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Análise Psicológica (2004), 3 (XXII): 441-448

Psicologia da Saúde

JOSÉ A. CARVALHO TEIXEIRA (*)

A psicologia da saúde é a aplicação dos co- Os psicólogos que se direccionam para a com-
nhecimentos e das técnicas psicológicas à saúde, preensão da forma como os factores biológicos,
às doenças e aos cuidados de saúde (Marks, Mur- comportamentais e sociais influenciam a saúde e
ray, Evans & Willig, 2000; Ogden, 2000). Estuda a doença são chamados psicólogos da saúde. Mui-
o papel da psicologia como ciência e como pro- tos estão centrados na promoção da saúde e pre-
fissão nos domínios da saúde, da doença e da venção da doença, trabalhando com os factores
própria prestação dos cuidados de saúde, focali- psicológicos que fortalecem a saúde e que redu-
zando nas experiências, comportamentos e inter- zem o risco de adoecer. Outros disponibilizam
acções. Envolve a consideração dos contextos so- serviços clínicos a indivíduos saudáveis ou do-
ciais e culturais onde a saúde e as doenças ocor- entes em diferentes contextos. Outros estão en-
rem, uma vez que as significações e os discursos volvidos no ensino e formação, e na investigação.
sobre a saúde e as doenças são diferentes conso-
ante o estatuto socioeconómico, o género e a di- O corpo teórico da psicologia da saúde com-
versidade cultural. porta actualmente 2 perspectivas diferentes
A psicologia da saúde, que dá relevância à (Crossley, 2000):
promoção e manutenção da saúde e à prevenção - Perspectiva tradicional – Modelo biopsi-
da doença, resulta da confluência das contribui- cossocial, assente em metodologias quanti-
ções específicas de diversas áreas do conheci- tativas, investiga os comportamentos sau-
mento psicológico (psicologia clínica, psicologia dáveis e os comportamentos de risco, foca-
comunitária, psicologia social, psicobiologia) lizando nos seus determinantes psicológi-
tanto para a promoção e manutenção da saúde cos e no seu valor preditivo
como para a prevenção e tratamento das doenças - Perspectiva crítica – Modelo fenomenoló-
(Simon, 1993). A finalidade principal da psico- gico-discursivo, assente em metodologias
logia da saúde é compreender como é possível, qualitativas de análise do discurso, investi-
através de intervenções psicológicas, contribuir ga as significações relacionadas com a saú-
para a melhoria do bem-estar dos indivíduos e de e as doenças, focalizando nas experiên-
das comunidades. cias de saúde e doença.

A perspectiva crítica surgiu face à tendência


que a perspectiva tradicional dominante tem pa-
ra reduzir as questões da saúde e das doenças a
problemas técnicos de manejo e controlo con-
(*) Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Lis- gruentes com o modelo biomédico e reforçando
boa. o individualismo. A perspectiva crítica, focali-

