
resultados obtidos em uma avaliação amostral dos níveis de leitura, escrita e compreensão de texto,
realizada em 2004, com oito mil alunos da 2º série do ensino fundamental. Os resultados indicaram que
39% dos alunos não leram o texto; 15% leram muito mal, soletrando e sem compreender; 31% leram com
dificuldade e compreenderam parcialmente e 15% apenas leram e compreenderam. Na série que foi
realizada avaliação amostral, verificou-se que o professor precisava encontrar possíveis maneiras de
alfabetizar, utilizando de recursos propícios aos educandos. Para atender tal desafio, o PAIC foi
organizado em cinco eixos: Gestão da Educação Municipal, Avaliação Externa, Alfabetização, Formação
do Leitor e Educação Infantil. O foco do presente trabalho é analisar que ações e como o Eixo de
Literatura e Formação do Leitor propõe formar leitores e motivar para a leitura literária, pautado no
pressuposto de que a alfabetização e o letramento devem ser promovidos de forma integrada e
indissociável. Mediante ao que já iniciamos a pesquisar, o eixo tem como estratégias a criação e
publicação de acervos literários, a formação docente com foco na dinamização destes acervos que são
distribuídos em todas as salas de aula da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental. A pesquisa,
ainda em andamento, terá metodologia de natureza qualitativa e descritiva. Nossa investigação está
ancorada nos estudos sobre alfabetização, letramento literário e formação de leitores, sobretudo Aragão
(2009), Arroyo (2011), Candido (1995), Colomer (2003), Cosson (2016), Oliveira (2008), Soares (2017),
Solé (2008), Zilberman (2007), publicações institucionais do PAIC entre outros. Compreendemos que o
Eixo de Literatura e Formação do Leitor tem um papel fundamental para a formação humanizadora dos
leitores, contribuindo, assim, de forma direta para a alfabetização e letramento das crianças cearenses e
indiretamente para a construção do potencial crítico e emocional do indivíduo.

Palavras-chave: Formação de leitores; Leitura literária; Práticas de leitura; PAIC

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PRÁTICAS DE LETRAMENTO EM UMA ESCOLA DO CAMPO NO ESTADO


DE ALAGOAS: PARTICIPAÇÃO E APRENDIZAGEM

Sanadia Gama dos Santos (DINTER/UNEAL-PLE/UEM)

O descompasso entre língua portuguesa e o respeito às diversidades culturais na Educação do Campo


é a problemática deste trabalho, que objetiva compreender como a identidade do sujeito do campo é
(des)construída nas interações realizadas em uma aula de uma classe multisseriada (1º e 2º Anos).
Este trabalho é parte da pesquisa de doutorado em andamento - uma Etnografia da linguagem em
Linguística Aplicada (GARCEZ; SCHULZ, 2015) realizada em uma turma multisseriada situada em
uma Escola do Campo em comunidade do agreste de Alagoas. Ancoramos o trabalho, com base nos
Estudos do Letramento (KLEIMAN; ASSIS, 2016), que reconhece língua e aprendizagem em uma
perspectiva sociocultural, compreendendo que as maneiras utilizadas pelas pessoas, ao interagirem
com o texto escrito em suas diversas realizações, têm relação com conhecimento, identidade e ser
(STREET, 2003). Para o trabalho, apresentaremos uma breve contextualização da Educação do
Campo, a partir de análises do Regimento Escolar, Projeto Político Pedagógico e as Diretrizes Ope-
racionais da Educação Básica do Campo no Brasil (CEB/2008). Por meio dessas análises, buscare-
mos descrever as compreensões existentes entre aprendizagem de Língua portuguesa, num viés in-
terdisciplinar, por meio das concepções propostas pelos princípios da Educação do Campo e de
(SILVA, 2009), que embasou as matrizes metodológicas e epistemológicas da Educação do Campo a
partir de três grandes pontos: identidade - diversos sujeitos que estão no campo; movimentos sociais
- as práticas educativas a partir de cada experiência e organização; e Educação do campo como ato
político e criativo. Em se tratando de aprendizagem, utilizamos o conceito trazido por (SILVA E
MACHADO, 2016) que conceituam aprendizagem articulada ao conjunto de saberes do cotidiano da
vida das pessoas.

Palavras-chave: Etnografia da linguagem; Letramento; Educação do Campo.

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LÍNGUA FRANCESA: O ENUNCIADO LEXICOGRÁFICO E SUAS


SUBJACÊNCIAS

Álvaro David Hwang (UEM)

O trabalho proposto apresenta-se como uma reflexão que concilia interesses de pesquisa em língua
francesa e em Lexicografia, sendo esta entendida como ciência que trata de problemas teóricos e
práticos relativos à produção de dicionários. Essa reflexão pretende abordar aspectos léxico-
semânticos e sintático-semânticos de língua francesa em enunciados lexicográficos, com base em três
eixos principais: a reafirmação constante da importância do discurso lexicográfico como instrumento
de aprendizagem de língua francesa, a proposta de uma visão fluida do enunciado lexicográfico e a
promoção de uma postura analítica diante das informações fornecidas pela obra lexicográfica. Quanto
à importância dos dicionários na aprendizagem de línguas, ela é incontestavelmente aceita, apesar de
que o uso efetivo de dicionários em sala de aula ou na rotina de quem estuda ou ensina uma língua
esteja muito aquém do aproveitamento informacional que os modelos de descrição dessas obras têm
procurado oferecer. Quanto a uma proposta de visão fluida do enunciado lexicográfico, isso implica
aceitar nele uma permeabilidade que o torna um objeto em constante construção pelo usuário, em
função de seus conhecimentos anteriores e de suas necessidades informacionais, o que confere ao
enunciado lexicográfico uma elasticidade que ultrapassa o espaço topológico da descrição fornecida.
Quanto ao terceiro ponto, a reflexão pretende mostrar que é essencial promover uma postura analítica
que vá além da literalidade ilusória do enunciado lexicográfico, para que seja possível escapar do
modelo de leitura episódico e superficial a que está geralmente fadado o discurso lexicográfico por
aqueles que, no entanto, jamais negariam seu lugar de primeiro plano no ensino-aprendizagem de
línguas.

Palavras-chave: língua francesa, enunciado lexicográfico, dicionário, lexicografia

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A PRODUÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS EM LÍNGUA FRANCESA:


REFLEXÕES SOBRE A ABORDAGEM ACIONAL

Ana Paula Guedes (UEM)

A presente proposta de comunicação apresenta os resultados parciais de uma pesquisa institucional da


Universidade Estadual de Maringá intitulada "A produção de textos escritos em língua francesa: a
caminho da abordagem acional para o processo de aprendizagem", sob a coordenação da proponente. O
objetivo principal da pesquisa é retomar os aspectos processuais da escrita em língua estrangeira e indicar
os melhores suportes didáticos para o seu ensino. A primeira fase dos estudos concentra-se no
levantamento bibliográfico sobre o tema e, já neste momento inicial, percebemos que a proposta da
abordagem acional para a escrita em língua estrangeira tem encontrado alguns entraves nas transposições
didáticas. Aparentemente, a abordagem acional apresenta pouco diferencial se recorremos ao que
didaticamente indica a abordagem comunicativa e interacional (BOURGGUIGON, 2007; BENTO, 2013;
SAYDI, 2015). Há pesquisadores, dentre eles Puren (2014, 2016), que discorrem sobre as contribuições
da abordagem acional e detalham suas especificidades. Já o Quadro Comum Europeu de Referência para
as Línguas - QER, também norteado pela abordagem acional, indica os objetivos e capacidades que
devem ser desenvolvidos pelos aprendizes diante desta nova perspectiva para o ensino de línguas,
concentrando as ações didáticas sobre a execução de uma tarefa. Pretendemos, neste momento, indicar as
principais análises sobre a abordagem acional e sua perspectiva para a realidade do ensino do Francês
Língua Estrangeira - FLE no contexto brasileiro, especificamente da Universidade Estadual de Maringá.

Palavras-chave: Francês Língua Estrangeira; Escrita; Abordagem Acional.

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O TEXTO LITERÁRIO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE FLE

Andréa Correa Paraiso Müller (UEPG)

No processo de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, o texto literário configura-se como um


documento autêntico, que permite a abordagem de questões linguísticas, estéticas e socioculturais.
Possibilita uma aproximação efetiva entre o aprendiz e a língua/cultura alvo, favorecendo, assim, a
interculturalidade. A leitura e o efetivo estudo de textos literários em língua estrangeira tem papel
particularmente significativo nas licenciaturas em Letras, que, em muitas instituições brasileiras, pre-
param profissionais para atuar tanto na docência em língua estrangeira quanto em língua materna. O
contato com a literatura estrangeira propicia ao futuro professor a ampliação de seu repertório de leitu-
ras e o enriquecimento da reflexão sobre a literatura de língua materna e seu ensino. No entanto, o
texto literário costuma ocupar um espaço reduzido, até mesmo marginal, nos cursos e nos livros didá-
ticos de FLE (francês como língua estrangeira). Com base em críticos e teóricos, como Jouve (2012),
Compagnon (2009) e Goulemot (2001), entre outros; e apoiando-nos também em pesquisadores do
ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, como Fiévet (2013), Mariz (2006), Naturel (1995), Al-
bert & Souchon (2000), entre outros, temos por objetivo, no presente trabalho, discutir sobre os apor-
tes do texto literário em língua estrangeira (neste caso, a francesa) ao processo de ensi-
no/aprendizagem de FLE, assim como à formação inicial do professor de francês língua estrangeira e
de português língua materna.

Palavras-chave: língua estrangeira; FLE; texto literário; formação

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UMA PROPOSTA DE LEITURA DO CONTO DE A. DAUDET: LA CHÈVRE DE


MONSIEUR SEGUIN

Carmen Rodrigues de Lima (UEM)

Ainda hoje, o ensino da literatura, nas escolas, apresenta inúmeros conflitos, sobretudo, no que diz
respeito à adequação entre o discurso teórico e o prático. Essa realidade é muito comum, uma vez que
os professores dessa disciplina se lamentam pelo fato de não conseguirem dominar, mesmo que
parcialmente, as práticas pedagógicas aplicadas à abordagem do texto literário. Nesse sentido, o
desafio dos professores tanto de LM quanto de LE é encontrar caminhos que possam, de alguma
forma, minimizar as dificuldades advindas do seu trabalho no momento de realizar a transferência do
discurso teórico para o prático. Assim, o objetivo desse trabalho é apresentar uma proposta de
intervenção pedagógica, cuja ênfase recai sobre a prática da leitura e do letramento literário. Para a
realização dessa proposta, utilizaremos como corpus um texto em língua estrangeira, no caso a língua
francesa, partindo de uma perspectiva que propõe estreitar a relação entre língua e texto literário. O
texto escolhido trata-se de um conto de Alphonse Daudet, intitulado La chèvre de Monsieur Seguin.
Na elaboração da proposta, tomaremos por base os estudos realizados por Cosson (2014), que partem
do pressuposto de que o processo que envolve o aprendizado da leitura é uma prática social que
medeia e transforma as relações humanas. Portanto, nossa intervenção se baseia na proposta de
sequência expandida, apresentada por Cosson, que compreende as etapas da: motivação, introdução,
leitura, primeira interpretação, contextualização, segunda interpretação e expansão.

Palavras-chave: Leitura; Letramento literário, Língua Francesa, Daudet

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MON ONCLE JULES: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO DIDÁTICA


VOLTADA PARA O LETRAMENTO LITERÁRIO

Marina Leopoldina Gonçalves de Paiva da Mota(UEM/Profletras)


Carmen Rodrigues de Lima (Orientadora - UEM/Profletras)

Esta comunicação apresenta uma leitura didática do conto Meu tio Jules [Mon oncle Jules], de Guy de
Maupassant [1950-1893] a partir da proposição de sequência expandida tal qual elaborada por Rildo
Cosson (2016), adequada para 6º ano do Ensino Fundamental, com vistas a contribuir para o
letramento literário dos aprendizes. Propomos a sequência expandida para que a leitura literária se
torne significativa e desafiadora, desmistificando o caráter obrigatório e enfadonho que ela exerce na
escola. A escolha do texto de um dos autores fundamentais da Literatura Francesa, único a constar
integralmente no 1º volume do material didático utilizado em sala [Linguagens, Códigos e suas
tecnologias: língua portuguesa, 2015], busca apresentar aos alunos uma visão distinta e distintiva dos
indivíduos, característica fundamental da literatura francesa do século XIX, ampliando e enriquecendo
o escopo de leituras dos alunos. Respaldados por Zilberman (1991), compreendemos que as
inquietações do leitor escolar surgem devido à fragmentação dos textos e das atividades que se
ancoram no exaustivo tripé de leitura -texto - exercício (ZILBERMAN, 1991), visto que sua
proposição é muitas vezes imposta de forma contraditória, visando à produção de atividades
mecanizadas como resumos, fichas de leitura ou atividades avaliativas. Nesse sentido, baseamo-nos na
concepção de que o letramento literário se define como um “método para trabalhar com a literatura,
entendendo que todo processo educativo precisa ser organizado para atingir os seus objetivos”
(COSSON, 2016, p.13), centrando nossa abordagem lúdica do texto literário, a fim de mobilizar no
aprendiz seus conhecimentos prévios antes de iniciada a leitura, promovendo o diálogo que englobe a
interculturalidade dos textos literários e ressalte o poder transformador que a leitura exerce sobre o
indivíduo.

Palavras-chave: Letramento Literário; Sequência Expandida; Mon oncle Jules

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O ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM LÍNGUA FRANCESA E O GÊNERO


TEXTUAL COMO NORTEADOR DO PROCESSO DE ENSINO -
APRENDIZAGEM

Paola Scheifer (UEPG)


Jonatas Michel Kuchnir (PPGEL - UEPG)

A proposta desta comunicação é apresentar parte do trabalho desenvolvido em 2017, na disciplina “O


estágio e a formação do docente de língua francesa”, do Curso de Letras Português/Francês, da Uni-
versidade Estadual de Ponta Grossa. Partindo-se do pressuposto de que o estágio deve ser pensado a
partir da sua indissociabilidade entre teoria e prática, promovendo entre esses dois componentes uma
relação simultânea de autonomia e de dependência (PIMENTA, 2006), a disciplina, através de seu
programa, buscou promover o debate e a reflexão crítica sobre o ensino e aprendizagem de línguas,
seus métodos e concepções. Sendo a formação docente o enfoque central do trabalho desenvolvido na
disciplina, considera-se o estágio realizado nas escolas um componente importante para a realização
de uma práxis criadora, que leva em conta questões importantes sobre que conteúdo ensinar, de que
forma, levando-se em consideração quais sujeitos e com quais objetivos (ibidem, 2016). A partir de
observações participativas realizadas nas aulas de Língua Estrangeira de uma escola pública, da cidade
de Ponta Grossa, tanto no Ensino Fundamental, quanto no Ensino Médio, foram desenvolvidas se-
quências didáticas para o ensino de Língua Francesa, sendo que cada acadêmico(a) escolheu um de-
terminado gênero textual para desenvolver o seu trabalho de intervenção no momento das direções de
classe. Um deles foi roteiro de filme, através do qual foi possível trabalhar elementos linguísticos,
assim como aspectos culturais, sociais e discursivos próprios da língua. A opção pelos gêneros textu-
ais deve-se ao fato de considerá-los como uma importante ferramenta no ensino e aprendizagem de
línguas, uma vez que a comunicação verbal acontece pela existência de um gênero, que traz em sua
gênese a dependência de um texto (MARCUSCHI, 2005). Demonstrar as etapas do trabalho, bem
como os resultados obtidos, cumpre os objetivos dessa apresentação.

