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UNIDADE:

Técnicas de socorrismo
3743

TIPOLOGIA:

Formação para desempregados

DURAÇÃO

50 h
Conteúdo
Objectivos Especificos...................................................................................................3
Objectivos Gerais...........................................................................................................3
Conteúdos Programáticos.............................................................................................3
Capítulo I – Sistema Integrado de emergência médica.......................................5
Capítulo II – Tripulantes de ambulância de transporte.....................................10
Anatomia e fisiologia do corpo humano......................................................10
Exame a vítima......................................................................................................12
Suporte básico de vida.......................................................................................14
Oxigenoterapia......................................................................................................16
Hemorragias...........................................................................................................19
Hipovolémia............................................................................................................22
Traumatologia........................................................................................................22
Queimaduras..........................................................................................................23
Parto iminente.......................................................................................................24
Técnicas de remoção e imobilização da vítima........................................27
Tripulante e ambulância....................................................................................30
Capítulo III – Mecanismos para situações de emergência................................31
Técnicas de ajuda verbal...................................................................................31
Técnicas de promoção para relação empática.........................................31
Técnicas de ajuda verbal de alívio ao sofrimento....................................32
Técnicas de ajuda verbal em doença física e estados crónicos.........33
Técnicas de ajuda verbal para tentativas de suicídio............................34
Técnicas de ajuda verbal na morte...............................................................36
Técnicas de ajuda verbal a socorristas........................................................37
Capítulo IV – Acidentes com número elevado de vítimas................................39
Grupo de triagem.................................................................................................39
Grupo de assistência pré-hospitalar..............................................................40
Grupo de evacuação secundária....................................................................41
Capítulo V – Procedimentos de segurança...........................................................42
Capítulo VI – Preparação Física...............................................................................46
Conclusão......................................................................................................................51
Bibiografia....................................................................................................................52
Objectivos Especificos

A unidade de 3743 - Técnicas de socorrismo tem por objectivo dotar o/a formando/a
com as competências necessárias para:
 Identificar o sistema integrado de emergência médica.

Objectivos Gerais

A unidade de formação 3743 - Técnicas de socorrismo tem por objectivo dotar o/a
formando/a com as competências necessárias para:
 Identificar as situações de risco imediato, procedendo ao exame primário da
vítima.
 Executar e identificar os riscos inerentes à execução das manobras de SBV.
 Identificar e caracterizar as técnicas de ajuda verbal e de promoção das
relações empáticas.
Conteúdos Programáticos

 Sistema integrado de emergência médica

 Tripulante de ambulância de transporte

o Anatomia e fisiologia do corpo humano


o Exame da vítima
o Suporte básico de vida (SBV)
o Oxigenoterapia
o Hemorragias
o Hipovolémia
o Traumatologia
o Queimaduras
o Parto iminente
o Técnicas de remoção e imobilização da vítima
o Tripulante e ambulância

 Mecanismos para situações de emergência

o Técnicas de ajuda verbal


o Técnicas de promoção para a relação empática
o Técnicas de ajuda verbal de alívio ao sofrimento
o Técnicas de ajuda verbal em doença física e estados crónicos
o Técnicas de ajuda verbal para tentativas de suicídio
o Técnicas de ajuda verbal na morte
o Técnicas de ajuda verbal a socorristas

 Acidentes com elevado número de vítimas

o Grupo de triagem
o Grupo de assistência pré-hospitalar
o Grupo de evacuação secundária

 Procedimentos de segurança

 Preparação física

50 Horas
Capítulo I – Sistema Integrado de emergência médica

O SIEM é o conjunto de ações coordenadas, de âmbito extrahospitalar,


hospitalar e inter-hospitalar, que resultam da intervenção ativa e dinâmica dos
vários componentes do sistema de saúde nacional, de modo a possibilitar uma
atuação rápida, eficaz e com economia de meios em situações de emergência
médica. Compreende toda a atividade de urgência/emergência,
nomeadamente o sistema de socorro pré-hospitalar, o transporte, a receção
hospitalar e a adequada referenciação do doente urgente/emergente.

FASES DO SIEM

Tendo como base o símbolo da ‘Estrela da Vida’, a cada uma das suas pontas
corresponde uma fase do SIEM.
Deteção
Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma ou mais
vítimas de doença súbita ou acidente.

Alerta
É a fase em que se contactam os serviços de emergência, utilizando o Nú mero
Europeu de Emergência - 112.

Pré-socorro
Conjunto de gestos simples que podem e devem ser efetuados até à chegada do
socorro.

Socorro
Corresponde aos cuidados de emergência iniciais efetuados à s vítimas de doença
sú bita ou de acidente, com o objetivo de as estabilizar, diminuindo assim a
morbilidade e a mortalidade.

Transporte
Consiste no transporte assistido da vítima numa ambulâ ncia com características,
tripulaçã o e carga bem definidas, desde o local da ocorrência até à unidade
de saú de adequada, garantindo a continuidade dos cuidados de emergência
necessá rios.

Tratamento na Unidade de Saúde


Esta fase corresponde ao tratamento no serviço de saú de mais adequado ao estado
clínico da vítima.
Em alguns casos excecionais, pode ser necessá ria a intervençã o inicial de um
estabelecimento de saú de onde sã o prestados cuidados imprescindíveis para a
estabilizaçã o da vítima, com o objetivo de garantir um transporte mais seguro para
um hospital mais diferenciado e/ou mais adequado à situaçã o.
INEM

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da


Saúde responsável por coordenar o funcionamento, no território de Portugal
continental, de um sistema integrado de emergência médica (SIEM), de forma a
garantir aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a pronta e correta prestação
de cuidados de saúde. A prestação de socorros no local da ocorrência, o transporte
assistido das vítimas para o hospital adequado e a articulação entre os vários
intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia, etc.), são as principais tarefas
do INEM.

A organização da resposta à emergência, fundamental


para a cadeia de sobrevivência, simboliza-se pelo Número Europeu de Emergência -
112 e implica, a par do reconhecimento da situação e da concretização de um pedido
de ajuda imediato, a existência de meios de comunicação e equipamentos necessários
para uma capacidade de resposta pronta e adequada.

O INEM, através do Número Europeu de Emergência


- 112, dispõe de vários meios para responder com eficácia, a qualquer hora, a
situações de emergência médica.

As chamadas de emergência efetuadas através do número 112 são atendidas em


centrais de emergência da Polícia de Segurança Pública (PSP). Atualmente, no
território de Portugal Continental, as chamadas que dizem respeito a situações de
saúde são encaminhadas para os Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)
do INEM

CODU

Compete ao CODU atender e avaliar no mais curto espaço de tempo os pedidos de


socorro recebidos, com o objetivo de determinar os recursos necessários e adequados
a cada caso. O funcionamento do CODU é assegurado em permanência por médicos e
técnicos, com formação específica para efetuar:
O atendimento e triagem dos pedidos de socorro;
O aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;
A seleção e acionamento dos meios de socorro adequados;
O acompanhamento das equipas de socorro no terreno;
O contacto com as unidades de saúde, preparando a receção hospitalar dos
doentes.

Ao ligar 112 deverá estar preparado para informar:

A localização exata da ocorrência e pontos de referência do local, para facilitar


a chegada dos meios de socorro;
O número de telefone de contacto;
O que aconteceu (ex. acidente, parto, falta de ar, dor no peito);
O número de pessoas que precisam de ajuda;
Condição em que se encontra(m) a(s) vítima(s);
Se já foi feita alguma coisa (ex. controlo de hemorragia);
Qualquer outro dado que lhe seja solicitado (ex. se a vítima sofre de alguma
doença ou se as vítimas de um acidente estão encarceradas).

Siga sempre as instruções que lhe derem, elas constituem o pré-socorro e são
fundamentais para ajudar a(s) vítima(s). Desligue o telefone apenas quando lhe for
indicado e esteja preparado para ser contactado posteriormente para algum
esclarecimento adicional.
O CODU têm à sua disposição diversos meios de comunicação e de atuação no terreno,
como sendo as ambulâncias INEM, as motas, as VMER e os helicópteros de
emergência médica. Através da criteriosa utilização dos meios de telecomunicações ao
seu dispor, o CODU têm capacidade para acionar os diferentes meios de socorro,
apoiá-los durante a prestação de socorro no local das ocorrências e, de acordo com as
informações clínicas recebidas das equipas no terreno, selecionar e preparar a receção
hospitalar dos diferentes doentes.

O INEM presta também orientação e apoio noutros campos da emergência tendo,


para tal, criado vários sub-sistemas: CODU-MAR e CIAV.

CIAV

O Centro de Informação Antivenenos (CIAV) é um centro médico de informação


toxicológica. Presta informações referentes ao diagnóstico, quadro clínico, toxicidade,
terapêutica e prognóstico da exposição a tóxicos em intoxicações agudas ou crónicas.

O CIAV presta um serviço nacional, cobrindo a totalidade do país. Tem disponíveis


médicos especializados, 24 horas por dia, que atendem consultas de médicos, outros
profissionais de saúde e do público em geral.
Capítulo II – Tripulantes de ambulância de transporte

Anatomia e fisiologia do corpo humano

O corpo humano apresenta sistemas biológicos que realizam funções específicas


necessárias para a nossa vida. Em nosso site você poderá encontrar artigos
direcionados para cada um destes sistemas na anatomia humana:

 Sistema Esquelético
Nosso corpo possui 206 ossos, divididos em diferentes grupos: ossos da cabeça, do
pescoço, do ouvido, do tórax, do abdômen, dos membros inferiores e dos membros
superiores.

 Sistema Muscular
O corpo humano é composto por cerca de 600 músculos, que juntos representam
cerca da metade do peso humano. Existem diferentes tipos e formatos de músculos, os
quais são apresentados em nossa seção sobre o sistema.

 Sistema Tegumentar
A pele humana é o maior órgão de nosso corpo. Na anatomia humana, este órgão é
descrito e estudado no sistema tegumentar, que também inclui o cabelo e as unhas.

 Sistema Urinário
Sistema responsável pela eliminação da ureia, criada a partir de alimentos consumidos.
O sistema é composto por 2 rins, 2 ureteres, a bexiga, os músculos do esfíncter e a
uretra.
 Sistema Respiratório
Importante área de estudo na anatomia humana, o sistema respiratório é responsável
pela respiração humana e as trocas gasosas com meio ambiente.

 Sistema Endócrino
Sistema da anatomia humana no qual se encontram diferentes glândulas
importantíssimas para o corpo humano. Tais glândulas possuem funções tais como o
metabolismo, crescimento e função sexual.

