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ÉTICA, EDUCAÇÃO E CIDADANIA

LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO MUSICAL 3.º ANO


ILDA FREIRE RIBEIRO
ilda@ipb.pt
APRESENTAÇÃO

2 VERDADES & 1 MENTIRA


• APRESENTAR-SE AO GRUPO DIZENDO DUAS FRASES
VERDADEIRAS E UMA MENTIRA SOBRE ELES.
• QUEM ADIVINHAR QUAL É A MENTIRA SERÁ O PRÓXIMO
A APRESENTAR-SE
GUIA ECTS
Licenciatura em Música Ano Letivo 2017/2018

Ano Curricular: 3.º ano Tipo: Semestre II Créditos ECTS: 5

Ética, Educação e Cidadania

Horas totais de trabalho: 108

Horas totais de trabalho de Horas de Contacto: TP 36h; OT 9h.


contacto: 45 horas 3 h por semana
RESULTADOS DE APRENDIZAGEM

NO FIM DA UNIDADE CURRICULAR O ALUNO DEVE SER CAPAZ DE:


1. COMPREENDER A DIMENSÃO ÉTICA NO CONTEXTO SOCIAL E EDUCACIONAL.
2. ANALISAR CRITICAMENTE CONCEITOS E QUESTÕES ÉTICAS FUNDAMENTAIS.
3. PERSPETIVAR A EDUCAÇÃO COMO FATOR DO DESENVOLVIMENTO ÉTICO E PESSOAL.
4. COMPREENDER A EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA COMO CONDIÇÃO DE JUSTIÇA SOCIAL
NAS SOCIEDADES DEMOCRÁTICAS.
5. DESENVOLVER COMPETÊNCIAS DE IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS EDUCATIVAS
PROMOTORAS DE DESENVOLVIMENTO DE CIDADANIA ATIVA NUMA SOCIEDADE PLURAL.
PROGRAMA DETALHADO

• 1. ARTICULAÇÃO TEMÁTICA DOS CONCEITOS DE ÉTICA, EDUCAÇÃO E CIDADANIA

• 2. ÉTICA.
- QUESTÕES E TAREFAS DA ÉTICA CONTEMPORÂNEA.
- O DEBATE ÉTICO NUMA SOCIEDADE PLURALISTA
- DIVERSIDADE DAS MORAIS E O UNIVERSALISMO ÉTICO.
- VALORES E JULGAMENTO AVALIATIVO
- NORMAS, DEVERES E JULGAMENTO NORMATIVO.

• 3. EDUCAÇÃO.
- AXIOLOGIA EDUCACIONAL.
- O VALOR DE EDUCAR.
- EDUCAÇÃO E A IDENTIDADE PROFISSIONAL DOS PROFESSORES.
PROGRAMA DETALHADO

• 4. CIDADANIA.
- AS ORIGENS E A EVOLUÇÃO CONCEPTUAL DA EDUCAÇÃO CÍVICA.
- A CIDADANIA NUMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA
- A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA.

• 5. A CIDADANIA NA ESCOLA.
- ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS DE EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA E DE PROMOÇÃO DO
DESENVOLVIMENTO ÉTICO.
AVALIAÇÃO

• AVALIAÇÃO CONTÍNUA:
- PROVA INTERCALAR ESCRITA - 70% (PROVA DE CONTROLO ESCRITA (SUMATIVA), INDIVIDUAL
SOBRE O CONTEÚDO DAS MATÉRIAS LECIONADAS.)
- DIA 20 DE JUNHO 2018

- TEMAS DE DESENVOLVIMENTO - 30% (TRABALHO DE REFLEXÃO, ELABORADO EM GRUPO


(50%) E APRESENTADO INDIVIDUALMENTE (50%).)
- 13 DE JUNHO 2018
BIBLIOGRAFIA

• BAPTISTA, I. (2005). DAR ROSTO AO FUTURO. A EDUCAÇÃO COMO COMPROMISSO ÉTICO. PORTO:
PROFEDIÇÕES.
• CARMO, H. (2014). A EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA NO SÉCULO XXI. LISBOA: ESCOLAR EDITORA.
• SANTOS, M. E. (2014). QUE ESCOLA? QUE EDUCAÇÃO? PARA QUE CIDADANIA? EM QUE ESCOLA?
LISBOA: ALFARROBA.
• SAVATER, F. (2005). ÉTICA PARA UM JOVEM. LISBOA: DOM QUIXOTE.
• SAVATER, F; CASTILLO, R. M. ; CRATO, N. ; DAMIÃO, H. (2010). O VALOR DE EDUCAR, O VALOR DE
INSTRUIR. PORTO: FUNDAÇÃO FRANCISCO MANUEL DOS SANTOS.
QUEM SOU EU…

• PENSAR EM TRÊS MOTIVOS


PARA SEREM
IMPRESCINDÍVEIS AO
CURSO/TURMA
• EM PÉ, FALANDO BEM ALTO
E COM CONVICÇÃO,
REVELAR AS SUAS RAZÕES
1. ARTICULAÇÃO TEMÁTICA DOS CONCEITOS DE ÉTICA,
EDUCAÇÃO E CIDADANIA
PARA PENSAR…
COMO DEVO AGIR PERANTE OS OUTROS?
http://marizetecajaiba-emima2014.blogspot.pt/2014/03/valores-humanos-importancia-de-ter.html
PARA PENSAR…
• O que é que nossa sociedade pode ser considerado
humanamente desejável, correto e suscetível de constituir
bem comum?
• Qual o ideal de realização que configura (ou deve
configurar) a nossa responsabilidade pessoal, cívica e
profissional?
(Batista, 2012)
TAREFA DE AULA - CLARIFICAÇÃO DE CONCEITOS

• Em pares
• 15 minutos
O que entende por: • Apresentação e
• Ética discussão na aula
• Educação
• Cidadania
é·ti·ca
(latim ethica, -ae) (grego ETHOS), substantivo feminino

1. Parte da Filosofia que estuda os


fundamentos da moral.

