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Comércio Internacional

Conceito de Comércio internacional?


O comércio internacional é o conjunto de operações comerciais realizada entre países e
que são regidas por normas estabelecidas em acordos internacionais. O conceito pode
se referir tanto à circulação de bens e de serviços como ao movimento de capitais.
O comércio internacional existe desde os primórdios da civilização. Um exemplo que
podemos citar é a Rota da Seda. Nas últimas décadas, sua importância tem crescido
com o avanço dos transportes, das comunicações e da indústria, sendo essa uma das
características da globalização.

Importância do comércio internacional?


A importância do comércio internacional para a economia de um país se deve a diversos
fatores. Entre eles está:
1. Garantia da venda do excedente de produção desse país;
2. Acesso a mercadorias não disponíveis localmente;
3. Dilui os riscos das atividades, uma vez que, com a diversificação de mercados, as
empresas podem continuar comercializando seus produtos mesmo se houver
uma crise econômica interna no país em que estão baseadas.
A melhor forma de visualizarmos o desempenho do comércio internacional de um
país é por meio de sua balança comercial.
A balança comercial é um indicador que registra as importações e exportações de bens
e serviços. Se seu saldo for positivo, significa que o país está exportando mais do que
importando. Se for negativo, o valor das importações ultrapassa o das exportações.

Diferença entre comércio exterior e comércio internacional


Embora similar, o conceito de comércio internacional não deve ser confundido com o de
comércio exterior. A diferença entre os dois está nas normas que os regulam.
O comércio internacional segue acordos bilaterais ou regras negociadas em
órgãos internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e blocos
regionais, como o Mercosul e a União Europeia, a SADC, NAFTA, APEX.
O comércio exterior tem como perspectiva um país específico em relação aos demais.
Por isso, ao contrário do comércio internacional, o comércio exterior é regulado pela
legislação interna do país, por exemplo, por sua legislação aduaneira.
O objetivo das normas internas é assegurar os interesses do país em suas relações
comerciais. Isso, no entanto, deve ser feito preferencialmente dentro dos limites da
legislação internacional.

Vantagem comparativa
Definição:
A vantagem comparativa é quando um país produz um bem ou serviço para um menor
custo de oportunidade do que outros países.
O custo de oportunidade mede uma compensação. Um país com uma vantagem
comparativa não é necessariamente o melhor em produzir algo. As vantagens de
comprar o bem ou o serviço superam as desvantagens. Isso significa que o bem ou
serviço tem um baixo custo de oportunidade para outros países importar.
Por exemplo 1:
Os países produtores de petróleo têm uma vantagem comparativa em produtos
químicos. Isso porque o petróleo fornece uma fonte barata de material para os produtos
químicos quando comparado com os países sem ele.
Como resultado, a Arábia Saudita, o Kuwait e o México competem bem com as empresas
de produção química do EUA. O custo de oportunidade é baixo. Isso torna seus produtos
químicos menos dispendiosos. Isso porque muitas das matérias-primas são produzidas
no processo de destilaria de óleo.
Exemplo 2:
São os call centers da Índia. As empresas dos EUA compram este serviço porque é mais
barato do que localizar o call center na América. Os centros de atendimento indianos não
são melhores do que os centros de atendimento dos EUA. Seus trabalhadores nem
sempre falam inglês muito claramente. Mas eles podem fazê-lo barato o suficiente para
fazer a compensação valer a pena. (Fonte: "Vantagem Comparativa", Biblioteca de
Economia e Liberdade.)
No passado, as vantagens comparativas ocorreram mais nos bens e raramente nos
serviços. Isso porque os produtos são mais fáceis de exportar. Mas a tecnologia de
telecomunicações como a internet está tornando os serviços mais fáceis de exportar.
Isso inclui call centers, bancos e entretenimento. (Fontes: "Vantagem comparativa",
"Bureau of Labor Statistics".
O que significa para você: Vantagem comparativa é o que você faz melhor, ao mesmo
tempo em que abandona o mínimo. Por exemplo, se você é um excelente encanador e
uma excelente babá, sua vantagem comparativa é encanamento. Isso porque você
ganhará mais dinheiro como encanador. Você pode contratar uma hora de serviços de
babá para menos do que você faria fazendo uma hora de encanamento. Seu custo de
oportunidade de babá é alto. Toda hora que você gasta babá é uma hora de perda de
receita, você poderia ter obtido um trabalho de encanamento.
Teoria da vantagem comparativa
O economista David Ricardo, do século XVIII, criou a teoria da vantagem comparativa.
Ele argumentou que um país aumenta o seu crescimento econômico ao se concentrar
na indústria em que tem a maior vantagem comparativa.
Por exemplo, a Inglaterra conseguiu fabricar pano barato. Portugal teve as condições
certas para fazer vinho barato.Ricardo previu que a Inglaterra deixaria de fazer vinho e
que Portugal deixasse de fazer roupa. Ele estava certo. A Inglaterra ganhou mais
dinheiro trocando seu pano pelo vinho de Portugal e vice-versa. Teria custado à
Inglaterra muito para fazer todo o vinho necessário porque faltava o clima. Portugal não
tinha a capacidade de fabricar roupas baratas.
Portanto, ambos se beneficiaram ao negociar o que eles produziram de forma mais
eficiente.
Esta teoria da vantagem comparativa tornou-se a lógica dos acordos de livre
comércio.
Ricardo desenvolveu sua teoria para combater as restrições comerciais do trigo
importado na Inglaterra. Ele argumentou que não faz sentido restringir o trigo de baixo
custo e de alta qualidade de países com condições climáticas e do solo adequadas. A
Inglaterra receberia mais valor exportando produtos que exigissem mão de obra
qualificada e maquinaria. Poderia receber mais trigo no comércio do que poderia crescer
por conta própria.
A teoria da vantagem comparativa explica por que o protecionismo comercial não
funciona a longo prazo. Os líderes políticos estão sempre sob a pressão de seus
constituintes locais para proteger empregos da concorrência internacional ao aumentar
as tarifas. Mas isso é apenas uma correção temporária.
A longo prazo, dói a competitividade da nação. Permite ao país desperdiçar recursos em
indústrias mal sucedidas. Também obriga os consumidores a pagar preços mais altos
para comprar produtos domésticos.
David Ricardo começou como corretor de ações bem sucedido, fazendo US$ 100
milhões em dólares de hoje. Depois de ler Adam Smith's The Wealth of Nations , ele se
tornou um economista. Ele foi a primeira pessoa a salientar que aumentos significativos
na oferta monetária criam inflação. Esta teoria é conhecida como monetarismo.
Ele também desenvolveu a lei de retornos marginais decrescentes. Esse é um dos
conceitos mais importantes na microeconomia. Ele afirma que há um ponto na produção
onde o aumento da produção já não vale a entrada adicional de matérias-primas. (Fonte:
"David Ricardo," EconLib.)
Exemplo
A vantagem comparativa da América é a sua grande massa terrestre, delimitada por dois
oceanos. Também tem muita água fresca, terras aráveis e petróleo disponível. Tem uma
população diversificada com uma linguagem comum e leis nacionais. Para mais
informações, veja The Power of the U. S. Economy.
Tudo isso dá às U. S. recursos econômicos baratos e proteção contra invasão de terras.
Mais importante, a população diversificada oferece um grande mercado de testes para
novos produtos. Isso ajudou os Estados Unidos a se tornar um líder mundial em
equipamentos bancários, aeroespaciais, de defesa e tecnologia. Para mais informações,
veja as quatro principais coisas que os Estados Unidos são bons em produzir e como o
Silicon Valley é a vantagem inovadora da América.

