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USO DE GEOTECNOLOGIAS NA DETERMINAÇÃO DE ÁREAS PRIORITÁRIAS

PARA O RESTABELECIMENTO DA COBERTURA FLORESTAL.

ESTUDO DE CASO: RIO LICUNGO, MOCUBA.

ARMINDO DA GRAÇA MAVEHE


UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA E FLORESTAL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA FLORESTAL

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO

USO DE GEOTECNOLOGIAS NA DETERMINAÇÃO DE ÁREAS PRIORITÁRIAS


PARA O RESTABELECIMENTO DA COBERTURA FLORESTAL. ESTUDO DE
CASO: RIO LICUNGO, MOCUBA.

ARMINDO DA GRAÇA MAVEHE

MOCUBA

2018
UNIVERSIDADE ZAMBEZE
FACULDADE DE ENGENHARIA AGRONÓMICA E FLORESTAL
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA FLORESTAL

TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO

USO DE GEOTECNOLOGIAS NA DETERMINAÇÃO DE ÁREAS PRIORITÁRIAS


PARA O RESTABELECIMENTO DA COBERTURA FLORESTAL. ESTUDO DE
CASO: RIO LICUNGO, MOCUBA.

Autor: Armindo da Graça Mavehe

Supervisor: Engo. Agnaldo Viriato Ubisse, MSc

Supervisor: Engo. Marchante Olímpio Assura Ambrósio

Monografia submetida à Faculdade de Engenharia


Agronómica e Florestal Universidade Zambeze -
Mocuba, em parcial cumprimento dos requisitos para
a obtenção do nível de Licenciatura em Engenharia
Florestal.

MOCUBA

2018
DECLARAÇÃO

Eu, Armindo da Graça Mavehe, declaro por minha honra, que esta monografia é o resultado do
meu empenho e sacrifício, e está a ser submetida para a obtenção do nível de Licenciatura na
Universidade Zambeze, Mocuba. Ela não foi submetida antes para obtenção de nenhum nível ou
para avaliação em nenhuma outra Universidade.

________________________________________
(Armindo da Graça Mavehe)

Mocuba, ___de________________de 2018


DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho os meus pais Armando Carlos e Graça aos meus irmãos Carlos e Edy a
minha Namorada Katija Felgas Amaral e aos meus Sobrinhos Breno, Hálen e Lúcio. Amo-vos
tanto!
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar louvar e agradecer ao venerado e santificado senhor criador dos céus, senhor
misericordioso DEUS todo-poderoso pelo dom da vida e protecção que me tem proporcionado
todos os dias, e por iluminar e guiar as minhas pisadas em cada alvorecer.

Aos meus pais Armando Carlos e Graça Manuel, por me terem colocado no mundo e pela
educação incessante que me têm transmitido a cada estante, do incentivo a não desistir ao longo
do caminho por mim trilhado.

A minha avo Silvina dona dos meus encantos e asseios desejo lhe bênção e gratidão profunda
pelo amor e educação desde minha infância.

Endereço o meu humilde gesto de gratidão profundo ao supervisor Engo. Marchante Olímpio
Assura Ambrósio, pelos ensinamentos, paciência, humildade e profissionalismo.

Agradeço muito a minha única flor do meu jardim secreto Katija Amaral pelo apoio incansável e
pela amizade e muito amor.

Um especial obrigado para meus amigos: Etelvino Vicente, Ercia Muanga, Beto Massingue,
Gold Chinder, Nursan Ange, Jacinto Muzonda, Gilberto da Costa, Abilio Geriano, Gilú Paulo,
Arsénio Cinco Reis, Haua da Esperança, Mário João, Fernando da Silva, Telirio Nhampossa,
Hermínio Queirós, Rufina Homo, Lurdes Mugar, Hamilton Homo, Elidio Mucal, Almeida
Escrivão, Zita Mafai, Rufino Valentim, Ester Dasilva.

Agradeço em especial aos meus irmãos: Carlos Mavehe, Amelia Ribeiro, Kikas Mavehe, Alex
Mavehe, Aissa Mavehe, Flora Albano, Erasmo Mavehe, Edy dos Pais, Hélder Chirinze, Stelio
Mavehe. Agradeço aos meus sobrinhos pela inspiração: Alan, Lúcio, Breno, Wayne.
EPÍGRAFE

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos,

perdoando-vos uns aos outros, como também DEUS vos perdoou em Cristo”

Efesios 4:32

WHY DRY WOOD?


The answer to the question "Why dry wood?" must be "...To make money!"
Eugene M. Wengert
ÍNDICE

Conteúdo Pág

I. INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 1

1.1. Generalidade..................................................................................................................... 1

1.2. Problema e justificativa .................................................................................................... 2

1.3. Objectivos......................................................................................................................... 3

1.3.1. Geral .......................................................................................................................... 3

1.3.2. Específicos ................................................................................................................ 3

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................................... 4

2.1. Conceitualização .............................................................................................................. 4

2.1.1. Bacia Hidrográfica .................................................................................................... 4

2.1.2. Florestas ribeirinhas .................................................................................................. 5

2.2. Áreas de Preservação Permanente.................................................................................... 5

2.2.1. Delimitação das faixas de APP’s .............................................................................. 6

2.2.2. Importância das áreas de preservação permanente ................................................... 7

2.3. O restabelecimento da cobertura florestal nativa ............................................................. 8

2.4. Fragmentos florestais ....................................................................................................... 8

2.5. Geotecnologias ................................................................................................................. 9

2.5.1. Descrição e caracterização do satélite Sentinel-2A .................................................. 9

2.6. Índices de Vegetação ...................................................................................................... 11

2.6.1. Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI) ....................................... 12

2.6.1.1. Factores limitantes no índice NDVI .................................................................... 13

2.6.2. Índice de Vegetação Ajustado para o Solo (SAVI) ................................................ 14

2.6.3. Índice De Diferença Normalizada Da Água (NDWI) ............................................. 15


2.7. Capacidade de uso da terra ............................................................................................. 15

2.7.1. Diferentes formas de uso de terra ........................................................................... 16

III. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................... 18

3.1. Descrição da área de estudo ........................................................................................... 18

3.2. Procedimentos metodológicos........................................................................................ 19

3.3. Tipo de pesquisa ............................................................................................................. 20

3.4. Técnicas de colecta de dados ......................................................................................... 20

3.4.1. Aquisição das imagens de satélite........................................................................... 21

3.5. Processamento e análise dos dados ................................................................................ 21

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................................... 28

4.1. Uso e cobertura de terra das APP’s do Rio Licungo ...................................................... 28

4.2. Índice de vegetação ........................................................................................................ 30

4.2.1. Índice De Vegetação De Diferença Normalizada (NDVI) ..................................... 30

4.2.2. Índice de vegetação ajustado ao solo (SAVI) ......................................................... 31

4.2.3. Índice de vegetação ajustado a água (WDVI)......................................................... 33

4.3. Levantamento qual-quantitativo de espécies florestais nas APP’s do rio Licungo........ 34

V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................ 36

5.1. Conclusões ..................................................................................................................... 36

5.2. Recomendações .............................................................................................................. 37

VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................... 38


LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Rio Licungo .................................................................................................................... 4


Figura 2: Localização geográfica da área de estudo .................................................................... 18
Figura 3: Diagrama Metodológico para Produção do Mapa de Uso e Cobertura de Terra ......... 21
Figura 4: Desenho de Amostragem. ............................................................................................ 27
Figura 5: Uso e ocupação da terra nas APP’s do Rio Licungo, distrito de Mocuba ................... 28
Figura 6: Índice de Vegetação de Diferença Normalizada (NDVI) ............................................ 30
Figura 7: Índice de Vegetação Ajustado para o Solo (SAVI)...................................................... 32
Figura 8: Índice de Diferença Normalizada da Água (NDWI). .................................................. 33
Figura 9: Total de indivíduos por espécies .................................................................................. 35

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Largura da faixa de florestas ribeirinha. ........................................................................ 7


Tabela 2: Resolução espectral...................................................................................................... 10
Tabela 3: Detalhe da imagem satélite usada para análise da cobertura vegetal. .......................... 21
Tabela 4: Chave de interpretação para mapeamento de uso e cobertura ..................................... 23
Tabela 5: Tabela de prioridades de reposição florestal................................................................ 25
Tabela 6: Espécies florestais identificadas nas margens do rio Licungo. .................................... 34

LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 1: Equação de Índice de Vegetação por Diferença Normalizada ................................. 24


Equação 2: Equação de Índice de Vegetação justado ao Solo .................................................... 24
Equação 3: Equação de Índice de Vegetação ajustado a Água ................................................... 25
Equação 4: Equação Número total de elementos da população .................................................. 26
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

ANTAQ Agência nacional de transportes aquaviário


APP Áreas de Preservação Permanente
ENVI Environment for Visualizing Images
ESA European Space Agency
FEAF Faculdade de Engenharia Agronómica e Florestal
MINAG Ministério da Agricultura
NDVI Normalized Difference Vegetation Index
NDWI Normalized Difference Water Index
NIR Red and near-infrared
ONG Organização Não Governamental
P1 Prioridade um
P2 Prioridade dois
PEDDM Plano Estratégico de desenvolvimento do distrito de Mocuba

