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Universidade da Beira Interior

Faculdade das Ciências Sociais e Humanas

Departamento: Sociologia
Disciplina: História Económica e Social

A indústria de Lanifícios da Beira Interior, através das


informações veiculadas pelo jornal Noticias da Covilhã
(1936)

Docente: Prof. Elisa Pinheiro

Discente: José Júlio Almeida N.º 25705

Ano 2010/2011

1º Semestre
1. Introdução

Este trabalho, que pretende ser um trabalho de investigação histórica, usa como fonte
primária o jornal Notícias da Covilhã, publicado nas 52 semanas do ano de 1936.

Para a realização desta empreitada, recorri à redacção do Notícias da Covilhã, que


gentilmente me franqueou o acesso ao seu arquivo.

Será fotografado todo o material publicado e que, directa ou indirectamente, diga respeito
à Indústria dos Lanifícios.

As fotografias serão depois tratadas e transcritas, na medida do possível, totalmente ou


parcialmente, de acordo com as instruções constantes no texto de apoio n.º 1, indicando-se para
cada uma a data da publicação, o n.º do jornal e a página em que foi publicada, bem como o
respectivo autor.

Após este trabalho realizado, e numa terceira fase, digamos assim, farei um resumo do
ano de 1936, no que à indústria concerne, complementado com outros assuntos que
eventualmente me fiquem na memória.

3
2. Material Publicado sobre a Indústria dos Lanifícios no Notícias
da Covilhã durante 1936.

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Notícia 1

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Agente.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 844.
7. Data: 5 de Janeiro.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio comercial.

Obs. Repete-se no n.º 845

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Agente
Firma com representação e depósito de fábricas de artigos de
sêda [sic], aceita representação ou mes mo depósito de
fábrica de lanificios [sic], em Lisboa e Porto onde tem
escritórios e onde está bem lançada. Dão-se todas as
referencias [sic] e garantias. Carta a esta Redação [sic] a
Agente de lanifícios [sic].

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Notícia 2

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Mestre de Ultimação.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 845.
7. Data: 12 de Janeiro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio de emprego

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Mestre de ultimação
Muito prático deseja fabrica [sic] de movimento.

José Misseno Grilo – T. Alegria. Covilhã

6
Notícia 3

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Compra-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 845.
7. Data: 12 de Janeiro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Compra-se
Uma máquina de picotar amostras.

Informa esta redacção.

7
Notícia 4

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Aos fabricantes da Covilhã.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 845.
7. Data: 12 de Janeiro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio Comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Aos fabricantes da Covilhã


Boa casa comercial de Castelo Branco, do ramo de fazendas e retrozeiro [sic] e que vende
tambem [sic] lanificios [sic] para senhora, deseja entabolar [sic] negociações com fabricante que
lhe interesse enviar lanificíos [sic] para homem, à consignação.
Resposta a esta redacção a A. A.

9
Notícia 5

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Peles para confecções.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 847.
7. Data: 26 de Janeiro.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio Comercia.
Obs. Repete-se no n.º 848, 849, 850, 851, 852, 853, 854, 855, 856, 857, 858 e 859.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Peles para conféções [sic]


Lãs em fio de vários tipos
=
Malhas para homem, senhora e criança, modêlos [sic] de novidade
Sortido completo de artigos de miudezas e modas, tecidos de lã e algodão, de fantazia [sic]
______
Estabelecimento de
Joaquim Gonçalves de Carvalho
Rua 1.º de Dezembro = Telefone 240

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Notícia 6

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Falecimentos.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 849.
7. Data: 2 de Fevereiro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio social.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Falecimentos
D. Maria José Ranito Baltazar
O nosso jornal ao dar a noticia [sic] do falecimento da Senhora [sic] D. Maria José Ranito
Baltazar, estremecida esposa do nosso amigo sr. Gregório Baltazar, ocorrido na última quinta-feira, fà-lo
[sic] compungido por uma dôr [sic] profundamente sentida.
É que não desapareceu apenas uma pessoa das primetras [sic] familias [sic] da nossa terra, às
quais nos prendem afinidades de amisade [sic] e de sentimentos cristãos que professamos, mas abriu-se a
porta de um túmulo para guardar, para sempre, os despojos de uma grande alma, de uma santa, que deixa
na sua passagem por esta vida, um rasto de bondade, de caridade cristã, de viver familiar que são um
exemplo, uma virtude!
Conviver de perto com esta Senhora [sic] e auscultar toda a grandeza do seu coração, toda a
simplicidade cativante do seu fino trato, era uma constante e soberba lição de sentimentos cristãos: de
amor ao próximo, de vida conjugal, de arranjo e paz doméstica, que prendia a atraia todos os viviam no
confôrto [sic] salutar do seu ambiente.
Pouca gente sabe e não seremos nós que vamos agora desvendar este mistério da sua sublime
virtude – o bem, o muito bem, que ela espalhava, a mãos largas, por muitos infelizes que viviam sob o seu
amparo e protecção.
O repartir de largas esmolas pelas nossas casas de beneficencia [sic], a que adiante vamos referir-
nos, é a fotografia bem patente e bem vivida do seu coração magmânimo [sic] e da sua alma de eleição!

13
Que ela sirva de exemplo a tantos a quem Deus dá mais do que o suficiente para viverem felizes.
É consolador este abrir de mãos em favor dos desamparados, dos abandonados da sorte na hora em que se
bate á [sic] portas da eternidade!
Quiz [sic] a ilustre Senhora [sic] aumentar o seu activo de bondade, com mais este acto generoso
do seu coração, que o seu desolado marido, mergulhado na dor que o punge, se apressou a cumprir, como
cumpriu sempre o mais simples desejo esboçado pela sua santa companheira, que Deus levou para junto
de Si.
Para ele, esmagado agora pela enormidade da sua amargura, vai o abraço muito sincero do nosso
pesar.
Ao nosso querido amigo sr. dr. José Ranito Baltazar, autêntico modelo de filho e de amigo, e a
sua esposa sr.ª D. Fernanda Tavares Cruz Baltazar; á [sic] filha estremecida sr.ª D. Maria Ranito Baltazar
Balsemão e a seu marido sr. Francisco Patricio [sic] Balsemão; ao irmão sr. Francisco da Silva Ranito e a
toda a família enlutada envia o nosso jornal a mais sentida ( …)

14
Notícia 7

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Cónego Colens -


2. Título do artigo: Sem título.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã.
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 853.
7. Data: 8 de Março
8. Página: 2.
9. Tipo:

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

“O operário é uma [sic] irmão incompreendido, humilhado e cheio de sofrimento, mas


um irmão com dotes magnificos [sic].
Não será realmente digno de amor?

15
… Não esqueçais que êle [sic] tem tão poucos amigos, que tantas vezes tem sido
enganado e explorado!
Por misericórdia, não recebais friamente, com condescendência polida, mas ide ter com
êle como amigo e com os braços inteiramente abertos.”
Cónego Colens, (organizador dos operários católicos belgas, recentemente falecido e por
todos chorado)

16
Notícia 8

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Deseja comprar màquina [sic] de costura?.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 853.
7. Data: 8 de Março.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Deseja comprar màquina [sic] de costura?


A “Mundlos” tem 73 anos de existência e é uma boa máquina.
Peça uma demonstração, sem compromisso de compras ao Agente João Maria Gomes – Covilhã.

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Notícia 9

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Vende-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã.
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 853.
7. Data: 8 de Março.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.
Obs. Repete-se no n.º 854, página 2, de 15 de Março

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Vende-se
9 teares [sic] de ferro, podendo-se ver a trabalhar.
Nesta redacção se diz.

18
Notícia 10

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Comerciantes – Industriais.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 855.
7. Data: 22 de Março.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.
Obs. Repete-se nos nº 856 de 27 de Março, 857 de 5 de Abril

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Comerciantes -- Industriais
Com as nossas informações não receeis prejuísos [sic].
Elas são o vosso escudo protector, contra as investidas dos falsos comerciantes.
Consultai-nos antes de realizardes qualquer transacção.
___
Bolsa de Informações
Rua da Palma, 132 – 1º - Lisboa
Telef. 2 3990

19
Notícia 11

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Embobinadeira.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 858.
7. Data: 12 de Abril.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio de comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Embobinadeira
De 10 fusos e 60 pentes, para teares, vende-se barato.
Nesta redacção se diz.

20
Notícia 12

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Teares e uma esfarrapadeira.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 858.
7. Data: 12 de Abril.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Teares e uma esfarrapadeira


COMPRAM-SE em bom estado de conservação, preferindo-se a trabalhar.
Resposta a este jornal às iniciais N. C.

21
Notícia 13

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Teares e uma esfarrapadeira.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 858.
7. Data: 12 de Abril.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Teares e uma esfarrapadeira


COMPRAM-SE em bom estado de conservação, preferindo-se a trabalhar.
Resposta a este jornal às iniciais N. C.

22
Notícia 14

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Ecos – Abnegação.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 859.
7. Data: 19 de Abril.
8. Página: 1.
9. Tipo: Opinião / Editorial.
Obs. A justificação desta notícia encontra-se nas seguintes.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

ECOS - Abnegação
Tem a cidade inteira, pelo que se honra mais ainda, seguido com ansiedade, com o maior
interesse num sobresalto [sic] a cada hora excitado pelos mais desconcertados boatos – a doença
gravíssima do pobre Manuel Tarouca, o denodado Bombeiro caído no cumprimento do seu dever
na noite da sabado [sic] para domingo ultimos [sic].

Do seu dever, dizemos, mas do dever que voluntariamente se obrigou a cumprir ao


alistar-se, como seus Camaradas [sic], no exercício denodado, digno de respeito profundo dos
seus concidadãos, que é essa honrosa corporação humanitária dos nossos Bombeiros
Voluntários, Orgulho [sic] e nobreza não de aparato, não. Orgulho e nobreza de sacrifício, de
heroísmo, de abnegação posta ao serviço alheio, à defeza [sic] da vida do seu semelhante, ao
sacrifício próprio em benefício da fazenda alheia, quasi sempre a bom recato atraz [sic] da chapa
da companhia segura.

Temos visto os nossos voluntários – donairosos, firmes, com o seu porte dotado de um
garbo peculiar – marcar uma posição distinta sempre que no nosso meio algum acontecimento
marca dias assinalados, festivos ou tristes. Modestos, simples na sua exteriorisação [sic], é
sempre aprumada, impecavel [sic], distinta, a sua apresentação, a sua farda, o seu equipamento.
Não usam medalhas, por principio [sic].

Demonstram assim que o seu sacrifício não tem em mira nem sequer porventura legitimo
[sic] desejo de ostentar sinais exteriores de vaidade.

