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Antônio Márcio Cardoso Sousa

15 questões: Organização
Politico-Administrativa do Estado

Augustinópolis
18 de maio de 2020
Antônio Márcio Cardoso Sousa

15 questões: Organização Politico-Administrativa do


Estado

Trabalho apresentado ao Professor Me. Elto


Abreu como parte da avaliação para a disci-
plina de Direito Constitucional

Universidade Estadual do Tocantins - Unitins


Campus de Augustinópolis
Curso de Direito

Augustinópolis
18 de maio de 2020
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1. Comente a afirmação: À União compete legislar privativamente

sobre águas, jazidas e outros recursos minerais; porém, é competên-

cia concorrente da União, dos estados e do Distrito Federal legislar

acerca de florestas, caça, conservação da natureza e defesa dos re-

cursos naturais.

Competência privativa da União.

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;

XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;

Competência concorrente dos Estados, Distrito Federal e Municípios.

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrente-
mente sobre:

VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos


recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;

2. Discorra sobre a assertiva: Compete privativamente à União le-

gislar sobre o sistema monetário e de medidas, títulos e garantia de

valores.

É uma questão baseada na literalidade da Constituição. Sempre chamo atenção


ao fato de que o candidato DEVE ler as competências previstas na Lei Maior, porque
questões assim sempre caem.

Vejamos:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: VI - sistema monetário e


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de medidas, títulos e garantias dos metais;

Não existe um método de memorização para o artigo 22. Enquanto concurseira, eu


decorava os de competência concorrente e achava os de competência privativa da União
por exclusão.

3. Respaldado em que medida um Determinado estado da Federa-

ção pode instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e

microrregiões constituídas por agrupamentos de municípios limítro-

fes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de

funções públicas de interesse comum.

Segundo a CF/88, determinado estado da Federação pretende instituir regiões


metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões constituídas por agrupamentos de
municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções
públicas de interesse comum.

Nessa situação, o ente federativo poderá efetivar tal medida mediante lei comple-
mentar estadual de iniciativa parlamentar. Conforme a CF/88, temos que:

Art. 25, § 3o Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões


metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de
municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções
públicas de interesse comum.

4. Discorra sobre como lei editada pelo Poder Legislativo de estado

da Federação para regulamentar o inquérito policial, Segundo o STF.

Considerando a jurisprudência acerca do assunto, é seria correto dizer que, para o


STF, referida lei é constitucional, porque a competência legislativa para tratar do tema
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é concorrente e, caso não haja lei federal sobre normas gerais, o estado poderá exercer a
competência legislativa plena.

Conforme o STF, A legislação que disciplina o inquérito policial não se inclui no


âmbito estrito do processo penal, cuja competência é privativa da União (art. 22, I, CF),
pois o inquérito é procedimento subsumido nos limites da competência legislativa concor-
rente, a teor do art. 24, XI, da CF de 1988, tal como já decidido reiteradamente pelo STF.
O procedimento do inquérito policial, conforme previsto pelo CPP, torna desnecessária a
intermediação judicial quando ausente a necessidade de adoção de medidas constritivas de
direitos dos investigados, razão por que projetos de reforma do CPP propõem a remessa
direta dos autos ao Ministério Público. No entanto, apesar de o disposto no inciso IV
do art. 35 da LC 106/2003 se coadunar com a exigência de maior coerência no ordena-
mento jurídico, a sua inconstitucionalidade formal não está afastada, pois insuscetível de
superação com base em avaliações pertinentes à preferência do julgador sobre a correção
da opção feita pelo legislador dentro do espaço que lhe é dado para livre conformação.
Assim, o art. 35, IV, da LC estadual 106/2003 é inconstitucional ante a existência de vício
formal, pois extrapolada a competência suplementar delineada no art. 24, § 1o , da CF de
1988. [ADI 2.886, rel. p/ o ac. min. Joaquim Barbosa, j. 3-4-2014, P, DJE de 5-8-2014.]
Vide ADI 1.285 MC, rel. min. Moreira Alves, j. 25-10-1995, P, DJ de 23-3-2001.

Ademais, em outro julgado, mais recente, o STF reiterou: ADIN 4337/SP (2019):
"O inquérito policial está inserido na competência concorrente da União, dos Estados-
Membros e do Distrito Federal para legislar sobre procedimentos em matéria processual,
conferida pelo inc. XI do art. 24 da Constituição da República.

5. Como se denomina A autonomia do Estado para gerir negócios

próprios, pela ação administrativa do governador?

