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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES

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PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”

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A CAPOEIRA COMO ESTÍMULO CEREBRAL


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Por: Helena Maia de Andrade


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EN
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Orientador
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Prof. Marta Relvas


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Rio de Janeiro 2015


UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
AVM FACULDADE INTEGRADA

A CAPOEIRA COMO ESTÍMULO CEREBRAL

Apresentação de monografia à AVM Faculdade


Integrada como requisito parcial para obtenção do
grau de especialista em Neurociência Pedagógica
Por: . Helena Maia de Andrade.
AGRADECIMENTOS

....a Deus por iluminar os meus


caminhos, a minha mãe que me
ensinou os valores mais importantes da
vida e aos meus queridos Professores
e Mestres que me inspiraram e me
inspiram na caminhada da minha
qualificação educacional e profissional,
agradeço a Capoeira que me deu
sempre a maior inspiração para o
aprendizado e condicionamento......
DEDICATÓRIA

.....dedico essa conquista a mulher que


me ensinou a ser guerreira e que me deu
estrutura familiar e valores
importantíssimos para minha educação,
que me apoiou sempre em minhas
decisões e me aconselhou quando eu
estava errada, que chorou comigo quando
eu perdi e me incentivou a perseverar em
busca da vitória; minha amada mãe
Cezina Maia de Andrade.......
RESUMO

Partindo do princípio que enquanto seres humanos e racionais, a criança


torna-se produto de um processo histórico cultural. A aprendizagem é um
processo de aquisição de novas informações que só ocorre a partir de
estímulos que se é exposto “sensações”. Sendo assim somos seres 100%
sensoriais e 100% químicos, por que o mundo chega através dos sentidos, das
sensações e o nosso organismo reage quimicamente a todas elas.
O primeiro capítulo vem esclarecer o que é Neurociência Pedagógica, a
Fisiologia do cérebro seus componentes e circuitaria, a importância do Sistema
Límbico, Memória e Circuito de Recompensa. Esclarecer o processo de
aprendizagem pelo cérebro e suas modificações biológicas entre os neurônios.
O segundo capítulo traz a História da Capoeira desde a escravidão e
como ela se tornou um objeto de educação na escola e como vem colaborar
para o desenvolvimento cognitivo, afetivo-social e motor do educando.
O terceiro capítulo expõe um estudo das áreas motoras do cérebro de
um capoeirista, e traz como embasamento científico, estudos realizados por
Steven Brown e Lawrence M. Parsons demonstram através de um tomógrafo
PET como o cérebro atua para coordenar movimentos de dança e como toda a
área motora se relaciona.
Portanto esclarecer como a Neurociência pode colaborar para o
processo ensino e aprendizagem da Capoeira na escola na faixa etária de 03 a
05 anos pré-escolar no Centro Educacional Ema e Beatriz. Compreender
melhor os caminhos no cérebro da aprendizagem motora, aprendizagem
cognitiva e aprendizagem sócio- afetivas, através da Capoeira; verificar como a
cultura da Capoeira colabora para o aprendizado e a memória no
desenvolvimento do indivíduo. Assim identificar e analisar como a Capoeira e
sua instrumentalização contribuem para a Neurociência Pedagógica, é o objeto
de pesquisa dessa monografia.

Palavras chaves: Neurociência, Aprendizagem, Fisiologia do Cérebro,


Capoeira, Motricidade Humana.
METODOLOGIA

Sistemas sensoriais captam informações do ambiente e as enviam ao


hipocampo; que transmite informações sensoriais novas para as regiões da
substancia negra (SN) e da área tegmentar ventral; do complexo SN/ATV
partem as fibras neurais de volta para o hipocampo; provocando a liberação de
DOPAMINA por várias vezes; enviando impulsos nervosos para o córtex pré-
frontal ativando o mecanismo de recompensa e assim fechando o circuito da
aprendizagem. A liberação de dopamina no hipocampo facilita a
Potencialização de Longa Duração (LTP), um fortalecimento duradouro das
sinapses. Portanto novas sinapses levam ao aumento da bainha de mielina, a
novos neurônios, à plasticidade do cérebro e assim à novos conhecimentos
armazenados na memória. A memória é o processo de arquivamento seletivo
de informações, pelo qual podemos evocá-las sempre que desejarmos
consciente ou inconscientemente.
Logo a pesquisa será realizada através de estudos bibliográficos sobre o
tema baseados no estudo teórico utilizando artigos científicos publicados, sites
científicos e livros de pesquisadores como Damásio, Gardner, Kandel, Lent,
Piaget, Relvas, Wallon, Freitas, Freyre, Soares, Areias, Rego, Santos, Tubino,
Le Bouclch, Fonseca, Mestre Camisa. A pesquisa será realizada também
dentro da metodologia de ensino da Capoeira Pedagógica desenvolvida pela
ABADÁ-CAPOEIRA, Associação Brasileira de Apoio e Desenvolvimento da
Arte Capoeira.
Os movimentos, a música e o ritmo que a Capoeira trás compõem um
desenvolvimento no processo sensório motor, cognitivo, emocional e social do
aluno. Assim através da motivação e o prazer de praticar a Capoeira a criança
possa vir desenvolver vias que colaborem para a efetivação do aprendizado na
memória.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 08

CAPÍTULO I - Neurociência Pedagógica o Conceito 09

CAPÍTULO II - A Dimensão Educacional da Capoeira 32

CAPÍTULO III – A Neurociência do Movimento na Capoeira 42

CONCLUSÃO 56

ANEXOS 59

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 61

ÍNDICE 64

FOLHA DE AVALIAÇÃO 67
8

INTRODUÇÃO

As vertentes atuais da Educação Física Escolar primam para o


desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social do educando. Os Parâmetros
Curriculares Nacionais (1997), em relação à Educação Física também apontam
a Capoeira como proposta de conteúdo, uma vez que ela se encontra no bloco
dos esportes, jogos, lutas e ginásticas. O jogo, o esporte, a dança, o trabalho,
qualquer gesto é sempre sustentado por significado. Com toda essa intenção,
busca-se uma nova visão para as aulas, onde as ações cognitivas, afetivas,
sociais e motoras possam proporcionar ao aluno uma situação onde os
mesmos se vejam obrigados a pensar e planejar a sua movimentação,
vivenciando cada movimento não só com músculos e tendões.
Segundo Fonseca 2007, em síntese a motricidade humana procura
ilustrar a evolução da aprendizagem do ser humano, na medida em que o meio
privilegiado do organismo para interagir ativamente com o mundo exterior e,
concomitantemente, para aprender com a ajuda do qual o indivíduo constrói a
sua própria representação do real. Os efeitos produzidos pela motricidade no
ser humano são simultaneamente psíquicos, pois tanto revelam o sujeito a sua
própria subjetividade e identidade como revelam as propriedades dos objetos e
do meio ambiente que o rodeia. Estas dimensões da motricidade nos animais
não ocorrem, pois os seus níveis de explicação são genéticos e dependentes
de instinto, enquanto os da motricidade humana são biopsicossociais e
dependentes do processo histórico e cultural.
São poucos os estudos voltados para a comprovação da Capoeira como
um valioso objeto de aprendizagem e que pode colaborar para
neuroplasticidade no processo ensino aprendizado, de criança e adolescentes!
Os movimentos, a música e o ritmo que a capoeira trás compõem um
desenvolvimento no processo sensório motor, cognitivo, emocional e social do
aluno.
9

CAPÍTULO I
NEUROCIÊNCIA PEDAGÓGICA
O CONCEITO

....Todo conhecimento começa com o sonho..


Saltini

Todo processo de formação implica alguma aprendizagem, indicando


simplesmente que alguém veio saber algo que não sabia, como uma
informação, um conceito, uma habilidade, capacidade, para desenvolver uma
competência. Esse processo envolve a ativação de várias áreas do cérebro
que estão associadas uma às outras, são as conexões neurais.
As associações recíprocas entre as diversas áreas corticais asseguram
a coordenação entre a chegada de impulso sensitivo, sua decodificação e
associação, até a atividade motora de resposta. A esta, chamamos de função
nervosas superiores, desempenhadas pelo córtex cerebral.

A aprendizagem é a modificação do
comportamento, como resultado da experiência
ou aquisição de novos conhecimentos acerca
dos meios, a memória é a retenção deste
conhecimento por um tempo determinado.
MARTA RELVAS 2010.

1. ORIGENS DA NEUROCIÊNCIA

Através da história, vários pesquisadores se perguntavam como o


homem aprendia e como o cérebro funcionava para aprender. Os egípcios
10

guardavam em vasos as vísceras e jogavam o cérebro fora, pois acreditavam


que não tinha serventia. Os assírios acreditavam que o centro do pensamento
estava no fígado. Para Aristóteles, o cérebro só servia para resfriar o sangue e
definia o homem como um “animal social”.
Então Hipócrates surge com a demonstração que o cérebro se dividia
em dois hemisférios e que nele estava toda função biológica e da mente. Surge
a medicina Moderna. Mais tarde, chegou-se ao Paradigma do Cérebro em
Ação. O ponto de mutação se encontra no fato de que, antes, os dois – Homem
e Cérebro estariam dissociados e, agora não mais: integram – se
dinamicamente, constituindo o sistema funcional do ser humano em ação para
aprender, interagir e se relacionar com o meio que o cerca.
A histologia do sistema nervoso tornou-se uma ciência moderna no
século XIX, culminando nas investigações de Camilo Golgi e Santiago Ramón y
Cajal, que dividiram o sexto Prêmio Nobel em Medicina e Fisiologia em 1906.
Golgi desenvolveu os métodos de impregnação pela prata que permitiram a
visualização microscópica de todo o neurônio com todos os seus processos: o
corpo celular, os dendritos e o axônio. Utilizando a técnica de coloração de
Golgi para marcar células individuais, Cajal mostrou que o sistema nervoso não
é uma massa de células fundidas, dividindo um citoplasma comum, mas uma
rede altamente intrincada de células individuais. No curso deste trabalho, Cajal
desenvolveu algumas das chaves conceituais e muito do suporte empírico para
a doutrina do neurônio - o princípio de que o sistema nervoso é formado de
muitos elementos sinalizadores individuais; os neurônios.
A necessidade de conhecer o sistema nervoso cresceu nas ultimas
décadas, para entender a neurociência é preciso conhecer a Fisiologia e a
Neuroanatomia humana. Essa demanda levou a organização Mundial de saúde
(OMS), eleger os anos 90 como a Década do Cérebro.
A partir da segunda metade do século XIX a palavra fisiologia passou a
significar a utilização de métodos experimentais, assim como técnicas e
conceitos das ciências físicas para investigar as causas e os mecanismos das
atividades de todas as coisas vivas.
11

1.1. ESTUDO DA NEUROFISIOLOGIA

1.1.1. A célula

"A unidade viva básica do organismo é a célula" (Guyton). Elas somam


por volta de 75 a 100 trilhões no organismo humano e cada uma delas "...é
uma estrutura viva que pode sobreviver indefinidamente"(Santos,I.S., pág.17).
Cada tipo de célula difere das demais tanto pela função que exerce como em
suas formas, mas todas possuem algumas características básicas comuns,
como a combinação do oxigênio com carboidrato, lipídio ou proteína "para
liberar a energia necessária ao desempenho de sua função celular" (Guyton).

As células compõem-se de membrana plasmática, membrana nuclear,


retículo endoplasmático liso (agranular) e rugoso (granular), mitocôndria,
lisossomo, sistema Golgiense, centríolo, cílios, microtúbulos, citoesqueleto
interno, citoplasma, cromatina, ribossomo, nucléolo, núcleo, microvilosidade,
gotícula de lipídio, grânulo secretor, etc..., que são as substâncias químicas e
estruturas físicas adequadas ao seu funcionamento.

Essas substâncias químicas, elementos constituintes das células, são,


por sua vez, compostos de água, eletrólitos, proteínas, lipídios e carboidratos,
conjunto esse chamado de protoplasma. As estruturas físicas, essenciais para
que as substâncias químicas realizem seu trabalho, chamam-se organelas, que
são altamente organizadas.

Fonte:www.sogab.com.br
12

1.1.2. Classes Gerais dos Tecidos:

Os tecidos celulares são classificados em muscular, nervoso, epitelial e


conjuntivo.

