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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

Faculdade de Engenharia Mecânica

DANIEL BIERMANN KRUSCHE

Instabilidade Não Linear em Escoamento


Bifásico Líquido-Líquido no Padrão
Estratificado: Análise de Métodos Numéricos

CAMPINAS
2017
DANIEL BIERMANN KRUSCHE

Instabilidade Não Linear em Escoamento


Bifásico Líquido-Líquido no Padrão
Estratificado: Análise de Métodos Numéricos

Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de


Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de
Campinas como parte dos requisitos exigidos para
obtenção do título de Mestre em Engenharia
Mecânica, na Área de Concentração: Térmica e
Fluidos.
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Souza de Castro

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO


FINAL DA DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELO
ALUNO DANIEL BIERMANN KRUSCHE E
ORIENTADA PELO PROF. DR. MARCELO SOUZA
DE CASTRO.

...........................................................
ASSINATURA DO ORIENTADOR

CAMPINAS
2017
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS
FACULDADE DE ENGENHARIA MECÂNICA
COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA
MECÂNICA
DEPARTAMENTO DE ENERGIA

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO ACADÊMICO

Instabilidade Não Linear em Escoamento


Bifásico Líquido-Líquido no Padrão
Estratificado: Análise de Métodos Numéricos
Autor: Daniel Biermann Krusche
Orientador: Prof. Dr. Marcelo Souza de Castro
A Banca Examinadora composta pelos membros abaixo aprovou esta Dissertação:

Prof. Dr. Marcelo Souza de Castro, Presidente


Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP

Prof. Dr. Rogério Gonçalves dos Santos


Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP

Prof. Dr. Oscar Maurício Hernandez Rodriguez


Escola de Engenharia de São Carlos/EESC

A Ata da defesa com as respectivas assinaturas dos membros encontra-se no processo de vida
acadêmica do aluno.

Campinas, 31 de março de 2017.


Agradecimentos

Ao meu orientador, Prof. Dr. Marcelo Souza de Castro, pelo auxilio, incentivo,
inúmeros esclarecimentos e orientações ao longo dos últimos anos.

Aos meus familiares e amigos pelo apoio e incentivo.

À CAPES pela bolsa de estudos fornecida.

À Universidade Estadual de Campinas que, através de seu corpo de professores,


contribuiu para o desenvolvimento do trabalho.

Enfim, a todos que de alguma maneira contribuíram para a conclusão deste trabalho.
Resumo

Krusche, D. B. Análise não linear de instabilidades em escoamento bifásico líquido-


líquido no padrão estratificado. Campinas: Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade
Estadual de Campinas, 2017. Dissertação (Mestrado).

Em escoamentos multifásicos determinar a distribuição espacial das fases é um pré-


requisito necessário, pois conhecimentos relativos ao padrão de escoamento afetam muitos
aspectos técnicos de engenharia. Critérios de transição são investigados em função do
intervalo de condições necessárias para existência de determinado padrão. No presente
trabalho, escoamentos no padrão estratificado em um sistema óleo-água com diferentes razões
de velocidades superficiais e alta razão de viscosidade são numericamente simulados a fim de
se prever o ponto espacial onde a transição para outro padrão de escoamento ocorre.
Trabalhos anteriores sugerem que este fenômeno está relacionado a estrutura da onda
interfacial e acontece em uma região dominada por efeitos não lineares. Primeiramente, as
equações não lineares de massa e quantidade de movimento são obtidas através do modelo de
dois fluidos unidimensional. A simulação numérica ocorre através da discretização espacial e
temporal das equações relacionadas ao problema. Para isto, uma análise não linear
simplificada de estabilidade hidrodinâmica é realizada pelo método das características, através
de uma abordagem por diferenças finitas com esquemas numéricos do tipo explícito e
implícito. Posteriormente, utiliza-se o método Pressure Implicit with Splitting of Operators,
através de uma abordagem por volumes finitos com esquemas numéricos do tipo Upwind e
Euler. Os resultados visam melhorar os modelos de transição entre padrões de escoamento e
são validados por trabalhos já disponíveis na literatura.

Palavras-chave: escoamento óleo-água, estabilidade hidrodinâmica, teoria de


estabilidade não linear, transição espacial, método das características, Pressure Implicit with
Splitting of Operators.
Abstract

Krusche, D. B. Nonlinear instability analysis on stratified flow pattern in liquid-liquid


systems. Campinas: Department of Mechanical Engineering, University of Campinas, 2017.
Dissertation (Master’s Degree).

In multiphase flow the spatial distribution of the phases determination is a necessary


prerequisite. Relative knowledges about the flow pattern affects many technical aspects of
engineering. Transition criteria are investigated in function of the range of necessary
conditions for the existence of determined pattern. In this work, stratified flow pattern in oil-
water system with different ratios of superficial velocities and high viscosity ratio are
numerically simulated to predict the spatial point where the transition to another flow pattern
occurs. Previous studies indicate that this phenomenon is related to the structure of the
interfacial wave and happens in space and it is dominated by nonlinear effects. At first, the
nonlinear equations of mass and momentum are obtained by the one-dimensional two-fluid
model. A simplified nonlinear analysis in hydrodynamic stability is obtained by the method of
characteristics through a finite difference approach with explicit and implicit numerical
schemes types. Subsequently, the Pressure Implicit with Splitting of Operators method is
used. The results are intended to improve the transition models between flow patterns and are
validated by literature available.

Palavras-chave: oil-water flow, hydrodynamic stability, nonlinear stability theory,


spatial transition, method of characteristics, Pressure Implicit with Splitting of Operators.
Lista de Ilustrações

FIGURA 2.1 - PARÂMETROS PARA O ESCOAMENTO BIFÁSICO. ............................... 21


FIGURA 2.2 - PADRÕES DE ESCOAMENTO GÁS-LÍQUIDO NA VERTICAL,
ADAPTADO DE ISHII E HIBIKI (2006). ....................................................................... 25
FIGURA 2.3 - PADRÕES DE ESCOAMENTO GÁS-LÍQUIDO NA HORIZONTAL,
ADAPTADO DE COLLIER E THOME (1994). ............................................................. 26
FIGURA 2.4 - PADRÕES DE ESCOAMENTO LÍQUIDO-LÍQUIDO NA HORIZONTAL;
ADAPTADO DE TRALLERO, SARICA E BRILL (1997). ........................................... 27
FIGURA 2.5 - PADRÕES DE ESCOAMENTO ÓLEO-ÁGUA NA VERTICAL,
ADAPTADO DE FLORES ET AL. (1997)....................................................................... 29
FIGURA 2.6 - PADRÕES DE ESCOAMENTO ÓLEO-ÁGUA NA VERTICAL;
ADAPTADO DE GAO, JIN E WANG (2014)................................................................. 30
FIGURA 2.7 - PADRÕES DE ESCOAMENTO ÓLEO-ÁGUA NA VERTICAL;
BANNWART ET AL. (2004) APUD CASTRO (2013).................................................... 30
FIGURA 2.8 - PRIMEIRO MAPA DE ESCOAMENTO, ADAPTADO DE BAKER (1954).
........................................................................................................................................... 32
FIGURA 2.9 - MAPA DE ESCOAMENTO, ADAPTADO DE FAIR (1960)........................ 33
FIGURA 2.10 - MAPA DE ESCOAMENTO; ADAPTADO DE HEWITT E ROBERTS
(1969). ............................................................................................................................... 34
FIGURA 2.11 - MAPA DE ESCOAMENTO GÁS-LÍQUIDO NA HORIZONTAL;
ADAPTADO DE TAITEL E DUKLER (1976). .............................................................. 35
FIGURA 2.12 - MAPA DE ESCOAMENTO GÁS-LÍQUIDO NA VERTICAL; ADAPTADO
DE TAITEL, BARNEA E DUKLER (1980). ................................................................... 36
FIGURA 2.13 - MAPA DE ESCOAMENTO ÓLEO-ÁGUA NA HORIZONTAL;
ADAPTADO DE TRALLERO (1995). ............................................................................ 37
FIGURA 2.14 - MAPA DE ESCOAMENTO ÓLEO-ÁGUA ADAPTADO DE FLORES ET
AL. (1997): (A) VERTICAL, (B) TUBULAÇÃO INCLINADA EM 60°. ...................... 38
FIGURA 2.15 - COMPARAÇÃO ENTRE DADOS EXPERIMENTAIS E MODELO
PROPOSTO PARA PREVISÃO DE FRONTEIRAS DE TRANSIÇÃO EM
INCLINAÇÃO DE 90°; ADAPTADO DE FLORES ET AL. (1997). .............................. 39
FIGURA 2.16 - CARTA DE FLUXO PARA ALTAS RAZÕES DE VISCOSIDADE,
BANNWART ET AL. (2004). .......................................................................................... 39
FIGURA 2.17 - CARTA DE FLUXO PARA ΜÓLEO = 7 MPA.S, RODRIGUEZ E
OLIEMANS (2006) APUD CASTRO (2013): (A) HORIZONTAL, (B) 5º. ................... 40
FIGURA 2.18 - INSTABILIDADE DE KELVIN-HELMHOLTZ, DRAZIN (2002). ........... 45
FIGURA 2.19 - INSTABILIDADE DE RAYLEIGH-TAYLOR, ADAPTADO DE KADAU
ET AL. (2010). ................................................................................................................... 46
FIGURA 2.20 - CURVAS DE ESTABILIDADE NEUTRA PARA UMA PERTURBAÇÃO
EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE REYNOLDS, SCHLICHTING (1979). .................... 49
FIGURA 2.21 - CARTA DE FLUXO COM REGIÃO DE OCORRÊNCIA DO FENÔMENO
DE TRANSIÇÃO ESPACIAL DO ESCOAMENTO ESTRATIFICADO (REGIÃO
HACHURADA), CASTRO (2013). ................................................................................. 50
FIGURA 3.1 - LOCALIZAÇÃO DAS FASES, RODRIGUEZ (2002). .................................. 55
FIGURA 3.2 - RAIOS DE CURVATURA PARA INTERFACE PLANA, CASTRO (2013).
........................................................................................................................................... 61
FIGURA 3.3 - RAIOS DE CURVATURA PARA INTERFACE CURVA, CASTRO (2013).
........................................................................................................................................... 62
FIGURA 3.4 - PARÂMETROS GEOMÉTRICOS. ................................................................. 65
FIGURA 4.1 - MALHA DE PONTOS PARA UMA DISCRETIZAÇÃO POR DIFERENÇAS
FINITAS............................................................................................................................ 71
FIGURA 4.2 - MALHA COMPUTACIONAL PARA O MÉTODO DE CRANK-
NICOLSON. ...................................................................................................................... 73
FIGURA 4.3 - MALHA COMPUTACIONAL PARA APLICAÇÃO DO MÉTODO PISO,
ADAPTADO DE MALCA (2004). .................................................................................. 76
FIGURA 4.4 - ALGORITMO DO MÉTODO PISO. .............................................................. 86
FIGURA 5.1 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA UM ESQUEMA DE EULER NO
TEMPO - CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE
ENTRADA DE JW = 0,04 M/S E JO = 0,02 M/S (2D). .................................................... 89
FIGURA 5.2 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA UM ESQUEMA DE EULER NO
TEMPO - CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE
ENTRADA DE JW = 0,04 M/S E JO = 0,02 M/S (3D). .................................................... 90
FIGURA 5.3 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA UM ESQUEMA DE EULER NO
TEMPO - CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE
ENTRADA DE JW = 0,11 M/S E JO = 0,02 M/S. ............................................................. 90
FIGURA 5.4 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA O ESQUEMA LEAPFROG -
CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA
DE: (A) JW = 0,04 M/S E JO = 0,02 M/S; (B) JW = 0,11 M/S E JO = 0,02 M/S. .............. 91
FIGURA 5.5 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA O ESQUEMA DE CRANK-NICOLSON
- CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA
DE JW = 0,04 M/S E JO = 0,02 M/S (2D).......................................................................... 92
FIGURA 5.6 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA O ESQUEMA DE CRANK-NICOLSON
- CENTRADO NO ESPAÇO, COM VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA
DE JW = 0,04 M/S E JO = 0,02 M/S (3D).......................................................................... 92
FIGURA 5.7 - PROBLEMA MAL POSTO PARA ALTA RAZÃO DE VISCOSIDADE E
VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA DE JW = 0,18 M/S E JO = 0,04 M/S.
........................................................................................................................................... 93
FIGURA 5.8 - CONFIGURAÇÃO DO ESCOAMENTO GÁS-LÍQUIDO PARA
VALIDAÇÃO DO MÉTODO PISO................................................................................. 95
FIGURA 5.9 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA O MÉTODO PISO, COM
VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA DE JG = 2,0 M/S E JW = 1,0 M/S, T
(S) = 0,020. ........................................................................................................................ 95
FIGURA 5.10 - PROPAGAÇÃO DA ONDA PARA O MÉTODO PISO, COM
VELOCIDADES SUPERFICIAIS DE ENTRADA DE JG = 2,0 M/S E JW = 1,0 M/S, T
(S) = 0,085. ........................................................................................................................ 96
FIGURA A.1 - CURVAS CARACTERÍSTICAS, ± Λ, OBTIDAS PELO MÉTODO DAS
CARACTERÍSTICAS, ONDE AS EDO’S SÃO CAPAZES DE REPRESENTAREM AS
EDP’S. ............................................................................................................................. 109
Lista de Abreviaturas e Siglas

a Amplitude de onda, coeficiente da equação do sistema algébrico


A Área da seção transversal da tubulação m2
b Período da onda, termo fonte da equação do sistema algébrico
c Velocidade da onda m/s
C Razão ou fração de injeção
D, Di Diâmetro interno da tubulação m
f Fator de atrito
fe Termos de tensão N/m
F Fluxo convectivo
g Aceleração da gravidade m/s2
h Altura da superfície de água m
k Número de onda 1/m
K Fator de forma
Me, Mw Fluxos mássicos das faces dos volumes de controle Kg/m2s
P Pressão Pa
Q Vazão m3/h
r Coordenada radial, raio de curvatura
R Constante dos gases ideais
Re Número de Reynolds
s Deslizamento
S Perímetro molhado m
t Coordenada temporal s
T Temperatura de referência K
u, V Velocidade in situ das fases m/s
U, J Velocidade da mistura m/s
Uos, Uws, J1, J2 Velocidade superficial, fluxo volumétrico m/s
VC Volume de controle
w Perturbação de velocidade m/s
z Coordenada espacial m
Símbolos gregos

α Amplitude da onda, fração volumétrica da fase, número de onda


β Coeficiente da equação da onda, inclinação da tubulação rad
Δ Variação da grandeza
ε Fração volumétrica, holdup
η Perturbação nas alturas de superfícies das fases m
θ Inclinação da tubulação rad
λ Comprimento de onda, velocidades características m, mm
μ Viscosidade dinâmica cP
ρ Densidade kg/m3
ς Vetor ortonormal a interface
σ, τ Tensão N/m
Φ Grandeza a ser calculada
ω Frequência angular rad/s

Subscritos

e, w Face leste e oeste do VC


E Referente ao centro do VC vizinho a leste
i Interface
k Indicativo de fase (óleo, água)
max Maior valor
P Centro do VC
o Fase óleo
ref Referência
w Fase água
W Referente ao centro do VC vizinho a oeste
Sobrescritos

0 Médio
o Referente ao passo de tempo anterior
+, ++ Grandeza ainda não corrigida (processo intermediário)
Sumário

1 INTRODUÇÃO __________________________________________________________ 17

1.1 Objetivos ___________________________________________________________ 19

1.2 Organização da dissertação ____________________________________________ 19

2 REVISÃO DA LITERATURA ______________________________________________ 21

2.1 Parâmetros _________________________________________________________ 21

2.2 Padrões de escoamento ________________________________________________ 23


2.2.1 Escoamentos Gás-Líquido ___________________________________________ 23
2.2.2 Escoamentos Líquido-Líquido ________________________________________ 27

2.3 Mapas de escoamento _________________________________________________ 31


2.3.1 Mapas de escoamento Gás-Líquido ____________________________________ 32
2.3.2 Mapas de escoamento Líquido-Líquido _________________________________ 36

2.4 Estabilidade hidrodinâmica ____________________________________________ 41


2.4.1 Teoria linear da estabilidade hidrodinâmica _____________________________ 42
2.4.2 Classificação das instabilidades hidrodinâmicas __________________________ 44
2.4.3 Análise temporal e espacial __________________________________________ 47
2.4.4 Curva de estabilidade neutra _________________________________________ 48
2.4.5 Teoria não linear da estabilidade hidrodinâmica __________________________ 49
2.4.5.1 Abordagem fracamente (ou levemente) não linear _____________________ 50
2.4.5.2 Abordagem não linear simplificada _________________________________ 51

3 MODELAGEM __________________________________________________________ 53

3.1 Modelo de dois fluidos unidimensional ___________________________________ 53


3.1.1 Conservação da massa ______________________________________________ 54
3.1.2 Conservação da quantidade de movimento ______________________________ 56

3.2 Interface plana na secção transversal do escoamento estratificando ___________ 61

3.3 Interface curva na secção transversal do escoamento estratificando __________ 62

3.4 Escoamento básico ___________________________________________________ 63


3.5 Relações constitutivas _________________________________________________ 64
3.5.1 Parâmetros geométricos _____________________________________________ 64
3.5.2 Tensões cisalhantes parietais _________________________________________ 65
3.5.3 Fatores de atrito ___________________________________________________ 65
3.5.4 Tensão cisalhante interfacial _________________________________________ 66

3.6 Análises não lineares através do MOC e PISO ____________________________ 67

4 MÉTODOS NUMÉRICOS_________________________________________________ 68

4.1 Método das características (MOC) ______________________________________ 68


4.1.1 Esquemas numéricos explícitos _______________________________________ 70
4.1.2 Esquema numérico implícito _________________________________________ 72

4.2 Pressure Implicit with Splitting of Operators (PISO) ________________________ 75


4.2.1 Passo preditivo ____________________________________________________ 77
4.2.2 Primeiro passo corretor _____________________________________________ 79
4.2.2.1 Equação para pressão____________________________________________ 79
4.2.3 Segundo passo corretor _____________________________________________ 81
4.2.3.1 Equação para pressão____________________________________________ 82
4.2.4 Fração volumétrica _________________________________________________ 83
4.2.5 Procedimento de execução ___________________________________________ 84

4.3 Malha computacional _________________________________________________ 86

4.4 Critério para o passo no tempo _________________________________________ 86

5 RESULTADOS __________________________________________________________ 88

5.1 Método das características _____________________________________________ 88

5.2 Pressure Implicit with Splitting of Operators _______________________________ 94

6 CONCLUSÕES __________________________________________________________ 99

6.1 Trabalhos futuros ___________________________________________________ 100

Referências ______________________________________________________________ 101

APÊNDICE A – Método das características ___________________________________ 107

APÊNDICE B – Equações discretizadas (PISO) ________________________________ 110

B.1 Equação da continuidade ____________________________________________ 110


B.1.1 Forma matricial __________________________________________________ 111

B.2 Equação da quantidade de movimento _________________________________ 111


B.2.1 Termo temporal __________________________________________________ 112
B.2.2 Termo convectivo ________________________________________________ 112
B.2.3 Termo do lado direito da Eq. B.16 ___________________________________ 113
B.2.4 Forma matricial __________________________________________________ 113
17

1 INTRODUÇÃO

Escoamentos multifásicos estão presentes em diversos processos naturais (chuvas,


neblina, ondas marítimas) e industriais (caldeiras, condensadores, produção de petróleo). É
possível classificá-los em relação à quantidade e estados da matéria das diferentes fases que
compõem o sistema, portanto pode-se ter escoamentos gás-líquido, líquido-líquido, ou ainda,
gás-líquido-sólido entre outros.
Um escoamento multifásico pode apresentar diversas distribuições espaciais
características, chamadas de padrões de escoamento, onde para cada situação o escoamento
apresenta características hidrodinâmicas diferentes. Assim, em aplicações industriais, muitas
vezes, tem-se a preferência por determinado padrão de acordo com a aplicabilidade do
escoamento. Por exemplo, no transporte de petróleo e seus derivados é preferível um
escoamento do tipo anular para diminuir o atrito com a tubulação e assim ter um gasto menor
na energia de bombeamento (Oliemans, 1986). Neste padrão, utiliza-se a água para a
formação do anel junto a tubulação que envolve o fluxo de petróleo. Já o padrão estratificado
é uma forma muito conveniente de evitar a formação de emulsões de água e óleo em
oleodutos.
A fim de verificar qual o intervalo de condições necessárias para a existência de
determinado padrão de escoamento, exploram-se os critérios de transição destes (regime
laminar para turbulento, ou ainda, transição entre padrões de escoamento), onde uma das
abordagens possíveis ocorre pela análise de estabilidade hidrodinâmica. O suporte necessário
a este estudo originou-se ainda no século XIX pela Física Matemática, através de autores
como Helmholtz, Kelvin, Rayleigh e Reynolds.
Ainda hoje, existe grande dificuldade no modo de tratar as equações governantes gerais
do escoamento multifásico, uma vez que estas são demasiadamente complexas para serem
solucionadas analiticamente e, por vezes, também proporcionam um alto custo computacional
quando submetidas a simulação numérica (Dinâmica dos Fluidos Computacional). Assim
desenvolveram-se teorias de modelagem, relacionadas aos padrões de escoamento, que visam
estabelecer relações físicas para a compreensão das interações entre as fases.
O presente trabalho está restrito ao escoamento bifásico de óleo e água, muito
comumente encontrado na indústria de petróleo, onde, de acordo com Ismail et al. (2015), a
falta de conhecimentos sobre os padrões de escoamento, as distribuições de queda de pressão
18

e fração volumétrica in situ dos líquidos pode estar dificultando o transporte seguro e
econômico destes fluidos.
Grande parte da literatura disponível sobre escoamentos bifásicos está focada nas fases
gás-líquido, no entanto, como mencionado em Brauner e Maron (1992), mesmo que tais
estudos tenham contribuído para um amplo conhecimento, são, geralmente, inadequados para
o entendimento dos mecanismos e interações em um escoamento líquido-líquido.
Ainda se destaca, que muitos são os estudos que focam em encontrar as condições
necessárias para a ocorrência de determinado padrão, mas são escassos os estudos que visam a
previsão espacial de transição dos padrões de escoamento. De acordo com Issa e Kempf
(2003) isso acontece devido ao fato das equações propostas pelo modelo de dois fluidos, as
quais governam o escoamento, serem reconhecidas por apresentarem um comportamento
matemático mal-posto sob certas condições, dependendo das relações de fechamento
incorporadas para representarem as forças interfaciais e, principalmente, ao fato da transição
de um sistema de equações bem-postas para mal-postas estar relacionado ao surgimento de
instabilidades no escoamento, onde os cálculos além do começo destas instabilidades são,
normalmente, descartados. No entanto, tais instabilidades podem ser capturadas por simulação
numérica (Woodburn e Issa, 1998), desde que as equações sejam bem-postas. Tal aspecto é
um fator preponderante neste trabalho, onde deseja-se observar o desenvolvimento do
fenômeno de instabilidade em um sistema líquido-líquido.
A formulação do modelo de dois fluidos unidimensional, também utilizado para
escoamentos gás-líquido (baixas relações de densidades e viscosidade), desenvolvido por Ishii
(1975), facilitou a análise de instabilidade em escoamentos líquido-líquido (onde há inclusão
de vários termos de tensão interfacial). Assim, na presente dissertação, utilizando-se deste
modelo e uma análise de estabilidade hidrodinâmica, tentar-se-á explorar as condições
necessárias para a transição espacial do padrão estratificado em outro. O padrão estratificado
torna-se ideal para o estudo por possuir uma distribuição espacial de fases facilmente
identificada e descrita, e apresentar fronteiras de transição com diversos outros regimes.
Então, busca-se através do modelo de dois fluidos as equações que governam o
movimento dos fluidos, para assim utilizar-se a teoria não linear simplificada da estabilidade
hidrodinâmica, já que resultados de trabalhos anteriores, como em Castro (2013), propuseram
que o fenômeno de transição espacial é não linear. Esta abordagem possibilita analisar-se a
estabilidade temporalmente e espacialmente gerando os critérios de transição entre os padrões
de escoamento. A resolução do sistema de equações envolvidas no problema é realizada,
primeiramente, por meio do método das características (MOC), o qual é muito utilizado em
19

escoamentos gás-líquidos por proporcionar simplificações, advindas da grande diferença de


massa específica dos fluidos, que reduzem o número de equações envolvidas. No entanto,
devido à incerteza se tal método é realmente adequado para escoamentos líquido-líquido,
tenta-se ainda, aqui, resolver-se as equações governantes gerais obtidas pelo modelo de dois
fluidos em sua forma conservativa e, portanto, sem o auxílio de simplificações através do
método Pressure Implicit with Splitting of Operators (PISO).

