Você está na página 1de 47

RCA - RELATÓRIO

DE CONTROLE AMBIENTAL

BAHIAMINAS INDÚSTRIA
COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA

CNPJ: 00.120.781/0001-58
RUA AYMORÉS, 339
BAIRRO ANDYARA
PEDRO LEOPOLDO – MG

JATEAMENTO E PINTURA
Ivson Silvério Costa
Biólogo – CRBio 4ª Região
Rua Santa Luzia 185 – Centro
Pedro Leopoldo/MG - CEP: 33600-000
Telefone: (31) 3665 – 3948
E-mail: ivson.costa@yahoo.com

CONSULTOR AMBIENTAL E RESPONSÁVEL TÉCNICO


SUMÁRIO

 Introdução............................................................................................1

 Objetivo e Metodologia.......................................................................2

 Caracterização do Empreendimento.................................................4

 Localização, Área Ocupada e Croqui de Acesso.............................9

 Descrição da Atividade......................................................................13

 Equipamentos utilizados...................................................................16

 Insumos/materiais utilizados/número de funcionários e regime de


funcionamento...................................................................................18

 Consumo de energia elétrica............................................................20

 Consumo de água; Caracterização das emissões e resíduos;


Resíduos Sólidos...............................................................................21

 Efluentes Industriais e Sanitários; Emissões Atmosféricas.........23

 Caracterização das áreas de entorno..............................................28

 Infraestrutura Técnica e Social.........................................................31

 Clima e Geomorfologia......................................................................33

 Solos...................................................................................................35

 Vegetação...........................................................................................36

 Recursos Hídricos.............................................................................38

 Hidrografia..........................................................................................39
1. INTRODUÇÃO

O mundo passou por fortes transformações desde o advento da Revolução


Industrial, quando a utilização dos recursos naturais se tornou mais intensa e a
idéia de poluição ambiental passou a fazer parte do imaginário coletivo. Nas
últimas décadas as transformações se intensificaram ainda mais e no início da
década de 70, quando alertou-se sobre a situação ambiental do planeta através
da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente, em Estocolmo na
Suécia, as previsões sobre o futuro eram catastróficas. Nesse fórum, realizado
em 1972, cientistas, estadistas, economistas e ambientalistas indicavam que o
ritmo de crescimento da exploração dos recursos naturais resultariam, já para
as primeiras décadas do século XXI, elevados níveis de poluição, aumento da
temperatura da Terra, fome e miséria em larga escala e a degradação dos
ecossistemas com a extinção de várias espécies animais e vegetais.

Nesse cenário, surge um amplo movimento que passou a ser denominado de


Conservacionismo. A partir daí são criados órgãos e leis de controle ambiental,
surgem as entidades ambientalistas não governamentais, incrementam-se as
pesquisas e o avanço tecnológico, e aumenta-se o conhecimento e a
consciência ambiental. Nesse conjunto, a legislação ambiental teve importância
destacada. Trata-se de uma série de instrumentos que define conceitos,
atribuições, responsabilidades, limites e parâmetros a serem seguidos pela
sociedade de forma a regularem o equilíbrio entre as ações humanas e o meio
ambiente garantindo a melhoria contínua da qualidade de vida. Nesse sentido,
a legislação ambiental estabelece e orienta, através de suas leis específicas,
as atividades humanas, com o objetivo de promover a utilização mais racional
do meio ambiente.

Em Minas Gerais, a política ambiental está estruturada a partir do COPAM –


Conselho Estadual de Política Ambiental. Criado em 1977, é a partir desse
Conselho que se organiza todo o conjunto de instrumentos legais que
estabelecem e regulamentam a própria política ambiental, no âmbito estadual.
Destaca-se como instrumento fundamental na legislação ambiental o sistema
de regularização ambiental que atualmente se encontra definido pela
Deliberação Normativa do COPAM nº 074 de 09 de Setembro de 2004. Esta
estabelece critérios para a classificação, segundo o porte e o potencial poluidor
dos empreendimentos e atividades modificadoras do meio ambiente, definindo
pela AAF – Autorização Ambiental de Funcionamento ou pelo Licenciamento
Ambiental, no nível estadual.

As atividades desenvolvidas pela empresa Bahiaminas Indústria Comércio e


Serviços Ltda estão previstas na Deliberação Normativa do COPAM nº
074/2004, sob o Código B-06-03-3 – Jateamento e Pintura, fazendo-se então
necessária a regularização ambiental.

2. OBJETIVO

O presente documento – RCA/PCA (Relatório de Controle Ambiental/Plano de


Controle Ambiental) tem por objetivo atender às determinações estabelecidas
pelo FOB – Formulário de Orientações Básicas – FOB nº 741831/2009 tendo
como referência o FCE – Formulário de Caracterização de Empreendimento –
FCE nº R309614/2009, ambos expedidos pela SUPRAM Central Metropolitana
– Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável, para a obtenção da Licença Ambiental Corretiva. Sua composição
segue o Termo de Referência estabelecido pela Deliberação Normativa do
COPAM para apresentação à FEAM – Fundação Estadual do Meio Ambiente.

3. METODOLOGIA

Para o desenvolvimento dos estudos ambientais – RCA/PCA da Bahiaminas


Indústria Comércio e Serviços Ltda, foram adotados os seguintes
procedimentos metodológicos:

a. elaboração da caracterização da região onde se localiza o empreendimento,


sob o ponto de vista ambiental, demonstrando os principais aspectos relativos
ao meio físico, biótico e socioeconômico, a partir de dados primários e
secundários, subsidiados pela análise técnica do processo de operação do
empreendimento.

Os dados primários foram obtidos a partir de um conjunto de visitas a campo,


tanto na área interna da empresa quanto no seu entorno, objetivando a coleta
de informações específicas necessárias, principalmente, à composição dos
capítulos de caracterização do processo industrial, meio biótico, identificação
dos impactos e proposições de ações mitigadoras. Algumas destas visitas
foram acompanhadas pelo proprietário do estabelecimento para
esclarecimentos relativos ao processo de produção, funcionamento dos
equipamentos etc.

Os dados secundários foram obtidos a partir das seguintes fontes:


− Consulta aos arquivos da Divisão de Meio Ambiente da Prefeitura
Municipal de Pedro Leopoldo para apurar a existência de algum
processo administrativo da empresa (denúncias, Relatórios de Vistoria
etc.);
− Plano de Manejo do Parque Estadual do Sumidouro – Diagnóstico
Preliminar, elaborado pela Gheosfera Consultoria Ambiental, datado de
setembro de 2008;
− Diagnóstico do Plano Diretor Municipal da cidade de Pedro Leopoldo,
elaborado pela Fundação João Pinheiro, no ano de 2006;
− Estudos relativos à APA Carste de Lagoa Santa, elaborados pela CPRM
– Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, em 1998.

b. identificação dos impactos. A primeira etapa da análise dos impactos foi a


elaboração da listagem de todos os efeitos ambientais pertinentes ao
empreendimento que foram posteriormente classificados em dois níveis, ou
seja, diretos e indiretos, para todos os temas ambientais. Concluída essa
etapa, iniciou-se à mensuração dos efeitos ambientais.

