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Nome: Liliana Martins

Disciplina: CRI

Sexo e Género
A biologia reconhece a unidade do
ser humano, uma vez que a nível
hormonal os sexos não são opostos,
já que todos os seres humanos
partilham das mesmas hormonas
sexuais. No entanto, consegue-se
diferenciar entre um homem e uma
mulher pelas suas caraterísticas
associadas ao sexo.

As ciências sociais têm feito uma distinção entre os conceitos de sexo e gênero. Podemos dizer que
sexo está relacionado às distinções anatômicas e biológicas entre os homens e mulheres. O sexo é
referente a alguns elementos do corpo como as genitálias, aparelhos reprodutivos, etc. Assim temos
as pessoas do sexo feminino (com vagina/vulga), as mulheres, as pessoas do sexo masculino (com
pênis), os homens e pessoas intersexuais (casos raros em que existem genitais ambíguos ou
ausentes).

Gênero é o termo utilizado para designar a construção social do sexo biológico. Este conceito faz uma
distinção entre a dimensão biológica e associada à natureza (sexo) da dimensão social e associada à
cultura (gênero). Apesar das sociedades ocidentais definirem as pessoas como homens ou mulheres
desde seu nascimento, com base em suas características físicas do corpo (genitálias), as ciências
sociais argumentam que gênero se refere à organização social da relação entre os sexos e expressa
que homens e mulheres são produtos do contexto social e histórico e não resultado da anatomia de
seus corpos.

O género, enquanto construção social elaborada a partir das diferenças entre sexos, sustenta,
organiza, e rege as vivências sociais e íntimas ao longo de todo o ciclo de vida de homens e de
mulheres. O género adquire um carácter global constituindo como que uma ordem quase universal,
assente em dois pilares ideológicos principais: o conceito de diferença essencial, biológica, entre sexo
masculino e sexo feminino; a ideia de homem como norma, detentor de maior poder, simbólico e
factual.

As sociedades humanas, com uma notável monotonia, sobrevalorizam a diferenciação biológica,


atribuindo aos dois sexos funções diferentes (divididas, separadas e geralmente hierarquizadas) no
corpo social como um todo. Elas lhe aplicam uma “gramática”: um gênero (um tipo) “feminino” é
culturalmente imposto à fêmea para que se torne uma mulher social, e um gênero “masculino” ao
macho, para que se torne um homem social. O gênero se manifesta materialmente em duas áreas
fundamentais:
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1) na divisão socio sexual do trabalho e dos meios de produção
2) na organização social do trabalho de procriação
Em que as capacidades reprodutivas das mulheres são transformadas e mais frequentemente
agravadas por diversas intervenções sociais

Outros aspetos do gênero:


1. Diferenciação da vestimenta
2. Comportamentos e atitudes físicas e psicológicas
3. Desigualdade de acesso aos recursos materiais e mentais são marcas ou consequências dessa
diferenciação social elementar.

Assim, a extensão para a quase totalidade da experiência humana daquilo que é apenas uma
diferenciação funcional em uma área leva a maioria dos seres humanos a pensar em termos de
diferença entre os sexos como uma divisão ontológica indomável em que sexo e gênero coincidem e
cada um deles é exclusivo em relação ao outro. Mas a gramática do gênero, ideal e factual, ultrapassa
por vezes a “evidência” biológica da categorização, aliás, ela própria complica conforme o
demonstram a complexidade dos mecanismos de determinação do sexo e os estados intersexuais.
Algumas sociedades, não as ocidentais modernas, e alguns fenômenos marginais das nossas
sociedades modernas mostraram que as definições de sexo e gênero, assim como as fronteiras entre
sexos e/ou entre gêneros, não são tão claras.

Genericamente, a ação em Saúde tem por finalidade a obtenção demais ganhos para todos os
cidadãos. Contudo, para que tal se cumpra, as iniciativas não podem ter lugar no pressuposto de que
todos os indivíduos se encontram nas mesmas condições para delas usufruírem. Afigura-se
indispensável tomar em consideração o facto de serem diferentes as posições relativas ocupadas por
cada um, e por cada grupo, face à concretização desse desiderato.

