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LICENCIATURA EM FÍSICA

PRÁTICA DE ENSINO – INTRODUÇÃO À DOCÊNCIA (PE:ID)

POSTAGEM 1: ATIVIDADE 1

REFLEXÕES REFERENTES AOS 13 TEXTOS

Aluno: Rodolfo Teixeira Martins

RA: 1941625

POLO DE TRINDADE-GO

2019
1.1 Educação? Educações: aprender com o índio

Uma das acepções do Dicionário Aurélio define educação como o “processo de


desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano” ¹. Embora essa não seja
a única definição aceita para o termo, ela é suficiente para levantar ao menos duas importantes
reflexões sobre o tema: qual dos aspectos (físico, intelectual ou moral) deve ser o foco do processo
educativo? Existe algum padrão universal de educação que transcenda as barreiras culturais?

No texto apresentado, os chefes indígenas das Seis Nações recusam a oferta dos homens
brancos, adotando um toque de ironia ao afirmarem, cientes do perigo que os brancos ofereciam,
que estavam convencidos de que estes desejavam aos nativos apenas o bem, apesar de os índios
educados na ciência dos brancos se tornarem “totalmente inúteis”. A educação dos brancos não
servia para o modo de vida na tribo, uma vez que não se valorizavam os aspectos físicos
necessários para a sobrevivência, como a caça, a capacidade de correr e a habilidade para a guerra,
nem os intelectuais e práticos, como o conhecimento da língua e da construção de uma cabana.

Se conhecimentos sobre álgebra e geografia em escala global são indispensáveis para um


comerciante que viaja o mundo, são completamente desnecessários para a vida na natureza. A
educação varia enormemente conforme a cultura à qual o indivíduo deve se ajustar, definindo não
apenas as habilidades importantes e inúteis para o seu bom desenvolvimento, como também
moldando a sua visão de mundo. Em Pedagogia do oprimido, o professor Paulo Freire destaca
que²

“A experiência histórica, política, cultural e social dos homens e das mulheres jamais
pode se dar ‘virgem’ do conflito entre as forças que obstaculizam a busca da assunção de
si por parte dos indivíduos e dos grupos e das forças que trabalham em favor daquela
assunção.”

No exemplo em questão, os colonizadores assumiram estar em uma posição superior, em


que deveriam ajudar a “civilizar” os colonizados através da educação das suas crianças, sem
perceberem que, na verdade, existia uma outra possibilidade, a de uma educação completamente
diferente da que propunham, pautada pelos aspectos práticos e culturais da vida na tribo.
[1] FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda et al. Miniaurélio século XXI: o minidicionário da
língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, v. 4, 2001.

[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo
Freire. – São Paulo: Paz e Terra, 1996.

1.2 O fax do Nirso

O linguista Marcos Bagno afirma que “o preconceito linguístico se baseia na crença de que
só existe (...) uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas
escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários”¹. Para o autor, entre outras
consequências, o preconceito linguístico representa uma forma de marginalização e exclusão.
Contudo, isso não significa que a língua portuguesa não possua uma unidade gramatical nem usos
mais adequados a determinadas situações. Pelo contrário: usar a língua, tanto oralmente como em
sua forma escrita, é encontrar o equilíbrio entre o aceitável e o adequado.

No texto lido, O fax do Nirso, um vendedor de uma empresa, aparentemente de grande


porte, dado o número de peças comercializadas, mostra-se um comerciante extremamente
competente, apesar de desconhecer a norma culta da língua, cometendo uma série de erros
ortográficos em seus bilhetes. A forma como ele se expressa preocupa um dos gerentes, porém
acaba sendo endossada pelo presidente, que sugere que a preocupação dos funcionários deva ser
vender ao invés de escrever corretamente. A resposta do presidente revela uma intenção puramente
mercadológica, segundo a qual a única coisa importante é o lucro e, embora pareça que ele está
desconstruindo o preconceito linguístico e defendendo o seu funcionário, dificilmente o alto
escalão da empresa permitiria que “Nirso” ocupasse um cargo de destaque.

