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PREFEITURA MUNICIPAL DE ANDRADAS – MG

Plano de Gestão
Integrada de Resíduos
Sólidos
PGIRS

2013

Grupo Brasil Ambiental Consultoria


PREFEITURA MUNICIPAL DE ANDRADAS

PREFEITO
Rodrigo Aparecido Lopes
SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO URBANO E MEIO AMBIENTE
Márcio Mariano Móia
SECRETÁRIO DE OBRAS, SERVIÇOS PÚBLICOS E TRANSPORTE INTERNO
Paulo Diogo Rosa

EMPRESA CONSULTORA

CJ SOLUCOES AMBIENTAIS E EMPREENDIMENTOS EM CONSTRUCOES LTDA.

GRUPO DE TRABALHO DO COMITÊ GESTOR MUNICIPAL


Paulo Eduardo Nhola Ferraz de Pontes – Coordenador do Comitê Gestor
Antônio Carlos Garanhani – Meio Ambiente
Vladimir da Rocha – Contratos
Sinézio Aparecido Gonçalves Barros – Limpeza Urbana
Maria Regina dos Reis - Finanças

EQUIPE TÉCNICA DO GRUPO BRASIL AMBIENTAL


Ana Carolina da Cruz de Souza – Geógrafa Especialista em Mobilização Social
Afonso Rosa – Analista Contábil Especialista em Sistemas de Custeio
Glayson Keler de Paula Silva – Gerente de Projetos Especialista em Sistemas de Informações
Gustavo Vinícius Gomes da Silva – Engenheiro de Produção
Karine Horta Palhares – Bióloga Especialista em Saneamento Ambiental
Leonardo Gomes Lara – Geógrafo Especialista em Energias Renováveis
Leonardo Cunha Caldeira Brant – Arquiteto Urbanista
Nelly Eugênia Dutra – Engenheira Sanitarista

2013
Sumário
ÍNDICE DE QUADROS ..................................................................................................iv
ÍNDICE DE TABELAS....................................................................................................iv
ÍNDICE DE FIGURAS .................................................................................................... v
INTRODUÇÃO....................................................................................................................... 7
OBJETIVOS ........................................................................................................................ 10
Objetivo Geral.................................................................................................................. 10
Objetivos Específicos....................................................................................................... 10
DEFINIÇÕES E CONCEITOS ............................................................................................. 12
Conceitos Gerais ............................................................................................................. 12
Conceitos Sobre Resíduos Sólidos .................................................................................. 14
Classificação dos Resíduos Sólidos............................................................................. 15
LEGISLAÇÃO E NORMAS BRASILEIRAS APLICÁVEIS .................................................... 25
Lei da União Federativa ................................................................................................... 25
Normas ABNT Referentes a Resíduos............................................................................. 26
Leis do Estado de Minas Gerais ...................................................................................... 29
PANORAMA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS ...................................... 30
Inclusão de Catadores ..................................................................................................... 33
Resíduos do Setor Agrossilvopastoril............................................................................... 35
Resíduos Sólidos Inorgânicos.......................................................................................... 40
DIAGNÓSTICO.................................................................................................................... 52
Caracterização Geral do Município .................................................................................. 52
Contexto Regional do Município................................................................................... 56
Dinâmica setorial da produção e do emprego .............................................................. 58
Aspectos Socioeconômicos e Demográficos................................................................ 64
Saúde e Educação....................................................................................................... 65
Habitação e Saneamento............................................................................................. 66
Finanças Públicas ........................................................................................................ 67
Panorama do Saneamento Básico .................................................................................. 68
Panorama do Saneamento Básico em Andradas......................................................... 70
Caracterização dos Serviços de Limpeza Pública Existentes........................................... 72
Estrutura Operacional, Fiscalizatória e Gerencial......................................................... 72
Sistema de Coleta e Manejo de Resíduos Sólidos de Andradas .................................. 73
Serviços de Coleta dos Resíduos Sólidos Domiciliares e Comercial............................ 75
Serviços para Coleta Seletiva ...................................................................................... 81
Serviços de Varrição das Vias Públicas do Município .................................................. 85
Serviços de Capina e Roçada Manual de Vias Públicas em Áreas Urbanas e Rurais. 86
i
Serviços de Limpeza nas Feiras Livres ....................................................................... 90
Serviços de Limpeza de Bueiros e Bocas de Lobo...................................................... 90
Serviços de Coleta de Resíduos da Saúde Pública...................................................... 91
Serviço de Coleta de Animais Mortos .......................................................................... 92
Serviços de Coleta de Resíduos Verdes ...................................................................... 92
Outros Serviços de Coleta ........................................................................................... 94
Serviços no Aterro Sanitário ........................................................................................ 99
SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS............................................................................ 120
GERAÇÃO..................................................................................................................... 123
Composição Gravimétrica dos Resíduos Domiciliares................................................ 123
Composição Gravimétrica dos Resíduos Domiciliares de Andradas........................... 126
Resíduos Sólidos Domiciliares – Óleo vegetal ............................................................ 128
Resíduos Sólidos da Limpeza de Pontos Críticos ...................................................... 128
Resíduos Sólidos Gerados na Construção Civil ......................................................... 134
Resíduos Sólidos Sujeitos à Logística Reversa .......................................................... 137
CUSTOS........................................................................................................................ 149
Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana – Brasil ................................. 150
Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana - Região Sudeste ................ 151
Custos da Limpeza Pública em Andradas.................................................................. 152
Aspectos Econômicos da Prestação dos Serviços ..................................................... 154
COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES................................................................ 155
CARÊNCIAS E DEFICIÊNCIAS..................................................................................... 156
PROPOSTAS DE INCLUSÃO SOCIAL AOS CATADORES .............................................. 162
1. INTRODUÇÃO........................................................................................................... 163
2. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DO MUNICÍPIO DE ANDRADAS............ 164
2.1. Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal....................................................... 164
2.2. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) ..................................... 169
2.3. Dados Censo IBGE ............................................................................................ 173
3. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONOMICA DOS CATADORES DE RECICLÁVEIS
ENTREVISTADOS EM ANDRADAS (MG)......................................................................... 181
3.1. Resultados do questionário ................................................................................ 183
3.2. Breve analise das entrevistas............................................................................. 187
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 188
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................... 190
INICIATIVAS RELEVANTES.......................................................................................... 193
MEIOS DE COMUNICAÇÃO DA ELABORAÇÃO DO PGIRS............................................ 193
ASPECTOS GERAIS PARA O PROGNÓSTICO ............................................................... 196

ii
PERSPECTIVAS PARA GESTÃO ASSOCIADA COM MUNICÍPIOS E REGIÃO .......... 196
DEFINIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS ........................... 197
DIRETRIZES, ESTRATÉGIAS, PROGRAMAS, AÇÕES E METAS ............................... 200
Modelo de gestão....................................................................................................... 200
Diretrizes da Gestão dos RSU ................................................................................... 201
Estratégias Conforme a Base Legal .......................................................................... 202
Metas Quantitativas, Ações e Prazos ........................................................................ 203
Resíduos Sólidos Urbanos - Coleta Convencional e Destinação Final ....................... 206
Resíduos Sólidos Urbanos – Coleta Seletiva ............................................................. 210
Resíduos da Construção Civil e Demolição - RCD..................................................... 211
Resíduos Volumosos ................................................................................................. 212
Resíduos de Serviços de Saúde - RSS...................................................................... 213
Resíduos Tecnológicos (Lâmpadas, Pilhas, Baterias, Eletroeletrônicos) – Logística
Reversa ..................................................................................................................... 214
Resíduos Especiais (Pneumáticos, Embalagens de Agrotóxico e de Óleos
Lubrificantes) ............................................................................................................. 216
Resíduos Sólidos Urbanos – Compostagem .............................................................. 218
Resíduos Industriais................................................................................................... 219
PROGRAMAS E AÇÕES – AGENTES ENVOLVIDOS E PARCERIAS ......................... 220
Regramento Dos Planos De Gerenciamento Obrigatórios ......................................... 222
Indicadores de desempenho para os serviços públicos.............................................. 224
Ações Específicas da Administração pública Ambiental............................................. 229
ANEXOS............................................................................................................................ 236
Anexo 01 – Ofício SEMAD / FEAM / Gerência de Resíduos .......................................... 236
Anexo 02 – PGIRS Consolidado para a FEAM .............................................................. 237
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................... 252

iii
ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 01- Classificação dos Resíduos Sólidos


Quadro 02- Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde
Quadro 03 – Sistematização das leis pertinentes aos catadores de materiais recicláveis.
Quadro 04 – Coleta Convencional de Resíduos
Quadro 05 – Serviços de capina e roçada
Quadro 06 – Resíduos dos serviços de saúde
Quadro 07 – Rota dos caminhões de coleta de RSU por bairro
Quadro 08 – Principais informações das sondagens SPT na área do aterro
Quadro 09- Fotografias atuais do aterro sanitário em operação
Quadro 10 – Metas do PGIRS Andradas

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1- Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos coletados no


Brasil em 2008
Tabela 2- Estimativa da participação dos programas de coleta seletiva formal (2008)
Tabela 3- Quantidade de resíduos e rejeitos encaminhados para disposição em solo,
considerando somente lixão, aterro controlado e aterro sanitário.
Tabela 4- Número de municípios que têm lixões e quantidade total de lixões existentes, no
Brasil e nas macrorregiões.
Tabela 5- Montantes estimados de resíduos sólidos e efluentes gerados pelo setor
agrosilvopastoril e potencial energético desses resíduos. Ano base 2009.
Tabela 6 - Quadro de pessoal - atividades de limpeza urbana e manejo de Resíduos sólidos
Tabela 7- Planilha orçamentária Projeto APA
Tabela 08 - Importância das características físicas, químicas e biológicas do lixo na limpeza
urbana.
Tabela 09 – Estudo Gravimétrico dos RSD por Classe Social em Andradas
Tabela 10 – Somatória das Frações de cada Variável Existentes nos RSD
Tabela 11 – Pontos Críticos de Descarte de Resíduos Diversos
Tabela 12 – Frota de Veículos de Andradas
Tabela 13 - Dados estimados do mercado de lâmpadas em 2007
Tabela 14 – Recursos Aplicados na Coleta de RSU
Tabela 15 – Recursos Aplicados nos Demais Serviços de Limpeza Urbana
Tabela 16 – Recursos Aplicados na Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana na
Região Sudeste
Tabela 17 - Despesas com serviços de limpeza urbana em 2012
iv
Tabela 18 – Principais indicadores de custo do manejo de RSU em Andradas
Tabela 19 - Competências e Responsabilidades pelo Manejo dos Resíduos Sólidos do
Município
Tabela 20 - Tabulação dos dados das Audiências Públicas do dia 12/09/13 sobre o
Diagnóstico do PGIRS de Andradas (MG)
Tabela 21 - Responsabilidades Públicas e Privadas dos resíduos gerados
Tabela 22 – Indicadores conforme o SNIS
Tabela 23 – Indicadores da Continuidade dos Serviços de RSU

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 01 – Mapa de Localização de Andradas Fonte- DER Minas Gerais


Figura 02 – Bacia Hidrográfica do Rio Grande
Figura 03 – Mapa da Mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas
Figura 04 – Mapa da Microrregião de Poços de Caldas
Figura 05- Município de Andradas – Visão do Terreno
Figura 06 – Gráfico Evolução da Receita Municipal Total
Figura 07- Lançamento de esgoto in natura nas águas em Andradas
Figura 08 – Mapa de Coleta de RSU
Figura 09 – Mapa de bairros de Andradas
Figura 10 – Cartaz da Campanha “Coloque seu lixo na hora certa”
Figura 11 – Máquina Trituradora de Galhos
Figura 12- Restos de poda no Almoxarifado Municipal
Figura 13- Acúmulo de entulho e madeira no Almoxarifado Municipal
Figura 14- Coleta “Cata Treco”
Figura 15- Acúmulo de móveis diversos no Almoxarifado Municipal
Figura 16- Descarte Cata Treco em área privada
Figura 17- Área privada para descarte
Figura 18- Entulho descartado na área privada
Figura 19- Descarte sem segregação de materiais na área privada
Figura 20- Material separado por morador da mesma área privada
Figura 21- Informativo do CVT ANDRADAS como ponto de descarte de material eletrônico
Figura 22 – Cópia do Certificado de Licença Ambiental de Operação do Aterro Sanitário
Figura 23 – Trecho Adequado (largura e rampa, drenagem e fechamento lateral com cercas)
Figura 24 – Conclusão de trecho com drenagem de pé de talude
Figura 25 – Pavimentação asfáltica do acesso interno desde o portão de entrada até a
plataforma 1 de aterramento
v
Figura 26 – Horizontes O + A (terra orgânica e/ou mineral-orgânica), horizonte B (argiloso) e
horizonte C (residual siltoso) encontrados na escavação das plataformas 1 e 2
Figura 27 – Constatação de deficiência do material argiloso (horizonte B) que poderia ser
utilizado para a impermeabilização da fundação
Figura 28 – Preparação da plataforma 1- escavação, construção do dique e do sistema de
drenagem de percolados
Figura 29 – Impermeabilização da lagoa facultativa (unidade 1) e proteção vegetal do entorno
Figura 30 – Ancoragem e instalação da geomembrana PEAD na plataforma 1
Figura 31 – Impermeabilização de base da plataforma 1 concluída
Figura 32 – Construção das edificações de administração e apoio operacional e instalação da
balança de pesagem de resíduos em frente ao prédio administrativo
Figura 33 – Vista geral das unidades de apoio, incluindo portão de acesso e guarita de controle
Figura 34 –Uso inadequado de caçamba de lixo na área rural
Figura 35 – Panorama de uma encruzilhada de estradas na área rural
Figura 36 – Descarte de pneu e móveis próximo a ponte sobre o córrego
Figura 37 – Carcaça de TV dentro do córrego
Figura 38 – Lixo descartado junto ao muro em local de difícil acesso na margem contrária do
córrego
Figura 39 – Lixo descartado fora do dia de coleta e no solo em área pública
Figura 40 – Entulho lançado à beira de córrego
Figura 41 – Restos de móveis descartados em praça pública
Figura 42 – Restos de móveis descartados em entrada de lote vago
Figura 43 – Grande quantidade de entulho lançado dentro de manancial em rua sem saída
Figura 44 – Novo bota fora formando-se a beira de córrego
Figura 45 – Restos de podas lançados no passeio
Figura 46 – Resíduos lançados e queimados em lote vago
Figura 47 – Armazenamento temporário de pneus no almoxarifado municipal de Andradas
Figura 48 – Lâmpadas armazenadas no chão em barracão no almoxarifado

vi
INTRODUÇÃO

De acordo com a Constituição Federal, cabe ao poder público municipal o trabalho de


zelar pela limpeza urbana e pela coleta e destinação final do lixo. Com a lei da Política
Nacional de Resíduos Sólidos, a tarefa das prefeituras ganha uma base mais sólida com
princípios e diretrizes, dentro de um conjunto de responsabilidades que tem o potencial
de mudar o panorama do lixo no Brasil.

A Lei 12.305/2010 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que é um marco


regulatório completo para o setor de resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos
Sólidos harmoniza-se com diversas outras leis, compondo o arcabouço legal que influirá na
postura da totalidade dos agentes envolvidos no ciclo de vida dos materiais presentes nas
atividades econômicas. Está fortemente relacionada com a Lei Federal de Saneamento
Básico, com a Lei de Consórcios Públicos e ainda com a Política Nacional de Meio
Ambiente e de Educação Ambiental, entre outros documentos importantes.

A Lei estabelece uma diferenciação entre resíduo e rejeito num claro estímulo ao
reaproveitamento e reciclagem dos materiais, admitindo a disposição final apenas dos
rejeitos. Inclui entre os instrumentos da Política as coletas seletivas, os sistemas de logística
reversa, e o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas e outras formas de
associação dos catadores de materiais recicláveis.

A coleta seletiva deverá ser implementada mediante a separação prévia dos resíduos sólidos
(nos locais onde são gerados), conforme sua constituição ou composição (úmidos, secos,
industriais, da saúde, da construção civil etc.). A implantação do sistema de coleta seletiva é
instrumento essencial para se atingir a meta de disposição final ambientalmente adequada
dos diversos tipos de rejeitos. A coleta seletiva deve ser entendida como um fator
estratégico para a consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em todas as suas
áreas de implantação.

No tocante ao serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos deverá se


estabelecer, no mínimo, a separação de resíduos secos e úmidos e, progressivamente, se
estender à separação dos resíduos secos em suas parcelas específicas segundo as metas
estabelecidas nos planos de gestão de resíduos sólidos. A responsabilidade compartilhada
faz dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e titulares dos
serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos responsáveis pelo ciclo
de vida dos produtos. A lei visa melhorar a gestão dos resíduos sólidos com base na divisão
das responsabilidades entre a sociedade, o poder público e a iniciativa privada.
7
Todos têm responsabilidades segundo a Política Nacional de Resíduos Sólidos: o poder
público deve apresentar planos para o manejo correto dos materiais (com adoção de
processos participativos na sua elaboração e adoção de tecnologias apropriadas); às
empresas compete o recolhimento dos produtos após o uso e, à sociedade cabe participar
dos programas de coleta seletiva (acondicionando os resíduos adequadamente e de forma
diferenciada) e incorporar mudanças de hábitos para reduzir o consumo e a consequente
geração.

A recorrente discussão sobre a implantação ou não de mecanismos de cobrança nos


municípios foi encerrada pela decisão do Congresso Nacional aprovando a Lei da Política
Nacional de Resíduos Sólidos, que revigora neste aspecto, a diretriz da Lei Federal de
Saneamento Básico. Pela Lei 11.445/2007, não têm validade os contratos que não prevejam
as condições de sustentabilidade e equilíbrio econômico-financeiro da prestação de serviços
públicos, incluindo o sistema de cobrança, a sistemática de reajustes e revisões, a política de
subsídios entre outros itens. Harmonizada com este preceito, a Lei 12.305/2010 exige que
os planos anunciem o sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços públicos e a
forma de cobrança dos usuários, e veda ao poder público a realização de qualquer das
etapas de responsabilidade de gerador obrigado a implementar Plano de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos.

As providências tomadas pelos municípios fazem parte de um novo conceito: o


gerenciamento integrado do lixo, que envolve diferentes soluções, como a reciclagem e
a disposição dos rejeitos em aterros que seguem critérios ambientais.

Pela nova lei, os governos municipais e estaduais devem elaborar um plano de resíduos
sólidos, com diagnóstico da situação lixo e metas para redução e reciclagem, além de
dar um fim aos lixões e buscar soluções consorciadas com outros municípios. Devem
também identificar os principais geradores de resíduos, calcular melhor os custos e criar
indicadores para medir o desempenho do serviço público nesse campo.

Ainda para garantir o acompanhamento, o monitoramento, o controle cidadão e a


revisão periódica das metas contidas nesses planos, devem ser instituídos os indicadores
de desempenho operacional e socioambiental dos serviços públicos de limpeza urbana e
de manejo de resíduos sólidos; da coleta seletiva (incluindo os orgânicos); da
implementação e operacionalização dos sistemas de logística reversa; e dos planos de
gerenciamento de resíduos sólidos industriais, minerários, da construção civil e de
saúde.

8
A boa gestão de resíduos é questão de suma importância para o Programa Cidades
Sustentáveis e permeia, entre outros, seus seguintes eixos e diretrizes: Fortalecimento
dos processos de decisão, com a promoção de instrumentos da democracia participativa,
proteção, preservação e acesso equilibrado aos bens naturais comuns; Promoção de
comunidades inclusivas e solidárias, proteção e promoção da saúde e do bem- estar dos
nossos cidadãos; Reconhecimento do papel estratégico do planejamento e do desenho
urbano na abordagem das questões ambientais, sociais, econômicas, culturais e de
saúde, para benefício de todos; Promoção da cultura e da educação para a
sustentabilidade; Apoio e criação das condições para uma economia local dinâmica e
criativa, que garanta o acesso ao emprego, sem prejudicar o meio ambiente; Fomento do
uso responsável e eficiente dos recursos; Incentivo de um padrão de produção e de
consumo sustentáveis.

Dessa forma, podemos dizer que o principal avanço promovido pela Política Nacional
de Resíduos Sólidos - PNRS foi o de propor uma visão sistêmica da coleta de resíduos,
levando em consideração as variáveis ambiental, social, cultural, econômica,
tecnológica e de saúde pública. Os municípios devem, ainda, estimular o fortalecimento
institucional de cooperativas e associações, em prol da melhoria das condições de
trabalho dos catadores, e a pesquisa voltada à integração das ações que envolvam a
responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

De fato, é no plano local que essas questões devem ser enfrentadas. Não somente
porque a gestão de resíduos é de competência dos municípios, mas por terem mais
condição de conhecerem a situação de vida e trabalho de seus habitantes.

Nos termos da Lei 12.305/10, os municípios deverão elaborar os “Planos Municipais de


Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”, como condição para o acesso aos recursos da
União destinados à gestão de resíduos e à limpeza urbana. Esse documento deve levar
em consideração as especificidades locais e basear-se em diagnóstico capaz de retratar a
situação dos resíduos sólidos gerados no respectivo território, contendo informações
como origem, volume e caracterização, bem como as formas de destinação e disposição
final deles. Assim, cada município deve traçar suas próprias metas e elaborar programas
para fomentar a gestão de resíduos de forma mais sustentável.

9
OBJETIVOS

Objetivo Geral

Definir o conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos
no Município de Andradas, de forma a considerar as dimensões política, econômica,
ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento
sustentável.

A partir do Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos o Município de Andradas


promoverá os Planos de Gerenciamento para minimizar os impactos dos resíduos
sólidos de forma estratégica e universal com todos os meios de geração. Na construção
de ações planejadas que busquem prioritariamente a não geração, o repensar, a redução,
a reutilização, a reciclagem, o tratamento apropriado e, por fim, na falta da tecnologia a
disposição ambientalmente adequada dos rejeitos.

Objetivos Específicos

 Definir o Comitê Gestor para o processo de acompanhamento do PGIRS;


 Identificar as possibilidades e alternativas para o avanço em articulação regional
com outros municípios;
 Estruturar a agenda para a elaboração do PGIRS;
 Identificar agentes sociais, econômicos e políticos a serem envolvidos no
processo de elaboração e implementação do PGIRS;
 Estabelecer estratégias de mobilização dos agentes, inclusive para o
envolvimento dos meios de comunicação;
 Elaborar o diagnóstico inicial (com apoio nos documentos federais elaborados
pelo IBGE, IPEA, SNIS) e identificar as peculiaridades locais;
 Apresentar publicamente os resultados para validação do diagnóstico pelo
Comitê Gestor;
 Envolver os Conselhos Municipais de Saúde, Meio Ambiente e outros na
validação do diagnóstico;
 Incorporar contribuições e preparar o diagnóstico consolidado;
 Definir as perspectivas iniciais do PGIRS, inclusive quanto à gestão associada
com municípios vizinhos;
 Identificar as ações necessárias para a superação de cada um dos problemas;
10
 Definir programas prioritários para as questões e resíduos mais relevantes na
peculiaridade local e regional em conjunto com o Comitê Gestor;
 Elencar os agentes públicos e privados responsáveis por cada ação a ser definida
no PGIRS;
 Definir metas a serem perseguidas em um cenário de 20 anos;
 Elaborar a primeira versão do PGIRS identificando as possibilidades de
compartilhar ações, instalações e custos por meio de consórcio regional;
 Estabelecer um plano de divulgação da primeira versão junto aos meios de
comunicação;
 Apresentar publicamente os resultados para validação do plano com os órgãos
públicos dos municípios envolvidos, no caso de soluções conjuntas;
 Incorporar as contribuições e preparar o PGIRS consolidado;
 Decidir sobre a conversão ou não do PGIRS em lei municipal, respeitada a
harmonia necessária entre leis de diversos municípios, no caso de constituição
de consórcio público para compartilhamento de ações e instalações;
 Divulgar amplamente o PGIRS consolidado;
 Definir a agenda de continuidade do processo, de cada iniciativa e programa,
contemplando inclusive a organização de consórcio regional e a revisão
obrigatória do PGIRS a cada quatro anos;
 Definir formas de monitoramento do PGIRS e avaliação de resultados.

11
DEFINIÇÕES E CONCEITOS

Conceitos Gerais

De acordo com o Art. 3o da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, entende-se por:

I - acordo setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e


fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação
da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto;

II - área contaminada: local onde há contaminação causada pela disposição, regular ou


irregular, de quaisquer substâncias ou resíduos;

III - área órfã contaminada: área contaminada cujos responsáveis pela disposição não
sejam identificáveis ou individualizáveis;

IV - ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do


produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a
disposição final;

V - coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua


constituição ou composição;

VI - controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à


sociedade informações e participação nos processos de formulação, implementação e
avaliação das políticas públicas relacionadas aos resíduos sólidos;

VII - destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a


reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético
ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do SISNAMA, do SNVS e
do SUASA, entre elas a disposição final, observando normas operacionais específicas
de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os
impactos ambientais adversos;

VIII - disposição final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de rejeitos em


aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à
saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos;

IX - geradores de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou


privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluído o
consumo;
12
X - gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou
indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final
ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente
adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos
sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta
Lei;

XI - gestão integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas para a busca de


soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política,
econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do
desenvolvimento sustentável;

XII - logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social


caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar
a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento,
em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente
adequada;

XIII - padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo de bens e


serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores
condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das
necessidades das gerações futuras;

XIV - reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a


alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à
transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões
estabelecidos pelos órgãos competentes do SISNAMA e, se couber, do SNVS e do
SUASA;

XV - rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de


tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente
viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente
adequada;

XVI - resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de


atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe
proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como
gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu
13
lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso
soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível;

XVII - responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de


atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e
comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana
e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e
rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à
qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei;

XVIII - reutilização: processo de aproveitamento dos resíduos sólidos sem sua


transformação biológica, física ou físico-química, observadas as condições e os padrões
estabelecidos pelos órgãos competentes do SISNAMA e, se couber, do SNVS e do
SUASA;

XIX - serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos: conjunto de


atividades previstas no art. 7º da Lei nº 11.445, de 2007.

Conceitos Sobre Resíduos Sólidos

Resíduos sólidos são os resíduos resultantes das diversas atividades humanas, podendo
ser de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola e de limpeza de vias
públicas entre outros.

De acordo com a nova versão da NBR 10.004 da ABNT (2004), resíduos sólidos são
todos os resíduos nos estados sólidos e semissólidos, que resultam de atividades de
origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços de varrição.
Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de
água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem
como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na
rede pública de esgotos ou corpos de água, ou que exijam para isso, soluções técnica-
economicamente inviáveis de acordo com a melhor tecnologia disponível.

De um modo geral, os resíduos sólidos são constituídos de substâncias: facilmente


degradáveis: restos de comida, sobras de cozinha, folhas, capim, casca de frutas,
animais mortos e excrementos; Moderadamente degradáveis: papel, papelão e outros
produtos celulósicos; Dificilmente degradáveis, trapo, couro, pano, madeira, borracha,

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cabelo, osso e plástico; Não degradáveis: metal não ferroso, vidro, pedra, cinzas, terra,
areia cerâmica.

Sua composição varia de comunidade para comunidade, de acordo com os hábitos e


costumes da população, número de habitantes do local, poder aquisitivo, variações
sazonais, clima, desenvolvimento, nível educacional, variando ainda para mesma
comunidade com as estações do ano.

Estima-se que cada pessoa produza no Brasil, em média, 1,2 kg de resíduo sólido por
dia. Desta forma, uma pequena cidade de apenas 10.000 habitantes produziria cerca de
10 toneladas de lixo diariamente. A coleta destes pode ser indiferenciada ou seletiva.

Classificação dos Resíduos Sólidos

A classificação é relevante para a escolha da estratégia de gerenciamento mais viável.


Os resíduos podem ser classificados de forma mais abrangente quanto: à natureza física,
a composição química, aos riscos potenciais ao meio ambiente e ainda quanto à origem,
conforme o Quadro 01 abaixo:
QUADRO 01: CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS


Secos
QUANTO A NATUREZA FÍSICA
Úmidos
Matéria Orgânica
QUANTO A COMPOSIÇÃO QUÍMICA
Matéria Inorgânica
Resíduos Classe I – Perigosos
QUANTO AOS RISCOS POTENCIAIS AO Resíduos Classe II – Não perigosos:
MEIO AMBIENTE Resíduos Classe II A – Não Inertes
Resíduos Classe II B – Inertes
Doméstico
Comercial
Público
Serviços de Saúde
Resíduos Especiais
Pilhas e Baterias
Lâmpadas Fluorescentes
QUANTO A ORIGEM Óleos Lubrificantes
Pneus
Embalagens de Agrotóxicos
Radioativos
Construção Civil / Entulho
Industrial
Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários e Ferroviários
Agrícola
Fonte: IPT/CEMPRE, 2000.

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Resíduos Secos e Úmidos

Os resíduos secos são os materiais recicláveis como, por exemplo: metais, papéis,
plásticos, vidros, etc. Já os resíduos úmidos são os resíduos orgânicos e rejeitos, onde
pode ser citado como exemplo: resto de comida, cascas de alimentos, resíduos de
banheiro.

Resíduo Orgânico

São os resíduos que possuem origem animal ou vegetal, neles podem-se incluir restos
de alimentos, frutas, verduras, legumes, flores, plantas, folhas, sementes, restos de
carnes e ossos, papéis, madeiras, etc. A maioria dos resíduos orgânicos pode ser
utilizada na compostagem sendo transformados em fertilizantes e corretivos do solo,
contribuindo para o aumento da taxa de nutrientes e melhorando a qualidade da
produção agrícola.

Resíduo Inorgânico

Inclui nessa classificação todo material que não possui origem biológica, ou que foi
produzida por meios humanos como, por exemplo: plásticos, metais, vidros, etc.
Geralmente estes resíduos quando lançados diretamente ao meio ambiente, sem
tratamento prévio, apresentam maior tempo de degradação.

Quanto aos Riscos Potenciais ao Meio Ambiente

A NBR 10.004 - Resíduos Sólidos de 2004, da ABNT classifica os resíduos sólidos


baseando-se no conceito de classes em:

Resíduos Classe I – Perigosos

São aqueles que apresentam risco à saúde pública e ao meio ambiente apresentando uma
ou mais das seguintes características: periculosidade, inflamabilidade, corrosividade,
reatividade, toxicidade e patogenicidade. (Ex.: baterias, pilhas, óleo usado, resíduo de
tintas e pigmentos, resíduo de serviços de saúde, resíduo inflamável).

Resíduos Classe II – Não perigosos

Resíduos classe II A – Não Inertes: Aqueles que não se enquadram nas classificações de
resíduos classe I – perigosos ou de resíduos classe II B – inertes, nos termos da NBR 10.
004. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades tais como:
biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. (Ex.: restos de
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alimentos, resíduo de varrição não perigoso, sucata de metais ferrosos, borrachas,
espumas, materiais cerâmicos)

Resíduos classe II B – Inertes: Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma


forma representativa, segundo ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico
e estático com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT
NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações
superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez,
dureza e sabor. (Ex.: rochas, tijolos, vidros, entulho/construção civil, luvas de borracha,
isopor).

Quanto à Origem

Doméstico

São os resíduos gerados das atividades diária nas residências, também são conhecidos
como resíduos domiciliares. Apresentam em torno de 50% a 60% de composição
orgânica, constituído por restos de alimentos (cascas de frutas, verduras e sobras), e o
restante é formado por embalagens em geral, jornais e revistas, garrafas, latas, vidros,
papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande variedade de outros itens.

A taxa média diária de geração de resíduos domésticos por habitante em áreas urbanas é
de 0,5 a 1 Kg/hab.dia para cada cidadão, dependendo do poder aquisitivo da população,
nível educacional, hábitos e costumes.

Comercial

Os resíduos variam de acordo com a atividade dos estabelecimentos comerciais e de


serviço. No caso de restaurantes, bares e hotéis predominam os resíduos orgânicos, já os
escritórios, bancos e lojas os resíduos predominantes são o papel, plástico, vidro entre
outros. Os resíduos comerciais podem ser divididos em dois grupos dependendo da sua
quantidade gerada por dia. O pequeno gerador de resíduos pode ser considerado como
o estabelecimento que gera até 120 litros por dia, o grande gerador é o estabelecimento
que gera um volume superior a esse limite.

Público

São os resíduos provenientes dos serviços de limpeza urbana (varrição de vias públicas,
limpeza de praias, galerias, córregos e terrenos, restos de podas de árvores, corpos de
animais), limpeza de feiras livres (restos vegetais diversos, embalagens em geral).
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Também podem ser considerados os resíduos descartados irregularmente pela própria
população, como entulhos, papéis, restos de embalagens e alimentos.

Serviços de Saúde

Segundo a Resolução RDC nº 306/04 da ANVISA e a Resolução RDC nº. 358/05 do


CONAMA, os resíduos de serviços de “saúde são todos aqueles provenientes de
atividades relacionados com o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive de
assistência domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para
saúde; necrotérios; funerárias e serviços onde se realizem atividades de
embalsamamento; serviços de medicina legal; drogarias e farmácias inclusive as de
manipulação; estabelecimento de ensino e pesquisa na área de saúde; centros de
controle de zoonoses; distribuidores de produtos farmacêuticos; importadores,
distribuidores e produtores de materiais e controles para diagnóstico in vitro; unidades
móveis de atendimento à saúde; serviços de acupuntura; serviços de tatuagem, entre
outros similares”. De acordo com essas mesmas resoluções, os resíduos de serviços de
saúde são classificados conforme o Quadro 02, a seguir:

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QUADRO0 02: CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE

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GRUPO DESCRIÇÃO
Resíduos de tecido adiposo proveniente de lipoaspiração, lipoescultura ou outro
procedimento de cirurgia plástica que gere este tipo de resíduo.
Recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, que não contenha
sangue ou líquidos corpóreos na forma livre.
Peças anatômicas (órgãos e tecidos) e outros resíduos provenientes de procedimentos
cirúrgicos ou de estudos anatomopatológicos ou de confirmação diagnóstica.
Carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos provenientes de animais não
submetidos a processos de experimentação com inoculação de microorganismos, bem como
suas forrações.
Bolsas transfusionais vazia ou com volume residual pós-transfusão.
Órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, materiais perfuro cortantes ou escarificantes e demais
A5 materiais resultantes da atenção à saúde de indivíduos ou animais, com suspeita ou certeza
de contaminação com príons.
Produtos hormonais e produtos antimicrobianos; citostáticos; antineoplásicos;
imunossupressores; digitálicos; imunomoduladores; anti-retrovirais, quando descartados por
serviços de saúde, farmácias, drogarias e distribuidores de medicamentos ou apreendidos e
os resíduos e insumos farmacêuticos dos Medicamentos controlados pela Portaria MS 344/98
e suas atualizações.
Resíduos de saneantes, desinfetantes, desinfetantes; resíduos contendo metais pesados;
Grupo B
(químicos) reagentes para laboratório, inclusive os recipientes contaminados por estes.
Efluentes de processadores de imagem (reveladores e fixadores).
Efluentes dos equipamentos automatizados utilizados em análises clínicas
Demais produtos considerados perigosos, conforme classificação da NBR 10.004 da ABNT
(tóxicos, corrosivos, inflamáveis e reativos).

Quaisquer materiais resultantes de atividades humanas que contenham radionuclídeos em


quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas normas do CNEN e para os
Grupo C quais a reutilização é imprópria ou não prevista.
(Rejeitos
Radioativos) Enquadram-se neste grupo os rejeitos radioativos ou contaminados com radionuclídeos,
proveniente de laboratórios de análises clinica, serviços de medicina nuclear e radioterapia,
segundo a resolução CNEN-6.05.
Grupo D Papel de uso sanitário e fralda, absorventes higiênicos, peças descartáveis de vestuário,
(Resíduos
Comuns) resto alimentar de paciente, material utilizado em anti-sepsia e hemostasia de venóclises,

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Especial

Os resíduos especiais são considerados em função de suas características tóxicas,


radioativas e contaminantes, devido a isso passam a merecer cuidados especiais em seu
manuseio, acondicionamento, estocagem, transporte e sua disposição final. Dentro da
classe de resíduos de Fontes especiais, merecem destaque os seguintes resíduos:

Pilhas e baterias: As pilhas e baterias contêm metais pesados, possuindo características


de corrosividade, reatividade e toxicidade, sendo classificadas como Resíduo Perigoso
de Classe I. Os principais metais contidos em pilhas e baterias são: chumbo (Pb),
cádmio (Cd), mercúrio (Hg), níquel (Ni), prata (Ag), lítio (Li), zinco (Zn), manganês
(Mn) entre outros compostos. Esses metais causam impactos negativos sobre o meio
ambiente, principalmente ao homem se expostos de forma incorreta. Portanto existe a
necessidade de um gerenciamento ambiental adequado (coleta, reutilização, reciclagem,
tratamento e disposição final correta), uma vez que descartadas em locais inadequados,
liberam componentes tóxicos, assim contaminando o meio ambiente.

Lâmpadas Fluorescentes: A lâmpada fluorescente é composta por um metal pesado


altamente tóxico o “Mercúrio”. Quando intacta, ela ainda não oferece perigo, sua
contaminação se dá quando ela é quebrada, queimada ou descartada em aterros
sanitários, assim, liberando vapor de mercúrio, causando grandes prejuízos ambientais,
como a poluição do solo, dos recursos hídricos e da atmosfera.

Óleos Lubrificantes: Os óleos são poluentes devido aos seus aditivos incorporados. Os
piores impactos ambientais causados por esse resíduo são os acidentes envolvendo

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derramamento de petróleo e seus derivados nos recursos hídricos. O óleo pode causar
intoxicação principalmente pela presença de compostos como o tolueno, o benzeno e o
xileno, que são absorvidos pelos organismos provocando câncer e mutações, entre
outros distúrbios.

Pneus: No Brasil, aproximadamente100 milhões de pneus usados estão espalhados em


aterros sanitários, terrenos baldios, rios e lagos, segundo estimativa da Associação
Nacional da Indústria de Pneumáticos - ANIP (2006). Sua principal matéria-prima é a
borracha vulcanizada, mais resistente que a borracha natural, não se degrada facilmente
e, quando queimada a céu aberto, gera enormes quantidades de material particulado e
gases tóxicos, contaminando o meio ambiente com carbono, enxofre e outros poluentes.
Esses pneus abandonados não apresentam somente problema ambiental, mas também de
saúde pública, se deixados em ambiente aberto, sujeito a chuvas, os pneus acumulam
água, formando ambientes propícios para a disseminação de doenças como a dengue e a
febre amarela. Devido a esses fatos, o descarte de pneus é hoje um problema ambiental
grave ainda sem uma destinação realmente eficaz.

Embalagens de Agrotóxicos: Os agrotóxicos são insumos agrícolas, produtos químicos


usados na lavoura, na pecuária e até mesmo no ambiente doméstico como: inseticidas,
fungicidas, acaricidas, nematicidas, herbicidas, bactericidas, vermífugos. As
embalagens de agrotóxicos são resíduos oriundos dessas atividades e possuem tóxicos
que representam grandes riscos para a saúde humana e de contaminação do meio
ambiente. Grande parte das embalagens possui destino final inadequado sendo
descartadas em rios, queimadas a céu aberto, abandonadas nas lavouras, enterradas sem
critério algum, inutilizando dessa forma áreas agricultáveis e contaminando lençóis
freáticos, solo e ar. Além disso, a reciclagem sem controle ou reutilização para o
acondicionamento de água e alimentos também são considerados manuseios
inadequados.

Radioativo: São resíduos provenientes das atividades nucleares, relacionadas com


urânio, césios, tório, radônio, cobalto, entre outros, que devem ser manuseados de forma
adequada utilizando equipamentos específicos e técnicos qualificados.

Construção Civil/ Entulho

Os resíduos da construção civil são uma mistura de materiais inertes provenientes de


construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, os resultantes

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da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros,
argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., frequentemente chamados de entulhos de obras.

De acordo com o CONAMA nº. 307/02, os resíduos da construção civil são


classificados da seguinte forma:

Classe A: são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como:

De construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de


infraestrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem;

De construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos


(tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento, entre outros), argamassa e concreto;

De processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos,


tubos, meios-fios, entre outros) produzidas nos canteiros de obras.

Classe B: são materiais recicláveis para outras destinações, tais como: plásticos,
papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros.

Classe C: são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou


aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais
como os produtos oriundos do gesso.

Classe D: são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como:


tintas, solventes, óleos, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e
reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais.

Industrial

São os resíduos gerados pelas atividades dos ramos industriais, tais como metalúrgica,
química, petroquímica, papelaria, alimentícia, entre outras. São resíduos muito variados
que apresentam características diversificadas, podendo ser representado por cinzas,
lodos, óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, plásticos, papel, madeira, fibras, borracha,
metal, escórias, vidros, cerâmicas etc. Nesta categoria também, inclui a grande maioria
dos resíduos considerados tóxicos. Esse tipo de resíduo necessita de um tratamento
adequado e especial pelo seu potencial poluidor. Adota-se a NBR 10.004 da ABNT
para classificar os resíduos industriais: Classe I (Perigosos), Classe II (Não perigosos),
Classe II A (Não perigosos - não inertes) e Classe II B (Não perigosos - inertes).
23
Portos, Aeroportos e Terminais Rodoviários e Ferroviários

São os resíduos gerados em terminais, como dentro dos navios, aviões e veículos de
transporte. Os resíduos encontrados nos portos e aeroportos são devidos o consumo
realizado pelos passageiros, a periculosidade destes resíduos está diretamente ligada ao
risco de transmissão de doenças. Essa transmissão também pode ser realizada através de
cargas contaminadas (animais, carnes e plantas).

Agrícola

Originados das atividades agrícolas e da pecuária, formado basicamente por embalagens


de adubos e defensivos agrícolas contaminadas com pesticidas e fertilizantes químicos,
utilizados na agricultura. A falta de fiscalização e de penalidades mais rigorosas para o
manuseio inadequado destes resíduos faz com que sejam misturados aos resíduos
comuns e dispostos nos vazadouros das municipalidades, ou o que é pior sejam
queimados nas fazendas e sítios mais afastados, gerando gases tóxicos. O resíduo
proveniente de pesticidas é considerado tóxico e necessita de um tratamento especial.

24
LEGISLAÇÃO E NORMAS BRASILEIRAS APLICÁVEIS

Neste tópico são identificados os instrumentos legais correlatos aos assuntos editados
em âmbito federal e estadual hoje em vigência e os respectivos temas abordados:

Lei da União Federativa

- Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981- Dispõe sobre a Política Nacional do Meio


Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.

- Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 - Disciplina a ação civil pública de


responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (vetado) e dá outras
providências.

- Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989 - Dispõe sobre a extinção de órgão e de


entidade autárquica, cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis e dá outras providências.

- Lei nº 7.802, de 11 de julho de 1989 e alterações posteriores - Pesquisa, a


experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento,
a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o
destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a
inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e afins, e dá outras
providências.

- Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997 - Institui a Política Nacional de Recursos


Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta
o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13
de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.

- Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 - Dispõe sobre as sanções penais e


administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras
providências.

- Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999 - Dispõe sobre a educação ambiental, institui a


Política

Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências.

25
- Lei no 9.974, de 6 de junho de 2000 - Altera a Lei no 7.802, de 11 de julho de 1989,
que dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o
transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a
importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes e
afins, e dá outras providências.

- Decreto Federal nº 4.074, de 04 de janeiro de 2002 - Regulamenta a Lei no 7.802, de


11 de julho de 1989.

- Lei Federal nº 11.445 de 05 de janeiro de 2007- Diretrizes Nacionais para o


Saneamento Básico.

- Lei Federal nº 12.305 de 02 de agosto de 2010 – Política Nacional de Resíduos


Sólidos.

- Decreto Federal nº 7.404 de 23 de dezembro de 2010 – Regulamenta a Lei Federal nº


12.305/2012.

- Resolução CONAMA nº 237, de 19 de dezembro de 1997- Procedimentos e critérios


utilizados no licenciamento ambiental.

- Resolução CONAMA nº 307, de 05 de julho de 2002 e alterações posteriores -


Diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.

- Resolução ANVISA RDC nº 306, de 07 de dezembro de 2004 – Regulamento Técnico


para o Gerenciamento de Resíduo de Serviços de Saúde (RSS).

- Resolução CONAMA nº 358, de 29 de abril de 2005 – Dispõe sobre o tratamento e a


disposição final dos resíduos de serviços de saúde (RSS) e dá outras providências.

Normas ABNT Referentes a Resíduos

ABNT NBR 16156:2013


Resíduos de equipamentos eletroeletrônicos — Requisitos para atividade de manufatura
reversa
ABNT NBR 12809:2013
Resíduos de serviços de saúde — Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde intã
estabelecimento
ABNT NBR 12807:2013
Resíduos de serviços de saúde — Terminologia

26
ABNT NBR 11342:2012
Hidrocarbonetos líquidos e resíduos de destilação — Determinação qualitativa de acidez
ou de basicidade
ABNT NBR 15911-2:2010 Errata 1:2011
Contentor móvel de plástico
Parte 2: Contentor de duas rodas, com capacidade de 120 L, 240 L e 360 L, destinado à
coleta de resíduos sólidos urbanos (RSU) e de saúde (RSS) por coletor compactador
ABNT NBR 15911-3:2010 Errata 1:2011
Contentor móvel de plástico
Parte 3: Contentor de quatro rodas com capacidade de 660 L, 770 L e 1 000 L, destinado
à coleta de resíduos sólidos urbanos (RSU) e de saúde (RSS) por coletor compactador
ABNT NBR 14879:2011
Implementos rodoviários — Coletor-compactador de resíduos sólidos — Definição do
volume
ABNT NBR 16725:2011
Resíduo químico — Informações sobre segurança, saúde e meio ambiente — Ficha com
Dados de segurança de resíduos químicos (FDSR) e rotulagem
ABNT NBR 15911-2:2010 Versão Corrigida:2011
Contentor móvel de plástico
Parte 2: Contentor de duas rodas, com capacidade de 120 L, 240 L e 360 L, destinado à
coleta de resíduos sólidos urbanos (RSU) e de saúde (RSS) por coletor compactador
ABNT NBR 15911-3:2010 Versão Corrigida:2011
Contentor móvel de plástico
Parte 3: Contentor de quatro rodas com capacidade de 660 L, 770 L e 1 000 L, destinado
à coleta de resíduos sólidos urbanos (RSU) e de saúde (RSS) por coletor compactador
ABNT NBR 13332:2010
Implementos rodoviários — Coletor-compactador de resíduos sólidos e seus principais
componentes — Terminologia
ABNT NBR 15849:2010
Resíduos sólidos urbanos – Aterros sanitários de pequeno porte – Diretrizes para
localização, projeto, implantação, operação e encerramento
ABNT NBR 13221:2010
Transporte terrestre de resíduos
ABNT NBR 13842:2008
Artigo têxteis hospitalares - Determinação de pureza (resíduos de incineração, corantes
corretivos, substâncias gordurosas e de substâncias solúveis em água)
ABNT NBR 13334:2007
Contentor metálico de 0,80 m³, 1,2 m³ e 1,6 m³ para coleta de resíduos sólidos por

27
coletores-compactadores de carregamento traseiro - Requisitos
ABNT NBR ISO 14952-3:2006
Sistemas espaciais - Limpeza de superfície de sistemas de fluido
Parte 3: Procedimentos analíticos para a determinação de resíduos não voláteis e
contaminação de partícula
ABNT NBR 15116:2004
Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Utilização em
pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural - Requisitos
ABNT NBR 15112:2004
Resíduos da construção civil e resíduos volumosos - Áreas de transbordo e triagem -
Diretrizes para projeto, implantação e operação
ABNT NBR 15113:2004
Resíduos sólidos da construção civil e resíduos inertes - Aterros - Diretrizes para
projeto, implantação e operação
ABNT NBR 15114:2004
Resíduos sólidos da Construção civil - Áreas de reciclagem - Diretrizes para projeto,
implantação e operação
ABNT NBR 15115:2004
Agregados reciclados de resíduos sólidos da construção civil - Execução de camadas de
pavimentação - Procedimentos
ABNT NBR 10004:2004
Resíduos sólidos - Classificação
ABNT NBR 10005:2004
Procedimento para obtenção de extrato lixiviado de resíduos sólido
ABNT NBR 10006:2004
Procedimento para obtenção de extrato solubilizado de resíduos sólidos
ABNT NBR 10007:2004
Amostragem de resíduos sólidos
ABNT NBR 15051:2004
Laboratórios clínico - Gerenciamento de resíduos

ABNT NBR 14652:2001


Coletor-transportador rodoviário de resíduos de serviços de saúde - Requisitos de
construção e inspeção - Resíduos do grupo A
ABNT NBR 14283:1999
Resíduos em solos - Determinação da biodegradação pelo método respirométrico
ABNT NBR 13896:1997

28
Aterros de resíduos não perigosos - Critérios para projeto, implantação e operação
ABNT NBR 13853:1997
Coletores para resíduos de serviços de saúde perfurantes ou cortantes - Requisitos e
métodos de ensaio
ABNT NBR 12808:1993
Classifica os resíduos de serviços de saúde quanto aos riscos potenciais ao meio
ambiente e à saúde pública, para que tenham gerenciamento adequado.
ABNT NBR 12810:1993
Procedimentos exigíveis para coleta interna e externa dos resíduos de serviços de saúde,
sob condições de higiene e segurança.
Fonte: http://www.abntcatalogo.com.br/normagrid.aspx, acesso em 16/05/2013

Leis do Estado de Minas Gerais

- Lei Estadual nº 13.766, de 30 de novembro de 2000 – política estadual de apoio e


incentivo à coleta de lixo.

- Deliberação Normativa COPAM (DN) nº 74, de 2004 – regulamenta o licenciamento


ambiental.

- Lei nº 15.441, de 11 de janeiro de 2005 - Regulamenta o inciso I do § 1º do art. 214 da


Constituição do Estado (Educação Ambiental).

- Lei Estadual nº 18.030, 12 de janeiro de 2009 – Distribuição da parcela da receita do


produto da Arrecadação do ICMS pertencente aos Municípios (ICMS Ecológico).

- Lei Estadual nº 18.031 de 12 de janeiro de 2009 – Política Estadual de Resíduos


Sólidos.

- Decreto nº 45.181 de 25 de setembro de 2009 – Regulamenta a Lei nº 18.031/2009.

- Lei Estadual nº 19.823 de 22 de novembro de 2011 – Concessão de incentivo


financeiro a catadores de materiais recicláveis – Bolsa-reciclagem.

- Decreto Estadual nº 45.975, de 2012 – normas para concessão de incentivo financeiro


a catadores de materiais recicláveis – Bolsa-reciclagem.

29
PANORAMA NACIONAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS

Em linhas gerais, observa-se na Tabela 1 que a composição gravimétrica média dos


resíduos sólidos urbanos no Brasil, considerando como base a quantidade no ano de
2008, apresenta o seguinte padrão:
Tabela 1: Estimativa da composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos coletados no Brasil em 2008

Resíduos Participação (%) Quantidade (t/dia)


Material reciclável 31,9 58.527,40
Metais 2,9 5.293,50
Aço 2,3 4.213,70
Alumínio 0,6 1.079,90
Papel, papelão e tetrapak 13,1 23.997,40
Plástico total 13,5 24.847,90
Plástico filme 8,9 16.399,60
Plástico rígido 4,6 8.448,30
Vidro 2,4 4.388,60
Matéria orgânica 51,4 94.335,10
Outros 16,7 30.618,90
Total 100,0 183.481,50
Fonte: elaborado a partir de IBGE (2010b) e artigos diversos

A coleta regular dos resíduos sólidos tem sido o principal foco da gestão de resíduos
sólidos nos últimos anos. A taxa de cobertura vem crescendo continuamente, já
alcançando em 2009 quase 90% do total de domicílios; na área urbana a coleta supera o
índice de 98%; todavia a coleta em domicílios localizados em áreas rurais ainda não
atinge 33%.

