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EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES-ANÁLISE SINTÁTICA-PROFESSORA ANA CRISTINA

PARTE 1
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: SOBRE A CLASSE MÉDIA
V – O samba Artur Xexéo

À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de Não gosto de axé. Nem de pagode. Nem mesmo de sertanejo
construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos universitário. Por isso não custa nada perguntar: dá para tocar outra
vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento. coisa?
(...) Como qualquer brasileiro, me orgulho muito da nova classe média e dos
É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio oito milhões de conterrâneos que chegaram à sociedade de consumo nos
cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou últimos tempos.
dois portões que o fecham como praça d’armas. Consumo para todos! Mas, veja bem, para todos, o que inclui a velha
Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de classe média. É democrático o fato de voos comerciais poderem ser pagos
brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o em 17 vezes. Mais gente viajando, mais gente fazendo turismo, nem me
delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no incomodo com os aeroportos superlotados. Mas, vem cá, dá para variar o
qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se cardápio? Ou vou ser obrigado a comer barrinha de cereal para o resto da
quisesse desgrudar-se. vida? Alguém já perguntou se a velha classe média gosta de barrinha de
Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se cereal? Eu não gosto. Dá pra sair um sanduíche de queijo com suco de
enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e laranja?
pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no Pela primeira vez na história deste país, a classe média representa mais
espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como da metade da população. Foi preciso a ascensão da classe C para que isso
desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um acontecesse. Políticas de pleno emprego, aumento de salário, facilitação
peixe em seco. (...) do crédito, projetos sociais — tudo deve ser saudado, mas, por favor,
pensem no trauma que vem sofrendo a velha classe média. 2Cresci
José de Alencar, Til. aprendendo que profissão para valer era engenheiro, médico ou
advogado. Se o sujeito não tivesse aptidão para uma dessas três
(*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se. categorias, tentava um concurso para o Banco do Brasil ou para a Caixa
Econômica. Agora, todos gritam no meu ouvido: empreendedorismo! O
certo seria ter aberto um salão de beleza, um serviço de comida pronta,
1. (Fuvest 2013) Na composição do texto, foram usados, reiteradamente, uma padaria... Tarde demais! Ensinaram-me a fechar o mês sem contas a
pagar. Agora, o governo me alicia: Crédito! Crédito! Crédito! E eu não
I. sujeitos pospostos; quero comprar uma TV de plasma, nem um segundo telefone celular,
II. termos que intensificam a ideia de movimento; nem quero passar férias em Porto Seguro. Na verdade, estou pensando
III. verbos no presente histórico. em vender o meu freezer, o meu forno de micro-ondas e a minha
secretária eletrônica. Tornei-me um estranho no ninho. Sou da velha
Está correto o que se indica em classe média.
1
a) I, apenas. A nova classe média virou objeto de pesquisa de tudo aqui no Brasil. Tem
b) II, apenas. marca de eletrônicos que produz aparelhos especialmente para os novos
c) III, apenas. consumidores. A tal marca descobriu que o consumidor da classe C ama
d) I e II, apenas. música em alto volume. O lazer se concentra nos churrascos de fim de
e) I, II e III. semana, onde ocorre a confraternização. O aparelho de som é o elo entre
os familiares e os amigos. Nasceu assim o primeiro minisystem para a
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: classe C, cuja caixa de som tem potência três vezes superior à de um
Conversar pressupõe um diálogo produtivo entre as pessoas. Significa aparelho de som comum. Tá puxado.
3
dizer que conversar é um processo cooperativo entre interlocutores. Sejam bem-vindos ao paraíso dos que ganham entre R$1.200,00 e
R$5.174,00 por ano. Mas tem que ter lugar para todo o mundo. Eu quero
Leia o texto abaixo, que representa uma conversa. de volta o meu filme legendado na TV e torço pela possibilidade de passar
um intervalo comercial inteirinho sem assistir a um anúncio do
Supermarket. Onde foi parar a televisão da velha classe média? Sempre
fui noveleiro, nunca tive vergonha disso. 4Assisti às novelas de lvany
Ribeiro em versão original. Mas não aguento mais tramas ambientadas na
comunidade, sambão na trilha sonora, mocinha cozinheira e galã jogador
de futebol. Eu quero de volta a minha novela de Gilberto Braga!