Para a mensuração dos efeitos ambientais, diretos e indiretos, relacionados na


listagem, serão utilizados os seguintes critérios de avaliação dos impactos:
REFLEXO SOBRE O AMBIENTE (I): Positivo (representa um ganho para o
ambiente), Negativo (representa um prejuízo para o ambiente) e de Difícil
Qualificação (não há elementos técnicos disponíveis para sua qualificação);

SEQUÊNCIA: (II): Direto (decorre de uma ação do empreendimento), Indireto


(é conseqüência de outro impacto);

REVERSIBILIDADE (III): Reversível (pode ser revertido), Irreversível (não pode


ser revertido, mesmo com medidas mitigadoras);

PERIODICIDADE (IV): Temporária (ocorre uma única vez, durante um certo


período), Permanente (ocorre concomitante à produção) e Cíclico (repete-se
ciclicamente durante a operação do empreendimento);

TEMPORALIDADE (V): Curto Prazo (o impacto ocorre imediatamente após a


ação que o causou), Médio Prazo (o impacto inicia-se após um certo período a
partir da ação que o causou) e Longo Prazo (o impacto inicia-se após um longo
período a partir da ação que o causou);

ABRANGÊNCIA ESPACIAL (VI): Local (impactos cujos efeitos se fazem sentir


apenas nas imediações ou no próprio sítio onde se dá a ação), Regional
(impacto cujos efeitos se fazem sentir além das imediações do sítio onde se dá
a ação) e Estratégico (impacto cujos efeitos têm interesse coletivo ou se fazem
sentir em nível regional);

MAGNITUDE RELATIVA (VII): reflete o grau de comprometimento da qualidade


ambiental da área atingida pelo impacto. É traduzida em escala relativa,
comum a todos os impactos – Baixa, Média ou Alta.

A partir dos critérios definidos para a avaliação dos efeitos levantados, foi
elaborada uma matriz para cada um dos Meios, contendo os critérios e os
efeitos, os quais serão classificados e mensurados:
EFEITOS I II III IV V VI VII
AMBIENTAIS P/D/N D/I R/I T/P/C C/M/L L/R/E B/M/A
Emissões
de ruídos
Emissões
atmosféricas
Efluentes
domésticos
Resíduos
Sólidos

c. proposição de ações ambientais, apontando as medidas minimizadoras,


mitigadoras e/ou compensatórias e recomendações;

d. consolidação das informações e elaboração do Relatório de Controle


Ambiental e Plano de Controle Ambiental.

4. CARACTERIZAÇÃO DO EMPREENDIMENTO

4.1. CLASSIFICAÇÃO DA ATIVIDADE

A Deliberação Normativa nº 074/2004 estabelece seis grupos cuja


regularização ambiental é obrigatória. São eles:

. Listagem A – Atividades Minerarias;


. Listagem B – Atividades Industriais – Indústria Metalúrgica e outras;
. Listagem C – Atividades Industriais – Indústria Química;
. Listagem D – Atividades Industriais – Indústria Alimentícia;
. Listagem E – Atividades de Infra-Estrutura;
. Listagem F – Serviços e Comércio Atacadista;
. Listagem G – Atividades Agrossilvipastoris.

No grupo pertencente à Listagem B, encontra-se o sub-grupo B-06 – Indústria


Metalúrgica – Tratamentos térmico, químico e superficial em que, no conjunto
dos empreendimentos relacionados encontramos, sob o Código 03-3 o
“Jateamento e pintura”, atividade comum à BahiaMinas Indústria Comércio e
Serviços Ltda. Dessa forma a empresa fica obrigada a buscar a regularização
ambiental, enquadrando-se no Código B-06-03-3.

Quanto à Classificação dos empreendimentos, a DN 074/2004 estabelece 6


Classes, considerando o porte do empreendimento e o potencial poluidor geral,
obtido de uma combinação dos fatores de degradação do solo, água e ar:

. Classe 1: Pequeno porte e pequeno ou médio potencial poluidor;


. Classe 2: Médio porte e pequeno potencial poluidor;
. Classe 3: Pequeno porte e grande potencial poluidor ou médio porte e médio
potencial poluidor;
. Classe 4: Grande porte e pequeno potencial poluidor;
. Classe 5: Grande porte e médio potencial poluidor ou médio porte e grande
potencial poluidor;
. Classe 6: Grande porte e grande potencial poluidor.

Os empreendimentos sob a Classificação B-06-03-3, possuem o Potencial


Poluidor Geral Médio (Ar: grande; Água: médio; Solo: médio). Os parâmetros
utilizados para a definição do porte do empreendimento são área útil e número
de empregados. Tendo em vista que a BahiaMinas Indústria, Comércio e
Serviços Ltda possui área útil de 0,025 ha e possui atualmente 5 empregados,
enquadrar-se-ia como empreendimento de Classe 1 (pequeno porte e médio
potencial poluidor.

A DN 074/2004 estabelece que para os empreendimentos Classes 1 e 2,


considerados de impacto ambiental não significativo, é obrigatória a obtenção
da Autorização Ambiental de Funcionamento – AAF. Para as demais Classes
(3 a 6), o caminho para a regularização ambiental é o processo de
Licenciamento.

No entanto, a BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda obteve, de


acordo com o FOB 741831/2009, o enquadramento em Classe 3. Tal fato
decorre de sua localização geográfica, considerada de vulnerabilidade natural
alta, conforme estabelecido pelo Zoneamento Ecológico-Econômico de Minas
Gerais, comprovada pela existência de um conjunto de unidades territoriais de
proteção ambiental: APA – Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa
Santa, Parque Estadual do Sumidouro, APE do Aeroporto de Confins e APE do
Urubu. Ressalta-se que a BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda,
encontra-se situada dentro dos limites da APA Carste de Lagoa Santa, no
entorno do Parque Estadual do Sumidouro (considerando a faixa dos 10Km em
função de que esta unidade de proteção integral ainda não possui o Planejo de
Manejo), nos limites da APE – Área de Proteção Especial do Aeroporto de
Confins e no entorno da APE – Área de Proteção Especial do Urubu.

A Área de Proteção Ambiental Carste de Lagoa Santa, Unidade de


Conservação de Uso Sustentável sob a administração do Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, foi criada pelo Decreto
98.881 em 25 de janeiro de 1990 com uma área de 35.600ha, possui
Zoneamento Ambiental oficializado pela Instrução Normativa nº 1 de 17 de
dezembro de 1997 do IBAMA, que estabelece normas de uso, conflitos de uso
e principais restrições. Abrange os municípios de Pedro Leopoldo, Confins,
Lagoa Santa, Matozinhos e Funilândia.

O Parque Estadual do Sumidouro, de responsabilidade do IEF – Instituto


Estadual de Florestas, pode ser considerado monumento paisagístico,
arqueológico, paleontológico, espeleológico, biológico e histórico. Definido pela
formação calcárea, trata-se de um importante manancial de recarga das águas
subterrâneas do rio das Velhas. Criado em 1980, como medida de
compensação pela construção do Aeroporto Internacional Tancredo Neves em
Confins, o espaço buscar preservar o patrimônio cultural e natural da região,
como as grutas e as pinturas rupestres, a fauna e a vegetação.
O Decreto 20.375, de 30 de Janeiro de 1980 definia uma área total de 1,3 mil
hectares abrangendo os municípios de Pedro Leopoldo e Lagoa Santa. No
entanto, somente em 2008 ações efetivas para a implantação do Parque foram
tomadas pelo Governo do Estado de Minas Gerais. Os novos estudos
realizados resultaram na proposição de novos limites e ampliação da área que
passou a contar com 2001,93ha conforme estabelecido no Decreto Estadual
44.935, de 03 de novembro de 2008.

A APE – Área de Proteção Especial, situada nos municípios de Lagoa Santa,


Confins, Pedro Leopoldo, Matozinhos e Funilândia, com perímetro semelhante
ao da APA Carste de Lagoa Santa, estabelece princípios de proteção
ambiental para a região. De acordo com a Lei 18.043 de 23 de Janeiro de 2009
que modifica o antigo Decreto de criação da referida APE (Decreto 20.597 de
04/06/1980) e que considerava todo o seu território como Área de Preservação
Permanente, define que a Autorização ou o Licenciamento de atividade
modificadora do meio ambiente dependerá de avaliação específica de seus
impactos sobre o patrimônio cultural, arqueológico, paleontológico,
espeleológico e turístico através de estudos específicos.

A APE – Área de Proteção Especial do Urubu foi criada pelo Decreto Estadual
nº 21.280 de 28 de Abril de 1981 com o objetivo de proteção de mananciais da
bacia hidrográfica do ribeirão do Urubu no município de Pedro Leopoldo.
Declarando de preservação permanente as florestas e demais formas de
vegetação natural dentro dos seus limites, a APE do Urubu estabelece a
obrigatoriedade de anuência prévia do Estado para os projetos de loteamento
ou de desmembramentos do solo para fins urbanos.

