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MEDICINA LEGAL APLICADA

À INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Profa. Me. Larissa Comparini da Silva Nascimento

UNIASSELVI-PÓS
Programa de Pós-Graduação EAD
CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito
Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC
Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090

Reitor: Prof. Hermínio Kloch

Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol

Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD:


Carlos Fabiano Fistarol
Ilana Gunilda Gerber Cavichioli
Jóice Gadotti Consatti
Norberto Siegel
Camila Roczanski
Julia dos Santos
Ariana Monique Dalri
Marcelo Bucci

Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais

Diagramação e Capa:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Copyright © UNIASSELVI 2019


Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.

N244m

Nascimento, Larissa Comparini da Silva

Medicina legal aplicada à investigação criminal. / Larissa Com-


parini da Silva Nascimento. – Indaial: UNIASSELVI, 2019.

108 p.; il.

ISBN 978-85-7141-296-5
1. Medicina legal – Brasil. 2. Criminalística – Brasil. 3. Investigação
criminal – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 345.8105

Impresso por:
Sumário

APRESENTAÇÃO...........................................................................05

CAPÍTULO 1
Introduçâo Á Medicina Legal......................................................07

CAPÍTULO 2
Ciências Forenses – Parte I........................................................41

CAPÍTULO 3
Ciências Forenses – Parte II.......................................................77
APRESENTAÇÃO
O livro da disciplina de Medicina Legal Aplicada à Investigação Criminal para
auxiliar na compreensão e entendimento do acadêmico no assunto.

A Medicina Legal é a base primordial na perícia técnico-científica e nas


ações demandadas pelos juizados nas diferentes esferas judiciais, sendo utilizada
como parâmetro, principalmente para elucidar casos como estupro, homicídios,
suicídios, lesões corporais nos mais diversos graus, entre outros.

As diferentes causas de morte em cadáveres encontrados hoje em dia


possivelmente só podem ser elucidadas através do seu estudo e compreensão.

Ao longo do livro, você, acadêmico, poderá conhecer e assimilar melhor os


conhecimentos já obtidos durante sua graduação, seja na área do Direito Penal,
Direito Civil, Direito Trabalhista ou Direito Familiar.
C APÍTULO 1
INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Saber: conceitos básicos pertinentes a perícia, elaboração de laudos e


pareceres técnicos, distinção das diferenças na Medicina Legal.

 Fazer: elaborar laudos e pareceres técnicos; distinguir as diferenças entre os


cargos dentro da área pericial; analisar e compreender os objetos de estudo
que envolvam as perícias.

A proposta do nosso módulo é: familiarizar você, acadêmico, com a


terminologia utilizada na Medicina Legal e em ciências forenses correlatas;
enfatizar a importância e a interligação das ciências médico-forenses com o
Direito; auxiliar no entendimento das leis e materiais processuais relacionados à
Medicina Legal; auxiliar o acadêmico a ler, entender e interpretar as funções dos
peritos e assistentes técnicos, assim como de outros auxiliares de Justiça.
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
A Medicina Legal é uma área da Medicina aplicada ao estudo do Direito,
como forma de prova pericial, laudo necroscópico ou cadavérico, elucidação de
crimes sexuais, agressões e maus-tratos. Seu objeto de estudo normalmente é o
ser vivo, ou cadáver, que sofreu algum tipo de crime.

Durante seu estudo, será possível analisar conceitos básicos, tais como:
pericias, laudos, diferenças entre peritos, assistentes técnicos e auxiliares,
tipos de morte e de lesões (perfurocortantes, por esganadura, enforcamento,
asfixia, afogamento, por arma de fogo, por agressão). Ao final do módulo, você,
acadêmico, terá facilidade na interpretação e redação de laudos e processos
dentro de sua área de atuação.

Para França (2017), a Medicina Legal é vista como “a contribuição médica


e da tecnologia e ciências afins às questões do Direito, na elaboração das leis,
na administração judiciária e na consolidação da doutrina”; ou como “o conjunto
de conhecimentos médicos e paramédicos destinados a servir ao Direito e
cooperando na elaboração do laudo pericial, auxiliando na interpretação e
colaborando na execução dos dispositivos legais no seu campo de ação aplicado
à medicina”.

Neste capítulo, vamos abordar temas distintos, como: diferenças entre


peritos, perícias e assistentes técnicos; diferenças periciais e conceitos utilizados
na Medicina Legal.

2 DIFERENÇAS ENTRE PERITOS,


PERÍCIAS E ASSISTENTES TÉCNICOS
Nesse contexto, vamos abordar as diferenças primordiais entre cada função
na área da perícia, visando esclarecer possíveis dúvidas:

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

2.1 Peritos

A denominação de perito é dada ao auxiliar da Justiça, sendo


esse uma pessoa hábil que tenha conhecimento em determinada
área técnica ou científica, nomeada por autoridades competentes e
que devem esclarecer um fato de natureza duradoura ou permanente.
O perito presta serviços à Justiça e é isento de sigilo profissional,
pois tem o dever de informar ao juiz sobre o fato do ponto de vista
técnico (ORNESTI, 2012).

O Código de Processo Civil cita dezenas de vezes o termo perito, sendo por
ele classificado como o cidadão que irá produzir um relatório para constar como
prova no processo. O perito representa a Justiça na prova/ perícia judicial.

A nomeação é realizada por autoridade policial ou judiciária. Hoje, admitem-


se em processos penais os peritos particulares ou assistentes técnicos, conforme
mostra o artigo 421 da Lei no 8.455 (BRASIL, 1992).

Art. 421 – o juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo


para entrega do laudo (Redação dada pela Lei n° 8.455, de
24.08.1992)
S1° Incumbe as partes, dentro em 05 (cinco) dias, contados da
intimação do despacho de nomeação do perito:
I - Indicar o assistente técnico;
II - Apresentar os quesitos;
O perito é qualquer pessoa capaz para alvos da vida civil com conhecimento
técnico-formal, idônea e hábil, podendo ser substituída durante o processo se for
verificado que não possui conhecimento técnico-científico para o caso ou deixar
de prestar o compromisso.

Existem impedimentos para determinados casos, sendo assim, não podem


exercer a função de perito: o incapaz, pois não é apto para o exercício de seus
direitos civis, além de não possuir conhecimento técnico-científico; pessoas
impedidas (CPC, art. 144 – sendo testemunhas, cônjuges, ou qualquer outro
parente, em linha reta ou colateral até o 3° grau), e nos casos de suspeição (CPC,
art. 145 – o amigo íntimo ou inimigo capital de uma das partes).

Os peritos podem ser oficiais ou não oficiais (respectivamente, funcionários


públicos ou particulares). O exame de corpo de delito e as perícias em geral

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

são realizados pelo perito, apreciador técnico, assessor do juiz com a função de
fornecer dados instrutórios de ordem técnica e proceder a verificação e formação
do corpo de delito. A perícia deve ser realizada por perito oficial, o que constitui a
regra.

Não havendo o perito oficial, o exame deve ser realizado por duas pessoas
idôneas que, obrigatoriamente, devem ser portadoras de nível superior. Devem
ainda ser escolhidas, de preferência, entre aquelas que tiverem habilitação
técnica relacionada à natureza do exame, por exemplo: médicos para exames
necroscópicos e de lesão corporal, engenheiros para avaliação de imóveis, entre
outros.

“o perito não defende nem acusa. Sua função é verificar o fato e indicar a
causa que o motivou...” (visum et repertum) (ORNESTI, 2012).

2.1.1 PreVisÃo Legal dos Peritos


OFiciais (Direito Penal) CÓdigo de
Processo Penal

O artigo a seguir prevê no Código de Processo Penal as condições sobre


realização do exame de corpo de delito, que primeiramente deve ser realizado
por Perito Médico-Legal e no caso de não haver o mesmo, deve ser realizado por
duas pessoas idôneas, capacitadas e especializadas para tal fim.

Art. 159. O exame de corpo de delito de outras pericias


serão realizados por perito oficial, portador de diploma
de curso superior.
S 1°. Na falta de perito oficial, o exame será realizado
por 02 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma
de curso superior preferencialmente na área especifica,
dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada
com a natureza do exame.
S 2° os peritos não oficiais prestarão o compromisso de
bem e fielmente desempenhar o encargo.
S 3° serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente
de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado
a formulação dos quesitos e indicação de assistente
técnico.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

2.1.2 PreVisÃo Legal dos Peritos


OFiciais (Direito CiVil) CÓdigo de
Processo CiVil
Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento
técnico ou cientifico, o juiz será assistido por perito, segundo o
disposto no Art. 421.
S 1° os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível
universitário, devidamente inscritos no órgão de classe
competente, respeitando o disposto no Livro I, Título VIII,
Seção VII, deste Código.
S 2° os peritos comprovarão sua especialidade na matéria
sobre a qual deverão opinar, mediante certidão do órgão
profissional em que estiverem inscritos.
S 3° nas localidades onde não houver profissionais qualificados
que preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a
indicação dos peritos será de livre escolha do juiz.

2.1.3 PreVisÃo Legal dos Peritos


OFiciais (Direito TraBalHista) CÓdigo
de Leis TraBalHistas
Art. 195. A caracterização e a classificação da insalubridade
e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do
Trabalho, far-se-ão através de perícia a cargo do Médico do
Trabalho ou Engenheiro do Trabalho registrados no Ministério
do Trabalho.

2.1.4 DeVeres do Perito


Aceitar o encargo de executar a perícia, exercer a função, respeitar os
prazos, comparecer às audiências desde que intimado com antecedência de
cinco dias, sob pena de condução coercitiva, fornecer informações verídicas
(dever com lealdade);

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

Segundo Tourinho (1994), prova é o elemento demonstrativo da


autenticidade ou da veracidade de um fato. Seu objetivo é “formar
a convicção do juiz sobre os elementos necessários para a decisão
da causa”. O objeto de sua apreciação são todos os fatos, principais
ou secundários, que demandam uma elucidação e uma avaliação
judicial. Tão grande é a importância da prova, que se pode afirmar
que todo processo consiste nela. É o norte que aponta o rumo da
lide. A prova é a voz do fato. Chama-se prova proibida aquela que é
obtida por meios contrários à norma. Diz-se que ela é ilícita quando
agride uma regra de direito material e de ilegítima quando afronta
princípios da lei processual.

A avaliação da prova pode ser feita por três sistemas conhecidos:

1. Sistema legal ou tarifado: em que o juiz se limita a comprovar o resultado


das provas e cada prova tem um valor certo e preestabelecido;
2. Sistema da livre convicção: em que o magistrado é soberano, julga
segundo sua consciência e não está obrigado a explicar as razões de sua decisão;
3. Sistema da persuasão racional: quando o juiz forma seu próprio
convencimento baseado em razões justificadas.

Este último é o sistema adotado entre os peritos. Nele, mesmo que o juiz não
esteja adstrito às provas existentes nos autos, terá que fundamentar sua rejeição.
A sentença terá que discutir as provas ou indicar onde se encontram os fatos
do convencimento do juiz. O artigo 157 do Código de Processo Penal diz que o
juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova. Não se deve confundir
convicção íntima com livre convencimento do juiz na apreciação das provas.
Dessa forma, o livre convencimento do julgador não é um critério de valoração
alternativo secundum conscientizam, mas um princípio racional e metodológico
que o leva a aceitar ou rejeitar um resultado pericial capaz de fundamentar sua
decisão. A avaliação da prova deve ter o mesmo sentido que tem a decisão judicial:
sem motivação ideológica ou emocional, mas tão só baseada na racionalidade
e na lei. Assim, ao julgador não se pede uma certeza absoluta, senão que ele
encontre a solução mais racional e a juridicamente mais correta para a lide. Não
pode ele operar com meras probabilidades ou conjecturas.

Considerando-se o princípio constitucional expresso no artigo 5o – II que diz:


“ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude
de Lei” e, ainda, o que assegura o STF dizendo “ninguém pode ser coagido ao
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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

exame ou inspeção corporal, para a prova cível” (RJTJSP 99/35, 111/350, 112/368
e RT 633/70), está evidente que ninguém é obrigado a ser submetido a qualquer
tipo de exame pericial sem sua permissão. Mesmo que se trate de matéria de
ordem pública, em que o interesse comum prepondera ao do particular, ainda
assim a averiguação da verdade não pode nem deve se sobrepor aos direitos e
ao respeito que se impõem ao examinado, que venha a se omitir ou a se deixar
examinar. Não cabe dizer que “os fins justificam os meios”.

2.1.5 Cadastro Do Perito –


AuXiliar De Justiça
Para questões civis, pode haver um cadastro de peritos, conforme estabelece
o Código de Processo Civil, quando assim se expressa:

Art. 156 – O juiz será assistido por perito quando a prova do


fato depender de conhecimento técnico ou científico.
§ 1º – Os peritos serão nomeados entre os profissionais
legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos
devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao
qual o juiz está vinculado.
§ 2º – Para formação do cadastro, os tribunais devem realizar
consulta pública, por meio de divulgação na rede mundial
de computadores ou em jornais de grande circulação, além
de consulta direta a universidades, a conselhos de classe,
ao Ministério Público, à Defensoria Pública e à Ordem dos
Advogados do Brasil, para a indicação de profissionais ou de
órgãos técnicos interessados.
§ 3º – Os tribunais realizarão avaliações e reavaliações
periódicas para manutenção do cadastro, considerando a
formação profissional, a atualização do conhecimento e a
experiência dos peritos interessados.
§ 4º – Para verificação de eventual impedimento ou motivo de
suspeição, nos termos dos artes. 148 e 467, o órgão técnico
ou científico nomeado para realização da perícia informará ao
juiz os nomes e os dados de qualificação dos profissionais que
participarão da atividade.
§ 5º – Na localidade onde não houver inscrito no cadastro
disponibilizado pelo tribunal, a nomeação do perito é de
livre escolha do juiz e deverá recair sobre profissional ou
órgão técnico ou científico comprovadamente detentor do
conhecimento necessário à realização da perícia.

O caput deste artigo se refere ao termo “perito” de forma generalizada,


pois a perícia será definida a partir do objeto da perícia. Quando se diz que o
juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia, ou seja, na área de
especialidade, nos parece que não se trata de especialidades médicas e sim de

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

pessoas que atuem na área de conhecimentos técnicos pertinentes ao tipo de


perícia desejada, portanto não há impedimento legal ou ético para que o médico,
quando devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina da sua
jurisdição e que se sinta capacitado a realizar perícia médica, seja nomeado como
perito do juiz. Desta forma, entendemos que o cadastro de peritos especialistas
dos Tribunais poderá ser feito a partir da lista de médicos inscritos no CRM
independentemente de ter ou não o Registro de Qualificação de Especialidade
em Medicina Legal ou Perícia Médica (ver o Parecer CFM nº 45/2016).

2.1.6 Direitos do Perito


Escusar-se do encargo, pedir prorrogação de prazos, receber informações,
ouvir testemunhas, verificar documentos de qualquer lugar, ser indenizado das
despesas relativas do serviço prestado e receber honorários condizentes com o
trabalho.

2.1.7 Falsa Pericia


O perito será penalizado judicialmente, conforme previsto no art. 342 do
Código de Processo Civil, nos casos onde ocorrer comunicação de falsa pericia,
alcançando peritos oficiais e não-oficiais, negando a verdade ou fazendo falsa
afirmação sobre o caso, ou até mesmo silenciando sobre pontos importantes para
a elucidação do caso.

2.2 Assistente TÈcnico


Segundo o Código de Processo Civil, o assistente técnico é o profissional
que representará a parte na perícia, sendo, portanto, alguém de sua confiança.
O pagamento dos honorários do assistente técnico será efetuado diretamente
pela parte contratante. Este profissional tem como função acompanhar o trabalho
pericial, fiscalizando-o em nome da parte que o constituiu.

Segundo o Código de Processo Civil, Art. 429 – para o desempenho de sua


função, podem o perito e os assistentes técnicos utilizar-se de todos os meios
necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos
que estejam em poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o
laudo com plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

O assistente técnico atua através de parecer técnico, ou elaboração de


quesitos ao Perito Judicial ou Oficial. Esses quesitos são elaborados após o
despacho de nomeação do perito, a intimação do despacho, em que em cinco dias
as partes devem indicar o assistente técnico, e formular os quesitos ao perito. Os
mesmos também podem ser elaborados como suplemento após o laudo do perito.

“Art. 425 do Código de Processo Civil – poderão as partes apresentar,


durante a diligência, quesitos suplementares. Da juntada dos quesitos aos autos
dará o escrivão ciência à parte contrária” (BRASIL, 2002)

Não há referência no Código de Processo Civil ao termo Perito Assistente,


porém, ouve-se a expressão em diversas regiões do País. Alguns dizem perito
assistente para designar o assistente técnico. O ideal é não utilizar a nomenclatura
supracitada, para não haver dúvidas.

2.3 PerÍcia
O termo Perícia é designado como o meio de prova feita pela atuação de
técnicos ou doutos promovida pela autoridade policial ou judiciaria com a finalidade
de esclarecer a justiça sobre o fato de natureza duradoura ou permanente.

Segundo França (2017), a perícia, segundo seu modo de realizar-se, pode


ser sobre o fato a analisar (perícia percipiendi) ou sobre uma perícia já realizada
(perícia deducendi), o que para alguns constitui-se em um parecer. Assim, a
perícia percipiendi é aquela procedida sobre fatos cuja avaliação é feita baseada
em alterações ou perturbações produzidas por doença ou, mais comumente,
pelas diversas energias causadoras do dano. Ou seja, perícia percipiendi é aquela
em que o perito é chamado para conferir técnica e cientificamente um fato sob
uma óptica quantitativa e qualitativa. E por perícia deducendi, a análise feita sobre
fatos pretéritos com relação aos quais possa existir contestação ou discordância
das partes ou do julgador. Aqui o perito é chamado para avaliar ou considerar
uma apreciação sobre uma perícia já realizada.

Todavia, tanto na perícia percipiendi como na deducendi existe o que se


chama de parte objetiva e parte subjetiva. A parte objetiva é aquela representada
pelas alterações ou perturbações encontradas nos danos avaliados. Estas, é claro,
como estão baseadas em elementos palpáveis ou mensuráveis, vistas por todos,
não podem mudar. Essa parte é realçada na descrição. No entanto, a avaliação
dos elementos da parte objetiva pode levar, no seu conjunto, a raciocínios
divergentes e contraditórios, por exemplo, em se determinar a causa jurídica de
morte (homicídio, suicídio ou acidente), e onde possam surgir conceitos e teorias
discordantes. Essa parte subjetiva é sempre valorizada na discussão.
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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

A perícia tem como finalidade levar o conhecimento técnico ao juiz,


produzindo provas para auxiliá-lo em seu livre convencimento e levar ao processo
a documentação técnica dos fatos, o qual é feito através de documentos legais.

De acordo com estudos realizados por França (2017), as perícias de


natureza criminal estão reguladas pela Lei no 12.030, de 17 de setembro de 2009,
estabelecendo como normas gerais que “no exercício da atividade de perícia
oficial de natureza criminal, é assegurada autonomia técnica, científica e funcional,
exigido concurso público, com formação acadêmica específica, para o provimento
do cargo de perito oficial” (BRASIL, 2009). Mais: “Em razão do exercício das
atividades de perícia oficial de natureza criminal, os peritos de natureza criminal
estão sujeitos a regime especial de trabalho, observada a legislação específica de
cada ente a que se encontrem vinculados”. E finalmente que

observado o disposto na legislação específica de cada


ente a que o perito se encontra vinculado, são peritos
de natureza criminal os peritos criminais, peritos médico-
legistas e peritos odontologistas com formação superior
específica detalhada em regulamento, de acordo com
a necessidade de cada órgão e por área de atuação
profissional (BRASIL, 2009).