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zando nas experiências psicológicas (subjecti- Podem participar na prestação de cuidados de
vas) da saúde e das doenças, procura compreen- saúde em programas de cuidados de saúde
der os seus significados e ligá-los com os con- primários, unidades de internamento hospitalar,
textos sociais e culturais onde ocorrem, contra- serviços de saúde mental, unidades de dor, onco-
riando os processos de objectivação e raciona- logia, serviços de saúde pública, serviços de saú-
lização que caracterizam a perspectiva tradicio- de ocupacional, consultas de supressão tabágica,
nal. Permite a necessária perspectiva ecológica e centros de alcoologia e serviços de reabilitação,
comunitária que visa a compreensão dos com- entre outros.
portamentos relacionados com a saúde em fun- Podem participar em programas de promoção
ção de contextos sociais e culturais (Carvalho da saúde e de prevenção nas escolas, locais de
Teixeira, 2000). Não são perspectivas que se ex- trabalho e comunidade, com base em serviços de
cluam mutuamente (Crossley, 2000). saúde e/ou em organizações comunitárias.
A intervenção de psicólogos na saúde, para
além de contribuir para a melhoria do bem-estar O desenvolvimento da psicologia da saúde em
psicológico e da qualidade de vida dos utentes Portugal iniciou-se em Maternidades e Hospitais
dos serviços de saúde, pode também contribuir e, só mais recentemente, se tem vindo a implan-
para a redução de internamentos hospitalares, di- tar nos Centros de Saúde, particularmente na Re-
minuição da utilização de medicamentos e utili- gião de Lisboa e Vale do Tejo. Com visibilidade
zação mais adequada dos serviços e recursos de significativa ao nível das publicações científicas
saúde (APA, 2004a). portuguesas têm-se destacado 4 áreas:
Finalmente, é também do âmbito da aplicação
da psicologia da saúde a análise e melhoria do - Psicologia da gravidez e da maternidade
sistema de cuidados de saúde, potenciando a actua- - Psicologia pediátrica
ção dos outros técnicos, contribuindo para a me- - Psicologia oncológica
lhoria das relações entre os técnicos e os utentes - Psicologia nos cuidados de saúde primários.
e para a melhoria das relações interprofissionais
e promovendo uma utilização mais adequada dos
serviços e recursos de saúde (Godoy, 1999), par- 2. ACTIVIDADES CLÍNICAS
ticipando em actividades de humanização dos
serviços e melhoria da qualidade dos cuidados. Entre as tarefas de avaliação psicológica, que
podem focalizar nos comportamentos de saúde,
no confronto com as doenças, nos estados emo-
1. CONTEXTOS LABORAIS cionais e na qualidade de vida contam-se (Ege-
ren & Striepe, 1998; Bennett, 2000; Forshaw,
Os psicólogos da saúde podem trabalhar em 2002) a entrevista clínica, avaliações cognitivas
diferentes contextos do sistema de saúde, quer ao e comportamentais, avaliações de personalidade
nível dos serviços públicos (Serviço Nacional de (projectivas e outras), avaliações psicofisiológi-
Saúde), quer ao nível de serviços privados (con- cas, avaliações da qualidade de vida, estudos epi-
sultórios, clínicas, empresas) e do sector social. demiológicos e outras actividades de avaliação
Em qualquer caso, trabalham em colaboração clínica em saúde, nomeadamente relacionadas
com outros técnicos (médicos, enfermeiros, técni- com dor, cancro, comportamento tipo A, depres-
cos de serviço social, fisioterapeutas, terapeutas são e ansiedade.
ocupacionais, nutricionistas, etc.). Podem traba- Tenha-se sempre em conta que as estratégias
lhar também em universidades, nas áreas do en- de avaliação podem influenciar todos os juízos
sino, formação e investigação e em organismos clínicos que são feitos sobre os indivíduos avalia-
do Ministério da Saúde. dos, bem como influenciam a identificação das
A intervenção em Centros de Saúde e em Hos- variáveis mediadoras e intervenientes e nas ava-
pitais deve ser conceptualizada na tripla dimen- liações dos resultados dos tratamentos e inter-
são de intervenção com os utente, intervenção venções (Haynes & Wu-Holt, 1999).
com os técnicos e intervenção na organização (Trin- Entre as tarefas de intervenção psicológica des-
dade & Carvalho Teixeira, 2002). tacam-se (Bennett, 2000; Johnston & Weinman,

