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1.

(FGV 2018 - XXVII Exame de Ordem Unificado) Roberto desligou-se de seu emprego

e decidiu investir na construção de uma hospedagem do tipo pousada no terreno


que possuía em Matinhos. Roberto contratou um arquiteto para mobiliar a
pousada, fez cursos de hotelaria e, com os ensinamentos recebidos, contratou
empregados e os treinou. Ele também contratou um desenvolvedor de sites de
Internet e um profissional de marketing para divulgar sua pousada. Desde então,
Roberto dedica-se exclusivamente à pousada, e os resultados são promissores. A
pousada está sempre cheia de hóspedes, renovando suas estratégias de
fidelização; em breve, será ampliada em sua capacidade. Apresente o conceito de
empresário e analise se Roberto se encaixa ou não nesse conceito.

Resposta: Empresário é a pessoa que exerce atividade econômica de forma


profissional e organizada para a circulação de bens ou serviços. É caracterizado por
quatro elementos específicos:
a) sujeito de direito: é pessoa física, na condição de empresário individual, que exerce
a empresa em seu próprio nome ou a pessoa jurídica, como sociedade empresarial ou
EIRELI, sujeitos aos deveres e obrigações da atividade empresarial.
ou jurídica que exerce a empresa em seu nome.
b) exerce atividade em nome próprio: que o empresário exerça a atividade da
empresa, que pode ser conceituada como a atividade que organiza os fatores comuns
de produção para que se forneça ou produza bens ou serviços. Também é dotada de
economicidade (criação de novas atividades, utilidades, riquezas) e padronização de
atividades.
c) profissionalismo: é o exercício da empresa com qualidade, dotado de habitualidade
da atividade exercida (ainda que em atividades de temporada) e com caráter estável.
d) risco da atividade: o empresário assume o risco total da empresa, inclusive de
perder o valor investido nela.
Quanto ao caso de Roberto, em sua atividade é considerado empresário
irregular. Apesar de não possuir o registro comercial, ele é dotado dos elementos que
determinam o empresário: é sujeito de direito, exerce atividade em nome próprio,
com profissionalismo, mesmo que o serviço de hospedagem se dê por temporadas, e
assumiu totalmente o risco da atividade.
Professor: questão da prova! Apresente o conceito de empresário. A transição do
dispositivo não serve de resposta. Deve apresentar os elementos que caracterizam o
empresário. Não precisa citar o artigo nem dar conceitos detalhados. Apenas os 4
elementos. Sujeito de direito(1) que exerce a empresa em seu próprio nome(2). Deve
conceituar empresa e analisar se a hotelaria é de fato empresa. Destacar a
profissionalidade(3) e o risco da atividade (4). Analisar se a atividade é empresa.

(FGV 2014 – XV Exame Unificado - adaptada) Alfredo Chaves exerce, em caráter


profissional, intelectual de natureza literária, com a colaboração de auxiliares. O
exercício da profissão constitui elemento de empresa. Não há registro da atividade por
parte de Alfredo Chaves em nenhum órgão público. Alfredo pode ser considerado
empresário? Justifique.

Resposta: Alfredo é considerado empresário irregular, mesmo que não possua o


registro comercial. A sua atividade possui elemento de empresa e por isso está em
conformidade com o conceito de empresário porque a profissão constitui elemento de
empresa. A organização, nesse caso, é mais importante do que a atividade intelectual,
e ele é tido como empresário porque a sua atividade ocupa um lugar secundário em
relação ao elemento da empresa. Alfredo é Sujeito de direito, porque exerce a
profissão como elemento de empresa exerce atividade em nome próprio; com
profissionalismo; assumindo os riscos da atividade.

Professor: a profissão constitui elemento de empresa. (item de outra questão


objetiva). Estará na prova! Por isso há uma preponderância de outros fatores. A
organização é mais importante do que a atividade intelectual. É empresário
porque a atividade ocupa um lugar secundário em relação ao elemento da
empresa. Trazer os quatro requisitos do elemento de empresa. LEMBRAR DA
ATIVIDADE RURAL QUE REQUER UM 5º ELEMENTO (NECESSIDADE DE
REGISTRO).

1. (CESPE - 2018 - ABIN - Oficial Técnico de Inteligência - Área 2) João, empresário

e proprietário de uma loja de roupas, sofreu um acidente vascular cerebral,


razão por que foi decretada a sua incapacidade civil. Nessa situação, o que
ocorrerá com a atividade empresarial? Deverá ser extinta ou poderá continuar?
Justifique.