 Sistema Nervoso
O Sistema Nervoso controla as ações voluntárias e involuntárias do corpo humano. O
sistema é divido em Sistema Nervoso Central e Periférico. O primeiro consiste no
Cérebro e na Medula Espinhal, o segundo consiste-se nos Nervos.

 Sistema Circulatório
Importante sistema da anatomia humana responsável sangue, nutrientes, oxigênio,
dióxido de carbono e hormônios, em torno do corpo.

 Sistema Digestivo
Sistema responsável pela digestão dos alimentos consumidos pelo ser humano. Fazem
parte desse sistema:boca, esófago, estômago, intestino delgado, intestino grosso,
recto e ânus. O fígado e pâncreas produzem sucos digestivos e costumam
serem incluídos no sistema.

O corpo encontra-se devidido nos seguintes grupos regionais:

 Cabeça e pescoço — inclui tudo que está


acima da abertura torácica superior
 Membro superior — inclui a mão, antebraço,
braço, ombro, axila, região peitoral e região
escapular.
 Tórax — é a região do peito compreendida
entre a abertura torácica superior e o
diafragma torácico
 Abdômen — é a parte do tronco entre o
tórax e a pelve.
 Costas — a coluna vertebral e seus
componentes, as vértebras e os discos
intervertebrais
 Pelve e períneo — sendo aquele a região de
transição entre tronco e membros inferiores
e este a região superficial entre sínfise
púbica e cóccix
 Membro inferior — geralmente é tudo que
está abaixo do ligamento inguinal, incluindo a
coxa, articulação do quadril, perna e pé.

Exame a vítima

O exame da vítima é executado logo que o socorrista chega junto da vítima. O seu
objectivo é detectar situações de perigo de vida imediato. Antes de iniciar a prestação
dos cuidados de emergência, o socorrista deve fazer um rápido e minucioso exame
para avaliar a existência de alterações dos sinais vitais, provocadas por lesões que
possam pôr em perigo a vida da vítima.

Ao chegar ao local deve:

1. Avaliar os factores de risco para a(s) vítima(s) e para o(s) socorrista(s);


2. Certificar-se de que são accionados os meios adequados para a situação em causa.
Por exemplo, ao chegar ao local em que há um incêndio com vítima, deve solicitar os
bombeiros e uma ambulância.

Atenção: suspeitar sempre de lesões de coluna quando se trata uma vítima de queda
ou de acidente.

No exame da vítima deve-se:

1. Avaliar o estado de consciência;

2. Avaliar se a vítima ventila;

3. Detectar hemorragias externas graves;

4. Detectar se tem sinais evidentes de choque;

5. Avaliar e corrigir, logo que detectados, os factores de risco para a vida da vítima;

6. Verificar os Sinais Vitais (Ventilação, pulso, pressão arterial e temperatura). Os sinais

vitais são os principais indicadores das funções vitais. É fundamental fazer uma

avaliação desses sinais e em vítimas instáveis deve-se reavaliar as vezes que considere

necessárias.
Os sinais vitais que são avaliados são: ventilação, pulso, pressão arterial e temperatura.

Ventilação
Ao conjunto de uma inspiração e uma expiração dá-se o nome de ciclo ventilatório.
A ventilação é caracterizada por:
• Frequência – Contabiliza-se em número de ciclos ventilatorios por minuto.
Consideram-se valores normais de referência entre 12 a 20 ciclos ventilatorios.
• Amplitude – A Amplitude da ventilação pode ser Superficial, Normal ou Profunda.
• Ritmo – O ritmo é Regular ou Irregular.

Pulso
O pulso é a onda de sangue que percorre as artérias cada vez que o coração contrai.
O pulso é caracterizado por:
• Frequência - número de vezes que se sente a onda num minuto. Considera-se
frequência normal entre 60 a 90 por minuto;
• Amplitude – A amplitude do pulso é Cheio ou Fraco;
• Ritmo – O ritmo pode ser Regular ou Irregular.

Pressão arterial
A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra a parede das artérias.
Avalia-se a máxima (sistólica) e a mínima (diastólica).
Consideram-se valores normais de referência para a máxima entre os 100 e os 140
mm/Hg. Para a mínima entre os 60 e os 90 mm/Hg.

Temperatura
A temperatura deve ser verificada,
utilizando as costas da mão sendo a
temperatura do socorrista a referência para
detectar a Hipertermia (> 37,5°C), Normal
(35,0°c a 37,5°c) e Hipotermia (<35
°C).
Suporte básico de vida

O que é o SBV (suporte básico de vida)? Conjunto de medidas utilizadas para


restabelecer a vida de uma vitima em paragem cardio-respiratória. Com o objectivo de
recuperar a vitima para uma vida comparável à que tinha previamente ao
acontecimento.

Algoritmo do SBV:
Garanta condições de segurança (a sua e a da vitima)
Avalie o estado de consciência (abane suavemente e chame em voz alta)
Se inconsciente GRITE POR AJUDA e execute o “VOS”

Técnica da extensão da cabeça e elevação do maxilar inferior: Vítima inconsciente


(não responde aos estímulos):

Permeabilize a Via Aérea (fazer uma ligeira tracção superior com dois dedos
colocados sob o maxilar inferior)
Pesquise corpos estranhos na cavidade oral

Avaliar a ventilação:
VOS
V – ver (movimentos do tórax)
O – ouvir (ouvir sons respiratórios)
S – sentir (sentir ar expirado)
VERIFICAÇÃO DA VENTILAÇÃO
Verifique se a vítima ventila normalmente enquanto mantém as vias aéreas
desobstruídas.
- Verifique se o tórax se move para cima e para baixo;
- Tente ouvir sons de ventilação na boca da
vítima;
- Tente sentir a ventilação da vítima na sua face.
Quando tentar verificar se a vítima ventila
normalmente, deve olhar, ouvir e sentir até 10
segundos.
Nos primeiros minutos após a paragem
cardiorrespiratória, parece frequentemente que
a vítima está a tentar ventilar. Pode parecer que a sua ventilação é fraca ou que
faz ligeiros ruídos irregulares.

Se inconsciente mas ventila:

Coloque-a em PLS (Posição Lateral de Segurança)

Se a vitima não ventila:

Inicie ciclos de compressões torácicas (coloque as mão no meio do tórax de


vitima e faça-o descer cerca de 4 a 5 cm a um ritmo de 100/m) alternando com
ventilações

Mantenha o ritmo de 30 compressões e 2 insuflações até que:


A vitima recupere
O médico mande parar manobras
Seja substituído
Exaustão

Paragem cardíaca em situações especiais:

Por vezes existe a necessidade de adaptar a técnica a cada vitima atendendo às


suas características físicas ou à especificidade da situação.

 Asma (ter atenção c/ risco de aspiração)


 Lesão da coluna cervical (colar cervical)
 Gravidez (colocar cunha sob o flanco direito da grávida)
 Electrocussão (podem coexistir outras lesões, tempos de recuperação mais
alargados)
 Envenenamentos e intoxicações ( proteger-se c/ luvas e ventilar c/ máscara
facial)
 Afogamento (iniciar c/ 5 insuflações)

Oxigenoterapia

Consiste na administração de oxigênio numa concentração de pressão superior a


encontrada na atmosfera ambiental, para corrigir e atenuar deficiência de oxigênio ou
hipóxia.

Métodos de Administração de Oxigênio:

a) Cânula nasal - é empregado quando o paciente requer uma concentração média ou


baixa de O2. É relativamente simples e permite que o paciente converse e alimente-se,
sem interrupção de O2.

Vantagens:
- Conforto maior que no uso do cateter;
- Economia, não necessita ser removida;
- Convivência - pode comer, falar, sem obstáculos;
- Facilidade de manter em posição.

2- Desvantagens:
- Não pode ser usada por pacientes com problemas nos condutos nasais;
- Concentração de O2 inspirada desconhecida;
- De pouca aceitação por crianças pequenas;
- Não permite nebulização

b) Cateter Nasal - Visa administrar concentrações baixas a moderadas de O2. É de fácil


aplicação, mas nem sempre é bem tolerada, principalmente por crianças.

Vantagens:
- Método econômico e que utiliza dispositivos simples;
- Facilidade de aplicação.

Desvantagens:
- Nem sempre é bem tolerado em função do desconforto produzido;
- A respiração bucal diminui a fração inspirada de O2;
- Irritabilidade tecidual da nasofaringe;
- Facilidade no deslocamento do cateter;
- Não permite nebulização;
- Necessidade de revezamento das narinas a cada 8 horas.

c) Máscara de Venturi - Constitui o método mais seguro e exato para liberar a


concentração necessária de oxigênio, sem considerar a profundidade ou frequência da
respiração.

d) Máscara de Aerosol, Tendas Faciais - São utilizadas com dispositivo de aerosol, que
podem ser ajustadas para concentrações que variam de 27% a 100%.

Cânula nasal (óculos)


Material:
• Cânula nasal dupla estéril;
• Umidificador de bolhas estéril;
• Extensão de borracha;
• Fluxômetro calibrado por rede de oxigênio;
• 50 ml de AD esterilizada.

Procedimento:
1. Instalar o fluxômetro e testá-lo;
2. Colocar água no copo do umidificador, fechá-lo e conectá-lo ao fluxômetro;
3. Conectar a extensão ao umidificador;
4. Identificar o umidificador com etiqueta (data, horário e volume de água);
5. Instalar a cânula nasal do paciente e ajustá-la, sem tracionar as narinas;
6. Conectar a cânula à extensão, abrir e regular o fluxômetro (conforme prescrição).

Observações:
• Trocar a cânula nasal diariamente;
• Trocar o umidificador e extensão plástica a cada 48 horas.

Nebulização
Material:
• Fluxômetro;
• Máscara simples, ou “Venturi”, de formato adequado esterilizada;
• Frasco nebulizador;
• Extensão plástica corrugada (traquéia);
• 250 ml de água destilada esterilizada;
• Etiqueta e folha de anotações de enfermagem.
Procedimento:
1. Instalar o fluxômetro e testá-lo;
2. Colocar a água no copo do nebulizador, fechar e conectar ao fluxômetro;
3. Conectar a máscara ao tubo corrugado, e este ao nebulizador;
4. Colocar a máscara no rosto do paciente e ajustá-la, evitando compressões;
5. Regular o fluxo de oxigênio, de acordo com a prescrição;
6. Identificar o nebulizador com adesivo (data, hora e volume).

