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AO JUÍZO DA VARA CÍVEL DA COMARCA DE ________ .

________ , ________ , ________ , inscrito no CPF


sob nº ________ , ________ , residente e domiciliado
na ________ , ________ , ________ , ________ ,
________ , vem à presença de Vossa Excelência, por
meio do seu Advogado, infra assinado, ajuizar

AÇÃO ORDINÁRIA DE RESOLUÇÃO DE


CONTRATO DE LOCAÇÃO

em face de ________ , ________ , ________ ,


inscrito no CPF sob nº ________ , ________ ,
residente e domiciliado na ________ , ________ ,
________ , na Cidade de ________ , ________ ,
________ , pelos motivos e fatos que passa a expor.
BREVE RELATO DOS FATOS

O Autor firmou em ________ um contrato de Locação


Comercial com a Ré, para fins de implantar seu negócio no ramo de
________ nas especificações e prazos dispostos no contrato em anexo.

O prazo de vigência contratual previsto era de ________ , com


previsão para término em ________ .

Ocorre que com a Pandemia Mundial declarada em 11 de março de


2020 pela Organização Mundial da Saúde, bem como pelo Estado de
Calamidade Pública reconhecido pelo Governo Federal por meio do Decreto
Legislativo nº 6, de 2020 o contrato tornou-se insustentável.

A quarentena instituída pela Lei nº 13.979/2020 impediu o


normal funcionamento das atividades do Autor e de todo o comércio local,
afetando diretamente a continuidade do presente contrato, configurando um
FATO SUPERVENIENTE.

Com a suspensão das atividades, o Autor que vinha exercendo


________ , notoriamente afetadas pela quarentena, com um impacto
insustentável no seu fluxo de caixa, conforme ________ que junta em anexo,
evidenciando a ONEROSIDADE EXCESSIVA.

Ao apresentar uma proposta de composição amigável ao Réu,


buscando um parcelamento ou redução do valor, o mesmo respondeu
________ .

No presente caso, a quarentena instituída impediu o normal


funcionamento das atividades do Autor e de todo o comércio local, afetando
diretamente o valor do imóvel.

Assim, considerando que o contrato foi firmado em situação


diversa, de maior faturamento e maior valor agregado ao ponto comercial,
evidente que o Réu acaba auferindo um benefício superior ao devido para este
período de total inatividade, ao manter o valor originário do contrato,
configurando enriquecimento ilícito.

Trata-se de caso fortuito que tornou excessivamente oneroso o


contrato e insustentável para o Autor, motivando a rescisão.

Portanto, não obtendo êxito na solução junto ao Réu


extrajudicialmente, tem-se motivos suficientes para pleitear a rescisão do
contrato firmado com a Ré.

DO DIREITO À RESCISÃO CONTRATUAL

O direito à rescisão contratual é inerente à natureza de


bilateralidade de vontades formalizada pelo instrumento contratual. Afinal,
ninguém pode ser obrigado a manter-se numa relação pactuada quando deixam
de existir os elementos motivadores da relação.

No presente caso o ________ impede a continuidade do


contrato, motivando a presente ação.
DA TEORIA DA IMPREVISÃO - FATO FORTUITO

Trata-se de grave situação em nível mundial causado pelo COVID-


19, que dispensa maiores explicações, motivando inclusive, o Governo Federal a
decretar no estado de Calamidade Pública por meio do Decreto Legislativo
nº 6, de 2020, configurando FATO FORTUITO E DE FORÇA MAIOR.

É de notório conhecimento os efeitos nefastos da pandemia na


economia brasileira, impedindo a normal continuidade das atividades
comerciais, devendo ser considerados no presente caso.

Afinal, o autor sofreu com tais efeitos, em especial por


________ , causando ONEROSIDADE EXCESSIVA na continuidade do
contrato, conforme ________

Trata-se de situação prevista pelo Código Civil, amparando a


rescisão do contrato sem qualquer penalidade, por tratar-se de um fato fortuito
e manifestamente imprevisível, in verbis:

FATO FORTUITO E DE FORÇA MAIOR

Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos


resultantes de caso fortuito ou força maior, se
expressamente não se houver por eles responsabilizado.

Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior


verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não era
possível evitar ou impedir.
IMPOSSIBILIDADE SUPERVENIENTE DA PRESTAÇÃO

Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem


culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se por culpa
dele, responderá por perdas e danos.

TEORIA DA IMPREVISÃO - ONEROSIDADE EXCESSIVA

Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou


diferida, se a prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a
outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e
imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do
contrato. Os efeitos da sentença que a decretar
retroagirão à data da citação.

VIABILIDADE DE REEQUILÍBRIO OU RESCISÃO

Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier


desproporção manifesta entre o valor da prestação
devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz
corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que assegure,
quanto possível, o valor real da prestação.

Art. 479. A resolução poderá ser evitada, oferecendo-se o


réu a modificar eqüitativamente as condições do
contrato.

Art. 480. Se no contrato as obrigações couberem a


apenas uma das partes, poderá ela pleitear que a sua
prestação seja reduzida, ou alterado o modo de executá-
la, a fim de evitar a onerosidade excessiva.

Trata-se de efetiva aplicação da TEORIA DA IMPREVISÃO, pelo


qual uma das partes contratantes não tem condições de seguir no contrato
diante de grave desvantagem a que não tenha dado causa.

Cabe ainda destacar, que conforme entendimento do STJ, não se


exige prova de qualquer vantagem à parte adversa, sendo suficiente a
prova da onerosidade excessiva ao requerente, conforme enunciado do CJF-
STJ:

Enunciado 365 do CJF-STJ: A extrema vantagem do art.


478 deve ser interpretada como elemento acidental da
alteração das circunstâncias, que comporta a incidência
da resolução ou revisão do negócio por onerosidade
excessiva, independentemente de sua demonstração
plena.

Nesse sentido, a doutrina reforça a necessária observância da boa


fé das partes, de forma a manter um contrato equilibrado e, na sua
impossibilidade, permitir a resolução:

"Onerosidade excessiva. Resolução ou revisão do


contrato. A onerosidade excessiva, que pode tornar a
prestação desproporcional relativamente ao momento de
sua execução, pode dar ensejo tanto à resolução do
contrato (CC 478) quanto ao pedido de revisão de
cláusula contratual (CC 317), mantendo-se o contrato.
Esta solução é autorizada pela aplicação, pelo juiz, da
cláusula geral da função social do contrato (CC 421) e
também da cláusula geral da boa-fé objetiva (CC 422). O
contrato é sempre, e em qualquer circunstância,
operação jurídico-econômica que visa a garantir a
ambas as partes o sucesso de suas lídimas pretensões.
Não se identifica, em nenhuma hipótese, como
mecanismo estratégico de que se poderia valer uma das
partes para oprimir ou tirar proveito excessivo de outra.
Essa ideia desocialidade do contrato está impregnada na
consciência da população, que afirma constantemente
que o contrato só é bom quando é bom para ambos os
contratantes." (NERY JUNIOR, Nelson. NERY, Rosa
Maria de Andrade. Código Civil Comentado. 12 ed.
Editora RT, 2017. Versão ebook, Art. 478)

Nesse sentido, é o posicionamento do STJ, no qual deve


preponderar a boa fé as relações contratuais, de forma a vedar a continuidade
do contrato que afete INSUSTENTÁVEL DESVANTAGEM a uma das partes:

AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NOS


EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. CIVIL. COBRANÇA DE MULTA
POR RESCISÃO DE CONTRATO DE LOCAÇÃO DE
PRÉDIO COMERCIAL. NÃO INCIDÊNCIA DAS
SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. REAL INTENÇÃO DOS
CONTRATANTES. CÂNONE HERMENÊUTICO DA
TOTALIDADE E DA COERÊNCIA. FINS ALMEJADOS
PELAS PARTES. TEORIA DA IMPREVISÃO. FATO
SUPERVENIENTE IMPREVISÍVEL.
ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. MULTA DO ART. 1.021, §
4º, DO CPC. 1. (...). 4. Isso porque, nas declarações de
vontade, atender-se-á mais à intenção nelas
consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem,
devendo ser preservadas as legítimas expectativas criadas
pelas partes de boa-fé. 5.(...). Assim, a justa hermenêutica
a ser utilizada perpassa pela ocorrência de fato imprevisto
que pudesse inviabilizar a continuidade da atividade
empresarial. 8. Efetivamente ocorreu um fato imprevisto,
que culminou na prévia desocupação do imóvel, o que
atrai a incidência da cláusula contratual em testilha, cujo
efeito é isentar a parte recorrida do pagamento da multa
estipulada. 9. Como agentes da operação econômica,
exige-se daqueles que figuram nos polos da relação
jurídica contratual que atuem de forma diligente com
relação aos seus próprios interesses, isto é, que atuem em
conformidade com o standard médio do bonus
paterfamilias, máxime em se tratando de relação jurídica
paritária que representa a veste jurídica formal de
operação econômica. 10. Nota-se que foi exatamente o
que ocorreu no caso concreto: os recorridos
agiram em conformidade com a conduta do bonus
paterfamilias, com cálculo e prudência na
realização do negócio jurídico, mas, por alteração
superveniente das circunstâncias fáticas,
modificou-se o equilíbrio econômico do contrato.
11. Em consequência, procedendo-se à interpretação
baseada nos fins almejados na celebração do contrato de
locação comercial, é possível inferir que os recorridos
estariam dispensados do adimplemento da multa
contratual justamente nos casos de imprevisão.
Assim, a cobrança de multa, no caso concreto, ensejará o
enriquecimento ilícito dos ora recorrentes. 12. A simples
interposição de agravo contra decisão do relator não
implica a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º,
do CPC 13. Agravo interno não provido. (STJ, AgInt no
AgInt nos EDcl no AREsp 1475627/SP, Rel. Ministro LUIS
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
18/02/2020, DJe 05/03/2020)
Nesse sentido, confirma a jurisprudência sobre o tema:

(...) No Brasil, conquanto o Código Civil de 1916 não tenha


previsto a teoria aqui referida como regra geral para a
revisão contratual, o Código Civil de 2002 não incorreu na
mesma omissão, prevendo, expressamente, em seu artigo
478, de forma indireta, a possibilidade de sua aplicação.
Diante disso, para aplicação da teoria da imprevisão,
portanto, verifica-se indispensável que o acontecimento
que altera as circunstâncias prévias ao contrato seja
imprevisível, imprevisto, extraordinário e excepcional,
bem como a alteração circunstancial seja, de fato, radical,
de forma a impossibilitar o cumprimento das obrigações
contraídas. Soma-se a isso a necessidade de averiguar-se a
existência de prejuízo financeiro, inesperado e injusto, de
um dos contratantes, enquanto há enriquecimento daquele
que figura na outra ponta do negócio jurídico entabulado,
ou seja, deve ser evidente a onerosidade excessiva
suportada por uma das partes, a impedi-lo de prosseguir
na execução do contrato. Neste caso, verificando-se a
existência desses três pressupostos para teoria da
imprevisão, esta poderá ser aplicada pelos Tribunais
quando da revisão do contrato firmado, com base no art.
478 do Código Civil de 2002, de forma que a parte em
défice poderá requerer a resolução do contrato e os efeitos
da sentença retroagirão à data da citação. Logo, considera-
se que a modificação radical do quadro circunstancial em
que fora firmado o contrato garante o direito àquele que se
entender prejudicado resolver a contratação, ou ao menos
adaptar a forma de cumprimento daquilo que fora
acordado às condições que se impuseram, com
fundamento na equidade e na boa-fé objetiva. Neste
diapasão, a teoria contratual contemporânea contempla
quatro grandes princípios: autonomia privada, boa-fé,
justiça contratual e função social do contrato. (...) (TJ-RJ,
APELAÇÃO 0004879-46.2014.8.19.0037, Relator(a):
DES. RENATA MACHADO COTTA , Publicado em:
12/08/2019)

