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MANUAL

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MÓDULO 3543 – Psicologia da velhice LOCAL Viana do Alentejo PÁG 1/45


FORMADOR Luisa Maria Braga Mouro Lagarto INÍCIO 11-03-2020 FIM 24-03-2020

Índice
1.1 Caracterização da Formação 2
1.2 Público-Alvo 2
1.3 Modalidade de Formação 2
1.4 Forma de Organização 2
1.5 Objectivo Geral 2
1.6 Objectivos Específicos 2
Reconhecer a importância da sexualidade na velhice. 2
1.7 Desenvolvimento das Sessões de Formação 2
Introdução 3
Capítulo I: GERONTOPSICOLOGIA 4
Aspetos biológicos e psicológicos do envelhecer 4
Emoções e velhice 5
Motivação 8
Personalidade: tipologias 11
Tarefas evolutivas da velhice 17
Ajustamentos psicossociais da velhice 17
Fase final da vida/reflexão sobre a morte e o luto 17
Aspetos cognitivos do envelhecimento 20
Velhice e aprendizagem 21
Avaliação das funções cognitivas 23
Inteligência, memória e aprendizagem 25
Resolução de problemas e criatividade 28
Resolução de problemas e criatividade 29
Capítulo II: A SEXUALIDADE NA VELHICE 31
Fatores que influenciam a mudança de comportamento sexual na velhice 31
Crise da menopausa 31
Sexualidade depois dos 60 anos 34
Amor e sexualidade na pessoa idosa 38
Conclusão 41
Referências Bibliográficas 43
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Caracterização da Formação

1.1 Público-Alvo
Formação Modular dirigida para Ativos Empregados e Desempregados

1.2 Modalidade de Formação


Formação modular, ação de formação profissional contínua, com base em Unidades Formativas de Curta
Duração — UFCD dos referenciais de formação inseridos no Catálogo Nacional de Qualificações — CNQ;

1.3 Forma de Organização


Formação presencial, na qual a atividade formativa de desenvolve em sala, promovendo a interação
permanente entre formando/formador e privilegiando o grupo pedagógico enquanto elemento facilitador
de aprendizagens.

1.4 Objectivo Geral


Enunciar a importância da gerontopsicologia no reconhecimento dos problemas que se colocam à pessoa
idosa.

1.5 Objectivos Específicos


Reconhecer a importância da sexualidade na velhice.

1.6 Desenvolvimento das Sessões de Formação


No desenvolvimento das sessões de formação o formador deve:

a) Possuir preparação psicossocial que envolve, designadamente, o espírito de cooperação e a


capacidade de comunicação, relacionamento e adequação às características do público-alvo, de forma a
prosseguir com eficácia a função cultural, social e económica da formação;

b) Possuir Formação científica, técnica, tecnológica e prática que implica a posse de qualificação de
nível igual ou superior ao nível de saída dos formandos nos domínios em que envolve a formação;

c) Possuir Preparação ou formação pedagógica, certificada nos termos da lei, adaptada ao nível e
contexto em que se desenvolve a ação de formação.
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Introdução

O estudo da velhice e dos fatores associados ao envelhecimento cresce de forma sem precedentes após a
2.ª Guerra Mundial, com o aumento das populações idosas e com o envelhecimento de pesquisadores que
se interessavam em investigar as fases iniciais do curso de vida. No entanto, a velhice já era objeto de
reflexão por filósofos e sociedades da idade antiga. Cícero (106-42 antes de Cristo), cidadão e filósofo
grego, no manuscrito Senectude, levanta inúmeros dilemas sobre a velhice, abordando os estereótipos e a
heterogeneidade dos anciãos em relação ao convívio social, a manutenção da capacidade física e mental.

Para o filósofo, já idoso, a disciplina e as atitudes diante da vida eram conceitos importantes para se
envelhecer bem. A velhice, nesse contexto, não remetia necessariamente a um quadro de decrepitude e
senilidade. Mesmo com a redução das habilidades físicas e mentais ainda era possível se adaptar, continuar
socialmente engajado e participar de contextos de aprendizagem (Birren e Schroots, 2001).

Ao longo da Idade Média e da Idade Moderna a velhice é tratada por estudiosos que se propunham a
descrever os processos associados à patologia, à anatomia e à fisiologia do organismo dos adultos idosos. O
conhecimento acumulado nesse período reuniu suposições que embasaram pesquisas e estudos
posteriores.

A diminuição da eficiência dos processos fisiológicos, aliada à diminuição da capacidade de enfrentar


estressores, foi amplamente descrita.

A teoria de Charles Darwin (1801-1882) sobre a evolução das espécies impactou o desenvolvimento de
ciências como a biologia e a psicologia do desenvolvimento. Os princípios da teoria de Darwin
compreendiam: progressividade da evolução das espécies, seletividade, criatividade, continuidade das
mudanças e multidireccionalidade.

Com base nesses princípios, psicólogos como Gesell, Bühler, Freud, Jung e Piaget desenvolveram teorias
que organizavam o desenvolvimento humano em estágios, nas quais a velhice não estava incluída. Essas
teorias se fundavam nas seguintes premissas:

1. Sequencialidade das transformações;

2. Unidirecional idade;

3. Orientação à meta;

4. Irreversibilidade;

5. Característica estrutural-qualitativa das transformações;

6. Unidirecional dos processos de mudança.


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Capítulo I: GERONTOPSICOLOGIA

Aspetos biológicos e psicológicos do envelhecer

O processo de envelhecimento humano traz alterações ao nível biológico e ao nível psicológico.

O módulo de Psicologia da Velhice não se debruça diretamente sobre o desgaste das capacidades físicas
mas tem que as considerar porque o nosso Corpo e a nossa mente se influenciam mutuamente.

Por exemplo, as perdas de memória (dimensão psicológica) estão associadas à morte das células do
cérebro (dimensão física).

Muitas depressões (dimensão psicológica) que ocorrem na terceira idade são, por um lado, causadas pela
perceção da perda de capacidades (físicas) e, por sua vez, conduzem a uma inércia e a uma inatividade
muito prejudiciais para a saúde (física) do idoso.

Por tudo isto, os aspetos biológicos e os aspetos psicológicos devem ser entendidos como
inseparavelmente associados; como faces de uma mesma moeda.
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Actividade 1. Identifique uma situação da sua vida na qual o seu estado físico tenha
influenciado o seu estado emocional e uma situação na qual uma tensão psicológica tenha
afetado a sua saúde física.

Emoções e velhice

O avanço da idade traz-nos experiência e conhecimento, contudo traz também o desgaste do


corpo e das funções fisiológicas.

Essa deterioração física pode ser de tal forma acentuada que compromete os aspetos positivos acima
mencionados. A perceção de que essa deterioração é inevitável faz com que a velhice se torne um
fenómeno ameaçador e angustiante para muitas pessoas.

Não é apenas a perspetiva do desgaste e da incapacidade física que assusta o idoso. A


aproximação da morte, a senilidade e a demência, a solidão e o abandono, são tudo fatores que
contribuem para que o processo de envelhecimento esteja repleto de medos e ansiedades.

O processo de envelhecimento é frequentemente vivido com muitos medos que, por vezes,
desencadeiam reações pouco racionais.
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Nem sempre a envolvente social e familiar valoriza o património de experiência e de conhecimento dos seus idosos que, desta forma, se vêm
despromovidos e desinvestidos social e afetivamente.

Na nossa sociedade atual, extraordinariamente orientada para a produtividade e para a valorização do


corpo, da atividade física e da juventude, o idoso não usufrui do estatuto de outrora. O idoso sente-se
frequentemente desvalorizado e rejeitado como um “fardo” indesejável, com prejuízos enormes para a
sua autoestima e para o seu gosto pela vida.

Actividade 2. Do lado esquerdo da tabela estão alguns dos fenómenos associados ao


envelhecimento. Para cada um deles, identifique os sentimentos e estados emocionais que
estes podem produzir.

Alteração na aparência física:

 Embranquecimento, queda ou adelgaçamento dos


cabelos;
 Tendência à obesidade;
 Perda da elasticidade e hidratação da pele;
 Apagamento do brilho dos olhos;
 Desgaste ou perda dos dentes;
 Aparecimento de verrugas e outros sinais;
 Aparecimento de varizes;
 Redução do busto (nas mulheres);
 Redução da largura dos ombros e alargamento da
bacia; etc…
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Alterações nas capacidades sensoriais:

 Diminuição ou perda da audição e da


acuidade visual;
 Diminuição do paladar, do olfato e do
tato, etc…

Alterações na capacidade física:

 Redução da força na voz


 Diminuição to tónus muscular e
maior propensão a quedas;
 Diminuição dos reflexos, etc…

Alterações no estado geral de saúde:

 Maior dificuldade na cicatrização das feridas;


 Perturbações do sono;
 Maior propensão às doenças
orgânicas crónicas, tais como:
• Inflamações e infeções
• Cataratas
• Diabetes
• Hipertensão arterial
• Aterosclerose
• Insuficiência renal
• Deformações torácicas
• Reumatismo
• Tumores, etc…

Este tipo de sentimentos comporta um desafio para os profissionais que trabalham em serviços
geriátricos.