(Baú do Xexéo, Coluna da Revista O Globo, 15 de abril de 2012. Acesso


em: http://www.oglobo,globocomlculturalxexeo/postsl 2012/0411
3/sobre-classe-media-440203.asp)

3. (G1 - cftrj 2013) O autor do texto faz uso da 1ª pessoa do singular a fim
de assumir um posicionamento moral que acaba por identificar o cronista
2. (G1 - ifsp 2013) No trecho “a gente pode ter conversas literárias”, como membro de um segmento social específico. Que grupo social é esse
substituindo-se o sujeito por outro de primeira pessoa do plural, no com o qual o autor se afilia ideologicamente?
tempo pretérito perfeito, o resultado é o seguinte: a) A nova classe média, que ganha visibilidade pela via do consumo
a) podemos ter conversas literárias. desenfreado.
b) podíamos ter conversas literárias. b) A velha classe média, saudosista de um tempo em que ela própria
c) poderíamos ter conversas literárias. tinha status.
d) pudemos ter conversas literárias. c) O comércio, principal responsável pela ascensão dessa nova classe
e) pudéssemos ter conversas literárias. social.
d) O governo, que intervém decisivamente na sociedade com seus
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES: projetos sociais.
Leia o texto com atenção e responda à(s) questão(ões) proposta(s):
4. (G1 - cftrj 2013) Assinale a opção que contém, no texto, elementos
TEXTO 1 associados por Artur Xexéo ao gosto, hábitos, necessidades ou desejo de
consumo exclusivos da classe C.
a) Concurso público e sertanejo universitário.
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b) Sanduíche de queijo com suco de laranja e crédito. A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou
c) Empreendedorismo e novela. marketplace) e um mundo digital de informação (o espaço
d) Filme dublado e TV de plasma. mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se
com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande
5. (G1 - cftrj 2013) Realizando-se uma leitura atenta da crônica de Artur comunidade online e com o capital de relacionamento. Corações, e não
Xexéo, conclui-se que a ironia foi uma estratégia muito explorada na sua olhos, são o que conta. Dentro de uma década, a maioria dos produtos
argumentação. O trecho que mais evidencia esse tom irônico nas palavras será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio
do cronista é: é a marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
a) “A nova classe média virou objeto de pesquisa de tudo aqui no Brasil.” (...)
(ref. 1) Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens”
b) “Cresci aprendendo que profissão para valer era engenheiro, médico unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a
ou advogado.” (ref. 2) consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades online perturbam
c) ”Sejam bem-vindos ao paraíso dos que ganham entre R$1.200,00 e drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso
R$5.174,00 por ano.” (ref. 3) a informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São
d) “Assisti às novelas de lvany Ribeiro em versão original.” (ref. 4) eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o
meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por
profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online.
6. (Insper 2012) Da fala ao grunhido Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
Outro dia, ouvi um professor de português afirmar que, em matéria de (Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo, Editora Abril, janeiro
idioma, não existe certo nem errado, ou seja, tudo está certo. Tanto faz 2011, p. 22.)
dizer "nós vamos" como "nós vai". Ouço isso e penso: que sujeito bacana,
tão modesto que é capaz de sugerir que seu saber de nada vale.
Mas logo me indago: será que ele pensa isso mesmo ou está posando de 7. (Unesp 2012) Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os
bacana, de avançadinho? (...) A conclusão inevitável é que o professor locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a
deveria mudar de profissão porque, se acredita que as regras não valem, mensagem.
não há o que ensinar.
Mas esse vale-tudo é só no campo do idioma, não se adota nos demais Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos
campos do conhecimento. Não vejo um professor de medicina afirmando destacados exercem a função de
que a tuberculose não é doença, mas um modo diferente de saúde, e que a) sujeito.
o melhor para o pulmão é fumar charutos. b) objeto direto.
É verdade que ninguém morre por falar errado, mas, certamente, dizendo c) objeto indireto.
"nós vai" e desconhecendo as normas da língua, nunca entrará para a d) predicativo do sujeito.
universidade, como entrou o nosso professor. e) predicativo do objeto.
Ferreira Gullar, Folha de S. Paulo, 25/03/2012. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Segurança
Ao se manifestar quanto ao que seja “correto” ou “incorreto” no uso da
língua portuguesa, o autor O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as
a) mostra que inexistem critérios para definir graus de superioridade belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de
entre linguagens. tudo, segurança.
b) defende que as aulas de Português sejam abolidas nas escolas. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com
c) compara a normatividade das gramáticas à objetividade da ciência. muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só
d) julga igualmente válidas todas as variedades da língua portuguesa. entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente
e) ironiza pessoas que corrigem formas condenáveis de linguagem. identificados e crachados.
Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: assaltavam as casas.
O fim do marketing Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro
alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no
A empresa vende ao consumidor — com a web não é mais assim. portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar
crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém
Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os
produto, praça, preço e promoção — não funcionam mais. O paradigma bebês.
era simples e unidirecional: as empresas vendem aos consumidores. Nós Mas os assaltos continuaram.
criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos
fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio
todas essas atividades. de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse,
(...) atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para
Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são matar.
marcados pelo conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de Mas os assaltos continuaram.
comunidades online, os consumidores hoje participam do Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões
desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os
Estão mortas as velhas concepções industriais na definição e marketing cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do
de produtos. perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram
(...) engradadas.
Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados Mas os assaltos continuaram.
pelo fornecedor estão sendo cada vez mais desafiados. Hoje Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo
questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os consumidores possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de
ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua
querem pagar. Os consumidores vão oferecer vários preços por um nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás
produto, dependendo de condições específicas. Compradores e roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso
vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e
mercados, e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem
serviços. aceitava suborno.
(...) Mas os assaltos continuaram.
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Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de profissionalmente, têm entre 25 e 30 anos de idade e vivem na casa dos
mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para pais. O interesse neles é óbvio: compõem um nicho de consumidores com
uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida alto poder aquisitivo.
extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num
local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos Ainda na "bolsa" da mãe, eles mostram que mudaram as fronteiras entre
períodos. o jovem e o adulto. Até pouquíssimo tempo atrás, um marmanjão de 30
E ninguém pode sair. anos, enfiado na casa dos pais, seria visto como uma anomalia, suspeito
Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém de algum desequilíbrio emocional que retardou seu crescimento.
precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada
só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar O efeito "canguru" revela que pais e filhos estão mutuamente mais
um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando compreensivos e tolerantes, capazes de lidar com suas diferenças. Para
melancolicamente para a rua. quem se lembra dos conflitos familiares do passado, marcados pelo
Mas surgiu outro problema. choque de gerações, os "cangurus" até sugerem um grau de civilidade.
As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam Não é tão simples assim.
de qualquer maneira atingir a liberdade. A guarda tem sido obrigada a
agir com energia. Estudos de publicitários divulgados nas últimas semanas indicam um lado
tumultuado – e nem um pouco saudável – dessa relação familiar. Por trás
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de das frias estatísticas sobre tendência do mercado, a pergunta que aparece
Janeiro: Objetiva, 2001, 97-99) é a seguinte: até que ponto os brasileiros mais ricos estão paparicando a
tal ponto seus filhos que produzem indivíduos com baixa autonomia?

