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JEAN-No E L ALE Tr 1 MA u R 1 e E G 1 L BE RT

JEAN-LOUIS SKA SYLVIE DE VULPILLIERES



Vocabulário ponderado
da exegese bíblica
Titulo original:
Vocabulaire raisonné de l'Exégese biblique -
Les mots, les
approches, les auteurs
© Les �ditions du Cerf, 2005
29, boulevard La Tour-Maubourg
75007 Paris, France
ISBN 978-2-204-07380-6

Capa: Mauro C. Naxara


Diagramação: So Wai Tam
Revisão: Ivone Andrade

20120089-6

Edições Loyola Jesuítas


Rua 1822, 341 lpiranga
-

04216-000 São Paulo, SP


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arquivada em qtialq
uer sistema ou banco de dado
escrita da Editora. s sem permissão

ISBN 978- 85-15-038


56-5
© EDIÇÕES LOY
OLA, São Paulo, Brasil, 2011

L
SUMÁRIO

Premissa ... .. . . . . ....... . . ...... ........ ............................ .


. . . . . . . . ... .. . .......
...... ...... .... .. . ......... 7

Nota prévia à edição brasileira ....................................................... ................ . 9

Primeira parte• Os vários livros da Bíblia.................................................... . 11


1. A Bíblia: seu conteúdo .............................................................................. .
11
II. A Bíblia e o cânon das Escrituras ............................................................ . 21
III. A Bíblia e a sua transmissão ................................................................... . 23
IV. As línguas da Bíblia e de suas versões antigas ....................................... . 30
V. A Bíblia submetida à crítica ..................................................................... . 33
V I. Lista dos manuscritos encontrados no deserto da Judeia ....................... .
38
VII. Antiga literatura judaica e cristã não canônica ..................................... . 39

As abordagens à Bíblia················'···································································· 43

Segunda parte• Abordagem diacrônica ou histórico-crítica........ ............... . 45


li
Terceira parte • Abordagens sincrônicas.......................................................
-
. 79
li
I. Vocabulário da análise narrativa ............................................................... . 79
... . .
da ana'I.1se retonca ................................................................
.

II. Vocabulano
' . 93
-.
a III. Vocabulário da análise epistolar ............................................................. . 115
IV. Vocabulário usado para a exegese dos escritos de Paulo ........................ . 117
V. Vocabulário relativo à exegese judaica e cristã ........................................ . 120

Quarta parte• Vocabulário geral - Termos estrangeiros ............................ . 127


I. V oca bulário geral ...................................................................................... . 127
11. Ter mos ingleses e alemães ....................................................................... . 142
[11. Term os hebraicos e gregos ..................................................................... . 148
1
Anexos................................................................................................................ 151

1. Alguns grandes nomes da exegese........ .................................................... 151


2. A brevia ções dos livros do AT e do NT. ..... .. ..... ...... ... ... ..... ..... ......... .........
. 155
3. A breviações de títulos de livros, de coletâneas e de
revistas frequ entemente citados................................................................. 157
4. Alguns livros sobre o vocabulário da exe gese.......................................... 165

Índice temático . ........... .......................... ............................................................ 167


PREMISSA

Para entrar no vocabulário e nos procedimentos da exegese, é necessária


uma iniciação. Os estudantes que se defrontam com os estudos bíblicos, bem
como os leitores de artigos, de revistas ou de comentários bíblicos, encon­
trarão aqui o vocabulário específico utilizado na exegese, bem como outros
tennos pertencentes a outros campos (literatura, línguas antigas e modernas),
dos quais necessitam para compreender o que leem.
Concebemos este livro em função das necessidades e não como um simples
dicionário alfabético. As definições são apresentadas colocando os vocábulos
técnicos em relação uns com os outros, para que a compreensão de um per­
mita perceber a configuração completa das diversas abordagens e métodos.
Remissões a termos associados ou complementares, uma apresentação em um
discurso contínuo (sobretudo na primeira parte), exemplos que esclarecem uma
definição que poderia parecer árida e abstrata, tudo isso pern1ite tomar um
vocábulo no contexto e nas suas diversas acepções. Os termos (substantivos,
adjetivos, nomes próprios) encontram-se na margem do parágrafo em que
são tratados. Alguns teimos ocorrem, portanto, mais de uma vez. O índice
completo (cerca 1.200 palavras) no fim do livro serve como dicionário: os
termos estão dispostos em ordem alfabética, a remissão à página em que é
dada a definição propriamente dita está em negrito, as demais ocorrências
estão em caracteres normais.
A experiência mostrou que muitos leitores necessitam de uma apresentação
estruturada dos livros da Bíblia e do cânon das Escrituras. É esta a proposta
da primeira parte, muito didática, escrita pelo Pe. Maurice Gilbert. Os livros
da Bíblia são passados em revista e são apresentados: a sua transmissão, o
cânon da Escritura, as línguas usadas, as diversas versões e manuscritos. O
autor termina indicando as várias análises críticas aplicadas ao texto bíblico
e oferece a lista da literatura judaica e cristã não canônica.

--- 7
PREMISSA --
A segunda parte trata da constituição da exegese moderna e da sua evo­
lução. Apresenta o vocabulário da abordagem diacrônica ou histórico-crítico
seguindo a ordem alfabética. Esta parte é de autoria do Pe. Jean-Louis Ska.
A terceira parte apresenta o vocabulário da exegese sincrônica, segundo as
diversas análises: narrativa, retórica, epistolar, incluindo a literatura judaica e
cristã e as cartas de Paulo. Foi redigida pelo Pe. Jean-Noel Aletti.
Pareceu útil oferecer, na quarta parte, certo número de termos utilizados
na análise literária em geral, bem como um breve vocabulário de termos he­
braicos, gregos, ingleses e alemães, que um leitor pode encontrar em textos
um pouco especializados; anexos, para os principiantes, que apresentam, por
exemplo, "alguns grandes nomes da exegese" e uma breve bibliografia con­
cluem o livro. Esta parte é de autoria de Sylvie de Vulpillieres, que também
cuidou da seleção dos termos a serem definidos, da coordenação do trabalho
dos autores e da composição final deste livro.
Para evitar qualquer mal-entendido, repetimos que este vocabulário da
exegese não oferece as palavras do vocabulário teológico, exceto as que com­
portem um significado particular para o exegeta, como, por exemplo, "aliança"
na expressão "o código da aliança". Do mesmo modo, não aparecem aqui os
nomes próprios da Bíblia, exceto aqueles usados na exegese, como Elohim
quando se discute a fonte "eloísta" do Pentateuco. Esses nomes podem ser
encontrados em outros dicionários especializados ou simplesmente no índice
final das edições da Bíblia. O objeto do presente Vocabulário ponderado da
exegese é a apresentação dos termos utilizados na análise e nos comentários
da Bíblia.

Paris, 14 de junho de 2005.


Sylvie de Vulpillieres,
Andrée Thomas, editor.

8 --- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BlBLICA


--
NOTA PRÉVIA À EDIÇÃO BRASILEIRA

Rome. le 5 mai 201 O

La préscnte traduction en portugais brésilien de l'ouvmge collectif inútulé

Vocabulaire raisonné de /'Exégese biblique, publié à Paris cn 2005 parles Éditions du Ccrt:
a été réalisée en collaboration avec l es auteurs. Ceux-ci ont pu la revoir et y apporter lcs
corrections nécessaires.

En particulier, de légeres modifications ont été apportées parles auteurs par rapport à
l'édition française originale et à la version en italien.

Nous approuvons cette presente traduction, étant entendu que nous reccvrons,

sous formal pdf. la traduction dans son étal final et prête pour l'impression.

;:µ, éo�� _['Jo


Jean-Louis SKA, S.J.

Syh·,'e de, f;u/p;.fJ,�.


Sylvie de VULPILLIERES

Roma, 5 de maio de 201 O.

A presente tradução em português do Brasil da obra coletiva intitulada


Vocabulário ponderado da exegese bíblica, publicada em Paris em 2005 pela
Éditions du Cerf, foi realizada em colaboração com os autores. Eles puderam
revê-la e fazer as correções necessárias.
Em particular, as ligeiras modificações foram feitas pelos autores em
relação à edição francesa original e à versão em italiano.

--
NOTA PR�VlA À EDIÇÃO BRASlt[IRA -- 9
Nós aprovamos a presente tradução, estando combinado que receberemos,
em formato pdf, a tradução em seu estado final e pronto para a impressão.

Jean-Noel Aletti, S.J.


Maurice Gilbert, S.J.
Jean-Louis Ska, S.J.
Sylvie de Vulpillieres

SE BiBllCA
10 --
VOCABUIÀRIO PONDERADO DA rxEGE
--
PRIMEIRA PARTE
OS VÁRIOS LIVROS DA BÍBLIA

1. A BÍBLIA: SEU CONTEÚDO

BÍBLI A A palavra Bíblia vem do grego tà biblía, "os livros" . A B íbl ia


contém os livros sagrados do judaísmo e do cristianismo.
Cada um dos l ivros da Bíblia pode ser des i gnado m ediante
um a abreviação de sé u tíh1 lo. Por exemplo: Gn para o livro
do Gênes is, Mt para o evangelho segundo Mateus . Ess as
abreviações diferem de língua para l íngua.
� Tabela no anexo 2.

CAPÍTULO, Para facilitar a bus ca de uma pass agem, cada l ivro fo i


VEl�SÍCULO dividido em capítulos e cada capítulo em versículos: a di­
visão em capítulos, atribuída a Étienne Langton, impôs-se
em t orno de 1230, com a Bíblia lat ina da Univers idade de
Paris, e a divisão em vers ículos fo i estabelecida por Robert
Estienne, em Genebra, entre 1551 e l 555. Essas divisões não
têm outra fi nalidade senão perm itir uma referênc ia rápida a
determ inada pass agem .

REFERÊNCIA Enfim, a referência a um t exto bíblico é fe ita geralm ent e


do s eguinte modo:
Gn 1, 1 significa: livro do Gênesis, capítulo 1, versículo l;
Ex 2, l -1 O: livro do Êxodo, capítulo 2, versículos de 1 a 1 O;
Jo 9,1-10,21: evangelho de João, do capítulo 9, versículo 1, ao
capítulo 1 O, versículo 21.

ESTÍQUIO Em poes ia, uma linha de texto é chamada estíquio, do grego


HEMISTÍQ UJO stíchos (ver Sb ou Jo 1, 1-1 8). A metade de um es tíquio é
chamada hemistíquio. Um vers o hebraico é comp ost o nor­
DÍSTICO malm ent e de dois est íqui os: é um dístico.

OS VÁRIOS LIVROS DA BIBU/\ 1 1


---
--
1. A Bíblia hebraica

A B íblia hebraica, i sto é, escri ta em hebraico, única Bíbl ia


do judaísmo, é composta d e vi nte e quatro livros, divi didos
em três seções: Torah, Nebi 'fm, Ketubim, termos hebraicos
LEI, que sign ificam respectivamente : Lei, Profetas, Escritos, de
PIWFETAS,
ESCRITOS,
modo abreviado: TaNaK, pal avra que toma a primeira letra
TANAK do títul o dado a cada seção. Corresponde, maionnente, ao
"Antigo Testamento" dos cristãos.

A Lei

TORAH A L ei o u Torah compreende os seguintes l ivros: Gênesis,


GÊNESIS Ê xod o , Lev ítico, Números, Deuteronôm i o. O l iv ro do
Génesis interessa-se pelas origens, da criação à torre de B abel
(Gn 1 - 1 1 ), e pela hi stória dos Patriarcas (Gn 12-50). O con­
junto fonnado pelos l ivros de Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio narra os acontecimentos do êxodo dos hebreus
do Egito, do nascimento de Moisés à sua morte. Nesse con­
CÓDIGO junto foram inseridos os códigos legislativos, em particular:

DECÁLOGO •o Decálogo ou as Dez Pa lavras pronunciadas pelo SENHOR


n o S inai (Ex 20,2- 1 7 e Dt 5,6-2 1 );

CÓDIGO DA • o Código da Aliança (Ex 20,22-23, 1 9): o SENHOR o co­


ALIANÇA
munica a Moisés no Sinai;

LEI DE SANTIDADE • a Lei de Santidade ( Lv 17-26): transm i tida a M oisés pelo


SENHOR durante a permanência do povo no deserto;

CÓDIGO • o Código deuteronômico (Dt 1 2-26), parte centra l do


DEUTERONÔMICO
Deuteronômio ou Segunda Lei: este cód igo é apresentado
como promulgado por Moisés em Moab, antes da conquista
de Canaã.

Os Profetas

Os Profetas ou Nebi 'im estão d ivididos em dois grupos. A


tradição hebraica chama o primeiro de "Profetas anterio­
res" e o segundo de "Profetas posteriores" (ver Talmude
da Babilôn ia, Sota 48b).

12 ---
VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
--
• Um primeiro grupo de livros (Josué, Juízes, 1-2 Samuel,
1-2 Reis) forma um relato que cobre o período que vai da
conquista de Canaã até a destruição de Jerusalém, em 586
a.C. e o fim da monarquia. Os profetas Samuel, Natà, Elias,
Eliseu, a profetisa Hulda e vários outros, durante esse perío­
do, desempenham papel de primeira grandeza. Este grupo
de livros constitui também uma unidade literária, a história
DEUTEIWNÔM ICA,
deuteronômica, escrita no espírito do livro do Deuteronàmio:
DEUTERONOMISTA uma mesma escola, a deuteronomista, reconhecível por seu
estilo amplo e pela sua teologia (as infidelidades à aliança
com o Senhor provocam a ruína, só o Senhor permanece
fiel aos seus compromissos), utiliza muitos documentos
organizados em um quadro homogêneo.

• Um segundo grupo de livros está dividido em quatro co­


leções de oráculos proféticos, de tamanho mais ou menos
PROFETAS
igual: Isaías, Jeremias, Ezequiel e os "Doze profetas meno­
MENORES
res". Desde a metade do século VIII até em torno do ano 400
a.C., estes profetas deixaram sua mensagem por escrito.

- A primeira dessas quatro coletâneas não conserva somente


os oráculos do profeta Isaías (cerca de 740-685 a.C.) e as
releituras de seus discípulos, mas também, em Is 40-55,
oráculos de um profeta do final do exílio na Babilônia,
SEGUNDO ISAÍAS, do início do século VI, que é chamado de Segundo Isaías

D ÊUTERO-ISAÍAS ou Dêutero-Jsaías. É nesta coletânea mais recente que se

CANTOS D O SERVO encontram os quatro cantos do Servo (Is 42, 1-9; 49,1-7;
50,4-11; 52,13-53,12).

- No livro de Jeremias, as passagens em prosa, de estilo


deuteronomista, podem ser devidas ao secretário do profe­
ta (ver Jr 36). Entre os oráculos de Jeremias, destacam-se

CONFISSÕES DE as suas Confissões, que manifestam o seu drama interior


JEREMIAS
(Jr 11,18-12,6; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18).

- O livro de Ezequiel termina com aquela que é chamada

TORAH DE
de Torah de Ezequiel (Ez 40-48) e que propõe um projeto
EZEQUIEL para a reconstrução do Templo e a reorganização do culto
após a volta do exílio.

--

OS VÁRIOS LIVROS DA BiBllA --


13
PROFETAS - A coletânea dos Doze "profetas menores" - chamados
MENORES
"menores" unicamente pela quantidade dos escritos deles
conservados - reúne-os seguindo globalmente a ordem
cronológica que a tradição lhe atribuía. Na verdade, o mais
tardio é Joel, em torno de 400 a.e.

Os Escritos

Os Escritos ou Ketubím dividem-se em três grupos de livros.


• O primeiro grupo recolhe os livros mais longos e mais
antigos: Salmos, Já e Provérbios.

SALMO A palavra salmo vem do grego psalmós, que significa a


música de um instrumento de corda que acompanha um
canto, enquanto o termo saltério, que designa o livro dos
Salmos, deriva do grego psaltêrion, que significa instru­
mento de corda. Em hebraico, se diz "Livro dos louvores",
sêfer tehillfm.
Um salmo é um cântico da antiga liturgia do Templo de
Jerusalém. Pode ser uma súplica, um lom or, uma ação
de graças, uma meditação e vários outros gêneros literários.
=::> Gênero literário.

Os cento e cinquenta salmos do saltério estão distribuídos em


BENDIÇÃO cinco livros. Cada um dos quatro primeiros termina com uma
bendição ao Senhor (Sl 41,14; 72,18-19; 89,53; 106,48) e
todo o SI 150 cumpre essa mesma função. Bendizer o Senhor
significa reconhecê-lo como fonte de vida; bendizer um ser
humano significa desejar-lhe a vida em profusão.

Os títulos colocados no início da maior paite dos salmos (ver


SI 3,1, por exemplo) indicam a pertença do salmo a detem1ina­
da coleção. A coleção mais importante é a "de Davi": setenta e
três salmos (Sl 3-41; 51-65; 68-70; 108-110; 138-145). Aos
filhos de Coré são atribuídos doze salmos (SI 42-49� 84-85;
87-88), bem com a Asaf (SI 50; 73-83).

CÂNTICOS DAS
Os Salmos 120-134 são chamados Cânticos das subidas
SUBIDAS
(provavelmente utilizados para as peregrinações a Jerusalém)
ou salmos graduais e fazem alusões ao movimento de

14 ------ VOCABUIÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUC1\


ascensão para chegar ao Templo. Por vezes, a liturgia cristã
os utiliza nos ofícios fúnebres.

Enfim, dezoito salmos, distribuídos nos dois últimos livros,


iniciam-se com Aleluia, "Louvai o Senhor": o saltério ter­
mina, portanto, com o louvor. Note-se que a tradição cristã
SALMOS conservou sete salmos penitenciais: SI 7; 32; 38; 5 1 (o
PENITENCIAIS
Miserere); 102; 130 (o De profimdis); 144, que eram reci­
tados por ocasião do sacramento dos enfermos.

Os livros de Jó e dos Provérbios, junto a Qohelet ou


SAPIENCIAIS Eclesiastes, são os livros sapienciais (este adjetivo é usado
unicamente no plural e neste sentido) da Bíblia hebraica.
Chama-se de sapiencial o que exprime uma verdade uni­
versalmente fundada na experiência comum e na observação
ponderada, um saber fazer e um saber viver, uma reflexão
sobre a existência, sobre o bem e o mal, sobre a vida e
a morte. A literatura sapiencial não é uma proclamação
da fé - embora os sábios da Bíblia sejam fiéis -, nem
uma série de injunções legais. Ela se distingue do louvor
cultuai e do oráculo profético. Desde a metade do terceiro
milênio, o Antigo Oriente Próximo desenvolveu, do Egito à
Mesopotâmia, este tipo de literatura, expressão privilegiada
da cultura.

LIVRO DE JÓ O livro de Jó é um longo poema de diálogos, enquadrado


por um Prólogo (ló 1-2) e um Epílogo (ló 42,7- 17), ambos
em prosa. O problema apresentado nesta obra-prima literária
é o do sofrimento de um inocente.

LIVIW DOS O livro dos Provérbios contém sete coleções anti gas de
PROVÉRBIOS sentenças, provenientes de ambientes diversos (a corte, os
sábios, o próprio estrangeiro) e pr ec e di dos por um Prólogo
(Pr l-9). Este, mais recente, é composto de discursos pater­
nos (o sábio dirige-se ao disc ípu l o chamando-o "meu !ilho")
e de textos que colocam cm cena a figura personificada da
Sabedoria. No final do livro, o retrato da p e rfeita dona de
casa (Pr 31, 10-31), que os cristãos ús vezes chamam de "a
l'OEl\IA
,\LFAUf.:TtCO
mulher forte do E van g elho ", é um poema alfahético.

O'.> \1 ..OS l ·05 DA B1BUA ----- 15


ACRÓSTICO É considerado alfabético ou acróstico todo texto poético he­
braico em que cada versículo (Pr 31, 10-31; SI 25; 34; 111;
112; 145; Na 1,2-8 incompleto) ou cada estrofe (Sl 9-10;
37; Lm l; 2; 4) se inicia com uma palavra cuja primeira
letra corresponde à ordem das letras do alfabeto hebraico,
composto de vinte e duas letras. Este artificio admite algumas
variantes. Assim, às vezes se encontra a letra p no início
de um último verso complementar (SI 25; 34; Si 51, 13-30,
segundo uma reconstrução do poema em hebraico). O sen­
tido desse acréscimo é discutido. As estrofes de um poema
alfabético podem também repetir a mesma letra no início de
cada um de seus versos (SI 119; Lm 3). Um poema pode ser
implicitamente alfabético, isto é, sem ter no começo de cada
verso uma palavra iniciada com a correspondente letra do
alfabeto (Lm 5; Pr 2; Si 6,18-37). Pode-se supor o mesmo
para o discurso da Sabedoria em Si 24,3-22. O artifício al­
fabético é complexo; facilita a memorização, mas sobretudo
quer manifestar uma totalidade, uma plenitude da qual fala o
texto: de a a z, diríamos nós. Enfim, sendo utilizado tanto pela
lamentação como pelo elogio, pelo louvor ou pela meditação,
este aiiificio alfabético não é um gênero literário.
=::;. Gênero literário.

PROVÉRBIO O provérbio é a fom1a mais simples e mais universal da


sabedoria. Conciso, incisivo, ele utiliza diversos modos de
expressão, como em toda cultura: "Quem faz isso ... ", "Há
.
aque1 es que ...", "N ada ..." , "Se ..., ent-ao..." . O prover
' bio
é composto de dois membros de frases complementares ou
contrastantes, ou melhor, de dois estíquios que formam uma
unidade de pensamento em um dístico. Exemplo: "Casa de
ferreiro, espeto de pau".

• O segundo grupo de Escritos compreende cinco livros de


menor grandeza: Rute, Cântico, Qohelet, Lamentações e
MEGILLOT Ester. São chamados "os cinco rolos", em hebraico A1egillot.
Cada um deles é lido por ocasião de uma festa judaica: Ct
na Páscoa, Rt em Pentecostes, Lrn em 9 de Ab, em que
se recorda a queda de Jerusalém, Qo em Tabernáculos ou
SUKKOT
PURÍM Sukkot e Est na festa de Purlm.

16 ------- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE Bi8llCA


•O terct!iro urupo n.:úne algu1L dos livros mais rcc1.:11tc dn
Bíblia hebraica: Daniel. Esdras-\ e mi 1s e /-� 'rdni 1s. ·

Trata-se de um novo conjunto hi,tórico. s trê� primeirns


narram eventos po kriorcs <l ckstruil.,'.�1o de Jerusalém. cm

586 a.C.

Dn não é nwis considerado um li\To proli:tico (ver l\lt --L 1..-)


e os dados que de fornece acerca de Nabucodonosor e dos

outros soberanos s:lo considerados históricos. Trat:1-se de


um livro apocalíptico escrito no século II a. .

Esdras e Neemias sào reformadores do s�culo \. s escrito


a eles atribuídos formam um único livro e Esd precede Nc.
l\IEl\IÓRI:\ DE Entre os documentos citados neste conjunto. a 1\fcmória d"
NEEi\llAS
Neemias, na qual ele justifica a sua mis ão (sobrdudo Nc
1-7), destaca-se pela sua sinceridade e sua emoçJo.

1-2Cr formam também eles um único livro. de redaçào pos­


CRONISTA terior a Esd-Ne. O autor. o Cronisrn. kvita de Jerusalém.
escreve em torno de 300 a.C. Ek repassa a história. das
origens ao fim da monarquia em Jud<1. Davi e o culto estilo
no centro dessa história. que ignora o reino do Norte. for­
mado com o cisma após a morte de Salom:lo.

2. A Setenta

SETENTA Setenta é o nome dado ú vers:lo grega da Bíblia elaborada.


a partir do III século a.C., para uso dos hebreus de língua
grega, principalmente de Alexandria. Esta versão foi uti­
lizada pelas primeiras comunidades cristãs. A ordem dos
livros incluídos na Setenta nunca foi fixado: varia de um
manuscrito para outro, de um Padre da Igreja para outro.
de um sínodo para outro. No entanto, sempre no início e na
mesma ordem estão os cinco primeiros livros para formar o
PENTATEUCO Pentateuco, do grego hê pe11táteucl10s (bíhlos), o livro que
compreende cinco rolos.

LXX O termo "Setenta" - em números romanos: LXX. no


feminino singular ou no masculino plural, ··os Setenta'' -
CARTA OE
ARI STEIAS provém da lenda narrada na Carta de Aristeias: setenta e

OS V.A.RIOS LIVROS DA BiBl!A ---


-- 17
dois sábios judeus traduziram o Pentateuco de modo idêntico
em setenta e dois dias!

A Setenta contém três tipos de textos:

• Todos os livros da Bíblia hebraica; mas o texto hebraico


que os tradutores utilizavam era às vezes mais antigo do
que o que foi incluído na Bíblia hebraica. Esse é o caso
específico de Jr, mais breve na Setenta.
A Setenta reagrupa 1-2Sm e l-2Rs sob o título 1-4 Reinos,
PARALIPÔ!\JENOS e dá a l-2Cr o título de 1 -2 Paralipómenos, ou seja, o que
foi omitido nos livros precedentes, isto é, no Pentateuco e na
história deuteronômica. Note-se ainda que a Setenta coloca
o livro de Daniel entre os profetas.

• Sete livros que não fazem parte da Bíblia hebraica:


1-2 Macabeus, Tobias, Judite, Bante, com a Carla de
CARTA DE Jeremias (Br 6), Sirácida e Sabedoria de Salomão. Estes
JEREMIAS
livros, bem como alguns suplementos próprios da Setenta
SUSANA, em Est e Dn - incluindo Susana (Dn 13) e Bel e o Dragão
BEL E O DRAGÃO
(Dn 1 4) -, são considerados canônicos pela Igreja católica
DEUTEROCANÔNICO e, após Sixto de Sena, em 1566, são chamados deuteroca­
nónicos. Este termo não significa que eles foram inseridos
em um segundo tempo no cânon das Escrituras da Igreja,
mas designa, de modo pouco feliz, os livros cujo caráter
inspirado e canônico foi colocado em dúvida por alguns
autores, entre eles Jerônimo, e por algumas comunidades
cristãs, sobretudo aquelas nascidas da Refom1a.
� Protocanónico.

• Alguns livros apócrifos: 1 Esdras; 3-4 Macabeus; Odes


e Salmos de Salomão.
Em Jr, a Setenta inverte a ordem de numerosos capítulos:
os oráculos contra as nações (Jr 46-5 1 hebraico) estão
imediatamente após Jr 25, 13b-38 hebraico, que os introduz.
Quanto à numeração dos Salmos, a Bíblia hebraica dividiu
em dois (SI 9- 1 O hebraico) um salmo alfabético (SI 9 LXX).
Este erro provoca uma discrepância dos números dos sal­
mos até o Sl 1 47 hebraico, em que a Setenta, cometendo
o erro inverso, distingue dois salmos (Sl 146-14 7 LXX).

18 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBllCA
Nisso, a Vulgata seguiu a Setenta e, por isso, a diferença
de numeração dos salmos se manteve até hoje. Todavia, n
Neo-Vulgata, solic itada por Paulo VI no fim do Concíl io
Vaticano II e publicada sob João Paulo II em 1979, resta­
beleceu a numeração da Bíblia hebraica.

A importância da Setenta reside no fato de ela ter se toma­


do o Antigo Testamento dos cristãos de língua grega e da
Igrej a latina que, desde o I I século de nossa era, a traduziu:
VETUS LATINA é a Vetus latina.

3. O Novo Testamento

NOVO O Novo Testamento é a parte propriamente cristã da Bíblia.


TESTAMENTO
Redigido totalmente em grego, compreende vinte e seis
escritos, assim distribuídos:

EVANGELHOS • Quatro Evangelhos, na seguinte ordem: Mateus, Marcos,


Lucas e João.

• Os Atos dos Apóstolos.

EPÍSTOLAS • Quatorze epístolas paulinas, endereçadas a comunidades


PAULINAS
cristãs ou a algumas pessoas. Estão colocadas por ordem
de tamanho, exceção feita à déc ima quarta, a epístola aos
Hebreus, que não é atribuída a Paulo, mas inspirada em
sua teologia. Temos, pois: uma epístola aos Romanos, duas
aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos
Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses,
duas a Timóteo, uma a Tito, uma a Fil êmon e uma aos
Hebreus.
� Antilegómena, Autenticidade, Cativeiro, Deuteropaulinas,
Homologúmena, Pseudepigrafia.

EPÍSTOLAS •Sete epístolas católicas, cujos títulos mencionam os autores


CATÓLICAS
a quem são atribuídas: Tiago, 1-2 Pedro, 1-3 João, Judas .

APOCALIPSE • O Apocalipse (de João).

Novo Testamento, título traduzido do latim Novum Testa­


NOVO
TE STAMENTO mentum, que, por sua vez, é tradução do grego Hê kainê

---

OS VÁRIOS UVP.OS DA BIBLIA --


19
Diathéke, que significa "a nova aliança" (Jr 38,31 LXX; Lc
22,20; l Cor 11,25).

Nova aliança em relação à antiga (2Cor 3,14), à primeira


(Hb 8, 13). Os livros desta última são, portanto, chamados
ANTIGO Antigo Testamento, segundo o latim Vetus Testamentum e o
T ESTAl\I ENTO
grego Hê palaià Diathdke. Esses dois títulos são usados para
formar os adjetivos neotestamentário e veterotestamentário.

EVANGELHO O termo evangelho, em latim evangelium e em grego eu­


angélion, significa literalmente "boa-nova". Designa em
primeiro lugar a Boa-Nova da nossa salvação proclamada
por Jesus (Me 1, 15) e pelos Apóstolos (At 15,7; Rm 1, l;
1Pd 4,17). Na maioria das vezes, evangelho designa um dos
livros dedicados à vida, à morte e à ressurreição de Jesus:
Mateus, Marcos, Lucas e João. Por exemplo, o evangelho
de (ou "segundo": neste caso, a palavra evangelho conserva
o significado de Boa-Nova) Mateus.

EVANGÉLICO O adjetivo evangélico remete ao evangelho, seja como


"boa-nova", seja como escrito: assim, por exemplo, a po­
breza evangélica, um texto ou uma perícope evangélica. O
EVANGELISTA substantivo evangelista designa um dos autores dos quatro
evangelhos.

SINÓTICOS O termo sinóticos, no plural, designa os três primeiros


evangelhos, aqueles de Mt, de Me e de Lc, em razão de
suas semelhanças, que aparecem quando são contrapostos
SINOPSE em sinopse, isto é, em colunas paralelas.

JONANINO
Os adjetivos joanino e paulino designam o que se refe­
PAULINO
re aos escritos atribuídos a João e a Paulo. Do mesmo
LUCANO modo, o termo tucano, ao que se refere aos escritos de

l\IATEAl'O
Lucas: seu evangelho e os Atos dos Apóstolos. De modo
l\IAltCANO similar, mateano e marcano remetem, respectivamente,
a Mt e a Me.

COltl'US
A palavra latina corpus, empregada exatamente assim cm
português, designa o conjunto dos textos pertencentes a um
mesmo âmbito: o corpus profético, isto é, todos os livros
proféticos do Antigo Testamento; ou o corpus paulino, isto

20
é, todas as epístolas atribuídas a Paulo; ou ainda o corpus
joanino, isto é, os escritos atribuídos a João.

EPÍSTOLAS A expressão "epístolas católicas'', da palavra grega katholi­


CATÓLICAS
kó')
, ' geral ' universal ' desiona
b
o grupo de epístolas endereça-
das a todos os cristãos e não a uma comunidade ou a uma
pessoa em particular, como é o caso das epístolas paulinas.
E embora 2-3Jo sejam endereçadas a uma comunidade par­
ticular (2Jo) e a uma pessoa (3Jo), foram colocadas entre as
epístolas católicas para mantê-las unidas a 1 Jo.

APOCALll'SE O termo apocalipse, do grego apokálypsis, significa "revela­


ção", "comunicação de uma coisa escondida". No judaísmo
dos últimos séculos antes da nossa era, numerosos escritos,
entre os quais Is 24-27 e sobretudo o livro de Daniel, mas
também alguns livros apócrifos, como aqueles atribuídos a
Henoc, reavivam a esperança dos fiéis ao lhes revelar que,
nos últimos tempos da história humana, eles terão o triun­
fo enquanto os ímpios terão o castigo. O Novo Testamento
termina com o livro do Apocalipse.
APOCALÍPTICO O adjetivo apocalíptico é usado para algo referente ao
apocalipse.

ESCATOLOGIA O termo moderno escatologia vem do grego éschatos,


"último, final". Discurso sobre o fim dos tempos e sobre
os últimos eventos: destruição final do cosmos, juízo final,
retribuição, glorificação, inferno, fogo eterno etc. Embora o
componente escatológico seja fundamental na apocalíptica,
é possível haver discursos escatológicos não apocalípticos.
�Apocalipse.

II. A BÍBLIA E O CÂNON DAS ESCRITURAS

CÂNON O termo cânon deriva do grego kanôn, que, por sua vez, é
tomado do hebraico qânêh, cujo primeiro significado, tanto
em hebraico como em grego, é "cana, caule de cana, junco",
e daí "vara, régua, norma". Com este último significado, o

termo cânon aparece somente no século IV de nossa era,

OS VÁRIOS LIVROS DA BIBLIA


----
21
para desi gnar, em ambiente cristão, a li sta dos li vros q u e
faziam parte das Escrituras Sagradas.
O conj unto dos textos da Bíblia, portanto, é tido por divi­
namente i n s p i rado e por isso consti tuem a regra da fé. A
extensão do cânon muda conforme a fé: o NT não pertence
ao cânon da B íb l i a hebraica; igualmente para as con fissões
cristãs, a l ista dos livros do cânon não é inteiramente a
mesma.
==> Apócrifos, Deuterocanônicos.

Para a I grej a cató l ica, o cânon das Escrituras foi solene­


mente definido em 1 5 46 pelo Conc í l i o de Trento, que assim
confi rmava o mesmo cânon já proclamado nos Con c í l ios
locais de Hipona, em 393, e de Cartago, em 3 9 7 e em 4 1 9 ,
e depois na carta do papa Inocêncio l ao bispo Exupério
de Tou louse, em 405 , e ai nda no Conc í l io Ecumênico de
Florença, em 1 442.

CRITÉRIOS D E Os critérios de canonicidade são as razões p e l a s quais


CANO N ICI DADE
determinado l ivro é inserido no cânon das Escrituras, mas
outro não.
No j udaísmo, os l ivros inseridos na B í bl i a hebraica o foram
pelos segu intes mot ivos:

- estes l ivros foram transm iti dos pela Grande S inagoga


que, pensa-se, sucedeu o s pro fetas, os quais, por sua vez,
sucederam M o isés. Trata-se, portanto , de um critério de
antiguidade;

- entre a Torah e os d e m a i s l iv ro s há uma coerê n c i a


doutri n a l ;

- e n fi m , pode-se considerar que o fato d e a comunidade


aceitar determinado l ivro como sagrado (em hebrai co se
diz: é um l iv ro "que suj a as m ão s") fo i também um critério.
Especificamente, esse é o caso de Ct (Cântico dos Cânticos),
Qo (Qohelet) e Est (Ester), cuj o caráter sagrado às vezes
foi contestado .

22 ----- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGE!>E BIBLICA


No cristianismo, intervêm i gual mente vários critéri o s :

A POSTOLICIDADE - a apostolicidade, i sto é, o fato de determ i nado l i vro ser


um testemunho d a Igrej a prim itiva, con forme a afi rmação:
"a Revelação term ina com a morte do ú l t i mo apósto l o".
Se os escritos do An tigo Testamento fazem parte do cânon
cri stão, é porque foram aceitos por Jesus e pelos apósto los,
e transmitidos à Igrej a pós-apo stó l i ca - prova d i sso são
as c i tações do Antigo Te stamento no Novo. Ademais, para
fazer parte do cânon, os escri tos cri stãos também deveriam
ser reconhecidos como provenientes dos apóst o l o s (ver, por
exemp lo, 2 Pd 3, 1 5 - 1 6) pe l as pri meiras gerações cristãs.

ORTODOXIA - a ortodoxia dos escritos canôn icos: esses escritos nos


transmitem fielmente a verdade que, para a nossa salvação,
Deus quis que fosse nelas transmitida, conforme a formu­
l ação do Conc ílio Vaticano I I (Constituição Dogmática Dei
Verbum, 1 1 ).

RECEPÇÃO - a recepção tradic ional desses escritos pela comun idade que
os l i a, princ ipalmente durante a l iturgia, e ne les encontrava
a confirmação da própria fé é, também ela, u m desses c ri té­
rios. Segundo Agostinho, por comuni dade deve-se entender
sobretudo as mais antigas, tais como as de J ernsalém e de
Roma e as que foram fundadas pelos após tolos: A n t i oquia,
A l exandria etc. Para o Concí l i o de Trento, a p resença de
determ i nado escrito ou parte de u m escrito n a Vulgata (por
exemplo, lo 7,53-8 , 1 1 , sobre a m u l her adúltera) testemunha
essa recepção eclesial e confirma sua canonicidade.

III. A BÍBL IA E A SUA TRAN SMIS SÃO

1 . Os manuscritos

MANUSCRITO
Um manuscrito é um texto escrito a mão por um escri ba
ou u m copi sta. O texto é escrito sobre papiro, couro, perga­
m i n h o ou pap e l . O termo manuscrito é muitas vezes usado
de modo abreviad o : no si ngu lar ms . , ou no p l ural mss (sem
ponto final).

--

OS VÁRIOS LIVROS DA BIBLJA -- 23


l'Al'IRO O papiro é uma folha ou um fó l i o fabricado com p l a ntas
que têm este mesmo nome e que antigamente cresciam
so b retudo às margens do N i l o e em seu Delta. O miolo era
cortado em t i ras, que pri meiramente eram col ocadas uma
ao lado da outra e sobre e l as eram colo cadas outras na
transversal . Nos melhores casos, podi a-se escrever sobre
a s duas faces, a .fi"ente e o ver so. Evidentemente, o papiro
é um materi a l frági l .

O couro é uti l izado sobret udo em a lguns manuscritos en­


contrados no deserto da Judeia, em Qum ran e em outros
l u gares.
P E R G A l\ l l N H O O pergaminho, do nome da c i d ade de Pérgamo, onde foi
i nventado no século II a . C . , é fe i to de pele de animal
sobretudo de bode, de cabrito ou de vitelo. A pele era ras­
pada e polida em ambas as faces. O pergaminho é muito
mais resi stente que o pap i ro e acabou sup erando-o. Ver
1 Tm 4, 1 3 .

O papel, i nvenção chinesa, chegou ao Egito no século X. Era


fabricado com vegetais re duzidos a uma pasta . O papel é o
material uti l izado nos manuscritos fragmentários do texto he­
braico de Ben Sira (o S i rácida da LXX), encontrados no fi nal
do século X I X na guenizá medieval da s i nagoga do Cairo.
G U ENIZA O termo guenizá significa depósi to e é usado sobretudo para
designar o l ugar de onde foram tirados esses manuscritos de
Ben S i ra . Esta guen izá se encontrava no i nterior da sinagoga
dei Caraítas (uma seita j udaica ainda exi stente), situada na
Velha Ca i ro, também c hamada Fustat.

Os dema i s manuscritos b í b l icos são, ou papiro ou pergami­


n hos. S e escritos so bre apenas uma das faces, as páginas
escritas podiam ser c o l adas umas às outras para formar uma
t i ra, às vezes de vários metros, que era enro l ada. Por i sso,
ROLO fa l a-se de rolo (ver Jr 3 6) e é o significado primeiro do
termo "vol ume". As páginas podiam ser também colocadas
CÓ DICE umas sob as ou tras para formar um códice (no p l ura l , códi­
FÓLIO ces ; em latim, codex) ; nesse caso, podi a-se escrever apenas
sobre u m a das faces das fo lhas ou fólios ou, como mu i tas
vezes ac ontec ia, sobre ambas, a fi·ente e o ver s o .

24 --
-- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE
BÍBLICA
Os manuscri tos bíb l i cos de l íngua hebraica estão red i gidos
H E Bl{AICO em hebraico quadrático, escrita ainda hoje em uso. De
QU A D RÁTICO
origem aramaica, esta escri ta fo i progress iv ame nte adotada
pelos he breus duran te os ú l t i m os séc u l o s antes de nossa
era.

P A L E0-1 1 E B RA ICO A escrita anterior, em caractere pa/eo-hebraico, conservou-se


sobretudo nos manusc r i tos med ievais do Pentateuco sama­
ritano, forma pouquíssimo d i ferente, quanto ao conte ú d o ,
da Torah da Bíbl ia hebraica. É o ú n ico texto sagrado aceito
pelos samaritanos.

Em hebraico, escrevi am-se somente as con soan tes. A s vo­


gais, que na forma de pontos ou d e traços acompanhavam
as consoantes, foram acrescentadas segundo dois s i s temas:
VOCALI ZAÇÃO o da vocalização babilônica, e laborada pelos sáb ios hebreus
da Babi lônia, a partir do século V d . C . , e o da vocalizaçcio
palestinense ou de Ti beríades. Esta ú l t i ma, conhecida so­
bretudo a parti r do século IX, impôs-se até nós.

M A SSOilETAS São c hamados Massoretas os sábios hebreus que tanto fixa­


ram o texto consonântico como inseri ram as voga i s . O texto
bíbl i c o produzido pelos massoretas pertencentes ao grupo
TEXTO
MASSORÉTICO de Ti beríades é chamado Texto Nlassorético.

Os massoretas acrescentar am também breves a notações


MASSORÁ chamadas de massorá. Em nossas B í b l ias hebraicas , ela é
consti tuída sobretudo de sinais ac ima ou abaixo das pal avras
para faci l i tar a l e i tura do texto, provavel mente segundo uma
i nterpretação tradi c i o n a l . A massorá encontra-se também às
margens. Nesse caso, chama-se pequena massorá e, e ntre

QERÊ, outras co i sas, i n d i ca, mediante a l etra hebraica q, o qerê, i sto

KETIB é, o que deve l e r l id o no l ugar do que está escri to, o ketib.

Quando foram i mpressas as pri meiras B íbl ias hebrai cas,


foram reproduzidos os manuscritos tard i os, datados no má­
x i m o no séc u l o X I I I , e a edição de Jacob bcn H ayy i m , de
TEXTUS REC E PT U S 1 524- 1 525, tornou-se o textus receµtus, isto é , normalmente
H I D LIA H E BRAICA aceito , até a ed ição crítica da Biblia Hebraica de R. K i tte l ,
a BHK, e m 1 937.

--
OS VÁRIOS LIVROS DA BIBLIA -- 25

- - --------
Os mais antigos manuscritos da Setenta e do Novo Testa­
mento util i zam as l etras gregas maiúsculas ou capitais, cha­
UNCIAIS madas unciais. Fala-se, portanto, de manuscritos unciais . A
CURSIVOS, escrita grega cursiva ou minúscula foi fixada em B izâncio,
MINÚSCULOS
durante o século IX. É aquela das nossas edições modernas
da Setenta e do Novo Testamento. Em escrita m i núscula,
são i mportantes para a exegese atual somente alguns ma­
n uscritos do Sirácida.

O pergaminho tinha a vantagem de poder ser reuti l izado:


bastava raspar o texto nele escrito e se podia escrever outro.
PALIMPSESTO Nesse caso, fala-se de palimpsesto (literalmente: raspado de
novo) . Hoje, às vezes é possível recuperar, sob o segundo
texto, mais visível, aque le que se quis eliminar.

2. Os principais manuscritos da Bíblia hebraica

Na l ista a seguir, indicaremos em pnme1ro lugar a sigla


dada a cada manuscrito.
As descobertas de manuscritos em algumas grutas no deserto
da Judeia nos deram a conhecer os mais antigos manuscritos
do texto hebraico da Bíblia. Todos os l ivros da Bíblia he­
braica, exceto o livro de Ester, estão ali representados, com
pelo menos algum fragmento. Isso é levado em consideração
QUINTA na nova edição crítica da Bíblia hebraica, a Ouinta, que é
publicada após a terceira, aquela de Kittel, a BHK, e após a
quarta, chamada Stuttgartensia, a BHS. E ntre esses manus­
critos ( cf. mais adiante), menc ionamos os principais:
IQisaª: rolo completo do l ivro de Isaías em couro, copiado
entre 1 25 e 1 00 a.e.

O s mais importantes são quatro códices em pergaminho,


preparados pelos Massoretas:

- C: códice dos Profetas, proven iente da sinagoga do Cairo, escrito


em 895, por M oshé ben Asher.
- Ms Or 4445 : códice do Pentat euco, conservado no M useu
Bri tâ n ico.
- A: códice da Bíblia hebraica ( faltam alguns fólios), por tempo
em Aleppo, hoje em Jerusalém; escrito por Aaron ben Moshé ben
Asher, em tomo de 925.

26 --- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBUCA


--
- B I 9A = L : códice de toda a B í b l i a hebra ica, conservado em
São Petersburgo (Leni ngrado, quando o u t i l i zava R. Kittel para a
sua edição de 1 93 7 ) e datado em l 0 0 8 .

3. Os p rincipais man uscritos da S etenta

O mais antigo manuscrito, fragmentário, foi enco ntrado em


uma gruta de Nabal Hever, no deserto da Judeia:

8HevX I Igr = 9 43 : trinta e três colunas d e u m ro lo de couro, con­


tendo um terço dos Doze profetas menores em grego, revisto sobre
o hebra ico; data d iscutida, entre o 1 sécu lo a.C. e o 1 d.C.

Possuímos também longos fragmentos da Setenta em papiro


CH ESTER BEATTY e em códice na coleção Chester Beatty, de D ubl i n , p rinci­
pal mente; vão do II a o IV séculos:

96 l e 962: Gênesis;
963 : Números e Deuteronômio;
964: S i rácida;
965: I saías;
966: Jeremias;
967 e 968: Ezeq u i e l , Daniel LXX e Ester;
2 1 49 : Sal 72-88.

BODl\IER A coleção Bodmer, em Cologny, pe1io de Genebra, ofereceu:

- P. Bodmer XLV e X L V I : i n ício de Daniel e Susana, na versão


de Teodocião; datado no final do I I I séc u l o ou no i n íc i o do I V .
- P . Bodmer X X I V = 2 1 l O: códice parcial d o S a l tério; data d i s ­
cut ida, entre o I I sécu lo e o i n íc i o do I I I .

A seguir, os grandes manuscritos unciais e m pergami nho,


contendo a Setenta e o Novo Testamento grego:

VATICANUS
- B : codex Vaticanus (Vat. gr. 1 209), na B i b l ioteca Vaticana pelo
menos desde o final d o séc u l o XV; copiado en tre 3 1 4 ( v i tória de
Constantino) e a metade do século I V .

A LE P l l , s t N A IT t cus - S ou � ( letra hebra ica aleph) : coe/ex Si11nitic11s, no M u seu


Britânico, desde 1 93 3 ; descoberto em 1 844 no M onastério de Santa
Catarina, no Sinai, por C. Tisc h endo r f que dele levou a maior parte
,

para a Rússia cm 1 8 59. Em 1 93 3 , Sta l i n o vendeu aos i ngleses.


Alguns fó l i os encontrn m-se cm Le ip z i g em São Petersburgo; há
,

---

OS VÁRIOS liVROS DA BIBLIA --


27
também outros, encontrados em 1 97 5 , no Monastério de Santa
Catarina. Também este manuscrito foi copiado entre 3 1 4 e a
metade do I V século.

A LEXANDRJ NUS - A: codex A lexandrinus, no M useu Britânico desde o século


XVI I I ; é datado do V século.

EFRÉM - C: codex Ephraemi rescriptus, um pal impsesto conservado em


Paris; no século X I I , uma versão grega dos di scursos de Santo
Efrém cobriu a Setenta dos li vros sapienc iais e mais da metade do
Novo Testamento; este primeiro texto remonta ao V século.

Entre o s manuscritos escritos em mi núsculas, deve-se assi­


nalar o m s . 248, conservado na B i b l i oteca Vaticana (Vat.
gr. 346); contém principalmente os l ivros sap i e n c i a i s do
Antigo Testamento, em particular uma versão do S i ráci d a
c o m adições.

4. Os principais manus critos do Novo Testamento

MANUSCRITO P O manu scrito mais extraordi nário é o P52 (a l e tra P i n d i c a


que s e trata de u m papiro), conservado na J o h n Ryl a n d s
L ibrary d e Manchester. Esse fragmento d e papiro contém
na frente Jo 1 8 ,3 1 -3 3 , e no verso Jo 1 8, 3 7-3 8 . Encontrado
no Egito, é datado nos anos 1 2 0 de nossa era !

