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Houston, we have problems here

Projeto ITA para todos

2a Edição

Miguel Angelo Sampaio


Felipe de Souza Lincoln
2017
Prefácio do autor

Este livro é focado em gravitação universal e outros assuntos relacionados a ciência


e tecnologia espacial. Buscamos resolver todas as questões do vestibular do ITA
desde 1965, totalizando mais de 50 anos de provas. Todas as questões tem resolução
detalhada, com explicações das principais ideias e técnicas usadas. Questões adicio-
nais foram incluı́das, algumas delas foram criadas por mim, outras foram baseadas
em livros de engenharia e de fı́sica básica. O objetivo é ter questões que estimulem
os mais diferentes pontos de vista, combinando conhecimento do assunto, prática
matemática e elo com aspectos práticos e tecnológicos.
Procurei fazer diferente dos demais livros que já vi. Inclui nos primeiro capı́tulos in-
formações sobre a astronomia, astrofı́sica e a evolução da ciência e da engenharia. O
propósito é fazer o leitor perceber a importância do estudo do espaço e mostrar que
as ciências espaciais estão mais próximas do nosso cotidiano do que pensamos. Esse
ideal foi adquirido após minha participação em um dos cursos da International Space
University, ISU, mais precisamente o Southern Hemisphere Summer Space Program
2013, que aconteceu na University of South Australia, em Adelaide, Austrália. Lá
aprendi a importância do chamado Space Awareness e compreendi que o espaço
sideral é um recurso natural valioso, limitado e que a humanidade está poluindo de
forma descontrolada.
Apesar das diversas revisões no texto que foram feitas, pode haver falhas, incon-
sistências que passaram pelo meu crivo. Por isso, peço que me ajudem a melhorar
o texto para a nova versão que deve sair logo após cada vestibular do ITA para
contemplar novas questões de gravitação. Estou aberto às crı́ticas construtivas, co-
mentários sinceros e tudo que possa agregar para melhoria do livro. Deixo o meu
contato para comunicação e tão logo eu tenha disponibilidade, terei maior prazer
em responder.

Este material destina-se a ser gratuito, portanto, autorizo a cópia, impressão,


divulgação, compartilhamento em sites, em grupos, redes socais, emails, desde que
não seja para fins comerciais. Proı́bo o uso do mesmo como mercadoria de
comercialização. Qualquer ação gratuita é valida e autorizada.

Contato: projetoitaparatodos@gmail.com
Notas do colaborador

Minha parte neste livro foi a elaboração da capa e a transcrição de todo o conteúdo
que antes estava em Word para o LATEX fazendo pequenas correções de ortografia e
calculo. O conteúdo deste livro foi integralmente feito pelo Miguel, tanto a teoria
quanto a resolução das questões. Qualquer erro ou inconsistência encontrado, o lei-
tor pode nos contatar.

Felipe de Souza Lincoln


Tatuı́, 11 de Julho de 2017
Motivação

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica é a escola de engenharia da Força Aérea


Brasileira. Conhecido nacional e internacionalmente pela qualidade do ensino de
engenharia. Também é conhecido pelo seu concurso de admissão que tem a fama de
ser bastante difı́cil. De fato é, pelos seguintes motivos: conteúdo de matérias bas-
tante extenso, questões de nı́vel de dificuldade elevado, trinta questões por prova de
cada matéria e apenas quatro horas para resolvê-las. As questões cobradas nas pro-
vas exigem bastante conhecimento dos assuntos, maturidade matemática, agilidade
e raciocı́nio rápido. Monta-se aı́ um cenário complicado para um aluno de escolas
públicas brasileiras, cujo ensino está aquém do necessário para que este aluno tenha
condições de competir com cerca de 8 mil candidatos (média) que todos os anos
concorrem a uma vaga no ITA.
Sendo o ITA, uma instituição pública federal, seu acesso é gratuito e para todos
os brasileiros que desejarem desde que esteja na lista de classificados do concurso.
Vemos então que este acesso não é tão livre assim. Alunos com poucos recursos
financeiros para pagar cursos preparatórios especı́ficos e boas escolas saem em des-
vantagem com relação a alunos que puderam ter boas escolas, acesso à material e
professores capacitados para a prova do ITA. Há casos de alunos que moram em
cidades pequenas ou cidades muito distantes dos grandes centros e que também não
tem acesso a uma educação de alto nı́vel que os prepare para o vestibular do ITA.
Dessa forma, temos muitos alunos de pouco poder financeiro que apesar de sonhar
em estudar no ITA, se esbarram na dificuldade de preparação de forma adequada.
Nesse contexto, o ITA não chega a ter em suas salas alunos de regiões mais pobres
do Brasil ou alunos menos privilegiados financeiramente. Entendo que independente
da situação financeira ou região de origem, há alunos muito bons espalhados pelo
Brasil, um mar de talentos que muitas vezes não têm oportunidade de ter acesso a
uma boa educação e poder melhorar sua vida e de sua famı́lia. O Brasil também
perde ao desperdiçar esses talentos escondidos no anonimato das dificuldades da
vida.
Vendo essa necessidade de acesso a bons materiais de estudo, há alguns anos, por
volta de 2010, criei um canal com vı́deo-aulas no Youtube chamado Estuda Ema-
nuel. Esse canal surgiu de um pedido de um dos meus primos (Emanuel), de uma
ajuda para estudar para o vestibular do ITA. Como eu estava no sudeste do Brasil
e ele em Santarém, Pará, a melhor forma seria fazer vı́deos com resoluções. Alguns
vestibulandos viram os vı́deos e acharam bons e com isso pediram para que fossem
compartilhados e que mais vı́deos fossem produzidos. Foi então que cheguei a mais
de centenas de vı́deos com resoluções de questões do ITA nas matérias de Fı́sica,
Quı́mica e Matemática.
Apesar do sucesso do canal, vi que as pessoas tinham dificuldades de acompanhar
as resoluções por falta de embasamento teórico. Isso era causa de desmotivação e
muitas vezes desistência de alunos que não possuı́am boa estrutura de ensino. En-
tendi que precisava ajudar ensinando a teoria para que pudessem compreender as
resoluções. Foi então que criei um site chamado Projeto ITA Para Todos. Lá se
concentram os links para todas as vı́deo aulas de teoria e de resolução de exercı́cios.
Nesse site, há matérias completas como teoria explicada e com exercı́cios. Atual-
mente não consegui cobrir todos os conteúdos programáticos do ITA por falta de
tempo.
Tudo isso é feito de forma gratuita e não cobro nenhum centavo e nem outro tipo
de apoio pelas vı́deo aulas . Não há motivação financeira, nem propaganda envol-
vida. Apenas o desejo de ajudar, de compartilhar o conhecimento e poder ajudar
as pessoas a melhorar de vida.
É muito triste estudarmos muito, aprendermos bastante para depois levarmos tudo
isso para o túmulo sem compartilhar, sem cooperar com a melhoria da sociedade,
sem colocar nossos tijolos no muro. Esse trabalho é o retorno do que tenho recebido
de bom dado pela vida e espero sinceramente que isso crie uma corrente do bem e
que mais e mais pessoas se inspirem em ajudar quem mais precisa.
Muito desse trabalho vem de uma promessa de juventude. Eu sou natural de San-
tarém, uma cidade com muitas belezas naturais, no oeste do Pará. Como mui-
tos alunos por aı́, também sonhei em estudar no ITA e me dedicar à Engenharia
Eletrônica (uma de minhas paixões), porém eu não tinha condições financeiras de
fazer um curso preparatório e, ou comprar livros e apostilas adequadas para o ITA.
Além disso, não tinha orientação necessária que pudesse ajudar a me preparar. Tive
que estudar sozinho em casa e nas bibliotecas públicas de Santarém, garimpando
tudo que era material. Por sorte, os livros didáticos das décadas de 60 e 70 eram
livros muito bons e tinham em abundância na biblioteca municipal de Santarém, e
esses livros foram de grande ajuda. Fiz o vestibular do ITA por três vezes e em 2002
eu fui aprovado após muito esforço, disciplina e sacrifı́cio. Durante esse meu tempo
de luta eu soube o que é não ter armas para lutar e nesse perı́odo prometi que se
eu tivesse sucesso faria tudo que estivesse ao meu alcance para ajudar quem está na
mesmo situação na qual estive.
Agora eu apresento este livro na qual dediquei muitos dias na sua preparação, ten-
tando ser o mais didático, mais claro e detalhado possı́vel, usando uma linguagem
mais acessı́vel e mais leve. A ideia é poder dar acesso aos alunos menos favorecidos,
acesso à materiais de estudo que estão em livros e apostilas de cursinhos caros.
Apesar de ser voltado aos alunos mais humildes, esse livro é feito para todos que se
interessam por ciência e tecnologia, sejam ricos ou pobres.

Canal Estuda Emanuel: youtube.com/user/MiguelitoSampaio


Projeto ITA para todos: sites.google.com/site/itaparatodos
Como usar este livro

Este livro contém a resolução de muitos problemas do ITA. Portanto, requerem co-
nhecimentos básicos de Fı́sica. Tentei revisar o que pude, dosando para não criar
um livro extenso demais. Se você não tem muita prática em conceitos básicos de
fı́sica, recomendo fortemente que primeiro se exercite bem com problemas de livros
de ensino médio de forma que você possa ter mais clareza e entendimento dos as-
suntos.
Este livro é para ser um complemento/aprofundamento aos seus estudos, te aju-
dando a entender resoluções de questões complexas. Não o use se ainda não estiver
seguro o suficiente em técnicas algébricas, como fatoração, radiciação, simplificação,
resolução de equações de primeiro e segundo grau, funções algébricas, geometria
plana, geometria espacial, operações com vetores, leis de Newton e princı́pios de
dinâmica.
Procurei mesclar assuntos como Geometria Analı́tica, Eletricidade, Teoria dos Gases
entre outros. Em novas edições do livro, pretendo trazer mais problemas desafiado-
res e interessantes. Por isso, o use como complemento final e aprofundamento.
Muito importante é você tentar fazer as questões sozinho, sem olhar as resoluções
de primeira. É errando que se aprende. Ao tentar resolver por si só, você irá criar
novas conexões cerebrais ligadas ao assunto e quanto mais você forçar suas ideias,
mais fácil fixará quando errar e olhar a resolução. Nada que vem fácil agrega demais
ao indivı́duo. Assim, se você já for olhar de primeira a resolução dificilmente aquilo
vai te marcar. Então para cada questão, tente resolver sozinho ou em grupo.
Outra dica: dê um descanso para seu corpo e mente. Uma pessoa exausta não
renderá tanto quanto uma pessoa descansada. Por isso, não passe longas horas de
estudo sem uma pausa para espairecer e renovar as forças.
Sempre que puder ensine o que sabe. Você vai ver que poderá aprender muito mais
e solidificará seus conhecimentos ainda mais.
Não menospreze os outros, sempre temos o que aprender com qualquer pessoa. Hu-
mildade é sabedoria.
O caminho não é fácil, muitos obstáculos vão surgir e tudo irá te fazer concluir que
desistir é a melhor solução e nem sempre é. Caiu? Levante-se e continue.

Miguel Angelo Sampaio


São José dos Campos, 20 de Outubro de 2016
Conteúdo

1 Técnologia espacial 8
1.1 O avanço nas telecomunicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
1.2 Sensoriamento remoto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
1.3 Localização e resgate . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.4 Foguetes lançadores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12

2 Breve história da astronomia 14


2.1 Antiguidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
2.2 Idade Média . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2.3 A Astronomia e a Fı́sica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.4 Séculos XIX e XX e uma nova forma de ver o universo . . . . . . . . 20
2.5 Teoria da Relatividade Geral e Ondas Gravitacionais . . . . . . . . . 22

3 Gravidade 25
3.1 A gravidade de Newton . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.2 Aceleração da gravidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
3.3 Aceleração da gravidade em outros planetas . . . . . . . . . . . . . . 40
3.4 Efeito da latitude e rotação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43
3.5 Gravidade de uma casca esférica e no interior da Terra . . . . . . . . 50

4 Movimento Orbital 56
4.1 Força centrı́peta e centrı́fuga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.2 Conservação do momento linear e angular . . . . . . . . . . . . . . . 59
4.3 Revisão sobre cônicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
4.4 Velocidades na elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
4.5 Energia na elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
4.6 Velocidade em qualquer ponto da elipse . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
4.7 Leis de Kepler . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.8 Aplicações especiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
4.9 Velocidade de escape . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75

5 Questões resolvidas 80

7
Capı́tulo 1

Técnologia espacial

A conquista do espaço representou não só um grande avanço cientı́fico, mas também
tecnológico, permitindo a realização de muitos serviços que hoje tornam a vida
na Terra mais prática e confortável. À primeira vista, as atividades espaciais não
tem nenhuma relação com o cotidiano aqui no solo, mas estão mais próximas que
pensamos. A seguir temos alguns exemplos de como o distante espaço sideral nos
ajuda a viver melhor.

1.1 O avanço nas telecomunicações


As telecomunicações tiveram um salto gigantesco com as tecnologias espaciais. Os
telefones que se conectavam por longos e ineficientes fios de cobre, hoje podem
ligar qualquer dois pontos do globo, em tempo real através de links (ligações) de
satélite. As grandes distâncias intercontinentais são superadas através de pontes
que se localizam no espaço viabilizado por satélites dedicados às telecomunicações.
Não só para comunicação por voz, mas a internet teve tanto avanço na velocidade
quanto na capacidade de transferência de dados.

Figura 1.1: O satélite realiza a retransmissão de sinais entre África e Europa, como
exemplo que viabiliza a comunicação entre várias partes do mundo. Imagem da ESA.

Os serviços de telecomunicações são negócios muito lucrativos e dependem sensi-


velmente do uso de satélites. A distribuição de sinais de TV por assinatura geram

8
Capı́tulo 1. Técnologia espacial 9

centenas de milhões de dólares por ano no mundo todo. Essa distribuição em larga
escala é chamada de broadcast. Além disso, eventos esportivos podem ser assistidos
em tempo real no mundo todo graças aos satélites de comunicações que orbitam a
Terra.
A Telemedicina e a Tele-educação já são realidades em muitos lugares, onde profis-
sionais da saúde podem prestar apoio médico a comunidades distantes, bem como
professores podem levar o conhecimento a lugares remotos.
Transações bancárias também são altamente dependentes da comunicação em rede
e por isso também dependem do uso de satélites.

1.2 Sensoriamento remoto


Sensoriamento Remoto é uma técnica para obter informações sobre determinada
região na superfı́cie da Terra através de imageamento ou medições de grandezas
de interesse. Um exemplo de sensoriamento remoto são as medições da atmosfera,
que permite tanto a previsão do tempo de forma mais precisa quanto um melhor
entendimento das mudanças atmosféricas que afetam o clima.

Figura 1.2: Imagem de Satélite mostra uma tempestade se formando na região de Boston.
Imagem da NASA.

O sensoriamento remoto é basicamente realizado por satélites de órbitas baixas, isto


é, baixas altitudes, dotados de câmeras e sensores. Assim, podem fazer registros
fotográficos ou aquisições de medidas das regiões pelas quais ele percorre durante
suas revoluções em torno da Terra.
Esta técnica ajuda a planejar lavouras para aumentar sua produtividade, prever
enchentes e secas, melhorar projetos de rodovias e áreas urbanas, desmatamento,
10 1.2. Sensoriamento remoto

monitorar fluxos migratórios de animais, identificar pontos crı́ticos para incêndios


florestais e muitas outras aplicações.

Figura 1.4: Região de plantação de café


Figura 1.3: Imagens de satélite mostram em Minas Gerais. As imagens auxiliam os
o impacto do desmatamento em um perı́odo agricultores no planejamento de lavouras e
de 22 anos, em Marabá, Pará. Imagem da melhor uso das áreas. Imagem Google Earth
Landsat/INPE. http://www.dsr.inpe.br/laf/cafesat/
artigos/TecnologiaInformacaoCafeMG.
pdf.

O sensoriamento remoto também pode ser usado para fins militares como espiona-
gem. Muitos dos satélites que estão em órbita fazem observações sigilosas utilizando-
se de câmeras de alta resolução. Nada escapa aos olhos do céu.

Figura 1.5: Satélite de sensoriamento remoto da NASA/ESA. À medida que ele vai
passando, suas câmeras e sensores captam e medem dados da superfı́cie da Terra. Imagem
da ESA.
Capı́tulo 1. Técnologia espacial 11

1.3 Localização e resgate


A navegação fluvial, marı́tima e aérea sofreu um grande impacto positivo com as
aplicações de satélites em serviços de localização e orientação. Antigamente, nos
tempos dos navegadores portugueses e espanhóis, as rotas dos navios eram determi-
nadas através de observações de estrelas que aparentemente se mantinham fixas no
firmamento. Um dos instrumentos usados para esse fim era chamado de astrolábio.
Como referência, usava-se a Estrela Polar da Constelação Ursa Maior. Essa estrela
pode ser vista do Hemisfério Norte.

Figura 1.7: GNSS.


Figura 1.6: Os navegadores me-
diam o ângulo de posicionamento da
Estrela Polar em relação ao navio e
com isso estimavam sua localização.

O uso de satélites fornece a infraestrutura necessária para se criar o GNSS, Global


Navigation Satellite System, na qual os receptores desses satélites realizam cálculos
e determinam com boa precisão a sua localização.
Um dos serviços GNSS mais conhecidos é o GPS, desenvolvido para aplicações mili-
tares pelo Departamento de Defesa americano. O GPS é um sistema que é disponibi-
lizado pelo governo dos EUA para uso civil e militar ao redor do mundo. Obviamente
que a precisão do serviço GPS liberado é bem mais baixa que a precisão do GPS
usado pelas Forças Armadas americanas. Diz-se que quando aconteceram os aten-
tando contra o World Trade Center em Nova York, o sinal de GPS foi cortado no
mundo todo temporariamente.
GPS significa Global Positioning System e conta com uma constelação de satélites
com órbitas definidas. Eles mandam continuamente sinais para os receptores GPS
de veı́culos e celulares e assim, estes com base no tempo podem determinar a loca-
lização na superfı́cie terrestre. Vale citar que o desenvolvimento de sistemas como o
12 1.4. Foguetes lançadores

GPS permitiu que buscas e salvamentos pudessem ser realizados com mais eficiência
e sucesso. Há um sistema global voltado para atendimento de emergência em casos
de naufrágios e quedas de aeronaves.
No entanto, o GPS não é o único sistema de localização existente. O sistema GLO-
NASS foi desenvolvido pela Rússia. O sistema Galileo segue o mesmo conceito,
porém desenvolvido por um consórcio de paı́ses europeus. A Índia está desenvol-
vendo seu próprio sistema de localização. As motivações iniciais para os GNSS é
militar, na qual uma nação não quer ficar dependente de outras para operar suas
unidades e veı́culos militares. Com a abertura desse serviço para o mercado civil,
vislumbrou-se um negócio extremamente lucrativo.
Quando você pega um receptor de GPS desses de carro ou usa o do seu celular e
tenta se localizar, você está na verdade recebendo sinais de pelo menos 3 dos satélites
do GPS. Eles mandam um sinal com um o horário de envio desse sinal. O receptor
decodifica esse horário e compara com o horário que ele recebeu, então ele consegue
fazer as contas de qual a sua distância ao satélite visto que o sinal de GPS é uma
onda eletromagnética e por isso se move com velocidade constante, c. Para que você
possa se localizar você precisa de pelo menos visão de três satélites. Por isso que em
dias nublados o GPS fica impreciso devido às nuvens que enfraquecem o sinal que
vem do espaço.

1.4 Foguetes lançadores


Para viabilizar todos esses serviços, os satélites devem ser colocados em órbita e para
isso existem os veı́culos lançadores. Basicamente são foguetes que podem deslocar
grande quantidade de massa até determinada altitude e com a velocidade necessária
para manter tais massas em órbita.
Os foguetes inicialmente eram projetos governamentais, pois se entendia que foguetes
espaciais podem ser transformados em armas. Com o tempo, a visão que se tem
sobre os foguetes e sua popularização levaram à abordar esses veı́culos como um
lucrativo negócio. As atividades de lançadores no Brasil são gerenciadas pela Força
Aérea.

Figura 1.8: Veı́culo Lançador de Satélites, VLS, desenvolvido pelo Brasil, com supervisão
da Força Aérea Brasileira.
Capı́tulo 1. Técnologia espacial 13

Os foguetes podem transportar tanto equipamentos quanto pessoas. No caso de


equipamentos, estes são chamados de Carga Útil. Essas missões podem ser tripu-
ladas ou não. Atualmente, o serviço de lançamento de cargas úteis é um negócio
bastante lucrativo, pois vem aumentando o interesse e necessidade dos paı́ses por
atividades em telecomunicações ou sensoriamento remoto. Como poucos paı́ses no
mundo detém a tecnologia de lançadores, constituindo assim um seleto clube. Os
rendimentos com lançamentos comerciais vêm sendo cada vez mais justificáveis. Isso
é tanto verdade que a NASA contrata empresas para realizar transporte de cargas
para Estação Espacial Internacional. Uma das empresas de maior destaque é a Spa-
ceX.
As missões tripuladas são mais complexas e caras visto que os lançadores devem pos-
suir módulos para a tripulação trabalhar de forma segura e confortável. As missões
tripuladas inicialmente tinham caráter cientı́fico, tecnológico e militar. Com o bara-
teamento da tecnologia e maior interesse do público por viagens espaciais, o turismo
espacial vem crescendo anualmente. Assim, não se restringiu aos voos dos ônibus
espaciais da NASA.
As primeiras missões tripuladas eram feitas em foguetes que eram inutilizados du-
rante o lançamento devido aos métodos de estágios de combustı́vel. Os estágios
eram descartados assim que o combustı́vel terminasse em seus tanques. O retorno
da tripulação se dava em módulos pequenos, como no caso das missões Apollo da
NASA. Para diminuir os custos das missões, a NASA criou o conceito de ônibus
espaciais, no qual a tripulação regressava em pousos similares ao de uma aeronave,
evitam o descarte de material e reutilizando o veı́culo para novas missões.
130 missões foram realizadas e alguns acidentes fatais ocorreram durante seus trinta
anos de missões espaciais e hoje em dia, a frota de ônibus espaciais da NASA está
inativa.
Capı́tulo 2

Breve história da astronomia

Olhar para o céu estrelado é uma atividade realizada pelo homem desde os tempos
mais primórdios. Realmente observar um céu estrelado causa diversos sentimentos
e sensações. Seja você sensı́vel ou não, saiba que muitos indivı́duos elaboraram
muitos questionamentos filosóficos e cientı́ficos devido à observação do firmamento.
Também, muitos casais já se “coisaram” (entendimento livre) inspirados pelas belas
noites de luar. Poetas escreveram versos e mocinhas suspiraram... A influência do
espaço é tamanha que até mesmo religiões e crenças se basearam nos astros, como
a astrologia e a mitologia.

2.1 Antiguidade
Você já parou para pensar por que a nossa galáxia se chama Via Láctea? Via Láctea
é um termo do latim, que os antigos romanos emprestaram dos gregos, que significa
Caminho do Leite, vindo de Galaxias Kyklos, ou ciclo do leite. Devido à iluminação
das cidades, o céu não é visto da mesma forma que era vista pelos nossos ancestrais
distantes. Se você for para algum sı́tio bem afastado, poderá ver que as estrelas
foram um caminho como uma faixa branca, que é a razão pela qual se nomeou nossa
galáxia.

Figura 2.1

14
Capı́tulo 2. Breve história da astronomia 15

Outros povos da Antiguidade como árabes, chineses, romanos observaram os astros


em buscas de respostas para seus questionamentos existenciais, ou para entendi-
mento da Natureza. Por exemplo, o fenômeno da maré é causado pela atração
gravitacional que a Lua exerce sobre as águas. A observação das marés e fases da
Lua levou a essa conclusão servindo bastante para o homem do mundo antigo.
Os cometas e eclipses eram encarados muitas vezes como manifestações divinas. E
tal foi interesse que muitos desses homens antigos começaram a estudar a dinâmica
celeste. Até hoje, muita gente chama os meteoros e meteoritos de estrela cadentes e
fazem pedidos quando avistam uma delas riscando o céu. Nesse interesse, surgiu a
Astronomia (não confundir com astrologia), ciência que objetiva o estudo dos astros,
seus comportamentos e caracterı́sticas.

Figura 2.2 Figura 2.3

A Grécia teve alguns estudiosos de renome e que contribuı́ram muito para desenvol-
vimento da ciência. Vamos ver alguns deles.
Tales de Mileto (624 - 546 a.C.) a partir de suas viagens ao Egito introduziu
na Grécia os fundamentos da geometria e da astronomia. Defendeu que a Terra era
um disco plano em uma vasta extensão de água. Eu te entendo Tales, eu também
pensaria isso..
Pitágoras de Samos (572 - 497 a.C.) já foi mais arrojado pois acreditava na
esfericidade da Terra, da Lua e de outros corpos celestes, afinal ele criou o Teorema
de Pitágoras. Porém vacilou ao crer que os planetas, o Sol, e a Lua eram transpor-
tados por esferas separadas da que carregava as estrelas. A expressão cosmos para
o céu foi criada por ele.
Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) já foi mais além, trazendo novidades
para o contexto astronômico explicando que as fases da Lua dependem da faces
iluminadas pelo Sol. Explicou como os eclipses funcionam. Juntou-se a Pitágoras a
favor da esfericidade da Terra, pois a sombra da Terra na Lua durante um eclipse
lunar é sempre redonda. Afirmava que o Universo é esférico e finito.
Heraclides de Pontus (388-315 a.C.) explicou a rotação da Terra sobre seu
próprio eixo, que Vênus e Mercúrio orbitam o Sol.
Aristarco de Samos (310-230 a.C.) foi um visionário propondo que a Terra se
movia em volta do Sol, antes de Copérnico. Entre outras coisas, criou uma meto-
dologia para determinar as distâncias relativas do Sol e da Lua à Terra. Realizou
medidas indiretas dos tamanhos relativos da Terra, do Sol e da Lua. Sinistro!
Eratóstenes de Cirênia (276-194 a.C.), bibliotecário e diretor da Biblioteca
Alexandrina de 240 a.C. a 194 a.C., foi o primeiro a medir o diâmetro da Terra,
16 2.1. Antiguidade

afinal, acho que ele tinha tempo na biblioteca para isso. Mas como ele fez isso?
Era sabido que na cidade de Siena no Egito, no inicio do verão, ao meio-dia a luz do
sol atingia o fundo de um poço. Isso é importante como referencia que o Sol estaria
na vertical perpendicular à Terra. Como ele, um garoto crescido nas quebradas de
Alexandria, sabia que o mesmo não acontecia com os poços em sua cidade. Então,
resolveu medir a sombra de uma haste no solo para ver qual inclinação havia, e foi
7◦ . Com isso ele determinava o ângulo entre Alexandria e Siena, que se distanci-
avam em 5000 estádios (unidade de medida na Grécia). Esse valor foi obtido da
viagem de camelo entre às duas cidade e sabendo que um camelo em média anda
100 estádios por dia. Os 7◦ medidos correspondem a 1/50 de uma circunferência,
assim, e a circunferência da Terra deveria medir 50x5000 estádios. Sendo que uma
circunferência é C = 2πR, o raio era determinado como aproximadamente 40000, já
que um estádio corresponderia a 1/6 km. Muito safo!
Hiparco de Nicéia (c.190-c.120 a.C.), considerado o maior astrônomo da era
pré-cristã, e com um observatório na ilha de Rodes, compilou a posição no céu e a
magnitude de 850 estrelas. Fez diversas medidas sobre a mecânica na Terra.
Ptolomeu (85 d.C. - 165 d.C.) (Claudius Ptolemaeus) foi autor de uma série de
treze volumes sobre astronomia, conhecida como o Almagesto, a obra de referência
em astronomia grega.
Para entender quão geniais eram estes astrônomos é só se ligar no fato de que eles
não tinham telescópios, medidores precisos de tempo e nem outros instrumentos.
Era tudo na raça e na inteligência. Realmente admirável.
Há outros povos que desenvolveram a astronomia como no oriente médio, princi-
palmente na Babilônia, que é mais ou menos a região que hoje é o Iraque. Porém,
ainda não havia uma clara separação entre religião e ciência.
Você já se perguntou por que um minuto tem 60 segundos? Se já e não tem resposta,
lá vai...
A escrita na Babilônia começava com o 1, escrito sobre pedra usando o sı́mbolo g,
já o 10 era feito usando o sı́mbolo . Combinações destas duas marcas eram feitas
até o 59, voltando ao inicio quando se chegava ao 60. Só muito mais para frente que
se inventou o 0, porém a falta do zero permitia que os babilônicos pudessem fazer
cálculos elaborados com facilidade. Essa galera não era boba não...
Dessa maneira, a divisão de horas vem da notação babilônica que ia até 60
Os babilônios, além de documentar fenômenos astronômicos, iniciaram a criação do
calendário, ao dividir o tempo baseado em fases da Lua. Sendo que cada fase dura
sete dias, então surgiram as semanas. Para nomear os dias, eles homenagearam as
divindades por eles adoradas. Vejam abaixo:

Mesopotâmia Inglês Alemão Italiano Francês Espanhol

Dia da Lua Monday Montag Lunedi Lunedi Lunes


Dia de Marte Tuesday Dienstag Martedi Mardi Martes
Dia de Mercúrio Wednesday Mittwoch Mercoledi Mercredı́ Miércoles
Dia de Júpiter Thursday Donnerstag Giovedi Jeudi Jueves
Dia de Vênus Friday Freitag Vernedi Vendredi Viernes
Dia de Saturno Saturday Samstag Sabato Samedi Sábado
Dia do Sol Sunday Sontag Domenica Dimanche Domingo
Tabela 2.1: Dias da semana em outros idiomas
Capı́tulo 2. Breve história da astronomia 17

2.2 Idade Média


A Idade Média é conhecida como Perı́odo das Trevas, onde o conhecimento e o
desenvolvimento cientı́fico ficaram estagnados na Europa. Conceitos religiosos da
Igreja Católica assombravam os estudiosos que queriam divulgar ideias contrárias a
fé cristã. Os pensadores da natureza realizavam estudos em sigilo. Diferentemente
da Europa, o mundo árabe se tornou culto, absorvendo muito do conhecimento grego
e desenvolvendo a ciência no Oriente Médio. O progresso da matemática, da quı́mica
e astronomia evoluiu bastante com os árabes, tendo muitos estudiosos com obras
traduzidas do árabe para o latim.
Com a chegada do Renascimento tudo mudou na Europa. O pessoal procurou
saber mais sobre a natureza, sendo que a astronomia virou uma das sete artes
liberais, bastante comuns no Studium Generale, ou que seria chamado no futuro de
Universidade. Adotou-se o modelo geocêntrico grego, onde se acreditava que a Terra
era o centro do Universo e tudo girava ao seu redor. Sabe nada inocente...
Um polonês chamado Nicolau Copérnico, chegou um dia em uma praça da Europa
e disse “Está tudo errado nessa bagaça, vamos parar com essa história de Terra no
Centro”. Claro que não foi assim, isso foi só uma tentativa de ser engraçadinho da
minha parte, que eu acho que não foi, e se não foi pelo menos dá uma risadinha aı́
para fortalecer a amizade. Ok. Vamos continuar. O Copérnico propôs um modelo
diferente, chamado heliocêntrico, no qual o Sol estaria no centro e a Terra orbitando.
Isso causou um rebu dos diabos, pois quebrava anos e anos de crença em uma teoria
errada.

Figura 2.4: Sistema Heliocêntrico bolado por Copérnico, onde o Sol figura no centro.
18 2.2. Idade Média

Mais tarde, Galileu Galilei e Johannes Kepler vieram a confirmar com dados e
complementar as ideias de Copérnico. Os dois se aprofundaram em observar e criar
métodos e teorias que explicassem a mecânica celeste.

Figura 2.5: Galileo Galilei. Conta a lenda, que


quando Galileo estava sendo questionado em seu jul- Figura 2.6: Johannes Kepler
gamento e foi obrigado a jurar que a Terra não se
movia, ele falou baixinho “Ela ainda se move...” Ne-
gou para geral no julgamento, mas deu a palavra final
baixinho

Por volta dos anos 1500 (o Brasil estava sendo descoberto nessa época), um nobre
dinamarquês chamado Tycho Brahe iniciou um trabalho de observação astronômica
a olho nu, em seu observatório particular, localizado entre a Dinamarca e a Suécia.
Esse trabalho de observação levantou dados muito importantes para criação das
primeiras equações sobre gravitação. O observatório de Brahe tinha até nome: Ura-
nienborg, em homenagem a Urânia, a musa da astronomia.
Tycho Brahe era uma figura cuja vida teve alguns episódios pitorescos...
Tycho Brahe se meteu em uma confusão que acabou em um duelo de espadas, que
nem nos filmes. Ele foi lá lutar com seu adversário e acabou perdendo o nariz com
um golpe de espada desferido durante combate. Estando ele sem nariz, passou a usar
próteses de metal, tipo ouro, prata e cobre. Ao exumar seu cadáver, verificou-se que
os ossos do nariz estavam contaminados de verde, sinal de ı́ons de cobre. Isso deve
ao fato de que o cobre é um metal mais maleável que o ouro e prata e provavelmente
o deixava mais confortável.
Capı́tulo 2. Breve história da astronomia 19

Figura 2.7: Tycho Brahe. Nariz metálico do Brahe em um retrato da época, mostrando
a prótese.

A morte de Brahe foi causada por sua educação à mesa. Convidado a um banquete,
ele estava com bexiga cheia e precisava ir ao banheiro, mas com vergonha resolveu
dar uma seguradinha. Segurou tanto que contraiu um problema urinário que veio a
lhe tirar a vida depois de onze dias acamado. Fato confirmado pelas colunas sociais
da época e na revista Caras da Dinamarca (tentativa de piada). Entre os próximos
de Brahe estava um cidadão chamado Johannes Kepler. Kepler o acompanhou até
seu momento derradeiro e diz a lenda que teria dito as seguintes palavras a Kepler
“Ne frustra vixisse videar!” que significa “Vaaai Curinthia!”. Não, não foi isso, não.
A tradução correta é “Não me deixe parecer ter vivido em vão”. Kepler mais tarde,
usando os dados de medição de Brahe deduziu as três leis do movimento planetário,
que conhecemos hoje. Kepler cumpriu o pedido de Brahe. Parceria sempre!
Na Itália, entre uma massa e outra, um individuo chamado Galileu Galilei também
contribuiu enormemente para astronomia ao desenvolver um telescópio rudimentar
de 20 vezes aumento com o qual pôde descobrir as quatro maiores luas de Júpiter
em 1610, observou as crateras da Lua, explicou as machas solares (eu nem sabia que
o sol tinha mancha...), notou as fases de Vênus tal quais as fases da Lua e defendeu
o modelo geocêntrico. Ao tomar partido do modelo geocêntrico, Galileu arrumou
confusão com a Santa Inquisição e quase foi executado. Quando foi chamado perante
o tribunal da Inquisição, ele negou suas ideias sobre o movimento da Terra se livrando
de morrer na fogueira ou enforcado... Dizem que enquanto ele negava diante dos
seus julgadores, ele baixinho dizia o contrário.
20 2.3. A Astronomia e a Fı́sica

2.3 A Astronomia e a Fı́sica


Os trabalhos de Tycho Brahe deram a Kepler as evidências para desenvolver as
leis dos movimentos dos corpos celestes, dando um passo da mera observação para
modelos matemáticos. O desenvolvimento dos conceitos fı́sicos por Galileu começou
a dar base para um entendimento desses fenômenos sob a luz da ciência fı́sica. Isso
impulsionaria o entendimento do cosmos com uma fruta.
A descoberta dos princı́pios da gravitação se deu pela observação da queda de uma
maçã por Sir Isaac Newton. Era o ano de 1666 na Inglaterra, mais especificamente
no jardim da senhora Newton, em Lincolnshire. Isaac estava descansando sob a
sombra de uma macieira, quando uma maçã caiu sobre sua cabeça, fazendo também
cair a ficha de que a Terra atraia os corpos. A partir daı́ Newton passou a descrever
uma teoria sobre a forma com que os corpos interagiam. Escreveu o sua maior
obra, o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, ou Princı́pios Matemáticos
da Filosofia Natural de 1687. Vamos entrar em detalhes nos próximos capı́tulos.

Figura 2.8: Isaac Newton não era headbanger e nem cultuava essa cabeleira. Essas
perucas eram comuns para evitar contaminação por piolhos naquele tempo.

2.4 Séculos XIX e XX e uma nova forma de ver


o universo
O homem vê o mundo porque seus olhos são sensı́veis à luz, ondas eletromagnéticas
em uma faixa de frequências que sensibilizam os tecidos internos do olho. Porém,
existem muitas outras ondas eletromagnéticas, além do que o ser humano pode per-
ceber a olho nu. Com os avanços da fı́sica, descobriram ondas eletromagnéticas em
diversas outras faixas como o infravermelho, ultravioleta, raios X, ondas de rádio,
raios gama e etc. O que podemos ver é uma faixa muito estreita de frequências.
Logo, a ciência aprendeu como usar essas ondas e isso trouxe mais avanços na as-
Capı́tulo 2. Breve história da astronomia 21

tronomia como a descoberta da espectroscopia.


Ondas eletromagnéticas são ondas que viajam a uma mesma velocidade, não impor-
tando sua frequência e comprimento de onda, nomeada de c, cujo valor no vácuo é
300.000km/s. Cada frequência está associada a um único comprimento de onda que
pode ser calculado através da famosa equação das ondas. Para qualquer onda vale
a seguinte relação entre velocidade v, sua frequência f e seu comprimento de onda
λ.

v =λ·f

Conforme dito, para as ondas eletromagnéticas a velocidade é c, portanto, a equação


para ondas eletromagnéticas se torna:

c=λ·f

Note a afirmação que fizemos na equação acima: para uma determinada frequência,
temos apenas um único comprimento de onda, indo do violeta ao vermelho. Frequências
acima da frequência do violeta são chamados de ultra-violeta (um exemplo são as
radiações solares e que causam câncer). Frequências abaixo da frequência do verme-
lho são chamados de infra-vermelho (emitido pelo controle remoto da sua televisão,
porém você não enxerga, mas a TV detecta). Cada cor possui uma frequência bem
definida, bem como um comprimento de onda. Com o progresso nas pesquisas, ci-
entistas viram que gases aquecidos emitir radiações com determinadas frequências,
isto é, os gases teriam uma identidade eletromagnética. Com isso era possı́vel deter-
minar a composição de determinado material apenas observando as radiações por
eles emitidas. A engenharia eletrônica possibilitou a criação de sensores que pode-
riam analisar essas radiações e assim detectar a composição de uma estrela ou de
um planeta, dizendo de grosso modo. Dessa forma, a observação astronômica deu
um salto, permitindo entender não só a mecânica celeste, mas os ciclos de formação
e morte dos astros.
Os progressos da ciência permitiam sonhar com respostas para perguntas mais fun-
damentais como a origem do Universo, sua evolução e qual seria o seu futuro. Das
inúmeras teorias surgidas, a que é a mais aceita é a Teoria do Big Bang, mostrada a
seguir. Tudo começou quando o fı́sico experimental Leonard Hofstadter foi dividir
apartamento com doutor Sheldon Cooper... ops, é outra teoria.
A Teoria do Big Bang supõe o seguinte:

“Our whole universe was in a hot dense state,


Then nearly fourteen billion years ago expansion started. Wait...
The Earth began to cool. . . ”

- Theory of Everything, Barenaked Ladies

Nosso universo era quente e denso, perto de 14 bilhões de anos atrás a expansão
começou... Só que esta expansão começou com uma explosão. Espalhando-se e tudo
mais se originou a partir daı́, pro isso o nome Big Bang, ou grande estrondo.
Essa teoria só teve suas evidencias detectadas com a evolução dos sensores que per-
mitiram ouvir “ecos” dessa explosão.
22 2.5. Teoria da Relatividade Geral e Ondas Gravitacionais

E como o universo evoluiu? Está em expansão ou contração? Isso porque se ex-


plodiu pode ser uma expansão, porém se a expansão acabou e agora estamos com-
primindo? A resposta para isso vem de um efeito que podemos observar quando
uma ambulância ou outro veı́culo com sirene passa em alta velocidade. Quando a
ambulância passa, parece que o som dela muda quando se aproxima de nós e quando
se afasta. Essa mudança de grave para agudo se dá por que a frequência, que o ob-
servador escuta, muda. A sirene vai estar sempre com a mesma frequência, porém o
efeito do movimento faz parecer, aos ouvidos do observador, que há uma mudança.
Esse fenômeno é explicado como Efeito Doppler. Ele se aplica à ondas cuja fonte
esteja em movimento relativamente a um observador. Astrônomos perceberam que
galáxias que estão se afastando da Terra apresentam radiações que parecem se deslo-
car para as frequências do vermelho e galáxias que aproximam apresentam radiações
aqui na Terra que se deslocam em direção às frequências do azul. Esse fenômeno
é conhecido com Red Shift, ou deslocamento para vermelho. Edwin Hubble per-
cebeu essas relações e suas observações são tomadas como indı́cios da expansão do
Universo.

2.5 Teoria da Relatividade Geral e Ondas Gravi-


tacionais
Em 1915 era publicada a Teoria da Relatividade Geral, pelo fı́sico alemão Albert
Einstein. Einstein já havia impressionado o mundo com a teoria anterior chamada
Teoria da Relatividade Especial ou Restrita. Einstein revolucionou a Fı́sica ao dar
uma nova visão sobre os fenômenos fı́sicos e com a Teoria da Relatividade Geral
viria a mudar o entendimento da gravitação. Na sua teoria, os fenômenos fı́sicos po-
deriam ser observado em um referencial quadridimensional, sendo o tempo a quarta
dimensão. Hoje, na fı́sica clássica, os referencias são sempre (x,y,z) representando o
espaço, no entanto Einstein propôs uma nova forma como (x,y,z,t). E ele foi além,
o espaço-tempo está relacionado com a gravidade! Dentre as diversas conclusões de
sua teoria, uma delas é que grandes massas podem curvar o espaço-tempo. Veja na
figura seguinte:

Figura 2.9
Capı́tulo 2. Breve história da astronomia 23

A confirmação experimental dessa alegação foi feita no Brasil, em Sobral no Ceará,


no ano de 1919. O experimento realizado mostrou que a curvatura do espaço-tempo
faria um raio de luz, vindo de uma estrela, contornar o Sol (se não considerarmos
a curvatura do espaço, a luz seguiria um caminho em linha reta e seria bloqueada
pelo Sol) e ser detectada na Terra. Na figura seguinte, o ponto mais a direita seria
a posição causada pelo efeito da distorção, fazendo a parecer estar mais afastada
quando na verdade, ela estaria atrás do sol e não poderia ser vista.

Figura 2.10

Essa foi uma das confirmações experimentais da teoria do Albert.


Recentemente, mais uma previsão da Teoria da Relatividade Geral foi confirmada:
a existência de ondas gravitacionais. Sendo que objetos de grandes massas causam
distorções no espaço-tempo, ondas gravitacionais podem acontecer. Um experimento
de um consórcio de cientistas, o LIGO, Laser Interferometer Gravitational-Wave
Observatory, conseguiu detectar perturbações criadas por um sistema binário de
buracos-negros. Buracos Negros são objetos celestes de massa muito elevada a tal
ponto que sua força gravitacional não permite nem a luz escapar. O sistema binário
formado pelos buracos negros pode ser entendido com como dois corpos que orbitam
em torno do seu centro de massa. É como um casal, de braços dados, girando em um
salão de festas. Então a rotação dessas duas grandes massas perturba o espaço-tempo
gerando as ondas. Na fotografia abaixo, podem ser vistos os dois buracos-negros e
note que são dois opacos devido ao fato de não deixarem a luz escapar, diferente das
estrelas.