Os tecidos musculares, por sua vez, são: os esqueléticos, responsáveis


pelo movimento das partes do corpo; os cardíacos, responsáveis pelas
contrações do coração; e os lisos, responsáveis pelo movimento do material no
interior dos órgãos internos moles, que são os intestinos, o estômago e os
vasos sanguíneos.

Os tecidos nervosos são formados por: neurônios, responsáveis pela


geração e condução de impulsos elétricos; e células da Glia, consideradas
sustentadoras dos neurônios e responsáveis pelo ambiente adequado ao seu
funcionamento.

Os tecidos epiteliais são encontrados em funções bastante


diversificadas, ou seja: invólucros da superfície do corpo e dos órgãos internos
ocos; glândulas endócrinas; glândulas exócrinas; e receptores do sistema de
percepção. Como invólucros esses tecidos formam barreiras entre o interior
desses órgãos e o meio ambiente; como glândulas endócrinas eles secretam
os hormônios e os lançam diretamente no sangue (hipófise, paratireóide,
supra-renal, ovários e testículos); como glândulas exócrinas eles secretam
substâncias por meio de canais ou dutos (fígado e pâncreas).

Fonte: www.zun.com.br
13

Os tecidos conjuntivos têm a característica de manter a estrutura dos


tecidos circundantes (sangue, tecido adiposo, etc.).

1.1.3. Homeostasia

O termo homeostasia, formada pelos radicais gregos homeo (o mesmo)


e stasis (ficar), foi criado pelo fisiologista americano Walter Canon, para
significar a manutenção de condições estáticas ou constantes no meio interno.
Uma das funções essenciais de todos os órgãos e tecidos do organismo
são ajudar a manter as condições do meio interno rigorosamente constante e
estável.
Esses sistemas funcionais de todos os órgãos e tecidos atuam sempre
em harmonia entre si, confirmando a teoria básica dos sistemas de controle.
São eles sistema de controle intracelular, sistema de controle local e sistema
de controle extrínseco.

1.2 CLASSES DE CÉLULAS NO SISTEMA NERVOSO

1.2.1. O Neurônio

A célula neural, ou Neurônio, e as células da Glia, ou Neuróglia, ou


Gliócitos, são os dois tipos básicos de células do sistema nervoso.
O Neurônio constitui a unidade básica, estrutural e funcional, e tem a
função de receber, integrar, processar e transmitir informações. Os Neurônios
possuem um corpo celular, um axônio (elemento transmissor) e vários
dendritos (elemento receptor).
A Neuróglia, por sua vez, desempenha uma série de funções auxiliares
fundamentais para permitir o funcionamento normal dos neurônios.
Quanto à sua função os neurônios são classificados como: aferente ou
sensitivo; eferente ou motor; e interneurônio ou neurônio de associação (misto).
14

Os aferentes transmitem as informações dos órgãos


rgãos sensoriais ao
sistema nervoso centra
entral.(fora para dentro)
Os eferentes transmitem os comandos motores para os músculos,
vísceras, glândulas,
s, etc
etc...(dentro para fora).
Os interneurônio
urônios, localizados no interior do sistema
ema n
nervoso central,
estabelecem os contact
ontactos entre os aferentes e os eferentes,
es, e cconstituem mais
de 90 % da população
ação n
neuronal.

1.2.2. Regiões Morfoló


orfológicas dos Neurônios Típicos

Embora a forma neuronal apresente uma enormidade


dade de variações, o
neurônio típico pode
ode se
ser apresentado como sendo constituído
tituído por: dendritos,
que são os elementos
ntos receptores das informações (impulsos);
lsos); o corpo celular,
que constitui o seu ccentro metabólico, onde a informação
ação recebida pelos
dendritos é processada
ssada; e o axônio, que é o elemento que ttransmite essas
informações (impulsos
ulsos), já processados, para os dendritos
dritos dos próximos
neurônios.
Há também os b
botões terminais, na extremidade do
o axô
axônio, por onde a
transmissão é efetuada
tuada.

pt.wikiped
ikipedia.org
15

1.2.3. Espaço entre o terminal pré-sináptico e a célula pós-sináptica e os


neurotransmissores

Entre o terminal pré-sináptico do axônio de um neurônio e os receptores


situados nos dendritos de um neurônio pós-sináptico, existe um estreito espaço
intercelular, chamado de fenda ou fissura sináptica (Santos,J.B., vol.I, pág. 31).
Os neurotransmissores fazem a ligação entre esses espaços e medeiam
efeitos imediatos e curtíssimos sobre a célula pós-sináptica e atendem aos
seguintes requisitos: são sintetizados no neurônio; estão presentes na
terminação pré-sináptica, sendo liberados em quantidades suficientes para
exercer ação definida sobre o neurônio pós-sináptico ou órgão efetor;
administrado de forma exógena em concentrações adequadas imita a ação do
transmissor endógeno liberado; e deve existir um mecanismo específico para
sua remoção do sítio de ação. Assim compreende-se porque somos seres
100% químicos e 100% sensoriais, pois uma sensação será sempre codificada
em impulsos eletroquímicos.

Fonte:ptslideshare.net
16

1.3. ORIGEM DO SISTEMA NERVOSO

O cérebro primitivo ou arquencéfalo é a unidade cerebral responsável


pela autoprogramação e agressão. É formado pela estrutura do tronco
encefálico e cerebelo, pelo mais antigo núcleo da base, o globo pálido e pelos
bulbos olfatórios. O correspondente ao cérebro dos répteis, também chamado
complexo-R ou formação reticular, é uma estrutura cerebral relacionada aos
instintos primitivos e agressivos do comportamento humano, por isso precisa
ser educado, pois do contrário, esse comportamento prevalecerá. Pode-se
dizer que na Capoeira o cérebro primitivo é o golpe.
O cérebro intermediário é uma unidade responsável pelas emoções
dos velhos mamíferos, é formado pelas estruturas do sistema límbico e
corresponde ao cérebro dos mamíferos inferiores. É com este cérebro que
aprendemos a cuidar das crias, com relações afetivas. Pode-se dizer que na
Capoeira o cérebro intermediário é a defesa a esquiva.
O cérebro superior ou cérebro racional é a unidade cerebral
responsável pelas tarefas intelectuais dos novos mamíferos e compreende a
maior parte dos hemisférios cerebrais ( formado por um tipo de córtex mais
recente denominado Neocórtex e alguns grupos neurais subcorticais). É o
cérebro dos mamíferos superiores, incluindo os primatas e, consequentemente,
o homem moderno Homo sapiens. Pode-se dizer que na Capoeira o cérebro
superior é a malícia (experiência); que julgará se o momento pede um
contragolpe, uma esquiva ou um floreio; se a Capoeira naquele momento é
luta, destreza ou dança.

www.cerebromente.org.br
17

Essas estruturas
uturas foram aparecendo, uma após a out
outra, durante o
desenvolvimento do embrião e do feto (ontogenia),
nia), recapitulando,
cronologicamente,, a ev
evolução (filogenia) das espécies, do rép
réptil até o Homo
sapiens. elas são três ccomputadores biológicos que , embora
bora iinterconectados,
conservam cada um na palavra do cientista, “suas próprias
ias fo
formas peculiares
de inteligência, subje
subjetividade, sentido de tempo e esp
espaço, memória,
motricidade e outras
ras fun
funções menos específicas”.

1.3.1. O sistema Nervo


Nervoso Central (SNC)

O sistema nervoso
nervo central tem origem embrionária na pl
placa neural, que
por sua vez é uma
a parte especializada da ectoderme.

www.auladea
ladeanatomia.com.br

Durante o desen
esenvolvimento embrionário, a placa neural
ural sse dobra e forma
o tubo neural. Cada
da reg
região desse tubo dá origem a diferentes
tes pa
partes do sistema
nervoso central. Oss prim
primeiros dois terços do tubo, até o quarto
uarto par de somitos,
formarão posteriormen
rmente o encéfalo, enquanto o ultimo
o terç
terço irá formar a
medula espinal. A ca
cavidade interna desse tubo dá orige
origem ao sistema
ventricular encefálico
lico e ao canal central da medula espinhal.
Deste modo,
o, o tubo neural diferencia-se numa parte
arte m
mais caudal ou
inferior, que dará orige
gem à medula espinhal, e numa parte
arte mais cranial ou
superior. Esta parte
rte ma
mais superior sofre contorções e alargame
rgamentos, formando
18

um vesícula primitiva. É a partir desta vesícula primitiva que se diferenciam as


três vesículas cerebrais:
Prosencéfalo - anteriormente; dá origem ao Telencéfalo (que, por sua
vez, está na origem dos hemisférios cerebrais) e ao Diencéfalo (que dá origem
ao tálamo e ao hipotálamo).
Mesencéfalo - medianamente; origina os pedúnculos cerebrais e a
lâmina quadrigémea.
Rombencéfalo - posteriormente; origina o Metencéfalo (que, por sua
vez, origina a Protuberância e o Cerebelo) e o Mielencéfalo (que origina o
Bulbo Raquidiano).

www.afh.bio.br

1.3.2. Estruturas que formam o Sistema Nervoso Central e o Sistema


Nervoso Periférico

No Sistema Nervoso Central, existem as chamadas substâncias cinzenta


e branca. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a
branca, por seus prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a
substância cinzenta ocorre mais externamente e a substância branca, mais
internamente.
19

Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa


craniana, protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula -
também denominada raque) e por membranas denominadas meninges,
situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do
meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um
espaço preenchido por um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou
líquor.
O sistema nervoso central é composto pelo encéfalo, encerrado na caixa
craniana, e pela medula espinhal, encerrada na coluna vertebral.
O encéfalo, por sua vez, compõe-se de: cérebro (telencéfalo e
diencéfalo), cerebelo e tronco encefálico ou tronco cerebral (mesencéfalo,
ponte e bulbo).
O sistema nervoso periférico é constituído de: nervos periféricos (31
pares de nervos espinhais, que partem da medula espinhal e 12 pares de
nervos cranianos, que partem do encéfalo); e corpos celulares neuronais
(gânglios da raiz dorsal e receptores periféricos).
A medula constitui-se, assim, como a parte inferio do S.N.C., localizada
fora da cavidade craniana. É no Sistema Nervoso Central (SNC) que chegam
as Informações relacionadas aos sentidos (audição, visão,olfato,paladar e tato)
e é dele que partem ordens destinadas aos músculos e glândulas.
É visivel que o sistema nervoso central é constituído pelo Encéfalo e
pela medula espinhal. O encéfalo está dentro do crânio. Esse órgão é
composto pelo cérebro, bulbo e cerebelo. A medula espinhal é o
prolongamento do bulbo que passa por dentro da coluna vertebral. É a partir da
medula espinhal que se ramificam os nervos.

www.auladeanatomia.com
20

1.3.3. Sistema Autônomo ou Vegetativo

A regulação das funções dos órgãos internos, de forma involuntária e


autônoma, é executada pelo sistema nervoso vegetativo, unidade fisiológica
integrada por dois sistemas diferenciados, o simpático e o parassimpático, com
atividades opostas.. As unidades funcionais do sistema vegetativo são as fibras
e os gânglios.

1.3.4. O Sistema Autonomo

Divisão do sistema nervoso autônomo que controla as respostas "flight


or fight" e as respostas "rest and digest"
O sistema nervoso autônomo é constituído de duas divisões, a divisão
simpática e a divisão parassimpática.
A divisão simpática controla as respostas "fight or flight" (luta ou fuga)
enquanto que a divisão parassimpática controla as respostas "rest and digest"
(repouso e digestão).

O Sistema Nervoso Simpatico prossegue para inervar um órgão


periférico.é integrado por uma dupla cadeia de gânglios dispostos em ambos
os lados da coluna vertebral. A condução dos impulsos nervosos às vísceras é
feita por dois neurônios: o pré-ganglionar parte da medula e forma no gânglio
uma sinapse com o neurônio pós-ganglionar.

