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Fls.

ACÓRDÃO Nº 00842/2020 - Tribunal Pleno

PROCESSO : 00713/2020
ASSUNTO : ANÁLISE DE EDITAL DE CONCURSO
RELATOR : NILO RESENDE
GESTOR : ROMES GOMES DA SILVA
CPF : 378.340.531-91
MUNICÍPIO : ABADIA DE GOIÁS
ÓRGÃO : PODER EXECUTIVO

DENÚNCIA. ANÁLISE EDITAL


CONCURSO PÚBLICO.
IRREGULARIDADES. Concessão
medida cautelar. Suspensão do
certame.

Tratam os autos da análise do concurso público, objeto do Edital nº.


001/2019, cujo o objeto é a seleção de pessoal para o provimento de vagas no
quadro de pessoal da Prefeitura Municipal de Abadia de Goiás.

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Location: BR
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ACORDAM os Conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios do


Estado de Goiás, reunidos no Pleno, acolhendo as razões expostas no voto do
Relator em:

I. REFERENDAR a Medida Cautelar 003/2020 (fls. 403), que


determinou a imediata suspensão do procedimento de Concurso Público, objeto do
Edital 001/20, em sua integralidade, na fase em que se encontra, até manifestação
conclusiva desta Corte nos presentes autos;

II. DETERMINAR que em 5 (cinco) dias o Sr. ROMES GOMES DA


SILVA, Prefeito do Município de Abadia de Goiás, CPF: 378.340.531-91 e o Sr. EMERSON
ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão do Concurso, CPF: 824.730.641-72,
comprovem ter atendido a determinação desta Corte de Contas;

III. DETERMINAR, em atendimento aos princípios constitucionais


da ampla defesa e do contraditório, a remessa dos autos ao SETOR DE
DILIGÊNCIAS para que promova ABERTURA DE VISTA, via aviso de recebimento
(AR), ao Sr. ROMES GOMES DA SILVA, Prefeito do Município de Abadia de Goiás,
CPF: 378.340.531-91 e o Sr. EMERSON ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da
Comissão do Concurso, CPF: 824.730.641-72, para terem conhecimento dos termos
do Despacho nº. 302/2020 (fls. 395/402) e apresentar, caso queiram, suas razões de
defesa e informações e documentos que achar pertinentes, bem como constantes
no referido certificado;
IV. DETERMINAR, que após abertura de vista, com ou sem
manifestação, sejam os autos encaminhados à Secretaria de Atos de Pessoal para
análise sequenciamento do feito;
V. ALERTAR os interessados, que caso não atendidas as
determinações expedidas por este Tribunal, os mesmos estarão sujeitos à
imputação de multas, nos termos do artigo 47-A, da Lei Orgânica do TCM/GO;

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VI. ALERTAR que as conclusões registradas nesta Decisão não


elidem responsabilidades por atos não alcançados na presente análise e por
constatações de procedimentos fiscalizatórios diferenciados, tais como inspeções,
outras denúncias ou tomada de contas especiais, sem prejuízo das cominações já
impostas ou as que eventualmente forem aplicadas em outros processos atinentes
ao mesmo período.
TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DE GOIÁS,
19 de Fevereiro de 2020.

Presidente: Joaquim Alves de Castro Neto

Relator: Nilo Sérgio de Resende Neto.

Presentes os conselheiros: Cons. Daniel Augusto Goulart, Cons.


Fabricio Macedo Motta, Cons. Francisco José Ramos, Cons. Joaquim Alves de
Castro Neto, Cons. Nilo Sérgio de Resende Neto, Cons. Sérgio Antônio Cardoso de
Queiroz, Cons. Valcenôr Braz de Queiroz, Cons. Sub. Flavio Monteiro de Andrada
Luna, Cons. Sub. Irany de Carvalho Júnior, Cons. Sub. Maurício Oliveira Azevedo,
Cons. Sub. Vasco Cícero Azevedo Jambo e o representante do Ministério Público de
Contas, Procurador Regis Gonçalves Leite.