Figura 2.11
24 2.5. Teoria da Relatividade Geral e Ondas Gravitacionais

Na figura seguinte as espirais são as perturbações criadas pelo sistema binário ana-
lisado. Essas ondas foram detectadas pelos interferômetros a laser do LIGO. Com-
provando assim, que mais uma vez Einstein estava certo.

Figura 2.12

O Albert sempre foi um cara muito simpático, de bem com a vida e de mal com o
pente ou escova, revolucionou a fı́sica e gostava de tomar uma depois do trabalho
para relaxar. O Albert realmente faz falta...

Figura 2.13
Capı́tulo 3

Gravidade

3.1 A gravidade de Newton


O Principio da Gravitação foi descoberto por Newton e estabelece uma forma de
calcular a força entre dois corpos quando separados a certa distância. Newton
afirmou que essa força depende de uma constante universal, chamada de Constante
Universal Gravitacional.
Gm1 m2
F =
d2
Onde G = 6, 67 × 10−11 m3 kg −1 s2 . No numerador m1 e m2 são as massas dos corpos
envolvidos e d é a distância que os separa.
Como a força é um vetor, ela deve ter além de um valor de intensidade, deve ter
uma direção e um sentido. A direção é sempre na linha reta que une os corpos. O
sentido é sempre na direção do outro corpo. Por exemplo:

Na figura, temos duas forças F12 quer dizer a força gravitacional que o corpo 1
exerce sobre o corpo 2 e F21 quer dizer a força que o corpo 2 exerce sobre o corpo 1.
Essas forças são sempre ao pares e tem igual intensidade, não importa se o um dos
corpos seja infinitamente maior. Eu gosto de dizer que é uma força democrática.
Por exemplo, entre mim e a Terra há uma força gravitacional, pois eu tenho uma
massa de aproximadamente 78kg e a Terra tem milhões quilos de massa. Nessa
nossa convivência diária, a Terra exerce uma força sobre mim e eu exerço uma força
sobre ela. A força que ela exerce sobre mim é igual em intensidade à força que eu
exerço sobre ela.
Um mesmo corpo pode exercer forças gravitacionais em muitos outros, não impor-
tando a quantidade e cada interação gravitacional segue a mesma regra acima. No
exemplo seguinte, quatro corpos de massas diferentes separados por distâncias que
não são as mesmas, exercem forças gravitacionais uns sobre os outros. Veja que as
forças são aos pares, pois de acordo coma fórmula de Newton, a interação gravita-
cional envolve sempre dois corpos de cada vez.

25
26 3.1. A gravidade de Newton

Aı́ você me pergunta, e esse monte de forças aı́? Bom, veja que cada corpo está
sob ação de três forças. O que vai acontecer com ele vai depender da sua massa
e principalmente da força resultante. A força resultante é a força que resulta do
efeito combinado dessas três forças. Para saber como vai ficar essa força resultante é
preciso fazer a soma vetorial das forças. O que isso quer dizer, você tem que somar
os vetores. Estou considerando que você já sabe fazer isso. Algumas coisas eu posso
até revisar, mas se eu revisar tudo esse livro fica enorme.
Se a resultante for nula, a aceleração será nula e então duas situações podem acon-
tecer:

1. Se a aceleração é nula, não há variação de velocidade, então ele pode estar em
movimento uniforme, isto é, com velocidade constante.

2. Se a aceleração for zero, ele pode ter velocidade constante igual a zero, isto é,
parado.

Assim se a resultante for zero, o corpo pode estar em repouso ou eu movimento


uniforme. Então veja o seguinte, a resultante da força é a soma de todas as forças
X
FR = F = ma

A aceleração vai ficar:


P
F
a=
m
Para saber o que acontece com todos os corpos da situação do exemplo, precisamos
fazer a resultante de cada um e depois a achar a aceleração, daı́ poderemos entender
o movimento deles.
Um exemplo cairia bem agora hein...? Então vamos lá.
Capı́tulo 3. Gravidade 27

Questão resolvida. Suponha que três corpos de massa m estejam nos vértices
de um triângulo equilátero de lado a. Calcule a resultante da força no corpo 3 e
encontre a sua aceleração.

Solução: As massas são iguais e a distancias também. O que fizermos para a


massa 3 vale para as outras. Se fossem diferentes terı́amos que fazer uma por uma.
O que quero mostrar aqui é um procedimento para você usar nessas situações. Se
você entender bem esse procedimento não vai ter problemas com outros tipos de
questões parecidas.
Primeiro pegamos a massa três e desenhamos as forças sobre ela. Isso já está na
figura. Sobre ela está a força que a massa 2 exerce sobre ela e a força que a massa
1 exerce sobre ela. A direção dessas forças é a direção da linha que une os centros
delas. Mas veja que elas estão inclinadas. Como fazer? Somar direto é que você
não deve, pois esses vetores não estão na mesma direção. O que eu faço é criar um
sistema de coordenadas em cima da massa em questão e decompor essas forças em
horizontais e verticais. Depois disso, aı́ sim eu somo as componentes horizontais e
as componentes verticais. Feito isso posso achar a força resultante

De posse disso, faço a decomposição das forças. Note na figura abaixo que as
forças seguem a linha do triângulo equilátero. Um triângulo equilátero tem todos os
seus lados iguais e seus ângulo internos iguais a 60◦ . Como as força F13 e F23 (que
28 3.1. A gravidade de Newton

chamei de F1 e F2 só para não carregar muito o desenho) são simétricas, o ângulo
com a vertical é 30◦ para cada para completar 60◦ do vértice.

Agora que as forças foram decompostas, podemos somar as componentes de


mesma linha, isto é, somar as forças horizontais e as forças verticais. FRx e FRy são
as resultantes no eixo x e eixo y, resultado da interação das componentes horizontais
e verticais, respectivamente.
X
FRx = Fx

X
FRy = Fy

Agora precisamos calcular cada componente horizontal e vertical. Observe que as


componentes de F1 , forma com F1 um triângulo retângulo. O mesmo se pode dizer
para F2 e sua gangue.

As relações trigonométricas ajudam bastante nessa hora. Mas qual usar? Seno?
Cosseno? Tangente? Depende do que você tiver à mão... Sabemos que as forças F1
e F2 são as forças gravitacionais, e F1 e F2 são as hipotenusas, então é melhor usar
seno e cosseno.
Para F1 :
1 1 Gm2
F1x = F1 .cos60◦ = F1 = · 2
2 2 a
Capı́tulo 3. Gravidade 29

√ √
◦3 3 Gm2
F1y = F1 .sen60 = F1 = · 2
2 2 a
Para F2 :
1 1 Gm2
F2x = F2 .cos60◦ = F1 = · 2
2 2 a

√ √
◦3 3 Gm2
F2y = F2 .sen60 = F1 = · 2
2 2 a
A componente F1x está no sentido contrário do plano cartesiano, portando será
negativo.
X 1 Gm2 1 Gm2
FRx = Fx = F2x − F1x = · 2 − · 2 =0
2 a 2 a
As duas componentes verticais apontam para baixo, então são contra o sentido do
eixo y, portanto são negativas.
√ √
X 3 Gm2 3 Gm2 √ Gm2
FRy = Fy = −F2y − F1y = − · 2 − · 2 =− 3· 2
2 a 2 a a
Como temos as duas componentes da força resultante, podemos achar o módulo da
força.

FR2 = FRx
2 2
+ FRy

2
√ Gm2

FR2 2
=0 + − 3· 2
a

s 2
√ Gm2
FR = − 3· 2
a

√ Gm2
FR = 3·
a2
Qual a direção dessa força? É só achar o ângulo entre suas componentes
FRx 0
cosθ = = =0
FR FR

√ Gm2
FRy − 3· 2
senθ = = a = −1
FR √ Gm2
3· 2
a
O ângulo para o qual o cosseno é zero e o seno é −1 é 270◦ , o que mostra que a
força resultante é uma força vertical apontada para baixo. Ou também você pode
30 3.1. A gravidade de Newton

notar que a resultante horizontal é nula e sendo assim a força resultante só pode ser
vertical e neste caso, no sentido da base do triângulo.
A aceleração do corpo 3 segue o mesmo sentido e direção da força resultante (vertical
para baixo) e tem intensidade de:
√ Gm2

α=
FR
= a2 = √3 · Gm
m m a2
Pronto!! Tente repetir isso para ao invés de um triangulo equilátero, seja um trian-
gulo retângulo de catetos de lado a. Faz aı́, irmão!

Um fato importante a ser citado é que a força gravitacional nunca se anula, ela
diminui com o quadrado da distância, porém nunca vai a zero. A própria equação
mostra isso. Quer ver? Vamos supor que dois corpos do exemplo se interagem e
vamos analisar em que situação a força entre eles dois se anula.
Gm1 m2
F = =0
d2
Para isso aı́ ser zero, temos que ter uma ou as duas massas iguais a zero. Mas como
os corpos existem isso não é possı́vel. Outra situação é avaliando a distância... A
distância para qual a força é nula é:
r r
Gm1 m2 Gm1 m2
d= =
F 0
Mas uma divisão por zero não existe, é uma indeterminação, uma violação ma-
temática. Dessa maneira, para distâncias muito grandes, grandes mesmo, mas
muito, muito grandes, a força fica muito pequena, mas não se anula.
Por exemplo, enquanto eu escrevo essas humildes linhas deste livro, eu sinto uma
força de atração muito fraca entre mim e a estrela Alfa Centauri, que está à um
zilhão de quilômetros daqui.
Mas não confunda força gravitacional nula com resultante nula. A resultante dá
nula por que é uma soma de forças que podem se anular. A força gravitacional
sozinha não se anula.
Isso tudo acontece por que cada massa cria uma região de influência gravitacional,
onde outras massas podem sentir o efeito desse campo. Não fica muito claro esse
conceito desse jeito e eu prefiro trabalhar com analogias.

Imagine a Nicole Kidman, aquela atriz australiana...


Considere que a Nicole Kidman passe um dos perfumes mais caros e mais atraentes
que existe no mundo, afinal ela pode comprar. Ao andar por aı́, o perfume de Nicole
se espalha pelo ar. As pessoas perto dela irão sentir esse perfume e ficarão atraı́dos
por ela, pois isso chamará atenção delas. Quanto mais perto, maior é a intensidade
do perfume e mais intensa será atração. Pessoas mais afastadas sentiram o perfume,
mas não tão forte quanto às pessoas mais próximas.
O campo de força é assim, como a analogia do perfume, seja ele gravitacional ou
eletrostático, é como se fosse a região onde se sente o efeito.
O campo gravitacional depende da distância e da massa que o gera. Em cada posição
dele há um valor que depende da massa que foi colocada no campo. Esse valor se
Capı́tulo 3. Gravidade 31

chama potencial gravitacional. Quando um corpo de massa m está se movendo em


um campo gravitacional, ele assume diversos valores de potencial gravitacional. O
potencial gravitacional aumenta à medida que se aproxima da massa geradora do
campo.
Vamos pensar numa partı́cula no campo gravitacional da Terra, quando ela está
muito longe tipo no ponto OJPAB (Onde Judas Perdeu As Botas). Nesta loca-
lização o campo é muito fraco (nunca nulo!), ela está sob um potencial de valor
muito próximo de zero (nunca zero!). Se ela começa a se mover em direção da
Terra, ela aumenta seu potencial, pois está se aproximando da massa geradora. É
tipo duas pessoas que se amam. A pessoa amada está ali na praça sentada dando
comida aos pombos. A outra pessoa apaixonada vê a razão de sua paixão ali e à
medida que vai se aproximando começa a sentir uma ansiedade, um nervosismo,
um sei-lá-o-que.... Como se esse estado emocional fosse o potencial. Entendeu a
analogia?
No caso do planeta Terra, se considerar só ela no Universo (para desconsiderar os
efeitos de outros corpos celestes), um meteoro que viaja por aı́, sente o campo da
Terra e a cada ponto de seu deslocamento ele sente um valor de potencial gravita-
cional e quanto mais perto, maior o potencial.
Um campo gravitacional é uma grandeza vetorial, o que significa que possui uma
direção e um sentido. A direção é a mesma direção da força gravitacional, e o sentido
também. Já o potencial gravitacional é uma grandeza escalar, portanto, é apenas
um número.
A figura abaixo mostra como o módulo do campo varia com a distância. Por isso
que quanto mais perto, mais acelerado um corpo está. O campo gravitacional é
função apenas da massa geradora e da distância até o centro dessa massa. O gráfico
abaixo não depende de massa nesse campo.

Como esse é um livro de fı́sica, precisamos escrever umas fórmulas para sumarizar
o que aprendemos até agora.
Um campo gravitacional pode ser escrito como a região na qual uma massa sente
a força gravitacional gerada por outra massa. O campo é um vetor, então vamos
calcular o vetor.
F~
~g =
m
32 3.1. A gravidade de Newton

Como a divisão tem sinal positivo, podemos dizer que o campo gravitacional g tem
o mesmo sentido da força. E se tivesse um negativo ali? Irı́amos dizer que o campo
gravitacional tem sinal oposto à da força.
Para calcular o valor do campo gravitacional (que vamos chamar de g) precisamos
achar o módulo do vetor campo gravitacional. É só pegar o módulo da força e dividir
pela massa

|F~ |
|~g | =
m
Vimos anteriormente o módulo da força gravitacional, que é a equação de Newton,
que dá o módulo da força gravitacional.
GM m
2 GM
g= d = 2
m d
Temos aı́ uma coincidência interessante, o valor do campo gravitacional é o mesmo
da aceleração causada pela força gravitacional.
Quando pensamos na aceleração de uma força resultante sobre um corpo e esse corpo
tem massa m, estamos falando de massa inercial. Quando falamos em massa para
fins de cálculos gravitacionais estamos falando de massa gravitacional. Nesse caso,
a massa inercial e a massa gravitacional são idênticas.
Vamos continuar nosso bate-papo, mas antes eu gostaria de chamar a distância d de
r.
GM
g=
r2
Pronto! Seguinte... essa equação vale para qualquer situação. Se você pegar uma
bala de hortelã e quiser calcular o campo gravitacional gerado por ela é só pegar
sua massa e estipular uma distância do centro dela. Se você quiser calcular o campo
gravitacional de uma formiga saúva também é possı́vel, basta usar a fórmula. Mas se
estiver falando de um corpo de dimensões relevantes como um planeta, por exemplo?
Essa equação também é valida sim. Esse r aı́ é a distancia até o centro da massa
geradora do campo. Se tomarmos um ponto na superfı́cie do planeta, o r é igual ao
raio do planeta... Por isso que eu coloquei no gráfico um valor Es. Mas se fossemos
entrar no planeta, como seria o campo lá dentro?
Bom, cada planeta tem sua composição interna, tem planetas que são gasosos outros
são sólidos, estrelas, por exemplo, tem uma composição especial, mas no final tudo
tem massa, o que vale é a massa deles. Por exemplo, a Terra tem várias camadas
de material. A mais externa e que nós conhecemos é a crosta terrestre, na qual nós
pisamos e construı́mos nossas casas e armamos nossas barracas de camping e onde as
crianças fazem castelos de areia que o cachorros vêm destruir. Abaixo da crosta tem
o SiAL e o SiMa, são camadas formadas por Silı́cio e Alumı́nio e Silı́cio e Magnésio.
E depois dessa camada há o núcleo que é uma mistura de metais derretidos em alta
temperatura e que giram em velocidades maiores que a velocidade de rotação da
Terra. Isso que causa termos um campo magnético. Como a Terra é composta de
várias camadas de materiais diferentes, dizemos que ela é heterogênea. Se ela fosse
um bola feita só de ferro ou chumbo ou chocolate, com distribuição uniforme, ela
seria homogênea.
Capı́tulo 3. Gravidade 33

Se cavarmos um buraco que vai passando por essas camadas, vamos sentir uma
diferença de gravidade à medida que nos aprofundamos. A gravidade (já conheço o
campo gravitacional faz um bom tempo e temos certa intimidade então vou chama-
lo de gravidade) vai decaindo com a proximidade do centro da Terra, isso por que
o que fica para cima não faz diferença. Vamos ver isso em breve. Em muitos
problemas de gravitação para ensino médio, fazemos uma consideração de que a
Terra é homogênea e assim podemos achar uma relação linear bem interessante,
mas isso é apenas considerações de problemas, mas na real ela é heterogênea. Dá
para calcular no caso de ela ser heterogênea, mas aı́ precisamos de ferramentas de
calculo que só se vê na universidade. Mas por que eu citei isso, simplesmente para
você saber o que é real e o que é teórico.
Mas por que não falamos de campo interno de uma bala de hortelã ou formiga? Por
que quem quer saber isso? Mas Miguel isso não é resposta. Com certeza não... Bom,
primeiro é que planetas e estrelas são muito mais simples de modelar, ou seja, são
esferas, bolas, “oblóides” e que dá para supor com certa tolerância que são feitos de
poucos materiais e tals. Pense como seria modelar uma formiga... e para o ensino
médio isso é irrelevante e complexo.

Enfim, saiba que existe um campo interno e que ele diminui a medida que cava-
mos um buraco na Terra. Precisamos falar sobre o potencial gravitacional

Meu amigo e minha amiga, o potencial como disse é um valor que uma massa
assume ao se posicionar em um campo gravitacional. Mas qual seria a definição de
potencial?? Anota aı́... o potencial gravitacional seria a energia necessária (trabalho)
necessário para trazer um corpo de massa m, lá do infinito até o ponto que estamos
considerando, quando em um campo gravitacional.
34 3.1. A gravidade de Newton

Como o potencial no infinito é muito pequeno, consideramos como nulo, só para
efeito de calculo. Assim, o potencial gravitacional sempre será no ponto a uma
distancia r do centro da massa geradora
Nesse caso, o potencial é um valor que depende da massa geradora e da massa em
questão e por isso a equação fica assim:

GM m
U (r) = −
r
Lembre que r é a distância entre o centro da massa M e o centro da massa m.
Esse resultado acima mostra que podemos mover um corpo em um campo gravita-
cional pra lá e pra cá desde que se forneça a energia necessária para que ele esteja
nessa posição. Tipo viajar, você pode ir para Paris, para Moscou, desde que você
forneça o dinheiro para estar nesses lugares. É a mesma coisa, para mexer uma
massa em um campo gravitacional é só fornecer ou retirar a energia dessa massa. A
essa energia damos o nome de Energia Potencial Gravitacional.
Na maioria dos problemas de gravitação, consideramos sistemas sem influência de
outras forças externas ao sistema, assim usamos o principio da conservação da ener-
gia mecânica. A energia mecânica nesses casos é composta pela energia cinética e
a energia potencial gravitacional. A energia cinética é a energia do movimento e
depende da velocidade do corpo.

1
Ecinética = mv 2
2
A energia mecânica é a soma dessas energias

Emecânica = Ecinética + Epotencial

1 GM m
Emecânica = mv 2 −
2 r
Se no sistema que consideramos não há forças externas, em qualquer ponto e a
qualquer momento a energia mecânica é igual.
Qual seria a energia mecânica da massa m1 no sistema que vimos inicialmente?

É a soma da energia de cinética de m1 e de m2 e a energia potencial gravitacional


entre eles
1 1 Gm1 m2
Emecânica = m1 v12 + m2 v22 −
2 2 d
Vamos ver mais um exemplo para entender melhor essa questão...
Capı́tulo 3. Gravidade 35

Questão resolvida. Imagine três massas de m1 , m2 e m3 , cada uma no vértice


de um triangulo equilátero de lado a. Inicialmente elas estão em repouso por que
tem alguém segurando cada massa. Se o cidadão vai fazer um lanche e solta essas
massas, elas começam a se mover, pois estão se atraindo. Qual é a energia mecânica
do sistema nessa situação e quando elas se encontrarem?

Solução:
Gm1 m2 Gm1 m3 Gm2 m3
Emecânica inicial =− − −
a a a
Mas por que não entra energia cinética aı́? Atento leitor, isso acontece, pois no
inicio elas estão em repouso, por que o Criatura de Deus está segurando as massas.
Daı́ a velocidade é nula e as energias cinéticas são nulas.
Depois que elas foram soltas, parte da energia mecânica inicial se transforma em
movimento, ou seja, cada massa começa a se mover com velocidade e com isso,
temos que considerar a soma das energias cinéticas de cada uma. Qual seria então a
energia mecânica quando cada um está a uma distancia igual a metade da distância
inicial? É só considerar na equação da energia potencia, ao invés de a, considerar
a/2.
1 1 1 Gm1 m2 Gm1 m3 Gm2 m3
Emecânica inicial = m1 v12 + m2 v22 + m3 v32 − − −
2 2 2 a/2 a/2 a/2
Apesar de ter ficado uma equação grande, os conceitos são bem estruturados. È só
você pensar em cada massa, na energia cinética e potencial de cada uma e analisar
o antes e depois.
Imagine que elas estão em uma mesa sem atrito, sem resistência do ar, sem nada
que atrapalhe... Podemos dizer que a energia se conserva.
Emecânica inicial = Emecânica f inal

Gm1 m2 Gm1 m3 Gm2 m3 1 1 1 Gm1 m2 Gm1 m3 Gm2 m3


− − − = m1 v12 + m2 v22 + m3 v32 − − −
a a a 2 2 2 a/2 a/2 a/2
Se as massas são iguais a m, então:
3Gm2 1 1 1 6Gm2
− = mv12 + mv22 + mv32 −
a 2 2 2 a

1 2 1 2 1 2 3Gm2
mv + mv + mv =
2 1 2 2 2 3 a
36 3.2. Aceleração da gravidade

3.2 Aceleração da gravidade


Da discussão anterior vimos que o campo gravitacional é idêntico à aceleração cau-
sada pela força gravitacional. Assim, essa aceleração nós vamos chamar de ace-
leração da gravidade. Pois bem... Imagine um planeta esférico, que tenha raio R e
massa M . Esse planeta atrai os corpos em sua volta com a força gravitacional:
GM m
F =
d2
Essa força de atração é que chamamos de peso, então fica assim:
GM m
P =
(R + h)2
Em que h é altura do corpo em relação a superfı́cie do planeta.Mas sabemos que
peso se calcula desta forma:

P = mg

m é a massa dos corpos nas proximidades da superfı́cie do planeta e g é a aceleração


da gravidade nessa região.
Igualando as equações do peso, gerando o resultado:
GM m
mg =
(R + h)2

GM
g=
(R + h)2
Se a altura h é muito menor que R, podemos despreza-lo, deixa-lo na rua da amar-
gura, com uma garrafa de pinga como companhia. Mas por que despreza-lo? Por
que sendo o raio da Terra um valor na faixa de 6000 km, ou 6000000 metros, so-
mar 100m metros em 6000000 vai afetar muito pouco. Quando falamos em dezenas
ou centenas de quilômetros, a simplificação não rola. Por isso, por simplicidade,
para ALGUNS CASOS, podemos entender que a aceleração nas proximidades da
superfı́cie da Terra é constante igual a g.
Para o caso da aceleração da gravidade na superfı́cie da Terra, o valor é obtido ao
substituir os dados da equação:
GM 6, 67 × 10−11 · 5, 97 × 1024
gP = = = 9, 81m/s2
R2 (6, 37 × 106 )2
Se você subir ao topo do Monte Everest, que tem 8000m de altura, tem que voltar
a usar
GM
g=
(R + h)2
Onde h é a altura do Everest.
Atente que peso é diferente de massa. Massa é quantidade de matéria e peso é uma
força.
Capı́tulo 3. Gravidade 37

Pode ser útil representarmos a aceleração gravitacional em um ponto qualquer


em função da aceleração gravitacional na superfı́cie. Isso nos permite comparar essa
aceleração com a aceleração que conhecemos e que podemos medir em solo. Um
pouco de álgebra nos ajuda nessa missão. Vamos chamar a aceleração na superfı́cie
de g0 e a aceleração em um ponto a uma dada altura da superfı́cie de gh que pode
ser expresso como:
GM
gh =
(R + h)2
Isso porque estamos a uma altura h do solo. Para g0 , a expressão fica:
GM
g0 =
R2
Veja que há algo em comum para gh e g0 , que é a quantidade GM e que não vai
mudar, pois é a constante gravitacional e a massa do planeta. Podemos retrabalhar
as equações para relacionar as duas acelerações. Veja a magia pairando no ar com
essa manipulação matemática:

GM = g0 R2

Como o resultado acima é o numerador para gh , podemos substituir...


GM g0 R2
gh = =
(R + h)2 (R + h)2
gh pode ser expresso em função de g0 e da altura.
g0 R 2
gh =
(R + h)2
Agora vamos ver o que acontece quando subimos para alturas:
h = 0, 5R
h = 1R
h = 2R
h = 5R
h = 10R
h = 100R
g0 R2 g0 R2 g0 R2 ∼
g(0, 5R) = = = = 0, 44g0
(R + 0, 5R)2 (1, 5R)2 2, 25R2

g0 R 2 g0 R2 g0 R2
g(1R) = = = = 0, 25g0
(R + R)2 (2R)2 4R2

g0 R 2 g0 R2 g0 R 2 ∼
g(2R) = = = = 0, 11g0
(R + 2R)2 (3R)2 9R2

g0 R2 g0 R2 g0 R2 ∼
g(5R) = = = = 0, 027g0
(R + 5R)2 (6R)2 36R2
38 3.2. Aceleração da gravidade

g0 R2 g0 R2 g0 R2 ∼
g(10R) = = = = 0, 008g0
(R + 10R)2 (11R)2 121R2

Colocando em uma planilha obtemos um gráfico que mostra toda essa variação.
No eixo vertical temos a porcentagem da aceleração na superfı́cie e na horizontal a
altura em múltiplos do raio do planeta.

Note que a uma altura de duas vezes o raio do planeta, o que se sente é uma
aceleração que é 11% da aceleração sentida na superfı́cie. Como traçamos um gráfico
para poucos pontos, a curva fica um tanto estranha, mas já da para ver que a
aceleração cai bastante com a altura. Um gráfico melhor seria esse aqui...

Então te faço uma pergunta: Em que altura teremos aceleração da gravidade


igual a 0? Em que distancia da superfı́cie a força da gravidade é 0? Pensa aı́...
Pensou? Então pensa mais um pouco... Mas é pra pensar... Pensou? Ok. A
resposta é que não existe! O que existe é que a influencia gravitacional de um
corpo nunca se anula, mas se torna muito pequena que praticamente não faz efeito
Capı́tulo 3. Gravidade 39

nenhum. Imagina você sentado aı́, todo pimpão de boa, está sob a influencia de
várias estrelas, porém o efeito é ridı́culo e nem conta. Você sente mais os efeitos do
Sol, da Lua, Vênus, Mercúrio, Marte, que estão próximos, mas a medida em que
vão se distanciando, eles se tornam cada vez menos relevantes. Ei! Não vai pensar
que estou falando de Astrologia, estou falando de forças gravitacionais.
Agora vamos ver matematicamente o que eu disse. Para zerar a aceleração da
gravidade você teria que fazer o seguinte:

GM
gh = =0
(R + h)2

Como estamos falando de um planeta, o raio é sempre positivo e não pode ser zero,
com isso fazemos o seguinte...

GM = 0 · (R + h)2 = 0

Como G é uma constante e tem valor definido como positivo, a única coisa a se fazer
é:
0
M= =0
G

M =0

Ou seja, a massa do planeta ser igual a zero! Isto é, o planeta não existir! Assim,
quando te perguntarem se o astronauta flutua no espaço é por que a gravidade nele
lá em cima é zero, então diga que isso não é verdade!! O astronauta está flutuando
por que existe a força de centrifuga agindo nele que se opõe a força peso, dessa forma
há o efeito de gravidade nula.
Podemos simular a gravidade nula estando no planeta Terra. A NASA treina as-
tronautas em um avião sem poltronas e esse avião sobe muito alto e depois desce
com aceleração igual aceleração da gravidade. Nesse momento, as pessoas dentro
começam a flutuar, não por que a gravidade é nula, mas por que as forças se anula-
ram.
Antes de o avião descer com o cacete lá de cima, o astronauta está exercendo uma
força sobre o piso da aeronave e pela terceira Lady Newton, o piso exerce uma força
normal de mesma direção, intensidade sentido oposto.

N − mg = m · 0 = 0

N = mg

Daı́ o piloto desce o avião com uma aceleração α para baixo.

N 0 − mg = −mα

A força normal fica:

N 0 = mg − mα
40 3.3. Aceleração da gravidade em outros planetas

Se α é igual a g então N 0 = 0, então é como se não houvesse mais o peso.


Só que essa prática de simulação de gravidade nula em um avião só dura alguns
segundo, caso contrário todo o avião se arrebenta no chão...

3.3 Aceleração da gravidade em outros planetas


Podemos comparar a aceleração da gravidade entre dois planetas, fazendo simples
arranjos algébricos. Sob o ponto de vista da aceleração gravitacional o que pega para
planetas diferentes é a sua massa e o seu raio, podemos relacionar dois planetas e
ver como as atrações gravitacionais se comportam.
Então consideremos o Planeta A, com massa A e raio A e um planeta B com massa
B e raio B. A acelerações da gravidade em A e B são respectivamente:
GMA
gA = 2
RA

GMB
gB = 2
RB

Então vamos usar a técnica vista anteriormente. O que essas duas equações tem
em comum? Vale um pastel! Se você responder a constante gravitacional, acertou
mizeravi! Vamos manipular as duas equações para relaciona-las:
2
gA RA
=G
MA

2
gB RB
=G
MB
Então igualando, fica legal...
2 2
gA RA gB RB
=
MA MB
Capı́tulo 3. Gravidade 41

Mas como queremos a relação das acelerações da gravidade, vamos arrumar de novo.

gA R2 MA
= B
2
gB RA MB

Temos então uma relação para a aceleração da gravidade, na superfı́cie, em dois


planetas distintos. Veja que não levamos em consideração a altura.
Essa de relacionar dois planetas é uma questão muito comum em vestibulares e o
ITA não fica de fora. Às vezes ele pode complicar as coisas colocando a altura em um
planeta cuja aceleração gravitacional equivaleria a atração gravitacional em outro
planeta a certa altura. O ITA gosta de complicar, por isso fique esperto. Vamos
falar a respeito disso, mais pra frente. Agora vem uma questão para você.

Questão resolvida. Suponha que a humanidade consiga criar colônias na Lua e


em Júpiter e que lá as pessoas se reproduzam com filhos e tals. Como seriam as
alturas dos selenes e jupiterianos comparadas às alturas dos terráqueos? Suponha
que os indivı́duos em todas as colônias sejam biologicamente semelhantes, e que
cresceriam na mesma taxa sob as mesmas condições. A massa de Júpiter é 316
vezes a massa da Terra e o seu raio é 11 vezes o raio da Terra.

Solução: Supondo que os indivı́duos dessas colônias crescessem em taxas iguais


sob as mesmas condições, o que influenciariam no seu crescimento seria a força que
a gravidade exerce sobre eles. Sabemos que a Lua é menor que a Terra e tem bem
menos massa, já no caso de Júpiter, a massa deste é imensamente maior, e seu raio
também. O peso de cada pessoa iria variar em cada um destes lugares. Vamos ver
como seria quando comparado com a Terra. Podemos escrever que:

MJ úpiter = 316 · MT erra

RJ úpiter = 11 · RT erra
42 3.3. Aceleração da gravidade em outros planetas

Olha a comparação entre os dois. É uma diferença brutal!


Relacionando ambos:

gJ úpiter R2 MJ úpiter R2 316 · MT erra ∼


= T2 erra = T erra 2 = 2, 6
gT erra RJ úpiter MT erra 121 · RT erra MT erra

gJ úpiter
= 2, 6
gT erra

gJ úpiter = 2, 6 · gT erra

Um pessoa, de 75kg de massa, pesa na Terra: (aproximando g)

PT erra = mgT erra = 75 · 10 = 750N

Em Júpiter, o peso seria de:

PJ úpiter = mgJ úpiter = 75 · 2, 6 · 10 = 1950N

Ok. E quanto equivaleria esse peso de Júpiter na Terra? Tipo assim, uma pessoa
de quantos quilos aqui na Terra teria o mesmo peso de uma pessoa de 75 kg em
Júpiter?
Para achar a massa da tal pessoa é só usar o peso em Júpiter...

PJ úpiter = mgT erra

1950 = m · 10

m = 195kg

Para uma pessoa aqui na Terra pesar o mesmo que uma pessoa de 75kg em Júpiter,
ela precisa pesar 195kg! Muito X-Salada e batata frita!
Por isso, se a altura de uma pessoa for linearmente dependente da gravidade, po-
demos concluir que o povo de Júpiter seria mais baixinho que os terráqueos, porém
num jogo de basquete eles iriam vencer fácil. Imagina o salto de um cara desses
para dar uma enterrada. Ia ser do meio da quadra. Isso porque como eles vivem
com pesos maiores, suas pernas seriam muito mais fortes que as nossas. Um tiro de
meta de jupiteriano aqui poderia lançar a bola para fora do campo. Ia ser louco ver
um baixinho mandar um chutão desses!
Com certeza você já viu imagens do homem na Lua. Os astronautas lá não andam,
mas saltam. Isso porque como a Lua tem menor massa e menor raio, a força da
gravidade lá é bem menor assim, qualquer impulso vira um salto. Quando eu era
criança e via essas imagens, eu pensava que eles estavam tão felizes de estar na Lua
que ficavam saltando de alegria... Sabia nada, inocente...
Capı́tulo 3. Gravidade 43

3.4 Efeito da latitude e rotação


Mas tudo isso foi desenvolvido desconsiderando o seu movimento de rotação. Ele
causa um efeito de diminuir o peso aparente dos corpos. Mas como? É só lembrar
quando você estava naquele busão com motorista muito louco, apressado que faz
as curvas em alta velocidade, incorporado no espı́rito de Ayrton Sena do Brasil!
Quando ele faz essa curva, você tem a sensação de estar sendo puxado para fora da
curva, ser jogado para fora do busão. Veja a figura abaixo, onde estão representados
de forma simplificada os efeitos de uma curva. A força centrı́fuga puxa você para
fora enquanto realiza o movimento na rua. Vale salientar que os conceitos de força
centrı́fuga e força centrı́peta precisam ser analisados sob o ponto de vista de refe-
renciais, mas para não confundir vamos adotar dessa forma. Posteriormente iremos
analisar este aspecto.

Desde que você nasceu e até este momento, você está girando, porque você está
na Terra e ela gira em torno de si mesma. Pode não parecer, mas para um observador
fora do planeta, a uma certa distancia, te descreveria fazendo movimento de rotação.
Essa rotação também tende a te ”jogar”para fora, mas devido a gravidade você
não sai voando. Em qualquer corpo na superfı́cie da Terra, há uma briga entre a
gravidade e a força centrifuga, onde a gravidade vence, porém esta é descontada da
força centrı́fuga.
44 3.4. Efeito da latitude e rotação

As forças envolvidas são a força centrı́fuga que puxa o corpo para fora enquanto
que o peso atrai o corpo para o centro da Terra. Para isso, precisamos a somatória
de forças na direção radial, isto é, na linha que suporta os raios da Terra.
X
Fr = mar

As forças somadas são o peso e força centrı́fuga, gerando uma resultando na mesma
direção e sentido do peso. Nós chamamos essa aceleração de aceleração aparente,
isto é, devido à rotação da Terra, temos um peso aparente, menor que o peso real
do corpo.
X
Fr = P − Fcf = mgaparente

Substituindo a força centrı́fuga:

P − Fcf = mgaparente

v2
mg − m = mgaparente
R

v2
g− = gaparente
R
Sabemos do movimento circular uniforme que v = ωR

(ωR)2
g− = gaparente
R

gaparente = gequador − ω 2 R

Se quisermos entender como isso se relaciona com o perı́odo de rotação, podemos


substituir a velocidade angular pelo seu correspondente de perı́odo.

ω=
T
Então o monstrinho se transforma em:
 2

gaparente = gequador − ·R
T

4π 2
gaparente = gequador − ·R
T2
O que podemos concluir? Que se aumentar a velocidade de rotação da Terra, iremos
diminuir o perı́odo (vai dar uma volta mais rapidamente em torno de seu próprio
eixo), a aceleração aparente vai diminuindo. E se Deus der um peteleco divino e
todo-poderoso na Terra ela pode ir girando cada vez mais rápido, mais rápido, mais
rápido que o perı́odo vai diminuindo e a força centrifuga aumenta até que ela vence
a atração gravitacional da Terra e quando isso acontecer, meu amigo, vai ser louco
Capı́tulo 3. Gravidade 45

porque os corpos podem escapar da superfı́cie. Aparentemente eles não terão peso,
e vai ser galinha flutuando, geladeira flutuando, bicicleta flutuando, os puliça tudo
flutuando, as bandidage flutuando, as panicat flutuando... por quê? Porque a força
centrı́fuga é maior, tipo quando você está no ônibus fazendo uma curva e você tende
a ser lançado para fora.
Não sei se você percebeu que usamos gequador . Você não fica se perguntando a razão
disso? Se não se perguntou, deveria... se pergunta aı́. A razão disso é que a gravi-
dade depende da localização no globo. Mais especificamente, depende da Latitude.
Mas que é Latitude? Latitude são linhas definidas por ângulos em relação ao Equa-
dor. As figuras vão explicar melhor.

Observe que há linhas de horizontais que dividem a Terra, cada linha tem um
ângulo associado. Na figura são mostradas as linhas para ângulos notáveis. A
latitude do Equador é igual a 0◦ , ou seja, a referência. Para a parte de cima do
Equador, isto é, o Hemisfério Norte, os ângulos das latitudes são positivos. Para a
parte de baixo, isto, é Hemisfério Sul, os ângulos são negativos. Agora vamos cortar
a Terra para entender melhor.
46 3.4. Efeito da latitude e rotação

Você percebeu que tem um ângulo lá dentro (φ) que liga a linha de latitude?
Quando você pega o Equador, esse ângulo é 0◦ . A medida que vai pegando linhas
de cima, esse ângulo aumenta, até que fica vertical, ou seja, 90◦ , então você chegou
à casa do Papai Noel, vulgarmente conhecido como Polo Norte. O mesmo vale para
a parte debaixo, só que se conta de forma negativa.
Mas como isso afeta o peso aparente? Vamos então construir o raciocı́nio. Acompa-
nhe comigo porque é uma história longa..., mas não é algo dramático. Vamos apelar
para alguns fatos da vida.

Fato 1. Quando você faz uma curva, a força centrı́fuga está na reta suporte
do raio desta rotação. Ela não está em nenhuma outra direção. Sempre está
no plano da circunferência que ela gera.

Fato 2. Na figura da latitude, veja que cada linha forma um circunferência.


Quando você se encaminha para um dos polos, essas circunferências são cada
vez menores. Então podemos dizer que o raio delas vai diminuindo.

Fato 3. Quando você está em uma latitude você executa um movimento


circular cujo raio é o raio da circunferência desta latitude. Eu quando morava
na minha cidade natal, Santarém, no Pará, eu estava próximo ao Equador.
Hoje morando no estado de São Paulo, o raio que eu descrevo é menor, pois
estou mais próximo do Polo Sul.

Fato 4. Dá para calcular o raio de cada latitude. Basta usarmos um pouco de
trigonometria. Olha a figura que eu coloquei no texto agora... A reta vertical
é o eixo da terra, R é o raio da Terra e o r o raio da latitude. Eu mudei a
letra que representa o ângulo de φ para θ. Mas tem uma razão. A relação
entre os raio é senθ. Mas não tem algo estranho? Sim, se eu quiser relacionar
com a latitude o ângulo não é com a vertical, mas sim com a horizontal, pois
a referência é o Equador. Mas um bom vestibulando do ITA tem que ter as
relações trigonométricas bem afiadas.
Capı́tulo 3. Gravidade 47

Podemos escrever o tal seno:


r
senθ =
R
Como explicado, a latitude é medida a partir do Equador. Assim θ e φ são comple-
mentares, isto é, somados dão 90◦ .
θ + φ = 90◦

θ = 90◦ − φ
Enfiando no seno, este fica:
r
sen(90◦ − φ) =
R
Saibam todos e quem tem ouvidos que ouça. Em verdade vos digo que sen(90◦ −φ) =
cosφ Isso vale para quaisquer ângulos complementares. Pode perguntar para sua
professora de matemática. Isso vale sempre! Guarde com carinho no coração este
ensinamento. Com isso chegamos a:
r
cosφ =
R
O raio em determinada latitude é calculado pela seguinte equação
r = Rcosφ
Se o raio da circunferência varia, a força centrı́fuga em certa latitude varia também,
pois ela depende do raio.
mv 2
Fcf =
r
Sempre nessa formula, a força centrı́fuga está associada ao raio da circunferência
descrita. Para a latitude, a força centrı́fuga é:
Fcf = mω 2 r
Substituindo...
Fcf = mω 2 Rcosφ
E como se comporta a força centrı́fuga à medida que avançamos para os polos?
A função cosseno de um ângulo varia assim... vai diminuindo quando parte de 0◦
até 90◦
48 3.4. Efeito da latitude e rotação

Como andar para os polos a partir do Equador é o mesmo que ir de 0◦ para 90◦ ,
então o cosseno vai de 1 para 0, isto é, a força centrı́fuga vai diminuindo ao chegar
nos polos. No Equador, ela é máxima.
Mas não acabou por aı́. Vamos descobrir qual o peso aparente em determinada
latitude. A razão disso é a diferença de direção entre o peso e a força centrı́fuga.
Na figura seguinte, mostra que o a força centrı́fuga está na mesma direção do raio
da circunferência da latitude, r. Já o peso SEMPRE aponta para o centro da
Terra. Forma-se assim uma relação de vetores não alinhados. Para resolver este
problema criamos um sistema de referencia, diferente do usado para o centro da
Terra. Criamos em cima do corpo, pois é mais útil para nós. Então usamos a
projeção da força centrı́fuga na direção do peso, chamando de Fcf x . Então fazemos
a mesma análise que fizemos para o efeito no equador, mas com alguns algo mais
trigonométricos. A ideia é achar as componentes em x e z da aceleração aparente.
X
Fx = P − Fcf x = maapx

X
Fz = Fcf z = maapz

A projeção em x de aceleração centrı́fuga é uma relação trigonométrica:

acf x = acf cosϕ

Mas a aceleração centrı́fuga nesta latitude é:

Fcf = mω 2 Rcosϕ

macf x = mω 2 Rcosϕ

acf x = ω 2 Rcosϕ
Capı́tulo 3. Gravidade 49

E aplicando este resultado na equação da aceleração centrı́fuga x, temos:

acf x = (ω 2 Rcosϕ) · cosϕ

acf x = ω 2 Rcos2 ϕ

Voltando à lei de Newton com esse resultado:

gapx = g − gcf x

gapx = g − ω 2 Rcos2 ϕ

Para o eixo z:

Fcf z = mgapz

macf z = mgapz

acf z = gapz

A componente em z é proporcional ao seno, então:

gapz = acf senϕ

Como temos a componente nas duas direções, x e z temos o vetor aceleração aparente
determinado.

gapz = ω 2 Rcosϕsenϕ

Para achar o módulo do da aceleração aparente fica:


p
gap = (g − ω 2 Rcos2 ϕ)2 + (ω 2 Rcosϕsenϕ)2

Se quiser simplificar mais, podemos desenvolver os quadrados e eliminar o seno e o


cosseno usando a relação fundamental da trigonometria sen2 ϕ + cos2 ϕ = 1;
p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos4 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕsen2 ϕ

Agora vamos usar a relação fundamental isolando o seno: sen2 ϕ = 1 − cos2 ϕ;


p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos4 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕ(1 − cos2 ϕ)

p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos4 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕ − ω 4 R2 cos4 ϕ

p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕ

p
gap = g 2 − (2gω 2 R + ω 4 R2 )cos2 ϕ
50 3.5. Gravidade de uma casca esférica e no interior da Terra

Colocando g 2 em evidência.
s
2ω 2 R ω 4 R2
  
gap = g2 1 − + 2 cos2 ϕ
g g

s
2ω 2 R ω 4 R2

gap = g 1− − 2 cos2 ϕ
g g

O peso fica:
s
2ω 2 R ω 4 R2

Pap = mg 1− − 2 cos2 ϕ
g g

Olha só, o peso aparente depende do quadrado do cosseno da latitude. Vendo isso,
podemos concluir que a medida que vamos para os polos, a contribuição da força
centrı́fuga é menor. Visto isso, nos polos não há influencia da rotação da Terra!
Você já ouvir falar da Base de Lançamento de Alcântara, localizada no Maranhão? É
uma base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira. É considerada uma
das melhores bases de lançamento, pois lançamentos dali economizam combustı́veis,
pois o efeito da gravitação nessa região, próxima ao Equador, é menor que nas bases
de lançamento de Cabo Canaveral, Cabo Kennedy nos EUA e na base russa de
Baykonnur, no Cazaquistão.
Os franceses, que não são bobos, construı́ram uma base bem próxima a Alcântara,
na Guiana Francesa. É a base de Kourou de onde é lançado foguete Ariane e outras
missões da Agência Espacial Europeia.

