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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

AVALIAÇÃO PRESENCIAL 1 – Referente a 2020.1


Consórcio CEDERJ Curso: Tecnólogo em Segurança Pública e Social
Disciplina: MODELOS E INSTITUIÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA EM PERSPECTIVA
COMPARADA
Data: Pólo:
Nome do aluno:

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1) A partir da primeira aula do curso percebemos que a forma como a justiça, suas
instituições e procedimentos são concebidos varia de acordo com diferentes
contextos. Dessa forma, o material apresentou as principais culturas jurídicas
ocidentais: a common law e a civil law. Diante do que foi estudado nesta aula,
estabeleça a comparação entre o princípio do contraditório para essas duas culturas
jurídicas, destacando o conceito de lógica do contraditório utilizada para caracterizar
a tradição de civil law. (5,0 pts)

O material de nossa aula apresentou as principais culturas jurídicas ocidentais, a


common law e a civil law. De acordo com as teorias apresentadas, foi possível compreender
e comparar semelhanças e diferenças das suas principais ciências jurídicas ocidentais,
compreendendo seu contexto. Pontuando também, as diferentes relações que as instituições
e o Estado tem com a sociedade, bem como a linguagem com as quais são feitos os
processos para indenização dos acontecimentos e condenação das pessoas, reconhecendo
e propondo uma administração de conflitos institucionalmente.
Nesse sentido, estamos lidando com desafios e problemas contemporâneos, em que
entender os nossos conflitos e direitos em relação ao dos outros é de grande importância.
Atualmente, vivemos em um mundo extremamente globalizado e o Brasil possui um sistema
jurídico baseado em leis, pois nós precisamos das leis para solucionar os casos concretos.
Entretanto, hoje em dia no Brasil, já cabe casos de jurisprudência, como uma forma de unificar
os casos. É nesse sentido, que as cortes penais internacionais fazem esforços em criar
procedimentos penais comuns. Desta forma, ao comparar as diferentes culturas jurídicas,
não se deve cometer o equívoco de generalizar fatos ou ressaltar apenas semelhanças, sem
levar em conta a procedência na qual cada contexto representa.
Quanto às possibilidades de comparação, é muito importante que estas sejam
contextualizadas e investigadas de acordo com o significado por trás de suas práticas
normativas políticas e jurídicas, observando diferentes modelos, bem como suas
possibilidades de transformação. É muito importante comparar, todavia, é primordial
considerar a natureza dos conflitos apresentados em cada contexto.A origem anglo-saxã e
países como a Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Índia, e outras ex-colônias
inglesas, partilham dessa cultura jurídica conhecida como Common Law, a qual não tem base
na lei, tem base em costumes. Quando surge determinados casos, eles usam regras
esparsas, não é algo positivado. O juiz não vai ver um livro ou regra escrita. Eles solucionam
casos tomando como parâmetro outro caso similar, pegando essa decisão e repetem no novo
caso. Isto é, a maior ênfase nesta cultura jurídica encontra-se nos precedentes e nos
procedimentos.
Sendo assim, no sistema de direito Common Law, procuram-se produzir versões
consensuais sobre os casos, a partir da adequação de fatos concretos a normas abstratas
e os fatos e as provas são determinados por uma autoridade que vai escolher dentre as
versões discordantes que foram apontadas sobre o caso. Em contrapartida, países como a
França, Itália, Espanha, Portugal, entre outros do continente europeu, assim como quase
toda a América Latina, adotaram a cultura jurídica civil law, que é um sistema jurídico baseado
em leis, que é o exemplo do Brasil. No Brasil nós precisamos das leis escritas para solucionar
os casos concretos.
No Brasil o juiz está cativo a lei, tem que cumprir a lei, como o direito do consumidor,
que cumpre o direito de defesa do consumidor. Neste modelo, priorizam-se as
argumentações orais quanto as evidências trazidas a exame judicial, enfatiza-se a
publicidade da acusação e não o sigilo das informações para o acusado e os procedimentos
escritos são de suma importância nesta cultura jurídica. Portanto, a lei dentro desta vertente
é uma fonte principal. Já os costumes, os princípios gerais do direito, a doutrina e a
jurisprudência são fontes secundárias.

2) Durante nossas aulas discutimos diferentes modelos de instituições policiais. A


partir do estudo da polícia inglesa é possível refletir como as diferentes formas de
controle e avaliação do trabalho policial podem influenciar no aperfeiçoamento das
práticas policiais e de policiamento. Na Inglaterra, a confiança que as pessoas
depositam na polícia é um importante critério para a avaliação das atividades dessa
instituição. Nesse sentido, discuta a relação da confiança da população na polícia
britânica com a produção da legitimidade do trabalho policial. (5,0 pts)

Após discutirmos diferentes modelos de instituições policiais, vimos que é possível


refletir como as diferentes formas de controle e avaliação do trabalho policial podem
influenciar no aperfeiçoamento das práticas policiais e de policiamento. Nesse sentido,
acompreensão e aprimoramento da segurança pública, são assuntos que destacam
discussões sobre a democracia, o Estado moderno e o papel da polícia na construção da
ordem política do mesmo e relação de confiança da população na polícia britânica com a
produção da legitimidade do trabalho policial.

