Você está na página 1de 2

* Psicologia da arte tem três ramos: percepção, emoção e imaginação

* Percepção
- Já foi abandonada a concepção ingênua que arte é apreciação de coisas bonitas
- A resposta à arte começa com a percepção sensorial, mas não termina em si.

* Emoções
- As emoções são indefinidas, e as sensações são definidas
- Alguns psicólogos empiristas afirma que as emoções estão para além da
consciência, já que não podemos nos fixar nelas. Outros afirmam que é um
contrasenso tratar de sentimentos inconscientes. Para Ovisianiko-Kulikoskii não há
memória de sentimentos.
- Em termos fisiológicos, emoções podem ser concebidas como descargas de energia.
- Para Orshanskii há três caminhos de descarga de energia psíquica: nervos
motores (descarga externa), associação ou fonte de emoções (descarga interna) e
inibição.
- Para Freud, afetos e sentimentos são gastos de energia que se expressam em
sensação.
- Na psicologia da arte tem se utilizado muito das considerações de Freud,
principalmente da economia de energia envolvida na descarga emocional
- Nessa direção, a tendência seria que os sentimentos não ficassem no
insconciente, já que são um gasto de energia. Assim, enquanto a lei da memoria
prevaleceria para o que pensamos, a lei do esquecimento prevaleceria para os
sentimentos.
- A Psicologia da Arte acaba tendo dois problemas para resolver: 1) se as emoções
são apenas despedício de energia psíquica e 2) o da economia de energia.
- Caso façamos a divisão entre os efeitos primários e secundários da arte, ainda
resta a dúvida em qual desses momentos a economia de energia ocorreria.
- Seguindo as considerações de Spencer, a lei da economia de energia não se
aplica a arte, já que muitas vezes se escolhe os caminhos mais complicados para o
trabalho artístico. Quanto maior o gasto de energia psíquica, mais intenso é o
efeito da obra de arte. A resposta estética aniquila nossa energia psíquica.
- A Psicologia ainda não conseguiu gerar um sistema que explique todo o
comportamento estético, apenas preocupações com aspectos específicos. Ela está no
estágio da análise e não a sintese.
- Duas sinteses possível são:
1) Qualquer ação do mundo exterior implica em efeitos sensoriais e morais, há
uma impressão emociona (tomo sensorial da percepção). Para Christiansen, a resposta
estética corresponde ao tocar de notas de um piano. A reação estética é composta
por impressões emocionais. Ele acerta em colocar que nosso prazer na arte não
ocorre nos olhos ou ouvidos, mas não localiza onde ocorre.
2) Outra síntese é a de Lipp e sua teoria da empatia. Para ele não é o trabaho
artístico que introduz emoções em nós, mas, por meio de atividades complexas de
nosso organismo que introduzimos emoção aos objetivos artísticos. Ele falha em não
apresentar critérios para distinguir a resposta estética e outras respostas.
- Ambos tem limitações em lidar com os afetos e coafetos próprios das obras
artísticas; em Christiansen foca-se apenas no primeiro e Lipp no segundo.

* Imaginação
- Nenhuma das teorias da estética consegue explicar a conexão entre os nossos
sentimentos e os objetos percebidos, por não conseguirem analisar a relação entre
fantasia e sentimento.
- Toda emoção possui uma resposta somática e requer alguma expressão em nossa
imaginação
- Emoção e imaginação não são processos separados, mas o mesmo processo. A
fantasia é a expressão de uma reação emocional.
- Aqui se aplica a lei de Wundt de uma fonte de energia que pode ser gasta ou no
polo central ou periférico.
- A diferença entre o sentimento artístico e o comum é que o primeiro é liberado
de forma intensificada pela imaginação.
- Outra diferença é que os afetos estéticos não geram ações imediatas
- Esse atraso se deve a arte ser uma emoção central e ser uma emoção inteligente
que se realiza por meio de imagens de fantasia.
- Ela também se comporta como uma resposta orgânica global geral a eventos que
ocorrem com um indivíduo, "a unidade global do organismo se expressa na emoção".
- Na arte é comum a existencia de sentimentos misturados e na tragédia, em
especial, o seu antagonismo. Nela se aplica o princípio da oposição de afetos e o
princípio da antítese

* Catarse
- A oposição de afetos é outra via de explicação para o atraso na resposta às
emoções estéticas
- Os trabalhos artísticos sempre incutem afetos contraditórios que entrem em
curto circuito e destroem essas emoções. A isso podemos chamar de catarse. É uma
reação complexa de transformação de sentimentos. Por isso ela se torna uma das
formas mais poderosas e improatnte de descarga de energia psíquica.
- O contraste entre a estrutura a forma artística e seu conteudo é a base da ação
catártica na resposta estética.
- "Vamos agora fazer algumas declarações finais. Podemos dizer que a resposta
estética básica consiste no afeto causado pela arte, afeto experimentado por nós
como se fosse real, mas que encontra sua liberação na atividade da imaginação
provocada por uma obra de arte. Essa liberação central atrasa e inibe o aspecto
motor externo do afeto, e pensamos que estamos experimentando apenas sentimentos
ilusórios. A arte é baseada na união de sentimento e imaginação. Outra
peculiaridade da arte é que, embora gere em nós efeitos opostos, atrasa (por causa
do princípio antitético) a expressão motora das emoções e, ao fazer colidir
impulsos opostos, destrói o efeito do conteúdo e da forma e inicia um descarga
explosiva de energia nervosa"