3.5 Gravidade de uma casca esférica e no interior


da Terra
Quando eu era criança, me disseram que se eu cavar um buraco bem fundo eu iria
sair no Japão. Fiquei com aquela ideia de túnel martelando em minha cabeça.
Seria verdade? Mas independente de minhas dúvidas infantis, há alguns aspectos
gravitacionais acerca da construção de um túnel até o Japão. No interior do planeta
há também a ação de forças gravitacionais. Mas quais? Como isso funciona? Essas
e outras questões, vamos responder nesta seção.
Newton estudou essa questão e suas conclusões estão no Teorema das Cascas, que
abordaremos aqui. Preste atenção nas duas afirmações que seguem:

1. Um corpo esfericamente simétrico atrai outros corpos como se toda a sua massa
estivesse localizada em seu centro.

2. Se um corpo é uma casca esfericamente simétrica, esta casca não exerce força
sobre um corpo localizado interiormente à casca, qualquer que seja sua posição
dentro dela.

A demonstração dessas conclusões necessita de ferramentas de calculo integral, por


isso, iremos simplificar esta demonstração para um melhor entendimento de como
Capı́tulo 3. Gravidade 51

Newton chegou a essa conclusão.


Imagine uma casca esférica homogênea e um corpo de massa m em seu interior, em
uma posição qualquer. Duas porções da casca esférica exercem cada uma, uma força
gravitacional neste corpo. A porção m1 exerce uma força F1 , enquanto a porção m2
exerce uma força F2 . As duas forças são opostas e podem ser calculadas como.

Gm1 m
F1 =
d21

Gm2 m
F2 =
d22

A força resultante sobre o corpo fica:

Gm2 m Gm1 m
FR = −
d22 d21

 
m2 m1
FR = Gm − 2
d22 d1

Mas quanto vale m1 e m2 ? Quanto vale d1 e d2 ?

Vamos apelar para a geometria. Se você prestar atenção, m1 , m2 e m formam


dois triângulos, que são semelhantes.
52 3.5. Gravidade de uma casca esférica e no interior da Terra

Sendo triângulos semelhantes, (se você não sabe o que são triângulos semelhan-
tes, você precisa buscar este conhecimento em um livro de matemática, antes de
prosseguir nesta demonstração), podemos aplicar as proporções entre as medidas
dos triângulos. Para ficar mais claro, iremos redesenhar a figura anterior.

As relações que podem ser extraı́das são:


d1 r1
=
d2 r2

r1 d2
d1 =
r2
Vamos guardar está relação no bolso, para usarmos mais tarde.
Sendo a casca de homogênea, esta tem uma densidade ρ. As massas m1 e m2 podem
ser calculadas com essa densidade.

m1 = ρV1

m2 = ρV2
Capı́tulo 3. Gravidade 53

Como as porções são circulares, podemos aproximar por cilindro muito finos tal qual
a casca. O volume de um cilindro é V = πr2 h. Aplicando ao nosso problema fica:

m1 = ρV1 = ρπr12 h

m2 = ρV2 = ρπr22 h

Vamos escolher massa m1 como referencia, vamos fazer as substituições:


 
m2 m1
FR = Gm − 2
d22 d1

ρπr22 h ρπr12 h
 
FR = Gm −
d22 d21

r22 r12
 
FR = Gmρπh −
d22 d21
Agora se prepara para mandar ver na álgebra. Vamos buscar aquela relação que
tı́nhamos guardado no bolso.
 
 r2 r12 
 2
FR = Gmρπh  2 − 

2 
 d2 r1 d2 
r2

r22 r22
 
FR = Gmρπh − =0
d22 d22
Ou seja, a força resultante do cabo de guerra entre as duas porções é nulo. Como
temos inúmeros pares dessas porções e esses pares todos formam a casca inteira, o
efeito geral de todos esses pares é nulo. Note algo muito importante: não é que
não exista gravidade no interior da casca, mas sim que a resultante das atrações
gravitacionais é nulo.
54 3.5. Gravidade de uma casca esférica e no interior da Terra

Primeiro vamos supor que a Terra é formada por um material homogêneo e com
densidade constante (na realidade sabemos que a Terra é formada por diversos tipos
de minerais e que seu interior tem uma grande porção de material metálico em fase
liquida em altas temperaturas. Por isso que há erupções vulcânicas, mas para este
estudo nossa consideração é válida). Usando a densidade, podemos determinar a
massa de uma esfera.
4
m = ρV1 = ρ πr13
3
Onde r1 pode ir de 0 (centro da esfera) a R raio da Terra.
A gravidade é a da casca esférica de raio r1 . Usando a equação da aceleração
gravitacional, temos:

Gm
g=
r12

G 4 3
g= · ρ πr
r12 3 1

4
g = πρGr1
3
Chegamos à conclusão que g no interior da Terra varia linearmente com o raio da
esfera formada pela profundidade com que se penetra na Terra. Podemos usar uma
constante k para evidenciar esta conclusão:
4
k = πρG
3

g = kr1

Para a situação em que um corpo está a uma altura h acima da superfı́cie da Terra,
calculamos a aceleração em função da aceleração próxima à superfı́cie. Para isso
precisaremos expressar a aceleração na superfı́cie com os mesmo parâmetros da
equação anterior, isto é, levando em consideração a densidade. Depois verificamos
a compatibilidade.
Na superfı́cie da Terra, o r1 = R, assim a massa da Terra fica:
4
M = πρR3
3
E a gravidade na superfı́cie gs fica:

GM G 4
gs = = · πρR3
R2 R2 3

4
gs = πρGR
3
Capı́tulo 3. Gravidade 55

Se dividirmos a gravidade no interior de raio r1 pela gravidade na superfı́cie (de raio


R), a conta fica assim:
4
g πρGr1 r1
= 3 =
gs 4 R
πρGR
3

r1
g = gs
R
Havendo a profundidade do buraco h, podemos eliminar r1 e deixar tudo em função
de R e h.

R = h + r1

R−h
g = gs
R
Para finalizar, vamos mostrar graficamente como se comporta a gravidade desde o
centro da terra até ao infinito. Que foda hein?

Lembraram-se da discussão sobre os corpos homogêneos? Foi essa consideração


que fizemos para a Terra para chegar a esse resultado. Esse resultado é apenas
teórico e para fins didáticos.
Capı́tulo 4

Movimento Orbital

O movimento de corpos celestes é determinado por interações gravitacionais. Essas


interações definem as velocidades e a forma das trajetórias descritas por tais corpos.
Estudos de Newton e Kepler formam a base da mecânica celeste. As observações
de Tycho Brahe permitiram a Kepler criar três leis básicas para o movimento de
satélites, sejam eles naturais ou artificiais. As Leis de Kepler são leis cinemáticas,
isto é, se preocupam com aspectos de velocidades, trajetórias e tempos. Kepler não
chegou a conclusões sobre forças e energia relativas ao movimento orbital. Coube a
Newton introduzir conceitos de dinâmica, isto é, considerações sobre forças gravita-
cionais. Com os avanços nesta mecânica, foguetes e satélites puderam ser desenvol-
vidos permitindo assim explorar ainda mais outros aspectos da mecânica orbital.

4.1 Força centrı́peta e centrı́fuga


Um conceito importante em mecânica orbital é a força que surge nos movimentos
curvilı́neos. Há muitas dúvidas sobre essa força que hora se chama de centrı́peta e
hora de centrı́fuga. É importante elucidar essa diferença. Mas é mais fácil saber o
que é o que, do que saber se é biscoito ou bolacha.
Primeiro que um corpo em movimento curvilı́neo só realiza esse movimento por
que alguma força muda a direção da velocidade. É estranho pensar por que não
pensamos em força agindo em uma velocidade geralmente pensamos nela atuando
sobre o módulo e não sobre a direção do vetor. Em um movimento circular uniforme,
a velocidade de giro do corpo tem seu modulo constante. O que muda é a direção
do vetor velocidade.

56
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 57

O que faz essa velocidade mudar de direção é uma força perpendicular ao vetor
velocidade.
Suponha que temos uma pista circular e temos um carro percorrendo essa pista.
Um observador parado do lado de fora do carro vê o carro realizar um movimento
circular e para ele a força que atua no carro é a força necessária para mudar a direção
do movimento da velocidade do carro. Sem essa força essa trajetória circular não
seria possı́vel. Nesse caso a força responsável é o atrito entre os pneus com a pista.
Se essa pista fosse lisa o carro iria deslizar e não faria o movimento de rotação. Para
ele existe uma força centrı́peta, que tende a puxar a velocidade para o centro.
Para o piloto do carro, ele sente que algo quer jogá-lo para fora do carro, como se
algo lhe puxasse para longe do centro, como se fosse uma força de fuga do centro, e
então ele chamaria essa força de força centrı́fuga.
Estamos tratando do mesmo efeito sob pontos de vistas distintos. De um cara dentro
do carro e de um cara fora do carro. Os dois descreveriam essa força com a mesma
intensidade F

v2
F = ma = m
R

Como a velocidade tangencial pode ser escrita em função da velocidade angular


v = ωR, dá para descrever também assim:

2
v2 (ωR)2


F =m =m = mω 2 R = m R
R R T

Onde v é a velocidade tangencial do carro, T é o perı́odo de rotação e R o raio da


circunferência descrita.
Eles descreveriam a direção como igual para as duas, ou seja, uma direção radial.
Direção radial é direção do raio da circunferência. No entanto, os sentidos seriam
opostos. Para a força centrı́peta seria em sentido ao centro e a força centrı́fuga seria
para longe do centro.
Mas por que tudo isso? Por causa dos referenciais. O cara fora do carro está em
repouso e não acelerado, está em um Referencial Inercial. O piloto dentro do carro
está em um Referencial Não-Inercial. Mas quando é que eu tenho um Referencial
Inercial e um Referencial Não-Inercial? O Referencial Não-Inercial é aquele referen-
cial que está acelerado. Mas como que o piloto está em Referencial Não-Inercial se
ele está em um carro de velocidade constante? Meu caro, nem sempre a um módulo
constante quer dizer não aceleração. Lembre-se que há uma força mudando o sen-
tido da velocidade do carro, então, o piloto está em um referencial acelerado, não
inercial. A força centrı́fuga é descrita a partir de um Referencial Não- Inercial.
Um juiz federal, em repouso olhando o movimento conclui que é centrı́peta.
58 4.1. Força centrı́peta e centrı́fuga

Já o piloto dentro do carro discorda e descreveria toda essa situação da seguinte
maneira.

Em ambos os casos, se dividirmos a força centrı́peta ou centrı́fuga pela massa,


teremos a aceleração centrı́peta ou centrı́fuga.
Se a velocidade variar em módulo, durante o movimento circular, teremos então
uma aceleração tangencial que tem a mesma direção da velocidade. Assim, se quiser
calcular a aceleração resultante total do corpo é só fazer a composição da aceleração
tangencial com a aceleração centrı́peta, como é o caso da figura abaixo.
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 59

q
Atotal = A2tan + A2cp

Para concluir: minha opinião é que biscoito é doce e bolacha é salgada.

4.2 Conservação do momento linear e angular


Existe uma grandeza fı́sica chamada quantidade de movimento ou momento linear
é o produto da massa de um corpo pela sua velocidade. Cada corpo que se move
pode ter seu momento linear calculado.
~ = m~v
Q
Quando não se tem forças afetando o movimento deste corpo como a resistência do
ar, atrito, algum campo elétrico (para o caso que o corpo esteja carregado eletrica-
mente) pode dizer que o momento se conserva.
O momento em uma situação inicial é igual o momento na situação final.
Imagine uma bola no espaço, sem nenhuma força atuando sobre ela, andando com
velocidade constante, daı́ alguém foi lá e bateu nela com uma vassoura espacial.
Essa vassoura espacial aplicou uma força F durante um tempo t. Isso faz com que
a bola adquira uma velocidade tal que podemos equacionar da seguinte maneira:
~ f inal − Q
F ·t=Q ~ inicial

F · t = m~vf inal − m~vinicial


O produto F · t se chama impulso, é isso que faz os satélites e outras espaçonaves se
controlar no espaço. Existem mini jatos no corpo das naves que soltam gases (não
é pra rir), com determinada velocidade que é o mesmo que aplicar um impulso.
Quando temos um movimento circular ou curvilı́neo, um corpo possui uma veloci-
dade e um raio relativo a um ponto de referência. O vetor velocidade do corpo faz
sempre um ângulo θ com o vetor posição, conforme a figura abaixo.
60 4.2. Conservação do momento linear e angular

Chamamos de momento angular o vetor dado por:

|~p| = mvrsenθ

Igual ao vetor momento linear, o momento angular se conserva quando não há forças
externas. No caso do movimento circular, o raio é sempre perpendicular à velocidade
do corpo, assim o ângulo θ é 90◦ . O momento angular fica:

|~p| = mvrsenθ = mvr

Para ilustrar melhor esse negócio todo, considere uma esfera no espaço girando com
velocidade de 1m/s em uma órbita circular de raio 10m. Deus ficou com vontade
de aumentar a velocidade dessa esfera para 5m/s. Qual seria o novo raio de rotação
da esfera? Fácil, vamos ver a conservação do momento angular antes e depois.

mv0 r0 sen90◦ = mv1 r1 sen90◦

v0 r0 = v1 r1

1 · 10 = 5 · r1

r1 = 2

Para conservar o momento angular, o raio teve que diminuir para 2m para a veloci-
dade aumentar. Há muitos casos em que o ângulo muda, o raio muda, a velocidade
muda. Vai depender muito do sistema e das condições do problema.
Em questões de gravitação, a conservação do momento angular se faz presente sem-
pre.
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 61

4.3 Revisão sobre cônicas

Por que vamos ver essas tais cônicas? Primeiro é por que as leis de Kepler nos diz
que a órbita de um corpo em relação a outro descreve uma elipse com um dos corpos
fica o corpo orbitado. Por exemplo, a Lua orbitando a Terra descreve uma elipse e
a Terra fica em um dos seus focos. Então nada mais justo que estudar a elipse.
Existe outro fator motivador para o estudo das cônica: dependendo da energia
do corpo a trajetória pode ser uma elipse, uma circunferência, hipérbole ou uma
parábola. No caso da elipse e da circunferência, o corpo não escapou da influência do
campo gravitacional de forma relevante então ele fica lá dando voltas e mais voltas
para sempre. Se o corpo tiver energia suficiente, ele pode se soltar da influência
gravitacional e ir embora, cada vez se afastando mais e mais, que é o caso da
hipérbole e da parábola.
Todas essas curvas são da mesma famı́lia e podem ser obtidas ao cortar um cone de
um jeito especial. Por essa razão que elas são chamadas de seções cônicas. Vamos
aqui nos concentrar na elipse e na circunferência. Vai ser preciso relembrar conceitos
de Geometria Analı́tica. Se você ainda não estudou esse assunto é melhor estudar
antes para não boiar aqui.

Na figura é mostrado um esquema planetário com Sol e a Terra. De acordo


com Kepler a Terra descreve uma órbita elı́ptica em torno do Sol. Essa Lei não
se restringe a planetas e o Sol, mas para outros sistemas solares. A Lua também
obedece a essa lei e o mesmo é válido para os satélites artificiais lançados pelo
homem. Apesar de Kepler anunciar essa lei para planetas, ela é válida para qualquer
par de corpos no Universo.
62 4.3. Revisão sobre cônicas

As órbitas elı́pticas são previstas na primeira lei de Kepler e possuem carac-


terı́sticas cinemáticas especı́ficas e que estão associadas à sua geometria. Na figura
abaixo vemos uma órbita elı́ptica onde podemos identificar dois pontos importantes.
Existem outros dois tipos de órbitas possı́veis: as órbitas parabólicas e as órbitas
hiperbólicas. Essas duas trajetórias são trajetórias abertas e dependem da energia
do corpo em questão. Vamos dar uma especial atenção às trajetórias elı́pticas por
ser tema da primeira lei de Kepler e também por serem mais tı́picas. Iremos as
outras trajetórias em outra seção.
Para ilustrar, vamos usar o caso particular de um satélite em órbita da Terra.

Conforme dito anteriormente, a elipse é caracterizada pelos seus focos, onde a


Capı́tulo 4. Movimento Orbital 63

distancia entre eles é igual a 2c. O seu eixo maior é igual a 2a, com semi eixo maior
igual a. O seu eixo menor é igual a 2b e seu semi eixo menor é igual b. A relação
entre c e a é chamada de excentricidade (e) e é um numero entre 0 e 1, conforme
pode ser visto abaixo.
c
e=
a
A relação entre os semi-eixo é:
a2 = b 2 + c 2
A circunferência é um caso especial da elipse, veja a razão: a circunferência possui
um único centro e a distância entre um ponto qualquer até o centro é constante e
igual ao raio. Então a = b, isto é:
a2 = a2 + c 2

c=0
Se c = 0, os focos coincidem formando o centro da circunferência. Mucho Loko!
Podemos colocar a elipse em um plano cartesiano para encontrar uma equação que
possa representar todos os seus pontos. Para colocar a elipse no plano, atribuı́mos
um centro O, e os dois focos.

Neste caso, os pontos pertencentes à elipse de acordo com as coordenados xy.


(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ =1
a2 b2
Este é o caso em que o eixo maior da elipse é paralelo ao eixo x, ou poderı́amos dizer
que a elipse está deitada. Há elipse cujo eixo maior está paralelo ao eixo y, como se
estivesse em pé, portanto, terı́amos que mudar a equação acima para:
(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ =1
b2 a2
64 4.4. Velocidades na elipse

Poderı́amos ter o eixo maior inclinado, porém, para não complicar muito vamos ficar
nesses dois casos e evitar adentrar demais no ramo da Geometria Analı́tica.
Mas por que eu coloquei essas equações então? Simplesmente para que você possa
entender que uma curva como essa pode ser equacionada de forma a localizar todos
os seus pontos. Isso é útil quando você quer saber a posição na elipse com relação
a um sistema de coordenadas.
Vamos falar um pouco da circunferência, que é o caso particular da elipse, quando
a excentricidade é 0. A circunferência também pode ser descrita por uma equação
em um sistema de coordenadas retangulares, tal qual a elipse. Veja como fica.
Note que há um centro e um raio e isso já basta para levantar a equação da circun-
ferência... Para construir uma circunferência é necessário apenas das coordenadas
do seu centro e do raio e você chega na seguinte fórmula que descreve todos os seus
pontos.

(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = R2

4.4 Velocidades na elipse


Aplicando a elipse ao movimento orbital podemos identificar dois pontos: o ponto
mais próximo da Terra, chamado Perigeu, é onde a velocidade do satélite é máxima.
O ponto mais distante da Terra é o Apogeu, onde se tem a menor velocidade. A
distância entre o Apogeu e a Terra é:
c
lembrando que e = .
a
da = a + c = a(1 + e)

A distância entre o Perigeu e a Terra é:

dp = a − c = a(1 − e)
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 65

Veja que colocamos um vetor R, que vai de um dos focos até o satélite. Esse vetor
é importante, pois ele localiza o satélite na órbita.
Se somar as distancias de apogeu e perigeu teremos o seguinte:

da + dp = 2a

da + dp
a=
2
Isto é, o semi eixo maior é a média aritmética das distancia do apogeu e perigeu.
Vale citar que no apogeu e perigeu o vetor R forma 90◦ com os vetores velocidade
nestes pontos.
Usando o principio da conservação do momento angular, para as duas posições
consideradas...

mva ra sen90◦ = mvp rp sen90◦

va ra = vp rp

v p rp
va =
ra
Usando o principio da conservação da energia:

Ea = Ep

1 2 GM m 1 GM m
mva − = mvp2 −
2 ra 2 rp

 
1 2 1 1
(v − vp2 ) = −GM −
2 a rp ra

" 2 #  
1 vp rp 1 1
− vp2 = −GM −
2 ra rp ra

" 2 #  
rp 1 1
vp2 − 1 = −2GM −
ra rp ra

rp2 − ra2
   
ra − rp
vp2 = −2GM
ra2 rp ra

   
(rp + ra )(rp − ra ) ra − rp
vp2 = −2GM
ra rp
66 4.4. Velocidades na elipse

   
rp + ra 1
vp2 = 2GM
ra rp
  
ra 1
vp2 = 2GM
rp rp + ra
Usando ra = a(1 + e) e rp = a(1 − e)
  
2 a(1 + e) 1
vp = 2GM
a(1 − e) a(1 − e) + a(1 + e)
  
1+e 1
vp2 = 2GM
1−e 2a
 
GM 1+e
vp2 =
a 1−e
s  
GM 1+e
vp =
a 1−e
Então aplicando um monte de álgebra, a outra velocidade fica determinada:
s  
GM 1 − e
va =
a 1+e
Note que a velocidade do satélite é dependente da massa da Terra e da excentrici-
dade... E não depende da massa do satélite.
Podemos agora amarrar as duas velocidades para ver como eles se relacionam.
s  
GM 1 − e
va a 1+e 1−e
=s =
vp 
GM 1 + e
 1+e
a 1−e
A relação entre as duas velocidades só depende da excentricidade da elipse. Para o
caso da circunferência, e = 0, entonces
va 1−0
= =1
vp 1+0

va = vp
Ou seja, para circunferência a velocidade é a mesma sempre igual a
s   r r
GM 1 − 0 GM GM
va = = =
a 1+0 a R
Viu só como dá para calcular...
Podemos concluir o seguinte: quando o satélite se aproxima da Terra sua energia
potencial diminui e sua energia cinética aumenta e por isso a velocidade aumenta,
ao se afastar, acontece o contrário, a velocidade diminuir visto que a energia cinética
diminui em detrimento do aumento da energia potencial gravitacional.
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 67

4.5 Energia na elipse


Já que estamos falando de energia, vamos ver quanto é a energia total de uma órbita
elı́ptica? Se você disse sim, beleza. Se você disse não, o problema é seu.
Então olha só, como a energia é a mesma em todos os pontos, escolhemos um ponto
qualquer. Eu escolho para facilitar o perigeu... A energia no perigeu é
1 GM m
E = mvp2 −
2 rp

Usando a relação recentemente obtida para velocidade...


 
1 GM 1 + e GM m
E= m −
2 a 1−e a(1 − e)

 
1 GM m 1+e GM m
E= · −
2 a 1−e a(1 − e)

GM m(1 + e) − 2GM m
E=
2a(1 − e)

GM me − GM m
E=
2a(1 − e)

GM m(e − 1)
E=
2a(1 − e)

GM m
E=−
2a
A energia mecânica depende da massa da Terra, da massa do satélite e do semi eixo
maior da elipse. Assim, para todas as órbitas elı́pticas que tem o mesmo valor de
semi eixo, os satélites terão a mesma energia, independente da excentricidade.

4.6 Velocidade em qualquer ponto da elipse


Mas te pergunto: se quisermos a velocidade do satélite em uma posição qualquer
que não seja nem perigeu nem apogeu?
Nesse caso devemos deixar em função de r, genérico mesmo...
Vimos que a energia total de um satélite em órbita elı́ptica em qualquer ponto é
GM m
E=−
2a
Sendo assim podemos tomar uma posição genérica.
GM m 1 GM m
E=− = mv 2 −
2a 2 r
68 4.7. Leis de Kepler

1 2 GM m GM m
mv = −
2 r 2a

2GM GM
v2 = −
r a

 
2 2 1
v = GM −
r a

s  
2 1
v= GM −
r a

4.7 Leis de Kepler


As Leis de Kepler são descrições cinemáticas do movimento dos corpos celestes. São
três leis descritas a seguir:

Primeira lei. Os planetas descrevem órbitas elı́pticas com o Sol em um dos focos.
Quando Kepler enunciou sua primeira lei, ele estava estudando os planetas do nosso
sistema solar, porém, essa lei é válida para outras estrelas, planetas, satélites artifi-
ciais e naturais.

Segunda lei. O vetor posição de um planeta em relação ao Sol descreve áreas


iguais em tempos iguais na elipse. (Também conhecida como Lei das Áreas).
A segunda Lei de Kepler nos fala sobre a área varrida por um corpo ao percorrer
uma órbita elı́ptica. Segundo Kepler, um corpo varre áreas iguais em tempos iguais.
Na figura, se A1 foi percorrido em um intervalo de tempo T1 , e A2 foi percorrido em
um tempo T2 . Se T1 = T2 , então A1 = A2 .
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 69

Terceira lei. O quadrado do perı́odo de revolução é proporcional ao cubo da


distância do planeta ao Sol.
Essa lei, apesar de falar em planetas e no Sol, ela é válida para todos os corpos
celestes.
O enunciado matemático desta lei é da seguinte forma:

4π 2 3
T2 = a
GM
Em que a é semi-eixo maior da elipse. O que se pode notar é que o tempo de rotação
orbital de um satélite não depende da massa do satélite, mas sim da massa do astro
a qual ele orbita. Observe também que orbitas maiores, implicam em perı́odos de
revolução maior. Parece lógico não é.
Como neste livro optamos por evitar o uso de cálculo diferencial e integral, não
vamos fazer a demonstração dessa equação para órbitas elı́pticas, porém, podemos
fazer para o caso especial de órbitas circulares. A circunferência é um caso especial
da elipse, onde a excentricidade é 1.
Para isso, vamos considerar um satélite sino-brasileiro, CBERS como exemplo, or-
bitando a Terra percorrendo uma trajetória circular.

A força com que o CBERS é atraı́do pela Terra é a força gravitacional, que é
responsável pela órbita circular. A força gravitacional é a força centrı́peta que o
atrai para o centro. Portanto podemos escrever:

Fcp = FG

mv 2 GM m
=
R R2
70 4.7. Leis de Kepler

GM
v2 =
R

GM
ω 2 R2 =
R

GM
ω2 =
R3
Relembrando que a velocidade angular é relacionada com o perı́odo de revolução.

ω=
T
 2
2π GM
=
T R3

4π 2 GM
=
T2 R3

4π 2 3
T2 = R
GM
O que mostra que a Terceira Lei de Kepler é válida para órbitas circulares. O ITA
já cobrou isso em 1992.

Para cada um destes planetas podemos escrever a Terceira Lei de Kepler. Onde
M é a massa do Sol do Sistema Solar.
4π 2 3
T12 = a
GM 1

4π 2 3
T22 = a
GM 2
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 71

4π 2 3
T32 = a
GM 3
4π 2
Note que há algo comum entre todas elas que é a constante
GM
Malandramente, explicitamos a constante em função do perı́odo e do semi-eixo.

T12 4π 2
=
a31 GM

T22 4π 2
=
a32 GM

T32 4π 2
=
a33 GM

Podemos pegar esse negócio todo e igualar as constantes. Ficando assim:

T12 T22 T32


= 3 = 3
a31 a2 a3

Viu só, podemos ter informações de todos os planetas de uma tacada só! Se
tivéssemos mais planetas ou satélites ou asteroides ou cometas, poderı́amos colo-
car nessa igualdade fera demais!

4.8 Aplicações especiais


A partir da base teórica vista nas seções anteriores, vamos desenvolver algumas
aplicações especiais usadas tanto na astrofı́sica quanto na engenharia aeroespacial.

Satélites geoestacionários e de baixa órbita


Satélites de comunicação e de localização precisam ser pontos de referências fixos
em relação à Terra. Tais satélites diferem dos satélites de baixa órbita que são
chamados de LEO, Low Earth Orbit. Satélites LEO por estarem em baixa altitude
realizam uma volta em torno da Terra em tempos de 80 a 90 minutos. Satélites
LEO geralmente são usados para monitoramento espionagem, sensoriamento remoto,
previsão do tempo, pesquisas cientı́ficas.
A imagem abaixo mostra um dos satélites desenvolvidos no Brasil, o Amazônia 1,
que tem a missão de monitorar com suas câmeras as queimadas e desflorestamento da
região amazônica. É um satélite de baixa órbita. Trabalhei no projeto do subsistema
de energia desse satélite, onde esse subsistema tem a função de coletar a energia do
sol via painéis solares, transformar em energia elétrica, condicionar essa energia e
distribuir para todos os outros subsistemas, além de armazenar energia nas baterias
para operação em eclipse.. Além disso, o aquecimento elétrico e controle da rotação
dos painéis solares era um das atribuições do subsistema em que trabalhei.
Vendo a outra figura que se seguem dá para ver uma parte dos subsistemas.
72 4.8. Aplicações especiais

Figura 4.1: Satélite Amazônia 1

Figura 4.2: Subsistemas do satélite Amazônia 1

O Brasil por sua grande extensão territorial, grande população e riquezas natu-
rais, precisa de um satélite dedicado para suas comunicações e por isso foi iniciado
o projeto SGDC, Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações. O SGDC terá
visão de todo o território nacional e pode levar sinal de internet para todos os pontos
do paı́s além de evitar espionagens de nossas telecomunicações.
Os satélites geoestacionários ficam em um posição fixa em relação a Terra por que
seu perı́odo de órbita é igual a perı́odo de rotação da Terra, dessa maneiras eles ficam
como se fossem parados. Para que isso aconteça eles devem estar em uma órbita
de raio tal que a velocidade angular do satélite seja igual à velocidade angular da
Terra.
Estando em uma órbita circular podemos encontrar o valor de sua altitude... pri-
meiro temos que relacionar o perı́odo com o raio.
 2
v2 (ωR)2 ω 2 R2 2 2π
acp = = = =ω R= R
R R R T
 2

acp = R
T
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 73

Para a órbita geoestacionária, a relação entre raio e o perı́odo é


 2
2π GM
Rg = 2
T Rg

 2
2π GM
=
T Rg3

O perı́odo na órbita geoestacionária deve ser igual ao perı́odo de rotação da Terra,


isto é, um dia, ou seja 24 horas, que em segundos fica 86400 segundos.
 2
2π GM
= 3
86400 Rg

Como eu não quero usar o GM , então vamos dar um jeito de substituı́-lo com algo
que foi dado. Veja que foi dado o valor da gravidade na superfı́cie da Terra, g, então
vamos expressar GM em função de g. Isso é fácil, é só lembrar que
GM
g=
RT2

GM = gRT2 = 9, 8RT2

Agora taca-le na equação para órbita geo!


2
9, 8RT2


=
86400 Rg3

Vamos aproximar o raio da Terra por 6400 km e assim obtemos aproximadamente


42.354 km, isto é, muito alto, em torno de 6.5 vezes o raio da Terra.

Estrelas binárias
No Universo há casos de estrelas binárias, que são duas estrelas que orbitam em
torno de seu centro de massa. Cada uma executa uma órbita circular cujo raio
depende de sua massa. Isso ocorre porque uma estrela tem massa maior que a
outra, então o centro de massa da estrela de menor massa estará mais próximo da
estrela maior e por sua vez, essa estrela maior terá um raio de rotação menor. No
entanto, ambas terão o mesmo perı́odo de rotação, mesma velocidade angular. Nos
parágrafos seguintes vamos desenvolver os cálculos para perı́odo e velocidade para
uma estrela de massa m e outra de massa M .
Para isso fixamos a referência para cálculo do centro de massa em um dos astros.
Escolhemos o maior, mas não é uma regra e que poderia ser feita referenciando no
menor também. Portanto, a posição do astro maior. Além disso, vamos escolher
o eixo x como suporte para nosso sistema. Assim a massa maior tem posição na
origem, x = 0, e massa menor tem posição x = d
M x + mx0
xcm =
m+M
74 4.8. Aplicações especiais

M · 0 + md
xcm =
m+M

md
xcm =
m+M
O raio de rotação é
md Md
rm = d − =
m+M m+M

Observe que ambas descrevem órbitas circulares de raios diferentes cuja força
centrı́peta é a força de atração gravitacional entre elas, já que estão distante de
qualquer outra força gravitacional significativa.
O perı́odo de revolução é o mesmo para ambos.
Sendo a força centrı́peta igual a força de atração gravitacional entre as duas massas
podemos escrever para uma delas o seguinte (a escolha é livre e vou continuar usando
a mais pesada, pois eu gosto de carregar peso, prática dos meus tempos de ajudante
de pedreiro... mentira nunca trabalhei em obra).
GM m mv 2
=
d2 Md
m+M

GM v2
=
d M
m+M

GM 2
= v 2 (m + M )
d
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 75

GM 2
v2 =
d(m + M )

s
GM 2
v=
d(m + M )

Lembrando que a velocidade pode ser expressa em função do perı́odo (revisar o


movimento circular uniforme).

2πr 2π Md
v= = ·
T T m+M

Aplicando a velocidade nesse resultado aı́ de cima...

s
GM 2 2π Md
= ·
d(m + M ) T m+M

Fazendo aquelas simplificações algébricas que só um brasileiro com swing e male-
molência do samba pode fazer, chegamos a

s
d3
T = 2π
G(m + M )

O mesmo procedimento pode ser feito para a outra estrela.

4.9 Velocidade de escape


A velocidade de escape é uma velocidade para qual o objeto lançado aumenta inde-
finidamente sua distância de um planeta. Vamos usar no exemplo a Terra, mas isso
serve para outros planetas, asteroides, estrelas e etc.
Desconsiderando a resistência do ar e a rotação da Terra podemos encontrar uma
expressão que nos dê a velocidade mı́nima para escapar da influência do campo gra-
vitacional. Velocidades abaixo desse valor resultam em órbita elı́ptica ou circular
ou em simplesmente um movimento parabólico de retorno ao solo.
Tudo isso tem a ver com a questão energética, se houver energia suficiente haverá
escape. Veja os casos possı́veis:
O caso “mais preso” à Terra é o circulo. Caso o corpo tenha mais energia, o corpo
desenvolve uma órbita elı́ptica e se tiver ainda mais energia pode ir para os cafundós
do Judas através de órbitas hiperbólicas ou parabólicas.
76 4.9. Velocidade de escape

1. Energia mecânica for negativa: trajetória circular ou elı́ptica, excentricidade


entre 0 e 1;

2. Energia mecânica for nula: trajetória hiperbólica, excentricidade negativa;

3. Energia mecânica for positiva: trajetória parabólica, excentricidade igual a 1;

Vamos para alguns casos:

Velocidade de escape da Terra. Quais as condições para escape? Bom, o corpo


vai estar na superfı́cie da Terra com uma velocidade direcionada para cima. A
velocidade mı́nima de escape é aquela para qual a velocidade no infinito é nula, pois
queremos mandar para o infinito e lá ele vai se desacelerando até parar. Montemos
assim, as condições de energia para isso acontecer. RT é o raio da Terra.

ET erra = Einf inito

Ecinética T erra + Epotencial T erra = Ecinética inf inito + Epotencial inf inito

Quando estiver “no infinito”, o corpo estará longe demais para ter alguma energia
potencial significante em relação à Terra e será desacelerado até v = 0. Então:

Ecinética T erra + Epotencial T erra = 0 + 0


Capı́tulo 4. Movimento Orbital 77

1 2 GM m
mvescape − =0
2 RT

1 2 GM m
mvescape =
2 RT

2 2GM
vescape =
RT
r
2GM
vescape =
RT

Velocidade para órbita circular. Para uma órbita circular de raio R, a veloci-
dade de rotação vem do cálculo da aceleração centrı́peta.
r
GM
vorbital =
R

ET erra = Eórbita

Ecinética T erra + Epotencial T erra = Ecinética órbita + Epotencial órbita

1 2 GM m 1 2 GM m
mvescape − = mvorbital −
2 RT 2 R

1 2 GM 1 2 GM
vescape − = vorbital −
2 RT 2 R
r !2
1 2 GM 1 GM GM
vescape − = · −
2 RT 2 R R

1 2 GM 1 GM GM
vescape − = · −
2 RT 2 R R

1 2 GM GM
vescape − =−
2 RT 2R

1 2 GM GM
vescape = −
2 RT 2R
 
2 1 1
vescape = 2GM −
RT 2R
s  
1 1
vescape = 2GM −
RT 2R
GM
Note que a energia mecânica na órbita circular é − ,ou seja, um valor negativo.
2R
78 4.9. Velocidade de escape

Velocidade para órbita elı́ptica Novamente calculamos a conservação a partir


de um ponto na superfı́cie da Terra e qualquer outro ponto da elipse. Podemos
pegar o apogeu ou o perigeu. Com meu segundo nome começa com A, então vamos
de apogeu.

Ecinética T erra + Epotencial T erra = Ecinética órbita + Epotencial órbita

1 2 GM m 1 GM m
mvescape − = mvA2 −
2 RT 2 RA

1 2 GM 1 GM
vescape − = vA2 −
2 RT 2 RA

1 2 GM 1 GM
vescape = + vA2 −
2 RT 2 RA

2 2GM 2GM
vescape = vA2 + −
RT RA

 
2 1 1
vescape = vA2 + 2GM −
RT RA

Recordando o calculo da velocidade do apogeu:


s  
GM 1−e
vA =
a 1+e

   
2 GM 1−e 1 1
vescape = + 2GM −
a 1+e RT RA

Onde a é eixo maior. E lembrando que podemos escrever RA = a − c = a(1 − e)


   
2 GM 1−e 1 1
vescape = + 2GM −
a 1+e RT a(1 − e)

    
2 1 1−e 1 1
vescape = GM +2 −
a 1+e RT a(1 − e)

s     
1 1−e 1 1
vescape = GM +2 −
a 1+e RT a(1 − e)
Capı́tulo 4. Movimento Orbital 79

Efeito de outro corpo celeste. Nos casos anteriores não levamos em conta a
presença de um ou mais corpos celestes próximos, o que não é um caso tão realista.
Se colocarmos a presença de mais um corpo de massa M 0 nas proximidades do
lançamento, este corpo irá afetar a velocidade de escape.

Agora procederemos igual à velocidade de escape mı́nima e vamos ver o que


acontece. Ro é a distância do objeto que queremos lançar ao centro do outro corpo
celeste de massa M 0 . Rt é o raio da Terra.
ET erra = Einf inito

Ecinética T erra + Epotencial T erra + Epotencial planeta = Ecinética inf inito + Epotencial inf inito

1 2 GM m GM 0 m
mvescape − − =0+0
2 Rt Ro

1 2 GM m GM 0 m
mv = +
2 escape Rt Ro

1 2 GM GM 0
vescape = +
2 Rt Ro

2 2GM 2GM 0
vescape = +
Rt Ro

M0
 
2 M
vescape = 2G +
Rt Ro
s
M0
 
M
vescape = 2G +
Rt Ro
Note que neste caso, a velocidade para escapar da gravidade é maior porque agora
tem o efeito gravitacional do corpo celeste de massa M 0 . Podemos ter mais corpos
extras aı́, não se limita à apenas um extra.
Em todos os casos vistos, nenhum depende da massa do objeto, mas sim das carac-
terı́sticas fı́sicas do planeta. Claro que objeto de massa maior vão precisa de mais
energia para ser lançados, e no caso de um foguete seria uma potência de motor
maior e mais combustı́vel.
Capı́tulo 5

Questões resolvidas

1. (ITA 1965) Admitindo-se que a aceleração da gravidade seja de g = 9, 81m/s2


ao nı́vel do mar, pode-se dizer que a uma altitude igual ao raio da Terra acima do
nı́vel do mar (nı́vel do mar entende-se como nı́vel médio do mar), a aceleração da
gravidade vale aproximadamente:

A( ) 2, 45m/s2
B( ) 4.90m/s2
C( ) 9, 81m/s2
D( ) 16.92m/s2
E ( ) 9.62m/s2

Solução:
É uma questão é bem simples, basta aplicar a fórmula da aceleração da gravidade a
uma altura determinada.
g0 R2
gh =
(R + h)2

g0 R2 g0 R2 g0 R2 g0 9, 81 ∼
gR = 2
= 2
= 2
= = = 2, 45
(R + R) (2R) 4R 4 4

Letra A

2. (ITA 1969) Sabendo-se que a massa da Terra é aproximadamente 80 vezes a


da Lua e que seu raio é aproximadamente 4 vezes maior, um astronauta descendo
na superfı́cie da Lua faz oscilar um pêndulo simples de comprimento L e mede seu
perı́odo TL . Comparando com o perı́odo TT desse mesmo pêndulo medido na Terra
ele observa que:

A( ) TT ∼
= 80TL
B( ) TL ∼
= 80TT
C( ) TL ∼
= 16TT
D( ) TT ∼
= 16TL
E ( ) TT ∼
= 0, 4TL

80
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 81

Solução:
O perı́odo de oscilação de um pêndulo para pequenos ângulos de oscilação pode ser
calculado pela equação
s
L
T = 2π
g

Onde L é o comprimento do pêndulo e g é a aceleração da gravidade. A ideia desse


problema é comparar o perı́odo do pêndulo na Lua com o perı́odo do pêndulo na
Terra, considerando o mesmo pêndulo e com mesmo comprimento. A gravidade na
Lua é menor, pois possui menor massa.
Começando pela gravidade na Terra.
GMT
gT =
RT2
Podemos então ver quanto é a gravidade na Lua.
GML
gL =
RL2
Só que do enunciado a massa da Lua é 80 vezes menor que a massa da Terra, e o raio
da Lua é 4 vezes menor que o raio da Terra. Vamos transformar essas informações
em matemática.
1
ML = MT
80

1
RL = RT
4
Agora da para descobrir a gravidade na Lua em função da gravidade na Terra.
1
G MT 16 GMT 1
gL =  80 2 = · 2
= gT
1 80 RT 5
RT
4
A gravidade na Lua é cinco vezes menor que a gravidade na Terra. Então é só
aplicar na equação do pêndulo para Terra e para a Lua.
s
L
TT = 2π
gT

s v s s
L u L L √ L √
TL = 2π t 1 = 2π 5 ·
= 2π u = 5 · 2π = 5TT ∼
= 2, 23TT
gL gT gT
gT
5

TL ∼
= 2, 23TT ∴ TT ∼
= 0, 44TL

Letra E
82

3. (ITA 1969) Em seu livro, “Viagem ao Céu”, Monteiro Lobato, pela boca de
um personagem, faz a seguinte afirmação: “quando jogamos uma laranja para cima,
ela sobe enquanto a força que produziu o movimento é maior do que a força da
gravidade. Quando esta se tornar maior a laranja cai”. (Despreza-se a resistência
do ar)
A ( ) A afirmação é correta pois, de F = ma, temos que a = 0 quando F = 0,
indicando que as duas forças se equilibraram no ponto mais alto da trajetória;
B ( ) A afirmação está errada porque a força, exercida para elevar a laranja, sendo
constante, nunca será menor que a da gravidade;
C ( ) A afirmação está errada porque após ser abandonada no espaço a única força
que age sobre a laranja é a da gravidade;
D ( ) A afirmação está correta porque está de acordo com o princı́pio de ação e
reação;
E ( ) a afirmação está errada porque não satisfaz o princı́pio de conservação da
quantidade de movimento.