Depois, vêm os papiros Chester Beatty e Bodmer:

CHESTER BEATTY - P45: Chester B eatty I, contendo alguns fragmentos dos Evangelhos
e dos Atos, datados no I I I sécu lo.
- P46: Chester Beatty I I , contendo as epísto l as pau l i nas, exceto 2
Tessalonicenses; o ms. é datado em torno do ano 200.
- P47: Chester Beatty 1 1 1 , contendo A p 9- 1 7 e datado no I I I século.
BODMER - P66: Bodmer li, contendo Jo 1 - 1 4 e Chester Beatty, contendo
Jo 1 5-2 1 ; o conju nto é datado em torno do ano 200.
- P72: Bodmer V i l , contendo Jd, e Bodmer V l l l , contendo ! ª e

2ª Cartas de Pedro (essas duas cartas encontram-se na B i b l ioteca


Vaticana); o conju nto é datado no H l sécu lo.
- P75 : Bodmer X I V-XV, contendo Lc 3-24 e Jo 1 - 1 5; também
esse é datado no 1 1 1 século (hoje na B i b l i oteca Vat icana).

A seguir, os grandes códices com man uscr itos unciais e m


pergaminho, ta mbém con tendo a Setenta: o Vaticanus, o
Sinaiticus, o Alexandrinus e o Ephraemi rescriplus.

28 ------ VOC/\BUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBLICA

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O manuscri to Vaticanus (= 8), para o Novo Testam ento
TEXTO
A L EXAN D R I N O apresenta o texto alexandrino (do nome de Alexandria, de
onde provém); confirmado pelo P75, este tipo de texto é
m u i to antigo e parece próximo aos originais.

Outros man uscritos unciais em pergam inho con cernem so­


mente ao N ovo Testamento :

BEZAE - D - D: codex Bezae (do nome de Teodoro de Beza), cons ervado


em Cambridge desde 158 1 ; contém os Evange l hos, os Atos e
as Epístolas cató l icas, com uma versão latina antiga; o texto
TEXTO OCIDENTAL grego, sobretudo o de Atos, representa o texto ocidental, tam­
bém este muito antigo, mas menos rigoroso na transmi ssão
dos originais (seu l ugar de origem é d iscuti do: Pa lestina e
Síria?); o manuscrito é provave l mente do V século.

CLARAMONTANUS - DP: codex Claramontanus, conservado em Pari s; contém


- D''
as Epístol as pau l i nas em grego e em l ati m; é datado no sé­
culo V ou no V I .

FRE E R - W - W: codex Freer, d o nome daque le q u e o adqu iriu n o


Egito e m 1 906; é conservado e m Wash ington e contém os
Evangelhos, com um final particular para Me; é datado no
século I V ou no V.

K O R I D ET HI - e (l etra grega theta) : codex Koridethi, nome do lugar em


que foi encontrado, às margens do mar Negro ; este ms. é
conservado em Ti tl i s ou Tbi l issi, na G eórgia; contém o s
Evangelhos e m uma grafia estranha e rústica; o texto grego

CESAREENSE é do tipo cesareense (do nome de Cesareia, onde Orígenes,


que aparentemente o utilizava, se estabeleceu no final de sua
vida); este ms. é datado no século V I I I ou, m e l hor ainda, no
século IX; é o último dos manuscritos unciais.

O textus receptus do Novo Testamento é tard io (não antes


de João Crisóstomo) e depende das recensões precedentes
(alexandri na etc . ) ; seri a originário de Antioqu ia, de onde
teria passado para Constantinopla; é c hamado também texto
TEXTO KOI N É OU
TEXTO BIZANT I NO koiné, isto é, comum, ou bizantino . D i fundi u-se no império
e é aque l e editado por Erasmo em 1516. Foi abandonado
no i n íc i o do sécu l o X I X, no i n í c i o da era crítica.

29
--

OS VÁRIOS LIVROS DA BIBLIA --


IV. AS LÍNG UAS DA B Í BLIA E D E S UAS VERSÕES ANTI GAS

1 . A s línguas da Bíblia

Os textos b í b l icos fo ra m red igidos tanto em hebra ico como


e m aramaico e em grego.

S E M I TAS Entre as l ínguas semitas, vári as fazem parte do gmpo das


chamadas l ínguas sem i tas norte-oc i dentais, i sto é, as que
um tempo eram util izadas do Mediterrâneo ao Tigre e ao
Eufrates. Entre essas úl timas, descoberto e dec i frado, no de­
UGARÍTICO coITer d o século XX, o ugarítico, do nome da antiga c idade
de Ugarit, na S íria ocidenta l , forneceu mu itos textos datados
na m e tade do segundo m i lênio antes da nossa era.

Com a l íngua fenícia e a moabita (a l íngua de Moab), o


HEBRAICO, hebraico faz parte do grupo cananeu das l ínguas semitas
CANA N E U
norte-ocidentais. Ele aparece já desde o i n ício do pri m e i ro
m i l ênio, se não antes, nos textos mais antigos da B í b l i a
hebraica, por exemplo e m Jz 5 , o cântico d e Débora. O he­
braico, que é a l íngua de Israe l , conheceu desenvo lvimentos
e são notadas diferenças entre o seu estado pré-ex í l ico e o
seu estado pós-exí l ico.

ARAMAICO A partir do século IX antes da nossa era, aparece o aramaico


nos arredores de Damasco e de A lepo. E ntre 700 e 300 a . C . ,
toma-se a l íngua comum d e toda a região, em part i c u l a r d o
império persa. Não é d e admirar, portanto, ver como, durante
os séculos sucessivos, o aramaico foi util izado em a l g u n s
textos d a B íblia hebraica: e m G n 3 1 ,4 7 ; Jr 1 0 , l l ; sobretud o
e m D n 2 ,4b-7 , 2 8 e E s d 4,8-6, 1 8 ; 7 , 1 2-26.

D i ferentemente, o grego é uma l íngua indo-europeia que,


d urante o período helenista, tomou-se a l íngua dos povos
conquistados por A lexandre. Assumiu a fonna chamada
KOI N É koiné, adjetivo grego que signi fica "comum". É o grego
usado na Setenta e no Novo Testamento.

30 ------- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


2 . A s l ín g u a s d a s versões a n tigas da Bíblia

A S etenta não fo i a ú n i c a versão grega da B í b l i a hebraica.


Depo i s que os c ri stãos a adotaram, outros tradutores hebreus,
no II sécu l o d . C . , empreendera m n ovas traduções gregas,
c o m o propósito de ser mais fiéis ao texto hebraico. Foram
Á Q U I LA, Áquila, a que se deve a tradução de Qohel et, passada para
TEOUOCIÃO a Setenta, Teodocião, cuj a tradução de Dan i e l sup lantou n a
Setenta a antiga versão (da qual nos restam somente dois
SÍ MACO testemun hos), e Símaco.

Conheci das por Orígenes, essas novas t raduções, exceto


as de Dn e Qo, não deixaram mais do que poucos traç os.
H ÉX A P LA Todavia, Orígenes as tinha inserido n a sua Héxapla ( p l ural
d o adj etivo grego que signi fica "sêxtuplo"), na qual co­
l ocava em colunas p ara lelas seis testemunhos d o A n t igo
Testamento: o hebraico, o hebraico tra n s l i terado em grego,
Áquila, a Setenta, Símaco e Teodocião. Esta obra crítica de
Orígenes, no entanto, foi perd i da .

Já antes da era cristã, o j udaísmo começou a traduz i r tam­


bém em aramaico os seus l i vros sagrados, sobretudo o
P entateuco: são os targzms ou targwn im , que encontraram
sua forma definitiva no decorrer dos p ri m e i ros séculos de
n ossa era. Descoberto em l 9 5 6 na B i b l i oteca Vati c a n a, o

TAHG U M NEOFITI 1 codex Neofiti 1 contém um targum pal est i ne n se c o m p l eto


do Pentate uco, co ncluí do em 1 5 04, cujo ori g i n a l , p oré m ,
remonta a o I I século d . C . , embora seu conteúdo sej a ante­
ri o r à era cristã.

Durante os primeiros séculos de nossa era, foram produzi das


ao menos duas versões importantes de toda a B íbl ia, A ntigo
Testamento e Novo Testamento.

Ao longo do II século, a Setenta e o Novo Testamento foram


traduzidos em latim para o uso das comunidades cri stãs da

VETUs LATINA África roman izada e da Europa ocidental : é a Vetus latina,


em d i versas fonnas. No fi na l do séc u l o I V , Jerônimo cor­
r i g i u em Roma o texto latino dos evangelhos, baseado em
um bom manuscrito grego, e outra pessoa, tal vez Pelágio,

OS VÁRIOS LIVROS D A BÍBllA 31


assumiu a tarefa de corrigir o resto do Novo Testamento.
Para o Antigo Testamento, Jerônimo, renunciando a servir-se
da Setenta e, ao co ntrário, defendendo a 1·eritas hebraica,
a "verdade hebraica", pôs-se a fazer uma nova tradução da
B í b l i a hebraica. Este trabalho o ocupou por q u i nze anos, de
390 a 40 5 . En tretanto, fi e l a seus pri n c íp i os, ele se refutou
a t raduzir os l ivros da Setenta que não se encontra\ am na
B í b l i a hebraica, exceto Tobias, Judite e os acréscimos gregos
a Daniel e Ester.

V U LGATA Quando a I grej a desejou constituir a Vulgata, talvez já n o


final d o V sécu lo, à s traduções d e Jerônimo foram acrescen­
tadas aquelas da Vetus latina para os l i vros que o ere m i ta de
Belém não tinha querido retrad uzir em latim: 1 -2 M acabeus,
Sirácida (ou E c l esiástico), Sabedori a de Salomão e Baruc.
Por pedido de Pau lo VI, a Vulgata foi corrigida para tomá- l a
mais fi e l aos textos originais e , por ordem d e J o ã o Pau l o I I ,
NEO-VU LGATA fo i publi cada em 1 9 79 com o nome de �eo- T u/gata.

Também para os cristãos de l íngua siríaca fo i tra d u z i d a


t o d a a B íblia. A mais importante dessas versões si ríacas é
PESH ITTA a Peshitta ( l i teralmente: "simples"). A l í ngua s i ríaca d eriva
do aramaico e a Peshi tta foi util izada pelos cristãos da S ír i a
e d a Pérs ia. Pouco a pouco, do I I a o V séculos, os trad uto­
res transpunham para o si ríaco a B í b l i a hebra i c a e o Novo
Testamento grego. Para al guns l ivros, entre o s quais m u i tos
deuterocanônicos, eles traduziram o texto grego da Setenta,
mas o S i rácida fo i traduzido d i retamente do hebraico.

Para o Novo Testamento, os Evangelhos foram traduzidos


relativamente tarde, de tão forte que era a posição conquis­
DIATESSAR Ô N tada pelo Diatessarôn: a "harmonia dos quatro" Evangel hos,
rea l i zada em tomo de 1 7 0 por Taciano, provavelmente em
grego e em s iríaco, e que combi nava em um único texto
a variedade dos testem unhos dos quatro evangel istas; este
Diatessarôn foi traduzido em armên io e em outras l í nguas,
até mesmo ocidentais.

32
--
--- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BÍBLICA
V. A BÍBLIA SUBMETIDA À CRÍTICA

1 . A crítica textual

CRÍTICA TEXTUAL A crítica textual visa estabelecer um texto como sam da


pena de seu autor. Para fazer i sso, é necessário comparar
vários manuscritos de um mesmo texto, agrupar as variantes,
determi nar o grau de parentesco entre certos manuscritos,
tentar reconstruir suas famílias e estabelecer, se possíve l , o
S T E M M A comcuM
stemma codicum, isto é, a árvore genealógica dos manus­
critos e de s uas famílias. Este traba l ho é chamado crítica
C RÍTI CA EXTER NA externa.

M u i tas vezes, porém, este trabalho não é suficiente . . É


C R ÍT I CA I NTERNA necessário executar também a crítica interna, que pode
permitir compreender determinadas variantes em razão de
certas circunstâncias e de certos contextos . Como dizia Pe.
Lagrange, a crítica i nterna não pode dispensar uma crítica
C R Í T I CA RACIONAL racional, isto é, uma aval iação da quali dade das variantes;
desse modo, o texto original pode ser estabelec i do mais
razoavel mente, mesmo se, muitas vezes, a certeza absoluta
não é atingida.

C O M M A J OA N I NO Um exempl o célebre: o comma joanino, em l Jo 5 , 7b , deve


ser excl uído do Novo Testamento, porqu e , conheci do rela­
tivamente tarde em latim, não é certamente ori g i na l .

A crítica textual recorre também às versões antigas : elas po­

LIÇÃO dem ter conservado boas lições, isto é, uma palavra ou uma
frase que tal vez seja um decalque correto do texto orig i n a l .
D e maneira gera l , u m a liçüo ind ica, por um particu lar, que
l e i tura oferece um manuscrito .

Para o Novo Testamento, em particular para os E va ng e l h o s ,


TEX TO ALEXAN DJU NO , a crít ica textual identi fica vários tipos ele textos: alexandrino,
TEXT O OCI D ENTA L, . .

TEXTO cEsAnEENSE octdental e cesareense (ver anteriormente).

Den tre os e rros c o m u n s ci os c o p i s t a s de m a n u scri tos,


UITOG ltA FIA destacam-se a ditografia, ou repet i ç ã o errônea ele u m a
l l A PLOG R A FI A mes ma pal avra , a hap/ogra.fia, ou o m i ssão d e u m dos dois
grupos de letras con tíguas, e m razão de sua s e m e l ha n ça , e

---

OS VÁRIOS LIVROS DA BiBUA -- 33


H O J\ I O IOTEL ÊUTON o homoiotelêuton, ou om issão de um elemento do tex to cm

razão d a semelhança exi stente entre o seu fi n a l e o final d o


e lemento sucessivo. Os dat i lógrafos d e hoj e sabem como
é fáci l "pul ar" u m a p a l avra, uma frase ou um parágra fo ,
exatamente p o r esse t i p o d e semelh ança.

LECTIO Entre os diversos critérios da crítica textua l , a lectio diffi­


D I FFICILIOR
PROBABILIOR cilior probabilior foi estab elecida por J . A . Bengel ( 1 6 8 7 -
1 7 52) e J . M i l l ( 1 645 - 1 707). E l es demonstraram q u e , n a
escolha entre duas versões, a de l e itura m a i s d i fi c i l d e \ e
ser consi derada a mais provável . E les part i ram da h ipótese
d e que os copistas teriam elimi nado os erros, caso fossem
d e tipo gramati cal, h i stórico o u teo lógico.

2 . A crítica das fontes

Muitos l ivros b í b l i cos não foram totalmente escritos por


u m único e mesmo autor. O texto que chegou a n ó s pode­
se revelar uma composição proveniente de \ árias fontes o u
documentos l i terári os. Este é sobretudo o caso d e Gêne s i s
e Êxodo, bem como dos E vange l hos s i nóticos.
A partir da metade do sécu lo X IX, impuseram-se a s o p i ­
ni ões d e J . We l l hausen sobre a composição d o Pentateuc o .
Embora recusassem seus pressupostos hege l ianos, o s estudio­
sos admitiam, como base para esses l ivros, quatro " fo n tes",
JAVISTA, docume ntos ou trad ições: o ]avista ou J (sécul o X a.C.),
ELoísTA, o Eloísta ou E (séc ulos I X-V I I I), o Deweronomista o u D
DEUTERONOMISTA, (séculos V I I-VI) e o Sacerdotal o u P, da p a l avra a l e m ã
SACERDOTAL Priestercodex (século Vl). Os dois primeiro s se d istinguiam
pelo nome que davam à d ivi ndade : Y H W H , o tetragrama,
em J , e E loh i m em E. O Jav ista p rovinha de Jerusalém e o
E loísta das tribos do Norte. Supunha-se também u m a redação
i ntennédia na qual J e E eram amalgamados para fo rmar
um texto chamado JE. Contudo, a partir d e 1 97 5 , essas re­
c o nstruções foram fmieme nte critic adas e a cron o logia que
elas supunham foi questionada.

TETRAGRAM A O tetragrama, i sto é, as quatro l etras que e m h ebraico


compõem o nome d iv ino YHWH, é chamado sagrado e por

34 --
-- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BÍBLICA
essa razão nunca é pronunciado, porque chamar alguém
pelo nome significa ter de certo modo algum poder sobre
ele. Na Bíblia hebraica, às consoantes do tetragrama foram
ADONAI, aplicadas as vogais de Adonai, o Senhor. Este amálgama
JEOVÁ está na ori gem do nome Jeová, utilizado sobretudo a partir
do século XIX. A Setenta e o Novo Testamento sempre
KYRIOS traduzem o tetragrama pelo termo Kyrios, que também
significa Senhor.

SINÓTICO Quanto aos Evangelhos sinóticos, a comparação de seus


SINOPSE textos colocados em sinopse, isto é, em colunas paralelas,
levava a dizer que eles dependiam substancialrriente de duas
"fontes": uma era o evangelho de Marcos; a outra, não iden­
QUELLE tificada, foi chamada com a palavra alemã Quelle (que quer
d izer "fonte") ou Q. Admitida ainda hoj e por alguns, esta
DUAS FONTES "teoria das duas fontes" é, também ela, questionada, porque
está longe de explicar todas as semelhanças e as diferenças
entre os S inóticos. Por isso, fala-se de "questão sinótica".

AUTENTICIDADE Para o restante, em matéria de autenticidade, hoj e concorda­


se em dizer que os escritos atribuídos a cada um dos profetas
estão repletos de acréscimos, glosas e complementos poste­
riores. O caso mais evidente é o do l ivro de Isaías, como já
dito: Is 40-55 é obra de um profeta do sécul o VI, e não do
Isaías dos séculos VIII e VII, como provam os dados h istó­
ricos, o vocabulário e a teo logia desse Dêutero-Isaías.

Parar estudar o vocabulário de um autor, util izam-se não


CONCORD,\NCIAS somente dicionários, mas também concordâncias . E las
indicam, segundo a ordem alfabética, todas as ocorrências
de cada palavra da B íblia hebraica, da Setenta, do Novo
Testamento grego e da Vulgata. Ex istem também concordân­
cias em francês da Bible de Jérusalem (BJ) e da Traduction
cecuménique de la Bible (TOB). Em português, é possível
encontrar uma concordância para a edição revista e atua li­
zada da tradução de João Ferreira de Almeida (20033).

De modo geral, crítica das fontes s ignifica também veri fi­


cação científica da autenticidade histórica ele determ inados
documentos transmi tidos pela Bíblia. Toda a história do

35
--

OS VÁRIOS LIVROS DA BIBLIA --


Ant i go I srael , t a l como a narram o s l i \TOS q u e ,-ão d e Josué
a 2 Reis ou de I Cróni cas a �eemias e E dras. é fundada
historicamente? Certo documento c i tado em I � l acabeus
1 2 ,6- 1 8 ou em 1 4,20-23 é autêntico? A resposta cabe à
ciência h istórica.

3 . A crítica hi stórica

Grande número de l i \TOS bíblicos narram a história . .-\lguns.


como Jonas e Ester, contam uma história. O quest ionamen­
to c rítico visa conhecer a ,-erdade hi stórica desses relatos.
Recusar a todos esses textos bíbli cos qualquer valor h i stórico
é tão excessivo quanto afirmá-lo a todo preço. É necessá­
rio re fletir e, após um século. os exegetas o aprendera m
por conta própria. Assim, conforme um famoso pro,·érb io,
o Pentateuco, mais do que mosaico entenda-se: o b ra d e
Nioisés), é u m mosaico (de textos).
CRÍTICA A crÍlica histórica ' isa confrontar os textos que se apresentam
HISTÓRICA
como história com os testemunhos externos disponívei s .
Para o Antigo Testamento. a arqueologia foi e continua
sendo de grande ajuda. Não somente porque deu a conhecer
uma documentação de tipo histórico proveniente dos po\ os
do Antigo Oriente Próximo. mas também porque escavar
a terra de Israe l permite conhecer melhor sua h i stória.
Sabe-se que hoj e muitas afirmações bíbl icas concernentes
à h istória são colocadas em discussão. Nesses assuntos,
repetir categori camente que '·a Bíblia t inha razão" é uma
posi ção simpl ista.
De fato, a B íbl ia, não é um l i vro de ciência históri ca. Com
recursos l iterários bem diferentes daqueles uti l izados pela
c i ência histó ri ca, ela é o testemunho de uma experiência
de fé \ ivida.
Um proble ma se levanta para determinados l ivros, como
Jonas, Ester, Dan iel e outros. E les narram uma h i stória com
uma finali dade que é teológica, re l igiosa. Não fazem h istória
no sentido crítico do termo. Questões dessa mesma ordem
são levantadas para certos textos do Novo Testa mento, ao
menos para os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos.

36
A crítica h i stórica intervém também para determ inar a da­
tação de u m texto e de seu autor. Os dados internos de de­
tenn i nado l ivro devem ser confrontados com dados externos
(assim para a Sabedoria de Sal omão, por exemplo) ou com
os dados fornecidos por a l guns textos atribuídos ao mesmo
autor (caso das cartas paul inas). Enfim, a questão do Jesus
h i stórico, de sua identidade j uda ica, é sempre atu a l .

4. A crítica literária

A Bíblia é, antes de qualquer outra coi sa, um conj unto de


obras l iterárias com o escopo de testemunhar a fé e confinná­
la no leitor. Sem esquecer que o objeto da fé é a intervenção da
graça de Deus em nossa história e em nossa vida pessoal.
GÊNERO Para dizer isso, os escritores sagrados recorreram aos gêneros
LITERARIO,
GATTUNG
literários (em alemão: Gattungen) que eram correntemente
usados na época deles. Um gênero l i terário é um esquema
geral util izado quando se escreve detenninado tipo de tex­
to. Assim, em nossos d ias, os convites de casamento são
red i gi dos de certo modo, bem como em um j ornal a nota
de falecimento de um ser querido: a fon11a literária é rela­
tivamente fixa e mudam somente os elementos concretos:
os nomes, os lugares, os tempos.
Esses exemplos servem também para fazer entender que o
uso de determ inado gênero l iterário depende de uma situa­
ção existenc ial precisa, que é denominada com a expressão

siTz I M LEBEN
alemã Sitz im Leben, o "contexto vi tal" que sugeriu o uso
de certo gênero literário. Pergunta-se, portanto, quais são os
gêneros literários e o Sitz im Leben dos relatos concernen­
tes às origens da humanidade, aos Patriarcas, ao Êxodo e
à conquista de Canaã. Fazem-se as mesmas perguntas para
os Salmos, os textos proféticos, os relatos evangél icos, as
parábolas etc . , em suma, para todos os textos bíbl icos.

F01t!\IGEscmc1 1TE Essa pesqui sa, chamada Formgeschichte, buscando ex p l icar


esta ou aquela passagem de um l i v ro bíbli co, pode dar a
im pressão de fragmentar o livro.

n E 1>AKT10Ns- Por isso, a Redaktionsgeschichtc, ou hi stória da redação de


- l l l C l lTE
( ,' f'SC .
. ( ad e mterna
um l't vro, ocupa-se d a umc. e d a coercncia de ta 1
� .

37
--

OS VÁl?IOS IN�OS D/\ BIBllA


--
--
--
escrito, mostrando qual seria a i ntenção do autor, quais as
suas princ ipais teses e a quem pretendia endereçar-se.

HISTÓRICO­ A esses estudos de tipo histórico-crítico, hoje se acrescentam


CRÍTICO
outras abordagens que expl i c itamente também pertencem à
crítica l iterária. Elas serão apresentadas detalhadamente mais
adi ante. Por ora, delas oferecemos somente a l i sta:
- a análi se da composição l iterária de um texto ;
- o estrutural i smo;
- a análise retórica;
- a narrato logia o u a ciência do relato.

V I . LI STA DOS MANUSCRITOS E NCONTRADOS NO D E S E RTO DA


JUDEIA

A primeira descoberta de manuscritos nas grutas do deserto


Q U l\t R AN da Judeia, princ i palmente em Qumran, à marge m o c i dental
do mar Morto, remonta a 1 947. Sua prime i ra p u b l icação,
a do manuscrito l Ql saª, contendo todo o l iv ro de I saías,
é de 1 9 5 0 . Dentre as dezenas de textos descobertos, ge­
ra lmente em fragmentos, serão e lencados aqui somente os
grandes textos publ icados desde então. Cada manuscrito é
catalogado do seguinte modo: um primeiro número i nd ica a
gruta da qual ele provém e a letra Q indica Qumran; depois,
uma abreviação que indica o título ou o conteúdo. Mais
recentemente, em lugar do título do manuscrito, passou-se
a uti l i zar um número.

sJ'.: nEK l l A YA l l A D - 1 Q S : R e gra da C o m u n i d ade ( e m h e b ra i c o , Sérek


ha Yafwd) .
- 1 I QTª = 1 I Q 1 9 : Rolo do Templo.
DOCUM ENTO - CD ou Cairo Docwnent( D o c um e n to do C a i ro ) : Escrito
no CAl ll.O
ou Documento de Da m asco . Este cód ice jú havia s ido des­
co berto na guenizâ da s i nagoga do C a i ro, no ti n a ! do sé­
c u l o X I X , ma s alguns frag mentos encontrados em Q u m ra n
provam s u a o r i gem a n t i ga .
M f.G I L LAT - 1 QM: Regra da G ue rra cios fi lhos d a l u z c o n t ra os fi l hos
M l l . l.I A �IAT das t re vas (cm he b ra ico, Megillat fv'filbamat . . . ) .

38 ------ VOCABUlMlü l'Ol'Jl)[ �ADO DA EYEGESE biBllCA


f:IODAYOT - 1 QHª: Hinos (em hebraico, lfodayot).
- 1 1 QPsª: coletânea de salmos e outros textos.
PÉSHER - 1 QpH ab: Comentário (em hebraico, Pésher) a Habacuc.
- 1 QapGnar = 1 Q2 0 : Apócrifo do Génesis, em arama ico.
- l l QtgJb = l l Q l O : Targum de Jó, mais antigo que o
targum rabínico.
- 3 Q 1 5 : Rol o de cobre.

Em Qumran foram encontrados também quatro manuscritos


aramaicos e um manuscrito hebraico, todos fragmentári os,
de Tobias (4Q 1 9 6-200) . Em Massada, na fortaleza situada
ao sul de Qumran, foi descoberto um manuscrito de Ben
S ira em hebraico, contendo em fragmentos Sir 3 9,2 7-44, 1 7
(Mas l h). Nas grutas de Murabba ' ât fo i encontrado um ro l o
fragmentário em pele do texto hebraico dos Doze profetas
menores (Mur 88). Em Nahal Hever, foi descoberto um rol o
fragmentário dos Doze profetas menores e m grego, escritos
em unciais (8HevXIIgr). Também estes textos foram publi­
cados. Eles têm importância capital para a his tóri a antiga
do texto bíblico.

VII. ANTIGA LITERAT URA JUDAICA E CRISTÃ NÃO CANÔNICA

Existe um grande número de livros produzidos pelo j u­


daísmo e pelo cristianismo antigos , mas que não fazem
parte das Escrituras. Como chamá-los? I sso ainda está em
discussão.

APÓCRIF OS Os catól icos chamam a todos el es de apócrifos, isto é, escon­


didos e não li dos nas si nagogas e nas igrejas. No entanto, no
que se refere ao Antigo Testamento, o mesmo termo designa,
entre os protestantes, os l i vros que o j udaísmo não inseriu na
B í blia hebraica e chama de "l ivros externos", enquanto os
católicos os admi tem em seu cânon do Ant igo Testamento
e os denomi nam deuterocanônicos. Por sua vez, os protes­
PSE U DEPÍGHAFOS tantes chamam esses l i vros de pseudepígrafos: este termo
signi fica que a at ribuição de cada um desses l i vros a deter­
mi nado personagem é errônea, a i nda que essa desi gn ação

---
OS VÁRIOS LIVROS DA BiBLll' --
39
sej a igual mente vál ida para este ou aquele li vro do cânon:
Dan i e l ou S abedoria de Sal omão, por exemplo.

Assi m sendo, são propostas outras denominações. Fala-se de


INTER­ escritos intertestamentários; mas esse termo sugere que esses
TESTA M ENTÁRIO
l i vros se s i tuem entre o Antigo e o N ovo Testamento. E m
q u e sentido? Cronologi camente, isso seria verdade somente
exc l u i ndo do Ant i go Testamento os deuteroc anônicos, uma
vez que e l es são contemporâneos de vários l i vros de origem
j udaica aq ui em questão. E os que provêm d i retamente cio
cristianismo não podem ser datados no período que separa
os últimos l ivros da B í b l i a hebraica dos pri meiro s escritos
do Novo Testamento, uma vez que são posteri ores à maior
parte dos escritos do Novo Testamento.
PARA­ Propõe-se, então, chamar esses li vros de paratestamentários ,
TESTAM E NTÁRIO
i s to é, fora do cânon das Escri turas, no sentido cató l i c o
d o termo, sem que os deuterocanônicos fossem também
paratestamentários.

Enfim, não se sabe como chamar esses l i vros de modo c l aro


e aceitável para todos. Trata-se, em todo caso, de l ivros que
não provêm nem do rab in ismo antigo nem dos Padres da
Igreja, e que não fazem parte das Escrituras hebra i c as nem
das cri stãs (cató l icas ou protestantes).
Na l i sta a segu ir, manteve-se como títul o o tem10 apócrifos,
por falta de um melhor, e foram di stintos os l ivros referentes
ao Antigo Testamento e aqueles referentes ao N ovo. Não
foram di sti ntos, portanto, escritos judaicos e escritos cri stãos.
Com efeito, todos os apócrifos do Novo Testamento são
de origem cri stã, mas são também de ori gem cristã m u i to s
apóc rifos d o Antigo Testamento (a Asce nsão d e I saías, por
exemplo) ou foram reelaborados por cri stão s.

1. Lista dos p rincipais apócrifos do Antigo Testamento

LITERATURA • literatura apocalíptica:


APOCALÍPTICA
1 H enoc etíope 11 a.C.-V d . C .
2 H enoc eslavo 011 1 d.C.

Livro dos segredos de Henoc

40 ------ VOCABUlÂRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


Orácu los s i b i l i nos I I I-V e fragmentos 1 - I I d.C.
4 Esdras 1 d.C.
Apoca l i pse grego de Esdras l i -IX d.C.
2 Baruc (apoca l ipse s i ríaco) II d.C.
3 Baruc (apoca l ipse grego) 1 - I I I d.C.
Apocal i pse de Abraão 1-1 1 d.C.
Apocali pse de Adão 1-V d . C.
Apoca l i pse de El ias 1-IV d.C.
LITERATURA
TESTAM ENTÁRIA • L iteratura testamentária:
Testamentos dos Doze Patriarcas n a.e.

Testamento de Jó I a.C.-I d.C.


Testamento de Abraão I - 1 1 d.C.
Testamento de Moisés I d.C.
Testamento de Salomão I - I V d.C.

HISTÓRIA • História e lendas :


E LENDAS
Carta de Aristeias II a.C.-1 d . C .
Jubi leus II a . C .
Ascensão de Isaías I I a.C.-IV d.C.
José e Asenet 1 a.C.- l f d . C .
V i d a d e Adão e Eva 1 d.C.
Antiguidades bíbl icas, do pseudo-Fílon I d.C.
V i d a dos Profetas ] d.C.
Para l ipômenos de Jeremias I d.C.
4 Baruc 1-II d.C.

LITERATURA • Literatura sapiencial e filosófica:


SAPIENCIAL A h i qar V I I-VI a . C .
3 Macabeus l a. e .
4 Macabeus 1 d.C.
Sentenças d o pseudo-Focíl ides 1 d.C.
Sentenças d e Menandro III d.C.

SALMOS • Salmos e orações:


E ORA ÇÕES Salmos 1 5 1 - 1 5 5 I I a . C . - l d.C.
Oração de Manassés I I a.C.-1 d . C .
Sal mos de Salomão 1 d.C.
Odes d e Salomão I - 1 1 d.C.

---
OS VÁRIOS LIVROS DA BÍBUA -- 41
2. Lista dos principais apócrifos do Novo Testa mento

EVANGELHOS • Evangelhos:
APÓCRIFOS
Encontram-se nos Padres da I grej a fragmentos dos seg u i ntes
escritos:
- Evange l ho dos Hebreus,
- Evangelho dos Nazarenos,
- Evange lho dos Ebion itas,
- Querigm a de Pedro.

Além disso, possuímos os seguintes escritos, completos ou parciais:


- Protoevangelho de Ti ago,
- Evange lho segundo Tomé,
- Evange lho da Infância, chamado pseudo-Mateus,
- Livro da Nativi dade de Maria,
- Dormição d e Maria, chamado pseudo-João (um exemplo dos
numerosos Transitus Mariae),
- Evangelho de Ni codemos ou Atos de P i latos.

ATOS • Atos:
APÓCRIFOS
- Atos de André,
- Atos de João,
- Atos de Pedro,
- Atos de Pau lo,
- Atos de F i l i pe,
- Atos de Tomé,
- Doutrina do apóstolo Addai.

EPÍSTOLAS • Epístolas:
APÓCRIFAS
- Ep ístola de Paulo aos Laod icenses,
- Correspo ndência entre Paulo e Sêneca.

LITERATURA • Literatura apocalíptica:


APOCALÍPTICA
- Apocal i pse de Pedro
- Apocalipse de Paulo ou V isão de Paulo.

42 --
-- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBLICA
AS ABORDAGENS À BÍB LIA

As d u a s partes a seguir tratam do vocabulário dos dois t i p o s de abordagens


- não o postas, mas comp lementares - à B íb l i a : a abordagem diacrô n i c a e
a abordagem s i n crôn i c a .

DIACRÔNICA A abordagem ou estudo diacrônico dos textos consiste e m


ver s e eles remetem a tradições orais, s e são o resultado
de várias redações sucessivas no tempo, se determi nadas
passagens são anteriores e outras posteriores (o que pode i r
d e várias décadas para o Novo Testamento a vários séculos
para o Antigo).

SINCRÔNICA Uma abordagem l i terária ou exegética é chamada de s in c rô­


n i c a quando consi dera uma passagem ou mesmo um l ivro
completo como o resultado de uma redação u n ificada, sem
se i nteressar pela história de sua redação.

l
---

AS ABORD�GE NS A BIBllA 43
--
SEGUNDA PARTE
ABORDAGEM DIACRÔNICA OU HISTÓRICO-CRÍTICA

Nesta parte, são apresentados, em ordem alfabéti ca, os tennos usados


pela abordagem di acrôn ica. Uma referênc ia ou um exemp lo completam as
defi niçõ es.

AÇ1\0 DE G RAÇAS Gênero literário presente sobretudo nos salmos. Comporta


geralmente três partes principais: introdução, desenvo lvimen­
to, conclusão. A ação de graças louva Deus não tanto pelo
que ele é (hino) e sim pelo que ele cumpre. Há ações de
graças individuais (SI 1 8; 3 0; 40; 52; 92; 1 1 6 . . ) e
. coletivas
(SI 2 1 ; 33; 34; 65; 66; 67; 68 . . . ).
=:> Gênero literário, Hino.

AÇÃO PROFÉTICA =:> Gesto profético.

ACRÉSCIMOS =:> Redação.


REDACIONAIS

ALIANÇA Em hebraico bl'rít. É necessário distinguir ao menos dois tipos


de aliança no Antigo Testamento: a aliança u n i lateral e in­
condicional, na qual Deus ou u m soberano faz uma promessa
sem pedi r nada em troca; a aliança bi lateral e condicional,
na qual o compromisso de Deus ou do soberano depende da
fidel idade do vassalo que aceita os tennos do tratado. Ambos
os tipos conhecem variantes. O segundo tipo está presente
sobretudo no Deuteronômio, enquanto o Escrito sacerdotal
prefere o primeiro (Gn 9 e 1 7). A ali ança com Davi (2 Sm 7)
é também incondicional ( cf. , porém, 2Sm 7, 1 4).
=:> Deuteronômio, Escrito sacerdotal, Juramento, Tratado
de vassalagem.

A M B IEN TE VIT AL
� Sitz im Leben.

--

CRÍTICA
ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HISTÓRICO --
45
A PÓ LOGO Relato popular que põe plantas em cena e as faz falar. Os dois
principais exemplos no Antigo Testamento são o apólogo de
Joatão (Jz 9,7- 1 5) e o apólogo do rei Joás de Israel (2Rs 1 4,9).
� Fábu la .

AUTORIZAÇÃO Segundo alguns historiadores e exegetas, as autoridades do im­


I M PERIAL PERSA
pério persa concediam às comunidades locais uma autonomia
relativa, ao conferir às leis locais o estatuto de lei do império
para todos os cidadãos pertencentes a uma mesma etnia. No
caso de Israel , a comunidade pós-exílica se viu obrigada a
fornecer um documento jurídico que fosse representativo de
todas as tendências presentes no interior da comunidade. Esse
documento seria o Pentateuco. A teoria foi apresentada pela pri­
meira vez por P. Frei, seguido por K. Koch ( 1 984). Entretanto,
muitos autores a abandonaram porque os documentos da época
persa à nossa disposição são muito diferentes do Pentateuco.
� KD; KP; Letoon (inscrição de); Lei do Deus do céu;

Torah.

BÊNÇÃO Em hebraico, berakah. No AT, a bênção é a maneira mais ha­


bitual de louvar ou agradecer a Deus ou um ser humano pelos
beneficias recebidos (ver Gn 1 4, 1 9-20; 24,27; Ex 1 8 , 1 0;
SI 1 03 , 1 -2 ; Rt 2,20; Lc 1 ,68; 1 3,3 5; 1 9,3 8 ; 2Cor 1 ,3 . . . ).
Por outro lado, a bênção de Deus é um favor ou um bene­
ficio que, em geral, é sinônimo de abundânci a (de bens, de
filhos, de colheitas, de força, de riqueza, de vida . . . ), de paz
e de poder sobre os inimigos; ver, por exemplo, G n 1 ,22.28;
27,28-29; 48, 1 6; S I 66,7-8.
A bênção, enfim, aparece com muita frequência em forma
de promessas, como nas conclusões dos tratados de vassala­
gem, nas quais as bênçãos são acompanhadas de maldições.
Essas bênçãos divinas nos tratados de aliança têm o escopo
de encorajar os vassalos a permanecer fiéis a seus senhores
(cf. Lv 26, 1 - 1 4; Dt 28, 1 - 1 4).
� Maldições, Tratado de vassalagem.

BÜHGER-TEMPEL­ � Cidade-templo.
G E l\I E I N D E

CANON I C A L Termo inglês, tra duzido em português por leitura canô­


CRITICISM
nica. A expressão foi cunhada por J. A. Sanders ( 1 972) e

--- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


46 --
atual mente corresponde a uma grande variedade de aborda­
gens ao texto b í b l i c o . O ponto em comum a essas leituras
é a atenção dada à formação, à natureza, à função e à auto­
ridade do cânon. Os exegetas que praticam esta abordagem
proc uram, em gera l , i n terpretar os textos em sua forma fi nal
( l e i tura si ncrôn ica) e em seu contexto canônico, no i nterior
de um li vro ; depoi s , no contexto mais amplo do A T ou do
NT ou mesmo da B í b l i a na sua total i dade. Segundo J. A.
Sanders, essa abordagem deveria comp letar a história das
fo rmas e a história da redação. É necessári o, portanto,
precisar em particu lar a natureza da autoridade de determ i­
nado texto nos di versos contex tos h i stóricos nos q ua i s ele
fo i transmi tido.
Para 8 . S. Chi lds, outro nome l igado ao canonical criticism
(que porém rej e i ta este apel ativo e pre fere reading the Bible
as Scripture, is to é, lei tura da B í b l i a como Escritura), a
exegese de um texto é comp l eta q uando e l a é i n terrogada
sobre o signi ficado de um texto em sua forma canônica para
a comuni dade de fé que o acolheu como Escritura.
� História das formas, História da redaçcio.

C I DA D E-TEMPLO Em alemão: Biirger- Tempel- Gemeinde; em i nglês: Citizen ­


Temple Commu nity . Teoria proposta por J . P. \Ve inberg
( 1 976). Segundo seus estudos, o i mpério persa encoraj o u
a constitu ição d e comun idades ao redor d e santuários que
eram ao· mesmo tempo centros re l i gio sos, econômicos e
fi n anceiros. Esses templos gozavam de vantagens part i ­
cul ares, como a isenção d e determinadas taxas. Os privi­
légios econômi cos e financeiros eram reservados àqueles
que participavam da ativi dade econômica do santuário. O
modelo da cidade-te mp l o é conhec i do na Mesopotâmia, e
o s exi l ados, e m particular as famí l i as sacerdotais, teriam se
i nsp i rado nesse modelo quando v o ltaram do e x í l i o . Na S íria
e n a Palestina, ao contrário, o templ o era, na v erdade, uma
espécie de "capela real" dependente do palácio .
� A utorização imperial persa.

CL OS E RE AD ING
� Nova crítica.

ABORDAGEM DIACRÔNICA OU HISTÓRICOCRÍT\CA 47


CÓ DIGO DE
O mai s célebre dos códigos legislativos mesopotâm icos.
l- IA MM URABI Obra do rei da Babilônia Hammurabi ( 1 792- 1 750 antes de
nossa era), o código foi inscrito em uma grande este la, que
.�
atualmente se encontra no museu do Louvre, em Paris . 1

CÓDIGO � Escrito sacerdotal.


SACERDOTAL
CÓG IDO DA Nome dado à coletânea de leis de Ex 20,22-23, 1 9 e que pro-
A LI ANÇA
vém de Ex 24,7 ("Moisés tomou o livro da aliança"). O có­
digo contém leis de diferentes tipos e diferentes origens. ·�\
Certas formulações são vizinhas àquelas que conhecemos
graças aos códigos mesopotâmicas, como o código de
Hammurab i . Essas leis "casuísticas" descrevem detalhada-
mente casos preci sos : "se comprares um escravo hebreu . . . "
(2 1 ,2); "se um boi chifrar. ." (2 1 ,28).
Outras formas mais breves formam o que é chamado de "di­
reito apodítico", como: "Quem ferir seu pai ou sua mãe deverá
morrer" (2 1 , 1 5). A maior parte das leis pertence ao direito civil
(em latim: ius); outras, ao direito religioso (em latim: fas)

O código se subdivide em duas grandes partes:

- A primeira parte (Ex 2 1 , 1 -22, 1 6) contém sobretudo l e i s



casuísticas na terceira pessoa, bastante pró x i mas, por seu
esti lo, às leis mesopotâm icas.

- A segunda parte (Ex 22, 1 7-23 , 1 9) contém, na sua maio­


ria, leis mais breves, na segunda pessoa, mais p ró x i mas do
direito consuetudinário e das instruções sapienciais.

Hoj e, considera-se que o código sej a a compi l ação de co­


letâneas mais antigas, na época de Ezequ ias, após a queda
da Samaria, em 72 1 antes de nossa era.
� Deuteronômico, Código, Lei de santidade, Direito apo­
dítico, Direito casuístico.

DECÁLOGO Nome grego que significa "dez palavras" (cf. Ex 34,2 8;


Dt 4, 1 3 ; 1 0,4) e que é apl icado à l ista d o s "dez manda­
mentos" de Ex 20, 1 - 1 7 e Dt 5 ,6-2 1 . Há diversos modos de
dividir o texto em dez mandamentos.
Além di sso, as duas versões de Ex 20 e Dt 5 diferem
sobre vários pontos, por exemplo, sobre a j ustifi cativa do

48 ---- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


mandamento acerca do sábado (Ex 20, 1 1 o l iga à criação,
enquanto Dt 5 , 1 5 , à experiência do Êxodo).

DEM 1ToLoc1zAçÃo Termo tornado popular por R. Bultmann ( 1 94 l ). Para


Bultmann e sua escola, a l inguagem bíblica é impregnada
de imagens típicas de uma cultura agrícola e pastori l, pré­
técnica e pré-científica. Nessa cultura, o maravilhoso e o
miraculoso são moeda corrente e não criam dificuldades.
Em nosso mundo, ao contrário, visões e milagres criam pro­
blemas. Para resolver essa dificuldade, Bultmann propõe reti­
rar dos textos sua marca de li nguagem mítica para redescobrir
o "querigma" em estado puro, a mensagem existencial dirigida
ao indivíduo para lhe abrir um futuro. A teoria foi criticada
por sua tendência individualista e atemporal, e a exegese neo­
testamentária procurou recuperar a dimensão narrativa, social,
cósmica e histórica da mensagem dos evangelhos.
=> Querigma.

DESCONSTRUÇÃO Teoria literária ligada ao nome de J. Derrida e nascida


do estruturalismo. Para esses críticos l iterários, os textos
são instáveis e têm mais signi ficados que muitas vezes se
contradizem ou se "desconstroem" uns aos outros. Cada
afirmação procura, de fato, cobrir ou substituir uma afir­
mação contrária.

DÊUTERO-ISAÍAS O Dêutero-lsaías ou Segundo Isaías é o suposto autor dos ca­


(SEGU NDO-ISAÍAS)
pítulos 40-5 5 do l ivro de Isaías, que se distinguem do resto do
livro graças a seu esti lo e seu conteúdo. Esses capítulos tratam
do fim do exílio, do retomo e da reconstrução de Jerusalém.
A hipótese de um segundo Isaías remonta ao rabi no Ibn Ezra
( 1 092- 1 1 67) e aos exegetas alemães J. Ch. Dõderlein ( 1 77 5-
1 7 89), J. B. Koppe ( 1 780) e J. G. Eichhom ( 1 783). É ao
segundo Isaías que são atribuídos os "quatro cantos do Servo
de YHwH" (Is 42, 1 -9; 49, 1 -6; 50,4- 1 1 ; 52, 1 3-5 3 , 1 2). Esses
cantos foram identificados pelos exegetas alemães E. F. K.
Rosenmüller ( 1 793) e B. Duhm ( 1 892). Hoje, porém, vários
autores pensam que Is 40-5 5 seja mais propriamente uma co­
leção de oráculos distintos do que a obra de um único autor.
=> Trito-Isaías.

ABORDAGEM DIACRÔNICA OU HISTÓRICO-CRÍTICA -------


49
DEUTF.RONÔl\llCA Reforma do rei Josias, normalmente datada no ano de 622
(REFORl\IA)
antes de nossa era e baseada no código deuteronômico ou
no núcleo mais antigo de Dt 1 2-26. A reforma tinha como
finalidade fazer de Jerusalém o único centro político e cultuai
de "todo I srael" (cf. 2Rs 22-23). É por isso que uma das
primeiras decisões de Josias foi suprimir os outros santuários
do reino de Judá, bem como no antigo reino do Norte. A
reforma está baseada também em uma teologia da aliança
unicamente com Deus (cf. 2Rs 23, 1 -3; Dt 26, 1 6- 1 9).
Foi o exegeta alemão W. M. L. de Wette ( 1 804) quem
estabeleceu, depois de numerosos Padres da Igrej a, uma
relação entre o l ivro descoberto no Templo sob Josias ( cf.
o relato de 2 Rs 22) e o Deuteronômio, o que permitiu datar
este último na época de Josias. Hoje, muitos exegetas e
historiadores colocam em dúvida a historicidade do relato
de 2Rs 22-23 . A centralização do culto teria sido atuada
somente em época pós-exílica.

D E UTE RONÔl\11CO Adjetivo usado em certos contextos para designar os textos que
pertencem ao núcleo mais antigo do Deuteronômio. Esse voca­
bulário remonta a M. Noth ( 1 943). Em alemão, a abreviação é
"dtr" e corresponde ao adjetivo alemão deuteronomisch.
� Deuteronomista.

DEUTERONÔl\ l lCO Col etânea de leis incluída no l ivro do Deuteronômio


(CÓDIGO)
(Dt 1 2-26). Entre as leis mais características desse código, é
necessário citar: a lei sobre a centralização do culto (Dt 1 2),
aquela sobre a pureza da rel igião e contra a idolatria (Dt 1 3)
e aquelas sobre os diversos "poderes" (Dt 1 6, 1 8-1 8,8). O có­
digo procura também criar um espírito de solidariedade e de
"fraternidade". Tal como os tratados de vassalagem do Antigo
Oriente Próximo, ele termina com uma série de bênçãos e de
maldições divinas (Dt 28). Seu escopo primário é reformar o
antigo direito em função do esforço de centralização cultuai,
pol ítica e administrativa introduzida pelo rei Josias.
� Código da aliança; Deuteronômica (reforma).

l > EUTE ltO NÔM I O, Na hipótese documentária c lássica, o documento deu­


DO CUl\I ENTO
OEUTERONÔl\1 1 CO teronômico (D) vem depois do ]avista (J) e do E/oísta
(E), e precede o esc ritor sacerdotal ( P). Compreende,

50 --
-- VOCABUlÁRlO PONDERADO DA EXEGESE BiBllCA

L
na verdade, o livro do Deuteron ômio. Alguns exegetas
atribuem também a esse documento, ou melhor, a essa
tradição, certo número de textos tardios presentes no resto
do Pentateuco e que são escritos em um estilo muito seme­
lhante ao do Dt. C f. , por exemplo, Ex 1 3 , 1 4- 1 6 ; 32 , 1 1 - 1 3 ;
Nm 1 4 , 1 3 - 1 9. Nesses casos, porém, prefere-se falar de
textos deuteronomistas.