8. (Insper 2012) O recurso da indeterminação do sujeito, conforme Ao investigar uma amostra de 1.500 mães e filhos, no Rio e em São Paulo,
preconiza a gramática normativa, pode ser encontrado em a TNS InterScience concluiu que 82% das crianças e dos adolescentes
a) “Havia as belas casas, os jardins...” influenciam fortemente as compras das famílias. A pressão é
b) “Só entravam no condomínio os proprietários...” especialmente intensa nas classes A e B, cujas crianças, segundo os
c) “Decidiram eletrificar os muros...” pesquisadores, empregam cada vez mais a estratégia das birras públicas
d) “Quem tocasse no fio de alta tensão...” para ganhar, na marra, o objeto de desejo.
e) “Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio...”
Com medo das birras, as mães tentam, segundo a pesquisa, driblar os
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: filhos e não levá-los às compras, especialmente nos supermercados, mas,
De um jogador brasileiro a um técnico espanhol muitas vezes, acabam cedendo. Os responsáveis pelo levantamento da
João Cabral de Melo Neto InterScience atribuem parte do problema ao sentimento de culpa. Isso
porque, devido ao excesso de trabalho, os pais ficam muito tempo longe
Não é a bola alguma carta de casa e querem compensar a ausência com presentes.
que se leva de casa em casa:
Uma pesquisa encomendada pelo Núcleo Jovem da Abril detectou que
é antes telegrama que vai muitos dos novos consumidores vivem uma ansiedade tamanha que nem
de onde o atiram ao onde cai. sequer usufruem o que levam para casa. Já estão esperando o produto
que vai sair. É ninfomania consumista. Jovens relataram que nunca
Parado, o brasileiro a faz usaram, nem mesmo uma vez, roupas que adquiriram. Aposentam
ir onde há-de, sem leva e traz; aparelhos eletrodomésticos comprados recentemente porque já estariam
defasados.
com aritméticas de circo
ele a faz ir onde é preciso; Psicólogos suspeitam que essa atitude seja uma fuga para aplacar a
ansiedade e a carência, provocadas, em parte, pela falta de limite.
em telegrama, que é sem tempo Imaginando-se modernos, pais tentam ser amigos de seus filhos e, assim,
ele a faz ir ao mais extremo. desfaz-se a obrigação de dizer não e enfrentar o conflito. O resultado é,
no final, uma desconfiança, explicitada pelos entrevistados, ainda maior
Não corre: ele sabe que a bola, em relação aos adultos.
Telegrama, mais que corre voa.
Outro estudo, desta vez patrocinado pela MTV, detectou um início de
(Disponível em: tendência entre os jovens de insatisfação diante de pais extremamente
<http://www.revista.agulha.nom.br/futebol.html#jogador> Acesso em: permissivos. Estão demandando adultos mais pais do que amigos. Para
12 out. 2011.) complicar ainda mais a insegurança das crianças e dos adolescentes, a
violência nas grandes cidades leva os pais, compreensivelmente, a pilotar
os filhos pelas madrugadas, para saber se não sofreram uma violência.
9. (G1 - ifpe 2012) Quanto aos aspectos morfossintáticos do texto, Brincar nas ruas está desaparecendo da paisagem urbana, ajudando a
assinale a alternativa correta. formar seres obesos, presos ao computador.
a) O sujeito das duas primeiras estrofes é indeterminado, como se verifica
pelos verbos “se leva” e “atiram”. Há pencas de estudo mostrando como a brincadeira, dessas em que nos
b) O predicado em “Não é a bola alguma carta” e “é antes telegrama...” é sujamos, ralamos o joelho na árvore, ajuda a desenvolver a criatividade, o
verbal, pois os verbos indicam o estado da bola. senso de autonomia e de cooperação. É um espaço de estímulo à
c) O sujeito simples “brasileiro” da terceira estrofe é retomado nas imaginação.
demais estrofes pelo pronome “ele”.
d) O predicado da oração “Ele a faz ir”, na quarta e quinta estrofes, é Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não
verbo-nominal, pois indica ação e descreve a bola. souber lidar com a frustração. Muito se estuda sobre a importância da
e) O substantivo “telegrama”, no último verso do poema, é um adjunto resiliência – a capacidade de levar tombos e levantar como um elemento
adnominal de “bola”. educativo fundamental.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Professores contam, cada vez mais, como os alunos não têm paciência de
Geração Canguru construir o conhecimento e desistem logo quando as tarefas se
Gilberto Dimenstein complicam um pouco. Por isso, entre outras razões, os alunos
decepcionam-se rapidamente na faculdade que exige mais foco em
Ao mapear novas tendências de consumo no Brasil, publicitários poucos assuntos.
acreditam ter detectado a "Geração Canguru". São jovens bem-sucedidos
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Os educadores alertam que muitos jovens têm dificuldade de postergar o investigações, gasta-se tempo prendendo e soltando gente e a imprensa,
13
prazer e buscam a realização imediata dos desejos; respondem que só serve para atrapalhar, fica cobrando explicações, embora já
exatamente ao bombardeamento publicitário, inclusive na ingestão de saibamos que explicações serão: primeiro desmentidos e em seguida
álcool, como vamos testemunhar, mais uma vez, nas propagandas de promessas de pronta e cabal investigação, com a consequente punição
cerveja neste verão. Daí o risco de termos "cangurus" que fiquem cada dos culpados. Não acontece nada e perdura essa situação 12monótona,
vez mais na bolsa (e no bolso) dos pais. que às vezes paralisa o País.