PEEDM Plano Estratégico de Desenvolvimento do Distrito de Mocuba


RFA Reflectância da Área Foliar
s/l Sem local
SAVI Soil-adjusted vegetation índex
SIG Sistema de informações geográfica
SR Sensoriamento Remoto
SWIR Reflectance at wavelength corresponding to Red
UCT Uso e Cobertura da Terra
LISTA DE SÍMBOLOS

B Banda
% Percentagem
ha Hectares
I Intensidade amostral
Km Quilómetros
m Metros
Mm Milímetros
N Número total de elementos da população
N Número total de elementos da amostra
nm Nanómetro
T Tempo
RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido entre os paralelos 16o15’43.92’’S e 37o13’11.64’’E


correspondente a 0.662 km2 das margens do Rio Licungo no município de Mocuba. Com
objectivo principal de determinar áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal,
apoiada no uso de Geotecnologias nas margens do rio Licungo. Com o auxilio de Software
Quantum GIS 2.18 fez se a digitalização do leito do rio e gerou se um Buffer de de 50 metros,
onde foram analisadas classes de uso e ocupação da terra com o apoio de chave de identificação,
e potencialidades das APP’s através do NDVI, SAVI e WDVI, e o levantamento de espécies que
ocorrem nas APP’s, a análise supervisionada permitiu determinar 8 classes de uso e ocupação
nomeadamente: habitação, Solos exposta, infra-estrutura, agricultura, vegetação herbácea,
afloramento rochoso, vegetação arbustiva e corpos de água, ocupando 3.59 ha (5.42%), 11.24 ha
(16.97%), 0.37 ha (0.55%), 1.26 ha (1.91%), 30.93 ha (46.73%),12.08 ha (18.24%), 4.79 ha
(7.24%) e 1.26 ha (2.21%) respectivamente, e através de NDVI, SAVI e WDVI revelaram áreas
com prioridades altas (23.32 ha), moderadas (30.93 ha) e baixas (11.95 ha) para reposição da
cobertura florestal. Portanto para uma área total de 66.20 ha, 54.25 ha apresentam prioridades
para reposição florestal e 11.95 ha não apresenta prioridade. Entretanto que adoptem-se políticas
eficazes e eficientes de reassentamento, sensibilização, disseminação e controle das comunidades
que vivem e praticam actividades que comprometam as funções das APP.

Palavras-chave: Geotecnologia; Áreas de preservação permanente; Floresta ribeirinha.


ABSTRACT
Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

I. INTRODUÇÃO

1.1. Generalidade

As formações florestais localizadas nas margens de rios, lagos, nascentes e demais cursos de
água são conhecidas por matas ciliares, desempenham importante função ambiental, mais
especificamente na manutenção da qualidade de água, estabilidade dos solos das áreas marginais,
regularização do regime hídrico e ainda formam verdadeiros corredores para manutenção da
fauna, assim como para dispersão vegetal (Barbosa, 2006).

Estas por sua vez proporcionam corredores para as espécies florestais, os quais desempenham
um papel chave para a conservação da diversidade das espécies (Meyer et al., 2004). Os recursos
naturais que se encontram nestes ecossistemas também são importantes para o Homem (Mitjans,
2012).

As florestas ribeirinhas, fazem parte das áreas proibidas de exploração, no entanto vêm sendo
continuamente destruída, principalmente, em função das actividades agro-pecuárias, do aumento
da demanda do carvão vegetal, da expansão imobiliária o que contribui para o assoreamento,
aumento da turbidez das águas, desequilíbrio do regime das cheias, e a erosão das margens de
grande número de cursos de água, além do comprometimento da fauna (Meyer et al., 2004).

Sendo assim, pode-se considerar que o meio se transforma à medida que o fluxo de acções
antrópicas supera o fluxo de acções naturais, esse fluxo de acções antrópicas em ritmo acelerado
provoca degradação ambiental, responsável por alterar as condições naturais de fauna e flora, do
clima e do solo, e actualmente essa degradação está atingindo de modo intensivo as Áreas de
Preservação Permanente (APP’s) (Bergamasco e Araújo, 2012).

Com tudo, a importância das florestas ao longo de rios fundamenta-se no amplo aspecto de
benefícios que a vegetação trás na protecção da mesma, exercendo função protectora sobre os
recursos naturais (Primo e Vaz, 2006). Como finalidade prática, os resultados desse trabalho
podem subsidiar a tomada de decisão na alocação de recursos destinados ao restabelecimento da
cobertura florestal nativa do rio Licungo, e assim servir como elemento de remediação do quadro
de degradação dos recursos hídricos da bacia.

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

1.2. Problema e justificativa

As florestas ribeirinhas são formações florestais, localizadas nas margens dos rios, lagos,
represas e nascentes consideradas pelo REGULAMENTO DA LEI DE TERRAS como áreas de
preservação permanente, com diversas funções ambientais, devendo respeitar uma extensão
específica. De acordo com do Decreto nº. 66/98 De 8 de Dezembro essas áreas devem-se manter
intocadas e caso esteja degradada deve se efectuar a imediata recuperação.

Contudo a preocupação com a degradação das florestas ribeirinhas é relevante, e tem sido
liderado no mundo por: Universidades, ONG´S, Governos, Ministério Público, e até mesmo por
Empresas privadas de diferentes ramos de actuação. As proximidades de rios sempre foi
condição essencial para o homem cultivar a terra, criar o gado, fundar cidades e, posteriormente
montar indústrias; o desmatamento das florestas ribeirinhas, essenciais para a protecção dos
recursos hídricos e do solo (Primo e Vaz, 2006).

Porém, Luís (2017), alega que situações alarmantes têm se registadas nas bermas do rio Licungo,
a intensa fragmentação florestal do rio Licungo é resultante do processo desordenado de uso e
ocupação do solo, influenciada pelo aumento da urbanização, extracção de lenha e carvão e pelo
aumento das práticas de agricultura itinerante, sendo na sua maioria feita nas margens do rio,
para além destas causas, outras actividades menos apontada são as queimadas e pastagem.

Segundo o autor supracitado, a degradação das florestas ribeirinhas do rio Licungo vem sendo
verificada desde a década 80, traduzida pelo abate das árvores (exploração das áreas marginas
para a prática da agricultura), atingindo proporções alarmantes ano-pós-ano. Como
consequências das causas da degradação das florestas ribeirinhas tem a erosão dos solos,
assoreamento dos rios, desaparecimento de certas espécies nativas, diminuição de nível do
pescado, maior vulnerabilidade de extremos climáticos.

Entretanto a inexistência da vegetação protectora ao longo das margens do rio Licungo esta
associado aos impactos severos registados nas chuvas intensas de Janeiro 2015 que provocaram
cheias que assolaram directamente a população da província da Zambézia, em particular no
distrito de Mocuba, em que o impacto mais notável verificou-se nas famílias que habitavam as
zonas ribeirinhas. Vários foram os danos, destacando-se os socioeconómicos (perda de vidas
humanas, casas e campos agrícolas) e ambientais (devastação e erosão). Neste contexto, em

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

resposta ao cenário anteriormente apresentado, surge a proposta de determinar áreas prioritárias


para o restabelecimento da cobertura florestal nas margens do rio Licungo, apoiada no uso de
Geotecnologias (Bergamasco e Araújo, 2012).

Entretanto, várias dificuldades surgem na planificação do programa de reflorestamento


(Bergamasco e Araújo, 2012). Porém, gerar um mapa com apoio de Geotecnologias para
determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal constitui uma
estratégia eficiente, rápida, com menos dispêndio de recursos e necessidade preponderante
directamente associada à probabilidade de sucesso efectivo na reposição da cobertura florestal
(Kurtz, 2001).

Deste modo, de forma integrada, o trabalho constituirá num modelo piloto, ao nível de todo da
região, no que concerne a definição de áreas para o restabelecimento florestal. No entanto, o
Sensoriamento Remoto tem sido uma ferramenta muito eficiente, que vem sendo utilizada para
esse tipo de análise, por possuir vantagem de usar imagens satélites e pelo seu baixo custo de
disponibilidade e aplicabilidade (Paranhos, 2008).

1.3. Objectivos

1.3.1. Geral

 Determinar áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal, apoiada no uso


de Geotecnologias nas margens Licungo – Mocuba.

1.3.2. Específicos

 Identificar as diferentes formas de uso e cobertura de terra nas APP’s do rio Licungo;
 Gerar um mapa com indicações de prioridades nas APP’s do rio Licungo a partir de índices
de vegetação (NDVI), de solo (SAVI) e da água (NDWI);
 Efectuar levantamento de espécies florestais que ocorrem nas APP’s do Rio Licungo.

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1. Conceitualização

2.1.1. Bacia Hidrográfica

A bacia hidrográfica é uma unidade geomorfológica fundamental da superfície terrestre,


considerada como principal unidade fisiográfica do terreno, porque suas características
governam, no seu interior todo o fluxo superficial da água (figura 1) (Rosa, 2005). Constitui,
portanto, uma área ideal para o planeamento integrado do maneio dos recursos naturais no meio
ambiente por ela definido, a noção de bacia obriga, naturalmente, a existência de divisores
d’águas, cabeceiras ou nascentes, cursos de água principais, afluentes, subafluentes, bem como,
uma hierarquização dos canais escoadouros e uma distribuição dos solos predominantes (Tucci e
Silveira, 2004).

Figura 1: Rio Licungo. Fonte: Google Earth (2018), adaptado pelo Autor.