A criação desta área de proteção especial se prende ao fato de que a captação


de água para o abastecimento da cidade de Pedro Leopoldo se dava em
estação da COPASA – Companhia de Saneamento de Minas localizada
próxima à confluência do ribeirão do Urubu com o ribeirão da Mata. No entanto
tal captação de água foi desativada no início da década de 80 quando então o
Município passou a integrar o Sistema de Abastecimento Serra Azul.
Outro aspecto imperativo à regularização ambiental da BahiaMinas Indústria,
Comércio e Serviços Ltda é a existência do Plano Diretor Municipal, criado pela
Lei nº 3.034, de 01 de Julho de 2008 que, em seu artigo 115, define que todas
as atividades industriais serão submetidas a licenciamento ambiental.

4.2. LOCALIZAÇÃO, ÁREA OCUPADA E CROQUI DE ACESSO

A empresa BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda está localizada na


região norte do município de Pedro Leopoldo, zona urbana, mais
especificamente na rua Aymorés, nº 339, bairro Andyara.

A área total ocupada pela empresa para o desenvolvimento de suas atividades


de jateamento e pintura corresponde à 600 m², dentro de um imóvel que possui
área total de 720 m².

As coordenadas geográficas que definem a localização do empreendimento


são: 19º 36’ 08.2” S; 44º 01’ 57,5” W; SAD 69, obtidas do equipamento GPS
Garmin 60CSx.

O acesso à BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda, a partir de Belo


Horizonte, se dá pela rodovia MG 01 (Rodovia João Paulo II) até o
entroncamento com a MG 424 (Rodovia Américo Renné Giannetti) num
percurso de 5,8Km. Daí segue pela MG 424 até o trevo secundário para Pedro
Leopoldo, situado próximo ao Posto de Combustíveis – Rede 1000, num
percurso de 20,8Km. Saindo da rodovia MG 424 vira-se à esquerda tomando a
av. Agenor Teixeira num percurso de 1Km quando então, virando à direita, tem-
se acesso à av. Araguaia, devendo ser percorrido 0,5Km. Daí vira à esquerda
e, já na rua Paranaiara, percorre-se uma distância de 0,1Km chegando à rua
Aymorés. Virando à direita e percorrendo 0,1Km, chega-se à empresa. A
distância total é de 28,3Km.
PEDRO LEOPOLDO
Folha SE-23-2-C-V-2

7832
Andyara

78 30
Vista Aérea da Área de Localização do Empreendimento

BAIRRO ANDYARA – PEDRO LEOPOLDO

BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda

Fonte: Google Earth


CROQUI DE ACESSO

BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda

MG 010 – 5,8Km
MG 424 – 20,8Km
Av. Agenor Teixeira; Av. Araguaia; rua
Paranaiara; rua Aymorés – 1,7Km
4.3. DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE

Jateamento é o processo de preparação de superfícies que utiliza o impacto de


partículas abrasivas movimentadas em alta velocidade sobre uma superfície,
objetivando a remoção da pintura, ferrugem e demais contaminantes, deixando
o substrato pronto para receber um novo tratamento superficial, produzindo um
perfil de rugosidade favorável à ancoragem do revestimento a ser aplicado
após o jateamento.

As principais aplicações do processo de jateamento são: limpeza e


acabamento.

Limpeza é a mais tradicional aplicação do jateamento e altamente eficiente.


Entretanto, com as modernas técnicas operacionais, com o desenvolvimento
de novos equipamentos e de novos materiais, o campo se ampliou para outras
áreas. Com esferas de vidro, por exemplo, peças de alta precisão podem ser
jateadas sem a menor alteração dimensional. Hoje, desde a limpeza de ligas
de cromo-cobalto em prótese dentária, cascos de navios, passando por
carburadores ou moldes em geral, rodas etc., podem ser limpas com
jateamento. Praticamente todos os setores industriais são potenciais usuários
do processo de jateamento, principalmente na manutenção em geral.

Acabamento com o jateamento permite obter um fosqueamento uniforme e


controlado. Com esferas de vidro, a superfície fica como acetinada, suave ao
tato, sendo especialmente recomendadas para aço inox por não contaminá-lo.
Em muitos casos, pode substituir a texturização química pelo fosqueamento de
moldes. Outras aplicações usuais são: tirar o brilho de plásticos, fosquear vidro,
uniformizar superfícies antes do polimento, entre outras.
A BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda desenvolve a atividade de
jateamento e pintura oferecendo esses serviços em vidro, metal, metal não-
ferrosos, madeira, tonalização em vidro e laqueamento em vidro.

Mostra de uma peça que foi


parcialmente jateada para
demonstração do resultado do
trabalho.

Limpeza de peças e objetos são


serviços comuns requeridos à
BahiaMinas.

Jateamento em vidro e espelhos para


Fins decorativos é um trabalho
freqüente na empresa.

Para o exercício de suas atividades, a empresa obedece aos seguintes


procedimentos básicos:

1 – Avaliação da peça, desmontagem e limpeza primária: a partir da solicitação


do cliente, avalia-se a peça (estado de conservação, material de fabricação
etc), decidindo qual tipo de abrasivo será utilizado. Em sendo necessário é
realizada a desmontagem da peça ou objeto a ser jateado bem como sua
limpeza primária (raspagem de excesso de tinta, por exemplo);

2 – Encaminhamento da peça para a cabine de jateamento específica: a


empresa possui 03 (três) cabines individualizadas em função do tipo de
material e tipo de serviço a ser realizado – cabine para aplicação de abrasivo
tipo micro-esfera de vidro, cabine para aplicação de abrasivo tipo óxido de
alumínio e cabine para aplicação de abrasivo tipo óxido de ferro;
3 – Pintura: de acordo com a solicitação do cliente ou quando tratar-se de
material ferroso. Nesse caso, após o jateamento e uma vez que a peça fica
livre do tratamento superficial que possuía, a ação de oxidação ocorre
intensamente, sendo necessária a proteção da peça ou objeto com a aplicação
de anticorrosivo automotivo.

Cabine de jateamento em vidro


Após o jateamento a funcionária avalia a peça
como medida de controle de qualidade do serviço
Abrasivo utilizado: óxido de alumínio

Cabine de jateamento em madeira e metais


Ferrosos – Interior da Cabine com peça a ser jateada
Abrasivo utilizado: óxido de ferro
Gabinete de jateamento
com micro-esfera de vidro
utilizada para pequenas peças e
objetos. O operador
realiza a atividade externamente.

Interior do gabinete de jateamento


utilizado para peças inox, alumínio,
cobre

4.4. EQUIPAMENTOS UTILIZADOS:

Os equipamentos utilizados em sua atividade principal de jateamento e pintura


são:
1 – Equipamentos de Compressores de Ar:
- 02 (dois) Compressores Wayne – Modelo W 900; Motor 15 cv; 60 pcm;
- 01 (um) Compressor MSV 205; Motor 5 cv; 20 pcn.

2 – Equipamentos de Exaustão:
- 01 (um) Exaustor Schulz – Motor de 4 cv;

3 – Equipamentos da Oficina de Reparos:


- 01 (uma) lixadeira Bosch;
- 01 (um) torno Nodular;
- 01 (um) esmeril SKR;
- 01 (uma) furadeira Bosch;
- 01 (uma) policorte Monark;
- 01 (um) massarico/ máquina de solda Smashweld 252 ESAB;
- 01 (uma) furadeira industrial Schuz FSB 16 Tork.

Compressores utilizados pela


Empresa

Vaso de pressão
4.5. INSUMOS/MATERIAIS UTILIZADOS:

Para o desenvolvimento de suas atividades de jateamento a empresa utiliza,


como abrasivos, os seguintes materiais:

1 – Óxido de Ferro Sintético Vermelho


- Composição química: Fe total: 74,25%;
- Característica Mineralógica: Fe2O3 – Hematita
- Classificação: Classe II (Resíduo não inerte)
- Densidade: 3,27 g/cm³
- São reutilizados inúmeras vezes.

