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TÉCNICAS DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO ORAL

LÍNGUA PORTUGUESA E TÉCNICAS DE EXPRESSÃO


AULA NO. 2
• Frase complexa por coordenação
• Frase complexa por subordinação
• Pontuação

Contextualização
Frase é todo enunciado de sentido completo, podendo ser formada por uma só palavra ou por
várias, podendo ter verbos ou não.
Estrutura: as frases que possuem verbo, geralmente, são estruturadas a partir de dois elementos
essenciais: sujeito e predicado. Isso não significa, no entanto, que tais frases devam ser formadas,
no mínimo, por dois vocábulos. Na frase "Saímos", por exemplo, há um sujeito implícito na
terminação do verbo: nós.

A frase pode ser classificada em: (i) simples e (ii) complexa.


i. Frase simples é aquela que é constituída por uma única oração, contendo, portanto, um
só verbo conjugado (apresenta, assim, apenas um sujeito e um predicado).
Exemplo: Os meus pais oferecem-me muitos livros.

ii. Frase complexa é aquela que é constituída por duas ou mais orações. Apresenta, portanto,
mais do que um predicado e, muitas vezes, mais do que um sujeito.
Ex.: Os meus pais oferecem-me muitos livros, porque eu gosto muito de ler.

Classificação das orações ou proposições

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A frase pode ser constituída por uma ou mais orações1..
Oração gramatical ou proposição é uma palavra ou agregados de palavras formando um sentido
e contendo um verbo em modo finito.
As orações classificam-se em principais e subordinadas. Quando, num período, há duas ou mais
orações principais, diz-se que são orações principais coordenadas.
Oração principal: é a que se apresenta sob uma forma independente. Exemplos:
(i) Eu gosto muito de ti.
(ii) O Mário e a Dírcia estão dispensados.

A s orações principais coordenadas não dependem umas das outras; podem, por isso, separar-se e
constituir orações independentes.
Cada uma delas tem um sentido próprio e independente da outra oração. Elas são, geralmente,
introduzidas por conjunções2 ou locuções3 coordenativas, que se classificam em:
• copulativas: servem simplesmente para ligar (e, nem, também, não só, mas também,
outrossim…)
• disjuntivas: indicam inclusão ou alternativa (ou, ora… ora…, quer… quer…, já… já…,
seja… seja…)
• adversativas: exprimem oposição (mas, porém todavia, ainda, entretanto, contudo, não
obstante…
• conclusivas: exprimem a consequência da oração anterior (logo, pois, portanto, por
conseguinte…)
• explicativas: acrescentam uma explicação ao sentido da oração anterior (isto é, ou seja,
quer dizer, ou melhor, a saber…)

Oração subordinada: é aquela que se apresenta como dependendo doutra.


As orações subordinadas conhecem-se por serem introduzidas por conjunções subordinativas, ou
pronomes relativos ou interrogativos. Elas classificam-se em:

1 Oração é a unidade gramatical organizada à volta de um verbo.


2 Conjunções são palavras invariáveis que ligam orações ou outras partes duma oração, que desempenhem a mesma
função. Elas podem ser coordenativas e subordinativas.
3 TPC: fazer o levantamento das conjunções e locuções coordenativas (deve dar exemplos). Falar da utilização da

letra maiúscula.

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• condicionais: exprimem uma condição (quando, como, se, uma vez que, contanto que,
salvo se, a não ser que, caso…)
• causais: exprimem uma causa ou um motivo (que, porque, porquanto, como, pois, já que,
visto que, visto como…)
• finais: indicam fim (para, para que, a fim de que…)
• temporais: exprimem tempo, época (quando, como, enquanto, logo que, desde que, assim
que, ao passo que, à medida que, até que, no tempo em que…)
• concessivas: indicam um facto contrário a outro (conquanto, embora, conquanto, apesar
de, ainda que, posto que, se bem que…)
• consecutivas: indicam consequência da oração anterior (que, de tal modo que, de tal forma
que, de tal sorte que…)
• comparativas: exprimem comparação (como, que, segundo, conforme, do mesmo modo
que, assim como, bem como…)
• integrantes: introduzem uma oração que pode servir de sujeito, nome predicativo ou de
complemento directo da oração anterior (que, se, se por ventura…), Exemplos:– Eu quero
que vocês passem de classe)
• relativas: que (a onda leva o camarão que dorme)
• interrogativas: que (preciso de saber que horas são)

