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3564 – Primeiros socorros

UNIDADE:

[Primeiros socorros]
3564

Konkrets, Lda Rua Inês de Castro nº 9-B 3200-150 Lousã

T: 239 993 478 | @: info@konkrets.pt


TIPOLOGIA:

Formação para empregados e

desempregados

DURAÇÃO:

25h

Manual de Apoio
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3564 – Primeiros socorros

Ficha Técnica:

Manual de formação “3564 – Primeiros socorros”

2017

Copyright© Konkrets, Lda.


Konkrets, Lda Rua Inês de Castro nº 9-B 3200-150 Lousã
Visite-nos em www.konkrets.pt

Coordenador/a Cientifico/a:
Luísa Maria Braga Mouro

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3564 – Primeiros socorros

É expressamente proibida a reprodução, no todo ou em parte do presente manual sem


autorização expressa por escrito pela Konkrets, Lda.

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3564 – Primeiros socorros

Índice

Enquadramento....................................................................................................6

Benefícios e condições de utilização.........................................................................6

Destinatários....................................................................................................6

Objetivos Específicos...........................................................................................7

Objetivos Gerais.................................................................................................7

Conteúdos Programáticos.....................................................................................7
Carga horária...................................................................................................7
Capítulo I – Tipos de acidentes..................................................................................8
Comportamento perante o sinistrado.................................................................8
Prevenção do agravamento do acidente.............................................................8
Alerta dos serviços de socorros públicos.............................................................9
Exame do sinistrado......................................................................................13
Socorro de urgência.......................................................................................15
Primeiros socorros e conselhos de prevenção nos diferentes casos de dificuldade
respiratórias.................................................................................................16
Dificuldades Respiratórias - Descrição..............................................................17
Socorros de urgência.....................................................................................18
Reanimação cardio-respiratória.......................................................................23
Feridas, fraturas, acidentes respiratórios, acidentes digestivos, acidentes pelos
agentes físicos, envelhecimento......................................................................24
Acidentes inerentes à profissão.......................................................................27
Queimaduras................................................................................................28
Por corrente elétrica......................................................................................31
Hemorragia externa por ferimento (corte).........................................................32
Comportamentos a seguir...............................................................................33
Esterilização dos instrumentos........................................................................36
Prevenção dos acidentes de trabalho, supressão de risco, proteção coletiva, proteção individual,
sinalização......................................................................................................37

Capítulo II – Serviço Nacional de Proteção Civil.............................................................39

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3564 – Primeiros socorros

Socorrismo e realidade...................................................................................39
Capítulo III – A profissão confrontada com a doença......................................................42
Prevenção de acidentes e doenças profissionais.................................................42
Higiene do profissional...................................................................................45
Higiene ambiental..........................................................................................48
Revisão de atuação em diferentes casos...........................................................48
Revisão dos efeitos tardios em certos acidentes.................................................51
Saber mais.....................................................................................................54

Referências Bibliográficas........................................................................................0

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3564 – Primeiros socorros

Enquadramento

Benefícios e condições de utilização

O manual da unidade de formação “ 3564 – Primeiros socorros” está organizado por secções:

 Secção I: Enquadramento da unidade de formação.


 Secção II: Está organizada por capítulos e contém todos os documentos e materiais de apoio sobre os
conteúdos temáticos abordados ao longo da unidade. No final de cada capítulo estão reunidas um
conjunto de informações dirigidas aqueles que pretendam complementar o estudo, aprofundando
conhecimentos.
 Secção III: É constituída pela bibliografia e documentos eletrónicos

Esta forma de apresentação permite uma consulta rápida e direcionada. Para que possa consolidar os
conhecimentos adquiridos com a leitura deste manual propomos que realize os exercícios práticos fornecidos
pelo formador durante a sessão de formação.

Destinatários

São destinatários deste manual os/as formandos/as que frequentem a unidade “3564 – Primeiros socorros”
bem como outras pessoas que pretendam adquirir competências ou atualizar/reciclar conhecimentos na área
de formação.

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3564 – Primeiros socorros

Objetivos Específicos
A unidade de formação “3564 – Primeiros socorros” tem por objetivo dotar o/a formando/a com as
competências necessárias para:
 Identificar os diferentes tipos de acidentes.
 Reconhecer o serviço nacional de proteção civil.

Objetivos Gerais
A unidade de formação 3564- Primeiros Socorros tem por objetivo dotar o/a formando/a com as
competências necessárias para:
 Reconhecer a importância da prevenção de acidentes e de doenças profissionais.

Conteúdos Programáticos

 Tipos de acidente
o Comportamento perante o sinistrado
 - Prevenção do agravamento do acidente
 - Alerta dos serviços de socorro público
 - Exame do sinistrado
 - Socorros de urgência
 - Primeiros socorros e conselhos de prevenção nos diferentes casos de
dificuldade respiratória
 - Dificuldades respiratórias – descrição
 - Socorros de urgência
 - Reanimação cardio-respiratória
o Feridas, fraturas, acidentes respiratórios, acidentes digestivos, acidentes pelos agentes físicos,
envelhecimento
o Acidentes inerentes à profissão
 - Queimadura
 - Por corrente eléctrica
 - Hemorragia externa por ferimento (corte)
 - Comportamento a seguir
 - Esterilização dos instrumentos
 - Prevenção dos acidentes de trabalho, supressão de risco, proteção coletiva,
proteção individual, sinalização
 Serviço Nacional de Proteção Civil
o Socorrismo e realidade
 A profissão confrontada com a doença
o Prevenção de acidentes e doenças profissionais
 - Higiene do profissional
 - Higiene do meio ambiente
o Revisão de atuação em diferentes casos
 - Revisão dos efeitos tardios em certos acidentes

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3564 – Primeiros socorros

Carga horária

 25 Horas

Capítulo I – Tipos de acidentes

Comportamento perante o sinistrado

Os acidentes e as situações de doença súbita podem, em alguns casos, ser evitados através da adoção

de medidas preventivas ou pela simples mudança de hábitos de vida. No entanto, a possibilidade destes

ocorrerem é sempre uma realidade presente.

Assim, a forma mais eficaz de eliminar ou reduzir nas vítimas as sequelas que resultam destes incidentes,

é através do socorro prestado nos primeiros minutos que sucedem ao incidente. A eficácia deste

primeiro socorro será tanto maior quanto maior for a formação do socorrista.

O conhecimento das técnicas de primeiros socorros, por um lado, e a sua correta aplicação, por outro,

são muito importantes no sentido em que todos nós podemos, um dia, vir a necessitar da ajuda de

outros. Com a aplicação das técnicas de primeiros socorros muitas vezes é possível evitarem-se

complicações futuras graves (como a paralisia ou amputação de membros) ou podemos até salvar a vida

de alguém.

Neste contexto, revela-se fundamental uma oferta de formação profissional específica que permita

aumentar as competências e criar condições para uma prestação de primeiros socorros e cuidados

básicos de saúde de qualidade, quer no âmbito do trabalho quer no dia-a-dia. Este curso de formação

tem, assim, como objetivo a preparação do cidadão comum em técnicas de primeiros socorros.

Pretende-se habilitar a pessoa para dar resposta a um conjunto de situações que correspondem àquelas

que mais frequentemente ocorrem.

Prevenção do agravamento do acidente

Pode parecer que algumas coisas sejam demasiado óbvias, mas ainda assim, pouca gente as sabe fazer bem,
em muito devido à irresponsabilidade e falta de civismo e interesse das pessoas bem como de algumas
entidades.

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3564 – Primeiros socorros

Acidentes, infelizmente, são ocorrência diária nas comunidades. Para as vítimas de acidentes, muitas vezes,
trata-se de questão de vida ou morte.

FINALIDADES DO SOCORRISMO

> Preservar a Vida> Evitar o agravamento do sinistrado


> Promover o seu restabelecimento
> Partilhar com a equipa de TAS (Tripulantes de Ambulâncias de Socorro) a situação e os sinais/sintomas
registados.

Princípios gerais do Socorrismo

1º Prevenir
2º Alertar
3º Socorrer

Alerta dos serviços de socorros públicos

O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), criado na década de 80, substituiu o Serviço

Nacional de Ambulâncias, com a função de apoiar e coordenar as atividades na área da emergência

médica, dando origem à mediatização do sistema através do atendimento da chamada de socorro, bem

como do envio de um médico ao local da ocorrência. O «Sistema Integrado de Emergência Médica»

(SIEM) é o conjunto de meios e ações pré-hospitalares e intra-hospitalares, com a intervenção ativa dos

vários componentes de uma comunidade, programados

de modo a possibilitar uma ação rápida, eficaz, em

situações de doença súbita, acidentes, catástrofes, nas

quais a demora de medidas adequadas de socorro pode

acarretar graves riscos para a vida dos doentes.

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3564 – Primeiros socorros

As fases do Sistema Integrado de Emergência Médica passam por uma sequência:

1º Deteção – Corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de uma situação em

que é necessário socorro;

2º Alerta – É a fase em que se contactam os meios de socorro;

3º Pré-socorro – É um conjunto de gestos simples que podem ser concretizados até à chegada do

socorro;

4º Socorro no local do acidente – Corresponde ao início do tratamento efetuado às vítimas, com

o objetivo de melhorar o seu estado ou evitar que este se agrave;

5º Transporte – Consiste no transporte do doente desde o local da ocorrência até à unidade de saúde

adequada, garantindo à vítima a continuação dos cuidados de emergência necessários;

6º Transferência e tratamento definitivo – Corresponde à entrega do doente na unidade de

saúde adequada e à continuação do tratamento iniciado no local de ocorrência.

Após deteção de um acidente/doença deve acionar-se de imediato o serviço de emergência local. Em

caso de acidente ou doença súbita ligar o 112. A chama é gratuita e acessível de qualquer ponto do país

ou a qualquer hora do dia.

As chamadas efetuadas para o 112 (Número Europeu de Emergência) são atendidas, em primeira linha,

por uma Central de Emergência da PSP que apenas canaliza para os Centros de Orientação de Doentes

Urgentes (CODU) do INEM as chamadas que à saúde digam respeito.

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3564 – Primeiros socorros

A colaboração do Socorrista é fundamental. Este deve facultar todas as informações que lhe forem

solicitadas, para permitir um rápido e eficaz socorro à vítima.

Deve informar-se de forma simples e clara:

 Descrever corretamente qual a situação (doença, acidente, parto, etc.) e responder às perguntas

que a central de emergência faz (mesmo que isso possa parecer perda de tempo);

 O local onde se encontra, se possível com indicação de pontos de referência;

 O número de telefone a partir do qual se está a ligar, para que se possa ser contactado em caso

de dúvida;

 O número, sexo e idade aparente das pessoas a necessitar de socorro;


 As queixas principais e as alterações que observa;
 A existência de qualquer situação que exija outros meios para o local, por exemplo libertação de
gases ou perigo de incêndio;

Desligar o telefone somente quando o operador da central de emergência indicar.

Prevenir
Evitar o agravamento do acidente e da vítima
Esta ação é também denominada prevenção secundária. É necessário, antes de tudo, afastar o perigo da
vítima ou a vítima do perigo. Devem ser desenvolvidas ações de forma a evitar o agravamento do acidente ou
que se produzam mais acidentes.
A primeira atitude a tomar perante um acidente é avaliar a segurança do local do sinistro. Segue-se a
avaliação do estado de saúde da(s) vítima(s), averiguando a gravidade das lesões e, por fim, a definição de um
plano de intervenção.
É muito importante que o socorrista mantenha uma atitude serena, calma e tranquila capaz de transmitir aos
demais e principalmente ao(s) acidentado(s) valores como confiança e conforto, quer nos gestos quer nas
ações que terá de realizar.
Em primeiro lugar, o socorrista deve proteger-se do perigo, procurando usar o bom senso. Evitar a todo o

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custo que surja mais uma vítima: o próprio socorrista.


Prevenção do agravamento de um acidente rodoviário:
De dia:

> Estacionar o automóvel, fora da faixa de rodagem, depois do local do acidente, devidamente assinalado
com as luzes de presença e os quatro piscas acesos.
> Sinalização do local do acidente:
>
> Colocar os triângulos a cerca de 150 metros do local do acidente nos 2 sentidos da faixa
> Perto dos triângulos deve estar alguém com lanternas ou com coletes refletores para mandar abrandar o
trânsito.
> Avaliar a segurança do local do local do acidente e do sinistrado

> Pedir a alguém que se certifique que nenhuma vítima foi expelida ou tentou mover-se pelo seu próprio pé.
> Pequenos focos de incêndio podem ser apagados com um extintor ou com areia ou terra (nunca pôr água
pois espalha o combustível).
> Ver o estado do automóvel de modo que não ocorra outro acidente:
>> Desligar a ignição
>> Desligar a bateria
>> Puxar o travão de mão
>> Colocar calços nas rodas para que não haja deslocamento do veículo.
> Não mexer no carro nem nas vítimas
· Caso não consigamos afastar o perigo da vítima, devemos afastar a vítima do perigo (só em último recurso
em que a vítima corra risco de vida) por arrastamento.
> Distribuir as tarefas pelas pessoas que queiram ajudar.
De noite:
Procede-se da mesma maneira, mas devemos estacionar o carro do socorrista antes do local do acidente com
os médios do carro do socorrista acesos ou com lanternas.
Alertar
Telefonar para o 112; dizer o estado da vítima e a localização do acidente.
Socorrer
Segundo os sintomas e sinais apresentados pela vítima

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3564 – Primeiros socorros

Exame do sinistrado

Exame primário (4 seg.)