D E UTERONOMISTA O termo pode ser usado como substantivo ou como adjeti­


vo. Como adjetivo, é aplicado aos textos que se encontram
em Js-2Rs, que são escritos em um esti lo próx imo ao do
Deuteronômio e refletem as mesmas ideias. Pode ser também
aplicado a certos textos tardios do mesmo Deuteronômi o.
Como substantivo, designa o autor ou os autores desses
textos. O termo foi introduzido por M. Noth ( 1 943). A abre­
viação habitual é "dtr", que corresponde ao adj etivo alemão
deuteronomistisch.
� Deuteronômico.

D E UTEROSE Termo raro, proveniente do grego, que significa repetição


ou reprodução de uma coisa ou de um evento. Conceito
tomado popular pelo exegeta P. Beauchamp, para designar
o fenômeno de reprise, repetição e continuação de grandes
complexos no interior da B íblia, como o Deuteronômio o u
"segunda lei", o Dêutero-Isaías ( I s 40-5 5), que prolonga o
primeiro Isaías, ou ainda o Dêutero-Zacarias (Zc 9- 1 4), série
de oráculos acrescentados em época tardia a Zc 1 -9 .

D I REITO Expressão tornada célebre por A . Alt ( 1 934) e que designa


APODÍTICO
certo número de leis que não admitem exceções, como o
Decálogo (Ex 20, 1 - 1 7 ; Dt 5 ,6-2 1 ) ; as leis de E x 2 1 , 1 2 . 1 5 -
1 7 ; 22, 1 8 ; as maldições de D t 27, 1 5-26; as três séries de
leis de Lv 1 8 ,7- 1 7 ; E x 22, 1 7 .20 .2 1 .2 7ab; 2 3 , 1 -3 . 6-9. Leis
desse tipo estão presentes também nas coletâneas de leis
mesopotâmicas.
� Direito casuístico, Código da aliança.

D I R E I TO Tipo de d ireito conhecido no Antigo Oriente Próximo e


CASUÍSTIC O
na Bíblia. É constituído por leis que apresentam "casos"
circunstanciais. Essas leis muitas vezes começam com a

ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HISTÓRICOCRÍTICA 51


---

--
conju nção "quando" ou "se". Exemplo: "Quando constmíres
uma casa nova, farás um parapeito ao redor de teu terraço . . . "
(Dt 22,8). A di stinção entre "direito casuístico" e "direito
apod íti co" foi popul arizada por A. A l t ( 1 934).
� Direito apodítico, Código da aliança.

DISCURSOS DE Gênero l i terário que designa os últimos di scursos de um


ADEUS
personagem i mportante antes de sua morte. Ver o discurso
de adeus de Jacó (Gn 48 e 49), de Moisés (o l ivro do Dt), de
Josué (Js 23) ou de Davi (2Sm 23). Esse gênero li terário é en­
contrado também nos livros apócri fos intitulados Testamentos
dos Patriarcas . N o NT, ver Jo 1 3- 1 7 e At 20, 1 7-3 8 .

DOCUl\I ENTÁRIA � Hipótese documentária.


(TEORIA)
DUPLICATAS As "dupl icatas" são textos encontrados duas (ou mesmo três)
vezes no mesmo corpo literári o. No Pentate uco, encontram­
se, por exemplo, os dois relatos da criação (Gn 1 e 2); os dois
rel atos d a expul são de Agar (Gn 1 6 e 2 1 ); as duas vocações
de Moisés (Ex 3-4 e 6, 1 -8); as duas versões do Decálogo
(Ex 20 e Dt 5); os dois relatos do mi lagre em que M oisés faz
brotar da rocha água (Ex 1 7 e Nm 20); os três relatos que
explicam como Sau l se tomou rei (lSm 9, 1 - 1 O, 1 6; 1 O , 1 7-2 7 ;
1 1 , 1 - 1 1 ) . N o NT, as duas versões d a multipl icação dos pães
(Mt 1 4, 1 3-2 1 e 1 5 ,3 2-39; Me 6,3 0-44 e 8, 1 - 1 0).

ELEGIA Termo grego que designa um poema l í rico que exprime


um lamento dol oroso, em geral por ocasião de u m l uto.
Exemplos: 2Sm 1 , 1 7-27 (e legia sobre Saul e Jônatas; sem
dúvida a mais cé lebre); 2 S m 3 , 33-34 (elegia sobre Abner);
,Am 5 , 1 -3 ; o l ivro das Lamentações . . .

ELOÍSTA Uma das quatro fontes que entraram na compos1çao do


Pentateuco, caracterizada pelo uso do apelativo divino
Elohim ("Deus") pelo menos até E x 3 , 1 4. Teria sido redi­
gida ou compi lada no re ino do Norte no século IX ou no
VI I I . A teologia e a moral do Eloísta, mais avançadas que
as do Javista, levariam os sinais da pregação de profetas do
Norte, como E l ias, E l iseu, Amós e Oseias.
O nome fo i cunhado por K. D. llgen ( 1 798), mas naquele
tempo "Eloísta" designava, sobretudo, o que a seguir tomou-

VOCABULÁRIO PONDERADO DA BIBUCA


52 --
-- EXEGESE
se o Escrito sacerdotal (P), que até Ex 6,3 usa também ele
o nome Elohim. Na verdade, a fonte eloísta da h ipótese
documentária clássica foi identifi cada por H. Hupfeld ( 1 853).
A existência dessa fonte eloísta fo i col ocada em dúv i da
por P. Volz e W. Rudolph ( 1 933), e hoj e a maior parte dos
espec ialistas abandonaram essa hipótese. Alguns exegetas,
porém, defendem ainda ou novamente a exi stência de um
E loísta; por exemplo: B. Schwartz, J. Baden, L. Schmidt,
A. Graupner, F. Zimmer, T. L. Yoreh.
=:> Hipótese documentária, Javista, Escrito sacerdotal.

E NEA TEUCO Termo de origem grega que significa "nove rol os". Designa­
ção dos nove p rimeiros l ivros da B íblia hebraica, ou sej a,
o Pentateuco (Gn, Ex, Lv, Nm, D t), Josué, Juízes, l -2 S m e
1 -2Rs, sendo cada um destes dois últimos conj untos consi­
derado um único l i vro.
=:> Pentateuco, Hexateuco, Tetrateuco.

ENTRONIZAÇÃO Uma cerimônia de entronização é celebrada quando u m


rei sobe ao trono e começa a reinar. Não exi ste nenhuma
descrição detalhada dessa cerimônia na Bíblia (ver, porém,
1 Rs 1 ,28-40); todavia, numerosos salmos poderia m m u ito
bem provir dessas l i turgias (SI 2 ; 1 1 O). Muitas vezes, fala­
se também de salmos de entronização de YHWH, comp o s i­
ções l itúrgicas que teriam feito parte de u m a l i turgi a anual
celebrada no primeiro dia do novo ano ( S l 9 3 ; 96-99). A
teoria foi proposta pela pri meira vez por S . Mowinckel
( 1 92 1 - 1 924).

ESCRITO Em alemão, Priesterschrift, Priestercodex, donde a sigla P


SACERDOTAL,
que o designa. O primeiro nome insiste na d imensão narrati­
CÓDIGO
SACERDOTA L va do documento; o segundo, em suas partes l egislativas.
O nome Priestercodex e a si gla P remontam a A. Kuenen
( 1 8 6 1 ) . Qu arta e última fonte do Pe ntateuco segundo a hi­
pótese docum en�ária clássica, P foi, num prime iro momen­
to, chamado E l o ísta porque usa o apelativo divino Elohim
(" Deu s") desde Gn 1 , 1 até Ex 6 , 3 . Foi também consid erado
a fo nte mais antiga do P entateuco, aquela que fornecia a
estrutura de base, donde o nome Grunds·chrift ("Escrito
fundam ental").

--

A OU HlSTÓRlCOCRl!JCA 53
ABORDAGEM DIACP.ÓNIC
--

·
Após Wellhausen, a maior parte dos exegetas é da opinião de
que P tenha sido redigido durante o exílio em Babilônia ou
mesmo no momento do primeiro retomo. O estilo do escritor
sacerdotal (Priestly Writer em inglês) é característico. Ele
gosta de repetições e de construções simétricas, o vocabulário
é muitas vezes abstrato e o tom hierático. Geralmente, é-lhe
atri buído um grande interesse pelo culto. A delimitação de P
deve muito a Th. Nõldeke ( 1 869) e a K. Ell i ger ( 1 952).
Textos clássicos atribuídos a P: Gn 1 , 1-2,3; 1 7 ; Ex 6,2-8;
25-3 1 .

ESTRUTURALISMO A princípio, trata-se de uma teoria linguística para a qual a


l in guagem é fundamentalmente um sistema de relações (F.
de Saussure, 1 857- 1 9 1 3). Essa teoria foi a seguir aplicada a
d iversos setores da cultura ou das ci ências humanas (l itera­
tura, antropologia, etnologia [ass im Claude Lévi- Strauss]).
No mundo literário e na exegese bíblica, foi o estrutura­
lismo de A. J. Greimas que exerceu a máxima i nfluência.
Em geral, o estruturalismo tornou-se sinônimo de exegese
sincrônica e não hi stórica.
� Rhetorical criticism, para a análise estrutural .

ETIOLOGIA, Do grego aitía, "causa". Uma etiologia é, na verdade, uma


ETIOLÓGICO
expl i cação popular que assume forma de rel ato. O adjetivo
etiológico é apl icado aos relatos que fornecem a base dessa
expl icação popular.
A s etiologias podem procurar expl i car fenômenos naturais,
como a presença de uma coluna de sal próximo ao mar
Morto (Gn 1 9,26); nomes de pessoas ou de lugares como a
torre de B abel (Gn 1 1 , 1 -9) ou o nome de Israel (Gn 32,29);
costumes, práticas, obj etos de culto, como a serpente de
bronze (Nm 2 1 ,4-9), a circuncisão (Gn 1 7) ou a observância
do sábado (Ex 1 6) ; a origem de corporações, de profissões
ou de outros fatos culturais, como a origem da vida sob a
tenda e a domesticação dos rebanhos (Gn 4,20), dos ins­
trumentos musicais (Gn 4,2 1 ) da i nstituição do sacerdócio
,

levítico (Ex 32,28-29).

FABULA Relato popular n o qual, geralmente, animais e plantas fa­


lam. N o AT, conhece-se sobretudo a Fábula (ou Apólogo)

54 --- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BlBUCA


--
de Joatão (Jz 9,7- 1 5) e a de Joás, rei de Israel (2Rs 1 4,9).
Quando o texto dá a palavra às plantas, fala-se mais propria­
mente de apólogo, como é o caso de Jz 9 e 2 Rs 1 4.
� Apólogo.

FONTE S Fala-se de fontes ou de documentos a propósito de textos


escritos, completos e independentes que estão na origem
dos textos bíblicos atuais. Esse termo se opõe a redação
ou a acréscimo redacional (textos que são acrescentados a
textos j á existentes). O termo pertence mais propriamente
ao estudo diacrônico dos textos.
� Hipótese documentária, Literarkritik.

FÓ RMULA E m alemão, Selbstvorstellungsformel. Fórmula que um per­


D E AUTO­
APRESE NTAÇÃO sonagem importante usa para apresentar a si mesmo quando
desej a sublinhar que fala com toda a autoridade que lhe vem
de sua função. A fórmula mais simples é "Eu sou N".

Ver "Eu sou o Faraó" (Gn 4 1 ,44); "Eu sou YHWH" (Ex 6,2 . 6 . 8) .
Esta última fórmula é frequente no livro d o Levítico e na l itera­
tura profética.
A fórmula mais longa muitas vezes menciona o êxodo: "Eu sou
Y1-1w1-1", teu Deus, que te fez sair do país do Egito" (cf. Ex 20,2).

FÓRMULA DE Em alemão, A usfiihrungsformel. Fórmula frequente sobretu­


EXECUÇÃO
do no Escrito sacerdotal para significar a execução de uma
ordem, geralmente uma ordem divina. A fórmul a apresenta
al gumas variantes: "X fez tudo como YHWH lhe havia or­
denado. Assim ele fez" (cf. Gn 6,22). "N fez quanto YHWH
lhe havia ordenado" (cf. Gn 7 ,5).
� Escrito sacerdotal.

FÓRMULA DE Em alemão: Erkenntnisformel. Fórmula frequente sobretudo


RECOGNIÇÃO
no relato das pragas do Egito, no relato sacerdotal do Ê xodo
e no profeta Ezequiel.
A fónnula habitual é "Para que saibais que eu sou YHWH" e
pode estar na segunda ou terceira pessoa do singular ou do plu­
ral . Exemplos: Ex 6,7; 7,5; 7, 1 7; 8,2; Ez 20,28.44; 25, 1 7 . . .

FÓR MULA D E Toledot é uma palavra hebraica que significa "gerações". A


TOLE DOT fórmula de toledot está presente sobretudo no Gênesis, em

O U HISTÓRICO-CRI TICA
---

ABORDAGEM DIACRÓNICA -- 55
que introduz ou a genealogia de um personagem importante
ou a história de seus descendentes.
A fónnula habitual é "Estas são as gerações de . . . " e a encon­
tramos em Gn 2,4a (caso particular); 5, 1 ; 6,9; l O, l ; l l . l 0.27;
2 5 , 1 2 . 1 9 ; 3 6 , 1 .9; 3 7,2; Nm 3 , 1 . Fora do Pentateuco, ver Rt
4, 1 8 ; c fr. l Cr 1 ,2 9 .

FÓIU\I U LA no Em alemão, Bote11/àrmel. Fórmula que introduz uma men­


1\1 ENSAG F.mo
sagem transmitida por um intermediário (mensageiro) :
"Assim disse N".

Ver Gn 3 2 , 5 : "Ass im diz o teu servo J acó"; 45,9: "Assim diz


José, teu fi l ho"; Ex 5 , l O: "Assim diz Faraó"; Jz 1 1 , 1 5 : "Assim
diz J efl:é". Nos l ivros pro féticos, é mu ito frequente a fórmula
"Assim diz Yt-IWH".

GENEALOGI A Lista dos antepassados de uma pessoa ou de um grupo


disposta por gerações. As genealogias pertencem a dois
grupos principais:
- as genealogias horizontais, que mencionam para cada gera­
ção todos os descendentes de um mesmo casal (ver Gn 1 0);
-as genealogias verticais, que mencionam um único membro
para cada geração (ver Gn 1 1 ) .
A s genealogias podem ser ascendentes e partir das gerações
mais recentes para subir em direção às gerações mais antigas
(ver Mt 1 , 1 - 1 7), ou descendentes , isto é, em sentido inverso:
partir das gerações mais antigas para desembocar nas mais
recentes (ver Lc 3 ,23-3 8).

GÊN ERO Em alemão: Gattung. N oção importante da história das


LITERÁRIO
formas, tornada famosa por H. Gunkel ( 1 906) e por seus
discípulos. Segundo esses exegetas, a tradição oral utiliza
certo número de esquemas que serve para transmitir tradições
de diversos tipos. Cada gênero literário nasce de um contexto
social concreto (Sitz im Leben), está ligado a certo tipo de
texto e contém em teoria um número mais ou menos fixo
de e lementos, mas a ordem e o número desses elementos
podem variar de um caso para outro. Os gêneros l iterários
são estáveis e é possível identificá-los também depois da
redação escrita das tradições orais.

56 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA

L
Exemplos: relatos de anúncio de nascimento, relatos de vo­
cação profética, relato de milagre, oráculo de juízo, salmos
de lamentação individual, salmos de ação de graças . . .
:::::> História das formas, Sitz im Leben, Oráculo de juízo.

Oráculo de salvação.

G ESTO PRO FÉTICO O gesto profético é uma ação simbólica que i lustra a pre­
gação do profeta, de modo que a torne mais incis iva e mais
eficaz. Todavia, o valor do gesto não é unicamente si mbó­
lico, porque, segundo a mentalidade antiga, a execução de
um gesto profético significa que a realização da mensagem é
certa. Em outras palavras, o profeta exprime com o seu gesto
que Deus j á tomou sua dec isão e que ela é inexorável.
Exemplos de gestos proféticos: 1 Sm 1 5,27-2 8; 1 Rs 1 1 ,29-
33; 22, 1 1 - 1 2 ; Is 20; Jr 1 , 1 1 - 1 4 ; 1 8, 1 - 1 2; 1 9, 1 -20,6; 24, 1 - 1 0;
Ez 4, 1 -3 .9- 1 7; 5 , 1 -6; 1 2, 1 -20; Os 1-3 . . . No NT: Nlt 2 1 , 1 8-
1 9 ; At 2 1 , l 0- 1 4. Os gestos proféticos são particulam1ente
frequentes nos livros de Jeremias e de Ezequ iel.
GLOSA Explicação, geralmente breve, acrescentada imed iatamente
em um texto por um escriba ou redator, para esclarecer um
dado ou dar uma infom1açào suplementar. Exemplos: Gn
1 2,6b; 1 3 ,7b. 1 3; Nm 1 3,22b.24b; Dt 2, 1 0- 1 2.20-23; Is 40,8
("Sim, o povo é como a erva").

GOLÁ (GOLA H) Pal avra hebraica que significa "deportação, exílio". O termo
designa os deportados hebreus na Babilônia (em 596 e 586
antes de nossa era) e, depois, todas as comunidades hebraicas
que vivem fora da terra de Israel . Designa também a comu­
nidade daqueles que retornaram para reconstruir a cidade e
o templo de Jerusalém e que, segundo os relatos de Esdras
e Neemias, entraram em confl ito com os habitantes que
haviam permanecido no país (o "povo da terra" / os "povos
das terras"; cf. Esd 3,3 ; 9, 1 -2. 1 1 ; 1 0,2 . 1 2 ; Ne 9,30 ) .

G U I LGAMES H A mais célebre das epopeias mesopotâmicas. Narra as proe­


(E PO PEIA DE)
zas de um rei de Uruk, Guilgamesh, e de seu amigo Enkidu.
Um episódio famoso narra a morte de Enkidu e, depois, a
procura feita por Guil gamesh para encontrar a i mortalida­
de. Posteriormente, foi acrescentado um relato do di lúvio.

ITIC
ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HISTÓRICOCR A ---- 57
Existem várias versões, sendo a mais completa a que foi
encontrada na biblioteca do rei assírio Assurbanipal, em
Nínive (VII século antes de nossa era).
HEXATEUCO Termo de origem grega que signi fica "seis rolos" e que
designa o conj unto fonnado pelo Pentateuco (Gn, Ex, Lv,
Nm, Dt) e pelo livro de Josué. Este último é considerado
por alguns a continuação necessária do Pentateuco, porque
descreve a conquista da terra e, portanto, o cumprimento
das promessas feitas aos patriarcas.
� Pentateuco, Tetrateuco, Eneateuco.

H I NO Composição litúrgica de louvor, dirigida a uma divi ndade.


Para a história das formas de H. Gunkel, o hino se distingue
da ação de graças. O hino glori fica Deus enquanto tal, ao
passo que a ação de graças glorifica Deus pelo que ele fez.
No saltério, alguns hinos são dirigidos a Sião (Sl 46; 48;
76; 84; 87). Geralmente, um hino contém um invitatório
(convite ao louvor), um desenvolvimento (enumeração dos
motivos para o louvor) e uma conclusão. Exemplos: Sl 8;
1 9; 29; 3 3 ; 65 . . . Alguns exegetas contestaram a distinção
entre hino e ação de graças.
� História das formas.

H I PÓTESE Em alemão, Urkundenhypothese. Teoria elaborada prm­


DOCUMENTÁRIA
cipalmente na Alemanha, a propósito da composição do
Pentateuco. Ele teria sido fonnado a partir de quatro do­
cumentos originariamente independentes e completos. A
composição atual seria, portanto, o resultado de uma com­
p ilação, obra de redatores. Os quatro documentos são, em
sua ordem:
- o Javista (J : Jahwist, em alemão) teria escrito no reino do
Sul, sob Davi ou Salomão (séc. X), ou no século IX e utiliza
desde o início o nome d ivino YHWH (donde o seu nome);
- o E loísta (E) escreve um século mais tarde (ou no século
VII I) no reino do Norte e utiliza o apelativo Elohim ("Deus")
do i nício até Ex 3, 1 4;
- o Deuteronômio (D), cuja parte mais antiga remonta à
reforma de Josias (622);

VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


58 --
---
- o Escrito sacerdotal (P: do alemão Priestercodex), que é
exíl ico ou pós-exílico.
Javista e Eloísta foram reunidos por um redator chamado
Jeovista (Je) .
A teoria conheceu numerosas variantes. Ela deve sua forma
clássica a J. Wel lhausen ( 1 876- 1 8 77), que se baseou nas
intu ições de W. M. L. de Wette, nos trabalhos de H. Hupfeld
e, sobretudo, nos de E. Reuss, K. Graf e A. Kuenen. A teoria
é construída sobre dois pi lares: por um lado, as diferenças
de estilo e de vocabulário que caracterizam os diversos do­
cumentos, tal como o uso dos nomes ou apelativos d ivinos
YHWH e Elohim; por outro lado, a lei sobre a central ização
do culto introduzida pela reforma deuteronômica (de Wette).
As leis ou os textos que não supõem a centralização do culto
são anteriores a 622, data da reforma deuteronômica; as
leis e os relatos que a supõem, como o E scrito sacerdotal,
são, ao contrário, posteriores a 622. Além disso, deve-se
acrescentar um terceiro dado: cada documento tem uma
teologia própria.
Hoje, a hipótese documentária clássica é muito d i scutida.
Questiona-se, em particular, a existência de uma fonte ja­
vi sta e, mais ainda, de uma fonte el oísta. Não há um acordo
sobre o método a ser usado para distingui r fontes e estratos
redacionais, sobre a delimitação e a natureza dos documen­
tos ou dos estratos redac ionais identificados e, enfim, sobre
a datação dos textos.
::::::> Hipótese dos fragmentos, Hipótese dos complementos/
suplementos, Deuteronômica (reforma), Lei do altar.

HIP ÓTE SE DOS Em alemão, Erganzungshypothese. Teoria atribuída ao exe­


CO MP LEM ENTOS geta alemão H. Ewald ( 1 830), embora ele j amais a tenha
OU SUP LEM ENTOS
defendido como tal . Para Ewald, o Hexateuco seria formado
por um documento de base "comp letado" posteriormente em
várias etapas por acréscimos sucessivos.
::::::> Hipótese documentária, Hipótese dos fragmentos.

HI PÓTESE DOS Em alemão, Fragmentenhypothese. Hipótese sobre a forma­


FRAGMENTOS
ção do Pentateuco que alcançou certo sucesso na Alemanha
no final do século XVIII e início do século XIX. Segundo

OU HISTÓRICO-CRITICA
---

ABORDAGEM DIACRÓNICA -- 59
essa teoria, o Pentateuco seria formato por uma plural i dade
de fontes: pequenas uni dades narrativas , textos separados e
muitas vezes incompletos reunidos bem depois da morte de
Moisés para fo rmar o Pentateuco atual .
O s defensores dessa hipótese são J . K . Ch. Nachtigal ( 1 790),
F. C. Fulda ( 1 790), J . S. Vater ( 1 802- 1 8 05) e W . M . L. de
Wette ( 1 806- 1 807). Essa teoria é muitas vezes atribuída a
A. Geddes, sacerdote catól i co escocês ( 1 7 37- 1 802), porque
J . S. Vater dele traduz longas passagens em sua obra. No
entanto, Geddes não era realmente interessado nas teorias
sobre a formação do Pentate uco.
� flipótese documentária, Hipótese dos complementos/
suplementos.

HISTÓlllA DA Escola exegética de origem alemã (Redaktionsgeschichte),


REDAÇÃO
derivada da esco la da história das formas (Formgeschichte),
e que estuda de que modo a composi ção final dos textos
ou dos l ivros bíblicos foi feita a partir de tradições orais
ou escrita mais antigas. Os exegetas desta escola estudam
sobretudo como os "redatores" editaram e ree laboraram
trad ições orais ou escritas mais antigas em função de uma
teologia ou de uma ideologia particular.
A história da redação se interessa mormente pela composi­
ção escrita e pelas grandes ideias que gui aram a elaboração
dos textos. O termo história da redação é usado sobretudo
pelos exegetas do Novo Testamento, enquanto os exegetas
do Antigo Testamento falam de modo preferenc ial , mas não
exc l usivo, de hi stória da tradição (Traditionsgeschichte) e de
história da transmi ssão ( Überlieferungsgeschichte).
O ponto de partida da Redaktionsgeschichte foram os trabalhos
de R. Bultmann ( 1 93 1 ), enquanto o próprio tenno Redaktions­
geschichte foi popularizado por W . Marxsen ( 1 954).
Na prática, as fronteiras entre Formgeschichte, Redaktionsges­
chichte, Überlieferungsgeschichte e Traditionsgeschichte nem
sempre são tão claras . A di stinção teórica é devida a A.
E i chhorn ( 1 8 56- 1 926), exegeta que exerceu grande influên­
cia sobre H. Gunke l .
� História das formas, História da tradição, His tória da
transmissão.

60 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
HI STÓRIA D A E m alemão, Heilsgeschichte. Termo usado pri n c ipalmente
SA LVAÇÃO
a propósito da teologia do Antigo Testamento de G . von
Rad ( 1 957, 1 960). O termo, porém, remonta a J. Ch. K.
von Hoffmann ( 1 84 1 - 1 844). In fluenciado pela teo logia de K.
B arth, von Rad opõe his tória profana e h i stória da salvação,
esta ú l tima baseada nas confissões de fé do povo de I srael
contidas no "pequeno credo h i stórico".
==:> Pequeno credo histórico.

H ISTÓRIA DA Em al emão, Traditionsgeschichte. Esta esco la, parente da


TRADIÇÃO
história da redação, busca, a pri ncípio, identifi car nos textos
b í b l icos a presença de trad ições orais anteriores que já têm
uma forma bem defin ida. Ela estuda, portanto, os e lementos
da tradição transmi tidos oralmente (em latim: traditum), e
não o processo de tran sm issão (em latim: traditio ), objeto
da história da transmissão. Essas tradições transm itidas
oralmente e in dependentes umas das outras foram a segui r
amalgamadas para formar as composições escritas, o que
em teoria é estudado pela história da redação. Na prática,
muito frequentemente as duas abordagens c o i n c i dem e se
confundem.
A h istória da tradição tornou-se muito popular entre os
exegetas escandin avos, que ins ist iram mu ito no papel da
tradição oral na formação atual dos livros bíbl icos, sej a do
Antigo (S. Mowinckel, J. Pedersen, 1 . Engnell), seja do Novo
Testamento ( cf. B. Gerhardsson, H. Riesenfeld).
� História das formas, História da redação, História da
transmissão.

H ISTÓRI A DA E m alemão, Überlieferungsgeschichte. Termo tomado po­


T R ANSM ISS Ã O p ular sobretudo por M. Noth ( 1 943), em um estudo sobre
a origem, a transmi ssão e o desenvolvi mento dos grandes
"temas" ou tradições distintas que a segui r entraram na
composi ç ão das fontes do Pentateuco atua l .
A h istória da transmissão estuda mormente o processo e os
canai s de transmi ssão (em latim:traditio ) , e não o conteúdo
de tal transmissão (em latim: traditum), que é objeto da his­
tória da tradição. Em outras palavras, a história da transmis­
são pergunta onde, como e por quem foram transmitidas as

ABORDAGEM DIACRÓNICA
OU HISTÓRICOCRITICA 61
tradições, ao passo que a história da tradição estuda a maté­
ria da tradição (o que foi transmitido?). Todavia, a distinção
entre as duas abordagens permanece bastante teórica.
R. Rendtorff ( 1 976) aplicou depoi s o termo a um célebre
estudo sobre o Pentateuco, estudo que se o cupa, porém,
u n icamente da comp o s ição escrita dos c inco primeiro s
l i vros da B íblia.
� História das formas, História da redação, História da
tradição.

HISTÓRIA DAS Do alemão Formgeschichte. Escola exegética fundada por


FORMAS
H. Gunkel ( 1 862- 1 932) e que se propõe a estudar a tradição
oral anterior à colocação por escrito dos textos bíblicos, em
particular os diversos gêneros literários (relatos, oráculos
proféticos e salmos) e o ambiente vital em que floresceram.
Segundo essa escola, numerosos textos antigos fo ram a
princípio transmitidos oralmente em um ambiente conc reto,
Sitz im Leben, e pertencem a um "gênero literário" particular
(em alemão, Gattung) l igado àquele ambiente vital. O termo
Formgeschichte foi tomado célebre por um estudo de G. von
Rad sobre as origens do Hexateuco ( 1 9 3 8 ) .
� Gênero literário, Pequeno credo histórico, Sitz im Leben.

HISTÓRIA DAS Em alemão, Religionsgeschichtliche Schule. Escola exegética


RELIGIÕES
cuj o escopo era estudar e compreender, de um ponto de vista
estritamente histórico, os escritos do AT e do NT no quadro
das religiões do Antigo Oriente Próx imo e do Mediterrâneo,
especialmente da Gréci a antiga. A comparação devia ser
estritamente histórica e de modo algum apo logética.
A pesquisa está ligada aos nomes de H. Gunkel, A. Eichhom,
H. Gressmann, J. Weiss, W. Bousset, R. B ultmann . . . No
AT, os exegetas estudaram sobretudo os vínculos entre os
textos bíblicos e os textos cuneifonnes mesopotâmicas; no
NT, o obj eto principal da atenção dos exegetas foram as
religiões m istéricas do mundo helenístico.
O advento da teo logia d ialética de K. Barth e a mudança de
clima (ascensão das ideologias seculares) foram as causas
de um retomo a uma exegese mais teo lógica (G. von Rad,
por exemplo).

62 --
--- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BÍBLICA

l
1

1 HISTÓRIA Teoria que remonta em grande parte a M . Noth ( 1 943). Ele


DEUTERONOMISTA
1 postu la a existência de um grande complexo que vai do
Deuteronômio ao segundo l ivro dos Reis, obra de um h is­
1 toriador (o "Deuteronomista") que teria compi lado, relido e
interpretado uma série de documentos antigos para escrever
uma história de Israel à luz da teologia do Deuteronômio, que

t serve de prefácio para o conj unto. É a este autor que M. Noth


atribui os textos de estil o deuteronômico que estão colocados
t em pontos estratégicos do conj unto Js-2Rs. Ver, por exem­
plo, Js 1 , 1 -9; 23 ; Jz 2; l Sm 1 2 ; l Rs 8 ; 2Rs 1 7, 1 -23. Hoj e,
t d iversos exegetas questionam a hipótese de M . Noth.

' INDICADORES Em inglês, Linguistic Markers. Este termo gera l mente é


LINGU ÍSTICO S
usado para designar um fenômeno particular em u m texto.
t Em exegese, o indicador linguístico designa especificamente
uma intervenção redaciona l. Pode ser uma palavra, tal como
J
"uma segunda vez" ( cf. Gn 22, 1 5); "ainda" ( cf. Ex 3, 1 5 ) ; o

t pronome pessoal "ele" ou "ela" ou o demonstrativo "este"


( cf. Gn 36, 1 . 8. 1 9); a reprise de uma palavra presente no
� texto original para introduzir uma glosa (cf. Gn 1 3 , 1 3 ; 1 6,7;
Ex 1 6,36).

JAVISTA Em al emão, Jahwist, donde a sigla J. A mais antiga das
�- fontes do Pentateuco, segundo a h i pótese docu mentária
clássica. O nome foi cunhado por A. Kuenen ( 1 86 1 ) . H.
� Hupfeld ( 1 853) falava do Jhwh-ist e antes se falava do
Jeovista. O nome provém do fato de esta fonte util izar desde
o início (Gn 2,4b) o nome d ivino YHWH, ao contrário do
Eloísta, que usa o apelativo Elohim ("Deus") até Ex 3, 1 4 ,
momento em que Deus revela a M oisés seu nome YHWH,
e do Escrito sacerdotal, que usa o mesmo nome Elohim
desde Gn l , l até Ex 6,3, como havia observado J . Astruc,
já em 1 7 5 3 . O documento j avista teria sido redigido em
Jerusalém nos tempos de Davi ou de Sa lomão (século X),
ou mesmo um sécu lo depois (sécu lo IX). M uitas vezes os
exegetas sublinham o seu estilo p i toresco e o seu gosto pela
linguagem antropomórfi ca. Hoj e em dia, contesta-se sempre
mais a ex istênc ia de uma fonte j avista. Por ou tro lado, há
di versas teorias recentes, às vezes contra d i tórias, sobre o

ABORD/\GtM DIACRÓNICA OU HISlÓRICOCRlflCA 63


assim chamado Javista (Ch. Levin, J . Van Seters, K. Berge,
W. H. Schmidt, L. Schmidt, H. Ch. Schmitt, 8. Schwartz,
1. Baden, R. M. Wright).
:::;. Hipótese documentária, Eloísta, Jeovista.

J EO\llSTA Em alemão, Jeho vist. Redator que teria unido em um único


documento as fontes javista e elo ísta. Teria trabalhado em
Jerusalém sob Ezequ ias, portanto, após a queda da Samaria,
em 72 1 antes de nossa era.
O nome Jeovista foi introduzido por K. D. Ilgen ( 1 798); mas,
neste autor, na verdade, designava a fonte j avista (J).
:::;. Hipótese documentária, Javista, Eloísta.

J U ÍZO DE DEUS O termo pode ter dois signifi cados diferentes. Em primeiro
lugar, é sinônimo de ordá lio e é apl icado a um j u ízo ou
processo no qual se pede a Deus ou a uma divi ndade que
emita a sentença. Os códigos de leis preveem certo número
de rituais com essa final idade, por exemplo, segurar um
pedaço de metal incandescente sem se queimar etc. Ver
Nr 5 , 1 1 - 1 3 .
Em u m significado mais amplo, o juízo de Deus é um evento
decisivo que determina a sorte de um ou mais povos. Com
muita frequência é aplicado às vitórias ou às derrotas milita­
res, ou à dominação de um povo sobre outro. Na mentalidade
antiga, vitórias e derrotas eram atribuídas aos deuses e de­
pendiam de seu favor ou desf a vor. O comportamento divino
é determinado pelo comportamento humano, seja moral,
seja ritual, ou ambos. Os profetas insistiram maiormente
na importância do comportamento moral nas relações com
Deus, exatamente como a teologia deuteronômica insistirá na
importância da fidelidade à al iança unicamente com Deus.

J U RAM ENTO Nos tratados de aliança, o vassalo devia fazer um juramento


de fi delidade ao seu soberano (senhor) diante das divinda­
des. Nos textos de aliança unilateral e i ncondicional, Deus
faz o juramento de cumprir suas promessas em favor dos
patriarcas. Ver Gn 1 5 , 1 8 .

KD Sigla introduzida por E. B ium ( 1 984 e 1 990) nos seus estu­


dos sobre a composição do Pentateuco, e que corresponde

64 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBUCA
ao alemão deuteronomistische Komposition, "composição
deuteronomista". Esta obra reagrupa todos os textos inspira­
dos pela teologia do Deuteronôm io e que foram compostos
ou, em certos casos, reelaborados nos ambientes leigos da
comunidade pós-exí l ica (em particular os "anciãos").
O Pentateuco atual é fruto da combinação dessa "composição
deuteronomista" com a "composição sacerdotal" (KP). As
duas obras reunidas, mas não completamente unificadas,
formam o documento jurídico da autorização imperial persa.
O Pentateuco é, portanto, segundo Bium, um documento de
compromisso entre duas tendências principais.
� KP, Autorização imperial persa.

KP S igla introduzida por E. Bium ( 1 984 e 1 990) nos seus es­


tudos sobre a composição do Pentateuco. Corresponde ao
alemão priesterliche Kompos ilion, "composição sacerdo­
tal". A sigla recobre todos os textos de o rigem sacerdotal
do Pentateuco que formam, segundo E. B ium, uma única
composição l iterária compreendendo o escrito sacerdotal , as
leis sacerdotais e a lei de santidade (Lv 1 7-26).
O Pentateuco atual é o resultado da combinação de KP
com KD, porque as autoridades persas queriam um do­
cumento jurídico representativo dos princ ipais grupos que
formavam a comunidade pós-exílica, para poder conceder
a essa comunidade uma autonomia relativa ("autorização
i mperial persa").
� KD, A utorização imperial persa.

LAMENTAÇÃO Gênero l iterário presente nos salmos e na l iteratura profética.


A lamentação individual se distingue da lamentação coleti­
va. A lamentação individual é muito frequente nos salmos
(Sl 3; 5; 6; 1 7 . . . Essas orações ocupam mais ou menos um
quarto do saltério). A estrutura essencial compreende uma
invocação à d ivindade, acompanhada de seus títulos; a des­
crição da situação infeliz; uma série de pedidos de socorro;
uma profissão de fé ou de confiança na divindade e uma
promessa de reconhecimento. As lamentações coletivas seguem
uma organização semelhante (ver Sl 1 2; 44; 58; 60; 74 . . . ).

� Gênero literário.

RICOCRÍTICA
ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HISTÓ
---

--
65
LEI DA ECONOMIA Esta lei tem duas acepções:
- O conheci do princípio dos especialistas em tradição oral,
segundo o qual os relatos não contêm nada além do que é
essenci al. Por conseguinte, os narradores pulam o que os
ouvintes podem imaginar por si mesmos. Isso expl i ca as
e lipses e os "vazios" de numerosos relatos. Em inglês, o
princípio leva o nome de law of thrift.
- U m princípio de econom ia análogo no mundo do escrito.
Os materiais (sobretudo os papiros e posteriormente os per­
gaminhos) custavam caro, poucas pessoas sabiam ler e escre­
ver e, portanto, os escritos eram um luxo. Por esse motivo,
escreviam-se somente as coisas realmente importantes e os
1
textos eram muitas vezes reduzidos estritamente ao mínimo.
Tudo isso explica os silêncios, as lacunas, a sobriedade, a 1
fa lta de vínculos expl íc itos entre textos ou partes do texto,
e o caráter enigmático de numerosas partes da Bíblia. Esse '
princípio é parente daquele que R. Alter ( 1 9 8 1 ) chama "a
t
arte da reticência".

LEI D E Conhecido princípio da sociedade e da l iteratura antiga,


t
ANTIGUIDADE
segundo o qual a antiguidade confere valor às figuras, às
t
coisas e às instituições. Em poucas palavras, para o mundo
anti go, o que é mais antigo tem maior valor. Por exemplo: �
Moisés e a lei são mais antigos que Davi e a monarqu i a e,
portanto, são mais importantes; Abrão é mais antigo que •
Moisés e, portanto, mais importante. Esse princípio é reen­
t
contrado, curiosamente, no gosto romântico por tudo o que
é "originário", "primitivo", "natural'', "espontâneo". 1

LEI DE No mundo bíblico, os textos antigos e "superados" raramente t


CONSERVAÇÃO
são elim inados ou substituídos por outros; diferentemente, são
corrigidos e completados com textos mais recentes. A correção 1
e a atualização acontecem não por supressão ou substituição,

e sim por acréscimo, explicação e comentário atualizador. O
princípio vale em particular para as leis e os relatos fundantes, t
mas se ap lica também a outras partes da Bíblia.

LEI DE Segundo este princípio, uma trad ição é col ocada por escrito
CONTINU I DADE OU
DE ATUALIDADE com o escopo de mostrar a continu idade entre o passado e

1
66 --
--- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA

t
o presente. Por um lado, portanto, é necessário mostrar a
antiguidade da tradição, sinal de seu grande valor; por outro,
a sua atualidade para o tempo presente e a sua necess idade
sej a qual for a época.
� Lei de antiguidade, Lei de conservação.

LEI DE Pri ncípio segundo o qual o que é mais antigo tem maior valor.
PRECEDÊNCIA
Aplica-se aos personagens, às i nstituições e às tradições.
� Lei de antiguidade.

LEI DE SANTIDADE Terceiro código do Pentateuco (Lv 1 7-26), que fo i escrito,


segundo a maioria dos espec iali stas, depo is do exí lio e que
reflete a legislação fundamental da comuni dade pós-ex í l i ca
de Jerusalém. Esse nome foi-lhe dado por A. Klostermann
( 1 877) por causa da frase frequentemente repetida naqueles
capítulos (mas não exclusivamente neles) : "Sede santos
como eu sou santo". Provém dos ambientes sacerdota i s
do segundo templo e contém sobreh1do l e i s cultuais, mas
também algumas normas de dire ito c ivi l .

LEI DO ALTAR L e i colocada no início d o código da al iança e q u e determ ina


as condições a serem observadas na construção d e u m altar
(Ex 20,24-26). O enunciado da lei supõe a poss i b i l idade de
con struir altares em vários lugares (" E m todo lugar e m que
eu farei i nvocar o meu nome . . . ") e é, portanto, considerada
anterior à central ização do cu lto exigida pela lei correspon­
dente de Dt 1 2 ("Buscareis [YHWH] unicamente no lugar
que ele terá escolh ido", Dt 1 2 ,6).
Graças a esta lei do altar, os exegetas têm podido datar
os textos do Pentateuco. Os textos que supõem a lei do
Deuteronômio (centralização do culto) são contemporâneas
ou posteriores à reforma deuteronômica. As leis e os re latos
que supõem uma multiplic idade de lugares de cu lto são an­
teriores à reforma deuteronômica.
� Hipótese documentária, Deuteronômica (reforma).

L EI DO DEU S Expressão presente no texto de Esd 7, l 2 . 2 1 , isto é, o fi rmão


DO C É U
ou decreto oficial de Artaxerxes, rei da Pérsia, que espec i fica
as moda lidades da mi ssão do escriba Esdras. Para a lguns,
essa "lei do Deus do céu" seria o Pentateuco ou pelo menos

RITICA
---

ABORDAGEM DIACRÔNICA OU HISTÓRICO-C --


67
um Pentateuco próximo ao que nós conhecemos. Seria esse,
portanto, o documento j urídico o ficial da autorização imperial
persa. A expressão "Deus do céu" é uma expressão típica do
império persa (cf. 2Cr 3 6,23 ; Esd 1 ,2 no edito de Ciro) .
� A utorização imperial persa.

LEI E EVANGELHO Em alemão, Gesetz und Evangelium. Esta antítese resume


uma das mensagens mais importantes da Reforma (M.
Lutero). Ela se inspira na mensagem de Paulo (Epístolas
aos Romanos e aos Gálatas) e é encontrada muitas vezes
sob a pena dos exegetas protestantes, em particular quando
se trata de falar da Lei (tradição do S inai) em oposição aos
relatos que descrevem "a história da salvação" (G. von Rad).
A mesma oposição é encontrada em Wellhausen: segundo
ele, as antigas fontes Gavista, eloísta, j eovista) formam um
primeiro "evangelho" espontâneo e natural, que se disti ngue
da teologia mais legalista e abstrata do Deuteronômio e so­
bretudo do Escrito sacerdotal. O NT está ligado ao frescor
dos primeiros documentos do Pentateuco.
� Javista, Eloísta, Jeovista.

LENDA Termo que vem do latim legenda ("coisas a serem l i das")


e que designava em particular as vidas dos santos que os
monges deviam ler durante a quaresma ou também os rela­
tos provenientes da vida dos santos, contados por ocasião
de suas festas.
Em seu sign ificado técnico, "lenda" s ignifica: relato edifi­
cante sobre um personagem veneráve l ou sobre um lugar
sagrado ( cf. a Lenda áurea, de Jacopo de Varazze ). Em geral,
o marav i l hoso faz parte desses relatos. Fala-se também da
"lenda sacra" da fundação de c ertos santuários (em grego,
hieros logos).
Fala-se habitualmente também de "lendas proféticas", por
exemplo a propósito de numerosos relatos referentes aos profe­
tas Elias e Eliseu. O termo é bastante ambíguo, sobretudo por­
que significa também "relato inventado e pouco confiável".

LETOON Inscrição tril íngue encontrada em 1 973, em Letoon (Lícia, Ásia


(INSCRIÇÃO DE)
Menor), no vale do rio Xanto, mais precisamente no templo

VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


68 --
--
da deusa Leto. É redigida em lício, a língua local, em grego
e em aramaico, a l íngua diplomática do império persa.
O texto trata da fundação de um lugar de culto para duas
divindades locais e contém vários regulamentos sobre a
organização desse culto e a manutenção do templo. E ssa
inscrição é um dos documentos que serviram para a elabo­
ração da teoria da autorização i mperial persa.
==> A utorização imperial persa.

L l T ERARKRITIK Palavra alemã que não deve ser traduzida por "crítica l i te­
rária", termo que designa um estudo s incrônico e estil ístico
dos textos. Literarkritik, ao contrário, é u m estudo diacrô­
nico dos textos e portanto um "estudo das fontes" baseado
no exame das tensões, repetições, dupl icatas, c ontradições,
rupturas, diferenças de estil o e de concepções presentes nos
textos bíblicos.
Essa abordagem procura, antes de mais nada, i dentificar as
fontes de um texto e distingui-las dos aportes posteriores
(acréscimos redacionais ).
==> Fontes, Hipótese documentária.

MALDIÇÃO A maldição, ao contrário da bênção, é sinônimo de desgraça,


sofrimento e morte. Aquele que é amaldiçoado é separado,
banido do mundo dos viventes ou afastado do lugar em que
a vida é abundante, para se encontrar na m iséria ou na escra­
vidão. Ver Gn 3 , 1 4 ; 4 , 1 1 - 1 2 ; 9,2 5 ; D t 27, 1 4-2 6 ; Pr 20,20;
Me 1 1 ,2 1 ; G l 3 , 1 0 . 1 3 . As maldições d iv inas acompanham
numerosos tratados de vassalagem. A sua força di ssuasiva
deve convencer o vassalo a continuar fiel ao seu suserano .
Ver Lv 26, 1 4-3 9; D t 28 , 1 5-68 (a mais l onga l i sta de toda
a Bíblia).
==> Bênção, Tratado de vassalagem.

MASHAL Termo hebraico pol issêmico e d i fi c i l de traduzir. Pode


significar "provérbio" (donde o nome, em hebraico, do
l i vro dos Provérbios), "sentença", "máxima", "enigma",
"comparação", "parábo la".

M ITO Termo mu ito comum, cuj a de finição, porém, é muitas vezes


di scutida. Um mito é geralmente um re lato popu lar que

---

RICOCRITICA
ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HtSlÓ --
69
1

trata das origens do universo. Os acontecimentos narrados t


se situam em um tempo que precede o do nosso universo,
os atores são seres sobrenaturais e os fatos relatados deter­
minam o curso das coisas no nosso mundo. 1
Na sua maior parte, os mitos são representados e reatualiza­
dos nos rituais do culto. Exe mplos: a luta primordial entre a 1
divindade e o monstro das águas. Na B íbl ia, restam poucos
traços de mitos, por causa do estrito monoteísmo que se im­
pôs após o ex ílio. Os mitos, com efeito, são característicos
das religiões politeístas. O termo tem também um signi ficado
pejorativo, porque pode ser sinônimo de .. fábula", "lenda",
"relato imaginário".

:"t"OVA CRÍTICA Escola de crítica l iterária cujas figuras de ponta são 1. A.


�EW CRITICIS:\I)
Richards ( 1 893- 1 979), professor em Cambridge ( I nglaterra),
e o poeta inglês de origem americana T. S. Eliot ( 1 888- 1 965).
Para Richards e seus discípulos, o texto é mai s i m portante
do que o autor ou o leitor e deve ser estudado de modo
ci entífico e objetivo, segundo critérios semelhantes àqueles
das c i ências exatas. Os princípios de leitura são três:
- O texto é autônomo em relação à sua gênese e ao seu
amb iente de origem. Portanto, o sentido provém do próprio
texto, e não de fatores externos.
- O sentido do texto depende de elementos obj etivos . Nesse
tipo de le itura, portanto, o efeito que um texto produz no
leitor não tem a menor importância.
- Cada texto tem uma unidade fundamental que cabe ao leitor
descobrir. Termos aparentados: close reading ("leitura aten­
ta"), "explicação do texto", Em alemão, J!Jferkinterpretation
("interpretação da obra", e não da sua gênese o u do seu
amb iente de origem). Essa abordagem foi retomada por exe­
getas, principal mente pelos defensores do rhetorical criticism
e das lei turas sincrô n icas dos textos bíbl icos.
� Rhetorical criticism, Reader-response criticism.

OR,\cuLo Termo genérico que designa, sobretudo na l iteratura profé­


tica, uma comuni cação divina ou de origem sobrenatural.

onAcuLo DE .1 uízo Tipo de oráculo frequente nos pro fetas pré-exíl icos. Em
gera l, comporta quatro elementos:

70 --
-- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE EÍêUCA
- convite a escutar;
- ato de acusação;
- fórmula do mensagei ro ;
- anúncio d e j u ízo.
Estes elementos não se encontram sempre nesta ordem.
Há uma distinção entre oráculos de j u ízo contra um indiví­
duo ( l Rs 2 1 , 1 9-20; 2 Rs 1 , 3-4; Am 7, 1 6- 1 7 . . . ) e contra uma
nação (Is 8,5-8; 30, 1 2- 1 4 ; Os 2 , 7-9 . . . ). Os oráculos con tra
nações fazem parte do mesmo gênero literário ( I s 1 3-2 3 ;
A m 1 -2; J r 2 5 ; 46-5 1 . . . ) .
� Fórmula do mensage iro .