A professora Sílvia Colello, professora da Faculdade de Educação da USP, acredita que “a


maneira como se fala e como se escreve determina melhores e piores perspectivas no âmbito
profissional”. A norma culta não perdeu seu espaço no mercado de trabalho, afinal o conjunto de
regras da língua existe para que se torne possível o entendimento entre pessoas diferentes e existe
um limite normativo que, quando ultrapassado, compromete a transmissão da informação.
Dominar a língua é essencial, não apenas profissionalmente, mas também como objeto de
desenvolvimento humano e intelectual. Diante disso, a atitude do presidente não deveria ser cobrar
“vender mais” e “escrever menos”, mas tomar alguma medida no sentido de permitir ao seu
empregado dominar a norma padrão da língua, o que não o tornaria um pior vendedor, apenas um
vendedor com uma melhor capacidade de comunicação.

[1] BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. Edições Loyola, 1999, p. 40.

[2] A língua portuguesa e o mercado de trabalho! Disponível em


<https://www.bebee.com/producer/@francianerh/a-lingua-portuguesa-e-o-mercado-de-
trabalho>. Acesso em 19 abr. 2019.

1.3 A História de Chapeuzinho Vermelho (na versão do lobo)

Segundo o texto abordado, podemos encontrar um segundo ponto de vista que


normalmente não é lembrado nas histórias. Temos aqui o conto dos irmãos Grimm sendo narrado
pelo olhar do lobo, que, antes visto como mau, agora é visto como injustiçado, contando sua versão
dos fatos ocorridos na história, onde ele deixa de ser um vilão e somos apresentados a humanos
que maltratam animais e destroem o meio ambiente.

Normalmente, a história contada para as crianças seria abordada por um só ângulo e as


crianças, já treinadas a ouvirem os adultos por terem sido criadas em uma cultura na qual estes
estão sempre certos e que é errado contestá-los, aceitariam tudo de maneira passiva. E, por que,
afinal, isso é um perigo? Ora, crianças que crescem sem questionar o que lhes é passado e abraçam
tudo que lhes é proposto se tornam adultos desacostumados a ter um raciocínio crítico e são
submetidos a viver de forma alienada, aceitando o conhecimento, a carreira e o modelo de vida
vendido por terceiros, perdem a sua autonomia e a sua liberdade de decidir sobre o próprio futuro,
adotando uma postura, de certa maneira, comercial diante das escolhas a que são expostos durante
a vida.

Cabe aos pais e professores oferecer suporte e abrir espaço para os alunos terem a
oportunidade de avaliar e questionar os conhecimentos transmitidos muitas vezes de forma
passiva, desenvolvendo um próprio julgamento próprio. Isso não exclui, de nenhuma maneira, a
necessidade de se abordar o conhecimento e os pontos de vista construídos ao longo da história
pelas outras pessoas. Como afirma Freire¹, “A superação e não a ruptura se dá na medida em que
a curiosidade ingênua, sem deixar de ser curiosidade, pelo contrário, continuando a ser curiosidade,
se criticiza”. Um dos objetivos da educação deve ser a criticização da curiosidade, permitindo que
o educando, a partir do seu próprio juízo, abandone o domínio da curiosidade ingênua e se torne
epistemologicamente curioso.

[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo
Freire. – São Paulo: Paz e Terra, 1996.

1.4 Uma pescaria inesquecível

O texto apresentado traz uma reflexão extremamente superficial sobre ética, que poderia,
talvez, ser considerada pertinente num contexto de educação básica, mas que falha em aprofundar
o conceito trabalhado, um tema tão central dentro da filosofia, em um nível mais adequado ao
ensino superior.

Na história apresentada, o pai não permite que seu filho leve um enorme peixe para casa,
uma vez que foi pescado fora da temporada permitida, apesar de não haver pessoa alguma os
observando. O autor então prossegue, no melhor estilo dos “textos de Whatsapp”, dizendo que “a
ética é simplesmente uma questão de CERTO e ERRADO” e o agir eticamente seria agir da forma
correta quando não há ninguém observando.

A noção de moral expressa no texto se aproxima, ainda que a uma significativa distância,
da moral categórica Kantiana, segundo a qual, em uma das formulações do imperativo categórico,
deve-se agir apenas quando a máxima de sua ação puder se converter em uma lei universal¹. No
caso da pescaria, se todas as pessoas pescarem fora de temporada, os peixes não irão procriar de
maneira adequada e, consequentemente, ninguém mais poderá pescar, logo se trata de uma ação
reprovável.