O Sistema Parassimpático formado pelas fibras nervosas autônomas


que emergem do sistema nervoso pelos nervos cranianos e pelos segmentos
sacrais. Embora seus componentes obedeçam ao padrão geral da via efetora
autônoma formada de dois neurônios, o parassimpático se caracteriza por ter o
gânglio muito próximo da víscera que inerva.
21

planetaazulindigo.blogspot.com

2. O CÉREBRO E A INTELIGÊNCIA

Aprende-se na infância que inteligente é quem aprende muitas coisas, é


tomar conhecimento de algo e retê-lo na memória. É a capacidade que as
pessoas têm para absorver conhecimentos. Neste sentido o conceito de
aprender, estaria intimamente ligado ao de inteligência. Isto significa que,
somos mais inteligentes, porque aprendemos com mais facilidade aquilo que
nos é ensinado? Inteligência seria a facilidade de aprender, apreender e
compreender ou adaptar-se facilmente às situações da vida? Em resumo,
inteligência é a capacidade de aprender e de saber utilizar o que aprendeu. O
conhecimento popular não esta distante do conhecimento técnico, pois a
palavra inteligência tem sua origem na junção de duas outras palavras que vêm
do Latin - inter: entre e eligere: escolher, então seria a capacidade de escolher
entre.
22

Sendo assim, seria mais inteligente à medida que conseguisse tomar


decisões, neste caso o aprender estaria ligado ao conhecimento necessário a
habilitar-nos para tomarmos estas decisões. Percebemos que ter capacidade
de aprender é ser inteligente, apesar de popularmente serem colocadas como
sinônimas não o são. Ser inteligente vai, mais além, pressupõe a capacidade
de saber utilizar-se do que aprendeu. Em seu sentido mais amplo, “significa a
capacidade cerebral pela qual conseguimos penetrar na compreensão das
coisas escolhendo o melhor caminho” (ANTUNES, 1999. 11).

Antunes nos leva para outra abordagem, uma abordagem biológica, ao


nos demonstrar que esta compreensão das escolhas estaria ligada a uma
capacidade cerebral. Quando nos apresenta a inteligência como uma
capacidade cerebral, Antunes nos desperta para a ideia de que o cérebro é o
órgão por excelência da inteligência. Neste caso para compreender como
ocorrem os processos intelectivos, é preciso entender os mecanismos
cerebrais responsáveis pela aprendizagem, o cérebro esta dividido em três
partes fundamentais: o hipotálamo, o sistema límbico e o córtex.

neuromed95.blogspot.com

2.1. Estruturas Cerebrais envolvidas nos Mecanismos de Memória

O hipocampo acompanhado dos corpos mamilares, núcleos anteriores


do tálamo, colunas anteriores dos fórnices e núcleos mediais dorsais do tálamo
é o conjunto responsável pela gravação da memória a longo prazo.
23

A formação hipocampal no polo temporal, parte do sistema límbico, é


importante no mecanismo da memória, principalmente para transferir a
memória a curto prazo para memória a longo prazo. Essa afirmativa deriva de
experiências efetuadas com pessoas que foram submetidas à remoção de
ambos os hipocampos (ou de outras estruturas límbicas associadas) e que
conseguem manter a memória pré-existente sem nenhuma alteração,
desenvolvendo, porém, o fenômeno da amnésia anterógrada, ou seja,
incapacidade de formar novas memórias.
O mesmo tipo de amnésia anterógrada foi observado em pacientes que
sofreram lesões: 1) dos corpos mamilares; 2) dos núcleos anteriores do tálamo;
3) das colunas anteriores dos fórnices; 4) dos núcleos mediais dorsais do
tálamo. Tais observações mostram que, para se consolidar a memória, todas
essas estruturas cerebrais são essenciais e que a falta de uma só delas
impossibilita tal processo.

O tálamo é o responsável pela codificação, armazenagem e acesso ao


arquivo de memória a longo prazo. O tálamo é o órgão responsável pelo
acesso consciente à memória a longo prazo, dirigindo a atenção da pessoa
para a informação arquivada, desempenhando importante papel na codificação,
armazenamento e lembrança dessas memórias.

neuromed95.blogspot.com
24

2.2 . Parte do sistema límbico que desempenha papel importante no


controle das emoções com ação sobre o sistema endócrino

A amígdala é a estrutura do sistema límbico que está envolvida


diretamente na aquisição do medo condicionado, assim como na sua
expressão motora e neuroendócrina.

A amígdala cerebral medeia o prazer e as reações emocionais


apetitivas, controlando as emoções, sendo necessária para o condicionamento
de um organismo ao ambiente no qual vive, isto é: condicionamento de lugar.
Se não existir o controle das emoções por meio da amígdala cerebral, o
funcionamento do hipotálamo, que " ...representa o centro de elaboração e de
exteriorização das emoções, sempre sob a ação inibidora do córtex cerebral."
(Santos,J.B., vol.I, pág. 152), passa a ser livre e exagerado, gerando
fenômenos do tipo emocional forte, como o medo, a raiva, e etc...

2.3. Sistema Límbico e Circuito de Recompensa

Sob o ponto de vista anatômico-funcional o Sistema Nervoso Central é


constituído por todas as estruturas nervosas que se encontram dentro da caixa
craniana ou da coluna vertebral. Na caixa craniana elas constituem o encéfalo,
que abrange o cérebro e o tronco cerebral, como numa árvore nós temos a
copa e o tronco. Quando observado pelo lado de fora, o cérebro apresenta-se
constituído por dois hemisférios quase simétricos.

A organização do córtex cerebral é caracterizada por duas importantes


particularidades. Cada hemisfério está relacionado primariamente com
processos motores e sensoriais do lado contralateral do corpo. A informação
sensorial que entra na medula espinhal do lado esquerdo do corpo cruza para
o lado direito do sistema nervoso (seja ao nível da medula espinhal ou mais
acima ao nível do tronco cerebral) antes de ser conduzida ao córtex cerebral.
25

Da mesma maneira, as áreas motoras em um hemisfério exercem controle


sobre os movimentos da metade oposta do corpo. Segundo, os hemisférios,
embora muito semelhantes não são completamente simétricos em suas
estruturas, nem equivalentes em suas funções. Esses hemisférios são ligados
entre si por uma substância branca chamada de corpo caloso. Cada
hemisfério é constituído por quatro regiões externas chamadas lobos
cerebrais, a saber: lobo frontal, lobo parietal, lobo occipital e lobo
temporal.

2.3.1. No Córtex Cerebral

O córtex cerebral faz com que cada pessoa seja diferente da outra. No
córtex cerebral estão desenvolvidas as funções intelectuais do indivíduo.
O córtex cerebral se divide em três porções básicas em termos de função:
as áreas motoras, as áreas sensoriais e as áreas que não são nem motoras e
nem sensoriais são chamadas de áreas de associação. As áreas motoras
podem ser primárias ou secundárias. A única área motora primária que o
humano tem é o giro pré-central. A área motora secundária são aquelas áreas
circunjacentes ao giro pré-central e que assessoram o giro pré-central nas
funções motoras do córtex. São as porções mais de trás do lobo frontal, a área
chamada pré-motora e motora suplementar. Depois das áreas motoras, têm-se
as áreas sensoriais. A área sensorial, somatosensorial, no giro pós-central.
Então, uma área sensorial primária para tato, para dor, para vibração,
para pressão. A área sensorial primária para visão, que é no lobo occipital; a
área sensorial primária para audição, que é no giro temporal anterior. Além
dessas áreas sensoriais primárias, temos as áreas sensoriais secundárias, que
são aquelas que ficam ao redor das áreas sensoriais primárias e que auxiliam
essas áreas sensoriais primárias a interpretar os estímulos sensoriais. Tudo no
córtex que não for área motora, nem sensorial é área de associação. E essas
áreas de associação, muito longe de serem menos importantes do que as
outras são elas que produzem os processos cognitivos. Então, são as áreas de
associação que produzem a inteligência, o pensamento, a memória e tantos
processos cognitivos. Então eles estão situados, estão sediados, são
26

realizados pelas chamadas áreas de associação. São as regiões do córtex,


então que não tem funções motoras e nem sensoriais.

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A parte anterior do cérebro constitui o córtex pré-frontal, responsável


pelo ajuizamento das coisas e pelo comportamento emocional. Ao lado do
cérebro, na altura correspondente às nossas têmporas, situa-se o lobo
temporal, que contém internamente a amigdala, um verdadeiro agente
receptor emotivo sendo importante na geração do medo, e o hipocampo,
gerenciador da memória de ocorrências, chamada memória declarativa, mas
representando também um importante papel no controle dos estados afetivos.

neuromed95.blogspot.com
27

neuromed95.blogspot.com
.com neuromed95.blogspot.com

Na base do cére
cérebro, em sua parte medial interna, encont
ncontra-se o giro do
cíngulo, peça
a importante na fisiologia da
das emoções.
Entre o cérebro e o tron
tronco cerebral situam-se formações nervo
nervosas, o tálamo e
o hipotálamo (que constituem a região chamada
mada diencéfalo).
O hipotálamo é o prin
principal responsável pelo funcionamento
ento harmônico dos
nossos órgãos e o equi
equilíbrio com o meio ambiente (homeostasi
ostasia), mas o nosso
maior interesse é dirigi
dirigido à sua participação na área emotiva,
otiva, principalmente
no que se refere aos
os co
comportamentos motivados, esta relaciona
acionado intimamente
também com as depend
ependências químicas.

Imediatamente
ente a
abaixo encontra-se o mesencéfalo onde se localizam as
formações neuraiss da Área Tegumentar Ventral ou VTA,, de onde partem os
impulsos que nos possibilitam sentir as recompensas
ensas fundamentais
proporcionadas pela
ela sa
satisfação da fome e da sede, necessárias
sárias à subsistência,
incluindo as recompens
mpensas relacionadas ao sexo. Dessa área
rea p
partem feixes de
neurônios para cima
ma e para frente, em direção a um núcleo
leo ne
neural situado na
base do cérebro,, cham
chamado nucleus accumbens, situado
do logo
log à frente dos
28

chamados núcleos da base, importantes formações neurais relacionados aos


movimentos, entre outras funções (implicados nos tremores da abstinência).

O nucleus accumbens participa muito ativamente na fisiologia do prazer


e emite projeções nervosas para o córtex pré-frontal que prepara toda a
dinâmica do nosso comportamento emocional. Ao conjunto neural formado pelo
- VTA (Área tegumentar ventral) - feixe neural - nucleus accumbens; dar-se o
nome de Circuito de Recompensa. Sem o Circuito de Recompensa os
organismos perderiam o interesse pela vida e se tornariam incapazes de
manter um auto suporte de subsistência ou de atividades reprodutivas, e é
justamente nesse Circuito que se faz a interferência mais acentuada das
drogas psicoativas no nosso Sistema Nervoso Central.

É também no mesencéfalo que se situa a substância negra, área


produtora da dopamina, vizinha da área tegumentar ventral. A dopamina, ou
simplesmente DOPA, é o neurotransmissor atuante no Circuito de
Recompensa e em boa parte das estruturas acima descritas, de tal forma que
tais estruturas, num conjunto relacionado com as emoções denominado de
Sistema Límbico, é também conhecido como Sistema Dopamínico.
No tronco cerebral encontra-se mais duas estruturas neurológicas
importantes ao nosso estudo: os núcleos da rafe, (rafe é a prega que une as
duas metades do tronco cerebral) implicados na fisiologia do sono e alterações
do humor pela síntese do neurotransmissor serotonina, e o locus ceruleus,
produtor da noradrenalina relacionada com a atenção e vigília, estresse e
pânico.
Resta falar do cerebelo, o qual, como o próprio nome indica, tem a
forma de um pequeno cérebro e se localiza na parte posterior do crânio, tendo
a função de coordenar os movimentos e promover o equilíbrio necessário à
postura e movimentação do corpo. A sua intoxicação pelo álcool resulta no
bem conhecido desequilíbrio postural da embriaguez, mas a sua intoxicação
recorrente pode causar a chamada ataxia alcoólica que impossibilita a livre de
ambulação do indivíduo.
29

2.4. Plasticidade Cerebral

O que é plasticidade cerebral tem a ver com a inteligência humana e


aprendizagem?

O estudo da evolução da inteligência humana é muito interessante, pois


nos promove o entendimento sobre nós mesmos, e como a seleção natural
construiu o cérebro humano e sua capacidade em tão curto tempo.