Nas ações penais, o laudo médico-legal não é documento sigiloso. É


uma peça pública, como o boletim de ocorrência e o inquérito policial ao qual
ele é anexado. Quando a autoridade policial acredita que sua divulgação pode
prejudicar o andamento da investigação, solicita a um juiz que decrete segredo
de Justiça sobre o caso. Nas ações penais privadas, apenas o juiz nomeará o
perito, e tal fato não o coloca vinculado à perícia e, por isso, não ficará ele adstrito
ao laudo, podendo aceitar ou rejeitá-lo no todo ou em parte (sistema do livre
convencimento). Com as modificações do artigo 159 do Código de Processo Penal
(Lei no 11.690, de 9 de junho 2008), o exame de corpo de delito e outras perícias
poderão ser realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior, e
na sua falta pode-se contar com duas pessoas idôneas, “portadoras de diploma
de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem
habilitação técnica relacionada com a natureza do exame”. Como inovação o fato
de ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante
e ao acusado o direito da formulação de quesitos e a indicação de assistente
técnico; essa indicação do assistente técnico dar-se-á a partir de sua admissão
pelo juiz e após a conclusão dos exames, elaboração do laudo pelos peritos
oficiais e conhecimento das partes. Quando se tratar de perícia complexa poder-
se-á designar mais de um perito oficial e a parte indicar mais de um assistente
técnico. Entende-se por perícia complexa aquela que abranja mais de uma área de
conhecimento especializado. Nas perícias de natureza civil, o juiz pode nomear o
perito tendo as partes cinco dias, depois da intimação de despacho de nomeação

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

de perito, a faculdade de indicar assistentes e apresentarem quesitos. O perito


apresentará laudo em cartório, no prazo fixado pelo juiz, até vinte dias antes da
audiência de instrução de julgamento. Os assistentes técnicos entregarão seus
pareceres dez dias após a apresentação do laudo do perito, sem necessidade de
intimação.

As pericias devem ser realizadas o mais rápido possível, respeitando


algumas situações:

• Exame necroscópico: mínimo seis horas;


• Exame de lesão corporal: mínimo de 30 dias
• Nomeação do Juiz: até 10 dias, com exceção em casos de: cessação
de periculosidade (um mês ou 15 dias); incidente ou insanidade (até
45 dias); dilação solicitada pelos peritos; de acordo com o Código de
Processo Penal.
• Prazos determinados pelo Juiz, respeitando, algumas exceções: dilação
solicitada pelo perito do juízo; 10 dias a mais para os assistentes
técnicos; de acordo com o Código de Processo Civil.

O perito deve ser neutro em todas as situações as quais é exposto, de acordo


com o previsto:

• Suspeição: o perito não pode ter vínculo com nenhuma das partes
envolvidas no processo;
• Impedimento: o perito não pode ter relação de interesse com o objeto do
processo;
• Incompatibilidade: o perito por outras razões de conveniência previstas
nas leis de organização judiciária;

Situações previstas em lei, nos artigos: arts. 252, 253 e 254 do Código de
Processo Penal e nos arts. 134 e 135 do Código de Processo Civil.

2.3.1 DiFerenciaçÃo das PerÍcias


A seguir vamos descrever as diferenças entre os tipos de pericias existentes.

2.3.1.1 PerÍcia MÉdica


Ocorre quando a perícia em questão versa sobre questões médicas,
tendo a necessidade de um perito médico. São requisitadas pelas autoridades

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

competentes (normalmente Juiz), salvo se a mesma se faz necessária na fase


de inquérito, quando será solicitada pela autoridade policial. Pode ser requisitada
em qualquer fase do processo, isto e, na instrução, no julgamento ou até mesmo
na execução. São pericias médicas: as pericias psiquiátricas, psicológicas,
psicanalíticas, necroscópicas, traumatológicas, entre outras.

2.3.1.2 PerÍcia NÃo MÉdica


Ocorrem normalmente na avaliação de imóveis, documentos contábeis,
processos e produtos químicos, ambientes administrativos, entre outros. Sendo
realizadas por profissionais qualificados dentro da esfera requerida. É utilizada
em foros civis, criminais e trabalhistas:

• Criminais: atua quando se trata de identificação de pessoas, identificação


de espécie animal, determinação de morte, prova de virgindade ou
conjunção carnal, diagnóstico de lesões corporais e dos instrumentos ou
meios que causaram, apreciação do estado mental do criminoso ou da
vítima.
• Civis: visa documentar situações para favorecer a aplicação do Código
Civil, declarar a insanidade de pessoas para fins de interdição de
direitos, prova de impotência cuendi, visando anulação de casamento,
investigação de paternidade, entre outras causas.
• Trabalhistas: estuda os acidentes de trabalho, as lesões que
ocorreram no trabalho, avalia o grau de incapacidade resultante do
acidente, estabelece o nexo da causa e efeito, analisa a insalubridade,
periculosidade de determinado local, entre outros.

Todo e qualquer exame elaborado por médicos, destinados ao uso judicial são
denominados Perícias Médico-Legais; já os exames elaborados por profissionais
de outras áreas, desde que destinados à prova em juízo, são denominadas
pericias.

As perícias podem ser diretas (onde os exames são realizados diretamente


nas vítimas), ou indiretas (exames realizados através de documentos, fichas
hospitalares, autos processuais).

Existem três tipos de perícias a serem estudados:

• Percipiendi: ou perícia de retratação, é feita através de narração


minuciosa do fato observado pelo perito “visum et repertum”.
• Deduciendi: ou perícia interpretativa, é realizada através da interpretação
dos fatos e das circunstancias que levarão a uma conclusão técnica.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

• Opinativa: é a perícia composta por um parecer do assistente especialista


no assunto.

As perícias podem ser retrospectivas, onde analisam e relatam fatos ocorridos


no passado, visando perpetuar as provas, fornecendo provas ao processo. Ou,
prospectivas, onde analisam situações presentes que levarão a efeitos futuros,
principalmente na esfera de benefícios INSS, periculosidade e insalubridade,
entre outros.

2.3.2 EXame de CorPo de Delito e


CorPo de Delito
O corpo de delito é a soma dos elementos e vestígios encontrados no local
dos fatos, nos instrumentos utilizados, nas peças encontradas, nos objetos vivos
ou mortos.

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de


corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado
(Código de Processo Civil).

Em delitos que deixam vestígios, então, necessariamente deverá existir


exame pericial, sob a pena de nulidade processual.

O exame de corpo de delito é todo exame relacionado a um fato criminoso,


inclusive aqueles feitos nos laboratórios da Policia Cientifica.

• Vivos: a perícia é realizada nos casos como violência sexual, conjunção


carnal, atos libidinosos, gravidez, parto, lesão corporal, estimativa de
idade, dosagem alcoólica, exames toxicológicos, infortúnios do trabalho.
• Cadáveres: a perícia indicará a realidade da morte, causa da
morte, necropsia em mortes violentas e suspeitas, cronologia da
morte, identificação, exames toxicológicos das vísceras e outros
complementares.
• Esqueleto: a perícia é realizada para identificação antropológica, sexo,
estatura, idade, achados da violência.
• Locais e Objetos: a perícia é realizada em impressões digitais, armas de
fogo, manchas em vestes e em instrumentos.

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Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

3 MEDICINA LEGAL
Segundo França (2017), a Medicina Legal é uma ciência de largas proporções
e de extraordinária importância no conjunto dos interesses da coletividade, porque
ela existe e se exercita cada vez mais em razão das necessidades da ordem
pública e do exercício social.

É uma especialidade concomitantemente médica e judiciária que utiliza


conhecimentos técnico-científicos da medicina para o esclarecimento de fatos
de interesse da Justiça. O especialista medico praticante é denominado médico
legista.

Variam as definições, conforme os autores. Algumas delas:

"É a contribuição da medicina e da tecnologia e ciências afins às questões do


Direito, na elaboração das leis, na administração judiciária e na consolidação da
doutrina" (FRANÇA, 2017).

"Arte de pôr os conceitos médicos a serviço da administração da Justiça"


(Lacassagne).

"A aplicação dos conhecimentos médico-biológicos na elaboração e


execução das leis que deles carecem" (Flamínio Fávero).

"É o conjunto de conhecimentos médicos e paramédicos, destinados a servir


ao Direito e cooperando na elaboração, auxiliando na interpretação e colaborando
na execução dos dispositivos legais no seu campo de ação de medicina aplicada"
(Hélio Gomes).

Hélio Gomes (1958) acervava que:

não basta um médico ser simplesmente um médico para que se


julgue apto a realizar perícias, como não basta um médico ser
simplesmente médico para que faça intervenções cirúrgicas.
São necessários estudos mais acurados, treino adequado,
aquisição paulatina da técnica e da disciplina. Nenhum
médico, embora iminente, está apto a ser perito pelo simples
fato de ser médico. É-lhe indispensável educação médico-
legal, conhecimento da legislação que rege a matéria, noção
clara da maneira como deverá responder aos quesitos, prática
na redação dos laudos periciais. Sem esses conhecimentos
puramente médico-legais, toda a sua sabedoria será improfícua
e perigosa.
A Medicina Legal não se preocupa apenas com o indivíduo enquanto vivo,
mas alcança-o ainda quando ovo e pode vasculha-lo muitos anos depois, na

21
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

escuridão da sepultura. É muito mais uma ciência social do que propriamente


um capítulo da medicina, devido à sua preocupação no estudo das mais diversas
formas de convivência humana e do bem comum. Como podemos observar na
Figura 1, nos primórdios, as autópsias ou necropsias eram realizadas de forma
precária, sem os devidos equipamentos de proteção individual e em qualquer
lugar.

Desde os primórdios da humanidade, existe a curiosidade sobre o corpo


humano suas formas e funções, assim como se faz necessário o entendimento da
causa mortis do indivíduo, seja por causa natural ou não.

Figura 1 – Autópsia, 1890 (Enrique Simonet)

Fonte:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Medicina_legal#/media/File:Enrique_
Simonet_-_La_autopsia_1890.jpg. >. Acesso em: 7 nov. 2018.

3.1 ClassiFicaçÃo
A Medicina Legal pode ser classificada e subdividida da seguinte forma:

3.1.1 Medicina Legal Geral


• Medicina Legal Legislativa – contribui para a elaboração de leis, regendo
o Direito Constituendo;
• Medicina Legal Pericial – é a realização das perícias médicas em todos
os campos do Direito, regendo o Direito Constituído;

22
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

• Deontologia e Diceologia Médicas regem a Jurisprudência Médica;


• Medicina Legal Especial – é a realização de perícias para atender ao
Código Penal.

3.1.2 Medicina Legal EsPecial


A Antropologia médico-legal: estuda a identidade e a identificação médico-
legal e judiciária.
A Traumatologia médico-legal: estuda as lesões corporais sob o ponto de
vista jurídico.
A Sexologia médico-legal: estuda sexualidade do ponto de vista normal,
anormal e criminoso.
A Tanatologia médico-legal: estuda a esfera que cuida da morte e dos
fenômenos as ela relacionados.
A Toxicologia médico-legal: estuda os cáusticos e venenos.
A Asfixiologia médico-legal: estuda e detalha aspectos da asfixia.
A Psicologia médico-legal: estuda e analisa o psiquismo normal e as causas
que podem deformar a capacidade de entendimento da testemunha, da confissão,
do delinquente e da vítima.
A Psiquiatria médico-legal: estuda transtornos mentais e problemas da
capacidade civil, do ponto de vista médico-forense.
A Criminalística: estuda e investiga tecnicamente os indícios materiais do
crime.
A Criminologia: estuda e preocupa-se com aspectos da crimino gênese, do
criminoso da vítima e do ambiente.
A Infortunística: estuda os acidentes e doenças de trabalho.
A Genética médico-legal: estuda e especifica questões voltadas ao vínculo
genético e à identificação médico-legal.
A Vitimologia: estuda e trata da vítima como elemento inseparável na
justificativa dos delitos.

Para entendermos melhor sobre a Medicina Legal e suas aplicações,


precisamos conhecer um pouco mais sobre a História da Medicina Legal, abaixo
citaremos alguns pontos importantes, desde os primórdios da medicina legal, até
os dias atuais, com sua utilização e aplicação principalmente na área pericial.

23
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

3.1.3 HistÓria Da Medicina Legal no


Mundo
Segundo Ornesti (2012):

Os primórdios da Medicina Legal ocorreram inicialmente na Babilônia antiga,


Babilônia em XVIII a.C., onde criou-se o Código de Hamurabique previa a punição
por erro médico. Já no Antigo Egito, as grávidas não podiam ser torturadas e nem
ter seus corpos violados. Na China – 1240 a.C. – Hsi yuan lu instruía sobre o
exame post-mortem para possível verificação do óbito e de sua causa. Na Pérsia
antiga, houve a Classificação das lesões corporais por ordem de gravidade e por
causa. Numa Pompilio (715-672 a.C.) auxiliou e estabeleceu a Abertura do útero
das mulheres que morriam grávidas;

Justiniano (483 a 565 d.C.) estabeleceu que médicos deveriam e poderiam


ser testemunhas especiais em juízo;
Carlos Magno (742 a 814 d.C.) – “Capitularias”: juízes instruídos a ouvir os
médicos em casos de lesão corporal, infanticídio, suicídio, estupro, impotência
etc.;
Papa Gregório IX (1234) – decretou que a opinião médica, nos casos
de exame médico de virgindade servia para ser utilizada nas anulações de
casamentos;
Em 1374 a Faculdade de Montpellier recebeu a primeira permissão do Papa
para realizar necropsias.
Século XVI:
Em 1521 o Papa Leão X foi o primeiro Papa a ser necropsiado;
Em 1532 – "Constitutio Criminalis Carolina" – Carlos V, na Alemanha, foi
responsável por um grande marco da história da Medicina Legal no século XVI,
quando vários temas médico-legais; necropsias em casos de morte violenta foram
discutidos. Foi considerado embrião da Medicina Legal como uma disciplina
distinta e individualizada para utilização em elucidações de crimes ou exclusão de
indivíduos.
Século XVI:
Ambroise Paré, 1575, na França, foi responsável por editar o primeiro livro
ocidental de Medicina Legal. Sendo considerado o “Pai da Medicina Legal”;
Séculos XVII e XVIII:
Paulus Zacchias – Roma: “Questiones medico-legales”, foi um conjunto de
10 livros publicados entre 1621 e 1658, que serviu de grande Influência até o
século XIX;
Séculos XVII e XVIII:
1650 – Universidade de Leipzig teve o primeiro curso especializado em
Medicina Legal;

24
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

1682 – Caso de Bratislávia – Schreyer - Docimasia de Galeno


1782 – Berlim – primeiro periódico
Século XIX: O século dourado da Medicina Legal
Medicina Pública
1821 – Orfilla – iniciou os estudos sobre a Toxicologia Forense
1829 – “Anales d’Hygiene Publique et Medicine Legale”
1834 – Devergie foi o primeiro curso prático de Medicina Legal na França
Século XIX:
1850 e 1856 – Casper – escreveu sobre “Dissecção Forense” e “Manual
Prático de Medicina Forense”, Brouardel, Tardieu, Lacassagne, Legrand du
Saulle, Matin, Thoinot, Vibert e Bauthazard, na França;

3.1.4 HISTÓRIA DA MEDICINA LEGAL NO


BRASIL
Segundo Ornesti (2012), a Medicina Legal francesa teve grande influência
nos estudos e na aplicação da Medicina Legal no Brasil:

1808 – Criadas as Faculdades de Medicina;


1830 – Primeiro código penal brasileiro;
1832 – Criada a perícia profissional;
1854 – Conselheiro Jobim – uniformização da prática dos exames médico-
legais;
1856 – Criada a assessoria médica junto à Secretaria de Polícia da Corte;
1900 – Assessoria médica da polícia transformada em Gabinete Médico-
Legal;
1903 – Decreto 4.864 – (Afrânio Peixoto) normas detalhadas para a
conclusão das perícias médicas;
1907 – Decreto 6.440 – Transforma o Gabinete em Serviço Médico-Legal;
1924 – Serviço Médico-Legal passa para o Instituto Médico-Legal, Souza
Lima, Nina Rodrigues, Afrânio Peixoto, Oscar Freire, Hélio Gomes;

As lições de anatomia, em seus primórdios, vieram colaborando com os


estudos em Medicina e consequentemente Medicina Legal, onde era fundamental
o conhecimento sobre o corpo humano e seu funcionamento para realização dos
procedimentos cirúrgicos pouco conhecidos na época.

A seguir, na Figura 2, a ilustração que marca um ponto inicial nos estudos


em cadáveres e na utilização dos mesmos para elucidação de crimes e de causa
morte.

25
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 2 – Rembrandt – A Lição De Anatomia Do Dr. Jan Deyman (1956)

Fonte: <http://amsterdammuseum.nl/en/gallery-golden-age-0>. Acesso em: 7 nov. 2018.

A Medicina Legal veio ao encontro da necessidade de se conhecer mais o


corpo humano e de elucidar as causas de mortes, identificando os cadáveres,
elucidando homicídios e suicídios através de sua prática, como exemplificado na
Figura 3.

Figura 3 – Medicina Forense, Qual Sua Função

Fonte: <https://www.saludymedicinas.com.mx/centros-de-salud/salud-masculina/
articulos-relacionados/medicina-forense-funciones.htm>. Acesso em: 7 nov. 2018.

26
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

3.1.5 CaracterÍsticas CadaVÉricas


Existem algumas características dos cadáveres ou em vivos que devem ser
levadas em consideração durante o processo de elucidação de crimes. Vamos
citar algumas, exemplificando com ilustrações:

• Contusões e Equimoses: são termos utilizados para definir lesões


idênticas, porém, existe diferença entre eles.

As contusões são resultantes de ações mecânicas, contundentes,


traumatismo sobre partes moles ou duras do organismo, resultando em
extravasamento de sangue nos tecidos, podendo existir no vivo ou no
cadáver;

As equimoses ocorrem por difusão de sangue nos tecidos, em


consequência da ruptura de vasos capilares, existindo somente no vivo,
Figura 4.

Figura 4 – Equimose Palpebral

Fonte: <https://renato07.jusbrasil.com.br/artigos/242632854/estudo-
das-contusoes-em-geral>. Acesso em: 8 nov. 2018.

• Escoriações e Lesões de Defesa: as escoriações ocorrem em


consequência deperdas da epiderme em uma superfície corporal, sendo
produzida por atrito violento ou arranhões.

As Lesões de Defesa são produzidas nas partes em que a vítima oferece de


anteparo à ação do instrumento ou dos instrumentos ofensores, localizando-se
normalmente nos membros e raramente nas regiões da cabeça, Figura 5.

27
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 5 – Escoriações

Fonte: Dicionário da Saúde (2016)

Salienta-se nesse aspecto de verificação de lesões e causa da morte, a


posição anatômica: indivíduo em posição ortostática ou bípede, olhar voltado ao
horizonte, membros estendidos ao lado do troco, palmas das mãos voltadas para
cima, calcanhares juntos e pontas dos pés ligeiramente afastadas uma da outra.

A posição anatômica é tida como referência de estudo em diversas regiões


do mundo (Figura 6 e 7).

Após o óbito é necessário esperar ao menos seis horas para manuseio e


necropsia, devido, ao volume sanguíneo e reflexos neuronais que possam estar
presentes.

Figura 6 – Decúbito Dorsal, Ventral E Lateral

Fonte: Personall Plus, 2015

28
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

Figura 7 – Posição Anatômica

Fonte: Personall Plus (2015)

• Cogumelo de Espuma: normalmente ocorre através da mistura de


gases e de líquido nos alvéolos pulmonares, em casos de afogamento,
soterramento e edema pulmonar agudo (Figura 8).

Figura 8 – Cogumelo De Espuma

Fonte: <http://www.malthus.com.br/mg_imagem_zoom.
asp?id=821>. Acesso em: 21 jan. 2019.

29
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

• Colheita de Impressões Digitais em Cadáveres: em casos de pessoas


ainda não identificadas, realiza-se a colheita das impressões digitais,
quando possível, para reconhecimento e identificação. O cadáver,
quando em estado de rigidez, permite a colheita de impressões nítidas,
limpas, sem borrões; o que pode não acontecer nos casos de pessoas
vivas, uma vez que podem mexer os dedos durante o processo de
colheita.

Nos cadáveres em estado de putrefação também é possível realizar a


colheita das impressões digitais, com facilidade. No estado de decomposição
na fase gasosa (quando os gases se acumulam e se infiltram nos tecidos), há
desprendimento das peles das mãos e dos dedos como se fosse uma luva. Para
realizar a colheita, basta colocar uma luva cirúrgica em sua mão e posteriormente
vestir a luva cadavérica, assim fica fácil pressionar sobre o papel e fazer a análise
de digitais (Figura 9).

Figura 9 – Impressão Digital Com Luva Cadavérica

Fonte: <https://www.ebah.com.br/content/ABAAAg5ZQAA/perito-
papiloscopista?part=3>. Acesso em: 21 jan. 2019.

4 ATESTADOS, NOTIFICAÇÕES, LAUDO,


AUTOS E PARECERES TÉCNICOS
Iremos demonstrar e exemplificar, alguns tipos de documentos judiciais.