Solução:
Nas proximidades na superfı́cie da Terra, a força de atração gravitacional pode ser
considerada constante. Ao ser lançada para cima ela parte com uma velocidade
inicial causada pelo impulso aplicado pela mão. Ao ser liberada para subir, a única
força que atua sobre a maçã é a força da gravidade, que por ter sentido oposto ao
do movimento ascendente da maçã, começa a desacelerar a fruta. A subida da fruta
acontece enquanto a velocidade não atingir zero, após isso, a maçã cai acelerando.

Letra C

4. (ITA 1971) A aceleração da gravidade a 3, 6 × 104 km acima da superfı́cie


terrestre (o raio da Terra é igual a 6, 4 × 103 km) vale aproximadamente:
A( ) 2, 23 × 10−1 m/s2
B( ) 1, 48m/s2
C( ) 9, 82m/s2
D( ) 1, 00m/s2
E ( ) Nenhuma das respostas acima é válida.

Solução:
Nos primeiros vestibulares do ITA, as questões de gravitação eram bastantes simples,
apenas cobrando um conhecimento básico da teoria, como pode ser visto nesta
questão. Creio que isso se deva ao fato de que em 1971, a corrida espacial estava no
seu inicio e dois anos antes o homem chegava à Lua.
h 3, 6 × 104
= = 0, 56 × 101 = 5, 6
R 6, 4 × 103

h = 5, 6R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 83

Então colocamos na formula conhecida:


g0 R 2 g0 R2 g0 R2 g0 R2 g0 9, 81 ∼
gh = 2
= 2
= 2
= 2
= = = 0, 225
(R + h) (R + 5, 6R) (6, 6R) 43, 52R 43, 52 43, 52

Letra A

5. (ITA 1971) Considerando os dados e o resultado da questão anterior verifique


que o perı́odo de revolução de um satélite artificial colocado em órbita circular da
Terra naquela altitude é de aproximadamente:
A( ) 45 min
B( ) 45 s
C( ) 22 h
D( ) 24 h
E ( ) 12 h

Solução:
Sendo que naquela altura a aceleração da gravidade é a aceleração centrı́peta, é só
recordar o movimento circular que:
 2
v2 (ωd)2 2 2π
acp = = =ω d= d
d d T
A aceleração centrı́peta é a aceleração da gravidade na altitude pedida.
 2

acp = d = gh
T

Da questão anterior: h = 5, 6R e gh = 0, 225m/s2 e a distância d é o raio da terra


somado à altura d = R + h
 2

acp = (R + h) = gh
T

 2  2
2π 2π
gh = (R + 5, 6R) = (6, 6R) = 0, 225
T T

Agora isolamos T e substituı́mos R = 6, 4 × 103 km


 2

(6, 6R) = 0, 225
T

4π 2
(6, 6R) = 0, 225
T2

4π 2
(6, 6 · 6, 4 × 103 ) = T 2
0, 225
84

Como 6, 6 e 6, 4 são muito próximos, podemos arredondar para 6, 5 para podermos


obter a raiz quadrada.
4π 2 4π 2 4π 2
T2 = (6, 5 · 6, 5 × 103 ) = (6, 52 × 106 ) = 2 (6, 52 × 106 )
0, 225 225 15

r
4π 2 2π
T = 2
(6, 52 × 106 ) = (6, 5 × 103 ) ∼
= 2722s ∼
= 45min
15 15
Letra A

6. (IME 1974) Um astronauta equipado, utilizando o esforço máximo, salta


0,60m de altura na superfı́cie terrestre. Calcular o quanto saltaria na superfı́cie lu-
nar, nas mesmas condições. Considerar o diâmetro e a densidade da lua como 1/4
e 2/3 dos da Terra, respectivamente.

Solução:
Quando se arremessa algo para cima ou se salta, o corpo em questão tem sua veloci-
dade diminuı́da enquanto sobe por conta da aceleração da gravidade estar contrário
ao sentido do movimento de subida. Chegará um momento, após percorrer uma
altura que sua velocidade é nula. Nesse ponto ele começa a descer, acelerando até
encontrar o solo novamente. Assim, para saber a altura do salto, basta saber o
espaço percorrido na vertical até zerar a velocidade.

Mas como calcular a altura máxima?? Bom, verifica-se nesse caso que temos
um problema de movimento uniformemente acelerado. Para quem não se lembra, a
relação das velocidades e distancia percorrida pode ser calculada através da fórmula
de Torricelli.

v 2 = v02 + 2ah

Então para h máximo é só substituir a velocidade final por zero e a aceleração por
g. Lembre-se que neste caso como g se opõe ao movimento, deve ser a = −g.

0 = v02 − 2ghmax
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 85

v02
hmax =
2g
Agora vamos comparar os dois casos. Para saltos na Terra e na Lua podemos
escrever da seguinte maneira, supondo as mesmas condições iniciais:

v02
hT =
2gT

v02
hL =
2gL
As duas equações tem a velocidade inicial como ponto em comum, então igualando
ambas à velocidade inicial:

2gT hT = v02

2gL hL = v02

2gL hL = 2gT hT

2gT hT
hL =
2gL

gT
hL = · hT
gL
Mas já vimos as relações de acelerações entre dois planetas e é para o caso da Terra
e da Lua da seguinte maneira:

gT mT RL2
=
gL mL RT2

Então veja o que precisamos. Precisamos das duas relações de massa e raio.
Só que não temos a massa da Terra e da Lua e nem os raios... precisamos achar.
Olhando o enunciando eles nos dão dicas. Observem...
Do enunciado, sabe-se que diâmetro da Lua em relação á Terra é 1/4.
1
DL = DT
4
Como diâmetro é duas vezes o raio:
1
2RL = · 2RT
4

1
RL = RT
4
86

A densidade da Lua é 2/3 da densidade da Terra. E agora? Só fazer o mesmo, mas
m 4
lembrando desta vez que d = e o volume de uma esfera é V = πR3
V 3
2
dL = dT
3
mL 2 mT
= ·
VL 3 VT
mL 2 mT
= ·
4 3 3 4
πRL πRT3
3 3
mL 2 mT
3
= · 3
RL 3 RT

3RT3 mT
3
=
2RL mL
Lembrando que 4RL = RT e substituindo:
3(4RL )3 mT
3
=
2RL mL

3 · 64RL3 mT
3
=
2RL mL
mT
= 96
mL
Agora podemos relacionar as duas gravidades
gT mT RL2
=
gL mL RT2

gT R2
= 96 · 2L
gL RT

gT RL2
= 96 ·
gL (4RL )2

gT RL2
= 96 ·
gL 16RL2
gT 96
= =6
gL 16
A gravidade na Lua é seis vezes menor que a gravidade na Terra, por isso os as-
tronautas saltam. Então finalmente voltamos para relação das alturas desenvolvida
anteriormente lembrando que o salto na Terra era de 0,60m.
gT
hL = · hT
gL

hL = 6 · 0, 6 = 3, 6m
hL = 3, 6m
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 87

7. (ITA 1974) A energia potencial de um corpo de massa m na superfı́cie da


GMT m
Terra é − . No infinito essa energia potencial é nula. Considerando-se o
RT
princı́pio de conservação da energia (cinética + potencial), que velocidade deve ser
dada a esse corpo de massa m (velocidade de escape) para que ele se livre da atração
da Terra, isto é, chegue ao infinito com v = 0? G = 6, 67 × 10−11 N · m2 · kg −2 ;
MT = 6, 0 × 1024 kg; RT = 6, 4 × 106 m. Despreze o atrito com a atmosfera.
A( ) 13, 1m/s
B( ) 1, 13 × 103 m/s
C( ) 11, 3km/s
D( ) 113km/s
E ( ) Depende do ângulo de lançamento.

Solução:
Essa questão é basicamente a definição de velocidade de escape. Vamos relembrar...
Para que um corpo chegue ao infinito com velocidade nula, temos que no infinito
a energia potencial é nula e a energia cinética é nula. Nas questões de energia o
macete é sempre colocar a condição de energia inicial e final. A condição inicial é
na Terra enquanto que final é no infinito.
1 2 GMT m
mv − =0+0
2 0 RT

1 2 GMT m
mv =
2 0 RT

2GMT
v02 =
RT

r s
2GMT 2 · 6, 67 × 10−11 · 6, 0 × 1024 ∼
v0 = = = 11, 183 × 103 m/s = 11, 183km/s
RT 6, 4 × 106

Letra C

8. (ITA 1974) Os satélites de comunicação (chamados sı́ncronos) permanecem


praticamente estacionários sobre determinados pontos do equador terrestre. Com
referência a esse fato, ignorando o movimento de translação da terra:
A ( ) Um observador terrestre que esteja sob o satélite diz que ele não cai porque
está fora da atração da gravidade.
B ( ) Outro dirá que ele não cai devido ao campo magnético que envolve a terra.
C ( ) Um terceiro invoca a terceira lei de Newton e explica que existe uma reação
igual e oposta à atração da gravidade.
D ( ) Um observador que estivesse no sol explicaria o fenômeno como um movi-
mento circular uniforme sob a ação de uma força única, centrı́peta.
88

E ( ) Nenhuma das afirmações acima é correta.

Solução:
O observador da alternativa A está noiado, pois a força gravitacional só se anula se
as massas forem nulas que não é o caso.
O observador da alternativa B está bêbado chorando as mágoas pela mulher que lhe
deixou e por isso afirmou erroneamente (dor de amor dói demais num coração apai-
xonado, haja Arroxa!), pois o campo magnético da Terra não tem nem intensidade
para chegar a ter algum efeito relevante na órbita geoestacionária.
O observador da alternativa C tomou chá de fita K7 e ficou muito louco, pois a não
há força oposta.
O observador em D falou algo coerente visto que a força que mantém o satélite em
órbita circular é a força centrı́peta, que o atrai ao centro.
Letra D

9. (ITA 1977) Uma das conclusões expressas nas famosas leis de Kepler foi
sobre o movimento dos planetas em órbita elı́pticas, das quais o Sol ocupa um dos
focos.

A ( ) Esta conclusão foi uma consequência, e portanto posterior, do enunciado das


leis da Mecânica de Newton.
B ( ) Coube a Sir Isaac Newton interpretar teoricamente estas conclusões com
base na lei de gravitação universal e nos princı́pios de Mecânica Clássica que
ele próprio havia proposto.
C ( ) Esta conclusão não apresenta nenhuma relação com o movimento dos enge-
nhos conhecidos como satélites artificiais da Terra.
D ( ) O movimento da Lua em torno da Terra é de natureza diferente daquele
descrito por Kepler.
E ( ) Nenhuma das afirmações acima é verdadeira.

Solução:
Os trabalhos de Kepler se basearam em observações práticas de Tycho Brahe (o
cara do duelo de espadas que ficou sem nariz). Kepler analisou os dados de Brahe
e propôs suas leis que eram basicamente leis cinemáticas. Newton por sua vez usou
as leis de Kepler incluindo aspectos dinâmicos e assim concebeu os princı́pios da
gravitação universal.
Letra E

GM
10. (ITA 1977) A relação E = 2 entre o valor da aceleração da gravidade na
R
superfı́cie da Terra e os valores da constante de gravitação universal, massa e raio
da Terra:

A ( ) É resultado de uma fórmula empı́rica elaborada pelos astrônomos e válida


para qualquer planeta de forma esférica.
B ( ) Dá o valor correto da aceleração da gravidade em qualquer ponto da Terra
desde o polo até o equador.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 89

C ( ) Pode ser obtida teoricamente, tanto no caso da Terra como no caso de um


planeta qualquer de forma esférica, homogêneo e que não esteja em rotação
em torno de um eixo relativamente a um sistema de referência inercial.
D ( ) Dá o valor correto de g mesmo para pontos internos à superfı́cie da Terra
desde que R seja interpretado como a distância entre este ponto e o centro
da Terra.
E ( ) Nenhuma das afirmações acima é verdadeira.

Solução:
A alternativa A não veio de resultados empı́ricos e não se prende apenas à planetas
de forma esférica. É uma equação geral.
A alternativa B está errada, pois a aceleração da gravidade deve considerar a lati-
tude, pois a rotação da Terra afeta a gravidade de acordo com a latitude.
A alternativa C é valida, pois a equação pode ser derivada da equação da força gravi-
tacional de Newton e dá a aceleração da gravidade para um planeta homogêneo sem
rotação em torno do eixo do planeta. A gravidade interna depende da densidade e
considera a Terra como uma massa esférica e homogênea.

Letra C

11. (ITA 1978) Duas estrelas de massa m e 2m, respectivamente, separadas por
uma distância d e bastante afastada de qualquer outra massa considerável, executam
movimentos circulares em torno do centro de massa comum. Nestas condições,
a mı́nima quantidade de energia necessária para separar completamente as duas
estrelas em função da constante universal de gravidade G, será dada por:

A( ) –Gm2 /d
B( ) Gm2 /d
C( ) 2Gm2 /d
D( ) −2Gm2 /d
E ( ) Nenhum dos valores acima.

Solução:
As duas estrelas estão longe de qualquer massa considerável, podemos então assumir
que as interações gravitacionais relevantes é devido a atração gravitacional gerada
pelo par de estrelas.
Sendo que as duas estrelas giram, o cenário energético para cada estrela é que as
duas têm energia cinética e energia potencial gravitacional não nulas.
Agora vem a parte crucial... Considere as duas estrelas binárias como um sistema.
Esse sistema possui uma energia mecânica que é a soma da energia potencial mais
a energia cinética de ambas.
Para separar as duas estrelas completamente, devemos fazer com que as estrelas
estejam separadas por uma distancia tão grande que pode ser considerada que uma
delas foi levada ao infinito.
Vimos na teoria que a energia potencial para uma partı́cula no infinito faz com que
a distância d aumente tanto, que no final o valor da energia potencial é praticamente
90

zero.
Para a energia cinética, as estrelas, ao serem separadas, devem ter velocidade nula.
Assim garantimos que elas não vão se mover uma em direção a outra.
Resumindo temos a seguinte situação onde aplicando um trabalho ao sistema inicial
para que na situação final a energia mecânica seja nula
τ = Emec f inal − Emec inicial

τ = 0 − Emec inicial

τ = 0 − (Ecin1 + Ecin2 + Epot )


 
1 2 1 Gm(2m)
τ =0− mv1 + (2m)v22 −
2 2 d
Porém não temos as velocidades, mas isso não é um problema. Veja como sai de
boa...
Cada estrela gira em torno do centro de massa do sistema, assim, para realizar o
movimento circular é preciso que haja uma força centrı́peta. A força centrı́peta
neste caso é a força gravitacional entre elas... As estrelas têm massas diferentes, o
raio de rotação para cada uma é diferente.
Para calcular o centro de massa, devemos escolher um referencial, neste caso defini-
mos que é na estrela de massa 2m. Da teoria, a velocidade de cada estrela é.
GM 2
v2 =
d(m + M )
A velocidade das estrelas de massas m e 2m são v1 e v2 , respectivamente.
G(2m)2 4Gm
v12 = =
d(m + 2m) 3d

Gm2 Gm
v22 = =
d(2m + m) 3d
Colocando esses resultados na equação do trabalho total:
 
1 4Gm 1 Gm Gm(2m)
τ =0− m· + (2m) · −
2 3d 2 3d d

2Gm2 Gm2 2Gm2


 
τ =− + −
3d 3d d

3Gm2 2Gm2
 
τ =− −
3d d

Gm2 2Gm2
 
τ =− −
d d

Gm2 Gm2
 
τ =− − =
d d
Letra B
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 91

12. (ITA 1978) O trabalho necessário para levar a partı́cula de massa M/3 do
ponto A até o ponto B, em função da constante universal de gravitação G, quando
essa partı́cula se encontra sob a ação de 2 massas, M e 2M , conforme figura abaixo,
será dado por:

A( ) 9GM 2 /2D
B( ) −9GM 2 /2D
C( ) GM 2 /2D
D( ) −GM 2 /2D
E ( ) Nenhum dos valores acima.

Solução:
A energia potencial da partı́cula em questão é a soma de da energia potencial gra-
vitacional devido à interação com as massas M e 2M .
O trabalho realizado é dado por τ = ∆E, portanto, há duas situações a se conside-
rar: a inicial e a final. Vamos calcular as duas situações.
Energia da condição inicial é a soma das energias potencial devido a particular M
e 2M .
   
M M
G(2M ) GM
3 3 2GM 2 GM 2 5GM 2
Einicial = − − =− − =−
D 2D D 2D 2D
3 3
   
M M
G(2M ) GM
3 3 GM 2 GM 2 2GM 2
Ef inal = − − =− − =−
2D D D D D
3 3

τ = Ef inal − Einicial

2GM 2 5GM 2 2GM 2 5GM 2


 
τ =− − − =− +
D 2D D 2D

GM 2
τ=
2D
Letra C

13. (ITA 1979) Deseja-se colocar em órbita da Terra um satélite ST e, em órbita


da Lua um satélite SL , de modo que ambos tenham o mesmo perı́odo de revolução.
Dados:
Raio da Terra: rT = 6, 37 × 106 m
Raio da Lua: rL = 1, 74 × 106 m
Massa da Terra: mT = 5, 98 × 1024 kg
Massa da Lua: mL = 7, 34 × 1022 kg
Nestas condições, pode-se afirmar que:
92

A ( ) Isto não é fisicamente possı́vel.


B ( ) Se dL é a distância entre os centros de SL e da Lua e dT a distância entre os
centros de ST e da Terra, então, dL = dT .
C ( ) D distância de ST à superfı́cie da Terra será maior do que 1, 1 × 106 m.
D ( ) Os segmentos que unem SL ao centro da Lua e ST ao centro da Terra des-
crevem áreas iguais em tempos iguais.
E ( ) A distância de ST à superfı́cie da Terra deve ser igual à distância de SL à
superfı́cie da Lua.

Solução:
O perı́odo de revolução da Lua e da Terra são dados pela terceira lei de Kepler:
4π 2 3
TL2 = r
GmL L

4π 2 3
TT2 = r
GmT T
Para que a os perı́odos sejam iguais devemos ter itens comuns nas duas equações
para podermos fazer um comparativo e tirar a conclusão. Então vamos nessa!!
mL 4π 2
=
rL3 GTL2

mT 4π 2
=
rT3 GTT2
Como TL2 = TT2 , podemos igualar as equações:
mT mL
3
= 3
rT rL
Fazendo uma comparação entra as massas os dados mostram que mT = 80mL
80mL mL
3
= 3
rT rL

rT3 = 80rL3

rT ∼
= 4, 3rL
Sendo o raio da órbita da Lua igual a 1, 74 × 106 m, este seria o menor raio para SL ,
portanto, o raio de ST seria:

rT ∼
= 4, 3 · 1, 74 × 106 m ∼
= 7, 48 × 106 m
E como o raio da Terra vale 6, 37 × 106 m, a altura máxima para a órbita do satélite
da Terra seria 7, 48 × 106 m − 6, 37 × 106 m = 1, 11 × 106 e portando maior que
1, 1 × 106 m, como diz na alternativa C.
Letra C
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 93

14. (ITA 1980) Um foguete lançado verticalmente, da superfı́cie da Terra, atinge


uma altitude máxima igual a três vezes o raio R da Terra. Calcular a velocidade
inicial do foguete.
r
3GM
A( )
2R
r
4GM
B( )
3R
r
2GM
C( )
3R
r
3GM
D( )
4R
r
GM
E ( )
R

Solução:
Essa questão é aplicação básica do principio da conservação de energia...
Na situação inicial, na superfı́cie da Terra, o foguete tem energia cinética e potencial.
A energia potencial neste caso se refere à uma distancia do centro da Terra igual ao
raio da Terra.
Na situação final, teremos apenas a energia potencial gravitacional, pois se consi-
dera a altura máxima igual a três vezes o raio da Terra. Como é a altura máxima,
considera-se que neste ponto não há velocidade, portanto, energia cinética nula. A
energia potencial neste caso se refere a uma distancia de quatro vezes o raio da Terra.

Einicial = Ef inal

1 2 GM m GM m
mv − =−
2 R R + 3R

2GM 2GM
v2 = −
R 4R

3GM
v2 =
2R

r
3GM
v=
2R

Letra A

15. (ITA 1981) Um satélite artificial de dimensões desprezı́veis gira em torno da


Terra em órbita circular de raio R. Sua massa é m e a massa da Terra é M (muito
maior que m). Considerando a Terra como uma esfera homogênea e indicando a
constante de gravitação universal por G, podemos afirmar que:
94

A ( ) A aceleração normal do satélite é dirigida para o centro da Terra e sua


aceleração tangencial vale GM/R2 .
B ( ) Se a atração gravitacional pudesse ser substituı́da pela ação de um cabo de
massa desprezı́vel, ligando o satélite ao centro da Terra, a tensão nesse cabo
seria dada por GM m/2R2 .
C ( ) Em relação ao satélite, a Terra percorre uma circunferência de raio mR/M .
p
D ( ) O perı́odo de rotação do satélite é 2π R3 /GM
E ( ) A Terra é atraı́da pelo satélite com uma força de intensidade m/M vezes
menor que a força com a qual o satélite é atraı́do pela Terra.

Solução:
A alternativa A está errada, pois em órbita circular não temos aceleração tangencial.
Se houvesse aceleração tangencial, o satélite mudaria de raio de órbita, podendo até
mesmo adquirir energia cinética tal que sua energia mecânica permitisse a ele ir
embora para o infinito.
Alternativa B está basicamente dizendo que a força resultante é igual a GM m/2R2 .
Que está errado pois seria T = GM m/R2
Alternativa C está errada pois considerando o sistema Satélite-Terra sendo um sis-
tema binário o raio seria M R/(m + M )
Alternativa D, vamos pular...
Alternativa E está completamente errada! Os corpos sentem a mesma intensidade
de força de atração.
Só restou a alternativa D.
Letra D

16. (ITA 1982) Sendo R o raio da Terra, suposta esférica, G a constante da


gravitação universal, g1 a aceleração de queda livre de um corpo no Equador, g2
a aceleração de queda livre no polo Norte, M a massa da Terra, podemos afirmar
que:
A( ) g1 = GM/R2
B( ) M = R2 g2 /G
C( ) g2 é nula
D( ) g1 é nula
E ( ) GM/R2 = (g1 + g2 )/2

Solução:
A aceleração da gravidade no equador é menor que a aceleração da gravidade nos
polos devido a rotação na Terra, assim descartamos as opções A, C e D. A alternativa
correta é a B pois, como nos polos a rotação da Terra não causa diferença, temos
que g2 = GM/R2 , logo M = R2 g2 /G
Letra B

17. (ITA 1983) Sabendo-se que a energia potencial gravitacional de um corpo


de massa M (em kg) a uma distância r (em metros) do centro da Terra é Ep =
(−4, 0 × 1014 m3 /s2 ) · M/r, qual será a velocidade de lançamento que o corpo deve
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 95

receber na superfı́cie da Terra para chegar a uma distância infinita, com velocidade
nula?
(Ignore o atrito com a atmosfera e considere o raio da Terra como 6, 4 × 106 m).

A( ) 1, 25 × 104 m/s
B( ) 5, 56 × 104 m/s
C( ) 22km/s
D( ) 19, 5 × 103 m/s
E ( ) 1, 12 × 104 m/s

Solução:
Novamente é uma questão de aplicação do principio da conservação da energia.
A diferença é que neste caso já foi dada a energia potencial. Note que a energia
potencial dada é a uma distância r do centro da Terra.

M
Ep = −4, 0 × 1014 ·
r

Não sabemos quanto é esse r e nem sabemos a massa M do corpo. E nem precisamos,
visto que se queremos saber a velocidade de lançamento do corpo, precisamos da
energia potencial na superfı́cie da Terra. E para chegar ao infinito com velocidade
nula, as energias cinética e potencial devem ser nulas.

1
M v12 + Ep1 = 0 + 0
2

1 M
M v12 − 4, 0 × 1014 · =0
2 r

1 M
M v12 = 4, 0 × 1014 ·
2 r

1
v12 = 8, 0 × 1014 ·
r

Como a energia potencial da equação é na superfı́cie da Terra substituı́mos r =


6, 4 × 106 m

1
v12 = 8, 0 × 1014 · = 1, 25 × 108
6, 4 × 106

v∼
= 1, 1 × 104 m/s

Letra E
96

18. (ITA 1983) Uma espaçonave de massa 2000kg está a 3, 0 × 108 m da terra
(MT = 6, 0 × 1024 kg). A terra, espaçonave, Lua (ML = 7, 4 × 1022 kg) e o sol
(MS = 2, 0 × 1030 kg) estão alinhados, com a Lua entre a Terra e o sol.
A distância da terra a lua é de 4, 0×108 m, a distância da terra ao sol é de 1, 5×1011 m
e a constante de gravitação é 6, 7 × 10−11 N m2 /kg 2 . A força resultante sobre a
espaçonave é:
A( ) 4, 0N no sentido da espaçonave ao sol.
B( ) 4, 0N no sentido da espaçonave a terra
C( ) 3, 0N no sentindo da espaçonave ao sol
D( ) 4, 0 × 103 N no sentido da espaçonave ao sol
E ( ) 3, 0 × 103 N no sentido da espaçonave a terra

Solução:
Esta questão é simplesmente o cálculo da resultante de forças alinhadas. O Sol, a
Terra e a Lua exercem força gravitacional sobre a nave conforme a figura que mos-
tramos na sequencia.

Há três forças envolvidas nesta situação acima descrita: Força de atração entre o
Sol e a Nave, força de atração entre a Lua e a Nave, força de atração entre a Terra
e a Nave.
O diagrama de forças fica da seguinte forma:

A força resultante pode ser calculada pelos vetores que tem mesma direção através
de uma soma algébrica.
GMS m GML m GMT m
FR = + −
d21 d22 d23
 
MS ML MT
FR = Gm + 2 − 2
d21 d2 d3
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 97

Atente-se que as distância entre cada astro e a nave precisam ser calculadas para o
caso da Lua e do Sol...

2, 0 × 1030 7, 4 × 1022 6, 0 × 1024


 
−11
FR = 6, 7 × 10 · 2000 + −
(1, 5 × 1011 − 3, 0 × 108 )2 (4, 0 × 108 − 3, 0 × 108 )2 (3, 0 × 108 )2

E resolvendo a equação obtemos

FR ∼
= 4, 1N

Observe que adotamos que a força na direção do Sol como positivo, então sendo o
resultado positivo, então a resultante aponta na direção do Sol.
Letra A

19. (ITA 1984) Um corpo A, inicialmente em repouso, explode sob a ação ex-
clusiva de forças internas, dividindo-se em duas partes, uma de massa m e outra de
massa m0 . Após a explosão, a única força que atua sobre cada uma das partes é a
força gravitacional exercida pela outra parte.
Quando a massa m está a uma distância r da posição originalmente ocupada pelo
corpo A, a intensidade da aceleração de m é igual a:

Gm
A( )
r2 (1 + m/m0 )2
Gm0
B( )
r2 (1 + m/m0 )2
Gm
C( )
r (1 + m0 /m)2
2

Gm
D( )
r2
Gm0
E ( )
r2

Solução:
Quando o treco explodiu as duas partes são impulsionadas a se separar, porém a força
gravitacional se oporá a este movimento. Como as forças que atuam são internas,
o centro de massa do sistema formado pelas duas massas fica na mesma posição.
Isto é, antes da explosão o centro de massa do corpo A ocupava uma posição no
espaço. Ao explodir, as duas massas, ao se afastarem, se afastam de forma a manter
o centro de massa formado por elas, na mesma posição do centro de massa antes da
explosão. O centro de massa é representado pelo x em vermelho.
98

Para encontrar a aceleração siga o raciocı́nio...


A única força após a explosão é a força gravitacional que faz as duas partes se
atraı́rem. De acordo com a segunda lei de Newton, a aceleração de m é
FG
α=
m
A força gravitacional é
Gmm0
FG =
d2
Voltando à equação da aceleração:
Gm0
α=
d2
A distância entre as duas massa é d que é a distancia r da massa m à posição inicial
do centro de massa mais a distância da massa m0 à posição inicial do centro de
massa.

d = |x| + |x0 |

Vamos definir que a posição inicial do centro de massa é xcm = 0, e que deve ser
mantida após a explosão. Assim sendo, a posição d massa m é x = −r, mas como
não sabemos a posição de m0 , vamos calcular...
mx + m0 x0
xcm =
m + m0

m(−r) + m0 x0
0=
m + m0

m(−r) + m0 x0 = 0

m0 x0 = mr
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 99

x é negativo então d = −x + x0 . A posição de m0 em função dos dados fornecidos:


m
x0 = r
m0

m
d+x=r
m0

m
d−r =r
m0

m
d=r+r
m0

 m
d=r 1+ 0
m
Agora é só aplicar para encontrar a aceleração.

Gm0
α=  m 2
r2 1 + 0
m

Letra B

20. (ITA 1984) Um planeta descreve uma órbita elı́ptica em torno de uma estrela
cuja massa é muito maior que a massa do planeta.
Seja r a distância entre a estrela e o planeta, num ponto genérico da órbita, e a
velocidade do planeta no mesmo ponto.
Sabendo-se que a e b são, respectivamente, os valores mı́nimo e máximo de r e v1 o
valor mı́nimo de v, pode-se afirmar que o produto vr satisfaz a relação:

A( ) vr ≤ v1 b
B( ) vr ≥ v1 b
C( ) vr = (b2 /a)v1
D( ) vr = (a2 /b)v1
E ( ) vr = (b2 /2a)v1

Solução:
Neste caso poderemos usar o principio da conservação do momento angular. Vamos
chamar a massa do planeta de m. Aplicamos em duas posições: a primeira a posição
genérica em r e a outra para posição em b, para qual foi dada a velocidade v1 .

mvr rsenα = mv1 bsen90◦

vr rsenα = v1 b
100

v1 b
vr r =
senα
Veja que o denominador é um seno e sabemos da matemática que o seno para
qualquer ângulo sempre vale:
0 ≤ senα ≤ 1
Se dividirmos todos os elementos da inequação acima pelo seno, vemos a magia
acontecer e o inverso do seno aparecer.
1
0≤1≤
senα
1
≥1
senα
Ou seja, multiplicar uma coisa pelo inverso do seno é o mesmo que multiplicar por
algo maior que 1 e no final dá que o resultado dessa multiplicação.
vr r ≥ v1 b
Letra B

21. (ITA 1984) Na questão anterior, designando por M a massa da estrela


(M >> m) e por E a energia mecânica total, pode-se afirmar que:
 
2 E GM
A( ) v =2 +
m r
 
2 E GM
B( ) v =2 −
m r
 
E GM
C ( ) v2 = 2 + 2
m r
 
2 E GM
D( ) v =2 − 2
m r
E GM
E ( ) v= +
m r

Solução:
Sendo a energia do planeta a soma da energia cinética e potencial gravitacional,
pode-se escrever:

E = Ecinética + Epotencial

1 GM m
E = mv 2 −
2 r
Resolvendo para velocidade:
1 2 GM m
mv = E +
2 r
 
2 E GM
v =2 +
m r
Letra A
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 101

22. (IME 1985) Na superfı́cie de um planeta hipotético, de raio igual ao da


Terra, um pêndulo simples oscila com perı́odo de 2, 0s.
√ Sabendo, que, na própria
Terra, o perı́odo de oscilação do mesmo pêndulo vale 2s, determine a razão entre
as massas do planeta e da Terra.

Solução:
Um pêndulo pode ter suas forças representadas como na figura:

O perı́odo do pêndulo depende da aceleração da gravidade e do comprimento do


cabo conforme a equação:
s
L
T = 2π
g
Vale comentar que esta equação é válida para ângulos de oscilação muito pequenos.
Nela nota-se que o perı́odo diminui com o aumento da aceleração gravitacional.
Esse tipo de questão, comparando duas situações em duas condições diferentes é bem
comum nos vestibulares do ITA e do IME. Nós temos dois perı́odos de um mesmo
pendulo, ou seja, mesmo comprimento. Nesse caso, o que liga as duas equações
para o pendulo é o comprimento. Isso vai nos permitir encontrar uma relação entre
acelerações gravitacionais e consequentemente a relação das massas dos planetas. A
questão em si não é difı́cil quando você percebe a ideia central. Vamos lá!
Vamos arrumar a equação do pêndulo para explicitar o que é comum: o compri-
mento.
s
T L
=
2π g

T2 L
2
=
4π g

gT 2
L=
4π 2
Para os dois planetas a oscilação pendular fica assim:
gT (2)2 gT
LT = 2
= 2
4π π
102


gp ( 2)2 gp
Lp = 2
= 2
4π 2π
Igualando os comprimentos, tudo isso fica:
gT gp
2
= 2
π 2π
gp
gT =
2
gT 1
=
gp 2
Agora que sabemos a relação das acelerações, podemos achar a relação entre as
massas. Fica mais fácil por que de acordo com o enunciado os raios são idênticos.
gT MT Rp2
=
gp Mp RT2
Substituindo fica desse jeito...
1 MT Rp2
=
2 Mp RT2
1 MT
=
2 Mp
O planeta tem duas vezes mais massa que a Terra.
Lembre-se sempre a equação do pendulo por que ele é usado em inúmeras questões
de fı́sica, e já vi com campos elétricos e magnéticos. Então vai mais uma para você
se exercitar!

23. (ITA 1986) Se colocarmos um satélite artificial de massa m girando ao redor


de Marte (6, 37 × 1023 kg) numa órbita circular, a relação entre a sua energia cinética
(T ) e a potencial gravitacional (U ) será:
A( ) −U/2
B( ) −1/2U
C( ) U/2m
D( ) mU
E ( ) U

Solução:
1
Em uma órbita circular, a energia cinética é T = mv 2
2
GM m
A energia potencial é U = −
r
GM
A velocidade em órbita circular é v 2 =
r
Podemos então expressar T em função da constante gravitacional e massas envolvi-
das.
 
1 GM 1 GM U
T = m = · =−
2 r 2 r 2
Letra A
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 103

24. (ITA 1987) A respeito da lei da gravitação universal podemos afirmar


que:

A( ) Exprime-se pela fórmula P = mg.


B( ) Pode ser deduzida das leis de Kepler do movimento planetário.
C( ) Evidencia a esfericidade da Terra.
D( ) Implica em que todos os movimentos planetários sejam circulares.
E ( ) É compatı́vel com as leis de Kepler do movimento planetário.

Solução:
Essa é uma daquelas questões que te permite ganhar tempo na hora da prova já que
não envolve cálculos difı́ceis e longos. Vamos lá!
A alternativa A está errada visto que mg é a força com que um corpo é atraı́do para
o centro da Terra, caso g seja aceleração da gravidade na Terra.
Alternativa B: Não é deduzida pelas Leis de Kepler. Letra B é falsa.
Alternativa C: A Lei da Gravitação Universal não se prende no formado dos corpos,
mas sim em sua massa.
Alternativa D: Não necessariamente todos os movimentos planetários são circulares,
mas elı́pticos. Órbitas circulares são casos especiais das órbitas elı́pticas.
A letra E é correta visto que a Lei da Gravitação Universal é compatı́vel com as
Leis de Kepler.
Letra E

25. (ITA 1987) Considere a Terra como um corpo homogêneo, isotrópico e


esférico de raio R, girando em torno do seu eixo com frequência v (número de voltas
por unidade de tempo), sendo g a aceleração da gravidade medida no equador. Seja
vx a frequência com que a Terra deveria girar para que o peso dos corpos no equador
fosse nulo. Podemos afirmar que:

A ( ) vx = 4v
B ( ) vx = ϕ
C ( ) Não existe vx que satisfaça às condições do problema.
r
g
D ( ) vx = v 2 + 2
4π R
r
g
E ( ) vx = v 2 − 2
4π R

Solução:
A ideia deste problema é a seguinte: no equador a rotação da Terra gera um peso
aparente menor que o teria se a Terra estivesse parada. Então se aumentarmos
rotação da Terra, ou seja, a quantidade que de rotações por segundo necessárias
para a força centrı́fuga anular a aceleração gravitacional no equador.
Quando se fala em corpo homogêneo e isotrópico é para encararmos a Terra como
uma esfera sem camadas diferentes internas ou variações de propriedades. A ace-
leração da gravidade na superfı́cie da Terra em qualquer ponto de sua superfı́cie,
104

sem considerar sua rotação é:


GM
gp =
R2
Só que no Equador (não o paı́s de capital Quito), a linha que divide a Terra em
hemisfério Norte e hemisfério Sul, sofre o efeito da rotação conforme já visto. A gra-
vidade no equador (g) é dado pela atração gravitacional (gp ) descontado da repulsão
centrı́fuga causada pela rotação (ω 2 R). Esta é a condição inicial do problema.

g = gp − ω 2 R

O peso aparente no equador será nulo quando a Terra girar com uma velocidade
angular ωx

g = gp − ωx2 R = 0

gp = ωx2 R

Substituindo gp na primeira equação.

g = gp − ω 2 R

g = ωx2 R − ω 2 R

Como o enunciado está lidando com frequência e não velocidade angular, temos que
fazer umas manipulações nessa equação. Lembre-se que ω = 2πv (pelo enunciado,
v é a frequência).

g = (2πvx )2 R − (2πv)2 R

g = 4π 2 vx2 R − 4π 2 v 2 R

Agora basta isolar vx para encontrar uma relação com a frequência necessária para
anular a gravidade aparente no equador.

g = (4π 2 R)(vx2 − v 2 )

g
= vx2 − v 2
4π 2 R

g
vx2 = v 2 +
4π 2 R

r
g
vx = v2 +
4π 2 R

Letra D
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 105

26. (ITA 1988) Duas estrelas de massa m e 2m respectivamente, separadas por


uma distância d e bastante afastadas de qualquer outra massa considerável, execu-
tam movimentos circulares em torno do centro de massa comum. Nestas condições,
o tempo T para uma revolução completa, a velocidade v da estrela maior (2m),
bem como a energia mı́nima W para separar completamente as duas estrelas são,
respectivamente:

p p
A ( ) 2πd d/3Gm, Gm/3d e 2Gm2 /d
p p
B ( ) 2πd Gm/3d, 2 Gm/3d e −Gm2 /d
p p
C ( ) 2πd 3d/Gm, Gm/3d e Gm2 /d
p p
D ( ) πd 3d/Gm, 2 Gm/3d e −Gm2 /d
p p
E ( ) 2πd d/3Gm, Gm/3d e Gm2 /d

Solução:
Esse é um problema clássico e que caiu diversas vezes no vestibular do ITA com
algumas variações, mas sempre com a mesma ideia.
Trata-se de estrelas gêmeas, ou seja, dois astros que orbitam trajetórias circulares
em torno do centro de massa do sistema formado por eles. É como se fosse um balé,
um casal dançando e rodopiando no salão ao som da valsa do Danúbio. Que lindo...
Nesta questão foram pedidas grandezas importantes como perı́odo, velocidade e
energia.
Antes de mais nada, precisamos achar o centro de massa para podermos iniciar
nossa análise. Para isso fixamos a referência para calculo do centro de massa em
um dos astros. Escolhemos o maior, mas não é uma regra e que poderia ser feita
referenciando no menor também. Portanto, a posição do astro maior. Além disso,
vamos escolher o eixo x como suporte para nosso sistema. Assim a massa maior tem
posição na origem, x = 0, e massa menor tem posição x = d.

mx + m0 x0
xcm =
m + m0

2m · 0 + md
xcm =
2m + m

md d
xcm = =
3m 3

Isto mostra que o centro de massa dista um d/3 do astro maior e 2/3d do astro
menor. O esquema fica da maneira mostrada na figura abaixo.
106

Observe que ambas descrevem órbita circular de raios diferentes cuja força centrı́peta
é a força de atração gravitacional entre elas, já que estão distante de qualquer outra
força gravitacional significativa. O perı́odo de revolução é o mesmo para ambos.
Sendo a força centrı́peta igual a força de atração gravitacional entre as duas massas,
podemos escrever para uma delas o seguinte:
Gm · 2m 2mv 2
=
d2 d
3
Gm
= 3v 2
d
Lembrando que a velocidade pode ser expressa em função do perı́odo (revisar o
movimento circular uniforme).
2πr 2πd
v= =
T 3T
Substituindo:
 2
Gm 2πd
=3
d 3T
Simplificando chegamos a:
r
d
T = 2πd
3Gm
A velocidade para o astro de maior massa, podemos reaplicar na definição de velo-
cidade em função do perı́odo.
r
2πd 2πd 1 1 Gm
v= = r = r =r =
3T d d 3d 3d
3 · 2πd 3
3Gm 3Gm Gm
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 107

A energia para separar as duas estrelas é calculada de acordo com a seguinte ideia.
Situação inicial: as duas estrelas se amam e vivem de boa em algum canto acon-
chegante do universo bailando, orbitando como uma bela valsa, conforme descrito
acima. Nisso cada uma das estrelas tem uma energia potencial gravitacional devido
a influencia gravitacional de uma sobre a outra. Além disso, as duas estão se mo-
vendo, então cada um tem energia cinética. A energia inicial do sistema é a soma
da energia potencial mais a energia cinética das duas.
Uinicial = Epot + Ecin 2m + Ecin m
Situação final: então como viver um grande amor que nem dessas estrelas é difı́cil
em tempos de ódio e estar sob o olhar malévolo da inveja, algum lazarento resolver
separar as duas estrelas. Para que? Também me pergunto... Falta do que fazer e
estragar a felicidade ”dozoto”. Enfim, para realmente separá-las é necessário afasta-
las para muito longe, mas bem longe (ô crueldade...) tão longe de tal forma que a
energia potencial gravitacional delas seja desprezı́vel, isto é, aproximadamente nula,
que acontece no infinito. Mas é suficiente? Claro que não, se elas tiverem velocidade,
uma hora as estrelas voltam a se aproximar e reencontrar, por isso se faz com que
a velocidade de ambas seja nula, fazendo com que a energia cinética se anule para
ambas. Neste caso podemos escrever essa triste situação.
Uf inal = 0 + 0 + 0

É com lágrimas nos olhos que lhes digo que a energia mı́nima que deve se ofertar ao
sistema para afastar as duas estrelas é:
W = Uf inal − Uinicial

W = 0 − Uinicial

W = −Uinicial
Mas quanto vale esse valor carregado de ódio?
A energia potencial gravitacional é só aplicar na fórmula e fica:
2Gm2
Epot =−
d
As energias cinéticas ficam:
1 2 1 2
Ecin 2m + Ecin m = 2mv2m + mvm
2 2

2 1 2
Ecin 2m + Ecin m = mv2m + mvm
2
Sabemos que a velocidade da estrela maior é Gm/3d. Só que não temos a velocidade
da outra. Mas é fácil, pois seria trocar o raio de d/3 para 2d/3.
r
2πr 4πd 4πd 2 2 Gm
v= = = r = r =r =2
T 3T d d 3d 3d
3 · 2πd 3
3Gm 3Gm Gm
108

Voltando às energias.


r !2 r !2
Gm 1 Gm
Ecin 2m + Ecin m = m + m 2
3d 2 3d

Gm2 2Gm2 Gm2


Ecin 2m + Ecin m = + =
3d 3d d
Finalmente voltando para energia inicial.

Uinicial = Epot + Ecin 2m + Ecin m

2Gm2 Gm2 Gm2


Uinicial = − + =−
d d d
E para o desespero das duas estrelas...

Gm2
W = −Uinicial =
d

Letra E

27. (ITA 1989) Comentando as leis de Kepler para o movimento planetário, um


estudante escreveu:

I Os planetas do sistema solar descrevem elipses em torno do Sol que ocupa o


centro dessas elipses.

II Como o dia (do nascer ao pôr-do-Sol) é mais curto no inverno e mais longo
no verão, conclui-se que o vetor posição da Terra (linha que une esta ao Sol)
varre uma área do espaço menor no inverno do que no verão para o mesmo
perı́odo de 24 horas.

III Como a distância média da Terra ao Sol é de 1, 50 × 108 km e a de Urano ao


Sol é de 3, 00 × 109 km, pela 3a lei de Kepler conclui-se que o “ano” de Urano
é igual a 20 vezes o ano da Terra.