As evidencias reunidas por cientistas sobre a inteligência humana vem


diretamente da capacidade craniana, de artefatos produzidos como resultados
da inteligência humana, tais como: a fabricação de ferramentas, a caça
cooperativas, a guerra, o uso do fogo e o cozimento dos alimentos.

Esse passo evolucionário foi espetacular porque originou o círculo cada


vez mais rápido do feedbacks positivos entre a evolução cultural; trazida da
linguagem; e o desenvolvimento posterior do cérebro ao aumentar
enormemente o sucesso reproduzido e as oportunidades de sobrevivência do
organismo, assim armados com um cérebro capaz de alta flexibilidade,
adaptabilidade e a capacidade de aprendizagem.

Atualmente está em evidência o estudo entre o conflito de nossa


inteligência emocional e a inteligência racional. Como se pode resolver esta
guerra intrínseca do ser humano de modo que se aproveite conscientemente o
melhor dos dois sistemas que comandam nossas reações e atitudes diante dos
fatos do dia-a-dia de nossas vidas?

A inteligência emocional é uma herança genética que possuímos


moldadas ao longo de existência humana, para oferecer uma reação
instantânea a qualquer ameaça que assim for entendida ou pressentida pelo
indivíduo, baseada em nossos instintos mais primários. Chama-se intinto de
preservação da espécie. Esta reação instintiva, entendida muitas vezes como
irracional, foi uma das principais diferenças que permitiram a preservação da
humanidade na natureza, ao longo dos séculos. É responsável por quase todas
as reações do ser humano aparentemente sem lógica, mas é fortemente
embasada nas experiências vividas pelo homem em seu ambiente.
30

A inteligência racional utiliza a lógica e o pensamento coordenado para


tomar decisões. Cada vez que temos um determinado problema, usamos
nosso conhecimento e ou experiência de vida, procurando uma solução
adequada ao problema de modo bem cartesiano, estudando suas
consequências e desdobramento futuros sem atitudes concebidas ou
preconceituosas. Porém não envolvendo sentimentos, preconceitos, reações
instantâneas, utiliza-se plenamente o raciocínio lógico.

As duas formas de inteligência completam o ser humano em sua


essência: uma fornece a reação instintiva e rápida e a outra nos conduz a
racionalização da solução ou atitude a ser tomada diante de um problema ou
situação, colocando-a em sua real dimensão e concebendo a melhor solução
dentro do raciocínio lógico de nosso conhecimento.

Sendo assim segundo Relvas (2007) define a


Plasticidade Cerebral como a denominação das
capacidades adaptativas do Sistema Nervoso
Central (SNC) e sua habilidade para modificar sua
organização estrutural própria e funcionamento. Ela
é a propriedade do sistema nervoso que permite o
desenvolvimento de alterações estruturais em
resposta à experiência, e como adaptação a
condições mutantes e a estímulos repetidos.

O desenvolvimento da plasticidade cerebral


ocorre ao longo de nossa vida, e dele depende todo
o nosso processo de aprendizagem e reabilitação
das funções motoras e sensoriais.

Nos últimos anos a Neurociência descobriu que o cérebro muda durante


a vida, e essa mudança é benéfica. Experiências revelam que situações
desafiadoras e ambientes, “complexos”, agradáveis e divertidos como a aula de
Capoeira fornecem capacidades extras de que o cérebro precisa para
reconfigurar-se. Essa plasticidade dispara um mecanismo pelo qual o cérebro
se remodela para aprender a sentir-se melhor, ou pode ser induzido a se autor
reparar quando estimulado.
31

Atividades como Capoeira, correr, nadar, pedalar, andar ou qualquer


atividade que exija um desempenho cardiorrespiratório, alteram o padrão do
funcionamento das células cerebrais, pois os exercícios melhoram a
oxigenação, uma vez que o sangue passa a circular e levar mais oxigênio às
áreas menos irrigadas do cérebro, aumentando a comunicação entre as células
nervosas, sinapses, melhorando, assim, a memória e a capacidade de
raciocínio. Isto, então reafirma a fabricação contínua de neurônios especiais
por todas as células, o que favorece até cura para doenças. A inteligência
capoeirística é a capacidade de exercitar e desenvolver várias inteligências ao
mesmo tempo, MESTRE CAMISA 2015.
32

CAPITULO II

A DIMENÇÃO EDUCACIONAL DA CAPOEIRA

A Capoeira hoje esta mais presente na sociedade do que jamais se


pode imaginar. Quem um dia não ouviu falar em berimbau, rasteira, rabo-de-
araia, cabeçada? Há pouco tempo atrás confundiam a verga que é utilizada
para construir o berimbau com uma vara de pescar. Mas as coisas mudam, a
informação chegou à era da globalização e tudo se propaga com mais
velocidade. O berimbau da capoeira uns dos instrumentos mais antigos do
continente africano hoje é utilizado como instrumento de percussão pelo o
mundo a fora. Assim aconteceu com a Capoeira, que da mesma forma
adentrou recinto antes proibidos como condomínios, clubes, grandes
empresas, projetos sociais, universidades e ainda um dos grandes meios
divulgadores dessa arte: a escola

Para Soares (1992:23): A Capoeira sintetiza em seu


gestual a luta do negro por liberdade, sendo assim, a
Educação Física precisa resgatar a capoeira como
manifestação cultural, integrada à história e aos
movimentos políticos e culturais que a geraram.

Hoje a capoeira é muito mais praticada do que pensada. Enquanto


processo de Educação menos ainda. A Capoeira na escola é uma prática que
favorece o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo-social nos alunos? O
objetivo do presente trabalho foi investigar como se dá esse processo, com a
capoeira na Escola pode colaborar para o desenvolvimento motor dos alunos.
Verificar a relação entre o desenvolvimento cognitivo e as aulas de capoeira e
sua instrumentalidade contribuem para a interação afetivo-social do aluno.
São poucos os trabalhos que relatam tal experiência! Sei que existem
vários estudos sobre a Capoeira em diversas áreas além da Educação Física.
33

No entanto o que motivou a produção científica sobre o desenvolvimento


motor, cognitivo e afetivo-social através da Capoeira na escola, foi por acreditar
que a mesma é um valioso objeto de educação e aprendizagem global do
educando.
Espera-se que este estudo possa ser útil para professores de Capoeira
como da Educação Física, que tenham neste trabalho mais uma fonte
bibliográfica tão rara no meio acadêmico.

1. REVISÃO DE LITERATURA

1.1. História da Capoeira

“ História da capoeira que hoje eu vim contar mais existem aquelas em que
agente hesita em acreditar”.

Por volta do século XVI, durante o período do trafego negreiro, muitos


negros foram trazidos de suas pátrias, das províncias africanas de Luanda,
Congo, Moçambique, Angola, Cabinda, Benguela, entre outras. Acorrentados
aos porões de navios muitos morreram de banzo e de frio, a forma e condições
que eram arrancados de suas terras e jogados abarrotados, amontoados nos
navios eram desumanas. Muitos não sobreviviam a viagem e os que aqui
chegavam a terras brasileiras eram escravizados. E assim dava-se início ao
tráfego negreiro. Sabe-se que entre todos aqueles negros existiam lideres e até
mesmo a realeza que chegando em solo brasileiro eram separados de seus
compatriotas a fim de evitar qualquer rebelião.
Segundo (FREYRE, 2003:67), os negros eram misturados como uma
forma preventiva do sistema escravista. Porem, mesmo pertencendo a grupos
diferentes com línguas, costumes e tradições também diferentes, ainda que
oriundos do mesmo continente, no momento que eram obrigados a trabalhar
juntos e conviver em senzalas essa experiência levaram-nos a absorver a
difundira acultura uns dos outros. Escravizados tinham raramente um momento
de descanso e quanto gozavam deste momento há registros que diziam que
aproveitavam para cantar, cultuar e perpetuar suas raízes.
34

Constantemente vigiados era severa e violenta a forma como os negros


eram tratados nos cativeiros, para os escravistas quanto mais humilhados,
amedrontados e castigados melhor seria o controle sobre eles. No entanto
toda essa violência e covardia acabaram sendo mais um motivo para rebeliões
nas senzalas, o negro possuía ânsia de liberdade. E diante da inconformidade
da situação de maus tratos e principalmente de clausuras, os escravos
começaram a perceber que sua única saída contra toda a opressão que
sofriam seria seu próprio corpo. Para poderem adestrar seus corpos a vista de
seus dos seus senhores, disfarçavam os movimentos da luta em numa forma
de dança.
A partir da destreza e agilidade corporal perceberam que poderiam usá-
la para fugir partir em liberdade e se refugiaram em bandos enfrentavam seus
opressores em emboscadas e se escondiam nas matas em quilombos. O mais
famoso deles foi palmares situado na serra da Barriga em Alagoas onde o
negro vivia em comunidade.
Segundo Rego (1968:60), nesse momento já se ousava afirmar que os
negros utilizavam-se amplamente do que mais tarde viria a se chamar
Capoeira, para se defenderem.
Atualmente, as lideranças do movimento negro brasileiro reverenciam a
ação heroica dos quilombos e prestigiam Zumbi como símbolo de resistência
negra no Brasil.
Segundo TUBINO 2009, a origem da capoeira ainda é uma incógnita e
tem sido pesquisada por pesquisadores de diferentes áreas, mais
recentemente: Assunção (2005) e Soares (1999, 2002), da História; Lopes
(2002), da Administração e Jornalismo; Passos Neto (2001), da Comunicação;
Araujo (2005) e Lussac (2004), da Educação Física, Vieira (2003a, 2003b,
2003c, 2005) entre outros. Há diversas hipóteses despertando varias
interpretações e discursos, tendenciosos ou não, de diferentes grupos, gerando
algumas vezes mitos, meias verdades e controvérsias.
Há discursões e diferentes posições dos pesquisadores quanto ás
interpretações etimológicas da palavra “ capoeira” e do próprio termo e seu
emprego.
35

Para FREITAS (2003:09) “ A capoeira é uma arte de resgatar e


contextualizar a nossa cultura corporal com originalidade e liberdade de
expressão”. Assim a Capoeira com extensão de expressão infantil, aproxima a
arte marcial brasileira que tem o poder de pensamento, pelo uso de inteligência
para prever golpes e deles esquivar-se com sabedoria, ritmo, plasticidade,
firmeza, prontidão e ao mesmo tempo em que arma esquemas de fintas,
estabelecendo com seu adversário uma relação de harmoniosa e
complementar.
Esta é a Capoeira Educação! Capoeira história de um povo! História que
nasceu de uma luta de classes. A dimensão educacional da Capoeira se dá
através de sua inserção no contexto escolar e sua contribuição para a
formação global dos alunos. Hoje ela é ainda muito mais praticada do que
pensada! Dessa forma ela precisa de ampliação, determinação e
aprofundamento de estudos que se relaciona com ela e com apropria
Educação Física.

2. A CAPOEIRA NA ESCOLA

Através dos ideais nacionalistas de Getúlio Vargas e sua conjuntura


política de “Estado Novo” na defesa de um modelo de ginástica que pudesse
ser genuinamente brasileiro, a capoeira considerada como esporte nacional
expande-se através de Mestre Bimba adentro das instituições e vai inserindo-
se no contexto escolar. Isso ocorreu a partir do contato de Mestre Bimba com
alunos de capoeira estudante universitário de Salvador onde o mesmo teve
acesso a códigos e símbolos do conhecimento científico que possibilitou a
sistematização desse novo modelo de ensino da capoeira. A partir daí a
capoeira inicia seu processo de institucionalização. Em 1957 Mestre Bimba
recebe do ministro da educação o título de instrutor de Educação Física pelo
enquadramento do ensino da capoeira.
36

As transformações sofridas no processo de ensino da capoeira iniciaram


a aproximação da mesma no ambiente escolar, favorecendo seu
reconhecimento e ampliando suas perspectivas com vista em se firmar como
ferramenta pedagógica no processo educativo. No Brasil por volta da década
de 70 e início da década de 80, tivemos um grande crescimento de instituições
de ensino da capoeira, fato este que contribuiu muito para a divulgação e
valorização da capoeira em escolas, creches e universidades acrescentando a
estes ambientes um toque de cultura, ludicidade e inúmeras possibilidades de
intervenção no que se refere à atividade física, sendo respaldada por leis e
sugerida por diversos instrumentos informativos que orientam a educação
escolar, como por exemplo, os PCN`S.
A música, a dança, o jogo e as brincadeiras, são elementos que compõe
a riqueza de uma cultura e podem ser a maior herança a ser oferecida aos
jovens. Brincar é unidade fundamental para ensinar e brincando de capoeira
que oportunizamos a espontaneidade e ludicidade que já é próprio de nossas
crianças. É brincando que a criança transcende o seu cotidiano e transforma o
natural, o simples em maravilhoso e belo. Neste contexto a Capoeira na Escola
oportuniza que através de sua prática a criança possa desenvolver e descobrir
seu próprio corpo, o movimento, a musicalização, o ritmo, a socialização e
inclusão, a valorização da cultura e história do Brasil.
Como apresenta FREITAS,(2007:19):
É em movimento que o ser humano age no meio
ambiente para alcançar objetivos desejados
satisfazer suas necessidades, como a da
comunicação, a expressão da criatividade e do
sentimento. É através do movimento que o ser
humano aprende sobre si mesmo.

