Você está na página 1de 2

Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais


Pastor Presidente: Aílton José Alves
Av. Cruz Cabugá, 29 - Santo Amaro - Recife-PE / CEP. 50.040.000 Fone: 3084.1524 / 3084.1543
LIÇÃO 01 – ADÃO, O PRIMEIRO HOMEM - 1º TRIMESTRE DE 2020
(Gn 2.1-8)
INTRODUÇÃO
Neste primeiro trimestre de 2020, estudaremos o tema: “A Raça Humana: origem, queda e redenção”. Na
primeira lição deste trimestre falaremos sobre a origem do homem segundo o livro do Gênesis; destacaremos algumas
verdades sobre Adão; e, por fim, falaremos da promessa da restauração da raça humana.
I – A ORIGEM DO HOMEM SEGUNDO O LIVRO DO GÊNESIS
Deus havia formado os céus e os preenchido com os luminares celestes e as aves que voam (Gn 1.1,14). Havia
formado os mares e enchido as águas com várias criaturas aquáticas (Gn 1.9,20-22). A criação chegou a seu ápice quando,
no sexto dia, o Senhor criou o primeiro homem, o qual, juntamente com sua esposa, teria domínio sobre a Terra e suas
criaturas (Gn 1.26,27). Abaixo destacaremos algumas verdades bastante interessantes sobre o relato bíblico:
1.1 A criação do homem foi precedida pelo conselho divino. Enquanto o universo e os outros seres foram criados sob o
impacto do “haja” de Deus, o homem teve criação de modo bem diferente. Deus concretizou o seu projeto para criar um
ser especial, de forma especial, nos atos da criação. Assim, Ele, em conjunto com os outros componentes de sua Unidade,
que se consubstanciam na Trindade (Pai, Filho e Espirito Santo) disse: “[…] Façamos o homem [...]” (Gn 1.26).
1.2 A criação do homem foi um ato imediato de Deus. A criação do homem segundo as Escrituras adveio de um ato
imediato de Deus. Ele veio à existência por um ato especial da criação, e não mediante algum processo evolutivo. A razão,
a ciência já atestaram que animal só gera animal, e humano só gera humano. É bom destacar também que o homem
está numa categoria da criação acima dos animais, pois tem a capacidade de raciocinar, agir segundo a sua vontade, de
falar, e principalmente, de se relacionar com o seu Criador.
1.3 A criação do homem foi distinta das outras criaturas. Quanto aos animais o relato bíblico nos informa que Deus os
fez conforme a sua espécie, já quanto ao homem, o Criador o fez distinto das demais criaturas, o fez a “sua imagem e
semelhança” (Gn 1.26,27). A semelhança de Deus com o homem se dá da seguinte forma:

O SIGNIFICADO DA IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS NO HOMEM


Adão e Eva tinham semelhança natural com Deus. Foram criados como seres pessoais, tendo
Semelhança natural
mente, emoções, autoconsciência e livre-arbítrio (Gn 2.16,19-20,23; Dt 30.19; Is 56.4).
Deus é um em essência e três em pessoa: Pai Filho e Espírito Santo. Ele fez o homem capaz de
Semelhança social
relacionar-se com as pessoas, como um ser gregário (Gn 2.18,24).
Eles tinham semelhança moral com Deus, pois não tinham pecado, eram santos, tinham
Semelhança moral
sabedoria, um coração amoroso e o poder de decisão para fazer o que era certo (Rm 2.15).
Deus é Espírito (Jo 4.24), e na criação do homem deu-lhe a parte imaterial formado de espírito e
Semelhança espiritual
alma (Sl 16.10; Ec 12.7; Zc 12.1; Mc 8.36; 1Ts 5.23).