1.1 Objetivos

A presente dissertação tem como objetivo prever a posição espacial onde o escoamento
estratificado de óleo-água transaciona para outro padrão de escoamento.
Assim, são utilizadas as seguintes metodologias matemáticas: modelo de dois fluidos
unidimensional, teoria não linear simplifica de estabilidade hidrodinâmica, MOC juntamente
com o método das diferenças finitas (esquemas explícitos e implícitos) e, PISO justamente
com o método dos volumes finitos. Destacam-se ainda como objetivos específicos:
 Analisar-se o comportamento do método das características quando aplicado em
escoamentos líquido-líquido por meio de diferentes esquemas numéricos.
 Abordar uma nova metodologia matemática para simulação numérica de
escoamentos líquido-líquido e, expor seus resultados.

1.2 Organização da dissertação

Este trabalho está estruturado nos seguintes capítulos:


 Capítulo 1: apresenta uma introdução ao trabalho, sua importância, os objetivos e a
arquitetura da pesquisa.
 Capítulo 2: apresentação dos parâmetros relacionados ao escoamento bifásico, assim
como os principais padrões e características relacionadas ao escoamento gás-líquido
e líquido-líquido com inclinação horizontal e vertical. Também se realiza uma
revisão de aspectos importantes relacionados a análise de estabilidade hidrodinâmica;
 Capítulo 3: aplica-se o modelo de dois fluidos unidimensional ao escoamento
estratificado líquido-líquido considerando-se a interface entre os fluidos na seção
transversal como plana ou curva;
20

 Capítulo 4: o MOC, através de uma abordagem por diferenças finitas, em conjunto


de esquemas numéricos explícitos e implícitos são aplicados à situação em estudo; e
o método PISO, através de uma abordagem por volumes finitos, é apresentado.
 Capítulo 5: os resultados das simulações numéricas na análise de instabilidades
através dos diversos algoritmos utilizados são apresentados;
 Capítulo 6: conclusões e comentários finais;
 Referências bibliográficas;
 Apêndice A: descrição do MOC;
 Apêndice B: descrição das equações discretizadas envolvidas no método PISO.
21

2 REVISÃO DA LITERATURA

Neste capítulo serão apresentados os principais fundamentos, parâmetros e padrões


necessários à caracterização do escoamento bifásico, assim como os conceitos, classificações
e abordagens sobre estabilidade hidrodinâmica.

2.1 Parâmetros

O escoamento bifásico é o caso mais simples de um escoamento multifásico. Esse se


caracteriza por ter diversas fases, as quais não precisam apresentar necessariamente estados da
matéria diferentes (sólido, líquido ou gás), visto que, como citado em Rosa (2012), fase
subtende-se como sendo uma região do espaço delimitada por uma interface que limita em
seu interior um material com composição química homogênea, propriedades de transporte e
de estado definíveis.
Considerando-se um escoamento líquido-líquido em uma tubulação, tem-se a área de
seção transversal do tubo, A, e as vazões volumétricas de cada uma das fases, Q1 e Q2. Onde
os sub-índices 1 e 2 representam as fases em escoamento, sendo que, no geral, 2 é usado para
a fase mais leve (menor massa específica, ρ).

Figura 2.1 - Parâmetros para o escoamento bifásico.

Cada fase do escoamento ocupa determina área da seção transversal do tubo, A1 e A2, em
determinado instante de tempo. Define-se o parâmetro que relaciona estas áreas, em um
comprimento diferencial do tubo, como fração volumétrica in situ, ε1 e ε2. O método mais
22

comum de medir ε é isolar um segmento do fluxo entre válvulas de fechamento rápido e


medir a quantidade fisicamente capturada de cada fase.

𝐴1
𝜀1 = (2.1)
𝐴

𝐴2
𝜀2 = (2.2)
𝐴

Em escoamentos gás-líquido esse termo é chamado de fração de vazio, α,


correspondendo à média espacial e temporal na seção da área ocupada pela fase gasosa.
As equações para as frações volumétricas de injeção, C, para cada fase do escoamento
são dadas por:

𝑄1
𝐶1 = (2.3)
𝑄1 + 𝑄2

𝑄2
𝐶2 = (2.4)
𝑄1 + 𝑄2

A velocidade superficial (ou fluxo volumétrico médio) de cada fase, J1 e J2, a qual
representa à velocidade que a fase teria caso escoasse isoladamente na tubulação, é dada pelas
seguintes equações:

𝑄1
𝐽1 = = (1 − 𝜀2 )𝑉1 (2.5)
𝐴

𝑄2
𝐽2 = = 𝜀2 𝑉2 (2.6)
𝐴

𝐽 = 𝐽1 + 𝐽2 (2.7)

onde J representa a velocidade superficial da mistura e V é a velocidade in situ (real) de cada


fase, definida por:

𝑄1
𝑉1 = (2.8)
𝐴1

𝑄2
𝑉2 = (2.9)
𝐴2
23

Uma vez definido a fração volumétrica in situ e a fração volumétrica de injeção é


possível encontrar o deslizamento (s) entre as fases, sendo este causado devido a diferenças na
densidade e/ou viscosidade dos fluidos que estejam em escoamento bifásico.
Como descrito em Oliemans (1986), o holdup ratio ou deslizamento pode ser definido
como:

𝜀2
⁄𝜀1 𝑉1
𝑠= = (2.10)
𝐶2 𝑉2
⁄𝐶
1

O deslizamento altera-se para cada padrão de escoamento, assim como a forma


particular de calcular-se a fração volumétrica in situ. Tal situação afeta diversas características
do escoamento bifásico: transferência de calor, queda de pressão, corrosão, entre outros.

2.2 Padrões de escoamento

A principal diferença entre um escoamento monofásico e um escoamento bifásico é a


possibilidade do último se apresentar em vários padrões de escoamento. Segundo Ishii e
Hibiki (2006), a classificação dos padrões de escoamento é baseada na geometria da interface
entre as fases dos fluidos, os quais estão em escoamento simultâneo em um duto.
Os fatores que proporcionam um escoamento bifásico a apresentar determinado padrão
são propriedades e características de ambas as fases como: velocidade, fração volumétrica,
massa específica e viscosidade, além das características de molhabilidade (Angeli e Hewitt,
2000), concomitantemente da rugosidade da tubulação e da presença de componentes
adicionais na mistura (Shi et al; 1999).

2.2.1 Escoamentos Gás-Líquido

Considerando-se apenas escoamentos bifásicos entre gás-líquido em tubulações


verticais tem-se a seguinte classificação geral para as classes de escoamento:
24

 Fases separadas (estratificado): as fases formam dois meios contínuos, separadas por
uma única interface.
 Escoamentos intermitentes (mistos): as fases se misturam tornado o escoamento
descontinuo. Nesta situação o contorno da interface não pode ser definido
claramente.
 Fases dispersas: uma fase escoa de modo discreto em meio à outra fase continua.
Tais classes podem ser subdivididas em padrões, como proposto por Ishii e Hibiki
(2006), conforme Fig. 2.2:
25

Figura 2.2 - Padrões de escoamento gás-líquido na vertical, adaptado de Ishii e Hibiki (2006).

Vários dos padrões de escoamento observados na Fig. 2.2 repetem-se em situações de


escoamento na horizontal. Assim uma descrição mais detalhada desses é apresentada na Fig.
2.3, onde, em situação horizontal, ainda se tem o acréscimo de mais alguns padrões de
escoamento.
Então, para escoamentos bifásicos entre gás-líquido em tubulações horizontais, tem-se a
seguinte classificação, a qual foi proposta por Collier e Thome (1994), exemplificada na Fig.
2.3:
26

Figura 2.3 - Padrões de escoamento gás-líquido na horizontal, adaptado de Collier e Thome


(1994).
Onde os padrões de escoamento horizontais são caracterizados da seguinte forma:
 Bolhas: bolhas de gás estão dispersas no líquido, estando em grande concentração na
parte superior da tubulação. Quando forças de cisalhamento são predominantes no
escoamento, as bolhas tendem a se espalhar uniformemente no tubo horizontal.
 Plug: este escoamento muitas vezes é chamado de bolhas alongadas. As bolhas têm
seu comprimento na ordem do diâmetro do tubo, mas o escoamento da fase líquida
permanece contínuo na parte inferior da tubulação.
 Estratificado: completa separação dos componentes em escoamento através de uma
interface horizontal não perturbada. Ocorre quando gás e líquido escoam a baixas
velocidades.
 Estratificado ondulado: aumentando-se a velocidade de escoamento do gás no padrão
estratificado, formam-se ondas na interface que viajam na direção do escoamento.
 Slug (Pistonado): em altas velocidades de gás, as bolhas adquirem tamanho similar
ao diâmetro da tubulação, formando bolhas de Taylor.
 Anular: a fase liquida forma um filme anular contínuo ao redor da tubulação com a
fase gás escoando no centro da tubulação.
Nota-se que os escoamentos horizontais, ilustrados na Fig. 2.3, apresentam um grau de
assimetria superior aos escoamentos verticais, Fig. 2.2, devido à efeitos gravitacionais.
27

2.2.2 Escoamentos Líquido-Líquido

Escoamentos líquido-líquido podem apresentar uma grande variação na razão de


viscosidade de suas fases e baixa razão de massas específicas. Tal aspecto permite o
surgimento de diversos padrões de escoamento, assim não possibilitando, ainda, uma
classificação unificada. No entanto, para fins exemplificativos, pode-se citar os seguintes
trabalhos:
Trallero, Sarica e Brill (1997), propuseram seis tipos de padrões de escoamento óleo-
água, apresentados na Fig. 2.4:

Figura 2.4 - Padrões de escoamento líquido-líquido na horizontal; adaptado de Trallero,


Sarica e Brill (1997).

Este estudo experimental foi realizado em tubulação de acrílico com 50,13 mm de


diâmetro, onde as razões de viscosidade e de densidade utilizadas são, respectivamente:

𝜇ó𝑙𝑒𝑜
= 29,6 (2.11)
𝜇á𝑔𝑢𝑎
28

𝜌ó𝑙𝑒𝑜
= 0,85 (2.12)
𝜌á𝑔𝑢𝑎

Nota-se na Fig. 2.4 que o padrão estratificado surge com uma nova característica: a
presença de gotas de óleo e/ou gotas de água junto à interface. Isto proporciona a classificação
de um novo padrão de escoamento: estratificado com mistura na interface.
Surge também o padrão de escoamento do tipo emulsão, o qual pode ocorrer tanto com
a fase óleo dispersa em água, como com a fase água dispersa em óleo. Este último padrão é
definido pelos autores como:
 Emulsão: caracteriza-se por ser uma dispersão estável, a qual normalmente envolve a
presença de surfactantes para impedir a coalescência de gotículas.
Angeli e Hewitt (2000) estudaram os padrões de escoamento óleo-água em tubos
horizontais de acrílico e aço inox. A identificação dos padrões foi feita através da análise
visual e através da determinação das frações volumétricas locais, utilizando uma sonda de
impedância de alta frequência, onde para escoamentos dispersos, a fase contínua foi
reconhecida com uma sonda de condutividade. Os padrões observados foram: estratificado
ondulado, estratificado ondulado com gotas, fluxo de três camadas, estratificado misturado
com camada de água, estratificada misturado com camada de óleo e mistura. Os autores
trabalharam com uma relação de viscosidade baixa e o fluxo anular não foi observado, no
entanto, estes destacam que os principais padrões de escoamento observados (de uma forma
geral) podem ser classificados em:
 Escoamento estratificado: as duas fases escoam em duas camadas separadas, devido
à diferença de densidade dos fluidos.
 Escoamento anular: uma das fases forma uma camada junto à parede da tubulação,
formando um filme anular, enquanto a outra fase escoa pelo centro.
 Escoamento disperso: uma das fases está dispersa, em forma de gotículas, em outra
fase continua.
e, que outros padrões podem ser encontrados da literatura, mas são apenas variações ou
combinações dos padrões de escoamento principais.
Em escoamentos óleo-água na vertical; como descrito em Flores et al. (1997), são
observados apenas os padrões de dispersão, uma vez que para inclinações superiores a 33° o
escoamento em fases separadas, para os equipamentos e fluidos considerados neste estudo,
deixa de ocorrer. É importante destacar-se que neste trabalho os experimentos foram
29

realizados com as fases óleo-água em tubulação de acrílico com 50,8 mm de diâmetro, onde
as razões de viscosidade e de densidade são dadas, respectivamente, por:

𝜇ó𝑙𝑒𝑜
= 20,0 (2.13)
𝜇á𝑔𝑢𝑎

𝜌ó𝑙𝑒𝑜
= 0,85 (2.14)
𝜌á𝑔𝑢𝑎

Em tal situação verifica-se a tendência de subdividir o padrão disperso em outros novos,


conforme Fig. 2.5, como o padrão de escoamento agitante (churn), o qual é caracterizado pelo
transporte caótico das fases. Este é considerado um padrão de transição entre o pistonado e o
anular.

Figura 2.5 - Padrões de escoamento óleo-água na vertical, adaptado de Flores et al. (1997).

Cita-se em Gao, Jin e Wang (2014), que em baixas vazões de mistura óleo-água, o
padrão de escoamento pistonado ocorre devido à coalescência de gotículas de óleo que
estavam dispersas na fase água continua. Com o aumento da vazão de mistura óleo-água, a
energia cinética turbulenta é aumentada e o escoamento pistonado transforma-se em disperso
(bolhas). Caso exista, novamente, um aumento de vazão o padrão se torna uma dispersão do
tipo emulsão. Tais situações são exemplificadas na Fig. 2.6.
30

Figura 2.6 - Padrões de escoamento óleo-água na vertical; adaptado de Gao, Jin e Wang
(2014).

Pode-se ainda destacar trabalhos com alta razão de viscosidade, como de Bannwart et
al. (2004), onde para um escoamento de óleo-água (μóleo = 500 mPa.s) na vertical em uma
tubulação de acrílico, tem-se os seguintes padrões: gotículas de óleo dispersas em água, gotas,
intermitente e anular, como observa-se, respectivamente, na Fig. 2.7.

Figura 2.7 - Padrões de escoamento óleo-água na vertical; Bannwart et al. (2004) apud Castro
(2013).
Já no trabalho de Rodriguez e Oliemans (2006), tem-se uma tubulação de 82,8 mm de
diâmetro para o escoamento de óleo-água (μóleo = 7 mPa.s) com diferentes graus de
inclinação, e observou-se os seguintes padrões: estratificado, estratificado ondulado,
estratificado com mistura na interface, dispersão de óleo em água e água em escoamento
estratificado, dispersão de óleo em água e dispersão de água em óleo, emulsão de óleo em
água e, emulsão de água em óleo.
31

Além destes, destaca-se ainda o trabalho de Wang, Gong e Angeli (2011), onde tem-se
um escoamento de óleo-água (μóleo = 628,1 mPa.s) em um tubo de 25,4 mm de diâmetro, em
que se observaram os seguintes padrões: emulsão de óleo em água, emulsão parcial de óleo
em água, emulsão de óleo em água e água em escoamento estratificado, emulsão de óleo em
água e água em escoamento anular.

2.3 Mapas de escoamento

Mapas de escoamento ou cartas de fluxo são utilizados para definir quais padrões de
escoamento ocorrem sob certos parâmetros e condições operacionais. O método tradicional de
identificação dos padrões ocorre através dá observação do escoamento em um duto
transparente, no qual o registro de imagens do escoamento pode ser realizado por câmeras de
alta velocidade para captura do fenômeno.
Os mapas consistem de fronteiras de transição num sistema de coordenadas. Possuem
em seus eixos coordenados parâmetros como as velocidades superficiais das fases (J1 e J2) ou
a velocidade mássica e o título de vapor (processos com mudança de fase durante o
escoamento). A relação entre os pares destes parâmetros, os quais definem a fronteira entre os
padrões de escoamento, pode ser deduzida através de modelos fenomenológicos, onde a
solução das equações diferenciais para conservação da massa e momento junto com equações
de fechamento (determinadas por intermédio de experimentos) levam a critérios de transição
entre padrões de escoamentos.
Muitos mapas de escoamentos foram propostos, mas como a maioria destes utilizam-se
de dados experimentais, há limitações em seu uso. Uma forma de garantir um aspecto
genérico ao método é escrever os parâmetros segundo adimensionais, caso contrário, os
resultados ficam restritos às condições utilizadas.
Assim, metodologias como modelos fenomenológicos ou análise de estabilidade
hidrodinâmica mostram-se interessantes por não dependerem, exclusivamente, de dados
experimentais.
Aqui, subdivide-se o estudo de mapas de escoamento bifásico nas seguintes seções: gás-
líquido e líquido-líquido.
32

2.3.1 Mapas de escoamento Gás-Líquido

Faz-se nesta seção uma revisão dos principais marcos históricos, em ordem cronológica,
sobre mapas de escoamento gás-liquido em situação horizontal e vertical.
Baker (1954) propôs a primeira carta de fluxo, válida para escoamentos na horizontal
entre ar-água e ar-óleo. Nota-se na Fig. 2.8 que os parâmetros utilizados nos eixos
coordenados são os fluxos mássicos de cada fase (𝑚̇𝐿 𝑒 𝑚̇𝐺 ) relacionados aos seguintes
parâmetros das fases gás (λ) e líquido (ψ), respectivamente:

1⁄
𝜌𝑔 𝜌𝑙 2
λ = [𝜌 ] (2.15)
𝑎𝑟 𝜌á𝑔𝑢𝑎

1⁄
𝜎á𝑔𝑢𝑎 𝜇𝑙 𝜌á𝑔𝑢𝑎 2 3
ψ=( ) [ (𝜇 )( ) ] (2.16)
𝜎 á𝑔𝑢𝑎 𝜌𝑙

onde ρágua, ρar, μágua e σágua são propriedades de referência do fluido, com valores de 1000
kg/m3; 1,23 kg/m3; 0,001 Ns/m2 e 0,072 N/m, respectivamente.

Figura 2.8 - Primeiro mapa de escoamento, adaptado de Baker (1954).


33

Fair (1960) assim como Hewitt e Roberts (1969), são autores que propuseram mapas
para padrões de escoamento na vertical entre ar-água, os quais são amplamente citados e
historicamente relevantes. Na Fig. 2.9 nota-se que a coordenada para o eixo x deve ser
estimada em função das propriedades de cada fase do escoamento, enquanto a coordenada do
eixo y está em função da vazão mássica da mistura. Também faz-se a ressalva para um novo
padrão de escoamento diferente aos anteriormente citados. Este padrão é definido como:
 Mist Flow (anular com névoa): semelhante ao padrão anular, caracteriza-se por
pequenas gotículas de líquido dispersas na fase gás e que escoam no centro da seção.
Fenômeno causado devido à alta velocidade do gás que arrasta as gotículas de
líquido.

Figura 2.9 - Mapa de escoamento, adaptado de Fair (1960).

O mapa de escoamento de Hewitt e Roberts (1969) é apresentado na Fig. 2.10, onde as


coordenadas são dadas pelos fluxos de quantidade de movimento superficial da fase gasosa e
líquida.
34

Figura 2.10 - Mapa de escoamento; adaptado de Hewitt e Roberts (1969).

Como mencionado por Kanizawa (2011), o mapa da Fig. 2.10 foi determinado a partir
de visualizações do escoamento ar-água em pressão de 1,4 a 5,4 bar em dutos de diâmetro
31,2 mm, mas também apresenta resultados satisfatórios na determinação de fronteiras de
transição em misturas vapor-água com pressões de 34,5 a 69 bar em dutos de diâmetro 12,7
mm.
Taitel e Dukler (1976) desenvolveram um modelo bifásico para escoamentos de ar-água
no padrão estratificado em dutos horizontais. Este modelo foi formatado de maneira
adimensional, utilizando-se do parâmetro de Lockhart-Martinelli (X) juntamente com um
parâmetro adimensional Y, permitindo a obtenção do holdup e, aqui, exposto na Fig. 2.11.
35

Figura 2.11 - Mapa de escoamento gás-líquido na horizontal; adaptado de Taitel e Dukler


(1976).

Assim como no caso para escoamentos horizontais, Taitel, Barnea e Dukler (1980)
analisaram mecanismos de transição para propor fronteiras entre quatro padrões de
escoamento: bolhas, pistonado, agitante e anular em regimes gás-líquido em tubos verticais. O
mapa de escoamento obtido encontra-se, aqui, exposto na Fig. 2.12.
36

Figura 2.12 - Mapa de escoamento gás-líquido na vertical; adaptado de Taitel, Barnea e


Dukler (1980).