Resposta: João poderá continuar com a atividade empresarial porque sua


incapacidade foi posterior à atividade empresarial. Mas precisa ser representado ou
assistido por seus pais ou pelo autor da herança. Deverá também possuir autorização
judicial após estudo de risco da condição da empresa, e com a ressalva de que os bens
que ele possuía no tempo da sucessão não fiquem sujeitos ao resultado da empresa.
Ou seja, o patrimônio de João é separado em duas partes.

Professor: art. 974, cc. Olhar os 4 requisitos para alguém incapaz ser empresário.
Continuação da atividade, assistido ou representado, autorização judicial, limitação
dos riscos do joao, separando seu patrimônio em duas partes. Está no caput e §§ 1 e 2,
o §3 não trata disso, apenas do sócio incapaz. É QUESTÃO OBJETIVA DA PROVA!

20. CHAMPAGNE MOET E CHANDON ajuizou ação de abstenção de uso da marca


CHANDON contra a CHANDON DANCETERIA E BAR LTDA. A marca "MÕET &
CHANDON", como o patronímico "CHANDON" não foram registradas como marca
de "alto renome", tendo sido declaradas apenas como notoriamente conhecidas,
no seguimento de bebidas, bebidas/vinhos/vinhos espumantes. Defina as marcas
notoriamente conhecidas (0,5), definindo que tipo de proteção elas possuem (0,5)
e analise o caso concreto (1,0).

Resposta: A marca notoriamente conhecida é aquela possui um reconhecimento


expressivo pelos consumidores e que já foi registrada noutro país. Desse modo,
independente do seu registro no Brasil, é conferida a ela uma proteção especial
apenas em seu ramo de atuação, o que seria uma exceção ao princípio da
territorialidade. Essa proteção visa prevenir o empresário contra a concorrência
desleal e o aproveitamento da fama desta que ele possui no seu ramo de atividade ou
ramo semelhante por outra marca lançada posteriormente.
No caso analisado, as marcas não são capazes de gerar confusão entre os
consumidores porque estão em ramos distintos. Não há como confundir o proprietário
de uma danceteria com um fabricante de champanhe, podendo, assim, coexistirem
sem prejuízo. Se a marca fosse de alto renome estaria protegida em todos os ramos de
atuação, mas precisaria ser registrada e declarada com tal pelo INPI para que, desde
esse momento, obtivesse tal nível de proteção.

Professor: QUESTAO DE PROVA. Marcas notoriamente conhecidas. Duas partes da


pergunta. Definir o que é a marca, registrada ou não já e conhecida no seu ramo de
atuação. Não necessariamente por todos, mas no seu ramo é bem conhecida. Mesmo
não registrada no pais tem a proteção no seu ramo. a danceteria já era registrada no
pais no seu ramo de atuação. Falar das proteções antes do registro no seu ramo de
atuação. As duas podem conviver por estarem em ramos distintos. Complementoda
´prova: e se fosse de alto renome? Esta é protegida em todos os ramos de atuação,
mas precisa dser registrada e declarada pelo INPI como de alto renome, sendo
protegida daqui para frente.

21. Cuida-se de Ação de indenização por lucros cessantes, ajuizada por ROBERT PLANT,
em face de SHOPPING CENTER SÃO BERNARDO DO CAMPO S⁄C LTDA. Na fase de
cumprimento de sentença, foi formulado pedido incidental de desconsideração
da personalidade jurídica da recorrente, para incluir seus sócios no polo passivo do
cumprimento de sentença. O único fundamento invocado para tal pedido é não
realização de encerramento regular, com processo de liquidação. Considerando
que tais fatos são verdadeiros e que a pessoa jurídica não pagou a obrigação, é
cabível o pedido de desconsideração, com base no artigo 50 do CC? Justifique.

Não. O simples encerramento irregular de atividade não é suficiente porque neste caso
não se caracteriza abuso ou desvio de finalidade. Portanto, a questão não é
considerada como motivo suficiente para a ocorrência da desconsideração da
personalidade jurídica. O encerramento irregular não é hipótese de desconsideração.

desconsidera-se a personalidade da pessoa natural, sócio da empresa, para atingir o


patrimônio da pessoa jurídica, ante a presença dos requisitos autorizadores da
desconsideração “clássica”, ex vi do artigo 50 do Código Civil.

Não obstante, o Código de Processo Civil, através do parágrafo 2º do artigo 133,


veio a chancelar o entendimento construído jurisprudencial e doutrinariamente,
positivando expressamente a teoria da desconsideração inversa da personalidade
jurídica, quando afirma que “aplica-se o disposto neste Capítulo à hipótese de
desconsideração inversa da personalidade jurídica”.

ssim, o recurso cabível dessa decisão é o agravo de instrumento (CPC, art.