Vantagem Comparativa vs. Vantagem Absoluta


A vantagem absoluta é qualquer coisa que um país faça de forma mais eficiente do que
outros países.
Os países que são abençoados com uma abundância de terras agrícolas, reservas de
água doce e petróleo têm uma vantagem absoluta na agricultura, gasolina e produtos
petroquímicos.
Só porque um país tem uma vantagem absoluta em uma indústria não significa que será
sua vantagem comparativa. Isso depende do que os custos da oportunidade comercial
são. Digamos que seu vizinho não tem petróleo, mas muitas terras agrícolas e água
doce. O vizinho está disposto a trocar muita comida em troca de petróleo. Agora, o
primeiro país tem uma vantagem comparativa em petróleo. Pode obter mais comida do
seu vizinho, trocando por petróleo do que poderia produzir por conta própria. (Fontes:
"Vantagem Absoluta," FT. Com Lexicon ". Vantagem Comparativa e Vantagem
Absoluta," Shmoop. Com. "Vantagem Absoluta no Comércio," Estudo. Com.
O que significa para você: Vantagem absoluta é tudo o que você faz com mais
eficiência do que qualquer outra pessoa. Você é melhor do que todos os outros no bairro
em encanamento e babá. Mas o encanamento é sua vantagem comparativa. Isso porque
você só desistiu de trabalhos de babá de baixo custo para prosseguir o seu bem pago
Vantagem comparativa vs. vantagem competitiva
A vantagem competitiva é o que um país, empresa ou indivíduo faz, proporciona um
melhor valor para os consumidores do que seus concorrentes.
Existem três estratégias que as empresas usam para obter uma vantagem
competitiva:
➢ Oferecer um produto melhor;
➢ Oferecer um serviço melhor;
➢ Concentrar em um tipo de cliente.
(Fonte: "Free Trade and Protection: Why Do Nations Trade?" HSC Online. )
O que significa para você: A vantagem competitiva é o que o torna mais atraente para
os consumidores do que seus concorrentes. Por exemplo, você está em demanda para
fornecer serviços de encanamento e babysitting. Mas não é necessariamente porque
você os faz melhor (vantagem absoluta). É porque você cobra menos.

Taxa de câmbio
A taxa de câmbio é o valor da moeda de um país em relação ao valor da moeda de
outro país.
Por exemplo, digamos que 1 dólar (US$) seja capaz de comprar 62.35 meticais (MZN).
A taxa de câmbio é então de MZN 62,35/US$ 1. Vale dizer que os números para a taxa
de câmbio oscilam muito, bem mais que a média das outras variáveis econômicas.
Portanto, é bem difícil dizer em que patamar estará dentro de um mês, por exemplo.
Normalmente utiliza-se a definição de câmbio como o preço da moeda estrangeira em
relação à moeda nacional. Por exemplo, no caso da moeda americana, o câmbio é
medido em meticais por dólar – nos diz quantos meticais são necessários para comprar
um dólar. Isso implica que, quando a taxa de câmbio sobe – por exemplo de 62,35 para
63,60 –, dizemos que há uma depreciação do Metical em relação ao Dólar (ou seja, são
necessários mais quantidade da moeda moçambicana para comprar a moeda
americana). E quando a taxa de câmbio diminui, daí há uma apreciação do metical
frente ao dólar.
Esse câmbio é o que os economistas chamam de câmbio nominal: informa quantos
meticais são necessários para comprar um dólar, mas não informa o poder de compra
desses meticais em termos de produtos que eles são capazes de adquirir aqui e nos
Estados Unidos. Para isso, é preciso levar em conta os preços dos produtos em meticais
e em dólares. Quando levamos isso em conta, temos o que se chama de taxa de câmbio
real.
Câmbio e balança comercial
Quando o câmbio real se eleva, dizemos que houve depreciação. Isso pode decorrer
porque:
I. Aumento do câmbio nominal, ou seja, um dólar compra maior número de Meticais;
II. Queda dos preços internos, ou seja, para um dado câmbio nominal o dólar tem
maior poder de compra em Moçambique; e
III. Alta dos preços em dólar, ou seja, para o mesmo câmbio nominal passa a ser
mais interessante comprar em Moçambique do que nos EUA.
Assim, uma depreciação real da nossa moeda significa que os preços de produtos lá fora
ficaram mais caros em relação aos produtos aqui dentro. Isso, portanto, tende a
desestimular nossas compras de bens produzidos no exterior, isto é, as importações
diminuem. Por outro lado, se os produtos externos ficaram mais caros em relação aos
nossos, então os nossos produtos ficaram mais baratos em relação aos produzidos lá
fora. E esse preço relativamente mais baixo incentiva os estrangeiros a adquirirem
nossos produtos, ou seja, as exportações aumentam.
Quando ocorre depreciação real da nossa moeda, portanto, as exportações sobem e as
importações caem. E no caso em que nossa moeda aprecia em termos reais, o inverso
ocorre: importações aumentam e exportações caem.