Votação:

Votaram(ou) com o Cons.Nilo Sérgio de Resende Neto: Cons. Daniel


Augusto Goulart, Cons. Fabricio Macedo Motta, Cons. Francisco José Ramos, Cons.
Sérgio Antônio Cardoso de Queiroz, Cons. Valcenôr Braz de Queiroz.

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PROCESSO : 00713/2020
ASSUNTO : ANÁLISE DE EDITAL DE CONCURSO
RELATOR : NILO RESENDE
GESTOR : ROMES GOMES DA SILVA
CPF : 378.340.531-91
MUNICÍPIO : ABADIA DE GOIÁS
ÓRGÃO : PODER EXECUTIVO

1. RELATÓRIO

Tratam os autos da análise do concurso público, objeto do Edital nº.


001/2019, cujo o objeto é a seleção de pessoal para o provimento de vagas no
quadro de pessoal da Prefeitura Municipal de Abadia de Goiás.

Encaminhados os autos à Secretaria de Atos de Pessoal foi emitido o


Despacho nº. 302/2020 (fls. 395/402) pelo qual a unidade técnica manifestou-se pelo
deferimento de medida cautelar com a finalidade da imediata suspensão do
concurso público objeto do Edital 0012019, tendo em vista a verificação de
irregularidades no edital que devem ser sanadas.
Ato contínuo, foram os autos ao Gabinete do Conselheiro Relator que,
após análise dos documentos e dos fundamentos apresentados pela unidade
técnica, concedeu a Medida Cautelar 003/2020 (fls. 403) a fim de suspender
imediatamente, e na sua integralidade, o procedimento de concurso Público, objeto
do Edital nº. 001/2020, conforme os termos e fundamentos manifestados pela
unidade técnica.
A fim de cientificar os responsáveis quanto a concessão da Medida
Cautelar 003/2020 (fls. 403) a assessoria dessa Relatoria entrou em contato com o
Município, especificadamente com o Sr. Emerson, Presidente da Comissão do
Concurso, informando sobre a concessão da cautelar, enviando, inclusive, cópia da
decisão ao e-mail por ele indicado (fl. 0403).

É o relatório.

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2. DA MANIFESTAÇÃO DA SECRETARIA DE ATOS DE PESSOAL.

A Secretaria de Atos de Pessoal, através do Despacho nº. 302/2020 (fls.


395/402), manifestou-se nos seguintes termos:
“(...)
II – FUNDAMENTAÇÃO
2.1 DA TEMPESTIVIDADE
Preliminarmente, cabe ressaltar que os prazos para a apresentação dos
editais de concurso público, devidamente publicados, e documentação
essencial perante esta Corte, em meio físico, é de 30 dias antes da data de
início das inscrições do concurso, nos termos do art. 7º, inciso I, da
Instrução Normativa n.º 10/15.
In casu, observou-se que a protocolização em meio físico do edital em
exame deu-se intempestivamente, em 30/01/2020, porquanto o início do
período para inscrições ocorreu em 11/02/2020.
Ressalta-se que a intempestividade poderá ensejar aplicação de MULTA
nos seguintes termos:
Responsável: EMERSON ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão
de Concurso.
Conduta: Descumprir o prazo de protocolização física do edital previsto na
Instrução Normativa n.º 10/15.
Período da Conduta: 2020
Nexo de Causalidade: Dentre as atribuições do Presidente da Comissão de
Concurso, está a de protocolizar o edital em meio físico de forma tempestiva
nesta Corte, em razão de ser este o responsável por acompanhar, fiscalizar
e garantir a legalidade e correta execução dos procedimentos formais
inerentes ao certame.
Culpabilidade: Não é possível identificar má-fé do responsável, mas sim
inobservância de dever exigível em razão da responsabilidade pelo edital.
Ademais, é razoável afirmar que era possível o responsável ter consciência
da ilicitude do ato que praticara e que era exigível conduta diversa daquela
que ele adotou, consideradas as circunstâncias que o cercavam, posto
conhecer dos mandamentos da Instrução Normativa 10/15 desta Casa.
Dispositivo Legal Violado: art. 7º, inciso I, da Instrução Normativa n.º
10/15.
Encaminhamento: Multa de 1 a 1,5%, com fundamento no art. 47-A, XVII,
da Lei n. 19.044/15 c/c DN 011/15, DN 005/19 e RA 119/19 deste Tribunal.
Oportuno frisar: caso o citado consiga demonstrar ausência de participação
formal e ausência de responsabilidade quanto às irregularidades delatadas
no tópico, a SAP poderá rever a responsabilidade.
2.2 DOS DOCUMENTOS ESSENCIAIS
Tendo em vista o rol de documentos essenciais para formalização de
processos desta natureza, de acordo com o previsto no art. 7º, parágrafo
único, inciso I, da Instrução Normativa n.º 10/15 desta Casa, verifica-se que
o responsável não apresentou toda a documentação exigida, restando
omissa:
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a) Certidão expedida pelo responsável pelo serviço de contabilidade do


