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APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 1

BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

INICIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº01 LITERÁRIA – ESCREVA
04 NOVEMBRO DE 2005 SEM MEDO

VOCÊ SABE ESCREVER?

Aprender a escrever é crescer dentro de si próprio


(Rubem Berta)
Se lhe perguntassem: você sabe escrever histórias?
Talvez você respondesse:
Não sei ou não tenho jeito; mas gostaria de aprender ou
ainda: Não quero nem saber P 3.
Em geral, as pessoas acreditam que não sabem
escrever, ou fazê-lo é algo muito “chato”. Agora
perguntamos: Por que isso acontecesse? Seria por causa da
natureza das pessoas ou porque muitos pensam que os
indivíduos já nascem sabendo? Nem uma coisa, nem outra.
Trata-se apenas de uma falta de motivação. Certamente a
maioria crê que para ser um escritor, já se deve nascer com
a vocação ou então ser muito inteligente. Esperamos, que
você não se enquadre entre estas pessoas. Mas, se assim
for, em primeiro lugar é preciso tirar da cabeça coisas
como “não sei”, “não sou inteligente”, “é o meu jeito” (ou
será a preguiça?).
Todos nós temos criatividade. Penso como seria bom
colocar em prática as idéias sensacionais que circulam por
nossa mente: escrever redações, roteiro de filmes e novelas,
letras de música... E até fotonovelas. Mas como inventa-
las?Ah! Aqui está o essencial. Você precisa antes de tudo,
AGIR COM NATURALIDADE . Depois, procurar ao
máximo “abrir-se: escrever e ver aquilo que outras pessoas
escrevem. Escrever sempre, sem se preocupar com a beleza
do texto (pelo menos no início). Não queira ser um escritor
genial de imediato. Primeiro limite-se a contar pequenas
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histórias, depois então quem sabe... É um trabalho que


exige ensaio, esforço e confiança”.
Com este curso pretendemos principalmente fornecer
a motivação e os conhecimentos que você precisa. O
restante dependerá exclusivamente da sua força de vontade,
do seu esforço e, sobretudo da confiança que você tem em
si próprio.

APRENDA A PENSAR

Aprender a escrever é principalmente aprender a


pensar P4; é aprender a encontrar idéias (num sentido
amplo nossas idéias vêm da experiência da vida) e ligá-las.
Para isso não basta dispor somente das palavras bonitas que
se encontram nos dicionários (por si só elas não criam
idéias): nem bastar boas noções gramaticais. É preciso
encontrar o que dizer e ter um mínimo de conhecimento
gramatical para expor as idéias com coerência, clareza e
objetividade. Mas, admitamos que alguém – que não tenha
o hábito de escrever, se sente diante de uma mesa e comece
a tentar. Certamente ele se encontrará diante de um “branco
total”. Espera ansioso para que as idéias surjam, mas nada
acontece. O assunto sobre o qual pretende escrever é vago
só depende de experiência. Como desperta nesse caso a
idéia da mente? Se você se encontrar nesta situação, leia
atenciosamente. O que virá a seguir poderá ser um caminho
para sair desta dificuldade.P6

SÍNTESE

I.Aprender a escrever, isto é o mesmo que aprender a


pensar.
II-As idéias provêm da experiência da vida.
III-Um escritor precisa de conhecimentos gramaticais para
escrever claramente.P 7
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RACIOCÍNIO

Caso nos fosse apresentado um tema vago: “A


Amizade”, por exemplo – como poderíamos desenvolver
uma redação de aproximadamente quarenta linhas, se as
idéias nos fogem, se a nossa imaginação não começa a
movimentar-se? Como preencher tal quantidade de linhas,
sem termos no cérebro algo que nos pareça razoável?
Resposta: NÃO COMECAR A TAREFA DE
IMEDIATO. Ao invés de escrever qualquer coisa, é
preciso pensar, refletir.
Deve-se antes de tudo planejar o assunto, dividi-lo em
diversas partes. Partindo desse princípio, daremos a você
um exemplo do planejamento de um tema abstrato, a fim
de que sirva como modelo para o desenvolvimento de
temas semelhantes.

PLANO – PADRÃO DE UM TEMA ABASTRATO –


Falar sobre a amizade ou sobre qualquer outra coisa
abstrata e impalpável é muito difícil. Antes de traçarmos o
plano, porém, vejamos o que é um TEMA
ABSTRATO.
Chamamos tema abstrato a aquele que se refere aos
sentimentos (amor, alegria, amizade, tristeza, etc).
Feita a definição, passemos aos itens do plano que
são definição, distinção, considerações gerais, conclusão.P
8/9
Identifiquemos agora estes itens no texto abaixo:

A Amizade

1)DEFINIÇÃO: O que é a amizade?


“A amizade é um sentimento que consiste em estimar
a outrem, desejar a sua presença, querer-lhe todo bem
possível”.

2.Distinção: Quais os tipo de amizade?


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Nela distinguem-se várias espécies que de uma


maneira geral englobam-se em duas categorias, a saber: a
amizade verdadeira e a amizade aparente. Nesta segunda
classificação estão os interesseiros, os que dizem nossos
amigos, pensando em obter vantagens e favores, e que ao
verem a impossibilidade disto voltam-nos as costas. Nos
dias mais difíceis de nossa vida os amigos aparentes não
estarão por perto, mas os que realmente nos consideram
achar-se-ão ao nosso lado prontos para tudo “.

3.CONSIDERAÇÕES GERAIS: Tempo, LUGAR E


NARRAÇÕES QUE têm relações com o tema(fatos
conhecidos, anedotas, etc).
“Se todos tivessem a preocupação de semear as
amizades por toda parte, evitando preconceitos que, às
vezes, surgem contra certas pessoas em que mais tarde, só
se reconhecem boas qualidades, a vida seria mais agradável
do que é. Certo está o provérbio que diz” Mais vale um
amigo na praça que dinheiro na caixa.”Na verdade, um
amigo possui grande valor e nada de material no mundo
pode ser a ele comparado”.
Muitos fatos interferem numa amizade, dentre eles o
tempo tem uma atuação destacada, pois é graças a ele que
se reafirmam a verdadeira amizade. Outro fato destacável é
que mesmo distantes, os amigos, ainda assim se interessam
pela sorte recíproca.”

4-CONCLUSÃO: Parte que se apóia no que foi dito


anteriormente. Pode ser um apanhado geral das idéias ou
uma conclusão a respeitos delas.
“Em última análise, devemos saber manter a
verdadeira amizade, pois ela se constitui num dos raros
valores que nos distingue como humanos, neste mundo
mecânico em que vivemos” (*)
O plano-padrão apresentado não tem propriamente o
objetivo de fixar a ordem de dados para uma redação e sim
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o de ajudar no desenvolvimento das idéias para outros


temas. Nosso cérebro não pode fazer o trabalho sozinho,
por isso devemos separar todas as partes da composição e
procurar material para preenche-las, uma vez que são
poucos os indivíduos que tem a capacidade de escrever de
improviso.
Como vimos, o plano-padrão de um tema abstrato
depende muito de uma seqüência lógica e objetiva. Procure
fazer os exercícios que se seguem e verá que mesmo não
tendo entendido perfeitamente os aspectos acima expostos,
você conseguirá montar um plano-padrão, basta que se
proponha a fazê-lo.

(*) GARCIA, Othom Moacyr, Comunicação em Prosa


Moderna, Rio, Fundação Getúlio Vargas, 1975.

SÍNTESE

Antes de começar a escrever sobre tema:


I-Pense no assunto
II.Divida o assunto em partes ou itens
III-Leia a divisão feita e, se preciso, altere as partes
IV-Desenvolva as partes.

OBS: DIGITADO EM 31 de outubro de 2005

EXERCÍCIOS:
É claro que você pode também elaborar um plano-padrão
para algum tema que queira escrever, basta que ela tenha
lógica. Mesmo que não lhe surja de pronto o esquema de
um plano, comece a fazer uma lista das idéias que lhe
ocorrem. Em seguida, procure arrumar essas idéias numa
ordem adequada de modo a dar um início, um
desenvolvimento e um fim para o tema. Terá então,
conseguido um delineamento de seu plano. Feito isso, pode
começar a escrever. Se preferir, comece com pequenas
composições. Mas não se assuste, você ainda não precisa
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fazer nada porque antes daremos um exemplo para que


sirva de orientação na criação de um plano-padrão próprio.

EXEMPLOS DE PLANO-PADRÃO COM


ELEMENTOS DESCRITIVOS:
TEMA: O POR DO SOL
ELEMENTOS: O SOL, O HORIZONTE, O CÉU
VERMELHO.
DESENVOLVIMENTO:
O sol descia, como um globo de fogo, rumo à linha
do horizonte, abrasando o céu ao derredor e fulgurando,
brilhante, num clarão incandescente que se alongava em
faixas, semelhantes a labaredas imóveis.
Notou como os elementos ficaram unidos no
desenvolvimento? Sua tarefa será agora, garantir a mesma
união para o tema – “Noite de Luar”, de acordo com os
elementos sugeridos:

1)Aspecto do céu: a lua, as estrelas.