Se é verdade que é muito importante que os idosos se mantenham ativos física e mentalmente, também
acontece que nem sempre estes se encontram motivados para tal. Há mesmo idosos que oferecem grande
resistência psicológica e que tendem a deprimir-se.
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Motivação

Motivação é o nome que damos às forças que nos movem. O que nos impele a trabalhar? O que faz com
que nos envolvamos em atos de solidariedade e de cidadania? Porque é que cantamos e dançamos ou
saímos de casa para assistir a uma peça de teatro.

As motivações são os mecanismos que nos impelem para a realização de determinadas ações.

Maslow, em 1943, propôs um modelo que hierarquizava as necessidades humanas, representando-o sob a
forma de uma pirâmide. Embora haja muitas objeções ao modelo do Maslow e alguns dos seus
pressupostos, a pirâmide ajuda-nos a sistematizar e a compreender melhor os diferentes tipos de
motivação humanos.

Maslow organizou as necessidades humanas em cinco níveis de crescente complexidade.


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As necessidades da base da pirâmide são as mais básicas e que estão diretamente relacionadas com a
sobrevivência da pessoa. São necessidades comuns a qualquer ser vivo e que constituem motivações
que partilhamos com os restantes organismos do reino animal. Embora possamos pontualmente
negligenciar estas necessidades (quando, por exemplo, uma atividade mais apaixonante nos faz
esquecer a fome), na realidade não podemos deixar de as suprir mais tarde ou mais cedo, sob risco de
ameaçarmos a nossa saúde e a nossa vida.

As necessidades de segurança estão também, de alguma forma, ligadas à sobrevivência e à integridade


física da pessoa mas, são já de uma ordem superior e de maior complexidade. Já sofrem uma maior
influência de fatores socioculturais. Quando um idoso esconde a caixa das bolachas que lhe foi
oferecida, não o faz por ter fome (Nível Fisiológico) mas motivado pela necessidade de não perder algo
que é seu (Nível da Segurança).

O terceiro nível é o Afetivo. Este nível é já muito complexo e muito sujeito a influências sociais, o que
não quer dizer que apenas se observe nos seres humanos. Nos mamíferos em geral é muito frequente
observarmos comportamentos motivados por este tipo de necessidade. Todos somos fortemente
motivados por fatores desta natureza e as pessoas idosas não são exceção. A família e os amigos,
desempenham aqui um papel muito importante.
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A necessidade de Estima é também conhecida como de Estatuto ou de afirmação pessoal. É uma


necessidade com uma componente social fortíssima.

Já aqui referimos que o idoso se sente, por vezes, despromovido socialmente. Essa perceção da perda de
estatuto faz-se frequentemente acompanhar de comportamentos que procuram reafirmar e reivindicar
essa dignidade, embora dificilmente sejam bem-sucedidos.

Não é invulgar assistirmos a brigas entre idosos e crianças que resultam da necessidade do idoso disputar a
atenção e a consideração das quais as crianças são alvo.

O nível mais elevado e complexo é o da Realização Pessoal. São as necessidades desta ordem que nos
levam a agir em defesa de valores, sacrificando o nosso conforto físico e, inclusivamente, colocando em
risco a nossa própria vida.

Por vezes encontramos idosos que nos transmitem um enorme sentimento de serenidade e de
realização pessoal.
Olham para trás e vêm tudo o que construíram com o seu trabalho, a família que criaram, a sabedoria
que apreenderam.

Contudo, não basta viver das realizações do passado. É importante que a motivação para continuar a
construir e a melhorar o mundo à sua volta persista.

Há idosos que se mantêm ativos e conscientes de que deve ter utilidade prática. Desde coisas simples
como contar histórias aos netos, até formas mais elaboradas de participação na comunidade, tudo
contribui para que o idoso alimente a sua necessidade de autorrealização.
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Actividade 3. Pense em, pelo menos, três comportamentos positivos e três


Comportamentos negativos que já tenha observado em pessoas idosas e identifique
em que nível de necessidades estavam as motivações de cada um deles.

I. Nível Fisiológico

II. Nível da Segurança

III. Nível Afetivo

IV. Nível do Estatuto

V. Nível da Realização Pessoal


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Personalidade: tipologias

O referencial do curso fala em Tipologias de Personalidade, contudo, talvez seja mais indicado falarmos
em Padrões de Comportamento.

O termo “Personalidade” remete-nos para características estruturais mais ou menos fixas que se
refletem de forma consistente nos comportamentos das pessoas.

Os comportamentos que se nos apresentam de forma repetida e


consistente são designados de “Padrões”.

Então, porquê falarmos de Padrões em vez de Personalidade?

Há três razões.

A primeira é o foco. Dado que nunca temos uma perceção total do comportamento de alguém, é mais
justo focalizarmo-nos apenas nos comportamentos que podemos observar, procurando não fazer
generalizações excessivas.

A segunda é o determinismo. Se aceitamos que os comportamentos que estamos a observar são o produto
de uma característica estrutural da pessoa, custa-nos mais acreditar que essa pessoa possa ter
comportamentos diferentes.

Ora, na realidade todos sabemos que os nossos comportamentos variam, dependendo também das
circunstâncias.

A terceira é a nossa auto-programação. Se reduzimos a pessoa a um tipo de personalidade,


conformamo-nos a esse estereótipo e não fazemos tudo o que está ao nosso alcance para ajudar a
pessoa a mudar os seus comportamentos. Se, pelo contrário, nos focalizarmos nos comportamentos, é
mais fácil estabelecermos objetivos de mudança e monitorizá-los.
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É também importante compreender que estes padrões comportamentais não surgem exclusivamente na
terceira idade. São padrões que têm a sua génese muito mais cedo mas que podem intensificar-se como
consequência do envelhecimento e dos seus outros efeitos.

Negação

Dificuldade menor ou maior em aceitar-se como alguém que


está a envelhecer ou que está velho.

Manifesta-se através de comportamentos exuberantes que


podem, inclusivamente, ser excessivos e colocar em risco a saúde
do idoso.

Este tipo de comportamentos requer muito tato da parte de quem


lida com o idoso porque, se por um lado pode ser necessário
“refrear” um pouco alguns excessos, por outro lado corremos o
risco de ofender o idoso e atacar a sua autoestima.

Nestas situações, mais do que tentar controlar ou condicionar, é importante fornecermos alternativas
que permitam ao idoso optar voluntariamente por comportamentos mais adequados sem “perder a
face”. Para isso é útil conhecermos aquilo que mais motiva o idoso.

Apatia

É possível observar, em alguns idosos, um declínio na manifestação da afetividade, dos interesses,


das ações, das emoções e dos desejos.

Quando não estimulados, estes idosos tendem a deprimir-se e a deixar de Interagir com os outros.

Os sinais de apatia devem, por isso, ser detetados e combatidos precocemente para evitar um declínio
das capacidades sociais e afetivas que comprometa seriamente a qualidade de vida do idoso.

Devemos evitar que esse idoso fique isolado ou que se autoexclua das atividades.

Se possível, devemos tentar compreender de que tipo de emoções negativas é que esse idoso se está
a tentar proteger e qual a sua origem.
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Rigidez

Corresponde a uma dificuldade na assimilação ou mesmo aversão a


ideias, coisas e situações novas. Em contrapartida, existe um apego
maior aos valores já conhecidos e convencionados, aos costumes e
às normas já instituídas.

Trata-se de um mecanismo de defesa natural em alguém que se


sente menos capaz de lidar com as mudanças. A pessoa tende a
“agarrar- se” ao que lhe é familiar e aos “territórios” nos quais
sempre se sentiu competente.

Contrariar este tipo de comportamento é inútil e contraproducente. Forçar um idoso a aceitar algo a
que resiste ou tentar mostrar-lhe que a sua resistência é exagerada apenas acentua os mecanismos
reativos de defesa.