município, certificando que existe autorização específica para admissão de
pessoal na LDO do exercício da deflagração do certame.
Além do referido documento, o responsável também não apresentou cópia
do ato de homologação do procedimento licitatório referente à contratação
da banca organizadora, porém consta dos autos o contrato de prestação de
serviço firmado entre o município e a empresa ITEC, regido pelo Pregão
Presencial nº 018/19 (f.345). Assim, entende-se que o documento
apresentado sana a omissão verificada.
Em tempo.
Registra-se que após a homologação do certame, o responsável deverá
encaminhar: cópia do termo de homologação do concurso contendo a lista
completa dos candidatos aprovados e classificados na ordem classificatória,
bem como do cadastro de reserva e os comprovantes de publicação desses
documentos, na íntegra, em meio de divulgação dos atos oficiais da
Administração, em jornal de grande circulação diária em todo Estado e na
internet.
Destaca-se que a ausência do encaminhamento de documentos essenciais
poderá render ensejo à aplicação de MULTA nos seguintes termos:
Responsável: EMERSON ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão
de Concurso.
Conduta: Descumprir a Instrução Normativa n.º 10/15 ao não encaminhar
documentos essenciais – certidão que ateste a autorização específica para
admissão de pessoal na LDO.
Período da Conduta: 2020
Nexo de Causalidade: Dentre as atribuições do Presidente da Comissão
de Concurso Público, inclui-se a de apresentar todos os documentos
essenciais previstos na IN 10/15, necessários ao exercício do controle
externo por parte deste Tribunal.
Culpabilidade: Pode-se afirmar que era possível ao Presidente da
Comissão ter consciência da omissão praticada, em face da expressa
previsão, contida na IN 10/15, dos documentos essenciais para
formalização de processos desta natureza.
Dispositivo Legal Violado: art. 7º, §único, inciso I, da Instrução Normativa
n.º 10/15.
Encaminhamento: Multa de 1 a 25%, com fundamento no art. 47-A, XIV,
da Lei n. 19.044/15 c/c DN 011/15, DN 005/19 e RA 119/19 deste Tribunal.
2.3 DOS VÍCIOS DE LEGALIDADE DO EDITAL
2.3.1 Do cargo de Guarda Civil Municipal
De acordo com o §2º, do art.15, da Lei Federal nº 13.022/14, a lei municipal
deve estabelecer percentual mínimo de provimento dos cargos da Guarda
Municipal para o sexo feminino.
Nesse sentido, a partir da análise da Lei Municipal nº 614/16 (f.209),
contata-se que não há previsão de tal percentual, assim como não há
destinação de vagas para o sexo feminino no edital.
Também no que se refere ao edital, verifica-se que não consta do
cronograma data estimada para o curso de formação inicial obrigatório para
ingresso na carreira de Guarda Municipal, conforme estabelecido pelo art.
43, §3º, inciso III, da Lei Municipal nº 614/16 (f.222).

