Você está na página 1de 5

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE MIRANDA DO CORVO

ANO LETIVO 2019/2020


EB 2.3 C/SEC. JOSÉ FALCÃO

A Cultura do Mosteiro

CONTEXTO DO APARECIMENTO DA IDADE MÉDIA


• Período conturbado da história que se inicia com a desagregação das estruturas
romanas – sécs. V e VI.
Conceito de
• Iniciou-se com o fim do Império Romano do Ocidente, no século V (476), e
Idade Média
terminou com a Queda de Constantinopla, no século XV (em 1453).
• Prolongou-se do séc. IX ao séc. XV
• 476 - Tomada da cidade de Roma e simbolicamente queda do império romano
(Ocidente), causada pelas invasões bárbaras
Grandes
• Os Bárbaros - povos que invadiram o império romano. Suevos, Alanos, Vândalos,
Acontecimen
Visigodos, Ostrogodos...
tos
• Sucessivas vagas de invasões à Europa: muçulmanos (séc. VII),
normandos, eslavos e magiares, após o séc. IX
• Enfraquecimento da economia mercantil: dando origem a uma economia de
carácter agrário, dependente da Natureza, na qual a moeda perdeu poder ou
Alterações chega a rarear.
Causadas • Declínio e redução dos centros urbanos: pela importância económica e politica
Pelo Embate que tinham, as cidades eram alvos preferidos dos ataques dos bárbaros.
Entre o • Desorganização da administração pública: desapareceram as instituições do
Mundo império, enfraqueceu o poder central, desapareceu o exército e o poder
Romano e pulverizou-se em múltiplos poderes locais.
Bárbaro • Houve uma grande depressão económica: a vida económica entrou em
• declínio, as guerras e o receio de novos conflitos, a insegurança ameaçavam o
crescimento normal das populações

O Nascimento do feudalismo: é marcado pela ruralidade da vida económica, por uma sociedade
guerreira e rural, rude e cavaleiresca, que os jograis e trovadores foram cantando nas suas cantigas de
amigo.
Neste mundo feudal, violento, arcaico e rural – uma única força se manteve ao longo dos tempos –
o Cristianismo – cuja fé foi um elemento aglutinador e ordenador de uma Europa dividida e decadente.

A PREPONDERÂNCIA CULTURAL DA IGREJA NO OCIDENTE


• mundo romano era alfabetizado, com escolas e bibliotecas em todas as cidades.
• existia um forte dinamismo devido aos filósofos, academias, sábios e professores.
• A cultura e um saber próprio circulavam entre o Ocidente e o Oriente.
• Entre os sécs. V e VIII – devido às invasões bárbaras, desapareceu este cenário
cultural
• Muitas escolas fecharam, desapareceu um poder forte e centralizado, dinamizador
da atividade das instituições culturais e cívicas
• A população fugiu para os campos, ruralizando o seu modo de vida
• A instabilidade e insegurança – conduziu o mundo ocidental a uma depressão cultural –
as crianças não iam à escola, desenvolveu-se o analfabetismo e uma cultura popular não
escolarizada, não escrita, baseada na tradição oral
• A igreja, enquanto estrutura que permaneceu no território, dando coesão, apoio e
unidade às populações, legitimando os novos poderes, viu o seu papel reforçado,
assumindo preponderância cultural, enquanto guardiã do saber e da palavra escrita

O CRISTIANISMO
• Nasceu no Império Romano;
• Conheceu a sua grande expansão no séc. II e III;
• Pelo Édito de Milão (313) o imperador Constantino concede liberdade de culto
aos cristãos; com o imperador Teodósio, através do Édito de Tessalónica (380),
O
o cristianismo torna-se a religião oficial do império romano, fixando-se a
Cristianismo
doutrina oficial no Concilio de Constantinopla em 381;
• Partilharam ideais de fraternidade, pacifismo e centralização.
• O termo Cristandade: significa a comunidade de povos e nações que professam
a mesma fé cristã
• Os bispos cristãos aproveitam a desorganização e decadência do império para:
• Congregarem e organizarem as comunidades de fiéis.
• Cristianizarem, batizando os bárbaros
Papel da • Manter uma autoridade junto das populações.
Igreja • Desenvolver uma importante ação civilizadora: interferiram ao nível das
técnicas agrícolas, desenvolvimento das artes e letras.
• Os Mosteiros - foram os centros difusores dessa nova cultura promovida pela
Igreja.