2 – Óxido de Alumínio
- Composição química: Al2O3 – Óxido de Alumínio
- Classificação: Classe III (Resíduo Inerte)
- Peso Específico: 3,95 g/cm³;
- São reutilizados inúmeras vezes.

3 – Micro Esfera de Vidro


- Composição química: SiO2 – Amorfo 71,0%; CaO: 10,0%; Na2O: 13,0%
- Classificação: Material Inerte
- Densidade: 2,47 g/cc
- São reutilizados inúmeras vezes.

4 – Material de Pintura
- Anticorrosivo Primer Multi Fill automotivo;
- Esmalte Sintético.

4.6. NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS E REGIME DE


FUNCIONAMENTO:

A unidade da BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda opera em regime


de funcionamento de segunda a sexta-feira obedecendo o seguinte quadro:
Início do Intervalo para Final do
Dia
turno refeição turno
Segunda a 07:00h 11:00 às 12:00h 17:00h
Quinta-feira
Sexta-feira 07:00h 11:00 às 12:00h 16:00h

Existe apenas 01 (um) único turno de trabalho com regime correspondente a


44 horas semanais de acordo com as leis pertinentes.

A empresa possui 05 (cinco) funcionários próprios, não possuindo nenhum


trabalhador terceirizado:

Relação de Funcionários, Cargos e Atividades exercidas

Quantidade Cargo Atividade exercida


Jateamento em ferro, metais macios,
01 Jateadora madeira e vidro; Preparação das
peças a serem jateadas.
01 Auxiliar Administrativo Atendimento ao Cliente; Controle
Financeiro; Orientação no Pátio.
Desenvolvimento da arte escolhida
01 Auxiliar Design pelo cliente; Preparação da arte –
Plotter nas peças a serem jateadas.
Limpeza das cabines; Abastecimento
01 Serviços Gerais do jato; Organização do pátio;
Preparação das peças para jatear;
Pintura em peças jateadas.
01 Soldador Mig Confecção, reparo de pequenas
peças; Solda

Para o exercício das atividades, os trabalhadores da BahiaMinas Indústria,


Comércio e Serviços Ltda utilizam dos seguintes EPI’s – Equipamentos de
Proteção Individual, conforme a atividade desenvolvida:
Equipamentos de Proteção Individual utilizados nas
atividades da empresa

Tipo de EPI Marca C.A.


Respirador Azul KSN 8357
Respirador Cinza KSN 10579
Respirador Máscara para pintura Grupo Alltec 14781
Abafadores de espuma c/ cordão 3M 5674
Abafadores de silicone c/ cordão Dystray 15485
Óculos de segurança carbografite mod. Spectra 2000 Kalypso 6136
Óculos de segurança mod. Jaguar Kalypso 10346
Luva de raspa cano curto Cedon 16904
Luva de raspa cano longo Império 7607
Luva de vaqueta Extremo Sul 20601
Bota cano médio Microban 16352

4.7. CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA:

A energia elétrica necessária ao funcionamento da BahiaMinas Indústria,


Comércio e Serviços Ltda é fornecida pela Companhia Energética de Minas
Gerais – CEMIG, sob a Classificação de Industrial Trifásico.

O consumo de energia elétrica da empresa, em média, corresponde a 1961


kWh/mês. O valor apresentado refere-se à média constatada nos últimos 13
meses de operação. Os valores mensais do consumo de energia elétrica são
apresentados a seguir:

Consumo de Energia - Kwh

3000
consumo em Kwh

2500
2000
1500
1000
500
0
09
9

0
9

10
9
/0

/1
l/ 0

t/0
/0

v/

n/
ar

ar
ai

ju

se

no

ja
m

meses do ano
O consumo de energia da empresa está basicamente representado pelo
funcionamento dos compressores de ar.

4.8. CONSUMO DE ÁGUA:

O jateamento é uma atividade desenvolvida a seco. Nesse sentido, pode-se


afirmar que a BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda não possui
consumo de água de uso industrial, e tão somente de uso doméstico.

A água utilizada é proveniente da rede de abastecimento da Companhia de


Saneamento de Minas Gerais – COPASA. A água é armazena em caixas
d’água elevada e distribuída por gravidade para o empreendimento, seguindo
os padrões convencionais.

Consumo de Água - m³

60
50
volume faturado

40
30
20
10
0
m 0
de 9
no 9
09

0
ag 9
09

ou 9

10
9

ja 9

1
0
t/0

/1
l/ 0

t/0
/0

v/
v/
o/
n/

n/
z/

ar
ai

ju

se

fe
ju
m

meses

A empresa não possui captação por poço artesiano, cisterna ou equivalente.

5. CARACTERIZAÇÃO DAS EMISSÕES E RESÍDUOS:

5.1. RESÍDUOS SÓLIDOS:

Os resíduos sólidos gerados pela BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços


Ltda são: o lixo doméstico proveniente do escritório, sanitários e refeitório; os
resíduos recolhidos dos sistemas de exaustores das cabines de jateamento e
que consistem em material particulado.
Os resíduos domicilares são separados em “lixo úmido” que consiste no
conjunto de materiais não-recicláveis bem como a matéria orgânica e o “lixo
seco” que consiste naqueles materiais recicláveis. O “lixo úmido” é recolhido
pela Contorno Construtora Ltda, empresa terceirizada responsável pelo
recolhimento do lixo domiciliar em Pedro Leopoldo e encaminhado ao Centro
de Tratamento de Resíduos Macaúbas, em Sabará. A Contorno realiza a coleta
no bairro Andyara nas segundas, quartas e sextas-feiras. O “lixo seco” é doado
à ASCAPEL – Associação dos Catadores de Pedro Leopoldo, que recolhe os
recicláveis nas sextas-feiras.

Os resíduos provenientes da atividade de jateamento estão sendo


armazenados em tonéis para posterior descarte. Trata-se de material
particulado rico em ferro e demais óxidos em que se acredita possuir valor
comercial e reaproveitamento em outras indústrias.

Resíduos da atividade de jateamento estocados em tonéis


para posterior destinação
5.2. EFLUENTES INDUSTRIAIS E SANITÁRIOS

Conforme já descrito, a atividade de jateamento e pintura ocorrem a seco.


Nesse sentido, as atividades da BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços
Ltda não gera enfluentes industriais.

Os esgotos domésticos, gerados nos sanitários, lavatórios e cantina da


empresa, referem-se à descarga doméstica dos 05 funcionários da empresa,
somando uma vazão diária estimada de 20 litros.

Esses efluentes líquidos estão sendo lançados em fossa rudimentar – “fossa


negra”, que consiste numa única cavidade manilhada nas laterais e fechada
com tampo de cimento. Essa situação decorre do fato que a rua Aymorés ainda
não é servida de rede coletora da COPASA, empresa responsável pelo
saneamento em Pedro Leopoldo. Trata-se pois de uma situação inadequada,
sobretudo por tratar-se de área ainda dentro dos limites do carste.

5.3. EMISSÕES ATMOSFÉRICAS:

As atividades de jateamento e pintura têm, como principal repercussão, as


emissões de particulados e gases. Para o controle da poeira a empresa possui,
em cada cabine de jateamento, um exaustor acoplado a filtros de manga,
compondo um sistema de controle ambiental satisfatório.

Com o objetivo de sugar apenas a poeira, que consiste num material mais leve
comparativamente aos abrasivos utilizados, os exaustores situam-se junto ao
teto das cabines fazendo a sucção do ar interior às mesmas e que sempre
permanecem fechadas quando do funcionamento. O ar sugado atravessa um
conjunto de filtros de manga cuja extremidade inferior encontra-se presas a
tonéis/tambores plásticos ou metálicos. Quando em funcionamento, as mangas
se inflam e, pela maior pressão interna, provoca a passagem do ar pela manta
que acaba por reter o material particulado. Ao desligar o sistema, a pressão
interna se reduz e as partículas se desprendem das paredes internas das
mangas caindo diretamente nos tonéis/tambores.