Com relação à coleta seletiva de materiais recicláveis, entre 2000 e 2008 houve
um aumento de 120% no número de municípios que desenvolvem tais programas, que
chegaram a 994, estando a maioria localizada nas regiões Sul e Sudeste. Esse marco,
embora importante, ainda não ultrapassa 18% dos municípios brasileiros.

Todavia a análise da quantidade de material recuperado por tais programas indica a


necessidade de seu aprofundamento. Estimativas indicam que a participação dos
resíduos recuperados pelos programas de coleta seletiva formal ainda é muito pequena
vis-à-vis ao total coletado, o que sugere que a reciclagem no país ainda é mantida
pela reciclagem pré-consumo e pela coleta pós-consumo informal (Tabela 2).

30
Tabela 2: Estimativa da participação dos programas de coleta seletiva formal (2008)

Fonte: Elaborado a partir de MCidades (2010), Bracelpa (2009), MME (2010a, 2010b), Vasques (2009), ABAL
(2011), Abiplast(2010), ABIQUIM (2008), Plastivida (2005, 2008) Nota: * Dado de 2007.

No quesito tratamento dos resíduos sólidos, apesar da massa de resíduos sólidos


urbanos apresentar alto percentual de matéria orgânica, as experiências de compostagem
no Brasil são ainda incipientes. O resíduo orgânico, por não ser coletado separadamente,
é encaminhado para disposição final juntamente com os resíduos domiciliares. Essa
forma de destinação gera despesas que poderiam ser evitadas caso a matéria orgânica
fosse separada na fonte e encaminhada para um tratamento específico, por exemplo,
para compostagem. Do total estimado de resíduos orgânicos que são coletados
(94.335,1 t/dia) somente 1,6% (1.509 t/dia) é encaminhado para tratamento via
compostagem.

Com relação à destinação final, em 2008 foram destinados, conforme a Tabela 1,


183.481,50 t/d de resíduos sólidos domiciliares e/ou públicos, o que significa um
aumento de 35% em relação à quantidade destinada em 2000. Observou-se que, mais
de 90%, em massa, dos resíduos são destinados para a disposição final em aterros
sanitários, aterros controlados e lixões, sendo os 10% restantes distribuídos entre
unidades de compostagem, unidades de triagem e reciclagem, unidades de incineração,
vazadouros em áreas alagadas e outros destinos.

A Tabela 3 mostra que em termos quantitativos, no período de 2000 a 2008, houve um


aumento de 120% na quantidade de resíduos e rejeitos dispostos em aterros sanitários e
uma redução de 18% na quantidade encaminhada para lixões. Porém, ainda há 74 mil
toneladas por dia de resíduos e rejeitos sendo dispostos em aterros controlados e lixões.

31
Tabela 3: Quantidade de resíduos e rejeitos encaminhados para disposição em solo, considerando somente lixão,
aterro controlado e aterro sanitário.

Fonte: Datasus (2011), IBGE (2002), IBGE (2010b)

Segundo dados da Tabela 3, observa-se que os municípios de pequeno e médio porte


apresentaram acréscimos significativos na quantidade total de resíduos e rejeitos
dispostos em aterros sanitários, 370% e 165% respectivamente. Esse fato pode ter
ocorrido em função do recebimento de resíduos produzidos/coletados/gerados nos
municípios de grande porte. Há um interesse particular no número de lixões ainda
existentes, pois de acordo com a PNRS, a disposição final ambientalmente adequada
dos rejeitos deverá ser implantada até 2014. Entretanto, ainda há 2.906 lixões que
devem ser erradicados no Brasil, distribuídos em 2.810 municípios.
Tabela 4: Número de municípios que têm lixões e quantidade total de lixões existentes, no Brasil e nas
macrorregiões.

Fonte: Datasus (2011), IBGE (2002), IBGE (2010b)

Para alcançar o determinado na lei 12.305/2010, os consórcios públicos para a gestão


dos resíduos sólidos podem ser uma forma de equacionar o problema dos municípios
que ainda têm lixões como forma de disposição final.

No que tange ao aproveitamento de biogás para produção de energia no Brasil, vê-se


que esse ainda é incipiente no país. PNUD et al (2010) estimou a produção de energia
potencial em 311 MW, o que, segundo o estudo poderia abastecer uma cidade como o
Rio de Janeiro.

32
No geral, pode se afirmar que as maiores deficiências na gestão dos resíduos sólidos
encontram-se nos municípios de pequeno porte (até 100 mil habitantes) e naqueles
localizados na região Nordeste.

A partir do diagnóstico realizado pelo IPEA (Brasil, 2012), são elencadas algumas
recomendações principais:

 Concentrar esforços na erradicação dos lixões, focando os municípios de


pequeno porte, sendo uma das alternativas o incentivo à formação de consórcios
públicos para a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos gerados.
 Implantar novas unidades de compostagem acompanhadas da coleta seletiva dos
resíduos orgânicos.
 Consolidar programas de coleta seletiva em grandes municípios e expandir os
mesmos em municípios de médio porte.

Inclusão de Catadores

Conforme apresentando por Freitas e Fonseca (2011) em seu trabalho sobre catadores
pode-se destacar os seguintes resultados:

 Há hoje entre 400 e 600 mil catadores de materiais recicláveis no Brasil.


 Ao menos 1.100 organizações coletivas de catadores estão em funcionamento
em todo o país.
 Entre 40 e 60 mil catadores participam de alguma organização coletiva, isto
representa apenas 10% da população total de catadores.
 27% dos municípios declararam ao IBGE ter conhecimento da atuação de
catadores nas unidades de destinação final dos resíduos.
 50% dos municípios declararam ao IBGE ter conhecimento da atuação de
catadores em suas áreas urbanas.
 Cerca de 60% das organizações coletivas e dos catadores estão nos níveis
mais baixos de eficiência.
 A renda média dos catadores, aproximada a partir de estudos parciais, não
atinge o salário mínimo, alcançando entre R$420,00 e R$ 520,00.
 A faixa de instrução mais observada entre os catadores vai da 5ª a 8ª séries.

33
A inclusão social dos catadores vem sendo objeto de uma série de medidas indutoras na
forma de leis, decretos e instruções normativas de fomento à atividade de catação. O
quadro 03 traz alguns exemplos.
Quadro 03 – Sistematização das leis pertinentes aos catadores de materiais recicláveis.
Lei / Decreto Objeto
Institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da
DECRETO 5.940, DE administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às
2006 associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, e dá outras providências.
Dispensa de licitação na contratação da coleta, processamento e comercialização de
LEI 11.445, de JANEIRO resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta
DE 2007 seletiva de lixo, efetuados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente
por pessoas físicas de baixa renda reconhecidas pelo poder público como catadores de
materiais recicláveis, com o uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas,
ambientais e de saúde pública.

Dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de


INSTRUÇÃO serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional e dá
NORMATIVA MPOG Nº outras providências.
1, DE 19 DE JANEIRO DE
2010.
Os estabelecimentos industriais farão jus, até 31 de dezembro de 2014, a crédito
LEI Nº 12.375, de presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI na aquisição de resíduos
DEZEMBRO DE 2010, Art. sólidos utilizados como matérias-primas ou produtos intermediários na fabricação de seus
5º e Art. 6º produtos.
Somente poderá ser usufruído se os resíduos sólidos forem adquiridos diretamente de
cooperativa de catadores de materiais recicláveis com número mínimo de cooperados
pessoas físicas definido em ato do Poder Executivo, ficando vedada, neste caso, a
participação de pessoas jurídicas;

Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de


LEI 12.305, DE 2 DE fevereiro de 1998; e dá outras providências.
AGOSTO DE 2010
Regulamenta a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional
DECRETO Nº 7.404, DE de Resíduos Sólidos, cria o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos
23 DE DEZEMBRO DE Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa, e dá
2010 outras providências
Institui o Programa Pró-Catador, denomina Comitê Interministerial para Inclusão
DECRETO Nº 7.405, DE Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis o Comitê
23 DE DEZEMBRO DE Interministerial da Inclusão Social de Catadores de Lixo criado pelo Decreto de 11 de
2010. setembro de 2003, dispõe sobre sua organização e funcionamento, e dá outras providências.

FONTE: Elaboração Própria, 2011.

São exemplos de Políticas Públicas voltadas aos catadores de materiais recicláveis:

 Destinação de mais de 280 milhões de reais para ações voltadas aos catadores de
materiais recicláveis entre 2003 e 2010.
 Constituição do Comitê Interministerial de Inclusão dos Catadores de Materiais
Recicláveis (CIISC) em 2003, e a formação de sua secretaria executiva em 2007.
 A proposta de uma política de Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos
– PSAU, com a previsão de remuneração dos catadores pelos serviços
ambientais resultantes de sua atividade.
34
 Instituição do Programa Pró-Catador, com a finalidade de integrar e articular as
ações do Governo Federal voltadas ao apoio e ao fomento à organização
produtiva dos catadores.

Resíduos do Setor Agrossilvopastoril

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estimou em 2012 os montantes


totais gerados e o potencial de geração de energia dos resíduos orgânicos do setor
agrossilvopastoril e agroindústrias primárias associadas, com base na produção do ano
de 2009 conforme os dados elaborados pelo IBGE.

No setor da agricultura, foi estimada apenas a geração de resíduos nas agroindústrias


associadas, não sendo estimada a parcela dos resíduos orgânicos gerados nas atividades
de cultivo e colheita da produção em campo, os quais ficam geralmente nas lavouras e
não apresentam impactos potenciais negativos ao ambiente. Foram consideradas a
produção de 13 culturas, seis temporárias e sete permanentes, selecionadas entre as
culturas de maior área cultivada no Brasil, sendo elas: a) soja (em grão), b) milho (em
grão), c) cana-de-açúcar, d) feijão (em grão), e) arroz (em casca), f) trigo (em grão), g)
café (em grão), h) cacau (amêndoas), i) banana (cacho), j) laranja, l) coco-da-baía, m)
castanha de caju e n) uva. O potencial energético foi estimado apenas para os resíduos
de base seca, não sendo estimado para as culturas da banana, laranja e uva.

Estimou-se a geração total de 291 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano nas
agroindústrias associadas a essas culturas (Tabela 5). O aproveitamento desses resíduos,
além de evitar potenciais impactos negativos causados pelo descarte inadequado no
ambiente, pode gerar muito benefícios econômicos para o país. A utilização desses
resíduos para a adubação permite a recuperação de elementos químicos valiosos, tais
como Nitrogênio, Fósforo e Potássio (NPK) e elementos traço, além de contribuir,
através da adição de matéria orgânica ao solo, para melhorar a sua estrutura física e a
sua capacidade de absorção de água e de fornecimento de nutrientes para as plantas,
aumentando a produção e melhorando a qualidade dos alimentos.

O uso dessa matéria prima para a produção de fertilizantes é também um recurso


estratégico que pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados e
viabilizar a sustentabilidade do crescimento da produção agrícola brasileira. Além disso,
outros usos podem ser dados a esses resíduos, como a alimentação humana, alimentação
animal, matéria prima para outras produções industriais e geração de energia.
35
A cultura que mais gerou resíduos no levantamento foi à cana-de-açúcar, gerando
sozinha um montante de 201 milhões de toneladas (torta de filtro e bagaço). Esta cultura
tem ainda como subproduto do seu processamento a vinhaça, sendo estimado um
volume gerado desse efluente de mais de 604 milhões de m³/ano. A cana apresentou
também um elevado potencial para produção de energia a partir dos resíduos.

Os resultados mostraram que, se todos os resíduos secos da produção da agroindústria


da cana no Brasil fossem utilizados para a geração de energia, a potência instalada seria
de 16.464 MW/ano, um potencial superior ao da usina de Itaipu. O setor já é
considerado autossuficiente em termos energéticos, atendendo a mais de 98% da sua
própria demanda de energia. Existe também um grande potencial para geração de
excedentes que ainda é muito pouco utilizado.

Para viabilizar uma maior disponibilização dessa energia para a rede elétrica, entretanto,
será necessário vencer várias barreiras de ordem técnica, econômica e regulatória, sendo
necessários mais incentivos econômicos para motivar os investimentos do setor
privado nessa área. A queima do bagaço é também vantajosa para as usinas por eliminar
o problema da destinação desse resíduo, que é muito volumoso e de difícil transporte.

No caso da vinhaça, porém, devido ao seu elevado poder fertilizante, o uso para a
produção energética torna-se uma alternativa menos atraente. Na maior parte dos casos,
a vinhaça é aplicada in natura diretamente na lavoura de cana, apresentando alta
eficiência como fonte de nutrientes.

Outras culturas que também apresentaram potencial considerável para geração de


energia foram a soja (com potencial estimado total de 3.422 MW/ano), o milho (2.406
MW/ano), o trigo (238 MW/ano) e o arroz (175 MW/ano). No caso do arroz e do trigo,
já existe tecnologia disponível para o aproveitamento energético dos resíduos e a palha
do arroz já tem sido aproveitada em pequenas unidades produtoras de energia. Para
todas essas culturas, porém, são necessários ainda estudos econômicos para avaliar se o
uso energético seria mais vantajoso que outros usos alternativos, como o uso para
cobertura do solo, adubação e nutrição animal.

Para o setor da pecuária, foi estimada uma geração total 1,7 bilhões de toneladas/ano de
dejetos, considerando as principais criações animais (bovinos, suínos e aves) (Tabela 5).
A maior parte desses dejetos, porém, foi gerada pela criação de bovinos de corte, a qual
ocorre em sua maioria no modelo extensivo, ficando os resíduos dispersos nas

36
pastagens, sem impactos ambientais significativos e sem viabilidade de aproveitamento
em sistemas de biodigestão. Para as criações confinadas, foram estimados 365 milhões
de toneladas de dejetos, sendo também a maior parte destes dejetos produzidos pela
criação de bovinos (86,7%), seguida pela de aves (7,7%) e suínos (5,6%).

Apesar da menor quantidade de resíduos gerados, os resíduos das criações confinadas


de aves e suínos têm maior potencial de causar impactos ambientais negativos devido ao
seu alto potencial orgânico e à distribuição das criações, que muitas vezes ocorrem
concentradas em alguns pontos.

Os dejetos de suínos apresentam ainda outro agravante por serem descartados na forma
líquida, demandando amplos sistemas de armazenamento e tratamento, com períodos
prolongados de detenção. Em decorrência do alto custo para serem transportados,
frequentemente são aplicados em áreas próximas e que apresentam solos já saturados. A
Região Sul, em especial o estado de Santa Catarina, necessita de uma especial atenção
em relação a esta questão.

Associada às criações, têm-se ainda as indústrias primárias (abatedouros, laticínios e


graxarias), que geram resíduos sólidos estimados em 1,7 milhões de toneladas/ano e
efluentes líquidos estimados em 121,5 milhões de m³/ano. Se todos os dejetos das
criações confinadas de bovinos, aves e suínos fossem utilizados para biodigestão,
poderiam gerar um potencial total de até 1.290 MW/ano, enquanto os resíduos sólidos e
efluentes das indústrias associadas gerariam um potencial de até 15 MW/ano. É
importante destacar que a tecnologia de biodigestão, além de gerar energia, pode evitar
a emissão de trilhões de m³ de metano (CH4) /ano na atmosfera e gerar um composto
orgânico estável, passível de utilização como fertilizante agrícola e com menor
potencial poluidor, eliminando patógenos e reduzindo odores.

A avaliação da geração dos resíduos da silvicultura foi realizada com base nos resíduos
gerados na colheita florestal, processamento mecânico da madeira e produção de papel e
celulose. Estimou-se um total de 38,5 milhões de toneladas/ano de resíduos florestais
gerados nas duas etapas da cadeia produtiva da madeira (colheita e processamento
mecânico), sendo estimado para esses resíduos um potencial total de geração de energia
de até 1.604 MW/ano (Tabela 5). Os resíduos das indústrias de papel e celulose foram
estimados em 10 milhões de toneladas/ano, não tendo sido estimado o potencial

37
energético desses resíduos, como o caso do licor negro, por exemplo, que já é utilizado
para cogeração de energia nessas indústrias.

A energia elétrica gerada a partir dos resíduos advindos do setor


agrosilvopastoril serviria para atender prioritariamente as necessidades dos
empreendimentos e o excedente poderia ser comercializado, dependendo das condições
do mercado de energia. Ressalta-se, porém, que qualquer sistema gerador de energia
possui um gasto de operacionalização na própria planta, além disso, o aproveitamento
energético dos resíduos esbarra muitas vezes em dificuldades técnicas e logísticas,
relacionadas a transporte dos resíduos e escala dos empreendimentos.

Por essas razões, o potencial real que poderia de fato ser gerado seria menor do que o
potencial aqui estimado. É importante frisar ainda que estudos mais específicos
necessitam ser realizados, considerando a geração espacial destes resíduos, formação de
clusters, implementação de sistemas coletivos de biodigestão ou combustão, quando
possível, para analisar a sua viabilidade econômica.

No que diz respeito à combustão, uma avaliação conjunta entre resíduos


agrosilvopastoris e resíduos sólidos urbanos pode ser viável uma vez que, dependendo
da opção tecnológica destes sistemas e da localização dos mesmos, a geração de energia
pode ser otimizada. Neste sentido, sempre que se pensar em sistemas térmicos é
fundamental que se avalie a geração de resíduos como um todo (urbano e
agrosilvopastoril) considerando-se o potencial energético agregado, além de estudos de
logística, custo-benefício e viabilidade econômica.

Os impactos ambientais causados pelos resíduos do setor agrosilvopastoril podem ser


positivos, como nos casos desses resíduos serem utilizados como adubo orgânico ou
como fonte de energia renovável. Entretanto, caso esses resíduos não sejam bem
manejados, tratados e dispostos, possuem alto potencial de gerar impactos negativos,
provocando contaminação do solo, da água e do ar, gerando de riscos à saúde humana e
dos ecossistemas, além de custos à saúde pública, que em longo prazo podem
inviabilizar a continuidade destas atividades. Outro aspecto a ser considerado é o
consumo de água para descarte de alguns desses resíduos que, dependendo de onde esta
é retirada, pode também inviabilizar a atividade.

Cabe uma ressalva ainda, em especial, aos resíduos de madeira, uma vez que estes têm
uma contribuição importante em outros setores geradores de resíduos, em particular nos

38
resíduos sólidos urbanos. Os resíduos de madeira merecem destaque tanto pelo volume
gerado na indústria de beneficiamento e no pós-consumo de produtos de base florestal e
moveleiro, quanto pelo potencial de periculosidade que podem apresentar em se
tratando de madeiras tratadas com preservastes químicos, que muitas vezes são
altamente tóxicos à saúde humana e ambiental.
Tabela 5: Montantes estimados de resíduos sólidos e efluentes gerados pelo setor agrosilvopastoril e potencial
energético desses resíduos. Ano base 2009.

A geração de resíduos sólidos urbanos tende a aumentar não apenas com o aumento da
população, mas também com o aumento da renda, principalmente quando estratos da
população que tinham acesso muito restrito a produtos industrializados e embalados
ganham poder de compra. O aumento do consumo devido à melhora da qualidade de
vida impõe desafios à gestão da disposição dos resíduos decorrentes desse consumo,
assim como instiga um novo paradigma de economia, onde a redução de materiais está
no foco, assim como a escolha de materiais recicláveis e cujo ciclo de vida tem menor

39
impacto ambiental. Nesse sentido, a aprovação da Lei 12.305/2010 ocorre em um
momento crítico do desenvolvimento brasileiro.

Resíduos Sólidos Inorgânicos

Em relação aos Resíduos Sólidos Inorgânicos, interessa-nos contextualizar os resíduos


sólidos inorgânicos gerados no setor agrossilvopastoril, especialmente nos segmentos de
agrotóxicos, fertilizantes, insumos farmacêuticos veterinários, além dos resíduos sólidos
domésticos (RSDs) rurais devido às características do Município e do Estado de Minas
Gerais.

Para as embalagens de agrotóxicos, constatou-se que a legislação e as ações que gerem


o setor são eficazes, sendo previstas a gestão de coleta, transporte, armazenamento e
destinação ambientalmente correta das embalagens vazias. O caráter inovador da “lei
dos agrotóxicos” situa-se na divisão de responsabilidades a todos os agentes envolvidos
(fabricantes, revendedores, agricultores e poder público) no ciclo de vida das
embalagens.

Para o segmento de fertilizantes, a legislação vigente não contempla a destinação das


embalagens, sendo que estatísticas e informações para o retorno ou a destinação das
embalagens são praticamente inexistentes.

Os estudos que abordam os insumos farmacêuticos veterinários atentam-se


principalmente à bovinocultura e à avicultura, devido ao potencial econômico e a
grande abrangência destes rebanhos, espalhados por todo o território nacional.

Praguicidas de uso veterinário e agrícola têm semelhanças químicas e/ou estruturais,


assim é razoável esperar que os antiparasitários veterinários recebam atenção
semelhante aos agrotóxicos, o que não se observa atualmente. Informações sobre o
retorno das embalagens limitam-se, normalmente, a descrições simplificadas nos rótulos
ou em bulas que acompanham os insumos.

Quanto ao diagnóstico dos resíduos domésticos no meio rural, verificamos nos estudos
encontrados, enfoque na destinação dos resíduos sólidos domésticos e no esgotamento
sanitário das propriedades rurais.

De forma geral, a ausência de informações oficiais sistematizadas seguiu como a


principal dificuldade em realizar o diagnóstico dos resíduos sólidos inorgânicos
presentes no setor agrossilvopastoril. As experiências positivas obtidas com a logística
40
reversa das embalagens vazias de agrotóxicos podem ser compartilhadas com os demais
segmentos que ainda carecem de políticas específicas para a destinação ambientalmente
correta dos resíduos sólidos gerados.

Embalagens de Agrotóxicos

Por conterem resíduos de agrotóxicos em seus interiores, as embalagens vazias de


agrotóxicos são classificadas como “resíduos perigosos”, apresentando elevado risco de
contaminação humana e ambiental se descartadas sem o controle adequado.

Um levantamento realizado pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF),


veiculado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) em 1999,
indicava que 50% das embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil eram vendidas ou
repassadas sem nenhum tipo de controle, 25% eram queimadas a céu aberto, 10% eram
armazenadas ao relento e 15% eram abandonadas de forma arbitrária no campo.

Por meio do Decreto-Lei no 4.074/2002, ocorreu a regulamentação das Leis nº


7.802/1989 e 9.974/2000 (Brasil, 2000), dividindo responsabilidades a todos os
segmentos envolvidos diretamente com os agrotóxicos: fabricantes, revendas (canais de
comercialização), agricultores (usuários) e poder público (fiscalizador), para a
destinação apropriada das embalagens utilizadas.

Visando atender à nova legislação, os fabricantes de agrotóxicos organizaram-se e, em


2002, criaram o Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (INPEV),
entidade que representa as indústrias fabricantes de produtos fitossanitários, assumindo
– de forma autônoma – a gestão e os trabalhos relativos à destinação final das
embalagens vazias de agrotóxicos em todo o território nacional.

Em 1992, originou-se o projeto-piloto e pioneiro que deu origem ao INPEV, o qual foi
desenvolvido pela ANDEF em parceria com a Associação dos Engenheiros Agrônomos
do Estado de São Paulo (AEASP), a Cooperativa de Plantadores de Cana de Guariba de
São Paulo (Coplana) e a Dinoplast Indústria e Comércio de Plásticos Ltda., uma
recicladora de plástico localizada na cidade de Louveira, São Paulo. Projetos similares
também foram desenvolvidos nas cidades de Palotina e Santa Terezinha do Itaipu, no
Paraná, e, consecutivamente, em outras onze unidades distribuídas pelas principais
regiões agrícolas do Paraná (Cometti, 2009).

41
Atualmente, a estrutura do INPEV conta com 84 empresas fabricantes/registrantes de
defensivos agrícolas do Brasil (100% do total), as sete principais entidades de classe do
setor, 420 unidades de recebimento de embalagens, gerando 2.500 empregos diretos e
indiretos. O INPEV ainda conta com o convênio com a empresa Luft Agro,
transportadora especializada no setor de agrotóxicos no Brasil, responsável pelo
transporte exclusivo das embalagens vazias de postos ou centrais de recebimento para as
recicladoras ou incineradoras.

O Brasil é referência mundial na logística reversa de embalagens vazias de agrotóxicos.


Desde que foi criado, em 2002, o INPEV coordenou a remoção de mais 168 mil
toneladas de embalagens por todo o território brasileiro.

Em 2010, mais de 30 mil toneladas de embalagens foram retiradas do campo com


destinação adequada por meio da reciclagem e/ou incineração, o que representa que: i)
95% das embalagens primárias – aquelas que entram em contato direto com o produto –
são retiradas do campo e enviadas à destinação ambientalmente correta; ii) 94% das
embalagens plásticas são destinadas; e iii) 80% do total das embalagens comercializadas
são destinadas.

O processo da logística reversa das embalagens vazias inicia-se com o agricultor, que –
após a utilização do agrotóxico – tem a obrigação legal de efetuar a lavagem das
embalagens, uma tríplice lavagem ou a lavagem sob pressão, e devolvê-las no prazo de
um ano após a compra ou seis meses após o vencimento da data de validade do produto.

As embalagens vazias de agrotóxicos não lavadas são classificadas pela Norma


Brasileira Regulamentadora (NBR) 10004/2004 (ABNT, 2004) como resíduos sólidos
perigosos (classe I), exigindo procedimentos especiais para as etapas de manuseio e
destinação adequada. Enquanto as embalagens lavadas corretamente por meio da
tríplice lavagem ou sob pressão são classificadas como resíduos sólidos não perigosos
(classe III).

As embalagens plásticas, normalmente polietileno de alta densidade (PEAD),


representam participação superior a 50% de todo o volume destinado e são as com
maior valor econômico.

De acordo com o INPEV, 95% das embalagens de agrotóxicos comercializadas no


Brasil são passíveis de reciclagem, desde que devidamente lavadas. Os outros 5%
correspondem às embalagens que não utilizam água como veículo de pulverização – por
42
exemplo, as embalagens flexíveis –, as quais são devolvidas contaminadas e,
posteriormente, encaminhadas para a incineração. Conscientizar o agricultor da
importância da lavagem das embalagens é vital no processo de reciclagem.

Conforme previsto em lei (Lei no 7.802/1989 e Decreto-Lei no 98.816/1990), existe a


determinação que as embalagens sejam projetadas visando a operações que auxiliem a
eliminação da maior parte dos resíduos, além de facilitar o armazenamento e o
transporte. Fica evidente que, desde a implementação da Lei no 7.802/1989, o perfil da
embalagem se alterou completamente, passando de 25,2% de embalagens plásticas, na
safra 1987-1988, para 88,5%, na safra 1995-1996.

O INPEV prioriza a reciclagem das embalagens vazias; para isto, conta com o convênio
de aproximadamente dez empresas recicladoras, localizadas nos estados de Mato
Grosso, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, do Paraná e de São Paulo. As empresas
parceiras – credenciadas a reciclar o material encaminhado pelas centrais de
recebimento – transformam as embalagens em tubos para esgoto, barricas plásticas,
conduítes, dutos corrugados, caçambas e rodas plásticas para carriola, entre outros
exemplos.

Em termos de custos, segundo dados do INPEV e do Croplife International Container


Management Committee (Cometti, 2009), o Brasil é líder mundial na coleta e na
destinação final de embalagens vazias de agrotóxicos, apresentando os menores custos
(US$/kg) para a disposição final ambientalmente correta de embalagens plásticas
lavadas. Os custos com a destinação adequada de embalagens não lavadas giram em
torno de R$5,20/kg de embalagem, somam-se a estes custos o frete e a incineração.

Desde 2002, foram investidos mais de R$ 430 milhões no programa do INPEV,


aproximadamente 80% deste valor foi financiado pelos fabricantes de defensivos
agrícolas. Uma das atuais prioridades do INPEV é a busca por mecanismos que tornem
o programa autossustentável, pois somente 17% dos custos são cobertos com as receitas
obtidas com as remessas das embalagens aos recicladores conveniados.

Os fabricantes de agrotóxicos, por meio do INPEV, certamente são referência de


sucesso em logística reversa de embalagens vazias, podendo compartilhar experiências
de coleta, transporte, armazenamento e destinação apropriada com outros segmentos –
como o de insumos veterinários e fertilizantes – que ainda carecem de políticas
específicas para a destinação ambientalmente correta de embalagens.

43
Embalagens de Fertilizantes

O consumo por fertilizantes está fortemente atrelado à dinâmica do setor agrícola. O


Brasil é o quarto consumidor mundial de nutrientes para a formulação de fertilizantes, e
em 2010 foram comercializadas mais de 24,5 milhões de toneladas de fertilizantes, em
que aproximadamente 80% de toda a demanda se deve a cinco principais culturas: soja,
cana-de-açúcar, milho, café e algodão. Normalmente, os fertilizantes são
comercializados em sacarias de 50 kg e big bags de polietileno de 1t a 1,5t.

Levantamentos e entrevistas conduzidas por Boteon, Martini e Costa (2006), referentes


à gestão do lixo rural de 960 propriedades hortifrutícolas localizadas nas principais
regiões produtoras do país, mostraram um panorama da destinação final das sacarias de
fertilizantes. Segundo os mesmos, 78% dos entrevistados declararam que vendem ou
doam esse material para reciclagem ou para cerealistas que as reaproveitam. Aqueles
que procuram reaproveitar as sacarias dentro da propriedade as utilizam para ensacar
esterco, pedras, serragem, calcário, terra para contenção de água etc. Apesar das formas
criativas para a reutilização das sacarias, muitos produtores as reaproveitam de maneira
inadequada. Alguns as utilizam para armazenar milho, café, frutas etc., o que pode
resultar na contaminação dos alimentos, mesmo quando as embalagens foram
previamente lavadas.

Outros formatos de eliminação das embalagens vazias são: i) a incineração, realizada


por 27% dos entrevistados, antes ou depois do reaproveitamento na propriedade, e ii) o
descarte junto com o lixo comum, citado por 11%.

Mesmo o estudo não tendo uma amostragem extensa, observa-se que tais destinações
são práticas comuns na população rural. Há empresas que comercializam embalagens
vazias, reciclando-as e/ou reutilizando-as, como Sacarias Novo Mundo (SP), Grupo
Navarro (SP), Recicla Bag (MT), Engebag (SP), entre outras. O comércio informal de
compra e venda de sacarias e bigs bags também é prática muito comum no meio rural.

Insumos Veterinários na Pecuária

A pecuária é uma das mais importantes e tradicionais atividades econômicas no Brasil,


espalhada por todo o território nacional, com destaque para os estados de Mato Grosso
do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, onde apresenta um papel de
destaque na composição do produto interno bruto (PIB).

44
Entre os censos agropecuários de 1996 a 2006, nota-se uma expansão acentuada na
produção pecuária, com destaques para o aumento nas exportações de carne bovina – de
aproximadamente 46.656 toneladas ou 1,2% da produção, para mais de 1 milhão de
toneladas, ou 17,8 % da produção –, na demanda interna de leite – mais de 20 bilhões
de litros/ ano – e na produção e no consumo de aves e suínos (Peres, Pastorello e
Moreira, 2010; IBGE, 2006b).

O mercado de produtos destinados a bovinocultura de corte e leite pode ser dividido em


dois segmentos: suplementos alimentares e medicamentos veterinários. Levando em
consideração o setor de insumos farmacêuticos veterinários, a entidade que representa o
segmento é o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal
(SINDAN).

A distribuição de medicamentos veterinários por grupos de animais é feita em seis


classes: bovinos, avicultura, suinocultura, equinos, pequenos animais domésticos (pets)
e outros. Atualmente, existem 7.222 produtos de uso veterinário autorizados para a
comercialização no país, com destaque para as vacinas, os antibióticos e os produtos
para combate de ectoparasitas, com faturamento próximo a R$ 3 bilhões.

Os Decretos-Lei nº 467/1969, 1.662/1995 e 5.053/2004 dispõem sobre a fiscalização de


produtos de uso veterinário e dos estabelecimentos que os fabricam, definem os
produtos da indústria veterinária e dão outras providências, estabelecendo a
obrigatoriedade da fiscalização da indústria e do comércio, bem como a obrigatoriedade
do emprego de produtos veterinários em todo o país. Entretanto, não há menções sobre
normas e/ou regras para o destino das embalagens vazias. Importante ressaltar que
praguicidas de uso veterinário e de uso agrícola têm semelhanças químicas e/ou
estruturais e oferecem risco à saúde do trabalhador e ao meio ambiente.

No tocante ao retorno de embalagens vazias de insumos farmacêuticos (pesticidas)


veterinários, tramitam no Congresso os Projetos de Lei (PLs) nº 134/2007 e 718/2007,
que propõem a alteração do Decreto-Lei no 467/1969, passando a vigorar acrescido do
Artigo 3º A, o qual atribui responsabilidades para a destinação das embalagens vazias
de insumos veterinários:

Art. 3º A. É responsabilidade dos estabelecimentos privados e oficiais, das cooperativas,


dos sindicatos rurais ou das entidades congêneres que fabriquem, importem, fracionem

45
e comercializem produtos de uso veterinário a destinação final dos produtos tornados
impróprios para consumo e das embalagens vazias dos produtos de uso veterinário.

§ 1o São considerados produtos tornados impróprios para consumo aqueles com prazo
de validade vencido ou contaminados ou de utilização proibida.

§ 2o As embalagens vazias e os produtos tornados impróprios para consumo, a critério


do órgão fiscalizador, serão devolvidos aos estabelecimentos comerciais onde foram
adquiridos, para posterior encaminhamento aos fabricantes ou importadores para
reciclagem ou destruição.

§ 3o A critério das autoridades responsáveis pela fiscalização, também poderão ser


estabelecidos pontos de coleta para o recebimento das embalagens e dos produtos
veterinários impróprios para consumo.

A ideia central desse PL é seguir a regulamentação aplicável ao setor de agrotóxicos, de


forma a reproduzir, para os produtos de uso veterinário, o modelo bem-sucedido de
logística reversa das embalagens vazias de agrotóxicos.

No ano de 2010, a empresa Merial lançou no Paraná e no interior do estado de São


Paulo um projeto-piloto de retorno de embalagens vazias de produtos destinados a
animais de companhia (PETMAG, 2010). A intenção da campanha era estimular o
cliente a devolver à clínica ou ao petshop as embalagens vazias, recebendo descontos na
compra de novos produtos. Não há menções se a empresa pretende desenvolver
programas similares para insumos veterinários destinados à pecuária.

Vacinas

As vacinas são compostas por vírus inativos ou atenuados e, quando manuseadas de


forma correta, não promovem riscos (diretos) à saúde humana. Entretanto, cabe ressaltar
que a necessidade de descarte apropriado das embalagens vazias é extremamente
importante. Em um levantamento realizado em Vargens das Missões, no Rio Grande do
Sul, constatou-se que 36,4% das embalagens de insumos veterinários são atiradas em
valas, junto com o lixo doméstico, 32% são guardadas, 27% são queimadas e 4,6% são
jogadas no mato (Carvalho, 2010). Mesmo sendo um exemplo pontual, as práticas de
enterro, queima e abandono do lixo são comuns em comunidades rurais, tornando-se
evidente o impacto ambiental negativo provocado pela falta ou não observância de
legislações e regulamentações no setor.

46
Devido à dimensão do rebanho brasileiro, a destinação de embalagens vazias de
insumos farmacêuticos veterinários faz-se necessária, seja por questões ambientais, seja
por ordem de saúde pública. Se o uso em excesso de medicamentos veterinários é
preocupante na contaminação de alimentos (carnes, ovos, leite, mel etc.), existindo
regras específicas, delineadas e gerenciadas pelo Plano Nacional de Controle de
Resíduos e Contaminantes (PNCRC), fica evidente que a destinação ambientalmente
correta de embalagens vazias de insumos veterinários é extremamente relevante.

Ressalte-se que os praguicidas de uso veterinário e de uso agrícola têm semelhanças


químicas e/ou estruturais; assim, é razoável esperar que os antiparasitários veterinários
recebam atenção semelhante aos agrotóxicos. Como a estrutura legal sobre produtos
veterinários no Brasil (Decretos-Lei nos 467/1969, 1.662/1995, 5.053/2004, 6.296/2007
e Lei nº 6.198/1974) é de responsabilidade exclusiva do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, produtos formulados com o mesmo princípio ativo e
concentração podem ter avaliações distintas, dependendo de sua utilização na
agricultura ou na pecuária. Desta forma, fica evidente a necessidade de leis que
regulamentem a destinação ambientalmente correta das embalagens vazias de insumos
farmacêuticos veterinários, evitando perdas por contaminação da população ou do meio
ambiente.

Resíduos Sólidos Domésticos na Zona Rural

No Brasil, o termo rural é comumente utilizado em contraposição a urbano, associado à


baixa densidade populacional, onde se realizam atividades econômicas variadas (Peres,
Pastorello e Moreira, 2010).

De acordo com o IBGE (2010), tem-se que:

Na situação urbana consideram-se as pessoas e os domicílios recenseados nas áreas


urbanizadas ou não, correspondentes às cidades (sedes municipais), às vilas (sedes
distritais) ou às áreas urbanas isoladas. A situação rural abrange a população e os
domicílios recenseados em toda a área situada fora dos limites urbanos, inclusive os
aglomerados rurais de extensão urbana, os povoados e os núcleos.

A zona rural apresenta diversas fontes potenciais de geração de resíduos sólidos. Além
de esgoto e lixo domiciliares, incluem-se os resíduos da construção civil, embalagens de
agrotóxicos e fertilizantes, esterco de animais, insumos veterinários, entre outros,
dependendo das atividades realizadas em suas dependências.

47
Mesmo sendo diversificada, nota-se que a composição do resíduo sólido rural é cada
vez mais semelhante à do resíduo urbano, devido, muitas vezes, à proximidade das
comunidades rurais a centros urbanos, além de hábitos e bens de consumo
contemporâneos (alimentação, vestuário, lazer, produtos de higiene e limpeza etc.)
inseridos por toda a sociedade. O resíduo doméstico rural era composto essencialmente
por restos orgânicos, mas atualmente se verifica um volume crescente de frascos, sacos
plásticos, pilhas, pneus, lâmpadas, aparelhos eletroeletrônicos etc., que se acumulam ou
se espalham ao longo das propriedades rurais.

Trabalhos que contemplem a temática resíduos sólidos rurais são escassos, devido
provavelmente às dificuldades em se trabalhar nas regiões rurais, em função da questão
geográfica e da distância das propriedades, da falta de dados relativos à geração de
resíduos, da carência de planejamento e da ausência de percepção e/ou participação
efetiva das comunidades rurais.

As instituições responsáveis pelo gerenciamento (coleta, tratamento e destinação) de


resíduos sólidos municipais, tanto na área urbana como na rural, no âmbito nacional,
estadual e municipal, são determinadas pela Constituição Federal (CF) de 1988 (Brasil,
1988), nos Artigos 23 e 30.

Artigo 23, incisos VI e IX: estabelecem ser competência comum da União, dos estados,
do Distrito Federal e dos municípios proteger o meio ambiente e combater a poluição
em qualquer das suas for- mas, bem como promover programas de construção de
moradias e a melhoria do saneamento básico.

Artigo 30, incisos I e V: estabelecem como atribuição municipal legislar sobre assuntos
de interesse local, especialmente quanto à organização dos seus serviços públicos, como
é o caso da limpeza urbana (Ibam, 2001).

No Brasil, a coleta de lixo na área rural cobre apenas 31,6% dos domicílios. Já no meio
urbano, o percentual de domicílios brasileiros atendidos por este serviço ultrapassa os
98%, de acordo com a PNAD 2009 (IBGE, 2010). A ineficiência no trato com o RSD
produzido na zona rural é refletida nas práticas de destinação dos resíduos, em que
aproximadamente 70% dos domicílios rurais queimam, enterram ou lançam os resíduos
em terrenos baldios, rios, lagos, igarapés e açudes.

A coleta seletiva de resíduo sólido doméstico rural apresenta evolução, passando de


6,7% de domicílios atendidos, em 1992, para 31,6%, em 2009. Entretanto, as práticas de

48
queimar, enterrar ou abandonar o lixo sobre o solo nas propriedades rurais são
frequentes e se mantêm em patamares elevados, próximos a 70% dos domicílios rurais.

Apesar desse quadro, a coleta do lixo é o segmento que mais se desenvolveu no sistema
de limpeza pública e o que apresenta maior abrangência de atendimento junto à
população, ao mesmo tempo em que é a atividade do sistema que demanda maior
percentual de recursos por parte da municipalidade.

Na maioria das regiões brasileiras, o serviço de coleta para o lixo doméstico rural é
bastante deficitário. As unidades federativas que mais se destacam na coleta de RSD em
propriedades rurais são: São Paulo (82,9%), Rio de Janeiro (80,5%), Distrito Federal
(78,2%), Rio Grande do Norte (53,5%), Santa Catarina (55,2%) e Rio Grande do Sul
(54,5%). Já os estados com a menor cobertura de coleta rural por domicílio são: Piauí
(5,8%), Tocantins (6,6%), Maranhão (6,8%), Paraíba (9,8%) e Mato Grosso (10,2%),
(IBGE, 2010).

Vale destacar que a falta de atendimento nas áreas rurais não é maior apenas em termos
relativos, mas também em números absolutos. Os 68,4% sem solução para o
afastamento dos RSDs equivalem a quase 20 milhões de habitantes, e os 1,9% não
atendidos em áreas classificadas como urbanas representam cerca de 3 milhões de
brasileiros – de acordo com os dados adaptados do Plano Nacional de Saneamento
Básico (PLANSAB) de 2011 (Brasil, 2011b) e da PNAD 2009 (IBGE, 2010).

Mesmo não havendo um diagnóstico completo dos RSDs produzidos nas propriedades
rurais do Brasil, vários estudos pontuais, em diferentes regiões do país, comprovam que
as propriedades rurais contemporâneas apresentam características de consumo
(qualitativo) e produção de resíduos semelhantes aos centros urbanos (Barbosa, 2005;
Lima et al., 2005; Schneider, 2006a; Maciel et al., 2009; Prates, Martins e Andrade,
2009).

Existe uma forte tendência no aumento de RSD rural, o qual se associa à facilidade e ao
consumo de energia elétrica em zonas rurais. Como destacam Maciel et al. (2009), nos
assentamentos florestais acreanos é comum encontrar produtores que preferem comprar
frango congelado a terem as suas próprias criações. O mesmo perfil de consumo, com
baixos níveis de produção para o autoconsumo, também foi observado pelos demais
autores, o que fortalece a ideia de que o meio rural tende a se comportar e consumir

49
como pequenas cidades ou núcleos urbanos, e, consecutivamente, a produzir mais
RSDs.

Ao considerar que a população rural tem o potencial de gerar, em média, 0,44kg/


pessoa/dia de RSD, como é observado para municípios de até 20 mil habitantes, projeta-
se uma produção aproximada de 5 milhões de toneladas/ano de RSD rural.

O Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (GIRS) é uma realidade distante para


as comunidades rurais, mesmo para aquelas próximas às zonas urbanas (Barbosa, 2005).
Independentemente da origem do resíduo sólido, como descrevem Cohen, Valério e
Silva, é importante o conhecimento sobre a composição quantitativa e qualitativa do
lixo visto que isto serve de base para a definição do acondicionamento, coleta,
transporte, tratamento e disposição final a ser dada de forma a minimizar o impacto
ambiental que estes podem provocar. Quanto melhor a comunidade conhecer o lixo que
produz, levantando seus próprios dados, melhores serão as soluções de gestão e
tratamento dos mesmos.

Levando em consideração a produção total de RSD rural (0,1kg/pessoa/dia) e a


composição gravimétrica de matéria orgânica dos RSDs urbanos (mínimo de 50%),
estima-se que a produção anual de matéria orgânica nos RSDs rurais seja próxima a 550
mil toneladas. Para um cenário de 0,44kg/pessoa/dia de RSD rural com 65% de matéria
orgânica, projeta-se um montante superior a 3,1 milhões de toneladas/ano de matéria
orgânica nos RSDs rurais.

Por meio da compostagem, a matéria orgânica produzida pode ser utilizada como parte
da ração animal, adubo, ou, ainda, fonte de energia/combustível. Enquanto os resíduos
sólidos inorgânicos são passíveis de reciclagem, diminuindo o passivo ambiental, além
de propiciar uma fonte de renda complementar às famílias.

Destaca-se que as práticas de compostagem e reciclagem são pouco frequentes no meio


rural e, mesmo em centros urbanos, representam juntas pouco mais de 10% das
unidades de destinação final dos resíduos sólidos coletados.

Ressalte-se que a destinação dos resíduos de forma ineficiente e em áreas impróprias


leva à contaminação dos solos, dos corpos hídricos e do ar, favorecendo a proliferação
de doenças que podem ser disseminadas direta ou indiretamente, tanto em animais de
criação ou domésticos, como nos seres humanos.

50
Outra situação alarmante nas propriedades rurais é referente ao esgotamento sanitário.
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
(ONU, 2011), atualmente a cobertura de serviços de saneamento adequado nas áreas
rurais do Brasil atinge aproximadamente 25% dos moradores.

Na ausência de dados de campo, a estimativa de geração de esgoto doméstico pode ser


realizada conhecendo o consumo médio de água. De acordo com a NBR 9649/1986
(ABNT, 1986), recomenda-se como coeficiente de retorno o valor de 0,8 na razão entre
a vazão média de esgoto produzido e o consumo médio de água.

Para a estimativa da quantidade de matéria orgânica proveniente do esgoto doméstico


rural foram considerados: i) cotas típicas de consumo per capita de água; ii) coeficiente
de retorno esgoto/água consumida de 80%; e iii) que esgotos domésticos se constituem
aproximadamente de 99,9% de líquidos e o restante 0,1% de material sólido,
principalmente matéria orgânica.

Ao extrapolar os números para a população rural brasileira, chega-se a


aproximadamente 2,2 milhões de m3/dia de esgoto doméstico rural, ou 800 mil m3/ano
de matéria orgânica. Assim como a matéria orgânica procedente dos RSDs, o lodo
orgânico dos esgotos domésticos pode ser aproveitado para a obtenção de biogás e
biofertilizantes, gerando economia nas propriedades rurais, evitando a contaminação de
solos e lençóis freáticos e, consecutivamente, melhorando a qualidade ambiental.

51
DIAGNÓSTICO

É importante enfatizar e valorizar sempre dois aspectos indissociáveis do processo de


construção dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos: o conhecimento técnico e o
envolvimento participativo da coletividade que será alvo do plano.

É fundamental entender a situação dos resíduos sólidos gerados no respectivo


território quanto à origem, volume, características, formas de destinação e disposição
final adotadas. Informações sobre a economia, demografia, emprego e renda,
educação, saúde, características territoriais e outros, auxiliam na compreensão das
peculiaridades locais e regionais e tipo e quantidade de resíduos gerados.

O acervo de informações sobre as condições do saneamento básico, bem como sobre a


gestão dos resíduos sólidos, é muito importante para se construir um diagnóstico
amplo, pois permite compreender os níveis de desenvolvimento social e ambiental da
cidade, e as implicações na área da saúde.

Graças a disponibilidade de informações e dados numa perspectiva histórica do


município de Andradas, foi possível entender melhor os aspectos sociais e econômicos
da cidade para propor melhor enfrentamento de determinados gargalos e dificuldades
futuras.

Caracterização Geral do Município

O município de Andradas está a uma altitude de 920m e tem sua posição marcada pelas
coordenadas geográficas 22º04'05'' de latitude Sul e 46º34'04'' de longitude Oeste, no
ponto situado na Igreja Matriz. Administrativamente, é constituído por três distritos: a
sede, Campestrinho e Gramínea. Com uma superfície de 467 km², Andradas limita-se
com os municípios mineiros de Poços de Caldas e Caldas ao norte, Ibitiúra de Minas e
Santa Rita de Caldas a leste e Ouro Fino, Jacutinga e Albertina ao sul. A divisa oeste do
município é, também, a divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo. Do lado
paulista, encontram-se Águas da Prata, Espírito Santo do Pinhal, Santo Antônio do
Jardim e São João da Boa Vista (Figura 01). Sua população estimada em 2012 era de
37.920 habitantes e a densidade demográfica, 75,36 hab/km².

Em sua geologia, Andradas apresenta duas regiões diferenciadas. A primeira é formada


por rochas granito-gnáissicas do embasamento cristalino. A segunda, correspondendo à
porção norte, faz parte do maciço alcalino de Poços de Caldas. Nele, são encontrados
52
importantes depósitos minerais, como de zircônio (contendo urânio), tório, argilas
refratárias e bauxita. Dentre os minerais explorados no município, citam-se bauxita,
leucita, caulim, quartzo, argilas, sais de potássio, argila refratária, rochas potássicas e
feldspato.

Figura 01 – Mapa de Localização de Andradas Fonte: DER Minas Gerais

No que se refere ao quadro morfoestrutural, a região faz parte do Planalto Sul de Minas
ou Planalto do Alto Rio Grande. A região compõe o denominado Domínio Tropical
Atlântico de Mares de Morros. Predominam aí altos planaltos, representados por relevos
residuais (pequenos maciços), com altitude entre 1 350 e 1 500 m, e topos planos ou
ligeiramente inclinados, mas uma parte compreende também as áreas serranas. O clima
da região é caracterizado por verões brandos e úmidos. A precipitação média anual varia
de 1 500 a 1 800 mm, sendo que, em áreas serranas, tais índices chegam a ser
ultrapassados. O período seco é curto e dura de 2 a 3 meses, coincidindo com os meses
frios (junho-julho-agosto). A temperatura média anual é de 20o C. A amplitude térmica
anual (diferença entre a média do mês mais quente e a do mais frio) varia de 5 a 7 o
Celsius.
53
A altitude e o relevo exercem importante influência nas características climáticas de
Andradas, resultando, por exemplo, na amenização das temperaturas e na criação de
climas locais tipicamente serranos. No inverno, são registradas temperaturas mínimas
absolutas inferiores a 0o C e o fenômeno das geadas é comum, nos dias mais frios.

A rede hidrográfica municipal tem como principal curso de água o Rio Jaguari-Mirim,
um dos afluentes do Rio Moji-Guaçu, que atravessa a parte central do município no
sentido leste-oeste, vindo de Ibitiúra de Minas, onde se localiza sua nascente. Seus
afluentes nascem nas regiões serranas e, entre eles, citam-se os córregos da Farinha, do
Toque, Retirinho, Angola, Cachoeira, Cambuí, Água Espelhada e os ribeirões
Pirapetinga, Caracol, Cocais, Prata e São João. Ocupando um vale aberto entre as serras
de São João e do Bebedouro, o Córrego São João do Gama corre no sentido nordeste-
sudoeste, em direção ao Rio Jaguari-Mirim, entre muitos outros cursos de menor vulto.

Localizados na Bacia do Rio Grande, os afluentes mineiros dos Rios Mogi-Guaçu e


Pardo possuem uma área de drenagem de aproximadamente 6.076 km², composta por
31 municípios com uma população estimada, de 378.631 habitantes (IBGE – 2007), dos
quais 20 municípios incluindo Andradas possuem sede dentro da área abrangida pela
Unidade de Planejamento e Gestão GD6 (Figura 02). A área das bacias dos rios Mogi-
Guaçú e Pardo pertencente ao Estado de Minas Gerais é aproximadamente 5.963,9 km².
O Rio Mogi-Guaçú nasce no município de Bom Repouso situado na Serra da
Mantiqueira, possui o comprimento total de 473 km e área de drenagem total de 17.450
km².