1.015, IV) se for originária de órgão judicial de primeiro grau e, caso a decisão
que seja proferida em fase recursal, pelo relator do recurso, caberá agravo
interno, conforme prevê o parágrafo único do art. 136 e também o caput do art.
1.021, ambos do CPC.
Questão da prova parecida com essa, mas tirada da OAB. Explicar o meio processual
para pedir a desconsideração: requerimento originário ou desconsideração.. Segundo:
se cabe a desconsideração da personalidade explicando os fundamentos, se CC com
desvio de finalidade, ou se for eireli, a fraude e analisar se isso está presente. A
questão da OAB.
Indicar o meio processual, o fundamento aplicado à luz do CC. Detalhe: figura da
desconsideração inversa da personalidade. Ter cuidado com isso analisando em
sentido inverso com os mesmo requisitos do art. 50, §3º, CC.

Professor: o simples encerramento irregular de atividade não é suficiente porque não é


abuso ou desvio. Não é considerado motivo suficiente para a desconsideração da
personalidade jurídica. ERESP 1306553. O encerramento irregular não é hipótese de
desconsideração.

22. Cuida-se de Ação de indenização por lucros cessantes, ajuizada por ROBERT PLANT,
em face de SHOPPING CENTER SÃO BERNARDO DO CAMPO S⁄C LTDA. Na fase de
cumprimento de sentença, foi formulado pedido incidental de desconsideração
da personalidade jurídica da recorrente, para incluir seus sócios no polo passivo do
cumprimento de sentença. Considerando que o único fato comprovado foi que a
pessoa jurídica não pagou a obrigação, é cabível o pedido de desconsideração, com
base no CDC? Justifique.

Resposta: Sim. De acordo com o entendimento do STJ, o não pagamento da pessoa


jurídica é suficiente para a desconsideração.

Professor: CDC. Aqui a figura é outra, a aplicação da teoria menor. RESP279273.


Aplicando o CDC, o STJ entendeu que o simples não pagamento da pessoa jurídica é
suficiente para desconsiderar. Questão objetiva: basta o não pagamento para
desconsiderar!

23. (CESPE 04/12/2011 - TJ - ES - Juiz Substituto- adaptada) Proprietário de


determinado terreno ajuizou ação de rescisão contratual cumulada com
indenização por danos materiais e morais contra a construtora Morar Bem Ltda.,
alegando que a tendo sido contratada para edificar a sua casa, no prazo certo e
improrrogável de doze meses, deixou de cumprir o prazo e abandonou a obra se
tornou inadimplente. Determinada a citação da pessoa jurídica, a carta enviada
pelo juízo foi devolvida pelos Correios, sob a justificativa de que, por três vezes,
não havia quem a recebesse no endereço especificado. Expedido mandado de
citação, o oficial de justiça certificou, nos autos, o seguinte: "o local indicado
encontra-se fechado, não havendo qualquer placa com o nome da empresa e
nenhuma pessoa para receber a citação, constando apenas, na porta, a informação
de que a empresa foi fechada". O autor, então, juntou aos autos certidão da junta
comercial atestando que o endereço da sede da empresa coincidia com o do local
constante no mandado citatório e que a empresa permanecia formalmente em
atividade. O autor requereu, ainda, a desconsideração da personalidade jurídica da
sociedade, para que os sócios fossem incluídos no polo passivo da ação. Com base
nessa situação hipotética, decida se é cabível ou não a desconsideração da
personalidade jurídica, à luz do Código Civil.

Resposta:

Caso o juiz entenda que a personalidade da empresa é, de alguma forma, obstáculo ao

ressarcimento de prejuízos causados ao consumidor, o pedido de desconsideração da

personalidade jurídica da empresa poderá ser deferido.


Professor: mesma resposta da questão 25, pois não se encaixa nos conceitos. Dizer
quais os fundamentos aplicados a fraude. Se EIRELI ou não. indicar o meio processual,
os conceitos aplicáveis pelo CC, e se os fatos se encaixam nesse conceito. PROVÁVEL
QUESTAO DE PROVA. O conceito é a teoria envolvida.