Uma forma de entender a ‘posição social’ de cada indivíduo é a de considera- la como resultante da
intersecção do estrato social em que se insere, entendido numa perspetiva ‘vertical’ (rendimento
económico, grau de escolaridade, profissão, etc.) com outros grupos de pertença ‘na horizontal’
(grupo etário, sexo, etnia, etc.)
Não custa, por isso, admitir que, quanto mais baixa for a posição relativa do grupo face a outros e
mais baixa a posição do indivíduo no seu grupo, menor é a probabilidade de este apresentar bons
índices de saúde.

A construção da identidade sexual tem uma importante dimensão cultural, então o contraste entre
os sexos quanto ao seu comportamento pode não ser natural mas resultado de convenções sociais,
mais ou menos conscientes (para não esquecer que durante muito tempo se aceitou que o azul era a
cor dos rapazes, e o rosa, a das raparigas).

As diferentes histórias de infância dos dois sexos têm uma série de implicações na maneira como
homens e mulheres se correlacionam com o mesmo sexo ou com o sexo oposto, sendo que se pode
esperar uma segregação de género, tal como acontece na infância. Não obstante, as crianças
também convivem e partilham atividades com o sexo oposto, seja em atividades escolares ou de

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entretenimento. Estas também são favoráveis às boas relações entre os sexos no trabalho. Neste
sentido, será preferível falar em integração de géneros, em detrimento de segregação.

É por isso que hoje se fala em género, porque, além do facto biológico de haver dois sexos, há
também a construção de identidades tanto no âmbito individual como no de grupo. Por exemplo,
usa-se a palavra género quando reconhecemos ou assumimos que há diferentes tipos de orientação
sexual.

Outra desigualdade/diferença perante homem e mulher, ocorre no trabalho, ou seja:


Nas sociedades ocidentais, a divisão do trabalho por género está ainda ligada a poder e status
diferentes. As atividades dos homens estão associadas a maior poder social. Na maioria das culturas,
é o homem que tem maior acesso a posições públicas de poder e influência. As mulheres, por sua
vez, têm influência em situações domésticas e em contextos privados.

Tal como na infância, em que as crianças se agrupam de acordo com o mesmo género, as mesmas
brincadeiras e interesses, também num grupo de trabalho, onde existam pessoas de ambos os sexos,
as pessoas tendem a agrupar-se com pessoas do mesmo sexo para almoços e outras situações
informais.

As brincadeiras de infância dos rapazes têm sempre presente a hierarquia e a competição. Por sua
vez, as brincadeiras das raparigas têm como principais caraterísticas as relações igualitárias, um
discurso colaborativo e uma liderança democrática. Na sua vida social informal, as raparigas nunca
tiveram necessidade de encontrar um lugar na hierarquia estabelecida pelos rapazes.

Talvez, por isso, se diga que a inexperiência feminina com hierarquias as coloque em desvantagem na
hierarquia do trabalho. No entanto, não existem provas que o confirmem. Contudo, esta perspetiva
do mundo do trabalho parece já fora de moda, pois já existem muitas profissionais mulheres que
fazem parte de grandes organizações de médicos, de advogados, de departamentos universitários –
onde homens e mulheres trabalham juntos e onde têm um status igual. Por outro lado, também em
outros tipos de trabalho, menos de elite, que primeiro eram considerados unissexo, já são
desempenhados por ambos os sexos, por exemplo: caixa de supermercado, taxista, juiz, camionista,
piloto, polícia, etc.

Por conseguinte, o aumento crescente de mulheres no mercado de trabalho fez com que algumas
ideologias mudassem, nomeadamente a segregação de género no trabalho, para se transformar em
integração de género.

No caso presente, o estudo das diferenças, em matéria de saúde, entre homens e mulheres, o
principal desafio que dele deriva é o de serem desenvolvidas políticas que equacionem, com maior
rigor, entre outras variáveis, o ‘sexo de pertença’ dos indivíduos como determinante das mesmas
quer enquanto conjunto de idiossincrasias (característica comportamental ou estrutural peculiar a
um indivíduo ou grupo) de carácter biológico que as condicionam, quer enquanto argumento que
tem permitido construções socialmente elaboradas e que geram desigualdades que são eticamente
inaceitáveis.

Devido a estas desigualdades, surge a da necessidade de implementação, em cada Ministério, de um


plano para a igualdade. É nesse contexto que se insere o agora apresentado Plano para a Igualdade
do Ministério da Saúde (MS) e Direção-Geral de Saúde.

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O Plano para a Igualdade do MS visa constituir um referencial para a integração e sedimentação da
perspetiva de género nos vários domínios das políticas de saúde, a nível do planeamento, da
adequação dos modelos organizativos dos serviços, da gestão dos recursos humanos, da
disseminação de informação em saúde e aplicação das boas práticas.