P.S. – Em todos esses anos lidando com educação comunitária, posso A realidade se exibe diante de nós e não 17a vemos. Em lugar de querer
assegurar que uma das melhores coisas que as escolas de elite podem suprimir nossas práticas seculares, que hoje tanto prosperam, por que
fazer por seus alunos é estimulá-los ao empreendedorismo social. É um não 18aproveitá-las em nosso favor? (...) O 14brasileiro preocupado com o
notável treino para enfrentar desafios. Enfrentam-se em asilos, creches e assunto já pode sonhar com uma corrupção moderna, dinâmica e
favelas os limites e as carências. Conheci casos e mais casos de alunos geradora de empregos e renda. E não pensem que esqueci as famosas
problemáticos que mudaram sua cabeça ao desenvolver uma ação classes menos favorecidas, como se dizia antigamente. O mínimo que
comunitária e passaram, até mesmo, a valorizar o aprendizado curricular. antevejo é o programa Fraude Fácil, em que qualquer um poderá
habilitar-se ao exercício da boa corrupção, em seu campo de ação
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd121205.htm favorito. Acho que dá certo, é só testar. E ficar de olho, para não deixar
que algum 9corrupto corrupto passe a mão no fundo todo, assim também
não vale.
10. (Ufjf 2012) Leia novamente:
João Ubaldo Ribeiro, O Estado de São Paulo. Disponível em:
“Todos sabemos como é difícil alguém prosperar, com autonomia, se não http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,reforma-na-
souber lidar com a frustração.” corrupcao,768238,0.htm. Acesso em: 04-9-2011.