Filtro de manga da cabine de jateamento com micro-esfera de vidro

Sistema de filtro de mangas, em


funcionamento, da cabine de Jateamento
com óxido de ferro. O sistema encontra-se
enclausurado em cabine situada em nível superior.
Tubulação de exaustão da cabine
de jateamento com óxido de
alumínio

Apesar da inexistência de medições das emissões dos particulados gerados


das atividades de jateamento, dois aspectos foram utilizados como indicativos
da eficiência do sistema de controle ambiental utilizado pela BahiaMinas
Indústria, Comércio e Serviços Ltda.

Por um lado, em consulta aos moradores vizinhos ao empreendimento – casas


situadas na rua Aymorés, nº 391 (casa 2), 379 e 307, foi possível obter a
informação de que as atividades da empresa não provocam qualquer tipo de
incômodo quanto à poeira e/ou ruídos.

Por outro lado, foram avaliados os dois espécimes arbóreos existentes em


frente ao estabelecimento com o intuito de observar possível acúmulo de pó
sobre as folhas dos mesmos. Tratam-se de duas Patas-de-Vaca Brancas
(Bauhinia monandra) cujas folhas apresentam-se em bom estado fitossanitário
sem demonstrar alteração de cor, morfologia dentre outros. Não há acúmulo de
pó sobre as folhas.

Cabine do Sistema de filtros


da cabine de jateamento
com óxido de ferro

As folhas dos espécimes


arbóreos que se encontram em frente à
empresa não indicam a deposição de
poeira proveniente da atividade de
jateamento

Quanto aos gases provenientes da atividade de pintura, a BahiaMinas


Indústria, Comércio e Serviço Ltda não possui sistema de tratamento para os
gases sugados pelo exaustor existente.
Exaustor da cabine de pintura. Os gases succionados
são lançados livremente para a atmosfera

5.4. RUÍDOS:

Foi realizada a avaliação dos níveis de pressão sonora existentes nas divisas
internas do empreendimento, visando caracterizar o grau de poluição sonora
gerado pela unidade fabril, bem como avaliar a sua conformidade em relação
aos padrões definidos na Lei Estadual nº 10.100 de 17 de janeiro de 1990.

A medição de ruído foi realizada no dia 13 de abril de 2010, em 04 (quatro)


pontos internos ao empreendimento, utilizando-se de Decibelímetro da marac
TES, modelo 1350 A, serial nº 050101108, curva de resposta lenta (A), faixa de
trabalho de 35 a 100 dB (A), com calibração em 94 dB (A). A medição foi
realizada por empresa tecnicamente habilitada, cujo Relatório, segue
integralmente em anexo.

Seguindo as orientações previstas na Legislação aplicada os níveis obtidos na


medição permitem caracterizar a empresa como fonte de poluição sonora,
conforme estabelece a Lei Estadual nº 10.100 de 17 de janeiro de 1990, ou
seja, estão acima de 70 dB (A) durante o dia. Não obstante, os níveis de ruído,
em todos os pontos ultrapassam o limite de 10 (dez) decibéis entre a Planta
parada e a Planta em funcionamento, ou seja, o ruído de fundo existente no
local sem a interferência do tráfego.

6. CARACTERIZAÇÃO DAS ÁREAS DE ENTORNO:

6.1. ÁREA DE INSERÇÃO DO EMPREENDIMENTO:

6.1.1. PROCESSO DE OCUPAÇÃO

O Parque Andyara está situado na porção nordeste do município de Pedro


Leopoldo, distante cerca de 3,0 Km da sede municipal. Administrativamente,
pertence ao distrito sede, fazendo divisa com o distrito de Lagoa de Santo
Antônio.

Sua aprovação junto à Prefeitura se deu em 23 de Outubro de 1979, sendo


prefeito o Sr. Hélio Felipe Salomão Issa. De acordo com a planta cadastral
pertencente à Prefeitura Municipal de Pedro Leopoldo, o Parque Andyara
possui as seguintes configurações:
• Área Loteada: 43.31550 ha
• Área de Arruamento: 17.52900 ha
• Área Institucional: 5.53965 ha
• Área Verde: 5.93965 ha
• Área de Servidão (rede de alta tensão da CEMIG): 0.91440 ha
Área Total: 73.63820 ha

Uma particularidade do Parque Andyara é a denominação de suas ruas que


fazem homenagem a tribos indígenas brasileiras.

A implantação do Parque Andyara ocorreu sem que o empreendedor


executasse as obras de infra-estrutura básica (saneamento, pavimentação,
drenagem de águas pluviais) cabendo à administração pública o ônus desse
conjunto de obras. Resulta disso que grande parte das ruas não possui
qualquer pavimentação, redes de drenagem, meio fio, arborização. A rede de
esgoto foi implantada no ano de 2007, em função de convênio com a COPASA
para ampliação dos serviços de coleta de esgoto. Os moradores utilizavam até
então sistema estático de esgotamento sanitário – fossas rudimentares.

Do ponto de vista ambiental, o Parque do Andyara possui cobertura vegetal


típica de cerrado. Ocupa topografia suave, não apresentando nenhum
obstáculo ao amplo parcelamento. Em função de que algumas ruasnão
possuem pavimentação e tampouco rede de drenagem, observa-se processos
erosivos.

Quanto à estrutura fundiária, o Parque Andyara possui as seguintes


características:

Área dos lotes em metros Valid Cumulative


quadrados Frequency Percent Percent Percent
Valid 0 a 360 220 19,6 19,6 19,6
360,01 a 500 806 71,8 71,8 91,4
500,01 a 2000 82 7,3 7,3 98,7
2000,01 a 5000 9 ,8 ,8 99,5
acima de 5000 6 ,5 ,5 100,0
Total 1123 100,0 100,0

PROPRIETÁRIOS E ENDEREÇO DOS LOTES VAGOS ACIMA DE 5000M2

PROPRIETÁRIO ENDEREÇO
PREFEITURA MUNICIPAL DE PEDRO RUA PARANAIARA, 0 AREA VERDE
LEOPOLDO
J'AVILA PREMOLDADOS L. M. OBRA RUA AIMORES, 516
LTD
MANOEL FREDERICO VIANA TEIXEIRA RUA TAPAJOS, 0 AREA
REMANECENTE

Setenta e dois por cento dos terrenos no parque Andyara têm área 360 m2 e
500 m2. O bairro tem mais lotes vagos do que construções. Predomina aí o
uso residencial e cerca de 30% das edificações têm área variando de 100 m2 a
150m2.
USO NOS TERRENOS
Valid Cumulative
Frequency Percent Percent Percent
Valid 1 - Terreno Vago 747 66,5 66,5 66,5
11 - Outros 3 ,3 ,3 66,8
2 - Residencial 344 30,6 30,6 97,4
3 - Comercial 21 1,9 1,9 99,3
4 - Prestação de
1 ,1 ,1 99,4
Serviços
5 - Ind. Agropecuária 6 ,5 ,5 99,9
9 - Religioso 1 ,1 ,1 100,0
Total 1123 100,0 100,0

Os 747 lotes dados como vagos no cadastro estão distribuídos entre diversos
proprietários a quase nenhum deles chega a deter um percentual acima de 1%
dos terrenos não edificados. As exceções ficam por conta de:

. Proprietário A, cujos 76 lotes perfazem 6,8% dos lotes vagos;


. Proprietário B, cujos 43 lotes perfazem 3,8% dos lotes vagos;
. Proprietário C, cujos 36 lotes perfazem 3,2% dos lotes vagos;
. Proprietário D, cujos 35 lotes perfazem 3,1% dos lotes vagos;
. Proprietário E, cujos 20 lotes perfazem 1,8 % dos lotes vagos;

CATEGORIA DAS EDIFICAÇÕES

Valid Cumulative
Frequency Percent Percent Percent
Valid Não ocupado 756 67,3 67,3 67,3
APARTAMENTO 1 ,1 ,1 67,4
CASA 337 30,0 30,0 97,4
GALPÃO 9 ,8 ,8 98,2
INDUSTRIA 1 ,1 ,1 98,3
LOJA 10 ,9 ,9 99,2
OUTROS 2 ,2 ,2 99,4
SALA 3 ,3 ,3 99,6
TELHEIRO 4 ,4 ,4 100,0
Total 1123 100,0 100,0
ÁREA CONSTRUÍDA DAS EDIFICAÇÕES

