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MODELO DE GESTÃO SOCIAL

O modelo de gestão societal (ou de gestão social) pode ser vislumbrado como uma opção ao modelo
gerencialista (aquele que enxerga as organizações públicas a partir da ótica da administração privada).

Essa proposta encontra reflexo em algumas experiências alternativas de gestão pública – como, por
exemplo, os Conselhos Gestores e os arranjos institucionais mais participativos –, que construiu os seus
ideais nos movimentos ocorridos em prol da redemocratização, no final dos anos 1980.

O tema central desses movimentos passou a ser a reivindicação da participação popular na gestão pública,
oferecendo várias propostas para constarem da nova Constituição, que seria promulgada em 1988.

Para Farias (2009), as premissas básicas dessas propostas têm origem no questionamento do papel de
protagonista do Estado na vida política do País e no questionamento de o público ser sinônimo de
estatal, propondo uma nova relação entre Estado e sociedade.

A partir de 1990, multiplicam-se, no País, várias propostas inovadoras de gestão pública com a
participação da sociedade, propondo uma combinação entre a democracia representativa e a
democracia participativa.

Nesse cenário, passa a ser proposto e desenvolvido um modelo que defende uma esfera pública não
estatal, com a constituição de espaços públicos de negociação e deliberativos.

Além disso, advoga o desenvolvimento de novos formatos institucionais que possibilitem a cogestão e
a participação dos cidadãos nas decisões públicas, que têm nas redes o seu principal apoio de gestão,
embora não o único.

Na gestão social, a visão tecnocrática será substituída por um gerenciamento mais participativo, com a
inclusão dos diferentes sujeitos sociais, resgatando o papel do cidadão na formulação e na avaliação
das políticas públicas.

Esse modelo pressupõe, segundo Tenório (1998), uma ação política deliberada, em que o sujeito social
participa do processo decisório, exercendo o direito de ser sujeito do seu próprio destino como eleitor,
trabalhador e consumidor.

O conceito de gestão social deve ser compreendido como um conjunto de processos em que a ação
gerencial se desenvolve por meio de uma interação negociada entre os atores sociais, perdendo o
caráter burocrático em função da relação direta entre o processo de gestão e a participação,
possibilitando o uso de esquemas organizacionais diferenciados e múltiplos centros de participação
social e política. Esse conceito é fruto de discussões efetuadas no Programa de Estudos de Gestão Social
da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas.

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Integrando esses conceitos à gestão democrática nas escolas, a questão fundamental passa a ser a
divisão do trabalho politicamente pactuada entre os segmentos interessados no processo de ensino-
aprendizagem, representados pelas suas esferas pública e privada.

Há a necessidade de redefinir os objetivos, o espaço de atuação, o tamanho, a estrutura, as funções,


os recursos e as prioridades da escola, e o seu relacionamento com as demais instituições sociais e com
os indivíduos a partir de um pacto estabelecido entre todos os atores sociais.

A tarefa de dirigir e executar uma unidade escolar é bastante complexa e delicada, não devendo ficar
restrita à figura do gestor escolar. Por isso, é fundamental buscar a colaboração e o apoio de toda a
comunidade, englobando professores, alunos, funcionários, pais e demais pessoas que interagem com
a escola.

Isso implica ampliar o conceito de público, abandonando a ideia limitada de que público significa
governamental. Portanto, os pressupostos da gestão social desenham o desafio de buscar novos
mecanismos de gestão político-institucional que descentralize as decisões. Nesse sentido, também
demanda uma gestão escolar que exerça mais a liderança que o controle, que permita mais a
criatividade e a inovação que a supervisão dos meios e processos.

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