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Frise-se que a homologação do certame somente poderá ocorrer após a


conclusão do referido curso de formação, vez que este constitui etapa
eliminatória.
Por fim, impende ressaltar que o edital não pode exigir do candidato
requisito diferente do previsto em lei, tendo em vista disposição expressa no
art. 37, inciso I e II da Constituição Federal. De acordo com o citado preceito
constitucional, os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei.
Dessa forma, ao realizar um cotejo entre o edital e a Lei Municipal, percebe-
se que o primeiro estabelece CNH A/B como requisito de provimento ao
cargo de Guarda Municipal, enquanto que a Lei Municipal não faz menção a
tal exigência.
Diante das considerações apontadas, compete ao responsável:
a) apresentar lei municipal que preveja percentual mínimo de vagas para
o sexo feminino, bem como retificar o edital, de modo a contemplar a
destinação correta de vagas para mulheres;
b) apresentar cronograma que conste data prevista para realização do
TAF, bem como do curso de formação para GCM;
c) retificar o edital, com o fim de excluir a exigência de CNH A/B como
requisito de investidura ao cargo de Guarda Municipal, OU apresentar
legislação que convalide a exigência editalícia.

Destaca-se que os vícios aludidos podem implicar NULIDADE do certame


para o cargo de Guarda Municipal, como também aplicação de MULTA:
Responsável: ROMES GOMES SILVA, Prefeito.
Conduta: Não regulamentar em lei municipal o percentual mínimo de
provimento dos cargos da Guarda Municipal para o sexo feminino.
Período da Conduta: 2020
Nexo de Causalidade: Ao não regulamentar o percentual mínimo em lei o
Prefeito, autoridade competente pela apresentação do Projeto de Lei, foi
omisso frente à determinação da Lei Federal nº 13.022/14.
Culpabilidade: Não é possível identificar má-fé do responsável, mas sim
inobservância quanto ao cumprimento de determinação legal.
Dispositivo Legal Violado: Lei Federal nº 13.022/14, art. 15, §2º.
Encaminhamento: Multa de 1 a 25%, com fundamento no art. 47-A, VIII, da
Lei n. 19.044/15 c/c DN 011/15, DN 005/19 e RA 119/19 deste Tribunal.
2.3.2 Dos cargos de Agente de Endemias e Agente de Saúde
Após as inovações trazidas pela Lei Federal nº 13.595/18, que alterou a Lei
nº 11.350/06, os requisitos de provimento para os cargos de Agente
Comunitário de Saúde e Agente de Combate às Endemias foram alterados,
conforme a seguinte redação:
Art. 6o O Agente Comunitário de Saúde deverá preencher os seguintes
requisitos para o exercício da atividade:
I - residir na área da comunidade em que atuar, desde a data da
publicação do edital do processo seletivo público;
II - ter concluído, com aproveitamento, curso de formação inicial, com
carga horária mínima de quarenta horas;
III - ter concluído o ensino médio.
§ 1º Quando não houver candidato inscrito que preencha o requisito previsto
no inciso III do caput deste artigo, poderá ser admitida a contratação de

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candidato com ensino fundamental, que deverá comprovar a conclusão do


