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AULA 4

QUESTÃO 35

José Neto foi dispensado pela empresa Algodão Doce na qual trabalhava durante muitos anos. Com interesse em
ajuizar uma reclamatória trabalhista contra seu ex-empregador, mas sem querer pagar honorários a um
advogado, pois não tinha condições para arcar com as despesas, resolve ajuizar uma ação pessoalmente, sem
contratar um advogado, pois foi informado por um amigo que faz faculdade de direito sobre essa possibilidade.
De acordo com os fatos narrados, responda:

a) José Neto poderá atuar em todo o processo sem a presença do advogado? Justifique.

b) Para ajuizamento da ação, José Neto deverá entrar com a ação no local da prestação do serviço ou em seu
domicilio?

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Não. O art. 791 da CLT assegura a possibilidade do jus postulandi das partes perante a Justiça do Trabalho.
Todavia, a Súmula nº 425, do TST limita o jus postulandi das partes perante as varas do trabalho e ao Tribunal
Regional do Trabalho.

b) A regra no tocante a competência territorial no Processo do Trabalho é o local da prestação dos serviços, com
fulcro no art. 651 da CLT.

QUESTÃO 36

O sindicato dos empregados dos professores de Vitória-ES, entabulou convenção coletiva, contemplando diversos
direitos para os trabalhadores, dentre os quais a entrega de uma cesta básica mensal. Porém, logo após, iniciou-
se divergência sobre a quantidade e a qualidade dos produtos, que deveriam integrar a referida cesta básica,
tendo o sindicato dos empregados decidido ajuizar ação na Justiça do Trabalho.

Diante desse quadro, responda aos itens a seguir:

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a) De acordo com a lei, é necessário, ou não, comum acordo para que seja instaurado dissídio coletivo de
natureza jurídica?

b) De acordo com a lei, qual é o prazo máximo de vigência de uma sentença normativa? Justifique sua resposta.

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Não é necessário o comum acordo para o dissídio de natureza jurídica. Essa exigência apenas é necessária para
o dissídio coletivo de natureza econômica, de acordo com o art. 114, §2º da CF.

b) O prazo de vigência é de quatro anos. Art. 868, § único da CLT.

QUESTÃO 37

Renata é uma advogada trabalhista, que tem como hábito, esquecer-se dos prazos em suas ações. Ocorre que,
em um processo de alto valor, Renata perdeu o prazo para interposição de um recurso ordinário, sendo que a
outra parte interpôs o recurso ordinário.

Diante dos fatos narrados responda.

a) Diante o exposto, existe ainda algum recurso cabível para atacar o disposto na sentença de primeiro grau?

b) No direito do trabalho é possível a aplicação das regras do Direito Processual Civil? Caso a resposta seja
positiva, indique os requisitos necessários para sua aplicação.

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Sim. No prazo das contrarrazões é possível a interposição do recurso adesivo na forma da Súmula nº 283 do
TST.

b) Sim. É possível a aplicação das regras do CPC ao Processo do Trabalho, diante de omissão e compatibilidade, de
acordo com o art. 769, da CLT.

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QUESTÃO 38

Aberta a audiência inaugural no processo trabalhista de nº xxx, a Reclamada compareceu, tendo como preposto,
o Sr. Jarbas Antunes, amigo do diretor da empresa que tinha conhecimento dos fatos do processo e que jamais
laborou na empresa. Já o empregado estava comprovadamente doente e por essa razão não conseguiu
comparecer, tendo solicitado ao sindicato de sua categoria que o representasse judicialmente.

Diante dos fatos narrados, analise:

a) Deverá ser decretada a revelia da Reclamada, visto que o preposto não era empregado?

b) Deverá ser arquivado o processo, visto que o reclamante não compareceu em audiência, mas sim o sindicato
de sua categoria?

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Não. O preposto não precisa ser empregado da parte reclamada, conforme disposto no art. 843, §3º, da CLT.

b) Não. O empregado poderá se fazer substituir pelo sindicato de sua categoria por motivo de doença ou
qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, conforme art. 843, §2º, CLT.

QUESTÃO 39

Cristian ajuizou Reclamatória Trabalhista na 7ª Vara do Trabalho de Salvador-BA, em face de sua ex-empregadora,
postulando o pagamento de horas extras, férias e adicional de periculosidade. Após a instrução processual, foi
prolatada sentença de improcedência total da ação, sendo concedido benefício da justiça gratuita ao reclamante.
Inconformado, Cristian lhe procura para que recorra da decisão, considerando isso, responda:

a) Qual o recurso que deve ser proposto e em que prazo?

b) Cristian precisará recolher custas e fazer depósito recursal?

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RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Recurso ordinário no prazo de 8 dias úteis, conforme art. 895, I, da CLT OU art. 893, II, da CLT.

b) Não. Cristian é beneficiário da justiça gratuita, desta forma esta isento do pagamento de custas e depósito
recursal, na forma dos arts. 790-A e 899, §10, ambos da CLT.

QUESTÃO 40

Juan, 50 anos, portador de doença grave, cardiopatia grave, pretende ajuizar reclamação trabalhista contra a
empresa Mala Direta Ltda, empresa sediada no mesmo município do reclamante e em pleno funcionamento.
Relata que foi dispensado sem justa causa, tendo inclusive recebido uma via do Termo de Rescisão do Contrato
de Trabalho, que soma a quantia de R$ 12.800,00.

Entretanto, até o presente momento não houve o pagamento do referido valor. Juan tem pressa em receber as
verbas, pois possui dívidas e ainda não conseguiu novo emprego.

a) Na qualidade de advogado de Juan, qual rito deverá ser adotado e por quê?

b) Seria possível fazer pedido de tramitação preferencial?

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) A Reclamação Trabalhista será ajuizada pelo procedimento sumaríssimo uma vez que o valor da causa não
ultrapassa o valor de 40 salários mínimos, de acordo com o art. 852-A, CLT.

b) Sim. De acordo com o art. 1.048 do CPC, a pessoa portadora de doença grave terá prioridade na tramitação em
qualquer juízo ou tribunal.

QUESTÃO 41

Murilo, engenheiro civil, litiga com a empresa XYZ Ltda., sendo que foi designada audiência inicial para o dia
05/04/2019. No dia 04/04/2019, Murilo sentiu-se mal e foi levado ao Pronto Atendimento, sendo constatado que
está com COVID-19, e que precisará ficar internado por alguns dias.

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O gerente da empresa soube por sua esposa, que é enfermeira do Hospital em que Murilo foi internado, que o
reclamante não iria para a audiência devido ao seu estado de saúde, e decidiu por não comparecer também, já
que seria uma perda de tempo.

Considerando os fatos narrados, responda:

a) Na qualidade de advogado de Murilo, considerando que a audiência ainda não ocorreu, qual medida adotaria
para evitar prejuízo ao seu cliente pelo não comparecimento na audiência?

b) Agiu corretamente o gerente da empresa em não comparecer na audiência?

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Comparecer a audiência com outro empregado que pertença à mesma profissão de Murilo, ou pelo seu
sindicato, com fulcro no art. 843, §2º, CLT.

b) Não. É obrigatório o comparecimento das partes em audiência, com fulcro no art. 843, da CLT. O não
comparecimento da reclamada importa revelia, além da confissão quanto à matéria de fato. Previsão no art. 844,
da CLT.

QUESTÃO 42

Em uma reclamatória trabalhista que tramita na 4ª Vara do Trabalho de João Pessoa, a Reclamada foi notificada
para comparecer em audiência inaugural e apresentar defesa. Porém, ao analisar a reclamação trabalhista, o
escritório de advocacia contratado para defender os interesses da Reclamada, constatou que havia
incompetência territorial, já que a ação deveria ter sido ajuizada no local da contratação, mas o reclamante a
ajuizou no seu atual domicílio.

Diante da situação apresentada, responda:

a) Qual medida judicial deverá ser adotada pelo escritório de advocacia ao constatar a incompetência territorial?

b) Nada sendo feito pelos advogados naquele momento. Tal questão poderia ser suscitada como nulidade em
momento posterior?

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RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Apresentar exceção de incompetência territorial no prazo de cinco dias a contar da notificação, antes da
audiência, com fulcro no art. 800, da CLT.

b) Não. Nesta hipótese acarretaria a preclusão, uma vez que as nulidades deverão ser declaradas mediante
provocação das partes na primeira vez que tiverem de falar nos autos ou em audiência, de acordo com o art. 795,
CLT OU art. 799, CLT.

QUESTÃO 43

Guaraci Navarro foi dispensado sem justa causa pelo seu empregador. Recebeu todas as verbas da rescisão, mas
entendia que fazia jus ao pagamento de valores a título de horas extras e a devolução de descontos que teriam
sido feitos em seu salário, sem autorização. Em razão disso, procurou um advogado que procurou o advogado da
empresa.

Após esse contato, o advogado da empresa começou a tratar diretamente com o ex-empregado, e lhe informou
que poderia dispensar seu advogado, e que lhe outorgando uma procuração, poderia peticionar para solicitar a
homologação do acordo realizado.

Sobre a situação acima, responda:

a) As partes poderão estar assistidas pelo mesmo advogado?

b) Como fica o prazo prescricional para o empregado a partir do momento em que for peticionado solicitando a
homologação do acordo?

RESPOSTAS SUGERIDAS

a) Não. Cada parte deverá estar representada em juízo pelo seu advogado, de acordo com o art. 855-B, CLT.

b) O prazo ficará suspenso, de acordo com o art. 855-E, da CLT e voltará a fluir no dia útil seguinte ao do trânsito
em julgado da decisão que negar a homologação do acordo.

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QUESTÃO 44 – XXVIII EXAME DA OAB

Ferdinando era estoquista em uma empresa multinacional havia 22 anos. O empregador, desejoso de reduzir seu
quadro de funcionários, lançou, em outubro de 2018, um programa de demissão voluntária, com regras claras e
objetivas, fixadas em acordo coletivo assinado com o sindicato de classe dos empregados.

Diante do longo tempo trabalhado, a indenização adicional devida a Ferdinando era generosa. Assim, após refletir
e conversar com sua família, ele aderiu ao PDV em questão, sem lançar ressalvas.

Diante da situação apresentada, responda aos itens a seguir

a) Caso Ferdinando ajuizasse ação pleiteando horas extras após aderir ao PDV e receber a indenização
correspondente, que tese jurídica você, contratado pela empresa para defendê-la em juízo, advogaria na
contestação?

b) Se, em vez de aderir ao PDV, o contrato fosse extinto por acordo entre empregado e empregador, Ferdinando
teria direito a receber o seguro-desemprego? Justifique.

RESPOSTAS DA BANCA EXAMINADORA – FGV

a) Que a adesão ao PDV sem que exista ressalva confere quitação plena e irrevogável em relação a todos os
direitos decorrentes da relação empregatícia, na forma do Art. 477-B da CLT.

b) Não haveria direito ao seguro desemprego em virtude de vedação legal, conforme previsto no Art. 484-A, § 2º,
da CLT.

QUESTÃO 45 – XXVIII EXAME DA OAB

Carlos, como dirigente sindical, vinha representando ativamente os empregados de uma sociedade empresária na
unidade situada em Porto Alegre/RS.

No entanto, para sua surpresa, recebeu um comunicado da empresa determinando sua transferência para a
unidade de Porto Velho/Rondônia.

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No comunicado constava que a empresa pagaria apenas o transporte de ida e volta, bem como a moradia em
hotel local. O trabalho em Rondônia duraria cerca de 6 meses e seriam mantidos o mesmo salário e a mesma
composição remuneratória que ele recebia em Porto Alegre. A mudança deveria ocorrer em 15 dias.

Carlos procura você, como advogado(a), para uma consulta. Observando o texto da CLT, responda aos itens a
seguir.

a) Que medida judicial prevista expressamente na CLT deverá ser adotada a fim de, imediatamente, evitar a
transferência de Carlos? Fundamente.

b) Caso ocorra a transferência, Carlos terá algum direito trabalhista a reivindicar? Fundamente.

RESPOSTAS DA BANCA EXAMINADORA – FGV

a) Deverá ser ajuizada ação trabalhista com pedido de tutela de urgência a fim de sustar a transferência, na forma
do Art. 659, inciso IX, da CLT.

b) Deverá ser requerido adicional de transferência, na forma do Art. 469, § 3º, da CLT.

QUESTÃO 46 - XXVIII EXAME DA OAB

Gustavo era empregado de uma empresa, quando adoeceu gravemente. Afastado e em gozo de benefício
previdenciário, o INSS o aposentou por invalidez. Contudo, dois anos após sua aposentadoria por invalidez, foi
constatado, em perícia do respectivo órgão, que Gustavo havia recuperado sua capacidade de trabalho, estando
curado, razão pela qual houve o retorno à função que ocupava antes do afastamento.

Ocorre que, nesse ínterim, com cláusula expressa em contrato de trabalho dispondo que a contratação se dava
em função da aposentadoria por invalidez de Gustavo, a qual poderia ser temporária, a empresa contratou
Aroldo para as funções exercidas por Gustavo, tendo esclarecido acerca da interinidade do contrato.

Com o retorno de Gustavo, Aroldo foi dispensado sem que lhe fosse paga qualquer indenização. Em razão disso,
Aroldo ajuizou ação trabalhista em face da empresa, pleiteando indenização.

a) Você foi contratado(a) para contestar o pedido de Aroldo. O que deverá alegar? Fundamente.

b) Admitindo que o juiz tenha julgado procedente o pedido de Aroldo e que a decisão foi confirmada pelo
Tribunal Regional do Trabalho após recurso, mantida inalterada após a oposição de embargos de declaração, que
medida jurídica você poderá adotar para defender a empresa? Fundamente.

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RESPOSTAS DA BANCA EXAMINADORA – FGV

a) Deverá ser alegado que não cabe o pagamento de indenização no caso de contratação provisória para
substituição de empregado aposentado por invalidez, na forma do Art. 475, §2º, da CLT.

b) Deverá ser interposto recurso de revista, pois a decisão viola texto de lei federal (CLT), conforme o Art. 896, C,
da CLT.

QUESTÃO 47 - XXVIII EXAME DA OAB

O gerente de uma rede de restaurantes ajuizou reclamação trabalhista postulando o pagamento de horas extras
pelo excesso de jornada e por não ter pausa alimentar regular. Disse o ex-empregado na petição inicial que se
ativava na extensa jornada de segunda-feira a sábado, das 8h às 22h, com intervalo de apenas 30 minutos para
refeição;

que ganhava salário mensal de R$ 8.000,00 (oito mil reais) e comandava a loja, tendo por atribuições fiscalizar o
funcionamento da empresa e os funcionários, fazer a escala de férias dos empregados e negociar com
fornecedores, além de abrir e fechar a loja (pois tinha a chave da porta e a senha do alarme). O maior salário
entre os seus subordinados era de R$ 3.200,00 (três mil e duzentos reais).

Diante da situação retratada e dos ditames da CLT, responda aos itens a seguir.

a) Caso você fosse contratado(a) pela empresa, que tese advogaria em juízo, em favor dela, contra o pedido de
horas extras? Justifique.

b) Se, no dia e na hora designados para a audiência una, nenhuma das partes comparecer ou justificar sua
ausência, de acordo com a CLT, o que ocorrerá com a reclamação trabalhista? Justifique.

RESPOSTAS DA BANCA EXAMINADORA – FGV

a) A tese é a de que o empregado ocupa cargo de confiança, sem direito a horas extras, conforme o Art. 62, inciso
II, da CLT.

b) A reclamação trabalhista será arquivada, o que equivale a uma extinção do processo sem resolução do mérito,
na forma do Art. 844 da CLT.

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