É preferível aceitarmos a resistência do idoso e darmos-lhe tempo para que ele observe a forma como
os outros lidam com as mudanças. Dessa forma, o idoso poderá, eventualmente, vir a ganhar confiança
e a tornar-se mais flexível. No fundo, o princípio é “a flexibilidade não se força”.

Isolamento

A pessoa idosa pode tender a evitar o contacto com os outros.

Esta tendência pode são corresponder a uma busca intencional da solidão mas a uma
dificuldade de se confrontar com os sentimentos que as relações lhe produzem.

O isolamento pode ser acompanhado de sentimentos de profunda tristeza, de baixa autoestima,


de inutilidade e menos-valia e, paradoxalmente, da sensação de abandono e rejeição pelos
demais. Ou seja, não é incomum a pessoa idosa marginalizar-se e sentir que foram os outros que a
rejeitaram.

Nestes casos, o importante é procurar envolver estas pessoas em atividades não ameaçadoras e que
elevem a sua autoestima. É preciso mostrar-lhes que são válidas e que a sua presença é apreciada e
desejada.
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Vitimização

Colocarmo-nos no papel de vítimas é uma forma aprendida de captar a atenção e a condescendência


dos outros e de nos desresponsabilizarmos do que de mal nos acontece.

Justifica a resignação e a imutabilidade ou coloca o ónus da mudança nos outros. Por isso, é um
refúgio fácil.

É um padrão difícil de combater mas podemos evitar alimentá-lo. É muito importante que o idoso se
assuma como um construtor ativo do seu destino e das suas circunstâncias. A nossa ajuda consiste,
sobretudo em ajudar o idoso a perceber de uma forma positiva, factos e eventos que ele descreve
como fatalidades ou ofensas externas.

Infantilização

Os comportamentos regressivos e infantis são outra forma (não construtiva) de reivindicar atenção e
afeto.

O amuo, a impertinência, a manipulação, o abuso, a


conflituosidade, são comportamentos que desencadeiam nos
outros reações de zanga, de confronto e de controlo.
Na verdade, estes comportamentos produzem uma
aproximação por parte dos outros, porém, trata-se de uma
aproximação carregada de emoções negativas.

É caso para se dizer “prefiro que me ralhes do que me desprezes”. Provocar os outros pelo lado da
irritação é uma medida desesperada de quem sente não ter habilidade para atrair as pessoas de uma
forma positiva.

Cientes desta motivação, cabe-nos a nós corresponder aos pedidos de atenção de uma forma não
reativa. Ou, ainda melhor, devemos agir de forma preventiva para que o idoso não tenha
necessidade de recorrer a estratégias infantis de chamada de atenção.

Obsessão

Os idosos são muito vulneráveis a pensamentos e comportamentos obsessivos


como os sintomas hipocondríacos, as fobias e as compulsões.

Com o envelhecimento, é frequente haver um aumento da ansiedade associada ao


medo da doença e da morte, assuntos que se tornam muito presentes face ao declínio
das capacidades físicas e mentais bem como à morte de familiares e amigos.
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Quaisquer tentativas de desconstruir pela lógica ou minimizar a importância dos focos de obsessão
são recebidas com desconfiança e hostilidade.

A demonstração de empatia e vontade em ajudar pode parecer um encorajamento mas, na realidade,


acalma os pensamentos obsessivos e traz alguma tranquilidade ao idoso.

Qualquer um destes padrões comportamentais é disfuncional e, levado a extremos, torna-se


patológico.
É muito importante agirmos de forma consciente e preventiva, no intuito de proteger e preservar a
saúde mental e a qualidade de vida dos idosos.

Actividade 4. Analise cada um dos casos e identifique os vários padrões


comportamentais que ocorrem em cada um. Reflita sobre como agiria com cada um
destes idosos.
A Dona Idalina é uma pessoa passiva. Não é ambiciosa mas vive acima das suas possibilidades. É
cautelosa com contactos novos, mostrando-se desconfiada. É extremamente otimista e pouco realista.
A aposentação libertou-a das responsabilidades e, desde então, não sente nenhuma disposição para
qualquer tipo de atividade.
A Dona Carmela é defensiva e emocionalmente descontrolada. É convencional nas relações sociais e
apresenta um comportamento fechado. Os seus empregos nunca foram fonte de prazer, mas apenas o
caminho para atingir um futuro promissor. É preconceituosa e tenta passar uma imagem de auto-
suficiência. É pessimista quanto á velhice e inveja frequentemente a juventude. Adia a reforma para
não entrar em contacto com o envelhecimento e trabalha arduamente, acalmando apenas quando a
isso a obrigam.
O Sr. Albino é pouco ambicioso, pouco competente e com constantes sentimentos de fracasso. É
rígido, inflexível no modo de pensar, agressivo, competitivo, preconceituoso e culpa os outros pelo seu
insucesso. Tem enorme medo de envelhecer, critica os mais jovens pelas suas posturas e agarra-se
desesperadamente ao seu trabalho. Tende frequentemente à introspecção.
O Sr. Romeu é sempre vítima das circunstâncias, vivendo em constante conflito. É hostil consigo
mesmo e não se interessa pelos outros. Considera a velhice uma triste etapa da vida, não se revolta
contra ela mas também não faz nada para mudar ou construir algo de novo. Não tem medo da morte
porque ela representa a possibilidade de libertar-se dessa vida tão insatisfatória.
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Tarefas evolutivas da velhice

JOGO DIDÁTICO

Ajustamentos psicossociais da velhice

Eis algumas das coisas mais importantes às quais o idoso pode ver-se obrigado a ajustar-se:

- ao decréscimo de força e de saúde;


- à reforma;
- à eventual viuvez;
- à necessidade de se filiar num grupo de pessoas idosas;
- à necessidade de manter obrigações sociais e cívicas;
- à necessidade de investir no exercício físicos;
- à necessidade de ter cuidados redobrados com a alimentação;
- à mudança de papéis sociais.

Vejamos algumas delas com um pouco mais de detalhe.

Fase final da vida/reflexão sobre a morte e o luto

O envelhecimento comporta modificações físicas já referidas aqui e modificações nas capacidades


mentais que ainda irão ser abordadas neste manual. Aumenta a propensão para as doenças, há uma
perda de força muscular e diminuição de algumas capacidades cognitivas.

A velocidade com que esta deterioração se dá pode ser retardada com hábitos de vida saudáveis e com
um quotidiano activo e estimulante. Fazer uma alimentação saudável, fazer exercício físico adequado e
realizar atividades social e intelectualmente desafiantes são apenas alguns exemplos de como se pode
envelhecer com qualidade.

Se ao longo da vida a pessoa não agiu preventivamente, as exigências de uma velhice minimamente
saudável comportam uma mudança de hábitos, por si só, bastante difícil.
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Deixar de fumar, deixar de beber álcool, beber muita água, seguir uma dieta pobre em sal e rica em
cálcio, são ajustamentos muito comuns que o idoso tem que fazer.

O idoso deve também adaptar-se às falhas de memória, às mudanças do sono, à diminuição da força ou
da agilidade para atividades que antes eram fáceis e às dores.

Falar de morte para idosos nos faz crer que primeiramente devemos entender quem são estes idosos, de
onde vem, suas crenças e condições de vida, para depois falarmos de suas reações frente a morte,
conforme mencionei acima. A fase idosa é um processo de amadurecimento da vida adulta, onde
notamos claramente as mudanças físicas. Mas nem sempre as mudanças internas são percebidas com
tanta facilidade. É comum as pessoas se surpreenderem com os idosos e suas capacidades de analisar a
vida e entender as realidades, com muito mais consciência e, portanto, facilidade que os adultos mais
jovens, mesmo que muitas vezes eles tenham suas limitações clínicas.

Questão de perspetiva

A finitude de vida, por exemplo, é normalmente melhor encarada e menos sofrida de se compreender
pelos idosos, do que por um jovem adulto ou um adulto de meia-idade, pois nesta fase anterior de vida
ainda enfrentamos uma forte influencia e pressão do padrão social e cultural que devemos seguir e
conquistar. Falo aqui das responsabilidades de ser mãe/pai, esposo(a), profissional. Já com o idoso, este
processo de reflexão acaba gerando, normalmente, um fechamento destes papéis impostos pelas
sociedades. Os idosos acabam se dando conta de não ter mais que seguir estas obrigatoriedades e o
medo de não cumprir tarefas ou atender alguém ou algo tende a diminuir muito.