Valid Cumulative
Frequency Percent Percent Percent
Valid 05 a 50 m2 35 3,1 9,4 9,4
50,01 a 100 m2 98 8,7 26,3 35,8
100,01 a 150 m2 112 10,0 30,1 65,9
150,01 a 250 m2 92 8,2 24,7 90,6
acima 250,01 m2 35 3,1 9,4 100,0
Total 372 33,1 100,0
Não Edificado 751 66,9
Total 1123 100,0

6.1.2 INFRAESTRUTURA TÉCNICA E SOCIAL:

Apesar de ser um bairro aprovado para fins residenciais, o Parque Andyara


abriga os seguintes empreendimentos:
• Transportes J. Santos Turismo;
• Causimec Indústria e Comércio Ltda (empresa de caldeiraria);
• Aliança Alimentos (fabricação de batata tipo “palha”);
• Laticínios Creminho (fabricação de iogurte);
• J. Ávila Premoldados;
• Ronaldo Martins dos Reis (oficina mecânica);
• Vidraçaria Renascer;
• Gráfica Storino;
• Loguiminas (locação de equipamentos pesados).

Quanto aos serviços de saúde e educação, o bairro não possui Unidades de


Saúde e não está inserido em Programa de Saúde da Família – PSF, sendo
que a população residente é atendida na UAE – Unidade de Atendimento
Especializado situada no centro de Pedro Leopoldo. Também não possui
Unidades de Ensino.

Quanto ao lazer, o bairro dispõe de um campo de futebol de uso público.


Através da Lei Municipal 2754/2004, a área verde foi transformada em Parque
Municipal Maxakali, que não chegou a ser efetivamente implantado. Sua
criação em Lei foi acompanhada de Projeto Arquitetônico propondo trilhas para
caminhada, mirante, anfiteatro, quiosques, lanchonetes, parque infantil dentre
outros o que constituiria uma opção de lazer.

O Parque Andyara possui uma Associação de Moradores instituída legalmente.


No entanto ainda não possui sede própria para a realização de suas reuniões,
eventos e demais encontros.

Merece destaque a questão da segurança pública, uma vez que a localização


do bairro permite fácil rota de fuga, destacando a rodovia em direção à Confins.
O fato de ainda existir vários lotes vagos, possibilitando a existência de ruas
desertas. Nesse sentido, são vários os casos de roubos residenciais.

Foto aérea do Parque Andyara


6.2. CLIMA:

Regime Térmico
Segundo os dados da estação de Lagoa Santa a região apresenta temperatura
média compensada anual de 21,4°C. O inverno é ameno, sendo que as
temperaturas mais baixas ocorrem normalmente devido à invasão das frentes
frias, associadas ao anticiclone polar. As temperaturas médias e médias das
mínimas de julho, o mês mais frio, foram no período, de 18,1 e 12,5°C,
respectivamente. A estação quente é longa, normalmente se estendo de
outubro a março, sendo março o mês mais quente, com temperatura média e
média das máximas de 23,2 e 29,3ºC. A amplitude térmica anual foi em média
de 5,2ºC.

Regime Pluviométrico
O regime de precipitação apresenta verão chuvoso e inverno seco. A estação
chuvosa estende-se de outubro a março. O mês mais chuvoso é janeiro com
média de 454,6mm, e os meses mais secos são junho, julho e agosto. O índice
pluviométrico médio anual é de 1.381mm.

Classificação Climática
Segundo Köppen, a região enquadra-se no tipo climático Aw, ou seja, tropical
úmido com inverno seco e verão chuvoso, uma vez que a temperatura média
do mês mais frio é superior a 18ºC e os totais pluviométricos anuais
encontram-se em média entre 1000 e 1500mm.

6.3. GEOMORFOLOGIA:

Situado no limite sudeste da Depressão Sanfranciscana o município de Pedro


Leopoldo abrange terrenos de dois domínios físicos completamente distintos, o
domínio gnaíssico e o domínio cárstico, constituindo-se o ribeirão da Mata no
principal limite entre esses domínios.
O domínio gnaíssico é formado por rochas do embasamento cristalino,
correspondendo aos latossolos avermelhados que apresentam normalmente
baixa fertilidade natural. Resultando da atuação de processos de dissecação
fluvial, o relevo apresenta uma configuração a partir de três elementos: os
esporões, que correspondem às partes mais elevadas formando o topo das
colinas que se apresentam aplainados com latossolos espessos e que
constituem os divisores de águas; as encostas, que, em geral apresentam dois
ou três segmentos. O segmento superior, mais declivoso, possui solos rasos e
ravinas profundas, enquanto o segmento inferior é formado por leques e
rampas coluviais que, eventualmente, se interdigitam com as planícies aluviais.
Em certos casos, existe um segmento intermediário formado por leques
coluviais e pequenos deslizamentos, de declividade intermediária; e,
finalmente, as planícies aluviais formadas por solos pouco desenvolvidos,
provenientes de deposições fluviais recentes. Em linhas gerais, o relevo é
composto por colinas côncavo-convexas com vales amplos, mas encaixados.
As baixas vertentes permitem a suavidade das declividades que situam-se
entre 12 e 50%.

O domínio cárstico é formado por rochas calcárias compreendendo o território


das comunidades de Lagoa de Santo Antônio, Fidalgo e Quinta do Sumidouro.
Como se trata de uma rocha porosa e solúvel em água, a paisagem formada a
partir de sua dissolução pelas águas pluviais e fluviais deram origem a
inúmeras feições características: sumidouros, dolinas, vales cegos, maciços
calcários, lapiez, galerias, grutas, abrigos. Dada a diversidade de formas no
planalto cárstico, as altitudes e declividades são variadas, encontrando-se
topos de afloramentos em altitudes superiores a 800 metros e fundos de
dolinas a 700 metros.

Tal domínio cárstico tem grande importância científica, principalmente para a


Paleontologia (ciência que estuda a fauna extinta) e para a Arqueologia
(ciência que estuda sociedades já extintas) em função da possibilidade de
fossilização que este tipo de relevo oferece. É importante lembrar que os dois
achados fósseis humanos mais antigos da América foram aqui encontrados –
Gruta da Lapa Vermelha, município de Pedro Leopoldo.
A região do calcário encontra-se inserida numa unidade de conservação de
responsabilidade do IBAMA – Área de Proteção Ambiental (APA) Carste de
Lagoa Santa, APE do Aeroporto de Confins e Parque Estadual do Sumidouro.
Os principais impactos ambientais que a região vem sofrendo refere-se às
atividades de extração da pedra Lagoa Santa bem como seu beneficiamento
pelas várias serrarias (em torno de 40) localizadas na área urbana de Fidalgo e
Quinta do Sumidouro. Ademais a expansão urbana vem provocando um
crescente adensamento populacional implicando num aumento da produção de
resíduos sólidos e efluentes domésticos (esgoto) que hoje são dispostos em
sistema de fossa, contaminando todo o sistema de drenagem subterrânea,
típica das regiões calcárias. Também o turismo crescente vem provocando
alguns danos à paisagem em função da depredação nas grutas e pichações
nas pinturas rupestres existentes na Lapa do Sumidouro.

A BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda encontra-se situada em


domínio cárstico. Possui topografia plana e latossolo avermelhado.

6.4. SOLOS:

Segundo PILÓ (1998) e CPRM (1994), as coberturas de solo que cobrem as


superfícies denominadas planalto cárstico, apresentam-se na forma de uma
espessa cobertura pedológica, a qual constitui o conteúdo das morfologias de
grande parte do modelado cárstico da região de Lagoa Santa e Pedro
Leopoldo. As variações de cor da cobertura vão do vermelho vivo (2,5 YR) nos
topos, progressivamente a bruno vivo e ao amarelo, em profundidade.
Caracterizam-se como latossolos álicos e distróficos (relevo plano, suavemente
ondulado e ondulado), seguido dos podzólicos álicos e distróficos (relevo suave
a fortemente ondulado), terras roxas álicas (CPRM, 1994).