O seu objectivo está no estrito cumprimento da sua missão. Nesse esforço continuado que
é a serie de instruções e piquetes noturnos [sic], de vez em quando interrompidos pelo toque
apavorante da sua sirene que os arranca ao carinho da familia [sic], ao aconchego tantas vezes
precario [sic] do lar onde têm os seus encantos familiares – para numa correria buscarem o
perigo, a desgraça, tantas vezes a morte.

Descobrimo-nos respeitosamente diante da fatalidade que enlutou a nossa Corporação


dos Bombeiros Voluntários, nobreza da cidade, orgulho da Covilhã, objecto do nosso entranhado
amor e da dedicação e reconhecimento de todos os nossos concidadãos.

24
Notícia 15

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: A Morte do Bombeiro sr. Manuel Tarouca.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 859.
7. Data: 19 de Abril.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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26
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

A Morte do Bombeiro sr. Manuel Tarouca que ficara gravemente ferido no


incendio [sic] da fabrica [sic] do sr. Manuel Lino Roseta.
Pouco depois das 24 horas do dia 11 nm [sic] violento incêndio destruiu parte da fábrica do sr.
Manuel Lino Roseta, ao Sineiro. Á [sic] acção rápida e decidida dos Bombeiros se deve o facto de não
terem sido destruídas todas as oficinas.
Logo no início do ataque, devido às más condições de construção da fábrica, deu-se um
lamentável desastre que vitimou o bombeiro Manuel Tarouca.
Uma enorme fachada, de taipa, desabou apanhando-o sem que tivesse tempo de fugir. Ao local da
derrocada acorreram prontamente outros bombeiros que encontraram o infeliz Manuel Tarouca sob um
montão de pedras e chapas de zinco a escaldar, com as pernas presas.
Depois de porfiados esforços conseguiram livrá-lo daquele tormento, para logo ser conduzido no
auto-maca ao hospital, acompanhado pelo sr. dr. Aprígio Tarouca que se encontrava no local do sinistro.
No hospital compareceu também o sr. dr. Gomes de Oliveira, tendo os dois clínicos constatado que o
estado do doente era bastante grave.
Depois de radiografado verificaram que além de várias e extensas queimaduras por todo o corpo e
de um profundo ferimento na região frontal, do lado esquerdo, apresentava fractura da perna esquerda –
tíbia e peróneo [sic] – e fractura da perna direita, com estilhaçamento dacabeça da tíbia. Posteriormente
foi verificada tambem [sic] a factura da base do cráneo [sic]. Na tarde de quinta-feira veio
propositadamente á [sic] Covilhã o sr. dr. Celestino Henriques, que honra a Corporação dos Bombeiros
Voluntários da Covilhã como distinto elemento do seu côrpo [sic] clínico. Nada pôde fazer em virtude do
estado gravíssimo do doente. Ás [sic] 3 horas da manhã de sexta-feira decaiu de tal maneira que todos
julgavam aproximar-se a morte. Pela manhã, porém, deu mostras de melhor disposição e começou a
reagir, pronunciando já algumas palavras.
Assim se manteve durante o todo o dia de sexta-feira, animando a todos o seu estado. Mas o mal
era irremediável.
Todos os cuidados da ciência, todos os extremos de carinho dos dois médicos assistentes, srs.
Drs. Aprígio Tarouca e Gomes de Oliveira que foram duma solicitude a toda a prova, não abandonando
um instante o doente, de dia e de noite, foram baldados.
Perto da meia noite de sexta-feira o infeliz Manuel Tarouca suspirava pela última vez, entre a
consternação dos seus e dos amigos.
Toda a população da Covilhã viveu horas de ansiedade, após o lamentável desastre da noite de
sábado, 11. As esperanças, embora cheias de incerteza, eram acalentadas com religioso afecto. (…)

27
Notícia 16

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Jeronimo [sic] Monteiro Ranito -


2. Título do artigo: Bombeiros Voluntarios [sic] – Declaração.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 860.
7. Data: 26 de Abril.
8. Página: 2.
9. Tipo: Declaração.
Obs. A justificação desta notícia é ser devida ao incêndio na fábrica Roseta

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

28
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Bombeiros Voluntarios [sic] - Declaração


O abaixo assinado, 1º comandante dos Bombeiros Voluntarios [sic] da Covilhã, cumprindo um
dever de elementar solidariedade e para esclarecer as pessoas a quem possa ter chagado erradas
informações acerca do incendio [sic] ocorrido na madrugada de 11 para 12 do corrente, na fabrica [sic] do
Senhor [sic] Manoel [sic] Lino Roseta e das suas lamentáveis consequencias [sic] vem declarar o
seguinte:
1º - Que a sua falta na direcção ao ataque foi devida ao facto de não ter ouvido o sinal de alarme,
por à hora em que ele se deu estar junto dum aparelho de T. S. F. ouvindo uma audição. Que não houve o
propósito, da parte fosse de quem fosse, de lhe ocultar a ocorrencia [sic]. Que não reside na Rua dos
Bombeiros.
2º - Que tendo ido a apreciar o serviço dos seus subordinados lhe é muito grato afirmar que houve
boa direcção do ataque.
3º - Que a derrocada que atingiu e vitimou o briosos Manoel [sic] Dias Tarouca, nem mesmo que
no local estivessem todos os comandos possiveis [sic] e imaginaveis [sic], era possível prever que
tomasse a direcção que tomou e que arrastasse consigo nada menos de tres [sic] edifícios, um dos quais,
ruindo, alcançou a vitima [sic]. Que se previu sempre a deslocação da parede para o interior do incendio
[sic] e como tal foram tomadas as devidas precauções.
4º - Que a acção do 2º comandante, sr. Antonio [sic] Garcia, tem sido sempre de molde a prestar
ao seu 1º comandante uma colaboração valiosa sem que alguma vez a sua deficiencia [sic] fisica [sic]
originada por serviços prestados a [sic] Causa do Bombeiro tenha, de qualquer forma, dificultado ou
prejudicado a eficiência [sic] de serviço.
5º - Que a “atrapalhação” em que já se fala, quando, para se descobrir o paradeiro dum Bombeiro
que não respondeu a chamada após a derrocada, se mandou ao quartel verificar se tinha ou não saido [sic]
para o fogo e isto só se podia constatar pela presença ou ausencia [sic] do respectivo equipamento é um
processo que só a ignorancia [sic] pode classificar de “atrapalhação”. Que evidentemente havia um outro
processo possivelmente mais eficaz, que consistia em o Comando ficar no quartel até a saída do ultimo
[sic] Bombeiro tomando nota de todos os que marchavam para o incendio [sic]. Que este processo seria
talvez mais eficiente, mas que o siga quem quizer [sic], que comanda ou vier a comandar Corporação de
Bombeiros.
6º - Para finalisar [sic]:Que a retirada de pessoal – faça-se um bocadinho de justiça aos
Bombeiros – é concedida sempre que um ou outro homem está cansado. Sim porque o esforço dispendido
a lutar com as chamas é muitíssimo diferente do dispendido por quem assiste e (…)

29
Notícia 17

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Festa do trabalho.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 861.
7. Data: 3 de Maio.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Festa do Trabalho
O dia 1 de Maio, dedicado aos trabalhadores, foi festivamente comemorado na Covilhã.
Pela manhã a banda do Grupo Musical Covilhanense, seguida de um numeroso grupo de
operários, percorreu as principais ruas da cidade, fazendo ouvir os seus acordes entre o estralejar
[sic] de foguetes.
Á [sic] noite, no Teatro Covilhanense, realizou-se uma sessão solene.

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Presidiu o sr. dr. Luis da Camara Pinto Coelho, digno Governador Civil do Distrito,
secretariado pelos srs. Tenente João José Amaro, Comandante da Polícia, José Joaquim Saraiva,
Procurador á [sic] Câmara Corporativa e presidente Sindicato Nacional dos Empregados, João
Lagarto e João Sobral representantes, respectivamente, dos Sindicatos Nacionais dos Motoristas
e dos Operários de Lanifícios.
Foi orador da sessão o sr. dr. Fernando Homem Cristo, que pôs em evidência o valor da
acção corporativa e os largos e insofismaveis [sic] beneficios [sic] que dela resultam para a
classe operária. Foi muito aplaudido. Encerrou a sessão o Ex.mo Governador Civil.
Seguiu-se a exibição de alguns filmes de caracter [sic] nacionalista: Festa Nacional
Operária em Braga (mudo), Presidente Carmona (sonoro), Lançamento do “Douro” (mudo),
Estradas de Peniche (mudo), Inauguração do correio aéreo Lisboa – Londres (mudo), Cheia do
Tejo em Constancia [sic] (mudo).
- Na véspera, á [sic] noite, realizou-se um interessante espectáculo na sede do Sindicato
dos Operários, com um programa executado pelo Grupo Dramático Operário. Agradou
plenamente, sendo constantes os aplausos tributados pela numerosa assistência.

31
Notícia 18

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Ajudante de debuxador.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 861.
7. Data: 3 de Maio.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio de emprego.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Ajudante de debuxador
Precisa-se com alguma pratica [sic].
Informa este jornal.

32
Notícia 19

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Todas as Novidades - Todas as Fantasias para todas as Fiações.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 862.
7. Data: 10 de Maio.
8. Página: 3
9. Tipo: Anúncio comercial.
Obs. Repete-se no n.º 863 de 15 de Maio, 864 de 24 de Maio e 866 de 7 de Junho

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Não se transcreve o teor do anúncio, fazendo-o não se transmitiria fielmente todo o conteúdo do
mesmo. Para além disso é perfeitamente legível.

33
Notícia 20

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Pedro Proença -


2. Título do artigo: Liberalismo económico e corporativismo.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 865.
7. Data: 31 de Maio.
8. Página: 1.
9. Tipo: Excerto de conferência.