É bem comum os idosos reagirem com alivio e leveza, com este fechamento de obrigações sociais da vida
e se perceberem mais "livres" das pressões. Normalmente estes idosos possuem uma reflexão
satisfatória de suas vidas, e por isso tendem apresentar maior facilidade com esta aposentadoria e
consequentemente menos receio da morte. Não que eles apresentem menos preocupação, com a morte,
mas sim possuem um maior entendimento dela como um processo natural e inevitável de vida. Diferente
dos adultos mais jovens e de meia-idade que normalmente apresentam maior temor e relutância com
esta ideia.
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Uma ideia de boa morte, normalmente está ligada a ideia


de uma boa vida, boas construções e não ter pendências /
dívidas consigo ou com o com outro. Esta satisfação com a
vida permite a aproximação da morte com menos tensão
e temor.

A religião, as tradições ou filosofias de vida tem forte


impacto e podem até mesmo ser determinantes nesta
análise sobre si mesmo e sua historia.

Com o passar dos anos, a dimensão da família tende a


alargar, mas a família nuclear vai ficando progressivamente
mais pequena à medida que os filhos vão saindo de casa dos
pais.

Chega a um ponto em que o casal tem que reaprender a


viver só.

Por outro lado, quanto mais tempo vivemos, mais pessoas


queridas perdemos. São os familiares, os amigos e, por vezes
o(a) nosso(a) companheiro(a). Nem sempre é fácil aprender
a viver sem pessoas que fizeram parte da nossa vida durante
anos.

A viuvez é uma perda muito importante que produz transformações muito grandes na vida da pessoa. Não
é apenas nos casais harmoniosos que a viuvez comporta grande sofrimento. Até nos casais conflituosos o
padrão de permanente atrito desempenha um papel importante na vida afetiva das pessoas. Também
nesses casos a morte de um companheiro produz um enorme vazio.

A convivência com a perda relembra e reforça a eminência da própria morte. Essa é também uma
preparação que a pessoa idosa deve fazer de forma a conseguir continuar a viver tranquilamente e com
qualidade.
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Aspetos cognitivos do envelhecimento

Envelhecer significa ter que fazer ajustamentos do ponto de vista identitário.

Ao reformarmo-nos, abandonamos uma carreira, uma


profissão e a forma como isso nos definiu como pessoa
durante anos. Se não encontramos uma forma de nos
mantermos activos, corremos sérios riscos de nos
virmos a sentir inúteis e sem valor.

Quando há perda de poder económico e passa a haver


dependência financeira relativamente aos familiares
mais próximos (principalmente os filhos) essa
sensação de menos-valia é ainda mais acentuada.

À medida que envelhecemos vamos sendo categorizados socialmente como “velhos”. A essa categoria
são associadas várias características, quase todas negativas, ou seja, há muitos preconceitos sociais
relativamente aos idosos.

Os idosos são frequentemente percebidos como “um fardo”, como “regressados à infância”, como
“senis”, “casmurros” e “rabugentos”, etc.

Ora, os idosos já foram novos e, nessa altura, partilharam de alguns ou de muitos desses preconceitos,
pelo que agora sabem a forma como são julgados socialmente.

Este ajustamento não é nada fácil e implica encontrar formas de sentir e de comunicar uma identidade
positiva. Implica igualmente aprender a lidar com a crescente falta de autonomia e de liberdade que
tende a ocorrer.

O idoso também pode ser estimulado a procurar ocupações que lhe tragam realização e autoestima
(por exemplo, trabalho voluntário, cursos nas universidades sénior, etc.).
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Velhice e aprendizagem

O idoso que vive em sua casa ou com familiares precisa que a casa sofra alterações para ajudar na sua
deslocação e segurança. As escadas e as casas de banho são, normalmente, espaços que exigem
requisitos especiais de adaptação ao idoso.

O idoso que vai viver para uma instituição (lar, hotel geriátrico…) tem que se adaptar a um ambiente
completamente diferente da sua casa. Apesar de poder ganhar em termos de conforto e da qualidade
dos cuidados de saúde, deixa de estar no seu “território” para estar num espaço alheio, deixa de ser
único para ser um entre muitos, perde grande parte da sua autonomia bem como a liberdade de alterar
o espaço onde vive.

Frequentemente, o envelhecimento está associado a dificuldades de memória e à lentidão de raciocínio.


Nesse sentido, acredita-se que os idosos ficam com dificuldades em memorizar e compreender situações
novas que lhes são apresentadas rapidamente mas, em contrapartida, superam os jovens em raciocínios
que exigem maior "sabedoria".

A Neuropsicologia, uma área científica que


investiga as relações entre cérebro e cognição,
inclusivamente na terceira idade, tem mostrado
que as crenças do senso comum acerca dos
efeitos do envelhecimento nas funções cognitivas
têm algum fundamento mas são apenas
parcialmente verdadeiras.

Por exemplo, o declínio de algumas


capacidades de memória (não todas) é mais
acentuado do que o das capacidades
linguísticas (que envolvem conhecimentos
aprendidos durante a vida do indivíduo).

Os investigadores têm diversas teorias sobre o


que está por trás dessa deterioração, mas a
maioria suspeita que o envelhecimento causa
uma perda de células enorme numa pequena
região da parte frontal do cérebro que leva a
uma queda na produção de um
neurotransmissor chamado acetilcolina. A
acetilcolina é vital para a aprendizagem e para a
memória.
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Além disso, algumas partes do cérebro essenciais para a memória são altamente vulneráveis ao
envelhecimento. Uma delas, chamada de hipocampo, perde 5% dos seus neurónios por cada década que
passa – com uma perda total de 20% quando se chega aos 80 anos.

A juntar a tudo isto, o próprio cérebro encolhe e torna-se menos eficiente à medida se vai envelhecendo.

É claro que outras coisas podem ocorrer com o cérebro que podem acelerar esse declínio das funções
cognitivas. Eis alguns exemplos:

 Medicamentos, especialmente os calmantes e hipnóticos


 Abuso de bebidas alcoólicas ou tabaco
 Doenças silenciosas (por ex. mau funcionamento da
tiroide)
 Stress e ansiedade
 Depressão
 Inatividade e desinteresse pela vida
 Falta de desafios e novos objetivos
 Problemas sensoriais (diminuição da visão e da audição)
 Infeções
 Exposição a tóxicos
 Fatores genéticos

Estas e outras causas que provocam um declínio das funções cognitivas e que podem ser tratadas
durante o envelhecimento indicam alguns caminhos para um envelhecimento cognitivo mais estável.

Em outras palavras, a Neuropsicologia tem demonstrado que a crença de que o envelhecimento constitui
um período de declínio inevitável está sendo atualmente desafiada, considerando o aumento de sujeitos
que envelhecem não apenas de forma ativa e independente como também de forma criativa.

Vejamos agora em maior detalhe a evolução de algumas funções cognitivas principais como a memória a
inteligência e a aprendizagem.
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Avaliação das funções cognitivas

Uma das queixas mais comuns em idosos é a perda da memória. É tão frequente que, infelizmente, ainda
existe a crença de que se trata de um evento normal e inevitável do processo de envelhecimento.

Porém, isso não é verdade. O fenómeno é comum mas não normal e muito menos se trata de algo
simples e linear

Através do estudo das dificuldades de memória observadas em acidentados ou vítimas de guerra que
sofreram uma lesão cerebral, a Neuropsicologia Cognitiva confirmou a existência de múltiplos sistemas
de memória.

Atualmente acredita-se que a memória não é una. Ela pode ser classificada segundo diferentes
parâmetros e um deles é o temporal.

Designamos por Memória de Curto Prazo o mecanismo que nos permite reter conhecimentos adquiridos
recentemente enquanto a Memória de Longo Prazo é o mecanismo através do qual armazenamos
conhecimentos adquiridos há mais tempo.

“Não te ofendas, Alzira, mas nós éramos amigos, parentes, esposos, ou quê?”

É do conhecimento geral que os idosos recordam mais facilmente memórias de acontecimentos antigos
do que coisas que ocorreram muito recentemente. O que isso nos diz é que a Memória de Curto Prazo é
mais afetada pelo avanço da idade do que a Memória de Longo Prazo.
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A Memória de Curto Prazo é também designada de Memória de Trabalho. É a memória que nos permite
fazer tarefas complexas, envolvendo duas ou mais atividades que precisam ser realizadas ao mesmo
tempo (por exemplo, fixar um número de telefone enquanto se procura um lápis e um papel para o
anotar). Esse tipo de memória envolve muita atenção, e com a idade, a atenção fica bastante
prejudicada.

Outro tipo de memória também bastante afetado no envelhecimento é a memória que está dirigida para
os acontecimentos futuros, vulgarmente chamada de "memória de agenda" mas cujo nome científico é
Memória Prospetiva (por exemplo, lembrar-se de tomar um medicamento a cada 4 horas ou lembrar-se
de ir ao médico no dia tal). É uma memória direcionada ao que se passa no dia-a-dia de cada pessoa. Ela
exige muitos mecanismos de atenção mas também outros mecanismos cognitivos importantes: o
planeamento, a intenção e a motivação.