IV As leis de Kepler não fazem referência à força de interação entre o Sol e os


planetas.

Verifique quais as afirmações que estão corretas e assinale a opção correspondente.

A( ) I e IV estão corretas.
B( ) Só a I está correta.
C( ) II e IV estão corretas.
D( ) Só a IV está correta.
E ( ) II e III estão corretas.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 109

Solução:
A primeira está errada, pois o Sol ocupa um dos focos da elipse. Definição da Pri-
meira de Lei de Kepler.
A segunda está errada, pois segundo a Segunda Lei de Kepler, o vetor varrer áreas
iguais em tempos iguais.
A terceira está errada, pois sendo que a relação entre os raios não é linear, pois a
do quadrado dos perı́odos é proporcional a relação dos cubos dos raios médios. Pelo
que o camarada anunciou aı́, seria linear, mas não é.
A quarta está certa, pois as Leis de Kepler tratam da cinemática, isto é, das veloci-
dades e não se preocupam com as interações entre os astros. Se você revisar vai ver
que fala de tempo, órbita, perı́odo, raios essas coisas...
Letra D

28. (ITA 1989) Um astronauta faz experiências dentro do seu satélite esférico,
que está em órbita circular ao redor da Terra. Colocando com cuidado um objeto
de massa m bem no centro do satélite o astronauta observa que objeto mantém sua
posição ao longo tempo. Baseado na 2a lei de Newton, um observador no Sol tenta
explicar esse fato com as hipóteses abaixo. Qual delas é correta?
A ( ) Não existem forças atuando sobre o objeto (o próprio astronauta sente-se
imponderável).
B ( ) Se a força de gravidade da Terra Fg = GMT m0 /r2 está atuando sobre o
objeto e este fica imóvel é porque existe uma força centrı́fuga oposta que a
equilibra.
C ( ) A carcaça do satélite serve de blindagem contra qualquer força externa.
D ( ) As forças aplicadas pelo Sol e pela Lua equilibram a atração da Terra.
E ( ) A força que age sobre o satélite é de gravitação, mas a velocidade tangencial
v do satélite deve ser tal que mv 2 /r = GMT m0 /r2 .

Solução:
Bem amigos, vamos analisar as afirmações uma a uma...
Se ele está em órbita circular da Terra, então uma força centrı́peta age sobre objeto.
Letra A é tão falsa quando uma nota de 35 reais.
Para um observador no Sol a força que atua sobre o corpo é centrı́peta. O cara
no Sol vai ver a espaçonave, o astronauta e o objeto executando um movimento
circular, portanto, para ele todos tem força centrı́peta. Falsa!
Nessa a viagem foi total! Essa situação de equilı́brios de forças Terra, Lua e Sol
depende de uma situação de posicionamento especı́fico que ocorrer por tempo curto.
Mais falsa que o tı́tulo mundial do Palmeiras. Conforme visto na teoria, a afirmação
da E está correta.
Letra E

29. (ITA 1989) Considere a Terra como sendo uma esfera de raio R e massa
M , uniformemente distribuı́da. Um satélite artificial descreve uma órbita circular
a uma altura h da superfı́cie da Terra, onde a aceleração gravitacional (sobre a
órbita) é g. Em termos de algarismos significativos, o quadrado da velocidade do
satélite é melhor representado por: Dados: R = 6, 378 × 106 m, M = 5, 983 × 1024 kg,
h = 2, 00 × 105 m e g = 9, 2m/s2
110

A( ) 16, 81 × 106 km2 /h2


B( ) (3, 62 × 106 )2 km2 /h2
C( ) (6, 05 × 107 )2 m2 /s2
D( ) 6, 0517 × 107 m2 /s2
E ( ) Nenhum dos valores apresentados é adequado.

Solução:
É mais uma daquelas questões que já vimos antes, então não tem muito segredo. A
uma altura h acima da superfı́cie da Terra, o satélite possui um raio de movimento
circular igual R + h (lembre-se que esse raio é do centro da Terra até o objeto em
estudo, no caso, o satélite). Nesse ponto, a aceleração da gravidade é g.
Podemos escrever tudo em termos de acelerações, tanto que a massa nem foi dada.
A aceleração centrı́peta neste caso é a aceleração nesta altura:

acp = g

v2
=g
R+h

v 2 = g(R + h)

Agora se você não prestar atenção nas unidades você pode se enrolar e perder tempo
ou até mesmo perder a questão. As duas primeiras opções estão em km/h e as outras
duas em m/s. Vamos começar por m/s.

v 2 = 9, 2 · (6, 378 × 106 + 2, 00 × 105 )

v 2 = 9, 2 · (6.378 × 106 + 0, 200 × 106 )

v 2 = 9, 2 · 6.578 × 106 = 6, 051 × 107 m2 /s2

Esta questão não traz nenhuma novidade, a não ser pelo fato de fazer você fazer
mais contas e ter que prestar atenção nas unidades.
Letra D

30. (ITA 1991) Considere um planeta cuja a massa é o triplo da massa da Terra
e seu raio, o dobro do raio da Terra. Determine a relação entre a velocidade de
escape deste planeta e a da Terra vp /vT e a relação entre a aceleração gravitacional
na superfı́cie do planeta e da Terra gp /gT .
p
A ( ) Vp /VT = 3/4 e gp /gT = 3/4
p
B ( ) Vp /VT = 3/2 e gp /gT = 3/4
p
C ( ) Vp /VT = 3/2 e gp /gT = 3/2
D ( ) Vp /VT = 3/2 e gp /gT = 3/4
E ( ) Nenhuma das anteriores.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 111

Solução:
Essa questão se resolve facilmente ao fazermos a comparação entre o planeta e a
Terra. Vamos começar pelo mais fácil que é a gravidade na superfı́cie do planeta.
Como visto anteriormente, a gravidade na superfı́cie do planeta e da Terra, sem
considerar a rotação do mesmo é, primeiramente para a Terra:

GMT
gT =
RT2

E ”segundamente”para o planeta:

GMp G(3MT ) 3GMT 3 GMT 3


gp = 2
= 2
= 2
= 2
= gT
Rp 4Rp 4Rp 4 Rp 4

gp 3
=
gT 4

A gravidade na superfı́cie do planeta é 3/4 da gravidade na superfı́cie da Terra.


A velocidade mı́nima de escape do planeta é:
p
Vp = 2gp Rp

Onde a gravidade considerada é a da superfı́cie do planeta, que vamos substituir


pelo seu equivalente em termos terrestres e que foi encontrado no item anterior:
r
3 p
Vp = 2 gT · 2RT = 3gT RT
4
Para velocidade de escape da Terra.
p
VT = 2gT RT

Dividindo a velocidade no planeta e na Terra:


√ r
Vp 3gT RT 3
=√ =
VT 2gT RT 2

Letra B

31. (ITA 1991) Um satélite artificial geostacionário permanece acima de um


mesmo ponto da superfı́cie da Terra em uma órbita de raio R. Usando um valor de
RT = 6400km para o raio da Terra. A razão R/RT é aproximadamente igual a:
Dado: g = 9, 8m/s2

A( ) 290
B( ) 66
C( ) 6, 6
D( ) 11, 2
E ( ) Indeterminada pois a massa do satélite não é conhecida.
112

Solução:
Os satélites geoestacionários são satélites que ficam em uma posição fixa acima de
uma localização na superfı́cie da Terra. É como se eles sempre estivessem sob uma
mesma posição, parados, como um poste na rua. Porém, eles se movem com mesma
velocidade de rotação da Terra, ou seja, mesmo perı́odo de rotação, o que faz parecer
que estão parados, sempre ali, no entanto não estão. Se alguém na Lua ver esse
satélite, vai ver ele orbitando a Terra, mas para quem está na Terra, vai ver o mesmo
como se estivesse parado. Esses satélites são muito uteis para telecomunicações, pois
permitem fazer a retransmissão de sinais entre dois pontos distantes na superfı́cie
terrestre. Para conseguir essa condição, o satélite geoestacionário possui uma orbita
de raio muito grande. Como essa orbita geoestacionária é muito útil e não tem
muito, os paı́ses se organizam para que cada paı́s possa ter acesso a um lugar na
orbita geo. Há regulações para colocação de satélites nestas órbitas.
Como foi dito, para alcançar a órbita geo, o perı́odo do satélite deve ser igual ao
perı́odo da Terra. Do movimento circular temos o seguinte resultado:
 2
v2 (ωR)2 ω 2 R2 2 2π
acp = = = =ω R= R
R R R T

 2

acp = R
T
Para a orbita geo, relação entre raio e perı́odo é:
 2
2π GM
Rg = 2
T Rg

 2
2π GM
=
T Rg3
O perı́odo na orbita geo deve ser igual ao perı́odo de rotação da Terra, isto é, um
dia, ou seja 24 horas, que em segundos fica 86400 segundos.
 2
2π GM
= 3
86400 Rg
Mas veja que não temos o valor de G e M , pois não foram dados no enunciado,
então vamos dar um jeito de substituir esse GM com algo que foi dado. Veja que
foi dado o valor da gravidade na superfı́cie da Terra, g, então vamos expressa GM
em função de g. Isso é fácil, é só lembrar que:
GM
g=
RT2

GM = gRT2 = 9, 8RT2
Agora taca-le na equação para órbita geo!
2
9, 8RT2


=
86400 Rg3
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 113

Só que precisamos da relação entre os raios. Observe que temos o raio da Terra ao
quadrado e o raio da órbita geo ao cubo, o que não dá para fazer a comparação
Rg /RT . Para isso vamos usar um artimanha.
Vamos multiplicar o segundo lado da igualdade por RT /6400km. Por que, Jukes?
A ideia é a seguinte: não podemos mudar a igualdade, mas precisamos mexer nela
e uma forma de fazer isso é multiplicar por algo que equivale a 1, e dessa forma não
alteramos a igualdade mas nos dá um RT para forma um cubo. Como RT e 6400km
são a mesma coisa, a divisão de RT /6400km é 1. Mas vamos converter km em m
antes.
2
9, 8RT2

2π RT
= 3
·
86400 Rg 64 × 105

2
9, 8RT3


· 64 × 105 =
86400 Rg3

2
64 × 105 RT3


· = 3
86400 9, 8 Rg

3 2
64 × 105
 
RT 2π
= ·
Rg 86400 9, 8
Daı́ você pode pensar, como fazer essa conta na hora da prova sem calculadora. Aı́
que está, 9,8 é quase 10, então já podemos eliminar em uma das potências de 10.
Veja que 86400 é 24 × 60 × 60, que dá para “cortar” com o 64. Veja...
 3  2
RT 2 · 3, 14 64 × 105
= ·
Rg 24 · 60 · 60 9, 8
Aproximadamente...
3
4 · 3, 142

RT
= · 64 × 104
Rg 242 · 602 · 602

3
4 · 3, 142

RT
= 2 2
· 104
Rg 24 · 60 · 60

 3
RT 4 · 3, 14 · 3, 14
= · 104
Rg 22 · 22 · 22 · 32 · 6 · 6 · 6 · 103

√ √ √
RT 3
4 √
3
3
4 √
3
3
40
= 2 4
· 10 = 2 · 10 10 = 2
Rg 2 · 6 · 10 2 · 6 · 10 2 ·6

√3
√ √
RT 23 · 5 235 3
5
= 2 = 2 =
Rg 2 ·6 2 ·6 2·6
114

Mas queremos o contrário...

Rg 12
= √
3
RT 5
Mas quanto é raiz cúbica de 5?? Vamos estimar isso, comparando os cubos próximos
de 5. Por exemplo, cubo de 1 é 1 e cubo de 2 é 8 e 5 está entre eles, então se liga
na jogada...

1<5<8

Isso é o mesmo que:

13 < 5 < 23

Aplicando a raiz cúbica em todos, isso fica...


√3
√3

4
13 < 5 < 23


3
1< 5<2

Ou seja, está entre em 1 e 2, assim, ao dividir 12 por raiz de 5, isso deve dar um
valor um pouco maior que 6, e a única opção que temos é 6.6.
Letra C

32. (ITA 1992) Na 3a lei de Kepler, a constante de proporcionalidade entre cubo


do semi-eixo maior da elipse a descrita por um planeta e o quadrado do perı́odo
P de translação do planeta, pode ser deduzida do caso particular do movimento
circular. Sendo G a constante da gravitação universal, M a massa do Sol, R o raio
do Sol temos que a3 /p2 vale:

A( ) GM R/4π 2
B( ) GR/4π 2
C( ) GM/2π 2
D( ) GM/R2
E ( ) GM/4π 2

Solução:
Essa questão é derivação direta da terceira lei de Kepler aplicada para órbitas cir-
culares. Não há nenhuma novidade, mas vamos fazer assim mesmo por que aqui a
preguiça não tem vez... só às vezes...
Se você igualar a aceleração centrı́peta com a aceleração da gravidade sentida pelo
planeta, gerada pelo Sol, a questão fica resolvida. Vamos primeiro chamar o raio da
órbita de R e depois substituı́mos por a.
2
v2 (ωR)2 ω 2 R2


acp = = = = ω2R = R
R R R T
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 115

 2

acp = R
T
Para a orbita geo, relação entre raio e perı́odo é:
 2
2π GM
R= 2
T R

 2
2π GM
=
T R3
Agora vamos usar a variável dada...
 2
2π GM
=
P a3

a3 GM
2
=
P 4π 2
Letra E

33. (ITA 1993) Qual seria o perı́odo T de rotação da Terra em torno do seu
eixo, para que um objeto apoiado sobre a superfı́cie da Terra no equador ficasse
desprovido de peso?
Dados: raio da Terra: 6, 4 × 103 km; massa da terra: 6, 0 × 1024 kg; constante de
gravitação universal: 6, 7 × 10−11 N m2 /kg 2 .
A( ) 48 h
B( ) 12 h
C( ) 1,4 h
D( ) 2,8 h
E ( ) 0

Solução:
Uma rotação dura 24 horas, que tem 86400 segundos. A velocidade angular neste
caso é
2π 2π
ω= = = 7, 2 × 10−5 rad/s
T 86400
A gravidade nula no equador é

0 = gP − ω 2 R

gP = ω 2 R

gP
ω2 =
R
116

9, 81
ω2 = = 1, 54 × 10−6
6, 37 × 106

ω = 1, 24 × 10−3 rad/s


ω= = 1, 24 × 10−3
T


T = = 5, 06 × 103 s
1, 24 × 10−3

Isso equivale a 5060 segundos, que são 1,4 horas.


Letra C

34. (ITA 1994) Deixa-se cair um corpo de massa m da boca de um poço que
atravessa a Terra, passando pelo seu centro. Desprezando atritos e rotação da
Terra, para |x| = R o corpo fica sob ação da força F = −mgx/R, onde a aceleração
gravitacional g = 10, 0m/s2 , o raio da Terra R = 6, 4 × 106 m e x é a distância do
corpo ao centro da Terra (origem de x). Nestas condições podemos afirmar que o
tempo de trânsito da boca do poço ao centro da Terra e a velocidade no centro
são:

A( ) 21 min e 11, 3 × 103 m/s


B( ) 21 min e 8, 0 × 103 m/s
C( ) 84 min e 8, 0 × 103 m/s
D( ) 42 min e 11, 3 × 103 m/s
E ( ) 42 min e 8, 0 × 103 m/s

Solução:
Se você um dia pensou em cavar um túnel para chegar ao Japão, leia essa resolução
e entenda como seria essa viagem.
Essa questão se baseia no principio da casca, onde a atração gravitacional exercida
por uma casca esférica é nula. A medida que ele vai percorrendo o túnel, a massa de
raio r vai diminuindo de volume, isto é, a gravidade vai diminuindo a medida que
se aproxima do centro da Terra.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 117

Ao passar pelo centro da Terra, o oposto ocorre, já que a massa vai aumentando
e com isso o corpo vai desacelerando pois a gravidade tende a aumentar. Veja que
a força de atração é o oposto do sentido de movimento e vamos mostrar que é um
movimento harmônico simples.
Supondo que a Terra seja homogênea e constituı́da de um material de densidade d,
a massa da esfera de raio r criado devido ao movimento do corpo é
4
M = πdr3
3
E a força da gravidade é
GM m Gm 4 4
F = 2
= 2 · πdr3 = πGmdr
r r 3 3
Observe que se considerarmos o sentido da força em função do movimento na direção
r, ela é sempre o oposto e vale
4
F = − πGmdr
3
O Movimento Harmônico Simples, MHS ocorre quando a força é do formato F =
−kx, onde K é uma constante e x é o deslocamento. Observe que se o deslocamento
é r, que vai de R a 0 e depois de 0 a –R temos uma constante igual a
4
K = πGmd
3
Sendo que caracterizamos o MHS, o tempo para que o corpo chegar ao centro da
Terra é um quarto do perı́odo do MHS. Lembrando-se do perı́odo do MHS.
r
m
T = 2π
k
118

Neste caso, o tempo procurado é


v r
1 1 u m 1 3
Tv = T = π u = π
4 2 t 4 2 4πGd
πGmd
3

Mas temos um G e uma densidade que não nos foi dada. E agora? Não há motivo
para pânico. Lembre-se que para a gravidade na superfı́cie da Terra...

GM 4
g= 2
= GπdR
R 3
No enunciado foi dada a gravidade na superfı́cie da Terra e o raio da mesma. Vamos
extrair o que nos falta dentro daquela raiz quadrada. Só manipular um pouquinho
para termos os parâmetros que queremos eliminar.

g 4
= Gπd
R 3
Aplicando
r s r
1 3 1 R 1 6, 4 × 106
T = π = π = π = π · 4 · 100 = 20, 9minutos
2 4πGd 2 g 2 10

A velocidade no centro é

v = ωR = R
T

2π 2π 6, 4 × 106
v= R= · 6, 4 × 106 = = 8000m/s
T 1600π 800

Letra B

35. (ITA 1994) As distâncias médias ao Sol dos seguintes planetas são: Terra:
RT ; Marte: RM = 1, 5RT ; Júpiter: RJ = 5, 2RT . Assim os perı́odos de revolução de
Marte TM e Júpiter TJ em anos terrestres A são:

A( ) TM = 1, 5A; TJ = 9, 7A.
B( ) TM = 1, 5A; TJ = 11, 0A;
C( ) TM = 1, 8A; TJ = 11, 9A;
D( ) TM = 2, 3A; TJ = 14, 8A;
E ( ) TM = 3, 6A; TJ = 23, 0A.

Solução:
Essa questão é uma aplicação direta do que foi exposta acima. Só que neste caso o
perı́odo de Marte e Júpiter devem ser dados em função de anos na Terra, ou seja, o
perı́odo de órbita da Terra.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 119

Vamos começar por Marte que tem raio de órbita igual a 1,5 vezes o raio da órbita
da Terra.
2
TM TT2
3
=
RM RT3

2
TM TT2
=
1, 53 RT3 RT3

TM = 1, 8TT

Para Júpiter, eis os cálculos...

TJ2 TT2
=
RJ3 RT3

TJ2 TT2
=
5, 23 RT3 RT3

TJ = 11, 85TT

Letra C

36. (ITA 1995) Considere que M é a massa da Terra, R o seu raio, g a aceleração
da gravidade e G a constante de gravitação universal. Da superfı́cie terrestre e verti-
calmente para cima, desejamos lançar um corpo de massa m para que, desprezando
a resistência do ar ele se eleve a uma altura acima da superfı́cie igual ao raio da
Terra. A velocidade inicial V do corpo neste caso deverá ser de:
p
A ( ) GM/2R
p
B ( ) gR/m
p
C ( ) GM/R
p
D ( ) gR/2
p
E ( ) gGM/mR

Solução:
Essa questão é basicamente a aplicação do principio da conservação da energia. A
superfı́cie da Terra pode-se considerar que energia potencial gravitacional é não nula
e o corpo parte com velocidade V , constituindo assim uma energia cinética não nula.
Vamos supor que nessa altura igual ao raio da Terra (H = R), a velocidade do corpo
seja nula. Portanto, podemos escrever

Ecin 0 + Epot 0 = Ecin H + Epot H

Ecin 0 + Epot 0 = 0 + Epot H


120

1 GM m GM m
mV 2 − =0−
2 R 2R

1 2 GM GM
V = =0−
2 R 2R

1 2 GM
V =
2 2R

GM
V2 =
R

r
GM
V =
R

Letra C

37. (ITA 1996) Numa certa data, a posição relativa dos corpos celestes do
Sistema Solar era, para um observador fora do Sistema, a seguinte:

O sentido de rotação da Terra está indicado na figura. A figura não está em es-
cala. Do diagrama apresentado, para um observador terrestre não muito distante
do equador, pode-se afirmar que:
I Marte e Júpiter eram visı́veis à meia-noite.

II Mercúrio e Vênus eram visı́veis à meia-noite.

III Marte era visı́vel a oeste ao entardecer.

IV Júpiter era visı́vel à meia-noite.


Das afirmativas feitas pode-se dizer que:
A ( ) Somente a IV é verdadeira.
B ( ) III e IV são verdadeiras.
C ( ) Todas são verdadeiras.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 121

D ( ) I e IV são verdadeiras.
E ( ) Nada se pode afirmar com os dados fornecidos.

Solução:
Olhando a figura, podemos ver que a meia noite ocorre quando o observador vê
no sentido oposto ao Sol. À meia-noite podemos com certeza ver Júpiter e parece
que não da para ver Marte. Marte é visı́vel quando o observador está indo da
parte iluminada (dia) para parte não iluminada (noite), ou seja, ao entardecer. A
afirmação I não é verdadeira.
Vênus e Mercúrio estão atrás do Sol então não dá para ver a olho nu.
Letra B

38. (ITA 1997) O primeiro planeta descoberto fora do sistema solar, 51 Pegasi B,
orbita a estrela 51 Pegasi, completando uma revolução a cada 4,2 dias. A descoberta
do 51 Pegasi B, feita por meios espectroscópicos, foi confirmada logo em seguida por
observação direta do movimento periódico da estrela devido ao planeta que a orbita.
Conclui-se que 51 Pegasi B orbita a estrela 51 Pegasi à 1/20 da distância entre o
Sol e a Terra.
Considere as seguintes afirmações: se o semi-eixo maior da órbita do planeta 51
Pegasi B fosse 4 vezes maior do que é, então:

I A amplitude do movimento periódico da estrela 51 Pegasi, como visto da Terra,


seria 4 vezes maior do que é.

II A velocidade máxima associada ao movimento periódico da estrela 51 Pegasi,


como visto da Terra, seria 4 vezes maior do que é.

III O perı́odo de revolução do planeta 51 Pegasi B seria de 33,6 dias.

Das afirmativas mencionadas:

A( ) Apenas I é correta.
B( ) I e II são corretas.
C( ) I e III são corretas.
D( ) II e III são corretas.
E ( ) As informações fornecida

Solução:
O sistema solar em questão está mostrado na figura...
122

Podemos escrever usando Kepler

2 4π 2 3
T51 = a
GM 51
Agora de acordo coma suposição se o raio fosse 4 vezes maior, então terı́amos que o
novo raio seria
a0 = 4a
Aplicando ficaria

0 2 4π 2 0 3
T51 = a
GM 51

0 2 4π 2 3
T51 = 43 a
GM 51

0 2 4π 2 3
T51 = 64 a
GM 51

0 2 2
T51 = 64T51
Tirando a raiz em ambos os lados.
0
T51 = 8T51
Se o raio aumentar 4 vezes, o perı́odo aumenta 8 vezes. Como o perı́odo de rotação
do planeta é 4,2 dias, então o novo perı́odo é oito vezes maior, fica 33,6 dias. A
afirmativa III está correta!
O planeta e a estrela giram em torno do centro de massa formado por eles. Cha-
mando a distancia entre a estrela e centro de massa como x, a posição de x em
relação ao sistema de coordenadas na estrela é
m
x= a
m+M
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 123

Se o raio aumenta em quatro vezes, o raio de órbita da estrela se altera para


m
x0 = a0
m+M

m
x0 = · 4a
m+M

x0 = 4x

A afirmação I é verdadeira.
Sendo que a estrela descreve uma trajetória circular de raio x em torno do centro
de massa, a sua velocidade é dada por

v= x
T
Caso aumente o raio em 4 vezes, a velocidade se torna
2π 0
v0 = x
T0


v0 = · 4x
8T

1 2π
v0 = x
2T

1
v0 = v
2
A afirmativa II está errada.
Letra C

39. (ITA 1998) Estima-se que, em alguns bilhões de anos, o raio médio da órbita
da Lua estará 50% maior do que é atualmente. Naquela época, seu perı́odo, que
hoje é de 27,3 dias, seria:

A( ) 14,1 dias
B( ) 18,2 dias
C( ) 27,3 dias
D( ) 41,0 dias
E ( ) 50,2 dias

Solução:
Olha aı́ o Kepler maroto chegando no sapatinho de novo... Vamos usar a sua terceira
lei para resolver esta danada. Se aumentou em 50%, ou seja, é o tamanho que tem
124

hoje mais 50%. Significa que o novo raio seria 1,5.


Se compararmos as duas situações da Lua usando a terceira lei, teremos

T12 T22
=
a31 a32

T12 T22
=
a31 1, 53 a31

T22
T12 =
3, 375
T2 = 1, 83 · T1 = 1, 83 · 28 = 51 dias

Resposta correta é a letra E de enxofre, cujo sı́mbolo é S e é abundante em erupções


vulcânicas. Junto com o hidrogênio, forma o ácido sulfı́drico, gás cujo cheiro é de
ovo podre, pois na decomposição do ovo se forma o H2 S e que lembram os odores
de pessoas com sistema digestivo desregulado.
Letra E

40. (ITA 1999) Um relógio de pêndulo, construı́do de um material de coeficiente


de dilatação linear α, foi calibrado a uma temperatura de 0◦ C para marcar um
segundo exato ao pé de uma torre de altura h. Elevando-se o relógio até o alto de
uma torre observa-se um certo atraso, mesmo mantendo-se a temperatura constante.
Considerando R o raio da Terra, L o comprimento do pêndulo a 0◦ C e que o relógio
permaneça ao pé da torre, então a temperatura para a qual se obtêm o mesmo atraso
é dada pela relação:
2h
A( )
αL
h(2R + h)
B( )
αR2
(R + h)2 − LR
C( )
αLR
R(2h + R)
D( )
α(R + h)2
2R + h
E ( )
αR

Solução:
Essa foi uma das primeiras questões de fı́sica do ITA que eu tentei fazer... digo tentei,
porque achei muito difı́cil no inicio e me frustrei muito porque achei muito complexa.
De fato, ela durante uma prova de vestibular parece um monstro. Depois de uns
dias consegui resolve-la porque tinha percebido que minha base de teoria ainda era
fraca e muitos conceitos ainda não estavam sólidos para mim. O que quero dizer é
que não existe questão difı́cil, você é que não está suficientemente preparado para
ela. Pode ser que muitas das questões resolvidas aqui possam parecer complexas e
muito difı́ceis. De fato, muita gente tem dificuldade como eu tive, mas isso tudo
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 125

caiu por terra quando eu estudei melhor os assuntos básicos e me disciplinei melhor.
Bom, após este testemunho vamos à resolução.
Esse problema descreve duas situações: quando está ao pé da torre e quando está no
alto da torre. Nas situações, dois fenômenos fı́sicos agem: a dilação térmica linear e
a diminuição da gravidade devido à altura.
Como ele fala em atraso, ele está falando de perı́odo do pêndulo. Mas por que ocorre
esse atraso? Primeiro temos que ver as variáveis que afetam o perı́odo do pêndulo.
s
l
T = 2π
g
O aumento da temperatura causa aumento do comprimento l, fazendo assim com
que o perı́odo aumente. Veja também que se a gravidade g diminuir, o perı́odo
também aumenta. Isso acontece quando elevamos o pêndulo, por exemplo, ao subir
na torre.
Mas atrasos sempre são medidos em relação a uma referência, caso contrário não dá
para dizer que algo atrasou ou adiantou. O processo de medir algo para se ter como
referência se chama calibração. A 0◦ C ao pé da torre, o comprimento do pêndulo é
L e a gravidade é g. O perı́odo nessa situação é
s
L
T0 = 2π
g
Ao subir na torre o pêndulo experimenta uma redução da gravidade devido o au-
mento da distância ao centro da Terra.
GM
g0 =
(R + h)2
Como a gravidade na superfı́cie é
GM
g=
R2

GM = gR2
Isso fica
gR2
g0 =
(R + h)2
O perı́odo no alto da torre vale
s v s
L u L R+h L
T1 = 2π = 2π = 2π ·
u
0 2
g gR R g
u
t
(R + h)2
Veja que eu tirei um monte de coisa da raiz quadrada deixando só o g. Isso é como
se eu estivesse garimpando a equação de cima para achar o perı́odo de calibração,
pois vai me facilitar. Quer ver?
s
R+h L R+h
T1 = · 2π = · T0
R g R
126

Note que o perı́odo aumentou no alto da torre, pois a fração (R + h)/R é maior que
1. Se o perı́odo aumentou, quer dizer que um segundo no alto da torre é marcado
mais lento, portanto, vamos calcular o atraso, que é a diferença de marcações.
 
R+h R+h
∆T = T1 − T0 = · T0 − T0 = − 1 T0
R R

(R + h) − R h
∆T = T0 = T0
R R

h
∆T = T0
R
Só que se pergunta qual a temperatura que devemos colocar no pêndulo no solo
para ter esse mesmo atraso. Recordar é viver e as recordações nos dizem que o
comprimento do pêndulo ao ser aquecido é

L0 = L(1 + α∆t)

L0 = L(1 + α(t − 0))

L0 = L + Lαt

O perı́odo com pêndulo aquecido:


s s
0
L L + Lαt
T2 = 2π = 2π
g g

O atraso é feito da mesma forma.


s s
L + Lαt L
∆T 0 = T2 − T0 = 2π − 2π
g g

Agora podemos encontrar a temperatura t que causa o mesmo atraso da situação


no topo da torre.

∆T = ∆T 0

T1 − T0 = T2 − T0

T1 = T2

s s
R+h L L + Lαt
2π · = 2π
R g g
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 127

Elevando ao quadrado os dois lados, dá para eliminar a raiz quadrada.

(R + h)2 L L + Lαt
4π 2 2
· = 4π 2
R g g

(R + h)2
= 1 + αt
R2

(R + h)2
− 1 = αt
R2

(R + h)2 − R2
= αt
R2

2Rh + h2
= αt
R2

h(2R + h)
=t
αR2

Letra B

41. (ITA 1999) Considere a Terra uma esfera homogênea e que a aceleração da
gravidade nos polos seja de 9, 8m/s2 . O número pelo qual seria preciso multiplicar
a velocidade de rotação da Terra de modo que o peso de uma pessoa no Equador
ficasse nulo é

A( ) 4π
B( ) 2π
C( ) 3
D( ) 10
E ( ) 17

Solução:
No equador, a influência da rotação da Terra diminui o peso aparente das coisas.
Se compararmos o peso nos polos, o valor do peso aparente é menor, visto que lá a
influência da rotação é nula. Sendo assim, podemos escrever nessa bagaça...

PE = PP − mω 2 R

gE = gP − ω 2 R

A nova velocidade de rotação para que o peso no equador seja nulo é


2
0 = gP − ω 0 R
128

2
gP = ω 0 R

gP2
ω0 =
R
Sabemos da teoria do movimento circular que
 2
2 2π
ω =
T
Neste caso é a rotação da Terra, cujo perı́odo é 86400s. Então o valor n que multiplica
a velocidade de rotação da Terra ω é
2
(nω)2 = ω 0

gP
02
ω
n2 = 2 =  R 2
ω 2π
T
Aplicando os dados do enunciado, vemos que n = 17.
Letra E

42. (ITA 1999) Suponha um cenário de ficção cientı́fica em que a Terra é atin-
gida por um imenso meteoro. Em consequência do impacto, somente o módulo da
velocidade da Terra é alterado, sendo v0 seu valor imediatamente após o impacto,
como mostra a figura abaixo. O meteoro colide com a Terra exatamente na posição
onde a distância entre a Terra e o Sol é mı́nima (distância A0 = R na figura).
Considere a atração gravitacional exercida pelo Sol, tido como referencial inercial,
como a única força de interação que atua sobre a Terra após a colisão, e designe por
M a massa do Sol e por G a constante de gravitação universal. Considere ainda
que o momento angular da Terra seja conservado, isto é, a quantidade de módulo
m~v |~r|senα permanece constante ao longo da nova trajetória elı́ptica da Terra em
torno do sol (nessa expressão, m é a massa da Terra, r é o módulo do vetor posição
da Terra em relação ao Sol, v o módulo da velocidade da Terra e α o ângulo entre ~r
e ~v ). A distância OB, do apogeu ao centro do Sol, da trajetória que a Terra passa
a percorrer após o choque com o meteoro, é dada pela relação:

R2 v02
A( )
2GM − Rv02
R2 v02
B( )
2GM + Rv02
R2 v02 senα
C( )
2GM + Rv02
R2 v02
D( )
2GM + Rv02
E ( ) R

Solução:
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 129

Inicialmente, há uma órbita de boas e vem um cometa lazarento para acabar com
a paz dos outros. A tal porrada muda o módulo da velocidade. Ao aumentar a
velocidade vamos para uma trajetória elı́ptica maior.
As condições do enunciado dizem que podemos aplicar a conservação do momento
angular então vamos usar a dita cuja conservação.

mv0 Rsen90◦ = mvb rb sen90◦

v0 R = vb rb

v0 R
vb =
rb
Sendo o sistema conservativo podemos aplicar o principio da conservação da energia:

EB = EA

1 2 GM m 1 GM m
mvb − = mv02 −
2 rb 2 R

1 2 GM 1 GM
vb − = v02 −
2 rb 2 R
Vamos substituir a velocidade em B:
 2
1 v0 R GM 1 GM
− = v02 −
2 rb rb 2 R

1 v02 R2 GM 1 GM
· 2 − = v02 −
2 rb rb 2 R

Agora vem a sacada. Aı́ no meio dessa equação tem uma equação do segundo grau.
Dúvida? É verdade, olhe bem. Mas se não conseguiu perceber, considere o seguinte:
1
x=
rb

v02 R2 1 1 1 GM
· 2 − GM = v02 −
2 rb rb 2 R

v02 R2 2 1 GM
· x − GM x = v02 −
2 2 R
Se fizermos o seguinte:

v02 R2
a=
2
130

b = −GM

1 GM
c = − v02 +
2 R
Como é uma equação do segundo grau, teremos dois valores para x, calculados
através da fórmula de Bhaskara.

−b + b2 − 4ac
x1 =
2a


−b − b2 − 4ac
x2 =
2a
Fazendo os cálculos e simplificando encontraremos que x1 e x2 valem:

2GM − v02 R
x1 =
v02 R2

1
x2 =
R
Lembrando que foi feita a troca de variáveis (x = 1/rb ), o que queremos encontrar
na verdade é quanto vale rb .

1 v02 R2
rb1 = =
x1 2GM − v02 R

1
rb2 = =R
1
R
v02 R2
As duas soluções são e R. A solução rb 2 = R corresponde ao apogeu e
2GM − v02 R
a resposta foi pedida para o perigeu, portanto a resposta é rb 1:

v02 R2
2GM − v02 R

Antes que você se desespere com o trabalho que deu esta questão, lembre-se que a
estratégia para sua resolução foi simples: usar conservação da quantidade de movi-
mento angular e conservação da energia. O resto é manipulação matemática que se
aprende com bastantes exercı́cios, disciplina e concentração.
Um filme que trata dessa questão de colisão da Terra com um asteroide é o Arma-
gedom, estrelado por Bruce Willis. No filme, um grupo de mineradores partem para
uma missão que tenta destruir o asteroide antes de chegar na Terra. Mas para isso
ele só precisam pousar no astro que vem em direção à Terra. Coisas do cinema...
Pelo menos tem um trilha sonora legal .
Letra A
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 131

43. (ITA 2000) Uma casca esférica tem raio interno R1 , raio externo R2 e massa
M distribuı́da uniformemente. Uma massa puntiforme m está localizada no interior
dessa casca, a uma distância d de seu centro (R1 < d < R2 ). O módulo da força
gravitacional entre as massas é:

A( ) 0
B( ) GM m/d2
C( ) GM m/(R3 − d3 )
D( ) GM m/(d3 − R13 )
E ( ) GM m(d3 − R13 )/d2 (R23 − R13 )

Solução:
Este problema é bastante interessante e faz uso do teorema das cascas. Primeiro
vamos dividir esta casca em duas: a casca interior cujo raio vai de R1 a d e a casca
exterior cujo raio vai de d até R2 .
A massa m está interna à casca externa, e pelo teorema das cascas, uma massa
localizada no interior de uma casca esférica tem a resultante das forças sobre ela
igual a zero. Portanto vamos jogar fora a casca externa, pois ela não apita nada por
aqui.
A massa m sente a força gravitacional da casca interna e essa força é como se fosse
uma força cuja massa da casca interna estivesse toda concentrada no centro. Mas
veja que só parece, porque o centro é oco.
Portanto, a força gravitacional é calculada da seguinte maneira:
GMcasca interna m
F =
d2
Mas quanto é massa da casca interna? Já que ela disse que a casca toda tem uma
massa distribuı́da, vamos assumir que ela tem uma densidade ρ.

M = ρVcasca

O volume da casca é o volume de uma esfera de raio R2 menos o volume da esfera


de raio R1 :
4 3 4 3 4
πR − πR = π(R23 − R13 )
3 2 3 1 3
Portanto...
4
M = ρ · π(R23 − R13 )
3
A massa da casca pode ser expressa através da densidade e das dimensões dadas no
enunciado. A casca interna segue a mesma ideia da casca total, ou seja, seu volume
132

é o volume de uma esfera de raio d menos o volume de uma esfera de raio R1 .


4
Mcasca interna = ρ · π(d3 − R13 )
3
Se dividirmos a massa da casca interna pela massa total vamos cancelar a densidade,
que é um parâmetro que não foi dado e por isso não pode aparecer. Não faz sentido
dar a resposta com um parâmetro desconhecido. É o mesmo que nada.
4
Mcasca interna ρ · π(d3 − R13 ) d3 − R13
= 3 = 3
M 4 R2 − R13
ρ · π(R23 − R13 )
3

d3 − R13
Mcasca interna = 3 ·M
R2 − R13
Agora que temos a massa da casca interna, é só achar a força.
 3
d − R13

Gm ·M
GMcasca interna m R23 − R13
F = =
d2 d2

GM m d3 − R13
F = · 3
d2 R2 − R13

Letra E

44. (ITA 2000) O raio do horizonte de eventos de um buraco negro corresponde


à esfera dentro da qual nada, nem mesmo luz, escapa da atração gravitacional por
ele exercida. Por coincidência, esse raio pode ser calculado não-relativisticamente
como o raio para o qual a velocidade de escape é igual à velocidade da luz. Qual
deve ser o raio do horizonte de eventos de um buraco negro com uma massa igual à
massa da Terra?
Dados:
massa da Terra: 6, 0 × 1024 kg
velocidade da luz no vácuo: 3, 0 × 108 m/s
constante de gravitação universal: 6, 67 × 10−11 N m2 /kg 2

A( ) 9m
B( ) 9mm
C( ) 30cm
D( ) 90cm
E ( ) 3km

Solução:
Sabemos que a velocidade de escape é
p
v= 2gR
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 133

Sendo que a velocidade é a da luz, então:


r
2GM
c=
R
Observe que substituı́mos a gravidade na superfı́cie do buraco negro. Agora é aplicar
o valores numéricos e achar o resultado...

r
2 · 6, 67 × 10−11 · 6 × 10−24
3 × 108 =
R

16 2 · 6, 67 × 10−11 · 6 × 10−24
9 × 10 =
R

2 · 6, 67 × 10−11 · 6 × 10−24
R= = 8, 89 × 10−3 = 8, 89mm
9 × 1016
O valor que mais se aproxima é da letra B de Bohr, fı́sico que revolucionou o estudo
atômico ao afirmar que os elétrons se localizam em camadas de energia.
Letra B

45. (ITA 2003) Variações no campo gravitacional na superfı́cie da Terra podem


advir de irregularidades na distribuição da massa. Considere a Terra como uma
esfera de raio R e de densidade, uniforme, com uma cavidade esférica de raio a,
inteiramente contida no seu interior. A distância entre os centros O, da Terra, e C,
da cavidade, é d, que pode variar de 0 (zero) até R, causando, assim, uma variação
o campo gravitacional em um ponto P , sobre a superfı́cie da Terra, alinhando O
e C. (Veja a figura). Seja G1 a intensidade do campo gravitacional em P sem a
existência da cavidade na Terra, e G2 , a intensidade do campo no mesmo ponto,
considerando a existência da cavidade. Então, o valor máximo da variação relativa:
(G1 − G2 )/G1 , que se obtém ao deslocar a posição da cavidade, é:

a3
A( )
(R − a)2R
 a 3
B( )
R
 a 2
C( )
R
a
D( )
R
E ( ) nulo

Solução:
134

Primeiramente, a esfera é feita de um material de densidade ρ. Então a massa da


Terra em função da densidade é
4
M = ρV = ρ πR3
3
A gravidade gerada nessa situação e sentida por P é
GM 4
G1 = 2
= ρGπR
R 3
A cavidade é representada por uma esfera de raio a, cujo centro está a uma distância
d − r de P . Além disso, essa cavidade foi feita removendo uma massa de matéria de
densidade ρ do interior da Terra equivalente a esfera de raio a. Assim, a gravidade
em P é a soma do efeito da gravidade da esfera da qual se formou a cavidade mais o
efeito da gravidade da Terra com a cavidade. Complicado? Vamos tentar de outro
jeito. Calcular a gravidade da Terra quando ela tem um buraco (cavidade) que nem
da questão é complicado, pois é um caso bem anormal e, portanto, temos que usar
outro artifı́cio para fazer esse cálculo, Como?
Sabemos que se não tivesse esse buraco, a gravidade em P seria G de boa, ou seja,
a Terra inteira, mas não é isso a situação. Da mesma forma a gravidade em P , seria
a somatória das gravidades de dois corpos que equivaleriam à Terra inteira: a Terra
com a cavidade e a própria cavidade. Mas como? Perceba que se a Terra inteira é
a Terra com cavidade mais a esfera que gerou a cavidade. Sabemos da teoria que
a gravidade pode ser representada como se a massa estivesse concentrada no centro
do corpo e gerando uma força cujo vetor aponta para esse centro. Assim, é como
se tivéssemos P sob o efeito de um corpo cujo centro está a uma distancia R dele
e outro corpo na mesma linha, mas em uma posição R − d. Esses dois corpos tem
massa que vamos calcular a seguir.
Como a esfera é do mesmo material do interior da Terra...
4
m = ρV 0 = ρ πa3
3
A massa da Terra com a cavidade é
4 4 4
M 0 = M − m = ρ πR3 − ρ πa3 = ρπ(R3 − a3 )
3 3 3

4
M 0 = ρπ(R3 − a3 )
3
Agora considerando os efeitos das gravidades da esfera e da Terra com cavidade.

G1 = G2 + Gesf era

G1 − G2 = Gesf era

G1 − G2 Gesf era
=
G1 G1
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 135

A gravidade da esfera é
4
Gρ πa3
Gesf era = 3
(R − d)2
Agora vamos aplicar o que obtivemos até aqui.
4
Gρ πa3
3
G1 − G2 (R − d)2
=
G1 4
ρGπR
3
Simplificando:
G1 − G2 a3
=
G1 R(R − d)2
O valor da relação que buscamos é quando o denominador R − d é mı́nimo, e sendo
que a e R são constantes, isso ocorre quando d é igual a R − a.
G1 − G2 a3 a3 a
= 2
= 2
=
G1 R[R − (R − a)] R(a) R
Letra D

46. (ITA 2003) Sabe-se que a atração gravitacional da lua sobre a camada
de água é a principal responsável pelo aparecimento de marés oceânicas na Terra,
supostamente esférica, homogeneamente recoberta por uma camada de água. Nessas
condições, considere as seguintes afirmativas:
I As massas de água próximas das regiões A e B experimentam marés altas
II As massas de água próximas das regiões A e B experimentam marés opostas,
isto é, quando A tem maré alta, B tem maré baixa e vice-versa.
III Durante o intervalo de tempo de um dia ocorrem duas marés altas e duas
marés baixas.