34
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Liberalismo económico e corporativismo – Pelo Dr. Pedro Proença


“Excerto da conferência proferida no Liceu de Heitor Pinto)
Contemplando as funestas consequências do liberalismo no campo social, todas as
escolas realistas as haviam considerado como motivadas pelo esquecimento desta verdade: O
homem desde que é homem teve logo a consciência da sua própria fraqueza e reconhecendo a
sua impotência para lutar com as forças da natureza, sentiu que não podia viver sem os outros
homens.
Ele é livre certamente porque é homem, porque tem uma personalidade mixto [sic] de
humano e de Divino, mãe ele é tanto mais homem quanto mais tende a atingir a dua própria
finalidade e essa é que não pode alcança-la senão no sei da sociedade a que pertence. Fóra [sic]
dela podem, quando muito, reconhecer-se-lhe direitos, mas não o seu exercício, porque a todo o
direito corresponde uma obrigação e essa só pode existir da parte dos outros indivíduos, dos
outros homens. Ele vive, na verdade, acorrentado à sociedade no seio da qual prossegue os seus
fins e foi a constatação desta verdade que fez dizer a alguém ser o homem o animal por
excelência.
Não o entenderam assim os chamados regimes democráticos que tinham feito do século
dezanove o século do liberalismo económico e do individualismo sem limites. Em nome duma
mal compreendida liberdade se tirou ao Estado todo o direito de intervir na vida económica e se
determinou que ele devia organizar-se no sentido de apenas tutelar os interesses individuais.
E porque se vivia então no auge dos princípios marxistas deu-se predomínio exclusivo ao
factor económico e negou-se à vida humana aquela espiritualidade que a reveste e a adoça para
tudo fazer depender do mais baixo jogo dos interesses materiais. Erguido deste conceito a regra
infalível foram dissolvidas as corporações antigas das artes e ofícios, com fundamento de que
havia organização social melhor do que a baseada na liberdade, na concorrência e na harmonia
derivada do livre jogo de interesses ligitimos [sic]. Cientificamente, apoiou-se tal tese na lei
biologica [sic] da luta pela existencia [sic] e selecção natural dos mais fortes que, por esse
tempos talvez Darwin anunciara. (…)

36
Notícia 21

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Maquinas [sic] – Vendem-se com alvará.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 865.
7. Data: 31 de Maio.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio comercial.
Obs. Repete-se no n.º 866 e 867.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Maquinas [sic] – Vendem-se com alvará


Dois teares mecânicos, uma caneleira, uma enroladeira, uma retorcedeira de 30 fusos e uma
máquina de fazer cordão.
Ver e tratar com Ultimadora do Tortozendo, L.da Covilhã

37
Notícia 22

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Dr. Mauricio [sic] dos Santos.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 866.
7. Data: 7 de Junho.
8. Página: 1.
9. Tipo:

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Dr. Mauricio [sic] dos Santos


No dia 1 fez uma conferencia [sic] no Sindicato Nacional dos Operarios [sic] de Lanificios [sic],
o ver. Dr. Domingos Mauricio [sic] dos Santos.
Mais uma vez se evidenciaram os seus profundos conhecimentos sobre o problema social. Foi
ouvido com inteiro agrado pela numerosa assistencia [sic] entre a qual predominava o elemento
operario [sic].

38
Notícia 23

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Ajudante de debuxador.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 866.
7. Data: 7 de Junho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio de trabalhador a oferecer-se.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Ajudante de debuxador
Oferece-se para cá ou mesmo para fora.
Nesta redacção se diz.

39
Notícia 24

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Vende-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 868.
7. Data: 21 de Junho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Vende-se
Uma carda, dente de serra, para mungo, um lustro de foguete, vários tambores e linhas, um restelo para
enrolar teias, uma percha de motêjo, um compressor, um rolo de esmeril, uma porção de bicos para
râmolas, duas caldeiras a vapor e 4 teares para reparar.
Nesta redacção se diz.

40
Notícia 25

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Oferece-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã
5. Ano: 1936
6. Número: 868
7. Data: 21 de Junho
8. Página: 3
9. Tipo: Anúncio de trabalhador a oferecer-se

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Oferece-se
Montador de retrocedeiras e embobinadeiras e outras máquinas.
Nesta redacção se diz.

41
Notícia 26

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Teares mecânicos.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 868.
7. Data: 21 de Junho.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio comercial.

Obs. Repete-se no n.º 869 e 870

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Teares mecânicos
Vendem-se, de construção ingleza [sic], com maquinetas com a largura util [sic] 1,m15 e 1, m 30.
Informa Francisco Sales Faria – Covilhã.

42
Notícia 27

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Alarme de incêndio.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 869.
7. Data: 28 de Junho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Alarme de incêndio
Ás [sic] 22 horas de segunda-feira foi a cidade alarmada com a noticia [sic] de incendio [sic] da
Fábrica Alçada.
Dada a importancia [sic] desta fábrica, e o volume das suas instalações fabris, a noticia [sic]
causou o maior alvoroço, acorrendo ás [sic] imediações do local muitas centenas de pessoas.
Felizmente o caso não tivera proporções de maior. O pânico fôra [sic]o [sic] pela inflamação e
explosão de uma lata de óleo, dentro da qual funcionava uma resistencia [sic] que por qualquer
circunstancia [sic] provocou o fôgo [sic]. As chamas, dentro da casa das máquinas, elevaram-se a grande
altura sendo extintas pelo pessoal da fábrica. Compareceram prontamente os Bombeiros cujos serviços
não chegaram as ser utilizados.

43
Notícia 28

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Vende-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 869.
7. Data: 28 de Junho.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio comercial.

Obs. Repete-se no n.º 871 e 872.


Obs.1: acrescenta máquinas ao anúncio publicado no n.º 868.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

VENDE-SE
Uma carda, dente de serra, para mungo, um lustro de foguete, vários tambores e linhas, um restelo
para enrrolar teias, uma percha de motêlo, um compressor, um rolo de esmeril, uma porção de bicos para
râmolas, duas caldeiras a vapor e 4 teares para reparar, uma urdideira, uma mêsa de 3 metros, para medir
fazenda, um quadro eléctrico, um cofre e uma máquina de escrever.
Nesta redacção se diz.

44
Notícia 29

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Organisação [sic] da industria [sic] de Lanìficios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 870.
7. Data: 5 de Julho.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organisação [sic] da industria [sic] de Lanìficios [sic]


Sabemos, por informação de fonte oficial, que dentro de breves dias será publicado o decreto que
estatue [sic] as bases da organização patronal da Industria de Lanificios [sic].
Esta noticia [sic] dá-nos a maior satisfação, porque, embora, conhecedores da vida industrial do
nosso meio e das suas relações com os meios da industria [sic] similar, sempre advogámos a organização
corporativa da industria de lanificios [sic].

45
Notícia 30

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Uma oficina que honra a Covilhã e a sua industria [sic] de lanifícios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 870.
7. Data: 5 de Julho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

46
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Uma oficina que honra a Covilhã e a sua industria [sic] de lanifícios [sic]
Merece-nos franco louvor todas as iniciativas que tendam ao desenvolvimento da nossa
terra. Como a indústria de lanifícios é o expoente da sua maior actividade económica,
implicitamente nos congratulamos com tudo quanto interesse ao progresso e desenvolvimento
desta indústria.
Sabemos quão rotineiro é o pensamento que informa a mentalidade geral do nosso meio.
Acanhado para realizar novas iniciativas, para tomar contacto com as exigências sempre
crescentes do progresso, deixa-se atrofiar entre as limitadas fronteiras dum atavismo, estagnado,
as quais lhe toldam o horizonte, não permitindo a visão das imposições do presente em face do
futuro.
Este mal é de natureza hereditária; vem de recuados tempos tem foros de conquista.
Aqueles que conseguem liberar-se dele, serão talvez alcunhados de alucinados, mas o triunfo
pertence-lhes, porque souberam vencer a rotina, atirar fora os antigos processos – máquinas,
produtos, instalações – para se munirem daquilo que os modernos tempos impõem.
É, portanto, para nós motivo de grande júbilo o verificarmos qualquer iniciativa que
rompa contra o passado, que construa sob o influxo de ideias amplas, iluminadas pelas
exigências da actividade industrial e comercial, e do bem estar do operário.
Está neste caso a tinturaria dos srs. Clemente Petruci e Irmão.
Visitámo-la esta semana.
Há poucos meses que iniciou a sua laboração.
A construção deste belo edifício obedeceu ao fim em vista: é amplo, arejado, cheio de
luz.
A primeira impressão que se recebe ao franquear o largo portão de entrada, é de agrado e
de inteira satisfação.
Á [sic] luz e ao espaço alia-se a possibilidade de haver a relativa limpeza – e os
indispensaveis [sic] cuidados técnicos para o perfeito desempenhar dos trabalhos.
(…)

47
Notícia 31

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Ultimador.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 870.
7. Data: 5 de Julho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio de oferta de trabalho.

Obs. Repete-se no n.º 871

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Ultimador
Precisa-se, habilitado.
Nesta Redacção se informa.

48
Notícia 32

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Federação Nacional dos Industriais de Lanificios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 871.
7. Data: 12 de Julho.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Federação Nacional dos Industriais de Lanificios


[sic]
A Imprensa da capital publicou ontem o decreto que, pela pasta do Comércio e Indústria, vai se
publicado sôbre [sic] a Federação Nacional dos Industriais de Lanificios [sic] cuja séde [sic] é
em Lisboa, com Grémios na Covilhã, Gouveia, Castanheira de Pera, Porto e Lisboa.
No próximo número nos referiremos a este importante assunto.

49
Notícia 33

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Industria [sic] de Lanificios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 872.
7. Data: 19 de Julho.
8. Página: 1
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Industria [sic] de lanificios [sic]


Sobre a Organização da Indústria de Lanificios [sic], recentemente criada oficialmente, inicia hoje o
nosso jornal uma série de artigos tendentes a pôr em foco a sua importancia [sic] e o seu alcance. São
escritos por alguem [sic] que ao assunto tem prestado especial estudo e uma dedicação extrema,
conhecedor do nosso meio, das suas necessidades e dos seus defeitos. É, portanto, uma autoridade sôbre
[sic] a matéria, com perfeito conhecimento de todos os seus meandros. Recomendando a leitura destes
artigos, cumpre-nos agradecer ao seu ilustrado autor e nosso presado [sic] amigo a honra com que
distingue o nosso jornal.

50
Notícia 34

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: J. -
2. Título do artigo: Organização Nacional da Industria de Lanificios [sic] - I Considerações
gerais.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 872.
7. Data: 19 de Julho.
8. Página: Início na página 1 e fim na página 3.
9. Tipo: Notícia.