Palavras-chave: Estágio Supervisionado; Formação Docente; Ensino-Aprendizagem de Línguas; Gênero


Textual

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AVALIAÇÃO DO PODCAST COMO FERRAMENTA DIDÁTICA NO ENSINO


DE FRANCÊS COMO LÍNGUA ESTRANGEIRA

Paula Virgínia González Duarte (UTFPR)


Paula Ávila Nunes (UTFPR)

Nas últimas décadas pôde-se observar uma mudança no processo de ensino-aprendizagem de língua
estrangeira moderna. As tecnologias de informação e comunicação estão cada vez mais presentes no
cotidiano do cidadão do século XXI, de forma a moldar novos hábitos de lazer, estudo e trabalho. Esta
pesquisa busca relacionar o uso do podcast ao desenvolvimento da expressão oral da língua francesa.
Serão organizados dois (2) grupos, de dez (10) estudantes cada um, que utilizarão essa ferramenta ao
longo de períodos letivos de duração diferente (99 e 132 horas/aula). Todos utilizarão o material
Tournesol (CEBRUSA) para aprendizagem do idioma e irão dispor de atividades complementares
através dos vários formatos de podcasts: audiocast (áudio), vodcast (vídeo), enhanced podcast (com-
binação de imagem e locução) e screencast em praticamente todas as aulas, em períodos letivos de
duração diferente: grupo 1: três semestres (99 horas); grupo 2: quatro semestres (132 horas). Serão
avaliadas duas habilidades: a liaison e a pronúncia de parônimos nasais. Esses resultados serão compa-
rados aos obtidos normalmente sem o uso sistemático dessa ferramenta.

Instrumentos de coleta de dados:


• Questionário de identificação de perfil;
• Cronogramas letivos (geral e específicos);
• Taxonomia dos podcast utilizados nesta pesquisa;
• Avaliações das competências orais de FLE;
• Escalas de avaliação da compreensão e expressão oral
Inicialmente elaboramos um cronograma letivo geral para selecionarmos os podcasts conforme o con-
teúdo didático do curso de francês. Cada módulo desse curso compreende 33 horas/aula e corresponde
a um Dossier: módulo 1 – Dossier 1, módulo 2 – Dossier 2, e assim por diante. Consideramos para
esta pesquisa até o módulo 4, que corresponde ao nível A2 do Quadro Europeu Comum de Referência
para Línguas.
Espera-se que a exposição frequente à pronúncia nativa do idioma estudado auxilie na produção oral
de elementos que normalmente causam dificuldade para o estudante brasileiro de francês.

Palavras-chave: Podcast; Tecnologia; Educação.

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“NÃO ESTÁ ERRADO, MAS NÃO É ASSIM QUE SE DIZ”: COMO EVITAR
OUVIR ESSA MÁXIMA?

Robson Alves de Souza (Escola Saint Helena Bilingual Education)

Em toda língua, existem certas palavras que se combinam naturalmente com outras, de modo que tais
combinações acabam consagrando-se pelo uso. Para designar os casos de coocorrência léxico-sintática,
em que as combinações léxicas apresentam uma estabilidade situada entre combinações fixas e combina-
ções livres, J. R. Firth introduziu o termo colocação (apud TAGNIN, 1989, p. 18). As colocações podem
apresentar-se sob diversas formas de combinação. Este trabalho pretende comparar colocações do tipo
verbo + substantivo da Língua Francesa falada na França e da Língua Portuguesa falada no Brasil, obser-
vando semelhanças e diferenças de sentido entre elas. Foi escolhido esse tipo de colocação, pois elas são
as mais abundantes em qualquer idioma. Segundo Tagnin (1989), é de extrema importância que um aluno
de língua estrangeira aprenda, ou melhor, adquira as colocações de uma língua para se tornar um falante
competente e não o que o linguista americano Charles J. Fillmore denomina um “falante ingênuo”. O
dicionário monolíngue, o dicionário de combinações de palavras e livros didáticos voltados para as situa-
ções comunicativas do dia a dia podem ajudar esse aluno de língua estrangeira que almeja a competência
comunicativa em uma outra língua a aprender e adquirir as colocações desse novo idioma. Os dicionários
monolíngue e de combinação de palavras e livros didáticos voltados para as situações comunicativas do
cotidiano fornecem dados colocacionais seguros para o aluno e são fontes confiáveis de que um aluno de
língua estrangeira pode lançar mão para aprender as colocações de uma outra língua na falta de exposição
a esse novo idioma. Por isso, este trabalho propõe mostrar a importância que o ensino e aprendizagem das
colocações têm na aquisição de uma língua, seja ela materna ou estrangeira.

Palavras-chave: Coocorrência léxica; Colocações; Língua Francesa.

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A LITERATURA EM SALA DE AULA: PROPOSTA DE ABORDAGEM


PEDAGÓGICA EM FRANCÊS LÍNGUA ESTRANGEIRA

Wagner Vonder Belinato (UEM)

A abordagem didática de uma Língua Estrangeira passa necessariamente pela cultura dos falantes desta
língua. Seja a dita cultura antropológica ou cultivada (CUQ&GRUCA, 2014, p. 86), voluntaria ou
involuntariamente esta(s) se faz(em) presente(s) no processo didático. Partimos do pressuposto de que o
texto literário possui, assim como o define Candido (1995 [1988], p. 175), características indeléveis de
educação sociocultural e carrega marcadas características de um povo e sua época. Neste sentido,
propomos a abordagem do Projeto ShortÉdition em sala de aula de Francês Língua Estrangeira (FLE), a
partir da seleção de textos originalmente destinados à leitura aleatória para falantes de Francês Língua
Materna, como vetor de investigação cultural e motriz do letramento literário em Língua Estrangeira. O
projeto selecionado possui a característica singular de distribuir de modo aleatório obras literárias em
totens instalados em diversos locais públicos, propondo somente a opção de tempo desejada, entre 1, 3 e
5 minutos estimados de leitura, o que, por si mesmo, constitui sagaz pacto literário entre autores,
distribuidor e público. De modo paralelo, o projeto dispõe de site de acesso livre www.short-edition.com,
onde é possível encontrar obras tanto em Língua Francesa quanto em Língua Inglesa, a partir do qual
foram selecionados textos indicados para leitura de 1 minuto. A temática selecionada leva em
consideração que pertinência, performatividade e explorabilidade (DE CARLO, 1998, p. 57) devem ser
consideradas na escolha e preparação do syllabus e sua aplicação. Neste sentido, ressaltamos que a
Leitura Literária tem papel fundamental no desenvolvimento das habilidades linguísticas e literárias no
processo de aquisição de línguas, atuando ao mesmo tempo sobre os caracteres pragmático e intercultural
do idioma (CUQ&GRUCA, 2014), contribuindo para a formação linguístico-cultural do aprendiz.

Palavras-chave: Francês Língua Estrangeira; Short Édition; Literatura.

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PROPOSTA DE UMA ABORDAGEM LEXICULTURAL DE EXPRESSÕES


IDIOMÁTICAS DO PORTUGUÊS EM DICIONÁRIOS DE LÍNGUA

Camila Maria Corrêa Rocha (IFC- Brusque)

O português brasileiro é uma variante linguística que está se inserindo de forma crescente nos
contextos escolares dos países da América Latina como língua estrangeira (LE), especialmente
na Argentina. Nesse país, foi sancionada, em 2009, a lei Nº 26.468/2009 garantindo a sua oferta
como LE aos estudantes do ensino médio. Entretanto, apesar deste crescente interesse pela nossa
variante linguística, o governo argentino não tem dado o suporte necessário para a devida difusão do
português no país, uma vez que se observa uma abordagem limitada do ensino dessa língua,
especialmente de conteúdos lexiculturais, como as expressões idiomáticas (EIs). No contexto de
ensino do português como língua estrangeira (PLE), são frequentes as referências às dificuldades
que supõe a aprendizagem das EIs, pelo fato de elas serem um recorte lexical culturalmente marcado.
Nos dicionários, sua abordagem também é assistemática, ou seja, não há consenso entre os
lexicógrafos na maneira de apresentá-las. Diante do exposto, tem-se como objetivo, neste estudo,
apresentar parte de um repertório semibilíngue de EIs do português com seus equivalentes no
espanhol da variante argentina (elaborado em tese de doutoramento), com base nos pressupostos da
Lexicografia e da Lexicultura. Objetivou-se demonstrar o papel que os dicionários semibilíngues
como ferramentas didáticas facilitadoras do contato entre os argentinos aprendizes de PLE e as
EIs dessa língua.

Palavras-chave: Expressão idiomática. Lexicultura. Dicionário de língua.

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MOSTRA DIDÁTICA DA DISCIPLINA DE LIBRAS COMO SEGUNDA


LÍNGUA: CONTRIBUIÇÕES PARA A PRÁTICA EDUCATIVA DOS
FUTUROS PROFESSORES

Elizete Pinto Cruz Sbrissia Pitarch Forcadell (UNESPAR)


Renata Siribeli Ribeiro (UNESPAR)

A escola atual precisa favorecer um novo olhar frente à educação como um todo. Isso significa com-
partilhar saberes que possam enriquecer as experiências docentes, que possam amadurecer práticas
educativas, ampliar, conhecimentos para atuar compreendendo a diversidade e a individualidade de
cada aluno em relação ao ensino, levando em conta a sua bagagem cultural como ponto inicial para
sua formação escolar. Neste artigo discutimos sobre a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (LI-
BRAS) na formação docente e o objetivo centra-se na apresentação dos encaminhamentos teóricos e
metodológicos aplicados na formação dos futuros professores que cursam essa disciplina. Por conse-
guinte, o público alvo a quem se destina esses aprofundamentos, são os acadêmicos, que cursam a
disciplina de Libras, e que, possivelmente, ingressarão nas escolas regulares e que poderão se deparar
com salas de aula onde os alunos surdos estarão matriculados, bem como, os profissionais da educa-
ção que já atuam pedagogicamente nas escolas inclusivas para surdos. As discussões sobre a inserção
da Libras como disciplina obrigatória nos cursos de ensino superior vêm se acirrando. Porém, duas
questões centrais ainda não têm se constituído como objeto de análise, qual seja: a formação desses
professores, e como serão construídos e constituídos esses novos saberes. Dessa perspectiva, nossa
aspiração é contribuir com o professor, ofertando-lhe formação básica nessa área, levando-os a uma
valorização linguística e cultural dos seus alunos nesses espaços educacionais. Somando a essa forma-
ção, é necessário que o futuro professor entre em contato com a prática da Língua de Sinais. Por isso,
buscamos compartilhar com este profissional as práticas pedagógicas desenvolvidas na disciplina de
Libras. Trata-se de uma proposta de ensino, de aprendizagem e de ricas orientações da Libras traba-
lhadas nos cursos de formação docente na Universidade Estadual do Paraná, Campus de Paranavaí.

Palavras-chaves: Formação Docente. Libras. Prática Educativa

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CONTRIBUIÇÕES SÓCIO-CRÍTICAS NO PARANÁ FALA INGLÊS:


PROPOSTA DE ATIVIDADE EM UM CURSO DE INGLÊS GERAL

Ilana Cecília Galicki de Campos (PFI Unespar/UEL)

Neste trabalho, pretendo discorrer sobre a perspectiva sócio-histórica crítica em sala de aula por meio
de uma proposta de atividade aplicada no Programa Paraná Fala Inglês (PFI), em Campo Mourão. A
prática docente é orientada por estudos sócio-histórico-culturais de Cots (2006), Edwards (2010),
Johnson (2009, Mateus (2014), Vygotsky (2007, 2008). O objetivo da atividade era a produção de um
e-mail sobre a rotina do estudante, que deveria ser enviado à professora, imaginando que enviaria o
mesmo texto a um estrangeiro, em Língua Inglesa (LI). Tomei a decisão de adaptá-la ao contexto dos
estudantes para que essa atividade promovesse o pensamento crítico dos sujeitos envolvidos e fosse
relevante para suas realidades. Dessa forma, os estudantes interagiram com três sujeitos dos Estados
Unidos, Canadá e Espanha, respectivamente, por meio de vídeos e e-mails, postados na plataforma do
Google, Google Groups. A atividade fez com que os estudantes interagissem com outras culturas e
discutissem sobre as diferenças de identidades interculturais em LI. Certamente é um desafio para
professores nos reorganizarmos conforme nossas próprias ações e identidades para promover uma
prática transformadora (Mateus, 2014). É um desafio propor atividades que buscam provocar no
estudante a reflexão sobre sua própria identidade na sociedade, pensar em si e no(s) outro(s), mas não
é uma tarefa impossível, ao contrário, é tangível e recompensadora para todos os sujeitos envolvidos
que são, impreterivelmente, transformados pelas práticas sociais.

Palavras-chave: perspectiva sócio-histórico-cultural; ensino e aprendizagem de línguas; Paraná Fala


Inglês.

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O USO DE MÚSICAS CANTADAS POR BRASILEIROS NA AULA DE LI:


QUESTÕES DE IDENTIDADE, CULTURA E MÚSICA

Larissa de Pinho Cavalcanti (UFRPE-UAST)

A música é arte e cultura e linguagem. As canções, populares, melancólicas ou mais clandestinas,


além de veicularem expressões linguísticas típicas da cultura, de um grupo social e momento histórico,
por um lado, também articulam palavras, estruturas gramaticais, pronúncia, por outro. No contexto do
ensino aprendizagem, já foi realçado o valor da música e das canções para sugerir sentimentos
agradáveis, estimular a curiosidade e criar um ambiente agradável e confiante para os alunos, que se
sentiriam mais à vontade para praticarem o que aprenderam e tudo isso da forma mais espontânea
possível (Rocha, 2009; Kuśnierek, 2016; Gobbi, 2001). Por outro lado, não vemos como necessário o
uso exclusivo de músicas internacionais para que isso ocorra, uma vez que também artistas brasileiros
têm gravado suas versões de músicas estrangeiras ou, mesmo, composto músicas em inglês. A
proposta desse trabalho é, portanto, discutir o uso da música nas aulas de língua inglesa, defendendo o
uso de músicas cantadas e/ou compostas por brasileiros a partir do pressuposto que, além de estimular
o uso da língua adicional, o uso dessas músicas estimula uma construção identitária positiva através do
reconhecimento de um falante não-nativo do próprio contexto cultural dos alunos. Ademais, buscamos
pensar como o uso de canções em inglês de artistas brasileiros permitem a reflexão sobre a cultura
brasileira e sobre a indústria cultural internacional. Para esse fim, analisamos duas músicas compostas
por brasileiros do ponto de vista linguístico e temático, pensando na elaboração de um banco de dados
com tais músicas e, posteriormente, na elaboração de sequências didáticas a partir dessas músicas.