O RÁCULO D E Tipo de oráculo profético freq uente n o D ê u tero- l s a í as


SALVAÇ ÃO
(Is 40-5 5). Esse tipo de oráculo geral mente é co mposto de
quatro partes:
- Deus se di rige ao destinatário do oráculo;
- convite a não temer;
- mensagem de salvação;
- Deus (re)afirma seu poder e sua presença.
Exemplo: Is 4 1 ,8- 1 O.

PENTATEUCO Termo de origem grega que s igni fica "c inco ro los".
Designa os primeiros cinco li vros da B íblia: Gênesis, Ê xodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. S i nônimos: a Lei ou a
Torah (palavra hebraica que signi fica "lei").
� Tetrateuco, Hexateuco, Eneateuco.

PEQUENO CREDO Termo introduzido por G. von Rad no seu estudo sobre o
HISTÓRICO
Hexateuco ( 1 938). Ele postula, na origem da fo rmação das
tradições narrativas presentes no H exate uco, a existência
de um pequeno credo hi stórico encon trado em Dt 26,5-9
( cf. 6,2 1 -2 3 ) e em J s 24,2- 1 3 . Esses resumos da h istória de
Israel falam dos patriarcas, do êxodo, da peregrinação pelo
deserto e d o ingresso na terra prometida, mas não acenam
ao dom da lei no S inai . Para von Rad, esse pequeno c redo
era recitado por ocasião da festa da Páscoa cel ebrada em
Guilgal, nos arredores de Jericó.
� J-lexateuco, Lei e Evangelho.

PÓS·
Adj etivo que se refere sobretudo aos textos recentes do
OE UT ER ON OM ISTA Pentateuco, red igidos depois dos textos deuteronom istas

---

RICOCRÍTICA
ABORDAGEM DIACRÓNICA OU HISTÓ --
71
clássicos (hi stória deuteronomi sta). Tais textos datam da
época do segundo templo (época persa).
=::. História deuteronomista.

PÓS-SA CE IWOTA L Assim são designados os textos tardios do Pentate uco,


redigidos depois dos textos atri buídos ao relato sacerdotal
clássico. Tais textos, na maioria das vezes acréscimos re­
dacionais bastante breves, provêm dos últi mos estratos do
Pentateuco e foram redigidos na época do segundo templo
(época persa).
=::. Escrito sacerdotal.

PROCESSO O termo hebraico ríb tem vários significados: "discussão",


"di sputa", "controvérsia", "processo". Em grande n úmero de
casos, mas não em todos, designa uma discussão de caráter t
j urídico entre duas partes com con fl i tos de interesses. Cf.
Os 2,4; 4, 1 ; 1 2 ,3; I s 1 ,1 8 . . .
'

PRO FETAS =::. Nabi, Nebi 'im.

QUERIGM A Do grego k�1ygma, "proclamação". No uso profano, designa


sobretudo a proclamação de um arauto em nome do rei (cf.
Gn 4 1 ,43 ; Is 42,9; 5 2 , 7 ) .

No NT, o termo pode ter dois significados pri ncipais. Fora

dos evangelhos, designa o essencial da pregação dos após-
tolos, sobretudo em Atos : a vida, a morte e a ressurreição �
de Jesus Cristo. C f. At 2,22-24; 3, 1 3 -26 ; 4, 1 0-1 2; 5 ,30-32;
1 0,3 6-43 ; 1 3 ,1 7-41 ; Lc 24,46. Nesses casos, o querigma
4
contém o núcleo essencial dos evangelhos canônicos. Nos

evangelhos, refere-se ao anúncio da vinda i minente do
re ino, por João Bat ista, por Jesus ou pelos discípulos; ver t
Mt 3 ,1 -2; 4,1 7 ; 1 0,7.27.
O termo fo i retomado pela exegese do AT para caracterizar
a mensagem essencial de um relato particular. Foi assim que
e
H. W. Wol ff (1 964) pôde falar do "querigma do j avista"
(Gn 1 2, 1 -3 ) . �

READER-RESPONSE "Anál ise da resposta d o leitor". Modo recente de ler os tex- '
\,;;
CRITICISM
tos, segundo o qual o leitor "produz" o sentido dos textos
em vez de "consumi-lo". Distingue-se de outras leituras que t

72 VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
atribuem maior importância ao autor, ao universo re fletido
na obra, aos primeiros destinatários ou à própria obra. Em
parti cular, essa leitura se apresenta como reação à nova
crítica, que valoriza o signi ficado objetivo e universal dos
textos. O reader-response criticism afi rma, ao contrário,
que o sentido dos textos depende da subjetividade de cada
r leitor ( S . Fish).
H á di ferentes tendências nesta escola, mas todas estão de
t acordo pelo menos sobre dois pontos:
- o sentido dos textos é o resultado de uma i nteração entre
um texto e um leito r que assume um papel ativo;
- o senti do varia necessariamente de uma leitura para outra
e de um leitor para outro.
� No va crítica.

IUmAÇÃO, Termos técnicos que designam os acréscimos p osteriores


ltEl>ACIONA L
que os exegetas i denti ficam nos textos bíblicos. Opõem-se
ao termo "fonte" (ou documento), que design a os textos
originais que a segu ir entraram na composição dos l i vros
bíbl i cos. Os textos redacionais supõem, portanto, sempre
um "embrião" j á escrito. Esses acrésci mos redacionais em
geral são breves. São integrados mediante diversas técnicas,
como a "reprise" ou a repetição de uma palavra.
:=;. Glosa, Reprise, Fonte.

H E I NO Ver Ex 1 9,6. Conceito central da teologia da comunidade


SACEIU>OTA L
pós-ex í l ica. O termo é paralelo a "nação santa" e caracteri­
za o povo de I srael como uma comuni dade que encontra a
própria identidade na sua fé e nas suas i nstituições rel i gi o­
sas (al iança com Deus, lei, culto), n a falta da posse de um
território e de um soberano próprios.
O termo é muito discutido, mas é provavelmente polissêmi­
co. Designa o povo de Israel como uma comunidade toda e
totalmente consagrada ao serviço de seu Deus e que encontra
a própria identidade nesse "serviço sacerdotal", mas também
como um "reino" cuj os diri gentes são as famílias sacerdotais
do segundo templo. O conceito é retomado no NT para ca­
racterizar a comuni dade dos fiéis ( 1 Pd 2,9; Ap 1 ,6; 5, 1 O).
� Cidade-templo.

ÔNICA OU Hl!:llÓRICOCRI J ICA 73


ABORDAGEM DIACR
---

--
REPRISE Em al emão, JViederm{fiwhme; em i nglês, res umption.
Procedimento mediante o qual uma frase do texto original que
precede imediatamente um acréscimo redacional é repetida
(''reprisada") logo depois desse mesmo acrésc imo. Exemplo:
Gn 7,5. que "reprisa" Gn 6)2 depois do acréscimo de
Gn 7, 1 -4; Gn 2 l ,32a, que "'reprisa" Gn 2 l ,27b depois das eti­
mologias populares sobre o nome de Bersabeia (2 1 ,28-3 1 ).

RESTO. RESTO DE Este conce ito profético, provavelmente de origem assíria,


ISRAEL
des igna a única parte do povo que escapa do castigo divino
e pode assim garantir a continuidade do plano divino para
seu povo. Ver Is 1 ,9 (os "sobreviventes"); 4,3 ; 7 ,3 ; l 0,2 1 . 22;
Am 5� 1 5 (resto de J osé) ; cf Is 1 7,3 (resto de Aram); Am
1 ,8 (resto dos fil isteus).

RHETORICAL Tenno introduzido no mundo da exegese veterotestamentária


CRITICIS'.\I
por J. Nl ui lenburg ( 1 969) para descrever uma abordagem
cujo escopo é completar o estudo da história das formas.
E m português, fala-se de análi se retórica. Mui lenburg pro­
põe um estudo aprofundado do estilo dos textos poéticos ou
em prosa. A atenção se volta para dois aspectos essenc iais
dos textos: a estmtura (paralelismos, quiasmos, repetições,
inclusões . . . ) e as figuras de estilo usadas (anáforas, paro­
nomásias, alusões . . . ). Se a história das formas insiste prin­
cipalmente no que é tí pico em um texto, a análise retórica
busca i dentificar seus traços individuais e únicos.
=:::> História das formas.

SABÁTICO Que se refere ao sábado, o sétimo dia da semana. Fala-se


também do ano sabático, que acontece a cada sete anos. A
legislação do ano sabático encontra-se em Lv 2 5 e exige, em
resumo, que as te1Tas, por um ano inteiro, sejam deixadas
em completo descanso.

SACERDOTAL Adj etivo aplicado aos textos redigidos pelas famí lias de
sacerdotes l igadas ao templo. Esses textos interessam-se
muito, mas não exc lusivamente, pelo culto do templo de
Jerusalém. O adje tivo é aplicado também a uma das quatro
fontes do Pentateuco (P).
=:::> Escrito sacerdotal, Hipótese docume11tária.

74 -- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


--
a

'
SAGA
Palavra a ser evitada ou pelo menos a ser usada com ex­
' trema prudência. O termo é de origem escandinava ("dito",
"conto", '"lenda") e designa um tipo particular de tradições
1 fam iliares e guerreiras próprias da Is lândia e da Noruega
da alta Idade Média. Às vezes, é apl icado - erroneamen­
'
te - a alguns relatos populares de passagens lendárias que
t encontramos na B íblia, particul armente no l ivro do Gênesis
e no li vro dos Juízes.
t O termo alemão Sage, usado por H. Gunkel ( 1 90 l , 1 9 l 0),
não pode ser traduzido por "saga". Sign i fica "relato popu­
1
lar", "lenda", "relato heroico". Às vezes, o termo ··saga" é
' usado - anacronicamente - com o sentido util izado por
J . Gal sworthy em seu romance A saga dos Forsyre ( 1 93 2 )
t para desi gnar, por analogia, uma série de re latos populares
e lendários referentes a uma família ou a um personagem
1 famoso.

t S E M I O LOG I A, Palavras formadas com a raiz grega sêma, "signo". Esses


S E M IÓTICA
termos designam diversas teorias gerais sobre os "signos",
sobre os si stemas de signos ou "códigos'" que estão na base
da comunicação ( U . Eco). Portanto, o escopo da critica lite­
rária é, fundamentalmente, o de "decodi ficar" os textos. Em
exegese bíbl ica, a semiótica é parente do estruturalismo.
� Estruturalismo.

S I TZ IM LEBEN Expressão cunhada por H. Gunkel ( 1 906: Sitz im Vo/ksleben)


para descrever o contexto concreto, muitas vezes i nstitu­
c ional, em que é transmitida determinada tradi ção oral (fa­
m í l ia, culto, cel ebrações l itúrgicas, corte de j ustiça, corte
real . . . ) .
� Gênero literário, Tradição oral.

S ÚPLICA � Lamentação.

TAL I Ã O Do latim ta/is, "tal (qual)". Termo j urídico que caracteriza


as leis b íb licas que introduzem um estreito princípio de
proporc ionalidade entre a pena e a ofensa: "olho por olho,
dente por dente". Cf. Ex 2 1 ,24-25; Lv 24, 1 5-22; Dt 1 9, 1 6-
2 1 ; cf. Mt 5,3 8-42.

ABORDAGEM DIACRÓN
ICA OU HISTÓRICOCRITICA 75
A lei exi ste também no direito mesopotâmico, bem como
no antigo d i reito romano. A interpretação dos textos é dis­
c utida, mas é mu ito i mprovável que algum dia a lei tenha
sido aplicada à l etra.

TETRATEUCO Palavra de origem grega que si gnifi ca "quatro rol os" e que
designa o s quatro primeiros l i vros da Bíblia: Gn, Ex, Lv e
Nm, isto é, o Pentateuco sem o l ivro do Dt, que seria desta­
cado, sobretudo porque, a princípio, constituía a i ntrodução
da h i stória deuteronomista (Js-2Rs).
� Pentateuco, Hexateuco, Eneateuco, História deutero­
nomista.

TOLEDOT Palavra que quer dizer gerações.


� Fórmula de toledot.

TRADIÇÃO Em exegese bíblica, o termo tradição designa na maioria das


vezes uma tradição oral. O interesse pelas tradições orais e
o seu estudo s istemático remonta a H. Gunkel ( 1 8 62- 1 932).
Para o NT, os nomes principais são os de M. Dibelius ( 1 883-
1 94 7) e de R. Bu ltmann ( 1 884- 1 976).
Segundo esses autores, muitas particul aridades da l i teratura
bíblica são expl icadas caso se suponha a existênc i a de uma
longa tradição oral por trás dos textos atuai s. Os relatos, por
exemplo, são transmitidos segundo esquemas fixos ("gêneros
literários") e recitados em determinados contextos (Sitze im
Leben, tais como festas populares, cel ebrações l i túrgicas
ou outras ocasi ões particulares). Já Rich ard Si mon ( 1 678)
tinha suposto a existência de uma trad ição oral subjacente
ao texto bíblico atual .
H oje, os estudos sobre a trad ição oral fora da B í blia têm
demonstrado que essa tradição é muito fl exível. Gênero li­
terário e Sitz im leben, por exem plo, são tudo, menos fi xos
e estáveis (P. S. Ki rkpatrick, 1 9 8 8 ) .
� Formgeschichte, Gênero literário, História da tradi<:cio,
Sitz im lehen.

TnATAl>O l > P. Tra tados u t i l i zados sobretudo p e lo império neo-h it ita (Anatólia, lJ
\' ASSA LAC E !\I
1 450- 1 090 antes de nossa era), para esta belecer ns re lações
entre o soberano do i m pério (suserano) e os seus a l i ados ou

VOCAUUlARIO POND(RADO DA EXU.,';ESE Bl!3l1CA


76
os reinos submissos à sua domi nação (vassalos). Os tratados
de vassa lagem foram a seguir muito uti lizados, principalmente
pelo império neoassírio (934-606 antes de nossa era).
Um tratado de vassal agem comporta, grosso modo, os
seguintes elementos : os títulos do soberano; um prólogo
hi stórico que resume os beneficios do suserano em favor
de seu vassalo; a descrição das relações entre o suserano e
o seu vassalo; estipulações (deveres do vassalo para com seu
suserano); menção das d ivi ndades que são testemunhas do
tratado; bênçãos divinas (se o vassa lo for fiel) e mal dições
divinas (se o vassalo f o r infiel). Alguns tratados contêm
também uma c láusu la referente à conservação do documento
que contém o texto do tratado.
Foi o exegeta americano G. Mendenhal l ( 1 95 5 ) quem cha­
mou a atenção para as semel hanças entre esses tratados e
os textos bíblicos sobre a a liança, em particular a a l i ança
do Sinai. A segu ir, a hipótese foi retomada e profunda­
mente modificada (L. Perlitt, 1 9 69; D . J. McCarthy, 1 96 3 ,
1 9 78). Para esses exegetas e para m ui tos outros, o modelo
do tratado de vassal agem foi aplicado pelo Deuteronôm io
às relações entre Deus e o seu povo, donde a teologia da
aliança daquele l ivro.
� Aliança.

Tn ITO-ISAÍAS Terceira parte do l ivro de I saías (Is 5 6-66 ) , que mui tos
( TF.RCEmo ISAÍAS)
exegetas atribuem a um único autor ou a diversos autores
pós-exílicos, di ferentes do Dê utero-Isaías (Is 40-5 5 ) e pro­
ven ientes do mesmo ambiente hierosol i mi tano. Deve-se a
B . Duhm ( 1 892) a identi ficação de u m Trito-Isaías.
� Dêutero-Jsaías.

VIS ÃO Termo genérico que designa um relato no qual a div indade


se faz visível a um personagem ou a u m grupo determi­
nado. Há muitos tipos de relatos de visão. Para as v isões
pro fét icas, cf. Is 6, 1 - 1 3 ; .l r 1 , 1 1 - 1 4 ; Ez 1 , 1 -3 , 1 5 ; Am 7 , 1 -9;
8 ' 1 -3 ; 9, 1 -4.

VOCAÇ1\0 Gê nero l i terário que descreve em gera l o chamado de um


( HELi\T O l>E)
p ro fo t a ou de um chefe carismútico. N a 1naioria das vezes,

A80WAG" � DIAC -.JICA OU HISlÓRICOOil:C.A


-------
--- -----

77
é composto de cinco elementos: introdução (muitas vezes
uma aparição) ; missão; objeção; resposta à obj eção; conclu­
são. Exemplos no A T: vocação de Moisés (Ex 3, 1 -4, 1 8) ;
d e Gedeão (Jz 6, 1 1 -24); d e Isaías ( I s 6, 1 - 1 3) ; d e Jeremias
(Jr 1 ,4- 1 O). No NT, o gênero literário é encontrado, com
notáveis variantes, por exemplo, no chamado de Pedro (Lc
5 , 1 - 1 1 ) e no de Paulo (At 9, 1 - 1 9).
� Gênero literário.

WIRKUNGS­ Termo alemão que significa: "história do efeito (de u m


GESCHICHTE
texto)", "história d o impacto (de um texto em seus diversos
leitores)". Esse termo geralmente é usado para descrever as
diversas interpretações que um texto pôde receber ao longo
da história e corresponde à história da exegese daquele
texto.

78 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
· · - -·-· --

' TERCEIRA PARTE


ABORDAGENS SI NCRÔNICAS

As abordagens si ncrónicas estudam os textos em sua unidade, sem levar


em conta, em um primeiro momento, a história ou as etapas de sua redação.
Procuram identificar o que neles é típico: composição, figuras de estilo, en­
redo, teologia.
Esta parte está subdividida em vários capítulos, e cada um deles trata de
u m vocabulário específico. Assim, são apresentados os vocabulários da análise
narrativa, depois o da análise retórica, os vocabulários da análise epistolar da
exegese de Paulo e da exegese judaica e cristã.

1. VOCABULÁRIO DA ANÁLISE NARRATIVA

nELATO Um relato é a exposição de uma série de acontecimentos


cuja concatenação constitui a história ou o enredo, que segue
várias etapas, segundo um esquema chamado "narrativo",
para pôr em cena os personagens.
A análise narrati �a buscará colher as relações que os per­
sonagens têm entre si, bem como as forças que agem no
desenrolar da ação.
As principais intervenções da análise narrativa serão expostas
em ordem alfabética. Elas se referem:

• À decomposição do relato em episódios, segundo os atores,


os tempos, o espaço, a temática.


À s instâncias intradiegéticas, que são:
- os personagens . São coletivos ou individuais e se
subdividem novamente em protagon istas ou personagens
secundários. A análise se interessará por sua identidade,

ABORDAGENS SINCRÓNICAS ----- 79


seu sistema de valores, sua evolução interior, moral,
psicol ógica.
- as ações, designadas por verbos de desejo (querer, bus­
car), por verbos de conhecimento (saber, conhecer, assustar­
se ), por palavras (perguntas, ordens, votos, juízos, críticas,
hostilidade, apreço . . . ) e, enfim, por verbos de ação.
- o enredo, que se refere :
• aos personagens : o enredo então tem como base a evo­
lução, a transformação social, econômica, psicológica,
moral, religiosa.
• aos valores : a questão é: quem prevalece, o bom ou
o malvado, o verdadeiro ou o falso?
• à situação que concerne às aventuras, os novos de­
senvolvimentos. O interesse recai sobre o que está para
acontecer.
• o conhecimento, e então se diz enredo de revelação.
Nesse caso, a ênfase não recai sobre o que acontece,
mas sobre o modo da revelação.
- as transformações espaciais e temporais . A análise se
interessa pelo tempo e pelo lugar do relato e pela evolu­
ção deles.

• À s instâncias extradiegéticas, que dão informações sobre:


- o narrador e o autor, o modo de narrar (::::::> Telling e
Showing), a focalização, o ponto de vista.
- o leitor. Que tipo de leitor prevê o texto, um leitor com­
petente ou não? Qual efeito o texto quer produzir no leitor:
identificação com um ou mais atores, efeitos literários . . .

• Ao episódio em seu contexto , que mostra relações entre


a narração e uma composição mais ampla, na qual ela tem
seu lugar e sua função.

AÇÃO Em um episódio (ou mesmo no todo do macrorrelato), ação


TRANSFORMADO RA
que faz passar da situação inicial (nos evangelhos, muitas
vezes negativa, de falta etc.) à situação final (muitas vezes
positiva, o contrário daquela inic ial).

A NACRONIA
A anacronia é o desacordo entre a ordem do relato e a
ordem na qual os acontecimentos realmente aconteceram.

----- VCX::ABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BlBLICA


80
Normal mente, as anacromas acontecem por analepse ou
por prolepse.
==> A nalepse, Prolepse.

ANAG NORESE Do grego anagnórisis, que significa "recognição", momento


no qual, em um enredo de revelação, acontece a passagem
da ignorância ao conhecimento. Ver Gn 22, 1 2 ; 45,2-3 ;
l Sm 24, 1 7-22; l Rs 1 7,24; 1 8,39; 2Rs 5, 1 5 ; Tb 1 2, 1 1 - 1 5 ;
no NT, ver Lc 24,3 1 ; Jo 20, 1 6; 2 1 ,7.
==> Enredo, Peripécia, Pivô.

ANALEPSE Toda evocação de um acontecimento situado no tempo anterior


ao ponto em que se dá o relato. Uma analepse pode ser:
- interna: trata-se da evocação de um acontecimento situado
no tempo da história narrada (ex . : o Dt, no qual Moisés, no
último dia de sua vida, recorda a Israel os principais acon­
tecimentos da peregrinação no deserto; Lc 22,6 1 , no qual
Pedro se recorda das palavras do Senhor);
- externa: o acontecimento passado evocado situa-se fora do
tempo da história narrada (ex. : Gn 42,2 1 , no qual os irmãos
de José se recordam da sua súplica; Lc 1 , 1 3 , no qual o anjo
faz alusão à prece de Zacarias);
- mista: quando o acontecimento evocado teve início antes
do tempo do relato e continua durante o relato.
==> Prolepse.

ATOR Em análise narrativa, o termo ator é equivalente ao termo


personagem.

A UTOR Alguns narratólogos distinguem o autor real (personagem


responsável pela escrita do relato, o Lucas ou o Mateus de
carne e osso) do autor implícito (em inglês, implied author: a
ideia que o leitor faz do autor, baseando-se no que ele diz).
==> Narrador.

CARACTERIZA ÇÃO Conjunto dos traços por meio dos quais é descrito um per­
sonagem do relato (seu tisico, sua cultura, sua moralidade
etc.). Se à medida que um relato (micro ou macrorrelato)
progride os traços do personagem se acumulam, diz-se então
que acontece uma construção do personagem.
� Construção.

ABORDAGENS SINCRÓNICAS 8l
CENA
U n i dade mínima de um ep isód i o e de um enredo ep isód ico,
i so l ável graças às mudanças de personagens, de l ugar e de
tempo, graças tam bém à progressão do enredo.
=::. Episódio, Enredo.

CENA TÍ PICA Conceito que provém dos estudos sobre Homero. Uma cena
típica é um relato q ue segue um esquema conhec ido: a cena
contém certo número de elementos fixos e tai s elementos
seguem determ in ada ordem. Alguns el ementos podem ser
modifi cados ou mesmo e l i m i n ados, a ordem pode ser mu­
dada, mas o número dos el ementos presentes é sufi ci ente e
tais e l ementos são sufici entemente carac terísti cos para que
aquela cena típica sej a reconhecível.

Cf. a cena do encon tro j u nto ao poço (Gn 24, 1 -66; 29, 1 - 1 4-
[ 1 5-30]; Ex 2, 1 5-22; Jo 4, l -42); as cenas de hosp i talidade
( G n 1 8, 1 - 1 6 ; 1 9, 1 - 1 6; Jz 1 9, 1 - 1 0; Lc 7,3 6-50) . . .

As cenas típi cas são muito semel hantes aos "gêneros l i terá­
rios" da h i stória das formas, mas não têm nenhuma l i gação
part i cu lar com um Sitz im Leben.
=::. Gênero literário, História das formas, Sitz im Leben.

CLÍMAX Em um relato, diz-se que há clímax (do grego klímax, "es­


cada") quando a tensão (ou o suspense) subiu e chegou ao
seu máxi mo.

COMPARSA O p ersonagem com parsa equi vale ao figurante no tea­


tro. Alguns manuais chamam assi m os personagens que
desempenham um papel menor no desenrolar do enredo
narrativo.

COMPLICAÇÕES Em u m enredo, entre o momento em que se i n ic i a a tensão


(o enlace) e aquele em que esta chega ao seu clímax, o re­
lato passa por uma série de comp l icações ou de etapas de
tensão crescente (com possíveis i nsucessos, d i ficuldades,
aventuras, annad i l has, personagens que vêm em socorro
etc. ) que podem retardar ou acelerar a tensão. São chamadas
complicações.

CONSTRUÇÃO A construção de u m personagem é o conj unto de seus traços


(DO PERSONAGEM) enquan to refletem a progressão do relato (a construção pode

------ VOCABUlÁRIO PONDEPAOCl DA EXEGESE BÍBLICA


82
proceder em positivo ou em negativo, do mais obscuro para
o mais claro, do mais superficial para o mais interior etc.).
O termo inglês correspondente é characteri=ation.
=::::> Caracterização, Personagem.

CONTEXTO Conjunto dos dados que constituem as circunstâncias da


história narrada (contexto temporal, espacial, social, religioso
etc.) e muitas vezes são úteis para melhor compreender um
relato (o qual reflete sempre uma época determ inada).
DESENLA CE ,
O desenlace é o momento do relato em que cessa a tensão,
RESOLUÇ:\O
mu itas vezes graças à transformação da situação inicial
(aquel a que provocou o drama ou a tensão).
D IEGESE Do grego diégesis (ver Lc 1 , 1 ). O termo designa toda espé­
cie de relato. Nas argumentações retóricas, a diégesis (em
latim, narraiio) consiste em apresentar os fatos discutidos
(por exemplo, diante de um tribunal). A diégesis dos dis­
cursos retóricos não é, portanto, nada mais do que um caso
particular de diegese.
=::::> Narratio (retórica).

ELIPSE NARRATIVA A elipse narrativa é a velocidade acelerada da narração que


omite uma porção de tempo maior ou menor da história
narrada, como, por exemplo, a narrativa lucana que omite
tudo o que acontece entre os treze anos de Jesus até o início
de seu ministério. No AT, a narrativa salta do nascimento
de José para o que acontece quando ele tem dezessete anos
(Gn 3 0,22-24; 37,2). A elipse nem sempre equivale a um
vazio do texto.
=::::> Vazio do texto.

ENLACE (OU N Ó) Nos episódios narrativos, após uma cena de apresentação (cha­
mada também exposição), geralmente vem aquela em que se
fecham as relações, o conflito é declarado e se inicia a tensão
narrativa. Em inglês, Jnciting Moment. Antônimo: desenlace.

ENREDO O desenvolvimento da ação que parte de um estado inicial


e, por meio de tensões sucessivas, chega à resolução. As
grandes etapas do enredo (em inglês, plot) geralmente são:
o enlace, as compli cações, o clímax e o desenlace.

--

ABORDAGENS SINCRÓNICAS --
83
Há vários tipos de enredo:

ENREDO D E O enredo de revelação, que consiste em um processo de


REVELAÇÃO
revelação ou de conhecimento de um personagem (muitas
vezes o protagonista).

ENREDO DE O enredo de situação, que corresponde à pergunta: "O que


SITUAÇÃO
vai acontecer ou se passar?".

ENREDO EPISÓDICO Se os episódios de um mesmo relato são unidos por v ín­


culos bastante frágeis, o enredo é também chamado enredo
episódico, uma vez que cada episódio forma uma unidade à
parte (como no ciclo de Abraão ou na história de Sansão).

ENREDO EPISÓDICO Dependendo de se tratar de um microrrelato ou de um


E ENREDO GLOBAL
macrorrelato, o enredo é episódico (aquele que percorre
um episódio ou um microrrelato) ou global (aquele que
cobre todo o macrorrelato, por exemplo, um evange l ho n a
sua total idade).

ENR EDO Ao contrário, o enredo unificado consiste em episódios


U N I FI CA DO
estritamente ligados; cada qual continua imediatamente o
precedente e prepara o sucessivo (como na história de José,
na história de Rute ou na história de Jonas).

ENREDO Os momentos ou os componentes do enredo são frequente­


(COMPON ENTES)
mente os seguintes:
- um início (apresentação da situação, dos personagens,
espaço e tempo), também chamado "exposição";
- algumas complicações, com uma crescente tensão;
- uma reviravolta, que permite ao relato tomar uma d i reção
ou outra;
- um c límax, o momento mais alto da tensão (entre perso­
nagens, nas modalidades, nas ações e nos valores);
- um desenlace.

EPISÓDIO Um episódio (do grego epí, "sobre, em acréscimo"; + eisó­


dios, "que chega, que acontece a mais") era originariamente,
na tragédia grega, o elemento de ação encerrado entre dois
cantos do coro (cfr. Aristóteles, Poética 1 452b,20). Em uma
obra narrativa, um episódio é um conj unto relativamente

--
84 --- VOCAflUIÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
autônomo, formado por cenas que vão desde a apresentação
dos personagens até a conclusão da ação empreendida.
EPITEXTO Termo proveniente da distinção herdada de G. Genette (ver
paratexto) e que designa as apresentações do texto não
fi sicamente ligadas ou contíguas ao texto (por exemplo as
suas apresentações publicitárias, as suas recensões). Do
momento em que um epitexto é anexado ao texto (ime­
diatamente antes ou imediatamente depois), toma-se um
peritexto.
=::. Peritexto, Paratexto.
ESQUEMA O esquema quinário é a grade de leitura narrativa, que de­
QUINÁRIO
compõe um enredo, episódico ou global, em cinco momentos
sucessivos: situação inicial, enlace, ação transformadora,
desenlace e situação final.
Não se pode esquecer que muitos episódios evangélicos não
obedecem a esta "cama de Procuste", e é necessário descon­
fiar dos exemplos errôneos oferecidos por certos manuais
para i lustrar esse esquema. Para os principiantes, a melhor
coisa a fazer é abandoná-lo.
=::. Enredo.

EXPOSIÇÃO Parte do relato que fornece ao leitor as informações indis­


pensáveis para a compreensão de tudo o que é narrado e
relativas à situação que precede o início da ação: onde e
quando acontece a ação, quais os personagens principais,
quais os vínculos que unem esses personagens, qual seu
ambiente de vida . . . Essas informações podem ser dadas em
bloco no início do relato ( 1 Sm 9, 1 -2; Jó 1 , 1 -5) ou mesmo
durante o relato que inicia in medias res (como a Ilíada ou
a Odisseia) ou ainda pouco a pouco durante o desenrolar
do relato (como no livro de Rute).

EXTl{A DIEGÉTICO É extradiegético o que é externo ao relato, como o autor


e o leitor, os quais, por isso, são chamados de instâncias
extradiegéticas.

FECHAMENTO D O O relato tem um m1c10 e um fim, que são identi ficáveis


T EXTO
graças a indicadores espaço-tempora is, à entrada e à saída

--

ABORDAGENS SINCRÓNICAS -- 85
dos personagens, à mudança da temática. Esses indicadores
operam o fechamento do texto.

FOCALIZAÇi\O C hama-se focalização o ângulo (como para uma câmera)


do qual o autor apresenta os personagens, suas palavras e
suas ações:
- Ocorre focalização zero quando o campo visual ou a in­
fo rmação vem de um informante onisciente (que sabe e diz
mais do que os personagens) ; fala-se também que o relato
não é focal izado.
- Ocorre focalização interna se o narrador sabe (e diz) tanto
(�
quanto os personagens ou um deles.
- Ocorre focalização externa quando ele sabe (ou finge
saber) menos do que os personagens.

FREQUÊNCIA Relação entre o número de vezes em que um acontecimento


ocorreu e o número de vezes em que ele é narrado. Há dois
tipos principais de frequência: um relato narra uma única
vez um acontecimento ocorrido uma vez (relato s ingul ativo,
o caso mais comum); um relato narra uma única vez u m
acontecimento verificado várias vezes (relato i terativo: cfr.
Jz 1 , 1 -6; l Sm 1 ,3-7; Jó 1 ,4-5).
� Relato iterativo, Relato repetitivo.

HETERODIEGÉTtco É chamado heterodiegético tudo o que não está na h i stória


narrada. O adjetivo é aplicado sobretudo aos narradores que
em nenhum momento falam de si mesmos.
� Homodiegético (antônimo).

HISTÓRIA Em narratologia, o termo história (em i nglês, story) designa


os eventos como podem ter acontecido (o significado, o
what) e não tal qual são (ou como são) narrados (porque o
narrador faz escolhas, acentua um ou outro particular, narra
lentamente ou vai diretamente ao essencial, muda a ordem
dos eventos etc.); o como se narra (o significante, o how) é
chamado montagem narrativa.
� Montagem narrativa.

HOMOD IEGltTJCO É chamado homodiegético o narrador presente na história


narrada (por exemplo, Lucas partir de At
a 1 6, 1 O, ou, n o
AT, Neemias n o livro que leva seu nome).

----- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


86
l�CIP T
Chama-se incipit o enunciado (ou a frase) que dá início a
um texto. seja narrati vo (por ex., Me 1 . 1 ). sej a �pistolar
(por ex., 1 Cor 1 . 1 -3 ).
==:. Praescriptwn.

t '.'iSTr\'.'iCtA Chamam-se instâncias os polos das relações intradiegéticas


(os personagens do relato) e extradiegéticas (autor e leitor).
==:. lntradiegético, Extradiegético.

tNTERTEXTUALIDADE O termo intertextualidade é, como o própri o nome diz. um


j ogo de relações entre vári os textos, quando um episódio ou
um relato no seu conj unto remete explíc ita ou implicitamente
a outros textos. Os tex tos bíbl icos, em particular aqueles do
NT, são bons exemplos de intertextual idade, direta (mediante
c itações) e indireta (al usões, ecos), porque remetem cont i­
nuamente uns aos outros.

INTRA D I E G ÉTICO Chama-se intradiegético o que é interno ao relato, como


os personagens e os tipos de relações que os l igam e que
estruturam o desenrolar do enredo.
==:. Extradiegético (antôni mo).

L E ITOR Os narratólogos distinguem vários tipos de leitor: o leitor


real, o leitor ideal (competente em todos os n íveis), o lei­
tor implícito (o imp/ied reader dos anglófonos). E ste último
é aquele que o relato toma progressivamente competente,
capaz de fazer sua a perspectiva assumida pelo autor.

.MACRORRELATO Um relato tomado na sua totalidade (evangelho, Atos dos


Apóstolos, livro de Rute, livro de Tobias, l ivro de Josué etc.).

M ICRORRELATO Apelativo com o qual geralmente se desi gnam os episódios


que são microrrelatos com enredo próprio, como, por exem­
plo, nos evangelhos, as parábolas, os relatos de c ura etc.

l\IONTAGEM A montagem narrativa não considera os aconteci mentos


NARRATIVA
em seu desenvolvimento cronológico (a h istória ou story),
e s i m no modo em que são agrupados (o como, how). Outro
apelativo, inglês, para montagem narrativa é discourse, que
não deve ser confundido com o termo discurso (ver este
termo na seção retóric a).
� His tória.

---
ABORDAGE NS SINCRÓNICAS -- 87
NARRADOR O narrador é a pessoa que conta (é também chamado
voz narrativa). Como no caso do narratário, é necessário
d istinguir:
- o narrador intradiegético, que faz parte do relato, como
um de seus personagens (por exemplo, o narrador de Atos
dos Apóstolos a partir de At 1 6, 1 O; ou o profeta Natã, que
conta a parábola do rico e do pobre, em 2Sm 1 2 , 1 -4);
- o narrador extradiegético, que não é personagem do re-
lato, mas pode intervir para fazer suas observações sobre
a situação ou sobre o que pensa dos personagens, além de
ass inalar eventualmente se concorda ou não com o ponto
de vista deles.
Os narratólogos d i st inguem entre autor e narrador, uma vez
que a voz narrativa está sempre, ou quase, longe do autor.
� A utor, Narratário.

NA RRATÁRIO O narratário é a instância para a qual o narrador conta ou


à qual se dirige. Normalmente, distinguem-se pelo menos 1
dois tipos de narratário:
- um narratário intradiegético, que faz parte do relato e é
u m dos personagens, como, nos evangelhos, as multidões e
os d i scípulos a quem Jesus narra as suas parábolas;
- um narratário extradiegético, que não é personagem do re-
lato (pode ser nominado, como Teófilo, em Lc 1 ,3 e At 1 , 1 ).
Muitas vezes, narratário e leitor são usados sinoni m icamente,
mas às vezes se impõe uma distinção, como no caso citado,
no qual o narrador se di rige também a numerosos leitores po-
tenciais e reais (se possível, competentes) do relato lucano.
� Narrador.

PARA TEXTO Al guns manuais de narratologia, segu indo G. Genette, dão


ao epitexto e ao peritexto o nome genérico de paratexto.
� Epitexto, Perilexto.

PEIUl'l-:CIA Da palavra grega peripéteia, que signifi ca "reviravolta",


"vicissitude". Em um enredo que descreve uma mudança
de si tuação, a peripécia é o momento em que acontece a
principal mudança de s i tuação, por exemplo a passagem
da fel icidade à i n felicidade, ou o contrário. C f. Rt 4, 1. 3- 1 6;

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BlBLICA


88
1 R s 2)-24: 2 R s 5 , 1 4 ; M t 9 ,2 5 ; Lc 1 0 ,33-34; J o 9,3 5 -3 8 ;
1 1 .4 1 -4 4 . E m numerosos casos, a peripécia co i n c i d e com
u m n <111ag11orese. ' r. G n 22 . 1 1 - 1 2 ; 4 5 ,2-3 ; 1 Rs 1 7 ,23-24;
2 R s 5 , 1 4 - 1 5 ; Lc 24,3 1 ; .l o 20, 1 6 ; 2 1 ,7 .
== :> l i 11<1g11orese, t:1 1reclo, Pivô .

l'l.;it l ' l ' lo:XT< > omo o nome di z, o perilexlo é o que c i rcun da o texto, an tes
o u depo i s : t i t u l o, pró l ogo, s ej a ou não do autor: Me 1 , 1 ;
Lc 1 , 1 -4: /\ t 1 , 1 -5 ; .l o 1 , 1 - 1 8 ; conc lu são J o 20,3 0-3 1 ; 2 1 ,24-
25; no /\T, ver os tít u los de certos l i v ros pro féticos, como
os ele Is 1 , 1 : .I r 1 , 1 -2 ; Os 1 , 1 ; os títu los de mui tos salmos
ou o col o llio (ass i n n t u ra) de Sir 5 1 , 30.

F i gura que desempen ha um papel no enred o. A l guns per­


PERSONAGEM
sonagens são gru pos, são os personagens coleti vos ; ou tros
n gem i n d i v i dualmente. Ao redor do ou dos personagens
pr i n c i pa i s , o re lato apresenta personagens i n termediários
ou secundúrios.
O personagem mono! ítico conserv a u m papel i n variável
durante todo o desenrolar da h i stória. O perso nagem plano
se resume cm um ú n ico t nu;o de c a rút c r . O personagem
es lcrico é uma ligura que apres enta variados traços d e cará­
ter; pode ser um protagon i sta no i n terior de u m (macro- ou
m ic ro-) re lato.

l ' E l t S l ' ECTI \1 ;\ ==::- Ponto de vista, 1--:ocalizaçcio .

1 ' 1 \ 1 () O l J l\ I O l\ I E N TO O pivô é o momento de gui nada do enredo, seu ponto d e


l > E C I S l \10
nfio rc lorno ( m u i tas vezes co incide com a ação t rans forma­
dora ) . I� cha mado também de momenlo decis ivo do relato;
cm i nglês, t11rni11g poinl.

U m a palavra que t e m v{1 rios signi ficados d i ferentes é po­


POLISSEMIA,
lissêmica. N orma l me n te, a acepção e t i mológica da palavra
POLISSÊMICO é c h a mada sent ido pri m i t ivo. Os sentidos sec undários são
o b t i d os , na ma ioria das vezes, m e d i a nte derivação figu rada
( p or exe mp l o : mctn l'órica, melon i m ica etc.).

Tra t a-se do ponto de vista do nutor (e não dos personage ns )


PONTO DE VISTA
e a m a i o r parte dos n n rrat ólo go s designa com esse termo
a concepçfío cio mundo q ue o autor tem, seus valores, s u a

AO RDAG( NS SINOÔNICAS 89
ideologia (muitas vezes não expressa explicitamente). Caso
se siga essa defi nição, é necessário distinguir entre ponto de
vista e focalização, que designa a perspectiva na qual são
descritos personagens e ações.
� Focalização.

PRAGMÁTICA A leitura pragmática é aquela que estuda os textos levando


(LEITURA)
em conta o efeito que eles visam provocar no leitor, efeito
que não é somente cognitivo, mas também e sobretudo
ético.

PROGRAMA
Este termo, de uso corrente em semiótica, é utilizado também
NARRATIVO
por alguns narratólogos e pode designar:

- o enredo (episódico e geral), nas suas diversas fases, que


fazem passar de uma situação inicial a uma situação fi nal;

- em sentido mais amplo, tudo o que vai de uma ação inicial


à sua resolução (de entrar a sair, de tomar uma barca a chegar
à outra margem, do início da cena ao seu fim etc.).

PROLEPSE Uma prolepse é o relato ou a evocação antecipada de um


ou mais acontecimentos que se desenrolarão mais tarde.
Pode ser:

- interna, e então evoca um acontecimento futuro i nterior


ao tempo da história narrada, como os anúncios que Jesus
faz da sua paixão nos evange lhos;

- externa, e evoca um evento futuro exterior ao tempo da


história narrada (por ex . , o anúncio que Jesus faz da des­
truição de Jerusalém nos relatos; no AT, a maior parte das
promessas feitas aos patriarcas no l ivro do Gênesis);

- mista, quando evoca acontecimentos futuros iniciados du­


rante o relato e que continuarão depois (por ex., o modo em
que Jesus anuncia a vida em comunidade dos discípulos).

PROTAGONISTA O protagonista (do grego prôtos, "primeiro"; + agonistés,


"combatente") é o ator ou o personagem principal de uma
obra teatral ou de um relato.

----- VCX:ABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBUCA


90
RELATO ITERATIVO O rel 11 0 itc.·1 llfru 1nên · i t)IH\ umn 1inkn VêZ n que se rcpd iu
\' 'irim• v �2�� na n.'.\lldmk.

:::- Rt.:l 1r 1 1\·pcíi1h ·o.

NO Opêm\·�1�) l' \)tn n qual um êpisôlfü), por �uas :\cmdhnn�a:\


RELATO NO RELATO com o nmcrf,rrd ato. up1�sênt!\- �1.' l'mno um resumo e umu
r dk.x 1o �oh� o que o mni.:mtTdnto c:xpôc. Assim ac�)l\lccc
em v ú ri n� pndboln� dos c v an gd h n s . \ cr tn mb�m a cum d o
l' c go lk Bct�nida. cm tvk 8 . - --16, que � um re lato inserido
no i t i n�n\rio dos d is dp ul l) s cm tv k . No AT. n le it u ra do I h ro
da a l iança por rv tois�s. �m E:x 24.J-H, � um resumo e umn
� tlt-xflo sobr" o c o mp ro m is g o do povo de I s rael no que se
re ter� ú Ld: Ycr t a m h� m N� � .

RELATO O rdaw n:petith·o m en c io n a ou rd oma v:\rias vezes o qu�


RE.PETlTl\'0
n c o n tc.� eu uma ú n i c n \:cz. Ver. por l!X c m p lo . a v isfio de Ped ro
(ou a de Cornêlio) cm A t 1 0- 1 1 : assim t.n mb�m a \ Ocnç�1o
de Snulo. nos l' a p i tul o s 9, 22 t! 26 dos A t o s .
:::::> Relato ilerath ·o.

REL\TO O relato singularh·o nn rrn uma únil'u Vl!Z um nconkc i mcnto


Sl'.'\GUL\Tl\'O
que ocorreu uma única vez.
� Frequencia. Relato itL'ratil 'o, Relato rep •tirh·o.

SEQ UE�CIA Seq uencia 1wrrath·a é uma série m n i s ou menos longa d e


N .-\ R R.-\ TI\'.-\
episódios l igados entre s i por um personagem ( o protago­
n i sta da sequencia) ou por uma temtitica (como a sequênc i a
dos pães no evangelho d e M arcos: os re latos da paixão; o s
re latos d a ressurreiçfio o u os relatos d a i n ffincia etc . ; no AT,
as d isputas de J acó com o sogro Labão [G n 29-3 2] ou as
pragas do Egito [Ex 7- 1 1 ] . . . ) .

SHOWING O shoH ing ( l i tera l mente, mostrando ) consiste em mostrar os


fa tos� em outras palavras, em deixar fo lar os pt!rsonagens.
em descrever suas ações detal hadamente, para que o leitor
tenha, de a lgum modo, a impressão de assisti-las.
� Telling.

SUM,\IHO Aceleração da narração. que consi ste cm n ar rar em poucas


palavras longos períodos (meses, anos e até mesmo séculos).
O l ivro dos Atos dos Apósto los é conhecido por seus sumtí­
rios (por ex., At 2,42-4 7 ; 4,3 2-3 5 ; 5, 1 2- 1 6 ; 8,4- 8).

---
ABORDAGEN S SINCRÓNICAS -- 91
TELLING O telling (literalmente, contando) consiste em expor os fatos,
mencionando-os sucintamente, sem descrevê-los longamente,
sem mostrá-los (sem diálogos nem longas descrições dos
personagens, sem suas palavras nem seus gestos etc.). Alguns
autores usam esse termo também para um tipo de narração
em que o narrador "explica" a ação, em vez de deixar falar
e agir os personagens.
� Showing.

TEMPO NARRADO Tempo narrado é a tradução do alemão erzahlte Zeit.


Duração suposta ou real dos acontecimentos descritos no
relato. Tal duração é medida em minutos, horas, dias, se­
manas, meses, anos . . . É um tempo invariável, enquanto
o tempo narrativo pode variar segundo as escolhas e as
estratégias do narrador. Por exemplo, em Gn 29,20, quan­
do se diz que "Jacó serviu sete anos por Raquel (para se
casar com ela), mas lhe pareceram dias, porque ela amava
Raquel", a duração do tempo narrado é de sete anos, a do
tempo narrativo é de onze palavras em hebraico.
==:;. Cena, Sumário, Tempo narrativo, Velocidade.

TEMPO NARRATIVO Tempo narrativo é a tradução aproximativa do alemão


Erzah/zeit ("tempo interno ao relato"). Tempo empregado
efetivamente pelo narrador para narrar os acontecimentos
descritos no relato. Concretamente, trata-se do tempo neces­
sário para narrar (ou ler) um relato e suas várias partes. É
medido em palavras, linhas, versículos, parágrafos, páginas,
capítulos etc. Um narrador consagra um tempo mais ou
menos longo à descrição de determinados acontecimentos
em função da importância que lhes atribu i .
� Cena, Sumário, Tempo narrado, Velocidade.

VAZIO no TEXTO Ocorre um vazio quando o relato omite ao leitor uma in­
formação importante da qual se beneficiam alguns atores,
como, por exemplo, a lição de exegese que o Ressuscitado
dá aos dois discípulos sobre todas as passagens bíblicas
que a ele se referiam (Lc 24,27; também 24,45 ; no AT, ver
2Sm 1 4,3).
� Elipse narrativa.

92
--
--- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BiBUO.
V E LOCIDADE Ritmo da narração, medido pela relação entre o tempo
narrativo e o tempo narrado. Quando o tempo narrativo é
muito mais breve que o tempo narrado, temos um sumário.
Quando o tempo narrativo é mais ou menos igual ao tempo
narrado, temos uma cena ou um relato cên ico.
Nos diálogos, o tempo narrativo é idealmente igual ao tem­
po narrado. N as descrições e nos comentários do narrador,
há certo tempo narrativo, mas nenhum tempo narrado, e a
"velocidade" é zero, porque nada acontece no relato.
Nas elipses, há certo tempo narrado, mas nenhum tempo
narrativo (pois o narrador não diz nada sobre o que acon­
teceu) e a "velocidade" é teoricamente infini ta.
Esses conceitos foram desenvo lvidos por G. Genette .
� Elipse, Cena, Sumário, Tempo narrativo, Tempo
narrado.

VERIDICIDADE A veridicidade dos relatos refere-se ao fato de dizerem a


verdade. Os dois componentes da veridicidade são o ser e o
parecer. Com e feito, verdadeiro = ser + parecer; falso = não
ser + não parecer; mentiroso = não ser + parecer; secreto =

ser + não parecer. A análise narrativa consiste em observar


como os relatos bíbl icos, em particu lar os evangéli cos, tratam
seus personagens a esse respeito (Jesus é verdadeiramente
messias e se manifesta como tal? Seus i n i m i gos parecem
j ustos, mesmo não o sendo?). O terceiro evangelh o é o
relato em que a veridicidade é si stematicamente u t i l izada;
com efeito, é o evangelho que mostra como o ser e o pare­
cer de Jesus serão final m�nte reconhecidos como tais pelos
personagens do relato.

