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História Contemporânea

Vitor Ignatius Nogueira

www.unipar.br
UNIVERSIDADE PARANAENSE
MANTENEDORA
Associação Paranaense de Ensino e Cultura – APEC

REITOR
Carlos Eduardo Garcia

Vice-Reitora Executiva
Neiva Pavan Machado Garcia

Vice-Reitor Chanceler
Candido Garcia

Diretorias Executivas de Gestão Diretorias Executivas de Gestão


Administrativa Acadêmica
Diretor Executivo de Gestão dos Assuntos Comunitários Diretora Executiva de Gestão do Ensino Superior
Cássio Eugênio Garcia Maria Regina Celi de Oliveira
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Diretora Executiva de Gestão da Educação a Distância
Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato

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Ciências
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Humanas, Linguística, Letras e Artes, Ciências Sociais
Aplicadas e Educação
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DEGEAD – Diretoria executiva de gestão da Educação
a Distância

Diretora Executiva de Gestão da Educação a Distância


Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato

Coordenador dos Cursos Superiores de Licenciatura e de


Graduação Plena (História, Letras, Pedagogia e Filosofia)
Heiji Tanaka

Coordenador dos Cursos Superiores de Tecnologia e Bacharelado do


Eixo Tecnológico de Gestão e Negócios (Gestão Comercial, Logística, Marketing,
Processos Gerenciais e Administração)
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Coordenadora dos Cursos Superiores de Tecnologia e Bacharelado do


Eixo Tecnológico de Gestão e Negócios (Gestão Financeira,
Gestão Pública, Recursos Humanos e Ciências Contábeis)
Isabel Cristina Gozer

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da UNIPAR

U58e UNIPAR - Universidade Paranaense.


Xxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxx / Xxxxxx Xxxxxx
Xxxxxxx Xxxx ( Org.). – Xxxxxx : Unipar, 2014.
68 f.

ISBN: ??????????????????

1. Xxxxxxxxxxxx. 2. Xxxxxx x Xxxxxxx - EAD. I.


Xxxxxx x Xxxxxxx. II. Xxxxx.

(?? ed.) CDD: ???.???

Assessoria pedagógica
Daniele Silva Marques e Marcia Dias

Diagramação e Capa
Andresa Guilhen Zam, Diego Ricardo Pinaffo, Fernando Truculo Evangelista e Renata Sguissardi
* Material de uso exclusivo da Universidade Paranaense – UNIPAR com todos os direitos da edição a ela reservados.
Sumário
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

Unidade I - IDEOLOGIAS DO SÉCULO XIX...................................13

O império de napoleão bonaparte e o congresso de viena....................14

As revoluções de 1830 e 1848...........................................................................20

As revoluções de 1830...........................................................................................21

A primavera dos povos..........................................................................................22

A expansão das ideologias: liberalismo, nacionalismo e socialismo.24

O segundo império francês..................................................................................30

As unificações da itália e da alemanha...........................................................31

A segunda revolução industrial.........................................................................33

UNIDADE II - IMPERIALISMO.............................................................41

O neocolonialismo...................................................................................................42

Estados unidos e japão..........................................................................................45

Um novo reordenamento continental: a ascensão da alemanha.........46

As potências europeias e a paz armada.........................................................47

A primeira guerra mundial..................................................................................50

A revolução russa.....................................................................................................55
UNIDADE III – AS DÉCADAS DE CRISE...........................................65

O fim da primeira guerra e o tratado de versalhes....................................66

A europa após a grande guerra..........................................................................69

O fim dos grandes impérios: áustria, rússia e turquia.............................71

A crise de 1929.........................................................................................................74

O fenômeno totalitário: o fascismo italiano, o nazismo alemão, o


comunismo russo.....................................................................................................78

UNIDADE IV – A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL.........................89

Caminhando para a destruição total: antecedentes da segunda guerra


mundial........................................................................................................................90

O início da guerra: o fim da civilização ocidental?.....................................92

A entrada dos estados unidos e da urss na guerra....................................94

A derrota dos alemães e dos japoneses..........................................................95

Um novo pesadelo: a guerra fria.......................................................................97

Uma visão panorâmica do pós-guerra............................................................101

Caminhando para o final do século..................................................................102

Referências...........................................................................................111
Apresentação

Diante dos novos desafios trazidos pelo mundo contemporâneo e o surgimento de um

novo paradigma educacional frente às Tecnologias de Informação e Comunicação dis-

poníveis que favorecem a construção do conhecimento, a revolução educacional está

entre os mais pungentes, levando as universidades a assumirem a sua missão como

instituição formadora, com competência e comprometimento, optando por uma gestão

mais aberta e flexível, democratizando o conhecimento científico e tecnológico, atra-

vés da Educação a Distância.

Sendo assim, a Universidade Paranaense - UNIPAR - atenta a este novo cenário e

buscando formar profissionais cada vez mais preparados, autônomos, criativos, res-

ponsáveis, críticos e comprometidos com a formação de uma sociedade mais demo-

crática, vem oferecer-lhe o Ensino a Distância, como uma opção dinâmica e acessível

estimulando o processo de autoaprendizagem.

Como parte deste processo e dos recursos didático-pedagógicos do programa da

Educação a Distância oferecida por esta universidade, este Guia Didático tem como

objetivo oferecer a você, acadêmico(a), meios para que, através do autoestudo, possa

construir o conhecimento e, ao mesmo tempo, refletir sobre a importância dele em sua

formação profissional.

Seja bem-vindo(a) ao Programa de Educação a Distância da UNIPAR.

Carlos Eduardo Garcia


Reitor
Seja bem-vindo caro(a) acadêmico(a),

Os cursos e/ou programas da UNIPAR, ofertados na modalidade de educação a dis-

tância, são compostos de atividades de autoestudo, atividades de tutoria e atividades

presenciais obrigatórias, os quais individualmente e no conjunto são planejados e or-

ganizados de forma a garantir a interatividade e o alcance dos objetivos pedagógicos

estabelecidos em seus respectivos projetos.

As atividades de autoestudo, de caráter individual, compreendem o cumprimento das

atividades propostas pelo professor e pelo tutor mediador, a partir de métodos e práti-

cas de ensino-aprendizagem que incorporem a mediação de recursos didáticos orga-

nizados em diferentes suportes de informação e comunicação.

As atividades de tutoria, também de caráter individual, compreendem atividades de

comunicação pessoal entre você e o tutor mediador, que está apto a: esclarecer as

dúvidas que, no decorrer deste estudo, venham a surgir; trocar informações sobre as-

suntos concernentes à disciplina; auxiliá-lo na execução das atividades propostas no

material didático, conforme calendário estabelecido, enfim, acompanhá-lo e orientá-lo

no que for necessário.

As atividades presenciais, de âmbito coletivo para toda a turma, destinam-se obriga-

toriamente à realização das avaliações oficiais e outras atividades, conforme dispuser

o plano de ensino da disciplina.

Neste contexto, este Guia Didático foi produzido a partir do esforço coletivo de uma

equipe de profissionais multidisciplinares totalmente integrados que se preocupa

com a construção do seu conhecimento, independente da distância geográfica que

você se encontra.
O Programa de Educação a Distância adotado pela UNIPAR prioriza a interatividade,

e respeita a sua autonomia, assegurando que o conhecimento ora disponibilizado seja

construído e apropriado de forma que, progressivamente, novos comportamentos, no-

vas atitudes e novos valores sejam desenvolvidos por você.

A interatividade será vivenciada principalmente no ambiente virtual de aprendizagem

– AVA, nele serão disponibilizados os materiais de autoestudo e as atividades de tuto-

ria que possibilitarão o desenvolvimento de competências necessárias para que você

se aproprie do conhecimento.

Recomendo que durante a realização de seu curso, você explore os textos sugeridos

e as indicações de leituras, resolva às atividades propostas e participe dos fóruns de

discussão, considerando que estas atividades são fundamentais para o sucesso da

sua aprendizagem.

Bons estudos! e-@braços.

Ana Cristina de Oliveira Cirino Codato

Diretora Executiva de Gestão da Educação a Distância


Introdução

Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) aos estudos da disciplina de História

Contemporânea. Meu nome é Vitor Ignatius Nogueira, e sou graduado em História

pela Universidade Estadual de Maringá, tendo pós-graduação lato sensu em História

e Historiografia da Educação pela mesma instituição.

Este material foi desenvolvido pensando em ajudá-lo(a) a como se planejar e organi-

zar seus estudos, não é em absoluto a íntegra de nossa matéria, e por essa razão não

deve ser usado como única fonte de estudos, mas apenas como um material de apoio

e organização de suas rotinas estudantis.

Sua leitura é importante, e tê-lo em mãos durante seus períodos de estudos e de nos-

sas aulas virtuais será muito proveitoso.

Nesta disciplina, estudaremos o conturbado período que se estende do final do sé-

culo XVIII, quando os revolucionários franceses revolucionam a política e a socie-

dade de seu país. Com a ascensão de Napoleão Bonaparte, os êxitos burgueses

foram consolidados. Novas ondas revolucionárias sacudiram a Europa em 1830 e

1848. O início da década de 1870 foi marcado pelas unificações italiana e alemã.

O Imperialismo, ou neocolonialismo, tornou-se predominante ainda no século XIX, e pa-

íses europeus dominaram africanos e asiáticos, como uma consequência do avanço da

Revolução Industrial. Porém, a disputa por colônias realçou as rivalidades europeias, ge-

rando o maior conflito militar até então: a Primeira Guerra Mundial.

Os russos, durante a guerra, passam por um processo de revolução interna e, em outu-

bro de 1917, os bolcheviques tomam o poder, iniciando um regime de orientação socia-

lista. A Grande Guerra foi responsável por uma nova organização geopolítica europeia. O
Tratado de Versalhes beneficiava ingleses e franceses, e tornou-se alvo das críticas de

Mussolini e Hitler, que iniciam suas ditaduras fascistas.

A Segunda Guerra Mundial, a mais mortífera de todos os tempos, pode ser vista

como uma continuidade da primeira, uma vez que os problemas que levaram à

Grande Guerra não foram solucionados em Versalhes – mas sim, em muitos casos,

agravado.

As bombas de Hiroshima e Nagasaki encerraram o conflito. Porém, com o término

da guerra, um novo período de tensões tinha início: a Guerra Fria, opondo não ape-

nas EUA e URSS, mas dois sistemas político-econômicos conflitantes, o capita-

lismo das democracias liberais ocidentais, e o socialismo liderado pelos soviéticos.

Com a queda da URSS, no Natal de 1991, a Guerra Fria chegava ao fim. O mundo di-

vidido entre dois polos de influência deu lugar ao mundo multipolarizado de hoje em

dia.

Enfim, estudaremos o período que moldou este início de século XXI.

Bons estudos!
Unidade I - IDEOLOGIAS DO SÉCULO XIX

Objetivos a serem alcançados nesta unidade


Prezado(a) Acadêmico(a), ao terminar os estudos dessa unidade, você deverá ser

capaz de:

• Identificar as transformações provocadas pela Era Napoleônica e pelo Con-


gresso de Viena.

• Entender o contexto revolucionário europeu da primeira metade do século XIX


e os impactos das revoluções ocorridas em 1830 e 1848.
• Explicar a expansão das ideologias nacionalista, liberal e socialista no século XIX.
• Analisar as unificações dos estados italianos e alemães.
• Compreender as consequências da Segunda Revolução Industrial.

Para que esses objetivos sejam alcançados, é de extrema importância que você de-

senvolva seus estudos com seriedade e dedicação, lendo as literaturas recomenda-

das e os capítulos dos livros didáticos que forem referenciados neste guia.

Bons estudos!
O IMPÉRIO DE NAPOLEÃO BONAPARTE E O CONGRESSO DE VIENA
A Idade Contemporânea, ou Contemporaneidade, iniciou-se com a Revolução Fran-

cesa, em 1789. Após uma década de intensos conflitos, e de um período tenebroso,

chamado “Terror”, com o jacobino Maximilien de Robespierre (1759-1794) no comando

do país, o grupo girondino busca estabilizar a situação política francesa, consolidando

as conquistas já alcançadas. E a figura capaz de trazer tal estabilidade é encontrada

em um jovem militar, de brilhante carreira no Exército francês: Napoleão Bonaparte.

Com o fim do governo de Robespierre, em 1794, a Convenção Nacional passou a ser

controlada pelos representantes da alta burguesia, os girondinos. A Convenção deci-

diu, então, elaborar uma nova Constituição para a França.

A nova Constituição, concluída em 1795, manteve o regime republicano de governo, que

seria, então, controlado pelo Diretório, composto por cinco membros eleitos pelo Legislativo.

O governo do Diretório se estendeu até 1799, e esse foi um período bastante contur-

bado, sobretudo, pela ação de grupos oposicionistas, como os monarquistas – ansio-

sos por retomar o poder – e os jacobinos, que desejavam acelerar e aprofundar a re-

volução. Justamente nesse período, Napoleão destacava-se em campanhas militares,

adquirindo prestígio junto à população francesa, tanto nas camadas populares, como

nas elites. Diante do clima de instabilidade, seria necessário alguém de pulso firme, e

prestígio com o povo e com os soldados, além de gozar da confiança das elites. Essas

elites conspiram para alçar Bonaparte ao cargo máximo do governo francês.

Assim, no dia 10 de novembro de 1799 (18 Brumário pelo novo calendário1 insti-
tuído pela revolução), Napoleão Bonaparte, com o apoio de influentes políticos e

1 Em 1793, os revolucionários franceses aprovaram um novo calendário. O ano I começou com


o término da monarquia na França (22 de setembro de 1792). Os meses foram divididos a partir
dessa data de acordo com as estações do ano. Por exemplo: brumaire (Brumoso), segundo mês
do calendário, de 23 de outubro a 21 de novembro; nivôse (nevoso), de 22 de dezembro a 21 de
janeiro; ventôse (ventoso), de 19 de fevereiro a 20 de março.

14 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
com seu prestígio popular, dissolveu o Diretório e estabeleceu uma nova forma de

governo, o Consulado.

Com a ascensão napoleônica, os girondinos esperavam evitar que chegassem ao

poder os jacobinos ou os monarquistas. Assim, a Era Napoleônica representou a con-

solidação das conquistas burguesas, e abriu caminho para o desenvolvimento capita-

lista francês, encerrando o ciclo revolucionário.

A Era Napoleônica, que durou cerca de uma década e meia, pode ser dividida em

três fases:

• Consulado (1799-1804);
• Império (1804-1814);
• Governo dos Cem Dias (1815).

Instituído em novembro de 1799, o Consulado tinha o poder exercido por três cônsu-

les: Napoleão, Roger Ducos (1747-1816) e o abade - Emmanuel Joseph Seyès (1748-

1836). Todavia, já em dezembro do mesmo ano, foi votada uma nova Constituição,

alçando Napoleão ao cargo de primeiro-cônsul, reservando-lhes amplos poderes.

Teve início, então, uma verdadeira ditadura militar, disfarçada pelas instituições aparen-
temente democráticas criadas pela Constituição (Senado, Tribunal, Corpo Legislativo
e Conselho de Estado). [...] Durante o governo do Consulado, a alta burguesia con-
solidou-se como classe dirigente da França. Os projetos de emancipação das classes
populares foram sufocados, e os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade da Re-
volução Francesa foram reprimidos. Por meio de uma severa censura ä imprensa e da
ação violenta dos órgãos policiais, as oposições políticas ao governo foram aniquiladas
(COTRIM, 1999, p.266).

Durante o período do Consulado, Napoleão promoveu uma intensa reforma do Estado

francês. A recuperação econômica e a reorganização jurídica e administrativa foram

características do período.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 15
No âmbito administrativo, ocorreu uma profunda centralização em torno da figura de

Napoleão, com a nomeação de diversos funcionários de sua confiança para inúmeros

cargos do funcionalismo público francês.

A educação também foi reformulada, passando a ter como objetivo a formação de ci-

dadãos capazes de servir ao Estado, além de servir como importante meio de controle

do comportamento político e social.

Quanto ao Direito, houve a elaboração de novos códigos penal e civil. O Código Na-

poleônico, concluído em 1804, consagrava as aspirações burguesas, como o matri-

mônio civil (separado do religioso), o respeito à propriedade privada, a igualdade de

todos os cidadãos perante a lei e as liberdades individuais.

Economicamente, houve a criação do Banco da França. Símbolo máximo da ascen-

são burguesa, o banco nacional controlava a emissão de moedas, a realização de

obras públicas e as tarifas alfandegárias.

E mesmo a relação entre o Estado francês e a Igreja Católica foi reforçada, com

a elaboração de um acordo, em 1801: a Concordata. Na prática, essa aliança

fazia da religião um instrumento do poder político. O catolicismo foi reconheci-

do como religião da maioria dos franceses, o papa reconheceu o confisco de

bens católicos na França desde o início da revolução. A escolha dos principais

membros do clero na França era feita por Napoleão, restando ao papa aprovar

ou não tais indicações.

As reformas efetivadas por Napoleão obtiveram sucesso, e tal sucesso ampliou ain-

da mais a popularidade do governante. Assim, em 1802, Napoleão tornou-se cônsul

vitalício, tendo ainda o direito de indicar seu sucessor. Na prática, isso representava

a volta do regime monárquico, embora na teoria houvesse a manutenção do regime

republicano. Mas tal dicotomia se estenderia por pouco tempo.

16 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Em 1804, o governo mobilizou a opinião pública para a implementação efetiva do

regime monárquico, e realizou um plebiscito. Com quase 60% dos votos favoráveis,

houve o restabelecimento da monarquia, com a escolha de Napoleão para ocupar o

cargo de Imperador.

A coroação de Bonaparte como Imperador Napoleão I foi um dos mais marcantes es-

petáculos daquele início de século XIX. Para começar, não foi Napoleão quem se des-

locou até Roma para ser coroado pelo papa, e sim o pontífice quem se viajou à França.

Depois, durante a coroação, Napoleão tomou a coroa das mãos do papa e se coroou,

de costas para o líder católico, e de frente para o público. Tal atitude foi uma clara de-

monstração de poder por parte de Napoleão, e ampliou ainda mais sua popularidade.

No Império, Napoleão formou uma nova Corte, concedendo títulos de nobreza a fa-

miliares e nomeou-os para os mais altos cargos públicos. Obras públicas foram cons-

truídas como símbolos do poder napoleônico, como o Arco do Triunfo, inspirado na

arquitetura clássica romana.

No intuito de expandir o domínio e a influência da França, Napoleão promoveu uma

série de guerras na Europa. Oriundo da carreira militar, Napoleão promoveu um pro-

fundo fortalecimento das forcas armadas francesas, e quando de sua coroação como

imperador, o Exército francês já era o mais moderno e bem equipado da Europa.

Os demais países europeus, assustados com a difusão das ideias revolucionárias

francesas, começaram a formar alianças militares, chamadas de coligações: Áustria,

Prússia e Rússia, sob a liderança inglesa, tentaram resistir ao expansionismo francês.

Em outubro de 1805, os franceses tentaram invadir a Inglaterra, porém foram derrotados

pela marinha inglesa, liderada pelo almirante Nelson, na célebre Batalha de Trafalgar.

Se por mar parecia impossível vencer os ingleses e invadir a Inglaterra, por terra as tro-

pas francesas permaneciam soberanas, e derrotaram austríacos (dezembro de 1805),

prussianos (1806) e russos (1807), consolidando seu domínio sobre o continente.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 17
Decidido a derrotar os ingleses, Napoleão decretou o Bloqueio Continental, em

1806. Tal decreto determinava o fechamento de todos os portos europeus ao co-

mércio com a Inglaterra. O bloqueio tinha duplo intuito: por um lado, pretendia en-

fraquecer economicamente os ingleses, país mais industrializado do mundo à épo-

ca. Por outro, buscava alavancar o desenvolvimento econômico francês, levando

a França a ocupar o lugar da Inglaterra como principal fornecedora de produtos

industrializados para a Europa.

Nenhum dos dois objetivos, porém, foi totalmente atingido. A economia inglesa, embo-

ra abalada pelo bloqueio, encontrou novos destinos para seus produtos2, e a França

não conseguiu suprir toda a necessidade europeia por produtos industrializados3.

Dois países, em especial, descumpriram o bloqueio e foram invadidos pelas tropas napole-

ônicas: Portugal e Rússia. E, em ambos, tais invasões tiveram complexas consequências.

Em Portugal, as tropas napoleônicas, lideradas pelo general Junot, invadiram o país

no final de 1807. A Família Real portuguesa, sob a liderança do Príncipe Regente Dom

João, cedeu à pressão inglesa e transferiu-se para sua principal colônia, o Brasil4. Foi
a primeira – e única – vez que um monarca europeu esteve em sua colônia america-

na. Já em solo russo, Napoleão sofreria a pior derrota de sua vida.

Após derrotar os russos em 1807, Napoleão obrigou o czar Alexandre I a assinar a Paz

de Tilsit, onde a Rússia se comprometia a obedecer ao bloqueio continental. Porém,

a Rússia era um país basicamente agrário, e dependia dos produtos industrializados

provenientes da Inglaterra, que eram trocados por seus cereais.

2 O Brasil, por exemplo, consolidou-se como importante parceiro comercial dos ingleses após o
Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, assinado por Dom João em 1808.
3 O que estimulou o contrabando de produtos ingleses.
4 Esse acontecimento é comumente apontado como o início do processo que culminaria com a
Independência do Brasil.

18 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Em grave crise econômica, os russos abandonaram o bloqueio em dezembro de 1810,

gerando promessas de retaliação militar por parte de Napoleão. E isso se concretizou

em 1812, quando foi formado o “Exército das Vinte Nações”, uma gigantesca tropa

com cerca de 700 mil homens e 180 mil cavalos.

Mais brilhante comandante militar de seu tempo, Napoleão acostumara-se a grandes

vitórias e, diante do atraso tecnológico russo, esperava outro grande triunfo. Todavia, a

imensidão do território russo e seu rigoroso clima foram determinantes na defesa russa.

Conforme as tropas francesas avançavam, os russos abandonavam suas cidades,

levando consigo tudo o que podiam. O que não podia ser levado, como construções

e plantações, era destruído. Assim, o “general inverno” fazia seu trabalho, trazendo

doenças, deserções e abalando o moral dos soldados. Mesmo as armas, como as

peças de artilharia, eram prejudicadas pelo frio.

Napoleão chegou a invadir Moscou e tomou o palácio do Czar, o Kremlin. Todavia, seu re-

torno foi ainda pior, e estima-se que bem menos de 100 mil homens retornaram à França.

Após a campanha da Rússia, formou-se nova coligação antifrancesa e, em 6 de abril de

1814, um exército composto por ingleses, austríacos, russos e prussianos invadiu Paris. O

trono foi assumido por Luís XVIII, irmão mais novo do decapitado Luís XVI. Napoleão, des-

tronado, recebeu como principado a ilha de Elba, no Mediterrâneo, e para lá partiu em exílio.

