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Live Desafio Compusão Zero

DSM 5
Os transtornos alimentares são caracterizados por uma perturbação persistente na
alimentação ou no comportamento relacionado à alimentação que resulta no consumo ou na
absorção alterada de alimentos e que compromete significativamente a saúde física ou o
funcionamento psicossocial.

Transtornos: picacismo, transtorno de ruminação, transtorno alimentar restritivo/evitativo,


anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.

Alguns sintomas semelhantes aos de pessoas com transtornos por uso de substâncias, como
fissura e padrões de uso compulsivo.

Critérios diagnósticos – Transtorno de Compulsão Alimentar (F50.8)

Episódios recorrentes de compulsão alimentar

 Ingestão de uma quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das


pessoas consumiria no mesmo período sob circunstâncias parecidas
 Sensação de falta de controle sobre a ingestão – incapacidade de evitar comer ou de
parar de comer depois de começar

É preciso que a compulsão alimentar seja caracterizada por sofrimento marcante.

Outros aspectos associados: comer mais rápido que o normal; comer até o desconforto; comer
muito sem estar com fome; comer sozinho por vergonha da quantidade comida; sentir culpa,
desgosto tristeza logo após o episódio.

Os episódios de compulsão alimentar ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana
durante três meses.

Níveis de gravidade – baseia-se na frequência de episódios de compulsão alimentar

 Leve – 1 a 3 episódios por semana


 Moderada – 4 a 7
 Grave – 8 a 13
 Extrema – 14 ou +

Indivíduos com transtorno de compulsão alimentar geralmente sentem vergonha de seus


problemas alimentares e tentam ocultar os sintomas. A compulsão alimentar ocorre em
segredo ou o mais discretamente possível.

O antecedente mais comum da compulsão alimentar é o afeto negativo (estados de humor que
causam desprazer), além de estresse, restrições dietéticas, sentimentos negativos acerca do
próprio corpo e tédio. A compulsão pode aliviar estes fatores, mas geralmente causam culpa,
mal-estar e tristeza.

Prevalência – é mais prevalente entre indivíduos que buscam tratamento para emagrecer do
que na população em geral. (...) A prática de fazer dieta segue o desenvolvimento de
compulsão alimentar em muitos indivíduos com o transtorno. (...) O transtorno começa em
geral na adolescência, ou na idade adulta jovem.
Consequências – problemas no desempenho de papéis sociais, prejuízo da qualidade de vida e
satisfação com a vida relacionada à saúde, maior morbidade e mortalidade médicas e maior
utilização associada a serviços de saúde, além de um risco maior de ganho de peso e
desenvolvimento de obesidade.

Donovan & Marlatt – Avaliação dos Comportamentos


Dependentes
Quanto à avaliação psicológica à pacientes com transtornos alimentares - A chave, no caso dos
clínicos, é utilizar habilidades terapêuticas para criar um contexto no qual seus clientes se
sentam seguros para dar informações sensíveis e estejam motivados a trabalhar de forma
cooperativa para mudar sintomas e comportamentos mal-adaptativos.

Outras características deste transtorno primariamente feminino são depressão, transtornos de


ansiedade e, em alguns casos, abuso e/ou dependência de álcool e estimulantes.

A maior parte dos casos de transtornos alimentares diagnosticados e homens é de bulimia


nervosa e transtorno de compulsão alimentar periódica.

(...) é mais difícil diagnosticar transtornos alimentares em homens porque eles são menos
propensos a utilizar métodos extremos de perda de peso, e muitos dos padrões de comer
compulsivo que são vistos como anormais ou inapropriados nas mulheres são socialmente
aceitos para homens. (...) os homens são, de forma geral, menos propensos a procurar
tratamento do que as mulheres.