O estudo da ética é, extremamente importante, não apenas do ponto de vista da sociedade,


que se beneficia de ações pautadas por princípios morais, mas também no âmbito interno,
contribuindo para o desenvolvimento de uma “bússola moral” que deve guiar as atitudes do
indivíduo. A não inclusão da ética nas grades curriculares da educação básica pode ser interpretada
de duas maneiras – como um desleixo das autoridades competentes, que não olharam com a devida
atenção para o assunto, ou como uma simples questão de escolha, segundo a qual não cabe a uma
autoridade governamental decidir quais princípios éticos devem ser estudados, deixando isso a
cargo das famílias das crianças e adolescentes.

[1] KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril Cultural,
1980.

1.5 A folha amassada

No texto em questão, o professor vale-se de uma analogia para ensinar uma valiosa lição
ao seu aluno. Por mais que seja difícil impactar de maneira permanente a personalidade de uma
pessoa – no caso, o caráter impulsivo do aluno – a maneira como o professor lidou com a questão
foi extremamente didática e positiva: ao invés de repreender o aluno, aproveitou que ele
normalmente se arrependia depois de seus atos explosivos e mostrou a ele que nem sempre o
pedido de desculpas resolve, algumas ações produzem consequências irreversíveis.

Dentro da sala de aula, na posição de educador, é preciso ter sempre em mente o impacto
que suas palavras e ações podem ter para os alunos, que muitas vezes o veem como um exemplo
a ser seguido. Sobre esse ponto de vista, acredito que, ao menos na educação básica, lidando com
crianças e adolescentes, considero-me preparado para a função de educador. Quando criança,
estudei em um colégio pequeno, com um ambiente bastante familiar (chamávamos as professoras
de “tias”) e com um ótimo rendimento escolar. É nas minhas professoras da infância que eu me
inspiraria para saber como me comportar em sala de aula e, mesmo que algumas fossem mais
rígidas que outras, não me lembro de nenhuma que tenha traumatizado um aluno com suas
palavras.
1.6 A lição dos gansos

Antes de proceder para a moral que se pretende discutir com o texto, é preciso fazer
algumas ressalvas. No texto “a lição dos gansos”, o autor afirma que “quando cada ave bate as
asas, move o ar para cima”, o que está incorreto, pois a ave, quando bate as asas, move o ar para
baixo e, em consequência da terceira Lei de Newton, é empurrada para cima (esta explicação é
bastante simplificada e não contém, de modo algum, toda a física envolvida no complexo voo das
aves). Em seguida, é dito que “bando se beneficia de pelo menos 71% a mais de força de voo do
que uma ave voando sozinha”, afirmação que gera no mínimo um questionamento: o que seria
“força de voo”? Além disso, não se cita qualquer fonte sobre o valor de 71% citado. A formação
de voo de fato garante um menor gasto energético das aves do que se estivessem voando sozinhas,
como sugere o texto “Why Do Birds Fly in Vs?”¹, as aves se aproveitam da corrente ascendente
produzida e da menor resistência do ar quando voam na trilha do pássaro à sua frente.

Quando os gansos voam na sua formação migratória, todos os do grupo se beneficiam.


Contudo, a ave na posição frontal é a que precisa de fazer maior esforço, uma vez que ela não
possui nenhuma outra à sua frente, tanto que esta posição não costuma ser ocupada por pássaros
mais jovens e inexperientes². Ser um professor é ocupar a posição frontal, ensinando os alunos a
importância da cooperação e ajudando-os a percorrer o caminho do aprendizado – se os gansos se
aproveitam da formação em V para gastar menos energia, um bom professor tornará mais simples
o processo educativo.

[1] Why Do Birds Fly in Vs? Endangered Bird Solves the Mystery. Disponível em
<https://www.pbs.org/wgbh/nova/article/endangered-bird-solves-mystery-of-v-formation/>. Acesso em
30 abr. 2019.