(...) A Pandemia decorrente da circulação do vírus SARS-


CoV-2, causadora da doença denominada COVID-19, é
fato público e notório, dispensável de ser explicada. Os
seus efeitos espraiam-se sob dois aspectos: o da saúde,
referente à alta morbidade da doença junto a grupos
vulneráveis, levando as autoridades públicas, com base em
manifestações de infectologistas e epidemiologistas, a
determinar o isolamento social da população, de modo a
não sobrecarregar o sistema de saúde e preservar vidas,
núcleo fundamental de qualquer país democrático e com
uma Constituição de cunho humanista. O segundo
aspecto, devido ao referido isolamento, é o
econômico. Em razão das já mencionadas e
necessárias medidas de isolamento social - até
mesmo de lockdown - há um profundo abalo no
funcionamento das economias, atingindo
principalmente os empresários na área de
serviços, profissionais liberais, trabalhadores
informais, etc... As atividades econômicas são baseadas
na troca de serviços, bens e circulação de capital e estão
completamente imbricadas a relações jurídicas inúmeras.
Em situações de crise econômica, em razão da
disfuncionalidade das trocas, as relações jurídicas
tencionam-se, deságuam em pretensões resistidas, e, ao
fim, em causas levadas ao Poder Judiciário. O Poder
Judiciário deve ser fonte de Segurança Jurídica. Por isso,
em termos ditos normais, tem de ser fiador da execução
dos contratos, da execução de garantias, da estabilidade
dos pactos, havendo a prevalência, pois, do Princípio da
Obrigatoriedade dos Contratos. Em situações como a
presente, de calamidade, entretanto, o Poder
Judiciário deve atuar de forma a mitigar as
consequências da crise, distribuindo os prejuízos
econômicos de forma adequada, de maneira a não
agravar mais ainda a situação de depressão
econômica. Com base nesse raciocínio, entra em
ação o Princípio da Imprevisão, autorizando-se a
modulação das obrigações quando evento externo,
imprevisível, ataca a relação jurídica e a torna difícil de ser
executada para um dos seus polos. Dependendo da
situação, portanto, poderá o Juiz relativizar o
cumprimento da obrigação, preservando até mesmo o
próprio Contrato, pois a sua não relativização levaria ao
rompimento da relação jurídica, prejudicando o próprio
credor. (...) Acredito ser adequada e equânime, portanto,
ao menos neste juízo inicial de delibação, a redução do
aluguel para o próprio valor apresentado pelo credor, mas
estendendo tal redução para os meses de abril e maio, não
apenas março, devendo eventual compensação, se existir,
ser verificada apenas quando do julgamento do mérito,
quando se terá maiores elementos para verificar as
condições econômicas do locador. A atuação, desta forma,
ao menos para mim, diminui a tensão da relação entre as
partes, considerada, sempre, a excepcionalidade do
quadro mundial. (...) (TJDF - Agravo de iNstrumento
0707596-27.2020.8.07.0000. Rel. Des. Eustáquio de
Castro. 01/04/2020)

Portanto, ficando demonstrada a imprevisibilidade da pandemia e


do alto grau de prejudicialidade financeira ao requerente, cabível a aplicação da
teoria da Imprevisão ao presente contrato.
DA ABUSIVIDADE DA MULTA RESCISÓRIA

Pela breve leitura da cláusula ________ do contratoo celebrado


entre as partes, verifica-se a nítida desproporcionalidade da pena pela
rescisão contratual, uma vez que aplica ao Autor uma penalidade pela
rescisão do contrato no aporte de ________ , o que é ABUSIVO!

Tanto a legislação material civil (geral), repudiam cláusulas


contratuais como a estabelecida pela Ré em seu contrato.

Especialmente diante dos graves acontecimentos que assolam a


comunidade mundial, configurando em claro enriquecimento ilícito,
expressamente vedado pelo Código Civil:

Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se


enriquecer à custa de outrem, será obrigado a
restituir o indevidamente auferido, feita a
atualização dos valores monetários.