4.1 Atestados
É um documento escrito de afirmação simples e exata de um fato e suas
consequências. Tem por finalidade informar a capacidade ou incapacidade do
indivíduo para realização de determinado ato.

30
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

Deve ter cabeçalho ou preâmbulo, a qualificação do examinado, o nome de


quem solicitou, descrição do caso e, se absolutamente necessário, diagnóstico
através do CID (Código Internacional de Doenças). Podemos realizar a consulta
ao CID.10, através de sites de busca, como o Google, ou similares, sendo as
formas mais rápidas para utilização de pesquisa).

Os atestados podem ser de natureza clínica (onde é realizada simples


declaração para certificar condições de sanidade ou enfermidade); para fins
previdenciários (para comprovação de estado patológico – INSS); de óbito (em
casos já estabelecidos de morte). Este, por sua vez, identificará a morte como
sendo: natural (atribuído por um médico, que tenha acompanhado o paciente);
natural mas por doenças mal definidas ou suspeitas (de causas inesperadas, sem
motivo evidente, é solicitada a verificação do óbito junto ao SVO – Sistema de
Verificação de Óbito); ou violenta (ocorre em casos de acidentes, e homicídios, o
cadáver é encaminhado ao IML – Instituto Médico Legal).

4.2 NotiFicaçÃo
É um documento de comunicação compulsória às autoridades competentes
de um fato médico por necessidade social ou sanitária sobre acidentes de trabalho
ou doenças infectocontagiosas (Código Penal, Art. 269). São alguns exemplos
de doenças de notificação compulsória: sarampo, tuberculose, sífilis. Também
podemos utilizar como exemplos de notificações compulsórias as notificações
oriundas de processos de despejo, ou demais processos nas esferas judicias.

A notificação é o ato pelo qual alguém é cientificado de um fato pertinente


ao interesse das partes envolvidas. Existem situações de controvérsia em que
uma das partes pode estar disposta a buscar uma solução amigável antes de
recorrer aos meios legais. Neste caso, ela poderá se valer de uma notificação
para solicitar a presença da outra em uma tentativa de alcançar amigavelmente
uma resolução para o problema (Figura 10).

31
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 10 – Modelo Simples De Notificação

Fonte: <https://www.modelosimples.com.br/modelo-de-notificacao-para-
tratar-de-assunto-de-interesse.html>. Acesso em: 8 nov. 2018.

4.3 Autos
É denominado o relatório da perícia médica, ditado diretamente ao escrivão.

Trata-se do conjunto de peças reunidas para formar um processo judicial ou


administrativo. É a representação física do processo.

Sendo fundamentado nos artigos referidos a seguir:


Arts. 53, § 2º e 93, II, "e" da CF
Arts. 216, 842, 1.756 e 2.015 do CC
Arts. 39, parágrafo único, 40, 59, 83, I, 122, parágrafo único, 141, IV, 155,
159, 161, 167, 190, 196, 267, § 1º, 434, 510, 674, entre outros do CPC
Art. 356 do CP
Arts. 6º, VIII, 10, § 1º, 11, 17, 21, 58, entre outros do CPP.

4.4 Laudo
É o documento escrito feito pelo perito. São suas partes: preâmbulo (que
deve conter dados e nome do perito designado ao caso), seus títulos, nome da
autoridade que o nomeou, motivo da perícia, nome e qualificação do indivíduo
a ser examinado; histórico “anamnese do caso”, colheita de informações do
fato, local, envolvidos; descrição (a qual é a parte mais importante e deve ser
minuciosamente relatada envolvendo as lesões e sinais do indivíduo, e se envolver
cadáver deve constar os sinais da morte, identidade, exame interno e externo);
discussão ou diagnóstico (onde o perito externará suas opiniões, relatando os

32
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

critérios utilizados); conclusão ou resumo do laudo do ponto de vista do perito,


baseando-se nos elementos objetivos e comprovadores de forma segura; e por
fim, respostas aos quesitos levantadas pelas partes e pelo Juiz.

Modelo de Laudo Pericial:

SUMÁRIO

I – OBJETIVO p.3
II – RESPOSTAS AOS QUESITOS
DO EXECUTADO p.4
DA EXEQUENTE p.6

III – CONCLUSÃO p.7


IV – ENCERRAMENTO p.7

LAUDO PERICIAL

NOME DO PERITO_________________________
N° do conselho:______________

SEÇÃO JUDICIÁRIA DO _______________


__ª VARA ________________________
PROCESSO: ______________________
AÇÃO: _____________________
Requerente: NOME DO RequerenteRequerido: NOME DO Requerido

DATA DE ENTREGA DO LAUDO: ___ de ___________ de 20__

Após a confecção e verificação da veracidade do laudo, o perito deve


peticionar o mesmo eletronicamente ou fisicamente, no Fórum ou Juizado
competente, protocolando o laudo; e solicitando a expedição de alvará ou guia de
recolhimento dos honorários periciais.

4.5 Parecer TÉcnico


É um documento solicitado sempre que o relatório médico deixar dúvidas,
por qualquer pessoa a um especialista (perito oficial ou qualquer médico, desde
que não estejam envolvidos na perícia, isto é, o assistente técnico). Procura

33
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

documentar o processo com os resultados dos exames e considerações médicas


referentes a determinadas situações de interesse jurídico. Ou seja, consultam,
escrita ou verbalmente, um ou vários especialistas sobre o valor científico do laudo
em questão. O parecer é tido como a resposta aos conclusos. São suas partes:
preâmbulo, exposição dos fatos, discussão do assunto, inclusão as perguntas e
respostas.

4.6 PetiçÕes
As petições são documentos de cunho legal que visam requerer algo ou
informar sobre algo, por exemplo, requerer honorários ou informar laudo pericial.

Ao aceitar a designação, o perito deve protocolar a petição inicial de aceite e


de pedido de honorários, conforme modelo a seguir:

A petição inicial, como o nome já diz, é o primeiro ato para a formação do


processo judicial. Trata-se de um pedido por escrito, onde a pessoa apresenta
sua causa perante a Justiça, levando ao juiz as informações necessárias para
análise do direito. Por meio dela, o indivíduo acessa o Poder Judiciário e o
provoca a atuar no caso concreto, gerando uma decisão que substitui a vontade
das partes. No mundo jurídico são utilizadas várias expressões como sinônimos
de petição inicial: peça vestibular, peça autoral, peça prefacial, peça preambular,
peça exordial, peça isagógica, peça introdutória, petitório inaugural, peça pórtica,
peça de ingresso.

Excelentíssimo Sr(a). Dr(a). Juiz(a) de Direito da ___° Vara ____________ do


Fórum da Comarca de ___________________.

Processo n° ____________________________

NOME DO PERITO____________________________________,
FORMAÇÂO____________________, perito judicial designado na
área ____________ (especificar a área de atuação e da perícia), RG
n°__________________, inscrito no CPF sob n°___________________ e
no Conselho Regional de _________________ n°_______, perito nomeado
no processo em epigrafe (fls. N°___, número da página de nomeação no
processo), vem respeitosamente, perante Vossa Excelência apresentar Aceite
dos trabalhos periciais e valores de honorários periciais, conforme planilha
abaixo:

34
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

Planejamento n°___ horas


Pesquisa documental n° ___ horas
Resposta dos Quesitos n° ___ horas
Elaboração do Laudo n° ___ horas
Total n° ___ horas

Considerando-se que o trabalho terá a duração de n° ___ horas, o valor total


dos honorários será de R$ ___________ (________ reais), sendo certo que o
valor de cada hora é de R$ _____________ (_____________ reais).
Os honorários deverão ser depositados 50% antes do início do trabalho
pericial e levantados mediante alvará judicial para este fim, que deverá ser
expedido no momento da entrega do laudo em cartório.

Início dos trabalhos: ___ de _____ de 20__


Local: __________________________

Termos em que pede deferimento,

Cidade, __ de ______ de 20__.

Assinatura do perito
Perito Judicial n°___________

Cada solicitação que o perito ou assistente técnico venha a fazer deve ser
através de peticionamento eletrônico ou físico.

As petições são subdivididas em: Petição Inicial, Petição Diversa, Petição


intermediária, sendo comumente mais utilizada em processos a petição diversa.

5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Ao longo do capítulo, pudemos analisar e verificar juridicamente as funções
e deveres do Perito, Assistente Técnico, onde também foi possível verificar os
critérios e parâmetros para elaboração de documentos judiciais como laudos,
pareceres técnicos e entender a importância de cada documento dentro da esfera
judicial.

35
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Ao estudarmos Medicina Legal, aprendemos como enxergar o objeto


(cadáver ou vivo) com sensibilidade e percepção sensorial, uma vez que ali está a
maior prova a ser examinada e que poderá incriminar ou inocentar alguém.

Dentro do campo de estudo da Medicina Legal, podemos discorrer sobre


todos os tipos de mortes ou lesões, o que serão tratados mais adiante ao longo
do livro. Salienta-se que o Perito Médico Legal é o profissional médico qualificado
para o cargo após passar em concurso.

Os peritos auxiliares de Justiça, ou peritos judiciais, atuam na análise


documental e de provas levantadas ao longo dos processos, podendo ser físicas
ou documentais, o que possibilita atuar em um campo maior de trabalho.

Espera-se que você, acadêmico, ao chegar ao final desse capítulo, tenha


assimilado os conceitos e artigos, para que assim possa futuramente efetuar seu
cadastro e prestar serviço à Justiça.

1 O exame de corpo de delito direto é feito a partir da análise:


a) ( ) dos depoimentos prestados pelas testemunhas em juízo.
b) ( ) dos elementos físicos ou materiais do crime.
c) ( ) de documentos que possibilitem um conhecimento técnico por
dedução.
d) ( ) de fichas clínicas do hospital que atendeu a vítima.
e) ( ) dos depoimentos prestados pela vítima.

2 O exame de corpo de delito consiste na perícia realizada sobre


vestígios materiais deixados por um delito. Acerca de perito,
perícias e documentos médico-legais, assinale a opção
CORRETA.
a) ( ) Ao se confeccionar o laudo pericial, a resposta aos quesitos
é parte fundamental, sendo nulo o laudo que não contenha esse
item.
b) ( ) As perícias a céu aberto devem ser realizadas somente à luz
do dia, pois a luz artificial pode adulterar os resultados.
c) ( ) O exame de marcas de digitais é considerado exame de corpo
de delito por via indireta.
d) ( ) O perito equivale à testemunha, devendo ser intimado a
comparecer ao juízo, caso seja necessária a obtenção de prova.

36
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

e) ( ) O exame de corpo de delito indireto é realizado em material


que não seja a própria vítima ou em instrumento que não esteja
diretamente relacionado à cena do crime.

3 Assinale a opção CORRETA no que se refere a procedimentos da


perícia médico-legal e seus documentos.
a) ( ) A necessidade de realização de exame balístico pode
ser suprimida caso o médico legista descreva no laudo as
características detalhadas do projétil de arma de fogo retirado do
cadáver.
b) ( ) A fim de se evitar deterioração do sangue que foi colhido de
cadáver para realização de alcoolemia, costuma-se adicionar
formol ao frasco de armazenamento.
c) ( ) Antes de se iniciar o exame cadavérico pelo médico legista, o
cadáver a ser submetido a necropsia deve estar despido e lavado
para melhor visualização das lesões.
d) ( ) Para conservação de fragmentos de vísceras retirados de
cadáveres, com vistas à realização de exame histopatológico, a
adição de formol ao frasco é a medida mais adequada.
e) ( ) O laudo pericial deve ser ditado ao auxiliar de necropsia,
passando, então, a denominar-se auto.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

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RU, J. O que é: perito, perito assistente, assistente técnico, consultor e o


profissional que escreve um laudo ou parecer técnico I. 2011.Disponível
em: <https://www.manualdepericias.com.br/o-que-e-perito-perito-assistente-
assistente-tecnico-e-consultor-e-o-profissional-que-escreve-um-laudo-e-ou-
parecer-tecnico/>. Acesso em: 22 out. 2018.

38
Capítulo 1 INTRODUÇÂO Á MEDICINA LEGAL

TOSTA, A. L. Impressões digitais com luva cadavérica (2018). Disponível em:


<https://www.ebah.com.br/content/ABAAAg5ZQAA/perito-papiloscopista?part=3>.
Acesso em: 7 nov. 2018.

TOURINHO FILHO, F. C. Processo penal. V. 3, 16. ed. São Paulo: Saraiva,


1994.

WIKIPEDIA. Autópsia (1890). Enrique Simonet. Disponível em: <https://


pt.wikipedia.org/wiki/Medicina_legal#/media/File:Enrique_Simonet_-_La_
autopsia_1890.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2018.

39
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

40
C APÍTULO 2
CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Saber: ao final do presente capítulo, você, acadêmico, deverá saber as formas


de estudo da Medicina Legal, formas de verificação de óbito e tipos de óbito
existentes, local da perícia e objetos envolvidos.

 Fazer: ao final do presente capítulo, você, acadêmico, deverá fazer a distinção


dos tipos de estudos através dos caracteres físicos, étnicos e genéticos dos
indivíduos, assim como identificar formas de óbitos por asfixia, tais como
esganadura, enforcamento.
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

42
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
No presente capítulo, iremos abordar os temas introdutórios no estudo da
Medicina Legal e da elucidação de crimes, sendo de fundamental importância
sua compreensão e entendimento. Ao discorrermos sobre o assunto, iremos
exemplificar as situações tornando melhor seu entendimento.

Você aprenderá sobre os estágios de putrefação, estágios esses os quais os


cadáveres apresentam características diferentes, podendo dizer muito sobre sua
morte, as possíveis causas e principalmente seu agressor.

As mortes em decorrência de asfixias, podem ser por diversas causas, desde


asfixia mecânica ou acidental. Abordaremos as características de cada tipo de
asfixia, que auxiliarão na elucidação do óbito.

O estudo da morte, suas causas e meios deve ser aprofundado com estudos
adicionais, estudos de casos e atualização constante.

Bom estudo!

2 ANTROPOLOGIA FORENSE
A Antropologia forense é a aplicação prática ao Direito de um conjunto de
conhecimentos da Antropologia Geral visando principalmente as questões
relativas à identidade médico-legal e à identidade judiciária ou policial. É o estudo
responsável pelos métodos de investigação e identificação de indivíduos.

2.1 IDENTIDADE X IDENTIFICAÇÃO


Segundo França (2017), a Identidade é o conjunto de caracteres que
individualiza uma pessoa ou uma coisa, fazendo-a distinta das demais. É um
elenco de atributos que torna alguém ou alguma coisa igual apenas a si próprio.

Arbenz (1983) ensinava que “identidade é o conjunto de atributos que


caracterizam alguma coisa ou alguma pessoa”. E fazia diferença entre
semelhança, igualdade e identidade. Semelhança como relação de qualidade;
igualdade como relação de quantidade; e identidade como a essência de uma
coisa ser ela mesma.

43
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Segundo Croce (2012), quando se trata do ser humano, é a identidade o


conjunto de características pessoais e peculiares que diferencia o indivíduo dos
outros e lhe confere uma situação tempo espacial específica e status social único.
A identidade, por SER passível de simulação e de dissimulação, reveste-se de
importância tanto no foro civil como no criminal, pois a responsabilidade somente
pode ser atribuída após prévia identificação. Desse modo, depreende-se haver
um dever e um direito de identidade, protegendo a identificação, os interesses
individuais e coletivos. Ao Direito interessa, particularmente, a investigação da
identidade do homem, que se faz pela identificação.

Cada dia que passa, maiores são as exigências no que diz respeito à
identidade individual nos interesses da vida civil ou de comércio, sem se falar na
necessidade de se estabelecer a falsa identidade ou caracterizar o reincidente
criminal. Tudo isso em relação ao vivo. Acrescentem-se mais os imperativos de
identificar cadáveres decompostos, restos cadavéricos, esqueletos e até mesmo
peças ósseas isoladas. Aqui, pois, trataremos da identidade objetiva e não
subjetiva. A identidade objetiva é aquela que nos permite afirmar tecnicamente
que determinada pessoa é ela mesma por apresentar um elenco de elementos
positivos e mais ou menos perenes que a faz distinta das demais. A identidade
subjetiva é tida como a sensação que cada indivíduo tem de que foi, é e será ele
mesmo, ou seja, a consciência da sua própria identidade, ou do seu “eu”.

Segundo França (2017)), a Identificação é o processo pelo qual se


determina a identidade de uma pessoa ou de uma coisa, ou um conjunto de
diligências cuja finalidade é levantar uma identidade. Portanto, identificar uma
pessoa é determinar uma individualidade e estabelecer caracteres ou conjunto de
qualidades que a fazem diferente de todas as outras e igual apenas a si mesma.
Não se discute hoje o valor da identificação. As relações sociais ou as exigências
civis, administrativas, comerciais e penais exigem e reclamam essa forma de
comprovação. Mesmo na vida social, há instantes em que o indivíduo tenta provar
que é ele mesmo e não consegue, a menos que obtenha prova de sua identidade.

Tais processos podem efetivar-se no vivo (desaparecidos, pacientes mentais


desmemoriados, menores de idade, recusa de identidade); no morto (desastres de
massa, cadáveres sem identificação, mutilados, estados avançados de putrefação
e restos cadavéricos); e no esqueleto (decomposição em fase de esqueletização,
esqueletos e ossos isolados). Em qualquer perícia dessa natureza, sua técnica
é realizada em três fases: (a) um primeiro registro, em que se dispõe de certos
caracteres imutáveis do indivíduo e que possa distingui-lo dos outros; (b) um
segundo registro dos mesmos caracteres, feito posteriormente, na medida em
que se deseja uma comparação; (c) a identificação propriamente dita, em que
se comparam os dois primeiros registros, negando ou afirmando a identidade
procurada.

44
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Os fundamentos biológicos ou técnicos que qualificam e preenchem as


condições para um método de identificação ser considerado aceitável são:

Unicidade. Também chamado de individualidade, ou seja, que determinados


elementos sejam específicos daquele indivíduo e diferentes dos demais.
Imutabilidade. São as características que não mudam e não se alteram ao
longo do tempo.
Perenidade. Consiste na capacidade de certos elementos resistirem à
ação do tempo e que permanecem durante toda a vida, e até após a morte, por
exemplo, o esqueleto. Praticabilidade. Um processo que não seja complexo,
tanto na obtenção como no registro dos caracteres.
Classificabilidade. Este requisito é muito importante, pois é necessária
certa metodologia no arquivamento, assim como rapidez e facilidade na busca
dos registros.

Segundo França (2017), a identificação do vivo ou do cadáver é mais fácil.


Já a identificação do esqueleto fundamenta-se em uma criteriosa investigação
da espécie, da raça, da idade, do sexo, da estatura e, principalmente, das
características individuais. Dessas características individuais, as mais importantes
são os dentes, mas para tanto é necessário existir previamente uma ficha
dentária bem assinalada, não só com o número de dentes, como também com as
alterações, anomalias e restaurações. Ou, por exemplo, pela identificação de uma
prótese, de uma anomalia mais rara ou de uma alteração de caráter ortopédico,
de uma radiografia com sequelas traumatológicas, de uma simples radiografia
óssea ou dentária, ou de um exame da Impressão Digital Genética do DNA, para
serem confrontados com os padrões analisados.

Finalmente, é necessário que se diferencie o reconhecimento da identificação.


O primeiro significa apenas o ato de certificar-se, conhecer de novo, admitir
como certo ou afirmar conhecer. É, pois, uma afirmação laica, de um parente
ou conhecido, sobre alguém que se diz conhecer ou de sua convivência. Pode
essa pessoa que reconhece, inclusive, assinar um “termo de reconhecimento”,
cujos formulários habitualmente existem nas repartições médico-legais. Já
a identificação é um conjunto de meios científicos ou técnicas específicas
empregado para que se obtenha uma identidade. É um procedimento médico-
legal cuja finalidade é afirmar efetivamente por meio de elementos antropológicos
ou antropométricos que aquele indivíduo é ele mesmo e não outro, conforme
afirmam diversos autores. A identificação divide-se em médico-legal e judiciária
ou policial.

45
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

2.2 IDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL


A identificação médico-legal utiliza-se do estudo de várias espécies para
responder determinadas perguntas referentes ao indivíduo objeto do estudo.

Poderá ser feita no vivo, no cadáver inteiro ou espostejado, ou ainda reduzido


a fragmentos ou a simples ossos. O exame é realizado em relação a raça, sexo,
estatura, idade, identificação pelos dentes, peso e conformação, malformações,
sinais profissionais, sinais individuais, como as cicatrizes, aos tipos sanguíneos,
tatuagens, dinâmica funcional e aos caracteres psíquicos.

