Você está na página 1de 2

Ao Brasil o vírus chegou no final do mês de fevereiro de 2020, por

intermédio de um cidadão brasileiro residente do Estado de São Paulo e


com histórico de viagem para a região da Lombardia, na Itália, e, desde
então, tem se alastrado pelos demais Estados da federação, exigindo a
adoção de ações concretas de combate à pandemia.
Em um país como o Brasil, onde se tem uma economia de mercado, o
Estado acaba renunciando ao seu protagonismo na seara econômica,
para que as decisões sobre a melhor alocação de recursos fiquem a
cargo das empresas e da população.
Ocorre, todavia, que o Estado se faz presente como uma espécie de
supervisor, intervindo, geralmente, para garantir uma convivência
saudável entre as empresas, evitar que abusividades sejam cometidas
em face da população e conceder alguns benefícios para incentivar
determinados setores de produção.
Em situações tais, necessária se faz a intervenção do Estado para
garantir a ordem econômica, o que pode se dar de várias formas, como,
por exemplo, criando-se um benefício para garantir o mínimo
existencial para famílias de baixa renda ou instituindo programas que
atenuem os impactos econômicos da pandemia nas empresas.
Nota-se que, seja para a família paupérrima ou para a grande empresa,
num contexto de crise, como este que o mundo atravessa, a presença
do Estado se faz essencial para a garantia do bem-estar da população e
da economia como um todo.
É exatamente isso que vem se observando nos últimos dias, como, por
exemplo, com a aprovação, no Senado Federal, do Projeto de Lei
1.282/2020, que institui o Programa Nacional de Apoio às
Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe), que tem
como objetivo a oferta de crédito aos microempresários e aos
empresários de pequeno porte, com recursos oriundos do Tesouro
Nacional.
Ou a Medida Provisória 944/2020, que cria o Programa Emergencial de
Suporte a Empregos, que abre uma linha de crédito especial de R$ 34
bilhões para financiar até dois meses da folha salarial de empresas em
geral, exceto sociedades de crédito, e cooperativas.
Por sua vez, a Lei Estadual 17.196/2020 autorizou o Poder Executivo
cearense a pagar, durante o período emergencial de enfrentamento ao
coronavírus, as contas de água e esgoto e de energia de consumidores
de baixa renda que residam no Ceará.
A situação pandêmica que se instalou no Brasil e no mundo, com suas
consequências diversas, obrigou o Poder Público a tomar medidas de
maior auxílio à população, principalmente aquela mais carente, como
forma de enfrentamento direto ao vírus e a fim de reduzir as estatísticas
até então negativas.
Agora emerge a necessidade de que o Poder Público auxilie direta e
precisamente no enfrentamento à pandemia — a situação vulnerável em
que se encontram todas as pessoas e todos os setores requer o
intervencionismo estatal, admitido até mesmo por aqueles que pouco
tempo atrás o repudiavam.
nacionalizar empresas estratégicas em risco de falência, bem como
impedir/restringir a abertura do comércio, redefinir as linhas de
produção das indústrias (fabricar respiradores hospitalares em
substituição dos bens anteriores) a fim de evitar a efeitos mais gravosos
decorrentes da pandemia e ainda fixar uma renda digna para os
cidadãos permanecerem em suas residências”.
Trata-se do que já advertira Rudolf Hilferding, Ministro das Finanças da
República de Weimar, também em meio à instabilidade do período entre
as duas guerras mundiais e a consequente grave crise econômica: a
organização do capitalismo, com o compromisso mínimo civilizatório
entre capital e trabalho.

Você também pode gostar