Em março de 1815, Napoleão decidiu retornar à França. O impopular Luís XVIII en-

viou tropas para detê-lo, mas elas acabaram unindo-se a ele. O rei fugiu, e Napoleão

retomou o poder, permanecendo até junho, no que ficou conhecido como Governo

dos Cem Dias. Diante de seu retorno, organizou-se a Sétima Coligação, e Napoleão

foi definitivamente derrotado em 18 de junho de 1815, na Batalha de Waterloo. Preso

pelos ingleses, foi exilado na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, onde perma-

neceu até sua morte, seis anos mais tarde.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 19
Com a derrota de Napoleão, os representantes dos países europeus reuniram-se na

Áustria, no que ficou conhecido como Congresso de Viena (1814-1815). Seu intuito

era discutir e determinar os rumos da Europa pós-Napoleão. Dentre as principais pro-

postas, ou princípios, firmados, merecem destaque:

• Restauração: ideia conservadora que defendia o retorno ao Antigo Regime.


• Legitimidade: as dinastias que estavam no poder antes da ascensão napole-
ônica teriam seus tronos devolvidos5.

• Solidariedade: formação de uma aliança político-militar para impedir a expan-


são das ideias revolucionárias francesas.

Ainda em 1815, para garantir a implementação das determinações de Viena, foi for-

mada a Santa Aliança, encabeçada por austríacos, prussianos e russos. Como o Con-

gresso, defendia ideais conservadores, como a manutenção do Antigo Regime e do

colonialismo. Reservava-se o direito de intervir militarmente em outros países. A In-

glaterra, potência comercial, defendia o liberalismo e, por essa razão, foi contrária à

Santa Aliança que acabou tendo poucas aplicações práticas.

AS REVOLUÇÕES DE 1830 E 1848


Poucas vezes a incapacidade dos governos em conter o curso da história foi demons-
trada de forma mais decisiva do que na geração pós-1815. Evitar uma segunda Revo-
lução Francesa, ou ainda a catástrofe pior de uma revolução europeia generalizada,
tendo como modelo a francesa, foi o objetivo supremo de todas as potências que tinham
gasto mais de vinte anos para derrotar a primeira [...]. E, ainda assim, nunca na história
da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico
(HOBSBAWM, 2012, p.183).

5 Como Luís XVIII, da dinastia Bourbon, que retornou ao trono francês.

20 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
As revoluções de 1830
Após mais de duas décadas e meia de Revolução Francesa e Era Napoleônica, novas

ondas revolucionárias explodiram na Europa nas décadas de 1820, 1830 e 1840.

Nos Países Baixos, a Bélgica conseguiu se emancipar da Holanda. Os belgas, industriali-

zados, defendiam uma política alfandegária protecionista, enquanto os holandeses priori-

zavam o comércio e, portanto, o livre-cambismo. Divergências religiosas e culturais (como

o idioma, por exemplo), também estimularam os belgas a buscarem sua independência.

Na Itália, uma sociedade secreta chamada Carbonária, trazia ideias liberais, bem

como movimentos nos estados alemães. Os russos massacraram movimentos nacio-

nalistas poloneses.

A Revolução de 1830 repercutiu por toda a Europa. A Bélgica, apoiada pela Inglaterra,
libertou-se da Holanda, à qual estava submetida desde o Congresso de Viena. Na Polô-
nia, os russos tiveram de abafar uma revolta nacionalista. Na Itália, a sociedade secreta
Carbonária promoveu agitações liberais que resultaram numa Constituição imposta ao
rei das Duas Sicílias. Agitações semelhantes ocorreram em Portugal e Espanha. Na
Alemanha houve movimentos liberais constitucionalistas.

Um pouco antes, em 1829, a Grécia havia se libertado da dominação turca. E lembre-


mos que, até 1825, tinham sido vitoriosos todos os movimentos de independência da
América Latina (ARRUDA; PILETTI, 1997, pp.208-209).

A França, porém, foi novamente o epicentro das revoltas na Europa. Desde a restau-

ração da dinastia Bourbon, Luís XVIII enfrentou dificuldades em equilibrar-se entre os

ultrarrealistas, que promoveram o chamado “terror branco”, perseguindo opositores

bonapartistas e revolucionários6, e os anseios populares. Com sua morte, em 1824, o

poder passou para seu irmão, o conde de Artois, que assumiu o trono como Carlos X.

6 Podemos distinguir três tendências predominantes na França à época: os ultrarrealistas, lidera-


dos pelo conde de Artois; os liberais (ou independentes), que reuniam bonapartistas e republica-
nos; e os constitucionalistas, que tendiam mais ao centro.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 21
Mais próximo dos ultrarrealistas, o novo rei apresentava tendências absolutistas, o

que reavivou a oposição. As eleições legislativas de 1830 apresentaram ampla vitória

dos candidatos oposicionistas. A tendência absolutista do novo rei veio à tona, e Car-

los X respondeu com as “ordenações de julho”, que determinavam:

• Supressão da liberdade de imprensa.


• Ampliação do censo eleitoral.
• Dissolução da Câmara.
• Convocação de novas eleições.
As ordenações atacavam diretamente os ideais iluministas consolidados com a Revolução

Francesa. Em especial a dissolução da Câmara, agredia a ideia de que o poder emana

do povo, e que ele governa por meio de seus representantes. Instigadas pela burguesia,

as camadas populares francesas tomaram as ruas nos dias 27, 28 e 29 de julho de 1830,

nos chamados “três dias gloriosos”. Temendo uma nova onda revolucionária do tamanho

da que haviam enfrentado anos antes, Carlos X renuncia ao trono e foge para a Inglaterra.

Contando com o apoio da alta burguesia7, o conde de Orleáns foi proclamado rei dos
franceses, com o nome de Luís Filipe I, e uma nova Constituição foi estabelecida. Ti-

nha início a Monarquia de Julho.

A Primavera dos Povos


As revoluções de 1848, também chamadas de Primavera dos Povos, tiveram uma

abrangência e uma profundidade maiores que as revoluções de 1830. Atingiram mais

países, e causaram transformações mais profundas. Outros elementos, outras ide-

ologias, entraram em cena, como o liberalismo, o nacionalismo e, principalmente, o

socialismo (discutiremos esses pensamentos no próximo tópico).

7 Principalmente pela burguesia ligada às finanças, o que lhe rendeu alcunhas como “rei banqueiro”
ou “rei burguês”.

22 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Na segunda metade da década de 1840, várias nações europeias entraram em crise,

sobretudo, de duas origens: agrícola, como na Itália e na Irlanda; industrial na Ingla-

terra, França e Alemanha. Para piorar, houve péssimas colheitas em 1847 e 1848, o

que prejudicou muito a situação:

[as péssimas colheitas] acenderam o rastilho de pólvora da revolução na Europa. A cri-


se de origem agrícola provocou uma reação em cadeia: a queda na produção arruinou
milhares de camponeses, diminuiu o mercado consumidor dos produtos manufaturados
no campo, aumentou o desemprego nas cidades e achatou os salários dos operários.
Na França, o empobrecimento dos trabalhadores resultou em diversos distúrbios nas
cidades industriais (FURTADO; VILLA, 2001, p.150).

Novamente, o local onde as revoluções de 1848 mais impacto tiveram foi a Fran-

ça. O Governo de Luís Filipe I, marcado por grande prosperidade econômica na

década de 1830 e início dos anos 1840, convivia desde sempre com uma forte

oposição política. Os oposicionistas dividiam-se entre os legitimistas, partidários

do deposto Carlos X; bonapartistas, que se aglomeravam em torno de Luís Na-

poleão Bonaparte (sobrinho de Napoleão); e republicanos, considerados mais

radicais, queriam eliminar o sistema monárquico. Os orleanistas, como eram

chamados os situacionistas, dividiam-se entre o partido do movimento, mais

liberal, e o partido da resistência, mais conservador.

A crise econômica atingiu seu ápice no início de 1848, e em 22 de fevereiro estou-

rou a revolta, quando o ministro Guizot proibiu um banquete em Paris. No dia 23, os

manifestantes enfrentaram as tropas; no dia 24, com a cidade de Paris coberta por

barricadas, e abandonado pela Guarda Nacional, Luís Filipe de Orleáns abdicou. O

governo provisório, liderado por liberais e socialistas, proclamou a Segunda Repúbli-

ca, e convocou eleições8.

8 Realizadas em 23 de abril, foram as primeiras eleições na Europa com voto direto, secreto, e com
sufrágio universal (masculino).

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 23
A crise tornava-se mais grave. Para amenizar o problema do desemprego, o governo

havia criado as oficinas nacionais, empresas dirigidas e sustentadas pelo Estado.

Os impostos foram elevados para o governo arcar com os salários. A notícia do fecha-

mento das oficinas levou o proletariado novamente às ruas.

Para conter a população, a Assembleia concedeu amplos poderes ao general Lou-

is-Eugène Cavagnac. Como Primeiro-Ministro, agiu com truculência, e cerca de 20

mil franceses foram mortos ou deportados. Odiado por grande parte da população,

o general disputou as eleições presidenciais contra Luís Bonaparte. Eleito para um

mandato de quatro anos, Bonaparte repetiria o feito do tio e, em 1851, aplicou um

golpe de Estado para permanecer no poder.

No início de 1848, o eminente pensador político francês Alexis de Tocqueville tomou a


tribuna da Câmara dos Deputados para expressar sentimentos que muitos europeus
partilhavam: “Nós dormimos sobre um vulcão... Os senhores não perceberam que a
terra treme mais uma vez? Sopra o vento das revoluções, a tempestade está no hori-
zonte”. 1848 foi a primeira revolução potencialmente global, cuja influência direta pode
ser detectada na insurreição de 1848 em Pernambuco e, poucos anos depois, na remo-
ta Colômbia. [...] foi a única a afetar tanto as partes desenvolvidas quanto as atrasadas
do continente. Foi ao mesmo tempo a mais ampla e a menos sucedida desse tipo de
revolução. [...] As revoluções de 1848 tiveram muito em comum, não apenas pelo fato
de terem ocorrido quase simultaneamente, mas também porque seus destinos estavam
cruzados, todas possuíam um estilo e sentimento comuns, uma atmosfera curiosamen-
te romântico-utópica e uma retórica similar, [...]. Era a “primavera dos povos” - e, como
primavera, não durou (HOBSBAWM, 2012, pp.31-33).

A EXPANSÃO DAS IDEOLOGIAS: LIBERALISMO, NACIONALISMO E


SOCIALISMO
A situação de crise vivenciada pelos europeus na primeira metade do século XIX,

como vimos, foi campo fértil para a expansão de ideais que contestavam os regi-

mes vigentes. Esses ideais, surgidos entre os séculos XVII e XIX eram, por vezes,

24 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
conflitantes entre si, e suas defesas por parcelas da população europeia e mundial

acabou tendo implicações profundas. Dentre tais ideologias, podemos destacar o libe-

ralismo, o nacionalismo e o socialismo.

Liberalismo
O liberalismo teve dois espectros principais: o econômico e o político, sendo que am-

bos tiveram também implicações sociais. O liberalismo econômico surgiu no século

XVIII, sob forte influência do iluminismo, e defendia a liberdade econômica. Seus ide-

alizadores entendiam a necessidade de afastar do Estado a tarefa de regular as ativi-

dades econômicas. A ideia era a mínima intervenção do Estado na economia, o que

atualmente chamamos de “Estado Mínimo”. A economia possui leis, regras e princípios

próprios, sendo capaz de uma “autorregulamentação”, sem a necessidade de interfe-

rência estatal. Era como se houvesse uma “mão invisível” regulando a economia9.

Opositores da política econômica mercantilista10 que vigorava na Europa à época,

defendiam a tese do “laissez-faire, laissez passer11”, em uma tentativa de derrubar as

barreiras alfandegárias impostas por praticamente todos os países europeus.

Duas escolas principais do pensamento econômico liberal se destacaram: a Fisio-

cracia e o Liberalismo.

Os fisiocratas franceses, que tiveram em François Quesnay (1694-1774) seu maior

expoente, acreditavam ser a agricultura a única e real geradora de riquezas, uma vez

9 Mão invisível foi um termo introduzido por Adam Smith em "A Riqueza das nações" para descre-
ver como, numa economia de mercado, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora
do interesse comunal, a interação dos indivíduos parece resultar numa determinada ordem, como
se houvesse uma "mão invisível" que orientasse a economia. A "mão invisível" a qual o filósofo
iluminista mencionava fazia menção ao que hoje chamamos de "oferta e procura".
10 E que era caracterizada por uma profunda intervenção estatal.
11 “Deixai fazer, deixai passar”.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 25
que a indústria apenas transforma e diversifica a riqueza já produzida pela natureza.

Embora bastante influentes entre os séculos XVIII e XIX, as ideias dos fisiocratas aca-

baram sendo suplantadas pelo liberalismo britânico.

O maior nome do pensamento liberal aplicado à economia foi, sem dúvidas, o do

escocês Adam Smith (1723-1790). Sua obra clássica, “Uma investigação sobre a na-

tureza e a causa da riqueza das nações”, ou simplesmente “A riqueza das nações”,

publicada em 1776, é um marco do pensamento econômico até hoje.

Em sua obra, Smith defende a mínima intervenção estatal na economia – em determi-

nadas situações, era tolerante quanto à ação do Estado, como para garantir a equida-

de e combater a pobreza. Divergindo dos fisiocratas, Smith acredita que o verdadeiro

gerador de riqueza é o trabalho: a Terra nos fornece possibilidades, porém somente

com a aplicação do trabalho humano, elas convertem-se em riqueza.

Já o liberalismo político tem suas origens em diversos pensadores, mas podemos

destacar o filósofo inglês John Locke (1632-1704). Em sua obra, destacam-se dois

temas principais: “filosofia da mente”, onde estuda a formação do conhecimento hu-

mano. Foi o principal representante do empirismo britânico, pois acreditava que o co-

nhecimento se forma a partir dos sentidos (contrapondo-se ao inatismo cartesiano,

que defendia a existência de ideias inatas).

Em sua obra “Ensaio acerca do entendimento humano” (1690), exemplifica isso com

sua Teoria da Tábula Rasa, segundo a qual, ao nascermos, somos como uma folha

de papel em branco – ou seja, sem ideias inatas. Uma consequência social e política

desse pensamento é que, se somos todos iguais, ao menos ao nascermos, temos to-

dos, portanto, os mesmos direitos. Segundo Locke, nossos direitos naturais: direito

à vida, à liberdade e à propriedade.

26 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Especificamente em filosofia política, Locke escreveu seus Tratados sobre o gover-

no civil, critica o absolutismo de direito divino, e apresenta sua defesa do contrato

social (“o poder emana do povo”), e do Estado Liberal.

Nacionalismo
O nacionalismo foi uma ideologia surgida, principalmente, após a Revolução France-

sa. Mais que um patriotismo exacerbado, o nacionalismo defende a nação como uma

entidade que precisa ser preservada a qualquer custo. Mais que a simples exaltação

patriótica dos símbolos nacionais, como a bandeira e o hino, o nacionalismo atenta ao

território, ao idioma, à etnia etc.

Os nacionalistas defendiam o respeito pela formação nacional dos povos, ligados por

laços étnicos e linguísticos, além de outros traços culturais. Defendia, também, os

direitos desses povos de viverem, com autodeterminação, em um território unificado,

o que estimulava a luta pelas independências nacionais. No século XX, teses nacio-

nalistas acabaram levando ao poder regimes totalitários na Europa, como o Fascismo

na Itália e o Nazismo, na Alemanha, como veremos na Unidade IV.

Socialismo
O avanço da Revolução Industrial levou à formação de uma classe operária. Da ex-

ploração dessa classe, surgiram movimentos e ideologias, reformistas ou revolucioná-

rias, que preocupavam-se com a situação proletária. Na Inglaterra do início do século

XIX, três movimentos merecem lembrança:

• Ludismo: os “quebradores de máquinas” invadiam fábricas durante a noi-


te e destruíam as máquinas que, segundo eles, eram as responsáveis por

sua miséria.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 27
• Trade Unions: associações de trabalhadores. De certa maneira, podem ser
apontadas como os “embriões” dos atuais sindicatos de trabalhadores.

• Cartismo: movimento que reivindicava junto ao Parlamento mudanças. Refle-


tia o descontentamento da classe operária com o sistema político inglês. Tem

esse nome pois baseou-se na “Carta ao Povo”, de Wiliam Lovett, que exigia,

dentre outras coisas, sufrágio universal e voto secreto.

Quanto aos resultados desses movimentos: o ludismo não apresentou resultados

práticos, e a repressão foi severa12. O cartismo teve seus líderes presos e depor-

tados para a Austrália. Todavia, décadas depois, suas reivindicações foram, paula-

tinamente, sendo atendidas. Já as trade unions tiveram mais sucesso. O governo

britânico até tenta proibir, por leis, as reuniões de trabalhadores, mas em 1824 foi

obrigado a abolir tais leis.

Como os resultados práticos desses movimentos foram pouco sentidos, e a explora-

ção da classe proletária aumentava, se expande uma ideologia contrária à sociedade

capitalista: o socialismo.

O francês Charles Fourier (1772-1837) e o inglês Robert Owen (1771-1858), entre

outros, representaram o primeiro momento do pensamento socialista moderno. Owen

defendia uma profunda reorganização da sociedade a partir da cooperação entre os

indivíduos, que seriam pagos pelas comunidades de acordo com o trabalho que re-

alizassem. Fourier propunha a criação de cooperativas onde o salário fosse abolido.

Ambos propunham a formação de comunidades experimentais para que suas ideias

fossem colocadas em prática. Porém, classificados como “utópicos” por Marx13, suas
ideias não se concretizaram efetivamente.

O pensamento socialista só superou definitivamente o programa de reformas da

sociedade capitalista ou da criação de comunidades experimentais e assumiu uma

12 Em 1812, 13 operários foram condenados à morte por participarem da destruição de uma fábrica.
13 Diferenciando-se do socialismo utópico, o pensamento marxista é chamado de socialismo científico.

28 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
postura frontalmente contrária ao capitalismo com o pensamento dos alemães Karl

Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895).

Os jovens Marx e Engels publicaram, às vésperas da Revolução de 1848 na França,

um dos mais importantes textos de todos os tempos: o Manifesto Comunista.

Era um texto relativamente curto, de linguagem simples e direta, expondo a explora-

ção dos trabalhadores, as fragilidades do sistema capitalista, e conclamando: “Pro-

letários de todos os países, uni-vos”. Segundo o pensamento marxista, “não há via

pacífica ao socialismo”, ou seja, a burguesia precisava ser retirada à força do poder,

que seria ocupado pelo proletariado, na chamada “ditadura do proletariado”. Esta se-

ria uma etapa de transição, quando a propriedade privada e as classes sociais seriam

gradativamente abolidas, até que o Estado perderia seu espaço para comunidades

autônomas, o que constituiria a “etapa final”, o comunismo.

Além do Manifesto, Marx e Engels, em dupla ou separadamente, foram autores de

uma vasta bibliografia, da qual merece destaque “O Capital”: para destruir a socieda-

de capitalista, era preciso entendê-lo, e a dupla realizou a mais profunda análise de

sua época sobre o capitalismo. Muitos dos conceitos explicitados nessa obra se con-

solidaram, como a mais-valia, que explica a formação de valor, e como a burguesia

se apropria da maior parte do valor gerado pelo proletariado.

Outro importante conceito cunhado pela dupla foi o de luta de classes: “a força motriz

por trás da História”. Assim como a burguesia havia se livrado das amarras feudais e

assumido o lugar da nobreza como classe dominante, o proletariado, quando cons-

ciente de seu poder, derrubaria a burguesia e iniciaria o governo dos trabalhadores.

O pensamento marxista é até hoje extremamente influente, embora sua influência

tenha diminuído nas últimas décadas. Vários campos do conhecimento, como a His-

tória, a Filosofia, a Economia e a Sociologia foram muito impactadas pelo marxismo.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 29
Baseadas em suas ideias, revoluções foram feitas, e o mundo foi dividido no século

XX. Sua importância é tão grande que é impossível de ser medida.

Marx era igualitário: pensava que os direitos humanos deviam ser tratados igualmen-
te. Todavia, no mundo capitalista, quem tinha dinheiro – geralmente oriundo de uma
riqueza herdada – ficava cada vez mais rico. Enquanto isso, aqueles que não tinham
nada – exceto o próprio trabalho para vender – viviam de maneira miserável e eram
explorados. Para Marx, toda a história humana podia ser explicada como uma luta de
classes: a luta entre a classe capitalista rica (a burguesia) e a classe trabalhadora (ou
proletariado). Essa relação impedia que os seres humanos atingissem seu potencial e
transformava o trabalho em algo doloroso, em vez de um tipo de atividade compensa-
dora (WARBURTON, 2012, p.157).

O SEGUNDO IMPÉRIO FRANCÊS


Como vimos anteriormente, da Revolução de 1848 na França resultou a queda do siste-

ma monárquico e a instalação da Segunda República. Todavia, ela teve curta duração:

Feita a nova Constituição, foi eleito presidente da República Luís Napoleão. As insurrei-
ções de Paris e sua repressão tinham indisposto grande parte do eleitorado contra as
ideias republicanas e a burguesia temia o avanço do Socialismo. A Assembleia Legis-
lativa era em sua maioria monarquista, a situação parecia propícia à ambição de Luís
Napoleão, que tinha a auréola do nome do Imperador, seu tio, mas a Assembleia recu-
sou-se rever, em seu proveito, a Constituição, e ele, então, dissolveu-a (2 de dezembro
de 1851), os chefes da oposição e milhares de outras pessoas foram deportados. Um
plebiscito deu ao príncipe-presidente o poder por dez anos; e pouco depois, um outro,
aprovando uma proclamação do Senado, aclamava o príncipe imperador dos franceses
com o título de Napoleão III (RUESGAS, 2004, p.303).

Com o golpe desferido por Luís Napoleão14, tinha início o Segundo Império. O absolu-

tismo do Império era contestado politicamente, mas a paz interna e a prosperidade vi-

venciados na década de 1850 respaldavam o autoritarismo de Napoleão III. Incentivos

14 Por aplicar um golpe de Estado, e tornar-se imperador após um plebiscito, como seu tio havia feito
décadas antes, Marx chamou, ironicamente, o golpe de “18 brumário de Luís Bonaparte”.

30 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
ao comércio, indústria e agricultura, além da realização de diversas obras (como fer-

rovias e portos) estimulavam a economia. Até mesmo a abertura do Canal de Suez

foi parte da iniciativa francesa. Porém, no final da década, o crescimento da oposição

na Assembleia levou o imperador a conceder reformas liberais, como a liberdade de

imprensa e o direito de greve aos operários. Era o Império Liberal.

Se internamente a situação era de paz e prosperidade, na política externa a França

se envolveu em novos conflitos (como contra a Crimeia e a Áustria). Mas foi o conflito

contra os prussianos, e a derrota francesa, a causa da queda de Napoleão III. Quando

o Imperador foi derrotado na Batalha de Sedan (1870), seus opositores proclamaram

a Terceira República, em 4 de setembro de 1870.

AS UNIFICAÇÕES DA ITÁLIA E DA ALEMANHA


No século XIX, Itália e Alemanha, como Estados Nacionais, ainda não existiam. O que

havia eram dezenas de Estados independentes – ou dominados e/ou influenciados

por outros países europeus. O início da década de 1870 marcou a unificação desses

estados e a formação dos dois importantes países.