Observações:
• Trocar a água do nebulizador de 6/6hs, desprezando toda a água do copo e
colocando nova etiqueta;
• Trocar o conjunto a cada 48 horas.

Inalação
Material:
• Fluxômetro;
• Micronebulizador, com máscara e extensão;
• 10 ml de SF ou água destilada esterilizada;
• Medicamento;
• Etiqueta;
• Gaze esterilizada;
• Folha de anotações.

Procedimento:
1. Instalar o fluxômetro na rede de oxigênio ou ar comprimido, e testá-lo;
2. Abrir a embalagem do micronebulizador e reservá-lo;
3. Colocar o SF ou AD no copinho, acrescentar o medicamento, fechar e conectar ao
fluxômetro;
4. Conectar a máscara ao micronebulizador;
5. Regular o fluxo de gás (produzir névoa 5L/min);
6. Aproximar a máscara do rosto do paciente e ajustá-la, entre o nariz e a boca,
solicitando que respire com os lábios entreabertos;
7. Manter o micronebulizador junto ao rosto do paciente, por 5 minutos, ou até
terminar a solução (quando possível orientá-lo a fazê-lo sozinho);
8. Identificar com etiqueta (data, horário de instalação);
9. Fechar o fluxômetro e retirar o micronebulizador;
10. Secar com gaze, recolocá-lo na embalagem e mantê-lo na cabeceira do paciente.

Observação:
• Trocar o nebulizador a cada 48 horas.
Hemorragias

Hemorragia é a perda de sangue que acontece após um ferimento, trauma ou alguma


doença, devido ao rompimento de vasos da circulação sanguínea. Ela pode ser externa,
quando o sangramento é visualizado para fora do corpo, ou interna, quando acontece
para dentro de alguma cavidade do organismo, como no abdômen, crânio ou pulmão,
por exemplo.

Na hemorragia venosa ou arterial, pode haver sangramento de grande quantidade,


sendo importante se dirigir ao pronto-socorro para que sejam feitos procedimento de
sutura e, em alguns casos mais graves, até cirurgia.

Como acontece a hemorragia


A hemorragia acontece devido a uma lesão de diferentes vasos da circulação
sanguínea, podendo ser:

1. Capilar
É o sangramento mais comum, que acontece no dia-a-dia, geralmente, devido a
pequenos cortes ou escoriações, em que apenas os pequenos vasos que chegam até a
superfície do corpo, chamados de capilares, são atingidos.

 O que fazer: como este tipo de hemorragia é leve e de pequena quantidade,


ela costuma parar sozinha, após 5 a 10 minutos. Deve-se lavar o local com água
e sabão e, depois, cobrir com um curativo limpo e seco.
2. Venosa
É a hemorragia que acontece devido a algum corte grande ou mais profundo, com
sangramento em fluxo contínuo e lento, por vezes de grande volume, através da
ferida.

 O que fazer: este tipo de sangramento só é grave quando se atinge uma veia de
grosso calibre, e, por isso, costuma parar com a compressão do local, com um
pano limpo. Deve-se procurar o pronto-socorro pois, geralmente, é necessária
a realização de uma sutura da ferida para que não haja risco de infecção ou
novo sangramento. 

3. Arterial
É o tipo de hemorragia em que são atingidas as artérias, vasos que levam sangue do
coração ao resto do corpo e, por isso, têm sangue vermelho vivo, com grande fluxo e
intensidade. O sangramento arterial é o tipo mais grave, e pode, até, provocar jatos de
sangue para locais distantes do corpo e risco de morte.

 O que fazer: como é um sangramento grave, deve ser parado o mais rápido
possível, com a compressão forte do local com panos limpos ou com a
realização de um torniquete, pois é uma hemorragia de mais difícil controle.
Deve-se ir rapidamente ao pronto-socorro ou ligar para o 192. Se o
sangramento for em um braço ou perna, pode-se elevar o membro para
facilitar a contenção.

O torniquete não deve ficar muito tempo impedindo a circulação, pois, se esta ficar
ausente por um longo período, pode causar morte dos tecidos desse membro, o que
reforça a importância de chegar rapidamente ao pronto socorro.
Existe ainda a hemorragia do tipo mista, que é quando mais de um tipo de vaso é
atingido, geralmente devido a algum acidente ou pancada forte, e podendo ser mais
difícil de identificar. 

Sinais e sintomas da hemorragia


Os sintomas provocados por um sangramento dependem não só da origem, mas
também da sua localização, podendo ser classificada em:

Hemorragia externa
Quando a hemorragia é externa, pode-se, facilmente, notar a sua presença, pela
exteriorização de sangue. Sua quantidade e intensidade depende do tipo de vaso
afetado, e se é uma região do corpo com muitos vasos. Por exemplo, cortes no couro
cabeludo causam mais sangramento, mesmo sendo pequenos, pois é uma região
muito vascularizada. 

Hemorragia interna
Quando é interna, pode ser mais difícil de identificar, porém os sinais que indicam a
presença de uma hemorragia deste tipo são:
 Palidez e cansaço;
 Pulso rápido e fraco;
 Respiração acelerada;
 Muita sede;
 Queda da pressão;
 Náuseas ou vômitos com sangue;
 Confusão mental ou desmaios;
 Muita dor do abdômen, que fica endurecido.

Na suspeita de uma hemorragia interna, deve-se procurar o pronto-socorro o mais


rápido possível, para que sejam feitos os procedimentos ou cirurgias necessárias para
que seja contida.

Uma das formas de hemorragia interna mais frequente é a cerebral, que leva ao
surgimento de um AVC hemorrágico. Saiba como identificar os primeiros sinais de AVC.

Outros tipos de hemorragia


Existem ainda, alguns exemplos de hemorragias internas que se exteriorizam, e
os mais comuns incluem:

 Nas fezes, devido a uma lesão no intestino ou hemorróidas, por exemplo, que é


a hemorragia digestiva baixa;
 Na tosse, também conhecida como hemoptise, que acontece devido a
infecções respiratórias, lesões nos pulmões ou câncer, por exemplo;
 No útero, devido a alterações menstruais ou miomas, por exemplo;
 Na urina, causado por infecções ou cálculos urinários;
 No nariz, ou epistaxe, devido a espirros ou irritação da mucosa do nariz, por
exemplo.
Hipovolémia

Hipovolémia é o estado de diminuição do volume sanguíneo, mais especificamente do


volume de plasma sanguíneo.

Choque hipovolêmico se refere a uma condição médica ou cirúrgica na qual ocorre


perda rápida fluída que resulta no fracasso de múltiplos órgãos devido perfusão
inadequada. A maior parte dos choques hipovolêmicos é secundária a perda rápida de
sangue (choque hemorrágico).

Trauma penetrante ou desordens gastrointestinais severas são as causas comuns de


choque hemorrágico. Choque hemorrágico também pode ser o resultado de perda de
sangue interna aguda significante no tórax e cavidades abdominais.

Traumatologia

Actualmente, a traumatologia dedica-se ao estudo e ao tratamento das diferentes


lesões que se podem produzir nas extremidades e na coluna. Na sua órbita de acção
entram as fracturas ósseas, as luxações e diferentes classes de contusões.
Os tratamentos da traumatologia podem ser diversos.

Alguns são conservadores, como a implementação de ligaduras ou a colocação de um


gesso. Outros tratamentos são mais invasivos, como as intervenções cirúrgicas que são
utilizadas para instalar parafusos, placas e outros elementos no interior do corpo.

A escolha de um ou outro tratamento é realizada pelo profissional de acordo com o


tipo de lesão.
Queimaduras

Para fazer o curativo deste tipo de queimadura é recomendado:


1. Lavar imediatamente o local com água fria e sabão neutro por mais de 5
minutos para resfriar a pele e para que fique limpa e livre de microrganismos;
2. Nas primeiras horas, aplicar uma compressa de água potável gelada, trocando
sempre que ela já não estiver fria;
3. Aplicar uma fina camada de um bom creme hidratante, mas evitar passar
vaselina, pois a gordura pode piorar a queimadura.

As queimaduras de sol, geralmente, são uma queimadura de primeiro grau e o uso de


uma loção pós-sol, como o Caladryl, em todo corpo, pode ajudar a aliviar a dor e evitar
que a pele descame. É importante também usar protetor solar e evitar a exposição ao
sol nas horas de maior calor.

Curativo para queimadura de 2º grau

O curativo para pequenas queimadura de 2º grau pode ser feito em casa, seguindo os
seguintes passos:
1. Lavar a região queimada com água por mais de 10 minutos para limpar a
região e diminuir a dor;
2. Evitar romper as bolhas que tenham se formado, mas, se necessário,
utilizar uma agulha esterilizada;
3. Aplicar uma gaze com pomada de sulfadiazina de prata a 1%;
4. Enfaixar o local cuidadosamente com uma atadura.
Nas queimaduras maiores do que 1 palmo é recomendado ir no pronto-socorro para
fazer um curativo profissional, uma vez que o risco de infecção é maior.

Após a cicatrização, para evitar que a região  fique manchada é aconselhado passar um
protetor solar acima de 50 FPS e proteger a área do sol.

Curativo para queimadura de 3º grau

O curativo para este tipo de queimadura deve ser sempre feito no hospital ou no


centro de queimados pois é uma queimadura grave. Na maioria destes casos,
geralmente é preciso ficar internado para repor líquidos perdidos ou para
fazer enxertos de pele, por exemplo.
Caso exista dúvida sobre a profundidade e gravidade da queimadura, deve-se procurar
ajuda médica especializada ligando para os números 190 (Bombeiros) ou 0800 707
7575 (Instituto Pró-queimados).

Parto iminente

RECONHECIMENTO DO PARTO IMINENTE


- Presença de contrações uterinas de forte intensidade e freqüentes (cerca de 5
contrações no período de 10 minutos).
- Visualização da cabeça do bebé no canal do nascimento (coroamento).
- Sensação intensa de evacuação.
 
CONDUTA NO TRABALHO DE PARTO IMINENTE
 
1. Solicitar autorização da parturiente ou de seu familiar antes de decidir assisti-la na
própria residência, caso não dê tempo para transportá-la ao hospital.
2. Manter um familiar junto da parturiente durante todo o atendimento
3. Deitar a parturiente sobre lençóis limpos.
4. Verificar os sinais vitais.
5. Remover as roupas que possam impedir o nascimento,  sem expor a parturiente.
6. Colocar a parturiente com as pernas fletidas (posição ginecológica - fig.15-02A).
 