Os últimos dois trabalhos citados tornaram-se uma grande referência para a área de
escoamentos bifásicos, pois ambos se utilizaram de mecanismos físicos para determinação de
fronteiras de transição dos padrões de escoamento, ou seja, teve-se uma modelagem
fenomenológica. Outro aspecto importante se dá ao fato da Fig. 2.11 ser uma carta de fluxo
adimensional, podendo, desta forma, ser utilizada de maneira mais genérica quanto às
dimensões de dutos e tipos de fluidos (gás-líquido).

2.3.2 Mapas de escoamento Líquido-Líquido

Nesta seção dar-se-á, inicialmente, ênfase para as cartas de fluxo de autores que já
foram anteriormente citados quando descritos os diversos tipos de padrões existentes para o
escoamento líquido-líquido (seção 2.2.2). Por fim, trabalhos mais recentes serão apresentados.
37

Trallero (1995), utilizando-se de tubulações em acrílico de 50,8 mm de diâmetro em


seus experimentos, propôs a seguinte carta de fluxo para escoamentos de óleo-água na
horizontal, Fig. 2.13.

Figura 2.13 - Mapa de escoamento óleo-água na horizontal; adaptado de Trallero (1995).

Nota-se a utilização das velocidades superficiais de cada fase para os eixos


coordenados, assim tornando a carta de fluxo refém de parâmetros dimensionais e limitando-a
a aplicações em função das condições de operação. Tais cartas dimensionais ainda são muito
utilizadas nos escoamentos líquido-líquido devido à escassez de dados referentes ao assunto.
No entanto, destaca-se ainda que, este mesmo autor propôs modelos para encontrar as
fronteiras de transição entre os padrões de escoamento.
Em geral, as cartas de fluxo dimensionais são confrontadas com as modelagens de
fronteiras de transição propostas por autores como Trallero (1995).
Flores et al. (1997), em condições de operação já citadas anteriormente (seção 2.2.2),
propuseram vários mapas de escoamentos em diferentes inclinações de tubulação, Fig. 2.14.
38

Figura 2.14 - Mapa de escoamento óleo-água adaptado de Flores et al. (1997): (a) vertical, (b)
tubulação inclinada em 60°.

Esses mesmos autores também propuseram um modelo fenomenológico para a previsão


de fronteiras de transição entre os padrões que foram experimentalmente observados. A
comparação entre o modelo e o fenômeno observado se encontra na Fig. 2.15 e apresenta a
relativa boa concordância entre os dados e o modelo.
39

Figura 2.15 - Comparação entre dados experimentais e modelo proposto para previsão de
fronteiras de transição em inclinação de 90°; adaptado de Flores et al. (1997).

Destaca-se ainda, a carta de fluxo experimental obtida por Bannwart et al. (2004) apud
Castro (2013), Fig. 2.16, para altas razões de viscosidade em escoamento óleo-água (μóleo =
500 mPa.s) na horizontal.

Figura 2.16 - Carta de fluxo para altas razões de viscosidade, Bannwart et al. (2004).
40

Pode-se perceber pela Fig. 2.16 que os padrões dispersos não surgem no escoamento,
fato relacionado a alta razão de viscosidade.
Para escoamentos com óleo leve (μóleo = 7 mPa.s) e água, Rodriguez e Oliemans (2006)
utilizaram uma tubulação de 82,8 mm de diâmetro com diversas inclinações gerando cartas de
fluxo com pontos experimentais e previsões baseadas na teoria de Trallero (1995), como
exposto na Fig. 2.17.

Figura 2.17 - Carta de fluxo para μóleo = 7 mPa.s, Rodriguez e Oliemans (2006) apud Castro
(2013): (a) horizontal, (b) 5º.
41

2.4 Estabilidade hidrodinâmica

O uso da análise de estabilidade hidrodinâmica tem, no caso de escoamentos


multifásicos, o objetivo de prever como determinado padrão de escoamento base é
influenciado por uma perturbação. Tal análise serve como base para o estudo de transições
que ocorrem entre padrões de escoamento. Sendo então, uma metodologia aplicada na
determinação da faixa a partir da qual uma configuração específica de escoamento perde sua
estabilidade e transita em direção a outras configurações (regime laminar para turbulento, ou
ainda, transição entre padrões de escoamento). Nota-se sua relevância, visto que, como
mencionado em Landau e Lifshitz (1959):

Nem toda solução das equações de movimento dos fluidos, mesmo se exata, pode
ocorrer na natureza. Os escoamentos que ocorrem na natureza têm que não somente
obedecer às equações da dinâmica dos fluidos, mas também ser estáveis.

Como já mencionado, a adequada previsão de transição entre padrões de escoamento é


de grande importância para as indústrias aeronáutica, mecânica e química, uma vez que
pequenas variações no instante em que esta acontece afeta diretamente o rendimento de
equipamentos e artefatos.
A análise de estabilidade ocorre através da inclusão de perturbações ao escoamento
básico, sendo então possível classificá-lo como estável quando as perturbações diminuem
com o tempo ou espaço, instável se aumentam ou neutros caso o estado se mantenha. Tais
perturbações podem provir de irregularidades na parede da tubulação (rugosidade) ou
irregularidades no próprio fluxo. No escoamento estratificado as instabilidades originam-se na
interface dos fluidos devido à velocidade relativa entre as fases. Assim o fenômeno relaciona-
se ao deslizamento entre as fases.
Problemas de estabilidade hidrodinâmica foram reconhecidos e formulados no século
XIX por autores notáveis como Helmholtz, Kelvin, Rayleigh e Reynolds. Destaca-se o
experimento de Osborne Reynolds (1883), o qual definiu um parâmetro para a ocorrência
entre transição de regimes (laminar/turbulento) em função das características do escoamento.
Posteriormente esse parâmetro foi definido como número de Reynolds (Re):

𝑉𝐷
𝑅𝑒 = (2.17)
𝜈
42

onde V é a velocidade média do escoamento, D o diâmetro dá tubulação e ν a viscosidade


cinemática do fluido.

2.4.1 Teoria linear da estabilidade hidrodinâmica

A teoria linear foi o primeiro método usado para o estudo da estabilidade


hidrodinâmica, Medeiros (2002). Parte-se que as perturbações impostas ao escoamento base
são representadas como variações nos perfis de velocidade (bidimensional) e campo de
pressão (u’,v’,p’), isto é:

𝑢(𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑈(𝑦) + 𝑢′ (𝑥, 𝑦, 𝑡) (2.18)

𝑣(𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑉(𝑦) + 𝑣 ′ (𝑥, 𝑦, 𝑡) (2.19)

𝑝(𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑃(𝑦) + 𝑝′ (𝑥, 𝑦, 𝑡) (2.20)

onde U (y), V (y) e P (y) são os perfis médios, sendo V (y) = 0, uma vez que o escoamento é
paralelo e a única componente da velocidade nessa direção é devido a perturbação v’ (x,y,t).
Nota-se que quando estas perturbações são consideras infinitesimais, tem-se uma
simplificação nas equações governantes dos fluidos, uma vez que os termos de segunda
ordem se tornam desprezíveis. Assim estabelece-se a teoria linear da estabilidade
hidrodinâmica.
Em uma abordagem clássica, as equações de Navier-Stokes adimensionais para um
escoamento incompressível bidimensional, dadas por:

𝜕𝑢 𝜕𝑣
+ =0 (2.21)
𝜕𝑥 𝜕𝑦

𝜕𝑢 𝜕𝑢 𝜕𝑢 𝜕𝑝 1 𝜕 2𝑢 𝜕 2𝑢
+ 𝑢 + 𝑣 = − + ( + ) (2.22)
𝜕𝑡 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝑅𝑒 𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2

𝜕𝑣 𝜕𝑣 𝜕𝑣 𝜕𝑝 1 𝜕 2𝑣 𝜕 2𝑣
+ 𝑢 + 𝑣 = − + ( + ) (2.23)
𝜕𝑡 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑦 𝑅𝑒 𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2

são submetidas às perturbações. Substituindo-se as Eqs. 2.18, 2.19 e 2.20 nas Eqs. 2.21, 2.22
e 2.23 obtém-se as seguintes equações de conservação para as perturbações:
43

𝜕𝑢′ 𝜕𝑣 ′
+ =0 (2.24)
𝜕𝑥 𝜕𝑦

𝜕𝑢′ 𝜕𝑢′ ′
𝜕𝑈 ′
𝜕𝑢′ ′
𝜕𝑢′ 𝜕𝑝′ 1 𝜕 2𝑢 𝜕 2𝑢
+ 𝑈 + 𝑣 + [𝑢 + 𝑣 ]= − + ( + ) (2.25)
𝜕𝑡 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑥 𝑅𝑒 𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2

𝜕𝑣′ 𝜕𝑣′ ′
𝜕𝑣 ′ ′
𝜕𝑣 ′ 𝜕𝑝′ 1 𝜕 2𝑣 𝜕 2𝑣
+ 𝑈 + [𝑢 + 𝑣 ]= − + ( + ) (2.26)
𝜕𝑡 𝜕𝑥 𝜕𝑥 𝜕𝑦 𝜕𝑦 𝑅𝑒 𝜕𝑥 2 𝜕𝑦 2

onde os termos de produtos de perturbações (termos de segunda ordem), como já dito, são
desprezados a fim de tornar-se as equações linearizadas. Como as equações resultantes tem
coeficientes que não dependem de t e x, buscam-se soluções por meio de variáveis separáveis,
de tal forma que:

𝑢′ (𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑈(𝑦)𝑒 𝑖(𝑘𝑥−𝜔𝑡) (2.27)

𝑣′(𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑉(𝑦)𝑒 𝑖(𝑘𝑥−𝜔𝑡) (2.28)

𝑝′(𝑥, 𝑦, 𝑡) = 𝑃(𝑦)𝑒 𝑖(𝑘𝑥−𝜔𝑡) (2.29)

Estas equações indicam que as perturbações se propagam como ondas de frequência 𝜔 e


comprimento de onda λ = 2π/k (onde k representa o número de onda). Tendo as perturbações
dois componentes independentes relacionados à variação espacial e temporal (𝑘 e 𝜔), onde
para cada caso que se deseja analisar supõem-se que apenas um desses termos se apresenta na
forma de número complexo, assim, sua parte imaginária (taxa de amplificação) define se o
escoamento é estável ou instável. Na seção 2.4.3 uma abordagem mais detalhada é
exemplificada.
Substituindo-se as expressões de u’, v’ e p’ nas Eqs. 2.24, 2.25 e 2.26 e aplicando-se
algumas simplificações, chega-se a uma equação diferencial ordinária de quarta ordem
conhecida como equação de Orr-Sommerfeld, dada por:

𝑖
𝑘(𝑈 − 𝑐)(𝑣 ′′ − 𝑘 2 𝑣) − 𝑈 ′′ 𝑘𝑣 = − (𝑣 𝑖𝑣 − 2𝑘 2 𝑣 ′′ + 𝑘 4 𝑣) (2.30)
𝑅𝑒

onde c = ω/k (velocidade de onda) e as condições de contorno são obtidas para a mesma
considerando-se que em superfícies sólidas as condições de não deslizamento e de não
penetrabilidade sejam satisfeitas. Logo:

𝑦=0∶𝑢 = 𝑣 = 0 (2.31)
44

𝑦 → ∞ ∶ 𝑢′ = 𝑣 ′ = 0 (2.32)

A equação de Orr-Sommerfeld resulta em um problema de autovalor, já que tanto ela


como suas condições de contorno são equações homogêneas. Sua solução existe apenas para
valores particulares de k, ω e Re. De modo geral, deseja-se determinar como k e ω variam
com o número de Reynolds e do perfil de velocidade média U (y). Nota-se ainda que para
𝑅𝑒 → ∞, os termos viscosos podem ser descartados resultando na equação de Rayleigh:

𝑘(𝑈 − 𝑐)(𝑣 ′′ − 𝑘 2 𝑣) − 𝑈 ′′ 𝑘𝑣 = 0 (2.33)

Esta equação exige apenas duas condições de contorno, e das quatro que haviam em
Orr-Sommerfeld, faz mais sentido desconsiderar as condições de não deslizamento.
Através destas considerações, de acordo com Oliveira (1992), tornou-se possível uma
melhor compreensão física dos mecanismos desestabilizadores do escoamento, assim como a
formulação de teoremas fundamentais (ponto de inflexão de Rayleigh, Fjortoft, semicírculo de
Howard).
A teoria linear de estabilidade hidrodinâmica garante critérios de instabilidade, ou seja,
se um escoamento básico (satisfaz às equações de conservação, condições iniciais e de
contorno) é instável a perturbações infinitesimais, então será instável a perturbações maiores.
No entanto, caso este escoamento seja estável a pequenas perturbações, não se pode concluir
que ele seja estável a perturbações finitas. Assim percebe-se o fundamento da teoria não
linear, uma vez que esta não apresenta restrição quanto à magnitude da perturbação imposta
ao escoamento.

2.4.2 Classificação das instabilidades hidrodinâmicas

A fim de uma melhor compreensão dos mecanismos e conceitos envolvidos na teoria da


estabilidade hidrodinâmica faz-se uma revisão, antes da abordagem não linear desta, junto aos
principais trabalhos sobre o assunto. Nesses (no geral, abordagem linear), problemas clássicos
de instabilidades hidrodinâmicas são tratados, assim uma inserção mais aprofundada sobre o
tema em estudo é permitida. Estes trabalhos assemelham-se em certos aspectos (metodologia),
como descrito em Drazin (2002):
45

1. Identificação do mecanismo físico da instabilidade para um escoamento específico e


a modelagem da instabilidade pela escolha de um sistema apropriado de equações e
condições de contorno.
2. Escolha das soluções que satisfazem o sistema para um escoamento básico.
3. Linearização do sistema para perturbações infinitesimais no sistema de escoamento
básico escolhido.
4. Utilização do método de modos normais.
5. Aplicação dos resultados para entender ou controlar a instabilidade observada.
Uma das primeiras análises de instabilidade hidrodinâmica realizadas foi referente ao
escoamento formado por uma superfície cisalhante, Fig. 2.18. Esse tipo de instabilidade
ocorre frequentemente na natureza e em aplicações industriais e teve seu estudo iniciado a fim
de explicar a formação de ondas no oceano devido ao vento. Ela é conhecida como
instabilidade de Kelvin-Helmholtz.

Figura 2.18 - Instabilidade de Kelvin-Helmholtz, Drazin (2002).

Neste problema, dois fluidos são colocados em movimento com velocidades diferentes
em duas regiões semi-infinitas paralelas (escoamento estratificado). Nesta situação o processo
de acumulação de vorticidade induz fortes velocidades de rotação, que amplificam a
perturbação inicial da camada cisalhante, levando a perturbação para um crescimento
exponencial enquanto a aproximação linear persistir.
A instabilidade de Kelvin-Helmholtz surge, historicamente, para a análise de um
escoamento invíscido (termos viscosos tornam-se desprezíveis - IKH), exemplificado em
trabalhos como de Taitel e Dukler (1976). Quando a natureza dos fluidos envolvidos no
escoamento não permite que tais termos possam ser desconsiderados (efeito das tensões
cisalhantes são predominantes), assume-se Kelvin-Helmholtz com adição de termos que
46

tenham influência sobre a viscosidade e, a própria viscosidade (VKH). No escoamento


viscoso, como referência, podemos citar os trabalhos de Lin e Hanratty (1986), Barnea e
Taitel (1993) para escoamentos gás-líquido, e Brauner e Maron (1992) para escoamentos
líquido-líquido.
Aqui, faz-se um adendo quanto aos efeitos que podem ser causados no escoamento ao
adicionar-se os termos viscosos: esses podem gerar instabilidades através da geração de
vorticidade ou estabilizar o escoamento através da dissipação viscosa. Ainda se tem que os
termos viscosos modificam o comprimento da onda interfacial, alterando, assim,
sobremaneira a previsão das fronteiras de transição entre padrões de escoamento, Castro
(2013).
Outro clássico mecanismo físico da instabilidade ocorre quando a força gravitacional é a
fonte desestabilizante do escoamento, em tal situação a instabilidade é dita de Rayleigh-
Taylor. O fenômeno acontece quando o surgimento do padrão estratificado está relacionado à
diferença de densidade dos fluidos (superior mais denso que o inferior), como visto na Fig.
2.19.

Figura 2.19 - Instabilidade de Rayleigh-Taylor, adaptado de Kadau et al. (2010).

A instabilidade de Rayleigh-Taylor é um dos principais mecanismos de diluição na


atmosfera e oceanos, devido ao aquecimento da superfície terrestre e ao gradiente de
salinidade da água, respectivamente.
Tem-se, além dos já citados, diversos mecanismos geradores de instabilidades em
escoamentos bifásicos. Dentre eles, podemos citar (Castro, 2013):
 Efeitos devido a viscosidade;
 Tensão interfacial ou superficial, normais ou tangentes a interface;
 Tensão cisalhante (IKH);
 Hidrostática;
47

 Diferença de viscosidade entre os fluidos;


 Diferença de densidade entre os fluidos (Rayleigh-Taylor).

2.4.3 Análise temporal e espacial

A fim de simplificar o tratamento matemático, a equação de Orr-Sommerfeld (Eq. 2.30)


foi derivada no campo complexo. Logo, tanto k como 𝜔 nas equações de perturbação
impostas ao escoamento (Eqs. 2.27, 2.28 e 2.29) podem ser considerados números complexos.

𝑘 = 𝑘𝑟 + 𝑖𝑘𝑖 (2.34)

𝜔 = 𝜔𝑟 + 𝑖𝜔𝑖 (2.35)

A parte real de k é o número de onda dado por 2𝜋/𝜆, onde 𝜆 é o comprimento de onda
associado à variação espacial da perturbação. A parte real de 𝜔 é a frequência associada à
variação temporal da perturbação. As partes imaginárias destes termos representam as taxas
de amplificação espacial e temporal da perturbação, respectivamente. Portanto, a teoria de
amplificação temporal de uma perturbação está relacionada a um k real e 𝜔 complexo,
enquanto na teoria espacial k é complexo e 𝜔 é real.
Logo, tem-se: para análise espacial:
 𝑘𝑖 < 0 → amplitude crescente – instável;
 𝑘𝑖 > 0 → amplitude decrescente – estável;
 𝑘𝑖 = 0 → amplitude constante - estabilidade neutra.
E para análise temporal:
 𝜔𝑖 < 0 → amplitude decrescente – estável;
 𝜔𝑖 > 0 → amplitude crescente – instável;
 𝜔𝑖 = 0 → amplitude constante - estabilidade neutra.
A maioria das oscilações em fluidos apresenta uma amplitude que é constante no tempo,
mas que cresce em alguma direção do espaço. Podemos citar as situações de: camada limite,
esteiras e jatos. Nestes, então, o equacionamento para análise de estabilidade hidrodinâmica
considera a parte imaginaria na frequência angular nula e o termo regente para a definição da
estabilidade/instabilidade torna-se a parte imaginária do número de onda.
48

2.4.4 Curva de estabilidade neutra

Curvas de instabilidade neutra representam regiões onde as perturbações não crescem


nem amortecem. Elas estão relacionadas com as fronteiras de transição entre os padrões
nos mapas de escoamento.
A velocidade de onda (c), já definida anteriormente, também pode ser representada
como um número complexo (como já realizado com os parâmetros k e 𝜔 na seção 2.4.3):

𝜔
𝑐= = 𝑐𝑟 + 𝑖𝑐𝑖 (2.36)
𝑘

onde a parte real (𝑐𝑟 ) representa a velocidade de fase (velocidade de propagação), enquanto a
parte imaginaria, 𝑐𝑖 , representa a taxa de amplificação da perturbação.
A partir da equação de Orr-Sommerfeld (Eq. 2.30) tem-se, quando a quantidade U (y) e
as condições de contorno (Eqs. 2.31 e 2.32) são especificadas, um autovalor complexo c para
cada par de valores de Re e k. No caso quando ci = 0, tem-se a curva de estabilidade neutra, ou
seja, a curva que separa a instabilidade da estabilidade.
Destacam-se, para o caso de um escoamento em camada limite, as curvas de
estabilidade neutra apresentadas por Schlichting (1979). Tais curvas podem ser vistas na Fig.
2.20, onde nota-se que o ponto sob a curva em que o número de Reynolds é mínimo,
denomina-se de Rcrit (número de Reynolds critico). Este ponto é de especial interesse, pois
indica o limite inferior do qual todas as oscilações decaem, enquanto acima dele se
amplificam.
49

Figura 2.20 - Curvas de estabilidade neutra para uma perturbação em função do número de
Reynolds, Schlichting (1979).

No escoamento estratificado a transição espacial de padrão ocorre fora da região


considerada estável pela teoria linear. Logo, tem-se uma situação onde existe uma solução
estável além do Rcrit, definida como instabilidade supercrítica. Como a instabilidade
supercrítica ocorre devido à presença de perturbações de amplitude finita ela só pode ser
representada por teorias de natureza não linear.
Ainda se destaca que existe a possibilidade de uma solução instável abaixo de Rcrit,
definida como instabilidade subcrítica e observada em vários tipos de escoamento como:
Taylor-Couette, Rayleigh-Bénard e Kelvin-Helmholtz.

2.4.5 Teoria não linear da estabilidade hidrodinâmica

À medida que as oscilações de instabilidade se amplificam os termos não lineares


desconsiderados na teoria linear de instabilidade hidrodinâmica deixam de ser desprezíveis,
sendo que no caso em estudo (escoamento estratificado óleo-água) os termos relacionados à
viscosidade também não podem ser desprezados. Estes novos termos a serem considerados,
como já mencionado, podem gerar instabilidades através da geração de vorticidade ou
50

estabilizar o escoamento através da dissipação viscosa. Castro (2013) propôs uma carta de
fluxo, Fig. 2.21, utilizando-se de dados experimentais para comparação das fronteiras de
transição junto a teoria linear de estabilidade hidrodinâmica.

Figura 2.21 - Carta de fluxo com região de ocorrência do fenômeno de transição espacial do
escoamento estratificado (região hachurada), Castro (2013).