Itália
As terras que atualmente compõem a Itália encontravam-se, na segunda metade do

século XIX, divididas em reinos sob comando da Áustria, como a Lombardia e a Vené-

cia, ao Norte. Ao Sul, o Reino das Duas Sicílias, comandado pela dinastia Bourbon. Ao

centro, os chamados Estados Pontifícios, sob a tutela da Igreja Católica. Havia, ainda,

o reino independente de Piemonte e Sardenha.

Mais rico e industrializado, Piemonte e Sardenha, com seu rei Vitor Emanuel II, e seu

Primeiro-Ministro, o Conde de Cavour, foi um dos principais artífices da Unificação.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 31
Com apoio dos franceses, expulsou os austríacos e unificou o Norte da Itália. Centro

e Sul foram conquistados por um exército popular liderado por Giuseppe Garibaldi15

(1808-1882), os “mil camisas vermelhas”, que conquistaram a Sicília e Nápoles.

Os ideais republicanos de Garibaldi divergiam do regime monárquico pretendido por

Vítor Emanuel II. Todavia, a vontade do rei piemontês prevaleceu. Com a conquista de

Roma, em 20 de setembro de 1870, a Unificação estava consolidada16.

Alemanha
O principal fator da unificação alemã foi o desenvolvimento econômico e social dos

Estados Germânicos, sobretudo, da Prússia. Desde 1834, havia uma união aduaneira

entre esses estados, chamada zollverein.

As principais potências da região – Áustria e Prússia – tinham propostas diferentes

sobre a Unificação, a saber:

• A “Grande Alemanha”, defendida pelos austríacos, incluía a Áustria no novo


Estado que se formaria;

• A “Pequena Alemanha”, defendida pelos prussianos, excluía os austríacos.


Em 1861, o kaiser (rei) Guilherme I nomeou Otto von Bismarck (1815-1898) como chan-

celer. Um dos maiores estadistas do século XIX, o “chanceler de ferro” foi uma das figu-

ras fundamentais da Unificação. Para unir o povo alemão, despertar seu nacionalismo,

e consolidar a liderança prussiana, Bismarck reforçou as forças armadas prussianas.

15 Garibaldi participava da sociedade secreta Jovem Itália, na década de 1830. Exilado no Brasil,
teve participação importante na Revolução Farroupilha (1835-1845). De volta à Itália, participou
da Primavera dos Povos, em 1848.
16 A Unificação Italiana foi rejeitada pelo Papa Pio IX, que se dizia “prisioneiro no Vaticano”. A cha-
mada “Questão Romana” só foi solucionada com a assinatura do Tratado de São João Latrão, em
1929.

32 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Três guerras foram promovidas – e vencidas – pelos prussianos, contra a Dinamarca,

na Guerra dos Ducados (1864); contra os austríacos, em 1866, e contra a França,

entre 1870 e 1871.17.

A vitória sobre os franceses surtiu os resultados esperados por Bismarck e Guilherme

I. A ideia de nação se fortaleceu, e a Prússia estendeu seu domínio sobre os Estados

Germânicos. Guilherme I foi coroado kaiser alemão. Iniciava-se o Segundo Reich18,

ou Segundo Império alemão.

A SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


A Revolução Industrial transformou drasticamente as sociedades que ela alcançou, e

representou a consolidação do sistema capitalista e, consequentemente, da burgue-

sia como classe dominante.

Iniciada em meados do século XVIII, teve na Inglaterra sua pioneira. Diferente de re-

voluções políticas, como a ocorrida na França em 1789, a Revolução Industrial não

possui uma data exata que assinala seu início. As transformações foram gradativamen-

te chegando aos diversos cantos do mundo. Todavia, a profundidade das transforma-

ções, em um período relativamente curto, faz com que ela seja, de fato, uma revolução.

Costuma-se chamar o primeiro século da revolução de Primeira Revolução In-

dustrial e, basicamente, ela se concentrou na Inglaterra19. A máquina a vapor

17 Derrotados, os franceses tiveram de pagar uma pesada indenização (5 bilhões de francos), além
de cederem os territórios da Alsácia e do norte da Lorena. A perda dos territórios ampliou a riva-
lidade da França com o novo país que surgia, a Alemanha, e o “revanchismo francês” é uma das
sementes da Primeira Guerra Mundial (1914-1919).
18 O Primeiro Reich foi durante o Sacro Império Romano-Germânico (962-1806). Posteriormente, o
período de governo nazista na Alemanha (1933-1945), foi chamado por Hitler de Terceiro Reich.
19 Embora algumas regiões da França, da Alemanha e dos EUA tenham vivenciado algo parecido
em princípios do século XIX.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 33
movimentava as fábricas e revolucionava os transportes. O setor têxtil fora o pri-

meiro a industrializar-se.

A Segunda Revolução Industrial iniciou-se, portanto, em meados do século XIX, e se

estendeu até a Segunda Guerra Mundial, portanto, meados do século XX. E, enquanto

a fase anterior foi marcada pelo pioneirismo inglês, esta se caracterizou pela expansão

para outros países da Europa Ocidental, mas também aos Estados Unidos e Japão.

Os setores industrializados também se diversificaram, e novos setores surgiram. In-

dústria química, aço, eletricidade. Se as locomotivas a vapor haviam revolucionado os

transportes anteriormente, agora automóveis chegavam às ruas, e aviões aos céus.

Nos Estados Unidos, métodos de racionalização da produção ampliavam ainda a

capacidade produtiva, como o elaborado pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor

(1856-1915), que buscava eliminar o desperdício de tempo em cada etapa produtiva.

E a produção em massa, colocada em prática por Henry Ford (1863-1947) em sua

fábrica de automóveis. Taylorismo e fordismo revolucionaram a produção.

Todavia, quanto maior a produção, maior a necessidade de matérias-primas, e

também de mercados consumidores. Os países pioneiros na industrialização irão

estender seus domínios – direta ou indiretamente – para quase todas as regiões

do mundo. Era o Imperialismo, ou Neocolonialismo. Porém, isso é assunto para

a próxima Unidade.

PrÉ-reQuisitOs Para a cOmPreensÃO da unidade


• Compreender as implicações da Era Napoleônica, e dos conflitos militares

europeus.

• Identificar as posições conservadoras manifestadas no Congresso de Viena.

• Contextualizar a situação socioeconômica e política da Europa que resultou

34 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
nas ondas revolucionárias de 1830 e 1848, bem como a expansão das ideo-

logias nacionalista, liberal e socialista.

• Entender as transformações e os impactos da Segunda Revolução Industrial.

atividades Para cOmPreensÃO dO cOnteÚdO


1) (Unesp 2011) “Artigo 5º — O comércio de mercadorias inglesas é proibido, e

qualquer mercadoria pertencente à Inglaterra, ou proveniente de suas fábricas e

de suas colônias é declarada boa presa”.

“Artigo 7º — Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas,

ou lá tendo estado, desde a publicação do presente decreto, será recebida em porto algum”.

“Artigo 8º — Qualquer embarcação que, por meio de uma declaração, transgredir a

disposição acima, será apresada e o navio e sua carga serão confiscados como se

fossem propriedade inglesa.

(Excerto do Bloqueio Continental, Napoleão Bonaparte. Citado por Kátia M. de Queirós Mat-

toso. Textos e documentos para o estudo da história contemporânea (1789-1963), 1977)”.

Esses artigos do Bloqueio Continental, decretado pelo Imperador da França em

1806, permitem notar a disposição francesa de:

a) Estimular a autonomia das colônias inglesas na América, que passariam a de-

pender mais de seu comércio interno.


b) Impedir a Inglaterra de negociar com a França uma nova legislação para o co-

mércio na Europa e nas áreas coloniais.

c) Provocar a transferência da Corte portuguesa para o Brasil, por meio da ocu-

pação militar da Península Ibérica.

d) Ampliar a ação de corsários ingleses no norte do Oceano Atlântico e ampliar a

hegemonia francesa nos mares europeus.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 35
e) Debilitar economicamente a Inglaterra, então em processo de industrialização,

limitando seu comércio com o restante da Europa.

2) (Cesgranrio) A história política da Europa, durante o século XIX, foi marcada por

uma sucessão de “ondas” revolucionárias caracterizadas especificamente em

uma das opções a seguir. Assinale-a:

a) O Congresso de Viena representou a consolidação da obra revolucionária na

implantação da sociedade burguesa.

b) Os movimentos revolucionários de 1830 marcaram o processo de Restaura-

ção, liderados pela aristocracia.

c) As “ondas” revolucionárias corresponderam ao avanço dos cercamentos dos cam-

pos - os “enclousures” - que liberaram a população camponesa para as cidades.


d) Os movimentos de 1848 contaram com a participação das camadas populares

e com a forte influência das ideias socialistas.

e) Os movimentos de 1870, na Itália e na Alemanha, deixaram a questão nacional

em segundo plano, priorizando a conquista da ordem democrática.

3) (Fuvest) “Fizemos a Itália, agora temos que fazer os italianos”.

“Ao invés da Prússia se fundir na Alemanha, a Alemanha se fundiu na Prússia”.

Estas frases, sobre as unificações italiana e alemã:

a) Aludem às diferenças que as marcaram, pois, enquanto a alemã foi feita em

benefício da Prússia, a italiana, como demostra a escolha de Roma para capi-

tal, contemplou todas as regiões.


b) Apontam para as suas semelhanças, isto é, para o caráter autoritário e incompleto

de ambas, decorrentes do passado fascista, no caso italiano, e nazista, no alemão.

c) Chamam a atenção para o caráter unilateral e autoritário das duas unificações,

imposta pelo Piemonte, na Itália, e pela Prússia, na Alemanha.

d) Escondem suas naturezas contrastantes, pois a alemã foi autoritária e aristo-

crática e a italiana foi democrática e popular.

36 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
e) Tratam da unificação da Itália e da Alemanha, mas nada sugerem quanto ao caráter

impositivo de processo liderado por Cavour, na Itália, e por Bismarck, na Alemanha.

4) A Primeira Revolução Industrial se desenvolveu principalmente na Inglaterra a par-

tir do século XVIII. Entretanto, a partir do século XIX, a industrialização se expandiu

para outros locais que somados aos novos desenvolvimentos tecnológicos carac-

terizaram a chamada Segunda Revolução Industrial. Quais dos países abaixo não

se industrializaram durante a Segunda Revolução Industrial, no século XIX?

a) Portugal.

b) EUA.

c) Alemanha.

d) França.

e) Japão.

5) (Ufv) A unificação política da Itália, ocorrida na segunda metade do século XIX, foi

um processo tardio, considerando o contexto histórico europeu. Sobre esta unifi-

cação, é CORRETO afirmar que ela:

a) Possibilitou a sua participação na corrida colonial, envolvendo-a no domínio do

mercado internacional juntamente com a Inglaterra e a França.

b) Contribuiu em parte para romper o equilíbrio político-militar que, a partir do

Congresso de Viena, foi estabelecido entre as nações europeias.


c) Acarretou o desenvolvimento do capitalismo a partir de um intenso surto de

industrialização que se estendeu por todo o seu território.

d) Permitiu o reatamento das relações político-diplomáticas com o Vaticano e a

garantia do direito de liberdade religiosa aos cidadãos.

e) Impediu o surgimento de fluxos de emigração de camponeses para o Con-

tinente Americano, por meio da implantação de uma política de fechamento

das suas fronteiras.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 37
artiGOs, sites e LINKS

Caro(a) Aluno(a),

Vamos agora disponibilizar para você alguns artigos e links, mediante sites na inter-

net, para que possas acessar e realizar estudos sobre assuntos ligados ao tema da

Unidade I. Não deixe de aproveitar a oportunidade.

Artigos

RODRIGUEZ, Ricardo Vélez. Napoleão Bonaparte. Disponível em:

<http:// http://www.ecsbdefesa.com.br/fts/Napole%E3o.pdf>.

MIRANDA, F. S. M. P. A Mudança do Paradigma Econômico, a Revolução Indus-

trial e a Positivação do Direito do Trabalho. Disponível em:

<http://www.facsaoroque.br/novo/publicacoes/pdf/v3-n1-2012/Fer1.pdf>.

Sites

<http://www.marxeomarxismo.uff.br/>.

<http://historiadomundo.uol.com.br/idade-contemporanea/eranapoleonica>.

Filmes recOmendadOs
Na unidade I, você estudou sobre a ascensão e a queda de Napoleão Bonaparte.

Um filme interessante que aborda o período em que ele estava exilado na ilha de

Elba (e planejando seu retorno ao governo francês), é: Napoleão – A última ba-

talha do Imperador.

38 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Título original: Monsieur N.

Gênero: Biografia / Drama / Histórico

Lançamento: 2003

Duração: 120 min.

País: França / Reino Unido

Direção: Antoine de Caunes

Sinopse: Napoleão Bonaparte (Philippe Torreton) perde o poder, mas continua a man-

dar e a desmandar durante o seu exílio. Mesmo preso pelos britânicos, ele continua

mantendo sua pompa real e seu séquito de seguidores, transformando a ilha num

minúsculo pedaço da própria corte francesa. A autoridade máxima do lugar, o oficial

de Hudson Lowe (Richard E. Grant, de Assassinato em Gosford Park) nutre por Napo-

leão um inexplicável misto de amor e ódio, de repulsa e admiração.

Fonte: Filmes Épicos – <http://www.filmesepicos.com.br> – acesso em: 12 jan. 2016.

PrOPOsta Para discussÃO ON-LINE


Caro(a) Acadêmico(a),

Para melhorar sua compreensão do conteúdo, compartilhe com seus colegas e pro-

fessor tutor as suas conclusões. Acesse nossa plataforma de ensino-aprendizagem e

participe dos Fóruns de discussão. Listamos abaixo algumas questões para fomentar

as suas discussões.

1) Napoleão Bonaparte consolidou os ideais iluministas que tanto influenciaram os

revolucionários franceses, ou os destruiu?

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 39
2) Tanto em 1830 como em 1848, ondas revolucionárias atingiram vários países

europeus. Quanto aos ideais defendidos nessas revoluções, que diferenças pode-

mos apontar?

3) A Revolução Industrial, de fato, revolucionou o mundo. Discuta com seus colegas

sobre os efeitos, positivos e negativos, que ela causou.

40 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
UNIDADE II - IMPERIALISMO

Objetivos a serem alcançados nesta unidade


Prezado(a) Acadêmico(a), ao terminar os estudos desta unidade, você deverá ser

capaz de:

• Relacionar o desenvolvimento capitalista pós-Revolução Industrial com o Im-


perialismo.

• Entender como a ascensão econômica da Alemanha abalou o “equilíbrio” eu-


ropeu.
• Explicar a Paz Armada, identificando o clima beligerante entre os principais
países europeus antes da eclosão da Grande Guerra.

• Compreender os esforços dos países em conflito durante a Primeira Guerra


Mundial e os impactos que o conflito teve no restante do planeta.

• Analisar o contexto revolucionário russo do início do século XX, que culminou


com a Revolução Russa de outubro de 1917.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 41
O NEOCOLONIALISMO
Como visto na Unidade I, a Revolução Industrial, que havia se iniciado no século XVIII,

na Inglaterra, se irradia para outros países europeus – além de Japão e Estados Uni-

dos, no século seguinte. Com seu avanço, a produção se multiplica exponencialmente

e, concomitante a isso, a necessidade por matérias-primas para movimentar as in-

dústrias, e mercados para consumirem os produtos, aumentam na mesma proporção.

O resultado imediato da busca pela satisfação dessas necessidades foi a extensão

dos domínios dos países industrializados, que passam a exercer sua influência sobre

quase todas as regiões do mundo.

Não era a primeira vez que países europeus dominavam regiões de outros continentes.

Fenômeno (aparentemente) semelhante havia ocorrido séculos antes, quando portu-

gueses e espanhóis (primeiro, depois ingleses, franceses e holandeses) dominaram re-

giões, sobretudo, da América. Era o colonialismo. Todavia, esse neocolonialismo, ou

Imperialismo, como é mais conhecido, diferia de seu antecessor em diversos aspectos:

A colonização portuguesa e espanhola do século XVI havia se limitado à América. Com


raras exceções, as terras africanas e asiáticas não haviam sido ocupadas. Ali, os europeus
limitaram-se ao comercio, principalmente de especiarias. Por isso, no século XIX, havia
grandes extensões de terras desconhecidas nos dois continentes, que Portugal e Espanha
não tinham condições de explorar. Começou então nova corrida colonial de outras potên-
cias europeias, sobretudo as que haviam passado por uma transformação industrial, como
Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e Itália (ARRUDA; PILETTI, 1997, p.239).

Enquanto no colonialismo os europeus procuravam por metais preciosos e gêneros

tropicais20, no neocolonialismo os objetivos eram mais complexos. Obviamente, os

interesses econômicos foram, uma vez mais, preponderantes. Porém, fatores sociais,

políticos e culturais se juntaram a eles.

20 Outros fatores também influenciaram, como a expansão do cristianismo no contexto europeu da


Reforma Protestante, por exemplo.

42 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Dentre os principais objetivos das potências imperialistas, podemos destacar:

• Busca por fontes de matérias-primas, como carvão, ferro ou petróleo, além de


produtos alimentícios, a fim de abastecerem suas sociedades industrializadas;

• Estabelecimento de mercados consumidores para absorverem seus exceden-


tes industriais;

• Busca por novas áreas para a aplicação do capital disponível, por exemplo,
investimentos em estradas de ferro ou exploração de minas;

• Com o grande crescimento demográfico europeu nas décadas anteriores, tor-


nava-se necessária a obtenção de novas terras para aliviar as inchadas cida-

des europeias;
• Ter colônias significava ter portos de escala e abastecimento de navios mer-
cantis e militares;

• Quanto mais colônias, mais recursos (inclusive humanos) teriam os países


para a ampliação de suas forças armadas;

• Havia, ainda, a ação missionária, que buscava expandir o cristianismo e era


utilizada, de certa forma, como pretexto para a dominação.

O Imperialismo significou a expansão do capitalismo industrial e relaciona-se com a

consolidação do capitalismo monopolista21. A relação de domínio estabelecida po-

deria ocorrer de maneira direta ou indireta. A dominação direta, como o próprio termo

nos leva a entender, ocorria com a imposição militar e política europeia, com um país

europeu governando diretamente a região.

Já a dominação indireta, mais frequente, se dava por meio do controle dos mercados,

e não pelo controle político direto. Os Estados colonizados podiam manter um gover-

no nacional, e certa autonomia política. A exploração ocorria com a transferência de

empresas ou de capitais, pela utilização dos nativos como mão de obra (abundante e

21 Quando ocorreu a formação de grandes conglomerados econômicos que dominavam certos se-
tores produtivos, caracterizando um monopólio do setor.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 43
barata) e pela organização de uma estrutura produtiva que visava atender aos interes-

ses da potência dominadora.

Como vimos anteriormente, o neocolonialismo foi uma das muitas consequências da

Revolução Industrial iniciada na Inglaterra. Como a Inglaterra foi a pioneira na indus-

trialização, seguida pela França, foram esses dois países que se tornaram as principais

potências imperialistas. Mas Estados Unidos e Alemanha também merecem destaque.

[...] o ferro derramando-se em milhões de toneladas pelo mundo, estradas de ferro


contornando continentes, cabos submarinos atravessando o Atlântico, a construção do
Canal de Suez, as grandes cidades, como Chicago, surgidas do solo virgem do Meio
-Oeste americano, os imensos fluxos migratórios. Era o drama do poder europeu e
norte-americano, com o mundo a seus pés (HOBSBAWM, 2012, p.29).

Justificando seus atos, os europeus alegavam estar em uma “missão civilizadora”,

levando civilização a povos “primitivos”. Essa “missão”, chamada à época de fardo do

homem branco, era explicitada pelo poema homônimo de Rudyard Kypling22, onde os

europeus estariam se sacrificando para prestar um “favor” aos povos africanos e asi-

áticos. Todavia, a ideologia predominante nas justificativas europeias ficou conhecida

como darwinismo social23.

Em sua Origem das espécies, de 1859, Darwin consolida a ideia de evolução das es-

pécies por meio da seleção natural. O darwinismo social era uma espécie de adaptação

da teoria evolutiva às sociedades humanas. Assim, os europeus seriam as sociedades

mais evoluídas e, como na seleção natural darwinista, dominariam os menos evoluídos.

A “corrida” por colônia forçou uma negociação. Entre 1884 e 1885 realizou-se a Con-

ferência de Berlim, reunindo representantes das potências imperialistas para realiza-

rem a “partilha da África”. Mais de 90% das terras do continente foram dominadas. As

22 Rudyard Kypling (1865-1936) ganhou o Nobel de Literatura em 1907.


23 O termo Darwinismo Social só foi inventado em 1944, pelo historiador estadunidense Richard
Hofstadter (1916-1970).

44 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
divisões não levaram em consideração a diversidade cultural e histórica dos povos

africanos, não respeitando as fronteiras tradicionais das nações africanas. Essas vio-

lações deixaram traços que se refletem em mazelas atuais.

Muitas foram as reações dos povos colonizados. Merecem destaque: a Guerra do

Ópio (China, 1840-42); Guerra dos Cipaios (Índia, 1857); Rebelião dos Boxers (China,

1898-1900); e a Guerra dos Bôeres (África do Sul, 1899-1902). Todos esses conflitos

tiveram a vitória inglesa.

Estados Unidos e Japão


O Imperialismo norte-americano concentrou-se no Pacífico e, principalmente, na Amé-

rica Latina. Sua base ideológica era a Doutrina Monroe, anunciada por James Monroe

(1758-1831), presidente estadunidense entre 1817 e 1825. Sintetizada na frase “a

América para os americanos”, advertia os países europeus para não interferirem nos

assuntos do continente americano24.

No final do século XIX, mais especificamente em 1898, os Estados Unidos auxilia-

ram Cuba e Porto Rico a se emanciparem da Espanha. Pouco tempo depois, Porto

Rico foi anexado pelos EUA e Cuba foi obrigada a incluir uma emenda à sua Cons-

tituição, a Emenda Platt, que aceitava possíveis intervenções militares estaduniden-

ses em território cubano.

Mas a política intervencionista norte-americana tornou-se mais explícita com a Doutri-

na do Big Stick (“Grande Porrete”), na primeira década do século XX, sob o governo

de Theodore Roosevelt (1858-1919). Esse pensamento estabelecia o “direito” de o go-

verno americano intervir militarmente na América Latina para garantir seus interesses.

24 Como exemplo, os EUA foram o primeiro país a reconhecer a Independência do Brasil, já em 1824.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 45
Exemplo disso foi a construção do Canal do Panamá, em 191425. Na década de 1910,

o “grande porrete” foi sendo substituído pela “diplomacia do dólar” para comprar fa-

vores dos governos latino-americanos, facilitando o domínio desses mercados pelas

elites financeiras e industriais estadunidenses.