54
Figura 02 – Bacia Hidrográfica do Rio Grande

Os afluentes do Mogi-Guaçu em sua margem esquerda são: o rio Espraiado, rio


Eleutério, o rio do Peixe, o Rio Cachoeirinha, rio das Antas. Na margem direita destaca-
se o rio Jaguari-Mirim (principal em Andradas). O Rio Pardo nasce no município de
Ipuiúna região centro-sul de Minas Gerais. Percorrendo 99,34 km em Minas Gerais, seu
curso total é de 573 km e sua área de drenagem é de aproximadamente 18.292 km²,
sendo 3.426 km² pertencentes ao Estado de Minas Gerais. Na margem esquerda do rio
Pardo e com as nascentes localizadas no lado mineiro da bacia encontram-se rios como
o Verde e o ribeirão das Antas. Na margem direita o afluente mais representativo é o rio
Capivari. As atividades econômicas predominantes são, respectivamente, a mineração e
a indústria (Mogi-Guaçu) e a agropecuária (Pardo). Os principais problemas ambientais
e de degradação dos recursos hídricos decorrem do uso inadequado do solo, da
aplicação indiscriminada de agrotóxicos – principalmente nas culturas de batata e
morango, do desmatamento – inclusive de matas ciliares – e do lançamento de efluentes
domésticos e industriais sem tratamento.

Em relação ao solo e a cobertura vegetal, sobre vertentes inclinadas, em áreas ocupadas


por reservas de matas, é notada a ocorrência de latossolos espessos, de coloração
vermelho-amarela. Esses solos são resistentes à erosão, porém apresentam deficiência
de nutrientes, o que lhes confere baixa fertilidade natural. O desenvolvimento da

55
agricultura nessas áreas mostra necessidade de investimentos em fertilização e correção
do solo. Nas áreas de várzeas, os solos são do tipo aluvial ou hidromórfico, de coloração
escura. São ricos em nutrientes e matéria orgânica, apresentando boa fertilidade, o que
lhes confere bom potencial para desenvolvimento de agricultura irrigada. Nas referidas
áreas, porém, existe risco de inundações. Os solos litólicos são aqueles localizados nas
serras e nas áreas de relevo ondulado, onde há presença de pedras e rochas. São pouco
profundos e de elevados níveis de acidez; apresentam deficiência em nutrientes e baixa
fertilidade natural; são suscetíveis à erosão e mostram restrições à mecanização. Seu
principal potencial é para formação de pastagens.

O tipo de mata mais comum é a de galeria ou mata ciliar, constituindo a vegetação que
acompanha as margens de alguns cursos de água. São extremamente significativas na
preservação dos rios e de suas nascentes. A exuberância dessa vegetação se deve à
abundância de água, propiciada por sua localização.

Contexto Regional do Município

Andradas está na mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas que é uma das doze
mesorregiões do estado brasileiro de Minas Gerais. É formada pela união de 146
municípios agrupados em dez microrregiões.

O Sul de Minas apresenta muitas características semelhantes ao interior de São Paulo.


Porém possui grandes altitudes e um clima ameno, fortemente influenciado pela serra da
Mantiqueira. A economia é altamente agrícola, com destaque para as plantações de café.

O povoamento teve início no século XVIII por bandeirantes paulistas como Fernão Dias
e cresceu no início do século XIX com a chegada de ondas de imigrantes italianos e
comerciantes sírio-libaneses.

56
Figura 03 abaixo ilustra a mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas:

Figura 03 – Mapa da Mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas

No detalhamento da Figura 04, a Microrregião de Poços de Caldas, onde o Município


está inserido juntamente com Albertina, Bandeira do Sul, Botelhos, Caldas, Campestre,
Ibitiúra de Minas, Inconfidentes, Jacutinga, Monte Sião, Ouro Fino, Poços de Caldas e
Santa Rita de Caldas:

Figura 04 – Mapa da Microrregião de Poços de Caldas

57
A Figura 05 abaixo dá uma visão geral do Município com destaque para o componente
terreno:

Figura 05: Município de Andradas – Visão do Terreno

Dinâmica setorial da produção e do emprego

Ao longo da primeira metade do século XX Andradas esteve por um lado fortemente


ligada a lógica da economia cafeicultora paulista, pelo outro desenvolvia uma série de
peculiaridades ligadas às tradições italianas. Em 1920, Andradas despontava como a 35°
maior produtora de café de Minas gerais e em 1940 permanecia em 36°33. As Vinícolas,
símbolos do município começam a aparecer já no início do século, primeiramente
apenas “para o gasto” das famílias de imigrantes, e posteriormente com grande
expressão nacional. Algumas famílias que produzem vinho comercialmente até hoje
iniciaram suas atividades a mais de um século. Os Basso iniciaram sua produção em
1902, os Bertoli em 1905, os Marcon em 1912, Murtele em 1918.

Mas para além da agricultura se expandia a economia do município. Alguns italianos


optaram por se estabelecer no núcleo urbano de povoamento e dedicar-se ao comercio
ou ao trabalho como artesões, articulando-se com o campo. A questão para qual
Rovaron(2009) chama atenção é verificar se de fato o número de imigrantes italianos foi
suficiente volumoso para atribuir a eles o papel fundamental na formação da estrutura
minifundiária que perdura no município até hoje.
58
Os processos de industrialização e urbanização, que emergiram com força em
determinadas localidades do país a partir de meados da década de 1950, chegaram a
Andradas tardiamente e, assim como nas demais localidades onde ocorreram, acabaram
por redesenhar por completo a dinâmica da vida no município. No entanto, o que se
observou foi que mais uma vez a trajetória de acomodação das transformações ocorridas
na economia local guardou características muito específicas, fortemente influenciadas
pelas características geomorfológicas e históricas da ocupação do município.

Como demonstrado anteriormente, a cidade adentrava a década de 1970 caracterizada


por condições de produção quase pré-capitalistas, com uma renda considerada mais
elevada e distribuída mais equitativamente do que as demais localidades vizinhas e o
restante do país. Fruto inegável da estrutura minifundiária e da atividade
agroexportadora, que acabariam por configurar-se em uma fonte de acumulação
primitiva e difusa de recursos. Porém, a partir dessa década as profundas transformações
na economia brasileira começam a impactar a dinâmica de acumulação no município de
Andradas e alterar as bases de inserção de sua economia.

Algumas famílias abandonam a produção artesanal de vinho, e estabelecem unidades


fabris mais modernas, onde passam a bebida de forma mais padronizada e eficiente.
Multiplicam-se também as pequenas e médias empresas do ramo de confecções e
marcenarias, estas impulsionadas pelo avanço da construção civil nas regiões vizinhas.
Mas é em 1973 que se iniciam as atividades daquele que viria a se tornar o maior e mais
ousado empreendimento industrial da história do município, a ICASA, Indústria
Cerâmica Andradense S/A, empresa do ramo de louças sanitárias.

As possibilidades de expansão da atividade no campo concentravam-se principalmente


na pecuária leiteira, dada a disponibilidade de pastagens naturais e o clima favorável ao
manejo do gado leiteiro. Ainda assim, por se tratar de um produto altamente perecível,
existia um gargalo composto pela necessidade de unidades de beneficiamento e,
consequentemente, de acesso aos mercados, o que limitava o potencial da atividade. Em
julho de 1976 é fundado o Laticínio Carlin, procurando aproveitar o potencial da
pecuária leiteira local, e desenvolvendo e melhorando o padrão dos produtos derivados
do leite, o que possibilitou a ampliação dos mercados para sua produção.

59
Já em 1978 é fundada a Fiori Cerâmica Artística, uma nova empresa voltada para a
produção de louças, especialmente louças de forno e mesa, vendendo a maior parte de
sua produção ao mercado externo.

A exemplo do que ocorreu em outras regiões periféricas, a dinâmica da industrialização


andradense passou a ter dois movimentos. O anterior, decorrente da manutenção das
antigas atividades primárias (cafeicultura, vinhos e laticínios), que como será
demonstrado no capítulo seguinte, continuava a imprimir efeitos dinâmicos sobre o
setor primário e industrial. O novo, determinado pelo movimento de acumulação dos
centros dominantes nacionais (Indústria de louças sanitárias, moveleira e confecções).
De ambos os movimentos expandiu-se a urbanização e os efeitos dinâmicos sobre o
setor terciário, que por sua vez, reforçou a própria expansão agrícola de non tradables.

Apesar do relativo sucesso com o qual o município enfrentou drásticas mudanças no


contexto econômico nacional e internacional, identificou-se uma elevada fragilidade no
tipo de inserção de sua economia. Entre as razões citadas por Pastre (2012) estão: a) o
pequeno aprofundamento da estrutura industrial local, pautada principalmente em
setores intensivos em mão de obra produtores de bens de consumo finais de baixo
conteúdo tecnológico b) o baixo nível de capacitação do corpo técnico e administrativo
do município.

O processo de abertura comercial e o período de ajuste recessivo que lançou o Brasil em


um ciclo de baixo crescimento durante a década de 1990 foram especialmente
prejudiciais à Andradas, que viu seu PIB se reduzir em 0,4% entre os anos de 1990 e
1995. No entanto, verificamos que o momento seguinte de retomada do crescimento não
foi mais favorável ao município. Entre os anos 2000 e 2010, enquanto as rendas per
captas médias do país e do estado de Minas Gerais cresceram 43% no período, a de
Andradas cresceu apenas 5,6%, apesar de ainda figurar como 57° no ranking mineiro de
renda per capta.

Em relação a sua contribuição ao PIB estadual, a porcentagem de participação, que


esteve próxima a 0,2% ao longo de toda década de 1990, veio caindo ao longo da
década seguinte, atingindo o patamar de apenas 0,14% em 2009.

A cultura com maior peso na agricultura andradense continua a ser de longe o café do
tipo arábica, o qual possui maior valor de mercado em relação ao conilon, mais
facilmente encontrado no mercado nacional. Esse tipo de café era cultivado em 1012

60
estabelecimentos e valor total da produção em 2006 foi de R$ 53.803.547,00,
equivalente a 63% de todo o PIB primário local. A produtividade média foi de 34,35
sacas por Alqueire, enquanto a média de estados como Minas Gerais e São Paulo esteve
em torno de 27 sacas. Resultado muito próximo da média da região do Triangulo
Mineiro/Alta do Paraíba (34,4 sacas/alqueire), maior região produtora do país. Na
comercialização obteve um preço médio de R$ 182,92 a saca, enquanto a média do
estado foi de R$ 259,00 e da região Sul/Sudoeste de Minas R$ 270,75. O resultado
chama atenção para a possibilidade de haver espaço valorização do café andradense, o
que sucinta o tema como potencial pesquisa a ser desenvolvida futuramente. De
qualquer maneira Segundo a Pesquisa Agrícola Municipal, do IBGE (2006), divulgado
em outubro de 2007, Andradas é o 19º maior produtor de café beneficiado do Estado
(em quantidade) e está entre os 35 maiores produtores nacionais (em rentabilidade,
segundo a mesma pesquisa).

O café é seguido de longe pela floricultura, atividade que tem crescido nos últimos anos
e abastece principalmente os mercados de São Paulo, sobretudo a cidade de Holambra, e
do Sul do País. A cidade é considerada hoje a segunda maior produtora de rosas do
estado. O valor total da produção nesse ramo de atividade em 2006 foi de R$
5.980.100,00, ou 7% do produto primário. Em seguida vem a horticultura, responsável
por 4% do produto primário (IBGE, Censo Agropecuário de 2006). Outros produtos
comumente produzidos no município são bananas e batata inglesa. Já os demais itens
visam apenas o atendimento da demanda local, e aparecem em escalas reduzidas de
produção.

No que se refere à pecuária, constata-se que a produção de leite tem liderado a geração
de produto, presente em 588 estabelecimentos, respondendo por 43% do valor agregado
na atividade. Em 2006 foram produzidos 8.795.472 litros de leite com um plantel de
4900 vacas ordenhadas, com produtividade média de 4,72 litros por cabeça/dia. A
maioria da produção (88%) é vendida para a indústria ainda crua e o restante é
pasteurizado e distribuído na região. A participação da avicultura também continua
importante, respondendo por 36% do valor da produção pecuária. Foram abatidas 750
mil aves em 2006. Por sua vez, a criação de suínos, responsável por parcela importante
dos rendimentos da pecuária nas décadas anteriores, foi perdendo espaço no município,
principalmente devido à concorrência de novas áreas produtoras, integradas a indústria
de frigoríficos, com vantagens em termos de custos e localização. Em 2006 foram
61
vendidos 7.824 porcos e outros 511 foram abatidos, com uma receita total R$
1.059.000,00.

É interessante notar que segundo o Censo Agropecuário de 2006, 74,2% dos


estabelecimentos rurais de Andradas declaram não necessitar de financiamento, e
nenhum deles estava inadimplente. Enquanto isso apenas 55,9% dos estabelecimentos
dos estados e 64% da macrorregião declararam não necessitar de financiamento. O
resultado lança evidências sobre a forte capitalização da agricultura andradense, cuja
maturação vem de longa data. Em contrapartida, apenas 22% dos estabelecimentos do
município fizeram algum tipo de investimento, enquanto na microrregião a média foi de
30%.

O setor secundário foi fortemente afetado pelo processo de abertura comercial da


década de 1990. Parcela importante da indústria local era composta de produtos têxteis,
vinhos, móveis e cerâmicas de mesa e decoração. Com a invasão de produtos têxteis da
china e vinhos da América do Sul e Europa muitas empresas desses ramos acabaram por
encerrar suas atividades. A produção moveleira teve dificuldades em concorrer com as
grandes redes de varejo que passaram a oferecer móveis de baixo custo com longos
prazos de pagamento. No ramo de louças, a concorrência dos plásticos e da louça
chinesa acabou por impor profundas modificações setor.

Umas das principais empresas, a Fiori, abandonou a produção de cerâmicas de mesa e


decoração e passou a atender o mercado da construção civil, que apresentou forte
expansão no país na última década. A empresa construiu uma nova planta em terreno
doado pela prefeitura municipal em 2008 e passou de 80 funcionários em 1993 para
aproximadamente 495 em 2010, tornando-se a segunda maior empresa do município,
com produção estimada é de 700 mil peças/ano. Já a Icasa, a maior empresa a mais de
30 anos, conta hoje com algo em torno de 970 funcionários diretos e indiretos,
envolvidos na produção, venda e distribuição das peças sanitárias. A produção atual é
de aproximadamente 2.4 milhões de peças ano.

Estimativas dão conta que em 2008, a indústria de sanitários totalizou cerca de 7.500
postos de trabalho. Desse total, aproximadamente 75% (5.600) correspondem a
trabalhadores com nível fundamental, 20% são de supervisores de nível médio (1.500) e
5% de formação superior (350) ocupando funções nas áreas de produção,

62
administrativas e de vendas. A produção total foi de 21 milhões de peças com
faturamento de 1,8 bilhão de reais.

O desempenho da construção civil também contribuiu com a renda e o emprego no


secundário. O número de posto de trabalho na atividade era de 996 em 2010,
equivalente a 22% das vagas no setor. Apenas no que se refere ao número de
domicílios, estes saltaram de 7.455 em 1991 para 9.594 em 2000 e 12.212 em 2010, um
crescimento de 28% e 27% respectivamente.

Da tradição moveleira e vinícola pouco restou. Somente as empresas líderes foram


capazes de redesenhar seus modelos de negócios e se adaptar as novas condições de
mercado. A fábrica dos Moveis Trevisan conta hoje com 120 funcionários e produz
cerca de 2500 peças mensais.

Os vinhos Campino tem ganhado cada vez mais espaço no mercado de vinhos finos dos
grandes centros do país com o lançamento da marca Casa Geraldo, voltada para vinhos
especiais.

Apesar das tentativas das administrações municipais de atrair investimentos de grande


porte lançando mão de uma série de renuncias fiscais, além da Fiori, empresa local, não
se tem notícia de nenhuma empresa de médio ou grande porte que tenha realizado
investimentos no município nas últimas décadas. Pouco se avançou em termos de
aprofundamento e diversificação de ramos dentro do setor. As vagas geradas
correspondem majoritariamente ocupações elementares, exigindo baixo grau de
escolaridade e oferecendo baixa remuneração. O setor continua sendo composto
majoritariamente por empresas dos ramos têxtil, alimentos e bebidas e principalmente
cerâmico. Foi capaz de superar a agricultura na geração de produto apenas por razões
circunstanciais, permanecendo ainda muito pouco desenvolvido no município.

Andradas tem seguido a mesma tendência das economias desenvolvidas em relação a


evolução do setor terciário. Atualmente o setor lidera a geração de produto no
município, sendo 63% da riqueza gerada. Os dados coletados pela RAIS, do Ministério
do Trabalho, relativos a 1995, apontavam a presença de 190 empresas comerciais, das
quais mais de 87,0% são varejistas e 92,6% mostram porte micro (até 9 empregados).
Partindo de dados mais recentes, verifica-se que, segundo levantamento dos Censos
populacionais de 2000 e 2010, o número de pessoas ocupadas no setor era de 7.488 em

63
2000 e chegou a 9.564 em 2010, correspondendo respectivamente a 45,5% e 45% da
oferta de empregos no município.

Aspectos Socioeconômicos e Demográficos

Do ponto de vista qualitativo, observa-se uma evolução semelhante a do entorno, o que


sustenta a posição do município dentre aqueles que oferecem melhor qualidade aos seus
moradores. O IDH medido com dados produzidos em 1991 colocou Andradas na 26º
posição, entre os 853 municípios do estado, com destaque principalmente para as
condições de saúde e longevidade.

O movimento de urbanização do município se deu muito mais pela criação de posto de


trabalho urbano do que pelo esvaziamento do campo. A taxa anual de crescimento da
população urbana na década de 1970 foi de 6,3%, e prossegui a 2,6% na década
seguinte.

Apesar da fisionomia do ambiente urbano ter-se alterado consideravelmente com a


ampliação dos setores secundário e principalmente do terciário, Andradas ainda
preserva as características peculiares de sua formação, sobretudo quando comprada ao
entorno. A população rural representa 24,8% do total, enquanto no estado e
microrregião representam 14,7% e 16,8%, respectivamente. Enquanto a população rural
decresceu 24% entre 1991 e 2010 na microrregião de Poços de Caldas e 27% no estado,
em Andradas houve crescimento de 1%. Vimos que a estrutura fundiária continua a ser
um fator determinante da fixação do homem no campo, tornando-a o cenário da vida e
do trabalho de grande parcela da população.

Em relação à taxas de crescimento, foi registrado um crescimento total de 13% na


última década, contra 16,2% no período entre 1991 e 2000. Esse resultado pode ser
plenamente creditado ao crescimento urbano, que apresentou taxa de 16% na última
década, contra 25% no período entre 1991 e 2000. O resultado segue em consonância
com a média nacional (16,7%), e um pouco acima das médias estadual (13,9%) e
microrregional (13%), revelando que o ambiente urbano do município ainda apresenta
certa atratividade. Andradas elevou sua participação na população da microrregião de
10,4% 1991, para 10,9% em 2010. Em relação ao estado, subiu de 0,18% para 0,19%.

A estrutura etária dos habitantes município também vem sofrendo transformações. Sua
população envelhece mais rapidamente do que a média nacional e estadual. Uma das

64
razões reside na elevada expectativa de vida historicamente observada no município.
Segundo o Ranking do IDH dos municípios do Brasil elaborado com dados do Censo de
2000, Andradas ocupava a 20° em desenvolvimento humano dentre os municípios de
Minas Gerais. Este resultado continua sendo fortemente determinado pelo índice de
Longevidade, o 3° maior do estado e entre os 90° do país.

A pirâmide etária no ano 2000 possuía base mais larga e topo estreito. O número de
jovens entre 0 e 14 anos correspondia a 24,2% do total da população, e o de idosos a
8%. A razão de dependência, que verifica o peso da população considerada inativa
(entre 0 e 14 anos e acima de 65 anos de idade) sobre a população potencialmente ativa
(entre 15 e 64 anos), era de 0,475, enquanto a razão de dependência nacional era de
0,549.

Já no ano de 2010, houve um estreitamento da base e alargamento do topo da pirâmide.


A porcentagem de jovens entre 0 e 14 anos caiu para 19,5% do total da população.
Enquanto isso a de idosos acima de 65 anos subiu para 9,8%. O fato do número relativo
de jovens ter decaído mais rapidamente do que cresceu o de idosos fez com que a razão
de dependência caísse para 0,413. A esse fenômeno os demógrafos dão o nome de
bônus demográfico, que consiste na elevação da porcentagem de pessoas em idade ativa
por conta da redução das taxas de natalidade, e anterior ao crescimento do número de
idosos, que se amplia na mesma medida que avança as condições de saúde e qualidade
de vida. A razão de dependência nacional e estadual nesse ano era de 0,459 e 0,44
respectivamente.

Outro indicador que historicamente vem elevando a posição do município em termos de


qualidade de vida é a renda. Entre 1970 e 1991 o índice de renda utilizado para o
cálculo do IDH esteve sempre acima dos verificados no estado e na microrregião de
Poços de Caldas. No ano 2000 o índice de renda em Andradas era o 15º do estado,
porém a concentração de pessoas com mais de 10 anos nos estratos mais baixos de
renda, entre 0 e 2 salários mínimos (68,25) era maior do que na microrregião (67,42%).
A concentração nos estratos médios (entre 2 e 10 salários mínimos) e superiores
acabava por ser inferior à média da microrregião. Resultado que se repetiria em 2010.

Saúde e Educação

O município de Andradas sempre contou com elevados indicadores de saúde. A


infraestrutura de saúde do município era composta em 2010 por 62 estabelecimentos
65
prestadores de serviço de saúde, sendo 14 públicos, 47 privadas e um hospital
filantrópico, a Santa Casa de Misericórdia de Andradas (Sacma), o qual realiza o maior
número de atendimentos no município. Em seguida em termos de importância existe um
Pronto Atendimento Municipal (PAM), dois postos do Programa de Saúde da Família
(PSF), além de uma Unidade Básica de Saúde Vereador Manoel Adolfo Marques,
situada no distrito Campestrinho. Também há um centro de atendimento a gestantes e
de assistência à mulher, o Materno Infantil. Em prédio anexo está localizada a
Policlínica Central, onde são aplicadas vacinas e feitos outros procedimentos médicos.

Em relação a educação, no índice de educação do Ranking do IDH dos municípios do


Brasil elaborado com dados do Censo de 2000, Andradas não aparece nem entre os 200
municípios com os índices mais altos do estado. O déficit na estrutura educacional
andradense residiu desde sempre nos níveis mais elevados de qualificação.

No ensino básico, a rede pública de ensino tem obtido resultados acima dos projetados
para o município. No ano de 2011 o Ideb (Índice de Desenvolvimento do Ensino
Básico) divulgado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira – havia alcançado a meta prevista para o ano de 2015, além de ter se
mantido acima da média estadual nos 6 anos anteriores.

A taxa de alfabetização entre pessoas com mais de 5 anos (91,73%) é bem próxima a
estadual (91,19%). Dentre os analfabetos 47,3% são pessoas com mais de 60 anos e
apenas 2% tem menos de 15 anos. A porcentagem de crianças entre 0 e 3 anos que
frequentavam creches ou escolas era apenas de 19%, contra 28% na microrregião de
Poços de Caldas, mas as porcentagens vão se tornando mais próximas nas idades
seguintes e a partir dos 7 até os 17 anos Andradas tem uma maior presença de jovens
residentes frequentando a escola.

A proximidade com grandes centros universitários como Campinas e São Paulo permiti
que uma parcela não desprezível dos andradenses esteja em contato com instituições de
ponta, recebendo ensino de alta qualidade, no entanto, esses centros são também
historicamente os maiores atratores de força de trabalho qualificada do país.

Habitação e Saneamento

Entre 1991 contava-se 7.455 domicílios em Andradas, número que saltou para 9.594 em
2000 e 12.212 em 2010, um crescimento de 28% e 27% respectivamente. O crescimento

66
ocorreu fundamentalmente na zona urbana, que cresceu 30% entre 2000 e 2010 em
número de domicílios. A própria estrutura da propriedade urbana em Andradas contrasta
bastante com o quadro que observamos na zona rural. A média de domicílios alugados
nas últimas décadas esteve bem acima da nacional e estadual. No ano 2000 a
porcentagem de domicílios nessa situação de ocupação na zona urbana chegava 31,4%,
contra uma média estadual de 17,2% e nacional de 16,4%. Dos 12.212 domicílios
recenseados em 2010, 11.974 (99,7%) possuíam banheiro de uso particular do
domicílio, 33 possuíam sanitário e apenas 5 não possuíam nem banheiro nem sanitário.
O número de domicílios sem água encanada é um pouco maior, 49 (0,51%) e 19
(0,16%) não tinham energia elétrica. O percentual de domicílios sem energia no estado
de Minas Gerais gira em torno de 0,71%.

Finanças Públicas

As receitas municipais que haviam sofrido um impacto negativo da crise financeira em


2008 vem se recuperando lentamente em Andradas. Após uma queda real de 8,3% na
arrecadação entre 2008 e 2009, entre 2010 e 2011 verificamos altas consecutivas de
6,7% e 10,6%, chegando apenas em 2011 a superar o patamar pré-crise, 8,3% maior do
que em 2008. Em termos de arrecadação per capita, o crescimento real verificado entre
2008 e 2011 foi de 4,6%. Andradas caiu assim da 569° posição no ranking de
arrecadação per capta de Minas gerais em 2008, quando tinha a 83° maior população,
para a 619° colocação em 2011, contando com a 84º maior população como mostra a
Figura 06 abaixo:

Figura 06 – Gráfico Evolução da Receita Municipal Total

Fonte: Tesouro Nacional – Finanças do Brasil – Dados contábeis dos Municípios, 2008, 2009, 2010 e 2011
67
Os impostos com maior peso na arrecadação municipal, o Imposto sobre a Propriedade
Predial e Territorial Urbana (IPTU) (47% do total de impostos) e o Imposto sobre
Serviço de Qualquer Natureza (ISS) (25% do total de impostos), são os que vêm tendo
pior desempenho, queda de 0,9% e de 10,3% respectivamente entre 2008 e 2011. Já
Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis Inter Vivos (ITBI) e as taxas sobre
serviços públicos tiveram um desempenho positivo, com altas elevadas de 17,4% e
23,3% respectivamente.

Panorama do Saneamento Básico

A ausência de serviços de saneamento, em especial na área de esgotamento sanitário,


tem resultado na degradação dos recursos hídricos e em precárias condições de saúde de
uma parte significativa da população brasileira, com a incidência de doenças, tais como
diarreias, hepatite, cólera, parasitoses intestinais, febre tifoide, entre outras (TEIXEIRA
e GUILHERMINO, 2003).

De acordo com Deliberação Normativa nº 96, de 12 de Abril de 2006 que convoca


municípios para o licenciamento ambiental de sistema de tratamento de esgotos e dá
outras providências, o município de Andradas, que pertence ao Grupo 6, está
enquadrado na seguinte situação:

“Considerando que a maioria dos municípios no Estado de Minas Gerais lança os esgotos
sanitários “in natura” em corpos d’água;

Considerando que o lançamento de esgotos sanitários “in natura” em corpos d’água provoca a
degradação da qualidade das águas prejudicando usos à jusante, possibilitando a proliferação de
doenças de veiculação hídrica e provocando a geração de maus odores;

Considerando que dos 853 (oitocentos e cinquenta e três) municípios do Estado, cerca de 97%
(noventa e sete por cento) lançam os esgotos brutos nos corpos d’água e que a Lei Estadual nº
2.126/60 e as Leis Federais nº 6.938/81 e 9.605/98 vedam o lançamento de efluentes não tratados
nos cursos d’água;

DELIBERA:

Art. 1º - Ficam convocados para o licenciamento ambiental de sistema de tratamento de esgotos


os municípios com população urbana superior a 30.000 (trinta mil) habitantes (Censo 2000) e os
municípios, Serro, Tiradentes, Conceição do Mato Dentro e Ouro Branco cortados pela Estrada
Real, definida no Programa de Incentivo ao Desenvolvimento do Potencial Turístico da Estrada
Real criado pela Lei nº 13.173, de 20 de janeiro de 2005, na forma que se segue:

(...)

68
§6º - Conformando o Grupo 6, municípios com população entre 20.000 (vinte mil) habitantes e
30.000 (trinta mil) habitantes, conforme Anexo Único e de acordo com o seguinte cronograma:

I - até março de 2007, deve ser protocolado o Formulário Integrado de Caracterização do


Empreendimento – FCEI (para atendimento mínimo de 20% da população urbana com eficiência
de tratamento de 40%);

II - até março de 2009, deve ser formalizado o processo de Autorização Ambiental de


Funcionamento;

III - até março de 2010, deve ser protocolado novo Formulário Integrado de Caracterização do
Empreendimento – FCEI (para atendimento mínimo de 60% da população urbana com eficiência
de tratamento de 50%);

IV - até março de 2012, deve ser formalizado o processo de Autorização Ambiental de


Funcionamento;

V - até março de 2015, deve ser protocolado o Formulário Integrado de Caracterização do


Empreendimento – FCEI (para atendimento mínimo de 80% da população urbana com eficiência
de tratamento de 60%);

VI - até março de 2017, deve ser formalizado o processo de Autorização Ambiental de


Funcionamento.”

No contexto regional, a bacia dos afluentes mineiros dos Rios Mogi-Guaçu e Pardo é
pequena, pois 83% de seu território está situado em São Paulo, mas em Minas está a
nascente dos dois rios. Se a bacia é pequena, os problemas, por outro lado, não são.
Exemplos são carência de saneamento básico, com o lançamento do esgoto in natura nas
águas (Figura 07); existência de bombas de irrigação sem outorga em plantações de
batata e morango; registro de hotéis com poços artesianos e indústrias também sem
outorga.

69
O lançamento
do esgoto in
natura nas
águas é o
problema
ambiental
mais sério do
município de
Andradas.

Figura 07: Lançamento de esgoto in natura nas águas em Andradas

O controle da poluição na Bacia tem caráter de urgência, uma vez que cidades
importantes têm no Rio Mogi-Guaçu seu principal manancial para abastecimento
público de água. Estima-se que, presentemente, 700.000 pessoas tenham seu
abastecimento de água proporcionado por captações no Rio Mogi-Guaçu. As cidades da
Bacia, de maneira geral, contam com sistema de coleta de esgoto que atendem a
elevadas percentagens das populações urbanas, não havendo, porém, tratamento dos
despejos na maioria dos casos. Tal situação acarreta elevada concentração de DBO e de
coliformes nas águas do Rio, configurando condição inadequada para os sistemas de
abastecimento de água afetados.

Panorama do Saneamento Básico em Andradas

Abastecimento de Água: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações


necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a adução até as ligações
prediais e respectivos instrumentos de medição – Atividade realizada pela COPASA
desde 1978, que executa o tratamento e a distribuição da água. Conforme dados do
IBGE Cidades, em 2008 Andradas contava com 9.886 economias residenciais ativas e
6.833m³ de água distribuída por dia, sendo 6.733m³ tratados convencionalmente e
100m³ sem tratamento. Conforme dados divulgados pela COPASA (2011), 75,2% da
população total do município estava atendida, sendo que 100% da população urbana já
era atendida com rede de água. O consumo médio per capita de água é de 173,5l/hab/dia
com índice de perdas na distribuição de 32,4%. Em 2011 houve um acréscimo de 6,8%
70
na quantidade de ligações de água em relação a 2008, totalizando 10.566 ligações
ativas. A receita operacional total informada pela COPASA no ano referência 2011 foi
de R$5.506.619,00 e a despesa total com os serviços foi de R$4.233.350,00. No ano em
questão, a COPASA investiu R$49.122,00 na atividade em Andradas. O índice de
suficiência de caixa estava em 123,4% sendo a tarifa média praticada de R$2,90/m³. A
quantidade de pessoal empregado na atividade era de 28 colaboradores.

Esgotamento Sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações


operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados de esgotos
sanitários, desde as ligações prediais até o lançamento final no meio ambiente –
Atividade realizada em parte pelo próprio município que conta com 100% de rede
coletora de esgoto. Existem três Estações de Tratamento de Esgoto que geram 30m³ de
lodo mês e atendem somente quatro bairros, perfazendo um total de 10% da população
do município. O sistema de tratamento é através de um processo eletrolítico.

A receita operacional total em 2011 foi de R$269.472,00 contra despesa total com os
serviços de R$185.023.

Drenagem e Manejo das Águas Pluviais Urbanas: conjunto de atividades,


infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de
transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento
e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas – O próprio município,
através da Secretaria de Obras, realiza o serviço de manutenção no manejo de águas
pluviais não relatando problemas que demandam drenagem especial em área de risco
(formação de grotões, ravinas e processos erosivos crônicos, áreas sujeitas a inundações
e/ou proliferação de vetores, áreas em taludes e encostas sujeitas a deslizamento e áreas
sem infraestrutura de drenagem no perímetro urbano). Ressalta-se que, em alguns
períodos do verão, o nível do Rio Pirapitinga sobe e a água atinge casas principalmente
nos bairros Jardim Rio Negro e Jardim Giareta. No Jardim do Lago, o asfalto de
algumas ruas foi arrancado na enchente de 27/02/2011.

Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos: conjunto de atividades,


infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e
destino final do lixo doméstico, industrial e do lixo originário de varrição e limpeza de
logradouros e vias públicas e recuperação da área degradada. Inclusive os Resíduos da
construção civil e de saúde. Atualmente o município conta com os serviços de uma

71
empresa terceirizada para coleta, tratamento e destinação final dos resíduos de saúde das
instituições públicas. Os particulares são de responsabilidade das próprias empresas. Os
serviços de limpeza urbana, varrição e capina também estão terceirizados por um
período de três meses para avaliação da prestação dos serviços. O próprio município
realiza a coleta de lixo em área urbana e rural destinando seu conteúdo diretamente ao
Aterro Sanitário da cidade. Não há informação suficiente sobre a destinação dos
resíduos de construção civil e sobre a gestão dos resíduos industriais. A coleta seletiva,
em sua grande maioria, é realizada informalmente, sendo que, desde fevereiro deste ano
existe um projeto piloto em andamento apoiado pela Prefeitura no bairro Vila Euclides.
As informações sobre Limpeza Urbana e Manejo dos Resíduos Sólidos serão detalhadas
adiante.

Qualidade da Água

De acordo com dados do monitoramento da qualidade das águas superficiais no estado


de Minas Gerais do IGAM, o índice de qualidade de água (IQA) foi classificado como
médio na maioria dos trechos monitorados da bacia em questão, tendo sido observados
também cursos d’água com qualidade ruim (IGAM, 2012). Entre os principais
impactos ambientais estão as contaminações por esgoto sanitário, mineração, atividade
industrial, além o uso inadequado do solo. Conforme divulgado pela SEMAD em 2012,
a FEAM em parceira com IGAM desenvolverá, ao longo do ano de 2013, o Plano de
Incremento do percentual de Tratamento de Esgotos - PITE na bacia dos rios Mogi-
Guaçu e Pardo, no âmbito do Projeto Estratégico “Revitalização das Bacias do Rio
Doce, Paraopeba, e Outras Bacias e Desenvolvimento dos Instrumentos de Gestão dos
Recursos Hídricos”. Um dos objetivos do PITE – Mogi Pardo corresponde a
caracterização da situação do esgotamento sanitário dos municípios integrantes da
bacia. Dessa forma, serão levantados os principais problemas do sistema e
posteriormente serão elaboradas diretrizes para solucionar os entraves para a adequada
qualidade do esgotamento sanitário. Assim, o PITE deverá acarretar na melhoria da
qualidade das águas da bacia.

Caracterização dos Serviços de Limpeza Pública Existentes


Estrutura Operacional, Fiscalizatória e Gerencial
A Constituição Federal, em seu art. 30, inciso V, dispõe sobre a competência dos
municípios em "organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou
72
permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o transporte coletivo, que
tem caráter essencial". O que define e caracteriza o "interesse local" é a predominância
do interesse do Município sobre os interesses do Estado ou da União. No que tange aos
municípios, portanto, encontram-se sob a competência dos mesmos os serviços públicos
essenciais, de interesse predominantemente local e, entre esses, os serviços de limpeza
urbana (IBAM, 2001).

Sistema de Coleta e Manejo de Resíduos Sólidos de Andradas

O sistema de coleta e manejo de resíduos sólidos é um conjunto de atividades,


infraestruturas, instalações, e plano de operações sob a responsabilidade da Secretaria
Municipal de Obras, Serviços Públicos e Transporte Interno.

Conforme a Lei Complementar 98/2006 de 28/12/2006, a estrutura base da Secretaria


Municipal de Obras, Serviços Públicos e Transporte Interno está representada abaixo:

A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Meio Ambiente tem papel


fundamental nas ações fiscalizatórias e de planejamento dos serviços do Sistema de
Coleta e Manejo de Resíduos Sólidos. Grosso modo, podemos inferir que a mão de obra
destas atividades está alocada na primeira Secretaria e os especialistas (engenheiros,
cartógrafos, técnicos e outros profissionais do nível de planejamento) estão alocados na
segunda.

A estrutura base da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente está


representada abaixo:

73
No município de Andradas, a geração de resíduos é da ordem de 500 toneladas/mês,
conforme dados de pesagem, contabilizando todos os resíduos coletados por coleta
convencional. A geração de resíduos per capita é da ordem de 0,67 kg/dia. A coleta,
transporte e disposição final dos resíduos domésticos é realizada pela Prefeitura com 03
caminhões, sendo 02 caminhões prensa e 01 caminhão carroceria. O destino final dos
resíduos ocorre no Aterro Sanitário localizado no próprio município nas coordenadas
geográficas 341644X e 7564896Y.

Verificou-se in loco que o município não conta com uma organização específica de
centros de custos capaz de identificar de forma fácil todas as despesas e a previsão das
receitas decorrentes dos serviços de RSU – Resíduos Sólidos Urbanos, através do
emprego de métodos e critérios adequados. A apuração dos custos só é possível através
de um grupo de custos finais impossibilitando, neste momento, o conhecimento dos
custos por grupos específicos de despesas como, por exemplo, os custos
administrativos, os de base e os custos auxiliares. No entanto, foi possível aplicar o
rateio sobre os centros de custos existentes apurando os valores envolvidos nos serviços
do Sistema de Coleta e Manejo de Resíduos Sólidos de Andradas que serão
apresentados em seção específica.

Da mesma forma, como praticamente todo o serviço, até recentemente, era prestado
pela própria Prefeitura, a infraestrutura operacional confunde-se e se une à prestação de
outros serviços públicos desempenhados pela mesma, dificultando a avaliação precisa
desta mesma infraestrutura.

A infraestrutura operacional dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos


sólidos são constituídos basicamente da frota de veículos, máquinas e de equipamentos

74
utilizados nas atividades de limpeza urbana, de coleta de resíduos domiciliares e
especiais, na coleta seletiva e na operação do aterro sanitário, bem como dos terrenos,
edificações e instalações dos aterros sanitários e dos pontos de coleta voluntária, se
existentes.

Na gestão operacional em Andradas, grande parte das atividades dos serviços ainda é
realizada diretamente pela Prefeitura, e uma pequena parte destas atividades realizadas
por empresas contratadas. As atividades operacionais específicas de limpeza urbana são
geridas diretamente pelo município e executadas com equipes e equipamentos próprios
(varrição de vias e logradouros públicos, poda de árvores e lavagem de feiras, etc.) e
terceirizados (capina e roçada). As atividades operacionais da coleta de resíduos
domiciliares e assemelhados são realizadas integralmente pela Prefeitura, assim como as
atividades relativas à operação do Aterro Sanitário. As atividades operacionais da coleta
de resíduos de saúde públicos são realizadas por empresa terceirizada que também é
responsável pelo tratamento e disposição final dos mesmos.

De forma geral, hoje Andradas possui o seguinte quadro de pessoal envolvido nas
atividades operacionais do Sistema de Coleta e Manejo de Resíduos Sólidos:

Tabela 6 - Quadro de pessoal - atividades de limpeza urbana e manejo de Resíduos sólidos.

SERVIÇOS PREFEITURA TERCEIRIZADA

Coleta convencional (coletores e motoristas) 28 -


Varrição 34 -
Capina e Roçada - 30
Unidade de Manejo, Tratamento e Disposição 02 -
Final Serviços (coleta seletiva, resíduos de
Demais 01 04
saúde)
Gerenciais ou Administrativos 01 02
TOTAL 66 36
Fonte: Secretaria Municipal de Obras

Nas seções seguintes serão detalhadas estas atividades.

Serviços de Coleta dos Resíduos Sólidos Domiciliares e Comercial

A coleta é executada em todas as vias públicas oficiais abertas à circulação ou que


venham a ser abertas. Nas vias onde há impossibilidade de acesso do veículo coletor, a
coleta é feita manualmente. Os resíduos tem como destino final, o Aterro Sanitário de

75
Andradas, localizado a cerca de 06 km do Almoxarifado Municipal, onde ficam os
equipamentos públicos. A Coleta Convencional está descrita no quadro abaixo:

Quadro 04 – Coleta Convencional de Resíduos Segundo a Secretaria de Obras


DI COLETA RURAL COLETA URBANA
A

02 caminhões prensa
Cada um percorre em média 100km/dia;
SEGUNDA

A coleta é feita a noite no centro da cidade.


Não executa
02 caminhões carroceria aberta
Cada um percorre em média 70km/dia;
A coleta é feita durante o dia nos bairros.
Os caminhões transportam até 4,5ton/dia
totalizando aproximadamente 35 toneladas.
02 caminhões carroceria aberta 02 caminhões prensa
Cada um percorre cerca de 100km/dia; Cada um percorre aproximadamente
A coleta é feita durante todo o dia. 80km/dia;
TERÇA

A coleta é feita a noite no centro da cidade,


Cada caminhão transporta em média das 19:00h às 21:30h.
2ton/dia de lixo. É coletado em média 4 Neste dia o caminhão faz a coleta em alguns
toneladas de lixo na zona rural na terça pontos distintos (FIORI, Móveis Trevisan,
feira. Presídio, etc.).
É coletado cerca de 8 toneladas.
02 caminhões prensa
Cada um percorre em média 100km/dia;
QUARTA

A coleta é feita a noite no centro da cidade.


Não executa 02 caminhões carroceria aberta
Cada um percorre em média 70km/dia;
A coleta é feita durante o dia nos bairros.
Os caminhões transportam até 4,5ton/dia
totalizando aproximadamente 32 toneladas
02 caminhões carroceria aberta 01 caminhão carroceria (cata treco);
Cada um percorre cerca de 100km/dia; Percorre cerca de 100km na quinta feira;
A coleta é feita durante todo o dia. Não há pesagem, pois o caminhão não vai
QUINTA

para o aterro.
Cada caminhão transporta em média 02 caminhões prensa;
1,5ton/dia de lixo. É coletado em média Cada um percorre cerca de 40km;
3 toneladas de lixo na zona rural na A coleta é feita a noite no centro da cidade,
terça feira. das 19h às 21:30h.
Cada um coleta em média 2 toneladas,
totalizando 4 toneladas na quinta feira.
02 caminhões prensa
Cada um percorre em média 100km/dia;
A coleta é feita a noite no centro da cidade.
SEXTA

Não executa 02 caminhões carroceria aberta


Cada um percorre em média 70km/dia;
A coleta é feita durante o dia nos bairros.
Os caminhões transportam até 4ton/dia
totalizando aproximadamente 30 toneladas

76
Quando necessário sai 01 caminhão 02 caminhões prensa;
SÁBADO carroceria que percorre cerca de 60km. Cada um percorre aproximadamente
35km/dia; A coleta é no centro da cidade
das 12:00h às 15:00h;
É coletado cerca de 7 toneladas no sábado.
TOTAIS

Em média são coletadas 07 toneladas Em média são coletadas 116 toneladas


semanais de resíduos na área rural semanais de resíduos na área urbana
percorrendo 460km no máximo. percorrendo 1.430km.

Para executar a programação do Plano de Coleta, a área urbana do Município de


Andradas foi dividida longitudinalmente em 02 setores. Cada setor é atendido por 02
equipes de 05 funcionários totalizando, portanto, 04 equipes de 05 servidores. A área
rural é atendida por 02 equipes de 03 servidores.

Abaixo a Figura 08 representando o Mapa de Coleta de Resíduos Sólidos Urbanos do


município:

77
Figura 08 – Mapa de Coleta de RSU

A Figura 09 complementa a informação apresentada referenciando os bairros urbanos


do município de Andradas:

78
Figura 09 – Mapa de bairros de Andradas

Os serviços de coleta de resíduos domiciliares e assemelhados atende 100% dos


domicílios residenciais e não residenciais da área urbana do Município. Os domicílios
não residenciais atendidos com a coleta regular compreendem os comerciais, industriais
e de serviços que geram em média até 200 (duzentos) quilos de resíduos por dia, apenas
os de características domiciliares.

O Quadro 06 apresenta a correlação entre os dois mapas demonstrando os bairros


atendidos por equipe de trabalho e tipo de caminhão para melhor entendimento do
serviço de coleta de resíduos sólidos urbanos:

79
Quadro 06 – Rota dos caminhões de coleta de RSU por bairro
ROTA DOS CAMINHÕES DE COLETA RSU
Caminhão Prensa Prensa Carroceria Carroceria
Frota 121 122 Azul Branco
Rota Horto Vila Santa Rita Jardim do Lago Vila Caracol

Jardim Giareta Jd. Muterle Colônia do Honório Vila Camargo

Jardim Vitória Jardim Ipê Jd. Bela Vista Jd. Santa Bárbara

Jardim São Domingos Jd. Videiras Vila Leite Jd. Portal do Sol

Leandro Previato Jardim Alfa Vila Graziani Jd. Rio Branco

Jardim Santa Lúcia Jardim Itália Vila Samambaia Jd. Europa 1

Jardim Rio Negro Jd. Panorama Jardim Satélite Jd. Europa 2

Sóvis João T. Filho Jardim Saturno Jd. Alto da Serra

Colina da Sóvis Vila Mosconi Vila Buzato

Av. Pref. Antônio Vila Maganhoto Delegacia Civil


Gonçalves
Jd. Mantiqueira 1 FIORI
Jardim Alvorada
Jd. Mantiqueira 2
Vila Botelho

ICASA

Vila Euclides

Vila Betela

Jardim Nova Andradas

Escola João Mosconi

Rua Paulo R. N. Freire

Bairro 07 de setembro

Fonte: Secretaria Municipal de Obras

Recentemente a Secretaria Municipal de Obras, Serviços Públicos e Transporte Interno


lançou uma campanha para conscientizar os andradenses da importância de colocar o
lixo para fora das casas no horário certo. Apesar dos esforços, segundo a mesma
Secretaria, somente uma campanha educativa de caráter contínuo solucionará os
problemas atuais que vão desde a retirada do lixo para fora em dias não servidos de

80
coleta até a disposição de pequenos volumes de entulho em esquinas, praças e beiras de
córregos.

A Figura 10 apresenta o folder utilizado na campanha:

Figura 10 – Cartaz da Campanha “Coloque seu lixo na hora certa”

Serviços para Coleta Seletiva

A coleta seletiva em Andradas ocorre de forma informal e desordenada. Foram


identificados vários problemas de ordem gerencial e operacional que impedem, neste
momento, a execução de um programa formal de coleta seletiva.

Apesar dos anseios da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente,


particularmente a seção de Meio Ambiente, a ausência de infraestrutura básica e número
insuficiente de funcionários disponíveis são obstáculos extremamente relevantes a
serem vencidos para a efetiva implementação desta ação, fundamental para o sucesso da
Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e cumprimento das metas estabelecidas no PNRS
– Plano Nacional de Resíduos Sólidos.

Os problemas encontrados foram:

81
- Estratégicos

 Ausência de um comando investido de poderes específicos para mobilizar os


gestores no sentido de trabalharem juntos pelo Plano Municipal de Coleta
Seletiva;
 Iteração frágil entre as secretarias de governo para traçar os rumos da
mobilização social e educação ambiental;
 Ausência de leis municipais específicas para regulamentar a coleta seletiva.

- Gerenciais

 Orçamento insuficiente para a seção de Meio Ambiente conduzir os trabalhos;


 Número insuficiente de especialistas e técnicos para a Gestão Ambiental
Municipal;
 Desconhecimento dos hábitos de consumo, das características dos resíduos e da
realidade dos catadores de resíduos;

- Operacionais

 Ausência de uma estratégia de mobilização social e abordagem dos catadores


informais;
 Ausência de equipe de mobilização social e educação ambiental própria;
 Entraves e conflitos impostos pelos catadores convencionais da coleta de lixo
(muitos realizam a coleta seletiva em benefício próprio durante a coleta
convencional atrasando a execução do serviço e ainda ameaçam os catadores
informais além dos 04 catadores formais recentemente contratados pela
Prefeitura para atuar em projeto piloto de coleta seletiva);
 Ausência de disciplinador atuando na coleta convencional;
 Descrença dos catadores informais no processo de associação.

De acordo com informações obtidas em campo, os catadores informais preferem


trabalhar de forma desorganizada coletando o material reciclável de porta em porta nas
casas e no comércio, apenas do que lhes interessa armazenando este em suas casas para
posterior venda para sucateiros do município.

Deu-se início em fevereiro de 2013 a um projeto piloto denominado Projeto APA -


ANDRADAS PROTEGENDO O AMBIENTE, através de parceria entre o Centro de
Referência de Assistência Social – CRAS, a Unidade do Programa Saúde da Família –

82
PSF Horto Florestal, a Seção de Desenvolvimento de Projetos, Fiscalização e Educação
Ambiental – SDPFEA e a Seção de Limpeza Pública cujo foco é a coleta seletiva do
lixo doméstico, conciliado ao trabalho socioeducativo e de conscientização ambiental.

O projeto será realizado nos bairros pertencentes a área de abrangência do CRAS e do


PSF Horto Florestal, sendo que, como alvo inicial, foi selecionada a Vila Euclides, por
se tratar de um bairro com população mais estruturada, ou seja, com a maioria dos
moradores proprietários dos imóveis, fato que diminui a rotatividade e facilita o
trabalho educacional. Além disso, já existe bom vínculo entre os moradores deste bairro
e a equipe técnica do PSF e alguns destes já realizam a coleta seletiva do lixo. O
presente projeto atenderá em sua fase inicial cerca de 275 famílias, totalizando
aproximadamente 1100 moradores do bairro Vila Euclides.

A princípio foram cadastrados 04 catadores que já atuavam no bairro, e cada um deles


tem a mesma quantidade de residências para realizar a coleta. Todo material coletado é
gerido pelos próprios coletores, e os organizadores não tem interferência na venda e no
lucro dos produtos. Os organizadores orientam os coletores quanto ao mercado dos
produtos.

Como forma de incentivo, são distribuídos, gratuitamente aos moradores, sacos de ráfia
com identificação apropriada para o acondicionamento do material reciclável e também
sacolas retornáveis para compras de supermercado, visando educar e conscientizar a
população com relação ao uso exagerado de embalagens plásticas.

Foram confeccionados panfletos explicativos para distribuição no bairro, e uniformes


com crachás de identificação aos coletores, com despesas custeadas pela Prefeitura
Municipal, cujo montante foi calculado após a reunião com os coletores para
quantificação.

Os sacos de ráfia foram distribuídos em todas as residências do bairro, 01 saco por


residência. Este saco permanece nas casas por 01 semana, onde os moradores depositam
os materiais recicláveis. Durante a visita dos coletores os mesmos levam o saco cheio
com os materiais e deixam na residência um vazio.

O PSF e o CRAS, localizados no Bairro Horto Florestal servem de ponto de apoio ao


projeto, onde são realizadas reuniões da diretoria do projeto APA, centro de
informações. No PSF do Horto Florestal foi instalado um recipiente para

83
armazenamento de óleo de cozinha usado, servindo este local com ponto de entrega
voluntária.

