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Esquerda (política)

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(Redirecionado de Esquerda política)

No espectro político, a esquerda se caracteriza pela defesa de uma maior igualdade


social.[1][2][3][4] Normalmente, envolve uma preocupação com os cidadãos que são
considerados em desvantagem em relação aos outros e uma suposição de que
há desigualdades injustificadas que devem ser reduzidas ou abolidas.[3]
Os termos "direita" e "esquerda" foram criados durante a Revolução Francesa (1789–
1799), e referiam-se ao lugar onde políticos se sentavam no parlamento francês, os que
estavam sentados à direita da cadeira do presidente parlamentar foram amplamente
favoráveis ao Ancien Régime.[5][6][7][8]
O uso do termo "esquerda" tornou-se mais proeminente após a restauração da monarquia
francesa em 1815 e foi aplicado aos "Independentes".[9] Mais tarde, o termo foi aplicado a
uma série de movimentos sociais, especialmente o republicanismo, o socialismo,
[10]
 o comunismo e o anarquismo.[11] Atualmente, o termo "esquerda" tem sido usado para
descrever uma vasta gama de movimentos,[12] incluindo o movimentos pelos direitos civis,
movimentos antiguerra e movimentos ambientalistas.[13][14]

Índice

 1História
 2Vertentes
 3Posições
o 3.1Economia
o 3.2Ambientalismo
o 3.3Nacionalismo e antinacionalismo
o 3.4Religião
o 3.5Costumes
 4Partidos e agremiações políticas de esquerda
o 4.1Alemanha
o 4.2Argentina
o 4.3Austrália
o 4.4Áustria
o 4.5Brasil
 4.5.1Imprensa e sites de opinião no Brasil
o 4.6Canadá
o 4.7Chile
o 4.8Espanha
o 4.9Estados Unidos
o 4.10França
o 4.11Índia
o 4.12Israel
o 4.13Itália
o 4.14Japão
o 4.15México
o 4.16Países Baixos
o 4.17Portugal
o 4.18Reino Unido
o 4.19Rússia
o 4.20Sérvia
o 4.21Turquia
 5Referências

História
Parte da série sobre política

Partido político

Espectro político

extrema-esquerda/esquerda radical  · esquerda  · centro-
esquerda  · centro  · centro-direita  · direita  · extrema-
direita/direita radical

Plataforma eleitoral

extremismo  · reformismo  · sincretismo  · conservadorismo  · 
reacionarismo  · fundamentalismo

Sistema partidário

partido
dominante · multipartidário · antipartidário · unipartidário · bip
artidário · coligação

Correntes

Partido comunista  · Partido Humanista  · Partido


Pirata  · Partido Trabalhista  · Partidos Verdes

Listas

Partidos por país · Geoesquema da ONU

Portal da Política

 v
 d
 e
Ver artigo principal: Esquerda e Direita (política)
Na política, o termo "esquerda" deriva da Revolução Francesa: quando, a 28 de
Agosto de 1789, se discutiu na Assembleia Nacional Constituinte a questão do direito
de veto do rei, os deputados que se opunham à proposta sentaram-se à esquerda do
assento do presidente, iniciando-se o costume dos deputados radicais do Terceiro
Estado se identificarem com essa posição.
Um deputado, o Barão de Gauville explicou:

