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Ead PY

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Ensinado Yoga para


crianças e jovens
O Yoga para crianças e jovens é qualquer forma de yoga
adaptado ou projetado especificamente para eles, levando
em consideração as peculiaridades de cada idade e
adaptando as posturas para que as crianças possam fazê-
las com segurança, certo? Não, não é somente isto.

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Introdução

Uma das principais perguntas que mais recebemos quando alguém nos procura com
interesse na formação e principalmente de pessoas que já são instrutores é: Qual a
diferença entre ensinar Yoga para adutos e ensinar para crianças e jovens, é tão diferente
assim?

A resposta é sim. As aulas precisam ser concebidas de uma maneira bem diferente,
incorporando posturas e atividades destinadas a atrair a atenção dos alunos, em práticas
como a meditação, temos que ser criativos, já que é um grande desafio mantê-los alí,
quietos quando muito pequenos, mas já com os mais velhos se torna mais fácil.

O objetivo de uma aula pode ser desde estimular habilidades físicas, mentais e
emocionais, até atuar como terapia para crianças com diferentes problemas, mas a
principal razão para ensinarmos yoga para crianças e jovens é introduzi-los a um estilo de
vida mais saudável.

Estudos mostram por exemplo, que crianças com transtornos do espectro do autismo
podem melhorar a sua condição sistematicamente.

O yoga que não só melhora sua flexibilidade, força e equilíbrio, mas também foco e
sentido de autoconsciência, além de acalmar e poder ser usado também com sucesso no
transtorno de estresse pós-traumático, mostrando redução significativa da depressão e
ansiedade, fazendo com que eles consigam se sentir mais relaxados e menos
estressados.

Lembrem-se, como vimos anteriormente, Yoga é uma jornada de vida, que leva a
disciplina e quando as crianças aprendem isto, o benefício se reflete nas atividades de
vida diária, relacionamentos e responsabilidades e assim podemos ajudar a muitas
crianças e jovens.

Infelizmente muitos pais e escolas ainda não permitam ou incentivam a prática devido a
crenças religiosas e aspectos filosóficos do ensino de Yoga.

Temos que destacar que Yoga pode ser praticado por crianças de qualquer idade. No
entanto, certas práticas ou asanas não podem ser ensinadas a crianças pequenas,
simplesmente por causa de suas peculiaridades psicomotoras.

Crianças são inquietas


Crianças são ativas por natureza e não costumam ficar sentadas por longos períodos e
muito menos permanecer em silêncio.

A maior dificuldade que você encontrará será em manter a atenção e o interesse deles e
para isso precisamos usar e abusar da criatividade.

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A chave para ensinar crianças é combinar um espírito lúdico e criativo, com muita
paciência e claro, o amor pelo que faz.

Gostar de crianças leva uma escolha natural de trabalhar com elas. Querer dar sua
contribuição para uma sociedade mais equilibrada também.

O stress, a pressão e cobrança na vida das crianças e jovens são cada vez maiores e as
crianças precisam muitas vezes melhorar a autoestima, já que o mundo lá fora os rotula e
condena em diferentes situações.

Por este motivo as aulas devem definitivamente ser diferentes das aulas para adultos.
Atenção, carinho e comprometimento são tão importantes quanto saber ensinar um
asana.

Criatividade e planejamento
Adaptar e melhorar as habilidades de ensino são uma constante na vida de um professor
que trabalha com crianças e jovens e isto requer criatividade e dedicação.

Planejar suas aulas facilitará muito seu trabalho. Algumas pessoas têm uma tendência
criativa natural e tendem a improvisar sempre, mas sempre é bom estruturar sua aula e
ter cartas na manga para enfrentar situações inesperadas.

Mas como adapto uma aula para crianças, como introduzo por exemplo um Yama
ou Niyama em uma aula?

Existem muitas maneiras de adaptar as aulas para crianças e inicialmente algo que nos
ajuda neste processo é adaptar jogos, brincadeiras e histórias tradicionais às práticas que
queremos trabalhar.

Quer falar sobre mentira? Use o Pinóquio Yogi...

Quer falar sobre equilíbrio, invente uma brincadeira, podemos brincar de Saci, não é?

Como estão vendo, podemos nos inspirar em tudo ao nosso redor para facilitar a
compreensão e a participação de nossos alunos.

Infelizmente muitos de nós buscamos receitas prontas, sequências, aulas montadas, que
a princípio podem até facilitar mas se queremos nos tornar professores de verdade,
temos que desenvolver a nossas próprias aulas, como base em nossas experiências e de
nossos alunos, em nossa cultura, criando assim um estilo próprio de ensinar.

O lugar onde nascemos ou a cidade onde vivemos tem sua história, suas lendas, suas
características e ao invés de tentar adaptar uma cultura totalmente diferente da nossa
como pode ser a indiana, poderíamos aproveitar esta infinidade de recursos que temos
em nossas mãos.

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Introduza jogos em sala de aula, adaptando os que eles já conhecem. Por exemplo
brincar de “Seu mestre mandou” enquanto trabalha asanas, torna a prática mais dinâmica
e permite que eles mesmos conduzam a aula como uma deliciosa brincadeira.

Ensinar crianças é divertido e inspirador e a única coisa que devemos fazer é liberar a
criança que existe dentro de cada um de nós e verão que as coisas se tornam mais
simples.

Seja criança e deixe que eles sejam também.

Mas e com os Jovens?

A medida que eles crescem devemos ir adequando as atividades de acordo com o


momento de nossos alunos.

Com os jovens podemos além do desafio de asanas mais complexos, introduzir práticas
respiratórias e bandhas, podemos também estudar mais profundamente a filosofia através
de debates, jogos de perguntas e respostas.

A meditação será trabalhada em busca de objetivos, o que neste período é importante na


formação de nossos jovens, como por exemplo, manter o foco, a calma e a concentração
para o vestibular ou se desligar dos estudos e limpar a mente.

Como vemos, podemos direcionar nossas aulas e dar a elas um sentido, uma finalidade,
em benefício de nossos alunos.

Mas agora surgirá mais uma pergunta, não é?

Como devo escolher as atividades?


Há uma variedade de práticas que podemos incorporar em uma aula. Quando
trabalhamos com crianças que por sua vez não se concentram em uma atividade por um
tempo muito longo, precisamos diversificar e mesmo a sequência que você planejou nem
sempre será viável.

Temos que priorizar as seguintes etapas:


Acolhimento: Introdução para quebrar o gelo e deixá-los confortáveis.

Podemos contar uma história, falar sobre o objetivo da nossa prática do dia, saber como
nossos alunos estão se sentindo, o que fizeram antes da aula.

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Aquecimento: Evitando lesões.

Aquecer é muito importante antes de qualquer atividade física para evitar lesões, portanto
devemos sempre tomar esta precaução para garantir a segurança de nossos alunos.

Exercícios de respiração: Para acalmar os mais animadinhos.

Uma forma eficiente para acalmar os mais elétricos, são atividades ligadas a respiração.
Tenha sempre preparadas atividades deste tipo para manter a ordem na sala. Balões,
bolinha de sabão e canudos são ferramentas que devem estar sempre na mochila do
professor.

Prática dos asanas:

Quanto mais jovens mais difícil será lembrarem de nomes complicados e por isso use
sempre nomes que tornem os asanas mais compreensíveis para os pequenos.

Não precisamos milhares de posturas e podemos selecionar as que mais agradam ao


grupo ou as que eles desenvolvem com mais facilidade.

Lembrem-se: O problema não é repetir o asana, o que temos que variar são as
brincadeiras.

Relaxamento:

Relaxar não significa dormir, portanto temos inúmeras formas de fazer isto. Deitar,
desenhar, escutar uma canção, dançar, são algumas alternativas que ajudam a relaxar
crianças e jovens. Use e abuse delas.

O fechamento da aula com uma conversa descontraída, um conto, onde revisamos o que
abordamos e promovemos a reflexão de nossos alunos. Este é o momento onde
podemos abordar preceitos e conceitos, filosofia e ter um feedback de nossos alunos.
Podemos também receber sugestões deles sobre o que querem na próxima aula.

Dar a possibilidade de que participem de forma mais ativa de seu próprio processo faz
com que eles se sintam importantes, confiantes e felizes.

O mundo em que vivemos está cheio de situações estressantes e nossas crianças


enfrentam as mesmas situações. Um mundo cheio de exigências onde deixam de lado
sua inocência para competir e ser os melhores. Por este motivo, temos que criar um
ambiente acolhedor onde eles se sintam livres e seguros.

Definitivamente a aula precisa ser dinâmica e divertida. Estas qualidades a tornam


atraente para crianças principalmente se naquele espaço, momento e atividade ela pode
voltar a ser inocente, autentica e onde sente que há nenhuma competição porque são
aceitos e reconhecidos como eles são.
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O Yoga é um dos maiores presentes que podemos dar a eles já que ajudaremos a
prepara-los para o futuro. Um futuro de equilíbrio, confiança, auto estima e felicidade.