II. VOCAB ULÁRIO DA ANÁLIS E RETÓR ICA

R ETÓRICA O termo "retórica" tem d iversas acepções. Designa, primei­


ramente, o conj u nto das técnicas orais, escritas e outras,
col ocadas em uma obra com a fi nal i dade de persuad ir; por
isso, pode ser definida como a arte de persuadir. No de­
correr dos séculos, e no Ocidente, a extensão do vocábulo

--

ABORDAGENS SINCRÓNICAS --
93
se restringiu, a ponto de designar somente as figuras. Às f
vezes, o termo tem também urna conotação a-xiológica e
se aproxi ma do juízo estético, como discurso crítico sobre
o modo de falar e escrever bem e sobre o modo de julgar
corretamente o estilo dos autores.

A ARTE DE FALAR Cada cultura desenvolve um tipo de retórica, isto é� técnicas


de persuasão, de apresentação, figuras de estilo e de pensa­
mento etc. O nome téclme rhetorik� (arte de falar) parece
indicar que essa disciplina é de origem grega. Seria errado
crer nisso, mas é verdade que os gregos, dado seu gosto
pelas classificações, catalogaram o conj unto das técnicas de
persuasão em uso na sua cultura e que a sua nomenclatura
se impôs.

O ORNATUS Se, em seus inícios, a retórica era essencialmente oratória, a


seguir ela se tomou principalmente escrita, literária.
No entanto, se por longo tempo, a retórica fo i considerada
a arte de convencer e de persuadir - definição que vem de
Aristóteles -, e se o seu estudo consistia em repertoriar nos
textos as provas oferecidas (a invenção) e o modo em que
elas são ordenadas (a disposição), em compensação, os trata­
dos mais recentes - entre os quais aquele de Fontanier con­
t inua o mais conhecido - privilegiam as figuras (sobretudo
os tropas), isto é, a elocução, a ponto de a retórica ter sido
progressivamente assimilada a uma técnica de ornatus.
Se a retórica tem o escopo de convencer, ela não pode,
portanto, ser reduz ida unicamente à ornamentação ou à
di sposição (chamada também de composição ou estrutura
literária), uma vez que, embora a composição de um relato,
de uma epístola, de um salmo etc. seja portadora de sentido,
ela não constitui o conjunto das técnicas retóricas.

OS TI POS DE A arte de convencer e de persuadir - com a l i n guagem,


PERS UASÃO
sobre assuntos que não são óbvios e que requerem reflexão,
di scernimento - pode ser exerc ida de dois modos com­
plementares: dirigindo-se à intel igênc ia (mediante a lógica,
os motivos e os pri ncípios aos quais se recorre) e/ou nos

sentimentos {procurando agradar, comover).

VOCABULÁRIO f'ONDERAOO D-\ EXf ESE. BiBL -�


--

94 --
1 . Gêneros retóricos

GÊNERO RETÓRICO É necessário distinguir bem entre gênero retórico e gênero


literário. O gênero retórico, tripartido, foi definido por
Aristóteles, tendo em conta a finalidade dos discursos :

GÊNERO U m primeiro gênero é chamado judiciário, porque seu lugar


JUDICIÁRIO
habitual era o tribunal, onde acusação e defesa deviam con­
vencer os jurados, e tem como função principal estabelecer
a verdade ou a falsidade das acusações. Pode-se também
atacar a reputação de alguém etc.

GÊNERO Um segundo gênero, deliberativo, ligado principalmente à


DELIBERATIVO
política e cujo lugar era a ágora ou o senado, tem a função
de determinar o que é necessário ou não fazer em determi­
nada situação (declarar guerra, fazer-se circuncidar, comer as
carnes oferecidas aos ídolos etc .). Nessas situações, trata-se
não tanto de saber o que é verdadeiro ou falso, e sim de
saber o que é útil ou danoso, oportuno ou inoportuno.

GÊ1'ERO Um terceiro gênero, epidíctico ou demonstrativo, tem a


EPIDÍCTICO O U
DEMONSTRATIVO função de fazer descobrir e partilhar as convicções sobre a
grandeza e a beleza de uma ideia, de uma mensagem, de uma
religião etc. (as virtudes e os vícios que são seus opo stos,
mas também, no Novo Testamento, a verdadeira natureza
ENKÔMION do Evangelho), utilizando o elogio (em grego, enkômion)
ou a crítica, a aprovação ou a reprovação.

Essa classificação se impôs na antiguidade clássica e fo i


retomada, entre outros, por Cícero e Quinti liano.

As relações entre esses três gêneros podem ser ilustradas


por meio do seguinte esquema:

G Ê NE RO VALORES OCUPA-SE FUNÇÃO DOS SENTIMENTOS


BUSCADOS ARGUMENTOS PROVOCADOS

*JUDICIÁRIO verdade, de fatos defender, acusar severidade,


equidade passados brandura

* D ELIOE RATIVO util idade, do futuro persuadir, temor, esperança


proveito dissuadir

*DEMONSTRATIVO honestidade, do presente louvar, criticar prazer, desgosto


grandeza

ABORDAGENS SINCRÓNICAS --

95
--
Se os três gêneros parecem facilmente distintos, na prática
não é tão simples determinar o gênero de certos discursos,
ainda mais que o gênero epidíctico permaneceu por longo
tempo um recipiente de contornos bastante vagos.
Em resumo, é difícil determinar o gênero retórico (que é dife­
rente de gênero literário) das cartas paulinas. Dependendo da
escola e dos critérios, uma carta será declarada pertencente
ao gênero judiciário (apologia de Paulo ou de seu ministério),
deliberativo (persuadir/dissuadir os destinatários de tomar
determinada deci são) ou mesmo epidíctico.
Assim, para alguns, a carta aos Gálatas pertence ao gênero
j udiciário, porque nela Paulo defenderia sua atividade apos­
tólica e seu evangelho, enquanto, para outros, o gênero é o
deliberativo: o apóstolo visaria aj udar os destinatários a tomar
a decisão de não se fazer circuncidar (cf. Gl 5,2); para outros,
enfim, seria epidíctico, na medida em que, antes de convencer
os gálatas a não se fazer circuncidar, Paulo faz uma longa
exposição sobre o valor da circuncisão e sua relação com o
evangelho, com a salvação. Metodologicamente, é aconselhá­
vel determinar o gênero retórico das seções argumentativas
das cartas paulinas tendo como base as proposições.

GÊNERO RETÓRICO É i mportante também distinguir entre o gênero retórico, que


E GÊNERO
EPISTOLAR
se aplica às argumentações (probationes), e o gênero episto­
lar, porque as argumentações encontradas nas cartas paulinas
em geral não bastam para detem1inar o gênero epistolar. Este
varia segundo as relações entre a pessoa que escreve e seu(s)
destinatário(s ), e há vários tipos: cartas de felicitações ou de
congratulações, de agradecimento, de amizade, de elogio ou
de crítica, de recomendação, de exortação, de conselho, de
apologia ou de acusação, de ameaça, de favor etc.

GÊNERO Algumas técnicas de persuasão util i zadas maiormente no


DEMONSTRATIVO
OU EPIDÍCTICO gênero epidíctico:

ELOGIO O elogio (em grego, enkômion) se tomou um exercício muito


em voga no mundo do primeiro século de nossa era.
Encontram-se alguns exemplos famosos de elogio nos
escritos bíblicos da época helenística: Sir 44-5 0; Sb 7-8;

--
VOCABUIÁRIO PONDERADO DA EXEÇ>ESE BIBUCA
96 --
1 Cor '1 3 . Como esses exemplos mostram, pode-se fazer o
elogio tanto de virtudes quanto de pessoas.

Plo:l�IAlJTOLOC.IA A periautologia (do grego, peri - auto - logia, "falar a


propósito de si mesmo") consiste em fazer o próprio elo­
gio. No tempo de Paulo, porém, o elogio de si mesmo era
mal visto e se podia fazê-lo somente de modo velado e em
determinadas condições (conforme as sugestões de Plutarco
em seu De /aude ipsius).
Assim, Paulo não faz o próprio elogio, senão quando se
sente obrigado (em l Cor 9; FI 3; 2Cor 1 1 - 1 2).
=> Elogio.

SÍ NCRISE A síncrise (do grego, synkrisis) consiste em comparar sis­


tematicamente personagens, ações ou acontecimentos, mos­
trando seus pontos em comum, mas também suas d iferenças,
a superioridade de um em relação ao outro etc.
A técnica é dominante em certos escritores, como Plutarco
(fim do II século de nossa era), em seu Vidas paralelas. Na
B íbl ia, em Sb 1 1- 1 9 e Lucas, no NT (paralelos entre João
Batista e Jesus, em Lc 1-3 ; entre os pastores e a m ulher em
Lc 1 5 ,4- 1 O; entre os dois irmãos na parábola de Lc 15,1 1 -
32; nos Atos, entre Jesus e Pedro, Pedro e Paulo etc.). Cf.
também Rm 5, 1 5- 1 9 (entre Adão e o Cristo).
A síncrise não é somente uma técnica retórica global: ela
está presente já no nível dos estíquios e das frases, e m
que o s paralelos podem ser sinonímicos (''Não nos trata
conforme os nossos pecados, não nos retribui conforme as
nossas culpas") ou antitéticos ("escalando as montanhas,
descendo aos vales").

AMPLIFICAÇÃ O A amplificação pode ser efetuada de diversos modos: por


meio do estilo (empolado), do acúmulo lexical (perífrase,
sinônimos, fortes oposições etc.) e das figuras (adynaton,
exagero, hipérbole etc.).
Bons exemplos de amplificação encontram-se em Rm 8,3 1 -
39; I Cor 9 e 2Cor 1 0-1 3.

EXEMPL O O exemplo (em l atim, exemplum; em grego, parádeigma) é


usado para mostrar o que é necessário fazer ou evitar.

ABORDAGENS SINCRÓNICAS 97
Nessa categoria, são classificadas as parábolas de Jesus e
todas as vezes em que Paulo usa como exemplo o Cristo, os
seus colaboradores e a s i mesmo. C(, por exemplo, ! Cor 9;
Fl 2,6- 1 1 ; 2, 1 9-24; 2,25-3 0; 3,4- 1 6. E ainda I Cor 1 5 ,36-4 1 .

DIATRIBE Originariamente, a diatribe (do grego diatribê, "passatempo,


para o jogo, a conversação, o colóquio filosófico ou dou­
to, ensinamento dado por meio do diálogo") designava um
estilo dialogado, sem períodos e frases longas, apto para
convencer pela sua simplicidade e sua força. Deve-se evi­
tar dar a essa antiga palavra o sentido negativo que muitos

lhe dão hoje, isto é, "panfleto, critica muito viol enta, até
mesmo injuriosa".
A retórica antiga constituiu, durante séculos, o quadro dos
estudos dos pré-adolescentes, correspondente ao que hoj e
s e chama ensino fundamental I , e que, em razão de suas
matérias, era então chamado progymnásmata, exerc ícios
preparatórios (conforme indicado pelo prefixo pro-) àqueles
do ginásio (chamados gymnásmata e correspondentes mais
ou menos ao atual ensino fundamental II). Se o s primeiros
rudimentos de retórica eram confiados ao gramático, era com
o reitor que se completava o ciclo dos estudos. Tratava-se
de um tirocínio sistemático, guiado por profissionais e que
supunha uma forte memorização.
A essa retórica acadêmica, muitas vezes acusada de ser
convencional, os filósofos quiseram opor um modo simples
e direto de se dirigir a seus semelhantes, para convidá-los
a refletir sobre a vida, o bem, a ética etc . Por meio desse
esti lo, é privilegiado o diálogo, a ponto de ter assumido 0

nome, a diatribe. É encontrada em Paulo, no qual muitas

argumentações supõem um interlocutor fictício. Cf. , por


exemplo, Rm 2 , 1 - 5 ; 2 , 1 7-24; 1 1 , 1 7 -24 ; I Co r 1 5 ,35-36 . . .

AS DISSE RTAÇÕES Entre os escritos pouc o posteriores ao do NT, enco


ntram os
DE EPÍTETO
n s Dissertações (em grego, diatribai) de Epít eto,
� fi lóso fo
.
1v1d entre ,º I e o II sécu los, um exe mpl
: ? o de diat ribe ,
� _
1st e, de talo� go fi losó fico . A obr a não foi escr
ita pelo
_ Eprt
propno eto, mas por um de seus disc ípul o s , Arr1ano ' ,
' .
h 1stonador e poh hco grego do sécu lo II
· ,

d.C ., bas ean do- se

98 VOCABUlÁRIO PONDERADO

l
DA EXEGESE BIBltCA
em notas feitas durante seu ensinamento. Nela, encontramos
muitas informações sobre o estoicismo antigo e sobre o
modo de viver deste mestre que, também ele escravo, não
podia fazer nada mais senão dedicar-se à retórica douta e à
erudição: ensinava a pensar para ensinar a viver! Assim se
explica o seu tom direto e rude, muitas vezes irônico, mas
sempre amigável.

2. As partes da retórica

A retórica greco-latina era dividida em cinco partes, segun­


do as operações cronologicamente exigidas para preparar e
pronunciar os discursos:

INVENÇÃO A invenção (em latim, inventio; em grego, héuresis) é a pri­


meira etapa da prática retórica, porque, uma vez estabelecido
o assunto a ser tratado, o orador deve escolher os argumentos
ou as provas para fundamentar e sustentar suas ideias.

DISPOSIÇÃO A disposição (ou composição ; em l atim, dispositio; em


grego, táxis) consiste em colocar em ordem o discurso ou
a argumentação. Na retórica clássica, consistia em um exor­
dium, uma narratio, uma probatio, uma peroratio.

ELOCUÇÃO A elocução (em latim, elocutio; em grego, léxis) com­


preende o conj unto das figuras de palavras, de pensamento
e de estilo; em outras palavras, tudo o que embeleza uma
argumentação ou um texto.

MEMÓRIA A memória (em latim, memoria; em grego, mnêmê) consiste


em aprender ou memorizar uma argumentação, um discurso
ou um texto.
Na época antiga, e até recentemente, os oradores pronun­
ciavam de memória seus discursos e temos boas razões
para pensar que os tratados e os relatos feitos para serem
escritos, antes de sua redação escrita, fossem também eles
memorizados.

AÇÃO � ação (em latim, actio; em grego, hypókris is) designa o


modo de proferir um discurso (gestos, voz etc.).

ABORDAGENS SINCRÓNICAS
99
3 . A. disposição ou as partes do discurso

Sobre o modo em que são compostos os textos bíblicos, os


exegetas osci lam entre dois polos: aqueles para os quais as
'
unidades literárias são todas concatenadas por paralelismos, e
aqueles para os quais, antes de responder a necessidades esté­
ticas, a composição é primeiramente determinada pelo gênero
literário. Na verdade, os textos bíblicos, particularmente os do
NT, muitas vezes obedecem a vários princípios de estrutura­
ção. Assim, como os escritos sagrados não eram propriedade
de indivíduos (não existiam as Bíblias !), e sim da comunidade
(sinagoga! ou eclesial), os textos eram li dos em alta voz. Tais
escritos obedeciam a modelos de composição oral, identifi­
cáveis pelas repetições do vocabulário (modelos orais), mas
também pelos modelos conceituais que fixavam as regras do
desenvolvimento das ideias (modelos de persuasão).

• A disposição e os seus modelos orais


ESTRUTURA
O que geralmente é chamado de estrutura literária de u m texto
LITERÁRIA
ou de uma passagem consiste em uma organização originaria­
mente de tipo oral, alternada ou quiástica (tipo abb 'a ').
Desde as menores unidades (os elementos de uma frase)
até um escrito completo, podem-se identificar paralelismos
alternados (tipo aba 'b '), concêntricos (tipo aba ') ou quiás­
ticos (tipo abb 'a '). Essa característica é muito facilmente
identificável nos segmentos de uma frase, pelo menos na
l íngua original, como em 1 Cor 1 3 ,4, cujo texto grego está
assim disposto:
(a) A caridade
(b) é paciente,
(b') é benigna
(a') a caridade.

Entretanto, esse tipo de paralelismo não é encon trado so­


mente nas uni dades mínimas ou frasais. Seções inteiras
das cartas de Paulo e de outros escritos bíblicos podem ser
compostos em ABA ' , em A B B ' A ' etc. Como, por exemplo,
I Cor 1 2- 1 4 :

1 00 ------ VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


A = 1 Cor 1 2 Reflexão geral sobre os carismas.
8 = 1 Cor 1 3 Além dos carismas: elogio da caridade.
A' = l Cor 1 4 Retomo a dois carismas particulares: a profecia
e o falar em línguas.

Ver também Sb 9; 1 8,20-2 5 .

É sempre útil identificar esse tipo de disposição, que alguns


chamam estrutura literária; mas só isso não basta, porque,
com os elementos aba ' etc., pode-se descrever um calendá­
rio, tratar de problemas eclesiais, enunciar um oráculo ou
mesmo agrupar os elementos de uma oração. E como são
puramente formais, essas disposições não dão a chave de
leitura semântica dos textos, nem permitem dizer que coisa
os faz progredir.
Eis porque é importante identificar outras regras de organi­
zação devidas ao gênero literário, ao tipo de escrito (relato,
carta etc.) e às técnicas de persuasão que delas derivam.

• A disposição do discurso persuasivo

msPos1çÃo A disposição (em latim, dispositio; em grego, tá-ris) é a


organização ou colocação em ordem do discurso, de modo
que os seus elementos estejam em seus devidos lugares,
segundo a função que devem exercer.
A disposição dos discursos não é uniforme, mas comporta
elementos estáveis ( sempre presentes) e elementos móveis
(nem sempre presentes). As argumentações paulinas parecem
seguir, a seu próprio modo, esse tipo de disposição.
Os elementos fixos e obrigatórios são: o exórdio, a ar­
gumentação e a conclusão. Os elementos móveis e não
indispensáveis são: a narração, a proposição, a divisão e
a digressão.
A disposição varia segundo o tamanho do discurso. Se o
discurso é muito longo, . geralmente é formado pelos três
elementos fixos e obrigatórios que acabamos de identificar.
Em compensação, se é reduzido a uma argumentação breve,
comporta somente dois elementos, a proposição e as provas
que a seguem, como observa Aristóteles em seu tratado
Rhetorica l 4 1 4a,30-37:

ABORDAGENS SINCRÓNICAS l Ql
"Quanto à disposição, uma argumentação tem duas partes:
é necessário, com efeito, dizer o que se vai demonstrar e
demonstrá-lo, de modo que é impossível dizer sem demons­
trar e demonstrar sem antes dizer o que se vai demonstrar;
pois aquele que demonstra, demonstra alguma coisa, e aquele
que anuncia, anuncia em vista daquilo que vai demonstrar.
Essas duas partes se chamam, respectivamente, próthesis
[proposição, apresentação da tese a ser demonstrada] e pístis
[argumentação, prova]" .

EXÓRDIO O exórdio (em latim, exordium; em grego, prooimion) é a


introdução de um discurso. Tem uma tríplice função : dar o
tom, estabelecer o contato com os destinatários (tomando-os
atentos e benévolos), anunciar o assunto (brevemente).

ARGUM ENTAÇÃO A argumentação (probatio) é o conjunto das provas (em


grego, písteis) ou procedimentos que visam fundamentar
ou sustentar as ideias que se deseja passar.

CONFIRMAÇÃO Muitas vezes, ela se desenvolve em duas fases, cuj a ordem


varia segundo os discursos: uma fase positiva chamada
APOLOGIA confirmação (confirmatio) e que, no gênero judiciário ,
funciona como uma defesa (também chamada apologia),
ou, no gênero deliberativo, como uma opinião em favor de
uma solução.

CONFUTAÇÃO Essa fase positiva muitas vezes é seguida ou precedida d e


sua oposta, a refutação (refutatio o u mesmo confutatio), n a
qual s e refutam o s argumentos que podem s e opor à tese o u
à ideia defendida. Assim, e m G l 3 , confirmação e refutação
se alternam (a justificação vem somente pela fé e o papel da
Lei não é o de ser um i nstrumento de j ustificação).

AS PROVAS As provas (em grego, písteis; no singular, pístis) fornecidas


por Paulo em suas argumentações são de três tipos. Há
provas que recorrem aos fatos (os exemplos, os aconteci­
mentos passados), aquelas que se baseiam nos princípios e
na reflexão teológica e, enfim, as provas de autoridade (a
das Escrituras e a das pal avras do Senhor).

1 Q2 ------- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


CONCLUSÃO,
A conclusão (ou peroração, epílogo; em latim, peroratío ;
PERORAÇÃO,
em grego, epílogos) fecha o discurso ou a argumentação.
E Pi LOGO
Sua forma é variável. Pode consisti r em uma breve repetição
dos pri ncipais itens ou pontos desenvolvidos (em grego,
anakephaláiôsis); pode também ter um tom emocional, no
EXITUS qual se tiram as consequências da demonstração feita.
Cf. Rm 8 ,3 1 -39 e 1 1 ,33-36.
G eralmente, as argumentações mais breves são conc] uídas
com uma frase, no máximo duas, chamadas exitus, que
podem coincidir com a concl usão do discurso mais global,
mas não necessariamente.
� lfatima.

NARRAÇÃO A narração (em latim, narratio; em grego, diégesis) é a


exposição clara e convincente dos fatos ou do dossiê. Não é
um verdadeiro e próprio relato (ainda que, geralmente, sej a
d e índole narrativa) . A narração serve para que o leitor o u
o ouvinte saibam qual é o ponto debatido e possam assim
compreender a discussão que virá a seguir.
Quando apresentada, a narração é ordinariamente colocada
depois do exórdio e precede a argumentação que tem a
função de preparar. Nas cartas pau l inas, como nos discursos
dos Atos dos Apóstolos, encontramos algumas narrações
(por ex . , l Cor 1 5 ,3 - 1 1 ; At 1 3 , 1 7-25). Não obstante o seu
caráter narrativo, uma passagem como Gl l , 1 3-2 , 1 4 é mais
bem classificada como uma prova argumentativa porque, por
meio dos fatos (a sua vida antes e depo i s do encontro com
o Cristo), Paulo justifica a propositio de Gl 1 , 1 1 - 1 2, isto
é, que o seu evangelho não vem dos homens (nem mesmo
dos apóstolos), mas diretamente de Deus.

PROPOSI ÇÃO A proposição (em latim, propositio; em grego, próthesis)


consiste em dizer em poucas palavras a ideia (ou a tese)
que se quer demonstrar, a posição que se pretende j ustificar,
exp l icar, i l ustrar. É ela o que desencade i a a argumentação,
uma vez que é exatamente a proposição o que a argumen­
tação deverá justificar, expl icar, ilustrar.
Nem todo enunciado apod ítico é obrigatoriamente uma
proposição, mas pode ser um pri ncípio no qual se baseia

ABORDAGE NS SINCRÓNICAS l 03
uma demonstração (como, por exemplo, Rm 2, 1 J ou 2, 1 3 ) ,

porque, para ser uma propositio, um enunciado deve ser


segu ido por um desenvol v i mento que o expl icite e/ou de­
mon stre que é bem fu ndamentado.
Não necessari amente o discurso tem uma ú n i ca propos ição:
as su bseções de uma argumen tação podem m u i tas vezes
ser desencadeadas por proposi ções s i mples. Assim; u ma
argumentação como Rm 1 , 1 8-3,20 i n i cia-se com urna pro­
posição breve, Rm 1 ,8; a argumentação sucessiva i n i c ia-se
também ela com uma proposição, Rrn 3,2 1 -22 etc. , o que
não im pede o apóstolo de coroar sua argumentação (Rrn
1 , 1 6-8,39), englobando as duas já mencionadas, med iante
uma proposição mais global (Rm L , L 6- 1 7). Desse modo,
pode-se ter uma hierarqui zação do tec ido a rgumentativo:
R m 1 , 1 6- 1 7 : proposição q u e d<i i n ício à argumentação q u e v a i
até o fim de R m 8 ;
R m 1 , 1 8 : subproposição que d á i n ício à argumentação que
term ina em Rm 3 ,20;
Rm 3 ,2 1 -22: subproposição que dá início à argumentação q u e
term i na em R m 4,25 etc.

Quando a proposição introduz uma argumentação que se


estende por todo o d i scurso, encontra-se no fi m do exórd io
ou l ogo depo is dele.
A proposição se distingue da divisão.

DIVISÃO A diviscio (em latim, partitio) anuncia em poucas l inhas as


partes de uma argumentação, sem necessari amente i n di car
a posição que se assumirá. Portanto, n e m todas as d i v i sões
(ou partitiones) são proposições e, rec iprocamente, nem
todas as proposições são divisões, pois m u i tas vezes não
assinalam as partes da argumentação que vem a segui r.
Deve-se distinguir entre divisão e proposição.
Temos u m bom exemplo de d i visão ou partitio em Cl 1 ,2 1 -
23, versículos que anunciam os temas que serão depois trata­
dos mais l ongamente, em ordem inversa, no resto da carta.
� Reversio.
E i s o exemplo tomado de Colossenses:
Divisão ( l ,2 1 -23) ou anúncio dos temas tratados :

1 4 --
VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
Q ---
c) a obra do Cristo para a santidade dos que creem (vv. 2 1 -22);
b) a fidelidade ao evangelho recebido (v. 23a);
a) e anunciado por Paulo (v. 23 b).

A rgumentação ( 1 ,24-4, 1 ) , que retoma os temas em ordem


mversa:
A) A luta de Paulo pelo anúncio do Evangelho (l ,24-2,5; retoma
l ,23b)
B) F idelidade ao Evangelho recebido (2,6-23 ; retoma l ,23a)
C) A santidade dos que creem (3, 1 -4, 1 ; retoma 1 ,2 1 -22).

DIGRESSÃO A digressão (em latim, digressio ou egressus; em grego,


parékbas is) é uma passagem que, graças a seu vocabulário
e a seu estilo, parece estranha ao conjunto retórico no qual
está inserida.
Nas cartas pau li nas, encontram-se passagens, como 1 Cor 9
e l Cor 1 3 , que aparentemente não têm nada a ver com o
contexto, sobretudo no que se refere ao vocabulário, e ha­
bitualmente são qualificados como digressões. Na verdade,
essas passagens respondem indiretamente ao problema
tratado . Tal é o caso de 1 Cor 9, texto em que Paulo mostra
como o fiel deve superar a mentalidade que funciona e m
termos de direitos (de ter ou d e fazer isto e aquilo); propondo
seu modo de fazer como exemplo, ele indica como se deve
chegar a rejeitar os privilégios e fazer-se escravo de todos
para a salvação do maior número possível. Caso, portanto,
se entenda o termo digressão em seu sentido habitual , o
apelativo não se aplica a 1 Cor 9 e 1 3 , porque isso equiva­
leria a dizer que Paulo perde o fio da sua argumentação;
mas, caso se dê a ele seu significado técnico, então está
correto, porque o procedimento tem exatamente a função
de responder às questões fazendo outro caminho, tomando
distância, alargando, portanto, o debate e levando os leitores
a um nível de reflexão mais profundo e mais radical .
Cf. Sb 1 1 , 1 5-1 2,27 e 1 3, 1 -1 5, 1 8.

4. A elocução ou as figuras

Uma vez encontrados os argumentos (invenção) e colocados


em ordem (disposição), o trabalho do orador consiste em

---

ABORDAGENS SINCRÓNICAS --
1 05
buscar as palavras e as circunlocuções capazes de exprimir
o mais adequadamente possível as ideias, bem como deixar
tocado o ouvinte/leitor (elocução) . Essa é a parte da retórica
concernente aos ornamentos e às figuras.
Se, na época moderna, o estudo da retórica mui tas vezes
se limitava a identificar as figuras, a atitude mudou: não se
A INVENÇÃO, separa mais a invenção (como conjunto e articulação das
A EL o cuçà o provas) da elocução (como conj unto de figuras), porque as
consequências são importantes. Com efeito, é importante
saber se o discurso teológico pode presc indir das figuras
ou se elas são essenciais para ele.
Ao longo dos séculos, a classificação das figuras mudou; to­
davia, no final das contas, nenhuma é totalmente satisfatória.
Aqui seguiremos a de H. Lausberg, Handbuch der literaris­
chen Rhetorik. Eine Gnmdlegung der Literaturwissenschafi,
2 v., München, 1 973, que retoma as divisões do ornatus
- pois as figuras servem para ornar o discurso - da antiga
FIGURAS E TRoros retórica greco-romana, ou seja, os tropos (somente para as
palavras) e as figuras que unem as palavras (por adição,
supressão ou disposição).
==:> Tipologia.

• Tropos

TROPO Fala-se que há um tropo (em grego, tropé: mudança) quan­


do uma palavra não remete ao seu significado primeiro e
habitual. Indicaremos aqui somente alguns tropas frequentes
no AT e no NT, em particular os pau linos.

METÁFORA A metáfora é habitualmente definida como a designação de


um objeto mediante outro, com o qual tem uma relação de
semelhança. Distingue-se a metáfora da comparação pelo
fato de somente a segunda ser precedida por u m "como".

Assim, Jesus é o cordeiro de Deus (Jo 1 ,29.36 ; Ap 5 ,6 etc.),


o Alfa e o Ômega (Ap 1 ,8); a Igreja é o corpo de Cristo
( ! Cor 1 2, 1 2. 1 3 ; Ef 1 ,23 ; Cl 1 ,24), Templo santo (Ef 2,2 1 ),
campo de Deus (1 Cor 3,9), morada de Deus ( 1 Cor 3,9;
Ef 2,22), o s apóstolos são seu alicerce (Ef 2,20), e os cristãos

l 06 --
--
VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
são concidadãos dos santos (Ef 2, 1 9). O próprio Paulo diz
que não quer correr e m vão (Fl 2, 1 6) . . .

METONÍMIA A metonímia, diferentemente da metáfora, não procede por


semelhança, mas por contiguidade. Consiste em designar um
termo com outro, com o qual tem uma relação de contigui­
dade de tipo espacial (o continente pelo conteúdo; por ex.,
beber um copo), causal (a causa pelo efeito ou vice-versa,
o autor pela obra ou vice-versa; por ex., pegar o Nestlé ou
o Kittel, que são, respectivamente, os editores do NT grego
e da Bíblia hebraica) ou temporal.

Assim, Paulo diz que todo sábado a s i nagoga lê Mo i s é s


(2Cor 3 , 1 5) ; diz também que Cristo foi feito pecado (2Cor 5,2 1 ),
tomou-se maldição por nós (GI 3 , 1 3), que a Lei era ódio, inimiz.ade
(Ef 2, 1 4. 1 6). A palavra circuncisão (em grego, peritomé) designa o
judaísmo. Para uma metonímia que exprime contiguidade temporal,
ver Jo 1 2,27 ("Pai, livra-me desta hora"; Jesus não pede para ser
livrado da hora, mas daquilo que, naquela hora, acontecerá).

SINÉDOQUE A sinédoque consiste em designar um termo por outro, com


o qual tem uma relação de englobamento (o todo pela parte
ou vi ce-versa, o gênero pela espécie ou vice-versa, o plural
pelo singular ou vice-versa).

Assim, em Rm 1 3 , 1 , Paulo diz que toda alma (parte pelo todo)


deve submeter-se às autoridades; em Fl 2, l O, diz que todo joelho
e toda l íngua (parte pelo todo) devem venerar e aclamar Jesus
como Senhor; a palavra prepúcio (em grego, akrobystia) designa
os não circuncidados, ou seja, os não judeus.

• Figu ras de palavras

FIG URAS DE As figuras de palavras acrescentam ou suprimem palavras


PALAV RAS
e j ogam com sua disposição.

Figuras de palavras por adição

A D IÇÃ O As figuras de palavras por adiçlio podem ser de dois tipos:


por repetição ou por acúmulo de palavras. As mais conhe­
cidas são:

ABORDAGENS SINCRóNICAS 1 07
ALrnmAÇÃO É impossível transpor para a nossa l íngua um exemplo dessa
figura, que supõe que se leia o texto bíbl ico em hebraico
ou em grego. D i remos somente que muitas vezes os textos
poéticos j ogam com a repetição de palavras de mesma so­
noridade, como na famosa frase ··o rato roeu a roupa do
rei de Roma".
Quem lê grego poderá ver uma série de aliterações em
Rm 1 ,29-32.

ANADI PLOSE A anadiplose é uma figura por repetição, que consiste em


retornar a uma palavra ou uma série de palavras repetindo-a
( . . . x/x . . . y/y . . . ) .

Ver, por exemplo, Gn 1 , 1 -2: " . . . a terra. E a terra . . . ". Assim


também Gn 7, 1 8-20 (a palavra "águas" no fim de uma frase e no
i nício da sucessiva); Rm 5,3-5: "Nós nos orgu lhamos também
de nossas tribulações, sabendo que a tribulação produz paciên­
cia, a paciência uma virtude comprovada, a v i rtude comprovada
a esperança. Ora, a esperança não decepciona". Ver também
Rm 8,9 (a palavra "Espírito"); Rm 8, 1 7 (a palavra "herdeiros");
Rm 1 0, 1 7. 1 9; Tg 1 , 1 4- 1 5.

ANÁFORA A anáfora é uma figura por repetição, que consiste e m re­


tomar a mesma palavra no in ício de sucessivos segmentos
de frase (x . . . /x . . . /x . . . ) .

Ver, por exemplo, as bem-aventuranças, que começam todas com


"Bem-aventurados" (Dt 28,3-6; Mt 5,3- 1 1 ); a expressão "Da tribo
de" em Ap 7,5-8 (doze vezes); sete vezes " louvais" (em hebraico,
hallelíl) no início das frases de SI 1 48 , l -4; seis vezes "mas" (em
grego, aliá) em 2Cor 7, 1 1 : "Mas a solicitude, mas as escusas,
mas a indignação, mas o temor, mas a saudade, mas o zelo, mas
a punição". C f. R m 8 ,6. 1 5 ; 2Sm 2 3 ,5 (quatro vezes "porque'', em
hebraico, kí); Sl 1 50.

=:- Epifora.

CLÍ MAX, O clímax (palavra grega que significa "escada"; em latim, gra­
ANTICLÍMAX
dalio) designa uma gradação positiva. O anticlímax, o oposto
do c l ímax, é uma gradação descendente ou negativa.

Em Rm 5 ,3-5, que é também uma anadiplose, a série de substan­


tivos é uma progressão contínua (tribu!ação, paciência, virtude,

---- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


1 08
esperança). O mesmo ocorre na parábola dos vin hateiros hom i­
cidas (o senhor da vinha manda primeiro os servos e enfim seu
fi lho amado, M e 1 2, l -8p). Ver também Rm 8,29-30; 1 0, 1 4- 1 5 ;
l Pd 1 ,5-7.
Um anticl ímax encontra-se na parábola dos talentos (o senhor
dá c inco talentos, depois dois, depois um; no acerto de contas, a
ordem é também decrescente; Mt 25, 1 4-30p).

ENUM ERAÇÃO A enumeração cons i ste muitas vezes em uma lista de pala­
vras que são sinônimas ou antônimas.

Encontram-se numerosas listas de substantivos nas cartas paulinas:


listas de vícios (Rm 1 ,29-3 1 ; G l 5, 1 9-2 1 ), de virtudes (GI 5,22), de
ameaças ou de provações (Rm 8,35, sete elementos; Rm 8,38-39,
dez elementos; 2Cor 6,4- 1 0; 1 1 ,22-28). Ver também Me 7,2 1 -23;
1 Cor 1 2,28-3 1 .

EPÍFORA A epifora é a figura contrária à anáfora: consi ste em re­


tomar a palavra no fim de sucessivos segmentos de frase
( . . . xi . . . xi . . . x).

Assim em Gn 1 ,3: "Haj a luz ! E houve luz"; em Dt 27, 1 5-26, cada


frase termina com "Amém"; em Mt 2 1 ,8, a expressão "no cami ­
nho" fecha cada uma das partes d a frase. Ver também Rm 1 1 , 1 2
(" . . . riqueza do mundo! . . . riqueza das nações"); Ap 22, 1 7 (os dois
segmentos terminam com "Vem ! ").

:::::> Anáfora.

H ENDfADIS A hendíadis (termo que sign i fi ca [expri m i r] "uma coisa por


meio de duas") consi ste em coordenar dois termos (nomes
ou verbos) que, na real idade, dependem u m do outro e
expri mem uma única ideia. Mas, atenção ! Quando dois
termos são coordenados, nem sempre acontece necessaria­
mente uma hendíadis. Tal é o caso, por exemplo, quando
têm signifi cados opostos.

O exemplo mais conhecido do NT é o de Jo 1 , 1 7 : "a graça e a


verdade" (em lugar de "a graça da verdade"). Ver também "para o
louvor e a glória de Deus" (em lugar de "para o glorioso louvor de
Deus") em FI 1 , 1 1 ; "um dia de trombeta e de alarme" (em lugar de
"um dia em que a trombeta dará o alarme") cm Sf l , 1 6: "batizar
no Esp írito Santo e no fogo" (em lugar ele "batizar no Espírito que

ABQ::DAGfNS ' CPÔNtC.\S -------


1 09
santi fica e purifica") em Mt 3 , 1 1 . Ver também Mt 4, 1 6 ("região
e sombra de morte"); Lc 2 1 , 1 5 ("boca e sabedoria").

I NCLUSÃO E A inclusão é uma extensão da epanadiplose para uma uni­


El' ANADl l'LOSI�
dade literária média. A epanadiplose é a repetição de uma
palavra ou de uma expressão no início de uma frase e no
fim da seguinte (x . . . x/).
Ver Ex 32, 1 6: a palavra "mesas" abre e fecha o versículo; Lv 23,42
("nas tendas habitareis . . . nas tendas"); Nm 8, 1 2 (palavra "levitas"
no início e no fim do versículo); SI 1 22,7-8 (palavra "paz"). Ver
ainda Rm 8,24 (palavra "esperança"); Fl 4,4 ("Alegrai-vos ! ").

A inclusão vai além da unidade frasal, como, por exemplo,


no SI 1 03, que começa e termina com a mesma fórmula:
"Bendize, ó minha alma, ao Senhor!", ou ainda em Fl 2,6-
1 1 , em que a palavra "Deus" se encontra no início e no
fim da passagem. Nos textos bíblicos, encontram-se muitas
inclusões.

Figuras de palavra por supressão

A supressão pode acontecer entre as frases o u n o i nterior


delas.

ASSÍN DETO O assíndeto é a ausência de conjunção entre as frases ou


entre suas partes.

Ver, por exemplo, Ex 1 5 ,9- 1 0; Jz 5 ,27; Is 3 3 ,7-9; ! Cor 1 2,29-30;


Fl 3 ,5-7; e os exemplos de enumeração (nos quais os e lementos
da l i sta não são ligados por "e").

ELIPSE Toda omi ssão de palavra é uma elipse. Pode ser de uma
única ou de várias.

Ver, por exemplo, Mt 1 4, 1 9, no qual falta um verbo ("[Jesus] partiu


os pães e os deu aos d i scípulos, e os discípulos às multi dões".

Em nossas traduções, a maior parte das elipses dos suj eitos


desaparece, pois são acrescentados pronomes (ele, ela etc .)
ou mesmo nomes, inexi stentes em grego e em hebraico.

l lQ ------- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


Figuras tle palavras por tlisposição

Consistem em rev imr a ordem nonnal dos elementos de uma


frnse, ou. no contnírio, impor a mesma ordem sintática em
frases que se sucedem.

l l l PRRUATO O tenno hipérbato designa a transposição de uma palavra


ou de um conjunto de pal avras para outro lugar. A figura
consiste e feti vamente em mudar a ordem ord inária das pa­
lavras, separando expressões que deveriam estar ligadas.

Ver J r l 7 ,3 (palavra por palavra: "a tua força e todos os teus te­
souros como botim eu dnrei"); Rm 5,8 (l iteralmente: "Mostra seu
amor por nós Deus"). Um deslocamento não usual das palavras
visa colocar uma delas em relevo.
No entanto, como demonstram os dois exemplos escol hidos,
muitas vezes é dificil conservar em nossas traduções a ordem
original de certas frases, porque muitos leitores não entende­
riam, e porque uma tradução exige um mínimo de elegância.
Em resumo, não se encontrará o tenno hipérbato se não nos
comentadores que trabalham sobre o hebraico e o grego.

ISOCÓLON. O isocólon ou isócolo (do grego ísos, "igual"; + kólon,


ISÓCOLO
"membro" [de frase ou de verso]) consiste em proceder
por proposições e frases que têm mais ou menos o mesmo
número de palavras e a mesma construção sintática. S e o
isocólon é identificável na l íngua original , raramente o é
nas traduções, por razões de inteligibilidade.

Ver, por exe mpl o , 1 Cor 8,6, no qual se lê literal mente: "Mas
para nós um só Deus, o Pai, do qual tudo, e nós para ele, e um
só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual tudo, e nós por ele".

• Figuras de pensamento

D i fe rentemente dos tropas (nos quais se substitui uma pa­


lavra por outra) e das figuras de palavras (que acrescentam
ou suprimem pa lavras, e j ogam com sua disposição), as
figuras de pensamento visam a um conteúdo semântico,
enriquecendo-o, opondo-o a outros, tornando-o mais am­
bíguo ou também jogando com sua apresentação (graças à
disposição dos seus elementos).

1 1 1
---

1\Büi:DAGENS Slf\.IO:óNICAS
----·
--
--
Aqui falaremos somente das figuras que procedem por
acréscimo de palavras, porque são as mais frequentes na
B íblia, em particular nas cartas paulinas.
..
PARALELISMO Procedimento estilístico mui.to frequente na poesia da B íblia
e das culturas do Antigo Oriente Próximo e que consiste em
exprimir o mesmo conteúdo semântico (a mesma ideia) de
dois modos diversos.
O paralelismo pode ser sinonímico, antitético ou sintético/
. complementar. O paralelismo é sinonímico quando a mesma
ideia é expressà de dois modos análogos, com a aj uda de ..

sinônimos (cf. SI 2, 1 ; 6 ,2 ) . É antitético quando a ideia é


expressa de duas maneiras opostas (SI 1 ,6; Pr 1 O, 1 ). O para­
lelismo sintético é mais dificil de definir, mas há numerosos
casos em que o segundo membro do paralelismo exprime
uma progressão em relação ao primeiro e o completa ( cf.
SI 5 1 , 1 2 ; Qo 1 1 ,2). Esta última categoria permanece, no
entanto, bastante vaga e foi fortemente criticada.
A descoberta do paralelismo e a distinção entre paralelismo
sinonímico, antitético e sintético é devida ao bispo anglicano
R. Lowth ( 1 75 3 , 1 778).
Hoje, há numerosas teorias a esse propósito e os especia­
listas i ntroduziram novas categorias, como o paralelismo
quiástico (paralelismo em forma de quiasma: SI l ,la, hebrai­
co; Jr 4,5a), paralel ismo em escada (staircase parallelism:
paralelismo no qual alguns elementos do primeiro membro
são repetidos no segundo, depois completados: Jz 5 , 1 2 ;
SI 5 1 ,8), paralelismo emblemático (paralelismo que utiliza
uma metáfora: SI 42,2; 1 3 0,5-6; 1 43,6) . . .
� Quiasma.

ANTÍTESE A antítese consiste em exprimir em duas ou mais palavras uma


oposição conceituai forte. O adjetivo correspondente é "anti­
tético". Essa figura é muito frequente nas cartas paulinas.

Ver, por exemplo, Is 1 ,2 1 ; 59,9; 65 , 1 3 - 1 4; Lm 1 , 1 ; Rm 5 , 1 5-


1 9 (antítese unida a síncrise); 6,7-8; 8,5. 1 3 ; l Cor 4, 1 0 . 1 2- 1 3 ;
2Cor 4, 1 7- 1 8 ; 6,9- 1 0; Fl 3,7.

� Paralelismo.

VOCABUlÁRIO PONDERAOO DA EXEGESE BIBUCA


1 12 --
---
COMO RAÇÃO Em grego, a comoração (em latim, commoratio) se chama
epimonê (= demorar, ficar em c i ma) e consi ste e fetivamente
em insistir em u m ponto, tornando-o mais preciso, por meio
de outras palavras ou expressões. Muitas vezes, a comoração
é feita por meio de uma paráfrase i nterpretativa, de um
parêntese, ou mesmo de uma definição.

A prec isão conferida pode ser breve (uma só palavra como em


1 Cor 2,2: "Jesus Cristo, e este cruci ficado"; ou mesmo FI 2,8: "Até
a morte, e morte de cruz") ou mais longa (como em l Cor l 2, l 3,
no qual Paulo ex plica o que entende por "nós todos", q uando diz
que nós fomos todos batizados em um só corpo: nós, isto é, 'judeus
ou gregos, escravos ou l ivres". Ver, por exemplo, Mt 1 5, l 8-20
(em que os vv. 1 9-20 explicam o v. 1 8); Rm 5, 1 2 - 1 4 (em que os
vv. 1 3 - 1 4 explicam o v. 1 2); Ef 3,8- 1 1 (que retoma e expli c i ta
Ef 3 ,2-7).

A expolição (em latim, expolilio) é um tipo particular de


comoração.

COMPA RAÇÃO, A comparação, também chamada semelhança, consi ste e m


SEMELHANÇA
estabelecer uma relação explíci ta (diferente d a metáfora,
que estabelece uma relação de semelhança semântica implí­
cita) entre duas realidades. É reconhecível pelas conj unções
de que se serve (como, do mesmo modo que etc.).
� Metáfora. Para um uso ainda mais amplo da comparação,
ver o termo Paralelismo.

COMPOSIÇÃO Quando há somente uma unidade central (aba, o u abcba


CONCÊNT RICA
etc .), fal a-se de composição concêntrica.

CORRE ÇÃO A correção (em latim, correctio; em grego, epanórthosis)


consiste, como o próprio nome diz, em corrigir u m enunciado
por meio de outros.

Ver, por exemplo, Pr 6, 1 6 ("seis coisas, ou melhor, sete"); Mt 1 1 ,9


("um profeta, ou melhor, mais que um profeta"); Me 9,24 ("Creio,
mas vem socorrer a minha falta de fé"); Jo 1 2,27 ("Salva-me
desta hora? Mas foi para isso q ue cheguei a esta hora"); Jo 1 6,32
("Eis que vem a hora, e acaba de chegar"); Rm 7,7 ("A Lei seria
pecado? Certamente não, mas . . . " ); 1 Cor 7, 1 O ("Ordeno, não eu,
mas o Sen hor"); GI 2,20 ("Não são eu que vivo, é o Senhor que
vive em m im"). Ver também GI 4,9; FI 1 ,29; 2Tm 4,8; J Jo 2,2.

--

ABmDAGENS SINCRÓNICAS --
1 13
Crn110 11 11111/tt wt •, u ·m·r1•rlY1 1 u 1 1 1 1 1 1 1 0 l'i'l> q 1 1 u 1 1 t o nu� curluH
p11 u l i 1111s.

A 1 '.\'/ JOllrtio (cm l 11 1 i m , 1 1.r1mllllo ) � l l l l l t i po p 1 1 r l i c u l 1 1 r du


( 'l )l/l(J/'( lrl7o. rnu prm:cdc 11ílo por pt1 n'1 1 i'm1u, ll � i l l l pOI' m: n':s­
l� i l l lo \h.1 sugm · 1 1 t os s i 1101 1 l n 1 i c r n-1 011 ·oi 1 1 p hm l c 1 1 1 u rcs.

V • r, p m c x l'lllplu, SI I H , I · .. : '.l � , 1 -� : . 1 5 . 1 : '{. · (1, 1 2- l :l ; 1 ·: 1 ' 2 , 1 '1 - 1 8


{cm qt1l' os vv. l · l h- 1 H l l wM1 1 1 1 1 o l l t 1 1 l o " E l o u 11 11oss11 p11z"),

!) .'1 1 111ora� ·t7o .

A lii1nlr/wfo consislu c 1 1 1 cx11guru r o discurso, c m d i :1.cr mnis


do que o va l or " rea l'' do contlll'u lo.

V er. pm exemplo. Ex H,9; nt 1 ,2 8 o 9, 1 ( l'ort i licu�:fh:s q uo sobem


ut ' n cúu ): Jz 20. 1 <1 ( m i rnr num lio do cuhulo e 11no crrnr): Jô 29,6:
SI l 07 .'..1 <1 : 1 1 4 .3 -4 : Is 5 . 2 5 : Lc 1 4 ,26: Rm 1),3 1 ( P1 1 1 1 l o 11111'1 te 1 1 111):
I Cm 1 5 ,8 ( Pmilo 11bmto).