Verifica-se, portanto, que a multa aplicada pela rescisão contratual


configura enriquecimento ilícito, devendo ser revisto, para que a rescisão seja
possível.

DAS PROVAS QUE PRETENDE PRODUZIR

Para demonstrar o direito arguido no presente pedido, o autor


pretende instruir seus argumentos com as seguintes provas:
a) Depoimento pessoal do ________ , para
esclarecimentos sobre ________ , nos termos do Art. 385
do CPC;

b) Ouvida de testemunhas, uma vez que ________ cujo


rol segue abaixo: ________

c) Obtenção dos documentos abaixo indicados, junto ao


________ nos termos do Art. 396 do CPC;

d) Reprodução cinematográfica a ser apresentada em


audiência nos termos do Parágrafo Único do art. 434 do
CPC;

e) Análise pericial da ________ .

Importante esclarecer sobre a indispensabilidade da prova


pericial/testemunhal, pois trata-se de meio mínimo necessário a comprovar o
direito pleiteado, sob pena de grave cerceamento de defesa:

CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DA


PRODUÇÃO DE PROVA ORAL E COMPLEMENTAÇÃO
DE PERÍCIA. Constitui-se cerceamento de defesa o
indeferimento da produção de prova oral e prova técnica
visando comprovar tese da parte autora, considerando o
julgamento de improcedência do pedido relacionado a
produção da prova pretendida. (TRT-4 - RO:
00213657920165040401, Data de Julgamento:
23/04/2018, 5ª Turma)
Tratam-se de provas necessárias ao contraditório e à ampla defesa,
conforme dispõe o Art. 369 do Novo CPC, "As partes têm o direito de
empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos,
ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos
fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na
convicção do juiz."

Trata-se da positivação ao efetivo exercício do contraditório e da


ampla defesa disposto no Art. 5º da Constituição Federal:

"Art. 5º (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com
os meios e recursos a ela inerentes;(...)"

A doutrina ao disciplinar sobre este princípio destaca:

"(...) quando se diz "inerentes" é certo que o


legislador quis abarcar todas as medidas
passíveis de serem desenvolvidas como
estratégia de defesa. Assim, é inerente o direito de
apresentar as razões da defesa perante o magistrado, o
direito de produzir provas, formular perguntas às
testemunhas e quesitos aos peritos, quando necessário,
requerer o depoimento pessoal da parte contrária, ter
acesso aos documentos juntados aos autos e assim por
diante." (DA SILVA, Homero Batista Mateus. Curso de
Direito do Trabalho Aplicado - vol. 8 - Ed. RT, 2017.
Versão ebook. Cap. 14)

Para tanto, o autor pretende instruir o presente com as provas


acima indicadas, sob pena de nulidade do processo.

DA TUTELA DE URGÊNCIA

Nos termos do Art. 300 do CPC/15, "a tutela de urgência será


concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo."

No presente caso tais requisitos são perfeitamente caracterizados,


vejamos:

A PROBABILIDADE DO DIREITO resta caracterizada diante


da demonstração inequívoca de que ________ .

Assim, conforme destaca a doutrina, não há razão lógica para


aguardar o desfecho do processo, quando diante de direito inequívoco:

"Se o fato constitutivo é incontroverso não há


racionalidade em obrigar o autor a esperar o tempo
necessário à produção da provas dos fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos, uma vez que o autor já se
desincumbiu do ônus da prova e a demora inerente à
prova dos fatos, cuja prova incumbe ao réu certamente o
beneficia." (MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela de
Urgência e Tutela da Evidência. Editora RT, 2017. p.284)

Já o RISCO DA DEMORA, fica caracterizado pela ________ ,


ou seja, tal circunstância confere grave risco de perecimento do resultado útil do
processo, conforme leciona Humberto Theodoro Júnior:
"um risco que corre o processo principal de não
ser útil ao interesse demonstrado pela parte", em
razão do "periculum in mora", risco esse que deve ser
objetivamente apurável, sendo que e a plausibilidade do
direito substancial consubstancia-se no direito "invocado
por quem pretenda segurança, ou seja, o "fumus boni
iuris" (in Curso de Direito Processual Civil, 2016. I. p.
366).