2. Conjunto de regras de conduta.

3. Ética «a ciência relativa aos


costumes»
1 2 3

A palavra “ética” Remete para os “modos


de habitar o mundo” ou os
Reflexão sobre
provém do grego “modos de ser habituais”, princípios, sobre o
(éthè – morada isto é, aos padrões de sentido orientador
humana, maneira conduta adotados pelas da ação
pessoas, pelas
de ser) organizações, pelas
comunidades e pelas
sociedades. (Batista, 2012)
ÉTICA
“Definida segundo uma
conceção teleológica, a ética Ética corresponde ao processo
diz respeito à reflexão sobre de articulação racional do
os fundamentos e os fins da bem, à sua especificação
ação, tendo por base a utopia necessária nos diferentes
do humano consensualizada patamares de decisão e ação.
em cada tempo histórico” (Batista, 2011, p.8)
“A educação tem como finalidade desenvolver no indivíduo
E toda a perfeição de que este é capaz.” (Kant)

D
“A educação tem sobretudo como objectivo desenvolver a
U capacidade para as transformações e a adaptação a
situações novas.” (Gaston Mialaret)
C
A A educação é afinal uma conexão intrínseca entre “saber”,
Ç “ser” e “fazer”.

Ã
O É o processo através do qual se adquire domínio e compreensão
de certos conteúdos considerados importantes
“A educação é a ação Tem por objetivo suscitar e
exercida pelas gerações desenvolver, na criança, certo
adultas, sobre as gerações número de estados físicos
intelectuais e morais,
que não se encontrem reclamados pela sociedade
ainda preparadas para a política”.
vida social; (DURKHEIM, 1978:41)

EDUCAÇÃO INFORMAL, FORMAL E NÃO FORMAL


A EDUCAÇÃO, nos seus vários níveis,
comporta duas vertentes nucleares:

- A criação e a transmissão de conhecimento,


incluindo a aquisição de ferramentas para a sua
apropriação crítica ao longo da vida e a
construção do próprio saber;

- A formação para o desenvolvimento humano


integral de cada pessoa e para o exercício de
uma cidadania responsável.
C Estatuto de pertença de um indivíduo a uma
I comunidade politicamente articulada
D
A É do vínculo de cidadania que decorrem as
D responsabilidades do cidadão face ao estado
A Ex. Direito de participar
N
I
Conjunto de direitos e obrigações
A
CIDADANIA
• “A cidadania é, por isso, a capacidade real para participar
na coisa pública” (Bolívar, 2007, p.18)

• Promover oportunidades de participação


• Capacitar os sujeitos para a reflexão autónoma sobre os
mais variados temas sociais e políticos.
CIDADANIA É A CONJUNÇÃO DE TRÊS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
(LUKES E GARCIA, 1999, p.4):

i) a posse de certos direitos assim como a


obrigação de cumprir certos deveres;

(ii) a pertença a uma comunidade política


determinada, que se vinculou em geral à
nacionalidade e

(iii) a oportunidade de contribuir para a vida


pública dessa comunidade através da
participação.
Conceito polissémico e socialmente construído

Remete-nos para diferentes perspetivas que podem


muito bem coexistir no mesmo espaço e tempo.

O seu significado apresenta-se pluridimensional e


multifacetado.

E o seu conteúdo é variável entre culturas, etnias e


regimes políticos.
4. CIDADANIA
- AS ORIGENS E A EVOLUÇÃO CONCEPTUAL DA
EDUCAÇÃO CÍVICA
- A CIDADANIA NUMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA
- A NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA
TAREFA DE AULA

Leitura do texto 3 – “De onde vem a ideia de cidadania”?


• Explicar a evolução do conceito de cidadania de acordo com o texto
NA ERA DA ANTIGUIDADE CLÁSSICA - GRÉCIA

Pode dizer que se aceita a ideia que as suas origens


remontam ao pensamento grego (Nogueira e Silva,
2001; Praia, 2001).

Civitas está estritamente ligada à forma de governar


a cidade e de participação política e à qualidade de
cidadão.

A conceção grega de olhar a cidadania apresentava


um carácter seletivo, restrito, que fazia “a distinção
entre o cidadão e o súbdito, considerando-os
desiguais” (Praia, 2001, p.10).
A sociedade grega dava “primazia
ao cidadão-homem (…) excluindo
do direito de cidadania as faltava racionalidade à mulher
mulheres, os escravos e os para participar na vida pública
estrangeiros” (Praia, 2001:10) e
também as crianças.
NA ERA DA
ANTIGUIDADE
CLÁSSICA - os escravos (metecos) não tinham
nascido em “berço” e por isso o seu
GRÉCIA Entendiam que : próprio nascimento ditava a
diferença,

as crianças como eram


subordinadas ao poder do chefe
de família, o pai, não tinham
pensamento próprio
o estatuto de cidadão era exclusivo

a marca de superioridade, patente sobre os não cidadãos, era evidente.

o conceito de cidadania confundia-se com o de naturalidade, pois o nascimento


conferia o verdadeiro critério de cidadania

Esta forma de cidadania baseava-se mais em deveres e obrigações, do que


em direitos. Estas obrigações “eram percebidas pelos cidadãos como
oportunidades para serem virtuosos e servirem a comunidade”
(Nogueira e Silva, 2001, p.17)
A participação não se mostrava tão ativa e efusiva.