a) Explique a concordância entre o sujeito e o verbo na parte acima


destacada. 11. (Upf 2012) “O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem
b) Compare a concordância acima (Todos sabemos) com: “Todos sabem importância, mesmo que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá” (ref.
como é difícil...”. Qual é a principal diferença no impacto discursivo 15).
produzido pelas duas formas? Justifique sua resposta.
O período acima pode ser reescrito, sem modificar substancialmente o
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 6 QUESTÕES: sentido, pela construção:
Reforma na corrupção a) O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância,
ainda que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.
Como previsto, já 19arrefece o mais recente debate sobre corrupção. b) O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância,
Ainda se discute, sem muito entusiasmo, a absolvição de uma deputada embora ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.
que foi filmada recebendo um 3dinheirinho suspeito, mas isso aconteceu c) O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância,
antes de ela ser deputada, de maneira que não vale. Além da forte conquanto ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.
tendência de os parlamentares não punirem os seus pares, havia o risco d) Apesar de ele ser tesoureiro dos ladrões de Ali Babá, o que o deputado
do precedente. Não somente o voto é indecentemente secreto nesses faz enquanto não é deputado não tem importância.
casos, como o precedente poderia 5expor os pescoços de vários outros e) O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem importância,
deputados. 15O que o deputado faz enquanto não é deputado não tem desde que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.
importância, mesmo que ele seja tesoureiro dos ladrões de Ali Babá.

4
12. (Upf 2012) A única alternativa em que o elemento em destaque não
Aliás, me antecipando um pouco ao que pretendo propor, me veio logo corresponde ao complemento verbal, no contexto em que aparece, é:
uma ideia prática para acertar de vez esse negócio de deputado a) comete esses crimezinhos (ref. 16)
cometendo crimes durante o exercício do mandato. Às vezes - 6e lembro b) a vemos (ref.17)
que errar é humano - o sujeito comete 16esses 2crimezinhos distraído. c) aproveitá-las (ref. 18)
Esquece, em perfeita boa-fé, que exerce um mandato parlamentar e aí d) arrefece o mais recente debate (ref. 19)
perpetra a falcatrua. Fica muito chato para ele, se ele for flagrado, e seus e) contratar um estúdio de alta-costura (ref. 20)
atos podem sempre vir à tona, expostos pela imprensa impatriótica. Não
é justo submeter o deputado a essa tensão permanente, afinal de contas,
ele é gente como nós. 13. (Upf 2012) Em relação ao texto na sua íntegra, é correto dizer que:
a) Faz uma sátira à corrupção, a qual é definida como algo antiquado, que
Minha ideia, 10como, modéstia à parte, costumam ser as grandes ideias, é deve, portanto, ser abolido, sob pena de prejudicar o cidadão comum.
b) Denuncia a situação de descrédito da população em relação aos seus
muito simples: os deputados usariam uniforme. Não daria muito trabalho
20
contratar (com dispensa de licitação, dada a urgência do projeto), um políticos e governantes.
c) Aponta alternativas para que a sociedade avance, livrando-se da
estúdio de alta-costura francês ou italiano, ou ambos, para desenhar esse
uniforme. Imagino que seriam mais de um: o de trabalho, usado só corrupзгo – mazela moral do nosso tempo.
d) Ironiza a forma como a corrupção se incorporou ao cotidiano do
excepcionalmente, o de gala, o de visitar eleitores e assim por diante.
Enquanto estiver de uniforme, o deputado é responsabilizado pelos seus cidadão, que passou a vê-la até mesmo com uma certa naturalidade.
e) Mostra que a corrupção é histórica no país e que, portanto, lutar
atos ilícitos ou indecorosos. Mas, se estiver à paisana, não se encontra no
exercício do mandato e, portanto, pode fazer o que quiser. (...) contra ela é ir contra as raízes nacionais.

Mas isso é um mero detalhe, uma providência que melhor seria avaliada 14. (Upf 2012) O autor fala em “crimezinhos” (ref. 2), repetindo uma
no conjunto de uma reforma séria, que levasse em conta nossas estratégia já usada, quando se refere a “dinheirinho” (ref. 3). No contexto
características culturais e nossas tradições. (...) em que aparecem, as duas ocorrências de diminutivo:
a) Representam uma minimização do destaque que a mídia tem dado aos
O que cola mesmo 7aqui são os ensinamentos de líderes como o ex- episódios de corrupção.
presidente (1gozado, o "ex" enganchou aqui no teclado, quase não sai), b) Indicam a versão daquele que é flagrado em situações
que, em várias ocasiões, torceu o nariz para denúncias de corrupção e comprometedoras, tentando livrar-se do peso da infração.
disse que 8aqui era assim mesmo, sempre tinha sido feito assim e não ia c) Marcam a ironia em relação aos corruptos, que exploram a boa-fé do
mudar a troco de nada. E assumia posturas coerentes com esse ponto de eleitor com vistas à sua promoção pessoal.
vista. (...) d) Deixam implícita a informação de que não se deve confiar nos dados
apresentados pelos envolvidos em escândalos financeiros.
Contudo, quando se descobre mais um caso de 11corrupção, a vida e) Denotam a avaliação do autor acerca da importância dos crimes
republicana fica bagunçada, as coisas não andam, perde-se trabalho em perpetrados contra os cofres públicos.
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c) A palavra violência (ref. 3) funciona como um substantivo.