A cobertura que forma o conteúdo dessas feições é constituída


predominantemente por latossolo vermelho escuro ou vermelho amarelo, de
forma subordinada. Apresenta as características gerais de solos com horizonte
B latossólico. A textura é muito argilosa, geralmente com porcentagens
superiores a 75%. Destacam-se, também, os pedregulhos e calhaus de
quartzo, frequentemente envolvidos na massa argilosa.

Quimicamente predominam silício, alumínio e ferro. Normalmente os teores de


sílica são sempre superiores a 30%. O alumínio varia de 15 até 30%. O ferro
apresenta valores que vão de 6% até 15%.

As investigações de campo realizadas em loteamentos vizinhos possibilitaram


o reconhecimento de uma camada de solos com espessura elevada, atingindo
um mínimo de 11,7 metros de profundidade.

6.5. VEGETAÇÃO

O município de Pedro Leopoldo possui, como cobertura vegetal predominante,


a mata subperenifólia, característica de transição entre a Mata Atlântica e o
Cerrado. Mais ao norte do município áreas de cerrado marcam a paisagem. De
forma geral, todas as formações remanescentes encontram-se empobrecidas,
devido à exploração de madeiras nobres, abertura de pastagens,
empreendimentos minerários dentre outros. Mesmo as áreas sujeitas a
restrições legais, como as de preservação permanente e as reservas legais das
propriedades, encontram-se alteradas ou completamente destituídas de
cobertura vegetal nativa.

Na região de inserção do Parque Andyara, o relevo pouco acidentado e o solo


de boa fertilidade impulsionaram as atividades agropecuárias em detrimento
das formações florestais. Nas últimas duas décadas, a construção do
Aeroporto Internacional de Confins e outros empreendimentos regionais
estimulou a abertura e duplicação de rodovias e eixos de circulação, ao longo
dos quais surgiram loteamentos sem infraestrutura ambiental e de saneamento,
aumentando a pressão sobre os ecossistemas naturais.
No entanto há uma diversidade florística sendo possível compor o seguinte
quadro de formações vegetais:

Tipologia Características Espécies de destaque

Mata Seca sobre rochas Formação vegetal de Bromélias, cactos,


calcáreas solos rasos orquídeas

Mata Seca Formação Caducifólia Copaíba, Angico e


Jatobá

Mata Pluvial Formação vegetal Ipê, Copaíba, Capim


arbórea perenifólia Navalha

Mata Galeria Formação vegetal ao Camboatá, Sangra


longo dos cursos d’água d’água, Ingá, Goiabeira

Pasto Formação vegetal de Braquiária, Meloso,


gramíneas Jaraguá

Pasto sujo Formação vegetal de Lobeira, Alecrim, Assa-


praguejamento Peixe

Área Cultivada Formação vegetal de Milho, capim, hortaliças


lavouras

Floresta Plantada Formação vegetal Eucaliptos


homogênea

Campo sujo Formação vegetal Pau-Santo, Cagaita,


rasteira e ciperácea Lixeira

A região de inserção da BahiaMinas Indústria, Comércio e Serviços Ltda.


sofreu, ao longo do tempo, intensa atividade antrópica. A atividade industrial,
agropecuária e expansão urbana foram responsáveis pela eliminação da
cobertura vegetal original. A vegetação ciliar do córrego do Campinho, curso
d’água mais próximo do empreendimento, é hoje composta
predominantemente por espécies invasoras, compondo um cordão arbóreo
relativamente estreito. Nas áreas livres da ocupação humana (bairros Novo
Campinho, Felipe Cláudio de Sales, Maria Cândida) prevalecem as pastagens
e áreas remanescentes de cerrado. Nas pastagens, além da grama batatais
(Paspalum notatum), aparecem ainda um conjunto de espécies invasoras:
Oficial-de-sala (Asclepias curassavica), Carqueja (Baccharis trimera), Rabo-de-
burro (Andropogon bicornis), Carrapicho (Triumfetta bartramia). Como
espécimes isolados ou em grupos associados destacam-se ainda o Assa-peixe
(Vernonia plyanthes), o Mata-pasto (Eupatorium laevigatum), dentre outros.
Como espécimes arbóreos destacam o coqueiro Macaúba (Acrocomia
sclerocarpa M.), o Cedro (Cedrela odorata), o Ipê Amarelo (Tabebuia sp), a
Faveira (Albizia hasslerii).

6.7. RECURSOS HÍDRICOS:

A atividade antrópica e a conseqüente alteração das condições ambientais têm


reflexo direto sobre a fauna. Reduzido seu habitat natural, a fauna tende a
migrar para áreas mais longínquas onde ainda encontram condições de abrigo,
alimentação e reprodução.

A ocupação urbana, atividades agropecuárias e industriais vem provocando, ao


longo do tempo, alterações ambientais capazes de afugentar alguns
representantes da fauna regional. Houve, assim, afastamento dos animais de
maior porte, sendo mais comum a presença da avifauna e dos pequenos
mamíferos. Destacam-se: tucannuçu (Ramphastos toco), tico-tico (Zonotrichia
capensis), João-de-Barro (Fumarius rufus), Papa-Capim Coleirinha (Sporophila
caerulescens), Rolinha (Columbina talpacoti), Sabiá (Mimus saturnis), Anu
Preto (Crotophaga ani), Anu Branco (Guira guira), Garça Carrapateira (Egretta
íbis), Dó-ré-mi (Agelaius ruficapillus), Pica-pau (Veniliornis passerinus),
Andorinha-docampo (Phaeoprogne tapera), Juriti (Leptotila verreauxi), Quero-
quero (Vanellus chilensis), Alma-de-gato (Piaya cayana), Mico-Estrela
(Callithrix jacchus), Tatu (Dasypus novemcinctus), Capivara (Hydrochaeris
hydrochaeris), Mico-estrela (Callithrix penicillata), Caxinguelê (Sciurus sciurus),
Coelho-do-Mato (Sylvilagus brasiliensis), Cachorro-do-Mato (Dusicyon vetulus),
Gambá (Didelphis marsupialis), Cascavel (Crotalus durissus), Jararaca
(Bothrops jararaca), Caninana (Spilotes pullatus), Jaracuçu (Bothrops
jararacussus), Piabinha (Astyanax sp), Cará (Geophagus brasiliensis), Traíra
(Hoplias malabaricus), Acari (Lorocaria sp), Bagre (Rhamdia sp), Bagre-
africano (Clarias gariepinus).

Em todas as visitas ao empreendimento percorremos toda a área de acesso,


objetivando catalogar as espécies da fauna que ali transitam. Foram possível
avistar os seguintes representantes: Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus), João-de-
barro (Fumarius rufus), Rolinha (Columbina talpacoti), João Graveto
(Phacellodomus rufifrons), Sabiá (Mimus saturnis), Tico-Tico (Zonotrichia
capensis), Quero-quero (Vanellus chilensis), Bico-de-lacre (Estrilda astrild),
Papa Capim Coleirinha (Sporophila caerulescens), Calango (Tropidurus
torquatus), Capivara (Hydrochaeris hydrochaeris).

6.8. Hidrografia

O município de Pedro Leopoldo encontra-se totalmente inserido na bacia do rio


das Velhas, situando-se em sua margem esquerda. Seu principal curso d’água
é o ribeirão da Mata, que corta o município no sentido noroeste-sudeste,
quando recebe, pela margem direita, a contribuição dos ribeirões do Urubu,
Neves e Areias, não tendo qualquer contribuinte de relevância pela margem
esquerda.
O ribeirão da Mata tem suas nascentes no município de Matozinhos nos
terrenos da antiga Fazenda das Roseiras e após percorrer 72Km, deságua no
Rio das Velhas, no distrito de Ribeirão da Mata, no município de Santa Luzia. A
sua bacia hidrográfica, com uma área de 540Km², engloba 10 municípios:
Capim Branco, Matozinhos, Pedro Leopoldo, Vespasiano, São José da Lapa,
Esmeraldas, Ribeirão das Neves, Lagoa Santa, Confins e Santa Luzia.