Palavras-chave: ensino de língua inglesa, música, identidade

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EXPERIÊNCIAS INTERCULTURAIS NA FORMAÇÃO INICIAL DE


PROFESSORES DE INGLÊS

Marcele Garbin Dagios (UTFPR)

A perspectiva intercultural de ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras apresenta propostas


inovadoras de trabalho na formação de professores, especialmente ao que tange a formação inicial nos
cursos de licenciatura em Letras. O presente trabalho traz algumas reflexões sobre como as relações
interculturais no ensino de língua inglesa possibilitam novas concepções de ensino e visões de mundo
para os futuros professores de inglês em formação. A pesquisa foi desenvolvida a partir de teorias
como a perspectiva dialógica de linguagem e visão de língua como discurso (BAKHTIN, 2003; 2004),
as relações interculturais no ensino de línguas (BYRAM, 1997; DAGIOS, 2017; JANZEN, 2005,
2012) e o letramento crítico (JORDÃ0, 2013), e da articulação dessas temáticas nas discussões sobre a
elaboração de materiais didáticos para o ensino de inglês na educação básica. Os sujeitos da pesquisa
foram os alunos do curso de licenciatura em Letras da UTFPR câmpus Pato Branco, participantes de
um projeto de extensão sobre recursos didáticos. Os professores em formação inicial realizaram
encontros com a professora formadora, sobre concepções de língua, ensino intercultural de inglês e
materiais didáticos para o ensino de línguas. A partir das discussões sobre os temas, foram aplicados
questionários com perguntas abertas e semi-estruturadas, com a finalidade de resgatar os pontos de
vista e percepções dos sujeitos sobre os diversos papeis da interculturalidade no ensino/aprendizagem
de inglês na educação básica. Após a análise dos questionários, os relatos dos alunos da licenciatura
em Letras apresentaram diversos pontos de vistas sobre seus próprios processos de aprendizagem da
língua inglesa e, consequentemente, novos modos de (re)pensar a prática docente intercultural do
professor de inglês na educação básica.

Palavras-chave: Ensino/aprendizagem de inglês; Interculturalidade; Formação inicial.

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AS EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS NOS LIVROS DIDÁTICOS DE LE/LA TOP


NOTCH 2 E SMART CHOICE 2A E INTERCULTURALIDADE: UMA
DISCUSSÃO A PARTIR DA PERSPECTIVA COGNITIVISTA E DA
PERSPECTIVA SOCIOCULTURAL

Mônica Hogetop (UFSC)

A partir dos estudos da Linguística Aplicada Crítica (LAC), mais concretamente nas perspectivas
críticas de ensino de línguas e da interculturalidade, esta tese de doutorado objetiva analisar as
expressões idiomáticas (EIs) empregadas em dois livros didáticos (LDs) de inglês: Smart Choice 2A e
Top Notch 2. Com efeito, a partir das EIs, analisa-se e discute-se a relação entre língua e cultura. O
corpus foi gerado por meio de uma pesquisa interpretativista de caráter documental, nos livros
supramencionados. Para analisar os elementos culturais constituintes das EIs e proceder a sua
categorização de acordo com a sua carga cultural e potencial de expressividade recorremos a uma
perspectiva de investigação sociocultural. Optamos por esta perspectiva para aprofundarmos as
questões de entrelaçamento entre língua e cultura. Como referenciais teóricos para a discussão
fundamental da relação entre língua e cultura, baseamo-nos principalmente em Kramsch (1993, 1998,
2003, 2006, 2013), Byram (1997) e Pennycook (2006). No que diz respeito à interculturalidade,
especificamente à comunicação e à competência intercultural, tomamos como referencial teórico os
estudos de Byram (1997) e Lange (2011). Para definirmos uma EI, usamos as definições de Xatara
(1998), de Pedro (2007) e do Quadro Comum Europeu de Referências para Línguas (2001), entre
outras. Os resultados mostraram que os LDs de inglês empregam as EIs com objetivos distintos para o
ensino de LE-LA. Enquanto que o LD Top Notch 2 aborda os aspectos culturais simultaneamente aos
aspectos linguísticos (representação de língua na cultura), o LD Smart Choice 2A aborda os elementos
culturais paralelamente aos aspectos linguísticos (representação língua e cultura).

Palavras-chave: Expressões idiomáticas. Cultura. Ensino de LE-LA.

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O USO DE CANÇÕES NO ENSINO DE INGLÊS PARA CRIANÇAS POR MEIO


DE UM SOFTWARE EDUCACIONAL

Taciana Virgínia Ramalho Pereira (Meplem-UEL)


Juliana Reichert Assunção Tonelli (Orientadora - UEL)

Diante de uma geração de nativos digitais (PRENSKY, 2001), há a necessidade de inovações e de


mudanças no processo de ensino e aprendizagem. Visando essa transformação e, mediante a facilidade
com que as crianças, entre seis a dez anos, do contexto de ensino de escola de idiomas utilizam
recursos digitais, surgiu a necessidade de um produto educacional que pudesse contribuir para a área de
inglês para o público infantil em curso livre. O objetivo deste trabalho é apresentar o desenvolvimento
de um aplicativo, com canções infantis, para auxiliar crianças de seis a dez anos no processo de ensino
e aprendizagem da língua inglesa. Por meio dessa pesquisa, objetivou-se também, identificar se a
aquisição dos vocábulos das canções infantis presentes no jogo será coconstruída pelas crianças. O
trabalho apoiou-se em estudos sobre reflexões do ensino e aprendizagem da língua estrangeira para
crianças (RINALDI, 2011; TONELLI, 2005); fatores que auxiliam no processo de ensino e
aprendizagem infantil (VYGOTSKY, 1978; GESELL, 1993); o brincar como ação para o
desenvolvimento infantil e o sociointeracionismo (VYGOTSKY, 1998); o lúdico por meio dos jogos
eletrônicos (HUIZINGA, 2000; ANDRADE, 2017); as canções como instrumento mediador (ROCHA,
2009; FERREIRINHA, 2014); teoria de aquisição de língua estrangeira proposta por (ELLIS, 1994);
motivação (CALLEGARI, 2008); gamificação (LEFFA, 2014; SCHLEMMER, 2016) e Gaia
Abstração Game (OLIVEIRA; BARROS, 2013). As reflexões foram realizadas por meio de um grupo
focal direcionado às crianças de seis anos, alunos da escola de idiomas. Grupo esse que foi mediado
pela pesquisadora e professora com o intuito de auxiliar na construção do conhecimento desses
pequenos. A partir dos resultados obtidos, foi possível observar que o trabalho com canções infantis
aliado aos dispositivos móveis pode ser um recurso eficaz para a aquisição de uma língua estrangeira
pela motivação que as crianças apresentam ao explorarem esses recursos, porém, a longo prazo e, que
os professores que atuam com público infantil podem valer-se dessa prática tecnológica no contexto
escolar.

Palavras-chave: Crianças. Língua inglesa. Aquisição. Canções infantis. Gamificação.

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EDUCAÇÃO E TRABALHO DA REFORMA DO ENSINO MÉDIO:


DISCURSOS A RESPEITO DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL
TÉCNICO

Amarildo Pinheiro Magalhães (IFPR)

As discussões em torno da reforma do Ensino Médio, desde a publicação da Medida Provisória


746/2016 até a promulgação da Lei 13.415/2018, trouxeram à pauta as questões referentes à educação
profissional técnica de nível médio, os chamados cursos técnicos, que passaram a integrar o quinto
itinerário formativo possível para os estudantes: formação técnica e profissional. Este trabalho
objetiva analisar os discursos midiáticos produzidos acerca do ensino técnico e da inserção dos
estudacurrículo em reforma: olhares sobre as recentes propostas de mudança na educação básicantes
no mundo do trabalho/ mercado de trabalho produzidos no processo de divulgação e debate da
proposta de mudanças na etapa final da Educação Básica. Assim, com base nos estudos derivados de
Michel Pêcheux e pesquisares das escolas francesa e brasileira de Análise de Discurso, procura-se
problematizar o funcionamento dos discursos escritos que circularam na mídia impressa e na internet e
que tematizam o quinto itinerário formativo proposto pela reforma. Para tanto, parte-se das condições
de produção da supressão e retorno do ensino técnico como política pública em nível nacional na
última década do século XX e início do século XX e , a partir dos conceitos de interdiscurso/memória
discursiva e formação discursiva, instituem-se os gestos de descrição-interpretação dos efeitos de
sentidos em torno do tema e termos mencionados, a partir do material de análise selecionado entre os
textos publicação na seção “Novo Ensino Médio: opinião” na página oficial do Ministério da
Educação.

Palavras-chave: ensino médio, cursos técnicos, discurso, mídia

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DA ESCOLA PARA UNIVERSIDADE, DA UNIVERSIDADE PARA A ESCOLA:


DIÁLOGOS PERTINENTES ENTRE DOCUMENTOS DA EDUCAÇÃO
BÁSICA E DO ENSINO SUPERIOR VOLTADO PARA A LICENCIATURA.

Camila Maria da Silva (UEL)

Em tempos de reformas e inovações nos documentos prescritivos voltados para o Ensino Fundamental
e Médio no Brasil, passamos também pela construção de novos Projetos Pedagógicos (PP) de cursos
de graduação. Destacamos nessa pesquisa a licenciatura em Letras Vernáculas e Clássicas da
Universidade Estadual de Londrina cujo PP foi recentemente finalizado e aprovado pela universidade.
Nesse cerne, é imprescindível que haja uma apuração de eventuais diálogos entre a educação básica e
a licenciatura, para que além da coerência, suceda-se também a funcionalidade da prática de tais
teorias nas escolas públicas e privadas onde professores em formação inicial na UEL atuarão. Diante
disso, esse estudo qualitativo de base documental pretende verificar se o principal documento
norteador da educação básica na atualidade, a Base Nacional Comum Curricular (2017), constrói
relações profícuas com as prescrições previstas na estrutura curricular da licenciatura em Letras
Português, apresentadas no seu PP. O presente estudo está filiado a corrente do Interacionismo
Sociodiscursivo, de modo a considerar também reflexões de Vigotsky (1931/1990) sobre o conceito de
“desenvolvimento” apresentado por Bronckart (2013) junto às suas contribuições sobre o tema. Os
resultados obtidos nessa investigação validam nossa tese sobre a inovação diante da necessidade, pois
ambos documentos vieram para tratar inadequações ou abordar pontos inexistentes em suas versões
anteriores. A carência por uma interdisciplinaridade maior na formação inicial e no ensino básico
também chamou atenção. Ademais, dentre diversos outros pontos discutidos ao final dessa análise,
destacamos como tais documentos buscam preencher lacunas que respectivos exames avaliadores de
cada nível educacional revelam, indicando a constante importância da renovação na área da educação
e reforçando o papel do pesquisador e seu olhar crítico nesse contexto de transições.

Palavras-chave: documentos prescritivos, formação inicial, ensino básico, desenvolvimento humano.

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ESCOLA SEM PARTIDO: UMA ANÁLISE CRÍTICA DA REPRESENTAÇÃO


DISCURSIVO-IDEOLÓGICA DO PROFESSOR

Everton Luis Paulino Vinha

Tema em evidência no sistema legislativo brasileiro desde 2015, o Escola Sem Partido é um movimento
criado com o objetivo de cercear a prática docente, tida pelo movimento como política, ideológica, cultu-
ral e socialmente tendenciosa. Tendo se refletido em todos os âmbitos do Legislativo, desde o Senado às
câmaras municipais, o movimento vem ganhando adeptos entre juristas, instituições de ensino e cidadãos
e gerando debates, por parte de educadores e pesquisadores da área, acerca da legitimidade de suas moti-
vações e propostas. Uma vez que essas propostas estão diretamente relacionadas ao docente e às suas
ações em sala de aula, o objetivo dessa comunicação é apresentar os resultados da análise de como essa
figura é discursivizada no primeiro projeto de lei encaminhado ao Senado, o PLS 193/2016, investigando
os aspectos ideológicos que transpassam esse discurso. Ancorados nos pressupostos e modelo analítico da
Análise Crítica do Discurso de Norman Fairclough (1997, 2001, 2003), analisamos a representação dis-
cursivo-ideológica do professor no Projeto de Lei do Senado de nº193, de 2016, que constituiu nosso
corpus. Como resultado de análise, traçamos a caracterização da identidade construída pelo discurso,
evidenciando como essa imagem está em descompasso com a atividade docente, sendo uma construção
discursiva elaborada pela modalidade de que se valeu o autor, sujeito representante do que chama-se
monopólio do poder (BOBBIO, 2017). Ademais, tratamos dos conflitos ideológicos entre o poder legisla-
tivo e a classe docente, desvelados nas contradições percebidas entre as propostas de neutralidade políti-
ca, ideológica, cultural e social apresentadas nas justificativas do projeto e a real conduta adotada pelo/no
texto, avultada discursiva-ideologicamente.

Palavras-chave: Escola Sem Partido; Análise Crítica do Discurso; Prática Docente.

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CURRÍCULOS E/OU CURRÍCULO ÚNICO: UMA PROPOSTA DE


DISCUSSÃO A PARTIR DAS REFORMAS EDUCACIONAIS

Jane Cristina Beltramini Berto (UFRPE-UAST)

Este artigo busca revisitar o conceito de currículo a partir de alguns estudiosos do campo da educação
(SAVIANI, 2008; CANDAU, 2007; SILVA 2004), e, com base nos estudos mais atuais sobre currículos
e referencias curriculares, traçar um panorama constitutivo da elaboração das propostas curriculares
estaduais vigentes a partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) no final da década
de 90, no Brasil (BRASIL, 1997, 1998, 2000; 2002). Tomamos como eixo central para a discussão a
elaboração e, posteriormente a publicação dos currículos e propostas curriculares em todas as regiões
brasileiras, especificamente, quanto ao Ensino de Língua Portuguesa, apresentados nos dados de Berto
(2016). Os pressupostos metodológicos empregados para a pesquisa contemplam, em um primeiro plano
a pesquisa documental e bibliográfica (GIL, 2002) e a opção pela Análise de Conteúdos (AC), como
procedimento analítico, com base nos estudos de Bardin (1977). Os resultados apontam semelhanças
entre os pressupostos teórico-metodológicos para o ensino de língua portuguesa nestes referenciais
elencados e analisados, com raras divergências entre práticas e conceitos adotados em relação aos
Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (BRASIL, 1998; 1999), documento vigente em âmbito federal.
Todavia, embora partam de um referencial comum, encontram-se expressos nos documentos curriculares
estaduais a especificidade regional e a autonomia em sua elaboração, marcadas pelas vozes em seu
processo compartilhado de constituição. Nesse aspecto, as reflexões recentes sobre a BNCC, a Base
Nacional Comum Curricular – BNCC para o ensino fundamental, publicada em dezembro de 2017 e a
recente divulgação da aprovação da BNCEM, voltada ao Ensino Médio em março de 2018, denotam em
seu teor o caráter de obrigatoriedade, divergindo dos documentos curriculares anteriores.

Palavras-chave: Propostas curriculares; Ensino; Reformas.

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O CONTEXTO DE PRODUÇÃO DAS DIRETRIZES CURRICULARES DA


EDUCAÇÃO BÁSICA DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DO PARANÁ

Jonathas de Paula Chaguri (UPE - Campus Mata Norte)

Esta comunicação é um recorte da dissertação de mestrado defendida em 2010, junto ao atual Programa
de Pós-graduação em Educação, da Universidade Estadual de Maringá. O estado do Paraná, ao conceituar
novos caminhos para as propostas curriculares em todas as áreas do ensino, após várias discussões,
debates, encontros, seminários, simpósios e grupos de estudos, subsidiado pela Secretaria de Estado da
Educação (SEED), entre os anos de 2004 a 2008, chega à versão final as "Diretrizes Curriculares da
Educação Básica - DCE", no qual é composta por um caderno de orientação teórico-metodológico para
cada disciplina. Neste caso, em especial, a DCE estudada refere-se a "Diretrizes Curriculares da
Educação Básica de Língua Estrangeira Moderna (DCE-LEM)". Decorrente a este contexto, portanto,
buscou-se investigar como ocorreu o contexto de reformulação curricular no estado do Paraná (2004-
2008), no componente curricular - Língua Estrangeira Moderna - a partir das vozes que articulam a
política de ensino de LEM na educação básica no estado do Paraná. Assim, centra-se à atenção para a
seguinte indagação inicial: Como se deu o processo de elaboração das Diretrizes Curricularers da
Educação Básica de LEM no ensino fundamental nos anos finais da rede pública de ensino do Paraná?
Como fundamentação teórica, apoiamo-nos nas teorias do Cículo de Bakhtin para fundamentar as
reflexões a respeito dos conceitos de enunciado, dialogismo e polifonia. Quanto à metodologia utilizada
recorreu-se ao estudo de caso por se tratar de um trabalho que enfoca um determinado evento
pedagógico. Conclui-se, assim, que as DCE-LEM é uma proposta educacional que revela aparentemente
uma participação coletiva dos professores de LEM durante a sua construção. Isso é perceptível na forma
como a SEED conduziu as ações políticas no processo de construção do documento.