[2] Por que alguns bandos de pássaros se movem em forma de V? Disponível em


<https://www.terra.com.br/noticias/educacao/voce-sabia/por-que-alguns-bandos-de-passaros-se-movem-
em-forma-de-v.html>. Acesso em 30 abr. 2019.
1.7 Assembleia na carpintaria

Conforme a história abordada no texto Assembleia na Carpintaria, vemos o resultado das


ações realizadas por pessoas que nos cercam no dia a dia. No momento em que apenas criticamos
uns aos outros e desprezamos as suas qualidades, estamos desmotivando-os em sua busca por
florescer suas conquistas e melhorar o seu labo bom. De fato, todas as pessoas têm defeitos, porém,
todas também possuem qualidades e dependendo da maneira como trabalhamos com elas estamos
despertando os seus dois lados. Existem pessoas que se sentem melhores ao diminuir o próximo,
e isso deve ser evitado. Vamos pensar num exemplo: um aluno faz um desenho não tão bonito, o
professor ao chegar perto do aluno que está desenhando, fala em voz alta como o desenho está feio
e que aluno não sabe desenhar. Qual resultado podemos esperar dessa atitude do professor? Será
que o aluno vai se sentir encorajado a desenhar novamente? Provavelmente não. O aluno não irá
mais desenhar por medo de ser criticado, uma vez que foi humilhado diante da sala. E o talento
que ele poderia desenvolver não mais será, por conta da atitude de seu professor, além de outros
possíveis traços de personalidade (medo de reprovação, timidez). Mas se o professor tivesse
tomado uma atitude diferente e buscado algo para elogiar, o aluno se sentiria encorajado para
continuar desenhando e se empenhando.

Destacar as qualidades em detrimento dos defeitos deve ser uma atitude a ser tomada não
apenas em salas de aulas, mas em todo meio. Equipes motivadas produzem mais e melhor. Além
disso, ser uma pessoa negativa que sempre está observando os defeitos, faz com que as pessoas
não queiram ter a sua companhia, você será visto como uma pessoa tóxica para a sociedade.

Do outro lado, precisamos tomar cuidado com a maneira como enfocamos as qualidades
dos outros, inclusive os professores e pais para os seus alunos e filhos, já que eles são os principais
responsáveis pelo desenvolvimento das crianças. Deve-se atentar ao modo como é feito o elogio e
sobre o que irá ser elogiado. Elogiar a maneira como a criança desenvolveu tal atividade dando
enfoque ao processo de realizá-lo é mais conveniente do que elogiar a criança apenas dizendo que
ela é inteligente. Ao elogiar a maneira como a criança realizou a tarefa, além de mostrar que você
realmente observou o que ela fez, faz com que ela tome consciência do que ela fez de bom e
aprimorar. Ao ficar apenas repetindo para a criança como ela é inteligente ao ver uma tarefa que
ela fez, faz ela se sentir inteligente o bastante e ache que não precise aprimorar nada, já que é
inteligente o bastante. Portanto, devemos valorizar as qualidades em detrimento dos defeitos,
porém, com cautela e da maneira correta.

1.8 Colheres de cabo comprido

Segundo o texto apresentado, “Colheres de cabo comprido”, nos deparamos com duas
situações: na primeira situação encontramos com um grupo que está passando fome e não se
ajudam para saciá-la. Já no segundo grupo vemos como a união faz a diferença, eles fizeram ao
contrário do primeiro grupo e se ajudaram e no final estavam todos felizes. Ao observar esses dois
grupos podemos transportar a situação deles para a vida real, mas invés de ter cabos compridos
que nos impossibilita de comer, temos os obstáculos do nosso dia a dia.

A diferença que um trabalho em equipe faz nos obstáculos que encontramos no nosso
cotidiano é essencial e faz a diferença. Podemos seguir o ditado: “Duas cabeças pensam melhor
do que uma”. E quem dirá três, quatro e mais cabeças? O trabalho em equipe é uma habilidade que
devemos trabalhar nas pessoas desde pequenas, sendo elas nossos alunos, devemos desenvolver o
seu senso de sociabilidade, seja com trabalhos em grupos e dinâmicas, sendo essas as melhores
formas para trabalhar essa habilidade.

Ela vai servir para a vida inteira, pois é considerada uma das qualidades mais bem vistas
pelos gestores e entrevistadores, tanto que em diversos processos seletivos vemos os grupos tendo
que passar por dinâmicas em grupo, portanto, desempenhar um bom trabalho conjunto é essencial
para quem deseja trabalhar.