Para uma pessoa se lembrar de tarefas futuras é preciso:

fazer um bom planeamento das atividades a realizar durante o período


que antecede a ação;
ter uma intenção forte de se lembrar de a realizar, para ser capaz de
ativar a lembrança no momento certo;
ter um alto grau de motivação, ou seja, querer realizar a tarefa.

Sem motivação, um planeamento adequado não é realizado e a


intenção torna-se muito frágil para ativar a lembrança necessária.

Compreende-se, assim, que as falhas de memória podem ser


decorrentes de outras dificuldades que não apenas a de
armazenamento e de recuperação. Existe um envolvimento da
motivação, da atenção e da intenção, pelo que pessoas que não
possuam um humor positivo (por estarem ansiosas ou deprimidas)
apresentarão dificuldades de memória bastante graves, não
conseguindo organizar seu dia-a-dia de forma adequada.

Falámos de dois tipos de memória que são muito afetados pelo envelhecimento, contudo, há um outro
tipo de memória, denominado de Memória Semântica (aquela que guarda o significado de objetos e
factos), que parece resistir muito mais ao avanço da idade.

Quanto à memória de acontecimentos pessoais, ela fica preservada para os eventos relacionados com os
períodos da infância, da adolescência ou da vida adulta do idoso.
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Como já foi dito e é sobejamente conhecido, os idosos lembram-se muito bem de factos antigos e
conseguem contar histórias bastante ricas em detalhes e coerência. Porém, quando se lhes conta uma
história, a maioria dos idosos não tem dificuldade em compreender o seu significado e em resumir o seu
conteúdo mas pode esquecer detalhes que não esqueceria numa história pessoal antiga. Esse
esquecimento deve-se às falhas da Memória de Curto Prazo.

Muitas terapias de adaptação do indivíduo a uma idade mais avançada incluem o enriquecimento e a
valorização de autobiografias, dando um significado novo à vida do idoso.

Inteligência, memória e aprendizagem

Chamamos esquecimentos benignos àqueles que, com frequência, ocorrem em pessoas ativas que têm
possibilidades de desempenhar adequadamente as suas tarefas diárias. Tais esquecimentos podem ser:
não se lembrar de um nome mas "ter a palavra na ponta da língua; ir buscar alguma coisa e esquecer-se
do que ia fazer, etc.

Estes esquecimentos não ocorrem exclusivamente aos idosos e são, geralmente, compensados
espontaneamente pelo indivíduo, ainda que possam causar problemas no seu quotidiano.

O esquecimento benigno afeta ambos os sexos e as causas mais frequentes são o stress, alguns distúrbios
afetivos leves e a idade avançada. O declínio cognitivo tende a aumentar a partir dos 85 anos, quando
existe um risco maior de desenvolver demência.
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É difícil prever em que situações esses esquecimentos vão piorar e tornar-se uma doença degenerativa.
Pesquisas que estudaram a evolução de grandes grupos com queixas de esquecimento benigno
observaram que metade dos pacientes não piora.

Parte desses pacientes têm distúrbios afetivos, como depressão e ansiedade, cuja terapia psicológica ou
medicamentosa produz também uma melhoria dos esquecimentos.

Infelizmente, 50% dos pacientes diagnosticados como portadores de esquecimentos benignos, evoluem
para a doença de Alzheimer. Essa doença, que se inicia com sintomas muito parecidos aos esquecimentos
benignos é irreversível e, progressivamente, as dificuldades em todas áreas da cognição (como
linguagem, atenção e raciocínio) vão-se tornando mais graves.

Jogo didático

Atualmente, ainda existe um enorme desconhecimento sobre o que significa um envelhecimento


cognitivo normal, respeitando as suas limitações características, e como distingui-lo precocemente de um
envelhecimento patológico.

Assim, ao lado de um enorme investimento nas áreas médicas para encontrar formas de estagnar a
evolução da doença de Alzheimer, uma grande parte das atuais investigações da Neuropsicologia
Cognitiva tem-se dedicado a procurar "marcadores cognitivos".

Esses marcadores são sinais ou sintomas que devem distinguir, de forma precoce, as manifestações da
doença de Alzheimer dos esquecimentos benignos, uma vez que existem soluções terapêuticas para os
portadores de esquecimentos benignos.
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Muitas instituições que prestam cuidados a idosos têm tido bons resultados a este nível através da
realização de exercícios que estimulam a atenção, da elaboração de listas de afazeres, jogos de memória
e atividades que implicam associações de acontecimentos, objetos, nomes, fotografias etc.

A INTELIGÊNCIA

Existem muitas definições para o conceito de inteligência mas é consensual que esta envolve a nossa
habilidade para pensar e
para resolver problemas.

Alguns estudos demonstram que, no envelhecimento, há um padrão de comprometimento da


inteligência que geralmente se manifesta num pior desempenho em testes de avaliação dessa área. No
entanto, estes dados deve ser interpretados com muito cuidado, visto que:

As perdas sensoriais (especialmente a visão e a audição) não são levadas em conta nos resultados dos
testes neuropsicológicos e/ou de inteligência;
O desempenho em testes de inteligência pode muito bem ser afetado negativamente por estados de
ansiedade em indivíduos que só foram testados quando eram muito jovens.

Os testes podem também confundir agilidade de resposta com capacidade intelectual.


É frequente, pessoas com mais idade, preferirem sacrificar a rapidez de resposta para dedicar um maior
cuidado na análise das questões ou mesmo rejeitarem respostas simples e automáticas preferindo
elaborar melhor o raciocínio.

Existe uma grande diversidade de pessoas e muitos idosos mantêm durante mais tempo as capacidades
de aprendizagem devido à forma como o seu cérebro foi exercitado ao longo da vida.

Um dos fatores que parece estar correlacionado com uma manutenção das capacidades de
aprendizagem é o nível de escolaridade.

A saúde física também apresenta uma correlação positiva com a aprendizagem.

Está comprovado que, apesar de algumas limitações, o desempenho de muitos idosos em tarefas
cognitivas nobres são superiores às dos jovens. Essa superioridade manifesta-se através de:

Maior experiência de vida


Maior número de informações
Melhor capacidade de julgamento
Maior índice de acertos quando a velocidade não conta
Maior capacidade de resolver problemas
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Conhecer bem as capacidades intelectuais da pessoa idosa é muito importante para que melhor
possamos encontrar atividades adequadas e estimulantes.

Resolução de problemas e criatividade

O processo de aprendizagem pode ser definido de forma sintética como o modo como os seres
adquirem novos conhecimentos, desenvolvem competências e mudam o comportamento.

Os conhecimentos podem ser absorvidos através de técnicas de ensino ou mesmo pela simples
aquisição de hábitos.

A vontade e a capacidade de aprender são características essenciais do psiquismo humano, contudo,


ambas tendem a diminuir ao longo do processo de envelhecimento.

Os fatores que para isso contribuem são vários e já foram sendo aqui apresentados.

A aprendizagem implica capacidade de retenção dos conhecimentos, ou seja, memória. O que afetar
a memória afeta, naturalmente, a capacidade de aprendizagem.

Outra dimensão fundamental para o processo de aprendizagem é a linguagem. Os nossos raciocínios


são expressos sob a forma de enunciados verbais e quanto mais competentes formos em termos
linguísticos, maior é a nossa capacidade para apreender factos complexos.

Essa é uma das razões pelas quais a escolaridade influi no retardar do envelhecimento do cérebro. A
leitura é, também, um exercício excelente de enriquecimento da nossa linguagem e de promoção da
nossa capacidade de aprendizagem.
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Em terceiro lugar, a aprendizagem implica interação. É na relação com


os outros que enfrentamos os maiores desafios e que somos
“obrigados” a evoluir. Assim se compreende que seja tão importante
que o idoso se mantenha socialmente ativo. As relações e o convívio
não são apenas importantes por razões afetivas mas também pelo
estímulo que constituem para a capacidade de aprendizagem.

Por último, a idade influencia os modos de aprendizagem e as


motivações para a mesma.

Os conhecimentos podem ser entendidos como associações entre conceitos e a aprendizagem


corresponde à assimilação de novos conceitos a essa rede de conhecimentos. Ao longo da vida vamos
acumulando experiências e construindo uma rede de conhecimentos cada vez mais rica e complexa.
Por conseguinte, um idoso possui uma base de conhecimentos tão alargada que se torna, para ele,
mais fácil assimilar novos conceitos bem como avaliar se uma determinada informação é útil ou inútil
e decidir até que ponto é pertinente fazer o esforço de a incorporar.