Por fim, cabe destacar que o presente pedido NÃO caracteriza


conduta irreversível, não conferindo nenhum dano ao réu .

Diante de tais circunstâncias, é inegável a existência de fundado


receio de dano irreparável, sendo imprescindível a ________ , nos termos do
Art. 300 do CPC.

DA JUSTIÇA GRATUITA

O Requerente atualmente é ________ , tendo sob sua


responsabilidade a manutenção de sua família, razão pela qual não poderia
arcar com as despesas processuais.

Para tal benefício o autor junta declaração de hipossuficiência e


comprovante de renda, os quais demonstram a inviabilidade de pagamento das
custas judicias sem comprometer sua subsistência, conforme clara redação do
Art. 99 Código de Processo Civil de 2015.

Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser


formulado na petição inicial, na contestação, na petição
para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
§ 1º Se superveniente à primeira manifestação da parte na
instância, o pedido poderá ser formulado por petição
simples, nos autos do próprio processo, e não suspenderá
seu curso.

§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver


nos autos elementos que evidenciem a falta dos
pressupostos legais para a concessão de gratuidade,
devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a
comprovação do preenchimento dos referidos
pressupostos.

§ 3º Presume-se verdadeira a alegação de


insuficiência deduzida exclusivamente por pessoa
natural.

Assim, por simples petição, sem outras provas exigíveis por lei, faz
jus o Requerente ao benefício da gratuidade de justiça:

AGRAVO DE INSTRUMENTO - MANDADO DE


SEGURANÇA - JUSTIÇA GRATUITA - Assistência
Judiciária indeferida - Inexistência de elementos nos
autos a indicar que o impetrante tem condições de
suportar o pagamento das custas e despesas
processuais sem comprometer o sustento próprio
e familiar, presumindo-se como verdadeira a
afirmação de hipossuficiência formulada nos
autos principais - Decisão reformada - Recurso provido.
(TJSP; Agravo de Instrumento 2083920-
71.2019.8.26.0000; Relator (a): Maria Laura Tavares;
Órgão Julgador: 5ª Câmara de Direito Público; Foro
Central - Fazenda Pública/Acidentes - 6ª Vara de Fazenda
Pública; Data do Julgamento: 23/05/2019; Data de
Registro: 23/05/2019

Cabe destacar que o a lei não exige atestada miserabilidade do


requerente, sendo suficiente a "insuficiência de recursos para pagar as custas,
despesas processuais e honorários advocatícios"(Art. 98, CPC/15), conforme
destaca a doutrina:

"Não se exige miserabilidade, nem estado de


necessidade, nem tampouco se fala em renda familiar ou
faturamento máximos. É possível que uma pessoa
natural, mesmo com bom renda mensal, seja merecedora
do benefício, e que também o seja aquela sujeito que é
proprietário de bens imóveis, mas não dispõe de liquidez.
A gratuidade judiciária é um dos mecanismos de
viabilização do acesso à justiça; não se pode
exigir que, para ter acesso à justiça, o sujeito
tenha que comprometer significativamente sua
renda, ou tenha que se desfazer de seus bens,
liquidando-os para angariar recursos e custear o
processo." (DIDIER JR. Fredie. OLIVEIRA, Rafael
Alexandria de. Benefício da Justiça Gratuita. 6ª ed.
Editora JusPodivm, 2016. p. 60)

Por tais razões, com fulcro no artigo 5º, LXXIV da Constituição


Federal e pelo artigo 98 do CPC, requer seja deferida a gratuidade de justiça ao
requerente.

DA GRATUIDADE DOS EMOLUMENTOS

O artigo 5º, incs. XXXIV e XXXV da Constituição Federal assegura


a todos o direito de acesso à justiça em defesa de seus direitos,
independente do pagamento de taxas, e prevê expressamente ainda que a
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.