Vítima inconsciente:
> Grau de consciência (consiste em ver se a vítima responde aos estímulos):
> Bater nos ombros
> Chamar a pessoa
> Beliscar
> Tocar nas pálpebras
1- Ventilação (10 segundos): VOS
V – ver o movimento da caixa torácica
O – ouvir respiração
S – sentir o ar expirado do sinistrado a bater na cara

2-Circulação
avaliar o pulso (no pulso ou na artéria carótida no pescoço).
Para além da possibilidade de paragem cardíaca, a vítima pode-se encontrar em:
Taquicardia – quando tem muitos batimentos por minuto (aproximadamente 120/min)
Bradicardia – quando tem poucos batimentos por minuto (aproximadamente 40/min)
Se a vítima apresentar somente paragem respiratória, prosseguir imediatamente com a respiração artificial Se
apresentar paragem cardiorrespiratórias, prosseguir com RCP
Seguidamente farei um breve resumo destes dois procedimentos.

RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL
1- Retire tudo o que esteja solto na boca (desobstrução digital);
2- Assegure que a cabeça da vítima está em extensão e o queixo levantado.

3- Tape o nariz da vítima, pinçando-o entre o polegar e o indicador, mantendo com a outra mão a elevação

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do queixo sem fechar a boca da vítima, Encha o peito com ar, coloque os lábios à volta da boca da vítima
assegurando que não há fugas de ar, e sopre para o interior da boca da vítima de forma a fazer mover o peito
da mesma com a entrada de ar. A insuflação de ar deve ser lenta (cerca de dois segundos).Fazer duas
insuflações eficazes.
4- Mantendo sempre o posicionamento da cabeça da vítima, o reanimador deverá afastar-se da boca da
vítima para permitir a saída do ar. Depois de esperar cerca de quatro segundos, deve repetir-se o
procedimento da insuflação de ar.

Ritmo
2 insuflações eficazes
Uma insuflação de 4 em 4 segundos nos adultos
Uma insuflação de 3 em 3 segundos nas crianças
Uma insuflação de 2 em 2 segundos nos bebés
NOTA: Se houver resistência à entrada de ar ou o tórax da vítima não se elevar com a insuflação de ar poderá
ser por mau posicionamento da cabeça ou existência de um obstáculo à entrada do ar. Reposicionar a cabeça
e retirar objectos visíveis de dentro da boca da vítima e voltar a insuflar o ar.

REANIMAÇÃO CARDIO-PULMONAR

1- O primeiro passo na RCP é colocar a vítima em hiperextensão, distendendo o pescoço para garantir que as
vias aéreas estão desobstruídas.
2- Seguidamente deve-se colocar uma das mãos sobre a testa e apanhando o nariz de modo a evitar que o ar
saia. A outra mão coloca-se por baixo do pescoço da vítima de modo a que as vias respiratórias estejam
desimpedidas.
3- Apertando o nariz com uma mão encosta-se a boca junto à da vítima e insufla-se fortemente de modo a
que seja visível a elevação do esterno. Após cada insuflação soltamos a o nariz da vítima e enquanto se o
recupera fôlego a cara do operador fica situada por cima do nariz e da boca da vitima e com ela virada para o
esterno da mesma, deste modo poderemos sentir o ar a sair e estamos atentos ao movimento do esterno.
4- A primeira vez que se insufla ar injeta-se 3 vezes ar e 15 massagens. Só depois é que passamos ás 2
insuflações e 15 massagens.
5- Após insuflar ar deve-se proceder à massagem cardíaca. Com os dedos entrelaçados e com os braços
esticados devemos proceder à massagem. Importante o pormenor dos braços esticados, pois a força aplicada
sobre o esterno provem do movimento de cintura e não do dobrar dos braços. Movimento de cintura e não
do dobrar dos braços.

RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS NA RCP

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Nunca interromper a RCP por mais de 10 segundos (por exemplo em pequenas deslocações) e no global, 30
segundos.
> Não deslocar a vítima para um local mais conveniente até estar estabilizada a situação e em condições de
ser evacuada. Nunca comprimir o apêndice xifoide (final do esterno).
> Não fletir os membros superiores do socorrista enquanto se fazem CT (compressões torácicas).
> Entre as CT (na descompressão) a base da mão deve manter-se em contacto com o esterno, embora sem
fazer pressão.
> A extensão da cabeça, ou subluxação do maxilar inferior, deve ser bem-feita em cada insuflação realizada.
Pode correr-se o risco de insuflar ar no estômago e provocar regurgitamento do conteúdo gástrico com
consequente aspiração do vómito.
> Não cruzar as mãos ao fazer CT.
> Não inclinar o corpo para trás. O reanimador deve ter os seus braços perpendiculares ao corpo da vítima.
> Não tocar na caixa torácica com os dedos enquanto se fazem CT.
> Evitar movimentos secos, bruscos e imprevistos.
ATENÇÃO: Ás vezes, enquanto se fazem as CT, ouve-se um som tipo estalido. Não se deve ficar alarmado. A
crepitação provém das cartilagens ou das próprias costelas.
Espero que ao chegarem ao fim percebam e tenham em mente a importância que estes conhecimentos
poderão ter um dia... Nunca se sabe quando será. E, sabendo bem este pequeno excerto, (não digo salvar
uma vida) mas evitar uma morte torna-se perfeitamente possível.

Socorro de urgência

O corpo de bombeiros define socorros de urgência ou primeiros


socorros como as medidas inicialmente tomadas por alguém que
esteja qualificado para prestar o socorro assim de manter os sinais vitais
e evitar o agravamento de lesões já existentes em uma pessoa que seja fora do ambiente hospitalar.

Já segundo a Cruz Vermelha americana socorros de urgência são os cuidados imediatamente prestados a
quem esteja selecionado ou subitamente adoecido quem presta os socorros de urgência precisa saber
também encorajar aquele que recebe os socorros com palavras tranquilizadoras e motivadoras que
demonstrem sua competência para socorrer.

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Assim quem presta Socorro deve saber o que fazer e o que não fazer evitando os erros frequentemente
cometidos por quem não está preparado para lidar com a situação de urgência a diferença entre a vida e a
morte em casos mais extremos ou entre uma rápida recuperação ou um longo período de hospitalização e
tratamento pode depender da qualidade dos conhecimentos sobre socorros de urgência daquele que presta
esse atendimento.
Quando estamos em uma atividade corporal, seja uma aula de educação física na escola ou seja uma
atividade esportiva ou recreativa o risco de ocorrer uma lesão ou um acidente está sempre presente em tais
situações precisamos saber como fazer para prestar Socorro a quem está lesionado acidentado ou
subitamente se sente mal.  Pensamos em exemplos reais, ocorrências do cotidiano, das atividades corporais
que certamente todos já presenciamos, alguém que tenha recebido uma bolada no rosto e cujo nariz ou boca
esteja sangrando, alguém que esteja passando mal com febre, desmaio, em qualquer momento da vida
podemos nos encontrar em uma situação na qual alguém precise receber atendimento médico.   Mesmo que
esta situação ocorra em uma cidade com médicos e hospitais por perto quem estiver próximo da pessoa que
se machucou ou que está se sentindo mal precisará às vezes prestar socorros e urgência.

Vale a pena ressaltar que após a aplicação dos procedimentos de primeiros socorros mesmo que a vítima
apresente uma aparente normalidade é recomendável seu encaminhamento para o atendimento médico para
que se faça uma avaliação mais aprofundada do seu estado geral.

Primeiros socorros e conselhos de prevenção nos diferentes casos de dificuldade


respiratórias

O termo dificuldade respiratória é usado em sentido genérico para descrever um desconforto ao respirar e a
sensação de não conseguir respirar. O problema pode evoluir gradualmente ou a respiração pode ficar
subitamente mais difícil. A dificuldade para respirar faz a pessoa sentir como se não conseguisse obter ar
suficiente. Uma leve dificuldade para respirar, como o cansaço após uma classe de aeróbica, não é problema.

A dificuldade respiratória pode ser causada por diversos quadros clínicos diferentes ou pode se desenvolver
em consequência de estresse ou ansiedade

A falta de ar frequente ou a dificuldade súbita e intensa para respirar pode ser sinal de um grave problema de
saúde que necessita de atenção médica.

A dificuldade para respirar é geralmente causada por questões ambientais simples e / ou problemas comuns
de saúde. Como por exemplo:

 Alergia à poeira, mofo ou pólen;


 Stresse e ansiedade;
 Bloqueio das vias aéreas causado por nariz entupido ou catarro na garganta;
 Redução no consumo de oxigênio após subir para uma altitude elevada.

Existem muitas doenças pulmonares que podem causar dificuldade para respirar. Todas elas exigem
atendimento médico imediato, algumas mais do que as outras:

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3564 – Primeiros socorros

 A asma é uma inflamação com estreitamento das vias aéreas que pode causar falta de ar, chiados,
sensação de aperto no peito e tosse.
 A pneumonia é uma inflamação do pulmão causada por infeção. Os sintomas incluem falta de ar,
tosse, dor no peito, chiado, suor, febre, dor muscular e exaustão. Em alguns casos, esse quadro clínico
pode envolver risco de vida.
 DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) é o termo utilizado para se referir a um grupo de
doenças que causam dificuldade de exalar o ar e outros sintomas, como chiado, tosse constante e
aperto no peito. O enfisema, geralmente causado por vários anos de fumo, pertence a essa categoria de
doenças.
 Embolia pulmonar é o bloqueio de uma ou mais das artérias que suprem os pulmões. Geralmente é
causada por um coágulo sanguíneo que se deslocou, geralmente da perna, até as artérias pulmonares.
Esse problema pode oferecer risco de vida e requer atendimento médico imediato. Outros sintomas são
edemas nas pernas, dor no peito, tosse, chiado, sudorese, taquicardia, tontura e/ou pele azulada.
 Hipertensão pulmonar é a pressão arterial alta que afeta as artérias do pulmão e do coração. Essa
doença é geralmente causada pelo estreitamento ou enrijecimento das artérias pulmonares. Os
sintomas dessa doença são muito semelhantes aos da embolia pulmonar. É necessário atendimento
médico imediato.
 Laringite é uma doença respiratória causada por uma infeção viral aguda e é conhecida pela
conhecida tosse de cachorro. O paciente deve marcar uma consulta com o médico se ele(a) ou o filho
apresentar sintomas de laringite. Crianças com menos de cinco anos são mais suscetíveis a apresentar
complicações mais graves relacionadas a essa doença (Mayo Clinic, 2010).
 Epiglotite é um edema da epiglote (o tecido que cobre a traqueia) devido à infeção. Esta doença
pode oferecer risco de vida e requer atendimento médico imediato. Outros sintomas são febre, dor de
garganta, baba, pele azulada, dificuldade para respirar e engolir, sons estranhos ao respirar, calafrios e
rouquidão. Existem vacinas disponíveis para a prevenção dessa doença.
 Hérnia de hiato é uma protrusão do estômago pelo diafragma em direção ao tórax. Pessoas com essa
doença também podem ter dor no peito, dificuldade para engolir e azia. Pequenas hérnias de hiato
podem geralmente ser tratadas com medicamentos e mudanças no estilo de vida. Em caso de hérnias
grandes, ou hérnias pequenas que não respondem ao tratamento, pode haver necessidade de cirurgia.

Dificuldades Respiratórias - Descrição

Ortopneia: É a dificuldade respiratória (dispneia) que ocorre quando a pessoa está deitada.

Dispneia de decúbito: Dispneia que surge em decúbito dorsal e que melhora ao assumir a posição

ortostática. Geralmente, a pessoa dorme com vários travesseiros. Ex. Insuficiência cardíaca congestiva.

Dispneia paroxística noturna: Dispneia que surge algum tempo após o adormecer, com a pessoa acordando

bruscamente com forte sensação de sufocação.

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3564 – Primeiros socorros

Trepopneia: Dispneia com a pessoa deitada de lado.

Platipneia: Dispneia na posição ortostática, que alivia com o decúbito.

Apneia: Paragem temporária da respiração.