De acordo com o plano original do projeto, os gastos iniciais foram os especificados na


tabela abaixo:

Tabela 7: Planilha Orçamentária Projeto APA


ITEM MATERIAL UNIDADE QUANTIDADE PREÇO UNITÁRIO PREÇO TOTAL ITEM
1 Panfletos Educativos und 1000 R$ 0,35 R$ 350,00
2 Sacos de Ráfia und 600 R$ 1,04 R$ 624,00
3 Sacolas retornáveis und 300 R$ 4,20 R$ 1.260,00
4 Spray und 16 R$ 15,00 R$ 240,00
5 Crachás und 4 R$ 1,60 R$ 6,40
6 Bonés und 30 R$ 7,90 R$ 237,00
7 Camisetas und 30 R$ 19,00 R$ 570,00
PREÇO TOTAL GERAL R$ 3.287,40
Abaixo o cronograma previsto para implantação e avaliação dos resultados do Projeto
APA:

PROJETO APA 2013

ATIVIDADES MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV MAR ABR

1. Elaboração do
projeto X

2. Início do projeto
X
3. Contato com
Associação de
Moradores
X X

4. Apresentação do
projeto para
Diretoria da X
Associação

5. Cadastramento
dos coletores X X
6. Palestras
educativas para
moradores
X

7. Lançamento do
Projeto X

84
8. Início da
divulgação porta
a porta e
distribuição de
X
materiais

9. Verificação de
resultados
obtidos
X X

10. Expansão do
Projeto X

Conforme o calendário de atividades, tão logo os resultados sejam apurados, deve-se


utilizar os mesmos para a tomada de decisões rumo ao Plano Municipal de Coleta
Seletiva. A iniciativa do Projeto APA representa a melhor fonte de dados que o
município possui hoje para formatar os trabalhos futuros desta atividade. A coleta
seletiva formal e mais abrangente pode e deve ter o seu berço no Projeto APA. Na seção
de proposições o tema será novamente abordado.

Serviços de Varrição das Vias Públicas do Município

Atualmente a Prefeitura executa os serviços de varrição com 34 servidores. Os


servidores da Prefeitura de Andradas varreram em 2012, 7.401,98 km/mês, totalizando
88.823,76 km de vias e logradouros públicos no ano. Os serviços de varrição realizados
ocorrem na parte da manhã, das 08:00 horas às 16:00 horas, não existindo varrição no
período noturno.

Basicamente, a equipe de varrição consiste em 04 servidores, sendo um carrinheiro e


três varredores que varrem os resíduos (papel, plástico, folhas) das vias e calçadas. O
carrinheiro utiliza um recipiente de 50 litros forrado com sacos plásticos. Os sacos,
depois de preenchidos e lacrados, permanecem na calçada que posteriormente, serão
recolhidos pelos caminhões de coleta domiciliar e destinados ao aterro sanitário
municipal pelo serviço do município. Os servidores da varrição não fazem uso de
uniformes, botina e EPIs (luvas, óculos, máscara e boné) distribuídos gratuitamente.

Alguns locais na área central varridos pelos servidores municipais são através de
mutirão, isto é, os varredores trabalham todos juntos varrendo um local por dia, já nos
bairros os carrinhos são individuais, em que cada equipe varre um bairro por dia.

85
A Secretaria Municipal de Obras, Serviços Públicos e Transporte Interno é responsável
pela fiscalização e atendimento de reclamações relacionadas a não prestação do serviço.
Atualmente a Secretaria possui apenas 01 supervisor de manutenção viária e limpeza
urbana.

As reclamações que chegam à Prefeitura através do telefone 3731-1312 com referência


à qualidade, frequência e quantidade de varredores são verificadas “in loco” pelo
supervisor para os ajustes das atividades. Costumeiramente, as reclamações que mais
acontecem são a falta de varrição em determinado setor (falta de funcionário), serviço
mal executado e em poucos casos, atrito do varredor com os moradores. Nesses casos
ocorre a remoção dos varredores para outros setores. Além destas, existe em locais
isolados a reclamação de frequência/dia devido a defasagem de servidores. Não existe
uma planilha consolidada para controle da quantidade e tipo de reclamações recebidas
no último ano, visto o baixo número de reclamações. Apesar disto, os serviços de
varrição prestados em termos de qualidade atendem ao munícipe, visto o número de
reclamações/ano estimado. Em termos de frequência dos serviços prestados
(frequência/dia), a quantidade de servidores não atende à extensão do município, por
consequência do efetivo e o modelo de prestação dos serviços. Em determinadas épocas
tem-se número suficiente de voluntários e em outras, baixo número destes.

Em relação aos materiais utilizados (vassouras e sacos de lixo) na maioria das vezes a
qualidade não tem atendido (o nylon reciclável é mole e a vassoura não dura mais do
que uma semana, e alguns sacos estão abertos no fundo), na manutenção dos carrinhos
de varrição tem ocorrido a falta de itens de reposição (câmaras de ar, pneu e rolamento),
ocasionando a paralisação das atividades.

Serviços de Capina e Roçada Manual de Vias Públicas em Áreas


Urbanas e Rurais

Estes serviços estão terceirizados por três meses contados à partir de agosto/2013.
Conforme o Edital de Licitação Processo Licitatório N.º 046/13 Modalidade Pregão
Presencial N.º 028/13, o município contratou a empresa com fornecimento de mão-de-
obra, maquinários e ferramentas, para prestação de serviços de limpeza pública
destinada a manutenção do perímetro urbano e rural do município. Abaixo as condições
que foram impostas para contratação dos serviços:

86
Entende-se por capina de vias públicas o corte completo rente à superfície do solo, da
vegetação” invasora” existente nos mesmos, seja ela herbácea (gramíneas), arbustiva
e/ou leguminosa. Retirada de tocos, raízes e blocos de raízes remanescentes de roçadas
feitas anteriormente nos locais, raspagem de terra e barro, varrição dos trechos
capinados, inclusive calçadas e sarjetas. Entende-se por roçada de vias públicas o corte
de vegetação “invasora”, na qual se mantém uma cobertura vegetal viva sobre o solo.

São contemplados pelos serviços de capina e roçada, todas as larguras das calçadas e
sarjetas das vias beneficiadas, salvo locais onde não for possível a identificação da
largura da calçada através de limitadores, tais como muros ou cercas.

As atividades de capina e roçada manual devem ser empreendidas com o uso de


equipamentos e ferramentas manuais, qualquer que seja a forma de sua execução.

Durante a execução dos serviços de capina e roçada, deve ser preservada a vegetação de
interesse ornamental ou paisagística, existente no local a ser beneficiado, seja ela de
qualquer porte ou natureza. A empresa se responsabiliza integralmente pelos danos
causados àquela vegetação por conta da ação ou omissão de seus funcionários
operacionais.

Os resíduos devem ser acondicionados em sacos plásticos na cor preta, com capacidade
mínima para 100 litros. Quando os tipos dos resíduos provenientes das atividades de
capina, dificultarem, por suas características o seu acondicionamento em sacos
plásticos, devem ser acumulados “in natura”, em locais e em condições tais que não
prejudiquem o trânsito de veículos e pessoas, bem como tornem possível seu
recolhimento pelos veículos coletores específicos do município. Nestas condições, todos
os possíveis cuidados necessários e cabíveis devem ser adotados, de modo a evitar o
espalhamento dos resíduos acumulados, até o momento de seu recolhimento.

O produto dos serviços de capina e roçada manual deve ser disposto nas calçadas ou
locais apropriados, devidamente ensacados, para seu posterior recolhimento e remoção
diária pelos veículos coletores específicos para esta atividade.

Os serviços são realizados de segunda a sexta, incluindo feriados e pontos facultativos.


A frequência da capina manual é diária, podendo variar de acordo com a localização da
via, tráfego, comércio, e da necessidade da Secretaria de Obras, Serviços Públicos e
Transporte Interno.

87
O número de funcionários é de no mínimo 30, os quais se dividirão em 03 equipes de 10
pessoas, para realização dos serviços de capina e roçada manual sendo a empresa
responsável pela admissão de todo pessoal necessário ao desempenho dos serviços,
correndo por conta desta todos os encargos necessários e demais exigências das leis
trabalhistas, providenciarias, fiscais e outras de qualquer natureza.

Durante a execução dos serviços é absolutamente vetado aos funcionários da empresa a


execução de outras tarefas que não sejam o objeto contratado. A equipe deve se
apresentar uniformizada e asseada, com vestimenta e calçados adequados, bonés, capas
protetoras e demais equipamentos de segurança quando a situação os exigir. A
Prefeitura Municipal tem direito de exigir dispensa de qualquer operário que demonstre
comportamento prejudicial para com os serviços e/ou a população.

A fiscalização do cumprimento do contrato cabe a Prefeitura Municipal através da


Secretaria de Obras Serviços Públicos. Será designado pela Secretaria de Obras,
Serviços Públicos e Transporte Interno um servidor, para fiscalização e
acompanhamento diário dos serviços executados.

Ficou também acertado que em caso de serviço mal realizado, a Prefeitura pode exigir
que a empresa refaça os serviços, sem ônus para a mesma. A contratada deve cooperar
quanto à observância dos dispositivos referentes à higiene pública, informando à
fiscalização notadamente sobre os casos de descargas irregulares de resíduos.

Quanto a Medição dos Serviços, devem ser realizadas semanalmente pela empresa,
conferidas e aprovadas pela fiscalização até o 5º (quinto) dia útil subsequente ao
período de abrangência da medição considerada. O valor das medições é obtido
mediante aplicação dos preços unitários constantes da planilha de orçamento da
proposta da contratada, integrante do contrato, às quantidades efetivamente executadas e
aprovadas pela fiscalização.

Se durante o período de realização da medição forem necessárias providências


complementares, por parte da empresa, a fluência do prazo será interrompida,
reiniciando-se a contagem a partir da data em que aquelas forem cumpridas.

Abaixo o Quadro 05 com os quantitativos relativos ao serviço:

88
Quadro 05 – Serviços de capina e roçada
Item Quantidade Produto/Serviço
Mensal
01 2.400 Km de metro Serviço de capina e roçada de beiras de estradas no perímetro
rural
linear pela largura
necessária para a - O perímetro rural é divido por bairros, sendo eles:
Campestrinho, Gramínea, Lobos, Óleo, Serra dos Lima,
capina/roçada. Gonçalves, Gabirobal, Estela, Capão do Mel, São José da
Cachoeira, Vargem do Rigoni, Cocais, Jaguari, Capitão,
Pinheiros, entre outros.

02 100.122,15 metros Serviço de capina e roçada de meios fios das vias urbanas
lineares pela largura Sendo os bairros:
necessária para a Loteamento Alfa, Chácara Pirapitinga, COHAB Josino Vieira
e Silva, Jardim Alvorada, Jardim América, Jardim Bela Vista,
capina/roçada. Jardim Colina da Sóvis, Jardim da Sóvis, Jardim das Videiras,
Jardim Europa, Jardim Europa II, Jardim Giareta, Jardim Ipê,
Jardim Itália, Jardim Mantiqueira, Jardim Mantiqueira II,
Mantiqueira Boulevard, Jardim Muterle, Jardim Portal do Sol,
Jardim Primavera, Jardim Rio Branco, Jardim Rio Negro,
Jardim Santa Barbara, Jardim Santa Lúcia, Jardim São
Domingos, Jardim Vitória, Jardim Alto da Serra, João
Teixeira Filho, Chácara Pirapitinga, Leandro Previato, Jardim
Portal da Mantiqueira, Sebastião José Carvalho, Vila Betela,
Vila Caracol, Vila Euclides, Vila Samanbaia, Vila São João,
Vila São Sebastião, Praça Campo 7 de Setembro, Praça 7 de
Setembro, Centro, Jardim do Lago, Manoel Alves dos Santos,
Projeto Mutirão, Chácara Tiradentes, Vila Martinelli, Vila
Santa Rita, Jardim Brasil, Vila Graziani, Vila Leite e Córrego
dos Mosquitos.

89
03 304.623,80 Serviço de capina e roçada de áreas verdes, praças e jardins no
perímetro urbano
M2
Sendo os bairros:
Loteamento Alfa, Chácara Pirapitinga, COHAB Josino Vieira
e Silva, Jardim Alvorada, Jardim América, Jardim Bela Vista,
Jardim Colina da Sóvis, Jardim da Sóvis, Jardim das Videiras,
Jardim Europa, Jardim Europa II, Jardim Giareta, Jardim Ipê,
Jardim Itália, Jardim Mantiqueira, Jardim Mantiqueira II,
Mantiqueira Boulevard, Jardim Muterle, Jardim Portal do Sol,
Jardim Primavera, Jardim Rio Branco, Jardim Rio Negro,
Jardim Santa Barbara, Jardim Santa Lúcia, Jardim São
Domingos, Jardim Vitória, Jardim Alto da Serra, João
Teixeira Filho, Chácara Pirapitinga, Leandro Previato, Jardim
Portal da Mantiqueira, Sebastião José Carvalho, Vila Betela,
Vila Caracol, Vila Euclides, Vila Samanbaia, Vila São João,
Vila São Sebastião, Praça Campo 7 de Setembro, Praça 7 de
Setembro, Centro, Jardim do Lago, Manoel Alves dos Santos,
Projeto Mutirão, Chácara Tiradentes, Vila Martinelli, Vila
Santa Rita, Jardim Brasil, Vila Graziani, Vila Leite e Córrego
dos Mosquitos.

Serviços de Limpeza nas Feiras Livres

O serviço de limpeza de feiras consiste em varrer toda a área utilizada para a feira,
recolher o lixo logo após a varrição com equipamento adequado e proceder a lavagem
do local, deixando os resíduos em condições de coleta.

Em Andradas só existe uma feira livre que ocorre aos sábados das 05:00h às 12:00h, na
Praça Cel. Antônio Augusto de Oliveira, s/n. Centro. O serviço de limpeza é executado
imediatamente após o encerramento da feira e o resíduo acondicionado em sacos para a
coleta regular do dia que vai até às 15:00h.

Serviços de Limpeza de Bueiros e Bocas de Lobo

O serviço de desobstrução consiste em retirar materiais como pedaços de tijolo e


madeira, garrafas pet e sacolas plásticas e areia dos bueiros e bocas de lobo. O serviço é
de grande relevância, principalmente no período que antecede a época das chuvas, para
evitar alagamentos. Deve-se elaborar um plano de execução destes serviços com
periodicidade mensal nos meses mais secos do ano e periodicidade semanal nos meses
de chuva, intensificando a atividade no período que antecede o verão.

Em Andradas o serviço só é realizado mediante solicitação prévia sob demanda,


inexistindo um planejamento preventivo para esta atividade.

90
Serviços de Coleta de Resíduos da Saúde Pública

Todo gerenciamento dos RSS (coleta e destinação final) é terceirizado e feito por
empresa especializada. A Prefeitura Municipal é responsável pelo RSS públicos
(hospital, psf, pronto atendimento, etc.). Os RSS coletados são levados para a cidade de
Poços de Caldas onde é feito o tratamento e posteriormente são levados para a cidade de
Paulínia – SP onde é feita a destinação final. Os particulares após determinação do
CODEMA contrataram empresas para gerenciamento de seus resíduos.

A empresa Ecosul Ltda. venceu em maio de 2010 o Processo Licitatório n° 039/10 para
a prestação dos serviços que incluem coleta, transporte, tratamento e destinação final
dos resíduos sólidos dos grupos A, B e, conforme resolução da diretoria colegiada RDC
ANVISA Nº 306/2004, resolução CONAMA Nº 358/2005 e NR 32 do TEM, resíduos
gerados nas unidades de saúde do município conforme quadro a seguir:

Quadro 06 – Resíduos dos serviços de saúde


Unidade de Saúde –
Grupos “A” e “E” por Quantidade KG Valor Unitário (R$) Valor Total (R$)
mês
Policlínica Central
Posto de Saúde Bairro do
Óleo
Posto de Saúde Bairro
Gramínea
Posto de Saúde Bairro 212 R$2,90 R$614,80
Barra
Posto de Saúde Bairro
Campestrinho
Unidade de Saúde Bairro
Horto Florestal
Materno Infantil 100 R$2,90 R$290,00
Saúde Bucal 50 R$2,90 R$145,00
Pronto Atendimento
450 R$2,90 R$1305,00
Municipal
Saúde Mental 50 R$2,90 R$145,00
PSF – Horto Florestal 50 R$2,90 R$145,00
PSF – Jardim Rio Negro 50 R$2,90 R$145,00
PSF – Jardim Mantiqueira 25 R$2,90 R$72,50
Unidade de Saúde –
Quantidade KG Valor Unitário (R$) Valor Total (R$)
Grupo “B” por mês
Materno Infantil 06 R$2,90 R$17,40
Valor Mensal Total R$2.879,70

Atualmente, a quantidade total de resíduos da saúde pública é de 9.825 kg/ano a um


custo estimado para o corrente ano de R$16.899,00 (dezesseis mil e oitocentos e
noventa e nove reais) para o município incluindo os serviços de coleta, transporte,
tratamento e destinação final conforme as características da tabela acima.

91
O contrato com a Ecosul Ltda. está em seu terceiro termo aditivo e prorrogado até
31/12/2013.

Serviço de Coleta de Animais Mortos

São recolhidos os animais mortos nas vias públicas em casos de atropelamentos, e nas
clínicas veterinárias, em casos de óbitos. Não há um sistema de controle dos animais
mortos, tanto os domésticos como os de grande porte, com ocorrências no município. É
possível que seu aterramento seja feito de modo clandestino, sem comunicar o evento ao
serviço de coleta da prefeitura municipal.

As carcaças de animais mortos, quando a Prefeitura coleta, são levadas para o Aterro
Sanitário e depositado em uma vala específica para animais mortos.

Serviços de Coleta de Resíduos Verdes

A Prefeitura Municipal adquiriu recentemente uma máquina trituradora de galhos


da marca Pinheiro modelo TP400 conforme dados da figura 11 abaixo:

Figura 11 – Máquina Trituradora de Galhos

Conforme informação da Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, os galhos


mais finos são triturados e o resíduo depositado no almoxarifado municipal. Este
resíduo provavelmente será doado para a Associação de Açougueiros do município
92
que fazem compostagem de esterco bovino e massa vegetal. Os galhos mais grossos
antigamente eram trocados por tijolos em olarias para utilização em obras públicas.
Em visita de campo, o que se verificou no almoxarifado municipal foram o acúmulo
de galhos e outros materiais sem destinação sistêmica e o perigo associado ao
acúmulo de água no material exposto ao tempo conforme as figuras abaixo:

Figura 12: Restos de poda no Almoxarifado Municipal

93
Figura 13: Acúmulo de entulho e madeira no Almoxarifado Municipal

Outros Serviços de Coleta

A coleta especial denominada “Cata Treco” é realizada na quinta feira com 02


caminhões carroceria aberta. São coletados móveis velhos, sucatas diversas, galhos de
árvores, etc. Verificou-se uma grande quantidade de móveis, principalmente do tipo
sofá, descartados neste serviço de coleta. A priori, os móveis deveriam ser
desmanchados e a madeira reaproveitada. O tecido seria destinado ao aterro sanitário. A
sucata diversa também deveria ser vendida para empresas de ferro velho do município
conforme informações da Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente. A
Figura 14 abaixo mostra a coleta realizada em 22/08/2013:

94
Figura 14: Coleta “Cata Treco”

Figura 15: Acúmulo de móveis diversos no Almoxarifado Municipal

Na prática, constatou-se a destinação de todo o conteúdo dos caminhões para uma área
particular próxima ao almoxarifado que está recebendo o material para aterramento. No
local um morador separa os plásticos e outros materiais recicláveis para a venda e o
proprietário de uma pequena olaria separa a madeira para utilizar no processo de
cozimento no forno à lenha. As figuras abaixo mostram a situação de descarte nesta área
privada:

95
Figura 16: Descarte Cata Treco em área privada

Figura 17: Área privada para descarte

96
Figura 18: Entulho descartado na área privada

Figura 19: Descarte sem segregação de materiais na área privada

Figura 20: Material separado por morador da mesma área privada


97
Segundo a Secretaria de Obras, a medida foi tomada em caráter de urgência pela falta de
um local apropriado para destinação de restos de entulho e outros materiais.

A falta de procedimentos sistematizados, a deficiência de abrangência da coleta seletiva,


a inexistência de logística reversa e a inexistência de local adequado para
beneficiamento dos materiais coletados compromete a tomada de decisões da citada
Secretaria que tem sido cobrada pelo Ministério Público e CODEMA, entre outros, para
resolver o problema.

Constatou-se que o lixo eletrônico em Andradas não é gerenciado, inexistindo qualquer


procedimento de coleta, logística reversa e pontos apropriados para descarte. O CVT –
Centro Vocacional Tecnológico de Andradas disponibilizou até 2012 um espaço para
descarte de material eletrônico à Rua Professor Xânico, 176 no centro da cidade.
Segundo o administrador, o espaço passa por reformas e não tem mais condições de
receber o material como antes. Abaixo segue a figura 21 da Campanha realizada na
mídia na época da prestação do serviço:

Figura 21: Informativo do CVT ANDRADAS como ponto de descarte de material eletrônico

Com relação às três estações de tratamento de esgoto existentes no município, estas


geram cerca de 30m³/mês de lodo cuja coleta tem como destino também o aterro
sanitário do município.

98
Serviços no Aterro Sanitário

A área destinada à disposição final dos resíduos sólidos urbanos de Andradas foi
projetada para ser um aterro sanitário instalado à Rodovia Andradas-Pocinhos do Rio
Verde, km 03 Bairro Lagoa Dourada cujas coordenadas geográficas são 22°00’50,1”S
de Latitude e 46º32’02,3”W de Longitude. O Aterro está localizado na Bacia
Hidrográfica do Rio Mogi-Guaçu / Rio Pardo, Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Jaguari-
Mirim tendo o curso d’água mais próximo o Córrego da Cachoeirinha. O
empreendimento não está localizado em área de interesse ambiental e nem a menos de
10 km de Unidade de Conservação.

O entorno da área em sua maioria é utilizado como pastagens. Mais distante a atividade
predominante é o cultivo de flores. Uma das divisas é feita com uma área florestal que é
a reserva legal da propriedade vizinha, outra divisa é feita com um pequeno curso
d’água. A residência mais próxima ao aterro se localiza a aproximadamente 780 metros.
O núcleo populacional mais próximo se localiza a 2300 metros.

O aterro tem licença de operação da FEAM válida até 03/11/2014 conforme abaixo:

Figura 22 – Cópia do Certificado de Licença Ambiental de Operação do Aterro Sanitário

99
Através da Portaria n°. 25, de 25 de junho de 2008, a Prefeita Municipal, Margot
Navarro Graziani Pioli, nomeou o servidor Antônio Carlos Sales, engenheiro civil
lotado junto à Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente como responsável
técnico pelo aterro sanitário.

O aterro recebe resíduos domiciliares (classe II) ou lixo comum; animais mortos;
resíduos de varrição; e resíduos comerciais assemelhados aos resíduos sólidos urbanos
(classe II).

O acesso ao aterro sanitário se faz da seguinte forma:

1) Por asfalto, seguindo a BR-146 no sentido Andradas - Poços de Caldas, numa


extensão de 8,5 km. O trecho de subida da serra, a ser percorrido com os caminhões
cheios, é todo em terceira faixa;

2) Por terra, seguindo a estrada intermunicipal que liga o município de Andradas a


Ibitiúra, com pista dupla e acostamentos, em revestimento primário, com extensão de 2
km.

3) Por terra, em trecho de via vicinal, com extensão de 1,7 km. Originariamente este
trecho requeria algumas intervenções para alargamento da plataforma, drenagem,
introdução de cercas laterais e correção de rampas, o que foi devidamente
providenciado (ver fotos seguintes);

4) Por terra, em extensão de aproximadamente 90m, ao final da via vicinal, para dar
acesso à área do aterro.
A seguir estão as Figuras 23, 24 e 25 que representam o acesso ao Aterro Sanitário:

100
Figura 23 – Trecho Adequado (largura e rampa, drenagem e fechamento lateral com cercas)

Figura 24 – Conclusão de trecho com drenagem de pé de talude

101
Figura 25 – Pavimentação asfáltica do acesso interno desde o portão de entrada até a plataforma 1 de
aterramento

A proposta conceitual para a impermeabilização da base do aterro e os respectivos


taludes resultantes de cortes para conformação das diversas plataformas era de uma
camada de argila compactada de 0,8m, condicionada à boa qualidade do material local.

Os trabalhos de terraplenagem na fase de implantação para obtenção de LO foram


planejados para instalação da plataforma 1. Nesta etapa das obras, iniciada em 2005, os
trabalhos foram realizados para abertura de um acesso provisório à área para entrada de
equipamentos pesados, limpeza, destoca e remoção de material aproveitável (terra
vegetal).

Durante os trabalhos de terraplenagem para conformação das duas primeiras


plataformas, constatou-se que, além de insuficiente, a argila tinha qualidade deficiente
para proteção da base do aterro. As fotos a seguir mostram os solos locais. Os dados
preliminares do balanço de massas são reproduzidos a seguir.

102
Figura 26 – Horizontes O + A (terra orgânica e/ou mineral-orgânica), horizonte B (argiloso) e horizonte C
(residual siltoso) encontrados na escavação das plataformas 1 e 2

103
Figura 27 – Constatação de deficiência do material argiloso (horizonte B) que poderia ser utilizado para a
impermeabilização da fundação.

Os dados de sondagens, baseados nos boletins de SPT, são resumidos a seguir. Do


ponto de vista de resistência à penetração, pode-se definir o solo por meio de um
modelo de duas camadas. As principais conclusões sobre os ensaios de SPT são
resumidas a seguir.

1) Na primeira, até a profundidade de 6 metros em média, tem-se um terreno argiloso,


de consistência em geral variando de mole a média, com coesão que pode ser estimada
em torno de 25 kPa;

2) Na segunda, tem-se um silte argiloso, com resistência rapidamente crescente,


variando de pouco a muito compacto e ângulo de atrito interno estimado em torno de 35
graus;

3) Em 3 furos, o lençol freático foi localizado, a profundidades de 4,0 m, 6,5 m e 3,8 m,


respectivamente;

4) Os valores de SPT são inicialmente baixos e crescentes com a profundidade,


geralmente a partir dos 6 m de profundidade. Esta é uma característica básica de solos
residuais capeados por colúvios em zonas de encostas de baixa a média declividade. As
principais informações se encontram resumidas no quadro 08:
104
Quadro 08 – Principais informações das sondagens SPT na área do aterro

NOTAS: 1. NL = Nível d’água não localizado até o limite de sondagem; 2. Camadas de solos fracos (em
vermelho) são observadas em profundidades de 4-7 metros.

5) Quanto ao modelo geotécnico o solo local é tipicamente de duas camadas, tendo uma
camada superficial de argila com consistência variando de muito mole a média e
tonalidades geralmente claras, com predominância da cor cinza. Esta camada pode estar
capeada de um depósito de pedregulhos pouco espesso e está sotoposta a uma camada
de silte até o limite de sondagens;

6) Considerando-se as características do solo investigado concluiu-se que as camadas


fracas produziriam deformações ou recalques, com possíveis repercussões na

105
estabilidade de cortes de conformação das plataformas, bem como na estabilidade geral
do aterro. Além disto, nota-se que o terreno é bastante susceptível à erosão, devendo ser
protegido com cobertura vegetal quando decapado;

7) Em virtude da ocorrência de camadas moles no terreno foi sugerida sua remoção nos
planos de corte de preparação da plataforma. A confirmação desta orientação foi feita
durante o acompanhamento das obras de instalação da plataforma 1.

8) A capacidade de suporte serve para verificar se o nível de carregamento imposto ao


solo de fundação, devido à instalação de um maciço de lixo compactado em sua altura
máxima, produzirá ou não a ruptura ou recalques excessivos na fundação. A ruptura foi
analisada juntamente com a verificação da estabilidade global do aterro, considerando a
fundação. Os fatores de segurança encontrados são muito satisfatórios;

9) Nos pontos do terreno em que foi identificado NA mais elevado, foram feitas obras
de drenagem subterrânea, com a instalação de um dreno profundo caracterizado pela
seguinte geometria: a) escavação de 3m de profundidade; b) instalação de um berço de
brita 3 com 0,1m de espessura; c) assentamento de tubos porosos de concreto de ponta e
bolsa, com 0,4m de diâmetro sobre o berço; d) preenchimento do restante da vala com
duas camadas, sendo o núcleo de brita 3 e o contato da brita com o solo de areia média a
grossa; e) finalização da camada com brita e areia.

Em relação à segurança, a área foi isolada com uma cerca de arame farpado, usando-se
8 fios, com mourões de concreto de ponta virada. O isolamento foi completado com
uma cerca viva de sansão do campo junto à cerca. A portaria não é monitorada por
vigilantes em tempo integral para evitar ações de vândalos e furtos.

O suprimento de água é feito por um poço tubular profundo, outorgado junto ao IGAM.
O requerimento foi feito para consumo humano e o poço apresentou uma vazão de
projeto de 0,04 l/s.m.

O fornecimento de energia elétrica foi negociado junto à CEMIG, com a instalação de


um transformador de 6 KVA, suficiente para acionamento da bomba de recalque do
poço tubular, alimentação de todo o circuito de iluminação (interna e externa) e
suprimento de energia para a oficina mecânica e as unidades de apoio.

Para a execução dos trabalhos previstos, o aterro dispõe de um trator de esteiras com
peso não inferior a 22 toneladas (D-6 ou equivalente) fixo no local para espalhamento e

106
compactação do lixo, operações de corte em solo, transporte a distâncias < 50m e
espalhamento de terra.

Para baratear os custos de operação do aterro, foi feito um aprovisionamento de solo nas
proximidades da frente de operação para possibilitar, em condições normais, o
transporte e o recobrimento do lixo pelo próprio trator de esteiras. Sempre que é
necessária a renovação do estoque, são deslocados para o aterro uma pá carregadeira e
um caminhão basculante.

Eventualmente estão presentes no aterro uma motoniveladora (PATROL) para


espalhamento de camadas de solo para fechamento de plataformas e preparação de
novas plataformas (regularização e nivelamento); uma pá carregadeira para carga de
terra em caminhões para provisão de solo junto à frente de operação (recobrimentos
diários) e carga de terra em caminhões para fechamento de plataformas e abertura de
novas plataformas; um caminhão basculante para transporte de solo para o recobrimento
diário de lixo, aprovisionamento de solo nas frentes de operação e transporte de solo
para preparação de novas plataformas; um trator agrícola com grade de disco para
gradeamento de solo para compactação em novas plataformas de operação; um
compactador pé de carneiro estático para a mesma finalidade; e uma retro escavadeira
para expansão de células de animais mortos, escavação de valas de drenagem periférica
e escavação de drenos em novas plataformas.

O aterro conta com os seguintes funcionários permanentes, incluindo gerência e


funcionários administrativos:

1) Em caráter permanente ou residente:

 Encarregado geral
 Operador de trator de esteiras
 Auxiliar administrativo

2) Em caráter esporádico, com presença de pelo menos uma vez por semana:

 Operador de máquinas (motoniveladora, pá carregadeira, retro escavadeira, etc.)


 Mecânico
 Auxiliar de serviços gerais

107
Eventualmente conta-se com a presença de um topógrafo e de um engenheiro civil para
a condução dos trabalhos que exigem os mesmos. Na prática, o aterro não conta com
responsável técnico que acompanhe o dia a dia dos serviços.

A drenagem dos líquidos percolados é feita por meio de um sistema coletor em cada
plataforma, onde os efluentes líquidos das plataformas superiores descem pelos drenos
verticais de gases e a plataforma de base é drenada por um sistema construído em forma
de espinha de peixe, com o coletor principal desaguando diretamente em uma caixa
coletora.

A figura abaixo mostra os drenos da base construídos a partir da escavação de valas de


50 x 50 (cm) posteriormente preenchidas com brita 4. No interior da brita as valas tem
um tubo coletor de PEAD perfurado de 150 mm.

Figura 28 – Preparação da plataforma 1: escavação, construção do dique e do sistema de drenagem de


percolados

Segue-se então a colocação de uma manta geotecida do tipo BIDIM, com gramatura de
300 g/m2, estendendo-se meio metro para cada lado da vala sobre a superfície da base
impermeabilizada. As valas são mantidas estanques estendendo-se sobre os seus
perímetros a geomembrana utilizada para a impermeabilização da base do aterro.

Para garantia da estanqueidade da base, o fundo e as laterais de cada vala são protegidos
por manta PEAD com 1,5 mm de espessura, que se estendem para cada lado dos cantos

108
da vala, cerca de 1 m sobre a superfície de argila compactada. Os mesmos cuidados,
exceto a proteção com a manta PEAD e os tubos perfurados de PVC, serão utilizados
nos drenos das demais plataformas.

O sistema de tratamento de chorume consiste em uma lagoa anaeróbia com capacidade


de 343 m3 (projetada para um TDH de 12 dias) e duas lagoas facultativas com
capacidade de 1.336 m3 cada uma (TDH de 94 dias), sendo que na fase inicial do
projeto foi construída apenas uma unidade. Houve uma relocação da planta de
tratamento, pois se constatou, no campo, uma melhor localização para as lagoas, com
menores volumes de terraplenagem.

Quanto aos efluentes das instalações sanitárias das unidades de administração e apoio, o
sistema utilizado é o de fossa séptica, com tratamento em filtro anaeróbio e linhas de
infiltração. Também foi instalada uma caixa de gordura para os efluentes da cozinha.

Figura 29 – Impermeabilização da lagoa facultativa (unidade 1) e proteção vegetal do entorno

A drenagem dos gases é feita por colunas drenantes verticais, instaladas numa malha
quadrada com equidistância de 50 metros, utilizando tubos de concreto do tipo macho e
fêmea, com diâmetro nominal de 600 mm, pelo menos, inseridos em furos com
diâmetro de 1200 mm. O anel exterior aos tubos foi preenchido por brita nº. 4. O apoio
das colunas de gases na base se faz por meio de placas de concreto armado, para
dissipação das pressões a serem transferidas para o solo.

109
O sistema de impermeabilização foi construído da seguinte forma:

1) Uma cama de argila compactada com 0,6m de espessura, sobre o subleito construído
em rampas de 2,5% voltadas para os drenos, escarificado e compactado com 4 passadas
de rolo compactador. A camada de argila foi compactada com rolo pé de carneiro
pesado (6 toneladas) de patas longas, com o solo colocado na umidade ótima. Sobre esta
camada foi colocada uma geomembrana de 1,5mm de espessura;

Figura 30 – Ancoragem e instalação da geomembrana PEAD na plataforma 1

110
Figura 31 – Impermeabilização de base da plataforma 1 concluída

Para enxugar custos operacionais e facilitar os controles, a casa do balanceiro não foi
construída, tendo sido a unidade da balança deslocada para frente do escritório
administrativo. Esta medida simplifica a questão de segurança dos equipamentos de
controle, que passaram para a sala do auxiliar administrativo, lugar onde são feitas as
leituras, os registros e os controles de entrada de resíduos no aterro sanitário.

111
Figura 32 – Construção das edificações de administração e apoio operacional e instalação da balança de
pesagem de resíduos em frente ao prédio administrativo

As edificações foram construídas segundo as especificações de projeto, inclusive a


guarita e o portão de acesso.

Figura 33 – Vista geral das unidades de apoio, incluindo portão de acesso e guarita de controle

Os procedimentos previstos para operação e manutenção da unidade foram previstos em


um manual de procedimentos, que consta do PCA.

Neste manual, constam as especificações detalhadas correspondentes a todas as rotinas a


serem experimentadas durante o período operacional e após o encerramento,
considerando-se como seus principais objetivos:

1) Detalhar os procedimentos, passo a passo, para que durante sua vida útil a
operação do aterro se processe de forma ambientalmente segura, cumprindo as
finalidades do projeto;
2) Prever todas as operações possíveis durante um ciclo operacional completo,
desde o recebimento dos resíduos até o término da disposição;
3) Dimensionar a equipe de trabalho, inclusive os substitutos, e definir os cargos e
suas funções;
4) Elaborar um sistema de controle, com ênfase para os registros de entrada, saída e
armazenamento dos resíduos;

112
5) Prever os acidentes de trabalho e os incidentes possíveis, descrevendo os
mecanismos possíveis em que os mesmos ocorrem e as estratégias para
minimizá-los ou prestar socorros de emergência;
6) Descrever os procedimentos de rotina para as inspeções periódicas, assim como
os locais onde elas devem ser intensificadas;
7) Criar os modelos de relatórios e seus controles;
8) Explicitar as etapas de treinamento do pessoal efetivo e seus substitutos, para
que resulte uma operação eficiente do empreendimento proposto.

A vida útil prevista para o aterro sanitário é de 22 anos, estando programado para
atender a 100% da população do município (inclusive a rural). Em termos atuais são
produzidas, em todo o município, 500 toneladas/mês de resíduos sólidos urbanos em
média. A taxa de geração diária, per capita, é de 0,67 kg de resíduos.

O encerramento do aterro será a partir do ano de 2019, três anos antes do previsto
conforme o projeto. No entanto, com medidas de gestão ambiental a serem
implementadas à partir do PGIRS, com coleta seletiva, reciclagem e, posteriormente, a
compostagem de parte da fração orgânica, espera-se que se dê um alongamento de pelo
menos mais cinco anos, principalmente se forem confirmados os seguintes cenários:

1) Crescimento da população a menores taxas do que a tendência atual;


2) Taxa de produção de lixo decrescente com o tempo, em função de coleta seletiva
ou de mudança de hábitos da população;
3) Uso de equipamentos mais pesados do que o previsto, de modo que a redução do
volume de lixo, considerando-se os estados solto e compactado, seja inferior à
taxa prevista de 1:3.

Quanto ao uso futuro da área, foram consideradas as seguintes alternativas:

1) Construção de casas populares;


2) Construção de parque de lazer e recreação;
3) Construção de escola municipal;
4) Construção de quadras poliesportivas ou campo de futebol;
5) Construção de horto municipal com produção de mudas;
6) Construção de estação ecológica para fins de educação ambiental.

Considerando a vocação natural do sítio, decidiu-se pela instalação de um horto


municipal, para produção de mudas de essências nativas, com a formação de bosques. A
113
proposta da Prefeitura Municipal é manter o viveiro já existente no município. Porém
não se produzem mudas no local, apenas recebem-se mudas de diversos locais e se
distribui para a população.

Este local servirá como um centro de educação ambiental, a ser utilizado pelas
professoras das redes municipal e estadual até o nível básico. A unidade administrativa
será então adaptada, revertendo-se em museu e sala de aula. Durante todo o período de
operação, poderão ser acumuladas informações e documentos com este propósito.

São realizados monitoramentos da qualidade das águas, subterrânea e de superfície,


além de monitoramento da qualidade das águas pluviais coletadas no aterro em bacias
de detenção hidráulica e analisadas como classe 2 e monitoramento da qualidade do
chorume bruto coletado na entrada da lagoa facultativa. Os parâmetros analisados são
temperatura, DQO, DBO5, fósforo total, nitrogênio amoniacal, nitrogênio total, série de
sólidos, pH, alcalinidade, metais (Cd, Pb, Fe, Zn, Cr), coliformes totais e coliformes
fecais. São também realizados os seguintes monitoramentos:

 Monitoramento da qualidade do chorume tratado antes de seu lançamento em


corpo receptor: as análises são feitas em pelo menos três amostras coletadas na
entrada, saída e na parte central da lagoa de polimento (tanque de evaporação e
maturação) precedendo a retirada para lançamento no corpo receptor;
 Monitoramento de trincas: as trincas são monitoradas com frequência mensal e,
eventualmente, após chuvas intensas (superiores a 60 mm).
 Monitoramento dos deslocamentos de marcos superficiais: são coletadas por
meio de instrumento topográfico com precisão de 0,01 mm as coordenadas (x, y,
z) de cada marco de superfície instalado sobre o aterro. As medidas são mensais
em condições normais de operação.
 Monitoramento do nível de chorume no interior dos poços de visita: a medição
do nível é mensal e deve estar em conformidade com os valores críticos
recomendados pela análise de estabilidade apresentada no PCA.
 Monitoramento de gases: é feita a determinação a cada seis meses, em três
horários distintos de um mesmo dia, na altura de 1,5m em relação ao nível do
terreno, dos gases: a) metano; b) dióxido de carbono; c) oxigênio; d) monóxido
de carbono. As medições são feitas nas proximidades dos drenos de gases, no
escritório administrativo e na residência mais próxima do aterro.

114
 Monitoramento dos resíduos aterrados: Inspeção para avaliar se os resíduos
depositados são, realmente, classe II. Massas aterradas são monitoradas na
balança de pesagem.
 Monitoramento da vazão de chorume: a vazão de chorume é medida diariamente
na entrada da lagoa facultativa.

O Monitoramentos pós-fechamento do aterro: Serão monitorados apenas os poços, a


água de superfície, os gases e a estabilidade física do aterro (leitura dos marcos,
inspeção de trincas). Todas as análises terão frequência anual.

Durante o licenciamento ambiental do Aterro Sanitário do Município de Andradas,


algumas condicionantes foram exigidas pela FEAM em relação ao lançamento de
efluente pós-tratamento: 1. Informar o ponto de lançamento dos efluentes tratados no
rio Jaguari Mirim; e 2. Informar como seriam feitos a retirada e o transporte dos
efluentes do tanque de armazenamento e apresentar detalhamento do mesmo.

Ficou definido que: 1. O ponto de lançamento seria um córrego a jusante do aterro


sanitário, inserido sob as coordenadas geográficas X- 0341826 e Y- 7565170; e 2. Não
haveria retirada e transporte dos efluentes, os mesmos seriam tratados nas lagoas de
tratamento (anaeróbia, facultativa e polimento) dentro do aterro.

Entretanto, a outorga concedida só dá o direito de uso de recursos hídricos para diluição


de efluentes tratados no rio Jaguari, com a finalidade de esgotamento sanitário do
Município de Andradas, Estado de Minas Gerais, com as seguintes características:

I. Coordenadas geográficas do ponto de lançamento de efluentes tratados


(chorume): 22º05’32,9” de Latitude Sul e 46º 38’09,2” de Longitude Oeste;
II. Vazão máxima de lançamento de efluentes tratados de 100,0 m3/h (27,78 L/s),
operando 01 h/dia, 01 dia/mês, durante 3 meses do ano;
III. Vazão de diluição de DBO5,20: 1.375,0 m3/h (381,94 L/s);
IV. Carga máxima diária de lançamento: 6,0 kg/DBO5,20; e
V. Vazão indisponível de DBO5,20: 1.475,0 m3/h (409,72 L/s).

A impossibilidade de lançamento do efluente tratado no ponto mais próximo gera um


alto custo de transporte, principalmente no período de chuva quando se tem o aumento
do volume das lagoas com possibilidade de transbordamento.

115
Conforme relatado por técnicos da Prefeitura, “hoje o aterro sofre com problemas
operacionais em virtude de maquinário inadequado e mão de obra desqualificada. As
canaletas de água de chuva encontram-se quebradas sendo necessária sua reforma. O
lixo no período de estiagem é recoberto com terra quase todos os dias. No período
chuvoso quase não há recobrimento, deixando o aterro com aspecto de lixão. Existem
drenos de gases nas duas plataformas, entretanto a queima dos gases não é contínua.
Quando não chove o lixo é disposto ordenadamente. Quando chove o caminhão e as
máquinas não conseguem trabalhar e o lixo é apenas descarregado, não é espalhado,
nem compactado e nem recoberto com terra. Há lixo descoberto além da frente de
serviço com frequência. Não há lixo fora da manta e a impermeabilização é adequada,
porém, toda água de chuva acumula dentro das células e prejudica o trabalho na área.
Falta também um responsável técnico “in loco” para organização do trabalho diário e
adequação de documentação (condicionantes e análises)”. Os pontos críticos da
operação, portanto são a compactação e cobertura diária, e eficiência no tratamento de
efluentes e a orientação aos trabalhadores por responsável técnico presente na área. O
quadro de imagens abaixo mostra a situação atual do aterro:

116
117
118
Quadro 09: Fotografias atuais do aterro sanitário em operação

119
SITUAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

O município de Andradas não possui histórico sistematizado sobre a composição e


caracterização dos resíduos gerados em sua área geográfica, seja de natureza domiciliar,
comercial, pública ou especial. Nem tampouco são conhecidos e monitorados os
grandes geradores de resíduos por falta de lei municipal que defina e regulamente o
limite entre o pequeno e o grande gerador de resíduos domiciliares.

A origem é o principal elemento para a caracterização dos resíduos sólidos e a


identificação e cadastro do “grande gerador” é a garantia de redução dos custos
orçamentários da limpeza urbana com priorização da coleta municipal na totalidade dos
resíduos domiciliares. Grandes geradores tem o dever de segregar, transportar e destinar
corretamente os seus resíduos na forma mais adequada de tratamento dentre as
tecnologias disponíveis e reconhecidas, promovendo a redução, reuso e a reciclagem,
contribuindo para a boa gestão dos resíduos sólidos em suas áreas de influência.

A Lei nº 12.305/10 que regulamenta e institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos,


incumbe o Distrito Federal e os Municípios da gestão integrada dos resíduos sólidos
gerados nos respectivos territórios, sem prejuízo das competências de controle e
fiscalização dos órgãos federais e estaduais, bem como da responsabilidade do gerador
pelo gerenciamento de resíduos, consoante o estabelecido nesta mesma Lei.

No artigo 33 estão obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa,


mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do
serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes,
importadores, distribuidores e comerciantes de:

I - agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja


embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de
gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas
estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas técnicas;

II - pilhas e baterias;

III - pneus;

IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;

120
VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

Ainda conforme a mesma Lei, com exceção dos consumidores, todos os participantes
dos sistemas de logística reversa deverão manter atualizadas e disponíveis ao órgão
municipal competente e a outras autoridades, informações completas sobre a
realização das ações sob sua responsabilidade.

Estão também sujeitos à elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos


próprios:

I - os geradores de resíduos dos serviços públicos de saneamento básico, os geradores


de resíduos industriais nos processos produtivos e instalações industriais, os geradores
de resíduos nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas
estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do SNVS e os geradores de resíduos na
atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios;

II - os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços que gerem resíduos


perigosos e os que gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por
sua natureza, composição ou volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares
pelo poder público municipal;

III - as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de normas


estabelecidas pelos órgãos do Sisnama;

IV - os responsáveis pelos terminais que gerem resíduos de serviços de transportes


como os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e
ferroviários e passagens de fronteira;

V - os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo órgão competente


do Sisnama, do SNVS ou do Suasa.

Entretanto, os municípios devem possuir meios a serem utilizados para o controle e


a fiscalização, no âmbito local, da implementação e operacionalização dos planos
de gerenciamento de resíduos sólidos dos estabelecimentos e dos sistemas de
logística reversa previstos acima.

Conclui-se, portanto, que nenhum município pode se ausentar de conhecer a geração e a


destinação dada aos resíduos em seu território, independentemente de sua competência
para licenciar ambientalmente o estabelecimento ou não. O controle e a fiscalização são
consequências de uma estrutura organizada e preocupada em definir os procedimentos
121
adequados à gestão ambiental correta. Antes da edição da Lei Complementar nº 140 de
08 de dezembro de 2011, a competência do licenciamento ambiental apresenta vários
conflitos entre as esferas. Hoje, apesar de disposições em contrário, fez-se necessário
que o Município detenha competência para licenciar atividades poluidoras, pois esse
ente federado é o que mais se aproxima da região afetada, possuindo melhores
condições de viabilização e fiscalização da atividade a ser licenciada. A definição de
uma estrutura organizacional mínima para o efetivo desempenho deste papel e os
instrumentos legais são abordados oportunamente neste documento na seção de
proposições.

Acrescenta-se que a padronização dos resíduos domiciliares atualmente é questionável,


graças ao dinamismo econômico e social da população urbana, ocorrendo
frequentemente atividades informais em meio às residências e fundos de quintais que os
tornam fontes de resíduos descaracterizados, com tendências de comercial a industrial.
Daí a importância de uma fiscalização efetiva e da participação popular. Como não há
uma exigência especifica na coleta e disposição nestes casos, existe um grande risco de
recepção de resíduos de classe I domiciliares sendo depositados no aterro sanitário.

Por fim, ratifica-se importância de se manter atualizada a caracterização dos resíduos


sólidos urbanos analisando-se de tempos em tempos, amostras dos resíduos coletados
pelo serviço de limpeza pública do município, coletando amostras de diferentes bairros
a fim de se conseguir resultados que se aproximem o máximo possível da realidade. Tal
procedimento constituirá a base histórica necessária para o efetivo entendimento das
mudanças de hábito da população e a evolução socioeconômica do município além de
subsidiar programas mais efetivos de coleta seletiva e maximização dos resultados
econômicos com a coleta mais direcionada.

Reitera-se que os resíduos industriais, resíduos de postos combustíveis, resíduos da


construção civil, resíduos tecnológicos, resíduos de transporte, resíduos de grandes
geradores e resíduos agrícolas são de responsabilidade do próprio gerador cabendo a
eles o desenvolvimento de planos de gerenciamento específicos.

122
GERAÇÃO

Os Resíduos Sólidos Domiciliares – RSU são os resíduos originários de atividades


domésticas em residências urbanas; é composto por resíduos secos e resíduos úmidos.
Os resíduos secos são constituídos principalmente por embalagens fabricadas a partir de
plásticos, papéis, vidros e metais diversos, ocorrendo também produtos compostos
como as embalagens “longa vida” e outros. Já os resíduos úmidos são constituídos
principalmente por restos oriundos da cozinha, quintais e jardins. Contém partes de
alimentos in natura, como folhas, cascas e sementes, restos de alimentos
industrializados e outros.

O crescimento do quantitativo dos resíduos sólidos urbanos, em especial dos resíduos


domiciliares, está condicionado ao aumento de consumo de produtos por toda a
população do município de Andradas, que na etapa de pós-consumo descarta as sobras e
embalagens em forma de resíduos sólidos. Nas próximas seções serão tratadas as
características de geração de resíduos no município de Andradas por tipo.

Composição Gravimétrica dos Resíduos Domiciliares

A informação obtida pela composição gravimétrica de uma amostra de uma fração de


um volume de resíduo coletado disponibilizado dentro de uma seleção heterogênica
demonstra os comportamentos e tendências consumistas de um setor da sociedade. A
obtenção destes dados garante uma análise prática e básica para qualquer tomada de
decisão no manejo de resíduos sólidos. O processo consiste em separar os lixos
recicláveis dos rejeitos. É despejado todo o lixo dos sacos após coleta planejada, e então
separados os recicláveis dos rejeitos, que são colocados em tambores. São considerados
como rejeitos todos os resíduos que não possuem valor de mercado como fraldas,
grama, terra, papel higiênico, copos de plásticos, pilhas, lâmpadas, borrachas e
cerâmicas.

Com o método de quarteamento estabelecido pela norma ABNT NBR 10.006, pode-se
comparar, por exemplo, bairros sem coleta seletiva, que apresentam porções maiores de
resíduos orgânicos, metais, papeis, têxtil, vidro e embalagens de longa vida misturados
e bairros com coleta seletiva, que apresentam porções maiores de rejeitos, visto que o
restante do material já foi devidamente separado pelo morador.

123
Características Físicas

O peso específico aparente é o peso do lixo solto em função do volume ocupado livremente,
sem qualquer compactação, expresso em kg/m3. Sua determinação é fundamental para o
dimensionamento de equipamentos e instalações. Na ausência de dados mais precisos,
podem se utilizar os valores de 230kg/m3 para o peso específico do lixo domiciliar, de
280kg/m3 para o peso específico dos resíduos de serviços de saúde e de 1.300kg/m3 para o
peso específico de entulho de obras.