Alguém que não sabe trabalhar em equipe, tente a ter que resolver os problemas sozinhos
e pode perder oportunidades de não achar a melhor solução, já que não está lidando com o
problema olhando através de outros ângulos. Ao trabalhar em equipe temos nela pessoas com
experiências passadas diferentes e por isso cada uma olha para a situação sob um olhar diferente,
já que carregamos conosco uma percepção de mundo pessoal e única. Por isso é de suma
importância saber trabalhar em equipe, com isso temos uma probabilidade maior de encontrar
novas soluções vinda de várias pessoas e podemos aprender com elas.
1.9 Faça parte dos 5%

Podemos observar no texto proposto a estratégia do professor de Fisiologia em fazer os


alunos se manterem quietos e prestar atenção à sua aula. Ao fazer o discurso sobre a sua descoberta
no ramo da educação em que ele diz que apenas 5% de qualquer grupo, seja de alunos ou de
profissionais, são realmente especiais e fazem a diferença fez com os seus alunos quisessem se
sentir parte deste seleto grupo. O importante para se observar não é a veracidade ou não da
descoberta feita por ele e sim o impacto que isto causou em seus alunos.

A ideia de pensarmos que existe apenas uma pequena porcentagem da população em que
se destaca e que faz a diferença faz com que a gente se dedique mais para fazer parte dele. O
problema do professor foi resolvido, os alunos prestaram a atenção por medo de serem
considerados excluídos do grupo e servirem apenas para fazer volume, o discurso do professor
serviu como uma fala motivacional para querermos estar entre os melhores, porém, ao mesmo
tempo pode trazer complicações para o mundo atual. Ele acaba estimulando a competitividade e
sempre neste tipo de relação alguém sai como perdedor, como aquele que não é especial o bastante
para fazer parte dos 5% e isso pode afetar a maneira como ele lida com isso, alguns casos de
desmotivando mais e se sentindo inferior aos outros. Não deve dividir pessoas em “grupos” em
que não há chance de mudar, como é tratado em seu discurso, isso seria como dividir pessoas em
castas e colocar as pessoas como superiores e inferiores. Todo ser humano tem a sua subjetividade,
isto é, a sua maneira de enxergar o mundo e absorver os acontecimentos externos, e isso faz com
que nos tornemos diferentes uns dos outros. Com isso, quando alguém não consegue se destacar
como o “melhor” da turma, ou não consegue tirar a maior nota não quer dizer que ele é inferior ao
restante e deve ser deixado de lado, uma vez que somos todos diferentes.

O professor teve um problema a ser resolvido e conseguiu lidar com ele de maneira
superficial e a curto prazo, em contraposição, marcou os seus alunos para o resto de suas vidas de
maneira positiva ou negativa, dependendo da subjetividade do aluno por como ele absorveu a lição
dada por seu mestre. Por isso, um professor deve ter a sensibilidade e saber que está lidando com
diferentes pessoas e cada pessoa sofreu um processo de vida diferente da outra até chegar na sala
de aula.
1.10 O homem e o mundo

Na história com que deparamos em “O homem e o Mundo” vemos um pai que se


surpreende com o filho, quando ele espera que este realize uma tarefa da maneira “padrão” e vê
que o outro usou um método totalmente diferente do que ele imaginava, sendo criativo e usando
os recursos disponíveis.

A atitude que o filho tomou não deve ser combatida, devemos abrir espaço para o
desenvolvimento deste tipo de inteligência. Não devemos cortar a criatividade das crianças, pois
se cortarmos, elas não irão desenvolver a autonomia de pensar por si, e acabarão ficando restritas
a seguir padrões e modelos pré-estabelecidos. Quando pararmos de controlar o pensamento dos
mais jovens e deixarmos criarem autonomia, vamos avançar na ciência e descobrir novas
inteligências para desvendar o mundo.

Pais e professores, como papel de educadores, tendem a ditar as regras e em ensinar aos
filhos e alunos sobre as suas experiências e seus saberes, isso não está errado, porém devemos ter
em mente que não temos todo saber do mundo e podemos aprender nós também com os pequenos.
Assim como Sócrates, declarado pelo oráculo o homem mais inteligente do mundo durante o
século IV a.C na Grécia, ia para a Ágora discutir com os gregos em busca da sabedoria deles,
devemos dar ouvidos aos que julgamos menos inteligentes por terem menos experiência do que
nós e aprender com eles as suas manifestações percepções e inteligência.