Palavras-chave: Reforma Curricular; Língua Estrangeira Moderna; Paraná.

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LÍNGUAS ADICIONAIS PARA CRIANÇAS NO BRASIL E LETRAMENTO


EM AVALIAÇÃO: IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Juliana Reichert Assunção Tonelli (UEL)


Gladys Quevedo-Camargo (UnB)

Pesquisas desenvolvidas no campo da formação de professores para o ensino de línguas adicionais


para crianças (LAC) no Brasil (TONELLI e PÁDUA, 2017) indicam que, embora a área tenha
crescido e várias pesquisas desenvolvidas, existe ainda uma lacuna importante em especial, na
formação de professores para avaliar a aprendizagem. Nesta comunicação, abordamos a importância
do ensino de LAC na sociedade contemporânea e apresentamos algumas propostas para a formação
de professores, incluindo o letramento em avaliação (SCARAMUCCI, 2016). Ainda que a formação
tenha sido discutida em Santos (2009) e, mais recentemente, explorada em novas pesquisas
(SCHWEIKART, 2016; TANACA, 2017; TONELLI; FERREIRA; BELO-CORDEIRO, 2016, por
exemplo), houve poucos e isolados avanços, especialmente no que se refere à formação inicial e
continuada de professores e implementação de políticas para formação de professores de LAC. A
avaliação, compreendida aqui como central ao processo de ensino e de aprendizagem
(SCARAMUCCI, 2006) e, portanto, deve subsidiar todo o processo, é abordada como crucial no
contexto investigado. Assim, nesta comunicação, apresentamos um panorama da oferta de LAC no
Brasil com vistas a discutir suas demandas na contemporaneidade. Na sequência, trazemos algumas
propostas para a formação do docente de LAC e discutimos questões relacionadas às práticas de sala
de aula, especialmente à avaliação da aprendizagem como um dos componentes centrais no contexto
investigado considerando o fato de que se trata de crianças pequenas e que, na formação de
professores, pouco se discute sobre as particularidades da aprendizagem de línguas na infância.

Palavras-chave: línguas adicionais para crianças; formação docente; práticas de sala de aula; letramento
em avaliação.

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A FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA O ENSINO DE LÍNGUA INGLESA


PARA CRIANÇAS EM FACE DA BNCC: A CONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO
EM SALA DE AULA COMO INSTRUMENTO DO PENSAMENTO CRÍTICO.

Mariana Furio da Costa (UEL/PPGEL-D)


Lorrana de Souza Bossan Gonçalves (UEL/Ext)

O presente trabalho tem como objetivo principal discutir o processo de construção de um currículo
para a sala de aula de inglês para crianças (LIC) em face da reforma apresentada na Base Nacional
Comum Curricular. O trabalho se propõe a analisar um compêndio de planos de aula elaborados por
professores em formação inicial do curso de Letras/Inglês que atuam no curso de LIC – ofertado pelo
Laboratório de Línguas da UEL em 2017/2018. É parte do escopo deste trabalho refletir sobre
formação inicial de professores sob uma perspectiva crítica. A discussão tem como ponto de partida a
reforma curricular proposta na BNCC (2017) no tangente à Educação Infantil. Entende-se que
presenciamos um momento no qual o mundo se abre para a (re)discussão de questões de minorias e de
gênero; com isto, o currículo se constitui uma via de transformação social e um possível instrumento
de (res)significação do ensino/aprendizagem. Na BNCC (2017) a ideia de “campos de experiência”
como: “um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das
crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural.”
(p. 33) sugere novos questionamentos. Pretende-se, assim, identificar possíveis lacunas e
(des)construir significados com vias à ações positivas nas transformações que se evidenciam dentro e
fora da sala de aula de LIC e que estão presentes nos conhecimentos do patrimônio cultural dos alunos
da Educação Inicial (BNCC, 2017). Toma-se como eixo teórico-metodológico: os estudos acerca do
Currículo tomando-o tanto por ‘compendio de asserções pedagógicas’ (CESAR, 2015), como ‘campo
intelectual’ (LOPES, 2010; GIMENO SACRISTÁN, 1998); os estudos em Formação Crítica
Reflexiva Inicial de professores de Língua Inglesa (MILLER, 2013; GIMENEZ; MATEUS, 2009;
ZEICHNER, 2003); e as pesquisas na área do Ensino de Inglês para Crianças (CAMERON, 2001-
2005; TONELLI, 2005).

Palavras-chave: Formação de Professores; Pensamento Crítico; Educação Inicial.

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A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: CURRÍCULO,


NEOLIBERALISMO E A INTERNACIONALIZAÇÃO EDUCACIONAL

Olívia Bueno Silva Fortes (FEUSP)

Diante de um mercado com cada vez menos barreiras, exige-se que a escola crie sujeitos aptos a
competir globalmente, a se adaptar a exigências que estão em constante mudança, que estejam sempre
motivados a aprender novas técnicas, condutas, competências. Segundo Christian Laval (2004), “a
grande tendência do período é colocar em competição mais direta os sistemas educativos nacionais,
em um mercado global. Essa evolução encoraja a aplicação ao domínio educativo dos dogmas da
livre-troca e estimula a utopia de uma vasta rede educativa mundial transfronteiras e pós-nacional.”
Quando observamos sistemas educacionais ao redor do globo, notamos que respostas similares são
dadas a essa questão, vista hoje como primordial para a formação de indivíduos globais: quais
políticas devem ser implantadas para que futuros trabalhadores possam desenvolver as capacidades
necessárias para contribuir para a economia global, para o mercado de trabalho e para coesão social?
Tais políticas, imbuídas de valores neoliberais e influenciadas por um movimento internacional
consolidado pela globalização, colocam a educação como um bem privado, têm a privatização da
educação como um ideal e colocam nos indivíduos a responsabilidade por suas escolhas e as
consequências delas. Propomos aqui uma discussão sobre como a Base Nacional Comum Curricular
pode ser lida nesse contexto de internacionalização educacional. Argumentamos que a BNCC,
juntamente com várias outras propostas educacionais que têm surgido nos últimos anos, são guiadas
por interesses fundamentalmente neoliberais e neoconservadores. Justificamos esse argumento
através da análise do contexto de elaboração da Base, de modo a observar as filosofias e os interesses
que movimentam as propostas da BNCC, além da leitura crítica do próprio documento, apontando as
discrepâncias entre seus discursos e suas práticas.

Palavras-chave: BNCC, currículo, neoliberalismo, globalização

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A FICHA DE AUTOAVALIAÇÃO ENQUANTO INSTRUMENTO DE


EMANCIPAÇÃO DO ESTUDANTE PARA ALÉM DAS AULAS DE LÍNGUA
INGLESA. UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.

Patrícia da Silveira (IFPR)

Entre as diversas funções da avaliação no contexto escolar destacamos o aspecto formativo que busca
constatar se os objetivos/metas de ensino-aprendizagem pretendidos foram alcançados pelos
estudantes e consequentemente, propor melhorias a esse processo. Entre as características e
instrumentos utilizados na avaliação formativa, apontamos a ficha de autoavaliação da aprendizagem
como forma de conscientizar o estudante de sua corresponsabilidade na construção da mesma, indo
além da aquisição de conhecimentos, proporcionando-o o planejamento, a organização, o controle e a
avaliação dos processos adaptados, dos resultados atingidos e das variáveis contextuais, que
estimulam e lhe dão oportunidades de agir de forma intencional e estratégica sobre este processo.
Logo, a linguagem assume papel primordial na elaboração das questões da ficha de autoavaliação,
uma vez que assume uma função interna e organizadora do pensamento (linguagem/fala interna) e
permite que o estudante reconstrua e transforme suas interações com o meio no qual está inserido. Isto
posto, ao possibilitar ao estudante a coparticipação de seu processo de aprendizagem, o mesmo
necessita tomar decisões por si próprio, levando em consideração os fatos relevantes para decidir as
melhores formas de agir, características essas referentes à autonomia. Por outro lado, o exercício e a
continuidade de planejar, selecionar estratégias, colocá-las em prática e avaliar os resultados obtidos
tornam o estudante apto a tomar decisões por si mesmo. É essa autonomia que permite ao indivíduo
agir, pensar e ser no mundo de forma a transformar sua própria realidade. A partir disso, foram
propostas duas ficha de autoavaliação (FAA) aos estudantes matriculados em uma escola pública
federal no norte do Paraná. A primeira FAA destinava-se as atividades e interações realizadas por 20
estudantes da Oficina de conversação em língua inglesa I, enquanto que a outra FAA buscava
promover no mesmo grupo de estudantes reflexões sobre o processo de aprendizagem considerando
todos os componentes curriculares que cursavam na escola, além das interações vivenciadas por eles
neste mesmo contexto. Para o preenchimento das FAA eram destinados 2 encontros ao final de cada
mês, sendo um encontro para cada FAA. A partir dos dados analisados das FAA até o momento, pode-
se perceber um aumento significativo na participação dos estudantes em relação ao processo de
aprendizagem, assim como a tomada de consciência de seu papel neste processo, colocando-o como
partícipe das ações pedagógicas tanto da Oficina de conversação em língua inglesa, quanto dos demais
componentes curriculares. Logo, é válido considerar a FAA enquanto instrumento de emancipação dos
estudantes, uma vez que apresenta potencial para contribuir para a formação humana integral dos
sujeitos, tornando-os autônomos e críticos.

Palavras-chave: Ficha de autoavaliação. Língua inglesa e demais componentes curriculares.


Emancipação do sujeito.

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A AUSÊNCIA DE POLÍTICAS PARA O ENSINO DE LÍNGUAS


ESTRANGEIRAS NO ENSINO FUNDAMENTAL I: REFLEXÕES ACERCA DA
OBRIGATORIEDADE DA OFERTA NOS CURRÍCULOS DAS ESCOLAS
MUNICIPAIS PÚBLICAS

Paula Aparecida Avila (UEL)


Juliana Reichert Assunção Tonelli (Orientadora - UEL)

O ensino de línguas estrangeiras (LE) nos anos iniciais do Ensino Fundamental vem sendo fortemente
implantado nos contextos de escolas da rede privada e públicas (TONELLI, 2005; ROCHA, 2006;
VILLANI, 2013; TANACA, 2017). Embora sua obrigatoriedade seja somente a partir do sexto ano
(BRASIL, 2010), com o crescente processo de globalização o ensino de uma LE, principalmente da
língua inglesa (LI), passou a despertar maior interesse político, econômico e social. Dessa forma,
temos por objetivo fazer uma discussão teórica a partir dos principais documentos que norteiam a
educação básica brasileira sobre a viabilidade e a importância da oferta obrigatória de LEs no primeiro
ciclo do Ensino Fundamental I (1º ao 5º anos). Os objetivos específicos são: 1) analisar as disposições
legais sobre a oferta de LE no Ensino Fundamental I e; 2) elencar aspectos positivos sobre a
aprendizagem de LE desde os primeiros anos de escolaridade. Trata-se de uma pesquisa documental a
partir de documentos oficiais que orientam a educação básica no Brasil tais como: Lei de Diretrizes e
Bases da Educação (BRASIL, 2007), Parâmetros Curriculares Nacionais - Língua Estrangeira
(BRASIL, 1998), Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014), Diretrizes Curriculares Nacionais
para o Ensino Fundamental de 9 (nove) anos (BRASIL, 2010) e Base Nacional Comum Curricular
(BRASIL, 2016). Com vistas a atingir os objetivos propostos, pautamos nossa discussão em
pesquisadores que defendem que quanto maior o tempo de exposição do sujeito a uma segunda língua,
melhores serão seus resultados no processo de aprendizagem (VICENTIN, 2013; MUÑOZ, 2014;
NUNAN, 2003). Pelo fato de, no Brasil, a oferta de ao menos uma LE ser obrigatória somente a partir
do sexto ano, elucidamos a hipótese de que o contato com uma LE nos anos iniciais de escolarização
pode contribuir para um melhor desenvolvimento da aprendizagem dos alunos quando estes ingressam
nos anos finais do Ensino Fundamental.

Palavras-chave: Documentos oficiais; Ensino Fundamental I; Língua Estrangeira para Crianças.

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BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR: LIMITES E POSSIBILIDADE DE


IMPLEMENTAÇÃO NA PROMOÇÃO DO ENSINO DE LÍNGUA
PORTUGUESA – EIXO LEITURA

Pricilla Záttera (UNIOESTE)

O presente trabalho tem o intuito de analisar, por meio de uma pesquisa situada no âmbito da
Linguística Aplicada, qualitativa, de abordagem sócio-histórica, de caráter documental, a Base
Nacional Comum Curricular (2015), documento elaborado pelo Ministério da Educação em parceria
com pesquisadores, na disciplina de Língua Portuguesa, Ensino Fundamental, nos anos iniciais e
finais, no eixo de Leitura. A finalidade é compreender o propósito da sua implementação, ou seja, ao
analisar os documentos norteadores da BNCC, compreender se ela poderá ser uma forma de controle
da aprendizagem do aluno e das ações do professor ou se ela norteará a formação humana integral dos
educandos e promoverá uma educação de qualidade no país. Esse controle, pretende-se confirmar,
poderá ser efetuado por meio de avaliações nacionais em larga escala. A partir dessa análise, será
possível compreender os rumos pretendidos pelo governo para o ensino de Língua Portuguesa no
Brasil. Então, espera-se, com esta pesquisa, contribuir para a efetiva compreensão da BNCC, que será
imposta a todas as escolas, de modo a ser possível analisar os reais propósitos por trás de um
documento nacional, aplicado em um país com extrema diversidade linguística, cultural e social. A
preocupação, nessa perspectiva, pauta-se no fato de que os alunos, por meio dos conteúdos dispostos
na base, terão a possiblidade de treinar para as avaliações, o que, possivelmente, elevará os índices
educacionais mensurados pelas avaliações em larga escala, demonstrando um aparente sucesso na
educação. E o problema maior reside no fato de que essas avaliações acabam, de certa forma, sendo
orientadoras do que se ensina, principalmente adequando os alunos a responderem aos testes
aplicados. Pretende-se, pois, elucidar esse questionamento, e outros que, porventura, possam vir a
aparecer no âmbito da pesquisa proposta.

Palavras-chave: Ensino. Base Nacional Comum Curricular. Leitura. Avaliações em larga escala.