Hipopneia: Diminuição da frequência e profundidade da respiração, abaixo das necessidades do organismo.

Eupneia: É manutenção natural da frequência respiratória.

Parâmetros da eupneia:

Recém-nascido até 2 meses: Frequência respiratória normal até 60 ipm (incursões respiratórias por minuto)

De 2 meses até 1 ano: Frequência normal até 50 ipm

De 1 ano até 5 anos: Frequência normal até 40 ipm

De 5 anos até os 12 anos considera-se normal a frequência


respiratória variando entre 20 a 30 ipm. Após isso, o ritmo regular da
respiração varia entre 12 a 20 ipm.

Socorros de urgência

É um conjunto de procedimentos bem definidos com metodologias padronizadas, que tem como objetivo
reconhecer as situações de perigo de vida iminente, saber como e quando pedir ajuda e saber iniciar de
imediato, sem recurso a qualquer dispositivo, manobras que contribuem para a preservação da ventilação e
da circulação de modo a manter a vítima viável até que possa ser instituído o tratamento médico adequado e,
eventualmente, se restabelecer o normal funcionamento respiratório.

As manobras de SBV não são, por si só, suficientes para recuperar a maior parte das vítimas de PCR.

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3564 – Primeiros socorros

O SBV destina-se a ganhar tempo, mantendo parte das funções vitais até à chegada do Suporte Avançado de
Vida.
Em algumas situações em que a falência respiratória foi a causa primária da PCR, o SBV poderá reverter a
causa e conseguir uma recuperação total.

“ O direito a ser reanimado conquista-se pelo dever de saber reanimar”

Etapas e Procedimentos

A sequência de procedimentos, após a avaliação inicial, segue as etapas “ABC”

Permeabilização da Via Aérea – Airway


Função Ventilatória – Breathing
Função Cardiocirculatória – Circulation

Posicionamento da Vítima e do Reanimador

As manobras de SBV devem ser executadas com a vítima em decúbito dorsal, no chão ou num plano duro. O
reanimador deve posicionar-se junto da vítima para que, se for necessário, possa fazer insuflações e
compressões sem ter que fazer grandes deslocações.

Sequência de Ações

Avaliação Inicial
A avaliação inicial consiste em:

Avaliar as condições de segurança no local;


Avaliar o estado de consciência da vítima.

Avaliar as condições de segurança no local:

Utilizar Luvas;
Garantir a segurança do local.

Avaliar o Estado de Consciência da Vítima:

Aproxime-se da vítima e pergunte em voz alta:


“Está bem?”
“Sente-se bem?”
Estimule a vítima batendo suavemente nos ombros.
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3564 – Primeiros socorros

VÍTIMA RESPONDE:

Pergunte o que se passou;


Pergunte se tem alguma queixa;
Veja se existem sinais de ferimentos;
Se necessário, vá pedir ajuda, ligando 112;
Desde que não represente perigo acrescido, deixe-a na posição em que a encontrou.

VÍTIMA NÃO RESPONDE:

Se está sozinho: gritar de imediato por ajuda – 1º Pedido de Ajuda:


“Preciso de ajuda! Está aqui uma pessoa desmaiada!”
Não abandone a vítima;
Prossiga com a avaliação.
Permeabilização da Via Aérea

Pelo facto da vítima se encontrar inconsciente pode ocorrer obstrução da via aérea:

 Queda da língua;











Corpos estranhos:
 Vómito;
 Sangue;
 Dentes partidos;
 Próteses dentárias soltas.

Extensão da cabeça com Elevação do Mento

Desaperte a roupa à volta do pescoço da vítima e exponha o tórax;


Se visualizar corpos estranhos na boca, deve removê-los. Não deve perder tempo a inspecionar a cavidade
oral;
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Coloque a palma de uma mão na testa da vítima e os dedos indicador e médio da outra mão no bordo
do maxilar inferior;
Efetue simultaneamente a extensão da cabeça (inclinação da cabeça para trás) e elevação do mento
(queixo).

Notas:

As próteses dentárias bem fixas não devem ser removidas;


Não executar a extensão da cabeça, se há suspeita de traumatismo da coluna cervical.

Avaliar a Ventilação Ver, Ouvir e Sentir (VOS)


Manter a permeabilidade da via aérea, aproximar a sua face da face da vítima olhando para o tórax e:

Ver – movimentos torácicos;

Ouvir – ruídos de saída de ar pela boca ou nariz da vítima;

Sentir – na sua face se há saída de ar pela boca ou nariz da vítima.

Até 10 segundos

Nota: Na vítima inconsciente, a ausência de respiração normal, ou a presença de gasping, são


considerados sinais de PCR.

VÍTIMA RESPIRA NORMALMANENTE:

Se não existe suspeita de traumatismo cervical, colocar a vítima em


Posição Lateral de Segurança (PLS);
Pedir ajuda;
Reavaliar novamente.

VÍTIMA NÃO RESPIRA NORMALMENTE:

2º Pedido de Ajuda: Ligar 112 (ou pedir a alguém que o faça);


Iniciar de imediato as compressões torácicas.

Compressões Torácicas:

Colocar a vítima em decúbito dorsal sobre uma superfície rígida;

Coloque a base de uma mão no centro do tórax da vítima (na ½ inferior do esterno);

Coloque a outra mão sobre esta;

21
Entrelace os dedos e levante-os, ficando apenas a base de uma mão sobre o esterno, e de forma a não

exercer pão exercer pressão sobre as costelas;

Mantenha os braços esticados e, sem fletir os cotovelos, posicione-se de forma que os seus ombros

fiquem perpendiculares ao esterno da vítima;

Pressione verticalmente sobre o esterno, de modo a que este baixe pelo menos 5 a 6 cm;

Alivie a pressão, para que, o tórax possa descomprimir totalmente, mas sem perder o contacto da mão

com o esterno;

Repita o movimento de compressão e descompressão de forma a obter uma frequência de pelo

menos 100/min (no máximo 120/min);

Recomenda-se que comprima “com força e rapidez”;

O gesto de compressão deve ser firme, controlado e executado na vertical;

Os períodos de compressão e descompressão devem ter a mesma duração;

É útil contar em voz alta: “1 e 2 e 3 e 4 e 5 e 6 e…29 e 1. Permite:

Manter o ritmo adequado;

Ter a noção do número de ciclos;

Coordenar-se com o outro reanimador (se estiver presente).

Ao fim de 30 compressões, permeabilize a via aérea.

Insuflações
Efetue 2 insuflações, que deverão demorar cerca de 1 segundo cada;
As insuflações devem fazer elevar a caixa torácica;
No entanto, se não for o caso não deve repeti-las;

Se as insuflações iniciais não promoverem uma elevação da caixa torácica, então na próxima tentativa
deve:

Observar a cavidade oral e remover qualquer obstrução visível;


Confirmar que está a ser efetuada uma correta permeabilização da via aérea;
Efetuar 2 insuflações antes de reiniciar compressões torácicas.

Sincronização das Compressões com as Insuflações

Reposicione as mãos sem demoras na correta posição sobre o esterno e efetue mais 30 compressões
torácicas;
Mantenha as compressões torácicas e insuflações numa relação de 30:2.

22
Reanimação cardio-respiratória

Na pesquisa de circulação ou pesquisa de pulso é importante palpar o pulso para se saber se existe ou
não contrações cardíacas. A pesquisa poderá ser feita em vários locais, nomeadamente nas artérias
carótidas, femorais, radiais ou umerais.

Numa vítima inconsciente pesquisa-se sempre o pulso carotídeo. Por este ser um pulso mais central, é
mais fácil a sai palpação. Para localizar o pulso carotídeo deve colocar dois dedos (indicador e médio)
na região da laringe (“maçã de Adão”) e deslizar os dedos ligeiramente para o exterior do pescoço.

O reconhecimento do pulso carotídeo consome tempo e não é fiável, em particular quando o


reanimador não é profissional de saúde, pelo que esta técnica apenas deve ser usada por profissionais
de saúde treinados.

SBV
É fundamental garantir que o SBV é executado de forma ininterrupta e com qualidade;
Para isso devem minimizar-se as pausas e comprimir o tórax “com força e rapidez”.

SBV – Até Quando?

As manobras uma vez iniciadas devem ser continuadas sem interrupção até que:

Chegue ajuda diferenciada e tome conta da ocorrência;


A vítima recupere: respiração normal, movimento ou abra os olhos;
O reanimador esteja exausto.

Interrupção das Manobras de SBV


Nas situações de PCR só deve interromper as manobras de SBV, para reavaliação da vítima, caso esta
apresente algum sinal de vida:
Respiração normal;
Tosse;
Presença de movimentos;
Abertura dos olhos.

Neste caso o reanimador deve confirmar a presença de respiração normal, efetuado o VOS.

Feridas, fraturas, acidentes respiratórios, acidentes digestivos, acidentes


pelos agentes físicos, envelhecimento

Ferida inflamada

Reação do organismo a qualquer agente agressor, como uma picada de inseto, uma batida e um
corte, entre outros. É importante não confundir inflamação com infeção. A infeção é gerada pela ação
de microorganismos como fungos, vírus e bactérias. Já a inflamação é uma reação do próprio
organismo.

 Como reconhecer:

23
- A inflamação se caracteriza por uma área geralmente avermelhada, inchada e dolorida.

 Como agir:

- Faça compressas com bolsa de água fria ou pano húmido no local para aliviar a sensação de calor;

- É possível fazer uso tópico de anti-inflamatórios em feridas inflamadas não abertas;

- Em feridas abertas, é necessário consultar um médico, pois há possibilidade da inflamação se


transformar em infeção.

Ferimento em crianças

Em caso de ferimento em crianças, mantenha a calma, afaste a criança do local do acidente, acalme-a
e limpe bem a área acidentada.

 Como agir:

- Lave o local com água corrente em abundância e sabão. É importante limpar bem a ferida, para tirar
restos de areia, pedras ou qualquer outro tipo de resíduo do ferimento;

- Finalize a limpeza com um antisséptico e um curativo com gaze, trocando-o uma vez ao dia;

- Se não tratados com a devida atenção, ferimentos leves podem infecionar. Se isso acontecer, leve a
criança a um serviço médico.

 Como prevenir:

- Não deixe as crianças sem a supervisão de um adulto, seja em casa, na escola ou no parque;
- Restrinja o acesso à cozinha colocando uma barreira na porta. Este é um dos locais onde a maioria
dos acidentes acontece;
- Jamais deixe a criança sozinha no banho;
- Proteja pontas de mesas, criados-mudos e todos os tipos de objetos pontiagudos;
- Tape as tomadas com proteção adequada.

Ferimento na cabeça

Os ferimentos na cabeça costumam assustar, pois o sangramento é intenso, já que é uma região muito
vascularizada do corpo. Se o ferimento for originado por uma batida muito forte, é necessário buscar
o atendimento médico imediatamente. Se for apenas um corte superficial, é possível aplicar alguns
procedimentos de primeiros socorros sem que seja preciso ir ao hospital.

Fratura

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Pode ser causada por quedas, impactos fortes ou movimentos violentos. Há vários tipos de fraturas. As
mais comuns são as dos membros (mãos, pés, braços, pernas etc.). Em geral, fraturas na cabeça, no
pescoço e na coluna exigem um cuidado maior no atendimento inicial.

Fraturas expostas são aquelas em que o osso quebrado rompe os músculos e a pele e fica aparente.
Nestes casos, complexos e graves, o ferimento no local da fratura está em contato com o ambiente e,
se não for tratado, podem dar origem a infeções e deficiências.

 Como agir:

- A pessoa que sofreu uma fratura sentirá muita dor no local, ao apalpá-lo ou movimentá-lo. Faça um
primeiro diagnóstico observando o que aconteceu; 

- Chame socorro imediatamente ou, se a pessoa estiver em condições de ser transportada de carro,
leve-a um hospital;

- Imobilize o membro fraturado segurando a área com firmeza ou com a ajuda de um papelão,
dobrando-o em três (como se fosse uma calha). É possível ainda usar um pedaço de madeira, uma
atadura e um lençol (sem apertar muito). A imobilização vai diminuir a dor;

- Em caso de fratura exposta, imobilize o membro como está e não tente colocar o osso no lugar.
Cubra o local com um pano esterilizado ou bem limpo, para evitar o contato com o ambiente;

- Se o socorro demorar, lave o local com água corrente abundante ou com soro fisiológico e seque
com o pano limpo. Não coloque nenhuma outra substância;

- Se houver um sangramento muito intenso, faça a compressão firme do local, segurando o membro
na posição oposta ao fluxo do sangue. Exemplo: fratura no pulso? compressão no antebraço.

Acidente respiratório

Ocorre quando há bloqueio na passagem de ar para os pulmões, podendo ser por engasgamento.
Esta é uma emergência que precisa de atendimento imediato. Após 3 a 4 minutos sem respirar, o
cérebro para de funcionar, uma condição que pode ser fatal.