O MONAQUISMO
No Oriente: Séc. IV (Egipto, Síria, Ásia Menor)
• Anterior ao Cristianismo
• Nasceu ligado ao desejo de isolamento do mundo profano – o ascetismo
• Nasceu de iniciativas individuais – depois surgiram comunidades de
Origem
monges/monjas que seguiam o seu mestre.
No Ocidente:
• séc.V, surgiu por iniciativa de bispos
• sécs VI e VII – apareceram os primeiros legisladores – S.Bento de Núrsia
REGRA DE SÃO BENTO
• Em 529, S. Bento de Núrsia funda a Ordem Beneditina, na abadia de
Montecassino
• Esta Regra serviu de modelo para a maioria da vida dos mosteiros até ao séc.XII
Percurso
• Foi recomendada por reis (Luís, o Piedoso, filho de Carlos Magno)
• Deu origem, através de várias reformas às Ordens de Cluny e Cister
"O mosteiro era uma escola ao serviço do Senhor".
• Ofício do culto
• oração e trabalho no scriptorium ou nos campos (a ociosidade é inimiga da
alma)
Obrigações
• definia cargos e tarefas de cada um, muito hierarquizadas
• estabelecia um código penal para faltosos (flajelamentos, isolamentos, jejum,
abstinência, meditação)
• Localizados em zonas isoladas
• Eram centros de meditação, oração e ascese como se fossem o mundo celestial.
• Eram concebidos como pequenos mundos autónomos - autossuficientes.
• Virados para o interior, rodeados de muralhas, vigiados.
Localização
• Havia cargos próprios.
dos
• As entradas eram limitadas a horários rígidos.
Mosteiros
• Havia uma hierarquia: nem todos os que entravam no mosteiro tinham o
mesmo
• tratamento social: os nobres eram privilegiados, podiam ter alojamento; outros
não passavam da hospedaria.
Definido por S.Bento – era uma organização complexa.
• No coração do complexo:
Situava-se a Igreja, de planta basilical (junção do Céu e da Terra)
• Sul – ficava o claustro, de acesso reservado
Plano • Ala nascente (junto à cabeceira da igreja):
arquitetóni- -destinada às funções espirituais: sala do Capítulo, escola, escritório
co do -residência da Irmandade (o abade teve residência à parte até ao séc.XII)
mosteiro • Ala Sul do Claustrum:
-dependências funcionais; refeitório, cozinha, despensa, adega, banhos,
latrinas, estábulos, pomares, horta, vinhas, jardins…
• Oeste (junto à entrada) – os que se iniciam na vida religiosa, os hóspedes,
doentes, velhos e o cemitério
A riqueza do mosteiro provinha dos rendimentos dos dízimos, doações, rendas
Rendimento
fundiárias, corveias, etc
• Foram centros de dinamização económica (técnicas agrícolas, artesanato e
Importância
comércio)
cultural e
• Centros de produção cultural: teologia, letras, ciência e escolas, bem como
religiosa
centros dedicados a cópias de manuscritos e produção de iluminuras.