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A MATERIALIZAÇÃO DO CURRÍCULO NO CONTEXTO ESCOLAR

Rozana Izidio Salvaterra (UEM)

Este estudo apresenta uma análise bibliográfica referente ao documento do Ministério da Educação
(MEC), elaborado por Moreira e Candau (2007), intitulado “Indagações sobre o currículo: currículo,
conhecimento e cultura”, têm como objetivo discutir a materialização do currículo no contexto esco-
lar, e sua relação com os conteúdos e os conhecimentos escolares dentro da teoria Histórico Cultural.
Constata-se por meio dessa discussão, que o currículo se organiza para atender as especificidades de
uma Educação moldada nos princípios da produção capitalista seguida de um pensamento pós-
moderno, gerido nas premissas do Relatório Jacques Delors que se materializa no discurso da diversi-
dade, do respeito às diferenças, de uma educação para o acolhimento e não para o conhecimento. Des-
se modo compreendemos que a escola em si é considerada um espaço onde predomina diferentes
culturas, identidades, experiências, possibilitando ao aluno reconhecer, identificar e compreender as
diferenças existentes na atual conjuntura e no senário educacional. Esse lugar de híbrida interação de
identidades se configura, desse modo, num ambiente permeado por conflitos e contradições. Torna-se
necessário e urgente, que a escola priorize de maneira específica a socialização e apropriação do co-
nhecimento sistematizado, resguardando a formação dos sujeitos que busquem uma sociedade menos
desigual e com oportunidades mais igualitárias. A metodologia deu-se por meio de uma pesquisa bi-
bliográfica que possibilitou compreender e analisar os estudos realizados por diferentes autores, de
forma a complementar valiosamente a pesquisa realizada.

Palavras-chave: Educação. Currículo. Conhecimento. Cultura.

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IMPACTOS DA REFORMA CURRICULAR:


DISCURSOS, PRÁTICAS E DESAFIOS

Silvane Aparecida Gomes (CEFET-MG)

Este artigo trata dos atuais processos de formação docente questionando a necessidade de revisão do
sistema escolar como um todo, referindo-se à adequação da escola às novas condições sociais com o
advento das mídias educacionais. Discuto sobre o campo do currículo da licenciatura, que reflete a/na
identidade social; o campo da linguagem, que incide sobre a prática docente, com enfoque nos
desafios de professores especificamente de Língua Portuguesa, articulados com algumas observações
sobre as políticas públicas educacionais e as reestruturações propostas na reforma do ensino médio na
Base Nacional Curricular Comum (BNCC). Considerando que além da estrutura escolar, as mudanças
deverão ser pontuais e terão de ser examinada com bastante atenção, por exemplo: a exclusão/inclusão
de conteúdos, a hierarquia de importâncias, roteiros de formação e adaptações de prioridades,
avaliando o momento histórico-político nacional. É um artigo que propõe discutir algumas políticas
públicas para a educação básica, pesquisas acadêmicas a respeito da (eterna) necessidade de formação
docente, atendendo e atentando às teorias curriculares e a interatividade com os processos de ensino-
aprendizagem que devem evoluir crítico-reflexivamente para a melhor mediação do conhecimento em
sala de aula, e para que este docente demande letramentos consolidados para a formação cidadã,
fundamentando-se os discursos e as verdadeiras práticas em acordo com os desafios que a pluralidade
dos documentos curriculares nos impõe para o desenvolvimento da educação básica brasileira.

Palavras-chave: Formação de professores; Reforma Curricular; Trabalho Docente, Letramentos


Docentes; Políticas Públicas.

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UM OLHAR SOBRE A MUDANÇA DA NOÇÃO DE LÍNGUA(GEM) NOS EIXOS


DE LÍNGUA PORTUGUESA DOS DOCUMENTOS OFICIAIS DE ENSINO NO
BRASIL
Sueder Souza (PPGL/UFPR)

As perspectivas interacionista e dialógica da linguagem regem os pressupostos teóricos de ensino, na


tentativa de modificar o trabalho com a língua, abrindo, assim, espaço para o uso de práticas
contextualizadas de linguagem articuladas à realidade do sujeito. Assim, questões como o conceito de
língua(gem), devem ser analisadas, pois, a língua(gem) deveria ser vista como funcionamento atrelado à
interação social. Conforme a proposta de Geraldi (1984), de acordo com as bases teórico-metodológicas
pautadas em uma perspectiva interacionista, sabe-se que não pode tratar a língua(gem) como um fenômeno
homogêneo e imutável, uma vez que a língua é viva. Nesse sentido, à escola, e até mesmo à Universidade,
compete a tarefa de contribuir para o desenvolvimento das habilidades textuais orais e escritas dos alunos.
Esse processo, segundo alguns dos documentos norteadores de ensino (tais como os Parâmetros
Curriculares Nacionais (PCN), as Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares
Nacionais (PCN+), as Orientações Curriculares Nacionais (ONC), a Base Nacional Curricular Comum
(BNCC) etc.), estão sendo recentemente resinificados e devem ser inter-relacionados com o conceito de
língua(gem) subjacente ao processo de ensino-aprendizagem e aos documentos, no contexto de sala de aula
de Língua Materna. Entende-se, assim, que as atividades de ensino-aprendizagem no tocante à questões
que envolvem pressupostos de língua(gem), não abarcam apenas aspectos semânticos e formais do
processo de ensino-aprendizagem, mas, sim, englobam as relações complexas de textualidade, enquanto
competência inerente ao sujeito em suas relações sociais, bem como impactam o sistema de ensino e as
práticas de ensino de Língua Materna. Dentro de tais pressupostos busca-se, neste trabalho, articular alguns
conceitos de língua(gem) presentes nos documentos norteadores de ensino, como os mencionados
anteriormente, e suas recentes mudanças/ressignificações.

Palavras-Chave: Língua Materna, Língua(gem), Currículo e Práticas Sociais.

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O CURRÍCULO EM QUESTÃO:
UM OLHAR DA ACADEMIA PARA A EDUCAÇÃO BÁSICA

Vladimir Moreira (UEL)


Marcelo Cristiano Acri (SEED-EFM)

Ao entender que os cursos de licenciatura devem formar para a atividade em sala de aula e que a for-
mação do futuro profissional deve abarcar conteúdos teóricos e práticos não somente no momento do
Estágio Supervisionado, percebeu-se a importância de analisar a estruturação dos cursos de licenciatu-
ra em Língua Portuguesa do Estado do Paraná. Dessa forma, foi concebido o PRALE (Dimensões da
prática como componente curricular das licenciaturas paranaenses em Letras). Apresenta-se nesse
momento um recorte do projeto, com o intuito de avaliar os aspectos discursivos na leitura dos docu-
mentos (Projetos Político-Pedagógicos) dos cursos de licenciatura das seguintes universidades: Uni-
versidade Federal da Fronteira Sul (UFFS-Realeza) e Universidade Estadual de Maringá (UEM). A
metodologia utilizada foi, inicialmente, a busca de ocorrência de expressões-chaves que mostrem a
formação pensando a atuação em sala de aula em todas as séries do curso e, posteriormente, a análise
contextual dessas expressões. Destacam-se nesse momento as ocorrências da expressão “prática”. A
pesquisa fundamenta-se em concepções sobre prática de ensino (HEIN, 2010; DINIZ-PEREIRA,
2011; SOUZA NETO & SILVA, 2014), currículo (SILVA, 2010) e formação de professores de Lín-
gua Portuguesa (OLIVEIRA, 2006; PIETRI, 2003). Foi realizada uma leitura dos documentos, bus-
cando mostrar as ocorrências das expressões-chave e, posteriormente, uma análise mais detalhada
sobre os contextos em que eram apresentadas. Observa-se que as expressões têm sido utilizadas não
pontualmente relacionadas às questões da prática durante o curso, mesmo em currículos cujas ementas
estão diretamente ligadas à atuação do professor em sala de aula.

Palavras-chave: Formação de professores. Prática. Currículo.

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GÊNERO DISCURSIVO CONTO COMO INSTRUMENTO MEDIADOR DA


PRÁTICA SOCIAL DE LEITURA

Adriana Teixeira Alves (UENP)

Este trabalho tem por objetivo apresentar uma proposta de encaminhamento didático para o gênero
discursivo conto, elaborada para implementação em um nono ano do Ensino Fundamental, de uma
escola estadual da cidade de Fortaleza, no estado do Ceará. Focalizando o processo pedagógico de
leitura, a abordagem fundamenta-se na perspectiva teórica dos gêneros discursivos (BAKHTIN, 2003)
e na metodologia denominada Plano de Trabalho Docente (GASPARIN, 2009), que tem como base a
Pedagogia Histórico-Crítica. A proposta didática, por conseguinte, propõe a realização de um diagnós-
tico inicial, feito em sala de aula, com o intuito de desvelar o nível de compreensão e interpretação dos
alunos em relação ao gênero conto, da esfera literária. A riqueza dos contos trabalhados na sala de
aula, baseada no cotidiano dos alunos que moram no litoral cearense, podem contribuir para uma me-
lhor compreensão e interpretação feitas pelos jovens educandos,do mundo em que os cercam, além de
nos remeter aos princípios dialógicos de Bakhtin. O filosofo e pensador russo Mikhail Bakhtin (1895-
1975) constatava em seus pensamentos que, o dialogismo é parte essencial de uma interação entre tex-
tos e que toda enunciação, apesar de correrem em diferentes vozes são refletidas nas exposições feitas
pelos alunos. A finalidade, então, é propiciar, por meio da abordagem do gênero conto, o desenvolvi-
mento de leitores ativos e críticos, capazes de compreenderem o contexto sociocultural da realidade na
qual habitam, convivem e se tornam cidadãos.

Palavras-chave: Gênero discursivo; Plano do trabalho docente; Leitura.

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A CHARGE NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: UM


DIÁLOGO COM POSSIBILIDADES

Carla Ramos de Paula (UNIOESTE)

Este artigo apresenta algumas reflexões acerca da inserção do texto charge no trabalho pedagógico
com os alunos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Para tanto, o aporte teórico pauta-se em
Bakhtin (2011) para discussão dos Gêneros do Discurso e Romualdo (2000), Flôres (2002) e Teixeira
(2005) como subsídio para discussão das concepções de charge. Dialoga-se com o gênero discursivo
charge e sua relação no processo ensino e aprendizagem. Desse modo, discorremos acerca do trabalho
pedagógico realizado com charges nesse nível de ensino, as atividades desenvolvidas com os alunos
compreenderam: o trabalho com o eixo leitura e interpretação de charges, a produção textual, e, por
fim, a criação de charges realizada pelos alunos. Destaca-se a relevância do trabalho pedagógico com
charges com o público alvo de alunos (Anos Iniciais do Ensino Fundamental), pois, a mediação
realizada pelo professor em sala de aula poderá propiciar a ruptura do riso imediato, rumo à captação
da crítica presente na charge, o que poderá provocar no aluno a possibilidade do favorecimento de
uma leitura crítica acerca dos fatos e temas vivenciados na sociedade. Logo, a discussão posta em
torno do gênero torna-se relevante uma vez que poderá suscitar o diálogo e o debate sobre a
possibilidade de inserção do gênero discursivo charge nos Anos Iniciais, bem como repensar os
desafios que envolvem a exploração do gênero, e em contrapartida verificar as possibilidades de
favorecimento de uma formação que vise uma postura crítica diante dos discursos que circulam
socialmente.

Palavras-chave: Charge; Anos Iniciais do Ensino Fundamental; Leitura; Produção textual/Escrita.

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O INTERACIONISMO SOCIODISCURSIVO COMO BASE PARA MODELOS


DIDÁTICOS – ANALISANDO FÁBULAS

Cristian Nesi Martins (UTFPR – PB)

Este trabalho tem a pretensão de investigar as características discursivas e linguístico-discursivas


presentes no gênero textual Fábula, de modo que, ao estudar alguns exemplares textuais, seja possível
reconhecer componentes do gênero em questão e concebê-los como modelo didático. Provenientes do
Oriente, as fábulas eram concebidas como narrativas da tradição oral e, com o passar do tempo, estas
breves histórias começaram a ser apresentadas como texto escrito e impresso. Dez exemplares escritos
foram estudados. Todos os textos foram retirados do livro Esopo, fábulas completas, tradução de
Dezotti (2013), de modo a conferir autenticidade à pesquisa e invariabilidade na linguagem utilizada
na escrita destes. Buscou-se reconhecer nos exemplares atributos fundamentados na teoria do
Interacionismo Sóciodiscursivo (ISD), propostos por Bronckart (2003), tais como a sequência textual,
o tipo de discurso, suas vozes e marcadores, os verbos e os artigos utilizados nas construções frasais.
Esta análise focou na capacidade discursiva, que trata das relações estruturais do texto, e na
linguístico-discursiva, que implica nas unidades linguísticas efetivadas nas operações de textualização.
No tocante da narrativa, os fatos observados não definem tempo, pois a essência está no que ocorreu, e
não quando. Mais de 70 verbos citando o passado foram listados no do corpus. Outra evidência
percebida foi o emprego dos artigos definidos e indefinidos para fazer relação aos personagens. Foram
empregados 19 artigos indefinidos, comparados com oito definidos. Observou-se, também, a
incidência de marcadores e articuladores do discurso, pois uma sequência textual se efetiva quando
estes são empregados com êxito. Os mais denotados foram: “então”, “mas”, “porém” e “quando”. O
último aspecto de análise foi o gerenciamento das vozes recorrentes, sendo elas a do narrador e a dos
personagens. O narrador ou contextualiza ou conta o que ouviu, com discurso indireto, e o
personagem expõe o conflito, com discurso direto. Oito de dez exemplares fazem uso de um desses
tipos de discurso. Vimos que as interações verbais mediadas pelo texto promovem o conhecimento e
desenvolvem as capacidades de linguagem. Por fim, verificamos que os pontos de análise deste estudo
são essenciais para pensar a Fábula como um modelo didático.

Palavras-chave: Interacionismo sociodiscursivo; Fábulas; Modelo didático; Linguística

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O CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO DE PRODUÇÃO: ANÁLISE DE UMA


PROPOSTA DIDÁTICA DE ENSINO-APRENDIZAGEM DO GÊNERO
DISCURSIVO CANÇÃO PARA CRIANÇAS

Cristiano Brun Amarante (UEM)


Edson Carlos Romualdo (Orientador - UEM)

Ao tratarmos da canção, estamos nos referindo a um gênero discursivo cujo o seu ápice existencial se
deu a partir do século XX. Nesse mesmo século, vimos as teorias bakhtinianas sobre os gêneros
discursivos florescerem em diferentes estudos, permitindo que uma gama de possibilidades de
enunciados relativamente estáveis, inseridos nas diversas esferas da atividade humana, pudessem se
tornar objeto de análise e reflexão de variadas áreas do conhecimento humano. Dentre esses
enunciados, encontramos o gênero discursivo canção, em que o hibridismo entre a linguagem musical
– com seus componentes fundamentais: a melodia, o ritmo e a harmonia – e a linguagem verbal,
possibilita a apreensão de novos sentidos. Sob a perspectiva de que a canção é uma importante
ferramenta para o ensino-aprendizagem tanto de questões musicais quanto de verbais, nosso objetivo
neste trabalho é analisar o material resultante de duas aulas de uma proposta didática de ensino-
aprendizagem do gênero discursivo canção para uma turma composta por nove crianças na faixa etária
entre 9 e 10 anos. Nessas aulas, que fazem parte do início de uma proposta que leva em conta o
sincretismo das duas linguagens que constituem a canção, tratou-se do contexto sócio-histórico de
canções produzidas a partir dos poemas do livro infantil A Arca de Noé, publicado em 1970, por
Vinícius de Moraes. Nosso corpus de análise constitui-se de gravações em vídeo das aulas, diário de
bordo e gravações pessoais em vídeo feitas pelo professor. A análise, realizada tendo por base autores
da Linguística Aplicada e da Teoria Musical, mostra um engajamento das crianças nas aulas e o seu
interesse pelo desenvolvimento da aprendizagem das canções, demonstrando a importância da
abordagem do contexto de produção em uma proposta de ensino-aprendizagem do gênero discursivo
canção como objeto intersemiótico.