Os critérios diagnósticos, assim como os modelos cognitivo-comportamentais da etiologia dos


transtornos alimentares incluem preocupações com a própria aparência, imagem corporal ou
forma como características importantes de transtornos alimentares. (...) a disfunção da
imagem corporal é tida como sendo caracterizada tanto pela insatisfação da avaliação
cognitiva quanto pela distorção na percepção da própria dimensão do corpo.

Judith Beck – Pense Magro


Capítulo 1
A parte difícil de fazer dieta, na verdade, é persistir na dieta.

(...) dar (...) as habilidades de pensamento e comportamento necessárias para persistirem na


dieta de sua escolha.

(...) a maioria das pessoas precisa de mais orientação para escolher o que vai comer. (...)
Algumas pessoas têm dificuldade ao tentar pôr em prática, na vida real, o planejamento
alimentar que estão seguindo.

Para conseguir fazer dieta e mantê-la, você precisa aprender a seguir uma dieta extremamente
nutritiva, ter bons hábitos alimentares e se abster de comer alimentos que não planejou
comer. Para atingir esses três objetivos, você tem de aprender a modificar seu pensamento.
(...) identificar os pensamentos que podem desviá-lo do seu caminho e praticar respostas
vigorosas a esses pensamentos – muitas e muitas vezes.

Habilidades importantes: motivar todos os dias; manter consistentemente bons hábitos


alimentares; planejar antecipadamente o que vai comer
Muitas pessoas que fazem dieta se sentem oprimidas por tentar fazer mudanças demais de
uma só vez.  Dominar uma habilidade por vez; praticar as novas habilidades todos os dias

Pensamentos sabotadores

Pessoas que “têm metabolismo lento” – é muito raro elas terem um problema médico que
impede a perda de peso. O que elas têm é um problema na forma de pensar.

 Restringir rigorosamente a sua alimentação para emagrecer rapidamente – sem


perceber que seu corpo vai se rebelar e, em consequência, elas acabarão comendo
exageradamente
 Pensam que as calorias não contam quando comem em pé, cozinhando, tirando a
mesa, quando ninguém está olhando
 Acham legítimo se desviar do planejamento alimentar desde que tenham uma ‘boa’
razão
 Acham anormal, ou ruim sentir fome. E necessário comer bastante ou carregar comida
para evitar sentir fome
 Quando cometem erro, desistem e esperam até o dia seguinte para recomeçar –
comendo o que querem até lá

Hábitos alimentares pouco saudáveis – comer rápido demais, sem prestar atenção nem sentir
prazer no que come; comem quando estão aborrecidas, chateadas, celebrando ou querem
adiar alguma coisa; quando alguém lhes oferece algo para comer; quando sentem o cheiro de
alguma comida deliciosa; quando veem alguma propaganda de comida; quando estão
cozinhando; quando tiram a mesa e arrumam a cozinha depois da refeição.

Músculo de resistência – sempre que você diz não paraum alimento não planejado, fortalece
seu músculo de resistência, e isso aumenta a probabilidade de você resistir da próxima vez... e
em uma outra vez... e em uma outra vez. (...) Por outro lado, sempre que come alguma coisa
que não tinha planejado comer, você enfraquece seu músculo de resistência e fortalece o seu
“músculo de desistência”. (...) Não são apenas as calorias: é o hábito.

Sobre comer automaticamente – comer nunca é automático. A digestão é automática. O bater


do seu coração é automático. Comer não é. Antes de comer nós sempre temos algum
pensamento, mesmo que não estejamos plenamente conscientes dele.

Capítulo 2
Fazer dieta com sucesso requer uma série de habilidades, e elas precisam ser aprendidas e
praticadas para serem dominadas e empregadas consistentemente.

O que fazer para praticar as habilidades de se fazer dieta – satisfazer a fome; incluir suas
comidas prediletas; se satisfazer com menos; o que fazer com a vontade de comer fora de
hora; manter-se motivado; voltar aos trilhos quando se desviar da dieta; persistir quando ficar
difícil manter a dieta; manter o novo peso.