A perceção de cidadania tornou-se mais expansiva, menos


exclusiva e, por consequência, menos intensa.
NA ERA DA
ANTIGUIDADE Com a expansão do império romano foram-se concedendo a
cidadania a outros povos itálicos com a intenção de cativá-los.
CLÁSSICA -
ROMA Contudo, o exercício pleno de direitos políticos continuava
confinado à cidade-estado, onde deviam residir os cidadãos.

Eram notórias as diferenças entre os verdadeiros cidadãos e os


que se tornavam cidadãos por estatuto legal.
• O CONCEITO DE CIDADANIA DESDOBRAVA-SE EM VÁRIOS TIPOS, ASSUMIU NÍVEIS DISTINTOS ENTRE AS CLASSES
SOCIAIS:

• OS PATRÍCIOS ERAM CONSIDERADOS OS CIDADÃOS DE PRIMEIRA LINHA, USUFRUÍAM DE UMA CIDADANIA ATIVA
E PLENA, PARTICIPAVAM DIRETAMENTE NOS ASSUNTOS POLÍTICOS E NA ADMINISTRAÇÃO DA CIDADE.

• OS PLEBEUS, QUE NÃO ERAM PROPRIETÁRIOS E PARA OS QUAIS A CIDADANIA ERA ENCARADA DE FORMA
PASSIVA E NÃO PASSAVA DE UM ESTATUTO NA SOCIEDADE. O SEU DEVER ERA HABITAR, FREQUENTAR, E
PARTICIPAR DA VIDA COMUNITÁRIA.

• PARA A GRANDE MAIORIA DOS HABITANTES, A CIDADANIA NÃO PASSAVA DE UMA CONDIÇÃO QUE ATRIBUÍA
ALGUNS DIREITOS E DEVERES, MAS QUE CONCOMITANTEMENTE EXCLUÍA DO DIREITO À PARTICIPAÇÃO.
IDADE MODERNA
• EM FINAIS DO SÉCULO XV DESENVOLVE-SE UM ESTADO ABSOLUTISTA MONÁRQUICO QUE
SE PROLONGOU POR MAIS DE 200 ANOS.
• A CIDADANIA ERA QUASE NEGADA PELO ABSOLUTISMO.
• A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA ERA INEXISTENTE, POIS TODAS AS DECISÕES ESTAVAM NA MÃO
DO REI, NÃO HAVENDO UMA DEMOCRACIA.
• OS DIREITOS ESTAVAM CONFINADOS AO RESPEITO À AUTORIDADE, À OBEDIÊNCIA E À
OBRIGAÇÃO.
• O DESPOTISMO REAL CONFISCAVA A LIBERDADE INDIVIDUAL AO FAZER INÚMERAS
RESTRIÇÕES AOS INDIVÍDUOS, E MOSTRAVA-SE PESADAMENTE IRRACIONAL, ILEGÍTIMO E
INJUSTO.
IDADE MODERNA
• AO LONGO DO SÉCULO XVII, (RE)COMEÇA-SE A DAR VALOR À
LIBERDADE DE PENSAMENTO E AO DIREITO À DIFERENÇA DE OPINIÃO
• A PARTIR DA SEGUNDA METADE DO SÉCULO DAS LUZES (SÉC. XVIII)
SURGE O ILUMINISMO, INSPIRADO NO RENASCIMENTO, QUE ERA
CARACTERIZADO POR SER O MOVIMENTO INTELECTUAL DOS
“ESCLARECIDOS” E QUE ENFATIZAVA A RAZÃO E A CIÊNCIA COMO
FORMA DE EXPLICAR O UNIVERSO.
• COM ELE TRIUNFOU O CAPITALISMO E A SOCIEDADE MODERNA EM
DETRIMENTO DO MODO DE PRODUÇÃO FEUDAL.
IDADE MODERNA
• A IMPORTÂNCIA DADA À RAZÃO REJEITANDO AS TRADIÇÕES E
DENUNCIANDO OS ERROS E VÍCIOS DE ANTIGOS REGIMES FORAM
ESSENCIAIS PARA PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO INTELECTUAL.