Como agir para ajudar um adulto:

- Não peça para que a vítima levante os braços ou coloque a cabeça para trás, isso só aumentará a
obstrução;

- Estimule a vítima a tossir;

- Abrace-a por trás, passando os braços por baixo das axilas. Posicione suas mãos na região
abdominal dela, na linha do umbigo. Uma mão deve estar com o punho fechado e a outra, espalmada,

25
cobrindo a primeira. Faça movimentos fortes e repetitivos, até a pessoa expelir o que estiver
obstruindo a passagem do ar.

 Como agir para ajudar uma criança:

Coloque a criança deitada de bruços, apoiada sobre a sua coxa, com a cabeça voltada para baixo;

Comprima, com uma das mãos, as costas da criança, exercendo pressão contínua até que expila o que
estiver provocando a obstrução.

Dicas de primeiros socorros para idosos

1. Queimaduras

Elas costumam acontecer após o contato com objetos quentes, água fervente, vapor, irradiação solar
ou mesmo substâncias químicas. Para casos mais simples, como encostar no fogão ou numa panela
quente, indica-se lavar a área com água corrente para amenizar a dor. Depois, pode-se higienizar a
região com gaze embebida em soro fisiológico.

Se a queimadura for mais grave, jamais toque na área afetada, tampouco tente furar as bolhas ou
remover os pedaços que possam estar grudados sobre a pele. Não aplique remédios caseiros como
manteiga, água, gelo, azeite ou creme dental. Apenas um profissional da saúde pode administrar
medicamentos para as lesões.

As queimaduras por produtos químicos também pedem cuidados. Retire as roupas do idoso sem
tocar na região afetada. Lave o local com água corrente por aproximadamente dez minutos. Higienize
com a ajuda de uma gaze e vá imediatamente ao médico.

2. Corpo estranho no olho

Não deixe o idoso coçar ou apertar a região. Aplique algumas gotas de soro fisiológico e peça para
que ele fique com os olhos fechados por alguns minutos. Cubra com compressa umidificada com água
ou soro, se necessário. Vá imediatamente ao médico, caso o objeto esteja cravado no olho.

3. Engasgamento

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Com cuidado, pratique a manobra de Heimlich. Abrace a vítima por trás e posicione as mãos sobre a
boca do estômago, comprimindo uma com a outra. Faça cinco movimentos bruscos para dentro e
para cima. Repita se necessário. Caso o idoso esteja com falta de ar, leve-o rapidamente para a
emergência.

4. Queda

Analise o estado da vítima. Se ela sentir dor, mantenha-a imobilizada. Ligue rapidamente para a
emergência. Em casos mais simples, usar um saco de gelo pode diminuir o inchaço e o arroxeado dos
hematomas. Lembre-se: batidas de cabeça são perigosas e pedem atenção redobrada.

5. Dores no peito

Leve o idoso ao médico sempre que ele reclamar de uma dor persistente no peito. Dores de cabeça,
no braço e falta de ar também são sintomas importantes e que devem ser levados em conta. Jamais
ignore esses sinais. Eles podem indicar o início de um infarto.

Acidentes inerentes à profissão

Portugal definiu uma estratégia nacional de combate aos sinistros em ambiente de trabalho que tem
como objetivo baixar o número de acidentes em 30% até 2020, mas os dados oficiais não são
animadores. Em 2016 registaram-se em Portugal 141 sinistros com vítimas mortais, menos uma apenas
que no ano anterior, altura em que foi apresentada a estratégia e o compromisso de fazer descer o
número de mortes com os vários parceiros sociais.

O sector da construção, seguido do da indústria transformadora são


aqueles que registam maior número de acidentes graves e com
vítimas mortais, mas em qualquer área de atividade os riscos
existem e as medidas para os evitar ou prevenir também.

São várias as profissões onde o uso de equipamentos de proteção


individual (EPIs), como óculos, tampões para os ouvidos, luvas ou
calçado, é obrigatório. As empresas têm de fornecê-los e os
trabalhadores têm de usá-los sempre, sem exceções, pois são uma
espécie de primeira linha de proteção a um conjunto de riscos.

Estar ciente das regras de segurança e dos riscos associados ao manuseamento de equipamentos e
máquinas usadas no desempenho de determinada função, ou inerentes aos locais onde o trabalho é
realizado é igualmente fundamental para não potenciar acidentes. Qualquer que seja a profissão em
causa aplicam-se outros princípios básicos, mas valiosos, como manter a concentração no trabalho
que se está a fazer; estar alerta para sinais de cansaço ou indisposição que possam pôr em risco a
capacidade de discernimento, ou evitar a exposição a riscos desnecessários. Por exemplo, quebrar
regras de segurança só para fazer algo mais depressa ou de forma menos trabalhosa pode sair caro.

27
Manter o local de trabalho limpo e organizado é outro bom princípio para evitar acidentes, tal como
relatar a quem a possa resolver qualquer situação de risco iminente detetada no local de trabalho,
para que não se transforme numa causa de acidente.

Finalmente, e porque mesmo com todos os cuidados há sempre algo que pode correr mal, tenha
presente um conjunto de informações que serão preciosas em caso de acidente. Onde estão
guardados os materiais de primeiros socorros, onde estão as saídas de emergência do edifício e os
extintores. Assim estará mais preparado para reagir numa situação imprevista.

Queimaduras

Uma queimadura é uma lesão na pele causada por calor, eletricidade, substâncias químicas, atrito ou
radiação. As queimaduras que afetam apenas a camada superficial da pele são denominadas
superficiais ou de primeiro grau. Quando as lesões afetam também algumas das camadas inferiores
são denominadas queimaduras de segundo grau. Quando todas as camadas de pele são afetadas
denominam-se queimaduras de terceiro grau. Quando existem lesões em tecidos mais profundos,
como os músculos ou os ossos, denominam-se queimaduras de quarto grau.

O tratamento necessário depende da gravidade da queimadura. As queimaduras superficiais podem


ser tratadas apenas com analgésicos, enquanto as de maior gravidade requerem internamento
prolongado em unidades hospitalares especializadas. Arrefecer a lesão com água fresca corrente pode
aliviar a dor e diminuir a extensão dos danos; no entanto, a exposição prolongada ao frio pode
provocar hipotermia. As queimaduras de segundo grau podem necessitar de ser limpas com água e
sabonete e de ser aplicado um curativo. O melhor método para tratar as bolhas não é ainda claro, mas
é provavelmente razoável mantê-las intactas. As queimaduras de terceiro grau geralmente necessitam
de tratamentos cirúrgicos, como enxertos de pele. Em caso de queimaduras extensas, geralmente é
necessária hidratação intravenosa, uma vez que a resposta inflamatória posterior causa edema e perda
de líquidos capilares. As complicações mais comuns das queimaduras estão relacionadas com infeções.

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Para fazer o curativo deste tipo de queimadura é recomendado:

1. Lavar imediatamente o local com água fria e sabão neutro por mais de 5 minutos para
resfriar a pele e para que fique limpa e livre de microrganismos;
2. Nas primeiras horas, aplicar uma compressa de água potável gelada, trocando sempre que
ela já não estiver fria;
3. Aplicar uma fina camada de um bom creme hidratante, mas evitar passar vaselina, pois a
gordura pode piorar a queimação.

As queimaduras de sol, geralmente, são uma queimadura de primeiro grau e o uso de uma loção pós-
sol, como o Caladryl, em todo corpo, pode ajudar a aliviar a dor e evitar que a pele descame. É
importante também usar protetor solar e evitar a exposição ao sol nas horas de maior calor.

Veja ainda um remédio caseiro que pode utilizar para acelerar a cicatrização.

29
O curativo para pequenas queimadura de 2º grau pode ser feito em casa, seguindo os seguintes
passos:

1. Lavar a região queimada com água por mais de 10 minutos para limpar a região e diminuir a
dor;
2. Evitar romper as bolhas que tenham se formado, mas, se necessário, utilizar uma agulha
esterilizada;
3. Aplicar uma gaze com pomada de sulfadiazina de prata a 1%;
4. Enfaixar o local cuidadosamente com uma atadura.

Nas queimaduras maiores do que 1 palmo é recomendado ir no pronto-socorro para fazer um


curativo profissional, uma vez que o risco de infecção é maior.

Após a cicatrização, para evitar que a região  fique manchada é aconselhado passar um protetor solar
acima de 50 FPS e proteger a área do sol.

30
O curativo para este tipo de queimadura deve ser sempre feito no hospital ou no centro de queimados
pois é uma queimadura grave. Na maioria destes casos, geralmente é preciso ficar internado para
repor líquidos perdidos ou para fazer enxertos de pele, por exemplo.

Caso exista dúvida sobre a profundidade e gravidade da queimadura, deve-se procurar ajuda médica
especializada ligando para os números 190 (Bombeiros) ou 0800 707 7575 (Instituto Pró-queimados).

Por corrente elétrica

O contato da corrente elétrica com o corpo humano propícia uma serie de efeitos colaterais. Quando
ocorre um choque elétrico a corrente atinge o organismo através da pele, as queimaduras de origem
elétrica representam até 20% dos atendimentos por queimadura anualmente. A passagem de corrente
por qualquer corpo acarreta na elevação da temperatura, por isso, quando a passagem é pelo corpo,
na maioria das vezes os envolvidos apresentam queimaduras.

A pele humana apresenta alta resistência à passagem de corrente, devido a isso a passagem de
qualquer corrente pode acarretar em alterações estruturais, as “marcas de corrente”. Por isso e pelo
fato de a corrente elétrica ter contato com camadas profundas da pele e outros órgãos do corpo, a
queimadura elétrica possui características únicas.

– Queimaduras por contato


– Queimaduras por arco voltaico
– Queimaduras por vapor metálico
31
Acesse AQUI a Cartilha para tratamento de emergências das queimaduras do SUS

Como acontecem as lesões

As lesões por corrente elétrica ocorrem no percurso de passagem da corrente entre o ponto de
entrada e de saída do corpo. A voltagem e a amperagem, junto ao tempo de exposição, a resistência
do corpo, a magnitude e caminho percorrido pela corrente, são os fatores que determinam a extensão
e profundidade da lesão. Essa passagem pelos tecidos pode levar a destruição das terminações
nervosas, o que faz das queimaduras elétricas menos dolorosas. No entanto, nisso reside um dos
maiores riscos, porque esse tipo de queimadura tente a progredir em profundidade, mesmo após
desfeito o contato, podendo encontrar órgãos vitais.

Não há necessidade de contato direto de uma pessoa com as partes energizadas, a passagem da
corrente pode ocorrer devido a uma descarga elétrica ou a um arco voltaico, caso o indivíduo esteja
próximo a partes energizadas. A eletricidade pode causar diversas formas de queimadura, o que leva a
uma taxa de mortalidade de 3% e 15%. Pela diferença de cada tipo existe a seguinte classificação:
queimaduras por contato; queimaduras por arco voltaico; queimaduras por radiação (em arcos
produzidos por curtos-circuitos); queimaduras por vapor metálico.

Hemorragia externa por ferimento (corte)

Todo derramamento de sangue do organismo humano para


fora dos vasos sanguíneos. O sangue tem uma função vital e
fundamental no organismo, além de transportar os
nutrientes e o oxigênio para as células. Também leva o gás carbônico e outros resíduos e substâncias
para os órgãos excretores do corpo.

O sangue tem funções nutritivas, excretoras e imunológicas essenciais ao nosso organismo, o que
leva a concluir que a perda de tal elemento em nosso corpo é extremamente prejudicial e,
dependendo da quantidade e do caso, mortal.

Uma hemorragia com muita perda de sangue não devidamente tratada pode levar a vítima a um
estado de choque e, posteriormente, a óbito. Já em casos de hemorragias de menor proporção,
pode trazer um quadro de anemia (falta de nutrientes, e baixa quantidade de glóbulos vermelhos no
sangue).

Hemorragia externa: É o tipo de sangramento exterior ao corpo, ou seja, que é facilmente visível.
Pode ocorrer em camadas superficiais da pele por corte ou perfurações, ou mesmo atingindo áreas
mais profundas através de aberturas ou orifícios gerados por traumas. Pode ser contida, utilizando
técnicas de primeiros socorros.

Hemorragia interna: A hemorragia interna se dá nas camadas mais profundas do organismo com
músculos ou mesmo órgão internos. Ela pode ser oculta ou exteriorizar-se através de algum
hematoma (mancha arroxeada) na região da hemorragia. A hemorragia interna costuma ser mais grave
pelo fato de na maioria dos casos ser “invisível”, o que dificulta sabermos a dimensão e a extensão das
lesões.