ensino médio no prazo máximo de três anos. (grifou-se)
Art. 7o O Agente de Combate às Endemias deverá preencher os
seguintes requisitos para o exercício da atividade:
I - ter concluído, com aproveitamento, curso de formação inicial, com carga
horária mínima de quarenta horas;
II - ter concluído o ensino médio. (grifou-se)
Após as inovações trazidas pela referida lei, foram alterados os requisitos
de provimento para os cargos de ACS e ACE, sendo que o grau de
escolaridade exigido foi o de ensino médio completo.
Isto posto, percebe-se que o edital está de acordo com a legislação federal,
uma vez que dispõe como requisito de provimento a conclusão do ensino
médio, entretanto não fez previsão ao art. 6º, §1º, da Lei Federal. Além
disso, a Lei Municipal nº 521/2014 (f.144) está desatualizada, porquanto
estabelece como requisito o ensino fundamental.
Ainda, o edital não estabeleceu a exigência de o candidato ACS residir na
área da comunidade em que atuar e não dividiu as áreas de atuação do
Agente Comunitário de Saúde (Agente de Saúde), de forma a possibilitar a
devida comprovação de residência.
A título de exemplo, deveria o edital estabelecer as microrregiões da
seguinte forma:
ACS – Microárea 1: Sede – Região Central
ACS – Microárea 2: Zona Rural – Setores A e B.
Por fim, verifica-se que não consta do cronograma do edital previsão do
período para realização do curso de formação.
Diante disso, compete ao responsável:
a) retificar o edital, a fim de inserir as microrregiões de atuação do ACS
(Agente de Saúde), vinculadas às respectivas vagas, bem como deixar claro
que o candidato deve residir na área da comunidade em que atuar;
b) incluir no edital cláusula que disponha sobre admissão de candidato com
ensino fundamental na ausência de candidato com ensino médio, nos
termos do § 1º, art. 6º, da Lei nº 13.595/18;
c) inserir no cronograma do certame o período provável de realização
do curso de formação, visto que a homologação do resultado final para
ambos os cargos só será possível após conclusão do referido curso;
d) atualizar a Lei Municipal nº 521/2014, nos termos da redação dada pela
Lei Federal nº 13.595/18.
Frise-se que diante da necessidade de inclusão das microrregiões e,
considerando o fato de o período de inscrições já estar aberto (11/02/2020 -
13/03/2020) deverá o responsável promover a devolução da taxa de
inscrição aos candidatos prejudicados com a alteração e, se for o caso,
reabrir o período de inscrições para novos candidatos.
2.3.3 Do cargo de Tratorista
A Lei Federal nº 13.097/15 alterou o art. 144, parágrafo único, do Código de
Trânsito Brasileiro, e estabeleceu a possibilidade de o trator de roda e
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equipamentos automotores destinados a executar trabalhos agrícolas serem


conduzidos em via pública por condutor habilitado na categoria “B”.
Diante da obrigatoriedade de no mínimo categoria “B”, constata-se que a Lei
Municipal nº 387/2010 (f.129) e o edital foram omissos ao exigir do
candidato tão somente nível fundamental incompleto.
Assim, compete ao responsável apresentar lei que estabeleça habilitação
“B” como requisito de investidura ao cargo de Tratorista, como também
retificar o edital nos mesmos moldes, sob pena de nulidade do certame
para o referido cargo.
Frise-se que diante da necessidade de alterações nos requisitos de
investidura e, considerando o fato de o período de inscrições já estar aberto
(11/02/2020 - 13/03/2020) deverá o responsável promover a devolução da
taxa de inscrição aos candidatos prejudicados com a alteração e, se for o
caso, reabrir o período de inscrições para novos candidatos.
Vale destacar que, caso não sejam sanados os vícios pormenorizados
acima (itens 2.3.1, 2.3.2 e 2.3.3), além da nulidade do certame, poderá
ocorrer aplicação de MULTA nos seguintes termos:
Responsável: EMERSON ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão
de Concurso.
Conduta: Não exigir do candidato requisito previsto em lei e/ou exigir do
candidato requisito diferente do previsto em lei.
Período da Conduta: 2020
Nexo de Causalidade: Dentre as atribuições do Presidente da Comissão,
inclui-se a de acompanhar, fiscalizar e garantir a legalidade dos requisitos
de investidura previstos no edital.
Culpabilidade: Pode-se afirmar que era possível ao Presidente da
Comissão ter consciência do vício praticado, em face do necessário
cumprimento ao princípio da legalidade. No entanto, não é possível
identificar má-fé do responsável, mas sim inobservância de dever exigível
em razão da função de Presidente da Comissão.
Dispositivo Legal Violado: Constituição Federal, art. 37.
Encaminhamento: Multa de 1 a 25%, com fundamento no art. 47-A, VIII, da
Lei n. 19.044/15 c/c DN 011/15, DN 005/19 e RA 119/19 deste Tribunal.
2.4 DA CLAREZA QUANTO AOS REQUISITOS DE PROVIMENTO
2.4.1 Dos cargos de auditor fiscal e analista de recursos humanos
Do compulsar do edital, percebe-se que o requisito de investidura para os
cargos de Auditor Fiscal e Analista de Recursos Humanos é Ensino
Superior em qualquer área correlata, tal qual estabelece a Lei nº 723/19
(f.336).
No entanto, à luz da clareza e objetividade que devem reger o edital, o
termo “qualquer área correlata” se mostra deveras vago, podendo ocasionar
dúvida ao candidato no momento da inscrição ou mesmo insegurança
jurídica e confusão quando da análise documental para a posse do
candidato nomeado.
Diferente seria se a lei e o edital estabelecessem apenas curso superior em
qualquer área de formação.