As crianças são originais e únicas, mesmo fazendo parte de uma


sociedade, são todas diferentes uma das outras. Dessa forma, cada indivíduo
na sociedade, tem seu jeito de ser, sua essência, sua história. É respeitando as
diferenças e reconhecendo a originalidade de cada criança, que a capoeira
entra no mundo infantil.
37

2.1. A Capoeira e sua Instrumentalidade na Escola.

Existiu uma necessidade de buscar uma forma de ensino, um método


que fosse condizente com a maturação biológica das crianças e adolescentes
para que assim pudesse ser realizado um trabalho junto às escolas.
Para FREITAS (2005:09):
Essa metodologia deveria além de respeitar a
maturidade, também fazer com que o aprendizado
acontecesse de um jeito brincado e prazeroso.
Sempre primando pela integridade física da
criança e pelo lúdico que tanto faz parte do mundo
infantil.

Assim através dessa metodologia adaptada a criança estará aprendendo


a mesma Capoeira que um adulto aprende o que muda é apenas a estratégia.
A capoeira adaptada para criança, primeiro ela executa o movimento de defesa
“esquiva” para depois seu colega executar o movimento de ataque, isso é
combinado entre eles o tempo todo. É nesta espécie de jogo combinado que a
Capoeira na Escola e seus movimentos de esquivas, golpes desequilibrantes,
movimentos de giro, golpes de linha, movimentos de floreio e vários tipos de
“AUs” acontecem.

2.2. A Brincadeira e Jogos de Capoeira na Escola

O lúdico na capoeira é essencial, dessa forma o aquecimento com as


crianças nas aulas devem acontecer através de brincadeiras, o que
proporciona um aquecimento promovendo mobilidade articular e maior ativação
respiratória e cardiovascular, que coloca a criança em condições fisiológicas
para a prática da capoeira. Assim através de brincadeiras como imitar animaos
as crianças aquecem de uma forma lúdica, resgatando também a originalidade
histórica da Capoeira.
Para AREIAS(1983:83):
A Capoeira nasce da necessidade do escravo
sobreviver a escravidão e, por não possuir armas
38

o suficiente descobriu no próprio corpo o meio de


defesa, imitando animais das manifestações
trazidas da África. Assim imitando gatos, macacos,
cavalos, bois, aves, cobras etc., os negros
descobrem os primeiros golpes dessa luta.

As brincadeiras tem um domínio cognitivo, motor e afetivo-social, eo


professor pode resgatar valores culturais fazendo com que a criança compare o
passado com o presente trazendo elementos chaves, palavras e figuras sociais
da época levando realismo e transmitindo a história da própria Capoeira. Tem
que trabalhar estas áreas de forma homogênea para que a criança tenha um
desenvolvimento holístico.

2.3. A musicalização na Capoeira

O negro escravo em busca de liberdade disfarçava a luta Capoeira em


forma de dança e atribuía instrumentos, cânticos e palmas ritmadas.
Para Le Boulch (1982:182)
“A associação do canto e do movimento permite à
criança sentir a identidade rítmica, ligando os
movimentos do corpo e os sons musicais...”

A musicalização na capoeira infantil surge como uma alternativa


pedagógica que oportuniza conjugar o trabalho psicomotor com o musical,
assim acriança aprende os movimentos cantando desenvolvendo múltiplas
inteligências. As músicas na capoeira infantil seguem temas interdisciplinares
com português, matemática, história e com os temas transversais dos PCN`s
com sustentabilidade, reflorestamento, aquecimento global dentre outros. Outra
forma didática de introduzir a musicalização na aula de capoeira é aconstrução
de instrumentos musicais como o berimbau, pandeiro e atabaque utilizando
materiais recicláveis.
39

3. O DESENVOLVIMENTO MOTOR, COGNITIVO E AFETIVO-SOCIAL

3.1. O Desenvolvimento Motor través da Capoeira

A Capoeira na escola através de sua abordagem lúdica e de seus


movimentos, ritmo, jogos e brincadeiras traduzem a expressão de uma
necessidade fundamental “o corpo vivido. Essa experiência que a criança tem
de seu próprio corpo e a troca de informação com o meio ambiente e com
outras crianças que propicia o desenvolvimento de uma motricidade global.
Para tanto recorremos a LE BOULCH (1982:140):

A educação psicomotora na idade escolar deve


ser antes de tudo uma experiência ativa de
confrontação com o meio. As ajudas educativas,
proveniente dos pais e do meio escolar, tem
finalidade não de ensinar à criança
comportamentos motores, mas sim a permitir-lhe,
mediante o jogo, exercer sua função de
ajustamento, individualmente ou com outras
crianças. No estágio escolar a primeira prioridade
constitui a atividade motora lúdica, para a criança
prosseguir a organização de sua “ imagem do
corpo” ao nível do vivido e de servir de ponto de
partida na sua organização práxica em relação
com desenvolvimento das atitudes de análise
perceptivas.

Dessa forma o resultado dessa pratica a criança vai adquirindo uma


imagem corporal para em seguida tomar conta de seu próprios movimentos e
organizá-los conscientemente partindo para o estágio seguinte; o
desenvolvimento da conhecendo suas possibilidades e limites, aprendendo a
cooperar durante o jogo o que ajuda na sua autonomia e socialização dando
condição de se relacionar com o mundo.
40

3.2. O Desenvolvimento Cognitivo através da Capoeira

Estudos contemporâneos, afirmam, que as transformações pelas quais a


sociedade está passando, estão criando uma nova cultura e modificando as
formas de produção e apropriação dos saberes. O professor é um elemento
chave na organização das situações de aprendizagem, pois compete-lhe dar
condições para que o aluno “aprenda a aprender”, desenvolvendo situações de
aprendizagem diferenciadas.
A Capoeira então se solidifica como processo educativo e didático que possa
vir contribuir para o desenvolvimento cognitivo, como apresenta
SANTOS,(1983:119):
Numa concepção didática consideramos a
Capoeira uma atividade física completa, pois atua
de maneira direta e indireta sobre os aspectos
cognitivos, afetivos e motor. Sendo encarada
como lúdica e instrumental, articula atividades de
desenvolvimento visomotor como desenvolvimento
artístico e social levando a criança a estabelecer a
partir dela própria, fato que torna a Capoeira
multidirecional, uma vez que permitirá, desde que
adequadamente conduzida, desenvolver na
criança noções de equilíbrio e disciplina.

É através do jogo da Capoeira que a criança têm oportunidade de se


construírem como tais, de serem autenticas, de se manifestarem em suas
plenitudes. Dessa forma o jogo da Capoeira identifica espontaneidade na
criança, a democratização, a necessidade de elaboração de códigos de direito
e deveres reintegrando o desenvolvimento cognitivo, motor e afetivo social.

3.3. O Desenvolvimento Afetivo- Social através da Capoeira

Outro fator que a Capoeira interfere é em relações ao desenvolvimento


afetivo-social, na medida em que sua prática leva inevitavelmente ao
estabelecimento de relações sociais com o grupo no qual se esta inserido.
41

Assim de acordo com FREITAS (2007:14):


Durante a atividade, através do movimento, o
educando expressa seu comportamento, que vai
da liberdade a regra, do prazer à seriedade, do
simbolismo à imitação, do modelo a criatividade.
Provocando também mudanças qualitativas no
mesmo, que sejam elas no comportamento, na
personalidade, do desenvolvimento ou na
aprendizagem.

O jogo socializa o indivíduo seja através das atividades de Educação


Física como no Jogo na Capoeira, a dinâmica do jogo permite a emergência de
valores genuínos, em lugar daqueles que geralmente são impostos, sua pratica
livre e lúdica oferece reais oportunidades para o exercício da democracia e
cooperação. O jogo da Capoeira é a forma mais simples e natural é um
elemento de nossa cultura que tem maiores possibilidades para a socialização.
Tem-se discutido nos últimos anos a Educação Física escolar numa
perspectiva cultural, e é a partir deste referencial que consideramos a mesma
como parte da cultura humana, ou seja, ela se constitui numa área do
conhecimento que estuda e atuam sobre um conjunto de práticas ligadas ao
corpo e ao movimento criado pelo homem ao longo de sua história como os
jogos, as ginasticas, as lutas, as danças e os esportes. É nesse sentido que
entende-se e acredita-se que a Capoeira atualmente cresceu em sua prática
até chegar as escolas por ser uma cultura corporal e estar intimamente ligada a
história de desenvolvimento de nosso Brasil e deve ser valorizada como um
objeto de educação e uma ferramenta prazerosa de aprendizagem.
42

CAPITULO III

NEUROCIÊNCIA DOS MOVIMENTOS NA CAPOEIRA

...Não dê golpes sem pensar


Nem pense para dar o golpe
Dê o golpensando
É golpe pensamento simultâneo.

O século XX foi importantíssimo para o estudo do cérebro. Descobriu-se


que tudo no ser humano está sob o seu comando. É ele quem elabora o
processamento e o comando dos sentidos, percepções, atitudes,
comportamentos, afetos, emoções, sentimentos, desejos, esperança,
altruísmo, memorias e movimentos.
Para a compreensão do seu funcionamento, o cérebro pôde afinal ser
despido e visto através dos raios X. Dispondo do eletroencefalograma,
apareceram extraordinárias ”ferramentas” que permitem os avanços no estudo
da atividade cerebral in vivo.
Técnica conhecida como Pósitron Emission Tomography (PET)
possibilita marcar o oxigênio e a glicose , permitindo ao cientista acompanhar
seus passos “cérebro adentro”. Por essa técnica, é possível discriminar as
áreas cerebrais em pessoas com atividades diferentes.
Existe o magnet Ressonance Imaging que mede mudanças de
concentração do oxigênio no sangue que irriga o cérebro que é transmitido por
proteína com teor magnético. Propriedades, monitoradas por ondas de rádio
com sinais, revelam regiões mais ativas nessa ou em outra função.
Resultados obtidos por essas e outras técnicas extraordinárias
inauguram nova era da Neurociência, trazendo concepções sobre ação
cerebral, fazendo brotar teorias jamais sonhadas para o estudo do
comportamento do cérebro.
Estudos realizados por Steven Brown e Lawrence M. Parsons
demonstram através de um tomógrafo PET como o cérebro atua para
coordenar movimentos de dança e como toda a área motora se relaciona.
43