7. Lavar as mãos, calçar as luvas.

8. Fazer assepsia da região genital e coxas da parturiente, com água e sabão.

9. Retirar as luvas, abrir o Kit para Parto, calçar novas luvas.

10. Orientar a parturiente para respirar fundo e fazer força durante as contrações,

como se estivesse evacuando, deixando-a descansar no período de relaxamento

(intervalo das contrações).

11. Durante a expulsão, amparar com uma das  mãos a cabeça do bebé, evitando que

ela saia com violência e com a polpa dos dedos indicador e médio da outra mão

abaixar levemente abaixar a parte posterior da vagina.

12. Caso o cordão umbilical esteja envolvendo o pescoço do bebé (circular de cordão),

afrouxá-lo, removendo-o no sentido da nuca para o abdome do  bebé.

13. Limpar a face do bebê com um pano limpo.

14. Com as duas mãos em forma de "V", pegar a cabeça na mandíbula e atrás da base

do crânio, tomando o cuidado de não pressionar o pescoço do bebé.

15. Forçar a cabeça suavemente para baixo até passar o ombro superior e depois para

cima, até passar o outro ombro.

16. Segurar firmemente o bebé, evitando que ele caia.

17. Limpar as vias aéreas e a cabeça sem retirar o vérnix do corpo do bebê.

18. Estimular o bebé passando os dedos suavemente nas costas ou dar tapinhas leves

nas solas dos pés.


19. Envolver o bebé com panos limpos inclusive a cabeça, mantendo-o aquecido e

mantê-lo no mesmo nível que o corpo da mãe.

20. Manter observação constante do padrão respiratório do bebé.

21. Colocar os clamps no cordão umbilical. O primeiro a 4 dedos (mais ou menos 8 cm)

do abdome  do  bebé  e  o segundo  a 2  dedos  (mais ou menos 4 cm )   do primeiro

clamp  (fig. 15-02 B).

            
22. Cortar o cordão entre os dois clamps, com bisturi estéril.

23. Aguarda a saída espontânea da placenta durante aproximadamente 15 min. Nunca

tentar puxá-la.

24. Após a saída da placenta, verificar se saiu inteira e acondicioná-la em saco plástico.

25. Remover os lençóis sujos, colocar um absorvente higiênico na vagina da

parturiente.

26. Massagear o abdome da parturiente, verificando se o útero mantém contraído.

27. Verificar novamente os sinais vitais (da mãe e do bebé).


28. Manter a mãe em repouso.

29. Transportar para o hospital a mãe, o bebé e a placenta. Caso a mãe seja

hipertensa, diabética, cardiopata, a apresentação do feto não seja cefálica (pélvica,

membros), apresente hemorragia vaginal, prolapso de cordão, líquido amniótico

esverdeado; transportar imediatamente ao hospital em decúbito lateral esquerdo,

administrando oxigênio durante o transporte.

Advertência
Não permitir que a parturiente com sinais de parto iminente vá ao banheiro. Não
impedir, retardar ou acelerar o processo de nascimento. Se houver grande
sangramento vaginal pós-parto, transportar a mãe em posição de choque. Se a
placenta não sair logo após o nascimento, não aguardar, transportar logo a mãe ao
hospital. Na gestante multípara (vários partos anteriores) o processo de expulsão é
mais rápido. Não puxar o cordão umbilical para tentar ajudar a saída da
placenta.Tomar cuidado de fechar as janelas e portas, evitando que o ambiente
arrefeça.

Técnicas de remoção e imobilização da vítima

As técnicas de imobilização e remoção de vítimas de trauma têm vindo a ser


modificadas ao longo dos anos com o objetivo de estabelecer o conjunto de
procedimentos mais adequados que maximize a segurança na mobilização das vítimas
de trauma .

Os princípios que asseguram uma imobilização efetiva da vítima de trauma, são os que
a seguir se enumeram:

1.
Assegurar desde o início a estabilização manual e o alinhamento da coluna cervical,
até à substituição mecânica (estabilizadores laterais de cabeça);

2.
Verificar a função neurológica nas extremidades;

3.
Aplicar um colar cervical , preferencialmente de duas peças, adequado ao tamanho da
vítima;

4.
Imobilizar o tronco antes da cabeça;
5.
Evitar o movimento do tronco da vítima para cima ou para baixo, no dispositivo de
imobilização;

6.
Evitar o movimento do tronco da vítima para a direita ou esquerda, no dispositivo de
imobilzação;

7.
Evitar o movimento anterior do tronco da vítima, no plano;

8.
Assegurar que a imobilização torácica não inibe a excursão torácica ou provoca
compromisso ventilatório;

9.
Imobilizar eficazmente a cabeça de modo a que esta não se mova em qualquer
direção, incluindo rotação;

10.
Proporcionar, se necessário, o preenchimento do espaço sobe a cabeça;

11.
Manter a cabeça numa posição neutra e alinhada;

12.
Assegurar que nada inibe ou dificulta a abertura da boca, por parte da vítima;

13.
Imobilizar os membros inferiores de modo a que estes não se movam, mesmo nas
situações em que o plano é lateralizado;

14.
Manter a bacia e os membros inferiores numa posição neutra alinhada;

15.
Assegurar que os membros superiores estão imobilizados ao plano ou tronco de
forma adequada;

16.
Assegurar que a imobilização não compromete a circulação distal em qualquer
membro;
17.
Reavaliar a vítima na sequência de qualquer movimento brusco/inusitado, que possa
comprometer uma lesão instável da coluna, enquanto o dispositivo de imobilização é
aplicado;

18.
Efetuar todo o processo de imobilização num espaço de tempo adequado;

19.
Reavaliar a função neurológica nas extremidades.

A indicação para aplicação das técnicas descritas está relacionada com as eventuais
lesões associadas ao mecanismo de lesão identificado.

Assim, as técnicas de colocação de colar cervical e imobilização em plano duro


deverão ser consideradas sempre que exista:
• No contexto de trauma fechado, qualquer lesão que coloque em risco a vida (A b
CDE);
• Perda de mobilidade ou sensibilidade após acidente;
• Deformidade do pescoço ou coluna vertebral;
• Alteração do estado de consciência após acidente;
• Situações em que o mecanismo de lesão sugere transferência significativa de
energia
cinética:

° Projeção da vítima do veículo acidentado;


° Vítima de atropelamento;
° Vítima encarcerada;
° Vítima de queda > 3 metros;
° Vítima de acidente em veículo de 2 rodas > 30 Km/hora;
° Vítima de acidente em veículo ligeiro > 50 Km/hora;
° Vítima de acidente cujo veículo apresenta grande deformidade/intrusão dentro do
veículo;
° Vítima de Capotamento.

Na execução das Técnicas de Trauma entende-se por “1º elemento”, aquele que
fica à cabeça da vítima, e como tal é responsável pelas “vozes” na execução
das técnicas.

Esta “voz” deve ter 3 momentos claros:


1. Advertência / Chamada ( Exemplo:
“estão todos prontos?”);
2. Execução (Exemplo: “à minha ordem
vamos baixar”);
3. Voz de “Alto”/Ponto de Referência.

A função sensório-motora e a perfusão


dos membros deve ser avaliada antes e
depois
das técnicas de imobilização.

Tripulante e ambulância

Tripulação e Formação

Artigo 38.º

Tripulação

1. As ambulâncias e os VDTD só podem realizar transporte de doentes se tripulados


por elementos que disponham de formação adequada a cada tipo de transporte, nos
seguintes termos:
a) A tripulação da ambulância do Tipo A é constituída por dois elementos, habilitados
com o curso de Tripulante de Ambulância de Transporte ou equivalente, homologado
pelo INEM, sendo um simultaneamente o condutor;

b) A tripulação da ambulância do Tipo B é constituída por dois elementos, sendo um


simultaneamente o condutor com a formação mínima de Tripulante de Ambulância de
Transporte ou equivalente, homologado pelo INEM, e outro com formação mínima de
Tripulante de Ambulância de Socorro ou equivalente, homologado pelo INEM;

c) A tripulação da ambulância do Tipo C é constituída por três elementos:


i) Um médico com formação específica em técnicas de Suporte Avançado de Vida;
ii) Um enfermeiro com formação específica em técnicas de Suporte Imediato de Vida;
iii) Um elemento com formação mínima de Tripulante de Ambulância de Transporte ou
equivalente, homologado pelo INEM, sendo simultaneamente o condutor.

d) A tripulação do VDTD é constituída por um elemento, simultaneamente condutor,


com formação mínima em Suporte Básico de Vida.
2. Os elementos identificados nas subalíneas i) e ii) da alínea c) do número anterior
podem ser fornecidos pelas entidades requisitantes do serviço, devendo comprovar o
mesmo documentalmente.

Capítulo III – Mecanismos para situações de emergência

Técnicas de ajuda verbal

Manter a calma é o primeiro passo. Cada pessoa reage de uma forma diferente e é
difícil esperar atitudes racionais em situações desconfortáveis.
Mas ações desesperadas normalmente acabam agravando a situação. Por isso, antes
de agir, é fundamental recobrar rapidamente a lucidez, reorganizar o pensamento e se
manter calmo. O ideal é parar, respirar profundamente, verificar os ferimentos e
avaliar a gravidade geral.

Deve:

• Manter-se próximo da vítima e se possível estabelecer contacto físico (abanar


ligeiramente os ombros, dar a mão), prestando apoio psicológico;
• Utilizar voz clara, concisa e pausada;
• Identificar-se pessoal e profissionalmente;
• Comunicar para identificar a vítima;
• “Esperar” as respostas;
• Após identificação da vítima “Chamar” frequentemente pelo nome;
• Confortar, diminuir a ansiedade, estabelecendo boas relações de colaboração.

Técnicas de
promoção para relação
empática

A empatia é uma habilidade


que pode ser cultivada ao longo de
nossas vidas. Ela pode ser utilizada
como uma força de transformação social. Empatia é a habilidade de “calçar os
sapatos” de outra pessoa, visando compreender seus sentimentos e perspectivas, e
usar essa compreensão para orientar nossas ações.

Assim, o mínimo que se pode fazer é confirmar essa segurança, estando a todo
ouvidos. Entretanto, “isso não quer dizer que aceitamos ou concordamos com a
opinião das demais pessoas, mas
que estamos dispostos a ouvi-las
sob a sua ótica”.