No caso japonês, o país foi lançado na Revolução Industrial por iniciativa estatal. A

partir de 1868, quando o jovem Imperador Mutsuhito (1857-1912) centralizou o po-

der e iniciou amplas reformas modernizadoras, colocando o país em condições de

competir com as potências imperialistas. O Estado, agente das reformas, construiu

estradas de ferro e instalou as primeiras fábricas. A liberdade comercial e industrial foi

instituída, bem como a permissão para a venda de terras. Já no final do século XIX, as

exportações de produtos industrializados superavam as de produtos agrícolas. Esse

intenso período de transformações ficou conhecido como Revolução Meiji.

As rápidas transformações japonesas levaram a adoção de uma politica expansionis-

ta. Como consequência, o Japão venceu a China (1895) e ocupou vastas áreas de

seu território; entre 1904 e 1905, guerreou com os russos, derrotando-os e ocupando

Port Arthur. Até 1910, dominaria ainda a Coreia e Taiwan.

Um novo reordenamento continental: a ascensão da Alemanha


A Alemanha, após sua unificação, no início da década de 1870, desenvolvia-se rapi-

damente. O desenvolvimento tecnológico, seus recursos naturais, sua posição central

na Europa, vários eram os fatores de seu crescimento. Com sua unificação, um novo

gigante surgia na Europa, ameaçando o antigo equilíbrio entre as potências.

O rápido crescimento econômico alemão ameaçava seriamente a supremacia inglesa.

25 O atual Panamá era parte do território colombiano. Os EUA financiaram a luta pela independência
da região para ali construírem o Canal, importante para sua economia por incrementar o comércio
entre suas costas Leste e Oeste.

46 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Militarmente, a Alemanha também evolui. Contando com os recursos de toda a Alema-

nha, o já poderoso exército prussiano é ampliado e modernizado, transformando-se o

mais poderoso do planeta.

Enquanto a Alemanha (e a Itália) ainda resolvia seus conflitos internos e alcançava

sua unificação, os demais países europeus, sobretudo, Inglaterra e França, domina-

vam colônias na África e na Ásia. Colônias essas que, como vimos anteriormente,

eram vitais para o funcionamento do sistema capitalista da época. Assim, tornava-se

preponderante para os alemães sua entrada na corrida imperialista, o que, é claro, a

colocava em rota de colisão com ingleses e franceses.

Desde sua unificação, a Alemanha não só cuidou do aumento do seu poder militar, organizan-
do o mais forte Exército do mundo, mas ainda do desenvolvimento de sua lavoura, indústria e
comércio. Visando a esse fim, planejara a ligação de Berlim a Bagdá por uma estrada de ferro,
estendo sua influência à Ásia Menor e às vizinhanças do Golfo Pérsico (Oriente Próximo), o
que não convinha aos interesses da Inglaterra, e da Rússia naquelas regiões. Assim, a luta
entre as potências pela conquista de mercados, a intensa rivalidade comercial, e o choque de
interesses, constituíam uma ameaça para a paz do mundo (RUESCAS, 2004, p.356).

Esses conflitos de interesses entre países europeus, causado pela rápida ascensão

alemã, mergulhou a Europa em um clima tenso e beligerante. Novas alianças eram

formadas, e os gastos militares das potências do continente se avolumavam. Os eu-

ropeus experimentavam a Paz Armada.

As potências europeias e a Paz Armada


A Guerra Franco-Prussiana terminara em 1871, com a vitória prussiana e a unificação

alemã. Desde então, a Europa vivia um clima de crescente tensão envolvendo seus

principais países. Entre 1871 e 1914, a Europa esteve em estado de vigilância per-

manente. Vários problemas eram uma ameaça à paz, e as rivalidades entre países

aumentava. Essas rivalidades eram, sobretudo, de três tipos:

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 47
• Rivalidades políticas, fortalecidas pela ascensão dos movimentos nacionalistas;
• Rivalidades econômicas, causadas pelas disputas capitalistas e pelo protecio-
nismo alfandegário;

• Rivalidades imperialistas, geradas pela concorrência por colônias.


A ascensão de movimentos nacionalistas ampliava o clima de tensão. Dentre os po-

vos eslavos, crescia a ideia do pan-eslavismo, que defendia a união de todos os

povos de origem eslava na Europa, sob a liderança da Rússia. Como o Império Aus-

tro-Húngaro anexara a Bósnia e a Herzegovina (que tinham população majoritaria-

mente eslava) em 1908, russos e austro-húngaros colocavam-se em cantos opostos

na diplomacia internacional. A Rússia, e outros países de população eslava, como

a Sérvia, incentivavam e financiavam nessas regiões movimentos independentistas,

muitos dos quais de luta armada26.

Entre os povos de origem germânica também havia um movimento semelhante, o

pan-germanismo. Liderado pela Alemanha, esperava formar a “Grande Alemanha”,

para abrigar esses povos.

Outro movimento nacionalista de grande repercussão era o chamado “revanchismo

francês”. Como vimos na Unidade I, após a vitória prussiana contra a França, em

1870, os franceses tiveram de ceder duas ricas regiões, a Alsácia e a Lorena, à Ale-

manha. O desejo de retomar tais territórios, além de reparar a humilhação que lhes

havia sido imposta, os franceses desejavam um “acerto de contas” com os alemães.

A tudo isso, soma-se ainda a insatisfação italiana com a divisão colonial imperialis-

ta. Nesse contexto conturbado, de rivalidades e disputas, dois grandes blocos de

países se formam:

• Tríplice Aliança: composta por Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália.

26 A Rússia via, ainda, a questão como uma possibilidade de estender seus domínios até os portos
do mar Mediterrâneo e suas ricas rotas comerciais.

48 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
• Tríplice Entente: composta por Inglaterra, França e Rússia.
Como a Alemanha situava-se entre os países da Entente – ingleses e franceses a

oeste, e russos a leste -, os alemães elaboram estratégias militares levando em con-

sideração uma guerra em duas frentes. Nesse sentido, o chefe do Estado-Maior ale-

mão, Alfred von Schlieffen (1833-1913), elabora o plano que leva seu nome.

O Plano Schlieffen preocupava-se com uma possível guerra com a Tríplice Entente.

Ele consistia em invadir a França (pela Bélgica), derrotando-a rapidamente. O nume-

roso Exército da Rússia levaria semanas para ser mobilizado e deslocado pelo seu

imenso território, segundo Schlieffen. Assim, era primordial derrotar os franceses an-

tes que os russos mobilizassem suas tropas.

A guerra quase teve início quando franceses e alemães disputaram a região do Marro-

cos, no Norte da África. Em 1906, uma conferência foi convocada para deliberar sobre

o tema. Realizada na cidade espanhola de Algeciras, decidiu pela soberania francesa

na região, enquanto aos alemães coube uma pequena faixa no sudoeste africano.

A Alemanha nunca se conformou com a decisão, e em 1911, a França cedeu parte de

seu território no Congo, para evitar uma guerra. Todavia, o problema fundamental que

levou à Grande Guerra foi a questão balcânica. Como vimos, o pan-eslavismo incitava

movimentos nacionalistas a lutarem pela expulsão dos austríacos da região da Bós-

nia-Herzegovina. Movimentos como a Jovem Bósnia, ligado à organização secreta

nacionalista Unidade ou Morte27, praticavam atos contra os austríacos. Um incidente


ligado a esse movimento serviria de estopim para a Primeira Guerra Mundial.

27 Também conhecida como “Mão Negra”.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 49
A Primeira Guerra Mundial
A Grande Guerra, como à época ficou conhecida a Primeira Guerra Mundial, foi o

primeiro conflito generalizado, que de uma maneira ou de outra, teve impactos sobre

todos os continentes, de forma mais ou menos sentida. Para alguns historiadores,

suas repercussões foram tamanhas, que uma nova ordem mundial se estabeleceu.

Politicamente, podemos afirmar que o século XX terminou em 1914. Os efeitos da Pri-


meira Guerra Mundial (1914-1918) foram tão drásticos que a partir de então se abre
outro momento da história. A Europa ocidental, enfraquecida pelo conflito, perdeu a
liderança econômica mundial para os Estados Unidos. Mas foi na Rússia que ocorreu
um fato que marcaria a história do mundo no século XX: a Revolução Russa, de 1917,
que em 1922 levou à criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (FURTA-
DO; VILLA, 1998, p.162).

Em termos geopolíticos, a Europa encontrava-se assim dividida em 1914:

Fonte: <https://profjosepsantos.wordpress.com/2012/05/21/consequencias-da-primeira-guerra-mundial/#jp-carou-
sel-348>. Acesso em: 22 mar. 2016

O clima tenso na região da Bósnia, sob domínio austríaco, levou o arquiduque Fran-

cisco Ferdinando (1863-1914), sobrinho do Imperador Francisco José I e herdeiro

50 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
do trono austro-húngaro, a realizar uma visita oficial à Sarajevo, capital da Bósnia,

em junho de 1914.

Os movimentos nacionalistas da região, apoiados pelo governo sérvio (que, por sua

vez, era ligado à Rússia), aproveitam a ocasião para tramar um atentado. Inicialmen-

te, atacaram a comitiva oficial de Ferdinando, composta por seis carros. Bombas fo-

ram atiradas, e muitos ficaram feridos. O arquiduque, entretanto, saiu ileso.

Após um tenso discurso, Ferdinando cancela sua agenda oficial e decide visitar os fe-

ridos no hospital. Temendo novos atentados, o trajeto foi revisto, evitando o centro da

cidade. Durante o percurso, um jovem estudante, então com 19 anos, de nome Gra-

vrilo Princip, encontrava-se em um estabelecimento comercial. Pertencente à Jovem

Bósnia, Princip lamentava-se pelo insucesso do atentado de horas antes (do qual ele

não havia participado), quando viu o carro de Ferdinando.

Decidido a não desperdiçar a oportunidade que lhe aparecera, Princip aproximou-se

do carro, sacou sua arma e disparou, acertando Francisco Ferdinando e sua esposa

Sofia, matando ambos.

O assassinato de seu herdeiro gerou reação imediata do Império Austro-Húngaro, que

acusou a Sérvia pelo atentado. Como a Sérvia contava com o apoio russo (que, por sua

vez, era aliada de ingleses e franceses) e os austríacos eram aliados da Alemanha, a cri-

se acionou a política de alianças, provocando uma reação em cadeia: em 28 de junho, a

Áustria declarou guerra à Sérvia; no dia seguinte, em demonstração de apoio aos sérvios,

a Rússia mobiliza suas tropas; no primeiro dia de agosto, a Alemanha declara guerra à

Rússia e, posteriormente, à França; em 4 de agosto, para invadir a França, tropas alemãs

e austríacas invadem a Bélgica; no dia seguinte, a Inglaterra declara guerra à Alemanha.

O alastramento do conflito levou outros países a apoiarem um ou outro bloco: a Itália,

que se mantivera neutra nos primeiros meses, aderiu à Entente em 1915, em troca de

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 51
promessas territoriais; o Japão, interessado nas possessões alemãs no Oriente, de-

clarou guerra à Alemanha no mesmo ano. Em 1916, Portugal e Romênia, e em 1917,

Brasil, Grécia, Estados Unidos e outros também aderiram à Entente.

A alemães e austríacos somaram-se os búlgaros e o Império Turco-Otomano, ambos

interessados em enfraquecer a Rússia, com quem tinham interesses divergentes.

No decorrer da guerra, portanto, os blocos de países assim ficaram constituídos:

• Potências Centrais: antiga Tríplice Aliança, era composta por Alemanha, Im-
pério Austro-Húngaro, Império Turco-Otomano e Bulgária.

• Aliados: antiga Tríplice Entente, formada por Inglaterra, França, Rússia (até
1918), Sérvia, Bélgica, Japão, Brasil, Estados Unidos, Romênia, Itália, Portu-

gal e Grécia.

Com a deflagração do conflito, os alemães colocam em prática o Plano Schlieffen28.


Invadem a Bélgica e avançam sobre território francês. Era a primeira fase da guer-

ra, conhecida como Guerra de Movimento (1914-1915). Os alemães avançavam, en-

quanto as tropas aliadas recuavam, até que, sob a liderança do General Joseph Joffre

(1852-1931), tomaram a ofensiva, às margens do rio Marne.

Na Primeira Batalha do Marne (6 a 12 de setembro de 1914), lutaram cerca de dois

milhões e meio de soldados. O número de baixas é estimado em cerca de 560 mil.

Como nenhum dos dois exércitos conseguia avançar sobre o outro, as tropas cava-

vam abrigos no chão para se protegerem. O Plano Schlieffen fracassara. A ideia de ra-

pidamente conquistar a rendição francesa, para então voltar-se contra o lento Exército

russo não se concretizou, e os alemães teriam de combater em duas frentes. Tinha

início a segunda fase da guerra.

28 O plano havia sido revisado e modificado pelo sucessor de Schlieffen no Estado-Maior alemão,
Helmuth von Moltke (1848-1916).

52 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Com a Guerra de Trincheiras (1915-1917), o conflito atinge seu período mais letal. As

péssimas condições a que os soldados eram submetidos nas trincheiras consumiam

milhões de vidas. Milhares morriam para conquistar alguns palmos de terra. A ofen-

siva anglo-francesa no Somme, em 1916, custou mais de 750 mil vidas. Os ataques

alemães a Verdun, mais 350 mil.

Um impasse perdurou durante mais de dois anos, com poucos avanços de ambos os la-

dos. Novos armamentos eram desenvolvidos ou adaptados, para suplantar as trinchei-

ras, como os tanques e os aviões. No mar, submarinos aterrorizavam as embarcações.

A terceira fase da guerra, ou Ofensivas de 1918, teve dois acontecimentos principais,

que definiram os destinos dos países envolvidos no conflito: a entrada dos Estados

Unidos na guerra, e a rendição russa.

No front oriental, os russos esforçavam-se para surpreender os alemães. Todavia,

suas numerosas tropas não estavam em igualdade de condições com as alemãs, no

que diz respeito a treinamento, equipamentos e disciplina. A Rússia não estava prepa-

rada para uma guerra moderna de longa duração. A participação russa no conflito foi

desastrosa, demonstrando a fragilidade de seu Exército. Em seu território, travaram-

se as principais batalhas do front oriental, e em 1917 a Rússia já havia perdido cerca

de 6 milhões de combatentes.

Os esforços russos para manter-se no conflito deterioravam ainda mais as já drásti-

cas condições de sua população. A impopularidade do regime czarista crescia, e se

fortaleciam os ideais socialistas. Assim, em 1917, estourou uma violenta revolução

de cunho socialista. O novo governo, que se estabeleceu em outubro daquele ano,

negociou com as Potências Centrais sua rendição.

Com a assinatura do Tratado de Brest-Litovski, em 3 de março de 1918, a Rússia

alcançou a paz. Todavia, a um custo elevadíssimo: os russos tiveram de ceder os

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 53
territórios da Finlândia, Polônia, Ucrânia, Bielorrússia e Países Bálticos (Estônia, Le-

tônia e Lituânia), além de Ardaham e Kars, distritos turcos sob seu domínio. Mais de

30% da população russa viviam nesses territórios, que continham ainda nove entre

dez de suas minas de carvão, e cerca de metade de suas indústrias.

Os alemães, que por terra tinham o melhor Exército, ainda tinham uma Marinha infe-

rior à britânica. Restava aos alemães o uso de submarinos. Para cortar as linhas de

abastecimento, seus submarinos atacavam também navios mercantis que levavam

produtos a seus inimigos.

O principal abastecedor dos aliados encontrava-se do outro lado do Atlântico: os Es-

tados Unidos. Até 1917, eles permaneceram neutros no conflito. Todavia, os aliados,

sobretudo, ingleses e franceses, contraíram enormes dívidas com os EUA durante o

conflito. Para garantir o retorno de seus investimentos, os norte-americanos precisa-

vam assegurar a vitória aliada.

Após dois navios norte-americanos serem afundados pela Marinha alemã, o presidente Tho-

mas Woodrow Wilson, anuncia a entrada estadunidense no conflito, ao lado dos aliados29.

A entrada dos Estados Unidos no conflito, com seu gigantesco poderio industrial e

econômico, desequilibraram as forças em guerra, a favor dos aliados. O desembarque

de mais de um milhão de soldados na Europa, em março de 1918 – quando as tropas

europeias encontravam-se exauridas – foram decisivas. Turcos, búlgaros e austríacos

haviam sido vencidos, e a Alemanha encontrava-se isolada. Sua população sofria os

efeitos do longo conflito:

Durante a Primeira Guerra Mundial, a fome foi um dos maiores problemas enfrentados
pelas populações das cidades alemãs. Leite, manteiga, batatas tornaram-se produtos
de luxo. Só eram encontrados no “mercado negro” e comprados apenas pelos ricos.

29 O Brasil também declara guerra à Alemanha após ter um navio afundado pelos alemães, o vapor
Paraná, em 5 de abril de 1917. A declaração de guerra ocorreu seis dias depois.

54 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Quando havia alimentos à venda, havia também racionamento. Cada pessoa só podia
comprar um ovo, 2,5 kg de batatas, 20 gramas de manteiga e até 190 gramas por sema-
na. A população pobre era a que mais sofria. Quase 200 mil pessoas entravam diaria-
mente em longas filas para conseguir comer um prato de sopa distribuído pelo Exército.
Como consequência da miséria, o roubo era inevitável. Roubavam-se desde roupas
até cães para matar a fome. Muitas crianças sobreviviam apenas com ralas sopas de
batatas ou com frutas que apanhavam nos quintais das casas. Com tanta fome, as
mortes não ocorriam apenas nos campos de batalha. A desnutrição tornava as pessoas
vulneráveis às doenças. A tuberculose, o tifo, a cólera e as epidemias de gripe também
mataram milhares de pessoas na Alemanha durante a guerra (RICHARD, 1988, p.13).

A derrota era iminente, e a população alemã, sacrificada pelos anos de guerra, re-

voltou-se contra Guilherme II. O kaiser exilou-se na Holanda. Era o fim do Segundo

Reich. A Alemanha viu-se forçada a pedir um armistício em 11 de novembro de 1918.

A Grande Guerra chegava ao fim, deixando um legado de destruição e traumas. Cerca

de 14 milhões de pessoas perderam suas vidas por causa da guerra, deixando ainda

um número quase duas vezes maior de inválidos.

A Revolução russa
A Rússia do início do século XX era um gigantesco império. Dominava terras da Euro-

pa até o Pacífico. Seu governo era uma monarquia absolutista, comandada pelo czar

Nicolau II. Não havia Constituição, e o governo controla a Igreja e a imprensa. Apoiado

pela Igreja Católica Ortodoxa e pela nobreza, governava um país atrasado economi-

camente em relação às potências europeias.

A Rússia era até então economicamente desprezível, embora observadores de larga


visão já previssem que seus vastos recursos, sua população e seu tamanho iriam, mais
cedo ou mais tarde, projetá-la mundialmente. As minas e as manufaturas criadas pelos
czares do século XVIII, tendo senhores ou mercadores feudais como empregadores, e
servos como operários, estavam declinando lentamente. As novas indústrias – fábricas
têxteis, domésticas de pequeno porte – somente começaram a apresentar uma expan-
são realmente digna de nota a partir de 1860 (HOBSBAWM, 2012, p.199).

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 55
Moscou e São Petersburgo eram as únicas cidades russas que podiam ser conside-

radas industrializadas. A economia era essencialmente agrária: com cerca de 80% da

população vivendo no campo, em terras pertencentes à nobreza. Uma pequena par-

cela de cerca de 1% da população compunha a classe privilegiada (nobreza, clero e

altos funcionários públicos), enquanto o restante sobrevivia em péssimas condições.

A fome e o analfabetismo atingiam a quase todos.

As desigualdades sociais geraram um campo fértil para a difusão das ideias de Karl Marx

e Friedrich Engels. O governo czarista tentou reprimir o avanço do ideário socialista, le-

vando os grupos de oposição à clandestinidade. Os operários não tinham direito a greve,

associação sindical ou liberdade de expressão. Todavia, o desejo por mudanças crescia.

Em dezembro de 1904, os trabalhadores da usina Putilov, de São Petersburgo, decidi-


ram elaborar um boletim de reivindicações [...]. Tais reivindicações foram rejeitadas pela
direção da empresa e seus assinantes demitidos. Em consequência, trabalhadores de
outras seções [...] solidarizaram-se com os demitidos, surgindo a ideia de elaborar uma
petição ao czar em nome dos trabalhadores da Rússia, que seria entregue no Palácio
de Inverno acompanhada de uma manifestação pública [...].

A 9 de janeiro de 1905, milhares de operários e suas famílias dirigiram-se ao Palácio de


Inverno. Os manifestantes foram metralhados à queima-roupa por milhares de solda-
dos. Durante três noites, trens repletos de cadáveres conduziam-nos aos bosques, para
enterrá-los em valas comuns às pressas (TRAGTENBERG, 2007, p.81).

O massacre de São Petersburgo, conhecido como Domingo Sangrento, levou à eclo-

são de revoltas por todo o país. A derrota russa frente aos japoneses (1904-1905)

também agravava a situação. O governo teve de ceder, instaurando a Duma (Parla-

mento que elaboraria uma Constituição). No entanto, a participação russa na Grande

Guerra tornou a situação insuportável.

O poder bélico alemão era extremamente superior, e dos cerca de 13 milhões de

russos mobilizados para o conflito, quase a metade pereceu. A guerra também

56 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
desestruturou a produção agrícola, levando a uma rebelião generalizada contra o

regime czarista.

Nesse contexto revolucionário, dois grupos se destacam, ambos defensores da ide-

ologia marxista. Os mencheviques (“representante da minoria”), e os bolcheviques

(“representantes da maioria”). Ambos queriam atingir um mesmo objetivo, mas as

condições socioeconômicas russas levavam a divergências entre ambos sobre como

atingirem tal objetivo (o Comunismo).

Segundo a ideologia marxista, quando uma sociedade tivesse consolidado o sistema

capitalismo, com um avançado desenvolvimento das forças produtivas, ela estaria

apta a fazer a revolução socialista. Porém, a Rússia estava longe de oferecer tais

condições. Assim, os mencheviques acreditavam que, antes, seria necessário atingir

a plenitude capitalista, fortalecendo o movimento operário, que chegaria ao poder

(gradativamente) por meio de alianças com a burguesia. Seus principais líderes foram

Julius Martov (1873-1923) e Georgi Plekhanov (1856-1918).

Os bolcheviques, liderados por Vladimir Ilyich Lênin (1870-1924) e Leon Trotsky (1879-

1940) eram mais radicais, defendendo uma transição direta para o socialismo. Eram

favoráveis à luta revolucionária para atingirem a “ditadura do proletariado”.

O agravamento da situação fez o czar renunciar em fevereiro de 1917, sendo substi-

tuído por um governo provisório liderado pela Duma. Era a Revolução de Fevereiro.

O novo governo, concentrado principalmente nas mãos dos mencheviques promoveu

mudanças: redução da jornada de trabalho (de 12 para 8 horas); anistia aos presos

políticos e exilados; e garantia dos direitos a greve, expressão e associação. Todavia, a

Rússia permanecia na Primeira Guerra Mundial, e a situação social continuava grave.

Retornando do exílio, Lênin proferiu suas célebres Teses de Abril, e sob o lema “Paz,

Pão e Terra”, os revolucionários bolcheviques, contando com amplo apoio popular,

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 57
conquistaram o poder na Revolução de Outubro. O governo bolchevique adotou, de

imediato, medidas de grande impacto: a retirada russa da Grande Guerra; confisco

das terras da nobreza e da Igreja (e sua divisão e distribuição aos camponeses); e a

nacionalização de empresas e serviços.