O teor de umidade representa a quantidade de água presente no lixo, medida em percentual


do seu peso. Este parâmetro se altera em função das estações do ano e da incidência de
chuvas, podendo-se estimar um teor de umidade variando em torno de 40 a 60%.

A compressividade é o grau de compactação ou a redução do volume que uma massa de


lixo pode sofrer quando compactada. Submetido a uma pressão de 4kg/cm², o volume do
lixo pode ser reduzido de um terço (1/3) a um quarto (1/4) do seu volume original.

Características Químicas

O Poder Calorífico é característica química que indica a capacidade potencial de um


material desprender determinada quantidade de calor quando submetido à queima. O
poder calorífico médio do lixo domiciliar se situa na faixa de 5.000kcal/kg.

O potencial hidrogeniônico (PH) indica o teor de acidez ou alcalinidade dos resíduos.


Em geral, situa-se na faixa de 5 a 7.

A composição química consiste na determinação dos teores de cinzas, matéria orgânica,


carbono, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral
solúvel e gorduras.

A relação carbono/nitrogênio (C:N) indica o grau de decomposição da matéria orgânica


do lixo nos processos de tratamento/disposição final. Em geral, essa relação encontra-se
na ordem de 35/1 a 20/1.

Características Biológicas

As características biológicas do lixo são aquelas determinadas pela população


microbiana e dos agentes patogênicos presentes no lixo que, ao lado das suas
características químicas, permitem que sejam selecionados os métodos de tratamento e
de disposição final mais adequados.

124
O conhecimento das características biológicas dos resíduos tem sido muito utilizado no
desenvolvimento de inibidores de cheiro e de retardadores/aceleradores da
decomposição da matéria orgânica, normalmente aplicados no interior de veículos de
coleta para evitar ou minimizar problemas com a população ao longo do percurso dos
veículos.

Da mesma forma, estão em desenvolvimento processos de destinação final e de


recuperação de áreas degradadas com base nas características biológicas dos resíduos.

Apresenta-se a seguir a Tabela 08, mostrando a importância da plena caracterização dos


resíduos sólidos em relação ao planejamento de um sistema de limpeza urbana ou sobre
o projeto de determinadas unidades que compõem tal sistema:

Tabela 08 - Importância das características físicas, químicas e biológicas do lixo na limpeza urbana

CARACTERÍSTICAS IMPORTÂNCIA
Geração Per Capita Fundamental para poder projetar as
quantidades de resíduos a coletar e a
dispor. Importante no dimensionamento
de veículos.
Elemento básico para a determinação da
taxa de coleta, bem como para o correto
dimensionamento de todas as unidades
que compõem o Sistema de Limpeza
Urbana.
Composição Gravimétrica Indica a possibilidade de aproveitamento
das frações recicláveis para
comercialização e da matéria orgânica
para a produção de composto orgânico.
Quando realiza por regiões da cidade,
ajuda a se efetuar um cálculo mais justo da
tarifa de coleta e destinação final.
Peso Específico Aparente Fundamental para o correto
dimensionamento da frota de coleta, assim
como de contêineres e caçambas
estacionárias.
Teor de Umidade Tem influência direta sobre a velocidade
de decomposição da matéria orgânica no
processo de compostagem. Influencia
diretamente o poder calorífico e o peso
específico aparente do lixo, concorrendo
de forma indireta para o correto
dimensionamento de incineradores e
usinas de compostagem.

125
Influencia diretamente o cálculo da
produção de chorume e o correto
dimensionamento do sistema de coleta de
percolados.
Compressividade Muito importante para o dimensionamento
de veículos coletores, estações de
transferência com compactação e
caçambas compactadoras estacionárias.
Poder Calorífico Influencia o dimensionamento das
instalações de todos os processos de
tratamento térmico (incineração, pirólise e
outros).
pH Indica o grau de corrosividade dos
resíduos coletados, servindo para
estabelecer o tipo de proteção contra a
corrosão a ser usado em veículos,
equipamentos, contêineres e caçambas
metálicas.
Composição Química Ajuda a indicar a forma mais adequada de
tratamento para os resíduos coletados.
Relação C:N Fundamental para se estabelecer a
qualidade do composto produzido.
Características Biológicas Fundamentais na fabricação de inibidores
de cheiro e de aceleradores e retardadores
da decomposição da matéria orgânica
presente no lixo.

Composição Gravimétrica dos Resíduos Domiciliares de Andradas

No município de Andradas, esse tipo de análise não é realizado periodicamente, com a


frequência desejada. O ensaio atual não é suficiente para representar as variações na
composição de acordo com fatores como sazonalidade, condições climáticas, situação
econômica e financeira e classe social. A criação de uma série histórica deve refinar os
dados ao longo do tempo a fim de possibilitar melhorias na tomada de decisões quando
aos RSU – Resíduos Sólidos Urbanos. A tabela adiante mostra um estudo gravimétrico
dos RSD por classe social, fornecido pela Prefeitura Municipal de Andradas:

126
Tabela 09 – Estudo Gravimétrico dos RSD por Classe Social em Andradas

Ordem Composição Física Fração dos Materiais por Classe Social (%)

A B C D E
1 Matéria Orgânica 38,69 37,20 45,20 55,05 52,76
2 Papel e Papelão 17,76 23,11 14,99 13,33 11,81
3 Plástico 13,95 18,54 16,98 14,31 17,66
4 Madeira 0,86 0,67 0,35 0,42 0,38
5 Couro e Borracha 0,19 0,39 0,86 0,28 0,94
6 Pano e Estopa 2,16 1,92 4,27 5,09 5,75
7 Folha, Mato e Galhada 18,84 13,37 10,27 2,25 1,79
8 Metal Ferroso 0,59 0,69 1,29 0,93 1,03
9 Metal Não Ferroso 0,52 0,34 0,76 0,33 0,29
10 Vidro 1,61 1,17 1,06 1,19 1,29
Material Orgânico - Item 1 38,69 37,20 45,20 55,05 52,76
Material Reciclável - Itens 2,3,8,9,10 35,22 44,84 37,08 30,09 32,07

A média das frações de cada variável existente nos resíduos sólidos domiciliares de
Andradas pode ser observada na Tabela 10 a seguir:

Tabela 10 – Somatória das Frações de cada Variável Existentes nos RSD


Materiais
Ordem Variáveis
Tipo % em Peso

1 Matéria Orgânica Resto Alimentos 45,78%

Papel, Papelão 16,94 %


2 Plástico 16,30 % 35,86%
Material Reciclável
Metais, Vidros 2,62 %
Madeira
Tecidos

Couro, Borracha
3 Material Descartável Terra, Cerâmica 18,36%
Resto Jardins
Pedra, Louça

Considerando o total das amostras e o total de recicláveis separados, pode-se afirmar


que o percentual de recicláveis com valor de mercado em Andradas, na média
corresponde a 35,86%. Dos dados obtidos também se verifica que os rejeitos
correspondem a aproximadamente 18,36% do total da amostra, o que nos leva a
concluir que a matéria orgânica corresponde em média a 45,78 %.

Atualmente, menos de 25% dos andradenses separa o lixo doméstico, o que nos permite
alcançar índices bastante promissores após a efetiva implementação do PGIRS.

127
Conforme já informado, no município de Andradas, a geração de resíduos domésticos é
da ordem de 24 toneladas/dia, segundo dados de pesagem, contabilizando todos os
resíduos coletados por coleta convencional. A geração de resíduos per capita é da ordem
de 0,67 kg/dia. Em números, se 35,86% desta massa equivalem a 8,6ton/dia de resíduos
recicláveis, apenas 6,25% do total dos resíduos são recuperados, ou seja, 1,5ton/dia
pelos índices oficiais. Extraoficialmente este número pode chegar até a 2,6ton/dia se
somado ao trabalho informal dos catadores autônomos do município. Assim, acredita-se
que cerca de 6,0ton/dia de resíduos recicláveis ainda vão para o aterro sanitário do
município.

Salienta-se que o município não possui instrumentos de fiscalização e controle que


possibilitem obter uma noção global da quantidade de resíduos sólidos gerados,
independente de quem seja a responsabilidade pela gestão dos mesmos. Apenas o
resíduo domiciliar está caracterizado e quantificado no momento de elaboração deste
documento.

Resíduos Sólidos Domiciliares – Óleo vegetal

O serviço de coleta seletiva de óleos vegetais comestíveis compreende o recolhimento


regular de óleos mistos servidos que, gerados em cozinhas domiciliares e industriais,
tenham condições de destinação para cooperativa de transformação em biodiesel e
posterior comercialização pelas empresas que tenham potencial de utilização de energia
renovável. No município de Andradas ainda não há monitoramento por parte do poder
público quanto à destinação final e ainda não se conhece a quantidade que pode ser
coletada em domicílios, pontos de entregas voluntários e em grandes geradores.

Resíduos Sólidos da Limpeza de Pontos Críticos

Em visita a campo no dia 22 de agosto de 2013, tendo como guia, o Secretário de


Obras, Serviços Públicos e Transporte Interno, Sr. Paulo Diogo Rosa, foi possível
perceber a dimensão do problema enfrentado pelo município com o descarte irregular de
pequenos volumes tais como restos de materiais de construção, móveis, pneus e galhos
entre outros, por toda a cidade, comprometendo a segurança da população e sua
qualidade de vida, além da beleza da área pública. Grande parte é lançada em margens
de rios e córregos, terrenos vagos, nas encostas, nos passeios públicos, nas praças e em
áreas protegidas por lei, gerando impactos ambientais negativos.

128
O serviço de coleta destes resíduos é realizado com frequência pela equipe de limpeza,
chegando a ser efetuada em alguns pontos quase que diariamente, mas o descarte
clandestino reaparece com velocidade muito superior a eficiência das equipes de
trabalho da Secretaria, que também cuidam da manutenção das vias públicas e dos
equipamentos urbanos.

Alguns pontos mais críticos foram mapeados pela equipe do Grupo Brasil Ambiental
como se pode verificar na Tabela 11 e nas figuras abaixo:

Tabela 11 – Pontos Críticos de Descarte de Resíduos Diversos


Pontos Críticos de Descarte de Resíduos Diversos em Andradas(MG)
Descrição do Ponto X Y
Caçamba de lixo na área rural 333686 7558229
Bota fora na margem do rio 337639 7557830
Bota fora na margem do rio no bairro Samambaia 338597 7559867
Bota fora na margem do rio no bairro Samambaia 338189 7559881
Bota fora na margem do rio no bairro 7 de setembro 337161 7557505
Bota fora na margem do rio no bairro Mutary 337117 7557272
Bota fora em terreno particular (aterro) 336518 7555919

Figura 34 – Uso inadequado de caçamba de lixo na área rural

129
Figura 35 – Panorama de uma encruzilhada de estradas na área rural

Figura 36 – Descarte de pneu e móveis próximo a ponte sobre o córrego

Figura 37 – Carcaça de TV dentro do córrego


130
Figura 38 – Lixo descartado junto ao muro em local de difícil acesso na margem contrária do córrego

Figura 39 – Lixo descartado fora do dia de coleta e no solo em área pública

131
Figura 40 – Entulho lançado à beira de córrego

Figura 41 – Restos de móveis descartados em praça pública

Figura 42 – Restos de móveis descartados em entrada de lote vago


132
Figura 43 – Grande quantidade de entulho lançado dentro de manancial em rua sem saída

Figura 44 – Novo bota fora formando-se a beira de córrego

Figura 45 – Restos de podas lançados no passeio


133
Figura 46 – Resíduos lançados e queimados em lote vago

Resíduos Sólidos Gerados na Construção Civil

A gestão e manejo de Resíduos da Construção Civil – RCC estão disciplinados na


Resolução 307 do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, desde o ano de
2002, que estabeleceu diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão de RCC,
abrangendo desde a classificação até sua disposição adequada, passando pela atribuição
de responsabilidades ao poder público e também aos geradores. A resolução criou
instrumentos para avançar no sentido da superação de problemas ambientais oriundos
do mau gerenciamento desses resíduos.

Entretanto, o gerenciamento adequado dos RCC ainda encontra obstáculos pelo


desconhecimento da natureza dos resíduos e pela ausência de cultura de separação, entre
outros. Dessa forma, conhecer e diagnosticar os resíduos gerados possibilitará o melhor
encaminhamento para o plano de gestão e o gerenciamento dos RCC.

No Brasil, do total de 5.564 municípios, 72,44% dos municípios avaliados pela PNSB
possuem serviço de manejo de resíduos de construção civil, sendo que, 2.937 (52,79%)
exercem o controle sobre os serviços de terceiros para os resíduos especiais. A maioria
dos municípios (55,26%) exerce o controle sobre o manejo de resíduos especiais
executados por terceiros para manejo de RCC. A pesquisa do SNIS, com base nos dados
de 2008, identificou os municípios brasileiros que coletam RCC, por meios próprios ou
contratação de terceiros, e os municípios que cobram por esses serviços. A soma das
quantidades coletadas nos municípios participantes da pesquisa pode representar uma
estimativa nacional, sendo esta cerca de 7.192.372,71 t/ano de quantidade coletada de
134
RCC de origem pública e 7.365.566,51 t/ano de quantidade coletada de RCC de origem
privada. É interessante esclarecer que essas quantidades não correspondem ao total de
RCC gerados, uma vez que não estão contabilizadas as construções e descartes
clandestinos.

Segundo a pesquisa, no Brasil 124 municípios adotam a triagem simples dos RCC
reaproveitáveis (classes A e B); 14 realizam a triagem e trituração simples dos resíduos
classe A; 20 realizam a triagem e trituração dos resíduos classe A, com classificação
granulométrica dos agregados reciclados; 79 fazem o reaproveitamento dos agregados
produzidos na fabricação de componentes construtivos e 204 adotam outras formas.

O cenário nacional aponta que existe o conhecimento por parte do gerador e municípios
a respeito da existência da Resolução CONAMA 307/2002, quanto à responsabilidade
do gerador sobre o gerenciamento dos RCC, cabendo ao Plano Municipal de Resíduos
da Construção Civil estabelecer metas relativas à coleta, tratamento e disposição final
adequada, e principalmente, uma forte campanha para minimizar o desperdício e
intensificar as ações sobre os aspectos preventivos na gestão dos RCC.

O setor da construção civil ganhou um papel de destaque nos últimos tempos, tendo
vários fatores contribuídos para o melhor desempenho do setor. O incremento na oferta
de crédito imobiliário, o aumento do emprego formal, o crescimento da renda per capita
e a estabilidade macroeconômica foram alguns desses fatores.

Esse setor, bem como os demais componentes da indústria, sofreu os impactos da crise
econômica de 2008/2009. Segundo o IBGE, através do Sistema de Contas Trimestrais, o
resultado das atividades do setor em 2009 foi negativo (-6,3%). Porém, esta estatística
não reflete o real desempenho da construção civil uma vez que, em 2009, o setor
exerceu um papel anticíclico na economia nacional, com incentivos federais para suas
atividades – políticas fiscais (como a redução no IPI de alguns materiais de construção),
introdução de programas de concessão de subsídios (como o Programa Minha Casa,
Minha Vida) que, além do caráter social, veio para aquecer as atividades na economia,
conforme mostra o relatório Construção Civil 2011 (INDICADOR, 2011).

Qual a importância desses dados para o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos
do Município de Andradas? O crescimento da cidade – representado neste levantamento
de dados pelos alvarás e habite-se – representa um problema à administração pública: a
coleta e destinação final dos resíduos gerados pela construção civil.

135
Além do volume, a maior preocupação é a destinação atual desses resíduos: grande
parte é lançada em aterros não licenciados, margens de rios e córregos, terrenos vagos,
nas encostas, nos passeios públicos e em áreas protegidas por lei, gerando impactos
ambientais negativos.

Vieira (2003 apud HOLDERBAUM, 2009, p.21), sobre a estimativa nacional de


geração de resíduos, afirma que as estimativas pontuais levam a uma geração anual
entre 220 a 670 quilos de resíduos de construção e demolição por habitante, ou 150
quilos de resíduos gerados para cada metro quadrado de área construída.

Em Andradas, os serviços de limpeza pública e transportadores particulares recolhem


cerca de 80 toneladas de RCC por dia, segundo levantamentos realizados junto a
Secretaria de Obras e as duas empresas de disk caçamba do município. De acordo com o
dado apresentado acima é possível observar que os resíduos da construção civil
contribuem com cerca de 70% de todo o volume de resíduos sólidos gerados no
município. Grande parte destes resíduos não aparece nos índices oficiais devido ao
altíssimo percentual de obras clandestinas no município. Oficialmente, a Tabela 12
abaixo demonstra os alvarás concedidos no ano de 2012 e até agosto de 2013:

Tabela 12 – Alvarás concedidos pela Prefeitura


TIPO 2012 2013 até agosto
Construção 476 322
Reforma 12 3
Demolição 14 19
N° total de alvarás 502 322
Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente
É importante destacar que os resíduos da construção civil, apesar de serem classificados
como inertes, podem oferecer riscos de degradação e devem ser gerenciados de maneira
adequada.

Importante ressaltar que não há lei que institua um sistema municipal de gestão
sustentável de resíduos da construção civil e resíduos volumosos. Também não há no
município pontos de entrega voluntária de resíduos (PEV) e controle através de
relatórios mensais que possibilitem conhecer melhor as empresas que prestam o serviço
de coleta para grandes geradores de RCC.

136
Resíduos Sólidos Sujeitos à Logística Reversa

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, em 5 de maio de 2011 foram criados cinco


Grupos de Trabalho Temáticos – GTTs, para definir a forma de implantação dos
sistemas de logística reversa das seguintes cadeias produtivas: embalagens plásticas de
óleos lubrificantes; de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz
mista; e de embalagens em geral, eletroeletrônicos e medicamentos.

O Acordo Setorial para implantação do sistema de logística reversa de embalagens


plásticas de óleos lubrificantes foi assinado pelos sindicatos representativos do setor
empresarial e pela senhora Ministra do Meio Ambiente no dia 19 de dezembro de 2012,
publicado no Diário Oficial da União em janeiro de 2013. O Edital de Chamamento
para a Logística Reversa de Lâmpadas Fluorescentes de Vapor de Sódio e Mercúrio e de
Luz Mista teve o seu prazo de recebimento de propostas concluído em novembro de
2012, ocasião em que foram recebidas duas propostas, avaliadas pela equipe técnica do
MMA. Iniciou-se então a fase de harmonização e negociação com o setor empresarial,
com previsão de publicação da consulta pública nos primeiros meses de 2013.

O Edital de Chamamento para a Logística Reversa de Embalagens em Geral teve seu


prazo de recebimento de propostas encerrado no dia 02 de janeiro de 2013.

O Edital de Chamamento para a Logística Reversa de Produtos Eletroeletrônicos foi


aprovado na reunião do CORI de 19 de dezembro de 2012 e foi publicado no mês de
janeiro. Quanto ao GTT de medicamentos, diversas reuniões de trabalho têm ocorrido
para sanar as dificuldades inerentes à essa cadeia, que exige considerações especiais
pelas dificuldades que encerra.

Apresentado como um dos instrumentos da PNRS, a Logística Reversa é definida no


Art. 3º, inciso XII da PNRS como: “o instrumento de desenvolvimento econômico e
social caracterizado pelo conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a
viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para
reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação
final ambientalmente adequada.” Assim, a PNRS também estabelece a responsabilidade
compartilhada pelos resíduos entre geradores, poder público, fabricantes e importadores.

Para a implementação da Logística Reversa é necessário o acordo setorial, que


representa: “ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes,
importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da
137
responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto”. Nesse sentido, sem este
acordo prévio e o conhecimento da realidade local, regional ou nacional, o planejamento
de metas e ações poderá ser inadequado e, assim, os benefícios da gestão de resíduos
sólidos não serão eficientes e/ou eficazes e os prejuízos ambientais e socioeconômicos
continuarão a representar um ônus à sociedade e ao ambiente.

Este trabalho apresenta uma síntese do diagnóstico de alguns dos resíduos definidos
como objetos obrigatórios da logística reversa nos termos da PNRS. Esses resíduos são:
(1) pilhas e baterias, (2) pneus, (3) lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio
e de luz mista, (4) óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens e (5) produtos
eletroeletrônicos e seus componentes.

A PNSB revelou que dos 5.564 municípios brasileiros, apenas 2.937 (52,79%) exercem
controle sobre o manejo de resíduos especiais realizado por terceiros. Destes, foi
destacado o percentual de municípios que exercem controle sobre pilhas e baterias e
lâmpadas fluorescentes, sendo respectivamente 10,99% e 9,46%. Os resíduos
eletroeletrônicos (REE) têm recebido atenção por apresentarem substâncias
potencialmente perigosas e pelo aumento em sua geração. A geração de REE é o
resultado do aumento do consumo, se tornando um problema ambiental, e requerendo
manejo e controle dos volumes de aparatos e componentes eletrônicos descartados. O
Brasil produz cerca de 2,6 kg por ano de resíduos eletrônicos por habitante. Estes
produtos podem conter chumbo, cádmio, arsênio, mercúrio, bifenilas policloradas
(PCBs), éter difenil polibromados, entre outras substâncias perigosas.

No Brasil, um levantamento realizado pela Fundação Estadual do Meio Ambiente -


FEAM – MG, apresentou o diagnóstico da geração de REE para o ano de 2009 e 2010,
para o estado de Minas Gerais, sendo apresentado uma estimativa de geração atual de
68.633 t/ano.

Em Andradas diagnosticou-se a ausência de um modelo de gestão que garanta a plena


fiscalização e controle sobre as responsabilidades dos fabricantes, comerciantes e
consumidores. Estima-se que sejam produzidos cerca de 490kg/dia de resíduos
eletrônicos no município. Grande parte é lançada livremente em córregos e áreas
públicas da cidade. Outra parte acaba misturada ao lixo doméstico que tem como
destino o aterro sanitário. O restante é recolhido pela coleta especial “Cata Treco” e vai
para o almoxarifado municipal, acondicionado de forma precária.

138
Pneus Inservíveis

Conforme o artigo 1º § 1º da Resolução CONAMA nº 416, de 30 de setembro de 2009,


os distribuidores, os revendedores, os destinadores, os consumidores finais de pneus e o
Poder Público deverão, em articulação com os fabricantes e importadores, implementar
os procedimentos para a coleta dos pneus inservíveis.

Os municípios onde não houver ponto de coleta devem ser atendidos pelos fabricantes e
importadores através de sistemas locais e regionais apresentados para tal finalidade. Os
estabelecimentos de comercialização de pneus são obrigados, no ato da troca de um
pneu usado por um pneu novo ou reformado, a receber e armazenar temporariamente os
pneus usados entregues pelo consumidor, sem qualquer tipo de ônus para este, adotando
procedimentos de controle que identifiquem a sua origem e destino.

Os estabelecimentos de comercialização de pneus, além desta obrigatoriedade, poderão


receber pneus usados como pontos de coleta e armazenamento temporário, facultada a
celebração de convênios e realização de campanhas locais e regionais com municípios
ou outros parceiros. O armazenamento temporário de pneus deve garantir as condições
necessárias à prevenção dos danos ambientais e de saúde pública, ficando
expressamente vedado o armazenamento de pneus a céu aberto.

Em Andradas, os pneus descartados tanto pela Prefeitura, na manutenção dos veículos


públicos, quanto pela população em geral, são armazenados no almoxarifado municipal
onde permanecem até formarem uma quantia suficientemente atrativa para a coleta por
partes de empresas que queiram reutiliza-los, reforma-los ou recicla-los. De acordo com
informações obtidas no local, o tempo de permanência dos pneus a céu aberto pode
chegar até a três meses aguardando a coleta e destinação final. A Figura 47 mostra a
situação de armazenamento atual:

139
Figura 47 – Armazenamento temporário de pneus no almoxarifado municipal de Andradas

O Município possui atualmente uma frota de cerca de 18.000 veículos e gera


diariamente cerca de 40 pneus inservíveis, ou seja, representa um passivo ambiental de
14.000 pneus por ano. A Tabela 12 representa a evolução média da frota por tipo de
veículo:

Tabela 12 – Frota de Veículos de Andradas


FROTA DE VEÍCULOS - ANDRADAS
TIPO 2009 2010 EVOLUÇÃO
Automóveis 9.105 9772 7%
Caminhões 866 920 6%
Caminhões trator 24 23 -4%
Caminhonetes 1434 1650 15%
Micro-ônibus 61 68 11%
Motocicletas 3330 3725 12%
Motonetas 257 290 13%
Ônibus 74 76 3%
Utilitários 65 72 11%
Outros 479 647 35%
TOTAL 15.695 17243 10%
Fonte: Detran/MG

140
Vale lembrar que boa parte dos pneus são repassados diretamente às borracharias da
cidade recolocando-os no mercado como reformados. Atualmente não existe um
cadastro de revendedores, distribuidores e borracharias com a finalidade de controle
ambiental.

Lâmpadas

O pó que se torna luminoso encontrado no interior das lâmpadas fluorescentes contém


mercúrio. Isso não está restrito apenas às lâmpadas fluorescentes comuns de forma
tubular, mas encontra-se também nas lâmpadas fluorescentes compactas. As lâmpadas
fluorescentes liberam mercúrio quando são quebradas, queimadas ou enterradas em
aterros sanitários, o que as transforma em resíduos perigosos Classe I, uma vez que o
mercúrio é tóxico para o sistema nervoso humano e, quando inalado ou ingerido, pode,
causar uma enorme variedade de problemas fisiológicos. Uma vez lançado ao meio
ambiente, o mercúrio sofre uma "bioacumulação", isto é, ele tem suas concentrações
aumentadas nos tecidos dos peixes, tornando-os menos saudáveis, ou mesmo perigosos se
forem comidos frequentemente. As mulheres grávidas que se alimentam de peixe
contaminado transferem o mercúrio para os fetos, que são particularmente sensíveis aos
seus efeitos tóxicos. A acumulação do mercúrio nos tecidos também pode contaminar
outras espécies selvagens, como marrecos, aves aquáticas e outros animais.

Segundo a Associação Brasileira de Indústria da Iluminação - ABILUX, em 2007 foram


comercializadas lâmpadas produzidas internamente e importadas, conforme pode ser visto
na Tabela 13:

Tabela 13 - Dados estimados do mercado de lâmpadas em 2007


TIPO Lâmpadas ORIGEM
Comercializadas INTERNA IMPORTADA
Fluorescentes tubulares 70 milhões/ano 80% 20%
Fluorescentes compactas 90 milhões/ano 100%
HID (descarga de alta 09 milhões/ano 30% 70%
pressão)
Fonte: ABILUX (2007)

Em Andradas não existe nenhum programa sistematizado de coleta destes resíduos. De


modo geral, são coletados no dia de coleta especial “Cata Treco” ou recebidos no
almoxarifado municipal. Hoje existe uma grande quantidade de lâmpadas fluorescentes
armazenadas no almoxarifado aguardando destinação final conforme a Figura 48 abaixo:

141
Figura 48 – Lâmpadas armazenadas no chão em barracão no almoxarifado

Não existem no município empresas de gerenciamento, tratamento e destinação adequada


de resíduos classe I, e as fontes geradoras são atendidas pela iniciativa privada. A
supervisão de meio ambiente já abriu processo administrativo para doação das mesmas
para empresa especializada e aguarda a conclusão do setor de compras.

Não há monitoramento pelo poder público sobre o processo de logística reversa por parte
dos comerciantes e população, tampouco uma estimativa de geração deste resíduo no
município. Para se ter uma ideia do problema, a nível de Brasil, apenas 9,4% dos
municípios controlam os serviços terceirizados sobre manejo de lâmpadas fluorescentes.

Pilhas e Baterias

Dos 5,42% de municípios que atuam no manejo de pilhas e baterias, 30 municípios


acondicionam em recipientes estanques (vedados) para encaminhamento periódico a
indústrias do ramo, 72 municípios realizam a estocagem simples, a granel, para
encaminhamento periódico à indústria do ramo e 14 municípios adotam outra forma de
acondicionamento. As formas de disposição de pilhas e baterias nos 302 municípios
com manejo desses resíduos são:

33 municípios realizam a disposição em vazadouro, em conjunto com os demais


resíduos; 30 municípios realizam disposição sob controle, em aterro convencional, em
142
conjunto com os demais resíduos; 64 adotam a disposição sob controle, em pátio ou
galpão de estocagem da prefeitura, específico para resíduos especiais; 17 municípios
adotam a disposição sob controle, em aterro da prefeitura específico para resíduos
especiais; 24 atuam com a disposição sob controle, em aterro de terceiros específico
para resíduos especiais e 4 municípios realizam outra forma de disposição.

Como diagnóstico da situação atual dos resíduos de pilhas e baterias, o município de


Andradas não apresenta programas específicos para a coleta de pilhas e baterias bem
como não apresenta pontos de entrega voluntária. Devido a essa deficiência, em
conjunto com a falta de conscientização da população, os resíduos de pilhas e baterias
do município são dispostos na coleta convencional de resíduos domésticos, tendo por
fim o aterro sanitário. Quando a separação é feita em domicilio, geralmente, estes
resíduos são entregues a comerciantes locais. Entretanto, a quantidade separada é
insignificante e não há informações sobre a destinação dada pelos comerciantes. Não
existe legislação local específica que trate do assunto.

Eletroeletrônicos

Na cidade de Andradas não há conhecimento sobre empresas que promovam o reuso ou


remanufatura dos eletroeletrônicos e equipamentos danificados. Segundo informações da
Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente existe a intenção de se doar estes resíduos
que chegam através da coleta “Cata Treco” para uma empresa do interior de São Paulo
que desmonta os mesmos e segrega os componentes para reciclagem. Atualmente não há
monitoramento pelo poder público nem legislação local específica que trate do assunto.

Resíduos Sólidos Gerado no Saneamento Básico

Como informado anteriormente, existem três Estações de Tratamento de Esgoto que


geram 30m³ de lodo mês e atendem somente quatro bairros, perfazendo um total de 10%
da população do município. O resíduo gerado é composto de lodo de esgoto e material
retido no gradeamento e caixas de areia, além de areia contaminada no processo. O
material é coletado no serviço de limpeza pública domiciliar e encaminhado ao aterro
sanitário para disposição final.

Resíduos Sólidos Cemiteriais

Os resíduos sólidos cemiteriais são:

 Resíduos da construção civil,

143
 Resíduos das exumações,
 Resíduos dos féretros,
 Resíduos das jardinagens, varrição e limpeza.

O Aterro Sanitário recebe os resíduos sólidos gerados no cemitério caracterizados por


materiais comuns, como restos de flores e velas. Os restos mortais originários de
exumações permanecem no Cemitério.

No cemitério, não existe separação dos resíduos sólidos dos resíduos funerários, cujo
destino é o lixo comum. As funerárias não tem plano de gerenciamento de resíduos
sólidos.

Resíduos Sólidos Industriais

Esse tipo de resíduo necessita de um tratamento adequado e especial pelo seu potencial
poluidor. Adota-se a NBR 10.004 da ABNT para classificar os resíduos industriais:
Classe I (Perigosos), Classe II (Não perigosos), Classe II A (Não perigosos - não
inertes) e Classe II B (Não perigosos - inertes).

Em Andradas destaca-se a produção de louça sanitária, indústria moveleira, confecções


(de malhas, vestuário masculino e feminino em tecidos diversos e moda em couro),
tecnologia vegetal (da empresa Multiplanta sai 70% das mudas de morangos produzidas
em todo o Brasil) e laticínios. A listagem abaixo não esgota a relação de
empreendimentos que merecem atenção, entretanto, foram citados devido às
características de geração de resíduos sólidos industriais.
EMPREENDIMENTOS PARA TRABALHAR A REDUÇÃO, REAPROVEITAMENTO E DESTINAÇÃO DOS
RESÍDUOS
ABATEDOURO DO PORCO GORDO LTDA - ME
AGROPECUÁRIA BARBOSA NETOS LTDA
AGROPECUÁRIA IRMÃOS TEIXEIRA LTDA
AGROTÉCNICA VERRONE COMERCIAL AGRÍCOLA LTDA
ANDRADAS INDÚSTRIA QUÍMICA LTDA
ASSOCIAÇÃO RECOLHIMENTO DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS
AUTO POSTO GUAÇU LTDA
AUTO POSTO PEDRA AZUL LTDA
AUTO POSTO SÃO MARCOS LTDA - EPP
AVÍCOLA SÃO SEBASTIÃO LTDA
C. FERNANDO R. DA PAZ & CIA LTDA
CAFÉ BARONESA LTDA
CARA - COOPERATIVA AGROPECUÁRIA REGIONAL DE ANDRADAS LTDA
CARACOL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO E DERIVADOS LTDA
CARROCERIAS ANSANI & FERRAZ LTDA
CARROCERIAS TREVISAN LTDA ME

144
CERAMICA VILA RICA LTDA
COMERCIAL BUZATO E SOARES LTDA
COMERCIAL CAVAROLI RIBEIRO LTDA
COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMÍNIO - CBA
COMPANHIA GERAL DE MINAS
CONSTRUTORA ETAPA LTDA
DIRVAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA.
ECOFOREST COMERCIO DE MADEIRAS LTDA
EGESA ENGENHARIA S.A
EXPURGA GUAÇU LTDA
FIORI CERÂMICA LTDA
FRIGORIFICO BBS LTDA ME
GRUPO AGROPECUÁRIO TEIXEIRA LTDA
GUILHERME JOÃO REIJERS
ICASA INDUSTRIA CERAMICA ANDRADENSE S/A
INDUSTRIA DE CALÇADOS DAIANE LTDA - ME
INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS CARLIN LTDA
INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE DOCES PAN & RAMOS LTDA - ME
INDUSTRIA E COMERCIO DE VASSOURAS SUL MINEIRA LTDA
INDÚSTRIAS DE VASSOURAS NOVA LTDA ME
IRMÃOS BERALDO E CIA LTDA
J M TEIXEIRA INDÚSTRIA SERRA AZUL DE ALIMENTOS LTDA ME
KELLY CORRENTES MINAS LTDA
LAVADEIRA DE BATATAS IRMAOS PASTRE LTDA
LJM COMERCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA
M B INDUSTRIA DE LATICINIOS LTDA
MINASBOM PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA - EPP
MINERAÇÃO ANDRADENSE LTDA
MINERAÇÃO CALDENSE LTDA
MINERAÇÃO CURIMBABA LTDA
MINERAÇÃO DE FELDSPATO ANDRADENSE LTDA
MINERAÇÃO PERDIZES LTDA
MINERACAO REFRATARIOS ANDRADENSE
MKM - METAIS LTDA
MOVATZ MOVEIS LTDA.
MÓVEIS PIRINOTO LTDA - ME
MOVEIS TREVISAN LTDA
MULTIPLANTA TECNOLOGIA VEGETAL LTDA
OLARIA HORIZONTE LTDA
OUROMIX CONCRETO USINADO LTDA.
PAMPA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA
PAPERKRAFT EMBALAGENS LTDA
PASTRE & CIA. LTDA.
PORTO AREIA JAGUARI LTDA - ME
PORTO HORIZONTE LTDA
PROSAB PRODUTOS PARA SANEAMENTO BÁSICO
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE ANDRADAS
SERRALHERIA MANTIQUEIRA DE ANDRADAS LTDA.ME
SOCIEDADE VINÍCOLA MARCON LTDA - EPP
TRANSPORTADORA UNIÃO LTDA
VARGINHA MINERAÇÃO E LOTEAMENTOS LTDA
VINHOS MUTERLE LTDA

145
VINÍCOLA BASSO LTDA
WALDOMIRO DOS SANTOS

Reitera-se que os resíduos industriais, de posto combustível, da construção civil,


resíduos tecnológicos, resíduos de grandes geradores e resíduos agrícolas são de
responsabilidade do próprio gerador cabendo a eles o desenvolvimento de planos de
gerenciamento específicos (PGRS). Entretanto, é de responsabilidade do município
fiscalizar, dentro de sua jurisdição o correto manejo dos resíduos gerados empregando
ferramentas e leis que possibilitem o efetivo controle e conhecimento dos planos de
gerenciamento dos resíduos elaborados por esta classe de geradores.

Atualmente a Prefeitura não monitora todo o setor, a partir das apresentações dos PGRS
e tampouco possui infraestrutura para contínuas fiscalizações. Não há no município lei
específica que determine qualquer obrigação de reporte dos PGRS ou do processo
produtivo com a descrição do descarte de resíduos gerados neste processo.

Resíduos Sólidos Agrossilvopastoris Inorgânicos

Como dito anteriormente, o caráter inovador da “lei dos agrotóxicos” situa-se na divisão
de responsabilidades a todos os agentes envolvidos (fabricantes, revendedores,
agricultores e poder público) no ciclo de vida das embalagens.

Para o segmento de fertilizantes, a legislação vigente não contempla a destinação das


embalagens, sendo que estatísticas e informações para o retorno ou a destinação das
embalagens são praticamente inexistentes.

Praguicidas de uso veterinário e agrícola têm semelhanças químicas e/ou estruturais,


assim é razoável esperar que os antiparasitários veterinários recebam atenção
semelhante aos agrotóxicos, o que não se observa atualmente. Informações sobre o
retorno das embalagens limitam-se, normalmente, a descrições simplificadas nos rótulos
ou em bulas que acompanham os insumos.

De forma geral, a ausência de informações oficiais sistematizadas seguiu como a


principal dificuldade em realizar o diagnóstico dos resíduos sólidos inorgânicos
presentes no setor agrossilvopastoril.

A coleta, o armazenamento e a destinação final destes resíduos cabem aos seus


geradores e setor produtivo. Estes resíduos já são objeto de fiscalização pela esfera
estadual.

146
A falta de fiscalização e de penalidades mais rigorosas para o manuseio inadequado
destes resíduos faz com que sejam misturados aos resíduos comuns e dispostos nos
vazadouros das municipalidades, ou – o que é pior – sejam queimados nas fazendas e
sítios mais afastados, gerando gases tóxicos.

Entretanto, o cenário tem mudado bastante. Minas Gerais recolheu durante o primeiro
semestre deste ano um total de 2.126 toneladas de embalagens vazias de agrotóxicos
que poderiam causar impactos negativos ao meio ambiente. O Estado é o sexto do país
que mais recolheu embalagens e 94% dos produtos adquiridos tiveram destinação final
adequada. Mesmo com o recolhimento desse montante, continua sendo o sexto Estado
em consumo do produto. Os dados são do Inpev (Instituto Nacional de Processamento
de Embalagens Vazias).

Em Minas, cabe ao IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) fiscalizar o comércio,


transporte, prestadores de serviços e de aplicação, armazenamento e uso de agrotóxicos
na agricultura. Desde 2002, participa do recolhimento de embalagens vazias desses
produtos em parceria com o Inpev. A atividade é obrigatória e está prevista em lei há 13
anos.

O IMA atua na fiscalização dos estabelecimentos comerciais de agrotóxicos e afins


onde os produtos são armazenados e vendidos. Nas propriedades rurais, verifica se os
produtores praticam a devolução correta, com a preparação das embalagens por meio do
processo de tríplice lavagem e inutilização. Ainda durante o primeiro semestre de 2013
foram realizadas 2.533 fiscalizações em estabelecimentos comerciais, 204 em
prestadores de serviço de aplicação de agrotóxicos e afins e 3.502 do uso de agrotóxicos
em propriedades rurais, totalizando 6.239 ações de fiscalização. A coordenadoria
regional do IMA que atende Andradas encontra-se em Pouso Alegre.

Andradas conta com importante atuação da Associação Recolhimento de Embalagens


de Agrotóxicos para cumprir com a legislação federal vigente. A atuação da Associação
pode servir de base para a elaboração de uma legislação local que discipline o
armazenamento e descarte das embalagens de outros produtos tais como fertilizantes,
praguicidas e vacinas.

Estima-se que o número de agricultores familiares do município esteja hoje em torno de


2.500 (dois mil e quinhentos) agricultores segundo dados do CMDRS – Conselho

147
Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável em Andradas, outro importante órgão
de atuação na área rural do município.

Acreditamos que a melhor atuação do município portanto, deve ser na direção da


educação e conscientização ambiental, dada a dificuldade de se realizar fiscalização
contínua no meio rural.

Resíduos Sólidos Agrossilvopastoris Orgânicos

No campo a prática, sob os pontos de vistas ambiental, social e econômico, percebe-se


que o Município, na sua maioria, acaba gerenciando seus resíduos sólidos de forma
tecnicamente inadequada, não observando princípios básicos, tais como: a prevenção; o
aproveitamento; a reciclagem e outras formas de valorização dos resíduos, como a
compostagem, além de não oferecer uma destinação final adequada para os mesmos.

Da mesma forma que o item anterior, acreditamos que a melhor atuação do município
deve ser na direção da educação e conscientização ambiental, além da promoção de
cursos e oficinas que instruam sobre a redução de perdas, reaproveitamento dos resíduos
na compostagem e a correta destinação final dos rejeitos.

148
CUSTOS

A recorrente discussão sobre a implantação ou não de mecanismos de cobrança nos


municípios foi encerrada pela decisão do Congresso Nacional aprovando a Lei da
Política Nacional de Resíduos Sólidos, que revigora neste aspecto, a diretriz da Lei
Federal de Saneamento Básico. Pela Lei 11.445/2007, não têm validade os contratos que
não prevejam as condições de sustentabilidade e equilíbrio econômico-financeiro da
prestação de serviços públicos, incluindo o sistema de cobrança, a sistemática de
reajustes e revisões, a política de subsídios entre outros itens. Harmonizada com este
preceito, a Lei 12.305/2010 exige que os planos explicitem o sistema de cálculo dos
custos da prestação dos serviços públicos, e a forma de cobrança dos usuários.

As informações sobre os custos dos processos atuais de gestão dos resíduos são de
extrema importância, como, por exemplo, o percentual do orçamento municipal
despendido com o gerenciamento público de resíduos. Interessa registrar também dados
sobre o custo unitário da coleta convencional, custo de transporte dos resíduos, e o custo
unitário da disposição final na solução adotada localmente.

É necessário ainda, organizar as informações sobre eventuais receitas para o


gerenciamento dos resíduos, registrando-se a existência ou não da cobrança pelos
serviços. O SNIS 2009 mostra que, praticamente 50% dos municípios pesquisados cobra
o manejo dos resíduos, sendo que a ampla maioria deles o faz por meio de taxa
específica inserida no boleto do IPTU, ocorrendo ainda a cobrança em boleto pelo uso de
água, em boleto específico da limpeza urbana ou outras modalidades (MCidades, 2011).

É necessário ainda organizar os dados sobre custos diretos de operações de coleta e


transporte, de destinação e disposição, inclusive os custos de limpeza corretiva em
pontos viciados de deposição irregular; as informações sobre custos indiretos tais como
os de fiscalização, combate a vetores, administrativos, os relativos à amortização e
depreciação de investimentos e outros. É importante definir um indicador que relacione
as “despesas com manejo dos resíduos sólidos urbanos” e as “despesas correntes
municipais”. Um dado disponível no SNIS, medido em 2008, indica que esta relação
estava em 5,3%, com valores maiores nos maiores municípios (MCidades, 2010). Outro
dado de interesse é o nível de despesas per capita: no ano de 2009, em 1.306 municípios
pesquisados, eliminando-se os municípios com população acima de 1 milhão de
habitantes, o valor detectado pelo SNIS foi de R$ 51,48/hab/ano (MCidades, 2011).
149
Outros documentos apontam informações que podem auxiliar na análise de como andam
os custos locais:

 O Plano Nacional de Resíduos Sólidos revela os seguintes custos para a


disposição final em aterro sanitário: municípios pequenos (menos de 100 mil
habitantes) R$ 54,25/t; médios (mais de 100 mil habitantes) R$ 35,46/t, e grandes
(acima de 1 milhão de habitantes) R$ 33,06/t (MMA, 2011);
 O SNIS 2008 aponta que o custo da varrição na média dos municípios
pesquisados gira em torno de R$ 53,32 por quilômetro varrido, com uma
produtividade de 1,3 km diário/funcionário (MCidades, 2010);
 A coleta de resíduos domiciliares e da limpeza pública correspondem a cerca de
45% do custo total dos serviços, e a varrição a quase 21% (MCidades, 2010).

Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana – Brasil

Tabela 14 – Recursos Aplicados na Coleta de RSU

2010 2011
Recursos Aplicados
Recursos Valor
Coleta RSU / População
Região Aplicados na Equivalente por
Equivalente por Urbana
Coleta RSU Habitante
Habitante (hab.)
(R$ milhões/ano) (R$ / mês)
(R$ milhões/ano) / (R$/mês)

Norte 531 / 3,79 11.833.104 571 4,02

Nordeste 1.488 / 3,19 39.154.163 1.599 3,40

Centro- 450 / 3,00 12.655.100 482 3,17


Oeste

Sudeste 3.756 / 4,19 75.252.119 4.010 4,44

Sul 931 / 3,34 23.424.082 1.022 3,64

BRASIL 7.156 / 3,71 162.318.568 7.684 3,94

Fontes: Pesquisas ABRELPE 2010 e 2011 e IBGE 2011

150
Tabela 15 – Recursos Aplicados nos Demais Serviços de Limpeza Urbana

2010 2011

Recursos Aplicados Recursos


Valor
Região Demais Serviços de População Aplicados Demais
Equivalente por
Limpeza Urbana* Urbana Serviços de
Habitante
Equivalente por Habitante (hab.) Limpeza Urbana*
(R$/mês)
(R$ milhões/ano)
(R$ milhões/ano)/(R$/mês)

Norte 836 / 5,97 11.833.104 882 6,21


Nordeste 2.897 / 6,22 39.154.163 3.110 6,62
Centro- 488 / 3,26 12.655.100 520 3,42
Oeste
Sudeste 6.555 / 7,32 75.252.119 6.780 7,51
Sul 1.266 / 4,54 23.424.082 1.232 4,38
BRASIL 12.042 / 6,24 162.318.568 12.524 6,43
Fontes: Pesquisa ABRELPE 2010 e 2011 e IBGE 2011

(*) Inclusos destinação final dos RSU, varrição, capina, limpeza e manutenção de parques e jardins, limpeza de
córregos, etc.

Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana - Região Sudeste

Tabela 16 – Recursos Aplicados na Coleta de RSU e Demais Serviços de Limpeza Urbana na Região Sudeste

2010 2011

Recursos Aplicados Valor


Recursos Equivalentes por População Recursos
Equivalente por
Aplicados Habitante Urbana Aplicados
Habitante
(R$ milhões/ano) / (R$/mês) (hab.) (R$ milhões/ano)
(R$ / mês)

Coleta 3.756 / 4,19 4.010 4,44


RSU
Demais 75.252.119
Serviços de
Limpeza 6.555 / 7,32 6.780 7,51
Urbana*
Fontes: Pesquisa ABRELPE 2010 e 2011 e IBGE 2011

(*) Inclusos destinação final dos RSU, varrição, capina, limpeza e manutenção de parques e jardins, limpeza de
córregos, etc.

151
Custos da Limpeza Pública em Andradas

Em Andradas os serviços de limpeza urbana são remunerados através de uma taxa


cobrada na mesma guia do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). De um modo
geral, a receita com a arrecadação da taxa, que raras vezes é cobrada fora do carnê do
IPTU, representa apenas um percentual inferior aos custos reais dos serviços, advindo
daí a necessidade de recursos complementares por parte do Tesouro Municipal.

O valor arrecadado com a taxa de coleta de lixo junto ao IPTU foi de R$484.378,00
(quatrocentos e oitenta e quatro mil trezentos e setenta e oito reais) no ano de 2012,
cerca de R$12,61 (doze reais e sessenta e um centavos) por habitante.

Conforme dados repassados pela Secretaria Municipal de Fazenda, as despesas com


manutenção da limpeza pública no exercício de 2012 foram:

Tabela 17 - Despesas com serviços de limpeza urbana em 2012


DESPESAS POR ITEM DE CUSTO IDENTIFICADO NO SISTEMA DE CUSTEIO – ANO 2012

Manutenção Limpeza Pública (varrição, coleta, capina, saúde, público e domiciliar) Valor (R$)
Material de Consumo 3.173,19
Serviços de Terceiros Pessoas Físicas 5.507,68
Serviços de Terceiros Pessoas Jurídicas 122.118,12
Operação do Aterro Sanitário (materiais e serviços) Valor (R$)
Material de Consumo 155.604,04
Serviços de Terceiros Pessoas Físicas 0,00
Serviços de Terceiros Pessoas Jurídicas 288.788,50
Manutenção dos Veículos Utilizados na Limpeza Pública (inclusive administrativos) Valor (R$)
Material de Consumo 24.558,54
Serviços de Terceiros Pessoas Físicas 320,00
Serviços de Terceiros Pessoas Jurídicas 16,999,17
Média de Gastos com Combustível (inclusive administrativos) Valor (R$)
Gasolina 204.120,00
Óleo Diesel 31.200,00
Folha de Pagamento (todo o pessoal envolvido na limpeza urbana) 75 servidores Valor (R$)
Bruto 925.048,70
Líquido 628.808,96
Fonte: Secretaria Municipal da Fazenda

Uma leitura direta dos valores apurados pela Secretaria Municipal da Fazenda
contabilizam despesas com o Sistema de Limpeza Pública da ordem de R$ 1.777.437,94
(um milhão setecentos e setenta e sete mil quatrocentos e trinta e sete reais e noventa e
quatro centavos) no ano de 2012. Entretanto, após análise dos dados obtidos junto às
152
Secretarias de Obras, de Planejamento e da Fazenda, percebeu-se que existe um rateio
das despesas entre os diversos serviços urbanos, devido ao compartilhamento da
estrutura, dos veículos e dos servidores que, em sua grande maioria, estão lotados na
Secretaria de Obras. Assim, a manutenção dos veículos é única no almoxarifado
municipal e alguns servidores desempenham papéis múltiplos, principalmente em
cargos administrativos. Tal procedimento é bastante comum entre municípios de porte
menor, entretanto, pelo atual sistema de custeio, não é possível identificar itens
específicos de gastos de forma conclusiva, como, por exemplo, o custo de coleta da
tonelada de resíduos domiciliares especiais, o custo de coleta de resíduos da construção
civil, o custo efetivo de equipes de limpeza por tipo de serviço prestado, o custo do
quilômetro rodado por veículos de coleta e o custo por tonelada de disposição final de
resíduos no aterro. Percebeu-se a necessidade de criar itens de custo e planilhas de
controle específicas para a aferição destes valores após a efetiva implantação do PGIRS.

Ressalta-se que o município está em processo de transição (detentor exclusivo da


prestação dos serviços relacionados a resíduos sólidos urbanos para possíveis
terceirizações, como a varrição, capina e roçada, entre outros). Todo este conjunto
dificultou muito a apuração do valor real gasto com os serviços exclusivos de limpeza
urbana, porém, procurou-se chegar o mais perto possível da realidade conforme
verificado na Tabela 17. Assim, procurou-se também conhecer os principais
indicadores, demonstrados na Tabela 18 abaixo:

Tabela 18 – Principais indicadores de custo do manejo de RSU em Andradas


RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS
Cobrança dos serviços
Receitas e despesas com serviços de limpeza urbana
População
Regulares Especiais Despesas, segundo o
total Receitas
Arrecadação Média por Habitante
Despesa Média por Empregado

agente executor
Despesa per capita com RSU

(IBGE)
Arrecadada Total Público Privado
Déficit per capita
Auto Suficiência

Déficit Anual

Ano de
referência
Existência Forma Existência
Habitantes R$/ano R$/ano R$/ano R$/ano
R$ 1.777.437,94

R$ 1.754.400,34

R$ 1.293.059,94
R$ 484.378,00
Taxa no IPTU

R$ 23.037,60

R$ 12.333,98

R$ 46,27
R$ 12,61

R$ 33,66
38.412
2012

Não

27%
Sim

Fonte: Prefeitura Municipal de Andradas

153
Aspectos Econômicos da Prestação dos Serviços

O Município de Andradas arrecadou, no exercício de 2012, R$51.755.602,57 (cinquenta


e milhões setecentos e cinquenta e cinco mil seiscentos e dois reais e cinquenta e sete
centavos). Deste montante, 3,43% (três vírgula quarenta e três por cento) foram gastos
com a prestação dos serviços de manejo dos RSU, contra uma arrecadação específica
para esta finalidade de 0,93% (zero vírgula noventa e três por cento) deste montante o
que representa 27% (vinte e sete por cento) dos gastos com a prestação destes serviços.