Nota-se pela ilustração, que o fenômeno de transição espacial de padrões de escoamento


ocorre em uma região (hachurada) com velocidades superficiais superiores a aquelas previstas
pela teoria linear, ou seja, tem-se uma situação onde existe uma solução estável além da
fronteira de transição previsto por esta. Logo, tem-se uma estabilidade do tipo supercrítica.
A fim de analisarem-se os efeitos sobre o escoamento de termos não lineares, têm-se as
seguintes abordagens:

2.4.5.1 Abordagem fracamente (ou levemente) não linear

Apresentada por Landau e Lifshitz (1959), aqui parte-se da ideia intuitiva de que se os
efeitos não lineares forem pequenos eles podem ser modelados a partir de correções feitas
sobre a teoria linear. Também, espera-se que os efeitos não lineares sejam pequenos quando
os termos não lineares das equações forem pequenos. Assim, nota-se que para esta abordagem
51

ser válida, as amplitudes das oscilações não podem ser muito grandes em relação ao
escoamento base.
As correções impostas ao modelo linear podem ser obtidas utilizando-se métodos de
perturbação (análise assintótica), onde se tem por objetivo determinar o comportamento de
uma função bastante complicada comparando-a, em regiões distintas, em funções conhecidas.
Assim, parte-se da construção de uma sequência de termos que comumente envolvem
potências ascendentes de um parâmetro pequeno, como:

𝑓(𝑡) = 𝑓0 (𝑡) + 𝜖𝑓1 (𝑡) + 𝜖 2 𝑓2 (𝑡) … (2.37)

Se 𝜖 tende a zero, a sequência é formada por termos progressivamente menores e é


chamada expansão assintótica. Para maiores detalhes sobre o método outras referências
devem ser consultadas, como Nayfeh (1973) e Van Dyke (1975).

2.4.5.2 Abordagem não linear simplificada

A metodologia utilizada nessa abordagem é baseada no método das características


(MOC), como proposto por Crowley et al. (1992), Barnea e Taitel (1994), Trallero (1995) e
Salhi et al. (2010). Aqui, as equações diferenciais parciais (EDP) que descrevem o
escoamento são transformadas em equações diferenciais ordinárias (EDO) em direções
características, as quais podem ser resolvidas através de diferenças finitas. Este método tem a
vantagem de proporcionar um claro entendimento das implicações físicas dos procedimentos
numéricos. No entanto, as EDP envolvidas no problema devem ser do tipo hiperbólico
(velocidade de onda finita e real).
Ainda, de acordo com Barnea e Taitel (1994), o MOC é capaz de simular de forma
acurada a propagação e evolução da onda de perturbação, que ao contrário de outros métodos
de soluções para EDP, distorcem a forma da perturbação e introduzem decaimentos artificiais.
No presente trabalho, as equações que descrevem o escoamento estratificado óleo-água
estão descritas no capítulo três, onde demostram-se suas deduções através do modelo de dois
fluidos. No capitulo quatro, a fim de seguir-se o desenvolvimento por uma abordagem não
linear simplificada demostra-se o MOC aplicado para o caso em estudo em esquemas
numéricos explícitos e implícitos, tendo no Apêndice A uma amostra exemplificativa clássica
do método.
52

Ainda no capítulo quatro, expõem-se o método PISO, a fim de analisar-se as


instabilidades do escoamento de maneira não linear, sem o auxílio de simplificações. Tal
método também se baseia no modelo de dois fluidos ao buscar a determinação do crescimento
das perturbações aos quais o escoamento esteja sujeito. O Apêndice B auxilia o
desenvolvimento do método ao expor as deduções matemáticas das equações discretizadas
envolvidas no problema.
53

3 MODELAGEM

Modelos para escoamentos bifásicos estabelecem relações físicas para compreender as


interações entre as fases. São diversos os tipos de modelos existentes, sendo que cada um
deles se adapta melhor a determinado padrão de escoamento, então, é fundamental que a
modelagem esteja vinculada a dados experimentais do escoamento.
Os modelos mecanicistas têm uma aplicação mais ampla, já que são baseados na
descrição das leis físicas que descrevem a dinâmica dos fluidos. No entanto, dependem de
equações de fechamento empíricas, que por sua vez são diferentes para cada padrão de
escoamento, Souza (2010).
O modelo de dois fluidos é a forma mais complexa de formular um problema de
escoamento bifásico. Este é muito utilizado para escoamento no padrão estratificado, uma vez
que as fases são identificadas e tratadas de forma totalmente independentes com a interação
entre elas dadas por equações de fechamento. Assim tem-se para cada fase uma equação de
conservação de massa, conservação de momento e energia. Nota-se, no entanto, para o caso
de escoamento isotérmico que apenas quatro equações necessitam ser resolvidas.
Este modelo incorpora a dinâmica de interação entre as fases, com uma maior
complexidade na modelagem com a maior generalidade desta. Sendo então necessárias, como
já mencionado, equações constitutivas (conhecimento das tensões interfaciais) para o
fechamento do problema.
O modelo foi desenvolvido por Ishii (1975). Através de Bendiksen et al. (1991) surge
um dos primeiros códigos transientes baseado neste modelo, o software OLGA. Largamente
utilizado pela indústria petrolífera, este modelo tem por característica a necessidade de
refinamento de malha para que seus efeitos na solução não sejam sentidos, no entanto, tal
aspecto pode tornar a simulação numérica inviável para tubulação de grande extensão, Conte
(2014).

3.1 Modelo de dois fluidos unidimensional


54

Uma dedução detalhada para a formulação do modelo de dois fluidos pode ser
encontrada em Ishii e Hibiki (2006), este trabalho é a base do equacionamento apresentado
aqui, onde as equações são expostas utilizando-se de um estudo em geometria
unidimensional, através de um escoamento estratificado líquido-líquido, com as seguintes
hipóteses: isotérmico, sem mudança de fase, sem transferência de massa e fluidos
incompressíveis.

3.1.1 Conservação da massa

Partindo-se da equação para um balanço global bifásico instantâneo da conservação da


massa, como abordado em Rodriguez (2002):

𝑑 𝑑 𝑑
∫ 𝜌1 𝑑𝑣 + ∫ 𝜌2 𝑑𝑣 + ∫ 𝜌𝑖 𝑑𝐴
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑣1 𝑣2 𝐴𝑖

⃑ 1 . 𝑛⃑1 𝑑𝐴 − ∫ 𝜌2 𝑉
= − ∫ 𝜌1 𝑉 ⃑ 2 . 𝑛⃑2 𝑑𝐴 − ∫ 𝜌𝑖 𝑉
⃑𝑝 . 𝑁
⃑ 𝑑Ϛ (3.1)
𝐴1 𝐴2 Ϛ

onde Ai é a área da interface que pode deslocar-se entre as fases, A1 e A2 são superfícies não
fechadas (só fecham com Ai), Ϛ é o contorno da interface, 𝑛⃑ é o vetor normal a superfície das
fases, ⃑⃑⃑ ⃑ é o vetor unitário normal a
𝑉𝑝 é igual a velocidade das partículas na interface e 𝑁
interface no plano Ф. Os termos no lado esquerdo do sinal de igualdade representam a taxa de
variação da massa em determinado volume v e área interfacial, já os termos no lado direito
representam os fluxos líquidos de matéria.
55

Figura 3.1 - Localização das fases, Rodriguez (2002).

Aplicando-se a regra de Leibnitz e o teorema de Gauss na Eq. 3.1, e agrupando-se os


termos semelhantes, chega-se na equação local bifásica instantânea:

𝜕𝜌1 𝜕𝜌2
∫[ + ∇. (𝜌1 ⃑⃑⃑
𝑉1 )] 𝑑𝑣 + ∫ [ + ∇. (𝜌2 ⃑⃑⃑
𝑉2 )] 𝑑𝑣
𝜕𝑡 𝜕𝑡
𝑣1 𝑣2

𝜕𝜌𝑖
+ ∫[ ⃑⃑⃑𝑝 ) − 𝜌1 (𝑉
+ ∇𝑠 . (𝜌𝑖 𝑉 ⃑⃑⃑1 − ⃑⃑𝑉𝑖 ). ⃑⃑⃑⃑ ⃑⃑⃑2 − ⃑⃑𝑉𝑖 ). ⃑⃑⃑⃑
𝑛1 − 𝜌2 (𝑉 𝑛2 + ∇𝑠 . (𝜌𝑖 ⃑⃑⃑
𝑉Ϛ )] 𝑑𝐴 = 0 (3.2)
𝜕𝑡
𝐴𝑖

onde ∇𝑠 é o divergente superficial. Os termos que se relacionam com a integral de área


interfacial representam a condição de salto do problema em estudo.
Aplicando-se novamente algumas considerações matemáticas (regra de Leibnitz,
teorema de Gauss em suas formas limitantes; e média espacial) na Eq. 3.2, chega-se a equação
da conservação da massa instantânea média espacial na secção transversal.

𝜕 𝜕 𝑑Ϛ
[〈𝜌𝑘 〉𝐴𝑘 ] + [〈𝜌𝑘 𝑤𝑘 𝐴𝑘 〉] = ∫ 𝜌𝑘 (𝑉𝑘 − 𝑉𝑖 )𝜂𝑘 (3.3)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝑑𝑘 𝑑𝑘Ϛ
Ϛ(𝑧,𝑡)

onde a média referente a uma fase qualquer, k, de uma propriedade qualquer é dada por:

∫ 𝑓𝑘 𝑑𝐴
= 〈𝑓𝑘 〉 (3.4)
𝐴𝑘
56

Levando-se em conta as hipóteses já elencadas, e supondo-se que a velocidade média


espacial na secção transversal, 𝑤𝑘 , é igual à velocidade in situ, 𝑉𝑘 , reescreve-se a Eq. 3.2, na
seguinte forma:

𝜕𝐴𝑘 𝜕𝑉𝑘 𝜕𝐴𝑘


+ 𝐴𝑘 + 𝑉𝑘 =0 (3.5)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧

Sabe-se que a área total de um tubo é a soma das áreas ocupadas pelas fases de seus
componentes. Considerando-se um escoamento de óleo-água, 𝐴0 e 𝐴𝑤 :

𝐴 = 𝐴𝑜 + 𝐴𝑤 (3.6)

e levando-se em conta que a área da secção transversal ocupada pela água pode ser definida
em função da altura de água, e que sua derivada representa o perímetro molhado pela
interface, 𝐴𝑤̇ ou 𝑆𝑖 , isto é:

𝐴𝑤 = 𝐴𝑤 (ℎ) (3.7)

𝑑𝐴𝑤
𝐴𝑤̇ = 𝑆𝑖 = (3.8)
𝑑ℎ

ou ainda,

𝑑𝐴𝑤 = 𝐴𝑤̇ 𝑑ℎ (3.9)

Assim, como descrito em Castro (2013), chega-se ao conjunto de equações instantâneas


médias na secção transversal para conservação de massa em escoamento estratificado líquido-
líquido, dadas para as fases óleo e água, respectivamente:

𝜕ℎ 𝐴0 𝜕𝑉𝑜 𝜕ℎ
− + 𝑉𝑜 =0 (3.10)
𝜕𝑡 𝐴𝑊̇ 𝜕𝑧 𝜕𝑧

𝜕ℎ 𝐴𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ
− + 𝑉𝑤 =0 (3.11)
𝜕𝑡 𝐴𝑊̇ 𝜕𝑧 𝜕𝑧

3.1.2 Conservação da quantidade de movimento


57

Novamente, realizam-se os mesmos procedimentos utilizados para conservação de


massa, assim parte-se da equação para um balanço global bifásico instantâneo de conservação
da quantidade de movimento, como abordado em Rodriguez (2002):

𝑑 𝑑 𝑑
∫ 𝜌1 ⃑⃑⃑
𝑉1 𝑑𝑣 + ∫ 𝜌2 ⃑⃑⃑
𝑉2 𝑑𝑣 + ∫ 𝜌𝑖 ⃑⃑⃑
𝑉𝑝 𝑑𝐴
𝑑𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑡
𝑣1 𝑣2 𝐴𝑖

= ∫ 𝜌1 𝑔𝑑𝑣 + ∫ 𝜌2 𝑔𝑑𝑣 + ∫ 𝜌𝑖 𝑔𝑑𝑣 + ∫ ⃑⃑⃑⃑


𝑛1 . П1 𝑑𝐴 + ∫ ⃑⃑⃑⃑
𝑛2 . П2 𝑑𝐴
𝑣1 𝑣2 𝐴𝑖 𝐴1 𝐴2

⃑ 𝑑Ϛ − ∫ 𝜌1 ⃑⃑⃑
+∮𝜎.𝑁 ⃑⃑⃑1 . ⃑⃑⃑⃑
𝑉1 (𝑉 𝑛1 )𝑑𝐴 − ∫ 𝜌2 ⃑⃑⃑ ⃑⃑⃑2 . ⃑⃑⃑⃑
𝑉2 (𝑉 ⃑⃑⃑𝑝 (𝑉
𝑛2 )𝑑𝐴 − ∫ 𝜌𝑖 𝑉 ⃑⃑⃑𝑝 . 𝑁
⃑ )𝑑Ϛ (3.12)
Ϛ 𝐴1 𝐴2 Ϛ

onde 𝜎 é a tensão interfacial. Os termos no lado esquerdo do sinal de igualdade representam a


taxa de variação de quantidade de movimento em determinado volume v e área interfacial, já
os três primeiros, os três subsequentes e os três últimos termos no lado direito são
relacionados, respectivamente, às forças de campo atuando em determinado volume e área
interfacial, às forças de superfícies atuando em determinada área e contorno interfacial, e os
fluxos líquidos de quantidade de movimento.
Aplicam-se a regra de Leibnitz, teorema de Gauss e teorema de Green na Eq. 3.12 e
agrupando-se os termos semelhantes, chega-se na equação local bifásica instantânea:

𝜕(𝜌1 ⃑⃑⃑
𝑉1 )
∫ [ + ∇. (𝜌1 ⃑⃑⃑
𝑉1 ⃑⃑⃑
𝑉1 ) − 𝜌1 𝑔 − ∇. П1 ] 𝑑𝑣
𝑣1 𝜕𝑡

𝜕(𝜌2 ⃑⃑⃑
𝑉2 )
+ ∫[ + ∇. (𝜌2 ⃑⃑⃑
𝑉2 ⃑⃑⃑
𝑉2 ) − 𝜌2 𝑔 − ∇. П2 ] 𝑑𝑣
𝜕𝑡
𝑣2

⃑⃑⃑𝑝 )
𝜕(𝜌𝑖 𝑉
+ ∫[ ⃑⃑⃑𝑝 ⃑⃑⃑
+ ∇𝑠 . (𝜌𝑖 𝑉 𝑉𝑝 ) − 𝜌𝑖 𝑔 + ⃑⃑⃑⃑
𝑛1 П1 + ⃑⃑⃑⃑ . 𝑛)𝜎𝑛⃑ − 𝜌1 ⃑⃑⃑
𝑛2 П2 + ∇𝑠 𝜎 − (∇𝑠 ⃑⃑⃑ ⃑⃑⃑1 − ⃑⃑𝑉𝑖 ). ⃑⃑⃑⃑
𝑉1 (𝑉 𝑛1
𝜕𝑡
𝐴𝑖

− 𝜌2 ⃑⃑⃑ ⃑⃑⃑2 − ⃑⃑𝑉𝑖 ). ⃑⃑⃑⃑


𝑉2 (𝑉 𝑛2 ] 𝑑𝐴 = 0 (3.13)

onde os termos que se relacionam com a integral de área interfacial representam a condição de
salto do problema em estudo.
58

Aplicando-se novamente algumas considerações matemáticas (regra de Leibnitz,


teorema de Gauss em suas formas limitantes, e média espacial) na Eq. 3.13, chega-se a
equação de conservação da quantidade de movimento instantânea média espacial na secção
transversal.

𝜕 𝜕 𝜕 𝜕
[〈𝜌𝑘 𝑤𝑘 〉𝐴𝑘 ] + [〈𝜌𝑘 𝑤𝑘2 〉𝐴𝑘 ] − 𝐴𝑘 𝜌𝑘 𝑔𝑧 + [〈𝑃𝑘 〉𝐴𝑘 ] − [〈(𝑛 ⃑⃑⃑⃑𝑧 . 𝜏𝑘 ). ⃑⃑⃑⃑
𝑛𝑧 〉𝐴𝑘 ]
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧
𝑑Ϛ 𝑑Ϛ
= − ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑚̇𝑘 . ⃑⃑⃑⃑
𝑉𝑘 − 𝑛⃑𝑘 . П𝑘 ) + ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . П𝑘 ) (3.14)
𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ 𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ
Ϛ Ϛ𝑘

onde o último termo no lado esquerdo do sinal de igualdade representa a variação na direção
axial do cisalhamento do fluido com ele mesmo, o qual torna-se desprezível nessa análise.
Também, como não há transferência de massa pela interface, tem-se:

⃑𝑘 − 𝑉
𝑚̇𝑘 = 𝜌𝑘 (𝑉 ⃑ 𝑖 ). 𝑛⃑𝑘 = 0 (3.15)

Usando-se o teorema de Gauss modificado, e levando-se em conta que o tensor das


tensões, П𝑘 , pode ser decomposto em duas partes (tensões normais e tensões cisalhantes), isto
é:

П𝑘 = −𝑃𝑘 𝐼 + 𝜏𝑘 (3.16)

pode-se reescrever os termos do lado direito da Eq. 3.14 nas seguintes formas, Eqs. 3.17 e
3.18, respectivamente:

𝑑Ϛ 𝑑Ϛ 𝑑Ϛ
∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . П𝑘 ) = − ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . 𝑃𝑘 ) + ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . 𝜏𝑘 )
𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ 𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ 𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ
Ϛ Ϛ Ϛ

𝜕𝐴𝑘
= 𝑃𝑘𝑖 + 𝜏𝑘𝑖 𝑆𝑖 (3.17)
𝜕𝑧

onde os termos resultantes representam as tensões na interface: tensão normal (pressão) e


tensão viscosa cisalhante, respectivamente. O sinal do último termo, 𝜏𝑘𝑖 , é dado pela relação
entre as velocidades das fases.
59

𝑑Ϛ 𝑑Ϛ 𝑑Ϛ
∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . П𝑘 ) = − ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . 𝑃𝑘 ) + ∫ 𝑛⃑𝑧 . (𝑛⃑𝑘 . 𝜏𝑘 )
𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ 𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ 𝑛⃑𝑘 . 𝑛⃑𝑘Ϛ
Ϛ𝑘 Ϛ𝑘 Ϛ𝑘

= 0 − 𝜏𝑘𝑤 𝑆𝑘 (3.18)

onde a componente da tensão normal na interface em contato com a parede na direção do


escoamento é nula, e 𝜏𝑘𝑤 é negativo devido à direção do escoamento ser sempre contrária à
tensão perimetral no escoamento.
Então, definindo-se o termo gravitacional e a notação de parâmetros (ou fator de forma)
por, respectivamente:

𝑔𝑧 = 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 (3.19)

〈𝑤𝑘2 〉
𝐾𝑘 = (3.20)
〈𝑤𝑘 〉2

ou

〈𝑤𝑘2 〉 = 𝐾𝑘 〈𝑤𝑘 〉2 = 𝐾𝑘 𝑉𝑘2 (3.21)

chega-se, como descrito em Castro (2013), a equação instantânea média na secção transversal
de conservação da quantidade de movimento em escoamento estratificado líquido-líquido.

𝜕(𝜌𝑘 𝑉𝑘 𝐴𝑘 ) 𝜕(𝜌𝑘 𝐾𝑘 𝑉𝑘2 𝐴𝑘 ) 𝜕(𝑃𝑘 𝐴𝑘 ) 𝜕𝐴𝑘


+ + 𝐴𝑘 𝜌𝑘 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 + = 𝑃𝑘𝑖 ± 𝜏𝑘𝑖 𝑆𝑖 − 𝜏𝑘𝑤 𝑆𝑘 (3.22)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧

A fim de simplificação, faz-se 𝐾𝑘 → 1 e reescreve-se os dois primeiros termos da Eq.


3.22 da seguinte forma:

𝜕(𝜌𝑘 𝑉𝑘 𝐴𝑘 ) 𝜕(𝜌𝑘 𝐾𝑘 𝑉𝑘2 𝐴𝑘 ) 𝜕𝑉𝑘 𝜕𝑉𝑘


+ = 𝜌𝑘 (𝐴𝑘 + 𝑉𝑘 𝐴𝑘 ) (3.23)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑡 𝜕𝑧

O último termo no lado esquerdo do sinal de igualdade na Eq. 3.22 pode ser modelado a
partir da pressão na interface, 𝑃𝑘𝑖 , e da coluna hidrostática. Logo:

𝜕(𝑃𝑘 𝐴𝑘 ) 𝜕𝑃𝑘𝑖 𝜕𝐴𝑤 𝜕ℎ


= 𝐴𝑘 + 𝑃𝑘𝑖 + 𝜌𝑘 𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 (𝐴𝑘 ) (3.24)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧

Substituindo-se as Eqs. 3.23 e 3.24 na Eq. 3.22, tem-se:


60

𝜕𝑉𝑘 𝜕𝐾𝑘 𝑉𝑘
𝜌𝑘 (𝐴𝑘 + 𝑉𝑘 𝐴𝑘 )
𝜕𝑡 𝜕𝑧
𝜕𝑃𝑘𝑖 𝜕ℎ
= −𝐴𝑘 𝜌𝑘 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 − 𝐴𝑘 − 𝜌𝑘 𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 (𝐴𝑘 ) ± 𝜏𝑘𝑖 𝑆𝑖 − 𝜏𝑘𝑤 𝑆𝑘 (3.25)
𝜕𝑧 𝜕𝑧

onde o segundo termo no lado esquerdo, pode ser reescrito na seguinte forma:

𝜕(𝐾𝑘 𝑉𝑘 ) 𝜕𝑉𝑘 𝜕𝐾𝑘 𝜕ℎ


= 𝐾𝑘 + 𝑉𝑘 (3.26)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧

já que:

𝐾𝑘 = 𝐾𝑘 (𝐴𝑘 (ℎ(𝑧))) (3.27)

Assim, considerando-se que a tensão interfacial é a mesma independente da fase em


análise (mudando somente o sentido de atuação), tem-se que 𝜏𝑘𝑖 = 𝜏𝑖 ; e que, portanto,
substituindo-se os índices k pelas suas fases correspondentes, chegam-se as formas finais das
equações instantâneas médias na secção transversal de conservação da quantidade de
movimento em padrão de escoamento estratificado entre fases óleo-água, respectivamente:

𝜕𝑉𝑜 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝐾𝑜 𝜕ℎ


𝜌𝑜 + 𝜌𝑜 𝑉𝑜 (𝐾𝑜 + 𝑉𝑜 )
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧
𝜕𝑃𝑜𝑖 𝜕ℎ 𝜏𝑖 𝑆𝑖 𝜏𝑜𝑤 𝑆𝑜
= −𝜌𝑜 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 − − 𝜌𝑜 𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 ( ) ± − (3.28)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝐴𝑜 𝐴𝑜

𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝐾𝑤 𝜕ℎ


𝜌𝑤 + 𝜌𝑤 𝑉𝑤 (𝐾𝑤 + 𝑉𝑤 )
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧
𝜕𝑃𝑤𝑖 𝜕ℎ 𝜏𝑖 𝑆𝑖 𝜏𝑤𝑤 𝑆𝑤
= −𝜌𝑤 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 − − 𝜌𝑤 𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 ( ) ± − (3.29)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝐴𝑤 𝐴𝑤

Estas equações podem ser acopladas, de tal forma que, subtraindo-se a Eq. 3.28 na Eq.
3.29 e reorganizando-se os termos, tem-se:

𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝐾𝑤 𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝐾𝑜 𝜕ℎ


𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 + 𝜌𝑤 𝑉𝑤 (𝐾𝑤 + 𝑉𝑤 ) − 𝜌𝑜 𝑉𝑜 (𝐾𝑜 + 𝑉𝑜 )
𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧
61

𝜕ℎ 𝜕(𝑃𝑤𝑖 − 𝑃𝑜𝑖 )
+(𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 ( ) +
𝜕𝑧 𝜕𝑧
1 1 𝜏𝑤𝑤 𝑆𝑤 𝜏𝑜𝑤 𝑆𝑜
= ±𝜏𝑖 𝑆𝑖 ( + ) − + − (𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 (3.30)
𝐴𝑤 𝐴𝑜 𝐴𝑤 𝐴𝑜

3.2 Interface plana na secção transversal do escoamento estratificando

O último termo no lado esquerdo do sinal de igualdade na Eq. 3.30 representa o


gradiente de pressão na interface do escoamento. Este pode ser modelado a partir da tensão
interfacial, 𝜎, e dos raios de curvatura das fases através da equação de Young-Laplace. Dada
por:

𝜕(𝑃𝑤𝑖 − 𝑃𝑜𝑖 ) 𝜕 1 1
= −𝜎 ( − ) (3.31)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑟1 𝑟2

onde 𝑟1 e 𝑟2 representam a curvatura na direção do escoamento e a curvatura da interface em


uma secção transversal da tubulação, respectivamente (Fig. 3.2).