A reação da elite russa às ações bolcheviques não tardou, e a Rússia, que há pouco

saíra da Grande Guerra, mergulhava em uma violenta guerra civil. Lênin adotou uma

política que ficou conhecida como Comunismo de Guerra, centralizando o governo,

suprimindo liberdades e proibindo partidos políticos. O czar e sua família foram mor-

tos. Em 1921, sob a liderança de Trotsky, o Exército Vermelho saiu vitorioso, e os

bolcheviques consolidaram seu poder.

Terminada a guerra, Lênin adotou a Nova Política Econômica (NEP), a fim de recupe-

rar economicamente a Rússia. “Um passo atrás, para dar dois passos à frente”, como

ele a teria definido. Essa política consistia no restabelecimento de algumas práticas

capitalistas, como a liberdade de comércio interno, a instalação de pequenas empre-

sas privadas e empréstimos de capital estrangeiro. Sistema financeiro, comunicação,

transportes e indústrias de base permaneceriam sob controle estatal. A ideia era im-

pulsionar a economia para, então, socializar os resultados.

Em 1922, o Partido Bolchevique passou por uma mudança, chamando-se a partir de

então Partido Comunista. Josef Stálin (1878-1953) foi conduzido ao cargo de Secre-

tário-Geral. No mesmo ano, outros países aderiram à Rússia, e foi criada a União das

Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S.).

Em 1923, Lênin adoeceu, falecendo no ano seguinte. Stálin assume o governo, embo-

ra para muitos o sucessor natural de Lênin seria Trotsky. O regime stalinista se esten-

deria por quase 30 anos, tendo papel preponderante nos acontecimentos mundiais.

Se por um lado levou a Rússia a um desenvolvimento gigantesco, por outro, foi um

dos regimes mais brutais e cruéis da história. Mas isso é assunto para a Unidade III.

58 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
PrÉ-reQuisitOs Para a cOmPreensÃO da unidade

• Saber diferenciar o Imperialismo, ou Neocolonialismo, ocorrido, principalmen-

te, nos séculos XIX e XX, do Colonialismo, que teve seu apogeu entre os

séculos XVI e XVIII.

• Compreender o contexto da Paz Armada na Europa.

• Contextualizar a situação europeia no início do século XX, e as disputas e

rivalidades entre os países europeus que levaram à ocorrência da Primeira

Grande Guerra.

• Relacionar a ascensão econômica e militar da Alemanha com a eclosão da

Grande Guerra.
• Entender a situação social e econômica russa durante a Primeira Guerra Mun-

dial, relacionando-a com a Revolução de 1917.

atividades Para cOmPreensÃO dO cOnteÚdO


1) “[...] Nós conquistamos a África pelas armas...temos direito de nos glorificarmos, pois

após ter destruído a pirataria no Mediterrâneo, cuja existência no século XIX é uma

vergonha para a Europa inteira, agora temos outra missão não menos meritória, de

fazer penetrar a civilização num continente que ficou para trás...” (“Da influência civi-

lizadora das ciências aplicadas às artes e às indústrias”. Revue Scientifique, 1889).

A partir da citação acima e de seus conhecimentos acerca do tema, examine as afir-

mativas abaixo:

I. A ideia de levar a civilização aos povos considerados bárbaros estava presen-

te no discurso dos que defendiam a política imperialista.

II. Aquela não era a primeira vez que o continente africano era alvo dos interes-

ses europeus.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 59
III. Uma das preocupações dos países, como a França, que participavam da ex-

pansão imperialista, era justificar a ocupação dos territórios apresentando os

melhoramentos materiais que beneficiariam as populações nativas.

IV. Para os editores da Revue Scientifique (Revista Científica), civilizar consistia

em retirar o continente africano da condição de atraso em relação à Europa.

Assinale a alternativa correta:

a) Somente a afirmativa IV está correta.

b) Somente as afirmativas II e IV estão corretas.

c) Somente as afirmativas I e III estão corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas.

e) Todas as afirmativas estão corretas.

2) Os Estados Unidos emergiram como grande potência econômica mundial após a

Primeira Guerra Mundial por que:

a) Apoiou a Alemanha, com o objetivo de enfraquecer a Inglaterra.

b) Liderou a criação da ONU (Organização das Nações Unidas).

c) Fortaleceu sua economia ao fornecer equipamentos e suprimentos à Entente, en-

quanto as potências europeias tiveram suas economias arrasadas após o conflito.

d) Apresentou as propostas do Tratado de Versalhes, para enfraquecer a Alema-

nha, a grande potência industrial do início do século.


e) Se manteve afastado do conflito direto com as potências europeias, concen-

trando seus esforços no desenvolvimento interno.

3) Considerando a influência do Imperialismo no contexto da Primeira Guerra (1914-

1918), podemos apontar que são fatores que o justificam, EXCETO:

60 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
a) A necessidade de controlar regiões produtoras de matérias-primas essenciais

à indústria capitalista.

b) A ideologia da superioridade racial dos povos europeus que levariam aos “po-

vos atrasados” os benefícios da civilização superior.

c) A conquista de pontos estratégicos para defesa de colônias existentes ou da

própria metrópole.

d) A necessidade de exportar capitais para áreas pobres do mundo, no sentido de

ajudá-las a superar seu atraso econômico.

e) A retração dos mercados europeus, após a crise que impulsionou a Europa e

EUA a buscar mercados consumidores.

4) (VUNESP) Ao final do século XIX, a dominação e a espoliação assumiram carac-

terísticas novas nas áreas partilhadas e neocolonizadas. A crença no progresso, o

darwinismo social e a pretensa superioridade do homem branco marcaram o auge

da hegemonia europeia. Assinale a alternativa que encerra, no plano ideológico,

certo esforço para justificar interesses imperialistas:

a) A humilhação sofrida pela China, durante um século e meio, era algo inimagi-

nável para os ocidentais.

b) A civilização deve ser imposta aos países e raças onde ela não pode nascer

espontaneamente.
c) A invasão de tecidos de algodão do Lancashire desferiu sério golpe no artesa-

nato indiano.

d) A diplomacia do canhão e do fuzil, a ação dos missionários e dos viajantes

naturalistas contribuíram para quebrar a resistência cultural das populações

africanas, asiáticas e latino-americanas.

e) O mapa das comunicações nos ensina: as estradas de ferro colocavam os por-

tos das áreas colonizadas em contato com o mundo exterior.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 61
5) (PUCCAMP) A Revolução Socialista na Rússia, em 1917, foi um dos acontecimen-

tos mais significativos do século XX, uma vez que colocou em xeque a ordem so-

cioeconômica capitalista. Sobre o desencadeamento do processo revolucionário,

é correto afirmar que:

a) Os mencheviques tiveram um papel fundamental no processo revolucionário

por defenderem a implantação da ditadura do proletariado.

b) Os bolcheviques representavam a ala mais conservadora dos socialistas, sen-

do derrotados, pelos mencheviques, nas jornadas de outubro.

c) Foi realimentado pela participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, o

que desencadeou uma série de greves e revoltas populares em razão da crise

de abastecimento de alimentos.
d) Foi liderada por Stalin, a partir de outubro, que estabeleceu a tese da necessidade

da revolução em um só país, em oposição a Trotsky, líder do exército vermelho.

e) O Partido Comunista conseguiu superar os conflitos que existiam no seu inte-

rior quando estabeleceu a Nova Política Econômica que representava os inte-

resses dos setores mais conservadores.

artiGOs, sites e LINKS


Caro(a) Aluno(a),

Vamos agora disponibilizar para você alguns artigos e links, mediante sites na inter-

net, para que possas acessar e realizar estudos sobre assuntos ligados aos temas da

Unidade II. Não deixe de aproveitar a oportunidade.

Artigos

CARDOSO, Leandro G. A aviação de combate na Primeira Guerra Mundial. Dispo-

nível em: <http://sistemasdearmas.com.br/ca/Aviacao1GM.pdf>.

62 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
MARQUES, Elionay Rodrigues. A Primeira Guerra Mundial nas lembranças de

Emma Hatzky. Disponível em: <http://www.erh2014.pr.anpuh.org/anais/2014/358.pdf>.

Sites

<http://www.historiapensante.blogspot.com>.

<http://revistaculturacidadania.blogspot.com.br>.

Filmes recOmendadOs
Na unidade II, você estudou sobre a Primeira Guerra Mundial. Um filme interessante

que aborda a participação estadunidense no conflito é: O último batalhão.

Título original: The Lost Batalion

Gênero: Ação / Drama / Guerra

Lançamento: 2001

Duração: 92 min.

País: Estados Unidos / Luxemburgo

Direção: Russel Malcahy

Sinopse: O último batalhão é uma história verídica do feito de uma companhia de

guerra norte-americana, na sua maioria composta de imigrantes irlandeses, italia-

nos, poloneses, todos de Nova York, liderados pelo major Charles Whittlessey, um

civil convocado para a guerra. Cercado pelas tropas inimigas, ao batalhão foram

dadas 2 opções pelo exercito alemão: rendição ou morte. O batalhão escolheu

uma terceira inimaginável. Sem número suficiente de soldados e sem recursos e

comunicação, lutando contra todas as dificuldades, os sobreviventes conseguiram

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 63
escapar de uma situação onde tudo parecia impossível. O Major, sem experiência

de guerra, foi condecorado pelo congresso com a medalha de honra dedicada aos

grandes heróis da vida real.

Fonte: Cinema10 – <http://www. http://cinema10.com.br/filme/o-ultimo-batalhao>.

Acesso em: 17 jan. 2016.

PrOPOsta Para discussÃO ON-LINE


Caro(a) Acadêmico(a),

Para melhorar sua compreensão do conteúdo, compartilhe com seus colegas e pro-

fessor tutor as suas conclusões. Acesse nossa plataforma de ensino-aprendizagem e

participe dos Fóruns de discussão. Listamos abaixo algumas questões para fomentar

as suas discussões.

1. Várias foram as justificativas do “mundo civilizado” para o Imperialismo. Ideias de

superioridade racial e social eram bastante presentes. Em sua opinião, existem

civilizações mais avançadas que outras? É possível comparar a evolução das

sociedades, ou cada uma evolui de uma maneira diferente? Reflita a respeito.

2. O Imperialismo representou o domínio – direto ou indireto – dos países indus-

trializados sobre os demais. Economia, política e cultura eram fortemente in-

fluenciadas e, geralmente, direcionadas segundo seus interesses. Seu apogeu

se estendeu de meados do século XIX a meados do século seguinte. E hoje em

dia, podemos falar que, de certa maneira, ele permanece? Se sim, exemplifique.
3. O evento que fez com que eclodisse a Primeira Guerra Mundial foi o atentado

contra o príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, o Arquiduque Francisco

Ferdinando. Em sua opinião, caso o atentado não se concretizasse, teria ocor-

rido a Grande Guerra?

64 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
UNIDADE III – AS DÉCADAS DE CRISE

Objetivos a serem alcançados nesta unidade


Prezado(a) Acadêmico(a), ao terminar os estudos desta unidade, você deverá ser

capaz de:

• Compreender a nova ordem mundial estabelecida após a Primeira Guerra

Mundial.

• Analisar a conjuntura econômica que causou a Quebra da Bolsa de Valores


de Nova Iorque e a Grande Depressão.
• Entender como o Tratado de Versalhes e a Crise de 1929 influenciaram na
ascensão de regimes fascistas na Europa.

• Explicar a ascensão do Totalitarismo na União Soviética, na Itália e na Alemanha.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 65
O FIM DA PRIMEIRA GUERRA E O TRATADO DE VERSALHES
Para os padrões da época (e para os de qualquer outro período), o saldo da Primeira

Guerra Mundial foi catastrófico: estima-se em cerca de 60 milhões o número de com-

batentes, dos quais metade morreu ou ficou gravemente ferido. A destruição dos paí-

ses envolvidos foi gigantesca. Suas economias ficaram arruinadas. A desestruturação

da produção – agrícola e industrial – provocou fome e crise econômica. As sequelas

do conflito ainda se estenderiam por anos.

Há que se lembrar, ainda, o grande trauma provocado pelo conflito entre a população

europeia. A Europa convivia com guerras desde os tempos antigos. Todavia, o número

de mortos não mais se contava às centenas ou milhares, e sim em milhões. As novas

tecnologias tornaram o conflito muito mais mortífero que os antecessores. A difusão

cada vez maior da imprensa escrita e, sobretudo, a difusão da fotografia, aproxima-

vam os horrores da guerra da população civil.

Antes mesmo do término do conflito, os Aliados começavam a arquitetar a Europa

pós-guerra. Uma proposta de tratado de paz foi apresentada pelo presidente norte

-americano, Thomas Woodrow Wilson (1856-1924), baseada em 14 pontos funda-

mentais, razão pela qual ficou conhecida como os “14 pontos de Wilson”. Sua ideia

principal era a de uma “paz sem vencedores”, ou seja, a culpa e as consequências do

conflito deveriam ser partilhadas entre os países envolvidos. Todavia, ingleses e fran-

ceses pressionaram contra: após anos de guerra, que alimentaram as já profundas

rivalidades de ambos com a Alemanha, eles viam seus inimigos derrotados como os

grandes culpados pela guerra.

Para negociar os termos da rendição alemã, vários países reuniram-se em Ver-

salhes, na França. Assim, em abril de 1919, surgia a Liga (ou Sociedade) das

Nações, organização supranacional que é o “embrião” da atual Organização das

Nações Unidas (ONU).

66 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
A organização da Sociedade das Nações era assim dividida:

• Assembleia Geral: composta por todos os Estados-membros;


• Conselho: composto por treze membros, dos quais cinco (França, Inglaterra,
Estados Unidos, Japão e Itália) eram permanentes. O Conselho deveria reu-

nir-se três vezes por ano;

• Corte Internacional de Justiça: com sede em Haia (Holanda), era um tribunal


de arbitragem internacional;

• Escritório Internacional do Trabalho: tinha sede em Genebra, na Suíça;


• Secretário-Geral: com funções administrativas, seria eleito pelos países-membros.
Diante da imposição anglo-francesa, os Aliados impõem aos alemães o Tratado de

Versalhes, assinado em território francês a 28 de junho de 1919 e ratificado pela Liga

das Nações em janeiro do ano seguinte. O Tratado era pesadíssimo, depositando

quase toda a culpa pelo conflito sobre os alemães, que, dessa forma, sofreria drásti-

cas sanções, bem como arcaria com pesadas indenizações.

Impôs-se à Alemanha uma paz punitiva, justificada pelo argumento de que o Estado é o
único responsável pela guerra e todas as suas consequências (a cláusula da “culpa de
guerra”), para mantê-la permanentemente enfraquecida. Isso foi conseguido não tanto
por perdas territoriais [...]; essa paz punitiva foi, na realidade, assegurada privando-se
a Alemanha de uma marinha e uma força aérea efetiva; limitando-se seu exército a 100
mil homens; impondo-se “reparações” (pagamentos dos custos da guerra incorridos
pelos vitoriosos) teoricamente infinitas; pela ocupação militar de parte da Alemanha Oci-
dental; e, não menos, privando-se a Alemanha de todas as suas colônias no ultramar
(HOBSBAWM, 2012, p.43).

Dentre as principais determinações de Versalhes, podemos destacar:

• O artigo 231 do Tratado, a “cláusula da culpa”, responsabilizava quase que


unicamente a Alemanha pelo conflito;

• A Alemanha cederia todas as terras conquistadas no conflito;


• A Alsácia-Lorena seria devolvida aos franceses;

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 67
• Os territórios coloniais alemães seriam divididos entre os vencedores;
• Uma pesada indenização deveria ser paga pelos alemães para reparar os

gastos do conflito (269 bilhões de marcos);

• A Alemanha deveria reconhecer a criação dos Estados da Polônia30 e da Letônia.

Quanto às Forças Armadas alemãs, o Tratado determinava:

• Extinção de sua Força Aérea (Luftwaffe);


• Marinha limitada a 15 mil marinheiros, seis navios de guerra e seis cruzadores;
• Exército reduzido a 100 mil soldados;
• Proibição de fabricação de tanques e armamentos pesados.
Podemos, portanto, dividir as cláusulas do Tratado de Versalhes em três grupos: as

cláusulas territoriais (perda de territórios pela Alemanha e a criação de novos países);

cláusulas financeiras (as indenizações a serem pagas); e as cláusulas militares (limi-

tação das Forças Armadas alemãs).

Assim, o Tratado punia a Alemanha, e buscava impedir que ela pudesse, no futuro,

ameaçar novamente o equilíbrio europeu e paz mundial. O mapa político europeu

foi redesenhado.

30 Também tinham de aceitar a criação do “corredor polonês”, uma estreita faixa de terra que atra-
vessava o território alemão, dando à Polônia uma saída para o mar pelo porto de Dantzig. Esta
cidade foi considerada “Cidade Livre de Dantzig”, sendo administrada pela Liga das Nações.

68 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
A Europa após a Grande Guerra

Fonte: <https://profjosepsantos.wordpress.com/2012/05/21/consequencias-da-primeira-guerra-mundial/#jp-carou-
sel-349>. Acesso em: 22 mar. 2016

O término do conflito na Europa representou, por um lado, um alívio, trazendo paz após anos

de conflito; por outro, emergia uma tarefa urgente: reconstruir o que a guerra havia destruído.

A economia dos países envolvidos encontrava-se profundamente debilitada. Nos

anos de guerra, a produção agrícola diminuiu significativamente, e os setores indus-

triais voltaram-se para atender as necessidades do conflito. Assim, a importação de

produtos de outros países aumentou gradativamente, desequilibrando as balanças

comerciais dos países europeus, gerando dívidas (principalmente com os Estados

Unidos). Nesse contexto, de destruição, fome, desemprego e crise econômica, as

revoltas populares eram constantes.

Vultosos empréstimos estadunidenses possibilitaram a retomada econômica de al-

guns países europeus. Assim, em meados da década de 1920, Inglaterra e França,

por exemplo, já se estabilizavam. Na Alemanha, contudo, a situação era diferente.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 69
Ao final da guerra, o Segundo Reich foi derrubado. Com a queda do sistema monár-

quico, iniciava-se um regime republicano. Além da reconstrução do país, os alemães

precisavam arcar com as pesadas cláusulas do Tratado de Versalhes. Esse regime

republicano alemão ficaria conhecido como “República de Weimar31”.

Em razão das dificuldades alemãs, muitos criticavam essa forma de governo que,

segundo muitos, acatava as “humilhações” impostas à Alemanha. Considerado fraco

por grande parte da população, a República de Weimar se estenderia até 1933, sendo

interrompida pela ascensão de Hitler e seu regime nazista ao poder alemão.

A partir de 1924, os Estados Unidos entraram em cena, emprestando seus dólares e

participando da elaboração de um plano para a recuperação da economia alemã. De

fato, a Alemanha apresenta boa recuperação econômica na segunda metade da dé-

cada de 1920. Porém, essa recuperação seria interrompida pela maior crise pela qual

o sistema capitalista já passou: a Crise de 1929 e sua Grande Depressão.

A década de 1920, portanto, representou, para os europeus, a reconstrução de seus pa-

íses. Enquanto isso, os Estados Unidos tornavam-se a maior potência econômica mun-

dial. Os anos 1920 são chamados nos Estados Unidos de os “Anos Felizes”. Um grande

clima de prosperidade tomava conta do país, e o crescimento econômico garantia esse

clima. A taxa de desemprego era baixíssima, e os salários estavam em fase de aumento.

Para atender à demanda crescente – tanto interna como externamente -, produzir se

tornou a palavra-chave. Nos anos 1920, a produção industrial americana representa-

va quase 50% do total produzido no planeta. O modelo industrial norte-americano, e

que se difundiu pelo mundo era o fordismo (ver Unidade I).

Inicialmente aplicado na indústria automobilística (uma das principais nos Estados

Unidos dos anos 1920), o fordismo caracterizava-se pela introdução das linhas de

31 Recebeu esse nome pelo fato de a capital ter sido transferida para a cidade de Weimar.

70 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
montagem, fixando os trabalhadores em seus postos de trabalho, enquanto as pe-

ças necessárias à produção chegavam a eles trazidos por esteiras. A divisão de tra-

balho era exacerbada. Esse processo reduziu drasticamente o tempo de produção,

diminuiu a quantidade de trabalhadores necessária ao processo produtivo, barateou

preços e elevou o consumo.

Com tanta produção, era necessário elevar o consumo. Assim, crescia nos Estados

Unidos um novo estilo de vida, baseado no consumismo. A ideia predominante era

a de que, para viver bem, era necessário possuir itens da última moda e novidades

tecnológicas, desde roupas, bicicletas e rádios, até carros e casas. Os bancos e o

governo ofereciam fácil acesso ao crédito, mantendo o consumo em níveis elevados.

Com o novo papel que os Estados Unidos ocupavam no cenário mundial, esse estilo

de vida foi difundido para outros países. Esse comportamento seria o precursor do

American Way of Life (“estilo de vida americano”).

O FIM DOS GRANDES IMPÉRIOS: ÁUSTRIA, RÚSSIA E TURQUIA


Tratados complementares foram assinados com as demais potências derrotadas no conflito:

• Áustria: pelo Tratado de Saint-Germain (1919), reconhecia a independência


da Hungria, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Regiões antes sob domí-

nio austríaco tornaram-se possessões italianas.


• Bulgária: perdeu territórios para a Romênia (que recebeu a região de Dobrud-
ja), para a Grécia (recebeu a Trácia Ocidental) e para a Iugoslávia (recebeu a

Macedônia Ocidental).

• Hungria: pelo Tratado de Trianon (1920), perdeu a Eslováquia, passada para


a recém-criada Tchecoslováquia. A Croácia passou para a Iugoslávia; a Tran-

silvânia, para a Romênia.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 71
• Turquia: o Tratado de Sèvres (1920) determinou a independência da Armênia,
e parte do território turco passaria a ser grego. Os franceses controlariam a

Síria; os ingleses, a Palestina e a Mesopotâmia.

O outrora poderoso Império Austro-Húngaro tornava-se um Estado pequeno, com um

terço de sua população concentrada em sua capital, Viena. Já o Império Turco-Oto-

mano, um dos maiores do mundo por séculos, também tinha seu território drastica-

mente reduzido.

Na Turquia, uma rebelião liderada por Mustafá Kemal (1881-1938) pôs fim ao Império,

instituindo um regime republicano de governo. Os turcos reconquistaram, entre 1921

e 1922, a Armênia e os territórios cedidos aos gregos, obrigando a revisão do Tratado

de Sèvres. Pelo Tratado de Lausanne (1923), os turcos conservaram o controle sob

os territórios reconquistados.

Na Rússia, a Grande Guerra agravou os problemas econômicos e sociais, levando à

queda do regime czarista (como vimos na Unidade II). Era o fim do Império Russo.

Com o estabelecimento do governo bolchevique, a partir de outubro de 1917, violenta

guerra civil teve início, com vitória dos partidários de Lênin e Trotsky em 1921.

