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SLI M G U ID E | A UL A 0 6

Ambiente Regulatório
e Gestão Estratégica
de Compliance III

Ambiente Regulatório: Tratados


e Convenções e o contexto
brasileiro de Compliance

GISLENE CABRAL

AMBIENTE REGULATÓRIO

Nos últimos anos vem ganhando força um movimen-


to global de combate a corrupção e lavagem de di-
nheiro que, por meio de Tratados Internacionais tem
buscando coibir financiamento ao terrorismo, eva-
são fiscal e outras ações ilícitas.

Seguindo a tendência internacional, o Brasil vem


ampliando o seu ambiente regulatório associado à
Compliance, em especial pelo crescimento de exi-
gências ocorridas pela complexidade dos negócios,
por fatores externos ou por uma necessidade de
uma maior transparência no que se refere ao am-
biente da governança corporativa das instituições.

O Compliance está diretamente ligado à  Lei Anti-


corrupção, que submeteu as empresas brasileiras a
graves consequências civis e administrativas, caso
venham a praticar qualquer tipo de ato lesivo à ad-
ministração pública nacional ou estrangeira.

A criação da lei anticorrupção trouxe muitos bene-


fícios à sociedade, tendo em vista que antes de sua
criação, somente a pessoa física era responsabilizada
criminalmente por atos de corrupção, uma vez que
não havia uma legislação específica que a responsa-
bilizasse por atos de corrupção. Com esta normativa,
também atos de corrupção e fraudes em licitações e
contratos, mesmo que a empresa tenha sido consti-
tuída temporariamente, passam a ser incorporados.

A Lei Anticorrupção nº 12.846/13, regula-


mentada por meio de Decreto nº 8.420/15,
torna a implementação de Programas de
Compliance não apenas desejáveis, mas ne-
cessários. Sua principal contribuição para
com a legislação já existente é responsa-
bilizar a pessoa jurídica que se envolve em
atos de corrupção e fraude. Isso a vincula
diretamente à Lei de Licitações e à Lei de
Responsabilidade Fiscal. Além disso, as san-
ções previstas podem chegar a 20% do fatu-
ramento bruto do último exercício anterior
ou da instauração do processo administrati-
vo de responsabilização.

O decreto ainda estabelece as diretrizes


para o cálculo da multa, levando em consi-
deração os motivos agravantes e atenuantes
que envolvem os ilícitos. Além disso, for-
nece parâmetros para o estabelecimento
do acordo de leniência e para o Processo
Administrativo de Responsabilização (PAR) e
define aspectos para implantar um progra-
ma de integridade eficiente.

GESTÃO DO RISCO REGULATÓRIO

A gestão de riscos de não conformidade preconiza


maior conhecimento da organização sobre o am-
biente regulatório que está inserida. Além disso, co-
nhecer os seus riscos regulatórios e mitigá-los é um
dos maiores desafios das instituições e certamente
está na agenda da alta administração.

O primeiro passo para fazer a gestão do risco regula-


tório é a instituição possuir um inventário de todas
as leis e normativos que possuem impactos na ins-
tituição, após esse mapeamento ter uma matriz de
risco com a análise individual de cada lei e normativo
é fundamental.

Avaliando um pouco o mercado, quando existe na


instituição uma área de Compliance e Jurídico orga-
nizadas de forma segregada na empresa, a gestão de
leis fica sob a responsabilidade do Jurídico e a gestão
de normas – entendidas como as publicações dos ór-
gãos reguladores - geralmente fica sob a responsabi-
lidade da área de Compliance.

É importante criar uma metodologia para atribuição


do risco da lei ou normativo, pois será a partir do ris-
co atribuído que os esforços serão direcionados de
forma adequada para a sua efetiva mitigação.

Quando pensamos em um INVENTÁRIO DE NORMAS


estamos falando do passado, do que já ocorreu. Mas,
como devemos acompanhar as novas leis e normas
que são publicadas?

Recomenda-se existir um processo para a captura


das leis e normas (“normativos”) que possuem im-
pactos na instituição, deve-se atualizar o inventário
de leis e normas e a área de Compliance deverá fa-
zer um efetivo acompanhamento do processo de im-
plantação dos novos normativos publicados.

Uma forma de acompanhamento consiste no regis-


tro todos os entregáveis solicitados pela lei ou nor-
ma, em uma matriz de risco e estabelecer um pro-
cesso para garantir que tudo o que é esperado seja
de fato implementado.

O termo MATRIZ DE COMPLIANCE está direta-
mente relacionado à conformidade e aceitação
das leis e regulamentos internos e externos de
uma empresa.

Já o RISCO DE COMPLIANCE está relacionado à


ameaça de sanções regulatórias ou legais, que
podem ocasionar perdas financeiras ou o com-
prometimento da imagem da instituição. Isso
pode também ser derivado de falhas ligadas ao
cumprimento da aplicação de regulamentos,
legislações, além do não cumprimento do có-
digo de conduta e ou boas práticas no contexto
da administração e governança da organização.
provável provável
muito

RISCO A

RISCO D
Probabilidade
possivel

RISCO E RISCO C RISCO


remota

menor moderado maior extremo

Impacto

Estabelecer grupos de trabalhos com as áreas envol-


vidas na implantação dos normativos e ter as reu-
niões coordenadas pela área de Compliance com o
devido acompanhamento de cada fase de implan-
tação é um excelente meio para verificar de forma
tempestiva a aderência da norma e o cumprimento
dos prazos estabelecidos na lei ou normativo.

MATRIZ DE COMPLIANCE

Os campos mínimos sugeridos para a Matriz de


Compliance são:

1 DATA DA PUBLICAÇÃO DA LEI


OU NORMA E Nº

2 EMISSOR E TIPO DE NORMATIVO


(LEI OU NORMA)

3 DATA PREVISTA PARA IMPLANTAÇÃO


(PRAZO DA NORMA)

4 DATA EFETIVA DA IMPLANTAÇÃO

5 MACRO PROCESSO RELACIONADO AO


NORMATIVO

6 ÁREA LÍDER DO NORMATIVO

7 TIPO DE RISCO

8 DIRETORIA RESPONSÁVEL

9 PLANO DE AÇÃO E RESPONSÁVEIS

Para finalizar, o resultado de aderência e respectivos


testes devem ser reportados em comitê específico e
indicadores devem ser criados.

Como dica de leitura, há pontos muito in-


teressante relacionados à esta aula no li-
vro “Compliance 360º - Riscos, Estratégias,
Conflitos e Vaidades no mundo corporati-
vo”, de Ana Paula P. Candeloro e Compliance
a Excelência na Prática do autor Wagner
Giovanini.

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