Figura 3.2 - Raios de curvatura para interface plana, Castro (2013).

Para uma descrição mais detalhada dos parâmetros de curvatura, cita-se como fonte
bibliográfica, os trabalhos de Castro (2013), Rodriguez e Baldani (2012) e Rodriguez, Mudde
e Oliemans (2006). Aqui, limita-se a exposição desses termos em sua forma final para uma
interface plana e uma interface curva.
62

Para interface plana, tem-se:

𝜕(𝑃𝑤𝑖 − 𝑃𝑜𝑖 ) 𝜕 1 1 𝜕 3 ℎ(𝑧)


= −𝜎 ( − ) = −𝜎 (3.32)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑟1 𝑟2 𝜕𝑧 3

3.3 Interface curva na secção transversal do escoamento estratificando

Para uma interface curva, tem-se a seguinte situação, Fig. 3.3:

Figura 3.3 - Raios de curvatura para interface curva, Castro (2013).

Onde, tem-se que:

𝜕(𝑃𝑤𝑖 − 𝑃𝑜𝑖 ) 𝜕 1 1 𝜕 3 ℎ(𝑧) 1 𝜕ℎ(𝑧)


= −𝜎 ( − ) = −𝜎 ( 3
+ 2 ) (3.33)
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑟1 𝑟2 𝜕𝑧 𝑟2 (ℎ(𝑧)) 𝜕𝑧

Substituindo-se a Eq. 3.33 na Eq. 3.30 chega-se em:

𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝐾𝑤 𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝐾𝑜 𝜕ℎ


𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 + 𝜌𝑤 𝑉𝑤 (𝐾𝑤 + 𝑉𝑤 ) − 𝜌𝑜 𝑉𝑜 (𝐾𝑜 + 𝑉𝑜 )
𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕𝑧

𝜕ℎ 𝜕 3 ℎ(𝑧) 1 𝜕ℎ(𝑧)
+(𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 ( ) − 𝜎 ( 3
+ 2 )
𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝑟2 (ℎ(𝑧)) 𝜕𝑧
1 1 𝜏𝑤𝑤 𝑆𝑤 𝜏𝑜𝑤 𝑆𝑜
= ±𝜏𝑖 𝑆𝑖 ( + ) − + − (𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 (3.34)
𝐴𝑤 𝐴𝑜 𝐴𝑤 𝐴𝑜
63

Supondo-se que os termos de fatores de forma são iguais à unidade, e que apenas a
análise de ondas longitudinais longas são consideradas, chega-se em:

𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑜 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑜 𝜕ℎ


𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 + 𝜌𝑤 𝑉𝑤 − 𝜌𝑜 𝑉𝑜 +𝐿
𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧
𝜕 3 ℎ(𝑧) 1 𝜕ℎ(𝑧)
−𝜎( 3
+ 2 ) = 𝑓𝑒 (3.35)
𝜕𝑧 𝑟2 (ℎ(𝑧)) 𝜕𝑧

onde, a fim de simplificar a notação, reescreveu-se os termos no lado direito do sinal de


igualdade da Eq. 3.34 como sendo:

1 1 𝜏𝑤𝑤 𝑆𝑤 𝜏𝑜𝑤 𝑆𝑜
𝑓𝑒 = 𝑓𝑒(ℎ(𝑧), 𝑉𝑤 , 𝑉𝑜 ) = ±𝜏𝑖 𝑆𝑖 ( + ) − + − (𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 (3.36)
𝐴𝑤 𝐴𝑜 𝐴𝑤 𝐴𝑜

e o termo gravitacional, como sendo:

𝐿 = (𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔. 𝑐𝑜𝑠𝜃 (3.37)

Na Eq. 3.36 o sinal positivo da tensão interfacial corresponde a velocidade in situ do


óleo maior que a da água.
A Eq. 3.35 pode facilmente ser adaptada para representar uma interface plana ao
desprezar-se o ultimo termo anterior ao sinal de igualdade.
As equações instantâneas médias na secção transversal para conservação da massa (Eq.
3.10 para fase óleo; Eq. 3.11 para fase água) e quantidade de movimento (Eq. 3.35 com fases
acopladas) descrevem o escoamento estratificado líquido-líquido com interface curva.

3.4 Escoamento básico

Para um escoamento estratificado em condição de estabilidade (regime permanente) o


modelo de dois fluidos, com equações instantâneas médias na seção transversal, é usado
assumindo-se um escoamento completamente desenvolvido. A solução desse modelo
possibilita a determinação da altura interfacial, fração volumétrica in situ, gradiente de
pressão e tensões interfaciais e de parede médias para o escoamento básico.
Então, partindo-se da Eq. 3.22, tem-se:
64

𝜕(−𝑃𝑘 )
𝐴𝑘 ± 𝜏𝑘𝑖 𝑆𝑖 − 𝜏𝑘𝑤 𝑆𝑘 − 𝐴𝑘 𝜌𝑘 𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 0 (3.38)
𝜕𝑧
onde o gradiente de pressão e a tensão cisalhante para ambas as fases passam a ser o mesmo
devido ao escoamento ser incompressível, sem mudança de diâmetro na extensão do duto e
existir um equilíbrio mecânico. Assim pode-se acoplar-se as equações das fases, Eq. 3.39:

1 1 𝜏𝑤𝑤 𝑆𝑤 𝜏𝑜𝑤 𝑆𝑜
±𝜏𝑖 𝑆𝑖 ( − )− + − (𝜌𝑤 − 𝑝𝑜 )𝑔. 𝑠𝑒𝑛𝜃 = 0 (3.39)
𝐴𝑤 𝐴𝑜 𝐴𝑤 𝐴𝑜

Nota-se que a Eq. 3.39 é a função fe já definida anteriormente pela Eq. 3.36. Essa pode
ser resolvida numericamente para condições especificas de operação, contanto que as tensões
cisalhantes sejam expressas em termos de fatores de atrito conhecidos.

3.5 Relações constitutivas

Nesta seção são mostradas relações adicionais para o cálculo de variáveis geométricas e
equações constitutivas para as tensões cisalhantes. A exposição resumida de tais aspectos nas
subseções seguintes segue a metodologia exposta em Castro (2013).

3.5.1 Parâmetros geométricos

Os parâmetros geométricos extraídos de Trallero (1995); Rodriguez e Baldani (2012),


podem ser vistos na Fig. 3.4.
65

Parâmetros Geométricos Interface Plana Interface Curva

𝐷
So (𝜋 − 2𝜙) 𝐷(𝜋 − 𝜙𝑜 )
2

𝐷
Sw (𝜋 + 2𝜙) 𝐷𝜙𝑜
2

Si 𝐷 cos 𝜙 2𝑟𝑐 (𝜙 ∗ − 𝜋)

Ao 𝐴 − 𝐴𝑤 𝐴 − 𝐴𝑤

𝐷2 sen (2𝜙𝑜 )
(𝜙𝑜 − )±
4 2
𝜋𝐷2 ℎ𝐷 cos 𝜙 𝜙
Aw + 2( + )
8 4 8𝜋
sen 2(𝜙 ∗ − 𝜋)
𝑟𝑐2 [(𝜙 ∗ − 𝜋) − ]
2

𝐷
ϕ* - 𝜋 + sen−1 ( sen 𝜙𝑜 )
𝑟𝑐

Figura 3.4 - Parâmetros geométricos.

3.5.2 Tensões cisalhantes parietais

Conforme Rodriguez e Oliemans (2006), tem-se as tensões cisalhantes parietais para


ambas as fases definida por:

𝜌𝑘 𝑉𝑘 |𝑉𝑘 |
𝜏𝑘 = 𝑓𝑘 (3.40)
8

3.5.3 Fatores de atrito


66

Os fatores de atrito são calculados pelas correlações de Churchil modificadas (Roma,


2006), conforme:

1⁄
1 8 12 12
𝑓𝑘 = 8 [ 3 + (𝐶𝑖 ) ] (3.41)
(𝐴 + 𝐵) ⁄2 𝑅𝑒𝑘

onde têm-se as segundas relações relacionas a Eq. 3.41:

16
0,27𝑒 7 0,9 −1
𝐴 = {2,45𝑙𝑛 [( 𝐷 + (𝑅𝑒 ) ) ]} (3.42)
ℎ𝑘 𝑘

37530 16
𝐵= ( ) (3.43)
𝑅𝑒𝑘

𝜌𝑘 𝐷ℎ𝑘 𝑉𝑘
𝑅𝑒𝑘 = (3.44)
𝜇𝑘

4𝐴𝑤 𝑆𝑖 1
𝐷ℎ𝑤 = {1 + [ ]} (3.45)
(𝑆𝑤 + 𝑆𝑖 ) 𝑆𝑤 1 + 𝑒 10(1−𝑠)

4𝐴𝑜 𝑆𝑖 1
𝐷ℎ𝑜 = {1 − [ ]} (3.46)
𝑆𝑜 (𝑆𝑜 + 𝑆𝑖 ) 1 + 𝑒 10(1−𝑠)

3.5.4 Tensão cisalhante interfacial

A tensão cisalhante interfacial é função das velocidades in situ das fases; onde o fator de
atrito e massa especifica são selecionados para Eq. 3.47 em função de qual das fases escoa de
forma mais rápida.

𝜌𝑘 (𝑉𝑤 − 𝑉𝑜 )|𝑉𝑤 − 𝑉𝑜 |
𝜏𝑖 = 𝑓𝑘 (3.47)
8

Logo, tem-se: se 𝑉𝑜 > 𝑉𝑤 :


𝑓𝑘 = 𝑓𝑜
(3.48)
𝜌𝑘 = 𝜌𝑜
Caso 𝑉𝑤 > 𝑉𝑜 , têm-se:
67

𝑓𝑘 = 𝑓𝑤
(3.49)
𝜌𝑘 = 𝜌𝑤

3.6 Análises não lineares através do MOC e PISO

O desenvolvimento matemático apresentado neste Capítulo é utilizado para as análises


do fenômeno de transição espacial do escoamento óleo-água com altas razões de viscosidade.
As equações relacionadas ao método PISO serão apresentadas apenas no Capítulo 4.
Neste método, destaca-se que as relações geométricas e as equações constitutivas para as
tensões cisalhantes já descritas (seção 3.5) permanecem válidas e inalteradas, no entanto,
deve-se definir novas relações para determinação dos fatores de atrito.
68

4 MÉTODOS NUMÉRICOS

4.1 Método das características (MOC)

Como já visto na seção 2.4.5.2, o MOC é o método numérico utilizado na teoria da


estabilidade hidrodinâmica não linear simplificada.
Definiu-se anteriormente o modelo de dois fluidos unidimensional como o mais
adequado para formulação de um problema em escoamento bifásico no padrão estratificado.
No entanto, ao realizar-se uma análise de estabilidade não linear simplificada neste modelo, as
EDP’s resultantes deste processo devem ser manipuladas a fim de torná-las do tipo
hiperbólico (requisito para aplicação do MOC).
Portanto algumas considerações devem ser feitas nas Eqs. 3.10, 3.11 e 3.35 (equações
de conservação da massa para cada fase e conservação da quantidade de movimento
acoplada).
Assim, faz-se:

𝜎≈0 (4.1)

onde o termo de tensão interfacial é desprezado a fim de eliminar-se a derivada de terceira


ordem e o termo relacionado a curvatura da interface na Eq. 3.35. Tal aproximação só é válida
se as ondas interfaciais forem consideradas longas (𝑘 → ∞). Nota-se que tensão interfacial é
de suma importância na estabilização/desestabilização em escoamentos bifásicos entre
líquidos (sendo desprezado somente para garantir uma equação do tipo hiperbólica), portanto
tal termo deve ser incorporado em formas alternativas nas equações.
Além disto, considera-se o escoamento de uma das fases como quasi permanente. Isto
implica que uma das fases deve estar com velocidade in situ de escoamento bastante superior
em relação a outra fase. Tal suposição cria duas situações distintas (deslizamento maior e
menor que um), onde para cada caso tem-se suprimido o termo da derivada temporal da
velocidade in situ na equação de conservação de massa, Eq. 3.5.
Logo (situação exemplificativa para 𝑉𝑜 > 𝑉𝑤 ), tem-se a seguinte resolução:

𝜕𝑉𝑜 𝜕𝐴𝑜
𝐴𝑜 + 𝑉𝑜 = 0 → 𝐴𝑜 𝜕𝑉𝑜 = − 𝑉𝑜 𝜕𝐴𝑜 (4.2)
𝜕𝑧 𝜕𝑧
69

𝑉𝑜 𝐴𝑜
𝜕𝑉𝑜 𝜕𝐴𝑜
∫ = −∫ (4.3)
𝑉𝑜 𝐴𝑜
𝐽𝑜 𝐴

𝐽𝑜 𝐴
𝑉𝑜 = (4.4)
𝐴𝑜

Estas situações dão origem a dois sistemas de EDO’s aptas a serem aplicadas ao MOC e
resolvidas pelo método de diferença finitas.
Então, tem-se para 𝑉𝑜 > 𝑉𝑤 (deslizamento maior que um):

𝜕ℎ 𝐴𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ
+ + 𝑉𝑤 =0
𝜕𝑡 𝐴̇𝑤 𝜕𝑧 𝜕𝑧
(4.5)
𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ(𝑧)
{ 𝜕𝑡 + 𝑉𝑤 𝜕𝑧 + 𝐺1 𝜕𝑧 + 𝐸1 = 0

onde:

(𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔𝑐𝑜𝑠𝜃 𝜌𝑜 𝐽𝑜 2 𝐴2 𝐴̇𝑤


𝐺1 = − (4.6)
𝜌𝑤 𝜌𝑤 𝐴3𝑜

𝑓𝑒
𝐸1 = − (4.7)
𝜌𝑤

E, quando para 𝑉𝑤 > 𝑉𝑜 (deslizamento menor que um):

𝜕ℎ 𝐴𝑜 𝜕𝑉𝑜 𝜕ℎ
+ + 𝑉𝑜 =0
𝜕𝑡 𝐴̇𝑤 𝜕𝑧 𝜕𝑧
(4.8)
𝜕𝑉𝑜 𝜕𝑉𝑜 𝜕ℎ(𝑧)
{ 𝜕𝑡 + 𝑉𝑜 + 𝐺2 + 𝐸2 = 0
𝜕𝑧 𝜕𝑧

onde:
(𝜌𝑤 − 𝜌𝑜 )𝑔𝑐𝑜𝑠𝜃 𝜌𝑤 𝐽𝑤 2 𝐴2 𝐴̇𝑤
𝐺2 = − (4.9)
𝜌𝑜 𝜌𝑜 𝐴3𝑤

𝑓𝑒
𝐸2 = − (4.10)
𝜌𝑜

Aplicando-se o MOC nos sistemas de Eqs. 4.5 e 4.8, e após algumas manipulações,
chegam-se nas Eqs. 4.11 e 4.14, onde tem-se definido as direções e velocidades características
𝜆1 e 𝜆2 .
70

𝑑ℎ 𝜆1 + 𝜆2 𝑑ℎ 𝜆2 − 𝜆1 𝑑𝑉𝑤
+( ) + 𝐵1 ( ) =0 𝜆1 = 𝑉𝑤 − √𝐻1 𝐺1
𝑑𝑡 2 𝑑𝑧 2 𝑑𝑧
𝑑𝑉𝑤 𝜆2 − 𝜆1 𝑑ℎ 𝜆1 + 𝜆2 𝑑𝑉𝑤 em que (4.11)
+( ) +( ) + 𝐸1 = 0 𝜆2 = 𝑉𝑤 + √𝐻1 𝐺1
{ 𝑑𝑡 2𝐵1 𝑑𝑧 2 𝑑𝑧

onde

𝐴𝑤
𝐻1 = (4.12)
𝐴̇𝑤

𝐻1
𝐵1 = √ (4.13)
𝐺1

𝑑ℎ 𝜆1 + 𝜆2 𝑑ℎ 𝜆1 − 𝜆2 𝑑𝑉𝑜
+( ) + 𝐵2 ( ) =0 𝜆1 = 𝑉𝑜 − √𝐻2 𝐺2
𝑑𝑡 2 𝑑𝑧 2 𝑑𝑧
𝑑𝑉𝑜 𝜆1 − 𝜆2 𝑑ℎ 𝜆1 + 𝜆2 𝑑𝑉𝑜 em que (4.14)
+( ) +( ) − 𝐸2 = 0 𝜆2 = 𝑉𝑜 + √𝐻2 𝐺2
{ 𝑑𝑡 2𝐵2 𝑑𝑧 2 𝑑𝑧

onde

𝐴𝑜
𝐻2 = (4.15)
𝐴̇𝑤

𝐻2
𝐵2 = √ (4.16)
𝐺2

No apêndice A encontrasse uma descrição detalhada do método das características para


a resolução da Eq. 4.5.

4.1.1 Esquemas numéricos explícitos

A fim de buscar-se as soluções das equações diferenciais envolvidas no presente


trabalho e, dentro da abordagem pelo MOC, utiliza-se o método das diferenças finitas, onde a
71

ideia básica deste é substituir as derivadas presentes em uma equação diferencial por
expressões algébricas aproximadas construídas a partir da série de Taylor.
Para obter uma solução via diferenças finitas de uma equação diferencial, definida sobre
um domínio, é necessário discretizar-se o domínio, isto é, a solução numérica é obtida em
pontos (zi,tj) do domínio. A escolha destes pontos irá definir o domínio discretizado, enquanto
o conjunto destes pontos irá definir a malha (Fig. 4.1).

Figura 4.1 - Malha de pontos para uma discretização por diferenças finitas.

Assim, utilizando-se um esquema explícito de Euler no tempo e uma discretização


explícita centrada no espaço, tem-se as seguintes aproximações:

𝑑ℎ ℎ𝑖𝑡+1 − ℎ𝑖𝑡
= (4.17)
𝑑𝑡 ∆𝑡

𝑡+1 𝑡
𝑑𝑉𝑤 𝑉𝑤𝑖 − 𝑉𝑤𝑖
= (4.18)
𝑑𝑡 ∆𝑡

𝑡 𝑡
𝑑ℎ ℎ𝑖+1 − ℎ𝑖−1
= (4.19)
𝑑𝑧 2∆𝑧

𝑡 𝑡
𝑑𝑉𝑤 𝑉𝑤𝑖+1 − 𝑉𝑤𝑖−1
= (4.20)
𝑑𝑧 2∆𝑧

Logo o sistema de Eqs. 4.11 pode ser apresentado na seguinte forma (relacionando-se
ao deslizamento maior que um):
72

𝑡
(𝜆1 + 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 𝑡 )
∆𝑡 − ℎ𝑧−1
ℎ𝑧𝑡+1 = ℎ𝑧𝑡 − ( 𝑡 𝑡 )
4∆𝑧 +𝐵1 (𝜆2 − 𝜆1 )(𝑉𝑤,𝑧+1 − 𝑉𝑤,𝑧−1 )
𝑡 𝑡 ) (4.21)
𝑡+1 𝑡
∆𝑡 (𝜆2 − 𝜆1 )(ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1
𝑉𝑤,𝑧 = 𝑉𝑤,𝑧 − ( 𝑡 𝑡 ) − ∆𝑡𝐸1
{ 4𝐵1 ∆𝑧 +𝐵1 (𝜆1 + 𝜆2 )(𝑉𝑤,𝑧+1 − 𝑉𝑤,𝑧−1 )

Já para o sistema de Eqs. 4.14 (deslizamento menor que um), tem-se:

∆𝑡 𝑡
(𝜆1 + 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 𝑡 )
− ℎ𝑧−1
ℎ𝑧𝑡+1= ℎ𝑧𝑡
− ( 𝑡 𝑡 )
4∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 − 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )
𝑡 𝑡 )
(4.22)
𝑡+1 𝑡
∆𝑡 (𝜆1 − 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1
𝑉𝑜𝑧 = 𝑉𝑜𝑧 − ( 𝑡 𝑡 ) + ∆𝑡𝐸2
{ 4𝐵2 ∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 + 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )

Faz-se também uma discretização temporal utilizando-se do esquema Leapfrog, a fim de


ter-se aumentado a ordem de precisão do modelo matemático. Neste esquema, o sistema
torna-se não auto iniciante e por isso, para um primeiro passo no tempo, utiliza-se um
esquema do tipo Backward. No entanto, nota-se que o erro por tal aproximação inicial persiste
na solução temporal.
Os novos sistemas de equações relacionadas ao esquema Leapfrog, para as duas
situações de deslizamento, são como se seguem:

∆𝑡 𝑡
(𝜆1 + 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 𝑡 )
− ℎ𝑧−1
ℎ𝑧𝑡+1 = ℎ𝑧𝑡−1 − ( 𝑡 𝑡 )
2∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 − 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )
𝑡 𝑡 )
(4.23)
𝑡+1 𝑡−1
∆𝑡 (𝜆1 − 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 +
𝑉𝑜𝑧 = 𝑉𝑜𝑧 − ( 𝑡 𝑡 ) + ∆𝑡𝐸2
{ 2𝐵2 ∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 + 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )

∆𝑡 𝑡
(𝜆1 + 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 𝑡 )
− ℎ𝑧−1
ℎ𝑧𝑡+1 = ℎ𝑧𝑡−1 − ( 𝑡 𝑡 )
2∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 − 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )
𝑡 𝑡 )
(4.24)
𝑡+1 𝑡−1
∆𝑡 (𝜆1 − 𝜆2 )(ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 +
𝑉𝑜𝑧 = 𝑉𝑜𝑧 − ( 𝑡 𝑡 ) + ∆𝑡𝐸2
{ 2𝐵2 ∆𝑧 +𝐵2 (𝜆1 + 𝜆2 )(𝑉𝑜𝑧+1 − 𝑉𝑜𝑧−1 )

4.1.2 Esquema numérico implícito


73

O Método de Crank-Nicolson é um esquema implícito alternativo que consiste em


implementar as aproximações das derivadas no ponto médio do incremento de tempo, como
mostrado na Fig. 4.2:

Figura 4.2 - Malha computacional para o Método de Crank-Nicolson.