A( ) A afirmativa I
B( ) A afirmativa II
C( ) A afirmativa III
D( ) A afirmativas I e II
E ( ) A afirmativas I e III

Solução:
A afirmação I é falsa, pois na posição A, mais próxima da Lua, sofre mais atração
fazendo subir o nı́vel da água, ao oposto do B. A partir disso, a afirmação II está
correta. Devido à rotação da Terra, ocorrem duas marés altas e duas marés baixas.
Alternativa E de esquilo está correta.
Letra E
136

47. (ITA 2004) Uma estrela mantém presos, por meio de sua atração gravita-
cional, os planetas Alfa, Beta e Gama. Todos descrevem órbitas elı́pticas, em cujo
foco comum se encontra a estrela, conforme a primeira lei de Kepler. Sabe-se que
o semi-eixo maior da órbita de Beta é o dobro daquele da órbita de Gama. Sabe-
se também que o perı́odo de Alfa é vezes maior que o perı́odo de Beta. Nestas
condições, pode-se afirmar que a razão entre o perı́odo de Alfa e o de Gama é:

A( ) 2
B( ) 2
C( ) 4

D( ) 4 2

E ( ) 6 2

Solução:
Vamos usar a figura já vista na teoria para ilustrar este problema dos três planetas.

Como os três planetas orbitam a mesma estrela, podemos aplicar a Terceira


Lei de Kepler aos três. Nomeamos os planetas Alfa, Beta e Gama como 1, 2 e 3,
respectivamente.
T12 T22 T32
= =
a31 a32 a33
Fazendo dois a dois de acordo com o enunciado...
Semi-eixo maior da órbita de Beta é o dobro do semi-eixo maior da órbita de Gama.
a2 = 2a3

T22 T32
=
a32 a33

T22 T32
=
(2a3 )3 a33
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 137

T22 T32
=
8a33 a33

T22 = 8T32


T2 = 2 2T3

Perı́odo de Alfa é 2 do perı́odo de Beta.
T12 T22
= 3
a31 a2

( 2T2 )2 T22
=
a31 a32

2 1
3
= 3
a1 a2

3
a1 = 2a2

Agora relacionando o perı́odo de Alfa e Gama...


T12 T32
=
a31 a33
Vamos usar o resultado obtido acima para o valor de a1
T12 T32
=
2a32 a33
Se você prestar atenção, vai ver que eu estou tentando escrever a relação entre
os perı́odos de Alfa e Gama (1 e 3) em função de uma variável comum. Até agora
cheguei que os perı́odos estão em função dos semi-eixos maiores de Beta e Gama. Só
mais um passo eu consigo eliminar um dos semi-eixos maiores e resolver o problema.
Como o que me resta é a relação entre o semi-eixos maiores de Beta e Gama, e foi
dado que o de Beta é o dobro do de Gama. Fica fácil.
T12 T32
=
2(2a3 )3 a33

T12 T32
=
16a33 a33
Podemos eliminar o semi-eixo de Gama (a3 ). Assim, resolve-se essa novela...

T12 = 16T32

T1 = 4T3

Letra C
138

48. (ITA 2005) Suponha que na Lua, cujo raio é R, exista uma cratera de
profundidade R/100, do fundo da qual um projétil é lançado verticalmente para
cima com velocidade inicial v igual à de escape da cratera. Determine literalmente
a altura máxima alcançada pelo projétil, caso ele fosse lançado da superfı́cie da Lua
com aquela mesma velocidade inicial v.

Solução:
Neste caso, o principio das cascas ajuda bastante. No problema, como o corpo está
em uma cratera, a distância dele ao centro não é o raio da Lua, mas sim a distancia:

R
d=R− = R − 0, 01R = 0, 99R
100
Toda a massa formada pela casca acima de R/100 não exerce influencia gravitacional
sobre o corpo. O que exerce influência gravitacional sobre o corpo é a massa abaixo
dele, ou seja, a massa da esfera lunar de raio 0, 99R.
A massa interna é equivalente à esfera de raio 0, 99R
4 4
M = πρ(0, 99R)2 = 0, 97 πρR3
3 3
A velocidade de escape vem do principio da conservação da energia. Vamos consi-
derar que essa história de escape seja para que o corpo sai da cratera e chega até a
superfı́cie da Lua com velocidade nula, isto é, a condição mı́nima de escape.

Ec0 + Ep0 = Ec1 + Ep1

Ec0 + Ep0 = 0 + Ep1

1 2 GM m GM m
mv − =−
2 0, 99R R

1 2 GM GM
v = −
2 0, 99R R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 139

1 2 GM 0, 99GM
v = −
2 0, 99R 0, 99R

1 2 0, 01GM
v =
2 0, 99R

1 2 GM
v =
2 99R
Substituindo a massa interna na equação acima:
1 2 G 4
v = · 0, 97 πρR3
2 99R 3
1 2 0, 97G 4
v = · πρR3
2 99R 3
Agora se usarmos essa velocidade de escape partindo da superfı́cie da Lua, devemos
escrever uma nova equação para conservação da energia. Nesse caso, a massa da
Lua é a da esfera de raio R, que é o raio da Lua. A velocidade de escape calculada
anteriormente é usada nesta nova conservação, coma diferença que o corpo é lançado
da superfı́cie.
Ec0 + Ep0 = Ec1 + Ep1

1 2 GM m GM m
mv − =0−
2 R h
1 2 GM GM
v − =0−
2 R h
1 0, 97G 4
Mas encontramos que v 2 = · πρR3 , então, substituindo:
2 99R 3
0, 97G 4 GM GM
· πρR3 − =0−
99R 3 R h
M 0, 97 4 M
=− · πρR3 +
h 99R 3 R
Podemos eliminar M , usando o seguinte resultado:
4
M = πρR3
3
1 4 0, 97 4 4
· πρR3 = − · πρR2 + πρR2
h 3 99 3 3
1 0, 97
R=− +1∼
= 0, 99
h 99

R∼
= 0, 99h

R ∼
h∼
= = 1, 01R
0, 99
h = 1, 01R
140

49. (ITA 2005) Satélite sı́ncrono é aquele que tem sua órbita no plano do equador
de um planeta, mantendo-se estacionário em relação a este. Considere um satélite
sı́ncrono em órbita de Júpiter cuja massa é MJ = 1, 9 × 1027 kg e cujo raio é RJ =
7, 0 × 107 m. Sendo a constante da gravitação universal G = 6, 7 × 10−11 m3 kg −1 s−2 e
considerando que o dia de Júpiter é de aproximadamente 10h, determine a altitude
do satélite em relação à superfı́cie desse planeta.

Solução:
Essa questão parece complicada, mas é fácil. É a simples aplicação para satélites
sı́ncronos, que nem o geo-estacionário. Neste caso, o perı́odo do satélite é igual
ao perı́odo de rotação do planeta. Para isso, usamos a aceleração centrı́peta, pois
nos permite relacionar o perı́odo com caracterı́sticas gravitacionais. Outra forma é
4π 2 3
calcular via Terceira Lei de Kepler (T 2 = a ).
GM
4π 2 GM
2
=
T (R + h)3
Note que o raio de rotação é o raio de Júpiter mais a altitude em relação à superfı́cie
do planeta, h. Agora é só aplicar os dados numéricos e encontrar h.
4π 2 6, 67 × 10−11 · 1, 9 × 1027
=
(10 · 60 · 60)2 (7 × 107 + h)3

Aplicando os valores encontramos h ∼


= 9, 1 × 107 m

50. (ITA 2006) Uma estação espacial em forma de um toroide, de raio interno
R1 , e externo R2 , gira, com perı́odo P , em torno do seu eixo central, numa região
de gravidade nula. O astronauta sente que seu “peso” aumenta de 20%, quando
corre com velocidade constante no interior desta estação, ao longo de sua maior
circunferência, conforme mostra a figura.
Assinale a expressão que indica o módulo dessa velocidade.
r !
6 2πR2
A( ) −1
5 P
r !
6 2πR2
B( ) 1−
5 P
r !
5 2πR2
C( ) +1
6 P
 
5 2πR2
D( ) +1
6 P
 
6 2πR2
E ( ) −1
5 P

Solução:
Como a estação está se movendo de tal forma que o perı́odo P de revolução em
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 141

torno de seu eixo. Esse movimento causa um peso aparente no astronauta. Isso se
assemelha à nave do filme 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
Em uma das cenas do filme, um dos astronautas corre para se exercitar no interior
da aeronave que é possı́vel criando uma gravidade artificial devido à rotação da nave.
Esse peso é o resultado da força centrı́fuga, pois o astronauta, quando parado, está
com a mesma velocidade de rotação da espaçonave.
Sendo v e ω as velocidades escalar e angular da nave, respectivamente, a força
centrı́fuga no astronauta em repouso é
 2
mv 2 2 2π
F = = mω R2 = m R2
R2 P
 2

F =m R2
P
Abaixo outra imagem do filme do astronauta fazendo exercı́cio, igual a situação da
questão.
Quando o astronauta começa a se mover com velocidade u no mesmo sentido de
rotação da nave, temos um aumento da força centrı́fuga, pois a velocidade para um
observador fora da aeronave é a soma das velocidades da nave com a velocidade
do astronauta, isso causa uma aumento de 20% no peso do astronauta. Se o peso
aumenta em 20%, o novo peso é P 0 = F + 0, 2F = 1, 2F
Sendo u e w as velocidades escalar e angular do astronauta, respectivamente, pri-
meiro equacionamos w em função de u e aplicamos na equação do novo peso do
astronauta (P 0 ).
u = wR2

u
w=
R2

P 0 = m(ω + w)2 R2

 2
2π u
1, 2F = m + R2
P R2
 2
6 2π u
F =m + R2
5 P R2
A equação acima descreve o aumento de peso por causa do aumento da velocidade.
No entanto, temos no resultado acima em função da massa m e da força F , que não
foram dados no enunciado e para chegarmos no resultado final devemos eliminar
estas variáveis. Uma forma de realizar essa eliminação é dividir pela equação inicial
desta resolução. Veja.
 2
6 2π u
F m + R2
5 = P R2
 2
F 2π
m R2
P
142

 2
2π u
+
6 P R2
=  2
5 2π
P

r
6 uP
=1+
5 R2 2π

r !
6 2πR2
−1 =u
5 P

Letra A

51. (ITA 2007) Lançado verticalmente da Terra com velocidade inicial v0 , um


parafuso de massa m chega com velocidade nula na órbita de um satélite artificial,
geoestacionário em relação à Terra, que se situa na mesma vertical. Desprezando a
resistência do ar, determine a velocidade v0 em função da aceleração da gravidade
g na superfı́cie da Terra, raio da Terra R e altura h do satélite.

Solução:
A velocidade rotação da Terra causa uma velocidade angular lateral no parafuso
igual a velocidade angular da Terra que por sua vez é igual a velocidade angular
do satélite geoestacionário. Lembre-se que satélite geo estacionário tem o mesmo
perı́odo da Terra, ou seja, a mesma velocidade angular do nosso planeta.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 143

A velocidade do parafuso é a resultante da velocidade de subida com que disparamos


o parafuso (v0 ) e velocidade lateral (vl ) devido ao movimento de rotação da Terra.
Parece complicado, mas não é. Só lembrarmos-nos do conceito de vetor resultante.
Como os dois vetores são perpendiculares, a velocidade do parafuso fica:

v 2 = v02 + vl2

Quando o parafuso chegar ao satélite, a velocidade vertical é nula, caso contrário ele
ainda continuará subindo e passará do satélite. Assim, lá no espaço, a velocidade
do parafuso será somente a velocidade lateral.
Vamos aplicar a conservação da energia.

Ec0 + Ep0 = Ec1 + Ep1

1 2 GM m 1 GM m
mv − = mvl2 −
2 R 2 h

1 GM m 1 GM m
m(v02 + vl2 ) − = mvl2 −
2 R 2 h

1 2 1 2 GM m 1 GM m
mv0 + mvl − = mvl2 −
2 2 R 2 h

1 2 GM m GM m
mv0 − =−
2 R h

1 2 GM m GM m
mv = −
2 0 R h
 
1 1
v02 = 2GM −
R h
144

52. (ITA 2008) A estrela anã vermelha Gliese 581 possui um planeta que, num
perı́odo de 13 dias terrestres, realiza em torno da estrela uma órbita circular, cujo
raio é igual a 1/14 da distância média entre o Sol e a Terra. Sabendo que a massa
do planeta é aproximadamente igual à da Terra, pode-se dizer que a razão entre as
massas da Gliese 581 e do nosso Sol é de aproximadamente:

A( ) 0,05
B( ) 0,1
C( ) 0,6
D( ) 0,3
E ( ) 4,0

Solução:
Gliese e seu planeta podem ser caracterizados de acordo coma Terceira Lei de Kepler
como já vimos antes... só que este problema é um pouco diferente, pois estamos
avaliando Gliese comparada ao Sol em termos de massa. Observe a sutileza deste
problema...
O enunciado disse o planeta realiza uma volta completa em 13 dias. A Terra realiza
sua revolução em torno do Sol em 365 dias, ou seja, então:

Tp TT
=
13 365

13
Tp = TT
365
Em que Tp é o perı́odo de revolução do planeta em questão e TT o da Terra.
O enunciado também diz que o raio da órbita do planeta, ap , é 1/14 do raio da
órbita da Terra, aT .
1
ap = aT
14
Aplicando à Terceira Lei de Kepler... (MG é a massa da estrela Gliese)

Tp2 4π 2
=
a3p GMG

 2
13
TT2
365 4π 2
 3 =
1 GMG
a3T
14

Resolvendo fica:
TT2 4π 2
3, 48 · =
a3T GMG
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 145

Mas e agora? O que fazer com esse negócio aı́ de cima? Simples, vamos relacionar
com a Terceira Lei de Kepler associada ao Sol e a Terra. Veja: (MS é a massa do
Sol)
TT2 4π 2
· =
a3T GMS
TT2 4π 2
Veja que podemos substituir 3 por na equação da estrela Gliese.
aT GMS
4π 2 4π 2
3, 48 · =
GMS GMG

1 1
3, 48 · =
MS MG

MG 1 ∼
= = 0, 28
MS 3, 48
Letra D

53. (ITA 2008) Numa dada balança, a leitura é baseada na deformação de uma
mola quando um objeto é colocado sobre sua plataforma. Considerando a Terra
como uma esfera homogênea, assinale a opção que indica uma posição da balança
sobre a superfı́cie terrestre onde o objeto terá a maior leitura.
A( ) Latitude de 45◦ .
B( ) Latitude de 60◦ .
C( ) Latitude de 90◦ .
D( ) Em qualquer ponto do Equador.
E ( ) A leitura independe da localização da balança já que a massa do objeto é
invariável.

Solução:
O efeito da rotação da Terra tende a diminuir as medições das balanças. Esse efeito
é acentuado no Equador, diminuindo até anular-se nos polos (presta atenção, estou
falando do efeito e não do peso!) Nos polos a latitude é 90◦ . Portanto, a resposta
correta é C.
Letra C

54. (ITA 2009) Desde os anos de 1930, observações astronômicas indicam a


existência da chamada matéria escura. Tal matéria não emite luz, mas a sua pre-
sença é inferida pela influência gravitacional que ela exerce sobre o movimento de
estrelas no interior de galáxias. Suponha que, numa galáxia, possa ser removida
sua matéria escura de massa especı́fica ρ > 0, que se encontra uniformemente dis-
tribuı́da. Suponha também que no centro dessa galáxia haja um buraco negro de
massa M , em volta do qual uma estrela de massa m descreve uma órbita circular.
Considerando órbitas de mesmo raio na presença e na ausência de matéria escura,
a respeito da força gravitacional resultante F~ exercida sobre a estrela e seu efeito
sobre o movimento desta, pode-se afirmar que:
146

A ( ) F~ é atrativa e a velocidade orbital de m não se altera na presença da matéria


escura.
B ( ) F~ é atrativa e a velocidade orbital de m é menor na presença da matéria
escura.
C ( ) F~ é atrativa e a velocidade orbital de m é maior na presença da matéria
escura.
D ( ) F~ é repulsiva e a velocidade orbital de m é maior na presença da matéria
escura.
E ( ) F~ é repulsiva e a velocidade orbital de m é menor na presença da matéria
escura.

Solução:
A força é gravitacional e atrativa. Nesses problemas de rotação, a velocidade é
derivada da bem conhecida equação da força centrı́peta...
r
GM
v=
R
Se colocarmos a matéria escura na jogada, M aumenta o que faz aumentar a velo-
cidade orbital da estrela.
Letra C

55. (ITA 2009) Lua e Sol são os principais responsáveis pelas forças de maré.
Estas são produzidas devido às diferenças na aceleração gravitacional sofrida por
massas distribuı́das na Terra em razão das respectivas diferenças de suas distâncias
em relação a esses astros. A figura mostra duas massas iguais, m1 = m2 = m,
dispostas sobre a superfı́cie da Terra em posições diametralmente opostas e alinhadas
em relação à Lua, bem como uma massa m0 = m situada no centro da Terra.
Considere G a constante de gravitação universal, M a massa da Lua, r o raio da
Terra e R a distância entre os centros da Terra e da Lua. Considere, também, f0z , f1z
e f2z as forças produzidas pela Lua respectivamente sobre as massas m0 , m1 , e m2 .
Determine as diferenças f1z − f0z e f2z − f0z sabendo que deverá usar a aproximação
1
= 1 − ax, quando x << 1.
(1 + x)a
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 147

Solução:
Essa questão parece difı́cil, mas só parece, pois é mais algébrica e tem uma dica
maneira no enunciado, e essa dica simplifica bastante.
Para cada massa, a distância até a Lua é diferente. A massa m2 está mais próxima,
a uma distância d, por sua vez, m0 , dista d + r e m1 está distante da Lua em uma
distância d + 2r.
Agora vamos montar as equações de força gravitacional para os três casos.
Gmm0
f0z =
(d + r)2

Gmm1
f1z =
(d + 2r)2

Gmm2
f2z =
d2
Agora vamos usar a dica...
A dica diz que podemos simplificar o denominador elevado a um número da seguinte
maneira:
1
= 1 − ax
(1 + x)a

Isso se x é muito menor que 1.


Veja que da para escrever os denominadores das equações das forças iguais a dica
acima. Para exemplificar pegamos o denominador da força sobre a massa m0 . Para
isso, colocamos d em evidencia para parecer o 1. Mas por que o d? Pela seguinte
razão, caro leitor: a distância da Terra a Lua é muito, mas muito, mas muito maior
que o radio da Terra, assim, a divisão de r por d é um número bem menor que 1.
Para a massa m0 :
 
1 1 1 2r
=  = 2 1−
(d + r)2 r 2 d d
d2 1 +
d
Para a massa m1 :
 
1 1 1 4r
= 2 = 2 1−
(d + 2r)2 d d

2r
d2 1 +
d

Reaplicando nas equações das forças...


 
Gmm0 Gmm0 2r
f0z = 2
= 1−
(d + r) d2 d

 
Gmm1 Gmm1 4r
f1z = 2
= 1−
(d + 2r) d2 d
148

Para encontrar o que foi pedido no enunciado...


Lembrando que m0 = m1 = m2 = m
    
2 1 4r 1 2r
f1z − f0z = Gm 1− − 2 1−
d2 d d d

Gm2
   
4r 2r
f1z − f0z = 2 1− − 1−
d d d

Gm2
 
4r 2r
f1z − f0z = 2 1− −1+
d d d

Gm2
 
2r
f1z − f0z = 2 −
d d

2Gm2 r
f1z − f0z = −
d3

  
2 1 1 2r
f2z − f0z = Gm 2
− 2 1−
d d d

Gm2
  
2r
f2z − f0z = 2 1− 1−
d d

Gm2
 
2r
f2z − f0z = 2 1−1+
d d

Gm2
 
2r
f2z − f0z = 2
d d

2Gm2 r
f2z − f0z =
d3

56. (ITA 2010) Derive a 3a Lei de Kepler do movimento planetário a partir da


Lei da Gravitação Universal de Newton considerando órbitas circulares.

Solução:
Vou reusar o que calculamos para Terceira Lei de Kepler na parte de teoria deste
livro.
Para isso, vamos considerar um satélite sino-brasileiro, CBERS como exemplo, or-
bitando a Terra percorrendo uma trajetória circular.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 149

A força com que o CBERS é atraı́do pela Terra é a força gravitacional, que é
responsável pela órbita circular. A força gravitacional é a força centrı́peta que o
atrai para o centro. Portanto podemos escrever:

Fcp = FG

mv 2 GM m
=
R R2

GM
v2 =
R

GM
ω 2 R2 =
R

GM
ω2 =
R3
Relembrando que a velocidade angular é relacionada com o perı́odo de revolução.

ω=
T

 2
2π GM
=
T R3

4π 2 GM
=
T2 R3

24π 2 3
T = R
GM
150

57. (ITA 2010) Considere um segmento de reta que liga o centro de qualquer
planeta do sistema solar ao centro do Sol. De acordo com a 2a Lei de Kepler, tal
segmento percorre áreas iguais em tempos iguais. Considere, então, que em dado
instante deixasse de existir o efeito da gravitação entre o Sol e o planeta. Assinale
a alternativa correta:
A ( ) O segmento de reta em questão continuaria a percorrer áreas iguais em
tempos iguais.
B ( ) A órbita do planeta continuaria a ser elı́ptica, porém com focos diferentes e
a 2a Lei de Kepler continuaria valida.
C ( ) A órbita do planeta deixaria de ser elı́ptica e a 2a Lei de Kepler não seria
mais valida.
D ( ) A 2a Lei de Kepler só é valida quando se considera uma força que depende
do inverso do quadrado das distancias entre os corpos e, portanto, deixaria
de ser valida.
E ( ) O planeta iria se dirigir em direção ao Sol.

Solução:
Se a gravitação deixasse de existir, a velocidade do planeta seria mantida em módulo,
direção e sentido. Então imagine dois intervalos de tempo ∆t. A distância percorrida
pelo planeta é d = v∆t.

A área varrida em cada intervalo de tempo é mostrado através dos triângulos de


área A1 e A2 .
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 151

1
A1 = bv∆t
2

1
A2 = bv∆t
2

Ou seja, varre áreas iguais em tempos iguais.


Letra A

58. (ITA 2010) Considere a Terra como uma esfera homogênea de raio R que
gira com velocidade angular uniforme ω em torno do seu próprio eixo Norte-Sul. Na
hipótese de ausência de rotação da Terra, sabe-se que a aceleração da gravidade seria
dada por g = GM/R2 . Como ω 6= 0, um corpo em repouso na superfı́cie da Terra
na realidade fica sujeito forçosamente a um peso aparente, que pode ser medido,
por exemplo, por um dinamômetro, cuja direção pode não passar pelo centro do
planeta.
Então, o peso aparente de um corpo de massa m em repouso na superfı́cie da Terra
a uma latitude λ é dado por:

A ( ) mg − mω 2 Rcosλ
B ( ) mg − mω 2 Rsen2 λ
v "
u 2
 2 2 #
u 2ω R ω R
C ( ) mg t1 − + sen2 λ
g g2
v "
u 2
 2 2 #
u 2ω R ω R
D ( ) mg t1 − − cos2 λ
g g2
v "
u 2
 2 2 #
u 2ω R ω R
E ( ) mg t1 − − sen2 λ
g g2

Solução:
Este problema deve iniciar com a análise geométrica das forças de acordo com a
localização da latitude.
152

A dica é quando aparecer problemas com forças inclinadas é decompor tais forças
em componentes horizontais e verticais e assim facilita o entendimento.
X
Fx = P − Fcf x = mgx

X
Fz = Fcf z = maz

No eixo x:

mg − macf x = mgx

g − acf x = gx

A projeção em x de aceleração centrı́fuga é uma relação trigonométrica...

acf x = acf cosϕ

Fcf = mω 2 Rcosϕ

macf = mω 2 Rcosϕ

acf = ω 2 Rcosϕ

acf x = acf cosϕ = acf = ω 2 Rcos2 ϕ

Voltando a lei de Newton com esse resultado:

gapx = g − acf x = g − ω 2 Rcos2 ϕ


Capı́tulo 5. Questões resolvidas 153

gapx = g − ω 2 Rcos2 ϕ
Para o eixo z.
Fcf z = mgapz

macf z = mgapz

acf z = gapz
A componente em z é proporcional ao seno.
gapz = acf senϕ

gapz = ω 2 Rcosϕsenϕ
Para achar o módulo do da aceleração aparente fica:
p
gap = (g − ω 2 Rcos2 ϕ)2 + (ω 2 Rcosϕsenϕ)2
Se quiser simplificar mais, podemos desenvolver os quadrados e eliminar o seno e o
cosseno usando a relação fundamental Como a componente nas duas direções, x e z
temos o vetor aceleração aparente determinado.
Lembrando que sen2 ϕ + cos2 ϕ = 1
p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos4 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕsen2 ϕ
Agora vamos usar a relação fundamental trigonométrica isolando o seno.
sen2 ϕ = 1 − cos2 ϕ
p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos4 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕ(1 − cos2 ϕ)
p
gap = g 2 − 2gω 2 Rcos2 ϕ + ω 4 R2 cos2 ϕ
p
gap = g 2 − (2gω 2 R + ω 4 R2 )cos2 ϕ
Colocando g 2 em evidência:
s  2 4 2
  
2ω R ω R
gap = g2 1 − + 2 cos2 ϕ
g g
s
2ω 2 R ω 4 R2
 
gap = g 1− + 2 cos2 ϕ
g g
O peso fica:
s
2ω 2 R ω 4 R2
 
P = mg 1− + 2 cos2 ϕ
g g
Olha só, o peso aparente depende do quadrado do cosseno da latitude. Vendo isso,
podemos concluir que a medida que vamos para os polos, a contribuição da força
centrı́fuga é menor. Visto isso, nos polos não há influencia da rotação da Terra!
Letra D
154

59. (ITA 2011) Na ficção cientı́fica A Estrela , de H.G. Wells, um grande aste-
roide passa próximo à Terra que, em consequência, fica com sua nova órbita mais
próxima do Sol e tem seu ciclo lunar alterado para 80 dias. Pode-se concluir que,
após o fenômeno, o ano terrestre e a distância Terra-Lua vão tornar-se, respectiva-
mente,

A( ) mais curto – aproximadamente a metade do que era antes.


B( ) mais curto – aproximadamente duas vezes o que era antes.
C( ) mais curto – aproximadamente quatro vezes o que era antes.
D( ) mais longo – aproximadamente a metade do que era antes.
E ( ) mais longo – aproximadamente um quarto do que era antes.

Solução:
Da Terceira Lei de Kepler, quanto menor o raio, menor o perı́odo. Dessa forma, ao
se aproximar do Sol, a duração do ano diminui.
O ciclo lunar é de 27 a 28 dias e se passar para 80 dias, dá para descobrir a distância
entre a Terra e a Lua nessa nova situação.

T12 T22
=
a31 a32

2 2
a32
 
80 ∼ 81
= = = 32 = 9
a31 27 27

a32 = 9a31

a2 ∼
= 2, 08a1

O novo raio é aproximadamente o dobro do raio anterior.


Letra B

60. (ITA 2012) Acredita-se que a colisão de um grande asteroide com a Terra
tenha causado a extinção dos dinossauros. Para se ter uma ideia de um impacto
dessa ordem, considere um asteroide esférico de ferro, com 2 km de diâmetro, que
se encontra em repouso quase no infinito , estando sujeito somente à ação da gra-
vidade terrestre. Desprezando as forças de atrito atmosférico, assinale a opção que
expressa a energia liberada no impacto, medida em número aproximado de bombas
de hidrogênio de 10 megatons de TNT.

A( ) 1
B( ) 10
C( ) 500
D( ) 500000
E ( ) 1000000
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 155

Solução:
Se o asteroide está em repouso no infinito, a energia cinética é nula e sua energia
potencial gravitacional é também nula, o que nos leva a concluir que a energia
mecânica no infinito é nula. Quando ele vem do infinito atraı́do pela Terra, ele é
acelerado e ao atingir a superfı́cie ele tem uma velocidade v, então ele tem uma
energia cinética não nula, e um energia potencial gravitacional também não nula,
pois ao atingir a superfı́cie da Terra, ele estará a uma distancia R do centro.
Então a energia cinética do asteroide será a energia liberada na explosão do impacto,
dessa forma, para saber essa energia basta calcular a energia mecânica no impacto.
GM m
Emec = Ecin −
R
Como a energia mecânica se conserva, devemos igualar a energia mecânica no infinito
com a energia mecânica no impacto.
GM m
Ecin − =0
R

GM m
Ecin =
R
Recordando que:
GM
g=
R2

GM
= gR
R
A energia cinética fica com uma cara nova.

Ecin = mgR

O asteroide é uma esfera de ferro de massa


4
m = πρr3
3
Então, aplicando na equação da energia cinética:
4
Ecin = πρr3 R
3
Basta substituir os valores que obteremos aproximadamente 2 × 1021 J.
(ρ é a densidade do asteroide, que é feito de ferro e portanto ρ = 7900kg/m3 ).
O número equivalente de megatons é:
(Cada megaton de TNT equivale a 4 × 1016 J)

2 × 1021
n= 16
= 5 × 104 = 50000
4 × 10

Letra D
156

61. (ITA 2012) Boa parte das estrelas do Universo formam sistemas binários
nos quais giram em torno do centro de massa comum CM. Considere duas estrelas
esféricas de um sistema binário em que cada qual descreve uma órbita circular em
torno desse centro. Sobre tal sistema são feitas duas afirmações.

I O perı́odo de revolução é o mesmo para as duas estrelas e depende apenas da


distância entre elas, da massa total deste binário e da constante gravitacional.

II Considere que R~1 e R~2 são os vetores que ligam CM ao respectivo centro de
cada estrela. Num certo intervalo de tempo ∆t, o R~1 varre certa área A.
Durante o mesmo intervalo de tempo, o raio vetor R~2 também varre uma área
igual a A.

Diante das duas proposições, assinale a alternativa correta.

A( ) As afirmações I e II são falsas.


B( ) Apenas a afirmação I é verdadeira.
C( ) Apenas a afirmação II é verdadeira.
D( ) As afirmações I e II são verdadeiras, mas II não justifica a I.
E ( ) As afirmações I e II são verdadeiras, e além disso, a II justifica a I.

Solução:
Na prova de 2016 uma questão muito semelhante a esta apareceu, portanto, vamos
desenvolvê-la para esta questão e vamos usar a mesma resolução para a questão de
2016. Poderı́amos apenas afirmar que a proposição I é verdadeira, mas vamos além,
vamos provar que isso é verdadeiro por motivos didáticos e ensinar-vos mais técnicas
de resolução.
Primeiramente vamos supor que cada estrela tem um o seu próprio perı́odo e através
dos raciocı́nios abaixo vamos chegar que o perı́odo de uma é igual ao perı́odo da
outra.
Sendo que ambas exercem um aceleração gravitacional na outra que vale g, temos o
seguinte:

Gm1
g12 =
d2

Gm2
g21 =
d2

Em que d é a distância entre as estrelas. O centro de rotação do sistema binário


é o centro de massa dos mesmos. Conforme visto na teoria, vamos referenciar este
centro em um das estrelas, esta escolha é arbitraria, por isso, tanto faz, então escolho
a estrela 1 como referência, colocando nela a origem do centro de coordenadas.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 157

m2
xcm = d = r1
m1 + m2
O raio de rotação para estrela fica

d = r1 + r2

A estrela 2 um executa o movimento com raio

r2 = d − r1

Novamente usando a aceleração centrı́peta:


 2
2 2π Gm2
g21 = ω1 r1 = r1 = 2
T1 d

 2
2π Gm1
g12 = ω22 r1 = r2 =
T2 d2
Vamos separar o que nos interessa...
 2
2π Gm2
r1 = 2
T1 d

 2
2π Gm1
r2 =
T2 d2
Dividindo um pelo outro, eliminamos algumas letras:
 2
2π Gm2
r1
T1 d2
 2 = Gm
2π 1
r2 d 2
T2

 2

r1
T1 m1
 2 =
2π m2
r2
T2
158

 2  2
1 1
r1 m1 = r2 m2
T1 T2
Sendo que:
m2
r1 = |xcm | = d
m1 + m2

m2 m1
r2 = |d − r1 | = d − d= d
m1 + m2 m1 + m2
Extraindo só o que precisamos...
m2
r1 = d
m1 + m2

m1
r2 = d
m1 + m2
Agora vamos aplicar os raios na relação entre perı́odos...
 2  2
1 1
r1 m1 = r2 m2
T1 T2

 2  2
1 m2 1 m1
m1 d= m2 d
T1 m1 + m2 T2 m1 + m2

 2  2
1 1
=
T1 T2

T1 = T2

Para o perı́odo de revolução:


 2
2π Gm2
r1 =
T1 d2
Substituindo r1 :
 2
2π m2 Gm2
d= 2
T1 m1 + m2 d

 2
2π G(m1 + m2 )
=
T1 d3

s
d3
T1 = 2π
G(m1 + m2 )
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 159

A primeira afirmação é verdadeira.


A área varrida durante um intervalo de tempo ∆t é proporcional ao arco descrito:
s1 = θ1 r12

s1 = ω1 r13 ∆t

2π 3
s1 = r ∆t
T1 1
Analogamente, se fizermos para a estrela 2:
2π 3
s2 = r ∆t
T2 2
Dividindo as duas áreas...
2π 3
r ∆t
s1 T1 1 r3
= = 13
s2 2π 3 r2
r ∆t
T2 2
Podemos concluir que as áreas dependem dos raios e como os raios são diferentes,
as áreas são diferentes, então a segunda afirmação é falsa.
O correto é a letra B.
Letra B

62. (ITA 2012) O momento angular é uma grandeza muito importante na Fı́sica.
Seu módulo é definido como L = rpsenθ, em que r é o vetor posição em relação à
origem de um dado sistema de referência, p é o módulo da quantidade de movimento
e θ é o ângulo por eles formado. Em particular, no caso de um satélite girando ao
redor da Terra, em órbita elı́ptica ou circular, seu momento angular (medido em
relação ao centro da Terra) é conservado. Considere dois satélites de mesma massa,
com órbitas diferentes entre si. I, II e III, sendo I e III circulares e II elı́ptica,
tangencial a I e III, como mostra a figura. Sendo LI , LII e LIII os respectivos
módulos do momento angular dos satélites em suas órbitas, ordene LI , LII e LIII .
Justifique com equações sua resposta.
160

Vamos começar pela parte mais fácil. Qual será? A resposta é: órbitas circulares.
As órbitas circulares possuem velocidade constante que pode ser calculada pela
equação da força centrı́peta.
r
GM
vc =
R
O momento angular é L = mvrsenθ. Para órbitas circulares, r sempre será o mesmo
valor, ou seja, o raio R da órbita, e o ângulo sempre será 90◦ . Isso tudo se reduz a

r
GM
L = mR = m GM R
R
A órbita de raio maior resulta no momento angular maior, assim já podemos concluir
que LI < LIII
E agora para a órbita elı́ptica?
Você deve encontrar a velocidade em um dos pontos da elipse, pois como o momento
angular se conserva também para esta órbita, só precisamos caracterizar um ponto
da elipse.
Usando as conservações de momento e energia, podemos montar o seguinte raciocı́nio
matemático... Note que o ı́ndice P é de perigeu (ponto mais próximo da Terra) e A
é de apogeu (ponto mais afastado da Terra).
Usando o principio da conservação do momento angular, para as duas posições
consideradas:

mva ra sen90◦ = mvp rp sen90◦

va ra = vp rp

vp rp
va =
ra
Usando o principio da conservação da energia:

Ea = Ep

1 2 GM m 1 GM m
mva − = mvp2 −
2 ra 2 rp

 
1 2 1 1
(v − vp2 ) = −GM −
2 a rp ra
Substituindo va :
" 2 #  
1 v p rp 1 1
− vp2 = −GM −
2 ra rp ra

" 2 #  
rp 1 1
vp2 − 1 = −2GM −
ra rp ra
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 161

rp2 − ra2
   
ra − rp
vp2 = −2GM
ra2 rp ra
   
2 (rp − ra )(rp + ra ) ra − rp
vp = −2GM
ra rp
   
2 rp + ra 1
vp = 2GM
ra rp
 
2 2GM ra
vp =
rp + ra rp
De posse da velocidade de perigeu, computa-se o momento angular no perigeu. Note
que no perigeu e apogeu o ângulo entre o vetor posição e vetor velocidade é 90◦ . E
nesse caso L = mRv.
s  
2
2GM ra
LII = mRI vp =
rp + ra rp
Para fazer uma comparação com as duas órbitas circulares, devemos escrever os
raios de apogeu e perigeu em função dos raios das órbitas circulares.
s  
2GM RIII
LII = mRI
RIII + RI RI
Passando R1 para dentro do radical quadrado:
s  
2 2GM RIII
LII = m RI
RIII + RI RI
s  
RIII RI
LII = m 2GM
RIII + RI
Essa divisão, entre parênteses, é como se fosse o raio equivalente.
p
LII = m 2GM RII
Para fins de comparação, devemos comparar os raios I e III com o raio II.
RI RI RI + RIII RI
= = =1+
RIII RI RIII RIII RIII
RI + RIII
Como o raio III é maior que o raio I:
RI RI
=1+
RII RIII
Repetindo o processo para comparar o raio II com raio III:
RIII RIII RI + RIII RIII
= = =1+
RII RI RIII RI RI
RI + RIII
Sendo que RIII /RI > RI /RIII , então conclui-se que RI < RII < RIII . Isso permite
responder que:
LI < LII < LIII
162

63. (ITA 2013) Uma lua de massa m de um planeta distante, de massa M >> m
, descreve uma Órbita elı́ptica com semieixo maior a e semieixo menor b , perfazendo
um sistema de energia E . A lei das áreas de Kepler relaciona a velocidade v da lua
no apogeu com sua velocidade v 0 no perigeu, isto é, v 0 (a − e) = v(a + e), em que e é
a medida do centro ao foco da elipse. Nessas condições, podemos afirmar que:
GM m
A( ) E=−
2a
GM m
B( ) E=−
0
p 2e
C( ) v = 2GM (a − e)
GM m
D( ) E=−
2b
GM m
E ( ) E = −√
a2 + b 2

Solução:
Para a órbita elı́ptica a gente tasca-lhe desse jeito aı́ de baixo:
1 GM m 1 GM m
EmE = mVA2 − = mVP2 −
2 rA 2 rP
Da conservação do momento angular...

VA rA sen90◦ = VP rP sen90◦

VA rA = VP rP

VA2 rA
2
= VP2 rP2

Além disso, a velocidade no apogeu e perigeu é


 
2 2 GM m
VA = EmE +
m rA

 
2 GM m
VP2 = EmE +
m rP

Combinando os últimos resultados em VA2 rA


2
= VP2 rP2 :
   
2 GM m 2 2 GM m 2
EmE + rA = EmE + rP
m rA m rP

   
GM m 2 GM m 2
EmE + rA = EmE + rP
rA rP

2
EmE rA + GM mrA = EmE rP2 + GM mrP
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 163

2
EmE rA − EmE rP2 = GM mrP − GM mrA

2
EmE (rA − rP2 ) = GM m(rP − rA )

2
EmE (rA − rP2 ) = −GM m(rA − rP )

EmE (rA − rP )(rA + rP ) = −GM m(rA − rP )

EmE (rA + rP ) = −GM m

−GM m
EmE =
rA + rP
Da geometria da elipse:
rA + rP
a=
2
Chegamos finalmente em:
−GM m
EmE =
2a
Letra A

64. (ITA 2014) Considere dois satélites artificiais S e T em torno da Terra. S


descreve uma órbita elı́ptica com semi-eixo maior a, e T , uma órbita circular de raio
a, com os respectivos vetores posição r~S e r~T com origem no centro da Terra. É
correto afirmar que:
A ( ) Para o mesmo intervalo de tempo, a área varrida r~S e igual à varrida por r~T .
B ( ) Para o mesmo intervalo de tempo, a área varrida r~S e maior que a varrida
por r~T .
C ( ) O perı́odo de translação de S é igual ao de T .
D ( ) O perı́odo de translação de T é maior que o de S.
E ( ) Se S e T têm a mesma massa, então a energia mecânica de S é maior que a
de T .

Solução:
De acordo com Terceira Lei de Kepler, que considera o semi-eixo maior para órbitas
elı́pticas e raio da circunferência para órbitas circulares, o perı́odo de revolução é
idêntico. Nesse mesmo perı́odo, o S varre uma área igual a área da elipse.

AS = πab

Na equação acima, b é o semi-eixo menor.


Durante um perı́odo, T varre uma área igual a área da circunferência.

AT = πa2
164

Como b < a, a área da elipse é menor que a da circunferência, e com isso S varre
uma área menor que T para um mesmo perı́odo P . A afirmação A e B estão erradas.
Já vimos que afirmação C está correta, os perı́odos de revolução são idênticos e de
quebra dá para ver que D está errada.
Agora vem a parte trabalhosa...
A energia mecânica para um órbita circular é

1 GM m
EmC = mV 2 −
2 a

Vimos tantas vezes que no caso do movimento circular, a velocidade é

GM
V2 =
a

A energia mecânica fica

1 GM GM m 1 GM m
EmC = m · − =−
2 a a 2 a

Para órbitas elı́pticas, vimos na questão anterior que a energia mecânica vale

−GM m
EmE =
2a

E então, podemos concluir que:

EmC = EmE

O que mostra que a alternativa E está errada.


Letra C

65. (ITA 2014) Um sistema binário é formado por duas estrelas esféricas de
respectivas massas m e M , cujos centros distam d entre si, cada qual descrevendo
um movimento circular em torno do centro de massa desse sistema. Com a estrela
de massa m na posição mostrada na figura, devido ao efeito Doppler, um obser-
vador T da Terra detecta uma raia do espectro do hidrogênio, emitida por essa
estrela, com uma frequência f ligeiramente diferente da sua frequência natural f0 .
Considere a Terra em repouso em relação ao centro de massa do sistema e que o
movimento das estrelas ocorre no mesmo plano de observação. Sendo as velocida-
des das estrelas muito menores que c, assinale a alternativa que explicita o valor
absoluto de (f –f0 )/f0 . Se necessário, utilize (a + x)n ∼
= 1 + nx para x << 1.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 165

s
GM 2
A( )
d(M + m)c2
s
Gm2 sen2 α
B( )
d(M + m)c2
s
Gm2 cos2 α
C( )
d(M + m)c2
s
GM 2 sen2 α
D( )
d(M + m)c2
s
GM 2 cos2 α
E ( )
d(M + m)c2

Solução:
O efeito Doppler causa desvios na frequência de um sinal de acordo com as velocida-
des relativas entre a fonte emissora do sinal e o observador que mede esse sinal. Um
exemplo é a variação da frequência da sirene de uma ambulância quando ela passa
na rua. Na verdade a frequência do som não mudou, mas a frequência percebida.
Você pode perceber a diferença de som quando ela se aproxima e quando se afasta.
Isso porque a ambulância e você tem uma velocidade relativa. Dessa maneira, ocor-
rem desvios na frequência do som, mas é só aparente. Uma pessoa dentro desta
ambulância não vai perceber, pois relativamente, a ambulância e a pessoa dentro
dela estão em repouso.
Da mesma forma, devido ao movimento das estrelas, a frequência da raia espectral
do hidrogênio vai sofrer um desvio. Para calcular a frequência com desvio, vamos
usar a equação do efeito Doppler:
v ± vx
f = f0 ·
v ± vf
Sendo f a frequência recebida pelo observador, f0 a frequência emitida pela fonte,
vx a velocidade do observador, vf a velocidade da fonte e v a velocidade que a onda
se propaga no meio.
Vamos simplificar temporariamente a equação acima para obtermos a relação que
foi pedida na questão. Para isso vamos usar a variável temporária k.
v ± vx
k=
v ± vf

v ± vx
f = f0 · = f0 · k
v ± vf
O que se pede é (f –f0 )/f0 , então vamos construir a relação:
f − f0 f0 k − f0
= =k−1
f0 f0
166

Agora só precisamos achar o valor de k e isso vai demandar uma análise de veloci-
dades relativas.
Estando a Terra em repouso em relação ao centro de massa do sistema binário,
a velocidade do observador é nula. Para a velocidade da fonte, vamos avaliar a
geometria do problema.