O ribeirão das Neves nasce no município de Ribeirão das Neves – confluência


dos córregos do Café e Cacique -, e após percorrer a área urbana do distrito
sede desse município, adentra-se em Pedro Leopoldo, porção sul, pelo distrito
de Vera Cruz de Minas, com suas águas altamente comprometidas com o
lançamento in natura de efluentes domésticos, lixo e outros poluentes. Em
Pedro Leopoldo, a maior parte de seu trajeto encontra-se em área tipicamente
rural desaguando no ribeirão da Mata no bairro Santa Rita, próximo à Camargo
Corrêa Cimentos S.A. Em Pedro Leopoldo recebe as descargas das
comunidades de Vera Cruz de Minas, Ferreiras, Santo Antônio da Barra e
determinados bairros da cidade. Comparativamente, é o curso d’água que
apresenta os piores indicadores de qualidade de água no município. Em
períodos de vazante suas águas exalam intenso mau cheiro e nos locais de
maior movimentação das águas, observa-se a formação de espumas sendo
comum episódios de mortandade de peixes. De acordo com o Relatório Águas
de Minas de 2005, elaborado pelo IGAM – Instituto Mineiro de Gestão das
Águas, a partir de dados coletados na estação de amostragem próxima à sua
confluência com o ribeirão da Mata, pôde-se atestar que o IQA – Índice de
Qualidade das Águas do ribeirão das Neves foi ruim.

Pressão e estado do ribeirão das Neves/2005


Estação de Monitoramento: Confluência ribeirão das Neves/ribeirão da Mata
Indicadores com
maior número de
Classe Fatores de Pressão Indicadores de Pressão violações no
período 1997-2005
 Lançamento de  Turbidez  Coliformes totais
esgoto sanitário  Fosfato Total  Coliformes
 Lançamento de  OD fecais
efluente industrial  DBO  Fosfato total
2
 Resíduos sólidos  Índice de fenóis  Manganês
urbanos  Óleos e graxas  Índice de fenóis
 Expansão urbana  Coliformes fecais e  DBO
totais
 Ferro solúvel
 Manganês
Dentre os indicadores de pressão, os que mais contribuíram para o IQA ruim
foram os coliformes, fosfato total, DBO e turbidez. Os principais parâmetros
sanitários analisados em 2005 confirmam o fato da elevada carga de esgotos
sanitários e efluentes industriais lançados sem tratamento prévio nesse corpo
d’água. De acordo com os resultados do IGAM, ocorrem concentrações muito
elevadas de coliformes termotolerantes, fosfato total, DBO, amônia não
ionizável e oxigênio dissolvido, especialmente nos períodos mais secos do ano.
Grande parte da matéria orgânica, fecal e de nutrientes é proveniente dos
esgotos brutos de Pedro Leopoldo que são lançados no ribeirão das Neves. A
concentração de DBO contribuíram para a redução dos níveis de oxigênio
dissolvido na terceira campanha de 2005, pois a degradação biológica da
matéria orgânica aumenta o consumo do oxigênio existente na água, se
tornando um fator limitante para sobrevivência da biota aquática.

A condutividade elétrica, determinada pela quantidade de sais dissolvidos na


água, manteve-se relativamente alta e pode ter sido influenciada pela presença
de íons como cálcio, magnésio, além de carbonatos e bicarbonatos de
ocorrência natural na região e cuja ocorrência pode ser agravada devido às
atividades de extração e beneficiamento de calcário, e de outros minerais não
metálicos, localizadas no município do Pedro Leopoldo. O manganês
apresentou valores desconformes com o limite estabelecido pela legislação nas
quatro campanhas amostradas em 2005 no ribeirão das Neves, destacando-se
um ligeiro acréscimo das suas concentrações em comparação aos últimos
anos. Estas ocorrências também podem estar associadas às atividades
industriais e minerárias desenvolvidas no município de Pedro Leopoldo.
Ponto de maior lançamento de esgoto in natura no ribeirão das Neves próximo
à confluência com o ribeirão da Mata. São 33 litros/s

Em 2005 a Contaminação por Tóxicos foi considerada Média no ribeirão das


Neves em função da ocorrência de fenóis totais em desacordo com a
Resolução CONAMA 357/2005, nas primeira e quarta campanhas. Vale
ressaltar que essa nova resolução, traz limites menos restritivos para os fenóis
totais.

O ribeirão do Urubu nasce no município de Pedro Leopoldo e passa a ter maior


volume d’água quando recebe as contribuições do Córrego do Palmital e
Córrego das Cobras. Percorrendo a área rural, com exceção do seu baixo
curso que limita os bairros, Boa Esperança, Donato e Joana D’Arc, apresenta
melhor qualidade de suas águas e menor intensidade de assoreamento.
Deságua no ribeirão da Mata próximo à Holcim Brasil - Cimento Ciminas S.A.

O ribeirão das Areias nasce no município de Ribeirão das Neves e percorre


trechos do município de Pedro Leopoldo na localidade de Quinta das
Palmeiras. Deságua no ribeirão da Mata nas proximidades das 02 pontes na
rodovia MG 424, trevo para Inácia de Carvalho.

Tanto o ribeirão da Mata como seus afluentes sofrem basicamente os mesmos


impactos ambientais:

⇒ Destruição da Mata Ciliar pelas atividades agropecuárias, expansão


urbana e extração de areia e argila. A Mata Ciliar é vegetação natural
comum a todos os corpos d’água e que se localiza ao longo dos
córregos e ribeirões. Sua importância se deve ao fato de que a
vegetação composta por árvores de vários tamanhos protege o solo
contra a erosão além de diminuir o processo de evaporação das águas
mantendo um ambiente mais úmido. Além disso, serve de abrigo e fonte
de alimentos para inúmeras espécies de animais que vivem próximas
aos rios. A eliminação da Mata Ciliar vem provocando, ao longo dos
anos, intenso processo de assoreamento do leito dos cursos d’água,
com nítido desbarrancamento de suas margens;

⇒ Poluição dos cursos d’água em Pedro Leopoldo pela contaminação por


esgoto doméstico. Contaminação das águas por efluentes domésticos e
industriais. Segundo dados levantados pela CPRM – Companhia de
Pesquisa de Recursos Minerais e pela COPASA, a maior parte do
esgoto produzido em nossas residências têm sido lançado diretamente
nos ribeirões e em outros córregos sem qualquer tipo de tratamento
preliminar. É muito alto os índices de coliformes totais e fecais (bactérias
presentes no intestino) encontrados em pontos definidos de
amostragem;

⇒ Alteração do curso d’água em função de atividades minerárias. As


atividades de extração de areia e argila eram realizadas, até a década
de 90, dentro do próprio leito dos nossos ribeirões provocando
mudanças do curso com seu alargamento, desvio e até mesmo a
formação de “lagoas” marginais resultantes de antigas cavas de
mineração. Na atualidade todos os portos de areia funcionam em
“circuito fechado”, ou seja, em lagoa criada artificialmente localizada a
pelo menos 30 metros do curso d’água (Área de Preservação
Permanente);
⇒ Disposição inadequada de resíduos sólidos. Em função da expansão
urbana e ocupação crescente de áreas marginais aos ribeirões, tem sido
comum o acúmulo de lixo e entulhos (restos de construção, capina etc.)
na beira dos cursos d’água demonstrando falta de consciência ecológica
de grande parte dos moradores ribeirinhos. O lixo acumulado provoca
estreitamento do leito e diminuição da vazão da água em período das
cheias podendo ocasionar enchentes nas áreas urbanas. Ademais, o
acúmulo permite a proliferação de baratas, ratos, escorpiões dentre
outros, animais que podem representar risco à saúde coletiva.

Você também pode gostar