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MEDIAÇÃO ENTRE PARES

Com este programa formativo propôs-se responder a uma necessidade de promoção de


competências pessoais e interpessoais destes alunos que assumem um papel central na gestão
das turmas, junto dos seus pares e dos professores.
A Formação decorreu no mês de Novembro de 2008 e abordaram-se diversos tópicos
fundamentais no âmbito da convivialidade e da resolução de conflitos, nomeadamente:
problemas de convivência na escola, atitudes comunicacionais, atitudes de partilha e
acolhimento de emoções e sentimentos; investigação de interesses e necessidades e
abordagens e tipos de resolução de conflitos: como próprios ou como terceiros.
O programa de mediação de conflitos centrado nos alunos, pressupõe que a Escola delegue
nestes uma parte do poder na gestão de conflitos e os responsabilize pela harmonia social da
escola. Tendo em atenção a ausência ou o reduzido leque de competências na resolução dos
conflitos manifestada pelos jovens, a Escola procurou formá-los para uma intervenção eficaz e
positiva no contexto das turmas a que pertencem.
Salientamos a faixa etária dos alunos Delegados e Sub-delegados, com idades
compreendidas entre os 11 e os 15 anos, uma vez que se encontram numa fase em que a
formação da identidade, a procura do “eu” está num processo dinâmico em busca de respostas
para as dúvidas cada vez mais emergentes. Na teoria de Piaget sobre o desenvolvimento
cognitivo podemos verificar que é nesta faixa etária que as crianças são capazes de pensar em
todas as relações possíveis logicamente, procurando soluções a partir de hipóteses e não
apenas pela observação da realidade. O pensamento abrange a perspectiva de "outros”, para
além de si próprio. Desta forma, consideramos ser uma altura ideal para se implementar esta
formação, permitindo aos alunos a aquisição de novos conceitos com o objectivo da sua
interiorização e posterior utilização. Encontrando-se ao nível da metacognição, esta formação é
uma forma de auto-reflexão, que lhes permite o alargamento da imaginação, experimentação
das ideias ao nível mental.
Esta iniciativa de intervenção formativa, com este grupo específico, tenderá a inserir-se num
projecto mais vasto e ambicioso de mediação escolar que visa conferir à escola meios para se
tornar uma organização de gestão e resolução positiva de conflitos e promotora de sã
convivência, implicando a envolvência de todos os actores da comunidade escolar.

A Escola pode encontrar na Mediação uma abordagem para a transformação criativa dos
conflitos, aceitando aproveitá-los como uma oportunidade de crescimento e de mudança, um
potencial educativo e de formação pessoal para a resolução dos problemas da vida, actuais e
futuros.
A Mediação Escolar é um meio de diálogo e de reencontro interpessoal, de resolução dos
conflitos, em que um terceiro, neutro e imparcial, auxilia os indivíduos a comunicar, a negociar e
a alcançar compromissos mutuamente satisfatórios

Assim, na Escola, enquanto espaço relacional, interessa educar nos princípios, habilidades e
técnicas da mediação, dando forma à figura do mediador escolar, e apoiando,
concomitantemente, a configuração de equipas de mediação, nas quais poderão participar
professores, alunos, pessoal não docente e encarregados de educação.
Como estratégia de intervenção para a mudança do contexto assim como dos seus actores,
a mediação pode ser, simultaneamente, uma forma de prevenção primária e de prevenção
secundária (intervenção precoce).
A mediação assume uma função preventiva primária porquanto é uma metodologia que está
ligada ao desenvolvimento do trabalho cooperativo e das competências que lhe são inerentes,
designadamente a da resolução de problemas, como por exemplo: competências de
comunicação; educação para os valores; desenvolvimento do auto-conceito; participação social;
clima social positivo; ou espírito de entre-ajuda. A prevenção dos problemas de convivência
constitui igualmente uma acção preventiva da desmotivação, do insucesso e do abandono
escolar, a curto e médio prazo, e de fenómenos de carácter social, como a delinquência e a
exclusão, a longo prazo (Amado & Freire, 2002).
Da mediação resulta também uma prevenção secundária (intervenção precoce), pois permite
trabalhar acções concretas que aumentam a capacidade de intervenção precoce face aos
conflitos. A mediação apresenta-se como uma ferramenta educativa que prepara os alunos para
a imparcialidade, a escuta activa, a empatia, gerir a informação, atender aos interesses e
necessidades, acolher as emoções e os sentimentos, tão importantes para o bom funcionamento
interpessoal e profissional na Escola.
Vários estudos têm revelado que a mediação permite cumprir vários objectivos educativos,
com destaque para os seguintes níveis

SABER SABER FAZER SER

Valorizar as qualidades
Identificar o conflito como próprias;
algo normal e inerente às Comunicar de um • Respeitar os outros e as
relações interpessoais; modo diferenças;
• Analisar os conflitos; claro • Cultivar a empatia,
• Identificar as melhores e tolerando
formas de actuar; assertivo; as
• Conhecer técnicas pacíficas • Realizar actividades particularidades
de resolução de conflitos de forma cooperativa dos
• Estar receptivo à mudança e a gerir os conflitos demais,
(mudar de posição face a • Apreciar o valor da
novas situações). cooperação;
• Valorizar
as
potencialidades positivas
do conflito

Em suma, a mediação assume um objectivo eminentemente educativo e preventivo, sendo


potenciadora do conhecimento de si e do outro e de hábitos de convivência: como o respeito, a
tolerância, a justiça e a solidariedade, que devem ser a base da Sociedade, da Família e da
Escola

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