51
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

52
53
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização Nacional da Industria de Lanificios [sic]


I – Considerações gerais
Os jornais do dia 11 publicaram o decreto que se propõe organizar corporativamente as
entidades patronais da indústria de lanifícios pela constituição de cinco grémios regionais com
sedes em Covilhã, Gouveia, Lisboa, Porto e Castanheira de Pêra, agrupados numa Federação,
denominada “Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios”, com sede em Lisboa.
Destina-se o decreto a aplicar o sistema corporativo, por imposição do estado, a este ramo
da produção, visto prescrever no art.º 2º o agrupamento obrigatório de todos os industriais. Não
se trata propriamente duma forma nítida de Corporativismo do Estado , em virtude da
organização ser decretada, como se recorda no relatório, a pedido dos interessados, que nesse
sentido representaram, por mais duma vez, ao Governo da Nação.
Se, por isso, os industriais tivessem promovido livremente o seu agrupamento dentro da
modalidade do Corporativismo de Associação, já o Estado não teria que promover, directamente,
apesar das deficiências que se notam, como é natural, na instalação duma nova estrutura social.
Todos reconhecem e sentem a necessidade da reforma preconisada [sic], conhecidas
como são da classe industrial, passe ainda o termo impróprio, conduzida, em parte, por um
descaroável [sic] individualismo, certas situações económicas e sociais, que os seus detentores
clamam porventura de ordem e que, na verdade, não passam de verdadeira desordem
constituída, e às quais urgia pôr termo pela sua “submissão, como se diz no relatório do decreto,
á [sic] salutar disciplina da orgânica corporativa”.
Não vá, porém, supor-se que o estado, intervindo, assim, legitimamente, dentro da nova
ordem económica, pretenda mandar ou dirigir a indústria, antes deixa aberto o campo á [sic]
iniciativa privada, ficando cada célula livre e apta a criar e a inovar, porque o Estado mão é
criador e serve mais para manter a ordem e garantir a produção aos agremiados, que a
organização enquadra, moralisa [sic] e fortalece.
(…)

54
Notícia 35

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: J. -
2. Título do artigo: Organização Nacional da Industria de Lanifícios – II Solução doutrinária.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 873.
7. Data: 26 de Julho.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

55
56
57
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização Nacional da Industria de Lanifícios


II Solução doutrinária.
“Se é certo que a teoria tem que interpretar os factos e deixa de o ser, se os esquecer, nõo
[sic] menos certo é que a acção se perderá se não tiver um pensamento lógico a orientá-la – a
doutrina – indispensável para servir de fundo à mentalidade a criar ao futuro da Revolução”.
PROF. DOUTOR COSTA LEITE (Lumbraíes)
O decreto, cuja análise encetámos no último número, não resolve integralmente o
problema da organização corporativa da indústria de lanifícios: prevê apenas o primeiro e
segundo grau da organização, criando os Grémios - fase primeira – e agrupando-os na Federação
– fase secundária ou intermédia - da Corporação, que realiza plenamente a finalidade corporativa
pela colaboração de todos os elementos da produção.
Doutrinariamente, portanto, o decreto apresenta, por agora, a solução precorporativa [sic]
do problema, procurando suprir a falta do organismo adequado á [sic] reunião dos diferentes
interêsses [sic], tanto os principais como complementares, pelos pactos bilaterais tendentes á
[sic] regulamentação do preço do trabalho e das mercadorias, por uma maior influência do poder,
na sua função de arbitragem obrigatória, e, sobretudo, pelos acôrdos [sic] intersindicais,
expressos juridicamente nos contratos colectivos de trabalho, que estudaremos, ao apreciarmos a
solução social do problema.
Não constitue [sic], porém, qualquer deficiência ou transigência doutrinária esta
orientação do decreto, pois é a única solução possível, de momento, e a que se adapta ás [sic]
realidades no período actual de lenta mas segura transformação social.
Com efeito, sem a prévia organização do trabalho, correspondente ás [sic] formações
gremiais, constituída pelos sindicatos nacionais, ainda por fazer nas regiões industriais
demarcadas pelo decreto, com excepção da Covilhã, era prematura a constituição da Corporação.
Da mesma forma, sem a organização dos elementos complementares da produção, como
a dos produtores da lã e a dos armazens [sic] de lanifícios, a Corporação ficaria incompleta e
imperfeita. (…)

58
Notícia 36

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: J. -
2. Título do artigo: Organização Nacional da Industria de Lanifícios – III Solução jurídica.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 874.
7. Data: 2 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

59
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

60
61
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização Nacional da Industria de Lanifícios


III - Solução jurídica.
“A tendência para a uniformidade e simetria na construção corporativa é funesta: a
elasticidade e a pluralidade das formas jurídicas deve, ao contrário, ser a única regra inspiradora
da organização”.
MANOEILESCO
Devendo a Ordem Corporativa resultar da organização autónoma e hierárquica das fôrças
[sic] económicas, orientada e sancionada pelo Estado, desnecessário se tornava coligir no
diploma emanado do poder central todas as disposições estatutárias da mesma organização e, por
isso, o decreto se limitou a delinear a construção corporativa da Indústria dos Lanifícios e a
marcar-lhe as directrizes.
Em regímen de economia auto-dirigida não podia outra a solução jurídica e, se o Governo
reservou para si, no artigo 40º das disposições transitórias, a faculdade de nomear a primeira
direcção da Federação, procedeu ainda dentro desta orientação.
Em vez de confiar, na verdade, a constituição dos Grémios, base da organização, a
qualquer entidade oficial, entrega-a antes aos três industriais da direcção da Federação, embora
de sua livre escolha, pois por algum lado havia de começar, e comete-lhes a obrigação, no §
único do citado artigo 40º, de promover a reunião das assembleias gerias dos Grémios, afim
destes elegerem, no prazo de 30 dias, os seus corpos directivos.
E são os Presidentes dos Grémios, já escolhidos pelos respectivos sócios, que vão formar
o Conselho geral, que é, conforme prescreve o artigo 6º, o orgão [sic] superior da Federação.
Segundo o artigo 1º, a organização foi criada ao abrigo do decreto-lei n.º 23049 de 23 de
Setembro de 1933, que estabelece as disposições reguladoras da sindicalização obrigatória das
entidades patronais e, porisso [sic], a sua acção tem de desenvolver-se com absoluto respeito
pelo interesse geral da nação e em conformidade com os princípios expressos no Estatuto do
Trabalho nacional (artigo 4º).
(…)

62
Notícia 37

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Direcção do Sindicato Agrícola de Mértola -


2. Título do artigo: Lãs.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 874.
7. Data: 2 de Agosto.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Lãs
O Sindicato Agricola [sic] de Mértola abre concurso para a venda de 950 arrobas de lã branca e 350 preta,
p. m. ou m.
As propostas deverão trazer a designação <<Concurso de Lãs>> e ser entregues até ás [sic] 14 horas do
dia 13 do proxlmo [sic] mês de Agosto.
As condições acham-se patentes neste Sindicato.
Esta associação reserva o direito de não adjudicar se assim o entender.
A Direcção.

63
Notícia 38

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Maquina [sic] de Ultimação.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 874.
7. Data: 2 de Agosto.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio Comercial.
Obs. Repete-se no n .º 877.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Maquina [sic] de Ultimação


Vende-se uma Tesoura nova << Ateliers Houget>>, de Verviers.
Tratar com a Empreza Transformadora de Lans, Limitada – Covilhã.

64
Notícia 39

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Oferece-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 874.
7. Data: 2 de Agosto.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio de trabalhador a oferecer-se.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Oferece-se
Montador de retrocedeiras de fantazia [sic].
Nesta Redacção se diz.

65
Notícia 40

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Organização da Industria [sic] de Lanifícios.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 875.
7. Data: 9 de Agosto.
8. Página: inicia na página 1 e acaba na 2.
9. Tipo: Notícia.

66
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

67
68
69
70
71
72
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização da Industria [sic] de Lanifícios


Na segunda feira, 3, pelo sr. Ministro do Comércio e Indústria, no seu gabinete, foi dada
posse à direcção da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, que é composta pelos srs.
João Ferraz de Carvalho Mégre, Francisco Pinto Balsemão e Eduardo de Couto Lupi.
Ao acto assistiram apenas os interessados, o que se coaduna com o espírito prático do sr.
dr. Teotónio Pereira, homem de acção, de realidades que se traduzem em altos benefícios que o
país vai usufruindo em matéria corporativa.
Sua Ex.ª proferiu, a propósito, as seguintes palavras:
“Como já tive ocasião de fazer notar no relatório do diploma que criou a Federação
Nacional dos Industriais de Lanifícios, inicia-se neste momento a organização corporativa dos
grandes ramos da indústria que trabalham para o abastecimento interno. Com efeito, o vasto
plano de organização que há cêrca [sic] de 4 anos vem sendo executado por este Ministério,
ocupou-se primeiro, como era natural, das actividades ligadas ao comércio exterior.
Temos, como é sabido, os principais ramos de exportação já enquadrados na disciplina
corporativa e o mesmo acontece com alguns produtos dependentes da importação. Na mesma
orientação se prosseguirá até que todos aqueles que pesam verdadeiramente na nossa balança
comercial estejam devidamente organizados.
É porém chegada a hora de se atender às nossas maiores indústrias. Começamos pelos
lanifícios e antes de tudo o resto devo observar com íntima satisfação que foi quasi unânime,
senão unânime, por parte dos industriais o desejo de se enveredar por este caminho.
Acompanhei de perto todo o trabalho realizado pelas várias Comissões que
expontâneamente [sic] se ocupam do assunto e não quero esquecer o louvável interêsse [sic] que
por ele demonstrou a Associação Industrial Portuguesa.
Vimos pôr, portanto, a funcionar um organismo cuja actividade nos fornecerá decerto
uma experiencia importante para o futuro enquadramento das demais indústrias integradas no
sistema corporativo.
(…)

73
Notícia 41

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Dr. João Megre [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 875.
7. Data: 9 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

74
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Dr. João Megre [sic]


Não podemos deixar de homenagear o nosso querido amigo sr. dr. João Mégre pela justa
distinção que acaba de ser-lhe conferida pelo sr. Ministro do Comércio e Industria, incorporando
o seu nome na Direcção da Federação Nacional dos Industriais de lanifícios.
Sabemos que o cargo é mais espinhoso que honroso, pelas responsabilidades que implica
a sua função e pelas eriçadas dificuldades que lhe hão de surgir neste vasto campo semeado de
individualismo e de egoísmo. Todavia, o sr. dr. João Mégre tem qualidades para superar todos os
entraves, todos os escolhos, possuindo ainda um largo conhecimento da vida industrial do nosso
meio e também de toda a orgânica corporativa. E que assim provam-no as palavras seguintes
pronunciadas por S. Ex.ª no acto de posse, e que desejamos sublinhar como expoente dum
equilibrado pensamento e como programa de acção, de bases estruturalmente cristãs e
corporativas, nacionalistas e sociais:
Para consolidação da nova estrutura da sociedade, carecemos, porém, de nos
transformar a nós próprios, criando uma consciência profissional e restabelecendo o império da
moral nos negócios, porque nada há mais real, no dizer de Henri de Mun, do que “o poder
divino da lei moral”.
Pesada tarefa esta, que não se compadece com a mentalidade individualista, ainda
dominante, e que demanda uma obra completa de reeducação moral baseada nos princípios
imutáveis da moral cristã, únicos capazes de desenvolver nos indivíduos e nas massas uma
aspiração espiritual superior, liberta do interesseiro materialismo, que ainda as sufoca.
Depois destas palavras, resta-nos aguardar da parte de todos os industriais de lanifícios, e
dum modo particular dos do nosso meio, a mais decidida boa vontade, um perfeito espírito de
lealdade e isenção, para que os benefícios da doutrina corporativa passam traduzir-se em
realidades.
Para o nosso querido amigo sr. dr. João Mégre vão os nossos cumprimentos de amizade e
apreço, com a oferta da nossa modesta mas integral colaboração.