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1995) intervenções de gestão do stresse, treino prevenção, diabetes, dor crónica, cancro, hiper-
de autocontrolo e eficácia no coping, técnicas tensão arterial, doenças cardiovasculares, doen-
comportamentais (relaxação, modelagem, treino ças mentais, tabagismo, alcoolismo, disfunções
de competências), biofeedback, educação para a sexuais, perturbações do sono, toxicodependên-
saúde, facilitação de mudança de comportamen- cias, doenças psicossomáticas, infecção VIH/
tos de risco e entrevista motivacional, expressão /SIDA, adesão a tratamentos médicos, utilização
de sentimentos, intervenção na crise, aconselha- de serviços e recursos de saúde, stresse ocupa-
mento psicológico, psicoterapias, grupos de su- cional dos técnicos de saúde e informação/comu-
porte e ajuda mútua. Os objectivos destas inter- nicação em saúde, entre outras. Devem fazê-lo
venções são (Bennett, 2000): facilitar uma mu- nas diferentes fases do ciclo de vida: crianças,
dança comportamental adequada e ajudar os in- adolescentes, adultos e idosos, e em diferentes
divíduos a enfrentar as exigências específicas contextos sociais e culturais.
que se lhes deparam, quer como resultado da do- Os focos principais da investigação psicoló-
ença, quer como resultado do seu tratamento. gica em saúde são (APA, 2004a, 2004b): deter-
Parte significativa das intervenções clínicas minantes comportamentais da saúde e das doen-
em psicologia da saúde focalizam em 3 áreas: ças; métodos facilitadores do desenvolvimento
de estilos de vida mais saudáveis e de compor-
- Promoção da saúde e prevenção, com des-
tamentos preventivos; confronto com o stresse e
taque para intervenções de supressão tabá-
com a dor crónica; relações entre o funciona-
gica, de álcool e drogas, promoção de com-
mento psicológico e o sistema imunitário; me-
portamentos alimentares saudáveis, mu-
diadores psicológicos das influências do estatuto
dança de comportamentos sexuais de risco
socioeconómico e do género sobre a saúde; in-
- Efeitos do stresse sobre a saúde, através da
fluências do stresse e do suporte social sobre a
promoção de estratégias de confronto (co-
saúde e as doenças; desenvolvimento de instru-
ping) adequadas e/ou da melhoria da uti-
mentos de avaliação psicológica em saúde; deter-
lização do suporte social, incidindo sobre
minantes psicológicos do ajustamento e da rea-
confronto com procedimentos médicos (ci-
bilitação em doenças crónicas.
rurgia, cateterismo cardíaco, quimioterapia),
Podem agrupar-se em 5 grandes áreas (Anton
controlo de sintomas (dor crónica, cefaleias),
& Mendez, 1999):
gestão do stresse (doenças cardiovascula-
res, hipertensão arterial, doenças psicosso- - Compreensão da génese e manutenção dos
máticas), adaptação à doença crónica, ade- problemas de saúde – Estudo das relações
são a tratamentos médicos e a actividades entre comportamentos e doença, tais como
de auto-cuidados, melhoria da informação as influências do comportamento tipo A, dos
em saúde e da comunicação do utente com estilos de confronto com o stresse e do uso
os técnicos de saúde, intervenção familiar de substâncias (tabaco, álcool e drogas)
- Prestação de cuidados psicológicos a indi- - Promoção da saúde e prevenção das doen-
víduos com perturbações mentais (depres- ças – Identificação dos determinantes dos
são, doença bipolar, perturbações fóbicas, comportamentos saudáveis, dos comporta-
neuroses, doença de Alzheimer, etc.), in- mentos de risco e dos processos de mudan-
cluindo avaliações psicológicas, promoção ça de comportamentos em diferentes fases
de estilos de vida saudáveis, aconselha- do ciclo de vida (crianças, adolescentes,
mento psicológico e reabilitação psicosso- adultos e idosos), incluindo também os as-
cial. pectos comportamentais da saúde ambien-
tal. Trata-se de identificar metodologias
de intervenção comunitária com carácter
3. INVESTIGAÇÃO preventivo e de identificar determinantes
psicológicos da mudança de comportamen-
Os psicólogos da saúde investigam em várias tos. Neste âmbito assume importância par-
áreas do comportamento relacionado com saúde ticular a integração da intervenção psicoló-
e doenças, nomeadamente promoção da saúde e gica na estratégia nacional de prevenção do