Esse estudo mais detalhado pode ser realizado em:

2.2.1 Raça ou GruPo Étnico


O estudo através da Raça ou Grupo Étnico, ao qual o indivíduo pertence, é
realizado através de identificação, da seguinte forma (Figura 1):

• CAUCASIANO – Pele branca ou trigueira. Cabelos crespos ou lisos,


louros ou castanhos. Íris azul ou castanha. Contorno craniofacial ovoide ou ovoide
poligonal. Perfil facial ortognata e ligeiramente prognata.

• MONGÓLICO – Pele amarela. Cabelos lisos. Face achatada de diante


para trás. Fronte larga e baixa. Arcadas superciliares pouco salientes. Espaço
interorbital largo. Fenda palpebral pouco ampla, em amêndoa. Nariz curto, largo.
Maxilares pequenos e mento saliente.

• NEGROIDE – Pele negra. Cabelos crespos, em tufos. Crânio geralmente


dolicocéfalo. Perfil facial prognata; fronte alta, saliente, arqueada. Íris castanha.
Nariz pequeno, de perfil côncavo e narinas curtas e afastadas. Zigomas salientes.
Prognatismo acentuado. Mento pequeno.

• INDIANO – Pele amarela trigueira, tendendo para o avermelhado. Estatura


alta. Cabelos lisos como crina de cavalo, pretos. Íris castanha. Crânio mesocéfalo.
Supercílios espessos. Ausência de barba e bigode. Orelhas pequenas. Nariz
saliente, longo e estreito. Fronte vertical. Zigomas salientes e largos. Mandíbula
desenvolvida.

• AUSTRALOIDE – Estatura alta. Pele trigueira. Cabelos pretos,


ondulados e longos. Fronte estreita. Zigomas proeminentes. Nariz curto com
narinas afastadas. Prognatismo, maxilar e alveolar. Dentes fortes. Maxilares
desenvolvidos. Cintura escapular larga; bacia estreita.
46
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Figura 1 – A Variabilidade Fisionômica Na Espécie Humana

Fonte: <https://alunosonline.uol.com.br/biologia/raca-na-
especie-humana.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

2.2.2 Formas de Crânio


É a verificação através do estudo dos contornos verticais, anteriores,
posteriores e laterais do crânio, onde se realiza a associação com figuras
geométricas, para verificação da espécie ou grupo étnico ao qual cada crânio
pertence.

2.2.3 Índice CeFálico


É a relação entre a largura e o comprimento do crânio, onde é feita a
verificação utilizando-se a forma de Retzius:

• Dolicocéfalos: presente nos grupos étnicos caucásicos nórdicos


(escandinavos, ingleses), nos negroides africanos e nos australoides. O índice
cefálico nesses grupos é igual ou inferior a 75.

• Mesaticéfalos: presentes no grupo étnico dos Mongólicos. O índice


cefálico deve ser entre 75 e 80.

• Braquicéfalos: presente no grupo étnico dos caucásicos (europeus


centrais). O índice cefálico deve ser superior a 80.

47
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

2.2.4 CaPacidade do Crânio


É dada pela capacidade de chumbo miúdo necessário para encher o crânio
após prévia obturação de seus orifícios, sendo esse chumbo posteriormente
colocado em vaso graduado em centímetros cúbicos, determinando-se dessa
forma o seu volume em capacidade:

• Homem raça branca é aproximadamente 1.558 cm3


• Homem raça amarela é aproximadamente 1.518 cm3
• Homem raça vermelha é aproximadamente 1.437 cm3
• Homem raça negra é aproximadamente 1.430 cm3

2.2.5 Índice Facial


É a relação entre o diâmetro nasoalveolar, situado na raiz do nariz na região
da sutura nasofrontal, e o ponto médio da sutura nasofrontal. O ponto alveolar
situa-se entre os dois incisivos superiores.

2.2.6 Ângulo Facial


Segundo França (2017), serve para determinar o prognatismo, ou seja, a
proeminência, especialmente dos maxilares, das raças. Quanto mais agudo for
o ângulo facial, tanto mais pronunciado será a prognatismo. Suas medidas se
fazem com os goniômetros, como o de Broca, e obedecem a vários critérios.

Esse processo consiste em se traçar um triângulo facial por intermédio das


linhas facial e aurículo-espinal como foram descritas no método de Jacquart, e
uma outra linha tangente ao mento e aos incisivos mediais inferiores. Conhecidos
os comprimentos dos três lados do triângulo obtido, calcula-se facilmente os seus
ângulos por meio de tábuas logarítmicas.

Daí termos os seguintes tipos:


— ortognatas: mais de 73º;
— mesognatas: de 72,99º a 70º;
— prognatas: menos de 70º.

As partes moles (principalmente os lábios) impedem a determinação do


prognatismo no vivo e no cadáver recente. Outrossim, qualquer que seja o método
goniométrico empregado pelos diferentes autores na determinação do ângulo

48
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

facial, não se deve conceder ao prognatismo a importância de outrora e, sim, a de


caráter morfológico designativo simplesmente da proeminência do maciço ósseo
da face, ou seus diversos segmentos, adiante da caixa craniana. Importa saber
que o ângulo facial é máximo na raça branca e menor na raça negra.

2.2.7 Estatura
A determinação da estatura do indivíduo é feita medindo-se o indivíduo em
posição ereta, sem os calçados, ou deitados em plano horizontal, e medindo-se a
distância entre os dois planos verticais que tocam as plantas dos pés e a cabeça,
chamados planos de delimitação do corpo humano.

Quando se trata de partes de cadáver, ou de ossos, ainda é possível calcular


a estrutura do indivíduo, usando-se algumas tabelas que nos dão a relação entre
a medida de cada parte do corpo com a estatura. Essas proporções podem ser
alteradas por doenças e malformações congênitas ou adquiridas, tais como
acondroplasia, acromegalia, fraturas ou traumatismos.

2.2.8 DeterminaçÃo do SeXo


Existem diferentes tipos de sexo, que são levados em consideração durante
os processos de identificação do indivíduo ou identificação cadavérica.

Sexo morfológico: É representado pela configuração fenotípica do indivíduo.


Ou seja, é a manifestação visível de um genótipo.

Sexo cromossomial: É definido pela avaliação dos cromossomos sexuais por


uma marcação fluorescente que irá depender da técnica empregada fluorescente.
É masculino aquele que apresentar 46 XY e tiver corpos fluorescentes, e feminino
quando apresentar uma constituição cromossômica de 46 XX e não contiver
corpos fluorescentes. Esse conjunto de cromossomos chama-se cariótipo.

Sexo gonadal: Caracteriza o masculino como portador de testículos e o


feminino como portador de ovários.

Sexo cromatínico: Determinado pelos corpúsculos de Barr, pequenos


corpos de cromatina que se encontram no nucléolo das células dos organismos
femininos, daí a classificação em cromatínicos positivos (femininos) e cromatínicos
negativos (masculinos). Cada cromossomo encerra informações codificadas em
genes através de moléculas de DNA.

49
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Sexo da genitália interna: Caracteriza o masculino quando houve o


desenvolvimento dos ductos de Wolff, e o feminino quando desenvolvidos os
ductos de Müller.

Sexo da genitália externa: Define o masculino com a presença de pênis e


escroto, e o feminino com a presença de vulva, vagina e mamas.

Sexo jurídico: É o designado no registro civil, ou quando a autoridade legal


manda que se registre uma pessoa em um ou outro sexo, após suas convicções
médico-legais, morais ou doutrinárias. Está regulamentado pela Lei dos Registros
Públicos (Lei no 6.015/73).

Sexo de identificação ou psíquico ou comportamental: É aquele cuja


identificação o indivíduo faz de si próprio e que se reflete no comportamento.
Também é chamado por alguns de sexo moral.

Sexo médico-legal: É constatado por meio de uma perícia médica nos


portadores de genitália dúbia ou sexo aparentemente duvidoso, por exemplo, um
portador de uma grande hipospadia, facilmente confundível com uma cavidade
vaginal.

Segundo França (2017), em um ente normal, vivo ou morto recentemente,


a determinação do sexo não é uma atribuição complexa. Há, na verdade,
situações complicadas, como em um cadáver em avançado estado de putrefação,
com destruição da genitália externa, ou no esqueleto, ou, ainda, em situações
como nos estados intersexuais e no pseudo-hermafroditismo, nas quais são
empregadas técnicas mais sofisticadas, entre elas a pesquisa da cromatina
sexual ou do corpúsculo de Barr, que é encontrado no sexo feminino.

2.2.9 DeterminaçÃo da Idade


A idade pode ser determinada de diversas maneiras, subdividindo-se em
vida intrauterina e vida extrauterina.

A vida intrauterina leva em consideração os aspectos morfológicos desde o


momento da concepção até o nascimento, pelo comprimento dos ossos, estatura
através de exames de ultrassonografia e raios x.

Considera-se embrião, o período entre a fecundação (ovo ou zigoto) até o


3° (terceiro) mês de vida intrauterina. Após esse período, considera-se como feto
até o parto. Em crianças nascidas a termo (ou seja, no tempo correto gestacional,

50
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

que pode ser até a 43° semana de gestação em alguns casos), observa-se
em aproximadamente 98% (noventa e oito por cento) dos casos o ponto de
ossificação de Blecard, normalmente de tonalidade arroxeada sobre a cartilagem
com diâmetro entre 0,4 a 0,5 mm, localizado na extremidade distal do fêmur.

Após o nascimento, o termo correto a ser utilizado é infante-nascido. Esse


termo é utilizado para aqueles que ainda não receberam os cuidados necessários
de higiene e saúde após o nascimento.

É considerado recém-nascido, aquele que já recebeu os cuidados médicos e


de higiene hospitalar até o primeiro mês de vida.

A primeira infância é considerada até os 7 (sete) anos de vida; a segunda


infância é dos 8 aos 11 anos de vida; a adolescência dura dos 12 aos 18 anos de
vida normalmente. A maioridade é dos 18 aos 21 anos; adulto dos 22 aos 60 anos
de idade; velhice dos 61 aos 80 anos de idade; e a senilidade após os 80 anos de
idade.

Para verificação da idade do indivíduo, são utilizados diversos pontos


importantes para serem avaliados:

A aparência do indivíduo é levada em consideração quando fazemos a


distinção de um velho, para um adulto ou uma criança.

A pele é um objeto de extrema importância na determinação da idade.


Consiste na formação de rugas, que surgem inicialmente entre os 25 aos 30 anos
perto das pálpebras. Posteriormente, elas aparecem nas regiões nasolabiais,
pescoço e na fronte.

Os pelos também são utilizados para determinação de idade em homens e


mulheres, onde, no sexo feminino aparecem por volta dos 12 anos de idade com
o início da puberdade e da primeira menarca. E nos meninos por volta dos 13 aos
15 anos, também em decorrência das mudanças hormonais características da
faixa etária.

O arco senil também é verificado. Caracterizado por formação de faixa


periférica e acinzentada ao redor da córnea, composto por colesterol, triglicérides
e fosfolípides, sendo aparente mais no sexo masculino e correlacionado com
determinadas doenças, como diabetes, carências nutricionais e hipertensão
arterial.

Comumente, leva-se em consideração a contagem e o formato dos dentes.


Considera-se fase de dentição de leite aquela que se inicia por volta dos 5 meses

51
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

de vida até os 6 anos de idade, e dentição permanente aquela que se inicia por
volta dos 7 anos de idade.

Quando falamos sobre ossos, podemos fazer a análise levando-se em


consideração o tamanho dos ossos longos e o canal epifisário (ex. fêmur, tíbia,
fíbula, úmero, ulna, radio, metacarpos e metatarsos, assim como esterno); e os
ossos do crânio, onde são analisadas as suturas (regiões de articulações fibrosas
entre os ossos do crânio). Essas suturas, no recém-nascido, apresentam-se
móveis para acomodar o encéfalo no momento do parto e também acompanhar o
desenvolvimento da criança. Por volta de um ano de idade começa o processo de
fibrose e junção dessas suturas para proteção do encéfalo e do líquor.

Podemos realizar a identificação cadavérica ou do indivíduo por sinais


característicos individuais, como: tatuagens (levando-se em conta localização,
desenho e coloração), sinais individuais (manchas na pele, verrugas, nevos
congênitos são utilizados para exclusão em casos de identificação), malformações
(como por exemplo, lábios leporinos, pé torto, consolidação de fratura e desvios
de coluna), cicatrizes (auxiliam na identificação pessoal, podendo ser traumáticas,
patológicas ou cirúrgicas).

A identificação ou exclusão através das linhas presentes na fenda palatina,


apesar de não ser comumente usada, é de grande importância, assim como a
análise da arcada dentária, sendo essa identificação realizada por um perito
odontologista.

A superposição de imagens, também conhecida como método de Piacentino


ou craniofotocomparativo, consiste na identificação individual por demonstração
fotográfica, utilizando-se a superposição de negativos de fotos do indivíduo
tiradas em vida sobre as do esqueleto do crânio. Não é um método de grande
segurança. É usado quando falharem os mais significativos. Fundamenta-se em
encontrar perfeita correspondência dos vários pontos ósseos e das partes moles
da face, principalmente na fronte, no nariz, no mento e nas órbitas, cotejados em
fotografias de frente e três por quatro do perfil.

Segundo França (2017), o pavilhão auricular apresenta características


individuais que persistem pela vida inteira e, por isso, na ausência de outros
elementos mais significativos, pode constituir um conjunto valioso na identificação
humana. Este órgão é formado de um elenco de características como elevações,
depressões, sulcos, fossetas, pregas e contornos, de dimensões variadas,
formando partes anatômicas definidas como Félix, antélice, concha acústica,
trágus, antetrágus, lóbulo, meato acústico externo e fossa triangular.

52
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Outro meio de identificação a ser utilizado, quando não se conta com opções
mais confiáveis, é a comparação de radiografias antigas com as obtidas do
indivíduo questionado. As mais frequentemente usadas são as radiografias do
crânio, da face, dos ossos longos e dos dentes. O tempo decorrido entre uma e
outra não tem muita importância. Entre essas comparações, as que se prestam
melhor a uma identificação são as radiografias da face em que possam ser
analisados os seios frontais e maxilares, quando são observados seus contornos
de figuras geométricas variadas, as quais venham a se superpor precisamente
em uma identidade.

Há também o método eletroacústico capaz de identificar a voz humana


utilizando um sonógrafo. O processo baseia-se nas particularidades da voz de
cada indivíduo. Esse método tinha como base o registro das vibrações da voz
emitidas por meio de um microfone em um tambor de anotações. O estudo
seria feito pela gravação do sonograma da voz com a do indivíduo questionado.
Mesmo que alguns recusem este tipo de prova, o fato é que a cada dia mais
esses métodos se aperfeiçoam, a ponto de se falar inclusive em uma “fonética
forense”. O fundamento da prova está na comparação do registro da frequência
da voz, pois nela se encontram, entre outros, o número de vibrações por segundo
e a excursão máxima e mínima da onda, desde a posição de repouso, a partir da
comparação de palavras idênticas.

Segundo França (2017), a Medicina Legal também se beneficiou com o


avanço indiscutível que se verifica em torno do estudo do genoma humano e,
por isso, tem-se observado uma acentuada evolução no campo da identidade,
tanto nas questões da identificação civil como nas da identificação criminal.
Amplia-se assim essa importante área da Hemogenética Médico-legal. Além das
perícias de investigação do vínculo genético da paternidade, abriu-se um novo
campo na Criminalística, em que a análise de vestígios humanos pode trazer
grande contribuição ao interesse pericial, pelo uso dos marcadores genéticos e
da aplicação do polimorfismo do DNA. Nesse sentido, manchas de sangue, de
sêmen, pelos, saliva e partes cadavéricas podem ser objetos de identificação de
indivíduos, para quem as técnicas mais tradicionais mostravam-se precárias e
inconclusivas. Em nosso país, poucas vezes se têm utilizado aquelas técnicas no
interesse criminal, certamente por motivos financeiros. O mesmo não se verifica
no trato das perícias privadas de investigação da paternidade e maternidade,
em que os especialistas estão mais concentrados e mais empenhados. Sob
o ponto de vista operacional, a dificuldade de tal metodologia nas questões
criminais não está apenas na ampliação dos exames, mas na padronização e no
eventual encontro de dados que venha a facilitar uma imediata confrontação. Já
não se levam em conta as dificuldades das minúsculas amostras, das amostras
degradadas e do tempo de que se necessita para a obtenção dos resultados.

53
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Utilizando-se técnicas de biologia molecular, podemos estabelecer


rapidamente vínculos genéticos entre indivíduos, exonerando assim falsos
suspeitos ou relacionando criminosos com as cenas de crimes e essas entre
si. A precisão nas análises realizadas é de 99,9%, tendo 0.01% como margem
de erro, porém, com os demais aspectos analisados pela antropologia forense
conseguimos chegar a 100% de certeza na identificação.

A chance de ocorrer o fingerprint (impressões genéticas idênticas entre duas


pessoas) são entre 800.000x1 ou 1.000.000x1 pessoas na população.

A seguir vamos descrever um exemplo clássico de erros na análise de DNA:

Polícia de Las Vegas revela que erro de DNA


colocou homem errado na prisão

Em janeiro de 2008, Howard Dupree Grissom foi preso por roubo, após
exames de DNA constatou-se ser ele o autor de um roubo ocorrido em 2001,
enquanto um inocente (Dwayne Jackson) cumpria pena em seu lugar há quatro
anos. O erro ocorreu por troca de material genético no interior do laboratório. A
polícia suspeita que ao menos mais 100 pessoas inocentes estejam presas por
erro no exame de DNA.

LEI NO 12.037, DE 10 DE OUTUBRO DE 2009


Dispõe sobre a identificação criminal do civilmente identificado,
regulamentando o art. 5o, inciso LVIII, da Constituição Federal. O
VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a
seguinte Lei:
Art. 1o O civilmente identificado não será submetido à
identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta Lei.
Art. 2o A identificação civil é atestada por qualquer dos seguintes
documentos:
I – Carteira de identidade;
II – Carteira de trabalho;
III – carteira profissional;
IV – Passaporte;
V – Carteira de identificação funcional;
VI – Outro documento público que permita a identificação do
indiciado.

54
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Parágrafo único. Para as finalidades desta Lei, equiparam-se


aos documentos de identificação civis os documentos de identificação
militares.
Art. 3o Embora apresentado documento de identificação,
poderá ocorrer identificação criminal quando:
I – O documento apresentar rasura ou tiver indício de
falsificação;
II – O documento apresentado for insuficiente para identificar
cabalmente o indiciado;
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com
informações conflitantes entre si;
IV – A identificação criminal for essencial às investigações
policiais, segundo despacho da autoridade judiciária competente,
que decidirá de ofício ou mediante representação da autoridade
policial, do Ministério Público ou da defesa;
V – Constar de registros policiais o uso de outros nomes ou
diferentes qualificações;
VI – O estado de conservação ou a distância temporal ou da
localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a
completa identificação dos caracteres essenciais.
Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados
deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou outra forma de
investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o
indiciado.
Art. 4o Quando houver necessidade de identificação criminal,
a autoridade encarregada tomará as providências necessárias para
evitar o constrangimento do identificado.
Art. 5o A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico
e o fotográfico, que serão juntados aos autos da comunicação da
prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de
investigação.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a
identificação criminal poderá incluir a coleta de material biológico
para a obtenção do perfil genético (incluído pela Lei no 12.654, de
2012).
Art. 5o-A. Os dados relacionados com a coleta do perfil genético
deverão ser armazenados em banco de dados de perfis genéticos,
gerenciado por unidade oficial de perícia criminal. (Incluído pela Lei
no 12.654, de 2012.)
§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados
de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou
comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de
gênero, consoante as normas constitucionais e internacionais sobre

55
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

direitos humanos, genoma humano e dados genéticos. (Incluído pela


Lei no 12.654, de 2012.)
§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis
genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil, penal e
administrativamente aquele que permitir ou promover sua utilização
para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em decisão judicial.
(Incluído pela Lei no 12.654, de 2012.) § 3o As informações obtidas
a partir da coincidência de perfis genéticos deverão ser consignadas
em laudo pericial firmado por perito oficial devidamente habilitado.
(Incluído pela Lei no 12.654, de 2012.)
Art. 6o É vedado mencionar a identificação criminal do indiciado
em atestados de antecedentes ou em informações não destinadas ao
juízo criminal, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
Art. 7o No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua
rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado ou ao réu, após
o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado da
sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do inquérito
ou processo, desde que apresente provas de sua identificação civil.
Art. 7o-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados
ocorrerá no término do prazo estabelecido em lei para a prescrição
do delito. (Incluído pela Lei no 12.654, de 2012.)
Art. 7o-B. A identificação do perfil genético será armazenada em
banco de dados sigilosos, conforme regulamento a ser expedido pelo
Poder Executivo. (Incluído pela Lei no 12.654, de 2012.) Art. 8o Esta
Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 9o Revoga-se a
Lei no 10.054, de 7 de dezembro de 2000. Brasília, 1o de outubro de
2009; 188o da Independência e 121o da República. JOSÉ ALENCAR
GOMES DA SILVA.
FONTE: <https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/819435/
lei-12037-09>. Acesso em: 19 jan. 2019.