75
Notícia 42

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: J. -
2. Título do artigo: Organização Nacional da Industria [sic] de Lanifícios - IV Solução
Economica [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 876.
7. Data: 15 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

76
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

77
78
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Nacional da Industria [sic] de Lanifícios


IV Solução Economica [sic]
“O sucesso do corporativismo na economia industrial é a pedra do toque do seu valor
prático”
Manoeilesco.
O corporativismo significa na ordem economica [sic] a introdução do principio [sic] da
disciplina no logar [sic] do lucro individual, que é o único regulador da vida económica
capitalista, constituindo a tendência para a estabilidade e para a diminuição da renda, a missão
mais elevada da organica [sic] corporativa.
Na verdade a descapitalisação [sic], no dizer do celebre [sic] economista romeno, é um
dos imperativos do momento actual, caracterisado [sic] essencialmente pelo ajustamento
continuo [sic] das actividades individuais e, consequentemente, por uma restrição constante da
liberdade económica [sic].
É a dominante economica [sic] do futuro não será a defesa do maior lucro individual, mas
a do maior proveito e justiça pata todos, pois hoje há apenas um mal a sacrificar para a salvação
da colectividade e realisação [sic] do bem geral da nação: o egoismo [sic] de cada um.
Procuura-se, portanto, a colaboração de todos para obter o equilibrio [sic] economico
[sic] e social e para que cada industrial tenha, nos resultados da produção, uma parte
proporcional ao concurso que lhe deu e assim se levará a ordem ao cabo da economia [sic]
industrial [sic].
Á [sic] luz destes princípios é fácil a interpretação das medidas económicas contidas nos artigos
5º (n.os 1 a 8) e 10º (n.os 1 a *) das primeiras á [sic] Federação e a dos * de cooperação dos Grémios com o
Estado, com a Federação e com as estações oficiaes [sic] (n. os 1 a 3) conducentes ao desenvolvimento da
industria, à melhoria das condições de fabrico e de venda do artefacto, à sua expansão, à aplicação e
os
fiscalisação [sic] do condicionamento da mesma industria, impondo-se aos gremios [sic] nos n. 4e5a
obrigação de fazer rspeitar as marcas de garantia e de fabrica [sic], adoptadas pelos sócios, e de fixar
tabelas de remuneração dos diversos serviços fabris, sujeito a aprovação do Governo (artigo 8 n.º 5), que
não permitirá que essa remuneração vá além do justo lucro, correspondente ao custo efectivo da
produção, do trabalho de iniciativa e direcção do empresário e ainda ao risco por ele assumido.
(…)
* a tinta desapareceu do jornal, está ilegível

79
Notícia 43

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Desmoronamento dum [sic] telhado.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 876.
7. Data: 15 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Desmoronamento dum [sic] telhado


Na quinta feira, ás 16 horas, abateu parte do telhado da fábrica dos sr.s Santos Pinto, Irmãos, no
Bairro da Saudade.
O desastre atribui-se a deficiência de escoramento dessa parte do telhado, cuja parede de suporte
estava sendo robustecida com colunas de cimento. Igual trabalho havia sido feito já na parte restante do
edifício.
Por muita felicidade não se registaram perdas pessoais, pois a fábrica estava em laboração.
Apenas houve ferimentos vários, tendo recolhido ao Hospital um rapaz.
Os prejuizos [sic] materiais são bastante avultados, não só no edifício como nas máquinas
atingidas as quais ficaram muito danificadas.

80
Notícia 44

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Gremio [sic] dos Industriais de Lanificios [sic] da Covilhã.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 876.
7. Data: 15 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Gremio [sic] dos Industriais de Lanificios [sic]


da Covilhã
Chamamos a atenção dos interessados para a convocação que publicamos noutro local do nosso
jornal.
Escusado é encarecer a necessidade de todos comparecerem a esta assembleia que ha-de [sic]
eleger o Grémio do Distrito de Castelo Branco cuja sede é na Covilhã.
Para melhor elucidação transcrevemos o artigo 2º do decreto 26850, pelo qual se indicam quais as
pessoas ou firmas obrigadas a ingressar no Grémio:
Artigo 2º - Aos Grémios dos industriais de lanifícios pertencem obrigatoriamente todas as
emprêsas [sic] situadas nas áreas respectivas que utilizem ou venham a utilizar a lã como matéria prima e
paguem contribuição ao Estado pelo exercício de qualquer das seguintes indústrias: lavandaria, cardação,
penteação, fiação de cardado e penteado, tecelagem, tinturaria, ultimação, malhas, mungos e fabricação
de tecidos em oficinas pertencentes a outrem.

81
Notícia 45

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: J. -
2. Título do artigo: Organização Nacional da Industria de Lanifícios – V Solução social.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 877.
7. Data: 23 de Agosto.
8. Página: inicio na página 1 e fim na 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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83
84
85
86
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização Nacional da Industria de Lanifícios


V Solução social.
“O mercantilismo industrial sob a forma capitalista ou socialista é o erro que predomina
no campo social”.
LÉON DE PONCINS
Temos apreciado até aqui, e muito resumidamente, os aspectos doutrinários, jurídicos e
económicos da organização da indústria de lanifícios, restando-nos agora ver como resolve, o
decreto, o problema social, sem dúvida o mais palpitante neste grave período de inquietação e de
profundas perturbações político - económicas.
De facto estamos, como diz Tristão de Ataíde, “em plena gestação de uma nova fase
social ….. estamos morrendo e nascendo ao mesmo tempo, pois em nós se está processando o
fim de uma idade e o inicio de outra. Daí a grande perplexidade em que vivemos”.
E se nos industriais não aumenta o conhecimento das suas responsabilidades e a sua
consciência dos seus deveres, terão a sorte que merecem em todos os tempos as aristocracias e as
autoridades sociais falhas de virtudes ou traidoras á [sic] sua missão: verem-se
irremediavelmente subvertidas por outras camadas sociais; é a história da invasão dos bárbaros a
repetir-se através dos séculos.
O decreto criador da organização corporativa da indústria, que vimos examinando, põe o
problema social e procura resolvê-lo por medidas a codificar nos contratos colectivos de
trabalho. Mas mal irá ao industrial se não quizer [sic] compreender o seu alcance e urgente
necessidade e persistir em ver na organização, apenas um elemento conservador dos seus
haveres, em vez dum factor de profunda transformação social.
É que o corporativismo, segundo Manoeilesco deve integrar-se na vida da época, como
um factor e como uma condição de realização de uma sociedade futura, na qual o predomínio do
capital será substituído pelo do trabalho e das faculdades organizadoras.
(…)

87
Notícia 46

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: A eleição dos Corpos Directivos do Grémio dos Industriais.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 877.
7. Data: 23 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

88
89
90
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

A eleição dos Corpos Directivos do Grémio dos Industriais.


Na segunda feira á [sic[ noite realizou-se na séde [sic] da Associação Industrial e
Comercial a Assembleia geral dos industriais de lanifícios, por convocação da respectiva
Federação Nacional, para a eleição dos corpos gerentes do Grémio da Covilhã.
A sessão foi presidida pelo presidente da Federação, sr. dr. João Megre [sic], secretariado
pelo vogal sr. Francisco Pinto Balsemão, e pelo sr. Armando Túlio Garcia Carneiro.
O sr. dr. João Megre [sic], abrindo a sessão, saudou os industriais do país e lembrou a
oportunidade de ser enviado um telegrama ao sr. Ministro do Comércio e Industria, o que todos
os presentes aprovaram.
Em seguida, com os seus largos conhecimentos do assunto, focou os aspectos gerais do
corporativismo, cuja alta finalidade “visa excepcionalmente ao equilíbrio económico e social,
obtendo-se um pela disciplina dos produtores e regularização da produção e o outro pela
cooperação do capital, técnica e trabalho, que convencionarão, em situação de igualdade todas as
relações de mão de obra, nos contractos colectivos de trabalho e realização de obras de
assistência previstas”. Desenvolveu ainda o ponto de vista jurídico dos Grémios, esclarecendo
que a nomeação da Federação, pela sua elevada responsabilidade, ficou a cargo do Governo, a
dos Grémios a cargo dos industriais.
Elucida que, com a cooperação de um grupo de industriais, fôra [sic] composta uma lista
para o Grémio da Covilhã. Essa lista, apresentada em seguida pelo sr. Cláudio de Sousa
rebordão, foi aprovada por aclamação.
É composta pelos seguintes nomes: Assembleia Geral: Francisco da Silva Ranito,
presidente; dr. António Pereira Espiga e Manuel Fernandes Duarte, vogais; direcção: Francisco
Fina, presidente; Américo da Cruz Sousa, dr. Aníbal Mousaco Alçada, António Maria das Neves
e João Borges Terenas (sobrinho), vogais.
Depois da eleição usaram da palavra os srs. Guilhermino de Melo e Castro, Pe Alfredo
Marques dos Santos e dr. Fernando Carneiro. Foram unânimes nos seus louvores á [sic]
organização corporativa e nas homenagens aos membros da Federação e do Grémio da Covilhã.
(…)

91
Notícia 47

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

10. Autor do artigo: “O Trabalhador” -


11. Título do artigo: Nós, trabalhadores cristãos, e os comunistas.
12. Título do jornal: Notícias da Covilhã
13. Local: Covilhã.
14. Ano: 1936.
15. Número: 877.
16. Data: 23 de Agosto.
17. Página: 3.
18. Tipo:

Obs. Não se transcreve o teor do anúncio, fazendo-o não se transmitiria fielmente todo o
conteúdo do mesmo. Para além disso é perfeitamente legível

92
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

93
Notícia 48

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Escola Industrial de Campos Melo.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 877.
7. Data: 23 de Agosto.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio.