Portanto, o déficit de arrecadação para a sustentabilidade da prestação destes serviços à


população foi de R$1.293.059,94 (um milhão duzentos e noventa e três mil cinquenta e
nove reais e noventa e quatro centavos) ou R$33,66 (trinta e três reais e sessenta e seis
centavos) por habitante/ano.

Vale lembrar que a ausência de um centro de custos que identifique os itens específicos
de despesas com a prestação dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos
sólidos pode mascarar parcialmente os valores obtidos rateados na manutenção dos
equipamentos públicos e em outras atividades da Secretaria de Obras.

154
COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES

Para a visualização geral das competências e responsabilidades pelo manejo de cada um


dos resíduos sólidos gerados no Município, o quadro abaixo destaca os agentes
responsáveis:

Tabela 19 - Competências e Responsabilidades pelo Manejo dos Resíduos Sólidos do Município

Competências e Responsabilidades pelo Manejo dos Resíduos Sólidos do


Município

Responsabilidades

Responsabilidades
privadas
públicas
Tipos de
resíduos

Complementar

Transportador

Receptor
Principal

Gerador
Domiciliares RSD coleta convencional X
Domiciliares RSD secos * (ainda não implantado) X
Domiciliares RSD úmidos * (ainda não implantado) X
Limpeza pública X
Construção civil - Volumosos X X X
Construção civil - Domiciliares X X X X
Volumosos - Domiciliares X X X
Verdes público – Volumosos X
Verdes particular – Volumosos X
Serviços de saúde X X X X
Equipamentos eletroeletrônicos X X X
Pilhas e baterias X X X
Lâmpadas - Domiciliares X
Pneus - Domiciliares X
Óleos lubrificantes e embalagens X X X
Agrotóxicos X X X
Sólidos cemiteriais X
Serviços públicos de saneamento básico X
Óleos comestíveis X X
Industriais X X X
Serviços de transportes X X X
Agrossilvopastoris X X X

155
CARÊNCIAS E DEFICIÊNCIAS

Atualmente, o grande desafio é institucionalizar uma nova cultura e transpor antigos


hábitos, em uma nova gestão socioambiental nas atividades rotineiras dos municípios
brasileiros. Faz-se necessário criar compromissos da administração pública com o meio
ambiente, de forma a concretizar as ações esperadas no Plano Nacional de Resíduos
Sólidos e incorporar princípios e critérios que promovam a sensibilização de toda a
população. O princípio básico para o controle é o conhecimento do problema e a
resposta à sua altura.

Em Andradas diagnosticou-se como maior obstáculo para operacionalizar o PGIRS e a


nova gestão socioambiental a ausência de uma estrutura administrativa e operacional
adequada na Divisão de Meio Ambiente. Na verdade, a Secretaria Municipal de
Planejamento Urbano e Meio Ambiente conta com duas divisões: Divisão de
Segurança, Defesa Civil, Transporte e Trânsito e a Divisão de Planejamento Urbano e
Meio Ambiente. Esta última contém as Seções de Projetos Especiais e Urbanos, Uso e
Ocupação do Solo e Geoprocessamento, Parques e Jardins e Desenvolvimento de
Projetos, Fiscalização e Educação Ambiental. Esta última seção possui apenas um
supervisor e dois fiscais para todas as funções relacionadas ao Meio Ambiente. Abaixo
relembramos o organograma atual:

Da mesma forma, encontra-se na Secretaria Municipal de Obras, Serviços Públicos e


Transporte Interno a Secção de Manutenção Viária Urbana e Limpeza Pública conforme
organograma abaixo:

156
Tal configuração administrativa e operacional está presente em muitos municípios
brasileiros de pequeno porte devido à economia de recursos humanos, equipamentos e
estruturas que são compartilhados por vários serviços. Entretanto, muitos municípios
crescem e mantêm tal estrutura que parece imortalizada, tornando-se ineficiente no
controle, na fiscalização e na orientação de atividades impactantes ao meio ambiente e à
qualidade de vida da população mais pobre.

O que se vê, no geral, são estruturas de Planejamento que não se comunicam com as
estruturas Operacionais limitando a ação do Planejamento, já sobrecarregado, e
impactando os resultados Operacionais que não atingem a excelência dos serviços. A
mão de obra e os equipamentos alocados na Secretaria de Obras não se subordinam à
Secretaria de Planejamento, por vezes carente de atendimento por parte da primeira. Por
outro lado, a Secretaria de Obras age conforme a demanda que não para de crescer,
devido ao crescimento do município e a ausência de políticas públicas e ações que
facilitem o seu trabalho.

A tarefa de reestruturação não é fácil e por vezes esbarra na ausência de recursos


financeiros e na falta de apoio do Poder Legislativo. Entretanto, para atender os anseios
da Política Nacional de Resíduos Sólidos, uma estrutura operacional mínima deve ser
criada na Divisão de Meio Ambiente, inclusive com previsão de processos de gestão
sobre a Limpeza Urbana e o Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos.

Outros problemas de ordem operacional foram relatados conforme segue na Tabela 20 o


resultado das Audiências Públicas realizadas no município:

157
Tabela 20 - Tabulação dos dados das Audiências Públicas do dia 12/09/13 sobre o Diagnóstico do PGIRS de
Andradas
PROBLEMAS SOLUÇÕES
Divulgar e conscientizar a
Desconhecimento/falta de educação da população sobre os
população sobre o PGIRS e
danos do descarte incorreto do lixo doméstico ao meio 6 7
fazer uma educação
ambiente
ambiental contínua
Maior rigidez em relação à
Descarte incorreto de pilhas, baterias, lâmpadas e óleo
1 aplicabilidade das leis 1
combustível
ambientais no município
Coleta de lixo ao
Horário irregular da coleta de lixo 7 5
amanhecer ou noturna

Educação ambiental nas


Falta de educação ambiental nas escolas 1 2
escolas
Implantação da coleta
Diminuição da vida útil do aterro pela falta de coleta seletiva 1 seletiva e da cooperativa 5
de reciclagem
Criar uma legislação
municipal que multe quem
Falta de lixeira nas vias públicas 2 6
descartar de forma
incorreta o lixo domiciliar
Coleta seletiva na área
Descarte do lixo nas margens do rio que corta a cidade 2 1
urbana e rural
Instalação de lixeiras
4
públicas
Descarte incorreto do lixo na zona rural
Voltar com a lei municipal
1
SECOS E MOLHADOS
1 Compostagem do lixo
orgânico principalmente 1
na área rural
Coleta seletiva da borra de
1
café para compostagem
Solução para o vazamento
Vazamento de chorume do aterro sanitário na época da
2 de chorume do aterro 1
chuva
sanitário
OBSERVAÇÃO: Total de questionários recolhidos: 19; Nas respostas dos questionários há mais
de um problema e uma solução proposta.
A análise da Consultoria vai de encontro à opinião da população expressa em
Audiência Pública como se segue:

- Deficiência na operação do Aterro Sanitário que sofre com a mão de obra


desqualificada, a ausência de um Responsável Técnico – RT que acompanhe
continuamente os trabalhos, manutenção inadequada dos sistemas de drenagem e de

158
tratamento de efluentes, manutenção precária dos equipamentos e ausência de
instruções de trabalho claras;

- Deficiência dos processos de mobilização social e educação ambiental permanente


devido à ausência de equipe própria na seção de Educação Ambiental e sobrecarga de
trabalho da divisão de Meio Ambiente nas atividades de Planejamento do Município;

- Ausência de PEV´s - Pontos de Entrega Voluntária ou Ecopontos que poderiam


solucionar o descarte de pequenos volumes de resíduos da construção civil,
eletroeletrônicos, móveis e resíduos de podas nas vias públicas, lotes e margens de
córregos;

- Falta de consciência da população quanto ao assunto reaproveitamento dos materiais


recicláveis e coleta seletiva justamente por causa da deficiente Educação Ambiental
que poderia desenvolver oficinas educativas práticas com criação de objetos para
serem utilizados no dia a dia;

- Ausência de lixeiras em pontos estratégicos que sigam a mesma metodologia


adotada para as áreas urbana e rural, para lixos secos e úmidos, a fim de facilitar o
entendimento das pessoas, conforme recomendações do Ministério do Meio
Ambiente;

- Necessidade de implantação do Programa Agenda Ambiental na administração


pública municipal e demais órgãos públicos;

- Desenvolvimento de campanhas permanentes, na mídia local sobre coleta seletiva


nas áreas urbana, rural e no entorno montanhoso do Município;

- Implantação e operação sistemática e efetiva da coleta seletiva com inclusão dos


catadores organizados em UTC – Usina de Triagem e Compostagem conforme
previsto na legislação federal;

- Estímulo a compostagem doméstica mediante incentivos adotados de recursos


financeiros e tecnológicos disponíveis para a população, conscientizando do problema
e envolvendo-a para a responsabilidade, em busca do equilíbrio de composto orgânico
no ciclo;

- Implantação da cadeia logística fechada de manejo dos resíduos (coleta seletiva,


usina de triagem e compostagem - reciclagem, usina de triagem e reciclagem de

159
resíduos da construção civil – reaproveitamento, redução do resíduo no aterro por
processos mecânicos e incineradores e disposição final do restante);

- Elaboração e instituição das leis ambientais no Município com previsão de educação


ambiental, controle, fiscalização, compartilhamento de responsabilidades e
alternativas punitivas para os transgressores;

- Instituição de política de incentivo municipal para instalação de empresas na cidade


para recolhimento e tratamento de resíduos especiais e indústrias de reciclagem de
materiais diversos;

- Implantação de um programa permanente de educação ambiental para coletores de


resíduos da construção civil, visando sua separação seletiva e destinação correta;

- Instituição do formulário de Resíduos da Construção Civil no processo de concessão


de alvarás para conhecimento da situação deste resíduo no município;

- Instituição de programa ambiental para pequeno, médio e grandes geradores de


resíduos da construção civil;

- Criação de uma divisão de fiscalização unificando os fiscais de várias secretarias


treinando-os para atuação nas diversas áreas;

- Conclusão da obra da usina de triagem e compostagem, formando a cooperativa dos


catadores;

- Necessidade de criar mecanismos de fiscalização e punição para quem jogar resíduos


em locais inadequados;

- Divulgação, incentivo e fiscalização do PGIRS nas construtoras, devendo ser


protocolados na secretaria municipal o competente PGRCC antes da autorização para
construir incluindo a indicação da destinação final do resíduo;

- Fiscalizar as pequenas empresas transportadoras;

- Realizar educação ambiental próximo aos Ecopontos criados;

- Normatizar atividades de coleta e destinação final de resíduos;

- Implantar o IPTU ecológico para as construções novas que aplicarem processos de


reciclagem e reaproveitamento dos resíduos, e desta forma oferecer vantagens para o
futuro proprietário;

160
- Implantação de Ecopontos também na zona rural;

- Fomentar e educar para o processo de compostagem na área rural;

- Desenvolver estudos e pesquisas de alternativas que levem ao reaproveitamento dos


resíduos orgânicos oriundos de granjas de suínos e bovinos na biodigestão e geração
de energia;

- Implantar no sistema escolar municipal de forma integral o projeto de coleta seletiva,


no ensino fundamental e médio, bem como nas entidades subvencionadas pelas
Secretarias Municipais;

- Orientar a população sobre o lixo orgânico e o reciclável, bem como informar sobre
o dia da coleta seletiva;

- Veicular nos meios de comunicação, televisão, rádio, jornais, a necessidade de


mudanças de hábitos, a fim de conscientizar os munícipes e empresários da
necessidade da implantação da coleta seletiva;

- Unir lideranças comunitárias, associações, cooperativas, condomínios entidades de


classe e escolas, visando educar e orientar toda comunidade da importância da coleta
seletiva para o bem estar de todos;

- Definir o correto armazenamento/acondicionamento e descarte final de pneus e


sucatas em áreas rurais e urbanas;

- Obrigar os grandes geradores, centros automotivos e revendedores de pneu, o


cumprimento da logística reversa instituindo lei municipal e fiscalização;

- Criar parcerias públicas e privadas para execução dos projetos públicos de


estruturação do sistema de logística reversa;

- Parcerias com as ONGs para capacitação das associações e cooperativas;

- Propor leis municipais de incentivos fiscais para indústrias que destinam à


cooperativa seus resíduos;

- Definir local para armazenamento de pilhas, baterias, celulares e lâmpadas para


contrato com empresa de destinação correta desses resíduos;

- Definir os procedimentos para coleta, armazenagem e reciclagem do óleo de fritura


(vegetal);

161
- Definir os procedimentos para a coleta seletiva nas escolas e órgãos públicos;

- Incentivar, realizar, promover parcerias e cursos de capacitação as pessoas,


funcionários e população em geral, acerca da importância da segregação e destinação
correta de resíduos;

- Elaborar banco de dados com informações precisas e relevantes, a partir de dados


matemáticos, sociais, culturais, econômicos e ambientais: quantidade de resíduos,
quantidade de empresas recicladoras, infraestrutura para logística reversa, quantidade
e condição social dos trabalhadores que participam da cadeia produtiva desses
resíduos, pontos críticos entre outros; e tornar acessível a toda população essas
informações para uma ação conjunta;

- Realizar diagnóstico e levantamento de dados referentes aos resíduos industriais da


cidade de Andradas para conhecimento e opinião da população;

- Realizar acordos setoriais entre o Município, indústrias produtoras e indústrias


geradoras de resíduos, visando minimizar os custos de tratamento e destinação dos
resíduos industriais, utilizando todos os meios para ter uma logística reversa
funcionando;

- Reciclar os resíduos gerados em obras públicas, aproveitando nas estradas vicinais;

- Monitorar as indústrias conhecendo seus PGRS e a prática dos mesmos através de


visitas programadas e obtenção de cópias destes documentos;

- Condicionar nos processos licitatórios pertinentes a apresentação de relatório do


plano de destinação final dos resíduos gerados pelas empresas.

PROPOSTAS DE INCLUSÃO SOCIAL AOS CATADORES

No Município de Andradas ainda não existe associação ou cooperativa para


organização dos catadores de resíduos. Assim, neste momento, procurou-se conhecer
o meio social e econômico específico dos catadores existentes na cidade para, em um
segundo momento, atender suas necessidades de inclusão e melhoria da qualidade de
vida. Durante os trabalhos de elaboração do PGIRS os catadores conhecidos na cidade
foram contatados e convidados a comparecer ao CRAS – Centro de Referência em
Assistência Social para serem informados das propostas da Prefeitura para os mesmos.
Segue nesta seção o estudo completo realizado que também estará disponível em
volume avulso:
162
PLANO DE GERENCIAMENTO INTEGRADO DE
RESÍDUOS SÓLIDOS DE ANDRADAS - MG
Caracterização Socioeconômica

Andradas - MG

Setembro de 2013

1. INTRODUÇÃO

O município de Andradas, localizado na região do sul de Minas, realiza o Plano


de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos a fim de melhorar as
condições do meio ambiente e da população local. Este plano é de extrema
importância já que direciona o município nas ações a serem tomadas nos
próximos anos referentes aos resíduos sólidos de todo o território de Andradas.

O presente estudo contribui para o Plano ao levantar as condições


socioeconômicas de Andradas e também de uma população específica que
tem grande importância neste gerenciamento: os catadores de recicláveis, uma
vez que eles são responsáveis pelo recolhimento dos materiais passiveis de
reuso, e com isso evitam que centenas de quilos de matérias vão para o aterro
sanitário, diminuindo assim a vida útil do mesmo.

163
Entender a dinâmica do município, como sua população vive, é importante para
traçar um perfil socioeconômico local e com isso conhecer melhor as condições
de vida destas pessoas.

O capítulo 2 apresenta dados sociais e econômicos levantados em fontes


secundárias como Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
Fundação João Pinheiro, Ministério do Trabalho, Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD-ONU), entre outros.

Já o capítulo 3 aborda a condição do universo de catadores de recicláveis


identificados em Andradas. Este capítulo trata das condições sociais e
econômicas e traz uma breve analise sobre esta população.

2. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA DO MUNICÍPIO DE


ANDRADAS

Neste capítulo serão apresentadas as características socioeconômicas do


município de Andradas e o levantamento socioeconômico realizado com os
catadores de recicláveis. A seguir serão apresentados temas relacionados à
economia, emprego e renda, educação e saúde. A fim de estudar a situação
social e econômica do município buscaram-se indicadores e dados das mais
diversas fontes – abaixo citadas – para entender a dinâmica municipal.

• Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM);

• Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M);

• Dados Censo IBGE 2000 e 2010;

• Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) – Ministério


do Trabalho.

2.1. Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal

O Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) é elaborado pelo sistema


das Federações das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e tem

164
por objetivo acompanhar e avaliar o desenvolvimento de todos os municípios
brasileiros. O índice é avaliado anualmente e o dado mais recente é de 2010.

O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior será o


nível de desenvolvimento da localidade, o que permite a comparação entre
municípios ao longo do tempo. As variações são classificadas da seguinte
forma:

• Índice até 0,4 é considerado como baixo desenvolvimento;

• Índice de 0,4 a 0,6 é considerado como desenvolvimento regular;

• Índice de 0,6 a 0,8 é considerado como desenvolvimento moderado;

• Índice de superior a 0,8 é considerado alto desenvolvimento municipal.

O IFDM analisa três áreas do desenvolvimento humano: saúde, educação e


emprego e renda.

O IFDM distingue-se por ter periodicidade anual, recorte municipal e


abrangência nacional. Por ter recorte municipal, foram considerados os
aspectos básicos indispensáveis ao desenvolvimento local. O cenário
socioeconômico no qual os municípios estão inseridos também deve ser
considerado nas análises decorrentes dos resultados, uma vez que não há
como deixar de lado as realidades distintas dos municípios brasileiros. Assim, a
ênfase da leitura não deve se restringir somente a uma questão de posição no
ranking, mas também se de fato houve progresso num determinado município
ou região, em um dado período de tempo.

Abaixo segue quadro-resumo das variáveis que compõe o IFDM:

165
Quadro 1: Componentes do IFDM.

Fonte: Firjan 2012

No último ranking, realizado em 2010 e divulgado em 2012 (referência ao ano


de 2010) este índice aponta que o município apresenta um índice de 0,7710,
considerado desenvolvimento moderado (entre 0,6 e 0,8). No estado Andradas
ocupa a posição 54º no total de 853 municípios do estado de Minas Gerais.
Ainda segundo o índice, nesta posição considerada desenvolvimento
moderado, encontram-se 21,3% dos municípios existentes no estado, o que
indica que Andradas acompanha o desenvolvimento apresentado para o
estado.

Quando se observa os componentes do índice, verifica-se que algumas áreas


de desenvolvimento apresentam valores superiores ao índice geral. Por
exemplo, o índice saúde, para o ano de 2009 apresentou o valor de 0,9361
(considerado alto desenvolvimento); o índice educação o valor de 0,8570,
enquanto o emprego e renda apresenta valores abaixo do IFDM geral, 0,5199,

166
sendo considerado de desenvolvimento regular. Os dados podem ser
observados no gráfico 1:

Gráfico 1: IFDM e Indicadores do município de Andradas (MG)

Fonte: IFDM 2012

O gráfico 2 permite a observação da evolução do índice geral e de seus


componentes desde o ano de 2000 a 2010:

167
Gráfico 2: Evolução anual do IFDM 2000-2010 para Andradas (MG)

Fonte: IFDM 2012

O gráfico indica que os índices componentes educação e saúde cresceram


constantemente no período observado, podendo-se apontar que provavelmente
ocorreram investimentos nestas duas áreas. Por sua vez o componente
emprego e renda apresentou oscilações variáveis, e não obteve melhoras
significativas mantendo-se como o mais baixo indicador do município. É
importante ressaltar que educação e emprego e renda são taxas interligadas,
pois o nível educacional da população reflete diretamente no tipo de emprego e
na renda. Isso pode indicar para o planejamento do município a necessidade
de incentivos quanto à criação de novos postos de trabalho e a melhoria da
renda da população no geral.

O mapa 1 a seguir apresenta os valores do índice Firjan para a microrregião a


qual pertence Andradas:
168
Mapa 1 Índice Firjan de Desenvolvimento na Microrregião de Poços de Caldas (MG).

Fonte: IFDM 2012.

Na microrregião o município que apresenta melhor índice é Poços de Caldas,


com o valor de 0,8079, considerado alto desenvolvimento. O município de
Andradas está também em posição favorável se comparado à microrregião,
pois seu índice é o segundo maior da região seguido por Monte Sião, Ibitiúra
de Minas, Jacutinga, Caldas, Ouro Fino, Albertina, Santa Rita de Caldas,
Campestre, Bandeira do Sul e Botelhos respectivamente.

2.2. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M)

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) é elaborado pelo


Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e visa avaliar a
qualidade de vida de determinado município, estado ou país. No Brasil o PNUD
conta com o apoio da Fundação João Pinheiro, Instituto de Pesquisas
Econômicas Aplicadas (IPEA) e o Centro de Desenvolvimento e Planejamento
Regional (CEDEPLAR) que é ligado a Faculdade de Ciências Econômicas da
Universidade Federal de Minas Gerais. Todas essas entidades elaboram o IDH

169
municipal para o Brasil, e utilizam como fontes dados oficiais governamentais,
principalmente dados dos Censos.

O IDH-M é composto por três subíndices: renda, educação e longevidade. A


longevidade é obtida com base na esperança de vida ao nascer. O subíndice
educação baseia-se na taxa de alfabetização e na taxa bruta de freqüência à
escola. O subíndice renda tem como base a renda per capita média da
população. O IDH-M é um índice que varia de 0 a 1, sendo que quanto mais
próximo de 1 maior o desenvolvimento e quanto mais próximo a 0 menor o
desenvolvimento. De acordo com a classificação da Organização das Nações
Unidas (ONU), tem-se:

• IDH-M até 0,5 – baixo desenvolvimento;

• IDH-M entre 0,5 e 0,8 – médio desenvolvimento;

• IDH-M acima de 0,8 – alto desenvolvimento.

Para avaliar esses índices apresentar-se-á os dados referentes aos anos de


1991, 2000 e 2010 visto que no IDH-M 2010 foi refeito a metodologia para os
anos anteriores e o atual, com isso há uma diferença nos valores que valem
ser discutidos. Anteriormente o IDH-M era calculado através de uma média
aritmética simples. Já para o ano de 2010 segundo o Atlas de Desenvolvimento
Humano:

Anteriormente, o IDHM agregava suas 3 dimensões por meio de uma


média aritmética simples: o IDHM de um município era o resultado da
soma de seus subíndices, dividido por três (IDHM Educação + IDHM
Longevidade + IDHM Renda / 3). Assim, o fraco desempenho em uma
dimensão poderia ser compensado por um desempenho melhor em
outra. Por exemplo, municípios que apresentavam baixa esperança de
vida, mas alta renda municipal, poderiam ter IDHM semelhante aos
municípios que estavam com equilíbrio no desempenho concomitantes
entre as três dimensões. No IDHM do Atlas Brasil 2013, foi adotada a
média geométrica: as dimensões são multiplicadas e o produto é
extraído pela raiz cúbica

( ).

170
Deste modo, a média geométrica reduz o nível de substituição entre as
dimensões. Ou seja, um baixo desempenho em uma dimensão não é
mais linearmente compensado pelo elevado desempenho em outra.
Assim, o IDHM reflete desempenhos nas três dimensões. O
desempenho dos municípios, tanto na renda, quanto na saúde e na
educação, deve ser harmonioso1.

Observe no quadro 2 as variáveis que compõe o IDH-M:

Quadro 2: Componentes do IDH-M

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2010

Entre os anos de 1991 e 2000 Andradas obteve evolução de seu IDH, sendo
de 0,499 em 1991 para 0,644 em 2000, ou seja, um crescimento de 29,06%.
Comparando 2000 a 2010 o município cresceu seu IDH-M em 13,98%
atingindo o valor atual de 0,734. Os componentes do índice que mais
contribuíram para este crescimento foram educação seguida pela longevidade

1 Fonte: http://atlasbrasil.org.br/2013/o_atlas/perguntas_frequentes. Acessado em 17/09/2013


as 09:51.
171
e renda. Dentro da componente renda deve-se observar o dado exposto quanto
ao decrescimento de pessoas em extrema pobreza (pessoas com renda
domiciliar per capita inferior a R$70,00). Entre 1991 e 2000 o valor passou de
3,65% para 1,82%. Já para o ano de 2010 observa-se apenas 0,45% de
pessoas nestas condições.

O gráfico 3 apresenta as componentes do IDH-M para os respectivos anos.

Gráfico 3: Componentes do IDH-M para Andradas (MG)

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2010.

A elevação dos indicadores educação e longevidade é um comportamento


recorrente nos países em desenvolvimento. Isso porque a “pressão
demográfica2” exige da administração pública respostas imediatas, tais como,
investimentos na saúde e educação, pois se não há um controle de natalidade
em determinada área, estado ou país, há um número elevado de nascimentos.
Com isso há demanda por saúde quanto ao acompanhamento das crianças e
das mães, além de demanda por educação. A estabilização de tais fatores,
através de um longo processo, via redução das taxas de natalidade, melhoria
nas condições de vida e consumo; permitirá melhorias nas condições de renda,
com o amparo social do trabalho, qualificação profissional e novos postos de
trabalho.

2 Termo utilizado pela autora Amélia Damiani em seu livro População e Geografia ao fazer
referência ao comportamento da população distribuído por faixa etária.
172
Atualmente, no Brasil, observa-se a implementação de algumas medidas: como
a oferta de qualificação profissional via poder público principalmente de
beneficiários de transferência direta de renda, como o Bolsa Família, e a
inserção desse profissional no mercado de trabalho.

Ainda de acordo com o índice Andradas apresenta uma situação boa


comparado a outros municípios do estado: ocupa a posição 73º no estado do
total de 853 municípios. O mapa 2 mostra o IDH dos municípios pertencentes a
microrregião de Poços de Caldas e pode-se observar que Andradas, no
contexto da microrregião, apresenta um dos melhores IDH da região, ao lado
dos municípios de Poços de Caldas e monte Sião.

Mapa 2: IDH Municipal na Microrregião de Poços de Caldas (MG).

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano 2010.

2.3. Dados Censo IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o órgão responsável


pelos Censos brasileiros. Sua periodicidade é a cada dez anos e permite traçar
um perfil dos municípios, estados e federação quanto a dados populacionais e
de condições dos domicílios brasileiros.
173
Para se verificar a evolução populacional do município de Andradas usar-se-á
como espaço temporal os Censos de 2000 e 2010 a fim de observar-se o
crescimento e comportamento demográfico e das condições dos domicílios.

O mapa 3 apresenta a população urbana e rural para a microrregião do


Entorno de Brasília, a qual, insere-se Formosa.

Mapa 3: População Urbana e Rural na Microrregião de Poços de Caldas (MG).

Fonte: Censo IBGE 2010

Pode-se apontar que os municípios pertencentes a microrregião, em grande


maioria, tem população urbana superior à rural. O município que ainda
apresentam população rural superior a urbana é Caldas. A tabela 1 indica a
população absoluta urbana e rural para os municípios que compõem a
microrregião de Poços de Caldas, de acordo com dados do Censo 2010.

174
MUNICÍPIO POPULAÇÃO POPULAÇÃO TOTAL (ANO
URBANA RURAL 2010)

ALBERTINA 2.012 901 2.913

ANDRADAS 28.026 9.244 37.270

BANDEIRA DO 4.870 468 5.338


SUL

BOTELHOS 11.366 3.554 14.920

CALDAS 5.894 7.739 13.633

CAMPESTRE 10.959 9.727 20.686

IBITIÚRA DE 2.370 1.012 3.382


MINAS

INCONFIDENTES 3.678 3.230 6.908

JACUTINGA 19.076 3.696 22.772

MONTE SIÃO 16.268 4.935 21.203

OURO FINO 23.763 7.805 31.568

POÇOS DE 148.722 3.713 152.435


CALDAS

SANTA RITA DE 5.655 3.372 9.027


CALDAS

Tabela 1: População urbana e rural dos municípios da microrregião de Poços de Caldas (MG).

Fonte: IBGE Censo 2010.

A população urbana no município de Andradas supera a rural: são 28.026


habitantes (75,20% do total) na área urbana e 9.244 na área rural (24,80% do
total). Quando se observa a evolução da população entre 2000 e 2010 verifica-
se que a população jovem e adulta cresceu, enquanto a faixa etária das
175
crianças diminui. A população de idosos também cresceu (acima de 65 anos)
principalmente entre as mulheres. Isso indica que o município acompanha a
tendência nacional com a diminuição do número de natalidade e o aumento do
número de idosos, graças as melhorias na saúde pública com a expansão de
remédios gratuitos e maior acesso dos idosos aos serviços de saúde. Os dados
descritos acima podem ser observados na pirâmide etária que segue (figura 1).

176
Figura 1: Pirâmides Etárias de 2000 e 2010 para o município de Andradas

Fonte: IBGE Censo 2010

177
Quando observado o rendimento mensal dos domicílios no município, de acordo
com o Censo 2010, verifica-se que há uma grande parcela da população em
situação de baixa renda, ou seja, até 3 salários mínimos/mês. Observe o gráfico 3
que apresenta o total por classes de renda dos domicílios no município de Andradas.

Gráfico 4: Renda dos Domicílios Particulares Permanentes de Andradas.

Fonte: IBGE Censo 2010.

Os domicílios com renda entre 2 a 5 salários mínimos são a maioria em Andradas,


correspondem a 44,80% do total de domicílios. Já as classes de renda somadas de
sem rendimentos até 2 salários mínimos correspondem a 30,75% do total de
domicílios. Os domicílios com renda superior a 5 salários mínimos correspondem a
24,46% do total.

A partir deste dado pode-se considerar que o município apresenta uma situação
estável de renda dos moradores, pois a grande maioria dos domicílios é classificada
na renda entre 2 a 5 salários mínimos. De acordo com a classificação do Governo
178
Federal, no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, são
considerados pobres as famílias que tem rendimento até 3 salários mínimos. Na
condição de extrema pobreza, ou seja, R$70,00 per capita encontram-se apenas
1.204 domicílios do total de 12.232 residências contabilizadas em Andradas.

Para este estudo socioeconômico, que no próximo capitulo tratará especificamente


da situação dos catadores de recicláveis do município, faz-se importante um
levantamento da renda dos moradores da localidade, pois com isso é possível
estimar e comparar a situação dos catadores com as classes de renda
diagnosticadas pelo IBGE. Segundo o relatório do Banco Mundial sobre a produção
de lixo urbano, na publicação What a Waste: A Global Review of Solid Waste
Management, quanto mais progresso um determinado país experimenta, a sua
população adota um padrão de vida elevado, mais consumista, e com isso a
produção de lixo aumenta consideravelmente. O estudo aponta, de modo geral que
países com diferentes níveis de renda, como o caso do Brasil e China, as
quantidades de papel e material orgânico descartados por uma sociedade dizem
muito sobre o quão rica ou pobre ela é. Os países pobres tem uma grande produção
de lixo orgânico. Para o Brasil esta produção de lixo equivale a 61% do total
produzido em um ano, enquanto comparado a Alemanha, a produção de lixo
orgânico equivale a apenas 34%. Portanto os dados apresentam que quanto mais
consumista uma determinada sociedade, maior é sua produção de lixo não orgânico.

Ao observar a situação de Andradas, partindo da óptica da renda, pode-se estimar


que há uma grande produção de lixo não orgânico, ou seja, o passível de
reciclagem, pois de acordo com os dados do IBGE e IDH-M foi possível observar
que o município possui um número significativo de habitantes em situação de classe
média (entre 3 a 5 salários mínimos) e classe média alta (acima de 5 salários
mínimos). Com isso pode-se considerar esta produção de lixo significativa. Também
pode-se com isso estimar que no município tenha a presença significativa de
catadores de recicláveis.

Os dados do Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho


apontam que para o ano de 2012 ocorreram em Andradas 4.214 admissões e 3.976
desligamentos. Para o ano de 2013 foi constatado para a data de 1º de janeiro um

179
total de 8.529 empregos formais nos 2.251 estabelecimentos. Para o período de
janeiro a agosto do presente ano ocorreram 2.580 admissões e 2.395
desligamentos. Se comparado ao mesmo período para o ano de 2012 [janeiro-
agosto] observa-se que ocorreram mais admissões (2.807) e menos desligamentos
(2.727), enquanto para o período observado no ano de 2013 ocorreram menos
admissões e mais desligamentos. Portanto esta comparação apresenta, para o
mesmo período, uma diminuição de contratações no município.

Este dado reforça a ideia apresentada pelo índice FIRJAN de desenvolvimento


municipal, pois uma vez que o subindice de menor valor é o emprego e renda que
considera geração de emprego, estoque de emprego formal e salário médio dos
empregados. Pode-se estimar como hipótese que em Andradas ocorra a escassez
de mão-de-obra qualificada, o que pode levar a rotatividade de admissões e
demissões, fazendo com que o município não tenha grande destaque em relação a
boa oferta de emprego e renda, como apresentado pelo IFDM. Além disso o IDH-M
e os dados do IBGE referentes a renda apresentam também que embora a
localidade não tenha expressivo número de pessoas em situação de extrema
pobreza, estas por sua vez, a grande maioria, também não apresentam uma renda
considerada elevada, pois 44,8% dos Andradenses encontram-se na classe de
renda entre 2 a 5 salários mínimos, ou seja, considerados classe média.

O dado apresentado pelo IDH-M, referente ao índice de GINI, mostra uma boa
perspectiva para Andradas, ou seja, se o município continuar sua evolução quanto a
melhoria das condições de trabalho e renda, tenderá a ter uma distribuição per
capita mais igualitária entre seus moradores. O índice de GINI segundo o Atlas de
Desenvolvimento Humano no Brasil 2010:

É um instrumento usado para medir o grau de concentração de renda. Ele


aponta a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos.
Numericamente, varia de 0 a 1, sendo que 0 representa a situação de total
igualdade, ou seja, todos têm a mesma renda, e o valor 1 significa completa

180
desigualdade de renda, ou seja, se uma só pessoa detém toda a renda do
lugar3.

Para Andradas é possível observar uma evolução positiva entre os anos de 1991 e
2010.

Em 1991 o índice de Gini equivalia a 0,47. Em 2000 ocorreu um crescimento do


valor sendo equivalente a 0,56. Já no ano de 2010 o valor decresceu para 0,44, o
que indica que na localidade ocorreu uma distribuição mais justa da renda entre
todos os moradores, portanto pessoas que se encontravam em extrema pobreza e
pobreza saíram deste patamar para outros melhores quanto à classe de renda.

3. CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONOMICA DOS CATADORES DE


RECICLÁVEIS ENTREVISTADOS EM ANDRADAS (MG)

Para complementar o Plano Integrado de Gestão de Resíduos Sólidos (PGIRS) de


Andradas foi necessário levantar e identificar previamente os catadores de
recicláveis que atuam na cidade. É importante conhecer a situação social e
econômica desta população, uma vez que estes são fundamentais para o bom
funcionamento da política de gestão de resíduos sólidos, pois evitam que materiais
recicláveis sejam dispostos no aterro sanitário, diminuindo assim a vida útil do
mesmo. Além disso, faz-se importante identifica-los, entender a situação de cada um
e do conjunto, para que se possa traçar medidas mitigadoras para eles unirem-se
em uma causa comum, a reciclagem. Uma das medidas previstas no PGIRS é a
implantação, pelo poder municipal, de uma usina de triagem e reciclagem de
materiais para contribuir com menos material no aterro da cidade.

Pode-se considerar também que a implantação de uma usina de triagem e


reciclagem para os catadores organizados em cooperativa ou associação é
fundamental para que estes possam ter mudanças quanto à renda familiar, e quanto
à segurança no trabalho, pois organizados a fim de um proposito [reciclagem]

3 Fonte: http://atlasbrasil.org.br/2013/perfil/andradas_mg. Acessado em 17/09/2013 as 18:26.


181
passam a ter um reconhecimento maior pela população local, e com isso buscarem
seus direitos, além de possibilitá-los autonomia e dignidade ao trabalharem em um
sistema de cooperativa com abertura de um cadastro nacional de pessoa jurídica
(CNPJ) e com isso alcançarem melhores valores de comercialização no mercado da
reciclagem. Também pode-se considerar importante o trabalho dos catadores na
usina como importância para a saúde, uma vez que, não recolheram o material na
rua, e sim receberão o material no galpão de triagem, com isso receberão
treinamento de como manipular corretamente o lixo reciclável e o uso correto de
equipamentos de segurança.

Com o objetivo de iniciar a identificação deste grupo, no último dia 10/09/2013


ocorreu no Centro de Referência em Assistência Social de Andradas (CRAS) um
encontro com seis (5) catadores de recicláveis. Sabe-se através de dados da
assistência social que existem mais treze (13) catadores, mas estes não
compareceram a reunião. Entretanto os presentes foram de fundamental importância
na primeira identificação do grupo, pois do grupo de cinco pessoas, quatro já
realizam um trabalho desenvolvido pelo CRAS e pelo Posto de Saúde da Família
(PSF) de coleta de recicláveis no bairro Vila Euclídes. Durante a reunião foi exposto
para os catadores a importância de trabalharem em um galpão, recebendo os
materiais, e, além disso, pensarem coletivamente, através de uma cooperativa, onde
todos possam ganhar e dividir os lucros. A experiência inicial indicou um entusiasmo
dos participantes, pois hoje estes experimentam de um bom funcionamento da
coleta seletiva no bairro em que moram, o Vila Euclídes. O trabalho realizado pelo
CRAS e PSF faz com que os moradores separem em seus domicílios o lixo orgânico
do lixo seco, o que pode ser reciclável. Com isso estes catadores foram divididos
pelo território do bairro e cada um recolhe o material de casa em casa, já separado
previamente pelo morador. Segundo a assistente social do CRAS, Sandra, “os
catadores estão trabalhando mais felizes, pois não precisam mais separar na rua o
material reciclável do orgânico, e com isso trabalham de forma mais ágil, podendo
assim abranger outras áreas da cidade que antes não iam”.

Portanto, esta pequena experiência apresenta uma satisfação deste grupo de 6


pessoas em trabalharem de forma mais organizada. A seguir serão apresentados os

182
dados levantados no questionário elaborado para identificar a situação
socioeconômica desta população.

3.1. Resultados do questionário


Foi aplicado individualmente um questionário previamente elaborado para identificar
a situação socioeconômica dos catadores de recicláveis. O questionário foi
estruturado de forma semiaberta, ou seja, com perguntas abertas e fechadas. A
intenção das perguntas abertas do questionário foi para entender como esta
população se sente diante de um processo de organização social, com a
implantação de uma cooperativa, por exemplo. Além disso, alguns catadores foram
além das perguntas do questionário e declararam como chegaram até esta forma de
trabalho e também sobre os problemas pessoais que os afetam.

Do universo de entrevistados dois são idosos acima dos setenta anos, duas estão
entre 57 e 58 anos, e apenas um tem 45 anos. Quatro são moradores do bairro Vila
Euclídes e apenas um morador do bairro Jardim Juarez (bairro vizinho à Vila
Euclídes). Do grupo de idosos foi possível identificar que um deles não recebe
aposentadoria ou benefício de prestação continuada (BPC)4.

Quanto a estrutura familiar identificou-se dois catadores que moram sozinhos, um


catador que mora com o cônjuge, um que mora com uma filha e duas netas e um
que mora com dois filhos e quatro netos.

Durante a entrevista todos falaram que passaram a recolher recicláveis como uma
alternativa para melhorar a renda, pois como apresentado, muitos deles tem uma
estrutura familiar grande, e com isso precisam de uma contribuição maior na renda
para sustentar a família. Das duas pessoas entrevistadas que tem uma família maior

4 O Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC-LOAS, é um benefício da


assistência social, integrante do Sistema Único da Assistência Social – SUAS, pago pelo Governo
Federal, cuja a operacionalização do reconhecimento do direito é do Instituto Nacional do Seguro
Social – INSS e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às
condições mínimas de uma vida digna. Tem direito ao benefícios idosos sem renda ou com renda até
¼ do salário vigente, e deficientes com renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo vigente.
Fonte: http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=23.
183
declararam que a reciclagem é essencial para manter as contas da casa em dia. Foi
possível verificar que uma destas famílias passa por situação de vulnerabilidade
social, já que é o dinheiro da reciclagem é a única fonte de renda da família. Além
disso, o entrevistado declarou que um dos filhos que mora na casa tem problemas
com drogas e prostituição.

Apenas um dos entrevistados declarou que mais um membro do núcleo familiar


também trabalha com reciclagem. Dos outros quatro eles são os únicos
responsáveis pelo o recolhimento da reciclagem.

Quanto a moradia perguntou-se as condições dos domicílios. Os dados seguem no


gráfico 5:

Gráfico 5: Condições de moradia dos catadores de recicláveis de Andradas (MG).

Também foi perguntado o tipo de material de construção das casas e todas são em
alvenaria, e em grande parte casas pequenas entre três a cinco cômodos.

Os entrevistados declararam o nível de escolaridade:

184
Gráfico 6: Escolaridade dos catadores de recicláveis de Andradas (MG)

Dois catadores manifestaram desejo de voltar aos estudos, já que acreditam que
com o estudo possam tornar-se mais instruídos para trabalhar com o recolhimento
dos materiais e com isso não correrem risco de saúde, pois conseguiram ler com
rapidez a identificação do material. Um dos entrevistados sugeriu a implantação de
um turno da educação de jovens e adultos (EJA) na escola do bairro no período da
noite.

O questionário também levantou se os catadores possuíam algum tipo de


necessidade especial, já que o objetivo final é leva-los a trabalhar no galpão em
forma de cooperativa. Esta pergunta teve o objetivo de, se necessário, realizar
algumas estruturações que permitam o acesso a este grupo de portadores de
necessidades especiais. Dois dos cinco tem algum tipo de deficiência. Um deles
possui deficiência auditiva e dificuldades de locomoção. O outro possui uma leve
deficiência mental e faz tratamento no PSF.

Buscou-se identificar também as condições de saúde destas pessoas. Quatro dos


cinco entrevistados declararam utilizar medicamentos contínuos para problemas de
saúde como reumatismo e coração. Alguns entrevistados declaram ter vicio com o
álcool e o cigarro.

Um dos entrevistados é dependente de álcool, e segundo os funcionários do PSF,


realizam um trabalho em especial com esta pessoa através de acompanhamento do
agente de saúde e também do psicólogo do CRAS. Entretanto, segundo as
funcionárias do CRAS e do PSF este entrevistado sempre tem recaídas e volta para
185
o vício do alcoolismo. Durante a entrevista admitiu que já foi viciado em álcool mas
que atualmente não faz mais uso. Entretanto ao longo da entrevista e também após
algumas histórias de vida contada por este entrevistado foi possível perceber que
ainda sofre com problemas referentes ao alcoolismo, valendo, por tanto, dar-se uma
atenção especial a este tipo de caso.

Outras duas pessoas declararam fumar a mais de dez anos e também informaram
sobre o desejo em parar com o vício. Ainda em relação a algum tipo de dependência
com drogas ilícita os mesmos dois entrevistados declararam não ter relação, mas os
filhos sim. Ambos os filhos são usuários de drogas a mais de dez anos e não
aceitam o tratamento ou internação, e, segundo os entrevistados, desestabilizam
toda a família ao lidar com esta situação, pois têm o costume de furtar objetos de
casa para conseguir a droga, além de sofrerem violência física quando os usuários
estão em crise por falta da droga.

Levantou-se no questionário a situação financeira domiciliar dos catadores de


recicláveis de Andradas. O gráfico 7 apresenta, por faixa de renda, as condições
desta população:

Gráfico 7: Renda familiar mensal dos catadores de recicláveis de Andradas (MG)

Diante deste dado verifica-se que estas pessoas são consideradas de baixa renda,
pois sustentam seu núcleo familiar com até dois salários mínimos. Deve-se ressaltar
que esta pergunta abrange todas as rendas, não apenas de aposentadoria ou
benefícios sociais para quem recebe, mas também, os trabalhos referentes à
186
catação de recicláveis. Apenas um entrevistado declarou receber o benefício do
Bolsa Família. Outro entrevistado declarou que para melhorar a renda familiar
também trabalha em temporadas nas fazendas da região com o plantio de sementes
e mudas, e com isso, nestas épocas do ano consegue ter uma renda extra no
orçamento familiar.

A última parte do questionário perguntou aos entrevistados especificamente se eles


tinham o conhecimento a respeito de uma associação ou cooperativa. Três dos
cinco responderam que sabiam, pois antes das entrevistas a geógrafa da Brasil
Ambiental, Ana Carolina, e Sandra, assistente social do CRAS, explicaram o que é e
como funcionava. Os outros dois que responderam não disseram que ainda não era
claro para eles a explicação. Então especificamente para estas duas pessoas, a
pesquisadora explicou novamente o que era e como funcionava uma
associação/cooperativa, para que estes pudessem responder a outra pergunta
seguinte: Se gostaria de trabalharem em um galpão de triagem, com os outros
catadores de reciclagem. Três responderam que sim, pois seria uma proposta
interessante, além de trabalharem de forma correta, sem ir a rua recolher os
materiais, e com isso o desgaste físico seria menor. Já os outros dois que
responderam não justificaram como principal dificuldade a responsabilidade e
comprometimento que tem com seus lares, pois ambos têm pessoas em casa que
exigem um cuidado maior (cônjuge, netos) e, portanto, trabalhar na rua é a forma
mais fácil para eles, já que podem fazer o horário quando for possível e com isso
dedicar aos parentes simultaneamente.

Foi questionado também, por fim, se tinham o interesse em receber uma


qualificação profissional para transformar os materiais recicláveis em artesanato. A
grande maioria (três) declarou interesse em receber esta qualificação e com isso ter-
se uma renda extra no orçamento familiar.

3.2. Breve analise das entrevistas


O questionário foi fundamental para levantar as questões referentes ao modo de
vida dos catadores de recicláveis de Andradas. Embora não conseguiu-se levantar

187
todos os catadores existentes no município, o grupo entrevistado foi fundamental
para se ter um breve panorama da situação desta população no município.

Pode-se destacar que esta população vive em um bairro mais humilde da cidade em
condições de baixos salários, o que os faz recolherem recicláveis nas ruas para
aumentar a renda familiar. O trabalho desenvolvido pelo CRAS e PSF é de grande
valia, pois além de conscientizar a população a separar o lixo seco do úmido,
também capacita os catadores quanto que tipo de material é reciclável ou não, além
de acompanharem vacinas e qualidade da saúde deles.

Entretanto, verifica-se também em algumas famílias o problema com as drogas, o


que desestabiliza o núcleo domiciliar. Cabe ressaltar que deve ser feito com estas
famílias um acompanhamento psicológico e médico a fim de contribuir com a
diminuição destes problemas. Esta situação deixam os lares abalados, e deve-se
destacar que além disso a também a questão da renda familiar que é baixa. Todos
estes fatores somados levam as pessoas em uma situação de vulnerabilidade social,
pois elas ficam diante de grandes problemas a enfrentarem, e com isso necessitam
de ajuda para conseguirem resolver esta situação. Um bom caminho é o CRAS, já
existente na região, além de outras políticas públicas que visem a melhoria de
qualidade de vida destas pessoas.

Os entrevistados, quando questionados em relação a cooperativa, mostram-se


receptíveis a ideia, mas desconfiados se é possível sucesso com este modo de
trabalho. Com isso pode-se estimar que será necessário um grande esforço pelo
poder público em apresentar os benefícios da associação/cooperativa e convence-
los que esta é a melhor forma para trabalharem de uma forma mais correta com
maquinas, equipamentos de proteção, e também para lucrarem mais com a venda
do material.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Foi possível verificar que Andradas é um município economicamente ativo, com


setores diversificados de produção. O poder aquisitivo da população, de modo geral,

188
é bom e com isso o consumo aumenta. É uma dicotomia: enquanto verifica-se que
nos últimos 20 anos as taxas de crescimento decrescem, e logo, nascem menos
pessoas que antes, o consumo, por sua vez aumenta cada vez mais. Segundo
Curran e De Sherbinin (2004) países que experimentam a transição demográfica
tendem a consumir mais bens a medida que melhoram suas condições de vida, ou
seja, quando têm melhores condições de salários.

Em Andradas verifica-se, pelo tipo de lixo depositado nas ruas, que as famílias
descartam muitos materiais que ainda poderiam ser reaproveitados, como sofás,
armários, colchões. Além disso, também verifica-se, como estudo de caso, o bairro
Vila Euclídes, que é considerado um bairro de baixa renda, mas que produz muito
material reciclável. Os dados do CRAS mostram que após a implantação da coleta
seletiva o lixo antes para o bairro era de 910 kg, após um mês de coleta seletiva, o
lixo que destinou-se ao aterro foi equivalente a 370 kg, ou seja, redução de 1/3 do
inicial. Portanto, em um bairro onde o poder aquisitivo não é tão imponente, foi
possível recolher mais de 540 kg de material reciclável. Certamente em um bairro
habitado por pessoas em melhores condições de renda este valor de coleta será
superior, uma vez que a literatura científica apresenta esta relação direta entre poder
aquisitivo e consumo.

Visando o meio ambiente de Andradas seria interessante pensar a respeito de


campanhas que visem a diminuição do consumo juntamente com a coleta seletiva. A
diminuição do consumo, talvez para a sociedade pós-moderna, seja o principal
desafio, pois as pessoas vivem em uma mentalidade capitalista de consumo, com
propagandas atrativas que convencem a cada um consumir sem mesmo necessitar
do produto ou serviço, e com isso expondo ao ambiente mais lixo. Entretanto uma
campanha a longo prazo e continua possa ser eficaz, como por exemplo educação
ambiental nas escolas, principalmente na fase infantil, para que as crianças saibam
desde cedo a importância do consumo consciente e preservação do meio ambiente.

Outra medida que também deve ser continua é a educação ambiental com a
população local, pois sem a devida separação do lixo seco com o úmido, muito
material reciclável será destinado de forma indevida ao aterro sanitário, diminuindo
assim sua vida útil. Este trabalho, para a experiência já experimentada na Vila
Euclídes, funciona bem com os agentes de saúde, que estão com frequência nos
189
domicílios do bairro para fazer o controle de saúde e também orientar quanto à
separação do lixo.

E por fim, o maior desafio será conscientizar os catadores a trabalharem no galpão


de triagem de recicláveis. Será necessário um trabalho continuo para demonstrar a
importância que eles têm sobre o sistema de gerenciamento dos resíduos sólidos
urbanos, além de orienta-los sobre a forma correta de trabalho e a união dos
mesmos em uma cooperativa, pois assim, Andradas terá um bom exemplo de
gerenciamento destes resíduos para a região.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL. IDH-M e perfil do


município de Andradas, Minas Gerais. PNUD, IPEA, Fundação João Pinheiro. Minas
Gerais, 2013.

BRASIL. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Cadastro Geral de


Empregados e Desempregados. Disponível em:

http://portal.mte.gov.br/caged/estatisticas.htm. Acesso em setembro de 2013.

DAMIANI, Amélia Luisa. População e Geografia. São Paulo, 9ª edição. Editora


Contexto, 2009.

GOLDEMBERG, José (org). População e Ambiente: desafios à sustentabilidade.


São Paulo, 1ª edição. Editora Blucher 2010.