Proteccionismo
Protecionismo é uma doutrina, uma teoria que prega um conjunto de medidas a serem
tomadas no sentido de favorecer as atividades econômicas internas, reduzindo e
dificultando ao máximo, a importação de produtos e a concorrência estrangeira.
O protecionismo é o conjunto de medidas de origem estatal, que procura limitar, proibir,
controlar ou influenciar de maneira consequente o comércio entre indivíduos, residindo
em regiões diferentes, para atingir objetivos de arrecadação e de proteção de
determinados setores de produção — através da tributação e da concessão de privilégios
legais.
Trata-se de uma interferência no processo voluntário das trocas de mercado, um
obstáculo restringindo a livre e espontânea iniciativa dos agentes económicos envolvidos
diretamente nas transações comerciais. O sucesso dessa política é o resultado da
execução do poder estatal de restrição normativa — um monopólio regulamentário
que vigora em determinado território e que submete todos os indivíduos desse território
às leis editadas por essa autoridade.
O protecionismo introduz uma forma de discriminação das trocas voluntárias. Ele
significa que serão consideradas diferentemente as trocas entre indivíduos de uma
determinada região e as trocas entre indivíduos de regiões diferentes. Ele pode ser
concebido como um nacionalismo regulamentário.
De fato, o protecionismo no campo econômico tem o mesmo fundamento que o
nacionalismo no campo político.
Em discurso — e na prática -, os governos procuram se utilizar das normas legais para
“proteger” residentes ou beneficiar determinados produtores e setores econômicos
nacionais vis-à-vis dos estrangeiros. No entanto, obviamente, o benefício acordado a um
grupo se faz em detrimento do prejuízo aos demais — produtores, consumidores e
setores econômicos da mesma região.
De forma concreta, podemos classificar as políticas protecionistas
como diretas e indiretas.
Políticas proteccionistas diretas
São as tarifas aduaneiras e as quotas de importação ou exportação.
Políticas proteccionistas indiretas
Encontramos todas as decisões administrativas buscando controlar o comércio exterior
ou as importações de determinados bens e serviços.
Todas as medidas que tenham incidência e consequência protecionista acabam se
enquadrando nessa categoria, independentemente delas inicialmente terem sido
elaboradas ou projetadas com esse intuito.
A título ilustrativo, a política fiscal — como impostos discriminatórios –, as políticas de
transferência ou redistribuição de recursos a determinados setores e atores, a política
cambial, ou, ainda, as regulamentações setoriais ou fitossanitárias acabam tendo
impacto sobre o comércio exterior e, em determinados casos, configuram-se como
modalidades do proteccionismo.
Medidas protecionistas:
➢ Criação de altas tarifas e normas técnicas de qualidade para produtos
estrangeiros, reduzindo a lucratividade dos mesmos;
➢ Subsídios à indústria nacional, incentivando o desenvolvimento econômico
interno;
➢ Fixação de quotas, limitando o número de produtos, a quantidade de serviços
estrangeiros no mercado nacional, ou até mesmo o percentual que o acionário
estrangeiro pode atingir em uma empresa.
O responsável pela fiscalização do comércio entre os países e dos actos proteccionistas
que os mesmos adotam é a OMC (Organização Mundial do Comércio), cujo papel é
promover a liberalização do comércio internacional.
Vantagens do proteccionismo
O protecionismo é vantajoso, em tese, pelo facto de:
➢ Proteger a economia nacional da concorrência externa;
➢ Garantir a criação de empregos;
➢ Incentivar o desenvolvimento de novas tecnologias.
Desvantagens do Proteccionismo
No entanto, estas políticas podem, em alguns casos, fazer com que:
➢ O país perca espaço no mercado externo;
➢ Provocar o atraso tecnológico e a acomodação por parte das empresas nacionais,
já que essas medidas tendem a protegê-las;
➢ Aumento dos preços internos.
Vale ressaltar também que a diminuição do comércio, conseqüência natural do
protecionismo, enfraquece políticas de combate à fome e ao desenvolvimento dos países
pobres.
As Consequências Econômicas do Protecionismo
1. Perda de bem-estar dos habitantes da região onde ele é implantado.
Eles não poderão plenamente desfrutar das vantagens do livre mercado. Os
consumidores, por exemplo, serão obrigados a pagar um preço mais elevado por
mercadorias mais acessíveis alhures, ou seja, pagar preços mais elevados que os que
seriam praticados se não houvesse barreira protecionista.
2. Essa perda de bem-estar é desigualmente repartida.
Alguns habitantes do país protecionista podem tirar proveito ou benefício da proteção. A
razão é simples, como dito mais acima, a vantagem obtida por uma minoria é
indissociável da perda ressentida por todos os outros. Em teoria econômica, o efeito do
protecionismo pode ser estimativamente mensurado pela diferença que a política
induz nos preços relativos de duas mercadorias comparativamente aos preços de
livre comércio.
O protecionismo se traduz, de fato, em uma modificação na estrutura dos preços. A
introdução de uma tarifa aduaneira sobre as importações do bem X promove uma
proteção da produção de X em determinado território (proteção positiva) ao mesmo
tempo em que impõe uma despesa suplementar ou desvantagem relativa à produção de
Y nesse mesmo lugar (proteção negativa). Dito de outra forma, o protecionismo
positivo que beneficia os produtores de X é indissociável do protecionismo negativo que
pesa sobre os produtores de Y.
Retenhamos aqui, de maneira simplificada e de forma ilustrativa, que bens são trocados
contra bens, segundo uma estrutura qualquer de preços relativos. A tarifa aduaneira
sobre a importação de X implica que para comprar X será necessário um número maior
de Y. Se por um lado torna-se doravante talvez atrativo ou realizável produzir X
domesticamente, torna-se relativamente menos atrativo produzir Y, Z, ou G. O preço do