15. (Upf 2012) A única relação a que o texto não se refere é: d) O termo as cadeiras de vime (ref. 4) é sujeito do verbo levarem.
a) honestidade X desonestidade e) O termo o vizinho (ref. 5) funciona como objeto direto do verbo falta.
b) essência X aparência
c) punição X impunidade TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
d) denúncia X conivência Ele se encontrava sobre a estreita marquise do 18º andar. Tinha pulado
e) modernidade X atraso ali a fim de limpar pelo lado externo as vidraças das salas vazias do
conjunto 1801/5, a serem ocupadas em breve por uma firma de
engenharia. Ele era um empregado recém-contratado da Panamericana –
16. (Upf 2012) Em relação à construção dos sentidos do texto, somente é Serviços Gerais. O fato de haver se sentado à beira da marquise, com as
incorreto o que se afirma em: pernas balançando no espaço, se devera simplesmente a uma pausa para
a) O termo “aliás” (ref. 4) atua como conetivo e corrige a afirmação fumar a metade de cigarro que trouxera no bolso. Ele não queria
presente no enunciado anterior. dispensar este prazer, misturando-o com o trabalho.
b) A expressão “expor os pescoços de vários outros deputados” (ref. 5) Quando viu o ajuntamento de pessoas lá embaixo, apontando mais ou
apresenta uma linguagem metafórica em tom de denúncia. menos em sua direção, não lhe passou pela cabeça que pudesse ser ele o
c) A expressão “e lembro que errar é humano” (ref. 6) contribui para a centro das atenções. Não estava habituado a ser este centro e olhou para
construção do sentido humorístico do texto. baixo e para cima e até para trás, a janela às suas costas.
d) O termo “aqui” (ref. 7) faz referência à situação do discurso, enquanto Talvez pudesse haver um princípio de incêndio ou algum andaime em
“aqui” (ref. 8) se refere a uma ideia de lugar. perigo ou alguém prestes a pular. Não havia nada identificável à vista e
e) Na expressão “corrupto corrupto” (ref. 9), um dos elementos funciona ele, através de operações bastante lógicas, chegou à conclusão de que o
como qualificador do outro. único suicida em potencial era ele próprio. Não que já houvesse se
cristalizado em sua mente, algum dia, tal desejo, embora como todo
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: mundo, de vez em quando... E digamos que a pouca importância que
Vizinhos e internautas dava a si próprio não permitia que aflorasse seriamente em seu campo de
decisões a possibilidade de um gesto tão grandiloquente. E que o instinto
Estudiosos do comportamento humano na vida moderna constatam que cego de sobrevivência levava uma vantagem de uns quarenta por cento
um dos males de nossa época é a incomunicabilidade. Já foi tempo em sobre seu instinto de morte, tanto é que ele viera levando a vida até
que, mesmo nas grandes cidades, nos bairros residenciais, ao cair da aquele preciso momento sob as mais adversas condições.
tarde, era costume os vizinhos se darem boa noite, levarem 4as cadeiras
de vime para as calçadas e ficar falando da vida, da própria e da dos In: MORICONI, Ítalo (org.). Os cem melhores contos brasileiros do século.
outros. R. Janeiro: Objetiva, 2000.
6
A densidade demográfica, os apartamentos, a 3violência urbana, o rádio
e mais tarde a TV ilharam cada indivíduo no casulo doméstico. Moro 8há 18. (Insper 2012) Em “... não lhe passou pela cabeça que pudesse ser ele
18 anos num prédio da Lagoa; tirante os raros e inevitáveis cumprimentos o centro das atenções”, os pronomes pessoais destacados exercem,
de praxe no elevador ou na garagem, não falo com eles nem eles comigo. respectivamente, a função sintática de
Não sou exceção. Nesse lamentável departamento, sou regra. a) objeto indireto, sujeito.
b) complemento nominal, objeto direto.
Daí que não entendo a pressão que volta e meia me fazem para navegar c) adjunto adnominal, sujeito.
na Internet. 9Um dos argumentos que me dão é que posso falar com d) objeto indireto, predicativo do objeto.
pessoas na Indonésia, saber como vão 1as colheitas de arroz na China e e) adjunto adnominal, predicativo do sujeito.
como estão os melões na Espanha.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Uma de minhas filhas vangloria-se de ser internauta. Tem amigos na Era conferente da Alfândega – mas isso não tem importância. Somos
Pensilvânia e arranjou um admirador em Dublin, terra do Joyce, do todos alguma coisa fora de nós; o eu irredutível nada tem a ver com as
Bernard Shaw e do Oscar Wilde. Para convencê-la de seus méritos, ele classificações profissionais. Pouco importa que nos avaliem pela casca.
mandou uma foto em cor que foi impressa em alta resolução. É um jovem Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a
simpático, de bigode, cara honesta. Pode ser que tenha mandado a foto situação exterior e familiar não mudava. Nisso está o espinho do homem:
de um outro. ele muda, os outros não percebem.
Sua mulher não tinha percebido. Era a mesma de há 23 anos, quando se
Lembro a correspondência sentimental das velhas revistas de antanho. casaram (quanto ao íntimo, é claro). Por falta de filhos, os dois viveram
Havia sempre 7a promessa: “Troco fotos na primeira carta”. Nunca ouvi demasiado perto um do outro, sem derivativo. Tão perto que se
dizer que uma dessas trocas tenha tido resultado aproveitável. desconheciam mutuamente, como um objeto desconhece outro, na
mesma prateleira de armário. Santos doía-se de ser um objeto aos olhos
Para vencer a incomunicabilidade, acredito que o internauta deva de Dona Laurinha. Se ela também era um objeto aos olhos dele? Sim, mas
primeiro aprender a se comunicar com o vizinho de porta, de prédio, de com a diferença de que Dona Laurinha não procurava fugir a essa