Ao regulamentar tal dispositivo constitucional, o Código de


Processo Civil prevê:

Art. 98. A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as
custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma
da lei.

§ 1º A gratuidade da justiça compreende:


(...)

IX - os emolumentos devidos a notários ou


registradores em decorrência da prática de
registro, averbação ou qualquer outro ato notarial
necessário à efetivação de decisão judicial ou à
continuidade de processo judicial no qual o benefício
tenha sido concedido.

Portanto, devida a gratuidade em relação aos emolumentos


extrajudiciais exigidos pelo Cartório. Nesse sentido são os precedentes sobre o
tema:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.


BENEFICIÁRIO DA AJG. EXECUÇÃO DE SENTENÇA.
REMESSA À CONTADORIA JUDICIAL PARA
CONFECÇÃO DE CÁLCULOS. DIREITO DO
BENEFICIÁRIO INDEPENDENTEMENTE DA
COMPLEXIDADE. 1. Esta Corte consolidou jurisprudência
no sentido de que o beneficiário da assistência judiciária
gratuita tem direito à elaboração de cálculos pela
Contadoria Judicial, independentemente de sua
complexidade. Precedentes. 2. Recurso especial a que se
dá provimento. (STJ - REsp 1725731/RS, Rel. Ministro OG
FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/11/2019, DJe 07/11/2019)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA.


EMOLUMENTOS DE CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL.
ABRANGÊNCIA. Ação de usucapião. Decisão que
indeferiu o pedido de isenção dos emolumentos, taxas e
impostos devidos para concretização da transferência de
propriedade do imóvel objeto da ação à autora, que é
beneficiária da gratuidade da justiça. Benefício que se
estende aos emolumentos devidos em razão de
registro ou averbação de ato notarial necessário à
efetivação de decisão judicial (art. 98, § 1º, IX, do
CPC). (...). Decisão reformada em parte. AGRAVO
PARCIALMENTE PROVIDO. (TJSP; Agravo de
Instrumento 2037762-55.2019.8.26.0000; Relator (a):
Alexandre Marcondes; Órgão Julgador: 3ª Câmara de
Direito Privado; Foro de Santos - 10ª Vara Cível; Data do
Julgamento: 14/08/2014; Data de Registro: 22/03/2019)

Assim, por simples petição, uma vez que inexistente prova da


condição econômica do Requerente, requer o deferimento da gratuidade dos
emolumentos necessários para o deslinde do processo.

DOS PEDIDOS
Isso posto, requer a Vossa Excelência:

1. A concessão do benefício da assistência judiciária


gratuita, por ser o Autor pobre na acepção legal do termo;

2. A citação dos réus para, querendo, responder a presente


ação;

3. A total procedência da presente demanda com a


declaração da resolução do contrato;

3.1 Cumulativamente, requer seja o Autor isento da multa por rescisão


antecipada do contrato, considerando os fatos acima narrados;

4. A produção de todas as provas admitidas em direito;

5. A inversão do ônus da prova, uma vez que ________ ,


com a exigência ao Réu que apresente ________ ;

6. A condenação do réu ao pagamento de honorários


advocatícios nos parâmetros previstos no art. 85, §2º do
CPC.

7. Requer que as intimações ocorram EXCLUSIVAMENTE


em nome do Advogado ________ , OAB ________ .

Por fim, manifesta o ________ na audiência conciliatória, nos termos do Art.


319, inc. VII do CPC.

Dá-se à causa o valor R$ ________ .

Nestes Termos, Pede Deferimento.

________ , ________ .

________

ANEXOS

3.1 Cumulativamente, requer seja o Autor isento da multa por rescisão


antecipada do contrato, considerando os fatos acima narrados;

1. Comprovante de renda

2. Declaração de hipossuficiência

3. Cópia do RG e CPF do Autor

4. Comprovante de residência do Autor


5. Procuração

6. Custas Judiciais

7. Cópia do contrato

8. Prova da notificação e resposta do Réu

9. Provas do alegado