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cancro (Carvalho Teixeira, 2002a) e de pre- ramo de psicologia clínica na carreira técnica
venção da depressão. superior de saúde (Ministério da Saúde), que
- Facilitação e potenciação do diagnóstico e tem vindo a ser implementada lentamente em vá-
tratamento médicos – Investigação relacio- rios serviços de saúde, nomeadamente Materni-
nada com procedimentos médicos indutores dades, Hospitais e Centros de Saúde.
de stresse (cirurgia, hospitalização, endos- O documento legal define quais são as fun-
copias, etc.) e com comportamentos de ções do psicólogo clínico nos diferentes graus da
adesão medicamentosa e ao desenvolvi- carreira do psicólogo clínico (assistente; assis-
mento de auto-cuidados tente principal; assessor; assessor superior), bem
- Avaliação e tratamento de problemas de como na responsabilidade de um serviço, inclu-
saúde – Investigação sobre questões de indo de um serviço de âmbito regional.
avaliação e intervenção psicológicas rela- O acesso a esta carreira realiza-se por concur-
cionadas com dor, doença coronária, hiper- so público, sendo condição de acesso ter fre-
tensão arterial, enxaqueca, asma brônquica, quentado ou ter equiparação ao estágio profiss-
cólon irritável, úlcera péptica, diabetes, sionais pré-carreira, regulamentados pelas Por-
obesidade, e infecção VIH/SIDA, entre ou- tarias 171/96 e 191/97. O acesso ao estágio, que
tros. Assumem importância particular a ca- tem duração de 3 anos, realiza-se também por
racterização da experiência de doença (dis- concurso público.
curso, percepções, significados), a influên- Importa referir que as reformas actualmente
cia das percepções de doença sobre os esta- em curso ameaçam e colocam em risco o desen-
dos emocionais associados e sobre os com- volvimento da carreira profissional, nomeada-
portamentos de adesão e de procura de mente em unidades de saúde S.A. e nos hospitais
cuidados, bem como as relações entre as em parcerias público-privadas (PPP).
estratégias de confronto, o controlo dos sin- Para trabalhar nas instituições não estatais do
tomas, a evolução da doença e a prevenção sistema de saúde as organizações sócio-profissio-
das recaídas nas doenças crónicas nais dos psicólogos não definiram ainda o perfil
- Melhoria do sistema de cuidados de saúde profissional nem as habilitações específicas.
– Estudo do impacte dos ambientes físicos
e organizacionais dos serviços de saúde so-
bre o comportamento dos utentes, da comu- 5. FORMAÇÃO
nicação e relação dos técnicos com os uten-
tes, das relações interprofissionais e do stresse
ocupacional dos técnicos de saúde. 5.1. Formação Académica

Em Portugal, a investigação desenvolveu-se Em Portugal existem diversas oportunidades


sobretudo a partir de 1990 e tem sido realizada de formação académica em psicologia da saúde
predominantemente ao nível das universidades em várias instituições do ensino superior público
através de estudos relacionados com obtenção de e privado, quer pré-graduada (licenciaturas), quer
graus académicos e em geral com pouca ligação pós-graduadas (mestrados e pós-graduações).
com necessidades identificadas nos serviços de Ao nível das licenciaturas a formação em psi-
saúde. Têm dominado os estudos relacionados com cologia da saúde está fortemente implantada nas
crianças, adolescentes e grávidas, maioritaria- instituições de ensino superior de psicologia.
mente relacionados com avaliação, tratamento Ao nível de mestrados, a criação do primeiro
e/ou reabilitação de indivíduos doentes. curso ocorreu na Faculdade de Psicologia e Ci-
ências da Educação da Universidade de Lisboa e
a oferta cresceu significativamente nos últimos
4. CARREIRA PROFISSIONAL anos, embora com objectivos e com conteúdos
programáticos bastante heterogéneos.
Para trabalhar no Serviço Nacional de Saúde Existe já a possibilidade de realizar doutora-
existe desde 1994 (DL 241/94) uma carreira pro- mentos na especialidade de psicologia da saúde,
fissional específica para psicólogos na saúde, o nomeadamente no ISPA.

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5.2. Formação Profissional 7. PUBLICAÇÕES

Existem iniciativas de formação contínua na O desenvolvimento que a psicologia da saúde