rua. Passamos uns pelos outros com o desdém de nosso silêncio, de nossa simplificação, nem reparava; era, de fato, objeto. Ele, Santos, sentia-se
cara amarrada. Os suicidas se realizam porque, na hora do desespero, vivo e desagradado.
falta 5o vizinho que lhe deseje 2sinceramente uma boa noite.
(Carlos Drummond de Andrade, O outro marido.)
Fonte: CONY, Cartos Heitor. Vizinhos e internautas. Folha de S.Paulo, 26
jun. 1997. Opinião. p.A2.
19. (Uftm 2012) Com base no texto, responda:
VOCABULÁRIO
tirante – exceto por a) Por que, para o narrador, o fato de Santos ser conferente da Alfândega
praxe – costume não tem importância?
(James) Joyce, Bernard Shaw e Oscar Wilde – escritores b) Reescreva o trecho – ... o eu irredutível nada tem a ver com as
antanho – antigamente classificações profissionais. – fazendo os ajustes necessários para
empregar a expressão as classificações profissionais como sujeito da
oração.
17. (G1 - ifsc 2012) Sobre a classe gramatical das palavras do texto e
sobre a função sintática dos termos, assinale a alternativa CORRETA. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
a) O termo as colheitas de arroz (ref. 1) funciona como objeto direto do Texto I
verbo vão. O silêncio incomoda
b) A palavra sinceramente (ref. 2) funciona como um adjetivo.
EXERCÍCIOS COMPLEMENTARES-ANÁLISE SINTÁTICA-PROFESSORA ANA CRISTINA
1
Como trabalho em casa, assisto a um grande número de jogos e Às vezes, o ídolo não cai inteiro. 5E, às vezes, 2quando 9se quebra, a
programas esportivos, alguns porque gosto e outros para me manter multidão 21o devora aos pedaços.
atualizado, vejo ainda muitos noticiários gerais, filmes, programas
culturais (são pouquíssimos) e também, por curiosidade, muitas coisas (Eduardo Galeano. Futebol, ao sol e à sombra.)
ruins. Estou viciado em televisão.
Não suporto mais ver 25tantas tragédias, crimes, violências, falcatruas e Texto III
tantas politicagens para a realização da Copa de 2014. Sermão da Planície
Estou sem paciência 20para assistir a tantas partidas tumultuadas no (para não ser escutado)
Brasil, consequência do estilo de jogar, da tolerância com a violência e do
ambiente bélico em 14que 9se transformou o futebol, dentro e fora do Bem-aventurados os que não entendem nem aspiram a entender de
campo. futebol, pois deles é o reino da tranquilidade.
Na transmissão das partidas, 30fala-se e grita-se demais. Não há um único Bem-aventurados os que, por entenderem de futebol, não se expõem ao
instante de silêncio, nenhuma pausa. O barulho é cada dia maior no risco de assistir às partidas, pois não voltam com decepção ou enfarte.
futebol, nas ruas, nos bares, nos restaurantes e em quase todos os (...)
ambientes. O silêncio incomoda as pessoas. Bem-aventurados os que não escalam, pois não terão suas mães
É óbvio 15que informações e estatísticas são importantíssimas. Mas agravadas, seu sexo contestado e 3sua integridade física ameaçada, ao
exageram. 2Fala-se 26muito, mesmo com a bola rolando. Impressiona-me saírem do estádio.
18
como 10se formam conceitos, dão opiniões, baseados em estatísticas 4
Bem-aventurados os que não são escalados, pois escapam das vaias,
13
que têm pouca ou nenhuma importância. projéteis, contusões, fraturas, e mesmo da 5glória precária de um dia.
Na partida entre Escócia e Brasil, um repórter da TV Globo deu a 6“grande 2
Bem-aventurados os que não são cronistas esportivos, pois não carecem
notícia”, 21que Neymar foi o primeiro jogador brasileiro a marcar dois gols de explicar o inexplicável e racionalizar a loucura.
contra a Escócia em uma mesma partida. (...)
22
Parece haver uma disputa para saber 19quem dá mais informações e Bem-aventurados os surdos, pois não os atinge o estrondar das bombas
estatísticas, e outra, entre os narradores, 3para saber quem grita gol mais da vitória, que fabricam os surdos, nem o 1matraquear dos locutores,
23
alto e 24prolongado. 11Se dizem 16que a imagem vale mais que mil carentes de exorcismo.
palavras, por que se fala e se grita tanto? (...)
21
Outra discussão 27chata, durante e após as partidas, é 8se um jogador Bem-aventurados os que, depois de escutar esse sermão, aplicarem todo
teve a intenção de colocar a mão na bola e de fazer pênalti, e se outro o ardor infantil no peito maduro para desejar a vitória do selecionado
teve a intenção de atingir o adversário. Com raríssimas exceções, brasileiro nesta e em todas as futuras Copas do Mundo, como faz o velho
4
ninguém é louco para fazer pênalti nem tão canalha para querer quebrar sermoneiro desencantado, mas torcedor assim mesmo, pois para o diabo
o outro jogador. vá a razão quando o futebol invade o coração.
7
O que ocorre, com frequência, é 5o jogador, no impulso, sem pensar,
soltar o braço na cara do outro. O impulso está à frente da consciência. (Carlos Drummond de Andrade. Jornal do Brasil, 18/06/1974.)
Não sou também tão ingênuo para achar 17que todas as faltas violentas
são involuntárias.
Não dá para o árbitro saber 12se a falta foi intencional ou não. Ele precisa 20. (Epcar (Afa) 2012) Leia o trecho abaixo.
julgar o fato, e não a intenção. Eles precisam ter também bom senso, o
que é raro no ser humano, para saber a gravidade das faltas. 29Muitas “Os Zé Ninguém, os condenados a serem para sempre ninguém, podem
parecem 28iguais, mas não são. Ter critério não é unificar as diferenças. sentir-se alguém por um momento, por obra e graça desses passes
devolvidos num toque, essas fintas que desenham os zês na grama...”
(Tostão, Folha de S.Paulo, caderno D, “esporte”, p. 11, 10/04/2011.) (ref. 11, texto II)