Palavras-chave: Contexto de produção. Canção. Gênero Discursivo. Bakhtin. Ensino-aprendizagem.

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A LEITURA EM LÍNGUA INGLESAE E A FORMAÇÃO DE PROFESSORES:


BEYOND THE WORDS

Eva Cristina Francisco(IFSP)

A leitura em língua estrangeira, mais especificamente, em língua inglesa ainda é um grande desafio
para os aprendizes deste idioma, como também aos professores que ministram aulas da disciplina em
questão. Ao ler um gênero de texto escrito em inglês, os receptores se deparam com diversos
obstáculos que impedem a compreensão da mensagem principal, de informações específicas ou, até
mesmo, incompreensão total do texto. Um dos motivos porque isso ocorre é que muitos leitores desse
idioma equivocam-se ao inferir que a tradução de palavra por palavra é que conduzirá ao
entendimento do texto. Ficam retidos em dicionários, em tradutores virtuais e outros meios de
descobrir o significado daquela palavra em sua língua materna. Assim, o objetivo desse trabalho é
mostrar que a leitura de um texto em língua estrangeira vai muito além do uso de um dicionário,
ultrapassa a tradução interlingual e pode trazer muito mais informações no texto não verbal em
comparação ao texto verbal. Tal temática é justificada pelo fato de que a língua inglesa, já há algum
tempo, tem sido tratada como linguagem mundial/internacional e merece destaque no quesito de ser
melhor trabalhada em sala de aula.Além das estratégias já amplamente discutidas em pesquisas
anteriores e diversos renomados autores, podemos contar com a leitura de imagens em determinados
textos. Para tanto, será utilizada uma pesquisa bibliográfica e a análise de um texto do gênero comic
strip (tirinha), a fim de corroborar a teoria e trazer como resultados esperados a leitura em língua
inglesa de forma mais efetiva, interativa e dinâmica.

Palavras-chave: Língua Inglesa; Formação de Professores; Leitura de Imagens.

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LETRAMENTO DIGITAL: O GÊNERO BLOG NO ENSINO DE LÍNGUA


PORTUGUESA

Geovana Lourenço de Carvalho (IFSP – Campus Avaré)


Daiane Eloisa dos Santos (SEE-SP)

Esta pesquisa objetiva propor um trabalho com o gênero digital blog no ensino de Língua Portuguesa.
Acreditamos que as tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) podem ampliar as
formas de práticas sociais de linguagem e notamos que o universo digital está muito presente no
cotidiano dos alunos. Para tanto, nosso arcabouço teórico parte dos preceitos bakhtinianos e da
proposta de sequências didáticas de Dolz, Noverraz e Schnewly (2004), os quais abordam gêneros
textuais numa perspectiva sociointeracionista. Ao propor este trabalho com o gênero blog em sala de
aula, precisamos nos aproximar das teorias de letramento digital de Coscarelli (2007; 2010), Ribeiro
(2008; 2009) e Buzato (2006), considerando que esse seja uma porção do letramento que engloba as
habilidades (necessárias e desejáveis) que as pessoas desenvolvem para ações e comunicações
eficientes em ambientes digitais, ou seja, suportados por computadores ou tecnologias da mesma
natureza. Sabendo que os principais multiplicadores do letramento digital são a escola e os
professores, mesmo que a tarefa não seja escolar, o uso das tecnologias digitais para assuntos de
trabalho ou nas relações pessoais é de extrema importância para a sociedade. Entendemos que a
internet tem nos oferecido novas práticas de leitura, oralidade e escrita. Além interagir com textos
escritos, os ambientes virtuais (linguagem digital) nos permitem construir sentido em textos
multimodais, que mesclam palavras, imagens e sons em um mesmo espaço.

Palavras-chave: blog, gêneros digitais, letramento digital.

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A MULTIMODALIDADE NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA: QUE


PRÁTICAS DE MULTILETRAMENTOS PROMOVEM OS LIVROS
DIDÁTICOS DO ENSINO MÉDIO?

Izabelle Fernandes da Silva (UFFS/Chapecó-IFC/Luzerna)

É incontestável que interagimos, nas mais diversas situações comunicativas, por meio de gêneros
textuais que se constituem por diferentes modos de linguagem (verbais e não verbais). Segundo
Vieira, “pressionado pelas mudanças, o letramento hoje não se refere apenas às habilidades de leitura
e de escrita. O letramento típico da pós-modernidade agrega ao texto escrito inúmeros recursos
gráficos, cores e, principalmente, imagens. [...]” (2007, p.24). Considerando essa multimodalidade
textual que nos cerca, as aulas de língua portuguesa não podem se restringir ao trabalho pautado
apenas na linguagem verbal que constitui os textos que circulam socialmente. À escola compete
proporcionar também a aprendizagem de saberes, de habilidades e de valores necessários para a vida
em sociedade e para o exercício da cidadania e, de acordo com Dionísio, “uma pessoa letrada deve ser
uma pessoa capaz de atribuir sentido a mensagens oriundas de múltiplas fontes de linguagens [...]”
(2011, p.138). Nesta perspectiva, “em termos escolares, o letramento deve ser revisto como uma
questão de multiletramento” (UNSWORTH, 2001 apud Hemais, 20--, p.1). Sendo assim, este trabalho
pretende apresentar considerações iniciais sobre práticas de multiletramentos promovidas por
atividades de leitura de gêneros textuais multimodais propostas por livros didáticos de Língua
Portuguesa aprovados pelo PNLD 2018, através de análises desses materiais, que são apontados pela
literatura especializada (SOARES, 1996; LAJOLO, 1996; TILIO, 2008; VILAÇA e POTOCKY,
2012) como o principal recurso didático usado nas escolas.

Palavras-chave: Multimodalidade; Ensino de Língua Portuguesa; Livro didático

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CINDERELA: RELEITURA

Jaqueline Rodrigues da Silva Pereira (SEED)

O presente estudo tem por objetivo apresentar uma atividade educacional voltada para o ensino de
língua inglesa e de arte por meio da literatura, bem como o uso da tecnologia em sala de aula. O refe-
rido trabalho foi desenvolvido com uma turma de 1º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Conse-
lheiro Quielse Crisóstomo da Silva, do município de Bocaiúva do Sul nas disciplinas de Língua Ingle-
sa e de Arte. A proposta se deu a partir da leitura do clássico Cinderela, dos Irmãos Grimm, cujo obje-
tivo era realizar uma releitura a partir de elementos comuns aos alunos: a obra já conhecida, agora em
uma adaptação para a língua inglesa em nível básico, o uso do celular como ferramenta de aprendiza-
gem e o desenvolvimento de habilidades artísticas. O desenvolvimento da proposta esteve fundamen-
tado pelas teorias do Letramento Crítico e da Estética da Recepção que objetivam a formação de um
leitor mais crítico e mais participativo. Os estudantes tiveram a oportunidade de refletir sobre a obra,
com momentos de discussão e debates sobre diferentes questionamentos e situações levantadas duran-
te o processo. Questões como valores familiares, exploração do trabalho infantil e mesmo o trabalho
escravo, relações de poder, o papel da mulher na sociedade, violência doméstica, dentre outros, foram
abordados e discutidos. Além disso, a proposta promoveu o prazer pela leitura. Muito embora Cinde-
rela seja um clássico consagrado e conhecido pelo público infantil, os alunos do ensino médio se inte-
ressaram pela leitura por ser em língua inglesa, o que instigou a curiosidade e estimulou os alunos a
refletirem sobre as diferentes temáticas e pensarem em uma proposta prática de trabalho para ser apre-
sentada para a comunidade escolar. As atividades foram produzidas em sala de aula no segundo se-
mestre de 2017, com todos os alunos da turma, cada um participando de uma forma diferenciada na
composição final do trabalho. Os estudantes leram a obra Cinderela, em língua inglesa, em nível bási-
co e produziram uma fotonovela em vídeo, com narração em língua inglesa e tradução por meio de
legendas, utilizando as próprias imagens como personagens da trama e suas vozes para narrar o texto.
A produção foi posteriormente apresentada para a comunidade escolar.

Palavras-chave: Cinderela; literatura; fotonovela; tecnologia; língua inglesa.

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O ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUA ESTRANGEIRA POR MEIO DE


TERMINOLOGIA: UMA PROPOSTA COM GÊNEROS TEXTUAIS.

Jean Carlos S. Roveri (IFSP/Avaré)


Regiani Aparecida Santos Zacarias (UNESP)

O presente trabalho, fruto da nossa pesquisa de mestrado, ainda em andamento, tem por intuito trazer
à tona importantes discussões sobre o ensino e a aprendizagem de língua estrangeira (LE) por meio da
terminologia. Para isso, tomamos como objeto de estudo os sujeitos que ocupam o Instituto Federal de
São Paulo, campus Avaré, e sua vertente de ensino, o Ensino Médio Integrado ao Técnico (EMIT).
Neste cenário, valemo-nos de uma gama variada de gêneros textuais para propor uma aprendizagem
significativa e interativa da LE por meio de terminologias específicas do Ensino Técnico em lazer. O
presente tema surgiu das inquietações da nossa prática como docente de Espanhol como LE, a qual
nos fez refletir e buscar explicações para o problema da falta de articulação entre base comum e ensino
técnico, visto a dificuldade corriqueira em se trabalhar a LE em sala de aula. Acreditamos que a LE
tem deixado de atuar de forma efetiva no EMIT. Tal problemática foi observada tanto no ensino de
inglês como disciplina obrigatória, quanto na oferta do espanhol como língua optativa. Teoricamente,
partimos dos estudos de Morin (2005) para sustentar a falta de articulação entre as disciplinas e a
necessidade de desenvolvermos na prática a disciplinaridade. Acreditamos que o ensino de qualquer
língua é de fundamental importância na formação do aluno, principalmente do aluno do EMIT, uma
vez que esse se valerá da LE para o mercado de trabalho, e isso pode ser efetivado a partir de uma
articulação concreta com a parte técnica, permitindo contemplar as necessidades que o mercado exige
do profissional, bem como ser capaz de contribuir para a construção e formação humana do sujeito,
ampliando não só seu repertório linguístico, mas também habilitando-o a conhecer, respeitar e (re)
significar-se a partir da cultura do outro.

Palavras-chave: Ensino-aprendizagem; Terminologia; Gêneros Textuais; Ensino Técnico

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ANIMAÇÃO DIGITAL EM UMA PERSPECTIVA DISCURSIVA: UMA


PROPOSTA DE CARACTERIZAÇÃO

Luiz Antonio Xavier Dias (UEL)

O presente trabalho, síntese de uma dissertação de mestrado, procura evidenciar a caracterização do


gênero discursivo filme de animação infantil, com pauta no pensamento bakhtiniano e de seus
estudiosos. Justifica-se tal pesquisa porque desde 1998, os documentos oficiais orientadores do ensino
de Língua Portuguesa no Brasil vêm postulando que a escola deve trabalhar com linguagens múltiplas
e multiletramentos, como imagens, sons, linguagem verbal e não verbal, tendo como eixo de
articulação e progressão curricular o gênero discursivo. Desse modo, buscar-se-ia não fragmentar, no
processo de formação do aluno, as diferentes dimensões implicadas na produção de sentidos da leitura,
análise linguística e produção/refacção textual. Nesse sentido, selecionamos textos-enunciado verbais e
não verbais do gênero discursivo filme de animação infantil, das esferas midiático-literária, como
possibilidade de trabalho, enfocando as dimensões postuladas por Bakhtin (2003) - conteúdo temático,
construção composicional, marcas linguístico-enunciativas e verbo-visuais, associadas,
indissoluvelmente, às condições de produção e a suas esferas de atividade humana. A escolha do
gênero se justifica, pois um dos objetivos do estudo também é quebrar o estigma de que a utilização
desses textos-enunciado tão somente, para preenchimento de aula vaga ou como mera ilustração. A
pesquisa configura-se como pesquisa-ação de base etnográfica e processual e fundamenta-se nas
concepções filosófico-linguísticas do Círculo de Bakhtin. A partir da caracterização dos elementos que
compuseram o gênero, pretende-se discutir como o referido poderia ser trabalhado como proposta
motivacional em uma sala de aula, especificamente, uma turma de sexto ano do Ensino Fundamental
com o objetivo de refletir no multiletramento do alunado e auxiliar a formação docente na área de
língua portuguesa.

Palavras-chave: Gênero discursivo. Filme de animação infantil. Multiletramento.. Caracterização.

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UMA PROPOSTA DE LEITURA/ANÁLISE LINGUÍSTICA COM O CONTO


PAIS, DE MÁRCIO BARBOSA

Maria Evelta Santos de Oliveira (PROFLETRAS-UENP)

À luz da Linguística Aplicada, este trabalho tem por objetivo apresentar uma proposta de
leitura/análise linguística via texto-enunciado do gênero discursivo conto contemporâneo, mais
precisamente o conto Pais (2007), de Márcio Barbosa, pertencente ao livro Cadernos Negros. O
referido texto narra a história de uma mãe pobre e negra que tenta conciliar as atribuições de mulher
trabalhadora, mãe e dona de casa, retratando, assim, a situação vivenciada por várias mulheres
brasileiras. Contemplando valores estéticos e éticos, a obra, então, aborda problemas sociais dentre os
quais destacam-se o preconceito racial, o desemprego e o papel da mulher na sociedade vigente. Nesse
sentido, fundamentando-se na perspectiva bakhtiniana de gênero do discurso, entende-se o conto
contemporâneo como um gênero discursivo que emerge das condições sócio-históricas da pós-
modernidade, um tempo de expressivos contrastes e muita angústia existencial, constituindo-se, assim,
um gênero de relevada importância para abordagem em sala de aula. Dessa forma, focando o processo
pedagógico de leitura e de análise linguística, elaboramos, de forma contextualizada, uma proposta de
encaminhamento didático para o conto em pauta, por meio do Plano de Trabalho Docente
(GASPARIN, 2009), metodologia pautada nos passos da Pedagogia Histórico-Crítica. A proposta
didática perpassa todas as dimensões bakhtinianas dos gêneros (conteúdo temático, construção
composicional e estilo), associadas às condições de produção. A didatização, por conseguinte,
fundamenta-se na teoria dos gêneros discursivos (Bakhtin, 2003), tomando a proposta metodológica
de Gasparin (2009) como fio condutor do processo de transposição didática de gêneros para o ensino
de língua portuguesa.

Palavras-chave: Gênero discursivo; conto contemporâneo; Didatização; Leitura/Análise linguística.