A saída da Rússia da Grande Guerra, ratificada pela assinatura do Tratado de Bres-

t-Litovski, fez com que os russos perdessem vastos territórios. Outras regiões des-

membraram-se durante a Guerra Civil. Com a vitória bolchevique, muitos desses Es-

tados foram reincorporados à nova República Socialista Soviética Russa. Dois anos

mais tarde, em 1924, a nova Constituição ratificou a criação da União das Repúblicas

Socialistas Soviéticas (U.R.S.S.).

Após a morte do grande líder da revolução, Lênin, uma disputa se abriu pela

sua sucessão. Leon Trotsky e Josef Stalin tinham propostas divergentes sobre a

condução da revolução.

72 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Trotsky defendia a “revolução permanente”, ou seja, a internacionalização da revolu-

ção. A seu ver, a única chance de sucesso do Socialismo seria converter-se em uma

revolução global.

Já Stalin defendia o “socialismo em um só país”: o socialismo deveria ser consolidado

na Rússia, o que lhe transformaria em uma potência capaz de se defender sozinha (e,

então, se preocupar em difundir a revolução).

Como estudado na Unidade anterior, Stalin vence a disputa e assume o comando

da URSS. Durante seu governo (1924-1953), criou um gigantesco sistema de re-

pressão contra toda oposição. A burocratização do Partido Comunista deu a Stalin

o poder de um ditador.

Os bolcheviques consideravam Stalin um bom administrador e um intelectual medí-


ocre. Em sua luta pelo controle da máquina partidária, que na realidade significava o
controle do governo e, por meio dele, o domínio do país, Stalin revelou, porém, uma
argúcia que confundiu e finalmente destruiu seus adversários mais brilhantes. Eleito
secretário-geral do Comitê Central, em 1922, Stalin organizou a hierarquia partidária
com homens de sua confiança e manobrou com habilidade as ambições conflitantes
dos opositores, na luta pelo poder que se iniciou durante a enfermidade de Lênin e
prosseguiu depois de sua morte. Apesar de só ter exercido função pública depois de
1941, quando substituiu Viatcheslav Molotov na chefia do governo, Stalin consolidou
sua posição e emergiu como líder absoluto do regime, logo depois da morte de Lênin
(RUESCAS, 2004, pp.382-383).

Para fortalecer seu poder pessoal, Stalin promoveu inúmeras perseguições a todos

que, a seu ver, eram – ou poderiam vir a ser – ameaças a seu poderio. O “Grande

Expurgo”, realizado sobretudo na década de 1930, voltou-se inclusive a antigos com-

panheiros de Lenin que, com ele, tomaram o poder em 1917, como Rikov, Zinoviev e

Bukharin. Mas o caso mais emblemático foi o de Leon Trotsky.

Grande parceiro de Lenin no contexto revolucionário, Trotsky foi figura fundamental

da Revolução Russa. Além de tomar o poder ao lado de Lenin, foi o comandante do

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 73
Exército Vermelho na Guerra Civil, percorrendo os campos de batalha a bordo de um

trem blindado. Vencido o conflito, Trotsky, um renomado intelectual, foi nomeado Co-

missário do Povo (Ministro) para as Relações Exteriores. Era uma espécie de herói

nacional, e sucessor natural de Lenin.

Controlando o Partido Comunista, Stalin exonerou Trotsky de suas funções no gover-

no. Depois, Trotsky foi exilado, obrigado a abandonar a URSS. Anos mais tarde, em

1940, Leon Trotsky foi assassinado, no México, por um assassino enviado por Stalin.

No âmbito econômico, Stalin substituiu a NEP – Nova Política Econômica – criada por

Lenin pelos “Planos Quinquenais”. Tratava-se de uma planificação da economia, esti-

pulando metas a serem atingidas a cada cinco anos. Em 1939, dois planos quinque-

nais já haviam sido aplicados, ambos com esforços de expansão da indústria pesada.

A coletivização forçada da agricultura resultou na extinção das pequenas e médias

propriedades que haviam sido autorizadas pela NEP. Foram instaladas as kholkozes,

cooperativas cuja produção (mas não a terra) pertencia aos trabalhadores, e os so-

vkhozes, grandes propriedades estatais. Estima-se que mais de um milhão de traba-

lhadores soviéticos morreram nas obras ou nos processos de coletivização forçada.

O regime stalinista foi brutal com seu povo; todavia, levou a URSS a um desenvolvi-

mento industrial gigantesco. Quando assumiu, em 1924, Stalin herdou um país atra-

sado. Quando morreu, em 1953, deixava uma potência nuclear que exercia sua influ-

ência sobre quase metade do planeta. “Os fins justificam os meios”?

A Crise de 1929
Como vimos no início dessa Unidade, os anos 1920 foram de reconstrução e re-

cuperação na Europa, e de bonança nos Estados Unidos. Beneficiados econômica

e politicamente pelo conflito, os norte-americanos ampliam sua influência mundial

74 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
e sua economia apresenta um crescimento vertiginoso, alçando-os à condição de

principal potência mundial.

A prosperidade econômica gerou o American Way of Life, baseado em uma sociedade e

economia apoiadas no consumo. Na Europa, com sua produção industrial profundamen-

te abalada pelos anos de guerra, a importação de produtos estadunidenses era maciça.

O clima otimista e próspero dos Estados Unidos aqueceu sobremaneira o mercado

acionário. Grande parte da população investia em Wall Street32. Tamanho era o otimis-

mo que os riscos dos investimentos em ações – hoje, sabidamente, um mercado mar-

cado pela volatilidade – pareciam inexistentes. As empresas apresentavam balanços

que confirmavam esse sentimento.

Vimos, ainda, que o modelo de racionalização do processo produtivo introduzido por

Henry Ford na indústria automobilística se difundiu rapidamente a outros setores pro-

dutivos, com um único objetivo: produzir cada vez mais.

Podemos afirmar, portanto, que a economia norte-americana, a mais poderosa e in-

fluente do mundo (posição que mantem ainda atualmente), baseava-se, no mercado

interno, no amplo consumo estimulado por empresas e governo; e, no âmbito externo,

nas exportações, sobretudo, à Europa.

Entretanto, a partir da segunda metade da década de 1920, as economias europeias

começavam a se recuperar. Seus polos industriais se reorganizaram, e políticas pro-

tecionistas eram instituídas a fim de proteger a economia nacional e reduzir as impor-

tações. Todavia, as indústrias continuavam produzindo cada vez mais. A produção

antes exportada, agora saturava o mercado interno.

O clima quase eufórico da primeira metade daquela década impediu que os sinais

da crise fossem notados. E o governo, pautado por uma ideologia liberal, baseada

32 Rua onde está localizada a Bolsa de Valores de Nova Iorque (EUA).

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 75
nas ideias de Adam Smith (como vimos na Unidade I, defendia uma economia com o

mínimo de intervenção estatal) e, portanto, não interferia na economia, que era “con-

trolada” pelas próprias empresas.

Muitas das empresas, que antes publicavam dados – reais – demonstrando sua pros-

peridade, estimulando a valorização de suas ações, agora omitiam dados negativos,

ou até fraudavam seus balanços, temendo suas desvalorização.

Como o crédito era facilitado, tanto para pessoas físicas como para jurídicas, com a

queda nas vendas muitos produtores rurais, donos de empresas e a população em

geral, encontravam dificuldades para arcar com suas dívidas.

Assim, em outubro de 1929, investidores começaram a tentar vender suas ações,

fazendo com que seus valores oscilassem muito. Com essas oscilações, mais e mais

pessoas, temendo uma desvalorização maior, colocavam suas ações à venda. Mui-

tas empresas encontravam-se, então, à beira da falência. No dia 24 daquele mês,

uma quinta-feira, houve uma “corrida” à Bolsa, com os investidores, percebendo a

desvalorização de suas ações, tentando negociar suas ações a qualquer preço, mas

não havia compradores. Era o crash (quebra) da Bolsa de Valores de Nova Iorque,

ocorrido na “quinta-feira negra”.

O colapso da Bolsa provocou uma reação em cadeia, derrubando a economia de paí-

ses em todos os continentes. Os Estados Unidos diminuíram suas importações (como

de café, o que teve drásticos impactos sobre a economia brasileira); a concessão de

empréstimos foi interrompida, e os países devedores passaram a ser pressionados

para saldar suas dívidas. A crise tornara-se mundial. Era a Grande Depressão.

O apogeu da crise foi o ano de 1932. Os EUA eram então governados pelo republica-

no Herbert Hoover (1877-1964). Como a economia não se recuperava, o Partido De-

mocrata saiu vitorioso nas eleições daquele ano. O novo presidente eleito se tornaria

76 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
a pessoa que por mais tempo governou os Estados Unidos (12 anos): Franklin Delano

Roosevelt (1882-1945).

Como havia prometido em campanha, Roosevelt abandonou o modelo liberal do Par-

tido Republicano, adotando uma política econômica intervencionista inspirada nas

ideias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946). O conjunto de

medidas socioeconômicas implementado a partir de 1933 foi chamado de New Deal

(“Novo Acordo”), e suas principais medidas eram:

• Controle da produção e do preço de produtos agrícolas e industriais;


• Concessão de empréstimos – a baixos juros – a proprietários rurais ou indus-
triais endividados, a fim de que pudessem se recuperar;
• Elevados investimentos em obras públicas (escolas, hospitais, rodovias),

amenizando o desemprego e estimulando a economia33;

• Elevação de impostos sobre a parcela mais rica da população, aumentando a


arrecadação e diminuindo a concentração de renda;

• Redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias;


• Criação do salário mínimo e do seguro-desemprego.
Embora tenha sido chamado de “comunista” por seus opositores, Roosevelt viu sua

política econômica iniciar uma gradativa recuperação da economia dos Estados Uni-

dos. Isso lhe rendeu frutos políticos, e Roosevelt foi reeleito34.

33 A construção civil foi um dos setores fundamentais que impulsionaram o New Deal. Estima-se que,
entre 1933 e 1941, cerca de 8 milhões de postos de trabalho foram criados pelas obras estatais.
34 Ao todo, Roosevelt cumpriu 4 mandatos consecutivos, até sua morte, em 1945, tendo sido o pri-
meiro e único presidente dos Estados Unidos a exercer o cargo por mais de dois mandatos.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 77
O FENÔMENO TOTALITÁRIO: O FASCISMO ITALIANO, O NAZISMO
ALEMÃO, O COMUNISMO RUSSO
Como vimos, a Grande Depressão atingiu fortemente todas as economias capitalistas

da época. Na Europa, ainda se recuperando dos efeitos da Primeira Guerra Mundial,

seus países encontravam-se mais suscetíveis às oscilações econômicas, e a Crise de

1929 teve efeitos ainda piores.

Em muitos países, a crise econômica gerava conflitos sociais e agitações políticas.

Muitas pessoas culpavam os governos democráticos (considerados fracos) pela si-

tuação. Novas ideias sobre formas de governo sólidas eram elaborados, e o ideário

comunista ganhava força. Movimentos sindicais e partidos políticos surgiam diaria-

mente. Um desejo de vingança, para reparar as humilhações impostas por ingleses e

franceses após a Grande Guerra emergia na Alemanha e na Itália35.

Neste contexto, movimentos nacionalistas contrários às políticas liberais e democráti-

cas, e ainda mais contrários ao comunismo, e defensores de um Estado forte, autori-

tário e centralizado, são criados nesses países. Exaltavam a nação e sua unidade. Os

interesses nacionais estavam acima dos interesses individuais, ou seja, o indivíduo

deveria servir à nação, e aqueles considerados uma ameaça à coesão nacional deve-

riam ser perseguidos e eliminados. Sob fortes princípios militaristas, como a unidade,

hierarquia, ordem e obediência, esses movimentos estimulavam verdadeiro culto à

personalidade de seus líderes: Benito Mussolini (1883-1945) na Itália e Adolf Hitler

(1889-1945) na Alemanha.36

35 A Itália, que no início da Primeira Guerra Mundial era aliada da Alemanha, mudou de lado em
1915, passando para o lado da Entente, por receber promessas de concessões territoriais, o
que não se concretizou. Com isso, os italianos chamavam sua participação na Grande Guerra
de “vitória mutilada”.
36 Devemos ainda destacar a ditadura do General Francisco Franco (1892-1975) na Espanha. Após vio-
lenta guerra civil (1936-1939), saíram vitoriosas as tropas franquistas – que contaram com apoio italiano
e alemão -, instituindo um regime de cunho fascista na Espanha que durou até a morte do ditador.

78 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Esses regimes políticos que se instalaram nesses países tinham características se-

melhantes. Na Itália, ele chegou ao poder primeiro. Por isso, podemos dizer que o

nazismo é um tipo de fascismo, ou seja, é o fascismo alemão.

Na Itália do pós-guerra, mergulhada em crise econômica e social, diversas rebeliões

eclodiram no início da década de 1920, no campo e nas cidades. As ideias socialistas

difundiam-se entre o proletariado, ameaçando a burguesia. Começam a se organizar

as Fasci Italiani di Combattimento (Grupos Italianos de Combate), uma violenta orga-

nização fundada por Mussolini em 1919. Transformada no Partido Fascista em 1921,

quando contava então com cerca de 200 mil filiados.

Em outubro de 1922, fascistas partiram de várias regiões do país e invadiram Roma,

exigindo o poder. Sem condições de resistir à Marcha Sobre Roma, o rei Vítor Ema-

nuel III nomeou Mussolini primeiro-ministro.

Aos poucos, Mussolini foi ampliando seu poder e eliminando a oposição, como no caso

da execução do deputado socialista Giacomo Matteotti (1885-1924). Em 3 de janeiro de

1925, estabeleceu um governo totalitário com a aprovação de uma nova Constituição.

O duce (“condutor”, “guia”), como passava a ser chamado, tornava-se ditador na Itália.

A imprensa e a educação eram controladas e direcionadas para atender ao Estado

Fascista. Os partidos políticos foram eliminados, e os sindicatos foram reorganizando

de forma tal que os trabalhadores ficaram sob o domínio do Estado. No âmbito econô-

mico, um amplo programa de realização de obras públicas movimentava a economia

e combatia o desemprego, e a indústria bélica recebia pesados investimentos. Até

mesmo a religião auxiliou na consolidação do regime fascista: em 1929, Mussolini

assinou com a Igreja Católica o Tratado de Latrão, encerrando a Questão Romana.

Enquanto isso, na Alemanha, os impactos da Grande Guerra e da Grande Depressão

eram ainda mais sentidos. A inflação atingia níveis estratosféricos, e o desemprego

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 79
atingia grande parte da população. Nesse contexto, Hitler e seus partidários nazistas

tentam aplicar um golpe de Estado contra o governo da Baviera, em 9 de novembro

de 1923. Fracassado no Putsch de Munique, Hitler acaba preso e, na prisão, escreve

o livro onde expunha muitas das ideias colocadas em prática anos depois, o Mein

Kampf (Minha Luta).

Após alguns meses na prisão, Hitler é solto, e parece perceber que não seria pela luta

armada que chegaria ao poder. A Grande Depressão agravou muito a situação alemã,

e o Partido Nazista, apoiado pelas elites e pela classe média, que temiam o avanço

das ideias socialistas, crescia em número e influência.

As críticas de Hitler dirigiam-se à República de Weimar, ao Tratado de Versalhes,

às Democracia Liberal, ao Comunismo, aos judeus. Por outro lado, exaltava a “raça

ariana”, numa retomada dos ideais pangermânicos37. Os arianos, “superiores”, es-


tariam destinados a comandar o mundo. Para atingir o pangermanismo, seria ne-

cessário expandir o território alemão, conquistando o “Espaço Vital” (Lebensraum)

para abrigar essa população.

Pode-se imaginar o impacto dessas ideias em uma população miserável e sem es-

peranças. O crescimento do Partido Nazista foi meteórico, conquistando um terço

do eleitorado alemão entre 1929 e 1932. Assim, nas eleições de 1932, os nazistas

conquistaram a maioria do Parlamento Alemão (Reichstag) e, em janeiro de 1933,

Hitler foi nomeado chanceler alemão. Pouco depois, após um incêndio no Reichstag,

os comunistas foram acusados. Essa encenação permitiu a Hitler cancelar os direitos

democráticos e proibir os partidos políticos. A República de Weimar chegava ao fim,

sendo substituída pelo Terceiro Reich Alemão, nas palavras de Hitler, o “Reich de mil

anos”. Hitler, o chefe supremo, era chamado de Führer (Líder).

37 Importante lembrar que Hitler era austríaco.

80 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
O regime fascista instalado por Hitler, como no caso do Fascismo italiano, valia-se dos

meios de comunicação, da cultura e da educação para doutrinar a população. Forças po-

liciais políticas (como a SA e a SS) e uma temida polícia secreta (GESTAPO) perseguiam

os opositores. A propaganda era peça fundamental para a manutenção do regime.

Todavia, um aspecto diferenciava os regimes fascistas italiano e alemão, que era a

base racial nazista. Para Hitler, os arianos eram uma “raça superior”, destinada a go-

vernar povos inferiores. Assim, homossexuais, ciganos, deficientes físicos ou mentais

e, principalmente judeus, eram considerados uma ameaça ao desenvolvimento da

nação e, portanto, deveriam ser eliminados.

Nesse sentido, os Jogos Olímpicos de Berlim (1936), realizados na Alemanha na-

zista, seriam um palco ideal para a consagração da superioridade alemã. Os Jogos

foram utilizados por Hitler como uma grande peça de propaganda sobre os avanços

da Alemanha desde a ascensão hitlerista. Todavia, a “superioridade” ariana acabou

ofuscada pelo atleta Jesse Owens (1913-1980), dos Estados Unidos, que conquistou

quatro medalhas de ouro naqueles Jogos. Hitler, que deveria entregar a premiação ao

vencedor dos 100 metros rasos, abandona o Estádio Olímpico ao perceber a vitória

de Owens. O fato de Owens ser negro era ainda mais “humilhante”, segundo Hitler.

Fascismo e Nazismo são regimes totalitários de extrema direita. Seu “arquirrival”, portan-

to, são os regimes totalitários de extrema esquerda, em especial o Comunismo stalinista.

Os impactos da Grande Depressão foram menos sentidos na economia socialista

russa. A planificação econômica promovida pelos planos quinquenais industrializavam

a Rússia e ampliavam a produção industrial. Seus resultados acabavam servindo de

combustível para a difusão dos ideais socialistas pelos países em crise.

Nesse sentido, as democracias liberais ocidentais, em especial Estados Unidos, In-

glaterra e França temiam o avanço desses ideais para o Ocidente da Europa. Assim,

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 81
os regimes fascistas na Itália e na Alemanha, países centrais na Europa, represen-

tavam um “bloqueio” ao avanço do socialismo. Por essa razão, ingleses, franceses

e norte-americanos pouco ou nada fizeram diante da ascensão fascista. Quando se

viram obrigados a agir, era quase tarde demais. A derrubada desses regimes fascistas

só foi possível com a ocorrência da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Isso, nós

estudaremos na próxima Unidade.

PrÉ-reQuisitOs Para a cOmPreensÃO da unidade


• Saber identificar a nova ordem mundial, sob seus aspectos econômicos e po-
líticos, surgida após a Grande Guerra.
• Compreender as implicações do Tratado de Versalhes sobre os países derro-

tados na Primeira Guerra Mundial.

• Relacionar a ascensão do Totalitarismo com a conjuntura político-econômica

das décadas de 1920 e 1930.

• Explicar a percepção do fenômeno totalitário europeu nos meios intelectuais

da época.

atividades Para cOmPreensÃO dO cOnteÚdO


1) (Uepa) Leia o texto para responder à questão.

“A humanidade sobreviveu. Contudo o grande edifício da civilização desmoronou nas

chamas da guerra […]. Para os que cresceram em 1914 o contraste foi tão impressio-

nante que se recusaram a ver qualquer continuidade com o passado. Paz significava

‘antes de 1914’. […] depois disso veio algo que não merecia esse nome. Era compre-

ensível. Em 1914, não havia grande guerra fazia um século”.

(HOBSBAWM, Eric. A Era dos extremos: o breve século XX 1914-1991. São Paulo:

Companhia das Letras, 2ª Edição, 1995, pp.30-31).

82 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Do conjunto de mudanças mundiais decorrente do conflito mencionado no texto, des-

taca-se a(o):

a) Transformação do mapa-múndi, que incorporou ao desenho da Europa uma

nova geopolítica, fruto das deliberações e dos tratados dos países vencedores.

b) Concepção de fronteira, que se tornou sinônimo de conflito armado em regiões

onde o sentimento de orgulho étnico e de revanchismo foi superado.

c) Conceito de humanidade, que passou a associar a ideia corrente de superiori-

dade racial aos projetos nacionalistas de regimes totalitários.

d) Ideia de civilização, que incorporou o conceito cristão de igualdade, pelo qual a

paz pressupunha a não intervenção nas nações amigas.


e) Definição de Estado, que abandonou as práticas autoritárias de regimes totali-

tários rejeitando possíveis comparações com o passado imperialista.

2) De acordo com seus conhecimentos sobre o Totalitarismo, assinale a alternativa

incorreta:

a) Na economia, o totalitarismo teve um caráter intervencionista por parte do Es-

tado, sendo que qualquer outra forma de ordenação das atividades produtivas

seria contrária ao fortalecimento da economia e do próprio governo.

b) Na esfera política, o totalitarismo reprimiu sistematicamente a existência de

diferentes grupos políticos divergentes da orientação oficial. Por isso, tais go-

vernos costumeiramente defenderam a adoção de um sistema unipartidário,

sendo nenhum outro grupo político aceito.


c) O ufanismo nacionalista foi repetidas vezes comemorado por meio de mani-

festações públicas, feriados nacionais, cartazes, canais de comunicação do

Estado e políticas educacionais, supervalorizando um passado de glórias e

oferecendo uma perspectiva de futuro onde a unidade do povo oferecia um

porvir próspero e soberano.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 83
d) Os governos totalitários estabeleceram as forças armadas e policiais como

uma extensão do Estado, com a polícia no papel de garantia da submissão ao

governo, utilizando de violência física, tortura, prisões arbitrárias, espionagem,

censura e exílio. As forças armadas, complementando essa ação, deviam estar

fortemente munidas contra qualquer ameaça externa.

e) O totalitarismo não contou com uma ideologia sistematicamente reafirmada por

meio de agências de propaganda. O abandono de uma propaganda massiva

impedia que o regime repetisse sistematicamente uma visão histórico-ideológi-

ca da nação, que era contrária aos ideais totalitários.

3) O totalitarismo era um regime político que se caracterizava pela máxima interven-

ção do governo na sociedade. As relações sociais eram reguladas pelo Estado e

o cotidiano era rigidamente policiado, uma das marcas do terror. A propaganda

ideológica era intensa e todos os meios de comunicação eram fortemente contro-

lados. Outra característica marcante do totalitarismo era o partido único; outras

posições políticas não eram aceitas, senão a predominante, e os opositores eram

perseguidos como inimigos nacionais (BRAICK. P. R.; MOTA, M. B. História das

cavernas ao terceiro milênio. São Paulo: Moderna, 2007, p.562).