32
As hemorragias ainda têm um outro tipo de classificação que se dá quanto ao tipo de vaso sanguíneo
rompido. Podem ser:

Hemorragia Arterial: quando uma artéria é rompida ou cortada e o sangramento ocorre em jatos
intermitentes, na mesma pulsação das palpitações cardíacas. O sangue nesse tipo de hemorragia,
apresenta uma coloração vermelha clara e brilhante. Costuma ser mais grave por ter uma perda mais
rápida de sangue.

Comportamentos a seguir

Segundo Faria (1971), o homem tem uma constante preocupação com a segurança, pois, toda
atividade laboral possui algum risco. Por essa razão, a função segurança estuda, investiga, classifica,
assume ou transfere os riscos embutidos a qualquer atividade laboral, fornecendo amparo contra o
acaso.

Por ser tudo interdependente, a minimização dos acidentes é o maior ou, um dos maiores adversários
à inteligência do homem. São aplicados muitos esforços físicos e mental, além de grandes quantidades
de recursos, mesmo assim, a ocorrência de acidentes permanece como um desafio constante a todos
esses esforços (CARDELLA, 2010).

Como o risco é a parte agregada de perigo e dano que ocorre do desenvolvimento de uma atividade
laboral. Ele é capaz de anular as vantagens conquistadas com a realização da atividade. Por ser um
elemento aleatório que não pode ser previsto na íntegra. Nem determinado, o risco deve ser
frequentemente pesquisado (FARIA, 1971).

Segundo Cardella (2010), na função segurança, o controle de riscos objetiva a manutenção destes
abaixo de níveis tolerados. E para tal, os riscos são classificados em dois tipos: transferíveis e
intransferíveis. Os transferíveis podem ser assumidos por empresas de seguros mediante o pagamento
do prêmio estipulado na apólice de seguro; os riscos intransferíveis estão atrelados à atividade ou
procedimento de tal maneira, que é quase impossível eliminá-los. Estes estimulam o aumento de
custos, comprometendo o lucro da organização (FARIA, 1971).

O processo de gestão de riscos é composto de ferramentas utilizado pelas organizações no


planejamento, operação e controle de suas atividades laborais em relação ao exercício da função
controle de riscos. Essas ferramentas que compõem o sistema de gestão são: princípios, políticas e

33
diretrizes, objetivos e metas, estratégias, métodos, sistemas operacionais, programas e sistemas
organizacionais (CARDELLA, 2010).

Nos riscos intransferíveis, o acaso é o elemento aleatório que dificulta a certeza da segurança, sendo
difícil seu cálculo (FARIA, 1971). Na ótica do mesmo autor, o resultado do acaso é o acidente, cuja
ocorrência prejudicial dribla a maior parte dos métodos de controle e das técnicas aplicadas. Isso
ocorre das características aleatórias que constituem o infortúnio.

Cardella (2010) afirma que, a função controle de riscos pode ser aplicada através de processos
sofisticados, adotados em uma unidade fabril, ou processos simples que auxiliam o controle de riscos
de atividades, individualmente, de um operário. Para tal, pode-se adotar, em quaisquer das situações
os seguintes princípios:

 O acidente é um fenômeno, de origem multifacetada, onde nas organizações e sociedades, é


resultado das complexas interações ocorridas entre os agentes físicos, biológicos, psicológicos,
sociais e culturais;
 Todos os acidentes são evitáveis;
 A ocorrência dos acidentes é provocada pela dissociação da mente, envolvida no trabalho e, o
corpo;
 O homem, por si só, não consegue controlar os riscos de sua atividade.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em seu site, divulga o Programa Segurança e Saúde no
Trabalho que objetiva proteger a vida, promover a segurança e saúde do trabalhador. Encontra-se,
também, no site as Normas Regulamentadoras, Legislações e o Plano Nacional de Segurança e Saúde
no Trabalho com o objetivo à educação continuada como uma das diretrizes a ser seguida com a
inclusão de conhecimentos básicos em prevenção de acidentes. Neste contexto, a Segurança do
Trabalho não é apenas um ato legal, mas também que deve ser cultuado pelas pessoas e as empresas,
já que a educação continuada estaria no currículo do ensino fundamental e médio da rede pública e
privada, bem como a revisão de referências curriculares para a formação de profissionais em saúde e
segurança no trabalho, de nível técnico, superior e pós-graduação. Dessa forma, as pessoas já
chegariam às empresas com o entendimento sobre segurança no trabalho, o que facilitaria a
socialização a cultura organizacional.

 ACIDENTE DE TRABALHO

Para Garcia (2011), o infortúnio que ocorre no desenvolvimento do trabalho na organização é


denominado acidente de trabalho, pois de acordo com a definição do Art. 19 da Lei 8.213, de 24 de
junho de 1991, acidente de trabalho “é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa
ou pelo exercício do trabalho dos segurados especiais, provocando lesão corporal ou perturbação
funcional que cause a morte ou a perda ou a redução, permanente ou temporária, da capacidade para
o trabalho”.

Observa-se na figura abaixo os tipos de acidentes no trabalho e sua classificação:

34
Fonte: Os acidentes no trabalho e a sua classificação (CHIAVENATO, 2004, p. 439).

Pela legislação, o acidente de trabalho é classificado como acidente típico, aquele que ocorre a serviço
da empresa e, o de trajeto, que ocorre quando do deslocamento do trabalhador de casa para o
trabalho ou vice-versa (NUNES, 2012).

Para Piza (2000), nas relações existentes entre Capital e Trabalho a prevenção de acidentes,
proporciona um Custo X Benefício de tal significância, que chega a ser importante investimento,
interferindo diretamente na produtividade, na qualidade de vida do produto e, no diferencial
competitivo da organização. Não pode existir atividade que objetive a geração de danos, prejuízos e
infortúnios.

 Fonte: http://vivamelhoronline.files.wordpress.com/2010/10/istock_000010038275xsmall.gif

Estudos feitos sobre a relação existente entre trabalho e trabalhador indicam a possibilidade do
trabalho ser motivador de vários infortúnios (acidentes e doenças). Esses estudos reportam problemas
em várias atividades laborativas como, por exemplo, a atividade mineradora, na qual a doença
conhecida como “asma dos mineiros” mais se destacava, causada por intoxicação pelo mercúrio (MÓ,
2009 apud, POLETTO, 2002, p. 24).

Segundo Daft (2005, p.62), as empresas precisam gerir as incertezas do processo globalizado para se
tornarem eficazes e competitivas. Essas incertezas ambientais criam obstáculos dificultando o
entendimento quanto à prevenção dos acidentes e doenças ocupacionais.

A Globalização proporciona, sobretudo, uma infinidade de novos e complexos fatos no contexto social
e empresarial, onde a relação segurança e saúde ocupacional é um diferencial para a organização em
prol do seu posicionamento no ambiente empresarial (GEP/SENAI, 2001, p.13).

Desta forma, qual a importância da prevenção dentro do contexto organizacional? Prevenção é


sinônimo de se antecipar ao fato, de pró-atividade e lucratividade significando segurança de que o
processo produtivo transcorrerá de maneira eficaz e em harmonia (PIZA, 2000, p.15). E isso só poderá
surtir efeito quando se analisa, mapeia e se registra cada etapa dos processos, o que poderá
determinar os melhores procedimentos para as pessoas, instalações e equipamentos.

Prevenção é uma cultura limitada, pois fatores que incidem sobre ela, geralmente, apresentam-se
como de difícil controle, o que, na sua maioria, dependem de pessoas. Por conseguinte, a prevenção
está diretamente ligada à atitude do indivíduo, onde as ações preventivas devem objetivar a evolução,
seja econômica, cultural ou social (PIZA, 2000).

Para Costa & Costa (2005, p.18-19), no âmbito da ação para proteção e promoção da segurança dos
trabalhadores não poderia ser de outra forma, a preocupação das organizações em obter maior
produtividade e melhores resultados, pois a alta competitividade mercadológica no trabalho humano
vem sendo gerada sob condições nas quais os riscos são em quantidade e qualidade mais numerosos
e maiores do que aqueles que ocorriam no passado. Na ótica de Cañete (2001, p.25), o novo
paradigma do ambiente global foca o preventivo e o pró-ativo em detrimento do curativo e reativo.

35
Segundo Piza (2000), os acidentes de trabalho resultam de omissões e erros praticados pelo indivíduo
na busca pelo alcance das metas. A prevenção de acidentes não deve objetivar, tão somente, evitar
lesões ou disfunções na saúde do indivíduo.

 Ato Inseguro

 Para Moraes Jr. (2013), apesar da área de prevenção de acidentes ter conseguido, nos últimos anos,
uma grande evolução ainda existem certos pontos e alguns questionamentos que demandam de
revisão ou atenção. Não há dúvida alguma que a questão do ato inseguro está entre estas.   Por detrás
deste termo existe um universo de  registros equivocados e quase sempre objetivando definir e
transferir a culpa para o acidentado.

Para no mesmo autor, sob o ponto de vista ético o uso inadequado do ato inseguro é um hiato
irresponsável na história da prevenção de acidentes e que contribuiu muito para que muitos
segmentos da sociedade vejam a área de segurança do trabalho, através do SESMT, com um olhar
cético e muito crítico.

O ato inseguro é um erro humano com probabilidade para causar acidentes. As consequências podem
atingir a própria pessoa ou quem estiver próximo. O erro é inerente do ser humano (GONÇALVES,
XAVIER & KOVALESKI, 2005).

Esterilização dos instrumentos

Os instrumentos fabricados em aço inoxidável devem receber alguns cuidados quanto à limpeza e
esterilização. Essas são etapas fundamentais que, se conduzidas adequadamente, possibilitam o
prolongamento da vida útil do instrumento.

A limpeza tem como objetivo a remoção dos resíduos aderidos à superfície dos instrumentos e deve
ser efetuada previamente à esterilização. Assim sendo, imediatamente após o uso deve-se efetuar uma
pré-lavagem para o amolecimento dos resíduos. Para tanto, estes devem ser submersos em solução
desinfetante, exceto hipoclorito de sódio, devendo permanecer por um período de 20 minutos.

Em seguida, promove-se a limpeza mecânica com auxílio de uma escova de náilon, sob água corrente,
com detergente neutro. Não devem ser utilizados produtos abrasivos, que favoreçam a corrosão

Após a limpeza os instrumentos devem ser bem enxaguados para total remoção da substância
detergente e enxugados, evitando-se a secagem natural ou durante a esterilização.

A permanência de produtos químicos ou de umidade favorece o aparecimento de manchas e corrosão


nos instrumentos.

O calor é o melhor método de esterilização, podendo ser utilizado o calor seco (estufa) a 160 °C, por 1
hora e meia, 170 °C por 1 hora ou o calor úmido (autoclave) 122°C durante 15 minutos.

36
Alguns cuidados devem ser tomados para que o processo de esterilização seja eficaz, sem danificar os
instrumentos.

Estufa

 Os instrumentos devem ser acondicionados em caixas ou bandejas metálicas apropriadas e


levadas à estufa aquecida. O tempo de esterilização somente deve ser contato depois de
atingida a temperatura ideal.
Deve-se evitar a permanência prolongada dos instrumentos ou superaquecimento no
processo, sob o risco de danificar os instrumentos que podem perder a têmpera ou adiquirir
uma coloração amarelada.

Autoclave

 Por se tratar de um método que utiliza o vapor sob pressão, para um perfeito funcionamento,
deve-se seguir rigorosamente as instruções do fabricante e somente utilizar água destilada. A
água contendo cloro diminui a resistência à corrosão do aço inoxidável. Os instrumentos
devem ser devidamente acondicionados em envelopes próprios ou caixas metálicas
perfuradas.

Em ambos os métodos o ciclo não deve ser interrompido e o armazenamento do instrumental


embalado é válido por uma semana em ambiente fechado, limpo, seco e em temperatura abaixo de
25°C.

Prevenção dos acidentes de trabalho, supressão de risco, proteção coletiva, proteção individual,
sinalização.

Desde os primórdios buscam-se atitudes para se proteger contra os acidentes de trabalho e minimizar
os efeitos dos perigos essenciais às atividades da vida. Algo natural, porque o ser humano é portador
do instinto de preservação, que diz respeito à importância do seu ser e que é indispensável se
proteger contra as perturbações naturais da existência humana. O progresso das ideias e o
consequente avanço mostram a teoria de que o homem buscou, e sempre buscará estar seguro,
independentemente do conjunto em que estiver inserido.
O uso de equipamento de proteção individual (EPI) está relacionado com a segurança individual, que é
indispensável para segurança dos trabalhadores, onde algumas leis e normas asseguram ao
trabalhador seu direito quanto à utilização destes equipamentos.

A obrigatoriedade das empresas no cumprimento das leis relativas à Segurança e Medicina no


Trabalho, trouxe à tona a preocupação em evitar acidentes ou doenças ocupacionais. As inovações
tecnológicas e a disseminação de informações sobre prevenção destes riscos tornam-se decisivas para
melhorar a qualidade de vida no ambiente de trabalho.