A VIDA NOS MOSTEIROS


Nos mosteiros beneditinos de toda a Europa medieval, os monges eram arrancados ao minguado
conforto dos seus colchões de palha e ásperos cobertores pelos sineiros, que os despertavam às
2 horas da madrugada. Momentos depois, dirigiam-se apressadamente, ao longo dos frios
corredores de pedra, para o primeiro dos seis serviços diários na enorme igreja (havia uma em
cada mosteiro), cujo altar, esplendoroso na sua ornamentação de ouro e prata, resplandecia à
luz de centenas de velas. Esperava-os um dia igual a todos os outros, com uma rotina invariável
de quatro horas de serviços religiosos, outras quatro de meditação individual e seis de trabalhos
braçais nos campos ou nas oficinas. As horas de oração e de trabalho eram alternadas com
períodos de meditação; os monges deitavam-se geralmente pelas 6.30 horas da tarde. Durante
o Verão era-lhes servida apenas uma refeição diária, sem carne; no Inverno, havia uma segunda
refeição para os ajudar a resistir ao frio.
Era esta a vida segundo a Regra de S. Bento, estabelecida no século VI por Bento de Núrsia, o
italiano fundador da Ordem dos Beneditinos, canonizado mais tarde. S. Bento prescrevia para os
monges uma vida de pobreza, castidade e obediência, sob a orientação monástica de um abade,
cuja palavra era lei. Luís, o Piedoso, imperador carolíngio entre 814 e 840, encorajou os monges
a adotarem a Regra de S. Bento.
E, por volta do ano 1000, a regra seguida praticamente em todos os mosteiros da Europa
Ocidental inspirava-se na dos Beneditinos, tal como muitos dos edifícios se baseavam no
"modelo" delineado para o Mosteiro de St. Gallen, na Suíça, em 820.
A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino (no Sul de Itália),
abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos grandes mosteiros do Mundo. Bento foi o
seu primeiro abade, e foi ele quem estabeleceu o modelo de autossuficiência advogado pelas
primitivas regras monásticas — dependência total dos próprios campos e oficinas — que
orientou durante séculos os mosteiros da cristandade ocidental.
Em todos os antigos mosteiros beneditinos, a vida era totalmente comunitária. A rotina diária
centrava-se naquilo a que S. Bento chamava "trabalho de Deus" — demorados ofícios de
complexidade crescente. O trabalho manual que a regra estipulava existia não só para fornecer
aos frades alimentação e vestuário, como também para evitar a sua ociosidade e lhes alimentar
a alma mediante a disciplina do corpo. Posteriormente, quando as abadias enriqueceram,
sobretudo através de doações de fiéis devotos, os dormitórios comunitários foram substituídos
por celas individuais; e foram contratados trabalhadores para cuidarem dos campos, o que
permitiu a muitos monges dedicarem-se a outras atividades, nomeadamente o estudo, graças
ao qual a Ordem de S. Bento viria a ser tão justamente célebre.
Nos seus jardins murados, os monges cultivavam ervas medicinais; num dado momento—
ninguém sabe quando —, ocorreu-lhes a ideia de adicionar algumas ervas à aguardente,
inventando assim o licor beneditino. Pode parecer estranha esta associação da vida monástica
com o luxo das bebidas alcoólicas, mas o vinho foi sempre uma bebida permitida aos Beneditinos.
Ligava bem com as suas refeições simples, constituídas essencialmente por pão, ovos, queijo e
peixe. Embora a carne fosse proibida nos primeiros séculos, posteriormente algumas abadias
adicionaram aos alimentos consumidos as aves de capoeira e de caça, uma vez que o fundador
não as mencionara expressamente entre as vitualhas (mantimentos) proibidas. Em todas as
refeições, porém, reinava o silêncio. Deste modo, a Regra de S. Bento, posto que severa sob
muitos aspetos, conseguiu atingir um certo equilíbrio entre a ascese e o comprazimento.
Bento, obviamente, conhecia a natureza humana. Embora os monges fossem obrigados a
levantar-se muito cedo, aconselhava-os a "encorajarem-se uns aos outros com indulgência e a
atenderem às desculpas dos dorminhocos" e autorizava a sesta durante o Verão. Além disso, o
primeiro salmo do dia devia ser recitado lentamente, a fim de permitir que os retardatários
apanhassem os companheiros. Recomendava-se o silêncio, mas em termos de "espírito de
taciturnidade", e não de completa mudez; de facto, existia uma sala especial, com uma lareira
acesa no Inverno, onde os monges conversavam. Igual consideração para com os monges se
verificava no fornecimento do vestuário, simples, mas limpo, que incluía uma muda do hábito e
da túnica interior. S. Bento não desejava imitar o ascetismo extremo das sociedades monásticas
do Egipto ou da Síria. No entanto, os banhos, exceto para os doentes, eram desaconselhados
como luxo exagerado. De acordo com a sua imutável rotina, os Beneditinos viviam e trabalhavam
em obediência absoluta ao seu abade. Eram eles que o elegiam, mas a partir de então a sua
autoridade era total e vitalícia. Era o abade quem deliberava sobre a faceta privilegiada do
mosteiro — se este deveria primar pela santidade austera, pela cozinha ou pela erudição. No
interior das suas paredes maciças, que nenhum cristão ousaria atacar, os mosteiros possuíam
bibliotecas nas quais se conservou intacta grande parte da herança literária da Antiguidade
durante os séculos em que a Europa foi assolada por invasões e guerras intestinas.
Na realidade, a segurança, tanto económica como física, que os mosteiros ofereciam às
respetivas irmandades deve ter constituído um dos seus principais atrativos. Séculos após século,
tanto os Beneditinos como os monges de outras ordens religiosas viveram sem temer a fome, a
guerra ou o desamparo. E reconfortava-os sempre a ideia de que, no fim, tinham maiores
probabilidades de salvação do que os camponeses ou os cavaleiros, que viviam apegados às
coisas mundanas.

O DESENVOLVIMENTO
Aproximadamente a partir do ano 1000 dá-se a inversão das tendências depressivas
Ano Mil
que se viviam desde a queda do império romano.
• Acabam as invasões
• Instala-se um clima de segurança e estabilidade
Séc. XI em • Aplicam-se novas técnicas agrícolas, novos arroteamentos
diante • A agricultura começa a produzir excedentes
• Lentamente a população volta a crescer
• Renasce o comércio.
Os Burgos:
• Tornaram-se símbolos do renascimento na Europa
• À sua volta: desenvolvem-se as feiras e mercados prósperos, as
Universidades e Colegiadas.
Séc.XII
A Igreja:
• lançou tréguas e a Paz de Deus,
• Incentivou as peregrinações a lugares santos
• Organizou as Cruzadas.

A reabertura económica e renovação cultural, bem como a multiplicação e crescimento


dos burgos cria o ambiente propício ao desenvolvimento da Arte Românica.

Você também pode gostar