1.11 Professores reflexivos

Uma professora que se encontra de férias viajando de cidade para cidade, dormindo e
conhecendo diversos hotéis se vê diante uma mudança quando o próximo hotel que está hospedada
não à trata da mesma maneira que os demais, este hotel é um dos inúmeros hotéis que existem ao
redor do mundo, de uma forma padrão em que os funcionários devem seguir regras de
comportamento e se vermos de uma forma metafórica, eles trabalham como robôs, estão ali para
cumprir suas tarefas e nada mais. Apesar de ser uma forma que podemos universalizar para manter
o padrão ao redor do mundo e assim facilitar as tarefas e como lidar com imprevistos (uma vez
que deve-se tratar os imprevisto sempre da mesma maneira também), não temos uma forma
humanizada de lidarmos com o outro, e nós não somos robôs, nós temos sentimentos e somos
capazes de ações própria nossas, que podemos agir em favor da ajuda e da nossa empatia com os
demais.

Em escolas que adotam essa prática, os alunos acabam sendo vistos como produtos sendo
fabricados de forma mecanizada numa fábrica de produção, em que os professores têm o papel
apenas de montar e aperfeiçoá-los. O problema é que não somos objetos ou simples produtos de
mercados, as relações sociais são necessárias para as pessoas, para a sua formação pessoal e suas
experiências. Assim como a habilidade de trabalhar em equipe é uma das mais bem vistas na
sociedade, ter a sensibilidade quando tratamos de pessoas ajuda com esta habilidade.

Não apenar no Brasil, onde o brasileiro é visto como receptivo, mas no mundo todo não
podemos esquecer que somos humanos, que podemos nos ajudar e que somos capazes de causar
sensações positivas nas outras pessoas com uma simples ajuda que esteja ao nosso alcance. É
responsabilidade dos professores e alunos, no papel de tutores, despertar esse senso de empatia e
sociabilidade em seus pupilos. Não estamos tratando de máquinas e sim de pessoas, pessoas que
se sentem vulneráveis, solitárias e felizes, entre outros sentimentos. E esses sentimentos podem
ser mudados através do outro, por isso devemos nos tratar de acordo com o que somos: seres
humanos.

1.12 Um sonho impossível?

No último ano, o Brasil piorou sua posição no ranking de desigualdade econômica¹,


passando para a nona posição. A desigualdade social é a raiz de muitos dos nossos piores
problemas, como violência urbana e contra a mulher, corrupção e estagnação econômica, e a
educação talvez seja a única solução a longo prazo. Contudo, o acesso a educação de qualidade é
profundamente impactado pelas desigualdades sociais que se infiltram na estrutura do nosso país,
impedindo que o ciclo da pobreza seja quebrado.

Atualmente, até os mais conservadores (ao menos grande parte deles) considerariam um
absurdo uma pessoa não ter direito de frequentar um hospital de ponta ou uma escola de alto
rendimento por ser negra ou descendente de indígenas. Contudo, a maioria das pessoas em nossa
sociedade considera aceitável, até mesmo justo, que um indivíduo seja excluído desses ambientes
por não poder pagar os valores cobrados. Avançamos, a despeito de muito ainda a ser feito, nos
últimos anos, no combate à discriminação racial, de gênero e sexual, porém, ao mesmo tempo,
normalizamos a discriminação socioeconômica.

Durante a minha primeira graduação, lecionei por quatro anos em um cursinho pré-
vestibular assistencialista, o CASD Vestibulares, destinado apenas a estudantes de baixa renda,
que não possuíam condição de frequentar um curso pago. Indubitavelmente, a atuação pedagógica
era diferente do que seria em uma escola particular. Os alunos em situação socioeconômica
vulnerável requeriam um maior cuidado quanto a cobrança feita e ao trato pessoal – por exemplo:
dificilmente eu acordaria um aluno do CASD, sabendo que havia uma alta probabilidade de ele ter
trabalhado antes de chegar ao curso, enquanto acordaria sem pensar duas vezes um aluno de uma
escola de elite. É muito importante saber em que medida o tratamento deve ser diferente em ambos
os ambientes: os alunos de baixa renda não devem, em hipótese alguma, serem tratados como
menos capazes, não se deve esperar menos deles, mas compreender sua situação e permitir, em
alguns momentos, que tomem liberdades que não seriam dadas a alunos de classe alta que possuem
toda uma estrutura familiar favorável ao seu desenvolvimento escolar.