Nós começamos a nos reconhecer uns aos outros: aqueles que eram leais à
“ religião e ao rei ficaram sentados à direita, de modo a evitar os gritos, os
juramentos e indecências que tinham rédea livre no lado oposto. ”
No entanto, a direita se pôs contra a disposição dos assentos, porque acreditavam que os
deputados devessem apoiar interesses particulares ou gerais, mas não formar facções ou
partidos políticos. A imprensa contemporânea, ocasionalmente, usa os termos "esquerda"
e "direita" para se referir a lados opostos ou que se opõe.[15] Ao longo do século 19 na
França, a principal linha divisória de Esquerda e Direita foi entre partidários da República e
partidários da Monarquia.[8]
A Revolta dos Dias de Junho durante a Segunda República foi a tentativa da esquerda de
afirmar-se após a Revolução de 1848, mas poucos da população (ainda
predominantemente rural) apoiaram tal esforço.
Após o golpe de estado de Napoleão III em 1851 e o subsequente estabelecimento
do Segundo Império, a esquerda foi excluída da arena política e se focou na organização
dos trabalhadores e o trabalho dos ideólogos pensadores sobre essas classes. O
crescente movimento operário francês consistia em diversas vertentes segundo os
diversos pensadores e ideólogos; o marxismo começou a se rivalizar com
o republicanismo radical e o "socialismo utópico" de Saint-Simon e Charles Fourier e
o anarquismo de Proudhon, com o qual Karl Marx havia se desiludido. A maioria
dos católicos praticantes continuaram a votar de maneira conservadora, enquanto que os
grupos que foram receptivos à revolução de 1789 começaram a votar nos movimentos
socialistas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, muitos esquerdistas, sociais
liberais, progressistas e sindicalistas foram influenciados pelos trabalhos de Thomas
Paine, que introduziu o conceito de igualitarismo baseado em ativos, que teoriza que a
igualdade social é possível através da redistribuição dos recursos, geralmente sob a forma
de capital concedido aos indivíduos que atingirem a maioridade.
A partir da segunda metade do século XIX, a esquerda ideológica iria se referir cada vez
mais a diferentes correntes do socialismo e do comunismo. Particularmente influente foi a
publicação do Manifesto Comunista por Marx e Friedrich Engels em 1848, que afirmava
que a história de todas as sociedades humanas existentes até então era a história da luta
de classes. Ele previa que uma revolução proletária acabaria por derrubar a
sociedade burguesa e, através da abolição da propriedade privada, criaria uma sociedade
sem classes, sem Estado, e pós-monetária. A Associação Internacional dos Trabalhadores
(1864-76), às vezes chamada de Primeira Internacional, reuniu representantes de diversos
países, e de diferentes grupos de esquerda e organizações sindicais. Alguns
contemporâneos de Marx defendiam ideias semelhantes, mas não concordavam com sua
visão de como chegar a uma sociedade sem classes e sem Estado. Após a cisão entre os
grupos ligados a Marx e Mikhail Bakunin na Primeira Internacional, os anarquistas
formaram a Associação Internacional dos Trabalhadores.[16]
A Segunda Internacional (1888-1916) acabou sendo dividida pela questão do apoio ou
oposição à Primeira Guerra Mundial. Aqueles que se opuseram à guerra,
como Lênin e Rosa Luxemburgo, voltaram-se mais à esquerda do que o resto do grupo.
Fora deste embate, o movimento socialista dividiu-se em social-democratas e comunistas.
Na década de 1960, com as convulsões políticas da ruptura sino-soviética e de Maio de
1968 na França, os pensadores da "Nova Esquerda" se definiram como mais críticos, do
discurso marxista e marxista-leninista (rotulado de "velha esquerda").
Nos Estados Unidos, a expressão "esquerda" foi usada para descrever aqueles que
apoiaram os sindicatos, o Movimento dos direitos civis dos anos 60 e o movimento
antiguerra do Vietnam.[17][18] Mais recentemente, nos Estados Unidos, "de esquerda" e "de
direita", muitas vezes, têm sido usados como sinônimos para o " democrata" e
"republicano", ou como sinônimos do Liberalismo social e conservadorismo,
respectivamente.[19][20][21][22]
Na década de 1990, se acelerou, em todo o continente, a conversão dos partidos
socialistas europeus para o liberalismo social, notavelmente no que diz respeito ao Partido
trabalhista britânico, sob a liderança de Tony Blair, e os sociais-democratas
alemães sob Gerhard Schröder. O blairismo abraçou uma terceira via no campo
econômico, combinando ideias econômicas liberais com o progressismo social desprovido
da aspiração igualitária tornando-se uma das mais poderosas força da centro-esquerda
europeia. Outra linha do socialismo europeu representado na época foi o de Lionel Jospin,
então chefe de governo francês, que era abertamente menos liberal.[17][23] Entretanto, tal
conjuntura não estava destinada a durar. Após a crise econômica de 2008 e o
consequente descrédito do modelo neoliberal trouxe consecutivos revezes políticos ao
partido, e logo a plataforma de Blair perdeu seu protagonismo no Reino Unido.[24] Em nova
eleição interna do partido, a vitória esmagadora de Jeremy Corbyn (o mais radical dos
trabalhistas), recuperou quase todas as bandeiras tradicionais do Labour Party.[25]

Vertentes
O espectro da esquerda política varia da centro-esquerda à extrema-esquerda. O termo
"centro-esquerda" descreve uma posição ligada à política tradicional. Os termos "extrema-
esquerda" e ultraesquerda" se referem a posições mais radicais, como os grupos ligados
ao trotskismo e comunismo de conselhos. Dentre os grupos de centro-esquerda, estão os
social-democratas, progressistas e também alguns socialistas democráticos
e ambientalistas (em particular ecossocialistas), esses no sentido tradicional. O centro-
esquerda aceita a alocação de recursos no mercado de uma economia mista, com um
setor público significativo e um setor privado próspero.
O conceito de esquerda política não deve ser confundido com o de "esquerdismo", termo
usado por Lênin no ensaio "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" (1920) para
designar as correntes oposicionistas dentro Terceira Internacional que defendiam a
revolução pela ação direta do proletariado, sem a mediação de partidos políticos e
sindicatos ou que recusavam a via parlamentar e as alianças do partido comunista com
outros partidos progressistas visando à participação em "eleições burguesas". Quase
nenhum dos partidos de esquerda atualmente existentes é "esquerdista" nesse sentido.

Posições
Economia
Ao longo da sua história, a esquerda tem estado associada de distintos sistemas
económicos:

 Sobretudo no século XIX, a esquerda republicana e o liberalismo "radical"


defendiam (ou pelo menos aceitavam) o liberalismo económico (sobretudo contra os
privilégios "feudais" e mercantilistas). Também alguns anarquistas
individualistas (p.ex., Benjamin Tucker) consideravam-se como continuadores do
"liberalismo de Manchester", sendo da opinião que só era possível haver rendimentos
do capital devido à intervenção do Estado.[26] Ainda hoje em dia,
alguns anarcocapitalistas (por exemplo, Roderick T. Long) reivindicam-se como de
esquerda, considerando que o Estado e a sua intervenção na economia é sobretudo
benéfica para as grandes empresas.[27][28]
 Nos partidos de esquerda ligados à Internacional Socialista (e também os sociais-
liberais), é comum a defensa de uma economia mista, combinando o keynesianismo,
o Estado de bem-estar social e algumas formas de democracia industrial para limitar o
que consideram serem os problemas do capitalismo, mas continuando a manter
grande parte da economia no sector privado. Como exemplos desta política, temos
os países nórdicos e o New Deal nos Estados Unidos.
 Parte da esquerda defende nacionalização em larga escala e a economia
planificada. Tais ideias foram a inspiração para a construção do chamado "socialismo
real" na URSS e nos países do Bloco de Leste, tendo ao longo do século XX
expandido-se para um vasto número de países (ex. Cuba, Etiópia, China),
nomeadamente no quadro do marxismo-leninismo. A partir sobretudo de 1989, a maior
parte dos países com economias de direção central teve uma viragem no sentido de
uma maior liberalização económica e por vezes também política.
 Os socialistas de mercado, cooperativistas e mutualistas se baseiam em
uma economia de mercado socializada (propriedade coletiva), dominada por empresas
auto-gestionadas, voluntárias e cooperativas, com base na democracia econômica e
industrial. Enquanto os socialistas de mercado podem apoiar um Estado de bem-estar
social, os mutualistas tem posicionamentos libertários.
 Socialistas libertários, comunistas de conselhos, anarquistas e
alguns Humanistas acreditam em uma economia descentralizada dirigida
por sindicatos, conselhos de trabalhadores, cooperativas, municípios e comunas, e se
opõem governo e ao controle privado da economia, preferindo um controle local, na
qual uma nação de regiões descentralizadas são unidas em uma confederação ou
uma Nação Humana Universal. Também a "Nova Esquerda" associada à contestação
e à contracultura da década de 1960 defendia posições nessa linha.
Com os limites acima referidos, pode-se dizer que desde o início do século XX, a esquerda
foi associada a políticas que defendiam a intervenção do governo extensa na economia.
[29]
 Entretanto, tal definição ignora posições flagrantemente antiestatistas sustentadas por
algumas correntes da esquerda política, como é o caso do Anarquismo - bem como o fato
de que os estágios finais do comunismo preveem a abolição do próprio estado proletário.
Parte da esquerda acredita na economia marxista, que é baseadas nas teorias
econômicas de Karl Marx. Alguns distinguem as teorias econômicas de Marx a partir de
sua filosofia política, argumentando que a abordagem de Marx para a compreensão da
economia é independente de sua defesa do socialismo revolucionária ou sua crença na
inevitabilidade da revolução proletária.[30][31]
A economia marxista não se apoia exclusivamente em Marx mas abrange a partir de uma
variedade de fontes marxistas e não-marxistas. A "ditadura do proletariado" ou "Estado de
trabalhadores" são termos usados por marxistas para descrever o que eles vêem como um
estado temporário entre a sociedade capitalista e a comunista. Marx define o proletariado
como trabalhadores assalariados, em contraste com o Lumpemproletariado, que ele
definiu ser párias da sociedade, como mendigos, malandros, artistas, artistas de
rua, criminosos e prostitutas.[32] A relevância política dos agricultores tem dividido a
esquerda. Em Das Kapital, Marx mal mencionou o assunto.[33]
De acordo com Barry Clark:

Os esquerdistas... afirmam que o desenvolvimento humano floresce quando


“ os indivíduos se envolvem em relações de cooperação, de respeito mútuo
que podem prosperar somente quando as diferenças excessivas de status,
poder e riqueza são eliminados. De acordo com os esquerdistas, uma
sociedade sem igualdade substancial irá distorcer o desenvolvimento não só
de pessoas depravadas, mas também daqueles cujos privilégios minam sua
motivação e sentido de responsabilidade social. Esta supressão do
desenvolvimento humano, em conjunto com o ressentimento e o conflito
gerado por diferenças afiadas de classe, acabarão por reduzir a eficiência da
economia.[34] ”
O Global justice movement ou "Movimento antiglobalização" protesta contra
a globalização econômica corporativa, devido às suas supostas consequências negativas
para os pobres, os trabalhadores, o meio ambiente e as pequenas empresas.[35][36][37]

Ambientalismo
Tanto Karl Marx quanto o socialista William Morris tiveram uma preocupação com as
questões ambientais.[38][39][40][41]
De acordo com Marx:

Mesmo uma sociedade inteira, uma nação, ou todas as sociedades


“ simultaneamente existentes em conjunto... não são proprietários da terra.
Eles são simplesmente os seus possuidores, seus beneficiários e tem que

transmiti-la em um estado melhor para as gerações seguintes.[38][42]

Após a Revolução Russa, os cientistas ambientais, como Alexander Bogdanov e a


organização Proletkult, se esforçaram para incorporar o ambientalismo ao bolchevismo, e
"integrar a produção às leis e limites naturais" na primeira década soviética. Antes
de Joseph Stalin atacar os ecologistas e a ciência da ecologia, ele expurgou
ambientalistas e promoveu a pseudociência de Trofim Lysenko.[43][44][45] Da mesma
forma, Mao Zedong rejeitou o ambientalismo e acreditava que, com base nas leis
do materialismo histórico, toda a natureza deve ser colocada a serviço da revolução.[46]
A partir de 1970, o ambientalismo tornou-se uma preocupação crescente da esquerda,
com movimentos sociais e alguns sindicatos em campanha sobre questões ambientais.
Por exemplo, a Builders Labourers Federation da Austrália, liderada pelo comunista Jack
Mundy, se uniu aos ambientalistas para boicotar projetos de desenvolvimento
ambientalmente destrutivos.[47] Alguns segmentos da esquerda socialista e marxista
conscientemente fundiu o ambientalismo e o anticapitalismo em uma ideologia eco-
socialista.[48] Barry Commoner articulou uma resposta de esquerda para o modelo "Os
Limites do Crescimento" que previu o catastrófico esgotamento de recursos e um estímulo
ao ambientalismo, postulando que as tecnologias capitalistas foram as principais
responsáveis pela degradação ambiental, em oposição às pressões da população.[49] A
degradação ambiental pode ser vista como uma questão de classe ou equidade, já que a
destruição ambiental afeta desproporcionalmente as comunidades e países mais pobres.[50]
Vários grupos de esquerda ou socialista têm uma preocupação ambiental evidente, ao
passo que vários partidos verdes contêm uma presença socialista forte. Por exemplo, o
Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales possui um grupo eco-socialista, a Esquerda
Verde, que foi fundada em junho de 2005 e cujos membros realizam uma série de
posições influentes dentro do partido, incluindo o ex-diretor Speakers Siân Berry e Dr.
Derek Wall, um acadêmico eco-socialista e marxista.[51]
O socialista presidente da Bolívia Evo Morales ligou a degradação ambiental ao consumo.
[52]
 Ele disse:

A Terra não tem o suficiente para o Norte viver cada vez melhor, mas tem o
“ suficiente para todos nós vivermos bem.

James Hansen, Noam Chomsky, Raj Patel, Naomi Klein, The Yes Men e Dennis
Kucinich tiveram opiniões semelhantes.[53][54][55][56]
No século XXI, as questões sobre o meio ambiente tornaram-se cada vez mais politizadas,
com a esquerda em geral, aceitando as conclusões da maioria dos cientistas ambientais
sobre a origem antropogénica do aquecimento global[57][58] e defendido políticas para o
reduzir. Muitos na direita opõem-se, seja por discordarem ou rejeitarem essas conclusões,
[59][60][61]
 seja por duvidarem da efetividade das soluções propostas (nomeadamente, em
termos da relação custo/benefício).
No entanto, a esquerda ainda se divide sobre como reduzir eficazmente e reduzir
igualmente as emissões de carbono - a centro-esquerda, muitas vezes defende uma
confiança nas medidas de mercado, tais como comércio de emissões ou imposto sobre o
carbono, enquanto aqueles mais à esquerda tendem a apoiar regulamentação e
intervenção governamental direta.[62][63][64]

Nacionalismo e antinacionalismo
A questão da nacionalidade e do nacionalismo têm sido uma característica central do
debate político da esquerda. Durante a Revolução Francesa, o nacionalismo foi uma
política da Esquerda Republicana.[65] A esquerda republicana defendia o nacionalismo
cívico,[8] e argumentou que a nação é um "plebiscito diário" formado pela subjetiva
"vontade de viver juntos". Relacionado ao "revanchismo francês", a vontade beligerante de
se vingar contra do Império Alemão e retomar o controle de Alsácia-Lorena, o
nacionalismo foi, por vezes, contra o imperialismo. Na década de 1880, houve um debate
entre aqueles que, como Georges Clemenceau (Radical), Jean Jaurès (socialista)
e Maurice Barrès (nacionalista), argumentaram que o colonialismo desviou a França da
"linha azul do Vosges" (referindo-se a Alsácia-Lorena), e o " lobby colonial", como Jules
Ferry (moderado republicano), Léon Gambetta (republicano) e Eugène Etienne, o
presidente do grupo parlamentar colonial. Após o Caso Dreyfus no entanto o nacionalismo
tornou-se cada vez mais associado à extrema direita.[66]
O internacionalismo proletário se considerou um impedimento contra a guerra, porque as
pessoas com um interesse comum são menos propensas a pegar em armas umas contra
as outras, em vez disso elas se focaram na luta contra a classe dominante. De acordo com
a teoria marxista, o antônimo do internacionalismo proletário é o nacionalismo burguês.
Alguns marxistas, junto com os outros na esquerda, viram o nacionalismo,
[67]
 o racismo[68] (inclusive o anti-Semitismo[69]) e a religião, como estratégia de dividir para
conquistar utilizada pelas classes dominantes para impedir a classe operária de se unir
contra eles. Os movimentos de esquerda, portanto, muitas vezes tiveram posições anti-
imperialistas.
O anarquismo desenvolveu uma crítica do nacionalismo que incide sobre o papel do
nacionalismo em justificar e consolidar o poder e dominação do Estado. Através de sua
meta de unificação, o nacionalismo se esforça para a centralização, ambos em territórios
específicos e uma elite dominante de indivíduos, ao mesmo tempo que prepara a
população para a exploração capitalista. Dentro do anarquismo, este assunto tem sido
tratado exaustivamente por Rudolf Rocker em Nationalism and Culture e nos trabalhos de
Fredy Perlman, como em Against His-Story, Against Leviathan e "The Continuing Appeal of
Nationalism".[70]
O nazifascismo, geralmente definido como extrema-direita, é situado por alguns autores,
como o monárquico conservador Erik von Kuehnelt-Leddihn, como estando na esquerda
do espectro político.[71][72] O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NAZI)
representaria o socialismo "nacionalista" enquanto o Partido Comunista da União
Soviética (PCUS) seria o representante do socialismo "internacionalista".[73] E, segundo R.
J. Rummel, na comparação entre os regimes, o comunismo provocou mais mortes[74] que
o nazismo.[75]