Os cursos d’água vêm sofrendo constante e crescente contaminação em virtude da má utilização


e preservação inadequada dos recursos naturais existentes ao seu redor, as águas destes cursos
d’água frequentemente transportam solo, muitas vezes provenientes das áreas agrícolas outrora
adubadas ou corrigidas por agricultores, propiciando assim, a poluição das mesmas e até do
lençol freático, comprometendo a sua utilização no abastecimento e irrigação (Rosa, 2005).

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2.1.2. Florestas ribeirinhas

São formações florestais encontradas ao longo de cursos d'água, cuja função é proteger os rios
influenciando na qualidade da água, na manutenção do ciclo hidrológico nas bacias
hidrográficas, evitando o processo de erosão das margens e o assoreamento do leito dos rios
(Primo e Vaz, 2006).

Também actuam como habitats para diversas espécies animais, favorecendo o fluxo génico e
aumentando a diversidade genética nas populações (Primo e Vaz, 2006). Contudo, as florestas
ribeirinhas protegem os recursos naturais bióticos que compreendem os vegetais e os animais, e
os abióticos que incluem os recursos hídricos (nascentes e rios) e os solos, os quais ganham um
aumento de serapilheira, funcionando como esponja, absorvendo a água das chuvas, evitando as
enxurradas; Proporcionam abrigo (sombra, galhos, troncos e raízes de árvores) e alimento
(folhas, flores, frutos, sementes) para as faunas terrestre e aquática, bem como protecção para
espécies vegetais, aumentando a diversidade de espécies (Primo e Vaz, 2006).

Portanto, a falta de esclarecimento da importância das florestas, bem como a forma incorrecta de
uso e exploração, aliadas às queimadas indiscriminadas e à mineração, têm gerado perdas de
grande parte da biodiversidade (Valente, 2005). Neste contexto, as matas ciliares sofreram e vêm
sofrendo, intensamente, em todo o seu percurso, fortes agressões com a prática do desmatamento
de suas margens, tanto para a extracção madeireira e energética (lenha e carvão), como para dar
lugar à implantação de pastagens e actividades agrícolas e, mais recentemente, para a expansão
imobiliária (Barbosa, 2006).

2.2. Áreas de Preservação Permanente

O conceito legal de APP1 relaciona tais áreas, independente da cobertura vegetal, com a função
ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a
biodiversidade, o fluxo génico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas (Primo e Vaz, 2006).

1
Segundo o do REGULAMENTO DA LEI DE TERRAS Decreto nº. 66/98 De 8 de Dezembro as seguintes zonas
de produção parcial são criadas pelo efeito da própria lei: 1- A faixa de terreno que orla as águas fluviais e lacustres
navegáveis até 50 metros medidos a partir da linha máxima de tais águas; 2- a faixa de terreno até 100 metros
confinante com as nascentes de água; 3- A faixa de terreno no contorno de barragens e albufeiras até 250 metros.

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Segundo o autor supracitado, as APP’s não têm apenas a função de preservar a vegetação ou a
biodiversidade, mas uma função ambiental muito mais abrangente, voltada, em última instância,
a proteger espaços de relevante importância.

Áreas de Preservação Permanentes (APP’s) são submetidas a grandes extensões de degradação,


devido à intensificação das pressões antrópicas sobre o ambiente. Dessa forma, observa-se um
processo de substituição das paisagens naturais por outros usos e ocupações da terra e a
conversão das áreas com cobertura florestal em fragmentos florestais, causando problemas
ambientais e, em muitos casos, afectando a disponibilidade de recursos naturais importantes à
vida (Espirito Santo, 2006).

A pressão que as APP’s vêm sofrendo é muito grande e isso tem feito com que muitas dessas
áreas sofram com a degradação antrópica e fica apenas o prejuízo ao meio ambiente como,
cursos d’água perenes se tornando intermitentes, corredores ecológicos interrompidos, erosão ás
margens de rios e córregos, supressão á fauna causando extinção de espécies, prejuízo no
processo de sequestro de carbono que é um dos maiores indicadores ecológico ao tratar de
aquecimento global (Espirito Santo, 2006).

2.2.1. Delimitação das faixas de APP’s

No caso das faixas mínimas a serem mantidas e preservadas nas margens dos cursos de água o
REGULAMENTO DA LEI DE TERRAS através do Decreto nº. 66/98 De 8 de Dezembro.,
Artigo 8 a faixa é de 50 metros. Segundo Valente (2005), nas nascentes estabelecesse um raio
mínimo de 50 metros no seu entorno independentemente da localização, seja na pequena ou na
grande propriedade, em área rural ou urbana, tal faixa é o mínimo necessário para garantir a
protecção e integridade do local onde nasce a água e para manter a sua quantidade e qualidade.

Entretanto, as nascentes ainda que intermitentes, são essenciais param a garantia do sistema
hídrico, e a manutenção de sua integridade mostra estreita relação com a protecção conferida
pela cobertura vegetal nativa adjacente (Espirito Santo, 2006). Da mesma forma há faixas
diferenciadas para os rios de acordo com a sua largura, iniciando com uma faixa mínima de 30
metros em cada margem para rios com até 10 metros de largura, ampliando essa faixa à medida
que aumenta a largura do rio.

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

De acordo com Bergamasco e Araújo (2012), a faixa de protecção ciliar é obrigatória ao longo
dos rios e ao redor dos reservatórios (lagos, represas de hidroeléctricas) e nascentes. As faixas
marginais mínimas actualmente definidas na Tabela 1, têm as seguintes dimensões:

Tabela 1: Largura da faixa de florestas ribeirinha.

Rios Faixa
Rios com até 10 metros de largura Faixa de 30 m em cada margem
Rios com 10 a 50 metros de largura Faixa de 50 m em cada margem
Rios com 50 a 200 metros de largura Faixa de 100 m em cada margem
Rios com 200 a 600 metros de largura Faixa de 400 m em cada margem
Rios com largura superior a 600 metros de Faixa de 500 m em cada margem
largura

Fonte: Bergamasco e Araújo (2012).

2.2.2. Importância das áreas de preservação permanente

Perante aos serviços ambientais oferecidos pelas florestas e demais ecossistemas, temos como
principais: protecção de solo, protecção de água, regulação climática e qualidade do ar,
biodiversidade, fixação de carbono, recreação e outros. Esses aspectos ressaltam a importância
das APP’s, que foram criadas para proteger o ambiente natural, devendo estar cobertas com a
vegetação original, não sendo áreas apropriadas para alteração de uso do solo (Valente, 2005).

Contudo, a cobertura vegetal nestas áreas irá atenuar os efeitos erosivos e a lixiviação dos solos,
contribuindo também para a regularização do fluxo hídrico, redução do assoreamento dos cursos
d’água e reservatórios, e trazendo também benefícios para a fauna (Valente, 2005). Machado
(2004), argumenta que “a área de preservação permanente não é um simples favor a lei, mas sim
um acto de inteligência social”, pois sem as florestas nas bordas dos cursos d’água, secarão os
rios, sem florestas nas encostas de montanhas, ocorrerá o desmoronamento e muitos povoados ou
bairros serão destruídos e consequentemente sem água e solo não haverá o desenvolvimento
económico.

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2.3. O restabelecimento da cobertura florestal nativa

A recuperação de ecossistemas degradados é uma actividade presente na história de vários


povos, épocas e regiões. No entanto, até recentemente, ela se caracterizava como uma actividade
sem vínculos estreitos com concepções teóricas, sendo executada normalmente como uma
prática de recomposição, com objectivos muito específicos (Rodrigues e Gandolfi, 2004).

Deste modo, uma estratégia consistente para a restauração da biodiversidade e da hidrologia de


ecossistemas degradados deve estar fundamentada no conceito da integridade do ecossistema na
escala da microbacia hidrográfica, que abrange as zonas ripárias, principalmente as margens e as
cabeceiras dos cursos d’água, isto é, as matas ciliares, e o conjunto das interacções entre seus
componentes, que desempenham importantes serviços ambientais, tais como a manutenção dos
recursos hídricos e do ecossistema (Valente, 2005).

2.4. Fragmentos florestais

Fragmentos florestais são áreas de vegetação natural, interrompidas por barreiras antrópicas ou
naturais, capazes de reduzir significativamente: o fluxo de animais, pólen ou sementes, expansão
do uso da terra, que acompanha o crescimento da população humana, resulta na fragmentação
dos habitats naturais, com a formação de fragmentos florestais de diferentes tamanhos e formas
(Rodrigues e Gandolfi, 2004).

Segundo o autor supracitado, os principais factores que afectam a dinâmica de fragmentos


florestais são: tamanho forma grau de isolamento, tipo de vizinhança e histórico de perturbações,
esses factores apresentam relações com fenómenos biológicos que afectam a natalidade e a
mortalidade de plantas como, por exemplo o efeito de borda, a deriva genética e as interacções
entre plantas e animais, são fundamentais para identificar estratégias conservacionistas e
prioridades para a pesquisa.

A relação entre a área dos fragmentos e seus atributos ecológicos, especialmente a diversidade de
espécies, é um elemento central da teoria de biogeografia de ilhas, a distribuição das classes de
tamanho dos fragmentos na paisagem é um elemento importante para o desenvolvimento de
estratégias para a conservação da biodiversidade (Valente, 2005).