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PROPOSTA DE ESTRATÉGIA E AÇÕES DE ENSINO DE LÍNGUA ESTRAN-


GEIRA MODERNA COM HQs

Nerynei Meira Carneiro Bellini (UENP/Campus de Jacarezinho)


Fernanda de Cássia Miranda (UENP/Campus de Jacarezinho)

A presente comunicação tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de estratégias e ações de


ensino direcionadas ao ensino-aprendizagem de Língua Estrangeira Moderna (LEM), principalmente,
Espanhol e Inglês, por meio de histórias em quadrinhos (HQs). Baseadas nos aportes teóricos referen-
tes aos gêneros do discurso, propostos por Bakhtin (2003) e Marcuschi (2003), que os consideram não
apenas em relação a seus aspectos formais, mas, também, quanto aos aspectos sócio-comunicativos e
funcionais, propomos, nessa comunicação, reflexões e atividades que poderão auxiliar a dinâmica em
sala de aula, tanto na prática docente quanto na formação leitora dos discentes. Nesse sentido, algumas
estratégias de leitura serão elencadas como propostas à construção de sentidos a respeito dos textos
analisados, com contribuições de teóricos da área (KOCH; ELIAS, 2006; KOCH, 2003; SOLÉ, 1988;
SMITH, 1973; GOODMAN, 1976). Aliados a esses estudos, serão apresentados também os conteúdos
estruturais dos quadrinhos: tema, composição, estilo, sua função em sociedade, suas esferas de circu-
lação, apoiando-se nas teorias das sequências didáticas sugeridas por Dolz, Noverraz e Schneuwly
(2004). As bases primárias das HQs, de acordo com os estudos de Cagnin (1975) e de Ramos (2016)
também serão mencionadas nesta comunicação. Além das teorias apresentadas, esperamos contribuir
com reflexões pertinentes e com propostas que possam promover, no âmbito escolar, uma perspectiva
crítica aos alunos leitores de HQs e outras possíveis abordagens desse gênero nas aulas de LEM.

Palavras-chave: Ensino-aprendizagem de LEM. HQ’s. Estratégias e propostas de ensino. Gêneros dis-


cursivos.

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DA TEORIA À PRÁTICA: O LUGAR E O PAPEL DOS GÊNEROS DISCURSI-


VOS NO ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA PORTUGUESA

Patrícia Cristina de Oliveira Duarte (UENP/CJ)

Fundamentadas na concepção dialógica e interacionista da linguagem, as Diretrizes Curriculares do


estado do Paraná (PARANÁ, 2008) postulam que os gêneros discursivos, antes de constituir um con-
ceito, constituem uma prática social, devendo orientar a ação pedagógica com a língua. Devido ao fato
de os gêneros serem produtos das mais distintas esferas sociais, ao se mobilizar o conceito de gênero
discursivo, no processo de ensino-aprendizagem, consoante argumentação arrolada nas diretrizes esta-
duais, não se pode desenvolver uma prática pedagógica transmissiva das análises estruturais e grama-
ticais, o que propiciaria um retorno ao normativismo, mas uma abordagem que considere todas as
dimensões constituintes dos gêneros. Refletindo sobre os problemas enfrentados para a consolidação
do ensino de gêneros na escola brasileira, Machado e Cristóvão (2006) ressaltam que o conhecimento
sobre os gêneros, no final da década de 1990, momento da elaboração dos PCN, “se não era incipien-
te, não era – nem é – consensual em nossa comunidade científica. Problemas que, na verdade, decorri-
dos quase vinte anos, persistem: ensinar gêneros discursivos ou gêneros textuais? Ensinar gênero ou
ensinar gramática? O gênero é o objeto de ensino das aulas de língua portuguesa ou o instrumento de
ensino? Como ensinar os gêneros, no afã de alcançar um ensino mais produtivo? Objetivando respon-
der tais questionamentos, este trabalho propõe reflexões sobre o lugar e o papel dos gêneros discursi-
vos no ensino das práticas de leitura/escuta, produção textual e análise linguística, em contexto de sala
de aula. Para isso, apresenta uma breve contextualização do processo de transposição do conceito de
gênero discursivo do Círculo de Bakhtin, para a esfera escolar, e as implicações pedagógicas resultan-
tes da teoria bakhtiniana dos gêneros discursivos e as práticas sociais de linguagem.

Palavras-chave: Ensino. Língua Portuguesa. Gêneros discursivos.

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LINGUAGEM E SOCIEDADE: O ENSINO DO GÊNERO DISCURSIVO-


ARGUMENTATIVO

Paula E. M. Izidoro (UENP/CCP)


Osnir Branco (UENP/CCP)

O trabalho aqui apresentado é um recorte da pesquisa de mestrado de um dos autores proponentes, que
tem como proposta o trabalho de gêneros textuais, com foco no gênero discursivo-argumentativo, com
alunos de terceiro ano do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de Andirá/PR visando o Exame
Nacional do Ensino Médio - ENEM. Dividido previamente em dois momentos, o primeiro já realizado e
o segundo em execução, a pesquisa em sua fase inicial constituiu-se em uma pesquisa qualitativa de
dados, tendo a análise de conteúdo calcada em Laurence Bardin para dar o aporte teórico que permitiu ir
a campo e identificar se havia faltas no reservatório de conhecimento dos alunos no que diz respeito a
produção textual e também o ENEM como um evento social. Através dos resultados das entrevistas
realizadas nessa fase de levantamento de dados, pode-se observar que os discentes não tinham
conhecimento da proporção do Exame e sua funcionalidade, a ponto de compará-lo às avaliações
escolares, e também, os mesmos se qualificavam inaptos para realizarem uma produção textual. A partir
dos dados advindos desse momento é que a fase dois, a intervenção, vem sendo desenvolvida, procurando
minimizar as falhas ali encontradas, e tomando como medida a elaboração de um curso de extensão
enquanto produto educacional. Essa fase da pesquisa vem sendo fortemente referenciada por Mikhail
Bakhtin seu círculo, do qual partimos de seus conceitos básicos para fazer os discentes compreenderem o
agir humano que se forma na fala, bem como questões de situação imediata, o que é a linguagem
enquanto pensamento, comunicação e interação social, ou seja, vir de Bakhtin para promover discursos
que os desprendam e despertem-nos ao senso crítico e consigam pensar além das letras ali apresentadas, e
então, ao entender essas questões de linguagem, voltar ao texto enquanto produção, objetivando o
crescimento do aluno igualmente a excelência no desenvolvimento do texto do Exame o qual serão
submetidos.

Palavras-chave: Mikhail Bakhtin; Ensino Médio; ENEM.

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DESAFIOS, IMPLICAÇÕES, E POSSIBILIDADES DO ENSINO E DA


APRENDIZAGEM DA PRODUÇÃO TEXTUAL: UM ENSAIO TEÓRICO

Renata Daniela Silva de Cristo (FCT/Unesp-Presidente Prudente)


Patrícia Regina de Souza (FCT/Unesp-Presidente Prudente)

O ensino e a aprendizagem da produção de texto é algo que vem sendo alvo de inúmeros estudos tanto
de pedagogos quanto de linguistas, haja vista que ensinar a produção de textos requer práticas
adequadas que garantam a aprendizagem dos alunos, todavia, muitas vezes, o docente pode não ter
tido uma formação que lhe dê possibilidades de ensinar de modo que seus alunos se apropriem da
habilidade de produzir textos. Por isso, os resultados de avaliações em larga escala têm demonstrado
que, apesar de estarem na escola, os discentes não tem conseguido atingir bons níveis no que diz
respeito à escrita de textos. Nesse contexto, neste artigo, temos a intenção de analisar o que as
produções científicas têm apontado sobre como vem ocorrendo o ensino e a aprendizagem da
produção textual, bem como os desafios, as implicações e as possibilidades que emergem das práticas
pedagógicas priorizadas pelos docentes que lecionam nos anos iniciais do Ensino Fundamental I. Para
tanto, pautados em uma metodologia qualitativa, adotamos uma pesquisa bibliográfica exploratória
com base em levantamento realizado em livros e artigos científicos que abordam sobre o assunto. Nos
materiais analisados, percebemos que é muito comum ainda, e, por isso, preocupante, perceber que o
trabalho com o ensino da produção textual ainda tem sido feito a partir de enunciados isolados,
genéricos, tendo como prioridade o treino da escrita e não a busca de um registro da interação com
intenções claras e conscientes, o que não garante que os alunos saiam da escola com a habilidade de
produzir textos, algo crucial em uma sociedade letrada.

Palavras-chave: Ensino Fundamental I. Ensino e aprendizagem. Língua Portuguesa. Produção de textos.


Trabalho teórico.

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LEITURA DO GÊNERO RELATO PESSOAL EM SALA DE 6º ANO

Roseli Monteiro (PROFLETRAS/UEM)

A leitura é um processo fundamental para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem de um


indivíduo, visto que amplia a capacidade de compreensão, atribuição e construção de significados.
Entretanto, em experiência com salas de 6º anos do Ensino Fundamental, pode-se observar que o
ambiente escolar, muitas vezes, não está tão preparado em relação ao processo de desenvolvimento da
leitura. Observa-se que os alunos de 6º anos gostam de ler materiais diversificados, como livros de
literatura, gibis, revistas, entre outros. Esse dado mostra a relevância de se trabalhar a leitura de
diferentes gêneros discursivos, em salas de aula. Desse modo, acredita-se que o estudo dos gêneros
pode apresentar um significado muito importante para os alunos, favorecendo a aprendizagem da
leitura e da produção textual. Dentre os inúmeros gêneros existentes, sugere-se o estudo do relato
pessoal em turmas de 6º anos, porque, devido a sua estrutura e funcionalidade, propicia o
compartilhamento de experiências vividas, contribuindo com a oralidade, criticidade, interação e
produção de conhecimento. Nesse sentido, o objetivo desta comunicação é apresentar uma proposta
didático-pedagógica de leitura do gênero discursivo relato pessoal, para uma turma do 6° ano do
Ensino Fundamental. Este trabalho é parte da dissertação de Mestrado que está sendo desenvolvida no
ProfLetras/UEM, que tem como objetivo, por meio de uma pesquisa-ação, elaborar uma proposta de
intervenção didático-pedagógica de oficinas de leitura com o gênero relato. A proposta será aplicada
em uma turma do 6º ano de uma escola pública da cidade de Maringá, procurando desenvolver leitores
mais reflexivos e competentes, com maior criticidade frente a distintos temas. Para abordar sobre a
importância da leitura no ambiente escolar, utilizaremos Geraldi (2003), Orlandi (2000) e Solé (1998).
Para compreender sobre os gêneros discursivos e especificamente o gênero relato, recorremos a
Bakhtin (2015) e Dolz e Schneuwly (2004). Pretende-se com esta pesquisa proporcionar uma reflexão
sobre o trabalho realizado com a leitura em salas de 6º anos associada ao gênero discursivo relato,
além de ampliar a capacidade social dos educandos.

Palavras-chave: Gênero relato pessoal. ProfLetras. Leitura.

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RECURSOS LINGUÍSTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO DO ESTILO:


COMO ELES SE CONSTITUEM EM INDÍCIOS DAS RELAÇÕES
INTERGENÉRICAS?

Taynara Alcânatara Cangussu (IFPR)

O objetivo deste trabalho foi o de buscar indícios das relações intergenéricas no texto “Como fazer a
Dendrobium florir?”, − a priori instrucional − a partir de uma investigação sobre como se desenvolve
o estilo desse texto. Para fazer essa investigação, fizemos, em um primeiro momento, projeções a
respeito das estruturas linguísticas esperadas convencionalmente para constituir o estilo de gêneros
instrucionais (como: as subordinadas finais, as expressões temporais, os verbos no imperativo e no
futuro e os modalizadores deônticos) e depois contrastamo-las com as utilizadas na atualização
estilística feita pela autora do texto em análise (as principais foram: marcas de 1ª pessoa do singular e
plural, os marcadores discursivos como “bom...”, dentre outros que, por denotarem uma tentativa de
aproximação entre enunciador e enunciatário, fazia lembrar gêneros como “carta pessoal”, “conversa
entre amigos” e outros). Com esse movimento de análise, observamos que os recursos linguísticos
utilizados pela autora nessa atualização colocam em cena a heterogeneidade em que se desenvolve a
atualização estilística da autora do texto ou, mais especificamente, colocam em cena as relações
intergenéricas, já que o texto em questão se desenvolveria nos limites entre (a) gêneros mais
dissertativos (a presença de muitos conectores e pronomes anafóricos é indício disso) (b) gêneros em
que os participantes da situação enunciativa mantém relação de afeto∕ proximidade (as marcas de 1 ª
pessoa, os marcadores discursivos etc. denotam isso) e (c) o próprio texto instrucional (o restante dos
recursos, como verbos de ação, no imperativo, subordinadas finais etc.. é evidência disso).

Palavras-chave: Relações intergenéricas; Estilo; Recursos linguísticos

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PICHAÇÃO: A MULHER NO DISCURSO URBANO

Ana Carolina Bernardino (UEL)

O presente estudo está vinculado ao Projeto de Pesquisa PAD II _ PESQUISAS EM ANÁLISE DE


DISCURSO. DIVERSIDADE E DESIGUALDADE SOCIAL: A EXCLUSÃO/INCLUSÃO DO
SUJEITO NA/PELA HISTÓRIA e tem por objetivo, a partir do discurso urbano (especificamente as
pichações), analisar a temática da posição mulher, a partir da perspectiva teórica da Análise de
Discurso, de linha francesa (AD). Para tanto, levamos em consideração os aspectos ideológicos e as
condições de produção com o intuito de compreender os diversos efeitos de sentidos que podem ser
apreendidos desses discursos. De acordo com estudos realizados no campo da AD, o sujeito é
atravessado pela ideologia, o que faz com que ele seja assujeitado a determinadas condições. Assim,
buscamos, com esse trabalho, verificar os possíveis efeitos de sentidos materializados na/pela
linguagem que, de acordo com Orlandi (2005), são os mais variados, porque cada sujeito estabelece
uma relação diferente com a sociedade; logo, o fato de que os sujeitos enunciam de lugares diferentes
propicia que a compreensão/apreensão dos sentidos também seja múltipla. Selecionamos três
pichações, retiradas da internet, como corpus para esta análise, com a finalidade de compreender a
produção de sentido por meio desses discursos, identificando atravessamentos ideológicos e
discursivos que transpassam os discursos selecionados, refletindo a respeito dos diversos efeitos de
sentidos que são produzidos, levando em consideração os diferentes atravessamentos de cada sujeito,
pois o discurso é um objeto linguístico e histórico, ao mesmo tempo, e a produção dos sentidos
depende da relação entre esses elementos.

Palavras-chave: Mulher. Pichação. Ideologia.

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A ANÁLISE DO DISCURSO COMO CAMINHO PARA COMPREENDER A


REPRESENTAÇÃO E REPRESENTATIVIDADE DA SOCIEDADE CIVIL NO
COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO TIBAGI – PARANÁ

Angelita Czezacki Kravutschke (UEPG)


Silvia Méri Carvalho (UEPG)

A normativa da águas no Brasil é Lei 9433/97 que estrutura o Sistema Nacional de Recursos Hídricos
onde o Comitê de Bacia Hidrográfica deve atuar como órgão descentralizado e responsável pela
tomada de decisão sobre gestão da água em sua área de atuação. Deve ser formado por composição
tripartite ou seja, pelo Poder Público, Usuários e Sociedade Civil, para alcançar um gerenciamento no
modelo sistêmico. Para isso se faz imprescindível que os integrantes do parlamento exerçam a
representação com a eficiência esperada de gestão descentralizada e participativa. Visando esta
proposição pela normativa da Lei em que a composição tripartite é o eixo de um funcionamento
equilibrado entre estas instâncias, partimos dos estudos de Michel Pêcheux para analisar a
representatividade das falas dos integrantes do Comitê discursivamente, ou seja, que qualquer escolha
que o sujeito pesquisado fizer ao enunciar, ele, sem controle do seu dizer, estará se posicionando
ideologicamente, já que, ao enunciar, ele se inscreve numa determinada formação discursiva e ocupa
um determinado lugar social. Após a analise do corpus de pesquisa formado por entrevistas de nove
sujeitos da atual gestão e atas de reuniões do Comitê de Bacia do Rio Tibagi desde sua origem(2002)
até dias atuais, o discurso por eles proferidos marcam suas posições ideológicas no tocante à
representação e representatividade. Conclui-se que essa representação não acontece de forma
equitativa como desejada pela lei das águas, no modelo de gestão sistêmica. A não efetividade da
Representação do segmento da Sociedade Civil se dá pela identificação de Formação Discursiva (FD)
e Formação Ideológica (FI) alinhada a segmento do setor público com suas políticas liberais e
mercadológicas. O efeito de sentido da discursividade demarcada, nas condições de produção
estudadas, indica que a representatividade do segmento da Sociedade civil segue a Formação
Discursiva e Ideológica dominante, centralizado nos atos do poder público, não se construindo a
gestão tripartite indicada.