2)Aspecto das ruas: as casas, a igreja e outros pormenores
sobre os quais deseja falar.
Para facilitar a sua tarefa, tente lembrar-se de alguma
experiência que teve: num passeio, quando saiu com o seu
namorado (a). Se em nenhuma oportunidade você se deteve
para observar uma noite de luar, procure imaginar. Será
assim tão difícil imaginar uma noite de luar? Vamos, mãos
à obra!
Você conseguiu! Parabéns. Foi aprovado no teste e
está apto a continuar a tarefa. Mas se encontrou problema
não fique preocupado. Volte atrás, releia o capítulo e o
exemplo, tente novamente, e depois continue a
acompanhar-nos. Mas lembre-se: Ninguém acerta sem
antes ter errado.P 15/16
As experiências da vida nos dão idéias que devem ser
amplamente utilizadas quando escrevemos.
Seu próximo passo será escrever sobre a atitude de
um aluno distraído. Siga os elementos fornecidos abaixo,
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aumente-os, dê-lhes a forma de uma redação. Não se


preocupe em escrever corretamente, guie-se apenas pela
sua imaginação.
TEMA: O Aluno Distraído.
PLANO –PADRÃO:
a) Introdução – o aluno chega na classe e já demonstra
sua distração: esqueceu os exercícios em casa.
b) Desenvolvimento – Durante a aula, ele não presta
atenção às explicações, divertindo-se com qualquer
coisa e pensando no fim de semana que se aproxima.
c) Conclusão – O aluno não faz nenhum progresso.

Você pode utilizar-se até de algum conhecido seu


para modelo de sua redação. Dê um nome ao aluno, à
professora, a alguns colegas: cite suas brincadeiras na
aula: seus pensamentos etc. P 17.
Para fixar seu aprendizado faça o plano-padrão e
desenvolva sua redação utilizando os temas abaixo:
1)Uma praça 2) Fim de Semana 3) A Juventude.

Esperamos que se saia bem nesta tarefa e nas


seguintes.
Boa sorte! P 18

FIM DA APOSTILA Nº 01 NOÇÕES DE ARTE


NOVEMBRO DE 2005 LITERÁRIA – ESCREVA
SEM MEDO

*********************************************
INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA
Nº05
04 NOVEMBRO DE 2005

Estes capítulos têm por objetivo de fornecer a


você elementos para a construção de uma obra –
especificamente de um romance conto ou novela que são
os gêneros mais comuns de manifestação literária.
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Fazendo uma apresentação geral! Podemos


dizer que a estrutura de uma obra (romance, conto ou
novela) inclui:
1)PERSONAGENS 2)ENREDO 3)HISTÓRIA
4)AMBIENTE 5)TEMA 6)TEMPO 7)PONTO DE
VISTA
Para desenvolver estes aspectos é preciso que
você se utilize a própria experiência, tentando fazer com
que as situações surjam ao leitor da forma mais natural,
possível: Isto não significa que a imaginação representa
um papel secundário, ao contrário ela é de fundamental
importância na construção de uma obra.
Além da experiência da imaginação, você deve
fundamentar-se em dados fornecidos por fontes seguras:
precisará ir a bibliotecas, visitar lugares que estejam
relacionados ao assunto da obra que pretende escrever,
etc. a fim de buscar elementos para o desenvolvimento
de certos aspectos, tais como reconstrução de uma
época, criação de um personagem, descrição do lugar
(ou lugares em que a ação se desenvolve) A isso
chamamos PESQUISA.

I-PERSONAGEM
Definição-É o indivíduo com características próprias
e inconfundíveis, envolvido em um conflito.
É facilmente confundido com tipo. Esse possui
características essenciais de todos os indivíduos da
mesma espécie ou do mesmo nível sócio-econômico.
EXEMPLO DE TIPO: O Conselheiro Acácio
Era alto, vestido todo de preto, com o pescoço entalado
num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se
alargando, até à calva, vasta e polida, um pouco
amolgada no alto: tingia os cabelos que de uma orelha a
outra lhe faziam colar por traz da nuca – e aquele preto
lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva: mas
não tingia o bigode: tinha o grisalho, farto, caído aos
cantos da boca. Era muito pálido nunca tirava as lunetas
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escuras. Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas


grandes muitos despegadas do crânio.P4

O PRIMO BASÍLIO – EÇA DE QUERÓS

EXEMPLO DE PERSONAGEM – JULIANA

Houve um ruído domingueiro de saias engomadas,


Juliana entrou, arranjando nervosamente o colar e o
broche. Devia ter quarenta anos; era muitíssimo magra.
As feições, miúdas, espremidas, tinham a amarelidão de
tons baços das doenças de coração. Os olhos grandes,
encovados, rolavam numa inquietação, numa
curiosidade, raiada de sangue, entre pálpebras sempre
debruadas de vermelho. Usava uma cuia de retrós
imitando tranças, que lhe fazia a cabeça enorme. Tinha
um tique nas asas do nariz. E o vestido chato sobre o
peito curto da roda, tufado pela goma das saias –
mostrava um pé pequeno, bonito, muito apertado em
botinas de duraque com ponteiras de verniz.

O PRIMO BASÍLIO – EÇA DE QUEIRÓS

Numa obra de ficção (romance, peça teatral, filme,


novela de televisão, fotonovela) é o personagem que
polariza nossa atenção. Nele projetamos nossos desejos
e frustrações. Os demais elementos presentes na
construção da obra tornam-se coisas “animadas” graças
ao personagem.
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QUANTO A IMPORTÂNCIA O PERSONAGEM


PODE SER:

a)PRINCIPAIS:

1-Protagonista: desempenha ou ocupa o primeiro lugar


num acontecimento.
2-Antagonista: age em sentido oposto ao
protagonista.P5

b)SECUNDÁRIOS
São personagens que não têm um papel decisivo
no desenrolar dos acontecimentos.
Quanto à caracterização o escritor deve
considerar, os seguintes pontos.
-A descrição física do personagem que pode ser feita de
uma só vez (Quando entra em cena) ou aos poucos.
_A análise psicológica: os pensamentos da personagem
o seu caráter. Esta análise pode ser superficial ou
penetrante. Quando se trata de personagens principais, a
análise deve ser penetrante e demorada. Entretanto, se o
escritor tem por objetivo, fazer com que o leitor
aprofunde seu espírito de análise, ele certamente dará às
personagens, mesmo que principais, uma camuflagem,
ou seja, mostrará os caracteres psicológicos do
personagem através de ações ou atitudes para que o
leitor proceda a uma análise por conta própria.

AS PERSONAGENS AINDA PODEM SER:

Reais ou imaginárias
Normais ou patológicas (anormais ou doentes)

Conforme o desejo do escritor elas podem ainda


despertar no leitor sentimentos diversos, tais como:
simpatia, admiração, antipatia, aversão ou até indiferença.
P6
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FIM DA APOSTILA Nº 05 O ESCRITOR E A OBRA


04 NOVEMBRO DE 2005

INICIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº06 LITERÁRIA-
04 NOVEMBRO DE 2005 UTILIZANDO A
CRIATIVIDADE

TRECHOS DA APOSTILA Nº 06

FONTE DAS IDÉIAS

A fonte de nossas idéias provém das nossas


experiências e da leitura.
“É vivendo que se aprende” diz a sabedoria
popular. Viver é adquirir experiência e, portanto, adquirir
experiência significa aprender.
Quando observamos, estamos adquirindo
experiência.As experiências da vida apresentam-se
desordenadas: aprendemos coisas boas, más; úteis, inúteis;
agradáveis, desagradáveis; indiscriminadamente. Assim, as
impressões obtidas através da experiência, geram por sua
vez idéias que se associam, se entrecruzam e se desdobram
em outras. Por isso é fundamental para o escritor selecionar
e ordenar idéias.

A NECESSIDADE DE SE TER UM ESPÍRITO


OBSERVADOR

O escritor, assim como qualquer outro artista,


precisa observar de perto as manifestações dos interesses
humanos, seja no plano particular, seja no plano
comunitário. Expliquemos citando um exemplo. Um
homem possui uma loja na esquina de uma rua: é
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comerciante. O fato em si é comum; não obstante,


poderemos extrair dele o interesse humano se acercando-
nos do comerciante, passarmos a sondar a sua alma, a sua
consciência, os motivos por que vende, o seu modo
especial de vender, o que pensa, o que diz, etc. Haverá
muitas maneiras de aproveitar o particular para encontrar
aquele interesse humano de caráter geral que facilmente
será aprendido pelos leitores.

B.PESQUISA

Ocorre, entretanto, que as pessoas, muitas vezes, se


acham limitadas nas oportunidades de vivência pessoal.
Nesse caso, precisamos lançar mão das observações de
fatos que ocorrem ao nosso redor: ações, sentimentos,
pensamentos ou sofrimentos alheio. Para tanto, precisamos
conviver, conversar, ler.
Imaginemos que um escritor queira escrever um livro
sobre as condições de vida nas favelas de São Paulo. Se
esse escritor não tiver experiência pessoal alguma e ele
estiver realmente disposto a escrever uma obra mais
profunda, será preciso que testemunhe “in loco” estas
condições: com lápis e papel na mão deverá colher fatos
observados e obter informações do favelado, indagando.
Entretanto para “indagar” deve-se planejar antes um
questionário.
Além da pesquisa no próprio local de interesse
do autor, há outras fontes, a saber: o testemunho de
entendidos, pesquisadores que tiveram contato com os
mesmos fatos.