Apresenta 4 dimensões principais de desenvolvimento:

o A primeira diz respeito à filosofia de intervenção, em que os princípios da ação, os valores


subjacentes, a estratégia, a missão e as atribuições dos vários organismos e departamentos
devem refletir o princípio da igualdade e da erradicação das iniquidades ligadas ao género.

o A segunda refere-se à gestão dos recursos humanos, quanto a igualdade de oportunidades


entre homens e mulheres no que diz respeito a recrutamento e seleção dos profissionais,
gestão de carreiras, regimes remuneratórios, participação e diálogo institucional.

o A terceira incorpora as redes de comunicação interna nas instituições do Ministério e entre


estas, quer no que respeita à forma, quer ao conteúdo das mensagens.

o A quarta representa a ligação à Comunidade, em particular nos diversos níveis da promoção da


saúde. Levar à prática tais desideratos constitui, sem sombra de dúvida, um desafio institucional
contínuo, em particular num Sector cuja atividade assenta, em larga medida, na ação de serviços
descentralizados e de cariz variado.

Plano para a Igualdade na Direcção-Geral da Saúde

Entende-se por isso ser pertinente, numa primeira fase, aplicar o Plano para a Igualdade num
Organismo Central do Ministério da Saúde, concretamente, a Direcção-Geral da Saúde (DGS), dado
que:

o Afigurasse pertinente que seja testada a aplicabilidade do Plano num organismo central do
Ministério dotado de autonomia administrativa, facilitando-se assim a monitorização e avaliação
permanente do processo.

o Tendo em conta a missão da DGS, ou seja, regulamentar, orientar e coordenar as atividades de


promoção da saúde, prevenção da doença e definição das condições técnicas para adequada
prestação de cuidados de saúde, entende-se possível que este organismo se constitua como
entidade disseminadora do mainstreaming de género no Sector, aos diferentes níveis.
o A DGS exerce as suas atribuições em articulação e cooperação com os demais serviços e
organismos do MS, em particular, com as Administrações Regionais de Saúde, I. P.

Dito de outro modo, trata-se de desenvolver mecanismos que permitam responder, de forma mais
documentada, às diferenças que são determinadas pelo dimorfismo sexual (diferenças entre machos
e fêmeas que não envolvem os órgãos sexuais) e, simultaneamente, minorar ou eliminar as
iniquidades tecidas a partir deste. Não se trata, contudo, de uma forma de intervenção em
universos separados, uma vez que, nesta matéria, os fenómenos físicos mentais e sociais interagem
de forma demasiado complexa para que, sobre eles, se estabeleçam grelhas de leitura estanques e
estereotipadas.

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Daí a importância de se estudar as questões de sexo e de gênero também a partir de novas
abordagens e de novas perspetivas teóricas, como a análise do discurso. O gênero é resultado de
diferentes aprendizagens que o indivíduo acumula, a partir de suas relações interpessoais, ao longo
de suas experiências de vida dentro de um contexto histórico, político e social. É marca que o
indivíduo carrega indelevelmente, de tal forma que se torna mais fácil modificar a configuração
anatômica (sexo) de alguém do que sua configuração psicológica (gênero).

REFERÊNCIAS:

Documentos:
 Tese_Marlene loureiro.pdf ”O Género e a Comunicação Social - A Opinião Escrita e
Radiofónica”
 Saúde, Sexo e Género.pdf “Factos, Representações e Desafios - Direcção-Geral da
Saúde”
 PLANO PARA A IGUALDADE.pdf - MINISTÉRIO DA SAÚDE DIRECÇÃO-GERAL DA SAÚDE

REFERÊNCIAS INTERNET:
https://ellune.com/diferenca-de-genero-no-mercado-de-trabalho/
https://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2019/03/06/desigualdade-entre-
homens-e-mulheres-no-trabalho-quase-nao-caiu-em-27-anos-diz-oit.ghtml

http://cite.gov.pt/pt/destaques/noticia524.html

http://www.periodicoseletronicos.ufma.br/index.php/revistahumus/article/viewFile/1641/1302

http://www.ufjf.br/facom/files/2013/11/monografia-janis-pg.pdf

https://www.cig.gov.pt/wp-content/uploads/2014/03/1_3_2_GES.pdf

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