• ESTAVAM DADOS OS PRIMEIROS PASSOS NA CONSTRUÇÃO DE UMA


NOVA E MODERNA CONCEÇÃO DE CIDADANIA QUE VIRIA A CULMINAR
NO ANO DE 1789, EM FRANÇA.
ERA CONTEMPORÂNEA
• A SOCIEDADE APRESENTAVA-SE ESTRATIFICADA SOCIALMENTE E HIERARQUIZADA.
• CIDADANIA E DEMOCRACIA ERAM CONCEITOS QUASE INEXISTENTES.
• AS CONDIÇÕES DE VIDA ERAM PÉSSIMAS PARA OS CAMPONESES E
TRABALHADORES QUE ESTAVAM QUASE NA MISÉRIA,
• A BURGUESIA, EMBORA COM MELHORES CONDIÇÕES, ASPIRAVA A UMA
PARTICIPAÇÃO POLÍTICA MAIOR E MAIS VISÍVEL.
• A REVOLUÇÃO FRANCESA TORNOU-SE IMPORTANTÍSSIMA NA CONSTRUÇÃO DE
UMA TEORIA MODERNA E LIBERAL DA CIDADANIA.
ERA CONTEMPORÂNEA
• DE FACTO, A LUTA CONTRA O DESPOTISMO E ABSOLUTISMO EM NOME DA
LIBERDADE ACABOU POR CONDUZIR A UMA “CONCEPÇÃO UNIVERSALISTA DE
CIDADANIA” (SOUSA, MACHAQUEIRO E CARVALHO, 1993:15).
• A NOVA MENTALIDADE POLÍTICA PRESENTE NAS NOVAS INSTITUIÇÕES FRANCESAS,
PERMITE O ALARGAMENTO DOS DIREITOS AO CIDADÃO INDIVIDUAL, QUE VÊ ASSIM
OS SEUS DIREITOS NATURAIS SAGRADOS EM LEGISLAÇÃO.
• O PONTO ALTO DA REVOLUÇÃO FRANCESA É A ELABORAÇÃO, EM 1789, DA
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO E MAIS TARDE DA
CONSTITUIÇÃO.
ERA CONTEMPORÂNEA
• NO SÉCULO XIX CONQUISTARAM-SE, DE FACTO, OS TAIS DIREITOS UNIVERSAIS E
FUNDAMENTAIS, MAS SÓ COM O ADVIR DO SÉCULO XX É QUE SE CONSOLIDARAM
ALGUNS DELES, NOMEADAMENTE OS DIREITOS SOCIAIS, COMO:
• O DIREITO À EDUCAÇÃO,
• À PROTEÇÃO EM SITUAÇÕES DE DOENÇA, VELHICE, DESEMPREGO E MATERNIDADE,
• À SAÚDE,
• À HABITAÇÃO, ENTRE MUITOS OUTROS…
RESUMO
• VERIFICOU-SE QUE O CONCEITO DE CIDADANIA SE FOI ALARGANDO, EXISTINDO
INÚMERAS TIPOLOGIAS E CLASSIFICAÇÕES DE CIDADANIA.
• DE UMA CIDADANIA CLÁSSICA RELACIONADA COM A PERTENÇA A UMA CIDADE,
MARCADAMENTE EXCLUSIVA, EMBORA SOB A CAPA DA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA
“COISA PÚBLICA”,
• PASSOU-SE PARA UMA CIDADANIA MODERNA ACENTUADAMENTE ASSUMIDA PELOS
IDEAIS DA REVOLUÇÃO FRANCESA, QUE SE CONSOLIDOU EM TERMOS DE DIREITOS,
• E CHEGA-SE A UMA CIDADANIA SOCIOLIBERAL ONDE O CIDADÃO É VISTO COMO
SOBERANO PARA EXERCER OS SEUS DIREITOS.
TAREFA DE CASA

“CIDADANIA: DA GÉNESE EXCLUSIVISTA À CIDADANIA GLOBAL”


• COMENTE A FRASE TENDO EM CONSIDERAÇÃO A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE CIDADANIA
AO LONGO DOS TEMPOS (GRÉCIA, ROMA, IDADE MÉDIA, IDADE CONTEMPORÂNEA, SÉCULO
XX E INÍCIO DO SÉCULO XXI).
• COLOCAR NO CACIFO DIGITAL ATÉ AO DIA ANTERIOR DA PRÓXIMA AULA.
CIDADANIA NO SÉCULO XXI

• O século XX trouxe o renovar do conceito de cidadania e dos ditos direitos


humanos.

• O conceito de cidadania tende a tornar-se mais alargado,


• A “cidadania dos eleitos torna-se a cidadania das massas”, podendo falar-se em
“democratização da cidadania” (Praia, 2001, p.11)
• São diversos os setores sociais que se integram na categoria de cidadão.
A cidadania saltou as barreiras geográficas do
país para se converter numa cidadania à escala
global.

Mais do que ser cidadão nacional impera ser


cidadão do mundo.

Assiste-se deste modo ao que se chama de


globalização da cidadania.

O conceito alargou o seu horizonte.


CIDADANIA

• Os referenciais da cidadania estão a mudar (Nogueira e Silva, 2001; Praia, 2001).

• Observa-se a passagem de uma noção de cidadania vista como participativa


para um conceito mais abrangente que “implica uma ênfase superior na
relação dos cidadãos com a sociedade de uma forma geral.”

• São agora considerados problemas a resolver pela e na cidadania questões sociais


como:
• A pobreza,
• Desigualdades associadas ao sexo de pertença,
• Identidade nacional,
• Democracia participativa,
• Questões ambientais” (Nogueira e Silva, 2001, p.12)
EM SÍNTESE…CIDADANIA
• Conceito polissémico e socialmente construído
• Remete-nos para diferentes perspetivas que podem muito bem
coexistir no mesmo espaço e tempo.
• O seu significado apresenta-se pluridimensional e multifacetado.
• E o seu conteúdo é variável entre culturas, etnias e regimes políticos.
EM SÍNTESE…CIDADANIA

• O conceito continua a ser considerado:


• Particularmente complexo,
• Mutante,
• Multidimensional,

• Cujas referências se vão alterando ao longo:


• Do tempo;
• Do contexto histórico,
• Do contexto geográfico, económico e social
Está longe de ter uma significação estável e
partilhada
(Audigier, 1998, 2000)
TAREFA DE AULA

• Leitura do texto 1 “A que nos referimos quando falamos de cidadania?”


1. Por palavras suas procure responder à questão anterior.
2. “A cidadania democrática envolve uma dupla dimensão representativa e
participativa”. Explique a frase sublinhando as duas dimensões.
3. Procure enfatizar a exigência de uma participação cívica e responsável.
4. A cidadania poderá ser encarada como uma construção? Justifique.
5. Completa a frase: “ cidadania é…”
5 CIDADANIAS PARA UMA NOVA EDUCAÇÃO
CONTEXTUALIZAÇÃO

• O quadro em que a cidadania moderna se fundou e desenvolveu tem vindo a alterar-


se profundamente,
• Gerou novas problemáticas em simultâneo, dando origem ao surgimento de novas
formas de cidadania.
CONTEXTUALIZAÇÃO
• O emergir de novas dimensões de cidadania, contribuem para definir o novo
paradigma de cidadania e para responder aos desafios societais.