Obs. Repete-se no n.º 878

94
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

95
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Escola Industrial de Campos Melo


A direcção desta Escola anuncia que de 1 a 20 de Setembro, se acha aberta a matrícula para as
disciplinas que constituem os cursos profissionais de:
Debuxador – Tintureiro – Tecelão – Mecânico – Cerzideira
A secretaria desta Escola estará aberta para este efeito todos os dias úteis das 15 às 17 e das 19 às
21 horas.
Os candidatos à matrícula pela primeira vez deverão apresentar:
1º - Certidão de idade em que provem que têm pelo menos 12 anos feitos ou a completar até 31
de Dezembro do corrente ano;
2º - Atestado médico comprovativo de que não sofrem doença contagiosa e que são vacinados;
3º - Certificado de exame do 2º grau;
4º - Duas fotografias para o seu cartão de identidade;
5º - Bilhete de identidade passado pelo Registo Civil.
A apresentação do bilhete de identidade é obrigatória tanto para os candidatos à primeira
matrícula como para os que já frequentam a Escola.
A propina a pagar pela matrícula é de:
Para os alunos ordinários (diurnos) 4$00
Para alunos extraordinários (nocturnos ou diurnos) cada disciplina 4$00
Para além destas propinas cada candidato terá de pagar:
Para a Caixa Escolar 2$00
Para a Comissão Permanente de Seguros Escolares 2$00
Os alunos extraordinários deverão ter pelo menos 14 anos feitos ou a completar até 31 de
Dezembro do corrente ano.
Os candidatos a quem faltem seis meses para as idades acima designadas poderão ser admitidos
mediante o pagamento de mais 4$00.
Os candidatos a quem faltem mais de 6 meses para se matricularem como alunos diurnos poderão
ser admitidos mediante o pagamento de 8$00.
O atestado médico destes últimos candidatos deverá declarar também que eles possuem a
robustez suficiente para a aprendizagem da oficina a que se destinam.
Covilhã, 19 de Agosto de 1936
O Director
Ernesto de Campos Melo e Castro

96
Notícia 49

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: A eleição do Grémio dos Industriais de Lanificios [sic] da Covilhã.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 878.
7. Data: 30 de Agosto.
8. Página: 1.
9. Tipo: Rectificação da notícia anterior.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

A eleição do Grémio dos Industriais de Lanificios [sic] da Covilhã


No relato que fizemos no número passado dissemos que a “lista apresentada em seguida pelo sr. Claudio
[sic] Sousa Rebordão, foi aprovada por aclamação”, quando é certo que o sr Claudio [sic] Rebordão se
limitou, após a apresentação da eferida [sic] lista pelo sr. Dr. João Megre, a pedir a sua aprovação por
aclamação.

97
Notícia 50

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Organização da industria de lanificios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 879.
7. Data: 7 de Setembro.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

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101
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Organização da industria de lanificios [sic]


Proseguindo [sic] no seu esforço de organização corporativa das forças produtivas da não,
publicaram os poderes publicos [sic] um notavel [sic] diploma que determina todas a regras e
princípios, a que deve obedecer, na organica [sic] econonica [sic] do Estado, a industria [sic] de
lanificos [sic].
O turbilhão da hora que passa, pondo na tela da actualidade, acontecimentos de suma
importancia [sic], que pelo ritmo acelerado que seguem, envelhecendo no dia seguinte ao que se
produziram, não nos permitiu a referencia [sic] merecida e necessaria [sic], a essa obra, que tem
para a nossa região um interesse capital.
O liberalismo, proclamado como principio [sic] basilar de toda a vida produtiva a
liberdade plena da acção, fazer gerar o egoismo [sic] individual, como critério supremo de toda a
acção económica da nação.
O Capital tornou-se um monstro absorvente e dominador, escravisando [sic] não só os
outros agentes da produção, mas os proprios [sic] consumidores que ficaram, na qualidade e no
preço dos produtos, sugeitos [sic] á [sic] sua ganacia [sic] desenfreada. Produziu-se, assim, a um
tempo a anarquia da produção, a escravidão das massas trabalhadoras e a sujeição da própria
nação, ao capricho egoísta, á [sic] cupidez devoradora da capital.
Às desordens, em que o mundo economico [sic] se debate, assim como os conflitos em
que o trabalho caiu, com a trágica luta de classes, provem desse fenómeno, ou dessa escola
funesta, que fica na historia [sic] da economia do mundo, como o mais ruinoso corrosivo das
energias organizadoras da produção e como o mais perigoso desorientador das directivas
regulares, que os seculos [sic] haviam dado á [sic] marcha da organização da vida produtiva.
Foi nos crimes, engendrados pelo liberalismo nascente, logo ao alvorecer da
maquinofatura [sic], despertada pelos mercados, rasgados á [sic] produção europeia, pelas
descobertas maritimas [sic], que Carlos Marx poude [sic] encontrar as bases, embora falsas, da
sua obra perniciosa, que se chama o Capital.
(…)

102
Notícia 51

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Armazem [sic] de lanificios [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 879.
7. Data: 7 de Setembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Armazem [sic] de lanificios [sic]


Trespassa-se na Rua Direita, com pequena existência.
Tratar com António J. de Sousa.

103
Notícia 52

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Contractos colectivos de trabalho.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 881.
7. Data: 20 de Setembro.
8. Página: 1.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Contractos colectivos de trabalho


Encontra-se nesta cidade o nosso querido amigo sr. dr. Ubach Chaves que vem estudar os planos
em que hão-de assentar os contractos colectivos de trabalho, na industria [sic] de lanificios [sic].
Torna-se ocioso encarecer esta medida de evidente protecção á [sic] familia [sic] operária,
porque são bem patentes as suas vantagens. E Não só para a classe operária mas ainda para a
classe patronal, pela unificação de salarios [sic] – e salarios [sic] justos que permitirão ao
trabalhador viver sem sacrificios [sic], aumentando, desta maneira, a sua capacidade de compra.

104
Notícia 53

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: “O Trabalhador”-


2. Título do artigo: Os salários.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 881.
7. Data: 20 de Setembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Noticia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

105
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Os salários
Está-se dando em algumas partes um facto, deveras grave, para o qual chamamos a
tenção do Governo.
Vendo o comunismo agonisante [sic], alguns patrões começam a reduzir os salários dos
operários, na ideia d [sic] que já têm que ter mêdo [sic] de possíveis vinganças operárias.
Sentem que a ordem em Portugal está bem defendida pelo Governo e, em vez de pagarem
a este, a paz e a segurança que lhe garante, só pensam em juntar mais uns cobres para os seus
desperdícios, tantas vezes imorais.
Homens que assim procedem são verdadeiros criminosos!
O grande mal da sociedade está precisamente em grande parte na desigual e injusta
repartição das riquezas.
Pio XI afirmou-o muita vez. Não se poderá garantir a paz e segurança públicas, enquanto
não se fizer com que os bens sejam repartidos com suficiente largueza pelos operários.
Mais do que nunca é necessário proceder com energia a um aumento equitativo dos
salários.
É esse o pensar de todos os operários, de todas as inteligências bem formadas e do
Governo.
Pois é nesta hora que esses senhores sem vergonha nem dignidade, começam a praticar a
política odienta da baixa dos salários!
Esperemos que o reinado destes trampolineiros [sic] acabe depressa.
De “O Trabalhador”

106
Notícia 54

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Salário mínimo na industria [sic] de algodões.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 881.
7. Data: 20 de Setembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

107
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Salário mínimo na industria [sic] de algodões


O Governo acaba de decretar o salário mínimo para a indústria têxtil algodoeira.

São cerca de 50.000 operários e respectivas famílias que beneficiam desta salutar medida
imposta pela política Corporativa do Estado Novo.

É desta maneira, com atitudes reais, que se cumprem as promessas de Salazar. Pena é que
muitos operários, presos ainda a antigos compromissos não se decidam de alma e coração a
entrar nos organismos corporativos que lhes são destinados, nesta engrenagem do mútuo
entendimento entre o Capital e o Trabalho para uma mais perfeita distribuição da justiça social e
para uma mais metódica e regrada produção.

Todavia, estamos certos, as realidades hão-de vence-los. O Estado Corporativo, com


lentidão talvez, mas com passo seguro e invencível, vai lançando os alicerces da nova
organização económico – social, de guerra decidida contra todas as injustiças sociais.

A família operária, atirada pelo liberalismo para a luta de classes, como meio de
conseguir algumas regalias, desiludida pelos desenganos encontrados nesse trilho tortuoso,
volverá unânimemente[sic] a sua acção para a organização sindical que o Corporativismo lhe
oferece, porque só ali encontram satisfação, os seus legítimos anseios de justiça.

Poucos ficarão de fóra [sic]: apenas os profissionais do ódio, da vingança, da ambição,


insuflados

A esses poucos cabe ainda ao estado Corporativo pô-los à margem do convívio social, ou
encaminha-los para o paraíso russo. Mas esses indesejáveis [sic] não os encontramos apenas
entre o meio operário: - ha-os[sic] na alta finança, senhores absolutos e tirânicos duma fortuna
improdutiva ou vil tormento de muitos infelizes que as vicissitudes da vida fizeram cair em seus
tentáculos de polvo [sic] sedento do sangue, do suor, da felicidade dos que trabalham.

(…)

108
Notícia 55

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Precisa-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 881.
7. Data: 20 de Setembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio de oferta de emprego.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

PRECISA-SE
Empregado para dirigir oficina de tecelagem.
Precisa-se tambem [sic] de um serralheiro apto para consertar teares.
Nesta redacção se diz.