O ritmo parece algo tão natural que muitos acreditam ser automático
ouvir música e marcar o compasso com os pés ou balançar o corpo, ás vezes
sem nos darmos conta de que estamos nos movimentando. Essa habilidade,
porém é uma novidade evolucionária entre humanos e nada comparável
acontece com qualquer espécie animal. Nosso dom para a sincronização
inconsciente nos permite utilizar a confluência de movimentos, ritmo e
representação gestuais, longe da prática coletiva, mas sincronizados. Dançar
como “Jogar Capoeira” exige um tipo de coordenação interpessoal no espaço e
tempo quase inexistente em outros contextos sociais. E embora seja uma
forma de fundamental de expressão humana, por muito tempo recebeu pouca
atenção dos neurocientistas. Os estudos começaram com a analise de
movimentos isolados como o giro do tornozelo ou o tamborilar dos dedos.
Esses trabalhos revelaram informações sobre como o cérebro coordena ações
espaciais e equilíbrio, além de intenção e sincronismo (habilidades ligadas ao
sistema sensório – motor).
“Para a realização de um ato motor, o sujeito deve poder
produzir ou ter “arquivada” uma estimativa interna (ou
predição) dos parâmetros necessários para a sua
execução. Estudos sugerem que o planejamento, a
correção e a execução dos movimentos estão inscritos
em redes neurais que incluem o córtex pré – motor, a
área motora suplementar, o córtex parietal, o corte
cingulado, o cerebelo e os núcleos da base, além de
núcleos talâmicos, núcleos do tronco encefálicos e
medula espinhal. Os programas ou planos motores
derivam da atividade orquestrada dessas redes cerebrais
corticais subcorticais e medulares interconectadas,
organizadas em série e em paralelo. O grau e a maneira
como esses circuitos serão recrutados dependerão, em
ultima instância da experiência individual, da integridade
dessas redes neurais, do tipo e da complexidade do
movimento a ser executado” MARTA RELVAS 2010
44

1. O MOVIMENTO DO CAPOEIRISTA NO CÉREBRO

A motricidade humana está organizada em uma série de fatores


estruturais oriundos de influências, sociais, ambientais, psicológicas,
funcionais, históricos, motores, entre outros. O cérebro humano em sua
complexidade com bilhões de neurônios e trilhões de conexões dá um
significado, traduz e organiza o movimento humano. Pensemos então no
cérebro como um computador gigante onde a ação mental depende da
coordenação de várias regiões e como condição para levar a mielinização, a
motricidade leva ao desenvolvimento do cérebro.
Em cada estrutura deste computador desse universo verifica-se a rede
continua de conexões onde há planejamento motor, comando motor, o tato e a
sensibilidade, a inteligência espacial, a memória funcional espacial, o controle
de escrita, o controle motor fino, o reconhecimento de objetos, o sentido da
audição, o ciclo do sono e vigília, que abrange o controle geral da excitação, a
compreensão de palavras, a visão, o movimento visual e o direcionamento da
atenção.
A área de associação pré-frontal é considerada sede da inteligência
humana, até algum tempo atrás. Por quê? Porque quem diferencia o homem
dos demais primatas, do chipanzé e dos outros gêneros é a área pré-frontal. O
que o nosso cérebro tem de mais diferente do chipanzé? Lobo frontal maior.
Então quando os neuroanatomistas viram isso, eles perceberam que o que faz
do homem um homem e não um chipanzé é o lobo frontal, correto? O resto do
cérebro é igualzinho por fora, só que o homem tem o frontal maior. A partir daí
se passou a imaginar que inteligência humana era inicialmente centrada no
pré-frontal. Mas, depois se viu que na verdade a área de associação anterior
que a gente viu, a parietoocipitotemporal é muito mais importante pra
inteligência do que o frontal propriamente dito, embora o frontal diferencie o
homem do macaco. Pra que serve essa área de associação? Ela auxilia na
motricidade, principalmente no planejamento de padrões complexos de
movimento, na formação e articulação da palavra, tanto que nessa região está
a chamada área de Broca, que é uma área especialmente montada pra
organizar a motricidade necessária pra falar. Ela elabora os pensamentos, e
45

tem uma região que é especialmente implicada com a capacidade humana de


planejar para o futuro.

1.1. A Motricidade e suas Classificações:

VOLUNTARIA – faz parte do desejo do indivíduo como andar, pular, correr etc.;
AUTOMATICA – passa pelos estágios da aprendizagem atingindo o nível , de
automatização, independente da análise consciente da ação desenvolvida;
REFLEXA – já estar instituída no corpo. Grande parte das nossas capacidades
reflexas já esta constituída em nosso organismo, contudo, também se aprende
a aprimora-se nos reflexos originais.
INVOLUNTÁRIA - causada por patologia, como a doença de Parkinson, por
exemplo, que provoca atos motores que o corpo não pode controlar

1.2. A Psicomotricidade
A Psicomotricidade é a relação entre o pensamento e a ação,
envolvendo a emoção. É a ciência que estuda o homem por meio do seu corpo
em movimento em relação ao mundo interno e externo e suas possibilidades
de perceber, atuar e agir com o outro. Esta relacionada ao processo de
maturação, em que o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e
orgânicas.
A estimulação do desenvolvimento psicomotor é fundamental para que
haja consciência dos movimentos corporais integrados com a emoção e
expressados pelo movimento, o que proporciona ao ser uma consciência de
indivíduo integrado.

1.3. Controle Motor

É o aparato neural que permite a capacidade de controlar o corpo. Por


exemplo, jogar uma bola ou um peso e não ir junto com eles; estar em uma
posição postural econômica e não em uma posição desgastante.
46

1.4. Aprendizagem Motora

É onde o individuo pode aprender a organizar a sua postura, a se mover


com eficiência a obter determinada performance técnica motora, ação. Ela tem
uma finalidade é constituída para um determinado evento.
Tanto no desenvolvimento quanto na aprendizagem e no controle motor,
estão envolvidas as funções e as estruturas nervosas do cérebro. O neurônio é
o grande elemento nesse quadro, pois ele é o meio que representa tudo o que
se faz; seja o movimento; seja a afetividade, seja a composição musical, são
todas definidas por microscópicas estruturas e suas conexões.
Os movimentos no Músculo Esquelético Estriado processo final de um
estímulo externo chega até as mitocôndrias que sintetiza o ATP (adenosina
trifosfato) finalizando o processo de comunicação realizado pelos neurônios.
Por meio do entendimento de como os neurônios se comunicam que
será possível entender como ocorre todo o processo, e é por isso que se faz
necessário entender suas localizações e estruturas envolvidas no caminho.

2. INTRODUÇÃO AO MOVIMENTO

A motricidade humana tem termos que fazem referencias a certas


características e relações, sendo eles empregados de acordo com o que e
como ocorre no indivíduo. Desenvolvimento motor é diferente de aprendizagem
motora, e a diferença está circunscrita na ideia de que o desenvolvimento
motor é algo contido no organismo, independente das vivências formais para
se desenvolver. Está por vez contida na aprendizagem motora, onde depende
de estímulos para se aprimorar.

2.1. Coordenação Motora

O ser humano é capaz de gerar movimentos coordenados em diferentes


contextos e isso é fascinante. A simples observação de um ato motor revela ao
47

mesmo tempo o seu objetivo e a sua relevância biológica. A Coordenação


Motora é definida como a capacidade de produzir as contrações dos músculos
tal a sua atividade orquestrada resulta em um movimento biologicamente
adequado ao contexto.
A primeira definição de coordenação sensória motora deriva de um
trabalho pioneiro do fisiologista inglês Charles Sherrington (1857-1952), no final
do século XIX. Sherrington propôs que a unidade de integração sensório
motora mais simples consistia no arco reflexo, isso é um estímulo sensorial de
natureza proprioceptiva ou nociceptiva desencadeando uma resposta motora
automática e estereotipada. Movimentos mais complexos deveriam derivar da
concentração dessas respostas simples. Nesse modelo em cadeia, a resposta
motora seria desencadeada pelas informações sensórias disparadas pelo
movimento anterior.

2.2. O Ritmo

O Ritmo se diz respeito á movimentação própria de cada um. Existem


ritmo lento, moderado, acelerado, cadenciado e noção de duração e sucessão,
no que diz respeito a percepção dos sons no tempo. A falta de habilidade
rítmica pode causar uma leitura lenta, silabada, com pontuação e entonação
inadequadas. Segundo MATTOS, é a cadência regulada pelo automatismo
respiratório, aliada a frequência e á amplitude de movimentos e dependente
dos parâmetros da forma física e da habilidade motora; qualidade física é
explicada um encadeamento de tempo, um encadeamento dinâmico e
energético, uma mudança de tensão e de repouso, enfim, uma variação regular
com repetições periódicas; a palavra vem do grego rhythmos, que significa
movimento compassado.

2.2. Intenção do Movimento

É hoje consenso que os animais não apenas reagem a eventos


externos, mas são capazes de criar atividades de interação com o ambiente.
Essa capacidade pressupõe a existência de um mecanismo de predição dos
48

movimentos necessários para a realização de uma tarefa desejada


denominados modelos internos (homeostase). O sistema de regulação
homeostática corporal são sistemas que permitem a manutenção de um valor
fisiológico de referencia relativamente estável e do ponto de vista do controle
motor esses sistemas de referência consistiriam em representações neurais do
movimento, um modelo interno do “corpo em ação”. O sistema
musculoesquelético pode ser considerado multidimensional de alta
complexidade, ou seja, o número de combinações possíveis que envolvem a
contração muscular é de aproximadamente 600 músculos no corpo humano é
quase inimaginável. Que mecanismos neurais comporta essa capacidade?
Como é feita a seleção apropriada dos movimentos? Como esses repertórios
motores estão organizados no cérebro? Como eles podem ser modificados?
Em um modelo proposto recentemente pelos neurofisiologistas Daniel
Wolpert e Mitsuo Kawato, o sistema motor é visto como uma alça sensória
motora fechada: comandos motores geram contrações musculares, que por
sua vez, acionam uma alça de retroação (fedback) sensorial que desencadeia
um novo movimento. Essa retroação é composta pelas informações sensoriais
derivadas tanto do próprio movimento como das modificações das relações
físicas entre as partes do sistema musculoesquelético e a informação
proveniente do ambiente. O novo comando motor incorpora essas
informações, gera outro comando motor , e assim por diante.
Um mesmo comando motor pode ter consequências muito diferentes na
periferia corporal, dependendo do “estado” em que esta se encontra. O estado
é um conjunto de variáveis que muda continuamente ao longo de execução do
movimento, como, por exemplo, em função da postura dos pés, das
articulações, das ações orquestradas dos músculos (sinergia) que estão sendo
recrutadas para um propósito motor no caso aqui dançar.
As retroações sensórias visuais, vestibulares e proprioceptivas
fornecem, a cada momento, informações necessárias para a realização das
correções de movimento. Porém, há grandes demoras na transdução e no
envio das informações sensoriais ao sistema nervoso central (SNC) durante a
execução do movimento. Por exemplo, a retroação visual leva cerca de 100ms
49

( um décimo de segundo) para ser processada o suficiente para que possa vir a
produzir ajustes motores. Assim, o início do movimento, bem como os
movimentos de pressão, dependem crucialmente dos programas motores
preexistentes.

3. AREAS NEURAIS RESPONSÁVEIS PELO MOVIMENTO

Para a realização de um ato motor o sujeito deve poder produzir ou ter


arquivada uma estimativa interna dos parâmetros necessários para a sua
execução. Além disso, as informações provenientes sobre o estado da periferia
sensorial, sendo, portanto, capaz de modificar os parâmetros do planejamento
das etapas seguintes do movimento (retroação externa). Finalmente a própria
estimativa da execução (modelo interno) afeta o planejamento do movimento.
Nos últimos 100 anos, um modelo da contribuição funcional de cada
uma das regiões cerebrais envolvidas no planejamento e na execução dos
movimentos vem sendo estudados com animais anestesiados, com pacientes
portadores de doenças cerebrais através de modernas técnicas de registro da
atividade cerebral como o eletroencefalograma, técnica de neuroimagem
baseada em medidas do fluxo sanguíneo e da atividade metabólica cerebral.
Esses estudos e técnicas vêm possibilitando uma maior compreensão e o
mapeamento das regiões cerebrais que participam na produção do movimento,
e, finalmente, o uso de estimulação magnética transcraniana vem
possibilitando o estudo da atividade neuromotora induzida a partir da aplicação
de campos magnéticos sobre o couro cabeludo em sujeitos humanos.
Esses estudos sugerem que a predição, a correção e a execução dos
movimentos estão inscritas em redes neurais que incluem o córtex pré-frontal,
o córtex motor primário, o córtex pré-motor, a área motora suplementar, o
córtex parietal, o córtex cingulado, o cerebelo e os núcleos da base, além de
núcleo talâmico, núcleos do tronco encefálico e a medula espinhal. Os
programas ou planos motores, e a sua execução, derivam da atividade
orquestrada dessas redes cerebrais corticais, subcorticais e medulares
interconectadas, organizadas em série e em paralelo. O grau e a maneira como
50

esses circuitos serão recrutados dependerá, em instancia, da experiência


individual, da integridade dessas redes neurais, do tipo e complexidade do
movimento a ser executado.

