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O presente trabalho procura analisar a desigualdade de tratamento, por parte das

forças policiais brasileiras, ao longo de sua história, frente a indivíduos e comunidades


de diferentes classes sociais. A polícia, como instituição, surgida no Brasil a partir de
1808, com a Intendência Geral de Polícia1, desempenhou, desde então, um papel central
de vigilância e controle da população no território nacional, partindo da justificativa de
promover a segurança por meio do controle das delinquências e criminalidade.
Entretanto, a forma como a Polícia atua, por vezes contraria essa noção, como nos casos
de brutalidade policial, e injustiças, perpetrados com frequência contra, em especial,
indivíduos e comunidades das periferias do país e pessoas marginalizadas.

Para Foucault2, a polícia é uma braço armada do estado, cujo propósito é o


controle e a vigilância da população, enquanto a justiça e prevenção das delinquências
seria apenas a justificativa para a sua existência, e não a sua verdadeira razão. Há
também outras perspectivas que vão além da de Foucault ou a da própria polícia, e por
essa razão, a presente pesquisa visa analisar a relação das forças de policiamento com as
diferentes camadas sociais, durante a história, a fim de analisar se há verdadeiramente
uma diferença na sua atuação com comunidades pobres e ricas, periféricas e centrais,
negras e brancas, e, a partir disso, qual foi verdadeiro papel na sociedade.

A hipótese aqui levantada é a de que, ao longo da história brasileira, a polícia foi


e é uma instituição que serve de defesa armada das elites, do estado e suas instituições,
atuando como uma força de repressão, vigilância e controle contra as minorias e os
oprimidos do país. Tal visão vai de encontro com a tese de Foucault, e para que se
confirme é necessário que se encontre padrões nas ações da polícia ao longo dos séculos
e nas diferentes regiões do país, os quais consistiriam na repressão das comunidades
marginalizadas da sociedade e a proteção e benefício das classes altas.

Ficam então as questões sobre qual o papel da polícia, como instituição, na


sociedade brasileira ao longo da história, se a polícia cumpriu sempre o mesmo papel ao
longo de sua existência, ou suas razões e formas de atuação mudaram, e se há uma
forma objetiva de análise geral do papel social das forças policiais, e se houver, qual é

1
FARIA, Regina Helena Martins de. Em nome da ordem: a constituição dos aparatos policiais no
universo luso-brasileiro (sécs. XVIII-XIX). Tese (doutorado) — Universidade Federal de Pernambuco,
Recife, 2007.
2
FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Organização e tradução de Roberto Machado. Rio de
Janeiro: Edições Graal, 1979.
ele. Se confirmada a hipótese, deve-se estudar qual a razão da existência da polícia e sua
verdadeira função na sociedade.