C.A LEITURA
A leitura de bons livros amplia os horizontes.
É uma frase bonita, sem dúvida.Mas, ler para
quê?
1)Para entrarmos em contato com as experiências de outros
escritores;
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2)Para adquirirmos consciência crítica das coisas e


aprendermos a discernir com mais clareza os fatos.
3)Para escrever é preciso ler, porque não há possibilidade
de criação baseada somente nas experiências e idéias
próprias. Além disso, a leitura ao mesmo tempo em que
nos ensina a língua também nos fornece a idéia. Portanto
essa é uma atividade essencial para aquele que se dedica ou
pretende dedicar-se a escrever.

4)Uma vez recolhido o material de pesquisa, é preciso


classificá-lo. A partir daí, o escritor pode começar a
compor sua obra.P 5

SÍNTESE

I.AS IDÉIAS PROVÊM:


a)das experiências
b)da leitura

II -Viver é adquirir experiência


III-Um escritor precisa cultivar o espírito
de observação
IV-A pesquisa organizada é uma forma
de criar idéias.

UTILIZE A CRIATIVIDADE

Criar significa produzir do nada ou transformar


determinadas coisas de acordo com as intervenções
do nosso raciocínio e até de nossas intuições.
Cada um de nós tem potencial criativo que por
vezes é desconhecido. Isso ocorre devido às próprias
condições que a vida impõe. Muitas vezes ela não nos
dá opção de escolher o que se quer. Nesse caso, a
criatividade é atrofiada, enterrada em nosso interior,
uma vez que não nos dispomos a manifesta-la quando
se trata de algo que não gostamos. Por ex. um rapaz é
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obrigado pelo pai a estudar engenharia, mas gostaria


de ser pintor. Se ceder às ordens paternas, o rapaz
estará dando um passo para o não-desenvolvimento
total de sua criatividade. Ele se verá obrigado a fazer
algo que não desejaria, sendo com isso desviado do
seu caminho. Entretanto, isto não se constitui num
caso irremediável, porque sendo a pintura uma arte, o
rapaz poderia desenvolver sua índole artística em
algum ramo da engenharia, como por exemplo, na
engenharia civil. Portanto, para que uma pessoa
desenvolva sua criatividade não é só necessário que
tenha condições naturais e consciência na ocasião da
escolha da área de estudo ou trabalho, mas também
que encontre um lugar para desenvolver sua
criatividade mesmo em algo que não seja do seu
agrado. Isto despertará sem dúvida um interesse até
então desconhecido para ele.
A criatividade não estabelece tempo nem
limites, isto é, não há uma hora nem quantidade
determinada de coisas para se criar. Quando levado a efeito
na arte literária, a criatividade conduzirá a um estilo
próprio. P 8

SÍNTESE

I-Criar é produzir algo novo ou


transformar coisas já existentes.
II-A criação não exige limite de tempo ou
espaço.
III-Podemos aplicar a criatividade em
tudo, basta desejarmos P 9.

VOCABULÁRIO

Uma estatística realizada por um instituto em Nova


Jersey nos Estados Unidos, submeteu a um teste de
vocabulário em cem alunos de um curso para formar
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dirigentes de empresas. Cinco anos mais tarde, foi


verificado que os dez por cento que haviam revelado maior
conhecimento no vocabuláio ocupava cargos de direção, ao
passo que os outros não atingiram posições satisfatórias.
Esta estatística não prova que para se “vencer na vida”
basta ter um bom vocabulário, mas mostra que quando uma
pessoa dispõe de palavras suficientes e adequadas pode
refletir e julgar com mais exatidão do que outra pessoa que
tenha vocabulário insuficiente para efetuar comunicação
oral ou escrita é conscientemente exprimir seu pensamento
de modo mais claro e preciso.

VOCABULÁRIO E AS IDÉIAS

Pensamento e expressão (vocabulário) são coisas


dependentes. Em outras palavras: quando temos a idéia
clara de alguma coisa podemos expressá-lo precisamente;
por outro lado, quanto maior for o vocabulário disponível,
tanto mais claro será o processo da reflexão.
Aplicando o que falamos, poderíamos
estabelecer um exemplo simples:
1º)Bernardo conhece um pouco dá língua inglesa:
para ele será mais fácil transmitir suas idéias em
comparação a alguém que não fala.
2º) Peter conhece bem o vocabulário da língua
inglesa: ele poderá pensar mais claramente em inglês
do que Bernardo (Devemos lembrar que nós fazemos
sempre uso da língua-mãe para exprimir qualquer
pensamento).

B-O VOCABULÁRIO E O NÍVEL MENTAL


Quando encontramos uma pessoa que fala bem,
e se exprime com palavras às vezes difíceis à nossa
compreensão, logo pensamos que se trata de alguém
muito inteligente, possuidor de um nível mental
elevado. Nós estamos então aderindo à seguinte
afirmação: “o vocabulário é reflexo do nível mental”.
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Mas, se pensarmos bem não é exatamente assim.


Analise da seguinte forma:

VOCABULÁRIO RICO É MANIFESTAÇÃO E


NÃO FATOR DE INTELIGÊNCIA

Portanto não se pode dizer que uma pessoa é


inteligente só porque conhecer palavras e sim que a
inteligência permite

ENRIQUEÇA O SEU VOCABULÁRIO

Muitos são os modos que podemos utilizar para


enriquecer o nosso léxico (vocabulário), entretanto o
meio mais eficaz é utilizar-se da conversa, da leitura e
da redação como forma mais positiva de conseguir
aumentar o vocabulário ativo (utilizado).
É aconselhável que na leitura de livro, se
sublinhem a palavra desconhecida (você pode adotar
este procedimento no próprio corpo deste livreto).
Além de sublinhá-las, deve-se consultar
imediatamente o dicionário e anotar o significado
encontrado próximo à palavra desconhecida. Para
haver um domínio do sentido dessas palavras novas, é
necessário que elas sejam empregadas na fala e na
escrita. Só assim elas passarão à linguagem habitual.
A redação, como dissemos é um meio muito
eficiente para o enriquecimento do vocabulário. Ela
se manifesta sob as mais variadas formas: a paráfrase,
os resumos, as traduções, e as interpretações escritas
etc.P 16.
Especial atenção devemos dar à paráfrase que se
constitui num ótimo exercício para quem quer
aumentar o vocabulário. É também um bom recurso
para quem se inicia na arte de escrever. Paráfrase é
reproduzir um determinado texto usando outras
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palavras sem, no entanto modificar as idéias originais.


Para ilustrar, buscando no livro Comunicação em
Prosa Moderna de Othon Garcia, um modelo de
Paráfrase.

POESIA ORIGINAL

Se a cólera que espuma, a dor que mora.


N’alma e destrói cada ilusão que nasce;
Tudo o que punge, tudo o que devora.
O coração, no rosto se estampasse.

Se se pudesse o espírito que chora


Ver atrás da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora.
Nos causa, então piedade nos causasse.

Quanta gente que ri talvez existe,


Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosos

PARÁFRASE – Se tudo quanto nos faz sofrer


intimamente, se refletisse na expressão do rosto e se
traduzisse em gestos ou atitudes; veríamos que muitas
pessoas que hoje nos causam inveja nos despertariam
compaixão, tanto é certo que para elas a única
felicidade consiste apenas em parecer feliz.

*
Muitas pessoas acreditam que fazer palavras
cruzadas resolve o problema da falta de vocabulário, o que
não é verdade. As listas de palavras resultantes desse
passatempo não são de todo inúteis, porém é que delas nos
fica, não vale o tempo que gastamos, além de estarem a
maioria delas fora da realidade do dia-a-dia, tornando
quase que sem uso o vocabulário por elas fornecido.
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É preciso, entretanto deixar bem claro que não


somos contra o divertimento em si que por sinal, é uma
prática saudável para ativar a memória; apenas não
concordamos que seja uma forma de enriquecimento do
vocabulário. Com vistas a esse fato as palavras cruzadas
inseridas no decorrer do curso, não serão utilizadas de uma
maneira isolada e com significações descabidas e sim,
aliada sempre a um determinado assunto.P 18

FIM DA APOSTILA Nº 06 NOÇÕES DE ARTE


04 NOVEMBRO DE 2005 LITERÁRIA-
UTILIZANDO A
CRIATIVIDADE

INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA


Nº10 A OBRA (PARTEI)
04 NOVEMBRO DE 2005

ESTRUTURA DA OBRA

2-ENREDO
É a história que o escritor pretende desenvolver.
Divede-se em :
Apresentação do enredo
Complicação
Clímax
Solução ou desfecho

PODE O ENREDO SER:

1) real
2) fictício
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3) misto(invenção misturada à realidade)


Pode ter:
1)Ação unitária (quando há somente uma intriga)
2)ação seriada (quando coexistem duas ou mais intrigas).
Além disso, a intriga pode apresentar-se simples (com
poucos episódios) ou complexa (com episódios
abundantes).
No artigo abaixo, publicado pelo jornal A FOLHA
DA TARDE “identificará as partes citadas para que a
explicação fique mais clara. Trata-se de uma notícia sobre
um assalto. O enredo é real e apresenta-se com ação
unitária.
Nela identificaremos:
A apresentação
A Complicação
O Clímax
A Solução

TÍTULO: “PRESO EM FLAGRANTE DEPOIS DE


ASSALTAR SUPERMERCADO”.

APRESENTAÇÃO DO ENREDO
“Três bandidos invadiram, à noite, o supermercado da Rua
Turiaçu, 205, Perdizes e recolheram o dinheiro de diveras
caixas registradoras, num total de mil cruzeiros”.