A Lei de execução penal também nos serve como referência de aprendizagem:

LEI NO 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984


Institui a Lei de Execução Penal (…).
Art. 9o A. Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da
personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças
ou informações do processo, poderá:
I – Entrevistar pessoas;
II – Requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e
informações a respeito do condenado;
56
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

III – realizar outras diligências e exames necessários.


Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência
de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art.
1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente,
à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA – ácido
desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído pela Lei no 12.654,
de 2012.)
§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados
sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Incluído
pela Lei no 12.654, de 2012.)
§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz
competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de
identificação de perfil genético. (Incluído pela Lei no 12.654, de 2012.)
FONTE: <https://lipezmartins.jusbrasil.com.br/artigos/121943801/lei-12654-
12-a-identificacao-criminal-por-perfil-genetico-no-brasil>. Acesso em: 19 jan.
2019.

A fotografia é muito utilizada para reconhecimento e identificação de


cadáveres e pessoas desaparecidas, assim como a utilização da identificação por
impressão digital e do retrato falado (que consiste no desenho, feito por perito
desenhista, que é utilizado para achar pessoas e ou criminosos).

As impressões digitais constituem o meio mais utilizado, reconhecido e


aceito como prova, adotado por todas as polícias do mundo para identificação
cadavérica (Figuras 3 e 4). A polpa dos dedos e as palmas das mãos, assim
como as plantas dos pés possuem linhas e saliências papilares de disposições
variáveis, que aparecem em torno do 6°mês de vida intrauterina e permanecem
por toda a vida do indivíduo e até algum tempo após a morte (onde são eliminadas
pelo estado putrefativo cadavérico). Mesmo gêmeos univitelinos possuem digitais
diferentes, sendo a característica que torna cada indivíduo único.

As impressões digitais podem ser dos seguintes tipos:


Moldada: é a impressão que se faz sobre superfícies plásticas, tornando a
impressão em relevo.
Latente: é a impressão que, para tornar-se evidente, necessita ser revelada
com reveladores próprios como carbonato de chumbo, negro de fumo e outros
métodos.
Revelada ou Normal: é a impressão impregnada de qualquer sujidade
(gordura, sangue, tinta, graxa, carvão), que marca as demais superfícies.

57
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 3 – Colheita De Impressão Digital Cadavérica

Fonte: Santos (1978)

Figura 4 – Luva Cadavérica

Fonte: Santos (1978)

3 TANATOLOGIA FORENSE
Ao iniciarmos o estudo da Tanatologia Forense, precisamos entender
os conceitos e principalmente os fatores que pode interferir diretamente na
conservação cadavérica ou na causa do óbito.

58
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

A tanatologia forense, pode ser conceituada como estudo da


morte. Palavra essa com origem grega tanathos (morte) + logia
(estudo).
Morte, em definição simples, é a cessação da vida. É a
cessação permanente das grandes funções, assim compreendidas
as funções circulatória, respiratória e, modernamente, com o advento
dos transplantes, a função cerebral.

A tanatologia se divide em:


Tanatognose é a área da tanatologia que estuda o diagnóstico da realidade
da morte.
Cronotanatognose é a área da tanatologia que estuda a determinação da
hora ou data da morte.

A dificuldade e a complexidade de se diagnosticar a morte vem do fato de


ela não ser um momento, um instante, mas sim um processo gradual e mais ou
menos demorado, morrendo primeiro os tecidos mais diferenciados, que têm mais
necessidade de oxigênio.

Segundo Silveira (2013), é possível dividir a morte em sinais:

Sinais Duvidosos – Imobilidade do corpo, flacidez dos membros, perda


da consciência, insensibilidade geral – em especial dos sentidos – suor frio,
horripilação da pele, ponta do pé desviada para fora, flexão do polegar na palma
da mão, o peso e o alongamento do corpo, cessação dos movimentos aparentes
da respiração, cessação dos movimentos cardíacos, ausência de pulso, face
cadavérica, descoramento tegumentar, cor amarela das palmas dos pés e das
palmas da mão, falta de transparência da certas regiões do corpo (mão, orelhas
etc.), transiluminada.
Sinais Prováveis – Resfriamento progressivo do corpo, paralisia dos
esfíncteres (pupilas dilatadas, incontinência de fezes, urina, saliva), deformação
da pupila, rigidez cadavérica, manchas da esclerótica, depressão do globo
ocular, sinal de Bouchut (opacificação da córnea, vacuidade da artéria central
da retina, descoramento do fundo do olho, interrupção gasosa do sangue das
veias retinianas), ausência de reação inflamatória pela ação do calor e cáusticos,
sibilações ou livores cadavéricos.
Sinais Certos – Pergaminhamento da derma, mancha verde abdominal,
parada completa e prolongada da circulação, prova de Icard (injeção de

59
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

fluoresceína 1cg/kg), introdução de papel poroso embebido em acetato de chumbo


nas fossas nasais faz aparecer, na morte, a cor negra pelo hidrogênio sulfurado
da putrefação; provas de Ambard e Brissemoret (verificação da acidez dos meios
orgânicos verificado na polpa esplênica e hepática, obtidos por punção), prova de
Lecha Marzo ( verificação da acidez cadavérica através de papel tornassol sob as
pálpebras).

Segundo França (2017), a posição da vítima e a do agressor pode ser


ressaltada pelo estudo da localização e da direção dos ferimentos.

As feridas dorsais indicam, quase sempre, que a vítima estava de costas


para o agressor. O trajeto, a profundidade e a cauda de escoriação voltada para
esse ou aquele lado levam à conclusão da direção que tomou o instrumento, de
cima para baixo ou de baixo para cima, se da direita para a esquerda ou vice-
versa. Em geral, o agressor usa a arma de características perfurocortantes com
o gume voltado para dentro ou para baixo. A ordem da sucessão das lesões
fundamenta-se na direção e na quantidade da hemorragia das feridas. Se um
indivíduo tem um ferimento no tórax e o sangramento flui em direção vertical,
de cima para baixo, e outro no flanco esquerdo derramado para o lado e para
dentro, diz-se que a primeira lesão foi a do tórax, quando ele ainda estava de
pé, e a segunda, a do flanco esquerdo, com a vítima caída. Quando as feridas
se cruzam, a sequência dos ferimentos é dada pelas características discutidas
sobre o assunto quando do estudo das feridas cortantes (sinal de Chavigny). O
número de agressores pode constituir um problema a ser elucidado pela perícia.
Muitas lesões de mesmos caracteres induzem-nos a pensar na existência de um
só agressor. No entanto, isso não é regra geral, pois uma vítima pode ser ferida
por dois agressores usando a mesma arma. E, também, pode um agressor usar
dois tipos de instrumentos, sucessivamente. É mais difícil um mesmo autor usar
duas facas-peixeiras, por exemplo. A multiplicidade de vítimas e a gravidade dos
traumatismos orientam o raciocínio no sentido de muitos agressores.

3.1 Sinais ABiÓticos


Segundo Silveira (2015), ficam assim divididos os fenômenos cadavéricos
para diagnóstico da realidade da morte: Abióticos ou avitais ou vitais negativos,
que se dividem em fenômenos abióticos imediatos e fenômenos abióticos
consecutivos.

60
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

3.1.1 FenÔmenos ABiÓticos Imediatos

• Perda da consciência
• Insensibilidade
• Imobilidade e a volição do tono muscular. Sua verificação se faz pelos
seguintes meios:
o Prova de Rebouilat, que consiste na injeção de 1 cm³ de éter no
tecido celular subcutâneo, e verificação de sua difusão ou não.
o Fascies hipocrática
o Imobilidade e atitude característica
o Relaxamento dos esfíncteres
o Inexcitabilidade elétrica
o Dinamoscopia de Collongues
• Cessação da respiração, que pode ser observada por:
o Ausculta da caixa toráxica
o Espelho colocado diante dos orifícios respiratórios
o Chama de vela na frente dos orifícios respiratórios
o Felpa de algodão colocada diante das narinas
o Vasos com água colocado sobre o peito
o Cessação da circulação verificada por:
o Ausência de batimento cardíaco pela ausculta
o Fenômenos oculares:
o Esvaziamento da artéria central da retina
o Interrupção da coluna sanguínea das veias retinianas
o Descoramento da papila ótica
o Descoramento da coroide
o Cessação da circulação na rede capilar da conjuntiva
o Prova ácido/ pirástica de Middeldorf (verificação dos movimentos
cardíacos pela introdução de agulha no precórdio)
o Arteriostomia
o Ligadura de um membro ou parte dele – sinal de Magnus
o Coagulação do sangue – prova de Donne
o Sinalda ventosa escarificada de Lasseur (aplicação de ventosa
escarificada na região epigástrica – se aparecer sangue há vida)
o Forcipressão física de Icard
o Eletrocardiografia, preconizada em 1921 por Eithoven e Hugenoltz
o Radiologia cardíaca (radioscopia, preconizada em 1927 por Piga)
o Radiologia dos vasos sanguíneos (Hilário Veiga de Carvalho, em 1832)
o Prova de flueresceína de Icard

61
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3.1.2 FenÔmeno ABiÓtico


ConsecutiVo
• Evaporamento tegumentar que é verificada por:
o Perda de peso do corpo
o Pergaminhamento da pele
o Dessecação das mucosas (boca e lábios)
o Fenômenos oculares, achatamento de globo ocular, perda de
transparência da córnea, tela albuminosa da córnea, consequente à
coagulação de substâncias albuminoides, descamação do epitélio e
poeiras.
o Mancha da esclerótica – sinal de Sommer Larcher (devido à
dessecação da esclerótica, que permite a visibilidade da coroide
subjacente).

3.2 Fatores Ligados À Morte


Cessada a vida, os mecanismos termorreguladores deixam de existir,
tornando o corpo um objeto inanimado, trocando calor (recebendo e cedendo)
de acordo com o meio onde se encontra. O resfriamento corporal é progressivo e
pode ter seu ritmo alterado por fatores extrínsecos e intrínsecos.

Vamos descrever alguns dos fatores intrínsecos a seguir:

· Idade: quanto mais velho o cadáver, maior a tendência de resfriamento


mais lento (assim como o metabolismo corporal, quanto mais velho, mais
lento), em comparação com cadáveres mais novos, quando nas mesmas
condições;
· Biótipo: quanto maior o volume corporal de um cadáver, maior será a
lentidão de resfriamento;
· Causa mortis: quando o indivíduo vem a óbito em estado febril, o
resfriamento corporal será bem lento. Já em quadros que consomem
o indivíduo em vida, por exemplo, nos casos de câncer, o resfriamento
corporal ocorrerá de forma mais rápida.

Agora vamos descrever alguns dos fatores extrínsecos. Esses fatores


interferem diretamente no resfriamento corporal do cadáver, tais como: as
vestimentas que o cadáver está usando; anuidade (dificuldade de evaporação
e irradiação de calor); local (fechado, abafado, que protegem contra a perda de
calor);

62
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Segundo Fláminio Fávero (1945), a temperatura, no estado de São Paulo,


cai na proporção de 1,5 grau Celsius por hora. Para Almeida Junior, esta queda
se dá a 1 grau Celsius por hora, sendo mais lenta nas três primeiras horas, e
voltando a ficar lenta novamente ao se aproximar do equilíbrio térmico.

3.3 CaracterÍsticas dos Estágios de


PutreFaçÃo
Após o resfriamento do corpo, começam a surgir as marcas da putrefação,
que serão descritas na sequência:

Hipóstases ou Livores Cadavéricos: após o óbito, o sangue, obedecendo


às leis da física e da gravidade, acumula-se nas veias situadas nas posições de
maior declive, não só nas extremidades como também nas vísceras. Isto ajuda a
revelar a causa da morte, se houve mudança na posição do cadáver ou na hora
da morte.

Possuem normalmente coloração violácea escura, podendo ser de cor


vermelho claro nos casos de afogamento ou em mortes por monóxido de carbono.
Apresentam coloração pálida nos casos de óbito por anemia aguda.

Diferentemente da equimose, onde o sangue extravasa e infiltra todos os


tecidos.

Figura 5 – Hipóstases Ou Livores Cadavéricos

Fonte: Santos (1978)

63
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Rigidez Cadavérica: essa etapa corresponde ao fenômeno físico-químico de


endurecimento do cadáver. Após cessar a circulação sanguínea, os catabólicos
presentes na circulação não podem ser eliminados e acumulam-se nos tecidos,
assim como o ácido lático, ocorrendo acidificação das células e desidratação.
Ocorre a coagulação de proteínas musculares resultando na formação da miosina
ou coagulo muscular. O desaparecimento desse coagulo ocorre por ação de
enzimas autolíticas (Figura 6).

Figura 6 – Rigidez Cadavérica.

Fonte: <http://wwwmorgue.blogspot.com/2012/05/de-pericia-medica-
forense-tanatologia.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

Durante o processo cadavérico, ocorrem alguns fenômenos, descritos a


seguir:

• Autólise: ocorre quando são cessados as trocas nutritivas e o meio se


acidifica.
• Putrefação: ocorre devido à decomposição das matérias albuminoides,
com a produção de gases pútridos. As bactérias aeróbias esgotam todo o oxigênio
do cadáver e, após essa fase, entram em ação as bactérias anaeróbias que são
produtoras de putrefação gasosa, decompondo a albumina e produzindo gases
(gás carbônico, ácido sulfídrico, amônia e hidrogênio).

Segundo França (2017), na gênese dos fenômenos da putrefação gasosa,


a coloração verde e liquefação dos tecidos cadavéricos, sejam adultos ou fetais,
atuam os microrganismos anaeróbios (bacilos butílicos, o bacilo pútrido, o
pseudovibrião séptico e o grupo de bacilos tentaniformes). O primeiro preside,
no cadáver, a fermentação dos hidratos de carbono, o segundo e os restantes, a
decomposição de substâncias proteicas.

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Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

O processo de putrefação é mais rápido em crianças, mais acelerado em


indivíduos com maior constituição corporal e acelerada em mortes por infecção,
septicemia e nas asfixias. É dividido em quatros períodos:

1° Período da coloração das manchas: seu ponto de partida geralmente é


o intestino, onde a flora bacteriana é abundante. A primeira mancha que aparece
é uma mancha verde que se localiza na região inguino-abdominal direito, onde
o ceco “intestino grosso” é mais próximo à pele, aparecendo de 20 a 24 horas
após a morte devido à ação do gás sulfídrico sobre a hemoglobina. A partir daí se
espalha para o abdome, o tórax, pescoço e face.

2° Período gasoso: os gases se acumulam nos tecidos, fazendo com que


o cadáver vá se agigantando onde o tecido é mais frouxo, ao mesmo tempo em
que ocorre a formação de vesículas na pele, com conteúdo gasoso e líquido
de aparência escura. No abdome, os gases se acumulam produzindo grande
pressão, comprimindo as vísceras e seus conteúdos. Os tecidos moles se
destroem e este período pode levar até três semanas para evoluir. Nessa fase
podem ocorrer: vômito, parto, protusão da língua e prolapsos uterinos.

Observação: caso o cadáver esteja em ambiente fechado e, ao ser localizado


esteja na fase gasosa, é possível que o mesmo possa vir a explodir ao entrar em
contato com o ar devido à diferença de pressão no ambiente.

3° Período coliquativo: à medida que ocorre a progressão da putrefação,


o cadáver vai se destruindo, os gases vão escapando, os tecidos se dissolvem,
assim como as partes moles, restando apenas o esqueleto. Os insetos e as larvas
que invadem o cadáver desde o início da putrefação são de extrema importância
para predizer o dia e a hora do óbito (Figura 7).

Figura 7 – Fase Coliquativa

Fonte: <http://wwwmorgue.blogspot.com/2012/05/de-pericia-medica-
forense-tanatologia.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

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4° Período de esqueletização: esse período ocorre logo após as partes


moles serem destruídas e consumidas pela ação das bactérias, do terreno e do
meio ambiente, restando apenas os ossos. Esse período normalmente pode durar
vários meses.

Os processos descritos a seguir são verificados na etapa final da putrefação,


quando os órgãos e vísceras começam a desaparecer.

• Maceração: esse processo pode ser asséptico ou séptico, dependendo


das condições do ambiente em que o corpo permanece. A maceração asséptica
ocorre quando o feto morre ainda no útero. E a maceração séptica ocorre em
cadáveres mantidos em meio liquido contaminado, em consequência do excesso
de umidade ou muito liquido, ocorrendo a atuação da flora bacteriana presente.
Ocorre o destacamento da epiderme, as peles das mãos e dos dedos saem como
luvas. (Figura 8)

Figura 8 – Maceração

Fonte: <http://wwwmorgue.blogspot.com/2012/05/de-pericia-medica-
forense-tanatologia.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

• Mumificação: A mumificação se produz espontaneamente quando o


cadáver encontra condições especiais, a saber: temperatura elevada, ambiente
seco e arejado. Tanto ocorre no cadáver exposto ao ar como no sepulto. Essas
condições são encontradas em regiões desérticas, como no Saara e no nordeste
brasileiro (Figura 9).

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Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

Figura 9 – Mumificação

Fonte: <http://wwwmorgue.blogspot.com/2012/05/de-pericia-medica-
forense-tanatologia.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

• Saponificação: Flamínio Fávero (1945) define a saponificação como o


processo que transforma o cadáver em substância de consistência untuosa, mole,
quebradiça, às vezes de colorido amarelo claro. Há uma transformação gordurosa
e calcárea do cadáver. A adipocera transforma quimicamente todos os tecidos do
cadáver, conservando esta sua forma, com as feições como se tivesse acabado
de morrer. A pele é pouco alterada.

Iremos relatar, com alguns destaques, os tipos de morte:

3.4 TiPos De Morte

Cada ser humano vem a óbito de uma determinada maneira, podendo ser
causa natural ou não. A seguir vamos descrever, suscintamente, os tipos de morte.

Morte
É a cessação total e permanente das funções vitais (cerebral, respiratória e
circulatória).

Morte Súbita
É aquela que se produz rapidamente em um indivíduo com aparente boa
saúde até o óbito. São exemplos de morte súbita: infarto agudo do miocárdio,
acidente vascular cerebral, meningites e encefalites. Doenças crônicas ou
degenerativas assintomáticas podem matar repentinamente.

Morte Agônica ou Inexplicável


É a morte causada por doenças como câncer, tuberculose, cirrose.

67
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Acidentes
Normalmente são causados por fator ou falha humana, tendo como fator
predominante a embriaguez.

É o que sofre um indivíduo por causas fortuitas e não previsíveis, ou que, em


sendo previsíveis, não o foram por ignorância, negligência ou imprudência, isto é,
por culpa.

Suicídio
É a morte voluntária de si próprio, ou seja, o homicídio de si mesmo. É a
morte do indivíduo pelas lesões que se auto inflige com o objetivo de pôr fim a sua
vida.

Homicídio
É a morte voluntária de uma pessoa por outra pessoa, em forma dolosa
(quando há culpa), culposa (quando não há culpa) e preterintencional (quando
ocorre intencionalmente). São exemplos: infanticídio, aborto.

Morte cerebral
É quando ocorre a cessação das funções cerebrais, porém, com as funções
vitais ainda funcionando, ou seja, o conhecido “estado vegetativo” (Resolução
CFM n° 1.480/97).

3.4.1 EXumaçÃo
É a solicitação feita em caráter especial, com o objetivo criteriosamente
justificado e quesitos específicos para averiguação (identificação, causa exata da
morte, entre outros).

São exames realizados nos cadáveres para averiguação da morte e da


causa da morte:

• Exame tanatológico: são os exames que irão definir – houve a morte?