190
SISTEMA FIRJAN. Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal Disponível em:
http://www.firjan.org.br/IFDM/. Acesso em setembro de 2013.

IBGE. Censo Demográfico 1991 - Resultados do universo. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censodem/default_censo1991.sht
m. Acesso em setembro de 2013

____. Censo Demográfico 2000 - Resultados do universo. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br. Acesso em setembro de 2013.

____. Censo Demográfico 2010 - Resultados da amostra. Disponível em:


http://www.ibge.gov.br. Acesso em setembro de 2013.

Abaixo o questionário utilizado no trabalho de reconhecimento dos catadores de resíduos:

DIAGNÓSTICO SOCIAL DOS CATADORES DE MATERIAIS


RECICLÁVEIS

Dados pessoais:

Nome:.............................................................................................................................
............................................................................................................

Naturalidade:................................................................................................

Mora há quanto tempo na cidade?...............................................................

Endereço:.......................................................................................................................
..............................................................................................................

Casa própria? ( ) aluguel ( )favor

Quantos cômodos?.................( ) alvenaria ( )madeira ( )lona ( ) outro: ................

Grau de escolaridade: .................................... idade: .................sexo F( ) M ( )

Tem desejos de retornar aos estudos? Sim ( ) Não ( )

Onde trabalhava antes da ASCAPEL?..................................................................

191
Qual motivo te levou a trabalhar na ASCAPEL? ..................................................

...............................................................................................................................

Há quanto tempo exerce a atividade? ..................................................................

Gostaria de fazer algum tipo de curso de artesanato ligado a reciclagem?

Sim ( ) Não ( )

Faz uso de algum tipo de medicamento? Qual? ..................................................

...............................................................................................................................

Faz uso de bebida alcoólica? Sim ( ) Não ( )

Já fez uso de bebida alcoólica? há quanto tempo parou?

...............................................................................................................................

Fuma? Sim ( ) Não ( ) Quanto tempo?.................. Deseja parar Sim ( ) Não ( )

Faz uso de algum tipo de droga ilícita? Sim ( ) Não ( )

Qual?............................................ Quanto tempo?................................................

Deseja fazer algum tratamento para se tratar do vicio? Sim ( ) Não ( )

Participa de algum grupo, associação, igreja? .....................................................

Faz outras atividades para complementar a renda? Sim ( ) Não ( ) qual?

...............................................................................................................................

Estado civil: .............................................Quantos filhos? ....................................

Escolaridade: ........................................................................................................

...............................................................................................................................

...............................................................................................................................

...............................................................................................................................

..............................................................................................................................

Quantas pessoas trabalham em casa? ..............Alguma com catação? .............

Participa de algum programa social? Sim ( ) Não ( )Qual?...................................

192
INICIATIVAS RELEVANTES

Certamente a iniciativa mais relevante e que merece destaque é a iniciativa da Prefeitura


Municipal de Andradas rumo ao novo modelo de gestão participativo na integração da
sociedade, público interno e poder público para a construção de um plano prioritário e
desafiador como o PGIRS.

Como relatado anteriormente, também não poderia deixar de ser citado o Projeto APA -
ANDRADAS PROTEGENDO O AMBIENTE, através de parceria entre o Centro de
Referência de Assistência Social – CRAS, a Unidade do Programa Saúde da Família – PSF
Horto Florestal, a Seção de Desenvolvimento de Projetos, Fiscalização e Educação Ambiental
– SDPFEA e a Seção de Limpeza Pública da Secretaria Municipal de Obras cujo foco é a
coleta seletiva do lixo doméstico, conciliado ao trabalho socioeducativo e de conscientização
ambiental.

MEIOS DE COMUNICAÇÃO DA ELABORAÇÃO DO PGIRS

Fonte: Site oficial da Prefeitura Municipal de Andradas

http://portaldeandradas.com.br/noticia.php?id=1366

193
Fonte: Comunicação Social – Andradas/MG

194
Fonte: Portal de Andradas - Notícias

195
ASPECTOS GERAIS PARA O PROGNÓSTICO

PERSPECTIVAS PARA GESTÃO ASSOCIADA COM MUNICÍPIOS E REGIÃO

Até o fechamento deste documento, o município de Andradas estava em processo de


negociação com municípios vizinhos para a destinação dos resíduos sólidos urbanos destes
em seu Aterro Sanitário.

Na proposta de consórcio consta como exigências aos municípios que aderirem as seguintes
condições técnicas e operacionais:

- Os municípios interessados devem elaborar seus Planos Municipais de Saneamento Básico –


PMSB e Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos – PGIRS;

- Até a efetiva destinação dos resíduos à Andradas, os municípios devem ter implementado a
coleta seletiva em 100% do município a fim de preservar a vida útil do Aterro.

A coleta seletiva deverá ser implementada mediante a separação prévia dos resíduos sólidos
(nos locais onde são gerados), conforme sua constituição ou composição (úmidos, secos,
industriais, da saúde, da construção civil etc.). A implantação do sistema de coleta seletiva é
instrumento essencial para se atingir a meta de disposição final ambientalmente adequada dos
diversos tipos de rejeitos. A coleta seletiva deve ser entendida como um fator estratégico para
a consolidação da Política Nacional de Resíduos Sólidos em todas as suas áreas de
implantação.

Outras ações de gestão associada podem ser consideradas, como por exemplo, a destinação do
material triado nos municípios a um único galpão para comercialização mais atraente nos
quesitos volume e logística.

Apesar da proximidade com grandes cidades do sul de Minas Gerais e São Paulo com
populações próximas de cem mil habitantes, Andradas exerce importante influência sobre os
municípios vizinhos de Caldas, Santa Rita de Caldas e Ibitiúra de Minas, entre outros, devido
a aspectos geográficos e econômicos.

Assim, natural que Andradas assuma, no médio prazo, seu papal de moderador nas discussões
e contribuições técnicas nas elaborações dos planejamentos de manejo de resíduos sólidos, a
partir da formação de grupos de comitês locais apoiados por grupos de sustentação
representados por técnicos de cada município parceiro. De forma conjunta, elaborar propostas

196
e decisões sobre temas peculiares de cada município, e estabelecer projetos estratégicos para
cada realidade sempre priorizando soluções conjuntas que possam ser mais sustentáveis do
ponto de vista econômico e ambiental.

DEFINIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS

A definição das responsabilidades públicas e privadas está vinculada aos tipos de resíduos
gerados e seus geradores, e ainda podendo haver variação quanto à função de cada agente na
cadeia de produção. A responsabilidade pelos resíduos gerados no Município deve ser
compartilhada com todos os atores envolvidos, passando pelos setores primário, secundário e
terciário, o setor de consumo e o poder público.

As responsabilidades de cada ator envolvido estão diretamente relacionadas à natureza do


resíduo, origem do resíduo ou volume gerado:

Tabela 21 - Responsabilidades Públicas e Privadas dos resíduos gerados

Responsabilidades Públicas e Privadas dos resíduos


gerados
Tipo Características Responsabilidades
Gerador e
Resíduos domiciliares Residências
Prefeitura
Gerador e
Resíduos comerciais Pequeno gerador (≤ 200 kg)
Prefeitura
Resíduos comerciais Grande gerador (> 200 kg) Gerador

Resíduos dos serviços de limpeza


Equipamentos e áreas públicas Prefeitura
pública

3
Resíduos da Construção Civil e Gerador e
Pequeno gerador (< 1 m )
Demolição Prefeitura
3
Resíduos da Construção Civil e
Grande gerador (> 1 m ) Gerador
Demolição
Gerador e
Resíduos volumosos Residências
Prefeitura
Resíduos volumosos Comercial e Industrial Gerador

197
Resíduos Verdes Equipamentos e áreas públicas Prefeitura

Resíduos Verdes Pequeno gerador (< 1 m3) Gerador e


Prefeitura
Resíduos Verdes Grande gerador (> 1 m3) Gerador

Resíduos dos serviços da Saúde Comercial e Industrial Gerador

Lâmpada fluorescente Gerador e


Resíduos tecnológicos
(residencial) Fornecedor
Lâmpada fluorescente Gerador e
Resíduos tecnológicos
(Comercial e Industrial) Fornecedor
Pilhas e Baterias Gerador e
Resíduos tecnológicos
(residencial) Fornecedor
Pilhas e Baterias Gerador e
Resíduos tecnológicos
(Comercial e Industrial) Fornecedor
Eletroeletrônicos Gerador e
Resíduos tecnológicos
(residencial) Fornecedor

Eletroeletrônicos Gerador e
Resíduos tecnológicos
(Comercial e Industrial) Fornecedor
Gerador e
Resíduos especiais Pneus
Fornecedor
Gerador e
Resíduos especiais Embalagens de agrotóxicos
Fornecedor
Gerador e
Resíduos especiais Óleos e Graxas lubrificantes
Fornecedor
Resíduos dos serviços públicos de
Equipamentos e áreas públicas Prefeitura
Saneamento Básico
Resíduos dos serviços de
Comercial e Industrial Gerador
Saneamento Básico
Resíduos sólidos Cemiteriais Equipamentos e áreas públicas Prefeitura

Resíduos sólidos Cemiteriais Particular Gerador

198
Gerador e
Resíduos de Óleos Comestíveis Residências
Prefeitura
Resíduos de Óleos Comestíveis Comercial e Industrial Gerador

Resíduos Industriais Comercial e Industrial Gerador

Resíduos dos serviços de transportes Comercial e Industrial Gerador

Gerador e
Resíduos Agrosilvopastoris Comercial e Industrial
Fornecedor
Gerador e
Resíduos Agrosilvopastoris Particular
Fornecedor

Gerador e
Resíduos da Mineração Comercial e Industrial
Fornecedor

Para que o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos saia do papel e torne efetivamente
um processo rotineiro nas atividades socioeconômicas do município, todos, sem omissão de
suas responsabilidades, nos meios públicos e privados, deverão cumprir a sua função de
cidadania, para:

• Garantir que as metas e propostas deste documento sejam concretizadas dentro do prazo;

• Adequar a Administração Pública para a plena gestão dos resíduos sólidos do município
controlando e fiscalizando a efetiva ação de todos os agentes envolvidos;

• Incentivar as parcerias do governo com organizações que permitam aperfeiçoar a gestão


integrada de resíduos sólidos;

• Garantir o acesso da população à informação, à participação e ao controle social nas


questões relativas à gestão integrada de resíduos sólidos;

• Garantir a regularidade, a continuidade, a funcionalidade e a universalidade dos serviços


públicos de manejo de resíduos sólidos;

• Incentivar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e


reciclados, bem como o desenvolvimento de novos produtos e processos, com vistas a
estimular a utilização das tecnologias ambientalmente corretas;

199
• Potencializar parcerias com agentes sociais e econômicos envolvidos no ciclo de vida dos
materiais, da geração à coleta, do processamento à disposição final;

• Priorizar a inclusão social e a emancipação econômica dos catadores de materiais recicláveis


e dos agentes recicladores, conforme as legislações Federal e Estadual;

• Promover o desenvolvimento sustentável da sociedade, por meio de ações de inclusão social


e de educação ambiental para todos os cidadãos.

DIRETRIZES, ESTRATÉGIAS, PROGRAMAS, AÇÕES E METAS

O Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - PGIRS do Município de Andradas


deverá contemplar:

Modelo de gestão

As premissas do modelo de gestão se caracterizam, por contemplar todas as exigências da


lei, em especial às questões de responsabilidade compartilhada, sustentabilidade econômica
das operações, preservação do meio ambiente e logística reversa, além de intensificar as
questões socioambientais, contribuindo com a qualidade de vida da população e uma cidade
mais limpa e organizada, utilizando para tanto, as prerrogativas da Educação Ambiental. O
modelo de gestão dos resíduos no município deverá contemplar:

Participação da população nas decisões socioambientais (educação ambiental);

Conscientização da geração e tratamento (responsabilidades das fontes geradoras) em


todos os setores da produção dos resíduos;

Atentar para os custos objetivando viabilizar a realização dos projetos;

Conscientização da população, quanto ao seu lugar como agente consumidor e gerador


de resíduos, colocando-a como parceira na solução dos problemas advindo da produção dos
resíduos;

Responsabilizar de forma compartilhada todos os agentes envolvidos no ciclo de vida


dos produtos, abrangendo os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, os
consumidores e os titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos
sólidos em todo o município;

200
Promover o reconhecimento do resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem
econômico e de valor social, geradores de trabalho e renda e promotor de cidadania;

 Compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais e os processos de gestão


empresarial e mercadológica com os de gestão ambiental desenvolvendo estratégias
sustentáveis.

Diretrizes da Gestão dos RSU

Escolher alternativas tecnológicas mais adequadas para o meio ambiente e para a saúde da
população (inclusão social e mais qualidade de vida);

Articular entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial, com
vistas à cooperação técnica e financeira para gestão integrada de resíduos sólidos;

 Adotar mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos


dos serviços prestados, como forma de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira;

* Em Andradas a arrecadação com taxas referentes ao manejo de RSU representa em média


27,0% das despesas com manejo RSU, logo para subvencionar todos os serviços prestados,
subtrai-se 73,0% dos recursos financeiro do município.

Promover a redução da geração de resíduos sólidos da população;

Aperfeiçoar as tecnologias de coleta, manejo e tratamento de resíduo sólido;

Manter os logradouros e equipamentos públicos limpos;

Promover a orientação da disposição e acondicionamento para a coleta adequada dos


resíduos;

Planejar a destinação ambientalmente correta de todos os resíduos do município;

Operar os serviços mais viáveis e de menor custo;

Priorizar programas, projetos e ações para o atendimento das metas previstas;

Regulamentar normas e condicionantes técnicas para o acesso a recursos do Estado e para a


obtenção de seu aval;

Adequar a Administração Pública para a plena gestão dos resíduos sólidos do município;

201
Implantação de sistemas de redução dos resíduos nos processos, na forma de reutilização,
reciclagem e tratamento; destinando para o aterro sanitário apenas os rejeitos;

Implantar sistemas de tratamento de resíduos nas origens de cada processo gerador que
envolva tecnologia mais viável.

A gestão integrada de resíduos sólidos terá como princípios básicos:

 A prevenção;
 A precaução;
 O desenvolvimento sustentável;
 A responsabilidade socioambiental.

As prioridades da gestão integrada de resíduos sólidos são:

1. A não geração,
2. O repensar,
3. A redução,
4. O reuso,
5. A reciclagem,
6. A recuperação incluindo a valorização energética e compostagem,
7. O tratamento e a destinação final adequados.

Estratégias Conforme a Base Legal

Tendo como base a Lei Federal nº 12.305/2010 - Plano Nacional de Gestão dos
Resíduos Sólidos, e a Lei Estadual nº 18.031/2009 - Política Estadual de Resíduos Sólidos,
deve-se:

O poder público e a sociedade deverão supervisionar e fiscalizar a gestão dos resíduos
só1idos efetuada pelos diversos responsáveis, de acordo com as competências e obrigações
estabelecidas na legislação;

Fomentar dispositivos legais relacionados ao Plano de Gerenciamento de todos os


resíduos sólidos do Município;

Constituir sistemas de aprovisionamento de recursos financeiros que garantam a


continuidade de atendimento dos serviços de limpeza pública e a adequada destinação final
dos resíduos sólidos;

202
Incentivar e apoiar novos processos de educação ambiental (formal e Informal);

Apoiar programas de capacitação técnica contínua de gestores na área de gerenciamento e


manejo de resíduos só1idos;

Incentivar programas periódicos de gerenciamento integrado de resíduos sólidos, com a


criação e a articulação de fóruns e de conselhos municipais e regionais para participação de
todos os setores afins.

 Ampliar e aperfeiçoar o sistema de coleta seletiva na área urbana e rural;

Monitorar as entradas e saídas nos processos de tratamentos dos resíduos.

Monitorar as áreas antigas e atuais de disposição final de resíduos sólidos (antigos


lixões, áreas degradadas em recuperação, pontos críticos e o aterro sanitário).

Promover a instalação de PEVs (Pontos de Entregas Voluntárias) ou sistemas de estocagem


temporários de materiais recicláveis através de Ecopontos, visando incentivar a reciclagem.

Promover áreas de triagem e transbordo de resíduos da construção e demolição, resíduos


volumosos e resíduos com logística reversa.

Intensificar a participação das cooperativas e associações dos agentes recicladores no


sistema de manejo dos resíduos sólidos.

Promover unidades de compostagem e biodigestão de resíduos orgânicos nas áreas


urbanas e rurais.

 Apoiar a implementação do Aterro Sanitário Industrial Regional;

Apoiar e incentivar as instalações de indústrias de reciclagem ou processos produtivos que


utilizam resíduos sólidos para outras finalidades, sem sua transformação biológica, física ou
química.

Metas Quantitativas, Ações e Prazos

Serão apresentadas a seguir as diretrizes específicas para atendimento ao novo sistema


de gestão dos resíduos sólidos no Município de Andradas. Definindo a projeção de um
horizonte de 20 anos (vinte anos), foram traçadas metas contemplando cenários de curto (1
a 4 anos), médio (4 a 8 anos) e longo (8 a 20 anos) prazos. As ações a serem implementadas
são específicas para cada meta.
203
As diretrizes, estratégias, metas e ações foram traçadas considerando-se os diversos tipos de
responsabilidades da gestão compartilhada dos resíduos:

 Responsabilidades pelos serviços públicos de limpeza urbana e manejo, e pelos


resíduos gerados em instalações públicas;
 Responsabilidades dos entes privados pelos resíduos gerados em ambientes sob
sua gestão;
 Responsabilidades decorrentes da logística reversa e da implementação de Plano
de Gerenciamento obrigatório;
 Responsabilidades do consumidor/gerador domiciliar.

O Plano de Gestão levou em conta prioritariamente o planejamento das iniciativas para os


resíduos que têm presença mais significativa na cidade. Estes resíduos são o da construção
civil, o resíduo domiciliar seco, e o resíduo domiciliar úmido. Este planejamento específico
foi seguido pelo planejamento das ações para todo o conjunto de resíduos ocorrentes (resíduos
de serviços de saúde, resíduos de logística reversa, resíduos industriais, minerários,
agrosilvopastoris, etc.).

Uma vez estabelecidas as diretrizes e estratégias, o Plano de Gestão definiu as metas


quantitativas para as quais serão desenvolvidos programas e ações. As metas quantitativas
foram fixadas por período, considerando-se como melhor hipótese o lançamento por
quadriênios, vinculados aos anos de preparo dos planos plurianuais, e portanto momentos de
revisão dos Planos de Gestão. Foram compatibilizadas a exigência legal, a capacidade de
investimento e a capacidade gerencial, entre outros fatores.

São programas e ações primordiais, por seu caráter estruturante, imprescindíveis para o
sucesso de todo o conjunto de ações:

 A constituição de equipes técnicas capacitadas;


 O disciplinamento das atividades de geradores, transportadores e receptores de
resíduos;
 A formalização da presença dos catadores no processo de gestão;
 A implementação de mecanismos de controle e fiscalização;
 A implementação de iniciativas de gestão de resíduos e compras sustentáveis nos
órgãos da administração pública;
 A estruturação de ações de educação ambiental;
204
 O incentivo à implantação de atividades processadoras de resíduos.

O Quadro 10 abaixo sintetiza as metas a serem alcançadas bem como seus objetivos e prazos:

META OBJETIVO PRAZO


Otimização da coleta de Manter a coleta em 100% dos domicílios urbanos e atingir Médio (4 a
resíduos 100% dos domicílios rurais 8 anos)
Estabelecer controle sobre os Melhorar a fiscalização ambiental e conhecer a gestão de
Curto (1 a
estabelecimentos sujeitos à resíduos de grandes geradores e indústrias instaladas no
4 anos)
elaboração do PGRS município
Implantar a coleta seletiva de Prolongar a vida útil do Aterro Sanitário, reduzir os gastos com
Curto (1 a
materiais recicláveis em 100% destinação final e promover a inclusão social dos catadores de
4 anos)
da área urbana resíduos
Concluir as obras da Usina de Apoiar a organização dos catadores de resíduos gerando Curto (1 a
Triagem e Compostagem emprego e renda 4 anos)
Integrar a logística de coleta à destinação final dos RSU
Implantar um Modelo
utilizando equipamentos e tecnologias limpas ao longo da Longo (8 a
Operacional eficiente de Gestão
cadeia de processos visando a diminuição dos gastos com 20 anos)
dos Resíduos Sólidos Urbanos
destinação final, máximo de reciclagem e reuso de materiais
Criar um centro de custos Promover a transparência dos gastos com limpeza urbana e
Curto (1 a
específico para os serviços de manejo dos RSU e conhecimento dos itens de despesas que
4 anos)
manejo dos RSU impactam a prestação dos serviços
Criar uma equipe permanente de educação ambiental na
Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente a fim de sustentar Curto (1 a
Educação Ambiental
o sucesso da coleta seletiva e manejo adequado dos RSU por 4 anos)
parte da população
Articular os envolvidos no consumo, comercialização e
Médio (4 a
Logística Reversa fabricação de produtos sujeitos à logística reversa para a
8 anos)
correta destinação final destes produtos após o uso
Promover a educação ambiental para conscientizar a população
Médio (4 a
Cidade Mais Limpa dos benefícios da destinação correta dos resíduos e criar
8 anos)
mecanismos legais para a punição de infratores
Implantar o formulário de RCC nos processos de concessão de
Controle dos Resíduos da Curto (1 a
alvarás de construção e reforma para conhecer melhor a
Construção Civil 4 anos)
atividade dos caçambeiros
Implantar a URRCC eliminando o problema do impacto visual
Usina de Reciclagem de Médio (4 a
destes no município oferecendo um local apropriado para a
Resíduos da Construção Civil 8 anos)
destinação final
Implantação dos PEV´s –
Curto (1 a
Pontos de Entrega Voluntária Eliminar a presença de entulho e lixo nas ruas e corpos d’água
4 anos)
no município
Implantar o Sistema de Informações e Gestão dos Serviços de
Curto (1 a
Modelo de Gestão Operacional Limpeza Urbana para gerenciar o trabalho da Prefeitura e de
4 anos)
empresas terceirizadas nas atividades envolvidas
Redução de custos e melhoria operacional nos serviços do Curto (1 a
Terceirizações
Aterro Sanitário e coleta dos resíduos 4 anos)

As ações complementares a serem implementadas são específicas para cada meta conforme
abaixo, organizadas por áreas temáticas do panorama de RSU:

205
Resíduos Sólidos Urbanos - Coleta Convencional e Destinação Final

Diretriz 01:

1. Reavaliação contínua dos serviços da coleta de resíduos sólidos domiciliar, a partir de


pesquisas com a população e metodologias atuais.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Conceder a empresa privada através de processo licitatório os serviços de coleta de


resíduos e operação do Aterro Sanitário.
 Manter a coleta 100% dos domicílios urbanos.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Atingir 100% dos domicílios rurais.

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Atingir 100% dos domicílios urbanos com coleta mecanizada (conteinerização).

Diretriz 02:

1. Criar o sistema de controle do PGRS para os estabelecimentos urbanos (grandes


geradores) para admissão da destinação de seus próprios resíduos, e promover a
compostagem dos resíduos úmidos nos distritos e áreas rurais, para a redução do
volume de resíduos na coleta convencional. São ações para a desoneração dos custos
de coleta pública domiciliar.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 100% dos grandes geradores regularizados com PGRS no município;


 Atingir 40% dos domicílios rurais com práticas de compostagem.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Atingir 75% dos domicílios rurais com práticas de compostagem.

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Atingir 100% dos domicílios rurais com práticas de compostagem.

206
Ações para as Diretrizes 01 e 02:

 Criar e implantar o Processo de Fiscalização e Controle de Resíduos de Grandes


Geradores.
 Desenvolver a mudança da concepção dos serviços praticados, para a coleta
mecanizada – conteinerização, progressivamente com a educação ambiental da
população contemplada.
 Promover a reavaliação periódica dos planos de coleta, de forma a adequar e atender a
demanda.
 Promover a reavaliação periódica e as adequações necessárias, inclusive inovações
tecnológicas, relativas aos quantitativos de veículos e/ou equipamentos coletores e da
mão de obra alocada.
 Desenvolver programas contínuos de divulgação dos serviços de limpeza pública e
sensibilização dos usuários.
 Programar a Educação Ambiental direcionada e específica aos conhecimentos dos
resíduos sólidos e o processo de compostagem em todos os setores sociais e
econômicos das áreas urbanas e rurais.
 Desenvolver novas tecnologias de fiscalização e monitoramento nas áreas urbanas e
rurais.

Diretriz 03:

1. Ampliar as alternativas de tratamento dos resíduos sólidos urbanos, utilizando


tecnologias limpas que promovam a reciclagem e o reuso.
2. Promover a implantação de sistemas que visam o tratamento mecânico, biológico e
térmico que não gerem impacto a sociedade e ao meio ambiente.
3. Instalar Unidades de Compostagem para os resíduos úmidos domiciliares.
4. Implantar um sistema de rede integrada de recepção e fornecimento de compostos
orgânicos oriundos dos resíduos úmidos domiciliares.
5. Dispor no aterro sanitário municipal somente os rejeitos dos resíduos
sólidos domiciliares.
6. Continuar e ampliar as atividades de Educação Ambiental, na zona urbana, zona rural
e áreas de interesse turístico (parques, eventos populares, etc.).

207
7. Aprimorar os instrumentos de fiscalização e monitoramento das indústrias do
município.
8. Articular os geradores de resíduos só1idos com o poder público na implementação da
estrutura necessária, para garantir o fluxo de retorno dos resíduos só1idos reversos
oriundos dos serviços de limpeza urbana. E manter postos de coleta para os resíduos
só1idos reversos e dar destinação final ambientalmente adequada.
9. Promover a integração de informações de pesquisas locais epidemiológicos em áreas
adjacentes a unidades de reciclagens, aterros sanitários, pontos críticos, áreas
degradadas em recuperação. Para monitoramento de agravos a saúde decorrente do
impacto causado por atividades diretas e indiretas.
10. Buscar na parceria privada novas alternativas tecnológicas para redução do volume de
resíduos a ser depositado no Aterro por processos mecânicos e/ou de incineração
operados e monitorados pelo próprio fornecedor sendo fiscalizados os resultados pelo
Poder Público observados os princípios da sustentabilidade, economicidade e
segurança.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Desenvolver adaptações estruturais e operacionais na gestão pública para o


atendimento da nova Politica Nacional de Resíduos Sólidos;
 Prover recursos financeiros para alinhamento ao Plano de Gestão Integrada de Resíduos
Sólidos do Município de Andradas;
 Criar a infraestrutura Municipal de Ecopontos, concluir a construção do Galpão de
Triagem da Coleta Seletiva, projetar e obter financiamento para a Unidade de
Compostagem na área urbana e projetar e obter financiamento para a Usina de Reciclagem
de Resíduos da Construção Civil.
 Regulamentar a Politica Ambiental da Administração Pública Municipal.
 Regulamentar a legislação ambiental do municipal com base na Política Nacional de
Resíduos Sólidos e na Política Estadual de Resíduos Sólidos.
 Regulamentar os processos licitatórios de obras e atividades públicas com
condicionantes e anexos de planos de gerenciamento e destinação final dos resíduos
gerados pela atividade direta e indireta.

208
 Regulamentar a legislação Municipal de Obras Urbanas para o licenciamento de Alvarás
de construção a partir do PGRCC.
 Reduzir 10% dos resíduos orgânicos destinados ao aterro sanitário.
 Cobrir em 100% de coleta seletiva de porta a porta em todo o Município.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Promover Parceria Pública Privada (PPP), para viabilidade econômica dos


projetos de ampliação de manejo e destinação dos resíduos sólidos.
 Criar uma divisão de fiscalização integrada e compartilhada das secretarias do
Município.
 Regulamentar a legislação municipal para o crime ambiental urbano.
 Implantar unidade de reciclagem e trituração dos resíduos da construção civil.
 Implantar o Portal do Sistema Municipal de Resíduos Sólidos.
 Promover projetos de mapeamento da cadeia produtiva dos resíduos sólidos dentro
do município de Andradas e inserção de todas as informações no Sistema de
informação Geográfica – SIG.
 Reduzir 30% dos resíduos orgânicos destinados ao aterro sanitário.

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Reduzir 80% dos resíduos orgânicos destinados ao aterro sanitário.


 Estudar a metodologia de destinação de resíduos sólidos para planejar
EIA/RIMA de expansão do Aterro Sanitário ou escolha de nova área para esta
finalidade.

Ações:

 Concessão da operação do Aterro Sanitário


 Manutenção da Licença Operacional do Aterro Sanitário atendendo todas as
condicionantes estabelecidas.
 Programação do aumento de vida útil do Aterro Sanitário.
 Regulamentação municipal da logística reversa, conforme preconiza a Lei Federal nº
12.305/2010, e a Lei Estadual nº 18.031/2009.

209
Resíduos Sólidos Urbanos – Coleta Seletiva

A coleta seletiva em Andradas restringe-se a louvável iniciativa do Projeto APA -


ANDRADAS PROTEGENDO O AMBIENTE, através de parceria entre o Centro de
Referência de Assistência Social – CRAS, a Unidade do Programa Saúde da Família – PSF
Horto Florestal, a Seção de Desenvolvimento de Projetos, Fiscalização e Educação Ambiental
– SDPFEA e a Seção de Limpeza Pública já citado anteriormente.

Diretriz 01:

1. Implantar a Coleta Seletiva em todo o município de Andradas na área urbana e


rural, com a participação de ONG – Organizações Não Governamentais Locais e
equipe de voluntários treinados.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Concluir a obra do Galpão de Triagem e Compostagem com recursos da SEDRU.


 A coleta seletiva na área urbana deverá atingir 100% do município.
 Realizar um monitoramento dos catadores autônomos de recicláveis da rua, a fim de
trazê-los ao convívio no novo Galpão de Triagem.
 Estruturar o programa de gerenciamento da coleta seletiva conforme as diretrizes
estabelecidas no plano de qualificação do Centro Mineiro de Referências em Resíduos
– CMRR.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Promover a autonomia e sustentabilidade da cooperativa dos agentes recicladores.


 Fomentar novos equipamentos e tecnologias de triagem de reciclagem.

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Promover novas tecnologias de reciclagens de resíduos que atualmente são rejeitos.


 Fomentar a indústria de reciclagem de alta produção no município.
 Estabelecer novo mercado de matéria prima de subprodutos dos resíduos sólidos.

Ações:

 Estruturação do programa de Coleta Seletiva no Município de Andradas conforme o


PGIRS.
210
 Divulgação do programa de Coleta Seletiva continuada e mobilizadora por todos os
meios de comunicação.

Resíduos da Construção Civil e Demolição - RCD

Os resíduos da Construção Civil e Demolição são destaque pelo expressivo volume gerado no
município, perfazendo uma coleta de mais de 400 toneladas/mês. Por toda a cidade pode-se
observar pontos críticos de descarte de pequenos volumes comprometendo o visual das ruas e
contaminando áreas próximas aos cursos d’água.

Atualmente a destinação dos resíduos da construção civil de classe A, é para recuperação de


vias e depósito em uma área privada não licenciada.

Diretrizes:

1. Elaborar o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil,


a partir da regulamentação de lei municipal específica para ajustamentos das
atividades públicas e particulares.
2. Regulamentar o Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil no
Município para os geradores se adequarem a nova Política Nacional de Resíduos
Sólidos e a Resolução CONAMA 307/2002.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Elaborar o Mapa Crítico de RCC da área urbana identificando as áreas degradadas, tipo
e classe do resíduo e apresentar as ações específicas para cada ponto do Mapa.
 Ampliar a fiscalização para efetivar as legislações em vigor.
 Garantir que 100% dos geradores de RCC atendam o PGRCC.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Cobrir 100% na área urbana de instalações de Ecopontos


 Elaborar o Mapeamento Crítico de RCC da área rural

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Eliminar a destinação final de RCC de forma incorreta na área rural

Ações:

211
 Aperfeiçoar o processo de fiscalização e monitoramento de todas as etapas de
formação dos resíduos da construção civil.
 Regulamentar a legislação municipal para penalização por infração do não
cumprimento do Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil.
 Regulamentar o código de obra de Andradas com a PGRCC e o plano da logística
reversa.
 Oficializar a capacitação e a responsabilidade legal dos agentes envolvidos quanto aos
resíduos da construção civil e demolição.
 Elaborar estudo de implementação de uma Unidade de reciclagem de materiais da
construção civil.
 Promover o convênio com poder Público e o setor privado para a viabilidade de
programas e processos de reciclagem e reuso dos resíduos da construção civil em
obras públicas e particulares.
 Promover educação ambiental específica aos setores da construção civil com os
conhecimentos do Plano Gerenciamento de RCC e a logística reversa.
 Estudo para implantar o IPTU ecológico para as construções novas que
aplicarem processos de reciclagem e reaproveitamento dos resíduos, e desta
forma oferecer vantagens pra o futuro proprietário (Projeto Obra Limpa).

Resíduos Volumosos

A coleta dos resíduos volumosos é realizada na cidade de Andradas através do projeto do


Cata Treco conforme levantado anteriormente.

Diretrizes:

1. Aprimorar o sistema de coleta de resíduos volumosos em todo o município.


2. Adotar o processo de desmonte dos resíduos conjugado e compartimentados, para
promover a segregação e destinação correta dos resíduos coletados para a reciclagem e
reuso (reciclagem dos metais, vidros, madeiras, plásticos, espumas, poliestireno
expandido – EPS, e materiais compostos).
3. Monitorar os móveis e eletrodomésticos descartados para doação ou destinação
correta.

212
Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Definir regras claras para a utilização da máquina trituradora disponível no município.


 Definir a melhor destinação para o material triturado dentro dos princípios da
reutilização e reaproveitamento priorizando a compostagem.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Implantar uma Unidade de Triagem e Reciclagem de Resíduos Volumosos e


Especiais, com uma estrutura adequada de segregação e trituração.

Ações:

 Programar um sistema de picagem e trituração dos grandes volumes.


 Desenvolver convênios para a execução dos serviços e beneficiamento dos materiais
recicláveis e de reuso.

Resíduos de Serviços de Saúde - RSS

Os geradores dos resíduos do serviço de saúde são responsáveis por todo o processo desde a
geração até a destinação final dos resíduos. A ECOSUL atua na coleta, transporte,
transbordo, tratamento e destinação final de resíduos de serviços de saúde no Município
de Andradas inclusive atendendo farmácias, laboratórios, clínicas médicas, clínicas
veterinárias e pet shops, hospitais e postos de Saúde Municipais.

Diretriz:

1. Suprir a Vigilância Sanitária com recursos e tecnologias de fiscalização e


monitoramento das atividades dos serviços de saúde no município de Andradas.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Treinar continuamente os agentes públicos de fiscalização para garantir que todas as


atividades estejam adequadas na legislação, com pleno monitoramento das
infraestruturas, transporte, tratamento e destinação final.

213
 Manter um grupo técnico intersetorial que avalie o marco legal e os modelos de
gestão contribuindo para a consolidação de um plano municipal de gestão
integrada de resíduos sólidos de serviços de saúde.
 Estabelecer PGRSS para todos os estabelecimentos de serviços de saúde (Pública e
Particular).

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Política de incentivo municipal para instalação de empresas na cidade para


recolhimento e tratamento de resíduos infectantes originários dos hospitais.

Ações:

 Padronizar e normatizar procedimentos internos junto a agentes de saúde e fiscais de


limpeza quanto a descarte, armazenamento provisório, coleta, transporte, tratamento e
destinação final de RSS em pequenos e grandes geradores;
 Conscientizar pequenos e grandes geradores quanto ao melhor manejo interno,
descarte e acondicionamento provisório de seus resíduos de saúde, com foco a
minimização e segregação na fonte;
 Apoiar a educação ambiental intersetorial no desenvolvimento da minimização da
geração e reciclagem dos resíduos sólidos urbanos com ênfase aos RSS com
cartilhas, folhetos e outros que possam ser distribuídos e trabalhados junto aos
funcionários dos serviços de saúde e população em geral.

Resíduos Tecnológicos (Lâmpadas, Pilhas, Baterias, Eletroeletrônicos) –


Logística Reversa

Andradas não possui empresas que tratam os resíduos da Classe I e os resíduos perigosos.
Não há fiscalização e controle para geradores quanto ao tratamento e destinação final. A
Prefeitura se responsabiliza com os resíduos domiciliares perigosos, atendendo a população
com o serviço “Cata Treco” na coleta de lâmpadas fluorescentes, pilhas e baterias pastilha.
Não há na cidade divulgação de pontos de coleta em estabelecimentos comerciais.
Atualmente o processo de descarte das lâmpadas, pilhas e baterias e eletroeletrônicos não tem
o monitoramento do poder público. Não existem empresas e entidades em Andradas que
promovam o reuso ou remanufatura dos eletroeletrônicos por meios de doações. Os
214
equipamentos danificados são levados ao Almoxarifado Municipal para seguirem para a
reciclagem em São Paulo após um acúmulo que justifique economicamente sua doação.

Diretrizes:

1. Realizar um diagnóstico local das gerações dos resíduos passivos da logística


reversa no Município.
2. O Poder Público e os fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes,
devem programar acordos setoriais para a implantação da responsabilidade
compartilhada pelo ciclo de vida do produto e dos resíduos gerados, para planejar
programas de coleta e destinação apropriadas no Município.
3. O Poder Público deve estabelecer contratos de limpeza urbana em parceria com
fabricantes, importadores e distribuidores para desoneração dos encargos de
manejo dos resíduos sólidos passivos da logística reversa.
4. Aperfeiçoar o processo de fiscalização a partir da regulamentação da legislação
ambiental municipal, para os estabelecimentos das responsabilidades compartilhadas
na destinação corretas dos resíduos passivos da logística reversa.
5. O Poder Público deve promover a Educação Ambiental em parceria com
fabricantes, importadores e distribuidores, no processo de destinação corretas dos
resíduos passivos da logística reversa.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos)

 Os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e poder público, devem


promover acordos setoriais da logística reversa no município de Andradas.
 A prefeitura deve articular convênios com fabricantes, importadores e
distribuidores para manejo dos resíduos sólidos passivos da logística reversa.
 A prefeitura deve promover a Educação Ambiental com apoio dos fabricantes na
conscientização da população para a destinação corretas dos resíduos passivos da
logística reversa.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Promover empresas no município para o tratamento de resíduos passivos da


logística reversa.

215
 Regulamentar a legislação municipal para os processos da logística reversa.

Ações:

 Estabelecer parcerias públicas e privadas para execução dos manejos dos resíduos
públicos passivos da logística reserva.
 Promover a educação ambiental direcionada dos resíduos sólidos passivos da
logística reversa nas áreas urbanas e rurais.
 Regulamentar a legislação municipal no manejo, tratamento e destinação dos
resíduos sólidos passivos da logística reversa.
 Promover Parceria Público Privada para viabilidade econômica dos projetos de
beneficiamento dos Eletroeletrônicos.

Resíduos Especiais (Pneumáticos, Embalagens de Agrotóxico e de


Óleos Lubrificantes)

A Secretaria de Obras é responsável pela coleta, armazenamento temporário e a doação dos


pneus inservíveis. Atualmente não existe um cadastrado de revendedores, distribuidores e
borracharias para monitoramento e controle sobre os resíduos gerados e logística reversa. O
Município não realiza o controle e mensuração das embalagens de fertilizantes e de
medicamentos veterinários.

Diretrizes:

1. O Poder Público deve monitorar os planos de gerenciamento dos resíduos especiais.


2. O Poder Público deve garantir a coleta urbana e rural na responsabilidade
compartilhada da logística reversa em contrato com os fabricantes, na destinação
correta dos resíduos pneumáticos de origem domiciliar ou de pequenos geradores.
3. O Poder Público deve garantir a coleta rural na responsabilidade compartilhada da
logística reversa em contrato com os fabricantes, na destinação correta das embalagens
de Agrotóxico e de Óleos Lubrificantes.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 A Prefeitura deve planejar a partir dos convênios pré-estabelecidos com os


fabricantes na plena desoneração dos custos de manejo dos resíduos pneumáticos.

216
 Elaborar projetos de estudos de implementação de Ecopontos na zona urbana.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Programar uma unidade de beneficiamento de resíduos pneumáticos de origem


domiciliar ou de pequenos geradores, para geração de matéria prima para
pavimentação.
 Elaborar projetos de estudos de implementação de Ecopontos na zona rural.

- Longo Prazo (8 a 20 anos):

 Atingir 100% da capacidade dos Ecopontos das zonas urbana e rural na recepção dos
resíduos especiais.

Ações:

 Promover Parceria Público Privada para viabilidade econômica dos projetos de


beneficiamento. Promover os Ecopontos da zona urbana e rural a recepção e o
correto armazenamento de pneus inservíveis.
 Promover os Ecopontos da zona rural a recepção, acondicionamento,
transbordo adequada das embalagens de produtos químicos, de fertilizantes,
defensivos agrícolas, de usos veterinários e agrotóxicos, óleos lubrificantes e sucatas
de máquinas agrícolas.
 Implantar projetos de educação ambiental nas zonas rural e urbana específicos no
tratamento dos resíduos especiais.
 Regulamentação da legislação ambiental municipal para fertilizantes, insumos
veterinários, defensivos agrícolas e óleos lubrificantes.
 Editar material de Educação Ambiental do ensino fundamental e médio da Zona
Rural com disciplinas de manejo e destinação de resíduos de embalagens de produtos
químicos, de fertilizantes, defensivos agrícolas, de usos veterinários e
agrotóxicos, óleos lubrificantes e sucatas de máquinas agrícolas.

217
Resíduos Sólidos Urbanos – Compostagem

Andradas não promove a Compostagem dos resíduos úmidos domiciliares ou resíduos


rurais. Atualmente não possui programa de incentivo ou projeto de tratamento.

Diretriz:

1. Promover a Compostagem dos resíduos úmidos a fim de aumentar a vida útil do


Aterro Sanitário de Andradas

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Buscar recursos da união para implantação do projeto de compostagem dos


resíduos úmidos domiciliares.
 Promover a Compostagem dos resíduos úmidos da área rural, em suas
propriedades.
 Aperfeiçoar a limpeza pública no processo de podas e capinas para uma
segregação adequada pra inclusão dos resíduos verdes na Compostagem.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

 Implantar um sistema integrado de Compostagem para os resíduos domiciliares


orgânicos dos grandes geradores da área urbana.
 Promover convênios e parcerias para manutenção, gerenciamento,
monitoramento e distribuição.
 Promover programas e projetos com os grandes geradores de resíduos
orgânicos na segregação e destinação adequada para a Compostagem.
 Implantação de um pátio com equipamentos para triagem, revolvimento,
peneiramento e distribuição dos compostos com uma equipe efetiva e permanente de
operadores e monitores de processo.
 - Longo Prazo (8 a 20 anos):
 Programar a coleta conteinerizada domiciliar de resíduos orgânicos nos
condomínios horizontais e verticais (pautado no projeto de estudo no período).

Ações:

218
 Promover o conhecimento da Compostagem em todos os programas da
Educação Ambiental do Município.
 Promover a técnica de Compostagem em instituições de ensino fundamental e
médio.
 Programar nas instituições de ensino fundamental o projeto de Compostagem dos
resíduos orgânicos gerados nas cozinhas e refeitórios, para as suas próprias hortaliças.
 Fomentar Kits de Compostagem domiciliares para sítios e distritos do município.
 Efetivar as parcerias técnicas com a Universidade Federal de Lavras, por intermédio
de convênios nos programas de Educação Ambiental e estágios nas unidades de
compostagem.
 Promover programas de crédito junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento para os resíduos orgânicos de granjas de aves, suínos e bovinos para a
biodigestão na geração de energia e fertilizantes.

Resíduos Industriais

Diretriz:

1. Conhecer os PGRS das indústrias instaladas no Município a fim de gerar subsídios


para o monitoramento e controle da rede de produção e destinação final dos resíduos
industriais.

Metas:

- Curto Prazo (1 a 4 anos):

 Regulamentar Lei Municipal para o monitoramento e fiscalização da rede de


produção do setor industrial.
 Promover incentivos nas iniciativas tecnológicas na valorização dos resíduos
sólidos gerado na agroindústria do município.
 Constituir Cadastro único das empresas que geram resíduos industriais, em
Andradas.

- Médio Prazo (4 a 8 anos):

219
 Envolver as entidades que representam a atividade industrial no Município na
discussão da responsabilidade compartilhada, logística reversa e na elaboração de um
Inventário Municipal de Resíduos Industriais.

 Incentivar novas tecnologias de coprocessamento e beneficiamento dos


resíduos sólidos na agroindústria do município.
 Estabelecer uma politica municipal de produção limpa.

PROGRAMAS E AÇÕES – AGENTES ENVOLVIDOS E PARCERIAS

DIRETRIZES:

- Disciplinar as atividades de geradores, transportadores e receptores de resíduos sólidos, para


eficiência dos seus processos e relatar os desempenhos nos Planos de Gerenciamento de seus
resíduos gerados.

- Modernizar os instrumentos de controle e fiscalização.

- Promover recursos e ferramentas para associação dos catadores autônomos e agentes


recicladores com adaptações adequadas para cada realidade.

- Formalizar parcerias das ONGs nas prestações de serviços ambientais e inclusão social no
processo de manejo dos resíduos sólidos.

- Evoluir procedimentos internos alinhados à Agenda Ambiental na Administração Pública -


A3P, para constituir o conceito ambiental em todas as instalações públicas para a sua plena
sustentabilidade.

- Executar a plena legislação municipal da educação ambiental.

- Ações emergenciais e contingências no tratamento dos resíduos sólidos por ocorrência


atípica que possam extrapolar a capacidade de atendimento da população. Para que a
Secretaria Municipal de Serviços Urbanos obtenha recursos e infraestrutura de apoio para as
demandas emergenciais. Mantendo um plano mínimo estratégico na área de gestão
operacional, de suporte com a comunicação, suprimentos e tecnologia de informações, dentre

220
outras. De forma a buscar um grau de segurança nos processos e instalações operacionais
evitando descontinuidade dos serviços programados.

- Todas as metas pontuadas no plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos deverão ser
contempladas conforme a suas responsabilidades nos respectivos Plano Plurianual do
Município de Andradas.

- Para o cenário futuro de Andradas o seu modelo de gestão de resíduos sólidos urbanos será
adequado à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), com sustentabilidade operacional
e financeira de longo prazo, respaldado em prol do arcabouço legal:

I. Ter acesso a recursos da União, ou por ela controlados, destinados a empreendimentos e


serviços relacionados à limpeza urbana e ao manejo de resíduos sólidos, ou

II. Ser beneficiado por incentivos ou financiamentos de entidades federais de crédito ou


para fomento de tal atividade.

- O Poder Executivo do Município é exercido pelo Prefeito que, dentre outras, possui
responsabilidades sobre a gestão da prestação de serviços públicos de saúde, educação,
abastecimento de água, tratamento do esgoto e coleta de resíduos domésticos. Além de gerir
os serviços públicos relacionados, também, cabe ao Prefeito exercer as atividades de sua
competência estabelecidos na Lei Orgânica do Município. Na lei Orgânica do Município,
também estarão definidas as obrigações e penalizações atribuídas ao Prefeito em caso de não
cumprimento de suas funções durante o mandato. Cumpre esclarecer, ainda, que as
penalizações à quais se submetem os gestores não se encontram elencadas exclusivamente na
Lei Orgânica, submetendo-se os gestores, também, ás penalidades impostas em leis que
versem sobre eventuais atos ilícitos cometidos pelo Prefeito Municipal. A negativa de
cumprimento dos preceitos estabelecidos pela PNRS pelo Chefe do Executivo Municipal
poderá ensejar o ajuizamento de demandas judiciais que visem a reparação dos danos
causado por seus atos, e, também, imponham ao Prefeito Municipal a execução de medidas
que interrompam ou corrijam eventuais danos causados em função de tal descumprimento.
Poderá, ainda, incorrer em crime de responsabilidade previsto no Decreto- Lei nº 201/1976,
segundo qual a negação de execução de lei federal, estadual e municipal é considerado crime
de responsabilidade do prefeito, que está sujeito a julgamento do Poder Judiciário. De acordo
com o referido Decreto-Lei, o prefeito que negar cumprimento ás leis federal, estadual ou
municipal estar sujeito à perda de cargo e à inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o

221
exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação sem prejuízo da reparação civil
do dano causado ao patrimônio público ou particular. Neste mesmo decreto, são consideradas
infrações políticos administrativas do prefeito municipal, sujeitas ao julgamento pela Câmara
dos Vereadores e sancionadas com a cassação do mandato:

 A prática contra o expresso em lei, sendo se sua própria competência, ou omitir-se


na sua prática.
 A omissão ou negligência na defesa de bens, rendas direitas ou interesses do
município ou negligência na defesa de bens, rendas, direitos ou interesses do
município sujeito à administração da prefeitura.

Assim, o município não pode se omitir à prática do cumprimento da PNRS, pois além de estar
expressa em lei, ela estabelece diretrizes de gestão relacionadas à limpeza pública de
interesse do município. Destaca-se ainda que a não implementação da PNRS pode ocasionar
danos ambientais passíveis de punição do projeto por crime ambiental (Lei Federal nº
9.605/98), que é inafiançável.

DIRETRIZES, ESTRATÉGIAS, PROGRAMAS, AÇÕES E METAS PARA OUTROS


ASPECTOS DO PLANO

Regramento Dos Planos De Gerenciamento Obrigatórios

O Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de atividades industriais, agrossilvopastoris,


estabelecimentos de saúde, serviços públicos de saneamento básico, empresas e terminais de
transporte, mineradoras, construtoras e grandes estabelecimentos comerciais e de prestação de
serviços deverá ser apresentado periodicamente à Prefeitura Municipal para controle e
fiscalização de acordo com o tipo de resíduo:

a. Objetivos Específicos

1. Atividades obrigadas pela PNRS à elaboração de Planos de Gerenciamento: mobilização


dos geradores, públicos ou privados, sujeitos à elaboração de Planos de Gerenciamento
visando estabelecer uma simetria de informações entre os gestores públicos da política de
resíduos e os geradores, fator de ajuste das expectativas quanto a prazos, responsabilidade
compartilhada e demais exigências da Política Nacional de Resíduos sólidos;

2. Estruturar e publicar conjunto de regras para o gerenciamento dos resíduos produzidos por
grandes geradores; diretrizes para transporte e destinação adequados.
222
b. Metas

1. Elaborar um sistema de cadastro online de PGRS das indústrias, onde as mesmas


informarão os dados mensalmente, possibilitando o cruzamento dos dados entre os geradores
e os recebedores dos resíduos, com assinatura eletrônica do responsável técnico.

2. Elaborar banco de dados com informações precisas e relevantes, a partir de dados


matemáticos, sociais, culturais, econômicos e ambientais: quantidade de resíduos, quantidade
de empresas recicladoras, infraestrutura para logística reversa, quantidade e condição social
dos trabalhadores que participam da cadeia produtiva desses resíduos, pontos críticos entre
outros;

c. Agentes Envolvidos

1. Órgãos municipais: Secretaria de Obras, Secretaria de Planejamento Urbano, Secretaria de


Finanças, Secretaria de Saúde;

2. Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA: Considerando a implantação de um


Sistema Municipal de Informações integrado ao Sistema Nacional de Informações sobre a
Gestão dos Resíduos Sólidos – SINIR; com o Sistema Nacional de Informação sobre Meio
Ambiente – SINIMA; no âmbito do Sistema Nacional de Meio Ambiente;

3. SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável;

4. Polícia Militar Ambiental;

5. Geradores sujeitos à elaboração de Planos de Gerenciamento de Resíduos;

6. Ministério Público - A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente tem sua atribuição pautada
na defesa do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações. E, quando ocorre um
dano, ou quando há perigo de que um dano ocorra ao meio ambiente, a Promotoria de Justiça
promove sua defesa em favor de toda a sociedade, dos moradores de um determinado bairro
ou cidade afetada, por meio de instrumentos como o inquérito civil público, o termo de
compromisso de ajustamento de conduta e as ações coletivas, dentre as quais a ação civil
pública.- Estes instrumentos judiciais podem ser aplicados no sentido de fortalecer a conduta
entre os órgãos executivos do município ou municípios com o órgão estadual e federal.