bem protegido aumenta em relação aos outros bens.
Quanto maior a quantidade de bens disponíveis em uma economia complexa,
maior a difusão ou diluição dos efeitos do protecionismo e mais difícil se torna
desagregar esses efeitos específicos sobre cada um dos bens e serviços.
3. O protecionismo diminui o escopo das transações comerciais possíveis.
Ele induz artificialmente uma escassez de produtos. A mudança nos preços relativos
faz com que a quantidade possível de trocas entre os bens seja reduzida. Desse ponto
de vista, é possível associar o protecionismo a uma aplicação simples da teoria do
monopólio: o produtor em monopólio pode controlar a quantidade ofertada ou fixar um
preço mais elevado do que o preço que se estabelece em regime concorrencial.
O ganho ou benefício suplementar do monopólio faz-se em detrimento das perdas
assumidas pelos consumidores. Em termos absolutos, o valor desse ganho é inferior ao
valor total das perdas. A razão é clara, por um simples cálculo aritmético, vê-se que
toda medida restritiva produz uma vantagem e dois inconvenientes ou, ainda, um
lucro e duas perdas, cada uma dessas perdas igual ao lucro, donde verifica-se o fato
incontornável que o resultado da regulamentação protecionista envolve uma perda seca
ou peso morto (Deadweight Loss).
4. O protecionismo implica um desperdício de recursos.
Quão melhor não seriam utilizados os recursos economizados caso as trocas fossem
realizadas em ausência de barreiras protecionistas? Percebemos, então, que existe
evidentemente — sobretudo quando a proteção é direta e toma forma de uma tarifa
aduaneira — um outro agente beneficiário da proteção: o próprio Estado. Assim
como acontece com os impostos, as tarifas aduaneirasana levantam recursos para o
poder central.
A tarifa aduaneira, além de assemelhar-se e ter praticamente as mesmas consequências
da fiscalidade, é uma forma custosa de imposição ou política fiscal. Além dos custos de
implementação — associados ao contrôle das fronteiras e fiscalização das trocas
comerciais –, os produtores devem ainda suportar custos suplementares de
transação que estão associados, por exemplo, à perda de tempo com o preenchimento
de formulários, à obtenção de alvarás de comercialização, a declarações de
enquadramento em regimes fiscais específicos e a outras formalidades aduaneiras.
Todos esses custos e valores poderiam estar sendo consagrados a atividades
produtivas.
5. Do ponto de vista econômico e em termos de custos significa a mesma coisa implementar
uma tarifa aduaneira sobre as importações ou sobre as exportações.
A razão é simples: não é possível separar a parte compra da parte venda de uma
transação comercial. Na realidade, quando tarifamos uma compra o que tarifamos de
fato é a transação e, como consequência, também a venda correspondendo a essa
compra.
Desencorajar as importações significa desestimular as exportações. A imposição de um
direito de aduana não favorece as exportações relativamente às importações. Ela
favorece as atividades interiores relativamente às exteriores. É, dessa forma, absurdo
se utilizar de medidas protecionistas por motivos de balança comercial, embora os
políticos e “especialistas” frequentemente cometam esse erro.
6. Trocas comerciais internacionais menos desejáveis.
Como consequência direta do que acabamos de explicar, o protecionismo faz com que
as trocas internacionais sejam menos desejáveis, uma vez que ele diminui não somente
o potencial de importações, mas também reduz o de exportações. Trata-se, então,
sempre de um passo suplementar na direção da autarquia ou de um novo bloqueio
à divisão do trabalho.
A intenção política original importa pouco. A partir do momento em que uma medida ou
política econômica provoca uma diferença nos preços relativos entre o exterior e o
interior, ela tem o mesmo efeito de uma política protecionista. Os resultados são sempre
os mesmos: modificações nas estruturas produtivas, transferências forçadas de ativos
ou recursos e perda de bem-estar.
Conclusão:
A liberdade para a entrada de produtos e a concorrência internacional são benéficas
tanto para os consumidores quanto para os produtores que utilizam de insumos
importados ou que são desafiados por novos concorrentes. A concorrência é um
fenômeno generalizado e não se restringe a uma análise pautada em determinados
segmentos de mercado.
O “processo de descoberta” que é a concorrência transmite conhecimento e revela
diversas informações pertinentes. Ele faz com que os produtores possam saber —
através da própria ação de seus rivais — o porquê de seus produtos serem menos
competitivos. Eles compreendem, pelo comércio, alguns dos motivos que conduzem os
produtores de outras regiões — por questões institucionais ou econômicas — a serem
mais eficientes, propondo produtos mais baratos — de uma gama similar ou inferior —
ou com inovações tecnológicas. O comércio é um mecanismo de conhecimento,
descoberta do outro e de novos produtos — de aprendizado com a riqueza da
diversidade.
A concorrência conduz, naturalmente, os empreendedores a permanecerem em
estado de alerta. Eles vão buscar constantemente entender melhor quais os
processos produtivos, institucionais e organizacionais que podem trazer
desvantagens.
Seu intuito não é forçosamente copiar ou reivindicar os mesmos parâmetros que seu
concorrente para a concepção de seus próprios produtos, mas descobrir e prospectar
novas oportunidades de lucro. Existem aqueles que buscarão inovações. Alguns
proporão um produto diferente ou se especializarão em determinadas cadeias produtivas
e segmentos de mercado, participarão de outra forma dentro da cadeia de negócios e,
para isso, mobilizarão seus esforços na adaptação de sua estrutura produtiva e
organizacional, com intuito de conservar níveis sustentáveis de lucro.
A concorrência internacional aporta consigo os mesmos benefícios e consequências que
a concorrência local. Não há nada diferente economicamente.