Ainda na senda da classificação, pode-se falar de oração intercalada, que se diz quando se
insere no período ou noutra oração como um parêntese, para introduzir uma explicação.
Exemplos: (i) Era aqui – lembro-me perfeitamente – que a tua mãe te esperava. (i) A
sabedoria, diz a Bíblia, vale mais que ouro.

Observação:
Há outras espécies de orações subordinadas que não cabe estudar aqui. Trata-se das infinitivas,
as gerundivas e as participiais. Recebem estas designações por terem o verbo,
respectivamente, no infinitivo, no gerúndio e no particípio. Mas, nestes casos, só se consideram
as orações que têm sujeito próprio. Exemplos:
(i) Por ser mentiroso (você), serão todos castigados.
(ii) Chegando o professor, saúdem-no.

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(iii) Terminada a aula, podem sair.

Pontuação
A pontuação auxilia a leitura e a compreensão do discurso escrito. Eis os diferentes sinais
pontuação:
Ponto final (.), vírgula (,), ponto e vírgula (;), dois pontos (:), ponto de interrogação (?), ponto de
admiração ou exclamação (!), reticências (…), travessão (–), parêntese ou parêntesis ( () ), aspas
(«»), traço de união ou hífen (-), parágrafo (§), chave ou chaveta (}) e alínea ( a) ).
Ponto final (.): indica o fim duma frase ou fecho de pensamento perfeito. Emprega-se, também,
em abreviaturas (Ex. Sr. Dr.), etc.

Vírgula (,): denota pequena pausa, com mudança ligeira de voz.


Regras básicas:
i. O vocativo é sempre seguido de vírgula: – Meninos, revejam as vossas matérias.
ii. Separam-se por vírgulas todos os membros duma oração, não estando ligados por
conjunção: – Essa indisciplina, essa distracção, vos farão reprovar. Portugal colonizou
alguns países de África: Moçambique, Angola, Guiné-bissau.
iii. Fica entre vírgulas qualquer palavra, frase ou sentença intercalada numa oração: – O
que se acontece, realmente, é preocupante. Quem à espada mata, diz o ditado, à espada
morre.
iv. Emprega-se a vírgula depois de não, quando esta partícula, em princípio de oração, se
refere a uma outra: – Não, poupa-me disso.
v. Emprega-se depois de sim, em princípio de qualquer oração: – Sim, vocês são aplicados.
vi. São precedidos de vírgula os nomes apostos ou continuados: – Filipe Nyusi, Presidente
da República de Moçambique, é um poliglota.
vii. Se a partícula quem é acompanhada de preposição, ela deve ser precedida de vírgula: –
Meus queridos, a quem sempre acarinhei.
viii. Em iguais circunstâncias, acontece o mesmo com o que: – Ficava ainda longe a casa, a
que nos dirigíamos.

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ix. Não é obrigatória a vírgula, mas pode colocar-se antes de oração iniciada pelo relativo
que, se, com isso, lucrar a clareza do período: – Aqui, há algumas lições, que não são
fáceis.

Ponto e vírgula (;): denota uma pausa um pouco maior do que a da vírgula e separa elementos
coordenados da frase, quando têm alguma extensão e a vírgula é pausa insuficiente. Exemplos:
Entre as melhores praias de Maputo, está Macaneta; entre as de Gaza, Bilene.

Dois pontos (:): denotam uma pausa maior do que a do ponto e vírgula. Eis as regras de aplicação:
i. Antepõem-se a uma citação. – Lembro-me da minha professora: ouro puro é o que
passa pelo teste do fogo.
ii. Antes de uma enumeração. – Aqui, temos as consequências da preguiça: miséria,
descrédito e vícios.
iii. Depois de uma enumeração, se esta inicia a frase: – A miséria, o descrédito os vícios:
tais são as consequências da preguiça.