• “Estas novas cidadanias têm como “ideal um neocomunitarismo integrador, capaz de


vencer a persistente exclusão de muitos em nome do interesse de poucos” (Carneiro,
2001, p.264).
CONTEXTUALIZAÇÃO
• Apresentam-se como eixos fundamentais, que possibilitam aprender a conviver.
• Possuem um caráter universal e “englobam todos os elementos curriculares da
educação em valores e os conteúdos curriculares que promovam estruturas cognitivas,
emocionais e éticas” (Imbernón, 2002, p9).

paritária
democrática social

intercultural
ambiental
CIDADANIA DEMOCRÁTICA
• Estão representadas as minorias e as maiorias e a cultura de paz é parte integrante
da cultura cívica.
• A vida democrática necessita de cidadãos ativos e interventivos passando de “meros
votantes” a “autênticos actores sociais” (Zaragoza, 2002, p.17).

• Só poderá existir uma verdadeira democracia se existir uma cultura democrática que
deverá assentar em quatro conceitos fundamentais: o civismo, a tolerância, a livre
comunicação de ideias e pessoas e a educação.
CIDADANIA SOCIAL
• Implica uma forte apropriação dos direitos e deveres sociais na consciência de cada
cidadão, a começar nos jovens.
• Permite-nos construir e desenvolver uma consciência social que intervém no combate à
discriminação social e que defenda os mais fracos e oprimidos e que tenha como lema
a igualdade de oportunidades.

• A igualdade é assim encarada como “um objectivo social” (Majó, 2002, p. 37)
CIDADANIA PARITÁRIA*
PA·RI·TÁ·RI·A (LATIM PARITAS, - ATIS, PARIDADE + -ÁRIO)
QUE TEM NÚMERO IGUAL DE REPRESENTANTES PARA CADA CATEGORIA OU PARA CADA PARTE

• Caberá a missão de promover uma “cidadania a dois”, sem preconceitos e forte o suficiente
para esquecer “séculos, senão milénios de superioridade sexista” (Carneiro, 2001, p. 266)
• A sociedade produziu e ainda continua a produzir, fenómenos de desigualdade.
• Estas desigualdades, associadas ao género, raça, etnia, classe social ou orientação sexual
continuam a persistir.

• É necessário instituir uma política de compromisso por parte de todos os intervenientes da


sociedade
CIDADANIA INTERCULTURAL
• As sociedades tendem a ser cada vez mais diversas, convivendo pessoas de variadíssimas etnias e
culturas.
• Caminha-se para uma “sociedade pluricultural e pluriétcnica na qual o mosaico de culturas será cada
vez mais variado, rico e diverso” (Peréz Serrano, 2002, p.21) .

• Emerge a necessidade do diálogo entre culturas de modo:


• A construir valores como o respeito pela diferença, tolerância, solidariedade,
• A fazer uma boa gestão das diferenças,
• A retirar o que de melhor há no outro e
• A aprender a viver com o diferente e assumir a diversidade como uma riqueza (Delors et al.,
1996).
CIDADANIA AMBIENTAL
• Aparece como uma “nova ética de relação com a natureza e com a finitude da sua riqueza originária”
constituindo-se como “parte necessária da educação cívica e moral” (Carneiro, 2001, p.268).
• A promoção e o exercício de boas práticas nas questões ambientais e de desenvolvimento sustentável
são premissas atuais que se reveem na partilha de informação e na participação pública em matéria
ambiental.
• Por isso, é urgente, que todos os cidadãos:
• Promovam atitudes saudáveis;
• Modifiquem comportamentos e modos de pensar;
• Assumam o destino do planeta como seu,
• Adotem uma perspetiva responsável e participativa.

“CIDADÃOS DO BAIRRO E DO PLANETA” (MAYER, 2002, p.83)


CONSIDERAÇÕES
• Estas dimensões da cidadania terão lugar na educação, constituindo-se
como temas transversais
• Poderão dar o seu contributo para melhorar as complexas sociedades
atuais e futuras

“todos os que trabalham por esse mundo melhor


integrem no seu comportamento essas cidadanias”
(Imbernón, 2002, p.14).
TAREFA DE AULA
• Leitura do texto 2 “Por que precisamos de educação para a cidadania?”
1. Retire 3 ideias-chave do texto
2. De uma forma sucinta, responda à questão.
3. A cidadania aparece como “resposta eficaz a um vasto conjunto de males…”
enumere dois desses “males” e explique de que forma é que a cidadania
poderá ajudar.
4. O êxito da aprendizagem da cidadania “reside na construção de uma
sociedade educadora”. Tente, de acordo com o texto, esclarecer esta ideia.
EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA
• A educação para a cidadania é uma garantia democrática e só
pode acontecer em contextos experienciais democráticos.
• Por exemplo: instituições de socialização, de formação e de
expressão da vida pública
• Mas o sistema educativo tem um papel principal em desenvolver nas
crianças e jovens os saberes e as práticas duma cidadania ativa.
Contextos de aprendizagem da cidadania