Qual foi a causa da morte? Qual instrumento ou meio que a produziu
(veneno, fogo, asfixia etc.)?
• Exame de lesões: hemorragia e coagulação sanguínea; retração de
tecidos; reação inflamatória; reação vascular; cogumelo de espuma;
aspiração de materiais;
• Exame do cadáver: interno (verificação da cavidade craniana, torácica,
abdominal, pescoço, coluna e cavidades acessórias da cabeça);
laboratoriais (raios-X, sangue, urina e vísceras).

68
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

4 ASFIXIOLOGIA FORENSE
Existem diversos tipos de morte por asfixia, iremos abordar todos ao longo
do capítulo. Cada tipo de asfixia é responsável por determinada característica
encontrada no cadáver.

O termo asfixia refere-se ao impedimento das trocas gasosas


nos pulmões, ou em outras palavras, é a supressão da respiração.
Etimologicamente, quer dizer falta de pulso, devido às ideias que os
antigos tinham da respiração e da circulação. Os termos anóxia e
hipóxia significam inadequados suprimentos de oxigênio nos tecidos.
Nas asfixias, a diminuição de O2, se acompanhada de aumento de
CO2 no sangue arterial.

4.1 Fases Da AsFiXia


Segundo Silveira (2015), em todo processo de asfixia distinguimos cinco
fases:

• Fase cerebral – Nesta fase aparecem perturbações sugestivas,


vertigens, ofuscamento da visão, zumbidos, angústia, perda da
consciência dentro de 30 segundos, pulso acelerado.
• Fase de excitação cortical e medular – Nesta fase a vítima apresenta
convulsões, eliminação de urina e de fezes, ejaculação, hiperminésia.
• Fase cianose – O coração torna-se lento, sobrevém hipertensão arterial.
Esta fase dura de 1 a 2 minutos.
• Fase de morte da respiração – Surge uma insuficiência ventricular
direita. Cessam os movimentos respiratórios. A duração desta fase vai
de um a dois minutos.
• Fase cardíaca – Os batimentos cardíacos tornam-se irregulares e
vão enfraquecendo cada vez mais. Por fim, o coração para, com os
ventrículos em diástole.

69
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4.1.1 Sinais Gerais EXternos de


AsFiXias
Cianose da face, congestão da face, equimose subconjuntivais, petéquias
subcutâneas, cianose das unhas, otorragia, livores escuros (com exceção do
afogamento e monóxido de carbono), cogumelo de espuma saindo pela boca.

4.1.2 Sinais Gerais Internos de


AsFiXia
Espuma aérea e sanguinolenta na traqueia e brônquios, congestão visceral,
petéquias, vacuidade relativa do coração esquerdo e repleção do direito.
Alterações do sangue, que é escuro (com exceção do afogamento e asfixia pelo
monóxido de carbono), fluido, mudança do pH, baixa do ponto de criocospia,
aumento da relação cloro globular diminuição do oxigênio, hiperglicemia.

4.2 ClassiFicaçÃo das AsFiXias


As asfixias podem ser classificadas da seguinte forma:

4.2.1 ASFIXIAS POR OBSTRUÇÃO DAS


VIAS RESPIRATÓRIAS:
Sufocação: é a asfixia causada por mecanismos que obstaculizam a entrada
de ar nos pulmões, não sendo produzida pela submersão, nem pela constrição
cervical. Pode ser classificada em:

o Direta: quando os obstáculos são nas aberturas aéreas, como as


narinas, a boca e a glote;
o Oclusão acidental: alguns exemplos são de crianças dormindo com
os pais, sufocação por panos no berço, ataque epilético, engasgar com
comidas ou objetos;
o Oclusão criminosa: comum nos casos de infanticídio, por exemplo,
com lama.
o Indireta: o processo de asfixia ocorre por impossibilidade de realizar
movimentos de inspiração e expiração devido à força ou a peso
excessivo;
70
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

o Compressão homicida: um exemplo desse caso é o assassino


sentar-se sobre o tórax da vítima, levando à compressão pulmonar,
consequentemente, asfixia por peso;
o Compressão acidental: ocorre, por exemplo, quando o indivíduo é
pisoteado por multidões, em acidentes de trânsito com vitima presa em
ferragens, esmagamento contra grades;

4.2.2 AsFiXia Por ConstriçÃo do


Pescoço:
Enforcamento: é a asfixia mecânica por constrição do pescoço, causada
por um laço com a extremidade fixa a um dado ponto, onde o próprio peso do
indivíduo atua como força viva. Normalmente é verificada em casos de suicídio,
homicídios, acidentes. Leva normalmente de 05 a 10 minutos para ocorrer o óbito,
porém, com menos de 10 segundos ocorre perda gradativa e considerável de
consciência (Figura 21).

Figura 10 – Enforcamento

Fonte: <http://grupocienciascriminais.blogspot.com/2014/11/
medicinalegal-esganadura.html>. Acesso em: 21 jan. 2019

Estrangulamento: é a asfixia causada pelo acionamento do laço por forças


mecânicas contrárias ao indivíduo, é vista comumente em homicídios, acidentes e
execuções judiciais.

Esganadura: é restritiva ao uso de segmentos corporais para efetivação da


manobra. É vista em homicídios, podendo ser por utilização das mãos, joelhos e
gravatas com os membros (Figura 11).

71
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 11 – Esganadura

Fonte: <http://grupocienciascriminais.blogspot.com/2014/11/
medicinalegal-esganadura.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

4.2.3 AsFiXia Por ModiFicaçÃo do


Meio AmBiente:
Confinamento: ocorre no individuo enclausurado, por espaço restrito ou
fechado, sem possibilidade de renovação do ar atmosférico, fazendo com que o
mesmo se esgote, levando ao aumento gradativo do gás carbônico;

Soterramento: ocorre quando o ar é substituído por meio sólido (terra, areia,


farináceos); na maioria dos casos é acidental;

Afogamento: ocorre a troca do meio gasoso por meio liquido, o que impede
a troca gasosa necessária para a respiração. As características de cada cadáver
irão predizer o tipo de óbito no caso dos afogados:

4.2.3.1 CaracterÍsticas do CadáVer


AFogado
Os corpos encontrados por morte em decorrência de afogamento podem ser
classificados da seguinte forma:

- Afogado azul: apresenta coloração cianótica, morrendo por aspiração de


um meio liquido, sendo considerado afogado verdadeiro;
- Afogado branco: apresenta coloração esbranquiçada, sem aspiração de
água, conhecido como falso afogamento;

72
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

- Afogado branco de Parrot: é a morte por inibição ou choque vagal, ocorre


quando o indivíduo toca na água, causando lesões vasculares sem sinais de
asfixia.

Cogumelo de espuma: o indivíduo apresenta a face congesta e cianótica,


onde é possível observar o cogumelo nas narinas e boca do cadáver. Esse
cogumelo é causado pelo fluido proveniente dos pulmões e consiste de exsudato
(contém proteínas, surfactante e água), geralmente com coloração branca. Na
maioria dos casos ocorre em mortes acidentais.

Nos afogamentos, ao realizarmos o exame necroscópico, encontramos a


presença de líquidos e corpos estranhos nas vias respiratórias e digestivas, além
das manchas de Paltauf (equimoses avermelhadas no parênquima pulmonar por
ruptura das paredes alveolares e início do estado putrefativo) (Figura 12).

Figura 12 – Afogamento

Fonte: <http://www.taperuabanoticias.com.br/2013/07/cadaver-e-
encontrado-no-balneario-de.html>. Acesso em: 21 jan. 2019.

4.2.4 AsFiXia Por Parada ResPiratÓria


Central:
Ocorre devido à presença de gases inertes no meio, quando o indivíduo
permanece em ambiente saturado de gases como butano, metano e propano.
Tais gases possuem efeito de bloqueadores do sistema nervoso central, levando
ao óbito por asfixia.

73
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Ao longo do capítulo foi possível analisar e compreender melhor os estados
e fases da morte, que levam ao processo de esqueletização do cadáver. Também
pudemos verificar os estados putrefativos e causas de óbito.

Levando-se em consideração os fatores ambientais e individuais de cada ser


humano, podemos predizer corretamente a causa e a data do óbito.

Ao final deste capítulo, você, acadêmico, deve ser capaz de analisar e


interpretar os estudos das causas da morte, meios propícios para cada estado de
evolução cadavérica, assim como agentes causadores desses estágios.

1 (UEG - NÚCLEO - 2008 - PC-GO - Delegado de Polícia) A lesão


conhecida como mordedura ou dentada produzida pela arcada
dental humana, em razão de suas características, classifica-se
como
a) ( ) cortocontudente.
b) ( ) contundente.
c) ( ) perfurante.
d) ( ) perfurocontundente.

REFERÊNCIAS
ANGHER, A. N. Dicionário jurídico. 6. ed. São Paulo: Editora Rideel, 2002.

ARBENZ G. O. Compêndio de medicina legal. Atheneu, 1983.

BITTAR, N. Medicina legal. Editora MB, 2009.

CROCE, D.; JUNIOR, D.C. Manual de Medicina Legal. 8. edição. São Paulo:
Editora Saraiva, 2012.

FÁVERO, F. Medicina legal. 3. ed. Livraria Martins, 1945.

FRANÇA, G. V. D. Medicina legal. 11. ed. Rio de Janeiro. Editora Guanabara-


Koogan, GEN. 2017.

74
Capítulo 2 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE I

GRUPO CIÊNCIAS CRIMINAIS. Medicina legal: esganadura. 2018. Disponível


em: <http://grupocienciascriminais.blogspot.com/2014/11/medicinalegal-
esganadura.html>. Acesso em: 28 nov. 2018.

MEJIA, R. Medicina forense, qual suas funciones? Disponível em: <https://


www.saludymedicinas.com.mx/centros-de-salud/salud-masculina/articulos-
relacionados/medicina-forense-funciones.htm>. Acesso em: 6 nov. 2018.

MENEZES, A. Necrotério medicina legal. 2012.Disponível em: <http://


wwwmorgue.blogspot.com/2012/05/de-pericia-medica-forense-tanatologia.html>.
Acesso em: 28 nov. 2018.

ONESTI, A. Apostila de medicina legal. Faculdade de Direito, 2018.

SILVEIRA, P. R. Fundamentos da medicina legal. Rio de Janeiro: Editora


Lumen Juris, 2013.

TOURINHO FILHO, F. C. Processo penal. v. 3, 16. ed. São Paulo: Saraiva,


1994.

WIKIPEDIA. Autópsia (1890). Enrique Simonet. Disponível em: <https://


pt.wikipedia.org/wiki/Medicina_legal#/media/File:Enrique_Simonet_-_La_
autopsia_1890.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2018.

75
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

76
C APÍTULO 3
CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes


objetivos de aprendizagem:

 Saber: ao final do presente capítulo, você, acadêmico, deverá saber: formas


de estudo da Medicina Legal, formas de verificação de óbito e tipos de óbito
existentes, local da perícia e objetos envolvidos, e confecção de laudo pericial.

 Fazer: ao final do presente capítulo, você, aluno, deverá fazer: distinção


dos tipos de estudos através das lesões presentes no objeto de estudo
(ser humano), assim como identificação de lesões sexuais e caracteres de
feminilidade ou masculinidade, utilização e resíduos de substâncias tóxicas,
drogas e/ou medicamentos que podem levar ao dano ou ao óbito, assim como
tipos de traumas sofridos pelo objeto do estudo. Ao final do livro, o aluno
deve compreender todos os tópicos abordados, assim como ser capaz de
confeccionar um laudo pericial dentro da esfera estudada.
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

78
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Crimes, de modo geral, geram grande repercussão e interesse da sociedade.
Não é à toa o grande sucesso das séries investigativas de TV, dos documentários,
livros e filmes policiais.

Portanto, quem busca conhecimento na área de perícia forense é um curioso


nato e busca desenvolver habilidades que possam contribuir para esclarecer
situações e desvendar mistérios.

Pretende-se que você, ao longo do estudo, possa desenvolver seu raciocínio


lógico e sua visão realística sobre os dados encontrados em amostras, usando
o conhecimento técnico para extrair conclusões pertinentes. Ainda, refletir sobre:
Como se deve escrever um laudo técnico? Existe crime sem prova pericial ou o
agente que não procurou direito? Qual o papel do perito dentro da investigação de
um crime?

2 TRAUMATOLOGIA FORENSE
A traumatologia médico-legal, ou lesionologia, estuda as lesões e estados
patológicos, imediatos ou tardios, produzidos por violência sobre o corpo
humano. É um dos capítulos mais amplos e mais significativos da medicina
legal, constituindo 50 a 60% das perícias realizadas no âmbito das instruções
especializadas. Seu maior interesse volta-se para as causas penais e trabalhistas
e, mais raramente, para as questões civis (SILVEIRA, 2015). O meio ambiental
pode impor ao homem as mais diversificadas formas de energias causadoras de
danos pessoais. Essas modalidades de energias dividem-se em:

a) Energias de ordem mecânica: são as energias capazes de modificar


o estado de repouso ou movimento de um corpo, produzindo lesões em partes
ou no todo. Os meios mecânicos causadores do dano vão desde as armas
propriamente ditas (punhais, revólveres, soqueiras), armas eventuais (faca,
navalha, foice, facão, machado), armas naturais (punhos, pés, dentes), até
os mais diversos meios imagináveis (máquinas, animais, veículos, quedas,
explosões, precipitações). As lesões produzidas por ação mecânica podem ter
suas repercussões externa ou internamente. Podem ter como resultado o impacto
de um objeto em movimento contra o corpo humano parado (meio ativo), ou o
instrumento encontrar-se imóvel e o corpo humano em movimento (meio passivo),
ou, finalmente, os dois se acharem em movimento, indo um contra o outro (ação
mista). Esses meios atuam por pressão, percussão, tração, torção, compressão,
descompressão, explosão, deslizamento e contrachoque. Em conformidade com

79
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

as características que imprimem as lesões, os meios mecânicos classificam-se


em: perfurantes; cortantes; contundentes; perfurocortantes; perfurocontundentes;
cortocontundentes.

b) Energias de ordem física: são aqueles tipos de energia que modificam o


estado físico do organismo, no todo ou em parte, causando lesão corporal e até
mesmo a morte. São elas: a eletricidade, o calor, a temperatura, a luz, o som, a
pressão atmosférica, o raio X, as radiações ionizantes.

c) Energias de ordem físico-química: nesse tipo de energia são


encontrados elementos que impedem a passagem do ar pelas vias respiratórias,
alterando inclusive a composição bioquímica do sangue, a esse fenômeno
damos o nome de asfixia. O indivíduo pode vir a óbito quando o sangue venoso é
convertido em sangue arterial;

d) Energias de ordem química: Segundo Flamínio Fávero (1951), as


energias de ordem química são aquelas que atuam por substâncias que entram
em reação com os tecidos. As que agem através de reações químicas com os
tecidos.

e) Energias de ordem bioquímica: são aquelas que se manifestam


através de uma ação biológica e química, atuando lesivamente de modo positivo
ou negativo, levando em consideração as condições orgânicas e de defesa de
cada indivíduo. Por exemplo, os casos de anorexia e bulimia e a ingestão de
determinados venenos.

f) Energias de ordem biodinâmica: normalmente ocorrem por quadros


complexos resultantes de múltiplos fatores, nesse grupo encontram-se a
síndrome do choque, síndrome da falência múltipla dos órgãos e da coagulação
intravascular disseminada;

g) Energias de ordem mista: são determinados grupos de ação que causam


lesões corporais ou de morte, analisados na causalidade do dano. As doenças
profissionais e os acidentes de trabalho estão nesse tipo de energia, destacando-
se a fadiga, algumas doenças parasitarias e todas as formas de sevícias;

2.1 LESÕES
Os instrumentos deste grupo de perfurocortantes se caracterizam por sua
extremidade puntiforme e pelo predomínio do comprimento sobre a largura e a
espessura. Podem ser:

80
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

1°) Instrumentos perfurantes propriamente ditos, de forma cilíndrica ou


cilindro-cônica, tais como os pregos, as agulhas, os alfinetes etc.

2°) Instrumentos perfurocortantes. Estes, além de perfurar o organismo,


ainda exercem lateralmente ação de corte. São representados pelas facas,
punhais, canivetes etc. Compreendem dois grupos:

a) os instrumentos perfurocortantes de um só gume ou de só bordo cortante;


b) instrumento perfurocortantes de dois gumes ou de dois bordos cortantes.

3°) Instrumento de ponta e de aresta, contendo várias faces (quatro,


cinco ou mais) e três ou mais ângulos diedros. É o caso dos objetos como as
limas, os floretes, certos estoques, baionetas, etc. Esses instrumentos podem
produzir acidentes ou serem usados para a prática de homicídio e de suicídio.
Detalhamentos:

Os instrumentos cilíndricos ou cilindro-cônicos produzem, geralmente,


acidentes benignos, a menos que sobrevenham complicações. De modo geral,
pode-se dizer que um prego, uma agulha ou qualquer outro instrumento desse
grupo dificilmente é usado como arma. Excetuam-se certos furadores de gelo,
cilindro-cônicos, que têm sido responsáveis por alguns casos de homicídio.

Segundo a quantidade do dano, as lesões corporais classificam-se em:

a) Leves — São as que não determinam as consequências previstas nos


§§ 1.º, 2.º e 3.º do art. 129 do Código Penal.
b) Graves — Incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30
dias; perigo de vida; debilidade permanente de membro, sentido ou
função; aceleração de parto.
c) Gravíssimas — Incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade
incurável; perda ou inutilização de membro, sentido ou função;
deformidade permanente; aborto.

Embora praticamente em geral a exiguidade das lesões sugira lesão corporal


leve, o tamanho externo não constitui critério seguro de classificação delas.
Diga-se o mesmo na ausência de lesão anatômica visível à inspeção, se houver
perturbação da normalidade funcional, física ou mental.

81
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

2.1.1 LesÕes PerFurocortantes


As feridas perfurocontusas são produzidas por um mecanismo de ação
que perfura e contunde ao mesmo tempo. Na maioria das vezes, esses
instrumentos são mais perfurantes que contundentes. São lesões consideradas
perfurocortantes:

As lesões provocadas por arma de fogo, onde deve-se verificar os orifícios


de entrada e saída do projétil e o trajeto do mesmo. Os orifícios de entrada são
resultantes dos tiros encostados, a curta distância ou a distância do indivíduo. O
orifício de saída é bem diferente do orifício de entrada, por uma série de razões. O
projétil, ao sair, atinge a pele de dentro para fora, suas características não são as
mesmas que ao entrar, pois sua velocidade é menor; pode ricochetear em osso
e se deformar. O projétil inverte sua posição, podendo sair de lado ou pela base.
No orifício da saída, não encontramos as orlas existentes no de entrada. Suas
bordas são voltadas para fora e frequentemente encontramos fibras de tecido se
exteriorizando por ele. Sua forma pode ser a mais variável. Frequentemente é
irregular, podendo ser até mesmo arredondada ou ovalada.

Lesão por ferimento de arma de fogo encostado: essas lesões possuem


plano ósseo logo abaixo do ferimento, com formato irregular, denteado ou com
entalhes, devido à ação resultante dos gases que deslocam e dilaceram os
tecidos (Figura 1).

Figura 1 – Ferida De Saída

Fonte: <www.reginaldofranklin.com.br/ferida-de-saída>. Acesso em: 6 dez. 2018.

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Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

Figura 2 – Ferida De Entrada

Fonte: <www.reginaldofranklin.com.br/ferida-de-saída>. Acesso em: 6 dez. 2018.

Lesão por ferimento de arma de fogo a curta distância: essas lesões


possuem formato arredondado ou elíptico, com orla de escoriação, bordas
invertidas, halo de enxugo, halo de zona ou tatuagem, zona de esfumaçamento,
zona de queimadura, aréola esquemática e zona de compressão de gases.

Quanto maior a inclinação do tiro sobre o alvo, maior será o eixo do ferimento
causado pelo mesmo.

• Orla de Escoriação: refere-se ao arrancamento da epiderme, motivado


pelo movimento rotativo do projétil antes de penetrar no corpo, sendo a
área ao redor da região de impacto na pele;
• Halo de Enxugo: refere-se à passagem do projétil através dos tecidos,
atritando e contundindo, como se limpa as impurezas do local do tiro;
• Zona de Tatuagem: essa região possui formato arredondado em tiros
perpendiculares, ou em forma de crescente, nos tiros oblíquos. Variando
de cor, forma, extensão e intensidade conforme a pólvora. É resultante
da impregnação dos grãos de pólvora que alcançam o corpo. Através
da análise dessa região, a perícia pode determinar a distância exata do
tiro, utilizando-se a mesma arma e a mesma munição em vários tiros
de prova, até alcançar um halo com o mesmo diâmetro que o original
(Figura 3).