Essa é uma das razões pelas quais os idosos se mostram frequentemente desinteressados de
aprender coisas que entusiasmam os jovens.

Resolução de problemas e criatividade

O agente em geriatria presta cuidados continuados a pessoas idosas e tem oportunidade de construir com
elas uma relação próxima e de grande confiança. Este profissional está, por isso, numa posição
privilegiada para ajudar os idosos a desenvolver comportamentos e atividades que estimulem as suas
funções cognitivas.

Cai-se, muitas vezes, no erro de colocar os idosos em frente a um televisor durante horas. Não obstante a
televisão seja uma distração fácil e sempre disponível, quando vista em excesso, tem efeitos negativos nas
funções cognitivas:

Produz inatividade em pessoas que precisam muito de se manter ativas;


Desenvolve uma atitude passiva em pessoas que precisam muito de interagir com outros e
com o meio ambiente;
 É aparentemente variada mas repetitiva e monótona para o cérebro ao fim de um tempo
prolongado de exposição;
 Cansa os olhos e pode provocar cefaleias.

Portanto, o agente em geriatria deve evitar o fácil e emprenhar-se na dinamização de atividades


estimulantes bem como no apoio e aconselhamento dos idosos.
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Na caixa que se segue, encontra-se uma lista de conselhos que podemos dar aos idosos com o objetivo de
melhorar a sua condição mental e preservar as funções cognitivas por mais tempo.

 Saia de casa, tenha atividades sociais (muito importante para a saúde mental);
 Seja flexível, veja um problema sob diferentes prismas, como se fossem diferentes pessoas;
 Procure os seus amigos;
 Mantenha-se sempre ativo;
 Experimente escovar os dentes com a outra mão (esse pequeno gesto ativa outras áreas do cérebro);
 Vista-se com uma mão só. Um dia com a direita, outro com a mão esquerda;
 Aprume-se; use uma roupa de cor diferente das usuais;
 Experimente escrever com a mão “errada”;
 Saia da rotina;
 Varie a ordem de sua rotina;
 Escolha um caminho diferente;
 Leia um livro;
 Leia em voz alta (ativa outras áreas do cérebro);
 Ouça música;
 Troque de estação do rádio para uma diferente;
 Vá ao teatro e ao cinema;
 Assista a um documentário;
 Faça palavras cruzadas;
 Durma do outro lado na cama, durma virado para os pés da cama, de vez em quando, só para variar;
 Tenha mais contacto com a natureza e observe-a;
 Experimente sabores diferentes dos habituais;
 Dedique um dia a um sentido diferente (a todos os cheiros, formas geométricas, cores, sons, etc.);
 Preste atenção a todos os sons e cheiros na rua, junto aos cafés, à padaria, ao supermercado, à
peixaria, às livrarias;
 Compre barro e modele um peixe, uma flor, etc.;
 Pinte uma tela. Faça de conta que é um artista;
 Faça de conta que é um cantor. Cante sua música;
 Preste atenção a sua refeição, sabor, cheiro, textura do alimento, talheres, louça, conversas, risos;
 Inicie um novo passatempo;
 Cuide de uma planta ou de um aquário;
 Pratique o relaxamento;
 Experimente um banho com óleos aromáticos, perfumes diferentes, etc.;
 Pratique a meditação;
 Exercite seu corpo;
 Escreva uma história, um conto, uma poesia;
 Faça exercícios respiratórios;
 Faça exercícios físicos moderados;
 Decore um verso, uma música, a lista de compras;
 Faça aulas de dança ou pratique a dança;
 Faça um curso de culinária;
 Associe uma música a uma cor e a um cheiro.
 Evite tensões desnecessárias.
 Quando não entender bem algo que lhe foi dito, pergunte!
 Anote tudo o que for importante num caderno ou numa agenda.
 Participe em jogos que envolvam raciocínio.
 Seja uma pessoa flexível, esteja aberto para ouvir. As pessoas que não são flexíveis acabam por ser
excluídas do seu meio social.
 Quando lhe fizerem uma pergunta e não conseguir lembrar-se da resposta imediatamente, não se sinta
constrangido, use recursos para ganhar tempo extra para responder: sorria, ajeite os óculos, repita a
pergunta, respire fundo, limpe a garganta, etc.

Actividade 5. Pense num jogo que conheça que exercite a memória, um jogo que implique a
resolução de problemas e um jogo que exija a realização de atividades muito variadas (por
exemplo, escrita, coordenação motora e expressão de emoções).
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Capítulo II: A sexualidade na velhice

Em primeiro lugar é importante compreender que, neste manual, o conceito de sexualidade é entendido
como muito mais do que sexo. É uma questão de identidade, de expressão de afetos, de relação com o
corpo e com os papéis sociais associados ao género.

Mesmo no que respeita especificamente à atividade sexual propriamente dita, devemos também
compreender que esta não deixa de ser importante nesta fase da vida. Apesar de este poder não ser
igual em termos de quantidade e qualidade, esta poderá ser sempre agradável e gratificante.

As alterações biológicas e psicossociais que ocorrem ao longo da vida (e que já aqui foram referidas) são
fatores determinantes para a expressão comportamental da sexualidade.

A sexualidade está presente em tudo: em todo o nosso corpo, quer na estrutura, quer nas funções; no
nosso psiquismo e na nossa identidade; nas relações que estabelecemos com os outros; na organização
social, na estrutura das famílias, das instituições, na cultura, etc.

Fatores que influenciam a mudança de comportamento sexual na velhice

Entende-se por determinantes biológicos da vivência da sexualidade na terceira idade, os fatores


genéticos, neurológicos, hormonais, anatómicos e fisiológicos.

Destes fatores considera-se pertinente clarificar as alterações que ocorrem a nível fisiológico
diferenciando-as em termos de género masculino e feminino.

O processo de envelhecimento sexual inicia-se entre os 30 e os 35 anos, ao qual se segue um processo


lento que varia de pessoa para pessoa.

Crise da menopausa

Nas mulheres o processo de envelhecimento sexual tem uma marca biológica evidente: a menopausa.

Já nos homens não existe uma marca claramente identificável. Verificam-se sim, alterações lentas e
fundamentalmente regulares.

A menopausa (meno=menstruação, pausis=cessação), é um processo natural na mulher, que se


caracteriza pela paragem definitiva das menstruações, resultante da diminuição progressiva do ritmo
de ovulação.
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O climatério corresponde ao período onde se iniciam as primeiras manifestações sinalizadoras da


menopausa, tais como, irregularidades menstruais, afrontamentos, alterações de humor,
terminando cerca de um ano após a data da última menstruação.

A falência dos ovários ocorre habitualmente entre os 45 e os 50 anos.

Com o envelhecimento, a mulher sofre ainda outras alterações fisiológicas:

 A vagina diminui de tamanho, fica mais estreita e perde a elasticidade;


 A lubrificação é de aparecimento mais demorado e é menos intensa;
 Diminuição da intensidade e da frequência das contrações;
 Os seios perdem a firmeza e o tamanho.

A passagem de uma fase reprodutiva, para uma fase pós reprodutiva vai exigir às mulheres um
ajustamento físico e psicológico.

Este torna-se mais difícil pelo negativismo socialmente construído e


individualmente incorporado, que tende a desvalorizar a mulher
nesta fase da vida, uma vez que, na sociedade, a feminilidade ainda
se encontra fortemente conotada com a maternidade.

A perda de capacidade procriativa pode ter um significado gerador


de sentimentos de inferioridade.

A andropausa (andros=masculino, pausis=cessaçao), foi o termo


encontrado para fazer a analogia com a menopausa (feminina)
chegando mesmo a chamar-se de menopausa masculina.

Contudo, não existe consenso quanto ao termo, uma vez que este
significa etimologicamente “acabou como homem”, podendo levar
assim a interpretações erradas, quer no que respeita à vivência da
sexualidade, quer no que concerne ao exercício do papel de género.

Ao contrário do que acontece no feminino, no homem não existe um marcador claro sendo que a sua
manifestação varia muito de homem para homem, quer quanto ao seu aparecimento, quer quanto à sua
intensidade, não fazendo sentido no caso de alguns homens falar em andropausa.