A essência do método é avaliar uma EDP em determinado ponto, aproximando-se a


derivada temporal por diferença central e a derivada espacial pelas médias das diferenças
centrais nos instantes de tempo n e n + 1 (Ferreira, Queiroz e Mancera, 2007).
O método de Crank-Nicolson, por simplificação, é somente aplicado ao sistema de
deslizamento menor que um (Eq. 4.14), no entanto pode-se, de forma análoga, ter-se sua
implementação para a situação em que o deslizamento é maior que um.
Então, ao sistema de Eqs. 4.14, são aplicadas as seguintes equações:

𝑡 𝑡 𝑡 𝑡
ℎ𝑧𝑡+1 − ℎ𝑧𝑡 𝜆1 + 𝜆2 ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 𝜆1 − 𝜆2 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1
= −( )( ) − 𝐵2 ( )( ) (4.25)
∆𝑡 2 2∆𝑧 2 2∆𝑧

𝑡+1 𝑡+1 𝑡+1 𝑡+1


ℎ𝑧𝑡+1 − ℎ𝑧𝑡 𝜆1 + 𝜆2 ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 𝜆1 − 𝜆2 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1
= −( )( ) − 𝐵2 ( )( ) (4.26)
∆𝑡 2 2∆𝑧 2 2∆𝑧

onde tem-se nas Eqs. 4.25 e 4.26, as aproximações para a derivada temporal da função altura
de agua em sua forma explicita e implícita, respectivamente. E:

𝑡+1 𝑡 𝑡 𝑡 𝑡 𝑡
𝑉𝑜,𝑧 − 𝑉𝑜,𝑧 𝜆1 − 𝜆2 ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 𝜆1 + 𝜆2 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1
= −( )( )−( )( ) + 𝐸2 (4.27)
∆𝑡 2𝐵2 2∆𝑧 2 2∆𝑧

𝑡+1 𝑡 𝑡+1 𝑡+1 𝑡+1 𝑡+1


𝑉𝑜,𝑧 − 𝑉𝑜,𝑧 𝜆1 − 𝜆2 ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 𝜆1 + 𝜆2 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1
= −( )( )−( )( ) + 𝐸2 (4.28)
∆𝑡 2𝐵2 2∆𝑧 2 2∆𝑧
74

onde tem-se nas Eqs. 4.27 e 4.28, as aproximações para a derivada temporal da função
velocidade in situ de óleo em sua forma explicita e implícita, respectivamente.
Logo, através das Eqs. 4.25, 4.26, 4.27 e 4.28, tem-se:

ℎ𝑧𝑡+1 − ℎ𝑧𝑡 𝜆1 + 𝜆2 𝑡 𝑡 𝑡+1 𝑡+1 )


= −( ) (ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 + ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧+1
𝜕𝑡 8∆𝑧
𝜆1 − 𝜆2 𝑡 𝑡 𝑡+1 𝑡+1
− 𝐵2 ( ) (𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1 + 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧+1 ) (4.29)
8∆𝑧

𝑡+1 𝑡
𝑉𝑜,𝑧 − 𝑉𝑜,𝑧 𝜆1 − 𝜆2 𝑡 𝑡 𝑡+1 𝑡+1 )
= −( ) (ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧−1 + ℎ𝑧+1 − ℎ𝑧+1
𝜕𝑡 8𝐵2 ∆𝑧
𝜆1 + 𝜆2 𝑡 𝑡 𝑡+1 𝑡+1
−( ) (𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧−1 + 𝑉𝑜,𝑧+1 − 𝑉𝑜,𝑧+1 ) + 𝐸2 (4.30)
8∆𝑧

Estas equações são manipuladas, a fim de ter-se um sistema matricial apto a ser
resolvido pelo método de marcha no tempo. Tal formulação matemática encontra-se
disponível em Lomax, Pulliam e Zingg (1999). Assim, tem-se o seguinte sistema de equações:

∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡+1 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡+1 𝐵2 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡+1


− ℎ𝑧−1 + ℎ𝑧𝑡+1 + ℎ𝑧+1 − 𝑉𝑧−1
8∆𝑧 8∆𝑧 8∆𝑧
𝐵2 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡+1 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡
+ 𝑉𝑧+1 = ℎ𝑧−1 + ℎ𝑧𝑡 − ℎ𝑧+1
8∆𝑧 8∆𝑧 8∆𝑧
𝐵2 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡 𝐵2 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡
+ 𝑉𝑧−1 − 𝑉𝑧+1
8∆𝑧 8∆𝑧
∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡+1 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡+1 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡+1 (4.31)
− 𝑉𝑧−1 + 𝑉𝑧𝑡+1 + 𝑉𝑧+1 − ℎ𝑧−1
8∆𝑧 8∆𝑧 8𝐵2 ∆𝑧
∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡+1 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡 ∆𝑡(𝜆1 + 𝜆2 ) 𝑡
+ ℎ𝑧+1 = 𝑉𝑧−1 + 𝑉𝑧𝑡 − 𝑉𝑧+1
8𝐵2 ∆𝑧 8∆𝑧 8∆𝑧
∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡 ∆𝑡(𝜆1 − 𝜆2 ) 𝑡
+ ℎ𝑧−1 − ℎ𝑧+1 + 𝐸2
{ 8𝐵2 ∆𝑧 8𝐵2 ∆𝑧

ou ainda, em sua forma matricial:

𝑨𝒉𝒕+𝟏 + 𝑩𝒗𝒕+𝟏 = 𝑪𝒉𝒕 + 𝑫𝒗𝒕


{ 𝒕+𝟏 1 1 (4.32)
𝑨𝒗 + 2 𝑩𝒉𝒕+𝟏 = 𝑪𝒗𝒕 + 2 𝑫𝒉𝒕
𝐵2 𝐵2
75

onde 𝑨, 𝑩, 𝑪, 𝑫 são matrizes tri-diagonais esparsas 𝑁 𝑥 𝑁 e 𝒉, 𝒗 são vetores N-dimensionais


representando os valores da função nos pontos da malha e tempo.

4.2 Pressure Implicit with Splitting of Operators (PISO)

Nesta seção busca-se uma alternativa à aplicação do MOC na análise de instabilidades


em escoamento bifásico de óleo-água. Assim, tenta-se através do algoritmo denominado:
Pressure Implicit with Splitting of Operators (PISO), desenvolvido por Issa (1986)
originalmente para aplicações em escoamentos gás-líquido, obter-se novos resultados.
O algoritmo consiste dá aplicação de um passo preditivo, onde os campos de
velocidades obtidos satisfazem a conservação de quantidade de movimento, e dois passos
corretores, a fim de satisfazer as equações de continuidade.
Inicialmente, parte-se das equações que regem o movimento dos fluidos em sua forma
conservativa. Estas são:

𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 ) 𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜 )
+ =0 (4.33)
𝜕𝑡 𝜕𝑧

𝜕(𝜌𝑤 𝛼𝑤 ) 𝜕(𝜌𝑤 𝛼𝑤 𝑢𝑤 )
+ =0 (4.34)
𝜕𝑡 𝜕𝑧

𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜 ) 𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜2 ) 𝜕𝑃 𝜕ℎ


+ = −𝛼𝑜 − 𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑔 cos 𝛽 − 𝐹𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙 − 𝐹𝑖 (4.35)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧

2)
𝜕(𝜌𝑤 𝛼𝑤 𝑢𝑤 ) 𝜕(𝜌𝑤 𝛼𝑤 𝑢𝑤 𝜕𝑃 𝜕ℎ
+ = −𝛼𝑤 − 𝜌𝑤 𝛼𝑤 𝑔 cos 𝛽 − 𝐹𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙 + 𝐹𝑖 (4.36)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧 𝜕𝑧

onde os termos Fo-wall, Fw-wall e Fi representam a força de fricção ou cisalhamento por unidade
de volume entre cada fase e a parede, e entre as mesmas fases (na interface), respectivamente.
As Eqs. 4.33 a 4.36 são resolvidas mediante o método dos volumes finitos utilizando-se
de uma malha deslocada (Patankar, 1980), isto é, as velocidades são armazenadas numa
posição deslocada em relação às outras variáveis. A Fig. 4.3 apresenta está malha para um
domínio unidimensional, com volumes de controle para a pressão e velocidade. O símbolo P
refere-se ao centro do volume de controle principal e os símbolos E e W referem-se aos
76

centros dos volumes do controle dos nós vizinhos. Os símbolos ww, w e e denotam as
fronteiras do volume de controle circundante ao nó.
No presente trabalho, considerou-se o ponto nodal principal no centro do volume de
controle, e utilizou-se uma malha uniforme.

Figura 4.3 - Malha computacional para aplicação do método PISO, adaptado de Malca (2004).

Para as discretizações das Eqs. 4.33, 4.34, 4.35 e 4.36 é utilizado um esquema Upwind
para as derivadas no espaço e um esquema implícito de Euler para as derivadas no tempo. O
conjunto de equações resultantes são não lineares e acopladas, sendo necessário utilizar um
procedimento iterativo de solução.
A demonstração detalhada da obtenção do conjunto de equações em suas formas
discretizadas encontra-se no Apêndice B. Aqui, parte-se da forma explícita para a equação de
quantidade de movimento e tem-se detalhados apenas os coeficientes que não foram
especificados em tal seção. Assim:

∆𝑥
[ 𝛼 𝜌 𝐴 + ‖−𝐹𝑃 , 0‖ + ‖𝐹𝑊 , 0‖ + 𝐹𝑝 − 𝐹𝑤 − 𝛷2 ] 𝑢𝑤
∆𝑡 𝑤 𝑤
∆𝑥 0 0 0
= ‖−𝐹𝑃 , 0‖𝑢𝑃 + ‖𝐹𝑊 , 0‖𝑢𝑊 − 𝛼𝑤 𝐴(𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 ) + 𝛷1 + 𝜌 𝛼 𝐴𝑢 (4.36)
∆𝑡 𝑤 𝑤 𝑤

onde o sobrescrito 0 refere-se ao passo de tempo anterior e Φ1 e Φ2 são escritos em função da


fase:

1
𝛷1,𝑤𝑎𝑡𝑒𝑟 = 𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 |𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 |𝑆𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 ∆𝑥 − 𝛼𝑤,𝑤 𝜌𝑤,𝑤 𝑔𝐴(ℎ𝑃 − ℎ𝑊 ) (4.37)
2

1
𝛷2,𝑤𝑎𝑡𝑒𝑟 = (−𝑓𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝜌𝑤,𝑤 |𝑢𝑤,𝑤 |𝑆𝑤,𝑤 − 𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 |𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 |𝑆𝑖𝑛𝑡,𝑤 )∆𝑥 (4.38)
2
77

1
𝛷1,𝑜𝑖𝑙 = 𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 |𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 |𝑆𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 ∆𝑥 − 𝛼𝑜,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 𝑔𝐴(ℎ𝑃 − ℎ𝑊 ) (4.39)
2

1
𝛷2,𝑜𝑖𝑙 = (−𝑓𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 |𝑢𝑜,𝑤 |𝑆𝑜,𝑤 − 𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 |𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 |𝑆𝑖𝑛𝑡,𝑤 )∆𝑥 (4.40)
2

Nas Eqs. 4.37 a 4.40 os termos Sw,w, So,w e Sint,w representam o perímetro molhado das
fases e interface em relação a sua posição espacial na malha computacional (Fig. 4.3).

4.2.1 Passo preditivo

Neste passo as equações de quantidade de movimento discretizadas são resolvidas


implicitamente para as velocidades de água e óleo. Para isso, a Eq. 4.36 é reescrita na seguinte
forma para fase de água:

+ + +
𝑎𝑤,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 = 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑤,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑤,𝑤 𝐴∆𝑃 + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑤,𝑤 + 𝑏𝑤,𝑤 (4.41)
∆𝑡

e para fase de óleo:

+ + + +
𝑎𝑜,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 = 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑜,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑤,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑜,𝑤 𝐴∆𝑃 + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑜,𝑤 + 𝑏𝑜,𝑤 (4.42)
∆𝑡

onde estas apresentam-se em função das últimas grandezas disponíveis, e os seguintes


coeficientes são obtidos pelas expressões:

𝑓𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝜌𝑓𝑎𝑠𝑒,𝑤 𝑆𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 ‖𝑢𝑓𝑎𝑠𝑒,𝑤 ‖∆𝑥


𝑏𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 = − (4.43)
2

𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 𝜌𝑜,𝑤 𝑆𝑖𝑛𝑡,𝑤 ‖𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 ‖∆𝑥


𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒 = (4.44)
2

Os termos bw,w e bo,w nas Eqs. 4.41 e 4.42 representam o resto dos termos do lado direito
na Eq. 4.36 para as fases de água e óleo, respectivamente, enquanto aw,w e ao,w representam o
78

restante dos termos relacionados à velocidade para a posição central na malha de volumes
deslocados para cada fase.
Destaca-se ainda que os fatores de atritos utilizados foram definidos através da
metodologia exposta em Issa e Kempf (2003). Assim, tem-se para o fator de atrito da fase
óleo e interfacial, quando em regime laminar, as seguintes expressões:

16
𝑓𝑜,𝑤 = (4.45)
𝑅𝑒𝑜

16
𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 = (4.46)
𝑅𝑒𝑖

Quando está fase apresenta um escoamento turbulento, usa-se as seguintes expressões:

𝑓𝑜,𝑤 = 0.046(𝑅𝑒𝑜 )−0.2 (4.47)

𝑓𝑖𝑛𝑡,𝑤 = 0.046(𝑅𝑒𝑖 )−0.2 (4.48)

Já para o escoamento de água, quando em regime laminar, usa-se:

24
𝑓𝑤,𝑤 = (4.49)
𝑅𝑒𝑤

e para regime turbulento, tem-se:

𝑓𝑤,𝑤 = 0.0262(𝛼𝑤 𝑅𝑒𝑤 )−0.139 (4.50)

onde os números de Reynolds para as fases e interface são dados por:

4𝐴𝑜 𝑢𝑜 𝜌𝑜
𝑅𝑒𝑜 = (4.51)
(𝑆𝑜,𝑤 + 𝑆𝑖,𝑤 )𝜇𝑜

4𝐴𝑜 |𝑢𝑜 − 𝑢𝑤 |𝜌𝑜


𝑅𝑒𝑖 = (4.52)
(𝑆𝑜,𝑤 + 𝑆𝑖,𝑤 )𝜇𝑜

𝐷𝑉𝑘 𝜌𝑤
𝑅𝑒𝑤 = (4.53)
𝜇𝑤
79

4.2.2 Primeiro passo corretor

Como já mencionado, os campos de velocidades obtidos pelo passo preditivo, uw,w+ e


uo,w+, satisfazem as equações de conservação de quantidade de movimento, mas não
satisfazem a conservação de massa global, portanto é necessário corrigir estas velocidades.
Primeiramente reescreve-se as Eqs. 4.41 e 4.42 em suas formas explicitas. Assim, tem-
se para fase de água:

++ + + +
𝑎𝑤,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 = 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑤,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑤,𝑤 𝐴∆𝑃+ + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑤,𝑤 + 𝑏𝑤,𝑤 (4.54)
∆𝑡

e para fase de óleo:

++ + + +
𝑎𝑜,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 = 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑜,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑤,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑜,𝑤 𝐴∆𝑃+ + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑜,𝑤 + 𝑏𝑜,𝑤 (4.55)
∆𝑡

As formas de correção das velocidades são obtidas subtraindo-se a Eq. 4.41 de 4.54 para
fase de água, e subtraindo-se a Eq. 4.42 de 4.55 para fase de óleo. Logo, tem-se:

𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 + 𝛼𝑤,𝑤 𝐴
++
𝑢𝑤,𝑤 +
= 𝑢𝑤,𝑤 + (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 ) − [(𝑃𝑃+ − 𝑃𝑊
+)
− (𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 )] (4.56)
𝑎𝑤,𝑤 𝑎𝑤,𝑤

𝛼𝑜,𝑤 𝐴
++
𝑢𝑜,𝑤 +
= 𝑢𝑜,𝑤 − [(𝑃𝑃+ − 𝑃𝑊
+)
− (𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 )] (4.57)
𝑎𝑜,𝑤

Nota-se pelas equações acima que é preciso definir o novo campo de pressões
corrigidas, para que assim as velocidades corrigidas satisfaçam a equação de conservação de
massa global.

4.2.2.1 Equação para pressão


80

A equação da pressão é obtida pela combinação das equações de continuidade de ambas


as fases, as quais são normalizadas pela massa específica de referência de cada fase. De
acordo com Issa e Kempf (2003), esta normalização se faz necessária, para que os termos
relativos à fase mais pesada não predominem na equação da pressão, levando a problemas de
convergência. Assim, tem-se:

1 ∆𝑥 0
𝛼𝑤,𝑒 𝑢𝑤,𝑒 − 𝛼𝑤,𝑒 𝑢𝑤,𝑤 + (𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝑢𝑜,𝑒 − 𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 ) + (𝛼 − 𝛼𝑤,𝑃 )
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 ∆𝑡 𝑤,𝑃
1 0 0
+ (𝜌𝑜,𝑃 𝛼𝑜,𝑃 − 𝜌𝑜,𝑃 𝛼𝑜,𝑃 = 0) (4.58)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓

No entanto, destaca-se que no presente trabalho as massas específicas de ambas as fases


são semelhantes, e que por isso, talvez, tal normalização não fosse necessário. Porém, ainda
assim preferiu-se manter a mesma formulação.
Logo, substituindo-se as velocidades corrigidas, Eqs. 4.56 e 4.57 na equação de
conservação de massa global, Eq. 4.58, e equações análogas para a face leste, obtém-se a
equação para determinação do novo campo de pressão P+, de tal forma que estas velocidades
satisfaçam a equação de conservação de massa global.
A forma discretizada da equação de pressão corrigida P+ é:

𝑎𝑃 𝑃𝑃+ = 𝑎𝑊 𝑃𝑊
+
+ 𝑎𝐸 𝑃𝐸+ + 𝑏 (4.59)

onde os coeficientes são dados pelas seguintes expressões:

𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝛼𝑤,𝑤


𝑎𝑊 = ( + 𝛼𝑤,𝑤 )𝐴 (4.60)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑤 𝑎𝑤,𝑤

𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝛼𝑤,𝑒


𝑎𝐸 = ( + 𝛼𝑤,𝑒 )𝐴 (4.61)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑒 𝑎𝑤,𝑒

𝑎𝑃 = 𝑎𝑊 + 𝑎𝐸 + 𝑆𝑃∆𝑥 (4.62)

𝛼𝑜,𝑝 𝐴
𝑆𝑃 = (4.63)
𝑃𝑟𝑒𝑓 ∆𝑡
81

𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 + +
𝑏 = [( 𝑢 + 𝛼𝑤,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 ) 𝐴 + 𝑎𝑊 (𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 )]
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑜,𝑤
𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 + +
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 +
− [( 𝑢𝑜,𝑒 + 𝛼𝑤,𝑒 𝑢𝑤,𝑒 ) 𝐴 + 𝑎𝐸 (𝑃𝐸 − 𝑃𝑃 )] + [𝛼𝑤,𝑤 (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 )] 𝐴
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑤,𝑤
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 + 𝑃𝑃𝑜 𝛼𝑜,𝑃
𝑜
∆𝑥𝐴
− [𝛼𝑤,𝑒 (𝑢𝑜,𝑒 − 𝑢𝑜,𝑒 )] − [(𝛼𝑃 − 𝛼𝑃𝑜 )𝑤 − ] (4.64)
𝑎𝑤,𝑒 𝑃𝑟𝑒𝑓 ∆𝑡

4.2.3 Segundo passo corretor

Repete-se aqui o processo do primeiro passo corretor para acelerar a convergência. As


fórmulas de correção de velocidades podem ser obtidas a partir das equações de quantidade de
movimento reescritas de forma explícita para fase de água como:

++ ++ ++
𝑎𝑤,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 = 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑤,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑤,𝑤 𝐴∆𝑃 + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑤,𝑤 + 𝑏𝑤,𝑤 (4.65)
∆𝑡

e para fase de óleo:

++ ++ ++
𝑎𝑜,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 = 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙 𝑢𝑜,𝑤 + 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 (𝑢𝑤,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 )
∆𝑥𝐴
− 𝛼𝑜,𝑤 𝐴∆𝑃 + (𝛼𝜌𝑢)𝑜𝑜,𝑤 + 𝑏𝑜,𝑤 (4.66)
∆𝑡

As expressões matemáticas de correção para as velocidades das fases de água e óleo são
obtidas subtraindo-se as Eqs. 4.54 e 4.55 das Eqs. 4.65 e 4.66, respectivamente, resultando
nas seguintes fórmulas de correção para as fases de água e óleo:

++ +
++
𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 − 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑤,𝑤
𝑢𝑤,𝑤 = 𝑢𝑤,𝑤 +
𝑎𝑤,𝑤
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 ++ +
𝛼𝑤,𝑤 𝐴
+ ++
[(𝑢𝑜,𝑤 +
− 𝑢𝑜,𝑤 ) − (𝑢𝑙,𝑤 − 𝑢𝑙,𝑤 )] − [(𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 ) − (𝑃𝑃+ − 𝑃𝑊
+ )]
(4.67)
𝑎𝑤,𝑤 𝑎𝑤,𝑤
82

++ +
++
𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 − 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑜,𝑤
𝑢𝑜,𝑤 = 𝑢𝑜,𝑤 +
𝑎𝑜,𝑤
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝐴
+ ++
[(𝑢𝑤,𝑤 +
− 𝑢𝑤,𝑤 ++
) − (𝑢𝑜,𝑤 +
− 𝑢𝑜,𝑤 )] − [(𝑃𝑃 − 𝑃𝑊 ) − (𝑃𝑃+ − 𝑃𝑊
+ )]
(4.68)
𝑎𝑜,𝑤 𝑎𝑜,𝑤

4.2.3.1 Equação para pressão

Substituindo as Eqs. 4.67 e 4.68, referentes à face oeste, e equações análogas para a face
leste, na equação de conservação de massa global, Eq. 4.58 obtêm-se uma equação para
avaliar a nova pressão P, de forma análoga ao primeiro passo corretor. A forma discretizada
da nova equação de pressão corrigida P se mostra a seguir:

𝑎𝑃 𝑃𝑃 = 𝑎𝑊 𝑃𝑊 + 𝑎𝐸 𝑃𝐸 + 𝑏 (4.69)

onde os coeficientes são dados por:

𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝛼𝑤,𝑤


𝑎𝑊 = ( + 𝛼𝑤,𝑤 )𝐴 (4.70)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑤 𝑎𝑤,𝑤

𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝛼𝑤,𝑒


𝑎𝐸 = ( + 𝛼𝑤,𝑒 )𝐴 (4.71)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑒 𝑎𝑤,𝑒

𝑎𝑃 = 𝑎𝑊 + 𝑎𝐸 + 𝑆𝑃∆𝑥 (4.72)

𝛼𝑜,𝑝 𝐴
𝑆𝑃 = (4.73)
𝑃𝑟𝑒𝑓 ∆𝑡

𝑃𝑃𝑜 𝛼𝑜,𝑃
𝑜
∆𝑥𝐴
𝑏 = [𝐵𝑃,𝑤 − 𝐵𝑃,𝑒 ] − [(𝛼𝑃 − 𝛼𝑃𝑜 )𝑤 − ] (4.74)
𝑃𝑟𝑒𝑓 ∆𝑡
83

𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 ++
𝐵𝑃,𝑤 = ( ++
𝑢 + 𝛼𝑤,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 ) 𝐴 + 𝑎𝑊 (𝑃𝑃+ − 𝑃𝑊
+)
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑜,𝑤
++ + ++ +
𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝐴 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 − 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑜,𝑤 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑤,𝑤 − 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑤 𝑢𝑤,𝑤
+ + 𝛼𝑤,𝑤 𝐴
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑤 𝑎𝑤,𝑤
𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝐴 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 ++ + ++ +
+ [(𝑢𝑤,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 ) − (𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 )]
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑤
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑤 ++ + ++ +
+ 𝛼𝑤,𝑤 𝐴 [(𝑢𝑜,𝑤 − 𝑢𝑜,𝑤 ) − (𝑢𝑤,𝑤 − 𝑢𝑤,𝑤 )] (4.75)
𝑎𝑤,𝑤

𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 ++
𝐵𝑃,𝑒 = ( ++
𝑢 + 𝛼𝑤,𝑒 𝑢𝑤,𝑒 ) 𝐴 + 𝑎𝐸 (𝑃𝐸+ − 𝑃𝑃+ )
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑜,𝑒
++ + ++ +
𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝐴 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑒 𝑢𝑜,𝑒 − 𝑏𝑜−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑒 𝑢𝑜,𝑒 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑒 𝑢𝑤,𝑒 − 𝑏𝑤−𝑤𝑎𝑙𝑙,𝑒 𝑢𝑤,𝑒
+ + 𝛼𝑤,𝑒 𝐴
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑒 𝑎𝑤,𝑒
𝜌𝑜,𝑒 𝛼𝑜,𝑒 𝐴 𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑒 ++ + ++ +
+ [(𝑢𝑤,𝑒 − 𝑢𝑤,𝑒 ) − (𝑢𝑜,𝑒 − 𝑢𝑜,𝑒 )]
𝜌𝑜,𝑟𝑒𝑓 𝑎𝑜,𝑒
𝑏𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑓𝑎𝑐𝑒,𝑒 ++ + ++ +
+ 𝛼𝑤,𝑒 𝐴 [(𝑢𝑜,𝑒 − 𝑢𝑜,𝑒 ) − (𝑢𝑤,𝑒 − 𝑢𝑤,𝑒 )] (4.76)
𝑎𝑤,𝑒

Como no passo anterior, a pressão P é utilizada para corrigir as velocidades, obtendo-se


as novas velocidades uw e uo, as quais também obedecem a conservação de massa global.
Destaca-se que a pressão de referência, Pref, surge nas equações a partir da normalização
pela menor massa especifica de referência das fases quando aplicado na combinação das
equações de continuidade de ambas as fases, sendo está definida como a pressão atmosférica,
0,101325 MPa, e os fluidos considerados incompressíveis.

4.2.4 Fração volumétrica

Então, para finalizar-se o algoritmo, busca-se a solução da equação da fração


volumétrica da fase óleo, αo. No Apêndice B, seção B.1, encontra-se uma descrição detalhada
da discretização da equação da continuidade. Lembrando que nesta seção, assim como quando
84

se lidou com a equação de quantidade de movimento, estamos desprezando a transferência de


massa na interface. Assim, tem-se em sua forma matricial a seguinte equação:

𝑎𝑃 𝛼𝑜,𝑝 = 𝑎𝐸 𝛼𝑜,𝐸 + 𝑎𝑊 𝛼𝑜,𝑊 + 𝑏 (4.77)

onde os coeficientes são fornecidos pelas seguintes expressões:

𝑎𝐸 = ‖−𝑀𝑒 , 0‖ (4.78)

𝑎𝑊 = ‖𝑀𝑤 , 0‖ (4.79)

∆𝑥
𝑎𝑃 = 𝜌𝑜,𝑃 𝐴 ∆𝑡 + 𝑎𝐸 + 𝑎𝑊 + 𝑀𝑒 − 𝑀𝑤 (4.80)

𝑏 = 𝑎𝑃0 𝛼𝑜,𝑃
0
(4.81)

∆𝑥
𝑎𝑃0 = 𝜌𝑜,𝑃
0
𝐴 ∆𝑡 (4.82)

sendo Me e Mw os fluxos mássicos relativos as faces leste e oeste, respectivamente, do volume


de controle.

4.2.5 Procedimento de execução

O conjunto de equações resultante compreende: duas equações de quantidade de


movimento, duas equações para a pressão corrigida, uma equação de continuidade, e dois
pares de equações de movimento para as correções das velocidades, as quais foram resolvidas
na seguinte sequência:
1. Definição da condição inicial do problema, isto é, definição do campo de velocidade
da fase de água e óleo, fração volumétrica e pressão. Como condição de estado
inicial foi assumido que o escoamento se encontra no padrão estratificado, onde a
fração volumétrica e as velocidades de água e do óleo são uniformes ao longo da
tubulação e, ademais, a pressão varia linearmente ao longo da tubulação;
2. Considerar a solução do passo de tempo anterior como os valores estimados para o
novo passo de tempo;
85

3. Passo preditivo: Determinação da velocidade da fase de água e óleo, a partir da


solução das equações de quantidade de movimento para suas respectivas fases, Eqs.
4.50 e 4.51, em sua forma implícita, utilizando a pressão estimada P, obtendo uágua+ e
uóleo+;
4.a. Primeiro passo corretor: Resolver a equação de pressão, Eq. 4.59, de maneira a
obter um campo de pressão corrigida P+;
4.b. As velocidades são corrigidas de maneira explícita mediante as Eqs. 4.56 e 4.57 de
tal forma a obedecer à continuidade global, Eq. 4.58, gerando uágua++ e uóleo++;
5.a. Segundo passo corretor: A equação de pressão, Eq. 4.69, é resolvida de maneira de
obter um novo campo de pressão corrigida P;
5.b. As velocidades são corrigidas de maneira explícita mediante as Eqs. 5.67 e 4.68 de
tal forma a obedecer à continuidade global, Eq. 4.58 e acelerar a velocidade de
convergência, gerando as novas velocidades atualizadas para as fases de água e óleo,
uágua e uóleo, respectivamente;
6. Solução da equação da fração volumétrica da fase de óleo αóleo, Eq. 4.77.
86

Figura 4.4 - Algoritmo do método PISO.

4.3 Malha computacional

O passo espacial, ∆z, usado nos processos de discretização das equações deve satisfazer
tanto a precisão dos cálculos numéricos como fornecer uma velocidade ótima de
processamento computacional dos mesmos.
Assim, para o MOC optou-se por um passo espacial de 0,0015 m, onde este garante o
não distanciamento da solução exata do problema, uma vez que também se tem um número de
onda suficientemente pequeno (k = 2π/λ = 0,03768), independentemente se o esquema
numérico escolhido seja de mais baixa ordem de precisão.
Já para o caso de utilização do método PISO, tem-se que o esquema Upwind utilizado é
altamente difusivo, motivo pelo qual é necessário ter-se uma malha refinada. De acordo com
Bonizzi (2003) apud Malca (2004), para um diâmetro de 0,078 m, como o usado para
validação deste método no presente trabalho, uma malha com 0,03 m garante um ótimo
desempenho do ponto de vista da precisão numérica, sem requerer muito tempo
computacional.

4.4 Critério para o passo no tempo


87

O critério escolhido para definição do passo de tempo para os dois métodos numéricos
apresentados no presente trabalho (MOC e PISO) ocorreu em função de Courant-Friederich-
Lewy (CFL). Neste, define-se que o evento não pode ocorrer mais rápido que o passo de
tempo escolhido para simulação computacional, ou ainda, que uma partícula de fluido viaje
no máximo um volume de controle por passo de tempo. Tal critério pode ser expresso dá
seguinte maneira:

|𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑚𝑎𝑥|
𝐶𝐹𝐿 = ∆𝑡 ≤ 1 (4.83)
∆𝑧

Nota-se ainda que métodos implícitos são incondicionalmente estáveis, porém quando
aplicados às equações de modelos multifásicos é necessário que o passo do tempo seja
limitado para atender requisitos de precisão temporal.
Então, para o método das características escolheu-se um passo de tempo de 0,001 s. Já
para o método PISO, usou-se a mesma abordagem recomendada por Issa e Kempf (2003)
quando em simulações gás-líquido, onde especifica-se um número de CFL fixo igual a 0,5 e,
por conseguinte o passo do tempo é obtido por:

1 ∆𝑥
∆𝑡 = (4.84)
2 |𝑢𝑚𝑎𝑥 |

Este critério implica que, se a malha é refinada, então o passo de tempo é reduzido.
88

5 RESULTADOS

Nesta seção, será primeiramente apresentado os resultados das simulações para a análise
de instabilidades no escoamento bifásico óleo-água no padrão estratificado utilizando-se
como ferramenta matemática o MOC, e posteriormente, os resultados obtidos através do
método PISO.

5.1 Método das características

A fim de validar o método, utilizou-se as configurações sugeridas por Trallero (1995),


onde tem-se uma tubulação horizontal com 5 cm de diâmetro interno, óleo de viscosidade
0,016 Pa.s e massa específica de 880 kg/m3 e água comum, com massa específica de 1000
kg/m3 e viscosidade de 0,001 Pa.s. Assim, se o comportamento das ondas propagadas forem
semelhantes aos resultados das simulações numéricas obtidos por este, tem-se o código
computacional validado.
Durante a simulação com a utilização do MOC, o comportamento inicial esperado pode
ser analisado em função da velocidade característica λ1. Se λ1 ˃ 0, o escoamento é dito
supercrítico sendo a onda interfacial propagada apenas downstream. Se λ1 ˂ 0, o escoamento é
dito subcrítico sendo a onda interfacial propagada nos dois sentidos, up e downstream.
Destaca-se, ainda, a possibilidade de dois fenômenos: a estabilidade, onde a onda se
propaga com uma amplitude constante ou decrescente; e instabilidade, onde a amplitude da
onda cresce indefinidamente. Neste último caso, as velocidades características se tornam
imaginarias e o sistema passa a ser mal posto, assim, necessitando do acréscimo de funções
relativas a tensão interfacial nas equações.
A simulação inicia-se com o escoamento base submetido a uma onda solitária. Devido à
dificuldade de caracterizar-se tal onda, utiliza-se aquela proposta por Lamb (1932) e indicada
por Brauner e Maron (1992), e Trallero (1995), na forma:

𝑧
𝜂 = 𝑎 𝑠𝑒𝑐ℎ2 ( ) (5.1)
𝑏
89

onde a e b definem, respectivamente, amplitude e período da onda e, consequentemente, o


comprimento da onda.
Então, implementou-se um programa no software interativo de alta performance voltado
para o cálculo numérico, Matlab. A fim de ter-se uma análise de instabilidades na interface do
escoamento base (padrão estratificado) com auxílio das equações já descritas na seção 4.1 do
presente trabalho.
Logo, com as velocidades superficiais de entrada das fases água e óleo configuradas em
Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s, respectivamente, e após 4 s de simulação obteve-se a Fig. 5.1,
onde tem-se o estado do escoamento representado em uma visão 2D com os instantes de
tempo sobrepostos, em função da posição espacial z (metros) e do parâmetro adimensional
h/D (amplitude da onda sobre o diâmetro da tubulação).

Figura 5.1 - Propagação da onda para um esquema de Euler no tempo - centrado no espaço,
com velocidades superficiais de entrada de Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s (2D).

A Fig. 5.2 é gerada em função deste mesmo caso, no entanto, nele a propagação da onda
é observada numa representação 3D utilizando-se dos mesmos parâmetros descritos
anteriormente para os eixos coordenados.
90

Figura 5.2 - Propagação da onda para um esquema de Euler no tempo - centrado no espaço,
com velocidades superficiais de entrada de Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s (3D).

Neste caso, a velocidade característica λ1 é negativa e por isso tem-se duas ondas se
propagando em direções opostas. Nota-se, a partir das Figs. 5.1 e 5.2, um comportamento de
instabilidade para a onda interfacial que se propaga downstream (amplitude de onda cresce
durante a simulação), e um comportamento de estabilidade para a onda interfacial que se
propaga upstream (amplitude de onda decresce durante a simulação).
Um segundo caso é simulado com velocidade característica λ1 positiva, onde espera-se
a obtenção de duas ondas de propagação na mesma direção, mas com velocidades
características distintas, como observado na Fig. 5.3:

Figura 5.3 - Propagação da onda para um esquema de Euler no tempo - centrado no espaço,
com velocidades superficiais de entrada de Jw = 0,11 m/s e Jo = 0,02 m/s.
91

Para ambos os casos, velocidade característica λ1 ˂ 0 e λ1 ˃ 0, as aproximações do tipo


Euler no tempo e centrado no espaço que foram utilizadas para as derivadas do sistema de
Eqs. 4.21, proporcionaram vibrações de alta frequência geradas nas ondas que se propagaram
downstream, as quais tendem a desestabilizar a simulação. No entanto, é importante notar-se
que o comportamento de propagação das ondas já é o mesmo observado em Trallero (1995).
As vibrações de alta frequência são contornadas aumentando-se a ordem de
aproximação da derivada temporal através do esquema numérico Leapfrog. Assim, a Fig. 5.4
expõem os resultados gerados pelo sistema de Eqs. 4.23 (λ1 ˂ 0 e λ1 ˃ 0), onde temos,
novamente, as mesmas velocidades superficiais de entrada para as fases.

Figura 5.4 - Propagação da onda para o esquema Leapfrog - centrado no espaço, com
velocidades superficiais de entrada de: (a) Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s; (b) Jw = 0,11 m/s e Jo
= 0,02 m/s.

Nota-se que o uso do método Leapfrog não é o mais aconselhado para problemas
transientes, e que por tal fato faz-se necessário a verificação de tal comportamento através de
outros tipos de esquemas numéricos.
92

Então, através do sistema de Eqs. 4.31, implementa-se um esquema implícito de Crank-


Nicolson, o qual é incondicionalmente estável e solucionável pelo método de marcha no
tempo. Tem-se na Fig. 5.5 exposto o resultado da simulação para um caso com velocidade
característica λ1 ˂ 0.

Figura 5.5 - Propagação da onda para o esquema de Crank-Nicolson - centrado no espaço,


com velocidades superficiais de entrada de Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s (2D).

A Fig. 5.6 é gerada em função deste mesmo caso, no entanto, nele a propagação da onda
é observada numa representação 3D.

Figura 5.6 - Propagação da onda para o esquema de Crank-Nicolson - centrado no espaço,


com velocidades superficiais de entrada de Jw = 0,04 m/s e Jo = 0,02 m/s (3D).
93

A simulação pelo esquema de Crank-Nicolson apresentou um comportamento


inesperado (onda interfacial propagando-se somente downstream) em relação ao previsto
pelas simulações numéricas já disponíveis na literatura. Como já descrito, quando para uma
velocidade característica, 𝜆1 < 0, espera-se pela característica matemática do problema que
duas ondas interfaciais se propagem no escoamento. No entanto, faz-se a ressalva, que o
fenômeno de transição espacial do padrão de escoamento observado experimentalmente em
laboratório, sugere o aparecimento de apenas uma onda interfacial downstream.
Assim, a partir dos testes para validação do programa, notou-se que o esquema
Leapfrog mostrou-se com as simulações mais coerentes em comparação com aquelas
encontradas na literatura, como em Trallero (1995). Por este motivo, escolheu-se o esquema
Leapfrog para testar-se uma nova configuração geométrica para o escoamento de óleo-água
com alta razão de viscosidade.
Então, tem-se uma tubulação horizontal com 2,6 cm de diâmetro interno, óleo de
viscosidade 0,228 Pa.s com massa especifica de 854 kg/m3 e água comum, com massa
especifica de 1000 kg/m3 e viscosidade de 0,001 Pa.s.
Neste caso, a simulação ocorre com as velocidades superficiais de entrada das fases
água e óleo configuradas em Jw = 0,18 m/s e Jo = 0,04 m/s, respectivamente.

Figura 5.7 - Problema mal posto para alta razão de viscosidade e velocidades superficiais de
entrada de Jw = 0,18 m/s e Jo = 0,04 m/s.
94

Em tal escoamento, como observado experimentalmente por Castro (2013), ocorre a


ruptura do padrão estratificado ondulado ao padrão pistonado a 3 m da entrada da tubulação.
Logo, busca-se obter uma taxa de crescimento para a onda propagada condizente com tal
distância.
No entanto, durante a simulação as velocidades características das ondas tornaram-se
imaginárias, assim transformando o problema em um caso mal posto, como exposto na Fig.
5.7.
O comportamento observado (problema mal posto) relaciona-se com a instabilidade do
escoamento, onde tal fenômeno pode estar interligado com a não inclusão dos termos de
tensão interfacial que, como já visto, foram desprezados quando dá aplicação do MOC a fim
de tornar as equações envolvidas no problema no tipo hiperbólico. Ou ainda, pelas diversas
aproximações feitas, como, por exemplo, a consideração de que o regime de uma das fases
seria quasi permanente. Esta suposição torna-se válida para escoamentos gás-líquido, onde a
resposta dinâmica do gás apresenta-se de forma superior à fase liquida. No entanto, aqui
possivelmente está aproximação é muito forte.

5.2 Pressure Implicit with Splitting of Operators

Nesta seção apresentam-se os resultados das simulações obtidos através das equações
governantes gerais do escoamento em sua forma conservativa, a fim de buscar-se uma
alternativa plausível ao MOC na análise de instabilidade para um escoamento com alta razão
de viscosidade e baixa razão de densidade.
Neste modelo o escoamento é predito como um resultado mecânico e automático do
crescimento das instabilidades hidrodinâmicas, de acordo com Issa e Woodburn (1998) e Issa
e Kempf (2003), portanto, o crescimento e/ou decaimento das perturbações são determinados
pela dinâmica do fluido e não pelo processo de modelagem.
Visando validar o programa desenvolvido no presente trabalho, buscou-se selecionar a
configuração apresentada nos trabalhos de Issa e Kempf (2003) e Bonizzi (2003), como
ilustrado na Fig. 5.8, para escoamentos gás-líquido. Somente após esta validação, buscar-se-á
simular a mesma configuração, a qual já descrita e testada com o MOC.
95

Figura 5.8 - Configuração do escoamento gás-líquido para validação do método PISO.

Então, inicialmente, tem-se uma tubulação horizontal de comprimento L igual a 36 m e


um diâmetro interno de 0,078 m. A pressão na saída da tubulação é mantida constante e igual
à pressão atmosférica. A fase gasosa é formada pelo ar, com constante dos gases ideais R e
viscosidade absoluta µ igual a 1,796x10-5 Pa.s. Como fase líquida utilizou-se água, sendo sua
massa específica ρ definida como 998,2 kg/m3 e sua viscosidade absoluta µ igual a 1,139x10-3
Pa.s. A temperatura de referência T foi fixada em 8,6 oC.
Assim, para as velocidades superficiais de entrada das fases gás e líquida configuradas
em Jg = 2,0 m/s e Jw = 1,0 m/s, respectivamente, tem-se a Fig. 5.9, onde para cada curva
sobreposta tem-se um instante de tempo correspondente representando o crescimento da onda.

Figura 5.9 - Propagação da onda para o método PISO, com velocidades superficiais de
entrada de Jg = 2,0 m/s e Jw = 1,0 m/s, t (s) = 0,020.
96

Neste caso, para validação do programa, simulou-se 0,020 s do escoamento, onde para
cada 20 iterações leva-se cerca de 2 h. Basicamente, tal aspecto ocorre pelo programa
apresentar em seu código computacional a resolução de 3 inequações resolvidas para cada
passo de tempo (Δt = 1x10-3s) utilizando-se de uma função pré-definida pelo software Matlab,
chamada de vpasolver. No entanto, mesmo com o baixo tempo de simulação, a formação e o
comportamento da onda de propagação mostrou-se similar ao encontrado na literatura, como
em Issa e Kempf (2003). Destaca-se ainda, que o holdup do líquido utilizado não é o mesmo
apresentado por estes autores, no entanto, segundo estes, o valor deste não deve influenciar na
solução.
Ao realizar uma simulação mais longa, obteve-se a Fig. 5.10.