1 N v 1msi\o l ·: m l 1 1 l i m 1 1 i n v c rsíl o é ch11 mud11 revarsio e consiste c m


.

desenvolver i d c i ns d e mndo co mplcmcn l u r (s i non l m i c ns


0 1 1 1 1 1 1 t o1 1 f m k11s ) e em ordem inversa, ahh 'a ' (o u mesmo
abcc 'h 'a ' etc.). As du11s metudcs dn reversio nilo pertencem
ncccssminmcntc :\ mcsmu un idade l i t c níriu. Assim , no li m de
uma introduçilo. podem-se 1111uncinr os pontos ( por ex., a e
h) que serilo t rntudos e retomados no corpo de u m d i scurso
cm ordem inversa (/J e A).
Pode-se d i zer, pois. que o conj unto dn curtu 11 0 - ·olosscnsc s l'o rmu
uma reve1:�·io ( Divi.w1o, Partitiu ) .
Encont rn-se umu bcln i nvcrsno
l u m bém cm 1 or 9 . 110 q unl o v. 1 é 1 1 1 1111 d i v i sílo (partitio):
( a ) Ni'ío sou l i vre'! - v. ln;
(b) Nilo sou 11pós1ol o'! - v. Ih;
( B ) /\ apóstolo e seus d i re i t os - v v . lc- 1 8 ;
( /\ ) O l i v re q ue se l'cz e sc ra v o - vv. 1 9-27.

l\IElllSl\I/\ /\ merisma (do grego 111eri.,·1 11ás, " d i v i su o " ) consis te cm u n i r


ou j ustapor termos opostos pnrn expr i m i r u mn totnl idndc ( d i n
e noite, do oriente 1 1 0 ocident e, jo v en s e vel hos, pequen os e
g rn nd c s céu e terrn etc.).
,

Qll lASMO, O <111im·1110 (adj e t i v o qultístic:o, do grego c:hiasmós ou mes­


QIJI ASTl("O
mo d1ios111<1, " a qu i l o que tem n formn de u m n c ruz'') � um

1 14 (<�
· --- ·

--

-- -- - ------
período ou uma u nidade retórica com membros cmzndos
em abb 'a '.
A origem grega do termo pode fazer pensar que os quiasmos
sejam próprios da retórica grega ou helenística. Na verda de,
as construções em quiasmo já existem em numerosas poe­
s ias do Antigo Oriente Médio (desde o l l l mi lênio antes
de nossa era). O seu nú mero é notável na Bíblia hebraica,
sobretudo nas partes poéticas. Encontram-se quiasmos nas
micro e nas macrounidades semânticas.
=:::> Inversão, ou reversio, da qual o quiasmo é uma espéc ie
(todos os quiasmos são inversões, mas não todas as inver­
sões são quiasmos, porque as inversões podem abranger
duas unidades l i terárias, enquanto o quiasmo forma uma só
unidade si ntática ou literária).

TÓPOS Palavra grega (no plural, tópoi; em latim loc11s, lugar; plu­
ral : loci). A exegese toma esse termo da retórica antiga, na
qual ele remete aos grandes pri ncípios em que se baseiam
as argumentações. Os três grandes tópoi são: o possível
e o impossível, a existência e a inexistência, o mais e o
menos. Encontram-se tópoi em todos os gêneros l i terários,
em particular no desenvolvimento e na estruturação das ar­
gumentações. É necessário distingu i-los de lugares-comuns
ou ideias correntes.

III. VOCABULÁRIO DA ANÁLISE EPISTOLAR

Nas cartas antigas, identificam-se três componentes quase


sempre presentes: o praescriptum, o corpo da carta e o
postscriptum.

MOLDURA Por moldura epistolar compreendem-se geralmente o início


EPI STOLAR
e o fim das cartas; em outras palavras, o praescriptum e o
postscriptum.

Os escritos de Paulo, Tiago e Pedro são chamados cartas


por alguns e epístolas por outros. Por si, a di stinção não
EPiSTOLA existe, porque o tem10 epístola traduz o latim epistula, que

ABORDAGENS SINCRÓNICAS -------


1 15
designa as cartas. Na verdade, foram chamados cartas os
escritos geralmente mais breves, enviados para responder a
problemas concretos enfrentados pelos fiéis daquele tempo
(e i sso valeria para 1 Ts, FI, Gl, 1 Cor, 2Cor), e epístolas os
escritos mais longos, que mais parecem pequenos tratados
de teologia (por ex., Rm). Para os espec iali stas, essas dis­
tinções são arti ficiais, porque todos esses escritos de Pau lo
obedecem às regras da epistolografia de então, e é melhor
CARTA ater-se ao apelativo carta.

PRAESCRIPTUM O praescriptum (do latim prae, "antes"; + scriptum, "escri­


to") é o incipit ou o pri meiro início das cartas antigas, e é
composto de três elementos:

SUPERSCRIPTIO - a superscrip tio ou menção de quem a enviou, com seu(s)


nome(s) e às vezes com o título e/ou a função. Ex.: "Paulo,
apóstolo de Jesus Cristo".

ADSCRIPTIO - a adscriptio ou menção dos destinatários. Ex. "aos santos",


"às Igrejas", "à Igreja de Deus que está em Corinto".

SALUTATIO, - a salutatio ou saudação inicial, geralmente breve (em


SAUDAÇÃO
grego, cháire, "Salve !"; em Paulo, "Graça e paz").

CORPO DA CARTA Chama-se corp o da carta tudo o que se encontra entre o

p raescrip tum e o postscriptum; em outras palavras, o argu­


mento da carta, os motivos para escrever.
Nas cartas paulinas, o corpo da carta geralmente começa
com uma bendição (ou eulogia) como em 2Cor l , 1 - 1 7 e
Ef 1 ,3 - 1 4, ou com uma menção de ação de graças, como
em Rm 1 , 8- 1 7 ; 1 Cor 1 ,4-9 ; Ef 1 , 1 5 -23 ; Fl 1 ,3- 1 1 ; Cl 1 ,3-

20; l Ts 1 ,2- 1 0.

POSTSCRIPTUM O p ostscriptum (do latim post, "depois"; + scrip tum, "escri­


to") está colocado depo is do motivo pelo qual se escreveu.
O vocábulo designa a fórmula final de uma carta: "Queira
receber etc .". Nos tempos antigos, essa saudação final era
muito breve: "Fica (ficai) em paz". E m grego, errôso, er­
rôsthe, eutúchei; em latim, vale. Cf. At 1 5 ,29.
E m Paulo, é um pouco mais longo e às vezes inclui a
subscriptio ou assinatura do apósto l o (ver R m 1 5 ,3 3 ;

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


1 16 --
---
l Cor 1 6, 1 9-24; 2Cor 1 3 , 1 3 ; G l 6, 1 8 ; Ef 6,23-24; Fl 4,23 ;
C l 4, 1 8 ; 1 Ts 5,28).

IV. VOCABULÁRIO USADO PARA A EXEGESE DOS ESCRITOS DE


PAULO

ANTILEGÓMENA São chamadas de antilegómena (do grego antí, "contra"; +

legómena, "coisas ditas") as cartas de Paulo cuj a autentici­


dade é contestada e discutida pelos exegetas. As cartas de
paternidade discutida são: Colossenses, Efésios, a segunda aos
Tessalonicenses e as cartas Pastorais ( 1 e 2 Timóteo, Tito).
Autenticidade, Cativeiro, Deuteropaulinas, Homologú­
::::::>

mena, Pseudepigrafia.

AUTENTICIDADE Um escrito é considerado autêntico quando aquele que


o assina ou o publ ica é verdadeiramente seu autor. Caso
contrário, fala-se de i nautenticidade ou de pseudepigrafia.
Assim, para muitos exegetas, Cl, Ef e as Pastorais não são
autênticas, porque seu autor, que se faz passar por Paulo,
não é o apóstolo, e sim um de seus colaboradores ou um
de seus discípulos.
::::::> Pseudepigrafia.

CATIVEIRO Assim são chamadas as cartas do cárcere escritas por Paulo.


(CARTAS DO)
São elas: Filipenses (cf. 1 , 1 3), F i lêmon (cf vv. 1 . 1 0 . 1 3 ),
Colossenses (cf. 4, 1 8) e Etesios (cf. 3, l ; 4, 1 ). Estas duas últimas
são também chamadas deuteropaulinas e antilegómena.
::::::> Deuteropaulinas, Antilegómena.

coM P I LAÇÃO ::::::> Integridade.

DEUTEROPAULINAS São chamadas de deuteropaulinas (em grego, déuteros =

segundo) as cartas aos Colossenses, aos Efésios e n segunda


aos Tessalonicenses, porque a sua autentic idade é contes­
tada e, na opinião de mui tos exegetas, Paulo não seria seu
autor. Contudo, elas pertencem à tradição pau l inn e por isso
convencionou-se chamá-las de deuteropaul inas.
::::::> A nl i/egó m enu, Pseudepigrajiu, f/01110/ogúmena, Pro to­
paulinas.

ABORDAGENS SINCRÓNICAS l l7
GLOSSOLALIA O vocábulo glossolalia vem do grego (glôssa, "língua"; +

lalêin, '' falar") e designa o fato de falar em l ínguas, fenô­


meno descrito por Paulo em I Cor 1 2- 1 4, que o qual i fica
como li nguagem suscitada pelo Espírito Santo, mas não
diretamente compreensível por aqueles que ouvem.

HOl\IOLOGÚMENA São chamadas de homologúmena (do grego homós, "igual";


+ logoumena, "coisas ditas") as cartas das quais se tem
certeza de que foram escritas por Paulo. Elas são em nume­
ro de sete: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Fil ipenses,
1 Tessalonicenses e Fi lêmon.
� Protopaulinas.
INTEGRIDADE Fala-se da não integridade de um escrito ou de um texto
quando ele é declarado compósito, formado por vários pe­
daços reunidos em uma ordem que dá a impressão de ser
aproximativo. O fenômeno também é chamado compilação
(de textos originariamente separados).
Assim, segundo alguns exegetas, a atual carta aos Fil ipenses
seria uma compi lação de dois bi lhetes já existentes (o primei­
ro iria de 1 , 1 a 3, 1 ; e o segundo, de 3 ,2 até o fim da carta
atual). O mesmo aconteceria com 1 Cor (que alguns subdi­
videm em vários bilhetes, conforme os temas tratados: 1 -4;
5-7; 8- 1 0; 1 2- 1 4; 1 5) e também com 2Cor. A questão d a
i ntegridade das cartas paulinas continua muito debatida.

PARÁCLESE O vocábulo paráclese (do grego parák/esis, "exortação,


consolação") designa o conjunto das exortações (relativas
à vida na Igrej a e no mundo) que se encontram nos escritos
paulinos. Nas cartas paulinas, as parácleses são m uito nu­
merosas e muitas vezes começam com o verbo parakaléo,
que significa "exortar".
� Parênese.

PARÊNESE O termo parênese, que vem do verbo grego parainéo


(exortar), é muitas vezes usado em exegese para designar
as exortações de Paulo. Entretanto, como o apóstolo usa
uniformemente o verbo parakaléo, são muitos os que pre­
ferem falar em paráclese.
� Paráclese.

l 18 ------- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


PROTOPAULINAS Os exegetas chamam de protopaulinas as cartas reconhecidas
como de Paulo e, portanto, consideradas autênticas.
� Ver anteriormente, no vocábulo Homologúmena, a l ista
destas sete cartas.

PSEUDEPIGRAFIA A pseudepigrafia (do grego pseudês, "falso"; + graphía ou


graphé, "escritura") é uma forma de pseudonímia (em grego,
pseudês, "falso"; + ónyma ou ónoma, "nome") que consiste
em fazer passar alguma coisa sob nome falso. A pseude­
pigrafia é a atribuição incorreta (ou falsa) de um escrito a
um autor famoso (como a atribuição de muitos salmos a
Davi, de cartas a Sócrates ou a Platão, de tratados a Fílon
etc.). No Novo Testamento, algumas cartas de Paulo são
consideradas por muitos exegetas como pseudepigráficas.
São elas: Cl, Ef, 2Ts e as Pastorais.

PSEUDONÍMIA � Pseudepigrajia.

SECRETÁRIO As cartas do Novo Testamento não foram escritas por Paulo


nem pelos outros, e sim ditadas oralmente a estenógrafos,
taquígrafos (em grego, tachys veloz) ou secretários (em
=

latim, amanuenses; no singular, amanuensis) capazes de


escrever rapidamente durante o ditado. É possível que os
autores do NT os tenham utilizado, não somente para que
reproduzissem palavra por palavra o que lhes era dito, mas
também para que dessem forma, com certa l iberdade, às
ideias que lhes era pedido que desenvolvessem. Alguns
exegetas explicam a redação de Cl e de Ef (que apresentam
um vocabulário e um estilo diferentes daqueles das protopau­
linas) pela intervenção de um secretário ao qual Paulo teria
deixado uma maior liberdade para expor as suas ideias.

sYNÉIDESIS O substantivo synéidesis designa a consciência (tanto a cons­


ciência de si quanto a consciência moral). Ver, por exemplo,
At 23, 1 ; Rm 2, 1 5 ; 9, 1 ; 1 3,5.

TRITOPAULINAS As tritopaulinas (em grego, trítos terceiro) são as cartas


=

Pastorais, isto é, 1 e 2 Timóteo e Tito. Muitos pensam que


não sejam do próprio Paulo (ver autenticidade) e, visto
que elas retomam e prolongam manifestamente a tradição

ABORDAGENS SINCRÓNICAS 1 l9
paulina, mesmo sendo mais recentes do que as deuteropau­
linas, são chamadas de tritopaulinas.
� Protopaulinas, Deuteropaulinas.

V. VOCAB ULÁRIO RELATIVO À EXEGESE JUDAICA E CRISTÃ

BARAITAH, Significa em hebraico "exteriores". Algumas das regras halá­


BARAITOT
quicas não foram recolhidas na Mishna quando esta foi posta
por escrito. Muitas delas foram inseridas no Ta/mude. As
baraitot (plural de baraitah) podem conter também elemen­
tos narrativos e homiléticos, isto é, elementos haggád icos.
� Haggadah, Mishna, Ta/mude.

CÂNON � Primeira parte, capítulo I I : A B íblia e o cânon das


Escrituras.

DIÁSPORA Este termo grego (diasporá = dispersão) designa o con­


junto dos judeus que, depois do exílio do século VI a.e.,
não retomaram à terra de Israel, mas permaneceram na
Mesopotâmia ou no Egito, bem como os que emigraram
um pouco por toda parte na bacia do Mediterrâneo e nas
terras então habitadas.

ESSÊNIOS Assim são chamados os membros de uma seita j udaica que


existiu entre o século II a.C. e o I d.e. Eles formavam co­
munidades de vida ascética. Segundo alguns arqueólogos, o
sítio de Qumran teria hospedado um grupo de essênios.
� Qumran.

GUEMARÁ Termo hebraico que significa "complemento". No Talmude


de Jerusalém e naquele da Babilônia, a guemará comenta o
texto da Mishna. Visto que o significado das leis orais judai­
cas escritas na Mishna com o tempo havia se tomado dificil,
escreveu-se a guemará para definir, discutir e comentar os
princípios, de modo que a halakah ou torah oral pudesse
ser compreendida e observada.
� Mishna, Ta/mude.

GUEZERAH A guezerah shawah é uma regra que governa as associa­


SHAW AH
ções verbais. A expressão significa literalmente "princípio

VOCABUIÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


1 20 --
---
equivalente". É uma das regras judaicas (atribuída a Hillel)
de interpretação da Escritura. Inicialmente, o princípio valia
somente para duas passagens da Torah, mas foi estendido aos
Profetas e aos Escritos. O raciocínio procede por analogias:
duas diferentes passagens das Escrituras que têm um ou
mais termos em comum podem ser interpretadas uma por
meio da outra. Em outras palavras, tendo como base uma
semelhança verbal entre dois textos, o que se diz de um
pode ser dito também do outro.
Paulo usa esse procedimento várias vezes. Ver Rm 4,3 .7-8
e 9,25-28.

HAGADAH, HAGAD Á O termo hagadah, hagadá ou haggadah (plural, haggadot;


OU HAGGADAH
do verbo hebraico haggid, narrar) designa um trecho ho­
milético do Talmude. Hagadah concerne à literatura rabí­
nica que informa sobre o modo de viver, mediante lendas,
parábolas, anedotas, provérbios. Desse modo são, portanto,
definidos os trechos narrativos da Bíblia em paralelo àqueles
que definem as regras da lei .
O termo pode ter também uma extensão mais ampl a e,
nesse caso, designa a parte homilética da l iteratura j udaica
tradicional, que comenta os relatos bíblicos, bem como os
relatos das vidas dos antigos rabinos.
� Homilético, Ta/mude.

HALAKAH, HALAKÁ O vocábulo halakah (plural, halakot; do verbo hebraico


OU HALACHÁ
halak, andar, caminhar, comportar-se) designa o conjunto
das regras e das decisões referentes às normas éticas e
jurídicas para o comportamento do indivíduo e também da
comunidade. A halakah é paral ela à hagadah, que é de tipo
mais edificante. A halakah designa tanto uma lei (um man­
damento entre outros) como o conjunto das leis consignadas
na Bíblia e no Talmude.
� Hagadah.

HATIMA Conclusão de midrash homi lético (pregação sinagogal).


Diferentemente da peroratio, que muitas vezes resume as gran­
des linhas da argumentação, a flatima conclui a homilia em
um tom consolador (com uma tonalidade escatológica). Muitas

ABORDAGEN� S!NOÓN1CAS -------


121
das conclusões da argumentação em Rm (cf. 8,3 1 -39; 9,29;
1 1 ,33-36) têm a forma de uma /:latima (plural, lzatimot).
=:> Conclusão.

llOMILÉTICO Adj etivo derivado da palavra "homi l i a". O termo design a


o s sermões feitos n a sinagoga, o s quais visam atual izar o u
aplicar aos ouvintes o trec ho d a Escritura do d ia, tirado da
Torah e chamado Sêder. Fala-se então de midrash (comen­
tário) homi lético.
=:> Peti/Ja, /fatima.

MANUSCRITOS DO =:> Qumran.


l\IAR MORTO

M I DRASH, Derivado do verbo hebra i co darash, "buscar", o termo


M I DRASHI M
denota qualquer busca, técnica ou homil ética, referente à
Escritura. Tomou-se equivalente a "comentário", disc urso
sobre a Escritura, que a toma atual e dela extrai todas as
suas riquezas.
Na sua extensão mínima, o termo des igna um comentário ou
uma exp l i cação conti nuada de um versículo, de uma passa­
gem ou mesmo de todo um li vro da Escritura. O midrash,
portanto, obedece a determ inadas regras de apresentação.
Os especialistas falam de midrash como forma ou gênero
l iterário somente sob duas condições:
- o discurso faz repetidas al usões ao texto comentado ou
dele retoma, até mesmo de modo expl íc ito, palavras ou
expressões;
- além do texto bíblico comentado (chamado texto prin­
cipal), ao longo da di scussão são i nseridos outros trechos
bíbl icos (chamados textos conexos ou secundários) que têm
vínculos verbais com o texto comentado . Os mais conhe­
c i dos desses comentários da Escritura são aqueles sobre os
l ivros da L e i .
N ã o é i nútil observar q u e a redação e a edição dos midrashim
(plural de midrash) aconteceram mu ito depois da época do
Novo Testamento, o que não impede, evi dentemente, esses
comentários j udaicos de remeter a t radições muito antigas
e anteriores ao 1 século da nossa era.
==:. Targum.

1 22 ----
VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA
MISHNA, MISHNAH O termo mishna significa "repetição" (do verbo hebraico
shanah, mudar, repetir), explicação duplicada (da Torah),
e designa a coleção escrita das tradições e explicações orais
judaicas da Torah, depositada, segundo a tradição, por Rabbi
Judah haNasi (literalmente, Judas o Príncipe) em tomo de
200 d.C . , e composta de trinta e seis tratados.
� Ta/mude.

PENTATEU CO � Torah.

PÉSHER Vocábulo que em hebraico significa "interpretação" (plural:


pesharim). Tipo de midrash em voga em Qumran. O texto
bíblico é seguido por sua atualização, por sua vez precedida
por fórmulas estereotipadas: "tal é a interpretação do trecho",
ou mesmo "a sua interpretação refere-se". No midrash pé­
sher, o comentador si limita a identificar os acontecimentos
e as pessoas mencionadas na Escritura com acontecimen­
tos e pessoas de seu tempo. Muitos pesharim foram encon­
trados em Qumran.

PETIHA A palavra petil;a vem do verbo hebraico ptf1 ("abrir") e


designa a parte inicial de um midrash homilético (pregação
sinagoga!). Pode des i gnar a introdução (também chamada
proêmio, do grego prooimion) e corresponde ao exórdio
(ver este vocábulo); mas a petil;a pode também designar a
própria pregação. At l 7 ,3 ("Paulo abria . . . ", que quer dizer
"Paulo fazia a homilia") fala da petifw feita por Paulo na
sinagoga de Tessalônica; o verbo "abrir" de At 17 ,3 parece
designar a pregação toda (e não somente a sua introdução).
Em Rm não há nenhuma petiba como pregação.
� Exórdio, lfatima.

P ROSÉLITO Termo que deriva de proselélytha, perfeito do verbo gre­


go prosérchomai. Ori ginariamente, esse termo desi gnava
aqueles que (imigrantes) chegavam a um país para residir
como estrangeiros. Posteriormente, foi apl icado aos que
aderem a uma nova doutrina ou re l igião, em particular aos
que se convertem à religião j udaica. Na Setenta (ver este
vocábulo), encontra-se uma única vez o verbo proselytéuo,
com o sentido de um estrangeiro que reside em um país

. ABORDAGENS SINCRÓNICAS 1 23
que não e o seu (Ez 14,7). No NT, o tem10 prosé�rtos tem
signi ficado religioso (convertido no judaísmo) em Mt 23� 1 5 :
At 6.5 : 1 3 ,43 .

Q:\L WAl_IO�IER OU Trata-se d� mna regra (rabínica - ver rabi) que gO\ ema o
A FORTIORI
rac iocínio lógico� chamada também de rac iocínio afortiori:
o que é verdadeiro para um caso é aplicável a um caso mais
importante.

QmlR.\� S i tio arqueológico local izado a noroeste do mar Nlorto,


conhecido sobretudo pelos manuscritos (papiros e perga-
minhos) descobertos nas grutas das redondezas. Alguns
desses documentos são cópias de livros bíblicos; outros, j

comentários (\ er midrash); outros, orações, textos de natu-


reza apocalíptica. Um dos manuscritos parece descrever a
regra de uma comunidade de tipo essênio.
� Essénios, Wa1111scritos.

R.\. 8 1 OU RABl:\O O tenno rabi (ou rabino; do qual deriva o adjetivo rabínico)
vem do hebraico (rab = mestre, com o i final que s ignifica
meu) e designa, já na época do Novo Testamento, aqueles
que em Israel dispensavam um ensinamento. O próprio Jesus J

é chamado rabi por alguns de seus interlocutores ( cf., por


ex., Mt 23,7-8; 26,25 .49; Me 9,5 etc.). Posteriormente, o
tem10 foi aplicado aos l íderes das comunidades j udaicas e
sinagogais, bem como a todos os comentadores especiali-
zados do Talmude.

SE:-.T IDO � A legórico, Anagógico, Sentidos medie' ais da escritura.


ESPIRlTUAL

SESTI DO LITERAL. O sentido literal nos diz o que aconteceu; o sentido alegórico,
SEl'TI DO
o que se deve crer; o sentido moral, o que se deve fazer; o
ALEGÓ RICO,
SE�TIOO �IORAL. sentido anagógico, o que se deve almej ar.
SENTIDO
ANAG ÓGICO :::::> Alegórico.

SEl\ll OOS Depois do sentido literal dos textos, encontra-se u m sentido


(OS QUATRO)
espiritual, que se realiza em três direções, na seguinte ordem :
.\ IEDI F.\' AlS DA
ESCRlTURA alegoria, tropologia e anagogia, segundo o dito med ieva l :
Littera gesta docet, quod credas al/egoria,
1\tlora/is quid agas, quo rendas anagogia.

1 24 \«ASut 1'.0C> l'ONDfRADO e>, mc-ES.E B!Sl!CA


TALMUDE O Ta/mude é a coleção dos antigos escritos rabínicos sobre
a Lei e as tradições hebraicas. É composto pela Mishna e
pela Guemará e constitui o fundamento religioso do judaís­
mo ortodoxo. Há dois talmudes, o Talmude da Babilônia (ou
Talmud Babeli; abreviação : TB) e o Talmude de Jerusalém
(ou Talmud Yerushalmi; abreviação: TJ).
� Mishna, Guemará.

TANAK Tanak é um acrônimo, isto é, uma abreviação ou sigla que


pode ser pronunciada como uma palavra comum. TaNaK
é uma abreviação hebraica (T = Torah; N = Nebi 'fm, K =

Ketubfm) que designa a B íblia, nas suas três partes, a Torah


ou Lei, os Profetas (em hebraico, Nebi 'fm) e os Escritos (em
hebraico, Ketubfm) .

TARGUM O termo targum (plural, targumim) significa "tradução".


Como targumim são designadas as traduções aramaicas (a
princípio orais, depois colocadas por escrito, sobretudo a
partir do II século de nossa era) da Bíblia, iniciadas depois
do exílio (mas não se sabe exatamente quando), e m um
tempo em que o texto hebraico tinha se tornado incompreen­
sível. Essas traduções nasceram, sem dúvida, em razão d a
necessidade d e s e fazer compreender o s textos bíblicos l idos
durante as celebrações semanais na sinagoga.
Se os targumim designam as traduções aramaicas, não se
pode, por outro lado, esquecer que a tradução grega
da Setenta (realizada a partir de 200 a.C. pelos hebreus da
diáspora e de língua grega) constitui também ela um fenô­
meno targúmico.
Hoje, parece admitido que o targum represente o ponto de
partida do midrash (como busca sistemática e comentário
continuado do texto bíblico).
Há targumim (traduções aramaicas) de quase todos o s
l ivros bíblicos. O s mais conhecidos são o s sobre a Torah
(Pentateuco), dos quais existem duas famílias : a babilônica
( Targum de Onqelos) e a palestinense (targumim Neofiti
1 e Yerushalmi, este ú ltimo também chamado targum do
Pseudo-J ônatan ).
� Midrash.

ABORDAGENS SINCRÓNICAS 1 25
---

--
TI POLOGIA, Do grego typos, "modelo, arquétipo". Termo com duas
TI POLÓGICO
diferentes acepções. Pode ser sinônimo de "classificação",
ou remeter aos tipos e às figuras bíblicas. Neste segundo
significado, a tipologia cons iste em ver em certas pessoas,
coisas ou acontecimentos da antiga al iança o s protótipos
das pessoas, coisas ou acontecimentos da nova. Eis como T.
Todorov define a tipologia em Symbolisme et interprétation:
"Somente uma re lação particular, a de cumprimento, entre
dois fatos h istóricos permi te falar de tipologia. É necessário
haver uma gradação entre o s dois fatos em favor do segundo:
o primeiro anuncia o segundo; o segundo dá c umprimento
ao primeiro".
Por ex., o anj o Gabriel, que descreve João Batista com as palavras
usadas por S irácida para descrever o profeta El ias ( S i r 48, 1 O ;
M I 3,23; L c 1 , 1 7), ou o gesto d e Jesus a o restitu i r o fi lho à v iúva
de Naim, descrito com as mesmas que descrevem o gesto de El ias
em favor da viúva de Sarepta (Lc 7, 1 5 ; I Rs 1 7,23).
A t ipologia é i nseparável das figuras bíbl icas (re l i das como
l igadas entre si por uma relação de preparação e cumpri ­
mento). É importante distinguir a s figuras tipológicas das
figuras retóricas.
=::> Figuras (de retórica).

TORÁ OU TORAH Termo que vem do hebraico (torah = ensinamento) e designa


a Lei bíblica contida nos ci nco primeiros l ivros (Gênesis,
Ê xodo, Números, Levítico, Deuteronômio), também c ha­

mados Pentateuco (em grego, pénte, "cinco"; + têuchos,


" livro") . Posteriormente, o termo foi aplicado também à
Torah oral (comentário à Torah bíblica), que p o r sua vez
foi também posta por escrito (a atual Mishna) .

TROPOLOGIA O terceiro dos quatro sentidos bíblicos medievais.


=::> Anagogia, A legoria, A legórico, Sentidos medievais da
escritura.

-- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


l 26 --
QUARTA PARTE
VOCABULÁRIO GERAL
TERMOS ESTRANGEIROS

Nesta parte é apresentado um vocabulário mais geral em ordem alfabética.


Depois, alguns termos alemães e ingleses, gregos e hebraicos, usados nos
comentários exegéticos.

1. VOCABULÁRIO GERAL

AKTIONSART Tipo ou gênero de ação. Termo técnico alemão usado para


os verbos gregos a fim de caracterizar não o tempo do verbo
(passado, presente, futuro), mas sim o gênero de ação impli­
cada no tempo do verbo, como ação pontual, momentânea,
ou ação l inear, que continua no tempo. A interpretação de
certos textos depende da Aktionsart do verbo para com­
preender se o acontecimento passado tem um efe ito passado
e superado, ou efeitos que continuam no presente (ver a
diferença entre o aoristo e o perfeito).

ALEGORIA O segundo dos quatro sentidos medievais da Escritura ou o


primeiro dos sentidos espirituais. O sentido alegórico permite
descobrir nos textos do AT (nos relatos, nas instituições,
nos personagens, nas situações . . . ) figuras de Cristo e de
sua Igreja.

ALEGÓRICA Alegórico: é a abordagem dominante de interpretação da


(ABORDAGEM)
Escritura na escola de Alexandria e em uma grande parte
da exegese ocidental até o fim do século XVII. Essa abor­
dagem parte do princípio de que o AT é uma figura anteci­
pada do NT. Depois do sentido literal, é necessário encontrar
o sentido espiritual, que se decompõe em três outros sentidos:

VOCABUlÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS -----


1 27
al egoria, tropologia, anagogia. O sentido espiritual é alcan­
çado mediante a leitura simból ica dos textos do A T.

ALEGOH.ISM O O alegorismo é uma deformação e uma exageração da ver­


dadeira alegoria.

ALELUIA Em hebraico, Hallehi- Yah: .. Louvai YHWH !", grito de alegria


que encontramos principalmente nos Salmos e assumido
pela liturgia cristã.

ALEXAN DRIA Escola exegética judaica e cristã no Egito, na qual se pra­


(ESCOLA DE)
ticava a interpretação alegórica da Escritura (séc ulos 1-V
de nossa era) - Clemente de A l exandria ( 1 5 0-2 1 1 12 1 6)
e Orígenes ( 1 85-25 1 1254) são seus principais representan­
tes -, enquanto a escola de Antioquia prat icava a inter­
pretação l iteral .
� Antioquia.

AMARNA Em Tel El-Amarna, situada à margem do Ni lo, entre Mênfis


e Tebas, foram encontradas ( 1 88 7- 1 937) algumas tabuletas
de argila (cerca de 380). Essas tabuletas cuneiformes remon­
tam ao reino de Amenófis IV, Akhenaton (metade do século
XIV), e são em sua maior parte uma correspondência dos rei s
e dos príncipes d o Oriente Próximo endereçada ao faraó.

ANAGOGIA Ú ltimo dos quatro sentidos bíbl icos medievai s e último dos

sentidos espirituais. Consiste em interpretar os textos como


s í mbolos da vida futura.

ANAMNESE Do grego anámnesis, "memória"; comemoração c ultuai de


um acontecimento.

ANÁTEMA Em hebraico, hérem . Instituição rel igiosa de Israel que


consiste em votar ao extermínio, por motivos reli giosos,
. . .
pessoas, amma1s ou cmsas.

ANTIOQUIA Escola exegética cristã na Síria (a partir do III século), na


(ESCOLA DE )
qual se praticava a interpretação literal que se opõe à inter­
pretação alegórica da escola de Alexandria.
Um de seus representantes mais conhecidos é Teodoro de
Mopsuéstia (3 50-428).
� Alexandria.

1 28
----- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
APOCALIPSE, Do grego apo - kálypsis = desvelamento, revelação. Gênero
APOCALÍPTICO
literário no qual um vidente é elevado ao céu para receber
revelações referentes ao j uízo e à salvação do fim dos tem­
pos, quando o mundo atual será destruído para ser totalmente
transformado.
Ver, por exemplo, Is 24-27 (texto chamado Apocalipse de Isaías);
numerosas visões do livro de Daniel. O apocalipse mais conhecido
pelos cristãos é o do Novo Testamento. Todavia, outros apocalip­
ses foram escritos durante o período intertestamentário, por ex.,
4 Esdras e 2 Baruc.

O adjetivo apocalíptico designa uma corrente da tradição


hebraica e as ideias que ela veicula nos escritos chamados
apocalipses. A corrente apocalíptica reflete sobre a história e
sobre o seu destino, tendo como pano de fundo a perseguição
sofrida pelo povo eleito (Israel), perseguição concebida como
uma prova, uma purificação que permite aos fiéis alcançar a
glorificação a que são destinados. As categorias da apocalíp­
tica são formadas por claras oposições espaciais e temporais
(entre este mundo mau e o mundo futuro glorioso; entre os
bons e os maus, entre os anjos e os demônios etc .).
� Escatologia.

A PÓ DOSE Do grego apódosis. Literalmente, restituição. Proposição prin­


cipal que segue a subordinada, chamada prótase (por ex.: cada
vez que ele vem [prótase], vamos ao teatro [ apódose]).
� Prótase.

APOTEGMA Do grego apophthegma, "sentença". Literalmente, palavra


memorável; pensamento conciso.

ASSÍNDE TO Do grego asyndeton, "ausência de vínculo". O assíndeto é


a supressão (por razões estilísticas) das palavras de conexão
(conjunções, advérbios) em uma frase ou entre duas frases.

B EM­ � Macarismo.
AVENTURANÇA

DEllAKAH � Eu/agia.

CADALA Em hebraico qabbalah, "tradição". Interpretação judaica


exotérica e simbólica do texto da Bíblia, cuj o livro clássico
é o Zohar, ou livro do Esplendor.

VOCAB UlÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS --


---
1 29
CAMPO SEMÂNT1co É assim designado o conjunto dos s ignificados de uma pa­
lavra dado pelo dic ionário. Por ex ., o campo semântico da
palavra "fazer" reúne todos os significados que este verbo
pode ter (fabricar, construir, realizar . . . ).

cHRÉIA (CH RÉAI) Termo técnico usado na antiga retóric a para descrever
uma pessoa ou uma s ituação de modo paradoxal. Máxima
i lustrada por uma anedota (frequentemente usada por Jesus
nas sentenças finais das parábo las; por ex. : "os primeiros
serão os últimos").

COLOFÃO Inscrição situada no fim de um l ivro ou de um manuscrito,


que dá o título da obra (por ex., salmo), muitas vezes com
o nome do autor (salmo de Davi, provérbio de Salom ão,
oráculo do profeta Isaías).
� lnscriptio, Subscriptio.
COM PILAÇÃO Operação que consiste em extrair trechos de diversos autores
para compor com eles uma obra.
� Integridade, Hipótese documentária.
CONFLAÇÃO Operação que consiste em combinar e harmonizar duas
versões (na mesma l íngua) de um mesmo texto que apre­
senta variantes, para fundi-las em uma só. O termo designa
também o texto resultante dessa fusão .
Não deve ser confundi do com a não i n tegridade e a
comp ilação.

CRÍTICA Termo que designa diversas abordagens científicas. A crítica


textual interroga o valor dos testemunhos antigos do texto.
A crítica literária faz uma anál ise minuciosa dos gêneros e
das técnicas l iterári as. A crítica histórica interroga a relação
dos textos com os acontecimentos que eles relatam, com a
sua confiabi li dade, a sua autenticidade, mas também com as
fontes que eles usaram, respeitando-as, modifi cando-as etc . ,
fontes cuj o valor é , por sua vez, objeto de estudo (crítica
das fontes).
DE UTEIWCANóNrco � Apócrifo.

DIÁSPORA Do grego dia - speiro, "semear através", donde o signi ficado


"d i spersão". A expressão diáspora é usada para des ignar os

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGES E lliBLICA


1 30
--
---
hebreus dispersos pelo exílio que permaneceram nos vários
países para os quais imigraram. O termo hoje tem uma ex­
tensão mais ampla e designa a dispersão de um povo ou de
uma etnia pelo mundo .
DIDAQUÉ Do grego didach�, "ensinamento". O termo designa um
l ivro da Igreja pós-apostól ica (II século), bem como as
instruções ou ensinamentos da Igreja primitiva, distinguindo­
os assim dos ensinamentos da proclamação do Evangelho
(k�1ygma).

. DOXOLOGIA Nos l ivros bíblicos, a doxologia (do grego dóxa, "glória"; +


logia, "palavra") consiste em louvar ou dar glória a Deus e
a Cristo, muitas vezes por meio de fórmulas estereotipadas:
"Glória a . . . ".
Ver Rm 1 1 ,3 6 : A ele, a glória pelos séculos. Amém"; Rm 1 6 ,27:
"

"A Deus, o único sábio, por meio de Jesus Cristo, a glória pelos
séculos dos séculos. Amém". E também: "Glória ao Pai, ao Filho
e ao Espírito Santo".

::::. Salmos.

EPEXEGÉTICO O termo epexegético significa explicativo e designa as pa­


lavras e também as proposições destinadas a explicitar e a
explicar o que as precede. Em grego, fala-se de infinitivo
epexegético, de kai ("e") epexegético.

EPÔNIMO Adj etivo (do grego epi - ónymos, "sobre-nome") com o qual
um personagem (muitas vezes mítico) dá o próprio nome
a um lugar, a um povo etc. Assim, Jacó-Israel é o ances­
tral epônimo do povo que leva o seu nome, Atena é a deusa
epôn imo de Atenas etc.

ESTR UTURA ::::. Desconstrução, Rhetorical criticism, Sem iótica, Estrutu­


ralismo, Estrutura literária (retórica).

EULOGIA A eu logia (do grego eulogia, l iteralmente "dizer bem de";


em hebraico, berakah) é uma forma de louvor. Inicia-se
muitas vezes com uma fórmula do tipo "Bendito seja Deus
que . . . ". Ver, por exemplo, Ef l ,3-1 4; 2Cor 1 ,3-4.

F ESTSCl-I R I FT (FS) Substantivo alemão que designa um l ivro oferecido em


homenagem a um conhecido prof e ssor ou pesquisador, por

VOCABULÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS -------


131
ocasião de seu an iversário ou em outras circunstânc ias. É
composto por artigos escritos por colegas, disc ípulos cio
homenageado.

GNOSTICISMO, O substantivo gnosticismo e o adjetivo gnóstico vêm do


GNÓSTICO
grego (gnôsis = conhec imento; gnostikós = que tem conhe­
c imento). O prime iro designa a doutrina hermética de seitas
cristãs heterodoxas dos primeiros sécul os, as quais profes­
savam um duali smo radical (en tre matéria e esp írito, entre
este tempo e o tempo do fim etc.) e fundavam a salvação
da humanidade em um conhecimento reservado a i n ic iados
(chamado gnose) dos mi stérios divinos e na rej e i ção da ma­
téria dom inada pelas forças malé ficas. O adjetivo, por sua
vez, designa os seguidores dessa doutrina.
Trata-se, por isso, de uma concepção que pode ser qualifi-
cada também de heterodoxia.

HAGIOGRAFIA Do grego hágios, "santo"; + graphein, "escrever". Relato


da vida dos santos.

HÁPAX Um hápax legómenon (do grego hápa-c, "uma única vez";


LEGÓMENON
+ legómenon, "dito, falado") é uma palavra ou uma forma

(de palavra) que ocorre uma única vez em um escrito ou


em uma série de escritos.

HEBRAÍSMO Na exegese, são chamadas de hebraísmos as formulações


calcadas sobre expressões hebraicas, como, por exemplo,
"filhos das trevas e filhos da luz" (filho de traduz o hebraico
1
benei), pelas quais se quer designar, respectivamente, "os maus

e os bons", ou também "a abominação da desolação", que
se poderia traduzi r por "a máxima desolação", "o Santo dos 1
Santos", que designa o coração do Templo de Jerusalém e que
em português se traduziria por "o lugar mais sagrado" etc.

HELENISMO O tenno helenismo (em grego, héllen = grego) designa a

cultura e a civil ização gregas e os seus desenvo lvimentos


após Alexandre Magno (300 a.C.). Designa também uma
expressão ou uma palavra calcada sobre o grego, como
quando se d iz que a língua de um autor moderno é carregada
de helenismos.

-- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLJCA


1 32 ---
HEM ISTÍQUIO Em poesia, hemistíquio é o nome dato a meio estíquio (linha
poética). Por analogia, alguns exegetas fa lam de hemistíqu io
para designar cada metade de um versículo.

HEN OTEÍSMO Do grego hén, "um"; + theós, "deus". Tern10 que caracteriza
uma religião que admite um único Deus para seus próprios
fiéis, mas não exclui a existência dos deuses venerados
pelas outras nações.

Cf. Dt 32,8-9 ( LXX; 4QDt): "Quando o Al tíssimo dividia as


nações, quando separava os fil hos de Adão, ele determ inou os
limites dos povos conforme o número dos fi l hos de Deus; mas
a parte de YHWH é o seu povo, Jacó é a porção de sua herança".
Nesse texto, os "fil hos de Deus" são os deuses das nações que
formam a corte celeste.

� Idolatria, Monoteísmo, Monolatria.

HIPOTAXE, A hipotaxe (do grego hypó, "sob"; + tá.xis, "ordem") é outro


HI POTÁTICO
nome para designar o fenômeno da subordinação.
� Paralaxe (antônimo).

HOMÓFONO O vocábulo vem do grego (homós, "idêntico, semelhan­


te"; + phoné, "voz") e designa palavras que têm a mesma
sonoridade.

I DOLATRIA Do grego êidos, "imagem"; + latréuo, "adorar". Apl ica­


se ao culto dos ídolos, das imagens de falsos deuses. Na
B íbl ia, tal culto é condenado pelo segundo mandamento do
Decálogo (ver Ex 20,4-6; Dt 5 ,8- 1 O) e pelo Segundo Isaías
(Is 4 1 ,2 1 -29 . . . ) .
� Monoteísmo, Monolatria.

I DOLOTITOS Composto pelas palavras éidola (ídolos) e thyta (coisas sa­


crificadas), o termo idolotitos designa as carnes de animais
oferecidas aos ídolos nos templos.

INERRÂ NCIA A inerrância das Escrituras decorre do fato de elas serem


inspiradas, porque o Espírito Santo agiu de modo que, quan­
do falam de Deus, de seus caminhos e da salvação da hu­
manidade, não podem errar. Sem dúvida, elas estão sujeitas
às l i mitações de seu tempo, aos conhecimentos, à cultura,

VOCABULÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS 1 33


aos gêneros literários; todav ia, isso não as impede de ati ngir
o coração dos seres humanos de todos os tempos, nem de
1
revelar, como se deve, os caminhos de Deus para eles.

INSCRIPTIO É o título do texto , que muitas vezes é reprod uzido e com­


pletado na subscriptio.
� Subscriptio.

INSl' t nA ÇÃO, O termo inspiração (do latim spiritus, "espírito", "sopro")


INSl'tnADO
designa a operação mediante a qual o Espírito de Deus guiou
os autores dos escritos bíbl icos. A inspiração perm ite-lhes
exprimir, do melhor modo poss ível, as verdades das vias
pelas quais Deus quis salvar a human idade e oferecer aos
homens tudo o que eles necessitam para conhecer Deus
segundo a verdade. Uma primeira definição da insp iração
das Escrituras encontra-se em 2Tm 3, 1 5- 1 7.
� Inerrância.

INTEN ÇÃO DO Ao se interrogarem sobre o sentido dos textos bíbl icos (pro­
AUTOR
blema que concerne a todo tipo de texto), alguns exegetas
afirmam que ele deve ser buscado na intenção de seu autor
(intentio auctoris), para não fazer os textos dizer o contrá­
rio do que o autor quis dizer; outros exegetas, ao contrário,
pretendem estudar o sentido baseando-se nos dados impostos
pelo próprio texto (intentio operis), sentido que se dá a ler
graças à composição, à organização das figuras etc . ; segundo
outros, enfim, o sentido vem do leitor (intentio lectoris).
Hoje, as teorias de interpretação buscam aliar esses três
componentes.

INTERPOLAÇÃO Em exegese, o tenno interpolação designa tudo o que nos


textos bíblicos foi acrescentado por uma mão que não é a do
autor, mas que se faz passar pela mão do autor. Às vezes,
1
as interpolações são identificáveis mediante o confronto das
famíl ias de manuscritos (quando faltam algumas palavras nos
testemunhos mais confiáveis, é provável que a sua presença
em outros manuscritos seja devida a uma i nterpolação).
Hoj e, admite-se que as versões longas de l Jo 5,7-8 (o assim
chamado comma joanino), encontradas em alguns manus- �

1 34 --
--- VOCABU lÁ�IO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA
critos e que são assinaladas pelos aparatos críticos do Novo
Testamento grego, sejam interpo lações.
� Com ma joanino.

I PS I S S l l\ I A VERBA Fala-se de ips iss ima verba (em latim = as mesmíssimas


palavras) quando as palavras do Jesus dos evange lhos
retomam muito provável e exatamente as que teria pro­
nunciado o Jesus da hi stória. O modo em que Jesus se
dirige a Deus chamando-o "Abbá ! '', em Mt 1 4 , 3 6 , seria
desse tipo.

JESUS SEMINAR Jesus Seminar é uma expressão que designa o grupo de


exegetas do Novo Testamento fundado por R. W. Funk em
1 985 para determinar a historicidade dos lógia de Jesus nos
evangelhos (canônicos ou não).
� Lógion, Lógia.

KEPHALÉ O termo kephalé significa "cabeça'', tanto no sentido físico


como social (chefe).

KOINÉ Koiné:
- língua grega comum a todo o mundo grego durante a
época helenística e romana;
- coisa comum, por exemplo, o texto Koiné, comum ou
bizantino.
==:. Primeira parte, capítulo IV: As l ínguas da Bíblia e das
suas versões antigas.

LÓGION, LÓGIA Em exegese, com o termo lógia (palavras, discursos, orá­


culos; no singular, lógion) são designadas as palavras de
Jesus citadas nos relatos evangélicos. No entanto, nem to­
dos os lógia recolhidos pelos evangelhos são aceitos pelos
historiadores como ipsissima verba.
==:. Ips issima verba.

MACARISMO Do grego makários, "fel iz". Fórmula usada para louvar,


felicitar ou proclamar honrosa uma pessoa por suas quali ­
dades o u seus méritos. A fórmula é frequente n a literatura
sapiencial e no NT. As "bem-aventuranças" de Mt 5 e Lc 6
são os exemplos mais conhecidos.

VOCABULÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS ----- 1 35


------- - · · ·- - -· ··-·· · · · · -

Há pelo menos quatro formas de macarismos:


- o macarismo profano (a pessoa é louvada por sua riqueza, sua
beleza etc . ; c f. Is 32,20; Qo l O, 1 7, em que se louva um país):
- o m acarismo do sábio (a pessoa é l ouvada por sua v i rtude o u
s u a sabedoria; ver Pr 3, 1 3 ; 8,32.34);
- o macarismo irônico ou satírico (al guém é louvado i ro nicamente
por seus defeitos, seus pecados, seus erros; cf. 1 Henoc l 03,5-6:
"Fe l i zes os pecadores, porque v i veram todos os seus d i as, e agora
morreram na prosperidade e na abundânc i a . . . " );
- o macarismo re l i gioso (uma pessoa é louvada por seu compor­
tamento d iante de Deus ou por um favor recebido de Deus: ver
SI l , l ; M t 5,3 . . . ) .

Quase todos os macarismos são expressos na terceira pessoa.


Enfim, deve-se distinguir macarismos de bênçãos: nestas
últimas, o próprio Deus é a causa direta das qualidades ou
dos beneficios mencionados.
� Bênção, Maldição.

MANUMISSÃO A manumissão (do latim manumissio) designava no antigo


Império Romano a l ibertação ou a al forria legal de um es­
cravo (muitas vezes por resgate). A Idade Média utilizou o
mesmo termo para a alforria dos servos (do latim servus,
escravo).

MESSIANISMO Assim é designada a espera de um Messias libertador em


certas correntes judaicas após o exíl io.
� Messias.

MESSIAS, CRISTO A palavra Messias vem do hebraico mashiab (ungido; em


grego, christós) e no antigo Israel designou primeiramente
o rei (aquele que recebia a investidura mediante uma unção,
ver I S m 1 6, 1 3 ; I Rs 1 ,39). Posteriormente (após o exíl io), 0

termo passou a designar o rei do fim dos tempos, enviado


por Deus para restab � lecer Israel em seus direitos e i n augu­
rar a era da j ustiça. E esse rei messiânico que os apóstolos
reconhecem em Jesus, nos evangelhos e no resto do NT (ver,
por exemplo, Mt 1 6, 1 6; Me 8,29 ; Lc 9,20; Jo 1 ,4 1 ) .

MODELO Por modelo (li terário, mas também teológico) entende-se


um conj unto de regras e de técnicas que um autor bíblico
pode segui r para escrever (modelos literários, estilísticos,

1 36 ---- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


retóri cos); mas o lermo se a p l i c a também ú s i d e i a s e às
representações. Ass i m , os re latos d a pai xão cm Mt e M e
são constru ídos com moti vos presentes nos S a l mos d o J u sto
p ers e g uid o . A pe squi sa de mode l o s faz parte i ntegrante el a
pesq u i sa e x egé ti ca . É necessúrio não con fu n d i r esse t i p o
de modelo c o m aq u e l e s propostos em re tóri c a ( s o b re tud o o

demo n st ra ti vo ou e p i díc ti co ) .
� Tipo, Paradigma, Exemplo.

l\IONOLATIUA Do grego mónos, " ú n i co"; + latréuo, "ad o rar" , "honrar".