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Entretanto, os fragmentos florestais apresentam uma profunda relação com a sociedade


envolvente, um dos factores que melhor explica a estrutura a dinâmica de fragmentos florestais é
o histórico de perturbações, esse histórico de perturbações é complexo e longo. Inicia-se com as
populações ameríndias e suas práticas de maneio e incluem todas as actividades de extracção
vegetal e animal e o processo de redução da área dos remanescentes florestais no período pós-
colombiano (Primack e Rodrigues, 2001).

2.5. Geotecnologias

As geotecnologias constituem o conjunto de tecnologias que nos permitem a realização de


colecta de dados, processamento, além da análise da informação georreferenciadas e
consequentemente favorece a tomada de decisões (Rosa, 2005). Portanto, o uso das
geotecnologias nos permite fazer uma análise integrada do ambiente de forma a entender como
questões relacionadas às alterações ambientais se comporta no espaço, permitindo que o
ambiente seja estudado em parte e entendido como um todo (Pires et al., 2012).

A utilização das tecnologias de geoprocessamento e sensoriamento remoto é hoje muito


difundida e amplamente aparelhada para a realização de uma grande relação de tarefas de
natureza diagnóstica, planeamentos, desenvolvimento e acompanhamento de projectos em várias
áreas temáticas (Fitz, 2008).

2.5.1. Descrição e caracterização do satélite Sentinel-2A

O satélite Sentinel-2A que faz parte da missão da European Space Agency (ESA) desenvolvido
no quadro do programa da União Europeia Copernicus, foi lançado no dia 23 de Junho de 2015 e
actualmente está em operação (ESA, 2016).

O autor acima citado, sustenta que os dados adquiridos (a cobertura da missão e a alta frequência
de visitas), possibilitam a geração de geoinformação em escalas locais, regionais, nacionais e
internacionais. No entanto, os dados são projectados para serem modificados e adaptados por
usuários interessados em áreas temáticas, tais como: ordenamento do território, monitoramento
agro-ambiental, monitoramento da água, monitoramento florestal e da vegetação, monitoramento
do carbono terrestre, monitoramento de recursos naturais e monitoramento global de culturas
(ESA, 2016).

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Se encontra na órbita circular, heliossíncrona, descendente, 98.5638o de inclinação, período de


98.46 minutos e altitude de 785 Km. Horário de imageamento 10h 30 minutos AM, bandas do
sensor: 4 bandas no visível e no infravermelho; 6 bandas no “red edge” e no infravermelho de
ondas curtas; 3 bandas para correcção atmosférica.

Apresentando uma resolução espacial 13 bandas sendo: 4 delas com 10 m de resolução, 6 delas
com 20 m de resolução e 3 delas com 60 m de resolução (ESA, 2015).

Tabela 2: Resolução espectral.

Resolução Nr da Banda Nome da Banda Comprimento de Onda Central


(nanómetro)
B02 Blue 490
B03 Green 560
10 m B04 Red 665
B08 NIR 842
B05 Red Edge 1 705
B06 Red Edge 2 740
20 m B07 Red Edge 3 783
B08A Red Edge 4 865
B11 SWIR 1 1610
B12 SWIR 2 2190
B01 Aerossol 443
60 m B09 Water Vapor 940
B10 Cirrus 1375

Fonte: ESA (2015).

Segundo ESA (2015), o Sentinel-2A apresenta as seguintes resoluções:

Resolução radiométrica: A resolução radiométrica do instrumento MSI é de 12 bits,


permitindo que a imagem seja adquirida num intervalo de 0 a 4095 valores potenciais de
intensidade de luz;

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Resolução temporal: A frequência de revisita de cada satélite é de 10 dias, com dois


satélites (isto é, a constelação completa), as áreas serão revisitadas a cada cinco (5) dias sob
as mesmas condições de visualização;

Resolução espectral: A resolução espacial é uma das principais características de um sensor


remoto, pois permite a visualização dos alvos em maior ou menor nível. Para o produto da
ESA (tabela 2).

2.6. Índices de Vegetação

Os Índices de Vegetação foram desenvolvidos com o objectivo de melhor explicar as


propriedades espectrais da vegetação, utilizando principalmente as regiões do visível e do
infravermelho próximo (Ponzoni, 2010).

Os índices de vegetação são operações algébricas que envolvem faixas de reflectância


específicas, permitindo determinar a cobertura vegetal e a sua densidade, tais índices são
combinações de dados espectrais de duas ou mais bandas, usualmente, a do vermelho e a do
infravermelho próximo, cuja operação matemática obtém um valor a dimensional (Lopes, 2003).

Nesse contexto, avaliar a densidade da cobertura vegetal constitui-se como uma estrutura
essencial para estudos voltados para análise ambiental, gestão e planeamento de recursos
naturais, compreensão dos processos hidrológicos, diagnóstico da dinâmica no espaço urbano e
rural, entre outras finalidades (Ponzoni, 2010).

Esses índices estão relacionados a parâmetros biofísicos da cobertura vegetal e podem


caracterizar parâmetros como o índice de área foliar e a biomassa, radiação fotossinteticamente
activa absorvida, produtividade de determinada cultura, além de minimizarem efeitos da
iluminação da cena e declividade da superfície que influenciam na reflectância da vegetação
(Lopes, 2003).

Portanto, o índice de vegetação busca combinar, sob a forma de razões, as informações contidas
na radiância reflectida pelos dosséis, nas regiões do vermelho e infravermelho próximo do
espectro electromagnético (Ricklefs, 2003). No comprimento de onda do visível esta radiância é
marcada por um processo de absorção, ocasionado pela presença de pigmentos fotossintetizantes
na vegetação sádia (clorofila e outros), já no infravermelho próximo, esta relação entre a

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radiância reflectida e a biomassa verde é directamente proporcional, podendo variar de acordo


com a quantidade de folhas, distribuição e arranjo espacial do dossel (Zarco-tejada et al, 2003).

Contudo, a utilização de índices de vegetação com o Índice de Vegetação da Diferença


Normalizada (NDVI), Índice de Vegetação Ajustado ao Solo (SAVI) e Índice de Área Foliar
(IAF) facilita a obtenção e modelagem de parâmetros biofísicos das plantas, como a área foliar,
biomassa e percentagem de cobertura do solo, com destaque para a região do espectro
electromagnético do infravermelho, que pode fornecer importantes informações sobre a
evapotranspiração das plantas (Zarco-tejada et al, 2003).

Dentre as variáveis utilizadas para avaliação da mudança do uso do solo, os índices de vegetação
têm sido mais utilizados. Os índices de vegetação possibilitam a caracterização e quantificação
de parâmetros biofísicos de florestas, culturas agronómicas e mudanças provocadas no uso do
solo, pois reduzem a dimensão das informações multiespectrais fornecidas pelos satélites

2.6.1. Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI)

Segundo Lima et al. (2013), o princípio básico do NDVI se baseia no facto de folhas verdes
reflectirem muita luz no infravermelho próximo, em forte contraste com a maioria dos objectos
não vegetais. Pós, quando a planta se torna estressada ou desidratada, as folhas passam a reflectir
menos luz no infravermelho próximo, mas o mesmo montante de luz na faixa do visível é
reflectido a combinação matemática desses sinais podem ajudar a diferenciar uma planta de
outros objectos e uma planta saudável de uma planta estressada ou doente (Ramos, 2016).

Analisando a equação do NDVI, quando a quantidade de vermelho detectado se aproxima de


zero, o valor do NDVI fica próximo de 1. Quando a quantidade de radiação NIR detectada se
aproxima de zero, o valor de NDVI se aproxima de -1, consequentemente esse é um índice que
varia de -1 a 1, sendo que 1 indica a presença de muita vegetação e -1 a ausência de vegetação
(Ponzoni, 2010).

Segundo Figueiredo (2005), o NDVI tem sido amplamente utilizado para classificação de
vegetação em imagens por oferecer bons contrastes em relação a outros elementos da paisagem,
além disso, vários trabalhos já demonstraram haver correlação entre o NDVI e parâmetros
quantitativos, qualitativos e fisiológicos de culturas agrícolas e florestas.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Há algumas limitações para o uso directo do NDVI como estimador de características da


vegetação. A primeira delas é a saturação do índice para biomassas altas. Outra limitação é a
influência de outros factores no resultado, como características dos sensores, propriedades da
atmosfera e solo (Ponzoni, 2010). A contribuição atmosférica é importante porque afecta mais as
bandas do visível do que as do infravermelho, mas pode ser desprezada quando são comparadas
regiões de uma mesma cena e data (Pendock, 2003).

Ao NDVI foi adicionado um factor de correcção (L), variando de 0 a 1 de acordo com o grau de
cobertura do solo pela vegetação. Quando a densidade da vegetação é de até 30%, não há
vegetação suficiente para influenciar na resposta espectral, e a curva de resposta obtida é muito
próxima da curva de solo exposto (Lopes, 2003). Nos graus de cobertura próximos ao de 50%, a
curva de vegetação predomina, mas é mais sensível a solos escuros, que tendem a aumentar o
NDVI. Se a densidade é mais alta, não há sinais de solo significativos na composição do índice
(Lopes et al., 2010)

Lopes (2003), no seu estudo sobre Balanço de Radiação em Áreas Irrigadas Utilizando Imagens
Landsat, analisando os valores do NDVI, correspondem às características de uma vegetação
densa, em pleno desenvolvimento e em condições hídricas razoáveis, nas duas imagens
estudadas.