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Diante disso, compete ao responsável apresentar lei que defina quais


os cursos de nível superior são considerados correlatos para
investidura nos cargos ora mencionados, exemplo, direito, economia,
contabilidade, administração e, como consequência, retificar o edital de
modo a indicar quais são esses cursos.
Frise-se que diante da necessidade apontada e, considerando o fato de o
período de inscrições já estar aberto (11/02/2020 - 13/03/2020) deverá o
responsável promover a devolução da taxa de inscrição aos candidatos
prejudicados com a alteração e, se for o caso, reabrir o período de
inscrições para novos candidatos.
III- DA MEDIDA CAUTELAR
Levando-se em conta os vícios de legalidade detectados e apontados neste
despacho quanto aos cargos de Guarda Civil Municipal, Agente de Saúde
e Tratorista, revela-se necessário o deferimento de medida cautelar, com
fulcro no art. 56 da Lei nº 15.958/07 (LOTCM)1, para suspender o presente
procedimento de concurso público em sua integralidade.
A tutela de urgência deve ser concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao
resultado útil do processo.
Na espécie, resta caracterizada a probabilidade do direito, expressa no
interesse público consubstanciado na preservação da legalidade, da
legitimidade e da economicidade no certame.
Faz-se presente também o perigo de risco ao resultado útil do processo,
tendo em vista que as inscrições se iniciaram no dia 11/02/2020, tornando-
se necessário evitar a continuidade do procedimento maculado.
No mais, num exame perfunctório, tudo leva a crer que caso tenha vícios no
certame e não sejam sanados em tempo hábil, os mesmos poderão causar
prejuízos aos candidatos e à Administração (perigo de dano).
Demonstrados, pois, os requisitos legais para concessão da tutela provisória
de urgência, evidenciam-se a necessidade e a utilidade de deferimento de
medida cautelar que, em razão da urgência que se impõe, propõe esta
Especializada seja concedida inaudita altera pars.
IV – CONCLUSÃO
Ante o exposto, esta Secretaria manifesta seu entendimento no sentido de
que:
I. é necessário o deferimento de medida cautelar, inaudita altera pars, em
vista do preenchimento dos requisitos legais, intimando-se o responsável,
ROMES GOMES SILVA, Prefeito do Município de Abadia de Goiás, para
determinar a imediata SUSPENSÃO do concurso público em sua
integralidade, até que esta Corte decida sobre o mérito da cautelar, vale
dizer, até que constate o perecimento da probabilidade do direito e do
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo;
II. os responsáveis ROMES GOMES SILVA, Prefeito, e EMERSON
ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão de Concurso, devem ser

1 Art. 56. O Tribunal Pleno ou o relator, em caso de urgência, de fundado receio de grave lesão ao erário ou a direito alheio, ou de risco de
ineficácia da decisão de mérito, poderá, de ofício ou mediante provocação, adotar medida cautelar, com ou sem a prévia oitiva da parte,
determinando, entre outras providências, a suspensão do ato ou do procedimento impugnado, até que o Tribunal decida sobre o mérito da
questão suscitada.