O totalitarismo desenvolveu-se no mundo principalmente no período entre a Primeira

e a Segunda Guerras Mundiais. Qual dos países indicados abaixo não pode ser con-

siderado como totalitário?

a) Alemanha nazista.

b) Itália fascista.

c) URSS stalinista.

d) Inglaterra de Churchill.

e) Espanha de Franco.

84 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
4) (CESGRANRIO) A política “New Deal” (1933-39), implementada nos Estados Uni-

dos pelo presidente Franklin Roosevelt, significou um(a):

a) Combate ao liberalismo por meio da contenção dos níveis de consumo interno.

b) Estímulo à política de criação de empregos com grandes investimentos em

infraestrutura.

c) Proibição da emissão monetária, o que impediu o crescimento da inflação.

d) Retração da produção industrial, o que provocou o recrudescimento da economia.

e) Redução acentuada dos gastos governamentais, o que estabilizou as finanças

públicas.

5) (UFAC) Sobre a Crise Econômica de 1929, é errado afirmar que:

a) Os capitais acumulados durante os anos do conflito se transformaram em in-

vestimentos nos países devastados pela guerra.

b) O progresso econômico norte-americano era tão grande que nem os empresá-

rios e nem o governo foram capazes de perceber os sinais da crise.

c) Como o governo americano era essencialmente liberal, cabia aos empresários

conduzir a economia de acordo com seus interesses imediatos.

d) Os americanos sofreram a crise de 1929 por terem reduzido drasticamente a

produção logo após a Guerra Mundial.


e) Com o prodigioso desenvolvimento da economia americana depois da I Guerra

Mundial, os Estados Unidos passaram a liderar a economia mundial.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 85
artiGOs, sites e LINKS

Caro(a) Aluno(a),

Vamos agora disponibilizar para você alguns artigos e links, mediante sites na inter-

net, para que possas acessar e realizar estudos sobre assuntos ligados ao tema da

Unidade III. Não deixe de aproveitar a oportunidade.

Artigos

PIRES-O’BRIEN, Joaquina. Novas e fiáveis biografias de Lênin, Stálin e Trotsky.

Disponível em: <http://www. portvitoria.com/11_Pires-OBrien_RobertService_Pt_

PV4rBR.pdf>.

PRADO, Luiz Carlos Delorme. A Economia Política da Grande Depressão da déca-

da de 1930 nos EUA: visões da crise e política econômica, semelhanças e diferenças

com a crise atual. Disponível em: <http://www..ie.ufrj.br/datacenterie/pdfs/seminarios/

pesquisa/texto1509.pdf>.

Sites

<http://www.historianet.com.br>.

<http://www.hisroriadetudo.com>.

86 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Filmes recOmendadOs
Na unidade III, você estudou sobre a ascensão de Josef Stálin ao comando da União

Soviética, onde permaneceria por quase três décadas. Após o colapso da U.R.S.S. a

rede de TV HBO produziu um filme sobre Stálin, baseado nas memórias de sua filha,

destacando o “Grande Expurgo” da década de 1930. O filme é: Stálin.

Título original: Stalin

Gênero: Biografia / Guerra / TV

Lançamento: 1992

Duração: 172 min.

País: Estados Unidos / Rússia / Hungria

Direção: Ivan Passer

Sinopse: A longa trajetória de Stálin, desde o princípio da Revolução Russa, em 1917,

até sua morte, em 1953, explicitando os bastidores do terror político soviético naquele

período, e mostrando a personalidade dura e controvertida de Stálin. Ótima reconsti-

tuição histórica, com cenas filmadas no próprio Kremlin. Narrado pela própria filha de

Stálin, Svetlana Alliluyeva, que escreveu um livro chamado “Vinte Cartas a um Amigo”,

trazendo a público os bastidores do poder que vivenciou junto a seu pai.

Fonte: Filmes sobre a Segunda Guerra Mundial – <http://listafilmessegundaguerra.

blogspot.com.br/2015/05/stalin-1992>. - Acesso em: 21 jan. 2016.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 87
PrOPOsta Para discussÃO ON-LINE
Caro(a) Acadêmico(a),

Para melhorar sua compreensão do conteúdo, compartilhe com seus colegas e pro-

fessor tutor as suas conclusões. Acesse nossa plataforma de ensino-aprendizagem e

participe dos Fóruns de discussão. Listamos abaixo algumas questões para fomentar

as suas discussões.

1. O marco final da Primeira Guerra Mundial foi a assinatura do Tratado de Ver-

salhes. Ele colocava quase toda a culpa pelo conflito sobre a Alemanha, sub-

metendo-a a pesadas sanções. Reflita sobre os impactos do Tratado e suas

consequências à Alemanha.
2. Os regimes totalitários ascenderam ao poder na Europa entre as décadas de

1920 e 1930. Regimes cruéis, que causaram a morte de milhões de pessoas.

Todavia, apesar de sua brutalidade, esses regimes trouxeram grande pro-

gresso econômico, em curto prazo, a seus países. Em sua opinião, “os fins

justificam os meios”? Justifique.

3. A Crise de 1929 foi causada por vários fatores, como vimos. A Grande Depres-

são que se seguiu atingiu grande parte do mundo, e levou quase uma década

para ser superada. Em 2008, uma nova crise econômica explodiu nos Estados

Unidos, inicialmente em seu setor imobiliário, mas que logo se expandiu para

outros setores e regiões. É possível estabelecer uma comparação entre ambas?

Pense nas causas e consequências dessas crises, e reflita sobre o assunto.

88 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
UNIDADE IV – A SEGUNDA GUERRA
MUNDIAL

Objetivos a serem alcançados nesta unidade


Prezado(a) Acadêmico(a), ao terminar os estudos desta unidade, você deverá ser

capaz de:

• Analisar a aproximação entre italianos, alemães e japoneses e a consequente


formação do Eixo.

• Explicar os antecedentes da Segunda Guerra Mundial, e o contexto europeu


da Política de Apaziguamento e do Pacto Nazi-Soviético.
• Compreender o desenvolvimento da Segunda Grande Guerra, na Europa, na
África e no Pacífico, enfatizando a entrada da União Soviética e dos Estados Uni-

dos no conflito, e as explosões de duas bombas atômicas em território japonês.

• Entender o contexto mundial da Guerra Fria: o mundo bipolar, as “corridas”


entre os dois lados, e os conflitos militares decorrentes da disputa pela hege-

monia entre os sistemas capitalista e socialista.

• Relacionar a construção do Muro de Berlim com a Guerra Fria.


• Perceber os impactos dos movimentos de contracultura e dos movimentos de
maio de 1968.
• Explicar as causas e consequências das crises do petróleo na década de 1970.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 89
CAMINHANDO PARA A DESTRUIÇÃO TOTAL: ANTECEDENTES DA
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Na Unidade III, vimos que, após a Primeira Grande Guerra, houve enfraquecimen-

to dos governos liberais. Os movimentos socialistas se multiplicavam, o comunismo

soviético se fortalecia, italianos e alemães adotaram regimes fascistas de governo.

Nesse contexto, a fraca Liga das Nações parecia incapaz de manter a paz.

A Itália sentia-se injustiçada pelo Tratado de Versalhes, pois não obteve as regiões na

África e nos Bálcãs que lhe haviam sido prometidas. Consideravam sua participação

na Grande Guerra uma “vitória mutilada”. Por isso, em 1935, invadiram a região da

Abissínia (atual Etiópia), então um país africano independente e, em abril de 1939,

conquistou a Albânia.

O expansionismo alemão foi mais contundente, e relacionava-se diretamente com o

Tratado de Versalhes, que lhe impôs perda de territórios, desmilitarização e pesadas

indenizações. Em busca do “espaço vital” para seu pangermanismo, Hitler pretendia

anexar regiões de população alemã, como a Áustria e partes da Tchecoslováquia.

Os interesses de Mussolini e Hitler convergiam em vários sentidos, como na oposição

às cláusulas de Versalhes. Assim, a aproximação entre seus países era natural. Em

1936, assinaram um tratado de aliança a fim de defender seus interesses contra a

Liga das Nações. Nascia o Eixo Roma-Berlim.

No mesmo ano, a Alemanha assinou com o Japão o Pacto Anti-Comintern, para bar-

rar o avanço do movimento comunista internacional liderado pela União Soviética.

Portanto, estava formado o Eixo (Alemanha, Itália e Japão), que seria derrotado nove

anos mais tarde, na Segunda Guerra Mundial.

O Japão também objetivava uma expansão territorial, a fim de estender seus domínios

sobre o Leste asiático e o Oceano Pacífico. Em 1931, invadiu e dominou a Manchúria,

90 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
que era apoiada pelos chineses. Depois, em 1935, invadiram a própria China. A Liga

das Nações condenou o expansionismo japonês, mas sem resultados práticos.

Na Alemanha, desde sua ascensão ao poder, Hitler descumpria seguidamente o Tra-

tado de Versalhes. O Exército alemão que, de acordo com Versalhes deveria ficar

limitado a 100 mil homens, contava com cerca de 4 milhões de soldados em 1939. A

Marinha recebeu pesados investimentos, e a Luftwaffe (Força Aérea alemã) possuía

milhares de aviões.

Novas estratégias e táticas militares foram desenvolvidas, com destaque para a Blit-

zkrieg (“Guerra Relâmpago”). Ela consistia em ataques rápidos, pegando o inimigo

desprevenido, aliando ataques aéreos, artilharia, blindados e infantaria. A Guerra Civil

Espanhola (1936-1939) serviu de “campo de testes” para as tropas italianas e alemãs,

que apoiaram o General Francisco Franco no conflito.

Aproveitando-se da debilidade e indecisão de ingleses e franceses, da preocupação

estadunidense em recuperar-se da Crise de 1929 e da inoperância da Liga das Na-

ções, Hitler anexou a Áustria (Anschluss) em 1938. Ainda em 1938, exigiu a incorpo-

ração dos Sudetos, território da Tchecoslováquia, que tinha grande população alemã.

Diante da recusa do governo tcheco em ceder, Hitler ameaçou declarar guerra. In-

gleses e franceses interviram, reunindo-se com Hitler e Mussolini. Na Conferência

de Berlim (1936)38, Inglaterra e França pressionaram a Tchecoslováquia, que se viu

obrigada a ceder os Sudetos à Alemanha em troca da paz. Hitler prometera que aque-

la seria sua última exigência territorial. Seis meses depois, entretanto, quebrou sua

promessa, invadindo o restante da Tchecoslováquia.

A ocupação da Tchecoslováquia não encerrou as ambições nazistas. Logo depois,

Hitler reivindicou a cidade livre de Dantzig e a faixa de terra conhecida como “Corredor

38 A Tchecoslováquia, maior interessada, foi impedida de participar da Conferência.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 91
Polonês”, perdidas pela Alemanha ao final da Primeira Guerra Mundial (como visto na

Unidade III). Ingleses e franceses ameaçaram os alemães, afirmando que não tolera-

riam nova invasão.

Todavia, a questão que emerge em nossos estudos é: por que as potências ocidentais nada

fizeram diante dos seguidos descumprimentos às determinações de Versalhes. A explicação

mais óbvia era a tentativa de evitar um novo conflito. Porém, a situação era mais complexa.

O avanço das ideologias socialista na Europa foi bastante significativo nas décadas

de 1920 e 1930, impulsionada pela consolidação do regime soviético. Tais ideias ater-

rorizavam as burguesias nacionais. Assim, os regimes fascistas na Itália e na Alema-

nha, rivais do Socialismo, formariam uma espécie de “cordão sanitário”, barrando o

avanço do ideário comunista à Europa Ocidental. Quanto mais fortes esses regimes,

menor a possibilidade de difusão das ideias comunistas. Isso ficou conhecido como

Política do Apaziguamento.

Nesse contexto, o inimaginável ocorreu: em 23 de agosto de 1939, Alemanha e União

Soviética assinaram um acordo secreto, o Pacto Nazi-Soviético de Não Agressão. O

pacto determinava a divisão da Polônia entre as duas potências. Hitler e Stalin que-

riam evitar um conflito imediato entre os dois países, embora o pacto não significasse

simpatia mútua entre seus sistemas político-econômicos.

O início da Guerra: o fim da Civilização Ocidental?


Afastada a ameaça de uma guerra em duas frentes com o pacto firmado com os

russos, Hitler decidiu invadir a Polônia, após forjar um ataque polonês a suas tropas.

Assim, no primeiro dia de setembro de 1939, a blitzkrieg nazista era lançada sobre o

lado ocidental da Polônia. Dias depois, a URSS tomou o lado oriental. Em três sema-

nas, os poloneses estavam vencidos.

92 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Ingleses e franceses declaram guerra aos alemães. Ficaram conhecidos como Alia-

dos, pois estavam unidos contra o Eixo. Tinha início o mais mortífero conflito de todos

os tempos: a Segunda Guerra Mundial.

Os primeiros anos do conflito foram marcados pelo rápido avanço alemão. A devas-

tadora blitzkrieg fazia do Exército alemão veloz e eficiente. Em 1940, a Alemanha já

havia ocupado a Dinamarca, a Noruega, a Holanda, a Bélgica e Luxemburgo. No dia

10 de maio, Hitler lançou afinal sua ofensiva contra os Exércitos francês e inglês na

frente ocidental. Até então, os dois países pouco tinham feito de efetivo no conflito.

Os franceses depositavam suas esperanças na Linha Maginot39. Todavia, os ale-

mães conquistaram uma rápida vitória:

A fulminante vitória das forças armadas alemãs, nessa campanha (da França), que
durou realmente de 10 de maio a 16 de junho, foi atribuída, na época, à superioridade
quantitativa e qualitativa do armamento alemão (RUESCAS, 2004, p.402).

O avanço alemão sobre território francês forçava o recuo das Forças Aliadas. Nesse

ponto, a Retirada de Dunquerque, concluída a 5 de junho de 1940, foi fundamental:

350 mil soldados conseguiram chegar à costa inglesa. A conquista da França foi tão

rápida que os alemães conseguiram se apossar de quase todo o material bélico que

os Aliados possuíam em solo francês.

Com Paris ocupada, a França foi dividida: parte do território ficou sob domínio direto

nazista. Na outra parte, com capital na cidade de Vichy, formou-se um governo fascis-

ta, comandado pelo marechal Henri Philippe Pétain (1856-1951). Em oposição ao go-

verno colaboracionista da França de Vichy, formou-se o grupo dos “franceses livres”,

liderados pelo general Charles de Gaulle (1890-1970), que representava a resistência

francesa. Por meio da rádio BBC de Londres, de Gaulle exaltava os franceses a luta-

rem contra a ocupação nazista.

39 A Linha Maginot foi uma linha de fortificações e de defesa construída pela França ao longo de suas fron-
teiras com a Alemanha e a Itália, após a Primeira Guerra Mundial, mais precisamente entre 1930 e 1936.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 93
Somente após a derrota francesa a Itália entrou de maneira efetiva no conflito. Em

setembro de 1940, foi assinado o Pacto Tripartite, por meio do qual formalizava-se a

aliança entre italianos, alemães e japoneses – o Eixo.

Para o Eixo, na Europa Ocidental restava derrotar apenas os ingleses. Na Batalha da

Inglaterra (1940-1941), as cidades inglesas foram violentamente bombardeadas, mas

a Royal Air Force (RAF), a Força Aérea Real, da Inglaterra, conseguiu rechaçar os

ataques da Luftwaffe nazista40.

A entrada dos Estados Unidos e da URSS na guerra


A guerra, que em 1941 apontava para uma vitória do Eixo, teria, naquele ano, dois

acontecimentos que mudariam o destino do conflito: as entradas de EUA e URSS na

guerra, ao lado dos Aliados.

Em meados de 1941, Hitler dominava, direta ou indiretamente, quase toda a Europa

Ocidental. O sucesso na Campanha da França fazia com que ele se considerasse um

gênio militar. Assim, Hitler, mesmo desaconselhado por seus generais, decide atacar

seu maior inimigo.

Em 22 de junho, sem aviso prévio, tinha início a “Operação Barbarossa”, e tropas

nazistas invadiam território soviético, rompendo o Pacto de Não Agressão firmado

dois anos antes. Hitler decidiu, contrariando seus principais generais, realizar a in-

vasão dividindo as tropas em três frentes: a do Norte, que pretendia tomar Leningra-

do; a do centro, que rumava para Moscou; e a do Sul, cujo objetivo eram as férteis

planícies de trigo da Ucrânia.

40 O desenvolvimento de novas tecnologias, como o radar, foi fundamental para a RAF con-
seguir rechaçar a Luftwaffe. Por mar, a Marinha da Inglaterra também repelia os alemães,
impedindo uma invasão.

94 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
As mais sangrentas batalhas da Segunda Guerra foram travadas na frente oriental, en-
tre Alemanha nazista e União Soviética. Na luta contra os soviéticos, Hitler concentrou
a maior parte de seus exércitos (cerca de 65%), seus melhores equipamentos militares
e tropas de elite nazistas. Em defesa da União Soviética morreram mais de 20 milhões
de pessoas, das quais quase metade eram civis (COTRIM, 1999, p.403).

As forças do Eixo em território soviético contavam com mais de 4,5 milhões de solda-

dos. Com uma força tão descomunal, Hitler acreditava em uma vitória rápida. Porém,

a vastidão territorial e o clima da URSS tornavam a vitória bem mais difícil que seu

êxodo na Europa Ocidental. E, como Napoleão no século anterior, o fracasso na Cam-

panha da Rússia selaria seu destino.

Enquanto isso, no Extremo Oriente, os interesses japoneses sobre o Pacífico logo en-

trariam em conflito com os norte-americanos. Em 8 de dezembro de 1941, os japone-

ses atacaram a base militar de Pearl Harbor, colocando os Estados Unidos no conflito.

A Segunda Guerra Mundial compôs-se de dois conflitos distintos: um travado principal-


mente na Europa, e outro, principalmente no Leste da Ásia. A guerra na Ásia aconteceu
mais cedo – começou quando o Japão invadiu a Manchúria, em 1932, tornando-se mais
intensa em 1937, quando os nipônicos começaram a ocupar a parte leste da China. A
impressionante vitória de Hitler na Europa Ocidental, em 1940, expôs a fraqueza das
colônias britânicas, holandesas e francesas no sudeste asiático, bem com das bases
americanas nas antigas Filipinas espanholas. O Japão se aproveitou disso e, em de-
zembro de 1941, atacou repentinamente territórios e bases que iam desde a Birmânia e
Hong Kong até Pearl Harbor (BLAINEY, 2012, p.302).

A entrada dos dois gigantes no conflito – Estados Unidos e União Soviética – iria desequi-

librar o conflito, pesando a favor dos Aliados. Cerca de três anos depois, o Eixo capitularia.

A derrota dos alemães e dos japoneses


Como visto, em junho de 1941 os alemães invadiram a União Soviética. Embora inicial-

mente pego de surpresa e sofrido diversas derrotas, os Exército (e o povo) soviético

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 95
conseguiu sair vitorioso. As tropas nazistas, esperando uma campanha rápida, não

estavam preparadas para o rigoroso inverno russo. Temperaturas de até 40 graus ne-

gativos castigavam as tropas e danificavam os equipamentos. Como com Napoleão,

o “General Inverno” fazia seu trabalho.

Em setembro de 1942, tropas blindadas do Eixo entraram em Stalingrado (atual Vol-

gogrado), iniciando aquela que seria a mais sangrenta de todas as batalhas da guer-

ra, com cerca de duas milhões de baixas (mortos, feridos e desaparecidos). A vitória

soviética representaria uma guinada no conflito. Era a primeira vez que um general

alemão (Friedrich Paulus) e seu exército foram obrigados a se render. Desfazia-se

assim o mito da invencibilidade alemã.

Depois de Stalingrado, teve início a contraofensiva soviética. Finlândia, Polônia, Bul-

gária, Romênia, Hungria e Tchecoslováquia foram libertadas pelos soviéticos41. Foram


eles, também, os primeiros a invadirem Berlim.

A possibilidade de derrota levou Hitler a acelerar o genocídio de judeus. A “solução

final” transformava os já letais campos de concentração em verdadeiros campos de

extermínio. A Alemanha poderia perder a guerra, mas os arianos sairiam vitoriosos se

eliminassem as minorias, especialmente os judeus. Estima-se em 6 milhões o número

de judeus mortos nessas fábricas da morte nazistas.

Em julho de 1943, os Aliados desembarcaram na Sicília, iniciando a invasão da Itália.

Mussolini foi preso, mas tropas nazistas retomaram Roma e libertaram-no. Pouco

depois, Mussolini foi novamente preso por tropas italianas da resistência antifascista,

sendo executado imediatamente. Caía o regime fascista italiano.

Em 6 de junho de 1944, os Aliados realizaram um gigantesco desembarque de tropas

na Normandia, litoral francês. O Dia D abria novamente a frente Ocidental na guerra.

41 Na prática, tornavam-se áreas de domínio – direto ou indireto – soviético durante a Guerra Fria.

96 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
No início de 1945, a Alemanha encontrava-se cercada, e a derrota era iminente. Po-

rém, a rendição não parecia ser uma opção para Hitler, que teria se suicidado a 30 de

abril. Em maio, a Alemanha se rendia aos Aliados.

No Pacífico, a guerra ainda se estenderia até setembro, quando os EUA deram uma

clara demonstração de seu poderio militar ao mundo, lançando duas bombas atô-

micas sobre as cidades japonesas de Hiroshima, em 6 de agosto, e Nagasaki (9 de

agosto). No dia 2 de setembro de 1945, o Japão se rendeu, colocando fim a um con-

flito que causou cerca de 60 milhões de mortes.

UM NOVO PESADELO: A GUERRA FRIA


Terminada a guerra, grandes esforços foram empreendidos por diversas nações para

criar um organismo multilateral que pudesse evitar uma nova guerra. Em 24 de ou-

tubro de 1945, foi criada a Organização das Nações Unidas (ONU), substituindo a

impotente Liga das Nações.

Uma nova ordem mundial emergia, caracterizada pelo equilíbrio de forças entre os pa-

íses capitalistas e os países socialistas. O mundo e, em especial a Europa, dividiu-se

entre esses dois sistemas. A disputa pela hegemonia mundial entre os sistemas ca-

pitalista e socialista geraram um clima de tensão entre as duas superpotências mun-

diais, EUA e URSS. A Segunda Guerra tinha terminado, e iniciava-se a Guerra Fria42.

Na Europa, como disse o primeiro-ministro inglês Winston Churchill (1874-1965), a

divisão era tão nítida que parecia uma “cortina de ferro” separando os dois lados.

42 Formalmente, a Guerra Fria tem início em 12 de março de 1947, quando o presidente dos EUA
Harry Truman fez um discurso afirmando que o Ocidente faria todo o possível para conter o avan-
ço do comunismo (Doutrina Truman).

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 97
Fonte: <http://www.prof2000.pt/users/afp/ides8.htm>. Acesso em: 22 mar. 2016

Em julho de 1945, em Potsdam (Alemanha) realizou-se uma conferência entre as

potências vencedoras da guerra, que decidiu pela divisão da Alemanha em quatro

zonas de ocupação: francesa, britânica, estadunidense e soviética. Como, na prática,

era uma divisão entre três países capitalistas e um socialista, em 1949 a Alemanha foi

dividida em duas:

• República Federal Alemã (Alemanha Ocidental), com capital em Bonn, sob


influência dos Estados Unidos.