Questão 11

Para caracterizar alguém como empresário rural é necessário que ele possua os
seguintes elementos:

a) seja sujeito de direito: é pessoa física, na condição de empresário individual, que


exerce a empresa em seu próprio nome ou a pessoa jurídica, como sociedade
empresarial ou EIRELI, sujeitos aos deveres e obrigações da atividade empresarial.

b) exerce atividade em nome próprio: que o empresário exerça a atividade da empresa,


que pode ser conceituada como a atividade que organiza os fatores comuns de produção
para que se forneça ou produza bens ou serviços. Também é dotada de economicidade
(criação de novas atividades, utilidades, riquezas) e padronização de atividades.

c) haja com profissionalismo: que é o exercício da empresa com qualidade, dotado de


habitualidade da atividade exercida (ainda que em atividades de temporada) e com
caráter estável.

d) assuma o risco da atividade: o empresário assume o risco total da empresa, inclusive


de perder o valor investido nela.

e) registro:  o empresário deve se registrar no registro de empresas. Vale lembrar que a


há no dispositivo a faculdade ou não de se registrar, mas quem exerce atividade rural só
será considerado empresário desse tipo se fizer o registro na junta comercial.  Caso não
faça não terá os benefícios nem as obrigações próprias do regime empresarial.

Questão 12

A peça adequada é o incidente de desconsideração da personalidade jurídica,  com


fulcro no art. 134, CPC.

Fundamentos: A EIRELI foi constituída pela transformação do registro de empresário


individual. Demerval Lobo notória intenção limitara sua responsabilidade, Por ser
empresário individual com responsabilidade ilimitada, passou a ter responsabilidade
limitada com a EIRELI. Ele aproveitou a personalidade jurídica da EIRELI para
transferir por diversas vezes dinheiro das suas contas particulares para as da pessoa
jurídica,  alienou imóvel com abuso da autonomia subjetiva, ao mesmo tempo que  as
dívidas particulares aumentavam acumulando várias dívidas com os credores, um abuso
da autonomia objetiva. o abuso da personalidade também foi caracterizado pelo desvio
de bens do patrimônio pessoal do devedor para o da pessoa jurídica,conforme art. 50,
CC. No mais, cumpriu todos os pressupostos para a desconsideração, de acordo com os
arts. 133, § 1º, e 134, § 4º, CPC. E acrescenta-se a possibilidade de desconsideração
inversa da personalidade jurídica  do art. 133, § 2º, CPC.

Questão 13

A marca notoriamente conhecida é aquela possui um reconhecimento expressivo pelos


consumidores e que já foi registrada noutro país. Desse modo, independente do seu
registro no Brasil, é conferida a ela uma proteção especial apenas em seu ramo de
atuação, o que seria uma exceção ao princípio da territorialidade. Essa proteção visa
prevenir o empresário contra a concorrência desleal e o aproveitamento da fama desta
que ele possui no seu ramo de atividade ou ramo semelhante por outra marca lançada
posteriormente.

No caso analisado, as marcas não são capazes de gerar confusão entre os consumidores
porque estão em ramos distintos. Não há como confundir o proprietário de uma
danceteria com um fabricante de champanhe, podendo, assim, coexistirem sem prejuízo.
Se a marca CHANDON gozasse da proteção de alto renome estaria protegida em todos
os ramos de atuação, mas precisaria ser registrada e declarada com tal pelo INPI para
que, desde esse momento, obtivesse tal nível de proteção.

Questão 14

a) Não. Companhia não ser uma empresa de pequeno porte, ela é legalmente obrigada a
publicar o contrato de trespasse na imprensa oficial, de acordo com o art. 1.144,CC.

b) quem adquire o estabelecimento deve responder pelos débitos que já existiam antes
da transferência se estiverem normalmente contabilizados. neste caso, o antigo devedor
vai responder solidariamente pela dívida pelo período de um ano da publicação pelos
créditos vencidos e da data de vencimento pelos demais créditos.
c) o vendedor responde solidariamente pelo período de um ano.

Questão 15

Sim, desde que uma delas constitua a EIRELI e possua capital social que não seja
inferior a cem vezes o salário mínimo vigente à época, e que a outra pessoa figure como
administradora. 

A criação da EIRELI segue as etapas de outros formatos empresariais. É preciso


elaborar um documento de constituição a ser encaminhado para a Junta Comercial de
seu Estado ou no cartório da comarca da cidade na qual será implantado o negócio e
fazer o cadastro como pessoa jurídica,

Como nome, pode ser denominação, que deverá conter palavras ou expressões que
denotem atividade prevista no objeto social da empresa, e caso haja mais de uma
atividade, poderão ser escolhidas uma ou mais dentre elas. Ou firma, que será formada
com o seu próprio nome e que deverá figurar de forma completa, podendo ser
abreviados os prenomes.