Blocos Econômicos
Os blocos econômicos são associações criadas entre os países, a fim de estabelecer
relações econômicas entre si. Eles surgiram do reflexo da constante competição de
economias que estão sempre buscando o crescimento. Além disso, é um movimento
cada vez mais comum no mercado mundial para aguentar o ritmo acelerado dos países.
Essa união acontece por interesses mútuos e pela possibilidade de crescimento em
grupo. Esse crescimento passou a ser bem visto porque logo se percebeu que, por mais
forte que fosse uma economia, ela não poderia competir de igual para igual com grupos
de economias unidas entre si.
Objectivos da criação dos bloco econômicos.
É uma união de países com interesses mútuos:
➢ Crescimento econômico;
➢ Integração social - Tem como uma das ideias principais garantir uma maior
integração entre países e;
➢ Facilitação do comércio.
Os blocos econômicos começaram a surgir no fim da década de 40, após a 2ª Guerra
Mundial. Nesse período, a Europa estava devastada por causa da guerra e também era
fortemente influenciada pelo mercado norte-americano, que estava em processo de
crescimento econômico e, portanto, poderia ameaçar as economias europeias.
O primeiro bloco econômico nasceu em 1944 com a criação da BENELUX formada por
Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Seu objetivo era ajudar os países-membros a se
recuperarem da guerra. Após ele, principalmente depois da Guerra Fria, outros foram
criados.
Classificação dos Blocos
São definidos quatro estágios ou tipos de blocos:
• Área de Livre Comércio: o primeiro seria a determinação de uma área de livre
comércio, que significa que produtos produzidos por um país podem entrar em
países que têm esse acordo de livre comércio com ele, isento de taxas e
burocracias tradicionais de uma importação normal;
• União Aduaneira: numa segunda fase, de interesses mais amplos, a união
aduaneira apresenta a implementação de condutas de comércio, além de regras
para comércios com países que não fazem parte dessa união.
• Mercado Comum: a terceira parte é a criação de um mercado comum, que
implica numa integração maior entre as economias e regras de comércio interno
e externo, além de englobar a passagem de mercadorias, pessoas e capital entre
esses países de forma livre.
• União Econômica e Monetária: o estágio máximo de ligação é o de união
econômica e monetária, que é um mercado comunitário, mas com o diferencial de
ter uma moeda comum em circulação nos países que compõem esse grupo.
Esses estágios são baseados nas fases ou categorias vividas pelos blocos, mas há uma
ordem obrigatória para sua criação. O bloco que seguiu todos os passos citados foi a
União Europeia, mas outros já formados não seguiram necessariamente essa ordem.
O Mercosul, por exemplo, é classificado como união aduaneira; a União Europeia já
atingiu o nível de união econômica e monetária. Aliás, esses passos são baseados na
formação desse bloco.
Principais Blocos Econômicos
União Europeia
Na Europa existe a União Europeia que é um bloco formado por 28 países. Ele surgiu
pela necessidade dos países de se unirem após a destruição causada pela 2ª Guerra
Mundial. Ele contém economias fortes que conseguiram resistir a diversas crises
econômicas mundiais. Sua moeda comum é o Euro, mas existem aqueles que não
aderiram à moeda. Ainda que a Grécia, Espanha e outros países tenham passado por
sérias dificuldades, o fato de estarem inclusos na União Europeia os deu proteção e
inclusive apoio financeiro quando foi preciso.
CEI
Há ainda na Europa, a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), que foi criada em
1991. Ela é formada pelos países Armênia, Cazaquistão, Belarus, Federação Russa,
Moldávia, Quirquistão, Tadjiquistão, Ucrânia, Uzbequistão, Azerbaidjão e Turcomenistão
(membro associado).
Mercosul
O Mercosul é um bloco que foi criado em 1992, sendo formado pelo Brasil, Argentina,
Paraguai e Uruguai. A Venezuela entrou no bloco em 2012, mas existem outros em
processo de adesão e associados. O objetivo da Mercosul é trazer uma integração
política, econômica e social entre os países participantes, auxiliar no aumento da
qualidade de vida e fortalecer o vínculo entre os cidadãos do bloco.
Nafta
O Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA) foi criado oficialmente em 1994
e é formado por México, Estados Unidos e Canadá. O principal objetivo do bloco é manter
políticas comuns com relação a barreiras alfandegárias, leis financeiras, padrões e
acesso aos mercados dos países-membros.
Comunidade Andina de Nações - Pacto Andino
A Comunidade Andina de Nações foi criada em 1969, formada pela Bolívia, Colômbia,
Equador e Peru. Tem como foco a integração comercial e o acesso dos mercados. É um
dos principais parceiros dos Estados Unidos.
APEC
A Cooperaçao Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC) foi criada em 1993, na
Conferência de Seattle, nos Estados Unidos e é formada por países das Américas, da
Oceania e a Ásia.
Globalização
Todo esse movimento de união de países, às vezes perto geograficamente outras vezes
não, só é possível pelas seguidas formas que o homem achou de aproximar pessoas
distantes. Os avanços no setor da comunicação possibilitaram esse contato e fizeram
com que os indivíduos conhecessem e vivessem culturas e costumes diferentes de
outras regiões que, antes desses avanços, eram improváveis de se conhecer.
Outro fator importante foram os avanços do setor de transportes. Aviões com capacidade
e comodidade cada vez maior deram a chance de mais e mais pessoas realizarem
viagens para lugares distintos, gastando um tempo menor do que anos anteriores. Isso
é o chamado efeito da globalização que integra países e aproxima nações.
SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral)
A sede da SADC encontra-se em Gaborone, no Botswana. As línguas oficiais da
Comunidade são o inglês, o francês e o português.