Equipamentos de Proteção Coletiva ou EPCs são dispositivos utilizados à proteção de trabalhadores


durante realização de suas atividades. O EPC serve para neutralizar a ação dos agentes ambientais,
evitando acidentes, protegendo contra danos à saúde e a integridade física dos trabalhadores, uma
vez que o ambiente de trabalho não deve oferecer riscos à saúde ou à a segurança do trabalhador...

37
Exemplos de equipamentos de proteção coletiva:

 Fitas de demarcação reflexivas - Utilizadas para delimitação e isolamento de áreas de trabalho.


 Cones de sinalização – Têm Finalidade de sinalização de áreas de trabalho e obras em vias
públicas ou rodovias e orientação de trânsito de veículos e de pedestres e podem ser
utilizados em conjunto com fita zebrada, sinalizador STROBO ou bandeirolas.
 Conjuntos para aterramento temporário – Têm a finalidade de garantir que eventuais
circulações de corrente elétrica fluam para a terra, minimizando os riscos aos trabalhadores.
 Detectores de tensão para baixa tensão e alta tensão – Têm a finalidade de comprovar a
ausência de tensão elétrica na área a ser trabalhada.
 Coberturas isolantes – Têm a finalidade de isolar partes energizadas de redes elétricas de
distribuição durante a execução de tarefas.
 Exaustores - Têm a finalidade de remover ar ambiental contaminado ou promover a renovação
do ar saudável.
 Bandeirolas - Têm a finalidade de sinalização de áreas de trabalho e obras em vias públicas ou
rodovias e orientação de trânsito de veículos e de pedestres.
 Plataformas - Tem a finalidade de carregar e suportar cargas humanas (operários) e maquinas
de trabalho.

38
Capítulo II – Serviço Nacional de Proteção Civil

Socorrismo e realidade

Lei n.º 27/2006, de 3 de Julho


Aprova a Lei de Bases da Protecção Civil
A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o
seguinte:

CAPÍTULO I
Objetivos e princípios

  Artigo 1.º
Proteção civil
1 - A proteção civil é a atividade desenvolvida pelo Estado, regiões autónomas e autarquias locais,
pelos cidadãos e por todas as entidades públicas e privadas com a finalidade de prevenir riscos
coletivos inerentes a situações de acidente grave ou catástrofe, de atenuar os seus efeitos e proteger
e socorrer as pessoas e bens em perigo quando aquelas situações ocorram.
2 - A atividade de proteção civil tem caráter permanente, multidisciplinar e plurissectorial, cabendo a
todos os órgãos e departamentos da Administração Pública promover as condições indispensáveis à
sua execução, de forma descentralizada, sem prejuízo do apoio mútuo entre organismos e entidades
do mesmo nível ou proveniente de níveis superiores.
  Artigo 2.º
Âmbito territorial
1 - A proteção civil é desenvolvida em todo o território nacional.
2 - Nas regiões autónomas as políticas e ações de proteção civil são da responsabilidade dos
Governos Regionais.
3 - No quadro dos compromissos internacionais e das normas aplicáveis do direito internacional, a
atividade de proteção civil pode ser exercida fora do território nacional, em cooperação com Estados
estrangeiros ou organizações internacionais de que Portugal seja parte.
  Artigo 3.º
Definições de acidente grave e de catástrofe
1 - Acidente grave é um acontecimento inusitado com efeitos relativamente limitados no tempo e no
espaço, suscetível de atingir as pessoas e outros seres vivos, os bens ou o ambiente.
2 - Catástrofe é o acidente grave ou a série de acidentes graves suscetíveis de provocarem elevados
prejuízos materiais e, eventualmente, vítimas, afetando intensamente as condições de vida e o tecido
socioeconómico em áreas ou na totalidade do território nacional.
  Artigo 4.º
Objetivos e domínios de atuação
1 - São objetivos fundamentais da proteção civil:
a) Prevenir os riscos coletivos e a ocorrência de acidente grave ou de catástrofe deles resultante;
b) Atenuar os riscos coletivos e limitar os seus efeitos no caso das ocorrências descritas na alínea
anterior;

39
c) Socorrer e assistir as pessoas e outros seres vivos em perigo, proteger bens e valores culturais,
ambientais e de elevado interesse público;
d) Apoiar a reposição da normalidade da vida das pessoas em áreas afetadas por acidente grave ou
catástrofe.
2 - A atividade de proteção civil exerce-se nos seguintes domínios:
a) Levantamento, previsão, avaliação e prevenção dos riscos coletivos;
b) Análise permanente das vulnerabilidades perante situações de risco;
c) Informação e formação das populações, visando a sua sensibilização em matéria de autoproteção e
de colaboração com as autoridades;
d) Planeamento de soluções de emergência, visando a busca, o salvamento, a prestação de socorro e
de assistência, bem como a evacuação, alojamento e abastecimento das populações;
e) Inventariação dos recursos e meios disponíveis e dos mais facilmente mobilizáveis, ao nível local,
regional e nacional;
f) Estudo e divulgação de formas adequadas de proteção dos edifícios em geral, de monumentos e de
outros bens culturais, de infraestruturas, do património arquivístico, de instalações de serviços
essenciais, bem como do ambiente e dos recursos naturais;
g) Previsão e planeamento de ações atinentes à eventualidade de isolamento de áreas afetadas por
riscos.

……

AVISOS

Avisos são informações que se prestam, neste


caso à comunidade escolar, sobre a previsível
ocorrência de fenómenos que podem
provocar eventuais situações de perigo.

Servem também para divulgar e relembrar as normas e procedimentos a adotar face a essas situações,
mantendo informada a comunidade do Campus do Lumiar, sobre a sua evolução.

O Campus do Lumiar tem três níveis de avisos a saber:

40
COR DOS
LEGENDA DOS AVISOS
AVISOS

Previsibilidade de ocorrência de fenómenos que não sendo invulgares, podem


representar um dano possível para pessoas e bens.

AMARELO  As pessoas devem manter-se informadas acerca da situação prevista, através dos media
ou do site do Campus do Lumiar – Gabinete de Segurança, adotando as medidas de
prevenção e adequação das suas atividades e comportamentos, de modo a não
correrem perigos desnecessários.
Situação de perigo, com condições para a ocorrência de fenómenos invulgares que
podem causar danos prováveis a pessoas e bens, colocando em causa a sua segurança.
As pessoas devem manter-se vigilantes e informarem-se permanentemente sobre a
LARANJA situação, através dos média ou do site do Campus do Lumiar – Gabinete de Segurança,
inteirando-se da sua previsível evolução e dos possíveis perigos. Devem adotar as
medidas de prevenção, precaução e autoproteção indispensáveis e adequar os seus
comportamentos de modo a não se colocarem em situações de risco.
Situação de perigo relevante, com possibilidade de ocorrência de fenómenos de
intensidade excecional, dos quais é muito provável que resultem danos consideráveis e
uma redução muito significativa da segurança das pessoas, podendo ameaçar a sua
integridade física ou mesmo a vida.
As pessoas devem manter-se permanentemente informadas da evolução previsível da
VERMELHO situação, através dos média ou do site do Campus do Lumiar – Gabinete de Segurança,
adotando as medidas de prevenção, precaução e autoproteção indispensáveis e
adequar constantemente os seus comportamentos à situação em curso, assim como
para a possibilidade da determinação de medidas de emergência.
Devem seguir-se em todas as circunstâncias, as instruções das Autoridades.
 

Capítulo III – A profissão confrontada com a doença

41
Prevenção de acidentes e doenças profissionais

Toda a doença contraída pelo trabalhador na sequência de uma exposição a um ou mais fatores de
risco presentes na atividade profissional, nas condições de trabalho e/ou nas técnicas usadas durante
o trabalho designa-se por doença profissional. O Decreto-Regulamentar n.º 76/2007, de 17 de
julho, publica a “Lista das Doenças Profissionais” que integra 5 capítulos distintos: doenças provocadas
por agentes químicos; doenças do aparelho respiratório; doenças cutâneas e outras; doenças
provocadas por agentes físicos; doenças infeciosas e parasitárias.

De salientar que qualquer lesão corporal, perturbação funcional ou doença não incluída na “Lista das
Doenças Profissionais” em que se prove ser consequência, necessária e direta, da atividade profissional
exercida pelo trabalhador e não represente normal desgaste do organismo (artigo 283.º da Lei n.º
7/2009, de 12 de fevereiro – Código do Trabalho) é também considerada doença profissional.

Sempre que o médico assistente suspeitar que o trabalhador/doente tem uma doença profissional ou
que existe o seu agravamento deve preencher o MODELO GDP 13 - DGSS de “Participação
Obrigatória”. De referir que a Participação de suspeita/agravamento de doença profissional é da
responsabilidade de todos os médicos (artigo 1.º Decreto-Lei n.º 2/82, de 5 janeiro), embora o
médico do trabalho do trabalhador seja o que usualmente reúne mais informação quanto à relação
trabalho-saúde/doença para proceder à Participação Obrigatória.

Após o preenchimento deverá enviar a Participação Obrigatória ao Departamento de Proteção


contra Riscos Profissionais (DPRP) do Instituto de Segurança Social, I.P., para se proceder à sua
confirmação, ou infirmação, no âmbito do processo de certificação de doença profissional.

Instituto de Segurança Social, I.P.

Departamento de Proteção contra Riscos Profissionais (DPRP)

Avenida dos Estados Unidos da América, n.º 39, 1749-062 Lisboa

Telefone: 808 266 266


Dada a importância e relevância desta temática no contexto da Saúde Ocupacional foi elaborada a
Informação Técnica 09/2014 da DGS relativa ao “Diagnóstico, conhecimento, prevenção e reparação
da doença profissional”.

A qualidade das condições de trabalho é um dos fatores fundamentais para o sucesso de um sistema
produtivo. Nesse âmbito, a melhoria da produtividade e da competitividade das empresas portuguesas
passa, necessariamente, por uma intervenção no sentido da melhoria das condições de trabalho.
 
A transposição da Diretiva Comunitária nº. 89/391/CEE para o ordenamento jurídico português, pelo
Decreto-Lei nº. 441/91, de 14 de Novembro, veio:
 

 Dotar o país de referências estratégicas de um quadro jurídico global, com vista à criação de
condições de trabalho que assegurassem a efetiva prevenção de riscos e doenças profissionais;
 Dar cumprimento integral às obrigações decorrentes da ratificação da Convenção nº 155 da
Organização Internacional do Trabalho, sobre Segurança, Saúde dos Trabalhadores e Ambiente
de Trabalho;
42
 Institucionalizar formas eficazes de participação e diálogo de todos os interessados nesta
matéria;
 Subsequentemente, muitos diplomas foram publicados, destacando-se o Decreto-Lei nº.
109/2000 de 30 de Junho, que veio redefinir o regime de organização e funcionamento das
atividades de Segurança, Higiene e Saúde do Trabalho (SHST), anteriormente estabelecido pelo
Decreto-Lei nº. 26/94, de 1 de Fevereiro e ratificada pela Lei nº. 7/95, de 29 de Março.

 A regulamentação destas atividades nas empresas levantou questões relacionadas com a qualificação
dos Técnicos de Segurança e Higiene do Trabalho e do seu papel nas organizações. Estes profissionais
terão como missão planear, implementar, coordenar e controlar as atividades de gestão da prevenção
e de proteção contra riscos profissionais, em consonância com o sistema de Certificação, obrigatório
desde 30 de Agosto de 2000.
 
O Decreto-Lei nº. 100/2000, de 30 de Junho, veio dar cumprimento ao disposto na Lei-Quadro
(Decreto-Lei nº. 441/91, de 14 de Novembro), estabelecendo normas de acesso à certificação
Profissional e Homologação dos Cursos de segurança e Higiene.
 
O reconhecimento dos Técnicos Superiores de Segurança e Higiene no Trabalho pressupõe a aquisição
e o desenvolvimento de competências, nos termos previstos naquele diploma legal, de modo a garantir
a prática de elevados padrões de excelência numa área de importância crescente para a qualidade
como a Segurança e a Higiene no Trabalho.

Considera-se que uma doença profissional é aquela que resulta diretamente das condições de
trabalho e que causa incapacidade para o exercício da profissão ou morte. As doenças profissionais em
nada se distinguem das outras doenças, salvo pelo facto de terem a sua origem em fatores de risco
existentes no local de trabalho.

Existe uma Lista de Doenças Profissionais, aprovadas através do Decreto Regulamentar n.º 76/2007, de
17 de Julho, embora a Lei também considera que a lesão corporal, a perturbação funcional ou a
doença não incluídas na lista serão indemnizáveis, desde que se provem serem consequência,
necessária e direta, da atividade exercida e não representem normal desgaste do organismo (Código
do Trabalho, n.º 2 do art. 310).