Entretanto, Ponzoni (2010), afirma que no seu estudo foi possível observar que no dia 06/10/10 a
região possui pouca cobertura vegetal em quase toda área de estudo apresentando uma variação
do NDVI no intervalo -0,99 a 0,99, com valores médios de 0,211 e em 20/09/11 observou uma
grande área com cobertura vegetal pouco densa, com intervalos variando entre (-0,96 a 0,80),
com valores médios de 0,303.

2.6.1.1. Factores limitantes no índice NDVI

1. Efeitos Atmosféricos: Devido aos aerossóis e ao vapor de água as medições de reflectância


podem ser afectadas, comprometendo o NDVI (Lopes, 2003).

2. Nuvens: Comprometem a imagem de forma parcial ou total, causando “perda de


informação” na imagem ou fazendo sombra no solo, interferindo na obtenção do índice de
vegetação por diferença normalizada. Quando a nuvem é nítida, há facilidade na percepção

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

da interferência causada, porém quando se trata de nuvens como Cirrus e outras de pequenas
dimensões menores que o diâmetro efectivamente amostrado pelos sensores do satélite, se
torna mais difícil a visualização desses interferentes, podendo comprometer
significativamente o NDVI (Ponzoni, 2010).

3. Efeitos do Solo: A reflectância do solo é influenciada pelo teor de água, que tende a ser mais
escuro quando molhado e também por superfícies que reflectem a luz em diferentes
direcções. Em geral, para todos os materiais observados, o NDVI varia entre -1 e +1. Mais
especificamente para a vegetação, este índice varia entre aproximadamente 0 á +1 (Fontana,
2011).

2.6.2. Índice de Vegetação Ajustado para o Solo (SAVI)

Este índice de vegetação foi proposto por Heute et al. (1988), o qual constatou que o brilho do
solo (principalmente em tons escuros) aumenta o valor dos índices de vegetação, principalmente
para dosséis com nível de cobertura vegetal com aproximadamente 50% de cobertura verde.

Em relação ao SAVI a região em 06/10/2010 apresenta um intervalo de valores -0,66 a 0,74, com
médios de 0,172 e em 20/09/2011 um intervalo -0,36 a 0,75 e médios de 0,253. Com base nestas
variações a região foi dividida em 4 classes, nesta classificação, os valores em verde representam
regiões com SAVI altos (> 0,40), os em pêssego representam regiões com SAVI médios (0,20 -
0,40), os em vermelho as regiões com SAVI baixos (<0,20) (Santos et al., 2015)

No índice SAVI os valores positivos indicam áreas com presença de alguma vegetação e os valores
negativos representam áreas sem vegetação, nuvens e corpos d’água . No cálculo do SAVI, é
inserida uma constante “L”, cujo objectivo é minimizar o efeito do solo no resultado final do
índice e produzir isolinhas de vegetação mais independentes do solo, que foi estimado a partir de
considerações feitas pelo propositor, calculado para as bandas do infravermelho próximo e do
vermelho (Ponzoni, 2010). Segundo o propositor do método, os valores óptimos para L são:

L = 1 (baixas densidades de vegetação);

L = 0,5 (densidades médias de vegetação);

L = 0,25 (densidades altas de vegetação).

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2.6.3. Índice De Diferença Normalizada Da Água (NDWI)

Um método desenvolvido por McFeeters com o intuito de delinear feições presentes no ambiente
aquático, e realçar a presença das mesmas nas imagens (Câmara e Monteiro, 2017). No entanto,
este método é derivado do Índice da Diferença Normalizada de Vegetação (NDVI – Normalized
Difference Vegetation Index). McFeeters modificou a fórmula do NDVI invertendo as variáveis e
usando a banda verde ao invés da banda vermelha, a fim de obter melhores resultados voltados à
água (ANTAQ, 2013).

Segundo o autor supracitado, o índice NDWI permite ressaltar acumulações hídricas e minimizar
o restante dos alvos da superfície, operando por meio de bandas vinculadas a esse índice.
Considerando assim o NDWI como ferramenta para delinear características da água, enquanto
simultaneamente elimina características do solo e da vegetação terrestre (Marth et al., 2016).

O mesmo autor alega que o NDWI (sigla em inglês, Normalized Difference Water Index) foi
desenvolvido por Gao (1996) e é outro importante índice de vegetação sendo este altamente
correlacionado com o conteúdo de água na cobertura vegetal, permite acompanhar mudanças na
biomassa e avaliar o estresse hídrico da vegetação, através de operações aritméticas com as
bandas do infravermelho próximo e do infravermelho médio do Landsat-5/TM (Jensen, 2009).
Assim como o NDVI, o NDWI varia entre -1 e 1, em que valores negativos indicam uma
cobertura sem presença de água, e positivos apresentam um alto teor de humidade.

Este índice segue o mesmo raciocínio e operações de bandas do índice de diferença normalizada
da vegetação. O NDWI na área de estudo apresentou classes com valores menores que -1 até 0.4.
Os valores positivos de NDWI maiores que zero correspondem aos corpos hídricos, ressaltando a
presença de fluxo e massa d'água nos meandros preservados da referida planície. Os valores
negativos de -0.10 a -1.00 referem-se as demais áreas de uso agrícola e do entorno.

2.7. Capacidade de uso da terra

A expressão “uso e cobertura da terra” é um conceito híbrido, formado por três (3) conceitos:
uso, cobertura e solo. O termo diz respeito ao que o homem constrói ou insere sobre a superfície
ou como maneja a terra como agricultura, pastagens, cidades, entre outros (Tôsto, 2010). O
mesmo autor alega que aos atributos físicos da superfície terrestre como florestas, campos, o solo

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é a camada superficial da crosta terrestre oriundo da decomposição da rocha-matriz, sob


influência do clima e de processos físicos, químicos e biológicos, no qual os vegetais se
desenvolvem.

O uso da terra sem um planeamento adequado implica em seu empobrecimento e na baixa


produtividade das culturas, que resulta na diminuição do nível socioeconómico e tecnológico da
população rural (Tôsto, 2010). A erosão é uma das principais consequências do uso inadequado
do solo, a qual ocasiona a redução de produtividade das culturas. Em muitos casos, pode atingir
magnitude que impeça uma propriedade de ser lucrativa, expulsando assim o homem do campo
(Mota et al. 2008).

Segundo Nascimento e Fernando (2017), o planeamento adequado na utilização dos solos para
fins agrícolas necessita da manipulação de informações básicas visando o prolongamento de sua
capacidade produtiva e racionalidade quanto ao uso e conservação. Portanto Rosa (2007),
classifica os usos de seguinte forma vegetação agrícola: agrupa a agricultura itinerante. Solo
exposto contém áreas que no momento de captação da imagem não apresentavam vegetação,
podendo ser uma região de pousio tanto da agricultura quanto de uma área degradada. Campo:
agrupa todas as áreas destinadas ao uso pastoril.

A classificação das terras pode ser agrupada, basicamente, com a qualificação dos problemas de
cada gleba entre erosão, solo, água e clima, os levantamentos sobre a capacidade de uso do solo
permitem prever a adaptabilidade dos solos para diversas culturas, pastagens e reflorestamento,
além do comportamento e produtividade sob diferentes sistemas de maneio (Moreira, 2008).

2.7.1. Diferentes formas de uso de terra

O uso e cobertura da terra é a informação mais acessível numa imagem de satélite, pois a mesma
permite a visualização e identificação directa dos elementos ali geometricamente apresentados,
portanto uso, ocupação e cobertura da terra podem ser sintetizados através de mapas (Tuzine,
2011). Estes indicam a distribuição espacial da tipologia da acção antrópica que pode ser
identificada pelos seus padrões homogéneos característicos na superfície terrestre através de
análise em imagens remotamente sensoriadas. Sua identificação, quando actualizada, é de grande
importância ao planeamento e orienta à ocupação da paisagem, respeitando sua capacidade de
suporte e/ou sua estabilidade/vulnerabilidade (Ayach et al., 2012).

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Segundo o autor supracitado a utilização do Sensoriamento Remoto na obtenção de dados


relacionados ao uso e ocupação do solo para monitoramento e análises dos recursos naturais tem
sido bastante difundida. Os sensores actualmente disponíveis possuem diferentes resoluções
espaciais, espectrais, radiométricas e temporais, possibilitando maiores níveis de informação a
serem extraídos dos dados.

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III. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. Descrição da área de estudo

A área de estudo (rio Licungo) localiza-se no município de Mocuba, província de Zambézia,


entre os paralelos 16o15’43.92’’S e 37o13’11.64’’E, cobrindo uma área de 0.662 Km2 (figura 2).
O distrito de Mocuba tem de superfície 9.062 Km2, e fica situado na parte central da província de
Zambézia sendo limitado a Norte, pelo rio Nampevo que o separa do distrito de Ile e pelo rio
Licungo que o separa do distrito de Lugela; a Sul, pelo distrito de Namacurra; a Este com os
distritos de Maganja da Costa e Ile; e a Oeste com os distritos de Milange e Morrumbala, através
dos rios Liciro e Liaze (PEDDM, 2014).

Figura 2: Localização geográfica da área de estudo. Elaborado por: Autor.