Bolívar (2007:150)
Educar para a cidadania

• Educar para a cidadania democrática em contexto educativo exige uma


(re)conceptualização das práticas pedagógicas do professor e, por conseguinte,
uma recolocação deste no ambiente educativo.
• Ao assumir-se a escola como espaço privilegiado de educação para a cidadania,
o professor deve:
• assumir-se como um educador e um cidadão responsável,
• recorrer à reflexão crítica sobre as suas práticas e
• fazer uma investigação contextualizada das práticas.
EDUCAR PARA A CIDADANIA

• O professor deve privilegiar uma metodologia mais ativa,


socializadora e com significado, valorizando-se por isso,
• “questões centrais da vida humana, os dilemas da sociedade contemporânea,
as experiências significativas do presente e os desafios pessoais e sociais que
se colocam aos alunos” (Fonseca, 2000, p.45).
EDUCAR PARA A CIDADANIA

• Podem ser metodologias heteroestruturantes, reprodutoras mais ou menos coativas, pedagogias


da essência e da existência, desde que tenham em consideração a interrogação, o
questionamento e o diálogo aberto, levando à tomada de consciência de si próprio.
(I) reflitam que a “formação da consciência social exige a passagem da mera espontaneidade ao
conhecimento racionalmente fundamentado”
(II) subentendam um aperfeiçoamento do espírito crítico na tomada de atitudes devidamente ponderadas
e assumidas como compromissos pessoais e que
(III) “sensibilizem para a elaboração de códices de comportamento que sejam a concretização de
compromissos individuais e coletivos na convivência diária” (Carita, Abreu e Queiroz ,1994)
EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA

Vivência de cidadania
• Aprende-se de várias maneiras. O ensino direto é apenas uma dessas maneiras e nem sempre a
mais adequada.

• A aprendizagem da cidadania requer uma vivência de cidadania.


• Reconhecimento da importância das vivências democráticas proporcionadas quer dentro da
escola (relações de diálogo e respeito mútuo, oportunidades de participação, ausência de
discriminações...), quer fora (visitas, intercâmbios, Experiências de criação e de gestão de
associações, de voluntariado, participação em organismos democráticos....)
EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA
Processo de definição de um currículo
• A definição de um currículo para os diferentes ciclos do ensino básico e do ensino secundário
deve ser o resultado de um vaivém de pontos de partida:
• ora da criança ou jovem (suas necessidades, interesses, características psicológicas...),
• Ora de práticas educativas que se tenham revelado adequadas (nacional e internacionalmente),
• ora do conceito de cidadania democrática,
• ora de necessidades sociais identificadas

a construção participada do currículo de educação para a cidadania


pretende usufruir dos saberes e competências dos vários especialistas
dessas áreas.
EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA

A criança como cidadão


• A criança não é apenas um cidadão em potência, é já um cidadão
que apenas não dispõe de alguns direitos políticos e jurídicos.
• A convenção dos direitos da criança - à qual o estado português está
vinculado- reconhece-lhe essa cidadania e ainda, expressamente, o
direito à participação em matérias que lhe digam respeito.
5. A CIDADANIA NA ESCOLA
- ESTRATÉGIAS
METODOLÓGICAS DE
EDUCAÇÃO PARA A
CIDADANIA E DE
PROMOÇÃO DO
DESENVOLVIMENTO ÉTICO.
Aprender (ou praticar) cidadania é um processo
complexo que abrange uma perspetiva
multidimensional.

Esta aprendizagem deve ser iniciada desde tenra idade


(Rousseau, 1965) e prolongar-se até ao fim da vida do
cidadão (Conselho da Europa, 2002; Eurydice, 2005).

Não existe um modo privilegiado e exclusivo de aprendizagem


da cidadania (Praia, 2001; Bolívar, 2007) A cidadania não se
concretiza através de discursos, nem tão pouco de retóricas
(Figueiredo, 2002),
“A cidadania construída no saber, parte da aprendizagem da
responsabilidade o que obriga à construção da confiança que permite
a delegação de poderes e a prática comum de diálogo e negociação”
o que quer dizer que nos trâmites da pedagogia “se promove a partir
de metodologias participativas em que cada um se assume como
protagonista de realizações coletivas” (sarmento, 2009).
PRÁTICAS DE CIDADANIA

• A EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA PODE SER OFERECIDA COMO


• UMA DISCIPLINA AUTÓNOMA
• UMA DISCIPLINA OBRIGATÓRIA
• UMA DISCIPLINA INTEGRADA
• UMA ÁREA TRANSVERSAL
PRÁTICAS DE CIDADANIA

• Objetivos • Metodologias
• Ativas
• Valores e atitudes
• Que formem para a vida
• Literacia política • Socializadoras com significado
• Participação ativa • “Questões centrais da vida humana, os
dilemas da sociedade contemporânea, as
experiências significativas do presente e os
desafios pessoais e sociais que se colocam aos
alunos” (Fonseca, 2000, p.45).
PRÁTICAS DE CIDADANIA

• Algumas estratégias a fomentar


• Fomentar o discurso e o diálogo;
• Promover a aprendizagem cooperativa, a partilha de informação e o trabalho em grupo;
• Ajudar na gestão de conflitos;
• Proporcionar o desenvolvimento de projetos que envolvam toda a comunidade educativa;
• Espicaçar do espírito crítico e reflexivo;
• Realizar a individualização do ensino garantindo aos alunos a igualdade de
• Oportunidades na aprendizagem e no sucesso;
• Implicar os alunos na vida comunitária;
• Negociar regras de bom funcionamento da sala de aula;
• Incentivar a realização de assembleias de turma:
• Entre outras
PRÁTICAS DE CIDADANIA

• A aprendizagem da cidadania deveria privilegiar:


(i) Vivências pessoais, emocionais, afetivas e não apenas cognitivas;
(ii) A aprendizagem do respeito e da aceitação da diferença, encarando
o pluralismo como algo de bom e de valioso em si mesmo;
(iii) Modelos educativos que estimulem o aperfeiçoamento do
comportamento humano ao nível da solidariedade, da justiça e
(iv) Um estilo de convivência que valorize a autonomia o diálogo, a
participação na vida da sociedade (Fonseca, 2000, p.56).
2. ÉTICA.
- QUESTÕES E TAREFAS DA ÉTICA CONTEMPORÂNEA.
- O DEBATE ÉTICO NUMA SOCIEDADE PLURALISTA
- DIVERSIDADE DAS MORAIS E O UNIVERSALISMO ÉTICO.
- VALORES E JULGAMENTO AVALIATIVO
- NORMAS, DEVERES E JULGAMENTO NORMATIVO.
TAREFA n.º 1- LEITURA E REFLEXÃO

Leitura do texto “Aprender a conviver ou: a paz como competência ética” de Isabel Batista,
(n.º 124, ano 12, junho 2003, página n.º 6)

1. Defina 4 palavras-chave
2. Tente definir os conceitos de convivência e coexistência
3. Explique o sentido da frase: “Aprender a viver com os outros, a conviver, implica fazer da partilha,
do diálogo e da ajuda mútua, sinais quotidianos de uma cidadania activa”.
4. Na opinião da autora, “Enquanto prática de convivência, a paz não se confunde com atitudes de
tolerância passiva, com indiferença, conformismo ou quietismo”. Concorda com a afirmação?
Justifique.
5. Procure explicar a relação apresentada no título
6. Na sua opinião, o que é necessário para que haja convivência?
ÉTICA
• “Caberá à ética assegurar a articulação racional do bem e de modo a que cada
um seja capaz de orientar a sua vida em função de metas audaciosas e bem
definidas” (Batista, 2012, p. 40).
• Não basta visar o bem, é preciso agir em consequência, cuidando de todos os
procedimentos práticos necessários.
• É aqui que se situa a moral.
• A moral corresponde ao plano de efetivação da ética, com as suas normas,
obrigações e deveres. (Batista, 2012)
ÉTICA
• “Visar o bem, vivendo com e para os outros em instituições justas”
(Ricoeur,1995)

• Noção de ética, chamando a atenção para a importância da justiça


enquanto parte integrante da aspiração humana a uma vida
realizada e feliz.
ÉTICA
• A ética contempla os costumes e os modos de ser habituais mas, sobretudo, os
costumes e os modos de ser considerados mais adequados.

• O compromisso ético transcende sempre a esfera de obediência às regras, às


prescrições (indicações) e às exortações (conselhos) morais, ao ponto de muitas
vezes justificar essas transgressões (Imbert, 1993).
TAREFA DE AULA
• Leitura do texto
“De que trata a
ética” de Fernando
Savater

• Guião de
leitura
TAREFA DE AULA

• “A liberdade (que consiste em escolher dentro do possível) não é a mesma coisa que a
omnipotência (que seria alguém conseguir sempre aquilo que quer, ainda que tal pareça
impossível). Por isso, quanto maior capacidade de acção tenhamos, melhores resultados
poderemos obter da nossa liberdade (…)” (Savater, 1993, p. 24)

• Face a esta afirmação reflita sobre a noção de liberdade.


• Seremos realmente livres?
Ética Moral
Lida com o certo e o errado Lida com o certo e o errado

Modo social de agir: implica o Modo social de agir: é adquirida e


consenso e a adesão da sociedade. formada ao longo da vida, por
experiências.
• MORAL (do latim: mores -
costumes)
Normas e regra sociais: é guiada Normas e regra pessoais: é guiada • Explicitação de padrões de
pela cultura da sociedade. pela consciência. conduta, em conformidade
com os princípios éticos em
referência
Coletivo: constrói-se a partir do Individual: é o que fundamenta a • Conjunto de normas ou regras
consenso de várias morais ética adquiridas por hábito.
PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

Quem, num conflito armado, sabe que um amigo colabora com o inimigo,
deve ocultar este facto – em nome da amizade – ou deve denunciá-lo como
traidor?

Devo dizer sempre a verdade, ou há ocasiões em que posso mentir?

Se alguém se aproxima de mim, de maneira suspeita, e receando que


possa agredir-me, devo baleá-lo, aproveitando o facto de não haver
testemunhas, eliminando assim, a possibilidade de uma agressão?
PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

• Estas situações representam problemas práticos , ou seja, problemas que se


apresentam nas relações efetivas, reais entre pessoas, ou quando se julgam
determinadas ações.
• A solução não diz respeito unicamente à pessoa que se vê confrontada com a
situação, mas também àquele que poderá sofrer as consequências da decisão.

É no plano da intersubjetividade que estes


problemas têm lugar e é desde a exigência de
uma intersubjetividade co-atuante que eles
devem ser refletidos
PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

• Nestas situações as pessoas defrontam-se com a necessidade de pautar o seu


comportamento por normas que se julgam serem as mais apropriadas ou
dignas de serem cumpridas.
• As normas são aceites intimamente e reconhecidas como obrigatórias e é de
acordo com elas que as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta
maneira ou daquela.

O ser humano age


moralmente
PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

“A Maria agiu Atos e formas de


comportamento dos Juízos que aprovam
bem ao mentir ou desaprovam
seres humanos em moralmente esses
naquelas face de determinados
circunstâncias” problemas (morais) mesmo atos.

Tanto atos como juízos apontam o que se


deve fazer e pressupõem normas
PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

Os seres humanos Tomam decisões e Julgam ou avaliam


agem moralmente levam a cabo Refletem sobre o seu
comportamento prático
perante certos certos atos para e assumem-no como
problemas resolvê-los objeto de reflexão

MORAL EFETIVA MORAL REFLEXA


PROBLEMAS MORAIS E PROBLEMAS ÉTICOS

Problema ético (são problemas gerais)

Definir a essência do Definir o que é o BOM


comportamento moral vs (o que devemos ou não fazer)
comportamento humano

BOM pode ser sinónimo de


Responsabilidade e útil, felicidade, prazer,
liberdade
autocriação…
Obrigatoriedade moral enquanto
empreendimento coletivo
https://br.pinterest.com/pin/233765036880726299/
SENTIDOS DA ÉTICA ATUAL

Sentido de ordem moral, ou ética, entendida como a totalidade do


dever moral

Sentido de estrutura fundamental das ideias morais (ou éticas),


reconhecidas por uma pessoa ou grupo

Sentido de conduta moral efetiva, tanto de uma pessoa, como de um


grupo

Patrício, 1993
PARA REFLETIR…
• O mundo contemporâneo caracteriza-se pela prevalência do bem
comum sobre o bem individual?
• Procure fazer um mapa conceptual dando resposta à questão

http://conceptodefinicion.de/mapa-conceptual /
LEITURAS COMPLEMENTARES

• BAPTISTA, I. (2005). Dar rosto ao futuro. A educação como compromisso ético. Porto: Profedições.
• Artigos disponíveis no IPB Virtual
3. EDUCAÇÃO
- AXIOLOGIA EDUCACIONAL
- O VALOR DE EDUCAR
- EDUCAÇÃO E A IDENTIDADE PROFISSIONAL DOS PROFESSORES
ÉTICA E EDUCAÇÃO
• “A educação desempenha um papel crucial na promoção dessa espécie de
compromisso, cabendo-lhe justamente a tarefa de capacitação subjectiva cívica
das pessoas ao longo de toda a sua vida” (Batista, 2012, p. 11).
A EDUCAÇÃO é, simultaneamente, um processo
de socialização e de desenvolvimento das
potencialidades individuais de cada um

Enquanto processo de socialização,


visa a transmissão de conhecimentos, Enquanto processo de individualização do
saberes, valores, crenças… educando enquanto sujeito que se apropria
e transforma o que vai (e o que o vem)
tocando numa perspetiva de educação ao
longo da vida
E
D
Realidade intrínseca à história do próprio homem U
Processo de individuação e de socialização C
Abarca um conjunto de
modalidades e de Realidade Contínua A
Inclui todos os processos
situações amplas, formativos que conduzem Ç
diversas e distintas. os indivíduos desde a Integra a totalidade dos
infância até ao fim da processos educativos e Ã
vida. de aprendizagem–
formais, não formais e
O
Um conhecimento
dinâmico do mundo, dos informais presentes ao
outros e de si próprios. longo da vida do ser
humano e que se
complementam entre si.
“A educação tem sobretudo como objectivo desenvolver a capacidade para
as transformações e a adaptação a situações novas.” (Gaston Mialaret)

“A educação é uma ajuda que a sociedade e a cultura humanas dão ao


indivíduo a fim de que se socialize e culturalize adequadamente”
(Cabanas, 1988)

“A educação, em sentido amplo, representa tudo aquilo que pode ser


feito para desenvolver o ser humano e, no sentido estrito, representa a
instrução e o desenvolvimento de competências e habilidades” (Vianna, 2006, p.130)

Educação é, afinal, uma conexão intrínseca entre


“saber”, “ser” e “fazer”.
O VALOR DE EDUCAR
EDUCAR É HUMANIZAR

“Para ser homem não basta nascer, é necessário também


aprender. A genética predispõe-nos para sermos humanos
mas só por meio da educação e da convivência social
conseguimos efectivamente sê-lo”. (Savater,1997, p.33)

“(…) é crer e confiar no ser humano, e é estar disposto,


permanentemente, a engrandecer em todos, e em cada
um, a globalidade de suas possibilidades, isto é,
aumentar neles o potencial de inteligência, de
sensibilidade, de solidariedade e de ternura que se
esconde em sua humanidade.”
O VALOR DE EDUCAR

EDUCAR É PROPORCIONAR O DESENVOLVIMENTO HUMANO


• A capacidade de ter iniciativa, trabalhar em equipa, desenvolver sinergias,
empreendedorismo, gerar autoemprego criar novas atividades
• Não encarar o homem apenas como agente económico (educar para
qualificar).

• “(…) fazer despertar todo o potencial daquele que é ao mesmo


tempo, o seu principal protagonista e último destinatário: o ser
humano, o que vive hoje aqui na terra e o que nela viverá no dia de
amanhã.” (Mayor,1994, cit. In Délors, et al,1996, p.75)
O VALOR DE EDUCAR
EDUCAR É PROPORCIONAR O DESENVOLVIMENTO HUMANO
Fazer com que cada um tome o seu destino
nas mãos e contribua para o progresso da
sociedade em que vive, baseando o
desenvolvimento na participação
responsável dos indivíduos e das
comunidades. (Delors, et al.1996)

Desenvolvimento
baseado numa
participação
responsável
VALOR DE EDUCAR
EDUCAR É PROMOVER A INTEGRAÇÃO

A política educativa
A socialização de deve ser Deve contribuir para o
cada indivíduo e o suficientemente desenvolvimento do
seu diversificada e querer viver juntos–
desenvolvimento concebida de modo a elemento básico da
pessoal devem não se tornar um fator coesão social e da
estar em sintonia suplementar de identidade nacional
exclusão social