1.4 A dupla natureza do homem. O relato do livro do Gênesis nos mostra que Deus fez e criou o homem (Gn 1.26,27).
Embora as expressões “fazer” e “criar” pareçam ser termos correlatos, eles trazem consigo um sentido mais abrangente,
traduzindo a dupla natureza do homem. “Quando a Bíblia fala da criação do homem, usa a palavra hebraica “asah” que
significa: “fazer de coisas que já existem” neste caso o corpo do homem foi feito de um material físico, palpável, o pó da
terra e a mulher da costela de Adão (Gn 2.7,22). Confira ainda: (Gn 3.19; Sl 103.14; Jó 10.9; 1Co 15.47). Porém, a Bíblia
também usa a palavra “bara” quer significa “fazer algo do nada”, porque ele também criou no homem espírito e alma (Gn
2.7-b)” (BERGSTÉN, 1981, p. 70). A Bíblia deixa claro que o homem é um ser tricótomo. Doutrina segundo a qual o ser
humano é constituído por três partes distintas: corpo, alma e espírito (1Ts 5.23; Hb 4.12). Deus criou o homem para ser
tanto do mundo espiritual como do terrenal, pois tem corpo, alma e espírito.
1.5 A elevada posição do homem na criação. Ao criar o homem, o Senhor lhe deu uma elevada posição diante de toda a
criação. Notemos: (a) o ser humano possui a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26-a); (b) foi lhe dada a
responsabilidade de exercer domínio sobre a terra e sobre os animais (Gn 1.26-b); e, (c) de cuidar da terra (Gn 2.5).
Segundo Berkof (2000, p. 174) “O homem é descrito como alguém que está no ápice de todas as ordens criadas. Foi
coroado como rei da criação inferior e recebeu domínio sobre todas as criaturas inferiores. Como tal, foi seu dever e
privilégio tornar toda natureza e todos os seres criados, que foram colocados sob seu governo, subservientes à sua vontade
a o seu propósito, para que ele e todos os seus gloriosos domínios magnificassem o onipotente Criador e Senhor do
universo”.
II – CARACTERÍSTICAS DE ADÃO, O PRIMEIRO SER HUMANO

2.1 Foi criado sem pecado. A Bíblia nos mostra que Deus criou o homem perfeito (Ec 7.29). Isto significa dizer que, Deus
não o fez pecador, nem para pecar. Seu estado de completa inocência se percebe pelo fato de Moisés declarar que junto
com sua mulher estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2.25). Podemos resumir o relato de Gênesis assim:
 Deus fez o homem perfeito (Ec 7.29);
 Colocou-o num lugar perfeito (Gn 1.31; 2.8);
 Conferiu-lhe liberdade perfeita (Gn 2.16,17);
 Em comunhão perfeita (Gn 3.8).

2.2 Foi criado adulto. Adão e Eva foram os únicos seres humano feitos adulto. Isso podemos depreender a partir do relato
de Gênesis que diz que lhe foi dada uma esposa e também a capacidade de reproduzir sua espécie com ela: “E criou Deus
o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse:
Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra[...]” (Gn 1.27,28).

