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CROMATOGRAFIA GASOSA NA ANÁLISE DE CONSTITUINTES DO SANGUE

GUIMARÃES, P. S.¹; MATOS, R. T. C.¹; MOURA, J. C.¹; NEVES, R. J. A.¹; SOUSA JÚNIOR, J. L.
¹ Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará - Aluno do Curso de Licenciatura em Química

RESUMO
A cromatografia gasosa (CG) é uma das técnicas mais empregadas em análises qualitativas e
quantitativas, sendo uma técnica atrativa pelo seu alto poder de resolução devido a possibilidade
de separar misturas complexas, tendo sua limitação para a amostra volátil ou termicamente
estável. Dois tipos de cromatografia gasosa são encontrados: cromatografia gás-líquido (CGL) e
cromatografía gás-sólido (CGS). Utilizando-se a CG é possível determinar a porcentagem de
etanol, oxigênio dissolvido, nitrogênio, monoxido e dióxido de carbono, também detectar a
presença de compostos dos antidepressivos além de algumas drogas como maconha, cocaína e
álcool ou outras substancias presentes na corrente sanguínea. O objetivo deste artigo foi
apresentar, por meio de uma revisão bibliográfica, metodologias de análises de substâncias
presentes no sangue. Para o desenvolvimento deste trabalho foram utilizados revisões de artigos
publicados, referentes ao assunto disposto, bem como livros relacionados ao mesmo. Após a
pesquisa, pode-se destacar que a cromatografia gasosa é bastante empregada quando a amostra
possui constituinte volátil.

Palavras-chave: Cromatografia gasosa; Análise de Sangue.

1 INTRODUÇÃO
A cromatografia é um método físico-químico que envolve uma série de processos de
separação. Ela está fundamentada na migração diferencial dos componentes de uma mistura, que
ocorre devido a diferentes interações, entre duas fases imiscíveis: a móvel e a estacionária. A
grande variedade de combinações entre fases móveis e estacionárias a torna uma técnica
extremamente versátil e de grande aplicação.
A cromatografia gasosa é uma das técnicas mais empregadas em análises qualitativas e
quantitativas. Dois tipos de cromatografia gasosa são encontrados: gás-líquido e gás-sólido. A
técnica gás-líquido é composta por uma fase estacionária que é um líquido retida por adsorção
num sólido inerte de recheio ou nas paredes de um tubo capilar e uma móvel, um gás inerte. É
baseada na partição do analito entre a fase móvel e estacionária. Na cromatografia gás-sólido, a
fase móvel é um gás inerte enquanto que a estacionária é um sólido retido por adsorção na parede
da coluna. Está baseada na adsorção das substâncias gasosas sobre as superfícies sólidas. Dentre
os dois, o mais utilizado, por ser mais amplo, é a cromatografia gás-líquido.
A fase móvel (ou gás de arraste) deve ser inerte – não deve reagir com a fase
estacionária e nem com a amostra; puro – isento de impurezas que possam contaminar a amostra
ou gerar ruídos no sinal; e compatível com o detector. Normalmente usa-se H 2, N2, He, mas
também vê-se o gás argônio dentre outros gases nobres sendo utilizados.
A fase estacionária deve ter características próximas das dos solutos a serem separados;
selectividade - deve ser um bom solvente diferencial dos componentes da amostra; quimicamente
inerte relativamente à amostra; baixa volatilidade - ponto de ebulição 200ºC acima da
temperatura máxima a utilizar; Pouco viscosa; e pura. Usa-se parafinas: cobre as faixas apolares;
poliglicóis e poliésteres: cobrem as faixas apolares; e silicones: sobrem ampla faixa de
polaridade.
Características das colunas:

Capilares Empacotamento

Diâmetro 0,1 a 0,5mm 3 a 6mm

Comprimento 5 a 100m 0,5 a 5m

Material Vidro e aço Vidro ou metal

Fase Estacionária É depositada como filme, É depositada como filme,


aplicada diretamente às sobre partículas de um
paredes dos tubos suporte adequado

A técnica de separação dos componentes pela cromatografia gasosa têm várias


aplicações, dentre elas, a determinação de agentes tóxicos, drogas ilícitas, etanol e O 2 dissolvidos
no sangue no sangue. Para determinação e quantificação dessas substâncias no sangue utiliza-se
tanto a Cromatografia Líquida de Alta Eficiência (HPLC) quanto a Cromatografia Gasosa
acoplada ao Espectrometria de Massas (CG/EM).
Esquema de funcionamento da cromatografia gasosa.
Fonte: Banco de imagens do Google, 2015