3.1. O Processo Neural por trás da Habilidade de Dançar

Dançar exige um tipo de coordenação interpessoal no espaço e tempo


quase inexistente em outros contextos sociais. E, embora seja uma forma
fundamental de expressão do ser humano, por muito tempo recebeu pouca
atenção dos neurocientistas. Entretanto recentemente, pesquisadores
realizaram os primeiros estudos com imageamento através de um tomógrafo. A
cabeça dos dançarinos permaneceu imóvel no aparelho, e suas pernas sobre
uma superfície inclinada, enquanto ouviam a música em fone de ouvidos.
Essas investigações esclarecem pontos intrigantes sobre a complicada
coordenação mental necessária para executar até mesmo os passos
aparentemente mais básicos. Os estudos começaram com a análise de
movimentos isolados com giros de tornozelo ou tamborilar dos dedos. Esse
trabalho realizado por STEVEN BRAWN revelaram informações de como o
cérebro coordena ações simples. Pular com um pé só exige consciência
espacial e equilíbrio, além de intenção e sincronismo; habilidades ligadas ao
sistema sensório motor.

3.2. Os Caminhos Neurais do Movimento na Capoeira

O caminho, as circuitarias, as conexões começam no córtex parietal


posterior situado na parte de trás do cérebro que traduz informações visuais
em comandos motores, enviando sinais para região de planejamento do
movimento no córtex pré-motor e na área motora suplementar. Essas
instruções vão para o córtex motor primário onde são gerados então impulsos
neurais que viajam para a medula espinhal e para os músculos, provocando
contrações. Ao mesmo tempo, os órgãos sensoriais nos músculos mandam
uma resposta ao cérebro, dando a orientação exata do corpo no espaço por
meio de nervos que passam pela medula espinhal até chegar ao córtex. Os
51

circuitos subcorticais do cerebelo e dos gânglios da base também ajudam a


atualizar os comandos motores com base na resposta sensorial e no ajuste de
movimentos.

3.3. Cinestesia e Sistemas Sensoriais dos Músculos na Capoeira

Na dança como no Jogo da Capoeira, a cognição espacial é primeiro,


cinestésica: sente-se o posicionamento do tronco e membros o tempo todo,
graças aos órgãos sensoriais dos músculos. Eles graduam a rotação de cada
junta e a tensão dos músculos e retransmitem essas informações para o
cérebro que cria uma representação articulada do corpo como resposta. Mas
especificamente, identificamos ativação no precuneus ( região do lobo parietal
muito próxima de onde fica a representação cinestésica das pernas). Acredita-
se que o precuneus contenha um mapa cinestésico que permite uma
consciência do posicionamento do corpo no espaço enquanto as pessoas se
movem à sua volta. Porém os estudos dessa área do cérebro ainda são
recentes.

3.4. O caminho da Música, Fala e Poesia no Cérebro de um Capoeirista.

A inteligência verbal é aquilo que a gente comumente chama de


inteligência. E essa inteligência verbal está situada predominantemente no lobo
parietoociptotemporal, no hemisfério ESQUERDO nos indivíduos DESTROS.
Sabe-se, que normalmente, os nossos hemisférios cerebrais, o direito e
o esquerdo, eles não são, perfeitamente simétricos, em termos funcionais. Não
existe uma simetria funcional entre os hemisférios cerebrais. Um hemisfério é
sempre mais desenvolvido pra algumas funções e o outro mais desenvolvido
para outras funções. O hemisfério esquerdo, por exemplo, que acostumamos
chamar de hemisfério dominante, na verdade ele é dominante pra um tipo de
inteligência, que é a inteligência verbal. Então o hemisfério cerebral esquerdo,
ele é mais desenvolvido para a inteligência verbal. E o hemisfério cerebral
direito, ao invés, de ser menos desenvolvido, na verdade ele é mais
desenvolvido para outras funções. O hemisfério direito pode-se chamar de
52

hemisfério artístico, porque no hemisfério direito, está desenvolvida a


inteligência musical, orientação espacial e prosódia.
São exatamente alguns tipos de inteligência indispensáveis para o
desenvolvimento das artes e para um capoeirista! Por exemplo, Bethoven. Ele
devia ter um hemisfério cerebral direito pra área da música, extremamente
desenvolvido. Então ele nasceu com uma aptidão natural pra música. Se um de
nós quiséssemos transformar se num Bethoven ou num grande músico, não vai
ser só porque se quer e entrar num curso de música, que vamos nos tornar
num grande mestre da música, certo? E com isso se nasce, é uma aptidão pro
desenvolvimento de uma determinada área cerebral, uma tendência inata, e
essa área se localiza no hemisfério cerebral direito, próximo do córtex de
associação auditivo.
Essa inteligência é essencial para um professor alguns tem que estudar
para aprender a domina-la outras já nasce com ela como Mestre Camisa do
grupo de ABADÁ-CAPOEIRA. Prosódia, o que é prosódia? É a entonação, é a
mímica, é a expressão corporal do discurso. É todo aquele jogo de
comunicação não verbal. Gesticular, a entonação de voz, é a entonação
emocional do discurso. Isso está situado no hemisfério cerebral direito. E isso é
necessário também para a arte, para os atores. Então o hemisfério cerebral
direito na área de associação parietooccipitotemporal, pode se considerar
assim: o da inteligência capoeirística.

3.5. Memória: como guardar a Longo Prazo um Movimento de Capoeira

O que é a memória na verdade? Acostumou-se a pensar em memória


como: a memória existe pra linguagem verbal e pra aptidão motora. A memória
de conhecimentos verbais é chamada memória declarativa e memória de
procedimentos motores, andar de bicicleta, jogar capoeira, isso também é
memória. Ela se chama memória procedural. Então a gente nunca pensa na
aptidão motora como um tipo de memória. A gente cita a memória,
normalmente, como sendo só declarativa.
E o que é a memória na verdade, em termos de funcionamento do Sistema
Nervoso Central (SNC)?
53

Segundo RELVAS, a memória é o seguinte:


quando um percurso sináptico é percorrido várias
vezes, ele se torna mais facilitado. Isso é
memória. A memória é causada pela alteração na
capacidade de transmissão sináptica de um
neurônio como resultado da atividade neuronal
prévia. Quando eu digo: O hemisfério dominante
da linguagem é o esquerdo. Essa é uma frase que
eu disse. Essa frase quando entrou no seu
ouvido, chegou ao córtex, percorreu um circuito
sináptico. Uma vez tendo passado pelo circuito
sináptico, quando eu disser pela segunda vez vai
passar de novo. Quando pensar pela terceira vez,
só com o pensamento, você vai conseguir ativar
esse circuito sináptico. Isso é: LEMBRAR.
Lembrar é ter o circuito sináptico tão facilitado, que
o meu pensamento ativa esse circuito sináptico.
Isso é memória. Então é facilitar o percurso
sináptico, por esse percurso já ter sido percorrido
previamente. Então, se eu leio vinte vezes a
página do Guyton, com certeza eu vou acabar
lembrando da informação, porque vinte vezes
aquela informação percorreu o circuito sináptico.
Então a repetição fixa a memória. Se o indivíduo
tiver muita motivação, se a motivação for grande,
se for uma coisa que ele quer muito saber, uma
única passagem já facilita maximamente esse
circuito sináptico. Quando é uma coisa que cria
muita expectativa pra mim, uma vez que passe,
facilitou o circuito sináptico.

Então, assim, a fixação da memória sofre influência do límbico. Quanto


maior a motivação em cima, mais facilmente fixa. É mais fácil estudar uma
disciplina que se gosta ao invés de uma disciplina que não gosta? É motivação.
Quando se gosta, percorre-se duas vezes o circuito e fixou. Quando não gosta,
trinta vezes e não fixa, quarenta vezes e não fixa. Então, isso que é memória. É
facilitar o circuito sináptico pela passagem da ideia por aquele circuito. Tem a
54

declarativa ou fixa que é lembrar dos fatos e tem a memória procedural que é a
memória da atividade motora. Aprender a andar de bicicleta, e quando andar
de novo, lembra como andar. Então, lembrar de uma atividade motora que
também é consequência de uma atividade sináptica prévia, de um circuito
sináptico prévio. Então, você acha que o cirurgião faz melhor a décima
apendicectomia ou a centésima? A centésima. O circuito sináptico está mais
facilitado na centésima. E, além disso, a memória tem diferentes categorias no
tempo de duração. A memória pode ser de curto prazo, intermediário e longo
prazo.
A de curto prazo é aquela assim: eu quero um número de telefone, e
guardo-o até ir ali discar e depois eu esqueço. Como é que se forma essa
memória de curto prazo? Ou aquela memória que eu passo a noite antes da
prova decorando o conteúdo, vai lá e despeja tudo em cima da prova e daí
depois se esqueçe tudo. Isso se dá por circuito reverberativo, não fica nada.
Intermédio-longo prazo ocorrem modificações químicas na sinapse.
E memória de longo prazo, se aquilo que você lembrar quando ganha à
primeira bicicleta, algum fato significativo da infância. Isso é memória de longo
prazo. Isso é modificação estrutural da sinapse. Isso dura para o resto da vida.
Ocorre um aumento da síntese proteica do neurônio. Ou aumentam os
números de simples vibração dos neurônios pré-sinápticos. Então o neurônio
libera mais neurotransmissor em cada sinapse ou aumenta o número de ciclos
do neurotransmissor do neurônio pré-sináptico. Eles têm mais
neurotransmissor estocado, então ele facilmente transmite a informação pro
outro, ou ainda aumenta o número de receptores no neurônio pós-sináptico.
Então ocorre uma alteração estrutural, na estrutura da sinapse, envolvendo
síntese proteica. Isso forma memória de longo prazo e é capaz então de durar
anos.
E a memória tem algumas fases, por exemplo, quando a memória passa
de curto prazo pra longo prazo chama-se consolidação da memória. Tem um
local, que especialmente consolida as memórias, que passa ela para longo
prazo, que é o hipocampo. O hipocampo é o local do cérebro especializado em
fixar a memória. E coincidentemente foi o hipocampo que descobriu que existe
55

neurogênese na vida adulta. Então provavelmente esses novos neurônios


estejam de alguma forma relacionados com a memória. E a repetição acelera a
consolidação. Quanto mais se treina a Capoeira e executa -se um determinado
movimento, ou toca-se o berimbau, ou canta-se uma música, mais fixa na
memória. Isso se aplica para todas as capacidades e competências do ser
humano.
56

CONCLUSÃO

A educação tem por finalidade estimular o educando a “aprender a


aprender” para desenvolver todas as suas potencialidades, numa visão
holística e global. Dessa forma torna-se necessário oportunizar que a criança
viva e experimente a cultura corporal do movimento e através da Capoeira na
escola hoje podemos constatar sua importância nesse processo.
A aprendizagem acontece a partir da criação de novas memórias e pela
ampliação das redes neurais que armazenam o que já foi trabalhado. É uma
modificação biológica entre os neurônios, formando uma rede de interligações
que podem ser evocadas e retomadas com relativa facilidade e rapidez. Por
meio das aprendizagens de conceitos e das metodologias que irão formar ou
ampliar estas memórias.
A aprendizagem resulta no crescimento ou nas alterações das células
quando o axônio de uma célula recebe um potencial de longa duração com
estimulação forte. À medida que uma célula recebe estes estímulos fortes,
estes vão sendo repassados de uma célula para a outra existindo uma
organização bioquímica envolvendo esse processo, por isso considera-se que
“somos seres 100% sensoriais e 100% químicos” segundo SÔNIA REIS. A
aprendizagem é a modificação do comportamento como resultado da
experiência ou aquisição de novos conhecimentos acerca dos meios, e a
memória é a retenção deste conhecimento por um tempo determinado
Aprender uma sequencia motora complexa ativa, além de um sistema
motor direto para o controle das contrações dos músculos, um sistema de
planejamento motor que contem informações sobre a capacidade do corpo de
realizar um movimento específico. A capacidade de ensaiar um movimento na
mente é vital para as habilidades de aprendizado motor. Quanto mais
experiente a pessoa se torna em um determinado padrão motor, melhor
consegue imaginar qual a sensação de executa-lo, e assim, fica mais fácil
realiza-lo.
57