O cenário que demonstra o contexto histórico-político, é possível assimilar que o


Estado Moderno alcançou grande parte da dinâmica que movimenta a sociedade, desta
forma, a maior parte dos temas públicos, tais como: ordem, liberdade, justiça, opinião pública,
segurança pública, educação, saúde, relações internacionais, trabalho, entre muitos outros,
perpassam pelo Estado. Nesse sentido, o sociólogo Max Weber, destaca que o Estado
Moderno seria uma entidade que reivindica o monopólio do uso legítimo da força física.
Porém, devemos pensar nossas polícias como instituições que devem compartilhar as
informações entre elas e não trabalhar competindo umas com as outras polícia e seu papel
nos sistemas políticos, particularmente em um sistema democrático.

O Estado Moderno tornou-se a principal forma de organização política da sociedade.


Ainda que não tenha sido a única, tampouco pode ser considerada como uma conclusão
natural, eterna e imutável. A concentração do poder, baseado no contexto europeu
institucionalizou-se na forma do Estado Moderno. Esta organização é político estatal e além
dela, outras existiam simultaneamente. Esse processo histórico apresenta o meio-termo entre
Império e cidade estado, que passou a vigorar e se mantém até os dias atuais. Assim sendo,
inicia após a decisão de um rei em tornar-se independente do imperador, da Igreja e dos
senhores feudais. A partir desse momento, o rei busca fazer com que o seu modo de fazer
violência, internamente e contra o inimigo externo, seja o único legítimo.
Dado o exposto, ele surge contra a forma de organização política medieval, que era
bastante diversificado na base (triângulo da sociedade feudal) e unida por um imperador.
Para que isso acontecesse, o rei utilizou-se de seu poder, unificando as taxações de impostos
para arregimentar recursos para as batalhas. Segundo Max Weber, o Estado Moderno é um
agrupamento de dominação que apresenta caráter institucional e que procurou monopolizar,
nos limites de um território, a violência física legítima. Após a eliminação dos demais estados,
em que a nobreza e o clero (igreja) constituíam o poder, nasce o poder constituinte. Desta
forma, representou um aprimoramento no discurso de que o poder vem do povo, dando
origem então a democracia moderna.

Em virtude disso, a razão de ser de um governo não era mais transmitido ao conjunto
plural da sociedade. O homem passa a decidir da verdade conforme sua vontade, eliminando
o senso comum e dando vez ao senso crítico. A democracia prevê direitos individuais,
dignidade da pessoa humana, livre expressão, informações abertas e acessíveis, ênfase na
sociedade civil. É possível dizer que a democracia, como prática social, não é apenas um
regime político voltado à integração entre sociedade civil e sociedade política, por meio da
promoção de direitos e liberdades. Mais do que isso, ela se apresenta como uma prática
social, nos costumes e hábitos da vida cotidiana.

O liberalismo, para a política, demonstra uma concepção de Estado, em que o


mesmo tem poderes e funções limitadas, em contraposição ao Estado absoluto e ao Estado
social. Mas a Democracia é um regime que permite a multiplicidade, inclusive a contestação
dela mesma. As instituições políticas só se voltam aos objetivos fundamentais da
democracia , os quais valorizam a liberdade e os direitos fundamentais da pessoa humana,
quando ocorre práticas democráticas na cultura popular.

Desta forma, as discussões sobre o papel da polícia nesse sentido referem-se a uma
tentativa de aproximação e menos de confrontação aos movimentos sociais, entidades não
governamentais, organismos como igrejas, associação de moradores e a sociedade civil
como um todo. O aumento no número de crimes, demonstra que o modelo tradicional
enxerga apenas na força, a única saída para superar um clima de insegurança. As
incapacidades da democracia para a solução dos problemas vão aparecendo
gradativamente.

A Inglaterra escolheu por um modelo mais descentralizado de organização, estando


mais atento às experiências e sensibilidades jurídicas locais e aos direitos individuais. Por
outro lado, já o modelo francês apoia-se em um modelo mais centralizado e volta-se para o
controle estatal na definição dos eventos criminais e das atividades da polícia, sendo
considerada enquanto corpo de funcionários públicos e como instituição da administração
burocrática do estado, a quem deve prestar conta de suas atividades. Assim, o que mais
difere os modelos policiais é a sua relação com o poder central, o seu tipo de organização
e a relação de suas instituições com os cidadãos. Porém, uma polícia democrática contrasta
com a quebra de padrão, de que a polícia é uma força exclusiva do Estado, a serviço apenas
de quem estiver no poder ou um organismo apenas local. Todavia, a proposta de uma polícia
democrática é aquela em que a noção de democracia seja tanto algo institucionalizado
quando de dentro da própria sociedade,interagindo de acordo com as necessidades que vão
além da ordem e da liberdade.