Palavras-chave: Politica de Gestão dos Recursos Hídricos, Comitê de Bacia Hidrográfica, Representação
e Representatividade.

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FOLHA UNIVERSAL: UMA DISCURSIVIZAÇÃO SOBRE A MULHER

Caroline Adriana Mendes Burach (UEM)

A Análise de Discurso de linha francesa pecheutiana considera como discurso os efeitos de sentidos
produzidos na relação entre os sujeitos. Não se trata de uma relação de sujeitos empíricos, mas de
posições sócio-ideológicas construídas nos movimentos da história. Além do discurso, a mídia
também tem se tornado o centro das investigações. Utilizar a mídia como instrumento de análise do
discurso não é simples, ainda mais porque a mídia se coloca na posição de não poder e contra a
manipulação de modo geral. Porém, sabe-se que a mídia é utilizada como meio de persuasão, de
manipulação e de homogeneização da opinião pública na sociedade. Desse modo, este trabalho tem
como objetivo compreender, investigar e analisar a reportagem O verdadeiro papel da mulher,
publicada na Folha Universal no dia 17 de janeiro de 2016, como a mídia, a partir dos conceitos
pecheutianos, produz efeitos de sentido relacionados à imagem da mulher, diante da relação entre
Análise do Discurso e mídia. Para tanto, empreende-se os conceitos propostos por Michel Pêcheux
(1988) Orlandi (1982), Charaudeau (2006), Alves e Santos (2007) e Peña- Alfaro (2005). Além disso,
analisam-se como os sentidos são produzidos na reportagem por meio de conceitos como condições de
produção, silêncio, formações discursivas, memória, interdiscurso e intradiscurso. Desse trabalho,
conclui-se que mídia juntamente com o discurso religioso atua para a homogeneização dos sentidos,
no qual a mulher assume um papel de submissão em relação ao homem.

Palavras-chave: Discurso. Mídia. Campo religioso. Submissão da mulher.

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AUDIOVISUAIS: PODER E PRODUÇÃO DE VERDADE(S) EM DISCURSO

Cássio Henrique Ceniz (UEM)

A contemporaneidade está marcada por crises que afetam o político, o econômico, o social, o cultural
e outros diversos campos. Para além do cenário nacional, faz-se necessário olhar para as movimenta-
ções que configuram a história recente do Paraná. Nesses tempos em que as mídias digitais materiali-
zam discursos em uma velocidade vertiginosa, notam-se práticas que (re)forçam a (des)construção de
verdades. Em razão disso, condições de possibilidade contribuem para a emergência de espaços polê-
micos, principalmente, no que diz respeito ao jogo discursivo da/na relação entre Estado e o campo
educacional. Um dos acontecimentos que impulsionou tal arranjo discursivo na atualidade foi a greve
dos servidores públicos ocorrida no Paraná em 2015. Considerada uma das mais longas já registradas
e com marcantes episódios de violência, a greve permite que os discursos sejam retomados e objetos
de estudo. A partir da perspectiva discursiva da linguagem, ancorada nos pressupostos teórico-
metodológicos desenvolvidos por Michel Foucault, é objetivo deste trabalho compreender o funcio-
namento das relações de poder entre dois audiovisuais que tematizam as mudanças do sistema previ-
denciário dos servidores do estado do Paraná, a ParanaPrevidência. Conceitos como função enunciati-
va, verdade, poder e resistência são fundamentais para o processo descritivo-analítico. Embora apre-
sentem semelhanças do ponto de vista estrutural, os discursos fazem emergir posições sujeitos diver-
gentes. Como o discurso é fundador da interpretação, considera-se que os audiovisuais constroem
verdades e possibilitam exercícios de poder.

Palavras-chave: Discurso, Poder, Verdade.

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O DISCURSO DO INDÍGENA TERENA DA/NA ALDEIA URBANA MARÇAL


DE SOUZA: UM GESTO DE LEITURA

Cristiane Pereira de Morais e Sousa (UFMS)

Neste artigo, apresentam-se resultados preliminares da tese de doutorado (em andamento) sobre o
discurso de indígenas Terena na cidade de Campo Grande (MS). O objetivo geral é compreender o
discurso do indígena no contexto urbano pela análise de suas narrativas, buscando perscrutar de que
modo (res)significam suas identidades sociais a partir do enfrentamento decorrente do processo de
migração do campo para a cidade (urbano). Para tanto, sob a égide da Análise do Discurso de origem
francesa, dos estudos foucaultianos, dialogando com as questões culturais, foi selecionado e analisado
um recorte discursivo a partir de entrevista com indígena Terena da aldeia urbana Marçal de Souza. A
academia, por meio de pesquisas, debates, discussões sobre os povos indígenas, é um campo de
batalha fértil para que as diferenças, as desigualdades sejam problematizadas, promovendo rupturas no
modo de ver (d)o outro, sobretudo do branco; um novo olhar acerca da sociedade indígena. Assim, por
meio dos distintos discursos do indígena, das múltiplas vozes, desse sujeito cindido, multifacetado da
contemporaneidade, diante de sentidos produzidos pela representação que faz de si, do outro/branco,
da relação com o outro/branco, e do lugar que habita no contexto da cidade, a aldeia Marçal de Souza,
propomos “escutar” os outros sentidos, possíveis sentidos, presentes no discurso do indígena Terena.
Depreende-se que, estar/pertencer à cidade, para o indígena Terena, quer dizer se adaptar, se ajustar à
cultura do branco, bem como (re)criar a sua própria cultura em face da diferença, como no recorte
analisado, cujo sujeito-indígena encontrou na comunidade Marçal de Souza um sistema oportuno,
adequado ao seu modus vivendi.

Palavras-chave: identidade; análise do discurso; indígena Terena.

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O SABER CIENTÍFICO SOBRE O IDOSO: O CASO DOS GRUPOS DE/PARA


TERCEIRA IDADE

Daniela Polla (UEM)

Atualmente, o fenômeno demográfico mais proeminente nos discursos é a inversão da pirâmide etária,
devido ao envelhecimento populacional. Assim, a população com mais de sessenta anos é uma das que
mais cresce e, por consequência, aumenta a quantidade de discursos acerca dessa faixa etária postos
em circulação. Para pensar quem é o sujeito idoso contemporâneo, o saber científico ocupa status
privilegiado para a produção de uma verdade sobre esses sujeitos. Quando se analisa a prática discur-
siva contemporânea sobre os idosos, uma das regularidades discursivas é a questão dos grupos para a
terceira idade. Nesse sentido, interessa questionar: de que modo são materializadas no discurso cientí-
fico contemporâneo as questões atinentes ao papel dos grupos de/para terceira idade? Com vista a
responder a tal pergunta orientadora de estudo, coloca-se como objetivo geral analisar de quais modos
são construídos discursivamente os papéis dos grupos de/para a terceira idade no discurso científico.
Para cumprir tal proposta, considerando o escopo desse trabalho, foram recortados para análise três
artigos científicos, os quais tematizam as estratégias de grupo de/para terceira idade, recolhidos a
partir de busca na plataforma Scielo, por meio dos descritores: idoso e terceira idade. O movimento
descritivo-analítico operacionaliza as teorias e métodos desenvolvidos a partir da obra de Michel Fou-
cault pela análise de discurso produzida na área de Linguística do Brasil. Os principais conceitos mo-
bilizados são: objetivação, prática discursiva, enunciado, função enunciativa. Nas sequências enuncia-
tivas recortadas para análise, foi possível observar que o trabalho em grupos para a terceira idade é
apresentado como elemento importante para a melhora da qualidade de vida dos idosos.

Palavras-chave: Discurso científico; Idoso; Grupos de/para Terceira Idade.

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A CONTRADIÇÃO E OS DISCURSOS QUE INSISTEM EM RECOLOCAR A


MULHER EM LUGARES REJEITADOS

Fernanda Bonomo Bertola (UEM)

Com base no aporte teórico da Análise de Discurso de linha francesa, especialmente o estipulado por
Michel Pêcheux, esta comunicação tem como objetivo refletir a respeito de discursos da contempora-
neidade que circularam em diferentes meios sobre a mulher, concentrando-se na mobilização do con-
ceito de contradição. Segundo Haroche, Henry e Pêcheux (2007), é por haver o real da história afetan-
do a língua – a contradição – que as palavras podem mudar de sentido conforme posições assumidas
por quem as emprega. Segundo Ferreira (2010), é próprio do sujeito deixar furos na ordem da lingua-
gem, do inconsciente e da história, esta última que mais nos interessa e tem seus furos representados
pela contradição. E é, justamente por causa dos furos, “[...] e a ideologia é ritual com falhas que o
sujeito, ao significar, se significa” (ORLANDI, 2000, p. 37). O corpus foi construído com trechos do
discurso proferido pelo presidente Michel Temer no Dia Internacional da Mulher, em 8 de maio de
2017, uma peça publicitária de uma marca de lingerie e trechos de uma reportagem. Em busca de
visualizar práticas que tentam recolocar a mulher em um lugar atualmente rejeitado, levando-se em
conta movimentos de resistência lutas por direitos, o gesto de análise se debruçará sobre os discursos
se inscrevendo na história e de que modo. Conforme Perrot (1998), a dominação das mulheres por
uma sociedade patriarcal as excluiu, ou as colocou à margem, dos núcleos de poder, o que é possível
notar em discursos que apontam para um modo de inscrição que serve como sustentáculo daquilo que
se rejeita numa premissa de equidade entre homens e mulheres.

Palavras-chave: Análise de discurso, Contradição, Mulher

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OS DISCURSOS SOBRE O DIA DO ORGULHO HÉTERO, A


"HETEROFOBIA" E A VALORIZAÇÃO (?) DA CULTURA
HETEROSSEXUAL NAS MÍDIAS E NOS COMENTÁRIOS

Héliton Diego Lau (UFPR-CAPES)

Os estudos e discussões acerca da comunidade de assexuais, lésbicas, gays, bissexuais, travestis,


transgêneros, transexuais, queer, intersexo e mais - ALGBTQI+ - levantam questionamentos a respeito do
posicionamento cis-heteronormativo da/na socidade, trazendo discussões a respeito da história das
(a)sexualidades e identidades de gênero a fim de (des)construir o binarismo imposto. Como resposta a
essas (des)construções, setores conservadores da sociedade brasileira lançam projetos de lei (PL) a fim de
"proteger" e "valorizar" a heteronormatividade. O corpus deste trabalho é composto por notícias de
diversos portais online dos PLs deste escopo. São eles: o PL 294/2005, de autoria do vereador Carlos
Apolinário, e o PL 1672/2011, do deputado federal Eduardo Cunha, em que ambos pretendiam instaurar o
terceiro domingo de dezembro como o "Dia do Orgulho Heterossexual", em que o primeiro é de instância
municipal e o segundo, federal; também o PL 7382/2010, de Eduaro Cunha, que "penaliza a
discriminação contra heterossexuais e determina que as medias e políticas públicas antidiscriminatórias
atentem para essa possibilidade", mais conhecido como "PL da heterofobia" e o PL 1813/2017, do
deputado estadual Delmasso, que pretende instituir a "Semana da Difusão da Cultura Heterossexual" a ser
celebrada anualmente na terceira semana do mês de junho. Desenvolvo esta pesquisa à luz da Análise de
Discurso de linha francesa, ao analisar as sequências discursivas das notícias e dos comentários da
comunidade virtual sobre a reação a respeito da criação desses PLs.

Palavras-chave: comunidade virtual; discurso; notícias

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SECRETARIADO EXECUTIVO: UMA ANÁLISE DA FUNÇÃO


ENUNCIATIVA SOBRE A CONSTITUIÇÃO DISCURSIVA DESTE OBJETO

Juliana Hortelã (UEM)

Encontram-se, na atualidade, muitos discursos que contribuem com a constituição do(s) saber(s)
secretarial(is). Entendemos que a emergência desses discursos acontece pelas condições de
possibilidade deste campo que ainda necessita se marcar como área de saber. Portanto, a pergunta que
dá início ao desenvolvimento analítico desses discursos é “quais condições (econômicas, políticas,
sociais, etc) que possibilitaram, em certo momento histórico, o aparecimento de um determinado
enunciado e não outro em seu lugar?” (GREGOLIN, 2006, p. 27). Nessa ótica, o enunciado se
constitui na ordem da língua e da história, ele é a “singularidade de sua situação, a condição de sua
existência, sua correlação com outros enunciados [...] em um momento histórico particular”
(GREGOLIN, 2006, p. 27). Diante disso, propomos analisar a produção discursiva do campo
científico quando se trata sobre a constituição do saber secretarial nos discursos materializados em
dois livros cujas temáticas discorrem, exclusivamente, sobre a construção do objeto cientifico em
Secretariado. Para isso, utilizaremos o aporte teórico da análise de discurso de linha francesa na
vertente foucaultiana a qual é entendida como teoria e método. Deste modo, sendo o enunciado
entendido por Michel Foucault (2015) como menor átomo do discurso, operacionalizaremos o
conceito de função enunciativa, para mostrar, nas relações de seus quatro elementos (referencial,
posição sujeito, campo associado e suporte), a constituição do objeto secretarial com vistas a
contribuir com a construção do saber e do campo secretarial.

Palavras-chave: Discurso. Secretariado. Saber.

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GREVE DOS PROFESSORES E OCUPAÇÕES DAS ESCOLAS: MARCAS


DISCURSIVAS PRESENTES NAS PERGUNTAS DE UMA ENTREVISTA
PING-PONG PUBLICADA EM MATERIAL MIDIÁTICO

Karla Roberta Neumann (UEL)


Maria de Fátima Pereira de Sena (UEM)

O estudo realizado é fruto de debates sobre reflexões desenvolvidas a respeito dos efeitos de sentido
possibilitados por uma entrevista – em formato ping-pong – publicada na versão eletrônica do jornal
Gazeta do Povo, no dia 27/10/2016, acerca das ocupações nas escolas públicas do Estado do Paraná,
bem como a greve dos professores. Tanto as perguntas, quanto as respostas não possuem autoria
específica e se encontra na seção de “Educação”, tendo como subseção “perguntas e respostas”. Esse
material de análise permitirá compreender como os gestos de interpretação provocam interpretações.
Nesse sentido, percorre-se os caminhos das teorias da Análise do Discurso francesa, pelo viés
pecheutiano, enfatizando os estudos sobre memória discursiva e ideologia. O corpus é constituído de
onze perguntas procedidas de respostas, cuja manchete é “Tudo sobre a greve e a ocupação nas
escolas do Paraná”, no qual optou-se por analisar apenas as perguntas e termos que se repetem ou se
equivalem, dentro do campo semântico, que são ‘ocupadas’ e ‘paradas’ e suas variantes (parados,
ocupações, ocupando, funcionando normalmente, etc.). O efeito de memória que se faz presente nos
termos utilizados e mobilizados para essa análise pode suscitar outros momentos em que estes dizeres
já foram proferidos. É fundante compreender que a reprodução de um enunciado e tudo o