2.3 Foi criado como um ser livre. Deus deu a capacidade do homem agir segundo a sua vontade, o que chamamos de
livre arbítrio: “De toda a árvore do jardim comerás livremente” (Gn 2.16). Quando tentado, ele decidiu fazer o que a
vontade de Deus tinha dito que não fizesse, mesmo sabendo das consequências (Gn 3.1-6). O livre arbítrio pode ser
definido como “capacidade que possui o ser humano de pensar, ou agir, tendo como única motivação a sua vontade”
(ANDRADE, 2006, p. 256). Embora o termo “livre arbítrio” não se encontre na Bíblia, tanto no AT quanto no NT a
doutrina do livre-arbítrio é claramente defendida (Gn 2.16,17; 4.7; Dt 28.1; 30.15,19; Js 24.15; 2Sm 24.12; Jz 5.2; 1Cr
28.9; 2Cr 15.2; Ed 7.13; Ne 11.2; Sl 119.30; Is 1.19,20; Jr 4.1). Também podemos encontrar várias referências que
demonstra-nos o livre-arbítrio no NT (Mt 3.2; 4.17; 16.24; 23.37; Mc 8.35; Lc 7.30; Jo 1.11; 5.40; 6.37; 7.17; 15.7; At
3.19; 17.30; Rm 10.13; 1Tm 1.19; 1Co 10.12; 2Co 8.3,4; 1Jo 3.23; Ap 3.20; 22.17). Mesmo após o pecado o homem não
perdeu o livre arbítrio (Gn 4.7). O pecado apenas manchou, mas não destruiu a capacidade de escolha do homem, em
todas as áreas da vida, inclusive nas questões espirituais (Mc 16.15; Jo 3.16,17; 20.31; At 8.37; 16.31; Rm 3.22; 4.11,24;
10.9,14). Certo teólogo afirmou: A imagem de Deus no homem que inclui o livre arbítrio, com o pecado foi obscurecida,
mas não completamente erradicada pela Queda; ela foi corrompida (afetada), mas não eliminada (aniquilada) (Gn 9.6;
Tg 3.9). (GEISLER, 2010, p. 109).

2.4 Foi criado moralmente responsável. A capacidade de escolher é uma dádiva divina que traz consigo também a
responsabilidade; semear é opcional, colher é inevitável (Gl 6.7). Quando criou o homem Deus lhe conferiu liberdade
perfeita, mas também o fez moralmente responsável por seus atos. Quando ordenou que podia comer de todas as árvores
do jardim, advertiu-lhe dizendo: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em
que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16). Mesmo advertido, Adão comeu e recebeu as punições consequentes
de sua má escolha. Notemos: (a) o homem se tornou imperfeito (Gn 3.7; Ec 7.29-b; Os 6.7); (b) a terra foi amaldiçoada
(Gn 3.17,18); (c) teve sua liberdade manchada (Jo 8.34; Rm 7.18); (d) Foi afastado da presença de Deus (Gn 3.23,24; Is
59.2; Rm 3.23); e (e) A mulher teve as dores do parto aumentadas (Gn 3.16).

III – A PROMESSA DE RESTAURAÇÃO DA RAÇA HUMANA


Após a tentação e queda do homem no Éden, Deus pronunciou os castigos consequentes da desobediência, mas
também fez uma promessa para o casal dizendo: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua
semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.15). Nesse texto, Deus prometeu que da semente da
mulher um dos descendentes nasceria para esmagar a cabeça da serpente. Tanto Adão quanto seus descendentes firmaram-
se nessa palavra profética anunciada pelo próprio Deus, que mais tarde teve seu cumprimento na pessoa de Jesus – que
nasceu de uma mulher (Gn 3.15; Gl 4.4); sem a participação masculina (Is 7.14; Mt 1.18); que foi ferido (Gn 3.15; Sl 22.1-
31; Is 53.1-12); no entanto, triunfou (Mt 4.1-11; 16.23; Cl 2.15; Hb 2.14). Por um homem veio a condenação sobre todos, e
por um homem Deus possibilitou a salvação de todos (Rm 5.17,18).
CONCLUSÃO
A narrativa do livro do Gênesis nos mostra claramente que o homem não é produto da evolução, mas fruto de um
ato criativo de Deus. Diferente dos animais, Deus o fez conforme a sua imagem e semelhança, colocando-o como coroa da
criação. O texto bíblico mostra que este homem foi criado como um ser livre e que optou por contrariar a vontade divina, o
que lhe trouxe consequências, bem como a toda a raça humana. A despeito disto, Deus lhe fez uma promessa de
restauração, que se cumpriu quando enviou o segundo Adão, Cristo Jesus.
REFERÊNCIAS
 ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.
 BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. CPAD.
 BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. CULTURA CRISTÃ.
 GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. CPAD.
 GILBERTO, Antônio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.
 HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.
 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.