Em uma federação, tem-se uma formatação de Estado na qual o poder político, des-
centralizado, é distribuído entre os entes não soberanos, dotados de autonomia. Portanto,
autonomia é poder de direito público não soberano, que pode, em virtude de direito pró-
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prio, estabelecer regras de direito obrigatórias. A autonomia se resume na aptidão para


a realização de 3 capacidades: (A) Auto-organização: A auto-organização diz respeito
possibilidade de elaborar sua própria legislação fundamental (para os Estados-membros,
criar suas Constituições próprias; para o Distrito Federal e Municípios, elaborar suas Leis
Orgânicas); (B) Autogoverno: é a capacidade de eleger e escolher seus próprios represen-
tantes; (C) Autoadministração: trata-se da capacidade que cada ente possui de exercer
suas atividades/ atribuições de cunho legislativo, administrativo e tributário.

Portanto, a autonomia do Estado para gerir negócios próprios, pela ação adminis-
trativa do governador, denomina-se autoadministração.

6. Comente a afirmação: Não estará abarcado pela imunidade ma-

terial o vereador que ofender adversário político em entrevista em

município diverso daquele no qual cumpre mandato.

A questão exige conhecimento acerca das prerrogativas dos vereadores. Sobre o


tema, é correto afirmar que Os Vereadores gozam de inviolabilidade por suas opiniões,
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município (art. 29, VIII).
Portanto, não estará abarcado pela imunidade material o vereador que ofender adversário
político em entrevista em município diverso daquele no qual cumpre mandato. Conforme
o STF, “Nos limites da circunscrição do município e havendo pertinência com o exercício
do mandato, garante-se a imunidade do vereador". STF. Plenário. RE 600063, Rel. para
acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 25/02/2015.

7. Comente a afirmação: Compete à União organizar e manter a

Defensoria Pública do Distrito Federal e a de eventual território.

Conforme a CF/88, temos que: A EMENDA CONSTITUCIONAL No 69, DE 29


DE MARÇO DE 2012 alterou os arts. 21, 22 e 48 da Constituição Federal, para transferir
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da União para o Distrito Federal as atribuições de organizar e manter a Defensoria Pública


do Distrito Federal. Nesse sentido, O art. 1da Emenda Constitucional no 69/12 alterou o
inciso XIII, do art. 21, da Constituição Federal, porquanto excluiu a competência da União
para organizar e manter a Defensoria Pública do Distrito Federal. Portanto, a afirmação
está errada.

8. Comente sobre: A competência para legislar sobre Defensoria Pú-

blica é privativa da União.

A questão aborda a temática relacionada à organização do Estado. Conforme a


CF/88, temos que:

Art. 24 - Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorren-


temente sobre: [...] XIII - assistência jurídica e defensoria pública.

Portanto, a competência para legislar sobre Defensoria Pública não é privativa da


União, mas sim concorrente entre a União, Estados e DF. Logo, assertiva está errada.

9. Discorra sobre a afirmação: Uma das hipóteses em que a interven-

ção dos estados em seus municípios é autorizada é a não aplicação

do mínimo exigido da receita municipal nas ações de manutenção e

desenvolvimento do ensino.

A questão trata da Intervenção estadual:

A Constituição Federal elenca, no art. 35, as hipóteses em que se admite a inter-


venção estadual nos municípios, dentre as quais se destaca a disposta no inciso III:

Art. 35. O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios
localizados em Território Federal, exceto quando: III - não tiver sido aplicado o mínimo
exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e
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serviços públicos de saúde. logo, está correto.

10. Comente a assertiva: É constitucional, pois está compatível com

a CF e com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pes-

soas com Deficiência, incorporada ao direito nacional como norma

constitucional.

Conforme as disposições do texto constitucional, a legislação, a doutrina e a juris-


prudência do STF, a lei estadual X é constitucional, pois está compatível com a CF e com
a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, incorporada ao
direito nacional como norma constitucional.