Higiene do profissional

Higiene consiste em um conjunto de regras e técnicas referentes à preservação da saúde e


prevenção de doenças no organismo do ser humano, através da limpeza, desinfecção e
conservação de instrumentos, espaços e objetos.

A higiene é uma regra fundamental em todas as especialidades da medicina ou de qualquer outra


atividade que trabalhe em contato direto com o organismo humano, assegurando a higiene coletiva.

No âmbito hospitalar, por exemplo, a higiene é considerada como um conjunto de procedimentos que
tem a finalidade de assegurar a proteção e bem-estar físico e psicológico dos pacientes, evitando
enfermidades; métodos esterilizantes e desinfetantes.

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Etimologicamente, a palavra higiene surgiu a partir do grego hygeinos, que significa "o que é
saudável". O termo surgiu como uma derivação do nome da deusa Hígia, a protetora da saúde e
limpeza.

A Lei n.º 102/2009 de 10 de Setembro determina o regime jurídico da promoção e prevenção da


segurança e saúde no trabalho previsto no Código do Trabalho.

De acordo com a legislação, o trabalhador tem direito à prestação de trabalho em condições que
respeitem a sua saúde, higiene e segurança asseguradas pelo empregador ou, nas situações
identificadas na lei, pela pessoa, individual ou coletiva, que detenha a gestão das instalações em que a
atividade é desenvolvida.

 
Obrigações do empregador
O artigo 15.º determina as obrigações dos empregadores, que são as seguintes:

 Assegurar ao trabalhador condições segurança e de saúde em todos os aspetos do seu


trabalho.
 Identificar os riscos previsíveis em todas as atividades da empresa, estabelecimento ou
serviço, na conceção ou construção de instalações, de locais e processos de trabalho, assim
como na seleção de equipamentos, substâncias e produtos, com vista à eliminação dos
mesmos ou à redução dos seus efeitos;
 Integrar a avaliação dos riscos para a segurança e a saúde do trabalhador no conjunto das
atividades da empresa, estabelecimento ou serviço, devendo adotar as medidas adequadas de
proteção;
 Combater os riscos na origem, por forma a eliminar ou reduzir a exposição e aumentar os
níveis de proteção;
 Assegurar, nos locais de trabalho, que as exposições aos agentes químicos, físicos e
biológicos e aos fatores de risco psicossociais não constituem risco para a segurança e saúde
do trabalhador;
 Adaptar o trabalho ao homem, especialmente no que se refere à conceção dos postos de
trabalho, à escolha de equipamentos e métodos de trabalho e produção, com vista a atenuar
o trabalho monótono e o trabalho repetitivo e reduzir os riscos psicossociais;
 Adaptar-se ao estado de evolução da técnica, bem como a novas formas de organização do
trabalho;
 Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso;
 Priorizar as medidas de proteção coletiva em relação às medidas de proteção individual;
 Elaborar e divulgar instruções compreensíveis e adequadas à atividade desenvolvida pelo
trabalhador;
 Implementar as medidas de prevenção correspondentes ao resultado das avaliações dos
riscos associados às várias fases do processo produtivo, incluindo as atividades preparatórias,
de manutenção e reparação, de modo a obter níveis eficazes de proteção;
 Sempre que confiar tarefas a um trabalhador, considerar os seus conhecimentos e aptidões
em matéria de segurança e de saúde no trabalho, fornecendo as informações e a formação
necessárias ao desenvolvimento da atividade em condições adequadas;
 Permitir o acesso a zonas de risco elevado apenas ao trabalhador com aptidão e formação
adequadas, pelo tempo mínimo necessário;

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 Adotar medidas e dar instruções que permitam ao trabalhador, em caso de perigo grave e
iminente que não possa ser tecnicamente evitado, cessar a sua atividade ou afastar-se
imediatamente do local, sem que possa retomar a atividade enquanto persistir esse perigo;
 Organizar os meios de prevenção, tendo em conta não só o trabalhador como também
terceiros suscetíveis de serem abrangidos pelos riscos da realização dos trabalhos, quer nas
instalações quer no exterior;
 Assegurar a vigilância da saúde do trabalhador em função dos riscos a que estiver
potencialmente exposto no local de trabalho;
 Estabelecer em matéria de primeiros socorros, de combate a incêndios e de evacuação as
medidas que devem ser adotadas e identificar os trabalhadores responsáveis pela sua
aplicação, bem como assegurar os contatos necessários com as entidades externas
competentes para realizar aquelas operações e as de emergência médica;
 Organizar os serviços adequados, internos ou externos à empresa, estabelecimento ou
serviço, mobilizando os meios necessários, nomeadamente nos domínios das atividades
técnicas de prevenção, da formação e da informação, bem como o equipamento de proteção
que se torne necessário utilizar.
 Observar as prescrições legais ou convencionais de segurança e de saúde no trabalho
estabelecidas para serem aplicadas na empresa, estabelecimento ou serviço;
 Suportar os encargos com a organização e o funcionamento do serviço de segurança e de
saúde no trabalho e demais medidas de prevenção, incluindo exames, avaliações de
exposições, testes e outras ações dos riscos profissionais e vigilância da saúde, sem impor aos
trabalhadores quaisquer encargos financeiros.

O não cumprimento destas obrigações constitui uma contra-ordenação muito grave e o empregador
cuja conduta tiver contribuído para originar uma situação de perigo incorre em responsabilidade civil,
explica a lei.

 Obrigações do trabalhador
Já o artigo 17.º da mesma legislação estipula as obrigações do trabalhador nesta matéria.

É sua responsabilidade:

 Cumprir as prescrições de segurança e de saúde no trabalho estabelecidas nas disposições


legais e em instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho, bem como as instruções
determinadas com esse fim pelo empregador;
 Zelar pela sua segurança e pela sua saúde, bem como pela segurança e pela saúde das outras
pessoas que possam ser afetadas pelas suas ações ou omissões no trabalho, sobretudo
quando exerça funções de chefia ou coordenação, em relação aos serviços sob o seu
enquadramento hierárquico e técnico. O não cumprimento deste item constitui uma contra-
ordenação muito grave;
 Utilizar corretamente e de acordo com as instruções transmitidas pelo empregador,
máquinas, aparelhos,

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instrumentos, substâncias perigosas e outros equipamentos e meios postos à sua disposição,
designadamente os equipamentos de proteção coletiva e individual, bem como cumprir os
procedimentos de trabalho estabelecidos;
 Cooperar ativamente na empresa, no estabelecimento ou no serviço para a melhoria do
sistema de segurança e de saúde no trabalho, tomando conhecimento da informação prestada
pelo empregador e comparecendo às consultas e aos exames determinados pelo médico do
trabalho;
 Comunicar imediatamente ao superior hierárquico ou, não sendo possível, ao trabalhador
designado para o desempenho de funções específicas nos domínios da segurança e saúde no
local de trabalho as avarias e deficiências por si detetadas que se lhe afigurem suscetíveis de
originarem perigo grave e iminente, assim como qualquer defeito verificado nos sistemas de
proteção;
 Em caso de perigo grave e iminente, adotar as medidas e instruções previamente
estabelecidas para tal situação, sem prejuízo do dever de contactar, logo que possível, com o
superior hierárquico ou com os trabalhadores que desempenham funções específicas nos
domínios da segurança e saúde no local de trabalho.

Segundo a lei, o trabalhador não pode ser prejudicado por se ter afastado do seu posto de trabalho
ou de uma área perigosa, em caso de perigo grave e iminente, nem por ter adotado medidas para a
sua própria segurança ou para a segurança de outra pessoa. Por outro lado, um trabalhador que tenha
sido responsável por criar uma situação de perigo incorre em responsabilidade disciplinar e civil.

Os trabalhadores têm direito a receber formação adequada sobre higiene e segurança e saúde no
trabalho, tendo em conta o posto de trabalho e o exercício de atividades de risco elevado, que deve
ser assegurada pelo empregador. 

Higiene ambiental

A higiene ambiental está relacionado com a preservação das condições sanitárias do meio ambiente,
com o intuito de impedir que prejudique a saúde do ser humano.

Basicamente, a higiene ambiental consiste no cuidado que o homem deve ter com o ambiente em que
vive. Varrer a casa, arrumar o quarto, lavar os alimentos antes de comer e levar o lixo para a reciclagem
são alguns exemplos de ações que contribuem para a higiene ambiental.

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Revisão de atuação em diferentes casos

Sintomatologia

Hemiparesia- diminuição da força muscular de um lado do corpo. A pessoa fica com dificuldade em
executar determinados movimentos.
Hemiplegia- é a paralisia total de um determinado lado do corpo, ou seja, o indivíduo torna-se incapaz
de mover um determinado lado do corpo ou membro.
Perda de equilíbrio
Disfagia- dificuldade na deglutição (engolir). Normalmente a líquidos (espessantes).
Disartria- incapacidade de articular as palavras de maneira correta.
Desvio da comissura labial- Pede-se à pessoa para rir ou assobiar

Fatores de risco

Hipertensão arterial- principal risco de AVC. Ao longo do tempo, a HTA leva à aterosclerose e ao
endurecimento das artérias. Isso, por sua vez, pode levar a bloqueios ou obstruções de vasos
sanguíneos, o que pode resultar em rutura.
Idade- os AVC`s são mais comuns nas pessoas com mais de 55 anos e o risco contínua a aumentar
com o decorrer da idade. Devido à arteriosclerose e à aterosclerose.
Sedentarismo
Tabagismo- o fumo duplica os riscos de AVC pois causa endurecimento (arteriosclerose) das paredes
das artérias e faz com que o sangue fique mais propenso a coagular.

Excesso de ingestão de bebidas alcoólicas- beber demasiadamente álcool eleva a pressão arterial.
Hereditariedade
Hipercolesterolémia
Diabetes

Os hipertensos têm 6 vezes mais a probabilidade de ter um AVC A prevenção do AVC passa por
medidas como:
Não fumar
Realizar uma alimentação saudável
Restrição do sal consumido

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Atividade física regular
Controlo (se necessário com medicamentos) da tensão arterial
Não ingerir bebidas alcoólicas em demasia

Procedimentos em caso de Acidente

Ferida- “é uma interrupção da integridade e das funções dos tecidos do corpo”.


Técnica de penso:

Lavar as mãos antes de fazer o penso;


Utilizar luvas aquando da execução do penso;
Irrigar a zona lesada com soro fisiológico;
Limpar a lesão com compressas esterilizadas da zona mais limpa para a mais suja, e nunca ao
contrário;
Desinfetar a ferida com um antisséptico (Betadine);
Secar a ferida com compressas, e aplicar compressas sobre a ferida, e posteriormente adesivo ou
ligadura.

Se a ferida for superficial e de pequenas dimensões, deixá-la sem proteção depois de limpa ou aplicar
uma compressa esterilizada.

Se a ferida for extensa ou mais profunda, ou com hemorragia, ou com tecidos esmagados, ou com
corpos estranhos, deverá apenas proteger com compressas esterilizadas e:

Contactar 112;
É uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital.

Queimaduras - São lesões causadas por agentes exteriores (térmicos, químicos, elétricos ou
radioativos) que afetam diretamente a integridade da pele e até pode atingir camadas mais profundas,
como músculos, tendões e ossos. Outros revestimentos corpóreos podem ser atingidos pelas
diferentes formas de agentes: o tubo digestivo e a árvore respiratória, por exemplo.

Cuidados Gerais:

Se a roupa estiver a arder, envolver a vítima numa toalha molhada ou, na sua falta, fazê-la rolar pelo
chão ou envolvê-la num cobertor;
Se a vítima se queimou com água ou outro líquido a ferver, despi-la imediatamente;
Duche com água corrente morna, para retirar vestuário exterior;
Envolver em lençol limpo;
Nunca duas zonas queimadas devem estar em contacto;
Dar água a beber frequentemente, para evitar a desidratação – complicação frequente das
queimaduras;
Nunca esquecer que o primeiro e melhor socorro para uma queimadura é a água;
A aplicação de pensos, evita o contacto com o ar o que diminui a dor. Devem ser utilizados pensos
esterilizados para evitar a contaminação da superfície queimada;

48
Se a extensão da queimadura é grande, devem utilizar-se lençóis esterilizados, ou na falta destes
lençóis limpos.

49
Não se deve aplicar qualquer tipo de gorduras. Apenas se podem aplicar compressas frias e húmidas para
aliviar a dor;
Nas queimaduras dos dedos, das axilas, etc., sempre que duas zonas da pele estejam em contacto, devem
colocar-se pensos a separá-las, para impedir que adiram.
Queimaduras oculares – lavar os olhos com um jacto de água abundante direto.
Encaminhar sempre um queimado para o Hospital ou Centro de Saúde, dependendo do grau de gravidade:
Queimaduras extensas;

Queimaduras oculares;

Queimaduras da face;

Queimaduras dos genitais;

Queimaduras das articulações;

Queimaduras de 2º e 3º grau, independentemente da extensão e da localização.