O distrito de Mocuba apresenta dois tipos de climas: o tropical húmido, na faixa da planície e do
planalto central, enquanto nas terras altas como Mugeba e Alto Benfica prevalece o clima
tropical de altitude (MAE, 2014). Segundo o INE (2008), a humidade relativa é de 73,4 (%) e a

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temperatura média é de 24,8°C sendo que a máxima absoluta é de 41,7°C e a temperatura


mínima absoluta é de 12°C.

Para a estação de Mocuba, as probabilidades de ocorrência de chuva durante a época chuvosa são
altas e muito regulares de Novembro a Fevereiro, mostrando alguma variabilidade quer no inicio,
mês de Novembro, com uma precipitação média mensal de 65,3 mm, e no fim do período
chuvoso, de Abril a Julho, período de transição para a estação seca, a temperatura média mensal
varia entre 20 e 27ºC, com a temperatura máxima variando de 27 a 35ºC, e a mínima de 15 a
22ºC (PEDDM, 2014).

O distrito é caracterizado pela ocorrência de solos vermelhos argilosos, moderadamente


profundos á profundos, das planícies, solos argilosos pretos dos vales largos onde eventualmente
dominam condições hidromórficas, solos arenosos (invariavelmente) na planície ou vales em
terreno desenvolvido nas rochas ácidas, variando a cor de vermelho (nos topos e declives),
branco (nas partes altas e medias dos vales), amarelos (nas declives onde o lençol freático se
encontra mais perto da superfície), a cinzentos, acinzentados escuros e pretos (fundo dos vales)
(PEDDM, 2014).

Nas margens do rio Licungo, dissemina-se uma floresta adaptada as condições edáficas locais,
cujas árvores podem ser dominadas por um estrato herbáceo de caniço e bambu alguns dos quais
com cerca de 10 m de altura e outras ervas espontâneas, ela dispõe-se muitas vezes linearmente
ao longo do rio, razão porque se designam por floresta ribeirinha, trata-se de uma floresta com
dois estratos dominantes (arbóreos e herbáceas) (Muchangos, 1999 citado por Luís, 2017).

3.2. Procedimentos metodológicos

A presente pesquisa compreendeu três (3) principais etapas sequencialmente:

A primeira consistiu na realização de uma revisão da literatura sobre o tema e assuntos


correlatos, procurando sempre destacar e realçar a importância das Áreas de Preservação
Permanente.

A segunda etapa, consistiu na aquisição de imagens satélite do Sentinel-2A no site


https://scihub.copernicus.eu/apihub e por conseguinte a digitalização do leito do rio Licungo e

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posteriormente criação do Buffer2 que auxiliou na análise de intervenções e classificação do uso


e ocupação da terra dentro da APP’s com auxílio do Software Quantum GIS 2.18.

A terceira e última etapa consistiu na classificação de uso e ocupação da terra nas APP’s e
cálculo de índices de vegetação, de solo e da água para avaliar o índice de cobertura vegetal
assim como levantamento qua-qualitativo de espécies florestais que ocorrem nas APP’s para
sustentar a tomada de decisão e por fim efectuou se o processamento, análise, interpretação e
apresentação dos resultados e conclusões.

3.3. Tipo de pesquisa

A pesquisa é de natureza qual-quantitativa, há uma predominância de classificações, de análises


mais dissertativas. Quanto ao escopo (amplitude e profundidade) é estudo de caso, com o apoio
de Geotecnologias, procurou analisar e ilustrar situações ecológicas nas áreas de preservação
permanente do rio Licungo e determinar áreas com prioridades para a reposição da cobertura
florestal com apoio de Geotecnologias.

3.4. Técnicas de colecta de dados

Nesta etapa foi imprescindível o uso do Software Quantum GIS 2.18 para analisar as condições
ecológicas nas APP’s. De acordo ao Batista et al. (2005), este passo permite identificar e
delimitar situações ambientais com base nos diferentes atributos do uso e ocupação da terra e
vegetação nativa remanescente, assim como determinar áreas com prioridades nas margens do
rio a partir do NDVI, SAVI e WDVI.

Portanto, fez-se digitalização do leito e geração de um Buffer onde foram avaliados aspectos
ligados a uso e ocupação da terra auxiliando se da chave de identificação (tabela 4),
determinação de áreas com prioridades para reposição florestal assim como o levantamento de
espécies florestais que ocorrem nas APP’s. Entretanto para análise e classificação de uso e
ocupação baseou se na figura 3.

2
Buffer - é um geoprocesso mais indicado para criação de feições do tipo corredores (rios, rodovias, ferrovias e
assim por diante) este procedimento é muito útil, por exemplo em estudos ambientais.

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Construção da chave de Aquisição de Imagens de Análise do uso e ocupação da


classificação. Satélite. terra.

Figura 3: Diagrama metodológico para produção do mapa de uso e cobertura de terra Fonte: (Nunes e Roig, 2014)

A partir de NDVI, SAVI e WDVI determinou se áreas com prioridades param reposição da
cobertura florestal. Segundo Ponzoni (2010), para subsidiar a planificação e a tomada de decisão
fazer se o levantamento das espécies florestais (através das suas características morfológicas,
tipo da folha, fuste, casca, flores e frutos) que ocorrem nas APP’s, com um processo de
amostragem aleatória simples.

3.4.1. Aquisição das imagens de satélite

A imagem foi adquirida gratuitamente no site: https://scihub.copernicus.eu/apihub do satélite


sentinel-2A com auxílio de Software Quantum GIS 2.14 e os seus detalhes espaciais (tabela 3).
De acordo com ENVI (2007), o satélite Sentinel-2A mostra-se eficaz no processo da monitoria
das alterações nas florestas, tal como o nível de desflorestamento e reflorestamento.

Este satélite apresenta 13 bandas que vão do visível e do infravermelho próximo, até
infravermelho de ondas curtas, em diferentes resoluções espaciais (10, 20 ou 60 m, dependendo
da banda) levando a monitoria de recursos ecológicos a um nível sem precedentes (ENVI, 2007).

Tabela 3: Detalhe da imagem satélite usada para análise da cobertura vegetal.

Data de Zona Cobertura Orbita/ Min_lat Min_lon Mix_lat Max_lon


aquisição das nuvens ponto
05/12/2018 37S 10% 49/helio -17.2654 36.1785 -16.2622 37.2199
sincrona

Fonte: Adaptada pelo Autor

3.5. Processamento e análise dos dados

Primeira etapa: Consistiu na digitalização do rio Licungo As operações mais utilizadas em


vectores foram recorte (clip), área de influência (buffer), ligação (join), sobreposição (intersect),
apagar (erase), e cálculos de área e distância.

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Entretanto, foi adicionada shapefile do Distrito de Mocuba e o shapefile do rio em causa assim
como o Google e Bing satellite que facultaram a verificação da área da APP. Para todas camadas
vectoriais, utilizou-se o Sistema de Referência de Coordenadas “WGS 84/ UTM zone 37S”.
Contudo, gerou-se um buffer de 50 metros para cada faixa do rio de acordo com artigo 5 (zonas
de protecção parcial criadas pelo efeito da lei) do REGULAMENTO DA LEI DE TERRAS
Decreto nº. 66/98 De 8 de Dezembro.

A construção da chave de classificação foi realizada a partir da análise das feições presentes na
área de estudo tendo em vista a imagem utilizada para interpretação da imagem do Google
satellite e Bing satellite. Para a classificação das imagens obtidas elaborou-se uma “Chave de
Interpretação” adaptada do autor Ayach et al., (2012) nesta chave, as imagens são classificadas
utilizando elementos interpretativos na tabela 3.

No entanto, a divisão da chave de uso e ocupação compreendeu as classes: corpo d’água,


construções, edificações e solo exposto, Vegetação agrícola, solo exposto, campos, infra-
estruturas e edificações, entretanto consideras principais classes de uso da terra (Rosa, 2007).

Fez-se uma interpretação visual baseada em três (3) características, segundo Tôsto (2010), no
processo de extracção de informações, tais elementos como: tonalidade/cor, textura, forma.
Portanto a diferenciação dos objectos e a extracção das informações foram efectuadas pelo
método que se apoia no processo da interpretação visual.

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Tabela 4: Chave de interpretação para mapeamento de uso e cobertura

Classes de uso da Ilustrações Descrição das classes Textura /Forma


Terra

Afloramento Áreas pedregosas e ocupadas Rugosa /


rochoso por rochas. irregular

Agricultura Esta classe agrupa a Rugosa / Regular


agricultura itinerante.

Corpos de água Áreas próximas ao leito, que Regular /


Irregular
apresentam corpos de água

Habitação Áreas ocupadas por Média-Rugosa/


Irregular
habitações.

Infra-estrutura Áreas ocupadas por estradas, Rugosa/ Irregular


e ponte.

Solo exposto Áreas que não apresentam Rugosa/ Irregular


vegetação.

Vegetação Áreas cobertas por vegetação Rugosa/ Regular


arbustiva arbustiva.

Vegetação Áreas cobertas por vegetação Rugosa/ Regular


herbácea herbácea.

Fonte: adaptado pelo autor

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Uso de geotecnologias na determinação de áreas prioritárias para o restabelecimento da cobertura florestal. Estudo
de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Após a classificação fez se uma digitalização dentro do Buffer categorizados em função do Uso e
Ocupação da Terra dentro da APP. Permitindo assim a criação de um mapa de Uso e Ocupação
da Terra dentro da APP com suas respectivas dimensões.