COMPLICAÇÃO
Fugiram, mas foram surpreendidos logo depois pela
Guarnição do Tático Móvel 206 e não obedeceram a ordem
de parar.

CLIMAX:
Ao contrário, fizeram alguns disparos e no revide um deles
foi atingido por um tiro de raspão na perna.

DESFECHO:
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 20
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Levado ao 23º Distrito (Perdizes) ele se identificou como


Amador de Lima e se recusou a fornecer a identidade dos
comparsas. O delegado João Francisco Baltazar Martins
altuou-os em flagrantes.

3-AMBIENTE
É o cenário, paisagem ou situação em que a ação se
desenvolve.
Pode:
a)ser um único lugar, ou mais de um.
b)predominar o ambiente físico (a natureza, o campo, a
cidade) ou o social( parcela de uma comunidade, fábrica,
colégio, clube, família.

EXEMPLO DE AMBIENTE FÍSICO

Iam entrando no Lumiar, e por prudência desceram os


estores. Ela afastou um, e espreitando, via fora passar
rapidamente, ao lado de trem, as arvores empoeiradas: um
muro de quinta de uma cor-de-rosa sujo: fachadas de casas
mesquinhas: um ônibus desatrelado: mulheres sentadas ao
portal, à sombra, catando os filhos, e um sujeito vestido de
branco, de chapéu de palha, que estacou, arregalou os olhos
para as cortinas fechadas de coupé. E ia desejando habitar
ali numa quinta, longe da estrada; teria uma casinha fresca
com trepadeiras em roda das janelas, parreira sobre pilares
de pedra, pés de roseiras, ruazinhas amáveis sob árvores
entrelaçadas, um tanque debaixo de uma tília, onde de
manhã as criadas ensaboariam, bateriam a roupa, palrando.
E ao escurecer, ela e ele, um pouco quebrados da felicidade
da sesta, iriam pelos campos, ouvindo calados, sob o céu
que se estrela, o coaxar triste das rãs.
Nas descrições do ambiente pode predominar os
elementos físicos (cor, dimensão, etc), ou ao contrário,
pode sobressair-se os elementos de natureza emocional,
intelectual ou psicológica (atmosfera do ambiente). Assim
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 21
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

se dissermos que o ambiente estava descontraído,


estaremos fazendo consideração de origem psicológica.

4-TEMA
O tema pode ser, entretanto, de aventuras de fundo
histórico: de suspense (policial, espionagem, crime): de
horror: de conflito amoroso: de fundo político; de ficção
científica.

DIFERENÇA ENTRE TEMA E ASSUNTO

As duas palavras costumam ser usadas como


sinônimos, mas cada uma delas tem um sentido bem
distinto. Assunto é a matéria sobre a qual se trata. Quando
alguém aproveita determinado assunto e o desenvolve a sua
maneira ele estará desenvolvendo um tema.P 6

FIM DA APOSTILA Nº10 O ESCRITOR E A OBRA


04 NOVEMBRO DE 2005 A OBRA (PARTE I)

INÍCIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº11 LITERÁRIA –
25 NOVEMBRO DE 2005 CULTURA,
LITERATURA E
LINGUAGEM

TRECHOS DA APOSTILA

Há dois tipos de dicionários:

1)os comuns – que por sua vez se dividem em :

a ) de definições : dão o significado das palavras e muitas


vezes até os sinônimos.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 22
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

b) de sinônimos: geralmente não definem. Limitam-se a dar


os sinônimos mais comuns.
c)de idéias analógicas: são relacionados pelo sentido dos
termos. Interessam mais aos escritores pela grande
variedade de sentidos.

2)os técnicos – baseiam-se apenas num determinado campo


do conhecimento humano.

Se você realmente se propõe a escrever, atente para


este detalhe:

UM ESCRITOR QUE SE PREZA TEM


CONSTANTEMENTE À MÃO UM BOM
DICIONÁIO. P 4.

SÍNTESE

I- Possuir um bom vocabulário, ajuda a refletir e julgar


com mais exatidão.
II- Pensamento e vocabulário são coisas dependentes.
III- Nós nos utilizamos da língua-mãe para pensar.
IV-A inteligência permite o conhecimento das palavras.
V-Consultar o dicionário ajuda a enriquecer o vocabulário
VI- A redação auxilia na formação de um vocabulário mais
rico. Entre as formas de redação a Paráfrase destaca-se pela
sua grande eficiência.P 5

DEFINIÇÃO DE LITERATURA

A palavra “literatura” originou-se do latim littera,


que significa letra. Esse sentido foi sendo ampliado com o
passar dos tempos, abrangendo também o sentido de
cultura. Assim, se pode dizer que um “literato” é uma
pessoa com um nível cultural bastante elevado em todos os
campos do conhecimento humano.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 23
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Tanto um romance como um tratado de Química são


considerados literatura. No caso do romance que é uma
obra literária pura, a palavra “literatura” somente reflete
um sentido cultural. Enquanto isso, no tratado de Química,
a “literatura” apresenta-se tanto no sentido cultural como
no específico, uma vez que a Química é uma ciência e,
como todas as ciências, possui termos específicos para
nomear as coisas e ao mesmo tempo definí-las. Por
exemplo: num romance jamais se usaria a fórmula H2O
para fazer referência à água.
A literatura, portanto, pode ter como vimos acima
dois conceitos:
1)LITERATURA ESPECÍFICA – Contida nas obras
escritas em geral (livros de matemática, biologia, história,
etc.) Necessita de dados científicos.
(1) Cultura – engloba todos os conhecimentos e todas as
tradições de um povo. Portanto, a língua também é cultura.
2)LITERATURA PROPRIAMENTE DITA – Contida
nas obras literárias(romances, novelas, etc)

SÍNTESE

I)A palavra “literatura” tem dois sentidos:


a) Sentido específico (obras em geral)
b) Sentido cultural (obras literárias)

II)A realidade social constitui fonte preciosa para o escritor

III)A prática constante é importante fator para a formação


de um escritor. P 17
IV-A obra literária além de instrumento de conhecimento é
também alimento do espírito.

************************
LINGUAGEM

Existem três tipos de linguagem:


APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 24
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

1)A LINGUAGEM COTIDIANA – é aquela da qual nos


utilizamos para manifestar impressões do dia a dia. Ela é
comunicada de maneira natural, sem preocupações em
seguir normas gramaticais, e fazendo às vezes uso da gíria.
Exemplo:
Numa fila de ônibus, um rapaz irritado diz para outro “olha
aí, bicho! Não fura a fila senão quebro o pau”.
É claro que expressões como: Bicho, não fura, quebro
o pau não seriam utilizadas por um escritor, a não ser que
ele estivesse interessado em mostrar a linguagem chula de
seu personagem, ou a sua maneira própria de se expressar.

2)LINGUAGEM INTELECTIVA – é usada para


transmitir conhecimentos ou fazer críticas literárias. É um
tipo mais técnico de linguagem.
Exemplo:
Embora os termos SINCRONIA E DIACRONIA só
tenham penetrado na terminologia lingüística usual desde
F. Saussure, pode-se definí-los independentemente das
TESES SAUSSURIANAS – T. Todorov e Ducrot em
DICIONÁRIOS ENCICLOPÉDICO DAS CIÊNCIAS DA
LINGUAGEM.
Veja que o texto extraído poderá ser compreendido só
por estudantes de Lingüística (3) ou especialistas no
assunto.
3)A LINGUAGEM LITERÁRIA – é apropriada para as
obras literárias. Suas formas são aprimoradas e seus
elementos mais selecionados de modo a fazer com que o
leitor e o autor travem uma comunicação mútua.
3)LINGUÍSTICA É O ESTUDO CIENTÍFICO DA
LINGUAGEM HUMANA.

EXEMPLO:
O castelo se soergue numa elevação rochosa e
domina assim toda a planura do vale do México. Em torno
dele, circundando a montanha que faz, o envolve o bosque
de Chapultepeque...RODRIGO OTÁVIO.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 25
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

SÍNTESE

I-Há três tipos de linguagem.


II-A linguagem cotidiana é aquela utilizada no dia a dia
III-A linguagem intelectiva é usada para transmitir
conhecimentos.
IV- A linguagem literária é aquela que está presente nas
obras literárias.P 21

FIM DA APOSTILA Nº NOÇÕES DE ARTE


11 LITERÁRIA –
25 NOVEMBRO DE 2005 CULTURA,
LITERATURA E
LINGUAGEM

****************************

INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA


Nº15 A OBRA (PARTE II)
04 NOVEMBRO DE 2005

ESTRUTURA DA OBRA O VÔO IMAGINÁRIO

5-TEMPO
a) O TEMPO – NARRATIVO

Dizemos que a narrativa é lenta quando há nela


pouca ação, muita análise psicológica, grande quantidade
de descrições e reflexões do autor. Mas se estas são
reduzidas ao mínimo ocorrerá à narrativa rápida. Este é o
tempo-narrativo, ou seja, o tempo que o autor leva para
fixar os fatos.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 26
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

b)TEMPO-DURAÇÃO
O Tempo-duração indica a época em que os fatos se
desenrolam e a duração em que os mesmos se verificam.

e)ORDEM CRONOLÓGICA E DE FLASH-BACK


A ordem de um acontecimento num relato é em geral,
cronológica, ou seja, segue uma continuidade no tempo
(começo-meio-fim): contudo, para despertar o interesse do
leitor e dar mais ênfase a certos incidentes, o escritor pode
começar a contar do ponto onde devia acabar a história,
como se faz em muitos romances policiais – dizemos então
que ocorre o flash-back (recuo no tempo).

6-PONTO DE VISTA OU (FOCO NARRATIVO)

É a maneira pela qual o autor vê, conhece a ação e


dela dá conhecimento ao leitor P 3.
Antes de começar um relato, você deve perguntar-se:
Quem conta a história? Seria um observador neutro ou um
participante da história? Seria um personagem de primeiro
plano (principal) ou segundo plano (secundária), um
narrador onisciente e onipresente, ou seja, uma espécie de
homem invisível que testemunha as ocorrências, capaz de
nos dizer o que os personagens fazem, pensam e sentem em
todos os lugares e todos os momentos.
As respostas dependem somente de você, pois a
escolha destas opções deve adaptar-se aos seus recursos
técnicos e a sua imaginação criadora.
Quando o escritor-narrador se põe na pele de qualquer
personagem, a narrativa é feita na primeira pessoa (eu,
nós). Sendo apenas testemunha, serve-se o autor da terceira
pessoa (ele, ela, eles): No exemplo a seguir, a narração é
feita em terceira pessoa.
“Garcia, em pé, mirava e estalava as unhas,
Fortunato, na cadeira de balanço, olhava o teto, Maria
Luísa, perto da janela, concluía um trabalho de agulha.
Havia já cinco minutos que nenhum deles dizia nada”.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 27
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

(Machado de Assis – Várias Histórias)

Leia a fábula e preencha com um X as afirmativas


corretas.
“No pasto de uma fazenda, estavam dois cavalos: um
de passeio: outro de carroça. O primeiro falava com
desprezo de trabalho de seu companheiro e elogiava os
encantos de sua própria vida. Um belo dia o cavalo de
passeio foi adquirido por um homem da cidade e partiu
todo orgulhoso sem despedir-se do outro. Anos depois, o
cavalo de carroça, sempre forte, levava à cidade um
carregamento, e qual não lhe foi à surpresa ao reconhecer
seu brilhante amigo de outrora a puxar um velho carro de
praça. O acaso aproximou-os, puseram-se a conversar,
lembraram do passado e falaram do presente”.Sofri muitas
desgraças, falou a antigo cavalo de passeio “– Uma vida
brilhante acarreta decepção, replicou o outro: uma vida
humilde é sempre mais segura” disse sabiamente o outro “

AFIRMATIVAS:
1)Os personagens são reais ()
2)O ambiente em que se passa a ação é físico ()
3)Na fábula, predomina a análise psicológica ()
4)O tempo na narrativa é cronológico ()
5)A narrativa é feita em primeira pessoa ()

RESPOSTAS 2)(X) 4)(X)


FIM DA APOSTILA Nº15 O ESCRITOR E A OBRA
04 NOVEMBRO DE 2005 A OBRA (PARTE II)

INÍCIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº16 LITERÁRIA – FALANDO
25 NOVEMBRO DE 2005 DE CONTEÚDOS
COMUNS
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 28
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

FORMA E CONTEÚDO

Estes dois componentes são extremamente


importantes e devem ser observados com rigor por aqueles
que estão se introduzindo na arte de escrever.
A FORMA é a maneira pela qual o autor
emprega a palavra. Dela depende o Conteúdo ou fundo da
linguagem literária que se aplica à mensagem transmitida
pelo autor. CONTEÚDO é, portanto a idéia expressa.

SÍNTESE

1)FORMA –é a maneira que o autor emprega a


palavra
2)CONTEÚDO – é a idéia que as palavras
empregadas expressam.

FORMA DE COMPOSIÇÃO

Quanto à maneira de se expressar, existem duas


modalidades distintas:

PROSA E VERSO

SÍNTESE

1)As formas de composição literária são prosa e verso.


2)A prosa e o verso têm o mesmo índice criativo

*******************
EXEMPLO DE VERSO
O anel que tu me deste,(1º verso)
Era vidro e se quebrou;(2º verso)
O amor que tu me tinhas,(3º verso)
Era pouco e se acabou(4º verso)
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 29
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Como vemos, o verso é uma linguagem medida.


Uma de suas finalidade é aumentar a musicalidade da
linguagem. Para isso adota-se A RIMA, que é a igualdade
ou semelhança dos sons.P 7

Poema é o conjunto de versos P 8

FIM DA APOSTILA Nº 16 NOÇÕES DE ARTE


25 NOVEMBRO DE 2005 LITERÁRIA – FALANDO
DE CONTEÚDOS
COMUNS

************************

INÍCIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº26 LITERÁRIA- EM VERSO
25 NOVEMBRO DE 2005 E EM PROSA PARTE II

TRECHOS DA APOSTILA

D. POESIA OU POEMA?

É muito comum, confundir poesia com poema.


Mas, a diferença entre ambos é bem clara. Sabemos que
POEMA É UM CONJUNTO DE VERSOS. E Poesia?
Bem, Poesia, não é necessariamente um conjunto de versos
porque pode aparecer na Prosa. A poesia possui um
elemento altamente emotivo, ou seja, um sentimentalismo
mais profundo que torna a mensagem, quer seja em prosa
ou em verso, muito mais bela.P 3

EXEMPLO: “Vem! Formosa mulher – camélia


pálida, adornada com os prantos de arrebol”.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 30
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

PROSA

Prosa é a linguagem livre aproximada com a


conversação diária. É um modo de escrever contínuo que
possui pouca musicalidade fazendo com que a rima se
constitua num grande defeito:

EXEMPLO: “Era uma vez um menino que fazia


bolhas de sabão. Sentado sobre o feltro verde do jardim,
entre levianos vôo de borboletas empoadas, ele fazia nascer
do seu beijo a bola aérea na ponta do tubozinho tenro...
( Guilherme de Almeida)

SÍNTESE

I –Poema é um conjunto de versos.

II-A poesia possui um elemento altamente emotivo,


um sentimentalismo profundo.
III-O verso moderno não obedece aos esquemas
tradicionais da métrica e da rima.
IV-A prosa é um modo de escrever contínuo com
linguagem livre

FIM DA APOSTILA Nº26 NOÇÕES DE ARTE


25 NOVEMBRO DE 2005 LITERÁRIA- EM VERSO
E EM PROSA PARTE II

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INÍCIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA-
Nº20 AS IDÉIAS CIRCULAM
04 NOVEMBRO DE 2005

O autor pode manifesta suas idéias sob vários pontos


de vista:
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 31
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

PONTO DE VISTA FILOSÓFICO-O autor pode


exprimir uma visão realista, fantasista fatalista, pessimista
ou, otimista da vida e dos homens.

**********************************
PONTO DE VISTA MORAL E RELIGIOSO

Uma obra pode ter propósitos moralizadores (discutir


problemas da igreja manifestar opiniões a favor desta ou
daquela religião, analisar e comparar diversas religiões,
etc.)

PONTO DE VISTA POLÍTICO

O autor pode exteriorizar suas tendências políticas,


representando o testemunho sobre uma época e os
problemas que afligem a humanidade.

PONTO DE VISTA SOCIAL

O autor discute preceitos que dizem respeito à vida


social do ser humano. P 3

O VÔO IMAGINATIVO

Quando criamos uma “outra pessoa” ou um “outro


ambiente”, devemos proceder como se fossemos o “outro”
e agir sob a influência do ambiente. Quantos de nós não
falamos às vezes: “Eu queria ser como fulano” É essa a
atitude que devemos adotar: colocar-se no lugar dos
personagens. Então nossa própria experiência de vida
alimentará a criação artística.
“Tão importante quanto à própria experiência é a
imaginação ou invenção. É fato que ninguém pode
imaginar partindo do nada, por isso é preciso antes”
procurar coisas “e arrumá-las diferentemente. Um método
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 32
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

fácil para realizar isto é primeiro copiar e depois inventar


baseando-se em coisas concretas, no caso a cópia feita.
Copiar é fácil, mas e inventar?”.
Antes de prosseguirmos achamos conveniente fixar
que copiar modificando trechos de outros autores é válido
sim, mas apenas como um treinamento para que nossa
mente adquira uma certa desenvoltura de raciocínio. Isto
não deve, entretanto, sugerir um método permanente para
fazer obras próprias. Primeiro porque ocorrerá um
“plágio”, segundo porque estamos desvalorizando nossa
capacidade de criação.
REPETIMOS: Ao inventar podemos buscar na cópia
de um texto conhecido ou desconhecido ajuda para
movimentar as idéias em nossa mente, mas não nos
devemos servir deste método para a construção de obras
próprias a não ser que o objetivo do autor esteja voltado
para isso propositadamente, como ocorre no caso desses
dois poemas a seguir.

Oh! Que saudades que eu tenho


Da aurora de minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores.
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!(CASIMIRO DE ABREU)
(1839-1860)

Oh que saudades que eu tenho


Da aurora de minha vida
Das horas
De minha infância
Que os anos não trazem mais
Naquele quintal de terra
Da Rua Santo Antônio
Debaixo da bananeira
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 33
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Sem nenhuns laranjais...


(Oswald de Andrade) 1890-(1954)

Está claro que o segundo texto está caracterizado pela


paródia (imitação). É o poema – piada que predominou na
primeira fase Modernista da Literatura Brasileira.

FIM DA APOSTILA Nº20 O ESCRITOR E A OBRA-


04 NOVEMBRO DE 2005 AS IDÉIAS CIRCULAM

**********************************************

INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA-


Nº25 INVENTANDO...
04 NOVEMBRO DE 2005

O AUTOR

COMO INVENTAR BASEANDO-SE NUMA CÓPIA.

A invenção – recurso que desencadeia a criação de


enredos (histórias), consiste na exploração de dados
fictícios aliados a algo que faça parte de nossa realidade
presente.
Se alterarmos o cenário ou os personagens de alguma
composição, como faremos a seguir, estaremos
logicamente mudando o enredo do texto e criando um
novo. Assim:
Texto original
O sol dentro do mar, em misteriosa aurora,
O profundo brenhal dos corais ilumina;
Mesclando ao fundo da bacia esmeraldina,
A fauna florescente e a luxuriante flora
(Olegário Mariano)
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 34
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

ALTERAÇÃO ABAIXO:
O amor dentro de mim, em misterioso encanto,
O profundo brenhal do ser ilumina;
Mesclando ao fundo do coração inerte,
A beleza fluorescente e a luxuriante alegria

Este recurso é, contudo, um auxílio e não tem um


método a ser utilizado permanentemente, pois além de
ilegal por constituir-se numa usurpação da obra alheia, é
também um meio que se utilizado abusivamente vem tirar o
grande valor da criatividade que cada um de nós. Lembre-
se sempre: temos inteligência, sensibilidade, sentimento e
capacidade para criar nossas próprias obras.P 4

FIM DA APOSTILA Nº 25 O ESCRITOR E A OBRA-


04 NOVEMBRO DE 2005 INVENTANDO

INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA


Nº30 A PROFISSÃO
04 NOVEMBRO DE 2005

FÁCIL OU DIFÍCIL

Ser escritor não é uma profissão fácil: tampouco


difícil.
Como isto se explica?
Não é fácil, porque para se alcançar um conhecimento
profundo de tudo aquilo que vem formar um escritor, leva
às vezes toda uma vida ou mais que isso. Escrever para o
homem e sobre o homem implica estar permanentemente
informado: Nunca deixar de ler, nunca deixe de aprender.
Todos os dias um escritor novo em algum país do mundo,
aparece e tem algo a nos ensinar. Isto de nunca acabar de
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 35
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

aprender não torna, então a profissão de escritor uma coisa


fácil.
Ao mesmo tempo, não é difícil porque , como todos
os artistas, utiliza sua capacidade inata, sua intuição, seus
sentimentos e a experiências vividas como o principal
motor da criação artística. Portanto ser escritor é difícil
porque a profissão exige um estudo constante, mas também
é fácil, pois cada um de nós tem um arsenal criativo imenso
capaz de gerar a arte na sua forma mais natural.
Depois disso, vem à eterna discussão a forma e o
conteúdo. Os que defendem a forma dizem que o escritor é
o indivíduo que escreve “bem”. Isto é, sua escrita
apresenta-se gramaticalmente perfeita. Por outro lado, os
que defendem o conteúdo dizem que não entra no mérito
do autor “como se escreve” e sim “o que se escreve”. Que
importa mais uma estória cheia de valores sociais ou
morais, mas não muito “bem” escrita ou uma história
impecavelmente escrita privada de conteúdo? O difícil é
determinar quem tem razão. Na verdade, a dosagem correta
da forma e o conteúdo é imprescindível, pois da forma
depende o conteúdo.
Sem dúvida, deve-se estudar e aprofundar ao máximo
tudo o que ajuda no aprimoramento da arte de escrever e
não temer se alguns conceitos não forem entendidos de
imediato. O temor age negativamente sobre as pessoas e
pode impedir que elas realizem algo a que estão realmente
capacitadas.

O QUE FAZ O ESCRITOR

A escrita é uma forma de comunicação e o escritor é


aquele que manipula esta comunicação com arte e técnica.
Portanto, escrever um artigo para um jornal, para uma
revista; escrever livros ou criticas de livros e, escrever
simplesmente cartas são atos que não se distinguem como
forma de expressão. O importante é conseguir comunicar,
alcançar o outro lado do fio em que se acha o leitor. Nisto,
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 36
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

o escritor deve concentrar-se, porque quem escreve, não


escreve para si, e sim para dizer algo, exteriorizar os
sentimentos estabelecendo uma ponte de contato com
outras pessoas. O escritor deve mostrar o que ele sente
frente à realidade que vê. Não importa se sua obra será lida
daqui a um século, o certo é que algum dia sua mensagem
alcançará o outro lado, ou seja, o leitor.
Não importam igualmente todas as adversidades, pois
se sentir bem consigo é uma paga que embora não alimenta
o corpo dá força ao espírito. Em geral o escritor não tem
compensações econômicas (com exceção de uma minoria
privilegiada) por outro lado possui recompensa valiosa: a
satisfação de procurar entre tantas coisas mecanizadas que
a tecnologia moderna e as ciências exatas oferecem, uma
brecha para atingir o que há de mais sublime no ser
humano: a comunicação da sensibilidade e dos sentimentos
frente a um mundo de asfalto e cimento aonde a natureza
humana vai a cada dia que passa perdendo o seu lugar.P 6

FIM DA APOSTILA Nº30 O ESCRITOR E A OBRA-


11 NOVEMBRO DE 2005 A PROFISSÃO
*******************

INICIO DA APOSTILA NOÇÕES DE ARTE


Nº31 LITERÁRIA-
11NOVEMBRO DE 2005 DESCREVENDO E
NARRANDO

A DESCRIÇÃO

A descrição pode ser definida como sendo, uma


reprodução das formas, aspectos e cores que os objetos,
fatos ou fenômenos do mundo físico ou moral oferecem à
nossa observação. Consiste na enumeração dos caracteres
mais próprios e dominantes dos seres animados ou
inanimados: descrição de pessoas, de ruas, de automóveis,
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 37
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

etc. A descrição não admite o desenvolvimento de


acontecimentos, que é uma tarefa da narração. Ela é mais
do que uma fotografia, porque inclui também a
interpretação do escritor: objetivo da descrição é procurar
fazer ver e sentir, com a mesma intensidade. Entretanto,
devem ser evitados os detalhes exagerados, que só irão
cansar o leitor.

A descrição pode ser:


1)de coisas sem movimento (um quarto, uma fonte, uma
montanha)
2)de um conjunto sem movimento (trata-se, em geral, da
descrição de uma paisagem)
3)de retratos pessoais ou de pessoas em ação.
4)de animais parados ou em ação.
5)grupos de seres em ação
6)de ações
7)de sucessão de acontecimentos.

EXEMPLO DE DESCRIÇÃO:

A) DESCRIÇÃO DE COISAS SEM MOVIMENTO


O texto que se segue, descreve-nos a cela simples,
ordenada e pobre de um religioso.
A simplicidade é dada pela singeleza do mobiliário e dos
objetos: a ordem, pela disposição ou colocação dos móveis:
a pobreza, pelo estado em que se encontram as paredes e
tudo o que há na cela. Veja como a imagem visual destes
pormenores nos é transmitida:
“A porta abriu-se sem ruído. Ele entrou, e a porta
fechou-se de novo, silenciosamente. O lugar, em que o
venerando religioso acabava de penetrar, era uma triste
cela, sombria e espaçosa, com uma janela gradeada e
fechada, e apenas frouxamente esclarecida por uma
clarabóia do teto. As paredes, nuas de alto a baixo, tinham
uma cor sinistra de osso velho. Em uma delas havia um
grande nicho com imagem da virgem da Conceição, quase
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 38
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

de tamanho natural; a um dos cantos, uma negra estante,


toscamente feita, pejada de grossos alfarrábios
amarelecidos pelo tempo; no centro, uma mesa de madeira
escura com um breviário em cima, ao lado de uma candeia
de azeite, um pedaço de pão duro, e um cilício de couro;
junto à mesa, um banco de pau”.
Aluísio de Azevedo
Texto transcrito do livro FLOR DO LÁCIO de Cleófano
Lopes de Oliveira.

B.RETRATO DESCRITIVO P 4

O retrato descritivo é uma das modalidades da


descrição em que se reproduzem as feições ou caráter de
uma pessoa. É como se tirássemos uma fotografia
“exterior” de alguém. Assim:
“Caboclo do norte, homem de 44 a 46 anos de idade,
de estatura mediana, cabeça bem conformada, testa larga,
nariz grosso e reto, lábios grossos, cobertos de um bigode
escasso, queixo rigorosamente escanhoado,...
imperceptíveis, duas rugas sensíveis e fortes, descendo das
abas das narinas ao canto dos lábios, que lhe animam e
adoçam a fisionomia rude; olhos pardos, grandes, fundos e
de extrema mobilidade, mal velados pelos cílios quase
sempre baixos, eis em duas paletadas o aspecto de vice-
presidente da República. Quase nunca aparece em público,
e, quando o faz, veste sempre a sua farda de marechal do
Exército, trazendo ao peito as medalhas de campanha
ganhas no Paraguai. Em casa, de ordinário, as suas vestes
habituais consistem na calça e no jaleco de brim, e camisa
sem goma”.ALCINDO GUANABARA
*O texto transcrito do livro FLOR DO LÁCIO DE
Cleófano Lopes de Oliveira.

C. DESCRIÇÃO DE ANIMAIS
Podemos considerar a descrição de animais quanto:
-à aparência física
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 39
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

-aos atributos morais P 5


-Separadamente ou ao mesmo tempo.

“Estava um dia um bando de urubus se banqueteando


no nojento festim; de repente um deles dá um guincho
rouco e todos se afastam e dispõem em circulo, numa
atitude de respeito. O ar vibra, silvando ao impulso de asas
possantes, estremecem as folhas e um magnífico urubu-rei
pousa majestosamente sobre um galho seco; dá um olhar
imperioso sobre aquela turba vil e, lançando-se
pesadamente ao chão, acode ao banquete, desdenhando
todo aquele círculo de rivais invejosos e impotentes... Era
um lindo animal, maior que um peru, escuro na parte
superior do corpo e branco debaixo das asas do peito. A
cabeça coberta somente de uma penugem ostentava sete
cores; o bico robusto, os olhos largos e expressivos sem a
ferocidade de seus congêneres, o pescoço aveludado e
adornado dum colar de alvas penas, fazem do urubu – rei
um animal soberbo e de nenhum modo merecedor do nome
vulgar tão humilhante para ele”.
PADRE N. BADARIOTI

*Texto transcrito do livro FLOR DO LÁCIO DE Cleófano


Lopes de Oliveira

D. DESCRIÇÃO DE AÇÕES
Nesta modalidade, o escritor deve fazer com que as
ações, os ruídos e o aspecto das coisas sejam
REPRESENTADOS com exatidão. No texto que
apresentaremos a seguir, estarão sublinhadas as palavras
que indicam movimento, agitação.
No vasto terreiro ardia a grande fogueira. O grupo de
crianças que tirava batatas e canas assadas rompia em
gritaria. Os balões subiam, os rojões assoviavam, zunindo
no ar”
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 40
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

********
SÍNTESE

I-Descrição é a enumeração dos caracteres mais próprios e


dominantes dos seres animados ou inanimados.
II-A ordem dos detalhes numa descrição deve ser
rigorosamente observada.
III-A descrição pode ser:
a)de coisas(em movimento ou não)
b)de paisagens
c)de retratos pessoais
d)de animais(parados ou não)
e)de ações

EXERCÍCIOS

TEMA: O professor de Literatura Brasileira.


CARACTERÍSTICAS DO PROFESSOR:

1)Alto 2) Cabelos grisalhos 3) Olhos verdes 4) usa óculos


5)veste-se bem.

NARRAÇÃO

É a forma oral ou escrita que expressa um


acontecimento real ou imaginário, envolvendo por isso,
ação e movimento.
Ex: Narração de uma partida de futebol, narração de uma
aula, narração de um acidente rodoviário.
As qualidades que distinguem são:
-Possuir um assunto original ou dar atração a um assunto
comum
-a clareza
-a brevidade
-a movimentação
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 41
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

-a verossimilhança (ter aparência de realidade)

O relato de um episódio seja ele real ou fictício


precisa de personagens e acontecimentos. Assim numa
narração devem aparecer um ou alguns desses elementos:
1)O QUÊ: o fato, a ocorrência.
2)QUEM: o protagonista (personagem principal)
3)QUEM: O antagonista(personagem que se contrapõe a
principal.)
4)COMO: o modo pela qual o fato se desenvolve
5)QUANDO:o momento em que o fato ocorreu.
6)ONDE: o lugar da ocorrência
7)PORQUÊ: a causa que fez o fato ocorrer
8).POR ISSO: resultado ou conseqüência do fato.
Nem sempre todos estes elementos estão presentes ou
aparecem nessa mesma ordem, porém não poderão faltar: a
exposição de um fato (nº1 – O que); o protagonista (nº2-
quem) e o antagonista (nº3 quem).
Citaremos um exemplo simples e prático para facilitar
o entendimento do que dissemos acima:

“Luís de Oliveira(quem-protagonista), marceneiro de


trinta e cinco anos, residente na R. Padre João, 223-Penha,
matou(o quê) ontem(quando), em frente a um bar( onde),
com uma facada no peito(como) , o seu colega Arnaldo
Bonfim(quem-antagonista) porque este não lhe quis pagar
uma garrafa de cerveja que estava devendo(porquê)”
É claro que se trata apenas de um exemplo
simplificado contendo os pontos chaves de uma narrativa.
Os itens citados poderão servir como base para uma novela
ou um conto que se queira escrever, basta que eles sejam
pormenorizados.
As narrativas aparecem nas cartas, nos romances, nos
discursos e mesmo nos poemas. Elas dão ao autor uma
maior oportunidade de exteriorizar os sentimentos, o que
nas descrições não é possível.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 42
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Ao escrever uma narrativa, devemos controlar


cuidadosamente à parte que diz respeito ao interesse do
leitor.

O leitor só se interessa quando:


1)A curiosidade lhe pretende a atenção
2)Ele consegue visualizar as coisas que lê
3)Ficamos emocionados P 17

“Quando eu era menino – lembra-me com nitidez -,


havia, acima de meu leito, um quadrinho, emoldurado de
negro, que uma criada alemã dependurara na parede.
Representava uma velha torre arruinada, revestida de limo
verde, cercada, e cingida por uma cadeia de altos montes,
que a envolviam perenemente em lençóis de sombra. No
céu perpassavam, como monstros nuvens sinistras. À noite,
depois de rezar e antes de adormecer, eu sempre
contemplava, fascinado, o estranho quadro, que daí a pouco
me surgiria, ameaçador, dentro de meu pesadelo. – Um dia,
indaguei da criada o que representavam aquelas tristes
ruínas e ela exclamou com voz cavernosa, persignando-se:
“ A torre dos ratos!”
(Adaptação de uma narração de VICTOR HUGO)
Observe agora, se os pontos relativos ao interesse do
leitor foram obedecidos. Vamos juntos analisar:
A curiosidade que o autor desperta no leitor é
aparente. Se não a identificou releia: -sinta como a simples
curiosidade do menino é também transportada para o leitor.
Afinal de contas, para que tanto suspense em torno de um
“quadrinho”?
Vimos então que o primeiro ponto foi cumprido. E o
segundo? Note como ele localiza o objeto de interesse
(quadrinho ao mesmo tempo em que o descreve).
Descrever é algo mais que “fotografar” então,
podemos dizer que visualizamos ou imaginamos o quadro:
“..uma velha torre arruinada, revestida de limo verde,
cercada de águas profundas e escuras que recobriam de
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 43
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

vapores...”Tudo isso não é outra coisa senão uma amostra


de como utilizar o segundo item.
Mas, e o terceiro, seria também observado? Caberia
então a seguinte pergunta: você ficou emocionado? Talvez
não de pronto, porque além de se tratar de um texto
incompleto retirado de simples referência do autor aos
tempos de criança nos comove: Quem de nós não pára, em
algum momento, em algum lugar para lembra-se desta fase
da vida. Todos fazemos e sempre nos emocionamos nesse
momento.
Baseado nesse exemplo procure fazer o mesmo ao
escrever. Nortei-se por esses três itens, pois o leitor é
alguém muito importante que não se deve desprezar, pelo
contrário: procurar o máximo estabelecer com ele uma
comunicação mútua é tarefa obrigatória, embora muito
difícil.
A)NARRATIVA REAL E DE FICÇÃO

1) NARRATIVA REAL é o relato objetivo dos fatos. Ela


visa a uma finalidade prática: informar, instruir. Todos os
aspectos subjetivos desaparecem para dar lugar unicamente
a visão real. Os fatos são o elemento principal da narrativa
real. Se você tomar um livro de história do Brasil, notará
que se trata de uma narrativa real, pois não há intromissão
de acontecimentos externos no desenrolar dos fatos.

2)NARRATIVA DE FICÇÃO busca reproduzir


acontecimentos. O artista pode então com sua intuição,
criar uma nova realidade. Na narrativa de ficção, o escritor
busca especialmente o entendimento e julgamento da vida,
o interesse humano será, portanto sempre uma novidade.

A)NARRATIVA E DESCRIÇÃO DE AÇÕES.

Ambas, aparecem sempre juntas. Mas, como


distinguir a narração da descrição de ações?
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 44
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

A narrativa, ligando-se às ações, põe em relevo os


aspectos temporais e dramáticos, enquanto que a
descrição de ações reproduz estes aspectos de
movimento, colocando o leitor sempre numa posição
estática e contemplativa.
A. CONSELHOS PRÁTICOS PARA A
COMPOSIÇÃO DE UMA NARRATIVA
LITERÁRIA

 ANDRÉ. Texto transcrito do livro CURSO DE


REDAÇÃO DE HILDEBRANDO ª DE
 CONHECER BEM A HISTÓRIA QUE VAI
SER CONTADA, ou seja, ter presentes os
elementos de compreensão que formam o
resumo ou a síntese da narrativa.
 TER PRESENTE O CENTRO DE
INTERESSE, que é a razão de ser de estarmos
contando a história. Por que contamos aquela
história? Qual a finalidade que buscamos
atingir? É o centro de interesse que dá
UNIDADE E MOVIMENTO a todos os
elementos da narrativa. É claro que cada autor
poderá ter uma razão diferente para contar a
mesma história. É subjetivo. O que importa é
que exista uma razão e uma finalidade, que
exista um centro de interesse. Às vezes conta-se
uma história para focalizar problemas nacionais,
regionais, familiares, individuais; outras vezes,
para sondar o íntimo da alma humana em
ocasiões especiais; outra ainda para estudar
tipos característicos ou curiosos nos hábitos, nos
costume, na linguagem: etc. Em torno do centro
de interesse é que se agrupam todos os demais
elementos da narrativa, dele é que surgem as
palavras e frases mais adequadas, os recursos de
estilo mais apropriados e eficazes.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 45
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

 de interesse; a idéia adiantada ganhará, por isso


mesmo, destaque e valor especial. É necessário
começar bem. A PRIMEIRA FRASE É
TAMBÉM O PRIMEIRO PASSO EM
DIREÇÃO AO CENTRO DE INTERESSE.
Quer narremos em ordem cronológica, quer
antecipemos alguns acontecimentos, a razão da
escolha da primeira idéia é uma só: preparar o
leitor para encaminha-lo ao centro de interesses.
Se a ordem é cronológica, esse encaminhamento
é natural. Se, invertendo a cronologia dos fatos,
anteciparmos algum deles, o fato antecipado
deverá ser tomado do próprio centro.
 SUGERIR, MAIS QUE EXPLICAR. A
narrativa literária não é uma explanação ou
comentário para efeito didático; sua finalidade
é, como já vimos, despertar emoções, agitar o
mundo psicológico do leitor. Ora, as
explicações demasiadas racionalizam sem
propósito as idéias, abafam a curiosidade, nada
falam aos sentimentos; antes cansam e
provocam o desinteresse. Em arte, não
explicamos – sugerimos. SUGERIR é escolher
alguns elementos e depô-los de tal maneira, que
provoquem no leitor, por associação, novas
idéias e sensações; sugerir é esclarecer apenas
até certo ponto, instigando o leitor a prosseguir
nessa criação dando uma interpretação pessoal
dos fatos. Essa escolha é trabalho da intuição do
autor, nela consistirá especialmente sua arte.
 A CONCLUSÃO NÃO DEVE ESGOTAR O
MUNDO DAS SUGESTÕES. Nunca
terminemos a narrativa esclarecendo
detalhadamente ao leitor todas as dúvidas ou
indagações. É mais artístico que o final da
história a satisfaça a curiosidade intelectual ou a
ansiedade psicológica de quem lê, sem matar as
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 46
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

sugestões ou o encantamento criado durante a


narrativa. Por isso, um final mais ou menos
indeterminado, vago é mais adequado que uma
conclusão que parece interromper o curso dos
fatos da vida das personagens.P22

FIM DA APOSTILA Nº 31 NOÇÕES DE ARTE


18 NOVEMBRO DE 2005 LITERÁRIA-
DESCREVENDO E
NARRANDO

INICIO DA APOSTILA O ESCRITOR E A OBRA-


Nº35 OBRIGAÇÕES DO
21NOVEMBRO DE 2005 ESCRITOR

OBRIGAÇÕES DO ESCRITOR

DA NECESSIDADE DE ASSUMIR UMA


POSIÇÃO

O escritor deve representar a consciência nacional, a


consciência dos problemas reais de um país para isso, ele
precisa estar a par da realidade e com base nela criar uma
visão das limitações e dos problemas a que as
circunstâncias reais do país em que vive o sujeitam.
Tomando consciências das limitações e problemas, o
escritor deve posicionar-se diante deles e de si próprio, mas
sem estacionar.
Quando falamos em “posicionar-se”, queremos dizer
que o escritor deve possuir um objetivo em relação a si e
também em relação à realidade brasileira. Isto significa que
ele deve saber porque escreve. Achando esta resposta, ele
estará tomando uma posição diante de si próprio. Mas, isso
não é tudo. Posteriormente, ele terá que se perguntar:
”como atingir os objetivos diante dessa realidade?”
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 47
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Esperamos que você encontre estas respostas após a leitura


dos capítulos posteriores.

»»»»»»»»
DA ACEITAÇÃO DAS CRÍTICAS E DA
COSNTANTE ATUALIZAÇÃO

O escritor não deve falar sozinho: precisa ouvir


muito, troca idéias, analisar as críticas que lhe são feitas
porque se construtivas, elas vêm carregadas de uma
sinceridade e, podem dar ao escritor uma visão que talvez
antes ele não chegou a atingir.

DA ESCOLHA DE UM PÚBLICO

Alguns entendidos no assunto, afirmam que para ser


“bem sucedido” (no sentido econômico da expressão) o
autor precisa criar um mercado, Isto é, saber a quem vai
dirigir sua obra, de modo a fazer com que todos os
ingredientes presentes nela caiam no agrado da faixa de
leitores a que se destina. Portanto, ao escritor cabe a
seguinte opção: o público. É uma escolha pessoal e
intransferível. É preciso ter em mente que não é o público
que escolhe o autor e sim o contrário. Partindo disso, o
escritor após escolher o público, deve escrever para ele
com uma determinada intenção que, por exemplo, pode ser
a de colocar uma absorção crítica da realidade brasileira,
nunca esquecendo de utilizar a linguagem desse público.
Há, entretanto, aqueles que negam a escolha de um
público: não se escreve para ser admirado ou ser lido por
esta ou aquela faixa de leitores e sim para escrever e para
ter escrito. Para estes a criação de uma obra é um impulso
indomável não uma atividade justificada por objetivos e
razões.
Seria então, o escritor alguém alienado de qualquer
objetivo? Então para quem e para que se escreve?
Acreditamos que em tudo o que o ser humano realiza existe
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 48
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

um objetivo consciente ou inconsciente e o escritor não são


diferentes dos outros nem escreve só por escrever.
Criar uma obra não é tarefa fácil, principalmente, no
que se refere ao aspecto de uma comunicação satisfatória,
entre o escritor e leitor. O escritor só se realiza e comunica
realmente a partir do momento que o leitor lê sua obra e
dela participa. Portanto, o autor deve cuidar de aspectos
que poderiam interessar ao leitor, visando assim uma boa
aceitação do livro, mas, por outro lado não deve se
descuidar da realidade nacional procurando sempre fazer
com que sua obra contribua culturalmente. Contudo, estes
aspectos são uns tanto problemáticos, pois o escritor vai se
defrontar com sérios problemas como veremos a seguir.
UM ESCRITOR DEVE ACEITAR AS CRÍTICAS E
PROCURAR ATUALIZAR-SE CONSTANTEMENTE P
5
ASSUMIR UMA POSIÇÃO DIANTE DE SI E DA
REALIDADE SÃO DEVERES DE UM ESCRITOR P 6

FIM DA APOSTILA Nº O ESCRITOR E A OBRA-


35 OBRIGAÇÕES DO
21 NOVEMBRO DE 2005 ESCRITOR

FINAL DA DIGITAÇÃO GERAL DIA 25 DE


NOVEMBRO DE 2005
DIA DA IMPRESSÃO 06 DE DEZEMBRO DE 2005

SUGERIMOS A LEITURA DO LIVRO FANATISMO


DE JOSÉ IDEAL –PUBLICADO EM 1993
Sinopse:
Fanatismo conta história de Carlinhos um garoto de
catorze anos, seu despertar sexual e sua paixão por
futebol.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 49
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

SUGERIMOS TAMBÉM A LEITURA DO LIVRO


AMOR À PRIMEIRA VISTA DE EDSON
ALMEIDA.
Sinopse:
Este livro conta a história de Cris, uma jovem
que perde o pai num acidente rodoviário e vai a
um centro espírita na esperança de receber
uma mensagem do pai desencarnado.

Olá, pessoal:
Anualmente recebo os
cumprimentos de vocês nesta data 27 de
fevereiro ,especial para mim ,e dou de presente
alguma coisa. Ano passado dei um curso de
inglês e este ano estou dando em anexo um
Curso de Escritor.

Grande porcentagem das pessoas


que gostam de ler gostariam de publicar um
livro e fazer sucesso.Difícil é encontrar um
curso no mercado que dê estas dicas e garanta
o sucesso editorial. Podemos constatar que
para um escritor fazer sucesso é preciso
primeiramente ele ter um texto de fácil leitura
em segundo lugar saber escolher o público que
pretende atingir e terceiro ter um bom
relacionamento com a mídia. Pensamos que
estes são fatores determinantes para o
sucesso.

Não acredite naqueles que dizem


que para escrever é preciso apenas inspiração.
APOSTILA DO ESCRITOR - ESCOLAS DE ARTES VISUAIS 1981 – JOSÉ 50
BEZERRA – JOSÉ IDEAL - 27 FEVEREIRO DE 2013

Na verdade é necessário 95% transpiração e 5


% de inspiração.

Escrevi o livro Fanatismo -José Ideal


que conta a história dum garoto de catorze
anos que gosta de futebol e fui consultor do
livro Amor À Primeira Vista de Edson Almeida
que conta a história de Cris uma jovem que
perde o pai num acidente rodoviário e vai a um
centro espírita na esperança de receber
mensagem do pai desencarnado.

Segue a opinião de uma leitora do Grupo Bons


Amigos:

Iracema Dantas < > escreveu:


José Ideal, parabéns pelo seu FANATISMO.
O tema abordado é atual. E a maneira como
você o aborda é didática e de fácil
compreensão.

Obrigada por nos brindar com essa


preciosidade.

Iracema Dantas

Aproveitem o curso!