Encaminhar sempre um queimado para o Hospital ou Centro de Saúde, se apresentar alguma das seguintes
complicações:
Sinais visíveis de desidratação: apatia, fadiga, tonturas, olhos encovados, aumento da sede, língua e boca seca
e inchada;
Sinais de infeção da queimadura: inchaço, rubor e
dor em redor da zona da queimadura, que se mantêm
durante mais de 4 dias. Pode haver também saída
de pus da queimadura.

Revisão dos efeitos tardios em certos


acidentes

O envenenamento é o efeito produzido no organismo por um veneno, quer este seja introduzido por via
digestiva, por via respiratória ou pela pele.

Envenenamento por via digestiva

1.Produtos alimentares

Sinais e Sintomas:
- Arrepios e transpiração abundante, dores abdominais, náuseas e vómitos, diarreia, vertigens, prostração,
síncope, agitação e delírio.

O que deve fazer:


- Interrogar a vítima no sentido de tentar perceber a origem do envenenamento.
- Manter a vítima confortavelmente aquecida.

50
É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.

2.Medicamentos

Sinais e Sintomas:
Dependem do medicamento ingerido: pode-se observar vómitos, dificuldade respiratória, perda de
consciência, sonolência, confusão mental, etc.

O que deve fazer:


- Interrogar a vítima no sentido de tentar obter o maior número possível de informações sobre o
envenenamento.
- Pedir imediatamente orientações para o Centro de Informação Anti-Venenos:
Tel.: 21 795 01 43; 21 795 01 44; 21 795 01 46.
Indicar o produto ingerido, a quantidade provável, a hora a que foi ingerido e a hora da última refeição.
- Manter a vítima confortavelmente aquecida.

É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.

3.Produtos Tóxicos
Muitos produtos químicos são altamente tóxicos quando ingeridos: detergentes, outros produtos de limpeza,
lixívia, álcool puro ou similares, amoníaco, pesticidas, produtos de uso agrícola ou industrial, ácidos (sulfúrico,
clorídrico, nítrico e outros), gasolina, potassa cáustica, soda cáustica, etc.

Sinais e Sintomas:
Constituem importantes sinais a informação da vítima ou de alguém indicando contacto com o veneno ou a
presença perto da vítima de algum recipiente que possa ter contido ou contenha veneno.
Os sintomas variam com a natureza do produto ingerido; podem ser:
- Vómitos e diarreia.
- Espuma na boca.
- Face, lábios e unhas azuladas.
- Dificuldade respiratória.
- Queimaduras à volta da boca (venenos corrosivos).
- Delírio e convulsões.
- Inconsciência.

O que deve fazer:


- Se a vítima estiver consciente, interrogá-la no sentido de tentar obter o maior número possível de
informações sobre o envenenamento.
- Pedir imediatamente orientações para o Centro de Informação Anti-Venenos:

51
Tel.: 21 795 01 43; 21 795 01 44; 21 795 01 46.
- Em caso de ingestão de álcool, e apenas neste caso, dar uma bebida açucarada.
- Em caso de queimaduras nos lábios, molhá-los suavemente com água, sem deixar engolir.

O que não deve fazer:


- Dar de beber à vítima, pois pode favorecer a absorção de alguns venenos.
- Provocar o vómito se a vítima ingeriu um cáustico, um detergente ou um solvente.

Em caso de intoxicação conduzir a vítima imediatamente ao Hospital, levando amostras do veneno


encontrado.

B.Envenenamento por via respiratória


Os mais frequentes são o envenenamento pelo gás carbónico (fossas sépticas), pelo óxido de carbono
(braseiras) e pelo gás propano/ butano (gás de uso doméstico).

Sinais e Sintomas
A vítima começa por sentir um vago mal-estar, seguido de dor de cabeça, zumbidos, tonturas, vómitos e uma
apatia profunda que a impede de fugir do local onde se encontra.
A este estado segue-se o coma, se a vítima não rapidamente socorrida.

O que deve fazer:


- Entrar na sala onde ocorreu o acidente, contendo a respiração, e abrir a janela.
- Voltar ao exterior para respirar fundo.
- Entrar de novo e arrastar a vítima para fora.
- Colocar a vítima em local arejado.
- Desapertar as roupas.
- Se necessário fazer ventilação assistida.

Atenção:
Se se tratar de uma fossa séptica não tente retirar a vítima sem utilizar máscara anti-gás.

É uma situação grave que necessita de transporte urgente para o Hospital.

Saber mais

Primeiros Socorros Psicológicos

 
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Este ano a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu como tema para o  Dia Mundial da Saúde Mental  –
10 de Outubro – os Primeiros Socorros Psicológicos, sendo este artigo um esclarecimento do que acontece
perante um evento traumático e o que poderá fazer.
 
Os desastres acontecem de forma inesperada, repentina e avassaladora. Em alguns casos não há
sinais visíveis de danos físicos mas existe um sério envolvimento emocional. É comum as pessoas que
sofreram situações traumáticas terem fortes reações emocionais. Compreender as respostas normais em
eventos anormais pode ajudá-lo(a) a lidar eficazmente com os seus sentimentos, pensamentos e
comportamentos, e ajudá-lo(a) ao longo da recuperação.
 
O que acontece com as pessoas após um desastre ou outro evento traumático?
 
Choque e negação são respostas típicas a eventos traumáticos e desastres, especialmente após a ocorrência.
E ambas são reações normais de defesa e proteção. O choque é uma perturbação do nosso estado emocional
que aparece subitamente e é extremamente intensa. A negação é não reconhecermos que algo de muito
stressante aconteceu, ou não sentirmos plenamente a intensidade do acontecimento.
Nestas circunstâncias pode-se sentir uma dormência e desconexão com a vida. Com o desaparecimento do
choque inicial, as reações podem variar de pessoa para pessoa.
 
Respostas normais a um acontecimento traumático:
 
Emoções intensas e por vezes imprevisíveis. Irritação e mudanças de humor drásticas. Poderá desenvolver um
quadro ansioso ou até depressivo.
 
Os pensamentos e comportamentos habituais poderão ser afetados pelo trauma e pelas
lembranças vividas do evento. Estas lembranças (flashbacks) podem ocorrer sem razão aparente e podem
manifestar-se também fisicamente através de taquicardia ou transpiração excessiva. A concentração e tomada
de decisão podem estar afetadas como também os padrões de sono e alimentação.
 
Reações emocionais recorrentes são normais. Aniversários do evento, tais como o primeiro mês ou o primeiro
ano, podem desencadear lembranças perturbadoras da experiência traumática. Estes “gatilhos” podem ser
acompanhadas de medo que o evento traumático se repita.
 
As relações com os outros muitas vezes tornam-se tensas. Conflitos e discussões são frequentes e comuns
entre familiares e colegas de trabalho. Por outro lado a pessoa afetada pode retirar-se e isolar-se, evitando as
suas atividades habituais.
 
O stress extremo pode originar sintomas físicos. Por exemplo: dores de cabeça, no peito e náuseas que
podem exigir atenção médica. Pré-condições médicas podem piorar devido ao stress.
 
Como as pessoas respondem ao longo do tempo?
 
É importante perceber que não existe uma reação típica a uma experiência traumática. Algumas pessoas
respondem imediatamente enquanto que outras podem ter reações tardias – às vezes meses ou até anos.
Alguns sentem efeitos adversos por um longo período de tempo enquanto que outros recuperam
rapidamente. E as reações podem mudar ao longo do tempo. Algumas pessoas sentem mais energia anímica
na altura do desastre que os ajuda a gerir o momento para depois entrar num estado de desânimo ou
depressivo.
 
Um número de fatores tendem a afetar o período de tempo necessário para a recuperação, incluindo:

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O grau de intensidade e de perda. Acontecimentos de longa duração, ameaçadores e onde a perda de vida
ou perda substancial de bem material está envolvida, muitas vezes demoram mais tempo a resolver.
 
A capacidade para lidar com situações emocionalmente exigentes. As pessoas que já passaram por situações
stressantes podem lidar melhor com o trauma.
 
Outros eventos stressantes que precedem à experiência traumática. Pessoas confrontadas com outras
situações emocionalmente difíceis, como problema de saúde grave ou problemas familiares, poderão ter
reações mais intensas e irão precisar de mais tempo para recuperar.
 
Como ajudar a sua família e a si próprio?
 
Existem uma série de passos que podem ajudar a restaurar o bem-estar emocional e um sentido de controlo
após um desastre ou experiência traumática, incluindo o seguinte:
 
Tempo para adaptar-se. Prevê-se que este será um momento difícil na vida. Permita-se lamentar as perdas
que sofreu e tente ser paciente com as suas mudanças emocionais.
 
Peça apoio às pessoas que preocupam-se consigo, dispostas a ouvir e a empatizar com a situação. Mas tenha
em mente que o seu sistema de apoio habitual possa mudar se aqueles que estão junto de si também
passaram pela mesma experiência traumática.
 
Fale da sua experiência, da maneira que se sentir mais confortável – falar com a família, amigos ou até
escrever um diário.
 
Saiba mais sobre grupos de apoio locais ou pela Internet Estes podem ser úteis para pessoas com pouco
suporte social.
 
Tente encontrar grupos liderados por profissionais devidamente qualificados. A discussão em grupo pode
ajudar a perceber que outras pessoas já passaram pelo mesmo e muitas vezes têm reações e emoções
semelhantes.
 
Adote comportamentos saudáveis para melhorar a sua capacidade para lidar com stress excessivo. Tenha
uma alimentação equilibrada e descanse bastante. Se tiver problemas em adormecer experimente técnicas de
relaxamento. Evite álcool e/ou drogas.
 
Restabeleça rotinascomo comer as refeições em horários regulares e seguir uma prática de exercício
físico. Ter tempo para si, sem sentir as exigências da vida, como algum passatempo ou outras atividades
agradáveis.
 
Evite tomar decisões importantes para a sua vida, como a mudança de carreira ou de emprego. Este tipo de
mudança pode ser muito stressante.
 
Quando deve procurar ajuda?

Algumas pessoas são capazes de lidar eficazmente com as exigências físicas e emocionais provocadas por
eventos traumáticos, utilizando os seus sistemas de apoio. Porém é comum descobrir que problemas graves
persistem e continuam a interferir com a vida diária. Por exemplo: ansiedade elevada ou tristeza prolongada
que afeta negativamente o desempenho no trabalho e nas relações interpessoais.

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Se tiver reações prolongadas deverá procurar um profissional de saúde mental. Psicólogos e outros
profissionais podem ajudá-lo(a) com as respostas normais ao stress excessivo e a encontrar formas
construtivas para lidar com o impacto emocional.
No caso das crianças: explosões emocionais persistentes e agressivas, problemas sérios na escola,
preocupação com o acontecimento traumático, isolamento extremo e outros sinais de ansiedade extrema e
contínua apontam para a necessidade de ajuda profissional. Um profissional de saúde mental qualificado
pode ajudar crianças e pais a compreender e lidar com esses pensamentos, sentimentos e comportamentos
que resultaram do trauma.

Conclusão

A possibilidade de acidentes e situações e de doença súbita ocorrerem é sempre uma realidade

presente. A forma mais eficaz de eliminar ou reduzir nas vítimas as sequelas que resultam destes

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incidentes é através do socorro prestado nos primeiros minutos que sucedem ao incidente. A eficácia

deste primeiro socorro será tanto maior quanto maior for a formação do socorrista.

Os primeiros socorros são procedimentos básicos e simples prestados à vítima no local do acidente, a

fim de prevenir ou diminuir danos à saúde da mesma e ainda salvar a sua vida, mantendo os sinais vitais

evitando o agravamento do seu estado. Por este motivo, este curso teve como finalidade a preparação

das formandas em primeiros socorros que dão resposta a um conjunto de situações que correspondem

àquelas que mais frequentemente ocorrem. Esta formação permite ainda a preparação para intervir em

situações de emergência em que o tempo, tal como as medidas que se tomam, podem significar a

diferença entre a vida e a morte.

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Referências Bibliográficas

AA VV., Compilação de dados estatísticos sobre sinistralidade laboral e doenças profissionais em Portugal, Ed.
UGT, 2012

AA VV., Manual de higiene e segurança no trabalho, Programa de formação PME, AEP

AA VV., Qualificação de Técnicos Superiores de Higiene e Segurança no Trabalho: Manual de Formação, Ed.
Associação Industrial Portuguesa – Confederação Empresarial, 2007

Espiga, M., Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho: textos de apoio, Ed. CECOA

Manual TAT/TAS “Abordagem à Vítima” (2012) INEM

Manual “Suporte Básico de Vida” (2012) INEM

Manual de situações de emergência e primeiros socorros (2010)