Outros benefícios de cuidar da compulsão alimentar:

 Aprender a se obrigar a fazer outras tarefas que tende a evitar


 Passar a ser mais assertivo
 Ter mais tempo e energia – assumir o controle de si, sem culpa ou vergonha

Estágio 1
Habilidades de sucesso – maneiras simples de modificar a sua alimentação

As pessoas que tentam fazer coisas demais de uma vez só não dominam as habilidades de
sucesso e acabam fracassando, mais cedo ou mais tarde.

Tentar mudar o que você come sem primeiro aprender essas habilidades de dieta é como
tentar dirigir um carro em uma rua movimentada depois de apenas uma lição em um
estacionamento.

Se você não aprender as habilidades necessárias para a sua dieta sejam quais forem os
obstáculos que enfrentar (...) acabará se perdendo, jogando a toalha mentalmente e
abandonando a dieta, provavelmente mais desapontado e menos confiante do que começou,
tornando mais difícil uma nova tentativa.

Estágio 2

Planejamento Alimentar Inicial – base

(...) inclui uma variedade de opções de refeição ricas em fibras, proteína magra e outros
nutrientes importantes; (...) incluem comidas de verdade que pessoas de carne e osso gostam
de comer

Não há comidas proibidas – devemos ser capazes de ter prazer com qualquer comida, com
moderação; (...) colocar determinados alimentos em uma lista de “jamais comer” traz o risco
de você exagerar sempre que não resistir e acabar comendo esses alimentos; (...) você pode
planejar comer quantidades limitadas de seus alimentos favoritos todos os dias.

O que fazer quando atingir um platô – Você vai emagrecer e, se atingir um platô, pode passar
de um plano com mais calorias para um com menos, cortando no máximo 200cal.

Não sentir fome – comer uma combinação de proteína magra, carboidratos de qualidade e
gordura em quantidades modestas

Continuar a comer saudável durante toda a vida – aprender a modificar o planejamento e


incluir receitais pessoais

Artigo – Alimentação Emocional


Alimentação emocional pode ser considerada como uma resposta às emoções negativas (...)
consequência da incapacidade de regular as emoções de forma eficaz, em resposta a eventos
emocionais.

As emoções e o humor são fatores importantes na escolha alimentar e consequente


comportamento alimentar do indivíduo.

O fato das emoções influenciando a alimentação já era explicado por conceitos


psicossomáticos; (...) as teorias psicossomáticas sustentavam que os indivíduos obesos
aumentavam, anormalmente, a ingestão alimentar em resposta ao estresse emocional.

Estudos com grupos de pacientes em dietas restritivas para redução de peso encontraram
associação entre ganho de peso e fatores geradores de sentimentos de desamparo e
desesperança, sendo a separação temporária ou permanente de uma pessoa importante o
evento mais comum.
Em indivíduos obesos, há um aumento da ingestão alimentar quando influenciado por
emoções negativas, e uma diminuição quando por emoções positivas.

Restrição dietética e comportamento alimentar – (...) constataram uma relação entre o grau
de restrição dietética e a quantidade de alimentos ingeridos em função da solidão

Associação de emoções negativas em pessoas com dietas restritivas, onde a angústia levou ao
aumento da ingestão alimentar de forma crônica. (...) este excesso na ingestão pode ter
funções psicológicas para o indivíduo

A influência da tristeza sobre a ingestão alimentar de indivíduos com alimentação restritiva –


aqueles com baixa restrição tiveram diminuição significativa de ingestão alimentar, enquanto
os de alta restrição tiveram um aumento não significativo desta ingestão.

Não foram encontradas relações significativas entre alimentação emocional e sexo

(...) a alimentação motivada por emoções negativas foi significativamente relacionada com
problemas emocionais como depressão, sentimentos suicidas e problemas com
relacionamentos interpessoais.