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral existe desde 1992, a partir da


transformação da SADCC (Southern Africa Development Co-ordination Conference ou
Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral), criada
em 1980 por nove dos estados membros. Esta transformação, que teve lugar em 17 de
Agosto de 1992 em Windhoek, Namíbia, foi motivada pelo fim do regime de apartheid na
África do Sul.
Em 2016, a SADC engloba 15 países do sul da África. Os países membros somam uma
população de aproximadamente 210 milhões de pessoas e um PIB de aproximadamente
471 bilhões de dólares, valor importante, especialmente levando-se em conta as
economias dos restantes países do continente.
A região enfrenta uma série de problemas, desde dificuldades naturais
como secas prolongadas, a grande prevalência do SIDA e a pobreza. A erradicação
destes problemas está entre as principais metas do grupo, que são:
➢ Promover o crescimento e desenvolvimento económico, aliviar a pobreza,
aumentar a qualidade de vida do povo, e prover auxílio aos mais
desfavorecidos;
➢ Desenvolver valores políticos, sistemas e instituições comuns;
➢ Promover a paz e a segurança;
➢ Promover o desenvolvimento sustentável por meio da interdependência
coletiva dos estados membros e da autoconfiança;
➢ Atingir a complementaridade entre as estratégias e programas nacionais e
regionais;
➢ Promover e maximizar a utilização efectiva de recursos da região;
➢ Atingir a utilização sustentável dos recursos naturais e a proteção do meio
ambiente;
➢ Reforçar e consolidar as afinidades culturais, históricas e sociais de longa data
da região.
O financiamento aos projetos é obtido através de duas maneiras principais. A primeira e
mais importante é a contribuição de cada um dos membros, com o valor baseado no PIB
de cada um; a segunda é através da colaboração de parceiros económicos
internacionais, como a União Europeia e alguns países desenvolvidos, que dependem
do projeto a ser desenvolvido.
Principais objetivos
Desenvolvimento economico
Para atingir-se o desenvolvimento económico é essencial que se promova a indústria
local. Com a industrialização atingir-se-á a independência em relação aos produtos
industrializados estrangeiros e aos produtos da África do Sul, que exerce um claro
domínio sobre o mercado dos seus vizinhos. A estratégia principal consiste na
reabilitação e crescimento das capacidades já existentes.
Os projetos de industrialização seguem as diretrizes de produzirem sempre mercadorias
de destaque no mercado regional, mas que possam também ser exportadas, seja para
fora do bloco ou não, e que tenham a maior parte possível da matéria prima extraída
dentro dos países membros. Tendo isso em mente, a produção tem concentrado-se
em manufaturados de necessidade imediata e produtos de base, além de produtos de
apoio às atividades industriais que estiverem sendo desenvolvidas.
Promoção de educação
Um dos projetos na área de educação, o treinamento de mão de obra qualificada tem
sido, em parte, realizado. Os profissionais a serem formados são os que foram
identificados como os mais importantes ao desenvolvimento imediato, como gestores
públicos, técnicos, engenheiros (especialmente agrícolas) e cientistas com formações
aplicáveis à indústria. Devido à falta de capacidade de treinamento local desses cargos,
têm sido oferecidas bolsas de estudo em centros de formação estrangeiros, e tem-se
apostado na criação de centros de formação intelectual e técnica na região.
Combate ao HIV-SIDA
O combate ao VIH também se encontra entre as prioridades da SADC. As metas fixadas
incluem ter em 2011 noventa e cinco por cento da população entre quinze e vinte e quatro
anos informada sobre os conceitos básicos que concernem a doença, ter menos de
cinquenta por cento das crianças infectadas e, em 2015, obter um decréscimo do número
de infectados.
Participação do genêro
Também pretende-se aumentar a participação da mulher em todas as camadas da
sociedade. Espera-se em menos de cinco anos conseguir abolir todas as cláusulas
sexualmente discriminatórias nas constituições de todos os países, instituir leis que
garantam direitos iguais a homens e mulheres, reduzir a violência contra mulheres e
crianças e chegar-se a uma participação muito maior da mulher na sociedade. Em uma
década espera aumentar-se a participação feminina em cargos governamentais e
empresas estatais.
Principais parceiros económicos
O principal parceiro económico externo à SADC é a União Europeia (UE), com quem
realiza importantes trocas há alguns anos. Apesar da parcela do mercado europeu estar
decrescendo, cerca de três por cento em 2010, contra sete na década de oitenta, essas
trocas ainda representam a maior parte das exportações e importações externas ao
grupo. Muitas medidas têm sido tomadas para evitar o domínio económico pelo Norte.