O envelhecimento masculino em geral podem levar ao surgimento de alterações sexuais, que não devem
contudo, ser generalizadas a todos os homens.
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As principais alterações fisiológicas que ocorrem no homem são:

 Diminuição da produção de esperma e de testosterona, a partir dos 40 anos e 55 anos


respectivamente;
 Ereção mais lenta e menos firme;
 Diminuição da quantidade de sémen emitido;
 Elevação menor e mais lenta dos testículos;
 Redução da tensão muscular.

As mulheres aceitam melhor que os homens as alterações que afetam a esfera estritamente sexual.
Contudo, aceitam pior o processo geral de envelhecimento, nomeadamente no que diz respeito à sua
imagem corporal.

A diminuição do interesse sexual e da frequência sexual são


características mais preponderantes nas mulheres. Estes dados
encontram-se contudo excessivamente ligados numa
sexualidade funcional, focada nos genitais e no desempenho
sexual.

No que respeita ao homem, estas alterações podem ser mal


aceites sobretudo se este assimilou o modelo de sexualidade
juvenil, (redução da relação sexual ao ato coital), na medida em
que é dado como perdido.

O homem idoso consegue atingir e manter uma ereção


adequada, com as condicionantes que (a) pode levar mais
tempo a consegui-lo e (b) exige uma estimulação mais eficaz e
localizada no genital.

A tendente diminuição da atividade sexual nos homens, não


resulta obrigatoriamente da existência de disfunções sexuais.

A forma negativa com que os idosos vivem a sua sexualidade nesta fase da sua vida é muitas vezes
causada pela comparação da sexualidade presente com a do passado.

O próprio estado físico geral, bem como os problemas de saúde concretos, podem favorecer ou limitar o
interesse na atividade sexual durante a velhice, com especial relevo para doenças do foro oncológico,
quadros depressivos, a diabetes, problemas reumatológicos e cardiovasculares entre outros.
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Todavia, algumas destas limitações fisiológicas, e a situação clínica dos idosos, podem converter-se numa
vantagem para a relação sexual, nomeadamente no retardamento do processo de excitação e num maior
controlo do processo de ejaculação.

Na verdade, estas características da sexualidade na velhice proporcionam a que ambos os géneros


possam desfrutar de relações sexuais mais lentas e mais centradas nas carícias mútuas e na comunicação.

Desde que exista uma adaptação adequada às alterações fisiológicas, poderá verificar-se um
enriquecimento da sexualidade na terceira idade.

Logo, a velhice não justifica em si mesma uma perda brusca e significativa da atividade sexual.

Mesmo quando o coito não é possível ou desejado, numa relação, é possível que a sexualidade e o
erotismo continuem a possibilitar inúmeras formas de obter prazer e satisfação sexual.

Sexualidade depois dos 60 anos

Os fatores Psicossociais podem também condicionar a vivência da sexualidade na terceira idade.

Primeiramente teremos de ter em conta o contexto social e histórico em


que os idosos estiveram inseridos ao longo do seu ciclo de vida, uma vez
que este, aberto ou repressivo, pode influenciar a forma como o idoso
encara a sua sexualidade.

A história sexual de cada indivíduo influência a vivência da


sexualidade na terceira idade.

Eis alguns dos principais fatores psicossociais que condicionam a atividade sexual na velhice:

 O modelo de sexualidade dominante (modelo juvenil, genital e reprodutivo) é ameaçador porque no


idoso estas características não estão presentes;
 O modelo dominante de figura corporal atrativa (baseado na juventude, elegância, vigor físico,
ausência de gordura) pode levar a que os idosos se sintam feios e indesejáveis do ponto de vista
sexual, visto que já não se enquadram nestas características;
 A ausência de parceiro sexual – os viúvos e os solteiros dificilmente dispõe de parceiros sexuais
mesmo que o desejem;
 O tipo de relações estabelecidas (rotineiras, insatisfatórias ou conflituosas) pode diminuir o desejo
sexual, o grau de excitação e até mesmo a própria capacidade sexual;
 As dificuldades económicas ou sociais podem diminuir o interesse e as capacidades sexuais, na
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medida em que, esta situação pode gerar tensão e sensação de marginalização;


 As condições físicas (álcool, fadiga física, obesidade, falta de higiene) podem influenciar o desejo
sexual e as possibilidades de se tornarem atrativos;

 O receio de não serem capazes de terem relações sexuais coitais ou de proporcionar prazer pode
causar ansiedade e insegurança;
 A atitude negativa por parte dos filhos e da sociedade em geral pode tornar-se numa dificuldade
insolúvel na medida em que os persegue e os culpabiliza.
 As atitudes conservadores das Instituições para a terceira idade cria dificuldades acrescidas para os
idosos e a falta de espaço e de condições adequadas faz com que os idosos não casados não possam viver
a sua sexualidade dentro delas.
 As convenções sociais relativas à idade são desfavoráveis, à mulher, na medida em que deve casar-se
com homens mais velhos ou da mesma idade e os homens tendem a casar-se com mulheres mais jovens.

Um olhar mais atento, permite concluir que alguns dos condicionalismos enumerados têm subjacente
crenças e pressupostos falsos, que têm vindo a deturpar a forma como a sexualidade é vivida e sentida
pelos idosos.
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Na verdade, existem na nossa sociedade uma série de falsas ideias associadas à sexualidade
na terceira idade, tais como:

 O coito e a emissão de sémen conduzem a um envelhecimento e à morte;

 A masturbação é um ato infantil;

 Após a menopausa a mulher perde satisfação sexual;

 Os idosos são vulneráveis a desvios sexuais como o exibicionismo e parafilias;

 As mulheres idosas que apreciam sexo foram ninfomaníacas;

 Quem deixa de ter capacidade sexual nunca mais voltará a ter;

 Os idosos não têm capacidades fisiológicas que lhes permitam ter comportamentos sexuais;

 Os idosos não têm interesses sexuais;

 Os idosos que se interessam pela sexualidade são perversos;

 Os desvios sexuais são mais frequentes nos idosos;

 A atividade sexual é má para a saúde, especialmente na velhice;

 A reprodução é o único fim da sexualidade e, portanto, não faz sentido que os idosos tenham
atividade sexual;
 Os homens idosos têm interesses sexuais mas as mulheres não;
 Os idosos, pelo facto de serem idosos, são feios;
 É indecente e de mau gosto que os idosos manifestem interesses sexuais;
 A masturbação apenas ocorre em idosos com perturbações psíquicas;
 Os idosos com doenças deixam de ter atividade sexual.
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Ao longo dos tempos a questão da sexualidade foi sempre entendida de diversas formas, revestida de
ambivalências. Se por um lado foi reprimida, por outro lado também era desejada, continuando contudo,
a ser objeto de transgressões privadas.

A sexualidade faz parte da nossa existência e não pode, por isso,


ser indissociável da nossa condição humana.

Esta dimensão humana não pode ser ocultada ou


culpabilizada, nem envolvida por atitudes que enviesem e
dificultem a vivência gratificante da mesma.

Não há motivos para que a vivência da sexualidade na velhice


não seja uma realidade se assim for pretendida.

Na verdade, as expressões da sexualidade, o próprio desejo


com o decorrer da relação, da idade e dos acasos e percursos
de vida, mudam ao longo do tempo, não advindo
necessariamente do processo de envelhecimento.

Por este motivo não existe relação direta com a vivência da sexualidade na terceira idade. Quer pelas
questões morais, quer pela representação social que existe sobre o idoso, a vivência da sexualidade na
velhice tem frequentemente uma conotação negativa, ou de estranheza, podendo esta, acabar por ser
interiorizada constituindo-se assim uma condicionante, impondo muitas vezes a sua própria castração.

Este tipo de atitudes moldadas pelo preconceito e pela ignorância suportam todo um conjunto de
comportamentos que negam os mais elementares direitos do indivíduo. Direitos esses que podem
colocar em causa a autodeterminação do indivíduo e sua própria qualidade de vida.

Com efeito, vivemos numa sociedade que por um lado estimula e por outro lado reprime a sexualidade.
Aos jovens é permitida, embora que criticado, a vivência da sua sexualidade como fenómeno natural,
mas ao idoso é secundarizado esta dimensão, pensando-se mesmo, estes como seres assexuados ou
então como “um desbragado”.

Deve-se entender que a sexualidade não é exclusiva dos jovens e dos adultos saudáveis e
atraentes, mas sim uma expressão de cada ser individualmente.

A sexualidade deve fazer parte integrante no projeto de vida do idoso, e por isso deve ele próprio decidir
se quer ou não vivê-la.