(...) tendência de relação entre a alimentação emocional e transtornos alimentares, com


episódios de compulsão alimentar. (...) a alimentação emocional está relacionada com o TCAP,
mas não com a obesidade em si. (...) o estresse e o humor negativo pareceram ser
antecedentes comuns para a compulsão alimentar.

A solidão é um gatilho para um maior consumo de alimentos

Tanto a alimentação emocional como a rotina de restrição estão associadas com a atividade
neural diferencial em regiões do cérebro relacionadas com o autocontrole, impulso e
recompensa.

O estresse crônico acarretando ansiedade gera consequente estímulo à ingestão de alimentos


com o objetivo de gerar conforto emocional.

As emoções advindas dos traumas podem influenciar a ingestão alimentar do indivíduo, sendo
a alimentação utilizada como maneira para lidar com estas emoções

Artigo TCAP – Revisão


A presença de episódios de compulsão alimentar (ECA) entre pacientes obesos foi observada e
descrita pela primeira vez em 1959.  antes era vista como bulimia

Década de 90 – (...) indivíduos em tratamento para perda de peso que apresentavam ECA não
associados a mecanismos compensatórios e com características diferentes da Bulimia Nervosa.

Critérios diagnósticos para o TCAP

 Presença de ECA recorrentes, caracterizados por ingestão de quantidade excessiva de


alimentos associada à sensação de perda de controle
 Presença de pelo menos 3 indicadores de perda de controle: comer mais rápido que o
normal, comer mesmo se sentindo cheio, comer muito mesmo sem fome, comer
sozinho por vergonha da quantidade que come, sentir vergonha, tristeza ou culpa
depois do episódio)
 Sentimentos de angústia relacionados à presença do ECA
 Frequência e duração média de ECA de 2 dias por semana durante 6 meses
 Estar desassociada ao uso de mecanismos compensatórios inadequados para o
controle de peso e não ocorrer na vigência de Anorexia ou Bulimia Nervosa

Ressaltam-se achados de indivíduos com TCAP apresentarem maior peso, maior história de
flutuação de peso e maior preocupação com o peso e forma corporal quando comparadas a
mulheres sem TCAP.

Indivíduos com TCAP apresentam maior comorbidade com outros sintomas ou diagnósticos
psiquiátricos, em especial com transtornos de humor e ansiedade; (...) o TCAP esteve
associados a diabetes mellitus, (...) com prevalência de 10% a 28% em populações clínicas de
diabéticos.

(...) prevalência de 0,7% a 3% da população geral, sendo mais frequente do que a Anorexia e a
Bulimia; (...) prevalência em população clínica de obesos buscando tratamento para obesidade;
(...) prevalência em uma população mais velha, diferentemente da Bulimia e Anorexia

Manifestação de TCAP em adolescentes – em média 3x mais em meninas do que em meninos

(...) evidências de maior associação com comorbidades psiquiátricas em indivíduos obesos com
TCAP quando comparados a indivíduos obesos sem TCAP; (...) a presença de comorbidade
psiquiátrica em pacientes com TCAP não se baseia na associação com a obesidade, pois esta
evidência também é detectada em pacientes com TCAP não obesos, mas se relaciona com a
presença de ECA; (...) os danos causados por esta patologia parecem ser independentes da
presença de obesidade, portanto (...) pacientes com TCAP parecem evoluir (...) com mais
sintomas psiquiátricos associados e com potenciais prejuízos à sua qualidade de vida.

TCAP e cirurgia bariátrica – indivíduos obesos com TCAP apresentam menor perda de peso
quando comparados com indivíduos obesos sem TCAP

Exemplos próprios
Usar o ato de comer como desculpa para enrolar na hora de estudar

Brena – comer no máximo 3 bolachas Bono no dia

Manter a “fama de comilão” com os amigos

A mesma comida provocar reações diferentes em pessoas diferentes. Ex: melancia

Aprendendo a gostar de determinados alimentos. Ex: iogurte, batata doce e banana-da-terra