Um dos problemas que enfrentávamos no curso assistencialista era a alta evasão de alunos
ao longo do ano. Como formas de combater a evasão, tínhamos um departamento de recursos
humanos focado nos alunos, responsável, entre outras coisas, por telefonar para os alunos que
vinham faltando consecutivamente, organizar atividades lúdicas nos intervalos e atividades
motivacionais. Uma das mais interessantes atividades motivacionais era garantir que cada aluno
receberia, ao final do ano, uma carta escrita por um professor ou membro administrativo,
relembrando o esforço do aluno e desejando um bom desempenho nos vestibulares.

[1] Brasil piora e já é o 9º do ranking global de desigualdade de renda. Disponível em


<https://oglobo.globo.com/economia/brasil-piora-ja-o-9-do-ranking-global-de-desigualdade-de-
renda-23254951>. Acesso em 01 mai. 2019.
1.13 Pipocas da vida

Segundo Albert Einstein “Insanidade é continuar fazendo a mesma coisa e esperar


resultados diferentes”, podemos seguir a célebre frase do ilustre físico para começarmos a refletir
sobre a narrativa da “Pipocas da Vida”. Podemos concordar que se manter na zona de conforto
tem os seus benefícios, entre eles, não temos que nos esforçar para viver no nosso dia a dia e já
conhecemos todas técnicas e modos de levar a situação. Podemos seguir por essa linha e imaginar
um trabalhador que levanta todo dia no mesmo horário e vai para o seu trabalho, no seu trabalho
esse homem vai fazer o que faz todo dia, vai tirar uma pausa para o almoço, depois voltar para o
trabalho e no fim do dia vai para sua casa. Esse trabalhador, tem o seu salário garantido todo os
meses e continua vivendo sua vida da mesma forma todos os dias durante por mais ou menos 35
anos até se aposentar. Isso seria aproveitar a vida?

Tendemos a achar que a vida é curta, em que podemos deixar para depois nosso plano de
aprender a tocar violão ou pular de paraquedas e quando percebemos já se passaram anos e não
temos mais condições, mas isso não significa que é necessário que estouremos o mais rápido
possível a nossa pipoca interior.

Também não podemos ser o piruá, que no final fica queimada e dura, pois, o seu tempo de
estourar se passou. Cada pessoa leva o seu tempo e devemos respeitar isso, mas como papel de
educadores não podemos deixar que esse tempo se passe e a vida da pessoa esteja passando por
ela sem ser vivida, pois sair da zona de conforto da medo sim, mas é necessário, mesmo que essa
mudança não saia como pretendida (porque nem sempre vai sair), uma vez que depois dela não
seremos mais os mesmos, teremos conosco uma experiência pessoal que vai ser usada na nossa
subjetiva e percepção de mundo e vai nos ajudar a superar essa mudança ruim para alcançarmos
algo que nos satisfaça, algo que faça nos faça sentir vivos e nos dê satisfação em sair da zona de
conforto.
2. Referências – livro-texto

ALARCÃO, I. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003. p. 7‑10.

ALVES, R. A pipoca. In: O amor que acende a lua. Campinas: Papirus, 1999. p. 54‑57.

BRANDÃO, C. R. O que é educação. In: Coleção Primeiros Passos. 28ª ed. São Paulo: Brasiliense,
1993.

CRUZ, C. H. C. Competências e Habilidades: da proposta à prática. Coleção Fazer e Transformar.


2ª ed. São Paulo: Loyola, 2002.

HAIDT, R. C. C. Curso de Didática Geral. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2002.

LENFESTEI, J. Histórias para aquecer o coração dos pais. Rio de Janeiro: Sextante, 2003.

RAMOS, M. N. Da Qualificação à Competência: deslocamento conceitual na relação


trabalho‑educação. Niterói: UFF, 2001.

ROSA, G. Grande Sertão: Veredas. 33ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

<www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/saberefazer.htm>. Acesso em: 19. jan 2012.

<www.rubemalves.com.br>. Acesso em: 19. jan 2012.

<www.celsoantunes.com.br>. Acesso em: 19. jan 2012.

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