Texto II De acordo com a análise morfossintática dos termos sublinhados abaixo,


O ídolo pode-se concluir que está INCORRETA a afirmativa:
a) em Zé Ninguém, há uma derivação imprópria, já que foi utilizado um
Em um belo dia, a deusa dos ventos beija o pé do homem, o maltratado, pronome indefinido como substantivo próprio.
desprezado pé, e, desse beijo, nasce o ídolo do futebol. 7Nasce em berço b) em “A fonte da felicidade pública se transforma no para-raios do
de palha e barraco de lata e vem ao mundo abraçado a uma bola. rancor público”, (ref. 12, texto II), a expressão grifada é predicativo do
1
Desde que aprende a andar, sabe jogar. Quando criança, alegra os sujeito.
descampados e os baldios, joga e joga e joga nos ermos dos subúrbios até c) o substantivo destacado em “... esses golaços de calcanhar ou de
que a noite cai e ninguém mais consegue ver a bola, e, quando jovem, bicicleta...” foi formado a partir de sufixação.
voa e faz voar nos estádios. Suas artes de malabarista convocam d) caso antes da locução “... podem sentir-se alguém...”, houvesse uma
multidões, domingo após domingo, de vitória em vitória, de ovação em palavra negativa, o pronome se teria que, obrigatoriamente, vir antes do
ovação. verbo poder.
4
A bola 13o procura, 14o reconhece, precisa dele. No peito de 18seu pé, ela
descansa e se embala. 6Ele 19lhe dá brilho e 20a faz falar, e neste diálogo
entre os dois, milhões de mudos conversam. 11Os Zé Ninguém, os
condenados a serem para sempre ninguém, podem sentir-se alguém por
um momento, por obra e graça desses passes devolvidos num toque,
16
essas fintas que desenham os zês na grama, 17esses golaços de calcanhar
ou de bicicleta: quando ele joga o time tem doze jogadores.
— Doze? Tem quinze! Vinte!
10
A bola ri, radiante, no ar. Ele a amortece, a adormece, diz galanteios,
dança com ela, e vendo essas coisas nunca vistas, seus adoradores
sentem piedade por seus netos ainda não nascidos, que não estão vendo
15
o que acontece.
22
Mas o ídolo é ídolo apenas por um momento, humana eternidade, coisa
de nada; e quando chega a hora do azar para o pé de ouro, a estrela
conclui sua viagem do resplendor à escuridão. 3Esse corpo está com mais
remendos que roupa de palhaço, o acrobata virou paralítico, o artista é
uma besta:
— Com a ferradura, não!
8
A fonte da felicidade pública se transforma no 12para-raios do rancor
público:
— Múmia!

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