Você está na página 1de 1

LEI NATURAL1

R.C. Sproul

Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de
conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes
mostram a norma da lei gravada no seu coração. (Romanos 2:14-15)

O discurso de Martinho Lutero proferido quando chamado à Dieta de Worms para renunciar sua visão
teológica é familiar para a maioria de nós: “A menos que eu seja convencido pelas Escrituras ou por razões
evidentes, eu não posso renegar. Pois minha consciência é cativa da palavra de Deus.” Claro, o termo „não
posso‟ não significa que Lutero não pudesse simplesmente declarar isso verbalmente ou que era
intelectualmente inábil para fazê-lo sem quaisquer conseqüências. Sujeitando-se ele ao Senhor, não poderia
ceder a uma nova lei impunemente.

Como conseqüência de ser o Criador, Deus é a autoridade suprema de todo o universo. Tudo na criação
existe pela boa vontade Dele, assim Ele não responde a ninguém. (Gn. 1:1 / Is. 45:5). Autoridades menores
encontradas no governo e na família derivam sua lei para governar do Senhor (Rm. 13:1-7), mas as normas
deles não são absolutas sobre nós. Somente a lei moral de Deus é ligada à nossa consciência, e nós devemos
obedecê-lo mesmo quando em certas situações isso significa desobedecer a regras menores.

Nossa sociedade tem abraçado o relativismo moral como uma vingança, ao menos verbalmente, mas
quaisquer leis que existam, em tudo são testemunhos da existência de uma autoridade suprema e objetiva.
Seres humanos escrevem leis porque sabem instintivamente que há uma ordem moral adequada ao universo.
Nós fazemos leis porque existe a lei de Deus, em algum sentido, no coração de todos. A passagem acima nos
leva a essa conclusão. Romanos 2:14 não pode ser lido como dando aos gentios o direito de escolher o que é
certo e o que é errado numa variedade de opções. O que Paulo quer dizer é que os padrões morais, mesmo os
dos não-crentes, provam que todas as pessoas foram criadas à imagem de Deus e, portanto, têm os princípios
morais Dele em suas consciências. Mesmo aqueles que não gozam de acesso às Escrituras, foras da lei que
matam seres humanos inocentes, possuem as determinações claras sobre quando matar é assassinato e
quando não é. A lei de Deus no coração deles diz a eles os casos em que matar é nitidamente errado, mesmo
se não interpretando esta lei sempre da forma correta.

A lex naturalis, ou lei natural, é o que os teólogos têm chamado de senso universal de certo e errado. A
jurisprudência ocidental foi decisivamente formada por ele, no entanto nos últimos anos temos visto a
educação pública, os oficiais eleitos e as escolas de direito, cada vez mais, virarem as costas para esse
conceito consagrado pelo tempo.

CORAM DEO
Não há nenhum relativista moral consistente. Os relativistas morais, ao dizerem que não existem “certos” ou
“errados” universais, invalidam suas crenças quando reclamam de injustiça. O fato que ninguém é um
relativista moral garante que nós podemos encontrar um lugar comum com descrentes quando nós
compartilhamos o evangelho. Apelar para o senso inato de certo e errado do descrente é uma poderosa
ferramenta para demonstrar a existência de Deus.

1
O texto original pode ser encontrado no endereço http://www.ligonier.org/learn/devotionals/natural-law-romans/