Segunda etapa: Dentro do buffer de 50 metros efectuou-se o cálculo do Índice de Vegetação por
Diferença Normalizada (NDVI). O processamento da imagem foi realizado considerando-se as
bandas espectrais (Vermelho) e (Infravermelho próximo) de Sentinel-2A, são bandas são mais
afectadas pela absorção da clorofila na folhagem de vegetação verde, empregando assim a
equação 1 descrita por Ponzoni (2010):

Equação 1: Equação de Índice de Vegetação por Diferença Normalizada

NIR  RED
NDVI  (1)
NIR  RED
Onde: NIR = banda 8 do Infravermelho Próximo e RED = banda 4 do vermelho.

Com a criação do índice foi possível realizar a análise da vegetação remanescente da área de
preservação permanente das bermas do rio Licungo. Apontando quais áreas sofreram alterações
ecológicas da vegetação, contribuindo para a determinação das áreas com prioridades para a
restauração ambiental.

De seguida, calculou se o índice SAVI (equação 2), que busca reduzir a influência da resposta
espectral do solo em índices de vegetação, a partir da inclusão de um factor de ajuste (L), que
pode variar de acordo com o grau densidade do dossel presente na área de estudo (Ponzoni,
2010).

Equação 2: Equação de Índice de Vegetação justado ao solo

 NIR  RED 
SAVI    * 1  L  (2)
 NIR  RED  L 

Onde: NIR = banda 8 do Infravermelho Próximo e RED = banda 4 do vermelho e "L" é a constante que minimiza o
efeito do solo e pode variar de 0 a 1.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

E para terminar, como trata se de estudos que relacionam vegetação, solo e a corpos de água,
surgiu a necessidade de criar um índice que se ajusta a água. Desse modo, usou-se o parâmetro
proposto por McFeeters (1996), onde os valores de NDWI variam -1 a 1, em que valores
negativos indicam uma cobertura sem presença de água, e positivos apresentam um alto teor de
humidade, (Pereira e Morais, 2015). O resultado do índice de diferença normalizada da água
(NDWI) foi obtido através do cruzamento das bandas, procedimento semelhante ao NDVI
(equação 3):

Equação 3: Equação de Índice de Vegetação justado a água

 RED  GREEN 
NDWI    (3)
 RED  GREE 

Onde: RED = banda do vermelho 4 e GREEN banda 3 (infravermelho próximo).

Tabela 5: Tabela de prioridades de reposição florestal.

Índices Intervalo Interpretação

NDVI [-1 à 0[ P1 (zonas com ausência de vegetação)


[0 à 0,5[ P2 (zonas com vegetação intermediária)
[0,5 a 1[ P3 (zonas com vectação densa)

SAVI > 0,4 Zonas com vegetação alta


0,2 - 0,4 Zonas com vegetação média
< 0,2 Zonas com vegetação baixam

>0 Corpos hídricos


NDWI
<0 Zonas de uso agrícola

Fonte: Adaptado pelo Autor

Onde: P1 = Zonas com altas prioridades 1; P2 = Zonas com prioridades intermediárias, P3 = Zonas
vegetadas, sem prioridades.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Quarta etapa: Esta etapa consistiu no levantamento qual-quantitativo das espécies pioneiras que
ocorrem nas bermas do rio Licungo através das suas características morfológicas facilmente
reconhecíveis e com auxílio do saite https://www.ipni.org/ipni/.

Para tal, usou se o processo de amostragem do tipo aleatório simples. Nesta técnica de
amostragem, todo o elemento da população teve a mesma probabilidade de ser seleccionado:
1/N, onde N é o número de elementos da população (Soares et al., 2006).

Segundo o autor supracitado nesta área foram estabelecidas unidades amostrais de forma
quadrangular com 30 × 30 m da sua área total, a forma e o tamanho das unidades são
comummente utilizadas em florestas tropicais que se pretende fazer o levantamento qualitativo e
quantitativo das espécies nativas. Contudo a probabilidade de cada elemento pertencer à amostra
foi determinada com a seguinte expressão n/N, com uma intensidade amostral de 5% (Sousa et
al., 2008).

Equação 4: Equação Número total de elementos da população

At
N (4)
n

Sendo: “N” o número total de elementos da população e “n” o número total de elementos da amostra e área total
(At).

Tendo uma área total (At) da APP corresponde a 66.20 hectares. Portanto foram alocados de 37
pontos nas APP como vem ilustrado no desenho de amostragem (figura 5). Esta fase consistiu na
localização dos pontos de confirmação através do instrumento GPS Garmin etrex 10. As espécies
levantadas são arbóreas com maior abundância nas margens.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Figura 4: Desenho de amostragem. Fonte: Autor

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

IV. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1. Uso e cobertura de terra das APP’s do Rio Licungo

A interpretação supervisionada permitiu classificar oito (8) classes de uso e ocupação da terra,
nomeadamente: Habitação, Solos exposta, Infra-estrutura, agricultura, vegetação herbácea,
afloramento rochoso, vegetação arbustiva e corpos de água, ocupando 3.59 ha (5.42%), 11.24 ha
(16.97%), 0.37 ha (0.55%), 1.26 ha (1.91%), 30.93 ha (46.73%),12.08 ha (18.24%), 4.79 ha
(7.24%) e 1.26 ha (2.21%) respectivamente (Figura 6).

Figura 5: Uso e ocupação da terra nas APP’s do Rio Licungo, distrito de Mocuba.

Fonte: Elaborado pelo Autor

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Resultados similares foram constatados por RDV (2016), em seu estudo de influência de uso e
cobertura da Terra Aliado a precipitação Pluviométrica na qualidade da água da Bacia
Hidrográfica do rio Ingai, registou uma alteração no uso e cobertura da Terra, tendo tido 38% da
área ocupada pela agricultura, 17% pelo solo exposto e 9% por infra- estruturas. A similaridade
deve-se ao êxodo rural e aumento populacional afectando directamente as formações florestais
ribeirinhas.

Resultados diferentes foram constatados pelo Luís (2017), no seu estudo da Dinâmica de uso do
solo e o estado de degradação das florestas ribeirinhas do rio Licungo, na cidade de Mocuba,
província da Zambézia, onde estudou numa extensão de 1070 hectares as seguintes classes: solos
expostos, corpos de água, agricultura, vegetação e urbanização tendo registado 11%, 17,8%,
11%, 10,3%, 21% e 29.2 respectivamente. Esta diferença de números de classes e percentagens
esta provavelmente relacionada com a extensão da área de estudo do autor supracitado e por ter
feito as suas análises incluindo o leito do rio.

Gonçalves et al. (2010), encontrou resultados contraditórios estudando a evolução do uso e


cobertura do solo na bacia hidrográfica do rio Dourado - Brasil, numa área de estudo de 5.86 ha,
obtiveram na classe vegetação, corpo de água, agricultura e solo exposto 7.8% para 10.3% 0.4%
para 0.7% e 43.2% para 48.7% respectivamente. Provavelmente esteja por trás dessa diferença
de uso e ocupação do solo os hábitos e costumes das comunidades locais, o incumprimento das
leis vigentes para a protecção das florestas húmidas, recursos disponíveis diferenciados e a falta
de programas de incentivo ao reflorestamento nas zonas ribeirinhas.

Resultados contraditórios foram obtidos por Huang et al. (2013), estudando a Evaluation of the
impacts of land use on water quality onde as classes classificadas foram corpos de água com 1%,
vegetação herbácea 3%, 33% vegetação arbustiva e 4% para afloramento rochoso. Portanto o
mesmo autor alega que a vegetação arbustiva destacou se mais pelo facto de ser uma área de
produção de sistemas agro-florestais. Para classe de esta classe representa a água do rio.
Situações similares foram verificadas no estudo de Índices de vegetação. Autor alega que esta
drástica redução esta associada intensa fragmentação florestal.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

4.2. Índice de vegetação

4.2.1. Índice De Vegetação De Diferença Normalizada (NDVI)


Os valores NDVI variando de -0.0167 para afloramento rochoso, -0.5714 para solos expostos,
0.2605 vegetação baixa (P1- coloração vermelha), 0.5378 para vegetação moderada (P3-áreas
com coloração verde-claro) e 0.8151 para vegetação moderadamente alta (P3-áreas com
coloração verde). Portanto, as áreas com prioridades altas ocupam 23.32 ha (28.15%), de (solos
expostos e afloramento rochoso) e 46.73% ou 30. 93 ha (vegetação baixa). Portanto as áreas com
prioridades altas e baixas ocupam mais que a metade da área total com 74.89% ou 54.25 ha.

Figura 6: Índice de vegetação de diferença normalizada (NDVI); Fonte: Elaborado pelo Autor.

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Resultados similares foram constatados por Lima et al. (2013), num estudo de Avaliação da
cobertura vegetal pelo índice de vegetação por diferença normalizada (NDVI) em Brasil. Onde o
IVDN assumiu os seguintes valores: locais sem cobertura vegetal (-0,87 a 0,45); pastagem
degradada (0,46 a 0,55), pastagem não degradada (0,56 a 0,75) e locais com vegetação arbórea
(0,76 a 1). Esta similaridade dos resultados esta provavelmente relacionada com a época de
obtenção da imagem, e por se tratar de analises ambientais feitas em florestas ribeirinhas.