Técnicas de ajuda verbal


de alívio ao sofrimento

Os técnicos que lidam com doentes


terminais necessitam ter a capacidade de identificar, avaliar e, quando possível,
minorar os sintomas físicos da doença mas empático e útil na tomada de decisões mais
próximas às necessidades e vontade do doente.

Corre, no entanto, o risco de se extremar de forma prejudicial, levando o profissional a


experienciar intensa e excessivamente as vivências do doente. Pode haver também a
identificação do doente com determinada pessoa próxima ou familiar do profissional,
com o risco de excessivo envolvimento, prejudicial ao profissional e, provavelmente,
ao próprio doente.
Deste modo, sendo a morte inevitável e frequente nos serviços de saúde, nem todos
os profissionais a compreendem, a acolhem e reagem a ela da mesma maneira.
Confrontados com a doença grave e com a morte, os profissionais tentam proteger-se
da angústia que estas situações geram, adotando estratégias de adaptação,
conscientes ou inconscientes designadas: mecanismos de defesa.

Uma vez que os profissionais de saúde se confrontam com a morte nos seus contextos
de trabalho, necessitam adquirir conhecimentos e desenvolver capacidades e
competências de forma a encarar e gerir a morte do outro que nos é semelhante.
Ajudar o doente e a família num momento em que experimentam grande sofrimento
constituiu um dos maiores desafios que a prática quotidiana coloca aos profissionais
de saúde. É preciso entender que a morte nem sempre é significado de fracasso ou
insucesso e sim algo que faz parte de um ciclo natural da vida.

É importante que os profissionais tenham consciência das suas próprias reações


emocionais e atitudes na relação com os doentes terminais, contribuindo para que
adquiram uma maior capacidade para lidar com as dificuldades
psicológicas/emocionais desencadeadas na prestação de cuidados a estes doentes.
também a incapacidade crescente, as alterações nos papéis sociais e o isolamento
social associados com a doença e o processo de morte.

Simultaneamente, devem saber distinguir quando o isolamento social ou as alterações


nos papéis sociais são sinais de uma depressão clínica e quando a dor e sintomas da
doença têm um forte componente psicológico, requerendo uma abordagem
psiquiátrica ou psicológica.

A intervenção deve ser feita a um ritmo adequado às necessidades do doente e da


família, em vez de acontecer ao ritmo das expectativas e agenda do prestador de
cuidados acerca do que “deve ser feito”.

Ao providenciarem cuidados a doentes com uma esperança de vida previsivelmente


curta, os profissionais de saúde confrontam-se inevitavelmente com a ideia da sua
própria morte. Este confronto resulta por vezes na identificação (muitas vezes de uma
forma simples, “Se fosse eu…”), podendo funcionar positivamente como um reforço

Técnicas de ajuda verbal em doença física e estados crónicos

As técnicas terapêuticas de comunicação verbal, das quais salientamos as que


consideramos mais importantes na interação Socorrista doente ventilado são: o
devolver, o clarificar e o reformular.
A técnica do devolver implica que o Socorrista transmita ao doente o que entendeu da
sua mensagem, traduzido em linguagem verbal. Por vezes para tentar compreender a
mensagem global ou o verdadeiro sentido da mesma, o Socorrista tem necessidade de
pedir mais pistas ao doente, demonstrando que quer perceber a sua mensagem mas
que precisa de mais dados, ao que se chama, técnica de clarificar. Por fim, o socorrista,
após ter interpretado a mensagem, deve reformulá-la (técnica de reformular), ou seja,
deve repetir para o doente o que é que acha que este lhe quis dizer.
O Socorrista deverá também promover momentos de boa disposição e descontração
com conversas informais, que contribuem para um fortalecimento da relação, e são
também promotoras de uma comunicação eficaz.

O humor é também um tipo de comunicação verbal, que pode facilitar a relação dos
socorristas com a pessoa. As piadas, as brincadeiras, as mímicas e outros
comportamentos humorosos estão sempre presentes no contexto de trabalho dos
Técnicos, podendo ser uma importante forma de desdramatizar as situações mais
embaraçosas para os profissionais e para os doentes. Muitas vezes os Técnicos
Auxiliares de Saúde brincam entre si, ou com os doentes, promovendo o riso e um
consequente alívio do ambiente vivido nas unidades de prestação de cuidados.

No desenrolar de uma relação terapêutica torna-se imperioso que a comunicação,


transversal a todo este processo seja eficaz. A comunicação eficaz, também designada
por alguns autores como comunicação terapêutica é, na opinião de Riley (2004), o
suporte de relação de ajuda, consistindo num processo recíproco entre enfermeiro e
doente, em que o enfermeiro utiliza os seus conhecimentos científicos e as suas
habilidades profissionais para ajudar o doente de forma útil e individualizada. A
eficácia da comunicação é igualmente “determinada pelos intervenientes e pelo
contexto em que decorre, originando desta maneira diferentes modos de os
desenvolver” (Pereira, 2008, p. 167).

Para além da escuta ativa, têm sido focalizadas por diversos autores como Phaneuf
(2005), Stefanelli & Carvalho (2005) ou Dias & Ferreira (2005), entre outros, estratégias
de comunicação passíveis de ser utilizadas pelo enfermeiro para o auxiliar no
estabelecimento de uma comunicação terapêutica com a pessoa alvo dos seus
cuidados, observando-se fortes semelhanças entre as várias abordagens. A mais
sistematizada é-nos proposta por Stefanelli & Carvalho (2005) que inclui as estratégias
em grupos consoante a sua função na comunicação que são o grupo de expressão, de
clarificação e de validação. Inserido no grupamento de expressão estão o ouvir
reflexivamente, usar terapeuticamente o silêncio, verbalizar a aceitação,
verbalizar o interesse, usar frases de sentido aberto ou reticente, repetir comentários
ou últimas palavras pelo paciente, fazer perguntas, devolver a pergunta feita, usar
frases descritivas, permitir ao paciente que escolha o assunto, colocar em foco a ideia
principal, verbalizar dúvidas, dizer não, estimular a expressão de sentimentos
subjacentes, usar terapeuticamente o humor.

No grupamento de clarificação estão incluídas algumas estratégias passíveis de ser


utilizadas para clarificar o sentido da mensagem como estimular comparações, solicitar
ao paciente que esclareça termos incomuns, solicitar ao paciente que precise o agente
de ação e descrever os eventos em sequência lógica. Do grupamento de validação
fazem parte o repetir a mensagem do paciente, pedir ao paciente para repetir o que
foi dito e resumir o conteúdo da interação.

Técnicas de ajuda verbal para tentativas de suicídio

A história dos serviços de ajuda pelo telefone acompanha o aparecimento e a


disseminação deste meio de comunicação.

Em 1953, Chad Varah, pastor protestante, fundou na Grã-Bretanha os Samaritanos e


pôs em funcionamento uma linha de apoio às pessoas em desespero e em risco de
suicídio. A divulgação feita nos jornais levou ao crescimento exponencial dos apelos. A
evolução foi surpreendente, existindo hoje Telefones de Ajuda por todo o mundo,
funcionando com voluntários não profissionais. O primeiro serviço de ajuda telefónica
em Portugal, o SOS-Voz Amiga (Lisboa), surgiu em 1978. Seguiram-se muitos outros de
que se destacam o SOS-Telefone Amigo (Coimbra, atualmente inativo), o Telefone da
Amizade (Porto), o SOS-Estudante (Coimbra), o SOS-Palavra Amiga (Viseu, atualmente
inativo), o Escutar-Voz de Apoio (Gaia) e a Conversa Amiga (Lisboa). O Telefone da
Esperança (Porto), surgiu recentemente em Portugal, mas faz parte da mais antiga e
maior organização de voluntariado em Espanha.

A maioria destes serviços de ajuda telefónica está filiada em grandes organizações


internacionais, nomeadamente a Federação Internacional dos Serviços Telefónicos de
Emergência e os Samaritanos – Befrienders Internacional. Estas organizações partilham
normas gerais como a confidencialidade das chamadas, o anonimato do apelante, a
aceitação da diferença, a ausência de julgamento ou pressão, incluindo a pressão
religiosa, política ou ideológica e a
seleção e formação
adequadas.

Nos serviços ligados aos


Samaritanos os voluntários avaliam
sistematicamente a
problemática do suicídio. Os
telefones de ajuda surgem
intimamente ligados ao
problema da prevenção do suicídio. Tentam diminuir o isolamento das pessoas em
risco oferecendo alguém que está disponível para escutar. Os sentimentos, geralmente
contraditórios, querer morrer e querer viver, não ser capaz de viver e não ser capaz de
morrer, podem ser partilhados com outra pessoa. São pontos fortes dos telefones de
ajuda o voluntário ser um desconhecido, a que não se vê a cara ou as reações, e ser
um igual (na medida em que não é um profissional) que não tem qualquer
possibilidade de intervenção fora da relação estabelecida ao telefone. É,
paradoxalmente, esta possibilidade de estabelecer uma ponte com outra pessoa, este
reavivar de sentimentos de partilha, de solidariedade, que permite algumas vezes
ultrapassar ou adiar a situação aguda de risco de suicídio. Ainda que as pessoas em
alto risco de suicídio representem menos de dez por cento das chamadas para os
telefones de ajuda, estes são importantes
recursos de saúde mental para as pessoas em sofrimento.
O voluntário tem consciência que o essencial neste tipo de ajuda é saber escutar.
Escutar com atenção, compreensão e respeito. Escutar criando empatia, isto é
tentando ver a realidade como a outra pessoa a vê. Escutar, sentindo-se solidário com
o outro. Ser um interlocutor ativo e apoiante do outro, fazendo-lhe companhia na sua
viagem e ajudando-o a ganhar confiança em si próprio e na sua capacidade de
autodeterminação.

As formas de organização destes serviços de ajuda são as mais diversas, mas têm em
comum o oferecerem serviços públicos de ajuda emocional pelo telefone em situações
de crise.

Como agir

Primeiros socorros básicos:

Cortes nos pulsos

Caso o indivíduo tenha cortado os pulsos, o ideal é fazer pressão na região com o
auxílio de um pedaço de pano (ou outro tecido, preferencialmente limpo) até a
chegada da ambulância.

Ingestão de veneno e remédios

Caso a vítima tenha engolido, o ideal é dar água com sal para provocar o vômito e
esperar pela ajuda médica. Depois, é preciso encontrar o tipo de substância ingerida
para informar aos socorristas. Nesse caso, os remédios para dormir são os mais
utilizados.

Enforcamento

Se a vítima apresentar movimentos, deve-se colocar uma cadeira, móvel ou objeto alto
para apoiar os pés. Recomenda-se não tocar no corpo, pois isso pode provocar uma
situação irreversível.