área da psicologia da saúde que são promovidas tem conhecido no decurso dos últimos anos re-
por instituições de ensino superior. Têm-se des- flecte-se num número cada vez maior de publi-
tacado as actividades formativas organizadas pe- cações científicas especializadas, nomeadamente
lo Departamento de Formação Permanente do ISPA (Simon, 1999):
que, desde 1995, promove acções de formação
regulares nas seguintes áreas: psicologia da gra- - Fontes primárias – Entre as publicações
videz e da maternidade, neuropsicologia, aconse- periódicas destacam-se as revistas Health
lhamento VIH/SIDA, consulta psicológica em Cen- Psychology (USA, 1982), Psychology and
tros de Saúde e toxicodependências. Health (Holanda, 1987), Revista de Psico-
É no que se refere à intervenção nos Centros logía de la Salud (Espanha, 1989), Clínica
de Saúde que se encontra um modelo de forma- Y Salud (Espanha, 1990), Quality of Life
ção estruturado como formação específica (Car- Research (Grã-Bretanha, 1992), Journal of
valho Teixeira, 2000), como resultado de experi- Clinical Psychology in Medical Settings
ências concretas de intervenção nos cuidados de (USA, 1994), British Journal of Health Psy-
saúde primários, em Centros de Saúde da Sub- chology (Grã-Bretanha, 1996), Journal of
-Região de Saúde de Lisboa (ARSLVT). Health Psychology (Grã-Bretanha, 1996),
Psychology, Health and Medicine (Grã-Bre-
tanha, 1996). No que se refere a publica-
6. REUNIÕES E SOCIEDADES CIENTÍFICAS ções não periódicas tem-se assistido à pu-
blicação de inúmeros tratados, manuais e
A Sociedade Europeia de Psicologia da Saú- compilações, que proporcionam uma infor-
de realiza uma Conferência Anual. mação generalista e ampla sobre diferentes
Em Portugal realizam-se regularmente 2 aspectos da psicologia da saúde. Destacam-
grandes reuniões científicas nacionais relacio- -se os de Belar e Daerdorff (1987, 1995),
nadas especificamente com a psicologia da saúde: Bennett e Weinman (1990), Bishop (1994),
- Congressos Nacionais de Psicologia da Saú- Brannon e Feist (1992), Broome (1989), Camic
de, organizados pela Sociedade Portuguesa e Knight (2000), Carroll (1992), Curtis (2000),
de Psicologia da Saúde, com o apoio do Forshaw (2002), Friedman e DiMatteo (1989),
ISPA, desde 1994. O 5.º Congresso Nacio- Gatchel, Baum e Krantz (1982), Johnston e
nal realizou-se em Junho de 2004, em Lis- Marteau (1989), Maes e Spelberger (1988),
boa, subordinado ao tema “A Psicologia da Marks, Murray, Evans e Willig (2000), Mil-
Saúde num Mundo em Mudança” lon, Green e Meagher (1982), Pitts e Phil-
- Conferências Psicologia nos Cuidados de lips (1991), Rodriguez Marin (1995), Sa-
Saúde Primários, organizadas desde 1997 rafino (1990), Schroeder (1991), Sheridan e
pelo ISPA em colaboração com a Sub-Re- Radmacher (1992), Simon (1993, 1999),
gião de Saúde de Lisboa (ARSLVT/Minis- Steptoe e Mathews (1984), Stone, Weiss,
tério da Saúde). A V Conferência realizou- Matarazzo e col. (1987), Ogden (2000), Stroe-
se em Maio de 2004, em Lisboa, subordi- be e Stroebe (1995), Sweet, Rozensky e To-
nada ao tema “Psicologia, Promoção da Saú- vian (1991), Taylor (1995). Entre as fontes
de e Prevenção”. primárias podem incluir-se também os inú-
meros recursos existentes na Internet sobre
Entre nós existem 2 sociedades científicas rela- psicologia da saúde
cionadas especificamente com o campo da psico- - Fontes secundárias – As mais importantes
logia da saúde: a Sociedade Portuguesa de Psi- são publicações periódicas que apresentam
cologia da Saúde (1995) e a Associação Portu- revisões da literatura actual sobre um deter-
guesa de Psicólogos dos Cuidados de Saúde Pri- minado tema, nomeadamente International
mários (2001). Review of Health Psychology (Grã-Breta-