83
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 3 – Zona De Tatuagem

Fonte: <www.reginaldofranklin.com.br/tatuagem/>. Acesso em: 6 dez. 2018.

• Zona de Esfumaçamento: ocorre devido ao deposito deixado pela


fuligem que circunscreve a ferida de entrada, formada pelos resíduos
finos e impalpáveis da pólvora combusta. Lavando-se o local, a marca
encontrada desaparece (Figura 3);

Figura 3 – Zona De Esfumaçamento

Fonte: <www.reginaldofranklin.com.br/esfumacamento/>. Acesso em: 6 dez. 2018.

• Zona de Queimadura: ocorre devido à ação do superaquecimento


dos gases que atingem e queimam o alvo. E essa reação de zona de
queimadura fala sempre em favor do orifício de entrada em deflagração
à queima roupa (tiro encostado);
• Aréola Equimótica: é representada por uma zona superficial e
relativamente difusa, decorrente de sufusão hemorrágica oriunda da
ruptura de pequenos vasos localizados próximos ao ferimento.

Lesão por ferimento de arma de fogo a distância: os ferimentos têm as


seguintes características: seu diâmetro é menor que o do projétil, possui forma

84
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

arredondada ou elíptica, orla de escoriação, halo de enxugo, aréola equimótica e


bordas reviradas para dentro, não apresentando efeitos secundários do tiro, não
sendo possível padronizar a distância.

A orla de escoriação possui formato de meia lua nos ferimentos ovalares.


Seu estudo esclarece a direção dos tiros. Nas vísceras o ferimento de entrada
apresenta halo hemorrágico.

2.1.2 BalÍstica Forense


“A Balística Forense constitui disciplina integrante da criminalística, que
estuda as armas de fogo, sua munição e os efeitos dos tiros produzidos sempre
que tiverem uma relação direta ou indireta com infrações penais, visando
esclarecer e provar a sua ocorrência.”

O estudo do orifício de entrada dos projéteis de arma de fogo (Figura 4)


é de grande importância em medicina legal, pois é através dele que podemos
esclarecer importantes questões para a investigação e julgamento, a saber,
a distância e a direção do disparo. No estudo do orifício de entrada devemos
considerar:

Figura 4 – Balística Forense

Fonte: <www.sites.google.com/site/medicinalegalcamilaardila/
multmedia>. Acesso em: 9 dez. 2018.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

1) Forma:
a) Segundo a direção (perpendicular, oblíquo e tangencial).
b) Segundo a distância (a distância, a curta distância e com arma encostada).
c) Segundo a condição do projétil (deformado por ricochete, ou
criminosamente, projétil no fim de seu alcance útil).

2) Dimensões:
a) Em relação ao projétil.
b) Em relação ao orifício de saída.

Quando uma arma de fogo é acionada, não é só o projétil que sai pela boca
do cano da arma; com ele saem grãos de pólvora que não se queimaram no
interior do cano, fuligem, fumaça, chama e gases aquecidos. Estes elementos
tendem a se espalhar pouco no organismo, pois os grãos de pólvora se queimam
no ar ou perdem velocidade; os gases se esfriam; a chama se apaga, entretanto,
podem atingir o alvo, que no nosso caso é a pele humana, e vão dar características
diferentes ao orifício de entrada.

2.1.3 LesÕes ProduZidas Por


OBJetos PerFurantes
São lesões causadas por elementos pontiagudos, alongados e finos, como
por exemplo: estiletes, agulhas, furadores de gelo, que vão atuar por percussão
ou pressão, afastando as fibras do tecido e raramente seccionando-as. O trajeto
dessas feridas é representado por um túnel estreito que se continua pelo tecido
lesado, representado no cadáver por uma linha escura. As lesões produzidas
nos órgãos profundos assumem forma de acordo com sua estrutura fibrosa,
cartilaginosa ou óssea.

A gravidade desses ferimentos depende do caráter vital dos órgãos e


estruturas atingidas ou da eventualidade de infecções supervenientes. Sua causa
jurídica é, na maioria das vezes, homicídio e, mais raramente, de origem acidental
ou suicídio.

2.1.4 LesÕes ProduZidas Por


OBJetos Cortantes
São lesões causadas por agentes com gumes mais ou menos afiados, por um

86
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

mecanismo de deslizamento sobre os tecidos, na maioria das vezes em sentido


linear, são alguns exemplos: navalha, bisturi e lâmina de barbear. Esses objetos
produzem feridas cortantes ou incisas. A ferida incisa ou de incisão cirúrgica
começa e termina a pique, em uma mesma profundidade que se estende de um
extremo ao outro, tem bordas bem regulares e excepcionalmente apresenta cauda
de escoriação. Já as feridas cortantes têm suas extremidades mais superficiais
e a parte mediana mais profunda, nem sempre se apresenta de forma regular,
tendo a chamada “cauda de escoriação” (Figura 5).

Essas lesões normalmente possuem:

• forma linear;
• bordas regulares;
• fundo da lesão regular;
• ausência de vestígios traumáticos em torno da ferida;
• hemorragia quase sempre abundante;
• e o seu comprimento predomina sobre sua profundidade.

Figura 5 – Lesão Por Instrumento Cortante

Fonte: <https://estudandopericia.wordpress.com/2016/12/20/lesões-causadas-
por-instrumentos-perfuro-cortantes/>. Acesso em: 9 dez. 2018.

2.1.5 LesÕes Por Armas Brancas


As lesões por armas brancas são caracterizadas pela agressividade de
seu gume afiado e de sua extremidade pontiaguda ou de ambos de uma vez só,
sendo dependente do manejo e da ação humana. São alguns exemplos: punhal,
estoque, navalha, faca de peixaria (Figura 6).

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 6 – Lesão Por Arma Branca

Fonte: <www.enfermagem-vidabranca.blogspot.com/2008/11/
primeiros-socorros.html/>. Acesso em: 9 dez. 2018.

São classificadas quanto a sua forma:

• Perfurantes: forma alongada, largura pouco significante e borda afilada;


• Cortantes: lâmina de pouca espessura e gume afiado;
• Perfurocortantes: lâmina estreita e extremidade pontiaguda;
• Cortocontundentes: de gume mais ou menos afiado e de peso
considerável, o que causa o maior poder de dano;

São classificadas quanto a sua espécie:

• Arma branca laminar com ponta e fio: bisturi, adaga;


• Arma branca laminar com fio: navalha;
• Arma branca laminar com ponta: punhal, sabre;
• Arma branca cilíndrica com ponta: florete, estilete;

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Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

Para entender melhor os objetos e formas de morte, assista ao


filme: O Colecionador de Ossos, (EUA, 1999)

FONTE: <http://www.adorocinema.com/filmes/filme-22329/>.
Acesso em: 6 dez. 2018.

2.1.6 LesÕes Por AçÃo Contundente


Essas lesões ocorrem por ação quase sempre produzida por um corpo de
superfície, e suas lesões comumente são externas. Age por pressão, fricção,
contragolpe ou de forma mista.

• Rubefação: A rubefação ou eritema traumático caracteriza-se pela


congestão repentina e momentânea de uma região do corpo atingida pelo
traumatismo, evidenciada por uma mancha avermelhada, efêmera e fugaz,
que desaparece em alguns minutos, daí sua necessidade de averiguação
exigir brevidade. Seu surgimento é imediato ao trauma. A bofetada na face ou
nas nádegas de uma criança, onde muitas vezes ficam impressos os dedos do
agressor, configura exemplo dessa tipificação lesional. Ao se restabelecer a
normalidade circulatória regional atingida, desaparecem todos os seus vestígios.
A rubefação é a mais humilde e transitória de todas as lesões produzidas por ação
contundente.

• Escoriação: Define-se, de forma mais simples, como o arrancamento da


epiderme e o desnudamento da derme, de onde fluem serosidade e sangue. Essa

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

singela lesão epidérmica, que não traz um maior valor aos clínicos e cirurgiões
pela sua irrelevante importância médica, tem, no entanto, para a Medicina Legal,
um valor transcendental.

• Equimose: Trata-se de lesões que se traduzem por infiltração


hemorrágica nas malhas dos tecidos. Para que ela se verifique, é necessária
a presença de um plano mais resistente abaixo da região traumatizada e de
ruptura capilar, permitindo, assim, o extravasamento sanguíneo. Em geral,
são superficiais, mas podem surgir nas massas musculares, nas vísceras e no
periósteo. A forma das equimoses significa muito para os legistas. Às vezes,
imprime a marca dos objetos que lhe deram origem (equimoses figuradas) com
mais fidelidade do que as escoriações. Dedos de uma mão, anéis, pneus de
automóveis (estrias pneumáticas de Simonin) e tranças de corda podem deixar
suas impressões em regiões atingidas (Figura 7).

Figura 7 – Equimose

Fonte: <https://pt.slideshare.net/josemariaabreujunior/traumatologia-
forense-parte-1-direito-ufpa/46>. Acesso em: 9 dez. 2018.

• Edema: É o acúmulo de líquido no espaço intersticial e é constituído por


uma solução aquosa de sais e proteínas do plasma, variando de acordo
com sua etiologia. Quando aparece em determinado local e circunscrito
a pequenos volumes chama-se de edema localizado. No estudo das
lesões decorrentes da ação contundente interessa mais o chamado
“edema por ação mecânica direta”, que tem como causas principais a
torção, a percussão ou a pressão. Em muitos casos, o edema é agravado
pela ação endógena da histamina.
• Hematoma: O maior extravasamento de sangue de um vaso bastante
calibroso e a sua não difusão nas malhas dos tecidos moles dão, em

90
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

consequência, um hematoma. Formam-se, no interior dos tecidos,


verdadeiras cavidades, onde surge uma coleção sanguínea. Pela
palpação da região afetada, percebe-se a sensação de flutuação.
• Fraturas: Decorrem dos mecanismos de compressão, flexão ou torção e
caracterizam-se pela solução de continuidade dos ossos. São chamadas
de diretas, quando se verificam no próprio local do traumatismo, e
indiretas, quando provém de violência em uma região mais ou menos
distante do local fraturado. Estas últimas têm como exemplo o indivíduo
que cai de certa altura em pé e fratura a base do crânio por contragolpe.

2.1.7 LesÕes Por Eletricidade


Segundo Silveira (2015), podemos encontrar lesões mecânicas,contundente,
fraturas, escoriações, feridas, arrancamentos de inserções musculares, que a
vítima sofre ao ser jogada ao solo, ou, em consequência de contraturas musculares
violentas, queimaduras, pelo efeito Joule.. A lesão característica da eletricidade
industrial é a marca elétrica ou marca de Jellineck lesão esta que pode aparecer,
ou não, tanto nos casos fatais, como nos casos de sobrevivência. É uma lesão
que tem aspecto característico. Sua forma pode reproduzir a forma do condutor,
sendo alongada, ou então arredondada, na maioria das vezes. É dura, de bordas
elevadas. Tem tonalidade acinzentada clara. Localiza-se sempre nos pontos onde
fez contato com os condutores, isto é, nos locais de entrada e de saída da corrente
elétrica. Seu mecanismo de produção ainda não foi satisfatoriamente explicado.
Alguns acham ser alteração histológica provocada pela corrente elétrica, outros
acham que é a alteração devida à ação calórica da corrente, adquirindo um
aspecto diferente das queimaduras típicas, por ter uma atuação muito breve (por
um espaço de tempo muito curto), de uma temperatura muito alta. Nas correntes
de alta tensão, encontramos, quase sempre, queimaduras externamente, pois
nestes casos há predominância do efeito Joule (Figura 8).

91
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 8 – Queimadura Elétrica.

Fonte: <https://estudandopericia.wordpress.com/2016/12/20/lesoes-
produzidas-por-agente-fisico/>. Acesso em: 9 dez. 2018.

2.1.8 LesÕes Causadas Pela


TemPeratura
Lesões provocadas pelo frio são muito raras em nosso meio. Podem ser
acidentais ou homicidas (caso de infanticídio, por exemplo)). Podem agir como
coadjuvante à inanição e embriaguez, cuja ação será mais intensa se as suas
vítimas forem expostas ao frio. A ação do frio pode se fazer localizadamente ou
de maneira sistêmica. A ação local do frio recebe o nome de geladura, pois pode
apresentar algumas lesões semelhantes às queimaduras, inclusive com filictenas,
e são também divididas em graus. Caracteriza-se por palidez da pele, aspecto
anserino, isquemia que pode evoluir para necrose e gangrena, além de anestesia.
São mais comuns nas extremidades. Foram muito observadas na 1ª Guerra
Mundial, daí por isso são também conhecidas como “pés de trincheira” (Figura 9).

Figura 9 – Lesões Corporais Por Temperatura

Fonte: <www.grupocienciascriminais.blogspot.com/2014/09/medicinalegal-
lesoes-corporais-por-27.html>. Acesso em: 8 dez. 2018.

92
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

2.1.9 LesÕes Por Agentes QuÍmicos


Os agentes químicos podem agir de forma localizada ou sistêmica,
dependendo da via de exposição e penetração dos mesmos no corpo.

• Cáusticos: são todas as substâncias que quando entram em contato com


o tecido, reagem desorganizando-os, agindo interna ou externamente.
São classificados como: COAGULANTES (os ácidos fortes como o
sulfúrico, o clorídrico, nítrico, entre outros; esses agem desidratando os
tecidos, formando escaras endurecidas, de cores diferentes, por exemplo:
o ácido sulfúrico provoca escaras esbranquiçadas); LIQUEFACIENTES
(são os álcalis, como a soda cáustica. Essas substâncias provocam
escaras úmidas, amolecidas pela liquefação dos tecidos. Sua ação
depende da natureza química do produto, da sua concentração e da
região atingida).
• Veneno: é toda substância que quando absorvida atua química ou
bioquimicamente sobre o organismo, lesando a integridade corporal e a
saúde do indivíduo. (SILVEIRA, 2015).

- Absorção dos Venenos: a absorção é dependente da via de contato do


veneno com o organismo podendo ser por: pele (alguns inseticidas e gases de
guerra); mucosas (aparelho digestório, aparelho respiratório, gentio-urinário);
serosas; via sanguínea.

- Eliminação dos Venenos: após ser absorvida, a substância entra na


circulação onde se distribui pelo organismo, é metabolizada pelo fígado, fixando-
se nos órgãos. A entrada da circulação (depende da via de introdução do agente
no organismo, sendo mais rápida por via sanguínea e respiratória e mais lenta por
via oral - devido à biotransformação – e via cutânea), por exemplo: o álcool, por
ter maior afinidade por água, concentra-se em maior quantidade no líquor e no
sangue.

Como principais vias e meios de eliminação, temos:

A) Aparelho digestivo:
vômito – (mercúrio, cobre)
diarreia – (mercúrio, cobre)
bile – (cobre, arsênico, mercúrio)

B) Urina: (veneno de cobra, arsênico, antimônio, fósforo)

93
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

C) Pulmões: (arsênico, cobre, substâncias voláteis-álcool, éter, gasolina,


querosene, clorofórmio, ácido cianídrico, gás sulfídrico)

D) Suor: (chumbo, antimônio, arsênico)

E) Saliva: (mercúrio, morfina, cocaína)

F) Leite: (bismuto, mercúrio)

G) Cabelos: (arsênico)

H) Unhas: (arsênico)

I) Placenta: (sabina, planta tóxica devido ao óleo essencial que produz,


essencialmente a partir dos seus frutos, que contém sabinol, utilizada na
medicina popular como anti-reumático e em perfumaria. Pode causar irritação
gastrointestinal violenta e terá sido, na Antiguidade, utilizado com abortivo com
efeitos quase fatais.)

O tempo de eliminação do veneno varia conforme sua natureza, dose, via de


absorção, estado de saúde da vítima etc.

3 SEXOLOGIA FORENSE
Segundo França (2017), a Sexologia criminal, também chamada de Sexologia
forense, é a parte da medicina legal que trata das questões médico-biológicas e
periciais ligadas aos delitos contra a dignidade e a liberdade sexual. A violência
sexual não é apenas uma agressão ao corpo, à sexualidade e à liberdade do
homem ou da mulher, mas acima de tudo uma agressão à própria cidadania.
Apesar de tudo que já se disse sobre essa violação à liberdade sexual e de todas
as propostas em favor de penas mais severas para seus autores, fica a amarga
sensação de que pouco se fez até agora. Hoje a tendência é ampliar seu conceito
para além do ato ou da tentativa de uma prática sexual, incluindo também as
insinuações, os comentários e as divulgações de caráter sexual, desde que de
forma coativa ou constrangedora. A violência sexual é um fenômeno universal
que atinge todas as classes sociais, culturas, religiões e etnias e têm conotações
muito próximas dos demais delitos, em seus aspectos etiológicos e estatísticos,
em que se sobrelevem no conjunto de suas causas os fatores socioeconômicos.
O êxodo que favorece o crescimento populacional da periferia das grandes
cidades, o desemprego, o uso de drogas, o alcoolismo, a influência dos meios de
comunicação, a falta de justiça e a insegurança são os elementos que fomentam

94
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

e fazem crescer esses tipos de crimes. As maiores vítimas dessa violência são
exatamente as frações mais desprotegidas da sociedade: as mulheres e as
crianças. E o estupro é a forma de violência sexual mais comum.

CÓDIGO PENAL - PARTE GERAL


TÍTULO VIII – DA EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
Art. 111. A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença, começa a
correr: (Redação dada pela Lei no 7.209/84): (…);
V – Nos crimes contra a dignidade sexual das crianças e adolescentes,
previstos neste Código ou em legislação especial, da data em que a vítima
completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a
ação. (Redação dada pela Lei no 12.650/2012.)