Arma de fogo

Faça pressão no local atingido com panos limpos, roupas ou outro tecido. O objetivo é
estancar a hemorragia até que a ambulância chegue até o local.

Afogamento

Retire a vítima da água, deite-a de barriga para cima e inicie a massagem cardíaca e a
respiração boca a boca até que a ajuda médica chegue.
Técnicas de ajuda verbal na morte

As famílias são profundamente afetadas pela doença aguda e crónica de um dos seus
membros e a doença terminal é uma das situações vividas com maior envolvimento. As
atividades do quotidiano, os papéis, as relações com os outros e o significado da vida
ficam alterados, uma vez que a vida muda de um estado de saúde para um de doença.

O doente e a família lutam, não apenas com o presente e tudo o que envolve a doença
e seus cuidados, mas com os aspetos avassaladores associados à doença e a
transcendência para além da doença.

Além dos receios e preocupações partilhados pelos doentes, os familiares preocupam


-se com as alterações na condição física do seu ente querido e com um processo de
luto antecipatório, mas também com problemas práticos, como a escolha dos serviços
onde irão ser prestados os cuidados, a avaliação da qualidade dos mesmos e o local
para onde o doente transitará na fase terminal.

A família de um doente oncológico tem ela própria necessidades diversas:


a) Estar com a pessoa doente;
b) Poder ajudar na evolução e desfecho da doença;
c) Receber apoio, confirmação e reforço do seu contributo para o conforto do doente;
d) Ser informado acerca da condição do doente e da sua morte iminente;
e) Poder exteriorizar emoções;
f) Receber conforto e apoio dos membros da família; e,
g) Receber aceitação, apoio e conforto dos profissionais de saúde.

No cuidado ao doente em fim de vida é importante perceber, numa fase inicial, que
informações foram transmitidas ao doente e família, para que depois seja possível
planear a forma como serão comunicadas novas informações.

À medida que o estado do doente se vai deteriorando vão sendo mais frequentes as
questões colocadas por familiares e pessoas significativas. Quando o doente está em
agonia, os familiares devem estar informados da situação da morte iminente, bem
como da forma como desejam ser informados, em caso de agravamento ou quando o
doente falecer (quem, em que intervalo de tempo). Deve ser criada a possibilidade de
pernoitar junto do doente, sempre que possível.

No que diz respeito à comunicação com os familiares, é importante que o profissional


lhe transmita que o doente tem necessidade de falar sobre o momento que vive, bem
como sobre preocupações com o post mortem.
Quando o familiar não se encontra presente no momento da morte, é importante
informá-lo de forma presencial. Ao usar o telefone é difícil perceber de que rede
familiar ou de amigos o recetor da mensagem pode dispor. Devem ser transmitidas
todas as informações relativas a normas da instituição referentes ao tratamento e
encaminhamento do corpo, bem sobre todas as questões legais, se possível escritas.
A comunicação de uma má notícia deve seguir guias de orientação, começando por
providenciar um local tranquilo e perceber que tipo de informação a pessoa dispõe e
quer saber, relativamente à situação de morte iminente do seu familiar. De seguida, o
profissional deve utilizar uma afirmação que permita que o familiar se aperceba que
vai receber uma má notícia.
Nesta altura, pode comunicar-se o falecimento do doente, evitando o recurso a
eufemismos, ou seja, utilizando uma linguagem direta e o mais objetiva possível.
Depois de responder a todas as questões colocadas pelo familiar, é importante
concluir a intervenção com um plano referente à forma como todas as diligências se
vão processar. Nesta altura deve ser disponibilizado apoio para o luto, fornecendo
informações, se possível escritas, sobre o modo como esse apoio vai decorrer.

Técnicas de ajuda verbal a socorristas

A Comunicação Verbal é todo tipo de passagem ou troca de informações por meio de


linguagem escrita ou falada.
O sucesso da Comunicação Verbal depende completamente da clareza das mensagens
passadas, e esta clareza está ligada à compatibilidade do acervo vocabular e intelectual
dos envolvidos na troca de informações.
Para que haja êxito na Comunicação Verbal, seja ela escrita ou falada, o receptor da
mensagem precisa compreender o que lê ou ouve, para isso é necessário que a
mensagem esteja em um código comum ao emissor e ao receptor (mesmo idioma) e
que ambos estejam no mesmo patamar de conhecimento. Quando qualquer uma
dessas condições essenciais falha, há o que é chamado de ruído na comunicação.

Algumas das habilidades de comunicação que o socorrista necessita para conseguir


uma comunicação terapêutica, relacionam-se com capacidades para ouvir e
compreender o doente, mostrando-se atento ao seu comportamento, incluindo todas
as atitudes que ele demonstra, quer sejam verbais ou não verbais.

Podemos, então afirmar que um elemento relevante da relação de ajuda é a escuta


mas, não uma escuta no sentido de apenas ouvir, uma escuta atenta do outro para que
se possa aceder à sua vivência, pois “escutar é constatar e também aceitar deixar-se
impregnar pelo conjunto das suas perceções, tanto exteriores como interiores (…) é
um processo ativo”). Relativamente à importância da escuta ativa na relação
terapêutica também Dias & Ferreira (2005) referem que “o socorrista que sabe escutar
não executa cuidados de forma automática e fria; está atento a todas as reações
verbais ou não verbais da vitima, pois escutar é também cuidar e, neste caso, é cuidar
inteiramente”.
Capítulo IV – Acidentes com número elevado de vítimas

Grupo de triagem

A experiência dá conta que os erros que se cometem quando não existe uma
planificação para enfrentar os desastres, origina a realização e actualização de planos
de emergência, bem como a realização de simulacros. A finalidade de um plano de
emergência consiste em providenciar ao maior número de vítimas possíveis,
assistência médica que reduza ao mínimo a morbilidade e mortalidade. Isto pode
conseguir-se através de:

 Estabelecimento de um posto de comando


 Rápida avaliação da magnitude do desastre (número de vítimas, localização)
 Avaliação da necessidade urgente de recursos (dinheiro, técnicos e tecnologias)
 Selecção de uma área de triagem, que vai corresponder ao primeiro nível de
assistência
 Administração dos primeiros socorros imediatos
 
Comunicações expeditas (uma via única) Todas estas acções podem ser prejudicadas e
dificultadas por vários factores, sendo o mais importante quando: os elementos que
prestam assistência não estão preparados, por falta de organização e coordenação,
originando assim anarquia e confusão.

Posto de Comando
O posto de comando organiza e coordena todas as acções que se vão desenvolver.
Este posto deve ser formado pelo seguinte pessoal:

 1 Representante da polícia (ordem e segurança)


 1 Representante dos bombeiros (resgate e transporte de vítimas)
 1 Coordenador médico (assistência médica)
 1 Representante da Cruz Vermelha Portuguesa
 1 Representante da Protecção Civil (administração)
 
Todo o grupo deve estar identificado da mesma forma, para serem reconhecidos por
todas as pessoas que se encontram a prestar colaboração. Esta identificação poderá
ser por exemplo uma pulseira da mesma cor. As funções do posto de comando podem-
se resumir da seguinte forma:

 Avaliação da magnitude do desastre e qual a sua natureza (número de vítimas;


local e vias de acesso);
 Coordenação das diferentes acções na área do desastre;
 Delimitação da zona afectada;
 Estabelecimento de medidas de segurança;
 Manutenção de um sistema de comunicação eficaz;
 Manutenção de um posto de informação pública.

Grupo de assistência pré-hospitalar

Para avaliar as vítimas de um desastre existe um único procedimento que permite dar
o máximo de benefício à maioria das vítimas, o qual é conhecido por triagem. Triagem
é um termo francês que significa “classificação e selecção de feridos de guerra ou de
um desastre, para determinar prioridade de necessidades e um lugar adequado de
tratamento”. O objectivo da triagem é classificar rapidamente os feridos, em função do
benefício que os mesmos obtenham na assistência médica. Não se considera
exclusivamente a gravidade das lesões para determinar a prioridade da assistência.
Podemos portanto deduzir que, a prioridade maior é concedida às vítimas que são
assistidas, porque as suas lesões podem modificar drasticamente o seu prognóstico
vital. Por outro lado, as vítimas que se encontram em fase mórbida e que o seu
prognóstico é muito reservado, são aquelas que apresentam prioridade baixa. O
responsável pela triagem dispõe de 60 segundos, por cada vítima, para realizar uma
avaliação que lhe permita definir as prioridades de assistência e transporte de cada
vítima.

1°. Atendimento pré-hospitalar móvel primário: Quando o pedido de socorro for


oriundo de um cidadão.

2°. Atendimento pré-hospitalar móvel secundário: Quando a solicitação partir de um


serviço de saúde, no qual o paciente já tenha recebido o primeiro atendimento
necessário à estabilização do quadro de urgência apresentado, mas necessite ser
conduzido a outro serviço de maior complexidade para a continuidade do tratamento.
Considera-se como nível pré-hospitalar móvel na área de urgência e emergência, o
atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo
à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que
possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto,
prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde
devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.

O Serviço de atendimento pré-hospitalar móvel deve ser entendido como uma


atribuição da área da saúde, sendo vinculado a uma Central de Regulação, com equipa
e veículos compatíveis com as necessidades de saúde da população de um município
ou uma região, podendo, portanto, extrapolar os limites municipais.
Esta região de cobertura deve ser previamente definida, considerandose aspectos
demográficos, populacionais, territoriais, indicadores de saúde, oferta de serviços e
fluxos habitualmente utilizados pela clientela. O serviço deve contar com a retaguarda
da rede de serviços de saúde, devidamente regulada, disponibilizada conforme
critérios de hierarquização e regionalização formalmente pactuados entre os gestores
do sistema loco-regional.

Grupo de evacuação secundária

1º Passo: Avaliar o Risco de Vida da Vítima no Local do Acidente

2º Passo: Realizar a Primeira Avaliação:

 Avaliar a Vítima com Base nos Princípios Básicos da Vida:


A. Vias Aéreas Pérvias e Proteção da Coluna Cervical
B. Boa Ventilação
C. Circulação: Controle das Hemorragias
 Reconhecer, Reanimar e Restaurar as Lesão da Vítima

3º Passo: Evitar Lesões Secundárias no Resgate:

 Manter Sempre Oxigênio Suplementar


 Imobilizar a Coluna Vertebral
 Controlar as Hemorragias
 Imobilizar as Extremidades com Suspeita de Lesões Osteo-articulares

4º Passo: Avaliar a
Melhor Forma para
Resgatar a Vítima:

 Remoção /
Extricação de
Ferragens e
Colocar a Vítima
na Prancha
Longa.
 Colocar a Vítima
Devidamente
Estabilizada na
Prancha Longa

5º Passo: Transportar a Vítima até a Ambulância (Tipos: D,E ou F)

6º Passo: Contatar o Hospital Receptor e Informar o Estado Clínico da Vítima.

7º Passo: Manter e Monitorizar os Sinais Vitais, Mantendo a Vida da Vítima.

8º Passo: Documentar os Dados e o Estado Clínico da Vítima e Todas as Situações que


Cercam o Acidente (Prontuário Médico).

9º Passo: Transportar a Vítima de Forma Rápida e Segura.

10º Passo: Conduzir a Vítima até o Médico Responsável da Unidade Hospitalar


Receptora que Deverá Assinar o Prontuário de Transferência que Deverá compor o
Prontuário Médico do Paciente, ficando uma Cópia nos Registros de Transferências da
Ambulância.

Capítulo V – Procedimentos de segurança


Um fator de risco profissional é um agente suscetível de provocar efeito adverso
(dano) na saúde do trabalhador (ex. acidente de trabalho, doença profissional ou outra
doença ligada ao trabalho). Por vezes denomina-se o potencial fator de risco
profissional como “perigo”.

O risco profissional designa a combinação da probabilidade de ocorrência de um efeito


adverso (dano) na saúde do trabalhador e a gravidade do dano no trabalhador,
assumindo que existe exposição profissional. Neste sentido, o risco profissional existe
em qualquer empresa/estabelecimento, ainda que possa ser probabilisticamente
pouco valorizável (risco aceitável). Assim, é incorreto afirmar a ausência de risco
profissional numa empresa/estabelecimento.

Usualmente classificam-se os riscos profissionais pela sua natureza: a) Biológicos; b)


Físicos; c) Químicos; d) Psicossociais/Organizacionais; e) Relativos à atividade de
trabalho; f) Outros.

O trabalhador pode estar exposto a um fator risco profissional por diversas vias:
respiratória (inalação), digestiva (ingestão), dérmica (contacto), auditiva (audição),
ocular (“contacto” visual), sendo que a exposição profissional depende, entre outros,
dos seguintes fatores:

• Das características do fator de risco e da “quantidade” em que este está presente no


ambiente de trabalho;

• Da capacidade de penetração e interação do fator de risco com o organismo


humano;

• Do tempo e frequência a que o trabalhador está exposto;

• Da intensidade de exposição;

• Das características individuais do trabalhador (ex. género, idade, estado de saúde,


suscetibilidade genética);

• Assim, para cada fator de risco deve ser desenvolvida uma estratégia de intervenção
da responsabilidade do Serviço de Serviço de Serviço de Saúde e Segurança do
Trabalho (SST/SO) da empresa/estabelecimento no âmbito do processo de gestão do
risco profissional.
 

Processo de gestão do risco profissional


A gestão do risco profissional deve ser entendida como um processo dinâmico e
técnico-científico que visa eliminar, minimizar ou controlar o risco profissional dos
trabalhadores no seu local de trabalho. Este processo permite ao empregador tomar
medidas preventivas e corretivas de forma mais eficaz e possibilita a definição de
prioridades de ação que efetivamente assegurem e/ou melhorem a saúde e a
segurança dos trabalhadores.

Uma adequada avaliação dos riscos profissionais constitui a base de uma efetiva
gestão em saúde e segurança do trabalho, sendo uma ferramenta fundamental para a
prevenção dos riscos profissionais e, consequentemente, para a redução dos acidentes
de trabalho, das doenças profissionais e de outras doenças ligadas ao trabalho. A
empresa/estabelecimento e respetivos Serviços de SST/SO poderá utilizar a matriz de
gestão do risco profissional como modelo orientador.

Este processo desenvolve-se em três principais vertentes: análise do risco; avaliação


do risco e gestão do risco (vide Figura abaixo). As etapas do processo são as
seguidamente indicadas:

1. Identificação dos fatores de risco profissional – etapa essencialmente descritiva


sobre os elementos, condições e processos de trabalho e a(s) atividade(s)
desempenhada(s) pelo trabalhador, com ênfase na perspetiva da adversidade
potencial do trabalho na saúde do trabalhador. É uma etapa que exige rigor na
inventariação e caracterização dos fatores de risco e requer, para além da observação,
a descrição e interpretação do contexto do trabalho que poderá ocasionar efeitos
negativos na saúde do trabalhador.

2. Identificação dos trabalhadores expostos – nesta etapa deverão ser identificados os


trabalhadores que estão expostos ao fator de risco profissional, de que forma a
exposição profissional ocorre (ex. vias de exposição, tempo de exposição, entre
outros), e proceder-se à quantificação dos efeitos na saúde (sintomas e danos). Deve
ser prestada especial atenção aos trabalhadores mais vulneráveis (ex. trabalhadoras
grávidas puérperas ou lactantes, trabalhadores jovens e idosos, trabalhadores
portadores de deficiência, trabalhadores sem formação ou inexperientes,
trabalhadores isolados nas suas atividades profissionais, trabalhadores com imunidade
comprometida ou com doenças crónicas, entre outros) e/ou que executam trabalhos e
atividades de potencial risco elevado.

3. Estimativa do risco profissional – perante a informação anteriormente recolhida,


deverá estimar-se a “probabilidade de ocorrência” (quantas vezes pode ocorrer?) e a
“gravidade do dano” (que dano pode ocorrer?). Sempre que os fatores de risco
profissional são mensuráveis (ex. possuem valores limite ou valores de referência de
exposição profissional) deverão ser utilizados na estimativa.

4. Valoração do risco profissional – esta etapa tem por base o cruzamento da


informação relativa à “probabilidade de ocorrência” e à “gravidade do dano”, visando
comparar a magnitude do risco com padrões de referência. Neste contexto, deverá ser
estabelecido pela empresa/estabelecimento um referencial de valoração do risco
profissional, tendo em conta as normas, legislação e as boas práticas, utilizando uma
escala de níveis de risco em que cada nível deve estar associado a medidas
preventivas/corretivas específicas.

5. Controlo do risco profissional – esta etapa deverá permitir reduzir o risco


profissional existente para níveis aceitáveis, assim como promover a monitorização das
medidas implementadas (ex. ações de acompanhamento ou de reavaliação periódica).
As medidas a implementar deverão considerar os princípios de prevenção, e poderão
ser de cinco áreas distintas: i) condições de trabalho; ii) equipamento de trabalho; iii)
organização do trabalho; iv) formação e informação do trabalhador; v) vigilância da
saúde. Esta etapa deverá ainda identificar a necessidade de novas avaliações de risco
profissional, recomeçando o ciclo de gestão do risco profissional.

Processo de Gestão do Risco Profissional

 
O processo de análise, avaliação e controlo dos riscos profissionais deve ser efetuado,
sempre que:

• Se verifique a necessidade de incluir um risco identificado na sequência de uma não


conformidade detetada;

• Sejam criados/alterados substancialmente produtos, processos ou atividades;

• Ocorram alterações significativas na legislação ou outros requisitos aplicáveis;


• Sejam implementadas medidas de minimização de riscos profissionais.

No que se refere à hierarquização de medidas preventivas/corretivas, no âmbito do


controlo de riscos profissionais, devem ser
equacionadas as seguintes:

1- Eliminar o fator de risco profissional – deve


ser a primeira atitude a tomar em termos de
prevenção. Sempre que não se consiga
eliminar o fator de risco, avaliar a forma de
diminuir o risco a ele associado.

2 – Substituir o fator de risco profissional –


por exemplo, substituir um agente/material
perigoso por outro menos perigoso.

3 - Implementar medidas de engenharia – por exemplo, a instalação de proteções nas


máquinas e equipamentos perigosos, a instalação de sistemas de ventilação geral ou
localizada para captação de poeiras, fumos ou gases, entre outros.

4 - Implementar medidas administrativas e organizativas – por exemplo, dar formação


aos trabalhadores, rotatividade dos postos de trabalho de forma a repartir a carga de
tarefas mais penosas, ajuste de horários, pausas, entre outros.

5 - Implementar medidas de proteção individual – utilização de equipamentos de


proteção individual (EPI’s), adequados à tarefa a desempenhar.

Capítulo VI – Preparação
Física
 Ser socorrista é ter espírito de prevenção:

 Deve conhecer os riscos de eclosão deacidentes, intoxicações e doenças.

 Participa, na medida dos seusconhecimentos, na educação sanitária.

 Ser socorrista é simultaneamente umatécnica e um estado de espírito.

Preparação é a consequência de preparar algo (dispô-lo com um determinado fim,


elaborá-lo). A noção de física, por sua vez, admite várias acepções: neste caso,
interessa-nos a sua utilização no que diz respeito ao corpo e ao organismo.

A preparação física, por conseguinte, é o treino que faz uma pessoa para estar em
condições de realizar uma certa actividade. Através de determinados exercícios e de
uma alimentação saudável, um indivíduo pode “preparar” o seu corpo para um
determinado desafio.

A morte prematura é mais baixa nas pessoas fisicamente ativas. A prática regular de
uma atividade física moderada reduz em 30% o risco de morte prematura.

Qual a diferença entre atividade física e desporto?

Uma atividade física corresponde “a qualquer movimento produzido pelos músculos


esqueléticos, responsáveis por um aumento dos gastos energéticos (OMS). Por outras
palavras, mexer-se é uma atividade física: andar, subir escadas, limpar, andar de
bicicleta...
Por exemplo: jogar à bola num jardim é uma atividade física. Respeitar as linhas de um
campo de futebol e atirar uma bola à baliza corresponde mais a um jogo de futebol
(desporto).

Os benefícios de uma prática regular e adaptada de uma atividade física


Praticar regularmente uma atividade física ou desportiva adaptada reduz o risco de
mortalidade prematura. Quando associada uma alimentação equilibrada, a atividade
física melhora a qualidade de vida.

A obesidade, as doenças cardiovasculares, a diabetes e os cancros são as principais


consequências da sedentariedade, que é o quarto fator de risco de mortalidade à
escala mundial. Por conseguinte, a prática regular de uma atividade física contribui
igualmente para a redução dos riscos de aparecimento de certas patologias:

Doenças cardiovasculares: as pessoas fisicamente ativas desenvolvem duas vezes


menos doenças cardiovasculares (aquelas que afetam os vasos sanguíneos do cérebro,
a que chamamos “cerebrovasculares”);
Cancros: A atividade física reduz o risco de cancro colo rectal (40 a 50%), de cancros da
mama (30 a 40%) e do endométrico (30%);

Diabetes: O exercício físico e a alteração dos hábitos alimentares podem prevenir o


aparecimento da diabetes em indivíduos com um elevado risco de contrair esta
doença;

Obesidade: Ser ativo reduz o risco de excesso de peso. O sedentarismo explica, em


parte, o aumento dos casos de obesidade nas sociedades modernas. De facto, a cada
vez maior utilização de transportes motorizados e de elevadores, bem como a
evolução das atividades sedentárias (televisão, jogos vídeo, trabalho no computador),
diminuem as quantidades de energia utilizada pelo corpo;

Osteoporose: a atividade física é determinante na prevenção do tratamento da


osteoporose. Na mulher, a atividade física diminui para metade o risco de fratura do
colo do fémur e aumenta a resistência óssea;

Stress crónico: A atividade física causa modificações bioquímicas no organismo. Após


30 m de atividade física de intensidade moderada ou elevada, o corpo segrega uma
substância, a endorfina, que tem um efeito ansiolítico que diminui consideravelmente
o stress ou a ansiedade.

A prática de uma atividade física ou desportiva permite não só melhorar a qualidade


de vida e prevenir o aparecimento de certas doenças graves, como também é vista
pelos médicos como uma estratégia terapêutica integrada.

A terapia através da prática de uma atividade ou de um desporto: A prática de uma


atividade ou de um desporto faz parte integrante do tratamento global de algumas
doenças. A atividade física completa de maneira eficaz o tratamento medicamentoso e
permite diminuir as doses. Adaptada aos doentes em função da sua doença e do grau
atingido, a prática de uma atividade física contribui amplamente para um melhor bem-
estar geral, reduz a evolução da doença e limita as consequências funcionais.
Doenças cardio vasculares: A atividade física é considerada como uma estratégia
terapêutica indispensável para tratar as doenças cardiovasculares (enfartes, AVC,
insuficiência cardíaca crónica, arteriopatia dos membros inferiores).

A atividade física reduz a pressão arterial dos hipertensos bem como a hipertensão de
esforço. Melhora o perfil lipídico-sanguíneo, diminuindo os triglicéridos e o LDL-
colesterol, e aumentando o HDL-colesterol. No geral, a atividade física diminui o risco
de mortalidade dos indivíduos com doenças coronárias em cerca de 25 a 35% e reduz
os sinais clínicos que lhe estão associados.

Doença bronco-pneumopatia crónica obstrutiva (BPCO): O exercício físico regular é


também um dispositivo eficaz no tratamento da bronco- pneumopatia crónica
obstructiva (BPCO). O efeito anti-inflamatório e antioxidante da atividade física diminui
em 40% as hospitalizações e a mortalidade relacionadas com a BPCO. Os efeitos
positivos na asma são reconhecidos.

O cancro: A sensação de cansaço sentida pelos doentes oncológicos tem um forte


impacto na sua qualidade de vida. A prática de uma atividade física ou desportiva
permite uma melhor eficiência dos tratamentos e a diminuição dos efeitos
secundários, o que é bom para o estado de espírito e motivação dos doentes. Para os
cancros hormonais como o cancro da mama, do útero ou da próstata, o exercício físico
limita o crescimento do tumor pela diminuição dos estrogénios livres, que têm
influência no desenvolvimento das células cancerígenas.

Doenças osteoarticulares (lombalgias crónicas, reumatismo e poliartrite reumatóide,


artrose): A atividade física tem um efeito positivo sobre a elasticidade dos tendões, dos
ligamentos, na dor e no bem-estar dos doentes.

Doença de Parkinson: O sedentarismo acelera o processo da doença. É indispensável


fazer funcionar os músculos e as articulações. O exercício físico tem um papel muito
importante na defesa do bem-estar e da autonomia, e melhora a eficácia do
tratamento.

A prática de uma atividade física é necessária ao longo da vida, em função das


necessidades de cada um. Podem distinguir-se 3 tipos de exercícios físicos de acordo
com o efeito global que têm no corpo humano:

Os exercícios de aeróbica: são aqueles que requerem e melhoram o consumo de


oxigénio pelo organismo. Aeróbica significa “com oxigénio” e faz referência ao
oxigénio no organismo durante o processo de produção de energia. Existem exercícios
que são de tipo aeróbico como o ciclismo, a caminhada, a corrida ou o ténis.

Os exercícios anaeróbicos: aumentam a força muscular a curto prazo. A musculação.


Os exercícios de flexibilidade: melhoram a mobilidade dos músculos e das articulações:
os alongamentos, o stretching.

Conselhos para a prática de uma atividade física

Para o adulto de 18 a 65 anos:

Atividade de tipo aeróbica (resistência) de intensidade moderada: 30 m, 5 vezes por


semana;
Ou uma atividade de tipo aeróbica de intensidade alta: mínimo 20 m, 3 vezes por
semana.

Ou atividade combinada: por exemplo, andar depressa durante 30 m, 2 vezes por


semana, e fazer jogging durante 20 minutos, 2 dias por semana
As atividades de esforço muscular devem completar as atividades de resistência.

Estas atividades devem ser praticadas pelo menos 2 dias não consecutivos por semana,
com exercícios que utilizam os principais grupos musculares e repetindo cada um dos
exercícios 8 a 12 vezes.

Para adulto com mais de 65 anos:

O tempo e a frequência da atividade física recomendados para as pessoas com mais de


65 anos são os mesmos que para um jovem adulto. Contudo, depende de cada
indivíduo e da sua forma física: para umas pessoas, uma atividade de intensidade
moderada corresponde a uma caminhada normal; para outras, a uma caminhada
rápida.

É recomendada uma diversificação das atividades: é necessário incorporar atividades


de equilíbrio para manter a flexibilidade e as quedas. Podem ser realizadas uma
mistura de atividades moderadas ou intensas.

As atividades da vida quotidiana de intensidade moderada ou elevada durante pelo


menos 10 m (limpezas, jardinagem…) podem ser contabilizadas para atingir os valores
recomendados.

A prática de uma atividade física ou desportiva quando se sofre de uma patologia


É importante praticar uma atividade física adaptada à doença e às capacidades de cada
um.
A atividade física deve ser praticada com regularidade, e progressivamente sem
ultrapassar os limites.

É necessário um relatório médico para orientar a escolha da atividade física e das suas
modalidades: o tipo de atividade, o tempo, a intensidade, a frequência. Uma atividade
física inadaptada ou demasiado intensa pode ter efeitos negativos nomeadamente nas
pessoas com problemas cardiovasculares, diabetes ou cancro. A prática de uma
atividade física deve inscrever-se em programas de readaptação monitorizados por um
médico.

Intensidade Fraca
Atividades:
Caminhar devagar
Lavar a louça, passar a ferro, limpar o pó
Bricolage, regar o jardim
Bilhar, bowling, yoga

Intensidade Moderada
Atividades:
Caminhar depressa, marcha nórdica
Lavar os vidros, aspirar a casa
Hidroginástica, tai chi
Andar de bicicleta, natação
Vela, golfe

Intensidade Elevada
Atividades:
Caminhadas com desníveis
Montanhismo
Cavar, fazer mudanças
Jogging, BTT, natação rápida
Saltar à corda, futebol
Basquetebol
Desportos de combate

Conclusão
Diversas situações podem precisar de primeiros socorros. As situações mais comuns
são atendimento de vítimas de acidentes automobilísticos, atropelamentos, incêndios,
tumultos, afogamentos, catástrofes naturais, acidentes industriais, tiroteios ou
atendimento de pessoas que passem mal: traição,apoplexia (ataque cardíaco), ataques
epilépticos, convulsões, etc. Tão importante quanto os próprios primeiros socorros é
providenciar o atendimento especializado. Ao informar as autoridades, deve-se ser
direto e preciso sobre as condições da(s) vítima(s) e o local da ocorrência; no caso dos
países subdesenvolvidos da África deve-se também informar o número telefônico do
socorrista, devido a alguns défices no sector da informática de localizações.

Primeiro Socorro é o tratamento inicial e temporário dado a acidentados e/ou vítimas


de doença súbita, com o objetivo de prevenir, alertar ou socorrer, num esforço de
preservar a vida, diminuir a incapacidade e minorar o sofrimento.
O primeiro socorro consiste, conforme a situação, na proteção de feridas, imobilização
de fratura, controlo de hemorragias externas, desobstrução das vias respiratórias e
realização de manobras de Suporte Básico de Vida (SBV). Não substitui nem deve
atrasar a ativação dos serviços de emergência médica, mas sim impedir ações
intempestivas, alertar e ajudar, evitando o agravamento do acidente.

A possibilidade de acidentes e situações e de doença súbita ocorrerem é sempre uma


realidade presente. A forma mais eficaz de eliminar ou reduzir nas vítimas as sequelas
que resultam destes incidentes é através do socorro prestado nos primeiros minutos
que sucedem ao incidente. A eficácia deste primeiro socorro será tanto maior quanto
maior for a formação do socorrista.

Os primeiros socorros são procedimentos básicos e simples prestados à vítima no local


do acidente, a fim de prevenir ou diminuir danos à saúde da mesma e ainda salvar a
sua vida, mantendo os sinais vitais evitando o agravamento do seu estado. Por este
motivo, este curso teve como finalidade a preparação das formandas em primeiros
socorros que dão resposta a um conjunto de situações que correspondem àquelas que
mais frequentemente ocorrem. Esta formação permite ainda a preparação para
intervir em situações de emergência em que o tempo, tal como as medidas que se
tomam, podem significar a diferença entre a vida e a morte

Bibiografia
AA VV., Compilação de dados estatísticos sobre sinistralidade laboral e doenças
profissionais em Portugal, Ed. UGT, 2012

AA VV., Manual de higiene e segurança no trabalho, Programa de formação PME, AEP

AA VV., Qualificação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no Trabalho:


Manual de Formação, Ed. Associação Industrial Portuguesa – Confederação
Empresarial, 2007

Espiga, M., Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho: textos de apoio, Ed. CECOA

Manual TAT/TAS “Abordagem à Vítima” (2012) INEM

Manual “Suporte Básico de Vida” (2012) INEM

Manual de situações de emergência e primeiros socorros (2010)