Os resultados contraditórios foram obtidos por Lopes et al. (2010), avaliando mudanças na
cobertura vegetal a partir do NDVI, na bacia hidrográfica do rio Brígida (Pernambuco),
Obtiveram respectivamente valores mínimo, máximo e médio para o ano de 2001 os valores
0,09, 0,42 e 0,14, permitindo inferir a presença de uma vegetação bastante variada na área de
estudo. Esta discrepância de resultados pode estar intimamente relacionada com as mudanças na
fisionomia da vegetação associadas a mudanças na precipitação, ou seja, ao longo do ano o
NDVI apresenta valores mais elevados próximos a 1 na estação chuvosa e valores menores na
estação seca.

Fernandes (2013), encontrou resultados aproximados no seu estudo de avaliação da composição


e estrutura riparia Mediterrânica baseada em SIG e Detecção onde obteve nas áreas com
vegetação intermediaria variação de (0.44 a 0.63) e na vegetação densa variação de (0.76 a 1).
Esta similaridade deve-se ao estágio da vegetação avaliada, há maior indivíduos na fase de
regeneração e a maior parte da área é composta por formações herbáceas.

4.2.2. Índice de vegetação ajustado ao solo (SAVI)

Os resultados do SAVI estão representados na (figura 9) onde -0.156 representa solo exposto, -
(alta prioridade de reposição florestal) 0.0112 afloramento rochoso, 0.133 a 0.278 áreas com
vegetação baixa (Áreas com prioridades moderadas), e 0.22 a 0.567 representa vegetação
moderada (baixa prioridade de reposição florestal). Os resultados do SAVI, como já se esperava,
apresentaram maior acurácia nos índices da vegetação, isso porque a constante “L” diminui a
influência da resposta espectral do solo no cálculo do SAVI.

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de caso: margens do rio Licungo-Mocuba.

Figura 7: Índice de Vegetação Ajustado para o Solo (SAVI). Fonte: Elaborado pelo Autor

Resultados similares foram constatados por Lima (2017), no estudo de análise da dinâmica da
cobertura vegetal através dos índices de vegetação NDVI e SAVI na área de protecção ambiental
das onças-pb. Brasil. Onde SAVI destacou mais na influência do solo exposto, principalmente na
imagem do período seco onde houve pouco desenvolvimento da vegetação, onde o intervalo
variou entre 0,049 a 0,262. Para o período húmido a variação foi de 0,099 a 0,562, os valores
mais baixos do índice SAVI foram de solo exposto e os mais altos de vegetação mais densa.
Estes resultados são similares provavelmente por se tratar de estudos numa áreas com uma
extensão florestal aproximado, e semelhanças no processamento de imagens do Landsat8.

Resultados contraditórios foram constatados por Lima et al. (2013), em seu estudo de avaliação
da cobertura vegetal pelo índice de vegetação por diferença normalizada (IVDN) em Brasil.
Onde o SAVI, apresentou uma variação de 0,28 a 0,65 para o ano de 2013 e de 0,27 a 0,71 para o
ano de 2015 para vegetação com baixa densidade e alta densidade respectivamente. A

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contradição deste resultados esta provavelmente relacionados com o facto de SAVI ter sido
estudado em dois períodos e a região de Itatinga apresenta-se com grande extensão florestal.

4.2.3. Índice de vegetação ajustado a água (WDVI)

Para o índice de diferença normalizada da água NDWI (figura 10) apresenta duas classes que
variam de -0.232 a -0.041 para áreas com ausência de água, estas áreas geralmente apresentam
solos secos e a segunda classe vária de 0.0537 a 0.244 que nota se uma presença de água
geralmente são áreas próximas ao leito que apresentam solos húmidos. Entretanto as áreas com
solos húmidos têm maior prioridade param reposição florestal em relação a áreas com ausência
de água no solo.

Figura 8: Índice de diferença normalizada da água (NDWI). Fonte: Elaborado pelo Autor

Resultados contraditórios foram constatados por Andrade et al. (2007), em seu estudo de análise
do comportamento do NDVI e NDWI no município de sousa-pb em Brasil, com o NDWI, nota-
se que a área estudada apresenta um baixo valor de humidade, evidenciado por uma grande
distribuição de valores negativos -0,16 e -0.11. Apenas em áreas onde há o cultivo irrigado este

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índice apresentou valores altos variando entre 0,02 a 0,23. Esta contradição de resultados pode
estar relacionada com as diferentes práticas agrícolas região estudada, e o regime da bacia.

Resultados contraditórios foram constatados por Lima (2000), no estudo de Hidrologia de matas
ciliares em Brasil. Onde foram encontrados valores variando entre 0,2 e 0,4, para zonas
intermediárias. Estes resultados estão provavelmente relacionados com o facto de se tratar de
uma bacia estacionária e provavelmente com a sua dinâmica.

4.3. Levantamento qual-quantitativo de espécies florestais nas APP’s do rio Licungo.

Foram levantadas 13 espécies de maior ocorrência nomeadamente: Azadirachta indicam A. Juss.,


Leucaena leucocephala, Jatropha curcas, Tamarindus indica L. e Ziziphus lotus (L.) Lam que
representa cerca de das espécies mais representadas. A Annona muricata L., Delonix regia,
Trichilia emetica, Eucalyptus,sp L'Hér constituem as espécies com menor abundância de todas
as identificadas.

Tabela 6: Espécies florestais identificadas nas margens do rio Licungo.

Família Nome científico Nome vernacular Nr total

Annonaceae Annona squamosa F. Annona 38


Fabaceae Leucaena leucocephala L Leucaena 179
Fabaceae Tamarindus indica L. Tamarindo 103
Meliaceae Azadirachta indica A. Juss. Margosa 198
Moringaceae Moringa oleífera Moringa 73
Rhamnaceae Ziziphus lotus (L.) Lam Massaniqueira 112
Euphorbiaceae Jatropha curcas Jatrofa 115
Meliaceae Trichilia emética Mafureira 12
Myrtaceae Psidium guajava L. Goiabeira 29
Myrtaceae Eucalyptus spL'Hér. Eucalyptus 11
Myrtaceae Syzygium jambolanum Dc. Jamboleiro 23
Annonaceae Annona muricata L. Coração de boi 1
Fabaceae Delonix regia Acácia vermelha 4
Phragmites australis Caniço *inestimavel

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Figura 9: Total de indivíduos por espécies

Resultados contraditórios foram costatados por Falcão e Sitoe (2007), no seu estudo de
levantamento florístico de áreas de capanga, Operacional e Inhangoma II, província de Tete. Rio
Doce de Moçambique e Miombo Consultores mencionaram Ficus ingens, Ficus sycamorus e
Khaya anthotheca, Dalbergia melanoxylon Faurea saligna e Khaya anthotheca. Estes resultados
estão provavelmente relacionados com o facto das florestas riparianas sofrerem altas pressões
antrópicas.

Resultados contraditórios foram constatados pelo Myers, no estudo de Biodiversity hotspots for
conservation priorities. Onde as espécies florestais recomendadas para recuperação da reserva
legal foram Pilocarpus microphyllus, Astronium graveolens, Zeyheria tuberculosa, Cedrella
fissilis. Estes resultados estão provavelmente relacionados com a composição florística da área
em estudo.

Resultados contraditórios foram constatados por Camargo, no estudo de Grupos ecológicos da


vegetação arbórea de um trecho degradado de mata ciliar-Brasil, onde as espécies destacadas
foram Balfourodendron riedelianum, Esenbeckia febrifuga A.St.-Hil, Esenbeckia leiocarpa
Engl, Galipea jasminiflora A.St.-Hil.,Metrodorea nigra A.St. Estes resultados estão
provavelmente associado com os hábitos e costumes alimentares das populações desta região.

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V. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

5.1. Conclusões

De acordo com os objectivos e análises feitas conclui-se:

 A análise supervisionada permitiu determinar 8 classes de uso e ocupação (Habitação, Solos


exposta, Infra-estrutura, agricultura, vegetação herbácea, afloramento rochoso, vegetação
arbustiva e corpos de água) nas APP’s do rio Licungo.

 Com os valores gerados de NDVI, SAVI e WDVI determinou-se as áreas com prioridades
altas (23.32 ha), moderadas (30.93 ha) e baixas (11.95 ha) para reposição da cobertura
florestal. Portanto para uma área total de 66.20 ha, 54.25 ha apresentam prioridades para
reposição florestal.

 O inventário florístico revelou a presença de 13 espécies nas APP’s do rio Licungo onde a
maioria delas foram naturalizadas pelas acções antrópicas. Contudo as mais destacadas foram
Azadirachta indicam A. Juss., Leucaena leucocephala, Jatropha curcas, Tamarindus indica
L. e Ziziphus lotus (L.) Lam.

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5.2. Recomendações

Com base nos aspectos analisados previamente acima, recomendo:

 Que adoptem-se políticas eficazes e eficientes de reassentamento, sensibilização,


disseminação e controle das comunidades que vivem e praticam actividades que
comprometam as funções das APP.

 Que faça uma reposição florestal nas áreas com maiores prioridades para garantir a
manutenção da biodiversidade das espécies, fluxo génico, e garantir um equilíbrio ecológico.

 Que o planos de reposição florestal do rio Licungo sejam efectuados com espécies pioneiras
da formações florestais riparianas, visto que as que ocorrem nas APP’s do rio Licungo foram
naturalizadas pelo desordenamento urbano.

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