Figura 5.10 - Propagação da onda para o método PISO, com velocidades superficiais de
entrada de Jg = 2,0 m/s e Jw = 1,0 m/s, t (s) = 0,085.

Nota-se, pela Fig. 5.10, que o sistema se torna instável ao ter-se o parâmetro
adimensional h/D próximo a 1. Tal aspecto é justificado pela equação de conservação de
quantidade de movimento torna-se singular, quando a fração volumétrica do gás tende a zero.
Portanto, está singularidade traz dificuldades numéricas para a obtenção da solução e, a forma
para soluciona-lá não foi implementada no código numérico aqui apresentado. Ainda se
97

destaca que a onda se apresenta com velocidade de propagação igual à 7,35 m/s, sendo então
superior à esperada (velocidade de propagação de onda próximo as velocidades superficiais
de entrada das fases), no entanto, o por quê deste comportamento ocorrer continua em aberto.
Agora, configura-se as variáveis geométricas, dos fluidos e de entrada com os novos
parâmetros. O escoamento encontra-se em uma tubulação horizontal com 2,6 cm de diâmetro
interno, óleo de viscosidade 0,228 Pa.s com massa especifica de 854 kg/m3 e água, com massa
especifica de 1000 kg/m3 e viscosidade de 0,001 Pa.s. Neste caso, os dois fluidos são
considerados incompressíveis e, portanto, não tem-se variação de densidade em função da
pressão do sistema.
Como já mencionado, definiu-se o passo no tempo em função de CFL fixo igual a 0,5.
No geral, para os casos simulados com estas configurações geométricas, tem-se para a
velocidade in situ máxima das fases em escoamento um valor pequeno, assim pode-se definir
um passo no tempo, Δt, igual a 0,03 s.
Foram realizadas diversas simulações alterando-se as velocidades superficiais de
entrada de ambas as fases, no entanto, pode-se observar-se que após 3 s de simulação
numérica, o escoamento apresentava-se perturbado em toda sua extensão, mas sem apresentar
um crescimento de onda e, consequentemente, sua propagação. Assim, não foi possível
realizar as devidas comparações com os dados experimentais de Castro (2013), os quais
expõem a posição espacial de transição do padrão de escoamento.
O comportamento indesejado de não crescimento de onda pode estar relacionado a não
implementação de um critério de convergência para as grandezas calculadas e aplicado para
cada passo de tempo, como definido em Bonizzi (2003). Ou ainda, a não utilização de um
fator de subrelaxação γ às formas discretizadas das equações devido à forte característica de
não linearidade relacionada a equação da conservação de quantidade de movimento, como
indicado em Malca e Nieckele (2005).
Existem outros aspectos intrínsecos ao próprio método PISO que podem estar afetando
a solução do problema. Tal característica advém da utilização do modelo de dois fluidos
devido aos seguintes aspectos negativos relacionados a este:
 O modelo obtém sistemas de equações bem-postas apenas para certas faixas de
condição de contorno;
 A análise de estabilidade para definir as possíveis condições iniciais e de contorno é
aproximada, pois depende das correlações empíricas utilizadas, além de ser baseada
no padrão estratificado em equilíbrio;
 Singularidade na equação de momento quando h/D tende a 1.
98

 Uso de correlações empíricas para avaliação dos fatores de atrito, as quais


influenciam fortemente a obtenção dos resultados dos cálculos.
 Modelagem unidimensional, sem considerar os efeitos das outras dimensões no
escoamento.
Assim, provavelmente, ao se abordar qualquer um dos tópicos elencados trar-se-á
melhorias nos resultados do problema.
Uma alternativa para analisar-se o problema seria realizar uma simulação CFD do
fenômeno, no entanto, ao invés de ter-se uma ferramenta de simulação rápida e simples passa-
se para uma ferramenta de engenharia cara.
99

6 CONCLUSÕES

Diferentes regimes de escoamento bifásico podem ocorrer em uma tubulação horizontal.


Estes regimes dependem fortemente das velocidades superficiais das fases envolvidas. Assim,
desenvolveu-se um código computacional numérico para prever a mudança do padrão de
escoamento em uma tubulação horizontal entre fluidos de alta razão de viscosidade, óleo e
água. Partiu-se do padrão estratificado, onde tem-se o regime em estado permanente e
completamente desenvolvido e, fez-se o equacionamento do sistema baseando-se no modelo
de dois fluidos unidimensional. Logo, busca-se observar uma onda de propagação instável
que adicionalmente, proporcione um comportamento bem-posto para as equações que
governam o movimento dos fluidos.
Durante a análise de instabilidade em um escoamento estratificado água-óleo por uma
abordagem não linear simplificada, utilizando-se de uma formulação obtida pelo método das
características, verificou-se através de diferenças finitas e esquemas numéricos do tipo
explícito e implícito, que o esquema Leapfrog apresentou os resultados mais consistentes e
coerentes com a literatura quando para escoamentos de baixa razão de viscosidade. No
entanto, quando aplicado em escoamentos com alta razão de viscosidade, este apresentou um
comportamento mal posto.
Este trabalho sugere que a dificuldade em se propagar a onda interfacial do escoamento
de forma correta deve-se às simplificações bruscas utilizadas. O fato de, não importando o
caso, alguma das fases do escoamento obrigatoriamente ter sua velocidade in situ considerada
como quasi permanente, pode estar afastando o comportamento observado na simulação da
situação real. Nota-se que para escoamentos gás-líquido tal aproximação é válida devido à
resposta dinâmica do gás ser mais rápida do que a líquida.
O método das características aplicado a uma equação simplificada da conservação da
quantidade de movimento (termos relacionados a tensão interfacial desprezados) é também
uma condição plausível em escoamentos gás-líquido. No entanto, como dito em Rodriguez e
Castro (2013) e, Rodriguez e Bannwart (2006), os termos relacionados a tensão interfacial são
de suma importância uma vez que podem estabilizar ou desestabilizar o escoamento. Assim, a
solução para as inconsistências apresentadas neste trabalho, quando da utilização do MOC,
pode estar em evitar a utilização deste método, já que dessa maneira simplificações grosseiras
também seriam evitadas.
100

Outra abordagem possível é utilizar as equações governantes gerais do escoamento em


sua forma conservativa, uma vez que assim não há simplificações. No presente trabalho,
escolheu-se dar prosseguimento ao estudo de instabilidades desta maneira.
Assim, buscou-se através do método PISO resolver as equações conservativas, em suas
formas discretizadas pelo método dos volumes finitos, para as fases óleo-água. No entanto, os
resultados das simulações para altas razões de viscosidade permaneceram inconclusivos, uma
vez que não foi possível visualizar o ponto espacial onde ocorrer-se-ia a mudança de padrão
de escoamento e fazer a validação dos resultados com dados experimentais.
Como já mencionado, as inconsistências advindas do método PISO podem estar em
alguns detalhes de implementação numéricos que não foram adotados no presente trabalho.

6.1 Trabalhos futuros

Propõe-se para trabalhos futuros à alteração das correlações empíricas utilizadas para os
fatores de atrito, a fim de torna-los mais adequados ao escoamento líquido-líquido específico
aqui estudado. Na busca deste requisito se pode utilizar procedimentos experimentais, os
quais visem também a obtenção da influência da viscosidade na ocorrência do fenômeno.
A partir deste ponto sugere-se a resolução da singularidade na equação do momento
quando a fração volumétrica de uma das fases tende a zero. Aspecto já abordado em
escoamentos gás-líquido, onde propõem-se tratar a equação de quantidade de movimento em
sua forma não conservativa (Oliveira e Issa, 2003).
Uma vez superados os problemas referentes ao surgimento e propagação da onda,
confirmando-se assim o ponto espacial de ocorrência de transição do escoamento, outras
configurações iniciais de fluidos e geométricas podem ser testadas (tubulações inclinadas e
verticais).
101

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107

APÊNDICE A – Método das características

O método das características consiste em encontrar direções características em que


EDP’s podem ser alteradas e transformadas em EDO’s, de mais fácil resolução. Para
exemplificação do método em um sistema de primeira ordem, tem-se a Eq. 4.5 reescrita
como:

𝜕ℎ 𝐴𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ
𝐿1 = + + 𝑉𝑤 =0 (A. 1)
𝜕𝑡 𝐴̇𝑤 𝜕𝑧 𝜕𝑧

𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ(𝑧)


𝐿2 = + 𝑉𝑤 + 𝐺1 + 𝐸1 = 0 (A. 2)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧

onde L1 e L2 são EDP’s não lineares que possuem duas variáveis dependentes, h e Vw, e duas
independentes, z e t, isto é: h = h (z,t) e Vw = Vw (z,t).
Realizando-se uma combinação linear de L1 e L2 através de um multiplicador, com L =
L1 + λL2, tem-se após alguma manipulação:

𝜕ℎ 𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑤 𝐻1 𝜕𝑉𝑤
[ + (𝑉𝑤 + 𝜆𝐺1 ) ] + 𝜆 [ + ( + 𝑉𝑤 ) ] + 𝜆𝐸1 = 0 (A. 3)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑡 𝜆 𝜕𝑧

onde:

𝐴𝑤
𝐻1 = (A. 4)
𝐴̇𝑤

Se as funções h = h (z,t) e Vw = Vw (z,t) são soluções das equações L1 e L2, então


analisando-se a Eq. A.3 verifica-se que o primeiro termo entre colchetes é a derivada total
dh/dt se Vw + λG1 = dz/dt, pois:

𝑑ℎ 𝜕ℎ 𝜕𝑧 𝜕ℎ 𝜕ℎ 𝜕ℎ
= + = + (𝑉𝑤 + 𝜆𝐺1 ) (A. 5)
𝑑𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑡 𝜕𝑧

Por analogia, tem-se que o segundo termo entre colchetes na Eq. A.3 é a derivada total
dVw/dt se H1/λ + Vw = dz/dt, pois:

𝑑𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑧 𝜕𝑉𝑤 𝜕𝑉𝑤 𝐻1 𝜕𝑉𝑤


= + = + ( + 𝑉𝑤 ) (A. 6)
𝑑𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑡 𝜆 𝜕𝑧

Para que as Eqs. A.5 e A.6 estejam corretas, tem-se que:


108

𝑑𝑧 𝐻1
= (𝑉𝑤 + 𝜆𝐺1 ) = ( + 𝑉𝑤 ) (A. 7)
𝑑𝑡 𝜆

ou

𝐻1
𝜆 = ±√ = ±𝐵1 (A. 8)
𝐺1

Então, tem-se que:

𝑑𝑧
= 𝑉𝑤 ± √𝐻1 𝐺1 (A. 9)
𝑑𝑡

Substituindo-se as Eqs. A.5, A.6 e A.8 em A.3, tem-se:

𝑑ℎ 𝑑𝑉𝑤
+ 𝐵1 + 𝐵1 𝐸1 = 0 (A. 10)
𝑑𝑡 𝑑𝑡

se

𝑑𝑧
= 𝑉𝑤 + √𝐻1 𝐺1 (A. 11)
𝑑𝑡

𝑑ℎ 𝑑𝑉𝑤
− 𝐵1 − 𝐵1 𝐸1 = 0 (A. 12)
𝑑𝑡 𝑑𝑡

se

𝑑𝑧
= 𝑉𝑤 − √𝐻1 𝐺1 (A. 13)
𝑑𝑡

Além das Eqs. A.10 e A.12, a Eq. A.3 também pode ser reescrita nas seguintes formas:
𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑤
+ 𝐵1 + 𝜆 ( + 𝐵1 ) + 𝐵1 𝐸1 = 0 (A. 14)
𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧

𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑤 𝜕ℎ 𝜕𝑉𝑤
− 𝐵1 + 𝜆 ( − 𝐵1 ) − 𝐵1 𝐸1 = 0 (A. 15)
𝜕𝑡 𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧
109

A solução e o desenvolvimento destas equações ficam bem visualizados em um plano z-


t, Fig. A.1, onde tem-se representadas as curvas características (± λ) nas quais são válidas as
Eqs. A.10 e A.12, ou as Eqs. A.14 e A.15.

Figura A.1 - Curvas características, ± λ, obtidas pelo método das características, onde as
EDO’s são capazes de representarem as EDP’s.
110

APÊNDICE B – Equações discretizadas (PISO)

B.1 Equação da continuidade

A equação da continuidade geral para fase óleo em uma dimensão, assumindo-se que
não há transferência de massa entre as fases, pode ser expressa como:

𝑡+∆𝑡 𝑡+∆𝑡
𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 ) 𝜕(𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜 )
∫ ∫ 𝐴𝑑𝑧𝑑𝑡 + ∫ ∫ 𝐴𝑑𝑧𝑑𝑡 = 0 (B. 1)
𝜕𝑡 𝜕𝑧
𝑡 𝑉𝐶 𝑡 𝑉𝐶

onde A é a área da tubulação. Discretizando-se esta equação de acordo com a abordagem de


volumes finitos, tem-se:

[(𝜌𝑜 𝛼𝑜 )𝑃 − (𝜌𝑜 𝛼𝑜 )0𝑃 ]𝐴∆𝑧 + [(𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜 )𝑒 − (𝜌𝑜 𝛼𝑜 𝑢𝑜 )𝑤 ]𝐴∆𝑡 = 0 (B. 2)

onde os subscrito P, e e w indicam as quantidades no centro, faces leste e oeste do volume de


controle respectivamente e o sobrescrito 0 refere-se ao passo de tempo anterior.
Substituindo-se ρu por M (fluxos mássicos) na Eq. B.2 e negligenciando o subscrito
relativo a fase (a fim de aumentar a legibilidade), tem-se os seguintes termo reescritos:

(𝜌𝛼𝑢)𝑒 = (𝑀𝛼)𝑒 = 𝑀𝑒 [𝛽𝑒 𝛼𝐸 + (1 − 𝛽𝑒 )𝛼𝑃 ] (B. 3)

(𝜌𝛼𝑢)𝑤 = (𝑀𝛼)𝑤 = 𝑀𝑤 [𝛽𝑤 𝛼𝑊 + (1 − 𝛽𝑤 )𝛼𝑃 ] (B. 4)

onde o termo β é um fator numérico relacionado ao método Upwind, determinado pelo


seguinte esquema:

0 𝑀𝑒 > 0
𝛽𝑒 = { (B. 5)
1 𝑀𝑒 ≤ 0

1 𝑀𝑤 ≥ 0
𝛽𝑤 = { (B. 6)
0 𝑀𝑤 < 0

Então, a diferença dos termos de convecção mássica pode ser escrito na seguinte forma:
111

(𝑀𝛼)𝑒 − (𝑀𝛼)𝑤 = 𝛼𝐸 (𝛽𝑒 𝑀𝑒 ) − 𝛼𝑊 (𝛽𝑤 𝑀𝑤 ) + 𝛼𝑃 [(1 − 𝛽𝑒 )𝑀𝑒 − (1 − 𝛽𝑤 )𝑀𝑤 ] (B. 7)

sendo que βeMe e βwMw podem ser rescrito como min (Me,0) e max (Mw,0), ou ainda através
do símbolo ‖𝑎, 𝑏‖ para representar o máximo entre a e b, respectivamente.

B.1.1 Forma matricial

Reescrevendo-se a Eq. B.2 com auxílio da Eq. B.7, em uma forma compacta, obtém-se:

𝑎𝑃 𝛼𝑜,𝑝 = 𝑎𝐸 𝛼𝑜,𝐸 + 𝑎𝑊 𝛼𝑜,𝑊 + 𝑏 (B. 8)

onde os coeficientes são fornecidos pelas seguintes expressões:

𝑎𝐸 = ‖−𝑀𝑒 , 0‖ (B. 9)

𝑎𝑊 = ‖𝑀𝑤 , 0‖ (B. 10)

∆𝑥
𝑎𝑃 = 𝜌𝑜,𝑃 𝐴 ∆𝑡 + ‖𝑀𝑒 , 0‖ + ‖−𝑀𝑤 , 0‖ (B. 11)

𝑏 = 𝑎𝑃0 𝛼𝑜,𝑃
0
(B. 12)

∆𝑥
𝑎𝑃0 = 𝜌𝑜,𝑃
0
𝐴 ∆𝑡 (B. 13)

Note que todos os coeficientes são sempre positivos, o que garante que a fração
volumétrica deva ser sempre maior ou igual a zero, como desejado.
A fração volumétrica para fase de água pode ser obtida pela seguinte equação:

𝛼𝑤,𝑃 = 1 − 𝛼𝑜,𝑃 (B. 14)

B.2 Equação da quantidade de movimento


112

De acordo com o modelo de dois fluidos, a forma conservativa da equação de momento


é (omitindo-se o subscrito relativo a fase):

𝜕(𝜌𝛼𝑢) 𝜕(𝜌𝛼𝑢2 ) 𝜕𝑃 𝜕ℎ
+ = −𝛼 𝜕𝑧 − 𝜌𝛼𝑔 𝜕𝑧 cos 𝛽 − 𝐹𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙 ± 𝐹𝑖 (B. 15)
𝜕𝑡 𝜕𝑧

Assim como na equação da continuidade, a Eq. B.15 também pode ser integrada no
espaço e tempo. Logo:

𝑡+∆𝑡 𝑡+∆𝑡 𝑡+∆𝑡


𝜕(𝜌𝛼𝑢) 𝜕(𝜌𝛼𝑢2 ) 𝜕𝑃
∫ ∫ 𝐴𝑑𝑧𝑑𝑡 + ∫ ∫ 𝐴𝑑𝑧𝑑𝑡 = ∫ ∫ (−𝛼 + 𝛷) 𝐴𝑑𝑧𝑑𝑡 (B. 16)
𝜕𝑡 𝜕𝑧 𝜕𝑧
𝑡 𝑉𝐶 𝑡 𝑉𝐶 𝑡 𝑉𝐶

onde

𝜕ℎ
𝛷 = −𝜌𝛼𝑔 cos 𝛽 − 𝐹𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙 ± 𝐹𝑖 (B. 17)
𝜕𝑧

B.2.1 Termo temporal

O primeiro termo da Eq. B.16 é discretizado na seguinte forma:

𝑡+∆𝑡
𝜕(𝜌𝛼𝑢)
∫ ∫ 𝑑𝑧𝑑𝑡 = ∆𝑧[(𝜌𝛼𝑢)𝑃 − (𝜌𝛼𝑢)0𝑃 ] (B. 18)
𝜕𝑡
𝑡 𝑉𝐶

O fluxo pode ser descrito como F = ραu. Então:

[(𝜌𝛼𝑢)𝑃 − (𝜌𝛼𝑢)0𝑃 ] = 𝐹𝑃 − 𝐹𝑃0 (B. 19)

onde o sobrescrito 0 representa o passo de tempo anterior, e:

𝐹𝑃 = 𝐹𝑒 − 𝐹𝑤 (B. 20)

O fluxo na fronteira do volume de controle, Fe e Fw, são interpolados de seus vizinhos.

B.2.2 Termo convectivo


113

Assim como na seção B.1, aqui também é utilizado o esquema Upwind. Então:

𝐹𝑒 𝑢𝑒 = max (𝐹𝑒 , 0)𝑢𝑃 + min (𝐹𝑒 , 0)𝑢𝐸 (B. 21)

𝐹𝑤 𝑢𝑤 = max (𝐹𝑤 , 0)𝑢𝑊 + min (𝐹𝑤 , 0)𝑢𝑃 (B. 22)

e portanto, a diferença entre os termos convectivos é calculado por:

𝐹𝑒 𝑢𝑒 − 𝐹𝑤 𝑢𝑤 = [max (𝐹𝑒 , 0) − min (𝐹𝑤 , 0)]𝑢𝑃 + min (𝐹𝑒 , 0)𝑢𝐸 − max (𝐹𝑤 , 0)𝑢𝑊 (B. 23)

Logo, o segundo termo na Eq. B.16 pode ser reescrito em:

𝑡+∆𝑡
𝜕(𝜌𝛼𝑢2 )
∫ ∫ 𝑑𝑧𝑑𝑡 = ∆𝑡[(𝜌𝛼𝑢2 )𝑒 − (𝜌𝛼𝑢2 )𝑤 ]
𝜕𝑧
𝑡 𝑉𝐶

= ∆𝑡[max (𝐹𝑒 , 0) − min (𝐹𝑤 , 0)]𝑢𝑃 − ∆𝑡[max (−𝐹𝑒 , 0) 𝑢𝑒 − max (𝐹𝑤 , 0)𝑢𝑤 ] (B. 24)

B.2.3 Termo do lado direito da Eq. B.16

Finalmente, tem-se que:

𝑡+∆𝑡
𝜕𝑃
∫ ∫ (−𝛼 + 𝛷) 𝑑𝑧𝑑𝑡 = ∆𝑡[−𝛼𝑃 (𝑃𝑒 − 𝑃𝑤 ) + 𝛷] (B. 25)
𝜕𝑧
𝑡 𝑉𝐶

onde Φ está relacionado aos termos de força de fricção, ou cisalhamento por unidade volume,
entre cada fase e a parede, e entre as mesmas fases (interface). Sua discretização já foi
detalhada no presente trabalho, na seção 4.2.

B.2.4 Forma matricial


114

Então, a equação da quantidade de movimento pode ser escrita em uma mais forma
compacta (para cada fase):

𝑎𝑤 𝑢𝑤 = 𝑎𝑤𝑤 𝑢𝑤𝑤 + 𝑎𝑒 𝑢𝑒 + 𝑏 − 𝛼𝑤 (𝑃𝑒 − 𝑃𝑤 ) (B. 26)

Os coeficientes da Eq. B.26 são obtidos de forma análoga à apresentada para fração
volumétrica, porém, como já visto, todas as grandezas devem ser avaliadas para o volume de
controle deslocado. Assim tem-se:

𝑎𝑊𝑤 = ‖𝐹𝑤 , 0‖ (B. 27)

𝑎𝑒 = ‖−𝐹𝑃 , 0‖ (B. 28)

∆𝑥
0
𝑎𝑤 = 𝜌𝑃0 𝛼𝑤
0
𝐴 (B. 29)
∆𝑡

0
𝑎𝑤 = 𝑎𝑊𝑤 + 𝑎𝑒 + 𝑎𝑤 + (𝐹𝑝ℎ𝑎𝑠𝑒−𝑤𝑎𝑙𝑙 + 𝐹𝑖 ) ∆𝑥 (B. 30)

0 0
ℎ𝑃 − ℎ𝑊
𝑏 = 𝑎𝑤 𝑢𝑤 + (−𝜌𝑜,𝑤 𝛼𝑜,𝑤 𝑔𝐴 cos 𝛽 + 𝐹𝑖 ) ∆𝑥 (B. 31)
∆𝑥