O sinal tem uma velocidade c, devido a ser uma onda eletromagnética, e faz um
ângulo com a velocidade tangencial de órbita circular. A velocidade relativa entre o
sinal transmitido e a fonte (planeta de massa m, pois é de lá que vem o sinal) deve
ser a soma da velocidade do sinal com a projeção da velocidade tangencial de m. A
projeção da velocidade tangencial é:
vap = vtan cosα
Como a velocidade do sinal e a projeção da velocidade tangencial tem o mesmo
sentido, a velocidade relativa entre elas é a subtração entre elas. O valor de k fica:
v ± vx c − vtan cosα
k= =
v ± vf c
Reaplicando na relação pedida...
f − f0 vtan cosα
=
f0 c
Para terminar, só precisamos calcular a velocidade tangencial. Lembra da equação
da aceleração centrı́peta? Pois é. Vamos usar essa equação...
2
vtan
acp =
r2
O valor r2 é o raio para a circunferência descrita por m com o centro no centro de
massa do sistema.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 167

O centro de rotação do sistema binário é o centro de massa dos mesmos. Con-


forme visto na teoria, vamos referenciar este centro em um das estrelas, essa escolha
é arbitrária, por isso, tanto faz, então escolho a estrela M como referência, colo-
cando nela a origem do centro de coordenadas. Vamos partir para encontrar o raio
de rotação de m.
m
xcm = d = r1
m+M
Note que r2 = d − r1 , então:
m M
r2 = d − d= d
m+M m+M
Por fim, a aceleração centrı́peta fica:
2
vtan
acp =
M
d
m+M
Note também que a aceleração centrı́peta é a própria atração gravitacional entre as
estrelas.
GM m
macp = mg =
d2

GM
acp = g =
d2
Vamos agora descobrir a velocidade tangencial.
2
vtan GM
acp = = 2
M d
d
m+M
Isolando vtan :
2 GM 2 1
vtan = 2
d
d m+M

2 GM 2
vtan =
(m + M )d
s
GM 2
vtan =
(m + M )d
E finalmente,
s
GM 2
cosα
f − f0 (m + M )d
=
f0 c
s
f − f0 GM 2 cos2 α
=
f0 (m + M )dc2

Letra E
168

66. (ITA 2015) Uma nave espacial segue inicialmente uma trajetória circular
de raio rA em torno da Terra. Para que a nave percorra uma nova órbita também
circular, de raio rB > rA , é necessário por razões de economia fazer com que ela
percorra antes uma trajetória semi-elı́ptica, denominada órbita de transferência de
Hohmann, mostrada na figura. Para tanto, são fornecidos à nave dois impulsos, a
saber: no ponto A, ao iniciar sua órbita de transferência, e no ponto B, ao iniciar
sua outra órbita circular. Sendo M a massa da Terra; G, a constante da gravitação
universal; m e v, respectivamente, a massa e a velocidade da nave; e constante a
grandeza mrv na órbita elı́ptica, pede-se a energia necessária para a transferência
de órbita da nave no ponto B.
Sendo M a massa da Terra; G, a constante da gravitação universal; m e v, respec-
tivamente, a massa e a velocidade da nave; e constante a grandeza mrv na órbita
elı́ptica, pede-se a energia necessária para a transferência de órbita da nave no ponto
B.

Solução:

Para a mudança de órbita deve-se mudar a velocidade e aı́ entra em operação os


motores do foguete da nave. Quando eles proporcionam uma velocidade que permita
permanecer na órbita elı́ptica, a nave viaja até B. Ao chegar em B, ele precisa de
um novo acréscimo de velocidade, e os foguetes novamente entram em ação. Ao
atingir a velocidade que permita permanecer na órbita circular final, o foguetes são
desligados.
No fundo, a ideia do problema é descobrir as energias envolvidas para saltos entre
órbitas. A órbita circular inicial demanda uma energia EA . A órbita elı́ptica requer
uma energia Eel . A órbita circular final requer uma energia EB .
Como se pede a energia necessária para sair da órbita elı́ptica para órbita circular,
o que se pede é:
∆E = EB − Eel
Vamos começar pela mais fácil que é a energia da órbita circular. A energia da
órbita circular é a energia cinética mais a energia potencial gravitacional na altitude
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 169

que forma o raio da órbita.


1 GM m
EB = mv 2 −
2 rB
Estando em movimento circular, a força centrı́peta é a força gravitacional que atrai
a nave para o centro da Terra. Dessa maneira, podemos encontrar uma expressão
para a velocidade de rotação (pois o problema não dá a velocidade, portanto não
podemos tê-la na resposta).
Fcp = mg

mv 2
= mg
rB
Observe que g não é na superfı́cie da Terra, mas sim na altitude da órbita.
Só que a aceleração da gravidade a uma altitude rB é
GM
g= 2
rB
Substituindo este valor de g na equação anterior:
mv 2 GM
=m 2
rB rB
E então fica
GM
v2 =
rB
Substituindo o valor encontrado de v 2 na equação da órbita circular:
1 GM GM m
EB = m · −
2 rB rB

GM m 2GM m
EB = −
2rB 2rB

GM m
EB = −
2rB
Como já temos a energia da órbita circular, vamos para energia da órbita elı́ptica.
Mas antes perceba que a ideia do problema é simples, porém você tem que entender
a ideia por traz do enunciado.
Como vimos na teoria, há dois pontos de interesse em uma órbita elı́ptica, o perigeu
e o apogeu. O perigeu é ponto mais próximo da Terra e o apogeu é o ponto mais
distante. Ambos têm velocidades distintas, sendo que quanto no perigeu, a veloci-
dade é máxima e no apogeu, a velocidade é mı́nima.
A energia no perigeu é a soma da energia cinética mais a energia gravitacional neste
ponto, A.
1 2 GM m
Eel = mvmax −
2 rA
170

A energia no apogeu é a soma da energia cinética mais a energia gravitacional neste


ponto, B.
1 2 GM m
Eel = mvmin −
2 rB
Como as velocidades não foram dadas no enunciado, vamos dar um jeito de elimina-
las. Para isso vamos expressar cada velocidade (isola-las) e relacioná-las:
 
2 2 GM m
vmax = Eel +
m rA

 
2 2 GM m
vmin = Eel +
m rB
Você pode se perguntar: por que a energia da elipse está nas duas expressões da
velocidade? Isso por que a energia se conserva, então para se manter em um tra-
jetória elı́ptica, a nave deve ter a quantidade de energia requerida por esta órbita e
que deve ser a mesma para todos os seus pontos.
Mas como relacioná-las? Então vamos avaliar o espaço sideral. Podemos assumir
que no espaço sideral não há forças dissipativas e, portanto o momento angular pode
ser conservado. Relembrando a expressão da conservação.

mvmax rA sen90◦ = mvmin rB sen90◦

O 90◦ vem do fato que nestes pontos a velocidade faz um ângulo reto com o vetor
posição cuja origem está na Terra. Essa relação se reduz a:

vmax rA = vmin rB

Como as velocidades lá em riba estão ao quadrado é mais fácil trabalhar com expo-
ente do que raiz, assim:
2 2 2 2
vmax rA = vmin rB

Agora dá para sorrir, não é mesmo... Era tudo o que a gente precisava.
2 2
Substituindo vmax e vmin obtemos:
   
2 GM m 2 2 GM m 2
Eel + rA = Eel + rB
m rA m rB
Agora podemos expressar a energia da órbita em função dos parâmetros fornecidos.
2 2
Eel rA + GM mrA = Eel rB + GM mrB

2 2
Eel (rA − rB ) = GM m(rB − rA )

Eel (rA − rB )(rA + rB ) = −GM m(rA − rB )

Eel (rA + rB ) = −GM m


Capı́tulo 5. Questões resolvidas 171

GM m
Eel = −
rA + rB
Já temos tudo que precisamos para terminar a questão. Encontrar ∆E

∆E = EC − Eel

 
GM m GM m
∆E = − − −
2rB rA + rB

GM m GM m
∆E = −
rA + rB 2rB
 
1 1
∆E = GM m −
rA + rB 2rB
 
rB − rA
∆E = GM m
2rB (rA + rB )

67. (ITA 2016) Considere duas estrelas de um sistema binário em que cada qual
descreve uma órbita circular em torno do centro de massa comum. Sobre tal sistema
são feitas as seguintes afirmações:
I O perı́odo de revolução é o mesmo para as duas estrelas.
II Esse perı́odo é função apenas da constante gravitacional, da massa total do
sistema e da distância entre ambas as estrelas.
III Sendo R1 e R2 os vetores posição que unem o centro de massa do sistema aos
respectivos centros de massa das estrelas, tanto R1 como R2 varrem áreas de
mesma magnitude num mesmo intervalo de tempo.
Assinale a alternativa correta.
A( ) Apenas a afirmação I é verdadeira.
B( ) Apenas a afirmação II é verdadeira.
C( ) Apenas a afirmação III é verdadeira.
D( ) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
E ( ) Apenas as afirmações I e III são verdadeiras.

Solução:
Poderı́amos apenas afirmar que a proposição I é verdadeira, mas vamos além, vamos
provar que isso é verdadeiro por motivos didáticos e ensinar-vos mais técnicas de
resolução.
Sendo que ambas exercem um aceleração gravitacional na outra que vale g, temos o
seguinte...
Gm1
g1 =
d2
172

Gm2
g2 =
d2
Em que d é a distância entre as estrelas.
O centro de rotação do sistema binário é o centro de massa do mesmo. Conforme
visto na teoria, vamos referenciar este centro em um das estrelas. Essa escolha é
arbitraria, por isso, tanto faz... Então escolho a estrela 1 como referência, colocando
nela a origem do centro de coordenadas.

m2
xcm = d = r1
m1 + m2
A estrela 2 um executa o movimento com raio:
r2 = d − r1
Tal que d é
d = r1 + r2
Usando a aceleração centrı́peta:
 2
2π Gm2
g2 = ω12 r1 = r1 =
T1 d2
 2
2π Gm1
g1 = ω22 r2 = r2 =
T2 d2
Vamos separar o que nos interessa...
 2
2π Gm2
r1 = 2
T1 d
 2
2π Gm1
r2 =
T2 d2
Dividindo um pelo outro e eliminamos algumas letras...
 2
2π Gm2
r1
T1 d2
 2 = Gm
2π 1
r2 d 2
T2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 173

 2
1
r1
T1 m2
 2 =
1 m1
r2
T2

 2  2
1 1
r1 m1 = r2 m2
T1 T2
Sendo que:
m2
r1 = |xcm | = d
m1 + m2

m2 m1
r2 = |d − r1 | = d − d= d
m1 + m2 m1 + m2
Agora vamos aplicar os raios na relação entre perı́odos.
 2  2
1 m2 1 m1
m1 · d= m2 · d
T1 m1 + m2 T2 m1 + m2

 2  2
1 1
=
T1 T2

T1 = T2

Portanto, a primeira proposição é verdadeira! A segunda proposição é verificada


achando a equação do perı́odo. Já estamos bem encaminhados nisso.
 2
2π Gm2
r1 = 2
T1 d
Substituindo r1 :
2
2π 2

m2 Gm2
· d= 2
T1 m1 + m2 d

2
2π 2

G(m1 + m2 )
=
T1 d3

s
d3
T1 = 2π
G(m1 + m2 )

Vemos assim que a segunda afirmação é verdadeira.


A área varrida durante um intervalo de tempo ∆t é proporcional ao arco descrito.

s1 = θ1 r12
174

s1 = ω1 r13 ∆t

2π 3
s1 = r ∆t
T1 1
Analogamente, se fizermos para a estrela 2...
2π 3
s2 = r ∆t
T2 2
Dividindo as duas áreas...
2π 3
r ∆t
s1 T 1 r3
= 1 = 13
s2 2π 3 r2
r ∆t
T2 2
Sendo que os raios são diferentes, então as áreas também são diferentes. E portanto,
a terceira proposição é falsa.
Letra D
Questões adicionais

68. O problema seguinte foi apresentado na “Olimpı́ada” da Universidade Pública


de Moscou, em 1946 (veja a Figura): Numa esfera de chumbo de raio R, faz-se uma
cavidade esférica de tal modo que a sua superfı́cie toca a superfı́cie externa da esfera
de chumbo e passa pelo centro desta. A massa da esfera antes que a cavidade fosse
feita era M . Com que força, de acordo com a lei da gravitação universal, a esfera
de chumbo irá agora atrair uma pequena esfera de massa m, que está à distância d
do centro da esfera de chumbo, sobre uma linha reta que une os centros das esferas
e da cavidade?

Figura 5.1: Imagem de Herbert Aquino

Solução:
Este problema requer atenção já que sua resolução tem que relacionar alguns con-
ceitos. Vou tentar detalhar o raciocı́nio.
O que faz parecer difı́cil é que quando se remove a porção indicada na figura, a esfera
de raio R fica com um formato estranho. Parece bem complicado certo? Mas tem
uma jogada que desenrola isso aı́. Tudo isso graça ao Teorema das Cascas!
Imagina que se não fosse removida a cavidade esférica, a força de atração na massa
m seria
GM m
F =
d2
Mas por que d e não d − R? Ora, o Teorema das Cascas, aplicado a este problema,
diz que a força gravitacional que M faz em m é como se toda a massa M estivesse
concentrada num pontinho bem pequeno em seu centro. Por isso se usa d.
Só que essa força total é o mesmo que somar a força exercida pela massa com o

175
176

espaço oco (F1 ) com a força da massa que foi removida (F2 ).

F = F1 + F2

No final queremos a força da massa oca (F1 ):

F1 = F − F2

A massa removida tem raio igual a R/2. Isto por que o diâmetro da massa removida
cabe certinho no raio da massa original. Agora vamos ver a geometria do problema,
que exige atenção para concluir corretamente o esquema.

A massa removida atrai m como se toda sua massa estivesse concentrada em


seu próprio centro. Com isso, a distancia que deve ser usada no cálculo da força
gravitacional é d − r.
R
x=d−r =d−
2
Só que não temos a massa da esfera removida. Nesse caso, como o material da esfera
removida é o mesmo da esfera original podemos usar mais uma vez a densidade e
expressar a massa da esfera removida em função da massa da esfera original M , que
foi dada.
O volume da esfera removida é
 3
4 R 4 R2 πR3
V2 = π = π =
3 2 3 8 6

A massa removida, portanto vale...


M2
= V2
ρ

πR3
M2 = ρ
6
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 177

Como eu disse anteriormente, não podemos dar a resposta com variáveis que não
foram dadas. Temos de eliminar a densidade e expressar em função da massa origi-
nal. Mas como? Exprimindo a massa original em função de um parâmetro comum
que queremos eliminar. Qual é? Se você disse densidade, você acertou, malandro!
4
V = πR3
3

M 4
= πR3
ρ 3

4
M = ρ πR3
3
Ao dividir a massa da esfera removida pela massa da esfera original, podemos ex-
pressar a massa da esfera removida em função de M e eliminamos a densidade.
Observe a beleza da coisa...
πR3
M2 ρ
= 6
M 4 3
ρ πR
3
Simplificando fica
1
M2 = M
8
Isto é, a massa removida é um oitavo da massa total, oito vezes menor que a massa
da esfera original.
De posse desses dados iremos calcular a força gravitacional da massa da esfera
removida, F2 :
M
GM2 m m G
F2 =  2 =  8 2
R R
d− d−
2 2

GM m
F2 =  2
R
8 d−
2
Revisitamos então a equação que dá a força gravitacional procurada:

F1 = F − F2

Vamos substituir tudo o que encontramos nessa equação de cima e finalmente en-
contramos a força que a esfera exerce sem aquela porção de massa.

GM m GM m
F1 = 2
−  2
d R
8 d−
2
178

69. Um satélite, ao orbitar a Terra em órbita polar, alterna estado de iluminação


e ausência de luz do Sol. Quando o satélite fica entre a Terra e o Sol é o estado de
iluminação, e quando a Terra está entre o satélite e o Sol é o estado de eclipse. Todos
os sistemas eletrônicos do satélite operam através de uma bateria que é recarregada
pelos painéis solares quando em estado iluminado. Assim, quando em eclipse, o
satélite depende exclusivamente da bateria. A partir disso, pede-se:

a) Sendo que o que o satélite tem um perı́odo T , determine o tempo de total


escuridão durante o eclipse na qual a bateria será a única fonte de energia.

b) Sendo que durante o eclipse apenas o computador de bordo, controle de atitude


e os aquecedores do controle térmico estão operando e estes consomem uma
corrente mı́nima I em uma tensão Vb us, calcule a energia, de forma a manter
todos esses sistemas operando plenamente.

São dados o raio da Terra, Rt , o raio do Sol, Rs e a distância da Terra ao Sol, muito
maior que o raio da Terra.

Solução:
A)
A figura a seguir mostra a situação do problema. A Terra cria áreas de sombra e
penumbra que fazem o satélite operar apenas pela bateria.

Para sabermos o tempo de escuridão total, ou seja, a situação mais crı́tica, precisa-
mos encontrar o arco de circunferência que se posiciona bem na região de sombra
da Terra.
Se usar uma lente de aumento espacial na situação acima descrita, iremos notar o
seguinte. A partir da linha do Equador, verifica-se que a região de total escuridão
é simétrica e seus limites estão entre duas latitudes. O que isso que dizer? Se você
prestar atenção na figura maneira que eu fiz, vai ver que em relação à linha do
Equador, um ângulo igual para cima e para baixo, define essa região de trevas. As
setas vermelhas representam o raio da órbita.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 179

Se traduzirmos para geometria, a figura acima se transforma na seguinte maneira.


O ângulo alfa é o ângulo formado pelos raios de sol que passa no limiar da escuridão.
Esses raios são tangentes à Terra e próximo aos polos.

Vamos nos aprofundar mais ainda na geometria para extrairmos mais informações
importantes.

Uma propriedade muito importante é que se uma reta ou segmento de reta é tangente
a uma circunferência, há um raio da circunferência que é perpendicular essa reta.
Essa propriedade é importante, pois ela nos permite construir triângulos retângulos
e esses triângulos retângulos ajudam bastante devido ao fato de que, pelo menos,
conhecemos um dos seus ângulos internos que é 90◦ . Nesse caso, um raio da Terra,
RT , é perpendicular a reta que tange a Terra. O ângulo que procuramos é θ.
Na figura temos dois triângulos retângulos: de área maior que tem o ângulo alfa e um
triangulo retângulo menor que tem o ângulo gama. Esses dois triângulos retângulos
citados compartilham o mesmo ângulo reto. A partir do triangulo retângulo maior
180

é possı́vel relacionar os ângulos.


(θ + γ) + α = 90◦

θ = 90◦ − γ − α
Explorando o triangulo menor, dá para extrair ângulo gama ao relacionar o raio da
Terra e o raio da órbita.
RT
cosγ =
RT + r
 
RT
γ = arccos
RT + r
Falta chegarmos a algo para o alfa. A estratégia é voltar a ver a situação conside-
rando o Sol...

Mas por que fizemos essa trozoba aı́ em cima? Porque queremos usar dados do
enunciado, como o raio do Sol, e a distância entre a Terra e o Sol. A ideia foi
procurar um triangulo retângulo que se encaixasse entre o Sol e a Terra de tal forma
que relacionasse o ângulo alfa com esses dados. Foi usada uma propriedade na qual
se duas retas formam um ângulo, ao traçar uma paralela a uma delas, essa reta
paralela forma esse mesmo ângulo com a outra. Dessa maneira, foi possı́vel “trazer”
o ângulo alfa pro meio. Perceba que a reta tracejada é paralela a reta formada pelo
raio de Sol que é tangente à Terra e ao Sol. Como o raio do Sol (RS ) é perpendicular
à reta da distância do Sol a Terra, a paralela (tracejada) também fica perpendicular.
O que quero mostrar também é que quando um problema fica difı́cil, você tem buscar
outros pontos de vista para resolvê-lo. Nem sempre uma visão única é suficiente.
Viu como eu tive que expandir a minha visão do problema para poder avançar? Pois
é, c’est La vie...
O cateto oposto nesse novo triangulo é o raio DO Sol menos o raio da Terra, a
hipotenusa é a distancia centro do Sol ao centro da Terra... com isso é seno na veia,
malandro!!!
RS − RT
senα =
RS + d + RT
 
RS − RT
α = arcsen
RS + d + RT
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 181

Já que temos o arroz e o feijão vamos preparar o prato.


   
◦ RT RS − RT
θ = 90 − arccos − arcsen
RT + r RS + d + RT

Sendo que o perı́odo do satélite é T e ele percorre nesse perı́odo T um ângulo de


360◦ , então:

· ∆t = θ
T

θ
∆t =

T

   
RT RS − RT
90◦ − arccos − arcsen
RT + r RS + d + RT
∆t =

T
    
T ◦ RT RS − RT
∆t = 90 − arccos − arcsen
2π RT + r RS + d + RT

B)
Sendo que se consome uma corrente I a uma tensão Vb us, a energia que deve ser
fornecida pela bateria no perı́odo de trevas, é o produto da potência elétrica pelo
tempo de fornecimento da bateria.

Pconsumida = V I

A energia é o produto da potência pelo tempo. Que será a energia que a bateria
deverá fornecer.

Econsumida = P ∆t = V I∆t

70. Satélites são equipamentos sofisticados e muito caros, com investimento da


ordem de milhões de dólares para seu desenvolvimento, construção, lançamento e
operação. Nas últimas décadas, o número de satélites em órbita da Terra aumentou
drasticamente e com isso há a necessidade de regulações de órbitas para evitar casos
de colisões entre eles como aconteceu entre o satélite russo Kosmos 2251 e satélite de
comunicações Iridium 33, causando enormes prejuı́zos e poluindo o espaço próximo
da Terra.
Suponha que dois satélites tenham órbitas polares. O satélite A executa uma tra-
jetória circular de raio igual ao dobro do Raio da Terra. O satélite B possui uma
órbita elı́ptica cuja velocidade no apogeu seja um terço da velocidade no perigeu.
Por falta de comunicação entre agências espaciais e definição clara de órbitas, as
duas órbitas estão sobre o mesmo plano. O perigue de B está uma altitude igual ao
raio da Terra. Determine a latitude da colisão entre o satélite A e B.
182

Solução:
Esse problema mistura conceitos de gravitação com geometria analı́tica. Preste bem
atenção para pegar bem as ideias. Se você não está familiarizado com a geometria
analı́tica, é recomendável que passe para outra questão e só retorne a este problema
quando estiver bem afiado. Caso contrário você pode desanimar ao ver a resolução.
Para achar as posições é preciso primeiro ter um referencial de coordenadas. E nesse
referencial poderemos projetas as trajetórias dos satélites e determinar os pontos de
interseção da circunferência e da elipse. A circunferência e a elipse podem ser des-
critas por equações no plano xy. Essas equações permitem gerar um sistema de
equações que pode ser resolvido e assim o problema já Elvis.
Veja que no enunciado começou contando a história do choque entre os dois equi-
pamentos e depois forneceu dados sobre a mecânica de suas órbitas. Essa é a deixa
para obter os valores para compor as equações da circunferência e da elipse. Veja
como fica cada curva considerando um plano de coordenadas cartesianas xy.
A circunferência possui seu plano orbital e a elipse também. Mas o que seria um
plano? Imagine uma folha de papel esticada, na qual você desenha uma circun-
ferência. Essa folha de papel seria o plano que contém a circunferência. Usando
outra folha para desenhar uma elipse, podemos dizer que se a elipse foi desenhada
em uma folha, então essa folha é o plano orbital desta elipse. No momento do cho-
que, os dois planos coincidam, fazendo que as duas cônicas se interceptassem da
seguinte maneira. Isso porque é como se elas estivesse na mesma folha, isto, é no
mesmo plano orbital.
Em todo problema fı́sico é mandatório termos um referencial que pode ser des-
crito como um sistema de coordenadas. Há vários tipos de sistema de coordenadas.
Neste problema usaremos um sistema de coordenadas retangulares, o famoso plano
cartesiano. Lembrando que a equação da circunferência é:

(x − x0 )2 + (y − y0 )2 = R2

Então, malandro que sou, irei facilitar minha vida, afinal também sou filho de Deus...
Sendo meu o referencial, eu escolho que sua origem coincida com o centro da circun-
ferência. Dessa maneira, o centro da mesma fica em (0,0) e como a Terra é o centro
deste movimento, nosso planeta fica localizado também em (0,0). Isso realmente
facilita por que a equação fica simplificada.

x2 + y 2 = 4R2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 183

Bom, para que possa encontrar a posição da colisão é preciso determinar a trajetória
do satélite B, ou seja, encontrar a equação da elipse descrita por ele.
Por enquanto não se assuste! Se você não está entendendo até aqui sugiro que volte
a este exercı́cio quando estiver familiarizado com a Geometria Analı́tica.
Como a órbita é polar, o seu eixo maior deve coincidir com o eixo y do nosso sistema
de coordenadas, portanto, a equação da elipse neste caso muda para...

(x − x0 )2 (y − y0 )2
+ =1
b2 a2

Kepler disse que em um satélite em volta da Terra em órbita elı́ptica, teria como um
dos focos de sua trajetória a própria Terra. Veja que a origem nesse caso é centro
da órbita circular e um dos focos da elipse. Observe que o centro da elipse não é
(0,0). Na figura seguinte estão representados principais parâmetros geométricos da
elipse. Note que o perigeu estando a uma altitude igual ao raio da Terra, então do
centro da Terra, isto é de um dos focos da Elipse, até ele, teremos uma distancia
de 2R. Só que a distancia entre um dos focos da elipse até o perigeu é a diferença
entre o semi-eixo maior a e a distancia do foco ao centro da elipse. Tudo isso fica
resumido como:

2R = a − c

Outro parâmetro importante para elipse é a excentricidade, e, que relaciona c e a


da seguinte maneira:

c
e=
a
184

Observe que o centro da elipse está localizado na posição (0, −c). Para desenrolar
este problema devemos encontrar c, a e b. Voltando ao enunciado vemos que foi
dada a relação de velocidades no apogeu e no perigeu. Estas velocidades estão
relacionadas com a excentricidade da elipse da seguinte forma:
VA 1−e
=
VB 1+e
Sendo 1/3 a relação entre as velocidades, temos:
1 1−e
=
3 1+e

1 + e = 3 − 3e

1
e=
2
Voltando então para relação entre c e 4a.
c 1
e= =
a 2

a = 2c

Agora desenrolamos essa elipse:

2R = a − c

2R = 2c − c
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 185

c = 2R

a = 4R

Para encontrar b, se usa uma relação da elipse que é

a2 = b 2 + c 2

De posse de a e c, podemos encontrar b em função de R.

(4R)2 = b2 + (2R)2

16R2 = b2 + 4R2


b = 2 3R

A equação de elipse fica completa para ser usada.

x2 (y + 2R)2
+ =1
12R2 16R2
Agora temos um sistema com duas equações e duas incógnitas e isso é bom já que
neste caso é um sistema que pode ser resolvido e determinado.

x2 + y 2 = 4R2

x2 (y + 2R)2
+ =1
12R2 16R2
Analisando as duas equações, vemos que fica mais fácil substituir x na equação da
elipse, portanto, vamos à luta.

x2 + y 2 = 4R2

x2 = 4R2 − y 2

4R2 − y 2 (y + 2R)2
+ =1
12R2 16R2
Agora arregace as mangas, pois há um trabalho a fazer...

4(4R2 − y 2 ) + 3(y 2 + 4Ry + 4R2 )


= R2
48

4(4R2 − y 2 ) + 3(y 2 + 4Ry + 4R2 ) = 48R2

16R2 − 4y 2 + 3y 2 + 12Ry + 12R2 = 48R2


186

−y 2 + 12Ry − 20R2 = 0

Chegamos a uma equação de segundo grau e podemos encontrar os valores de y que


satisfazem a elipse.

∆ = (12R)2 − 4(−1)(−20R2 )

∆ = 64R2

−12R + 8R
y1 = = 2R
−2

−12R − 8R
y1 = = 10R
−2
Há dois valores possı́veis para y. O valor válido é o que satisfaz a equação da
circunferência.

x21 + (2R)2 = 4R2

x=0

x22 + (10R)2 = 4R2

x = −96R2

Esse valor não tem sentido fı́sico e, portanto o ponto de colisão é (0, 2R), A figura
abaixo mostra a situação na qual ocorre a colisão, que seria exatamente o Polo
Norte, na latitude de 90◦ .
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 187

71. O SGDC, Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, é


um satélite nacional destinado a dar mais seguranças às informações brasileiras e
independência de satélites estrangeiros. Outra missão é levar sinal de internet a
todo território nacional. Para isso, ele deve estar na órbita geoestacionária a uma
altitude h, sobre o território nacional. Para viabilizar as comunicações, uma antena
apontada para o Brasil, deve ter um ângulo de abertura de sinal que permita a
cobertura de toda a área nacional. Veja figura abaixo.

Suponha que o Brasil possa ser modelado com um circulo plano de mesma área de
nosso território, calcule o ângulo de abertura desta antena. A área do Brasil é S e
aceleração da gravidade na superfı́cie da Terra é g.

Solução:
A área do circulo base do cone formado pela cobertura da antena é a área do Brasil.
Para encontrarmos o raio deste circulo fica:

S = πRa2

r
S
Ra =
π
188

A altura do satélite geoestacionário é aquela para qual o perı́odo do satélite seja


igual à duração do dia, 86400s.
GM 4π 2
=
(R + h)3 T2
Como não foi dada a massa da Terra, vamos nos virar com a aceleração da gravidade.
GM
g=
R2

GM = gR2
Agora dá para calcular a altura.
gR2 4π 2
=
(R + h)3 T2

gR2 T 2
(R + h)3 =
4π 2
r
3 gR2 T 2
R+h=
4π 2
r
gR2 T 2
3
h= −R
4π 2
A tangente é uma boa pedida para resolver esta questão.
r
S
Ra π
tgα = = r
h 2
3 gR T
2
−R
4π 2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 189

 r 
S
 π 
α = arctg  r 
2 2
gR T
 
3
− R
4π 2

72. Em 1865, o escritor francês Julio Verne escreve um romance chamado De


La Terre a La Lune (Da Terra a Lua), onde na história de uma viagem a Lua,
através de uma nave disparada por um potente canhão. É interessante notar que na
história o primeiro voo á Lua é feito por três pessoas, sendo que os nomes são muito
semelhantes aos astronautas da Apollo 11 (primeira missão a pousar na Lua). Outra
curiosidade é que o local de lançamento na ficção fica a 30km de onde foi lançada a
Apollo 11. Recomendo a leitura, é bastante interessante. Então se baseando no livro
do Mounsier Verne, qual seria a velocidade de escape mı́nima de uma espaçonave
que parte da Terra para chegar a Lua. Suponha que a massa da Terra é 16M e a
massa da Lua, M . O raio da Terra seja 4R e o raio da Lua seja 2R. A distância d
que separa a Terra da Lua equivale a 10R (centro a centro). Considere o efeito da
Lua na velocidade de escape.

Solução:
Essa viagem é dividida em duas partes. A primeira consiste de um movimento que
tem a resistência da Terra que dificulta a subida da nave. A Lua ajuda, mas nos
primeiros momentos da viagem enquanto está próxima da Terra, nosso satélite natu-
ral tem efeito muito menor comparado à Terra. Se isso não fosse verdade, qualquer
coisa poderia ser atraı́da pela Lua... Em um determinado ponto a força de atração
da Terra (FT ) e a força de atração da Lua (FL ) são iguais. É como se fosse um
ponto neutro. A partir daı́, a Lua tem efeito mais relevante e acelera o veı́culo.
Assim, a ideia por trás dessa questão é achar uma velocidade mı́nima que faça com
que a capsula chegue ao ponto neutro com velocidade nula e partir daı́ a Lua se
encarrega.
190

FT = FL
Vamos supor que o ponto neutro ocorra a uma distância x do centro da Terra, então
a distancia do ponto neutro ao centro da Lua é 10R − x.

GMT m GML m
2
=
x (10R − x)2

16GM m GM m
2
=
x (10R − x)2

16 1
2
=
x (10R − x)2

16(10R − x)2 = x2

4(10R − x) = x

40R − 4x = x

40R = 5x

x = 8R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 191

Ataca-se este problema com o principio da conservação da energia, com uma dife-
rença entre os demais exemplos já mostrados. A diferença é que a energia potencial
gravitacional deve considerar o efeito da Lua. Lembre-se que queremos saber a velo-
cidade mı́nima para se chegar ao ponto neutro, x, pois a partir daı́ Lua se encarrega
de acelerar o corpo em questão.

ET = Ex

No inicio, o corpo está no canhão sobre a superfı́cie da Terra, assim, a distância


entre ele e o centro da Terra é o próprio raio da Terra. Essa é a distância que
se usa para calcular a energia potencial gravitacional em relação à Terra. Como
a Lua também influencia na energia gravitacional, usamos para calculo da energia
potencial gravitacional em relação à Lua, a distância entre o centro da Lua e o corpo,
assim, que é a distância 10R menos o raio da Terra.

1 2 GMT m GML m GMT m GML m


mVmin − − =0− −
2 RT 10R − RT x 10R − x

1 2 16GM m GM m 16GM m GM m
mVmin − − =0− −
2 4R 10R − 4R x 10R − x

1 2 16GM GM 16GM GM
Vmin = + − −
2 4R 6R x 10R − x

 
1 2 4 1 16 1
V = GM + − −
2 min R 6R x 10R − x

Sendo que x = 10R − 4R, fica:


 
1 2 4 1 8 1
V = GM + − −
2 min R 6R 3R 4R

 
2 2GM 4 1 8 1
Vmin = + − −
R 1 6 3 4

Multiplicando em cima e em baixo essa soma de frações pelo mmc dos denomina-
dores, mmc(1, 6, 3, 4) = 12
 
2 2GM 12 · 4 + 2 · 1 − 4 · 8 − 3 · 1
Vmin =
R 12

r
5GM
Vmin =
2R
192

73. O terceiro estágio de um foguete é lançado em A, com velocidade de 15000


km/h, em voo sem propulsão até B. Em B o motor do foguete é acionado quando
a trajetória faz um ângulo de 20◦ com a horizontal. A operação se processa acima
da atmosfera e a aceleração gravitacional durante esse intervalo de tempo pode ser
considerada como 9m/s2 constante em intensidade, direção e sentido. Calcular o
tempo t para ir de A até B (Esta quantidade é necessária no projeto do sistema de
controle de ignição.). Calcular também o acréscimo correspondente da altitude h.
Questão do Livro Engineering Mechanics Static and Dynamics – James L Merian,
Segunda Edição.

Solução:
Quando ele diz que está acima da atmosfera é o mesmo que dizer que o foguete não
sofre influencia do ar, assim, não há desaceleração quando ele estiver em voo livre.
A velocidade em x não muda, pois não há forças atuando na direção x. Na direção
y, a velocidade diminui devido a ação da gravidade. Em A, as velocidades são:
1500
ux = ucosθ = · cos45◦ = 295m/s
3, 6

1500
uy = usenθ = · sen45◦ = 295m/s
3, 6

Em B, a velocidade horizontal é a mesma, mas a vertical não é. A estratégia é


descobrir a nova velocidade u0 e calcular a nova velocidade na vertical, u0y .

u = u0x cos20◦ = ux cos20

u = 295 · 0, 94 = 277m/s

Agora podemos encontrar u0y :

u0y = u · sen20◦
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 193

u0y = 277 · 0, 34 = 94m/s


De A para B, a velocidade na vertical sofreu um decréscimo devido à gravidade g.
O tempo t para isso é:
∆uy 295 − 94
t= = = 22s
g 9

t = 22s
E a altura percorrida foi
2
u2y = u0 y + 2gh

u2y − u0 2y
h=
2g

2952 − 942
h= = 4343m
18

h=4343m

74. Um foguete está em órbita circular ao redor da Terra, na altitude H. Se o mo-


tor é ativado dando ao foguete um impulso na velocidade, determinar na expressão
da velocidade v que deve ser alcançada a fim de que o foguete escape da influência
da Terra.
Questão do Livro Engineering Mechanics Static and Dynamics – James L Merian,
Segunda Edição.

Solução:
A análise energética diz que se a energia mecânica de um corpo for negativa, sua
órbita será elı́ptica e caso for positiva ou nula, ele terá trajetória hiperbólica ou
parabólica, respectivamente. Para as duas últimas, a trajetória não é fechada e o
corpo vai se afastando do planeta. O caso limite é a parábola, que necessita de
energia mecânica nula.
A velocidade mı́nima para escapar da influência do planeta é
Emec = 0

1 2 GM m
mv − =0
2 RT + h

2GM
v2 =
RT + h
Lembrando que GM = gR2
2gR2
v2 =
RT + h
r
2g
v=R
RT + h
194

75. Um planeta recém-descoberto foi nomeado como PNTM-51 que significa Pal-
meiras Não Tem Mundial, pelo cientista famoso chamado Romarinho. Astrônomos
quiseram avaliar se atmosfera desse planeta poderia ter oxigênio. Sendo que a tem-
peratura média do planeta é 300◦ e sua massa é metade da massa da Terra. O
diâmetro do planeta é o dobro do diâmetro da Terra. Avalie se PNTM terá oxigênio
em sua superfı́cie. A velocidade de escape da Terra é 11.2km/s. O peso de um mol
de oxigênio é 32g.
Baseado em http://cdn.askiitians.com/solved-examples/solved-examples-of-gravitation.pdf

Solução:
A velocidade quadrática média das moléculas de oxigênio pode ser calculada pela
seguinte equação vinda da teoria dos gases.
r r
3RT 3 · 8, 31 · 900
v= = = 837m/s = 0, 837km/s
M 0, 032
Onde R é a constante dos gases, T é a temperatura absoluta em Kelvin e M é a
massa molar do oxigênio.
Para saber se essa velocidade das moléculas é suficiente para escapar da gravidade
do PNTM-51, é preciso comparar com a velocidade de escape do planeta.
A velocidade de escape do planeta é calculada pela fórmula.
s
2GMp
v=
Rp

Como foi dada a velocidade de escape da Terra, nada mais natural encontrar a
velocidade do planeta em função da velocidade de escape da Terra. Então vamos
transformar essa formula aı́ de cima em algo que contenha a velocidade de escape da
Terra. Olhando o enunciado, extraı́mos que a massa do planeta é metade da massa
da Terra e ele tem diâmetro duas vezes maior que o diâmetro da Terra. Vamos
taca-lhe essas coisas na equação acima.
s r r
2GMp 2G · 0, 5MT 1 2GMT 1
vp = = = = vT = 5, 6km/s
Rp 2RT 2 RT 2

Como a velocidade das moléculas é bem menor que a velocidade de escape do planeta,
portanto, dá para concluir que Palmeiras Tem Oxigênio, mas não tem mundial... ops
acho que digitei algo errado.

vp = 5, 6km/s

76. Em 1970, a sétima missão do programa Apollo, nomeada de Apollo 13, plane-
java um pouso na Lua. No entanto, uma falha técnica da espaçonave causou a perda
de oxigênio e energia ameaçando seriamente a vida dos três astronautas. A frase
de um dos astronautas ai relatar o problema ao centro de comando em controle em
Houston ficou famosa “Houston, we have a problem here...”. Os tripulantes tinham
que retornar o quanto antes para a Terra, porém o módulo lunar não tinha capa-
cidade para parar seu movimento e voltar a Terra. Foi então que se decidiu usar
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 195

a gravidade da Lua impulsionar a nave de volta. Tal medida funcionou e permitiu


que os três tripulantes retornassem a salvo.
Considere que você é um dos engenheiros em Houston e que você precisa, em questão
de horas, avaliar esta estratégia, indique qual a distância mı́nima da Lua, r0 , que a
Apollo 13 ao se aproximar da Lua. Suponha que no instante t, a espaçonave está
muito distante da Lua e com velocidade u, conforme a figura.
Baseada nas questões do site
http://www.syvum.com/cgi/online/serve.cgi/physics/gravitation/upcgrav.sal?0

Solução:
Nas questões de gravitação sempre tenha em mãos na sua caixa de ferramenta a
Conservação da Energia e a Conservação do Momento Angular. Essa dupla do
barulho resolve muita coisa.
Ao aplicar esses dois princı́pios, conseguimos extrair tudo que precisamos... Vamos
lá!!!
Veja que foi dada uma condição na qual a velocidade da nave está a uma distância
L do centro da Lua, e nessa situação, o vetor posição da nave em relação à Lua é
perpendicular à velocidade.
Esquematizando o problema com vetores, gera essa figura legal.

O momento angular quando a Apollo está em uma posição muito distante da Lua
considera o ângulo entre o vetor velocidade e o vetor posição. Vetorialmente, temos
a situação mostrada na figura.
196

Escrevendo a conservação do momento angular para o ponto distante e o ponto


mais próximo da Lua...

mursenα = mvr0 sen90◦

ursenα = vr0

Mas note que α = 180◦ − θ, e agora fica

ursen(180◦ − θ) = vr0

Mas quanto é sen(180◦ − θ)? Quando temos subtração de arcos usa-se a equação
(que você deve saber)!

sen(a − b) = sena · cosb − senb · cosa

Portanto,

sen(180◦ − θ) = sen180◦ · cosθ − senθ · cos180◦ = senθ

Olha que beleza!! Agora vem a parte linda! Veja que temos um triangulo retângulo
com um de seus ângulos sendo θ, o lado oposto sendo L e a hipotenusa sendo r. Dá
para escrever o seno.
L
senθ =
r
O momento se reduz a
L
ur · = vr0
r

uL = vr0

Portanto a velocidade será


uL
v=
r0
Agora é energia!
Antes se lembre de que se a Apollo 13 está muito distante da Lua, a energia potencial
gravitacional relativa à Lua é nula... Estamos supondo que a Terra não interfere de
forma relevante nesse cenário.

E1 = E2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 197

1 1 GM m
mu2 = mv 2 −
2 2 r0
M é a massa da Lua e m e a massa da nave.
u2 L2 GM m
u2 − 2 = −2
r 0 r0
Multiplicamos por r0 2 para eliminar as frações.
2
u2 r0 − u2 L2 = −2GM mr0

Observe que chegamos a uma equação do segundo grau em r0 .


2
u2 r0 + 2GM mr0 − u2 L2 = 0

O discriminante dessa equação mostra sua cara...

∆ = (2GM )2 + 4u2 (u2 L2 ) = 4G2 M 2 + 4u4 L2

u4 L2
 
2 2
∆ = 4G M 1 + 2 2
GM

r
√ u4 L2
∆ = 2GM 1+
G2 M 2

r
u4 L2
−2GM ± 2GM 1+
r0 = G2 M 2
2u2

r
u4 L2
−1 ± 1+
r0 = GM G2 M 2
u2
Como queremos a distância mı́nima, então a resposta é
r
u4 L2
1+ 2 2 −1
r0 = GM GM
u2

77. Em um sistema solar distante, três planetas encontram-se alinhados. A distância


de cada planeta em relação ao sol deste sistema, em termos de distância da Terra
ao nosso Sol, é quatro vezes, nove vezes e 25 vezes. Depois de quanto tempo, em
anos terrestres, esses planetas irão se alinhar novamente. O perı́odo do mais curto
dura 4 anos terrestres.