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nha, 1992) e Comportamiento y Salud (Es- ção de acidentes, etc., promovendo uma
panha, 1992). abordagem psicológica dos problemas de
saúde da comunidade e dos diferentes gru-
Em Portugal, existe um número significativo pos sociais
de publicações científicas, quer publicações-li- - Consulta psicológica – Consulta de refe-
vro, quer números temáticos em revistas de psi- rência para os clínicos gerais/médicos de
cologia e volumes de actas de reuniões científi- família e de apoio a diferentes projectos de
cas (Carvalho Teixeira, 2002b). saúde, integrando o paradigma clínico com
Destacam-se as iniciativas do Centro de os factores que influenciam o desenvolvi-
Edições do ISPA no que concerne a livros da es- mento e a mudança de comportamentos. A
pecialidade, a números temáticos da revista Aná- actividade clínica centra-se na avaliação
lise Psicológica (8 publicados e 1 em prepara- e/ou intervenção com casos problemáticos
ção) e a actas de congressos e conferências, bem no âmbito da mudança de comportamentos
como da Universidade do Minho, com a revista e prevenção, confronto e adaptação à doen-
Psicologia: Teoria, Investigação & Prática (2 nú- ça, stresse induzido por exames e tratamen-
meros temáticos). tos médicos, crises pessoais e/ou familia-
A Climepsi Editores tem investido na publi- res, perturbações do desenvolvimento, per-
cação de autores portugueses e na tradução de turbações de ajustamento, dificuldades de
manuais de referência de língua inglesa. comunicação dos utentes com os técnicos,
O órgão oficial da Sociedade Portuguesa de problemas de adesão a tratamentos e auto-
Psicologia da Saúde é a revista Psicologia, Saúde cuidados, etc.
& Doenças, já com vários números publicados. - Cuidados continuados – Participação nas
equipas de cuidados continuados que pres-
tam cuidados de saúde no domicílio a indi-
8. PSICOLOGIA NOS CUIDADOS DE SAÚDE víduos em situações de dependência
PRIMÁRIOS - Humanização e qualidade – Participação
em projectos de humanização dos serviços
Consiste na aplicação dos conhecimentos e e de melhoria da qualidade em saúde e in-
técnicas da psicologia em projectos de promoção tegração de metodologias psicológicas na
da saúde e prevenção das doenças em diferentes avaliação da satisfação dos utentes
fases do ciclo de vida, na realização de consulta - Investigação – Envolvimento em projectos
psicológica e na participação noutros projectos de investigação-acção em função de neces-
desenvolvidos nos Centros de Saúde. Nestes, os sidades identificadas pelas equipas de saú-
psicólogos trabalham integrados nas equipas de de, especialmente em parceria com autar-
cuidados de saúde primários. quias, escolas e organizações comunitárias
- Formação – Participação em acções de
Os psicólogos da saúde que trabalham nos formação destinadas a outros técnicos e vo-
cuidados de saúde primários podem desenvolver luntários, centradas em aspectos psicoló-
vários tipos de actividades (Gatchel & Oordt, gicos relacionados com as suas interven-
2003; Trindade, 2000): ções na prestação de cuidados.
- Actividades de promoção da saúde e pre-
venção – Participação em actividades de in-
9. ORGANIZAÇÃO E QUALIDADE
formação e educação para a saúde e de de-
senvolvimento comunitário relacionadas
A actividade dos psicólogos da saúde deve or-
com a alimentação, prática de exercício fí-
ganizar-se de acordo com o princípio da melho-
sico, tabagismo, consumo excessivo de ál-
ria contínua da qualidade dos cuidados, o que
cool, consumo de drogas, contracepção e
envolve 4 aspectos essenciais (Trindade & Car-
planeamento familiar, saúde materna e in-
valho Teixeira, 2002:
fantil, saúde escolar, saúde do adolescente,
saúde ocupacional, saúde do idoso, preven- - Definição do papel profissional – Nas dife-

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rentes organizações e serviços de saúde (Ma- APA On Line (2004c). Psychology is a Behavioral and
ternidades, Hospitais, Centros de Saúde, etc.) Mental Profession.
deve definir-se claramente o papel e as res- Barros, L. (1999). Psicologia pediátrica. Lisboa: Cli-
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intervenções clínicas com utentes, consulto- sitários, 23.
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participação em grupos de trabalho, etc. prevenção do cancro: Adesão a rastreios oncoló-
- Plano de actividades – A intervenção dos gicos. Psicologia: Teoria, Investigação & Prática,
2, 193-207.
psicólogos da saúde deve organizar-se atra-
Carvalho Teixeira, J. A. (2002b). Psicologia da saúde
vés dum plano de actividades anual, elabo- em Portugal. Panorâmica breve. Análise Psicoló-
rado após um processo de identificação de gica, 20 (1), 165-170.
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prioritários, de forma adaptada em relação gia para a intervenção em Centros de Saúde. In
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95-102). Lisboa: Climepsi Editores, Manuais Uni-
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ças aceleradas, a preocupação dos psicólo- Buckingham: Open University Press, Health Psy-
gos da saúde com o seu desenvolvimento chology.
profissional contínuo torna-se um impera- Egeren, L. V., & Striepe, M. (1999). Assessment approa-
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