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DESCREVER, INFORMAR, CONFRONTAR E RECONSTRUIR

Docente: Adriana Grade Fiori Souza


Discente: Maria Vitória Carvalho

Com base nos exemplos apresentados no livro "Formação Crítica de Professores"


para ilustrar as ações que devem embasar o processo reflexivo sobre a prática pedagógica
(descrever, informar, confrontar e reconstruir), acesse o vídeo disponibilizado abaixo e
assista as duas primeiras aulas, ministradas pelos professores ALLAN e BARBARA. Em
seguida escolha UMA delas para:

a) Descrever as ações desenvolvidas na referida aula, no contexto de uma escola de


idiomas na Inglaterra;
b) Informar tais ações (isto é, explicar/generalizar as ações através da identificação de
conceitos de língua e aprendizagem que parecem norteá-las); *ver texto de Leffa e Irala
c) Confrontar as ações (questioná-las com a apresentação de seus pontos de vista e as
razões que os embasam);
d) Reconstruir as ações (apresentar outras possibilidades de ação para um determinado
momento da aula). IMPORTANTE: Na etapa de reconstruir, a ênfase está no conceito de
língua como ideologia/discurso.

a) O professor Alan utiliza uma atividade de “live listening” (áudio falado pelo professor)
para desenvolver as habilidades de ouvir em inglês.
Inicialmente, ele dá as instruções para os alunos. Eles devem ouvi-lo por cerca de
um minuto e assim que ele terminar, devem discutir em pares o que lembram. Ele
repete as instruções. E explica o que os alunos farão após isso. Ele dará a eles
palavras contidas da passagem que ouviram e devem usá-las em sentenças. Ele
então explica o terceiro estágio da aula, que seria uma discussão sobre o tema.
Os alunos então escutam a palestra do professor e fazem as atividades. Alan
observa os alunos fazerem as atividades na ordem esperada. Alan expõe sua
opinião sobre o texto interpretado por ele, promovendo uma reflexão sobre o tema
“tomada de decisões” e os alunos o escutam atentamente. Alguns anotam enquanto
ele fala e então eles fazem uma atividade em uma folha dada pelo professor sobre a
palestra ouvida. O professor acompanha os alunos e se aproxima dos grupos para
esclarecer dúvidas. Ele então pergunta a opinião dos alunos sobre o tema. Uma das
alunas responde para todos os alunos, expondo sua opinião. Alguns alunos
interagem e o professor confronta as suas ideias. Ele dá um presente para a aluna
que concorda com ele. O clima na sala é agradável, os alunos parecem se divertir
com a aula.

b) A visão de língua e aprendizagem que parecem nortear a prática é que a língua é


estrangeira e aprendizagem comunicativa. O professor parece lidar com a língua de
forma distante da realidade dos alunos, deixando para fazer uma conexão com a
realidade de cada um apenas no último momento da aula, distante da temática
inicial. Sua opinião, como falante nativo da língua, se sobrepõe a dos alunos em
vários momentos. Ele parece dividir a aula em diferentes estágios, fornecendo aos
alunos pouco o pouco a linguagem que precisam para o estágio mais comunicativo
da aula, ao final, uma discussão sobre o tema. O professor elenca e separa as
habilidades, guiando os alunos a desenvolver as atividades por ele desenvolvidas.
c) As ações do professor de dar as instruções todas de uma vez no início da aula, de
demonstrar superioridade em seu discurso quando ri ou questiona a opinião e a
história de uma das alunas mostram o fortalecimento das relações de poder
exercidas entre professor e aluno. Em determinado momento, ele se mostra mais
receptivo e aproxima-se dos alunos para ajudá-los com exercícios focados na
língua, entretanto tal aproximação também reflete sua hierarquia, posicionando-se
como orientador do correto ou incorreto, com uma perspectiva claramente arbitrária
sobre as ações dos alunos. Tais ações além de não promoverem maior interação e
pensamento crítico, inibem os alunos para desenvolvê-las. Mesmo tendo os alunos
exposto suas opiniões, eles podem não ter a feito de maneira livre e esclarecida.

d) O professor poderia explicar os estágios da aula de forma separada, para não deixar
os alunos com sobrecarga de informações. Ele também poderia se posicionar de
maneira mais aberta a diferentes opiniões e estimular nos alunos a discussão entre
eles, sem tom de deboche ou dúvida, como o fez.Não houve por parte do professor,
espaço para desenvolver um debate ou levantar ideias contrárias às dele. Uma
alternativa é escrever as diferentes opiniões dos alunos no quadro, junto com as
opiniões dele, mostrando que não há hierarquia ou distinção de certo ou errado
quando se trata de opiniões. Até mesmo as formas da língua poderiam ser
salientadas e dúvidas sobre o discurso do professor poderiam ser esclarecidas se
ele tivesse uma relação mais aberta a o que os alunos tinham a dizer.