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ONG, Walter. Oralidade e cultura escrita.

A tecnologização da palavra

Capítulo I

Saussure – atenção para a primazia do discurso oral na comunicação verbal e para a


tendência de se achar a escrita como forma básica da linguagem
Escrita como complemento da linguagem oral, mas não como transformadora da
verbalização
Linguagem como fenômeno esmagadoramente oral – escrita não pode prescindir da
oralidade

Estudo da linguagem até recentemente: concentrou-se no escrito; motivo: relação do


próprio estudo com a escrita

Concentração do saber no escrito – consequências ideológicas


Percepção das expressões artísticas orais como desajeitas em relação às escritas,
diferentemente do discurso

Oralidade primária – cultura totalmente desprovida de qualquer conhecimento da escrita


e da impressão (hj quase que não existe
Secundária – existência dependem da escrita e da impressão

Capítulo 2

“Questão homérica” – surge da crítica moderna, junto à crítica da Bíblia


Milman Parry – todos os traços distintivos da poesia homérica – relação com métodos
orais de composição – necessário, para análise dos versos, se desvencilhar de séculos de
pensamento estruturados por uma cultura escrita de longa data
Transforma o Homero considerado até então genial num recitador de partes pré-prontas
Choca o consenso especializado e erudito, que esperava justamente o contrário de um
“bom poeta”
Havelock – época de Platão – interiorização da escrita quebra um padrão de pensamento
baseado em fórmulas, resultando no recurso ao texto escrito como forma de “estocar
conhecimento”

Possivelmente, diversas transformações comumente identificadas sejam, na verdade,


resultado da transição de uma cultura essencialmente oral para uma escrita

Capítulo 3
Sonoridade – existe apenas enquanto está deixando de existir, é perecível
Malinowski – povos orais: linguagem como modo de ação, não apenas uma
confirmação do pensamento
Para culturas orais primárias, palavras são detentoras de poder – dão poder às coisas

Recordar numa cultura oral – pensar pensamentos memoráveis


Padrões mnemônicos, para pronta repetição oral
Reflexões e métodos de rememoração estão entrelaçados

Culturas verbomotoras – residual oral forte ou oralidade primária – orientadas mais


pelas palavras do que pelos objetos
Supervalorização do próprio discurso e superestimar e usa excessivamente a retórica
Interação é agonística
Oralidade primária – estruturas de personalidade mais comunais e exteriorizadas do que
às da cultura escrita

Figuras heroicas fortes – façanhas notáveis e figuras-tipos – questão mnemônica


Maravilhoso e extraordinário, e o bizarro – efeitos mnemônicos

Questão do sagrado
Ouvintes formam uma unidade entre si e com o orador
A leitura e a impressão isolam
Ligação do oral com o sagrado – palavra falada exerce função fundamental na
cerimônia e na devoção – mesmo quando há texto sagrado – leitura da Bíblia em voz
alta, por exemplo
Homem oral – as palavras não seriam “signos”, fenômenos visuais imóveis
Homero – palavras aladas, pois traz evanescência, poder e liberdade.

p. 91 – dificuldade de se libertar do conhecimento quirográfico e tipográfico da


linguagem – mais difícil que “desconstruir” a literatura

Capítulo IV
Escrita, computador, etc, são formas de tecnologizar a palavra
O texto diz sempre o mesmo – impossível interpelar o próprio autor, proceder um “toma
lá dá cá”
Tecnologizada a palavra, não há como criticar essa tecnologização sem recorrer à
própria alta tecnologia disponível

p. 96 – fixidez visual garante a durabilidade do escrito e seu potencial para ser


ressuscitados em contextos vivos ilimitados e por um número infinito de leitores vivos

p. 108-109
Quando surge a escrita, ela pode ser entendida como uma espécie de poder mágico e
oculto
Escrita pode ser considerada perigosa demais para o leitor desavisado, daí a necessidade
um mediador entre leitor e texto
Valor religioso intrínseco

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