109
Notícia 56

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Máquinas e acessórios.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 882.
7. Data: 27 de Setembro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio comercial.
Obs. Repete-se nos n. 883, 884, 887 e 888.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Máquinas e acessórios
1 motor TANGYE de 35 HP e respectivo gerador, em muito bom uso;
10 metros de linha de movimento de 60 mm;
Cadeiras de parede e suspensão;
Chumaceiras Farcot de 50, 60 e 70 mm;
Uniões de manchão e de prato;
1 enchedeira de fuso ao alto com 48 fusos, para teares de máquina;
1 outra com 18 fusos para teares lisos;
VENDE Manuel Pereira Nina – Covilhã

Notícia 57
110
I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Estatuto do Trabalho Nacional.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 882.
7. Data: 27 de Setembro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

111
II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

112
113
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Estatuto do Trabalho Nacional


Passou no dia 23 o 3º aniversário da publicação do Estatuto do Trabalho Nacional.
Em Lisboa e no Porto este acontecimento foi solenemente comemorado, frizando-se [sic],
em discursos vários, os beneficios [sic] alcançados desde então.
Transcrevemos algumas palavras pronunciadas pelo sr. dr. Rebelo de Andrade, sub-
Secretário do Estado das Corporações.
“Á medida que se tem constituído os organismos corporativos de coordenação e
disciplina económica, se tem efectivado, por sua vez, na base dos contratos colectivos, os
regimes de salários e disciplina do trabalho e da providência. Desta maneira vão cessando as
colisões de interêsses [sic], os conflitos ou simples desentendimentos. O contracto colectivo
regula as relações entre a produção e o trabalho, assegura a este as condições necessárias da sua
continuidade e do seu ritmo, e á [sic] família operária, pela providência e aquisição da habitação
económica, o seu património material e a possível regularidade da sua vida moral na
permanência do nosso lar comum. Assim foi possível chegarmos, no limiar do 4º ano de vigência
do diploma fundamental da organização corporativa, ao estabelecimento de salários mínimos
para os operários da maior indústria do País, dando mais uma vez ás [sic] massas operárias e ao
patronato a certeza palpável de que o sistema corporativo português pratica com o maior
escrúpulo e equidade, os princípios da justiça social sem atropelos do direito de conservação das
forças de produção e antes na medida justa das suas possibilidades.
A terminar, no meio de grandes aplausos:
- A acção a desenvolver é, pois, o prolongamento do que ficou para trás, só mais intenso
e acelerado e porque mais intenso e acelerado é agora o ritmo da construção da ordem
económica.
“Três anos falam-nos hoje de robustecida fé, de fé raciocinada e forte, calma, serena e
segura. Sentimos, nas bandeiras que drapejam nas grandes manifestações colectivas, no rumo das
massas que nos cercam, o ambiente de um exército novo que rompeu a sua marcha e que a não
suspenderá. É a marcha da organização corporativa, a que Salazar chamou “a grande batalha do
futuro”, por ela nos bateremos. Com ela aumentaremos a glória de Portugal!”

114
Notícia 58

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Contribuição Industrial.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 884.
7. Data: 11 de Outubro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Anúncio comercial

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Contribuição Industrial
Encontra-se em reclamação até dia 18 do corrente a Contribuição Industrial, Grupo C.
Os interessados podem obter conhecimento da Repartição de Finanças, da verba que lhe foi
atribuída.

115
Notícia 59

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Máquinas.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 884.
7. Data: 11 de Outubro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

Obs. Repete-se no n.º 885.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Máquinas
Compram-se em bom estado de funcionamento, as seguintes:
1 Esfarrapadeira
1 Retorcedeira
1 Enchedeira
Nesta redacção se diz.

116
Notícia 60

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Embobinadeira.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 886.
7. Data: 25 de Outubro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio comercial.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Embobinadeira
De 48 fusos, VENDE-SE.
Nesta Redacção se diz.

117
Notícia 61

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Salários.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 887.
7. Data: 1 de Novembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Salários
Pela F. N. I. L. foi fixado o salário minimo [sic] na industria [sic] de lanificios [sic],
baseado na retribuição media [sic] da Covilhã, obtendo-se, assim,por via corporativa, a
equiparação de outras regiões industriais com este centro.
É o primeiro passo, imprescindivel [sic] e necessario [sic], a dar antes da determinação do
salário vital, suficiente e justo, completado ainda pelos salutares beneficios [sic] da providencia
[sic], que os contratos colectivos, já em adiantado estudo, serão, em breve, chamados a realizar.

118
Notícia 62

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Maquinas [sic] de costura.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 887.
7. Data: 1 de Novembro.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio.

Obs. Repete-se no n.º 888

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Não se transcreve o teor do anúncio, fazendo-o não se transmitiria fielmente todo o conteúdo do
mesmo. Para além disso é perfeitamente legível.

119
Notícia 63

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Quem quererá auxiliá-lo?.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 888.
7. Data: 8 de Novembro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

120
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Quem quererá auxiliá-lo?

Chegou-se a nós um digno chefe de família que cobriu a sua já longa vida de trabalho
contínuo e honrado, para nos expor a sua situação.

Está alquebrado pela idade e pelo trabalho: todavia trabalha ainda, porque uma lama
generosa lhe dá ocupação numa fábrica, compatível com as suas debilitadas energias.

Da féria que recebe para sustento do lar tem de tirar uma parcela para ajuda do custo dos
livros e vestuário – porque o sustento é gratuito – de um filho que frequenta um Seminário. Com
enormes dificuldades pôde satisfazer parte dessa importância, mas falta-lhe ainda uma parcela,
que é muito avultada para o seu minguadíssimo orçamento.

Há, felizmente, boas almas na Covilhã. Nelas confiamos ao tornarmo-nos intérpretes do


pedido do digno chefe de família.

Auxiliem-no a pagar a verba que lhe falta para continuar a manter o seu filho no
Seminário.

É dupla a satisfação de quem dá: auxilia um bom pai e auxilia a formação dum sacerdote,
tão necessário nesta hora de egoísmos.

Anónimo 50$0

121
Notícia 64

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Quem quererá auxiliá-lo?.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 889.
7. Data: 15 de Novembro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

122
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Quem quererá auxiliá-lo?

Lançámos um apêlo [sic] no anterior numero [sic] em favor de um pobre chefe de familia
[sic] que se vê impossibilitado de ocorrer ás [sic] despesas de livros e vestuario [sic], de um seu
filho que frequenta um Seminário.

É um humilde operário, uma alma cristã, um modelar chefe de familia [sic] que pede.
Confrange-se-lhe o coração ante a impossibilidade de roubar ao seu magro salário a importancia
[sic] que lhe falta para satisfazer a ultima conta, e o seu grande desejo de amparar a vocação
sacerdotal do filho.

Ha [sic] boas almas na Covilhã, que decerto o auxiliarão.

Foi nesta esperança que lançamos o apêlo [sic]. Começa a ser correspondido. Mas ainda
faltam algumas dezenas de escudos.

Anonimo [sic) 50$00

Um confrade de S. Vicente de Paulo 10$00

123
Notícia 65

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

10. Autor do artigo: Não identificado -


11. Título do artigo: Salários Minimos [sic].
12. Título do jornal: Notícias da Covilhã
13. Local: Covilhã.
14. Ano: 1936.
15. Número: 889.
16. Data: 15 de Novembro.
17. Página: 2.
18. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

124
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Salários Minimos [sic] o tecelão manual


A acção da politica [sic] social do Estado Novo Corporativo é cada dia mais notável.
Com o estabelecimento do salário mínimo para a industria [sic] da lanifícios, beneficiam
algumas centenas de operários da Covilhã e arredores.
Queremos referir-nos aos tecelões manuais.
As tabelas por que eram retribuidos [sic] os seus serviços tinham desaparecido, vigorando
o arbítrio da oferta e da procura, num aviltamento flagrante do justo salário. Este caso maiores
proporções tomára [sic] com os tecelões do Teixoso. O prêço [sic] por que se estavam pagando
os córtes [sic], além de ser vexatório para o operário, era causa de grande e perturbadora
desorientação.
Como não havia tabelas a que obedecer, cada um baixava quanto podia, para triunfar na
vil concorrência de produtos em que se tem vivido.
A Federação Nacional dos Industriais de Lanificios [sic], resolvendo este problema,
defendeu o salário a que tem direito o tecelão manual e pôs termo a essa desenfreada
concorrência de preços, feita à custa de sacrifícios duma numerosa classe operários.
Para que as tabelas sejam estritamente cumpridas, vai exercer-se uma eficaz fiscalização.

125
Notícia 66

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado.


2. Título do artigo: Quem quererá auxilià-lo [sic]?.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 890.
7. Data: 22 de Novembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

126
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Quem quererá auxiliá-lo?


O nosso apêlo [sic] a favor do chefe de família que se encontra em dificuldades para ocorrer ás
despesas de livros e vestuário de seu filho que frequenta um Seminário, vai ecoando nas almas bem
formadas. Mas a verba recebida á ainda insuficiente.
É necessário aumentá-la. De novo apelamos para a generosidade dos nossos leitores. O pedido
que lhes dirigimos, em nome do pobre operário, chefe de família, é daqueles que merecem ser acolhidos
com simpatia.
Ficamos aguardando até á próxima semana.
Transporte 60$00
Fernando Carneiro e Ex.ma Esposa 25$00
A Transportar 85$00

127
Notícia 67

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado-


2. Título do artigo: Teares mecanicos [sic].
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 890.
7. Data: 22 de Novembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Teares mecanicos [sic]


De maquina [sic] e lisos compram-se.
Informa este jornal.

128
Notícia 68

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Quem quererá auxiliá-lo?.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 891.
7. Data: 29 de Novembro.
8. Página: 2.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

129
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Quem quererá auxiliá-lo?


O Senhor abençoou as nossas palavras pedindo protecção para um pobre chefe de família,
operário, impossibilitado de ocorrer integralmente ás [sic] despesas de livros e vestuário de um
seu filho seminarista.
Se os donativos não têm sido demasiado avultados de harmonia com as necessidades do
nosso protegido, ao menos são a expressão viva de que há ainda corações bem formados que
desabrocham em caridade quando ha [sic] mister de levar o perfume delicioso desta virtude, ao
campo triste da privação e das necessidades materiais e morais.
Bendizemos ao Senhor pela hora feliz em que inspirou o nosso apêlo [sic].
Transporte 85$00
D. Amélia Pereira Nina 10$00
J. M. F. 50$00
D. Filomena Fiadeiro (em Sufrágio da alma da sua irmã) 20$00
A Transportar 165$00

130
Notícia 69

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: As tabelas da tecelagem manual.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 891.
7. Data: 29 de Novembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Notícia.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

As tabelas da tecelagem manual


Já nos referimos a este assunto, proclamando os seus beneficios [sic] para a classe operária e para a classe
industrial.
Dissemos que ia ser ordenada uma rigorosa fiscalização para obrigar ao integral pagamento da Tabela. É
necessário que seja assim, pois que se não se exercer uma aturada e criteriosa fiscalização esta salutar
medida do Grémio dos Industriais de Lanificios [sic] tornar-se-á letra morta. Especialmente quanto aos
tecelões do Teixoso, que representam a maioria, tem de haver a mais discreta vigilancia [sic].
Voltámos ao assunto, porque alguem [sic] nos segredou que se estavam já mistificando as tabelas…

131
Notícia 70

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

10. Autor do artigo: Não identificado -


11. Título do artigo: Grémio dos Industriais de Lanifícios de Covilhã.
12. Título do jornal: Notícias da Covilhã
13. Local: Covilhã.
14. Ano: 1936.
15. Número: 892.
16. Data: 6 de Dezembro.
17. Página: 2.
18. Tipo: Aviso.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Grémio dos Industriais de Lanifícios de Covilhã


Torna-se público o seguinte
AVISO
Fechando impreterivelmente no dia 12 do corrente a inscrição de sócios deste organismo
corporativo, torna-se urgente a devolução das respectivas fichas por parte dos srs. Industriais que ainda o
não fizeram, devendo os que as não receberam – pois é natural que, por lapso ou desconhecimento, tenha
havido qualquer omissão – requisitá-las imediatamente na sua sede.
Covilhã, 6 de Dezembro de 1936.
A DIRECÇÃO

132
Notícia 71

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Maquinas [sic] – Vendem-se.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 893.
7. Data: 13 de Dezembro.
8. Página: 3.
9. Tipo: Anúncio.