Conforme o STF, “Lei 10.820/1992 do Estado de Minas Gerais, que dispõe sobre
adaptação dos veículos de transporte coletivo com a finalidade de assegurar seu acesso
por pessoas com deficiência ou dificuldade de locomoção. (...) A ordem constitucional
brasileira, inaugurada em 1988, trouxe desde seus escritos originais a preocupação com a
proteção das pessoas portadoras de necessidades especiais, construindo políticas e diretri-
zes de inserção nas diversas áreas sociais e econômicas da comunidade (trabalho privado,
serviço público, previdência e assistência social). Estabeleceu, assim, nos arts. 227, § 2o , e
244, a necessidade de se conferir amplo acesso e plena capacidade de locomoção às pessoas
com deficiência, no que concerne tanto aos logradouros públicos quanto aos veículos de
transporte coletivo, determinando ao legislador ordinário a edição de diplomas que estabe-
leçam as formas de construção e modificação desses espaços e desses meios de transporte.
(...) Muito embora a jurisprudência da Corte seja rígida em afirmar a amplitude do con-
ceito de trânsito e transporte para fazer valer a competência privativa da União (art. 22,
XI, CF), prevalece, no caso, a densidade do direito à acessibilidade física das pessoas com
deficiência (art. 24, XIV, CF), em atendimento, inclusive, à determinação prevista nos
arts. 227, § 2o , e 244 da Lei Fundamental, sem preterir a homogeneidade no tratamento
legislativo a ser dispensado a esse tema. Nesse sentido, há que se enquadrar a situação
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legislativa no rol de competências concorrentes dos entes federados. Como, à época da


edição da legislação ora questionada, não havia lei geral nacional sobre o tema, a teor do
§ <3>o do art. 24 da CF, era deferido aos Estados-membros o exercício da competência
legislativa plena, podendo suprir o espaço normativo com suas legislações locais.

[ADI 903, rel. min. Dias Toffoli, j. 22-5-2013, P, DJE de 7-2-2014.]

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12. Comente: A organização político-administrativa da República

Federativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito

Federal, os municípios e os territórios, todos entes federativos autô-

nomos dotados de capacidade de autogoverno e autoadministração.

A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil está pre-


vista na Constituição, em seu art. 18. No entanto, ela compreende apenas a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, sem incluir os territórios,
que integram a União e estão previstos no art. 18, §3o . Territórios não tem autonomia e
a afirmativa, portanto, está errada. Logo, está correto.

13. Discorra sobre: Compete à União, aos estados e ao Distrito

Federal legislar concorrentemente sobre cidadania e naturalização,

limitando-se a União a estabelecer normas gerais e os demais entes

a legislar em caráter suplementar.

Perguntas sobre competências legislativas da União, dos Estados, do Distrito Fe-


deral e dos Municípios são interessantes e costumam ser resolvidas com o conhecimento
do texto constitucional. No caso, temos o art. 22, XIII, que indica que "compete privativa-
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mente à União legislar sobre (...) nacionalidade, cidadania e naturalização". Competências


concorrentes, por sua vez, estão listadas no art. 24 e, por isso, a afirmativa está incorreta.
Observe que, em se tratando de competências privativas, a regra é que apenas a União
pode legislar sobre o tema; excepcionalmente, porém, a União, por meio de lei comple-
mentar, pode autorizar os estados a legislar sobre pontos específicos das matérias listadas
no art. 22 - o que não é o caso indicado no enunciado. Portanto, a assertiva está errada.

14. Comente a assertiva: O município de Augustinópolis, no estado

do Tocantins, é competente para organizar serviços públicos de inte-

resse local; entretanto, se esses serviços forem de transporte coletivo,

tal competência será da União.

A questão aborda a temática relacionada à repartição constitucional de compe-


tências. Tendo em vista o caso hipotético narrado e tendo em vista a disciplina e a
jurisprudência constitucional acerca do assunto, é possível dizer que a competência para
organizar serviços públicos de interesse local é municipal, entre os quais o de transporte
coletivo [artigo 30, inciso V, da CF/88]. A assertiva, portanto, está equivocada, ao apontar
a competência como sendo da União. Nesse sentido, a jurisprudência do STF estabelece
que:

1. A Constituição do Brasil estabelece, no que tange à repartição de competência


entre

os entes federados, que os assuntos de interesse local competem aos Municípios.


Competência residual dos Estados-membros — matérias que não lhes foram vedadas pela
Constituição, nem estiverem contidas entre as competências da União ou dos Municípios.
2. A competência para organizar serviços públicos de interesse local é municipal, entre
os quais o de transporte coletivo [artigo 30, inciso V, da CB/88] – STF, ADI 845-AP.
Portanto, está errado.
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15. Comente: As atuais terras indígenas demarcadas e localizadas

no estado do Tocantins são bens públicos federais.

Está correto. A CF institui que terras previamente ocupadas e demarcadas por


povos indígenas são bens públicos pertencentes à União.
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Referências