Assim é chamada uma re l igião na qua l se pode adorar e
honrar uma única di vin dade. Admite-se a existênc i a de
outras divindades ou seres sobrenaturais, mas fica exc l u í­
da a possi b i l idad e de render-l hes culto. C f. Dt 6, 1 - 3 e o

Deuteronômio em geral.

Ver também o Decálogo (Ex 20,4- 6; Dt 5,8- 1 O ) . Mono latria é u m


termo que exprime principalmente o aspecto prático da questão,
enquanto monoteísmo insiste mais em seu aspecto teórico.

� Henoteísmo, Idolatria, Monoteísmo.

MONOTEÍSMO, Do grego mónos, "único"; + theós, "Deus". É monoteísta


MONOTEÍSTA
uma religião que afirma a existência de um Deus único para
todo o universo e para todos os povos. Segundo a maioria
dos especialistas, o monoteísmo estrito apareceu em Israel
com o Segundo Isaías, isto é, após o exílio.

Ver I s 44,6: "Assim d iz YHWH, o rei de Israel , o seu redentor,


YHWH dos exércitos: ' Eu sou o primeiro e eu sou o último; fora
de mim não há deus"'.

� Henoteísmo, Monolatria, Dêutero-Isaías.

M \'STÉRION O vocábulo grego mystérion significa "mi stério" e ocorre no


si ngular em Dn 2 e em alguns textos paulinos (Rm 1 1 ,2 5 ;
1 6 ,25; Cl 1 ,26.27; 2 , 2 ; 4,3 ; Ef 3 ,3 .4.9; 5 , 3 2 ; 6 , 1 9). S e u con­
teúdo coincide mais ou menos com o de Evangelho.
Ao chamar de mistério o plano divino de salvação, as cartas
pau l inas não querem somente subli nhar a incapacidade que
os humanos têm de conhecê-lo por suas próprias forças,
mas indicam também que, uma vez revel ado esse p lano d e

VOCABUlÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS --


--
1 37
------lllG!:� ffM�=.,"!!'..-t�

salvação, a sabedoria humana continua incapaz de com­


preendê-lo e de recebê-lo, porque ele se realiza por meios
e eventos que parecem insensatos (em particular, a morte
na cruz). Os caminhos divinos, portanto, são mistério não
somente porque não tinham sido revelados até então, mas
também porque, mesmo reve lados e proclamados, o mundo
não os pode reconhecer como queridos por Deus. Assim
se explica por que Paulo vê na cruz de Jesus o mistério de
Deus por excelência.
Todos esses componentes têm a sua importância, porque são
repetidos nas cartas paulinas. O que é específico de Cl e Ef
é o uso do vocábulo no singular e com o artigo definido: o
mistério de Deus ou do Cristo.
NABI, NEBl 'IM Palavra hebraica de etimologia discutida e que significa
"profeta". O plural nebi 'fm designa a segunda parte da Bíblia
hebraica: os livros proféticos (Js-Ml), que se subdividem em
profetas anteriores (Js-2Rs) e profetas posteriores (Is-MI),
estes últimos subdivididos, por sua vez, em três grandes
profetas (Is, Jr, Ez) e doze profetas menores (Os-MI).
� O Ta/mude da Babilônia (Sota 48b).

NAG-HAMMADI Localidade egípcia, na qual, em 1 946, foram encontrados


textos gnósticos (do século IV de nossa era), entre os
quais o Evangelho de Tomé (série de sentenças atribuídas
a Jesus).

NEOLOGISMO Palavra criada ou assumida recentemente; acepção nova de


uma palavra já existente na língua.

NEOTESTAMENTÁRIO Adj etivo que designa o Novo Testamento (de néos, novo).

NOÁQUICO Adj etivo relativo a Noé. Fala-se assi m de aliança noáquica


(entre Deus e Noé, ver Gn 9), de mandamentos noáquicos
(Gn 9, 1-7). Esse adjetivo não deve ser confundido com este
outro: noético (que se refere à noese, ao pensamento).

PALAVl{A-GANCHO, Técnica de composição l iterária presente na prosa e na


CATCH-WORD
poesia bíblica e que consiste em ligar duas ou mais par­
tes de um texto mediante uma palavra ou uma expressão
signi ficativa.

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


1 38
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--
E xe mp lo s : "o céu e a terra", "a terra e o céu" em Gn 2,4a e 2,4b;
o verbo "cresceu" em Ex 2 , 1 O e 2, 1 1 ; o ve rb o "estabelece u-se" e
"sentou-se" em Ex 2, 1 5 (em h e braico trata-se do
, mesmo verbo
re petido duas vezes); a pal avra "malvados'' no SI 1 ,4-6; o nome
Jerusalém no SI 1 22,2-3 e a pal avra "paz" no mesmo SI 1 22 . 6 . S .
E também e m H b 2 , 1 7 e 3 ,2 , "sumo sacerdote" e " fid e dig no "

são palavras-gancho, porque l igam duas unidades l i terárias : a que


term i n a em Hb 2, 1 8 e a que começa em Hb 3 , 1 .

PAR,\ BOLA Como o próprio nome diz (em grego, parabolé = seme­
lhança), a parábola é uma comparação sob forma de relato
(às vezes breve) cujos elementos são tomados da vida co­
tidiana e contêm um ensi namento religioso ou moral. Os
relatos evangélicos apresentam numerosas parábolas (ver,
por exemplo, Me 4).

PARADIGM A, Um paradigma é, antes de mais nada, um modelo teórico de


PARADIGMÁTICO
pensamento que orienta a reflexão e propõe uma chave de
leitura apta para explicar fenômenos históricos e literários.

Por exemplo, do ponto de vista histórico, todo o Antigo Testamento


pode ser expl icado com o paradigma do exílio; semelhantemente,
todos os escritos de Paulo podem se explicados sej a com o modelo
do pensamento helenístico, seja com o modelo do judaísmo.

É também uma palavra tomada como modelo e o conj unto


das palavras que a ela estão ligadas por derivação (por
declinação ou por conjugação) ou por substituição. Por
exemplo, o paradigma do seguimento (sequela Christi) nos
evangelhos ou o da imitação em Paulo.
====- Sintagma.

PARÁDOSE Do grego pará - dídomi, "transmitir, entregar". A conotação


pode ser positiva, e então se fala de transmissão, de tradição;
ou mesmo negativa, e então se traduz traição, como quando
se entrega alguém ao inimigo.
Na exegese e na teologia, parádosis é um termo técnico que
designa o processo da tradição (de uma mensagem etc.).

PARATAXE, A parataxe (do grego pará, "ao lado de"; + táxis, "or­
PA RATÁTICO
dem") consiste em justapor proposições independentes sem

VOCABULÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS 1 39


------
-- -
\.n ·��-_.. ..,,..., __

conj u nções coordenativas (coordenação assindética). O


evangelho de M arcos uti li za muito a parataxe.
Quando se utilizam conjunções coordenativas, temos a coor­
denação sindética.
=:> Hipotaxe (antônimo).

PARUSIA Este termo, que em grego significa "presença", "vi nda"


(parusia), serviu desde cedo, no vocabulário cristão, para
designar a vinda do Cristo na glória no fim dos tempos e,
por metonímia, o próprio fim dos tempos.

PERÍCOPE O termo perícope, que literalmente descreve a ação de cortar


(kópto, kopé) ao redor de algo (pen), designa, entre outras
coisas, uma seção ou um breve trecho que foi isolado (ou
cortado) de seu contexto. Na exegese bíbl ica, uma perícope
é uma unidade literária relativamente breve (parábola, relato
de milagre, parte de argumentação paul ina etc.).

POSTILA Pode vir do latim postilla (isto é, "depois destas" palavras


da Escritura, que são brevemente comentadas, sobretudo
para a pregação). Portanto, as Postillae são comentários.
As mais célebres Postillae são as de Nicolau de Lira, da
primeira metade do século XIV.

PRÓTASE A prótase (do grego prótasis, "o que é colocado antes") é


a oração subordinada que precede a principal .
=:> Apódose.

PROTOCANÔNICO Assim são chamados os l ivros sagrados que foram reco­


nhecidos como tais já antes (este é o significado do prefixo
proto-) da existência do( s) cânon(es) .

� Cânon, Deuterocanônico.

rRoTOCATOL1c1sMo O termo designa o que, em alguns escritos do NT, seria


já um primei ro desvio em rel ação ao p uro evangelho origi­
nal: um compromi sso com os valores mundanos.

Ver, por exemplo, as exortações domésticas de Cl e de Ef, que


fundamentam teologicamente a submissão das m u lheres aos seus
maridos (Cl 3 , 1 8 ; Ef S,22-24), o primado de Pedro (Mt 1 6, 1 6- 1 8),
a institu ição do episcopado etc.

-- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BÍBLICA


1 40 --
Essas tendências foram chamadas de protocatólicas porque se
via nelas um rascunho do que se desenvolveria muito tempo
depo is, no catolicismo romano. Essas ideias foram concebi­
das por certas correntes recentes da Reforma protestante.
QU EST Termo inglês usado para designar a pesquisa concernente
ao Jesus histórico.
REDATOR Na exegese, geralmente é chamado de redator o autor de
um escrito. Quando, porém, há interpolações, distingue-se
o autor de um documento e o redator que posteriormente o
reescreveu, modificou ou fez acréscimos ao original . Para
certos escritos do AT, admitem-se muitas vezes vários es­
tratos redacionais sucessivos.
SEGREDO A expressão concerne sobretudo ao evangelho de Marcos,
M ESSIÂNICO
no qual Jesus ordena aos demônios e a todos os que o ro­
deiam, incluindo os seus discípulos, que não divulguem a
sua identidade messiânica.
Ver, por exemplo, Me 1 ,44; 3 , 1 2; 8,30.

SEMIÓTICA A semiótica é uma teoria da sign ificação . Tem como pro­


jeto identi ficar as condições e as regras da produção do
sentido.

SERMÃ O DA Na exegese, esta expressão designa o discurso que Jesus


MONTANHA
faz aos seus discípulos em Mt 5,3-7,27, porque Jesus o
pronuncia enquanto está "sobre a montanha". Esse discurso
tem seu equivalente no evangelho de Lucas (6,2 1 -49), no
qual, porém, é chamado sermão da planície, porque Jesus
o pronuncia depois de descer da montanha (Lc 6, 1 7).

SINOPSE, Uma sinopse (do grego syn, "conjunto"; + ópsis, "visão") é


SINÓTJCOS
uma obra na qual são dispostos em colunas textos que têm
fortes semelhanças entre si, de modo que possam ser lidos
em conjunto e confrontados. As sinopses mais conhecidas
são as dos primeiros três evangelhos (Mateus, Marcos e
Lucas), mas existem também outras: sinopses das cartas
paul inas, sinopses dos livros dos Reis e das Crônicas.
Tradicionalmente, são chamados de sinólicos os três pri­
meiros evangelhos - M ateus, Marcos e Lucas - graças às

vOCABULÀRIO GEm - TERfv'OS ESTRANGEIROS 141


suas nu merosas semel hanças, que convidam precisamente a
lê- los paralelamente em sinopse.

SINTAGMA, Como diz o próprio nome (de origem grega, syn, "conju n­
SINTAGM Á TICO
to"; + tágma, "ordem"), um si ntagma é uma disposição
de palavras que forma uma un idade em uma organização
hierarquizada (si ntática). Os sintagmas são classi ficados
conforme a prime ira palavra que os compõe. Assim, fala-se
de sintagma nominal ("corpo de Cristo"), verbal ("trabalhar
duro", "proceder com constância"), preposici onal ("para o
louvor da graça da sua glória"), adj etival ("santos e i macu­
lados", "grande em todos os aspectos").

SUBSCRIPTIO Título de um texto que, porém, é colocado no fim.


=> lnscriptio, Colofão.

TRANSLITERAÇÃO Transcrição na qual se transpõe, letra por letra, os sinais de


um alfabeto para aqueles de outro alfabeto.

VETERO­ Adj etivo que designa o Antigo (vétero, do latim vetus)


TESTAM ENTÁ RIO
Testamento.

VORLAGE Vorlage (termo alemão que significa "cópia", "modelo") é


um termo técnico tomado por empréstimo da exegese a lemã
para designar um documento util izado como fonte por outro.
Assim, Marcos é considerado Vorlage de Lucas.

II. TERMOS INGLESES E ALEMÃES

O leitor encontrará a definição do termo inglês e alemão que se refere ao


termo português do índice.

Termos i ngleses

Account Relato
Acrostic Acróstico
A lexandrian school Escola de Alexandria
A liegorical exegesís Exegese alegórica
A llegorízatíon Alegorização

VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


1 42
--
---
Allegory Alegoria
Alphabetical song Poema ou canto alfabético
Antiochene school Escola de Antioqu ia
Author 's meaning Intenção do autor
Biblical meaning Sentido b íblico
n
Book of Covenant L ivro ou Código da Al iança
Cabala Cabala
Canonical Approach Abordagem canônica
'
Canonical criticism Leitura canônica
Captivity letters Cartas ou epístolas do cativeiro
Casuistic law Lei casuística
i Catch-word Palavra-gancho
Catholic letters Cartas ou epístolas católicas
Chiasma, chiasm Quiasmo
Chronicler Cronista
Citizen-Temple Community Cidade-templo
Close Reading Leitura atenta
Complaint Lamentação
Conjlation/conjlate Conflação, combinação, reagrupamento
Covenant Aliança
Criticai apparatus Aparato crítico
Demythologization Demitologização
Dependent on Q Dependente da fonte Q
Deuteronomic Deuteronômico
Deuteronomist Deuteronomista
Diachronic Diacrônico
Discourse Montagem narrativa

Dittography D ito grafia


Documentary hypothesis Hipótese documentária

Doublet Duplicata

Epistle Epístola

Eponymous Epônimo

Farewell discourse Di scurso de adeus

Gloss Glosa

Gospel Evangelho

Gospel harmony Harmonia dos evangelhos

Hagiographa Hagiógrafos

Haplography Haplografia

VOCABUlÁRIO GERAl - TERMOS ESTRANGEIROS 1 43


Historical criticism Crítica histórica
Ho/iness code Código de santidade
lmplied reader Leitor i mplícito
Inciting moment Enlace, nó
lnerrancy Inerrância
Infancy Gospels Evangelhos da infância
lntertestamental Intertestamentário
Jesus Seminar Grupo de pesquisa sobre o que disse e fez
o Jesus da história
Johannine comma Comma j oanino
Letters Cartas
Linguistic markers Indicadores li nguísticos
Link word Palavra-gancho
Literal sense (meaning) Sentido literal
Literary genres Gêneros l iterários
New criticism Nova crítica
Oath Juramento, tomado como testemunho
Parable Parábola
Para/lei to Posto em paralelo com
Pattern Modelo
Plot Enredo
Priestly Sac erdotal
Priestly prayer Oração sacerdotal
Priestly writer Escritor sacerdotal
Psalm Salmo
Quarrel Processo, l itígio

Quest Pesquisa
Reader-response criticism Análise da reação do l eitor
Reading the Bible as Scripture Leitura da Bíblia como E scritura

Redaction h istory História da redação

Redactor Redator

Remnant Resto

Rhetorical criticism Análise retórica

Setting Contexto

Showing Mostrando (ver Anál i s e narrativa)

Spiritual meaning Sentido espiritual

Stich Palavra-gancho

Strand Fio condutor

1 44 --
--- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BÍBLICA
Tel/ing Contando (ver Análise narrativa)
Textual criticism Crítica textual
Thanksgiving Ação de graças
Turning point Momento decisivo
Two-sources theory Teoria das duas fontes
Typical sense Sentido típico
Uncials Unciais
Variant reading Lição variante
Western Text Texto ocidental

Termos alemães

A bschiedsrede Discurso de adeus


A lexandrinische Schule Escola de Alexandria
Allegorische Exegese Exegese alegórica
A lphabetischer Lied Poema alfabético
A marnabriefe Cartas de El-Amama
A usführungsformel Fórmul a de execução
Bannfluch Anátema
Bergpredigt Sermão da montanha
Botenformel Fórmula do mensageiro
Brief; Briefe Epístola, carta; cartas
Bund Aliança, pacto
Bundesbuch Código da Aliança
Bürger- Tempel-Gemeinde Cidade-templo
Catenentext Concatenação de textos
Danksage Ação de graças
Deuteronomistisch Deuteronomista, dtr
Deuteronomistische Komposition Composição deuteronomista, Dtr
Deuteronomisch Deuteronômico
Dublette Duplicata
Echtheit Autenticidade
Eid Juramento, tomado como testemunho
Entmythisierung Demitização
Entmythologisierung Demitologização
Epistel Epístola
Ergãnzungshypothese Hipótese dos complementos ou suplementos
Erkenntnisformel Fórmula de recognição

R O ESTRANGEIROS ---
-- 1 45

!
:1
;,
.· !j
Erziihler Narrador
Erziihlzeit Tempo in terno ao relato
Fluchtexte Texto de execração
Formgesch ich te H istória das formas
Fragmentenhypothese H ipótese dos fragmentos
Gattung Gênero l i terário
Gefangenschaftsbriefe Cartas do cativeiro
Geistlicher Sinn Sentido espiritual
Gesetz und Evangelium Lei e Evangelho
Glaubensbekenntnis Confissão de fé
Gottesgericht Juízo de Deus
Grossere Einheiten Unidades maiores
Grundschrift Escrito fundamental
Harmonisierung Harmonização
Heiliger Krieg Guerra santa
Heiligkeitsgesetz Código de santidade
Heilsgeschichte História da salvação
Jahwist Javista
Kindheitsevangelien Evangelhos da infância
Klage Lamentação
Konigspsalmen Salmos régios
Kritischer Apparat Aparato crítico
Literarkritik Crítica das fontes
Massoretischer Text Texto massorético
Muster Modelo
Oberbegriff Termo genérico
Offenbarung Revelação
Pastoralbriefe Cartas pastorais
Priestercodex Código sacerdotal
Priesterliches Gebet Oração sacerdotal
Priesterliche Komposition Composição sacerdotal
Priesterschrift Escrito sacerdotal
Quelle - Q Fonte
Quellentheorie Teoria das fontes
Redaktionsgeschichte Históri a da redação
Reiigionsgeschichte Hi stóri a das re ligiões
Sagenkriinze Coroas (cadeias) de lendas
Sammlung von Sagen Co leção de textos

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


1 46 --
---
Scheltrede Diatribe
Schwur Juramento
Segen Bênção
Selbstvorstellungsformel Fórmula de autoapresentação
Se!igpreisung Bem-aventurança
Sitz im Leben Ambiente vital, situação vital
Sitz im Volksleben Ambiente vital do povo
Sondergut O que é próprio de um autor
Spruch Provérbio, dito
Stichwort Palavra-gancho
Stimmung Atmosfera
Streitgesprach Processo, litígio (em hebraico ríb)
Textkritik Crítica textual
Traditionsgeschichte História da tradição
Überlieferung Transmissão
Überlieferungsgeschichte História da transmissão
Übersetzung Tradução
Uncial Uncial
Urchristentum Cristianismo primitivo
Ur-Markus Evangelho de Marcos primitivo, original
Urkundenhypothese Hipótese documentária
Urteil Juízo de Deus
Verfiuchung Maldição
Weheruf Desventura (a . . . )
Weltanschauung Concepção de mundo
Werkinterpretation Interpretação da obra
Wiederaufnahme Reprise, refrão
Wirkungsgeschichte História dos efeitos de um texto
ou de um escrito
Zitat unbezeichnetes Citação implícita
Zusammenfassung Sumário
Zwei Quellen Hypothese Hipótese das duas fontes
Zwei Quellen Theorie Teoria das duas fontes

VOCABULÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS 1 47


I l i . T E RMO S H EBR AI COS E G R E GOS

Termos hebraicos

n.,i:.:l (lfrit) Al iança


i1:;>l� (beriikãh) Bênção
i1'?i) (gôlãh) Cativeiro, deportação
Ki�I ( qlirã ' )
T T
Chamar, ler; donde qerê
,, ., - T
(yãlad) Dar à luz
niiSin (tôledô t) Descendentes, genea logias (de yãlad)
SK.. iiSK...
-
( 'elõah , 'el) Deus
c:r ;:;S�
'

( 'elõhim) Deuses, Deus


i�K - T
( 'ãmar) Dizer, falar
,�� ( nãgad) Dizer, narrar; donde hagadah, haggadah
:u:if (kãtab) Escrever; donde Escritos, Ketubim
.ur�� (shlima ' ) Escutar, obedecer, c f. o shema Israel: "E scuta,
Israel" (Dt 6,4 . . . )
n�s) (gãlüt) Exílio
1�� (hãlak) Ir, caminhar; donde halakah
� �9� (mishppã.t) Juízo, direito
� Dt.d - T
(shãpa_t) Julgar

i1 j? l:;: ($edãqãh) Justiça


i1 t P (q inãh) Lamentação
i1iin (tôrãh) Lei
SSi1 (hãlal) Louvar
i1'Yi1n
- T


(rhilliih) Louvor
i11��
T :


(mi$Wãh) Mandamento; no p lural: mi$wôt
T :

i11� TT
($ãwãh) Mandar, ordenar
i1'Y=::i n
T • :
(rp illãh) Oração
SSs T T
(patãl) Orar
i::l, (dãbãr) Palavra, coisa
T T

"i) , c:i) (gôyim , gôy) Povo, nações, goyim (termo com o qual os j udeus
designam os não j udeus)
K.,::l� (nãbi' )
T
Profeta
sw� (mãshãl)

Provérbio
- T

::l.,i (rib) Repreensão, advertência severa


i1l1�W .,
T :
(Jf!sh ú 'ãh) Salvação, l ibertação; e daí o nome de Jesus
Wi, j? (qãdôsh) Santo, bendito

---- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


1 48
3' tli ., (yãsha' ) Ser salvo, l i berto ( Nipha {)
- T

tll1j? (qãdash) Ser santi fi cado


n.,;i (hãyãh) Ser, tornar-se, existir, acontecer
T T

;i',l)
T T
(' ãlãh) Subir, trepar, escal ar; donde a alyah (ascensão)
para os hebreus que querem se estabe lecer defi -
n i tivamente e m I s rael

1�� ( 'ãman) Su portar, confi rmar; crer (no Hiphi{), c f. Amém


n.,tli�
-
• T
(mãshfa�) Ungido, messias
i11i1., (yhwh) Y H W H , J avé

Termos gregos

Õ la8�KT\ (6 La-r (811µL, diatithemi: Aliança


diathike
tratar),
EKKÀT\O ta (KaÀÉw, kaléõ: chamar), ekklesia Assem bleia convocada, igrej a
EÚÀoy (a, eulogía Bendição, eulogia (dizer o bem)
KEcpaÀ�, kephali Cabeça, che fe
' I .!
opy11, orge Cólera, ira
yvwo Lç, gnôsis Conhecimento
.
µHavoLa, metanora
' ,
Conversão
cXTIWÀE La (cinÓÀÀUµ L, apóllymi: Destruição
destruir), ap Õleia
ÀÓy LOv (ÀÓyoç, lógos), lógion; no Dito, oráculo, palavra
plural : ÀÓyLa, lógia
EKÀoy� (EKÀÉyw, eklégõ: escolher), eklog� Eleição
cllpEO LÇ (alpÉw, hairéõ: tomar), háiresis Escolha feita, heresia
Kp taLç (Kp tvw, krínõ: julgar), krísis Escolha, juízo, crise
EÀTI LÇ (ÊÀTIW, élpõ: esperar), elpís Esperança
Ka LpÓç, kairós Evento, momento favorável
-rÉÀoç, télos Fim ou escopo
õúvaµ Lç, dynamis Força, poder, m ilagre
õóÇa, dóxa Glória
XcXP LÇ, chá ris Graça, bondade
ÊÇ�YT\º Lç, ex�ges is Interpretação, exegese
ÕtKfl, dike Juízo, punição
ÕLKa LOoÚvfl, dikaiosyne Justiça
KÉvwa Lç (KEvÓw, kenóõ: esvaziar), kénõsis Quénose, renúncia total
KOLV� (de KOLvÓç: comum), koin� Língua corrente

VOCABUIÁRIO GERAL - TERMOS ESTRANGEIROS


---
--
1 49
nÀ.�pcuµa, plérõma M e d i da plena, p l éroma
.

µuo-�p LOV, m.l stericm M i stério


nypmt>oç (ypci�>lLl, grápluJ : escrever), Não escr i to
ágraplws
c'tµap-rln (àµaprá.vw, lw111artá1 1õ: pecar), Pecado
lwmartía
ã<t>Eotç (à�Í.l)µL, aphíemi), áphes is Perdão
K�puyµa ( K l)pÚ<Jaw, ke1J;ssõ: proc lamar), Proc l a mação, qucrigma
kéi)·gma
oc.rrf pLc.t , sõtería Sa lvação
Üy Loc;, hágios Sa nto
, ' . �
cn c ..w , a1011 Séc u l o , i dade, éon
mrppT)a La (nfü; fJÍlOLÇ, pás e rhêsis), Segurança, franq ueza
pan- -sía no discurso
npoo�/.i,-:o� prusdlytos S impatizante do j ud a ísmo,
prosé l i to
ilrt.pci.óoca ç (õlôc,)�l l , didümi: dar), parâdosis Trad ição, transm issão
xp wi:óç ( de XP l CiJ, ·hriiJ: ungi r), Christós U ngido, Cri sto

\ 50 ---�-- - -----
·ir,.,>-� . . .10 Ct' AfJt") DJ\ t Y(C)Ht SÍl1ll(.à
AN EXOS

1 . Alguns grandes nomes da exegese

ALAND, Kurt ( 1 9 1 5- 1 994). Especialista da crítica textual . Fun­


dou o Instituto de crítica textual para o Novo
Testamento em Münster. Colaborou com a edi­
ção do Novum Testamentum Graece, de Erwin
e Eberhard Nestle antes de se tomar o principal
editor, a ponto de o texto grego atual ser chamado
de Nestle-Aland. Fez parte do comjtê de edição
do GNT (Greek New Testament).
ALBRIGHT, William F. L. ( 1 89 1 - 1 97 1 ), Baltimore. Trabalhos arqueológicos
e fi lológicos. Foi diretor da ASOR (American
Schools of Oriental Research) em Jerusalém, a
partir de 1 920. Entre outros l ivros, escreveu The
Archaeology of Palestine: From the Stone Age
to Christianity [A A rqueologia da Palestina: Da
Idade da Pedra ao Cristianismo] .
ALT, Albrecht ( 1 8 83 - 1 956), Leipzig. Trabalhos sobre a história,
a topografia, as influências egípcio-ass írias na
Palestina.
ASTRU C, Jean ( 1 684- 1 766), Montpellier, Toulouse e Paris. Médico,
publicou em 1 75 3 as Conjectures sur la Genese
[Conjecturas sobre o Génesis], obra que lança as
bases da "teoria documentária" aplicada aos pri­
meiros livros da B íblia, na órbita das concepções
da exegese crítica de Richard Simon.

ANEXOS 151
BARTH, Karl ( 1 8 86- 1 968), teólogo e pastor da Igreja re formada de
Genebra. Influenc iou a exegese ao re fletir sobre a
hermenêutica e as abordagens de análise. Escreveu
um comentário à Carta aos Romanos ( 1 9 1 9).
BAUER, Walter ( 1 877- 1 960) , conhecido sobretudo por seu dicio-
nário do NT grego-alemão, traduzido em outras
línguas.
BAUR, Ferdinand e . ( 1 7 92- 1 860), Tübingen. Um dos fundadores da
escola de Tübingen. Criou a discipl ina de teolo-
gia da história, que se baseia nos princípios da
abordagem histórico-crítica.
BOUSSET, Wilhelm ( 1 8 65- 1 920), um dos fundadores da escola das
religiões comparadas.
BROWN, Raymond E. ( 1 928- 1 998), um dos principais exegetas dos Estados
Unidos durante o século XX.
� em português: O nascimento do Jv/essias (2 005);
Introdução ao Novo Testamento (2004).
BuLTMANN, Rudolph ( 1 884- 1 976), Marburg. Trabalhou com W. Bousset,
H. Gunkel, W. Hennann, A. von Harnack e M .
Heidegger, e debateu com K . Barth. É conhecido
por seu programa de demitologizaçào da B íblia
e por ter utilizado as categorias heideggerianas para
a sua teologia. Realizou trabalhos sobre o Evangelho
de João e sobre a teologia do Novo Testamento.
� História da tradição sinótica.

CHILDS, Brevard S. Exegeta que se interrogou sobre o significado do texto


na sua fonna canônica. Old Testament Theology in a
Canonical Conte.xi [Teologia do A ntigo Testamento
em um Contexto Canônico] ( 1 9 85).
� Canonical criticism (leitura canônica) .
DIBELIUS, Martin ( 1 8 8 3 - 1 947), B erlin, Heidelberg. Foi um dos pio-
neiros da crítica das forn1as.
Dooo, Charles H. ( 1 8 84- 1 973), Oxford, Manchester, Cambridge. É
conhecido por seus trabalhos sobre os evangelhos,
principalmente sobre o de João.
ERASMO ( 1 466/ 1 469- 1 536) editou o textus receptus do Novo
Testamento (também chamado testo koiné, isto é,
comum, ou bizantino) em 1 5 1 6.

VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


1 52
� O capítulo sobre os principais manuscritos do
Novo Testamento. É considerado um dos "pais" da
crítica textual da Bíblia.
FREI, Hans ( 1 922- 1 9 88), Yale. Influenciado pelos estudos de
Eric Auerbach (Mimesis) e pela teologia de Karl
Barth, desenvolveu uma análise narrativa e estru­
tural dos textos bíblicos.
G RIESBACH, Johann J. ( 1 745- 1 8 1 2), Halle e Jena. Estudou a genealogia e a
relação entre os três primeiros evangelhos, concluindo
em favor da prioridade de Mateus, e criou a no­
ção de Evangelhos sinóticos, rejeitando a possibilidade
de se escrever uma harmonia dos Evangelhos.
G UN KEL, Hermann ( 1 862- 1 932). Seu comentário ao Gênesis ( 1 90 1 ) fez
evoluir a compreensão das formas e dos gêneros
l iterários no corpus bíblico, todos os componentes
que ele inscreveu em uma história (Formgeschichte,
Redaktionsgeschichte). A ele se deve a expressão
Sitz im Leben. Seu estudo e sua classificação dos
Salmos a partir de 1 9 1 1 dão início a uma nova
abordagem a este livro bíbl ico.
� Gênero literário, Gattzmg, Sitz im Leben.

HILLEL (60 a.C.-20 d.C). Um dos sábios do período do


segundo Templo, que deu as primeiras regras de
interpretação rabínica da Bíblia.
HOLTZMANN, Heinrich J. ( 1 832- 1 9 1 0), Heidelberg e Strassburg. Na ori­
gem da h ipótese das duas fontes dos Evangelhos
sinóticos.
KA.sEMANN, Ernst ( 1 906- 1 998), Mainz, Gõttingen, Tübingen. Mostrou
o interesse da nova pesquisa (quest) sobre o Jesus
histórico e da busca dos critérios exegéticos de
autenticidade das palavras e das ações de Jesus.
K.ITTEL, Gerhard ( 1 888- 1 948), Tübingen. D irigiu a edição do di­
cionário teológico do Novo Testamento (TWNT).
Estudos h istóricos sobre o judaísmo.
KITTEL, Ru dolph ( 1 85 3 - 1 929), Leipzig. Professor de Antigo Testa­
mento, conhecido pela sua edição em hebraico
do Antigo Testamento: a Biblia Hebraica ( 1 906,
1 909, 1 929), que leva o seu nome.

AN�OS 1 53
LAGRANGE, Marie-Joseph ( 1 855- 1 93 8), Paris, Jerusalém. Fundador da Escola
Bíblica de Jerusalém e da Revue Biblique ( 1 890) .
Comentários aos l ivros do Antigo e do Novo
Testamento, reflexões sobre as abordagens da
exegese que revolucionaram os estudos da B íblia
no início século XX.
==:. O método histórico.

LIDDELL-SCOTT-JONES Nome comum atribuído ao dicionário grego-inglês


elaborado por Henry Georges Liddell e Robert
Scott, modificado e revisto ( 1 925- 1 940) por Henry
Stuart Jones. Última edição em 1 9 96.
LO ISY, Alfred ( 1 857- 1 940), Paris. Um dos representantes do mo­
vimento do Modernismo, o que lhe valerá a exco-
munhão em 1 908. Desenvolveu a crítica h istórica
dos l ivros do NT e das origens do cristianismo.
MEYER, Louis ( 1 630- 1 6 8 1 ), Amsterdam. Filósofo, d isc ípulo de
Spinoza, autor de La philosophie interprete de
l 'Ecriture [A Filosofia intérprete da Sagrada
Escritura] ( 1 666), no qual, nas pegadas de seu
mestre e da filosofia de Descartes, estabelece os
princípios racionais do estudo da B íblia.
Nom, Martin ( 1 902- 1 968). Seus estudos sobre as tradições do
Pentateuco o levaram a identificar o Deuteronomista
(Dtr). Conhecido também por sua Geschichte Israels
[História de Israel] .
VON RAD, Gerhard ( 1 90 1 - 1 9 7 1 ), Heidelberg. C onhecido p o r sua
Theologie des Alten Testaments [ Teologia do
Antigo Testamento] e, principalmente, por seus
estudos sobre o Pentateuco.
==:. Hexateuco.

ScuwEITZER, Albert ( 1 875- 1 965), Strassburg. Conhecido por seus es­


tudos sobre o problema do Jesus histórico.
SIMON, Richard ( 1 63 8- 1 7 1 2). Considerado um dos pais fundadores
da exegese crítica, graças sobretudo à sua Histoire
critique du Vieux Testament [História crítica do
Velho Testamento] ( 1 678), obra na qual ele es­
tabelece os novos princípios de c ompreensão do
corpus bíblico e da tradução.

1 54 ------ VOCABULÁR IO PONDE RADO DA EXEGESE BÍBLICA


S PINOZA, Baruch ( 1 6 32- 1 677), Amsterdam e Ha ia. Filósofo: seu
Tractatus theologicus politicus [Tratado teo /ógico­
político] ( 1 670) lança as bases da abordagem críti­
ca, hi stórica e l inguística da Bí blia, em referência
à razão, o que também faz dele, ju nto a R . Simon,
um dos pais fundadores da exegese moderna.
TISCH ENDORF, Con stantin ( 1 8 1 5 - 1 874), Leipzig. Descobriu numerosos ma­
nuscritos unciais da Bíblia, em particular o Codex
Sinaiticus e o Codex Vaticanus.
� O capítulo sobre os principais manuscritos.
DE VAux, Roland ( 1 903- 1 9 7 1 ). Escola Bíblica de Jerusalém. D irigiu
a publ icação da B íblia de Jerusalém ( 1 950). É
conhecido por seus trabal hos históricos e arqueoló­
gicos. As suas duas maiores obras são lnstitutions
de l 'Ancien Testament [Instituições do A ntigo
Testamento] e Histoire ancienne d 'lsrael [História
antiga de Israel] .
WELLHAUSEN, Julius ( 1 844- 1 9 1 8), Gõttingen. É reconhecido como o pre­
cursor da teoria documentária sobre o Pentateuco .
WREDE, William ( 1 859- 1 906), Breslau. Pôs em prática a crítica d a
história da redação para o evangelho d e Marcos.

2. Abreviações dos livros do AT e do NT

p ortuguês inglês alemão italiano francês


Gn Gen Gen Gen Gn
Ex Exo d Ex Es Ex
Lv Lev Lev Lv Lv
Nm Num Num Nm Nb
Dt Deut Dtn Dt Dt
Js Josh Jos Gs Jos
Jz Judg Ri Ode Jg
Rt Ru Rut Rt Rt
1 -2 Sm 1 -2 Sam 1 -2 Sam 1 -2 Sam 1 -2 s
l -2 Rs 1 -2 Kgs 1 -2 Kõn 1 -2 Re 1 -2 R
l -2 C r 1 -2 Chr 1 -2 Chr 1 -2 Cr 1 -2 Ch
Esd Ezra Esr Esd Esd
Ne Neh Neh Ne Ne
Tb Tob Tob Tb Tb

ANEXOS 1 55
português inglês alemão italiano francês
Jt Jdt Jdt Gdt Jdt
1
Est Esth Est Est Est
Jó Job Iob Gb Jb
Sl Ps(s) Ps(s) Sal Ps(s)
Pr Prov Spr Pr Pr 1
Qo (Ecl) Qoh Koh Qo Qo
Ct Cant Hld Ct Ct t
Sb Wis Weish Sap Sg
S i r (Eclo) S ir Si
t
Sir Sir
Is Isa Jes Is Is
Jr Jer Jer Ger Jr
Lm Lam Klgl Lam Lm
J
Br Bar Bar Bar Ba
Ez Ezek Ez Ez Ez
Dn Dan Dan Dn Dn
Os Hos Hos Os Os
Jl Joel Joel Gl Jl
Am Amos Am Am Am
Ab Obad Obd Abd Ab
Jn Jonah Jon Gn Jon
Mq Mie Mich l\tl i Mi
Na Nah Nah Na Na
H ab Hab Hab Ab Ha
Sf Zeph Zef Sof So
Ag Hag Hag Ag Ag
Zc Zech Sach Zc Za
Ml Mal Mal Ml Ml
1 -2Me 1 -2 Mace 1 -2 Makk 1 -2 Mac 1 -2 M
Mt Matt Mt Mt Mt
Me Mark Mk Me Me
Le Luke Lk Lc Lc
Jo John Joh Gv Jn
At Aets Apg At Ac
Rm Rom Rom Rom Rm
1 -2Cor 1 -2 Cor 1 -2 Kor 1 -2 Cor 1 -2 Co
Gl Gal Gal Gal Ga
Ef Eph Eph Ef Ep
Fl Phil Phil Fil Ph
Cl Col Kol Col Col

VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA


1 56
português inglês alemão ita l ia n o francês
l -2Ts 1 -2 Thess 1 -2 Thess 1 -2 Ts l -2 Th
l -2Tm 1 -2 Tim 1 -2 Tim 1 -2 Tm l -2 Tm
Tt Titus Tit Tt Tt
Fm Phlm Phlm Fm Phm
Hb Heb Hebr Eb He
Tg Jas Jak Gc Jc
l -2Pd 1 -2 Pet 1 -2 Petr 1 -2 Pt 1 -2 p
l -2-3Jo 1 -2-3 John 1 -2-3 Joh 1 -2-3 Gv 1 -2-3 J n
Jd Jude Jud Gd Jude
Ap Rev Offb Ap Ap

3. Abreviações de títulos de livros, de coletân eas e de revistas


frequentemente citados

AAR . A S R American Academy o f Rel igion. Aids fo r the Study o f


Religion
AB Anchor B ible
ABD Anchor Bible D ictionary
AASF Annales Academiae Scientiarum Fennicae
AAS F.DHL Annales Academiae Scientiarum Fennicae. Dissertationes
humanarum litterarum
ABR Australian Biblical Review
ÃAT Âgypten und Altes Testament
ACNT Augsburg Commentary on the New Testament

ACR Australasian Catholic Record

AcT Acta Theo logica

AGJU Arbeiten zur Geschichte des antiken Judentums und des


Urchristentums
AJTh Asian Joumal of Theology

AnB i b Ana leeta Biblica

AncB Anchor Bible

ANRW Aufstieg und N iedergang der rõmischen Welt

AOAT A lter Orient und Altes Testament

ASeign , n. s . Assemblies du Seigneur, nouvelle série

AThANT Abhandlungen zur Theologie des Alten und Neuen


Testaments

AT D Alt Testament Deutsch

--
ANEXOS -- 1 57
AU SS Andrews University Semi nary Studies
BA Bibl ical Archaeo logist
BArR B iblical Archaeology Review
B ASOR Bulletin of the American School of Oriental Research
BB Bibl ische Beitrãge
BBB Bonner B iblis che Beitrage
BBR Bulletin of B ib lical Research
BDF Blass-Debrunner-Funk' A Greek Grammar of the NT
BeO B ibbia e Oriente
BEThL Bibliotheca Ephemeridum Theologicarum Lovaniensium
BG Zerwick, B iblical Greek
BGBE Beitrãge zur Geschichte der biblischen Exegese
B HK Biblia Hebraica, R. Kittel
BHS B iblia Hebraica Stuttgartensia
Bib. B iblica
BK B ihei und Kirche
BKAT Biblischer Kommentar Altes Testament
B iLe Bibel und Leben
B iLi B ihei und Liturgie
Bill. H. L. STRACK - P. BILLERBECK, Kommentar zum Neuen Testament
aus Talmud und Midrash, 7 vol., München, 1 956- 1 9 6 1
BiSe Biblical Seminar
B iTod B ible Today
B LE Bul letin de Littérature Ecclésiastique
BN Biblische Notizen
BNTC Black ' s New Testament Commentaries

BR Bibl ical Research


BrownJudSt Brown Judaic Studies
BS Bibl iotheca Sacra
BSt Bibl ische Studien
BTB Bibl ical Theology Bulletin
BThSt Biblisch-theologische Studien
BThZ Berliner theologische Zeitschrift
BU Bibl ische Untersuchungen
BWANT Beitrage zur W i ssenschaft vom Alten und Neuen Testament
BZ Biblische Zeitschri ft
BZAW Bei hefte zur Zeitschri ft fü r die alttestamentl iche
Wi ssenschaft

-- VOCABUIÁRI O PONDERADO DA EXEGE


1 58 SE BIBUCA
--
______ ,,.. . .._�

B ZN W Beihefte zur Zeitschri ft fü r die neutestamentliche


W i ssensc haft
C B .NT Con iectanea bibli ca. NT Series
C B ET Contributions to B i b l i ca l Exeges is and Theol ogy
CBQ Cath o l i c Biblical Quarterly
C B RA Collectanea biblica et rel igiosa antiqua
C C h r. S L Corpus Christianorum. Series Latina
CEI Con ferenza Episcopale I ta l iana (Bibbia patroc inata dalla)
CEv Cahiers Évangi le
C Ev . S Cah iers Évangile, supplément
CFi Cogitatio Fidei
Ci vCatt Civi ltà Cattolica
C N T [N] Commentaire du Nouveau Testament
Cone Conc il ium
C o n B i b OT Coniectanea B i blica - Old Testament Series
C RB Cahi ers de la Revue Bibl ique
CTJ Calvin Theological Journal
CThMi Currents in Theology and Mi ssion
DBS Dictionnaire de la Bible. Supplément
DBAT Dielheimer B lãtter zum Alten Testament
DEB D ictionnaire encyclopédique de la Bibl e, Turnhout 20 023
D EJ D ictionnaire encyclopédique du judarsme, Paris, 1 9 93
EE Estudios Eclesiasticos
E fM Efemérides Mexicana
EHPhR Études d ' histoire et de philosophie rel igieuses
EKK NT Evangelisch-katho l ischer Kommentar zum Neuen Testament
EssBib Essais B ib liques
EstB Estud ios bíbl icos
ET Expository Times
EtB Études bibliques
EThL Ephemerides theo logicae Lovanienses
EThS Erfurter theologische Schriften

ETR Études théologiques et religieuses


EurH S Europaische Hochschulschriften
EuA Erbe und Au ftrag
EvQ Evangelical Quarterly
ExpT Expository Times
EvTh Evangelische Theologie

ANEXOS --
---
1 59
------- - ---

amc nt
EWNT Exeg etisc hes Wõrtcrbu ch zum N cucn Tcst
FAT Forsch ung zum A l tcn Tcslam cnt
A l tcn u n d
FRLANT Forschun gcn zur R e l i gion und Li tcrat ur dcs
Nc uen Testamcnts
FRLANT N F Forschungen zur R e l i g ion und Literatur dcs A l tcn u n d
N eucn Testamcnts neue Folgc
FS Festschri tl
FTS Fran k fu rter theo l ogische Studien
FzB Forsch ung zur B i be!
GHAT Gõttinger Handkommentar zum A l ten Testa m c n t
GNT G ru n dri sse zum N euen Testamcnt
G REG Gregorianu m - Roma
H BS Herder B i b l i sche Studien
HNT H andbuch zum NT
H SM Harvard Sem itic M onograph
HThK H erders theologi scher Kom mentar
HTKNT H erders theo l ogi scher Kommentar zum Neuen Testa m e n t
HThR H arvard theological Review
H U CA Hebrew U n i o n Col l ege Ann ual
I B St I rish B ibl ical Studies
I CC l n ternational Criti ca} Commentary
lER I rish Ecc l esiastical Record
lnt. 1 nterpretatio n
ITS l ndian th eological studies
JAAR Journal of American Academy of Rel i gion
JAOS Journal of American Oriental Society
JBL Journal of Bíbl ica! Li terature
J BTh Jahrbuch fúr bibl i sche Theologie
J ETS Journal o f the Evangel i cal Theolog i cal Society
JJS Journal of Jewish Studies
JG RChJ Journal of Greco- Roman Christian i ty and J udaism
JR Journ al o f Religion
JRS Journal of Roman Studies
JQR Jewish Quarterl y Review
JSJ J o u rnal for the study o f J udaism
JSNT Journal fo r the study of the NT
JSNT.S Journal fo r the study of NT. S u ppl . Series
J SOT J o u rnal for thc study of the OT

l 6Q --
-- VOCABUIÁP.IO PONDH/;J)() Dt
EXEGESE BÍBLJl.:A
'

NTTS New Testament Tools and Series


t
OBO Orbis biblicus et orientalis l
ÕBS Õsterreichische biblische Studien
OTL Old Testament Library l
OTG Old Testament Guides
ÕTBK Õkumenischer Taschenbuchkommentar zum Neuen
Testament
OTS Oud Testament Studien
PaThSt Paderbomer theologische Studien
PG Patrologia Greca
PL Patrologia Latina
PEQ Palestine Exploration Quarterly
PGC The Pelican Gospel Commentaries
PoTh Le point théologique
PRSt Perspectives i n Religious Studies
PzB Protokolle zur Bibel
QD Quaestiones D isputatae
RAC Reallexikon für Antike und Christentum
RAT Revue Africaine de Théologie
RB Revue biblique
RBén Revue bénédectine
RcatT Revista catalana de teologia
RechBib Recherches bibliques
REG Revue des études grecques
RegNT Regensburger Neues Testament
RestQ Restoration Quarterly
RevBib Revista Bíblica
RevExp Review and Expositor
RevSR Revue des sciences religieuses

RGG Religion in Geschichte und Gegenwart

RHR Revue de l ' Histoire des Rel igions


RHPhR Revue d ' histoire et de Philosophie religieuses
RIDA Revue intemati onale des droits de l ' antiquité
RivBib Rivista biblica
RNT Regensburger Neues Testament
RQum Revue de Qumrân
RSPT Revue des sc iences phi losophiques et théologiques

RSTh Revue des sciences théologiques

-- VOCABULÁRIO PONDERAOO DA EXEGESE BIBUCA


1 62 --
RSR Rech erches de science re l i gieuse
RTho m Revue thomi ste
RTL Revue théologique de Louvain
RTP Rev i ew o f Theology and Phi losophy
RTR Reformed Theological Rev icw
RV Re ligionsgesch ichtl iche Vo lkbUcher ftir die Deutsche Christliche
G egenwart
Sal. Salesianum
Salm Salmanticensis. Sal amanca
SANT Studien zum A l ten und Neuen Testament
SBAAT Stuttgarter bibli sche Aufsatzbãnde Altes Testament
SBB Stuttgarter biblische Beitrãge
SBEsp Semana bibl ica espafi ola
SBEC Studies i n the Bi ble and early Christian i ty
S B FLA Studii biblici Franci scani Liber an nuus
SBL Society of Biblical Li terature
SBL.DS Society of Biblical Literature. Dissertation Series
SBL.SP Society of Bibl ical Literature. Seminar Papers
SBM Stuttgarter biblische Monographien
SBS Stuttgarter Bibelstudien
ScEs Science et Esprit
SémBib Sémiotique et B ible
SE Studia Evangelica
SFSHJ South Florida Studies in the Hi story of Judaism
S FThL Schriften der F i n nischen Theologischen Literaturgesellschaft
SJTh Scottish Joumal of Theology
S LJT Saint Luke' s Journal of Theology

SNT Schriften des Neuen Testaments

SNTA Studiorum Novi Testamenti Auxi l i a

SNTU Studien zum Neuen Testam ent und seiner U mwelt

SPIB Scripta Ponti ficii l n stituti Bibl i c i

StANT Studien zum Alten und Neuen Testament

StBi S tudi Bibl ici

StNT Studien zum Neuen Testament

StTDJ Stud ies in the Texts of the Desert of Judah

SNTS M S Society fo r the New Testament Studies Monograph Series

SOTS M S Society for the Old Testament Studies Monograph Series

S SN Studia Sem í tica Neerland ica

1 63
ST Studia Theologica
StB Studienbücher Theologie
SubB ib Subsidia Bíbl ica
SupRivBib S upplementi alia Rivista B iblica Italiana
svA Svensk Exegetis k Arsbok
sw Social Word of Bib lical Antiquity S eri es
SWJT South Westem Joumal of Theology
TANZ Texte und Arbeiten zum neutestamentl i chen Zeitalter
TB Theologische B ücherei
TB ü Theologische Bücherei
TeKo Texte und Kontexte
ThB eitr Theologische Bei trage
ThF Theologische Forschung
ThG l Theologie und Glaube
ThHK Theologischer Handkomm entar zum NT
ThLZ Theologische Li teraturze itung
TM Texto massorético
ThPh Theologie und Philosophie
ThQ Theologische Quartalschrift
TRev Theologische Revue
TRu Theologische Rundschau
TS Theo l ogical Studies
TSK Theologische Studien und Kritiken
ThV Theologische Versuche
ThViat Theologia Vi atorum
TW Theologische Wissenschaft
ThWAT Theologisches Wõrterbuch zum A lten Testament
ThWNT Theologisches Wõrterbuch zum Neuen Testament
ThZ Theologische Zeitschrift
TTh Tij dschrift voor Theologie
TThSt Trierer theologische Studien
TThZ Trierer theologische Zeitschrift
TrThSt Trierer theologische Studien
TrinJ Trinity Joumal
TynB Tyndale B ulletin
TU Tex te und Untersuchunge n zur Ges chic hte der
altch ri stlic hen
Literatur
TZ Theologische Zeitschrift

1 64 --
---
VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE
BÍBLICA
UB Urban-(Taschen-)Bücher
ÜP Überli eferungsgeschichte des Pentateuch (M. N oth)
USQR Union Semi nary Quarterly Review
vc Vigiliae Christianae
VF Verkündigung und Forschung
VSaL.CA Verbum Salutis. Collection annexe
V S aL.NT Verbum Salutis. Nouveau Testament
VT Vetus Testamentum
VTS Vetus Testamentum Supplement
WBC World B ib lical Commentary
WiWei W issenschaft und Weisheit
WMANT Wissenschaftliche Monographien zum Alten und Neuen
Testament
WUNT Wissenschaftliche Untersuchungen zum NT
ZABR Zeitschrift für Altoriental ische und Biblische
Rechtsgeschichte
ZAW Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft
ZBKNT Zürcher B ibelkommentar zum Neuen Testament
ZDPV Zeitschrift des Deutschen Palastina-Vereins
ZKTh Zeitschrift für kathol ische Theologie
ZLTh Zeitschrift für lutherische Theologie
ZNW Zeitschrift für die neutestamentliche W issenschaft
ZThK Zeitschrift für Theologie und Kirche
ZNW Zeitschrift für die neutestamentliche Wi ssenschaft und die
Kunde der alteren Kirche
ZST Zeitschrift für systematische Theologie
ZTK Zeitschrift für Theologie und Kirche

4. Alguns livros sobre o vocabulário da exegese

BALZ, Horst & SCHNEIDER, Gerhard (eds. ) . Exegetisches Worterbuch zum Neuen Testament.
Kohlhammer, Stuttgart, 1 992. Também em inglês e espanhol.
FLOR SERRANO, Gonzalo & ALONSO-SCHôKEL, Luís. Diccionario terminologico de la ciencia
biblica. Institución San Jeronimo - Ediciones Cristiandad, Valencia - Madrid, 1 979.
Também em francês e italiano.
SouLEN, Richard N. & SOULEN, R. Kendall. Handbook of biblical criticism. J. Knox,
Louisvil le, 200 1 3.