A meditação:

Do ponto de vista da fisiologia crianças com menos de oito anos de idade não precisam
de muito treinamento formal de meditação, o mais importante seria que seus pais
meditassem e assim elas teriam um ambiente mais saudável, mais relaxado e consciente
para se desenvolverem.

Como mantê-los quietos não é uma tarefa fácil podemos por exemplo: brincar de estátua,
aumentando gradativamente o tempo de permanência. Através desta pratica podemos
trabalhar também a consciência corporal. Damos instruções para mexer os dedos dos
pés, um braço, uma perna e assim por diante trabalhando a consciência através do corpo.
Depois que as crianças desenvolveram um pouco a consciência corporal, podemos
ensiná-los a ouvir e seguir os sons externos, a visualizar reinos imaginários ou podemos
ler histórias que estimulam a imaginação.

Quando trabalhamos meditação para crianças com mais de 8 ou 9 anos o nosso objetivo
principal é apoiar o desenvolvimento físico e mental equilibrado. Isso ajuda a criança a
estar preparada para enfrentar sentimentos, desejos e impulsos que surgem a partir
dessa idade além de melhorar a capacidade da criança aprender, absorver e digerir
informações.

Com nossos alunos na fase da pré-adolescência e adolescência, podemos utilizar formas


mais clássicas de meditação para que eles possam ficar relaxados e que sejam capazes
de se concentrar durante estes anos, de aprendizado mais importantes.Técnicas de
visualização são maravilhosas para essa faixa etária e as técnicas que desenvolvem a
força mental são particularmente úteis.

Contos, historias jogos e brincadeiras


Como já mencionamos a melhor maneira de desenvolver histórias, jogos e brincadeiras é
adaptar a modelos existentes e que sejam familiares a nossos alunos. Lembrem-se,
podemos ter alunos de diferentes classes sociais, realidades familiares e
consequentemente o que serve para um nem sempre serve para o outro.

Podemos dividir estas atividades tendo como referência o aspecto que queremos
trabalhar, criando assim modelos específicos para cada atividade.

O trabalho de um professor requer dedicação, pesquisa e investigação e se dermos


receitas prontas criaremos desde já limitações.

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Uma criança na cidade, talvez adore fingir que é uma árvore, uma montanha, mas uma no
interior deve adorar a ideia de ser um destes prédios altos que ela só vê na televisão, não
acham?

Por isso na hora de dar nome a nossos asanas, de montar nossas histórias, devemos
entender e conhecer a realidade de nossos alunos, criando assim, práticas que irão acima
de tudo manter o interesse deles.

O Yoga para crianças especiais

Uma variedade de problemas físico-motores, sócio emocionais e cognitivos afetam


crianças com necessidades especiais.

Elas recebem cuidados de inúmeros profissionais, tem seus dias cheios de atividades
onde vastas quantidades de tempo, energia e dinheiro são gastos entre escola, consultas
médicas e sessões de terapia.

Ter um momento longe de hospitais, médicos e terapeutas é necessário na vida destas


crianças.

Uma aula de Yoga pode atuar não só como um indulto mas também pode ser uma
ferramenta terapêutica profunda.

O Yoga aborda a criança como um todo e seus benefícios vão muito além do
condicionamento muscular e físico.

O Yoga desenvolve a consciência corporal, aumenta a flexibilidade geral, coordenação e


força e alonga e fortalece a musculatura da coluna vertebral, melhora a postura, sendo
muito benéfico para crianças com rigidez articular, rigidez muscular e hipotonia.

Uma aula em grupo permite que as crianças interajam, se comuniquem e se relacionem


em um espaço onde vão partilhar, brincar e trabalhar juntos.

Além disso, as crianças aprendem a escutar, seguir instruções, gerenciar a frustração e


raiva e resolver conflitos pacificamente.

Instrução particular individual somente é recomendada para crianças com necessidades


muito específicas e que não podem ser resolvidas em uma atividade em grupo.

Um programa personalizado pode ser criado com base na condição da criança: força,
flexibilidade, coordenação, saúde, problemas de aprendizado, cooperação e atenção.

Trabalhar com estas crianças maravilhosas não é diferente de trabalhar com as crianças
consideradas “Normais”, porque até estas as vezes demandam mais atenção e cuidado.

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Nosso papel é integra-las para que possam se relacionar melhor com tudo e com todos.

O mais importante nestes casos é conhecer a crianças, entender suas necessidades e


qualidades além de conversar com os pais, médicos e terapeutas sempre que possível e
trabalhar em conjunto por um bem maior.

Nas próximas unidade, veremos como trabalhar especificamente crianças e jovens, com
exemplos de atividade, dicas, sugestões, apresentando recursos para o planejamento e
execução de aulas.

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