Solução:
A unidade de distância é a distância da Terra ao Sol, que será batizada de RT , e
198

posteriormente batizamos os planetas com nomes muito criativos de 1, 2 e 3.


A partir da Terceira Lei de Kepler encontram-se os perı́odos de rotação em torno
do sol deste distante sistema solar.
 2  3
T2 R2
=
T1 R1

 2  3
T2 9RT
=
T1 4RT

 2  3  2 3  3 2
T2 9 3 3
= = 2
=
T1 4 2 23

T2 27
=
T1 8
Portanto, será 27 anos para T2 e 8 anos para T1 .
 2  3
T3 R3
=
T1 R1

 2  3
T3 25RT
=
T1 4RT

2 3 3 2
52 53
   
T3 25
= = =
T1 4 22 23

T3 125
=
T1 8
E será 125 anos para T3 . Os cálculos feitos dizem que os perı́odos de revolução
dos planetas são 8, 27 e 125 anos. Para encontrar o novo alinhamento, devemos
encontrar um múltiplo comum entre esses perı́odos, assim, calculamos o M.M.C e
tudo fica resolvido. O novo encontro se dará após 13500 anos.

78. Uma esfera sólida de massa m é colocada dentro de uma casca esférica (oca e
fina) de massa M . Uma terceira massa m0 é colocada na linha que une os centros
da esfera sólida e da casca esférica, a uma distância x do ponto de contato entre a
casca e a esfera sólida. Calcule a força sobre a massa m0 .
Questão baseada no livro The Pearson Guide To Objective Physics For The Iit-Jee
2011, Srivastava M. K.

Solução:
A situação do problema é a seguinte...
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 199

Pela propriedade das cascas esféricas, a massa m0 está interna à casca, assim, a força
gravitacional sobre m0 é nula. Restando apenas a força gravitacional entre m0 e m.
A distância entre os centros de destes dois corpos é x − r, assim a força fica

Gmm0
F =
(x − r)2

79. Satélites são monitorados em estações terrestres através de uma técnica cha-
mada telemetria. A telemetria informa dados essenciais sobre localização, operação
dos subsistemas e saúde do satélite. Para isso, uma antena envia à Terra esses da-
dos via ondas eletromagnéticas. O acompanhamento da posição do satélite chama-se
ground tracking. Uma das formas de exibir o tracking é projetar sobre o mapa da
Terra e traçar a trajetória do satélite. A Estação Espacial Internacional tem uma
órbita próxima da Terra e permite aos astronautas permanecer no espaço por longos
perı́odos, realizando as mais diversas atividades técnicas e cientı́ficas.
A órbita da ISS, International Space Station, possui uma inclinação em relação ao
Equador como pode ser visto abaixo.
200

A órbita acima gera um tracking sobre o planisfério como mostrado na figura abaixo.

A partir da figura acima, pergunta-se: qual o perı́odo de revolução da estação em


torno da Terra?

Solução:
Essa questão exige um esforço para visualização visto que temos um problema tri-
dimensional e transformado em problema bidimensional.
Imagine que a Terra está parada, isto é, não gira em torno de seu eixo. O satélite
descreve uma curva sobre a superfı́cie da Terra no estilo de um seno ou cosseno, atin-
gindo um ponto máximo ao Norte e logo depois começa a descer até o hemisfério
Sul. Esse processo de subir e descer vai se repetindo indefinidamente. Quanto menor
o perı́odo de rotação da estação mais rápido é essa subida e descida. Além disso,
estando a Terra parada, o satélite começa e termina no mesmo ponto, isto é, os
pontos em que a estação cruza o Equador seriam o mesmo quando sobe e quando
desce.
Mas a Terra se move com um a velocidade angular:

2π 2π 2π
ω= = = = 0, 25◦ /min
T 24 · 60 1440

Acontece que devido a essa rotação, a estação não passa pelo mesmo ponto quando
cruza o equador. Veja na imagem do tracking que as curvas são deslocadas entre si.
Dessa forma, cada vez que dá uma volta na Terra, quando cruzar o Equador, será
num ponto deslocado do anterior de um ângulo ∆θ. Note como fica o tracking para
várias voltas em torno da Terra.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 201

Viu como a distancia dos pontos em que cruza o equador sempre estão afastadas à
mesmas distancia? Isso porque a velocidade de rotação da Terra é constante, caso
contrário, essa separação não seria constante.
Lembre-se que as linhas verticais, também chamados de meridianos, permitem cal-
cular o ângulo de deslocamento, pois os meridianos marcam as longitudes.

Ao analisar o tracking, vamos obter o delta de ângulo. As setas abaixo marcam dois
pontos periódicos da órbita e estão sob longitudes distintas. Da esquerda à direita
temos 360◦ graus, pois é uma volta completa em torno da Terra. Ao contarmos as
linhas chegamos que totalizam 36, dessa forma, a separação entre cada linha é 10◦ .
As setas indicam que a diferença é de 23◦ (aproximadamente). Isso quer dizer que o
tempo de uma volta completa da ISS, a Terra gira um ângulo igual ao perı́odo do
satélite vezes a velocidade angular da Terra.

∆θ = ωTISS
202

Ao aplicar os dados que encontramos...

∆θ = 23◦ = 0, 25TISS

23
TISS = 92min
0, 25

80. Uma nave espacial, em órbita elı́ptica de raio rA , transfere-se para uma órbita
maior de raio rB por meio de uma trajetória elı́ptica entre A e B (Essa trajetória é
conhecida como a elipse de transferência de Hohmann). A transferência é efetuada
por uma elevação instantânea de velocidade ∆vA , em A, e um segundo aumento de
velocidade ∆vB , em B. Deduzir as expressões de ∆vA e ∆vB em função dos raios
mostrados e do valor g da aceleração da gravidade na superfı́cie da Terra.
Esta questão foi baseada no Livro Engineering Mechanics Static and Dynamics –
James L Merian, Segunda Edição.

Solução:
Um exemplo prático de como esses deltas de velocidade podem ser realizados é
visto na fotografia abaixo. A imagem é do módulo de serviço da Apollo, onde se
veem pequenas tubeiras por onde saem jatos de gás para dar impulsos e controlar
a espaçonave. A maior parte das vezes elas são usadas para deixar a nave em certa
posição em relação a um sistema de referência, mas também pode ser usada para dar
impulsos que aceleram ou desaceleram o veı́culo. Outra forma é acionar o foguete
principal também.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 203

A ideia por trás da elipse de transferência é que com o aumento da velocidade em


A, é possı́vel sair da órbita circular e ir para uma órbita elı́ptica e da mesma forma
com um segundo aumento é possı́vel sair da órbita elı́ptica e passar para uma órbita
circular maior.
A velocidade na órbita circular é
2 GM
vA0 =
rA
Começando para a conservação de energia em A e em B na elipse fica

EA = EB

1 2 GM m 1 GM m
mvA − = mvB2 −
2 rA 2 rB

1 2 GM 1 GM
vA − = vB2 −
2 rA 2 rB

2GM 2GM
vA2 = vB2 + −
rA rB
A conservação do momento angular nos dá

mvA rA sen90◦ = mvB rB sen90◦

O 90◦ vem do fato que nestes pontos a velocidade faz um ângulo reto com o vetor
posição cuja origem está na Terra.
Essa relação se reduz a...

vA rA = vB rB

Vamos elevar o quadrado por que queremos usar na equação da energia. No mo-
mento, o interesse é calcular o aumento de velocidade em A, por isso, vamos eliminar
a velocidade em B.

vA2 rA
2
= vB2 rB
2

vA2 rA2
vB2 = 2
rB
204

vA2 rA2
2GM 2GM
vA2 = 2
+ −
rB rA rB
Eis que apareceu vA nos dois lados da equação... Então vamos trazer para um mesmo
lado:
vA2 rA2
2GM 2GM
vA2 − 2
= −
rB rA rB

vA2 rB
2
− vA2 rA
2
 
1 1
2
= −2GM −
rB rB rA

vA2 (rB
2 2
 
− rA ) rA − rB
2
= −2GM
rB rA rB

vA2 (rB − rA )(rB + rA )


 
rB − rA
2
= 2GM
rB rA rB

vA2 (rB + rA )
 
1
2
= 2GM
rB rA rB
 
rB
vA2 = 2GM
rA (rB + rA )
O que acabamos de encontrar acima é a velocidade final em A e a velocidade inicial
em A é a velocidade em movimento circular.
s   r
rB GM
∆vA = vA − vA0 = 2GM −
rA (rB + rA ) rA

r r 
GM 2rB
∆vA = −1
rA rB + rA
Lembrando que:
gR2 = GM
Daı́...
s r
gR2

2rB
∆vA = −1
rA rB + rA

r r 
g 2rB
∆vA = R −1
rA rB + rA

Para ∆vB , o processo é similar e resulta em


r  r 
g 2rA
∆vB = R 1−
rB rA + rB
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 205

81. O processo de Docking ou Ancoragem é o acoplamento entre um veı́culo trans-


portador e uma estação espacial. A Estação Espacial Internacional recebe astronau-
tas e mantimentos através de espaçonaves de transporte ou cargueiros. Para efetuar
a passagem de pessoas e recursos, o docking precisa ser realizado, conectando as
portas de acesso da espaçonave e da estação. É uma tarefa complicada pela razão
de que em órbita, as velocidades são muito altas e deve ser feita com máxima pre-
cisão, pois erros podem causar acidentes de enormes proporções.
Considerem uma estação espacial em órbita circular a uma altitude de 1200 km. Um
carregamento e seu foguete transportador, com massa 800 kg, é colocado em órbita
a 450km de altitude em A. Calcular o ângulo θ, que define a posição da estação em
relação a A, a fim de que o encontro ocorra em B, com trajetórias paralelas.

Esta questão foi baseada em problema do Livro Engineering Mechanics Static and
Dynamics – James L Merian, Segunda Edição.

Solução:
Em relação a A, B está a 180◦ . Para a ancoragem acontecer estando a estação em
uma posição cujo ângulo em relação a A é θ, podemos escrever o seguinte:
Tf oguete
180◦ = θ + ωestacao ·
2
Mas porque você me pergunta... Vou explicar! Quando o foguete começar sua
viagem para acoplar na estação, ele vai percorrer metade sua órbita. Nesse tempo
a estação vai percorrer a circunferência de sua órbita com sua velocidade angular a
partir do ângulo inicial θ. Tf oguete é o tempo de viagem do foguete de A até B.
Para encontrar o perı́odo do foguete vou dar uma pista... O foguete executa um
órbita elı́ptica com a Terra em um dos seus focos (essa é primeira lei de Kepler),
qual a terceira lei de Kepler vai usar???
Alguma coisa me diz que é a Terceira lei Kepler... Temos que ter o semi eixo maior
da elipse para os cálculos. Mas Miguel, isso não foi dado. Não foi, mas dá para
206

calcular.
A largura da elipse é duas vezes o semi eixo maior, que é também é justamente a
soma dos dois raios.

2a = rA + rB

Só que esses raios também não foram dados. Não foram mesmo, concordo, mas
também ainda não terminamos. O que foi dado foi a altitude e o raio da Terra.
Olhai essa figura maneira e entenderás.

2a = hA + hB + 2RT

1
a = (hA + hB + 2RT )
2
O perı́odo pode então ser calculado:
4π 2 3
Tf2oguete = a
GM
3
4π 2

hA + hB + 2RT
Tf2oguete =
GM 2

r
π2
Tf oguete = (hA + hB + 2RT )3
2GM
Usando novamente a gravidade na superfı́cie.

gRT2 = GM
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 207

s
π2
Tf oguete = 2
(hA + hB + 2RT )3
2gRT

r
π 1
Tf oguete = (hA + hB + 2RT )3
RT 2g
Veja que eu estou montando um Frankenstein, mas é por que eu prefiro trabalhar
com letras dos que ir calculando com os valores numéricos, assim, eu identifico
oportunidades de simplificações que eu não veria caso já saı́sse com os valores.
A estação orbita com velocidade linear igual a:
r
GM
v=
hB + RT

r
GM
ωestacao · (hB + RT ) =
hB + RT

r
1 GM
ωestacao =
hB + RT hB + RT

r
RT g
ωestacao =
hB + RT hB + RT
Juntando tudo na panela e mexendo as letras...
Tf oguete
θ = 180◦ − ωestacao ·
2

r r
RT g 1 π 1

θ = 180 − · (hA + hB + 2RT )3
hB + RT hB + RT 2 RT 2g

r r
π g 1
θ = 180 − ◦
· (hA + hB + 2RT )3
2(hB + RT ) hB + RT 2g

s
π (hA + hB + 2RT )3
θ = 180◦ −
2(hB + RT ) 2(hB + RT )

s 3
◦ hA + hB + 2RT
θ = 180 − π
2(hB + RT )

O raio da Terra é 6371 km. Substituindo os valores do enunciado na equação obtida


acima:

θ = 13◦ 180
208

Figura 5.2: Imagens de Docking do Ônibus Espacial e das naves russas. É um processo
crı́tico que demanda muitos cálculos e procedimentos de controle de velocidade.

82. Dois objetos, cada um com massa m, estão pendurados em fios de diferentes
comprimentos em uma balança na superfı́cie da Terra, conforme a figura abaixo. Se
os fios têm massa desprezı́vel, a diferença entre seus comprimentos é h.
(http://www.rumoaoita.com/site/attachments/582_gravitacao_universal_fisica_
hebert_aquino_teoria_exercicios.pdf)

Mostre que o erro na pesagem, associado ao fato de que P 0 está mais perto da Terra
que P é:
8πGρmh
P0 − P =
3
Onde ρ é a densidade média da Terra. Considere h << R e use se necessário:
(1 + x)n ∼
= 1 + nx.

Solução:
Supomos que P 0 está a uma altura a acima da superfı́cie da Terra.
mGM mGM
P 0 = mg 0 = =
(R + a)2
 a 2
R2 1 +
R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 209

mGM
P0 ∼
=  
2
2a
R 1+
R
Da mesma forma para P.
mM G mM G
P = mg = = 2
(R + a + h)2

2
a+h
R 1+
R

mM G
P ∼
=  
a+h
R2 1+2
R
A diferença entre eles:
mM G mGM
P0 − P =  −  
2
2a 2
a+h
R 1+ R 1+2
R R

 
mM G  1 1
P0 − P = −

R2
 2a a+h
1+ 1+2
R R
 
a+h a
mM G  1+2 −1−2
0
P −P =   R  R 

R2  2a a+h 
1+ · 1+2
R R

 
h
mM G  2
P0 − P =    R 


R2  2a a+h 
1+ · 1+2
R R

 
2mhM G  1
P0 − P =

    
R3  2a a+h 
1+ · 1+2
R R
Sendo que a << R, a divisão de a por R é quase 0. O mesmo pode ser dito para
a + h << R.
 
0 2mhM G 1
P −P =
R3 (1 + 0) · (1 + 0)

2mhM G
P0 − P =
R3
210

A massa da Terra é o produto do volume pela densidade.


M = ρV
4
M = ρ πR3
3
Finalmente...
2mhM G
P0 − P =
R3
2mhG 4 3
P0 − P = · ρ πR
R3 3
8πρmhG
P0 − P =
3

83. Um corpo de massa m dista a unidades de um conjunto de cascas metálicas de


massa M e M 0 , conforme a figura abaixo. Encontre a força exercida sobre a massa
m.
Questão baseada em questão do livro The Pearson Guide To Objective Physics For
The Iit-Jee 2011, Srivastava M. K.

Solução:
A força gravitacional age como se toda a massa de uma casca estivesse concentrada
em seu centro. Assim, as duas cascas seriam como se fosse um único corpo de massa
M + M 0 localizado no centro comum de ambas. A distância continua sendo a. A
força, portanto, fica:

G(M + M 0 )
F =
a2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 211

84. (Questão do Livro do Halliday) Mostre que, que no fundo de um poço de uma
mina vertical de profundidade D, o valor de g será
 
D
g = gs 1 −
R
Onde ga é o valor na superfı́cie. Suponha que a Terra seja uma esfera uniforme de
raio R.

Solução:
Pela propriedade das cascas esféricas, a uma profundidade D, a massa da esfera que
cria a gravidade no fundo da mina tem raio R − D. A massa dessa esfera criada
pela mina é
 3
0 0 4 3 4 3 D
M = ρV = ρ π(R − D) = ρ πR 1 −
3 3 R
A gravidade no fundo da mina:
 3
4 3 D
Gρ πR 1 −
GM 0 GM 0
 
3 R 4 D
g= = 2 = 2 = Gρ πR 1 −
(D − R)2 3 R
 
2
D 2
D
R 1− R 1−
R R
A gravidade na Terra em função da densidade:
GM
gs =
R2
A massa da Terra é
4
M = ρV = ρ πR3
3
A gravidade na superfı́cie da Terra é
4
GM Gρ πR3 4
gs = 2 = 3 = Gρ πR
R R 2 3
Observe que a gravidade na superfı́cie está embrenhada ali na gravidade da mina.
Preste bem atenção...
   
4 D D
g = Gρ πR 1 − ⇒ g = gs 1 −
3 R R

85. A exploração de um planeta em um sistema solar próximo requer a construção


de uma base no polo norte do planeta. Sabe-se que este planeta possui massa igual
ao dobro da massa da Terra e raio idêntico. Avalia-se construir uma base de forma
que a gravidade ali seja igual a gravidade na Terra. Levanto em conta fatores como
temperatura, pressão, descargas atmosféricas e acesso a minérios úteis, cogitaram-se
duas opções: construir uma base subterrânea a x metros de profundidade e uma base
212

em uma das montanhas a y metros de altitude a fim de termos a mesma gravidade


na superfı́cie da Terra. Avalie as duas opções de construção.

Solução:
O planeta tendo o dobro da massa da Terra e mesmo raio resulta em uma aceleração
na superfı́cie de seu polo Norte igual a duas vezes a gravidade na superfı́cie do polo
Norte da Terra.

gs = 2gT

Vimos no exercı́cio anterior que para uma profundidade x, a aceleração da gravidade


diminui linearmente com o aumento da profundidade. gs é igual a gravidade na
superfı́cie do polo Norte do planeta.
 x  x
g = gs 1 − = 2gT 1 −
R R
Para equivaler à gravidade na Terra, a profundidade x deve ser
 x
2gT = 1 − = gT
R

2x
2− =1
R

2x
=1
R

R
x=
2
Isso quer dizer que dever-se-ia cavar uma distância igual a metade do raio do planeta.
O decréscimo da gravidade com a altitude acima da superfı́cie varia da seguinte
maneira...
GM gs R2 2gT R2
g= = =
(R + y)2 (R + y)2 (R + y)2
Para equivaler à gravidade na superfı́cie do polo da Terra:

2gT R2
= gT
(R + y)2

2R2
=1
(R + y)2

2R2 = (R + y)2

2R2 = R2 + 2Ry + y 2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 213

y 2 + 2Ry − R2 = 0
O discriminante desta equação...
∆ = 4R2 − 4(−R2 ) = 8R2
Então:

−2R ± ∆
y=
2

y = (−1 ± 2)R
Há uma raiz positiva e outra negativa. Como não faz sentido a raiz negativa a
solução é:

y = ( 2 − 1)R ∼
= 0, 41R
Se pensarmos apenas na profundidade e na altitude, a base nas montanhas parece
ser mais factı́vel que a base a uma profundidade R/2.

86. A partir da superfı́cie da Terra, um objeto é lançado com velocidade igual à


velocidade de escape. A velocidade de escape forma 45◦ com a horizontal (tangente
à Terra no ponto de lançamento do objeto). Determine o ângulo que a velocidade,
a uma altura R acima da superfı́cie da Terra, faz com a horizontal neste ponto (ho-
rizontal é a tangente a circunferência de raio 2R neste ponto).
Baseada em uma questão do New Pattern Physics de D.C Pandey – http://www.
rumoaoita.com/site/attachments/582_gravitacao_universal_fisica_hebert_
aquino_teoria_exercicios.pdf

Solução:
Primeiramente se começa com o principio da conservação do momento angular re-
ferenciado em relação ao centro da Terra e depois na altitude R.
214

mvR sin(90◦ + 45◦ ) = mv 0 2R sin(90◦ + θ)

v sin 135◦ = 2v 0 cos θ


2
v = 2v 0 cos θ
2

A velocidade inicial tem intensidade igual a velocidade de escape.


r
2GM
v=
R

A velocidade final é encontrada pela conservação da energia.

1 2 GM m 1 2 GM m
mv − = mv 0 −
2 R 2 2R

1 2GM GM m 1 2 GM m
m· − = mv 0 −
2 R R 2 2R

GM GM 1 2 GM
· − = v0 −
R R 2 2R

r
0 GM
v =
R

Votando no resultado da conservação do momento angular.



2
v = 2v 0 cos θ
2

√ r r
2 2GM GM
· =2· · cos θ
2 R R

1
= cos θ
2

θ = 60◦
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 215

87. Três esferas idênticas e de mesma massa m estão dispostas em uma circun-
ferência, organizadas como os vértices de um triângulo equilátero inscrito a esta
circunferência de raio R. Somente as forças gravitacionais de atração entre elas são
relevantes. Calcule a velocidade de rotação deste sistema.

Solução:
Cada esfera é atraı́da pelas outras duas devido à força gravitacional. Como elas
estão girando, a força centrı́peta é a resultante das forças gravitacionais em cada
esfera.

A composição vetorial das forças em cada massa é mostrada na figura seguinte.

A força centrı́peta é composta pela soma das duas componentes das forças de
atração entre as esferas. Veja que o ângulo entre as forças é o ângulo do vértice do
triangulo equilátero da questão. Se tomarmos a figura acima, com as duas forças
216

formando um ângulo de 60◦ , teremos uma resultante vertical e um horizontal. No


caso da resultante horizontal ela se anula, pois as componentes horizontais são iguais,
de mesma direção, mas estão em sentidos. Já a resultante vertical é a soma das
componentes verticais. O desenho não ficou muito bom, mas temos um triangulo
retângulo com um dos ângulos igual a 30◦ .

◦ ◦ ◦ 3 √
Fy = F cos 30 + F cos 30 = 2F cos 30 = 2 · F = 3F
2
Como já dissemos, a força centrı́peta é a resultante da força na esfera.

Fy = Fcp

√ Gm2 mv 2
3· =
a2 R

√ Gm v2
3· =
a2 R

2 3GRm
v =
a2
Mas não temos o valor de a, pois não foi dado, porém podemos encontrá-lo ao
analisar a geometria do triangulo inscrito. Um triângulo equilátero possui todos os
seus lados iguais e todos os seus ângulos internos iguais a 60◦ .

a
= R sin 60◦
2
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 217


a 3
=R·
2 2


a= 3R

Finalizando...
√ √
3GRm 3GRm
v2 = √ =
( 3R)2 3R2


2 3Gm
v =
3R

88. Duas partı́culas de massa m1 e m2 são soltas em repouso, separadas de uma


distância inicial r0 , movendo-se apenas sob o efeito de sua atração gravitacional
mútua. Calcule as velocidades partı́culas quando se aproximam até uma distância
r (r < r0 ), uma da outra.
Questão do livro Curso de Fı́sica Básica, volume 1, Moyses Nussenzveig

Solução:
Não estamos falando de órbitas nem nada aqui, apenas duas partı́culas, então não
precisamos usar a conservação do momento angular, mas sim da conservação do
momento linear.
Como as forças que agem nas partı́culas são apenas as forças de atração gravitacional,
podemos considera-las como forças internas. Dessa maneira, o momento se conserva
e o centro de massa delas não se move, apesar de elas se moverem. Enfim, podemos
escrever uma equação para relacionar o momento linear a uma distância r0 e a uma
distancia r.

Qinicial = Qf inal

m1 · 0 + m2 · 0 = m1 v1 − m2 v2

No inicio elas estão em repouso e depois se movem uma em direção à outra mostrando
que as velocidades têm sentidos opostos.

0 = m1 v1 − m2 v2

m2 v2
v1 =
m1
Aplicando a conservação da energia:

Einicial = Ef inal

Gm1 m2 1 1 Gm1 m2
− = m1 v12 + m2 v22 −
r0 2 2 r
218

Antes a energia cinética é zero já que ambas estão em repouso, restando apenas
a energia potencial gravitacional de ambas. Depois elas começam a se mover e
a energia mecânica é a soma das energias cinéticas das duas partı́culas e a energia
potencial gravitacional entre elas. Usando a conservação do momento na conservação
da energia...

 2
Gm1 m2 1 m2 v2 1 Gm1 m2
− = m1 + m2 v22 −
r0 2 m1 2 r

Gm1 m2 m2 v 2 1 Gm1 m2
− = 2 2 + m2 v22 −
r0 2m1 2 r

m22 v22 1 Gm1 m2 Gm1 m2


+ m2 v22 = −
2m1 2 r r0

m22 v22 1
 
1 1
+ m2 v22 = Gm1 m2 −
2m1 2 r r0

 
1 1 1 1
m2 v22 + m1 v22 = Gm21 −
2 2 r r0

 
1 1
(m2 + m2 )v22 = 2Gm21 −
r r0

s
2Gm21
 
1 1
v2 = −
m2 + m1 r r0

s
2Gm22
 
1 1
v1 = −
m2 + m1 r r0

89. Dois corpos celestes de massa M estão separados por uma distância d. Um
terceiro corpo passa é acelerado do infinito percorrendo a linha que passa pelo ponto
médio entre os dois corpos. Indique em que posição a resultante das forças é mı́nima.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 219

A força de atração entre os corpos de massa M é


GM m
F =
r2
As componentes horizontais das forças em m se cancelam e as componentes verticais
se somam ( se ficar com dúvida, foi mostrado no inicio do livro isso aı́). A força
resultante é
FR = 2F cos(90◦ − θ) = 2F sin θ
Como a resultante na horizontal é nula e a componente vertical depende do seno do
ângulo, o seno chega a zero quando o ângulo θ é nulo. Nessa condição a resultante
das forças sobre a massa é nula, que é justamente sobre o ponto médio da linha que
une os dois corpos de massa M .
220

90. Calcule a velocidade que um corpo deve ser lançado da superfı́cie da Terra
para que este entre em órbita elı́ptica de apogeu 10R e perigeu de 2R. R é o raio
da Terra e g é a gravidade na superfı́cie da Terra. Questão baseada em http://www.
rumoaoita.com/site/attachments/582_gravitacao_universal_fisica_hebert_
aquino_teoria_exercicios.pdf

Solução:
No apogeu e perigeu, o ângulo entre a velocidade e o raio é 90◦ , nos permitindo
escrever, a partir da conservação do momento angular. A seguinte relação entre as
velocidades.

mva ra = mvp rp

va · 10R = vp · 2R

5va = vp

Até agora só deu para saber a relação entre as velocidades e não adianta muito.
Para seguir em frente, se faz necessário determinar quanto valem essas velocidades.
Note que se descobrimos uma delas, a outra também é definida. Observe que o que
foi dado no enunciado, g e R e por isso você deve se ater a estas duas variáveis. A
conservação da energia dá condições de determinar a velocidade orbital.
1 2 GM m 1 GM m
mva − = mvp2 −
2 10R 2 2R

GM GM
va2 − = 25va2 −
5R R

GM GM
24va2 = −
R 5R

4GM
24va2 =
5R

GM gR2
va2 = = va2 =
30R 30R

gR
va2 =
30
Com isso já deu para saber qual deve ser a velocidade no apogeu. Para saber qual a
velocidade de lançamento, voltamos a usar a conservação da energia entre o ponto
de lançamento, sobre a superfı́cie da Terra e a energia no apogeu.
1 2 GM m 1 GM m
mva − = mv02 −
2 10R 2 R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 221

1 gR GM m 1 GM m
m· − = mv02 −
2 30 10R 2 R

1 2 1 gR GM m GM m
mv0 = m · − +
2 2 30 10R R

gR GM 2GM
v02 = − +
30 5R R

gR gR2 2gR2
v02 = − +
30 5R R

gR gR
v02 = − + 2gR
30 5

gR − 6gR + 60gR 55gR 11gR


v02 = = =
30 30 6

Que é a velocidade de escape para atingir a órbita elı́ptica.

r
11gR
v0 =
6

91. Um satélite é colocado em órbita circular, polar, a uma altitude H. Ao passar


pela posição A, sobre o polo norte, seu retrojato é acionado de modo a dar um
impulso negativo, diminuindo a velocidade de um valor tal que faça o satélite descer
em B, no equador. Deduzir a expressão para a redução ∆vA da velocidade em A.
Note que A é o apogeu da órbita elı́ptica.
Esta questão foi baseada em problema do Livro Engineering Mechanics Static and
Dynamics – James L Merian, Segunda Edição

Solução:
A situação do problema pode ser visualizada nesta figura artı́stica e de extremo bom
gosto e sofisticação.
222

Inicialmente o satélite está em órbita circular e com isso a sua velocidade orbital é
r s
GM gR2
v= =
R+H R+H

O retrojato causa um decréscimo de velocidade em A tal que cause a descida da


órbita até o equador. A velocidade decrescida é ∆vA0

1 0 2 GM m 1 GM m
mvA − = mvE2 −
2 R+H 2 R

2 2GM 2GM
vA0 − = vE2 −
R+H R

2 2GM 2GM
vA0 = vE2 + −
R+H R

 
2 1 1
vA0 = vE2 + 2GM −
R+H R

Para terminar a bagaça falta achar a velocidade no equador... Ao se olhar com mais
detalhes para o vetor velocidade no equador, nos deparamos com o seguinte cenário
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 223

vetorial (bacana esse termo, cenário vetorial, acabei de inventar... tragam o meu
Nobel, por favor).

A força centrı́peta no equador é força peso no equador e com isso chegamos ao


seguinte.
acp = g

2
vEY
=g
R

vE2 sin2 α = gR
Mas não temos o alfa, então se apela para Nossa Senhora do Momento Angular, a
padroeira dos sem ângulo.
mvA0 (R + H) = mvE R sin α
Então a gente bota o m pra correr, reorganiza e eleva ao quadrado.
vA0 (R + H)
= vE sin α
R

vA0 2 (R + H)2
vE2 sin2 α =
R2

vA0 2 (R + H)2
gR =
R2
Reorganizando tudo, chegamos na velocidade reduzida após a aplicação dos retro-
foguetes.
s
gR3
vA =
(R + H)2

Finalmente chegamos ao delta.


s s
gR2 gR3
∆vA = −
R+H (R + H)2

r r !
g R
∆vA = R 1−
R+H R+H
224

92. Um satélite de mapeamento lunar de massa ms , está em um órbita circular


de raio 1, 5R, onde R é o raio da Lua. Um robô de reparo, de massa mr < ms , é
colocado nesta órbita , mas devido a um erro de sinal sua órbita acabou ficando na
direção oposta à direção do satélite. Os dois colidem e permanecem juntos como
lixo espacial. O ponto deste problema é se eles criam mais lixo espacial ou caem na
superfı́cie lunar. Determine a relação entre as massas do satélite e do robô para que
o lixo gerado caia na Lua. A massa da Lua é M e constante gravitacional universal
é G.
Questão baseada em questão curso de Fı́sica Clássica, W15D2-5, do Massachussets
Institute of Technology, MIT.

Solução:
Essa questão é de uma das melhores escolas de engenharia do mundo, o famoso MIT.
Inicialmente o satélite tem a velocidade de um corpo em órbita circular.
s
GM
vs =
1, 5R

Devido ao erro no software de controle do robô, o sentido da velocidade do robô é


oposto ao sentido da velocidade do satélite. Para achar a nova velocidade, acionamos
o principio da conservação do momento.

ms vs − mr vs = (ms + mr )u

No inicio era o robô e o satélite com velocidades opostas, por isso que é a soma do
momento angular de cada um. O sinal menos do lado direito da equação é por que
consideramos sentido de velocidade do satélite positivo e o sentido do robô sendo
ao contrário deve ser menos. Depois da colisão, os dois formam uma única massa e
viajam com mesma velocidade, no mesmo sentido do satélite.

ms vs − mr vs = (ms + mr )u

(ms − mr )vs = (ms + mr )u

u ms − mr
= =k
vs ms + mr

Relacionando as massas em função de k...

u 1+k
=
vs 1−k

A conservação da energia permite avaliar para qual valor de k para qual o lixo atinge
a superfı́cie lunar. Note que usei o raio da Lua para o raio final. Isso quer dizer que
estou dizendo que o conjunto está sobre a superfı́cie da Lua.

1 GM (ms + mr ) 1 GM (ms + mr )
(ms + mr )u2 − = (ms + mr )u2lua −
2 1, 5R 2 R
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 225

2GM 2GM
u2 − = u2lua −
1, 5R R

4GM 2GM
u2 = u2lua + −
3R R

2GM
u2 = u2lua −
3R
Para terminar só precisamos saber a velocidade ao atingir o solo da Lua. Uma forma
de fazer é usar o principio da conservação do momento angular.

(ms + mr )u · 1, 5R = (ms + mr )ulua R

1, 5u = ulua

A velocidade de impacto na superfı́cie da Lua é 50% maior que a velocidade depois


da colisão, ou seja, 3/2 da velocidade u. Nós definimos k como uma relação entre a
velocidade do satélite e a velocidade após o choque. A velocidade do satélite antes
do choque está em função de G, M e R e por isso, para usar as demais equações
que encontramos, vamos escrever u em função de G, M e R.
u
=k
vs
Mas u fica igual a
r
2GM
u = kvs = k
3R
Para velocidade de impacto na Lua...

1, 5u = ulua

r
3 2GM
ulua =
2 3R
Viu? Agora podemos aplicar no resultado do principio da conservação da energia,
por que todas as variáveis envolvidas estão em função de G, M e R...
r !2 r !2
2GM 3k 2GM 2GM
k = −
3R 2 3R 3R

2 2GM 9k 2 2GM 2GM


k = −
3R 4 3R 3R

9k 2
k2 = −1
4
226

5k 2
=1
4

r
4∼
k= = 0, 89
5
Então,
ms 1 + 0, 89
= = 17, 18
mr 1 − 0, 89
Para que o conjunto formado pelo satélite e pelo robô cair as massas devem se
relacionar tal que a massa do satélite seja 17 vezes maior que a massa do robô

93. Um projétil de massa m é disparado da superfı́cie da Terra com velocidade


inicial que é igual a velocidade de escape. O raio da Terra é Rs , a massa da Terra é
Me e a constante gravitacional universal é G. Quando o projétil está a uma altura
de 2Rs , ele atinge um satélite de massa m que está em órbita circular de raio 2Rs . A
colisão fez com que o satélite e o projétil ficassem unidos. Calcule o vetor velocidade
do conjunto após o choque. Esse conjunto vai ficar em um órbita elı́ptica, circular
ou vai se embora numa órbita hiperbólica ou parabólica?
Questão baseada em questão curso de Fı́sica Clássica, W15D1-5, do Massachussets
Institute of Technology, MIT.

Solução:
O ITA foi criado nos moldes do MIT. Quando se desejou criar uma escola que
formasse engenheiros para nossa indústria aeroespacial, o idealizador do ITA, o
Marechal do Ar, cearense Casimiro Montenegro Filho, convidou Richard Smith, do
MIT para ser o reitor e criador do ITA.
Deixando a História de lado, vamos ao que interessa aqui.
Ocorreu uma colisão no espaço o projétil subiu até 2Rs e lá encontrou o satélite.
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 227

Quando esse choque aconteceu, o projétil tinha um momento linear, pois é uma
massa com velocidade. O mesmo se pode dizer do satélite, que possui uma velocidade
e por isso também possui um momento linear. Ao se chocarem e se unirem, forma-se
um novo corpo cuja massa é a soma das massas do projétil e do satélite.
Vale ressaltar que o momento linear é um vetor que compartilha o mesmo sentido e
a mesma direção da velocidade do corpo. Também não se esqueça de que o momento
angular também é um vetor. Então, temos a situação inicial e final bem definida, o
que nos faz seguir em frente e descobrir a nova velocidade.
Para facilitar vamos criar um sistema de coordenadas como referencial para nossa
situação. Vou desenhar a situação antes e depois na mesma figura.
Antes do choque...

Depois do choque...

Se os vetores estivessem na mesma direção era só uma soma, mas como temos
direções x e y envolvidas, então justifica fazermos decomposições.
Inicialmente, na horizontal, só temos a velocidade do satélite e no final, a projeção
horizontal da velocidade u do conjunto.
X X
Qxi = Qxf
228

−mvs = −2mu cos θ

vs = 2u cos θ

Inicialmente, na vertical, só temos a velocidade do projétil e no final, a projeção


vertical da velocidade u do conjunto.
X X
Qyi = Qyf

mvp = 2mu sin θ

vp = 2u sin θ

Algo que sempre ajuda é a seguinte equação.

sin2 θ + cos2 θ = 1

Mas o que eu quero com isso? Bom, temos u multiplicado por um seno e multiplicado
por um cosseno, se elevarmos isso ao quadrado e somar, o tal ângulo vai sumir. isso
facilitar por que resulta em menos uma variável para a gente se preocupar.

vs2 + vp2 = 4u2 cos2 θ + 4u2 sin2 θ

vs2 + vp2 = 4u2 (cos2 θ + sin2 θ)

vs2 + vp2 = 4u2

1 1
u2 = vs2 + vp2
4 4
O satélite está em órbita circular e por isso é fácil saber qual sua velocidade. Basta
usar a equação já conhecida.
r r
GMe GMe
vs = =
r 2Rs
Onde r é o raio da órbita.
A velocidade de escape também já é nossa velha conhecida.
r
2GMe
ve =
Rs
No entanto, no momento do choque a velocidade do projétil musical não é a veloci-
dade de escape, mas sim uma velocidade que é diminuı́da pela atração gravitacional.
Mas quanto é? Supondo, como em todos os outros problemas, que não resistência
do ar nem efeito de rotação da Terra, podemos aplicar o principio da conservação da
energia do projétil desde a superfı́cie da Terra até a 2Rs , que é o ponto de choque.
1 2 GMe m 1 GMe m
mve − = mvp2 −
2 Rs 2 2Rs
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 229

2GMe 2GMe
ve2 − = vp2 −
Rs 2Rs

GMe
vp2 = ve2 −
Rs
E como já temos a velocidade de escape:
2GMe GMe
vp2 = −
Rs Rs

GMe
vp2 =
Rs
Tá terminando. só pegar tudo o que já calculamos em juntar na expressão de u.
1 GMe 1 GMe 3 GMe
u2 = · + · = ·
4 2Rs 4 Rs 8 Rs

r
3GMe
u=
8Rs
Vamos avaliar a energia mecânica do conjunto logo após o choque.
1 GMe 2m GMe m
Emec = 2mu2 − = mu2 −
2 2Rs Rs

3GMe GMe m
Emec = m · −
8Rs Rs

3GMe m 8 GMe m
Emec = − ·
8Rs 8 Rs

5GMe m
Emec = − <0
8Rs
A energia mecânica é negativa, o que quer dizer que ele tem mais energia potencial
que cinética (pois a cinética é sempre positiva), mostrando que possivelmente o
conjunto irá seguir uma trajetória elı́ptica.

94. Uma das coisas mais legais da exploração espacial é poder dar um rolê na Lua
de carro. A partir da primeira missão em solo lunar, os astronautas puderam contar
com um veı́culo automotor para percorrer distâncias maiores na Lua e economizar
oxigênio. A NASA desenvolveu o Lunar Rover que é um veı́culo semelhante a um
jipe que foi levado montado junto com módulo de serviço.
Suponha que você seja um dos engenheiros responsáveis por desenvolver este carro
muito maneiro e está em uma reunião de projeto está avaliando as possı́veis soluções
para as rodas e tem que decidir qual o material mais indicado para operação. Foi
apresentado o relatório do teste realizado na pista, do centro de desenvolvimento, na
230

qual é coberta com um material que simula o solo lunar, isto é, o coeficiente de atrito
entre a roda e o solo é igual ao que vai encontrar na Lua, que vale 0.5. Obteve-se
como resultado uma variação de velocidade de 0 a 100 km/h em 10 segundos. Qual
seria o resultado na Lua, considerando que o desempenho do motor na Terra e na
Lua é idêntico?
Considerar o diâmetro e a densidade da lua como 1/4 e 2/3 dos da Terra, respecti-
vamente.
Por simplicidade modele o carro como uma massa de 200 kg submetida à força ge-
rada pelo motor e ao atrito das rodas com o solo. Aceleração da gravidade na Terra
é 10m/s2

Solução:
O diagrama de forças mostra quais as forças atuantes no carro. Em seguida escre-
vemos as interações das mesmas no eixo x e y.

X
Fy = 0

N − mg = 0

N = mg

X
Fx = ma

F − Fat = ma

F − µN = ma

Neste caso N = mg, então:

F − µmg = ma
Capı́tulo 5. Questões resolvidas 231

O relatório indicou uma variação de velocidade na Terra que é a própria aceleração.


A velocidade final de 100km/h pode ser convertida para m/s ao dividirmos por 3,6.
Dando 27.7m/s.
∆v vf − vi 27, 7 − 0
a= = = = 2, 77
∆t ∆t 10
A força desenvolvida pelo motor ao motor o veı́culo é de:

F = ma + µmg = 200 · 2, 77 + 0, 5 · 200 · 10 = 1554

Na Lua, o que difere é a gravidade, visto que sua densidade e volume são diferentes
da Terra... Então vamos calcular como vai ser na Lua.
GML
glua =
RL2

Do enunciado, sabe-se que diâmetro da Lua em relação á Terra é 1/4.


1
DL = DT
4
Então, o raio será:
1
RL = RT
4
A densidade da Lua é 2/3 da densidade da Terra. E agora? Sem pânico. A densidade
é um medida que diz quanto de massa há em um volume.
m
ρ=
V
Para achar a massa, é só multiplicar a densidade pelo volume.

MT = ρT VT

ML = ρL VL

2
A relação das densidades, pelo enunciado é ρL = ρT Nós sabemos a relação entre
3
as densidades da Terra e da Lua, mas não temos o volume. E agora? Agora que
vamos considerar que a Terra e a Lua são esferas perfeitas. O volume de uma esfera
é calculado por:
4
V = πR3
3
Como temos o raios de ambas, os volumes ficam:
4
VT = πRT3
3

4
VL = πRL3
3
232

Agora podemos montar uma relação que divide a massa da Terra pela massa da
Lua. Parece complicado, mas vai ter um monte de cancelamento que vai simplificar.
Note que vou substituir tudo e tem termos que vão se cortar:
4 3
MT ρT · πR
= 3 T
ML 4 3
ρL · πR
3 L

4
MT ρT · πRT3
= 3
ML 2 4
ρT · πRL3
3 3

MT 3 RT3
= · 3
ML 2 RL
Simplificou para isso e substituindo os raios, chegamos no resultado:
MT 3 R3 3 RT3
= ·  T 3 = ·
ML 2 1 2 1 3
RT R
4 64 T

Finalmente chegamos que a relação entre as massas:


MT
= 96
ML
Agora podemos relacionar as duas gravidades.
1 2
gT MT RT2 R
= = 96 · 16 T = 96 = 6
gL ML RL2 RT2 16

Com isso, a gravidade na Lua é 1/6 da gravidade na Terra : 1,66 m/s2 .


A força que o motor vai entregar na Lua é a mesma que na Terra.

F − µmg = ma

1554 − 0, 5 · 200 · 1, 66 = 200a

a∼
= 6, 94

Partindo do repouso, em 10 segundos, a velocidade do Lunar Rover é

vf = vi + at

vf = 0 + 6, 94 · 10 = 69, 4m/s

Ou também, 249,84 km/h.


Dá para se matar na Lua, hein?
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