1 65
·-------�l!"....-

ÍNDICE TEMÁTICO

A Alexandria 1 � 23, 29, 1 2 7, 128, 1 42, 1 45


Alexandrian school 1 42
A (códice) 28
A fortiori 1 24 Alexandrinische Schule 1 45

Abordagem canônica 1 43
Alexandrino (texto) 29

Abordagem diacrônica 43, 49 Alexandrinus 28

Abordagem sincrônica 43, 79 Aliança 1 3, 20, 45, 1 3 8, 143, 1 45 , 1 48, 1 4 9

A bschiedsrede 1 45 Aliteração 108


Ação 99 Allegorica/ exegesis 1 42

Ação de graças 45, 57, 58, 1 1 6 Allegorische Exegese 145


Ação profética 45 Allegorization 1 42

Ação transformadora 80 Allegory 143

A ccount 1 42 Alphabetica/ song 1 43


Acréscimos redacionais 45, 73 Alphabetischer Lied 1 45

Acréscimos posteriores 73 Alt, A. 5 1 , 151


A crostic 1 42 Altar 67

Acróstico 16 Alter, R. 66

Adição 1 07 'ãman 148

Adonai 35 Amanuensis, amanuenses 1 19


A dscriptio 1 16 'ãmar 1 49
A dynaton 97 Amama 1 28, 1 45
Ágraphos l 50 Amarnabriefe 1 45
Ahiqar 41 Ambiente vital 45, 62, 1 47
A i<Ín 1 52 Ampli ficação 97
Aktionsart 121 Anacronia 80
'ã/ãh 1 49 Anadiplose 108
Aland, K. 151 Anáfora 1 08
Albright, W.F.L. 151 Anagnorese 8 1 , 89
A legoria 1 27, 1 43 Anagnórisis 81
Alegórico 124, 1 26, 1 27 Anagogia 1 24, 128
Alegorização 1 42 Analepse 81
Aleluia 1 5, 128 Análise epistolar 115
A/eph 21 Análise narrativa 79

--
INDICE TEMÁTICO
--
1 67
Amilise retórica 93 B
Anamnese 1 28
B 1 9" (códice) 27
A11á11111esis 1 28
Baden, J. 5 3 , 64
Anátema 128
Bmmjluch 1 47
Anticlímax 108
Baraitah. Baraitot 120
Antigo Testamento 20
Barth, K . 6 1 , 62, 1 52, 1 53 , 1 5 5
Antiguidade 66
Barnc 18
Antiguidades bíblicas (do pseudo-Fílon) 41
Bauer, W . 1 54
A11ti/egóme11a l 9, 1 17
Baur, F. C. 1 54
A 11tioc/1e11e sc/1001 1 43
Beauchamp, P. 51
Antioquia 23, 29, 1 28, 1 43
Bel e o Dragão 18
Antítese 1 12
Bem-aventurança 1 29, 1 35, 1 47
Aparato crítico 1 43 , 1 46
Bênção, bendição 1 4, 46, 69, 1 1 6, 1 3 6, 1 4 7 ,
Áphesis 1 50
14 8, 1 49,
Apocalipse(s) 1 9, 2 1 , 4 1 , 42, 1 29
Bengel, J.A. 34
Apokálypsis 21
B''rãkãh 148
Apocalipse de A braão, - de Adão, - de Elias,
Berakah 46, 1 2 9, 1 3 1
- de Paulo, - de Pedro 4 l , 42
Berge, K. 64
Apocalipse grego de Esdras 41
Bergpredigt 1 45
Apocalipse siríaco 41
Berft 45, 1 48
Apocalíptico 1 7, 2 1 , 1 24, 1 29
Bezae (códice D) 29
Apócrifo do Gênesis 39
BHK 25, 1 5 8
Apodítico 48, 52
BHS 26, 1 5 8
Apódose 129
B íblia 11
ApiÍ/eia 1 49
Bible de Jérusalem 35
Apologia 96, 1 02
Biblia Hebraica 25, 2 6 , 1 5 3
Apólogo 46, 54
Biblical 111ea11i11g 1 43
Apostolicidade 23
Bium, E. 64, 65
Apotegma 1 29
Bodmer (coleção, códice, manuscrito) 27,
Apresentação da situação 84
28
Áquila 31
Book of Covena11t 1 43
Aramaico 30
Botenformel 56, 1 45
Argumentação 1 02
Bousset, W. 62, 152
Arte de falar 94
Brief 1 45
Arte de persuadir 93
Brown, R. E. 152
Assíndeto 1 1 0, 1 29, 1 40
Bultmann, R. 49, 60, 62, 76, 1 52
Assurbanipal 58
B11nd 1 45
Astruc, J. 63, 1 5 1
B1111desb11ch 1 45
Ator 8 1 , 90
Biirger-Tempel-Gemeinde 46, 1 45
Atos apócrifos 42
Atos de André, - de João, - de Paulo, - de Filrpe,
. .

_ de Pedro, _ de Pilatos, - de Tomé 42


e
Ausfiihrungsformel 55, 1 45
Autenticidade 35, 1 1 7, 1 1 9, 1 3 0, 1 45 e (códice) 26
Author 's meaning 1 43 Cabala 1 2 9, 1 43
Autoapresentação 55, 1 47 Cairo Docwnent 38
Autor 34, 73, 8 1 , 83 -90, 1 1 7- 1 20, 1 30, 1 32, Campo semântico 130
1 34, 1 3 6, 1 38, 1 4 1 Cananeu 30
Autorização imperial persa 46, 65, 68 , 69 Cânon 2 1 , 1 20

--
VOCABULÁRIO PONDERADO
1 68 --- DA EXEGESE BiBllCA
Canonical Approach 1 43 Colotão 89, 130
Canonical criticism 46, 47, 1 43 , 1 52 Come ntário a Habacuc 39
Cântico 14 Comma joanino 33, 1 34, 1 44
Cântico de Débora 30 Commoratio 113
Cânticos das subidas 14 Comoração 1 13
Cantos do Servo 13, 49 Comparação 79 , 1 06, 1 1 3 , 1 3 9
Capítulo 11 Comparsa 82
Captivity Letters 1 43 Compilação 48, 58, 1 1 7 , 1 1 8, 130
Caracterização 81 Complaint 1 43
Carta de Aristeias 1 7, 41 Complicações 82, 83, 84
Carta d e Jeremias 18 Componentes do enredo 84
Carta 1 16 Composição concêntrica 1 13
Cartas 28, 37, 96, 1 00, 1 03 , 1 05, 1 09, 1 1 2, Composição deuteronomista 65, 1 46
1 1 4, 1 1 5, 1 1 6, 1 1 7, 1 1 8, 1 1 9, 1 37, 1 4 1 Conclusão J 03
Cartas d o cativeiro 1 17 Concordâncias 35
Cartas paulinas 37, 96, 1 03, 1 05, 1 09, 1 1 2, Confinnação 1 02
1 1 4 , 1 1 6, 1 1 8, 1 3 7, 1 3 8, 1 4 1 Confissão de fé 1 46
Casuistic law 1 43 Confissões de Jeremias 13
Casuístico 48, 5 1 Conflação 130
Catch-word 138, 1 43 Conjlation, conjlate 1 43
Catenentext 1 45 Confutação 102
Catholic letters 1 43 Confutatio 1 02
Causa 54 Conservação 66
C D (Cairo Document) 38 Construção do personagem 8 1 , 82
Cena 82, 83, 85, 9 1 , 93 Contexto 83, 1 44
Cena típica 82 Continuidade ou atualidade (lei de) 66
Cesareense 29 Corpo da carta 1 16
Cesareense (texto) 33 C01pus 20
Cháris 1 49 Correção, correctio 1 13
Chester Beatty 27, 28 Corrente apocalíptica 1 29
Chiasmós 1 14 Correspondência entre Paulo e Sêneca 42
Childs. B. S. 47, 1 52 Covenant 1 43
Chréia 1 30 Critérios de canonicidade 22
Christós 1 36, 1 50 Crítica 1 30
Chronicler 1 43 Crítica externa 33
Cidade-templo 47, 1 43, 1 45 Crítica histórica 36, 1 30, 1 44, 1 54
Cinco rolos 16 Crítica interna 33
Citizen-Temple Community 47, 1 43 Crítica literária 37, 3 8 , 69, 70, 75, 1 3 0
C/aramontanus (códice DP) 29 Crítica racional 33
Clímax 82, 83, 84, 1 08 Crítica textual 33, 34, 1 30, 1 45, 1 47, 1 5 1 ,
Close Reading 71 1 53
Codex 24, 1 55 Criticai apparatus 1 43
Códice(s) 24, 26, 27, 3 8 Crônicas 17
Código 8 , 48, 50, 53 Cronista 1 7, 1 4 3
Código da aliança 1 2 , 48, 1 43, 1 45 Cursivos 26
Código de Hammurabi 48
Código de santidade 1 44, 1 46
D
Código deuteronômico 12
Código sacerdotal 53, 1 46 Dãbãr 1 48

--

iNDICE TEMÀTICO 1 69
--

Scanned by CamScanner
J

Daniel 1 7, 1 8, 2 1 , 27, 3 1 , 32, 36, 40, 1 2 9 Discurso de adeus 52, 1 43 , 1 45


Danksage 1 45 Disposição 94, 99, 1 00, 1 0 1 , 1 05, 1 07, 1 1 1 ,
De profimdis 15 1 42 1
De Vaux, R. 1 55 Disposição, ou partes do discurso 1 00
De Wette, W. M. L. 50, 59, 60 Disposição do discurso persuasivo 1Ol 1
Decálogo 1 2 , 48, 5 1 , 52, 1 3 3 , 1 37 Dispositio 1O1
Decomposição do relato 79 Dissertações de Epíteto 98 . '
Dei Verbum 23 Dístico 11
Deliberativo 95, 96, 1 02 Ditografia 33, 143
Demitologização 49, 1 43 , 145, 1 52 Dittography 143
Demonstrativo 95 Divisão 101
Demythologization 1 43 Documentária (teoria) 52
Dependent on Q 1 43 Documentary hypothesis 1 43
Deportação 57 Documento de Damasco 38
Desconstrução 49, 1 3 1 Dodd, C . H . 1 52
Desenlace 83, 85 Dõderlein, J. Ch. 49
Dêutero-Isaías 1 3 , 3 5 , 49, 5 1 , 7 1 , 77, 1 37 Dormição de Maria 42
Deuteronomic 1 43 Doutrina do apóstolo A ddai 42
Deuteronômica (reforma) 50, 67 Dóxa 1 49
Deuteronômico 12, 50, 63, 1 43 , 1 45 Doxologia 131
Deuteronômio 1 2 , 1 3, 27, 45, 50, 5 1 , 58, 63, DP (códice) 29
65, 67, 68, 7 1 , 77, 1 26, 1 37 Dublette 1 45
Deuteronomisch 50, 1 45 Duhm, B. 49, 77
t
Deuteronomist 1 43 Duplicata, doublet 52, 1 43 , 1 45
Deuteronomista 1 3 , 34, 51, 63, 65, 7 1 , 1 43, D;ínamis 151
1 45 , 1 54
Deuteronomistisch 5 1 , 1 45
E
Deuteronomistische Komposition 65, 145
Deuteropaulinas 1 9, 1 17, 1 20 Echtheil 145
Deuterose 51 Economia 66
Dêutero-Zacarias 51 Efrém (códice C) 28
Diachronic 1 43 Egressus l 05
Diacrônico, diacrônica 43, 55, 69, 1 43 Eichhom, A. 60, 62
D iáspora 120 Eichhom, J. G . 49
Diatessarôn 3 2 Eid 145
Éidola 1 33
Diath iké 20, 1 49
Êidos 133
Diatribe 98, 1 47
Dibelius, M. 76, 1 5 2 Ekklésía 151
Didaqué, Dídaché 131 'é/ 1 48
Diegese 83 Elegia 52
Diégesís 83, 1 03 Eliot, T. S. 70
Digressão 1 0 1 , 105 Elipse 66, 83 , 9 3 , 1 1 0
Digressio 1 05 Elipse narrativa 83
Dikaiosyné 1 49 Elliger, K. 54
Díké 1 49 'elõah 148 •
Direito apodítico 51 Elocução 94, 99, 1 06
Direito casuístico 51 Elogio 96 1
Discourse 87, 1 43 Elohim 34, 52, 58, 59, 63
Discurso 95 'elõhim 1 48 •

-- VOCABUlÁRIO PONDERADO DA EXEGESE 1


1 70 ---
BIBUCA

1
....
··- · --..-..
..

Eloísta 34, 5 0 , 52, 5 3 , 5 8 , 59, 63, 68 Esquema qui nário 85


Elpís 1 49 Essên ios 120
Enea�uco 53, 7 1 , 76 E�er 1 6, 22, 26, 27, 32, 3 6
Engnell, J . 61 Estíquio 11
Enkidu 57 Estrutura 74 1 00, 1 3 1
,

Enkômion 95 Estrutura literária 1 00


Enlace 82, 83, 85, 1 44 Estrnturalismo 49, 54, 75, 1 3 1
Enredo 79, 80, 8 1 , 82, 83, 84, 85, 87 , 88, Estudo das fontes 69
89, 90 Etiologia, etiológico 54
Enredo de revelação, - de situação, - episódico, Euangélion 20
- global, - unificado 84 Eulogia 1 1 6, 1 3 1 , 1 49
Entmythisiemng 1 45 Eulogía 1 49
Entmythologisierung 1 45 Evangelho 1 9, 20
Entronização 53 Evangelho da Infância (do pseudo-Mateus) 42
Enumeração 1 09 Evangelho de Nicodemos, - dos Ebionitas, -
Epanadiplose 1 1O dos Hebreus, - dos Nazarenos, - segundo
Epanórthosis 1 13 Tomé 42
Epexegético 131 Evangelhos apócri fos 42
Ephraemi rescriptus 28 Evangélico 20
Epidíctico 95, 96 Evangel ista 20
Epífora 1 09 Evangelium 20, 68
Epílogo 1 5 , 1 03 Ewald, H. 59
Epílogos 1 03 Exagero 97
Episódico 82, 84, 85, 90 Execução 55
Episódio 82, 84, 8 5 Exegese de Paulo 79
Episódio e m seu contexto 80 Exegese dos escritos de Paulo 1 17
Epistle 1 43 Exegese judaica e cristã 79, 1 20
Epísto la 1 9, 2 1 , 1 1 5, 1 43, 1 45 Ex�gesis 1 49
Epístola de Paulo aos Laodicenses 42 Exemplo 97
Epistolar 87, 96, 1 1 5 Exílio 57
Epístolas apócrifas 42 Exitus 1 03
Epístolas católicas 1 9, 2 1 , 1 43 Êxodo 1 1 , 1 2, 34, 5 5 , 7 1 , 1 26
Epístolas paul inas 19 Exórdio 1 02
Epistula 1 15 Exordium 99, 1 02
Epitexto 85, 88 Exortação 96, 1 1 8
Epôn imo 1 3 1 , 1 43 Explicativo 131
Eponymous 1 43 Expolição 1 13
Erasmo 1 52 Expo/itio 1 13
Ergãnzungshypothese 59, 1 45 Exposição 83, 84, 85
Erkenntnisformel 55, 1 45 Extrad iegético 85, 87, 88
Erzãhfer 1 46 Ezequias 48, 64
Erzãhlzeit 92, 1 46 Ezequiel 1 3 , 27, 55, 57
Escatologia 21
Escatológico 21, 121
F
Escrito fundamental 5 3 , 1 46
Escrito sacerdotal 53. 1 46 Fábula 54
Escritos 1 2, 1 4 Farewell di.\·cour.se 1 43
Esdras-Neemias 17 Fas 48
Esdras 17 Fechamento do texto 85

--

!NDICE l[JJÁllCO --
1 71
Festschrifi 1 33 Gesto proli!tico 57
Figuras 74, 79, 94, 97, 1 0 5 Gla11b1?11sbcke1111111is 1 46
Figuras bíblicas 1 26 Glosa 57, 63. 1 43
Figuras de palavras 1 07, 1 1 1 Gloss 1 43
Figuras de pensamento 111 Glossolalia l 18
Figuras retóricas, figuras tipológicas 1 26 Gnôsis 1 32, 1 49
Fish, S. 73 Gnosticismo 1 32
Fluchtexte 1 46 Gnóstico 132
Focalização 80, 86, 90 Golá, golah, gôlcih 57, 1 48
Focalização externa, - interna, - zero 86 Gospel 1 43
Focalizado 86 Gospel har111011y 1 43
Fólio 24 Gottesgerichl 1 46
Fonte 34, 3 5 , 52, 55, 59, 60, 6 1 , 63, 64, 68, Gôy 1 48
69, 7 3 , 74, 1 3 0, 1 45, 1 46, 1 47, 1 53 Graf, K. 59
Fórmula de autoapresentação 55, 1 47 Graphé 1 19
Fónnula de execução 55, 1 45 Graphía 119
Fómrnla de recognição 55, 1 45 Graupner, A. 53
Fómrnla de toledot 55 Grego 30
Fórmula do mensageiro 5 6, 1 45 Greimas, A . J. 54
Fragmentenhypothese 59, 146 Griesbach, J. J. 1 53
Freer (códice W) 29 Grüssere Ei11heite11 1 46
Frei, H. 155 Gr1111dscl1r(ft 53, 1 46
Frei, P. 46 Guemará 1 20, 1 2 5
Frequência 86, 9 1 G11e11izâ 24, 38
FS 1 3 1 , 1 60 Guezerah shmrnh 1 20
Fulda, F. C. 60 Guilgamesh 57
Funk, R. W. 1 35 Gunkel, H. 56, 58, 60, 62, 75, 76, 1 5 2 , 1 53

G H

Gãlíit 1 48 Hagadá, hagadah, lwggada/1 121


Gattung 37, 5 6, 62, 1 46 Haggadot, haggid 121
Gattungen 37 Hagiografia 132
Geddes, A. 60 Hagiógrafos 1 43
Gefangenschaftsbriefe 1 46 Hagiographa 1 43
Geistlicher Sinn 1 46 Hágios 1 32, 1 50
Genealogia 56 Háiresis 1 49
Genealogias horizontais 56 Hãlak 148
Genealogias verticais 56 Halakah, halaká, lwlachá 1 20 , 1 2 1 , l 48
Gênero deliberativo 95 Halakot, halâq11icas 1 20, l 2 l !
Gênero demonstrativo ou epidíctico 95, 96 Hã/ai 1 48
Gênero judiciário Hamartía l 50
95
1
Gênero literário 1 6, 37, 56, 1 46 Hápax 1 32
Gênero retórico 95 Hápax /egó111e11011 1 32
Haplografia 33, l 43
1
Gêneros literários 1 4, 37, 56, 62, 77, 82,
1 1 5, 1 34, 1 44 Haplography 1 43
Gênesis 1 1 , 1 2, 34, 55, 7 1 , 75, 90 Harmonisiertmg 1 46 1
Gerhardsson, B. 61 Harnack, A. von l 52
Gesetz und Evangeliwn 68, 1 46 lfatima, hatimot 121

-- Y0=ABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBLICA


1 72 --
1

Hãyãh 1 49 Homilia 1 22
Hebraico 30 Homodiegético 86
Hebraico quadrático 25 Homó fono 1 33
Hebraísmo 132 Humoiulelêuton 34
1 Hei/iger Krieg 1 46 HomologlÍmena 1 18
Heiligkeitsgesetz 1 46 H up felcl, 1-1 . 5 3 , 59, 63
Heilsgeschichte 6 1 , 1 46
Helenismo 132
Hemistíquio 1 1 , 1 33
l bn Ezra 49
Hendíadis 1 09
Ido latria 1 33
Henoc etíope, Henoc eslavo 40
ldo lotitos 1 33
H enoteísmo 1 33
l lgen, K. D. 52, 64
Heterodiegético 86
1 Heterodoxia 132
lmplied author 81
lmplied reader 87, 1 44
Heterodoxo 1 32
ln medias res 85
1 Héxapla 31
lncipit 87, 1 1 6
Hexateuco 58, 59, 62, 7 1
lnciting moment 8 3 , 1 44
1 H i llel 1 2 1 , 1 53
Inclusão 1 1O
Hino 58
Indicadores l i ngu ísticos 63
1 H ipérbato 111
I nerrância 1 33,
H i pérbol e 97, 1 1 4
1 nerrancy 1 44
H i potaxc, hipotático 1 33 , 1 40
1 H i pótes e documcntária 50, 5 3 , 58, 63, 1 43 ,
lnfancy Gospe/s 1 45
I nscrição tri língue (Letoon) 68
1 47
1 H i pót e s e dos complementos 59 1 45
lnscriptio 1 34
I nspiração, i nspirado 1 8, 22, 47, 65, 1 34
H i pó t e s e dos fragmentos 4
59, 1 6
Instância, instâncias 79, 80, 8 5 , 87, 8 8
1 H i pót ese dos suplementos 59, 1 45
Integridade 1 1 8, 1 30
H i póte se/teoria das duas fontes 35, 1 45 ,
I ntenção do autor 1 34, 1 44
1 1 47 , 1 53
lntentio lectoris 1 34
H istória 86
lntenlio operis l 34
H i stória da redação 37, 47, 60, 6 1 , 1 44,
1 1 4 6, 1 5 5
I n terpolação 1 34
Interpretação 70, 1 2 1 , 1 23, 1 27, 1 28, 1 29, 1 34
H i stória da salvação 6 1 , 68, 1 46
1 H istória da tradição 60, 6 1 , 62, 1 47
I nterpretação rabínica 1 53
lnterteslamenta/ 1 44
História da transm issão 60, 6 1 , 1 47
1 H islória das formas 47, 56, 58, 60, 62, 74,
I ntertestamentário 40, 1 29
I ntertextualidade 87
82, 1 46
I ntradiegético 79, 87, 88
1 H i stória das rel igiões 62, 1 46
I nvenção 94, 99, I 06
H istória deuteronomista 63
I n versão 1 14
1 H i stória do efeito de um tex to 78
lpsissima verba 135
História e lendas 41
Isaías 1 3 , 26, 27, 3 5 , 3 8 , 4 0 , 4 1 , 4 9 , 7 7 , 7 8 ,
H istória narrada 8 J , 83, 86, 90
1 3 0, 1 3 1 , 1 33 , 1 37
I/istorical critícism 1 44
lsocólon, ísócolo 111
Histórico-crítico 38, 39
1 lfodayot 39
Iterativo 86, 9 1
l11s 48
/loline.u code 1 44
1 l lohzmann, H. J. 1 53
J
Homero 82
' Homilét ico 1 22 focob bcn M ayyi m 25

N!)IC
j [ TLJ.'ÀTCO -- 1 73
Jalnvist 5 8 , 63, 1 46 Kuenen, A. 53, 59, 63
Javista 3 4, 50, 52, 58, 59, 63, 68, 146 Kyrios 35
Jehovist 64
Jeová 35
L
Jeovista 59, 63, 64, 68
Jeremias 1 3, 1 8 , 27, 57, 78 Lagrange, M.-J. 3 3 , 1 54
Jerônimo 1 8, 3 1 , 32 Lamentação 1 6, 57, 65, 1 48
Jesus da história 1 35 , 1 44 Latim 31
Jesus Seminar 1 35, 1 44 Latréuo 1 33, 1 3 7
Jó 1 4, 1 5 , 1 1 4 Lausberg, H . 1 06
Joanino 20 Law of thrift 66
Johannine comma 1 44 Lectio difficilior probabilior 34
José e Asenet 41 Legómenon 1 32
Josias 50, 5 8 Lei 1 2, 46, 50, 5 1 , 59, 65, 67, 68. 7 1 , 73, 76,
Josué 1 3 , 36, 52, 53, 58, 87 9 1 , 1 02, 1 07, 1 2 1 , 1 22, 1 25, 1 26
Jubileus 41 Lei da economia 66
Judiciário 95, 96, 1 02 Lei de antiguidade 66
Judite 1 8, 3 2 Lei de conservação 66
Juízes 13 Lei de continuidade ou de atualidade 66
Juízo d e Deus 64, 1 46 Lei de santidade 1 2 , 67
Juramento 64, 1 44, 1 45, 1 47 Lei do altar 67
Lei do Deus do céu 67
Lei e evangelho 68
K
Leis 46, 48, 50, 5 1 , 59, 64, 65, 66, 67, 7 5 ,
Kairós 1 49 1 20, 1 2 1
Kanôn 21 Leitor 70, 72, 80, 8 1 , 85, 87, 8 8 , 90, 9 1 , 92,
Kãsemann, E. 153 1 03, 1 06, 1 34
Kãtab 1 48 Leitor ideal 87, 1 74
Katho/ikós 21 Leitor implícito 87, 1 44
KD 64, 65 Leitor real 87
Kénõsis 1 49 Leitura canônica 46, 1 52
Kephalé 1 3 5, 1 49 Leitura pragmática 90
Kérygma 1 50 Lenda 68
Ketib 25 Lenda áurea 68
Ketubim 1 2, 1 4, 1 25, 1 48 Lendas proféticas 68
Kindheitsevangelien 1 46 Letoon 68
Kirkpatrick, P. S. 76 Letters 1 44
Kittel, G. 1 53 Levin, Ch. 64
Kittel, R. 25, 26, 27, 1 07, 1 53 Lévi-Strauss, C. 54
Klage 1 46 Lição 33, 1 45
Klostermann, A. 67 Liddell, H. G. 1 54
Koch, K. 46 Liddell-Scott-Jones 1 54
Koiné 29, 30, 135, 1 5 0, 1 5 2 L inguistic markers 63, 1 44
Konigspsalmen 1 46 Link word 1 44
Koppe, J. B. 49 Literal sense 1 44
Koridethi 29 Literarkritik 69, 1 46
KP 65 LitetwJ' genres 1 44
Krísis 1 49 Literatura apocalíptica 4 0 42
,

Kritischer Apparat 1 46 Literatura sapiencial e filosófica 41

1 74 --
--- VOCABULÁRIO PONDE RADO DA EXEGESE BiBUCA
Literatura testamentária 41 Mi crorrelato 84, 87
Livro da Natividade de Maria 42 Midrash, midrashin1 1 2 1 , 1 22, 1 23, 1 2 5
Livro de Jó 15 Mil�wmat 38
Livro dos Provérbios 15 Mill, J. 34
L ivro dos segredos d e Henoc 40 Minúsculos 26
Locus 1 15 Miserere 15
Lógia 135, 1 49 Mishna, mishnah 1 20, 1 23, 1 25, 1 26
Lógion 135, 1 49 Mishppã! 1 48
Loisy, A. 1 54 Mi�wãh 1 48
Lowth, R. 1 12 Mito 69
Lucano 20 Moabita 30
Lutero, M. 68 Modelo 1 26, 1 36, 1 3 7, 1 3 9, 1 42
LXX 17 Moldura epistolar 1 15
Momento decisivo 89, 1 45
Monolatria 137
M
Mónos 137
Macabeus 18 Monoteísmo 1 37
Macarismo 1 29, 135 Monoteísta 137
Macrorrelato 80, 8 1 , 84, 9 1 Montagem narrativa 86, 8 7 , 1 43
Makários 1 35 Mowínckel, S. 53, 6 1
Maldição 69, 1 47 Ms Or 4445 26
Manumissão 136 ms. 248 28
Manumissio 136 ms., mss 23
Manuscrito 23 Muilenburg, J. 74
Manuscrito P 28 Mur 88 39
Manuscritos do Mar Morto 122 Murabba 'ât 39
Marcano 20 Muster 1 46
Marxsen, W. 60 Mystirion, mystérion 131, 1 50
Mas I h 39
Mashal, mãshãl 69, 1 48
N
MashialJ, mãshia}J 1 36, 1 49
Massorá 25 Nabi, nãbi ', nebi 'im 1 2 5 , 138, 1 4 8
M assoretas 25, 26 Nação santa 73
Massoretischer Text 1 46 Nachtigal, J.K.Ch. 60
Mateano 20 Nãgad 1 49
McCarthy, D. J. 77 Nag-Hammadi 138
Megillat 38 Nahal Hever 27, 3 9 .
Megillot 16 Narração 103
Memória 99 Narrador 80, 86, 88, 92, 93
Memória de Neemias 17 Narrador extradiegético 88
Mendenhall, G. 77 Narrador intradiegético 88
Mensageiro 56 Narratário 88
Merisma 1 14 Narratio 8 3 , 99, 1 03
Messianismo 136 Neemias 17
Messias, Cristo 1 36 Neofiti 1 3 1 , 1 25
Metáfora 1 06 Neologismo 139
Metánoia 1 49 Neotestamentário 20, 4 9 , 1 3 9
Metonímia 1 07 Neo- Vulgata l 9, 32
Meyer, L. 1 54 New criticism 70, 1 45

---

INDICE TEMÁTICO --
1 75
Nó 83 Paralipômenos de Jeremias 41
Noáquico .1 39 Parallel lo 1 44
No�tico 1 39 Paratático 1 40
Niildcke, Th. 54 Parataxe 1 39
Noth, M. 50, 5 1 , 6 1 , 63, 1 54 Paratestamentário 40
Nova crítica 70, 7 3 , 1 44 Paratexto 85, 88
N ovo Testamento 19 Parênese 1 18
Numeração dos Salmos 18 Parrésía 1 50
Números 1 2, 27, 7 1 , 1 26 Partes da retórica 99
Parlitio 1 04, 1 1 4
o Parusia 1 40
Oath 1 44 Pasloralbriefe 1 46
Pallern 1 44
f
Oberbegri[ 1 46
Pau lino 20
Ocidental (texto) 29, 33
Paulo 1 9, 20, 2 1 , 32, 42, 93- 1 20, 1 2 1 , 1 23, 1 3 9
Odes de Salomão 41
Pedersen, J . 61
fenbarung
O.[ 1 46
Pentateuco 1 7, 3 1 , 34, 3 6, 46, 5 1 -53, 56-65,
Ónyma ou ónoma 1 19
67, 68, 7 1 , 72, 74, 76, 1 2 5, 1 26, 1 54, 1 5 5
Oração de Manassés 41
Pentateuco samaritano 25
Oráculo 70
Pequeno credo h istórico 71
Orácu l o de j uízo 57, 70
Pergaminho 24
Oráculo de salvação 71
Periautologia 97
Oráculos sibilinos I l i -V 41
Perícope 20, 140
.1
Ordál i o 64
Peripécia 88
Org� 1 49
Peripéleia 88 ', ]
Ornatus 94
Peritexto 85, 88, 89
Ortodoxi a 23
Perlitt, L. 77 j
Peroração 1 03
p
p
Peroralio 99, 1 03 , 1 2 1 1
53 Personagem 79, 8 1 -84, 88, 89, 90, 9 1 , 1 3 1
ps2 28 Personagem m o n o l í t i c o , - p l a n o , - e s fé-
Pãlãl 1 48 rico 89
Palavra-gancho 1 38, 1 43, 1 44, 1 47 Perspectiva 89
Palco-hebraico 25 Pésher, pesharim 39, 123
Palimpsesto 26 Peshilla 32
Papiro 24 Pelil;a 1 23
Parable 1 44 Písleis 1 02
Parábola 69, 88, 97, 1 09, 1 39, 1 40, 1 44 Pivô 89 1
Parabolé 1 40 Plérõma 1 50
Paráclese 1 18 Plot 83, 1 44
Paradigma, paradigmático 139 Poema alfabético 1 5, 1 6, 1 45
1 39 Poética (de Aristóteles) 84
Parádose
1
Paráfrase 1 13 Polissemia 89
Parakaléo 1 18 Polissêmico 89
Paráklesis 1 18 Ponto de vista 62, 80, 88, 89
Paralelismo 1 00, 1 1 2 Pós-deuteronomista 71
Paralel ismo quiástico, - emblemático, - em Pós-sacerdotal 72
escada 1 12 Postila, postil/a 1 41
Paralipômenos 18 Poslscriplum l 1 5, 1 1 6

-- VOCABULÁRIO PONDERADO DA EXEGESE BIBUCA



1 76 ---
Praescriptum 1 1 5 , 1 16 Qãdash 1 49
Pragmática 90 Qãdôsh 1 48
Precedência 67 Qal wahomer 1 24
Priestercoder.: 34, 5 3 , 59, 1 46 Qânêh 21
Priesterliche Komposition 65, 1 46 Qãrci 148
Priester/iches Gebet 1 46 Qerê 25, 148
Priesterschrift 5 3 , 1 46 Qinãh 148
Priest/y 1 44 Qohelet 15
Priestly Writer 54, 1 44 Quarrel 1 44
Probatio 99, 1 02 Quatro rolos 76
Processo 72 , 1 44, 1 47 Quatro sentidos medievais da escritura 1 26,
Proclamação 72, 1 3 1 1 27, 1 28
Proêmio 1 23 Quel/e 35, 1 46
Profetas 1 2 , 1 4, 72, 1 2 5 , 1 3 8 Q11el/entheorie 1 46
Programa narrativo 90 Quénose 1 49
Progyrnnásmata 98 Querigma 49, 72, 1 5 0
Prolepse 90 Querigma de Pedro 42
Prólogo 15 Quest 1 4 1 , 1 44
Prooimion 1 23 Questão sinótica 35
Proposição 1 03 Quiasma, quiástico 1 1 2, 1 1 4, 1 43
Proposições 96 Quinta 26
Propositio 1 03 Qumran 24, 38, 3 9, 1 20, 1 22, 1 23 , 1 24
Proselélytha 1 23
Prosélito 1 23
R
Proselytéuo 1 23
Prosélytos 1 24 Rabi 124

Protagonista 84, 89, 90, 9 1 Rabínico 39, 1 2 1 , 1 24, 1 25 , 1 53

Prótase 1 29, 1 40 Rabino 49, 1 2 1 , 124

Próthesis 1 02, 1 03 Raciocínio a fortiori 1 24

Protocanônico 140 Reader-response criticism 72, 1 44

Protocatolicismo 140 Reading the Bible as Scripture 4 7, 1 44

Protoevangelho de Tiago 42 Recepção 23

Protopaulinas 1 19 Recognição 55

Provas 94, 99, 1 0 1 , 1 02, 1 06 Redação 73

Provérbio 1 6, 69, 1 47 Redacional 73

Provérbios 1 4, 1 5, 69 Redaction hist01y 1 44

Psalm 1 44
Redactor 1 44

Psaltêrion 14 Redaktionsgeschichte 37, 60, 1 46, 1 53

Pseudepigrafia 1 1 7, 1 1 9 Redator 57, 59, 64, 1 4 1 , 1 44

Pseudepígrafo, pseudepigráfico 39 Referência 11

Pseudês 1 19 Reforma deuteronômica 50, 59, 67

Pseudo-João 42 Refonna do rei Josias 50

Pseudo-Jônatan 1 25 Refutatio 1 02

Pseudonímia 1 19 Regra da Comunidade 38

Purim 16 Reino sacerdotal 73


Reis 1 3 , 36, 63, 1 4 1
Relato 68, 69, 75, 77, 79, 1 3 9, 1 40, 1 42
Q Relato i te ra t i v o , - repeti t i v o , - s i ngula-

Qabbalah 1 29 tivo 91

--

INDICE TEMÁ.TICO
1 77
--
'
Relato no relato 91 Samuel 13

R elato popular 46, 54, 69, 75 Sa nders, J . A . 46, 47
Relatos da i n fância 91 Santidade 67
Relatos da paixão 91 Sapienciais 15
Relatos da ressurreição 91 Sapiencial 15 1
Relatos de v i são 77 Saussure, F. de 54
Re/igionsgescllichte 1 46 Sãwãh 148 .,
Religionsgeschic/11/iche Sc/111/e 62 Scheltrede 1 47
Renmant 1 44 Schm idt, L. 53, 64
,I
Rendtorff, R. 62 Schmidt, W. H . 64
Repetitivo 91 Schmitt, H . C h . 64
Reprise 5 1 , 6 3 , 73 , 7 4, 1 47
1
Schwartz, B. 53, 64
Resolução 83, 90 Schweitzer, A. 1 54
Resto 74, 1 44 Sc/nvur 1 47 1
Resto de I srael 74 Scott, R. 1 54
Resumption 74 Secretário 119 1
Reticência (arte da) 66 SCdãqãh 1 48
Retórica 93-99, 1 44 Sêfer tehillim 14 1
Reuss, E . 59 Segen 1 47
Reversio 1 04, 1 1 5 Segredo messiânico 141
.1
Reviravolta 84 , 88 Segundo Isaías 1 3 , 49, 1 3 3 , 1 37
Rhetorical criticism 70, 74, 1 44 Seis rolos 58
Rib 72 , 1 4 7 , 1 4 8 Selbstvorstellungsformel 5 5 , 1 47
R ichards, 1 . A . 70 Semiologia 75
Riesenfeld, H. 61 Semiótica 75, 1 4 1
Rolo 24, - seis rolos 58 Semita 30
Rolo de cobre 39 Sentenças de Menandro 4l t
Rolo d o Tem p l o 38 Sentenças do pseudo-Focí/ides 41
Rosenm ü l ler, E . F . K. 49 Sentido alegórico 1 24
.J
Rudolph, W. 53 Sentido anagógico 1 24
Rute 16 Sentido espiritual 1 24, 1 27, 1 2 8
Sentido l i teral 1 24, 1 27
Sentido moral 1 24
s Sentidos medievais da Escritura 1 24
1
s 27 Sequência narrativa 91
Sabático 74 Sérek ha Ya�ad 38 J
Sacerdotal 34, 45, 48, 5 0, 53, 54, 55, 59, 63, Sermão da montanha 1 4 1 , 1 45
65, 68, 72, 73, 74, 1 44, 1 46 Sermão da planície 141
\�
SagrJdo 22, 2 5 , 34, 68, 1 3 2 Setenta 1 7, 1 8 , 1 9, 26, 27, 2 8 , 3 0 , 3 1 , 3 2 ,
Saga 75 3 5 , 1 2 3, 1 2 5
Sagenkriinze 1 46 Selling 1 44
Shãma ' 1 48
Salmo 1 4, 1 44
Shãpa/ 1 48
1
S a lmos 1 4, 1 5, 1 8, 37, 4 1
Salmos de Salomão 1 8, 4 1 Showing 80, 9 1 , 1 44
S igni ficado 86
'
Salmos e orações 41
S a l m os penitenciais 15 S igni ficante 86
Saltério 1 4 , 58, 65 Símaco 31 1
Sa/11tatio 1 16 S imon, R. 76, 1 5 1 , 1 54, 1 5 5

Samm/1111g von Sage11 1 46 Sinaific11s 27, 28, 1 5 5 1

1
1 78 ----- VOCAUUlf.RIO PONDHAOO DA EXEGESE BIBLJCA

Síncrise 97 Targumim, targuns 3 1 , 1 25
Sincrônico 43 , 79 Táxis 99, 1 0 1 , 1 3 3 , 1 39
Sinédoque 1 07 Tbilissi 29
Sinopse 20, 3 5 , 141 Téchne rhetorikJ 94
Sintagma, sintagmático 1 42 Tehillãh 148
Siríaco 32 Telling 8 0 , 9 2 , 1 45
Situação final 8 0, 8 5 , 90 Télos 1 49
Situação inicial 8 0, 8 3 , 85, 90 Tempo narrado 92, 93
Sitz im Leben 37, 56, 62, 75, 76, 82, 1 47 , Tempo narrativo 92, 93
1 53 Teodocião 27, 3 1
Sitz im Volksleben 75, 1 47 Teodoro de Beza 29
Sondergut 1 47 Teoria das duas fontes 35, 1 45, 1 47
Sõtería 1 50 T'pillãh 1 48
Spinoza, B . 1 55 Terceiro Isaías 77
Spiritual meaning 1 44 Testamento de Abraão 4l
Spruch 1 47 Testamento de ló 41
Staircase parallelism 1 12 Testamento de Moisés 41
Stemma codicum 33 Testamento de Salomão 41
Stich 1 44 Testamentos dos Doze Patriarcas 41
Stíchos 11 Testamentos dos Patriarcas 52
Stichwort 1 47 Testamentum l 9, 20
Stimnnmg 1 47 Tetragrama 34
Story 86, 8 7 Tetrateuco 5 3 , 5 8 , 7 1 , 76
Strand 1 44 Textkritik 1 47
Streitgespriich 1 47 Texto alexandrino 29
Stuart Jones, H. 1 54 Texto bizantino 29
Subscriptio 1 1 6, 1 34, 1 42 Texto koiné 29
Sukkot 16 Texto massorético 25, 1 4 6
Sumário 9 1 , 93, 1 47 Texto ocidental 2 9 , 3 3 , 1 45
Superscriptio 116 Textual criticism 1 45
Súplica 75 Textus receptus 25, 29, 1 52
Susana 18, 27 Thanksgiving 1 45
Synéidesis 119 Theta (8) 29
Synkrisis 97 Thyta 1 33
Tiflis 29
Tipologia, tipológico 126
T Tipos de persuasão 94
Tachys 1 19 Tischendorf, C. 27, 155
Talião 75 TOB 35
Talmude 1 2, 1 20, 1 2 1 , 1 24, 125 Tobias 1 8, 32, 39, 87
Talmude da Babilônia 1 2 , 1 25 , 1 3 8 Todorov, T. 1 26
Talmude de Jerusalém 1 20, 1 25 Tôledôt 1 48
TaNaK 1 2, 1 2 5 Toledo! 55, 76
Targum 3 1 , 3 9 , 1 25 Tópos, tópoi 1 15
Targum de Jó 39 Torah 12, 22, 7 1 , 1 20, 1 22, 1 2 3 , 1 25, 1 2 6
Targum d e Onqelos 1 25 Tôrãh 148
Targum do Pseudo-Jônatan 1 25 Torah oral 1 20, 1 26
Targum Neofiti 1 3 1 , 1 25 Torah de Ezequiel 13
Targum rabínico 39 Tradição 60, 6 1 , 62, 76

---

INDICE TEMÁTICO 1 79
--
Tradição oral 56, 6 1 , 62, 66, 75, 76 Veterotestamentário 20, 142
Traditio 6 1 Vetus latina 1 9, 31, 32
Traditionsgeschichte 60, 6 1 , 1 47 Vida de Adão e Eva 4 1
Traditum 6 1 Vida dos Profetas 4 1
Transformações espaciais e temporais 80 Vidas paralelas 97
Transitus Mariae 42 Visão 77
Transliteração 142 Visão de Paulo 42
Tratado de vassalagem 76 Vocação (relato de) 77
Trito-Isaías 78 Vocalização 25
Tritopaul i nas 119 Vocalização babilônica, - palestinense 25
Tropé 1 06 Volz, P. 53
Tropa 1 06 Von Hoffmann, J. Ch. K. 61
Tropologia 1 24, 128 Von Rad, G . 6 1 , 62, 68, 7 1 , 154
Turning point 89, 1 45 Vorlage 142
Two-sources theory 1 45 Vulgata 1 9, 23, 32, 3 5
Typical sense 1 45
Typos 1 26
w

W (códice Freer) 29
u
Weherzif 147
Überlieferung 1 4 7 Weinberg, J. P. 47
Überlieferungsgeschichte 60, 6 1 , 1 47 Wellhausen, J. 34, 54, 59, 68, 1 55
Übersetzung 1 4 7 Werkinterpretation 70, 1 47
Ugarítico 30 Western Te'Ct 145
Unciais 26, 27, 28, 29, 39, 1 45 Wette, W. M. L. de 50, 5 9 , 60
Uncial 1 47 Wiederazifnahme 74, 1 47
Uncials 1 45 Wirkungsgeschichte 78, 1 47
Urchristentum 1 47 Wolff, H. W. 72
Urkundenhypothese 58, 1 47 Wrede, W. 155
Ur-Markus 1 47 Wright, R. M. 64
Urteil 1 47

y
V Yãlad 148
Valores 80 Yãsha' 1 49
Van Seters, J. 64 yeshzí 'ãh 1 48
Variant reading 1 45 YHWH 34, 49, 5 3 , 5 5 , 5 6, 5 8 , 5 9 , 63 , 67, 1 28,
Vassalagem 46, 50, 69, 76 1 33, 1 37, 149
Vater, J. S. 60 Yoreh, T. L. 53
Vaticanus 21, 28, 29, 1 55
Vazio do texto 83, 92
z
Velocidade 83, 93
Verdade hebraica 32 Zimmer, F. 53
Verjluchung 1 47 Zita/ (unbezeichnetes) 1 4 7
Veridicidade 93 Zusammenfassung 1 47
Veritas hebraica 32 Zwei Quel/en Hypothese 1 47
Versículo 11 Zwei Que//en Theorie 1 47

B
1 80 ----- VOCA UlÁR IO PON DERADO DA EXEGESE BIBLICA
Citações cxtra b íblicns 2 Baruc 4 1 , 1 29
2 Hcnoc 40
1 Henoc 40
l IQIO 39
1 1Q19 38 3 Baruc 41
l l Q Psª 39 3 Macabeus 1 8, 4 1
l I QP 38 3Q 1 5 39
1 l QtgJb 39
1 Q20 39
4 Baruc 41
l QapGnar 39
4 Esdras 4 1 , 1 29
l QHª 39 4 Macabeus 1 8, 4 1
I Q isaª 38 4Q 1 96-200 39
I QM 38
l QpHab 39
I QS 38 8HevXI Igr 27, 39

---�-

1 8l
INDICE lE.lv\À TK:O --
Este Vocabulário apresenta uma exposição clara e rigorosa

das palavras úteis ao estudo, à expl icação ou à simples leitu ra

dos textos bíbl icos. Seu objetivo é facil itar a compreensão dos termos

técn icos, dos conceitos fundamentais e, em gera l , da l i n g uagem

referente à Bíbl ia.