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Realizado por Fabián Tello a partir do livro DUQUE, João – Homo Credens.

Lisboa:
Universidade Católica Editora, 2002.

João Duque começa por ressaltar a mútua relação entre fé e teologia, sendo que
uma reflexão da fé é teologia e toda teologia parte da fé. Duque diz o método de
abordagem tem que ser fenomenológico-descritivo, por este motivo propõe uma
abordagem que conjugue historia e uma elaboração sistemática.

Duque admite a proposta histórica de S. Fiorenza à qual esta dividida em 3 fases:

1. Renascença: Marcada por a distinção entre teologia positiva e escolástica (séc.


XVI). A teologia positiva estudava os dados básicos ou fontes da teologia, que
logo eram analisados pela teologia escolástica, neste sentido a teologia positiva
era uma Teologia Fundamental (TF).
2. Ilustração: É uma reação ao deísmo e ao racionalismo, por isto é marcadamente
defensiva, e coloca-se em posição de mostrar-se como a verdadeira religião,
enquanto revelada. Torna-se uma apologética que alcançará o seu cume no séc.
XVIII.
3. Séc. XIX. Com Kant dá-se uma reviravolta na filosofia, onde o importante é a
teoria do conhecimento, assim a teologia procura uma justificação como
disciplina científica e uma fundamentação da sua unidade.

Contra a filosofia moderna aparece a Neoescolástica, a qual criou uma separação


entre natural e sobrenatural. A apologética assume assim a um método extrisencista, o
qual cria uma série de dicotomias, das quais a mais representativa é a de fé e razão.

Neste panorama aparecem M. Blondel e P. Rousselot, os quais se opõem a esta


redução e dão origem ao método de imanência. Este método tenta manifestar a ligação
entre revelação e a realidade humana. Assim se desenvolve uma TF de cariz
antropocentrista, mas a TF se desenvolveu das mais variadas formas, aqui Duque
apresenta as principais dimensões.

1. Uma acentuação transcendental: Aparece na teologia a questão Kantiana e vai


para além dela colocando a pergunta sob as condições de possibilidade duma
revelação histórica de Deus, e a sua cognoscibilidade. O autor mais
representativo é Karl Rahner. O cume da questão se coloca numa relação entre
uma revelação transcendental (sentido tomista) e uma categorial, dizendo que o
que já estava implícito se torna explícito, Jesus Cristo.
2. Uma acentuação antropológica: O homem no seu ser mais profundo se orienta
para a plenitude, a qual não a pode alcançar senão na revelação de Deus, isto vai
para além duma estrutura psicológica. O autor mais destacado é Henri Bouillard,
para ele a experiência humana é o ponto de partida da TF, a qual tem que
permanecer como apologética.
3. A nova teologia política: Parte duma posição antropocêntrica, mas vê ao homem
nas suas dimensões sociais e práticas, isto é, não isoladamente. As bases são da
antropologia e sociologia marxista e neomarxista.
4. Fenomenológica-estética: Foi desenvolvida por H. U. Balthasar. Começa por
dizer que a base da teologia é a contemplação da figura central, Jesus Cristo.
Esta figura não pode ser limitada a categorias humanas, pois é o totalmente
outro. Outras perspetivas leva a uma redução antropológica ou cosmológica da
Revelação.
5. Orientação hermenêutica: O autor mais destacado é Eugen Biser, para o qual a
fundamentação da fé deve dar-se de forma hermenêutica, isto é, como um ato de
compreensão que se fundamenta a si próprio.
6. Filosofia da linguagem: Procura-se uma TF baseando-se na conceção de
revelação e fé, como eventos da linguagem. Deus dá-se na Palavra, interpelando
ao homem.
7. Histórico-sistemática: São os tratados à volta da Revelação, encontra-se em
continuidade com a teologia positiva. Tenta sistematizar os dados fundamentais
da fé cristã.
8. Reflexão sobre os princípios e sobre o conhecimento da teologia: Esta
constituída por vários projetos que visam verificar a teologia como uma ciência.
9. Escola de Milão: Abrange todas as temáticas precedentes. O seu principal motor
é o de superar a dicotomia entre razão e fé através duma análise da estrutura
interna da teologia.
10. Verdade: Fundamentalmente trata a verdade da teologia e da revelação, e em
última análise do próprio cristianismo. Sendo que reconhece a verdade como
estando na história e ao mesmo tempo transcendendo-a.
Duque aceita uma TF integrativa proposta por M. Seckler. A estrutura sistemática
apresenta uma divisão, segundo as suas funções: Fundante e Apologética. Assim a
primeira função assume a tarefa de teologia positiva e de teoria do conhecimento, assim
dirigida ao interior auto-compreensão; enquanto a segunda função assume a tarefa
propriamente apologética, dirigida ao exterior como autoafirmação.

Subdivide-se a teologia fundante em funções parciais: Investigação dos


fundamentos, enquanto temática formal (3 tratados: Epistemologia teológica, teoria do
conhecimento teológico, teoria dos princípios e categorias teológicas) e temática
material (assume os tratados tradicionais Religião, Revelação e Igreja, acrescentando
uma teoria do cristianismo). Também subdivide a teologia apologética: apologia
adversativa e apologia transversativa.

Duque afirma que nenhuma das dimensões podem isolar-se, pois isto levaria a fugir
da verdade, caindo desta forma em questões da dupla verdade. Assim se bem a questão
da verdade atinge toda a teologia, é tematizada na TF. Portanto, a TF aparece como uma
metateoria, isto é, uma teoria global das teorias da teologia.

Afirma Duque que para libertar-se de todo extrinsecismo a TF terá de partir a sua
abordagem duma teologia da fé ou teoria da fé. Dito isto Duque clarifica o que se
entende por teoria, isto o faz numa via negativa, isto é dizendo o que não é “teoria”.
Apresenta as seguintes 3 conceções: Teoria como oposição a praxis. Teoria não é o que
diz a filosofia das ciências, isto é um conjunto mais ou menos sistemático de hipóteses.
Não é uma teoria em relação objetivante, seria falsificadora daquilo que é a própria fé.
Assim a teoria tem que ser vista como a contemplação. Assim entendemos a teoria
como uma pericorese cognitiva-experimental.

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