• República Democrática Alemã (Alemanha Oriental), com capital em Berlim e


influenciada pela União Soviética.

Berlim também seria dividida, e em 1961, o maior símbolo da Guerra Fria foi cons-

truído, o Muro de Berlim que, até 1989, dividiu a cidade em duas. A reunificação da

Alemanha só foi efetivada em 3 de outubro de 1990.

Para consolidar sua influência na Europa Ocidental, os EUA colocaram em prática um

plano de ajuda financeira aos países europeus conhecido como Plano Marshall. Era

necessário melhorar as condições socioeconômicas dos países europeus para barrar

o avanço do ideário comunista.

98 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
Duas poderosas organizações militares surgiram na Guerra Fria: a Organização do

Tratado do Atlântico Norte (OTAN), liderada pelos Estados Unidos; e o Pacto de Var-

sóvia, sob liderança soviética.

As suas superpotências competiam em diversos setores. A corrida armamentista levou

à produção de milhares de ogivas nucleares, capazes de acabar com a vida na Terra,

colocando o mundo em um constante temor de uma guerra nuclear. A corrida espacial

também merece destaque: inicialmente, a ideia era levar um homem ao espaço, feito

primeiramente conquistado pelos soviéticos que, em 1961, colocaram o cosmonauta

Yuri Gagarin (1934-1968) em órbita. O objetivo passava a ser, então, pousar na Lua,

e nisso os norte-americanos venceram, em 1969, com Neil Armstrong (1930-2012).

O Holocausto, promovido pelo regime nazista, estimulou o Movimento Sionista Ju-

daico43, e sensibilizou o mundo à causa judaica. A Inglaterra, que desde o término da


Primeira Guerra Mundial controlava a região, recebeu da ONU a missão de criar dois

países na região: um para os palestinos e outro para os judeus. Todavia, antes de se

retirar da região, a Inglaterra havia criado apenas o Estado de Israel – os palestinos

continuam sem um Estado independente até hoje. A inserção dos judeus em uma re-

gião majoritariamente árabe acirrou os ânimos, gerando os conflitos árabes-israelen-

ses, que atualmente constituem um dos maiores problemas do mundo.

A China, invadida pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, foi desocupada com a

derrota nipônica. O poder foi devolvido pelos aliados a Chiang Kai-shek (1887-1975). A

luta entre Nacionalistas e Comunistas, existente desde a década de 1910 na China, foi re-

tomada e, em outubro de 1949, os comunistas, liderados por Mao Tsé-tung (1893-1976),

assumiram o poder. Kai-shek exilou-se na Ilha de Formosa (Taiwan). Na década seguinte,

outra revolução, agora no continente americano, se inseria no contexto da Guerra Fria.

43 Movimento que, desde seu primeiro congresso, em 1897, defendia a criação de um Estado inde-
pendente para os judeus na Palestina, a “Terra Prometida”.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 99
No primeiro dia do ano de 1959, em Cuba, uma revolução tirava o ditador Fulgên-

cio Batista (1901-1973) do poder, assumindo em seu lugar Fidel Castro. As ideias

socialistas de Castro o afastaram dos EUA e, consequentemente, o aproximava da

URSS. Assim, os soviéticos contavam com um governo simpatizante a menos de

200km. dos Estados Unidos.

Várias foram as tentativas norte-americanas de derrubarem os irmãos Fidel e Raul

Castro do poder, inclusive decretando um pesado embargo econômico a Cuba. Toda-

via, os irmãos Castro ainda governam Cuba, e o embargo prevalece até hoje, embora

aproximações recentes entre os dois países leva a crer em uma abertura do regime

cubano, e a eliminação do embargo estadunidense nos próximos anos.

E foi justamente em Cuba que a Guerra Fria teve seu momento de maior tensão, com

a Crise dos Mísseis em Cuba. Em outubro de 1962, os Estados Unidos descobriram

o envio de mísseis nucleares soviéticos ao país, e ameaçaram a URSS de retaliação

nuclear caso os mísseis fossem instalados em território cubano. A situação foi contor-

nada, após treze longos – e tensos – dias.

Todavia, se a Guerra Fria foi caracterizada pelos confrontos entra americanos e so-

viéticos, eles nunca se tornaram conflitos militares diretos entre os dois países. Indi-

retamente, porém, vários conflitos contaram com o envolvimento de um ou de outro,

merecendo destaque as guerras da Coreia (1950-1953) e do Vietnã (1955-1975).

Os japoneses passaram a controlar a Coreia em 1895, anexando-a em 1910. Com

sua derrota na Segunda Guerra Mundial, forças dos Estados Unidos e da União Sovi-

ética ocuparam a região: os soviéticos ao Norte do paralelo 38, e os estadunidenses,

ao Sul. Acordos para a realização de eleições não foram firmados, e cada lado acabou

por criar um país: a República da Coreia (Coreia do Sul), capitalista; e a República

Democrática Popular da Coreia (Coreia do Norte), socialista.

100 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


Entre 1948 e 1950, ocorreram vários choques envolvendo as tropas instaladas na

fronteira entre as duas coreias. Em 25 de junho de 1950, tropas da Coreia do Norte in-

vadiram seu vizinho do Sul, iniciando o conflito, que se estenderia até 1953 e deixaria

quase 3 milhões de mortos.

Já no Vietnã, antiga colônia francesa, o conflito foi antecedido pela Guerra da Indochina

(1946-1954), quando países da região lutavam contra o jugo colonial imperialista. Em

conferência realizada em Genebra (Suíça) em 1954, decidiu-se pela divisão do Vietnã

em Norte (de sistema socialista) e Sul (capitalista), tendo o paralelo 17 como fronteira.

Em 1955, estourou uma guerra entre os dois novos países. Os EUA, inicialmente, par-

ticipavam do conflito indiretamente, apoiando o Vietnã do Sul. Todavia, na década de

1960, a participação americana aumentou, chegando a contar com 543 mil soldados

no país no final da década.

Nos anos 1970, pressionado pela opinião pública norte-americana, o governo dos

EUA começa a se retirar do conflito. Sem o apoio americano, o Vietnã do Sul é

derrotado em 1975.

Uma visão panorâmica do pós-guerra


Na Europa Ocidental, mais precisamente na Inglaterra da década de 1940, surgia o

Welfare State, ou Estado do bem-estar social. A ideia era de um Estado assistencial

que garantisse padrões mínimos de educação, saúde, habitação, renda e seguridade

social a seus cidadãos. E esses serviços eram entendidos como direitos.

Já no âmbito econômico, entre fins dos anos 1970 e início dos 1980, capitaneada por

Estados Unidos e Inglaterra, organizava-se uma retomada das ideias de Adam Smith.

O liberalismo econômico retornava com nova roupagem: o neoliberalismo.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 101


Enquanto isso, jovens protestavam contra a Guerra Fria, as desigualdades e os confli-

tos. Nos Estados Unidos, movimentos de contracultura contestavam a ordem vigente e

repudiavam a Guerra do Vietnã. Os hippies defendiam o amor livre e a paz. Já os Pante-

ras Negras colocavam a luta armada no centro das questões raciais norte-americanas.

Na França, em maio de 1968, uma grande greve eclodiu. Iniciada como uma greve

estudantil em algumas universidades e escolas secundárias, era influenciada princi-

palmente por ideologias de esquerda. A tentativa do governo de Charles de Gaulle de

reprimir as manifestações com ações policiais repercutiu negativamente, e milhões de

outros franceses aderiram, criando uma greve geral e exigindo a convocação de no-

vas eleições parlamentares. As eleições, ocorridas em junho de 1968, acabaram por

fortalecer ainda mais o partido de Gaulle.

Maio de 68, assim como os movimentos de contracultura, inspirou o surgimento de outros

movimentos, como o pacifismo, o ambientalismo, e os movimentos de defesa das minorias.

Caminhando para o final do século


A década de 1970 foi marcada pelas crises do petróleo. Em 1973, a produção de

petróleo se desestabilizou no Oriente Médio devido aos conflitos árabes-israelenses.

No final da década, nova alta nos preços, agora intencionalmente causada pela Orga-

nização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que diminuiu a produção para

valorizar seu produto. Na década de 1990, mais especificamente em 1991, nova crise

surgiu, gerada pela invasão do Iraque ao Kwait e a Guerra do Golfo.

Sobre pressão do cartel de produtores de petróleo, a Opep, o preço do produto, então


baixo e, em termos reais, caindo desde a guerra, mais ou menos quadruplicou em 1973.
[...] Na verdade, a gama real de flutuações foi ainda mais sensacional: em 1970 o petró-
leo era vendido ao preço médio de 2,53 dólares o barril, mas no fim da década de 1980,
o barril valia 41 dólares (HOBSBAWM, 2012, p.549).

102 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


Nos anos 1980, a outrora poderosa União Soviética encontrava-se em grave crise ins-

titucional e econômica. Em uma tentativa desesperada de salvar o regime, o manda-

tário soviético, Mikhail Gorbatchev, lançava seus planos para reestruturar a economia

e dar mais transparência ao governo: a perestroika e a glasnost.

Ambos, entretanto, fracassaram. A União Soviética não tinha mais forças para manter

suas áreas de influência – o caso mais emblemático foi a queda do Muro de Berlim,

em 9 de novembro de 1989. A desagregação do bloco soviético era eminente. Uma

tentativa de revolta interna, o Golpe de Agosto, foi sufocada.

Porém, os países que compunham o bloco soviético começaram a declarar sua in-

dependência. Em 8 de dezembro de 1991, 11 países soviéticos (incluindo a Rússia),

formaram a Comunidade dos Estados Independentes (CEI). Gorbatchev, no natal do

mesmo ano, renuncia. Com ele, se encerrava a União Soviética, que dividira com os

EUA o mundo nas décadas anteriores. Chegava ao fim o “breve século XX44”.

PrÉ-reQuisitOs Para a cOmPreensÃO da unidade


• Compreender a nova ordem mundial, sob seus aspectos econômicos e políti-
cos, surgida após a Segunda Grande Guerra.

• Perceber a disputa pela hegemonia entre dois sistemas políticos e econômi-

cos distintos, que caracterizou a Guerra Fria.


• Relacionar as guerras do Vietnã e da Coreia, bem como as revoluções na

China e em Cuba, com o contexto da Guerra Fria.

• Analisar os movimentos de contracultura e as manifestações de 1968.

44 Como o renomado historiador britânico Eric J. Hobsbawm (1917-2012) chamava o período entre o
início da Primeira Guerra Mundial (1914) e o fim da União Soviética (1991). É título de seu mais fa-
moso livro, “A Era dos Extremos: o Breve Século XX (1914-1991), que consta em nossas referências.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 103


atividades Para cOmPreensÃO dO cOnteÚdO

1) (FUVEST) “Esta guerra, de fato, é uma continuação da anterior”. (Winston Chur-

chill, em discurso feito no Parlamento em 21 de agosto de 1941).

A afirmativa acima confirma a continuidade latente de problemas não solucionados na

Primeira Guerra Mundial, que contribuíram para alimentar antagonismos e levaram à

eclosão da Segunda Guerra Mundial. Entre esses problemas, identificamos:

a) O crescente nacionalismo econômico e o aumento da disputa por mercados

consumidores e por áreas de investimentos.


b) O desenvolvimento do imperialismo chinês da Ásia, com abertura para o Ocidente.

c) Os antagonismos austro-ingleses em torno da questão da Alsácia-Lorena.

d) A oposição ideológica que fragilizou os vínculos entre os países, enfraquecen-

do todo tipo de nacionalismo.

e) A divisão da Alemanha, que a levou a uma política agressiva de expansão marítima.

2) (UFPE) Em torno de fatos relacionados com a Segunda Guerra Mundial, estabe-

leça a correspondência:

a) Blitzkrieg

b) Kamikaze

c) A Grande Aliança

d) As nações do Eixo

e) Nagasaki

( ) Guerra relâmpago.

( ) Cidade arrasada pela bomba atômica.

( ) Piloto suicida utilizado pela aviação japonesa.

( ) Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos.

( ) Japão, Itália e Alemanha.

104 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


Assinale a alternativa que contém a sequência correta:

a) 2, 3, 5, 4 e 1.

b) 1, 2, 5, 4 e 3.

c) 1, 5, 2, 4 e 3.

d) 1, 5, 2, 3 e 4.

e) 4, 5, 2, 3 e 1.

3) (Enem) Os 45 anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da

União Soviética não foram um período homogêneo único na história do mundo. [...]

Dividem-se em duas metades, tendo como divisor de águas o início da década de

70. Apesar disso, a história deste período foi reunida sob um padrão único pela situ-

ação internacional peculiar que o dominou até a queda da União Soviética (HOBS-

BAWM, Eric J. A era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996).

O período citado no texto e conhecido por Guerra Fria pode ser definido como aquele

momento histórico em que houve:

a) Corrida armamentista entre as potências imperialistas europeias ocasionando

a Primeira Guerra Mundial.

b) Domínio dos países socialistas do Sul do globo pelos países capitalistas do Norte.

c) Choque ideológico entre a Alemanha Nazista/União Soviética Stalinista, duran-

te os anos 1930.
d) Disputa pela supremacia da economia mundial entre o Ocidente e as potências

orientais, como a China e o Japão.

e) Constante confronto das duas superpotências que emergiram da Segunda

Guerra Mundial.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 105


4) (ENEM) O ano de 1968 ficou conhecido pela efervescência social, tal como se

pode comprovar pelo seguinte trecho, retirado de texto sobre propostas prelimi-

nares para uma revolução cultural: “É preciso discutir em todos os lugares e com

todos. O dever de ser responsável e pensar politicamente diz respeito a todos,

não é privilégio de uma minoria de iniciados. Não devemos nos surpreender com

o caos das ideias, pois essa é a condição para a emergência de novas ideias. Os

pais do regime devem compreender que autonomia não é uma palavra vã; ela su-

põe a partilha do poder, ou seja, a mudança de sua natureza. Que ninguém tente

rotular o movimento atual; ele não tem etiquetas e não precisa delas” (Journal de

la comune étudiante. Textes et documents. Paris: Seuil, 1969 – adaptado).

Os movimentos sociais, que marcaram o ano de 1968:

a) Foram manifestações desprovidas de conotação política, que tinham o objetivo

de questionar a rigidez dos padrões de comportamento social fundados em

valores tradicionais da moral religiosa.

b) Restringiram-se às sociedades de países desenvolvidos, onde a industrializa-

ção avançada, a penetração dos meios de comunicação de massa e a aliena-

ção cultural que deles resultava eram mais evidentes.

c) Resultaram no fortalecimento do conservadorismo político, social e religioso

que prevaleceu nos países ocidentais durante as décadas de 70 e 80.

d) Tiveram baixa repercussão no plano político, apesar de seus fortes desdobramentos

nos planos social e cultural, expressos na mudança de costumes e na contracultura.


e) Inspiraram futuras mobilizações, como o pacifismo, o ambientalismo, a promo-

ção da equidade de gêneros e a defesa dos direitos das minorias.

5) (VUNESP) O petróleo não é uma matéria-prima renovável e precisou de milhões

de anos para sua criação. A maioria dos poços encontra-se no Oriente Médio, na

106 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


Antiga URSS e nos Estados Unidos. Sua importância aumentou desde meados

do século XIX, quando era usado na indústria e hoje é um dos grandes fatores de

conflitos no Oriente Médio. Aponte as três primeiras grandes crises do petróleo

nos últimos anos:

a) A primeira foi em 1973, quando os EUA tentaram invadir Israel para dominar

os poços de petróleo desse país; a segunda foi em 1979, quando foi criado o

Estado da Palestina e eclodiu o conflito com a Arábia Saudita; a terceira foi em

1991, quando começou a guerra do Iraque.

b) A primeira foi em 1973, quando houve uma crise de produção no Oriente Mé-

dio, levando ao aumento do preço dos barris de petróleo no mundo todo; a

segunda foi em 1979, quando o Kuwait se recusou a vender petróleo aos EUA;

a terceira foi em 1991, quando começou a guerra dos EUA com o Afeganistão.
c) A primeira foi em 1973, devido ao conflito árabe-israelense; a segunda em

1979, quando os árabes diminuíram a produção de barris; a terceira em 1991,

que acabou gerando a Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait.

d) A primeira foi em 1973, quando o Iraque invadiu a Palestina; a segunda foi em

1979, período de baixa produção de petróleo no Oriente Médio; a terceira foi

em 1991, devido à Guerra do Golfo.

e) A primeira foi em 1973, quando o Iraque invadiu a Palestina; a segunda foi em

1979, período de baixa produção de petróleo no Oriente Médio; a terceira foi

em 1991, devido à Guerra do Golfo.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 107


artiGOs, sites e LINKS
Caro(a) Aluno(a),

Vamos agora disponibilizar para você alguns artigos e links, por meio de sites na in-

ternet, para que possas acessar e realizar estudos sobre assuntos ligados ao tema da

Unidade IV. Não deixe de aproveitar a oportunidade.

Artigos

BIAGI, Orivaldo Leme. O imaginário da Guerra Fria. Disponível em: <http://www.

revistas2.uepg.br/index.php/rhr/article/view/2119/1600>.

FERREIRA, Jorge. Problematizando a Segunda Guerra Mundial. Disponível em:

<http://www.historia.uff.br/tempo/resenhas/res1-2.pdf>.

RIEGER, Fernando & TEIXEIRA, Yves. A URSS: Confronto de ideologias no pós-

guerra e a invasão ao Afeganistão. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/sebreei/2012/

wp-content/uploads/2013/01/Fernando-Rieger-Yves-Teixeira.pdf>.

Sites

<http://www.pt.worldwar-two.net>.

<http://www.portalbrasil.net/historiageral>.

108 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


Filmes recOmendadOs
Nesta Unidade IV, aprendemos sobre o Holocausto, a perseguição e o genocídio

sistemático dos judeus pelo regime nazista. O Holocausto, bem como a Segunda

Guerra Mundial e a Guerra Fria, são objetos de uma extensa filmografia. A nossa

indicação é: A Lista de Schindler.

Título original: Schindler’s List

Gênero: História/Guerra/Drama/Biografia

Lançamento: 1993

Duração: 195 min.

País: Estados Unidos

Direção: Steven Spielberg

Sinopse: A inusitada história de Oskar Schindler (Liam Neeson), um sujeito oportunis-

ta, sedutor, “armador”, simpático, comerciante no mercado negro, mas, acima de tudo,

um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era mem-

bro do próprio Partido Nazista (o que não o impediu de ser preso algumas vezes, mas

sempre o libertavam rapidamente, em razão dos seus contatos). No entanto, apesar

dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder

a sua fortuna mas conseguir salvar mais de mil judeus dos campos de concentração.

Fonte: Adoro Cinema – <http://www.adorocinema.com/filmes/filmes9393>. Acesso

em: 26 jan. 2016.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 109


PrOPOsta Para discussÃO ON-LINE
Caro(a) Acadêmico(a),

Para melhorar sua compreensão do conteúdo, compartilhe com seus colegas e pro-

fessor tutor as suas conclusões. Acesse nossa plataforma de ensino-aprendizagem e

participe dos Fóruns de discussão. Listamos abaixo algumas questões para fomentar

as suas discussões.

1. A Segunda Guerra Mundial foi o maior conflito já desencadeado até hoje. Seus

impactos foram tão profundos, que até hoje sentimos, sob certos aspectos,

suas consequências. Em sua opinião, existe a possibilidade de ocorrência de

uma “Terceira Guerra Mundial”? Se a resposta for positiva, quais países seriam

protagonistas no conflito? Que fatores poderiam levar a essa nova guerra?


2. A Guerra Fria representou a polarização mundial entre dois sistemas político

-econômicos, e foi protagonizada por Estados Unidos e União Soviética. Em

sua opinião, vivemos atualmente em um mundo polarizado? Justifique.

3. Com o término da Guerra Fria, o sistema capitalista triunfou na disputa contra

o socialismo. Em sua opinião, o capitalismo encontra algum outro sistema que

possa, em um futuro próximo, ameaçar sua hegemonia?

110 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA


reFerÊncias
ARRUDA, J. J. de A. & PILETTI, N. Toda a História.. São Paulo: Ática, 1997.

BERTONHA, Joao Fabio. Fascismo, nazismo e integralismo. São Paulo: Ática,


2003.

BLAINEY, Geoffrey. Uma breve história do mundo. Curitiba: Fundamento, 2012.

COGGIOLA, Osvaldo (org.). Ontem & hoje: Manifesto Comunista. São Paulo: Xamã,
1999.

COTRIM, Gilberto. História Global. São Paulo: Saraiva, 1999.

DOSSE, François. A História em migalhas. São Paulo: Ensaio; Campinas: Ed. Uni-
camp, 1992.

ENGELS, Friedrich. A origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Rio


de Janeiro: Civilização Brasileira: 1974.

ENGELS, Friedrich & MARX, Karl. O Capital: ed. condensada. Coleção Folha: livros
que mudaram o mundo – vol. 13. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010.

FURTADO, Joaci; VILLA, Marco Antonio. História Geral: da expansão marítimo-co-


mercial europeia aos nossos dias. São Paulo: Moderna, 1998.

GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e


Terra, 1980.

GOMES, Laurentino. 1808. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007.

GONÇALVES, José Henrique Rollo. O Império Otomano e as Rivalidades Imperialis-


tas. In: SILVA, Francisco Carlos Teixeira (org.). Impérios da História. Rio de Janeiro:
Campus Elsevier, 2009.

HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções, 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 2012.

______. A Era do Capital, 1848-1875. São Paulo: Paz e Terra, 2012.

______. A Era dos Impérios, 1875-1914. São Paulo: Paz e Terra, 2011.

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA 111


______. Como mudar o mundo: Marx e o marxismo. São Paulo: Companhia das
Letras, 2011.

______. Era dos Extremos: o breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Companhia
das Letras, 2012.

MAGNOLI, Demétrio. A História da Paz. São Paulo: Contexto, 2008.

MOTA, Carlos Guilherme. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Moder-


na, 1992.

OLYVER, Martyn. História Ilustrada da Filosofia. São Paulo: Manole, 1998.

RICHARD, Lionel. A república de Weimar (1919-1933). São Paulo: Companhia das


Letras, 1988).

RUESCAS, Jesus (org.). História Geral. São Paulo: Sivadi Editorial, 2004.

SMITH, Adam. Papel Moeda. Rio de Janeiro: Record, 1981.

SMITH, Adam. Riqueza das Nações: ed. condensada. Coleção Folha: livros que mu-
daram o mundo – vol. 4. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010.

TOCQUEVILLE, Alexis de. A Democracia na América. Coleção Folha: livros que mu-
daram o mundo – vol. 16. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010.

TRAGTENBERG, Maurício. A Revolução Russa. São Paulo: Unesp, 2007.

WARBURTON, Nigel. Uma breve história da filosofia. Porto Alegre: L&PM, 2012.

WELLS, H. G. História Universal – vol. 3. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1977.

WILLIANS, Raymond. Um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo: Boitem-


po, 2007.

112 HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA