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Apostila Mini Curso: Saneamento Básico - Introdução ao Tema

MODULO II – Aplicações
Os sistemas do Saneamento Básico

Por definição, sistemas representam um conjunto de elementos individuais que quando


combinados de forma organizada provocam um resultado fruto das transformações
integradas ocorridas em cada uma de suas partes, entregando um efeito único diferente da
soma dos efeitos individuais.

Assim são os sistemas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário e de drenagem


pluvial, os quais estão inseridos no conjunto de ações relativas ao Saneamento Básico, tendo:

 o sistema de abastecimento de água a função de captar, tratar e distribuir água


potável;
 o sistema de esgotamento sanitário a função de coletar água servida, tratar e retornar
à natureza de forma adequada;
 o sistema de drenagem pluvial a função de disciplinar o fluxo de águas de chuva
evitando processos erosivos, alagamentos e inundações.

Sistemas de Abastecimento de Água

Com a função de transformar a água imprópria em própria para o consumo, este sistema é
composto de unidades de captação, adução, tratamento e distribuição, podendo estas suas
partes individuais serem genericamente ilustradas conforme a figura abaixo.

Figura 1 – Ilustração genérica de um sistema de Abastecimento de Água

Tal transformação deve seguir premissas e recomendações, a exemplo do exposto na portaria


1469/2000 do Ministério da Saúde (FUNASA – Fundação Nacional de Saúde) que define água
potável em seu art 4º como sendo aquela destinada ao consumo humano com padrão que
não ofereça riscos à saúde.

Outrossim, deve-se observar também o que preconiza a resolução 20/1986 do CONAMA –


Conselho Nacional do Meio Ambiente – naquilo que estabelece as classificações das águas
distribuídas entre doces, salinas e salobras, e suas destinações para navegação, contemplação,
recreação com contato primário ou secundário, uso agrícola e abastecimento doméstico

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mediante tratamento simplificado ou convencional. Em destaque na tabela abaixo as águas


destinadas ao abastecimento doméstico.

Tabela 1 – Resolução n. 20/1986 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (breve resumo)

Ademais, cabe ainda atender à normas técnicas da ABNT – Associação Brasileira de Normas
Técnicas - coerentes com a aplicação de cada parte do sistema, entre elas:

 ABNT 12213:1992 - Projeto de captação de água de superfície para abastecimento


público
 ABNT 12215-1:2017 - Projeto de adutora de água Parte 1: Conduto forçado
 ABNT 12216:1992 - Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento
público
 ABNT 12218:2017 - Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento público

Este sistema reúne algumas características para cada uma de suas partes, podendo ser
elencadas na tabela abaixo:

Parte do
Características
Sistema
 Subterrânea: em poços rasos ou profundos em lençol freático ou aquíferos
Captação
 Superficial: em tomada d’água ou flutuadores em barragens, rios ou lagos
 de água Bruta: galerias que conduzem a água da captação até a estação
de tratamento
Adutora
 de água Tratada: galerias que conduzem a água após a estação de
tratamento até o início da rede de distribuição
 Simplificado: normalmente composto pelas fases de Filtração, Desinfecção
e Correção de PH
Tratamento
 Convencional: normalmente composto pelas fases de Coagulação,
Floculação, Decantação, Filtração, Desinfecção e Correção de PH
Rede de  Tubulações de água tratada dispostas na malha urbana destinadas à
Distribuição abastecer de forma contínua e atendendo à demanda em quantidade e

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pressão adequada, com medição de consumo individual para cada ponto


consumidor

Tabela 2 – Características Gerais do Sistema de Abastecimento de Água

Sistemas de Esgotamento Sanitário

Da mesma forma, mas com outro objetivo específico, o sistema de esgotamento sanitário tem
a função de transformar a água imprópria já servida pelo consumidor em água própria para
o lançamento final de volta à natureza sem causar poluição, ou seja: sem degradar o ambiente.

Figura 2 – Ilustração genérica de um sistema de Esgotamento Sanitário

Premissas legais e recomendações normativas também merecem atenção, a exemplo de:

 ABNT NBR 12209:2011 - Elaboração de projetos hidráulico-sanitários de estações de


tratamento de esgotos sanitários, que orienta sobre processos e dispositivos de
tratamento conforme a fase líquida ou sólido do tratamento;
 Resolução n. 20/1986 e Resolução n. 430/2011 – CONAMA – Conselho Nacional do
Meio Ambiente, que dá enquadramento e condições das águas cabíveis de serem
lançadas no meio ambiente conforme classificação.

A tabela abaixo sintetiza alguns aspectos contidos no CONAMA, com destaque para vedação
de lançamento de efluentes em águas especiais, mesmo que tratados.

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Tabela 3 – Resoluções n. 20/1986 e n. 430/2011 do CONAMA (resumo sucinto)

É possível também resumir características das partes de um sistema de esgotamento sanitário.

Parte do Sistema Características


 Tubulação disposta na malha urbana destinada à receber as ligações
Rede Coletora domiciliares e coletar o esgoto trecho a trecho intercalados por
poços de visita até o interceptor
 Galerias isentas de ligações domiciliares e destinadas à conduzir o
Interceptor esgoto coletado nas redes coletoras até a estação de tratamento de
esgoto
 Fase Líquida: normalmente composta por Grades e Caixas de Areia,
Decantadores, Flotadores, Digestores e/ou Lagoas de Estabilização
Tratamento
 Fase Sólida: normalmente composta por Centrifugas; Prensas, Leitos
de Secagem, com possível disposição em hortas e silagem
 Terrestre: galeria em trecho terrestre destinadas a conduzir o esgoto
já tratado até o ponto de descarte
Emissário
 Submarino: tubulação em trecho aquático provido de difusores e
destinado a conduzir o esgoto já tratado até o ponto de descarte

Tabela 4 – Características Gerais do Sistema de Esgotamento Sanitário

Sistemas de Drenagem de Águas Pluviais

Os sistemas de drenagem, também inserido no conjunto de ações do Saneamento Básico, tem


a função de coletar água pluvial que escoa superficialmente em uma região determinada e
conduzir a vazão de forma disciplinada até o lançamento final adequado.

Dividido em micro e macro drenagem, tem relação direta com o uso e a ocupação do solo
urbano, com suas características e suas condições de permeabilidade decorrentes do tipo de
pavimento. Sofre influência também da qualidade da prestação de outro serviço de
saneamento básico: a limpeza urbana, na medida em que o acúmulo de lixo em vias públicas
possa provocar assoreamentos e obstruções nas calhas e dispositivos de drenagem, reduzindo
parcial ou totalmente sua capacidade de transporte de água, implicando em consequente
alagamentos e inundações.

Da mesma forma, há normas técnicas e requisitos legais que regem a drenagem pluvial, a
exemplo da ABNT NBR 12266:1992 que trata de projeto e execução de valas para
assentamento de tubulação de água, esgoto ou drenagem urbana, e do Decreto Lei 24.643
de 1934, que dispõe sobre o Código de Águas, entre elas as Águas Pluviais em seu Título V.

É possível ilustrar o sistema de drenagem pluvial em uma área urbana com seus dispositivos
de coleta de água de chuva, transporte e lançamento desse deflúvio até um ponto de
lançamento desse caudal no corpo receptor.

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Figura 3 – Ilustração genérica de um sistema de Drenagem Pluvial em área urbana

Figura 4 – Seção transversal de um sistema de Drenagem Pluvial (Ilustração típica)

A tabela abaixo resume algumas características das partes de um sistema de drenagem pluvial:

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Parte do Sistema Características


 Parte das vias públicas por onde escoam as águas de chuva de
Sarjeta
forma superficial
Boca de lobo  Ponto de coleta das águas de escoamento superficial
 Dispositivos de interligação entre as bocas de lobo e os diversos
Poço de Visita trechos da rede de drenagem que auxiliam na manutenção do
sistema
 Galerias responsáveis pela condução das águas de chuva,
Rede de drenagem
normalmente com seção circular na micro drenagem
 Estruturas de descarte das águas em pontos baixos do terreno
Lançamento natural e/ou cursos d’água, devendo conter bacia de dissipação
de energia ou simples enrocamento para evitar processo erosivo

Tabela 5 – Características Gerais do Sistema de Drenagem Pluvial

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Bibliografia

• Manual do Saneamento – Ministério da Saúde – Funasa – Fundação Nacional de


Saúde, 3ª Edição / 2004

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_saneamento_3ed_rev_p1.pdf

• Agencia Nacional de Águas – ANA - Ministério do Meio Ambiente (MMA)

http://www3.ana.gov.br/

• IBGE - Pesquisa Nacional de Saneamento Básico - PNSB

https://www.ibge.gov.br/estatisticas-novoportal/multidominio/meio-ambiente/9073-
pesquisa-nacional-de-saneamento-basico.html

• Ministério das Cidades – Secretaria Nacional de Saneamento Básico

http://www.cidades.gov.br/saneamento-cidades

• CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia

http://www.confea.org.br/

• Planalto da República - Acervo a Legislação

http://www2.planalto.gov.br/conheca-a-presidencia/acervo/legislacao

• ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas

http://www.abnt.org.br

• INMETRO - Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia

http://www.inmetro.gov.br

• MINSTERIO DO MEIO AMBIENTE

http://www.mma.gov.br

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