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notificados a, no prazo de 20 (vinte) dias, sob pena de aplicação da multa


prevista no art. 47-A, inciso XIII, da LOTCM:
a) encaminhar o documento elencado no item 2.2 do presente
despacho;
b) apresentar a comprovação da adoção das providências referidas nos
itens 2.3.1, 2.3.2, 2.3.3 e 2.4.1 da fundamentação deste despacho;
c) em havendo retificação ao edital, apresentar os comprovantes de
publicação em órgão oficial de divulgação dos atos da Administração local
ou no DOE e na internet e, havendo modificação dos requisitos de
investidura em quaisquer dos cargos ofertados, apresentar comprovação da
reabertura do período de inscrições e devolução da taxa de inscrição
àqueles candidatos prejudicados com a alteração;
d) apresentar, caso queiram, suas alegações de defesa, especialmente
quanto às MULTAS que eventualmente lhe poderão ser imputadas,
podendo inclusive invocar delegação de competência em sua defesa
(informando nesse caso quem é/era o responsável pelo ato, com prova
documental do alegado).
Encaminhem-se os autos ao i. Conselheiro Relator para as providências que
entender cabíveis, com a URGÊNCIA que o caso requer.

(...)”

3. PROPOSTA DE VOTO DO RELATOR

Este Relator, após análise dos autos, não vislumbra razões para
discordar da manifestação da Secretaria de Atos de Pessoal.

Dessa forma, acolhendo totalmente a manifestação da Secretaria de


Atos de Pessoal, manifesto por:

VII. REFERENDAR a Medida Cautelar 003/2020 (fls. 403), que


determinou a imediata suspensão do procedimento de Concurso Público, objeto do
Edital 001/20, em sua integralidade, na fase em que se encontra, até manifestação
conclusiva desta Corte nos presentes autos;

VIII. DETERMINAR que em 5 (cinco) dias o Sr. ROMES GOMES DA


SILVA, Prefeito do Município de Abadia de Goiás, CPF: 378.340.531-91 e o Sr. EMERSON
ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da Comissão do Concurso, CPF: 824.730.641-72,
comprovem ter atendido a determinação desta Corte de Contas;

IX. DETERMINAR, em atendimento aos princípios constitucionais


da ampla defesa e do contraditório, a remessa dos autos ao SETOR DE
DILIGÊNCIAS para que promova ABERTURA DE VISTA, via aviso de recebimento
(AR), ao Sr. ROMES GOMES DA SILVA, Prefeito do Município de Abadia de Goiás,

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Fls.

CPF: 378.340.531-91 e o Sr. EMERSON ROMEIRO DA CUNHA, Presidente da


Comissão do Concurso, CPF: 824.730.641-72, para terem conhecimento dos termos
do Despacho nº. 302/2020 (fls. 395/402) e apresentar, caso queiram, suas razões de
defesa e informações e documentos que achar pertinentes, bem como constantes
no referido certificado;
X. DETERMINAR, que após abertura de vista, com ou sem
manifestação, sejam os autos encaminhados à Secretaria de Atos de Pessoal para
análise sequenciamento do feito;
XI. ALERTAR os interessados, que caso não atendidas as
determinações expedidas por este Tribunal, os mesmos estarão sujeitos à
imputação de multas, nos termos do artigo 47-A, da Lei Orgânica do TCM/GO;
XII. ALERTAR que as conclusões registradas nesta Decisão não
elidem responsabilidades por atos não alcançados na presente análise e por
constatações de procedimentos fiscalizatórios diferenciados, tais como inspeções,
outras denúncias ou tomada de contas especiais, sem prejuízo das cominações já
impostas ou as que eventualmente forem aplicadas em outros processos atinentes
ao mesmo período.

GABINETE DO CONSELHEIRO RELATOR, em Goiânia, aos 17 dias


do mês de fevereiro de 2020.

NILO RESENDE
Cons. Relator

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