Obs. Repete-se no n.º 895.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

133
III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Maquinas [sic] – Vendem-se


Um sortido completo de 1,20
Um carregador automatico [sic] de 1,40
Um motor Diesel de 60 HP
Um Tinte completo
Um lobo para esfarrapar lã
Um batedor para envolver voltas
Uma carda tripla de dente e serra
Um electro motor de 20 HP, novo
Uma caldeira a vapor
Um batedor de trapos
Um dinamo [sic] corrente 110w
Linhas e tambores
Varios [sic] utensílios para a in dustria.
Ver e tratar. Bernardino da Cruz Fael

134
Notícia 72

I – IDENTIFICAÇÃO DA FONTE:

1. Autor do artigo: Não identificado -


2. Título do artigo: Aos Sr. Capitalistas.
3. Título do jornal: Notícias da Covilhã
4. Local: Covilhã.
5. Ano: 1936.
6. Número: 894.
7. Data: 20 de Dezembro.
8. Página: 4.
9. Tipo: Anúncio.

II – IMAGEM DA NOTÍCIA:

III – TRANSCRIÇÃO DA NOTÍCIA:

Aos Sr. Capitalistas


Precisa-se socio [sic] capitalista, para financiar fábrica de malhas em laboração na Covilhã.
Resposta a esta Redacção.

135
3. Análise do ano de 1936

Quem lesse o Notícias da Covilhã de 1936, e não se apercebesse da existência da censura


(no cabeçalho de cada número é referido que foi verificado pela Comissão da Censura), diria que
este foi um ano em que nada se passou de interessante: não houve manifestações, não houve
greves, nada de tumultos, enfim, um ano pacífico.

Apesar disso houve notícias de factos importantíssimos para toda a indústria dos
lanifícios nacional, não só para a da cidade ou da cova da beira.

Foi neste ano que o Governo da Nação decidiu “corporatizar” a Indústria dos Lanifícios,
criando os Grémios (Covilhã, Gouveia, Lisboa, Porto e Armação de Pêra) e agrupá-los na
Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios.

Destaco este assunto, não só pela importância que estes organismos tiveram para o
desenvolvimento da indústria dos lanifícios regional e nacional, mas pelas extensas notícias
sobre ele produzidas por um senhor que assinava J. e que foi descrito como profundo
“conhecedor do meio, das suas necessidades e dos seus defeitos” pelo jornal.

A organização da indústria dos lanifícios nos Grémios e nas Federação Nacional


começou a ser noticiada em 7 de Julho, com uma pequena notícia, e prolongou-se por mais de
uma dúzia de artigos, destacando-se os artigos assinados pelo já referido J..

Nos 5 artigos que assina, J. escalpeliza toda a organização corporativa da industria que o
estado novo, também ele chamado de corporativo, iniciando esta análise pelas “considerações
gerais” do decreto estatal, e prosseguiu analisando a “solução doutrinária”, “solução jurídica”,
“solução económica”, e termina com uma análise da “solução social”.

Foi durante o período em que foi publicando estes artigos que foi dada a posse aos
elementos da Direcção da Federação Nacional da Indústria de Lanifícios pelo Ministro do
Comércio e Indústria, deslocando-se posteriormente à Covilhã o vogal da direcção para a
eleição, e empossar os corpos dirigentes do Grémio dos Industriais da cidade.

Foi igualmente importante, porque também demonstrava a importância da indústria de


lanifícios na Covilhã, o facto do Delegado do Instituto Nacional do Trabalho (actual Autoridade
para as Condições de Trabalho - ACT) desta cidade, dr. Ubach Chaves, ter sido nomeado

136
Presidente do mesmo instituto. Curioso foi verificar que o homem que deu nome à rua onde
actualmente está instalada a ACT, e o Tribunal do Trabalho, Dr. Almeida Eusébio, e que tinha
sido director do Notícias da Covilhã, ter vindo à cidade para aproveitas os seus “bons ares” para
se curar de uma maleita que o tinha acometido em Lisboa, onde desempenhava o cargo de
Director da Penitenciária.

Em 1936 iniciou a laboração a tinturaria Clemente Petruci & Irmão, que, segundo o
Notícias da Covilhã, era uma “oficina que honra a Covilhã e a sua indústria de lanifícios”.

Na fábrica Alçada, que estava a ser objecto de obras de melhoramentos, deflagrou um


incêndio, que não causo prejuízos de monta. Igual sorte não tiveram Santos Pinto & Irmãos, que
quando procediam a obras de robustecimento do escoramento do telhado da sua fábrica, viram
este desmoronar-se, e causar-lhes avultados prejuízos.

Foi igualmente um incêndio que deu origem a 3 publicações. Na fábrica Roseta, no dia 11
de Abril, deflagrou um incêndio, e durante o combate ao mesmo terá ruído uma parede,
originando ferimentos graves no “pobre Manuel Tarouca”. A 1ª notícia, publicada em 19 de
Abril, noticiava o estado de saúde do bombeiro, e que deve ter originado algum “diz que me
disse”. Na sequência disso o 1º Comandante dos Bombeiros Voluntários da Covilhã sentiu
necessidade de fazer públicos esclarecimentos. A Ultima noticia o falecimento do heróico
bombeiro. Manuel Tarouca.

A título de curiosidade, refira-se que o aparelho de RX foi instalado nesse ano no


Hospital da Misericórdia e inaugurado a 11 de Outubro. Foi anunciado como sendo o melhor das
Beiras e dos melhores do país.

Nos diversos anúncios em que se solicitam, ou se oferecem, trabalhadores, verifica-se


sempre que a necessidade é de trabalhadores qualificados e devidamente habilitados.

A habilitação para estas profissões era obtida na Escola Industrial de Campos Melo.

Para o ano lectivo de 1936/37 as matrículas decorreram de 1 a 20 de Setembro e, como


nos tempos actuais, implicavam o pagamento de propinas: 4$00 para os alunos ordinários – (€
0,02!).

Durante o ano apareceram inúmeros anúncios de acontecimentos sociais, nascimentos,


casamentos (e pedidos de casamento) e, obviamente, óbitos.

137
Em nenhum é referido as profissões dos intervenientes, como só com os nomes não me
era possível afirmar, com qualquer grau de certeza, se seriam de pessoas ligadas, ou não à
indústria de lanifícios, não os fotografei nem transcrevi.

No entanto um, publicado a 2 de Fevereiro, que, pela sua extensão, pelos elogios e pela
parte final, me chamou a atenção, e com elevado grau de certeza, me permite afirmar que a
senhora que faleceu era ligada à classe industrial da Cidade. A senhora deixou aos pobres da
Covilhã e Teixoso 20.000$00, quantia avultada. Para além disso, no anúncio da triste notícia diz-
se que a senhora era tia por afinidade do dr. José Almeida Eusébio, já referido.

Mais tarde confirmei a minha suspeita. A falecida era sogra de Francisco Balsemão.
Quando estava a transcrever as noticias do sr. J., referente à Organização da Indústria dos
Lanifícios, verifiquei este senhor foi nomeado vogal da Direcção da Federação.

Fora da vida social da indústria dos lanifícios, refira-se que o inicio do ano foi
movimentado na cidade devido à neve. Há várias notícias de comboios especiais de Lisboa, que
chegavam e partiam, no máximo, com 3 minutos de atraso.

Foi em 1936 que foi criada a Liga dos Amigos do Hospital da Misericórdia, se os
industriais de lanifícios não estiveram directamente ligados a esta liga, pelo menos pelas esposas
devem ter lá estado. Na altura as causas humanitárias eram ocupações das mulheres dos
industriais.

Com o mui nobre objectivo de proporcionar conforto da classe operária, iniciou-se o


processo de adjudicação da construção das Casas Económicas dos Penedos Altos. Não sei se
foram equipadas com os novíssimos aparelhos de aquecimento central que eram publicitados
como sendo muito económicos.

Uma outra coisa, novíssima, que foi publicitada foi o “primeiro talho frigorífico”, que
afirmava ser o único local onde se podia comprar de forma segura, e em condições de higiene,
carne fresca.

Na memória retive, também, as inúmeras notícias publicadas no Notícias da Covilhã


acerca da Lei do Eugenismo publicada na Alemanha. Foi também assunto recorrente a situação
que se vivia na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, criticando-se duramente o rumo que
tal nação levava. Criticava-se muitas das relações que alguns países tinham com a URSS,
chegando a publicar-se várias anedotas a rebaixar Lenine.

138
A organização do Comício Anti-comunista foi amplamente noticiada, desde a publicação
das actas das reuniões preparatórias até ao seu enaltecimento pela inúmera participação em
Outubro.

As picardias que actualmente se verificam entre as cidades da Guarda, Covilhã e Castelo


Branco, já nessa altura aconteciam. O VI Congresso Beirão o discussão era qual delas devia ser a
capital da província das beiras. As outras cidades (Guarda e Castelo Branco) achavam que a
Covilhã já tinha demasiadas coisas.

Curioso foi acompanhar a história do operário que pediu ajuda ao Notícias da Covilhã
para obter fundos para financiar o vestuário e os livros do seu filho seminarista. Em 4 semanas
conseguiu 165$00.

Fiquei com a ideia que 1936 foi um ano importante para a indústria dos lanifícios, na
Covilhã e a nível nacional, e profundamente influenciador do futuro desta indústria. Não fosse a
criação dos Grémios e da Federação Nacional dos Industriais de Lanifícios, e a indústria não
seria como a conhecemos nos dias de hoje, com todas as histórias que conhecemos. Poderia ser
melhor ou pior, mas de certeza que seria diferente.

139
Índice

1. Introdução .......................................................................................................................................... 3

2. Material Publicado sobre a Indústria dos Lanifícios no Notícias da Covilhã durante 1936..................... 4

3. Análise do ano de 1936 ................................................................................................................... 136