PARTE ESPECIAL
TÍTULO VI – DOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL (Redação
dada pela Lei no 12.015, de 2009) CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A
LIBERDADE SEXUAL
(Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009) Estupro Art. 213. Constranger
alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a
praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. (Redação dada
pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
(Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) 1o Se da conduta resulta lesão
corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior
de 14 (catorze) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão,
de 8 (oito) a 12 (doze) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) 2o Se da
conduta resulta morte. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão,
de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Art. 214
(Revogado pela Lei no 12.015, de 2009). Violação sexual mediante fraude
(Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009). Art. 215. Ter conjunção carnal ou
praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que
impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. (Redação dada
pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
(Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) Parágrafo único. Se o crime for
cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.
(Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) Art. 216 (Revogado pela Lei no
12.015, de 2009). Assédio sexual (Incluído pela Lei no 10.224, de 2001). Art.
216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento
sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou
ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. (Incluído pela
Lei no 10.224, de 2001.) Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. (Incluído
pela Lei no 10.224, de 2001.) Parágrafo único. (VETADO) (Incluído pela Lei no
10.224, de 2001.) § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é

95
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

menor de 18 (dezoito) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) CAPÍTULO


II DOS CRIMES SEXUAIS CONTRA VULNERÁVEL (Redação dada pela Lei no
12.015, de 2009). Estupro de vulnerável (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009).
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro
ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. (Incluído pela Lei no
12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído
pela Lei no 12.015, de 2009.)
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput
com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário
discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa,
não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) § 2o
(VETADO) (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) § 3o Se da conduta resulta
lesão corporal de natureza grave. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena
– reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.)
§ 4o Se da conduta resulta morte. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena
– reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de
2009.) Corrupção de menores Art. 218. Induzir alguém menor de 14 (catorze)
anos a satisfazer a lascívia de outrem. (Redação dada pela Lei no 12.015, de
2009.) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. (Redação dada pela Lei
no 12.015, de 2009.) Parágrafo único. (VETADO). (Incluído pela Lei no 12.015,
de 2009.) Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente
(Incluído pela Lei no 12.015, de 2009). Art. 218-A. Praticar, na presença de
alguém menor de 14 (catorze) anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção
carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem.
(Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro)
anos. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) Favorecimento da prostituição ou
outra forma de exploração sexual de vulnerável (Incluído pela Lei no 12.015, de
2009). Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de
exploração sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade
ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática
do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone. (Incluído pela Lei no
12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos. (Incluído
pela Lei no 12.015, de 2009.) § 1o Se o crime é praticado com o fim de obter
vantagem econômica, aplica-se também multa. (Incluído pela Lei no 12.015, de
2009.) § 2o Incorre nas mesmas penas. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) I
– Quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de
18 (dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste
artigo. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.) II – O proprietário, o gerente ou
o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas referidas no caput
deste artigo. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.)
§ 3o Na hipótese do inciso II do § 2o, constitui efeito obrigatório da

96
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do


estabelecimento. (Incluído pela Lei no 12.015, de 2009.
CAPÍTULO V DO LENOCÍNIO E DO TRÁFICO DE PESSOA PARA FIM
DE PROSTITUIÇÃO, OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL (Redação
dada pela Lei no 12.015, de 2009) Favorecimento da prostituição ou outra
forma de exploração sexual Art. 228. Induzir ou atrair alguém à prostituição ou
outra forma de exploração sexual, facilitá-la, impedir ou dificultar que alguém
a abandone. (Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão,
de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Redação dada pela Lei no 12.015, de
2009.) § 1o Se o agente é ascendente, padrasto, madrasta, irmão, enteado,
cônjuge, companheiro, tutor ou curador, preceptor ou empregador da vítima,
ou se assumiu, por lei ou outra forma, obrigação de cuidado, proteção ou
vigilância. (Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de
3 (três) a 8 (oito) anos. (Redação dada pela Lei no 12.015, de 2009.) § 2o Se o
crime for cometido com emprego de violência, grave ameaça ou fraude. Pena
– reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos, além da pena correspondente à
violência. § 3o Se o crime for cometido com o fim de lucro, aplica-se também
multa. Casa de prostituição Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiros,
estabelecimento em que ocorra exploração sexual, haja, ou não, intuito de
lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente. (Redação dada pela Lei no
12.015, de 2009.) Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

A perícia em Sexologia Criminal tem um significado muito particular e


grave pelos fatos e circunstâncias que ela encerra: tanto pela complexidade das
estruturas estudadas como em face da delicadeza do momento. Por isso, toda
prudência é pouca quando dos procedimentos periciais e quando da afirmação ou
negação da existência das práticas contra a liberdade sexual. Além disso, o laudo
deve ser redigido em uma linguagem clara, objetiva, inteligível e simples, sem a
presunção das tipificações penais, mas de modo a permitir àqueles que venham
a analisá-lo condições de uma compreensão fácil sobre o fato que se quer apurar.
Cabe, dessa maneira, descrever minuciosamente as lesões e as particularidades
ali encontradas, ajudando a entender o que de insondável e misterioso existe
nelas, não só em relação à quantidade e à qualidade do dano, mas também como
o modo ou a ação pela qual foram produzidas. Desse modo, não se pode aceitar
pura e simplesmente a nominação do achado, mas em que elementos e alterações
fundamentou-se o perito para fazer a afirmação ou a negação de uma conjunção
carnal, por exemplo. Só assim o laudo alcançará seu verdadeiro destino: o de
apontar com clareza à autoridade julgadora, no momento de valorizar a prova, as
condições para o seu melhor entendimento (FRANÇA, 2017).

97
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

PAULINO, R. D. M.; CONCEIÇÃO, T. D. S.; DECANINE,


D. Análise de laudos periciais correspondentes a vítimas de
estupro em Mato Grosso do Sul. Disponível em: <http://rbc.org.br/
ojs/index.php/rbc/article/view/174>.

3.1 TiPos De Crimes SeXuais


Vamos discorrer sobre os tipos de crimes sexuais, os quais são verificados
no exame de corpo de delito e tem penas aplicadas previstas em lei:

Falaremos sobre estupro, assedio, violação sexual e atentado violento ao


pudor, como citaremos sobre as penas aplicadas.

• Estupro: a Lei no 12.015, de 7 de agosto de 2009, ampliou o conceito


de estupro no seu artigo 213, que ficou com a seguinte redação:
“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter
conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro
ato libidinoso”. A pena continua de 6 a 10 anos de reclusão. Se desse ato
resultar lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18
ou maior de 14 anos, a pena é de 8 a 12 anos, e se resultar morte a pena
será de 12 a 30 anos. Se a vítima é menor de 14 anos, a pena é de 8 a
15 anos, e se do estupro resultar lesão corporal de natureza grave, pena
de reclusão de 10 a 20 anos; se resultar morte, pena de reclusão de 12 a
30 anos (FRANÇA, 2017).

São elementos constituintes do crime:

a) Conjunção carnal.
b) Ameaça.
c) Violência.
d) Outro ato libidinoso.

Ameaça é promessa de executar o mal e quase sempre escapa ao exame


médico-legal. Diz-se que houve uso de violência quando o agressor usa de algum
meio para vencer a resistência da vítima, ou para perturbar suas faculdades
psíquicas, de modo a embaraçar ou impedir a sua capacidade de resistir. A
violência pode ser física. O agressor pode usar meios mecânicos, a vítima é

98
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

agarrada – nestes casos é necessária uma grande superioridade de forças – e,


geralmente, há o concurso de vários agressores. É agredida com instrumentos
contundentes ou outros (empregos de armas de fogo, facas, punhais etc.), ou
pode sofrer uma violência química, em que são empregadas substâncias que
afetem o seu psiquismo (álcool, substâncias entorpecentes etc.). A estes casos,
Flamínio Fávero chama de violência psíquica. Também se configura a violência
se a vítima, por qualquer razão, não podia oferecer resistência. Por exemplo,
pacientes em coma, pacientes com grandes aparelhos, gessados etc. (SILVEIRA,
2015).

3.1.1 TiPos de HÍmen


O hímen é uma membrana presente na região da vagina, essa membrana
pode dizer sobre o crime sexual, principalmente em crianças onde ocorre a lesão
e a perda da virgindade.

• Hímen: O hímen é uma membrana formada por fibras elásticas


recobertas por mucosa, localizada na junção da vulva com a vagina.
Quando examinamos o hímen, temos de considerar uma face externa ou
vulvar, uma face interna ou vaginal, sua borda de inserção – uma borda
livre, que delimita um orifício de nominado óstio – e a orla do hímen, a
membrana propriamente dita. As formas da borda livre e do óstio é que
dão origem às diversas classificações (SILVEIRA, 2015).

A classificação mais usada é a de Afrânio Peixoto, que divide os himens em


(Figura 10):

• Comissurados – quando a borda livre tem forma de linhas curvas que se


encontram como comissura dos lábios; podem ser bilabiados, trilabiados
etc.
• Acomissurados – quando o contorno de sua borda livre não forma
linhas que se juntam, formando ângulo. Por exemplo, hímen anular.
• Atípicos – quando não se enquadram em nenhum dos tipos acima. Por
exemplo, hímen imperfurado, hímen cribriforme.

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Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Figura 10 – Tipos De Hímen

Fonte: <https://www.ebah.com.br/content/ABAAAg-NQAC/
tipos-himen. Acesso em: 08 de dezembro de 2018>.

O hímen pode se romper por outras causas que não a conjunção carnal.
Traumas perineais como impalação, quedas a cavaleiro, prolapso uterino, tumores
vaginais. Nestes casos, encontramos ou a causa da rotura ou seus vestígios.
Estas eventualidades são raras. Sendo assim, podemos considerar o hímen roto
como prova de conjunção carnal. Quando examinamos um hímen roto, devemos
analisar se há sinais de recenticidade da rotura ou, se por outro lado, a rotura já
está cicatrizada. Mesmo nos atos sexuais consentidos, sem emprego de violência,
em que a conjunção carnal é um ato de amor, a rotura do hímen, do ponto de
vista fisiológico, não deixa de ser um traumatismo mecânico em que o hímen
se distende até a sua rotura. Sendo assim, o aspecto de uma rotura recente de
hímen não difere do de um traumatismo mecânico recente. Nas roturas recentes
do hímen, vamos encontrar as bordas da rotura edemaciadas, equimosadas e,
em alguns casos, ainda sangrantes. A cicatrização da rotura do hímen se faz em
torno de duas semanas. Mas pode se completar em prazo menor, ou um prazo
maior, podendo chegar a três semanas ou mais, se sobrevir infecção. Após a
cicatrização da rotura do hímen, não podemos mais estimar a época da rotura,
e a rotura é chamada de rotura cicatrizada, em oposição à rotura recente. Para
um diagnóstico correto, devemos estar atentos à diferença entre rotura do hímen
e entalhe. Os entalhes são reentrâncias que a borda livre apresenta, em alguns
casos, e não devem ser confundidas com roturas.

100
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

3.2 CÓdigo Penal SoBre Crimes


SeXuais
• O art. 214 do Código penal descreve como atentado violento ao pudor:
“constranger alguém mediante violência ou grave ameaça, a praticar
ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção
carnal”;
• O art. 215 do Código Penal descreve como violação sexual mediante
de fraude: “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com
alguém, mediante fraude ou de outro meio que impeça ou dificulte a livre
manifestação da vontade da vítima”, com pena de reclusão prevista de
02 a 06 anos;
• O art. 216 do Código Penal descreve como Assédio Sexual:
“constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento
sexual, prevalecendo-se o agente de sua condição de superior nível
hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício do emprego, cargo ou
função”.
• O art. 217 do Código Penal descreve como Sedução: “seduzir mulher
virgem, menor de 18 anos de idade e maior de 14 anos de idade, e ter
com ela conjunção carnal, aproveitando-se de sua inexperiência ou
justificável confiança”.
• O art. 217 A do Código Penal descreve como Estupro de Vulnerável:
“ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14
anos de idade”.
• O art. 218 A do Código Penal descreve Pedofilia: “praticar, na presença
de alguém menor de 14 anos de idade, ou induzi-lo a presenciar,
conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia
própria ou de outrem”, com pena de reclusão de 02 a 04 anos.

3.3 AlteraçÕes Hormonais e Crimes


De InFanticÍdio
Em determinadas fase do ciclo fértil e da gestação, os hormônios exercem
grande influência sobre a saúde e estado psicológico feminino, podendo ser
levado em consideração para avaliação de dolo ou culpa;

• Gravidez: pode ser definido como estado fisiológico em que a


mulher traz em si um outro ser em formação. Seu diagnostico tem
importância, em medicina legal, para esclarecer crimes de natureza

101
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

sexual (estupro, aborto), nos casos de investigação de paternidade,


assim como esclarecimento para verificação de direitos trabalhistas, de
doenças mortais – como dirimentes e atenuantes – e para verificar a
impossibilidade de anulação do casamento.
• Parto: pode ser definido como sendo o conjunto de fenômenos
fisiológicos e mecânicos que tem por finalidade a expulsão do feto, o
parto começa com a ruptura da bolsa de líquido amniótico e termina com
a expulsão do feto e da placenta.
• Puerpério: pode ser definido como o período que segue o parto, tem
duração de até 40 dias ou como alguns autores descrevem até o total
retorno dos órgãos ao local.
• Aborto: é a interrupção da gravidez pela morte do produto da concepção,
em qualquer que seja seu período evolutivo, haja ou não a expulsão do
concepto. Uma vez morto o concepto, configura-se o aborto.
· Infanticídio: é o ato de matar um recém-nascido, ou infante, que
empregados meios diretos e ativos, quer recusando a vítima os cuidados
necessários à manutenção da vida e impedir sua morte. O art. 123 do
Código Penal prediz que matar, sob influência do estado puerperal, o
próprio filho durante o parto ou logo após prevê pena de reclusão de 02 a
06 anos.

Nesse contexto, avalia-se o momento de início do trabalho de parto, que


é extremamente importante, pois irá ajudar a identificar se trata-se de crime de
aborto, homicídio ou infanticídio. O estado puerperal é definido por França (2017)
da seguinte forma: “compreende-se que seja o período que vai desde a expulsão
do feto e seus anexos até os primeiros cuidados do infante nascido”.

4 TOXICOLOGIA FORENSE
A toxicologia forense é a área da medicina legal que estuda os efeitos
abusivos do álcool e outras substâncias no Sistema Nervoso Central. Neste
capítulo iremos abordar as intoxicações causadas pelo álcool.

Alcoolismo é termo que designa as anomalias clínicas resultantes de


intoxicações exógenas pelo consumo excessivo e prolongado de bebidas
alcoólicas. A causa real do alcoolismo é desconhecida, acreditando-se ser o
alcoólatra portador de uma predisposição de caráter estritamente individual, posto
que nem todos os que bebem se tornam viciados, na qual medra grave transtorno
psicoemocional, por exemplo, alguma necessidade psíquica fundamental de
autoafirmação, de alívio de tensão e segurança, que só se satisfaz pela ingestão
de bebidas alcoólicas. A instalação do alcoolismo se processa, conforme os

102
Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

Relatórios Técnicos da Organização Mundial de Saúde e dos Comitês Técnicos


da Saúde Mental e sobre o Álcool e Alcoolismo, em quatro fases:

I- Fase pré-alcoólica sintomática ou fase alfa de Jellineck: dura de meses a


dois anos. Inicia-se pelo uso social (em bailes, festas, comemorações, aperitivo
pré-prandial, drinque com amigos, à saída do trabalho), e a gratificação sentida
após a bebericagem;
II- Fase prodrômica ou beta de Jellineck: instalação do hábito de beber
escondido acompanhado de sentimento de culpa, vergonha, agressividade e
súbitas perdas de consciência, com períodos de amnésia consecutiva ou não;
III- Fase crucial ou gama: o consumo do álcool se torna exagerado, o
comportamento agressivo, abandono do trabalho e atritos com os familiares,
negligência na higiene pessoal, descontrole esfincteriano e diminuição da
atividade sexual. Nesta fase ainda podem ocorrer períodos de remissão com
eventuais recidivas;
IV- Fase crônica: decadência progressiva do indivíduo, física, psíquica
e social, e, algumas vezes, psicose alcoólica, com apresentação do delirium
tremens e de alucinações visuais.

A Organização Mundial de Saúde define o alcoólatra “como o bebedor


excessivo, cuja dependência chegou ao ponto de lhe criar transtornos em sua
saúde física, ou mental, nas relações interpessoais e na sua função social e
econômica e que, por isso, necessita de tratamento” (CROCE; JUNIOR, 2012).

Os alcoólatras são bebedores excessivos, cuja dependência do álcool chega


a ponto de acarretar-lhes perturbações mentais evidentes, manifestações que
afetam a saúde física e mental, suas relações individuais, seu comportamento
socioeconômico ou pródomos (primeiros indícios) de perturbações desse gênero
e que, por isso, necessitam de tratamento” (OMS, 2018).

É necessário pelo menos a presença de dois requisitos para que se


caracterize o alcoolismo: o hábito e a dependência.

• Hábito: refere-se à quando a pessoa deve ingerir a droga (álcool), com


constância e em intervalos relativamente curtos de abstinência;
• Dependência: quando se fala em dependência, seja ela física, química
ou psíquica, trata-se da relação entre um organismo vivo e a droga, que
é caracterizada pela compulsão por ingerir a droga, de forma contínua
e periódica, e pelo surgimento de uma crise de abstinência, que se
manifesta quando o organismo sente falta da droga.

103
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Seja qual for o grau de dependência do alcoólatra, ele sempre procura no


álcool uma forma de ajuste social, que é, em última análise, o objetivo de todo
alcoólatra. São três as classes de personalidades apresentadas pelos alcoólatras:

• Sintomático: refere-se àquele que inicialmente bebe, ou seja, é a


pessoa que experimenta a droga;
• Primário: refere-se àquele que, após experimentar a droga, passa a
fazer uso regular dela, consumindo regularmente dessa bebida;
• Secundário: refere-se à pessoa que bebe excessivamente.

A absorção do álcool se dá normalmente pelas vias digestivas, porém,


em alguns casos pode ocorrer por via respiratória (nos casos de intoxicação
profissional), cutânea e intravenosa. Ao chegar ao estômago, passa rapidamente
para o sangue através do mecanismo de difusão (onde o álcool atinge a
circulação, por um processo como se atravessasse uma membrana que separa
as duas diferentes taxas de concentração).

Uma vez na circulação, a droga alcançará órgãos como o fígado, rins,


sistema nervoso, onde mais de 90% do álcool é metabolizado no interior do
organismo em uma reação que se dá pelo consumo de glicose, e uma pequena
parcela do que foi ingerido é eliminada por secreção e excreção, tais como: leite,
saliva, esperma, suor e rins.

A intoxicação por álcool é dividida em três fases:

• Fase Eufórica: nessa fase os centros de controle nervosos são


intoxicados, provocando desinibição, bem como sensações de euforia,
excitamento, erotismo. Paralelamente, ocorre diminuição da capacidade
de julgamento, do tempo de reação (reflexo) e do poder de concentração;
• Fase Agitada (período médico-legal): nessa fase ocorre alteração das
funções psicossensoriais, intelectuais e motoras. A debilidade das
funções motoras faz o indivíduo perder o equilíbrio, cair sozinho, andar
de forma descoordenada. Com a alteração das funções intelectuais,
ocorre perda da crítica, e o indivíduo pode provocar atos antissociais,
como acidentes de trânsito, se envolver ou protagonizar atos de
violência e vandalismo. Outras faculdades, como a memória e o poder
de concentração também são comprometidos;
• Fase Comatosa: nessa fase inicialmente ocorre o sono e o coma se
instala progressivamente. Depois ocorre a anestesia profunda, abolição
total dos reflexos, paralisia e hipotermia, sucessivamente, podendo
inclusive levar à morte. Quando há exposição ao frio, a probabilidade de
morte é aumentada (Figura 11).

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Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

Figura 11 – Efeitos Da Intoxicação Por Álcool

Fonte: <www.cisa.org.br/artigo/452/efeitos-intoxicacao-aguda-
por-alcool-ressaca.php>. Acesso em: 8 dez. 2018.

5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Neste capítulo você conheceu um pouco mais sobre a medicina legal e teve
acesso aos assuntos de extrema relevância para a interpretação e análise de
dados obtidos a partir das perícias e laudos médico-legais. Através do enlace de
diferentes conceitos é possível, agora, entender a total abrangência da medicina
legal, como ciência multidisciplinar e como ferramenta importante do processo
legal. A Perícia Médico-Legal, nosso alvo de investigação, abrange uma grande
variedade de vertentes, o que dificulta bastante o trabalho do perito médico-legal.

A investigação criminal cada vez mais recorre a métodos científicos para


caracterizar a materialidade dos fatos. E assim, o perito apresenta seu parecer
técnico com isenção e imparcialidade para que a realidade dos fatos seja
esclarecida. Ao longo do capitulo foram requisitados de você conhecimentos
de antropologia, pericias e causas e locais de crime, os quais contribuem para
o desenvolvimento de um senso crítico em relação os resultados dos laudos
periciais. Entender os principais mecanismos de morte, de ação tóxica do álcool
e as interações destas substâncias com o corpo humano é fundamental para a
construção de argumentos e para corroborar sinais clínicos e indícios obtidos ao
longo da investigação.
105
Medicina Legal APlicada À InVestigaçÃo Criminal

Além disso, o conhecimento dos procedimentos que envolvem as análises


auxilia na obtenção do laudo e preservam as evidências obtidas para o
esclarecimento da dinâmica de crimes como homicídios, suicídios e adulterações
de produtos.

A procura de agentes tóxicos em matrizes biológicas é extremamente


complexa e exige do perito disciplina, conhecimento e uma pitada extra de “senso
crítico” sobre todos os dados envolvidos na análise. A qualidade do laudo pericial
é influenciada por fatores externos desde a coleta das evidências até a sua
confecção.

1 Acerca de crimes previstos pela sexologia forense, no Brasil,


assinale a opção CORRETA.
a) ( ) Entre os elementos que compõem o crime de atentado violento
ao pudor estão a conjunção carnal e o emprego de violência ou
grave ameaça.
b) ( ) Podem ser vítimas de estupro crianças, adolescentes, adultos
e idosos de ambos os sexos.
c) ( ) Para que ocorra ato obsceno, é necessário que ele seja
praticado na presença de público.
d) ( ) Para que haja crime de sedução, a vítima deve ter entre
quatorze e dezoito anos de idade.
e) ( ) Para que haja rapto consensual, é necessária a concordância
da família da vítima.

2 Considerando que determinada adolescente de dezessete anos


de idade seja encontrada morta em uma praia, julgue o item
subsequente.

A constatação de ocorrência de dilatação do orifício anal do cadáver,


especialmente se o tempo de morte for superior a quarenta e oito
horas, não constitui, por si só, evidência de estupro com coito
anal.

a) ( ) Certo.
b) ( ) Errado.

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Capítulo 3 CIÊNCIAS FORENSES – PARTE II

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