Moçambique e os esforços para a integração regional


Nem o abrandamento da economia mundial tem atraído os agentes económicos
moçambicanos para o mercado africano. 0 destino das exportações nacionais continua
a ser o mercado europeu e o futuro está cada vez mais orientado para a Ásia.
A África Austral tem sido um espaço rico em experiências ao nível do estabelecimento
de esquemas de cooperação e integração económica de países. Entre os mais
conhecidos está o Mercado Comum da África Oriental e Austral (do inglês: Common
Market for East and Southern Africa - COMESA), com 21 membros, e a Comunidade
para o Desenvolvimento da África Austral (do inglês: Southern Africa Development
Community - SADC), actualmente com 15 membros, da qual faz parte Moçambique
desde a sua fundação (1 de Abril de 1980).
A cooperação e integração da SADC é baseada em factores históricos, económicos,
políticos, sociais e culturais, e os seus princípios foram delineados à margem da
experiência retirada da União Europeia que, actualmente, agrega 27 países. No papel
tudo parece funcionar. Mas apesar das intenções e dos objectivos desenhados pela
comunidade serem bem intencionados e louvados, a verdade é que hoje, tal como
sucede com a comunidade europeia, a SADC esbate hoje num problema de extrema
assimetria entre os seus membros que potencia problemas de variada ordem. Basta
pensar que, com excepção da África do Sul, todas as outras economias dos países da
SADC, quando tomadas individualmente, são tão pequenas que no contexto
internacional e mesmo continental, desempenham um papel periférico.
Para se ter uma ideia, no ano passado, Moçambique foi a 18. maior economia da África
Subsariana, contribuindo apenas com 1% para o PIB da região. No espaço da SADC, a
fotografia não é muito diferente, com Moçambique a contribuir somente com 2% para a
riqueza gerada na comunidade. É dentro deste quadro que "o processo de integração
económica regional exige dos seus países membros a adopção de medidas de
liberalização e estabilização económica que propiciem a convergência económica a
longo prazo, a convergência macroeconómica, e a convergência da política
macroeconómica", refere José Chichava, professor auxiliar na Faculdade de Economia
da Universidade Eduardo Mondlane, num trabalho académico intitulado de "As
Vantagens e Desvantagens Competitivas de Moçambique na Integração Económica
Regional".
As profundas desigualdades entre os seus membros, que revelam estados de
desenvolvimento bastante distintos, leva a que hoje muitos economistas duvidem do
sucesso desta organização. Desde logo por haver sobre a mesa um conjunto de
objectivos bastante rígidos impostos de igual forma a todos os estados-membros, que
terão de ser seguidos nos próximos anos.
COMUNIDADE DESIGUAL
A SADC é hoje uma comunidade de grandes desigualdades económicas e assim deverá
continuar nos próximos anos, com a África do Sul a gerar mais riqueza do que a de todos
os outros países juntos.
Recorde-se, por exemplo, que no horizonte da SADC está a ambição dos seus membros
de criarem uma moeda única em 2018. Para esse efeito, é exigido a todos os países
que, entre outras coisas, sejam capazes de manter a taxa de inflação controlada nos 3%,
a dívida externa abaixo dos 60% do PIB e a dívida pública limitada no intervalo entre 1%
a 3% do PIB, a taxa de crescimento do PIB nos 7% e a taxa de poupança interna perto
dos 35%. "Há um generalizado consenso em torno da estabilização e do ajustamento
económico, mesmo acreditando que tais políticas sozinhas não serão suficientes para se
atingir os objectivos de crescimento e desenvolvimento", escreve Chichava.
SADC tem oferecido muito pouco
Para Moçambique, a participação numa organização inter-regional significa poder chegar
a um número de consumidores mais vasto, de forma mais facilitada e menos
dispendiosa, pois as trocas comerciais entre os países aderentes tende a intensificar-se
e a reduzir os custos de transacção resultantes da harmonização dos procedimentos
jurídicos e dos quadros reguladores. Na prática, significa que os planos da SADC
relativos ao estabelecimento de uma União Aduaneira poderão de facto beneficiar
Moçambique e o tecido empresarial nacional, pela via do aumento da quota de
exportações na região. Todavia, e apesar de nos últimos dez anos ter havido
significativos desenvolvimentos no comércio.
BALANÇO DAS TROCAS COMERCIAIS
A SADC tem-se revelado numa região pouco interessante para a economia nacional.
Segundo os últimos dados oficiais, as trocas comerciais entre Moçambique e os outros
Estados-membros da comunidade são pouco relevantes. Isto se excluirmos a África do
Sul que é responsável por 22% das exportações e 58% das importações.
SADC vale 28% das exportações...
Em 2010, a exportação de bens nacionais para os países da SADC não ultrapassou os
30% do bolo total. Mas quando excluída a África do Sul, a venda de produtos para a
região cai para os 5%.
.. e 58% das Importações
Moçambique continua a comprar muito pouco aos países vizinhos. Com excepção das
trocas realizadas com Pretória, Moçambique quase não faz negócios com os parceiros
da SADC. 57,8% (ÁFRICA D0 SUL)
PARA ONDE SEGUE A SADC...
Através do seu Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional, a SADC fixou
um conjunto de metas a desenvolver na área prioritária de comércio, liberalização
económica e desenvolvimento até 2018.
➢ Implementação de uma Zona de Comércio Livre.
➢ Conclusão das negociações sobre a União Aduaneira
➢ Conclusão das negociações sobre o Mercado Comum da SADC
➢ Criação da união Monetária da SADC.
Introdução de uma moeda regional para a União Monetária
... E ONDE QUER CHEGAR EM 2018
Com vista à criação de uma moeda regional em 2018, a SADC procura a todo o custo