Ponto de interrogação (?): coloca-se no fim de frase interrogativa, ainda que seja seguida de
outra frase, dentro do mesmo período: – Quantos meses tem o ano? – Que te disse o teu irmão? –
perguntei eu.

Ponto de admiração ou exclamação (!): coloca-se no fim de frase que exprime comoção súbita,
surpresa, dor, prazer, etc.: – Que coisa horrível! Coitados dos pobres!
Também, emprega-se depois das interjeições: – Ah! Ai! Oh!

Reticências (…): denotam suspensão da expressão do pensamento, deixando ao leitor adivinhar a


palavra ou as palavras omitidas: – A bom entendedor… Diz-me com quem andas, que…

Travessão (–): emprega-se, especialmente, quando se pretende distinguir cada um dos


interlocutores, formando períodos as palavras de cada um:
– Por que não quiseste jantar?
– Porque jantei em casa do primo.

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– Então, vem cear.

Parêntese ou parêntesis ( () ): denota abaixamento da voz, na leitura, e serve para separar palavras
ou frases que não façam propriamente parte do discurso, ou esclareçam o assunto: – O irmão mais
novo (o outro já não existia) tomou conta das propriedades.

Aspas («»): indicam transcrição literal de um texto. São colocadas no princípio e no fim da
transcrição. Algumas vezes, empregam-se no princípio de cada linha do texto transcrito. Também,
servem para abrir e fechar as palavras ou frases com que se exemplifica uma regra ou doutrina.

Traço de união ou hífen (-): tem aplicação nos seguintes caos:


i. unir os elementos duma palavra composta: cor-de-rosa.
ii. unir os últimos elementos de formas verbais: ter-me-ei, lavar-te-ei, reprovar-te-ei.
iii. ligar as formas monossilábicas: hei, hás, heis, hão, do verbo haver, à proposição de: hei-
de passar, há-de chegar…
iv. separar o m e o l nas palavras compostas de bem 4 e mal5: bem-estar, mal-afortunado.
v. indicar, no fim da linha, a divisão de uma palavra, da qual parte passa para a linha
seguinte.

Nota
Se a palavra que se divide já de si contém traço de união, como anglo-luso, e se a parte que passa
é luso, repete-se o traço de união na linha imediata.
Quando a palavra a dividir tiver consoantes iguais, uma delas ficará no fim da linha e a outra no
princípio da linha imediata: ter-ra, pas-sar.
Se na palavra entra o prefixo, ex, fica este completo no fim da linha: ex-celente.
Duas vogais consecutivas são inseparáveis, ainda que não sejam ditongo 6: rai-nha, voar, famí-lia.
Parágrafo (§): é formado por dois ss entrelaçados, que são as iniciais de duas palavras latinas,
significativas do sinal de separação. Constitui cada uma das pequenas secções de um escrito;

4 Esta palavra é separada por hífen do segundo elemento, quando este começar, sobretudo, por vogal ou h: bem-
aventurado; bem-humorado.
5 Também seguido de hífen, quando o segundo elemento começar por vogal ou h: mal-agradecido, mal-humorado.
6 Ditongo é a combinação de duas vogais pronunciadas por um só esforço de voz.

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começa por letra maiúscula, um pouco além do ponto em que começam as outras linhas. Também,
pode distinguir numericamente as subdivisões de um capítulo, de um livro, de um tratado: – §1.o,
§2.o, §10o, etc.

Chave ou chaveta (}): servem para indicar as partes ou divisões de um assunto.


Alínea ( a) ): serve para distinguir ou enumerar as diferentes partes de um assunto, ocupando, cada
uma, uma linha independente. Exemplos:
As palavras variáveis da gramática são:
a) substantivos;
b) artigos;
c) adjectivos;
d) numerais;
e) pronomes;
f) verbos.

Por vezes, as alíneas são substituídas por números Por exemplo:


– As palavras invariáveis da gramática são:
1.o – preposições;
1.o – advérbios;
1.o – conjunções
1.o – interjeições.

Referência bibliográfica
RELVAS, José Maria. Gramática portuguesa. 2a edição revista, actualizada e aumentada. (n.d.).