223
d. Instrumentos de Gestão

1. Legais

- O município deverá liberar o alvará de funcionamento dos empreendimentos para atividades


sujeitas à elaboração de Plano de Gerenciamento de Resíduos, somente perante a apresentação
do Plano e sujeita à ação de fiscalização que certifique a implantação e observância do
mesmo;

- Aplicação da legislação sanitária aos serviços de saúde para a elaboração dos planos de
gerenciamento de resíduos, conforme previsto na Resolução ANVISA RDC 306 de

12/07/2004 e Resolução CONAMA 358 de 29/04/2005.

e. Monitoramento e Controle

- Atividades regradas pela Lei 12.305/2010 – Política Nacional de Resíduos Sólidos –,


responsáveis pela elaboração de Planos de Gerenciamento de resíduos sólidos, deverão
disponibilizar à Prefeitura Municipal de Andradas seus respectivos números de cadastro e sua
atualização nos órgãos Federais e Estaduais competentes.

- Os responsáveis pela elaboração de Planos de Gerenciamento de resíduos sólidos, deverão


apresentar a planilha de resíduos gerados periodicamente, conforme determinado pelo órgão
fiscalizador.

Indicadores de desempenho para os serviços públicos

A medição de desempenho na gestão pública está entre os principais instrumentos para


subsidiar os gestores e os dirigentes em suas decisões e escolhas. Atualmente, há a exigência
cada vez maior em aperfeiçoar os níveis de esforços e resultados das organizações, bem como
gerar e fortalecer os mecanismos de transparência e responsabilização para os cidadãos e
partes interessadas, estes fundamentos básicos impulsionarão o desenvolvimento e a
sustentabilidade de todo o processo.

Os indicadores sobre Resíduos Sólidos Urbanos do Município de Andradas são apresentados


nas tabelas abaixo:

224
Tabela 22 – Indicadores conforme o SNIS
Taxa de empregados por habitante urbano empreg./1000hab.
Despesa por empregado R$/empregado
Incidência de despesas com RSU na prefeitura %
Incidência de despesas com empresas contratadas %
Auto-suficiência financeira %
Despesas per capita com RSU R$/habitante
Incidência de empregados próprios %
Incidência de empreg. de empr. contrat. no total de empreg. no manejo %
Incidência de empreg. admin. no total de empreg no manejo %
Receita arrecadada per capita com serviços de manejo R$/habitante
Tx cobertura da coleta RDO em relação à pop. urbana %
Taxa de terceirização da coleta %
Kg/empregado x
Produtividades média de coletadores e motorista
dia
Taxa de motoristas e coletadores por habitante urbano empreg./1000hab.
Massa [RDO+RPU] coletada per capita em relação à pop. urbana Kg/(hab.x dia)
Massa RDO coletada per capita em relação à pop. total atendida Kg/(hab.x dia)
Custo unitário da coleta R$/tonelada
Incidência do custo da coleta no custo total do manejo %
Incidência de empregados da coleta no total de empregados no manejo %
Relação: quantidade RCD coletada pela Pref. p/quant. total [RDO+RPU] %
Relação: quantidades coletadas de RPU por RDO %
Massa [RDO+RPU] coletada per capita em relação à população total
Kg/(hab.x dia)
atendida
Massa de RCD per capita/ano em relação à pop. urbana Kg/(hab.x ano)
Taxa de recuperação de recicláveis em relação à quantidade de RDO e RPU %
Massa recuperada per capita Kg/(hab. x ano)
Relação entre quantidades da coleta seletiva e RDO %
Incid. de papel/papelão sobre total mat. recuperado %
Incid. de plásticos sobre total material recuperado %
Incid.de metais sobre total material recuperado %
Incid.de vidros sobre total de material recuperado %
Incidência de ''outros'' sobre total material recuperado %
Massa per capita recolhida via coleta seletiva Kg/(hab. x ano)
Kg/(1000hab. X
Massa de RSS coletada per capita
dia)
Taxa de RSS sobre [RDO+RPU] %
Taxa de terceirização de varredores %
Taxa de terceirização de varrição %
225
Custo unitário da varrição R$/km
Produtividade média dos varredores km/(empreg x dia)
Taxa de varredores por habitante urbano empreg./1000hab.
Incidência do custo da varrição no custo total do manejo %
Incidência de varredores no total de empregados no manejo %
Extensão total anual varrida per capita Km/(hab. x ano)
Taxa de capinadores por habitante urbano empreg./1000hab.
Relação de capinadores no total de empregados no manejo %

Tabela 23 – Indicadores da Continuidade dos Serviços de RSU


Avaliação/ Pontuação
Item Sub-item
Pontuação máxima
sim 2
Lei específica para gestão de resíduos 2
Instrumentos não 0
para a sim 5
Política de Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos 5
Resíduos não 0
Sólidos taxas/ tarifas de lixo própria ou embutida em outra taxa/ sim 3
3
imposto/ tarifa não 0
Subtotal Instrumentos 10
sim 2
ações educativas 2
não 0
sim 1
formação e capacitação de agentes ou catadores 1
não 0
iniciativas para obtenção de créditos para financiamento sim 1
1
de projetos de reciclagem não 0
sim 1
existência de incentivos para o mercado de reciclados 1
não 0
Programas programa ou ações em coleta seletiva e reciclagem por sim 2
2
iniciativa municipal não 0
sim 1
cadastro de grandes geradores 1
não 0
sim 1
cadastro de catadores 1
não 0
programas e ações em parceria com outros atores (órgão sim 1
públicos estaduais, federais, iniciativa privada, 1
associações e outros) não 0

Subtotal Programas 10
80 a 100% 10
60 a 80% 5
Coleta e % da área urbana ocupada atendida pela coleta regular
menos de 10
triagem de RSU 2
60%
0 0

226
mais de
5
60%
30 a 60% 4
% de domicílios atendidos pela coleta seletiva 5
menos de
2
30%
0 0
coleta e triagem de materiais recicláveis (papel/ papelão, sim 5
alumínio, vidro, outros metais ferrosos ou não ferrosos, 5
plásticos) não 0

coleta e triagem de resíduos especiais (pilhas e baterias, sim 2


2
equipamentos eletrônicos) não 0
sim 2
coleta de óleo de fritura 2
não 0
sim 2
coleta de outros resíduos orgânicos (poda e capina) 2
não 0
sistema de coleta de RCC implantado (prefeitura ou sim 3
3
terceiros) nâo 0
sim 3
coleta de RSS diferenciada 3
não 0
Subtotal Coleta Triagem 32
sim 3
usina de reciclagem 3
não 0
sim 3
usina de compostagem 3
não 0
sim 4
tratamento de RSS (incineração) 4
Tratamento não 0
e disposição disposição adequada de RSS (aterro sanitário após sim 2
2
tratamento) não 0
sim 4
controle sobre o destino de pneus 4
não 0
sim 1
disposição de entulho em aterro de RCC 1
não 0
Subtotal Tratamento Disposição 17
TOTAL 69

227
Tabela 24 – Indicadores da Sustentabilidade dos Serviços de RSU
PARÂMETRO DE AVALIAÇÃO PARA A
DIMENS SUSTENTABILIDADE
INDICADORES
ÕES
FAVORÁVEL DESFAVORÁV EL

Volume dos resíduos Volume dos resíduos sólidos


Volume dos resíduos sólidos per capita/dia
sólidos per capita < 800g per capita > 800g
DIRETA

Volume dos resíduos


Volume dos resíduos sólidos (toneladas por Volume dos resíduos sólidos
sólidos
mês) >600 t
< 600 t

Coleta do lixo diretamente para o lixão Ausência Presença

Resíduos dos serviços de saúde (RSS)


PRESSÃ Ausência Presença
destinados sem tratamento
O
INDIRETA

Coleta de Lixo nos Bairros Presença Ausência

Crescimento da população da cidade Ausência Presença

Aumento dos geradores de resíduos Ausência Presença

Existência de catadores nas ruas Ausência Presença


Moradias na unidade de disposição dos
Ausência Presença
resíduos
Queima de resíduos a céu aberto Ausência Presença

Qualidade do ar (drenagem de gases) Presença Ausência

Qualidade do ar (aproveitamento dos gases) Presença Ausência

Qualidade dos corpos hídricos Presença Ausência

Existência de instalações administrativas Presença Ausência

Existência de base impermeabilizada Presença Ausência

Drenagem do chorume Presença Ausência


ESTADO
Recirculação de chorume Presença Ausência
Tratamento de chorume na mesma área da
Presença Ausência
unidade
Monitoramento ambiental Presença Ausência

Frequência da cobertura dos resíduos sólidos Presença Ausência

Existência de Licenciamento ambiental Presença Ausência

Mapeamento da área degradada Presença Ausência

Infeção e Contaminação Hospitalar Ausência Presença

Poluição dos recursos hídricos Ausência Presença


IMPACT
O Má utilização do espaço Ausência Presença

Alagamento das vias públicas. Ausência Presença

228
Poluição visual Ausência Presença

Existência de associação ou cooperativa Presença Ausência

Tratamento de resíduos sólidos urbanos Presença Ausência

Existência de política pública Presença Ausência

Participação da população na gestão do lixo Presença Ausência


RESPOS
TA Estudos sobre impactos ambientais Presença Ausência
Providência de melhoramento com relação ao
Presença Ausência
destino final do lixo.
Parceria com outros municípios Presença Ausência

Ações regulatórias Presença Ausência

Ações Específicas da Administração pública Ambiental

O processo de construção dos Planos de Gestão de Resíduos Sólidos deverá levar a mudanças
de hábitos e de comportamento da sociedade como um todo. Nesse sentido, o diálogo terá
papel estratégico, e será mais eficiente se acontecer com grupos organizados e entidades
representativas dos setores econômicos e sociais de cada comunidade ou região.

Com a responsabilidade compartilhada, diretriz fundamental da PNRS, todos os cidadãos e


cidadãs, assim como as indústrias, o comércio, o setor de serviços e ainda as instâncias do
poder público terão uma parte da responsabilidade pelos resíduos sólidos gerados (BRASIL,
2010b).

Para que os resultados desta tarefa coletiva sejam positivos, e as responsabilidades de fato
compartilhadas por todos, o diálogo permanente entre os vários segmentos sociais será muito
importante. A participação social representa um grande desafio para a construção de
sociedades democráticas. Isso por que constitui instrumento de avaliação da eficácia da
gestão, e da melhoria contínua das políticas e serviços públicos por parte da população;
pressupõe a convergência de propósitos, a resolução de conflitos, o aperfeiçoamento da
convivência, e a transparência dos processos decisórios com foco no interesse da coletividade.
No Brasil, a participação dos movimentos sociais tem desempenhado papel importante para
esse processo de avaliação, e para a elaboração de políticas públicas.

229
Dentre as modalidades de participação e controle social destacam-se as audiências públicas,
consultas, participação em conferências, grupos de trabalho, comitês, conselhos, seminários
ou outro meio que possibilite a expressão e debate de opiniões individuais ou coletivas.

O poder público deve assumir papel orientador e provocador desse diálogo com a sociedade,
por intermédio das diferentes formas de participação social citadas. As reuniões deverão ser
preparadas, organizadas e convocadas pelos agentes públicos com a ajuda e participação dos
representantes da comunidade. Tanto para o desenvolvimento dos planos estaduais, como dos
planos municipais e intermunicipais, o poder público deve ser o responsável por manter vivo
o interesse dos participantes, e por garantir a estrutura física e equipes necessárias para bem
atender às necessidades de todo o processo de mobilização e participação social.

Criar estímulos à participação da sociedade para discutir as políticas públicas é de grande


importância para o fortalecimento ou construção de organismos de representação visando o
controle social. O conhecimento pleno das informações sobre o que será discutido é básico
para que a mobilização seja eficiente. Produzir um documento didático e atraente (documento
guia), e promover a sua ampla divulgação (uma edição especial do jornal local ou do diário
oficial, uso intenso da internet, etc.) fará com que um maior número de interessados tenha
acesso ao seu conteúdo. É importante garantir que todos os participantes dos seminários,
conferências, conselhos ou outro meio, tenham o mesmo nível de informação sobre o que será
discutido nas reuniões.

Dentre os processos democráticos de participação, a metodologia de conferências é a mais


utilizada para discussões em torno de políticas públicas para diversos temas. A conferência
valoriza a discussão da pauta e a contribuição das representações e dos demais participantes
das comunidades. Além disso, permite a utilização de dinâmicas para o debate, e cria
oportunidades para soluções e para a construção de pactos como resultado da somatória de
interesses e necessidades de todos os participantes. As conferências preparatórias deverão
eleger os conferencistas que irão representar seu segmento no debate do evento final, que
apresentará as propostas e validará o Plano de Gestão de Resíduos Sólidos.

A fase final de construção do Plano exige que se estruture uma agenda de continuidade. É o
momento pós--conferência, da implementação das diretrizes formuladas, debatidas e
aprovadas no processo participativo. Os meios para controle e fiscalização deverão estar
propostos nos planos, para assegurar o controle social de sua implementação e

230
operacionalização. A Lei Nacional de Saneamento Básico estipula como um dos mecanismos
de controle a possibilidade de atuação de órgãos colegiados de caráter consultivo, tais como
Conselhos de Meio Ambiente, de Saúde e outros (BRASIL, 2007a).

Instituição do A3P

A A3P é um programa que busca incorporar os princípios da responsabilidade


socioambiental nas atividades da Administração Pública, através do estímulo a
determinadas ações que vão, desde uma mudança nos investimentos, compras e
contratações de serviços pelo governo, passando pela sensibilização e capacitação dos
servidores, pela gestão adequada dos recursos naturais utilizados e resíduos gerados, até a
promoção da melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho.

A Agenda se encontra em harmonia com o princípio da economicidade, que se traduz na


relação custo-benefício e, ao mesmo tempo, atende ao princípio constitucional da
eficiência, incluído no texto da Carta Magna (art. 37) por meio da Emenda Constitucional
19/1998, e que se trata de um dever da administração.

A A3P tem como principal objetivo estimular a reflexão e a mudança de atitude dos
servidores para que os mesmos incorporem os critérios de gestão socioambiental em suas
atividades rotineiras. A A3P também busca:

 Sensibilizar os gestores públicos para as questões socioambientais;


 Promover o uso racional dos recursos naturais e a redução de gastos institucionais;
 Contribuir para revisão dos padrões de produção e consumo e para a adoção de
novos referenciais de sustentabilidade no âmbito da administração pública;
 Reduzir o impacto socioambiental negativo direto e indireto causado pela
execução das atividades de caráter administrativo e operacional;
 Contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

Em suas ações, a agenda ambiental tem priorizado como um de seus princípios a política
dos 5 R’s: Repensar, Reduzir, Reaproveitar, Reciclar e Recusar consumir produtos que
gerem impactos socioambientais significativos. Esse último R, em grande medida, irá
definir o sucesso de qualquer iniciativa para a introdução de critérios ambientais no local
de trabalho.

Nesse contexto, diante da importância que as instituições públicas possuem em “dar o


exemplo” para redução de impactos socioambientais negativos, a A3P foi estruturada em
231
cinco eixos temáticos prioritários – uso racional dos recursos naturais e bens públicos,
gestão adequada dos resíduos gerados, qualidade de vida no ambiente de trabalho,
sensibilização e capacitação dos servidores e licitações sustentáveis - descritos a seguir:

1 Uso racional dos recursos naturais e bens públicos - Usar racionalmente os recursos
naturais e bens públicos implica em usá-los de forma econômica e racional evitando o
seu desperdício. Este eixo engloba o uso racional de energia, água e madeira além do
consumo de papel, copos plásticos e outros materiais de expediente.

2 Gestão adequada dos resíduos gerados - A gestão adequada dos resíduos passa pela
adoção da política dos 5R´s: Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Recusar. Dessa
forma deve-se primeiramente pensar em reduzir o consumo e combater o desperdício
para só então destinar o resíduo gerado corretamente.

3 Qualidade de Vida no Ambiente de Trabalho - A qualidade de vida no ambiente de


trabalho visa facilitar e satisfazer as necessidades do trabalhador ao desenvolver suas
atividades na organização através de ações para o desenvolvimento pessoal e
profissional.

4 Sensibilização e Capacitação - A sensibilização busca criar e consolidar a consciência


cidadã da responsabilidade socioambiental nos servidores. O processo de capacitação
contribui para o desenvolvimento de competências institucionais e individuais
fornecendo oportunidade para os servidores desenvolverem atitudes para um melhor
desempenho de suas atividades.

Como estratégia de sensibilização deve-se:

•• Criar formas interessantes de envolvimento das pessoas em uma ação voltada para o
bem comum e para a melhoria da qualidade de vida de todos;

•• Orientar para a redução no consumo e para as possibilidades de reaproveitamento do


material descartado no local de trabalho e em casa;

•• Incentivar o protagonismo e a reflexão crítica dos servidores sobre as questões


socioambientais, promovendo a mudança de atitudes e hábitos de consumo da instituição.

5 Licitações Sustentáveis - A administração pública deve promover a responsabilidade


socioambiental das suas compras. Licitações que levem à aquisição de produtos e
serviços sustentáveis são importantes não só para a conservação do meio ambiente mas
232
também apresentam uma melhor relação custo/benefício a médio ou longo prazo quando
comparadas às que se valem do critério de menor preço.

Compras públicas sustentáveis

Compras sustentáveis consistem naquelas em que se tomam atitudes para que o uso dos
recursos materiais seja o mais eficiente possível. Isso envolve integrar os aspectos
ambientais em todos os estágios do processo de compra, de evitar compras desnecessárias
a identificar produtos mais sustentáveis que cumpram as especificações de uso
requeridas. Logo, não se trata de priorizar produtos apenas devido a seu aspecto
ambiental, mas sim considerar seriamente tal aspecto juntamente com os tradicionais
critérios de especificações técnicas e preço.

Obras Públicas

As obras públicas devem ser elaboradas visando a economia da manutenção e


operacionalização da edificação, redução do consumo de energia e água, bem como a
utilização de tecnologias e materiais que reduzam o impacto ambiental, tais como:

•• uso de equipamentos de climatização mecânica, ou de novas tecnologias de


resfriamento do ar, que utilizem energia elétrica, apenas nos ambientes aonde for
indispensável;

•• automação da iluminação do prédio, projeto de iluminação, interruptores, iluminação


ambiental, iluminação tarefa, uso de sensores de presença;

•• uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes compactas ou tubulares de alto rendimento e


de luminárias eficientes;

•• energia solar, ou outra energia limpa para aquecimento de água;

•• sistema de medição individualizado de consumo de água e energia;

•• sistema de reuso de água e de tratamento de efluentes gerados;

•• aproveitamento da água da chuva, agregando ao sistema hidráulico elementos que


possibilitem a captação, transporte, armazenamento e seu aproveitamento;

•• utilização de materiais que sejam reciclados, reutilizados e biodegradáveis, e que


reduzam a necessidade de manutenção; e

•• comprovação da origem da madeira a ser utilizada na execução da obra ou serviço.


233
Aquisição dos Bens

O governo municipal, poderá exigir os seguintes critérios de sustentabilidade na


aquisição dos bens:

•• que os bens sejam constituídos, no todo ou em parte, por material reciclado, atóxico,
biodegradável, conforme ABNT NBR - 15448-1 e 15448-2;

•• que sejam observados os requisitos ambientais para a obtenção de certificação do


Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - INMETRO
como produtos sustentáveis ou de menor impacto ambiental em relação aos seus
similares;

•• que os bens devam ser, preferencialmente, acondicionados em embalagem individual


adequada, com o menor volume possível, que utilize materiais recicláveis, de forma a
garantir a máxima proteção durante o transporte e o armazenamento; e

•• que os bens não contenham substâncias perigosas em concentração acima da


recomendada na diretiva RoHS (Restriction of Certain Hazardous Substances), tais como
mercúrio (Hg), chumbo (Pb), cromo hexavalente (Cr(VI)), cádmio (Cd), bifenil-
polibromados (PBBs), éteres difenil-polibromados (PBDEs).

Contratação de Serviços

As regras da Instrução Normativa para a contratação de serviços exige das empresas


contratadas as seguintes práticas de sustentabilidade na execução dos serviços:

•• use produtos de limpeza e conservação de superfícies e objetos inanimados que


obedeçam às classificações e especificações determinadas pela ANVISA;

•• adote medidas para evitar o desperdício de água tratada, conforme instituído no


Decreto nº 48.138, de 8 de outubro de 2003;

•• observe a Resolução CONAMA nº 20, de 7 de dezembro de 1994, quanto aos


equipamentos de limpeza que gerem ruído no seu funcionamento;

•• forneça aos empregados os equipamentos de segurança que se fizerem necessários,


para a execução de serviços;

•• realize um programa interno de treinamento de seus empregados, nos três primeiros


meses de execução contratual, para redução de consumo de energia elétrica, de consumo

234
de água e redução de produção de resíduos sólidos, observadas as normas ambientais
vigentes;

•• realize a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da


Administração Pública Municipal, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e
cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, que será procedida pela coleta
seletiva do papel para reciclagem, quando couber, nos termos da IN/MARE nº 6, de 3 de
novembro de 1995 e do Decreto nº 5.940, de 25 de outubro de 2006;

•• respeite as Normas Brasileiras – NBR publicadas pela Associação Brasileira de


Normas Técnicas sobre resíduos sólidos; e

•• preveja a destinação ambiental adequada das pilhas e baterias usadas ou inservíveis,


segundo disposto na Resolução CONAMA nº 257, de 30 de junho de 1999.

235
ANEXOS

Anexo 01 – Ofício SEMAD / FEAM / Gerência de Resíduos

236
Anexo 02 – PGIRS Consolidado para a FEAM

FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente PGIRS

FORMULÁRIO DE CADASTRO DO
PLANO MUNICIPAL DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS –
PGIRS

1. DADOS PARA CADASTRO:

1.1. IDENTIFICAÇÃO DO MUNICÍPIO:

Município: ANDRADAS__________________________________________________________________

CNPJ/CPF: 17.884.412/0001-34 Inscrição estadual: ______________________________

População Urbana (CENSO IBGE 2010): 28.059___________________________________

Endereço da Prefeitura Municipal: Praça 22 de Fevereiro, s/n° - Centro

UF: MG CEP: 37795-000 Telefone: (35 ) 3739 - 2000

Fax: (35 ) 3739 – 2025 Caixa Postal: _________ E- mail: meioambiente@andradas.mg.gov.br

1.2. TIPO DE PGIRS:

Especificar o tipo de plano:

(X) Plano convencional conforme Art.19 da Lei 12.305/2010

( ) Plano simplificado conforme Art. 51 do Decreto 7.404/2010

( ) Plano inserido no plano de saneamento básico conforme Art. 19, §1º da Lei 12.305/2010

( ) Plano intermunicipal conforme Art. 19, §9º da Lei 12.305/2010

Caso tenha assinalado a última opção, informar o nome do consórcio, do município sede e relação dos
demais municípios participantes:
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

237
2. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS:

a) Responsável pela elaboração do PGIRS:

Nome: KARINE HORTA PALHARES

Formação Profissional: BIÓLOGA ESPECIALISTA EM SANEAMENTO

Número de Registro no Conselho de Classe: CRBio 030002/04-D________________________________

E- mail: karibio1@gmail.com___________________________ Telefone: (31) 9283 - 4822____________

b) Responsável pelo preenchimento do formulário:

Nome: Paulo Eduardo Nhola Ferraz de Pontes_______________________________________________

Vinculação com a Prefeitura Municipal: Supervisor da Seção de Desenvolvimento de Projetos, Fiscalização e


Educação Ambiental

E- mail: meioambiente@andradas.mg.gov.br_______________ Telefone: (35 ) _3739 - 2000_________

2. DIAGNÓSTICO:

a) Resíduos Sólidos Urbanos:


Total de RSU coletados (t/dia):
Destinação
Composição Quantidade (t/dia)
(Percentual em relação à quantidade coletada)

__ compostagem: _0__%
__ aproveitamento energético: _0__%
__ aterro sanitário: 45,78__%
Matéria orgânica 10,99
__ aterro controlado: _0__ %
__ lixão: _0___ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

__ reaproveitamento: ___%
__ reciclagem: _12__%
__ aterro sanitário: _88__%
Metais 0,53
__ aterro controlado: ___ %
__ lixão: ____ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

Papel 2,07
238
__ reaproveitamento: ___%
__ reciclagem: _32__%
__ aproveitamento energético: ___%
__ aterro sanitário: _68__%
__ aterro controlado: ___ %
__ lixão: ____ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

__ reaproveitamento: ___%
__ reciclagem: _32__%
__ aproveitamento energético: ___%
Papelão 2,02 __ aterro sanitário: 68___%
__ aterro controlado: ___ %
__ lixão: ____ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

__ reaproveitamento: ___%
__ reciclagem: _35__%
__ aproveitamento energético: ___%
Plástico 3,91 __ aterro sanitário: _65__%
__ aterro controlado: ___ %
__ lixão: ____ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

__ reaproveitamento: ___%
__ reciclagem: _18__%
__ aterro sanitário: _82__%
Vidro 0,45
__ aterro controlado: ___ %
__ lixão: ____ %
__ outro (especificar) ________________: ___%

Outros Resíduos
Madeira __ reaproveitamento: _39__%
Tecidos __ reciclagem: ___%
Couro, Borracha 4,03 __ aproveitamento energético: ___%
Terra, Cerâmica __ aterro sanitário: _61__%
Resto Jardins __ aterro controlado: ___ %
Pedra, Louça __ lixão: ____ %

239
__ outro (especificar) ________________: ___%

b) Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestação de serviços (geradores sujeitos à elaboração de


Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos):
Total de resíduos de estabelecimentos comerciais
e prestação de serviços coletados (t/dia):
Composição Quantidade (t/dia) Destinação1
Matéria Orgânica - Não existem estabelecimentos comerciais sujeitos à
elaboração de Plano de Gerenciamento de
Metais - Resíduos Sólidos no Município.
Papel -
Papelão - A coleta e destinação final segue a logística de
Plástico - coleta regular de resíduos sólidos urbanos

Vidro -
Outros Resíduos -
(especificar)

c) Resíduos de Serviços Públicos de Saneamento Básico (ETE, ETA):


Total de resíduos de serviços públicos de
saneamento básico coletados (t/dia):
Característica Quantidade (t/dia) Destinação¹
Lodo de esgoto e
material retido no
gradeamento e caixas
1,36 Aterro Sanitário
de areia, além de areia
contaminada no
processo

d) Resíduos Industriais: (De acordo com a NBR 10004/2004 da ABNT)


Total de resíduos industriais coletados (t/ano):
Característica Quantidade (t/ano) Destinação¹
Classe I - -
Classe II-A 324 Paulínea – SP (coleta, transporte e destinação final
privados)
Classe II-B 730 Bota fora em área privada para ajuste do terreno

e) Resíduos de Mineração:
Total de resíduos de mineração coletados (t/ano):
Característica Quantidade (t/ano) Destinação¹
Classe I -
Estéril
Não existem empreendimentos que se
Classe II-A -
encaixam nesta categoria no Município
Classe II-B -
As mineradores possuem apenas
Rejeito do Classe I -
beneficiamento escritórios em Andradas
Classe II-A -

240
mineral
Classe II-B - A produção está em Poços de Caldas
Classe I -
Resíduo Classe II-A -
Classe II-B -

f) Resíduos sujeitos à Logística Reversa:


Total de resíduos sujeitos à logística reversa
coletados (t/mês):
Característica Quantidade (t/mês) Destinação¹
Pilhas e baterias 0,17 LED RECICLAGEM – Mococa SP
Eletroeletrônicos 0,42 LED RECICLAGEM – Mococa SP
Lâmpadas 0,12 LED RECICLAGEM – Mococa SP
Pneus 2,6 Aguardando destinação no almoxarifado municipal

g) Resíduos de Serviços de Saúde: (De acordo com a RDC ANVISA 306/04 e Resolução CONAMA 358/05)
Total de resíduos de serviços de saúde coletados
(t/mês):

Classificação No de
estabelecimentos Quantidade
Grupo de Destinação¹
por grupo de (t/mês)
geração geração
Grupo A 13 0,51 Ecosul Ltda.
Grupo B 01 0,006 Ecosul Ltda.
Grupo C 01 0,002 Ecosul Ltda.
Grupo D 18 0,87 Aterro Sanitário de Andradas
Grupo E 13 0,48 Ecosul Ltda.
h) Resíduos da Construção Civil: (De acordo com Resolução 307 do CONAMA)
Total de resíduos da construção civil coletados
(t/mês):
Característica Quantidade (t/mês) Destinação¹
Grupo A 384 Bota fora em área privada para ajuste do terreno
Grupo B 16 Almoxarifado Municipal
Grupo C - Paulínea – SP (coleta, transporte e destinação final
privados)
Grupo D - Paulínea – SP (coleta, transporte e destinação final
privados)

i) Resíduos Agrossilvopastoris:
Total de resíduos agrossilvopastoris coletados
(t/mês):
Característica Quantidade (t/mês) Destinação¹
Embalagens impregnadas 0,600 Cooperativa Agrícola
com fertilizante químico
Embalagens de agrotóxicos 0,460 Cooperativa Agrícola

241
Outros resíduos associados 1,8 Compostagem nas propriedades rurais
à agricultura
Outros resíduos associados 3,4 Compostagem nas propriedades rurais
à pecuária

j) Resíduos de Serviços de Transportes: (Aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários)


Total de resíduos de serviços de transportes
coletados (t/dia):
Local de geração Quantidade (t/dia) Destinação¹
Rodoviária 1,6 Aterro Sanitário de Andradas

k) Resíduos de Limpeza Pública (varrição, poda, capina, entre outros):


Total de resíduos de limpeza pública coletados
(t/dia):
Característica Quantidade (t/dia) Destinação¹
Varrição 1,5 Aterro Sanitário de Andradas
Poda e Capina 1,8 Reaproveitamento pela Secretaria de Obras
Entulho 20 Reaproveitamento pela Secretaria de Obras

1- Caso haja mais de um tipo de destino para uma mesma tipologia de resíduo, especificar o percentual (%) por tipo de destino, a
exemplo da tabela “a”.

4. IDENTICAÇÃO DOS PRINCIPAIS GERADORES DE RESÍDUOS: (Sujeitos à elaboração do


plano de gerenciamento de resíduos, art . 20, lei federal nº 12.305/2010)

Gerador Endereço Tipo de resíduos


Av. Ricarti Teixeira, 1.444
(X) 3a ( ) 3b ( ) 3c ( ) 3d (X ) 3e ( ) 3f ( ) 3g ( ) 3h
ICASA INDÚSTRIA Andradas - Minas Gerais
CERAMICA ( ) 3i ( ) 3j ( ) 3k
ANDRADENSE S/A CEP - 37795-000
( ) Outro: ____________________________
Caixa Postal - 61
FIORI CERÂMICA LTDA.
(X) 3a ( ) 3b ( ) 3c ( ) 3d (X ) 3e ( ) 3f ( ) 3g ( ) 3h
FIORI CERÂMICA Rua Olyntho Trevisan, 490
( ) 3i ( ) 3j ( ) 3k
LTDA Vila Buzato Andradas - MG
( ) Outro: ____________________________
CEP: 37795-000
Rod. Andradas/Poços de
Caldas KM1 (X) 3a ( ) 3b ( ) 3c ( ) 3d (X ) 3e ( ) 3f ( ) 3g ( ) 3h
MOVEIS TREVISAN
Avenida José Teixeira de ( ) 3i ( ) 3j ( ) 3k
LTDA
Magalhães, 649 Andradas – ( ) Outro: ____________________________
MG
(X) 3a (X) 3b (X) 3c ( ) 3d ( ) 3e ( ) 3f ( ) 3g ( ) 3h
R. Prof. Xânico, 176,
PREFEITURA E
Andradas - MG, 37795-000 ( ) 3i ( ) 3j ( ) 3k
ÓRGÃOS PÚBLICOS
Centro – Andradas
( ) Outro: ____________________________

3a- Resíduos Sólidos Urbanos

242
3b- Resíduos de estabelecimentos comerciais e prestação de serviços (geradores sujeitos à elaboração de Plano de Gerenciamento de
Resíduos Sólidos)

3c- Resíduos de Serviços Públicos de Saneamento Básico (ETE, ETA)

3d- Resíduos Industriais

3e- Resíduos de Mineração

3f- Resíduos sujeitos à Logística Reversa

3g- Resíduos de Serviços de Saúde

3h- Resíduos da Construção Civil

3i- Resíduos Agrossilvopastoris

3j- Resíduos de Serviços de Transportes

3k- Resíduos de Limpeza Pública (varrição, poda, capina, entre outros).

5. ÁREAS FAVORÁVEIS PARA DISPOSIÇÃO FINAL AMBIENTALMENTE


ADEQUADA DE REJEITOS OBSERVANDO O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO:

Distância média
até o núcleo Características favoráveis
Coordenadas
Área Potencial Endereço populacional /
Geográficas
transbordo /
tratamento
( ) Área erosiva
( ) Área cárstica
( ) APP
Rodovia
ATERRO Andradas- ( ) Área sujeita a inundação
SANITÁRIO DO Pocinhos 22°00’50,1”S
MUNICÍPIO DE ( ) Distância de curso d’água maior
do Rio de Latitude e que 300m
ANDRADAS JÁ 12 KM
Verde, km 46º32’02,3”W
EXISTENTE 03 Bairro de Longitude (X) Distância do núcleo
Lagoa populacional maior que 500m
Dourada
20ha. (X) Distância maior que 100m de
rodovias e estradas
( ) Distância de aeroporto maior
que 20 km

6. INTERESSE EM CONSORCIAMENTO OU SOLUÇÃO COMPARTILHADA?

(X)Sim ( )Não

Municípios participantes do
Estágio do consórcio ou solução
ATO2 consórcio ou solução
compartilhada
compartilhada
- (X) Em negociação Andradas e Caldas

( ) Em formalização
2- Arranjo Territorial Ótimo, conforme Plano de Regionalização para Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos, disponível em
http://www.feam.br/minas-sem-lixoes

243
7. INDICADORES DE DESEMPENHO OPERACIONAL E AMBIENTAL DOS
SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESÍDUOS:
Taxa de empregados por habitante urbano empreg./1000hab.
Despesa por empregado R$/empregado
Incidência de despesas com RSU na prefeitura %
Incidência de despesas com empresas contratadas %
Auto-suficiência financeira %
Despesas per capita com RSU R$/habitante
Incidência de empregados próprios %
Incidência de empreg. de empr. contrat. no total de empreg. no manejo %
Incidência de empreg. admin. no total de empreg no manejo %
Receita arrecadada per capita com serviços de manejo R$/habitante
Tx cobertura da coleta RDO em relação à pop. urbana %
Taxa de terceirização da coleta %
Produtividades média de coletadores e motorista Kg/empregado x dia
Taxa de motoristas e coletadores por habitante urbano empreg./1000hab.
Massa [RDO+RPU] coletada per capita em relação à pop. urbana Kg/(hab.x dia)
Massa RDO coletada per capita em relação à pop. total atendida Kg/(hab.x dia)
Custo unitário da coleta R$/tonelada
Incidência do custo da coleta no custo total do manejo %
Incidência de empregados da coleta no total de empregados no manejo %
Relação: quantidade RCD coletada pela Pref. p/quant. total [RDO+RPU] %
Relação: quantidades coletadas de RPU por RDO %
Massa [RDO+RPU] coletada per capita em relação à população total atendida Kg/(hab.x dia)
Massa de RCD per capita/ano em relação à pop. urbana Kg/(hab.x ano)
Taxa de recuperação de recicláveis em relação à quantidade de RDO e RPU %
Massa recuperada per capita Kg/(hab. x ano)
Relação entre quantidades da coleta seletiva e RDO %
Incid. de papel/papelão sobre total mat. recuperado %
Incid. de plásticos sobre total material recuperado %
Incid.de metais sobre total material recuperado %
Incid.de vidros sobre total de material recuperado %
Incidência de ''outros'' sobre total material recuperado %
Massa per capita recolhida via coleta seletiva Kg/(hab. x ano)
Massa de RSS coletada per capita Kg/(1000hab. X dia)
Taxa de RSS sobre [RDO+RPU] %
Taxa de terceirização de varredores %
Taxa de terceirização de varrição %

244
Custo unitário da varrição R$/km
Produtividade média dos varredores km/(empreg x dia)
Taxa de varredores por habitante urbano empreg./1000hab.
Incidência do custo da varrição no custo total do manejo %
Incidência de varredores no total de empregados no manejo %
Extensão total anual varrida per capita Km/(hab. x ano)
Taxa de capinadores por habitante urbano empreg./1000hab.
Relação de capinadores no total de empregados no manejo %

8. PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL:

Nome Publico alvo Período do treinamento


- - -

* Atualmente não existem Programas de Educação Ambiental oficiais sendo executados, devido à falta de equipe
de mobilizadores. O Programa de Educação Ambiental previsto segue como Meta a ser alcançada conforme
planejamento abaixo.

ÁREAS DE
* PLANO DE AÇÃO * ESTRATÉGIAS
ATUAÇÃO

- Escolas (públicas e 1º Etapa - Palestra


particulares)
As atividades serão iniciadas com a direção das escolas e outra com - Vídeo
os professores, pessoal da secretaria e de serviços gerais.
- Teatro
2º Etapa
- Oficina
Atividades com os alunos
- Folders
- Comércio e Bancos 1º Etapa - Palestras
Alimentício Reuniões com o CDL, com os dirigentes lojistas e gerentes de bancos; - Vídeos
- lanchonete e bares - Mini teatros
- Restaurantes 2º Etapa
- Traillers Mobilização em todos os estabelecimentos

Não alimentício
- escritórios
- bancos
- eletroeletrônicos
- calçados e
confecções
- Clubes recreativos 1º Etapa Palestras
e salões de festas
Reuniões com os gerentes dos clubes e o quadro de funcionários Vídeos
2º Etapa Teatros
Monitoramento

245
- Residências 1º Etapa Palestras
Casas - porta à porta por micro-regiões Vídeos
Apartamentos - reuniões de condomínio Entrega de Folders
2º Etapa
Monitoramento
- Prédios púbicos 1º Etapa Conversa com os
funcionários no
Prefeitura Reuniões com os chefes das diversas secretarias, onde estes deverão próprio local de
escolher os “fiscais” trabalho.
Anexo
2º Etapa Teatro no Hall da
Outras secretarias
Conversas com os funcionários na própria área de trabalho prefeitura

- Quartel da Polícia 1º Etapa Palestra de


Militar sensibilização
Reunião com o Comandante do BPM-MG
2º Etapa
Atividades com a tropa militar do BPM-MG
- Público Itinerante Corpo à corpo Teatros de rua
Jornal do ônibus
Pontos de ônibus

Ponto à ponto
- Unidades de Saúde 1º Etapa Entrega de folders
porta à porta
Farmácias Reunião com os líderes para divulgação do programa
Laboratórios de 2º Etapa
análise e próteses
Porta à porta
Clínicas
-veterinárias
- médicas
- odontológicas
UBS e UAIS
Hospitais

9. ORGANIZAÇÃO DE CATADORES (ASSOCIAÇÃO E COOPERATIVAS DE


CATADORES) E GRUPOS INTERESSADOS NA COLETA E COMERCIALIZAÇÃO
DE RESÍDUOS?

( X )Sim ( )Não

Situação em relação à formalização Descrever a forma de participação na


Nome
(Formal/informal) gestão dos resíduos
Associação em formalização, dados Gestão do galpão de triagem e reciclagem
socioeconômicos já levantados e de resíduos que receberá o produto da
- mobilização já iniciada. coleta seletiva a ser implantada

246
10. NEGÓCIOS, EMPREGO E RENDA:

Descrever as principais ações para a criação de fontes de negócios, emprego e renda, mediante a
valorização dos resíduos sólidos.

• Conclusão da obra da Usina de Triagem e Compostagem que receberá o material da Coleta Seletiva a ser
implantada conforme o PGIRS;

• Apoio e incentivo da administração pública aos catadores em processo de organização e propositura de


acordos setoriais que os incluam;

• Apoio técnico e comercial da administração pública aos catadores organizados para a comercialização dos
produtos da triagem e compostagem no próprio município;

• Incentivo da administração pública à indústria da reciclagem e compostagem no município, tendo em vista


fomentar o beneficiamento de matérias-primas e insumos derivados de materiais orgânicos e materiais
reutilizáveis para a manufatura de produtos confeccionados à partir destes;

• Estimular a demanda de materiais recicláveis no mercado;

• Educar a população promovendo a separação mais criteriosa dos materiais visando à comercialização dos
mesmos;

• Promover a negociação direta com as indústrias transformadoras, com melhores condições de


comercialização para os catadores organizados;

• Fiscalizar a boa qualidade dos materiais no galpão (seleção por tipo de produto, baixa contaminação
por impurezas e formas adequadas de embalagem/enfardamento);

• Apoiar tecnicamente a produção do composto orgânico produzido na usina de compostagem de lixo


domiciliar atendendo a valores estabelecidos pelo Ministério da Agricultura para que possa ser
comercializado;

• Prioridade nas aquisições e contratações governamentais e particulares para produtos reutilizáveis e


recicláveis.

11. CUSTOS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO LIMPEZA URBANA E MANEJO DE


RSU:

Tipo Custo/per capita ano Forma de cobrança dos serviços


Limpeza Urbana
(incluindo coleta de
RSU, serviços de Taxa cobrada na mesma guia do IPTU
R$ 32,66
varrição, poda e anualmente
capina em áreas
públicas)
Manejo de RSU
(incluindo a
Taxa cobrada na mesma guia do IPTU
destinação e R$ 13,61
anualmente
disposição final de
RSU)
247
12. METAS:

Descrever a(s) meta(s) para redução, reutilização, coleta seletiva e reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir
a quantidade de rejeitos encaminhados para a disposição final ambientalmente adequada.

Meta Objetivo Prazo


Manter a coleta em 100% dos domicílios
Otimização da
urbanos e atingir 100% dos domicílios Médio (4 a 8 anos)
coleta de resíduos
rurais
Estabelecer
controle sobre os Melhorar a fiscalização ambiental e
estabelecimentos conhecer a gestão de resíduos de
Curto (1 a 4 anos)
sujeitos à grandes geradores e indústrias
elaboração do instaladas no município
PGRS
Implantar a coleta
seletiva de Prolongar a vida útil do Aterro Sanitário,
materiais reduzir os gastos com destinação final e
Curto (1 a 4 anos)
recicláveis em promover a inclusão social dos catadores
100% da área de resíduos
urbana
Concluir as obras
da Usina de Apoiar a organização dos catadores de
Curto (1 a 4 anos)
Triagem e resíduos gerando emprego e renda
Compostagem
Integrar a logística de coleta à
Implantar um
destinação final dos RSU utilizando
Modelo
equipamentos e tecnologias limpas ao
Operacional
longo da cadeia de processos visando a Longo (8 a 20 anos)
eficiente de Gestão
diminuição dos gastos com destinação
dos Resíduos
final e máximo de reciclagem e reuso de
Sólidos Urbanos
materiais
Criar um centro de Promover a transparência dos gastos
custos específico com limpeza urbana e manejo dos RSU
Curto (1 a 4 anos)
para os serviços de e conhecimento dos itens de despesas
manejo dos RSU que impactam a prestação dos serviços
Criar uma equipe permanente de
educação ambiental na Secretaria de
Educação Planejamento e Meio Ambiente a fim de
Curto (1 a 4 anos)
Ambiental sustentar o sucesso da coleta seletiva e
manejo adequado dos RSU por parte da
população
Articular os envolvidos no consumo,
comercialização e fabricação de produtos
Logística Reversa sujeitos à logística reversa para a correta Médio (4 a 8 anos)
destinação final destes produtos após o
uso
Promover a educação ambiental para
conscientizar a população dos benefícios
Cidade Mais Limpa da destinação correta dos resíduos e Médio (4 a 8 anos)
criar mecanismos legais para a punição
de infratores
Controle dos Implantar o formulário de RCC nos
Resíduos da processos de concessão de alvarás de Curto (1 a 4 anos)
Construção Civil construção e reforma para conhecer
248
melhor a atividade dos caçambeiros
Usina de Implantar a URRCC eliminando o
Reciclagem de problema do impacto visual destes no
Médio (4 a 8 anos)
Resíduos da município oferecendo um local
Construção Civil apropriado para a destinação final
Implantação dos
PEV´s – Pontos de Eliminar a presença de entulho e lixo nas
Curto (1 a 4 anos)
Entrega Voluntária ruas e corpos d’água
no município
Implantar o Sistema de Informações e
Gestão dos Serviços de Limpeza Urbana
Modelo de Gestão
para gerenciar o trabalho da Prefeitura e Curto (1 a 4 anos)
Operacional
de empresas terceirizadas nas atividades
envolvidas
Redução de custos e melhoria
Terceirizações operacional nos serviços do Aterro Curto (1 a 4 anos)
Sanitário e coleta dos resíduos

13. PARTICIPAÇÃO DO PODER PÚBLICO:

Descrever as formas e os limites da participação do poder público local na coleta seletiva e na logística reversa e
outras ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos.

Ação Facilidades Dificuldades


Apoio Técnico especializado na Usina de
Mobilização Social
Triagem após sua implantação
Coleta Seletiva Educação Ambiental
Equipamentos para a coleta
Incentivos fiscais
Treinamento do pessoal da coleta
Legislação Municipal apropriada
Mobilização Social
Empresas especializadas em tratamento e
Acordos Setoriais
Logística Reversa destinação final próximas
Educação Ambiental
Fiscalização
Promover Ecopontos
Armazenamento

14. CONTROLE E FISCALIZAÇÃO:

Descrever ações e indicadores para acompanhamento, controle e fiscalização.

Ação Indicador Responsável


Implantar o controle
dos resíduos da Formulário de RCC preenchido Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
construção civil
Implantar o controle
sobre grandes
PGRS do gerador conhecido Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
geradores e
indústrias
Implantar A3P em
Redução de 30% na geração de
todos os órgãos Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
resíduos do serviço público
públicos

249
Implantar a coleta Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
Redução gradual de resíduos
seletiva em 100%
pesados no Aterro Sanitário Secretaria de Obras
da área urbana
Iniciativas para a
Educação
Equipe de Mobilizadores contratada Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente
Ambiental e
Mobilização Social
Mobilizar o
legislativo para
votar a legislação Leis Municipais promulgadas Gabinete do Prefeito
ambiental
pertinente

15. IDENTIFICAÇÃO DE ÁREAS DE DISPOSIÇÃO INADEQUADA DE RESÍDUOS


E ÁREAS CONTAMINADAS E RESPECTIVAS MEDIDAS SANEADORAS:

Tipo de Medidas adotadas e


Área Coordenadas Geográficas (X,Y)
resíduo características gerais da área
Resíduos
Sólidos
Urbanos

Resíduos da
Entroncamento de estrada na
Construção área rural
Caçamba de Civil
Educação Ambiental
lixo na área Resíduos
Agrossilvopast
rural 333686 7558229 oris

Resíduos
Sólidos Área urbana residencial – Bairro
Urbanos de classe baixa
Bota fora na Resíduos da Implantação de Ecoponto no
Construção
margem do rio 337639 7557830 Civil
Bairro e Educação Ambiental

Resíduos
Bota fora na Sólidos Área urbana residencial – Bairro
margem do rio Urbanos de classe baixa
no bairro Resíduos da Implantação de Ecoponto no
Construção
Samambaia 338597 7559867 Civil
Bairro e Educação Ambiental

Resíduos
Bota fora na Sólidos Área urbana residencial – Bairro
margem do rio Urbanos de classe baixa
no bairro Resíduos da Implantação de Ecoponto no
Construção
Samambaia 338189 7559881 Civil
Bairro e Educação Ambiental

Resíduos
Bota fora na Sólidos Área urbana residencial – Bairro
margem do rio Urbanos de classe baixa
no bairro 7 de Resíduos da Implantação de Ecoponto no
Construção
setembro 337161 7557505 Civil
Bairro e Educação Ambiental

Resíduos
Bota fora na Sólidos Área urbana residencial – Bairro
margem do rio Urbanos de classe baixa
no bairro Resíduos da Implantação de Ecoponto no
Construção
Mutary 337117 7557272 Civil
Bairro e Educação Ambiental

Resíduos Área urbana – Terreno de


Bota fora em Sólidos 10.000m2 recebendo material
terreno 336518 7555919 Urbanos para correção do nível do solo
250
particular Resíduos da Licenciamento Ambiental
Construção
(aterro) Civil

16. PERIODICIDADE DE REVISÃO DO PGIRS:

02 em 02 anos.___________________________________________________________________________

17. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS QUANTO À IMPLANTAÇÃO E


OPERACIONALIZAÇÃO DO PLANO:

Identificar no âmbito da administração municipal os responsáveis pela implantação e operacionalização do


Plano.
Secretaria Municipal de Planejamento e Meio Ambiente; Secretaria Municipal de Obras, Serviços Públicos e
Transporte Interno; Secretaria Municipal de Saúde.

251
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT NBR 10004:2004 Segunda edição 31.05.2004. Resíduos sólidos – Classificação.


Disponível no site: http://www.aslaa.com.br/legislacoes/NBR%20n%2010004-2004.pdf

ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2011 – Associação Brasileira de


Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. BRASIL. Disponível no site:
http://www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2011.pdf

BRASIL. IBGE Atlas de Saneamento 2011. Disponível no site:


http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/atlas_saneamento/default_zip.shtm

BRASIL. Instituto Brasileiro de Administração Municipal – IBAM, Secretaria Especial de


Desenvolvimento Urbano da Presidência da República – SEDU/PR. Gestão Integrada de
Resíduos Sólidos Manual Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos. Rio de Janeiro:
IBAM, 2001. Disponível no site: http://www.resol.com.br/cartilha4/manual.pdf

BRASIL. Ministério das Cidades. Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento.


Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos 2010. Tabela de Informações e
Indicadores III - Região Sudeste. Disponível no site:
http://www.snis.gov.br/PaginaCarrega.php?EWRErterterTERTer=93

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente – MMA. Programa Agenda Ambiental na


Administração Pública - A3P. CARTILHA A3P. Disponível no site:
http://www.mma.gov.br/estruturas/a3p/_arquivos/cartilha_a3p_36.pdf

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente – MMA, ICLEI – Brasil. Secretaria de Recursos


Hídricos e Ambiente Urbano e Departamento de Ambiente Urbano. Planos de Gestão de
Resíduos Sólidos: Manual de Orientação. Brasília, 2012. Disponível no site:
http://www.mma.gov.br/estruturas/182/_arquivos/manual_de_residuos_solidos3003_182.pdf

BRASIL. PricewaterhouseCoopers Serviços Profissionais Ltda. Guia de orientação para


adequação dos Municípios à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), 2011. Disponível
no site: http://www.selurb.com.br/upload/Guia_PNRS_11_alterado.pdf

252
INDICADOR CONSULTORES ASSOCIADOS. Construção civil: cenários e perspectivas.
Belo Horizonte, 2011. Disponível no site: http://www.indicadores.srv.br/centro/files/30.pdf

PREFEITURA MUNICIPAL DE ANDRADAS. Secretaria Municipal de Obras, Serviços


Públicos e Transporte Interno. Documentos 2012.

PREFEITURA MUNICIPAL DE ANDRADAS. Secretaria Municipal de Planejamento


Urbano e Meio Ambiente. Documentos 2012.

PREFEITURA MUNICIPAL DE ANDRADAS. Secretaria Municipal de Saúde. Registros e


Documentos 2012.

253