que os seus países consigam controlar as suas contas públicas ao mesmo tempo que
crescem a um ritmo médio anual de 7%.
inter-regional da comunidade, são vários os especialistas que reconhecem que, do ponto
de vista do "custo de oportunidade", Moçambique, assim como Angola e outros países
da comunidade da África Austral, têm recolhido poucos benefícios em pertencer a uma
qualquer organização de integração regional, como é o caso da SADC. A verdade é que
hoje as trocas comerciais de Moçambique com os restantes membros da comunidade
são praticamente nulas. As exportações para os países da SADC (quando excluída a
África do Sul) representam cerca de 5% do bolo total e as importações não vão além dos
0,3%.
Mesmo assim, o Governo tem estado empenhado na integração regional, como sendo
uma maneira de evitar a marginalização na economia mundial e de introduzir mais
eficiência no sector produtivo interno. E é sob este testemunho e objectivo que
Moçambique assumiu no último Comité da SADC a presidência da comunidade.
Contudo, os especialistas não deixam de alertar para os riscos desta envolvência. Desde
logo apontam reticências para o potencial efeito prejudicial que a crescente concorrência
regional possa vir a ter sobre o sector industrial, hoje ainda muito fragilizado, visto a
SADC encorajar especificamente os fluxos transfronteiriços dos investimentos.
Este risco é real, pois ao colocar em competição economias com diferentes graus de
desenvolvimento, a integração pode, se não for devidamente controlada e
acompanhada, aumentar o fosso entre os países mais avançados e os países mais
pobres, potenciando a eventual marginalização das economias menos desenvolvidas da
região.
Outra forma de ler as vantagens da integração regional passa pela evolução do
investimento estrangeiro nos países membros, que tende a intensificar-se como
resultado da assinatura de protocolos comerciais entre os vários governos.
Em Moçambique, tem-se registado nos últimos anos um aumento claro do investimento
proveniente da SADC, nomeadamente o que tem origem na África do Sul e que abrange
vários sectores de actividade. Entre os mais relevantes está a Sasol, maior empresa
nacional, detida em 50% por capital sul africano, que opera no sector energético; a Mozal
(15% de capital sul africano), que se dedica à produção de alumínio; o Banco Austral e
o Standard Bank no sector bancário e as cadeias de distribuição Shoprite, Game e Mica.
Além disso, há ainda a destacar o "empurrão" que uma maior integração regional de
Moçambique promoveu ao nível da onda de aquisições de empresas por parte de
companhias estrangeiras nos últimos anos, como foi o caso da CIFEL (metalúrgica), da
Companhia Industrial da Matola (Massas, bolachas, moageira), das Cervejas de
Moçambique (cerveja), da Coca-Cola (refrigerantes), da Texmoque (têxteis), e das
açucareiras.
OS OITO DESAFIOS QUE FALTA VENCER
A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral enfrenta uma série de problemas
que vão além das variáveis macro-económicas. Desde as calamidades naturais - como
é o caso de situações de seca violenta - à elevada taxa de infecção do virus HIV e a
pobreza extrema. A erradicação destes e outros problemas estão entre as principais
metas da comunidade.
Todavia, é importante destacar que o fluxo de investimentos registado nos últimos anos
não se deveu em exclusivo a qualquer protocolo comercial celebrado no seio da SADC.
Mesmo assim, é notório que todos estes investimentos "têm influência na criação de um
ambiente propício à integração regional, uma vez que contribuem para o aproveitamento
de potencialidades existentes no país e ainda para a capacitação e capitalização de
pequenas e médias empresas fornecedoras de serviços e produtos aos
empreendimentos estabelecidos", refere o governo no documento "Estratégia de
Moçambique para o processo de integração regional na SADC".
Uma só moeda para potenciar a região
Segundo os especialistas do Banco Mundial, "África deverá ser a região do planeta mais
afectada pela crise financeira". De acordo com um estudo da organização humanitária
"Action Aid", a recessão global fará perder às economias africanas biliões de dólares
todos os anos. Nas contas públicas, este cenário traduzir-se-á numa queda abrupta das
receitas das exportações, desde logo devido ao facto da Europa representar quase dois
terços do destino das exportações nacionais. É também a pensar nisso que, até hoje, as
autoridades continuam empenhadas na SADC e estão a seguir atentamente os planos
da comunidade no sentido de promover uma integração mais profunda que passará por
alcançar o mercado comum até 2015, uma união monetária até 2016 e uma união
económica até 2018.
Do ponto de vista do mercado de trabalho, as autoridades deverão ter igualmente em
atenção que a abertura das fronteiras significará uma maior mobilidade da força laboral
na região. Neste contexto é provável que Moçambique possa vir a ser um dos principais
destinos da mão-de-obra dos países da região, em virtude do forte potencial de
desenvolvimento da sua economia.
A verdade é que o mundo hoje muda a uma velocidade alucinante. O processo de
globalização evolui todos os dias e manifesta-se diariamente pela integração das
economias ao nível das comunidades económicas regionais e da liberalização do
comércio no âmbito da Organização Mundial do Comércio. África, em 1992, através do
Tratado de Abuja, decidiu entrar neste "jogo", adoptando como fórmula a integração do
continente através de comunidades económicas regionais. A SADC faz parte deste
cenário. Moçambique não poderá estar alheio desta realidade sob pena de se ver
marginalizado desse processo de integração, uma tendência cada vez mais irreversível.

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