Nossos movimentos no Músculo Esquelético Estriado processo final de


um estímulo externo chega até nossa mitocôndrias que sintetiza o ATP
(adenosina trifosfato) finalizando o processo de comunicação realizado pelos
neurônios. Por meio do entendimento de como os neurônios se comunicam
que será possível entender como ocorre todo o processo, e é por isso que se
faz necessário entender suas localizações e estruturas envolvidas no caminho.
No entanto mestre Camisa sempre soube que só fica bom quem treina
como ele sempre ensinou. Mas é preciso entender esse mecanismo de
aprendizado, de recompensa e de memorização do cérebro, para que os
profissionais possam elaborar com mais competência suas aulas e os objetivos
que queiram que seus alunos alcance, e ou alcance os objetivos que seus
alunos esperam. Lembrando sempre que é preciso fortalecer as sinapses
através da repetição e do prazer, pois não adianta ensinar um fundamento uma
vez no mês e achar que seus alunos vão aprender e fixar na memória. É
necessário entender que o cérebro esta pronto para aprender basta o professor
entender também o melhor caminho do ensinar. Sem esquecer-se de
proporcionar um ambiente harmonioso que desperte o prazer em fazer,
liberando assim Dopaminas no Sistema Límbico de recompensa.
Agora após a constatação do presente estudo pode-se acreditar que a
Capoeira deve e precisa ser estimulada e propagada nas escolas, não só por
todos os fatores aqui relatados como pela ludicidade tão presente e aparente,
pelo desenvolvimento motor, cognitivo, afetivo-social comprovado, por
contribuir para a plasticidade cerebral e efetivação do aprendizado na memória.
É importante lembrar o significado de toda sua essência histórica e
cultural que expressa à identidade de um povo e principalmente por ser um
instrumento poderoso de educação. Assim pode-se entender as possíveis
ressignificações que estar por vir! Dessa forma se têm todos os tipos de
alunos; atletas, crianças, idosos, homens e mulheres; Capoeirista para o resto
da vida! Pois suas memorias sobre a Capoeira serão de prazer e superação
(como na capoeira inclusiva), não de frustação!
Para a Capoeira e o capoeirista como para o camaleão mudar faz parte
de sua essência. Como agora se compreende como nossos neurônios mudam
58

pode-se então ir à busca do fortalecimento duradouro, eficiente e eficaz desses


aprendizados. Onde para Capoeira e o capoeirista como para o Cérebro mudar
faz parte da sua essência!
59

ANEXOS
Índice de anexos

Anexo 1 >> Conteúdo de revistas especializadas;

Anexo 2 >> Entrevistas;

Anexo 3 >> Reportagens;

Anexo 4 >> Internet;

Anexo 5 >> Questionários.


60

ANEXO 4
INTERNET

Figura 1.1 - Fonte:www.sogab.com.br

Figura 1.2 - Fonte: www.zun.com.br

Figura1.3 - Fonte: pt.wikipedia.org


Figura 1.4 - Fonte: ptslideshare.net
Figura 1.5 - Fonte: www.cerebromente.org.br
Figura 1.6 - Fonte: www.auladeanatomia.com
Figura 1.7 - Fonte: www.afh.bio.br
Figura 1.8 - Fonte: www.auladeanatomia.com
Figura 2.1 - Fonte: neuromed95.blogspot.com
Figura 2.2 - Fonte: neuromed95.blogspot.com
Figura 2.3 - Fonte: neuromed95.blogspot.com
Figura 2.4 - Fonte: neuromed95.blogspot.com
Figura 2.5 - Fonte: neuromed95.blogspot.com
61

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1. AREIAS. A.O que é a Capoeira. São Paulo: Brasiliense, 1983.

2. BROWN, Steven ; Parsons M. Lawrence. Coreografias Cerebrais: Artigo


Científico.

3. CARDOSO, José Tadeu Carneiro , Aforismo, Citações, Adágios,


Versos, Ditados. Rio de Janeiro: Memórias Visuais para Abadá Edições,
2015. 2ª ed. Mestre Camisa.

4. DAMÁSIO, Antônio. O Erro de Descartes. São Paulo: Companhia das


Letras, 2012 3ª ed.

5. DENNETT, Daniel C. A Perigosa Ideia de Darwin – A Evolução e os


Significados da Vida. Ed Rocco, 1998.

6. FREITAS, Jorge Luiz- Capoeira Infantil: Jogos e Brincadeiras. Curitiba-


Ed Torre de Papel, 2003

7. FREITAS, Jorge Luiz- Capoeira Pedagógica/ Periquito Verde. Curitiba:


J.L.de Freitas, 2005.

8. FREITAS, Jorge Luiz- Capoeira na Educação Física. Como ensinar?


Curitiba: Ed Progressiva, 2007.

9. FREITAS, Jorge Luiz- Capoeira Infantil: a arte de brincar com o próprio


corpo. Curitiba: Editora Progressiva, 2007- 2ª Edição.

10. FONSECA, Vitor. Cognição, Neuropsicologia e Aprendizagem. Rio de

Janeiro; Vozes 2014 6ª ed.


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11. FREYRE,G. Casa Grande e Senzala: formação da família brasileira


sob regime da economia patriarcal. Rio de Janeiro: J.Olympio,2003.

12.GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Rio de Janeiro:


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13.LENT, Roberto; Neurociência da Mente e do Comportamento.. Rio de

Janeiro; Guanabara 2014.1ª ed.

14. KRECH, David e Crutchfield, Richard.S. Elementos de Psicologia – vol.I.


São Paulo: Pioneira, 1978.

15. KRECH, David e Crutchfield, Richard.S. Elementos de Psicologia – vol.II.


São Paulo: Pioneira, 1978.

16.LE BOULCH, JEAN. O desenvolvimento psicomotor:do nascimento aos


6 anos. Trad. Por Ana Guardiola Brizolara. Porto Alegre, Artes Médicas, 1985.
3ª Ed.

17. MACHADO, Angelo B.M. Neuroanatomia funcional. São Paulo: Livraria


Atheneu, 1983.

18. MIRANDA, Roberto Lira. Além da Inteligência Emocional. Rio de Janeiro:


Campus, 1997.

19. REGO,W. Capoeira de Angola. Salvador: Editora Itapoá, 1968

20. RELVAS, Marta. Fundamentos Biológicos da Educação. Rio de Janeiro:


Wak Brasil 2009, 4ª ed.

21. RELVAS,Marta. Que Cérebro é esse que chegou à escola? Rio de

Janeiro: Wak 2014. 2ª ed.


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22. SANTOS,A.O. Capoeira: Arte-Luta Brasileira. Curitiba: Imprensa Oficial


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23. SANTOS, Jaime Bandeira. Manual de fisiologia nervosa. Salvador:


Centro Editorial e Didático da Universidade Federal da Bahia, 1984. vol.I.

24. SANTOS, Jaime Bandeira. Manual de fisiologia nervosa. Salvador:


Centro Editorial e Didático da Universidade Federal da Bahia, 1984. vol.II

25. SANTOS, Ilcimar Soares. Neurofisiologia. Niterói: SPOB, 1998.

26. SOARES,C.E.L. A capoeira escrava e outras tradições rebeldes no Rio


de Janeiro (1808-1850). Campinas: Ed.da UNICANP, 2002.

27.TUBINO, Manoel José Gomes. Capoeira: A História de um patrimônio


cultural do Brasil. Maringá: Ed trim. 2009. v.20,n.1,p7-16,1.
64

ÍNDICE

FOLHA DE ROSTO ............................................................................... 2

AGRADECIMENTOS ............................................................................. 3

DEICATÓRIA ......................................................................................... 4

RESUMO ............................................................................................... 5

METODOLOGIA .................................................................................... 6

SUMÁRIO .............................................................................................. 7

INTRODUÇÃO ....................................................................................... 8

CAPÍTULO I
NEUROCIÊNCIA PEDAGÓGICA O CONCEITO ................................... 9

1. ORIGENS DA NEUROCIÊCIAS .................................................. 9

1.1. Estudo da Neurofisiologia............................................................ 11


1.1.1. A Célula ....................................................................................... 11
1.1.2. Classes Gerais dos Tecidos ....................................................... 12
1.1.3. Homeostasia ............................................................................... 13

1.2. CLASSE DE CELULAS DO SISTEMA NERVOSO ..................... 13

1.2.1. O Neurônio .................................................................................. 13


1.2.2. Regiões Morfológicas dos Neurônios Típicos ............................. 14
1.2.3. Espaço entre os Terminais Pré Sinápticos e a célula
Pós Sináptica e os Neurotransmissores...................................... 15

1.3. ORIGEM DO SISTEMA NERVOSO ............................................ 16

1.3.1. O Sistema Nervoso Central (SNC) .............................................. 17


1.3.2. Estruturas que formam o Sistema Nervoso Central
e o Sistema Nervoso Periférico ................................................... 18
1.3.3. Sistema Autônomo ou Vegetativo ............................................... 20
1.3.4. O Sistema Autônomo .................................................................. 20

2. O CÉREBRO E A INTELIGÊNCIA .................................................. 21


65

2.1. Estruturas Cerebrais envolvidas nos Mecanismos de Memória .. 22

2.2. Parte do Sistema Límbico que Desempenha papel Importante no


Controle das Emoções com Ação sobre o Sistema Endócrino ... 24

2.3. Sistema Límbico e circuito de Recompensa................................ 24


2.3.1. No Córtex Cerebral...................................................................... 25
2.4. Plasticidade Cerebral .................................................................. 29

CAPÍTULO II
A DIMENÇÃO EDUCACIONAL DA CAPOEIRA .................................... 32

1. REVISÃO DE LITERATURA............................................................ 33

1.1. História da Capoeira .................................................................... 33

2. A CAPOEIRA NA ESCOLA ............................................................. 35

2.1. A Capoeira e sua Instrumentalidade na Escola ........................... 37


2.2. A Brincadeira e Jogos de Capoeira na Escola ............................. 37
2.3. Musicalização na Capoeira .......................................................... 38

2. O DESENVOLVIMENTO MOTOR,
COGNITIVO E AFETIVO SOCIAL ................................................... 39

3.1. O Desenvolvimento Motor através da Capoeira............................ 39


3.2. O Desenvolvimento Cognitivo através da Capoeira ...................... 40
3.3. O Desenvolvimento Afetivo-Social Através da capoeira ............... 40

CAPÍTULO III
NEUROCIÊNCIA DOS MOVIMENTOS NA CAPOEIRA ........................ 42

1. O MOVIMENTO DO CAPOERISTA NO CÉREBRO ........................ 44

1.1. A Motricidade e suas classificações .............................................. 45


1.2. A Psicomotricidade ....................................................................... 45
1.3. Controle Motor .............................................................................. 45
1.4. Aprendizagem Motora ................................................................... 46

2. INTRODUÇÃO AO MOVIMENTO .................................................... 46

2.1. Coordenação Motora..................................................................... 46


2.2. O Ritmo ......................................................................................... 47
2.3. Intenção do Movimento ................................................................. 47

3. ÁREAS NEURAIS RESPONSÁVEIS PELO MOVIMENTO.............. 48

3.1. O Processo Neural por trás da Habilidade de Dançar .................. 50


66

3.2. Os caminhos Neurais do Movimento na Capoeira ........................ 50


3.3. Cinestesia e Sistemas Sensoriais dos Músculos na Capoeira ...... 51
3.4. O caminho da Música, Fala e
Poesia no cérebro de um Capoeirista ........................................... 51
3.5. Memória: como Guardar a Longo Prazo
um Movimento de Capoeira .......................................................... 52

CONCLUSÃO ........................................................................................ 56

ANEXOS ................................................................................................ 59

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ............................................................. 61

ÍNDICE ................................................................................................... 64

FOLHA DE AVALIAÇÃO ........................................................................ 67


67

FOLHA DE AVALIAÇÃO

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