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TRIBUNAL DE JUSTIÇA

PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

Registro: 2018.0000572834

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação nº


1003200-18.2017.8.26.0320, da Comarca de Limeira, em que é apelante PETRINA
MARIA ROQUE (JUSTIÇA GRATUITA), são apelados ADEMIR BATISTA ROQUE
(JUSTIÇA GRATUITA) e CLARICE RODRIGO DE ARAUJO ROQUE.

ACORDAM, em 5ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de


São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V. U.", de
conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O julgamento teve a participação dos Exmos. Desembargadores


ERICKSON GAVAZZA MARQUES (Presidente) e J.L. MÔNACO DA SILVA.

São Paulo, 1º de agosto de 2018

A.C.MATHIAS COLTRO
RELATOR
Assinatura Eletrônica
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo

5ª Câmara – Seção de Direito Privado


Apelação nº 1003200-18.2017.8.26.0320 Voto nº 36118
Comarca: Limeira (1ª Vara Cível)
Recorrente(s): Petrina Maria Roque
Recorrido(s): Ademir Batista Roque e outro
Natureza da ação: Extinção de condomínio

EMENTA: Extinção de Condomínio Elementos coligidos que


demonstraram a existência da copropriedade Extinção que
exsurge como direito potestativo do titular Pretendida
constituição do direito de laje em favor do autor -
Descabimento Imóvel construído em dois pavimentos -
Demandante que é titular de fração do imóvel como um todo, e
não de uma unidade autônoma erigida sobre acessão alheia
Exegese do artigo 1510-A do Código Civil - Sentença mantida -
Recurso desprovido.

Cuida-se de apelação interposta em face da sentença de fls.


136/139 que julgou procedente o pedido para declarar extinto o
condomínio, autorizando a alienação judicial do imóvel, impondo à
requerida o pagamento das verbas sucumbenciais, fixada a honorária em
10% do valor da causa, observada a gratuidade processual.

Pretende a demandada a reforma do decisum afirmando, em


síntese, que comprou o imóvel sozinha, regularizando a transferência de
titularidade junto à Associação Fortaleza Pró Moradia, sendo certo que o
autor Ademir Batista Roque, irmão mais novo da recorrente, não
manifestou vontade na aquisição do lote, nem assumiu as obrigações
decorrentes do contrato, até e porque era menor à época. Desse modo,
não há copropriedade. Por fim, postula seja reconhecido o direito de laje
(fls. 142/149).

Foram apresentadas as contrarrazões (fls. 153/156).

Apelação nº 1003200-18.2017.8.26.0320 - Limeira - VOTO Nº 36118 - 2/6


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Tempestivamente apresentado e presentes os demais


requisitos de admissibilidade, fica o apelo recebido em seus regulares
efeitos.

É o relatório, adotado, no mais, o da sentença.

Em que pese a argumentação expendida, o inconformismo


não comporta acolhida.

No caso, indiscutível que entre as partes há condomínio sobre


o imóvel descrito na inicial, como bem pontuado na sentença.

Muito embora haja documentos expedidos em nome apenas


da demandada, o que poderia sugerir fosse ela a única titular do domínio
(especialmente fls. 82 e seguintes), é de se ver que há outros indicando a
copropriedade (fls. 12 e ss e 41/41), além do que o condomínio foi
reconhecido nos autos de adjudicação compulsória aforada em face da
vendedora (fls. 15/29).

A prova oral também comprovou a existência de


copropriedade.

Sebastião afirmou ter edificado o sobrado e ter recebido os


pagamentos do demandante Ademir, além de ter solicitado os materiais
junto à ré.

De seu turno, a testemunha João narrou que o imóvel está no


nome do autor e da ré, sendo que o demandante pagou por parte da

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construção e mora na andar de cima do imóvel.

Fabiana, testemunha arrolada pela demandada, informou que


soube por sua mãe, (amiga da ré), que a requerida comprou e construiu o
imóvel, não sabendo dizer, todavia, se o autor teve participação na
aquisição do lote.

Por fim, o testemunho de Jerri, cunhado dos litigantes, que


informou ser o antigo dono do terreno juntamente com a demandada.
Posteriormente, vendeu sua parte para Ademir, ora demandante, que
construiu a casa e comprou todo o material.

Portanto, indene de dúvidas, que há condomínio entre as


partes.

Considerando-se que o imóvel não comporta divisão cômoda e


que o condomínio é mesmo fonte de discordância perpétua entre os
titulares, o direito à extinção exsurge como potestativo.

Por fim, quanto à constituição do direito de laje ao


demandante relativamente ao pavimento superior do imóvel, como
pretendido pela ré, tem-se que o pleito é manifestamente descabido.

Como pontua o eminente Des. Francisco Loureiro1, em seus


comentários à norma do artigo 1510-A do Código Civil:
“O direito real de laje é instituto sui generis, com requisitos e efeitos
próprios, que não se confundem com o direito de superfície (arts. 1369 e

1
Código Civil Comentado coord. Cezar Peluso - 12ª ed. Barueri Manole 2018 págs. 1533/1534

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segs. do CC) nem com a amplitude da propriedade plena (art. 1228 do


CC). [...]
O direito real de laje é uma nova modalidade de propriedade, na qual o
titular adquirente (lajeário) torna-se proprietário de unidade autônoma
consistente de construção erigida ou a erigir-se sob acessão alheia, sem
implicar situação de condomínio tradicional ou edilício.
[...]
Embora o titular do direito real de laje tenha a propriedade plena sobre a
unidade que ergueu (ou adquiriu já pronta) sobre ou sob a acessão-base
alheia, o § 4º dispõe que não implica a atribuição de fração ideal de
terreno ou participação proporcional em áreas já edificadas.
Criou-se nova modalidade de propriedade limitada à construção, mas
sem implicar situação de condomínio, quer tradicional, quer edilício,
entre o proprietário do solo/construção-base concedente, que se encontra
abaixo ou acima da laje.
Não há, portanto, direito do titular da laje sobre fração ideal de terreno
onde se assentam as duas construções. O terreno pertence com
exclusividade ao proprietário da construção-base, concedente do direito
real de laje.”

No caso, não se cuida de uma construção erigida sobre a casa


da demandada, mas de um único imóvel, com dois pavimentos, sendo
que o demandante é cotitular de todo o bem e, por isso, deseja o
desfazimento do condomínio, com a alienação do imóvel.

Mais, portanto, não é necessário à mantença do quanto


corretamente decidido, cabendo, apenas, majorar a honorária para 15%
sobre o valor da causa (cf. art. 85, § 11 do CPC), observada a gratuidade
processual.

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Essas as razões pelas quais se entende não ser possível acolher


o recurso interposto, manifestando-se aqui o quanto se tem como
necessário e suficiente à solução da causa, dentro da moldura em que
apresentada e segundo o espectro da lide e legislação incidente na
espécie, sem ensejo a disposição diversa e conducente a outra conclusão,
inclusive no tocante a eventual pré-questionamento de questão federal,
anotando-se, por fim, haver-se decidido a matéria consoante o que a
turma julgadora teve como preciso a tanto, na formação de sua
convicção, sem ensejo a que se afirme sobre eventual desconsideração ao
que quer que fosse, no âmbito do debate travado entre os litigantes.

Ante o exposto, nega-se provimento ao recurso, nos termos


enunciados.

A.C.Mathias Coltro
Relator

Apelação nº 1003200-18.2017.8.26.0320 - Limeira - VOTO Nº 36118 - 6/6

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