Todo o homem é sem dúvida um ser sexual, e isso manifesta-se no que é, no que faz, e como pensa.
Assim sendo, a sua expressão faz parte integrante do seu projeto de vida.
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As necessidades físicas, biológicas, e psicológicas, embora se alterem ao longo da vida, não mudam o
facto de ser-se pessoa, com sentimentos, vontades, gostos, em poucas palavras: não lhes retira a
capacidade de amar, sentir e desejar.

A forma de viver a sexualidade ao longo da vida, vai-se alterando, quer pelo amadurecimento próprio do
processo de envelhecimento, quer por alterações ao nível fisiológico, afetivo e emocional. As diferentes
fases da vida, comportam diferentes formas de viver e sentir o amor e a sexualidade.

Amor e sexualidade na pessoa idosa

É preciso reconhecer o protagonismo da amizade, do amor e da companhia: a reciprocidade e a entrega


sem limites.

Só o amor traduzido em reciprocidade e fidelidade podem preencher e dar sentido a esta última etapa da
nossa vida.

Para o Idoso, é imprescindível levar uma vida sexual saudável e agradável até ao final, acompanhado da
pessoa amada, sentindo uma mão que o acaricie, que o atrai e o ama. Sendo esta a melhor razão para
continuar a viver.

O amor e a sexualidade estão sempre a postos para serem redescobertos, aprendidos e revalorizados.

À medida que a pessoa envelhece e as limitações biológicas aparecem, surge a necessidade de fazer um
inventário da sua vida sexual e uma avaliação das relações sexuais mantidas até então.
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Obtendo como resultado a constatação de que o prazer não se reduz a uma parte do corpo, mas que
todo ele participa.

Parte do segredo está em descobrir que a expressão


sexual não é uma questão de “força, juventude,
atletismo e produção”, mas da própria capacidade
sensual, às vezes mais agradáveis que as respostas
genitais.

A sexualidade humana implica duas linguagens


complementares que nem sempre atuam juntas.

A primeira linguagem é demasiado imperiosa,


agressiva, dura, descontrolada, de exigências rápidas
(dos jovens).

A segunda linguagem, empreende um jogo gratuito,


lúdico e sem rodeios, com o único objetivo de
transmitir felicidade e recebe-la.

São pois as pessoas idosas que devem ensinar-nos que o tato, a carícia e a ternura, não estão vinculados
ao processo de envelhecimento biológico e, com a idade em vez de diminuir e deteriorar-se, aumentam
em qualidade e necessidade para, como o melhor remédio, permitir viver com prazer e alegria.

Os idosos devem considerar a sexualidade na sua idade como um jogo relaxante, expansivo e
ocupacional do tempo de que dispõem e ao qual tem direito. Por intermédio do jogo erótico livram-se do
peso de todas as preocupações provenientes da vida real. Este jogo é um grande meio e uma das funções
e significados da sexualidade humana.

A carícia faz com que o idoso sinta o seu corpo como sendo valioso, desejado, atraente e querido, numa
sociedade que o abandona.

É uma sensação agradável que estimula as pessoas a aproximarem-se sem gerar de modo sistemático a
necessidade de coito. Vai-se desencadeando em todo o corpo, indo parar ao cérebro, que avalia, e que
depois aceita ou rejeita, a passagem à ação do contexto afetivo.

O tato tem uma intensa conotação psíquica. Não é uma simples sensação física, mas emoção e
comunicação. Sentimos, amamos, detestamos e comunicamos por meio da pele. Por intermédio do tato
estabelecemos a nossa primeira comunicação quando nascemos e é a melhor linguagem que nos resta
para falarmos no processo de envelhecimento.

O contacto cutâneo é simultaneamente uma emoção, uma comunicação, algo que proporciona
segurança.
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Os estímulos cutâneos são essenciais e imprescindíveis para a autorrealização da pessoa idosa.

Uma estimulação táctil cheia de ternura é uma necessidade primária para aceitar de maneira ativa o
processo de envelhecimento e que deve ser satisfeita para que as pessoas idosas continuem a
desenvolver-se como seres humanos saudáveis e equilibrados (psíquico e físico).

Como profissionais da área da geriatria devemos ter estes factos sempre presentes e devemos dar o
nosso contributo para que a sociedade, as instituições e os próprios idosos aceitem a sexualidade de uma
forma mais natural e menos preconceituosa.
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Conclusão

Uma das canções mais bonitas — e tristes — da história da música começa a dizer "hope there's someone
who'll take care of me". É verdade que Antony and The Johnsons consegue comover o ouvido mais ateu
mas também não deixa de ser verdade que isto é — e sempre foi — uma das grandes preocupações da
humanidade.
O que há-de ser de nós em velhinhos?

Enquanto ainda andamos distraídos — e realmente preocupados — a pensar no que será de nós amanhã, a
velhice fica lá algures bem ao fundo do corredor e parece-nos distante em dioptrias.

Olho para a minha avó. (A sorte de ter uma avó e de lhe percorrer as rugas à procura de histórias por
ouvir.) A minha avó nunca teve medo da idade, como nunca teve medo da vida, e tem a sorte de estar
lúcida e acompanhadíssima de amor. A minha avó cuida-se, como sempre gostou de se cuidar, está capaz
de uma autonomia rara e não depende dos outros para nada. Pese embora a raridade, custa-me olhar à
volta e ver como o país trata de tantos "avós". Para começar, a tendência de falar deles como quem fala
dos "velhos". Não, não se incomodem, eu ainda sei que a palavra consta do dicionário, mas ouvir frases
como "olha aquele velho" ou "a velha foi lá a casa hoje" é como assistir a alguém que puxa bem do fundo
do brônquio aquela expetoração viscosa que vai disparar para o chão. Enoja-me.

Como todos já fomos mais novos, um dia, todos nós havemos de ser velhinhos. Parece-vos infantil o
diminutivo, é? Estou a amaciar a palavra "velhos" com um paninho, será? Pois que esteja, eles merecem-
me, pelo menos, essa deferência. Comecemos por ser elegantes com eles, pode ser? Continuemos por
ouvir as histórias que eles nos repetem à exaustão. Já as ouvimos no Natal anterior. Nos outros, também. E
depois? Havemos de poder deixar de as ouvir, aproveitemos as repetições até à inconsciência absurda da
lucidez. Façamo-los sentir mais novos. Pois que usem os telemóveis — e que lhes sejam úteis à solidão —
assim tenhamos nós que perder uma tarde da nossa ocupação dois ponto zero a explicar que o verde é o
botão que atende e o vermelho é onde se desliga. Ouçamos os conselhos que têm para dar, assim fiquemos
a perceber que neles havemos sempre de ter cinco anos: "Agasalha-te do frio".
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Velhice é a qualidade do que é velho (alguém de idade avançada ou algo antigo e que não é novo nem
recente). A velhice faz referência à senilidade ou idade senil. Embora não exista uma idade exata que se
possa considerar como o começo da velhice, costuma-se dizer que uma pessoa é velha depois de passar a
casa dos 70 anos.

A velhice também está relacionada com a categoria social que se conhece por terceira idade. As pessoas
desta faixa etária, regra geral, estão reformadas (ou seja, já não trabalham e, por conseguinte, não fazem
parte da população economicamente ativa) e, em muitos casos, já são avós.

A baixa taxa de natalidade e a melhoria na esperança de vida de muitos países fez crescer o grupo
populacional da terceira idade. A sociedade enfrenta portanto o desafio de continuar a oferecer
oportunidades às pessoas que se encontram na sua velhice.

As pessoas idosas, como já não trabalham, precisam do apoio do Estado para gozar de uma boa qualidade
de vida. Nas nações subdesenvolvidas, esse apoio é precário, daí a velhice tender a ser sinónimo de
penúrias. Não nos podemos esquecer que, com a velhice surgem as doenças e os transtornos físicos como a
artrose, a osteoporose e a doença de Alzheimer.

Isto faz que a noção de velhice também seja usada para fazer alusão aos problemas de saúde e às atitudes
próprias dessa idade. Por exemplo: “Não me lembro onde guardei as chaves: deve ser da velhice”, “Hoje,
doem-me muito as costas e quase que nem consigo caminhar, mas não me posso queixar… são coisas
normais da velhice”.
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Referências Bibliográficas

 Manual de psicologia do idoso – Teresa Ramilo, Instituto Monitor, 2000


 Manual do formador: Apoio a idosos em meio familiar – Maria do Carmo Cabêdo Sanches e
Fátima João Pereira, Projecto Delfim, s.d.
 Psicologia do adulto e do idoso – Helena Marchand, 2005
 Psicologia do envelhecimento do idoso – José H. Barros de Oliveira, Legis Editora, 2005
 Psicologia do idoso – Ana Castanho, Soforma – formação profissional, 1999