Religião
A Esquerda francesa original é anticlero, opondo-se à influência da Igreja Católica e
apoiando a separação Igreja-Estado.[8]
Karl Marx afirmou que:

A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem


“ coração e a alma de condições desalmadas. É o ópio do povo.[76]

Na Rússia Soviética, os bolcheviques originalmente abraçaram "uma crença
ideológica que professa que toda religião seria atrofia" e "resolvemos erradicar
o cristianismo como tal". Em 1918, "dez hierarcas ortodoxos foram sumariamente
fuzilados" e "crianças foram privadas de qualquer educação religiosa fora de casa".[77] O
Estado soviético perseguiu o cristianismo [78] e as demais religiões.[79]
Um dos principais objetivos da agenda marxista-leninista (de extrema-esquerda) é
extinguir a religião e conduzir a sociedade ao ateísmo,[80][81] e depende de um
entendimento materialista da Natureza.[82] O marxista-leninista defende que a religião é
o ópio do povo, no sentido de que ele leva as pessoas a aceitar o sofrimento na Terra, na
esperança da recompensa eterna, e por isso que o marxista-leninista promove o ateísmo e
defende que a religião deve ser abolida.[83][84] O ateísmo Marxista-leninista tem suas raízes
na filosofia de Ludwig Feuerbach, Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Karl Marx e Lenin.[85] Ao
longo de sua história, regimes marxistas perseguiram as religiões.[86] No entanto, por vezes
essa perseguição era seletiva, sendo ocasionalmente a Igreja Ortodoxa relativamente
priviligiada face às outras religiões (por exemplo, na Ucrânia o regime comunista suprimiu
a Igreja Católica uniata e forçou-a a se integrar - incluindo os seus bens - na Igreja
Ortodoxa,[87] e na Roménia de Ceausescu o patriarca ortodoxo chegou a fazer parte do
parlamento e dos órgãos dirigentes de várias organizações ligados ao regime).[88]
No entanto, as crenças religiosas também foram associadas a alguns movimentos de
esquerda, como o movimento pelos direitos civis e o movimento anti-pena de morte. Os
primeiros pensadores socialistas, como Robert Owen, Charles Fourier e o Conde de Saint-
Simon, basearam suas teorias do socialismo nos princípios cristãos. De De Civitate
Dei de Santo Agostinho de Hipona até Utopia de São Tomás Moro, os principais escritores
cristãos defendiam ideias que os socialistas consideravam agradáveis. Outras
preocupações esquerdistas comuns como o pacifismo, a justiça social, a igualdade racial,
os direitos humanos e a rejeição da riqueza excessiva podem ser encontradas na Bíblia.[89]
No final do século XIX, surgiu o movimento do Evangelho Social (particularmente entre
alguns Anglicanos, Luteranos, Metodistas e Batistas na América do Norte e na Grã-
Bretanha) tentou integrar o pensamento progressista e socialista com o Cristianismo no
ativismo social baseado na fé, promovido por movimentos como Socialismo cristão. No
século XX, a teologia da libertação e a espiritualidade da criação foi defendida por
escritores como Gustavo Gutierrez e Matthew Fox.[carece  de fontes]
Outros movimentos religiosos de esquerda incluem o socialismo islâmico e o socialismo
budista. Na França, a esquerda foi dividida sobre as medidas para proibir o hijab das
escolas, com alguns apoiando uma proibição baseada na separação da igreja e do Estado
e outros que se opõem à proibição baseada na liberdade pessoal.[carece  de fontes]

Costumes
Integrantes da esquerda costumam ser liberais nos costumes, alinhando-se a alguns
grupos libertários de direita. Os liberais costumam aprovar a regulamentação da união
civil homossexual, a descriminalização do aborto, a legalização das drogas e outros temas
controversos.
Há, porém, aqueles que, embora defendam propostas de esquerda em relação à
economia e à política, são conservadores nos costumes. No Brasil, a esquerda ligada
à igreja católica ou às igrejas evangélicas tende a assumir posições conservadoras com
relação aos costumes, como a ex-governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, e
outros ligados a movimentos religiosos e sociais.