2 MÉTODOS
MÉTODO DE DETERMINAÇÃO DO TEOR DE ETANOL EM UMA AMOSTRA DE
SANGUE
A determinação de etanol no sangue é verificada pois segundo o Conselho Nacional de
Trânsito (Contran/Detran) a concentração máxima permitida de etanol no sangue para condução
de veículos é de 0,2 g/L (infração gravíssima, multa e suspensão do direito de dirigir se
ultrapassado este valor. Para esta análise é necessário que seja feito:
A colheita do sangue deve ser efetuada por punção venosa, após a assepsia da pele por
meio de um desinfetante que não contenha substância redutora (não usar álcool). Segundo
BRADFORD, o uso do HgCl2 (sol. 1:10.000) para desinfetar a pele não permite o
desenvolvimento do etanol. Quando acondicionada no frasco de headspace lacrado, pode-se
deixar no freezer por no máximo 15 dias. O anticoagulante/conservante a ser usado é o fluoreto
de sódio ou a solução de citrato (40g de citrato de sódio e 0,8g de HgCl2 para 1 litro de água
destilada).
Materiais necessários:
- Solução padrão de etanol: solução padrão estoque Sigma, a 10,1% (ampolas de 1 mL,
v/v, o que equivale a 79,285 g/L considerando a densidade de 0,785; conservação a temperatura
ambiente enquanto fechadas) e preparo de soluções de uso, em água destilada, para a curva de
calibração, construída com concentrações entre 0,2 a 4,0 g de etanol por L de sangue.;
- Solução de n-butanol (99,5%) a 1,0 g/L (padrão interno). Esta solução pode ser
armazenada em geladeira por até 20 dias.
- Pipeta automática e ponteiras
- Frasco tipo penicilina com tampa de borracha e lacre de alumínio com orifício central
(ou qualquer outro frasco próprio para headspeace)
- Seringa de plástico tipo insulina (ou tipo gas-tight)
- Estufa regulada para temperatura constante de 80°C
- Cromatógrafo a gás com detector de ionização de chama (DIC), coluna tipo Carbowax,
de 30m x 0,53 mm, 4 µm de filme. Condições no CG 1000: TC: 120oC; TV: 150oC; TD: 180oC;
fluxo N2 (arraste): 8,0 mL/min; Pressão H2: 1,0 bar; Ar sintético: 1,0 bar; N2 (auxiliar): 1,0 bar.

Técnica
Colocar no frasco apropriado 0,5 mL de solução de butanol 1,0 g/L. Adicionar 0,5 mL
da amostra (sangue total), lavando a ponteira nessa solução e ao mesmo tempo homogeneizando
a mistura. Fechar com a tampa de borracha e lacrar com o lacre de alumínio. Aquecer o frasco
devidamente fechado em estufa durante 10 minutos, na temperatura de 80°C (a amostra deve
ficar na estufa até adquirir o aspecto marron achocolatado). Retirar o frasco, introduzir a agulha
na tampa de borracha, e aspirar 0,1 mL do vapor, injetando rapidamente no cromatógrafo.
Obs: A seringa deve ser mantida ligeiramente aquecida (45oC) com auxílio de uma
segunda estufa para evitar a condensação de vapores. Calcular a concentração de etanol presente
na amostra com o auxílio de uma curva de calibração, construída a partir de soluções padrão
adicionadas em sangue isento de álcool e submetidas à técnica descrita acima.

MÉTODO DE CROMATOGRAFIA GASOSA PARA DETECTEÇÃO DE COMPOSTOS


DE ANTIDEPRESSIVOS EM SANGUE TOTAL
Um método cromatográfico foi desenvolvido para determinação dos antidepressivos
mais prescritos no Brasil e seu produtos de biotransformação (amitriptilina, imipramina,
clomipramina, desmetilclomipramina, desipramina, nortriptilina, fluoxetina, norfluoxetina e
sertralina) em sangue total por cromatografia em fase gasosa com detector de nitrogênio e
fósforo.
As amostras usadas foram 18 amostra de sangue cedidas pelo Centro de Controle de
Intoxicação da Prefeitura de São Paulo e 24 amostras de sangue do Instituto Médico Legal de São
Paulo como amostras positivas (post mortem) e como amostras negativas 12 amostras de sangue
cedidas pela Fundação Pró-Sangue do Hemocentro de São Paulo e o do Hospital Municipal de
Bertioga.
A Cromatografia gasosa (CG) é uma técnica adequada devido a sua sensibilidade e
especificidade. O detector de ionização de chama é escolhido para analisar extratos por ser um
detector universal, além de proporcionar um cromatograma limpo.

SISTEMA DE SISTEMA DE TIPO DE COLUNA PROGRAMAÇÃO DE TIPOS DE


GÁS DE INJENÇÃO DE TEMPERATURA DETECTORES
ARRASTE AMOSTRA

NITROGÊNIO A INJETOR CAPILAR, PROGRAMAÇÃO DE DETECTOR DE


UM FLUXO LIQUÍDO – MODO MODELO HP TEMPERATURA DO NITROGÊNIO
INICIAL DE 0,4 SPLIT 1:20 ULTRA – 2, FORNO: 180° C/1MIN, E FOSFORO
Ml/MIN a A COMPOSTA COM ELEVANDO 8°C/min
PRESSÃO 5% (FENIL) ATÉ ATINGIR 250°C,
CONSTANTE METILSILOXANO PERMANECENDO
DE 25CM DE NESSA
COMPRIMENTO x TEMPERATURA POR
0,20CM DE 11,5 MINUTOS,
DIÂMETRO TEMPO DE
INTERNO x 0,33Nm CORRIDA:21,5 min.
de espessura de filme

Os dados apresentados no mostrador do cromatogramo foram os seguintes gráficos:


3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
De acordo com o levantamento bibliográfico exposto e citado, a cromatografia gasosa é
um metodo analítico de fundamental importância muito utilizado, pois é uma análise que utiliza
um equipamento simples e de baixo custo quando comparado ao HPLC, uma vez que, devido sua
facilidade na interpretação dos dados obtidos, pois está diretamente ligado ao espectrofotômetros
de massas, tecnologia esta, que trouxe um grande avanço. Entretanto o método que possui mais
vantagens é a HPLC devido a CG possuir apenas uma fase. A CG/EM é um método analitico de
grande importância na área da saúde, muito utilizado em hospitais, clínicas laboratórios e também
na área criminalista, como por exemplo: na quimica forense, entretanto não há muitos artigos
publicados sobre este assunto, apenas sua utilização.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PAULA, D.M.L. MOREAU, R.L.M. Análise toxicológica de antidepressivos em sangue total
por cromatografia em fase gasosa com detector de nitrogênio e fosfóro. 2007. 108f.
Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2007.

SKOOG, HOLLER, NIEMAN, Princípios de Análise Instrumental, 5ª Edição, Editora


Bookman, São Paulo-SP, 2002.

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