Partidos e agremiações políticas de esquerda


Alemanha
 Aliança 90/Os Verdes (GRÜNE)
 Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD)
 A Esquerda (LINKE)- sucessor do Partido Socialista Unificado da Alemanha (SED),
que governou a antiga Alemanha Oriental, oficialmente República Democrática Alemã,
nos quarenta anos em que esta existiu - e da Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a
Justiça Social (WASG), que havia sido constituída na antiga Alemanha Ocidental.
Argentina
 Partido Justicialista
Austrália
 Partido Trabalhista Australiano
Áustria
 Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ)
 Os Verdes - Alternativa Verde (FPÖ)
Brasil
Pesquisa Datafolha divulgada em 13 de agosto de 2006 revela que 47%
do eleitorado brasileiro se define como sendo de direita, 23% de centro e 30%
de esquerda[90].
Com representação no Congresso Nacional

 Cidadania
 Rede Sustentabilidade
 Partido Republicano da Ordem Social
 Partido Socialista Brasileiro
 Partido Democrático Trabalhista
 Partido dos Trabalhadores
 Partido Comunista do Brasil
 Partido Socialismo e Liberdade
Sem representação no Congresso Nacional

 Partido da Mobilização Nacional


 Partido da Causa Operária
 Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
 Partido Comunista Brasileiro
 Unidade Popular
Imprensa e sites de opinião no Brasil
Em 2019, o Observatório da Imprensa listou veículos de comunicação com viés político de
esquerda no Brasil. São eles:

1. O Cafezinho
2. Carta Maior
3. Pragmatismo Político
4. Jornalistas Livres
5. Opera Mundi
6. Outras Palavras
7. Jornal GGN
8. Diário do Centro do Mundo
9. Rede Brasil Atual
10. Viomundo
11. Tijolaço
12. Portal Vermelho
13. Socialista Morena
14. Brasil 247
15. Democratize
16. Blog do Rovai
17. Escrivinhador
18. Sul21
19. PassaPalavra
20. A Nova Democracia
21. Blog Maria Frô
22. Geledés
23. Agência PT
24. Diário Liberdade
25. Rede de Informações Anarquista
26. Canal Ibase[91]
Canadá
 Novo Partido Democrático
Chile
Segundo uma pesquisa nacional da UDP , em 2007, 17% dos chilenos se identificaram
com a direita, 15% com a esquerda, 28% com o centro e 40% dos entrevistas não se
identificaram com nenhuma orientação política específica[92].

 Partido Socialista do Chile (PS)


 Partido pela Democracia (PPD)
Espanha
 Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE)
Estados Unidos
Segundo o instituto de pesquisa Gallup, 41% dos americanos se identificam como
conservadores (Direita), 36% como moderados, e 21% como liberais[93].

 Partidos representados no congresso americano


o Partido Democrata
 Partidos sem representação no congresso americano
o Partido Socialista dos Trabalhadores
o Partido da União pela Liberdade
o Partido Verde
o Partido Comunista dos Estados Unidos
França
 Partido Socialista
 França Insubmissa
 Partido Comunista Francês
Índia
 Congresso Nacional Indiano
Israel
Segundo pesquisa da fundação Friedrich Ebert 62% dos jovens israelenses (de 15 a 24
anos) se consideram de direita, contra 25% de indecisos e 12% de esquerdistas.[94]

 Partido Trabalhista
 Hadash
 Meretz
 Balad
Itália
 Partido Democrático
Japão
 Partido Democrático Constitucional do Japão (PLD)
 Partido Social Democrata
 Partido Comunista Japonês
México
 Movimento de Regeneração Nacional
Países Baixos
 Partido do Trabalho (PvdA)
Portugal
 Partido Socialista (PS)
 Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV)
 Bloco de Esquerda (B.E)
 Partido Comunista Português
Reino Unido
O Partido Trabalhista (em inglês: Labour Party) do Reino Unido é um partido
político social-democrata de centro-esquerda do Reino Unido. É um dos três principais
partidos do país.

Rússia
 Rússia Justa
 Partido Comunista da Federação Russa. É sucessor imediato do Partido
Comunista da União Soviética (PCUS) e de seu antecessor, o Partido Bolchevique. É
o segundo maior partido político da Rússia e atualmente é um partido que faz
oposição ao conservador e governista Rússia Unida (este último sendo o partido do
atual presidente russo, Vladimir Putin).
Sérvia
 Partido Socialista da Sérvia
 Partido Democrático
Turquia
 Partido Republicano do Povo
 Partido Democrático dos Povos

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